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Burnout e incidentes críticos em profissionais de emergência

de primeira resposta, o caso dos bombeiros

Jorge Fatia

Irene Vieira Schenk

António Sobral

Manuela Jorge Vieira Fatia

Ester Carolina Schenk Fatia Perira

Daniel Filipe Schenk Fatia Pereira

J.F. Schenk Soluções Estatísticas

2019

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Abastrat: This article aims to present evidence of stress and burnout in first response

emergency workers, firefighters and the existence of other psychological and physical

disorders and their relation to critical incidents. However, the literature has pointed out

that also the working conditions, such as night work and shift work, work overload,

among others contribute positively to the emergence of various disorders, both physical

and psychological. It also aims to present the stress model when applied to fire activity

prepared by Ponnelle.

Key-words: Burnout, critical incidents, firefighters, Stress model applied to fire

activity.

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Resumo: O presente artigo pretende apresentar evidências de stress e burnout em

profissionais de emergência de primeira resposta, os bombeiros, bem como a existência

de outras patologias psicológicas e físicas e sua relação com os incidentes crítico.

Contudo, a literatura têm salientado que também as condições de trabalho, como

trabalho noturno e por turnos, sobrecarga de trabalho, entre outras contribuem de forma

positiva para o surgimento de diversos transtornos, tanto físicos como psicológicos.

Pretende-se ainda apresentar o modelo de stress aquando em atividade aplicado aos

bombeiros elaborado por Ponnelle.

Palavras-chave: Burnout, Incidentes críticos, bombeiros, Modelo de stress

aquando em atividade aplicado aos bombeiros.

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Estado de arte:

Segundo Jonsson, Segesten, e Mattsson Como Citado por Marcelino, Figueiras e

Claudino (2012, p.114) “um número de estudos recentes mostra que os operacionais de

emergência relatam uma grande variedade de stressores, incluindo a constante

exposição a incidentes de carácter traumático”.

Para Miguel (2013, p.1)“os bombeiros fazem parte do grupo de profissionais que tem

responsabilidade de dar resposta a estas situações e, para os quais, o contexto de

trabalho pode constituir um risco para a saúde, tendo em conta que trabalham em

cenários de catástrofe, destruição e lidam com acontecimentos traumáticos e com o

sofrimento dos outros”. Tais características tornam os bombeiros mais suscetíveis ao

desenvolvimento de stress. Algumas das possíveis situações as quais os operacionais

são confrontados são aquelas que “envolvem a dor, o sofrimento humano, a morte e

crianças” segundo Regehr, Goldberg e Hughes, Jonsson, Segesten e Mattsson, Como

citado por Marcelino, Figueiras e Claudino (2012). Tais situações não têm de ser

necessariamente incidentes críticos de grande escala, podem “resumir-se” a acidentes de

viação, paragens cárdio-respiratórias e doenças súbitas. Constata-se que os bombeiros

estão assim de forma constante face a incidentes críticos e situações traumáticas com

impacto biopsicossocial como podemos observar na Tabela 1.

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Tabela 1 – Sintomas e Sinais face a incidentes críticos e situações traumáticas

Autores Sintomas e Sinais presentes


Vara e Queirós (2013) Valores elevados de despersonalização e baixa

realização pessoal
Wagner, Heinrichs e Ehlert (1998) Stress pós-traumático, ansiedade, depressão,

dependência de substâncias, tais como tabaco,

álcool e cafeína, fadiga, burnout, dificuldades de

relacionamento interpessoal, dor física ou queixas de

saúde persistentes.
Quick, Quick, Nelson e Hurrell Maior propensão a acidentes, comportamentos

(1997) violentos e distúrbios alimentares

A estes cenários de risco frequentes na actividade profissional dos bombeiros contam-se

ainda os recursos insuficientes. Para Vara, Queirós, e Kaiseler (2013. p.585) “as tarefas

e interacções desenvolvidas no âmbito da sua profissão potenciam a emergência de

emoções que se reflectem no desempenho profissional”, por outras palavras, o

surgimento em última instância do burnout.

Segundo Vara, Queirós Citado por Vara, Queirós, e Kaiseler (2013, p.586) “os

bombeiros prestam serviços que exigem esforço emocional intenso no contacto com a

dor e morte, com o risco físico e com as elevadas expectativas por parte da sociedade e

dos próprios”.

