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ROTEIRO ORIXÁS I

Curso dedicado à introdução sobre o sentido dos Orixás na Tenda de Benedito. Pré requisito: Alistamento; O que é
Umbanda;

AULA 1

 O QUE SIGNIFICA ORIXÁ

Numa pesquisa rápida, encontramos uma definição bastante interessante para Orixá, no blog
https://umbandareligiao.wordpress.com/guias/. Segue a definição:

Os Orixás: são vibrações cósmicas provindas das leis que regulam a vida.

Denominou-se Orixá como toda aquela faixa vibratória segmentada associada a um elemento da natureza. “A luz
que se releva”, ou seja, no principio da criação, DEUS, manifestou sua intenção, e sua intenção são os orixás
denominados “divindades” e esses, em termo africanizado, significa “ori” = cabeça, “xá” = iluminação, então, temos
“cabeça iluminada” ou “espirito iluminado”.

Orixás são irradiações de Deus, vindas da Luz de Oxalá. São desdobramentos da Vontade de
Deus na Terra. Cada Orixá possui uma associação a um elemento da Natureza, uma vibração, uma
pedra, algumas ervas, comidas, etc. Além disso, possuem uma irradiação subjetiva, ou seja, atuam
também no nosso interior. Sua atuação é riquíssima, e certamente não conseguiríamos condensar a
sua grandeza numa apostila.

 PONTO DE FORÇA X FALANGEIRO

Como dito anteriormente, Orixás são Virtudes de Deus, desdobramentos da Energia do


Criador, e sua energia se manifesta em tudo e em todos. Estas energias são inerentes a todas as
culturas, ou seja, independente da crença ou do canto do mundo, tudo e todos possuem estas
energias.

Esta manifestação se dá em pontos de força da Natureza, em pedras, ervas, cores, etc. Tudo
contém a energia da Criação, que é manipulada pelos Orixás em conjunto.

Vale ressaltar uma diferença importante de sentido. Quando eu falo do mar, eu não digo que o
mar é Iemanjá. Eu digo que o mar é um ponto de força onde a energia de Iemanjá se concentra.
Isso me permite entender que a pedra da lua, por exemplo, não contém o mar dentro, mas contem,
também, a energia de Iemanjá concentrada.

A energia dos Orixás, então, é uma “energia espiritual”, que se concentra em diversos pontos e
elementos da Natureza, e que ainda contém um sentido subjetivo no contexto humano. Contudo,
esta energia espiritual pura possui um princípio inteligente, um Espírito que a manipula. A estes
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Espíritos, chamamos de Orixás. Orixá seria, então, o Espírito que manipula as energias da
Natureza e todos os atributos inerentes a ela.

Estes espíritos, os Orixás, se organizam em ordem, de acordo com o seu grau de evolução e
atuação. Os primeiros Orixás são chamados de Orixás Virginais. Na nossa Casa, o estudo
aprofundado desta ordem não se faz necessário, a nosso ver, pois preferimos atentar para o
sentido do Orixá e sua atuação na vida das pessoas. O importante para nós é entendermos que
aquilo que manifestamos no Terreiro não é Ogum propriamente dito, mas um Falangeiro de
Ogum, um Espírito responsável pela manipulação da energia de Ogum em nós.

Na nossa Casa, entendemos que cada um de nós carrega a energia de todos os Orixás, e que a
nossa missão individual é ditada pela ordem que essas energias se manifestam em nós. Contudo, a
nossa vida humana passa por diversas demandas, e conseqüentemente, esta ordem pode mudar
de acordo com a nossa necessidade individual. O que fazemos nas nossas Obrigações é tentar
equilibrar todas as energias, e com o tempo, permitir que a ordem dos Orixás se firme na Coroa do
médium de acordo com a sua missão individual. Este equilíbrio pode durar o tempo que for
necessário, dependendo da necessidade do médium, num tempo máximo de sete Obrigações (até
sete anos).

