Вы находитесь на странице: 1из 98

eBook - Aula 04

SUMÁRIO
CAPÍTULO 1
Tráfico de Escravos, Culto de
Orixá e Candomblé Baiano 04

CAPÍTULO 2
Do Culto de Nação
ao Candomblé 20

CAPÍTULO 3
Geografia dos Orixás 30

CAPÍTULO 4
Sou Zelador de Santo 38

CAPÍTULO 5
Biografia de Kardec 50
CAPÍTULO 6
O espiritismo é uma
Religião? 60

CAPÍTULO 7
Espiritismo e Umbanda 68

CAPÍTULO 8
A Natureza do Ser 80

CAPÍTULO 9
Divindades e Espiritismo 86

CAPÍTULO 10
Umbanda é ou não é? 90
CAPÍTULO 1

TRÁFICO DE ESCRAVOS,
CULTO DE ORIXÁ E
CANDOMBLÉ BAIANO

POR ALEXANDRE CUMINO

Esse texto é uma adaptação livre


de parte editada do texto origi-
nal de Pierre Verger, à partir do
título Notas Sobre o Culto aos
Orixás e Voduns. Pierre Verger.
São Paulo: Edusp. Recomen-
do a quem queira se aprofundar
no assunto, tanto o título citado
quanto Orixás, do mesmo autor
pela Editora Corrupio.
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E Os primeiros escravos foram introduzidos no NOVO


B MUNDO em 1502, em virtude de um edito real que
O
O permitiu o transporte de escravos negros da Espanha
K para Hispaniola (que, mais tarde, se tornou Repúbli-
ca Dominicana e Haiti), pois a escravidão não existia
A
U na Península Ibérica. O costume outrora estabelecido
L pelos mouros havia subsistido entre os cristãos, e o
A
tráfico implantou-se entre Sevilha, em particular, e o
0 litoral norte e oeste da África.
4
Esses negros, importados para as Antilhas, eram
destinados aos trabalhos nas minas, e o Padre Bar-
tolomé de las Casas tendo observado “os bons re-
sultados” obtidos com estes escravos africanos e
penalizando-se com o destino dos índios, que não
resistiam aos trabalhos agrícolas, “imaginou um meio

6
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

engenhoso de salvar a vida de seus catecúmenos e,


ao mesmo tempo, salvar a alma dos outros”: incitou
a coroa da Espanha a autorizar o Tráfico dos Negros.

No Novo Mundo, os conquistadores espanhóis e os


Bandeirantes portugueses (aos quais, mais tarde,
se juntaram os colonos ingleses, franceses e holan-
deses) cristianizavam os índios, “para a salvação de
suas almas”, como era devido, e procuravam fazê-los
trabalhar em suas fazendas, engenhos, e minas.

É difícil avaliar o numero total de escravos assim


transportados, após a “filantrópica” iniciativa do Pa-
dre Bartolomé de las Casas. As cifras variam muito. A
Enciclopédia Católica fala de doze milhões, e outras
fontes chegam a mencionar cinquenta milhões.

7
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E
Abaixo um texto adaptado do original, Instituto Orumilá
B
O de Cultura, Dados levantados por Julvan Moreira de
O Oliveira em seu projeto de pesquisa apresentado como
K
parte dos exames de seleção ao Programa de Mestrado
A em Educação, na Faculdade de Educação da USP, em
U outubro de 1995.
L
A
Durante a escravidão todos os cativos deveriam ser batiza-
0 dos segundo determinação da Coroa Portuguesa, o que
4
atendia a relação entre o Governo Português e a Igreja Cató-
lica Apostólica Romana.

O Pe. Antônio Vieira, em seus Sermões (XI e XXVII) afirma


que a África é o inferno donde DEUS se digna retirar os con-
denados para, pelo purgatório da escravidão nas Américas,
finalmente alcançarem o paraíso. O mesmo Pe. Antônio Viei-

8
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

ra, no Sermão XIV do Rosário à Irmandade dos Pretos de


um Engenho, elaborado em 1633, ao comentar o texto de
São Paulo I Cor 12,13 - o entende no sentido de que os
africanos, sendo batizados antes do embarque da África
à América, deviam agradecer a DEUS por terem escapa-
do da terra natal, onde viviam como pagãos entregues ao
poder do diabo. E diz: todos os de lá, como vós credes e
confessais, vão para o inferno onde queimam e queimarão
durante toda a eternidade (VIEIRA, Antônio, 1981). Em outro
sermão ainda, Vieira diz que, para ele, o cativeiro do africa-
no na América não é senão um meio cativeiro, pois atinge
só o corpo. A alma não está mais cativa, ela se libertou do
poder do diabo que governa a África e o escravo no Brasil
deve tentar preservar essa liberdade da alma, para não cair
de novo sob o domínio dos poderes que reinam na África
(Idem).

9
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E
B
O
O
K

A
U
L
A

0 Em 1873, uma oração pela conversão dos povos da África


4 Central para a Igreja Católica, escrita pela Secretaria da Sa-
grada Congregação das Indulgências, dizia assim: Rezemos
pelos povos muito miseráveis da África Central que consti-
tuem a décima parte do gênero humano, para que DEUS
onipotente finalmente tire de seus corações a maldição de
Caim e lhes dê a benção que só podem conseguir em Je-
sus Cristo, nosso DEUS e Senhor: Senhor Jesus Cristo,

10
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

único Salvador de todo o gênero humano, que já reinas de


mar a mar e do rio até os confins da terra, abre com bene-
volência o teu sacratíssimo coração mesmo às almas mui
miseráveis da África que até agora se encontram nas trevas
e nas sombras da morte, para que pela intercessão da purís-
sima Virgem Maria, tua Mãe imaculada e de São José, tendo
abandonado os ídolos, se prostrem diante de Ti e sejam
agregados à tua Santa Igreja.

O domingo foi dado como dia “livre” aos escravos para


exercerem sua cultura de origem, abaixo vejamos a jus-
tificativa desta atitude por parte da monarquia. É um tex-
to do Conde dos Arcos, séc. XIX:
Batuques olhados pelo Governo são uma cousa, e olhados
pelos particulares da Bahia são outra diferentíssima. Estes
olham para os batuques como para um ato ofensivo dos

11
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E direitos dominicais, uns porque querem empregar seus es-


B cravos em serviço útil ao domingo também, e outros porque
O
O os querem ter naqueles dias ociosos a sua porta, para assim
K fazer parada de sua riqueza. O governo, porém, olha para os
batuques como para um ato que obriga os negros, insensí-
A
U vel e maquinalmente, de oito em oito dias, a renovar as ideias
L de aversão recíproca que lhes eram naturais desde que nas-
A
ceram, e que, todavia se vão apagando pouco a pouco com
0 a desgraça comum; ideias que pode considerar-se como o
4 garante mais poderoso da segurança das grandes cidades
do Brasil, pois que se uma vez as diferentes nações da África
se esqueceram totalmente da raiva com que a natureza as
desuniu, então os de Agomés, vierem a ser irmãos com os
Nagôs, os Geges com os Haussas, os Tapas com os Sen-
tys, e assim os demais; grandíssimo e inevitável perigo des-
de então assombrará e desolará o Brasil. E quem duvidará

12
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

que a desgraça tem o poder de fraternizar os desgraçados?


