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História da Europa

História da Europa

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A História da Europa descreve a passagem no tempo desde os

primeiros humanos que habitaram o continente europeu até a

atualidade. A primeira evidência do Homo sapiens na Europa

data de 35 000 a.C. [1] O relato mais antigo feito sobre o

continente é a Ilíada, de Homero, da Grécia Antiga, que data de

700 a.C. [2] A República Romana foi estabelecida em 509 a.C., e

transformada no Novo Império de Augusto na primeira metade

do século I. [3] A religião cristã foi adotada no século IV. [4]

Confrontado com migrações bárbaras e a praga, o império foi

dividido entre Leste e Oeste [5] e a Idade Média se instalou no

coração da Europa Ocidental. O Império Bizantino manteve a luz

da civilização acesa no Leste. A Igreja Oriental e Ocidental

confrontaram-se por séculos sobre o meio de governo

eclesiástico, [6] provocando o cisma em 1054, que aconteceu em

seguida à divisão anterior de 451, e foi prosseguida das Cruzadas do oeste para recuperar o leste da Invasão dos Muçulmanos. A

Europa acorda do período medieval através do redescobrimento do ensinamento clássico. O Renascimento foi seguido da

Europa, desenhada pelo cartógrafo antuérpio Abraham Ortelius em 1595
Europa, desenhada pelo cartógrafo antuérpio
Abraham Ortelius em 1595

A revolução industrial, começando na Grã-Bretanha, permitiu às pessoas, pela primeira vez, não dependerem mais de material de

subsistência. [10] O recente Império Britânico dividiu-se assim como suas colônias na América revoltadas para estabelecer um

governo representativo. Uma mudança política na Europa aconteceu a partir da Revolução Francesa, quando as pessoas gritavam

"Liberté, Egalité, Fraternité". O líder francês seguinte, Napoleão Bonaparte, conquistou e reformou a estrutura social do

continente através de guerras até 1815 Quanto mais e mais donos de pequenas propriedades ganhavam poder de voto, na França e

no Reino Unido, a atividade socialista e dos sindicatos desenvolveu-se e a revolução se instalou na Europa em 1848. Os últimos

e

globo, em uma série de impérios, até que a procura do lugar ao sol acabou com o início da Primeira Guerra Mundial. No

desespero da guerra, a Revolução Russa prometia ao povo "paz, pão e terra". Além de humilhada com o Tratado de Versalhes, a

Alemanha tem sua economia destruída com a grande depressão e uma nova grande guerra. Com a vitória do capitalismo e do

comunismo sobre o fascismo, começou uma nova ordem mundial conhecida como guerra fria. A Europa Ocidental formou uma

assinou um novo tratado de união, que em 2007, compreendia 27 países. [13]

o Império Alemão foram formadas de grupos de principados em 1870 e 1871. [12] Conflitos desencadearam-se ao redor do

Índice

Pré-história

Mundo Clássico Grécia Antiga

A ascensão de Roma

Idade Média Uma luz bizantina

O crescimento do sistema feudal

Alto feudalismo

A Igreja dividida

Guerras santas

A Peste Negra

O despertar da Europa

Renascimento

Reformas

A Era dos Descobrimentos

Iluminismo

Revolução e nacionalismo Revolução Industrial Revoluções políticas

A formação dos estados modernos

Impérios

Guerra e paz Guerras mundiais Guerra Fria Reunificação e integração

Referências

Bibliografia

Ligações externas

Pré-história

O relevo europeu
O relevo europeu

Os Homo erectus e os Neanderthalis habitavam a Europa bem

sapiens. [14]

do

dos

os

Os ossos dos primeiros europeus foram achados em Dmanisi,

Geórgia, e datados de 1,8 milhões de anos. [15] O primeiro

aparecimento do povo anatomicamente moderno na Europa é

datado de 35 000 a.C. Evidências de assentamentos permanentes

datam do VII milênio a.C. na Bulgária, Romênia e Grécia. [16] O

período neolítico chegou na Europa central no VI milênio a.C. e

em partes da Europa Setentrional no V e V milênio a.C. A

civilização Tripiliana (5508-2 750 a.C.) foi a primeira grande

civilização da Europa e uma das primeiras do mundo; era

localizada

e

Romênia. Foi provavelmente mais antiga que os Sumérios no

na

moderna

e

também

na

Oriente Próximo, e tinha cidades com 15 000 habitantes que cobriam 450 hectares. [17]

Começando no Neolítico, tem-se a civilização dos Camunos no Val Camonica, península Itálica, que deixou mais de 350 000

petróglifos, o maior sítio arqueológico da Europa.

Também conhecido como Idade do Cobre, o Calcolítico europeu foi um tempo de mudanças e confusão. O fato mais relevante foi

a infiltração e invasão de imensas partes do território por povos originários da Ásia Central, considerado pelos principais

historiadores como sendo os originais indo-europeus, mas há ainda diversas teorias em debate. Outro fenômeno foi a expansão do

megalitismo e o aparecimento da primeira significante estratificação econômica e, relacionado a isso, as primeiras monarquias

conhecidas da região dos Balcãs. A primeira civilização bem conhecida da Europa foi as do Minoicos da ilha de Creta e depois os

Micenas em adjacentes partes da Grécia, no começo do segundo milênio a.C. [14]

Embora o uso do ferro fosse de conhecimento dos povos egeus por volta de 1 100 a.C., não chegou à Europa Central antes de

claramente suas posições na península Itálica e na Península Ibérica, penetrando profundamente naquelas penínsulas (Roma foi

fundada em 753 a.C.).

Mundo Clássico

Os gregos e romanos deixaram um legado na Europa que é evidente nos

pensamentos, leis, mentes e línguas atuais. A Grécia Antiga foi uma união de

cidades-Estado, na qual uma primitiva forma de democracia se desenvolveu.

Atenas foi sua cidade mais poderosa e desenvolvida, e um berço de ensinamento

nos tempos de Péricles. Fóruns de cidadãos aconteciam e o policiamento do

estado deu ordem ao aparecimento dos mais notáveis filósofos clássicos, como

campanhas militares de Alexandre o Grande espalharam a cultura helenística e

os ensinamentos até as nascentes do rio Indo. Mas a República Romana,

alicerçada pela vitória sobre Cartago nas Guerras Púnicas, estava crescendo na

região. A sabedoria grega passada às instituições romanas, assim como a própria

Atenas foi absorvida sob a bandeira do senado e do povo de Roma. Os romanos

ditador. Na sucessão, Otaviano assumiu o poder e, embora tenha mantido as

instituições republicanas, inclusive o senado romano, de fato concentrou o poder no seu cargo de príncipe do senado e adotou o

título de "augusto", transformando a república para no Império Romano.

