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Aiuricáua, Grafite,2018, AutorAlessandro Hipz, como referência a fotografia publicada

no Álbum da cidade de Manaus (1948)


EXPOSIÇÃO AIURICÁUA UNIVERSIDADE FEDERAL DO “A cabeça é o órgão das trocas, mas o coração é o órgão Tradições na terra de Aiuricáua
ENTREMISTURAS AMAZONAS (UFAM) amoroso da repetição”
(Gilles Deleuze) A imagem de Ajuricaba, vulto histórico do século XVIII, foi retomada, como símbolo de
Amazonino Mendes Prof. Dr. Sylvio Mario Puga Ferreira resistência, no período de declínio da economia da borracha. Pinçada da historiografia, foi
Governador do Amazonas Reitor O poder da identidade? propagada por oradores e poetas. Estes últimos empregaram, por volta de 1940, o termo
Prof. Dr. Jacob Moysés Cohen Aiuricáua, como fonética mais próxima à indígena, acirrando a proposta regionalista em
Bosco Saraiva Vice-reitor afetos, práticas e relações voga no período. Apesar de, certamente, a fronte do índio guerreiro não ter sido registrada
Vice-Governador Uó, Uó, Uó... em sua própria época, Ajuricaba ganhou no século XX, inclusive, uma imagem visual.
MUSEU AMAZÔNICO O conjunto de objetos dispostos.acervos da Pinacoteca/AM, Museu Amazônico e
Denilson Novo Dessa forma é que o caso Aiuricáua nos serve, na curadoria dessa exposição, como ponto de
Dr. Dysson Teles Alves Biblioteca Setorial/UFAM, MISAM, Relato Prospectivo IGHA e Fundação Oswaldo Cruz -
Secretário de Cultura Diretor partida para discutirmos a invenção e a persistência de certas figuras e discursos nas artes
Instituto Leônidas e Maria Deane /AM que compõem essa exposição, trazem em seu teor e na cultura visual local. A mostra pretende lançar luzes para o filão da arte que tematizou a
Wanderléia Marques
Taciano Soares particularidades advindas de vontades acolhidas em criações individuais e coletivas, região de diferentes maneiras e épocas, dando a ver os matizes do processo, os atores da
Secretária
Secretário Executivo Mayara Domingues Monteiro
propostas em processos de ideias que no momento servem como polo de ocupação da região, inclusive seus jogos de cena. Todas as obras, das mais vanguardistas,
Saulo Moreno Rocha experimentação. A exposicão foi pensada e em suas camadas de concepção de passando pelas oficiais e “populares”, conectam-se com as tradições que estruturam as
Tarcianne Andrade Divisão de Museologia subjetividades delineadas num processo decorrente de ideias e prospecções de afetos imagens vislumbradas para a Amazônia.
Chefe de Gabinete estimulados por um objetivo de misturar como ponte, resistência e vontade de dizer. Como pano de fundo da exposição, há a proposta contemporânea de traçar esse esquema
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFAM ...”o perigo do desaparecimento a que as coisas e nós mesmos, enquanto seres dotados a partir da pesquisa curatorial nos três mais expressivos acervos de objetos visuais da cidade
Turenko Beça Célia Alexandre Lira de memória, estamos, numa época em que a ordem é apagar os rastros” (Walter de Manaus. A saber: a Pinacoteca do Amazonas (PA), o Museu Amazônico (MA) e o Instituto
Diretor de Museus Diretora Benjamin). Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha); cada qual com suas especificidades. Dai se faz
Neste loteamento se acolhe criações, lançando a noção de arte como frente a necessário situar, minimamente, essas instituições para compreendermos melhor seus
Cristovão Coutinho Batista Biblioteca Setorial do Museu proposições em termos de tempo e lugar, com espaço ampliado de influências de um acervos - e os meandros das tradições estabelecidas também.
