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Equipamentos Elétricos

1.Introdução aos Materiais Elétricos

1.1 Classificação dos Materiais Elétricos

Os materiais elétricos podem ser classificados segundo três critérios:

- Quanto as Bandas de Energia;


- Quanto a resistividade;
- Quanto ao fator R.

 Bandas de energia

A diferente condutividade dos condutores, semi-condutores e isolantes é devida


a peculiaridades de sua estrutura interna. Uma adequada explanação é dada
pela chamada teoria das bandas de energia elétrica.

Nas órbitas mais próximas ao núcleo as bandas de energia estão saturadas, ou


seja, no interior destas bandas todos os níveis energéticos estão ocupados,não
permitindo-se a entrada de nenhum elétron suplementar. A banda de energia
verdadeiramente interessante é a banda de energia que corresponde a dos
elétrons situados na última camada, e que se denomina banda de valência.
Depois da banda de valência, temos a banda de condução, que está vazia.

Se os níveis de energia da banda de valência e de condução se superpõem uma


leve excitação provoca a passagem de elétrons da banda de valência para a de
condução. Um material constituído de tais átomos apresentará uma alta
condutividade e é um condutor.

Se há somente uma pequena diferença entre os níveis de energia da banda


saturada e de condução o elétron requererá somente uma pequena energia para
torna-se excitado e passar para a banda de condução. Materiais desta classe
poderão ser semi-condutores. Nos materiais semi-condutores a banda proibida
é da ordem de 0,12 a 5,3 eV.

Quando a diferença de energia é grande, a excitação térmica é incapaz de fazer


os elétrons deixar a banda de energia para a banda de condução. Este é um
comportamento típico dos isolantes.

- Isolantes: 7eV
- Semicondutores: 0,12 a 5,3eV
- Condutores: 0

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 Resistividade

Segundo este critério o material é dito condutor se a sua resistividade


correspondente estiver no seguinte intervalo:

- 10-8 < ρ < 10-5 Ω.m

Se o material for semicondutor o intervalo será de;

- 10-5 < ρ < 106 Ω.m

O material sendo isolante o intervalo passa a ser de:

- 106 < ρ < 1018 Ω.m

 Fator R

Este critério leva em consideração a seguinte expressão:


R= (eq. 1.1).
w⋅ε

- Sendo R<<1 o material é dito isolante.


- Sendo R>>1 o material é dito condutor.

1.2 – Formas ou sistemas de cristalização comuns nos materiais

 Sistema Cúbico

- cúbico simples: sódio, silício, germânio.


- cúbico de face centrada: cobre, alumínio, prata, ouro, níquel.
- cúbico de corpo centrado: ferro, tungstênio, cromo.

Na célula unitária cúbica cada vértice do cubo é ocupado por um átomo do


material, que na realidade o divide com todas as células adjacentes; desta
forma, a célula unitária contando em cada vértice com um oitavo de átomo terá
nos seus oito vértices o equivalente a um átomo. Tem baixo fator de
empacotamento, por isso não o encontramos entre os metais. O fator de
empacotamento é dado pela razão entre o volume do átomo e o volume da
célula unitária.

Na célula cúbica de corpo centrado, caso de alguns metais e vários compostos,


têm-se um átomo no interior de cada célula e um oitavo de átomo ocupando

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cada vértice da geometria cúbica, portanto o equivalente a dois átomos por


célula unitária. Esta célula apresenta um fator de empacotamento superior à
célula cúbica simples, o que confere aos materiais desse sistema uma maior
estabilidade e consistência estrutural.

Na célula cúbica de face centrada, caso da grande maioria dos metais, tem-se o
equivalente a quatro átomos por célula e uma estrutura mais rígida. O fator de
empacotamento é mais elevado.

 Sistema Hexagonal

Como exemplo de materiais que se cristalizam no sistema hexagonal compacto


estão o zinco, o magnésio, o cádmio e o berílio.

 Sistema tetragonal

Nesse sistema cristalizam-se o estanho e o silício.

 Outros sistemas

Além dos sistemas já citados existem mais oito tipos de rede cristalina que
observam as mesmas regras analisadas, conferindo aos materiais a sua própria
e particular característica.

1.3 - Ligações Químicas

- Ligação Covalente: é a união entre átomos estabelecida por meio de pares


de elétrons, de modo que cada par seja formado por um elétron de cada átomo.
É a ligação típica dos materiais isolantes.
- Ligação Metálica: Os metais são um aglomerado de átomos neutros e
cátions, mergulhado numa nuvem de elétrons livres. A nuvem de elétrons
funciona como uma ligação metálica mantendo os átomos “colados” entre si. É a
ligação típica dos metais/condutores.
- Ligação Iônica: É a força que mantém os íons unidos, os quais se formam
quando um átomo entrega definitivamente elétrons a outro átomo. É a ligação
feita entre um metal e um não-metal,pois os metais tem baixo potencial de
ionização e os não metais têm em ,geral, uma eletroafinidade(tendência a
receber elétrons).

1.4– Estado Físico da matéria

- Gasoso: A sua principal propriedade é a mobilidade de seus átomos e


moléculas e cuja velocidade é proporcional a temperatura absoluta, expressa em
graus Kelvin.A um dado instante todas as partículas podem estar se deslocando

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em direções diferentes. A velocidade média de uma partícula pode ser


encontrada pela equação:

3.k .T
Vm = m/s (eq. 1.2)
m

Vm = velocidade média em m/s


k. = Constante de Boltzman igual a 1,38 x 10-23
T = Temperatura absoluta Kelvin
m. = massa molecular do gás, em gramas.

Observamos ainda que todos os corpos em estado gasoso são dielétricos, a


menos que especiais condições estejam presentes, quando então ocorrerá a
dissociação de átomos e moléculas. Os dielétricos gasosos são os que mais se
aproximam dos dielétricos ideais.

Nos átomos dos gases, os elétrons são fortemente presos ao núcleo e desde
que os gases têm uma baixa densidade pode-se considerar seus átomos e
moléculas como livres e como corpos separados, não formando sistemas, como
no caso dos líquidos e sólidos.

- Líquidos: A mais importante característica dos líquidos é a viscosidade. Os


líquidos têm uma densidade muito maior que os gases. A viscosidade η pode
ser definida a partir da lei de STOCKES:

F
V= (eq. 1.3)
6.π .r.η

Um corpo esférico de raio r acionado por uma força F num líquido de


viscosidade η desenvolve uma velocidade V. A viscosidade dos líquidos pode
ser medida por vários processos. O método mais usado na prática é baseado na
medida do tempo dispendido para uma certa quantidade do líquido fluir através
de um pequeno orifício. Usando o viscosímetro de ENGLER, nós determinamos
a viscosidade em graus ENGLER que indica o quanto mais lento o líquido em
teste se escoa em relação a água a 20ºC. O inverso da viscosidade é
denominado “fluidez”.

- Sólidos: A natureza do deslocamento das moléculas nos sólidos é diferente


daquelas apresentadas pelos gases e líquidos. As partículas constituintes dos
sólidos ocupam posições definidas no espaço, porém vibram em torno de uma
posição de equilíbrio. Esta propriedade não é comum nem aos gases, nem aos
líquidos. Pode-se dizer que os sólidos são líquidos cuja viscosidade é muita alta.

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Os sólidos são divididos em três grupos, de acordo com a sua estrutura


interna: amorfos, cristalinos e mistos.
A estrutura amorfa é caracterizada pela falta de uma ordem regular das
posições relativas no espaço dos átomos e moléculas que o constituem. O
amorfo difere do cristalino porque não tem “ponto de fusão” definido. Ex.: vidros
e resinas.
Os cristalinos são caracterizados por uma rigorosa e regular ordem no
arranjo das suas partículas constituintes, no espaço, formando as denominadas
estruturas cristalinas. De acordo com a natureza das partículas que os
constituem, os cristalinos podem ser:
-atômicos – silício, germânio.
-moleculares – fósforo, arsênico.
-iônicos – sal, mica.

Classificam-se como sólidos mistos alguns materiais cerâmicos em que


seus constituintes estão nas fases cristalinas e amorfas.

1.5 – Transmissão de Calor

Os modos de transmissão de calor podem ser por:

- Condução: É a quantidade de calor que atravessa um determinado material


por unidade de tempo. É proporcional a área e a diferença de temperatura e
inversamente proporcional à espessura.

- Irradiação: É a quantidade de calor absorvida pelos corpos, vindas de


corpos que emitem energia sob forma de radiação.

- Convecção: É o transporte de calor através do transporte de massa.

1.6 – Propriedades Físico-mecânicas, elétricas e magnéticas principais

1.6.1 – Propriedades Físicas e Mecânicas

As propriedades físicas dependem dos átomos constituintes da matéria e


de sua estrutura cristalina. As propriedades mecânicas são aquelas que dizem
respeito ao comportamento dos materiais sob a ação dos esforços externos
estáticos ou dinâmicos.

 Coeficiente de dilatação linear

O coeficiente de dilatação linear, α, é definido por:

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∆l
α=
l 0 .∆T
(
..................... o C −1 ) (Eq.1.4)

Onde ∆l/l0 representa o alongamento por unidade linear do


material(deformação).
∆T representa a variação de temperatura a que foi submetido o material.

 Resistência à tração

É a máxima tensão obtida em um “ensaio” de tensão versus deformação do


material estudado, segundo a figura abaixo:

Tensão(kg/mm2)
Ruptura

Plástica
Elástica Deformação

Fig. 1.1 Diagrama tensão x deformação do aço-doce recozido

 Módulo de Young ou de elasticidade

“Para as pequenas deformações, a tensão é proporcional à deformação”(Lei de


Hook). O módulo de Young ou módulo de elasticidade, E, é a constante que
define essa proporcionalidade.

tensão
E= . . . . . . . . . . . . . (N/m2) (Eq. 1.5)
deformação
Onde a tensão é a força aplicada por unidade de área (pressão) e a deformação
é a relação entre a elongação ∆l e o comprimento inicial l0.

l−l0
ε (deformação) = (Eq. 1.6).
l0

 Resistência à compressão

Analogamente a tensão, a resistência de compressão é a tensão de compressão


máxima, obtida no limite de resistência à compressão. Unidade: N/m2.

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 Tensão admissível máxima ou limite elástico admissível do material

As propriedades mecânicas relativas à resistência permitem que se fixe a tensão


admissível do material; obtém-se a tensão admissível, dividindo-se o limite de
resistência elástica por um coeficiente de segurança maior que a unidade. Limite
elástico de um material é a maior tensão que o mesmo pode suportar, sem
sofrer deformação permanente.

 Peso específico

É o peso por unidade de volume do material.

peso
....................(kg / m 3 ) (Eq. 1.7)
volume

 Massa específica ou densidade

É a massa da unidade de volume do material.

M
γ = ...KKK kg m 3 (Eq.1.8)
V

 Ductibilidade

É a capacidade de o material sofrer grandes deformações permanentes numa


determinada direção sem atingir a ruptura. Indica a maior ou menor possibilidade
de o material ser estirado ou reduzido a fios.

 Maleabilidade

É a capacidade de o material sofrer grandes deformações permanentes, em


todas as direções sem atingir a ruptura.

 Resistência

É a capacidade do material resistir a impactos sem ruptura.

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 Temperatura e calor

É extremamente importante fazer a distinção entre calor e temperatura.


Temperatura representa um nível de atividade térmica, enquanto calor é a
energia sob forma térmica.
As escalas termométricas mais utilizadas são as de graus Centígrados e
Fahrenheit. A seguinte relação existe entre elas:

9.º C
F= + 32º
5
(Eq.1.9 e 1.10)
5
C= (F − 32°)
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 Calor específico

É a quantidade de calor fornecida à unidade de massa para uma variação


unitária da temperatura.

Q
Q = M ⋅ c ⋅ ∆T ∴c = KKKKK j o ou cal 0 (Eq.1.11)
M∆T kg C gC

 Condutividade Térmica

É a quantidade de calor transmitida perpendicularmente às seções do material,


por segundo, por unidade de área e por unidade de temperatura. A
condutividade térmica k é assim expressa:

Q⋅d
k= ......................... cal 2 0 (Eq.1.12)
∆T ⋅ A ⋅ t m .s. C

 Dureza

A dureza é definida pela resistência da superfície do material à penetração.

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 Corrosão

É definida como a alteração, por reação química ou eletroquímica, da superfície


do material em contato com o meio ambiente. O oxigênio, por estar presente na
água, no ar e em gases, é o metalóide de maior atuação na referida reação
química, produzindo os óxidos e hidróxidos de corrosão.

A corrosão, alterando o material em suas características estruturais e


dimensionais, é um inimigo implacável das instalações e circuitos elétricos,
razão por que se deve conhecer os métodos de seu controle. Os principais são:

- por isolação resinosa;


- por capeamento com metal mais resistente;
- por anodização;
- por fosfatização ao zinco ou ao manganês;
- por controle e neutralização do meio;
- por eliminação de acoplamentos galvânicos;
- por utilização de ligas mais resistentes;
- por tratamento térmico;
- por proteção catódica.

1.6.2 – Propriedades Elétricas

 Resistência

É a avaliação quantitativa da maior ou menor oposição que uma peça de um


material condutor opõe ao seu fluxo de elétrons. Varia de material para material,
sendo que no mesmo material depende de sua geometria.

l
R = ρv. , onde R – resistência do corpo;
s
ρv – resistividade do material;
(Eq.1.13)
l - comprimento do corpo;
s – área da seção reta do corpo perpendicular à
direção da corrente.

 Emissividade térmica

É a energia radiante emitida por segundo, pela unidade de área de uma


superfície aquecida acima da temperatura ambiente; seu valor varia entre zero e
um, sendo 1 a emissividade do corpo negro ideal.

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 Resistividade volume (ρv)

Por definição, resistividade de um material condutor é a resistência medida entre


os centros das faces opostas de um corpo de prova cúbico do material, com
dimensões unitárias.

A
ρ v = R. .............(ohms.m ) (Eq.1.14)
l

Sua expressão física é dada por:

ρ v = (n.q.µ )−1 (Eq.1.15)

onde, n = concentração eletrônica


q = carga do elétron
µ = mobilidade do elétron ou velocidade média por unidade de campo
elétrico aplicado.

 Condutividade

A condutividade elétrica é o inverso da resistividade-volume de material. É


definida fisicamente por:

τ = n.q.µ (Eq.1.16)

onde τ = condutividade em siemens/m

 Função Trabalho do material

A função trabalho de um metal, expressa em elétron-volt representa a energia


que deve ser fornecida ao elétron mais energético da estrutura, a zero grau
Kelvin, para que ele possa ultrapassar a barreira de potencial de superfície e sair
do metal. Essa energia pode ser fornecida pelo calor, pela luz, ou pelo contato
com outro metal.