A divisão do império após a morte de Teodósio I, ca. 395 sobreposta às fronteiras
A divisão do império após a morte de
Teodósio I, ca. 395 sobreposta às
fronteiras atuais.
Império Romano do Ocidente
Império Romano do Oriente

Grécia Antiga

A civilização helênica tinha a forma de um conjunto de cidades-Estado, ou pólis (as mais importantes eram Atenas, Esparta,

Tebas, Corinto e Siracusa), tendo diferentes tipos de governo e culturas, incluindo o desenvolvimento de filosofias, ciências,

matemática, políticas, esportes, teatro e música. Atenas, a cidade-estado mais poderosa, era governada com um tipo primitivo de

democracia direta fundada pelo nobre ateniense Clístenes. Na democracia ateniense, os cidadãos votavam neles mesmo para

cargos executivos e legislativos. Na Grécia também surgiu Sócrates, considerado um dos fundadores da filosofia ocidental. [18]

Sócrates também criou o método socrático, um tipo de pedagogia usada até hoje no aprendizado filosófico, na qual uma série de

questões é feita não apenas para obter respostas individuais, mas também para encorajar a compreensão fundamental dos

problemas. Devido a essa filosofia, Sócrates foi condenado à morte por estar "corrompendo a juventude" ateniense com suas

Mosaico encontrado em Pompeia mostrando Alexandre III da Macedónia lutando contra Dario III da Pérsia
Mosaico encontrado em Pompeia
mostrando Alexandre III da
Macedónia lutando contra Dario III
da Pérsia

As cidades-Estado helênicas fundaram um

grande número de colônias nas costas do

(Magna Grécia), mas no século V a.C., sua

expansão

retaliação do Império Aquemênida. Nas

cidades-estado

helênicas formaram uma aliança e

derrotaram o Império Aquemênida na

Batalha de Plateias, afastando os invasores.

uma

O Partenon, antigo templo da acrópole, caiu sob o domínio de Roma em 176 a.C.
O Partenon, antigo templo
da acrópole, caiu sob o
domínio de Roma em
176 a.C.

rumo

ao

leste

as

levou

a

a

Grécia, sendo a Liga do Peloponeso vitoriosa. Descontente com a hegemonia espartana

sobre a Grécia deu-se início a Guerra Corintiana, onde uma aliança liderada por Tebas bateu

Esparta na batalha de Leuctra. As contínuas batalhas helênicas tornaram a Grécia alvo fácil para o rei Filipe II, que uniu

Macedônia e Grécia sob o mesmo domínio. As campanhas de seu filho Alexandre, o Grande espalharam a cultura grega pela

Pérsia, Egito e Índia, mas também permitiu o contato com os antigos ensinamentos desses países, abrindo uma nova era de

desenvolvimento, conhecido como helenismo. Alexandre morreu em 323 a.C., decompondo o seu império em diversas

civilizações helenísticas.

A ascensão de Roma

Muito do ensinamento grego foi assimilado pelo então novo Estado romano,

assim que ele se espalhou pela península Itálica, aproveitando-se da vantagem da

não união de seus inimigos: o único desafio real da ascendente Roma foi a

colônia fenícia de Cartago, e sua derrota no fim do século III a.C. marcou o

início da hegemonia romana. Primeiro governado por reis, depois por uma

república senatorial (a República Romana), Roma finalmente tornou-se um

império no fim do século I a.C., sob Augusto e seus sucessores. O Império

Romano teve seu centro no mar Mediterrâneo, controlando todos os países

margeados por ele; o limite norte do território era marcado pelos rios Reno e

Danúbio. Sob Trajano (século II), o império alcançou o máximo de sua expansão

territorial, controlando aproximadamente 5 900 000 km², incluindo a Britânia,

Romênia e partes da Mesopotâmia. O império trouxe paz, civilização e um

eficiente governo centralizado para os territórios dominados, porém no século III uma série de guerras civis começaram a

ameaçar sua força econômica e social. No século IV, Diocleciano e Constantino foram capazes de diminuir o processo de declínio

dividindo o império em uma parte Ocidental e outra Oriental. Diferentemente de Diocleciano, que condenava ferozmente o

cristianismo, Constantino declarou o fim da perseguição dos cristãos em 313 com o Édito de Milão, prosseguindo assim com a

oficialização do cristianismo como religião oficial do império.

Cícero denuncia Catilina,afresco que representa o senado romano reunido na Cúria Hostília. Palazzo Madama, Roma
Cícero denuncia Catilina,afresco que
representa o senado romano reunido
na Cúria Hostília. Palazzo Madama,
Roma

Idade Média

Quando o imperador Constantino derrotou Magêncio e conquistou Roma sob a bandeira da Cruz em 312, ele rapidamente editou o Édito de Milão em 313, declarando legal o

cristianismo no Império Romano. Além disso, Constantino mudou oficialmente a capital do

império, Roma, para a colônia grega de Bizâncio, que ele renomeou para Constantinopla ("Cidade de Constantino").

Teodósio I, que tornou o cristianismo religião

oficial do Império Romano, foi ser o último imperador a comandar o Império Romano em

toda a sua unidade, que depois de sua morte, em 395), foi dividido em duas partes: O Império Romano do Ocidente, centrado em Ravena, e o Império Romano do Oriente

(depois

referido

pela

como

centrado

em

Reinos e povos europeus por volta do ano de 500.
Reinos e povos europeus por volta do ano de 500.

Constantinopla. A parte ocidental foi seguidamente atacada por tribos nômades germânicas, e em 476 finalmente caiu sob a invasão dos Hérulos comandados por Odoacro.

A autoridade romana no Oeste entrou em colapso e as províncias ocidentais logo tornaram-se pedaços de reinos germânicos. Entretanto, a cidade de Roma, sob o comando da Igreja Católica Romana permaneceu como um centro de ensino, e fez muito

para

Constantinopla, Justiniano, conseguiu com sucesso, montar toda a lei romana no Código de Justiniano (529–534). Por todo o século VI, o Império Bizantino esteve envolvido em uma série de conflitos sangrentos, primeiro contra o Império Sassânida, depois pelo Califado Ortodoxo. Em 650, as províncias do Egito, Palestina e Síria foram perdidas para forças muçulmanas.

em

preservar

o

pensamento

clássico

romano

na

Nesse

meio-tempo,

o

imperador

romano

Na Europa Ocidental, uma estrutura política surgia: no vácuo do poder deixado pelo colapso de Roma, hierarquias locais foram construídas sob a união das pessoas nas terras que eram trabalhadas. Dízimos eram pagos ao senhor da terra, e este senhor devia tributos ao príncipe regional. Os dízimos eram usados para financiar o estado e as guerras. Esse foi o sistema feudal, no qual novos príncipes e reis apareceram, no qual o maior deles foi o líder franco Carlos Magno. Em 800, Carlos Magno, após suas grandes conquistas territoriais, foi coroado "Imperador dos Romanos" (Imperator Romanorum) pelo papa Leão III, afirmando efetivamente seu poder na Europa Ocidental. O reinado de Carlos Magno marcou o começo de um novo império germânico no oeste, o Sacro Império Romano. Além de suas fronteiras, novas forças estavam crescendo. A Rússia de Quieve estava delimitando seu território, a Grande Morávia estava crescendo, enquanto os anglos e os saxões estavam confirmando suas fronteiras.