Ora, pois, proibir o único ato de desunião entre os negros
vem a ser o mesmo que promover o governo indiretamente
a união entre eles, do que não posso ver se não terríveis
consequências.

O rei do Daomé enviou, por volta de 1795, dois embai-


xadores à Bahia com a finalidade de propor aos portu-
gueses um tratado de comércio que garantisse ao porto
de Ajuda (Ouidah) a exclusividade de fornecimento de
escravos.

Essa oferta não foi levada em consideração “porque não


convinha que nesta Capitania (Bahia) se reunisse um nú-
mero por demais grande de escravos da mesma Nação
do que poderiam resultar consequências perniciosas”.

13
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E Esses pressentimentos não eram vãos, pois houve, na


B Bahia, inúmeras revoltas: as Haussas, em 1807 – 1813,
O
O seguida das revoltas dos Nagôs Malê, que se deram en-
K tre 1826 e 1835. Eram todos eles Muçulmanos.

A
U As consequências destas sublevações foram limitadas,
L pois outras nações de Negros não seguiram o movimen-
A
to. Tratava-se, aliás, de uma guerra de religião, a “Guerra
0 Santa”, pois se dirigia não somente contra os Senhores
4 Brancos, mas, também contra os negros crioulos, con-
vertidos ao catolicismo, e contra os negros “animistas”.

Amaury Talbot assinala que em “1846, devido à nova


política de livre-escambo e a nova lei sobre o açúcar,
o mercado britânico estava inundado com o açúcar
do Brasil e de Cuba, produzido pela labuta dos es-

14
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

cravos, e que, em consequência o tráfico dos es-


cravos recebeu grande estimulo”.

Este estímulo econômico trouxe cativos Yorubá em


grande numero para o Brasil e para Cuba, que, confor-
me vimos mantinham relações constantes com a Costa
dos Escravos.

Era época das guerras insistentes que Guezo, Rei do


Daomé, movia contra seu vizinho o Rei dos Yorubá, ou-
trora poderoso, mas agora enfraquecido pelas invasões
dos fulani.

Guezo, neste período final de escravidão, fez cativa


toda a nação de Keto, que entre os Nagô-Yorubá era
onde havia o culto ao Orixá Oxóssi. Foi o perfil desta

15
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E nação que marcou intensamente o perfil da religiosidade


B baiana, que recebeu boa parte de tal nação.
O
O
K Além disso, Brasil e Cuba eram os únicos países para
onde ainda era possível enviar prisioneiros de guerra que
A
U se haviam tornado escravos. A escravidão fora abolida
L em toda a América do Sul, com exceção do Brasil, e nas
A
Antilhas, com exceção de Cuba, em Porto Rico. Quase
0 não havia comércio direto com Estados Unidos.
4

16
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

Uma distribuição dos negros por “Nação”, baseada no


contrato de compra e venda de escravos, entre 1838 e
1860, extraídos do arquivo municipal da cidade de Sal-
vador (Bahia), indica as seguintes cifras:

3060 escravos de origem Sudanesa:


Nagô (2049), Djedje(286), Mina(117), Calabar (39), Be-
nim (27) e Cachéu (12).

460 escravos de origem Banto:


Angola (260), Cabinda (65), Congo (48), Benguela (29),
Gabão (5), Cassange (4) e Moçambique (42).

(Os escravos das Nações que embarcavam no Porto da


Costa do Ouro e dos Escravos eram denominados Su-
daneses e os que embarcavam no Porto da Costa de
Angola eram denominados Bantos).

17
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E Estes são os números


B
do ultimo período de
O
O tráfico negreiro, à Bahia.
K
Desta forma fica clara-
A mente explicada a pre-
U
L dominância da Cultura
A Nagô, a língua Yorubá

0 e consequentemente o
4 Culto de Orixá caracte-
rístico na região.

18
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

19
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E
B CAPÍTULO 2
O
O
K

A
DO CULTO
U
L DE NAÇÃO
A
AO CANDOMBLÉ
0
4
POR ALEXANDRE CUMINO

20
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

21
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E O ritual cerimonial dos Nagô (e, em menor grau, o


B dos djedje) é aquele que, na Bahia, melhor conservou
O
O seu caráter africano e influenciou fortemente o das
K outras “Nações”.

A
U Voltando aos batuques aprovados pelo Conde dos
L Arcos, a constituição destas sociedades de diver-
A
timentos teve como resultado mais claro manter o
0 culto às Divindades Africanas. Todos estes Negros
4 haviam sido batizados, mas permaneciam ligados a
suas antigas diferenças. Essas associações lhe per-
mitiam manifestá-las às claras. Suas cantigas e suas
danças, que aos olhos dos Senhores pareciam sim-
ples distrações de negros nostálgicos, eram, na rea-
lidade reuniões nas quais eles evocavam os Deuses
da África.

22
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

Quando o Senhor passava ao lado de um grupo no


qual eram cantadas as forças e o poder vingador de
Xangô, o trovão, ou de Oyá, divindade das tempesta-
des e do rio Níger, ou Obatalá, divindade da criação,
ele perguntava o significado daquelas cantigas, e ima-
gina-se a resposta dos escravos:

“Yoyo, adoramos a nossa maneira e em nossa lín-


gua São Gerônimo, Santa Barbara ou o Senhor do
Bom Fim”.

Cada Orixá havia sido sincretizado por um santo ca-


tólico. Com o tempo houve uma evolução e o sin-
cretismo afro-católico que, originariamente, era ape-
nas máscara, para ocultar o Culto de Orixá, tornou-se
mais sincero. As novas gerações “crioulas” já consi-

23
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E deram que “santo” e “orixá” são um só, que apenas


B o nome muda, mas que, de acordo com o lugar ou
O
O momento, é bom dirigir-se a ele em latim ou em uma
K língua da África. No entanto mais recentemente surgiu
um movimento junto aos Candomblés Baianos para
A
U retirar o sincretismo, desassociar e descristianizar o
L Culto de Matriz Africana. Um dos “slogans” do movi-
A
mento era: “Santa Bárbara não é Iansã”.
0
4 Candomblé é um nome dado na Bahia às cerimônias
Africanas. Ele representa para seus adeptos as tradi-
ções dos seus antepassados vindos de um País dis-
tante, fora de alcance e quase fabuloso. Tratasse de
tradições mantidas com tenacidade, e que lhes de-
ram a força de continuar sendo eles mesmos, apesar
do preconceito e desprezo de que eram objeto suas

24
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

religiões, além da obrigação de adotar a religião de


seus senhores.

