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PSICOPEDAGOGIA: O QUE É E ONDE

TRABALHAR?
Você tem interesse nos estudos sobre aprendizagem humana? Gosta de entender como
construímos o conhecimento? Ou, ainda, gostaria de ajudar a melhorar o aprendizado e o
desempenho das pessoas? Se respondeu “sim” para alguma dessas perguntas, então você
precisa saber o que é psicopedagogia.
Trata-se de um conhecimento que, como o nome sugere, une duas áreas do saber: a psicologia e
a pedagogia. A área de atuação do psicopedagogo é bastante ampla e muito importante para o
auxílio de indivíduos com dificuldades no processo de aprendizagem.
Então, se você pensa em iniciar sua carreira nessa área ou está procurando por recolocação
profissional, fique atento neste artigo. Nós vamos mostrar o que é a psicopedagogia, como é o
mercado de trabalho e as principais características dessa profissão. Confira!

O que é psicopedagogia?
A psicopedagogia consiste em um saber científico que une, principalmente, os conhecimentos da
psicologia e da pedagogia. Contudo, é uma área bastante multidisciplinar, abarcando também
conhecimentos da neurologia, psicolinguística e antropologia, dentre outras disciplinas.
O psicopedagogo busca entender a maneira como o ser humano assimila e processa as
informações, construindo, assim, os conhecimentos. Ele é responsável, portanto, pelo estudo dos
processos do aprender humano em várias fases da vida, seja em crianças e adolescentes ou em
adultos.
Desde a idade em que comunicamos as primeiras palavras, passando pela escola — período de
intenso de assimilação de novas informações —, até a vida profissional, estamos em constante
processo de aprender. Diante disso, essa profissão busca melhorar os métodos de ensino, tendo
como principal finalidade garantir a compreensão dos conteúdos e facilitar o aprendizado.
No seu âmbito de ofício, o objetivo do psicopedagogo é identificar problemas — como
dificuldades, distúrbios ou transtornos — bem como aplicar métodos para que uma pessoa tenha
um melhor desempenho, desenvolvendo ações de prevenção ou de correção desses problemas.
As causas dessas dificuldades podem ser de natureza emocional, mental, social ou física. O
psicopedagogo dará, então, o diagnóstico e promoverá ações de tratamento. Como se pode
notar, a atuação desse profissional é muito importante. Veja onde ele pode trabalhar!

Onde o psicopedagogo pode atuar?


O campo de atuação desse profissional é bastante amplo. Nas escolas, sua função é identificar
problemas nos métodos de ensino, nos currículos escolares ou, até mesmo, nas relações
pessoais a fim de gerar melhor entendimento entre professores e alunos.
Assim, esse profissional detecta problemas psicopedagógicos que possam interferir no
aprendizado do aluno, presta orientação pedagógica para instituições de ensino, auxilia o corpo
docente e cria planos de trabalho visando a facilitação do aprendizado e a solução de problemas.
O psicopedagogo pode, ainda, contribuir com o sistema educacional, realizando intervenções em
busca de reduzir casos de evasão escolar.
Nas empresas, a psicopedagogia visa melhorar a assimilação dos conteúdos e a performance
dos funcionários. O profissional pode atuar na área de recursos humanos, prestando assessoria a
empresas, órgãos públicos e ONGs.
Nas clínicas e consultórios, ele pode atuar prestando atendimento psicopedagógico — como
forma de auxílio extraescolar, por exemplo —, visando solucionar dificuldades no processo de
aprendizagem do indivíduo.
O psicopedagogo pode, ainda, ser requisitado na área da saúde, atuando com pacientes em
hospitais. Nesse contexto, o profissional trabalha questões ligadas a trauma e doenças que levam
à falta de memória, redução da capacidade de aprendizado ou queda no desempenho funcional.
De todo o seu campo de atuação, a psicopedagogia clínica e a institucional são as principais. Por
isso, saiba mais suas características e as diferenças entre elas!

Diferenças entre psicopedagogo clínico e institucional


O psicopedagogo clínico atende em consultórios e trabalha com cada paciente individualmente.
Sua função é investigar as causas e buscar soluções para os problemas de aprendizagem em
crianças, adolescentes ou adultos. Nesse sentido, o profissional contribui para manter o estado
psicológico saudável do paciente, permitindo-o construir saberes e transformar informações em
conhecimento adquirido.
Além de tratamentos, busca desenvolver ações para gerar mudanças comportamentais no
paciente e, assim, corrigir e facilitar as dificuldades de assimilação de conteúdos. Muitas vezes, o
psicopedagogo clínico atua em conjunto com outros profissionais, como psicólogo, psiquiatra ou
fonoaudiólogo, por exemplo.
O psicopedagogo institucional, por sua vez, trabalha com um grupo de pessoas, seja em
instituições de ensino, empresas ou hospitais. Dependendo do local de trabalho, sua função é
avaliar o comportamento de alunos, pacientes ou funcionários, identificar os fatores que
interferem na aprendizagem ou desempenho dessas pessoas e oferecer soluções para a melhora
nesse campo.
Nas escolas, ele analisa os mais diversos aspectos da instituição de ensino, prestando, por
exemplo, orientação ao quadro docente, auxiliando no planejamento de aulas e desenvolvendo
projetos escolares. Nas empresas, ele, geralmente, trabalha no RH, facilitando a compreensão de
informações, melhorando o relacionamento entre funcionários e gestores bem como a
performance dos colaboradores.

Como é o mercado de trabalho?


A regulamentação da profissão de psicopedagogia foi aprovada em 2014 pelo Senado Federal.
De acordo com a legislação, podem atuar no mercado de trabalho como psicopedagogo os
profissionais graduados em psicopedagogia, psicologia, pedagogia ou em alguma licenciatura
com um posterior curso de especialização em psicopedagogia.
Vale mencionar que, além da demanda pelo profissional nas áreas clínicas, de ensino e em
hospitais, as grandes empresas e corporações costumam requerer o psicopedagogo para orientar
no processo de contratação de pessoas com alguma deficiência, visto que elas têm garantido por
lei uma cota de 5% das vagas de trabalho.
O psicopedagogo também tem ganhado espaço em instituições jurídicas, na área sobre família e
infância, no intuito de identificar problemas que porventura uma criança esteja passando no
contexto familiar.
Em relação ao salário, a remuneração do psicopedagogo pode variar bastante de acordo com a
cidade ou com a área em que o profissional atua. No caso do psicopedagogo clínico, que atende
em consultórios, por exemplo, o valor de uma consulta pode variar entre R$ 40 e R$ 170,
considerando todo o Brasil. De modo geral, sua remuneração também varia conforme o porte da
empresa e seu nível profissional, sendo a média salarial no país aproximadamente R$ 3300.
Para quem tem interesse em dar continuidade à sua formação ou dar início a essa carreira, existe
a opção de fazer uma pós-graduação lato sensu em psicopedagogia institucional. Trata-se de
uma especialização que tem a duração de apenas dois semestres e pode ser feita por meio
do ensino a distância.
O curso forma profissionais aptos a realizar intervenções psicopedagógicas em instituições de
ensino, hospitais e organizações empresariais, seja na esfera pública ou privada. A formação
também capacita o psicopedagogo institucional a atuar na educação de pessoas com
necessidades especiais, em áreas de neuropsicopedagogia ou relacionadas ao desenvolvimento
psicomotor.
Como você viu, esta é uma importante área, que contribui para um processo saudável de
aprendizagem, ajudando o ser humano a desenvolver melhor suas potencialidades. Agora que
você já sabe o que é psicopedagogia, saiba mais sobre pós-graduação, especialização e MBA e
tire todas as suas dúvidas sobre o assunto para iniciar essa carreira!

1. RESUMO
Ao pesquisarmos a origem da Psicopedagogia, verificamos por meio de estudos
que a preocupação com os problemas de aprendizagem teve origem na Europa,
ainda no século XIX. No que se refere à inserção da psicopedagogia no âmbito
pedagógico, conclui-se que a dinâmica histórico-social determinou a
necessidade de um profissional que respondesse aos graves problemas
enfrentados pela Pedagogia diante da expansão demográfica do pós-guerra,
gerando uma crise na escola devido à utilização de métodos inadequados,
aumento de matrículas entre outras dificuldades. Diante dessa situação, a
sociedade sentiu uma grande necessidade de um profissional para orientar o
processo educativo construindo um conhecimento mais profundo dos processos
de desenvolvimento, de maturidade de aprendizagem humana. Este trabalho
tem como objetivo analisar os benefícios das práticas do Psicopedagogo na
instituição escolar: Quais são as suas verdadeiras contribuições no contexto
escolar? Quais são os seus desafios? Como o Psicopedagogo Educacional
contribui nesta situação problema que vem crescendo constantemente em
relação às dificuldades de aprendizagem, os fatores que contribuem para que
ela ocorra e a ação preventiva do Psicopedagogo junto com os professores. É
importante ressaltar que a psicopedagogia como complemento é uma ciência
nova que estuda o processo de aprendizagem e dificuldades, muito tem
contribuído para explicar a causa das dificuldades de aprendizagem, pois tem
como objetivo central de estudo o processo humano do conhecimento: seus
padrões evolutivos normais e patologias bem como a influência (família, escola,
sociedade) no seu desenvolvimento.

