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Crianças e seus caminhos 97

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Crianças e seus caminhos 1
CECIP
Diretor executivo: Claudius Ceccon
Diretora Administrativa: Dinah Frotté
Coordenadora de Projetos: Claudia Ceccon
Coordenador Financeiro: Elcimar Oliveira
Apoio: Marcelo Avance, Laura Rodrigues e Sirlene Alves

PROJETO CRIANÇA PEQUENA EM FOCO


Equipe: Mariana Koury, Raquel Ribeiro e Soraia Melo

CET-RIO
Diretora-Presidente: Virginia Maria Salerno Soares
Coordenador de Educação para o Trânsito: Mauro Cezar de Freitas Ferreira
Assessora de Educação para o Trânsito: Sheila Castro Teixeira da Silva

CRIANÇAS E SEUS CAMINHOS


Texto: Madza Ednir, Mariana Koury e Raquel Ribeiro
Produção Editorial: Mariana Koury, Raquel Ribeiro e Soraia Melo
Ilustrações: Claudius Ceccon e as crianças Alice Mattos Cavour (9 anos),
Adryan Canuto (6 anos), Ana Beatriz Campos (6 anos), Ana Celia (7 anos),
Joaquim Silva (10 anos), Ketlen (8 anos) e Nicoly (9 anos)
Projeto Gráfico: Casa Aberta Atelier - Luciana Perpétuo de Oliveira e Fabio Campos
Revisão: Sonia Cardoso
Fotos: Rosa Maria Mattos e Yuri Leal
Impressão: CET-Rio

2
AUTORAS
Madza Ednir, Mariana Koury e Raquel Ribeiro

Rio de Janeiro, 2017

Crianças e seus caminhos 3


SUMÁRIO

4
Introdução Que tal transitar com a gente por este livro?, 6

Capítulo 1 Uma proposta de Educação para o Trânsito/Mudança:


O jogo Crianças e seus Caminhos e o Currículo, 16

Capítulo 2 Apresentação do jogo Crianças e seus Caminhos, 32

Capítulo 3 Jogando e aprendendo a viver (n)o trânsito, 48


Primeira Fase: Conhecer o caminho, 49
Segunda Fase: Imaginar o que fazer para melhorar
o caminho, 64
Terceira Fase: Fazer a diferença no caminho, 75
Comemorar a vitória, 82

Conclusão 84

Anexos Dinâmicas de entrosamento, 87


Oficinas, 89
Certificado Criança Guardiã do Caminho, 95

Crianças e seus caminhos 5


INTRODUÇÃO
Que tal transitar
com a gente
por este livro?

6
Queremos falar de uma coisa
com você. Adivinha onde ela
anda? Em quase toda parte,
pois o tema é mobilidade; é so-
bre viver o trânsito e mudar as formas com
que nos compreendemos e nos movemos
em nossos espaços. Nestas décadas ini-
ciais do século 21, a humanidade anseia
“Amor é felicidade” por transitar de um modelo de civilização
Rafaela, 6 anos destrutivo para outro, com justiça e felici-
dade para todos. Este sonho moveu 192
Corte a linha pontilhada
países das Nações Unidas a assumir, em
para abrir uma janela,
cuidado para não cortar
2015, o compromisso de tentar realizar
a lateral direita
dentro de 15 anos, 17 Objetivos de Desen-
volvimento Sustentável (ODS) contidos na
Agenda 2030, um misto de roteiro para as
políticas públicas no mundo e bússola para
os que navegam pelos mares turbulentos
de uma crise econômica, social e ambien-
tal planetária. Dentre os ODS, um se des-
taca, por sua capacidade de influenciar a
realização de todos os demais. Trata-se do
Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
4, Promover uma Educação de Qualidade
para todas e todos – que tem tudo a ver
com você, leitora ou leitor deste material.

Crianças e seus caminhos 7


Vamos parar... Afinal, quem trabalha com educação sabe
e refletir? que só uma educação de qualidade, inclu-
siva, equitativa, ao longo de toda a vida,
Quais foram as pessoas e pode desenvolver o pensamento crítico, a
experiências que mais mar- empatia e a compaixão essenciais para
caram a sua vida e fizeram que as pessoas se unam, criem e utilizem
com que você se tornasse o ferramentas para enfrentar a pobreza, a
que é hoje? fome, a desigualdade de gênero, a mudan-
ça climática, a cultura da violência e outros
desafios da nossa época.

Em que campo da educação


você atua? No campo da educação
formal, aquela que acontece em creches,
escolas, centros de pesquisa, universida-
des? Neste caso, talvez você concorde que,
para ser qualitativamente transformador é
importante que seu fazer pedagógico ar-
ticule-se à educação não formal, comuni-
cando-se com famílias, coletivos artísticos,
centros culturais, desportivos ou religio-
sos, museus, teatros, festivais, movimen-
tos, associações e organizações sociais.
Sua prática deve também associar-se à
educação informal, não planificada, pre-
sente nos locais onde pessoas interagem
ao produzir, vender, consumir, criar, resistir
e se locomover. Afinal, para promover uma
educação de qualidade, não bastam boas

8
Vamos sentar... escolas. Nossos avós já diziam: “É preci-
e desenhar? so uma aldeia para educar uma criança.”
Hoje, precisa-se de uma cidade.
Lembra como era seu ca-
minho de casa para a es- A Carta das Cidades Educadoras,1 que re-
cola quando era criança? sultou do Primeiro Congresso Internacio-
Por onde você passava? nal das Cidades Educadoras, realizado em
Que pessoas você sempre 1990 em Barcelona, Espanha, trouxe uma
encontrava? Que tal fazer ideia nova, a de que a cidade, além de edu-
um desenho registrando o car pelo sistema escolar, também educa
caminho que ficou na sua através da maneira como atua nos cam-
memória e prendê-lo nessa pos cultural, social, político e da economia.
página com um clipe? A cidade existe para servir às pessoas que
nela habitam e se apresenta como fonte
de inumeráveis aprendizados.

Uma criança que vai à escola todos os dias


está aprendendo, mesmo sem se dar con-
ta, lições de cidadania. Cidadania é per-
tencer a um lugar e gozar de todos os di-
reitos, civis e políticos, que têm os demais
moradores.

Enquanto caminha, a criança observa


tudo o que vê com olhos curiosos. Ela mui-
tas vezes consegue ver o que os adultos
já não percebem, por estarem habituados

1. Link para a Carta: http://comunidadesdeaprendizagem.org.


br/Cartadascidadeseducadoras.pdf

Crianças e seus caminhos 9


ao estado das coisas. No seu percurso, as Entendendo que a escola nunca está alheia
crianças notam se as calçadas permitem ao seu entorno, um grupo de educadoras
que carrinhos de bebê ou cadeirantes, e sociais do CECIP (veja box na página 14)
quem sabe suas patinetes ou skates, an- junto com as colegas da Escola Municipal
dem sem dificuldade, se o espaço é amplo Professora Maria de Cerqueira e Silva e
ou estreito, se o piso é plano, sem bura- da Biblioteca Parque de Manguinhos, no
cos ou se precisa de consertos. Se há ár- Rio de Janeiro, desenvolveram um traba-
vores que dão sombra no calor e recebem lho que pode inspirar outros, em situações
passarinhos. Os muros também falam e semelhantes, em todas as nossas metró-
muitas vezes as crianças são surpreendi- poles. O projeto foi chamado de Mangui-
das por imagens e cores bonitas, que elas nhos e seus Caminhos, expondo exemplos
gostariam de aprender a fazer. Ficam com positivos de solidariedade e de criativida-
vontade de consertar os muros que estão de, que mostram como as crianças podem
descascados e feios, porque as crianças contribuir para que haja uma melhor cir-
têm uma inata vontade de beleza. culação onde elas vivem, trazendo lições
inovadoras, que podem ser replicadas em
Não é à toa que, nas séries iniciais do En- outros bairros e territórios.
sino Fundamental, o estudo do caminho de
casa à escola é uma das estratégias usa- Esta ação piloto do Projeto Criança Peque-
das para desenvolver na criança a capa- na em Foco, realizada em parceria com a
cidade de situar-se no espaço e no tempo Companhia de Engenharia de Tráfego –
em que vive. Se a professora ou professor CET- Rio (veja box na p. 15), quer ajudar a
permanece em sua zona de conforto e se mudar os caminhos por onde transitam as
limita a realizar atividades do livro didático, pessoas – em especial as mais vulneráveis
corre menos riscos – no entanto, as crian- –, contribuindo para construir um bairro
ças se arriscam a aprender muito pouco. educador e uma cidade educadora, ou seja,
Mas a situação torna-se desafiadora e re- territórios “inclusivos, seguros, resilientes e
pleta de oportunidades de aprendizagem sustentáveis”, como diz o Objetivo de De-
e mudança, quando o/a docente decide senvolvimento Sustentável (ODS) número
unir currículo e vida. 11. Para tanto, a estratégia básica é ouvir a

10
voz e a opinião das crianças, colocando-as
no seu lugar de cidadãos e cidadãs, agen-
tes ativos de mudança, capazes de propor
e realizar ações transformadoras. Alinha-
“Criança é brincar”,
-se com a iniciativa internacional Cidade
Jawany, 6 anos
Amiga da Criança, lançada em 1996, que
promove a participação das crianças nos
Corte a linha pontilhada
governos locais. Afinal, quando se possibi- para abrir uma janela,
cuidado para não cortar
lita que as crianças influenciem processos a lateral esquerda.

de tomada de decisão, pressionando para


que seus direitos possam refletir-se em
projetos, leis, programas e orçamentos, as
cidades tornam-se amigáveis não só para
os pequenos, mas para toda a população.

A publicação Crianças e seus Caminhos


convida você, que trabalha com educação,
a usar como tema de estudo algo que faz
parte da vida cotidiana das crianças: seu
percurso de casa à escola e as questões
que esse percurso levanta. O trânsito, por
exemplo, pode suscitar uma infinidade de
temas ligados à saúde – poluição, aciden-
tes, ruídos. O próprio caminho que a crian-
ça conhece remete à sua moradia, à ne-
cessidade de tomar uma condução, ou de
seus pais e mães irem ao trabalho e volta-
rem para casa.

Crianças e seus caminhos 11


Propomos uma conversa nas páginas se- quiser, possa parar e, pelo tempo que
guintes. Na verdade, propomos a realiza- for preciso, descansar, brincar um pou-
ção de encontros temáticos no formato de co e até refletir se quer adaptar o jogo à
jogo que pode ser jogado por grupos de sua realidade e como fazer isso. E então?
crianças dos 5 aos 10 anos, na escola ou Quer conhecer esse jogo e ajudar a espa-
em casa, com os pais e irmãos. Estaremos lhar alegrias e sonhos pelo caminho das
todos jogando para ganhar, alcançando crianças?
os Objetivos de Desenvolvimento Susten-
tável. No decorrer do texto continuaremos Um abraço de renovada esperança da
‘brincando com o sinal’ para que você, se Equipe Criança Pequena em Foco

12
Corte a linha pontilhada
para abrir uma janela,

“Participar é fazer cuidado para não cortar


a lateral direita

brincadeiras”
Dayana, 4 anos “Família é uma
pessoa que ama
outra pessoa”
Corte a linha pontilhada
para abrir uma janela, Maria Luisa, 8 anos
cuidado para não cortar
a lateral esquerda

Vamos descansar...
e imaginar?

Você não gostaria de morar em uma


cidade onde as crianças
pudessem andar e brincar sozinhas
nas ruas e praças,
em segurança?
(Veja Unicef, “Cidade Amiga da Criança”, 2009

www.unicef.org/brazil)

Crianças e seus caminhos 13


O que é o CECIP
O CECIP (Centro de Criação de Imagem Po- A metodologia do CECIP fundamenta-se no
pular) é uma organização da sociedade civil, pensamento de Paulo Freire. Os elementos da
sem fins lucrativos, criada em 1986 no Rio de abordagem freiriana que mais se destacam
Janeiro por um grupo de intelectuais e artis- em seus projetos são: o diálogo como forma de
tas liderados por Claudius Ceccon, ganhadora comunicação e construção de conhecimento;
de muitos prêmios, incluindo o Itaú/Unicef na a leitura de imagem como estratégia para de-
categoria Mobilização pela Educação. Reco- flagrar a análise crítica da realidade; a ação-
nhecida pelo MEC, em janeiro de 2016, como -reflexão-ação como princípio norteador das
“instituição de referência para a inovação e a transformações desejadas na prática.
criatividade na educação básica”, tem, dentre
suas muitas parcerias, a Fundação Bernard O CECIP está comprometido com a realização
Van Leer, apoiadora do Projeto Criança Pe- da Agenda 2030 da ONU, com foco no Objetivo
quena em Foco. de Desenvolvimento Sustentável n. 4 – “Asse-
gurar Educação inclusiva, equitativa, de quali-
Desde 2015 e até 2017, o CECIP ocupou a Se- dade e promover oportunidades de aprendiza-
cretaria Executiva da Rede Nacional Primeira gem ao longo de toda a vida”.
Infância, uma articulação de mais de 200 en-
tidades, unidas na defesa dos direitos univer- www.cecip.org.br
sais das crianças.