O Candomblé torna-os membros de uma coletividade


familiar, espiritual, para a qual são atavicamente pre-
parados.

Essa forma de organização social proporcionava-lhes


uma segurança e uma estabilidade que nem sempre
encontraram em nossa civilização.

Existem poucos países onde os descendentes dos


negros libertos da escravidão tenham conservado,
como na Bahia, o orgulho de origem Africana e não
tenham procurado dar uma impressão de ascensão
social, renegando abertamente suas tradições ado-

25
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E tando aparentemente as da classe dominante.


B
O
O Existe também um sincretismo, associação e relação
K entre Orixás (Nagôs-Yorubá), Voduns (Dgedge) e In-
quices (Angola-Quimbundo), podemos até dizer que
A
U sincretismo entre divindades de diferentes culturas já
L era alço comum em algumas culturas africanas, como
A
a Bantu ou a Dgedge. Os Nagôs são mais fechados e
0 reservados. Por isso talvez os outros é que se “acul-
4 turaram” com seus valores. Na falta de culto as divin-
dades Vodum ou Inquice, logo os mesmos já iden-
tificavam os mesmos por meio de Orixás análogos,
crendo ser o mesmo com nomes diferentes. Vejamos
abaixo uma tabela de comparação e assimilação dos
mesmos:

26
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

DJEJE Angolano Nagôs


(DIVINDADE = VODUM) (DIVINDADE = INQUICE) (DIVINDADE = ORIXÁ)

Legbá Aluvaiá Exu

Gu Nkosi-Mukumbe Ogum

Sapata Kaviungo Omulu

Hoho Vunji Ibeji

Age Kabila Oxossi

Sobo Nzaze-Loango Xangö

Aziri Kisimbi Oxum

Lisa Lemba Oxala

Dan Angorö Oxumaré

Manú (Deus) Zambi (Deus) Olorum (Deus)

27
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E Bibliografia: Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns


B (Pierre Verger / Edusp), Orixás (Pierre Verger / Corru-
O
O pio), O Candomblé da Bahia (Roger Bastide / Compa-
K nhia das Letras), Os Nagô e a Morte (Joana Elbein dos
Santos / Editora Vozes)
A
U
L Obs.: As cerimonias africanas são denominadas
A
macumba no Rio de Janeiro, candomblé, na Bahia,
0 xangô no Recife, tambor de mina em São Luiz do
4 Maranhão. Consultar, sobre estas questões, os
trabalhos de Manuel Querino, Nina Rodrigues, Ar-
tur Ramos, Édison Carneiro, Donald Pierson, Gon-
çalves Fernandes e Roger Bastide. Nota de Pierre
Verger.

28
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

29
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E
B CAPÍTULO 3
O
O
K

A GEOGRAFIA
DOS ORIXÁS
U
L
A

0
4
AUTORIA DESCONHECIDA

30
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

31
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E Não costumo me servir de nada que tenha autoria


B desconhecida, no entanto considero este texto muito
O
O bom, e teria o maior prazer em reconhecer a autoria
K do mesmo (Alexandre Cumino):

A
U Se na África o culto dos orixás está circunscrito a de-
L terminadas regiões ou cidades, no Brasil a coisa foi
A
totalmente diferente. Lá, existe uma localidade espe-
0 cificamente destinada ao culto de determinada divin-
4 dade, contendo a mesma história, sua origem, seus
mitos, e seus ritos. Assim, Ifé, na Nigéria é o centro
da criação para o mundo nagô-iorubá, é a capital do
mundo mítico e mágico negro, é o Iluaiye de que tanto
falam os negros da diáspora. Em Ile-Ife está o culto a
Oduduwa, fundador dos povos iorubás, assim como
Obatala ou Osala, o Deus que criou o homem. Em

32
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

Oyo está Sango, que foi seu quarto rei e é o deus do


fogo e do trovão, sendo um dos seus antecessores, o
seu pai Oranyan, que foi o primeiro rei de Oyo.

Em Ire, Ogun, deus do ferro e da guerra, invadiu o


dominou a cidade tornando-se rei com o nome de
Ogun Onire. Em Abeokuta corre a tradição de lá ter
nascido Yemoja, bem como a de que Oyo ou Iansã
para os brasileiros, ter nascido em Ira. Er inlé, mais
conhecido como Inlé e Ibualama, tem o seu culto em
Ilobu, além de ter o rio com seu nome. De Ilesa re-
cebemos grande herança. De lá veio o culto a Logun
Edé, cujo sacerdote mais velho e mais importante do
Brasil é o babalorisa Eduardo Mangabeira, popular-
mente conhecido como Eduardo Ijesa, hoje com 99
anos de idade. De Ikija, perto de Ijebu surgiu Ososi,

33
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E que veio a ser o primeiro rei de Ketu, cidade que de-


B pois foi dominada, destruída e anexada ao Dahomey,
O
O hoje República Popular de Benin.
K
De seu culto nada mais resta a não ser na diáspo-
A
U ra, especificamente na Bahia. Osun tem o seu culto
L principal em Osogbo, além das cidades de Oboto,
A
Akpara, Ipetu, Ijimu, dentre outras. Osala andou mui-
0 to. Saiu de Ife peregrinando por diversas regiões, to-
4 mando nomes diferentes, ao tempo em que se torna
rei dos referidos locais. Em Ejigbo tomou o nome de
Osagiyan, em Ifon, Orisa Olofun e assim por diante.
Também chegou até a Bahia o culto a Iya Mapo, pa-
trona da vagina, por ser através dela que todos os
seres humanos vêm ao mundo, daí a sua sacraliza-
ção. Iya Mapo é muito venerada e cultuada em Igbeti.

34
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

Existe um itan Ifa ( história de Ifa), pertencente ao odu


Osa Meji (10), que conta como foi colocada a vagina
no devido lugar da mulher, até então colocada em vá-
rios lugares do corpo, menos no que é hoje. Para isso
estiveram envolvidos não só o Odu osa meji, mas tam-
bém Esu e Iyami Osoronga, num ebó feito com duas
bananas e um pote, cabendo a Esu a sua localização
atual, bem como a do pênis do homem do qual Esu é
o dono. Quem viaja pela Nigéria, encontrará enormes
pênis esculpidos em pedra pelas estradas, em reve-
rência a Esu. Na Bahia, o Esu da porteira do Ase Ile
Opo Aganju é assentado com grande pênis esculpido
em madeira [...]