Palavras chaves: Psicopedagogia, instituição escolar, dificuldade de


aprendizagem.

2. INTRODUÇÃO
Esta monografia tem como objetivo principal conhecer o papel do
Psicopedagogo educacional e a sua relação prática com os educandos. Para
isso foi necessário realizar uma pesquisa em três escolas que analisasse como
psicopedagogo trabalha dentro da instituição escolar. Durante quatro semanas
visitei as escolas: Instituto Social Objetivo, Escola Estadual Clériston Andrade e
a Escola Moderninha de Valéria localizada na cidade do Salvador/Bahia, com
isso foi possível perceber que os profissionais em questão desenvolvem um
trabalho multidisciplinar.

Realizei esse trabalho sobre a atuação do/a Psicopedagogo/a fazendo um


levantamento bibliográfico, além de entrevistas com profissionais que atuavam
na área pedagógica em diferentes espaços. Assim, pude conhecer o trabalho
pedagógico desenvolvido dentro do espaço da sala de aula. Dentre as diversas
áreas de atuação deste profissional verifiquei que as funções que eles
desempenham são: realiza o diagnóstico e intervenção psicopedagógica,
atuam na prevenção dos problemas de aprendizagem, desenvolvem pesquisas
e estudos científicos relacionados ao processo de aprendizagem, atendimento
aos alunos e pais, orienta professores etc.

De acordo com BOSSA (2000) A psicopedagogia se ocupa da aprendizagem


humana, que adveio de uma demanda o problema de aprendizagem. Como se
preocupa com esse problema, deve ocupar-se inicialmente do processo de
aprendizagem, estudando assim as características da mesma. É necessário
comentar que a Psicopedagogia é comumente conhecida como aquela que
atende crianças com dificuldades de aprendizagem. É notório o fato de que as
dificuldades, distúrbios ou patologias podem aparecer em qualquer momento
da vida e, portanto, a Psicopedagogia não faz distinção de idade ou sexo para o
atendimento.

A escolha do tema foi devido a essa grande demanda atualmente de


transtornos de aprendizagens que os alunos vêm enfrentando, e também em
decorrência das adversidades que os professores lidam com esses transtornos,
mais ainda quando se deparam com alunos indisciplinados e sem controle. Por
essa razão a formação desses educadores deve ser multidisciplinar, assentada
em diversas ciências.

A aprendizagem deve ser olhada como a atividade de indivíduos ou grupos


humanos, que mediante a incorporação de informações e o desenvolvimento
de experiências, promovem modificações estáveis na personalidade e na
dinâmica grupal as quais revertem no manejo instrumental da realidade. O
objeto central de estudo da psicopedagogia está se estruturando em torno do
processo de aprendizagem humana: seus padrões evolutivos normais e
patológicos e a influência do meio (família, escola, sociedade) em seu
desenvolvimento.

“Para o Psicopedagogo, aprender é um processo que implica


pôr em ações diferentes sistemas que intervêm em todo o
sujeito: a rede de relações e códigos culturais e de linguagem
que, desde antes do nascimento, têm lugar em cada ser
humano à medida que ele se incorpora a
sociedade.”(BOSSA,1994,pág 51)

KIGUEL (1983) ressalta que a Psicopedagogia encontra-se em fase de


organização de um corpo teórico específico, visando à integração das ciências
pedagógicas, psicológica, fonoaudiológica, neuropsicológica e psicolinguística
para uma compreensão mais integradora do fenômeno da aprendizagem
humana.

O objetivo deste trabalho é conhecer o foco de atenção do psicopedagogo e a


sua relação com os alunos diante das tarefas, considerando resistências,
bloqueios, lapsos, hesitações, repetição, sentimentos de angústias.
Posteriormente investigar e analisar à importância da escola e dos professores
diante dos problemas de aprendizagem.

Nesse sentido, a psicopedagogia surge como nova área do conhecimento na


busca de compreender e solucionar os problemas de aprendizagem, tendo em
sua configuração institucional a função de pensar e refazer o trabalho no
cotidiano da escola. A formação psicopedagógica constitui-se para os
professores como uma oportunidade para entender o sujeito em suas múltiplas
dimensões e refazer suas concepções e atitudes frente ao processo de ensino-
aprendizagem, dando-lhes instrumentalização necessária para atender as
demandas da escola no que concerne aos alunos com dificuldades de
aprendizagem, foco principal do estudo da psicopedagogia.

3. A HISTÓRIA DA PSICOPEDAGOGIA
Historicamente, segundo BOSSA (2000) os primórdios da Psicopedagogia
ocorreram na Europa, ainda no século XIX, evidenciada pela preocupação com
os problemas de aprendizagem na área médica. Acreditava-se na época que os
comprometimentos na área escolar eram provenientes de causas orgânicas,
pois procurava-se identificar no físico as determinantes das dificuldades do
aprendente. Com isto, constituiu-se um caráter orgânico da Psicopedagogia. De
acordo com BOSSA (2000), a crença de que os problemas de aprendizagem
eram causados por fatores orgânicos perdurou por muitos anos e determinou a
forma do tratamento dada à questão do fracasso escolar até bem
recentemente.

Nas décadas de 40 a 60, na França, a ação do pedagogo era vinculada à do


médico. No ano de 1946, em Paris foi criado o primeiro centro psicopedagógico.
O trabalho cooperativo entre médico e pedagogo era destinado a crianças com
problemas escolares, ou de comportamento e eram definidas como aquelas
que apresentavam doenças crônicas como diabetes, tuberculose, cegueira,
surdez ou problemas motores.

A denominação “Psicopedagógico” foi escolhida, em detrimento de “Médico


Pedagógico”, porque acreditava-se que os pais enviariam seus filhos com
menor resistência. Em decorrência de novas descobertas científicas e
movimentos sociais, a Psicopedagogia sofreu muitas influências. Em 1958, no
Brasil surge o Serviço de Orientação Psicopedagógica da Escola Guatemala, na
Guanabara (Escola Experimental do INEP - Instituto de Estudos e Pesquisas
Educacionais do MEC). O objetivo era melhorar a relação professor-aluno. Já
Jorge Visca relata:
“A psicopedagogia foi uma ação subsidiária da medicina e da
psicologia, perfilou-se como um conhecimento independente
e complementar, possuidora de um objeto de estudo o
processo de aprendizagem e de recursos diagnósticos,
corretores e preventivos próprios” (Visca, 2007, p.23).

Nas décadas de 50 e 60 a categoria profissional dos psicopedagogos organizou-


se no país, com a divulgação da abordagem psico-neurológica do
desenvolvimento humano. Atualmente novas abordagens teóricas sobre o
desenvolvimento e a aprendizagem, bem como inúmeras pesquisas sobre os
fatores intra e extraescolares na determinação do fracasso escolar,
contribuíram para uma nova visão mais crítica e abrangente.

Entre diversos conceitos de psicopedagogia, BOSSA (2007), identifica-se com


seguinte escrita de Golbert: “não devemos nos limitar a uma escola” (p.22), ou
seja, devemos ampliar nosso campo de visão, não devemos nos focar a um
único diagnóstico e sim há vários até chegarmos a uma solução do caso em
questão e não podemos deixar de participar a família para que o apoio da
mesma ajude num melhor tratamento. Já Jorge Visca relata:

“A psicopedagogia foi uma ação subsidiária da medicina e da


psicologia, perfilou-se como um conhecimento independente
e complementar, possuidora de um objeto de estudo o
processo de aprendizagem e de recursos diagnósticos,
corretores e preventivos próprios” (Visca, 2007, p.23).

A autora também nos trás alguns questionamentos, tais como: Quais as


problemáticas estruturais que intervém no surgimento do transtorno da
aprendizagem? E sua resposta é: “temos em mente que é o sujeito que
aprende, por isso é motivo de pergunta para os psicopedagogos” (Id, p.23). A
psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana, de uma demanda o
problema de aprendizagem que é pouco explorado e evoluiu devido a alguns
recursos raros, mas que atendiam a essa demanda, constituindo assim a
prática.

