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AS DIM ENSÕ ES DA OFERTA..

Dimensionamento da potência
instalada em hidrelétricas
dor do Planejamento do Sistema longo do dia corresponde à área sob a
G E R A L D O Q U E IR O Z S IQ U E IR A (GCPS), integrado pelas principais em­ curva, enquanto que a ponta correspon­
presas do setor elétrico nacional, sob a de à demanda máxima. À relação de­
Engenheiro mecânico e eletricista pela Escola coordenação da DPE da ELET R O BR Á S. manda média (MWMédio) sobre deman­
Politécnica da Universidade de São Paulo, foi da máxima (MW) dá-se o nome de fator
Diretor de Engenharia da C E S P e Diretor de
Planejamento e Engenharia da E L E T R O B R A S . Demanda de energia elétrica de carga do mercado. Representando a
Foi Vice-Presidente Executivo da C E S P e tra­ demanda média como a altura de um
balha atualmente na iniciativa privada. A demanda de energia elétrica ao sis­ retângulo de área equivalente à energia
tema gerador dá-se de maneira diferen­ media demandada ao longo do dia, e as­
ogo que assumimos a Direto­ ciada, em termos diários, semanais e sinalando na curva de carga a demanda

L ria de Planejamento e Enge­


nharia (DPE) da ELETRO -
BR Á S, em outubro de 1980,
um assunto — definição da potência a
ser instalada em aproveitamentos hidre­
sazonais. Isto porque os consumidores
têm solicitações diferentes, em função
do ritmo das atividades econômicas e
de seus hábitos diários de consumo.
Assim, o consumo cresce durante o
máxima, o fator de carga (fc) é a relação
entre esses dois valores (Figura 2).
A Figura'3 mostra uma curva de carga
em termos de curva de permanência no
tempo (às vezes chamada curva monó­
létricos - por circunstâncias várias, pas­ dia, a partir ,do amanhecer, atingindo tona ou curva de duração). Trata-se da
sadas e recentes, passou a merecer nos­ um máximo por volta das 18 horas, re­ mesma curva de carga já apresentada,
sa particular atenção. sultante do acréscimo de carga de ilumi­ apenas rearrumando-se o consumo, não
Estando no setor elétrico há cerca de nação pública e residencial à carga in­ na ordem cronológica, mas por ordem
25 anos, tendo trabalhado na Canambra dustrial, passando a decrescer com a re­ decrescente de potência, com a duração
(Grupo Coresp) e conhecendo os crité­ dução desta última, até um mínimo nas correspondente. Para fins de raciocínio,
rios que, à falta de outros, foram então horas da madrugada. esta curva é normalmente aproximada
adotados para comparação expedita en­ Ao longo da semana, em cada dia se na forma de retângulos em três patama­
tre aproveitamentos hidrelétricos, e veri- _ mantém aproximadamente a forma ca­ res: um patamar de ponta, um patamar
ficando que ainda hoje, às vezes impro­ racterística da demanda, porém há uma denominado intermediário e um pata­
priamente, se volta a argüir com tais nítida redução desta nos feriados e fins mar de base. Em um sistema real, estes
critérios, pareceu-nos oportuno abordar de semana. Fenômeno semelhante é ob­ patamares correspondem à aproximada­
o assunto de maneira bastante prática e servado em termos mensais e sazonais, mente 13% de duração, 75% de duração
atual, buscando com isto trazer subsí­ quando influências climáticas e ativida­ e 100% de duração (Figura 4).
dios que possam atenuar algumas dis­ des econômicas ligadas a fatores sazo­ A energia elétrica, embora possa ser
torções que, de outra forma, se agrava­ nais, como a agroindústria, diminuem estocada na sua forma primária - sob
rão no setor elétrico. ou intensificam o consumo. a forma de energia potencial, na água
O presente artigo, preparado basica­ A Figura 1 ilustra uma curva de carga armazenada nos reservatórios de um sis­
mente pelo Departamento de Geração típica (demanda de energia elétrica do tema hidrelétrico, ou sob a forma da
(DEGE) da DPE, coloca apropriadamen­ sistema ao longo do dia). A área dupla­ combustível em sistemas termelétricos
te os conceitos atuais que regem o as­ mente hachurada corresponde à chama­ —, não pode ser armazenada, devendo
sunto. da hora da ponta, ou do pico de deman­ ser produzida no instante em que é so­
Sem embargo do que pretendemos da do sistema. É normalmente resultado licitada.
expor neste artigo, a relevância do as­ da superposição das demandas indus­ O fato da demanda de energia elétri­
sunto - Dimensionamento de Usinas triais (as indústrias ainda não cessaram ca variar com o tempo e de não se poder
Hidrelétricas - levou-nos a enquadrá-lo completamente suas atividades) com a estocar eletricidade obriga os sistemas
dentre os temas que serão objeto de es­ iluminação pública, comercial e residen­ de geração a se aparelharem para aten­
tudo e definição pelo Grupo Coordena­ cial. A energia média demandada ao der às necessidades de energia, assim