Diretor da Galeria do Largo Amazônico projeto de modernidade. O conjunto de opostos, agrupamentos, temáticas, partem de Das três casas, a mais recente é o MA, criado em 1989 e inaugurado em 1991. Um período de
Rosângela de Oliveira Martins oposições, fragmentos de imaginários que paira em diferentes perfis... na novos paradigmas pós-redemocratização, dos esforços para implementação da nova
Manuella Barros Bibliotecária/documentalista – diretora distração/contemplação, rapidez/lentidão, recordação/esquecimento, tocar/não tocar, constituição, fortificação da área da educação pública e da intensificação dos debates
Assessora de Comunicação
consciência/memória, conduta/juízo de valor que se materializam na ambientais. O que torna compreensível que seu acervo tenha primado na oportuna
Robson Gomes da Silva abertura aos indígenas. O MA buscou, inovadoramente, romper as barreiras - ainda
preservação/destruição como condição de existência.
Gerson Bastos Assistente em Administração
Das viagens filosóficas na Amazônia, a de Alexandre Rodrigues Ferreira (1776/1815) no existentes - com relação à presença indígena no fechado sistema de artes visuais. Não
Lorena Gondim
Gerência da Pinacoteca assentamento de fronteiras, no mapeamento estratégico geográfico das populações apenas adquiriu itens tradicionais de sua cultura material (bancos, cestarias, arte plumária,
nativas reunindo centenas de artefatos indígenas do universo amazônico, numa cerâmica; entre peças arqueológicas ou não), como trabalhos, por assim dizer,
INSTITUTO LEÔNIDAS & MARIA
Judson Paz Dantas emergência em identificar e registrar. “não-tradicionais”. Refiro-me à coleção de desenhos e pinturas de artistas indígenas,
DEANE- ILMD/FIOCRUZ AMAZÔNIA:
Gerente Museu da Imagem e do No imaginário híbrido suscitam eldorados largos, exuberantes e ilusórios de natureza trabalhos baseados na literatura oral, focalizando mitos e lendas. Itens esses produzidos
Som Sérgio Luiz Bessa Luz Amazônia Ameaçada, Autor Eli Bacelar,2006. Pinacoteca do Amazonas - SEC colorida, “ é o paraíso das cores primárias: o vermelho, azul e amarelo..., o mundo dos Manto cerimonial com capuz, Etnia Bororo. Acervo Museu Amazônico UFAM / Coleção Ibama entre as décadas de 1990 e 2000 e que passaram a ter sua autoria explicitada, como na
Diretor objetos revestidos pelas cores do afeto: o prazer de colorir “... (João de Jesus Paes prática da arte ocidental. Um dos principais artistas dessa vertente está representado: o
Judeth Costa | Ana Paula Rabelo | Loureiro). Até o ciclo da borracha (1870/1911) os índios eram maioria, sendo também mão pajé Tukano Gabriel dos Santos Gentil, com o Sepatarida (calendário tukano) (2005).
Kathyuscia Castilho | Nahim Fábio Rocha Cabral de obra para tanto. Terras invadidas e apossadas pelos seringueiros, neste período em Por sua vez, a PA, criada em 1965, originou-se quando a arte moderna se institucionalizava
Duque | Bárbara Agnes | João Vice-diretor de Gestão e que as cidades de Manaus e Belém modernizam numa operação econômica e de nas grandes metrópoles brasileiras. Em Manaus, os professores-artistas contratados em seu
Marcos Oliveira | Emanuelle Desenvolvimento Institucional – costumes europeus. quadro difundiram os preceitos modernistas para o público, auxiliando na formação e
Figueiredo VDGDI/Fiocruz Amazônia A cidade de Manaus, em 1848, opera uma arquitetura da borracha e artisticamente a sofisticação do meio cultural. Dinâmica preponderante para a constituição de um grupo de
Ateliê de Restauro presença de escritas visuais num período de 70 anos, em suportes de recepção da arte elite, reconhecido nas décadas subsequentes pelo circuito local e/ou nacional. Seu acervo
Felipe Gomes Naveca numa rede de influências artísticas marcadas pelo luxo e pela efemeridade do período. evidencia a consagração de certos nomes. Nesse conjunto, não espanta o fato dos artistas
Jandr Reis | Aline Rosana | Alberto Vice-diretor de Pesquisa e Inovação – indígenas não terem até hoje lugar, pois as aquisições e os espaços privilegiados das
O caboclo oriundo das misturas da contemplação e da inteligência do mundo sujeitado
Moura | Geissyane Frazão | Jorge VDPI/Fiocruz Amazônia exposições organizadas pela PA foram resguardados, sobretudo aos partícipes dessa elite.