 Piezoeletricidade

Certos cristais isolantes, quando submetidos a esforços mecânicos, tais como


de tração, compressão ou torção, geram em suas estruturas um estado de
polarização elétrica; este fenômeno conhecido como piezoeletricidade, é
reversível, isto é, quando se submete o cristal a um campo elétrico de orientação

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conveniente ele se deforma elasticamente. Essa propriedade é largamente


aproveitada em sensores eletromecânicos.
Exemplos: a turmalina, o cristal de quartzo, o sal de Rochelle, etc.

 Magnetoestricção

Os materiais que apresentam pequenas deformações em sua geometria, como


resultado de sua polarização magnética, são chamados magnetoestritivos. Este
fenômeno é reversível; as variações devidas à magnetoestricção são
normalmente muito pequenas.
Exemplos: o ferro, o cobalto e o níquel.

 Corrente de Condução e Corrente de Deslocamento

Nos meios materiais condutores, semicondutores e isolantes, podem-se


destacar dois tipos de corrente elétrica.

- Corrente de condução(ic): é a corrente produzida pela ação de um


campo elétrico, envolvendo o movimento de um fluxo eletrônico
com o conseqüente transporte de cargas entre duas polaridades
opostas aplicadas ao meio.
- Corrente de deslocamento(id): é a corrente iônica ou eletrônica,
produzida com mais evidência, nos meios dielétricos ou isolantes,
resultante da aplicação de um campo elétrico, que polarize as
moléculas da estrutura.

A corrente total no meio submetido a uma diferença de potencial seria dada por:

it = ic + id (Eq.1.17)

 Ação do Calor sobre a resistividade

A variação da resistência com a temperatura é um fenômeno análogo ao da


dilatação linear nos metais. Os coeficientes de variação dos fenômenos são:

∆l
α= (Eq.1.18)
l.∆T

Coeficiente de variação da resistência com a temperatura:

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∆R R2 − R1
α= = (Eq.1.19)
R1.(∆T ) R1.(T2 − T1 )

Existem materiais com coeficientes de temperatura α-negativos. Esses são


conhecidos como materiais NTC...(α<0). Nele a resistência diminui com o
aumento da temperatura. Existem materiais com coeficiente de temperatura
positivo PTC....( α>0), e neles a resistência R aumenta com a temperatura.
Da equação 19, tem-se: R2 – R1 = α.R1.(T2 – T1)

R2= R1 + α.R1.(T2 – T1) = R1 {1+ α.(T2 – T1)}

Analogamente, a mesma fórmula expressa a relação das resistividades,


na sua variação com a temperatura.

ρ 2 = ρ1.{1 + α1.(T2 − T1 )} (Eq.1.20)

A figura abaixo nos mostra, em um gráfico comparado, a ação da


temperatura sobre diversos materiais.

Fig.1.2

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2. Materiais Condutores

Chama-se de material condutor toda matéria que permite e estabelecimento de


um fluxo de elétrons em seu meio, combatível com a diferença de potencial
aplicada ao mesmo. Essa compatibilidade reside no fato de não se considerar
como efetivas ou valida correntes elétricas da ordem dos picoamperes (10-12 A)
ou manoamperes (10-9 A).
Os movimentos de elétrons (gás de elétrons) são randômicos e o valor médio da
corrente resultante do interior do metal em equilíbrio é zero; a presença de um
campo elétrico E sobre a estrutura determinada um movimento preferencial para
os elétrons ou “gás de elétrons” e conseqüentemente surge o fluxo eletrônico ou
corrente elétrica.

2.1 - Metais

São materiais de estrutura cristalina simples e que na sua maioria apresentam o


tipo de ligação atômica por elétrons livres.

 Cobre

Dentre os metais, que são os materiais condutores por excelência, destaca-se o


cobre por suas excelentes características de baixa resistividade, boa
flexibilidade e existência considerável. Dentro do ferro, o cobre é o metal de
maior utilização na industria elétrica. É empregado em estado puro ou em ligas
conhecidas como bronzes e latões. Sua importância advém das inúmeras
propriedades que possui e dentre as quais destacamos: o fácil manuseio a frio
ou quente; resistência à corrosão do ar atmosférico; resistência à ação dos
agentes químicos mais comuns; baixa resistividade de capeamento por outros
metais em processos eletroquímicos. As matérias-primas utilizadas na sua
obtenção industriais são sulfetos de ferro que possuem teor médio de 2,5% de
cobre.

Fig. 2.1

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Depuração: o minério é reduzido a pó e misturado com água e óleo de pinho


para que se realize a flotação, que consiste na separação do concentrador de
minério das impurezas grossas (ganga).

Ustulação: processo de queima do SF e par separação do OFe e enxofre, que,


na operação seguinte, ira se combinar com o cobre presente.

Redução: processo realizado em um forno reverberatório que produz a


concentração do cobre.

Oxidação: conversão de sulfeto de cobre em cobre metálico.

Refino eletrolítico: o cobre eletrolítico (99,9% de pureza) é obtido por deposição


nos catodos de uma cuba eletrolítica que tem como eletrólito uma solução de
sulfato de cobre acidificado com acido sulfúrico. Os anodos de cobre, ligados ao
potencial positivo, servem de fonte para a regeneração dos íons de cobre da
solução que miram para os catodos.

 O processo de trefilação

A trefilação é um processo de fabricação por deformação a frio, que tem por


finalidade reduzir a seção do material é forçado a passar por um a matriz sobre
o metal. Este processo aumenta substancialmente a resistência à tração e à
fadiga do material, tornando-o, entretanto, mais duro. Pela utilização do
recozimento do material consegue-se aliviar as tensões internas e diminuir a sua
dureza.

 Alumínio

O alumínio possui propriedades mecânicas e elétricas que o tornam de


fundamental importância em certas aplicações da engenharia elétrica. Seu
baixo peso, sua condutividade elétrica, sua resistência à corrosão a sua
plasticidade são vantagens que, aliadas a sua abundante existência, o tornaram
o sucedâneo natural do cobre. A existência de grande jazidas de bauxita (50%
Al2 O3 + 7% O2Si + etc.) no pais torna o alumínio material de grande interesse na
nossa tecnologia elétrica industrial. O processo de obtenção do alumínio, a
partir da bauxita, compreende as seguintes etapas (processo Bayer).

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Fig. 2.2

Características

Metal dúctil, maleável, com alta resistência a corrosão, de cor branca prateada,
mais leve e mole que o cobre, é facilmente trabalhado. A dilatação térmica é
40% maior que a do cobre.
- condutividade relativa de 62% (em relação a cobre padrão)

 Prata

É o condutor de menor resistividade. Devido ao preço só é empregada em


casos especiais. É usada em resistência de aparelhos de precisão, para
fusíveis nos casos em que a constante de tempo para a proteção do aparelho
seja importante, e também na deposição metálica ou banho eletro químico para
recobrir fios de bobina e melhor seu fator de qualidade.
Usada na fabricação de cristais osciladores e semicondutores, como camada de
contato ôhmico, películas, filme etc.
- ponto de fusão: 960°C.
- peso especifico: 10,5 g/cm3.

 Ouro

É o condutor elétrico de utilização mais especial. Metal valioso, considerado


nobre, de grande estabilidade química, é dotado de excelentes propriedades
para a utilização no ramo elétrico.
Usado como fio condutor em equipamentos especiais; como peça de contato em
chaves e reles de baixa corrente e alta precisão e confiabilidade; como películas
ou filmes condutores; em instrumentos especiais de medidas como
eletroscópios, detetores de nêutrons, lentes etc.
- ponto de fusão: 1,063°C
- peso especifico: 193,29 g/cm3.

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 Ferro e aço

Dentre os materiais metálicos, o ferro e suas ligas (aços) ocupam um lugar de


destaque na produção de componentes elétricos. Suas propriedades elétricas e
magnéticas, aliadas á grande resistência mecânica, plasticidade, dureza e
resiliência, tornaram-no o material ideal para laminas de transformadores, de
reles, ferragens de equipamentos, ferragens para instalações elétricas, produção
de cabos com alta resistência à tração etc.

 Aços

Segundo a composição química, os aços podem ser classificados em dois


grandes grupos:
1. Aço-carbono: liga de ferro e carbono contendo de 0,008% a 2,0% de
carbono, alem de elementos residuais resultantes do próprio processo de
obtenção.
2. Aços-liga: liga de ferro e carbono contendo de 0,008% a 2,0% de
carbono, alem de outros elementos de liga adicionados inteiramente.
Ex.: aço inoxidável (18 Cr + 8 Ni + Fé + C).

Características:

 Grade resistência (tração, compressão, fadiga, cisalhamento)


 Grande tenacidade
 Ferromagnético
 Resistividade baixa
Para o aço: ρ00C=8,85µΩ⋅cm; α0 = 0,00625°C-1
Para o ferro: ρ0=10µΩ⋅cm; α0 = 0,005°C-1
 Ponto de fusão: 1.528°C
 Peso especifico: 7,86 g/cm3

O grande empecilho à utilização mais larga desses materiais como condutores é


sua fácil e rápida corrosão.

 Mercúrio

Metal liquido, cor prateada, é algumas vezes utilizado como condutor em


contatos e catodo liquido. Possui condutividade relativa de 2%. É o metal em
que, juntamente com o ouro, a platina, o estanho, o alumínio e o bismuto, se
conseguem o maior grau de pureza tecnológica. Sua solidificação ocorre na
temperatura de –39°C.

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2.2 - Outros metais

Outros elementos metálicos puros também importantes em ligas e na tecnologia


eletroquímica, de banhos, ou revestimentos, e de boa existência em nosso país,
são os metais abaixo:
- zinco, chumbo, estanho, níquel, antimônio, cádmio, nióbio, titânio,
tungstênio.

 Chumbo: extraído do sulfato de chumbo; apresenta, além de boas


qualidades para a solda, grande resistência à corrosão de ácidos.

 Zinco: extraído do minério de sulfato de zinco. É um importante


ingrediente em muitas ligas metálicas, notadamente nos latões, que são
ligas de zinco e cobre. É usado como eletrodo negativo em baterias
elétricas. É utilizado nos processos de recobrimento de metais, como
tanques de armazenamento, com a finalidade de protege-lo da corrosão
(é a galvanização).

 Cádmio: metal que ocorre naturalmente em pequenas quantidades


associado com o zinco. É frequentemente usado no lugar do zinco para
recobrimentos anticorrosivos.

 Estanho: extraído do minério de níquel sob a forma de oxido, e a seguir


reduzido.Metal muito utilizando como ingredientes de ligas. De cor
branco-prateada, se liga ao cobre para produzir o bronze, ao chumbo
para produzir solda, e é usado largamente como revestimento
anticorrosivo.

 Níquel: metal de grande importância elétrica em razão das excelentes


características físicas que confere às ligas de que participa; é usado em
ligas magnéticas, em ligas de aço (aço inoxidável), em ligas
termoestáveis, em ligas sensoras termoelétricas, em ligas para
resistência elétricas, em revestimento anticorrosivos.

2.3 - Carbono e grafita

Material não-metálico que é usado como condutor nas escovas dos motores,
devido a excelentes propriedades físicas para essa finalidade. É também muito
utilizado na tecnologia de resistores, de potenciômetros de carvão e na
produção de eletrodos para fornos elétricos ou para descargas luminosas
(arcos).

Características:
 Peso especifico = 2,1 g/cm3; α = 5⋅10-4°C-1
 Resistência à compressão: 7,56 kg/mm2
 Calor especifico: 0,172 cal/g°C

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2.4 - Ligas metálicas

 Ligas de cobre

O cobre liga-se ao manganês, níquel, zinco, estanho, alumínio etc.; o cobre fica
mais duro piorando a ductibilidade, melhorando, entretanto, a resistência
mecânica.

 Bronze

Liga binária de cobre e estanho e de muita boa condutividade. É usado como


condutor em terminais e particularmente como fio condutor. Não é magnética e
possui elevada resistência à corrosão e a fadiga.

 Latão

Liga binária de cobre e zinco; condutividade relativamente baixa, boa resistência


à corrosão, grande resistência à tração. Também é usado como condutor. É
empregado em barramentos, varas de sustentações, barramento de
equipamentos e bornes.

 Ligas de níquel-cromo

Resistividade alta, coeficiente de variação da resistividade com a temperatura


baixa e grande resistência à oxidação, em altas temperaturas, conferem a estas
ligas propriedades ótimas para aplicação resistiva em fornos elétricos e
aquecimento em geral. As ligas de níquel-cromo são muito usadas como
condutores resistivos (resistências) em sistemas de aquecimento e artigos
eletrônicos.

 Ligas de níquel-cobre

A liga binária de níquel-cobre é termoestável. Sua resistência praticamente não


varia com a temperatura e por isso é aplicada em pares termoelétricos,
resistência de precisão e resistência para reostatos em maquinas de precisão.

 Ligas de cromo e ferro

Constituem-se em ótimas ligas para utilização em aquecimento elétrico em


geral.
 Composição: Cr + Al + Co + Fé
 Tipos: Kanthal A-1, Kanthal A, Kanthal DS (tabelas A. 1.1, A. 1.2, A. 1.3 e
A. 1.4).

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 Ligas de alumínio

Duralumínio (4%Cu + 0,5%Mg + 0,5%Mn + Al). Aplicando em fios, cabos, tubos,


barras e chapas condutoras, e também na confecção de dissipadores térmicos.
Alumoweld. É o fio ou cabo de alumínio tendo como eixo ou espinha dorsal um
fio de aço, que lhe aumenta a resistência à tração.
Liga para cabo de alumínio. Liga de alumínio para cabos leves utilizados em
linha aérea.
- composição: 0,3 a 0,5Mg + 0,4 a 0,7Si + 0,2 a 0,3 Fe + Al.

 Linha de estanho chumbo

É utilizada para o revestimento de fios e malhas de cobre ou latão, melhorando a


soldabilidade e atuando também como camada protetora contra a corrosão. Na
técnica de circuitos impressos, é muito utilizada não só como revestimento do
cobre, mas também como o próprio elemento condutor, sendo que neste caso
seu baixo ponto de fusão protege os componentes eletrônicos de possíveis
superaquecimentos.

 Ligas níquel-cromo

É uma liga de resistividade alta e grande resistência à oxidação em altas


temperaturas. Empregadas em fornos, câmeras térmicas, reostatos etc.

2.5 - Termopares

O termopar é um instrumento de medida de temperatura largamente utilizado na


industria. Sua utilização principal é na verificação e no controle de temperatura
de fornos sistemas e aquecimento em geral. Esse medidor utiliza o material
condutor conhecido como termoelemento, como sensor da temperatura e que,
através dos efeitos Thompson, Peltier e Seebeck converte energia térmica em
energia elétrica (transdutor termoelétrico).