[...] Nos rios se fazem oferendas e ritos para Osun,


divindade do rio Osun, com cerimônias nas suas mar-

35
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E gens, em Osogbo. Yemoja, no rio Ogun, Yewa no rio


B Yewa, Erinle, no rio Erinle. No mar, Iya Olokun, que
O
O é sua dona, tem o seu rito como na Nigéria, onde
K existem esculpidas suas cabeças. Na Bahia se de-
vota grande respeito a essa divindade. Não se entra
A
U no mar sem lhe saudar e pedir licença, dizendo: Iya
L Olokun to to hun, Iya Olokun gba mi o, Iya Olokun
A
ago “Mãe Olokun extremamente respeitada, Mãe
0 Olokun me valha, Mãe Olokun licença”, após o que
4 se entrar no mar... As ruas, os caminhos, as encruzi-
lhadas pertencem a Esu. Nesses lugares se invoca a
sua presença, fazem-se sacrifícios, arreiam-se oferen-
das e se lhe fazem pedidos [...]

36
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

37
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E
B CAPÍTULO 4
O
O
K
SOU
ZELADOR
A
U
L

DE SANTO
A

0
4
UM DOS MAIS RESPEITADOS PAIS-DE-
-SANTO DO BRASIL, AGENOR MIRAN-
DA ROCHA EMITE OPINIÕES CORAJO-
SAS SOBRE O CANDOMBLÉ.
por Gladys P imentel

38
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

39
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E A reabertura dos terreiros de candomblé no feriado


B religioso de Corpus Christi traz, todo ano, à Bahia um
O
O dos mais queridos e respeitados sacerdotes do povo
K de santo, o oluwô (dono dos segredos) Agenor Miran-
da Rocha, 93 anos. No último dia 13, ele se dividiu na
A
U tríplice jornada de visitar o Gantois, a Casa Branca e
L o Ilê Axé Opô Afonjá. 
A

0 Poeta, intelectual, escritor, cantor lírico e educador, ele


4 é o responsável pelo jogo que indica os representan-
tes na sucessão para as grandes casas de candom-
blé da Bahia. Foi seu jogo que nomeou mãe Stella,
para o Opô Afonjá, e Tatá, para a Casa Branca. Pelo
apartamento de pai Agenor, no Rio, passam, diaria-
mente, dezenas de pessoas, incluindo artistas globais
e políticos, que confiam a vida ao seu jogo de búzios. 

40
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

Natural de Angola, pai Agenor veio para a Bahia com


5 anos de idade. Ainda criança, recebeu, de Eugê-
nia Ana dos Santos, mãe Aninha, a vocação para o
candomblé. A vida do oluwô já foi registrada em um
livro, de Diógenes Rebouças Filho (Pai Agenor, editora
Corrupio, 1997), e, agora, será tema do documentá-
rio Um Vento Sagrado, com roteiro e direção de Wal-
ter Pinto Lima e Carlos Vasconcelos Dominguez (este,
morto no ano passado). 

Nesta entrevista, concedida no último dia 16, antes


de voltar para o Rio de Janeiro, pai Agenor fala sobre
sua concepção de candomblé, critica o sacrifício de
animais, o jogo cobrado e a grande exposição que a
religião ganhou atualmente.

41
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E P - Quando e como surgiu sua vocação para pai-


B -de-santo?
O
O R - Não sou pai-de-santo, sou zelador-do-santo. O
K santo é que é meu pai. Eu acho esta nomenclatura
(pai-de-santo) muito errada. Eu zelo. 
A
U P - Qual é a diferença?
L R - Se eu sou pai-de-santo, o santo é propriedade.
A
Para mim, os orixás são fragmentos da natureza. Cada
0 orixá tem encantado um fator natural: Iansã, no vento;
4 Iemanjá, no mar; Oxóssi, nas matas, caçando; Ogum,
desbravando estradas. Então, como eu posso ser pai
deles? Quero que me chame de zelador. Pai, não. O
zelador trata dos orixás, faz, todas as semanas, uma
obrigação, que se chama ossé. Fazer ossé aos orixás
é limpá-los, cuidá-los. 
P - Como o senhor vê, então, a utilização da no-

42
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

menclatura pai-de-santo pelo candomblé?


R - Eu já encontrei isso quando fiz santo. Eu é que não
me sinto bem em dizer que sou pai-do-santo. Para
eles (algumas pessoas do candomblé), é uma glória
dizer isso. 
P - Voltando à sua vocação para zelador-de-santo,
quando e como ela surgiu?
R - Eu tinha 5 anos. Na verdade, não fui eu quem pro-
curou o candomblé, o candomblé é que me procurou.
Minha família era toda católica, apostólica, romana,
nunca “assistiu” a um candomblé. Nasci em Ruanda,
capital de Angola. Vim para a Bahia com 5 anos. A vo-
cação surgiu desde que eu nasci. Um africano disse
isso para minha mãe antes do meu nascimento. Ela
não acreditou, mas ele acertou em tudo.
Ela me esperava para outubro, ele disse que era para

43
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E setembro. Eu nasci no dia 8 de setembro de 1907.


B Disse que eu ia trazer uma mancha vermelha na ca-
O
O beça. Eu trouxe. Quando chegamos aqui, na Bahia,
K eu fiquei para morrer. Os médicos desenganaram-me.
Minha mãe Aninha, a que fundou o Axé Opô Afonjá,
A
U fez o jogo e disse que eu não tinha nada, que era o
L orixá que iria ser feito. Fez-se o orixá, em 1912, e eu
A
estou aqui. 
0 P - O senhor ocupa um dos mais altos postos no
4 candomblé. Como atua um oluwô?
R - A mando dos orixás. Sem alarde e sem vaidade.
Na realidade, o magistério é que foi minha carreira.
Trabalhei no magistério 47 anos, e saí com pena. Eu
nunca vivi do santo. Eu vivo para o santo. Até meu
jogo de búzios, nunca cobrei. Não cobro, porque eu
duvido um pouco dessa caridade cobrada. Ela deixa

44
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

de ser caridade quando é cobrada. Eu sou feliz, os


orixás me deram essa missão, mas me deram tam-
bém uma profissão. Então, não há necessidade de eu
cobrar. 
P - Nesses seus 93 anos, houve algum fato, algu-
ma experiência que o marcou? No candomblé, por
exemplo?
R - Diversos. Teve um episódio na minha casa, no
Leme, no Rio, em 1947. Eu sonhei com Xangô me di-
zendo que estava segurando a casa até eu me mudar,
pois a casa iria desabar. Eu mudei às 5 horas. Às 7
horas, a casa desabou. Então, eu tenho que ter amor
aos orixás. Não posso vendê-los, me aproveitar. 
P - Na Bahia do Senhor do Bonfim, o sincretismo
religioso está muito presente. Qual a sua opinião
sobre o sincretismo, considerando que o senhor é

45
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E um zelador-de-santo, filho de pais católicos?


