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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA PARAÍBA

CURSO TÉCNICO DE TRANSPORTE AQUAVIÁRIO


CAMPUS AVANÇADO CABEDELO CENTRO

CONTROLE DA FAUNA SINANTRÓPICA NOCIVA NOS PORTOS:


Uma Abordagem do Plano de Controle Ambiental do Porto de Cabedelo/PB

CABEDELO
2017
CONTROLE DA FAUNA SINANTRÓPICA NOCIVA NOS PORTOS:
Uma Abordagem do Plano de Controle Ambiental do Porto de Cabedelo/PB

Trabalho de Conclusão de Curso


submetido à Coordenação do Curso
Técnico de Transporte Aquaviário do
Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia da Paraíba, como parte dos
requisitos para a obtenção do grau de
Técnico de Transporte Aquaviário.

CABEDELO
2017
CONTROLE DA FAUNA SINANTRÓPICA NOCIVA NOS PORTOS:
Uma Abordagem do Plano de Controle Ambiental do Porto de Cabedelo/PB

RESUMO

O monitoramento e controle da Fauna Sinantrópica Nociva (FSN) nos portos


brasileiros é hodiernamente um dos maiores desafios ambientais a ser enfrentado
pela administração portuária. A redução de investimentos no setor portuário acaba
por adiar a implementação de um Plano de Controle adequado, e as medidas
normativas recentes trazem mais responsabilidades para a gestão do porto.
Considerando a possibilidade de um estudo dessa realidade no porto de
Cabedelo/PB, iniciou-se a presente pesquisa com uma abordagem dos aspectos
gerais da FSN, desde questões conceituais até uma listagem das doenças
transmitidas ao homem. Posteriormente, traçou-se métodos preventivos e corretivos
para controle da FSN em moldes gerais e falou-se sobre a regulação da atividade
portuária no Brasil. Em sequência abordou-se dados específicos do porto de
Cabedelo e far-se-á um estudo do seu Plano de Controle Ambiental e Regulamento
de boas práticas para manuseio de grãos. Verificou-se quais métodos estão
efetivamente sendo realizados, constatando os acertos e erros presentes nesse
controle. Localizados os pontos vulneráveis, fez-se sugestões de métodos adotados
em outros portos e que podem ter sucesso no porto de Cabedelo. Nesta perspectiva,
tem-se como objetivo geral a abordagem do controle da FSN nos portos brasileiros,
e como objetivos específicos tem-se a compreensão da construção de um Plano de
Controle da FSN no porto de Cabedelo, a definição da FSN encontrada, os métodos
de controle preventivo e corretivo aplicados, e em sua ausência/ineficiência a
sugestão de métodos eletivos possíveis. Para tanto utilizou-se a metodologia da
pesquisa bibliográfica e documental.

Palavras Chave: Plano de Controle. Fauna Sinantrópica Nociva. Porto de Cabedelo.


ABSTRACT

The monitoring and control of harmful Sinanthropic Fauna (HSF) in Brazilian ports is
nowadays one of the major environmental challenges to be faced by the port
administration. The reduction of investments in the port sector ends up retarding the
implementation of an adequate Control Plan, and the recent normative measures
bring more responsibilities for the management of the port. Considering the
possibility of a study of this reality in the port of Cabedelo/PB, the present research
started with an overview of the general aspects of HSF, from conceptual issues to a
list of diseases transmitted to man. Subsequently, the preventive and corrective
methods to control the HSF in general was outlined and the regulation of port activity
in Brazil was discussed. In sequence, specific data approached from the port of
Cabedelo and a study of its Environmental Control Plan and Regulation of good
practices for the handling of grains. It was verified which methods are actually being
performed, stating the correctness and errors present in this control. Once the
vulnerabilities was located, suggestions was made of methods adopted in other ports
that can be successful in the port of Cabedelo. In this perspective, the general
objective is to approach the control of HSF in the Brazilian ports, and as specific
objectives we have the understanding of the construction of an HSF Control Plan in
the port of Cabedelo, the definition of HSF found, the methods of preventive and
corrective control applied, and in their absence/inefficiency the suggestion of possible
elective methods. For this purpose, the methodology of bibliographic and
documentary research was used.

Keywords: Control Plan. Harmful Sinanthropic Fauna. Port of Cabedelo.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 5
2 DA FAUNA SINANTRÓPICA NOCIVA NOS PORTOS ........................................... 6
2.1 Da Fauna Sinantrópica Nociva (FSN) nos Portos: Aspectos Gerais ........... 6
2.2 Métodos de Controle da FSN nos Portos ...................................................... 9
2.3 Da Regulação da Atividade Portuária no Brasil e das Normas de Controle
da FSN dos Portos ............................................................................................... 11
3 O PORTO DE CABEDELO/PB .............................................................................. 15
3.1 Características Gerais do Porto de Cabedelo ............................................. 15
3.2 O Monitoramento e Controle da FSN no Porto de Cabedelo...................... 17
3.2.1 Modelos de Métodos para Controle de Pombos ........................................ 20
4 CONSIDERAÇÕOES FINAIS ................................................................................ 22
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 23
5

