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Para além do cânone literário:

corpus à margem
Jair Zandoná

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Parte 1: Para pensar
● O que faz/determina que um texto seja considerado literário?

● Quais mecanismos/marcas tornam/qualificam um determinado texto e seja considerado “boa


literatura”?

● É possível inferir quem escreveu o texto?

● E, por esse viés, um texto tem marca de sexo/gênero?

● Há temas/escritas/poéticas masculinas/femininas?

● Como os livros chegam até nós?

● Qual livro/publicação v. está lendo?

● Enumere suas três últimas leituras [literárias]


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Des/dobrando as discussões

➔Publicações/autores do sudeste

➔A escola como “motivadora” do que se “deve” ler

➔Leitura dos “grandes” clássicos - ou dos “grandes escritores”

➔Dificuldades de fazer com que os livros circulem entre as


crianças/jovens/adultas.

➔A leitura [e o valor do texto] pode mudar de acordo com a informação de


quem escreveu - prestígio do autor 3
Parte 2: sobre a formação
do cânone

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Fonte: http://blog.estantevirtual.com.br/2011/11/21/literatura-brasileira-no-exterior-os-12-autores-nacionais-mais-lidos-no-mundo/
Cânon, Roberto Reis
“Toda cultura nos inculca um conjunto de saberes – e estes saberes, via de
regra, de uma forma ou de outra, são saberes textualizados. Sempre
lemos/interpretamos (pode-se escrever que toda leitura é uma interpretação
e toda interpretação é uma leitura) aparelhados com este elenco de
conhecimentos” (Reis, 1992, p. 65)

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Cânon, Roberto Reis
“a linguagem também hierarquiza e engendra em seu bojo mecanismos
de poder, na medida em que ela articula e está articulada pelas significações
forjadas no seio de uma cultura [posto que] as ideologias estão operando
para garantir a dominação social. [...] Segundo Jacques Derrida, a escrita foi
reprimida no Ocidente porque havia o risco de ela passar para as mãos do
outro, oprimido pela tirania do alfabeto, e o outro, se de posse da escrita,
poderia deslindar os mecanismos de sua própria dominação.” (Reis, 1992, p.
67)

“por trás de noções como linguagem, cultura, escrita e literatura, mesmo se


não as tratarmos em termos históricos e menos abrangentes, se esconde a
noção de poder.” (Reis, 1992, p. 68) 7
Cânon, Roberto Reis
“O texto passa, assim, a ser entendido como lugar de interseção de uma
complexa teia de códigos culturais, de convenções e de outros textos [...],
numa espécie de ‘mosaico de citações’ (Kristeva). Lemos sempre por
transparência, pois lemos outros textos num texto. O espaço da leitura é a
cultura, entendida esta como conjunto de textos – contexto – de diversa
natureza, como dimensão simbólica que superpomos à realidade e que
funciona como mediação nas nossas interações com o real.” (Reis, 1992, p. 69)

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Cânon, Roberto Reis
“A escrita e o saber, na cultura ocidental, estiveram via de regra de mãos
dadas com o poder e funcionaram como forma de dominação. Todo
saber é produzido a partir de determinadas condições históricas e
ideológicas que constituem o solo do qual esse saber emerge.” (Reis,
1992, p. 69)

“O critério para se questionar um texto literário não pode se descurar do fato


de que, numa dada circunstância histórica, indivíduos dotados de poder
atribuíram o estatuto de literário àquele texto (e não a outros), canonizando-
o” (Reis, 1992, p. 69)
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Cânon, Roberto Reis
Na literatura, cânon significa “um perene e exemplar conjunto de obras – os
clássicos, as obras-primas dos grandes mestres –, um patrimônio da
humanidade [...] a ser preservado para as futuras gerações, cujo valor é
indisputável.

Se seguirmos esta noção, [...] verificamos que o corpus canônico da literatura


(e, via de regra, não se usa o adjetivo ‘ocidental’, embora os autores sejam
oriundos do Ocidente) está envolto por uma redoma de a-historicidade, como
se houvesse sido estipulado por uma supracomissão de cúpula e de alto nível
(infensa a condicionamentos de ordem ideológica ou de classe) que, por uma
espécie de mandato divino, houvesse traçado os contornos do cânon,
elegendo tais obras e autores e varrendo do mapa outros autores e
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obras.” (Reis, 1992, p. 70-71)
Cânon, Roberto Reis
“a literatura servirá para enaltecer um certo tipo de escrita, peculiar às elites
educadas e, como resultado, serão desprezadas outras formas, bem mais
populares, de cultura.