Uma luz bizantina

Constantino (r. 306–337) é considerado o primeiro imperador bizantino. Foi ele que mudou a capital do império em 324 de Nicomédia (atual İzmit na Turquia) para Bizâncio, refundada como Constantinopla, ou "Nova Roma". [19] A cidade de Roma não servia como capital desde o reinado de Diocleciano. [20] Alguns consideram o começo do império no reinado de Teodósio (r. 379–395) quando o cristianismo substituiu a religião pagã romana, ou sua posterior morte em 395, quando a divisão política entre leste e oeste se tornou permanente. Outros ainda colocam 476 como o início, quando Rômulo Augusto, tradicionalmente considerado como o último imperador, foi deposto, deixando a única autoridade imperial no Leste. Outros apontam ainda para a reorganização do império nos tempos de Heráclio (r. 610–641) quando os usos e títulos latinos foram oficialmente trocados pelas

Constantino e Justiniano oferecendo sua fidelidade para a Virgem Maria dentro da Santa Sofia
Constantino e Justiniano oferecendo
sua fidelidade para a Virgem Maria
dentro da Santa Sofia

suas versões gregas. Em todo caso, a mudança foi gradual desde 330, quando

Constantino inaugurou a nova capital, o processo de helenização e a crescente

cristianização estavam acontecendo. O império é geralmente dado como acabado

com a queda de Constantinopla frente aos turco-otomanos em 1453, o que

também foi considerado pela historiografia como o fim da Idade Média. [21]

incluindo sua capital, Constantinopla, nos anos de 541 e 542. Estima-se que a

praga matou mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo. [22][23] Causou

também a queda da população europeia em 50% entre 541-700. [24] e também

deve ter contribuído para o sucesso das conquistas árabes. [25]

O crescimento do sistema feudal

Papa Adriano I pede ajuda a Carlos Magno, rei dos francos, contra a invasão de
Papa Adriano I pede ajuda a Carlos
Magno, rei dos francos, contra a
invasão de 772

[26] quando Carlos Magno,

rei dos francos, foi coroado pelo

império, baseado na moderna

Alemanha, expandiu-se para os

atuais

e

Seu

800,

como

imperador.

de

e

seu

territórios

Ele

pai

Em 814, o Império Franco alcançou o seu ápice, enquanto Bizâncio enfrentava a expansão islâmica
Em 814, o Império Franco alcançou
o seu ápice, enquanto Bizâncio
enfrentava a expansão islâmica

receberam uma substancial

ajuda de uma aliança com o papa, que pediu ajuda contra os lombardos. O papa

era oficialmente um vassalo do Império Bizantino, mas o imperador bizantino nada podia fazer contra os lombardos.

No leste, o Primeiro Império Búlgaro foi estabelecido em 681 e tornou-se o primeiro país eslavo. [27] O poderoso Império Búlgaro

foi o principal rival de bizâncio no controle dos Bálcãs por séculos e desde o século IX tornou-se o centro cultural da Europa

eslava. [28] Dois estados, a Grande Morávia e a Rússia de Quieve emergiam respectivamente dentre os eslavos ocidentais e

orientais ainda no século IX. [27] No final do mesmo século e no seguinte, o norte e o oeste da Europa perderam seu crescente

poder e influência aos viquingues que invadiram, conquistaram e se estabeleceram rápida e eficientemente com seus avançados

barcos de guerra, que já eram tão avançados como caravelas. Os húngaros pilharam os principais territórios da Europa, enquanto

relevantes nações como a Croácia e a Sérvia surgiram nos Bálcãs. O período seguinte, que acabou por volta do ano 1000, viu o

crescimento do feudalismo, que enfraqueceu o Sacro Império Romano Germânico. [14]

Alto feudalismo

A adormecida era medieval foi sacudida pela crise na Igreja. Em 1054, um cisma acontece entre os dois centros cristãos

remanescentes, em Roma e Constantinopla.

A Igreja dividida

A Tapeçaria de Bayeux mostra a Batalha de Hastings e os eventos que levaram a
A Tapeçaria de Bayeux mostra a
Batalha de Hastings e os eventos
que levaram a ela

Do século V ao XI foram

numerosas as rupturas seguidas

de reconciliação entre as igrejas

do Ocidente e Oriente. [6] O

principal conflito era o método

Em 1097, começa a primeira Cruzada para a Terra Santa
Em 1097, começa a primeira
Cruzada para a Terra Santa

de

governo da Igreja, enquanto

o

Oriente sustentava a Igreja

como uma Pentarquia dentro do

Império Bizantino, comandada

pelos patriarcas de suas cinco

cidades mais importantes:

Alexandria, Antioquia e Jerusalém; [29] no Ocidente os Papas, invocavam jurisdição sobre todos os assuntos da Igreja e o direito

de julgar até mesmo os patriarcas, [30] em cerca de 446 o Papa Leão I tinha expressamente reivindicado autoridade sobre toda a

Igreja: "O cuidado da Igreja universal, deve convergir para a cadeira de Pedro, e nada deve ser separado de sua cabeça". [31][32]

Desde a metade do século VIII, as fronteiras do Império Bizantino enfrentavam uma iminente expansão islâmica. Antioquia

voltou ao controle bizantino por volta de 1045, mas o ressurgente poder dos sucessores romanos no ocidente passou a postular

por seus direitos e sua autoridade nos lugares perdidos na Ásia e África. Então, em 1054 os legados romanos do papa Leão IX,

viajaram para Constantinopla para insistir no reconhecimento da primazia papal, [33] o patriarca de Constantinopla se recusou a

reconhecer sua autoridade [34] e se excomungaram mutuamente, [33] posteriormente a separação entre Ocidente e Oriente se

desenvolveu quando todos os outros patriarcas orientais apoiaram Constantinopla, [35] no evento do Grande Cisma.