Vieira
pela solidão do lugar, é o sujeito construído para estas paragens.
A pintura presente não é a única base. O urbanismo como fator geopolítico e as Nesse quadro, Moacir Andrade é alçado a mestre maior. Suas pinturas e desenhos
Central de Exposições Cláudia Maria Ríos Velásquez conectam tendências da arte moderna que circulavam no Brasil com particularidades
Cristovão Coutinho | Sávio Stoco
Vice-diretora de Ensino, Informação e
subsequências culturais, nessa transação num contexto da região com fronteiras
Concepção / Curadoria transnacionais e herança de multivalores em “ fluxo orgânico de criação na história da locais. É o caso de O caso Neca Manaus (1964), obra compreendida como ponto de inflexão
Comunicação – VDEIC/Fiocruz em sua trajetória, inaugural de uma de suas tendências de maior sucesso.
Amazônia arte, da arqueologia, da biologia e da antropologia, nas quais o arranjo cronológico
Cristovão Coutinho | Arllison Farias | remete a possibilidade de entender a história da vida através de estágios sucessivos “ Já a instituição mais antiga, o Igha, foi criada em 1917. Momento em que ainda percebe-se
Eduardo Oliveira | Gabriel Cavalcante (Cristina Freire). a influência do positivismo histórico, e, como disse anteriormente, da perspectiva
Ricardo Agum Ribeiro
|José Marques No campo de arte expandido o significado/representação da obra se opera através do regionalista amazonense. Essa casa preservou grande quantidade de documentos e um
Pesquisador - ILMD/Fiocruz Amazônia
Produção significativo conjunto de obras visuais, no seu montante, relacionadas à história oficial.
lugar que a mesma ocupa em determinado tempo. Segundo Bourdieu “o valor da
Talvez a peça mais indicativa nesse sentido seja a pintura/projeto Escudo da Municipalidade
Carla Conorí mesma é resolvido através da história social capaz de relacionar a sociologia, a disposição
Giselane Campos | José Marques de Manaos (1906), do italiano Silvio Centofanti. Imagem que evidencia, enquanto
estética, valores simbólicos e econômicos, numa dinâmica do transitório, centro de
Equipe Técnica Administrativa da simbologia para a cidade, além do encontro das águas dos rios Negro e Solimões, o forte
Galeria do Largo dúvidas, dúvidas dos artistas se confrontam com as dúvidas do público”.
INSTITUTO GEOGRÁFICO E que deu origem à cidade e uma seringueira. É desse acervo também a placa metálica
Realidade e representação se confundem nos objetos visuais num espaço-tempo-real e
HISTÓRICO DO AMAZONAS Aiuricáua, doada pelo poeta Kideniro Teixeira provavelmente durante a década de 1940.
Nathalia Silveira passam a ser documentados em vestígios, textos, fotografias e mapas.
IGHA Peça na qual Alessandro Hipz baseou-se para o grafite encomendado.