TABELA 1

Potância (MW ) Custo (U S $ x 10r)

A B Total A B Total Diferença


acumulada

2240 1000 3240 2289,6 648,3 2937,0 _


2064 1176 3240 2177,7 685,4 2863,1 74,8
1630 1610 3240 1901,6 777,0 2678,6 259,3
1400 1840 3240 1755,4 825,5 2580,9 357,0

20
como de demanda máxima de potência.
Em outras palavras, o sistema elétrico
deve ser capaz de fornecer as quantida­
des de energia solicitadas pelos consu­
midores na hora em que esta solicitação
ocorre.
Desta forma, o sistema elétrico deve
possuir uma capacidade instalada de
potência superior àquela que seria ne­
cessária se a produção e consumo de
energia se dessem de forma invariável
ao longo do intervalo de tempo consi­
derado.
Exemplificando: se a quantidade de
energia demandada pela curva de carga
apresentada na Figura 2, fosse invariável
ao longo do dia, seria representada pelo
retângulo de área equivalente àquela
sob a curva. Para gerar esta quantidade
de energia seria necessária apenas uma
potência equivalente à altura do retân­
gulo, enquanto que para atender-se a
mesma energia, mas da forma que o
F IG U R A 2 consumidor a solicita, deveria instalar
no sistema uma potência equivalente à
altura máxima da curva de carga.
A quantidade de energia que uma
usina hidrelétrica é capaz de gerar, em
um determinado período de tempo, é
limitada pela quantidade de água (va-'
zões afluentes e estoque de reservató­
rios) disponível neste período. Entre­
tanto, a potência máxima que a usina
pode fornecer depende não diretamen­
te das vazões, mas, sim, da capacidade
instalada (MW) na usina1. É convenien­
te lembrar que uma mesma quantidade
dé energia pode ser gerada em um inter­
H O R A valo de tempo menor, desde que gerada
a uma potência maior.
A relação entre a quantidade da ener­
gia que uma" usina pode gerar em um
determinado intervalo (MWMódios) e a
sua capacidade instalada (MW) dá-se o
nome de fator de capacidade da usina.
É a contrapartida, do lado da geração,
do fator de carga do mercado. Assim,
o fator de capacidade de uma usina in­
dica a sua capacidade de modular a
geração e, por conseguinte, indica como
ela pode ser alocada na curva de carga.
Tomando como referência a Figura 4
anterior, em que a demanda foi dividida
em três patamares, pode-se dizer que
usinas que contribuem com sua energia
para atender a curva de carga gerando
até 13% do tempo são denominada*
usinas exclusivamente de ponta; acima
de 13% do tempo e até cerca de 75%
do tempo, usinas intermediárias; e acima
de 7 5 % do tempo, usinas de base2 “

21
Especialização de quando o sistema encontra-se em esta­ consumidores.
hidrelétricas do não muito avançado de desenvolvi­ Aqui, os custos de combustíveis ine-
mento, jom potências hidrelétricos xistem e aqueles de operação não são de
Em decorrência do exposto nasce abundantes, situados perto dos centros ordem a levar a grandes diferenciações.
aqui um conceito de usinas especializa­
das — ou seja, usinas projetadas para
operar em partes determinadas da curva FIGURA 4
de carga. Este conceito tem origem,
principalmente, em razões de ordem
econômica.
Em sistemas termelétricos, esta espe­
cialização é clássica e bastante conhe­
cida: usinas de custo de investimento al­
to e custos de operações e combustível
menores, operam em regime de base
(por exemplo, usinas nuclares e ter­
melétricas a carvão); a faixa interme­
diaria é normalmente coberta por usinas
a óleo pesado; e, finalmente, aquelas
de baixo custo de investimento e alto
custo de combustível operam na ponta
(térmicas a diesel e turbinas a gás).
Nos sistemas hidrelétricos, esta espe­
cialização, embora exista e possa levar a
DURAç Ao (H O RAS)
economias de capital de grande magnitu­
de, não é tão evidente, principalmente

