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68 . Matull . o p . cil .. p . 34.

69. (jutlsman, a r . cit. , p . 169. Para a comp os ição de órgãos se melhantes nn 6. H omem e Mulher: Imagens da Esquerda
Áustria , veja Lan gew iesche, op . cito
70. Stephan Hermlin. Ahendlichl Leip zig. 1979 . pp . 3)·6 .

As mulheres freqüentemente salientaram que os historiadores


do sexo masculino no passado , inclusive marxistas , ignoraram
grosseiramente a metade feminina da raça humana. A crítica é
justa: este escritor aceita que se aplique à sua própria obra. Entre·
tanto, se esta defici ência deve ser corrigida, não poderá ser sim·
plesmente pelo desenvolvimento de um ramo especializado da histó·
ria que lide exclusivamente com as mulheres, porque na sociedade
humana os dois sexos são inseparáveis. l O que também precisamos
estudar são as formas em mudança das relações entre os sexos,
tanto na realidade social, quanto na imagem que cada sexo tem
do outro. O presente trabalho é uma tentativa preliminar de fazer
isto em relação aos movimentos revolu cion ários e socialistas do
século XIX e do iníci o do século XX , por meio da ideologia ex­
pressa nas imagens e emblemas associados a estes movimentos .
Visto que estes eram em proporção esmagadora desenhados por
homens, é naturalmente impossível supor que os papéis sexuais que
eles representam expressem as visões da mai oria das mulheres.
Contudo, é possível comparar estas imagens de papéis e relaciona­
mentos com as realidades sociais do período e com as ideologias
mais especifica mente formuladas dos movimentos revolucionários
e socialistas.
A possibilidade de tal comparação é a suposição que funda·
menta este estudo. Não se propõe que as imagens aqui analisadas
reflitam diretamente realidades sociais, a não ser onde elas foram
especificamente planejadas para fazê-lo , como nas gravuras que
pretendiam ter valor documental e , mesmo as sim , é certo que elas
claramente não só refletiam a realidade. Minha suposição é apenas
a de que nas imagens pl anejadas para serem vistas e terem um
impac to sobre um público amplo, por exemplo, de trabalhadores,
a <!xperiência que o público tem da realidade coloca limites no
grau em que as imagen s possa m divergir daquela experiência. Se o
capitalista, nas cari ca turas sociali stas da Belle tpoque , não fosse

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Ela era, para Balzac , de linhagem camponesa: " pele morena e
habitualmente apresentado como um homem gordo usando uma ardente , a própria imagem do POVO·'.H Ela era orgulhosa, até mesmo
cartola e fumando um charuto, mas como uma mulher gorda , estes insolente (palavras de Balzac) e, assim, o próprio oposto à imagem
limites permissíveis teriam sido superados e as caricaturas teriam pública das mulheres na sociedade burguesa. E, como os contem­
sido menos eficazes; porque a maioria dos patrões não era apenas porâneos enfatizam, era sexualmente emancipada. Barbier, cujo
imaginada como masculina, mas era composta de homens . Não se La Curée é certamente uma das fontes de Delacroix, inventa para
infere que todos os capitalistas fossem gordos com cartolas e cha­ ela uma história completa de emancipação sexual e iniciativa:
rutos , embora estes atributos fossem, de pronto, entendidos como
indicativos de riqueza na sociedade burguesa e tivessem de ser qui ne prend ses amours que dans la populace,

compreendidos como específicos de uma forma particular de rique­ qui ne prête son large flanc

za e privilégio, em oposição a outras, por exemplo, a dos nobres. qu'à des gens forts comme elle *

Tal correspondência com a realidade era evidentemente menos ne­


cessária em imagens puramente simbólicas e alegóricas e, entretanto. enfant de la Bastil/e ("fruto da Bastilha") , depois de ter espalhado
mesmo aqui elas não estavam completamente ausentes; se a divin­ excitação sexual universal a sua volta, cansou-se de seus primeiros
dade da guerra tivesse sido apresentada como uma mulher, teria amantes e seguiu as bandeiras de Napoleão e um "capitail1e de
sido com a intenção de chocar. Interpretar a iconografia desta ma­ vingt ans" ("capitão de vinte anos "). Agora ela voltava ,
neira. naturalmente, não é fazer uma análise séria da imagem e do
símbolo. Meu objetivo é mais modesto. toujours belle et nue (minha ênfase, EJH)
Comecemos com talvez a mais famosa das pinturas revolucio­ avec I'echarpe aux trois couleurs, * *
nárias, embora não fosse criada por um revolucionário, Liberté
guidant le peuple (de Delacroix, datada de 1830). Este quadro para vencer as "Trois Glorieuses" (a Revolução de Julho) para seu
será familiar a muitos: uma jovem com os seios nus, com um povo. 4
barrete frígio e com uma bandeira, pisando sobre pessoas caídas, Heine, que comenta o mesmo quadro , estende ainda mais a
seguida por homens armados, em roupas características . As fontes imagem em direção a outro estereótipo ambíguo da mulher inde­
da pintura foram muito pesquisadas. 2 Quaisquer que elas sejam, pendente e sexualmente emancipada, a cortesã: "uma estranha mis·
sua interpretação contemporânea não está em questão . Considerou­ tura de Phryne**" peixeira e deusa da liberdade".fi O tema é reco­
se a liberdade não como uma figura alegórica, mas como uma nhecível: Flaubert em Education Sentimentale volta a ele no con­
mulher real (inspirada sem dúvida pela heróica Marie Deschamps, texto de 1848, com sua imagem da liberdade como uma prostituta
cujas proezas inspiraram o quadro). Ela foi vista como uma mulher comum nas Tulherias saqueadas (embora operasse a transição bur­
do povo, pertencendo ao povo, à vontade no meio do povo: guesa habitual da equação liberdade = boa, para aquela de licen­
ciosidade = má): "Na antecâmara, muito ereta , sobre uma pilha
C'est une forte femme aux puissantes mamelles .
de roupas, estava de pé uma mulher das ruas posando como uma
à la voix rauque, aux durs appas
estátua da liberdade" . A mesma conotação é insinuada pelo rea­
qui ...
cionário Félicien Rops, que tinha realmente representado " a co­
Agile et marchant à grands pas
muna personificada por uma mulher nua, com um casquete de sol­
Se plalt aux cris du peuple. ( . .. )

8arbier. La curée .:o


• Que escolhe seus amantes somente entre as massas.
~ Uma mulher forte, seios fartos
que dá seu corpo forte somente a homens tão fortes quanto ela.
" Ainda bela c nua com a faixa tricolor,
Com voz rouca e encanto bruto

'" Bela cortesã grega.


