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50 poemas escolhidos pelo autor

manuel bandeira 50 poemas escolhidos pelo autor


OS SAPOS

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,


Berra o sapo-boi:
— “Meu pai foi à guerra!”
— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: — “Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo


Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom


Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

4*5
Vai por cinquenta anos Longe dessa grita,
Que lhes dei a norma: Lá onde mais densa
Reduzi sem danos A noite infinita
A fôrmas a forma. Verte a sombra imensa;

Clame a saparia Lá, fugido ao mundo,


Em críticas céticas: Sem glória, sem fé,
Não há mais poesia, No perau profundo
Mas há artes poéticas...” E solitário, é

Urra o sapo-boi: Que soluças tu,


— “Meu pai foi rei” — “Foi!” Transido de frio,
— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!” Sapo-cururu
Da beira do rio...
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro: 1918
— “A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo.”

Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas:
— “Sei!” — “Não sabe!” — “Sabe!”

6*7
A SEREIA DE LENAU A DA M A B R A N C A

Quando na grave solidão do Atlântico A Dama Branca que eu encontrei,


Olhavas da amurada do navio Faz tantos anos,
O mar já luminoso e já sombrio, Na minha vida sem lei nem rei,
Lenau! teu grande espírito romântico Sorriu-me em todos os desenganos.

Suspirava por ver dentro das ondas Era sorriso de compaixão?


Até o álveo profundo das areias, Era sorriso de zombaria?
A enxergar alvas formas de sereias Não era mofa nem dó. Senão,
De braços nus e nádegas redondas. Só nas tristezas me sorriria.

Ilusão! que sem cauda aqueles seres, E a Dama Branca sorriu também
Deixando o ermo monótono das águas, A cada júbilo interior.
Andam em terra suscitando mágoas, Sorria como querendo bem.
Misturadas às filhas das mulheres. E todavia não era amor.

Nikolaus Lenau, poeta da amargura! Era desejo? — Credo! De tísicos?


Uma te amou, chamava-se Sofia. Por histeria... quem sabe lá?...
E te levou pela melancolia A Dama tinha caprichos físicos:
Ao oceano sem fundo da loucura. Era uma estranha vulgívaga.

Ela... era o gênio da corrupção.


Tábua de vícios adulterinos.
Tivera amantes: uma porção.
Até mulheres. Até meninos.

8*9
Ao pobre amante que lhe queria, B A L A D A D E S A N TA M A R I A E G I P C Í A C A
Se lhe furtava sarcástica.
Com uns perjura, com outros fria,
Com outros má, Santa Maria Egipcíaca seguia
Em peregrinação à terra do Senhor.
— A Dama Branca que eu encontrei,
Há tantos anos, Caía o crepúsculo, e era como um triste sorriso de mártir.
Na minha vida sem lei nem rei,
Sorriu-me em todos os desenganos. Santa Maria Egipcíaca chegou
À beira de um grande rio.
Essa constância de anos a fio, Era tão longe a outra margem!
Sutil, captara-me. E imaginai! E estava junto à ribanceira,
Por uma noite de muito frio, Num barco,
A Dama Branca levou meu pai. Um homem de olhar duro.

Santa Maria Egipcíaca rogou:


— Leva-me ao outro lado.
Não tenho dinheiro. O Senhor te abençoe.

O homem duro fitou-a sem dó.

Caía o crepúsculo, e era como um triste sorriso de mártir.

— Não tenho dinheiro. O Senhor te abençoe.


Leva-me ao outro lado.

O homem duro escarneceu: — Não tens dinheiro,


Mulher, mas tens teu corpo. Dá-me o teu corpo, e vou levar-te.

10 * 11
E fez um gesto. E a santa sorriu, OS SINOS
Na graça divina, ao gesto que ele fez.

Santa Maria Egipcíaca despiu Sino de Belém,


O manto, e entregou ao barqueiro Sino da Paixão...
A santidade da sua nudez.
Sino de Belém,
Sino da Paixão...

Sino do Bonfim!...
Sino do Bonfim!...

Sino de Belém, pelos que inda vêm!


Sino de Belém bate bem-bem-bem.

Sino da Paixão, pelos que lá vão!


Sino da Paixão bate bão-bão-bão.

Sino do Bonfim, por quem chora assim?...

Sino de Belém, que graça ele tem!


Sino de Belém bate bem-bem-bem.

Sino da Paixão — pela minha mãe!


Sino da Paixão — pela minha irmã!

Sino do Bonfim, que vai ser de mim?...

12 * 13
* N O I T E M O R TA

Sino de Belém, como soa bem!


Sino de Belém bate bem-bem-bem. Noite morta.
Junto ao poste de iluminação
Sino da Paixão... Por meu pai?... — Não! Não!... Os sapos engolem mosquitos.
Sino da Paixão bate bão-bão-bão.
Ninguém passa na estrada.
Sino do Bonfim, baterás por mim?... Nem um bêbado.

* No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras.


Sombras de todos os que passaram.
Sino de Belém, Os que ainda vivem e os que já morreram.
Sino da Paixão...
Sino da Paixão, pelo meu irmão... O córrego chora.
A voz da noite...
Sino da Paixão...
Sino do Bonfim... (Não desta noite, mas de outra maior.)
Sino do Bonfim, ai de mim, por mim!

* Petrópolis, 1921

Sino de Belém, que graça ele tem!

14 * 15
BERIMBAU O CACTO

Os aguapés dos aguaçais Aquele cacto lembrava os gestos desesperados da estatuária:


Nos igapós dos Japurás Laocoonte constrangido pelas serpentes,
Bolem, bolem, bolem. Ugolino e os filhos esfaimados.
Chama o saci: — Si si si si! Evocava também o seco Nordeste, carnaubais, caatingas...
— Ui ui ui ui ui! uiva a iara Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades excepcionais.
Nos aguaçais dos igapós
Dos Japurás e dos Purus. Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
A mameluca é uma maluca. Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Saiu sozinha da maloca — Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
O boto bate — bite bite... Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas privou
Quem ofendeu a mameluca? [a cidade de iluminação e energia:
— Foi o boto!
O Cussaruim bota quebrantos. — Era belo, áspero, intratável.
Nos aguaçais os aguapés
— Cruz, canhoto! — Petrópolis, 1925
Bolem... Peraus dos Japurás
De assombramentos e de espantos!...

16 * 17
PNEUMOTÓRAX POÉTICA

Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. Estou farto do lirismo comedido


A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Do lirismo bem-comportado
Tosse, tosse, tosse. Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
[protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três. Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário
— Trinta e três... trinta e três... trinta e três... [o cunho vernáculo de um vocábulo
— Respire.
Abaixo os puristas
...............................................................
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
[direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? Estou farto do lirismo namorador
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo


Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar
[com cem modelos de cartas
[e as diferentes maneiras de
[agradar às mulheres, etc.