Além disso, como todos nós carregamos a energia de todos os Orixás, cada um de nós possui
um Falangeiro específico para manipular a energia de cada Orixá, e todos os Falangeiros devem se
manifestar nos médiuns de incorporação, independente da organização da sua Coroa Espiritual.

 ORIXÁS PAI/MÃE E PADRINHO/MADRINHA

Como falamos anteriormente, os Espíritos Falangeiros dos Orixás são responsáveis pela
manipulação da energia do Orixá em nós. Além disso, a ordem em que os Orixás se encontram na
nossa Coroa nos diz sobre a nossa missão e sobre a atuação deles na nossa vida. Os Orixás
Pai/Mãe são responsáveis pela nossa vida espiritual. Dependendo da irradiação subjetiva dos
Orixás que estão nesta posição, podemos entender o que precisamos aprender e de como devemos
tratar a nossa vida espiritual. Os Orixás Padrinho/Madrinha são responsáveis pela nossa vida
física. Da mesma forma, a irradiação subjetiva dos Orixás que se encontram nesta posição nos diz
como tratar as questões da nossa vida física, as dificuldades que passamos em lidar com estas
questões, etc. Os demais Orixás atuam em nós de forma geral, influenciando tanto a nossa vida
física quanto a nossa vida espiritual, embora em “segundo plano”.

Alguns apontamentos se fazem necessários acerca deste assunto, para que entendamos como
funciona a nossa Casa. Primeiramente, o termo “kizila” não é utilizado aqui, apesar de usarmos
toda a ideia que gira em torno deste termo. “Kizila” significa grosseiramente “confusão”. É usado
em doutrinas africanistas como sendo uma incompatibilidade do Orixá em relação ao consumo de
certos alimentos, uso de certos elementos e certas posturas da parte do médium. Para nós, esta
“confusão”, ou essa incompatibilidade energética, acontece de forma muito específica com alguns
médiuns, e está diretamente ligada à sua história pessoal. Não existem regras sobre quais
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elementos possuem esta incompatibilidade com quais Orixás específicos. O que existe é uma
tendência, e por conta disso, não apontamos as tendências, para que o médium não crie
resistências. Além disso, existem incompatibilidades entre alguns Orixás, não necessariamente
pela história contida nas suas lendas, mas pela natureza da energia que estes Orixás possuem.
Apesar das lendas, quase que na totalidade, retratarem justamente esta incompatibilidade
energética, nós pouco tratamos, nas nossas práticas, das lendas em si, mas da natureza da energia
que cada Orixá manipula.

Algumas doutrinas apontam que o “sexo” dos Orixás influencia diretamente na orientação
sexual do médium. De forma alguma tratamos a espiritualidade desta maneira. Orixá tem por
finalidade manifestar as Virtudes de Deus em nós, e não ditar questões pessoais. Nós temos a
nossa criação, o nosso caráter, as nossas vontades, medos e anseios, e os Orixás trazem suas
energias que, de forma equilibrada, nos ajuda a entender o nosso interior e transformar o que
precisa ser transformado. Mas não somos passivos neste processo! Podemos ter Ogum como nosso
Padrinho, equilibrando esta energia com a frequência correta como manda o fundamento da Casa,
que nosso caminho vai continuar fechado se não levantarmos e não corrermos atrás das nossas
coisas. Nenhum Orixá fará por nós o que cabe a nós fazer! E isso vale para as questões sexuais
também. Um homem filho de Oxum não será inevitavelmente homossexual porque tem Oxum de
frente.

