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Quem deseja entender o catolicismo moderno precisa conhecer a Teoria do

Desenvolvimento da Doutrina de Newman. Recomendo que leiam o artigo sobre


o novo conceito de tradição adotado por Roma (AQUI -
http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/02/roma-e-seu-novo-conceito-de-
tradicao.html). Uma das maiores (talvez a maior mudança) nos ensinamentos do
magistério romano foi seu novo conceito de Tradição. Roma historicamente
ensinou que seus dogmas sempre foram cridos pela Igreja. A igreja romana
ensinava que suas doutrinas atendiam aos critérios da regra de Vicente de Lérins
(crido por todos, sempre e em todos os lugares). Essa visão foi articulada pelos
Concílios de Trento e Vaticano I.
Ocorre que tal reivindicação é indefensável a luz da história da Igreja. É
reconhecido pelos historiadores católicos que doutrinas como Assunção de
Maria e Papado eram desconhecidas nos primeiros séculos. Como conciliar a
falta de evidências históricas para tais doutrinas e o atual ensinamento da Igreja
romana? A resposta é que a fé cristã não teria sido completamente
compreendida pelos primeiros cristãos ou até mesmo pelos apóstolos. Só depois
de muita reflexão, combates a heresias e desenvolvimentos é os dogmas
católicos vieram a luz. Por isso, os proponentes do desenvolvimento não têm
problema em admitir que os pais da igreja primitiva não criam ou até mesmo
contradiziam muito do que mais tarde seria definido como dogma (a imaculada
conceição é exemplo por excelência). Newman reconhece:
Enquanto os Apóstolos estavam na terra, não havia bispo ou papa. (Ensaio
sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã, Cap. 4, Seção 3 -
http://www.newmanreader.org/works/development/chapter4.html)
A rigor, não há prazo para o “desenvolvimento” acontecer. Pode durar séculos.
A implicação é que no futuro a igreja pode definir como dogma crenças que os
católicos atuais desconhecem. A teoria do desenvolvimento tem um problema
fatal. Ela, em si mesma, é um desvio da tradição católica romana. É irônico como
uma teoria que deseja validar a tradição seja contrária a própria tradição. O
Concílio Vaticano I afirmou:
1822. Ensinamos, pois, e declaramos, segundo o testemunho do Evangelho, que
Jesus Cristo prometeu e conferiu imediata e diretamente o primado de
jurisdição sobre toda a Igreja ao Apóstolo S. Pedro (...) A esta doutrina tão
clara das Sagradas Escrituras, tal como sempre foi entendida pela Igreja
Católica, opõe-se abertamente as sentenças perversas daqueles que,
desnaturando a forma de governo estabelecida na Igreja por Cristo Nosso
Senhor, negam que só Pedro foi agraciado com o verdadeiro e próprio primado
de jurisdição, com exclusão dos demais Apóstolos, quer tomados singularmente,
quer em conjunto. (FONTE -
http://www.montfort.org.br/bra/documentos/concilios/vaticano1/#s4cap1)
Os proponentes do desenvolvimento afirmam que o primado jurisdicional de
Pedro foi fruto de um processo gradual que ocorreu na Igreja. Logo, tal
entendimento não foi sempre sustentando pela igreja, o que contradiz os ditames
do concílio.
1824. Porém o que Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o príncipe dos pastores e
o grande pastor das ovelhas, instituiu no Apóstolo S. Pedro para a salvação
eterna e o bem perene da Igreja, deve constantemente subsistir pela autoridade
do mesmo Cristo na Igreja, que, fundada sobre o rochedo, permanecerá
inabalável até ao fim dos séculos. "Ninguém certamente duvida, pois é um
fato notório em todos os séculos, que S. Pedro, príncipe e chefe dos
Apóstolos, recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador e Redentor do
gênero humano, as chaves do reino; o qual (S. Pedro) vive, governa e julga
através dos seus sucessores".
