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ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

2. MATERIAIS
O concreto armado é um material formado por dois outros materiais: o concreto e o aço. A
seguir serão vistas algumas das propriedades de cada um dos materiais componentes e,
também, do material resultante.

2.1. CONCRETO

O concreto consiste em agregados inertes envolvidos por uma pasta feita com cimento
Portland e água, que preenche os vazios entre os agregados, unindo-os. Após o endurecimento
desta pasta através da reação química resultante da união do cimento com a água, forma-se o
concreto. As propriedades mais importantes do concreto para as estruturas são: resistência à
compressão, deformabilidade e durabilidade.

2.1.1. Resistência à compressão:

Segundo Mehta & Monteiro (1994), “A resistência de um material é definida como a


capacidade de este resistir à tensão sem ruptura”. A resistência do concreto à compressão, sua
característica mais importante, é medida através de ensaios de compressão axial em corpos-
de-prova, sendo esses ensaios utilizados para o controle de qualidade e a aceitação do
concreto utilizado na estrutura. As Figuras 2.1a e 2.1b apresentam detalhes do ensaio de
compressão axial em corpos-de-prova cilíndricos.

(a) (b)
Figura 2.1 – Detalhes de ensaio de compressão axial em corpos-de-prova cilíndricos de concreto.

Fatores que interferem na resistência à compressão do concreto:

a) Fator água/cimento - porosidade: Principal responsável pela resistência do concreto à


compressão, o fator água/cimento mede a relação entre o peso da água e o do cimento
utilizado no traço do concreto. Ele determina a porosidade do concreto endurecido, que
por sua vez afeta na resistência do mesmo, visto que uma menor porosidade, ocasionada
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por uma menor relação água/cimento, proporcionará uma maior área de contato entre os
elementos, proporcionando assim uma maior resistência.

b) Tipo de Cimento: O tipo de cimento utilizado no concreto em geral influi pouco na


resistência à compressão definitiva do concreto, sendo mais utilizado para ajustar outras
características do mesmo. Segundo Mehta & Monteiro (1994), “..., a influência da
composição do cimento sobre a porosidade da matriz e a resistência do concreto fica
limitada às baixas idades”. A Tabela 2.1 mostra esse efeito do tipo de cimento Portland
sobre a resistência relativa do concreto a 1, 7, 28 e 90 dias.

Tabela 2.1 – Resistência relativa aproximada do concreto segundo a influência do tipo de cimento (MEHTA &
MONTEIRO, 1994).

Tipo de cimento Natureza Resistência à compressão (porcentagem


em relação ao Tipo I ou concreto de
cimento Portland comum)
Portland ASTM1 1 dia 7 dias 28 dias 90 dias
I Normal ou uso comum 100 100 100 100
II Calor de hidratação moderado e 75 85 90 100
moderada resistência a sulfatos
III Alta resistência inicial 190 120 110 100
IV Baixo calor de hidratação 55 65 75 100
V Resistente a sulfatos 65 75 85 100

c) Cura: As condições de cura do concreto são especialmente importantes para a resistência à


compressão do mesmo. A cura inadequada ou a alta temperatura pode ocasionar uma
perda de água prematura do concreto, deixando espaços vazios, reduzindo assim a sua
resistência.

d) Idade do Concreto: A resistência do concreto à compressão cresce em função do tempo


decorrido da concretagem, mais rapidamente nas primeiras idades e mais lentamente a
partir do nonagésimo dia, vindo a se estabilizar, aproximadamente, após o primeiro ano de
vida da estrutura. Os ensaios feitos no concreto levam em consideração a idade de 28 dias.
A Tabela 2.2, apresentada pelo CEB-FIP CM 90 (1993) apud Süssekind (1981), fornece
uma relação entre as resistências para várias idades e tipos de cimento.

Tabela 2.2 - Variação da resistência do concreto à compressão (temperatura ambiente entre 15 o e 20o C)
(SÜSSEKIND, 1981).

Idade do concreto (dias) 3 7 28 90 360


Cimento Portland Comum 0,40 0,65 1,00 1,20 1,35
Cimento Portland de Alta Resistência Inicial 0,55 0,75 1,00 1,15 1,20

1
ASTM – Americam Society for Testing and Materials: O cimento ASTM I corresponde aos cimentos
brasileiros CP I e CP I-S; os ASTM II e ASTM V correspondem aos CP I-RS, CP I-S RS, CP II-E RS, CP II-Z
RS, CP II-F RS, CP III RS e CP IV-RS; o ASTM III ao CP V-ARI; o ASTM IV não tem similar no Brasil.
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Segundo a NBR 6118 (2014) item 12.3.3, para idades inferiores a 28 dias, pode-se
utilizar a seguinte expressão:


f ckj  1 . f ck  e s[1( 28/ t )
1/ 2
]
. f ck

0,38 para concreto de cimento CP III e IV;

onde: s = 0,25 para concreto de cimento CP I e II;

0,20 para concreto de cimento CP V – ARI.

t é a idade efetiva do concreto em dias.

e) Adensamento: O adensamento, feito imediatamente após o lançamento do concreto, tem a


função de eliminar os vazios existentes no mesmo. Nos concretos estruturais, o
adensamento é feito principalmente através de vibração, que deve ser feita tomando-se os
devidos cuidados para evitar: pontos sem vibração (que provocarão surgimentos de
vazios), segregação do material por meio de vibração exagerada, ou perda de aderência
com a armadura. O adensamento do concreto no corpo-de-prova é feito de forma manual,
por procedimentos definidos em norma. O adensamento feito fora destes padrões pode
conduzir a resultados errôneos da resistência do concreto à compressão.

