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COMO APRENDER COM SEUS ERROS (WILLIAN DOUGLAS)

1. UMA CULTURA DE VENCEDORES


Vivemos em uma cultura onde cultua-se e respeita-se apenas vitória. É muito raro alguém
admirar o segundo colocado, aquele que não venceu, que não foi o melhor. Em nossa
cultura, apenas presta-se honras ao vencedor, àquele que supera a todos. As pessoas só
comemoram vitória.
Isto não é o ideal. Muitas vezes o segundo colocado possui muito mais honra e glória que
o primeiro, muitas vezes o 5º colocado foi mais longe do que aquele que chegou na
primeira colocação.
Como pode ser isso?
Há ocasiões em que o 5º colocado superou-se muito mais, ultrapassou os seus próprios
limites. Se você reparar as condições de treinamento de um país com pouca tradição em
algum esporte e falta de investimentos por parte do governo, verá que seus atletas
superam-se muito mais do que os de outros países, onde há toda uma infraestrutura, e
suporte para a prática do esporte.
Para estes atletas, o esforço e a participação no jogo vale tanto quanto ou até mais do que
a própria vitória.
É por vivermos nessa cultura de vencedores que não aprendemos a perder, a compreender
que também há glória na derrota. Perder, ser derrotado, ser o segundo é honroso. Apenas
uma derrota é ruim: a derrota sem honra, daqueles que deixaram cair abaixo da própria
derrota ao utilizarem meios ilegítimos para alcançar a vitória. Esta é a derrota que enevoa
a honra. Esses, mesmo que tivessem sucesso, mesmo que tivessem sido campeões com
suas trapaças, não seriam vitoriosos.
Infelizmente, nem sempre o destino escancara o erro, o mal, a deslealdade, o doping, e
nem sempre a humanidade sabe identificar bem o saber jogar e saber vencer.
Dentro dessa cultura o que importa é vencer, ter dinheiro, ser famoso, estar “a crista da
onda”. E quantas vezes não vemos pessoas que sobem bem alto unicamente para
experimentar um tombo maior.
Faço, pois, de certo modo, uma defesa da derrota e do erro. Derrotas ensinam, derrotas
fazem meditar, derrotas exigem paciência, fortaleza, persistência. Derrotas exigem do
derrotado a capacidade de superar-se, de melhorar, te tentar outra vez. Sob este aspecto,
perder ensina muito mais do que vencer.
“Você não é derrotado quando perde. Você é derrotado quando desiste.” (Bob
Marley)
O primeiro colocado já é o melhor, é coroado, amado, recebe dinheiro, fama, poder. Por
isso vencer é perigoso: vencer dá ideia de que está completo, no topo, de que não é preciso
melhorar mais.
Por isso, é preciso saber vencer e saber perder. Ao vencer, é preciso humildade e cautela.
O fato de ter sido vitorioso hoje não nos assegura a vitória amanhã. Cada jogo é um jogo,
cada campeonato, um campeonato.
Ao perder, é preciso não se abater, treinar mais, aprender mais, tentar mais uma vez.
Perder em um concurso ou em uma prova exige a mesma disciplina que se espera de um
atleta que não venceu. E, em concursos, temos muito mais oportunidades do que esportes,
Copas, campeonatos e competições, de maneira geral, não se repetem: o máximo que se
consegue é ser o próximo campeão. Em concursos, uma vitória completa apaga todas as
derrotas anteriores. E, em geral, não existe limite de idade ou de tentativas.
O fato de ter dito um resultado razoável em uma prova não significa que na próxima
aquele patamar já está assegurado: na próxima é preciso o mesmo esforço, como acontece
em tudo na vida. Por outro lado, tirar nota 3 ou 4 não deve ser motivo de tristeza, mas de
satisfação, pois já se está conseguindo fazer pontos, já está no caminho.
O que nossa sociedade não tem correta noção é de que a derrota traz em si um conteúdo
didático, um legado de experiência e crescimento. Sob esse aspecto, em cada derrota,
esconde-se um elenco de vitórias, e a semente e a possibilidade de uma vitória no futuro.
Tudo que se compreenda a grandeza de perder e de se persistir até vencer.