14
O que é a CET-Rio
A CET-Rio (Companhia de Engenharia de Trá- nas quais as normas de segurança no tráfego
fego do Rio de Janeiro) é vinculada à Secre- são apresentadas e vivenciadas. As atividades
taria Municipal de Transportes, órgão munici- resultam na construção coletiva de Mapas de
pal responsável pela fiscalização do trânsito e Risco, quando as crianças identificam os ce-
manutenção do sistema viário e de circulação nários de risco que encontram no trajeto e fa-
da capital fluminense. zem propostas para superá-los. Os técnicos e
engenheiros da CET-Rio, sempre que possível,
A Coordenadoria de Educação para o Trânsi- colocam as propostas das crianças em prática
to e Relacionamento com o Cidadão (CEDUT), de forma integral ou adaptada, gerando inter-
dentre outras atividades promove o projeto venções nas quais elas se reconhecem.
Caminho da Escola, por meio do qual as pro-
fessoras recebem formação para promover,
em suas turmas, a observação do caminho de
casa para a escola e da escola para casa. Os
recursos compartilhados com as professoras
incluem uma peça de teatro e brincadeiras

Crianças e seus caminhos 15


CAPÍTULO 1
Uma proposta de Educação
para o Trânsito/Mudança:
o jogo Crianças e seus
Caminhos e o Currículo

16
A palavra trânsito, do latim transitu,
tem diferentes significados. Destaca-
mos aqui os que nos interessam: ato
ou efeito de caminhar; ato ou efeito
de passar (veículos); acesso fácil;
tráfego, movimento, circulação,
afluência de pessoas ou veículos –
e, principalmente, mudança,
passagem.

Você pode cortar a linha pontilhada.

O educador Paulo Freire já dizia, em sua


educação como prática da liberdade, que
nossas sociedades vivem o trânsito de uma
época para outra. Para ele, este trânsito ia
além de mudanças superficiais e represen-
tava algo mais profundo, com transforma-
ções individuais e sociais que resultassem
na realização plena de nosso potencial hu-
mano. A Carta das Cidades Educadoras
reafirma isso: “Atualmente, a humanidade,
não vive somente uma etapa de mudanças,
mas uma verdadeira mudança de etapa.”
E completa: “Por outro lado, as crianças e
os jovens não são mais protagonistas pas-
sivos da vida social e, por consequência, da
cidade.”
Crianças e seus caminhos 17
Vamos parar... A abordagem, nas escolas, do trânsito en-
e filosofar? quanto tráfego, locomoção, deslocamento
de pessoas e veículos deve estar inserida
“Se todo Trânsito é mudan- no tema mais amplo do trânsito enquanto
ça, nem toda mudança é passagem da sociedade que temos para
Trânsito” uma outra que não discrimine, privilegie
e exclua; de cidades onde crianças mor-
Já leu algum livro de Paulo
(Paulo Freire, rem por falta de saneamento básico, por
Freire? Tem algum concei-
Educação
doenças relacionadas à poluição do ar e
como Prática to ou frase dele que você
da Liberdade. goste muito? Quer escrever
pela falta de segurança, a cidades amigas
Paz e Terra,
seu ‘pensamento freiriano’ das crianças.2 Possibilitar mudança, com
1969, p. 46).
predileto num post it e colar participação ativa dos envolvidos na ação
aqui?! educativa, é a intenção maior dos currícu-

Você pode cortar a linha pontilhada.

cole seu post it aqui

18
los brasileiros, orientados pela Lei de Dire- como os Parâmetros Curriculares, a BNCC
trizes e Bases da Educação Nacional (LDB, também recomenda que a Educação para
Lei 9.394/1996), pelos Parâmetros (1998) o Trânsito e outros temas contemporâneos
e Diretrizes Curriculares Nacionais (2012) que afetam a vida humana em escala lo-
e, mais recentemente, pela Base Nacional cal, regional e global, sejam incorporados
Comum Curricular (BCCN, 2017).3 Este pro- aos currículos e às propostas pedagógicas
pósito está claro em todos os documentos de forma transversal e integradora. Isto
legais citados, que direcionam a educação significa que todas as áreas do Currícu-
para a formação humana integral e para lo podem e devem abordar a questão da
a construção de uma sociedade justa, de- mobilidade urbana, em um enfoque fun-
mocrática e inclusiva. E ele se realiza na damentado nos princípios éticos da convi-
prática quando educadoras e educadores, vência, do respeito mútuo e do exercício da
entendendo os conhecimentos escolares cidadania ativa nos territórios da cidade.
de forma ampla – enquanto conceitos,
procedimentos, valores e atitudes – orga- O jogo cooperativo que vamos apresentar
nizam situações de aprendizagem em que no próximo capítulo pode ser livremente
as crianças e jovens possam construí-los adaptado e utilizado com crianças entre 5
e aplicá-los à realidade, transformando-a. e 10 anos. Ele une educação formal, não
formal e informal, envolvendo atividades
A Educação para o Trânsito é reconheci- dentro e fora da escola. Sua finalidade é
da pela Lei 9.503/1997 (Código de Trân- educar para o trânsito, enquanto tráfego
sito Brasileiro) como direito de todos, da e enquanto mudança, tendo como resulta-
Educação Infantil à Universidade. Assim do ações que, ao promover uma circulação

2. Uma cidade amiga da criança é aquela que tem o objetivo de 3. Documento de caráter normativo, que define o conjunto or-
garantir que os direitos da criança a serviços essenciais de saú- gânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os
de, educação, abrigo, água limpa, instalações sanitárias, prote- estudantes devem desenvolver ao longo das etapas e modali-
ção. Uma cidade onde a criança possa andar sozinha nas ruas dades da Educação Básica e que começará a ser implementado
com segurança, possa encontrar seus amigos e brincar e viver em 2019. Em abril de 2017, o MEC apresentou a terceira versão,
em um ambiente não poluído. final, da BNCC da Educação Infantil e do Ensino Fundamental.
Confira o texto em www.basenacionalcurricular.org.br.

Crianças e seus caminhos 19


Educação para o Trânsito
Muitos programas de Educação para o Trânsito É claro que as regras de segurança são funda-
têm por objetivo adaptar o ser humano à circu- mentais, mas não são suficientes. Devemos tentar
lação viária, orientando o mesmo a adotar com- mudar esse paradigma.
portamentos que possam resguardá-lo do perigo.
O ideal é promover uma verdadeira transformação O primeiro passo é tentar compreender que edu-
no comportamento, baseada na conscientização cação é um processo muito mais complexo do
e na mudança de normas sociais e, assim, atin- que informar o indivíduo e a sociedade sobre as
girmos um trânsito mais humano e democrático. regras, a sinalização e os conceitos de segurança.
É algo muito maior do que simplesmente trans-
O problema é que muitas pessoas ainda conside- mitir informações. A informação por si não gera
ram o trânsito como o lugar onde o veículo motori- mudança de comportamento.
zado deve predominar. É o espaço onde o automó-
vel é o senhor e deve ter todas as prioridades. Esse O objetivo principal da Educação para o Trânsito
tipo de concepção, quando transportada para a é transformar as pessoas a partir da conscienti-
Educação para o Trânsito, gera grandes distorções, zação e da incorporação de hábitos mais seguros
pois ao invés de lutarmos para tentar humanizar e menos egoístas – transformar o conhecimento
o trânsito, priorizando o pedestre, o ciclista, além em ação.
do transporte público, muitas vezes nos contenta-
mos em tentar resguardá-los. Chegamos a identi- Retirado do texto “Uma visão crítica da educação para o trân-
sito” de Mauro Cezar Ferreira.
ficar os automóveis como grandes predadores de
pedestres e ciclistas, mas para reverter o quadro,
tentamos ensinar regras de segurança para estes
últimos. Em última análise somos treinados para
fugir e nos proteger dos automóveis.

20
Vamos parar... mais segura das crianças pelo território e
e (re)criar? impulsionar boas políticas públicas de mo-
bilidade urbana, contribuam para realizar
Conhece ou já experimen- a Agenda 2030, em especial os Objetivos
tou algum jogo cooperati- do Desenvolvimento Sustentável 3: “as-
vo? Pode ser bacana des- segurar uma vida saudável e promover o
crevê-lo aqui (inventar um bem-estar de todos, em todas as idades”;
também pode...). 11: ”criar assentamentos urbanos inclusi-
vos, seguros, resilientes e sustentáveis”;
13: “combater a mudança do clima”; e 16:
“promover sociedades pacíficas e inclusi-
vas”.

Seus desafios mobilizam habilidades nas


áreas de Linguagens – Língua Portugue-
sa, Artes e Educação Física; Matemática e
Ciências da Natureza e Humanas, ao mes-
mo tempo em que desenvolvem atitudes e
valores tais como a solidariedade, a par-
ticipação e o protagonismo voltados para
o bem comum, a preocupação com o meio
ambiente e as desigualdades sociais.

Veja exemplos a seguir.

Crianças e seus caminhos 21


DESAFIOS DO JOGO
• Dominar as regras e combinados do jogo.
• Observar individualmente e descrever, em
equipes, aspectos positivos e negativos do ca-
minho casa-escola, priorizando problemas e
propondo ações para melhorar o caminho da
escola, que podem ser realizadas pelas pró-
prias crianças, pela comunidade e pelo poder
público.
• Identificar o sentido das diferentes formas de
comunicação que orientam o trânsito.
• Produzir cartazes com instruções sobre se-
gurança no trânsito.
• Escrever cartas sobre os problemas identifi-
cados no caminho de casa a escola e suges-
tões de soluções.

HABILIDADES
Escutar e compreender instruções orais, che-
gar a acordos e combinados que organizam a
convivência. Relatar experiências pessoais de
seu cotidiano; apresentar informações, per-
LÍNGUA guntar, trocar ideias, propor, criar. Compreen-

PORTUGUESA der e interpretar textos verbais, verbovisuais e


multimodais. Escrever, em colaboração com os
colegas e com a ajuda do professor: avisos, re-
gras, legendas para fotos ou ilustrações, cartas
dirigidas a veículos da mídia e a autoridades
governamentais; instruções e procedimentos.

ATITUDES E VALORES
Cooperação, solidariedade, respeito a opiniões
diferentes, preocupação com o bem comum.

22
ARTES
DESAFIOS DO JOGO HABILIDADES
• Registrar aspectos do caminho casa-escola Expressar-se por meio de música, dança, de-
utilizando desenho, colagem e fotos. senho, colagem, fotografia.
• Construir coletivamente uma árvore com as
possibilidades de ação para melhorar o cami- ATITUDES E VALORES
nho da escola, que podem ser realizadas pelas Cooperação, solidariedade, respeito à opi-
próprias crianças, pela comunidade e pelo po- niões diferentes, preocupação com o bem co-
der público. mum.
• Comunicar as experiências vivenciadas no
jogo e seus resultados por meio de linguagens
artísticas.

Crianças e seus caminhos 23


DESAFIO DO JOGO ATITUDES E VALORES
• Adaptar as regras do jogo Crianças e seus Cooperação, solidariedade, respeito a opiniões
Caminhos aos seus interesses e possibilidades. diferentes, preocupação com o bem comum.

HABILIDADES
Realizar brincadeiras e jogos: atividades vo-
luntárias exercidas dentro de determinados li-
mites de tempo e espaço, caracterizadas pela
criação e alteração de regras, pela obediência
de cada participante ao que foi combinado co-
letivamente, bem como pela apreciação do ato
de brincar em si.