Portanto, a psicopedagogia estuda as características da aprendizagem


humana: como se aprende, como essa aprendizagem varia gradativamente e
está condicionada por vários fatores. Esse objeto, que é um sujeito a ser
estudado por outro sujeito, adquire características específicas a depender do
trabalho clínico ou preventivo, como diz GOLBERT (2007), “a definição do
objeto de estudo de psicopedagogia passou por fases distintas em diferentes
momentos históricos que repercutiam nas produções científicas, pois ele era
entendido de várias maneiras”. Segundo, Silva (2012, p.9), primeiramente, o
trabalho psicopedagógico priorizava a reeducação, o processo de
aprendizagem era avaliado em função dos seus déficits e o trabalho era para
vencer esses déficits. O objeto em questão era o sujeito que não aprendia,
concebendo-o a “não-aprendizagem”. Com isso, buscava estabelecer as
semelhanças entre grandes grupos de sujeito, ou seja, o esperado para
determinada idade.
Mais tarde, a psicopedagogia passou a se chamar o “não-aprendizagem” de o
“não-aprender”. Essa fase era fundamentada na psicanálise e na psicologia
genética, porque essa nova concepção levava em conta a singularidade do
sujeito no grupo, buscando o sentido particular de suas características de
acordo com sua própria história e seu mundo sociocultural. Alicia Fernandez
apud Bossa (2007), refere que o processo evolutivo pelo qual essa nova área
de estudo se estruturou, entende-se que o objeto de estudo é sempre o sujeito
“aprendendo”. E essa concepção mudou conforme a visão do homem em cada
momento histórico, relacionando à concepção de aprendizagem.

Hoje, a psicopedagogia trabalha com uma concepção de aprendizagem com


um equipamento biológico com disposições afetivas e intelectuais que
interferem na forma de relação do sujeito com o meio, sendo que essas
disposições influenciam e são influenciadas pelas condições socioculturais do
sujeito e do seu meio.

Sua origem deu-se na Europa no séc. XX onde foram verificados os problemas


de aprendizagem. Neste século tínhamos o avanço do capitalismo industrial e
com ele os ideais burgueses de igualdade e fraternidade, o que ficava mais
distante a possibilidade de uma sociedade fraterna e igual para todos. Surge
também a necessidade de justificar as desigualdades das sociedades de
classes.

Um dos principais objetivos do surgimento da Psicopedagogia


foi investigar as questões da aprendizagem ou do não -
aprender em algumas crianças. Por um longo período atribuía-
se exclusivamente à criança a patologia do não - aprender Foi
na Europa, no século XIX, que médicos, pedagogos e
psiquiatras levantaram questões sobre o não - aprender, entre
eles: Maria Montessori, Decroly e Janine.
(GASPARIAN,1997,p.15).

Ao longo do séc. XIX surgem teorias relacionadas à ciência e a teoria


evolucionista de Charles Darwin que enquadra o homem dentro do esquema da
evolução biológica, abolindo as linhas divisórias das ciências naturais, humanas
e sociais (Bossa, 2007). Independente, surge a psicologia neste período, como
ciência que exemplifica algumas áreas do conhecimento, utilizando os
princípios da biologia na construção do seu corpo, o corpo humano, objeto de
estudo da psicologia.

A partir dessa ideia começaram a serem desenvolvidos nas escolas testes que
procuravam explicar as diferenças de rendimentos dos alunos e o acesso
diferenciado a diversos graus de escolarização. E assim, esse conhecimento
científico foi à base do pensamento dos psicólogos e educadores daquela
época. Aos poucos, o conceito de anormalidade ia sendo deslocado das
psiquiatrias para as escolas. A criança que não conseguia aprender era
chamada de “anormal”, sua causa era atribuída a anomalia anatomofisiológica.
Na França surgiu Janine Mery, psicopedagoga que apresentou em seus
trabalhos algumas considerações e ideias sobre o termo psicopedagogia e
adotou este termo para caracterizar uma ação terapêutica, onde apresentavam
dificuldades de aprendizagem.
O objetivo do tratamento psicopedagógico é o
desaparecimento do sintoma e a possibilidade do sujeito
aprender normalmente em condições melhores enfatizando a
relação que ele possa ter com a aprendizagem, ou seja, que o
sujeito seja o agente da sua própria aprendizagem e que se
aproprie do conhecimento. ( Bossa, 2007, p.21).

É também o francês George Mauco, que foi o fundador do primeiro centro


médico-psicopedagógico na França e que percebeu as primeiras tentativas de
articulação entre medicina, psicologia, psicanálise e pedagogia para a solução
dos problemas de comportamento e de aprendizagem (Bossa, 2007). Meados
do séc. XIX Janine começou a apontar diferentes sensoriais, debilidade mental
e outros problemas associados com a aprendizagem a partir dela surgiram
educadores como Pestalozzi, Pereire, Itard e Seguin que começaram a se
dedicar às crianças que apresentavam problemas de aprendizado.

Jean Itard realizou estudos sobre percepção e retardo mental. Pestalozzi


inspirado por Rousseau fundou na Suíça um Centro de educação onde abrigava
crianças pobres. Seu método era intuitivo e natural, estimulava a percepção.
Pereire se preocupou com a educação dos sentidos, em especial a visão e o
tato. Seguin fundou na França a primeira escola de reeducação, denominou o
método fisiológico de educação em 1837, fundou uma escola para crianças
com deficiência mental. Suas técnicas de treinamento dos sentidos e dos
músculos são usadas até hoje. Esses educadores foram os pioneiros no
tratamento dos problemas de aprendizagem, porém eles se preocupavam mais
com as deficiências sensoriais e com a debilidade mental do que com a
desadaptação infantil. Finalmente no ano de 1948, o termo psicopedagogia
passa a ser definido com o objetivo de atender crianças e adolescentes
desadaptados, embora inteligentes, tinham dificuldades. Vejamos qual é a
definição do objeto de estudo da psicopedagogia segundo alguns teóricos:

O objetivo do tratamento psicopedagógico é o


desaparecimento do sintoma e a possibilidade do sujeito
aprender normalmente em condições melhores enfatizando a
relação que ele possa ter com a aprendizagem, ou seja, que o
sujeito seja o agente da sua própria aprendizagem e que se
aproprie do conhecimento ( Bossa, 2007, p.21).

4. O CAMPO EPISTEMOLÓGICO E A MUTIDIMENSIONALIDADE


DO OBJETO DE ESTUDO PSICOPEDAGÓGICO
O surgimento da área de estudo da psicopedagogia pode ser entendido,
segundo Kiguel, citada por Bossa (2007, p.20), a partir de duas possibilidades.
Na primeira, a autora sugere que a psicopedagogia surgiu na fronteira entre a
pedagogia e psicologia devido à necessidade de atendimento para as crianças
consideradas inaptas dentro do sistema educacional, por apresentarem
distúrbios de aprendizagem. Como segunda possibilidade, ela se refere que a
psicopedagogia pode ter surgido como uma tentativa de explicação para o
fracasso escolar, por outras vias que não a pedagógica e a psicológica.
Verifica-se que o campo epistemológico da Psicopedagogia é o processo de
aprendizagem humana. Essa característica multidimensional do objeto de
estudo refere-se a uma complexa série de fatores: questões pré-subjetivas
(social, linguagem, conformação neurobiológica) e a questões subjetivas
(processos de construção do conhecimento e da constituição da subjetividade e
a dinâmica afetiva). Ampliando as ideias trabalhadas temos as contribuições de
Lemme (2009) ao enfatizar:

Dificuldade de aprendizagem é um termo genérico que se


refere a um grupo heterogêneo de desordens, manifestadas
por dificuldades na aquisição e no uso da audição, da fala, da
leitura, da escrita, do raciocínio ou das habilidades
matemáticas. É importante não se confundir dificuldade de
aprendizagem com fracasso escolar, que embora tenham
semelhanças na forma de se manifestarem, pertencem a
categorias diferentes.

O objeto central de estudo é o processo de aprendizagem humana, envolvendo


os padrões evolutivos normais e patológicos, levando em consideração a
influência do meio (família, escola, sociedade) no desenvolvimento.
Inicialmente, tanto os teóricos argentinos como os teóricos brasileiros
ocupavam-se do tema da aprendizagem, tendo como causa e razão os
problemas advindos do processo de aprendizagem. O foco era o sujeito que
não podia aprender.

