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IX

CINQÜENTA ANOS DE FRENTES POPULARES


(1985)

Há cinqüenta anos, em 1936, os primeiros governos de frentes po­


pulares foram formados na França e na Espanha. Isto é, coalizões de
comunistas com socialdemocratas e certos partidos de classe média que
não eram encarados como preliminares imediatas para a revolução e
para o poder da classe trabalhadora. Antes dis so, esses governos sem­
pre foram condenados pela esquerda revolucionária. Eram vistos co­
mo tipicamente socialdemocratas, passíveis de serem dominados, dire­
ta ou indiretamente, pela burguesia e, portanto, passíveis de desvia­
rem o movimento de sua tarefa real, que era fazer a revolução. A úni­
~a e grande exceção a isso ocorria em países coloniais ou semicoloniais,
onde - de acordo com o Programa da Internacional Comunista (1928)
- a ditadura do proletariado não era o objetivo imediato dos comu­
nistas, mas nos quais deveria acontecer uma transição mais ou menos
rápida da burguesia democrática para uma revolução socialista.
Sem entrar na complexa história das primeiras discussões comu­
nistas, deixem-me simplesmente dizer que as frentes populares ou go­
vernos de coalizão, do tipo que esbocei, eram bem novos e chocantes
na década de 30, e levantaram sérios debates dentro do movimento re­
volucionário, debates que não pararam até hoje.1Ptes da guerra. dois
governos de frentes populares fracassaram . Os franceses nunca supe­
raram suas contradições internas e o qüãSc-sentimentalismo dos socia­
listas que lideravam a frente, e ela desapareceu em 1938. Os espanhói.s
enfrentavam o crescimento de Franco e acabaram derrotados em 1939.
Mas os governos de frente populares, enquanto governos de união an­
ti fascista na guerra contra Hitler, formaram-se durante e depois da guer­
ra em bases mais amplas do que as que tinham sido previstas na déca­
da de 30. Em 1946 existiam alguns países que não as possuíam . ETam
a regra nas democracias populares (que recebiam esse nome justamen­
te porque, então, não eram parã ser exclusivamente ~overnos comu­
nistas). E no Ocidente havia ministros comunistas na Austria , Bélgica,

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Dinamarca, F rança, Itália e Noruega, até que foram expulsos ou apo­
riam se juntar a ela, deixando um grupo bastante importante de parti­
~entados com a chegada da guerra fria. Nos países coloniais ou semi­
dos socialistas de esquerda - ou pelo menos aqueles refratários a rea­
coloniais, governos de fren te ampla antiimperialista também eram co­
lizar o rompimento total - vagando no espaço entre a socialdemocra­
muns e m enos controvertidos.
cia e o Comintern. Muito desses partidos tentaram, por pouco tempo,
Depois de 1947, durante vários anos os governos de frent e popu­
se organizar na chamada "Seg unda InternaciQJ1aJ e Meia". ou Sindi­
lar - fo ra das áreas de libertação colonial - não eram viáveis nem
cato de Viena. antes de voltarem para a socialdemocracia, depois de
encorajados. Mas a partir da década de 60 ouve um retorno a esse tipo
1922, pois não tinham mais para onde ir.
de perspectiva, em especial na Itália, na França e na Espanha. Desde
Essa abordagem só tinha sentido na suposição de que a Revolu­
meados da década de 70, a maior controvérsia na política italiana tem ção russa logo seria seg uida por outras revoluções ou que, em breve,
sido a entrada do Partido Comunista no governo, tanto como parte voltaria uma crise internacional que oferecesse perspectivas semelhan­
de uma maioria dos partidos de esquerda reunidos, quanto como par­ tes. No período 1918-20 isso pareceria uma avaliação perfeitamente rea­
te de uma grande coalizão, uma espécie de governo nacional, com ex­ lista. À luz do que aconteceu posteriormente, é meio a-histórico cul­
clusão dos neofascistas e a extrema direita. Por isso, as questões le­ par Lenin por organizar uma Internacional com base na divisão de an­
vantadas por esses governos não são meramente históricas, mas per­ tigos movimentos internacionais - ou do que restou deles - da ma­
tencem à pratica política.
neira mais estreita e mais exclusiva. A situação parecia (e era) revolu­
cionária. E em tal situação, as massas seguiriam os revolucionários mais
consistentes. O ponto vital era ver se eles eram revolucionários, de modo
Perspectivas revolucionárias depois da Primeira Guerra consistente e efetivo, mais do que converter uma porcentagem maior
Mundial de antigos panidos socialistas não-bolcheviques para o comunismo, com
o sacrifício do compromisso.