Ela anda com passos largos confiantes

Regozijando-se com o clamor do povo. ( .. . ,

125
124
dado na cabeça e uma espada a seu lado",1l uma imagem que não não-alegórica (isto é, vestida) c obviamente militante . em pelo mc­
ocorreu apenas a ele. Seu poderoso Pellple é uma jovem nua, na nOS uma ilu st ração estrangcira. 1 (1
postura de uma prostituta. usando apenas meias e uma touca de O conceito revolucionário de república ou liberdade, assim,
dormir . possivelmente insinuando o barrete frígio, as pernas abertas continuava a ser uma mulher nua, ou mais provavelmente com os
l:om o sexo à mostra.
7 <;c ios nus. A célebre estátua da Republique . de Dalou. partidário da
A novidade da Liberté de Delacroix, portanto, reside na iden­ Comuna de Paris. na Place de la Nation , ainda tem pelo menos um
tificação da figura feminina nua com uma mulher real do povo, dos seios nu. Somente a pesquisa poderia mostrar até onde a rcve­
uma mulher emancipada e desempenhando um papel atuante - de la<,:ão do seio guarda esta associação rebelde ou , pelo menos, pol ê­
fato, de liderança - no movimento dos homens . Até onde esta mica, como talvez na caricatura do período de Dreyfus (janeiro de
imagem revolucionária pode ser pesquisada , é uma pergunta que 1898) , em que uma Marianne jovcm e virginal , com um seio ex­
s posto, é protegida contra um monstro por uma justiça matronal e
deve ser deixada para os historiadores da arte responderem. Aqui
armada com a frase: "Justiça: Não tenha medo do monstro! Eu
podemos observar apenas duas coisas. Primeiro, sua realidade con­
estou aqui" .ll Por outro lado . na República institucionalizada. Ma­
creta a exclui do papel alegórico costumeiro das mulheres, embora
rianne, apesar de suas origens revolucionárias. está agora vestida
ela conserve a nudez de tais figuras e sua nudez seja, de fato. enfa­
de forma normal. embora leve. O reino da decência se restabeleceu .
tizada pelo pintor e observadores. Ela não inspira ou representa:
Talvez também o reino das mentiras. já que é característico da fi­
ela age. Segundo , ela parece claramente diferente da imagem icono­
gura feminina alegórica da verdade - qu e ainda aparece. com
gráfica tradicional da mulher como lutadora atuante pela liberdade.
freqüência. notoriamente nas caricaturas do período de Oreyfus ­
em especial Judite, que, com Davi, tão freqüentemente representa
que ela devesse estar nua . 12 E, de fato. mesmo na iconografia res­
a luta bem-sucedida do fraco contra o forte. Em oposição a Davi e peitável do movimento operário britânico da Inglaterra vitoriana,
f ud ite , a Liberté de Delacroix não está sozinha, nem represen ta ela permanece nua como no emblema da Sociedade Unida dos Car­
a fraqueza. Ao contrário, ela representa a força concentrada do pinteiros e Marceneiros (ASCr - Amalgamated Societ)' 01 Carpen­
povo invencível. Já que "o povo" consiste em um conjunto de clas­ ters and loiners), em 1860,1:\ até que a moralidade do final da era
ses e profissões diferentes e é apresentado como tal, 11m símbolo vitoriana prevaleça.
geral não identificado com qualquer delas é desejável. Por razões Em geral, o papel da figura feminina, nua ou vestida, diminui
iconográficas tradicionais, este símbolo deveria ser provavelmente nitidamente com a transição das revoluções democráticas plebéias
feminino. Mas a mulher escolhida representa "o povo" do século XIX para os movimentos proletários e socialistas do sé­
A Revolução de 1830 parece representar o ponto culminante culo XX . Em certo sentido, o problema principal deste estudo con­
desta imagem da liberdade como uma atuante jovem emancipada, siste nesta masculinização das imagens do movimento operário e
aceita como líder pelos homens , embora o tema continue a ser po­ Soc ialista.
pular em 1848 , sem dúvida por causa da influência de Delacroix
Por razões óbvias. a trabalhadora proletária não é muito re­
sobre outros pintores. Ela permanece nua , de barrete frígio na
presentada pelos artistas, fora as das poucas indústrias onde a pre­
Répuhlique de Millct , mas seu contexto agora é vago. Ela perma­
se nça feminina era predominante . Isto, certamente, não se deveu ao
nece uma figura de líder no esboço de Oaumier de The Uprising
preconceito. Constantin Meunier. o belga qu e foi pioneiro na idea­
(O Levante). mas, mais uma vez. o contexto é vago. Por outro
lização típica do trabalhador do sexo masculino. pintou - e em
lado. em bora não haja muitas representações da comuna e da li­
menor escala esculpiu - mulheres assalariadas tanto quanto ho­
berdade em 1871, elas tendiam a estar nuas (como nO àesenho dc
mens: algumas vezes, como no Le Rétour dC'$ iV/ines, de 1905,
Rops mencionado' antes) ou com os seios nus.!l Talvez o papel nO­
lrabalhando junto com homens - como as mulheres ainda o faziam
toriamente atuante. desempenhado pelas mulh eres na comuna, tam­
nas minas belgas 1 ,I Entretanto. é provável que a imagem da mu­
bém l:olabore para a simbolização desta revolução por uma mulher
lher como trabalhadora assalariada e participante at iva junto com

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diante dele . A bandeira in tirula-se "O T riu nfo do Operariado"
os homens na atividade política l ~ se deva em grande parte à in­
e re p resenta a filial Sou thend-on-Sea da União N aci onal de Traba­
fluênci a w cialista. Na Grã-Bretanha não se torna visível na icono­
lhadOres em Geral, um outro sindicato socia)jsta. A filial de Totte­
grafia sindical até que se sinta esta influência . 16 Nos emblemas dos
nham do mesmo sindicato tem a mesma jovem, desta vez com o
sindicatos bdtânicos pré-socialistas, não-influenciados por intelec­
cabelo esvoaçante, seu vestido com a legenda " Luz, Educação ,
tuais , mulheres reais aparecem principalmente naquelas pequenas
O rganização Industrial , Ação Política e Internacion al Verdadeira " ,
imagens através das quais os sindicatos anunciavam sua ajuda fra­
apontando a terra prometida na forma de um pátio de rec reio de
terna aos associados em desgraça : benefício de doença , acidente ou
crianças para o costumeiro grupo de trabalhadores. A terra prome­
funerário. Elas se postam à cabeceira do marido doente, enquanto
tida traz o lema "Conquiste a Comunid ade Cooperativa " e a ban­
os colegas dele vêm visitá-lo, portando a faixa de seu sindicato.
deira inteira ilustra o slogan " Produtores da Riq ueza da Nação ,
Cercadas pelos filhos, elas apertam as mãos do representante do
Unam-se! E assegurem seu quinhão n o mundo ".18
sindicato, que lhes entrega dinheiro depois da morte do arrimo de
família . Estas imagens são tanto mais significativas po rq ue estão obvia­
mente ligadas ao novo movimento socialista, que desenvolve sua
Naturalmente, as mulheres ainda estão presentes sob a forma
própria iconografia e porque (em oposição ao velho vocabulário
de símbolo e de alegoria, embora perto do final do século XIX,
alegórico ) esta nova iconografia em parte se inspira na tradição
nos emblemas dos sindicatos , na Grã-Bretanha, não se encontrem
das imagens revolucionárias francesas , das quais a Liberté de Dela­
quaisquer figuras femininas, especialmente em indústrias totalmente
croix também se origina. Estilisticamente, na Grã-Bretanha pelo
masculinas como mineração de carvão, fundição de aço e simila­
menos, esta nova iconografia pertence ao progressista movimento de
resY Contudo. as alegorias do espírito de iniciativa liberal conti­
artes-e-ofícios e a sua ramificação art-nouveau, que forneceu ao
nuam a ser em grande parte femininas porque elas sempre o foram.
socialismo britânico seus artistas e ilustradores principais, Wi\liam
Prudência ,_ Indústria (= diligência), Coragem, Temperança, Verda­
M orris e Walter Crane. Entretanto, a imagem amplamente popular
de e Justiça presidiam a Associação de Solidariedade dos Pedreiros
de WaIter Crane da humanidade avançando para o socialismo _
em 1868; Arte, Indústria, Verdade e Justiça presidiam a ASq. um casal com roupas de verão soltas, o homem carregando uma
Dos anos 1880 em diante, tem-se a impressão de que somente
criança em seus ombros - , como tantos de seus desenhos , ainda
Justiça e Verdade, possivelmente complementadas pela Fé e Espe­
refle te a influência de 1789 através da presença do barrete frígio.19
rança , sobreviveram entre estas figuras tradicionais. No entanto,
O s primeiros emblemas do 1. 0 de Maio dos social-democratas aus­
à medida que o socialismo avança, outras figuras femininas entram
tríacos torna a conexão ainda mais óbvia. Eles apresentam uma

na iconografia da esquerda, embora em nenhum sentido pretendam


figura feminina com o lema: " Fraternidade , Igualdade, Liberdade

representar mulheres reais. Elas são deusas ou musas. e a Jornada de Oito Horas".!?O