18 * 19
Quero antes o lirismo dos loucos EVOCAÇÃO DO RECIFE
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare Recife
Não a Veneza americana
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois —
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância

A Rua da União onde eu brincava de chicote-queimado e


[partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê na
[ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras,
[mexericos, namoros, risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:

Coelho sai!
Não sai!

À distância as vozes macias das meninas politonavam:

Roseira dá-me uma rosa


Craveiro dá-me um botão

(Dessas rosas muita rosa


Terá morrido em botão...)

20 * 21
De repente Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redomoinho sumiu
nos longes da noite E nos pegões da ponte do trem de ferro os caboclos destemidos em
um sino [jangadas de bananeiras
Novenas
Uma pessoa grande dizia: Cavalhadas
Fogo em Santo Antônio!
Eu me deitei no colo da menina e ela começou a passar a mão nos
Outra contrariava: São José!
[meus cabelos
Totônio Rodrigues achava sempre que era São José.
Capiberibe
Os homens punham o chapéu saíam fumando
— Capibaribe
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo

Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas com
Rua da União...
[o xale vistoso de pano da Costa
Como eram lindos os nomes das ruas da minha infância
E o vendedor de roletes de cana
Rua do Sol
O de amendoim
(Tenho medo que hoje se chame do Dr. Fulano de Tal)
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
Me lembro de todos os pregões:
... onde se ia fumar escondido
Ovos frescos e baratos
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
Dez ovos por uma pataca
... onde se ia pescar escondido
Foi há muito tempo...
Capiberibe
— Capibaribe
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Banheiros de palha
Língua certa do povo
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Fiquei parado o coração batendo
Ao passo que nós
Ela se riu
O que fazemos
Foi o meu primeiro alumbramento
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam

22 * 23
Recife... L E N DA B R A S I L E I R A
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse! A moita buliu. Bentinho Jararaca levou a arma à cara: o que
Tudo lá parecia impregnado de eternidade saiu do mato foi o Veado Branco! Bentinho ficou pregado no
chão. Quis puxar o gatilho e não pôde.
— Deus me perdoe!
Recife... Mas o Cussaruim veio vindo, veio vindo, parou junto do
Meu avô morto. caçador e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro como a casa de meu avô

Rio, 1925

24 * 25
ANDORINHA P RO F U N DA M E N T E

Andorinha lá fora está dizendo: Quando ontem adormeci


— “Passei o dia à toa, à toa!” Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste! Estrondos de bombas luzes de Bengala
Passei a vida à toa, à toa... Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei


Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo


Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente

26 * 27
* N O T U R N O D A PA R A D A A M O R I M

Quando eu tinha seis anos


Não pude ver o fim da festa de São João O violoncelista estava a meio do Concerto de Schumann
Porque adormeci Subitamente o coronel ficou transportado e começou a gritar:
[ — “Je vois des anges! Je vois des anges!” — E deixou-se
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo [ escorregar sentado pela escada abaixo.
Minha avó
Meu avô O telefone tilintou.
Totônio Rodrigues Alguém chamava?... Alguém pedia socorro?...
Tomásia
Rosa Mas do outro lado não vinha senão o rumor de um pranto desesperado!...
Onde estão todos eles?
(Eram três horas.
— Estão todos dormindo Todas as agências postais estavam fechadas.
Estão todos deitados Dentro da noite a voz do coronel continuava gritando:
Dormindo [ — “Je vois des anges! Je vois des anges!”)
Profundamente.

28 * 29
N O T U R N O D A R U A D A L A PA IRENE NO CÉU

A janela estava aberta. Para o que não sei, mas o que entrava Irene preta
era o vento dos lupanares, de mistura com o eco que se partia nas Irene boa
curvas cicloidais, e fragmentos do hino da bandeira. Irene sempre de bom humor.
Não posso atinar no que eu fazia: se meditava, se morria de
espanto ou se vinha de muito longe. Imagino Irene entrando no céu:
Nesse momento (oh! por que precisamente nesse momento?...) — Licença, meu branco!
é que penetrou no quarto o bicho que voava, o articulado E São Pedro bonachão:
implacável, implacável! — Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
Compreendi desde logo não haver possibilidade alguma de
evasão. Nascer de novo também não adiantava. — A bomba de flit!
pensei comigo, é um inseto!
Quando o jacto fumigatório partiu, nada mudou em mim;
os sinos da redenção continuaram em silêncio; nenhuma porta
se abriu nem fechou. Mas o monstruoso animal ficou maior.
Senti que ele não morreria nunca mais, nem sairia, conquanto não
houvesse no aposento nenhum busto de Palas, nem na minhalma,
o que é pior, a recordação persistente de alguma extinta Lenora.

30 * 31
NAMORADOS V O U - M E E M B O R A P R A PA S Á R G A D A

O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: Vou-me embora pra Pasárgada
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara. Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
A moça olhou de lado e esperou. Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
— Você não sabe quando a gente é criança e de repente
[vê uma lagarta listada? Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
A moça se lembrava: Lá a existência é uma aventura
— A gente fica olhando... De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
A meninice brincou de novo nos olhos dela. Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
O rapaz prosseguiu com muita doçura: Da nora que nunca tive

— Antônia, você parece uma lagarta listada. E como farei ginástica


Andarei de bicicleta
A moça arregalou os olhos, fez exclamações. Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
O rapaz concluiu: Tomarei banhos de mar!
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca. E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

32 * 33
Em Pasárgada tem tudo O Ú LT I M O P O E M A
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção Assim eu quereria o meu último poema
Tem telefone automático Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Tem alcaloide à vontade Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Tem prostitutas bonitas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
Para a gente namorar A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

34 * 35
E S T R E L A DA M A N H Ã Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Eu quero a estrela da manhã Pecai de todas as maneiras
Onde está a estrela da manhã? Com os gregos e com os troianos
Meus amigos meus inimigos Com o padre e com o sacristão
Procurem a estrela da manhã Com o leproso de Pouso Alto

Ela desapareceu ia nua Depois comigo


Desapareceu com quem?
Procurem por toda parte Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra e direi coisas
[de uma ternura tão simples
Digam que sou um homem sem orgulho Que tu desfalecerás
Um homem que aceita tudo
Que me importa? Procurem por toda parte
Eu quero a estrela da manhã Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã.
Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário

Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos

36 * 37
MARINHEIRO TRISTE E eu que para casa
Vou como tu vais
Para o teu navio,
Marinheiro triste Feroz casco sujo
Que voltas para bordo Amarrado ao cais,
Que pensamentos são Também como tu
Esses que te ocupam? Marinheiro triste
Alguma mulher Vou lúcido e triste.
Amante de passagem
Que deixaste longe Amanhã terás
Num porto de escala? Depois que partires
Ou tua amargura O vento do largo
Tem outras raízes O horizonte imenso
Largas fraternais O sal do mar alto!
Mais nobres mais fundas? Mas eu, marinheiro?
Marinheiro triste
De um país distante — Antes melhor fora
Passaste por mim Que voltasse bêbedo!
Tão alheio a tudo
Que nem pressentiste
Marinheiro triste
A onda viril
De fraterno afeto
Em que te envolvi.