Designer Essa produção não envolve obra isolada, mas acompanha os significados das telas,
De obra em obra, de recanto em recanto do espaço expositivo, tive o prazer de, em conjunto
objetos, escritos dos acervos misturados, poéticas no espírito do tempo, modulando as
Marilene Corrêa da Silva Freitas com o curador Cristovão Coutinho, religar e recriar os nexos dessa nossa história da arte, a
Arllison Farias | Gabriel Cavalcante | percepções de poder e saber geminado já nas formas primitivas de apreensão da
Presidente partir das obras disponíveis nesses ricos acervos. Um trabalho de reunião e organização que
Josielem dos Santos | Tayanna Correa | realidade, na relação da humanidade com a natureza, em medo e morte, na separação
busca elucidar parte do que se idealizou para a região por meio da representação criativa
Walter Juur
Francisco Gomes da Silva da mesma, alimentando as formas mais abstratas e na elitização do saber tendo como dos espaços naturais, edificados, do caboclo, do índio (heroificado, distante, ou mesmo já
Monitores de Exposição consequência a dominação de muitos.
Vice Presidente adentrando o próprio sistema de arte) etc.. Mais até do que o deleite proporcionado por
Neste processo curatorial o encontro “fortuito” entre objetos, pessoas e lugares com esse encontro ecumênico, esperamos que essa visita seja uma viagem pelos meandros da
Amanda Santos | Jéssica da Silva | João questões ligadas à espacialidade contemporânea, remodela-se a realidade para não a
Geraldo dos Anjos produção e do sentido das imagens.
Vitor Dias de Jesus | Rosângela Nunes repetir, com a integração da novidade, interpretação, comportamento e condutas
Secretário Geral
Reserva Técnica da Pinacoteca relacionadas à rede simbólica. Sávio Stoco
Curadoria
Cristovão Coutinho
Escultura Antropomofa, Etnia Ticuna, Acervo Museu Amazônico - UFAM Curador
(Linhas entrelaçadas), Autor Flávio Dufka, 2006. Acervo Pinacoteca do Amazonas - SEC
Coleção Rui Machado e fotografias Sem título, Lula Sampaio, 2008. Acervo Pinacoteca do Amazonas - SEC Coleção Thiago de Mello 2018
Acervo Pinacoteca do Estado do Amazonas – SEC
Não restam dúvidas que os museus, centros de cultura, bibliotecas e demais espaços de refinada, acadêmica, é indicativa do estrangeirismo com que se pautava a cultura da 1. Araras (políptico) – Renato Araújo.
Máscara "Mãe do vento" do ritual
produção cultural, exercem papel de fundamental importância para despertar no cidadão o capital amazonense naquele momento. Como contraponto, a segunda obra que 2. Interior, barco, esperança – Auxiliadora Zuazo, 1978.
da festa da moça nova, Etnia
sentido da preservação da memória, da história e, sobretudo de conservar os lugares de selecionamos, é uma pintura de paisagem, aparentemente recente, cuja feitura popular 3. Sem título – Moacir Andrade, 1981 / 1981 / 1958, desenho à bico de pena.
criação. Os espaços culturais passaram a ser percebidos como práticas
Ticuna. Acervo Museu Amazônico
Coleção Ibama nos remete a uma peça de artesanato, um souvenir turístico. O suporte dessa obra não é
4.
5.
Cartas do Amazonas (díptico) – Jáder Rezende, 1986.
Onça na floresta – J. Oliveira, 1991.
CAVGL
sociais complexas que se desenvolvem no presente, para o
presente e para o futuro, como núcleos envolvidos com criação, comunicação, produção de
uma tela convencional, mas sim um casco de tartaruga, o que acirra a aparente proposta
regionalista – resquício da sedimentação da paisagem de outrora. No instituto, a couraça,
6.
7.
Sem titulo – Da Silva, sem data.
Jacarés – Da Silva, 2002. Centro de Artes Visuais Galeria do Largo
conhecimentos e preservação de bens e manifestações culturais. Exercendo uma função apesar da flagrante simplicidade, ocupa um local de destaque próxima à escrivaninha da 8. Ensaio n° 6 - Jacaré em azul – Da Silva, sem data.
9. Ensaio n° 9 – Fúria do jacaré – Da Silva, sem data.
educativa deixaram de ser compreendidos apenas como casas onde se guardavam presidência.