1 INTRODUÇÃO

A evolução da espécie humana refletiu em profundas transformações no


planeta e no cotidiano das outras espécies animais, algumas se aproximaram com o
intuito de usufruir dos resíduos (principalmente de alimentos) rejeitados pelo homem
enquanto outras se afastaram como meio de autopreservação.
Dentre as espécies cujos hábitos são urbanos existem àqueles que são
prejudiciais para a vida e qualidade de vida humana, estes são conhecidos como
animais sinantrópicos nocivos, e o monitoramento desta fauna específica é crucial
para o equilíbrio da biodiversidade e para a proteção do homem e dos seus bens.
Os portos sempre foram locais que demandaram cuidado humano quanto à
possibilidade de entrada e/ou saída de espécimes nocivos, sobretudo devido a sua
estrutura, a qual oferece abrigo e alimento abundante e cujo controle é dificultado
por diversos fatores.
Ademais, com a evolução das normas ambientais sanitárias e a aprovação da
Política Nacional de Resíduos Sólidos em 2010, que obriga todos os geradores de
resíduos a recolher, tratar e dispor destes corretamente, o enfrentamento da
problemática do descontrole da fauna sinantrópica nociva nos portos tornou-se
inadiável.
Nessa perspectiva, o presente trabalho busca definir quais os principais
animais sinantrópicos nocivos encontrados nos portos (partindo de uma perspectiva
geral para o caso específico) e as consequências da coabitação dos mesmos com o
ser humano, bem como de que forma se dá seu monitoramento e controle por parte
dos responsáveis. O objeto de estudo desta pesquisa está orientado a uma análise
da abordagem do controle da Fauna Sinantrópica Nociva (FSN) no porto de
Cabedelo/PB, através do seu Plano de Controle Ambiental e de outros documentos
que são norteadores dessas ações naquele ambiente portuário.
Para tanto será utilizada a pesquisa bibliográfica e documental, àquela
constituída principalmente de livros e artigos científicos e esta de materiais que não
receberam ainda um tratamento analítico, a exemplo de relatórios, tabelas, cartas
etc.
6

2 DA FAUNA SINANTRÓPICA NOCIVA NOS PORTOS

2.1 Da Fauna Sinantrópica Nociva (FSN) nos Portos: Aspectos Gerais

A existência de animais que coabitam com o homem passa a ser uma


questão que requer atenção devido à transmissão de doenças e aos danos materiais
que estes podem causar a saúde humana e a seu local de habitação. Esses animais
além de viverem nas ruas, esgotos e casas, também frequentam qualquer outro
local que lhes ofereça meios de sobrevivência.
São chamados sinantrópicos porque estão adaptados ao convívio humano,
conforme explica Costa (2013, p. 7): “Sinantropia é o fenômeno ecológico
fundamentado no comportamento populacional de animais associados ao ambiente
em que o homem vive, isto é, adaptação de animais ao meio antrópico”.
Os animais sinantrópicos nocivos, por sua vez, são aqueles que interagem de
forma negativa com a população humana, conforme a Instrução Normativa nº.
141/2006 do IBAMA, transcrita abaixo:

Art. 2º - Para os efeitos desta Instrução Normativa, entende-se por:


[...]
V - fauna sinantrópica nociva: fauna sinantrópica que interage de
forma negativa com a população humana, causando-lhe transtornos
significativos de ordem econômica ou ambiental, ou que represente
riscos à saúde pública;

Nesse sentido, no que se refere aos danos à saúde humana, reitera-se que a
FSN podem causar diversas doenças, transmitidas através das suas excreções e de
parasitas que os utilizam como hospedeiros. Para que o risco da transmissão de
doença surja, é necessário a existência do agente e do vetor. O processo de
transmissão pode ser compreendido nos termos abaixo:

Para que uma doença seja transmitida é necessária a presença de


um agente especifico, que se instala em um reservatório (homem ou
animal); o agente sai do hospedeiro pela porta de saída, é
transmitido de forma direta ou indireta e entra em um novo
hospedeiro. (SOLHA, 2014, p. 93)
7

Ora, se o ambiente é mantido sem a presença da fauna sinantrópica nociva,


logo não há risco de transmissão de doenças ao homem. Todavia, considerando a
dificuldade de controle dessa população em alguns locais específicos, surgiram
instrumentos regulatórios que orientam de que modo deve se dar o monitoramento
das ações preventivas e corretivas, as quais serão analisadas posteriormente.
Tratando do ambiente portuário, o qual foi definido como objeto primário
desse estudo, destaca-se que os portos proporcionam à fauna sinantrópica
requisitos básicos para sobrevivência, tais como: água, abrigo e alimento. Além
disso, as instalações e estruturas dos portos, com grandes armazéns para as
cargas, locais para depósito de resíduos, banheiros precários, propiciam a estes
animais meios para a sua multiplicação de maneira quase irrestrita.
Traçando observações sobre os materiais encontrados nos portos brasileiros,
bem como analisando a estrutura física das edificações, Costa (2013, p. 8),
menciona que:

[...] são encontrados nos ambientes dos portos: sucatas, entulhos,


madeiras, resíduos de origem orgânica derivado tanto das operações
portuárias quanto da operação de navios, galpões, silos, vagões,
contêineres, vias em má conservação devido ao tráfego intenso e
pesado.