EDUCAÇÃO
FÍSICA

24
MATEMÁTICA

DESAFIOS DO JOGO
• Observar individualmente e descrever em para a obtenção dos resultados, sobretudo
equipes aspectos positivos e negativos do ca- por estimativa e cálculo mental; realizar tare-
minho casa-escola, quantificando e realizando fas que envolvem medições; comparar com-
estimativas em aspectos relativos à circulação primentos, capacidades ou massas; fazer es-
nas ruas e calçadas, à comunicação e sinali- timativas, utilizando instrumentos de medida
zação das vias públicas; às questões ligadas e de unidades de medida convencionais mais
a saúde e meio ambiente, priorizando proble- usuais; identificar e estabelecer pontos de re-
mas e sugerindo ações para melhorar o cami- ferência para a localização e o deslocamento
nho da escola. de objetos; construir representações de espa-
• Construir representações do caminho casa- ços conhecidos e estimar distâncias, usando,
-escola. como suporte, mapas, croquis e outras repre-
sentações; coletar, organizar, representar, in-
HABILIDADES terpretar e analisar dados em uma variedade
Utilizar o pensamento numérico, quantifican- de contextos, de maneira a fazer julgamentos
do atributos de objetos, julgando e interpre- bem fundamentados.
tando argumentos baseados em quantidades;
resolver problemas com números naturais e ATITUDES E VALORES
números racionais cuja representação deci- Cooperação, solidariedade, respeito a opiniões
mal é finita; desenvolver diferentes estratégias diferentes, preocupação com o bem comum.

Crianças e seus caminhos 25


DESAFIO DO JOGO
• Observar individualmente e descrever em associados à integridade física e à qualidade
equipes aspectos positivos e negativos do ca- auditiva e visual; perceber o que é preciso para
minho casa-escola, com foco nas questões de promover a saúde individual e coletiva, inclu-
saúde, ambiente, consumo e respeito à diver- sive no âmbito das políticas públicas: sanea-
sidade. mento básico, geração de energia, impactos
ambientais. Identificar os cuidados necessários
HABILIDADES para a manutenção da saúde e integridade do
Observar o mundo e fazer perguntas. Analisar organismo. Desenvolver atitudes de respeito e
demandas. Propor hipóteses, definir proble- acolhimento pelas diferenças individuais. Ava-
mas. Realizar atividades de campo. Desenvol- liar hábitos de consumo.
ver soluções para problemas cotidianos, usan-
do diferentes ferramentas; construir hábitos ATITUDES E VALORES
saudáveis e sustentáveis por meio da preser- Cooperação, solidariedade, respeito a opiniões di-
vação da saúde a partir dos cuidados e riscos ferentes, preocupação com o bem comum.

CIÊNCIAS
DA NATUREZA

26
CIÊNCIAS
HUMANAS:
GEOGRAFIA
E HISTÓRIA

DESAFIOS DO JOGO
• Observar individualmente e descrever em ças e diferenças socioespaciais. Mapear os
equipes o que gostam e o que não gostam no espaços públicos no lugar em que vive (ruas,
caminho casa-escola, com foco nas mudanças praças, escolas, hospitais, prédios públicos) e
ocorridas através do tempo, nos marcos his- identificar suas funções. Identificar os regis-
tóricos presentes, na presença ou ausência de tros de memória na cidade (nomes de ruas,
serviços públicos essenciais, priorizando pro- monumentos, edifícios etc.), discutindo os cri-
blemas e sugerindo ações para melhorar o ca- térios que explicam a escolha desses nomes.
minho da escola. Desenvolver análises e argumentações, de
• Construir representações do caminho casa- modo a potencializar descobertas e estimu-
escola. lar o pensamento criativo e crítico. Explorar
as noções de espaço e tempo por meio de di-
HABILIDADES ferentes linguagens, de forma a permitir que
Desenvolver o raciocínio espaço-temporal ba- os alunos se tornem produtores e leitores de
seado na ideia de que o ser humano produz o mapas.
espaço em que vive. Realizar trabalho de cam-
po, entrevistas, observação.
ATITUDES E VALORES
Reconhecer e comparar as realidades de di- Cooperação, solidariedade, respeito a opiniões
versos lugares, assim como suas semelhan- diferentes, preocupação com o bem comum.

Crianças e seus caminhos 27


Vamos sentar... O jogo Crianças e seus Caminhos esti-
e respirar fundo? mula o desenvolvimento de competências4
gerais previstas na Base Nacional Comum
Qual foi o maior desafio Curricular, em especial as de número 7:
que você já enfrentou Argumentar com base em fatos, dados e
na vida? Que habilidades, informações confiáveis, para formular, ne-
valores e atitudes você gociar e defender ideias, pontos de vista e
desenvolveu ao superá-lo? decisões comuns que respeitem e promo-
Se quiser, escreva em um vam os direitos humanos e a consciência
post it três aprendizagens socioambiental em âmbito local, regional e
que você construiu ao global, com posicionamento ético em rela-
superar desafios do jogo ção ao cuidado de si mesmo, dos outros e
da vida e cole aqui. do planeta; 9: Exercitar a empatia, o diá-
logo, a resolução de conflitos e a coope-
ração, fazendo-se respeitar e promoven-
do o respeito ao outro, com acolhimento e
valorização da diversidade de indivíduos e
de grupos sociais, seus saberes, identida-
des, culturas e potencialidades; e 10: Agir
pessoal e coletivamente com autonomia,
responsabilidade, flexibilidade, resiliência
e determinação, tomando decisões, com
base nos conhecimentos construídos na
escola, segundo princípios éticos demo-
cráticos, inclusivos, sustentáveis e soli-
dários.

4. Competências são conhecimentos, atitudes e valores mobili-


zados e aplicados em situações práticas.

28
A participação infantil é um direito garan- jogo com mais afinco para promover mu-
tido por lei,5 mas mesmo assim o universo danças em seus territórios:
adulto ainda tem dificuldade de entender
que as crianças sabem muito e que podem
trazer excelentes contribuições no que diz
respeito à vida delas. O universo escolar é
um lugar onde a criança passa boa parte
do seu dia e onde diariamente constrói re-
lações e saberes para além do previsto no
currículo, como a cidadania. Crianças que
são incentivadas a participar desenvolvem
um senso de responsabilidade maior em
relação àquilo que colaborou na constru-
ção – e isso vale para desde os acordos
comportamentais até o orçamento da es-
cola. Os grêmios estudantis costumam ser
o principal canal de participação existen-
te nas escolas, mas em algumas o mes-
mo não há ou encontra-se desarticulado.
Também existem outras formas de partici-
pação, como os representantes de turma e
conselhos, além da participação também
poder estar presente como princípio den-
tro de sala de aula com todos. Alunos que Os alunos que se envolveram nas ques-
participam da gestão escolar, provavel- tões da escola passaram a valorizar mais
mente, irão se engajar nas propostas do a educação, reforçando o sentido de per-
tencimento à escola e fortalecendo os vín-
culos com a comunidade (de acordo com
5. Convenção dos Direitos das Crianças da ONU (1989); Esta-
tuto da Criança e do Adolescente (1990); Resolução 159 do Co-
a experiência do projeto Grêmio é funda-
nanda (2013); Marco Legal da Primeira Infância (2016). mental, desenvolvido pelo CIEDS).
Crianças e seus caminhos 29
Se a sua escola possui um grêmio ou con- Vamos parar…
selho de estudantes, você pode contar a e lembrar da nossa
ideia do jogo para eles e envolvê-los na
vida escolar?
realização; eles podem apoiar as ativida-
des com os outros alunos.
Na sua escola tinha
grêmio estudantil? Mesmo
que a resposta seja não,
tente lembrar de momen-
tos em que você se sentia
participando, quando você
foi escutado e convidado a
construir e tomar decisão
a respeito de algo que a
escola iria promover.
Escreva sobre essa expe-
riência e reflita sobre como
ela influenciou na sua
formação atual.

30
Crianças e seus caminhos 31
CAPÍTULO 2
Apresentação do jogo
Crianças e seus Caminhos

32
Este é um jogo com três fases –
Conhecer, Imaginar, Fazer – que
termina com uma celebração
comunitária. Dele participam toda
a turma de uma classe e mem-
bros de suas famílias. Assim, é
importante incluir mães, pais e
crianças na preparação do terre-
no para a atividade.

REUNIÃO COM RESPONSÁVEIS ATIVIDADE COM CRIANÇAS

Uma reunião para motivar crianças e fa- Uma atividade só com as crianças para
miliares e apresentar o jogo. Como você formar as equipes do jogo. A reunião pre-
sabe, uma reunião como esta requer con- paratória tem dois objetivos: primeiro, des-
vites feitos com antecedência, escolha de pertar a vontade de contribuir para tornar
um horário que leve em conta que os adul- realidade a cidade dos sonhos de crianças
tos trabalham, e planejamento, com as e adultos, por meio de um jogo cooperati-
crianças, do acolhimento aos pais – mas vo que vai contribuir para, pouco a pouco,
lembre-se: caso não consiga realizar essa tornar realidade a cidade que sonham. E,
reunião com os pais e responsáveis, não segundo, mostrar como o jogo pode ser jo-
desista do jogo! O mais importante é que gado e quais suas regras básicas.
as crianças estejam envolvidas e partici-
pem das atividades.
Crianças e seus caminhos 33
META DO JOGO Como é o fluxo de crianças nos corredores da
escola? Aumenta na hora de rush? Pense com as
Cooperar para tornar crianças se os corredores da escola se parecem
o caminho da escola com alguma rua famosa em que costumam pas-
sar. Aproveite e crie acordos e normas de trânsi-
mais seguro e saudável, to com elas. Assim como acontece nas ruas, vo-
enquanto usamos e cês podem comparar crianças com veículos: por
exemplo, as crianças da educação infantil podem
aumentamos nossos

Você pode cortar a linha pontilhada.


ser as bicicletas que precisam que os carros pres-
conhecimentos de tem atenção e respeitem o caminho delas sem as
Linguagens, Matemática, Histó- atropelar; em determinados horários (momentos
com mais fluxo, como entrada e saída e horário
ria, Geografia, do recreio) a velocidade máxima permitida pode
Ciências e Cidadania. ser correspondente ao passo de determinado bi-
cho (tartaruga, preguiça, lesma, etc.).
Você pode cortar a linha pontilhada.

34
Para realizar a reunião com responsáveis, A preparação com as crianças pede a
o ideal é uma dinâmica de sensibilização utilização de cartazes que descrevam
(talvez você goste da sugestão na página os objetivos e as três etapas do jogo e
47) que possibilite aos participantes ex- mostrem como pode ser o encerramento.
pressarem como acreditam que seria viver A apresentação do conteúdo dos cartazes
em uma cidade ideal. Para concluir esta é o momento para ouvir perguntas e co-
parte, vale apresentar um vídeo curto ou mentários. Novas ideias podem surgir, mo-
imagens. Também é importante apresen- dificando procedimentos do jogo. A única
tar cartazes que mostrem os objetivos, regra a ser mantida sempre é a da coo-
etapas do jogo e como eles podem apoiar peração. Veja o que pode ser escrito nos
as crianças. cartazes.

Crianças e seus caminhos 35


DESAFIOS - no trajeto casa-escola, crianças
em cada equipe, individualmente:
Conhecer - Registram aspectos positivos e desafiantes
o caminho do trajeto casa-escola-casa.
- Desenham mapas com os lugares onde sua
DURAÇAO SUGERIDA: vida e saúde correm riscos.
três a cinco dias
PAPEL DOS FAMILIARES - apoiar as crianças
na observaçao do caminho e, quando neces-
sário, no registro de suas observações; res-
ponder às suas perguntas.

36
“Caminho é onde
pode passar de carro,
moto, bicicleta e vários
outros veículos”.
Lucas, 7 anos

Você pode cortar a linha pontilhada.

Você pode cortar a linha pontilhada.

Crianças e seus caminhos 37


DESAFIOS - na escola, cada equipe:
- Levanta coisas que podem ser feitas para
Imaginar o melhorar os caminhos.
que fazer - Verifica quem (crianças? adultos? prefeitura?)
pode fazer o quê.
para melhorar - Escolhe uma coisa que deseja fazer primeiro,
o caminho uma coisa que vai pedir aos adultos para fazer,
e uma coisa que vai pedir para a prefeitura fazer.
DURAÇÃO SUGERIDA:
um a dois dias PAPEL DOS FAMILIARES - conversar com as crian-
ças em casa sobre o que pensaram e fizeram.