2. UMA CULTURA EM QUE TODOS TEMOS DE ACERTAR SEMPRE


“Quantas chances eu desperdicei / Quando o que eu mais queria / Era provar pra
todo mundo / Que eu não precisava / Provar nada pra ninguém.” (Renato Russo)
Da mesma forma que aprendemos a vencer, aprendemos a acertar. E acertar sempre, como
querem os pais, os mestres, o mundo. “A nota dez é que é nota dez! É a única que serve.”
“O ‘A’, o melhor, o primeiro colocado!” Um monte de ilusões.
Querem sempre que acertemos. Somos sempre medidos pelos nossos acertos, pelo
número de vezes que demos a resposta certa, que fizemos o exercício corretamente, que
vencemos.
Esquecem-se que, desde que haja a devida consciência e atitude, cada erro traz consigo
uma parcela de aprendizagem. E é a aprendizagem o que importa: devíamos ser julgados
pelo percentual de aprendizagem e não pelo percentual de acertos. Medir acertos e erros
é mais fácil do que medir a aprendizagem, que nem sempre coincide com eles. Acertar
pode significar um aprendizado menor do que aquele que, errando, cresce: aquele que,
falhando, aprende a evoluir e aperfeiçoar-se. Muitas vezes quem repete aprende e fixa ao
passo que aquele que acerta continua e esquece.
Se o aluno souber avaliar o aspecto positivo do erro, pode acrescer e aprender muitíssimo.
Nesse sentido, errar é bom. Quem erra cresce e aprende se souber como errar, isto é, como
conviver com o erro e se aperfeiçoar com ele e através dele.
3. O MEDO DA DERROTA E DO ERRO
“Corra riscos! Se der certo, felicidade. Se der errado, sabedoria.”
Exatamente por vivermos em uma sociedade que apenas enaltece o triunfo, sem
compreendê-lo bem, muitos passam a ter medo de tentar porque cada tentativa traz
em si a possibilidade de vitória ou da derrota, do acerto ou do erro.
O pavor diante do erro e da derrota torna-se algo que a pessoa prefere não tentar e
eventualmente ser derrotado ou errar.
Por esse motivo, muitos se sentem no limbo cinzento do comodismo, do receio e
do medo porque não querem correr o risco necessário para se acertar.
Contudo, se você não pode perder, também não pode vencer.
Conheço muitas pessoas cujo orgulho ou receio impediram-nas de fazer um
concurso, de tentar uma prova, de fazer uma entrevista, tudo com medo de perder.
E, fazendo isso, enganadas por uma sociedade consumista e sedenta de heróis
troianos, tais pessoas sentaram-se à mesa daqueles que bebem vinho sem gosto,
que comem uma comida sem sabor. Antes tentassem, antes perdessem, pois na
derrota teriam mais honra glória, na derrota teriam tido a virtude da busca da
vitória, que um valor que excede à vitória em si.
Errar é, por vezes, um sinônimo de estar vivo, de tentar, de experimentar, de ousar.
Jorge Luiz Borges, no texto que transcrevemos no Apêndice, chega a dizer que, se
pudesse recomeçar sua vida, cometeria mais erros.
Um poeta cubano, ao comentar as dificuldade causadas pelo embargo econômico
imposto à ilha, disse as palavras lapidares:
“O nosso vinho é amargo, mas é o nosso vinho.”
Tenho certeza de que haveria menos frustação no mundo, e muitos vitoriosos a
mais, se as pessoas encarassem a derrota até com um gosto amargo, como o vinho
cubano, mas como suas conquistas, como algo que elas conseguiram por seus
próprios méritos. A falta de se tentar, ainda que se erre, é a causa da falta de muitos
acertos.
Quisera que você nunca tivesse medo de fazer um concurso, nunca tivesse medo
de tentar mais uma vez (mesmo que fosse a centésima), que nunca se assustasse
com a possibilidade do erro. Para vencer é preciso arriscar a perder, e se perder-
se, aprende-se, persiste-se, vence-se, mais cedo ou mais tarde.
“Perdemos muito por medo de Tentar.” (J. N. Maffitt)
“Quem decide pode errar; quem não decide, já errou.” (Herbert Von
Karajan)
“Se você não está cometendo erros, você não está assumindo riscos e isso
significa que você não está indo a lugar algum.” (John W. Hott Jr.)
