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E. P.

T HOMPSO N*

E. J. Hobsbawm

E. P. Thomps on, historiado r, social ista, poeta, ativista,


orador, escritor - em seu tempo - da mais fina e polê­
mica prosa do século XX, provavelmente gostaria de ser
lembrado pelo primeiro termo dessa lista . E, ':lc fato, quan­
do suas várias campanhas tiverem sido esquecidas, A forma­
ção da classe operária inglesa e mu itos outros trabalh os seus
ainda se rão lidos com admiração e inflamação.
Tanto como historiador quanto na vida pública, Ed ­
ward Thompson proj etou-se como um foguete . A f onna­
ção, publicado em 196 3 e escrito po r um professor da área
de educação po pular praticamente des corulecido for a dos
estre itos círculos da velha e da nova esquerdas, fo i instan ­
taneame n te recon hecido co m o u m clássico e to rno u-se
aqui lo q ue foi certamente o mais influente üvro de história
oriundo do radicalis mo anglo-saxão d os anos 60 e 70. E

.. O riginalmente publ icado no jornal The lndependmt . de 30 de agostO


de 1993 . Rcpu blicado em Radical History RCI·icIV , nU58,1 994. Tradu­
ção: An tonio Luigi Negro. Revis ão: M ichad Ha ll.

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não só entre os rad icais, diga -se. Nos an os 80, T ho mpso n várias "novas esquerdas" dos anos 60 e 70 e, de novo, por
era, de ac ordo com Arts a,nd hummúties citatio n index , o sua m il itânc ia anti nu dear. Re petida m ente , ele parec ia sus­
historiador do século XX mais recorrentemente citado em pender u m ve io de pesquisa eno rmemente promissor para
todo o mundo e um dos 250 auto res mais freqüentemente pe rseguir um a ou t ra presa intelectual. Seu traba lho acerc a
ci ta dos de todos os tempos . Quando se lançou nas campa­ da história social da Grã-Breta nh a pré -in d ustrial, cuj a es­
nhas co ntra O desarmam ento nuclear nos anos 80 , galgo u, cri ta começou a t ransfor mar por me io de profu ndos ensaios
com rapidez im pressio na nte, uma posição similar à des fru­ no início dos an os 70, produziu fi n almente a coletânea COJ ­
tada - num a fase anterior do movimen to - por Bcrtrand tttmes em comtmt (199 1) , pu blicada em ediçao de bolso pela
RusselJ. Não fosse o isolamento da pequ ena esquerda mar­ Pcnguin nas suas ú ltimas semanas de vida. Seu livro sobre
xis ta , o dom de Thomps on pa ra a proeminência teria sido Blake (a q uem, junto co m Vico, Marx e Wi llia m Morris ,
reconhecido desde logo e de forma mais am pla. Em 19 56, via como antepassado ) encontra -se no prelo. I(­

foi (junto com Jo hn Saville) o primeiro lider da opo sição C om o tempo , as fr on te iras entre histó ria e aut o ­
pública ao stalinismo no interi o r do r artido Comunis ta ­ biografia tornaram -se indistintas , tanto que, em certas oca­
do qual éra, há muito, dedicado integrante. siões, vo ltou-se para inqui rir algum as pectO da trajetó ria
As fadas que o visitaram em seu berço - se a metáfo­ dos T hom psons, pois se pens ava profundamente marcad
ra é correta para uma criança filha de missionários meto­ por suas o rigens, em que despontavam sua trajetória e a re­
distas anglo-ame ricanos magnânimos, liberais e de longa lação p6s tuma com seu irmão mais velho, Frank, suposta­
data antiim perialistas - t ro uxeram-lhe muitos dons: um mente mais brilhante e certamente mais favorecido. Frank
poderoso intelecto aliado à intuição de poeta, eloqüência, o p recede u no Partido Comunista c fo i m o rtO aos 21 anos,
amabilidade, charme, presen ça de espírito, uma voz ma­ enquanto trabalhava no Executivo de O perações Especiais
ravilhosa, um a admi rável expressão dramática, que ficou na Bulgária, onde recebeu o modesto reco nheci mento de
grisalha e fendida com o passa r do tempo, carisma e cele­ herói do povo bú lg aro. Tradição e lealdade, dentro e fora
b ridade em profusão. do círculo famili ar, eram caras a Edward Thompson .
As únicas coisas negadas por elas foram capacidade de P rogressivamente, escreveu so bre his tória e qualquer
edição - ele inva riavelmente escreve u mais q ue pretendia outra coisa na ap resentável fi gura de um cavalheiro rural
- e habilidad e para planejar sua carrei ra (co m a exceção inglês (e não britânico) c tradicional d a esquerda rad ical.
de, logo cedo, es posar sua parcei ra e colega h istoriadora Esse papel , embo ra não persuasivo, coadunou-se bem com
Dorothy ). Seguindo um curso intuitivo e flex ível , moveu­ a profundidade de sua imersão n a história de seu povo e
se segundo os ventos e correntes da experi ência política e sua Constituição c com a p:lixao de sua vinculação a homens
da privada, o u d a com binação de ambas. Assim, a produção
historiográfica de Tho mpson fo i interro mpida po r sua • O li vro já se enCOnt ra pu bllcado: Witmss agaimt tlle beast. Cambridge :
Dação de isolamento, co mo um ho mem de esquerda d as Cambridge Uni versiry Prcs~ , 1993 . (N . do T. )