f) Forma e dimensões do corpo-de-prova: A medida da resistência do concreto através de


corpos-de-prova apresenta certas dificuldades de compatibilização com o comportamento
da estrutura real. Uma destas dificuldades é o dimensionamento do corpo-de-prova, que
deve ser tal que o diâmetro permita uma concretagem fácil, e a altura não pode ser
excessivamente baixa para evitar um impedimento da deformação transversal, devido ao
atrito das faces extremas com os pratos da prensa de ensaio. Baseado neste princípio, a
norma brasileira e a maioria das normas internacionais recomendam a adoção de corpos-
de-prova cilíndricos de 15 cm de diâmetro de base por 30 cm de altura. Existem ainda
alguns países, como a Alemanha, que adotam corpos-de-prova cúbicos com 20 cm de
aresta, encontrando resultados superiores aos dos cilíndricos, devido, sobretudo, ao atrito
mencionado anteriormente.

Correção da resistência à compressão

Como foi citado, há diferenças entre o valor encontrado nos ensaios de compressão axial do
corpo-de-prova e o valor de resistência que estará atuando nas estruturas. Essas diferenças são
decorrentes de três fatores: o tamanho do corpo-de-prova; a velocidade de carregamento; e a
idade do concreto.

Para levar em conta a diferença de tamanho entre o corpo-de-prova cilíndrico de 15x30cm e


as estruturas, admite-se um coeficiente de correção de 0,95, ou seja, a resistência da estrutura
é 0,95 da resistência do corpo-de-prova. Para outras dimensões e formas de corpos-de-prova
(cilíndrico 10x20cm; cilíndrico 5x10cm; prismático; cúbico, etc.) tem-se outros coeficientes.

A resistência do concreto aumenta com o tempo, como indicado na Tabela 2.2. Para levar em
conta a idade do concreto, admite-se que a resistência à compressão aumenta 20%, em um
ano, em relação à resistência aos 28 dias, ou seja, fc,1ano=1,2 fck.
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A velocidade de carregamento de uma estrutura influi na sua resistência. Quanto mais rápido
o carregamento maior a carga máxima, porém, mais acentuada é a queda. Segundo Rush 2
apud Mehta & Monteiro (1994), “A resistência final do concreto é também afetada pela
velocidade de carregamento. Devido à progressiva microfissuração sob cargas mantidas
constantes, o concreto sofrerá ruptura a uma tensão menor do que a induzida por
carregamento instantâneo ou rápido, normalmente utilizado em laboratório”. A Figura 2.2
apresenta esse efeito.

Figura 2.2 – Relação entre as resistências sob carregamento rápido e lento (Rüsh apud MEHTA & MONTEIRO,
1994).

Para levar em conta a velocidade de carregamento, admite-se que, a favor da segurança, a


resistência obtida com um carregamento lento é 75% da resistência obtida em ensaios com
carregamento rápido.

Levando-se em conta os três fatores, tem-se que:

Fator de correção

fck,projeto = 0,95 * 1,2 * 0,75 * fck = 0,85 fck,ensaio

Determinação do fck do concreto

A determinação da resistência do concreto é feita através de tratamento estatístico dos


resultados dos ensaios realizados em um número suficiente de corpos de prova (CP), definido
através de normas. Os resultados dos ensaios obedecem aproximadamente a uma curva
normal de distribuição de freqüências ou Curva de Gauss, com as abcissas representando os
valores da resistência do corpo-de-prova correspondentes a uma freqüência, marcada nas
ordenadas, como pode ser visualizado na Figura 2.3.

2
Rüsh, H – J. ACI, Proc., Vol. 57, No. 1, 1960.
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F  Freqência absuluta
F 
f r  , onde 
n n  número de ensaios (CP)

f cm  resisência média do concreto 


f ci

f ci  resistência do CP de ordem i

Figura 2.3 - Curva de Gauss.


Através desta curva, encontramos a resistência característica do concreto (fck), considerada
como sendo o valor que tem 95% de probabilidade de ser igualado ou superado.
Matematicamente, através da curva de Gauss temos que:

f ck  f cm  1.65

  Desvio Padrão  M edida da dispersão da amostra. Indica qulidade do concreto

 (f ci  f cm ) 2
 i 1

n 1

EXERCÍCIO 2.1:

Foram ensaiados dez corpos-de-prova de concreto à compressão axial, cujos resultados são
apresentados a seguir. Determinar o fck (MPa) do concreto analisado.

n 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

fci 28 30 26 30 29 35 30 31 30 31

Quando não possuímos os dados dos ensaios, apenas o valor de fcm, o desvio padrão pode ser
arbitrado através de recomendações da Norma, variando de 4 MPa até 7 MPa, como segue:

 4 MPa: Utilizado quando houver um tecnologista a serviço da obra, e todos os materiais


forem medidos em peso;
 5,5 MPa: Utilizado quando houver um tecnologista a serviço da obra, o cimento for
medido em peso, e os demais agregados em volume. Este volume deve ser
corrigido em função da umidade, previamente determinada, assim como a
quantidade de água;
 7 MPa: Utilizado quando o cimento for medido em peso e os demais agregados em
volume, sendo apenas a quantidade de água corrigida em função de um valor de
umidade estimado.
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Por exemplo, para um concreto com fcm=30 MPa, os valores para as resistências
características (fck) utilizando os valores de desvio padrão citados anteriormente são:

fck,=4 = 23,4 MPa; fck2,=5,5 = 20,9 MPa; fck3,=7 = 18,4 MPa

Analisando o problema sob outra ótica, pode-se dizer que, para que se obtenha um concreto
com resistência característica à compressão (fck) de 30 MPa, a depender do tipo de execução
que se tenha, os valores das resistências de dosagem (fcm) teriam que ser os seguintes:

fcm,=4 = 36,6 MPa; fcm2,=5,5 = 39,1 MPa; fcm3,=7 = 41,6 MPa

Logo, conclui-se que um concreto de mais qualidade é também mais barato, uma vez que a
sua resistência de dosagem é menor.