Mudanças posteriores ocorreram com uma redivisão da Europa. Guilherme, o Conquistador, duque da Normandia, invadiu a

Inglaterra em 1066. A conquista normanda foi crucial na história inglesa por diversas razões. Essa conquista aproximou a

Inglaterra da Europa continental com a introdução da aristocracia normanda e, portanto, diminuindo a influência escandinava.

Assim criou-se uma das mais poderosas monarquias europeias em um sofisticado sistema governamental.

Guerras santas

Depois do Grande Cisma do Oriente, a cristandade ocidental foi adotada nos

entre o Papa e o Imperador. Em 1129, a Igreja Católica estabeleceu o uso da

Inquisição para conservar a sua ortodoxia doutrinária no Ocidente católico. A

Inquisição punia e exortava todos aqueles que praticavam a heresia para se

arrependerem e se converterem. Caso não o fizessem, a punição poderia ser a

morte.

Durante este tempo muitos senhores e nobres se converteram ao cristianismo. [14]

Os Monges de Cluny batalharam para instituir a igreja onde nobres não o faziam.

O papa Gregório VII continuou o trabalho dos monges com mais dois objetivos

alcançados, libertar a igreja do controle de reis e nobres e aumentar o poder do

papado. A área de influência da Igreja Católica aumentou enormemente devido

às conversões de reis pagãos (Escandinávia, Lituânia, Polônia e Hungria) à

reconquista da Península Ibérica e às Cruzadas. A maior parte da Europa era

católica no século XV.

Adhémar de Monteil carregando a Lança Sagrada em uma das batalhas da Primeira Cruzada
Adhémar de Monteil carregando a
Lança Sagrada em uma das
batalhas da Primeira Cruzada

Sinais do renascimento da civilização na Europa ocidental começaram a aparecer já no século XI com o início do comércio ainda

Portugal, mas o processo de formação, em geral, demorou séculos. Essas nações criadas começaram a se comunicar com seus

idiomas culturais, em vez do tradicional latim. Figuras notáveis do movimento incluem Dante Alighieri e Cristina de Pisano,

primeiro escritora em italiano, que depois de sua mudança de Veneza para a França, escreveu em francês. [14] Por outro lado, o

Sacro Império Romano-Germânico, essencialmente baseado na Alemanha e na península Itálica, esteve fragmentado em um

conjunto de principados e pequenas cidades-estado, cuja subjugação ao imperador era apenas formal.

Durante os séculos XIII-XIV, o Império Mongol subiu ao poder. Os exércitos mongóis expandiram-se em direção ao oeste sob o

comando de Batu Cã. Suas conquistas no ocidente incluíram quase toda a Rússia (salvo Novgorod, que se tornou um vassalo), [36]

Quipchaco, a Hungria e a Polônia (que permaneceu como um estado autônomo). Documentos mongóis sugerem que Batu Khan

estaria planejando a completa conquista dos poderes europeus remanescentes, começando com um ataque no inverno sobre a

Áustria, península Itálica e Alemanha, quando foi chamado de volta para a Mongólia devido a morte do cagano Ogedei. Muitos

Doentes de Peste negra. Iluminura. (c.1272-1352). MS 13076-77, f. 24v
Doentes de Peste negra. Iluminura.
(c.1272-1352). MS 13076-77, f. 24v

A Peste Negra

Uma das maiores catástrofes que atingiu a Europa foi a Peste Negra. Diversas

epidemias da peste ocorreram ao longo dos tempos, mas a pior de todas foi na

metade do século XIV e estima-se que tenha matado um terço da população

europeia.

No começo do século XIV, o mar Báltico tornou-se uma das rotas comerciais

mais importantes. A Liga Hanseática, uma aliança entre cidades comerciais,

facilitou a absorção de vastas áreas da Polônia, Lituânia e outros países bálticos

para a economia europeia. Isso alimentou o crescimento de poderosos estados na

Moscóvia. O fim da Idade Média é relacionado com a queda de Constantinopla e

do Império Bizantino pelos turcos otomanos em 1453. Os turcos fizeram a

cidade capital do Império Otomano, que sobreviveu até 1922 e incluía Egito,

Síria e grande parte dos Bálcãs. As guerras otomanas na Europa, também referidas como guerras turcas, marcaram uma

essencial parte da história do sudeste europeu.

O despertar da Europa

Renascimento

O Renascimento foi um movimento cultural que afetou profundamente a vida intelectual europeia no seu período pré-moderno.

Começando na península Itálica, e espalhando-se de norte a oeste, o renascimento durou aproximadamente 250 anos e sua

influência afetou a literatura, filosofia, arte, política, ciência, história, religião entre outros aspectos de indagação intelectual. [14]

O italiano Francesco Petrarca, suposto primeiro legítimo humanista, escreveu na década de 1330: "Estou vivo agora, ainda que

eu prefira ter nascido em outro tempo". Ele era um entusiasta da antiguidade romana e grega. Nos séculos XV e XVI, o contínuo

entusiasmo pela Antiguidade Clássica foi reforçado pela ideia de que a cultura herdada estava se dissipando e de que havia um

conjunto de ideias e atitudes com que seria possível reconstruí-la. Matteo Palmieri escreveu em 1430: "Agora, com certeza, todo

espírito pensante deve agradecer a Deus, porque a ele foi permitido nascer em uma nova era". O renascimento fez nascer uma

nova era em que aprender era muito importante.

O renascimento foi inspirado pelo crescimento dos estudos de textos latinos e

gregos e a admiração da era greco-romana como uma época de ouro. Isso incitou

muitos artistas e escritores a tomar emprestados exemplos gregos e romanos para

suas obras, mas também existiram muitas inovações nesse período,

especialmente através de artistas multifacetados tais quais Leonardo da Vinci e

Leon Battista Alberti. Muitos textos gregos e romanos ainda existiam na Idade

Média europeia, devido ao trabalho inestimável dos monges católicos, que

copiaram e recopiaram os textos antigos e os guardaram por todo um milênio.

Muitos outros foram descobertos com a migração de estudiosos gregos, assim

como de textos gregos clássicos, para a Itália, após a queda de Constantinopla,

enquanto outros textos gregos e romanos chegaram através de fontes islâmicas,

que os herdaram através das conquistas, e até mesmo fazendo tentativas de

melhorar alguns deles. Com o orgulho natural de pensadores avançados, os

humanistas viram o ressurgimento desse grande passado como uma renascença –

o renascimento da própria civilização.

O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci demonstra a sua visão para o homem perfeitamente
O Homem Vitruviano de Leonardo da
Vinci demonstra a sua visão para o
homem perfeitamente proporcional

política pragmática. Também foram importantes os diversos líderes que governaram estados e usaram a arte da Renascença como

um sinal de seus poderes.