AULA 2

 SETE LINHAS

Cada Casa de Umbanda tem uma forma de organizar os Orixás, um grupo de Orixás
específicos com os quais se trabalha, sua forma de culto e sua forma de manipulação destas
energias. Esta organização varia de acordo com o fundamento que norteia cada Casa, e no final,
nenhum fundamento é certo ou errado, se levarmos em consideração que cada fundamento tem
um chão para pô-lo em prática. Contudo, apesar da variedade, existe um padrão na forma de
pensar esta organização na Umbanda. Estes Orixás, estas energias, são comumente organizados
em Sete Linhas. São Sete Linhas primordiais que vibram e organizam nossa vida individual, nossa
vida em coletivo, o funcionamento do nosso planeta, etc. É um pensamento complexo, intenso, e
que se prolonga para além das portas de um Terreiro, e que deve ser aprofundado com o caminhar
evolutivo de cada um de nós. Aqui, vamos nos ocupar de limitar este pensamento à nossa
realidade individual. Vamos entender como estas energias atuam em nós individualmente,
caracterizando-as em separado, e vamos pensando nesta atuação de forma reflexiva.

Na nossa Casa, como nas demais, organizamos os Orixás em Sete Linhas. Contudo, temos um
diferencial. Temos dois Orixás, para nós primordiais, que sustentam e permitem toda a prática
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espiritual, a manifestação destas Sete Linhas na Terra. Estes Orixás refletem a singularidade
DESTA nossa vida, a finitude dela, e a sua dualidade espiritual/material. Estes Orixás são Oxalá e
Omulú. Eles estão acima do conceito de Sete Linhas. Oxalá é o Orixá da fé, corresponde à nossa
ligação com Deus, à busca pela fé, pela paz, pelo espiritual. É o Orixá que permite que o nosso
espírito assuma uma missão espiritual, e nos sustenta a fé e a ligação com Deus constantemente. É
Oxalá quem determina o momento do nosso encarne e do nosso desencarne. Dono da Luz, nos
irradia constantemente, sendo a fragmentação de sua Luz a irradiação dos Sete Orixás. Já Omulú é
o Orixá da terra, corresponde à nossa necessidade de compreensão de carma, de regeneração, de
evolução, transformações e transmutações cármicas. É Omulú quem nos liga ao corpo físico, e que
sustenta este corpo durante toda a vida. Em outras palavras, Oxalá é a Luz de Deus que nos
ilumina e nos envia todas as irradiações, e Omulú é o dono do chão onde pisamos, onde todas
essas irradiações se manifestam. Por conta disso, no TUBA, todos os filhos são guiados pela
energia de Oxalá e Omulú, independente da disposição de sua Coroa Espiritual. Vamos, então,
para a classificação das nossas Sete Linhas:

• Xangô corresponde a nossa necessidade de discernimento, justiça, estudo, raciocínio concreto e


metódico; Orixá do equilíbrio;

• Oxum corresponde a nossa necessidade de equilíbrio emocional, concórdia, amor,complacência


e reprodução;

• Ogum corresponde a nossa necessidade de energia, defesa, determinação e tenacidade; Orixá da


ação;

• Iemanjá corresponde a nossa necessidade familiar e de amor fraternal; É o Orixá da consciência,


a dona de todas as cabeças;

• Oxóssi corresponde a nossa necessidade de saúde, nutrição, expansão, energia vital, equilíbrio
fisiológico; É o Orixá do conhecimento;

• Iansã corresponde a nossa necessidade de mudança, deslocamentos, transformações materiais,


avanços tecnológicos e intelectivos; O Orixá do movimento;

• Nanã corresponde a nossa busca por sabedoria, resignação; a transformação que não depende de
nós;

Como podemos perceber, cada Orixá traz para nós um sentido direto no nosso processo de
Evolução. Não somente irradiam pontos da natureza e elementos físicos, mas atuam constante e
diretamente no nosso processo de transformação nesta vida, nos equilibrando e encaminhando
para a nossa missão pessoal. Além disso, Os Orixás, na ordem da Coroa da Casa, representa a
caminhada do desenvolvimento dos médiuns. Cada orixá é associado a uma Obrigação, e traz um
sentido reflexivo sobre a posição deste médium na nossa Corrente.