Revisão de Materiais Elétricos


20
Equipamentos Elétricos

Fig. 2.3

2.6 - Efeito Thompson

Se aquecermos uma extremidade de uma barra metálica de comprimento l, essa


extremidade ficara mais positiva do que a oposta, resultando com isso uma ddp
V1, que será função do comprimento da barra e de sua condutividade elétrica.

Fig. 2.4

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21
Equipamentos Elétricos

2.7 - Efeito Peltier-Seebeck

Quando dois metais diferentes, A e B, entram em contato, aparece entre eles


uma ddp V2, resultante da diferença de função trabalho dos mesmos, ou da
diferença de potenciais eletroquímicos. Esse potencial V2 é também função da
diferença de temperaturas em que se encontram os dois metais.

Fig. 2.5

2.8 - Efeito pelicular

É o efeito que se caracteriza pela diminuição da densidade de corrente no


interior de um condutor, simultaneamente a um aumento da corrente na coroa
ou seção mais externa, produzido pela ação do campo eletromagnético
alternado aplicado ao mesmo.
Este efeito é resultante da atuação da força-eletromotriz auto-induzida no
condutor e se torna mais pronunciado à proporção que aumentamos a
freqüência de excitação.

2.9 - Resistência CC e resistência CA de um condutor

Em conseqüência do efeito pelicular, ter-se-ão dois valores de resistência para


um mesmo condutor de comprimento unitário.
RCC – resistência à corrente continua = ρl/πr2 = ρ/πr2
RCA – resistência à corrente alternada = ρl/πrx1 = ρ/2πrx1

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22
Equipamentos Elétricos

3. Estudos dos semicondutores


O estudo dos semicondutores vem-se tornando a cada dia mais importante em
razão de sua larga utilização no campo da eletroeletrônica. Componentes como
diodos, transistores, varistores, fotocondutores, tiristores, transistores de efeito
do campo, circuitos integrados, baseiam-se em princípios de funcionamento
estudados na TEORIA DO ESTADO SÓLIDO.
O semicondutor é um material que apresenta uma concentração de elétrons
livres (n) bem inferior a dos metais; a densidade de corrente em sua estrutura
obedece, identicamente a qualquer material, a Lei de Ohm, que é mostrada na
forma a baixo, em função da mobilidade dos elétrons na estrutura cristalina.

j = n q m E..................................................(Eq. 3.1)

A grandeza mobilidade de um portador de carga é o valor da velocidade média


de deslocamento no meio por unidade de campo elétrico aplicado; ela varia de
material a material, sendo que no mesmo material poderá ser diferente no caso
de se ter diferentes tipos de portadores de carga.

3.1- Materiais semicondutores

Os materiais semicondutores mais conhecidos são o germânio, o silício, selênio,


o sulfeto de cádmio, o arseneto de gálio e o fosfeto de índio. Destes, os
principais são o germânio 32 e o silício 14. Tanto o germânio como o silício
possuem estrutura cristalina simples, sendo que o silício cristaliza-se nos
sistemas cúbico e tetragonal, enquanto o germânio o faz no sistema cúbico. O
germânio natural é amorfo, e para sua obtenção na forma cristalina, é
necessário que se realize o processo tecnológico conhecido como “crescimento
do germânio”. Nesse processo, a massa de germânio em fusão (policristalino)
dá origem ao germânio homogêneo, através da cristalização sobre uma semente
monocristalina do material, que é “puxado” progressivamente do interior da
massa fundida; o monocristal produzido apresenta-se à imagem da semente
utilizada.
Os materiais semicondutores não possuem o tipo de ligação de elétrons livres,
entretanto possuem elétrons covalentes que são aqueles pertencentes à órbita
mais externa (de valência), e portanto mais fracamente ligados ao núcleo
positivo.

Covalentes da cada átomo, em permanente interação com seus vizinhos


imediatos. Uma excitação externa sobre a estrutura do germânio 32 fornece a
energia necessária ao rompimento da ligação covalente, resultando com isso a
liberação de um elétron que deixará seu nível desocupado , criando-se, assim,
um “buraco” na estrutura.
Nas temperaturas mais baixas, todos os elétrons de valência do germânio, e em
geral dos semicondutores, estão ligados mais fortemente à estrutura, isto é não
contribuem para uma maior condutividade elétrica; neste caso o material é

Revisão de Materiais Elétricos


23
Equipamentos Elétricos

basicamente um isolante. À proporção que elevamos a temperatura, ligações


covalentes vão-se rompendo, por excitação térmica, de maneira que pares
“elétrons-buracos”, vão surgindo no material; o elétron, ao romper a ligação
covalente, deixa um vazio em seu lugar, a que se denomina “buraco”; este
buraco constitui-se em um portador positivo de carga, específico no estudo da
condução nos meios semicondutores.
Nas temperaturas ambientais normais, os semicondutores apresentam uma
certa concentração de pares elétron-buraco, denominada concentração
intrínseca. O elétron do par é livre e se encontra à disposição de qualquer forma
que se possa movimentá-lo.

3.2 - Semicondutores intrínsecos e extrínsecos

Os semicondutores intrínsecos ou idealmente puros possuem uma cristalinidade


perfeita e uma estrutura isenta de falhas e impurezas, além de apresentar como
únicos transportadores de cagas os elétrons e buracos provenientes de quebras
de ligações covalente.
Nos semicondutores extrínsecos temos, além da presença do material
semicondutor, os elementos chamados IMPUREZAS, que intencionalmente ou
não, combinadas com o material principal (SC), vão modificar o processo de
condução no seio do material.

3.3 - Elementos semicondutores

3.3.1 - O carbono

Apesar de apresentar características semicondutoras, o carbono é antes


utilizado como condutor em alguns casos, em outros casos como material
resistivo ou como componente capaz de suportar determinadas condições
térmicas ou químicas.

 Matéria-prima básica

Como matéria-prima básica é usados a grafita natural, o antracito e o negro-de-


fumo. Dependendo do produto que se que obter, devem ser obedecidas certas
particularidades, as quais são enumeradas a seguir.

 Escovas para máquinas girantes

As escovas de carvão se destinam a estabelecer o contato entre a parte rotativa


da máquina (o rotor) onde se induz uma certa diferença de potencial e o circuito
externo; sendo, portanto, um elemento de certo modo fixo posicionado por
pressão sobre o coletor ou comutador ou os anéis coletores da máquina, que
são de metal (geralmente cobre ou liga de cobre). A escova formada de pó de
carvão e eventuais aditivos (negro-de-fumo, pós-metálicos, etc.) é tratada

Revisão de Materiais Elétricos


24
Equipamentos Elétricos

termicamente, até se obter a necessária consistência para seu uso. Esse


tratamento se realiza a temperaturas da ordem de 800°C, atingindo-se em casos
especiais até valores de 2200°C.
As características de uma escova de carvão não são puramente elétricas, e sim
eletromecânicas, devido à natureza de sua utilização.

 Carvão para microfones

Esses são fabricados especialmente do tipo de carbono conhecido por antracito.


A resistência elétrica oferecida pelo carvão depende do tamanho do grão
presente no pó, da temperatura em que é tratado e da densidade.
O tratamento térmico ou “queima” é procedido a 600-800°C. No caso de se
usarem pós finos, o valor da resistência será de 400cm quando o pó é formado
de grãos grossos. O peso especifico é de 0,8 a 0,9 g/cm3.

 Resistores do carvão

São resistores, geralmente para baixa potência, formados por uma camada de
carvão, a qual é aplicada sobre o corpo isolante, geralmente porcelana. O seu
uso se concentra na área das telecomunicações.

 Contatos de carvão

Em algumas aplicações eletrotérmicas especiais, onde em particular os


comandos elétricos se realizam perante arcos voltaicos intensos e freqüentes,
alguns fabricantes de chaves preferem usar pastilhas ou peças de contato de
carvão, pois estas não oxidam suportam bem os efeitos térmicos do arco. É o
caso de certos equipamentos de tração elétrica, tais como elevadores, ônibus
elétricos e outros.

3.3.2 - O germânio (Ge)

O germânio é um dos materiais semicondutores mais antigos. É encontrado em


pequenas quantidades em minério de zinco, pó de carvão e mesmo nas águas
do mar. Nos minérios, vem acompanhado, além de zinco, também com ferro e
cobre, que se encontram em porcentagens bem superiores ao próprio germânio.
Por essas razões, a extração do germânio é extremamente difícil e onerosa. É
uma substância dura porém quebradiça, não suportando qualquer tipo de
esforço mecânico. Oxida-se na presença do ar, formando uma finíssima película
de oxido. Essa oxidação é rápida e total a temperaturas de 600°C,
transformando-se em dióxido de germânio (GeO2). A água praticamente não
tem influencia sobre o germânio. É resistente a ácidos, não se dissolvendo na
presença de ácido clorídrico (HCl), ácido nítrico (HNO2) e ácido sulfúrico a frio
(H2SO4), dissolvendo-se porém numa mistura de ácido fluorídrico (HF) e ácido

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25
Equipamentos Elétricos

nítrico (HNO3), em solução aquosa de peróxido de hidrogênio (H2O2) e soluções


concentradas quentes alcalinas do tipo KOH e NaOH.

3.3.3 – O silício (Si)

O silício é termicamente mais estável do que o germânio, podendo por isso ser
usado a temperaturas ambientes de até 150ºC permite reduzir a corrente
inversa, o que reduz as perdas, fato esse que eleva o rendimento e simplifica os
métodos de refrigeração. Todos esses aspectos justificam a ampla
predominância atual do uso do silício como matéria-prima para a construção de
componentes semicondutores. Excetuando-se o hidrogênio, o silício é o
elemento mais freqüentemente encontrado na natureza, correspondendo em
peso a aproximadamente ¼ da crosta terrestre.

Sua temperatura de fusão é de 1415ºC. Na presença do ar, se recobre com uma


fina camada de óxido. É bastante resistente a ácidos, sendo solúvel em álcalis e
em misturas de ácido fluorídrico e nítrico. Elevando-se a sua temperatura, o
silício reage com diversos elementos como, por exemplo, o hidrogênio, e se
dissolve bem em metais em estado de fusão como, por exemplo, o magnésio, o
cálcio, o cobre, o ferro, a platina, o bismuto, o alumínio, o estanho, etc.

3.3.4 - OBTENÇÃO DO SILÍCIO METÁLICO

 A ocorrência natural do silício é sempre sob a forma de compostos;

 Sua extração é feita somente a partir de seu óxido SiO2, que é a sua
forma mais simples e pura. O óxido silício apresenta-se na forma
cristalina e translúcida, tendo conhecido como cristal de rocha ou quartzo.

 A redução da silica é feita com carbono em fornos de arcos elétricos


submerso, segunda a seguinte reação básica:

SiO2 (sólido) + 2C (sólido)-------Si (líquido) + 2CO (gás)

O silício produzido desta forma tem uma pureza de 95 a 99%

3.3.5 - OBTENÇÃO DO SILÍCIO DE GRAU ELETRÔNICO

 A purificação do silício envolve várias dificuldades, pois os níveis


máximos de contaminação são da ordem de partes por bilhão;

 Atinge uma pureza de 99.99999 % ou mais;

 As únicas técnicas que obtiveram sucesso são as de purificação indireta;

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26
Equipamentos Elétricos

 Consiste no seguinte:
> A partir do silício de grau metalúrgico;
> Produz-se um composto com um elemento intermediário
> Purifica-se este material até o grau eletrônico ;
> E a seguir por uma reação inversa obtém-se o silício puro.

 Dois processos se destacam, o da triclorosilana ( SiHCl3) e do tetracloreto


de silício (SiCl4). Estes dois compostos são separados por destilação
fracionada, posteriormente, através de destilações sucessivas, chega-se
a pureza desejada.

 Via triclorosilano obtem-se um rendimento melhor para a produção do


silício policristalino. Pelo tetracloreto de silício chega-se a uma sílica de
alta pureza, utilizada na fabricação de bastões para puxamento de fibras
óticas pelo processo CVD (Chemical Vapor Deposition).

Neste estudo será descrito com um pouco de mais de detalhes o


processo da triclorosilana o qual está esquematizado.

O processo consiste primeiramente em conduzir a reação do silício GM com o


ácido clorídrico anidro em um reator. As temperaturas são da ordem de 200 a
400 0C. Os subprodutos que se formam, como outras silanos e cloretos das
impurezas, são removidos por filtragem e destilações sucessivas. A conversão
do silício é feita pela redução do produto purificado com hidrogênio, como está
indicado abaixo:

SiHCl3 (gás) + 3H2-------2Si (sólido) + 6HCl (gás)

3.3.4 – Estudo do selênio

 É um elemento do grupo IV da Tabela Periódica;

 É obtido a partir dos resíduos da refinação eletrolítica do cobre;

 O Selênio em estado sólido pode apresentar-se sob forma amorfa ou


cristalina;

 O Selênio sob forma cristalina apresenta cor cinzenta;

 É obtido a partir do selênio amorfo em fusão;

 Resfriando-o lentamente desde a temperatura de fusão (220 0C) até a


temperatura normal;

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27
Equipamentos Elétricos

peso específico 4,8 g / cm3


temperatura 217 0C /
gap da banda proibida 1 ,7 a 1,9 e V a 20 0C
mobilidade das lacunas 0,2 x 10 -4 m2 / V.s
 O Selênio se emprega para fabricação de retificadores, células e
resistências fotoelétricas;

 A faixa de temperatura de trabalho do selênio de -60 0C a +75 0C

3.4 - Tipos de ligações semicondutoras


Materiais semicondutores (p ou n) podem ser ligados entre si, das maneiras
dadas a seguir:

 Por junção
Corresponde ao contato das superfícies dos dois ou mais semicondutores,
através das quais de dará a circulação das cargas elétricas.

 Por portas
Tem-se nesse caso o contato entre as partes de um componente, por meio de
pontas de contato. Comparado com o tipo anterior, este é geralmente
encontrado em componentes para correntes menores, devido à menor seção de
contato.

 Por difusão
Consiste na dopagem de um certo volume de material de base numa polaridade
ou concentração de cargas diferente do material de suporte.

3.5 - Termistores

Os termistores são resistores variáveis com a temperatura, tipo NTC, e que


possuem um coeficiente de variação a da origem de 3% por graus Celsius.
Esses dispositivos têm como finalidade introduzir uma compensação de variação
térmica ambiente nos circuitos eletrônicos com componentes do estado sólido
(semicondutores) ou atuar como sensores térmicos. Conforme já observado, os
semicondutores, em geral, são bastante sensíveis a mudanças de temperaturas,
a desta forma em certos circuitos necessário se torna uma ação compensadora
que neutraliza seus efeitos.
Os termistores são obtidos de óxidos metálicos tais como o óxido de ferro, de
níquel, de manganês, de titânio e de vanádio. Esses materiais são submetidos a
uma pulverização, e após tratamento a temperaturas elevadas fornecem um

Revisão de Materiais Elétricos


28
Equipamentos Elétricos

produto com uma condutividade que cresce muito rapidamente com a


temperatura.