38
DESAFIOS - no trajeto casa-escola e na es-
cola cada equipe:
Fazer a - Realiza a ação escolhida.
diferença no - Escreve carta para expor na escola contan-
do o que foi feito.
caminho
PAPEL DOS FAMILIARES - apoiar as crianças
DURAÇÃO SUGERIDA:
na realização do que imaginaram.
uma a duas semanas

Vamos sentar...
e rabiscar?
Você consegue “se ver” uma folha de papel expres-
fazendo uma reunião como sando seus sentimentos?
essa com as crianças e seus
pais e talvez explicando aos É bem gostoso, depois de
adultos como o jogo promo- rabiscar bem, escrever por
ve aprendizagens interdisci- cima das cores em letras
plinares? maiúsculas, com força,
algumas palavras que lhe
Como se sente ao pensar venham à mente.
nisso? Que acha de pegar
uma caixa de lápis de cor Quer prender a folha nesta
e usar as cores de sua esco- página?
lha para riscar e rabiscar
Crianças e seus caminhos 39
SUGESTÃO DE ATIVIDADES:
- Exposição de desenhos, fotos, vídeos; músi-
cas, dança, teatro, onde equipes:
• apresentam à comunidade descobertas
Comemorar junto
e aprendizagens durante o jogo;
a vitória de todas • mostram como suas pequenas ações

melhoraram o caminho casa-escola;


e todos!
• apresentam suas reivindicações

por caminhos amigos da criança.


DURAÇÃO SUGERIDA:
- Entrega de Certificados Criança
uma manhã ou tarde
Guardiã do Caminho (veja página 95).

PAPEL DOS ADULTOS E CRIANÇAS:


Identificar os possíveis parceiros para realizar
essa ação na escola, produzir, ensaiar.

40
Vamos levantar...
e nos mexer?

Que animais fizeram parte


da sua infância? Mesmo
se não houve um gato,
aproveite para espre-
guiçar-se como um deles,
alongando o corpo inteiro
e abrindo o bocão.
Faz um bem!

Separadas as equipes,
sugerimos uma sessão
para levantar com
os grupos ideias criativas
de objetos ou adereços
para identificar as equipes
que participam do jogo -
crachá, broche,
braçadeira, estampa
na camiseta ou boné
— e que depois podem
ser confeccionados em
classe com as crianças. Na
página 43 você encontra
algumas sugestões.

Crianças e seus caminhos 41


1,1, 2,
2, 3,
3, VALENDO!
VALENDO!
A atividade com
as crianças para formar
as equipes do jogo
Agora que todos conhecem as etapas, re-
gras e objetivos do jogo é hora de conver-
sar apenas com as jogadoras e jogadores
principais – as meninas e meninos de sua
turma.

Os cartazes usados no encontro passado


continuam afixados nas paredes da sala,
e assim você pode revisitar com o grupo a
meta, as etapas e a culminância do jogo,
ouvindo novas perguntas e incorporando
mais sugestões das crianças.

42
Vai ser divertido? Brincadeira para formar
cinco equipes de jogadores:
E se os pais quiserem fazer
as coisas no lugar da gente? Encontre sua turma6
TEMPO: 30 minutos
Será que tem graça um jogo em
que todos se ajudam para superar PREPARAÇÃO
os desafios?
Antes de iniciar a brincadeira, é bom fa-
zer uma roda de conversa com as crian-
Se dúvidas como estas aparecerem, bus-
ças, para identificar quais são os animais
que respostas dentro do próprio grupo...
com que elas têm mais contato em casa,
As crianças sabem muito mais do que
encontram no caminho da escola e dos
imaginamos! Estimule-as também a se
quais elas gostam. A partir daí, pode sair
lembrarem de situações em que se diver-
uma lista de cinco bichinhos reais ou ima-
tiram e fizeram coisas bacanas em grupo,
ginários, que, por várias razões, são apre-
resolvendo juntos os problemas que apa-
ciados pelas crianças e que todas gosta-
reciam, sem precisar competir...
riam de ser. Identificados os cinco animais,
E a diversão vai começar com uma brin-
cadeira para separar as cinco equipes.
Há muitas possibilidades. Você pode
propor, por exemplo, uma que resulta na
identificação de cada time com nome de
um animal.

6. Adaptada de “Confraternização dos Bichinhos”. Brotto, F.O.


Vivendo Jogos Cooperativos, Ed. Re-Novada, 2003, p. 103-105.

Crianças e seus caminhos 43


é preciso saber como são as suas vozes: REALIZAÇÃO
como cada um se comunica com seus se-
melhantes. Se aparecerem animais menos - Com as crianças em círculo, vá atribuindo
óbvios, cujo som não se conhece, nunca foi a cada uma um número de 1 a 5.
ouvido, nem pode ser pesquisado na inter-
net, é simples: inventa-se a “voz” do bicho. - Combine: as que receberam o número 1
serão Tatus, as de número 2, Cotias, as de
Como os dragões fazem para chamar ou- número 3, Micos, as de número 4, Onças e
tro dragão? “Shhhhh”, “Pzzzz”. E a mãe as de número 5, Araras.
borboleta, como fala com a borboletinha?
“Flif Flif Flif”, “Bab Bab Bab”: as crianças - Diga que quer ouvir a voz dos animais.
criam e decidem. Combine com as crianças qual é o som que
cada um desses bichos faz.
No exemplo que vamos dar, os nomes que
se destacaram foram: - Informe que os bichinhos se perderam de
suas famílias e o objetivo da brincadeira
“Tatus”, “Cotias”, “Micos”, “Onças” é conseguir fazer com que eles se encon-
e “Araras”. trem e se reúnam – tatus com tatus, cotias
com cotias, micos com micos, onças com
onças e araras com araras. Só que tem um
problema: os bichinhos estão cegos por
um tempo. Então, todos têm que ficar com
os olhos bem fechados até o final. Depen-
dendo da idade e características do grupo,
é possível usar vendas.

44
- Como os bichinhos vão saber quem é Vamos parar...
quem, de olhos fechados? Falando na sua e escutar?
língua, ou seja, emitindo os sons que foram
combinados. Quando você era
criança, quem te ouvia?
- Quando uma “onça”, por exemplo, ao Em homenagem a esta
escutar outra que “fala a mesma língua”, pessoa, ou aos adultos que
as duas se abraçam, se dão as mãos e sabem ouvir as crianças,
continuam juntas fazendo o seu som e os jovens, os mais velhos,
procurando outra da mesma espécie, que os mais fracos e os
será abraçada por quem a achou e fica- que são invisíveis para
rá de mãos dadas com ele ou ela. A brin- a maioria, peça que
cadeira prossegue até que todos estejam alguém leia em voz alta
reunidos: então podem abrir os olhos. o pensamento a seguir, e
Tatus, cotias, micos e araras procedem da escute com o coração:
mesma forma. “sem a curiosidade
que me move, que me
inquieta, que me insere na
busca, não aprendo nem
ensino.” (Paulo Freire)

Crianças e seus caminhos 45


Muitas vezes, a criança pode repre- - Ao final da brincadeira, as cinco equipes
sentar a sua cidade ideal com ele- de jogadores do Crianças e seus Cami-
mentos de pura imaginação – mas
nhos estão formadas – Tatus, Cotias, Mi-
que, no entanto, simbolizam desejos
cos, Onças e Araras – com vínculos po-
ou necessidades reais, que pedem
para ser identificados e atendidos. sitivos construídos entre seus membros.
Neste caso, ao ouvir a criança, é E como nesse jogo o objetivo é cooperar
possível negociar com ela, fazendo e não competir, todas as equipes se agru-
perguntas que ajudem a aproximar pam em um grande abraço coletivo de
o ideal do possível. Por exemplo, os confraternização.
dinossauros podem expressar o de-
sejo de brincar numa cidade onde a
- Providencie cinco cartolinas, cada uma
natureza esteja presente. E se hou-
vesse na praça um brinquedo com o com o desenho de um animal-símbolo, e
formato de um dinossauro? E se no peça que os participantes escrevam seus
lugar da piscina, criassem na escola nomes (e/ou façam o desenho de seus ros-
um dia de brincar com água? tos) na cartolina de sua equipe.

(Para saber mais, leia “Vamos ouvir a


Criança”, CECIP, 2015).

7. Inspirada em Oficina de Cristina Laclette Porto - CIESPI/PUC-Rio,


com crianças e seus familiares, no Seminário a Cidade e a Criança,
organizado pelo CECIP, Projeto Criança Pequena em Foco, 2015.

46
Dinâmica “Você agora está na sua cidade
ideal... Está saindo de sua casa para
de sensibilização: ir à escola. Como é a calçada? Tem
Minha Cidade Ideal7 árvores? Flores? De que cor? Que
cheiros você sente? Como são as
Essa dinâmica pode ser feita na reunião pessoas que você encontra? Onde
com os responsáveis ou após a formação está o lixo? Tem ônibus passando?
dos times com seus alunos. Como são as casas e os comércios?
TEMPO: 30 minutos Agora você vai atravessar a rua...
O sinal de trânsito está funcionan-
Peça que os participantes se disponham do bem? Tem uma faixa de pedes-
em roda. tre pintada no chão? E os carros,
respeitam o sinal? Tem um lugar só
Para aquecer e criar vínculos, convide cada para as bicicletas? Você está pas-
um a dizer seu nome e uma qualidade que sando por uma praça: Como é essa
começa com a mesma letra. Por exemplo,
praça?”
Miriam Maravilhosa, João Jeitoso. Ou, ain-
da, dizer o nome e fazer o gesto que irá Ao terminar, peça que todos abram os
fazer na hora. Por exemplo: Neide (dá um olhos devagar.
pulo); Pedro (levanta os braços).
Distribua papéis, lápis de cor, giz de cera
Distribua a letra da música A cidade ideal, e canetinhas coloridas e peça aos partici-
dos Saltimbancos, e cante um trecho dela pantes para desenhar o que não pode fal-
com os participantes. tar para as crianças numa cidade ideal.

Convide os participantes a fechar os olhos, Afixe em uma das paredes da sala todos
respirar profundamente por três vezes e os trabalhos das crianças, mães, avós,
relaxar. Em seguida, oriente uma visuali- pais... Quem quiser, poderá falar sobre o
zação com sugestões do tipo: seu desenho.

Crianças e seus caminhos 47


CAPÍTULO 3
Jogando e aprendendo
a viver (n)o trânsito

48
No jogo Crianças e seus Caminhos, PRIMEIRA FASE:
o tabuleiro é o território onde vivem
as crianças, e elas são os jogadores
CONHECER O CAMINHO
– peças que se deslocam, resolven- Os objetivos desta fase são possibilitar
do desafios predeterminados, de que as crianças se localizem espacialmen-
acordo com as regras com as quais te no bairro onde vivem, identifiquem as
concordaram e que orientam seus coisas que gostam e os principais desafios
movimentos. que encontram no caminho da casa para
a escola.
Vamos apresentar cada atividade do jogo
da seguinte forma: Preparação da professora
Preparação: o que você vai precisar fa- ou professor
zer antes de aplicar a atividade com seus
alunos. Sim, dá trabalho. Mas, como tudo que não
Atividades com crianças: qual é a vem fácil, vale muito a pena. Basicamente
proposta para ser feita com as meninas e você vai precisar de:
os meninos da sua turma.

Informações sobre o território

Procure na Internet, e em outras fontes, as


principais informações sobre o território
que as crianças habitam. A partir dessa
rápida pesquisa, será mais fácil elaborar
as listas com as tarefas a serem realizadas
pelos membros de cada uma das equipes,
para que eles possam enxergar com novo
olhar, curioso e investigador, as realidades
do seu trajeto de todos os dias.
Crianças e seus caminhos 49
Listas com os desafios do jogo Identificação para equipes

Elabore cinco listas de tarefas e desafios, Prepare crachás (e/ou outra forma de iden-
uma para cada equipe. Reproduza as lis- tificação) com as crianças. Nos crachás,
tas para todas as crianças e seus pais. coloque o título Crianças e seus Cami-
Veja, em destaque, nas páginas 54 a 63, nhos e espaço para cada uma escrever o
exemplos de listas de desafios que você seu nome e desenhar o animal símbolo de
pode adaptar à idade dos jogadores, às sua equipe.
possibilidades de sua turma e às caracte-
rísticas do território. O registro escrito do
que viram, ou das perguntas que aparece-
ram, pode ser feito com ajuda dos familia-
res e adultos que a apoiam no jogo.

50
Mapa Ideia:
Caso não consiga
Produza um mapa ampliado da cidade ou,
no caso das grandes metrópoles, do setor um mapa ampliado
do bairro onde ficam a escola e as resi- do bairro, coloque
dências das crianças. Isso pode ser feito uma cartolina branca
dando um pulo à Prefeitura, ou à Adminis-
na parede, projete
tração Regional, imprimindo imagens do
Google Maps... Seu colega de Geografia o mapa do bairro por
pode ajudar. cima com um datashow
e deixe que as crianças
marquem direto
na cartolina.