O estudo da literatura seria melhor equacionado considerando-o dentro da


dinâmica das práticas sociais: a escrita e a leitura estão sujeitas a variadas
formas de controle e têm sido utilizadas como instrumento de
dominação social. Nos dias atuais, a instituição mais empenhada nesta
tarefa é a universidade (onde se ensina a ler as ‘grandes obras’,
chancelando, desta maneira, o cânon literário) que se presta a reproduzir a
estratificada estruturação social.” (Reis, 1992, p. 72)
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Fonte: http://coperve.ufsc.br/ 12
Fonte: http://coperve.ufsc.br/ 13
Fonte: http://coperve.ufsc.br/ 14
Fonte: http://coperve.ufsc.br/ 15
Cânon, Roberto Reis
“o cânon com que usualmente lidamos está centrado no Ocidente e foi
erigido no Ocidente, o que significa, por um lado, louvar um tipo de cultura
assentada na escrita e no alfabeto [...]; por outro, significa dizer que [...] está
impregnado dos pilares básicos que sustentam o edifício do saber ocidental,
tais como o patriarcalismo, o arianismo, a moral cristã.” (Reis, 1992, p. 72)

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Cânon, Roberto Reis
“a presença de escritores europeus é esmagadora. [...] Há poucas mulheres,
quase nenhum não-branco e muito provavelmente escassos membros
dos segmentos menos favorecidos pela pirâmide social com efeito, a
literatura tem sido usada para recalcar os escritos (ou as manifestações
culturais não-escritas) dos segmentos culturalmente marginalizados e
politicamente reprimidos – mulheres, etnias não-brancas, as ditas minorias
sexuais, culturas do chamado Terceiro Mundo.
[...]

O cânon está a serviço dos mais poderosos, estabelecendo hierarquias


rígidas no todo social e funcionando como ferramenta de dominação.” (Reis,
1992, p. 73) 17
Cânon, Roberto Reis
“Necessário ainda averiguar de que forma o cânon é reproduzido e como
circula na sociedade, investigando, para enumerar alguns meios de
divulgação [...]. É mediante tais veículos que se propaga e perpetua o cânon.
[...] é imperioso considerar quem lê e quem escreveu e em que
circunstâncias históricas e sociais se deu o ato de leitura, sem deixar de
ter em conta que tipos de textos são escritos e lidos e, neste último caso,
por que leitores.
Sob este prisma, o texto literário deixa de ser um objeto estático (e estético) e
passa a se entrançar com o autor, o leitor, com o horizonte histórico que lhe é
subjacente”. (Reis, 1992, p. 74)

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Escritor+a
Parte + a

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Autor+a, Norma Telles
“A literatura escrita por mulheres é, em certo sentido, um palimpsesto,
pois o desenho de superfície esconde ou obscurece um nível de
significado mais profundo, menos acessível ou menos aceitável
socialmente. É uma arte que tanto expressa quanto disfarça. Este
exercício de leitura, levando em conta a miríade de influências que afetam
nossas vidas, sonhos, faculdades críticas e leituras, não pretende uma postura
neutra, mas segue o conselho de Virginia Woolf: girar o caleidoscópio para
desvendar novas paisagens a partir de uma perspectiva alienígena. Quando
se faz esse tipo de leitura, que entrelaça os campos de significados e de
atividades, verifica-se que as narrativas de autoras não só convidam a uma
análise semiótica, mas realizam esse gesto por nós.” (Telles, 1992, p. 46)
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“as fantasias linguísticas masculinas pode ser lidas como uma revisão da
língua materna realizada por um vidente que percebe o poder das palavras
comuns ao mesmo tempo que define as palavras das mulheres como meros
balbucios. As defesas contra a fala feminina tornaram-se mais ferozes
desde que as mulheres de classe média começaram a escrever.” (Telles,
1992, p. 48)