Segundo Sánchez (2008), o campo epistemológico da psicopedagogia


caracteriza-se por um raciocínio diagnóstico e uma metodologia de intervenção
que busca olhar o sujeito na relação com o objeto de conhecimento em
situação de aprendizagem; busca considerar sujeito e objeto como entidades
indissociáveis; conceber o sujeito em seu contexto sociohistórico; admitir a
possibilidade de um conhecimento transdisciplinar, embora ele se tenha
construído na perspectiva interdisciplinar; e ter a clínica das dificuldades de
aprendizagem como espaço privilegiado para o desenvolvimento da teoria
psicopedagógica.

Esses teóricos enfatizam a grande importância da ligação entre a


psicopedagogia e seu contexto histórico, conhecer o ambiente em que o aluno
está inserido é o principal ponto para fazer um levantamento das suas
necessidades. Durante o processo educativo a ação psicopedagógica procura
investir numa concepção de ensino-aprendizagem que fomente interações
pessoais, estimule a postura transformadora de toda a comunidade educativa e
busque inovar a prática escolar contextualizando-a e enfatize o essencial:
conteúdos e conceitos estruturados, com significado relevante.

De modo geral, Bossa afirma (2007, p. 23) os teóricos argentinos consideram


como objeto de estudo ou o pilar base da psicopedagogia “a aprendizagem
com seus problemas”. A autora ressalta as concepções de Alícia Fernández, e o
dos psicopedagogos Jorge Visca e Marina Muller sobre as teorias a que a
psicopedagogia recorre para compreender e intervir sobre o seu objeto de
estudo. A legitimidade da produção teórica do campo da Psicopedagogia tem
sido buscada pelos psicopedagogos e vários esforços têm sido feitos para
ascender os degraus para a constituição de um campo de conhecimento
científico que possibilite à Psicopedagogia estar na academia, desfrutando dos
assentamentos necessários para a produção do saber, ou seja, para que
possamos ter os subsídios e o apoio destinados à pesquisa em nosso país.

Durante quase três décadas, temos trabalhado com obstinação, superando


obstáculos de toda ordem, na crença inabalável de que esse conhecimento
representa enorme avanço no desenvolvimento do ser humano. Uma
verdadeira compreensão acerca da aprendizagem representa a construção de
uma nova concepção de ser humano. Revoluciona conceitos fundamentais de
áreas como Educação, Saúde e outras.

4.1 CAMPO DE ATUAÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA

Segundo Andrade (2004) a psicopedagogia ainda está buscando a “autonomia


de uma disciplina” e delimitando cientificamente a aprendizagem humana com
sua temática, o sujeito aprendente ou o sujeito em situação de aprendizagem
como seu sujeito e a pesquisa de intervenção como o seu método de
investigação da realidade que lhe interessa- a aprendizagem humana com
todos os seus matizes, alcances e limites. É consenso entre os autores apontar
a psicopedagogia como uma área de conhecimento ou te atuação
“interdisciplinar nos processos de aprendizagem” (CASTANHO 2002 p.30).

Há quem afirme que essa área da educação constitui-se num modelo


transdisciplinar de ação, que transita entre as disciplinas diversas “sem abolir
as fronteiras existentes” (RUBINSTEIN; CASTANHO, 2004, p.231).

Dada à natureza necessariamente multidisciplinar, a


psicopedagogia é chamada a se realizar na convivência com o
outro, com o diferente, com os vários códigos restritos das
ciências. Assim sendo, é uma disciplina convocada a realizar
um movimento reparatório com relação à impossibilidade de
troca entre diferentes áreas do conhecimento, mas é também
solicitada a reconhecer a singularidade daqueles a quem é
chamada a cuidar.

Aliás, reconhecer a singularidade daquele que aprende, é


condição primeira para que se realize, quer como teoria como
prática (MELLO,2000,p. 46).

O trabalho psicopedagógico, portanto, não se apresenta como reeducativo,


mas, sim como terapêutico (uma terapia centrada na aprendizagem); não se
dirige para um público específico, porque aprendentes somos todos nós,
humanos: crianças, jovens, ou velhos que nos mantemos vivos e atuantes,
enquanto aprendemos e ensinamos e podemos contribuir com a nossa marca
para a evolução da humanidade. É possível perceber que a Psicopedagogia
também tem papel importante em um novo momento educacional que é a
inserção e manutenção dos alunos com necessidades educativas especiais
(NEE) no ensino regular, comumente chamada inclusão.
Entende-se que colocar o aluno com NEE em sala de aula e não criar
estratégias para a sua permanência e sucesso escolar inviabiliza todo o
movimento nas escolas. Faz-se premente a necessidade de um
acompanhamento e estimulação dos alunos com NEE para que as suas
aprendizagens sejam efetivas. O papel do psicopedagogo escolar é muito
importante e pode e deve ser pensado a partir da instituição, a qual cumpre
uma importante função social que é socializar os conhecimentos disponíveis,
promover o desenvolvimento cognitivo, ou seja, através da aprendizagem, o
sujeito é inserido, de forma mais organizada no mundo cultural e simbólico que
incorpora a sociedade.

“Há diferentes níveis de atuação. Primeiro, o psicopedagogo


atua nos processos educativos com o objetivo de diminuir a
frequência dos problemas de aprendizagem. Seu trabalho
incide nas questões didático-metodológicas, bem como a
formação e orientação dos professores, além de fazer
aconselhamento aos pais. Na segunda atuação, o objetivo é
diminuir e tratar dos problemas de aprendizagem já
instalados. Para tanto, cria-se um plano diagnóstico, a partir
do qual procura-se avaliar os currículos com os professores,
para que não se repitam transtorno, estamos prevenindo o
aparecimento de outros” (BOSSA,1994,p.102)

As escolas enfrentam um grande desafio: lidar com as dificuldades de


aprendizagem e ao mesmo tempo traçar uma proposta de intervenção capaz
de contribuir para a superação dos problemas de aprendizagem dos alunos.
Dessa forma, defende-se a importância do Psicopedagogo Institucional, como
um profissional qualificado, que se baseia principalmente na observação e
análise profunda de uma situação concreta, no sentido de não apenas
identificar possíveis perturbações no processo de aprendizagem, mas para
promover orientações didático-metodológicas no espaço escolar de acordo com
as características dos indivíduos e grupos.

Segundo Groppa (1997) o trabalho psicopedagógico terá como objetivo


principal trabalhar os elementos que envolvem a aprendizagem de maneira
que os vínculos estabelecidos sejam sempre bons. A relação dialética entre
sujeito e objeto deverá ser construída positivamente para que o processo
ensino-aprendizagem seja de maneira saudável e prazerosa. O
desenvolvimento de atividades que ampliem a aprendizagem faz-se
importante, através dos jogos e da tecnologia que está ao alcance de todos.
Com isso, há a busca da integração dos interesses, raciocínio e informações
que fazem com que o aluno atue operativamente nos diferentes níveis de
escolaridade. Por isso, a educação deve ser encarada como um processo de
construção do conhecimento que ocorre como uma complementação, cujos
lados constituem de professor e aluno e o conhecimento construído
previamente.

4.2 A PRÁTICA PSICOPEDAGÓGICA NA ESCOLA


A prática psicopedagógica na escola implica num trabalho de caráter
preventivo e de assessoramento no contexto educacional. Segundo Bossa,
"pensar a escola à luz da Psicopedagogia, significa analisar um processo que
inclui questões metodológicas, relacionais e sócioculturais, englobando o ponto
de vista de quem ensina e de quem aprende, abrangendo a participação da
família e da sociedade".

Na prática pedagógica, é essencial que se considere as relações entre produção


escolar e as oportunidades reais que a sociedade dá às diversas classes sociais.
A escola e a sociedade não podem ser vistas isoladamente, pois o sistema de
ensino (público ou privado) reflete a sociedade na qual está inserido. Observa-
se que alunos de baixa renda ainda são estigmatizados, na questão do
aprendizado, como deficientes.

A escola caracteriza-se como um espaço concebido para


realização do processo de ensino/aprendizagem do
conhecimento historicamente construído; lugar no qual,
muitas vezes, os desequilíbrios não são compreendidos
(GASPARIAN, 1997, p.24)

Ao chegar numa instituição escolar, muitos acreditam que o psicopedagogo vai


solucionar todos os problemas existentes (dificuldade de aprendizagem,
evasão, indisciplina, desestímulo docente, entre outros). No entanto, o
psicopedagogo não vem com as respostas prontas. O que vai acontecer será
um trabalho de equipe, em parceria com todos que fazem a escola (gestores,
equipe técnica, professores, alunos, pessoal de apoio, família). O
psicopedagogo entra na escola para ver o "todo" da instituição.