Lembrete

Prepare um bilhete para a família das


crianças, para avisar que o Jogo vai co-
meçar e que o apoio dos adultos vai ser
necessário, em especial na primeira fase,
de observação do caminho da escola, e
na terceira, de realização de ações – mas
também na segunda, onde vão conversar
com as crianças sobre suas escolhas.
Crianças e seus caminhos 51
Atividades com as crianças
Há muitas atividades preliminares que
ajudam a familiarizar as crianças peque-
nas com as noções de mapa e represen-
tação de uma realidade em escala, habi-
lidade que será muito útil nesta fase do
jogo. Talvez você já tenha experimentado
várias delas. De qualquer modo, fica a dica
abaixo: 1. Comece distribuindo os crachás para
que cada criança escreva seu nome e faça
o desenho do animal que representa sua
Localizando-se equipe.
no “Território Tabuleiro”
2. Apresente o mapa ampliado da comu-
nidade, colado em um dos lados da car-
MATERIAIS: crachás, cartolina, cartões co-
tolina, deixando espaço para intervenções
loridos, cola, fita crepe, mapa ou projetor e
das crianças. Diga que o mapa é uma re-
materiais para desenho.
presentação do “tabuleiro” do jogo Crian-
TEMPO: 40 minutos.
ças e seus Caminhos e antes de começar
a jogar, elas devem se localizar no “tabu-
leiro”, sinalizando os lugares onde moram,
estudam, brincam.

3. Mostre onde está a escola e os marcos


importantes da região ao seu redor (uma
igreja, padarias, praças, avenidas, um cen-
tro de saúde...). Convide as crianças a indi-
car perto de qual ponto de referência elas
moram.
52
4. Distribua cartões para as crianças onde, 2. Explique os desafios de cada equipe.
com sua ajuda, se preciso, poderão escre- Mesmo que as crianças não saibam ler,
ver os nomes dos lugares que são impor- podem lembrar do desafio, devido aos de-
tantes para elas – tanto aqueles que gos- senhos. Terão três a cinco dias para rea-
tam, quanto aqueles que não gostam ou lizar aquelas tarefas – e os desenhos po-
não podem ir. dem ser feitos em folhas à parte. Mostre
que cada um vai enfrentar o desafio so-
5. Cole os cartões ao lado do mapa, iden- zinho, mas pode contar com a ajuda dos
tificando-os com adesivos coloridos, que pais – as menores, inclusive, terão quem
serão também colocados no mapa. leia as tarefas e copie o que elas ditarem
–, dos colegas da mesma equipe ou de ou-
tras equipes. Deixe claro que cada desafio
Dominando os desafios vencido deve ser registrado na folha.

e as regras do jogo 3. Escute as perguntas e sugestões das


crianças sobre o jogo Crianças e seus Ca-
MATERIAIS: listas de desafios (uma para minhos. Esse processo é contínuo. Com a
cada criança, de acordo com sua equipe), ajuda delas, você pode mudar tarefas e
folhas em branco e material de desenho. ajustar regras enquanto o jogo acontece.
TEMPO: 3 a 5 dias.
4. Realizados esses ajustes, entregue o
Lembre que este é um jogo de cooperação, bilhete às famílias, combine o dia em que
no qual todos ganham. as equipes vão se reunir e apresentar seus
resultados, dando início à segunda fase do
1. Entregue às crianças de cada equipe a Jogo.
sua lista de desafios.

Crianças e seus caminhos 53


54
Listas com os Desafios da PRIMEIRA FASE

PROPOSTA REGISTRO

1. No seu caminho de casa para a escola • Escreva:


repare na quantidade de ônibus e carros O que tem mais no seu caminho:
que você vê. carros ou ônibus?
• Procure em jornais uma imagem de
carro e uma de ônibus ou trem.

2. Repare quantas pessoas você vê den- • Escreva:


tro dos carros e quantas pessoas você vê Quem transporta mais pessoas?
nos ônibus. • Desenhe um ônibus cheio e quantos
carros forem necessários para levar a
mesma quantidade de pessoas.

3. Descubra quantos pontos de ônibus • Escreva:


você encontra no seu caminho. Repare Quantidade de pontos cobertos e
quantos são cobertos e quantos não. descobertos.
Pergunte a algum familiar ou amigo o que Resposta da entrevista.
ele acha dos pontos de ônibus que têm no • Imagine como poderia ser um ponto
bairro. de ônibus para que fosse gostoso de
(*) Fotografe um ponto de ônibus. ficar. Faça um desenho bem bonito.
4. Escolha um dia qualquer e, neste dia, • Escreva:
preste atenção em quantas pessoas você Quantidade de bicicletas
vê andando de bicicleta no seu caminho. que você viu.
Veja se tem um lugar especial (ciclovia) Se no seu caminho precisa
para as bicicletas na rua. Onde as bicicle- de ciclovia e bicicletário.
tas costumam ficar? (bicicletário). • Faça um corte e colagem para
montar uma bicicleta.

5. Pergunte para quatro adultos: • Escreva:


- Quanto tempo você demora para ir e O trajeto e o tempo que cada
voltar do trabalho? adulto demora.
- Você vai de carro, ônibus, metrô, trem, A média de tempo que eles levam.
bicicleta ou a pé? O meio de transporte mais utilizado.
O meio de transporte mais rápido é:

6. Repare se tem algum trecho • Escolha uma cor para desenhar o


do seu caminho que você não gosta de trecho que você não gosta de pas-
passar. Repare se tem algum trecho sar e uma outra cor para desenhar o
do seu caminho que você gosta. trecho que você gosta.
• Explique por que você escolheu
esses lugares.

7. Depois de ter passado por seis • Escreva uma pergunta que pipocou
desafios, veja que perguntas pipocam na na sua cabeça e faça um desenho
sua cabeça. que represente essa pergunta.

Crianças e seus caminhos 55


56
Listas com os Desafios da PRIMEIRA FASE

PROPOSTA REGISTRO

1. Veja se existem buracos nas calçadas • Escreva:


e/ou nas ruas do caminho. A quantidade de buracos que você
encontrou nas calçadas e nas ruas.
• Faça um corte e colagem que re-
presente esses buracos.

2. Observe se há obstáculos nas calçadas • Desenhe alguns dos obstáculos que


por onde você costuma passar. você encontrou e escreva o que preci-
sou fazer para vencê-los.

3. Tente descobrir se há calçadas • Escreva:


com rampas para os cadeirantes Quantas calçadas com rampas você
passarem. encontrou no seu caminho.
4. Veja se no seu caminho há lixo • Escreva:
ou entulho nas calçadas ou nas praças Em quantos lugares do caminho você
(*) Fotografe um lugar com lixo e entulho encontrou lixo ou entulho.
e um lugar limpo. • Faça um corte e colagem represen-
tando o que você viu.

5. Pergunte a uma pessoa mais velha • Escreva:


como eram as ruas, calçadas e praças O que a pessoa respondeu.
quando ela era criança e se ela brincava • Desenhe um retrato dessa pessoa.
nestes lugares.

6. Repare se tem algum trecho • Escolha uma cor para desenhar o


do seu caminho que você não goste de trecho que você não gosta de pas-
passar. Repare se tem algum trecho sar e uma outra cor para desenhar o
do seu caminho que você goste de passar. trecho que você gosta.
• Explique por que você escolheu
esses lugares.

7. Depois de ter passado por seis • Escreva uma pergunta que pipocou
desafios, veja que perguntas pipocam na sua cabeça e faça um desenho
na sua cabeça. que represente essa pergunta.

Crianças e seus caminhos 57


58
Listas com os Desafios da PRIMEIRA FASE

PROPOSTA REGISTRO

1. Veja se há placas de sinalização no • Desenhe três tipos diferentes


caminho da escola e tente descobrir o que de placa.
elas querem dizer. • Escreva:
O que você acha que significam.

2. Preste atenção nos sinais de trânsito • Escreva:


que você encontra no caminho e se estão Quantos sinais de trânsito há e quan-
funcionando. tos estão funcionando.
• Procure em jornal uma imagem de
sinal de trânsito. Se não achar, faça
um corte colagem para representá-lo.

3. Repare se há faixa de pedestre e/ou • Escreva:


placa de sinalização na frente da escola. Se há uma faixa e/ou placa na frente
da escola.
• Faça um corte colagem de uma fai-
xa. Qual é o formato das tiras?
4. Veja se encontra no caminho placas • Escreva:
onde está escrito o limite de velocidade Quantas placas dizendo a velocidade
permitida. permitida você encontrou e os núme-
ros que estão escritos nelas.

5. Pergunte a uma pessoa mais velha, • Escreva:


como era a sinalização das ruas O que a pessoa respondeu e a idade
quando ela era criança. dela.
• Faça um desenho dessa pessoa
com a qual você falou.

6. Repare se tem algum trecho • Escolha uma cor para desenhar o


do seu caminho que você não goste de trecho que você não gosta de pas-
passar. Repare se tem algum trecho sar e uma outra cor para desenhar o
do seu caminho que você goste de passar. trecho que você gosta.
• Explique por que você escolheu
esses lugares.

7. Depois de ter passado por seis • Escreva uma pergunta que pipocou
desafios, veja que perguntas pipocam na sua cabeça e faça um desenho
na sua cabeça. que represente essa pergunta.

Crianças e seus caminhos 59


60
Listas com os Desafios da PRIMEIRA FASE

PROPOSTA REGISTRO
1. Entreviste alguém que dirija e peça • Escreva ou crie:
para contar uma história que viveu ou Uma imagem sobre a história que
presenciou enquanto estava dirigindo. você ouviu.

2. Pergunte a algum adulto se, andando • Escreva ou crie:


pelas ruas, já viveu alguma história mar- Uma imagem sobre a história que
cante. você ouviu.

3. Repare se as pessoas esperam o sinal • Escreva:


ficar vermelho para atravessar, e se os O que você percebeu na sua obser-
carros avançam o sinal. vação.
• Faça um desenho que represente
isso.
4. No seu caminho de casa para a esco- • Escreva:
la preste atenção nos cheiros que você O cheiro do ar é agradável ou desa-
sente. gradável? Por quê?
• Faça um corte e colagem que re-
presente os cheiros que você sentiu.

5. Conte quantas árvores você encontrou • Escreva:


no caminho e pergunte a uma pessoa Quantas árvores você encontrou no
mais velha se quando ela era criança ha- seu caminho.
via mais ou menos árvores nas ruas. O que a pessoa respondeu.
• Desenhe um retrato dessa pessoa.

6. Repare se tem algum trecho • Escolha uma cor para desenhar o


do seu caminho que você não goste de trecho que você não gosta de pas-
passar. Repare se tem algum trecho sar e uma outra cor para desenhar o
do seu caminho que você goste de passar. trecho que você gosta.
• Explique por que você escolheu
esses lugares.

7. Depois de ter passado por seis • Escreva uma pergunta que pipocou
desafios, veja que perguntas pipocam na sua cabeça e faça um desenho
na sua cabeça. que represente essa pergunta.

Crianças e seus caminhos 61


62
Listas com os Desafios da PRIMEIRA FASE

PROPOSTA REGISTRO

1. Veja quantas casas ou comércios têm • Escreva:


plantas na entrada. O número de casas ou comércios com
plantas na entrada
• Escolha um desses lugares e faça
um corte e colagem que o represente.

2. Pergunte a um adulto o tempo que leva • Escreva:


para chegar ao posto de saúde ou hospi- O tempo até o posto de saúde ou
tal mais perto da sua casa. hospital.
• Desenhe como é ou como você ima-
gina que seja um hospital.

3. Descubra o nome da sua rua ou da rua • Escreva:


da escola e pergunte a adultos se eles O nome da rua e o porquê dele.
sabem o porquê desse nome. Caso não consiga descobrir, invente
uma história criativa.
4. Repare se o seu caminho passa perto • Escreva:
de uma praça onde você possa brincar. Sua resposta.
• Caso passe perto de uma praça,
faça um desenho dela. Se não, imagi-
ne como você gostaria que fosse.

5. Repare se no seu caminho você passa • Escreva:


perto de algum rio ou riacho e se ele está Sua resposta.
sujo ou não. • Caso passe por um rio ou riacho,
faça um corte e colagem que o repre-
sente.

