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PROVA DE MATRIZES CLÁSSICAS – GRÉCIA

Prof. Guilherme Nogueira


Ottávio de Azevedo Oliveira Rodrigues

QUESTÃO II
Os maiores heróis dos Poemas Homéricos são nitidamente antagônicos: Aquiles e Odisseu são
reconhecidos, respectivamente, pela intensa ira e invencível astúcia. Em até 40 linhas, desenvolva,
articulando com os principais passos e fazendo as devidas referências, a personalidade de Aquiles e
de Odisseu nos Poemas Homéricos.

RESPOSTA:

Não é exagerado afirmar que a Ilíada e a Odisseia são dois poemas destinados a cantar os
feitos dos heróis Aquiles e Odisseu. Já no primeiro verso destes poemas, ainda na invocação à
Musa, lemos o assunto em torno do qual toda a narrativa girará: cólera de Aquiles e a astúcia de
Odisseu. Aquiles é o modelo de representação do herói épico, que compreende a guerra como
doadora de glória, na forma da imortalização pelos feitos. O herói da Ilíada relata que sua mãe Tétis
teria vaticinado-lhe um duplo destino: ou continuar na guerra, e ter “glória sempiterna”, ou voltar
para casa e, privado de fama, ter uma vida longa e só ver a morte na velhice (Il. XI, 410-416).
Mesmo já sabendo de seu trágico destino ele retorna à guerra quando seu companheiro Pátroclo é
morto. O filho de Peleu é cantado ao longo do poema como o maior dos guerreiros helenos e é
constantemente referido ao longo do poema pelo epíteto “de pés ligeiros”, uma referência à sua
velocidade no combate.
Odisseu, ao contrário de Aquiles, não morre na Guerra de Tróia e é justamente a narrativa
sobre o seu retorno que terá lugar na Odisseia. A marca deste herói, por mais que também fosse um
grande guerreiro, será a sua astúcia e engenho, ao ponto de ser referido como alguém “no saber só a
Zeus comparável” (Il, II, v. 636). Em seu tortuoso retorno para Ítaca, Odisseu encontrará uma série
de dificuldades que serão resolvidas justamente através de sua engenhosidade. No Canto IX,
Odisseu relatará o seu encontro com o Ciclope Polifemo, que morava sozinho em uma gruta. Ao
chegar na morada do gigante, Odisseu e seus companheiros não o encontram, mas o herói recusa os
pedidos de retornar antes da chegada do ciclope e insiste em permanecer para poder vê-lo. Odisseu
só consegue se livrar de Polifemo, que devora seus amigos, enganando-o e deixando-o cego. De
fato, outros Ciclopes teriam vindo ao socorro de Polifemo se Odisseu não tivesse nomeado-se de
“ninguém” (Od., XI, v. 403-408). Aquiles, ao contrário, é um herói que recusa até mesmo contar
mentiras, como ele diz, dirigindo-se a Odisseu: “repulsa me causa a pessoa / que na alma esconde o
que pensa e outra coisa na voz manifesta” (Il., IX, v. 312-3).
Por fim, remeteremos a uma passagem contida no canto XI, quando Odisseu vai ao Hades
para encontrar o adivinho Tirésias e acaba por deparar-se com seu companheiro de batalha Aquiles.
Nesse encontro, Odisseu dirige-se para a alma de Aquiles lamentando o sofrimento por ainda não
ter conseguido regressar à Ítaca e completa: “Mas ninguém, nobre Aquiles, / é tão feliz como tu, no
passado e nos tempos vindouros / Enquanto vivo, os Argivos te honrávamos, qual se um deus fosses
/ ora que te achas no meio dos mortos, sobre eles exerces / mando incontestes. Não podes queixar-te
da Morte, ó Pelida!” (Od. XI, v. 482-187). Nesse momento, Aquiles responde despojado dos valores
que esperaríamos de um herói que preferia “viver empregado em trabalhos do campo / sob um
senhor sem recursos” (v. 489-490). Aqui há aparentemente uma inversão de papéis: é Odisseu quem
valoriza Aquiles por sua morte heroica ocorrida nos campos de batalha e é o herói Aquiles quem diz
que abriria mão dessas honras por preferir uma vida que, para a mentalidade heroica, seria de
nenhum valor.