1825. [Cânon] Se, portanto, alguém negar ser de direito divino e por instituição
do próprio Cristo que S. Pedro tem perpétuos sucessores no primado da Igreja
universal; ou que o Romano Pontífice é o sucessor de S. Pedro no mesmo
primado – seja excomungado
Em outras palavras, o papado é um fato notório de todos os séculos. Ele teria
sido aceito e compreendido desde o início:
1832. Esta Santa Sé sempre tem crido que no próprio primado Apostólico que
o Romano Pontífice tem sobre toda a Igreja, está também incluído o supremo
poder do magistério. O mesmo é confirmado também pelo uso constante da
Igreja e pelos Concílios Ecumênicos, principalmente aqueles em que os
Orientais se reuniam com os Ocidentais na união da fé e da caridade.
1836. (...) Pois o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de S. Pedro
para que estes, sob a revelação do mesmo, pregassem uma nova doutrina, mas
para que, com a sua assistência, conservassem santamente e expusessem
fielmente o depósito da fé, ou seja, a revelação herdada dos Apóstolos. E esta
doutrina dos Apóstolos abraçaram-na todos os veneráveis Santos Padres,
veneraram-na e seguiram-na todos os santos doutores ortodoxos,
firmemente convencidos de que esta cátedra de S. Pedro sempre
permaneceu imune de todo o erro, segundo a promessa de Nosso Senhor
Jesus Cristo feita ao príncipe dos Apóstolos: Eu roguei por ti, para que a tua
fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos [Lc 22, 32].
Sobre a infalibilidade:
1839. Por isso Nós, apegando-nos à Tradição recebida desde o início da fé
cristã, para a glória de Deus, nosso Salvador, para exaltação da religião católica,
e para a salvação dos povos cristãos, com a aprovação do Sagrado Concílio,
ensinamos e definimos como dogma divinamente revelado que o Romano
Pontífice, quando fala ex cathedra, isto é, quando, no desempenho do
ministério de pastor e doutor de todos os cristãos, define com sua suprema
autoridade apostólica alguma doutrina referente à fé e à moral para toda a Igreja,
em virtude da assistência divina prometida a ele na pessoa de São Pedro, goza
daquela infalibilidade com a qual Cristo quis munir a sua Igreja quando
define alguma doutrina sobre a fé e a moral; e que, portanto, tais
declarações do Romano Pontífice são por si mesmas, e não apenas em
virtude do consenso da Igreja, irreformáveis.
O concílio afirma que a infalibilidade papal não é fruto de um desenvolvimento,
mas que se trata de uma tradição que remonta ao início da fé cristã. Percebam
que o concílio apela ao texto de Lucas 22:32. Todavia, não há no primeiro milênio
da igreja ninguém que o tenha interpretado como texto-prova da infalibilidade do
bispo de Roma. A encíclica papal, Satis Cognitum, escrita pelo Papa Leão XIII
em 1896, comenta e confirma as declarações do concílio:
É, portanto, incontestável, depois do que acabamos de dizer, que Jesus Cristo
instituiu na Igreja um vivo, autêntico e perpétuo magistério também investido com
sua própria autoridade (...) Portanto, Jesus Cristo designou Pedro para ser este
chefe da Igreja. Ele também determinou que a autoridade instituída
perpetuamente para a salvação de todos deveria ser herdada por seus
sucessores, nos quais a mesma autoridade do próprio Pedro deveria
permanecer. E assim fez essa notável promessa a Pedro e a ninguém mais: "Tu
és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt. 16:18) (...) Era
necessário um governo desse tipo, uma vez que pertence à constituição e
formação da Igreja, como seu elemento principal - isto é, como o princípio da
unidade e o fundamento de uma estabilidade duradoura - não devendo chegar
ao fim com São Pedro, mas devendo passar para seus sucessores (...) Quando
o fundador divino decretou que a Igreja deveria ser una na fé, no governo e na
comunhão, escolheu Pedro e seus sucessores como princípio e centro, por
assim dizer, desta unidade. Na verdade, a Sagrada Escritura atesta que as
chaves do Reino dos Céus foram dadas a Pedro somente, e que o poder de ligar
e desligar foi concedido aos Apóstolos e a Pedro (...) Portanto, no decreto do
Concílio do Vaticano quanto à natureza e à autoridade do primado do
Romano Pontífice, nenhuma opinião recém-concebida é apresentada, mas
a crença venerável e constante de todas as idades (Sess. Iv., Cap. 3 -
https://w2.vatican.va/content/leo-xiii/en/encyclicals/documents/hf_l-
xiii_enc_29061896_satis-cognitum.pdf)
O papado seria a crença de todas as idades. O papa Pio X em seu famoso
juramento contra o modernismo (AQUI
http://www.montfort.org.br/bra/documentos/decretos/antimodernismo/) também
disse:
Eu sinceramente mantenho que a Doutrina da Fé nos foi trazida desde os
Apóstolos pelos Padres ortodoxos com exatamente o mesmo significado e
sempre com o mesmo propósito. Assim sendo, eu rejeito inteiramente a
falsa representação herética de que os dogmas evoluem e se modificam de
um significado para outro diferente do que a Igreja antes manteve.