o movimento comunista internacional foi fundado na suposição
de que uma revolução mundial, ou ao menos um revolução em impor­
tantes regiões do mundo, não só era viável, como iminente. E tal revo­ Para explorar estratégias alternativas
lução não precisaria, necessariamente, ter o formato russo, mas mes­
mo assim a Revolução de Outubro tornou-se, no fundo, o modelo pa­ Maio Comintern tinha se estabelecido de maneira efetiva, quan­
ra o que poderia e deveria acontecer, e para as estratégias, táticas e do ficou claro que suas primeiras esperanças não se realizariam. Desde
organização a fim de que se concretizasse. É por isso que a nova Inter­ o início da década de 20 teve que operar numa situação não­
nacional Comunista insistia em condições muito rígidas e exclusivas revolucionária, pelo menos na maioria da Europa, embora em boa parte
para se ligar à revolução. Exigia um efetivo partido mundial de revo­ do mundo colonial, semicolonial e dependente se pudesse dizer que exis­
lucionários. Obviamente desejava excluir, desse movimento e de suas tia uma situação revolucionária, ou que ela era provável e até iminen­
facções nacionais, a ala direitista dos socialdemocratas que traíram o te. No entanto, nesse ponto, a grande maioria de marxistas não enca­
internacionalismo proletário em 1914, e se revelaram profundamente rava as revoluções coloniais como precursoras imediatas da "ditadura
comprometidos com a sociedade capitalista ou até - a exemplo da Ale­ do proletariado" e da construção socialista. Vejamos o que o Progra­
manha - como seus principais redentores. Entretanto, a Internacio­ ma da Internacional Comunista, em 1928, diz a respeito:
nal também queria excluir qualquer um que estivesse apenas parcial­
mente comprometido com um caminho não-boIchevique e os que não como regra, a transição para a ditadura do proletariado nesses países ape­
quisessem romper total e publicamente com a tradição e a organização nas será possível através de uma série de estágios preparatórios, a exem­
socialdemocr áticas . plo do resultado de todo um período de transformação da revolução
burguês-democrática em revo lução socialista.
Na emoção do momento, havia, depois de 1918, muitos povos e
partidos querendo se declarar comunistas, ou, embalados pelo espírito
Aqui niio precisamos discutir os debates, mais concentrados na
da revolução global e pela radicaJjzação das massas, afiliar-se à Inter­ re\ olução chinesa, que acabariam por conduzir as perspecti vru; políti ­
nacional Comunista. Contudo, a Internacional não queria o influxo cas da libertação colonial a uma visão diferente.
de uma miscelân ea de esquerda, mas um partido internacional bolche­ Por isso, a partir de 1921, o Comintern encontrou-se numa situa­
vique . Por isso rejeitou delibera damente a maioria daqueles que que­ ção difícil, ao ter que elaborar uma estratégia na suposição de q ue di ­
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ficilmente aconteceriam, de fato, outras Revoluções dc Outubro. Isso formações stalinistas) não cra simplesmentc o fato dc que csse partido
era embaraçoso. Como disse Karl Radek, no IV Congrcsso (1922): fosse necessário para fazer a ins urreição . Era neccssário para qualqucr
"Num período em que não há revoltas populares, é particularmcnte forma de luta efetiva pelo socialismo e para sua construção .
difícil dedicar-se a um programa político comunista". Era duplamen­
te embaraçoso, pois os próprios princípios nos quais se baseara a In­
ternacional tornavam agora mais difícil mobiliz ar (c cooperar com) Estratégia da Frente Popular
aqueles amplos setores do movimento que tinham sido designados pa­
ra a exclusão. O Comintern encontrou-se numa posição bastante parc­ Assim, embora as estratégias alternativas fossem exploradas e sUlr­
cida com a de um exército equipado para atacar, dominar e ocupar, gissem ocasionalmente dentro do Comintern na década de 20, f.oLap~­
e que, de repente e sem esperar, sc vê obrigado a assentar-se para en­ nas depo is.9a~~ de 30 q!l~ se desenvQlveram de maneira sistemá­
frentar um cerco prolongado. tica. O movimento esperava de modo vago pela chegada da crise mun­
Para lhe conferir créditos - e hoje a Internacional Comunista re­ CITãI do capitalismo, como algo que produziria automaticamente uma
cebe pouquíssimos créditos -, ela quase imediatamente estabeleceu uma situação revolucionária. Em vez disso, produziu a derrota mais des­
reformulação séria em suas estratégias européias, com O lancam.ento concertante e inegável assistida, sem dúvida, pelo ultra-sectarismo da
da política de Frente Unida, em 1921. No entanto, as discussões sobre linha do Comintern , depois dc 1928.
~o ÇQ,m eço dc 1933, toda a per~pectiva euro.péia da Internacional.
a nova estratégia e a nova perspectiva eram confusas, em virtude de
quatro fatores importantes. Primeiro e mais importante, a esperança jazia em..L,uínas. Hitl~r e.s~va no poder, em um país para o qual Lenin
de um Outubro europeu - ou, ao menos, alemão - não foi abando­ ti vera es peranças de logo transferir os quartéis-generais do socialismo
nada, mas apenas postergada; de início, por pouco tempo, mas, de­ internacional; e o Partido Comunista Alemão estava no exílio, em cam­
pos de concentração ou como um bando ilcgal e caçggo. O fascismo
pois~ a in5~ão na Akmanha. em 1921 por períodos
italiano sentia-se realmente bastante forte a pon to de deixar alguns co­
fiãTs longos - talvez até a próxima crise capitalista. Por esse motivo,
munistas saírem da cadeia, numa anistia em 1932. Havia apenas mais
as estratégias alternativas ainda são vistas amplamente como algo des­
um partido comunista na Europa ocidental com apoio substancial: o
tinado a encher o tempo, até que uma nova crise revolucionária torne
francês (PCF). Mas estava reduzido a 28 mil mcmbros e a 12 cadeiras
possível um novo Outubro mais bem preparado.