Assim, na bandeira do Sindicato dos Trabalhadores de esquer­


Contudo, qual é o papel das mulheres nesta nova iconografia
da , 1898-1929. uma doce jovem em drapeados brancos e sandálias
socialista? Elas inspiram. O emblema do Labour Annual,21 publi­
aponta para um sol raiando com a legenda: "Uma vida melhor".
cado a par tir de 1895, é Liglzt and Life, de T. A . W est. Uma se­
em prol de um número de trabalhadores piniados realisticamente
nhora em vestes delicadas , meio visível a trás de um escudo , sopra
em roupa de trabalho. Ela é a Fé, como o texto abaixo do quadro
uma trombeta ritual para um rapaz bonito com camisa aberta no
deixa claro. Uma figura militante , também em drapeados brancos
pescoço e as mangas arregaçadas até o cotovelo. carrega ndo uma
c sandálias, mas com uma espada e um escudo gravado com "Jus­
cesta da qual ele retira a semente p resu mivel da propaganda socia­
tiça & Igualdade", nenhum fio de cabelo fora do lugar na sua
lista: raios , estrelas e ondas fo rmam o p ano de fundo do desenho .
c:~ beça hem-penteada, está de pé diante de um trabalhador muS­
Na medida em que mulheres ma is humanas aparecem nesta icono­
~ul o so com a camisa aberta , que parece ter acabado de derrotar
grafia, elas são parte de um casa l idealizado . com ou sem filhos.
um a be ~ta com a legenda "Capitalismo" que jaz morta no chão

128 129
Na medida em que cada um está simbolicamente identi ficado com com o torso nu. Esta, como Van Gogh reconhecia, era uma das
dificuldades de uma época de realismo artístico. Ele gostaria de
alguma atividade, é o homem que representa o trabalho industrial.
pintar os corpos nus dos camponeses , mas na vida real eles não
No casal de Crane o homem tem a seu lado uma picareta e uma
andavam nus. 25 As numerosas gravuras representando o trabalho
pá, enquanto a mulher, carregando uma cesta de cereais e com
industrial, mesmo sob condições em que, hoje, pareceria racional
um ancinho a seu lado, representa a natureza ou quando muito a
tirar-se a camisa, como no calor e incandescência das fundições ou
agricultura. Curiosamente, a mesma divisão ocorre na escultura
das fábricas de gás, quase que universalmente os mostram vestidos,
famosa de Mukhina do trabalhador (homem) e da (mulher) kolkhoz
embora com roupas leves. Isto abrange Dão apenas o que poderia
camponesa no Pavilhão Soviético da Exposição Internacional de
ser chamado amplas evocações do mundo do operariado tais como
Paris de 1937: ele o martelo, ela a foice.
W ork, de Madox Ford, ou Le Travail, de Alfred Roll, de 1881 ­
Naturalmente mulheres reais das classes trabalhadoras também

uma cena ao ar livre de trabalho em construção - , mas também


aparecem na nova iconografia socialista e personificam um signi­

pinturas realistas ou reportagens gráficas. 26 Naturalmente trabalha­


ficado simbólico, pelo menos por implicação. Contudo, são bastante

dores de torso nu podiam ser vistos - por exemplo, entre os mi­


diferentes das moças militantes da Comuna de Paris. Elas são figu­

neiros de carvão britânicos, mas somente em alguns casos . Nesses


ras de sofrimento e persistência. Meunier, o grande pioneiro da arte

casos os trabalha.dores poderiam realisticamente ser apresentados


proletária e do realismo socialista - tanto comO realismo, quanto

seminus, como em Raboteurs de Parquet, de G. Caillebotte,27 ou na


como idealização - as antecipa, como de costume. Sua Femme du

figura de um cortador de carvão no emblema do Sindicato dos Fun­


Peuple, de 1893, é velha, magra, seu cabelo firmemente puxado
didores (1857).28 Na vida real, entretanto, todos estes eram casos es­
para trás para sugerir pouco mais do que unia caveira, seu peito