Barbosa afirma que "a escola caracteriza-se como um espaço concebido para
realização do processo de ensino/aprendizagem do conhecimento
historicamente construído; lugar no qual, muitas vezes, os desequilíbrios não
são compreendidos”. A aprendizagem escolar, durante várias décadas, foi vista
como algo distante do prazer e entendida como um mal necessário. Então, o
grande desafio das escolas, nos dias de hoje, é despertar o desejo dos alunos
para que possam sentir prazer no aprender.

A opinião de Barbosa é clara quando argumenta que:

Transformar a aprendizagem em prazer não significa realizar


uma atividade prazerosa, e sim descobrir o prazer no ato de:
construir ou de desconstruir o conhecimento; transformar ou
ampliar o que se sabe; relacionar conhecimentos entre si e
com vida; ser co-autor ou autor do conhecimento; permitir-se
experimentar diante de hipóteses; partir de um contexto para
a descontextualização e vice-versa; operar sobre o
conhecimento já existente; buscar o saber a partir do não
saber; compartilhar suas descobertas; integrar ação, emoção
e cognição; usar a reflexão sobre o conhecimento e a
realidade; conhecer a história para criar novas possibilidades.
Barbosa ressalta, ainda, que "a Psicopedagogia, como área que estuda o
processo ensino/aprendizagem, pode contribuir com a escola na missão de
resgate do prazer no ato de aprender e da aprendizagem nas situações
prazerosas”. O psicopedagogo sabe que para aprender são necessárias
condições cognitivas (abordar o conhecimento), afetivas (estabelecer vínculos),
criativas (colocar em prática) e associativas (para socializar).

Deve-se estar atento frente às grandes mudanças que ocorreram nas propostas
educacionais. Atualmente, o conhecimento científico só tem sentido se for
ligado ao social, engajado ao cotidiano, onde através dele se possa encontrar
soluções. A reforma educacional brasileira é extremamente exigente. Os
paradigmas dessa reforma estão centrados na verdade aberta, no
conhecimento múltiplo, transdisciplinar. As mudanças não acontecem na
mesma proporção, nem na mesma velocidade. A apropriação leva um tempo
até ser introspectada, compreendida e colocada em prática. As mudanças (a
introdução no novo) num ambiente escolar têm que ser escalonadas e
sucessivas, priorizando-se e hierarquizando-se as ações.

Barbosa ratifica que a atuação psicopedagógica junto a um grupo ou


instituição, para ser operante precisa interpretar os papéis desempenhados, a
forma como foram atribuídos e assumidos, assim como as expectativas que se
encontram latentes neste movimento de atribuir e aceitar o papel. [...] A tarefa
de cada um deve estar voltada para o aprender, desde a direção até a portaria
ou o serviço de limpeza.

5. DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
Entende-se por dificuldades de aprendizagem a incapacidade apresentada por
alguns indivíduos diante de situações novas, desencadeadas por diversos
fatores. As dificuldades de aprendizagem não são uma exceção no sistema
educacional. O insucesso da criança, muitas vezes rotulado de dislexia, é
também o resultado de outros insucessos sociais, políticos, culturais,
educacionais pedagógicos, dentre outros. Considerar esses transtornos de
aquisição um problema estritamente da criança é ignorar os reflexos das
dificuldades de ensino. O estudioso Kirk (1962, p.263), define de
aprendizagem:

Uma dificuldade de aprendizagem refere-se a um


retardamento, transtorno, ou desenvolvimento lento em um
ou mais processos da fala, linguagem, leitura, escrita ou
outras áreas cognitivas, resultantes de uma deficiência
causada por uma possível disfunção cerebral ou alteração
emocional ou condutual. Não é o resultado de retardamento
mental, deprivação sensorial ou fatores culturais e
instrucionais.

Conforme Assunção (2011) “as dificuldades podem advir de fatores orgânicos


ou mesmo emocionais e é importante que sejam descobertas a fim de auxiliar
o desenvolvimento do processo educativo, percebendo se estão associadas à
preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, dentre outros,
considerados fatores que também desmotivam o aprendizado. A dificuldade
mais conhecida e que vem tendo grande repercussão na atualidade é a
dislexia, porém, é necessário estarmos atentos a outros sérios problemas:
disgrafia, discalculia, dislalia, disortografia e o TDAH” (Transtorno de Déficit de
Atenção e Hiperatividade).

Dislexia é a dificuldade que aparece na leitura, impedindo o aluno de ser


fluente, pois faz trocas ou omissões de letras, inverte sílabas, apresenta leitura
lenta, dá pulos de linhas ao ler um texto, etc. Estudiosos afirmam que sua
causa vem de fatores genéticos, mas nada foi comprovado pela
medicina. Disgrafia normalmente vem associada à dislexia, porque se o aluno
faz trocas e inversões de letras, consequentemente encontra dificuldade na
escrita. Além disso, está associada a letras mal traçadas e ilegíveis, letras
muito próximas e desorganização ao produzir um texto.

Já a discalculia é a dificuldade para cálculos e números, de um modo geral os


portadores não identificam os sinais das quatro operações e não sabem usá-
los, não entendem enunciados de problemas, não conseguem quantificar ou
fazer comparações, não entendem sequências lógicas. Esse problema é um dos
mais sérios, porém ainda pouco conhecido. Dislalia é a dificuldade na emissão
da fala, apresenta pronúncia inadequada das palavras, com trocas de fonemas
e sons errados, tornando-as confusas. Manifesta-se mais em pessoas com
problemas no palato, flacidez na língua ou lábio leporino.

Os problemas de aprendizagem podem ser classificados em


sintoma, inibição cognitiva e reativa. Nos dois primeiros
casos, as origens e causas encontram-se ligadas à estrutura
individual e familiar do indivíduo que “fracassa” em aprender.
No último, relacionam-se ao contexto socioeducativo. Ou seja,
a questões didáticas, metodológicas, avaliativas, relacionais.
É importante salientar que nos problemas de aprendizagem
reativos o fracasso escolar pode demandar
redimensionamento que englobe desde órgãos superiores
responsáveis pela educação no país até as salas de
aula. (Nunes, 1997, p.21).

A disortografia é a dificuldade na linguagem escrita e também pode aparecer


como consequência da dislexia. Suas principais características são: troca de
grafemas, desmotivação para escrever, aglutinação ou separação indevida das
palavras, falta de percepção e compreensão dos sinais de pontuação e
acentuação. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é um
problema de ordem neurológica, que traz consigo sinais evidentes de
inquietude, desatenção, falta de concentração e impulsividade. Hoje em dia é
muito comum vermos crianças e adolescentes sendo rotulados como DDA
(Distúrbio de Déficit de Atenção), porque apresentam alguma agitação,
nervosismo e inquietação, fatores que podem advir de causas emocionais.

Professores podem ser os mais importantes no processo de identificação e


descoberta desses problemas, porém não possuem formação específica para
fazer tais diagnósticos, que devem ser feitos por médicos, psicólogos e
psicopedagogos. O papel do professor se restringe em observar o aluno e
auxiliar o seu processo de aprendizagem, tornando as aulas mais motivadas e
dinâmicas, não rotulando o aluno, mas dando-lhe a oportunidade de descobrir
suas potencialidades. É importante que esse diagnóstico seja feito por um
médico e outros profissionais capacitados.

5.1 ABORDAGENS USADAS PARA APRENDIZAGEM

O Conhecimento humano, dependendo dos diferentes referencias, é explicado


diversamente em sua gênese e desenvolvimento, o que condiciona conceitos
diversos de homem, mundo, cultura, sociedade, educação, etc. Dentro de um
mesmo referencial, é possível haver abordagens diversas, tendo em comum
apenas os diferentes primados: ora do objeto, ora do sujeito, ora da interação
de ambos.

De acordo com Mizukami (1986), a partir de análises feitas sobre as diferentes


abordagens do processo ensino-aprendizagem pôde-se constatar que certas
linhas teóricas são mais explicativas de alguns aspectos do que de outros,
percebendo-se assim a possibilidade de articulação das diversas propostas de
explicação do fenômeno educacional. Ela procura fazer uma sistematização
válida de conceitos do fenômeno estudado. Mizukami ainda critica a formação
de professores colocando que o aprendido pelos professores nada tinha a ver
com a prática pedagógica e seu posicionamento frente ao fenômeno
educacional. A experiência pessoal refletiria um comportamento coerente por
parte do educador, pondo fim assim ao permanente processo de discussão
entre teoria e prática.