no Parlamento. Não se podia mais negar quc o fracasso da rcvolução
Segundo, a opinião dentro dos novos partidos comunistas estava mundial, que ocorreria no período 1917-20, fora mais do que um re­
dividida e, no conjunto, desentusiasmada. Quem se afiliara a eles o cuo temporário. A derrota de 1928-33 tinha um claro significado de
fizera justamente porque queria a revolução e um rompimento total maior permanência, mesmo que por um ano ou mais o Comintern afir­
com a velha tradição socialdemocrata. Estavam prontos para seguir masse o fici alment e que tudo estava bem, embora de um jeito cada vez
a linha mas, deixada a si própria, a maioria simpatizava com o que mais força do. E o mais importante: o_movimento não estava sendQ
estava se tornando de modo cada vez mais claro uma posição sectária. apenas derrotado, mas perseguido. O fascis mo avançava por todos os
Isso era bem marcante no Partido Comunista Alemão (KPD) . lados. Era preciso fazer algum ã coisa, mesmo que fo sse apenas mobi­
Terceiro, as divisões e discussões dentro dos partidos comunistas li zar uma defes a eficaz.
mostravam-se, infeliz mas necessariamente, enredados nas lutas e nos Não precisamos repetir a maneira pela qual a Intcrnacional aca­
debates internos do partido soviético, na década de 20. Essa situação bou adotando a estratégia da Frente Popular, ou repisar os elementos
tornou-se bastante evidente no período 1928-34, quando uma política das primeiras discussões dentro do movimento comunista, que anteci­
de sectarismo quase suicida foi imposta aos partidos, vinda de Mos­ para m a fr ente e a partir dos quais ela se dese nvolveu. Sabemos que,
cou. Não há dúvida de que tal política teve certo apoio dentro dos par­ e~34. a França foi a pioneira, e que, em 1935, a l nternacigné!l ad o­
tidos; mas não penso que se estabeleceria no Partido Comunista Britâ­ rolL~ e~ Q.Q.o oficiaL <:.T §..~~ngr9~ (o primeiro em
nico, por exemplo, sem Moscou. sete anos), qua ndo se reverteu totalmente a antiga política de encarar
Quarto, e de modo mais defensivo, permanecia a tarefa de trans­ a socialdemocracia como o principal inimigo. A nova linha foi imple­
formar os novos partidos comunistas, compostos por grande quanti­ mentada por dois relatórios poderosos e visivelmente sinceros donovo
dade de ex-socialdemocratas, sindicalistas ou pequenas facções de cs­ secrctário-geral da I nternacional, George Dimit ro v;-e dOe seu assisten­
querda, em adequados partidos leninistas. Apesar de tudo, o proble­ te - o novo porta-v ozda Internacional - Palmiro Togliatti, ou "Er­
ma do tipo leninista de partido (com ou sem os desenvolvimentos e de­ co li", como então era chamado.

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o que q uerq ressaltar aqui é que a estratégia da Frente Popular As frentes populares e as frentes nacionais mais amplas tinham
adotada nessa época era mais do que uma tática de defesa temporária, jUC ter uma unidade um pouco mai!> fro uxa - de fato, eram alianças
o u mesmo uma estratégia para se transformar uma derrota em ofensi­ - embora, no decorrer da lut a antifascista, já se começasse a buscar
va . Também constituía uma estratégia cuidadosamente elaborada pa­ uma unidade mais permanente , sob a forma das democracias popula­
ra o avanço do socialismo . Do meu ponto de vista era a primeira e, res ou do s governos ocidentais baseados na unidade de todas as forças
enquanto tal, ainda a única estrat égia desenvolvida para países onde de resistênci a antifascistas. A unidade internaci onal es tava mais imó­
as cl ássicas sit uações de insurreição, do tipo da Revolução de Outubro lelad hoc; embora, mais um a vez, no a uge da aliança de guerm (mas
f o u de outro tipo, não estavam p revistas, mas não eram necessariamen­
te impossíveis. Isso não significava que a estratégra estava destinada
ao sucesso. Nenbuma esh atégia está destinada ao sucesso, pois algu­
isso só depois da abolição do Co mintern), os ru ssos buscassem algo
parecido com seu prolongamento permanente ou semipermanente em
tempO de paz .
mas estão mesmo destinadas ao fracasso . A busca da pílula mágica, Em termos estratégicos, Dimitrov colocava que o p rincípio básico
garantida por cientistas de avental branco e bandeirolas vermelhas, e da nova política era:
as curas garantidas do câncer, do cólera, do reumatismo e do resfria­
do comum - ou de seus equivalentes políticos - pertencem ao campo encontrar uma linguagem comum com as massas mais amplas para os ob­
da autodesilusão e à publicidade, mais do que à política. jetivos de lu ta contra o inimigo de classe; encontrar maneiras de final ­
mente superar o isolamemo da vanguarda revolucionária das massas do
proletariado e de todos os outros trabalhadores; assim como de superar
A U nidade, a essência o fa tal isolall1ento da própria classe trabalhadora de seus aliados natu·
rais, na luta contra a burguesia e contra o fascismo .
