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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

MEDITAÇÃO NA ESCOLA:
A introdução de técnicas meditativas no ambiente
escolar

São Paulo
Fundação Juscelino Kubitschek
2017
Produção Cultural: Fundação Juscelino Kubitschek
Texto e Editoração: Myrian Massarollo
Capa, projeto gráfico e diagramação: Aline Massarollo
Revisão: Antonieta Caroano Giampa
Edição digital, 2017
Ao leitor

A cada vez que concluo um curso sou questionada


pelos amigos e conhecidos: Por que mais um?
Poderia dizer que simplesmente gosto de estudar,
mas, é muito mais que isso. Gosto de pessoas, e
buscando entende-las (e também me entender) de forma
plena é fundamental buscar novos conhecimentos.
O ser humano é uma integração magnífica de
energias, com aspectos tão diferenciados que apenas
uma vida dedicada ao estudo não parece suficiente para
abarcar todas as suas nuances.
Assim, só resta estudar, e humildemente admitir
que eu ainda preciso de muitos outros cursos, muitas
outras fontes de informação, para poder cumprir meu
papel de auxiliar meu próximo, a sociedade em que
estamos inseridos, e a mim mesma.
Este novo livro é resultado de um Trabalho de
Conclusão do Curso de Pós Graduação em Docência e
Prática da Meditação da Universidade Estácio de Sá. Nele
congrego duas áreas de extrema importância: a
meditação e a pedagogia.
As exigências da vida contemporânea por vezes
levam a criança a suportar sozinha angustias e
ansiedades advindas da rotina atribulada imposta pela
sociedade capitalista e altamente competitiva.
Além disso, aproximadamente a cada quatro anos
ocorrem mudanças de ciclo educacional. A mudança de
ciclo pode ocasionar mudanças de escola, de amigos, e
de forma de acolhimento por pais e professores, uma vez,
que adultos e instituições esperam uma conduta mais
centrada da criança e do adolescente a cada novo
estágio.
Tantas exigências e expectativas podem gerar
estresse, que culmina em comportamentos indesejados
por parte das crianças e adolescentes, como forma de
reação as situações que não consegue controlar.
No entanto, o estresse advindo das mudanças,
bem como comportamentos agressivos, ou no outro
extremo, depressivos; podem ser combatidos através da
prática regular da meditação.
A presente obra pretende evidenciar a importância
da meditação no ambiente escolar como instrumento de
mudança do comportamento, evidenciando algumas
técnicas, dentre elas: a Yoga, o Mindfulness, a Ginástica
Doce, e a Dança Circular.
Nos últimos dois anos eu utilizei as técnicas
descritas com crianças em ambientes escolares e
domiciliares, e os resultados foram muito mais que
satisfatórios. Portanto, é com imensa tranquilidade que
ofereço esta pequena contribuição para que professores e
pais se apossem desses maravilhosos mecanismos de
promoção de vida corporal e mental mais saudável.

Myrian Massarollo
Prefácio

Ser convidado a prefaciar este livro trouxe-me um


grande sentimento de gratidão ao universo, ao ver que
mais pessoas iluminadas e tecnicamente capacitadas
revelam-se em nosso Brasil e desejam levar as praticas
do Yoga e da meditação entre outras técnicas, ditas
“holísticas” ou “alternativas” para o meio educacional. De
forma clara, profissional e coerente, este material foi
produzido por uma incansável buscadora que vive os dois
mundos, o de ser uma praticante e pesquisadora
entusiasmada sobre este amplo tema. E ao mesmo tempo
de ser uma pessoa com o caráter prático, objetivo e
profissional, que entende as necessidades e barreiras a
serem vencidas para que esta vontade seja concretizada
e realizada daqui a alguns anos ou décadas, de forma a
ter este saber inserido amplamente em nossa sociedade.
Ao ler este livro tive uma outra alegria muito
especial. Myrian juntou áreas de conhecimento que
adoro, tanto de praticar quanto de pesquisar e lecionar,
que são o Yoga e Meditação e as Danças circulares. Esta
ultima em particular, pouco explorada na área
educacional, é uma parte muito importante de minha vida
pessoal presente da infância a vida adulta e que me levou
a dar aula de danças circulares junto com o Yoga e a
Meditação e uma das bases que me levou a forma atual
do meu trabalho na construção do Yoga Educativa.
Com os anos nestes dois mundos, percebi que as
duas técnicas são faces de uma mesma moeda. Dançar
com consciência é estar integrado ao movimento, permite-
nos compreender que tudo se movimenta e é
impermanente, estar “parado” é uma ilusão. Um praticante
de Yoga e meditação ao ficar sentado realizando um
exercício respiratório, pranayama no Yoga, ou a
meditação de perceber o fluxo do pensamento, torna-se
um observador da inconstância descobrindo seus padrões
e movimentos. Do movimento do corpo sobre o planeta,
das funções vitais, dos pensamentos que dançam no
plano mental, do ar que entra e sai dos pulmões, dos
átomos em constante movimento, entrando assim em um
estado de Yoga, união e integração com o todo. Perceber
que tudo se movimenta cria uma mudança em nossos
paradigmas que atuam em nossos corpos físico-denso,
emocional- sutil e espiritual causal. Enfim tudo é
movimento e a ilusão é achar que estamos parados. Esta
incrível autora, que vocês em breve irão ler, acertou em
cheio em trazer a dança circular para este livro. Pois, ao
ensinarmos um individuo este tipo de percepção, damos
uma ferramenta importantíssima para sua vida espiritual,
pessoal e profissional.
O tema deste livro é sobre as técnicas meditativas
nas escolas. Um estilo de vida que tenho a gratidão de
trabalhar há vários anos, e ao longo das décadas pude ler
e conhecer vários livros e seus autores, artigos e
trabalhos sobre o assunto. Infelizmente poucos escritos
por pessoas como esta autora com base de pratica de
aula, pesquisa e conhecimento do universo escolar.
Ai você leitor se pergunta o porquê desta
observação com um tom critico, ocorre que nós,
profissionais que dão aula de yoga e meditação em
escolas, buscamos pessoas com práticas, embasadas em
pesquisas e informações dentro da realidade e com as
quais possamos aprender. Pois, falar e escrever destes
benefícios nas escolas é fácil para alguns autores
superficiais; estes verificam as experiências em centros
de yoga e academias e projetam intuitivamente para
outros locais como indústrias, empresas e escolas e
assim criando metodologias não muito adequadas ao
universo escolar.
Atualmente o meio acadêmico busca por
profissionais e pessoas embasadas para os ajudarem na
implantação destes projetos nas escolas. Porque aplicar
uma aula de Yoga e meditação para crianças,
adolescentes e professores em escolas é uma questão
num grau de dificuldade muito acima as de um centro de
Yoga. Além de vencer uma grande resistência cultural é
necessário pesquisar as bases de forma solida e
pedagógicas na apresentação desta disciplina no meio
escolar. Além disto, sobre a milenar prática do Yoga
existem uma infinidade de escolas, mestres e
professores, princípios de aplicação de programa de
valores, formatos de aulas, e técnicas específicas como
respirações, relaxamento e relaxação, técnicas posturais
entre outros. Inclusive existem algumas linhas de Yoga
com trabalho para crianças e adolescentes, mas
aplicados em centros de Yoga e não escolas. No entanto,
à partir da década de 60 do século passado isto tem
mudado, na década de 90 toma vulto e agora no século
XXI começa a ser pensado como um saber acadêmico, e
este é o ponto principal deste desafio. É necessário ao
professor de Yoga e meditação nas escolas metodologias,
pesquisas, saber perceber o coletivo e o individual de
cada turma, saber incluir a todos em um plano de aula
simples e coerente, é necessário construir bases
pedagógicas a partir de uma aula de Yoga, desenvolver
estas aulas, seus planejamentos, ter constante
autoavaliação, estar atento aos muitos erros e acertos, e
o mais importante saber levar este tipo de aula com amor
e entusiasmo.
Pois só assim, a partir do exemplo do professor(a)
em sala de aula podemos levar o aluno a compreender
sobre o universo que existe dentro dele e dar uma
ferramenta de auto conhecimento que ele ira levar pelo
resto da vida.
Para sua sorte leitor, Myrian é uma destas
pessoas, que compreendem este ponto e se debruçam
sobre ele. E precisamos de uma geração de
pesquisadores, como ela, que vivam estes dois mundos
para criar e consolidar a ponte entre eles.
Parabéns a autora por este lindo trabalho que
tenho certeza se seguirá por outros muitos. Abordando
temas tão vastos e profundos e sabendo agrupa-los com
simplicidade e coerência em um enfoque pedagógico.
Este livro é um dos muitos primeiros passos no que diz
respeito a levarmos as técnicas de autoconhecimento
para o universo escolar e assim transformarmos a
sociedade. Myrian com seu grande coração, alegria e
entusiasmo soube trazer com maestria uma explanação
bem referenciada, lógica e coerente espero que vocês
curtam este livro assim como eu curti.
Em paz e com gratidão
Mauricio Salem*