Uma possível solução seria repensar os cursos de formação de professores,


voltando às atenções principalmente para as disciplinas pedagógicas que
analisam as abordagens do processo ensino-aprendizagem, procurando
articulá-los à prática pedagógica. Aproximando cada vez mais as opções
teóricas existentes como o analisar, discutir, da vivência na prática e a partir
da mesma, discutir e criticar as opções teóricas confrontando com a mesma
prática. É tentar criar teorias através da prática, analisando o cotidiano e
questionando Evitando-se assim a utilização de Receituários pedagógicos, que
é o que a autora chama de seguir cegamente a teoria ignorando a prática.

Um curso de professores deveria possibilitar confronto entre


abordagens, quaisquer que fossem elas, entre seus
pressupostos e implicações, limites, pontos de contraste e
convergência. Ao mesmo tempo, deveria possibilitar ao futuro
professor a análise do próprio fazer pedagógico, de suas
implicações, pressupostos e determinantes, no sentido de que
ele se conscientizasse de sua ação, para que pudesse, além
de interpretá-la e contextualizá-la, superá-la constantemente.
(MIZUKAMI, 1986, p. 109)

5.2 APRENDIZAGEM TRANSFORMADORA


A teoria da aprendizagem transformadora está voltada para a educação e
envolve a aprendizagem em contextos formais e informais. Ela dirige-se à
interseção entre o individual e o social, dimensões coexistentes e igualmente
importantes, já que os indivíduos são constituídos em sociedade (Cranton,
2006). Mezirow (1981) é reconhecido como o formulador inicial dessa teoria de
aprendizagem, cujos fundamentos epistemológicos encontram-se no
construtivismo.

Ele sofreu influências das obras de autores críticos como Paulo Freire e Jurgen
Habermas. Freire (1970), um dos pioneiros, no Brasil, a trabalhar com a noção
da aprendizagem de adultos, propõe uma prática de ensino que valorize a
cultura dos alunos e que desenvolva sua criticidade e inquietude, indicando a
necessidade de buscar a verdadeira causalidade dos fenômenos sociais por
meio da interpretação profunda dos problemas vividos, assimilando
criticamente a realidade.

A aprendizagem emancipatória pode ocorrer em ambientes educacionais


formais ou informais, tais como grupos de desenvolvimento comunitário,
programas de desenvolvimento profissional, movimentos políticos e
ambientais. A aprendizagem transformadora pode, portanto, se efetivar em
qualquer ambiente onde ocorra aprendizagem. Ao adquirir conhecimento
técnico, por exemplo, uma pessoa pode aumentar sua autoconfiança e mudar a
percepção sobre seu lugar no mundo, obtendo assim uma aprendizagem
emancipatória. Em algumas ocasiões, as pessoas adquirem uma série de
conhecimentos instrumentais e comunicativos até que esses conhecimentos se
integrem. Em outros casos, a aprendizagem emancipatória não ocorre porque,
nesse processo, há apenas a aquisição de novos conhecimentos ou a
elaboração de conhecimentos anteriores, processos de aprendizagem que não
abarcam questionamento de crenças ou pressupostos preexistentes (Cranton,
2006).

6. A IMPORTÂNCIA DOS PROFESSORES NO PROCESSO DE


APRENDIZAGEM
Com as mudanças que estão ocorrendo na sociedade, como a banalização da
informação, a revolução digital, da nova política, da nova economia e dos
desequilíbrios familiares, torna-se necessário que o professor faça dos
conteúdos habituais de suas disciplinas instrumentos, que além de qualificarem
para a vida, estimulem capacidade e competências, com o intuito de estimular
todas as inteligências de seus alunos (ANTUNES, 2002, p.47).

O professor deve se reconstruir, criando no aluno um ser crítico, auxiliando na


formação de sua personalidade. Valorizando a luta pelo seu espaço na
sociedade, derrubando barreiras e vencendo obstáculos que a vida possa lhe
proporcionar. Se os docentes têm a intenção de estimular em seus alunos o
amor pelo saber e o respeito pela diversidade e criação, devem buscar o
contraste crítico e reflexivo (GÓMEZ, 2001, p.304). Segundo Pombo (2000,
p.80), o educador deveria ter por objetivo preparar adultos livres de traumas
psicológicos, pessoas que não estivessem intencionadas de tirar dos outros a
felicidade que delas próprias foi retirada.

O mundo está mudando e isso está ocorrendo a uma velocidade sem


precedentes na evolução histórica da humanidade. A globalização, o
surgimento de novas tecnologias, como o avanço das telecomunicações e da
informática, contribuem para que ocorra mudanças, também, na Educação. A
interação professor aluno vem se tornando muito mais dinâmica nos últimos
anos. O professor tem deixado de ser um mero transmissor de conhecimentos
para ser mais um orientador, um estimulador de todos os processos que levam
os alunos a construírem seus conceitos, valores, atitudes e habilidades que lhes
permitam crescer como pessoas, como cidadãos e futuros trabalhadores,
desempenhando uma influência construtiva.
A Educação deve não apenas formar trabalhadores para as exigências do
mercado de trabalho, mas cidadãos críticos capazes de transformar um
mercado de exploração em um mercado que valorize uma mercadoria cada vez
mais importante: o conhecimento. Dentro deste contexto, é imprescindível
proporcionar aos educandos uma compreensão racional do mundo que o cerca,
levando-os a um posicionamento de vida isento de preconceitos ou
superstições e a uma postura mais adequada em relação a sua participação
como indivíduo na sociedade em que vive e do ambiente que ocupa.

O sentido do ensino-aprendizagem dependerá do entusiasmo do educador, da


fantasia, de se educar com alegria sem pensar nos problemas em que estão
envolvidos sabendo separar a sala de aula do que se passa em sua vida
particular. O que torna necessário uma reflexão por parte dos educadores da
importância da sua atuação profissional e da necessidade de se tomar
conhecimento de si mesmo. Dessa forma, Antunes (2002, p.109) complementa
afirmando que é essencial todo educador desenvolver a consciência de sua
profissão e o sentido de solidariedade e justiça que a mesma expressa.
Deixando claro o lado humano e cidadão de cada professor, suscetível de
crítica e ávido de aprimoramento profissional, envolvido na consciência de um
construtor da sociedade.

Partindo deste principio pode-se considerar o docente como principal agente no


processo de ensino, tendo um papel ativo na formação de seus alunos,
auxiliando e incitando a reconstrução dos esquemas de pensamento,
sentimento e comportamento de cada indivíduo. Esta concepção inclui tanto
despertar a ativa participação intelectual do próprio educando como facilitar o
contraste com as formulações alternativas das representações críticas da
cultura intelectual (GÓMEZ, 2001, p.300).

Os professores estão muitos presentes na vida de milhares de famílias, que


lhes conferem a enorme responsabilidade pela educação de seus filhos,
sabendo que, não faltará a sua atribuição e competência. A profissão professor
é de suma importância, para a sociedade, pois o profissional trabalha, para
formar um estudante, pleno de uma cultura geral e de diversidade, de um
conhecimento científico, de raciocínio lógico, capacidade de comunicação e
trabalho em grupo, que seja reflexivo e capaz de aprender a aprender, de ser,
fazer e conhecer, além é claro de ser criativo habilidoso e competente.
6.1 A PARTICIPAÇÃO E INFLUÊNCIA DA FAMÍLIA

Segundo Fernández (1991, p.97) a transformação histórica do contexto sócio-


histórico cultural é resultante de um constante processo de evolução, ao qual a
estrutura familiar vai se moldando e modificando, concomitantemente aos
diferentes momentos históricos vivenciados pela humanidade, assumindo
características peculiares dependendo do tipo de referência adotada como
base para educação dos filhos em determinada época ou período.

O conceito de família mudou muito nos últimos tempos, não há mais um


padrão de família, e sim uma variedade de padrão familiar, com identidade
própria em constante desenvolvimento. Mas independente dessa mudança a
família continua sendo o primeiro local de aprendizado das crianças, é
através dela que acontece os primeiros contatos sociais e as primeiras
experiências educacionais . A família, está diretamente ligada as atitudes
comportamentais da criança. Na maioria das vezes a influência que os
pais exercem sobre seus filhos é inconsciente, pois não tem consciência
de que seus comportamentos, sua maneira de ser e de falar, de tratar
as pessoas, de enxergar o mundo, tem enorme influência sobre o
desenvolvimento do seu filho.