Vale lembrar: a essência da estratégia da Frente Popular era a uni­
dade. Tratava-se de um conjunto de círculos concêntricos de unidade: Em suma, a classe trabalhadora vinha sendo derrotada porque se
ao centro, a frente unida dO movjment.ÇLda.....cl asse trafiãIIlado.ra que, permitira ficar isolada . Venceria, isolando seus principais inimigos.
por sua vez, formava a base de umay ente popular anlifascista ainda
mais ampla que, por sua vez, em paíse~ importantes, fornecia a base
para uma freme nacional composta de todas as pessoas determinadas Defensiva e ofensiva
a resistir ao fascismo representado por Hitler, Mussolini e os japone­
ses, e, por fim e ainda mais ampla, uma fr~ejgJ~rnacional de g~e r­ A novidade dessa estratégia estava no uso das mesmas armas para
ª
no~oyos (inciusiv.e.a URSS) cçmtra o f,!scjsrno e guerra. Cada u m propósitos defensivos e ofensivos. Isso porque, desde o início, as fren­
desses círculos teve, como tal, um grau diferente de unidade. tes popu lares não eram encaradas simplesmente como uma desespera­
O objetivo da frente unida era a reunificação dos movimentos tra­ da aliança , necessária e de curto prazo , contra um inimigo que amea­
balhistas, divididos principalmente entre os socialdemocratas e os co­ çava forças que nào tinham nada em comum exceto o medo dessa amea­
munistas. Isso ficava bem claro n<Láre a.sin dical, onde se buscava a fu­ ça. Isso talvez acontecesse, como de fato aconteceu, no~ pontos mais
são de sindicatos socialistãSe comunistas (ou outros) separados em uma
f única federação ; por vezes isso foi conseguido , como na F rança . Na
prática , não se a lmejava a fusão de partidos' socialistas e comunistas
afastados da unidade ant ifa scista . Assim , em 1938, o Partido Comu­
nista Britânico chocou seus seguidores, propondo ampliar seu apoio
a CllUrchill , tal como C hurchill, sem hesitar, em 194 1, chocaria os que
em um único partido da classe trabalhadora, pois as condições para o apoiavam , dando força a Stalin. Nos dois cao;os o motivo era o mes­
essa unidade, estabelecidas por Dimitrov, pressupunham pedir aos par­ mo , p rincipalmente porque até O diabo seria um bom aliado contra
tidos socialdemocratas que se tornassem comunistas, comprometendo-se H itler , caso estivesse preparado para enfremã-lo . Po rém , os governo')
com "a ditadura do proletariado de modelo soviético" e com o "cen­ de frentes populares anLifascist as, baseados na unidade da classe I ra­
tralismo democrát ico" do tipo bolchevique. Apesar diss o, a q uestão balhad ora, O q ue era o resulta do lógico da estratégia, foram desde o
da reunificação política do movimento trabalhista . "de um único p ar­ princípio encarados tam bém como elementos possíveis na transição do
tido poütico de massa da classe tra balhadora", foi formalmente de­ capitallsmo para o socia lismo . O Comi nter n foi ext remamente caute­
clarada urgente, e so b a forma de uma fusão dos partidos existentes, loso e competente em su as fo rmulações sobre o assunto . mas suficien­
mais do que por fazer com q ue as massas saíssem da socialdem ocracja temen te claro para afirmar qu e: " Em in úmeros países o go verno da
e passassem para o comunismo. 'rente unida talvez se comprove uma das mais importantes form as de

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Período de unidade anti fascista
traru;jção" . De mane ira mais genérica, afirmava com clareza que a lu­
ta contra o fascism o era o principal caminho na batalha pelo socialis­ Entretanto, nas décadas de 30 e 40, a linha de separação entre o
mo . D errotar o fascismo significava também dar um golpe importante fascismo e o antifascismo era de fato a luta de classes, e a estratégia
no capitalismo. das frentes populares fez com que a esquerda enfrentasse o fascismo
Embora nem sempre fossem colocados com grande clareza para com grande número de aliados. Assim, acima de tudo, estava eviden­
o público, os argumentos para isso eram os seguintes. O fascismo cons­ temente defendendo a si mesma, seus aliados e suas nações contra um
tit uía a expressão lógica do capitalismo monopolista, que reduzira o ataque fascista. E mais, na medida em que essa defesa era necessaria­
controle efetivo da economia a um punhado de grupos ou corporações mente armada - a exemplo da Espanha e, mais tarde, na Segunda
ultrapoderosas - as "duzentas familias " , como diziam os francese s. Guerra Mundial - transformou-se numa luta revolucionária, onde os
E sses importantes grupos do poder capi talista concentrado , num pe· comunistas eram capazes de ampliar sua influência, às vezes de forma
ríodo de revolução, e de intensificação da luta de classes, viam sua gran­ decisiva, em virtude da obviedade de sua eficácia e liderança. Não po­
de sal vação no fascismo de seus países de origem ou fora deles. Eis demos esquecer gue o p~ríd.9 da es! ratégia da uni5iade antiiascista aca­
o que os franceses reacionários colocaram abertamente, quando tive­ bOU levando não apenas a algo dificilmente concebível na Europa Ocien­
ram que enfrentar um governo de frente popular em seu país: "Me­ tal l.-a saber, à ~I]" ilha - numa escala muito maior do que qualquer
lhor Hitler do que Léon Blum". De fato, o grosso dos grandes negó­ coisa, digamos, na América Latina desde a guerra - man ambém (e
cios franceses escolHeu o caminho lógico de colaborar com os alemães, mais importante) à~ansão do poder socialista p~ra grandes ár ~s
e boa parte das indústrias privadas, depois da guerra, foi desapropria­ dÊ_Europa oriental. Boa parte dIsso, mas não tudo . d~veu-se ao Exé!;
da não pelo fato de elas serem part iculares, m as por terem colabora­ cito Vermelho. Na Iugoslávia, na AlbânLa Lprovavelmente em maior
do , a exemplo da Rcnault. Nesse sentido, o apelo para a luta a ntifas­ es,cala na Bulgária, e na Grécia (até que foi abafado pela intervenção
cista também era, de fato, um apelo contra os setores do capital mo­ britânica)'li.ãvllgenüTriol moviment01. de liberas ão internos.