*Maurício Salem é educador físico, professor do Centro de Estudos


Yoga Educação, professor convidado da UFRJ – Universidade
Federal do Rio de Janeiro, criador da Yoga Educativa, Professor do
Colégio Andrews, Colégio A. Liessin, Colegio Scholem Aleichem e da
Escola Eliezer Max. Maurício também é professor do Curso de
Formação de Professores de Yoga Educativa em diversos estados
brasileiros.
“Quando duas pessoas trocam seus pães,
cada uma volta com um pão.
Quando trocam ideias, voltam com duas ideias.”
Buda
Gratidão!
Gratidão ao Universo!
Gratidão à Deus!
Gratidão à vida!
Gratidão sempre!
Namastê!
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...........................................................................................16

TÉCNICAS MEDITATIVAS...........................................................................26
Yoga .............................................................................................................28
Ginástica Doce .............................................................................................35
Mindfulness.................................................................................................. 40
Dança Circular..............................................................................................50
ADEQUAÇÃO DAS TÉCNICAS MEDITATIVAS ÀS DIRETRIZES E POLÍTICAS
EDUCACIONAIS....................................................................................... 60

CONSIDERAÇÕES FINAIS ..........................................................................71

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................75
Myrian Aparecida Bosco Massarollo

INTRODUÇÃO

Diversas doenças ligadas ao estresse, dentre elas


a depressão e a ansiedade, tornam-se à cada dia mais
comuns em nossa sociedade (SERVAN-SCHREIBER,
2004); e infelizmente além dos adultos, elas também
atingem as crianças.
As escolas estão repletas de alunos com
diagnósticos de TDH e que tomam medicamentos que
não raramente afetam de forma negativa no
desenvolvimento das aptidões escolares.
Prova dessa rapidez em buscar um diagnóstico e
tratar com medicamentos qualquer comportamento fora
do padrão esta na divulgação na rede de um questionário,
onde supostamente através de sua aplicação é possível
um diagnóstico primário.
O questionário em pauta, denominado SNAP-IV, foi
construído a partir dos sintomas do Manual de
Diagnóstico e Estatística - IV (DSM-IV) da Associação
Americana de Psiquiátrica, e teve a tradução validada
pelo GEDA – Grupo de Estudos do Déficit de Atenção da
UFRJ e pelo Serviço de Psiquiatria da Infância e

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Meditação na escola

Adolescência da UFRGS. O instrumento esta calcado em


perguntas sobre atenção e atividade. Ainda que o
questionário seja apontado pela ABDA (Associação
Brasileira do Déficit de Atenção) como sendo apenas um
ponto de partida para levantamento de alguns possíveis
sintomas primários do TDAH, ele esta disponibilizado em
seu site para impressão com a sugestão de que seja
levado para o professor, para que seja preenchido por ele.
Vivemos na era da medicalização, e ainda que em alguns
casos ela venha a ser realmente necessária, quantos
professores ao preencherem o questionário estariam
aptos a sugerir para os pais alguma via alternativa como a
meditação como instrumento para a mudança do
comportamento e para auxiliar no processo de foco e
atenção, antes de enviar a criança para um processo com
grande chance de se tornar medicamentoso.
A prescrição reflexa já se tornou tão comum
que, se um paciente chorar na frente do
médico, ele tem grandes chances de
receber um antidepressivo ao final do
atendimento (SERVAN-SCHREIBER, 2004,
pág.17).

Além do fantasma do TDAH, em virtude das

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

exigências da vida contemporânea muitas vezes a criança


suporta sozinha angustias e ansiedades advindas da
proximidade da mudança de ciclo educacional para outro.
Na vida moderna, principalmente nas
grandes cidades, com seu ritmo
alucinante, as pessoas frequentemente se
sentem estressadas e incapazes de gerir
com eficiência suas ações. A pressa,
impaciência e ansiedade andam juntas no
dia a dia da maioria dos seres humanos.
Isso gera frustrações e, frequentemente,
depressão e doenças psicossomáticas,
afetando a saúde como um todo
(MAZZONETTO, s/d – A).

Recentemente a proposta do governo Alckmin de


unificar escolas em ciclo único de aprendizado tem tido
destaque na mídia paulista, e a falta de consenso entre
os adultos (governo, pais e professores) em relação ao
tema tem aumentado ainda mais a tensão entre aqueles
que deveriam ser os mais protegidos pela sociedade: os
alunos.
Ressalte-se que não somos contrários a escolas
com ciclos únicos, uma vez que tal arranjo existe em
diversos países e tem comprovado sua eficiência. O que
se questiona é a maneira intempestiva que apenas

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Meditação na escola

corrobora com o desequilíbrio emocional dos alunos, que


deveriam ser preparados de forma adequada para as
mudanças.
O desconhecimento gera medo, um sentimento
terrível que segundo Julio César Waltz (2010), impede a
criança de executar algo fundamental que ele denomina
como “construção da esperança”, que é uma mola (a
esperança) para que a criança se sinta estimulada a ir em
frente e lidar com os problemas e desafios da vida.
A energia do medo é uma energia de
baixíssima vibração e, portanto, muito
densa. Tudo o que deriva do medo e de
sua baixa vibração, como a culpa, a raiva,
a dúvida, a insegurança, a desconfiança, o
individualismo, a competição, a inveja, o
ciúme, a grosseria, a falta de criatividade,
a desmotivação, a tristeza, a mágoa, o
pessimismo, a indiferença e a infelicidade
são manifestações de imaturidade
emocional e espiritual. (CANETE, 2013).

Além disso, por consequência da rotina atribulada


imposta pela sociedade capitalista e altamente
competitiva a que estamos sujeitos, os pais, não
raramente, podem deixar de perceber o quanto as fases
de mudança de ciclo do fundamental I para o fundamental

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

II, e posteriormente para o ensino médio podem acarretar


uma sobrecarga emocional para seus filhos.
É fundamental para os pais, na atualidade,
informar-se e entender as características, as
necessidades e o novo modo de funcionar
dessas crianças para que possam se
desenvolver e se aprimorar no exercício dos
papéis de pai e de mãe, em pleno século
XXI (CANETE, 2013).

Da mesma forma, os professores preocupados


com que a criança, ou adolescente, recebam e absorvam
os conteúdos que serão necessários para o
desenvolvimento do próximo ciclo, por vezes também não
percebem a ansiedade, que acaba por ser simplesmente
traduzida como indisciplina.
A indisciplina neste caso pode ser vista como um
comportamento inadequado advindo do medo de
enfrentar uma situação nova. Este comportamento
inadequado pode ser manifestado através de
agressividade, isolamento, falta de atenção, entre outros.
Qualquer pessoa ligada ás práticas
escolares contemporâneas, seja como
educador seja com educando (...), consegue
ter uma razoável clareza quanto aquilo que

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Meditação na escola

nos acostumamos a reconhecer como crise


na educação (...). A indisciplina é um
indicador de que os objetivos buscados pelo
corpo escolar não estão sendo alcançados,
por diversos motivos (MORAES, BALGA,
2007).

No entanto, as crianças e adolescentes vivem na


escola outros problemas além dos provocados pela
ansiedade causada pelas mudanças de ciclo. Eles vivem
um contexto social marcado pelo clima de
competitividade, pelo individualismo e pelo bullying.
Torna-se imprescindível que os adultos que convivem com
essas crianças, sejam eles pais ou professores, as
ajudem a superar cada uma dessas crises inerentes ao
mundo contemporâneo.
A tarefa a que os adultos são convocados
pelas crianças, a de serem mediadores
entre elas e o mundo (realidade), não é uma
tarefa fácil. Exige disponibilidade, tempo e
compartilhamento (WALZ, 2010).

Portanto, estamos falando de saúde emocional, e


nem sempre remédios, ainda que possam ser uteis em
casos específicos, estão longe de ser uma solução ideal
para a saúde emocional (SERVAN-SCHREIBER, 2004).

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

A meditação parece ser a causa mais


provável da rápida recuperação de um
estresse. A pessoa que medita regularmente
lida com o estresse de modo a romper a
espiral da reação de enfrentamento ou fuga.
Ela relaxa com muito mais frequência do
que a que não medita, após um desafio ter
sido superado (GOLEMAN, 1999, pág. 11).

Diante das situações expostas torna-se necessário


oferecer às crianças um suporte, uma prática que possa
promover o autoconhecimento, o autocontrole, que possa
melhorar a concentração, auxiliar na redução do estresse
e na melhora dos relacionamentos interpessoais.
Justificamos a escolha dessa temática, pois
acreditamos que esta prática pode mudar
sobremaneira a atitude e forma de pensar
dos jovens e educadores no ambiente
educativo, bem como suas posturas diante
do meio em que estão inseridos, incitando-
os a uma cultura da paz (SAMPAIO, 2012).