Aiuricáua - entremisturas
10. Sucuri el Dourado – Da Silva, sem data.
relíquias de um certo passado ou como recintos de interesse secundário. Também do período de expansão da economia gumífera, em que os artistas estrangeiros 11. O agente estrangeiro, Romahs, 2001.
Eventos como a tragédia ocorrida recentemente no Museu Nacional e em outras casas de ditavam as vogas, é uma gravura pouco conhecida da Matriz de Manaus. Mas ao invés de 12. O caso Neca Manaus – Moacir Andrade, 1964.
cultura servem como elementos motivadores para a construção de um amplo leque de 13. Sem título – Branco e Silva, 1939.
reconhecermos as linhas clássicas sóbrias desse prédio, vemos o desenho com elementos
14. Sem título – Ostevaldo, sem data.
resistência contra o descaso e pela preservação dos bens materiais e imateriais de um povo. barrocos, opulentos, de um projeto de reforma (não executada), feito pelo afamado pintor 15. Homem com enxada – Adhemar Venâncio, escultura.
Com esta perspectiva o Museu Amazônico, a Secretaria de Cultura do Estado, o Instituto Domenico de Angelis, famoso por parte da decoração interna do Teatro Amazonas. O 16. Mulher carregando pedra – Adhemar Venâncio, escultura.
Geográfico e Histórico do Amazonas e a Fundação Oswaldo Cruz abraçam esta causa projeto da Matriz lembra as formas da Sé de Belém, desenhada pelo arquiteto bolonhês 17. Sem título – Eli Bacelar, 1981.
mostrando ao público, através desta exposição conjunta, a integração de diversos Antônio José Landi em meados do século XVIII, inclusive reformada internamente por De 18.
19.
Amazônia ameaçada – Eli Bacelar, 2006.
Ruínas da fortaleza de São José do Rio Negro – Anísio Mello, 1982.
EXPOSIÇÃO AIURICÁUA ENTREMISTURAS
elementos de seus acervos contando, uma Historia da produção cultural das populações Angelis em 1882 - indício possível das relações estéticas estabelecidas entre essas duas 20. Passeio no Rio Negro – Zeca Nazaré, 2007.
amazônicas. cidades. 21. Eduardo Braga – Marcos de Paula, 2005.
A exposição“Aiuricáua - entremisturas” vem reforçar a necessidade do entrelaçamento das Ainda no salão de leitura, chama atenção uma exposição fixa alusiva à trajetória de um 22. Amazonino Mendes – Marcos de Paula, 2005 Acervos
23. Gregório Taumaturgo – Marcos de Paula, 2006.
instituições culturais em torno de um projeto de preservação do patrimônio cultural proeminente membro. Justamente um personagem central para a história da 24. Arthur Cézar Ferreira Reis – Marcos de Paula, 2006. Pinacoteca do Estado do Amazonas
amazônico. O ponto de convergência entre estas instituições fica demonstrado pela Pinacoteca do Amazonas: o pintor Moacir Andrade. Uma extensa parede exibe diversos
capacidade que seus acervos têm de dialogar entre si em um processo de (re)construção de
25. Vivaldo Barros Frota – Marcos de Paula, 2006. Museu da Imagem e do Som
itens, entre medalhas, diplomas e desenhos e outros objetos dele. Tudo adornado com 26. Henock Reis – Marcos de Paula, 2006.
uma única História, ratificando desse modo, que cada espaço cultural, cada acervo, cada robustas e douradas molduras sobrepostas. Eis um indício do nexo de nossa proposta 27. José Paranaguá – Marcos de Paula, 2006. Museu Amazônico Ufam
28. Ribeiro Júnior – Marcos de Paula, 2006.
peça, são elementos que, unidos permitem a recuperação de um passado capaz de se curatorial, guiando-se pela “entremistura” dos acervos. Entrecruzando os olhares, melhor 29. Theodoreto Souto – Marcos de Paula, 2006. Biblioteca Setorial | Museu Amazônico Ufam
conectar com o presente para projetar uma perspectiva futura. dimensionamos o lugar ocupado, por exemplo, por um artista/pesquisador como Moacir. 30. Sem título – sem autoria, sem data, fotografia. Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas
Assim como melhor aquilatamos suas criações que propuseram leituras da região, seus 31. Calçada Manaus – Jean Manzon.