Reformas

Durante esse período, a corrupção da Igreja Católica levou a uma dura reação, na

Reforma Protestante. [14] E ela ganhou muitos seguidores, especialmente entre

como João Calvino com o seu calvinismo que teve influência em muitos países e

As 95 Teses do monge alemão Martinho Lutero que quebraram a autocracia papal
As 95 Teses do monge alemão
Martinho Lutero que quebraram a
autocracia papal

A Reforma Protestante também levou a um forte movimento reformista na Igreja

Católica chamado Contrarreforma, que tinha como objetivo reduzir a corrupção,

assim como aumentar e fortalecer a doutrina católica. Um importante grupo da

Igreja Católica que surgiu nessa época foram os jesuítas, que ajudaram a manter a Europa Oriental na linha católica de

pensamento. Mesmo assim, a Igreja Católica foi fortemente enfraquecida pela Reforma protestante e grande parte do continente

europeu não estava mais sob sua influência e os reis nos países que continuaram no catolicismo começaram a anexar as terras da

igreja para seus próprios domínios.

Diferentemente da Europa Ocidental, os países da Europa Central, a Comunidade Polaco-Lituana e a Hungria, foram mais

tolerantes. Enquanto se aumentava a predominância do catolicismo, eles ainda permitiam que um grande número de minorias

religiosas cultivasse suas crenças. Assim, a Europa Central manteve-se dividida entre católicos, protestantes, ortodoxos e judeus.

Outro importante acontecimento desta época foi o crescimento do sentimento de união do povo europeu. Émeric Crucé (1623)

formulou a ideia do Conselho Europeu, com a intenção de acabar com as guerras na Europa; visto que a última tentativa de criar

paz na Europa não obteve sucesso quando todos os países europeus (exceto o Império Russo e o Império Otomano, vistos como

estrangeiros) fizeram um tratado de paz em 1518 no Tratado de Londres. Muitas guerras estouraram de novo em poucos anos. A

reforma proporcionou a paz impossível na Europa por muitos séculos ainda.

Outro desenvolvimento foi a ideia da superioridade europeia. O ideal de civilização foi baseado nos antigos gregos e romanos:

disciplina, educação e viver em uma cidade eram requeridos para tornar o povo civilizado; europeus e não europeus eram

julgados por sua civilidade. Serviços postais eram encontrados por todas as regiões, o que permitiu uma rede humanística de

intelectuais interconectados pela Europa, mesmo com as divisões religiosas. Entretanto, a Igreja Católica Romana proibiu e baniu

muitos trabalhos científicos promissores; isso trouxe uma vantagem aos países protestantes, onde o banimento de livros era

organizado regionalmente. Francis Bacon e outros líderes da ciência tentaram criar uma unidade na Europa focando-se na unidade

pela natureza. No século XV, com o fim da Idade Média, poderosos estados apareceram, construídos por novos monarcas, que

centralizaram o poder na França, Inglaterra e Espanha. Por outro lado, o parlamento da Comunidade Polaco-Lituana ganhou

poder, tirando os direitos legislativos do rei polonês. O poder do novo estado foi contestado por parlamentares em outros países,

especialmente a Inglaterra. Novos tipos de estados surgiam com a cooperação entre governantes de terras, cidades, repúblicas de

fazendas e guerreiros.

A Era dos Descobrimentos

O porto marítimo de Villa Medici em 1638, por Claude Lorrain
O porto marítimo de Villa Medici em
1638, por Claude Lorrain

As numerosas guerras não impediram que os novos estados explorassem e

conquistassem largas porções do mundo, particularmente na Ásia (Sibéria) [37] e

a recém-descoberta América. [38] No século XV, Portugal liderou a exploração

geográfica, seguido pela Espanha no começo no século XVI. Eles foram os

primeiros estados a fundar colônias na América e estações de troca nas costas da

canatos tártaros, Kazan e Astracã, e a viagem de Yermak em 1580, que levou a

anexação da Sibéria pela Rússia.

A expansão colonial prosseguiu-se nos anos seguintes (mesmo com alguns

empecilhos, como a Revolução Americana e as guerras pela independência em

muitas colônias americanas). A Espanha controlou parte da América do Norte e grande parte da América Central e do Sul, o

Caribe e Filipinas.; [39] Portugal teve em suas mãos o Brasil e vários territórios costeiros em África e na Ásia (Índia, Macau,

Timor Português, etc.); [40] os britânicos comandavam a Austrália, Nova Zelândia, maior parte da Índia e grande parte da África e

América do Norte; [41] a França comandou partes do Canadá e da Índia (porém quase tudo foi perdido para os britânicos em

1763), a Indochina, grandes terras na África e Caribe; os Países Baixos ficaram com as Índias Orientais (hoje Indonésia) e

algumas ilhas no Caribe; países como Alemanha, Bélgica, Itália e Rússia conquistaram colônias posteriormente.

Essa expansão ajudou a economia dos países que a fizeram. O comércio prosperou, por causa da menor estabilidade entre os

impérios. No final do século XVI, a prata americana era responsável por um quinto de todo o comércio da Espanha. [42] Os países

europeus travaram guerras que foram pagas através do dinheiro conseguido com a exploração das colônias. No entanto, os lucros

com o tráfico de escravos e as plantações das Índias Ocidentais, a mais rentável das colônias britânicas naquele momento,

representavam apenas 5% de toda a economia do Império Britânico no final do século XVIII, tempo da Revolução Industrial.

Iluminismo

A partir do início deste período, o capitalismo substituía o mercantilismo como principal forma de organização econômica, ao

menos no oeste da Europa. A expansão das fronteiras coloniais resultou em uma Revolução Comercial. Nota-se no período o

uma rota fácil para as Índias Orientais em 1492, foram logo adaptadas por

explorações inglesas e francesas na América do Norte. Novas formas de

comércio e a expansão dos horizontes fizeram necessária uma mudança no

A Batalha de Nördlingen na Guerra dos 30 anos
A Batalha de Nördlingen na Guerra
dos 30 anos

A reforma protestante produziu efeitos profundos na unidade europeia. Não

apenas dividindo as nações uma das outras pela sua orientação religiosa, mas

alguns estados foram afetados internamente por lutas religiosas, fortemente

encorajadas por seus inimigos externos. A França viveu essa situação no

século XVI com uma série de conflitos, como as guerras religiosas na França,

que culminaram no triunfo da Dinastia Bourbon. A Inglaterra preveniu-se desse fato com a consolidação sob a Rainha Elizabeth

do moderado Anglicanismo. Quase toda parte da atual Alemanha estava dividida em inúmeros estados sob o comando teórico do

Sacro Império Romano Germânico, que também estava dividido dentro do próprio governo. A única exceção a isso era a