6. Repare se tem algum trecho • Escolha uma cor para desenhar o


do seu caminho que você não gosta de trecho que você não gosta de pas-
passar. Repare se tem algum trecho sar e uma outra cor para desenhar o
do seu caminho que você gosta de passar. trecho que você gosta.
• Explique por que você escolheu
esses lugares.

7. Depois de ter passado por seis • Escreva uma pergunta que pipocou
desafios, veja que perguntas pipocam na sua cabeça e faça um desenho
na sua cabeça. que represente essa pergunta.

Crianças e seus caminhos 63


SEGUNDA FASE: com destaque, os comentários e observa-
ções das crianças.
IMAGINAR O QUE FAZER
PARA MELHORAR Use cartolinas de cinco cores diferentes
para produzir cartelas a serem distribuí-
O CAMINHO das às equipes. Cada equipe irá receber:

O objetivo da segunda fase é levantar • 4 cartelas para escrever perguntas


ações que podem ser realizadas para me- às outras equipes;
lhorar os caminhos casa-escola-casa. • 3 cartelas para escrever as dificulda-
des / problemas encontrados no cami-
nho;
• 3 cartelas para escrever os pontos
Preparação da professora fortes do caminho;
ou professor • 3 cartelas para escrever sugestões
de ações para superar as situações di-
fíceis.
Produção do mural e cartelas:
Usando várias folhas de papel craft, pro-
Recolha com antecedência os desenhos de duza um grande mural para registrar a
lugares que as crianças acham perigosos e síntese do diagnóstico do território reali-
dos lugares bonitos e seguros. Cole cada de- zado pelas equipes (veja modelo de tabela
senho em pedaços de cartolina, e escreva, na p. 70).

64
Árvore das ações: BASE: Ações que as crianças podem fazer
sozinhas.
Produza a base onde as crianças vão de- MEIO: Ações que as crianças podem fazer
senhar o caule da “árvore das ações”, co- com apoio de adultos.
lando várias folhas de papel craft umas às
outras. TOPO: ações que são de responsabilidade
do governo.

Crianças e seus caminhos 65


Vamos parar... Atividades com as crianças
e ousar?
Trabalho em grupo
Entrar no jogo exige
vencer o medo. Que tal
propor este jogo na sala MATERIAIS: listas de desafios preenchidas.
dos professores? TEMPO: 30 minutos.

Pegue uma caixa Peça às crianças para se reunirem por


de sapatos e abra uma equipe, munidas de suas fichas e:
fresta na tampa.
Entregue um papelzinho
1. leiam as fichas de desafios da fase an-
para cada colega e peça
para que escrevam nele terior umas das outras e descubram o que
o seu maior medo (você tem em comum e o que tem de diferente;
também). Todos dobram
o papelzinho e colocam 2. leiam as perguntas que fizeram e descu-
na caixa. Depois, é só pe- bram se alguém no grupo tem as respostas.
dir que cada um sorteie
um papel e leia o medo Enquanto as crianças realizam estas ta-
que está escrito lá. Não
refas, você pode afixar na parede o mapa
dá coragem saber que
ampliado8 do território usado na prepa-
a gente não está sozinho
com nossos medos? ração da Primeira Fase, com as ruas e
avenidas da comunidade, e as imagens
dos lugares mais seguros e dos lugares
mais perigosos, identificados pelas cinco
equipes.

8. Este mapa de risco poderá ser enviado à CET-Rio pelo e-mail


ced.comitegestor@gmail.com.

66
Leitura de imagem e localização CURATIVOS URBANOS
dos cenários de risco nos mapas
Materiais:
MATERIAIS: listas de desafios preenchi- 3 folhas de E.V.A vermelha; 1 folha
das e desenhos produzidos na fase ante- de E.V.A rosa; cola instantânea;
rior, mapa do bairro e material de desenho.
lápis; estilete; tesoura; régua.
TEMPO: 30 minutos

1. Convide as crianças a examinarem os Modo de fazer:


desenhos que fizeram dos diferentes luga- Desenhe nas folhas de E.V.A
res por onde passam ao ir e voltar da es- vermelhas retângulos com
cola. Peça que identifiquem aspectos co- as pontas arredondas (como
muns aos lugares “perigosos” e aspectos um curativo adesivo) com cerca
comuns aos lugares “seguros”. de 30 cm de comprimento e 11 cm
de largura. Recorte as folhas
2. Peça às crianças que falem sobre os
de acordo com as marcas que você
principais problemas e sobre as melhores
coisas que encontraram no caminho. fez. Na folha de E.V.A rosa
desenhe quadrados de 9 cm x 9 cm
3. Ajude-as a identificar estes lugares no e recorte de acordo com
mapa ampliado do território. a marcação. No quadrado, utilize
um lápis para fazer furinhos
4. Junto com as crianças marque, no mapa (como os dos curativos adesivos)
ampliado das ruas da comunidade, aque-
e cole sobre o centro do retângulo.
las em que se concentram os acidentes,
Cole o curativo do lado de um
como colisões e atropelamentos, e outras
situações que colocam a vida das crianças buraco ou alguma coisa que queira
em risco, como presença de entulho ou re- chamar a atenção na rua
petidas situações de violência. (não cole por cima para ninguém
se machucar).
Crianças e seus caminhos 67
Exemplos de perguntas Brincadeira das perguntas
de crianças
MATERIAIS: quatro cartões para cada
equipe e material de desenho.
Por que... TEMPO: 1 hora.

1. Peça a cada equipe para escolher e es-


...tem tanto carro
crever nas cartelas quatro perguntas co-
e tão poucos ônibus? meçadas por Por quê?, despertadas ao
longo do caminho, e fazê-las às outras
...tem pouca bicicleta equipes (uma por equipe). (Veja as suges-
tões ao lado).
nas ruas?
2. A equipe à qual a pergunta foi dirigida
...tem gente que precisa tem um minuto para pensar na resposta e
dormir na calçada? escolher alguém para responder em nome
do grupo. Caso a equipe não consiga res-
ponder nada ou se a resposta for conside-
rada sem pé nem cabeça, as outras equi-
pes podem ajudar os colegas.

3. Depois dessa brincadeira, as crianças


podem selecionar algumas destas pergun-
tas para pesquisar e responder mais tarde.
Dependendo da idade das crianças, pode-
-se propor que elas pesquisem na internet.

68
Trabalho em grupo Síntese do trabalho em grupos
MATERIAIS: Três cartelas para cada equi- Quando as crianças terminarem, todos po-
pe e material de desenho. dem colocar as cartelas no mural de papel
TEMPO: 40 minutos. craft que você produziu antes. Observe, na
página 70, um exemplo de como poderia
Entregue a cada equipe (ainda as mes-
ficar o quadro com o diagnóstico do terri-
mas da primeira fase) três cartelas. Em
tório, realizado pelas crianças.
cada grupo, as crianças devem conversar
entre si e escolher as duas maiores difi-
culdades e/ou problemas e a melhor coisa
(ponto forte) do seu caminho, e registrar
nas cartelas (podem usar os emoticons
na cartela, de um lado, carinha de feliz, “Brincadeira é tudo”
do outro, carinha de triste e as crianças Raqueli, 7 anos
listam, como o exemplo). Ou seja, cada
grupo vai escrever duas dificuldades e um
ponto forte, sendo um em cada cartela. Corte a linha pontilhada para abrir uma janela,
cuidado para não cortar a lateral direita

Crianças e seus caminhos 69


Dificuldades e/ou
Grupo/Foco Pontos fortes
problemas

COTIAS
Tem poucos ônibus e passam A estação ferroviária é bonita.
Meios de Transporte;
lotados. Não tem ciclovia.
Mobilidade

TATUS Não tem rampa Tem uma pracinha.


Calçadas, Ruas para os cadeirantes.
e Praças Pracinha suja,
com os brinquedos quebrados.

ONÇAS Há alguns sinais de trânsito A maioria dos sinais


Sinalização que não funcionam. de trânsito funciona.
e Comunicação Não tem faixa de segurança
em duas escolas.

MICOS Pessoas atravessam A maioria dos carros para quando


Segurança, Saúde a rua quando o sinal está verde para o sinal está vermelho para eles.
Física, Ambiente os carros. Tem poucas
árvores no caminho.

ARARAS Não há canteiros de flores nas casas Tem muitas pessoas idosas
Bem-estar, Beleza, nem nas calçadas. Jogam lixo que sabem muito sobre
Memória e entulho no riacho. a história do bairro.

70
Priorizando problemas
Um exemplo de qual poderia ser o resulta-
MATERIAIS: mural com os problemas do da votação, pelas crianças:
e pontos fortes produzido na atividade
anterior, bolinhas adesivas coloridas ou
Meios de transporte e Mobilidade
material para desenhar.
Não tem ciclovia.
TEMPO: 30 minutos.

1. Peça que as crianças, em equipe, con- Calçadas, Ruas e Praças


versem sobre quais elas acham que são Pracinha suja, com os brinquedos que-
os problemas mais importantes, em cada brados.
um dos cinco temas. Defina o que é “im-
portante” com as crianças (aquela questão Sinalização e Comunicação
que, se fosse resolvida, iria fazer mais dife- Não tem faixa de pedestres.
rença na vida delas).

2. Depois dessa conversa, dê cinco boli- Segurança, Saúde Física e Ambiente


nhas adesivas para cada criança e peça Tem poucas árvores no caminho.
que votem com a bolinha adesiva (ou outra
marcação) no principal problema de cada Bem-estar, Saúde e Beleza
tema/equipe. Jogam lixo e entulho no riacho.

3. Assim que todas as crianças tiverem vo-


tado, converse e analise com elas o porquê
das escolhas.

Crianças e seus caminhos 71


Lembre-se de respeitar Jogando! 9
o ponto de vista
MATERIAIS: três cartões para cada equi-
da criança, pois suas pe, material de desenho e folhas de papel
preocupações pardo ou papel craft.
TEMPO: 1 hora.
e necessidades são
diferentes das dos De novo reunidas às suas equipes, as
adultos. Se elas crianças vão imaginar o que poderia ser
feito para solucionar o seu problema ou
quiserem, podem mudar
problemas – sempre pensando em coisas
de opinião depois que elas podem fazer sozinhas; coisas que
desse debate coletivo. podem fazer com apoio de adultos e coi-
sas que são de responsabilidade das au-
toridades.

1. Deixe que as crianças conversem, e par-


ticipe da conversa, fazendo perguntas que
as ajudem a pensar e a distinguir aquilo
que têm condições objetivas de fazer so-
zinhas daquilo que só é viável com ajuda.
Quanto menores forem as crianças, mais
tempo vai levar a discussão!

72
2. Depois, dê a cada equipe três cartelas, as equipes irão colocar as cartelas com as
sendo que na primeira vão escrever uma ações que podem fazer sozinhas; na se-
ou mais ações que as crianças conseguem gunda parte, as cartelas com as ações que
realizar; na segunda, uma ou mais ações podem fazer acompanhadas; na terceira
em que terão ajuda; e na terceira, uma ou parte, as cartelas com as ações que ne-
mais que necessitam ser realizadas pelas cessitam ser realizadas pelas autoridades.
autoridades.
Volte na página 65 e se lembre de como é
3. Depois que as crianças realizarem esta a Árvore das Ações.
tarefa, você pode convidá-las a desenhar
o tronco de uma árvore nas três folhas de
9. Adaptação da dinâmica realizada pelas crianças (Ana Izabel
papel craft que você colocou no chão. Na
Barbosa e Yasmin Carvalho) da Fundação Xuxa Meneghel, no 1o
primeira parte do tronco, próximo à raiz, e 2o Seminário A Criança e sua Participação na Cidade, de 2015.

Crianças e seus caminhos 73


74
Vamos parar... TERCEIRA FASE:
e escrever para
nós mesmos?
FAZER A DIFERENÇA
NO CAMINHO
Já tentou falar consigo
mesmo por escrito? O objetivo da terceira fase é experimentar
O desafio é escrever a possibilidade de ajudar a transformar
um bilhete para ser lido realidades.
por você daqui a 12 meses,
contando o que aconteceu Preparação da professora
de bom depois de ter
colocado em prática a
ou professor
primeira e a segunda
Algumas dicas para que você possa pre-
fases do jogo Crianças e
parar-se para esta etapa:
seus Caminhos — e quais fo-
ram os principais obstácu-
• Prepare cartazes, um por equipe, onde
los que conseguiu superar.
as crianças irão registrar seus “caminhos
Se não tiver envelope,
de mudança”. Veja como pode ficar, de-
é fácil fazer um.
pois que as crianças realizarem a ativida-
de, o caminho de mudança da equipe das
Cotias.