De acordo com a obra do médico neurologista


David Servan-Schreiber, no interior do cérebro
propriamente dito existe um segundo cérebro, por ele
batizado de cérebro emocional. Segundo o autor o
cérebro emocional controla tudo o que diz respeito ao

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Meditação na escola

nosso bem-estar psicológico, bem como atua em grande


parte da fisiologia física (coração, pressão sanguínea,
hormônios, sistema imunológico, etc); afirma que o
cérebro emocional possui mecanismos (instintos) próprios
de autocura.
Esse instinto para curar abrange a
habilidade inata do cérebro emocional em
descobrir equilíbrio e bem-estar (SERVAN-
SCHREIBER, 2004, pág. 19).

No nosso entender, a prática que pode levar a


todas essas conquistas pessoais é a meditação. De
acordo com Rato (2011) a meditação liberta o sujeito do
compromisso com a meta de modo a valorizar a
experiência do momento presente a partir de si mesmo. A
partir daí os ganhos se acumulam pois a meditação
aperfeiçoa diversos mecanismos e habilidades.
A meditação treina a capacidade de prestar
atenção. Isso a diferencia de muitas outras
formas de relaxamento que permitem que a
mente divague à vontade. Esse aguçamento
da atenção dura além da própria sessão de
meditação. A atenção vai manifestar-se de
várias maneiras, durante o resto do dia da
pessoa que medita. Verificou-se, por
exemplo, que a meditação aperfeiçoa a
habilidade da pessoa de captar sutis

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manifestações no ambiente e de prestar


atenção ao que está acontecendo, em vez
de deixar a mente se dispersar. Essa
habilidade significa que, ao conversar com
alguém, a pessoa que medita regularmente
estabelece uma relação de maior empatia,
porque consegue prestar uma atenção
especial no que a outra pessoa está
fazendo e dizendo, e consegue captar
melhor as mensagens ocultas que ela está
transmitindo. (GOLEMAN, 1999, pág. 13).

No entanto, nesse ínterim torna-se necessário


refletir sobre dois aspectos de grande importância: o
primeiro diz respeito à qual técnica meditativa seria a mais
adequada a ser utilizada com crianças e adolescentes; o
segundo seria sobre o fato de estarmos tratando da
introdução da meditação no ambiente escolar, ou seja, na
acomodação de um instrumento à realidade educacional e
consequentemente às diretrizes e políticas educacionais
vigentes no país.
No âmbito da educação, especialmente, a
meditação pode ser utilizada tanto em
escolas regulares quanto especiais,
favorecendo o desenvolvimento dos
estudantes e seu desempenho escolar
(MAZZONETTO, s/d – A).

Portanto, o processo de introdução da meditação

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Meditação na escola

na escola implica em escolher uma técnica que possa ser


trabalhada com crianças e adolescentes, e adequar esta
técnica ao contexto educacional, criando um plano de
ensino e de utilização da prática meditativa que possa ser
aceito pelos pais, pelos professores, pela instituição e que
possa acompanhar o próprio processo educacional.
Contrário senso, estaríamos simplesmente
repetindo os procedimentos utilizados nas clinicas e nas
academias, sem trabalharmos todas as nuances e
necessidades características do ambiente escolar.
(...) Meditação Laica Educacional que
agrega conhecimentos didáticos,
pedagógicos assim como psicológicos nos
coloca diante da possibilidade de se
instrumentalizar o professor com uma
estratégia pedagógica relativa a vivências
internas e pessoais do aluno dentro do
processo educativo escolar de modo a
contemplar a atual necessidade dos
currículos escolares abarcarem saberes
necessários, porém ainda ausentes, para
uma Educação do Século XXI (RATO,
2011).

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TÉCNICAS MEDITATIVAS

Inúmeras são as chamadas técnicas meditativas,


ou seja, as maneiras como a meditação pode ser
desenvolvida. Algumas já são utilizadas em diversos
países com sucesso nos ambientes escolares, e
começam a ser introduzidas no Brasil.
Na modernidade, vários métodos de
meditação vêm sendo criados, porém a
base essencial é sempre a mesma: a
concentração no objeto da consciência, a
aquietação da mente, a identificação com o
objeto meditado e a compreensão de sua
essência (MAZZONETTO, s/d – A).

Dentre todas as técnicas meditativas disponíveis


escolhemos para nossa pesquisa a Yoga, a Dança
Circular, o Mindfulness e a Ginástica Doce.
Discorreremos brevemente sobre cada uma delas,
pois são instrumentos sobre os quais existe ampla
bibliografia. Chamamos a atenção para o fato de que
muitos dos conceitos e até mesmo das práticas
apresentadas nas técnicas escolhidas possuem aspectos
comuns. No nosso ver isso apenas ressalta as qualidades

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Meditação na escola

das mesmas enquanto instrumentos educacionais, pois


permitem uma melhor compreensão dos principais
conceitos à serem inseridos em um projeto escolar.
Apesar de fragmentada em seus saberes, é
possível que novas maneiras de articulação
sejam inseridas na rotina escolar, de modo
que, as crianças integrem as vivências e os
diversos saberes de forma significativa.
Uma das maneiras disso acontecer é
através da meditação (ROCHA, 2014).

Não se pode perder a referências de que todas as


técnicas de meditação, sejam puras ou mescladas,
promovem o bem estar e quando bem aplicadas recebem
o aval daqueles a quem queremos atingir: as crianças e
jovens em ambiente escolar.
A partir das expressões dos jovens, obtidas
por meio de falas, desenhos, textos escritos,
pudemos perceber que eles anunciam
alguns “benefícios” em relação a
participarem do evento de meditação na
escola, como a promoção da qualidade de
vida, bem-estar, saúde, além de diminuir os
índices de violência na cidade. Houve
melhora no bem-estar pessoal,
concentração em sala de aula,
relacionamento familiar e no ambiente
educativo e melhor desempenho escolar
(SAMPAIO, 2012).

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

Yoga
A Yoga é uma prática meditativa que busca, de
forma geral, a disciplina mental a fim de alcançar o
autoconhecimento, e através dele, a autotransformação
(MORAES, BALGA, 2007).
Praticar Yoga é aprender o caminho de volta a si
mesmo, descobrir os próprios limites e amplia-los, ou
seja, é aprender a conviver de forma pacífica e
equilibrada consigo mesmo (BROWN, 2009).
O Yoga Clássico foi codificado por Patânjali e é
subdividido em cinco linhas (ou ramos): a Rajá Yoga, a
Kharma Yoga, a Jhana Yoga, a Bhakti Yoga, a Hatha Yoga
(MAZZONETTO, s/d – B). Alguns autores acrescentam
dois outros ramos somando sete linhas clássicas da Yoga:
o Mantra Yoga e o Tantra Yoga (DUARTE, 1983). Nesse
trabalho consideraremos apenas as cinco linhas
apontadas por MAZZONETTO (s/d – B).
Daremos uma breve explicação sobre as quatro
primeiras, nos atendo mais à Hatha Yoga, pois é o ramo
que melhor se adéqua ao nosso tema.

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Meditação na escola

Bhakti Yoga é a Yoga do Amor, é o caminho da


Devoção. Este amor e devoção têm uma potência
espiritual interna que eleva o praticante e se converte em
uma forma sutil de conhecimento do Divino. O devoto
sente uma paixão crescente pelo Divino e isto, segundo
esta linha de Yoga, promove o rompimento das barreiras
que possam existir entre ele e o Divino. A Bhakti Yoga
geralmente é adotada por pessoas de natureza emotiva e
que apresentam sentimentos de amor e devoção muito
desenvolvidos. O Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo
e outros sistemas dualistas de religião, quando apregoam
a adoração de um Deus único, estão de forma consciente
ou inconsciente, pregando os princípios da Bhakti Yoga
(DUARTE, 1985).
Karma Yoga é a Yoga da ação. A palavra Karma é
derivada da raiz sânscrita kri, cuja tradução é agir, fazer.
Portanto, tomada em sentido literal, Karma significa ação,
e refere-se a todas as ações, tanto as mentais como as
físicas. O conceito primordial da Karma Yoga é o fato de
que a toda ação corresponde uma reação. Nenhuma ação
pode ser separada de seu resultado, pois não há causa

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

que possa ser desvinculada de seus efeitos. A cadeia da


causa e efeito, conhecida como a “Lei de Causa”, também
é chamada Karma. Nesta linha do Yoga estão contidos os
ensinamentos de que o trabalho de cada indivíduo deve
ser feito com amor, sem egoísmo e isto significa executar
a ação que lhe cabe com perfeição, por amor à coisa em
si e desapego aos frutos de seus atos. Portanto, mais do
que ação, a Karma Yoga é a ação isenta de interesses
(DUARTE, 1987).
A Jnana Yoga é a linha da Yoga que busca a
iluminação através da sabedoria. A palavra Jnana,
derivada da raiz sânscrita jna, significa conhecimento,
discernimento. Jnana também é empregada para
expressar a mais elevada iluminação produtora da
verdade, mas o composto Jnana Yoga é usado no sentido
de investigação intuitivo-filosófica, podendo ser entendido
como a Yoga do conhecimento absoluto. Neste ramo da
Yoga o conhecimento é libertador, pois revela a
verdadeira natureza das coisas. Num primeiro momento,
consiste em eliminar todas as falsas concepções do Ego

