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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUÍZ DE DIREITO DA 9ª VARA CÍVEL DO

FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA DO


ESTADO DO PARANÁ

AUTOS Nº: 000000000.00.0000-0000

JOÃO DA SILVA, já devidamente qualificado nos autos em epígrafe, que move


em desfavor da HABITA-SE EMPREENDIMENTOS, vem respeitosamente, por intermédio
de seus advogados infra-assinados, com fulcro no art. 1010, §1º, do Código de Processo
Civil, apresentar a presente:

CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO

que segue anexa, desta forma, requerendo após a juntada aos autos, que
sejam remetidos ao Egrégio Tribunal de Justiça.

Termos em que,
Pede e espera deferimento,

Curitiba, 29 de maio de 2019.


____________________________
ANA CAROLINA SOARES
OAB/PR nº 47.836

Dalmonte, Sales, Sampaio & Soares


Advogados Associados
Rua Desembargador Motta, 2481, Centro
Curitiba/PR – CEP: 80430-200 contato@dsssadvogadosasssociados.com.br
EXCELENTÍSSIMOS SENHORES DESEMBARGADORES DA EGRÉGIA TURMA DO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ

AUTOS Nº: 000000000.00.0000-0000


APELANTE: Habita-se Empreendimentos
APELADO: João da Silva

COLENDA TURMA,
EGRÉGIOS JULGADORES,
O Apelado, vem através deste, apresentar CONTRARRAZÕES de Apelação
para que a R. Sentença do “juízo a quo”, seja mantida com seus fundamentos, pois a
mesma não é passível de reforma.
Pelos fatos e fundamentos que passa a expor:

I. DA BREVE SÍNTESE PROCESSUAL


Trata-se de ação ordinária movida pelo Apelado contra a Apelante buscando
a condenação da ré ao pagamento de indenização por danos materiais e morais em
decorrência do atraso na entrega de um imóvel, o qual foi adquirido ainda na planta.
Ainda, sustentou a necessidade da indenização por supostas práticas abusivas
praticadas pela ora Apelante, as quais além de terem causado danos morais ao Apelado,
resultaram na frustração de suas pretensões.
A Apelante apresentou contestação às fls. 120, alegando, em suma, mora do
Apelado em apossar-se do imóvel, ausência de pressupostos do dano material e
inexistência de prova quanto dano moral.

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Houve impugnação à contestação em fls. 211, além da juntada de diversas
provas ao processo.
Por fim, sobreveio sentença em fls. 295 e seguintes, na qual o Exmo.
Magistrado julgou o feito parcialmente procedente, condenando a Apelada à
indenização por danos morais no montante de dez mil reais.
A Apelante foi condenada ainda ao pagamento de custas processuais, bem
como honorários advocatícios fixados em R$1.000,00 (Um mil reais) (fls. 306).
Da sentença sobreveio a Apelação, a qual se contrarrazoa.

II. DOS DANOS MORAIS


O dano moral é a lesão de interesses não patrimoniais, que atingem a esfera
moral e íntima do indivíduo, cujo valor patrimonial não se pode acarear, como,
liberdade, paz, bem-estar, tranquilidade etc. É como conceitua Carlos Roberto
Gonçalves1:
“Dano moral é o que atinge o ofendido como pessoa, não lesando seu patrimônio. É
lesão de bem que integra os direitos da personalidade, como a honra, a dignidade,
intimidade, a imagem, o bom nome, etc., como se infere dos art. 1º, III, e 5º, V e X, da
Constituição Federal, e que acarreta ao lesado dor, sofrimento, tristeza, vexame e
humilhação” (GONCALVES, 2009, p.359).

No entanto, a Apelante alega se tratar de meros aborrecimentos, com


fundamento de que o inadimplemento contratual no atraso da entrega do imóvel não é
considerado fato gerador de dano moral e que não gera uma lesão a personalidade.
Pois bem, é oportuno contrapor e esclarecer que a jurisprudência maioritária
atual entende que basta a comprovação do ato indevido, para a sua configuração, sendo
desnecessária a prova do efetivo prejuízo, conforme o texto jurisprudencial a seguir
enaltece:
AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL.CPC/1973.
COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. ATRASO NA ENTREGA. PROGRAMA"MINHA CASA, MINHA

1 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2009. v.
IV.

