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Pierre Bourdieu: Os três estados do capital cultural

O capital cultural foi, primeiramente, utilizado como uma hipótese para explicar a desigualdade de
desempenho entre estudantes de classes sociais diferentes. Isso rompeu o paradigma de que o
desempenho e o sucesso escolar vinham apenas do esforço e do mérito individual.

Os economistas buscam relacionar as taxas de lucro do investimento em educação e do


investimento econômico. Contudo, só levam em conta os investimentos e ganhos que possam ser
convertidos, diretamente, em dinheiro (despesas e produtividade) e ignoram a contribuição que o
ensino traz para a estrutura social e, portanto, a transmissão familiar de capital cultural.

O capital cultural pode existir em três estados:

1. Estado Incorporado
Ao incorporar o capital cultural, ele passa de um “ter” para um “ser”, de uma propriedade para se
tornar parte do sujeito. Vale lembrar que essa passagem não é instantânea, ela custa tempo e deve
ser feita pessoalmente.
Por um lado, a acumulação de capital cultural objetivado depende do capital incorporado por
intermédio do efeito Arrow (bens culturais exercem um efeito educativo e contribuem para uma
“explosão” escolar, isto é, mais pessoas na escola. Acrescentando o fato de que o capital cultural
cresce constantemente, existem cada vez mais pessoas diplomadas e escolarizadas no mundo.).
Por outro lado, a acumulação inicial de capital cultural só começa pelos membros das famílias
dotadas de forte capital cultural. Nesse caso, o tempo de acumulação engloba o tempo de
socialização.
Seguindo a lógica de que tempo = dinheiro, o tempo que a família tem disponível (deixando de
ganhar $$) para a transmissão é diretamente proporcional a acumulação de capital. Portanto, é por
intermédio do tempo necessário à aquisição que se estabelece a ligação entre o capital econô mico e
o capital cultural. Além disso, um maior capital cultural da família implica em uma maior precocidade
na transmissão e acumulação do mesmo.

2. Estado Objetivado
Detém um certo nú mero de propriedades que se definem apenas em sua relação com o capital
cultural em sua forma incorporada. O capital cultural objetivado em suportes materiais, tais como
escritos, pinturas, monumentos etc., é transmissi ́vel em sua materialidade. Para que a apropriação
material aconteça, é preciso de capital econômico. Para a apropriação simbólica, pressupõe o capital
cultural, em seu estado incorporado.
Ele só existe de forma ativa, sendo ela simbólica ou material, para ser apropriado, incorporado pelos
agentes. É usado como arma nas “lutas” do cenário cultural (artístico, cientifico...) e no campo das
classes sociais, onde os agentes obtêm benefi ́cios proporcionais ao domi ́nio que possuem desse
capital objetivado, portanto, na medida de seu capital incorporado (posse dos meios de produção).

3. Estado Institucionalizado
Com o diploma (reconhecimento institucional), produz uma forma de capital cultural que tem uma
autonomia relativa em relação ao seu portador e, até mesmo em relação ao capital cultural que ele
possui. Permite a comparação entre os diplomados e converter o capital cultural em econômico,
estabelecendo um valor para o detentor do certificado.