Ias triste e lúcido


Antes melhor fora
Que voltasses bêbedo
Marinheiro triste!

38 * 39
BOCA DE FORNO Ah tôtô meu pai
Quero me rasgar
Quero me perder!
Cara de cobra,
Cobra! Cara de cobra,
Olhos de louco, Cobra!
Louca! Olhos de louco,
Louca!
Testa insensata Cussaruim boneca
Nariz Capeto De maracatu!
Cós do Capeta
Donzela rouca
Porta-estandarte
Joia boneca
De maracatu!

Pelo teu retrato


Pela tua cinta
Pela tua carta
Ah tôtô meu santo
Eh Abaluaê
Inhansã boneca
De maracatu!

No fundo do mar
Há tanto tesouro!
No fundo do céu
Há tanto suspiro!
No meu coração
Tanto desespero!

40 * 41
MOMENTO NUM CAFÉ R O N D Ó D O S C AVA L I N H O S

Quando o enterro passou Os cavalinhos correndo,


Os homens que se achavam no café E nós, cavalões, comendo...
Tiraram o chapéu maquinalmente Tua beleza, Esmeralda,
Saudavam o morto distraídos Acabou me enlouquecendo.
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida Os cavalinhos correndo,
Confiantes na vida. E nós, cavalões, comendo...
O sol tão claro lá fora,
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado E em minh’alma — anoitecendo!
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade Os cavalinhos correndo,
Que a vida é traição E nós, cavalões, comendo...
E saudava a matéria que passava Alfonso Reyes partindo,
Liberta para sempre da alma extinta. E tanta gente ficando...

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
A Itália falando grosso,
A Europa se avacalhando...

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O Brasil politicando,
Nossa! A poesia morrendo...
O sol tão claro lá fora,
O sol tão claro, Esmeralda,
E em minh’alma — anoitecendo!

42 * 43
A ESTRELA E O ANJO O MARTELO

Vésper caiu cheia de pudor na minha cama As rodas rangem na curva dos trilhos
Vésper em cuja ardência não havia a menor parcela de sensualidade Inexoravelmente.
Mas eu salvei do meu naufrágio
Enquanto eu gritava o seu nome três vezes Os elementos mais cotidianos.
Dois grandes botões de rosa murcharam O meu quarto resume o passado em todas as casas que habitei.
Dentro da noite
E o meu anjo da guarda quedou-se de mãos postas no desejo No cerne duro da cidade
[insatisfeito de Deus. Me sinto protegido.
Do jardim do convento
Vem o pio da coruja.
Doce como um arrulho de pomba.
Sei que amanhã quando acordar
Ouvirei o martelo do ferreiro
Bater corajoso o seu cântico de certezas.

44 * 45
MAÇÃ ÁG UA - F O R T E

Por um lado te vejo como um seio murcho O preto no branco,


Pelo outro como um ventre de cujo umbigo pende ainda O pente na pele:
[o cordão placentário Pássaro espalmado
No céu quase branco.
És vermelha como o amor divino
Em meio do pente,
Dentro de ti em pequenas pevides A concha bivalve
Palpita a vida prodigiosa Num mar de escarlata.
Infinitamente Concha, rosa ou tâmara?

E quedas tão simples No escuro recesso,


Ao lado de um talher As fontes da vida
Num quarto pobre de hotel. A sangrar inúteis
Por duas feridas.
Petrópolis, 25.2.1938
Tudo bem oculto
Sob as aparências
Da água-forte simples:
De face, de flanco,
O preto no branco.

46 * 47
A M O R T E A B S O L U TA C A N Ç Ã O D A PA R A D A D O L U C A S

Morrer. Parada do Lucas


Morrer de corpo e de alma. — O trem não parou.
Completamente.
Ah, se o trem parasse
Morrer sem deixar o triste despojo da carne, Minha alma incendida
A exangue máscara de cera, Pediria à Noite
Cercada de flores, Dois seios intactos.
Que apodrecerão — felizes! — num dia,
Banhada de lágrimas Parada do Lucas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte. — O trem não parou.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante... Ah, se o trem parasse
A caminho do céu? Eu iria aos mangues
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu? Dormir na escureza
Das águas defuntas.
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra Parada do Lucas
Em nenhum coração, em nenhum pensamento, — O trem não parou.
Em nenhuma epiderme.
Nada aconteceu
Morrer tão completamente Senão a lembrança
Que um dia ao lerem o teu nome num papel Do crime espantoso
Perguntem: “Quem foi?...” Que o tempo engoliu.

Morrer mais completamente ainda,


— Sem deixar sequer esse nome.

48 * 49
C A N Ç ÃO D O V E N TO E DA M I N H A V I DA Ú LT I M A C A N Ç Ã O D O B E C O

O vento varria as folhas, Beco que cantei num dístico


O vento varria os frutos, Cheio de elipses mentais,
O vento varria as flores... Beco das minhas tristezas,
E a minha vida ficava Das minhas perplexidades
Cada vez mais cheia (Mas também dos meus amores,
De frutos, de flores, de folhas. Dos meus beijos, dos meus sonhos),
Adeus para nunca mais!
O vento varria as luzes
O vento varria as músicas, Vão demolir esta casa.
O vento varria os aromas... Mas meu quarto vai ficar,
E a minha vida ficava Não como forma imperfeita
Cada vez mais cheia Neste mundo de aparências:
De aromas, de estrelas, de cânticos. Vai ficar na eternidade,
Com seus livros, com seus quadros,
O vento varria os sonhos Intacto, suspenso no ar!
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres... Beco de sarças de fogo,
E a minha vida ficava De paixões sem amanhãs,
Cada vez mais cheia Quanta luz mediterrânea
De afetos e de mulheres. No esplendor da adolescência
Não recolheu nestas pedras
O vento varria os meses O orvalho das madrugadas,
E varria os teus sorrisos... A pureza das manhãs!
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava Beco das minhas tristezas,
Cada vez mais cheia Não me envergonhei de ti!
De tudo. Foste rua de mulheres?