Já o desenvolvimento da doutrina assume que os pais ortodoxos poderiam ter
compreendido de forma errada determinadas doutrinas. Somente após séculos
de reflexão, a igreja as teria compreendido corretamente. Recentemente, um
comentarista católico escreveu em meu blog:
O problema é que bem no início da igreja o sacramento da penitência
(confissão) era bem rígido e mal compreendido por muitos. Acreditava-se
que após ser batizado, a pessoa só teria direito a confessar os PECADOS
GRAVES ao sacerdote apenas 1 vez na vida, além de ter que cumprir grandes
e duras penitências, que em alguns casos durava a vida toda.
O comentarista está parcialmente certo. A confissão e penitência era um
processo público e permitido apenas 1x após o batismo em caso de pecados
graves (mais detalhes AQUI -
http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/02/confissao-e-penitencia-uma-
analise.html). No entanto, esta compreensão não ficou limitada ao início da
igreja. O comentarista presume que tal doutrina passou por um processo de
desenvolvimento. Todavia, vejamos o que o Concílio de Trento (AQUI
http://www.montfort.org.br/bra/documentos/concilios/trento/) afirmou:
911. Cân. 1. Se alguém disser que a Penitência na Igreja Católica não é
verdadeiro e próprio sacramento instituído por Jesus Cristo Nosso Senhor
para reconciliar os fiéis com o mesmo Deus, todas as vezes que depois do
Batismo caírem em pecados — seja excomungado [cfr. n° 894].
913. Cân. 3. Se alguém disser que estas palavras de Nosso Senhor: Recebei o
Espirito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados
e a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos (Jo 22, 22 s) não se devem referir ao
poder de perdoar e reter os pecados no sacramento da Penitência, segundo
sempre o entendeu a Igreja Católica desde o princípio, mas as torcer, contra
a instituição deste sacramento, para a autoridade de pregar o Evangelho — seja
excomungado [cfr. n° 894].
916. Cân. 6. Se alguém negar que a confissão sacramental foi instituída e é
necessária para a salvação por direito divino; ou disser que o modo de
confessar em segredo, só ao sacerdote, que a Igreja desde o princípio
sempre observou e ainda observa, é alheio à instituição de Cristo e não passa
de invenção humana — seja excomungado [cfr. n° 899 s].
Vejam que o Concílio reivindica que a confissão era acessível para todas as
vezes em que se caia em pecado. E ainda afirma que a confissão auricular foi
observada desde o início. O erudito Alister McGrath escreve:
O desenvolvimento sistemático da teologia sacramental é uma característica
importante do período medieval, particularmente entre os anos 1050 e 1240.