nopo lista mais podcrosos, perigosos e decisivos. Não se tratava de uma Além disso, considerando-se o ponto de vista mais limitado do su­
luta contra a burguesia como tal, como argumentou Manuilsky em sua cesso dos partidos comunistas, o período da unidade antifascista foi
avaliação do Congresso (lnprecorr, 17 dez . 1935): tão brilhante quanto a década de 20 fora decepcionante. Não existia
partido comunista, por mais insignificante que fosse, que não tivesse
En quanto enfraquecemos o pode r desses elementos, ao mesmo tem· ganho um terreno relativamente grande. Já mencionei a situação de­
po enfraquecemos o poder da burguesia como um todo, porque ... (ela) sastrosa desses partidos em 1933. Doze anos depois, no final da guer­
está inclissolu velmente vinculad a aos elementos do capital financeiro mais ra, os partidos europeus estavam no auge, com exceção do KPD (da
reacionários, mai s chal! vinis tas c mais imperialistas . Alemanha Ocidental), que nunca se recuperou depois de Hitler, e o
Partido Comunista Espanhol (PCE), que partilhou da derrota da Re­
Tal posição revelava-s e otimista em excesso por duas razões. Pri­ pública infligida por Franco.
mei ia , porque nem todas as burguesias e nem mesmo todos os grandc.~ Pela primeira vez, na França e na Itália, o ~artido era (ou estava
grupos de capital monopolista partilhavam dos id eais fas cistas e , por se encaminhando para tornar-se) o órgão m aj qtitátio da classe traba­
conseguinte, seriam vulneráveis ao ataque nesse campo. Os norte­ lhadora. Mesmo em países onde nunca conseguira qualquer apoio com­
americanos e os britânicos acabaram por combater o fascismo. Segun­ parávef ao dos socialistas, seu voto cresceu bastante: 13% na Bélgica
da (c co m um sentido mais sério), porque s upunha-se que o fascismo (ou mais do dobro em seu melhor desempenho anterior), 12,5% na Di­
seria uma fase duradoura do desenvolvimento capitalista, que a demo­ namarca (ou cinco vezes mais que seu melhor desempenho anterior),
cracia burguesa fora permanentemente abando nada, no sentid o de não 23,5% na Finlândia (ou quase o dobro de seu melhor desempenho),
mais se comp atibiliza r com o ca pitalismo e, como resu ltado, a defesa 10070 na Holanda (ou quase três vezes mais que seu melhor desempe­
da democracia liberal to rnou-se basicamente antica pitali sta. Na déca­ nho), 12070 na Noruega (ou o dobro de seu melhor desempenho), 10070
da de 30 isso não era impossível. Muitos de nós acreditávamos niss o . na Suécia (ou quase o dobro). Mesmo na Grã-Bretanha, devemos lem­
Mas, à medida que se desenvolveu , o fascismo revelou-se uma fas e tem­ brar, os dois candidatos comunistas eleitos para o Parlamento em 1945
porária e regional do capitalismo mundial, o qual, depois de 1945 , vo l­ marcaram o ponto máximo de um modesto desempenho eleitoral.