Crianças e seus caminhos 75


Equipe Desenhe como a situação está
CO���S
...................................................................... agora e como vai ficar

Nosso Caminho de Mudança

Nã� ��� �i�l��i�


De.................................................................
......................................................................
......................................................................
Legenda
Ci�l��i� d� �ra���h�
Para ............................................................ E� �nd�nd� �� �i�i��et�
......................................................................
a�� � esc�l�
...................................................................... ......................................................................
...................................................................... ......................................................................

• Utilizando folhas de papel craft, desenhe Veja abaixo o modelo que você pode pre-
cinco esquemas de Planos de Ação, um parar e na página 78 como poderia ficar o
por equipe. plano de ação da equipe Tatus, depois que
as crianças realizarem a atividade.

Plano de Ação: Título

O QUE COMO QUEM QUE MATERIAIS QUANDO


vamos fazer? vamos fazer? vai fazer? vamos usar? vamos fazer?

76
Atividade com as crianças
• Nosso Caminho de Mudança no de ação. Convide cada equipe a ob-
servar sua Árvore de Ação e preencher a
MATERIAIS: cinco folhas com o título
tabela do plano de ação: ações que levan-
“Nosso Caminho de Mudança” em branco
taram sobre quem vai fazer o que, como
e material de desenho.
e quando, para ir de onde estão até onde
TEMPO: 1 hora.
querem chegar. Passe em cada grupo, fa-
1. Divididas em suas equipes iniciais, os zendo perguntas que ajudem as crianças
grupos vão receber a folha em branco do a pensar como podem se organizar para
“Nosso Caminho de Mudança” e devem fazer o que desejam, de que recursos e de
preencher com o nome da equipe, o pro- quanto tempo necessitam.
blema que querem resolver e a proposta
2. Afixe nas paredes os cinco planos de
para isto. Em seguida, em grupo, devem
ação. Deixe que as equipes visitem os pla-
fazer um desenho que represente o antes
nos umas das outras e descubram onde
e o depois, colocando uma legenda.
podem se ajudar mutuamente. Afinal, o
2. Peça que as equipes vejam e comentem objetivo do Jogo é realizar mudanças no
os “Caminhos de Mudança” umas das ou- Caminho – e quanto maior for a coopera-
tras. ção, maiores serão as mudanças.

• Plano de Ação

MATERIAIS: Árvore das Ações (feita na


atividade da fase anterior), cinco modelos
de plano de ação em papel craft ou carto-
lina e material de desenho.
TEMPO: 1 hora.

1. Em seguida, dê a cada equipe as folhas


de papel craft com o esquema de seu pla-

Crianças e seus caminhos 77


Plano de Ação: Limpar a pracinha

O QUE COMO QUEM QUE MATERIAIS QUANDO


vamos fazer? vamos fazer? vai fazer? vamos usar? vamos fazer?
Tirar os papéis, Usar saquinhos de Toda a turma. Saquinhos plásticos Todos os dias na
garrafas e latas plástico na mão como para servir de luvas, vinda para a escola
da praça. luvas. Colocar cada sacos de lixo. durante a semana de
tipo de lixo em um 1 a 6 de junho.
saco de cor diferente.
Levar para a escola
para a diretora entre-
gar aos catadores para
reciclagem. Pedir para
alguém fazer fotos
e vídeos desta ação
e divulgar nas redes
sociais como estraté-
gia do jogo Crianças e
seus Caminhos.

Convidar os pais Escrever uma carta A turma dita a carta Papel. Daqui a um mês, no
para fazer um muti- falando do Jogo Crian- para a professora, segundo domingo.
rão na praça. ças e seus Caminhos que faz cópias para
aos pais, pedindo para todos os pais
pintar e consertar os da classe.
brinquedos da praça. As crianças
Passar com os pais entregam a carta
pelas casas de comer- aos seus pais.
cio pedindo doação de
tintas.

Escrever para a Escrever uma carta, A equipe dita a carta Papel. Endereço da A próxima
Secretaria Municipal ao secretário do para a professora. Secretaria. segunda-feira.
de Meio Ambiente Meio Ambiente Quem tiver a letra
pedindo a Reforma falando do jogo mais bonita passa
da Praça. Crianças e seus a limpo.
Caminhos e expli- Todos assinam.
cando por que esta A professora manda
pracinha precisa de a carta para o secre-
uma reforma. tário.

78
Vamos descansar...
e lembrar
do que já fomos?

Dizem que toda criança Feche os olhos e volte a um lugar


é sábia, uma artista, no passado em que você, criança,
filósofa, ativista social, fez algo com autonomia para
mas ao crescer se esquece ajudar alguém, para melhorar
do que foi. algo, para criar algo novo.

Crianças e seus caminhos 79


Embalagem de notícias Jogando!

Faça uma parceria com Enquanto as diferentes equipes estiverem


envolvidas na realização desta fase final
a padaria, um pipoqueiro,
do Jogo, seus planos de ação devem con-
vendedor de cachorro tinuar expostos, para que todos possam
quente ou algum outro acompanhar o seu desenvolvimento.
comerciante que esteja
próximo à sua escola. Confira, na página ao lado, uma história de
crianças e adultos que entraram no jogo
Dê as embalagens que de agir para mudar a realidade.
ele usa para vender seu
produto (saco de pão,
por exemplo) para as
crianças “customizarem”:
desenhos, recadinhos,
notícias, informações
sobre o território,
informações sobre o jogo…
Quando tiverem terminado,
você pode sugerir ao vendedor
que utilize essas embalagens
customizadas para vender
seus produtos ou utilizá-las
em festas e eventos dentro da
escola (como festa junina, dia
das crianças, etc.).
80
Recuperando a APA
Área de Proteção Ambiental das Brisas
No Seminário A Criança e sua Participação na to com um adulto, e lá no alto do tronco, em
Cidade (2015), Ana Isabel e Yasmin, 11 anos, cima, o que o governo pode fazer. Escolhemos
da Fundação Xuxa Meneghel, mostraram o não uma árvore normal, mas um pé de feijão,
contexto de onde surgiu sua iniciativa de recu- porque cresce mais rápido, e cada vez que ele
perar a APA (Área de Proteção Ambiental) do cresce, as propostas das crianças também
lugar onde moram, Pedra de Guaratiba, bairro crescem junto com ele”. (...)
do Rio de Janeiro.
“Bom, um dia a gente estava na APA das Bri-
“Pedra de Guaratiba é um bairro pobre. Por sas e encontramos um biólogo da Secretaria
isso ninguém liga pra lá. E lá também tem gen- do Meio Ambiente do Rio que se chamava Má-
te no bairro que nem sabe que aquele lugar é a rio e que estava visitando a APA. Conversa-
APA das Brisas. Já o Parque Chico Mendes fica mos com ele para marcar um dia para a gen-
em um lugar que tem muita gente com dinhei- te falar com o Secretário do Meio Ambiente.
ro, que pode fazer melhorias”. (...) A Secretaria precisa tentar melhorar a APA,
porque não dá para a gente fazer tudo sozi-
“Brincando, a gente fez uma árvore de propos- nho, por exemplo, eles têm que colocar os brin-
tas para melhorar a APA das Brisas. Foi muito quedos de plástico na área de lazer. Também
divertido a gente fazer isso. Desenhamos um tivemos a ideia de fazer campanha nas esco-
pé de feijão bem grande. Na base do tronco las com alunos e diretores porque precisamos
do pé de feijão, escrevemos aquilo que nós de mais gente para resolver esse problema da
crianças podemos fazer sozinhas, no meio do comunidade.”
tronco escrevemos o que podemos fazer jun-

Crianças e seus caminhos 81


COMEMORAR A VITÓRIA • Árvore das Ações: o que fazer para me-
lhorar o caminho da escola.
Para encerrar o jogo Crianças e seus Ca- • Caminhos de Mudança elaborados pelas
minhos, nada melhor que uma celebração cinco equipes.
na escola onde você e seus alunos pode- • Planos de ação realizados pelas cinco
rão contar e mostrar para o resto da escola equipes.
e, caso seja possível, os familiares, tudo o
que fizeram e aprenderam nesse período.
Você pode aproveitar um dia de reunião
com responsáveis ou alguma festa já pro-
Apresentações artísticas
gramada na escola para essa celebração. dos resultados das ações,
utilizando diferentes
O Programa do Evento de Comemoração linguagens
poderia incluir:
• Uma exposição de fotos e desenhos
mostrando o “antes” e o “depois”.
Exposição dos trabalhos • Um rap contando os principais desafios
das crianças encontrados.
• Uma dramatização enfocando a mudan-
• Mapa do território com os pontos de re- ça realizada e o que ainda falta.
ferência. • A paródia de uma música falando sobre
• Mapas de ruas com os pontos perigo- os pontos fortes do jogo.
sos assinalados pelas crianças – mapas • Uma apresentação em PowerPoint.
de risco.
• Listas com as comprovações da realiza-
ção dos desafios da primeira fase.
• Quadro com o diagnóstico do território,
realizado pelas crianças.

82
Entrega dos certificados Vamos parar...
e entrar
Ao final, cada jogador recebe como prêmio no Facebook?
um Certificado Criança Guardiã do Ca-
minho (ver modelo no anexo). O lado luminoso das redes
sociais é a ampliação
Para encerrar, você pode enviar um resu- da possibilidade de
mo, com textos e fotos, do material produ- compartilhar experiências
zido pelas crianças para a Coordenadoria de aprendizagem,
de Educação para o Trânsito e Relacio- fortalecer grupos de
namento com Cidadão da CET-Rio, apre- pessoas que estão,
sentando seus projetos para melhorar o no presente, construindo
caminho de casa até a escola e acelerar um futuro de paz e
o trânsito/transição da cidade que temos sustentabilidade,
para a cidade amiga das crianças que elas e facilitando o trânsito
merecem. das cidades que temos
para as cidades amigas
das crianças que queremos.
O que acha de fotografar
a página desse livro da qual
mais gostou e publicá-la
no seu mural do Face?

Crianças e seus caminhos 83


CONCLUSÃO

84
Parabéns! Você transitou pelas pá- Talvez tenha criado suas próprias
ginas desta publicação e chegou até regras: quem sabe, sobrevoou todo
aqui. Esperamos que a brincadeira o conteúdo, ou decidiu aterrissar
com o jogo Crianças e seus Cami- apenas nos locais mais prazerosos
nhos tenha sido um sucesso: diver- do texto…
tida, provocadora, cheia de aprendi-
zados para você e para as crianças, O que importa é que você experi-
muitas trocas, desenhos e produ- mentou entrar no jogo da leitura, na
ções artísticas que contam um pou- sua medida e do seu jeito.
co do caminho das crianças. Talvez
você tenha seguido todas as etapas Se você um dia sentir um coração de
como a gente sugeriu, parado nos estudante batendo forte no peito e
sinais vermelhos, diminuído a mar- decidir envolver sua turma no jogo
cha nos amarelos e acelerado nos Crianças e seus Caminhos, conte
verdes para interagir com o livro. conosco. Estamos à sua disposição
para ajudar a cuidar de seu peda-
cinho do planeta, a tomar conta da
amizade, da beleza e da bonda-
de, renovando a cada dia a crença
de que as mudanças são feitas por
pessoas comuns como nós, que des-
cobrem que não precisam de per-
missão para agir pelo bem comum,
e “são a mudança que querem ver
no mundo” (Gandhi).

As autoras
Crianças e seus caminhos 85
ANEXOS

86
DINÂMICAS 1. Estátua em trio
DE ENTROSAMENTO Separe a turma em trios e peça para que
cada trio defina quem será o 1, 2, e 3. Co-
loque uma música para tocar. Quando a
música parar, o 1 faz uma pose de está-
tua. O 2, logo em seguida, tem que fazer
uma pose que interaja com o 1. Então, o
3 faz uma pose que interaja com os dois
primeiros. O trio fica alguns segundos na
posição, como se estivessem posando
para uma foto e a música volta. Na rodada
seguinte, o 2 passa a ser o primeiro, o 3
passa a ser o segundo e o 1 passa a ser o
último, e assim por diante.

2. Triângulo do equilíbrio

1a Etapa: Em círculo, peça para cada um


pensar em duas pessoas na roda, sem fa-
lar ou demonstrar sua escolha. Então, cada
um tem que fazer um triângulo equilátero
com essas duas pessoas que escolheu sem
falar quem sãos seus escolhidos. Deixe a
brincadeira acontecer por uns 5 minutos e,
ao encerrar, converse com a turma sobre a
experiência.