Os pais têm um papel importante no processo de


desenvolvimento da autonomia. Se eles encorajarem as
iniciativas da criança, elogiarem o sucesso derem tarefas
que não excedam as capacidades da criança forem coerentes
em suas exigências e aceitarem os fracassos
estarão contribuindo para o aparecimento do sentimento
de auto confiança e auto estima. ( Sabini , 1998, p.65)

Percebe-se a grande importância dos pais no desenvolvimento cognitivo e


evolutivo da criança, a sua ausência no ensino aprendizagem dos alunos
podem ocasionar baixo desempenho e até mesmo a repetência escolar. Muitos
pais veem a escola como local de depósito de crianças, vão matriculam seus
filhos e só aparecem na escola quando seus filhos estão com problemas,
baixo desempenho ou quando a coordenação manda chamá-lo. Sem a
família não há como promover uma boa educação. A participação dos
pais na vida escolar de seus filhos é condição indispensável para que a
criança se sinta amada e motivada a obter avanços em sua aprendizagem.
Sendo assim a família e a escola precisam ser parceiras para que os alunos
possam realmente ter um maior aproveitamento na aprendizagem, não basta
apenas à escola se preocupar na aprendizagem, e os pais não se
preocuparem. O conhecimento e o aprendizado não são adquiridos somente na
escola, mas também são construídos pela criança em contato com o social,
dentro da família e no mundo que a cerca. A família é o primeiro vínculo da
criança e é responsável por grande parte da sua educação e da sua
aprendizagem. O que a família pensa, seus anseios, seus objetivos e
expectativas com relação ao desenvolvimento de seu filho também são de
grande importância para o psicopedagogo chegar a um diagnóstico.
Considerando o exposto, cabe ao psicopedagogo intervir junto à família das
crianças que apresentam dificuldades na aprendizagem, por meio, por
exemplo, de uma entrevista e de uma anaminese com essa família para tomar
conhecimento de informações sobre a sua vida orgânica, cognitiva, emocional
e social. Nessa perspectiva, o psicopedagogo não é um mero “resolvedor” de
problemas, mas um profissional que dentro de seus limites e de sua
especificidade, pode ajudar a escola a remover obstáculos que se interpõem
entre os sujeitos e o conhecimento e a formar cidadãos por meio da construção
de práticas educativas que favoreçam processos de humanização e
reapropriação da capacidade de pensamento crítico.

As ações realizadas pelo psicopedagogo junto com o sujeito


com transtorno procura promover a reelaboração do processo
de aprendizagem, assim sendo essa intervenção propicia uma
mudança na ação do sujeito em relação à aprendizagem.
(Serrat, 2002, p.56)

Dessa forma, acredita-se que o trabalho da Psicopedagogia quando encontra


consonância e parcerias na escola, pode promover efeitos muito positivos para
a minimização das dificuldades que emergem no contexto escolar, apesar de
representar um constante desafio, pois requer o envolvimento de toda a
equipe, e um desejo permanente de mudanças, para que as transformações,
de fato, ocorram.

6.2 CONTRIBUIÇÕES DA PSICOPEDAGOGIA PARA O TRABALHO COM


ATIVIDADES LÚDICAS

A vida, os acontecimentos, a evolução dão conta da importância de trabalhar


cada vez mais com o lúdico, com as crianças, seja qual for sua faixa etária.
Inseridos em atividades lúdicas, os alunos conseguem assimilar melhor os
conteúdos trabalhados e sem dúvidas viajar através da imaginação. As
manifestações lúdicas desenvolvem funções importantes no desenvolvimento
da criança e se constituem um instrumento didático importante para o
professor. A brincadeira é de extrema importância para o desenvolvimento
psicológico, social e cognitivo da criança, pois é através dela que a criança
expressa seus sentimentos em relação ao mundo em que vive. É também
através das atividades lúdicas que as crianças reconhecem sua realidade e
compreende o funcionamento do mundo e suas emoções, também desenvolve-
se como indivíduo e aprende a superar suas limitações, brincando e
reproduzindo.

É fundamental que se assegure à criança o tempo e os


espaços para que o caráter lúdico do lazer seja vivenciado
com intensidade capaz de formar a base sólida para a
criatividade e a participação cultural e, sobretudo para o
exercício do prazer de viver, e viver, como diz a canção...
como se fora brincadeira de roda... (MARCELINO, 1996, p.38).

O lúdico é uma necessidade do ser humano indiferente de sua idade e não


deve ser visto meramente como diversão. O brincar é a essência da infância,
ele permite a produção de conhecimentos, estimula a afetividade, assim,
estabelece-se com o brincar uma relação natural extravagando as angústias e
paixões, alegrias, tristezas, agressividades. Em todas as épocas o lúdico, o
brincar faz parte da vida da criança, viver no mundo da fantasia, do
encantamento, da alegria, dos sonhos. Parte da descoberta de si mesmo, do
experimentar, do criar e recriar oportunizando ao indivíduo, seu saber, sua
compreensão do mundo, seu conhecimento, facilitando a aprendizagem, o
desenvolvimento pessoal e coletivo, trazendo benefícios para a saúde mental,
para a socialização, comunicação, expressão e valorizando sempre a
criatividade que está inata nesta atividade.

Nessa perspectiva, a brincadeira é a principal ação que manifesta a essência


da aprendizagem significativa na vivência do aprendiz. Por meio da ação do
brincar, a criança, que naturalmente possui a característica da curiosidade, é
inserida em um mundo de fantasia proporcionado por elas e pelo próprio
contexto; a formação do saber aprimora-se através dessa prática importante.
Essa junção entre a formação da aprendizagem e a prática do brincar é
pertinente para o fornecimento de informações específicas, que têm como
meta explorar conteúdos que retratam a evolução da criança nesse contexto
lúdico.

Por meio das brincadeiras que a criança cria oportunidade de interação com
todos ao seu redor, contribuindo para o desenvolvimento das habilidades
psicomotoras, cognitivas e também da relação de afetividade entre os
educandos, que estabelecem laços de amizade entre si e adquirem
conhecimentos. A educação lúdica contribui para a formação do infante,
possibilitando um enriquecimento pedagógico e de valores culturais, ensinando
a respeitar as opiniões dos outros e ampliando o conhecimento.

A educação lúdica, além de contribuir e influenciar na


formação da criança e do adolescente, possibilitando um
crescimento sadio, um enriquecimento permanente, integra-
se ao mais alto espírito de uma prática democrática enquanto
investe em uma produção séria do conhecimento. Sua prática
exige a participação franca,criativa,livre,crítica,promovendo a
interação social e tendo em vista o forte compromisso de
transformação e modificação do meio.(ALMEIDA,2003:57)

Diante de todos estes aspectos importantes a ludicidade propicia também o


desenvolvimento de outros aspectos importantes como o desenvolvimento do
raciocínio da criança, na brincadeira, a criança vai interpretar de uma forma
mais positiva o conteúdo, ou aquilo que a professora quis passar para o aluno,
irá sentir-se mais satisfeito e envolvido, parte do processo de aprendizagem. E,
além disso, foi passado de forma indireta, ou seja, não foi imposto pelo
professor diretamente. Fugiu do obrigatório. E sem dúvida foi significativo
porque a brincadeira irá marcar para o aluno por que foi interessante e
desperto a sua curiosidade.

7. A LUTA PELA REGULAMENTAÇÃO E O CÓDIGO DE ÉTICA


O progresso traz muitas alterações à sociedade, uma delas é o
desaparecimento de algumas profissões e o surgimento de outras. BARONE
(1987) esclarece que o que caracteriza o aparecimento de qualquer profissão é
a existência de pessoas exercendo essa função antes de sua formalização.
Ressalta ainda alguns motivos para o aparecimento de toda profissão, sendo
eles a demanda social, os recursos para atender à demanda e pessoas que
organizam e recriam os recursos disponíveis para a demanda. No caso da
psicopedagogia, a demanda é a existência de crianças normalmente
desenvolvidas que não conseguem sucesso na escola, fato que justifica a
prática psicopedagógica.
Bossa (2000), acredita que o psicopedagogo sabe que sua profissão consiste na
transmissão de conhecimentos, não sendo uma atividade neutra para ambas
as partes (o sujeito que necessita de ajuda e o psicopedagogo), pois a relação
de afeto que se estabelece entre o psicopedagogo e o aprendente é necessária
ao desenvolvimento da relação educativa. Assim, considera a autora que o
papel do psicopedagogo é levar a criança a integrar-se novamente à vida
normal, respeitando sua individualidade.