Com tais características, o seu uso é encontrado em todos os casos onde uma
elevação de temperatura informa sobre um comportamento de um equipamento
elétrico, ou senão em casos onde se procede a uma simples medição de
temperaturas, como os dados a seguir.
Em relés de proteção de motores, onde o efeito térmico da corrente passante
tem correlação com a corrente nominal admissível. Em caso de subcorrente, o
termistor comanda um circuito elétrico capaz de desligar o motor, se assim for
necessário.
Em caso de partida de motores: próprio para motores pequenos, onde o efeito
térmico da corrente de partida é controlado pelo termistor.
Para medição e controle automático de temperatura, em fornos, motores a
explosão e em outros casos.

3.6 - Varistores

São semicondutores, cuja resistência varia em função da tensão. Como


matéria-prima básica, usa-se o carboneto de silício (SiC) com acréscimo de
argila e outros materiais.
Uma de suas aplicações elétricas principais é nos pára-raios, onde, no ato de
uma elevação de tensão devido a uma descarga atmosférica, a resistência
imediatamente se reduz, permitindo a descarga da sobretensão existente.

3.7 - Fotoelementos

Fotoelementos são componentes semicondutores, que variam acentuadamente


sua resistência perante variações da intensidade da luz presente. Essa variação
pode ser provocada pela incidência de fachos luminosos, ou simplesmente ser a
conseqüência do por do sol. Dos exemplos que serão dados, vamos observar a
presença de certos materiais já de nosso conhecimento, como o silêncio, por
exemplo. Portanto, se esse silêncio deve atuar como elemento fotossensível,
deverá ficar então sujeito às variações da luminosidade; entretanto, no uso em
diodos retificadores, por outro lado, o silêncio deve ficar protegido dessas
variações, para não afetar suas propriedades de modo incontrolado. É quando o
silêncio precisa ser encapsulado, para não sofrer variação de características
perante mudanças de luminosidade. Vejamos alguns dos componentes
fotossensíveis de maior uso:

 Fotocélulas

São elementos controladores do facho de luz, usados em iluminação pública,


comando de máquina, contagens de unidades, etc. A sensibilidade apresentada
depende do material usado.

Revisão de Materiais Elétricos


29
Equipamentos Elétricos

 Célula fotovoltaica

A luz incidente gera portadores de carga. Entretanto a diferença básica é que


na célula fotovoltaica nenhuma tensão é aplicada à junção pn. Quando os
elétrons e lacunas atingem a junção pn, eles são separados pelo campo interno
da região de depleção. O elemento fotovoltaico força a corrente a fluir no
circuito externo, portanto a energia luminosa é convertida em energia elétrica.
Aplicações. Em geral de energia elétrica como células solares (eficiência em
torno de 11%).

3.8 - O efeito Hall

O efeito Hall consiste no fenômeno segundo o qual, perante a presença de um


campo magnético dirigido perpendicularmente a um condutor, pelo qual circula
corrente, aparece uma diferença de potencial nas faces opostas à circulação da
corrente. Para dada orientação de corrente e campo magnético, o sentido da
força eletromotriz que assim parece – a tensão de Hall -, vai depender da
polaridade das cargas presentes.

4 - Estudos dos dielétricos


Entre os dielétricos gasosos temos como exemplos: ar, nitrogênio, hidrogênio,
dióxido de carbono, gases raros e hexoflureto de enxofre (SF6). Na categoria
dos líquidos temos: os óleos minerais derivados do petróleo (inflamáveis) e os
ascaréis, que são os dielétricos líquidos à prova de fogo. Quanto aos sólidos,
extremamente numerosos, temos como exemplos entre aqueles que são
aplicados no estado líquido ou pastoso: resinas, betumes, caras, solventes,
vernizes e massas compound. Entre os aplicados no estado sólido alinham-se
os materiais fibrosos (madeira, papel, papelão, seda, linho, algodão etc), os
plásticos, as micas, os silicones, a porcelana, os vidros térmicos, as fibras de
vidro, asbesto e amianto etc.

Física dos dielétricos: numa conceituação bastante simples, podemos


entender o dielétrico como um material capaz de suportar uma tensão elétrica.
Todos os materiais isolantes são chamados dielétricos, e nas condições normais
de trabalho funcionam como um meio do campo elétrico. Um meio dielétrico é
uma porção de material ou corpo que pode resistir em estado estático a um
campo elétrico. Um dielétrico não conduz corrente elétrica, mas em seu interior
pode haver um campo elétrico não nulo.

Os dielétricos desempenham um papel muito importante na engenharia elétrica:

Revisão de Materiais Elétricos


30
Equipamentos Elétricos

 Permitem isolar eletricamente os condutores entre si e com respeito a


terra, ou a uma certa massa metálica;
 Modificam, em grande proporção, o valor do campo elétrico que os
atravessam.

A condutividade é o inverso da resistividade, ou seja, 1/ρ. nestas condições a


resistividade de um dielétrico ideal tenderia para o inferno 1/ρ →∞.

P=ωCV2tgδ watts. (Eq.4.1)

A expressão acima permite calcular a quantidade de energia na unidade de


tempo dissipada pelo dielétrico sob a forma de calor. A tgδ é denominada
tangente ou ângulo de perdas do dielétrico e é uma característica muito
importante dos materiais isolantes. De acordo com a fórmula deduzida acima
verificamos que as perdas são diretamente proporcionais a freqüência ƒ(ω=2πƒ);
aliás,como regra geral podemos afirmar que as perdas maiores ocorrem em
altas freqüências, tornando-se assim tarefa das mais difíceis a seleção de
materiais isolantes para aplicações em altas freqüências.
Em engenharia de alta freqüência, ao invés de se utilizar tgδ é usada à recíproca
de tgδ, chamada de fator de qualidade.
Observamos ainda que a capacitância sendo proporcional a constante dielétrica
κ, vê-se que se poderá reduzir as perdas atuando sobre κ e δ, para uma tensão
e freqüência dadas. Daí resulta a escolha de isolantes com constante dielétrica
baixa e sobretudo um ângulo de perdas pequeno. Aliás, este último é tão mais
importante quando a tensão e a freqüência são elevadas.

Polarização: vejamos como se comporta um dielétrico quando posto entre duas


placas. Podemos classificar as duas moléculas de um dielétrico em polares e
não polares. Molécula não polar é aquela em que, normalmente, os centro de
cargas dos prótons e elétrons coincidem; molécula polar é aquela em que isso
não se verifica. Sob a influencia de um campo elétrico, as cargas de uma
molécula não polarizada se deslocam e diz-se então que a molécula se acha
polarizada pelo campo e dá-se-lhe o nome de dipolo induzido, de momento igual
ao produto da carga pela distancia entre as mesmas.
A condutividade dos dielétricos gasosos apresenta praticamente um mesmo
comportamento. O ar é o mais universal dos gases dielétricos e pode ser usado
como exemplo para estudo da condutividade nos gases dielétricos. O ar, como
é sabido, é primariamente uma mistura de oxigênio e nitrogênio em estado
molecular.

A suscetibilidade elétrica é definida por:

Revisão de Materiais Elétricos


31
Equipamentos Elétricos

σi
η= é expressa no SI por coulomb2/Newton.m2. (Eq. 4.2)
E

4.1 - Condutividade dos dielétricos líquidos


O comportamento condutor de líquidos dielétricos é função dos seguintes
fatores:

 Viscosidade;
 Estado de polarização molecular;
 Temperatura;
 Tensão aplicada;
 Grau de impureza.

Líquidos polares, nos quais a condução depende da desassociação das


moléculas, apresentam condutividade mais elevada do que os líquidos não
polares. Nestes últimos, a condutividade depende do comportamento das
impurezas, sempre presentes em grau maior ou menor.

4.2 - Condutividade nos dielétricos sólidos


O comportamento da condutividade nos dielétricos sólidos varia amplamente,
levando-se em conta a grande variedade de tipos existentes. É importante ter
em mente a influencia das impurezas e das imperfeições estruturais que afetam
a condutividade dos materiais dielétricos sólidos. Influem também as condições
térmicas a que esta submetido o material, bem como a natureza do campo
elétrico aplicado.

4.3 - Rigidez dielétrica dos gases


O dielétrico quando solicitado por valores acima da rigidez dielétrica pode perder
irreversivelmente as características de isolante.

O comportamento disruptivo dos gases pode ser adequadamente explicado pelo


mecanismo de colisões iônicas, consideradas como primeiro estágio de sua
disrupção.

Fenômenos elétricos: a carga elétrica é frequentemente precedida de diferentes


fenômenos que dependem da forma dos eletrodos. Imaginemos uma ponta e
uma placa como eletrodos e consideremos o aumento progressivo da tensão
elétrica. Observamos o seguinte:

Revisão de Materiais Elétricos


32
Equipamentos Elétricos

1. Descarga escura – ocorre devido à ionização do gás sob a ação do


campo elétrico. Os elétrons que escapam do núcleo dirigem-se para o
anodo, e os íons positivos dirigem-se para o catado.
2. Descarga luminescente – quando a tensão aumenta mais, um novo
fenômeno se manifesta. Começa a surgir um penacho luminoso na
ponta; o penacho luminoso aumenta e torna-se um eflúvio que se liga
à placa condutora.
3. Descarga disruptiva – quando o valor da tensão atinge a tensão
disruptiva, uma chispa (ou arco) aparece ligando os dois elétrons.
Vejamos agora os fatores que impõem uma variação na rigidez
dielétrica dos gases dielétricos:

Natureza do gás – a rigidez dielétrica da maioria dos gases conhecidos


(O2, N2, H2, CO2 etc) é vizinha a do ar (no entorno de 31 a 32 KV/cm). É
menor para os gases raros (hélio, argônio, xenônio etc) e vapores
metálicos.

Distância entre eletrodos – a tensão disruptiva U não é proporcional a


distancia entre os eletrodos. A rigidez dielétrica não é uma grandeza
característica do gás. A rigidez diminui quando à distância entre os
eletrodos aumenta e inversamente ocorre quando à distância entre os
elementos diminui.
Estudos realizados sobre a rigidez dielétrica dos gases sob simultâneas
condições de influencia da pressão p e da distancia h entre os eletrodos,
conduziram ao estabelecimento de uma dependência ou função da
tensão disruptiva sobre o produto de p e h, e não de suas grandezas
isoladamente. Essa dependência é conhecida como lei de PASCHEN.

4.4 - Rigidez dielétrica dos líquidos


Não há ocorrência de fenômenos dielétricos particulares. Quando a tensão
atinge o valor disruptivo, uma descarga se reproduz sob a forma de arco. Há
uma perfuração do isolante liquido que retoma suas qualidades isolantes após a
passagem do arco.

A temperatura e a pressão praticamente não têm influencia, entretanto a


presença de impurezas e a umidade no liquido afetam a sua rigidez dielétrica,
reduzindo-a de valor. A disrupção dos líquidos depende fortemente do seu
estado de pureza.

Podemos classificar os líquidos sob três categorias de pureza:

1. Dielétricos líquidos contaminados – contem água emulsificada e


partículas e partículas sólidas;

Revisão de Materiais Elétricos


33
Equipamentos Elétricos

2. Dielétricos tecnicamente puros – praticamente livres de água


emulsificada e impurezas mecânicas;

3. Dielétrico altamente purificado – completamente livres da


umidade, das partículas mecânicas e gases.

4.5 - Rigidez dielétrica dos sólidos

Vejamos agora os fatores que influenciam na variação da rigidez dielétrica dos


sólidos:
1. Espessura do isolante: a tensão disruptiva não é proporcional a
espessura do dielétrico. Ela cresce menos depressa que a espessura,
conforme se verifica nos dados abaixo: Também depreende –se dos
dados acima que a rigidez dielétrica de um isolante é maior para
espessuras pequenas. Lembremo-nos, outrossim, que a rigidez dielétrica
dos sólidos não é definida, a não ser que se precise a espessura
correspondente.

2. Freqüência: a rigidez dielétrica dos sólidos diminui quando a freqüência


aumenta.

3. Temperatura: a rigidez dielétrica dos sólidos também diminui quando a


temperatura se eleva.

4. Impurezas: a presença de impurezas, umidade, de ar incluso ou de


gases dentro dos isolantes sólidos, diminuem fortemente a rigidez
dielétrica.

5. Sentido da corrente: para certos isolantes a rigidez não é mesma em


todas as direções (anisotropia), de onde então a distinção entre rigidez
dielétrica transversal e longitudinal.

6. Tempo: este é um dos fatores mais importantes, merecendo maiores


comentários. A rigidez dielétrica dos sólidos é função da duração de
aplicação da tensão. A rigidez tende a diminuir quando a duração do
tempo aumenta. Por outro lado, a rigidez dielétrica de um isolante
decresce lentamente com o tempo, sob a ação de tensões elétricas
repetidas e da elevação de temperatura. É o fenômeno do
envelhecimento térmico, responsável pelo encurtamento da vida útil das
aparelhagens e equipamentos elétricos. Os isolantes sofrem uma
degradação lenta, de onde pode resultar uma deterioração para uma
tensão pouco superior a tensão normal.

Considerada a importância do envelhecimento térmico, podemos considerar


três tipos de disrupção para os sólidos dielétricos:

Revisão de Materiais Elétricos


34
Equipamentos Elétricos

Eletrotérmico
Eletrônico (intrínseco)
Eletroquímico

4.6-Classificação dos materiais isolantes segundo sua


estabilidade térmica

A estabilidade térmica do dielétrico diz do seu comportamento perante


temperaturas elevadas. Materiais de elevada estabilidade não alteram suas
características básicas, que, em sólidos são sobretudo mecânicas e, nos
líquidos, a viscosidade, alem das elétricas, que são fundamentais. Desta
forma, podem ser utilizados nestas temperaturas elevadas (denominadas
temperaturas limites de trabalho continuo), sem reduzir a segurança de
funcionamento dos equipamentos onde estão sendo empregados.

Classe Y – (antiga 0) – 90°C


Isolamento composto de materiais, como algodão, seda e papel sem
impregnação. Outros materiais ou combinações de materiais podem ser
incluídos nesta classe se a experiência ou ensaios aprovados mostrarem que
eles podem funcionar nas temperaturas da classe Y.

Classe A – 105°C
Isolamento composto de materiais ou associações de materiais, como
algodão, seda e papel adequadamente impregnados ou imersos em
dielétricos líquidos como o óleo. Outros materiais ou combinações de
materiais podem ser incluídos nesta classe se a experiência ou ensaios
aprovados mostrarem que eles podem funcionar nas temperaturas da classe
A.