Crianças e seus caminhos 87


2a Etapa: Repita toda a 1a etapa mas adi- Diga-me uma palavra estranha que você
cione um vírus à brincadeira (será você). ouviu hoje.
Explique que quando o vírus tocar alguém,
essa pessoa para no seu lugar, conta até Você ajudou alguém hoje? Como?
10 na cabeça e senta. Aqueles que tiverem
formando o triângulo com quem tiver sido Alguém ajudou você hoje? Como?
contamindao precisam sentar também.
Se for preciso, toque em mais de uma pes- Me conte uma coisa que você aprendeu
soa até que a turma toda esteja sentada. hoje.
Ao encerrar, converse com a turma sobre
a experiência. Qual foi a sua parte favorita do almoço?

3a Etapa: Faça as duas primeiras etapas. Qual foi a primeira coisa que você fez hoje
Na terceira, quando alguém for tocado depois de levantar da cama?
pelo vírus conta até 7 bem alto e qualquer
pessoa pode encostar na criança para sal- Do que você acha que as pessoas mais
vá-la antes que ela acabe de contar. precisam no mundo?

OBS: Você não precisa fazer todas as eta- Se você pudesse tirar uma coisa do mun-
pas e pode adaptar a brincadeira de acor- do, o que seria?
do com a faixa etária da sua turma.
Como as crianças contribuem com a socie-
dade/mundo/cidade?
3. Perguntas para
Como você acha que vai ser o mundo da-
a roda de conversa
qui a cem anos?

Qual foi o dia mais feliz da sua vida? Se pudesse escolher o sonho da próxima
noite, o que escolheria para sonhar?
Me conte algo que fez você rir hoje.

88
4. Barbante contador OFICINAS
de história

Em círculo, com um barbante na mão, co- 1. Dicionário de crianças


mece uma história (pode ser alguma coisa
ligada a andar pela cidade, no bairro…). Jo- Escreva palavras que tenham a ver com o
gue o barbante para alguém que vai conti- cotidiano das crianças ou ligadas ao tema
nuar a história e segure a sua ponta. Faça que você gostaria de trabalhar e coloque
assim até todos terem contado a história e em papéis individuais em uma caixa ou
tiver uma teia de barbante. Se você achar saco.
que é possível, peça para a penúltima
criança recomeçar a história de trás pra Sugestões: participar, coletivo, turma, gru-
frente e juntos desfaçam a teia conforme po, transformar, comunidade, criança, es-
cada um recontar (cada criança vai recon- colher, caminho, favela, debate, casa, bi-
tar o trecho que criou). blioteca, escola, família, trânsito, cidade,
bairro...

5. E aí? Cada criança sorteia uma palavra e fala


o significado dela. A criança cola sua pa-
Essa dinâmica é legal para relembrar o lavra em uma folha e faz um desenho do
que foi feito na aula/semana anterior. Você significado que atribuiu.
começa falando, por exemplo, “Ontem di-
vidimos a turma em três grupos e cada
grupo escolheu um animal para represen- 2. Meu caminho
tá-lo… E aí, Marcos?”. Então, o Marcos con-
tinua contando e passa a bola pra alguém, Opção individual
até finalizar. Não precisa necessariamente Cada criança recebe uma folha na qual em
seguir uma ordem ou que se lembrem de uma ponta tem o desenho de uma casa e,
tudo. na outra, de uma escola. Ligando os dois
Crianças e seus caminhos 89
lugares uma linha tortuosa (como um ca- • Tem algum ponto do seu caminho que
minho). você fica feliz em passar?

Peça para a criança desenhar o caminho


dela de casa para a escola. 3. Nossas casas e famílias
Opção coletiva Cada criança recebe uma folha, de prefe-
Faça o mesmo desenho em uma folha de rência A3, para desenhar bem grande as
papel pardo bem grande e comprida. Cole- pessoas com quem elas moram. Ao termi-
tivamente, as crianças desenham os luga- narem, recortam os desenhos e guardam.
res por onde passam nesse grande cami-
nho do grupo. Em seguida, cada uma ganha uma caixa
(pode ser de papelão, de dobradura, ou
Perguntas provocativas para oficina: como você preferir) onde vão fazer suas ca-
• Como é seu caminho de casa para a es- sas: pintar, colar e desenhar. Ao final, guar-
cola? dam as suas famílias dentro das caixas.
• Quando você sai de casa, qual é a pri-
meira coisa que você vê? Essa oficina pode ser feita em dois dias di-
• Você atravessa a rua? ferentes.
• Tem algum cheiro que você costuma sen-
tir no seu caminho?
• Tem algum ponto do seu caminho que
você sente dificuldade em passar?
4. O que eu gosto e não gosto
• Tem alguém que você sempre encontra (na escola, no bairro…)
no seu caminho?
• Você para em algum lugar no seu cami- Para um melhor aproveitamento dessa
nho? atividade, é aconselhável que ela seja feita
• Tem algum ponto do seu caminho que em dois encontros. Dependendo da faixa
você sente medo? etária do grupo de crianças, a proposta
pode ser simplificada ou reduzida.

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Os facilitadores dividem o grupo em dois Os facilitadores utilizam as respostas para
subgrupos. Um deles produzirá um cartaz preencher uma tabela feita em papel gran-
sobre as coisas que gosta e o outro sobre de ou no quadro. Na tabela, as colunas são
as coisas ruins que não gosta no bairro, por as três perguntas e cada linha é um pro-
exemplo. Cada subgrupo pode desenhar, blema. Vale deixar linhas vazias para que
escrever ou utilizar fotografias e imagens as crianças complementem com outros
para representar suas opiniões. problemas que não foram abordados ini-
cialmente.
Após a confecção, os facilitadores pedem
a cada subgrupo que apresente seu car- Também pode ser proposto que as crian-
taz, explicando a escolha das imagens, ças façam um desenho sobre como os pro-
textos e desenhos. Caso o número de par- blemas seriam resolvidos, quais melhorias
ticipantes da oficina seja pequeno, pode desejam para a sua comunidade e como
ser proposto que as mesmas crianças poderiam contribuir para isso. Essa ati-
pensem os aspectos positivos e negativos. vidade visa incentivar a criatividade das
Essa atividade também pode ser feita in- crianças, relacionada aos desejos que têm
dividualmente, em uma folha A4. para o lugar onde moram. Os desenhos
podem ser colados em um painel de carto-
No segundo momento da oficina, os facili- linas coloridas e expostos no mural.
tadores propõem uma conversa centrada
nos problemas, guiada pelas perguntas
“Por que isso acontece?”, “Quem sofre com 5. Linha do tempo
esse problema?”, “Como a gente pode resol-
ver isso?”. A dinâmica acontece da seguinte O início é uma conversa sobre os hábitos
forma: uma criança seleciona um dos pro- e modos de vida das crianças. Os facilita-
blemas representados no cartaz e as três dores propõem perguntas: “Como é o dia a
perguntas são respondidas coletivamente; dia de vocês?”, “Para qual lugar da comu-
em seguida, outra criança seleciona outro nidade vocês mais gostam de ir?”, “Quais
problema e novamente o grupo discute e são suas brincadeiras preferidas?”etc.
dá suas opiniões sobre as três perguntas.

Crianças e seus caminhos 91


Depois, os facilitadores fazem perguntas sido construída uma linha do tempo repre-
que remetam às experiências do passado: sentando alguns marcos que diferenciam
“O que vocês faziam quando eram bem (ou não) variados momentos de suas vidas
pequenos?”, “Com quem passavam o dia?”, e da comunidade.
“Como era a comunidade naquela época?”
etc. Deve-se permitir que as crianças ex-
pressem livremente suas lembranças, de 6. Cartão-postal
tal forma que se crie um ambiente acolhe-
dor para essas memórias. Que tal propor uma atvividade em que as
crianças vão produzir seus cartões-pos-
Outro aspecto a ser abordado é o que as tais personalizados? Convide as crianças a
crianças desejam para o futuro delas e explorar seu caminho de casa para a esco-
da comunidade, com perguntas do tipo: la e coletar materiais como folhas, flores,
“Como será aqui no futuro?”, “Quem estará galhos, impressões… E colar tudo em um
morando aqui?”, “Quais mudanças vocês modelo de postal e escrever ou desenhar
gostariam que ocorressem?” etc. um recado para alguém.

A partir da conversa, os facilitadores pe-


dem às crianças que desenhem individual-
mente, em um pequeno pedaço de papel,
7. A natureza presente
alguma lembrança sobre o seu passado em nosso caminho
na comunidade, algo sobre o seu presente
ou o que desejam para o futuro. Peça que as crianças apontem os locais
com presença de natureza que passam
Em seguida, são apresentadas três car- pelo seu caminho. Provoque-as para que
tolinas coloridas coladas, formando uma escolham o local que mais as afeta e que
grande tira em que cada cor indica um desperta boas lembranças. Lance o desa-
tempo. As crianças colam seus desenhos fio de que tragam, em um dia combinado
na cartolina, classificando-os de acordo com todos da turma, algum material cole-
com o momento escolhido. No final, terá tado nesse local escolhido por elas: pode

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ser uma folha, um punhado de terra, uma você mais gostou?”, “O que você tiraria?”,
pedra etc. “O que você sentiu?”, “O que você não gos-
tou?” (e outras perguntas que você pode
No dia combinado para as crianças leva- criar). Ao final de uma atividade, disponha
rem os materiais da natureza, leve uma fo- as pétalas com as perguntas para baixo
lha de papel pardo ou cartolina grande e e o miolo, formando uma flor. Peça para
construam juntos uma paisagem coletiva cada criança tirar uma pétala, ler e res-
usando os materiais. Com a terra, vocês ponder à pergunta.
podem colocar um pouco de água e explo-
rar a tinta natural que surgirá; podem usar
cola para fixar as folhas, pedras e flores no 9. Diagnóstico escolar
papel.
Que tal pensar com os alunos os principais
Com a paisagem coletiva construída, está problemas da escola e, juntos, as possíveis
na hora de pensar um nome para esse lu- soluções? Sugira que juntos vocês criem
gar. Distribua uma folha para cada crian- uma brigada de guerreiros, em que os alu-
ça e divida o papel em quatro retângulos. nos da turma X vão prestar um serviço
Peça para que no primeiro espaço escre- para a escola.
vam/desenhem um animal que combina
com esse local; no segundo, um elemento Passo 1 - Produzam um cartaz pensando
da natureza (sendo diferente daquele que o nome, cores e desenhos que represen-
ela trouxe). tem essa brigada.

Passo 2 - Dividam-se em duplas que irão


8. Margarida da avaliação com pranchetas passar pela escola per-
guntando para alunos e funcionários so-
Corte um papel amarelo em formato de bre o que mais gostam na escola e o que
pétalas e um papel preto circular (como o poderia melhorar.
miolo de uma flor). Em cada pétala escreva
uma pergunta, como por exemplo: “O que Passo 3 - Juntem as respostas recolhidas

Crianças e seus caminhos 93


e criem um quadro com todas elas, mar- e/ou os caminhos da turma posicionando
cando pontos nas que foram repetidas. as peças.

Passo 4 - Escolham dois problemas que


mais apareceram nas respostas e respon-
dam à perguntas “como pode ser resolvi-
do?” e “com quem falar?”.

Passo 5 - Dividir em tarefas viáveis, por


exemplo: conversar com a diretora, pedir
para algum pai ou mãe ajudar, envolver
algum profissional da comunidade etc.

Material:
Cartaz para ser preenchido (já com as co-
lunas escritas Problema/ como pode ser
Sites consultados
resolvido/ com quem falar).
Banco de oficinas e dinâmicas
Folhas coloridas.
http://www.abrinquedoteca.com.br/dina-
Cartolina colorida.
micas.asp

http://primeirainfancia.org.br/criancaeoes-
10. Nossos caminhos paco/apresentacao/

Distribua para as crianças uma folha com https://educacaoeparticipacao.org.br/ofici-


peças de diferentes formatos, como um nas/
Tangran. Peça para que elas recortem as
peças e desenhem em cada pedaço uma http://www.pim.saude.rs.gov.br/v2/cole-
parte do seu caminho de casa para a esco- cao-fazendo-arte/
la. Ao final, as crianças podem, individual
ou coletivamente, montar seus caminhos

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Tire cópias desse certificado e entregue
aos seus alunos ao final da atividade para
celebrar com eles a conclusão dos desafios!
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100