50 * 51
Todas são filhas de Deus! BELO BELO
Dantes foram carmelitas...
E eras só de pobres quando,
Pobre, vim morar aqui. Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Lapa — Lapa do Desterro —,
Lapa que tanto pecais! Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
(Mas quando bate seis horas, E o risco brevíssimo — que foi? passou! — de tantas estrelas cadentes.
Na primeira voz dos sinos,
Como na voz que anunciava A aurora apaga-se,
A conceição de Maria, E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
Que graças angelicais!)
O dia vem, e dia a dentro
Nossa Senhora do Carmo, Continuo a possuir o segredo grande da noite.
De lá de cima do altar,
Pede esmolas para os pobres, Belo belo belo,
— Para mulheres tão tristes, Tenho tudo quanto quero.
Para mulheres tão negras,
Que vêm nas portas do templo Não quero o êxtase nem os tormentos.
De noite se agasalhar. Não quero o que a terra só dá com trabalho.

Beco que nasceste à sombra As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:


De paredes conventuais, Os anjos não compreendem os homens.
És como a vida, que é santa
Pesar de todas as quedas. Não quero amar,
Por isso te amei constante, Não quero ser amado.
E canto para dizer-te Não quero combater,
Adeus para nunca mais! Não quero ser soldado.

25.3.1942 — Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

52 * 53
PISCINA EU VI UMA ROSA

Que silêncio enorme! Eu vi uma rosa


Na piscina verde — Uma rosa branca —
Gorgoleja trépida Sozinha no galho.
A água da carranca. No galho? Sozinha
No jardim, na rua.
Só a lua se banha
— Lua gorda e branca — Sozinha no mundo.
Na piscina verde.
Como a lua é branca! Em torno, no entanto,
Ao sol de mei-dia,
Corre um arrepio Toda a natureza
Silenciosamente Em formas e cores
Na piscina verde: E sons esplendia.
Lua ela não quer.
Tudo isso era excesso.
Ah o que ela quer
A piscina verde A graça essencial,
É o corpo queimado Mistério inefável
De certa mulher — Sobrenatural —
Que jamais se banha Da vida e do mundo,
Na espadana branca Estava ali na rosa
Da água da carranca. Sozinha no galho.

Petrópolis, 25.3.1943 Sozinha no tempo.

54 * 55
Tão pura e modesta, T E M A E V O LTA S
Tão perto do chão,
Tão longe na glória
Da mística altura, Mas para quê
Dir-se-ia que ouvisse Tanto sofrimento,
Do arcanjo invisível Se nos céus há o lento
As palavras santas Deslizar da noite?
De outra Anunciação.
Mas para quê
Petrópolis, 1943. Tanto sofrimento,
Se lá fora o vento
É um canto na noite?

Mas para quê


Tanto sofrimento,
Se agora, ao relento,
Cheira a flor da noite?

Mas para quê


Tanto sofrimento,
Se o meu pensamento
É livre na noite?

56 * 57
ESCUSA NO VOSSO E EM MEU CORAÇÃO

Eurico Alves, poeta baiano, Espanha no coração:


Salpicado de orvalho, leite cru e tenro cocô de cabrito, No coração de Neruda,
Sinto muito, mas não posso ir a Feira de Sant’Ana. No vosso e em meu coração.
Espanha da liberdade,
Sou poeta da cidade. Não a Espanha da opressão.
Meus pulmões viraram máquinas inumanas e aprenderam a Espanha republicana:
respirar A Espanha de Franco, não!
[o gás carbônico das salas de Velha Espanha de Pelaio,
cinema. Do Cid, do Grã-Capitão!
Como o pão que o diabo amassou. Espanha de honra e verdade,
Bebo leite de lata. Não a Espanha da traição!
Falo com A., que é ladrão. Espanha de Dom Rodrigo,
Aperto a mão de B., que é assassino. Não a do Conde Julião!
Há anos que não vejo romper o sol, que não lavo os olhos nas cores Espanha republicana:
[das madrugadas. A Espanha de Franco, não!
Espanha dos grandes místicos,
Eurico Alves, poeta baiano, Dos santos poetas, de João
Não sou mais digno de respirar o ar puro dos currais da roça. Da Cruz, de Teresa de Ávila
E de Frei Luís de Leão!
Espanha da livre crença,
Jamais a da Inquisição!
Espanha de Lope e Góngora,
De Goia e Cervantes, não
A de Felipe Segundo
Nem Fernando, o balandrão!
Espanha que se batia
Contra o corso Napoleão!

58 * 59
O L U TA D O R
Espanha da liberdade:
A Espanha de Franco, não!
Espanha republicana, Buscou no amor o bálsamo da vida,
Noiva da revolução! Não encontrou senão veneno e morte.
Espanha atual de Picasso, Levantou no deserto a roca-forte
De Casals, de Lorca, irmão Do egoísmo, e a roca em mar foi submergida!
Assassinado em Granada!
Espanha no coração Depois de muita pena e muita lida,
De Pablo Neruda, Espanha De espantoso caçar de toda sorte,
No vosso e em meu coração! Venceu o monstro de desmedido porte
— A ululante Quimera espavorida!

Quando morreu, línguas de sangue ardente,


Aleluias de fogo acometiam,
Tomavam todo o céu de lado a lado,

E longamente, indefinidamente,
Como um coro de ventos sacudiam
Seu grande coração transverberado!

30.9 — 1. 10. 1945.

60 * 61
BELO BELO O RIO

Belo belo minha bela Ser como o rio que deflui


Tenho tudo que não quero Silencioso dentro da noite.
Não tenho nada que quero Não temer as trevas da noite.
Não quero óculos nem tosse Se há estrelas nos céus, refleti-las.
Nem obrigação de voto E se os céus se pejam de nuvens,
Quero quero Como o rio as nuvens são água,
Quero a solidão dos píncaros Refleti-las também sem mágoa
A água da fonte escondida Nas profundidades tranquilas.
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível Petrópolis, 1948.
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdad e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.

Petrópolis, fevereiro, 1947.

62 * 63
U N I DA D E ARTE DE AMAR

Minh’alma estava naquele instante Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma,
Fora de mim longe muito longe A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação,
Chegaste Não noutra alma.
E desde logo foi verão Só em Deus — ou fora do mundo.
O verão com as suas palmas os seus mormaços os seus ventos
[de sôfrega mocidade As almas são incomunicáveis.
Debalde os teus afagos insinuavam quebranto e molície
O instinto de penetração já despertado Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Era como uma seta de fogo
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Foi então que minh’alma veio vindo
Veio vindo de muito longe
Veio vindo
Para de súbito entrar-me violenta e sacudir-me todo
No momento fugaz da unidade.

1948

64 * 65
BOI MORTO S AT É L I T E

Como em turvas águas de enchente, Fim de tarde.