Para além da exposição a incidentes críticos o bombeiro possui uma sobrecarga de

trabalho, tendo-se identificado na literatura fontes de stress no trabalho como podemos

constatar na Tabela 2.

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Tabela 2 – Fontes de stress em bombeiros

Autores Fontes de stress


Murta e Tróccoli (2007) Organização e condições de trabalho, relações interpessoais e

conflitos trabalho-família
Miguel (2013) Pressão do tempo e o controlo, exigências de produtividade,

problemas quanto às regras e as características da tarefa (e.g.

imprevisibilidade)

Ponnelle Como Citado por Lourel, Abdellaoui, Chevaleyre e Paltrier (2008, p.494) no

seu estudo pioneiro desenvolveram um esquema de stress de três fases para bombeiros

aquando em atividade:

 “A fase pré-operacional (ou antecipação) começa quando uma chamada (alarme)

é recebido, e termina quando o bombeiro chega no local. Durante esta fase, altos

níveis de ansiedade e concentração são encontrados.

 A fase operacional corresponde ao tempo durante o qual o bombeiro está a

tomar medidas no local do acidente. Aqui, foram relatados sentimentos de medo

e agressividade, mas também de distress.

 Mais tarde, durante a fase pós-operacional, cansaço, euforia e desânimo, bem

como o desejo de expressar a raiva foram encontrados. É durante esta fase que o

stress pode aparecer (ou reaparecer) "

Saliente-se que mesmo quando existem medidas de saúde psicológica positivas como o

bem-estar psicológico como no estudo de Bacharach, Bamberger e Doveh Citado por

Ângelo (2010, p. 3) , as conclusões a que chegam é que os bombeiros são expostos

“regularmente a incidentes críticos e traumáticos com grande impacto ao nível do seu

bem-estar psicológico”.

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Conclusões:

Constata-se que os bombeiros devido à sua prática profissional estão mais propensos à

exposição de acidentes críticos e situações traumáticas e existem fortes evidências na

literatura de que esta exposição leva ao desencadeamento de diversos sintomas e sinais

clínicos relevantes, como stress, burnout e outros transtornos psicológicos e físicos. O

modelo de stress aquando em atividade pelos bombeiros desenvolvido por Ponnelle é

uma ferramenta que pode ser utilizada nas diversas fases de atuação, descrevendo

comportamentos e sentimentos típicos podendo estes ser alvos de intervenção.

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Referências bibliográficas

Ângelo, R. P. C. P. A. (2010). Psicologia da saúde ocupacional dos bombeiros

portugueses: O papel das exigências e recursos profissionais na promoção do bem-estar

psicológico. Universidade de Lisboa. Tese de Doutoramento em Psicologia Social.

Lourel, M., Abdellaoui, S., Chevaleyre, S., Paltrier, M., & Gana K. (2008).

Relationships between psychological job demands, job control and burnout among

Firefighters. North American Journal of Psychology, 10(3), 489-496.

Marcelino, D., Figueiras, M. G., & Claudino, A. (2012). Impacto da exposição a

incidentes críticos na saúde e bem-estar psicológico dos tripulantes de ambulância.

Psicologia, Saúde & Doenças, 13(1), 110-116.

Miguel, L. V. A. (2013). Burnout, stress e satisfação com o trabalho em bombeiros.

Universidade do Porto. Dissertação de Mestrado integrado em Psicologia.

Murta, S. & Tróccoli, B. (2007). Stress ocupacional em bombeiros: efeitos de

intervenção baseada em avaliação de necessidades. Estudos de Psicologia, 24, 1, 41-51.

Quick, J. C., Quick, J. D., Nelson, D. L., Hurrell, J. J. (1997). Individual consequences

of stress. In J. C. Quick, J. D. Quick, D. L. Nelson & J. J. Hurrell. (Eds). Preventive

stress management in organizations. (pp.65-88). Washington, DC, US: American

Psychological Association.

Vara, N., Queirós, C., & Kaiseler, M. (2013). Estratégias de coping e emoções como

preditoras do risco de burnout em bombeiros.

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Wagner, D., Heinrichs, M., & Ehlert, U. (1998). Prevalence of symptoms of

posttraumatic stress disorder in German professional firefighters. Am J Psychiatry. 1998

Dec;155(12):1727-32.