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Meditação na escola

e, num segundo momento, revelar a verdadeira natureza


da essência (DUARTE, 1986).
A Raja Yoga ou Yoga Real é a segunda
modalidade de Yoga mais conhecida no ocidente. Trata-
se de uma doutrina com mais de cinco mil anos de
existência, cuja codificação só ocorreu por volta do Século
II a.C. por Patanjali, através da obra “Yoga Sutras”, o mais
antigo documento sistemático sobre a Yoga. O objetivo da
Raja Yoga é revelar ao homem os poderes ocultos da sua
mente. Isso se dá através de práticas diárias que visam
fortalecer a mente para que ela obtenha força de vontade
e poder de concentração. A Raja Yoga comporta oito
etapas que são literalmente os oitos aspectos da Yoga:
Yama (refreamento), Niyama (observâncias), Asana
(posições), Pranayama (domínio da respiração),
Pratyahara (retração dos sentidos), Dhárana
(concentração), Dhyana (meditação), Samadhi
(iluminação) – o estado de plena consciência e
autorrealização; uma espécie de ruptura que propicia o
aparecimento de uma forma de consciência de natureza

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

iluminadora, um estado alterado de consciência


(DUARTE, 1984).
Por fim, a Hatha Yoga é o ramo da Yoga que trata
do corpo físico, seu cuidado, bem-estar, saúde, força e
tudo quanto venha a manter o seu estado de saúde
natural e normal. Ao trabalhar com o corpo a Yoga nos
ensina a ter mais controle sobre a mente (BROWN, 2009).
Essa atenção e cuidados destinados ao corpo
físico são fundamentados em três pressupostos: o corpo é
o instrumento no qual e pelo qual o espírito se manifesta e
age; o corpo é o templo do espírito; com um corpo físico
doente ou imperfeitamente desenvolvido, a consciência e
seus veículos não podem funcionar devidamente.
Hatha Yoga diz respeito ao controle do
organismo através da autodisciplina. Seu
praticante visa superar suas limitações
físicas e transcendê-las (MAZZONETTO,
s/d – B).

O Hatha Yoga, através da saúde e resistência do


corpo, o coloca em sintonia com os planos mais sutis da
natureza, possibilitando ao indivíduo uma crescente
liberação de suas debilidades físicas e mentais. Os quatro
elementos formais do Hatha Yoga são: asana ou postura

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Meditação na escola

física, pranayama ou controle da respiração, relaxamento


e atitude mental correta.
O Hatha Yoga tornou-se mais popular nos
dias de hoje por causa da sua contribuição
para a manutenção da saúde do corpo e da
mente. Cientistas das áreas de Fisiologia,
Medicina e Psicologia investigam o Hatha
Yoga, para que suas técnicas possam ser
compreendidas e aplicadas com segurança
(SOUTO, 2009).

Dentre as cinco linhas citadas é a Hatha Yoga a


considerada mais adequada para a prática por crianças.
O equilíbrio pregado por essa linha da Yoga esta expresso
em seu próprio nome: Hatha, originário da junção de Ha
(sol) e Tha (lua). Pode-se perceber claramente o porquê
do fascínio que a Hatha Yoga exerceu sobre o psicólogo
Karl Jung, uma vez que o mesmo dizia que tínhamos o
lado luz e o lado sombra, e que ao invés de sufocados
deveriam conviver em equilíbrio.
Esta energia vital solar (prana solar) e lunar (prana
lunar), que é a própria essência do ser, deve ser
equilibrada para que o indivíduo se torne pleno. E é
justamente a prática das asanas, dos pranayamas, da

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

capacidade de relaxamento e de concentração que pode


propiciar este equilíbrio.
A Yoga utilizada no ambiente escolar, não visa
resolver todos os problemas de indisciplina e
relacionamento interpessoal, e sim buscar a integração
corpo/mente como forma de harmonizar os sentimentos
da criança/adolescente buscando uma transformação em
seu comportamento, de forma a torná-lo menos agressivo
e ansioso, e mais consciente de si e de sua importância
no mundo (MORAES, BALGA, 2007). Como ganhos
adicionais a Yoga pode aumentar sua autoestima e tornar
a criança/adolescente um ser mais sereno e estruturado.
A Yoga é uma prática que promove o
desenvolvimento físico e mental. Através dela pode ser
implementado um sistema sutil de combate a
agressividade, a ansiedade e em outros aspectos que
influenciam a incidência de indisciplina, fator que afeta
tanto as condições de ensino-aprendizagem escolar,
quanto no processo de formação integral e harmônica que
seria o ideal ao processo de desenvolvimento das
crianças e adolescente (MORAES, BALGA, 2007).

34
Meditação na escola

Ginástica Doce

A ginástica doce é uma união de exercícios da


Yoga com exercícios da chamada ginástica suave
resultado do trabalho de um terapeuta corporal, Paulo
Raymond, e de uma professora conselheira pedagógica
da Escola Normal de Montpellier na França, Claude
Cabrol.
De acordo com os seus criadores o sistema
educativo ao se preocupar mais com o “saber”, ou seja,
com a quantidade de conhecimentos que uma criança
deve absorver, de certa forma promove uma separação
entre o corpo e o espírito. Ou seja, valoriza em demasia o
conhecimento deixando de considerar as necessidades
psicológicas e físicas da criança. Diante de uma nota
baixa, ou de uma inadequação em alguma disciplina, a
criança passa a se sentir fracassada, e a partir daí pode
ter seu comportamento alterado (CABROL, RAYMOND,
2012).
O objetivo primordial da Ginástica Doce é
possibilitar à criança e ao adolescente a autodescoberta,
e à partir daí a autovalorização, e consequentemente ao

35
Myrian Aparecida Bosco Massarollo

se sentirem em equilíbrio e bem consigo mesmos,


assimilarem com maior facilidade tanto os conteúdos
inerentes ao aprendizado, ressignificando as relações e
seu próprio valor no contexto social.
Ela favorece a explosão do “ser”, permitindo
aos jovens a descoberta de si mesmos, de
explorarem seu corpo e de se expressarem
(CABROL, RAYMOND, 2012, pág. 12).

A Ginástica Doce trabalha com exercícios de


equilíbrio, de respiração, de relaxamento. Especialmente
no que diz respeito a estes três aspectos ela utiliza as
posturas da Yoga (asanas) e alguns pranayamas básicos.
Além disso, explora a ginástica passiva, a massagem, e a
visualização.
A ginástica passiva por ser feita a dois, ou seja,
com o auxílio de outra criança, facilita o relaxamento e a
comunicação, além de promover a cumplicidade e a
socialização (CABROL, RAYMOND, 2012).
A massagem, assim como a ginástica passiva
promove a cumplicidade e a socialização a partir do toque
físico. Também promove a coordenação motora manual e

36
Meditação na escola

o autocontrole, pois o objetivo é que o companheiro fique


relaxado e que se sinta bem.
A massagem é indicada quando as crianças
já se conhecem bem. Antes de uma
atividade ela ajuda a concentração; depois
de um momento “explosivo” a massagem
cria um clima de calma e relaxamento
(CABROL, RAYMOND, 2012, pág. 116).

Por sua vez, a visualização é uma atividade de


formação de imagens mentais a partir da concentração
dirigida. A partir de uma indicação temática a criança é
convidada a compor imagens mentais e criar em sua tela
mental situações agradáveis, como em um sonho
(CABROL, RAYMOND, 2012).
A imaginação da criança é transbordante.
Infelizmente em nossos dias, a sociedade
deixa bem pouco espaço para esta
criatividade. E ao crescer, a criança tende a
imitar o que é valorizado, solicitando cada
vez menos sua capacidade inventiva. A
visualização permite voltar às origens da
imaginação. Ela propicia o relaxamento, a
concentração e aumenta a capacidade de
memorização (CABROL, RAYMOND, 2012,
pág. 119).

Um instrumento muito interessante utilizado pela


Ginástica Doce é a mandala. Mais uma vez a influência

37
Myrian Aparecida Bosco Massarollo

oriental já apontada pela utilização da Yoga se manifesta


no trabalho desenvolvido.
As mandalas são formadas por elementos
simétricos que se articulam em torno de um
centro. É impossível observá-las no seu
conjunto. O olhar as explora seguindo uma
progressão determinada. Esse exercício
visual capta a atenção da criança, estimula
a concentração e ajuda a desenvolver a
memória (CABROL, RAYMOND, 2012, pág.
181).

Mandala é uma palavra do sânscrito e significa


literalmente círculo. No entanto, tem um significado mais
profundo na cultura oriental sendo o circulo que “contém
a essência” ou “ a esfera da essência” (Green, 2005, p. 7).
Jung foi um grande adepto do trabalho com
mandalas como instrumento de reorganização, e as
introduziu na psicologia como uma representação
simbólica da totalidade da psiquê.
A palavra sânscrita mandala significa
“círculo” no sentido habitual da palavra. No
âmbito dos costumes religiosos e da
Psicologia, designa imagens circulares que
são desenhadas, pintadas, configuradas
plasticamente, ou danças (JUNG, 2002, pp.
385-387).