Módulo de elasticidade

O Módulo de elasticidade (Ec) é a relação entre a tensão atuante e a deformação longitudinal


resultante desta tensão. Por esta definição, temos que seu valor em um determinado ponto M
(Figura 2.4), deve ser dado por:

E cM  tg M

Figura 2.4 – Diagrama Tensão versus Deformação do concreto.

Levando em consideração que a adoção de coeficientes de segurança impostos ao cálculo das


estruturas faz com que, em serviço, o concreto trabalhe com uma tensão fs não superior a 40%
da sua tensão de ruptura e que da origem até o ponto de tensão fs, a inclinação não varia
significativamente, podemos tomar como módulo de elasticidade tangente para este trecho, o
valor em sua origem:

E c0  tg 0

Segundo a NBR 6118 (2014) item 8.2.8, “quando não forem realizados ensaios, pode-se
estimar o valor do módulo de elasticidade inicial usando as expressões a seguir:”
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Eci  E .5600. f ck para fck de 20 a 50 MPa;

1
f 3
Eci  21,5 x10  E  ck  1,25 
3
para fck de 55 a 90 MPa.
 10 
sendo

E  1,2  basalto e diabásio


E  1,0  granito e gnaisse
E  0,9  calcário
E  0,7  arenito

onde Eci e fck são dados em megapascal (MPa)

O módulo de deformação secante pode ser obtido segundo método de ensaio estabelecido na
ABNT NBR 8522, ou estimado pela expressão:
f
Ecs = αi . Eci sendo  i  0,8  0,2. ck  1,0
80
A tabela 8,1 da NBR 6118 (2014) apresenta valores estimados arredondados de Módulo de
elasticidade em função do fck que podem ser usados no projeto estrutural, considerando uso de
granito como agregado graúdo

Classe de
C20 C25 C30 C35 C40 C45 C50 C60 C70 C80 C90
resistência

Eci (GPa) 25 28 31 33 35 38 40 42 43 45 47

Ecs (GPa) 21 24 27 29 32 34 37 40 42 45 47

αi 0,85 0,86 0,88 0,89 0,90 0,91 0,93 0,95 0,98 1,00 1,00

O módulo de elasticidade de uma idade menor do que 28 dias pode ser avaliado pelas
expressões a seguir, substituindo fck por fcj:

 f ckj t 
0,5

Eci (t )    para concretos com fck de 20 a 45 MPa;


 f ck 

 f ckj t  para concretos com fck de 50 a 90 MPa;


0,3

Eci (t )   
 f ck 
Eci (t ) é a estimativa do módulo de elasticidade do concreto em uma idade entre 7 e 28 dias;

f ckjé(ta) é a resistência à compressão do concreto na idade em que se pretende estimar o módulo


de elasticidade, em megapascal (MPa).
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Coeficiente de Poisson

O coeficiente de deformação transversal, ou coeficiente de Poisson () representa a relação


entre as deformações transversais e longitudinais na peça (Figura 2.5). Varia entre 0,15 e 0,25,
sendo sugerido pela NBR 6118 (2014) o valor constante de 0,20, devido a pequena variação
que estes valores representam nos cálculos. Esse valor, entretanto, válido para tensões de
compressão menores que 0,5fc e tensões de tração menores que fct.

 = tg

Valor aproximado   = 0,20

Figura 2.5 – Coeficiente de Poisson.

Diagrama Tensão versus Deformação simplificado

De forma a estabelecer um critério de dimensionamento comum aos concretos com diferentes


resistências à compressão com que se trabalha na prática, havia a necessidade de um diagrama
ideal, mesmo que simplificado, para possibilitar a sua aplicação numérica. A partir dos
ensaios realizados por E. Grasser, com diferentes resistências de concreto (fr entre 17 e 34
MPa), feitos para cargas de curta duração, comprovou-se que a tensão máxima ocorre com
uma deformação específica da ordem de 0,2%, atingindo a ruptura com uma deformação
média em torno de 0,35%.

Com esses dados, a maioria das normas, inclusive a NBR 6118 (2014) e o CEB-FIP CM 90
(1993), recomenda a utilização do diagrama simplificado parábola-retângulo (Figura 2.6) no
dimensionamento do concreto normal para carregamentos de curta duração. Porém, para
tensões de compressão menores que 0,5.fc, admiti-se uma relação linear entre tensões e
deformações, adotando-se para o módulo de elasticidade o valor do módulo secante (Ecs).
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  c  
n

 c  0,85. f cd 1  1    Para fck ≤ 50MPa: n = 2


   c 2  
Para fck ˃ 50MPa:
n= 1,4 + 23,4 [(90-fck)/100]4

Figura 2.6 – Diagrama tensão-deformação idealizado (NBR 6118, 2014).