É necessário esclarecer que a maioria dos portos do Brasil enfrenta escassez


de investimentos, e no porto de Cabedelo a realidade não é diferente, já tendo
inclusive passado por interdição de armazém por medida do Ministério Público do
Trabalho diante da insustentável condição de segurança e higiene observadas no
local (PORTOGENTE, 2007).
Além disso, as operações desenvolvidas nos portos, de carga e descarga de
materiais de todos os tipos, bem como o embarque e desembarque de passageiros,
gera naturalmente a dissipação de partículas de resíduos que servem de alimento
para a FSN. Assim, quando existe movimentação de grãos no porto, por exemplo,
estes não ficam restritos aos armazéns, podem ser recebidos por carretas ou navios
e acondicionados temporariamente nas vias enquanto são carregados e organizados
em sacos, silos ou outros meios de armazenamento. Além destes resíduos de
“movimentação”, existem resíduos das operações, como pallets velhos descartados,
embalagens inutilizadas, resíduos oriundos dos navios entre outros, e todos estes
refletem na proliferação da FSN no ambiente portuário.
8

Conforme pesquisa realizada por Costa (2013) cujo objeto de estudo abarcou
todos os portos públicos brasileiros, os principais sinantrópicos nocivos encontrados
nos portos são: roedores (em regra ratos), insetos (principalmente baratas) e aves
(pombos). Desse modo, a presente pesquisa seguirá a mesma linha de abordagem,
excluindo qualquer outra espécie da FSN que possa ser encontrado nos portos com
intuito de dotar o trabalho de maior assertividade.
A seguir serão listados os animais sinantrópicos definidos acima com suas
características naturais, seus hábitos e as consequências que acarretam para a
saúde humana.

Quadro 1 - Características da FSN comum nos portos brasileiros.

CARACTERÍSTICAS DA FSN COMUM NOS PORTOS BRASILEIROS

NOME COMUM / LOCAL DE HABITAÇÃO E DOENÇAS QUE


CLASSE
CIENTÍFICO HÁBITOS COMUNS TRANSMITEM

Leptospirose;
Alta capacidade de adequação ao
Ratos de telhado Tifo murino;
ambiente;
(Rattus rattus); Peste bubônica;
Hábitos noturnos;
ratazanas (Rattus Salmonelose;
Roedores Além da transmissão de doenças
novergicus); e Toxoplasmose;
causam prejuízos aos circuitos
Camundongos Febre hemorrágica
elétricos e estruturas que podem
(Mus musculus). viral com síndrome
ser roídas.
renal.

Barata
francesinha ou São comumente encontradas em Alergia;
alemãzinha cozinhas e em outros ambientes Infecções;
(Blattella que possam oferecer abrigos como Salmonelose;
Insetos germanica) frestas e fendas; Conjuntivite;
Barata de esgoto Vivem em média 130 dias e Pneumonia;
ou voadora depositam aproximadamente 250 Lepra;
(Periplaneta ovos durante sua vida adulta. Hepatite A.
americana).

Pombo de coleira
(Streptopelia
risoria);
Constroem seus ninhos com
Pombo comum
galhos de árvore, convivendo com
(Columba livia); Salmonelose;
as populações dos centros
Pomba-rola Psitacose;
Aves urbanos. São comumente vistas
(Columbina Histoplasmose;
em telhados e calhas. Colocam até
talpacoti); Criptococose.
6 ovos em um ano e vivem em
Avoante (Zenaida
média 8 anos.
auriculata);
Asa-Branca
(Patagioenas
9

picazuro).
Fonte: Adaptado pelo autor de APRAG (2017) e INSECTBYE (2017).

O quadro acima trouxe as principais informações sobre os três tipos de


animais sinantrópicos nocivos encontrados nos portos brasileiros, destacando seus
locais prediletos de habitação bem como as doenças que podem ser transmitidas ao
homem.
Não obstante, tem-se que ainda que os ratos são mamíferos que possuem
mais de 2.000 espécies espalhadas pelo mundo e, de modo geral, se multiplicam de
maneira muito rápida, sendo em alguns casos, insuficiente as ações preventivas
comuns. As baratas, por sua vez, se reproduzem de maneira ainda mais rápida,
podendo causar sérios problemas em caso de infestação. Por fim, os pombos,
costumam ser um problema à parte, visto a dificuldade de controle e acesso aéreo
que possuem. Há métodos diversos para o seu controle, embora seus efeitos só
possam ser vistos em longo prazo na maioria dos casos.

2.2 Métodos de Controle da FSN nos Portos

O primeiro passo para o controle eficiente e responsável da FSN nos portos é


a realização de um levantamento das espécies que podem ser encontradas e o seu
monitoramento. Diagnosticada a situação devem-se adotar ações preventivas e
corretivas, a depender do grau de infestação observado, que são de
responsabilidade da administração portuária.
Entende-se por ação preventiva aquela que visa evitar o aparecimento
desses animais, então é aquela realizada antes do aparecimento do problema, ou
antes do agravamento do mesmo. As ações corretivas são realizadas quando há
infestação ou descontrole da FSN, são ações de combate e eliminação das espécies
em questão. Nesse sentido, a NBR ISO 9000, que trata dos fundamentos e
vocabulários adotados nos Sistemas de Gestão da Qualidade, aduz que:

Ação corretiva – ação para eliminar a causa de uma não-


conformidade identificada ou outra situação indesejável.
10

Ação preventiva - ação para eliminar a causa de uma potencial não-


conformidade ou outra situação potencialmente indesejável. (GOES,
2010, p. 1)

A seguir tem-se um quadro-resumo com as principais ações preventivas e


corretivas que são utilizadas para controle da FSN nos portos brasileiros.

Quadro 2 – Ações para Controle da FSN nos Portos.