F IG URA 5

22
A diferença resume-se aos custos de ca­ quanto que em usinas de quedas média O custo total das usinas A e B pode
pital na usina e custos da transmissão e baixa o custo incremental de ponta é ser escrito como3 :
associada. normalmente mais elevado. CA (PA) =1755,4 + 636 (PA - 1400)
Para entendermos melhor como se dá O custo de transmissão associado à x 10-3 U S $ x 106
esta diferenciação, com conseqüente es­ usina também pode ter peso importante. CB (PB) = 648,3 + 211 (PB - 1000)
pecialização das usinas na curva de Ao instalar-se mais potência em uma x 10-3 U S S x 106
carga, podemos conceituar o custo de usina deve-se instalar também mais li­ O problema proposto pode ser facil­
uma usina hidrelétrica como composto nhas de transmissão para levar este adi­ mente resolvido, principalmente quando
de duas parcelas: uma parcela fixa, pra­ cional de potência ao mercado. Assim, de dimensões maiores, por técnicas de
ticamente invariável com a motorização uma usina perto dos centros consumi­ programação linear. Não sendo este o
adicional, correspondente à construção dores tem um custo incremental de espírito do artigo, e em benefício da
da barragem, vertedouros e estruturas transmissão inferior ao daquelas distan­ compreensão, apresentamos a solução
principais; e uma parcela variável com tes. pelo método exaustivo, analisando as
o nível de motorização da usina, corres­ O problema a seguir exemplifica oscombinações possíveis.
pondente à casa de força, tomada d'água conceitos expostos. A Tabela 1 apresenta os custos totais
e equipamentos (turbinas, geradores e Suponhamos que se vá projetar um de atendimento para quatro diferentes
serviços auxiliares). sistema de geração composto de duas combinações de potência instalada nas
A parcela fixa do custo está associada usinas, A e B, para atender um mercado usinas A e B.
à energia que a usina pode gerar, en­ de energia com curva de carga seme­ Verifica-se que a solução mais eco­
quanto que a parcela variável está as­ lhante àquela da Figura 3, cujas caracte­ nômica é a de instalar-se a maior potên­
sociada ao nível de motorização. rísticas são as seguintes: cia possível na usina B e a menor po­
É o custo variável que determina a 1) Mercado tência possível na usina A, ou seja, PA
competitividade de instalar-se potência — Requisitos de energia: 1790 = 1400 MW e PB =1840 MW.
adicional em uma usina, isto é, a deci­ MWMédios; A solução mais comumente encontra­
são de supermotorizá-la. Ao custo va­ — Fator de carga: 65%; da — as duas usinas com mesmo fator
riável, ou seja, à relação entre o acrés­ 2) Usina A de capacidade atendendo o mercado e
cimo de custo na usina e o acréscimo — Energia firme: 1140 MWMédios; garantindo a reserva - ê a de PA =V .O
de potência correspondente, denomina- — Potência de base necessária para de fator de capacidade. Neste exemplo,
se custo incremental de ponta (US$/ garantir a energia firme: 1400 MW; esta solução é 282,2 milhões de dóla­
kW). Não devemos confundi-lo, porém, — Custo total para a potência de base res (11%) mais cara que a solução eco­
com o custo médio do kW instalado, (1400 MW). 1755,4 U S$ x 106 ; nômica.
também expresso em US$/kW, que é — Custo incremental de ponta: 636 As Figuras 5 e 6 ilustram a solução.
a relação entre o custo total e a potên­ US$/kW; A Figura 5 mostra, em função da po­
cia total. O custo médio do kW instala­ 3) Usina B tência, o custo total das usinas (U S$ x
do decresce com a supermotorização, — Energia firme: 650 MWMédios; 106) e o custo médio do kW instalado
exatamente porque a parcela fixa está — Potência de base necessária para (US$/kW). O custo incremental da pon­
sendo rateada por uma potência maior. garantir a energia firme: 1000 MW; ta é dado pela declividade da reta de
Aliás, este índice tem levado a conclu­ — Custo total para potência de base custo total — por conseguinte, constan­
sões errôneas de motorização de usi­ (1000 MW): 648,3 U S $ x 1 0 6; te. O custo médio do kW instalado é de­
nas, e só deve ser utilizado como índi­ — Custo incremental de ponta: 211 crescente com a potência e seu valor
ce comparativo para usinas com o mes­ US$/kW; tende assintoticamente para o custo
mo fator de capacidade. 4) Sistema incremental de ponta.
A potência máxima que um determi­ — 15% de reserva com relação à po­ A Figura6 é uma ilustração da Tabela
nado desnível em um rio pode fornecer tência instalada; 1, compondo todas as soluções possíveis
varia na razão direta do produto da al­ — Sistema de transmissão: custo des­ e os custos correspondentes.
tura da queda pela quantidade de água prezível em ambos os casos. Os dados energéticos e de custo das
que passa pelas turbinas: Pergunta-se: qual a potência a insta­ usinas A e B correspondem aos dados de
P (W) = k H (m) . Q (m3/s) lar nas usinas A e B, de modo que o cus­ duas usinas no Sul do Brasil. Para fins de
Entretanto, o porte e, em conseqüên­ to total de atendimento seja mínimo? simplificação não foram considerados os
cia, o custo das estruturas e equipamen­ A energia total requerida é, por defi­ custos de transmissão, o que, no caso,
tos, via de regra, variam para uma mes­ nição, igual à soma das energias das penalizaria ainda mais a usina A.
ma potência, na razão inversa da altura usinas A e B, ou seja, 1790 MWMédios.
de queda e na razão direta da vazão tur­ A potência total requerida menos a I 1) Supõe-se que há sempre uma capacidade
binada. Usinas de alta queda têm equi­ reserva deve ser igual ao requisito de instalada capaz de gerar a energia média
ponta: no período.
pamentos baratos e geralmente reque­
(2)Abstraem-se, para este raciocínio, a gera­
rem baixos volumes de concreto por ção m ínim a obrigatória por razões de va­
unidade de potência adicional; usinas zão m ínim a defluente, a regulação de ten­
de baixa queda têm equipamentos caros P = 3, 240 MW são, etc.
e exigem normalmente grandes volumes O problema resume-se, portanto, em ( ) A experiência indica que o custo variável
de uma usina hidrelétrica é bem represen­
de concreto por unidade de potência determinar a potência instalada da usina tado por uma função linear da potência
adicional. Em conseqüência, usinas de A (PA > 1400 MW) e da usina B (PB > instalada, pelo menos dentro de uma fai­
alta queda são normalmente usinas de 1 000 MW), de modo a ter-se PA + PB = xa de motorização compatível com os li­
baixo cqsto incremental de ponta, en­ 3 240 MW e custo mínimo. mites físicos normais da casa de força.