tou para uma versão modi ficada e burocratizada da de mocracia liberal. Em certo sentido, o período da unidade antifascista foi, portan­
to, um grande sucesso . Ele reverteu a tendência global para o fascis­

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mo, der rotou o fascism o e, acima de tudo, tiro u os partid os comu n is­ Política de longo alcance
tas de seu isolamento sectário. Se o PCF e o P CI substituíram o parti­
do sociafu ta como o maior partido da classe trabalhadora em seus paí­ Mas de nt ro do C omintern exi stiam out ras perspectivas . COlJ tudo,
ses , isto deveu-se às experiências do período an tifascista . Por outro la­ havia apenas insinuações, p orque aqueles que a ntes haviam estimula­
do, a possível contribuição dos governos de frentes populares para uma do tais perspectivas foram condenados e expulsos como direitistas di­
transi ção ao socialismo é muito mais discutível. vergentes, a exem plo de Geor g L ukács , que, entre 1928 e 1956, foi afas­
tado da política e levado à cr ítica literária por essa razão. Antoni
G ra msci (cujo amigo T o gliatti era agora o principal porta-voz da In
Debate no movimento internacional tern acional) tinha elaborado uma política baseada na suposição de qu
a oportunidade perdida em 1917-20 não se repetiria, e que os partido
Na verdade, dentro do movimento comunista, havia uma profun­ comunistas deveriam conceber não uma frente ofensiva de curta dura
da divergência (nem sempre consciente) sobre essa questão. A URSS ção, mas uma guerra de posições prolongada - uma política de long
estava interessada, antes de mais nada, em sua própria segurança ­ alcance De fato, eles precisavam ganhar a liderança de uma ampl
em especial contra a agressão alemã - e em alianças diplomáticas pa­ aliança de fmças sociais e manter essa liderança durante um prolonga-\
ra salvaguardá-la. Acho que é mais seg.!!L0 d ~e L q ue ela estava seria­ do período de lransição, no qual a real transferência de poder fos~ {
mente interessada nas frentes populares a~na~esse pOllt_o de vista, apenas um episódio. ,
e não da perspectIva de fazer revolus~o l!..de cr.il! L.Q.~j bilidades de No Ocidente, os comunistas não se deparavam com um Estado
t iãiiSIção para o soci alis mo em outros paí~. Uma vez que a derrota que teria apenas de entrar em colapso para a classe trabalhadora che­
e a destruição dãOR~ representaríam um retrocesso fatal para o mo­ gar ao poder. O Estado era somente a primeira linha de defesa da bur­
vimento, no mundo todo, os partidos comunistas também estavam pre­ guesia . Por trás dele havia todo um sistema de defesas e cidadelas ­
parados para subordinar tudo à defesa da URSS, embora isso não os as instituições da sociedade civil que estabeleceram a legitimidade da
impedisse de fazer planos para o avanço do socialismo em seus pró­ dominação burguesa. Para citar Ka rl Radek , num texto de 1922:
prios países.
Mas quais planos? Existia uma perspectiva de esquerda que ainda no Ocidente, as massas trabalhadoras não vivem tão amorfas ... elas per­
acreditava que era essencial um retorno à clássica visão re volucioná­ tencem a partidos e se apegam a eles. No Leste, na Rússia, foi mais fácil
ria. Se uma frente ampla fosse absolutamente necessária (e, dentro do trazê-las para o lado comunista depois da precipitação da tempestade re­
Comintern, Bela Kun, Lozovsky e alguns outros não estavam nem um volucionária. Nos países de vocês é muito mais difícil.
pouco cOm'encidos disso) ela deveria atirar (como de fato atirou) a bo­
E também Dimit ro v, num texto de 1935:
la de golfe da revolução para fora da armadilha (bunker, do jogo de
golfe) na qual ela havia se enredado, por volta de 1933, depois do que
É um engano comum um indivíduo de esquer da imaginar que, assim
o jogo continuaria como antes. O slogan da Frente Popular conduziu que a crise política (ou revolucionária) emerge, basta q ue os líderes co­
a um enorme fortalecimento e revitalização da esquerda, tanto na Fran­ munistas lancem um slogan de insurreição re volucionária para que as mas­
ça como na Espanha. A vitória dos governos de frentes populares pro­ sas os sigam.
duziu uma radicalização espo ntânea nas mass as, nos dois países , onde
(de acordo com certos argumentos) deveria ter sido usada para tentar A Luta pela hegemonia durante um longo período impli ca duas coi­
tomar o poder na França c que, na verdade, produziu uma revolução sas. priffie1ã, mesmo 110 cidentc , o s ogan e uma t r~imedia­
social na Espanha, quando Franco implantou seu regime. Não quero ta para a "ditad ura do proletari ado " só foi co rreto em circunstâncias
discutir as críticas das políticas comunistas que foram fei tas sobre es­ excepcionais . Segunda , os comunistas erraram ao recusarem qualquer
ses episódios. N!as quero d izer gue não~credito g ue houvess~a...&: posto no governo , a menos que realizassem sua própria revol ução.
tuação revolucionári a na Fran a, em 1 e que, na Espan ha, a ne­ Dav a- ~ e o inverso : quanto mais recusavam, mais deixavam a hegemo­
cessidade de errotar Franco inevita velmente dominou a política do nia nas mãos da burg uesia, condenando-se a posições subalternas.
