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Qual é a finalidade do inventário

negativo?
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Publicado por Erika Nicodemos Advocacia

anteontem

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É comum escutarmos que alguém teve que dar entrada em um
processo de inventário por conta de partilha de bens. Mas há
ainda a possibilidade de se promover o inventário negativo.

O que vem a ser um inventário negativo?

Inventário negativo é um procedimento utilizado nos casos em


que o de cujus (falecido) não deixa bem algum, sendo
necessário que os herdeiros obtenham uma declaração judicial
ou escritura pública (vias cartorárias - extrajudicial) sobre a
situação..

Segundo o advogado paranaense Yassim[1] (2012), o


inventário negativo é a maneira de se comprovar a inexistência
de bens em nome do falecido, quando necessário. E apesar de
não estar contido no CPC é uma medida aceita pela doutrina e
jurisprudência.
Coadunando ao conceito acima exposto, vale observar as
palavras do doutrinador BARROS[2] ao mencionar que

Pode acontecer que um morto não deixe bens e que seu


cônjuge ou os seus herdeiros tenham necessidade da certeza
jurídica desse fato. O meio jurídico de positivar isso é recorrer
o interessado ao inventário negativo. Muito embora o Código
não o discipline, o inventário negativo é, às vezes, uma
necessidade do cônjuge sobrevivo ou dos herdeiros. Por isso, os
juízes e a praxe o admitem como o modo judicial de provar-se,
para determinado fim, a inexistência de bens. (BARROS, 1993,
grifo nosso).

Necessidade esta que perfaz as exigências legais e


administrativas. E é imprescindível ao cônjuge supérstite e aos
herdeiros. Mas qual é a finalidade do inventário negativo?

Há algumas situações em que o presente instituto vem sendo


aplicado, ou seja:
 Responsabilidade além das forças da herança
(art. 1.792 do Código Civil): quando o de cujus tiver deixado
credores (dívidas). Neste caso, a lei é precisa em informar
que “os herdeiros não respondem por encargos superiores às
suas forças”. Desta forma, o inventário negativo pode ser
utilizado pelos herdeiros como forma de comprovar a
inexistência de bens.
 Substituição Processual: quando houver processo em curso
no qual o de cujus era parte (polo ativo ou passivo). Cabe
após a morte deste a necessidade de habilitação no processo
do inventariante e/ou dos sucessores. O que gera mais uma
possibilidade de promover o inventário. Contudo, para o
ingresso como inventariante nem sempre há a exigência de
adentrar com o inventário.
 Outorga de escritura a compromissários compradores de
imóveis vendidos pelo autor da herança, enquanto vivo;
 Baixa fiscal ou encerramento legal de pessoa jurídica de que
o falecido era sócio, e sem movimentação;
 Viúvo (a) que deseje contrair novas núpcias
(art. 1.523 do Código Civil): apesar do disposto no
artigo 1.523 de CC, na prática não há um nexo para a
exigência do inventário negativo, é apenas uma faculdade,
uma vez que não há bens a partilhar entre os herdeiros.
Por todo o exposto, vale ressaltar que o inventário negativo
apesar de não estar previsto na legislação, na praxe jurídica é
aplicável e visa evitar embaraços futuros ao cônjuge supérstite
e aos herdeiros. Além de ser um procedimento mais simples e
ágil. Podendo ser por meio judicial ou extrajudicial.

[1] YASSIM, Osmar. Hipóteses para abertura de inventário


negativo. Publicada em: 06 fev 2012. Disponível
em: http://www.paranacentro.com.br/noticia.php?idInsercao
=8324. Acesso em 15 jan 2014.
[2] BARROS, Hamilton de Moraes e. Comentários ao Código
de Processo Civil: lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973. 4. Ed.
Rio de Janeiro: Forense, 1993, v. 9.
http://erikanicodemos.com.br/qualefinalidade-do-inventario-
negativo/
Erika Nicodemos AdvocaciaPRO

Advogada

Advogada, sócia do escritório Erika Nicodemos Advocacia, atuante na área cível e


empresarial, com enfoque em direito de família e das sucessões e direito do consumidor
(principalmente, questões relacionadas à saúde e empreendimentos imobiliários). Graduada
em direito pela Faculdade de Direito da USP. Pós-graduada em direito empresarial e
especialista em direito tributário, societário e digital pela FGV. Mestre em direito civil pela
Universidade de Roma. Membro efetivo da Comissão de Direito de Família e Sucessões da
OAB/SP.

Fonte:https://erikanicodemosadvocacia.jusbrasil.com.br/notic
ias/425877942/qual-e-a-finalidade-do-inventario-
negativo?utm_campaign=newsletter-
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Data: 06/02/2017

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