B R - Não há crime nenhum no sincretismo, porque, se
O
O não fosse o sincretismo, não haveria candomblé hoje.
K Essa é que é a verdade. As mães-de-santo e os pais-
-de-santo não querem o sincretismo. Mas tem que
A
U haver. Se não fosse o sincretismo, como é que o can-
L domblé iria sobreviver até hoje? Teria morrido. Agora,
A
eles não gostam quando eu falo isso. Mas eu falo o
0 que sinto. Não falo pelos outros, falo por mim. 
4 P - O senhor é devoto de Santo Antônio e de São
Francisco de Assis e vai sempre à cidade de As-
sis, na Itália, venerar São Francisco. Como é que o
senhor lida com isso dentro do candomblé? Existe
preconceito?
R - Se há preconceitos, é com eles. Eu sou eu. Nunca
tive conflito. E, agora, tem mais uma coisa: eu sou do

46
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

santo, católico e espírita. Assim como na família: nem


todos são iguais, mas convivem bem. Não é isso? É
uma questão de fé. 
P - Qual a diferença do candomblé do passado
para o candomblé atual?
R - Bom, eu costumo, numa frase, mostrar: eu sou
do candomblé de morim (pano de algodão muito fino
e branco). Hoje, é candomblé de lamê (plumas, lante-
joulas). Parece uma escola de samba. 
P - O sacrifício de animais, um dos ritos mais co-
muns e simbólicos do candomblé, é contestado
pelo senhor. Por quê?
R - Acho que é uma maldade. Os orixás, que são frag-
mentos da natureza, precisam de sangue? Matar os
animais que representam a natureza? Matar, além de
tudo, com uma faca, devagarinho, com cantiga, até

47
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E chegar em uma palavra para tirar a cabeça do bicho.


B Não dá! Sou contra a matança. Na vida, tudo evolui
O
O com o tempo. O candomblé podia ter evoluído um
K pouquinho, ser mais moderado. O candomblé, hoje,
é um luxo. 
A
U
L Obs.: O texto na íntegra se encontra no site:
A
www.corrupio.com.br/pai_agenor_entrevista.htm

0
4 Nesta mesma época em que foi feita a entrevista para
o “Jornal da Tarde - 24/06/2001” realizou-se um do-
cumentário sobre a vida de Agenor Miranda, intitu-
lado “Um Vento Sagrado”. O filme traz depoimentos
de personalidades, como o cantor Gilberto Gil e o es-
critor Muniz Sodré.
Obs.: Fotografias cedidas por Maria Inez Couto de Almeida, amiga particular
de Agenor Miranda.

48
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

49
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E
B CAPÍTULO 5
O
O
K

A
U
BIOGRAFIA DE
L
A ALLAN KARDEC
0
4
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Allan_Kardec

50
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

51
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, 3 de outu-


B bro de 1804 — Paris, 31 de março de 1869) teve
O
formação acadêmica em matemática e pedagogia, in-
O
K teressando-se mais tarde pela física, principalmente o
magnetismo. Como escritor, dedicou-se à tradução e
A à elaboração de obras de cunho educacional. Sob o
U
pseudônimo de Allan Kardec, notabilizou-se como o
L
A codificador do Espiritismo, também denominado de
Doutrina Espírita.
0
4
O pseudônimo “Allan Kardec”, segundo biografias,
foi adotado pelo Prof. Rivail a fim de diferenciar a Co-
dificação Espírita dos seus trabalhos pedagógicos
anteriores. Segundo algumas fontes, o pseudônimo
foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam
vivido juntos entre os druidas, na Gália, e que então o
Codificador se chamava “Allan Kardec”.

52
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

A JUVENTUDE E A
ATIVIDADE PEDAGÓGICA

Nascido numa antiga família de orientação católica


com tradição na magistratura e na advocacia, desde
cedo manifestou propensão para o estudo das ciên-
cias e da filosofia.

Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Cas-


telo de Zahringenem, em Yverdon-les-Bains, na Suíça
(país protestante), tornando-se um dos seus mais dis-
tintos discípulos e ativo propagador de seu método,
que tão grande influência teve na reforma do ensino
na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de ida-
de já ensinava aos seus colegas menos adiantados.
Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou

53
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua


B alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de
O
O educação e de moral, com destaque para as obras de
K François Fénelon, pelas quais manifestava particular
atração.
A
U
L Era membro de diversas sociedades, entre as quais
A
da Academia Real de Arras, que, em concurso pro-
0 movido em 1831, premiou-lhe uma memória com o
4 tema “Qual o sistema de estudos mais de harmonia
com as necessidades da época?”.

A 6 de fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabriel-


le Boudet.
Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta
para uma maior democratização do ensino público.

54
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua


de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Ana-
tomia comparada, Astronomia e outros. Nesse perío-
do, preocupado com a didática, criou um engenhoso
método de ensinar a contar e um quadro mnemônico
da História de França, visando facilitar ao estudante
memorizar as datas dos acontecimentos de maior ex-
pressão e as descobertas de cada reinado do país.
Publicou diversas obras sobre educação.

DAS MESAS GIRANTES


À CODIFICAÇÃO

Conforme o seu próprio depoimento, publicado em


Obras Póstumas, foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu
falar pela primeira vez do fenômeno das “mesas gi-

55
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E rantes”, bastante difundido à época, através do seu


B amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Sem
O
O dar muita atenção ao relato naquele momento, atri-
K buindo-o somente ao chamado magnetismo animal
de que era estudioso, só em maio de 1855 sua curio-
A
U sidade se voltou efetivamente para as mesas, quando
L começou a frequentar reuniões em que tais fenôme-
A
nos se produziam.
0
4 Convencendo-se de que o movimento e as respos-
tas complexas das mesas deviam-se à intervenção
de espíritos, Rivail dedicou-se à estruturação de uma
proposta de compreensão da realidade baseada na
necessidade de integração entre os conhecimentos
científico, filosófico e moral, com o objetivo de lançar
sobre o real um olhar que não negligenciasse nem o

56
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

imperativo da investigação empírica na construção


do conhecimento, nem a dimensão espiritual e inte-
rior do Homem. Adotou, nessa tarefa, o pseudôni-
mo que o tornaria conhecido: Allan Kardec.

Tendo iniciado a publicação das obras da Codifica-


ção em 18 de abril de 1857, quando veio à luz O Li-
vro dos Espíritos, considerado como o marco de fun-
dação do Espiritismo, após o lançamento da Revista
Espírita (1 de janeiro de 1858), fundou, nesse mes-
mo ano, a primeira sociedade espírita regularmente
constituída, com o nome de Sociedade Parisiense
de Estudos Espíritas.

57
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E OS ÚLTIMOS
B
O ANOS
O
K
Kardec passou os anos finais da sua vida dedicado
A à divulgação do Espiritismo entre os diversos simpa-
U tizantes, e a defendê-lo dos opositores. Faleceu em
L
Paris, a 31 de março de 1869, aos 64 anos (65 anos
A
incompletos) de idade, em decorrência da ruptura de
0 um aneurisma, quando trabalhava numa obra sobre
4
as relações entre o Magnetismo e o Espiritismo, ao
mesmo tempo em que se preparava para uma mu-
dança de local de trabalho.