23
TABELA 2 terizam-se pelo início das interligações
entre sistemas elétricos e pela entrada
Fator de
do Poder Público no setor elétrico.
Custo de
capacidade instalação A solução adotada foi a criação de
<Fk> Função (USS/W) companhias apoiadas pelos governos es­
taduais e federal - basicamente visando
70% Base 1490
50% intermediária
ao atendimento de um Estado ou região,
1150
30% semiponta 810 caso da CEM IG e da CHESF, ou para a
15% ponta 555 exploração de um aproveitamento hidre­
létrico de grande porte, como os casos
Evolução demandas máximas não eram totalmen­ de F U R N A S (Usina de Furnas) e CE-
te coincidentes, aliviando assim as neces­ LU SA (Urubupungá).
A evolução do uso da energia elétrica sidades de potência instalada. Exemplo É também da mesma época, entre
no Brasil, como de resto em todos os típico ocorreu no Estado de São Paulo nós, o início efetivo de utilização dos
países do mundo, iniciou-se pela implan­ em 1927, quando constituiu-se a CPFL, dados hidrológicos, como vazões natu­
tação de pequenas usinas hidrelétricas, a partir da compra de diversas pequenas rais, vazõas mínimas, médias e máxi­
quase sempre voltadas ao atendimento usinas. Só a interligação desses pequenos mas, e vazões regularizadas, para efeito
de uma determinada localidade. sistemas permitiu à C PFL atender, com de dimensionamento de usinas hidrelé­
A construção de hidrelétricas para o o mesmo parque gerador, o mercado en­ tricas. Os conceitos de energia firme,
atendimento de um grupo de localida­ tão existente e seu crescimento durante energia secundária, carga mínima, pon­
des vizinhas entre si, associando o aten­ cerca de 10 anos, quando iniciou, então, ta de carga, tornaram-se de uso normal
dimento a pequenas indústrias, já cons­ a construção de novas e maiores usinas para fins de dimensionamento de ins­
tituiu uma primeira evolução. geradoras (Usina Americana e Usina talações geradoras.
Em tais situações era comum e nor­ Avanhandava). Obras de maior porte começaram a
mal que o equipamento de hidrogeração A evolução esboçada acima, sendo ser projetadas e constituídas e as empre­
instalado fosse dimensionado com folga absolutamente normal, encontra parale­ sas proprietárias, obviamente, passaram
bastante, eis que a concentração de car­ los em outras regiões do país e em outros a se preocupar em implantar instalações
gas no sistema praticamente se resumia países, variando a época segundo os dimensionadas adequadamente aos re­
âs horas em que se somavam iluminação respectivos graus de desenvolvimento. quisitos presentes e futuros de seus res­
pública e iluminação residencial. O uso Entre nós, as décadas de 40 e 50 carac­ pectivos mercados.
de eletrodomésticos era incipiente ou
nulo e as cargas industriais pouco ex­ TABELA 3
pressivas, desligando-se a partir das 17-
ou 18 horas; a iluminação comercial
também era incipiente ou não existia.
U S IN A
Energia firme
(MWano)
Potência
(MW) A
A potência instalada chegava ao do­ Estreito 444 1104 40
V. Grande 202 400 51
bro da demanda máxima, a qual, por
P. Colôm bia 179 320 56
sua vez, era de 5 a 6 vezes maior que a Marimbondo 671 1440 47
demanda mínima e aproximadamente o Itumbiara 928 2100 44
triplo da demanda média. O fator de A. Vermelha 672 1380 49
I. Solteira 1550 3230 48
carga do sistema era baixo, cerca de Jupiá 860 1411 61
30%, e o fator de capacidade das usinas Xavantes 171 414 41
de apenas 20%. Capivara 338 640 53
Foi uma época de proliferação das Foz do Areia ( 1.aEtapa — 4 unid.) 552 1668 33
S. Santiago ( 1.aEtapa — 4 unid.) 823 1332 62
companhias municipais de eletricidade, S. Osório 563 1050 54
muitas das quais possuíam apenas uma Itauba 169 500 34
pequena usina geradora para atender âs B. Esperança 121 232 52
necessidades de eletricidade de seus con­ M oxotó — Paulo Afonso IV 2023 4424 46
Sobradinho 437 1050 42
sumidores.
O surgimento de pequenas e médias
cargas industriais, dos eletrodomésticos TABELA 4
e da iluminação comercial fez com que
mudasse o aspecto das curvas de carga, Região Sudeste — Fator de carga (% )
Empresas
tornando menos distantes a demanda 1976 1977 1978 1979 1980
média da demanda máxima, determinan­
do o achatamento da curva de carga. L IG H T RJ 62,9 63,8 65,1 64,6 67,5
ELETROPAULO 65,5 66,3 66,6 65,7 65,4
A interligação entre usinas e entre
CESP 66,4 63,3 63,0 58,7 59,8
centros de carga, constituindo um no-, C E M IG 71,1 71,4 69,4 71,5 70,4
vo passo, veio possibilitar uma melhor CERJ 57,7 59,3 57 <3 57,8 61,9
utilização das instalações geradoras exis­ ESCELSA 65,0 61,6 63,7 71,6 70,0
CPFL 59,0 58,2 61,8 61,4 61,1
tentes, eis que as curvas de carga de di­
ferentes localidades não eram absoluta­
Obs.: Inclui o intercâmbio.
mente iguais e, conseqüentemente, as