peciais. Em segundo lugar, a imagem da nudez não é realista porque


liso e murcho insinuado pela própria (e atípica) nudez de seus
certamente excluía o vasto grupo de trabalhadores especializados
ombros. 2 2 Seu mais conhecido Le Grisou tem a figura feminina
e de trabalhadores de fábricas, que nunca sonhariam em trabalhar
envolta em xales, lastimando-se sobre o corpo do mineiro morto.
sem suas camisas e que , por sinal , formavam a grande parte do
Estas são as mães proletárias sofredoras mais conhecidas através do
23
movimento operário organizado.
romance de Gorki ou dos desenhos trágicos de Kaethe Kollwitz.
Não se sabe ao certo quando o trabalhador de torso nu pri­
E talvez seja importante que seus corpos se tomem invisíveis sob
meiro aparece na arte. Sem dúvida, o que deve ser uma das pri­
xales e lenços de cabeça . A imagem típica da mulher proletária
meiras esculturas de proletários, o trabalhador de ardósia de
dessexualizou-se e esconde-se atrás das roupas da pobreza. Ela é
Westmacott no monumento de Penrhyn, Bangor, de 1821,29 está
espírito e não corpo. (Na vida real esta imagem da esposa ou mãe
vestido, enquanto a moça camponesa perto dele, talvez semi-alego­
sofredora, transformada em militante, talvez seja exemplificada pela
ricamente, está com uma roupa bastante decotada. Pelo menos dos
eloqüência da roupa negra de La Pasionaria noS dias da Guerra
anos 1880 em diante ele esteve presente na escultura, na obra do
Civil Espanhola.) belga Constantin Meunier, talvez o primeiro artista que se dedicou
Não obstante, enquanto o corpo feminino na iconografia socia­
totalmente à representação do trabalhador braçal; possivelmente,
lista está cada vez mais vestido, senão escondido, algo curioso está também na de Dalou, partidário da Comuna de Paris, cujo monu­
acontecendo com o corpo do homem. Este assume cada vez mais mento inacabado ao operariado contém motivos similares. Obvia­
um sentido simbólico. A imagem que vem mais e mais simbolizar mente o nu era muito mais encontrado na escultura, que tinha, por
a classe trabalhadora é a réplica exata da Liberté de Delacroix, longa tradição, uma tendência muito mais forte a apresentar a figura
isto é, um jovem com o torsO nu: a figura poderosa de um traba­ humana nua do que a pintura. De fato , as figuras humanas nos
lhador, brandindo o martelo ou a picareta e nu da cintura para desenhos e pinturas de Meunier estão, com uma freqüência muito
cima H Esta imagem não é realista em dois aspectos. Em primeiro ma ior, realisticamente vestidas, e, como foi demonstrado quanto a
lugar , não era nada fácil encontrar muitos trabalhadores do sé­ pelo menos um de seus temas, estivadores descarregando um navio,
culo X IX. nos países com movimentos operários fortes , trabal~1ando
13 J
130
as figuras humanas estavam despidas, apenas no projeto em três
30
dimensões que fez para um monumento ao operariado. Talvez fosse mais vagaroso do que se poderia pensar. a imagem era co­
esta seja uma razão pela qual a figura seminua seja menos predo­ mum. Assim é o símbolo que decora a capa da edição francesa do
minante no período da Segunda Internacion al, quando o movi­ Compte Remiu Analytique. do quin to Congresso da lnternacionaf
mento socialista ainda não estava em posição de encomendar mui­ Co munista (Paris. 1924).
tos monu mentos públicos, e 56 venha a adquirir projeção depois Por que o corpo nu? Pode-se discutir a questão rapidamente,
de 1917 na Rússia Soviética, onde já havia tal condição. Entre­ mas isso leva-nos de volta tan to à linguagem da apresentação idea­
tanto, embora uma comparação direta entre as imagens pintadas e lizada e simbólica , quanto à necessidade de desenvolver tal lingua­
esculpidas seja, portanto, enganadora, o torso masculino nu já pode gem para o movimento revolucionário socia1ist~l. N ão há dúvida de
ser encontrado aqui e ali em emblemas em duas dimensões, ban­ que a teoria estética do século XVIlI ligava o corpo nu à idealiza­
deiras e outras gravuras do movimento operário até mesmo no ção do ser humano; com freq üência , bem conscientemente como
século XIX. Contudo, na escultura ele triunfou na Rússia Sovié­ em Winckelmann. Uma pessoa idealizada (em oposição a uma figu­
tica ap6s 191 7, sob títulos tais como: Trabalhador, As Armas do ra alegórica) não poderia ves tir-se com os trajes da vida rea l e ­
al
Proletariado, Mem orial do Domingo Sangrento 1905, etc. O tema como as estátuas nuas de Napoleão - deveria, se fosse possível.
ainda não se exauriu, já que uma estátua chamada de "Amizade apresentar-se sem roupas. O realismo não tinha lugar nessa repre­
dos Povos", dos anos 70, ainda apresenta o familiar Hércules de sentação. Quando Stendhal criticou o pintor David, porque sen
32
orso nu brandindo um martelo. , um verdadeiro suicídio para seus guerreiros da An tigüidade trava­
A pintura e as artes gráficas ainda achavam difícil romper os rem uma batalha nus, armados somente com ca pace te, espada e
laços com o realismo. Não é fácil encontrar quaisquer trabalhado­ escudo, estava simplesmente chllmando a atenção. no seu habitual
res de tor50 nu na idade heróica do cartaz revolucionário rusSO. papel de provocador, para a incompatibilidade entre a afinnação
Mesmo a pintura simbólica Trud apresenta um desenho de um simbólica e a realista na arte. Mas o movimen to socialis ta. apesar
jovem idealizado em l'a upas de trabalho , cercado de ferramentas de sua profunda ligação em princípio ao realismo na arte - uma
de artífice especializado/la em vez do titã muito musculoso e basi­ ligação que remonta aos segui dores de Saint-Simon --, exigia uma
camente não-especializado muito mais comum. O poderoso traba­ linguagem simbólica com que afirmasse seus ideais. Como vimos ,
lhador brandindo o martelo, ocupado em quebrar as correntes que os emblemas e bandeiras dos sindicatos britânicos - corretamen te
aprisionavam o globo, que simbol izava a Internacional Comunista descritos por Klingender como "a arte folclórica verdadeira da
nas capas de seu periódico, a partir de 1920, usava roupas em seu Grã-Bretanha do século X IX" 3 5 - são uma combinação de rea­
torso , embora elas fossem apenas esboçadas. A decoração simbó­ lismo, alegoria e símbolo. Eles são, provavelmente, a última forma
lica c1esla revista em seus primeiros números não era a fjgura hu­ de florescimento da linguagem alegórica e simbólica, fora a escul­
mana : estrelas de cinco pontas, raios, martelos. foices, espigas de tura monumental pública . Um a apresen tação idealizada do tema
cereais, colméias, corDllc6pias , rosas, espinhos, tochas cruzadas e do movimento, a própria luta da classe trabalhadora, deve mais
correntes. Embora houvesse imagens mais modernas , tais como a cedo ou mais tarde abranger o uso do nu - como na bandeira da
esti lização das chaminés das fábricas com fumaça saindo no estilo Filial de Exportação do Sindicato dos Portuários. nos anos 1890.
arl-nouveau '" e correias de transmissão . não havia trabalhadores de onde uma figura masculina musculosa nua. com um panejamento
peito nu . Fotografias de propaganda desses homens não são co­ leve sobre o sexo, ajoelha-se sobre lima rocha lutando com uma
muns, se é que existem, antes do Primeiro Plano QüinqüenaJ.:14 grande serpente verde. cercada de lemas apropriados.311 Em suma.
Não obstante. embora o avanço do torso nu em duas dimensões embora a tensão entre realismo e sim bolismo permanecesse. era
ainda difícil inventar um completo vocabulário simbólico e ideal
sem o nu. Por outro lado. pode-se sugerir que o nu total era mais
• Na Rú ssia este motivo já aparece ent re 1905 e 1907 . aceitável. Não se pode, facilmente, ign orar o absurdo do "Grupo :
Outubro", de 1927;37 que consiste em três homens musculosos nus,
132
13.3
exceto pelo boné do Exército Vermelho usado por um deles, com
velmente - considerada como mal-rcmunerada. Daí, o movimen­
martelos e outros acessórios pertinentes. Conjeturemos que a ima­
to operário, logicamente, desenvolver a tcndência a calcular o sa­
gem de torso nu expressasse um compromisso entre o simbolismo
lário mínimo desejável em termos de ganhos de um único arrimo
e o realismo. Havia afinal trabalhadores reais que podiam ser apre­
de família (isto é, na prática, o homem) c a considerar a esposa
sentados dessa forma.
trabalhadora assalariada COmO sintoma de Uma situação econômica
Resta-nos uma pergunta final , mas crucial. Por que se simbo­
indesejável. De fato. a situação era freqüentemente indesejável e
liza a classe trabalhadora em luta exclusivamente por um torso
Um nÚmero expressivo de mulheres casadas era forçado a trabalhar
masculino? Aqui podemos apenas especular. Pode-se sugerir duas
por salários ou seu equivalente , embora, em grande proporção. o
linhas de especulação.
fizesse em casa - isto é, fora do efetivo alcance dos movimentos
A primeira diz respeito às mudanças na verdadeira divisão se­ ao
operários. Além disso, mesmo nas indústrias em que o trabalho
xual do trabalho no período capitalista, tanto produtiva, quanto
de mulheres casadas estivesse tradicionalmente enraizado _ como
política. t um paradoxo da industrialização do século XIX que ela
na região têxtil em Lancashire - sua expressividade pode ser
tendesse a aumentar e aguçar a divisão sexual do trabalho entre o
exagerada. Em 1901,38 por cento das mulheres casadas e viúvas
trabalho doméstico (não-remunerado) e o trabalho externo (remu­
empregavam-se por salários em Blackburn, mas somente 15 por
nerado), ao privar o produtor do controle sobre os meios de pro­ cento delas empregavam-se em 801ton .40
dução. Na economia pré-industrial ou proto-industrial (lavoura cam­
Em suma, convencionalmente , as mulheres tinham como obje­
pesina, produção artesanal, pequenos comerciantes, indústrias do­
tivo parar de trabalhar por salários fora de casa quando se casas­
mésticas , trabalho subcontratado, etc.), o trabalho doméstico e a
sem. A Grã-Bretanha, onde, em 1911, somente 11 por cento das
produção eram geralmente uma unidade singular ou combinada e
trabalhadoras assalariad<!s tinham maridos e somenk 10 por cento
embora isto significasse que as mulheres, em grande parte, traba­
das mulheres casadas trabalhavam, talvez fosse um caso extremo;
lhassem excessivamente - já que faziam a maior parte do trabalho
mas, meSmo na Alemanha , em 1907 , onde 30 por cento das traba­
doméstico e participavam do resto do trabalho - , elas não estavam
lhadoras assalariadas tinham maridos , a diferença de sexo era sur­
confinadas a um só tipo de trabalho. De fato, na grande expansão
preendente . Para cada esposa em trabalho assalariado na faixa etá­
do "proto-industrialismo" (indústria doméstica), que recentemente
ria de 25 a 40 anos, havia quatro maridos trabalhadores assalaria­
foi estudada, os processos produtivos reais atenuavam ou mesmo
c10sY A 5ituação da mulher casada não foi alterada significativa­
aboliam as diferenças no trabalho entre homens e mulheres, com
mente até então pela tendência - bastante acentuada depois de
efeitos de longo alcance nos papéis sociais e sexuais e nas conven­
1900 - das mulheres ingressarem na indústria em grandes con­
ções dos sexos. as
tingentes e pelo desenvolvimento de Uma variedade de profissões

Por outro lado, a situação cada vez mais comum do operário


e atividades de lazer abertas a moças solteiras.'~ " A tendência a

que trabalhava para um empregador em um local de trabalho per­


Um número maior de mulheres casadas tcr uma profissão especí­

tencente ao empregador separou o lar e o trabalho . Em geral


fica não se estabelecera COm firmeza na virada do século." 4:1 E vá­

era o homem que tinha que deixar a casa todos os dias para tra­
lido enfatizar este ponto , já que algumas historiadoras feministas,

balhar por salários, e não a mulher. Em geral, a mulher traba­


por razões difíceis de serem compreendidas, tentaram negá-lo.