Está sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, uma


célebre necrópole da capital francesa. Junto ao túmu-
lo, erguido como os dólmens druídicos, acima de sua

58
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

tumba, seu lema: “Nascer, morrer, renascer ainda e


progredir sem cessar, tal é a lei”, em francês.

Assinatura de Allan Kardec.

59
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E
B CAPÍTULO 6
O
O
K

A
U O ESPIRITISMO
L
A É UMA RELIGIÃO?
0
4
POR ALEXANDRE CUMINO

60
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

61
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E Kardec foi muito indagado sobre essa questão, e deu


B sua resposta na Sociedade Parisiense de Estudos Es-
O
O píritas, em 1o de Novembro de 1868, conforme nos
K é apresentado no livro Instruções de Allan Kardec ao
Movimento Espírita da Editora FEB, p. 487-495. Abai-
A
U xo coloco apenas o cerne de sua exposição, onde fica
L clara a posição delicada de Kardec sobre o assunto:
A
Todas as reuniões religiosas, seja qual for o culto a
0 que pertençam, são fundadas na comunhão de pen-
4 samentos; com efeito, é aí que podem e devem exer-
cer sua força, porque o objetivo deve ser a libertação
do pensamento das amarras da matéria. Infelizmente,
a maioria se afasta desse princípio à medida que a
religião se torna uma questão de forma. Disso resulta
que cada um, fazendo seu dever consistir na realiza-
ção da forma, se julga quite com Deus e com os ho-

62
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

mens, desde que praticou uma fórmula. Resulta ainda


que cada um vai aos lugares de reuniões religiosas
com um pensamento pessoal, por sua própria conta
e, na maioria das vezes, sem nenhum sentimento de
confraternidade em relação aos outros assistentes;
fica isolado em meio à multidão e só pensa no céu
para si mesmo.

Por certo, não era assim que o entendia Jesus, ao


dizer: “Quando duas ou mais pessoas estiverem reu-
nidas em meu nome, aí estarei entre elas.”...

(...) Dissemos que o verdadeiro objetivo das assem-


bleias religiosas deve ser a comunhão de pensamen-
tos; é que, com efeito, a palavra religião quer dizer
laço. Uma religião, em sua acepção larga e verdadei-

63
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E ra, é um laço que religa os homens numa comunhão


B de sentimentos, de princípios e de crenças; consecu-
O
O tivamente, esse nome foi dado a esses mesmos prin-
K cípios codificados e formulados em dogmas ou arti-
gos de fé...
A
U
L (...) O laço estabelecido por uma religião, seja qual for
A
o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga
0 os corações, que identifica os pensamentos, as aspi-
4 rações, e não somente o fato de compromissos ma-
teriais, que se rompem à vontade, ou da realização de
fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito.
O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os
que ele une, como consequência da comunhão de
vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidarie-
dade, a indulgência e a benevolência mútuas. É nesse

64
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

sentido que também se diz: a religião da amizade, a


religião da família.

Se é assim, perguntarão então, o Espiritismo é uma


religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores! No sentido
filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos van-
gloriamos por isso, porque é a doutrina que funda os
vínculos da fraternidade e da comunhão de pensa-
mentos, não sobre uma simples convenção, mas so-
bre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza.
Por que, então, temos declarado que o Espiritismo
não é uma religião? Em razão de não haver senão
uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e
que, na opinião geral, a palavra religião é insepará-
vel da de culto; porque desperta exclusivamente uma
ideia de forma, que o espiritismo não tem. Se o Espi-

65
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E ritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí


B mais que uma nova edição, uma variante, se se qui-
O
O ser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma
K casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de
cerimônias e de privilégios; não o separaria das ideias
A
U de misticismo e dos abusos contra os quais tantas
L vezes a opinião se levantou.
A

0 Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma


4 religião, na acepção usual da palavra, não podia nem
deveria enfeitar-se com um título sobre cujo valor ine-
vitavelmente se teria equivocado. Eis por que simples-
mente se diz: DOUTRINA FILOSÓFICA E MORAL.

As reuniões espíritas podem, pois, ser feitas religiosa-


mente, isto é, com o recolhimento e o respeito que com-

66
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

porta a natureza grave dos assuntos de que se ocupa;


pode-se mesmo, na ocasião, aí fazer preces que, em
vez de serem ditas em particular, são ditas em comum,
sem que, por isso, sejam tomadas por assembleias reli-
giosas. Não se pense que isso seja um jogo de palavras;
a nuança é perfeitamente clara, e a aparente confusão
não provém senão da falta de uma palavra para cada
ideia...

67
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E
B CAPÍTULO 7
O
O
K

A
U ESPIRITISMO
E UMBANDA
L
A

0
4
POR ALEXANDRE CUMINO

68
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

69
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E Kardec é cientista e pesquisador, um homem do mun-


B do moderno-positivista, para quem a magia represen-
O
tava algo atrasado com relação à religião, e esta atra-
O
K sada com relação à ciência.1

A É dessa forma que surgem alguns pontos de confli-


U
to entre kardecismo e Umbanda, e que alguns dos
L
A “Espíritas Ortodoxos” usam para recriminar a prá-
tica umbandista, ou simplesmente para salientar sua
0 condição oposta aos preceitos de Kardec.
4

Coloco abaixo algumas passagens da obra de Kardec


que não se enquadram na prática da religião de Um-
banda, principalmente no que diz respeito à Magia,
como bem ilustrou Leal de Souza, começando pelo
livro O que é o Espiritismo:

1 Veja o Anexo “O Espiritismo é uma Religião?”

70
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de ob-


servação e uma doutrina filosófica. Como ciência práti-
ca ele consiste nas relações que se estabelecem entre
nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as
consequências morais que dimanam dessas mesmas
relações.

Podemos defini-lo assim:


O Espiritismo é uma ciência2 que trata da natureza, ori-
gem e destino dos Espíritos, bem como de suas rela-
ções com o mundo corporal. (p.55)

Todas as religiões são necessariamente fundadas sobre


o espiritualismo. Aquele que crê que em nós existe outra
coisa, além da matéria, é espiritualista, o que não impli-
2 É considerado ciência a aplicação de um método ao estudo de
certo objeto.

71
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E ca crença nos Espíritos e nas suas manifestações...