Dysson Teles Alves habitantes e tanto dialogou com a tradição das imagens locais; pendulando e 32. Sem título – Kiko Azize, 2012. Instituto Leônidas & Maria Deane- ILMD Fiocruz Amazônia
33. Cidade Flutuante – Da Silva, sem data.
Diretor do Museu Amazônico amalgamando regionalismo e a arte moderna. 34. Família Cabocla – Da Silva, sem data.
O Igha não possui uma reserva técnica instituída de obras de arte, assim como possui 35. Desfrutável – Kasmin, 2006.
locais específicos para sua coleção de livros, jornais e documentos. Fato perfeitamente 36. (Face do artista) – Da Silva, 1989, Escultura policromada.
Da etnia Tukano, o Pajé Gabriel Gentil, recebeu em 2005 o título de pesquisador emérito no 37. Sem título – Lula Sampaio, 2008, fotografia.
compreensível, já que seu objetivo não é, exatamente, direcionado à memória da arte.
38. Sem título – Lula Sampaio, 2008, fotografia.
Bastões de ritmo zoo e antropomorfos, Etnia Ticuna,e Reproduções de aquarela e ampliação campo do conhecimento tradicional da Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz. Tivemos o Entretanto, essa casa não deixa de dar visibilidade para seu acervo artístico. No geral, 39. (Linhas entrelaçadas) – Coleção Thiago de Mello 2018, Flávio Dufka, 2006,
das imagens índio Uariquena e Miranha, 1787, da Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira. privilégio de recebe-lo em Manaus no Instituto Leônidas e Maria Deane -ILMD. Em sua curta procura expor essas peças visuais na decoração de suas paredes. O que se mostra um
Acervos Museu Amazônico UFAM / Biblioteca Setorial passagem, dado seu falecimento em 2006, entre muitas contribuições, uma das mais deleite para o visitante que vai se deparando com imagens e obras importantes na Acervo Museu da Imagem e do Som – SEC
valorosas foi a reelaboração do Sepatarida, traduzido como calendário. 1. Amazonas, Amazonas - Diretor: Glauber Rocha, Assistente de direção: Rubens Azevedo, Direção de fotografia:
medida em que adentra os salões do prédio. Percebe-se, assim, pela montagem optada, Fernando Duarte, Direção de som: Hélio Barrozo Netto, 1966.
Por meio da observação das estrelas, constelações e da lua, os Pajés mensuravam as ações o discurso atual que a instituição elabora na contemporaneidade. 2. Carniça - Diretor: Normandy Litaiff, 1966.
do tempo. A simbologia expressa nos nós era determinado pelo tipo de amarradura e Uma premissa de fundo nos orientou nas escolhas de obras dos acervos estudados: trazer 3. Igual a mim... igual a ti - Diretor, fotografia e montagem: Roberto Kahane, Assistente de direção: Felipe Lindoso,
coloração dos mesmos. Um esforço minucioso de preservação de saberes e tradições, uma a baila partes “encobertas” dos acervos – inclusive de obras/artistas considerados Roteiro: Aldísio Filgueiras, Felipe Lindoso, Raimundo Feitosa e Roberto Kahane, Poema: Aldísio Filgueiras,
preocupação premente de nosso amigo e companheiro Gabriel Gentil. Sob sua supervisão, Narração: Farias de Carvalho, 1965.