Comunidade Polaco-Lituana, uma união criada pela União de Lublin, expressando uma grande tolerância religiosa. Esse embate

religioso aconteceu até a Guerra dos Trinta Anos quando o nacionalismo substituiu a religião como principal motor dos conflitos

na Europa. [43]

Europa em 1648, após o Tratado de Vestfália. A área em cinza representa os Estados
Europa em 1648, após o Tratado de
Vestfália. A área em cinza
representa os Estados alemães do
Sacro Império Romano-Germânico

A Guerra dos Trinta Anos aconteceu entre 1618 e 1648, [44] principalmente no

território da atual Alemanha, e envolveu as principais potências europeias.

geral, envolvendo boa parte da europa, por razões não necessariamente ligadas à

religião. [45] O maior impacto da guerra, na qual exércitos de mercenários foram

largamente utilizados, foi a devastação de regiões inteiras na busca do exército

inimigo. Episódios como a disseminação da fome e das doenças devastaram a

população dos estados germânicos e, em menor grau, dos Países Baixos e da

regionais

envolvidos. Entre um quarto e um terço da população alemã pereceu por causas

diretamente ligadas à guerra ou ainda de doenças e miséria causadas pelo

conflito armado. [46] A guerra durou trinta anos, mas os conflitos que ela deu

onde

levaram

à

falência

muito

dos

poderes

início ainda continuaram sem solução por muito tempo.

Depois da Paz de Vestfália, que permitiu aos países que eles escolhessem sua orientação religiosa, o absolutismo tornou-se o

o iluminismo deu a base filosófica para um novo ponto de vista na sociedade, e a contínua difusão da literatura foi possível com a

A Europa Oriental era uma arena de conflito disputada por Suécia, a Comunidade Polaco-Lituana e o Império Otomano. Nesse

período observou-se um gradual declínio destes três poderes que foram eventualmente substituídos pelas novas monarquias

absolutistas do Império Russo, do Reino da Prússia e da Monarquia de Habsburgo. [48] Na virada para o século XIX, eles

tornaram-se as novas potências, dividindo a Polônia entre si, com Suécia e Império Otomano perdendo territórios substanciais

Revolução e nacionalismo

Revolução Industrial

Céu de Chaminés de Londres em 1870 Por Gustave Doré
Céu de Chaminés de Londres em
1870
Por Gustave Doré
Em 1815, as fronteiras da Europa foram refeitas, quando suas raízes já haviam sido sacudidas
Em 1815, as fronteiras da Europa
foram refeitas, quando suas raízes já
haviam sido sacudidas pelos
exércitos de Napoleão Bonaparte

período compreendido entre o

fim do século XVIII e o começo

do século XIX, no qual

ocorreram grandes mudanças na

transporte e foi produzido um

profundo efeito socioeconômico

e cultural na Grã-Bretanha, que

posteriormente se espalhou por

o

mundo, em um processo que ainda continua: a industrialização. Na parte final

dos anos de 1700, a economia baseada na força manual no Reino da Grã-Bretanha começou a ser substituída por outra dominada

pela indústria e pelas máquinas. Começou com a mecanização das indústrias têxteis, o desenvolvimento de técnicas avançadas de

produção de ferro e o aumento do uso de carvão refinado. A expansão do comércio foi possibilitada com a introdução de canais,

rodovias e auto-estradas. A introdução das máquinas a vapor (abastecidas primeiramente com carvão) e maquinaria bruta

(principalmente na manufatura têxtil) deram a base para grandes aumentos na capacidade produtiva inglesa. [49] O

desenvolvimento de máquinas de ferramentas nas duas primeiras décadas do século XIX facilitou a produção de mais máquinas

para serem utilizadas em outras indústrias. Durante o século XIX, a industrialização se alastrou pelo resto da Europa Ocidental e

América do Norte, afetando posteriormente grande parte do mundo.

e

Revoluções políticas

A intervenção francesa na Guerra de Independência dos EUA levou o estado

francês à falência. [50] Depois de diversas tentativas falhas de uma reforma

financeira, Luís XVI foi forçado a reavivar a Assembleia dos Estados Gerais, um

corpo representativo do país feito pelas três classes do estado: o clero, os nobres

e o povo. Os membros dos Estados-Gerais reuniram-se no Palácio de Versalhes

em maio de 1789, mas o debate e a forma de votação que seria usada criaram um

impasse. Veio junho, e o terceiro estado, associado a membros dos dois outros

estados, declarou-se uma Assembleia Nacional e prometeu não se dissolver até

No

os

celebremente derrubando a prisão da Bastilha em 14 de julho de 1789. [50]

A tomada da Bastilha na Revolução Francesa em 1789
A tomada da Bastilha na Revolução
Francesa em 1789

Nesse tempo, a assembleia criou uma monarquia constitucional, e nos dois anos que se passaram várias leis foram criadas como a

Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão, a abolição do feudalismo e uma mudança fundamental das relações entre a

França e Roma. [50] No início, o rei continuou no trono ao longo dessas mudanças e gozou de uma popularidade razoável com o

povo, mas a anti-realeza crescia com o perigo de uma invasão estrangeira. Então o rei, sem poderes, decidiu fugir com a sua

família, mas ele foi reconhecido de volta a Paris. Em 12 de janeiro de 1793, sendo convicta sua traição, ele foi executado.

Em 20 de setembro de 1792, a convenção nacional aboliu a monarquia e declarou a França uma república. [50] Devido à

eminência das guerras, a convenção nacional criou o Comitê de Salvação Pública controlado por Maximilien Robespierre do

partido dos jacobinos, para atuar como executivo do país. Sob Robespierre o comitê iniciava o reino do terror, no qual cerca de

40 000 pessoas foram executadas em Paris, na maioria nobres, apesar de, frequentemente, faltarem evidências. Por todo o país,

insurreições contra-revolução foram brutalmente reprimidas. O regime foi posto abaixo no golpe de 9 Termidor (27 de julho de

1794) e Robespierre foi executado. O regime que se seguiu acabou com o Terror e afrouxou a maioria das regras extremas de

Robespierre. [50]

A Batalha de Waterloo, onde Napoleão foi derrotado pelo Duque de Wellington em 1815
A Batalha de Waterloo, onde
Napoleão foi derrotado pelo Duque
de Wellington em 1815