Me sinto a meio submergido No céu plúmbeo
Entre destroços do presente A Lua baça
Dividido, subdividido, Paira
Onde rola, enorme, o boi morto, Muito cosmograficamente
Satélite.
Boi morto, boi morto, boi morto.
Desmetaforizada,
Árvores da paisagem calma, Desmitificada,
Convosco — altas, tão marginais! — Despojada do velho segredo de melancolia,
Fica a alma, a atônita alma, Não é agora o golfão de cismas,
Atônita para jamais. O astro dos loucos e dos enamorados,
Que o corpo, esse vai com o boi morto, Mas tão somente
Satélite.
Boi morto, boi morto, boi morto.
Ah Lua deste fim de tarde,
Boi morto, boi descomedido, Demissionária de atribuições românticas,
Boi espantosamente, boi Sem show para as disponibilidades sentimentais!
Morto, sem forma ou sentido
Ou significado. O que foi Fatigado de mais-valia,
Ninguém sabe. Agora é boi morto, Gosto de ti assim:
Coisa em si,
Boi morto, boi morto, boi morto! — Satélite.

66 * 67
OS NOMES NOTURNO DO MORRO DO ENCANTO

Duas vezes se morre: Este fundo de hotel é um fim de mundo!


Primeiro na carne, depois no nome. Aqui é o silêncio que tem voz. O encanto
A carne desaparece, o nome persiste mas Que deu nome a este morro, põe no fundo
Esvaziando-se de seu casto conteúdo De cada coisa o seu cativo canto.
— Tantos gestos, palavras, silêncios,
Até que um dia sentimos, Ouço o tempo, segundo por segundo,
Com uma pancada de espanto (ou de remorso?) Urdir a lenta eternidade. Enquanto
Que o nome querido já nos soa como os outros. Fátima ao pó de estrelas sitibundo
Lança a misericórdia do seu manto.
Santinha nunca foi para mim o diminutivo de Santa.
Nem Santa nunca foi para mim a mulher sem pecado. Teu nome é uma lembrança tão antiga,
Santinha eram dois olhos míopes, quatro incisivos claros à flor da boca. Que não tem som nem cor, e eu, miserando,
Era a intuição rápida, o medo de tudo, um certo modo de dizer Não sei mais como o ouvir, nem como o diga.
[“Meu Deus, valei-me”.
Falta a morte chegar... Ela me espia
Adelaide não foi para mim Adelaide somente, Neste instante talvez, mal suspeitando
Mas Cabeleira de Berenice, Inominata, Cassiopeia. Que já morri quando o que eu fui morria.
Adelaide hoje apenas substantivo próprio feminino.
Petrópolis, 21.2.1953
Os epitáfios também se apagam, bem sei.
Mais lentamente, porém, do que as reminiscências
Na carne, menos inviolável do que a pedra dos túmulos.

Petrópolis, 28.2.1953

68 * 69
L U A N O VA CO N S OA DA

Meu novo quarto Quando a indesejada das gentes chegar


Virado para o nascente: (Não sei se dura ou caroável),
Meu quarto, de novo a cavaleiro da entrada da barra. Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
Depois de dez anos de pátio — Alô, iniludível!
Volto a tomar conhecimento da aurora. O meu dia foi bom, pode a noite descer.
Volto a banhar meus olhos no mênstruo incruento das madrugadas. (A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir: A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
Hei de aprender com ele
A partir de uma vez
— Sem medo,
Sem remorso,
Sem saudade.

Não pensem que estou aguardando a lua cheia


— Esse sol da demência
Vaga e noctâmbula.
O que eu mais quero,
O de que preciso
É de lua nova.

Rio, agosto, 1953

70 * 71
posfácio
manuel bandeira, intérprete de si mesmo

Augusto Massi e Carlito Azevedo


ANTOLOGIA

A vida
Não vale a pena e a dor de ser vivida.
Os corpos se entendem mas as almas não. A melhor poesia brasileira sempre passou pela porta estreita das
A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. antologias escolares. Durante os dois últimos séculos, as antolo-
gias oscilaram entre florilégio clássico e ruptura moderna, cânone
Vou-me embora pra Pasárgada!
de época e gosto pessoal, consolidação de um repertório de for-
Aqui eu não sou feliz.
Quero esquecer tudo: mas e reação aos procedimentos estéticos. A antologia poética é
– A dor de ser homem... um gênero antigo e arbitrário. A sua força está na coerência das
Este anseio infinito e vão escolhas e na capacidade de determinar o que é antológico: seja
De possuir o que me possui.
pelo poder de incluir, seja pelo rigor de excluir.
Quero descansar Manuel Bandeira foi um mestre na arte de organizar anto-
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei... logias. A sua reconhecida versatilidade no emprego das formas
Na vida inteira que podia ter sido e que não foi. poéticas também pode ser estendida às inúmeras antologias que
preparou. Antonio Candido, num artigo breve e muito esclarece-
Quero descansar.
Morrer. dor, afirma que Bandeira “tinha toda a razão de levar a sério as
Morrer de corpo e de alma. antologias, nas quais se tornou um perito”.1
Completamente. Tudo começou em 1937, quando foi encarregado pelo mi-
(Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir.)
nistro da Educação, Gustavo Capanema, de elaborar uma
Quando a Indesejada das gentes chegar Antologia dos poetas brasileiros da fase romântica, para as come-
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, morações do centenário do movimento romântico no Brasil.
A mesa posta, Bandeira parece ter adquirido gosto pela tarefa. Sucederam-se
Com cada coisa em seu lugar.
novos volumes: da fase parnasiana (1938), da simbolista (1965)
e dois dedicados à fase moderna (1966), um deles em parceria
Setembro, 1965 com Walmir Ayala.

1 “Antologia”, in Homenagem a Manuel Bandeira 1986-1988. Maximiano de


Carvalho e Silva (org.). rj: uff/ Sociedade Sousa da Silveira/ Presença, 1989.