“menores”. Assim, escolhemos um pequeno desenho de Moacir Andrade que, durante 4. Plástica e movimento - Diretor: Roberto Kahane, Assistentes de direção: Felipe Lindoso e Raimundo Feitosa, 1967.
o artista Luiz Salgado executou a produção do calendário. nossas visitas, não se encontrava exposto. A escolha se justificou pelas relações que 5. O começo antes do começo - Direção e montagem: Márcio Souza e Roberto Kahane, Direção de fotografia: Lúcio
É com grande alegria que aceitamos o convite para participar da exposição Aiuricáua: compreendemos emanar dessa imagem. Trata-se de um retrato representando uma Kodato, Paulo Sérgio Muniz e Malzoni Zetas, Narração: Djalma Limongi Batista, Desenhos: Feliciano Lana, 1973.
entremisturas. personalidade que se liga à exposição Aiuricáua. O desenho, datado de 1962, apresenta o 6. Sangue e suor: a saga de Manaus - Direção e roteiro: Luiz Maximino de Miranda Corrêa, Direção de fotografia:
Antônio Segatti, Direção de som: Jorge Madureira, Som direto: Jorge Madureira, Montagem: Jayme Justo,
rosto do etnólogo maranhense Nunes Pereira (1892-1985), autor do livro de narrativas Música: Pedro Amorim, Narração: Luiz M. M. Corrêa e Otávio Augusto, 1977.
Dr Sérgio Luiz Bessa Luz míticas Morongueta - Um Decameron indígena (1967). Essa obra conecta temas caros a
Diretor do Instituto Leônidas e Maria Deane – Fiocruz Amazônia. essa mostra, como a cultura indígena e o ambiente cultural de Manaus, vivenciado pelo Acervo Museu Amazônico – UFAM
escritor. No acervo bibliográfico, selecionamos duas obras pelas distintas intersecções 1. Banco Zoomorfo - entalhe e pintura.
2. Bastões de ritmo zoo e antropomorfos – entalhe e pintura, etnia Ticuna.
que apresentam com a visualidade regional. O mais antigo deles é o monumental livro 3. Manto cerimonial com capuz – Coleção Ibama, Etnia Bororo.
botânico Sertum palmarum brasiliensium (1903), de Barbosa Rodrigues. Trata-se de um 4. Máscara “Mãe do vento” do ritual da festa da moça nova – Coleção Ibama, Etnia Ticuna.
Relatório de pesquisa no Igha autor que, em sua trajetória, foi professor de desenho antes de se tornar um dos 5. Pele de onça-pintada – Coleção Ibama, Técnica Curtimento.
6. Garça - Vila de Acajatuba, Iranduba, AM.
botânicos mais respeitados do Brasil. A obra de grandes dimensões, foi impressa em dois
7. Onça - Vila de Acajatuba, Iranduba, AM.
Desde a concepção da exposição Aiuricáua: entremisturas, por volta de maio desse ano, a volumes em Bruxelas, Bélgica contando com ilustrações artísticas de palmeiras que se 8. Troféu do I Festival Norte de Cinema Brasileiro – Coleção Silvino Santos, Álvaro Páscoa, 1969.
ideia principal era contar também com uma seleção de obras do Instituto Histórico notabilizaram no meio científico e fora dele, desenhadas pelo próprio Rodrigues. Nesse 9. Sem título, Sãnipã, 2009.
livro, arte e ciência, tematizando a botânica e a paisagem humana da Amazônia, 10. Sem título, Feliciano Lana.
Geográfico do Amazonas (Igha), presentes fisicamente nesse espaço expositivo. Da 11. Máscara Ticuna – Coleção Jair Jacqmont, 1980.
mesma maneira como aqui estão as obras do Museu Amazônico e da Pinacoteca do alcançam um ápice. As pranchas mais artísticas, que apresentam as espécies em seu 12. Máscara de dança do tamanduá-bandeira – Coleção Ibama, Etnia Xickrin.