24
0 conceito de energia firme, parti­ Na década de 70 foi decidida a cons­ requisitos de energia e de demanda má­
cularmente, passou a ser fundamental trução de Itaipu — que, através de seus xima sejam atendidos.
como ponto de partida para o dimensio­ troncos de transmissão, ligados tanto à A capacidade de produção de energia
namento de usinas geradoras, adotando- região Sudeste quanto â região Sul, in­ da usina, denominada energia firme, ba-
se como firme aquilo que se sabia garan­ terliga os dois sistemas regionais. seia-se na produção média de energia,
tido na pior das hipóteses, ou seja, na Simultaneamente, foi criado o GCOI, para uma operação integrada, durante o
pior seca conhecida. para coordenar a operação do sistema período crítico do sistema - ou seja, o
A implantação de reservatórios em interligado assim formado. Na regiío ciclo mais seco de anos verificado no
cascata veio trazer os benefícios de con­ Norte, foi decidida a construção da usi­ registro histórico de afluências.
trole e regulação de vazões e, estando na de Tucuruí e da interligação Norte- A energia (E) deve ser colocada jun­
as usinas interligadas eletricamente, pas- Nordeste, daí surgindo outro grandesis- to ao mercado, sendo transportada por
sou-se a otimizar naturalmente o con­ tema interligado. um sistema de transmissão e sofrendo
junto, transferindo cargas de uma para Futuramente, com a utilização de perdas. O mesmo acontece coro a potên­
outra, ou para outras, através do racio­ parte do potencial hidrelétrico da ba­ cia (P), havendo apenas a diferença no
nal aproveitamento das disponibilidades cia Amazônica para suprir a região Su­ coeficiente de perdas, uma vez que para
hídricas. deste interligando os sistemas Norte e o suprimento da ponta os circuitos ope­
Na década de 60 houve a padroniza­ Sudeste, haverá a formação de um úni­ rarão mais carregados. Adicionalmente,
ção da freqüência em todo o país, per­ co grande sistema interligado brasileiro; há necessidade de reserva de ponta que,
mitindo o início da ampla interligação dada a grande extensão da Amazônia, no caso dos estudos na C A N A M B R A , foi
dos sistemas; nasce a primeira supridora permancerão isolados ainda por vários estimada em 10% da ponta máxima.
de caráter regional - F U R N A S Centrais anos alguns sistemas locais, hoje supri­ A relação entre a energia e a potência
Elétricas S. A. — enquanto no Estado de dos a partir de derivados do petróleo, fornecidas nos barramentos dos merca­
São Paulo slo fusionadas as diversas mas que, no futuro, poderão contar dos deve ser idêntica è das necessidades
companhias estaduais então existentes, também com energia de origem hidráu­ deste, que é expressa pelo fator de carga
CHERP, U SE LP Ae CE LUSA, dando ori­ lica. (fc). Ou seja:
gem à CESP.
Critérios atuais de E (1 Pe)
Datam também da década de 60 os fc = ----------------------
trabalhos da C A N A M B R A , que se origi­ motorização
P (1 - P p ) (1 - R )
naram da intenção da CEM IG, em 1962, Os critérios atuais para dimensiona­
de executar um levantamento dos recur­ mento da potência instalável em apro­ onde Pe e Pp são os coeficientes de per­
sos hidrelétricos do Estado de Minas Ge­ veitamentos hidroelétricos têm sido ba­ da de energia e ponta, respectivamente,
rais. Esse levantamento foi ampliado pa­ seados nos critérios estabelecidos à épo­ no sistema de transmissão entre a usi­
ra toda a região Sudeste e parte da re­ ca da C A N A M B RA. É um enfoque tradi­ na e os barramentos do mercado e R, a
gião Centro-Oeste, passando a contar cional, coerente com o critério de aten­ parcela de reserva de ponta desejada.
com o patrocínio conjunto dos gover­ dimento ao binômio energia-ponta, que Assim sendo, o fator de capacidade
nos estaduais e federal, bem como do considera apenas a produção de energia da usina (F|<) é deduzido imediatamen­
Banco Mundial. Os trabalhos foram ini­ e da potência máxima. te:
ciados em 1963 e concluídos em 1966, Este critério implicitamente pressu­
sendo, na seqüência, executado estudo põe uma suficiente flexibilidade opera­
semelhante para a região Sul, parte esta tiva das usinas, para que toda área da
concluída em 1969. curva de carga seja coberta, desde que os P 1 - P e