74 * 75
A reflexão particularizada sobre diferentes épocas não o im- leitor de sua própria obra.2 Em outras palavras, a autoantologia
pediu de pensar o sistema literário segundo uma visada mais poética opera de modo similar a uma série de autorretratos pro-
abrangente, por exemplo, em Obras-primas da lírica brasileira duzidos por um pintor: ambas buscam fixar uma imagem que o
(1943). Mas foi com Apresentação da poesia brasileira (1946) que artista deseja projetar de si mesmo, visão retrospectiva do que
nos ofereceu uma visão histórica articulada, dissolvendo em julga ser o mais representativo e original em sua produção.
acertados e notáveis comentários a rígida classificação por pe- Desta perspectiva, “Antologia”, poema escrito por Manuel
ríodos. Por fim, aceitou o convite da Editora do Autor e orga- Bandeira em 1965, é uma declaração inequívoca de que o prin-
nizou Poesia do Brasil (1963), com a colaboração de José Guilher- cípio estrutural da organização de antologias havia impregnado
me Merquior na fase moderna. definitivamente a concepção poética do autor:
Dedicou-se com o mesmo afinco às antologias de autores:
Sonetos completos e poemas escolhidos de Antero de Quental (1942) e Tive a ideia de construir um poema só com versos ou pedaços de
Gonçalves Dias (1958). Não satisfeito, escapou da camisa-de-força versos meus mais conhecidos ou mais marcados da minha sensibili-
do gênero, introduzindo uma categoria inédita: Antologia dos poe- dade, e que ao mesmo tempo pudesse funcionar como poema para
tas brasileiros bissextos contemporâneos (1946), salvando do esqueci- uma pessoa que nada conhecesse de minha poesia.3
mento poemas como “A cachorra” de Prudente de Moraes, neto
e “O defunto” de Pedro Nava. Radicalizando nessa vertente, afirma: “Todo grande verso é um
Depois de contemplar antologias de época e de autores, poema completo dentro do poema”.4 Em cada linha de Manuel
Bandeira especializou-se na organização de antologias da pró- Bandeira entrevemos o desejo de só registrar aqueles momentos
pria obra. Estes 50 poemas escolhidos pelo autor (1955) foram pre- essenciais, desentranhando do passado o que consegue sobrevi-
cedidos por Poesias escolhidas (1937) e seguidos de outras seis ver à luz forte do presente: “Humildemente pensando na vida e
antologias, entre as quais merecem destaque Alumbramentos nas mulheres que amei”. Desse modo, o poeta configura uma
(1959), Antologia poética (1961) e Meus poemas preferidos (1966). Tal mitologia pessoal, halo de realidade cuja matéria se mistura à
hábito, raramente praticado entre nós, foi largamente culti- esfera lírica do verso que, por um momento, torna-se realmente
vado pelo poeta, numa espécie de reorganização constante da livre. O poema é uma antologia de evocações, bulas de remédio,
sua obra.
A experiência de organizar antologias certamente deu a Ban- 2 Desdobramos aqui ideias presentes em “De Lira dos cinquent’anos a Estrela
deira uma acuidade crítica para recortar, privilegiar, escolher o da tarde”, quarto capítulo do livro Manuel Bandeira, de Murilo Marcondes de
Moura. sp: Publifolha, 2001.
que há de mais representativo na produção lírica de uma época e
3 Carta a Odylo Costa Filho citada por Gilberto Mendonça Telles em “A
de um autor. Mas não seria descabido enxergar nessa prática um bandeira de Bandeira”, in Manuel Bandeira. Fortuna crítica. Sônia Brayner
procedimento crítico que permite ao autor passar à condição de (org.). rj: Civilização Brasileira, 1980.
4 “Poesia concreta”, in Flauta de papel. rj: José Aguilar, 1958. 2. vols.

76 * 77
alumbramentos, notícias de jornal, anúncios, sonhos, fragmen- com ela retribuir aos poetas de outras línguas a gentileza de me
tos de ars combinatoria etc. terem oferecido os seus livros”.6 Numa obra que não ultrapassa 350
Outra possibilidade é ler os 50 poemas escolhidos pelo autor como poemas, não há como negar que 50 poemas escolhidos pelo autor talvez
livro autônomo. Diante do rearranjo que a antologia impõe aos seja a seleção mais rigorosa já realizada por Bandeira. A subtração
poemas, é interessante observar que a inusitada proximidade de transforma-se em suma. E até mesmo os poemas ausentes passam
textos, anteriormente separados em livros e distanciados no tem- a ser tão significativos quanto àqueles que estão presentes.
po, permite que eles dialoguem entre si, configurando relações
inéditas. Para dar um exemplo, o emprego do verbo “levar” rea- *
grupa de forma reveladora a “Balada de Santa Maria Egipcíaca”,
“A sereia de Lenau” e “A Dama Branca”. Os três poemas estrutu- Uma particularidade desta reedição dos 50 poemas escolhidos pelo
ram-se para “levar para o outro lado”: “Não tenho dinheiro. O Se- autor é a oportunidade de ouvir 25 deles lidos pelo próprio poeta.
nhor te abençoe./ Leva-me ao outro lado”; “Nikolas Lenau, poeta Escutar a voz de Manuel Bandeira é uma das poucas coisas que a
da amargura!/ Uma te amou, chamava-se Sofia./ E te levou pela tecnologia não consegue transformar em espetáculo. Pelo contrá-
melancolia/ Ao oceano sem fundo da loucura.”; e “ Por uma noite rio, ela nos comove com a descoberta do sotaque pernambucano,
de muito frio/ A Dama Branca levou meu pai”. nos envolve na real valorização da oralidade pelos modernistas e
Também é relevante considerar o valor que Bandeira conferiu nos devolve à condição de ouvintes no silêncio do quarto. Na crô-
a cada livro no conjunto de sua produção. De A cinza das horas nica “Poesia em disco”, datada de 27 de novembro de 1955, Ban-
não figura nenhum poema; de Carnaval entraram apenas três, e deira registra:
de O ritmo dissoluto, não mais que quatro. Os livros mais represen-
tados são Libertinagem e Lira dos cinquent’anos, com dez ou mais Anteontem, na Livraria São José, Carlos Drummond de Andrade e
poemas cada um. O crítico português Adolfo Casais Monteiro, eu estivemos, durante mais de duas horas, autografando discos que
num dos raríssimos comentários sobre esta antologia, observou: Carlos Ribeiro e Irineu Garcia fizeram gravar e onde alguns de nos-
“Fosse como fosse, a verdade é que a surpreendente revelação que sos poemas estão ditos por nossas próprias vozes. A ideia de fixar
a sua poesia nos trouxe não está sem dúvida no ‘espírito’ de A em discos a voz dos poetas só teve, entre nós, o precedente da Con-
cinza das horas, mas no de Libertinagem”.5 tinental, que há alguns anos lançou no mercado poemas meus e de
Dito isso, o que o leitor tem nas mãos não é uma antologia Olegário Mariano. Mas, a iniciativa parou aí, não sei por que motivo.7
qualquer. Embora o próprio Bandeira justifique modestamente
que “o critério adotado foi colher entre os meus poemas mais bem Na mesma crônica, mais adiante, comenta:
realizados os mais acessíveis ao leitor estrangeiro, pois eu desejava
6 Prefácio à primeira edição da Antologia poética. rj: Editora do Autor, 1961.
5 In: Manuel Bandeira, de Adolfo Casais Monteiro. rj: mec, 1958. 7 “Poesia em disco”, in Flauta de papel. rj: José Aguilar, 1958. 2. vols.