Os valores para serem adotados para os parâmetros ec2 (deformação específica de


encurtamento do concreto no início do patamar plástico) e ecu (deformação específica de
encurtamento do concreto na ruptura) são definidos a seguir:

- para concretos de classes até C50:

ɛc2 = 2,0‰;

ɛcu = 3,5‰;

- para concretos de classes C55 até C90:

ɛc2 = 2,0‰ + 0,085‰ . (fck -50)0,53;

ɛcu = 2,6‰ + 35‰ . [(90 - fck)/100]4;

2.1.2. Resistência à tração

A resistência à tração do concreto é relativamente baixa, girando em torno de 8 a 15% da sua


resistência à compressão. Além disso, é muito mais difícil mensurar o seu valor, pois este
varia muito, a depender do ensaio realizado, além das variações pelo tipo do agregado, pela
resistência à compressão e pela presença de uma tensão de compressão transversal a tensão de
tração. Os ensaios para a determinação da resistência à tração do concreto são:
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Ensaio de tração direta:

Consiste em tracionar um corpo-de-prova (CP) cilíndrico de concreto, como mostrado na


Figura 2.7. Este tipo de ensaio possui grandes dificuldades de realização pela forma de
colocação do corpo-de-prova na prensa. Quando da aplicação da carga, pode ocorrer um
esmagamento nas extremidades do CP, comprometendo o ensaio.

Ft
t 
A

Figura 2.7 - Ensaio de tração direta

A NBR 6118 (2014) intitula essa variável de fct.

Ensaio de tração indireta ou tração na flexão:

Esse ensaio é feito com a utilização de um corpo-de-prova prismático, com seção transversal
de 15 cm x 15 cm e comprimento de 75 cm, que é submetido à aplicação de carga transversal
nos terços médios entre os apoios, conforme Figura 2.8.

A NBR 6118 (2014) intitula essa variável de fct,f, e estabelece a seguinte relação: fct = 0,7 fct,f.

PL
Mr 
3

M r  y máx
r 
I

Figura 2.8 - Ensaio de tração indireta.

Ensaio de compressão diametral:

Ensaio mais utilizado para a determinação da resistência à tração do concreto, é também


chamado na literatura internacional de Ensaio Brasileiro, por ter sido idealizado pelo
pesquisador brasileiro F. L. Lobo Carneiro. Este ensaio consiste na aplicação de um
carregamento em duas arestas diametralmente opostas de um corpo de prova cilíndrico de 15
cm de diâmetro por 30 cm de altura, conforme mostrado na Figura 2.9a. Devido à aplicação
desta carga de compressão, surgem tensões de tração praticamente constantes na direção
perpendicular ao carregamento (Figura 2.9b).
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Figura 2.9 - Ensaio de tração por compressão diametral.

Caso as tensões de tração fossem constantes:

2F
t 
dh

Correção devido a existência da compressão:

0,55F
t 
dh

A NBR 6118 (2014) intitula essa variável de fct,sp, e estabelece a seguinte relação: fct= 0,9 fctsp.

Fórmulas empíricas:

Como os projetos de estruturas são desenvolvidos apenas a partir do fck do concreto, torna-se
necessária a utilização de expressões confiáveis para determinação da resistência
característica do concreto à tração (fctk), sendo estas expressões sugeridas pela NBR 6118
(2014), a partir de dados experimentais para concretos normais, como:

f ctk ,inf  0,7 f ct ,m f ctk ,sup  1,3 f ct ,m

- para concretos de classes até C50:

f ct ,m  0,3 f ck2 / 3

- para concretos de classes C55 até C90:

f ct ,m  2,12 ln (1  0,11 f ck )

onde fct,m e fck são expressos em megapascal (MPa).

Sendo fckj ≥ 7 MPa, estas expressões podem também ser usadas para idades diferentes de 28
dias.
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2.1.3. Retração / expansão

A retração e a expansão são deformações volumétricas do concreto, independentes de


carregamento e direção. Estas variações ocorrem devido à perda (retração) ou a absorção
(expansão) de água por parte do concreto. A intensidade do fenômeno varia de acordo com a
umidade do ambiente, a espessura da peça, e o fator água/cimento da mesma.

No processo de retração, a água é inicialmente expulsa das fibras externas do concreto,


criando deformações diferenciais que, por sua vez, geram tensões capazes de provocar
fissuração em peças de concreto armado, e perda de tensão em cabos de peças em concreto
protendido.

Para minimizarem-se os efeitos da retração, deve ser efetuado um processo de cura no


concreto, por pelo menos sete dias, de forma que a umidade existente ao seu redor impeça a
perda de água do interior do mesmo.

No caso de estruturas com comprimento muito elevado, somente a cura não é suficiente para
se evitar a retração, devendo então este comprimento ser reduzido, através de juntas de
concretagem, que pode ser definitiva (gerando estruturas distintas), ou provisórias, que serão
preenchidas após o processamento da parcela principal de retração.

2.1.4. Variação de temperatura

Uma peça submetida a uma variação uniforme de temperatura t ºC terá uma deformação axial
dada pela expressão:  ct  t , onde  é o coeficiente de dilatação térmica do material. Para o
caso do concreto, a NBR 6118 (2014) recomenda a adoção do valor de 10-5/ºC para o
coeficiente de dilatação térmica, . A variação de temperatura pode ser ocasionada por dois
fatores:

 Meio ambiente;

 Calor de hidratação, em estruturas com grande volume de concreto, como o caso das
barragens.