AÇÕES PARA CONTROLE DA FSN NOS PORTOS
TIPO DE AÇÃO ROEDORES INSETOS AVES (POMBOS)
Eliminar disposição de Eliminar disposição de
Eliminar disposição
alimentos e locais de alimentos e locais de
de alimentos e
moradia; moradia;
locais de moradia;
Limpar diariamente, os Limpar diariamente, os
Limpar diariamente,
locais de locais de movimentação
os locais de
movimentação de de produtos perecíveis;
Preventiva movimentação de
produtos perecíveis; Adotar maior cuidado na
produtos perecíveis;
Guardar os produtos carga e descarga de
Bloquear portas
perecíveis sobre mercadorias perecíeis
externas;
estrados com altura para evitar atrair os
Colocar telas em
mínima de 40 cm. pombos.
janelas.
Desinfestação: é
qualquer processo físico
ou químico por meio do
Desratização: é o
Desinsetização: é a qual se
conjunto de medidas
operação praticada destroem ou eliminam
empregadas para
para controlar ou animais sinantrópicos,
Corretiva eliminar roedores, por
eliminar insetos em causadores de doenças,
métodos mecânicos,
todas as suas que se encontram no
biológicos ou químicos;
formas evolutivas; corpo de uma pessoa,
na roupa, no ambiente
ou em animais
domésticos;
Fonte: Adaptado pelo autor de APRAG (2017) e INSECTBYE (2017).

Conforme se observou no quadro acima existem ações simples comuns às


três espécies descritas que possuem caráter preventivo, tais ações estão
relacionadas basicamente à limpeza e organização do ambiente, por isso o
investimento na prevenção deve ocorrer ininterruptamente.
As ações corretivas, por sua vez, devem levar em consideração caraterísticas
próprias da região, tais como vegetação, clima e corpos de água próximos com o
intuito se evitar consequências indesejadas para a biota local. Essas ações devem
considerar também o ambiente portuário em que serão aplicadas, para garantir a
preservação das cargas e a seguranças dos trabalhadores portuários.
11

Conclui-se que já existem ações pré-definidas para o controle adequado da


FSN, e novos métodos são desenvolvidos com a melhoria da tecnologia e do
conhecimento científico. Interessante compreender que essas ações são reguladas,
fiscalizadas e executadas por instituições específicas conforme se verá em
sequência.

2.3 Da Regulação da Atividade Portuária no Brasil e das Normas de Controle


da FSN dos Portos

Conforme se observou no tópico anterior a FSN precisa ser monitorada e


controlada com ações preventivas e corretivas que visem a satisfação dos requisitos
legais de vigilância sanitária. Os portos, assim como outros ambientes laborativos,
devem ser o menos propensos possível à transmissão de doenças e à outros fatores
que prejudiquem a vida e a qualidade de vida de todos que transitam pelo mesmo,
bem como daqueles que habitam em seu entorno.
De modo geral, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é o
órgão responsável pela regulação e fiscalização de questões relativas ao meio
ambiente, inclusive em atividades específicas, a exemplo da portuária.
Conforme esclarecido anteriormente, a permanência da FSN nos portos está
vinculada a existência de condições de sobrevivência, e estas estão diretamente
relacionadas ao tratamento que se dá aos resíduos sólidos que servem de alimento
a estas espécies. A preocupação com os resíduos não é recente, mas somente em
2010 foi aprovada no Brasil a Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS (Lei nº.
12.305/2010), a qual determina a existência de um plano de gestão de resíduos por
todos os seus geradores (art. 20).
Desse modo, os portos, que já tinham responsabilidades ambientais em face
da atividade portuária, foram incentivados a adotar um sistema de gerenciamento de
resíduos integrado, podendo seguir o modelo desenhado pela PNRS para os órgãos
públicos.
Posteriormente, a Lei nº. 12.815/2013, a qual regula a atividade portuária
atualmente, veio reforçar a responsabilidade da administração do porto sobre os
aspectos ambientais da operação portuária, conforme se observa no trecho a seguir:
12

Art. 17. [...]


§ 1º Compete à administração do porto organizado, denominada
autoridade portuária: [...]
VI - fiscalizar a operação portuária, zelando pela realização das
atividades com regularidade, eficiência, segurança e respeito ao
meio ambiente;

Tanto a PNRS quanto a Política Nacional do Meio Ambiente - PNMA (Lei nº.
6.938/1981) determinam que a responsabilidade compartilhada deve ser observada,
nessa perspectiva os usuários, os operadores portuários e os trabalhadores também
devem ser orientados a respeitar as normas sanitárias, pois podem ser
responsabilizados, embora a responsabilidade de monitoramento seja da
administração do porto.
Antes da aprovação da PNRS, já existia regulação quanto à minimização dos
impactos gerados pelos resíduos, destaca-se, porém, quanto a atividade portuária, a
Convenção Internacional para Prevenção da Poluição por Navios (MARPOL 73/78),
da qual o Brasil é signatário, e que define regras gerais para prevenção da poluição
advinda dos resíduos dos navios.
Outros importantes organismos de regulação, além da ANVISA, são o
CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) e o IBAMA (Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que através de resoluções e
instruções normativas tratam de assuntos específicos não definidos na legislação
pátria.
A figura abaixo demonstra como se organiza a regulação do Estado em
relação aos portos brasileiros:
13

Figura 1 - Estrutura da Regulação Estatal

Fonte: ANTAQ (2002) apud Buratto (2013).