38
Meditação na escola

A mandala é utilizada na Ginástica Doce como


“mandala viva”, ou seja, em rodas livres onde se
executam deslocamentos do interior para o exterior do
círculo e vice-versa, e em danças folclóricas. Também
são criadas mandalas a partir de diversos materiais como:
pinturas, tecidos, papéis, argila, almofadas, caixas, etc.
As mandalas refletem o estado de alma das
crianças. Por isso, elas podem variar
segundo o momento em que são
executadas e a pessoa que as desenha
(CABROL, RAYMOND, 2012, pág. 182).

A sensorialidade é constantemente trabalhada no


método da Ginástica Doce. Os exercícios de
sensorialidade abrangem o tocar com as mãos, o tocar
com os pés, o tocar com o rosto, o tocar com o corpo, o
ver, o sentir, o paladar, o ouvir, e o sentido cinestésico
(CABROL, RAYMOND, 2012).
A Ginástica Doce, bastante conhecida na França já
possui adeptos no Brasil, ainda que suas técnicas sejam
utilizadas aqui mais no contexto de academia do que no
escolar. No entanto, possui métodos e planos de aula já
testados disponibilizados que podem com tranquilidade
serem adaptados para a nossa realidade escolar.

39
Myrian Aparecida Bosco Massarollo

Os exercícios de Ginástica Doce e de Yoga


ajudam a criança a perceber seu corpo de
uma forma positiva e realista, descobrindo
suas diversas partes e compreendendo sua
função. Este conhecimento confere a
autoconfiança e melhora os contatos que
estabelece ao redor. Através da Ginástica
Doce as crianças podem vivenciar múltiplas
experiências sensoriais e corporais.
(CABROL, RAYMOND, 2012, pág. 189).

Mindfulness
A sensação de que o tempo atropela é comum à
grande parte das pessoas. Temos tantas atividades,
tantos problemas, tantas coisas em que pensar que
acabamos não conseguindo nos focar em nada, ou seja,
quando percebemos a situação agradável, ou não, já
passou. Não percebemos a vida, não usufruímos o que
temos, e pior, fazemos isso com nossas crianças.
O Mindfulness surgiu de duas correntes distintas: a
primeira adveio das pesquisas de Ellen Langer em
Psicologia experimental; a segunda surgiu do trabalho de
Jon Kabat-Zinn, que introduziu a meditação budista na
prática clínica. No presente trabalho utilizamos a obra de
Kabat-Zinn.

40
Meditação na escola

Mindfulness é uma técnica através da qual se


amplia a capacidade de prestar atenção, no momento
presente, a tudo que surgir interna ou externamente
(ROEMER, ORSILLO, 2010).
Portando, diz respeito a uma consciência plena da
situação vivida sem se engajar em julgamentos ou no
desejo de que as coisas sejam diferentes. O foco é na
percepção consciente das experiências internas,
observando o surgimento e o desaparecimento dos
pensamentos e sentimentos sem se agarrar àqueles
muito valorizados e sem tentar banir os dolorosos
(ROEMER, ORSILLO, 2010).
O Mindfulness é uma forma de meditação com
origem na filosofia oriental budista que tem por objetivo
focar a atenção no momento presente, de forma livre de
juízo de valores, a fim de ampliar a consciência ao
aprender a ser um espectador dos próprios pensamentos,
sentimentos e comportamentos. Jon Kabat-Zinn define a
prática como “prestar atenção de propósito, no momento
presente, sem julgamentos, como se sua vida
dependesse disso” (KABAT-ZINN, 1990).

41
Myrian Aparecida Bosco Massarollo

De acordo com Jon Kabat-Zinn (1990) viver com


atenção plena é abraçar toda a riqueza de sua própria
vida, encontrando no dia-a-dia, espaço para crescer tanto
em sabedoria, quanto em força.
“A única coisa que podemos viver são instantes”
(KABAT-ZINN, 1990), portanto, o Mindfulness nos leva a
prestar plena atenção ao momento presente. Se
conseguirmos viver um momento de cada vez da melhor
maneira possível, a vida será um suceder de bons
aprendizados e de paz.
A atenção plena propõe que nós
dominemos, etapa por etapa, a nossa
capacidade de prestar atenção e nos
reconectarmos com os nossos sentidos
(Kotson, 2015).

O Mindfulness ajuda as pessoas que não


conseguem suportar as emoções negativas a
compreender que os pensamentos e os sentimentos são
passageiros, promovendo uma melhor regulação
emocional (KABAT-ZINN, 1990).
O Mindfulness ganha cada vez mais adeptos em
virtude da concepção de que se trata de uma forma de
meditação que pode ser praticada em qualquer lugar.

42
Meditação na escola

Pode-se praticar por meio da meditação


tradicional, onde o silencio e a permanência são fatores
importantes, ou simplesmente mantendo-se focado no
presente durante a realização de tarefas cotidianas. Ou
seja, pode-se praticar o Mindfulness caminhando,
andando de metrô, tomando banho.
Na investigação sobre a questão do Mindfulness
ser ou não uma técnica que pode efetivamente ser
utilizada com crianças, percebemos que no Brasil alguns
psicólogos acreditam que sim, inclusive já a utilizando em
seus sets terapêuticos.
A investigação é ainda muito limitada no
que respeita a aplicação de mindfulness
com crianças e jovens, mas a pouca que
existe sugere resultados positivos (ALVES,
2016).

No ocidente a inserção de práticas meditativas e


contemplativas na educação, especialmente no ambiente
escolar, surge como uma tendência nova e promissora.
Quando utilizadas na escola, um aspecto de fundamental
importância a ser observado é que as práticas devem ser
adaptadas às faixas etárias das crianças e adolescentes
(MENEZES, 2015).

43
Myrian Aparecida Bosco Massarollo

Portanto, é recomendado que a duração das


práticas tenha uma redução em relação ao tempo
normalmente utilizado por adultos. Além disso, é
interessante a incorporação de múltiplas modalidades
sensoriais nas atividades (MENEZES, 2015).
Existem diversas praticas que são interessantes
como colocar pequenas almofadas (ou bichinhos de
pelúcia) sobre o peito da criança deitada para que ela
possa vê-los subir e descer durante a respiração. Isso faz
com que elas tomem consciência do processo do ar
entrando e saindo de seus corpos, e consigam obter um
controle sobre a profundidade e a velocidade da
respiração (GREENLAND, 2010).
Alguns exemplos de práticas incluem a
meditação da respiração (consciência da
respiração), a meditação
caminhando (consciência dos movimentos),
o escaneamento corporal (consciência das
diferentes partes do corpo), a meditação
das sensações (consciência da percepção
de diferentes estímulos sensoriais),
exercícios de imaginação guiada ou ainda a
prática da atenção plena por meio de
sequências de movimentos e posturas
físicas (MENEZES, 2015).

44
Meditação na escola

Assim como na ginástica doce os exercícios de


sensorialidade devem incorporar o tocar com as mãos, o
tocar com os pés, o tocar com o rosto, o tocar com o
corpo, o ver, o sentir, o paladar, o ouvir, e o sentido
cinestésico.
As práticas de Mindfulness podem ser incorporadas
ao currículo escolar passando a fazer parte das atividades
regulares ou serem oferecidas como atividades
extracurriculares, que é a forma mais comum (MENEZES,
2015), no entanto, o ideal é que a escola compreenda o
quanto seria benéfico manter um programa fixo, pois
assim, todas as crianças poderiam desenvolver seus
potenciais não apenas a curto, mas a médio e longo
prazo.
Apesar destas particularidades e de
algumas distinções metodológicas, como
idade escolar, duração do programa e das
práticas ou o número de técnicas que
incorpora, todos os programas
compartilham objetivos comuns (MENEZES,
2015).

Nos Estados Unidos o índice de aceitação dos


programas de Mindfulness nas escolas é alto. No canal

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

YOUTUBE podem ser encontrados vídeos de projetos


como o Lineage Project e o Inner Kids Program, além de
já começar a surgir livros específicos de Mindfulness para
crianças.
No Brasil, em termos de publicação, temos o
trabalho da psicóloga Jaqueline Sodré que usa um
baralho para através de jogo específico alcançar o estado
de atenção plena que caracteriza o Mindfulness, e o livro
do médico Marcelo Demarzo “Manual Prático -
Mindfulness. Curiosidade e aceitação”. Todos os outros
livros que encontramos sobre o tema são traduções para
o português de autores estrangeiros.
No entanto, ainda que nosso mercado nacional
ainda esteja carente de produções, já existem projetos
específicos de Mindfulness para crianças.
No Brasil, o projeto Meditação nas
Escolas, da Associação Mente Viva, busca
levar a prática para a sala de aula. A
proposta, que ainda não se configura como
um programa propriamente dito, visa
oferecer treinamento a educadores, para
que eles possam incluir a prática no
currículo educacional. O objetivo é tornar a
pausa para a meditação uma prática
habitual com a inserção de sessões no

46
Meditação na escola

início ou no intervalo das aulas (MENEZES,


2015).