(Iustitia Dei, A History of the Christian Doctrine of Justification, Third Edition,
Cambridge, UK: Cambridge University Press, ©2005), pg. 117)
McGrath também observa que a inclusão por Pedro Lombardo da penitência
entre os sete sacramentos foi "de grande importância para o desenvolvimento
da doutrina da justificação dentro da esfera da igreja ocidental" (120-121). Ele
também diz: "Pode-se notar, no entanto, que não houve acordo geral sobre a
necessidade da confissão sacerdotal: no século XII, por exemplo, a escola
[pedro] abelardiana rejeitou sua necessidade, enquanto a escola de Victorino
insistia nela (121). Não foi até o Quarto Concílio de Latrão (1215) que a
"penitência" se tornou oficialmente um "sacramento". Esse concílio "obrigou os
crentes a confessar seus pecados anualmente ao sacerdote" (122). Ele ainda
diz:
O século IX, no entanto, viu o sistema anglo-irlandês de penitência privada
tornar-se generalizado na Europa, com importantes modificações na teologia
da penitência seguindo em sua sequência (...) Embora os escritores anteriores
considerassem que a penitência poderia ser realizada apenas uma vez na
vida, como uma "segunda tábua após um naufrágio" (tabula secunda post
naufragiam - ver Jerome Epistola 130), essa opinião foi gradualmente
abandonada, em vez de refutada, tanto por razões sociais como pastorais.
Assim, o bispo do oitavo século, Chrodegang de Metz, recomendou uma
confissão regular a um superior pelo menos uma vez por ano, enquanto Paulino
de Aquileia advogava a confissão e penitência antes de cada missa. A
classificação de Gregório o Grande de pecados mortais [século VI] foi
incorporada ao sistema penitencial da igreja durante o século IX, de modo
que a penitência privada na presença de um padre se tornou geralmente aceita.
(p. 117)
Percebem que a penitência em seu aspecto moderno é fruto de um longo
processo que só iria se generalizar no século IX. A questão é como uma igreja
assistida por um magistério infalível pode deter a crença errada por nove séculos
em algo tão fundamental? Não é isso que se espera de uma instituição assistida
pelo Espírito Santo. Observem também como as reivindações históricas do
Concílio de Trento são falsas. Este concílio não adotava o desenvolvimento da
doutrina. Todavia, como já dito, a evidência histórica obrigou Roma a redefinir
seu conceito de tradição da igreja. Percebam que a mudança de confissão
pública para privada, de apenas uma vez para quantas vezes for preciso, de
penas que poderiam durar toda uma vida para rezar algumas ave marias é
precisamente a evolução do dogma condenada pelo juramento contra os
modernistas. No mesmo juramento, ainda lemos:
Também rejeito o erro daqueles que dizem que a Fé mantida pela Igreja pode
contradizer a história, e que os dogmas católicos, no sentido em que são agora
entendidos, são irreconciliáveis com uma visão mais realista das origens da
Religião cristã. Também condeno e rejeito a opinião dos que dizem que um
cristão erudito assume uma dupla personalidade - a de um crente e ao mesmo
tempo a de um historiador, como se fosse permissível a um historiador
manter coisas que contradizem a Fé do crente, ou estabelecer premissas que,
desde que não haja negação direta dos dogmas, levariam à conclusão de que
os dogmas são falsos ou duvidosos.
Agora, comparem com a declaração do Joseph Ratzinger a respeito da
Assunção de Maria:
Antes que a assunção corporal de Maria ao céu fosse definida, todas as
faculdades teológicas do mundo foram consultadas para dar opinião. A resposta
de nossos professores foi enfaticamente negativa (...) "Tradição" foi
identificada com o que poderia ser provado com base em textos. Altaner, o
patrologista de Würzburg (...) provou de maneira cientificamente persuasiva que
a doutrina da assunção corporal de Maria ao céu era desconhecida antes do
século V. Esta doutrina, portanto, argumentou, não poderia pertencer à "tradição
apostólica". E essa foi a conclusão que meus professores em Munique
compartilharam. Este argumento é convincente se você entender a "tradição"
estritamente como o manuseio de fórmulas e textos fixos (...) Mas se você
conceber a "tradição" como um processo vivo pelo qual o Espírito Santo nos
apresenta a plenitude da verdade e nos ensina como entender o que
anteriormente não podíamos entender (Jo 16:12-13), então a "lembrança"
subsequente (Jo 16:4, por exemplo) pode reconhecer o que não tinha visto
anteriormente e ainda como repassado na palavra original. (Milestones
(Ignatius, 1998), 58-59)
Ratzinger incorre no erro condenado pelo juramento e para “salvar” a assunção
de Maria apela ao desenvolvimento da doutrina. Não importa que por séculos
tenha sido uma doutrina desconhecida pela Igreja. Pio X também iria condenar
o desenvolvimento da doutrina na Lamentabili Sine (AQUI
http://www.montfort.org.br/bra/documentos/decretos/lamentabili/). Ele condena
as seguintes afirmações:
22. Os dogmas que a Igreja apresenta como revelados não são verdades caídas
do Céu; são uma certa interpretação de fatos religiosos que a inteligência
humana logrou alcançar à custa de laboriosos esforços.