Amazonas. Plano esse que não se concretizou por razões diversas, infelizmente. No habitat, são compostas por graciosas figuras de caboclos e indígenas. 13. (Gabriel Gentil onça pintada) – Gabriel Gentil, Cópia Xerográfica sobre papel.
entanto, nós curadores, consideramos imprescindível dividir com o público um relato do O segundo livro é 3 episódios do rio (1965), do poeta Élson Farias, cuja capa traz uma 14. Escultura antropomorfa – Coleção Rui Machado, Entalhe e pintura, Etnia Ticuna.
xilogravura do artista argentino Horácio Helena, assim como é ilustrado internamente 15. Índio Uariquena (rio Ixié) - José Joaquim Freire (artista da Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira),
nosso rico processo de pesquisa naquela instituição, evidenciando algumas das 1787.
preciosidades que esse acervo possui. Essas obras nos ajudarão muito a aprofundar a por gravuras de Álvaro Páscoa. No período em que residiu em Manaus, Helena participou 16. Índio Miranha com zarabatana e carcaz - José Joaquim Freire (artista da Viagem Filosófica de Alexandre
compreensão sobre a história da nossa arte e sociedade, notando como a criação visual se do Clube da Madrugada, irmanando-se aos amazonenses na tradição de representação Rodrigues Ferreira), 1787.
faz a partir das misturas. da figura do caboclo, visto aqui de maneira imponente, ao luar.
Para concluir esse relato acerca da pesquisa no Igha, agradecemos muitíssimo à Acervo Biblioteca Setorial / Museu Amazônico – UFAM
De antemão sabíamos que o acervo possuía peças significativas, como os monumentais 1. Romance da minha vida (autobiografia) – Silvino Santos, 1969, Coleção Silvino Santos. Visitação: Todos os dias
retratos pintados da princesa Isabel e de Dom Pedro II (circa séc. XIX/XX), feitos pelo artista presidente Marilene Corrêa, ao secretário-geral Geraldo dos Anjos, assim como a todos os
funcionários e sócios que nos abriram as portas da instituição. Mesmo com a
2.
3.
Frauta de barro; Quatro movimentos, Luiz Bacellar, 1992 [1963].
Album descritivo Annuario dello Stato Del Parà, Arthur Caccavoni, 1898.
Horário: 13h às 19h
paraibano Aurélio de Figueiredo. No entanto, ao definirmos a abordagem quanto ao filão
da arte regional, fomos a busca de imagens que correspondessem mais nesse sentido. impossibilidade da presença das obras, fato que compreendemos e respeitamos, 4. Almanach para brinde da livraria Palais Royal para 1905, Lino Aguiar & Cia. 1905.
5. Desenhos projetuais, do acervo do Museu Amazônico UFAM, calendário Sepatarida do artista Gabriel Gentil.
Na entrada do piso superior do prédio do Igha, no amplo salão de leitura, temos duas esperamos que esse relato contribua aproximando, aqui virtualmente, as obras que Entrada Franca
peças indicativas do contexto da instituição. Uma é a pintura Brasão da Municipalidade de certamente encontram-se disponíveis na sede do instituto a todos os visitantes Acervo Instituto Leônidas & Maria Deane- ILMD/Fiocruz Amazônia – Fiocruz Amazônia
Manaos (1906), do italiano Silvio Centofante, que, como mencionado em um dos textos interessados. 1. Sepatarida (calendário Tucano) – Gabriel Gentil, Execução Luiz Salgado, 2005.
curatoriais dessa exposição, exibe imagens-símbolos tomadas pelo discurso oficial. Artistas
Remanescente do período de maior lucro com a borracha, essa obra se remete ao trânsito Curadoria da Exposição
Obras de Da Silva, Moacir Andrade, Renato Araújo. Acervo Pinacota do Amazonas - SEC. intensificado de pessoas, produtos e ideias com a cultura europeia. Em sua fatura Aiuricáua - entremisturas
1.
2.
Aiuricáua, Alessandro Hipz, 2018, Grafite, Spray e acrílica.
Aiuricáua.pop, Vídeo Mapping, Marcelo Rosa, 2018.
Outubro 2018 à Janeiro 2019
Calçada Manaus, Autor Jean Manzon. Acervo Pinacoteca do Amazonas - SEC