Em geral, a partir dos sete anos de idade as


crianças já são capazes de conseguir atitudes de
autoconsciência. Por autoconsciência entenda-se: estar
consciente de si mesmo, do seu corpo, emoções e
pensamentos. Além disso, a criança também já consegue
através da prática alcançar modificação das tendências
comportamentais habituais (ALVES, 2016).
No entanto, os exercícios podem começar muito
antes dos sete anos. Existem relatos de crianças cujos
pais estabeleceram práticas inerentes ao Mindfulness
desde os três anos de idade. Nesse caso, é importante
que a atividade seja altamente lúdica. Além disso, deve
ser partilhada por toda a família como forma de integração
entre os membros e de estímulo para as crianças
(ALVES, 2016).
Um exemplo de atividade bastante interessante
que pode ser utilizado tanto em família quanto em
ambiente escolar, é a denominada “sonda corporal”.
A sonda corporal permite-nos estar mais
conscientes das sensações corporais.

47
Myrian Aparecida Bosco Massarollo

Sugira aos seus filhos que


progressivamente se concentrem nas partes
do corpo que vai nomeando e cada vez que
nomear uma parte do corpo, eles devem
torná-la tensa, contraí-la e depois relaxá-la
devagarinho. Neste tipo de exercício e
tratando-se de mindfulness o objetivo é
dirigir a atenção sem qualquer juízo crítico
para cada parte do corpo, ganhando
consciência da mesma. Com crianças
pequenas pode mesmo arranjar metáforas
para ajudar a concentrar-se e a contrair
cada parte do corpo de forma independente.
Por exemplo: para contrair as mãos,
imaginar que tem uma laranja em cada mão
cheia de sumo e que vão espremê-las
muito, muito, muito; na barriga, fazer força
na barriga porque vai passar um gigante ou
um elefante e não podem deixar que vos
esmague. Para cada parte do corpo pode
ser arranjada uma metáfora que ajuda a
contrair e depois a relaxar (ALVES, 2016).

O Mindfulness proporcionar através de sua prática


novas formas de aprendizado através de uma consciência
do impacto que o mundo exterior provoca no indivíduo,
proporcionando o cultivo de qualidades positivas e a
criação de novos hábitos mentais, ou seja, de uma maior
e melhor qualidade de vida (KOTSOU, 2015).
Sua prática permite o desenvolvimento de
ferramentas pessoais que contribuem para a promoção ou

48
Meditação na escola

refinamento de habilidades cognitivas e auxiliam a


alcançar estabilidade emocional, atencional e
metacognitiva, além de aumentar a autoconsciência,
resiliência, bem-estar e interação social (MENEZES,
2015).
Cabe destacar ainda que, aliado à
relevância desses objetivos, a aplicação e o
estudo destes programas é uma meio para
a integração transdisciplinar entre as áreas
de educação, artes, psicologia, biologia e
política. Uma vez testada sua eficácia em
sistemas educacionais, o programa pode
ser uma estratégia de melhoria das políticas
de educação (MENEZES, 2015).

As crianças e adolescentes que participam de


programas de Mindfulness apresentam: maior capacidade
de atenção conseguindo estar durante mais tempo
atentos e focados durante as aulas, redução de
ansiedade e elevação da capacidade de se manterem
calmos; aumento da consciência do próprio corpo,
pensamentos e emoções o que eleva a capacidade de
gestão emocional e mental perante situações de estresse
e desafio; melhoria nas relações interpessoais entre
alunos: aumento da compaixão, gentileza, paciência,

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

controle de impulsos reativos e redução do bullying;


aumento da função executiva das crianças/adolescentes
que está associada ao desempenho cognitivo e sucesso
escolar; diminuição de sintomas de hiperatividade e déficit
de atenção, depressão, stress, ansiedade, agressividade,
impulsividade, entre outros (GREENLAND, 2010).

Dança Circular

Danças circulares são como o próprio nome indica


danças que são executadas em círculos. Elas existem em
praticamente todas as regiões do mundo desde os mais
remotos tempos.
As danças circulares remontam há um tempo em
que dançar era participação, encontro e reafirmação dos
ciclos da vida. Através da dança, a comunidade reunida
celebrava todos os ciclos importantes: do plantio à
colheita, do nascimento aos funerais (GARAUDY, 1980).
Como um ritual, as pessoas dançavam e
marcavam seu pertencimento ao grupo, vivendo e
partilhando valores e crenças em um encontro e
reconhecimento além da palavra (WOSIEN, 1996).

50
Meditação na escola

Até o inicio da era cristã a dança circular estava


inserida nas praticas religiosas e na vida em comunidade,
como exemplo disso podemos citar as danças circulares
celtas, irlandesas, hebraicas, entre outras (GARAUDY,
1980).
Mesmo à margem da história cultural e espiritual, a
dança circular se manteve viva até os tempos modernos
(GARAUDY, 1980).
Nas duas últimas décadas as danças circulares
passaram a ser muito procuradas, surgindo diversos
grupos no Brasil e no mundo. Os princípios das danças
circulares foram resgatados e difundidos em termos
mundiais pelo bailarino e coreógrafo Bernhard Wosien,
que passou a frequentar grupos de danças folclóricas,
percebendo "uma prática corporal mais orgânica para
expressar seus sentimentos" (WOSIEN, 2000).
No Brasil as danças circulares ganharam força com
Carlos Solano que foi hóspede na Fundação Findhorn por
um longo tempo nos anos 80 (LIERE, 2014).
As danças encontradas e copiladas em
coreografias por Wosien foram danças em sua grande

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

maioria de natureza alegre e vibrante, sendo por ele


denominadas "solares". Mas, Wosien coreografou,
também, as danças circulares introspectivas,
denominadas "lunares", pois constatou que elas haviam
praticamente desaparecido (RAMOS, 2002).
A dança, por si só, é um exercício da vida praticada
e nos conecta com a fonte da existência, com nosso
inicio, com nosso próprio ser. A dança circular conecta o
homem com os demais, dá um sentido amplo ao estar
junto e auxilia a equilibrar e organizar o “eu” interno,
enquanto integra o indivíduo aos demais
(PREGNOLATTO, 2004).
Em verdade, a tradição da dança circular devido a
sua imensa diversidade permite, ainda hoje, uma oferta
inesgotável para utilização não apenas na vida religiosa,
mas, também na prática pedagógica e terapêutica, de
encontrar as bases de uma comunhão plena de sentido
(WOSIEN 1996).
Por esse motivo: multiplicidade de sentidos,
diversidade de ritmos e musicalidade, as danças
circulares atualmente continuam sendo dançadas por

52
Meditação na escola

diversos povos do mundo, podendo ser: celebrativas,


energizantes, meditativas e introspectivas.
As danças circulares que hoje praticamos
acolhem e honram diferentes povos e
tradições. Na roda, compartilhando música,
gestos e significados de culturas diversas,
tal como no passado, vivificamos ritos e
símbolos (OSTETTO, 2009).

Trata-se de uma modalidade de dança onde não se


precisa de um parceiro, mas mesmo assim se está em
contato com os outros.
(...) dançar de mãos dadas na roda é
alcançar as profundezas do ser onde está o
saber infinito, a sabedoria sem limites
(FRANCÊS, JEFFERIES, 2004).

A dança circular, como é transmitida até hoje


através de brincadeiras de roda e das manifestações
folclóricas, é uma riqueza cultural das mais antigas do
ocidente e pode ser utilizada no âmbito escolar como uma
forma de meditação ativa.
São propriedades simbólicas do círculo a
perfeição e a ausência de distinção ou
divisão. Sua imagem evoca equilíbrio,
totalidade, integração de diferenças,
interdependência. Roda, círculo, mandala:

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

não é uma bela imagem para a prática


educativa? (OSTETTO, 2009).

A dança circular ocorre com os participantes de


mãos dadas, com todo o grupo voltado para um centro
comum. O dançar descreve formas variadas no espaço,
com formação em círculo, que pode abrir-se ou fechar-se,
desenhando linhas, espirais, meandros na sua
movimentação (OSTETTO, 2009).
Conforme explica Wosien (2000) "a dança de roda
possibilita uma comunicação sem palavras e mais
amorosa entre as pessoas" e "a dança, como a
manifestação artística mais antiga do homem, é um
caminho esotérico", onde o trabalho do participante
acontece no seu instrumento, ou seja, no seu próprio
corpo. Ou seja, a repetição do gestual, do movimento
dentro de uma mesma cadência libera a mente e a
meditação ocorre não de forma estática e silenciosa, mas
dinâmica.
Portanto, as danças circulares, na sua
expressividade, permitem que o participante consiga se
comunicar corporalmente com as outras pessoas,

54
Meditação na escola

deixando, dessa forma, fluir um encontro de sentimentos


e emoções consigo próprio e, com os outros. A dança
circular é uma maneira de canalizar os sentimentos e
emoções descontroladas, e favorece significativa melhora
nas comunicações nãoverbal e corporal (SCHWARTZ,
1999).
A arte, além de proporcionar o resgate dos
componentes do autoconceito, faz com que
o indivíduo tenha um encontro consigo
próprio (SCHWARTZ, 1999).