Classe E – 120°C
Isolamento composto de materiais ou de associações de materiais que a
experiência ou ensaios aprovados mostrarem poder funcional nas
temperaturas da classe E (materiais possuindo estabilidade térmica
permitindo que sejam utilizados à temperatura de 15°C, mais alta que os
materiais da classe A).

Classe B – 130°C
Isolamento composto de materiais ou associações de materiais, como mica,
fibra de vidro, asbesto, com aglutinantes adequados. Outros materiais ou
associações de materiais, mão obrigatoriamente inorgânicos, podem ser
incluídos nesta classe, se a experiência ou ensaios aprovados mostrarem
que eles podem funcionar nas temperaturas da classe B.

Classe F – 155°C
Isolamento composto de materiais ou de associações de materiais, como
mica, fibra de vidro, asbesto, aglutinantes adequados, bem com outros

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35
Equipamentos Elétricos

materiais ou associações de materiais, não necessariamente inorgânico, que


a experiência ou ensaios aprovados mostrarem que eles podem.

4.7 - Estudo dos gases dielétricos

 Constante dielétrica

Tem um valor vizinho a unidade para todos os gases. Varia muito fracamente
com a pressão, contudo, pode-se admitir que ela é constante e igual a 1 para
todos os gases.

- Hélio: - 1,0000074
- Hidrogênio: - 1,00027
- Nitrogênio: - 1,00060
-Oxigênio: - 1,00055

 Resistividade

É bastante elevada para todos os gases. Ocorre uma pequena condutividade


provocada por agentes externos. As perdas por condutividade podem ser
praticamente consideradas como nulas se não ultrapassarem os valores da
rigidez dielétrica.

 Rigidez dielétrica

Já vimos que a rigidez dielétrica de um gás depende de vários fatores: natureza


do gás, forma e distancia entre eletrodos, pressão etc. No que concerne à
natureza do gás, podemos dividi-los em duas categorias principais:
Atômicos: gases raros.
Moleculares: O2, N2, H2, CO2, SP6, CCl4, CCl2F2.

Vamos agora estuda-lo de per si:

 Gases raros

A rigidez dielétrica destes gases é inferior a do ar (aproximadamente 1/5). Estes


gases não são usados como isolantes, ao contrário, como, por exemplo, o
argônio, é utilizado em processos industriais de soldagem devido a sua fraca
tensão disruptiva.

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36
Equipamentos Elétricos

 Ar

O ar é o mais importante dos dielétricos gasosos, por causa de sua universal


prevalência na vida terrestre. O ar é um material isolante altamente confiável,
desde que as voltagens que o submetam não sejam muito altas. As correntes de
fuga pelo ar são insignificantes, e são muito menores do que através dos
líquidos e sólidos sob as mesmas condições. O ângulo de perdas é
praticamente nulo.
A rigidez dielétrica do ar entre eletrodos planos, distantes entre si de 1cm, à
pressão atmosférica normal, é de 32 kv/cm; à pressão de 10 atmosferas a
rigidez aumenta para 226 kv/cm.

 Hidrogênio

O hidrogênio, também chamado de azoto, tem uma rigidez dielétrica vizinha do


ar nas condições normais de pressão, e um pouco inferior quando sob pressão
elevadas.

A sua grande vantagem sobre o ar é a sua inércia química, ou seja, o nitrogênio


é um gás quimicamente neutro, é incolor, inodoro, insípido e forma quatro
quintas partes do ar.

Aplicações: transformadores em atmosfera de nitrogênio (10 atmosferas


aproximadamente); pára-raios e cabo de alta tensão (15 a 14 atmosferas). A
rigidez dielétrica do hidrogênio é inferior a do ar, aproximadamente a metade.
Não desenvolve nenhuma ação química indesejável. É um gás bastante leve,
tendo uma capacidade calorífica e uma condutividade térmica elevadas. E,
portanto, um excelente agente de refrigeração.

 Gás carbônico

O gás carbônico, ou dióxido de carbono, tem também uma rigidez dielétrica


próxima a do ar, em todas as pressões. Vantagens sobre o ar: não alimenta a
combustão incomburente, produz entretanto, ozônio com o ar sob efeito dos
eflúvios.
Aplicações: cabos de alta tensão; empregado em misturas com ar sob altas
pressões.

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37
Equipamentos Elétricos

 Hexaflureto de enxofre

O hexaflureto de enxofre – SF6 é um gás que vem sendo usado largamente na


Eletrotécnica, como excelente meio extintor de arco nos disjuntores de alta
tensão.
As principais características do SF6 são as seguintes:
1. Trata-se de um gás pesado; e cinco vezes mais pesado do que o ar;
2. Não é tóxico, é inodoro e incolor;
3. Não é inflamável e apresenta uma boa estabilidade química;
4. Tem um extraordinário poder extintor de arco, estimado em duas vezes
superior a do ar;
5. Sua rigidez dielétrica é excelente, nas condições de pressão atmosférica
normal; é três vezes maior do que a do ar, ou seja, 90 kv/cm;
6. Não se liquefaz à temperatura ordinária, a não ser que seja submetido a
pressões elevadas, da ordem de 20 a 22 atmosferas;
7. Apresenta uma fraca condutibilidade sônica; a velocidade do som no SF6
é 1/3 da velocidade do som no ar;
8. A sua condutividade térmica é elevada, o que facilita os problemas de
dissipação do calor.
Aplicações: o SF6 é eficientemente utilizado como meio exterior de arco em
disjuntores modernos de alta tensão (230 kv). Tratando-se de um material
tecnologicamente novo, novas são também as técnicas de sua utilização, entre
elas destacamos as subestações blindadas de SF6, largamente utilizadas na
Europa, particularmente na França.

4.8 - Efeito corona


Já tivemos oportunidade de fazer uma ligeira abordagem deste fenômeno em
outro tópico deste curso.
O efeito corona pode ser compreendido como uma forma incompleta da
disrupção num gás. A descarga é incompleta.
Observa-se este fenômeno no escuro, observa-se, por exemplo, que o eletrodo
em forma de ponta (ou esférico, de diâmetro pequeno) se faz luminoso,
acompanhado de um ruído sibilante e desprendimento de ozônio. Aumentando-
se ainda mais e mais a tensão se produz um eflúvio, ou um penacho que se
forma a partir do eletrodo em forma de ponta (anodo) e alcança o catodo,
apresentado uma iluminação com um tom violeta.

4.9 - Isolantes líquidos

Os líquidos se comportam de três maneiras diferentes sob a ação de uma


corrente elétrica:

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38
Equipamentos Elétricos

 Líquidos bons condutores: são os que se deixam atravessar


facilmente pela corrente, sem composição. Exemplos: mercúrio,
metais fundidos.
 Eletrólitos: são os constituídos de sais fundidos, ou de ácidos, bases e
sais dissolvidos na água e alguns solventes como álcool, amoníaco
liquefeito etc. Eles são decompostos pela corrente elétrica e a
passagem da corrente é acompanhada de um deslocamento de
matéria (tem-se um deslocamento de íons positivos e negativos).
 Líquidos isolantes: são os que apresentam uma forte resistência à
passagem de corrente elétrica, como os isolantes sólidos. Exemplo: o
óleo mineral, o petróleo, a benzina e a maior parte dos líquidos puros.

4.9.1 - Óleos minerais

De acordo com os hidrocarbonetos que os constituem, os óleos podem ser


divididos em duas classes principais:

-Parafinicos
-Naftalinicos

Os parafinicos ou alifáticos pertencem à série do metano CH4 e são


caracterizados pela formula geral Cn H2n+2. São hidrocarbonetos saturados, de
cadeia reta ou ramificada. Os naftalinicos ou olefinos é caracterizados pela
formula Cn H2n, são também hidrocarbonetos saturados.
O petróleo atualmente usados para obtenção de óleo isolante é o de base
naftalínica porem, devido à crescente demanda do produto e escassez da
matéria prima, se tem desenvolvido estudos com o fim de aprimorar a tecnologia
de fabricação de óleo isolante de origem parafínica, visando obter produtos cujo
comportamento em operação seja satisfatório.

 Propriedades físicas

Cor.......................................................................................amarelo claro
Densidade............................................................................0.85 a 0.95 g/cm3
Viscosidade..........................................................................1.80 a 1.85 Engler
50°C
Temperatura de inflamação dos vapores do óleo (ponto
de inflamação).................................................................>145°C
Temperatura de combustão continua do óleo (ponto
de fogo)............................................................................>165°C
Calor específico.....................................................................0.4252
Condutividade térmica...........................................................0,39 Cal/cm/seg/°C
Coeficiente de dilatação térmica............................................0,00070°C-1

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39
Equipamentos Elétricos

 Propriedades elétricas

O óleo puro isenta de umidade é um excelente isolante, apresenta uma rigidez


dielétrica três vezes superior a do ar, mas a presença de impurezas, de
umidade, de produtos ácidos, reduzem-se consideravelmente.
-rigidez dielétrica...............................................................90 a 100kv/cm
-constante dielétrica.........................................................2 a 2,2
-resistividade....................................................................0,001
-ângulo de perdas............................................................0,001 (muito fraco
para óleos isentos de umidade)

 Propriedades químicas

O óleo absolve com muita facilidade a umidade do ar, o que diminui


consideravelmente a sua rigidez dielétrica e sua resistividade.
O óleo se oxida ao contacto com o ar e sob a ação da elevação da temperatura
este efeito se manifesta de forma mais intensa (nos transformadores onde o óleo
isolante é empregado ocorre temperaturas da ordem de 80 a 95°C). Com a
oxidação há a formação de produtos ácidos, chamados “lamas” ou “borras” que
se precipitam, resultando num aumento da viscosidade e do poder higroscópico
do óleo, bem como uma diminuição da sua resistividade.

As funções do óleo nos equipamentos elétricos são as seguintes:

 Transformadores de força

Sua função é isolamento e refriamento. Ele é um agente de refrigeração.

 Disjuntores

Alem da função de isolamento, existe a função de “agente regenerador do meio


dielétrico” quando da abertura dos contactos. Mas adiante falaremos com mais
detalhes sob esta importante função.
Durante a operação, o óleo “envelhece”, o que vale dizer: sofre consideráveis
mudanças nas suas propriedades químicas, físicas e elétricas, alternando-se a
sua estabilidade sob campos elétricos, sua capacidade de transferência de calor
e sua cor, tudo isso devido à oxidação, cujo mecanismo tentaremos explicar a
seguir.

 Analise de óleo isolante

Na maioria dos casos,os contaminantes de uma massa de óleo isolante não


estão dispersos nela uniformemente, daí a necessidade de efetuar a coleta da

Revisão de Materiais Elétricos


40
Equipamentos Elétricos

amostra para analise nos pontos em que haja maior possibilidade de localização
desses contaminantes. No caso do óleo isolante mineral, cuja densidade é
maior que 1, é mais provável que a água e outras impurezas se encontrem no
fundo do equipamento ou tambor que o contem. Para tanto, os equipamentos
transformadores/ disjuntores possuem na sua parte mais inferior, uma torneira
de drenagem.
Os frascos utilizados pra retirada das amostras devem ser transparentes, as
tampas devem permitir uma perfeita vedação e os frascos devem sofrer um
rigoroso processo de lavagem e secagem em estufa, para eliminação das
impurezas e umidade.
São os seguintes os ensaios realizados no óleo isolante para apoio à
manutenção:

 Rigidez dielétrica
 Água
 Acidez
 Tensão interfacial
 Cor
 Fator de potencia

 Rigidez dielétrica

É importante porque exprime a capacidade do óleo de suportar esforços


elétricos sem falhas.
É expressa pela tensão na qual ocorre descarga entre dois eletrodos dentro de
condições especificadas. A tensão disruptiva é uma indicação do teor de
contaminantes, tais como a águas, gases dissolvidos, fibras ou partículas
condutoras e deve ser testada constantemente.
Os resultados dos testes de rigidez dielétrica estão sempre ligados à presença
de água no óleo, principalmente se ele contiver impurezas sólidas
microscópicas, mesmo em pequenas quantidades. Se essas impurezas
existirem em óleo livre de umidade, a queda na rigidez será desprezível.

 Água

Embora seja formada em óleo mineral como sub produto da oxidação deste, a
maior parte de água existente no óleo é absolvida do ar.

 Acidez

O teste de acidez mede o teor de ácidos formados por oxidação, os quais são
diretamente responsáveis pela formação de borra. A acidez é expressa em mg
de KOH requeridos para neutralizar o acido contido em 1g do óleo. É um teste
muito importante porque é uma medida do envelhecimento do óleo. Um óleo
cujo o teste representa um valor ≥0,15 mg KOH/g já esta em acelerado processo
de deterioração.

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41
Equipamentos Elétricos

 Tensão interfacial

A tensão interfacial é definida como a força de atração entre as moléculas


diferentes de óleo isolante e água.
As partículas que formam a borra são polares, isto é atraem umas as outras. O
teste de tensão interfacial mede a concentração dessas moléculas polares em
suspensão e em solução no óleo, nos dando assim uma medida bem certa dos
componentes de borra de óleo, mesmo bastante antes dela precipitar. O teste
se baseia na tensão interfacial da água contra o óleo: a força de atração entre as
moléculas polares no óleo. Quanto mais moléculas polares existirem no óleo,
menor a tensão obtida, isto é, menor a força de atração entre as moléculas de
óleo e água.
A determinação da tensão interfacial é particularmente importante porque indica
a necessidade de regeneração do óleo quando ainda em tempo de execução
prática.

 Cor

A cor de óleo novo geralmente é aceita como a indicação de seu grau de


refinamento. Mudança de cor de um óleo indica contaminação e/ou
deterioração. No entanto, certos vernizes usados por alguns fabricantes
escurecem o óleo sem altera-lo grandemente.

 Fator de potência

O fator de potência é outra propriedade elétrica importante do óleo isolante. É a


medida das perdas dielétricas no óleo, as quais são causadas na pratica pela
condutividade que é responsável pelo movimento das cargas na direção do
campo elétrico. Como conseqüência deste movimento, as cargas elétricas
transferem parte da energia acumulada no campo para as moléculas liquidas,
causando dissipação dessa energia sob forma de calor.
A determinação do fator de potencia dos óleos é uma indicação segura do grau
de deterioração e contaminação dos mesmos. O aumento do fator de potencia
sempre esta ligado à presença de substancias que causam altas condutividades,
principalmente se no estado coloidal, formando micro-emulsão.

 Tratamento de óleo isolante

Tratar um óleo significa separa-lo das impurezas que contem e cuja presença foi
indicada pela analise físico-química. O tratamento do óleo apresenta dupla
vantagem de, por um lado separa-lo das suas impurezas e por outro lado purgar
o equipamento de contaminantes que não seriam removidos pela troca de óleo.
De acordo com os tipos de contaminantes que o óleo apresenta, distinguimos
duas técnicas de tratamento: físico e físico-químico.