governo da frente popular. Na medida em qLle os governos de frentes populares era m vis[Os
como possíveis regimes de transição para o sociali~mo, eles pressupu­
nha m que a ditadura do proletariado não constitufa o program a im e­

130 13 1

'-­
diato dos comunistas, e que poderia haver uma fase intermediária en­
tre o domínio da burguesia e o socialismo. (Cá estou eu, discutindo tenciaram a classe trabalhadora à impotência e abriram caminho para
o sentido do termo "ditadura do proletariado" que agora tem tantas o fascismo" (grifo meu). Trotsky e outros ultra-radicais da época re­
conotações que alguns partidos comunistas ocidentais o estão abando­ jeitavam a própria idéia de uma ampla aliança antifascista e, quando
nando). Porém, como estava tentando mostrar acima, havia uma fra­ ficou claro que isso estimularia um ressurgimento notável e um cresci­
queza fundamental nessa análise. Fazia sentido supor-se que o capita­ mento do movimento, rejeitaram-na por não propiciar o surgimento
lismo estivesse fatalmente enfraquecido com a derrota do fascismo. Co­ da revolução clássica. Nª-.Çlécada de 70. as atitudes da ultra-esg~ccla
mo vimos, não foi bem assim. Depois da guerra ainda fazia sentido el!! relação ao Chil! seguiram mais ou menos essa mesma linha de
- embora um sentido menor - supor que o capitalismo não se recu­ raciocínio.
peraria. Contudo, como sabemos, ele se recuperou. Fazia sentido su­ Tal posição provocava (e provoca) uma incompreensão a respeito
por que um governo de frente popular estivesse de tal forma inclinado da situação na qual surgem as frentes populares. Alianças amplas de
para a esquerda que não pudesse retroceder para uma coalizão bur­ grupos e partidos, incluindo as frentes populares, mostram-se necessá­
guesa, com um apêndice socialista ou comunista. Mas com exceção da rias apenas quando o partido da classe trabalhadora não é bastante
Europa oriental do pós-guerra, foi o que aconteceu. Os governos da forte para vencer sozinho. E raramente o é. Mas quando essas alianças
unidade antifascista da Europa ocidental podiam se livrar dos comu­ ou frentes mostram-se necessárias, elas formam, justamente por isso,
njstas quando quisessem, e de qualquer forma os mantinham em posi­ uma variedade de grupos e organizações com opiniões diferentes, al­
ções subordinadas, a exemplo do cargo de ministro do Trabalho, onde gumas das quais nem mesmo são socialistas. Unem-se somente contra
poderiam levar a culpa das políticas governamentais impopulares. um inimigo comum ou por um programa comum, que represente ape­
Depois da guerra, é bem verdade que na Europa oriental aconte­ nas um primeiro passo para alguns participantes, enquanto para ou­
ceram genuínas alianças governamentais, que não eram meramente re­ tros pode marcar o ponto mais avançado ao qual estejam preparados
gimes comunistas travestidos, embora a ala esquerdista do movimento para ir naquele instante. Isso advém do fato de não serem social e poli­
comunista - liderada na época pelos iugoslavos - encarasse tal fato ticamente homogêneos . Em suma, se tais alianças devem ser mais do
como indesejável. Por isso, em 1946, Dimitrov disse: " tiossa tarefa que breves interlúdios políticos, os socialistas dessas alianças devem
imediata não é a realização do socialismo, mas a consolidação do sis­ convencer e manter seus aliados ou, ao menos, neutralizá-los. Se não
tema democrático e parlamentar". A "democracia popular" ainda não ,c onseguirem, eles voltam a ser um grupo minoritário e relativamente
setornara slnõllim-ode~a 'd o Partido Comunista, nem era a úni­ impotente. Com efeito, podem até ficar em situação pior, se sua polí­
ca forma de desenvolvimento - padronizada pelo modelo soviéti tica tiver hostilizado os antigos estratos aliados, neutros ou indiferen­
- iw-posta aos Estados europeus do Leste. Mas. com o surgimento tes, permitindo que sejam manipulados pelo inimigo de classe.
I da guerra fria, isso acabou. E pouco restou da perspectiva de uma tran:
. sição gradual para o sod alismo, de acordo com as condições de cada
país, ~)2QIl ~ títul o "democracia popular" perder o sentido. Algumas críticas
O líder comunista italiano Berlinguer acertou ao apontar que tal
A situação em que as frentes populares emergiram situação acontece desse jeito em países como o seu, quer existam ou
não frentes populares. Mesmo que o PCI obtivesse 51 % dos votos ­
As críticas feitas pela ultra-esquerda ocidental sobre as frentes po­ ou até mais - e implantasse um governo socialista puro, ainda assim
pulares e as alianças amplas visam um desenvolvimento similar. Tais teria que levar com ele os outros 49% . A análise italiana sobre a trági­
govenos são rejeitados, a não ser que sejam precursores imediatos do ca experiência chilena diz que Allende fra~sou nà~õy'õLq!!~ iua Uni­
poder socialista, ou seja, a menos que desistam de funcionar como fren­ dadr tQpular (oi)ecnicãfuente i~ az ãe derrotar o militarismo, mas
tes populares e tornem-se "ditaduras do proletariado". E aqui ecoam porque alienou grandes setores da popui~ãOqueaeverian1tê:ta apoiâ ­
na atual ultra-esquerda as opiniões de Leon Trotsky, que rejeitava as do, ou pelo menos que nã o deveriam ter sido deixadõS à vontade ou
políticas do Comintern da maneira mais selvagem e sectária, embora
antes de 1934 criticasse seriamente o sectarismo desastroso do Comin­
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estimulados-a se cõnfrontareffiCÕm a lJI>demodõ1 ao encarniçado.