Através dos movimentos repetitivos da dança


circular, trabalhando a respiração, pois, se trata de
exercício físico, e diante da musica, o ser humano
consegue exprimir todos os altos e baixos de suas
sensações delimitadas contra movimento rítmicos. Na
dança o bailarino encontra o recolhimento (WOSIEN,
2000).
A dança se comunica, do ponto onde a
respiração, a representação, a imagem e a
vivência onírica afloram e se tornam
criativas, desprendidas do plano da
realidade prosaica e dos grilhões terrestres
(WOSIEN, 2000).

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

Quando a dança circular é utilizada como forma de


meditação ativa a repetição é fator importante para que a
mente automatize passos e melodia e possa se “soltar”.
Por vezes as crianças podem reclamar das musicas
escolhidas, mas o professor deve insistir e com certeza
elas acabarão por se acostumar com os ritmos.
No entanto, passado algum tempo (duas ou
três aulas), as músicas desconhecidas se
tornam grandes amigas das crianças. É
importante repetir várias vezes, não apenas
para gerar uma dança com qualidade, como
também para oferecer essa sensação de
familiaridade. Então, interessar as crianças
por ritmos novos é mais fácil do que parece.
Existe uma curiosidade inerente que brota
espontaneamente na criança. Temos
apenas que vencer a resistência inicial e
criar oportunidades saborosas de
aprendizagem. Em pouco tempo, elas não
apenas estarão pedindo as músicas e
danças, como estarão também ouvindo na
classe e em casa, com amigos e familiares.
E assim as sementes se espalham...
(DUBNER, 2013).

No trabalho com crianças são inúmeros os


benefícios da prática das danças circulares: elas trazem
alegria, serenidade, bem estar; proporcionam a interação

56
Meditação na escola

e fortalecimento do grupo; desenvolvem apoio mútuo,


cooperação e união; promovem o autoconhecimento;
harmonizam o grupo antes ou depois das atividades do
dia; trazem musicalidade e ritmo para o cotidiano;
equilibram o corpo físico, mental, emocional e espiritual;
ampliam a percepção, a concentração e atenção;
encorajam as crianças a buscar seu lugar no grupo;
promovem flexibilidade e agilidade para a vida; ajudam a
combater o estresse e a depressão (LIERE, 2014).
As danças circulares (ou danças de roda) e
as brincadeiras cantadas constituem um
recurso criativo, fundamentado no aspecto
lúdico, capaz de desenvolver habilidades
nos educandos, especialmente através de
aulas de Artes e de Educação Física -
disciplinas integrantes do currículo da
educação básica (CASTRO, 2010).

Talvez a dança circular seja um dos instrumentos


mais fáceis de serem utilizados na escola, pois de certa
forma, já faz parte da cultura popular, sendo menos
passível de ser questionado. No entanto, que não se
perca de vista que todo e qualquer método meditativo, por
mais simples que possa parecer, requer, leitura, estudo e
preparo.

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

Podem ser trabalhadas independentemente


ou de forma transdiciplinar/multidisciplinar.
Devido aos múltiplos aspectos
apresentados pelas danças circulares e
pelos brinquedos cantados, como a
regionalidade, a tradição, o folclore, a
musicalidade e outros, apresentam-se como
um excelente recurso para o
desenvolvimento da capacidade criativa, da
sociabilização e do desenvolvimento
cognitivo, proporcionando um recurso capaz
de conferir uma educação integrativa
(CASTRO, 2010).

Crianças gostam de brincar de roda, e com o


tempo também aprendem a gostar das variações que
consistem na dança circular. O bem estar produzido na
hora da dança pode ser resgatado posteriormente com a
simples audição da música. Através das letras das
musicas também podemos trabalhar valores, como os do
CD “Não ao Consumismo. Sim ao Heroísmo”, do qual
falaremos melhor mais adiante.
Uma das professoras de classe me contou
recentemente que as crianças pedem para
colocar as músicas das Danças Circulares
enquanto estão na classe fazendo as
atividades. Ela disse que as músicas mais
meditativas são as que elas mais gostam, e
que traz silêncio e acalma as crianças. Este

58
Meditação na escola

é um bom exemplo de que as crianças


estão abertas e interessadas por outros
tipos de música que não estão no radar
midiático. É questão de apresentar, oferecer
e aguardar os frutos! (DUBNER, 2013).

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

ADEQUAÇÃO DAS TÉCNICAS MEDITATIVAS ÀS


DIRETRIZES E POLÍTICAS EDUCACIONAIS

O ser humano é uno, no sentido de que não


podemos dissociar corpo e mente. Portanto, devemos
pensar na educação em seu sentido holístico, no caráter
integrativo.
Segundo MORALES e VOLTOLINI (2007):
a educação integral visa o desenvolvimento
da pessoa de forma global, isto é, de seus
aspectos intelectuais, sociais, emocionais,
físicos e até mesmo espirituais, girando em
torno sempre das relações; relações com o
conhecimento, com o professor, com o
ambiente, buscando o crescimento, a
descoberta, o envolvimento com o mundo.

Assim, as práticas meditativas poderão ser


trabalhadas de forma individual, multidisciplinar, ou
transdisciplinar de maneira a se tornarem naturais para
alunos e professores, agregando disciplinas ou
dialogando com as mesmas, visando alcançar o maior
benefício possível para as crianças.
Apresentamos um exemplo prático de adequação
das técnicas meditativas às diretrizes e políticas

60
Meditação na escola

educacionais, um Projeto de Introdução da Hatha Yóga na


Escola na qualidade de instrumento de suporte
psicopedagógico, objetivando alteração e melhoria de
qualidade de vida de alunos e professores através da
prática consciente.
O projeto foi apresentado, analisado pela diretoria
e pela coordenação pedagógica, aceito e implantado com
sucesso em escola particular de educação infantil no
bairro da Aclimação, na cidade de São Paulo, no Estado
de São Paulo.
Foram utilizados como base instrumental os
conceitos e apresentações metodológicas do Curso Livre
de Formação em Yoga Educativa coordenado pelo
Professor Maurício Salem nos módulos: “Yoga dos Bichos
e o Movimento na Prática”, “Yoga para Crianças e
Adolescentes”, e “Yoga e Educação”. Também foi
utilizado o trabalho de Elisabetta Furlan “Brincando com o
Yoga”, e a obra de Maria Ester Azevedo Massola “Vamos
praticar Yoga? – Yoga para crianças, pais e professores”.

61
Myrian Aparecida Bosco Massarollo

A escolha das obras para fundamentação teórica


levou em conta a ludicidade dos métodos, bem como a
natural identificação das crianças com animais.
Para ser apreciado pela coordenação pedagógica e
direção institucional escolar um projeto de introdução de
Hatha Yoga (ou de qualquer nova técnica) no ambiente
escolar deve conter:
 Apresentação
 Justificativa
 Objetivos
 Metodologia e estratégias
 E falar a “língua da escola”, ou seja, privilegiar
os eixos de conhecimento de mundo do
Referencial Curricular para a Educação Infantil
(MEC)

Dentre os mais comuns problemas detectados nos


alunos que justificam a apreciação do projeto, cujo
controle (ou erradicação) devem constar como objetivos a
serem alcançados, pode-se elencar:
 Ansiedade,

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Meditação na escola

 Agressividade,
 Hiperatividade,
 Falta de foco,
 Falta de atenção.

Na apresentação do projeto deve-se evidenciar que


a prática regular da Yoga proporciona:
 Equilíbrio
 Foco
 Autocontrole
 Aprimoramento do intelecto, concentração e
memória.
 Melhora e reforça a autoestima, a autoimagem e
a força de vontade.
 Melhora a forma de nos relacionarmos conosco,
com os outros e com o mundo.
 Proporciona alívio de estresse.
 Possibilita entrarmos em contato com a real
expressão de nosso potencial latente.
 Autoconhecimento e paz interior.

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

Portanto, para entrar (e se manter) em uma escola


é necessário um projeto que contemple:
 O combate aos problemas psicossociais atuais
(ansiedade, agressividade, individualismo
exacerbado, etc.);
 Multidisciplinaridade;
 Conhecimento acerca das fases do
desenvolvimento infantil;
 Conhecimento acerca da fisiologia da Yoga
relacionada a crianças;
 Conhecimento acerca da biomecânica aplicada
à Yoga relacionada à crianças;
 Utilização de instrumentos pedagógicos.