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42
Equipamentos Elétricos

 Recondicionamento

É tratamento físico para remoção de água e partículas sólidas, por meios


mecânicos.

 Regeneração

É o tratamento físico-químico visando a remoção de contaminantes ácidos e


coloidais, por meios físico-químicos e químicos.
Recondicionamento – os meios mecânicos usados no recondicionamento de
óleo isolantes são:
- filtro de vários tios;
- centrifugas;
- desidratadores a vácuo.
Regeneração – a regeneração por processo físico-químico se fundamenta na
capacidade de adsorção que diversos materiais possuem por natureza ou
adquirem através de tratamento especifico. A regeneração por processo
químico se baseia na eliminação das impurezas por reação com certas
substancias químicas.
Absorção é a propriedade que um sólido possue de reter em superfície uma fina
camada de gases, líquidos, vapores, solutos e colóides com os quais entra em
contacto.
A regeneração por absorção pode ser feita por dois métodos:

 Percolação: o óleo é filtrado através do absolvente pela ação da


gravidade ou por pressão.
 Contacto: o óleo é misturado, sob agitação, com o absolvente; este
absolve as impurezas ate se estabelecer o equilíbrio entre o material
absorvível restante no óleo e o retido pelo absorvente.

As substancias utilizadas geralmente como neutralizadores da acidez na


regeneração química são:

-Meta-silicato de sódio (Na2Sio35H2O)


-Fosfato tri-sódico (Na3PO412H2O)

4.9.2 - Ascaréis

Ascarel é o nome genérico dado para os líquidos isolantes clorados, não


inflamáveis, destinados a substituir o óleo mineral em suas diversas aplicações.
Quimicamente, os ascaréis se compõem de difenis (C12 H10), onde pelo menos
a metade dos átomos de hidrogênio foi substituída por átomos de cloro.

 Propriedade físicas – trata-se de um liquido de cor amarelo-claro ou


incolor, com densidade absoluta de 1,3 a 1,5 g/cm3 (superior a do óleo
mineral que é de 0,85 a 0,95 g/cm3 e mais denso que a água). Sue calor

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Equipamentos Elétricos

especifico é de 0,25 a 0,30 (óleo mineral é de 0,4 a 0,5) e o coeficiente


de dilatação térmica é vizinho a do mineral. A sua viscosidade é da
ordem de 1,5 graus Engler.

 Propriedades químicas – apresenta uma elevada estabilidade contra


agentes externos. Resistem a temperaturas elevadas sem alterar suas
propriedades. Não apresentam perigo de inflamabilidade que
encontramos no óleo mineral. Devido a sua grande estabilidade, torna-
se desnecessário sua analise quanto ao numero de acidez e as
conseqüências de envelhecimento.
O ascarel pode irritar a pela das pessoas que com ele lidam,
recomendando-se neste caso aplicar parafina nas regiões afetadas.

 Propriedades elétricas – o ascarel é um excelente isolante; sua rigidez


dielétrica é superior a do óleo mineral, ou seja, 200kv/cm
aproximadamente.
Sua constante dielétrica varia de 4,5 a 5,5; as perdas dielétricas do
ascarel são fraca, superiores a do óleo (tgδ=0,015) e sua resistividade é
1012Ωcm.

O ascarel pode substituir o óleo mineral nos transformadores,


condensadores, cabos de alta tensão etc.

Entre outras aplicações do ascarel, podemos citar as seguintes: como


impregnante de cabo isolados com papel; como liquido de aquecimentos
(250°C); como fluido de transição hidráulico. Na produção do cloreto de
polivil (PVC) é usado como plastificante e para melhorar as qualidades de
isolamento e da resistência a abrasão.

É aconselhável o uso de luvas protetoras para o trabalho normal. Se


acidentalmente for borrifado na pele, não ocorrerá seria irritação, ainda
que o ascarel tenha uma ação solvente sobre as gorduras e óleos de pele.
Um contacto prolongado poderá resultar em secagem e descascamento
da pele. Lavar a pele com sabão e água quente é a providencia
recomendada.

4.10 - Estudos das resinas

As resinas são substâncias poliméricas. Podemos afirmar ainda que são


substâncias orgânicas que existem no estado amorfo ou em alguns casos no
estado liquido.
As resinas podem ser de origem natural ou artificial e suas propriedades variam
muito.
Existem dois tipos de re resinas: resinas termoplásticas, termoestáveis ou
termofixas.

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Equipamentos Elétricos

As resinas termoplásticas readquirem seu estado de plasticidade e fluidez


quando colocadas sob idênticas condições em que se deu a primeira fusão. Tal
fato ocorre devido às mudanças estruturais que ocorreram quando da primeira
solidificação.
As resinas de origem natural são obtidas a partir de grandes quantidades de
matérias primas naturais. As principais são as seguintes: goma-lacca, copal,
âmbar e o látex.
As resinas artificiais são obtidas a partir de grandes quantidades de matérias
primas abundantes e baratas (óleo cru, gás natural, carvão etc) e possuem
valiosas propriedades para aplicações na engenharia elétrica. São utilizadas em
preparação de vernizes, massas “compound”, fibras, filmes e são insumos
básicos para a fabricação dos plásticos.
Entre as principais resinas sintéticas utilizadas alinhamos as seguintes: fenolinas
(baquelite), poliéster, epoxy, polietileno, poliestireno, polivinil (PVC),
polimetacrilato de metil (plexiglass), poliamido (nylon) e politetrafluoretileno
(teflon) etc.

 Resinas naturais

Goma-lacca – é um produto de transformação. É o excremento de um inseto,


chamado cientificamente de “loccus-lacca”, que em numero elevadíssimo
aderem às arvores. Os insetos expelem uma substancia liquida resinosa que
cobre as arvores e ao solidificar-se dá a composição da goma-lacca natural. As
suas principais características são as seguintes:
 Constante dielétrica – 3,5
 Rigidez dielétrica – 300kv/cm
 Ângulo de perdas – 0,01

 Copal

As resinas do tipo copais provem da exsudação da varias espécies de árvores


(exsudação é emitir, exalar sob forma de gotas ou suor). As resinas tipo copal
comercial são quase exclusivamente fossilizadas, recolhidas em terreno
arenosos, pantanosos ou em leito de rios. As principais fontes estão na África e
sudeste da Ásia. Estas resinas se apresentam sob a forma de blocos mais ou
menos compactos, cujo tamanho varia entre o de uma noz ao de um ovo
grande, segundo ponto de origem e segundo sua classe. Às vezes se
encontram pedaços de 20 kg.

 Âmbar

É uma resina fóssil, originada de gigantescas coníferas que floresceram no


TERCIÁRIO, há cerca de 60 milhões de anos. Seu estudo fornece preciosas
informações sobre os insetos e plantas fossilizadas em seu interior. É

Revisão de Materiais Elétricos


45
Equipamentos Elétricos

encontrada na forma de módulos irregulares, de cor amarela parda, às vezes


muito turva em virtude da inclusão de grande numero de bolhas de ar. Atritadas
contra certos tecidos adquire uma carga elétrica, sendo atribuída a esse fato a
origem do nome eletricidade (âmbar em grego significa ELECTRON).
Quimicamente, é uma mistura de resinas e substancias betuminosas, de formula
C10H16O.
Funde, produzindo fumaça branca, entre 280 e 290°C; sua densidade é inferior a
da água. É extraído por mineração, escavação ou dragagem. Suas
características elétricas são as seguintes:
 Resistividade - 1019Ωcm
 Ângulo de perdas – 0,001 (50 c/s)
 Baixa higroscopicidade.
É utilizado no isolamento de certos instrumentos elétricos de medida.

 Resinas artificiais

Baquelite – é um produto de policondensação, é formado a partir do formaldeido


(CH2O) e o fenol (C6H5OH).
Principais características da baquelite:
 Resina termoestável.
 Resistividade ....................................................................1019 a 1014
ohm.cm
 Ângulo de perdas.........................................................................5 a 30 x
10-3
 Rigidez dielétrica...................................................50 a 400 kv/cm (e=0,3
cm)
 Densidade..........................................................................................1,4 a
1,8
 Temperatura máxima em regime continuo de trabalho..............100° a
170°C

 Polivinil (PVC)

O cloreto de polivinil é um produto sólido resultante da polimerização do cloreto


de vinil gasoso, cuja a molécula tem o seguinte aspecto:
H2C=CH-Cl

Esta resina, sob a forma de plástico é largamente usada como material isolante
em isolamento de fios para instalações elétricas domiciliares e industriais, fios
telefônicos, cabos elétricas de baixa tensão (600volts). Suas principais
propriedades são:

 Densidade .....................................................................................1,25 a
1,45
 Resistividade.....................................................................1012 a 1016
ohm.cm

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Equipamentos Elétricos

 Constante dielétrica.................................................................................5 a
6
 Rigidez dielétrica..................................................300 a 400kv/cm (e=0,3
cm)
 Temperatura máxima em regime continuo de trabalho .................55° a
70°C
 Resina termoestável.

 Epoxy

São comercialmente conhecidas por ARALDITE. São empregadas em grande


escala para os mais diferentes fins, sobretudo porque se apresentam sob
diversas formas, tais como: colagem, de unificação, fundentes ou como massas
plásticas.
Possue excelentes propriedades dielétricas, grande resistência mecânica,
insensibilidade aos agentes químicos e atmosféricos, grande estabilidade
térmica, ausência de envelhecimento, grande poder adesivo sobre os metais,
vidros e porcelana.
Suas principais propriedades são as seguintes:

 Densidade.........................................................................................1,1 a
1,3
 Resistividade....................................................................1016 a 1017
ohm.cm
 Constante dielétrica.............................................................................4 a
5,5
 Ângulo de perdas........................................................................5 a 50 x
10-3
 Rigidez dielétrica...........................................................700kv/cm (e=0,3
cm)
 Temperatura máxima em regime continuo de trabalho.............110° a
120°C

4.11 - Teflon (PTFE)

Excelente isolante, um dos melhores conhecidos, resistente ao calor e ao frio (-


100° a 300°C), incombustível, resistente a maior parte dos agentes químicos
(ácidos concentrados, bases, solventes). É resistente ao choque, não absolve
umidade e apresenta capacidade calorífica especifica elevada. Por outro lado,
apresenta o inconveniente de oferecer dificuldades para moldagem e curso
elevado, limitando o seu emprego aos casos onde existem condições severas de
temperatura.
Propriedades principais do teflon:

 Densidade.........................................................................................2 a 2,3

Revisão de Materiais Elétricos


47
Equipamentos Elétricos

 Resistividade.....................................................................................1019
ohm.cm
 Constante
dielétrica............................................................................................2
 Ângulo de perdas.......................................................................... 1 a 3 x
10-4
 Rigidez dielétrica.........................................................................180 kv/cm
(e=0,3 cm)
 Temperatura máxima em regime continuo de
trabalho........................250°C

4.12- Polietileno – o polietileno tem boas propriedades mecânicas e


higroscopicidade negligenciavél, resistente a ácidos e sílcalis. É usado
largamente para fabricação de variados artigos domésticos, sob a forma de
plásticos. Cerca de um milhão de toneladas de polietileno é produzido no
mundo atualmente, o que torna-o um dos polímeros mais industrializados e
produzidos em massa.

Ocupa importante lugar entre os isolantes elétricos, possuindo boas


propriedades dielétricas:

 Resistividade......................................................................................1016
ohm.cm
 Ângulo de perdas............................................................................2 a 5
x10-4
 Rigidez dielétrica......................................................................400-500
V/mil
 Constante dielétrica.................................................................................2 a
4

4.13 - Massas “Compound”

São utilizadas para impregnação e como material de enchimento em


equipamentos elétricos. As massas compound diferem dos vernizes de
impregnação porque não utilizam solventes, liquefazendo-se seus componentes
pela simples ação térmica.
Para ainda melhor distingui-las dos vernizes, as massas compound não podem
formar filmes (tempo de secagem muito longo e alem do mais quando em
pequenas espessuras se tornam quebradiças).
A origem do nome compound procede do fato de ser um produto resultante da
composição de materiais diversos. Quanto a sua aplicação, classificam-se em
dois tipos:
1. De impregnação: deve possuir elevado poder de penetração em
pequenos interstícios, ou seja, em vários interfibrosos do material a ser
isolado;

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48
Equipamentos Elétricos

2. de enchimento de espaços maiores: tais como vazios dentro das


maquinas, entre paredes separadas de condutores, caixas de junção e
muflas.

4.14 - Vernizes

Vernizes de impregnação: destinam-se a preencher vazios, seja no interior de


um isolamento, seja entre fibras de materiais isolantes fibrosos ou porosos, em
pregados como dielétricos. A importância deste tipo de verniz é muito grande,
pois basta atentar para o grande numero de isolantes fibrosos e porosos
utilizados em eletrotécnica, tais como papeis, papelões, madeira, tecido etc...

Vernizes de cobertura: são numerosas as aplicações eletrotécnicas em que


materiais, sobretudo condutores, devem ser providos de um dielétrico de
cobertura, destinado a efetuar, alem da proteção dielétrica, a mecânica. Tais
vernizes devem por isso possuir uma boa resistência mecânica superficial, e
externamente se apresentar liso e com boa aparência.

Vernizes de colagem: por fim, temos os vernizes de colagem, cuja função é,


sobretudo a de unir dielétricos de pequenas dimensões, tais como plaquetas de
micas (para fabricação de mica-folium, micanites etc) ou metais colados sobre
isolantes (como, por exemplo, fenolites e cobre). Os vernizes de colagem alem
do elevado poder de colagem que devem apresentar, necessitam ter boas
características isolantes e pequena higroscopia.

4.15 - Estudo do papel

O papel é um produto constituído de fibras curtas, emaranhadas e aglutinadas.


Sua composição básica é a celulose. O papel é muito higroscópio. Em
condições normais contem de 5 a 10% de água. Por essa razão, para
aplicações eletrotécnicas, deve passar por secagem em estufa e ser impregnado
por vernizes, óleos isolantes ou resinas.

Papel Kraft: é o mais utilizado como papel isolante. Tem a cor queimada e pode
ser impregnado facilmente. É obtido a partir da polpa da madeira por tratamento
com sulfato de sódio. É bem econômico e convenientemente tratado apresenta
boas propriedades mecânicas e elétricas.

Papel de manilha: é obtido a partir da fibra do cânhamo de manilha. É um papel


fino, muito branco e de grande resistência mecânica, apesar de sua leveza.

Papel japon: é fabricado a partir da polpa de amoreira tem pequena espessura


(0,025mm) e apresenta cor branca, aspecto sedoso e grande resistência
mecânica. Emprega-se como material básico para fabricação do Micafolium.