“O homem que não comete erros, geralmente não faz nada.” (Edward John
Phelps)
“Aquele que tentou e não conseguiu é superior àquele que nada tentou.”
(Bud Wilkinson)
4. A ATITUDE DIANTE DA VITÓRIA E DA DERROTA, DO ERRO E DO
ACERTO
Um erro ou uma derrota, pois, devem ser vistos como oportunidades de
aprendizado e, portanto, não como experiências negativas, apenas como
experiências. O único erro inútil é aquele no qual não aprendemos nada, do qual
não tiramos nenhuma lição.
Todas as coisas possuem aspectos positivos e negativos: valorizar apenas o lado
bom do acerto e da vitória e apenas o lado negativo do erro e da derrota é, no
mínimo, uma crueldade. É preciso alertar os vencedores dos riscos da vitória e
consolar os derrotados com a virtudes da falha.
Vitórias e derrota, sorte e azar, são todos situações e não pessoas e, por isso,
precisam ser devidamente tratados, julgados, medidos, pesados, vividos.
Minha proposta é que você passe a olhar de modo isento para a vitória e a derrota,
para poder aprender com ambas e com nenhuma delas se ver iludido.
Você não só tem que acertar. Você também tem que errar, mesmo que apenas
algumas vezes. Ninguém vence todas ou acerta sempre. É raríssimo o acerto sem
que antes dele existam erros no processo de aprendizado. Por isso já se disse: ‘Erre
sempre, erre cada vez melhor”, pois, fazendo isso, você estará sempre mais perto
do acerto, que, afinal, é o objetivo.
Não tenha medo de errar. É preciso olhar a vitória com a penitência do
derrotado e a derrota, se digna, com o orgulho do vitorioso.
“Para que cometer os erros antigos quando há tantos erros novos a
cometer?” (Bertrand Russel)
A vitória só é válida se honesta e produto do próprio crescimento pessoal, e a
derrota é sempre honrosa se houve todo o esforço possível, se aquele que perdeu
fez o seu melhor. Se você dá o melhor de si, vence independentemente do
resultado.
Talvez por serem apenas duas faces da mesma moeda, tanto a vitória quanto a
derrota enaltecem-se ou vituperam-se conforme se banhem, respectivamente, com
lealdade e honestidade ou com deslealdade e desonestidade.
Há uma propaganda da Nike em que Michael Jordan diz que errou 9.000 cestas,
que perdeu tantos jogos, que 26 vezes pensaram que ele faria a cesta vitoriosa no
último segundo e ele errou. Depois de narrar tantos reveses, ele conclui dizendo
que é por isso que é um vencedor. Quando vi tal propaganda, fiquei muito feliz
com o quanto ela coincidiu com a minha crença: errar faz parte do processo de
aprendizado e da estrada para a vitória. No caso de Jordan, ele não se abateu com
os próprios erros, ele continuou a treinar, a esforçar-se até acertar. Assim como
qualquer um de nós pode fazer. Ele é considerado um dos melhores jogadores de
todos os tempos e você pode ser o próximo servidor público aprovado.
O correto é você ter a seguinte atitude: faça o seu melhor, persista até vencer e não
se iluda com a vitória ou a derrota, tratando-as por vezes como um capricho do
destino ao qual você pode superar. O aprendizado e o esforço pessoal é que são as
verdadeiras conquistas.
“O único homem que nunca comete erros é aquele que nunca faz coisas
alguma. Não tenha medo de errar, pois aprenderá a não cometer duas vezes
o mesmo erro.” (Roosevelt)
5. UMA SOCIEDADE QUE QUER OUVIR SEMPRE O SIM
Tanto quanto a vitória e o acerto, nossa cultura ensina que devemos sempre ouvir
e responder “sim”. Por essa razão muitas vezes dizemos “sim” quando a nossa
vontade é dizer “não”. Chega-se a ponto de considerar-se falta de educação dizer
“não”.
Temos que ouvir sempre “sim”. Temos que sempre dizer “sim”. Porém, quantas
crianças transformam-se em malfeitores ou viciados porque ouviram um bom e
firme “não”?