No trabalho desenvolvido as práticas da Yoga


foram adequadas aos eixos de conhecimento de mundo
do RCEI - Referencial Curricular para a Educação Infantil:
Movimento, Artes Visuais, Música, Leitura, Jogo simbólico
e Jogo de Mesa e Construção.
 Movimento
o Asanas;

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Meditação na escola

o Marchas dos animais;


o Mandala humana;
 Artes Visuais
o Fantoches,
o Dedoches,
o Máscaras;
o Desenhos para colorir;
o Mandalas.

 Musica
o Mantras;
o Orin;
o Pin;
o Majira;
o Outros instrumentos de percussão e sopro;
o Músicas instrumentais;
o Efetuar um levantamento com as crianças
das músicas que elas conhecem em que
algum dos personagens (animais ou
elementos da natureza) apresentados
aparece.

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

 Leitura
o Contação de histórias e lendas;
o Utilização de desenhos, livros e baralhos
temáticos;
o A partir de um baralho temático onde cada
carta trará um personagem da cultura
indiana o professor contará lendas para os
alunos referentes aos personagens
escolhidos por elas, permitindo que ao
escolherem as cartas elas determinem a
ordem de seu interesse.

 Jogo simbólico
o A partir do conhecimento adquirido com as
atividades, e com a ajuda dos fantoches,
dedoches, ou fantasias, as crianças podem
incorporar seus personagens favoritos e
mostrar suas características através do faz
de conta.

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Meditação na escola

o Uma possibilidade seria deixar que as


crianças criassem uma história única com
todos os personagens atuando juntos.

 Jogos de mesa e Construção


o As crianças podem construir e utilizar: jogos
de destacar, dominós, jogos de memória,
dominós, jogo da velha, todos com figuras
das asanas trabalhadas nas faces.

Por utilizar os eixos propostos pelo Referencial


Curricular para a Educação Infantil, o trabalho da Yoga
pode ser efetuado em conjunto com Artes, Educação
Física, História e Geografia, Matemática, Educação
ambiental, Cultura e Língua Portuguesa.
Por exemplo, como grande parte das posturas
(asanas) possuem nomes de animais, numa atividade de
Geografia podemos através de um mapa mundi lúdico
trabalhar o local de origem de cada animal.
É importante ressaltar que o trabalho a ser
desenvolvido no ambiente escolar deve manter

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

características laicas, ou seja, deve-se fugir da tendência


observada em academias e espaços de Yoga de aderir a
uma religiosidade uma vez que a origem da técnica
advém do Hinduísmo, ou do Budismo, que ajudou na sua
propagação.
Na escola trabalharemos os mitos, até mesmo
porque a literatura infantil na área é rica em bons e sábios
ensinamentos, mas, em hipótese alguma isso deve tomar
a forma de doutrinação. Não é necessário ser indiano ou
tibetano, hinduísta ou budista, para aproveitar os
excelentes ensinamentos dessas culturas, e a escola é
um local onde as técnicas devem ser utilizadas de forma
profissional para auxiliar o desenvolvimento psicofísico
saudável das crianças e não para angariar adeptos
religiosos.
Livros como “Meu amigo Lama”, “O cabeça de
elefante”, “Mahâbhârata – Os grandes descendentes de
Bhârata”, “Noites encantadas”, entre outros, são
instrumentos maravilhosos para que através de histórias e
contos se trabalhe conceitos de paz interior, de respeito,
de dignidade, de autoestima, de amizade, e de meditação.

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Meditação na escola

Outro cuidado é o referente aos mantras. O ideal é


a utilização de traduções ou de versões que tenham letras
que possam ser acompanhadas pelas crianças e aceitas
pelos pais e pela instituição. Uma boa dica é o CD: “Não
ao Consumismo. Sim ao Heroísmo” que acompanha livro
de história com o mesmo nome. O CD faz parte da
Coleção “Vencendo Desafios” (Omnisciência - Educação
para a paz) e possui canções simples que podem ser
utilizadas em técnicas de meditação ativa. As letras das
músicas abordam temas atuais, e pretendem através da
repetição ampliar a consciência do que é certo e auxiliar
as crianças a vencerem o consumismo, o sedentarismo, a
agressividade, o medo.
Além dos instrumentos indianos como o orin e a
majira, que auxiliam no próprio processo meditativo, o pin
pode ser muito útil para auxiliar na marcação de tempo da
prática. Também é possível a introdução de outros
instrumentos como os tambores nativos lakota e
cherokee, o hang drum, o pau-de-chuva, enfim, todo som
que possa acalmar a mente e promover a ampliação da
consciência.

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

Nosso exemplo apresentou um projeto de Yoga na


escola, mas todas as técnicas meditativas podem ser
trabalhadas e adequadas ao Referencial Curricular para a
Educação Infantil, bem como a outras diretrizes
educacionais do MEC. Isso sem sombra de dúvida auxilia
a entrada e a permanência na escola.

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Meditação na escola

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A própria existência na sociedade contemporânea


acaba por definir nossos atos, nossos gestos, nossas
reações, nos arrastando para uma cadeia de hábitos,
infelizmente nem sempre benéficos para nossos corpos e
especialmente para nossas mentes.
Ao participarmos da intensa loucura capitalista e
individualista, que nos faz mergulhar no continuo
processo de desenvolvimento profissional e acumulação
de bens materiais, ou seja, trabalhar e consumir, nós
acabamos por perder a consciência do mais importante:
nosso eu interno. Pior, fazemos isso com nossas
crianças.
Desde a mais tenra idade as enchemos de tarefas,
as cobrimos de exigências práticas, as instigamos à
competição, as abandonamos emocionalmente e
culpados às enchemos de presentes e porcarias que
apenas estimulam o consumismo e deterioram sua saúde.
No entanto, existe salvação para nós e para elas, e
esta salvação consiste em trabalharmos uma técnica de

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

reação aos problemas do mundo moderno denominada:


meditação.
A meditação pode ser efetuada através de diversas
práticas, cada uma delas com seus preceitos e técnicas.
O importante é que se alcance um estado de bem estar,
de equilíbrio, de felicidade que nos permita viver melhor.
Pais e educadores começam a perceber a
importância da prática da meditação por crianças, o que
abre um novo e significativo nicho de trabalho para
docentes de técnicas de meditação para crianças em
contexto escolar. Ressalte-se que esse profissional deve
deter conhecimentos tanto das práticas que pretende
ensinar, como da forma de adequar esse conhecimento
ao dia-a-dia do estabelecimento de ensino e às diretrizes
educacionais.
Da mesma forma, esse profissional deve saber
distinguir entre as diferenças de proposta e atuação
dentro da escola e nos espaços terapêuticos. Ainda que
visem um mesmo objetivo, ou seja, de equilibrar o
indivíduo, as formas de trabalho e de comportamento são
distintas.

72
Meditação na escola

Na escola, fazemos parte de um contexto maior,


onde a permanência também esta vinculada à capacidade
de trabalho multidisciplinar.
Vencidas as questões técnicas, não há como
deixar de verificar a grande importância da inserção das
práticas meditativas na escola. A meditação quando
praticada com regularidade deixa o aluno mais calmo,
mais pacífico, mais feliz e mais relaxado.
Além disso, a prática meditativa aumenta a
atenção em sala de aula e a assimilação dos conteúdos
apresentados. A meditação aumenta a coerência no
funcionamento cerebral, reduz o estresse e incrementa o
comportamento social positivo.
Outros aspectos relacionados à prática da
meditação na escola no que diz respeito à educação e ao
desenvolvimento psicossocial e cognitivo que foram
verificados são: expansão da criatividade,
desenvolvimento da concentração, redução do estresse,
melhoria da interação com colegas e professores.
Portanto, a prática meditativa na escola é uma
indicação altamente recomendável que pode contribuir de

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Myrian Aparecida Bosco Massarollo

forma significativa com uma melhor qualidade de vida


para a criança, professores e pais.
Para concluir oferecemos as palavras do Dalai
Lama: “Se todas as crianças aprenderem meditação, nós
eliminaremos a violência do mundo dentro de uma
geração”.

74
Meditação na escola

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83
Myrian Aparecida Bosco Massarollo é advogada
militante pelos direitos das minorias; bacharel em Direito
pela FMU; Pós Graduada em Direito Eleitoral e Processo
Eleitoral pela Escola de Magistratura do Estado de São
Paulo e pela Escola Judiciária Eleitoral Paulista; Pós
Graduada em Direito Civil e Processo Civil pela FMU; Pós
Graduada em Docência e Prática da Meditação pela
Universidade Estácio de Sá; Graduanda em Psicologia
pela UNIP, Graduanda em Pedagogia pela UNIP; Pós
Graduanda em Psicopedagogia pela UNIP; Doutoranda
em Direito pela Universidad Morón (Ar); Jornalista,
Escritora; e Terapeuta Holística. Desempenha a função
de Presidente da Fundação Juscelino Kubitschek desde
2008, e de Presidente Nacional do PMN Mulher, desde
2005.
www.fundacaojk.org.br
fundacaojk@gmail.com