F IG U R A 7

Usina dc ponta Usina d c t c m ib » s e Usinii de bate

C- « C(P) + C R E F 0 ,P C . m -f C R E F W P C 0 C * = CREF,, P C , + C (P ) + CREFj, P Ç U C- = C R E F p P C p + C R E F . d P C ,D + C(P)

o =* tíuraçào da ponte
p =s d u n ç S o da carga intermediária E* = energia total PCp = potência de complemcntaçSo de bas«
y rs durajâo da carga leve C(P) = custo anual dc potência P C R E F .m — custo de referência tíe P C #M
C* = custo anual total P C .U = polCncia oe comptcmcntéçSo de semibase CR EF,, = custc de letertncia de PC „

25
Nos trabalhos da C A N A M B R A , as A não aplicação de critérios econômi­ A análise completa da curva de car­
previsões indicavam que o fator de carga cos adequados tem levado a diferentes ga típica do sistema representa o enfo­
da região Sudeste se estabilizaria em 63% fatores de capacidade para as usinas hi- que mais preciso para a solução do
e as perdas na transmissão em E A T foram drelétrias brasileiras, sendo em alguns problema. Porém, pode ser um excesso
consideradas como sendo de 8% para a casos conflitantes com a adequação da de preciosismo, indicado apenas para
ponta e 6% para a energia. Sendo a re­ usina à forma de operação na curva de sistemas termelétricos, pois as usinas
serva de 10%, o fator de capacidade re­ carga. A Tabela 2 lista algumas das hidrelétricas apresentam sem dúvida
sultante, utilizado nos estudos de inven­ principais usinas brasileiras que entra­ um grau de flexibilidade operativa supe­
tário, foi de 55%. ram em operação nos últimos 15 anos, rior ao das térmicas. Assim sendo, a con­
Atualmente, o fator de carga da re­ com os respectivos fatores de capacida­ sideração da curva de duração de carga,
gião Sudeste é de 65%. Considerando o de considerados em relação à geração aproximada por três patamares de potên­
mesmo percentual de reserva, 10%, e da­ média no período crítico do sistema cia constante, representa uma aproxima­
do que os fatores de perdas de energia e (maio/51-nov/56). ção coerente com as demais hipóteses
ponta situam-se em torno de 3% e 5%, A Tabela 3, por sua vez, apresenta dos estudos de planejamento da expan­
respectivamente, teremos com o mesmo a evolução do fator de carga das princi­ são do sistema.
critério um fator de capacidade das pais empresas do Sudeste no período A energia produzida por uma usina
instalações equivalente a 57%. Nos estu­ 1976/80, valores estes que se situam deve necessariamente se ajustar á curva
dos de inventário que tém sido realiza­ em torno e acima de 60%. de carga do sistema. Pelo critério tradi­
dos no Brasil, para se ter uma base uni­ Estes fatores de carga são superiores cional, a hipótese é que esse ajustamen­
forme para comparação de custo unitá­ aos fatores de capacidade das dez usinas to seja feito na própria usina. Todavia,
rio de potência, tem-se adotado um fa­ da região Sudeste citadas como exem­ esse ajustamento pode ser obtido com a
tor de capacidade de 50%. plo, sem a contrapartida de usinas di­ incorporação de energia produzida por
Já nos seus estudos de viabilidade, a mensionadas para operação de base, in­ outras usinas, de forma que a energia do
C A N A M B R A considerou a existência de dicando a não adequação da motoriza­ conjunto se amolde à curva de carga do
um certo grau de especialização das usi­ ção deste conjunto de usinas com o mer­ sistema, ou à curva de duração de carga
nas, uma vez que normalmente a capa­ cado por ele atendido, principalmente em três patamares, como estamos consi­
cidade de ponta é obtida de forma mais considerando o sistema operando inte­ derando de forma mais simplificada. Por
econômica nos projetos de alta queda, grado, e a existência nele de usinas com exemplo, uma usina especializada para