Napoleão Bonaparte foi o general francês que mais obteve sucesso nas guerras

da revolução, tendo conquistado muitos dos Estados da península Itálica e

forçado os austríacos à paz. Em 1799, retornou do Egito e em 18 de Brumário (9

de novembro) subjugou o governo, substituindo-o pelo seu Consulado, do qual

tornou-se o primeiro Cônsul. [51] Em 2 de dezembro de 1804, depois duma

tentativa de assassinato, ele coroou-se imperador. Em 1805, Napoleão planejou

invadir a Grã-Bretanha, mas a recém-criada aliança entre britânicos, russos e

austríacos (Terceira Coalizão) forçou-o a direcionar a atenção para o continente,

quando ao mesmo tempo ele tinha falhado em desviar a Armada Superior

Britânica para longe do Canal da Mancha, ocasionando uma decisiva derrota

francesa na batalha de Trafalgar em 21 de outubro, e colocando um fim em suas esperanças de invadir a Grã-Bretanha. Em 2 de

dezembro de 1805, Napoleão derrotou o exército austro-russo, numericamente superior, em Austerlitz, forçando a Áustria desistir

da coalizão e levando à fragmentação do Sacro Império Romano-Germânico. [51] Em 1806, a Quarta coalizão foi formada; em 14

de outubro Napoleão derrotou os prussianos na Batalha de Jena-Auerstedt, marchando através da Alemanha e derrotando os

russos em 14 de junho de 1807 em Friedlândia. Os Tratados de Tilsit dividiram a Europa entre França e Rússia e criaram o

Em 12 de junho de 1812, Napoleão invadiu a Rússia com sua Grande Armée de aproximadamente 700 000 soldados. [51] Após as

vitórias em Smolensk e Borodino, Napoleão ocupou Moscou, apenas para encontrá-la queimada pelo exército russo em retirada.

Assim, ele foi forçado a bater com seu exército em retirada. Na volta seu exército foi arrasado pelos cossacos e sofreu de doenças,

fome e com o rigoroso inverno russo. Apenas 20 000 soldados sobreviveram a essa campanha. [51] Em 1813, começou o declínio

de Napoleão, sendo derrotado pelo Exército das Sete Nações na Batalha de Leipzig em outubro de 1813. Ele foi forçado a abdicar

depois da Campanha dos Seis Dias e a ocupação de Paris. Sob o Tratado de Fontaineblau ele foi exilado na ilha de Elba. Retornou

à França em 1º de março de 1815 e convocou um exército leal, mas foi compreensivelmente derrotado por forças britânicas e

prussianas na Batalha de Waterloo em 18 de junho de 1815. [51]

A formação dos estados modernos

Depois da derrota da revolucionária França, outras grandes forças tentaram

restaurar a situação existente antes de 1789. Em 1815, no Congresso de Viena, as

ocorrendo movimentos internos revolucionários) sob o sistema de

Populares apoiando a Revolução de 1848 em Berlim
Populares apoiando a Revolução de
1848 em Berlim

Matternich. [52] Entretanto, seus esforços foram incapazes de parar a propagação

de movimentos revolucionários: a classe média foi profundamente influenciada

pelos ideais de democracia da Revolução Francesa, a revolução Industrial trouxe

importantes mudanças sócio-econômicas, as classes baixas começaram a ser

influenciadas pelas ideias socialistas, comunistas e anarquistas (especialmente

unidas por Karl Marx no Manifesto Comunista), [53] e a preferência dos novos capitalistas era o liberalismo. Uma nova onda de

instabilidade veio da formação de diversos movimentos nacionalistas (na Alemanha, Itália, Polônia, etc.), buscando uma unidade

nacional e/ou liberação do domínio estrangeiro. Como resultado, o período entre 1815 e 1871 foi palco de um grande número de

conflitos e guerras de independência. Napoleão III, sobrinho de Napoleão I, retornou do exílio na Inglaterra em 1848 para ser

eleito pelo parlamento francês, como o então "Presidente-Príncipe" e num golpe de estado eleger-se imperador, aprovado depois

pela grande maioria do eleitorado francês. Ele ajudou na unificação da Itália lutando contra o Império Austríaco [54] e lutou a

Guerra da Crimeia com a Inglaterra e o Império Otomano contra a Rússia. Seu império ruiu depois de uma infame derrota para a

Prússia, na qual ele foi capturado. A França então se tornou uma fraca república que recusava-se a negociar e foi derrotada pela

Prússia em poucos meses. Em Versalhes, o rei Guilherme I da Prússia foi proclamado Imperador da Alemanha. [55] Mesmo que a

maioria dos revolucionários tenha sido derrotada, muitos estados europeus tornaram-se monarquias constitucionais, e em 1871

Alemanha e Itália se desenvolveram em estados-nação. Foi no século XIX também que se observou o Império Britânico emergir

como o primeiro poder global do mundo devido, em grande parte, à Revolução Industrial e a vitória nas Guerras

Napoleônicas. [56]

Impérios

Paris e a Feira Mundial em 1884
Paris e a Feira Mundial em 1884

A paz iria apenas durar até que o Império Otomano declinasse suficientemente

para se tornar alvo de outros. [57] Isso incitou a Guerra da Crimeia em 1854, [58] e

começou um tenso período de pequenos conflitos entre as nações dominantes da

Europa que deram o primeiro passo para a posterior Primeira Guerra Mundial.

Isso mudou uma terceira vez com o fim de várias guerras que transformaram o

Reino da Sardenha e o Reino da Prússia nas nações da Itália e da Alemanha,

mudando significativamente o balanço do poder na Europa. A partir de 1870, a

hegemonia do Reino da Prússia com o chanceler Otto Von Bismarck na Europa

pôs a França em uma situação crítica. [59] Ela devagar reconstruiu suas relações

internacionais, buscando alianças com a Grã-Bretanha e Rússia, para controlar o

crescente poder da Alemanha sobre a Europa. Desse modo, dois lados opostos se formaram na Europa, incrementando suas forças

militares e suas alianças ano a ano. [60]

Guerra e paz

Guerras mundiais

Depois da relativa paz na maior parte do século XIX, a rivalidade entre as

potências europeias explodiu em 1914, quando a Primeira Guerra Mundial

começou. Mais de 60 milhões de soldados europeus foram mobilizados entre

outro lado estavam a Sérvia e a Tríplice Entente – a elástica coalizão entre

França, Reino Unido e Rússia, que ganhou a participação do Reino de Itália em

1915 e dos Estados Unidos em 1917. Embora o Império Russo tenha sido

derrotado em 1917 (a guerra foi uma das maiores causas da Revolução Russa,

levando à formação da comunista União Soviética), a Entente finalmente

prevaleceu no outono de 1918.