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e mulheres do passado que ele ta nto in terpreto u e que , em pela mesm a escala. Chamemos sim p k sme nte de geni al, no
sua m agnífica sentença, busco u " resgatar [ ... ] dos imensos se otido t rad icional da p:da\'ra . Nenhum t r~, b a lbo de sua
matu rid ad e poderia tcr sido e:;crito po r qu alq uer oLltr.\
a res sup er io res de con des cendência da pos teridade" .
p e ~ soa . Seus admi rJdo re$ pe rdoam -no muiro por isso , in ­
O prim eiro trab alho importante de Thom pso n foi a
clusive por seu hu mor flu tll anrc, um a incerta relação com
biografia de W illiam Mo rris, l{oma ntic to reIJo !tttionm')i (pu­
o rgani zações políticas e seus dirigentes e oc,l sio na is erros e
blicada em 1 9 55 e revista em 19 77) . Suas mai s impo rtan­
tes publicações em história depois de A .fonnação da classe acertos das incu rsões do seu imagi na tivo intelecto pel" teo ­
op erária inglesa vieram a pliblico durante os anos 70 prin ­ ria. SI!US am igos perd oam -no por rudo .
Apó s rom pe r com o Parrid ol11 uni sta em 1956 ,
cipalmente e eram referidas ao século XV III. Senhores e ca­
çado res e AlbionJsfatal tree (de que era co-autor) saíram em persis tiu, es sencialmen te, co mo um lobo soli tir io d.i es ­
forma de livro, assim como a coletânea ale mã de seus bri­ que rda, posição da qual de rivo u um ce rto confo rto ao nao
lhantes e enormemente influentes artigos. Uma versão in­ trajar ill.'> ígnias do sis te ma, algum as d as qu ais a ele injusta­
glesa, mais elaborada, surgiu com C ostumes em comum . * Sua m e nte neg adas . ror um períod o b reve, lecio nou em u rn a
u n ive rsidade b ritâ ni ca, mas d epo is di sso vive u co mo um
influ ência internacional expandiu-se após 1969 , q uando
estu di o so independente , ora ens inand o em u niversidades
passou a integra r o corpo editori al de Past a n d P,'ese nt e
começou a participar d e mesas-redondas internacion ais estran geiras , ora es creve nd o histór ia, teo r ia e po lê m ica
sobre história soci al , organizadas (princ ipalmente ) sob os política, para não mencionar poes ia e pelo menos um ro­
ausp ícios da Maison des Sciences de I'H omme em Paris. Sua mance de ficção científica, TIJe S)'flaos papers (1 988) . Por fim,
principal obra teórica , A miséria da t eoria , el aborada em qu ando nã o atuava, cuidava de seu jardim em Wo rces­
cima de críticas dirigidas a Althusser (então muito influen ­ te rshirc. Morre u ap ós longa enfe rmidade. Igualmente me­
morável como escri tor, co mo trajetó ria púb lica c pri vada,
te) e a algumas teses defendidas por Anderson e Na irn na
legou t raços profu ndo s a tod o s os que o co nheceram e à
New Left Review, apareceu em 19 78.
A obra de Thompson aliou paixão e in telecto, os dons maioria de seus leitores .
Sua mo rte os deixa des o lados. A perda para a vida i n­
do poeta, do narrador, do analista . Ele foi o único historia­
telcctual , par a a his tó ria e para a esqu erda britânica náo
do r que conheci dono não só de talento , brilh antism o e
erudição - e da dádiva da escrita - como também ca pa pode ai nda ser dime nsionada.
de p ro duzir algo qualitativamente diverso de tudo aq uilo
que o resto d e nÓs produ zimos, implausível de ser medi d

• Ou t ra coledn ea d e Th o rnp so n foi publi cad a rcc c m c mc nt e so b o tÍtulo


Makillg lJútory. Writüws ill/?istnry rrnd wlwre. N ova Yo rk : T hc NC \ \i Press,
1994. (N . doT. )

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