53. A constituição orgânica da Igreja não é imutável; a sociedade cristã assim
como a sociedade humana, está submetida a uma perpétua evolução.
Especificamente sobre o batismo infantil:
43. A prática de conferir o batismo às crianças foi uma evolução disciplinar,
que concorreu como uma das causas para que este sacramento se desdobrasse
em dois, a saber: Batismo e Penitência.
Já Newman disse:
(...) Assim, vemos que com o passar do tempo, a doutrina do Purgatório estava
aberta sobre a compreensão da igreja, como uma porção ou forma de
penitência por pecados cometidos após o batismo: e, portanto, a crença
nessa doutrina e a prática do batismo infantil cresceriam dentro de uma geral
recepção conjunta (Newman, p. 417).
Newman faz duas afirmações que incorrem nas condenações papais. Ele diz
que a doutrina do purgatório estava em aberto e consistia numa forma
radicalmente distinta de como viria a ser compreendida depois e também que a
prática do batismo infantil viria a surgir em virtude dessa disciplina penitencial
primitiva (que ele próprio identificou como sendo a doutrina do purgatório
daquele período). Tanto purgatório como batismo infantil iriam surgir apenas
gradualmente na igreja e não teriam sido explicitamente e diretamente instituídos
por algum apóstolo. Pio X ainda disse:
54. Os dogmas, os sacramentos e a hierarquia, tanto em sua noção quanto em
sua realidade, não passam de interpretações e evoluções do pensamento cristão
que, por meio de incrementos externos, desenvolveram e aperfeiçoaram um
pequeno germe que existia em estado latente no Evangelho.
Essa é uma acurada descrição da teoria do desenvolvimento. Newman afirmou
que o impulso para desenvolvimento da doutrina partia geralmente da heresia.
Nenhuma doutrina seria definida se não fosse antes contestada. Creio ter
clarificado a contradição que o desenvolvimento da doutrina cria para a igreja de
Roma. A teoria abraçada por Vaticano II contradiz Vaticano I e Trento. Além
disso, o recurso usado para definir o que é a tradição da igreja é em si mesmo
condenado pela tradição da Igreja. Não por acaso, Newman costuma ser visto
como herege modernista pelos círculos mais tradicionalistas da igreja romana.
Ademais, os apóstolos não acreditavam que a fé que transmitiram estava sujeita
a tais desenvolvimentos. Pelo contrário, aquela fé foi de uma vez por todas
entregue aos santos (Jd. 1:3). O erudito do Novo Testamento Larry Hurtado
escreve:
Não é claro, por exemplo, que os crentes em Jesus do tempo de Paulo (cerca
de 30-60 d.C) pensaram em si mesmos, sua fé e práticas como "primitivas" ou
"embrionárias" de uma forma mais madura e completa de devoção de Jesus
que deveria ser desenvolvida ao longo do tempo. Ao invés disso, tenho a
impressão de que Paulo (por exemplo) pensou nas convicções e nos
ensinamentos que ele forneceu como adequadamente formado e totalmente
apropriado para sua situação. Então, se nos referimos aos primeiros anos do
movimento de Jesus como embrionário ou sementes de algo que se desenvolveu
mais tarde, acho que estamos importando um julgamento de valor que não
se baseia na evidência. (FONTE -
https://larryhurtado.wordpress.com/2017/06/05/how-we-see-historical-changes/)