Revisão de Materiais Elétricos


49
Equipamentos Elétricos

Papel chiffon: obtido a partir de fibra de algodão ou linho. As principais


características do papel em eletrotécnica são as seguintes:
 isolamento de cabo de energia ;
 isolamento das bolinhas de transformadores;
 isolamento de cabos telefônicos;
 em capacitores
 como isolante e aplicado por colagem entre as chapas dos circuitos
magnéticos:
 cilindros isolantes ou suportes de bobinas etc.

4.16 - Estudo do papelão

Presspan – fabricado com fibras de madeira e se apresenta sob forma de folhas


com espessuras compreendidas entre 0,1 e 5mm. É um material muito
empregado para baixa tensão, isolamento de peças de pequenos acessórios
como interruptores e comutadores etc.
Também se emprega nas maquinas elétricas giratórias para isolamento das
ranhuras e nos transformadores como separadores.

4.17 - Estudo da mica

Se da o nome genérico de mica a um produto a base de silicato de alumínio


hidratados de metais alcalinos. A sua característica comum é que podem
esfoliar-se em laminas flexíveis, resistentes e extremamente delgadas (no
comercio estas laminas encontram entre 0,015 a 0,033mm).

4.18 - Estudo da porcelana

Produto cerâmico é o nome dado a todos os inorgânicos que são cozidos em


fornos de alta temperatura e nos quais as qualidades iniciais do material se
alteram.
A porcelana apresenta rigidez dielétrica e resistência mecânica elevada, alem de
uma excelente estabilidade térmica. O principal componentes do produtos
cerâmicos, inclusive a porcelana, é a Argila, que são silicatos alumínicos. A este
componente fundamental associam outros constituintes secundários os quais
cabe citar o quartzo e o feldspato.

4.19 - Estudo do vidro

O vidro é um material termoplástico, inorgânico, contendo complexos sistemas


de óxidos. O material básico para fabricação do vidro comercial é a sílica SiO2
(quartzo).

Revisão de Materiais Elétricos


50
Equipamentos Elétricos

O vidro puro de quartzo é transparente; quando livre de inclusão de ar possue


características elétricas e mecânicas extremamente elevadas, tais como as
seguintes:
 ângulo de perdas muito pequeno, da ordem de 0,0003 com freqüência de
1Mc/s;
 resistividade volumétrica a 200°C da ordem de 1016 a 1017 ohm.cm;
 não é higroscópico e apresenta um muito alta resistência química;
 baixo coeficiente de dilatação linear 5,5x10-7°C-1;
 não esta sujeito ao envelhecimento térmico.

A fibra de vidro, também conhecida como “fiber-glass” é um produto resultante


do esticamento do vidro fundido em fios muito finos.
As características elétricas, mecânicas e térmicas, são resultantes dos materiais
empregados tendo a fibra de vidro uma influencia maior ou menor conforme a
solicitação. A fibra de vidro exerce principalmente uma função mecânica, se
bem que as suas características elétricas e térmicas são igualmente boas, não
prejudicando as qualidades finais do composto. A matéria prima utilizada como
unificadora das fibras é via de regra uma resina impregnante, geralmente são
fenóis, silicones, epoxes, poliésteres, gliptal etc.

5. Materiais magnéticos
O magnetismo ou força magnética é fundamental na geração e
aproveitamento da corrente elétrica. Qualquer tipo de sistema, ou equipamento
elétrico-eletrônico, conterá em seus circuitos efeitos magnéticos ou
componentes magnéticos. Desta forma, a existência de equipamentos como
motores, geradores, instrumentos elétricos, medidores, componentes
magnéticos etc. seria impossível se os fenômenos magnéticos não fossem
compreendidos e dominados.
Os materiais magnéticos e ferromagnéticos substancias que são atraídas
por forças magnéticas, tem sua importância no fato de que podem permitir o
estabelecimento de fenômenos magnéticos em uma área de interesse
estritamente necessária, devido a sua característica de concentrador de linhas
de força magnética.

 Permeabilidade relativa

A permeabilidade dos corpos, ou seja, a maior ou menor facilidade com que


se deixam atravessar pelo fluxo magnético, é expressa em função da
permeabilidade no vácuo, µ0, com a introdução do conceito de permeabilidade
relativa.

Revisão de Materiais Elétricos


51
Equipamentos Elétricos

µ=µ0⋅µr (Eq. 5.1)

Onde, µ−permeabilidade absoluta do material;


µ0−permeabilidade no vácuo, considerada de referência e igual a 4π⋅10-7
H/m = 1,257⋅10-6 H/m (SI)

µ0 = 4π⋅10-7 Vs/m2 por A/m

µr − permeabilidade relativa do material


Assim, µr = µ/µ0 (adimensional)
A permeabilidade de um material magnético é obtida de:
Onde, M é a densidade do fluxo ou polarização magnética originada pelos
dipolos magnéticos da estrutura e H e intensidade do campo magnético no seu
âmbito.
Normalmente, para efeitos práticos, a permeabilidade no ar é tomada igual
à do vácuo, ou seja,
µar = µ0

5.1 - Classificação dos materiais quanto à permeabilidade

 Materiais indiferentes

É o material que não exerce ação alguma sobre as linhas de força que
intercepta. Exemplo: cobre, madeira, plásticos, ar etc. Sua permeabilidade
considerada referencia é igual a µ0, µr = 1.

 Materiais diamagnéticos

Esses materiais afastam ligeiramente as linhas de força magnéticas que o


interceptam. Exemplo:
Ouro...........................................µ = 1r − 35⋅10-6
Mercúrio.....................................µr = 1 – 12⋅10-6
Prata............................................µr = 1 − 20⋅10-6 µr< 1, µ< µ0
Água...........................................µr = 1 − 175⋅10-6
Zinco...........................................πr = 1 − 10⋅10-6
Bismuto.......................................µr = 0,999998600

Permeabilidade ligeiramente menor que µ0.


Observação: o bismuto tem sua resistência elétrica alterada quando
atravessado pelo fluxo magnético, sendo, por essa razão, aproveitado nos
instrumentos de medição do campo magnético.

Revisão de Materiais Elétricos


52
Equipamentos Elétricos

 Materiais paramagnéticos

Esses materiais tendem a concentrar ligeiramente as linhas de força de um


campo magnético. Exemplo:
Alumínio.....................................µr = 1 + 22⋅10-6
Paladium.....................................µr = 1 + 690⋅10-6
Platina.........................................µr = 1 + 330⋅10-6
Oxigênio.....................................µr = 1 + 1,5⋅10-6
Berílio........................................µr = 1,000000079

Esses materiais tornaram-se ferromagnéticos em temperaturas acima do


ponto Curie.

 Materiais ferromagnéticos

Os materiais ferromagnéticos têm grande importância tecnológica na construção


de dispositivos eletrônicos e núcleos de máquinas elétricas. O ferro, níquel e
cobalto são elementos ferromagnéticos. Materiais cuja composição química
contêm estes elementos e, que sejam submetidos a adequados tratamentos
termodinâmicos para definir uma estrutura atômica, podem resultar em materiais
com excelentes propriedades mecânicas, elétricas e, principalmente,
magnéticas.
Uma característica importante dos materiais ferromagnéticos é a capacidade de
alinhamento dos momentos de cada átomo em uma mesma direção, produzindo
desta forma, uma magnetização espontânea (figura abaixo).

Fig. 5.1

Materiais ferromagnéticos, que necessitam de campos externos elevados (maior


energia) para mudar a orientação dos momentos magnéticos, são utilizados para
produzir ímãs permanentes. Neste caso, a diferença de B e M, não é mais
desprezível.

Revisão de Materiais Elétricos


53
Equipamentos Elétricos

Características físicas dos principais elementos ferromagnéticos (a 20oC).

Indução de
Elemento Densidade [kg/m3] TC [oC]
saturação[T]
Fe 7,85 . 10-3 2,16 770
-3
Co 8.89 . 10 1,79 1131
-3
Ni 8,91 . 10 0,61 358
(Tab. 5.1)

5.2 - Anisotropias

Os materiais ferromagnéticos não apresentam as mesmas propriedades


magnéticas em todas as direções. Como o fenômeno de magnetização tem
origem na estrutura eletrônica dos materiais, ocorrem interações com a estrutura
cristalina do material. Estas anisotropias conferem ao material diferentes
energias de magnetização para cada direção. Existem três tipos de anisotropias
que afetam a quantidade de energia necessária para magnetizar o material.
A anisotropia de forma que afeta a energia necessária para vencer a
relutância da geometria da amostra ou das partículas que a compõem. O eixo de
menor relutância (normalmente o mais longo) necessita de menos energia para
magnetizar. O formato esférico, por exemplo, não possui anisotropia de forma.
A anisotropia magnetocristalina é resultado do efeito das direções
cristalográficas do material sobre a energia de magnetização. Nas estruturas
cristalinas, os átomos podem se solidificar em 14 arranjos bem definidos. A
estrutura típica para o ferro é cúbica. Por simetria, as direções <100 necessitam
de um mínimo de energia de magnetização.
A anisotropia magnetoelástica é decorrente das deformações da estrutura
cristalina provocadas pelas tensões mecânicas. Pode-se reduzir os efeitos
danosos desta anisotropia através de tratamentos térmicos, para aliviar as
tensões mecânicas, após o processo de estampagem.
Apesar dos diferentes mecanismos formadores de anisotropias, seus efeitos
são equivalentes sobre a energia necessária para magnetização. Pode-se
expressá-las numa somatória definindo uma anisotropia total.

5.3 - Domínios magnéticos

No interior de um material ferromagnético, os momentos de cada átomo


ordenam-se de tal forma a minimizar a energia total do sistema. Existem três
energias importantes neste ordenamento. A energia de troca entre os spins dos
átomos próximos ( que é mínima quando estão alinhados na mesma direção), a
energia magnetocristalina entre os momentos dos átomos e a rede cristalina
(que é mínima quando os momentos estão alinhados com os eixos de menor
energia de anisotropia), e a energia magnetostática do sistema (resultado da
Revisão de Materiais Elétricos
54
Equipamentos Elétricos

formação de pólos magnéticos). O mínimo de energia é obtido com o


aparecimento de sub-regiões denominadas domínios magnéticos. Existe uma
interface, que separa dois domínios adjacentes com sentidos opostos,
denominada de parede de domínio magnético. Uma representação simplificada
da estrutura de domínios de um material ferromagnético policristalino pode ser
vista na figura abaixo.

Fig. 5.2

5.4 - Ponto de Curie

É o ponto de temperatura máxima em que um material ferromagnético pode ser


aquecido sem se transformar em um material diamagnético.

5.5 - Eletroímãs

Os mesmos efeitos dos ímas permanentes podem ser obtidos com o efeito
magnetizante da corrente elétrica. Um condutor, percorrido por uma corrente,
cria em torno de si um campo magnético (com o sentido determinado pela regra
do saca-rolha ou da mão direita), tanto mais intenso quanto maior for a corrente
que o percorre. Os fluxos de dois condutores vizinhos, conduzindo no mesmo
sentido, se compõem envolvendo o conjunto, o que nos mostra que as linhas de
força magnética nunca se cruzam.
As linhas de força, oriundas da ação magnetizante da corrente, formam um
campo magnético orientado, semelhante ao dos ímas permanentes. O aumento
do numero de linhas de força será obtido aumentando-se a corrente que

Revisão de Materiais Elétricos


55
Equipamentos Elétricos

percorre a bobina, ou o numero de espiras por unidade de comprimento do


circuito magnético, ou o numero de ampères-espira (Ae).
O numero de ampères-espira de bobina, em conseqüência, constituirá a
causa da formação do fluxo, e este, o efeito: o valor do fluxo dependerá também
da relutância do circuito magnético.
Assim, simultaneamente ao estabelecido para o circuito elétrico, ter-se-á
em analogia, á Lei de Ohm:

Fmm
φ= (Eq. 5.2)
R

Onde, φ - fluxo (efeito)


Fmm – força magnetomotriz (causa)
R – relutância
A força magnetomotriz é fornecida pelo numero de ampères-espira NI,
onde I é a corrente que circula e N o número de espiras. O número de linhas de
força oriunda de uma F.m.m. unitária ( pólo unitário) deverá ser 4π, uma vez que
colocado o pólo no centro de uma esfera de raio unitário este deverá emitir uma
linha de força por unidade de área da esfera.
No sistema CGS, a corrente I é medida em ab-ampère = 10-1 ampères;
desta forma a Fmm será medida em gilbert no CGS e terá a expressão:

No SI a unidade de Fmm é o ampère.


Sendo,

No SI a unidade de fluxo é weber, que é igual a 108 Maxwell.

5.6 - Meios de propagação do fluxo magnético

1. Meio não-saturável - São os meios indiferentes, diamagnéticos e


paramagnéticos, onde a permeabilidade é aproximadamente constante e
de valor próximo a µ0.
2. Meio saturável - São os materiais magnéticos, onde a permeabilidade
magnética é muito maior que µ0.

5.7 - Curvas de saturação ou de indução ou de magnetização

A permeabilidade dos materiais magnéticos (alto µ) não é uma constante e


sim uma função de H; a expressão B = µH, em conseqüência, não pode ser
calculada e sim obtida, experimentalmente, através de curvas levantadas para
cada material.

Revisão de Materiais Elétricos


56
Equipamentos Elétricos

 Curvas B ⋅ H

Todo material ferromagnético, submetido a uma magnetização, tende a se


opor às variações de fluxo resultantes da excitação aplicada.
Conseqüentemente, dizemos que o material se opõe, a cada instante, tanto ao
crescimento do fluxo, quanto ao seu decréscimo.
Tal reação dá origem ao fenômeno conhecido como histerese magnética no
material, ou laço de histerese, tanto maior quanto mais forte for a oposição
apresentada pelo mesmo.
Quando submetemos um material ferromagnético a uma excitação
alternada H, a densidade de fluxo B apresenta-se segundo uma curva chamada
laço de histerese (ver figura abaixo).

Fig. 5.3

A histerese é uma forma de fricção magnética e, para um dado valor


Maximo de densidade de fluxo, produz uma perda de potência por unidade de
volume, que é proporcional à freqüência e à área definida pelo laço de histerese.

Na figura acima, vêem-se dois laços de histerese de um determinado


material submetido às excitações máximas H1 e H2. Para excitações máximas
superiores a ± H2, a densidade de fluxo B não mantém a mesma taxa de
variação anterior, isto é, teremos atingido a saturação magnética do material. A
inclinação da curva resultante da união dos bicos dos laços de histerese nos
informa sobre permeabilidade do material.

∆B
µ= (Eq. 5.3)
∆H

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57
Equipamentos Elétricos

Sendo acurva de indução BxH não-linear, concluímos que a permeabilidade


varia dinamicamente, apresentando maiores valores nas regiões afastadas dos
níveis de saturação.