78 * 79
A voz do poeta, seu jogo de inflexões, seu acento de emoção nes- Cada palavra é um corte fundo no passado do poeta, no passado da
ta ou naquela palavra podem esclarecer muita coisa que no poema cidade, no passado de todo homem, fazendo vir desses três passados
nos parece obscuro, hermético. De minha parte, posso dizer que só distintos, mas um só verdadeiro, um mundo de primeiras e grandes
compreendi em maior profundidade os poemas de Eliot e de Dylan experiências da vida. Não há uma palavra que seja um gasto de pa-
Thomas depois de ouvir recitados por eles próprios. lavra. Não há traço que seja de pitoresco artificial ou de coreografia.
O poema é compacto: tem alguma coisa de um bolo tradicional do
Dois anos depois, volta a comentar as gravações de poetas: Norte chamado “palácio encantado”, bolo muito rico, bolo de casa-
grande de engenho, com sete gostos por dentro, sete gostos profun-
Não importa que os nossos poetas se tenham mostrado fraquíssi- dos em cada fatia que se corte dele.
mos diseurs. Aliás era de se esperar. Eles nunca dizem os seus ver-
sos, de sorte que quando são postos diante de microfones ficam O saboroso sotaque de pernambucano dá sete vidas ao poema.
cheios de dedos, quero dizer de dentes, articulam mal, não conse- Segundo: a interpretação de Bandeira é tão surpreendente que
guem dar ao discurso poético as inflexões exatas. A esse aspecto não nos revela por inteiro a intrincada estrutura sonora de alguns
temos nenhum T. S. Eliot, nenhum Dylan Thomas, diseurs perfeitos, poemas. É o caso de “Berimbau”: mais do que expressar, nele a
que só com dizer seus poemas no-los explicam (só entendi bem o linguagem canta, encantatória. E o próprio poeta nos relembra
“Gerontion” depois de ouvi-lo dito pelo autor). do “quebranto cansado da melopeia inicial: ‘Nos iguapés dos
aguaçais dos igapós dos japurus’... A inflexão meio irônica, meio
O curioso é que após tantas observações favoráveis ao registro da alma penada na solidão da hileia...”9 O mesmo vale para “Boca do
voz dos próprios poetas, Bandeira nos sai com este comentário: forno”, cuja música de fundo ecoa o ritmo de um maracatu a que
“Pessoalmente, sinto-me horrorizado de minha própria voz gra- assistiu em 1929.
vada: acho-a dura, malacostrácea, antipática. Será possível que eu Terceiro: os poemas dialogados têm sua força realçada den-
fale assim? Então como é que não fogem de mim, me toleram?”.8 tro do conjunto da obra. A musicalidade da fala traduz uma di-
Para nós, seus ouvintes, a impressão é oposta. mensão humana na medida em que persegue a naturalidade do
Primeiro: a beleza cortante de sua voz ilumina aspectos centrais diálogo. São inúmeros os exemplos em que o intérprete se abre
da sua poética. Excessivamente corroído pela canonização, “Evo- para a voz do outro: “Noturno da Parada Amorim”, “Irene no
cação do Recife” reveste-se da fluência de uma conversa, readquire céu”, “Namorados”. Do registro culto de “Balada de Santa Maria
a força descritiva de uma crônica, rodopia na memória da cantiga. Egipcíaca”: “– Leva-me ao outro lado./ Não tenho dinheiro. O
Lembra um comentário de Gilberto Freyre: Senhor te abençoe.// [...] O homem duro escarneceu: – Não tens
dinheiro,/ Mulher, mas tens teu corpo. Dá-me o teu corpo, e vou

8 “Discos”, in Flauta de papel. rj: José Aguilar, 1958. 2 vols. 9 “Elsie Houston” in: Flauta de papel. rj: Alvorada, 1957.

80 * 81
levar-te”; passando pelo registro irônico e rebaixado de “Pneu- nota do editor
motórax”: “– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo
e o pulmão direito infiltrado./ – Então, doutor, não é possível Para a fixação dos 50 poemas escolhidos pelo autor, foram utilizadas
tentar o pneumotórax?/ – Não. A única coisa a fazer é tocar um como texto-base as seguintes edições:
tango argentino”.
Quarto: a dicção áspera, bela, intratável de Bandeira, ao mes- A cinza das horas, Carnaval e O ritmo dissoluto. Edição crítica prepa-
mo tempo que represa o lirismo derramado, libera um acento rada por Júlio Castañon Guimarães e Rachel T. Valença. rj:
malicioso presente, por exemplo, em “Estrela da manhã”. Tudo Nova Fronteira, 1994.
isso diz muito da gama variada de registros que sua poesia al-
cança. Em alguns momentos sentimos que os poemas abrem Libertinagem, Estrela da Manhã. Edição crítica preparada por Giulia
um leque de sugestões, mesclando com mansas sutilezas de esti- Lanciani. Madri, Paris, Cidade do México, Buenos Aires, São
lo, um vaivém de sentidos que podem deslizar do erótico ao re- Paulo, Lima, Guatemala, San José, Santiago do Chile: Unesco,
ligioso, do folclórico ao infantil, do prosaísmo moderno a uma 1998. Coleção Archivos.
língua arcaizante.
O poeta tinha ouvido. E a desenvoltura na leitura dos poemas Estrela da vida inteira. rj: Livraria José Olympio, 1966.
beneficiou-se de uma, ainda que discreta, continuada educação
musical: sabia tocar violão e militou na crítica. Talvez seja o au-
tor mais musicado da literatura brasileira. Por tudo isso, pode-
mos dizer que, além de realizar uma criteriosa antologia de seus
poemas, Manuel Bandeira foi um dos melhores intérpretes de
si mesmo.

82 * 83
ap ê ndice
SOBRE A EDI Ç Ã O ORI G INAL

50 poemas escolhidos pelo autor, de Manuel Bandeira, foi o


número 77 da simpática coleção Os Cadernos de Cultura, dirigi-
da por José Simeão Leal e editada pelo Ministério da Educação e
Cultura (mec), ao longo da década de 1950. Ela tinha como objeti-
vo contemplar diversas áreas do conhecimento e, apesar da gran-
de maioria dos volumes terem sido encomendados a intelectuais
brasileiros, os temas e as obras tratadas revelavam sempre uma
visada universal.
Hoje, ao corrermos os olhos pela lista de títulos, espanta o alto
grau de originalidade do conjunto: Arquitetura brasileira de Lucio
Costa, Miró de João Cabral de Melo Neto, José de Alencar de Gilberto
Freyre, Panorama da pintura moderna de Mário Pedrosa, Escola de
tradutores de Paulo Rónai, Monte Cristo ou da vingança de Antonio
Candido, Respostas e perguntas de Otto Maria Carpeaux.
A característica gráfica dos livrinhos era de um despojamento
extremo. O formato pequeno, quase de bolso, remetia de ime-
diato para o nome da coleção: Os Cadernos de Cultura. As ca-
pas traziam as informações básicas dentro de uma moldura, cuja
cor variava a cada título. No miolo, somente quando necessário,
eram reproduzidos desenhos, pinturas ou fotos. Tamanha con-
tenção gráfica, além de evidenciar uma forte preocupação com o
preço, visava uma forma discreta de divulgar a cultura.