B
O
O Para novas coisas são necessários termos novos, quan-
K do se quer evitar equívocos. Se eu tivesse dado à minha
Revista a qualificação de espiritualista, não lhe teria es-
A
U pecificado o objeto, porque, sem desmentir-lhe o título,
L bem poderia nada dizer nela sobre os Espíritos, e até
A
combatê-los...
0
4 Se adotei os termos espírita, espiritismo, é porque eles
exprimem, sem equívoco, as idéias relativas aos Espíri-
tos.
Todo espírita é necessariamente espiritualista, mas nem
todos os espiritualistas são espíritas. (p.74)
Longe de fazer reviver a feitiçaria, o Espiritismo a aniqui-
la, despojando-a do seu pretenso poder sobrenatural,

72
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

de suas fórmulas, engrimanços, amuletos, e talismãs,


e reduzindo a seu justo valor os fenômenos possíveis,
sem sair das leis naturais. (p.116)3

Vejamos algumas considerações do O Livro dos Es-


píritos:

551. Pode um homem mau, com o auxílio de um mau


Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próxi-
mo?
“Não; Deus não o permitiria.”

553. Que efeito podem produzir as fórmulas e prática


mediante as quais pessoas há que pretendem dispor do
concurso dos Espíritos?

3 O que é o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2006.

73
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E “O efeito de torná-las ridículas, se procedem de boa-fé.


B No caso contrário, são tratantes que merecem castigo.
O
O Todas as fórmulas são mera charlatanaria. Não há pa-
K lavra sacramental nenhuma, nenhum sinal cabalístico,
nem talismã, que tenha qualquer ação sobre os Espíri-
A
U tos, porquanto estes só são atraídos pelo pensamento
L e não pelas coisas materiais.”
A

0 a) – Mas, não é exato que alguns Espíritos têm ditado,


4 eles próprios, fórmulas cabalísticas?
“Efetivamente, Espíritos há que indicam sinais, palavras
estranhas, ou prescrevem a prática de atos, por meio
dos quais se fazem chamados conjuros. Mas, ficai cer-
tos de que são espíritos que de vós outros escarnecem
e zombam da vossa credulidade.”4

4 O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 2006.

74
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

Estas considerações são um contraponto, para que não


se confunda Umbanda com Espiritismo (“Kardecismo”),
embora tenham muitas semelhanças e pontos em co-
mum. “Kardecismo” é origem para Umbanda de mesmo
nível e respeito que suas outras origens. Kardecismo é
raiz para Umbanda, assim como Judaísmo para Cristia-
nismo, no entanto Umbanda não tem apenas esta raiz.
Kardec, quando questionado, de forma direta, se espiri-
tismo é religião, afirma que “formalmente não” mas “ide-
ologicamente sim”.5

EXU E ESPIRITISMO
Faço esse adendo no Material de Apoio deste Curso
Virtual apenas porque muito se questiona se há Exus
trabalhando nas lidas espíritas. É preciso que fique

5 Veja Espiritismo é religião?

75
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E claro que o nome “Exu” é algo empregado na Um-


B banda para definir os “Guardiões do Templo” e “Guar-
O
O diões Pessoais”, entidades que trabalham em todas
K as religiões. Embora haja Guardiões dedicados a esta
ou aquela religião, também há aqueles que militam
A
U em mais de uma religião, e também guardiões pesso-
L ais que acompanham seus médiuns onde eles forem.
A
Logo, o fato de observarmos guardiões no espiritismo
0 não nos dá o direito de chamá- los de “Exus”, pois
4 essa é nossa forma de identificá-los. Assim, vejamos
a presença de alguns deles na literatura espírita, e que
se fosse em ambiente de Umbanda não restaria dúvi-
da de sua identidade.

Vou me limitar apenas a transcrever alguns trechos de


livros da série “Nosso Lar” de André Luiz, psicografa-

76
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

do por Chico Xavier.

TÍTULO AÇÃO E REAÇÃO (PG. 62):


De súbito, um companheiro de alto porte e rude as-
pecto apareceu e saudou-nos da diminuta cancela,
que nos separava do limiar, abrindo-nos passagem.
Silas no-lo apresentou, alegremente. Era Orzil, um dos
guardas da mansão, em serviço nas sombras. A bre-
ves instantes, achávamo-nos na intimidade de pouso
tépido.
Aos ralhos do guardião dois dos seis grandes cães
acomodaram-se junto de nós, deitando-se-nos aos
pés. Orzil era de constituição agigantada, figurando-
-se-nos um urso em forma humana. No espelho dos
olhos límpidos mostrava sinceridade e devotamento.
Tive a nítida ideia de que éramos defrontados por um

77
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E penitenciário confesso, a caminho da segura regene-


B ração.
O
O
K TÍTULO NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE (PG.53):
Três guardas espirituais entraram na sala, conduzindo
A
U infeliz irmão ao socorro do grupo.
L
A
TÍTULO NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE (PG.251):
0 Apenas o irmão Cássio, um guardião simpático e ami-
4 go, de quem o assistente nos aproximou, demonstra-
va superioridade moral.

Podemos encontrar muitas outras referências em outros


títulos espíritas, para não nos alongarmos na questão
cito apenas um título do autor espiritual J.R.Rochester,
que se é polêmico no entanto tornou-se um clássico,

78
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

Os Magos (Ed. Boa Nova). Nessa obra encontramos


um certo “Abin-ari”, espírito sem luz que vive de retirar
de nosso meio os espíritos rebeldes e “larvais” que se
voltam contra a humanidade, e para tal ele usa como
ferramenta um tridente. O mais curioso é que esse livro
foi psicografado na Rússia no final do século XIX, pouco
antes de surgir a Umbanda no Brasil.

79
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E
B CAPÍTULO 8
O
O
K

A
U A NATUREZA
DO SER
L
A

0
4
POR ALEXANDRE CUMINO

80
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

81
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E Através de um estudo profundo realizado no astral, é


B que nos chega a conclusão de que, ao contrário do
O
que muitos pensam, os espíritos trazem em si carac-
O
K terísticas intrínsecas, de naturezas masculina ou fe-
minina, podendo eventualmente encarnar em corpos
A que não são afins com sua natureza, para reequilibro,
U
em outras palavras “aprender o que é do outro sexo”,
L
A ou encarnações missionárias programadas e previs-
tas... E aí reside o fato de homens terem como “Orixá
0 Ancestral” (não é o Orixá de frente logo localizado
4
dentre os trabalhos de Umbanda) um Orixá masculino
e mulheres um feminino... O que é verificado e expli-
cado nas obras de Rubens Saraceni e no texto de
André Luiz (Evolução em Dois mundos pg137 e 189)
abaixo:

Pg.137 - ORIGEM DO INSTINTO SEXUAL – Todas as

82
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

nossas referências a semelhantes peças do trabalho bio-


lógico, nos reinos da Natureza, objetivam simplesmente
demonstrar que, além da trama de recursos somáticos,
a alma guarda sua individualidade sexual intrínseca, a
definir-se na feminilidade ou na masculinidade, confor-
me os característicos acentuadamente passivos ou cla-
ramente ativos que lhe sejam próprios.

A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no


veiculo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua
estrutura complexa.

