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Aos cinco anos decidi emancipadamente parar de estudar.

Já sabia ler Ministério da Cultura e Banco do Brasil apresentam Solo, montagem


e contar até vinte. Pra que querer mais? Minha mãe – a Lilica – perdeu teatral do texto vencedor da 8ª edição do concurso nacional de
suas horas de almoço para me pegar pelo braço e me arrastar chorando dramaturgia Seleção Brasil em Cena.
até o colégio. Meu pai contratou um desconhecido barbudo com uma
Kombi, que me ameaçou levar pro internato (demorei anos até andar Escrito por Fabrício Branco, do Rio de Janeiro, o texto narra a trajetória
de Kombi novamente e ainda tenho minhas ressalvas com pessoas de de um homem solitário criado entre as lápides de um cemitério e a sua
barba). Contrariado e resiliente, descobri meu lugar de fuga, nas histórias relação afetiva com a terra, que é a razão da sua transformação.
que a Tia de Português contava. Dei de escrever as minhas próprias e
ler para amiguinhos que teimavam em encená-las. A vida me empurrou, Desde a sua criação em 2006, o concurso já teve mais de 2018 textos
igual a Lilica, para fora das Artes. Mas dessa vez, bati forte meu pé no inscritos e proporcionou a montagem de 11 espetáculos teatrais.
chão. Já não tinha Kombi à espreita e meu chefe barbudo merecia ser
mandado às favas junto com a vida administrativa que me internava. Voltei Com a realização deste projeto, o Banco do Brasil ressalta a importância
a escrever. Dessa vez, sem ter quem encenasse. Assim surge a Seleção do fomento à dramaturgia e à formação de novos profissionais na área
Brasil em Cena. O lugar que – se já existisse em meus tempos de menino das Artes Cênicas.
– certamente eu correria pra mostrar os meus rascunhos. Foi graças a
esse projeto e ao patrocínio do CCBB, que após a dureza de ver meu Centro Cultural Banco do Brasil
texto recusado, decido inscrevê-lo em uma seleção de textos inéditos.
Como resultado, eis-me aqui: mostrando que por vezes as decisões
abruptas não são as melhores escolhas. Depois de inúmeras oficinas de
dramaturgia e outras tantas triagens de textos, onde fui recusado por ser
um simples desconhecido, recebo meu primeiro sim em uma avaliação
que conta com o anonimato. Saindo do meu bloco de notas para o palco:
SOLO. Um texto de matar, que nasceu pra me dar vida. Aqui começa
minha trajetória.

Muito prazer,
Fabrício Branco
SELEÇÃO SOLO
Patrocínio Dramaturgia Viniciús Arneiro
Banco do Brasil Fabrício Branco É diretor de teatro e ator. Formou-se em 2006 na Escola de Teatro Martins
Realização Direção Penna no Rio de Janeiro. Como diretor, tem participado de projetos com
Centro Cultural Banco do Brasil Vinícius Arneiro dramaturgia em processo e dedica-se a pesquisar relações entre espaço,

BRASIL
Comissão de Seleção de Textos Assistência de Direção corpo e escrita cênica. Em 2007 estreou sua primeira direção, o espetáculo
Bia Radunsky, Carlos Chapéu, Andreas Gatto “Cachorro!”, texto de Jô Bilac, primeiro espetáculo do Teatro Independente,
Daniel Schenker e Sergio Coelho Atuação Cia. da qual é fundador e diretor artístico, espetáculo pelo qual foi indicado ao
Direção de Produção Kadu Garcia, Aliny Ulbricht, Bárbara Abi-Rihan e Jansen Castellar Prêmio Shell 2007 de Melhor Direção. Dentre os trabalhos que dirigiu estão:

EM
Sérgio Saboya Cenografia “Rebú” (2009) e “Cucaracha” (2012), ambas as peças foram escritas por Jô
Coordenação de Produção Fernando Mello da Costa Bilac e realizadas pelo Teatro Independente; “Fluxorama” (2013), dramaturgia
Associação Cena Brasil Internacional Figurino de Jô Bilac – projeto em que atuou e dirigiu em parceria com Inez Viana e
Produção Executiva Rita Clemente; Cássia Eller, o musical” (2014) – Indicado ao prêmio Arte

CENA
Ticiana Passos
João Eizô Y Saboya Direção Musical Qualidade Brasil de Melhor Espetáculo Musical e Melhor Direção. Durante
SOLO: o único destino perpétuo.
Equipe de Produção Marcelo H o ano de 2015 morou em Nova Iorque e foi convidado a colaborar na série
Diante dele, quatro histórias de vidas
Alex Nunes e Ártemis Iluminação de ações “Things That Must Be Done”, de Eleonora Fabião - desde então,
solitárias narram suas relações em
Projeto Gráfico Bernardo Lorga tem sido colaborador nas ações da performer; “Os Sonhadores” (2016),
meio ao isolamento humano. Em cada
Alexandre de Castro Programação Visual com dramaturgia de Diogo Liberano, espetáculo indicado ao Prêmio Shell de
trajetória, o desvelar da natureza
Assessoria de Imprensa Tania Grillo Melhor Autor, Direção e Cenário; “COLÔNIA” (2017), peça-conferência com
primitiva e a transformação individual,
Paula Catunda e Bianca Senna Produção Executiva dramaturgia de Gustavo Colombini e atuação de Renato Livera - indicada ao
desmascarando certa conduta social
Diretores Convidados João Eizô Y. A. Saboya APCA 2018 de Melhor Dramaturgia; “ROSE” (2018), texto de Cecília Ripoll -
exigida. Cada grão de terra guarda
Miwa Yanagizawaa, Assistência de Produção projeto oriundo do Núcleo de Dramaturgia do SESI - Indicado ao Prêmio Shell
segredos cavados e cultivados por um
Viniciús Arneiro e Rodrigo Portella Alessandro Zoe 2018 de Melhor Autora.
único homem, a quem a terra parece
Escolas de Teatro Direção de Produção
gostar mais. É por suas unhas que se dá
CAL – Casa de Artes de Laranjeiras Sergio Saboya
a retribuição desse afeto perene.
Escola Técnica Estadual Agradecimentos
O homem, moldado pela morte,
de Teatro Martins Penna Diogo Liberano, Eleonora Fabião, Felipe Ribeiro, Flávia Naves e
escreve sua história enquanto os outros
PUC – RIO Gustavo Colombini. Eliana (a Lilica) & Carlos C. Branco; São
confessam para si, os seus segredos
UNIRIO – Universidade Miguel Arcanjo; Tias Sônia, Andréa e Kátia (minhas alfabetizadoras);
mais soterrados. Cada um está sozinho.
do Rio de Janeiro Walter Daguerre; Tuca Andrada; Rohan Baruck; Abílio Sanz; Julia
Cada qual em seu próprio SOLO.
Agradecimentos Especiais Freind e Pablo Pêgas.
Ana Kfouri, Heitor Collet, Clemens Abi-Rihan, ETET Martins Penna, Família Garcia, Grupo
Teatro 3
Jane Celeste, Hermes Frederico Emú, Hilton Abi-Rihan, Jane Celeste, Julia Fernandes, Multifoco
Centro Cultural Banco do Brasil
e Raoni Costa Companhia de Teatro, Paulo Giannini, Ricardo Rocha, Roda Gigante,
de 09/01 a 03/03 de 2019
quarta a domingo, às 19h30 Rosemary N. Pereira, Rosemary Ulbricht e Vitória Fallavena.