lhava fora (quando elas, por algum modo, assim o faziam) somen­
A industrialização do século XIX (em oposição à industrialização
te antes do casamento e, depois de casadas, somente caso enviu­
do século XX) tendeu a fazer do casamento é da família a carreira
vassem ou se separassem, ou quando o marido não ganhasse o sufi­
principal da mulher da classe trabalhadora que não fosse forçada
ciente para manter a esposa e a família. Neste caso elas provavel­
pela total pobreza a assumir outra atividade. H Na medida em que
mente só trabalhariam enquanto esta situação perdurasse. Ao con­
ela trabalhava por salários antes do casamento, considerava o tra­
trário , uma profissão em que um homem adulto não fosse capaz de
balho assalariado COmo uma fase temporária, embora sem dúvida
ganhar um salário que sustentasse a família era - compreens i­
desejável, em sua vida. Uma vez casada, pertencia ao proletariado
134
JJ5
não como trabalhadora. mas como esposa. mãe e dona-de-casa de MIllcl:
Ln République
trabalhadores.
Politicamente a luta pré-industrial dos pobres não só produziu
amplo espaço para as mulheres participarem ao lado dos homens
_ nenhum dos sexos tinha tais direitos políticos como o direito
de vo to - . mas, em alguns aspectos, lhes reservou um papel espe ·
cífico c de liderança. A forma mais comum de luta era aquela que
reivindicava a justiça social , isto é, a manutenção do que E. P .
Thompson chamou" a economia moral da multidão através da ação
direta no controle dos preços" . ~:' Na forma de ação que poderia ser
politicamente decisiva - lembremo-nos da marcha das mulheres
sobre Versalhes em 1789 - , as mulheres não só a lideraram, mas
convencionalmente se esperava que elas o fizessem. Como Luísa
Accati corretamente afirma: "em um grande número de casos (eu
djria em praticamente todos os casos) as mulheres têm um papel
decisivo, seja porque são elas que tomam a iniciativa, seja porque
elas formam uma parte muito grande da multidão".1il Aqui não
precisamos apreciar a prática pré-industrial bem-conhecida em que
homens rtbeldes entram em ação disfarçados de mulheres, como
Dc lacroix: Liberté
nos tumultos chamados Rebecca Riots do País de Gales, de 1843. C uid(m l le I'euple
Além disso , a revolu ção urbana característica do período pré­ (detalhel
industrial não era proletária e sim plebéia . Entre a gentalha, uma
coalizão socialmente heterogênea de elementos, unidos pela "peque­
nez" e pobreza comuns em vez de por critérios ocupacionais ou de
classe. as mulheres poderiam desempenhar um papel político, con­
tanto que elas apenas pudessem sair às ruas. Elas podiam ajudar
a construir as barricadas , e, de fato, o fizeram. Elas podiam ajudar
os que lutavam atrás delas. Elas podiam até mesmo lutar ou portar
armas . Mesmo a imagem da "revolução popular" moderna em uma
grande metrópole não-industrializada as inclui , como qualquer pes­
soa que se lembre das cenas de rua de Havana depois da vitória
de Fi del Castro pode comprovar.
Po r outro lado. a forma específica de luta do proletariado, o
sindicato e a greve , excluiu, em grande parte , as mulheres , ou redu­
zi u amplamente seu papel visível comO pa rticipantes ativas, exceto
nas poucas indústrias em q ue elas se concentravam em peso. Assim ,
em 1896. o número to tal de mulheres nos sindicatos britânicos
(excluindo as professoras) era 142 mil ou algo como 8 % ; mas 60 %
destas trabalhavam na indústria de algodão , extrema e fortemente
sindica li zada . Por volta de 19 10. a porce ntagem era acima de 10 % .

1')6
Tcien Rops: Peu{/ c Mukhina: 1"'0111GI1 alui
Collective Farmer
(Escultura no Pavilhão
Soviético)

Bam!cira da Sucursal
de Southcnd da Uni ão
Naclonal dos
T rabalhadorcs cm
Cera!

Constantin
Meunicr:
Fem me C/U Peuple
Richard Earldom à
maneira de Joseph Wright
of Derby: O Forjador mas, embora houvesse um certo crescimento na si ndi ca li zação entre
de Ferro funcionários de escri tório e comerciarios , a maior parte da expansão
na indústria foi ainda no ramo têxtil. ~7 Em outros lugares seu papel
fo i de fato crucial, mas diferente, mesmo nos pequenos centros
ind ustria is e de mineração onde o próprio lugar, o trabalho e a
comunidade eram inseparáveis . Contudo, se nesses lugares seu papel
nas greves era público, visível e essencial, não era, entretanto, o
papel de grevistas em si.
Além disso , onde o trabalho dos homens e o trabalho das
mulheres não fossem tão separados e diferentes que nenhuma ques­
tão de mistura pudesse surgir. a atitude normal dos sindicalistas do
sexo masculino em relação às mulheres que procurassem ingressar
em sua profissão era , nas palavras de S. e B. Webb, de " indigna­
ção e repulsa"Y A razão era simples: como seus salários eram tão
mais baixos , representavam uma ameaça aos salários e condições
dos homens. Elas eram - citando novamente os Webbs - , "como
classe, os inimigos mais perigosos do padrão de vida dos artífices",
embora a atitude dos homen s fosse também - apesar da crescente
iníluéncia da esquerda - fortement e influenciada pelo que hoje
chamaríamos de "sexismo": In "o artífice respeitável tem um desa­
grado instintivo pela mistura promíscua de homens e mul heres no
convívio diário , quer seja na oficina , quer seja em um clube so­
cial ... ~o Conseqüentemente, a política de todos os sindicatos capazes
disso era excluir as mulheres de seu trabalho , e a política até
mesmo daqueles sindicatos incapazes de fazê-lo (por exemplo, tece­
lões ) era separar os se xos ou , pelo menos, evitar que mulhere s e
men inas trabalhassem " em conjunto com homens , especialmente se
afastadas de associação constante com outras trabal hadoras"." ]
Assim, tanto o medo da concorrência econômica das trabalhadoras.
quanto a manutenção da " mora lidade " se combinaram para con­
servar as mulheres rara ou à margem do movimento operário
exceto no papel convencional de membros da (am nia.
O paradoxo do movimento operário estava , por um lado, no
apoio a uma ideologia de igualdade c cman dpação sexu al , enqu anto
na prá tica desencorajava a real pa rticipação conjunta de homens e
mulheres no processo do traba lho enqu anto trabalh adOI"es. Pa ra a
minoria de mulheres emancipadas de todas as classes, inclusive as
trabalhadoras, o movimento operário fo rneceu as mel hores oportu­
nidades para que se desenvolvessem como seres humanos de fato,
Aleksandr Terent'cVich
como llde res e figuras públicas . Provavelmen te ele forneceu o único
Matvcev:

October (l927)

137
ambiente no século XIX que lhes deu tais oportunidades. Nem do crescimento, do florescimento, às quais a metáfora feminina se
deveríamos subestimar o efeito nas mulheres comuns , mesmo nas aplicava n aturalmente:
casadas da classe trabalhadora , de um movimento apaixonadamente
. compromissado com a emancipação do sexo feminino . Ao contrário
do movimento "progressista" pequenoeburguês que, como entr e os Les générations écIoses
socialistas radicais franceses, cnegava quase a ostentar o seu chau­ Verront f1eurir leurs bébés roses
Comme églantiers eu Floréal
vinismo machista , o movimento operário socialista tentava vencer
Ce sera la saison des roses ...
as tendências em meio ao proletariado e, em outros lugares, a
Voilà l'avenir social.
superar a desigualdade entre os sexos, mesmo que não tenha rea­ E. Pottier ;ih
lizado o quanto desejava.~ 2 N ão é à toa que a principal obra do
líder carismático dos socialistas alemães, August Bebel - e de
longe a obra mais popular de propaganda socialista na Alemanha Eugene Pottier, o fourierista autor da Internacional, está re­
daquele período - , fosse seu Woman and SoéÍalism (Mulher e pleto de tais imagens de feminilidade, mesmo em seu sentido literal
Socialismo) .:;:l Contudo, ao mesmo tempo, o movimento operário do seio materno:
inconscientemente apertou os laços que mantinham a maioria das
mulheres casadas (não-assalariadas) da classe trabalhadora em seu pour tes enfants longtemps sevrés
papel social definido e subordinado. Quanto mais poderoso ele se reprends le rôle du mamelle
tornava como movimento de massa, mais eficazes se tornavam estes (L' Age d'Or)
freios a sua própria teoria e prática emancipatórias; pelo menos até Ah, chassons-Ia. Dans 1'01' des blés
Mere apparais, les seins gonflées
que as transformações econômicas destruíssem a fase industrial do
à nos phalanges collectives
século XIX da divisão sexual do trabalho. Em certo sentido, a
(La fille du Thermidor)
iconografia do movimento reflete esta consolidação inconsciente
Ou sein de la nourrice, il coule ce beau jour
da divisão sexual do trabalho. Apesar de e contra as intenções
Une inondation d'existence et d'amour.
conscientes do movimen to. sua imagem expressava a masclinnidade
Tout est fécondité, ,t out pullule et foisonne
essencial da luta do proletariado em sua forma elementar anterior (Abondance)
a 1914, a luta sindical. Nature - toi qui gonfles ton sein
Deveria estar clara a razão pela qual, paradoxalmente, a mu­ pour ta famille entiere
dança histórica de uma era de movimentos plebeus e democráticos (La Cremaillere)**
para uma de movimentos proletários e socialistas acarretaria, icono­
graficamente. o declínio do papel da mulher. Entretanto, pode
haver outro fator que tenha reforçado es ta masculinização do s gerações em botão

movimento: o declínio do milenarismo pré-industria l clássico. Esta Verão seus bebes rosados florescerem

Como rosas amarelas na primavera

questão é ainda mais especulativa e a abordo com cautela e Será a estação das rosas.

hesitação. Esse é o futuro do povo.