86 * 87
SOBRE AS G RA V A Ç Õ ES

O selo Festa, criado em 1955 por Irineu Garcia e Carlos Ribeiro,


registrou em disco os principais nomes da poesia brasileira mo-
derna: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Cecí-
lia Meireles, Murilo Mendes, Jorge de Lima, João Cabral de Melo
Neto, Vinicius de Morais. Os discos sempre traziam uma dupla
de poetas, cada qual ocupava um lado, quase nunca ultrapassan-
do dez faixas. A primeira dupla foi composta por Manuel Bandei-
ra e Carlos Drummond de Andrade.
As capas exibiam um design bastante ousado e flertavam com
o abstracionismo. Algumas delas traziam as assinaturas de Athos
Bulcão, Maria Leontina, Di Cavalcanti, Poty e Lygia Clark. Na
contracapa, escritores e críticos renomados como José Lins do
Rego, Luis Martins, Paulo Mendes Campos, Sérgio Milliet, Paulo
Rónai, Francisco de Assis Barbosa, redigiam uma breve apresen-
tação dos poetas.
Manuel Bandeira foi sem dúvida o poeta mais solicitado pelo
selo. Além de estar presente no primeiro disco, ao lado de Carlos
Drummond, volta a figurar no décimo terceiro lançamento, fa-
zendo dupla com Sérgio Milliet. Por fim, acabou gravando um
compacto simples, somente com poemas de sua autoria. Todas
essas gravações foram reunidas pela Cosac Naify num único cd,
acrescidas de oito faixas do cd O poeta em Botafogo, de 2005.

88 * 89
BIBLIO G RA F IA

poesia

A cinza das horas. rj: Tipografia do Jornal do Comércio (edição do autor),


1917 – 200 exemplares.
Carnaval. rj: Tipografia do Jornal do Comércio (edição do autor), 1919.
Poesias (acrescida de O ritmo dissoluto). rj: Revista de Língua Portuguesa,
1924.
Libertinagem. rj: Pongetti (edição do autor), 1930 – 500 exemplares.
Estrela da manhã. rj: Tipografia do Ministério da Educação e Saúde (edi-
ção do autor), 1936 – 47 exemplares.
Poesias escolhidas. rj: Civilização Brasileira, 1937.
Poesias completas (acrescida de Lira dos cinquent’anos). rj: Cia. Carioca de
Artes Gráficas (edição do autor), 1940.
Poesias completas (acrescidas de Belo belo). rj: Casa do Estudante do Brasil,
1948.
Mafuá do malungo. Barcelona: Editor João Cabral de Melo Neto, 1948.
Opus 10. Niterói: Edições Hipocampo, 1952.
50 poemas escolhidos pelo autor. rj: Ministério da Educação e Cultura, 1955.
Poesias completas (acrescidas de Opus 10). rj: Livraria José Olympio, 1955.
Poesia e prosa completa (acrescidas de Estrela da tarde). rj: José Aguilar, 1958.
Estrela da vida inteira. rj: Livraria José Olympio, 1966. Edição em homena-
gem aos 80 anos do poeta.

Toda a obra poética do autor é, atualmente, editada pela Nova Fronteira.

90 * 91
ÍNDICE

5 Os sapos 46 Maçã
8 A sereia de Lenau 47 Água-forte
9 A dama branca 48 A morte absoluta
11 Balada de Santa Maria Egipcíaca 49 Canção da Parada do Lucas
13 Os sinos 50 Canção do vento e da minha vida
15 Noite morta 51 Última canção do beco
16 Berimbau 53 Belo belo
17 O cacto 54 Piscina
18 Pneumotórax 55 Eu vi uma rosa
19 Poética 57 Tema e voltas
21 Evocação do Recife 58 Escusa
25 Lenda brasileira 59 No vosso e em meu coração
26 Andorinha 61 O lutador
27 Profundamente 62 Belo belo
29 Noturno da Parada Amorim 63 O rio
30 Noturno da rua da Lapa 64 Unidade
31 Irene no céu 65 Arte de amar
32 Namorados 66 Boi morto
33 Vou-me embora pra Pasárgada 67 Satélite
35 O último poema 68 Os nomes
36 Estrela da manhã 69 Noturno do Morro do Encanto
38 Marinheiro triste 70 Lua nova
40 Boca de forno 71 Consoada
42 Momento num café
43 Rondó dos cavalinhos 74 posfácio
44 A estrela e o anjo 87 apêndice
45 O martelo
© Cosac Naify, 2006
© Condomínio dos proprietários dos direitos intelectuais de Manuel Bandeira
© da iconografia de Manuel Bandeira, dos proprietários dos direitos de imagem
de Manuel Bandeira
Direitos cedidos por Solombra – Agência Literária (solombra@solombra.org)

p. 2: Manuel Bandeira na rua do Curvelo (hoje Dias de Barros), Rio de


Janeiro, 10 de fevereiro de 1926.
p. 90: O poeta e o violão, 1954. Arquivo Manchete.

Coordenação editorial augusto massi e paulo werneck


Projeto gráco elaine ramos
Composição jussara fino
1 .a reimpressão, 2010
Nesta edição, respeitou-se o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)


(Câmara Brasileira do Livro, sp, Brasil)

Bandeira, Manuel [1886-1968]


Manuel Bandeira – 50 poemas escolhidos pelo autor
Coordenação editorial: Augusto Massi e Paulo Werneck
São Paulo: Cosac Naify, 2006
96 pp. Inclui cd

isbn 978-85-7503-434-7
1. Poesia brasileira i. Massi, Augusto. ii. Título.

05-2810 cdd-869.91

Índices para catálogo sistemático:


1. Poesia: Literatura brasileira 869.91

cosac naify
Rua General Jardim, 770, 2 o. andar
01223-010 São Paulo sp
[55 11] 3218 1444
cosacnaify.com.br

Atendimento ao professor: [55 11] 3218 1473


tipologia Legacy
papel Paperfect 104 g/m²
impressão RR Donnelley
tiragem 13 000

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