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VIDA". LUCROS CESSANTES. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃ AO ÓBICE DA SÚMULA 284/STF.
DANOS MORAIS. OCORRÊNCIA. LONGO ATRASO. EMPREENDIMENTO DESTINADO A
FAMÍLIAS DE BAIXA RENDA. JULGADOS DESTA CORTE. REVISÃO DO VALOR ARBITRADO.
ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ.

1. Controvérsia acerca das consequências do atraso na entrega de um imóvel financiado


pelo programa Minha Casa, Minha Vida - PMCMV. 2. Ausência de impugnação ao óbice da
Súmula 284/STF, aplicado no capítulo relativo aos lucros cessantes, o que inviabiliza o
conhecimento da insurgência quanto a esse ponto.3. Cabimento de indenização por danos
morais em virtude do atraso de mais de doze meses, após o período de tolerância, na
entrega de imóvel destinado a famílias de baixa renda. Julgados desta Corte Superior sobre
cabimento de indenização por danos morais na hipótese de longo período de atraso. 4.
Inviabilidade de se revisar o valor arbitrado a título de indenização por danos morais (R$
8.000,00), por não se tratar de arbitramento em valor exorbitante. Óbice da Súmula
7/STJ.5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO AgInt no REsp 1639991 / RO AGRAVO INTERNO
NO RECURSO ESPECIAL 2016/0307949-8. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO (1144).
T3 - TERCEIRA TURMA. Data do julgamento 29/04/2019/ Data publicação DJe 03/05/2019.

Deste modo, demonstra-se que independente de prova de prejuízo material


ou ofensa a honra objetiva, configura-se a existência do fato lesivo que atinge o íntimo
do Apelado, obrigando assim, pagamento de indenização por parte da Apelante.

III. DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Ao tratar da inversão do ônus da prova, nota-se toda discussão sobre o


ocorrido já foi vencida no feito, tornando-se, assim, desnecessária a dilação probatória.
Nesse sentido o Douto magistrado bem elucidou que “Desnecessária,
contudo, a inversão do ônus da prova, tendo em vista que a discussão travada no feito
torna desnecessária a dilação probatória, razão pela qual se determinou o julgamento
do feito no estado em que se encontra”.
Portanto, desnecessária maior argumentação.

IV. DO ÍNDICE DA RESTITUIÇÃO

Não merece reforma, nesse ponto, a sentença. O magistrado determinou


que ocorresse a exclusão dos juros moratórios e correção monetária após dezembro de

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2010, visto ter sido esta data pactuada para a finalização da construção civil. Assim,
restaria protegido o equilíbrio contratual entre as partes. Além disso, determinou que:
“A correção monetária do montante a ser restituído deverá ocorrer pelo INCC (Índice
Nacional da Construção Civil), até o ajuizamento da demanda, por ter sido o índice
pactuado pelas partes para correção do saldo devedor, conforme inserto no tópico
“Reajustes” do quadro resumo do instrumento contratual celebrado. No período
compreendido entre o ajuizamento da demanda e o efetivo pagamento, a correção deverá
ocorrer pela média aritmética entre INPC e o IGP-DI”.

A referida decisão nada mais exprime senão uma representação lógica da


realidade fática. Sabe-se que o INCC visa corrigir o contrato de compra e venda de
imóveis na planta no período em que a obra está em andamento, abarcando valores
próprios da área como as despesas com equipamento, materiais, mão de obra e serviços
utilizados na construção. Assim, se a fase de edificação do imóvel foi concluída, não
haverá mais gastos com os referidos valores, não havendo, por consequência,
justificativa plausível para a incidência do INCC.
Desta forma, conforme bem entendeu o Douto Juízo, toda parcela paga pelo
devedor deveria ser reajustada por média aritmética do INPC e IGP-DI, visto que esse
cálculo demonstraria a regular variação de preço no mercado e a inflação do preço de
produtos e matéria-prima. Desse modo, a errônea aplicabilidade do INCC imputaria em
prejuízos reais ao comprador, sem que esse tenha concorrido para a mora da entrega
da obra. Nesse sentido entende a jurisprudência:
EMENTA: CONTRATO DE COMPRA E VENDA - REAJUSTE - TAXA DE EVOLUÇÃO DA
OBRA/INCC - ATRASO NA ENTREGA DA OBRA. O INCC, Índice Nacional de Construção Civil,
comumente denominado taxa de evolução da obra, incide sobre as parcelas devidas
durante o período de construção. Constatada a mora injustificada da construtora, o ônus
quanto ao pagamento de taxa de evolução da obra, ou reajuste pelo INCC, não pode ser
imputado aos promitentes compradores que não concorreram para o atraso na entrega
da obra.(TJ-MG - AC: 10024141995449001 MG, Relator: Evangelina Castilho Duarte, Data
de Julgamento: 21/03/2019, Data de Publicação: 29/03/2019)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C DANOS MORAIS E MATERIAIS.