Como Ja se insinuou , na iconografia da esquerda, a figura ':' . Para seus filhos , embora desajeitados há muito.
feminina se manteve mais como uma imagem de utopia: a deusa Dê lima vez mais o seio
da libe rdade, o símbolo da vitória, a fi gura que apontava em dire­ A Idade de Ouro
ção à sociedade perfeitá do futuro. E, de fato, as imagens da Nos prados dourados venha a nós. Mãe.

Os seios cheios para as hastes coleti vas .

utopia socialista eram essencialmente da natureza, da fertilidade e


Filha de T ermidor
138
139
que em geral não eram muito participantes na política, ou, nem
Assim. em uma fo rma menos explicitamente física . é Walter mesmo, como massa , mui to entusiastas com a abolição do casamen­
Crane que, como já vimos. foi responsável em grande parte pelos to, mas também dos jovens, que se sentiam mui to mais atraídos por
temas das imagens socialistas na Grã-Bretanha dos anos 1880 em ideologias revolucionárias. Além disso, como 1. F. C. Harrison
diante. Eram imagens de primavera e de flores, de colheita (como corretamente salientou, mesmo por motivos empír icos os novos pro­
na bem-conhecido The Trium ph of Labour desenbado para a mani­ letários poderiam bem conclu ir que "seus casebres toscos exerci am
festação de 1.0 de Maio, em 1891), de jovens com leves vesti­ uma influência restritiva e circunscrita e que em comunidade encon­
dos ondulantes e barretes frígios.1I 6 Ceres era a deusa do comu­ trariam meios de escapar dessa situação: 'n6s podemos viver em
nismo. ISO palácios tão bem quanto os ricos (. . .) se apenas adotarmos o prin­
Não é de se admi rar que o período de ideologia socialista mais cipio da associação, o princípio patriarcal das gran des famíli as , tais
profundamente imbuído de femin ismo e mais inclinado a atribuir como aqueles de Abraão' " .5 8 Foi a sociedade de consumo, associa­
um papel crucial, de fato algumas vezes até dominante, à mulher da - paradoxalmente - à substituição da aj uda mútua pela previ.
tenh a sido a era romântico-utópica antes de 1848. Naturalmente dência social, que enfraqueceu este argumento contra o lar como
neste período mal podemos falar de um " movimento" socialista n úcleo familiar privado.
qualquer, mas somente de grupos pequenos e atípicos. Além disso,
Não obstante, o socialismo utópico também atribuiu outro
o número e a expressividade reais das mulheres em posições de
papel à mulh er, que era basicamente semelhante ao papel femini.
liderança nesses grupos era bem menor do que nos anos da Segunda
no nos movimentos religiosos milenaristas com os quais os utopistas
Internacional não-utópica. Não há nada que se compare na Grã­
tinham muito em comum. Aqui as mulheres eram não apenas _
Bretanha do owenismo e do cartismo com o papel das mulheres
talvez nem mesmo - iguais, mas superiores. Seu papel específico
como escritoras, oradoras e líderes nos anos 1880 e nos anos 1890,
era o dos profetas, como Joanna Southcott, fundadora de um
não apenas no âmbito da classe média da Fabian Society, mas tam­
influente movimento milenário na Inglaterra do início do século
bém na atmosfera muito mais operária do Partido Trabalhista
Independente, para não mencionar figuras t~i s como Eleanor Marx
xrx ou a jemme-mere-messie (mulher-mãe-messias) da religião de
"Saint-Simon ".511 Este papel, por sinal, fo rnecia oportunidades para
no movimento sindical. Além disso, as mulheres que então se des­
uma carreira pública em um mundo masculino para um pequeno
tacaram, como Beatrice Webb ou Rosa Luxemburgo, não cria­
número de mulheres. Lembremo-nos das fundadoras da Ciência

ram sua reput ação por serem mulheres , mas porque se projetaram
Cristã e da Teosofia. Contu do, a tendência dos movimentos socia­

independentemente do sexo. Contudo, o papel da emancipação das


listas e trabalhistas a se afastarem do milenarismo em direção à

mulheres na ideologia socialista nunca foi mais 6bvio e fundamen­


teori a e organização racionalistas ("socialismo científico") tornou

tai do que no período do "socialismo utópico".


este papel social das mulheres no movimento cada vez mais margi­

Isto se deveu, em parte, ao papel crucial atriblÚdo à destrui­


nal . Mulberes capazes, cujos talentos preenchiam estes papéis. eram

ção da família tradicional no socialismo daquele período;61 um


expulsas do centro do movimento para religiões periféricas que lhes

papel que está bem claro em O Manifesto Comunista. A famma


proporcionavam maior campo de ação. Assim Annie Besant , se­

era considerada como a prisão domiciliar não apenas das mulheres , J

cularista e socialista, encon trou satisfação e seu papel político pri n­


cipal {fepois de 1890, corno alta sacerdotisa da teosofia e _
Neste belo dia escorre do seio da nutriz através da teosofia - uma inspiradora do movimento de libertação
Uma enchente de vida e amor. nacional indiano.
Tudo é fertili dade. tudo pulula em abundâ ncia Tudo o que restou do papel ut6pico-messiânico das mulheres
A bUlld8ncia
no socialismo foi a imagem da mul her como ínspiração e símbolo
Natureza - você cujo seio se encheu

Para alime ntar sua família inteira ( ... )


de um mundo melhor. Mas, paradoxalmente, em si esta imagem
Celebração. mal se distinguia da de Goethe das ewig weibliche zieht uns hinan