Para minimizarem-se os efeitos da temperatura, deve-se:

 Prever juntas de dilatação na estrutura, de tal forma que as dimensões da estrutura


entre as juntas seja sempre inferior a 30 m;

 Considerar os efeitos de temperatura nos cálculos da estrutura.

2.1.5. Fluência (deformação lenta)

É o aumento da deformação, sem que haja uma mudança no carregamento da peça.


Consideremos, segundo Süssekind (1981), a peça de concreto representada na Figura 2.10,
carregada axialmente com uma tensão de compressão constante ao longo do tempo, de valor
c. No instante de aplicação do carregamento, ela sofrerá uma deformação imediata ci,
gerando uma redução no volume da peça. Esta redução provocará o deslocamento da água
quimicamente inerte existente no interior do concreto para regiões onde a mesma já tenha
evaporado, desencadeando um processo análogo à retração, aumentando a deformação até um
máximo de ct no tempo infinito.
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Figura 2.10 - Deformações em uma peça de concreto (SÜSSEKIND, 1981).

A fluência varia com:

 Umidade do Ambiente  Quanto mais seco o ambiente, maior a fluência do


concreto;

 Espessura da peça  Maior fluência em peças menos espessas, com mais área
exposta;

 Prazo de desforma  Quanto mais jovem o concreto no momento do carregamento,


maior a deformação lenta;

 Composição do concreto  A fluência aumenta com o aumento do fator


água/cimento e do consumo de cimento na peça.

Como efeitos favoráveis da fluência no concreto, temos o alívio das concentrações de tensões
e dos esforços de deformações impostas à estrutura, como a retração. São efeitos
desfavoráveis o aumento da flecha e da curvatura dos pilares com cargas excêntricas,
provocando um acréscimo na excentricidade inicial; a perda de tensão em cabos de peças em
concreto protendido.

2.1.6. Estanqueidade, isolamento térmico e acústico

Segundo Süssekind (1981), a estanqueidade do concreto só pode ser considerada razoável


quando a peça tem um baixo fator água/cimento, granulometria bem determinada e espessura
superior a 20 cm, além do procedimento de uma vibração cuidadosa. Em geral,
principalmente no concreto fissurado, a estanqueidade só é conseguida com a utilização de
impermeabilizantes.

Geralmente, o produto impermeabilizante é ao mesmo tempo um isolante térmico, devido ao


fato de o concreto proporcionar um isolamento térmico muito deficiente, em comparação com
outros materiais de construção.

Ainda segundo Süssekind (1981), quanto ao isolamento acústico, temos duas situações
distintas:
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 Os ruídos que são trazidos pelo ar, em ondas sonoras de baixa energia, não produzem
vibração no concreto, comportando-se este como um excelente isolante acústico;

 Quando o ruído é provocado pelo contato com o concreto (um móvel arrastado, por
exemplo), o concreto vibra com grande intensidade, sendo aconselhável a utilização
de revestimentos acústicos em pisos e paredes.

2.1.7. O comportamento do concreto

Antes de mostrarmos o comportamento do concreto, vamos fazer uma revisão sobre o


comportamento dos materiais:

a) Comportamento Elástico (Figura 2.11)  Tem a capacidade de recuperar integralmente a


deformação introduzida.

l

l

Figura 1.11 - Comportamento elástico.

b) Elasticamente Perfeito ou elástico-linear (Figura 2.12)  Material que segue a Lei de


Hooke.

 = .E

Figura 2.12 - Comportamento elasticamente perfeito.


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c) Comportamento Plástico (Figura 2.13)  Quando os efeitos da deformação introduzida


são permanentes.

Figura 2.13 - Comportamento plástico.

d) Para o concreto temos (Figura 2.14):

Figura 2.14 - Comportamento do concreto.

Tipos de deformação

Imediata elástica
Imediata plástica

 Que dependem do carregamento 
Lenta elástica
Lenta plástica  Fluência

Causadas por retração/expansão



 Que independem do carregamento 
Causadas por variação de temperatura

Ensaio de deformação do concreto:

O ensaio representado pelos gráficos a seguir (Figura 2.15) demonstra o comportamento do


concreto ao longo do tempo, sofrendo cargas e descargas em seqüência.
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Figura 2.15 - Ensaio do comportamento do concreto.

OA  Deformação Imediata

O’A  Deformação elástica imediata

OO’ Deformação plástica imediata

BC  Deformação imediata

CD  Deformação lenta (alguns materiais não a apresentam)

DE  Deformação elástica imediata

EF  Deformação elástica lenta

BF =   Deformação plástica lenta

EXERCÍCIO 2.2:

Determinar o histórico de deformações para o ensaio indicado na Figura 2.16, sabendo-se


que:

 Para F0 a recuperação elástica é de 50%;

 Não há deformação lenta nos intervalos (t1-t2) e (t3-t4);

 Há deformação lenta plástica nos intervalos (t2-t3) e além de t4.


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Figura 2.16 – Histórico do carregamento para o corpo-de-prova de concreto.

2.2. AÇO

O aço empregado em barras nas peças de concreto armado é uma liga constituída
principalmente de ferro e carbono, à qual são incorporados outros elementos para melhoria
das propriedades. O aço é usado em conjunto com o concreto com a finalidade principal de
resistir aos esforços de tração, que não são suportados pelo concreto.

Segundo a NBR 6118 (2014), a massa específica dos aços para concreto armado pode ser
tomada como =7850kg/m3. O valor do coeficiente de dilatação térmica do aço, para
intervalos de temperatura entre –20oC e 150oC, pode ser considerado de =10-5/oC.