Em sua esfera de atuação, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários


(ANTAQ) também possui papel regulatório importante, no sentido de estabelecer
padrões de qualidade da atividade portuária, inclusive de caráter ambiental. Assim a
ANTAQ vem trabalhando, por meio da Resolução nº. 2.190/2011, na definição dos
reais papéis dos mais diversos atores que atuam no porto organizado em relação à
geração de resíduos nas áreas portuárias.
A Secretaria de Portos da Presidência da República é responsável
diretamente pela formulação de políticas e diretrizes para o desenvolvimento e o
fomento do setor de portos.
Dentre todas as normas que devem ser observadas, considerando o objeto
dessa pesquisa, é importante destacar que as ações de monitoramento são de
responsabilidade direta da administração portuária enquanto as ações preventivas e
corretivas são de responsabilidade indireta, sendo executada por empresas
autorizadas e especializadas neste serviço.
Nesse sentido, além da Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE),
específica para a prestação de serviço dentro da área portuária, as empresas devem
estar devidamente cadastradas e licenciadas junto ao IBAMA para a atividade
proposta, apresentando o Cadastro Técnico Federal (CTF) e a Licença Ambiental de
Operação (LAO), quando exigida (MURTA, 2012).
A AFE é de responsabilidade privativa do Ministério da Saúde, ou seja, não
pode ser delegada a outro órgão, cabendo a ANVISA dentro do deste Ministério
14

acompanhar a emissão e fiscalização das autorizações conforme Decreto nº.


8.077/2013. Essa autorização só é concedida mediante comprovação de requisitos
técnicos e administrativos específicos, bem como a vinculação de um responsável
técnico habilitado para acompanhamento e responsabilização em todas as
atividades. Destaque-se que o não cumprimento das normas sanitárias acarreta
penalização dos responsáveis técnicos e administrativos conforme descrito abaixo:

Art. 24. Sem prejuízo de outras cominações legais, inclusive penais,


as pessoas físicas e jurídicas e os responsáveis técnicos e
legais responderão civil e administrativamente por infração
sanitária resultante da inobservância da Lei no 6.360, de 1976,
deste Decreto e das demais normas sanitárias, nos termos da Lei no
6.437, de 1977. (BRASIL, 2013). (Grifo nosso)

Assim, é importante que a administração portuária cheque as autorizações


das empresas contratadas para o controle da FSN, evitando complicações legais e
penalizações por parte dos órgãos fiscalizadores.
A AFE e o CTF são indispensáveis para a emissão da LAO, que é de
responsabilidade comum da união, dos estados e dos municípios, nos moldes da Lei
complementar nº. 140/2011. No panorama nacional, a licença ambiental é de
responsabilidade do IBAMA. Na Paraíba cabe a Superintendência de Administração
do Meio Ambiente (SUDEMA), na qualidade de órgão executor da Política Ambiental
Estadual, emitir e fiscalizar as autorizações ambientais, enquanto a nível municipal,
tal responsabilidade é de competência a Secretaria do Meio Ambiente.
Cumpridas as exigências legais mencionadas acima e outras inerentes aos
métodos utilizados na execução das ações de controle da FSN, as empresas e a
administração portuária não precisam de autorização específica a cada nova ação, o
que possibilita a construção de um cronograma dinâmico dentro do Plano de
Gerenciamento Ambiental do porto, o qual permanece sujeito à fiscalização dos
órgãos responsáveis.
15

3 O PORTO DE CABEDELO/PB

3.1 Características Gerais do Porto de Cabedelo

O porto de Cabedelo foi inaugurado oficialmente em 23 de janeiro de 1935 e


atualmente é administrado pela Companhia Docas da Paraíba – Docas/PB. Dispõe,
atualmente, de um cais acostável público, com 602m de comprimento dividido em 4
(quatro) berços de atracação com profundidade de 11 (onze) metros DHN
(profundidade medida com base no zero hidrográfico da Diretoria de Hidrografia e
Navegação da Marinha). Esse cais possibilita a atracação de 3 (três) navios,
simultaneamente, de até 200 metros de comprimento cada. Conta-se, a chegada de
120 navios em média por ano em ao porto de Cabedelo, entre petroleiros,
graneleiros e de carga geral (PARAÍBA, 2016).
As principais cargas movimentadas no Porto de Cabedelo são os granéis
sólidos chegando às proximidades de 1.500.000 toneladas de carga sólida/ano. No
que refere aos grãos, destaca-se a movimentação de milho e mosto, o que levou o
porto a desenvolver um regulamento de boas práticas para manuseio dos grãos.
Este documento é datado de maio de 2017, demonstrando como são recentes as
ações adotadas de modo padronizado para controle ambiental e consequentemente
da FSN no porto de Cabedelo/PB.
Além do Relatório citado anteriormente, foi criado em outubro de 2016, o
Plano de Controle Ambiental (PCA) do porto de Cabedelo, o qual demonstra
semelhante preocupação do com o controle da FSN encontrada no ambiente
portuário em questão, conforme se observa no trecho a seguir:

7.4 PLANO DE CONTROLE DA FAUNA SINANTROPICA

Este Plano tem a finalidade à manutenção do ambiente portuário,


tanto interno como externo, do Porto de Cabedelo, isenta de animais
transmissores de doenças, cuja presença também pode levar ao
comprometimento da infraestrutura e das cargas armazenadas e
transportadas. (PARAÍBA, 2016, p. 14)
16

Em 2016 foi realizado um diagnóstico da FSN e foi elaborado um plano de


controle da mesma, onde se pode observar a presença dos mesmos animais
comuns nos outros portos brasileiros, tais como roedores, insetos e aves. Mais uma
vez é justo relembrar que esta pesquisa está adstrita ao estudo dos ratos, baratas e
pombos no porto de Cabedelo, sendo excluído qualquer outro registro de animais
que possam ser compreendidos como um problema para a gestão ambiental, como,
por exemplo: moscas, mosquitos e pardais, os quais citados no PCA no porto em
estudo. Veja-se:

7.4.1 AVIFAUNA

Como é verificada na maioria dos portos brasileiros, a avifauna


predominante no Porto de Cabedelo é constituída de pombos
(Columba livia). No entanto, uma característica peculiar deste porto é
a presença marcante de bandos de pardais (Passer domesticus), que
se alimentam dos restos dos graneis sólidos espalhados pela área do
porto após transbordo dos graneis sólidos.
[...]