“Nos séculos XIX e XX, as escritoras buscaram o que Sylvia Plath denomina
‘alfabetos arcaicos’, uma ‘grandmatologia’ que colocam contra a gramatologia
da linguística patriarcal. [...] num esforço de se livrar do sermo paterno, de
transformá-lo e numa tentativa de estabelecer uma ancestralidade
alternativa, associada a uma linguagem oculta. [...] ‘ultrapassar a sentença-
como-julgamento-definitivo, a sentença-como-decreto-interdição, através da
qual a mulher foi mantida longe da sensação de estar em plena posse da
linguagem’.” (Telles, 1992, p. 48) 21
Autor+a, Norma Telles
“Gênero é uma categoria, um modo de fazer distinções entre pessoas; uma
construção cultural que classifica com base em traços sexuais, expandindo-se
por cruzamentos de representações e linguagens. Como classe e raça, tem
dimensões externas e internas: a classificação ou rotulagem é vista e lida
pelos outros, assim como pelo eu, e as semelhanças são interpretadas como
interesses partilhados, foi assim que também na sociedade ocidental
moderna, o gênero codificou as diferenças entre um reconhecido patrimônio
cultural masculino e uma correlativa e suposta penúria feminina (ou asiática,
ou ‘primitiva’, ou sul-africana). Gênero pode ou não importar para mim e
para os outros; em nosso meio sociocultural, importa sempre.” (Telles,
1992, p. 50)
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Literatura brasileira contemporâneo:
alguns aspectos

★ “O contemporâneo é o intempestivo” (Agambem, O que é o


contemporâneo?)

★ Beatriz Resende, sobre a literatura brasileira do séc. XXI, a era da


multipicidade, da heterogeneidade, da pluralidade, da fertilidade;

★ Performer;

★ diferentes linguagens, formatos e suportes. 23


Literatura brasileira contemporâneo:
alguns aspectos
★ A cultura como fenômeno de hibridização;

★ Discursos anti-hegemônicos (como apropriação irônica dos Ícones de


consumo);

★ Escrita voltada para o cotidiano privado e Memória individual


traumatizada;

★ Alta cultura x cultura de massa;

★ Local x global;

★ Descentralização da produção literária; 24


★Literatura do presente
★excesso de realismo

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Mercado editorial
“As novas relações do livro com o mercado editorial aparecem a partir da
maior rapidez com que o autor é editado, seja pela utilização da informática
como suporte, seja pela multiplicação de pequenas editoras por todo o país.”
(RESENDE, 2008, p. 25)

“Do ponto de vista editorial é preciso assinalar que, apesar de mulheres


indígenas e negras conseguirem publicar hoje em dia, em geral seus livros são
editados por pequenas editoras que têm uma distribuição bastante precária.”
(FIGUEIREDO, 2013, p. 150)

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Entrevista com
Conceição Evaristo
(2016)

Fonte:
https://youtu.be/b2nf_9_d5Vk
iniciar em 1’20

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#LeiamulheresFloripa
Se você ainda não conhece o
projeto entre no site
http://leiamulheres.com.br/, mas
basicamente é clube aberto a toda
comunidade para estimular a leitura
de mais autoras mulheres.

Livro do mês de outubro: Poética


de Ana Cristina Cesar.
https://www.facebook.com/events/1763726
127219577/

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#Leiatambém
A chave de casa, Tatiana Salém Levy
A gorda, Isabela Figueiredo
Amora, Natalia Borges Polesso
Como se estivéssemos em um palimpsesto de putas, Elvira Vigna
Insubmissas lágrimas de mulheres, Conceição Evaristo
Larva, Verena Cavalcante
Os anões, Verônica Stigger
Outros cantos, Maria Valéria Rezende
Sinfonia em branco, Adriana Lisboa

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Referências
REIS, Roberto. Cânon. In.: JOBIN, José Luis (Org.). Palavras da crítica: tendências e
conceitos no estudo da Literatura. Rio de Janeiro: Imago, 1992, p. 65-92.

RESENDE, Beatriz. A literatura brasileira na era da multiplicidade. In.: _____.


Contemporâneos - Expressões da Literatura Brasileira no Século XXI. Rio de Janeiro: Casa
da Palavra, 2008, p. 15-40.

SOUSA FILHO, Alipio de. A política do conceito: subversiva ou conservadora? Crítica à


essencialização do conceito de orientação sexual. Bagoas: Revista de Estudos Gays, v. 3,
p. 59-77, 2009.

TELES, Norma. Autor+a. In.: JOBIN, José Luis (Org.). Palavras da crítica: tendências e
conceitos no estudo da Literatura. Rio de Janeiro: Imago, 1992, p. 45-63.
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