2.2.1. Processos de fabricação e diagramas Tensão versus Deformação:

a) Aço tipo A:

É o aço de dureza natural, no qual a mistura de ferro com carbono é laminada à quente, sem
qualquer tratamento posterior. Os aços desta categoria apresentam um patamar de escoamento
bem caracterizado, tendo seu diagrama Tensão versus Deformação real representado na
Figura 2.17a. Na Figura 2.17b é representado o diagrama simplificado ou padronizado, a ser
considerado no dimensionamento, tendo como limite uma deformação de s=10 0 00 para o
alongamento, a fim de se evitar a deformação excessiva da peça.

fyk  Limite de escoamento característico; aquele que tem 95% de chance de ser
ultrapassado;

f yk
yk =  Deformação unitária limite de escoamento;
Es

Es = tg   Módulo de deformação longitudinal do aço.


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(a) Diagrama Real (b) Diagrama Simplificado

Figura 2.17 - Diagramas Tensão versus Deformação para o aço tipo A.

b) Aço tipo B:

Os aços desta categoria são, após a laminação à quente, encruados por deformação a frio
(torção, tração, trefilação, etc.). Estes aços não têm patamar de escoamento definido, sendo
adotado um “limite convencional de escoamento”, fyk, como a tensão sob a qual, sendo
descarregada a peça, reste uma deformação de 2 0 00 . Os ensaios mostram ainda que até o valor
de 0,7fyk, o diagrama se mantém retilíneo, sendo caracterizado um regime elástico nesta fase.
Na figura 2.18b, vemos o diagrama tensão deformação simplificado proposto para o
dimensionamento, no qual se fez uma concordância parabólica para as tensões no intervalo
entre a fase elástica e o limite convencional de escoamento.

(a) Diagrama Real (b) Diagrama Padronizado

Figura 2.18 – Diagramas Tensão versus Deformação para o aço classe B.

fyk  Limite de escoamento convencional; tensão correspondente a uma deformação residual


de 2 0 00 ;

f yk
yk = +2 0
00  Deformação unitária limite de escoamento;
Es

0,7fyk  Limite de proporcionalidade; ponto até onde é válida a Lei de Hooke


(comportamento perfeitamente elástico).

Para o cálculo nos estados-limite de serviço e último, pode-se utilizar o diagrama simplificado
mostrado na figura 2.19 para os aços com ou sem patamar de escoamento de acordo com a
NBR 6118 (2014)
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Figura 2.19 - Diagrama tensão x deformação para aços de armaduras passivas - NBR 6118 (2014)

Obs.: Para todos os aços utilizados em concreto armado, seja ele classe A ou B, o ângulo  é
sempre constante (Figura 2.20), sendo então constante o valor de Es, que é dado por:

Es = 210.000MPa (2.100.000 kgf/cm2)

Figura 2.20 - Diagrama Tensão versus Deformação para aços de diferentes tipos

2.2.2. Classificação quanto ao limite de escoamento

O limite de escoamento dos aços empregados em concreto armado varia entre 250 MPa
(2.500 kgf/cm2) e 600MPa (6000 kgf/cm2), sendo sua nomenclatura baseada neste limite de
escoamento, seja ele real ou convencional, sendo feita a notação da seguinte forma: CA–50 A,
em que:

 CA  Tipo de concreto no qual será aplicado, sendo CA correspondente a concreto


armado;

 50 Limite de escoamento (fyk) em Kgf/mm2;

 A  Classe do aço.

Comercialmente, até há alguns anos atrás, os aços fabricados eram os seguintes:


CA – 25 A CA – 32 A CA – 40 A CA – 40 B
CA – 50 A CA – 50 B CA – 60 B
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Segundo a NBR 7480 (2007), a classificação se reduz às três categorias abaixo, sendo, porém,
permitido que se utilize categorias diferentes.

CA – 25 A CA – 50 A CA – 60 B

2.2.3. Dimensões

O aço é vendido em forma de barras (para aços com ≥ 5mm) e fios (≤10mm). Os fios são
vendidos em rolos e as barras possuem comprimento de 12 m, sendo limitado por norma a
tolerância de  1%. As Tabela 2.3 e 2.4 apresentam respectivamente as características dos fios
e barras mais utilizados no mercado brasileiro.

Tabela 2.3 – Características dos fios, segundo a NBR 7480 (2007).


Diâmetro nominal Massa tolerância por unidade de Valores nominais
mm comprimento

Massa nominal Máxima variação Área da seção Perímetro


Fios kg/m permitida para
massa nominal mm2 mm

2,4 0,036 ±6% 4,5 7,5


3,4 0,071 ±6% 9,1 10,7
3,8 0,089 ±6% 11,3 11,9
4,2 0,109 ±6% 13,9 13,2
4,6 0,130 ±6% 16,6 14,5
5,0 0,154 ±6% 19,6 15,7
5,5 0,187 ±6% 23,8 17,3
6,0 0,222 ±6% 28,3 18,8
6,4 0,253 ±6% 32,2 20,1
7,0 0,302 ±6% 38,5 22,0
8,0 0,395 ±6% 50,3 25,1
9,5 0,558 ±6% 70,9 29,8
10,0 0,617 ±6% 78,5 31,4
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ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

Tabela 2.4 – Características das barras, segundo a NBR 7480 (2007).