As curvas BxH dos materiais magnéticos são indispensáveis nos cálculos e


projetos com esses componentes, sendo normalmente fornecidos pelos
fabricantes como parte de suas especificações.

5.8 - Liga de Ferro-níquel

As ligas de ferro-níquel são muito sensíveis ao tratamento pelo calor que


lhes aumenta a permeabilidade. Dentre elas, destacamos:

Permalloy-78: possui 78,5% de níquel


- alta permeabilidade; µmáx. = 100.000; µinicial = 9.000
- alta densidade de fluxo; Bmáx. = 10.700 Gauss
- campo magnético baixo
- baixa perda por histerese
A adição de 3,8% de molibdênio ou cromo a esta ferromagnética aumenta sua
resistividade de 16 para 55 e 65 µΩ⋅cm, respectivamente.

Permalloy-45: possui 45% de níquel


- Bmáx. = 16.000 Gauss
- permeabilidade inicial relativa = 2.500
- permeabilidade máxima = 25.000

Nicaloy
- composição = 47 a 50% de Ni ligado ao ferro
- alta densidade de fluxo = Bmáx. = 16.000
- alta permeabilidade: 40.000

Perminvar
- composição = diversas composições de níquel, ferro e cobalto

5.9 - Liga de Ferro-Silício

Pequenas quantidades de silício ligadas ao ferro produzem apreciáveis efeitos


nos aspectos de inibição do envelhecimento do ferro e aumento da resistividade
da liga. A presença do silício diminui a intensidade de saturação do ferro, mas,
em compensação, praticamente é anulada a fadiga magnética do material,
conseguindo-se conservar constantes a permeabilidade e a perda por histerese.
Sob o ponto de vista mecânico, observa-se que, acima de certo teores, o silício
torna a liga frágil e difícil de ser trabalhada.

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58
Equipamentos Elétricos

Emprego:

- em geradores de melhor qualidade;


- em transformadores de potência pequena e média;
- em relés, reatores, e em circuitos magnéticos de medidores elétricos.

5.10 - Imãs Permanentes

Os materiais para imãs permanentes devem ser capazes de manter um campo


magnético a despeito de fortes forças magnetizantes (ou desmagnetizantes)
externas. Devem portanto apresentar força coercitiva elevada.

 Força coercitiva

Ou coercividade é a força desmagnetizante capaz de reduzir a indução residual


a zero. É medida em oersted.

 Indução residual

Ou retentividade é a magnetização residual que permanece no material após a


redução da força desmagnetizante a zero.

5.11 - Perdas no cobre e no ferro

Quando uma bobina cujo núcleo é construído de material não magnético é


percorrida por uma corrente elétrica verificam-se perdas no condutor, de acordo
com a Lei de joule (pc = RI2), as quais tendem a aquecer o condutor.
Sendo o cobre o condutor mais utilizado nos aparelhos e maquinas
elétricas, essas perdas são geralmente designadas com o nome de perdas no
cobre.
Empregando-se para o núcleo da bobina considerada uma substância
ferromagnética, quando o condutor for percorrido por uma corrente continua de
intensidade constante, não há perdas adicionais a considerar; quando a corrente
é continua porem variável, além das perdas no cobre verificam-se também
perdas no núcleo magnético, que tende a aquecer-se.
Este efeito é ainda mais notável para as correntes alternativas, e tanto mais
pronunciado quanto mais alta for a freqüência destas.
Sendo os núcleos magnéticos constituídos de ligas cujo principal
constituinte é o ferro, tais perdas são designadas de modo geral sob o nome de
perdas no ferro. São observadas no próprio interior do material ferromagnético.
Dentre elas há a distinguir perdas conseqüentes à circulação de correntes
induzidas no interior da massa ferromagnética (perdas das correntes de
Foucault) e ainda outras conseqüentes ao fenômeno da histerese (*), que são as
perdas de histerese.

Revisão de Materiais Elétricos


59
Equipamentos Elétricos

Quando se trata de núcleos de grande espessura, intervem também o


efeito cortical (*) que tende a aumentar as perdas no ferro e no cobre.
As perdas, a considerar em uma bobina, podem ser esquematizadas do
seguinte modo:

Enrolamento – Perdas Joule (Perdas no cobre)

De material isolante não magnético – perdas de Foucault


Bobina Núcleo
De material condutor Perdas de
Foucault Perdas
Magnético no ferro
Perdas de
histerese

 Perdas de histerese alternativa

Sendo f o numero de ciclos por segundo, a potencia perdida em conseqüência


da histerese é proporcional a f x área do laço de histerese

Essa energia, que se transforma em calor no interior do material ferromagnético,


é a perda de histerese, Ph.

Para o volume V,

Ph = f V x (área do laço de histerese) (Eq. 5.4)

Em unidade do Sistema Internacional.

 Perda de histerese rotacional

Há a considerar neste estudo um tipo diferente de histerese, que é a rotacional,


observada no caso mais simples quando o valor da densidade de fluxo
permanece constante, porem a sua direção varia. Em conseqüência, observa-
se a perda de histerese rotacional, que é diferente da perda de histerese
alternativa.
Para as densidades de fluxo comumente adotadas nas maquinas elétricas, a
perda da histerese rotacional é varias vezes maior que a perda correspondente
a um campo alternativo equivalente; para densidades de fluxos muito elevadas
todavia, acima de 18 000 gauss, a perda rotacional decresce e tende para um
valor bastante reduzido.

Revisão de Materiais Elétricos


60
Equipamentos Elétricos

Nas maquinas elétricas rotatórias encontram-se frequentemente superpostos os


dois fenômenos, o alternativo e o rotacional; geralmente o primeiro é
predominante, e os erros cometidos admitindo-se as perdas de histerese
alternativa somente não são grandes.

 Perdas das correntes de Foucault

À circulação de corrente alternada em enrolamentos cujos núcleos são de


material metálico correspondem correntes circulares na própria massa metálica,
conseqüentes a força eletromotrizes induzidas nessa mesma massa.
A essas correntes correspondem perdas de acordo com a lei de joule. A fim de
reduzi-las, não se empregam núcleos maciços e sim laminados nos aparelhos
de corrente alternada.
As chapas laminadas são dispostas de modo a reduzir as forças eletromotrizes
induzidas e a intensidade das correntes.
Em um certo volume de material metálico situado em um campo magnético
alternativo e formado de chapas laminadas, tem-se que:

- a força eletromotriz induzida na chapa (de valor instantâneo e = , valor
dt
médio quadrático E) é proporcional à espessura d da chapa, ao valor máximo φm
do fluxo e à freqüência f;
- a perda por efeito Joule (I2R) nas chapas é proporcional ao quadrado da
espessura, ao quadrado da densidade máxima de fluxo e ao quadrado da
freqüência;
- a perda total é proporcional ao volume do conjunto de chapas, V.
Tem-se pois

Pf = k .d 2 . f 2 .Bm2 .V (Eq. 5.5)

o valor de K sendo determinável experimentalmente, dependendo


evidentemente da resistividade do material.
As considerações acima apresentadas aplicam-se a núcleos formados de
chapas delgadas e não a núcleos maciços, nos quais as correntes de Foucault
podem distorcer fortemente o fluxo magnético.

 Perda total no ferro

A sua expressão é:

Pf= Ph + Pf (Eq. 5.6)

Revisão de Materiais Elétricos


61
Equipamentos Elétricos

5.12 - Processos para redução de perdas

1. Pré-orientação dos domínios magnéticos: pré-imantação. Reduz Ph.


2. Corte a 45° processo de corte das chapas do núcleo. Reduz Ph.
3. Laminação do núcleo: aumenta ”R” e as perdas caem (P=v2/R). Reduz
Ph.
4. Colocação de 4% a 5% de si no processo de fabricação das lâminas:
aumenta a resistividade, aumenta “R” e as perdas caem (P=v2/R). Reduz
Pf.

Revisão de Materiais Elétricos


62
Equipamentos Elétricos

6 – Exercícios Resolvidos

01) Conceitue cada tipo de material por cada um dos três critérios?

Os materiais elétricos são classificados por 3 critérios fundamentais:


1. Quanto as Bandas de Energia.
2. Quanto a Resistividade.
3. Quanto ao fator “R”.

02) Qual o critério que você considera mais correto?

O critério das bandas de energia. Este critério diz que os elétrons situados
na ultima camada, denominados banda de valência, se receberem uma certa
quantidade de excitação, podem sair com maior ou menor facilidade,
dependendo da natureza do elemento considerado, e passar a uma nova banda
de energia denominada banda de condução.
O critério acima parece ser mais correto, tendo em vista que se detém em
classificar os materiais elétricos face à distribuição eletrônica de seus elétrons.

03) Explique como se forma a corrente elétrica em um condutor?

Um material condutor recebe um certo nível de excitação (ex. tensão), que


provoca o deslocamento de elétrons da banda de Valencia para abanda de
condução, daí os elétrons passam a migrar de um átomo para o outro do
material condutor, no mesmo sentido, originando a corrente elétrica.

04) Por que existe uma estrutura cristalina? O que significa Face
Centrada? Cúbico centrado?
As estruturas cristalinas existem devido aos sólidos serem líquidos de
viscosidade muito alta. As partículas constituintes dos sólidos ocupam rigorosas

Revisão de Materiais Elétricos


63
Equipamentos Elétricos

e regulares posições, bem definidas no espaço, porém vibram em torno desta


posição de equilíbrio.
Existem sete sistemas cristalinos, a maioria dos metais pertence ao sistema dito
cúbico.
A estrutura cúbica de corpo centrado possui um átomo bem no centro de
sua estrutura cristalina cúbica (ex. Ferro). A estrutura cúbica de face centrada
possui átomos bem no centro de cada uma de suas faces (ex. Cobre).

05) Qual a diferença de se colocar um material semicondutor aqui e em


Sobral? O que muda em um transformador? (pesquise as temperaturas
máximas de semicondutores para trabalho)

Quanto maior a temperatura, maior a amplitude de oscilação dos átomos.


Em Sobral é sabido ser mais quente do que em Recife. Sabendo também que
parte da energia das oscilações é transferência para os elétrons de Valencia dos
átomos, é fácil prever que alguns desses elétrons recebem energia suficiente
para saltar da banda de Valencia para a banda de condução. Quando isso
ocorre é criada uma lacuna no cristal semicondutor. A taxa de geração de
térmica que representa o numero de elétrons-lacunas criados no cristal é função
apenas da temperatura. Se a temperatura for muita elevada pode ocasionar
uma corrente de avalanche no material semicondutor resultando na sua reptura.
A elevação da temperatura da parte ativa de um trafo é diretamente
proporcional á superfície de contato entre esta e o meio ambiente, dependendo
ainda do material com que a parte ativa é construída e do elemento refrigerante.
Por isto em regiões de elevada temperatura cuidados especiais devem ser
adotados co vista a não serem ultrapassadas as temperaturas máximas de
funcionamento do trafo.

Revisão de Materiais Elétricos


64
Equipamentos Elétricos

06) Explique o que são as Perdas por Histerese?

É a energia gasta para alinhar os diversos dipolos dos elétrons, antes que o
material magnético passe a conduzir o fluxo magnético e a temperatura e a
transportar o fenômeno no meio magnético.

07) Explique como e por que ocorrem as Perdas por Correntes de


Foucault?

É a perda que acontece no núcleo do material magnético, resultante de um


campo magnético alternado.
É dada por P=R*I2 ou P=V2/R.

08) O que se pode fazer para reduzir as perdas das questões 02 e 03?

Pode-se fazer: pré-orientação dos domínios magnéticos, corte a 45°/


processo de corte das chapas do núcleo, laminação do núcleo, colocação de
silicone no processo de fabricação das laminas.

09) O que é magnetostricção? Que fenômeno produz em um trafo?

Na magnetostricção de cristais ferromagnéticos, podemos também


observar uma variação nas dimensões físicas do cristal, fenômeno este
chamado de magnetostricção. A grandeza dessa variação nas dimensões é
função do eixo cristalino sobre o qual incide o campo magnético. Se o campo for
aplicado na direção da aresta de um cubo representativo do cristal
ferromagnético, o cristal se alonga. Se o contrario, a magnetização for dirigida
no sentido de uma das diagonais do cristal cúbico, então o cristal se torna mais
curto.
Num transformador a magnetostricção provoca a vibração do núcleo e a de
uma onda sonora.

Revisão de Materiais Elétricos


65
Equipamentos Elétricos

10) O que é um imã permanente?

São imãs que apresentam elevado magnetismo residual, o que é típico de


materiais magnéticos ditos duros. O laço de histerese deve ser largo e bastante
alto. Devem manter por um tempo suficientemente longo o magnetismo residual
“Br”, sem altera-lo sensivelmente perante variações de temperatura e ação de
forças mecânicas.
Tais materiais são predominantemente aço-carbono de textura fina e ligas
sem carbono que sofrem tratamento térmico.

Revisão de Materiais Elétricos


66
Equipamentos Elétricos

7 – Anexo 1

MATERIAL CONDUTOR MATERIAL SEMICONDUTOR

Estrutura de covalência, com grande


Nuvem eletrônica permeando a estrutura estabilidade do sistema; cada átomo
cristalina do metal. (ligação metálica) compartilha seus elétrons da última
camada com os átomos mais próximos.

A ionização dos átomos é muito pequena


A ionização dos átomos é praticamente na temperatura ordinária, mas aumenta em
total a temperatura ordinária. proporções consideráveis quando a
temperatura cresce, produzindo uma
diminuição na resistência.

Existe uma superposição da banda de Existe uma banda proibida “gap”, da ordem
valência sobre a banda de condução. de 0,12 a 5,3 eV entre as bandas de
valência e condução.

A resistividade aumenta com a A resistividade diminui com a temperatura;


temperatura. o coeficiente de temperatura para a
O coeficiente de temperatura para resistência é NEGATIVO (em geral); a lei
resistência elétrica é POSITIVO e a lei de de variação da resistividade com a
variação da resistividade com a temperatura é exponencial (aplicação:
temperatura é linear. termistores)

A relação tensão / corrente é linear. A relação tensão / corrente não é linear;


para o caso dos varistores a expressão é
do tipo I = KV^α

Os portadores de carga são os elétrons. Os portadores de carga são elétrons e


(efeito Hall α = neµ) lacunas. (efeito Hall
α = e (neµe + npµp).

O comportamento condutor não é afetado O comportamento do condutor é afetado

Revisão de Materiais Elétricos


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Equipamentos Elétricos

pela incidência de radiações luminosas. pelas radiações luminosas (células


fotovoltaicas).

A introdução de impurezas aumenta a A introdução de impurezas (em pequenas


resistividade. Quantidades) diminui a resistividade.

Revisão de Materiais Elétricos


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