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André Américo da Silva

MARTINS, Roberto B. Crescendo em silêncio: A incrível economia escravista de Minas Gerais no


século XIX.

Segundo MARTINS (p. 492), os principais historiadores da economia brasileira


afirmavam que, com o declínio do setor aurífero, Minas Gerais tornou-se o maior exportador de
mão de obra escrava para outras atividades econômicas, viabilizando inclusive o
desenvolvimento da cultura cafeeira no Vale do Paraíba. Isso porque a economia da região
entrou em uma crise sem precedentes, regredindo ao nível de agricultura de subsistência com
baixa produtividade, forçando inclusive uma espécie de ”desurbanização”, que culminou na
atrofia das vilas e arraiais.

Quem inaugurou essa visão sombria da economia mineira foi o historiador português
Joaquim Pedro de Oliveira Martins (Idem) em 1880. Essa perspectiva pessimista irá predominar
entre os historiadores brasileiros durante o século XX, ainda que em nenhum momento Joaquim
Martins aponte “crise geral da economia, nem miséria generalizada da população, nem ruína das
cidades” (p. 494). Na verdade, segundo MARTINS o historiador português, ao escrever, não
tinha o menor comprometimento com os fatos, construindo uma narrativa histórica baseada no
relato de John Mawe, mas dando a ela um caráter dramático que não é condizente com o texto
original.

Depois dele, Roberto Simonsen e Luís Amaral (p. 495/6) endossaram sua visão de uma
economia extremamente dependente da exportação de ouro, que entra em colapso com o fim da
abundância do metal mais precioso. Décadas mais tarde também Francisco Vidal Luna e Iraci
del Nero da Costa se deixaram levar por essa visão pobre da dinâmica econômica de Minas
Gerais no século XVIII, sendo seguidos por Affonso Ávila, conceituado ensaísta e poeta
mineiro. Tamanho foi o estrago causado pela visão enviesada do português saudosista de glórias
passada Oliveira Martins que Celso Furtado, influenciado por Roberto Simonsen, reproduziu em
seu livro Formação Econômica do Brasil a visão errônea de que a economia mineira se limitava
à extração de ouro, indo do luxo à miséria com o fim deste. Ignorou o fato de que o ouro
extraído não se limitava àquele facilmente retirado dos leitos dos rios, o ouro de aluvião, e que
era necessário grande investimento em capital para extrair ouro das profundezas da terra.

Também passou despercebido para Celso Furtado, assim como para todos aqueles que
se deixaram levar pelas afirmações nada rigorosas do ponto de vista historiográfico de Oliveira
Martins, que além de incorporar grandes investimentos com maquinários, rodas d’água,
engenhos, rosários e canalizações de água, os campos de mineração dividiam espaço com
atividades mistas de agricultura e pecuária, engenhos de cana e outros equipamentos fixos (p.
500), desconstruindo o argumento de que o nomadismo das atividades mineiras não permitiam a
diversificação das atividades. Não havia competição entre atividades mineradoras e mistas por
investimentos e escravos, mas complementariedade.

A partir da década de 1980 essa visão foi superada, afastando a ideia de que houve
depressão severa com o declínio da atividade aurífera (p. 504). Pelo contrário, um dos maiores
avanços da historiografia econômica de Minas Gerais é a aceitação recente da ideia de que a
economia mineira passou por um processo de diversificação desde os primeiros anos de
ocupação do território, inclusive com forte desenvolvimento do comércio, dos serviços e da
manufatura (p. 505). Essa diversificação precoce da economia mineira blindou a região de uma
crise profunda ou colapso com a decadência da atividade aurífera. De fato existiam crises
localizadas, devido a “quebras locais de colheitas, por escassez ou excesso de chuvas, pelo
esgotamento de algum recurso natural específico, ou por conflitos locais” (p. 506), mas eram
fenômenos sentidos apenas localmente, sem afetar o conjunto do sistema econômico. A crise do
final do século XVIII foi a crise de uma única atividade econômica de Minas Gerais, dentre as
muitas que existiam (p. 507).

A visão de que a economia de Minas Gerais, ainda que colonial, era desde muito cedo
diversificada, é consenso entre os acadêmicos. Nesse sentido, falar em um “ciclo do ouro”, ou
seja, um período econômico totalmente centrado na extração do minério é errônea, já que
segundo a destacada historiadora Adriana Romeiro, “a mineração nem mesmo foi a principal
atividade econômica da nossa região” (apud MARTINS, p. 514).

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