ATRASO NA ENTREGA DE OBRA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELO ÍNDICE DO INCC.ATRASO
NA ENTREGA DO IMÓVEL QUE NÃO PODE IMPUTAR AO COMPRADOR O PAGAMENTO DE
CORREÇÃO MONETÁRIA PELO ÍNDICE DE CONSTRUÇÃO DE IMÓVEL EM PERÍODO QUE
ESTA CONSTRUÇÃO JÁ DEVIA TER SE ENCERRADO. INVERSÃO DE CLÁUSULA PENAL EM
FAVOR DO COMPRADOR. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. MAGISTRADA QUE
INDEFERIU O PEDIDO DE INVERSÃO DA CLÁUSULA PENAL E APLICOU CLÁUSULA EXPRESSA
DO CONTRATO EM CASO DE INADIMPLEMENTO CONTRATUAL CAUSADO PELA PRÓPRIA
APELANTE. LUCROS CESSANTES PRESUMIDOS NAS HIPÓTESES DE ATRASO DE ENTREGA DE

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OBRA.PRECENDENTES JURISPRUDNCIAIS. VALOR DOS LUCROS CESSANTES. NECESSIDADE
DE APURAÇÃO EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. DANO MORAL. CABIMENTO.SITUAÇÃO DE
ATRASO NA ENTREGA DE IMÓVEL QUE ULTRAPASSA MERO DISSABOR. VALOR ARBITRADO
QUE NÃO É EXCESSIVO. RECURSO DE APELAÇÃO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NA PARTE
CONHECIDA, NÃO PROVIDO. (TJPR - 11ª C.Cível - AC - 1575516-5 - Curitiba - Rel.: Sigurd
Roberto Bengtsson - Unânime - - J. 08.02.2017)
(TJ-PR - APL: 15755165 PR 1575516-5 (Acórdão), Relator: Sigurd Roberto Bengtsson, Data
de Julgamento: 08/02/2017, 11ª Câmara Cível, Data de Publicação: DJ: 1977 23/02/2017)

Assim, entende-se pela inaplicabilidade do INCC após o prazo estipulado


para finalização da construção, especialmente por não haver o Apelado concorrido para
o atraso da obra.
Por fim, ressalta-se que a correção monetária de valores a ser restituídos é
matéria de ordem pública, razão pela qual é plenamente viável a fixação dos índices de
ofício pelo magistrado.
RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC.
PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO
AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE
OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA.
EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO
3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO
INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA.
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL.
RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE
CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública,
integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou
tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o
princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no
REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009,
DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado
em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira
Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir
Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp
1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe
15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em
19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira
Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana
Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel.
Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007;
e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em
02.08.2005, DJ 05.09.2005). (...) (REsp 1112524/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, CORTE
ESPECIAL, julgado em 01/09/2010, DJe 30/09/2010)

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V. DO PEDIDO

Diante do exposto, requer aos Nobres Julgadores sejam apreciadas as


contrarrazões do recurso de Apelação, para confirmar a decisão prolatada pelo Nobre
Julgador a quo na integra.

Termos em que,
Pede e espera deferimento,

Curitiba, 29 de maio de 2019.

____________________________ _____________________________
ANA CAROLINA SOARES BRUNA KELI DALMONTE
OAB/PR nº 47.836 OAB/PR nº 43.889

____________________________ ___________________________
CLAUDIO ROBERTO SALES JUNIOR YASMIN BAUER SAMPAIO
OAB/PR nº 45.674 OAB/PR nº 46.915

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