próximos aos centros de carga. Por ou­ vocação, por razões econômicas, para ponta produzirá toda sua energia no
tro lado, as usinas distantes, por envol­ operação de base e/ou semibase. período de ponta, exigindo, para a ade­
verem perdas e custos de transmissão quação à curva de duração de carga, a
elevados, ou as usinas de pequena que­ complementação com usinas de semiba­
da, onde o custo unitário de instalação é se e de base.
alto, deveriam ter uma capacidade ins­ Adequação dos critérios de
motorização O nfvel de motorização decorre de
talada limitada à necessidade de produ­
análise de competividade econômica,
ção de energia.
considerando então sua produção ajus­
Os critérios atuais consideram que a O aumento da participação de usinas
tada à curva de duração de carga do sis­
supermotorização de uma usina depen­ especializadas, com menor flexibilidade
tema. O investimento total na usina de­
de de sua adequação a essa finalidade, o operativa, no parque gerador do sistema
pende de sua potência instalada e as par­
que se traduz, em termos econômicos, elétrico brasileiro limita à validade dos celas de energia necessária ao ajustamen­
por um custo incremental de ponta, na critérios tradicionais, exigindo um enfo­ to à curva de duração de cargas são valo­
usina, inferior ao custo da ponta alterna­ que mais adequado a esta nova composi­
rizadas pelos respectivos custos de refe­
tiva. ção. Casos típicos das referidas usinas
rência do sistema. Estes custos de refe­
Para as condições ainda vigentes no são as nucleoelétricas e termelétricas da
rência representam o investimento ne­
Brasil, o custo da ponta alternativa é região Norte que, no futuro, serão volta­
cessário á obtenção da quantidade de
próximo a U S$ 300/kW. A Tabela 1 mos­ das para o atendimento do mercado do
energia, na forma prevista, em outras
tra custos típicos de instalação, em Sudeste.
usinas do sistema, e devem ser obtidos
US$/kW, para usinas hidrelétricas adap­ Estas usinas mostram uma vocação
com base nos estudos de planejamento
tadas a diferentes funções. Esses valores típica para a operação de base, sendo
da expansão do sistema interligado.
foram determinados considerando-se um dimensionadas com fator de capacidade
Assim sendo, uma usina deve ter seu
custo de instalação de U S$ 2000 por elevado. Em contrapartida surge a neces­
nível de motorização elevado sempre
capacidade de produção de 1 kW médio sidade de complementação do parque
que o custo incremental de ponta da
e custo incremental de ponta de U S$ gerador com usinas especializadas de
usina for inferior à diferença entre os
300/kW (preços de 1981, sem JDC). ponta, com baixo fator de capacidade,
custos marginais do bloco de energia
Todavia, deve-se tomar um especial que apresentem condições técnicas ade­
que ela ocupa na curva de duração de
cuidado ao utilizar o índice US$/kW, vá­ quadas (proximidade aos centros de car­
ga, flexibilidade operativa) e competiti­ carga (semibase ou base) e do que pas­
lido para comparar usinas dimensiona­ sará a ocupar com aumento da motori­
das para o mesmo fator de capacidade vidade econômica (baixo custo incre­
zação (ponta ou semibase).
(F|<). O índice US$/kW de uma usina é mental de ponta).
decrescente com o aumento da potên­ Assim, os critérios para a definição A Figura 7 mostra os exemplos, pa­
cia instalada, mesmo com a motorização da potência instalada devem levar em ra os três tipos de usinas, de aplicação
adicional sendo feita a custos incremen­ conta a sua vocação para operação na da complementação necessária ao aten­
tais superiores ao do sistema. curva de carga do sistema. dimento da curva de carga. O objetivo é