7.4.2 MASTOFAUNA

De uma forma geral, as espécies de roedores encontrados no Porto


de Cabedelo são aquelas típicas de todo o país, sendo composto
pelo camundongo (Mus musculus), o rato preto ou rato de telhado
(Rattus rattus) e a ratazana (Rattus norvegicus).
[...]

7.4.3 ENTOMOFAUNA

No processo de diagnostico realizado nas dependências do Porto de


Cabedelo as principais pragas pertencentes a este grupo foram:
Mosquitos;
Moscas;
Baratas. (PARAÍBA, 2016, p. 14, 15, 17)

Feitas estas considerações sobre o porto de Cabedelo/PB, serão abordados


com detalhes no tópico seguinte as metodologias de monitoramento e/ou controle
adotados neste no que se refere a FSN escolhida, qual seja: ratos, baratas e
pombos.
17

3.2 O Monitoramento e Controle da FSN no Porto de Cabedelo

De acordo com o Regulamento para boas práticas no manuseio de grãos e o


Plano de Controle Ambiental do porto de Cabedelo algumas ações estão sendo
desenvolvidas para diminuição dos problemas ambientais diagnosticados no
mesmo. Tais ações possuem características de monitoramento e controle conforme
será esclarecido neste tópico.
Destaque-se a descrição do objetivo do Regulamento para manuseio de
grãos, o qual possui feição preventiva de controle da FSN:

O presente regulamento estabelece diretrizes e condições gerais


para a limpeza durante e após as operações portuárias com graneis
sólidos no Porto de Cabedelo, no intuito de promover à melhoria
contínua da qualidade e da segurança do serviço, buscando a
minimização do impacto ao meio ambiente e à saúde das pessoas,
através da adoção de procedimentos padrão para a perfeita
higienização do ambiente portuário, com consequente
prevenção de espécies da Fauna Sinantrópica Nociva-FSN.
(PARAÍBA, 2017, p. 2) (Grifo nosso)

Nesta perspectiva, embora seja indiscutível o avanço da adoção de métodos


padronizados de limpeza e prevenção da FSN, o mesmo documento indica um
prazo de 48 horas para a completa retirada dos resíduos depois de finalizada a
operação (IDEM, IBIDEM). Ocorre que a definição de um prazo tão longo, embora
seja por motivos operacionais, impede uma prevenção eficaz da FSN encontrada
neste porto, principalmente dos pombos, visto que estes não são afugentados pela
presença humana.
O método de limpeza padrão utilizado é a varrição e a lavagem, com uso de
compressor de acordo com a necessidade, todavia esta metodologia encontra
fragilidades devido à estrutura física do porto, pois parte das vias de acesso possui o
piso construído de paralelepípedos, e é comum que partes dos grãos fiquem presas
nas brechas daqueles, inclusive pela umidificação consequente da lavagem.
Além disso, partículas dos grãos são espalhados pelo vento para outras áreas
próximas aos locais de movimentação das cargas, o que preserva parte desses
grãos em locais de difícil acesso para limpeza, o que mais uma vez evidencia a
ineficácia do método preventivo adotado.
18

Estes métodos de limpeza são ações preventivas comuns ao controle de


ratos, baratas e pombos, entretanto, não há menção a limpeza de calhas e telhados,
o que demonstra que o controle de pombos ainda carece de melhor estudo.
No PCA as ações de correção estão mais bem definidas e podem ser
mensuradas nas descrições a seguir.

a) Quanto ao Controle de Roedores:

O controle químico é realizado pela empresa PB PRAGAS –


Imunização de Pragas LTDA que faz a utilização de iscas raticidas
anticoagulantes de dose única. No Porto de Cabedelo são utilizados
iscas com blocos parafinados, pois apresentam maior segurança
para a área aplicada. Estes blocos são dispostos internamente a
recipientes denominados porta-iscas, devendo ser dispostos pela
área a ser tratada, visando a formação de um anel sanitário.
Atualmente, o Porto de Cabedelo conta com 117 (cento e dezessete)
porta-iscas distribuídos estrategicamente por toda a área portuária
(IDEM, 2016, p. 16).

Observa-se que ações corretivas para controle dos ratos são de modo geral
químicas, utilizando uma isca raticida. Tal método é bastante comum devido sua
eficácia e segurança, visto que métodos mecânicos podem resultar em acidentes
para as pessoas e em ferimentos não fatais para os roedores. Nesse sentido as
ações corretivas para controle de roedores no porto de Cabedelo se mostram
suficientes em face da realidade local.

b) Quanto ao Controle de Insetos:

O controle químico destas pragas é realizado pela pulverização do


produto Diclorvós, na diluição 50ml para cada 10l de água. Sendo
realizada semanalmente em pontos distintos do Porto de Cabedelo.
Em anexo segue o cronograma de dedetização mensal realizado
nesta instalação portuária. (IDEM, IBIDEM, p.17)

No que se refere ao controle corretivo das baratas, como de outros insetos,


este é feito semelhantemente ao controle dos ratos, através de produtos químicos
específicos autorizados pelos órgãos da vigilância sanitária conforme se esclareceu
anteriormente. Este método é também muito utilizado em outros ambientes e
certamente é mais efetivo.
19

c) Quanto ao Controle de Pombos:

As principais áreas de pouso e ninhos existentes na área portuária


deverão ser mapeadas e, dependendo das características de cada
uma, eliminados, modificados ou protegidos do acesso de
animais de acordo com as recomendações abaixo: [...]
Proteção de aberturas permanentes que não sejam de passagem de
pessoas ou trânsito de veículos, com telas ou vedação com
alvenaria; Instalação de tela ou vedação com alvenaria nos vãos
dos telhados para impedir a entrada de aves; Utilização de produtos
para dedetização à base de canela para afastar as aves dos
armazéns (IDEM, IBIDEM, p. 14)

O mapeamento dos ninhos dos pombos consiste, na verdade, em um método


de monitoramento e não efetivamente de controle dos mesmos. As ações a serem
realizadas após este mapeamento, todavia, podem ser consideradas ações de
controle. A utilização de barreiras físicas é um método básico para o afastamento
dessas aves de locais de armazenamento, todavia não é eficaz em locais abertos.
Quanto ao uso químico, com dedetização a base de canela, este é feito apenas nos
armazéns, o que também não cobre a área externa.
Importante destacar que embora o PCA traga estas ações quanto ao controle
dos pombos, o site do Porto de Cabedelo, quando descreve as ações de Controle da
FSN não cita em nenhum momento a existência de ações sendo realizadas neste
sentido. Tal ausência de informação demonstra que estes métodos listados no PCA
ainda não possuem eficácia real, consistindo apenas em planos futuros para
execução.
Considerando que tanto o PCA quanto o Regulamento para manuseio de
grãos são extremante recentes (maio/2017 e outubro/2016, respectivamente), é
compreensível que as ações de controle citadas acima estejam ainda numa fase
embrionária.
Ainda que já se tenha aplicado os métodos físicos de instalação de telas ou
vedação e a utilização de dedetização a base de canela nos armazéns, estes não
possuem efeito na área externa no porto, o que faz com que a problemática dos
pombos continue sem uma solução eficaz.
Nesse panorama, considerando que se realize o mapeamento dos ninhos dos
pombos, surgem alguns métodos que poderiam ser aplicados no porto de cabedelo,
a exemplo do que tem logrado êxito em outros portos, conforme se descreverá a
seguir.
20

3.2.1 Modelos de Métodos para Controle de Pombos

Além dos métodos citados anteriormente para o controle de pombos, existem


outros que podem ser utilizados no ambiente portuário, inclusive nas áreas externas.
Num primeiro momento é importante esclarecer que o controle de pombos, inclusive
com a eliminação dos mesmos, não é considerado crime no contexto da Lei nº.
9.605/98, a qual culmina pena para aquele que: matar, perseguir, caçar, apanhar
e/ou utilizar espécimes da fauna silvestre. É preciso compreender que a norma
citada deve ser lida em conjunto com outras normas brasileiras, a exemplo da
Instrução Normativa do IBAMA nº. 141/06, a qual excepciona o abate em casos
específicos, como, por exemplo, a dos pombos para controle da FSN.

Art. 5° [...]
§1º - Observada a legislação e as demais regulamentações vigentes,
são espécies sinantrópicas nocivas passíveis de controle por
pessoas físicas e jurídicas devidamente habilitadas para tal
atividade, sem a necessidade de autorização por parte do
IBAMA:
a) artrópodes nocivos: abelhas, cupins, formigas, pulgas, piolhos,
mosquitos, moscas e demais espécies nocivas comuns ao ambiente
antrópico, que impliquem em transtornos sociais ambientais e
econômicos significativos.
b) Roedores sinantrópicos comensais (Rattus rattus, Rattus
norvegicus e Mus musculus) e pombos (Columba livia), observada
a legislação vigente, especialmente no que se refere à maus
tratos, translocação e utilização de produtos químicos. (Grifo
nosso)

Note-se que a proibição se dá em relação à maus-tratos, abandono em área


irregular e envenenamento por substância não permitida. O controle da FSN feita
por empresas com autorização para este serviço não só é totalmente legal, como
também independente de autorização específica do IBAMA.
Partindo desta realidade, tem-se abaixo o agrupamento dos métodos de
controle em categorias param se facilitar a adequação dos mesmos ao objetivo do
seu uso.
21

Quadro 3 - Modelos de Métodos para Controle de Pombos


MODELOS DE MÉTODOS PARA CONTROLE DE POMBOS
Métodos de Impacto Métodos
Métodos de baixo impacto
duráveis irregulares/proibidos
- inclinação da superfície de pouso; - vedação de espaços - uso de arma de
- uso de estruturas que impeçam ou ou vãos; fogo;
desestabilizem o pouso; - uso de abrigos - envenenamento;
- emprego de espantalhos; controlados. - captura e soltura em
- emprego de refletores luminosos; Medidas área aleatória.
- emprego de aves de rapina; complementares:
- equipamentos sonoros de ultra-som; - destinação de
- tiros de ar comprimido. de baixo impacto resíduos em geral;
e risco a outrem: - controle de fontes
- sonorizadores diversos; alternativas de
- fogos de artifício; fornecimento
- gel irritantes de contato; voluntário de
- cercas eletrificadas; alimento;
- armadilhas para captura; - controle de ecto
- uso de anticoncepcional parasitos;
(quimioesterelizante á base de hidrocloro).

Fonte: Adaptado pelo Autor de Nunes (2003).

Dentre os métodos que podem ser utilizados no ambiente portuário externo,


considerando o custo-benefício e o impacto ambiental e à saúde humana, cita-se:

 Métodos de baixo impacto: O uso de aves de rapina (ex.: falcoaria), o uso


de armadilhas para captura e posterior soltura em área adequada e o uso de
anticoncepcionais para a diminuição da proliferação dos pombos, o qual deve
ser colocado nos grãos que serão consumidos pelas aves.