Pg.189 - COMO SE INICIOU A DIFERENCIAÇÃO DOS


SEXOS? - Os princípios espirituais, nos primórdios da
organização planetária, traziam, na constituição que lhes
era própria, a condição que podemos nomear por “teor
de força”, expressando qualidades predominantemen-

83
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E te ativas ou passivas. E entendendo-se que a evolução


B é sempre sustentada pelas inteligências superiores, em
O
movimentação ascendente, desde as primeiras horas
O
K que a reprodução sexuada começou, sob a direção de-
las, a formação dos órgãos masculinos e femininos que
A culminaram morfologicamente nas províncias genésicas
U
do homem e da mulher da atualidade...
L
A
Agora, dentro do contexto Umbandista, nas obras “Gê-
0
nese Divina de Umbanda Sagrada”, “Orixás Ances-
4
trais” e “Doutrina e Teologia de Umbanda” (p. 75 e 90)
a origem do ser é explicada de forma detalhada e racio-
nal, onde nos são apresentados os sete planos da vida,
e a evolução do ser, que desde sua origem, sua centelha
original (a estrela da vida), já apresenta natureza mas-
culina ou feminina, passiva ou ativa. Onde aparece um
“Orixá Ancestral” dominante que pode ser Masculino ou

84
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

Feminino, em concordância com a natureza do ser, e ou-


tro “Orixá Ancestral” recessivo, que juntos formam o ca-
sal de Orixás que sempre nos acompanharam e sempre
acompanharão em todas as nossas encarnações, pois
são o “Pai” e a “Mãe” que nos qualificaram antes mesmo
de adentrarmos no ciclo reencarnacionista, quanto ao
“Pai de cabeça” e “Mãe de cabeça”, “Orixá de Frente”,
a cada encarnação é um que assume, dependendo do
que mais precisamos absorver da divindade naquela en-
carnação, o que denota um comportamento passivo ou
ativo por parte das entidades em evolução que estagiam
nesses planos.

Com relação a esse assunto, peço leitura e paciência,


teremos uma aula dedicada para tal, assim como tere-
mos uma aula para explicar Orixá de Frente, Ancestre e
Juntó.

85
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E
B CAPÍTULO 9
O
O
K

A
U DIVINDADES E
ESPIRITISMO
L
A

0
4
POR ALEXANDRE CUMINO

86
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

87
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E O assunto Orixá é complexo, e como Divindades de


B Deus ainda no contexto kardecista também encontra-
O
remos texto de André Luiz, no livro Evolução em Dois
O
K Mundos (Pg.21):

A
“CO-CRIAÇÃO EM PLANO MAIOR – Nessa subs-
U
L tância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo,
A operam as inteligências Divinas a ele agregadas em
processo de comunhão indescritível, os grandes De-
0
4 vas da teologia hindu ou os arcanjos da interpretação
de variados templos religiosos, extraindo deste hálito
espiritual os celeiros da energia com que constroem
os sistemas da imensidade, em serviço de Co-criação
em plano maior, em conformidade com os desígnios
do Todo Misericordioso, que faz deles agentes orien-
tadores da Criação Excelsa.

88
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

Essas Inteligências Gloriosas tomam o plasma Divino


e convertem-no em habitações Cósmicas, de múlti-
plas expressões, radiantes ou obscuras, gaseificadas
ou sólidas, obedecendo a Lei pré- determinada, quais
moradias que perduram por milênios e milênios, mas
que se desgastam e se transformam, por fim de vez
que o espírito criado pode formar ou Co-criar, mas só
Deus é o Criador de toda a eternidade.”

Creio que nesse texto Kardecista encontramos ele-


mentos que nos ajudam a entender as “Divindades”,
que em comunhão com o Criador resumem parte do
que entendemos por “Orixás”.

Um abraço a todos, de seu irmão Alexandre Cumino.

89
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E
B CAPÍTULO 10
O
O
K

A
U UMBANDA
é ou não é?
L
A

0
4
POR ALEXANDRE CUMINO

90
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

91
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

UMBANDA É!
E
B
O
O
K “Umbanda é a manifestação do espírito
para a pratica da caridade”
A (Caboclo das Sete Encruzilhadas)
U
L
A “Umbanda é Fé, Amor e Caridade”
(Caboclo das Sete Encruzilhadas)
0
4
“Umbanda é aprender com os mais evolu-
ídos e ensinar aos menos evoluídos”
(Caboclo das Sete Encruzilhadas)

“Umbanda é UM, a unidade do Todo, e


BANDA, nós suas partes.”
(Zélio de Moraes)

92
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

“Umbanda é a escola da vida”


(Caboclo Mirim)

“Umbanda é coisa séria para gente séria”


(Caboclo Mirim)

“Umbanda é religião, como qualquer ou-


tra, mas com fundamentos próprios”
(Rubens Saraceni)

“Umbanda é acima de tudo trabalho espi-


ritual”
(Rubens Saraceni)

“Umbanda é Fé, Amor, Conhecimento,


Justiça, Lei, Evolução e Geração”
(Rubens Saraceni)

93
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E “Umbanda é sinônimo de Curador, Sacer-


B dote e Médium”
O
O (Rubens Saraceni)
K
“Umbanda é o ritual do culto à natureza”
A
(Rubens Saraceni)
U
L
A “Umbanda é religião portanto só pode pra-
ticar única e exclusivamente o bem”
0
(Alexandre Cumino)
4

94
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

UMBANDA NÃO É!
Trabalhos espirituais financeiramente cobrados.
NÃO É UMBANDA!!!

Assédio moral, sexual ou comportamento


promiscuo.
NÃO É UMBANDA!!!

Falta de ética ou desrespeito aos que procuram


amparo espiritual.
NÃO É UMBANDA!!!

Trabalhos de amarração e outros similares.


NÃO É UMBANDA!!!

95
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

E Promessas de milagre, emprego ou solução


B material.
O
NÃO É UMBANDA!!!
O
K
Atalhos para evolução e iluminação, sem traba-
A lho espiritual.
U
L NÃO É UMBANDA!!!
A
Culto ao ego, vaidade ou personalidade.
0
NÃO É UMBANDA!!!
4

96
Pense bem antes de imprimir!
AULA 04 - O QUE NÃO É UMBANDA

CONCLUSÃO
UMBANDA é uma religião que prega as mesmas ver-
dades e busca a mesma paz de espírito que todas as
outras religiões. Em suas práticas o bom senso, o
respeito e a ética são conceitos tão validos e impor-
tantes quanto em qualquer outro segmento espiritual.

Mesmo sabendo que UMBANDA É RELIGIÃO, nos


vemos cercados por práticas que nada manifestam
de religiosidade e outras que não fazem parte dos
fundamentos da Umbanda. Pessoas desavisadas e
outras de má-fé, que não podem ser consideradas
Umbandistas, vivem de profanar aquilo que para nós
é sagrado. Por isso fizemos a reflexão acima!

97
Pense bem antes de imprimir!
#estudeumbanda