As trincheiras tornaram-se famosos símbolos dos combates da Primeira Guerra Mundial
As trincheiras tornaram-se famosos
símbolos dos combates da Primeira
Guerra Mundial

No Tratado de Versalhes (1919) os vencedores impuseram severas condições à Alemanha e aos novos estados reconhecidos (tais

partir dos extintos impérios Alemão, Austro-Húngaro e Russo, supostamente na base da auto-definição. A maioria desses países

entraria em guerras locais, sendo a maior delas a Guerra Polaco-Soviética (1919-1921). Nas décadas seguintes, o medo do

comunismo e a Grande Depressão (1929-1943) levaram grupos extremistas nacionalistas - sob a categoria do fascismo – na Itália

(1922), Alemanha (1933), Espanha (depois da guerra civil, terminada em 1939) e em outros países como a Hungria.

Depois de aliar-se com a Itália de Benito Mussolini no Pacto de Aço e assinar o

pacto de não-agressão com a União Soviética, o ditador alemão Adolf Hitler

começou a Segunda Guerra Mundial em 1º de setembro de 1939 invadindo a

Polônia, depois de uma expansão militar ocorrida no final da década de 1930.

Após sucessos iniciais (principalmente a conquista do oeste da Polônia, grande

parte da Escandinávia, França e os Balcãs antes de 1941), as forças do Eixo

começaram a enfraquecer-se em 1941. Os principais oponentes ideológicos de

Hitler eram os comunistas da Rússia, mas por causa da falha alemã em derrotar o

Reino Unido e das falhas italianas no norte da África e no Mediterrâneo, as

forças do Eixo se resumiram à Europa Ocidental, Escandinávia, além de ataques

a África. O ataque feito posteriormente à União Soviética (que junto com a

Alemanha dividiu a Europa central em 1939-1940) não foi feito com a força

necessária. Apesar de um sucesso inicial, o exército alemão foi parado perto de

Moscou em dezembro de 1941.

Hitler e Mussolini formaram o Pacto do Eixo e dominaram a maior parte da Europa
Hitler e Mussolini formaram o Pacto
do Eixo e dominaram a maior parte
da Europa na fase inicial da
Segunda Guerra Mundial

Apenas no ano seguinte o avanço alemão foi parado e começaram as derrotas,

como por exemplo, nas batalhas de Stalingrado e Kursk. Nesse interim, o Japão

(aliado de Alemanha e Itália desde setembro de 1940) atacou os britânicos no

Sudeste Asiático e os Estados Unidos no Havaí em 7 de dezembro de 1941; a

Alemanha então completou sua expansão declarando guerra aos Estados Unidos.

A guerra aumentou a tensão entre o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os Aliados (Reino Unido, União Soviética e os Estados

Unidos). As forças aliadas venceram no norte da África e invadiram a Itália em 1943, e a ocupada França em 1944. Na primavera

de 1945, a Alemanha foi invadida pelo leste pela União Soviética e pelo oeste pelos Aliados; Hitler cometeu suicídio e a

Alemanha se rendeu no começo de maio acabando com a guerra na Europa.

O período foi marcado também por um industrializado e planejado genocídio de mais de 11 milhões de pessoas, incluindo a

e depois da guerra, milhões de civis foram afetadas pelas forçadas transferências da população.

Guerra Fria

Trabalhadores da Alemanha Oriental construindo o Muro de Berlim, 20 de novembro de 1961
Trabalhadores da Alemanha Oriental
construindo o Muro de Berlim, 20 de
novembro de 1961

A Primeira e especialmente a Segunda Guerra Mundial acabaram com a

preponderante

redesenhado na Conferência de Yalta [62] e dividido se tornou a principal zona de

Países Baixos, Alemanha Ocidental, etc.) estabeleceram a aliança da OTAN

Bulgária e Alemanha Oriental) estabeleceram o Pacto

foi

posição

da

O

mapa

do

continente

de

proteção contra uma possível invasão dos Estados Unidos. [64]

Na mesma época, a Europa Ocidental lentamente começou um processo de

integração política e econômica, desejando um continente unido e integrado para prevenir outra guerra. Esse processo resultou

naturalmente no desenvolvimento de organizações como a União Europeia [65] e o Conselho da Europa. [66] O movimento

Solidarność que aconteceu na década de 1980 enfraqueceu o governo comunista na Polônia, foi o começo do fim do domínio

comunista na Europa Oriental e o declínio da União Soviética. [67] O líder soviético Mikhail Gorbachev instituiu a Perestroika e a

Glasnost, que enfraqueceram oficialmente a influência soviética na Europa Oriental. [67] Os governos que davam suporte aos

soviéticos entraram em colapso e a Alemanha Ocidental anexou a Alemanha Oriental em 1990. Em 1991, a própria União

Soviética] ruiu, dividindo-se em 15 estados, com a Rússia tomando o seu lugar no Conselho de Segurança da ONU. Entretanto, a

partes até 1995. Em 2006, Montenegro se separou e declarou independência, seguido por Kosovo, formalmente uma província

autônoma da Sérvia, em 2008, e descaracterizando completamente o antigo mapa da Iugoslávia. Na era pós-guerra fria, OTAN e a

União Europeia foram gradualmente admitindo a maioria dos antigos estados membros do Pacto de Varsóvia. [65]

Reunificação e integração

Em 1992, o Tratado de Maastricht foi assinado pelos então membros da União Europeia. Isso transformou o "Projeto Europeu" de

ser uma comunidade econômica com certos aspectos políticos, numa união com uma intensa cooperação e prosperidade baseada

em uma união de soberanias nacionais. [65]

Em 1985, o Acordo de Schengen estabeleceu uma área sem fronteiras e sem controle de passaporte entre os estados que o

assinaram. [68]

Uma moeda comum para a maioria dos estados membros da União Europeia, o euro, foi estabelecida eletronicamente em

1999, [69] oficialmente partilhando todas as moedas de cada participante com os outros. A nova moeda foi posta em circulação em

2002 e as velhas foram retiradas dos mercados. [69] Apenas três países dos quinze Estados-membros decidiram não aderir ao euro

(Reino Unido, Dinamarca e Suécia). [70] Em 2004, a UE deu ordem à sua maior expansão, admitindo 10 novos membros (oito dos

quais antigos estados comunistas). [71] Outros dois ingressaram no grupo em 2007, num total de 27 nações. [71]

Um tratado estabelecendo uma constituição para a UE foi assinado em Roma em 2004, com a intenção de substituir todos os

antigos tratados com apenas um só documento. Entretanto, sua ratificação nunca foi feita devido à rejeição de franceses e

dezembro de 2007, e vai entrar em vigor em janeiro de 2009, se ratificado até essa data. Isso dará a União Europeia seu primeiro

presidente permanente e ministro de relações exteriores. [72]

Os Balcãs são a parte da Europa que mais deseja aderir à União Europeia, com a adesão da Croácia em 2013 a ser a mais

recente. [73]

Referências