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Anais do SEFiM, Porto Alegre, V.02 - n.2, 2016.

Da exegese simbólica em Vitor Turner à significação musical em


Susanne Langer: da antropologia, pela filosofia, para uma perspectiva
sobre o “lugar” da música na resolução de conflitos sociais

From the symbolic exegesis in Victor Turner to the musical significance


in Susanne Langer: from the anthropology, by the philosophy, to a
perspective about the “place” of the music in the resolution of social
conflicts
Palavras-chave: Victor Turner; Susanne Langer; Exegese simbólica; Significação musical.
Keywords: Victor Turner; Susanne Langer; Symbolic exegesis; Musical significance.

Sandro Santos da Rosa


Faculdades EST (Brasil) - Université Laval (Canadá)
sandromusik@hotmail.com

O trabalho propõe-se a contextualizar as teorias do antropólogo Victor Turner sobre dra-


ma social e exegese das propriedades do símbolo. Propõe-se também a recordar as teorias da
filósofa Susanne Langer sobre signo, significante e significação musical, a fim de propor
uma perspectiva exegética para estudar eventos culturais que são mediados pela música.
Metodologicamente montar-se-á um quadro teórico proveniente das principais obras dos
dois autores e de alguns de seus comentadores.
Na primeira parte do trabalho apresentar-se-á a obra Schism and continuity in an african
society (1957), de Victor Turner. Neste livro o autor mostra que os eventos sociais que
acontecem na tribo Ndembu estudada por ele, tais como os rituais religiosos e as fes-
tividades tradicionais, são ações que visam “sanar” cismas e conflitos que provocam
ruptura na vida cotidiana da sociedade. Em Turner, os eventos de resolução de conflito
são os que permitem a uma sociedade ir adiante. Todo cisma produzido pela socie-
dade é “resolvido” ritualmente através de um drama social que é dividido em quatro
partes, a saber: 1) ruptura (duma regra ou valor social); 2) crise e intensificação da crise; 3)
tratamento (regeneração / ações corretivas); 4) reintegração ou reconhecimento dos cismas
(conflitos) (TURNER, 1957, p. 92-94). Entre os Ndembu, as atividades de “resolução”
de um drama social são atividades religiosas e liminares, as quais são edificadas por meio
de processos rituais que se valem das mais variadas disposições simbólicas do ser humano,
tal qual a música e o teatro (TURNER, 1969, p. 94-97).
A segunda parte do trabalho partirá da seguinte questão: quais são os eventos de resolu-
ção de conflito das sociedades seculares ou pré-industriais em que vivemos hoje? Ou, em
nossas sociedades não existem conflitos sociais? Estamos inclinados a pensar que existem,
e buscaremos identificá-los não a partir dos conflitos, mas dos “possíveis” eventos de reso-
lução de conflitos, a saber, a partir dos liminóides culturais, a exemplo dos ritos religiosos,

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dos atos cívicos e das festividades regionais seculares. Sendo assim, far-se-á o “encontro”
entre o antropólogo Victor Turner e a filósofa Susanne Langer. O primeiro, em sua obra
The forest of symbols: aspects of Ndembu ritual (1967), mostra que as propriedades dos
símbolos rituais podem ser inferidos a partir de três classes de dados: a) a forma exterior
e as características observadas dos símbolos; b) interpretações propostas pelas pessoas que
praticam o ritual; c) contextos significativos observados pelo pesquisador (contexto de
utilização dos símbolos pelas pessoas nos ritos, a significação simbólica aparente dos atos,
etc. (TURNER, 1967, p. 20-25). Como podemos aplicar a exegese das ações simbólicas
de Turner para entendermos o “lugar” que a música ocupa nos eventos de resolução dos
dramas sociais que acontecem nas sociedades seculares, industriais ou pós-industriais em
que vivemos, a exemplo dos ritos religiosos, dos atos cívicos e das festividades regionais?
Ao trabalharmos para respondermos esta questão, também utilizaremos os estudos de
Susanne Langer sobre a significância da música no devenir humano, a partir das obras
Philosophy in a new key: a study in the symbolism of reason, rite and art (1951), Feeling and
form: a theory of art developed from Philosophy in a new key (1953) e An introduction to sym-
bolic logic (1953). Assim, Turner nos ajudará a identificar, a enxergar e a “destacar” (isolar)
os eventos simbólicos musicais da sociedade secular para análise. Susanne Langer nos
ajudará a interpretar os fenômenos musicais “destacados” a partir da exegese de Turner.
Com isso, na terceira parte do trabalho promover-se-á um exercício exegético sobre “even-
tos culturais” que são mediados por atividades musicais, tais quais os ritos religiosos, os
atos cívicos, as festividades regionais, os concertos musicais e a utilização da música em
terapia (musicoterapia) e educação. Esses, são eventos que utilizam a música como meio
de resolução de cismas contemporâneos. Entre as conclusões do trabalho destaca-se a
ideia de que a música é uma forma de comunicação humana na qual a sonoridade sig-
nificante e simbólica se constitui como meio de sentido ao devenir humano. Contudo, a
música não é apenas um meio estético de vasão dos sentimentos, mas um meio estético de
compreensão e percepção do mundo que se desenvolve em cada âmbito cultural a partir
das particularidades étnicas definidas pelo tempo e espaço em que cada povo vive.

Referências
LANGER, Susanne. An introduction to symbolic logic. New York: Dover Publications, 1953.
______. Feeling and form: a theory of art developed from Philosophy in a new key. New York:
Scribner’s, 1953.
______. Philosophy in a new key: a study in the symbolism of reason, rite and art. Cambridge,
Mass.: Harvard University Press, 1951.
TURNER, Victor. Dramas, fields, and metaphors: symbolic action in human society. Ithaca: Cornell
University Press, 1974.
______. From ritual to theatre: the human seriousness of play. New York: Performing Arts Journal
Publications, 1982.
______. Image and pilgrimage in christian culture: anthropological perspectives. New York: Colum-
bia University Press, 1978.
______. Schism and continuity in an African society: a study of Ndembu village life. Manchester:
Manchester University Press, 1957.

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______. The drums of affliction: a study of religious processes among the Ndembu of Zambia. Ox-
ford: Clarendon P.; London: International African Institute,1968.
______. The forest of symbols: aspects of Ndembu ritual. Ithaca, N.Y.: Cornell University Press,
1967.
______. The ritual process: structure and anti-structure. Chicago: Aldine Pub. Co., 1969.
______. “Variations on a theme of liminality”. In: Moore, S. F.; Myerhoff, B. G. (Eds.). Secular
ritual. Amsterdam: The Netherlands: Van Gorcum, Assen, 1977. p. 36-52.

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