Diâmetro nominal Massa tolerância por unidade de Valores nominais
mm comprimento

Massa nominal Máxima variação Área da seção Perímetro


Barras kg/m permitida para
massa nominal mm2 mm

6,3 0,245 ±7% 31,2 19,8


8,0 0,395 ±7% 50,3 25,1
10,0 0,617 ±6% 78,5 31,4
12,5 0,963 ±6% 122,7 39,3
16,0 1,578 ±5% 201,1 50,3
20,0 2,466 ±5% 314,2 62,8
22,0 2,984 ±4% 380,1 69,1
25,0 3,853 ±4% 490,9 78,5
32,0 6,313 ±4% 804,2 100,5
40,0 9,865 ±4% 1256,6 125,7

Obs.: Não é aconselhável o uso de diâmetros inferiores a 5 mm, pois por serem muito finos, o
seu manuseio na obra pode gerar deformações que comprometam o seu funcionamento.

2.2.4. Classificação quanto ao tipo de superfície aderente

Os fios e as barras de aço podem ser lisos, entalhados ou providos de saliências ou mossas. A
configuração e a geometria das saliências ou mossas devem satisfazer também o que é
especificado na ABNT NBR 6118 (2014).

A capacidade aderente entre o aço e o concreto está relacionada ao coeficiente 1, que indica
a maior ou menor aderência entre o concreto e o aço, de acordo com presença ou não de
nervuras.. A NBR 6118 (2014) fornece a seguinte tabela (Tabela 2.5) com os valores do
coeficiente de aderência 1 para os aços usuais.

Tabela 2.5 – Valor do coeficiente de aderência 1 (NBR 6118, 2014).

Tipo de superfície 1
Lisa 1,0
Entalhada 1,4
Nervurada 2,25

A NBR 7480 (2007) estabelece que as barras da categoria CA-50 são obrigatoriamente
providas de nervuras transversais oblíquas, conforme a figura 2.20. As barras devem possuir
pelo menos duas nervuras longitudinais e diametralmente opostas que impeçam o giro da
barra dentro do concreto, exceto no caso em que as nervuras transversais oblíquas estejam
dispostas de forma a se oporem a este giro. Esta mesma norma (item 4.2.1) trás uma série de
indicações sobre inclinação das nervuras, altura, espaçamento, etc. (figura 2.21)
53
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

Os fios (CA-60) podem ser lisos, entalhados ou nervurados. Os fios de diâmetro nominal
igual a 10,0 mm devem ter obrigatoriamente entalhes ou nervuras.

As barras de categoria CA-25 devem ter superfície obrigatoriamente lisa, desprovida de


quaisquer tipos de nervuras ou entalhes, Neste caso o coeficiente de conformação superficial
para todos os diâmetros deve ser adotado igual a 1 (=1).

Figura 2.21 – Exemplo de configuração geométrica com nervuras transversais oblíquas em dois lados da barra e
nervuras longitudinais segundo NBR 7480 (2007).

A Figura 2.22 apresenta alguns tipos de nervuras encontradas nas barras de aço.

Figura 2.22 – Tipos de conformação superficial de barras de aço (FERGUSON et al, 1988).

2.2.5. Exigências de qualidade

Segundo Süssekind (1981), para recebimento de um lote de barras de aço na obra, devemos
nos certificar de sua qualidade, que deve ser verificada através de ensaios normalizados. No
ensaio de tração, deve ser verificado o limite de escoamento fyk, além do alongamento mínimo
de ruptura. No ensaio de dobramento é verificada a trabalhabilidade das barras de aço, que
serão dobradas para a execução de ganchos na obra. Existe ainda o ensaio de aderência, para
verificar o coeficiente de conformação superficial ().

A Tabela 2.6 apresenta as características mecânicas exigidas para as barras de aço


empregadas nas peças em concreto armado.
54
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

Tabela 2.6 – Propriedades mecânicas exigíveis para barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto
armado (NBR 7480/07)
Ensaio de
dobramento a Aderência
180o
Valores mínimos de tração Coeficiente de
Diâmetro do
conformação superficial
pino
mínimo
mm
Categoria 

Resistência Limite de Alongamento Alongamento


característica resistênciab após a ruptura total na força
ϕ < 20 ϕ ≥ 20 ϕ < 10mm ϕ ≥ 10 mm
de escoamentoa fst em 10ϕc máximad
fyk A Agt
MPae MPaf % %
2ϕ 4ϕ 1,0 1,0
CA-25 250 1,20fy 18 -
3ϕ 6ϕ 1,0 1,5
CA-50 500 1,08fy 8 5
5ϕ - 1,0 1,5
CA-60 600 1,05fyc 5 -
a
Valor característico do limite superior de escoamento fyk da ABNT NBR 6118 obtido a partir do LE ou δ e da ABNT
NBR ISO 6892.
b
O mesmo que resistência convencional à ruptura ou resistência convencional à tração (LR ou δ t da ABNT NBR ISO
6892)
c
ϕ é o diâmetro nominal, conforme item 3.4 da NBR 7180
d
O alongamento deve ser atendido através do critério de alongamento após a ruptura (A) ou alongamento total na
força máxima (Agt)
e
Para efeitos práticos de aplicação desta Norma, pode-se admitir 1 MPa = 0,1 kgf/mm2
f
fst mínimo de 660 MPa.