Para NERY (1986) o trabalho psicopedagógico deve estar ancorado em alguns


princípios gerais, tais como: 1) acreditar que todo ser humano tem direito ao
pleno acesso ao saber acumulado, representado pela cultura; 2) considerar a
leitura e a escrita como ferramentas fundamentais de acesso ao saber; 3)
nortear sua prática dentro dos princípios da liberdade do ser; 4) Reconhecer e
assumir a dupla polaridade de seu papel-transmisão de conhecimento e
compreensão dos fatores psicológicos que interferem no ato de aprender; 5)
reconhecer o papel da família como transmissora da cultura, devendo analisar
e compreender os mecanismos dentro da relação familiar que promovem
bloqueio da aprendizagem; 6) reconhecer a escola como espaço privilegiado
para a transmissão da cultura, também, o valor de outras organizações sociais
ainda mantendo postura crítica frente às dificuldades geradas pela própria
instituição escolar.

De acordo com o primeiro princípio, o psicopedagogo deverá trabalhar para


possibilitar a todas as crianças o direito de aprender. No segundo princípio a
leitura e a escrita são ferramentas fundamentais para o acesso ao saber
acumulado representado pela cultura, o psicopedagogo deverá contribuir para
que o educando supere o problema de aprendizagem e consiga ter acesso a
esse saber. Com o terceiro princípio o psicopedagogo deve respeitar a
individualidade do ser humano e ajudá-lo na superação de suas dificuldades.

O quarto princípio levanta questões de fronteiras com outras áreas, assim, o


psicopedagogo deverá requerer a plena preparação e utilização de recursos
disponíveis no acervo científico para uma atuação competente e responsável. O
quinto princípio acentua a necessidade de o psicopedagogo reconhecer o papel
da família e atuar orientando-a para fazê-la analisar e compreender fatores de
sua dinâmica que interferem na aprendizagem do sujeito. Já o sexto princípio
destaca a necessidade de se reconhecer a escola como espaço para
transmissão de cultural, assim como sua responsabilidade, na maioria das
vezes, pelos problemas de aprendizagem. Observa-se que estes princípios
contribuem para a postura ética do psicopedagogo, embora a psicopedagogia
ainda não seja uma profissão e sim uma prestação de serviços.
O código de ética da Psicopedagogia comporta uma aprendizagem especial na
área de seu conhecimento sistemático e orgânico, sendo este instrumento
consequência de organizações, atividades e obrigações, inclusive estabelece
que “... estarão em condições de exercício da Psicopedagogia os profissionais
graduados em 3º grau, portadores de certificados de curso de Pós-Graduação
em Psicopedagogia, ministrados em estabelecimentos de ensino oficial e /ou
reconhecido, ou mediante direitos adquiridos, sendo indispensável submeter-se
à supervisão e aconselhável trabalho de formação pessoal” (Código de Ética,
1996, s/p.).
A terceira condição para que uma atividade se torne profissão é que ela deve
dispor de organizações adequadas com atividades, obrigações e comportar
responsabilidades com consciência de grupo. A própria Associação Brasileira de
Psicopedagogia contribui para que esta condição seja preenchida.
Levando-se em conta as três condições estabelecidas por CAMARGO (1999)
para que uma atividade seja considerada profissão, pode-se concluir que, neste
sentido, a Psicopedagogia, de fato, é uma profissão. Inclusive, a Associação
Brasileira de Psicopedagogia está trabalhando para que ela venha a ser,
oficialmente, uma profissão.

De acordo com informações da Associação Brasileira de Psicopedagogia,


fornecidas em Abril de 1998 através de carta aos associados, assim como por
comunicado publicado na revista da Associação [In: Revistas da Associação
Brasileira de Psicopedagogia –17 (45)-98]. O Projeto de Lei n.º 3124/97 de
15/05/97, foi aprovado em 03/09/97 pela Comissão de Trabalho, Administração
e Serviço Público da Câmara Federal, foi votado pela Comissão de Educação,
Cultura e Desporto em 12/09/2001, ainda terá próxima etapa que é a votação
da Comissão de Constituição, Justiça e Redação.

Contudo, a tentativa de reconhecer a psicopedagogia como uma profissão


regularizada vem trazendo à tona o questionamento do Conselho Regional de
Psicologia (CRP), pois este órgão reclama para os psicólogos o direito exclusivo
de atender os clientes que apresentam problemas de aprendizagem. Em 03 de
junho de 1995, o CRP da 6º Região, emitiu documento (resolução nº 003/95)
afirmando, no artigo 1º que “... é de responsabilidade do psicólogo,
intransferível, a realização do psicodiagnóstico, a intervenção, e ação
preventiva pertinentes à orientação psicopedagógica”. (Resolução nº 003/95,
s/p.)

Argumentando contra a resolução 003/95, a Associação Brasileira de


Psicopedagogia formulou documento esclarecendo que a Constituição Federal
de 1988, no Capítulo que trata dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos,
enfoca o exercício profissional, e cita o Artigo 5º, item XIII onde se lê “... é livre
o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
profissionais que a lei estabelecer”. Ainda, com relação ao documento, a
Associação Brasileira de Psicopedagogia salienta que “a Resolução CRP nº
003/95, ultrapassou os limites da sua competência de complementar os
preceptivos que a presidem, incluindo, inovando, tarefa que lhe é vedada legal
e constitucionalmente”.
As considerações aqui expostas têm por objetivo esclarecer a constituição da
Psicopedagogia enquanto profissão. Neste aspecto, cabe refletir sobre a
formação sistemática do psicopedagogo, a qual ocorre por meio de cursos de
pós-graduação. De modo sintético, considera-se psicopedagogo, segundo o
código de ética da Associação Brasileira de Psicopedagogia, o profissional que
fez curso de pós-graduação em Psicopedagogia e atua nos problemas de
aprendizagem.
Estipula o Código de Ética que: “estarão em condições de exercício da
Psicopedagogia os Profissionais graduados em 3º grau, portadores de
certificados de cursos de Pós-Graduação de Psicopedagogia, ministrado em
estabelecimento de ensino oficial e/ou reconhecido, ou mediante direitos
adquiridos, sendo indispensável submeter-se à supervisão e aconselhável
trabalho de formação pessoal. (Artigo 4º, s/p.) CAMARGO (1999) atribui, ao
código de ética, a estruturação e sintetização das exigências éticas no plano de
orientação, disciplina e fiscalização. Para este autor, os códigos profissionais
visam a garantir os interesses dos profissionais e dos clientes, amparando seus
interesses e protegendo seus relacionamentos.

Destarte, é essencial o Psicopedagogo conhecer o código de ética e a sua


regulamentação, pois a mesma tem o propósito de estabelecer parâmetros e
orientar os profissionais da Psicopedagogia brasileira quanto aos princípios,
normas e valores ponderados à boa conduta profissional.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho abordou a importância do Psicopedagogo Educacional, pois essa
profissão atualiza e amplia a apresentação completa e sucinta dos
procedimentos básicos da ação psicopedagógica. E também as funções
multidisciplinar que esse profissional exerce, sendo que Nessa perspectiva, o
psicopedagogo não é um mero “resolvedor” de problemas, mas um profissional
que dentro de seus limites e de sua especificidade, pode ajudar a escola a
remover obstáculos que se interpõem entre os sujeitos e o conhecimento e a
formar cidadãos por meio da construção de práticas educativas que favoreçam
processos de humanização e reapropriação da capacidade de pensamento
crítico.

Sobre o docente esse trabalho deixou claro que o mesmo deve está preparado
e ciente de sua principal função e responsabilidade, que é a de auxiliar na
construção do aluno e não apenas um transmissor de conteúdos do currículo
escolar. Consequentemente os alunos não ficarão retidos somente em
conteúdos, mas se preocuparão com a postura que devem ter para se
relacionar com o conhecimento. Desta forma, considera-se que os educadores
são responsáveis pelo saber-fazer em seu contexto educacional, construirão
alunos e se construirão numa relação permanente e diária fundamentada na
consciência crítica, reflexiva e política, em que, cidadãos se transformarão e
transformarão a sociedade, com novos olhares, novos pensamentos pautados
num progresso pátrio.

A Psicopedagogia, na instituição escolar, tem uma função complexa e por isso


provoca algumas distorções conceituais quanto às atividades desenvolvidas
pelo psicopedagogo. Numa ação interdisciplinar ela dedica-se a áreas
relacionadas ao planejamento educacional e assessoramento pedagógico,
colabora com planos educacionais e lúdicos no âmbito das organizações,
atuando numa modalidade cujo caráter é clínico institucional, ou seja, realizado
diagnóstico institucional e propostas operacionais pertinentes.

Portanto, o estudo psicopedagógico atinge seus objetivos quando, ampliando a


compreensão sobre as características e necessidades de aprendizagem de
determinado aluno, abre espaço para que a escola viabilize recursos para
atender às necessidades de aprendizagem. Para isso, deve analisar o Projeto
Político-Pedagógico, sobretudo quais as suas propostas de ensino e o que é
valorizado como aprendizagem.