141
140
("o eterno feminino nos eleva aos céus " ). Na realidade não pode­ doxal , visto que caracteriza não tanto o trabalhador, quanto o mero
ria ser diferente da idealização burguesa masculina da mulher na esforço muscular; não a inteligência, a habilidade e a experiência,
teoria, que era extremamente compatível com sua inferioridade na mas a força bruta. Exatamente como no famoso O Forjador de
prática. Quando muito a imagem feminina da inspiradora se tornou Ferro, de Meunier, onde o esforço físico vi'rtualmente afasta e
a imagem de uma Joana D'Arc, facilmente reconhecível nos dese­ exaure a mente. Pode-se ver razões artísticas para isto. Como Brandt
nhos de Walter Crane. Joana D'Arc foi, de fato , um ícone de destaca , em Meunier "o proletário transforma-se em um atleta
militância da mulher, mas ela não representava nem emancipação grego" 60 e para esta forma de idealização a expressão da inteli­
política, nem emancipação pessoal ou mesmo ativismo, em qualquer gência não é importante. Pode-se ver também razões históricas para
sentido, a ponto de se transformar em modelo para as mulheres isto. O período 1870-1914 foi, sobretudo, o período em que a
reais . Mesmo se esquecermos que ela excluía a maioria das mulhe­ indústria confiava em um influxo maciço de trabalhadores inexpe­
res que não era mais virgem - isto é, mulheres como seres sexuais rientes, mas fisicamente fortes para realizar a proporção muito
- , há no mundo em qualquer momento, por definição histórica, grande de tarefas relativamente não-especializadas que exigiam mui­
espaço para apenas umas poucas Joanas D'Arc. E, por sinal, ta mão-de-obra; perí-odo em que o ambiente dramático de escuridão,
como demonstra a adoção cada vez mais entusiasta de Joana chama e fumaça caracterizou a revolução na capacidade do homem
D'Arc pela direita francesa, sua imagem era ideológica e politica­ produzir através da indústria movida a vapor.
mente indeterminada. Ela poderia ou não representar a liberdade. Até agora, como sabemos, a grande maioria dos militantes
Ela poderia estar nas barricadas, mas , em oposição à jovem de do operariado organizado neste período, se deixarmos de lado o
Delacroix , não pertencia necessariamente àquele lugar. contingente reconhecidamente importante de mineiros, consistia
Infelizmente é impossível, no momento atual, continuar a aná­ essencialmente em trabalhadores especializados. Como será que uma
lise iconográfica do movimento socialista além de um ponto da imagem que omite todas as características dessa espécie de trabalho
história que já é razoavelmente remoto. Não se fala nem se entende se estabeleceu como a expressão da classe trabalhadora? Pode-se
mais a linguagem tradicional do símbolo e da alegoria e, com seu sugerir três explicações. A primeira, e talvez a mais convincente
declínio, mulheres como deusas e musas, como personificações da psicologicamente, é que para a maioria dos trabalhadores, qualquer
virtude e ideais, mesmo como Joanas D'Arc , perderam seu lugar que fosse a sua especialização, o critério de pert~ncer a sua classe;
específico nas imagens políticas. Mesmo o famoso símbolo inter­ era precisamente a execução de trabalho físico braçal. Os instintos
nacional da paz nos anos 50 não era mais uma mulher, como quase dos movimentos operários genuínos eram ouvrieriste (obreiristas):
certamente teria sido no século XIX , ma!; a pomba de Picasso. O uma desconfiança daqueles que não sujavam suas mãos. Isto a
mesmo é provavelmente verdadeiro em relação às imagens mas­ imagem representava. A segunda é que o movimento desejava enfa­
culinas, embora o Prometeu brandindo o martelo tenha sobrevivido tizar precisamente seu caráter abrangente. Abrangia todos os prole­
mais tempo como personificação do movimento e da luta. A icono­ tários , não somente tipógrafos, mecânicos especializados e similares.
grafia do movimento desde a Segunda Guerra Mundial é, digamos, A terceira, que provavelmente prevaleceu no período da Terceira
não-tradIcional. Atualmente não temos instrumentos analíticos para Internacional, era que em certo sentido o trabalhador puramente
interpretá-la, por exemplo, fazer leituras simbólicas do principal braçal, relativamente não-especializado, o mineiro ou o estivador,
meio iconográfico moderno, que é ostensivamente naturalista, a era considerado mais revolucionário, já que não pertencia à aristo­
fotografia ou o cinema. cracia do operariado com seu pendor para o reformismo e a social­
A iconografia não pode, portanto, esclarecer atualmente as democracia. Ele representava " as massas" para as quais os revo­
relações entre homens e mulheres no movimento socialista na lucionários exerciam uma atração maior do que os social-democra­
metade do século XX , como pôde fazê-lo em relação ao século tas. A imagem exprimia a realidade , na medida em que represen­
XIX. Contudo, pode-se fazer uma sugestão final quanto à imagem tava a diferença fundamental entre o trabalho braçal e o trabalho
masculina. Esta, como já insinuamos, é em alguns aspectos para­ não-braçal; uma aspiração , na medida em que implicava um pro­

142
143
grama ou uma estr atégia . Qu ão realista era no segundo aspecto, é ele também ressalta que ela permllnece dentro dos limites do que a su­
lima pergun ta q ue não cabe no prese.ote estu do. Contudo , não deixa perioridade maaculina considera desejável nas mulheres., ·Yel ore Spain's
de ser sign ificativo que, como imagem, omitisse muito do que foi maids no roce of Amazonas,! SUl (ormed for alI lhe \Viremng arls of love •.
Na verdnde. em contraste com a do Liberdade, a delas é • lhe Cierc:eness of
mais característi co da classe operária e de seu movimento. the dove' (a ferocidade da pomba).
(1978) 9. Veja-se Jean Duché, 1760-1960 Deux Siêcles d'Histo{re de FrlltlCt! par la
Caricature. Paris, 1961. pp. 142, 143, 145.
la. J. Bruhat. 1ean Dautry e Em.i1e Teneo, LtJ COnlmune de 1871. Paris,
1971. p. 190 - uma imagem inglesa,
NOTAS lI. Jean Grand-Cartcret, L'Allalre Dreyfus eJ 1'1mag6. Paris, 1898, p. 150.
12. lbid., ilustrações 61. 67, 106, 251.
I. Este ensaio originou-se de um colóquio com Peter Hának do Instituto 13_ R. A. Leeson. United We Stand: An JIlustrated Aceount 01 Trade UII/OH
Emblems. Londres, 1971. p. 26.
ele História d a Academia Hú nga ra de Ciências, a respeito de um ensaio
de Efim Et kin d (anteriormente de Leningrado, atualmente de Nan terre) 14. Lucien Christophe, Constantin Meunier, UUSlraçàes 6, 7. 8, 9, 21.
Antuérpia, 1947.
sobre "1830 na Poesia Européia ". Sob o aspecto da história da arte, recebi
15. Frans Maserel, Die Stadt . Munique, 1925.
ajuda essencial de Georg Eisler , Fr ancis e Larissa HaskelI e de Nick Penny.
Em certo sentido, este é portanto um trabalho cooperativo, embora as 16. John Gorman, Bamler BriSlrl: An Jlustrated Hístory 01 tlle Ballners 01
in terpretações e os erros sejam todos meus.
lhe Br/tisl! Trade UniOll Movemellt. Londres. 1973, p. 126.
17. Leeson, op cit., pp. 60-70.
2. Cf. o catálogo da exposição La Libertá Guidallt le Peuple de Delacroix,
18. OomulO, op. dt., pp. 122.3.
composto e redigido por Hélene Toussaint, estudo do laboratório de pesquisa
dos museus da França por Loj a Faillant-D umas e Jea n-Paul Rioux. Paris, 19. W Crnne, Car/oomi for the Cause: A Souverrlr 01 tire lnternalíonal
1982. para urna discussão e bi bliografia completas, às quais deveriam ser Social/st Workers and Traae UniOtl Cotlgress 188&1896. Londres, 1896.
acrescidos H . Lüdecke, Eug~lIe Delacroix ulld die Pariser l ulirevolution. 20. Da coleção do dr. Herbert Steiner. de Viena. Para a sobrevivênCia do
Berlim , 196j ; e Efim Etkind, " 1830 in der e uropiiischen Dichtung", in lema trlplice da Revolução Prancesa, veja U. Achten (Org.), ZlIm Lic:hte
R. U rb ach (Org.), Wiell una Europe zlIIischen den Revolutiollen (1789-1848).
Empor: Mai.Festzeitllngell de; Sorialdtmokratie 1891-1914. Berlim-Bonn,
Vien a-Mu nique. 1978.
1980, pp. 12-4: D. Frlcke, Kleine Gescllichte des Ersten Mal. (Frankfurt.
1980), p. 61.
>, T . J. Clark, The Absolute Bourgeois. Londres, 1973, p. 19.