 Métodos de alto impacto: A criação de abrigos controlados (pombais) dentro


ou próximo do ambiente portuário, onde se permita a infertilização dos ovos, e
que se configure como local atrativo para a permanência deles.

De acordo com a pesquisa de Costa (2013) os métodos que alcançaram


maior sucesso em portos brasileiros são a falcoaria e a criação de pombais para
infertilização dos ovos através do cozimento.
Entretanto, esses métodos só obtêm sucesso se houver um rigoroso manejo
dos resíduos sólidos que servem como alimento para os pombos, pois ainda que se
utilize a caça dos pombos por seus predadores naturais ou se instale criadouros
22

controlados, eles continuarão sendo atraídos para os locais de movimentação de


cargas por estes espaços oferecerem constantemente uma fonte de alimentação.

4 CONSIDERAÇÕOES FINAIS

A necessidade de monitoramento e controle da Fauna Sinantrópica Nociva


nos portos brasileiros é hodiernamente um dos maiores desafios ambientais a ser
enfrentado pela administração portuária. A defasagem de investimentos no setor
portuário acaba por adiar a implementação de um Plano de Gerenciamento
adequado, e somado a essa precariedade financeira tem-se medidas normativas
recentes, que embora necessárias, trazem mais responsabilidades para a gestão do
porto.
Tem-se que as ações preventivas adotadas no porto de cabedelo estão de
acordo com aquelas que estão sendo aplicadas de modo geral nos portos
brasileiros, todavia constatou-se que a mesma pode ser melhorada e que esta tem
um peso muito maior no controle da FSN do que se analisa inicialmente. É
importante que seja diminuído o tempo para limpeza completa dos resíduos dos
grãos durante e após a operação portuária, pois investimentos em uma limpeza
rigorosa diária são menos dispendiosos que ações para corrigir infestações de ratos,
baratas e pombos.
Verificou-se por fim que as ações corretivas utilizadas em relação aos
roedores e insetos estão de acordo com o padrão adotado na maioria dos portos,
quais sejam: métodos químicos e físicos para ratos e químicos para baratas. Estes
métodos tem se mostrado suficientes quando aliados a uma boa ação preventiva,
todavia em relação ao controle dos pombos constatou-se que ainda não existe um
método corretivo sendo aplicado no porto de Cabedelo.
Embora o problema do controle dos pombos seja evidente no porto de
Cabedelo, as limitações financeiras do porto tem impossibilitado a aplicação de
métodos corretivos efetivos, de modo que atualmente se está ainda tentando realizar
o mapeamento dos ninhos dessas aves, para posteriormente, se adotar um ou mais
métodos de controle corretivo.
23

Em face das ações que foram desenhadas no PCA, informando o objetivo de


mapear os ninhos e esterilizar os ovos, sugeriram-se alguns métodos de baixo de
alto impacto que poderiam ser adotados em face da realidade econômico-ambiental
local, destacando-se ações básicas de bloqueio de acesso a armazéns, o uso de
aves de rapina e/ou a instalação de um criadouro controlado (pombal) para a
reunião destas aves e a facilitação do processo de infertilização dos ovos.
Nesse sentido, faz-se necessário que a problemática apresentada neste
trabalho encontre espaço nas discussões político-sociais paraibanas, e
considerando as informações trazidas de modo não exaustivo nessa pesquisa, que
seja fomentada a discussão deste tema na academia para busca de novas soluções,
na mídia e na sociedade para uma reflexão coletiva responsável, e junto à gestão
portuária para uma tomada de decisão estratégica e fundamentada.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO DOS CONTROLADORES DE VETORES E PRAGAS URBANAS -


APRAG. Sobre as Pragas Urbanas. Disponível em:
<http://www.aprag.org.br/consumidor/sobre-as-pragas-urbanas>. Acesso em: 27
nov. 2017.

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para o funcionamento de empresas sujeitas ao licenciamento sanitário, e o registro,
controle e monitoramento, no âmbito da vigilância sanitária, dos produtos de que
trata a Lei no 6.360, de 23 de setembro de 1976, e dá outras providências.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2013/decreto/d8077.htm>. Acesso em: 28 nov. 2017.

________. Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política


Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e
dá outras providências. Disponível em:
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________. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções


penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio
ambiente, e dá outras providências. . Disponível em:
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24

________. Lei nº. 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de


Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras
providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 28 nov. 2017.

________. Lei nº. 12.815, de 5 de junho de 2013. Dispõe sobre a exploração direta
e indireta pela União de portos e instalações portuárias e sobre as atividades
desempenhadas pelos operadores portuários; altera as Leis nos 5.025, de 10 de
junho de 1966, 10.233, de 5 de junho de 2001, 10.683, de 28 de maio de 2003,
9.719, de 27 de novembro de 1998, e 8.213, de 24 de julho de 1991; revoga as Leis
nos 8.630, de 25 de fevereiro de 1993, e 11.610, de 12 de dezembro de 2007, e
dispositivos das Leis nos 11.314, de 3 de julho de 2006, e 11.518, de 5 de setembro
de 2007; e dá outras providências.. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12815.htm>. Acesso
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________. Lei Complementar nº. 140, de 8 de dezembro de 2011. Fixa normas,


nos termos dos incisos III, VI e VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da
Constituição Federal, para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da
competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à
proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à
preservação das florestas, da fauna e da flora; e altera a Lei no 6.938, de 31 de
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