2.2.6. Fadiga do Aço

Segundo Süssekind (1981), os estudos realizados sobre o comportamento do aço empregado


em peças de concreto armado submetidas a solicitações alternadas, como no caso de pontes,
chegou aos seguintes resultados:

 Para aços CA – 25 e CA – 32, não há qualquer problema de diminuição de


resistência;

 As barras de aços CA – 40, CA – 50 e CA – 60 registram problemas de diminuição


de resistência para cargas alternadas. Esse problema pode ser minorado com a
utilização de nervuras inclinadas nas barras, no lugar de nervuras perpendiculares ao
eixo, além do uso de nervuras transversais não ligadas com as longitudinais ao longo
de toda a seção. Por conta disso, essas barras de aço devem ter nervuras que, ao
mesmo tempo que assegurem o grau de aderência, minimizem os problemas de
fadiga do material.

A NBR 6118 (2014) traz considerações sobre a fadiga no item 23.5.5.

EXERCÍCIO 2.3:

Para os aços CA 40 A e B, determine:

a) fyk b) yk c) s para s=0,5 0 00 d) s para s=3 0 00 e) s para s=6 0 00


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ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

2.3. CONCRETO ARMADO

O uso do concreto e do aço em conjunto, formando o concreto armado deve acontecer de tal
forma que as melhores qualidades de cada um dos materiais isoladamente sejam aproveitadas,
e um possa suprir as deficiências do outro. Dessa forma, segundo Süssekind (1981), devem
ser verificados os tópicos descritos a seguir.

2.3.1. Comportamento elétrico

O concreto seco é um bom isolante elétrico, porém, quando úmido e sob a ação contínua de
corrente elétrica pode ser atacado pela eletrólise. Este ataque não tem grandes repercussões no
concreto, porém, a ação da eletrólise favorece a corrosão das armaduras. Por estas razões, em
estruturas que ficarão em contato com correntes elétricas, como o caso de ferrovias e metrôs,
deve haver um isolamento elétrico entre as linhas elétricas e a estrutura.

2.3.2. Defesa contra agentes químicos

O perigo dos agentes químicos na estrutura é a corrosão das armaduras. Este fato é
contornado no concreto armado com a utilização de cobrimentos mínimos de concreto, de
forma a impedir o contato destes agentes com a armadura, além da proteção química da cal
livre formada durante a pega do concreto.

Deve-se evitar, no entanto, a presença de certos materiais que causam oxidação no aço
(halogenetos e sulfatos), além de certos limites previstos em norma, nos agregados e água de
amassamento do concreto, pois eles eliminam a proteção química proporcionada pela cal.

2.3.3. Resistência às altas temperaturas

O aço, quando elevado a altas temperaturas (acima de 550oC), começa a sofrer uma
diminuição na sua resistência, devendo desta forma ser protegido conforme segue:

Adoção de maiores espessuras de cobrimento

Quando houver a necessidade de uma estrutura resistente a altas temperaturas, deve ser
utilizado um cobrimento maior, de forma a haver uma maior dissipação do calor no concreto,
evitando que a armadura atinja sua temperatura crítica.

Formas geométricas e dimensões do elemento estrutural

Está provado por ensaios, que as estruturas mais esbeltas são menos resistentes ao fogo, pelo
fato de as mesmas possuírem mais área de contato, proporcionando um aquecimento mais
rápido. Desta forma, são definidos limites mínimos de dimensão para os elementos em
concreto armado.

Tipo de concreto

Os concretos com agregados calcários proporcionam um maior isolamento térmico que


aqueles com agregados silícicos, devendo ser adotados quando se for obrigado a enfrentar
altas temperaturas.
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ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

Tipo de armadura

Como já foi relatado anteriormente, a armadura perde resistência mecânica quando sua
temperatura crítica é ultrapassada. A resistência dos aços da classe B é a mais afetada quando
da exposição à altas temperaturas, sendo este material desaconselhável nesta situação.

Tipo de construção e estaticidade da estrutura

As estruturas hiperestáticas são mais aconselháveis para o caso de contato com altas
temperaturas, pois, nesse caso, a ação das deformações impostas pelo aumento da temperatura
tende a provocar redistribuições de esforços, utilizando reservas de resistência capazes de
aumentar a segurança da estrutura ao incêndio.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6118 (2014) – Projeto de


estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro, 2014.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 7480 (2007) – Barras e fios de
aço destinados a armaduras para concreto armado – Especificação. Rio de Janeiro,
2007.

CEB-FIP – Comité Euro-International du Béton. CEB-FIP Model Code 1990. Bulletin


d’Information, no 203-205, 1993.

FERGUSON, P. M.; BREEN, J. E.; JIRSA, J. O. – Reinforced concrete fundamentals. John


Wiley & Sons, 1988.

MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. – Concreto: estrutura, propriedades e materiais.


São Paulo: PINI, 1994.

SÜSSEKIND, J. C. – Curso de concreto (concreto armado). Vol. 1, 2a ed., Ed. Globo, Rio
de Janeiro, 1981.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6118 (1978) – Projeto e execução
de obras de concreto armado. Rio de Janeiro, 1978.

ACI – American Concrete Institute. ACI-318 R-02 – Building code requirements for
reinforced concrete and commentary. Detroit, 2002.

Fib – Fédération Internationale du Béton. Structural concrete: textbook on behaviour,


design and performance. Vols. I e II. Sprint-Druck, Suíça, 1999.

FUSCO, P. B. – Técnica de armar as estruturas de concreto. São Paulo, PINI, 1995.

MACGREGOR, J. G. – Reinforced concrete: mechanics and design. Englewood Cliffs,


New Jersey, Prentice-Hall, 1988.

PINHEIRO, L. M.; GIONGO, J. S. – Concreto armado: propriedades dos materiais.


EESC-USP, 1986.