4. E tki nd, op. cit., pp. 150-1. 21. Joseph Edwards (Org.), Lobour A,mual 1895. Mancbester.
5. Heimich Heine, Gesamme/te Werke, vol. 4. Berlim, 1956-1957, p. 19. 22. Christophe, op. c/t., ilustração 12.
6. E. Rarulro, Félic;é" Rops. Paris. 1905, pp. 8Q..1. 23. VeJa.se E. e M. Dixmjer. L'Assielte (lU BeUTre. ilustração IX. Paris.
1974.
7. Ed uard Fuch s, Dle Frau in der Karikotrlr. Munique, op. cit., 1906, p. 484.
r uehs descreveu Peuple de forma não implausivel como "Megare Volk " ou 24. A substituição da aJegorla feminina pela figura masculina nua na icono­
"O Povo como uma Virs;:o " j Ra mi ro, op. cit., p. 188. Uma versão menos grafia socialista alemã por volta de 1900 foi observada independentemente
expJ(cita desta mesma imagem , por omitir a metade inferior do corpo da por Detlev Horlman. Ursuhl Schmidt-Linsenhoff. U/lsere Welt trotz aUedem.
mulher, está n uma ilustração sem número de página em Fr anz Blei, Félicien Frankfurt, 1978, p. 375. '
Rops. Berlim . 1921. 25. 4Desenhar uma imagem de camponês em adio, repito. é isto que é a
8. M. Agulhon , • Esquisse pour une Archéologie de la RépubJi que: L'Allégorie essência da imagem moderna. o próprio núcleo da arte moderna. que nem
Ci vique Féminine" , Annales, no" 28 , 1973, pp. 5-34. Uma heroína não· os gregos. nem o Renascimento. nem os antigos holandeses fizeram . .
revolucionária é apresentada q uase simultaneamente de maneira oposta à Pessoas como Daumier - devemos respeitá·las pois estão entre os pioneiros.
de Delacroix no Delem'e 01 Saragossa, de David Wilkie, 1828 (Wilkie A figura simplesmente nua. mas moderna, como a recriaram Helmor e
Exhibition . Royal Academy, 1958). A verdadeira heroína espanhola é repre­ Ler~bvre, tem aJto valor . . . Mas camponeses e trabalhadores nio andam
sentada completamen te vestida mas em pose aleg'Órica, enquanto um guerri­ nus, ruinal de con\1lS. e não é necesslÍrio imallinó·los nus. QUSllIO mais os
lh eiro está agachado a seu lado. com o lorso nu. (Devo esta referência ao pintores passarem li pintar trabaJhadores e camponeses, mais eu Vou gos.
d r. N. Pen ny.) Byron. q ue discute extensamente e de forma admirável o tar ...• Vlncent Van Oo&h, The Complete Letters 01 Vincelll Van GOBIt.
papel das mulheres espanhol as na lu ta pela liberdade, bem como o da jovem vol. 2. Londres, 1958, pp. 400. 402. (Devo eSla referência 11 Francis Hl1Skell.l
de Saragoça (C/li/de Harold, vol. t. pp. 54 e ss.). acentua o heroísmo apa­ 26. F. D. Klingender. Art and tlle Industria/ Rel'o/ution Londres. 1947,
rent eme.nte não-feminino : "Her lover sinks - she sheds no iIl-timed tear; ilustrações 10, 47. 57, 90, 92. 103; Paul Brandt, Schallende Arbt'it IJIld
Her chief is slai n - she n us bis fa tal post; / Her fcllows f1ee - shc checks bilde1ld Kunst, vol. 2. Lcil'zig, 1927-1928, pp. 240 e 55.
Iheir b ase carcer; / The foe retires - she bead s the sallying host". Mas 27. Brandt, op. crit,. p . 243, ilustrsçãD 314.

144
145
8. Leeson, op. cil., p. 23.
29 . Nicbol.as Penny, Church Monuments in Romantic E/lgland. New Haven 1.078; o comentário de Heine sobre DeIacroix ilustra o papel da mulher
da feira ("peixeira O).
& Londres. 1977. ilustração 138.
30. 8rand t, op. cit., p. 270 . 47 . H . A. Clegg, AIan Fox e A. F. Thompson, A History 01 British Trade
31 . I. E. Grabar, V. N. Lazarev, F. S. Kamenov, lstoryia Russkogo Isskusstva,
Unions since 1889, vol. 1. Oxford, 1964, pp. 469-70.
vol. 11. Moscou, 1957 , pp. 33, 83, 359, 381, 431. 48. S. e B. Webb, Industrial Democracy. Londres, 1897, p . 496 .
49. Ibid., p. 497.
32. Tsigal, Burganov, Svetlov e Chernov (Orgs.), Sovietskaya Skulptura 74. 50 . Ibid., pp. 496-7.
Moscou, 1976, p. 52. 51. 1bid., p. 497.
33. Grabar et ai., op. cit., p. 150.
34. Num trabalho comemorativo do 15.0 aniversário da Revolução de Outu­ 52. Veja Jean Touchard, La Gauche en France depuis 1900. Paris, 1977
p. 113.
bro, no ano de 1932, surgiu pela primeira vez uma fotografia deste tipo
"O homem socialista e seu entusiasmo são o motor da construção"). Fünl­ 53. O feminismo de Bebel pode estar ligado a seu entusiasmo por Fourier,
zehn Eiserne Schrilte, Ein Buch der Tatsachen aus der Sowjetunion. Berlim, sobre quem também escreveu um livro. Deveria também ser mencionado
o influente Origem da Família, de Friedrich Engels .
1932.
35 . Klingender, op. cit., ilustração XV. 54. Eugene Pottier, Oeuvres Completes, organizadas por Pierre Brochon.
Paris, 1966.
36. "Ofender a um é ofender a todos", "Lutaremos e poderemos vir a morrer,
55. Gorman, op. cit., p. 126.
mas não nos renderemos", "Esta é uma guerra santa / e nós não esmorece­
remos / até que a miséria / a prostituição e a exploração / sejam eliminadas." 56. A imagem da utopia gradualmente mudou de uma utopia baseada na
Gorman, op. cit., p. 130. fertilidade natural para uma baseada na produtividade tecnológica e cientí­
37 . Grabar et al., op. cit., ilustração XI, p. 431.
fica. As duas estavam nitidamente presentes no socialismo utópico _ veja-se
8. Peter Kriedte, Hans Medick e Türgen Schlumbohm, lndustrialisierung o poema L'Age d'Or, de Pottier (citado acima): .. Oh nations, pIus de
1'0r der TmJustrialieserung. Gottingen, 1977, Capítulos II e UI.
torpeur. Mille réseaux vous ont nouées . / L'électricité, la vapeur / sont vos
39. Portanto, na França, 56 por cento das mulheres que em 1906 estavam
servants dévoués", etc. (6 nações despertai! Estais ligadas a milhares de
empregadas na indústria trabalhavam no ramo do vestuário, que também em­ redes. A eletricidade e o vapor são voss_os servos fiéis) . Entretanlo, sob o
aspecto iconográfico, a natureza / fertilidade predominou sobre a tecnologia ,
pregava 50 por cento das mulheres na indústria belga (1890). 25 por centó sem dúvida até 1917.
das mulheres na indústria alemã (1907) e 36 por cento na indústria britânica
57. J. F. C. Harrison, Robert Owen and the Owenites in Britain and America:
(1891). Peter N. Stearns, Lives 01 Labour: Work in a Maturing Industrial
The Quest lor the New Moral World. Londres, 1969, pp. 58-62.
Saciet)'. Londres, 1975, Apêndice m, p. 365. 58. I bid., pp. 60-1.
40. D. C. Marsh, The Changing Social Structure 01 England and Wales
59. lbid., pp. 98, 102, 121, para a freqÜência de "messias" femininos neste
/871-1961 (ed ição rev isada). Londres, 1965, p. 129. período.
41. W. Woytinsky, Die Welt in Zahlen, vol. 2. Berlim, 1926, p. 76; Gertraud 60. Brandt, op. cit., p. 269.
Wolf, Der Fraue nerwerb in den Hauptkulturstaaten, Munique, 1916, p . 251.
42. Peter N. Stearns, in Martha T. Vicinus (Org.), Sulfer and Be StiU:
Women in tire Victorian Age. Bloomington & Londres, 1973, p. 118.
43. Marsh, o p. cit., p. 129.
44. O problema aqui sugerido foi admiravelmente apresentado em Louise
A. TilIy e Toan W. Scott, Women, Work and Fami/y. Nova York, 1978,
especialmente o Capítulo VIU e pp . 228-9 . Aquela ·excelente discussão
confirma esta análise especialmente na medida em que situa a ascensão
daquela fase da eco nomia na qual • a nova organização da indústria manu­
Catureira exigia basicamente uma força de trabalho masculina e adulta'
e na qual "duran te a maior parte de sua vida de casada, a mulher servia
como especialista na educação de crianças e em atividades de consumo para
sua família" exatamente na época em que o movimento operário de massa
emergiu nos países industrialmente avançados.
45. E. P. Thompson , "The Moral Economy of the English Crowd in the
Eighteenth Century ", Past and Present, n.O 50, 1971.
46. L. Levi Accatl. "Vive le Roi sans Taille et S:IOS Gabelle: Una Discussione
sulle Rivoltc Contarune". Q uaderni Storici, setembro-dezembro de 1972, p.

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