Toda pergunta traz, ínsita em si, a resposta “sim” e a resposta “não”. Receber um
“não” nada tem de humilhante, dado que constitui-se uma alternativa tão válida
quanto a resposta positiva. Quantas vezes um adolescente deixa de convidar
alguém para ir ao cinema por medo do “não”?
Pode parecer ridículo, mas o fato é que muitos adultos deixam de ouvir “sim”
porque – como se fossem tímidos adolescentes – ficam com medo de ouvir um
“não”. Uma reprovação e um concurso tem uma certa cara de “não” e muitos
querem ou não estão preparados para ouvir isso.
Warren Greshes ensina que se você não pedir, não vai receber. Para receber alguma
coisa você tem que pedir, e o pedido tem que ser razoável, num momento razoável,
e de preferência a pessoa deve ter alguma confiança em você. Se enganar a pessoa,
você vai ouvir um “sim” e depois só “não”. Mas se você for honesto, vai ouvir
muitos “sim”. Esse mestre de vendas diz que você pode parar quando alguém diz
“não”. Você pode discutir, desistir ou desanimar quando ouvir um “não”. Não se
deve, diz ele, ter medo de um “não”, até porque você vai ouvir mais a palavra “não”
do que a palavra “sim”. Para ouvir mais “sim”, você precisa ouvir mais “não”, mas
cada “não” que ouvir você estará mais próximo de ouvir um “sim”. Quanto maior
o número de “não”, maior a probabilidade de ouvir um “sim”.
6. A LIMITADORA IDEIA DA IMPOSSIBILIDADE
“Não sabendo que era impossível ele foi lá e fez.” (Jean Cocteau)
Não se limite pela ideia da impossibilidade. Já foi mostrado pelas leis da
aerodinâmica o besouro não poderia voar: seu corpo é muito grande. Suas asas
pequenas etc. Contudo, o besouro voa. Brinca-se que ele o faz porque não estudou
Física e não sabe que não pode voar. Assim, não se limite a ideia de
impossibilidade. A crença na possibilidade gera a capacidade anterior para
trabalhar, persistir e conseguir.
Conheço pessoas que deixaram de ser algo porque deixaram de acreditar que
podiam ser. Há pessoas fazendo cursos preparatórios porque fazem, porque a
família quer, porque precisam se “enganar” de que estão tentando. Essas pessoas,
no fundo, não se esforçam porque, também no fundo, não acreditam sinceramente
que podem. Este tópico tem muito a ver com o início deste livro, quando se fala
que é imprescindível acreditar que o objetivo pode ser alcançado.
As pessoas olham o sonho, o objetivo, as metas com um respeito tão grande que
os veem longe, de muito longe, tanto quase impossível (ou mesmo impossível)
chegar lá. Não faça isso: não imagine o objetivo como algo impossível. Veja-o,
toque-o, sinta-o, ouça-o e perceba-o. Não se limite pela ideia da impossibilidade.
Antes, motive-se pela ideia da possibilidade.
Também evite agir como a raposa da fábula, a qual querendo as suculentas uvas,
mas não as podendo alcançar, preferiu dizer que elas estavam verdes. Se você
quiser alguma coisa tente até conseguir, insista, improvise, esforce-se. Melhor
seria, contudo, se ela procurasse uma escada, um bambu ou imaginasse outra forma
de obter seu intento. Se, em último caso, a pessoa considerar mais adequado (na
relação custo x benefício) desistir, deve fazê-lo de modo consciente, por exemplo,
quando o risco é maior que o prêmio (Nick Vujici). Agora, quando a desistência é
apenas uma fuga é preciso ter em mente que problemas não irão deixar de existir
por fugirmos deles. Por exemplo, no caso da raposa, deveria ela assumir a verdade,
ou seja, que as uvas estavam maduras, mas não havia como alcança-las,
redirecionando seus objetivos.
Não existia receita de bolo para desistir ou persistir. O único livro que conheço que
funciona como receita de bolo infalível, é a Bíblia e, mesmo assim, ela diz: “Voltei-
me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha,
nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes das riquezas, nem
tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a
todos” (Eclesiastes 9.11).
Disraeli já chegou até dizer que “não são as circunstancias que criam o homem,
mas é o homem que cria as circunstancias.” É inquestionável que somos
influenciados pelas circunstancias, mas é certo que podemos modifica-las através
do nosso esforço.

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