Вы находитесь на странице: 1из 2

O semiárido em foco na construção do projeto popular para o Brasil

Mônica Lourenço e Sofia Sousa

A construção social do semiárido brasileiro é aquele da pobreza extrema, com


balde d’água na cabeça e êxodo rural. Contudo, esse cenário não representa a realidade
atual das famílias que protagonizam uma transformação na prática da agricultura
familiar com base na agroecologia.

É com esse processo de formação e construção da consciência de um semiárido


vivo e resistente que aconteceu, nos dias 26 e 27 de abril, o seminário “As perspectivas
do semiárido brasileiro no contexto geopolítico mundial”, em Solânea (PB). Contando
com a participação de diversos movimentos, organizações e acadêmicos ligados à
Frente Brasil Popular e pesquisadores do semiárido, o seminário foi formado com o
objetivo de construir a concepção popular do semiárido brasileiro para o Projeto Brasil
Popular.

Foto: Sofia Sousa/Mônica Lourenço

Composto por todos os estados do Nordeste, além de Minas Gerais, o semiárido


brasileiro é um vasto território com grande biodiversidade e pluralidade cultural, que
possui clima característico e raças nativas, além de técnicas específicas de produção
agrícola. Umas das características mais comentadas da região é a escassez de água;
agora, porém, deu-se início ao processo de extração e exploração de minérios,
promovido por segmentos de políticas governamentais neoliberais, que causam ainda
mais impactos sociais e ambientais no território.

“O semiárido é uma zona de sacrifício. Refletir o semiárido é refletir se


queremos ser uma zona de sacrifício, apenas exportando nossas riquezas, ou se iremos
pensar no desenvolvimento a partir de nós mesmos.”, disse um membro da Comissão
Pastoral da Terra, que esteve presente no evento.

Foto: Sofia Sousa/Mônica Lourenço

Após os avanços em tecnologias específicas para o Semiárido brasileiro, bem


como as políticas públicas promovidas pelos governos Lula e Dilma, que possibilitaram
sustentabilidade e autonomia para as famílias agricultoras, a conjuntura atual de ruptura
desse avanço torna necessário reforçar que as nossas prioridades devem ser a soberania
nacional. Se antes havia um cenário de construção de práticas agroecológicas, projetos
cooperativistas focados em questões de gênero, políticas de acesso a água potável
através da construção de 1 milhão e 100 cisternas de placas, hoje a maior parte dessas
ações se encontra pausada ou extinta.

Dessa forma, é crucial debater o projeto popular para o Brasil – projeto este que
deve acolher e dar suporte à continuidade do desenvolvimento do semiárido brasileiro,
para que assim haja uma real democracia, que garanta direitos básicos e segurança
social para o povo dessa região e do Brasil.