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Dessa forma, ela isolou-se justamente no momento do perigo e mum­
.

terno Na verdade, ele parecia acreditar que as frentes populares "sen­ dou os conspiradores militares, tanto com um álibi para o golpe, quanto
com um mínimo de base maciça temporária de apoio social para o tal
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A estratégia que a reação teme
Mesmo com todas essas criticas, as fre ntes populares continuam
sendo, até hoje, a estratégia socialista que mais assusta os inimigos.
Eles não temem as barricadas instaladas em Milão ou em Pari s, mas
sempre se apavoram com a unidade, fat o q ue consideram um pe rigo
en onne. Por que os norte-americanos gastaram tanto dinbeiro e ener­
gia, na década de 50, rachando os movimentos sindicais nacionais e
internaciona is, e também qualquer partido progressista ou soci ali~ t a
(a exemplo do italiano) disposto a cooperar com os comun istas? Por
que os ideólogos inventaram o mito de que ninguém poderia cooperar
com os comunistas sem ser engolido por eles, a não ser para desenco­
rajar tal cooperação? (De fato, essas al ianças têm tanto beneficiado
quanto prejudicado os não-comunistas, que se livraram dos comunis­
tas depois que estcs serviram a seus propósitos. Os comunistas nunca
consideraram esses fatos como razões para condenarem , em principio,
todas as alianças .) Qual o motivo daquele outro mito, segun do o qual
nenhum povo jamais elegeu livrement e um governo vermelh o
Por q ue, durante a década de 70, o governo norte-americano, atra­
vés de seus embaixadores, avisou aos parúdos socialistas europeus pa­
Com isso não q uero dizer que os governos de frent es populares não ra se manterem afastados de qualquer contato com os comunistas? Por­
devam ser criticados . Eles talvez não tentem um avanço na direção do que ele repetia (e repete) todos os dias q ue é intolerável a entrada de
social ismo e p ortanto nã o consigam passar de coali zões co muns e tem­ comunistas em qualquer governo, seja italiano ou nicaragüense'? Por
porárias. Acho que a Frente Popular francesa de 1936 abre-se a essas que a reação italiana, como sabemos agora, conspi ro u em segredo pa­
críticas. Tais governos talvez tenha m confiado demais , pensando que ra fo mentar golpes contra governos que desejassem incluir o Partido
estavam sendo levados na direção correta por inevitáveis fo rças históri­ Comunista, e para aplaudir - e talvez até apoiar - o assassinato ultra­
cas. Como deixei sugerido acima, ess a foi a fraqueza do argumento de esquerdista do estadista democrata-cristão mais favorável a essa polí­
que a derrota do fascismo deveria provocar o decl ín io do capitalismo , tica? Porque ela temia a estratégia de ampla aliança. Essa reação pre­
ou de que o capitalismo, depois da guerra, não conseguiria recobrar sua fere que os revolucionários se isolem; quanto mais sectário o espírito,
iniciativa e seu dinamis mo . Isso significou que os comunistas partici­ melhor. Os reacionários sabem que, na maioria dos países em que o
pan tes desses governos não realizaram o bastante para mudarem as es­ socialismo teve êxito, isso fo i ocasionado pelas amplas frentes lidera­
truturas pollt icas de seu ~ países. Por exemplo : pode-se argumentar q ue das pelos comunistas - fossem ou não fru tos de frent es populares ­
O PCI, em J 945 (quando tinha por trás o peso de uma insu rreição anti­ mais do que através da ação isolada de revolucionários mao;istas . Ne­
fascista), vacilou em destru ir a estrutura da vellia bu rocracia fascista nhuma guerra de liberação teria sido ganha em outros term os.
e O poder po}[tico da Igreja. conriando demais numa Cons tituição nova Às vezes, vale a pena lembrar qual o maior medo do ini migo . Ho­
c evidentemente muito progressista, que ele aj udou a redigir. As frentes je, apesar de duas gerações de críticas de esquerda. o que o inimigo
populares também podem ser criticadas por falharem ao avalia r os gran­ mais teme - em especial nos países europeus desenvolvidos - ainda
des e sérios problemas de se tra nsformarem coalizões ou alianças elei­ é o tipo de estr atégia adotado pela primeir a vez de modo sislemálico
orais heterogêneas. e que se suspeitavam mutuamente, em go vern os pelo m ovimento comu nista internac io nal na década de 30.
q ue imp lantassem Teformas efetivas. Essa crítica certamente pode ser
feita à Unidade Popular chilen a. Por fim, as frentes o pU la res às vezes
podem ser criticadas po r não a valiarem direito o fato SICO de que o
g<5verno, em Sl, nao ê o p~llC'OS-goV'emos reJ ormlstasque se"ãf({S>o.
tám muitõêran:tãsSes do mI óames podem ser destruidos por elas , por
seus aliados o u por seus apoios esrrangeiros .
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