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AS DIM ENSÕES DA OFERTA..

obter, para cada usina, o menor custo-


índice C */E*
Como conclusão, pode ser afirmado
A Central
que especializar as usinas hidrelétricas,
ou seja, dimensioná-las para operar em Hidrelétrica de Itaipu
determinadas partes da curva de carga,
conduz a economias de capital de gran­
de magnitude, principalmente quando se
considera o sistema operando integrado Paraguai) outorgam à Entidade Bina­
e o escasseamento dos potenciais hidre­ JOSÉ C O STA C A V A L C A N T I cional denominada ITAIPU, concessão
létricos econômicos e próximos aos cen­ para realizar, durante a vigência do Tra­
tros de carga. Foi Presidente da IT A IP U Binacional, Minis­ tado, o aproveitamento hidrelétrico do
tro das Minas e Energias e Presidente da E L E - trecho do rio Paraná pertencente, em
T R O B R A S ._____________________________ _
condomínio, aos dois países.
esde outubro de 1984 a ener­ Esse conceito é válido tanto para a

D gia de Itaipu está suprindo, fase de construção como para fase de


em caráter experimental, o exploração, fases estas que hoje em dia
mercado de energia elétrica coexistem, devendo, a partir de agora, ir
do Brasil e do Paraguai, com suas duas decrescendo, até 1990, a fase de cons­
primeiras unidades geradoras. trução e ir crescendo a fase de explora­
O programa de suprimento daqueles ção, a qual a partir de 1990, deverá ser a
mercados, já devidamente remunerado, única existente.
ainda que à base de tarifa provisória, es­ Do exposto, as seguintes ilações de­
vem ser explicitadas:
tá definido da seguinte forma (demanda
contratada), para o período de março/ 1) os dispêndios que estão sendo fei­
85 a dezembro/85 (10 meses): tos para a construção de Itaipu
— Para o Paraguai, através da ANDE, correm por conta da Entidade Bi­
cerca de 300.000 KW; nacional, ITAIPU, osquais deverão
— Para o Brasil, através de F U R N A S ser saldados com a receita opera­
Centrais Elétricas S.A. e ELETRO - cional da própria Entidade, atra­
SUL, cerca de 10.259.000 KW. vés de recursos oriundos da venda
À medida que novas unidades gera­ da energia aos compradores indi­
doras entrem progressivamente em fun­ cados pelo Paraguai, no caso a
cionamento, até completar, em 1990, as AN DE, e pelo Brasil, F U R N A S e
18 máquinas que estruturam a central ELETRO SU L
de Itaipu, aqueles valores contratados 2) A Central Hidrelétrica de Itaipu
serão devida e gradativamente aumenta­ não está concluída, devendo isto
dos. ocorrer por volta de 1990, o que
Em termos de custo de serviço de ele­ requer o aporte de recursos finan­
tricidade, ainda não estão disponíveis, ceiros adicionais, através de em­
no momento, todos os dados necessários préstimos e de financiamento, ain­
que servem de base ao cálculo do valor da com a garantia do Governo
da tarifa no barramento da Usina, tu­ Brasileiro, como vem acontecendo
do conforme preceitua o Tratado de com os recursos financeiros já uti­
Itaipu (1973) e seu Anexo "C ", o qual lizados até o presente momento.
estabelece as bases financeiras e de pres­ Em março de 1985, os seguintes
resultados tinham sido atingidos
tação dos serviços de eletricidade de
na construção da Central de Itai-
Itaipu.
pu:
— 100% das obras de infra-estru­
1.1— Idéias básicas sobre o funciona­
tura necessárias ao projeto;
mento da Central de Itaipu, ten­
— 100% das indenizações relativas
do em conta de que se trata de
â desapropriações das terras e
um empreendimento binacional.
terrenos necessários;
É oportuno, agora, pôr em relevo que — 90 % dos projetos executivos de
a exploração da Central Hidrelétrica de engenharia; ,
Itaipu obedece a normas mutuamente — 9 5 % das obras civis da Central
acordadas, entre o Brasil e o Paraguai, Hidrelétrica;
através do já citado Tratado e atos di­ — 65% da fabricação e entrega
plomáticos complementares. dos equipamentos permanentes
O conceito básico a ter presente na­ da Central;
quele contexto é que as Altas Partes — 42% da montagem de tais equi­
Contratantes (Governos do Brasil e do pamentos.

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