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Parte II

Capítulo II: A função enunciativa.


Legenda:
(...) Discurso
Amarelo: minhas anotações do livro.
Azul: momentos no qual Foucault nega ou desconstrói conceitos e informações
(...) Cinza: exemplos para os conceitos com exemplos.
(...) Rosa: elementos em destaque para pensar o enunciado e sua função.
(...)Vermelho: regras de análise.
Conceitos
(...) enunciado
(...) formação discursiva.
(...) prática discursiva.

® raridade
-e- exterioridade
(@) acúmulo
(º1º) referência a poder

Inútil procurar o enunciado junto aos argumentos unitários de signos. Ele não é nem
sintagma, nem regra de construção, nem forma canônica de sucessão e permutação, mas
sim o que faz com que existem tais conjuntos de signos permite que essas regras e essas
formas se atualizem. (P. 106).
Se as faz existirem, é de um modo singular que não se poderia confundir com a
existência dos signos enquanto língua, nem tampouco com a existência material das
marcas que ocupam um fragmento e duram tempo mais ou menos longo.
É esse modo de existência singular característico de toda série de signos, desde que seja
enunciada, que se trata de questionar.

O referente.
a) Consideramos, mais uma vez, o exemplo dos signos moldados ou delineados em uma
materialidade de definida e agrupados de um modo (...), de qualquer forma, não é
gramatical, como o teclado da máquina de escrever.

Baste que eu recopie os signos em uma folha de papel para a existência de um


enunciado?
O que ocorreu para que houvesse enunciado? P. 106A intervenção do sujeito? P. 107

Não basta que a reiteração de uma serie seja atribuída à iniciativa de um individuo para
que ele se transforme, por este fato, em um enunciado (...) (107).

Uma série de signos se tornará enunciado com “outra coisa” (que lhe pode ser
estranhamente semelhante, e quase idêntica que se refira a ela mesma – e não a causa,
nem a seus elementos). P. 107

O enunciado, mesmo se está reduzido a um sintagma nominal (“O barco”!), ou se está


reduzido a um nome próprio (“Pedro!”) não tem com o que enuncia a mesma relação
que o nome mantém com o que designa ou significa. (107)

O sentido do nome é definido segundo regras de utilização, um nome se define por meio
das possibilidades de recorrência. (quer dizer, Pedro, sempre vai indicar uma pessoa do
sexo masculino, em qualquer tempo ou espaço).

(...) Um enunciado existe fora de qualquer possibilidade de reaparecimento; e a relação


que mantém com o que enuncia não é idêntica a um conjunto de regras de utilização.
Trata-se de uma relação singular: (...) uma formulação idêntica reaparece – as mesmas
palavras, basicamente os mesmos nomes, em suma, a mesma frase, mas não
forçosamente o mesmo enunciado. (p. 108)

(...)(...)Não é preciso tampouco confundir a relação entre enunciado e o que ele enuncia
com a relação entre proposição e seu referente.

Seria preciso dizer que o enunciado não se liga a nada?

(...) Afirmar o inverso e dizer não que a ausência de referente acarreta a ausência de
correlato para o enunciado, mas sim que é o correlato do enunciado – aquele a que se
refere, o que é posto em jogo por ele, não o que é dito, mas aquilo do que fala, seu
“tema” – que permite dizer se a proposição tem um referente ou não. (108)

Correlato: diz-se do ou termo cujo significado tem relação com o de outro termo.
Houaiss3.

No exemplo “a montanha de ouro está na Califórnia”, caso não se encontre em manual


de viagens ou de geografia, mas em uma obra de ficção qualquer, poderemos tomá-la
como verdadeira ou falsa- desde que o mundo imaginário a qual ela se relacione
autorize.

É preciso saber a que se refere o enunciado, qual é seu espaço de correlações, para
poder dizer se uma proposição tem ou não ou referente. P. 108

“ O atual rei da frança é careca” só carece de referente na medida em que se supõe que
o enunciado se refira ao mundo da informação histórica de hoje. 108.
Em outras palavras, o enunciado existe na medida em que possui um referente. Este,
porém, não é um sujeito em sua individualidade ou objeto em específico. O referente é
um conjunto de correlações históricas, culturais, econômicas e geográficas.

Como definir a relação que caracteriza, exclusivamente, o enunciado - relação que


parece implicitamente suposta pela frase ou pela proposição e que lhes aparece como
anterior? Como separá-las, em si mesma, das relações de sentido e de valores de
verdade com os quais confundimos? P. 109

Um enunciado (...) não tem como correlato um indivíduo ou objeto singular que seria
designado por determinada palavra da frase: p. 109-110

(...) No caso “A montanha de ouro está na Califórnia”, o correlato não é essa formação
real ou imaginária (...) designado pelo sintagma nominal que exerce a função de sujeito.
(...) o correlato não é tampouco um estado de coisas ou uma relação suscetível de
verificar a proposição ( no ex.; seria a inclusão espacial de certa montanha em uma
região determinada). P. 110

O correlato do enunciado é um conjunto de domínios em que tais objetos podem


aparecer em que tais relações podem ser assinaladas:

(...) Um domínio de objetos materiais que possuem um certo número de propriedades


físicas contáveis, relação de grandeza perceptível.
(...) um domínio de objetos fictícios, dotados de propriedades arbitrárias (...) sem
instância de verificações experimentais ou perceptivas(...).
(...) um domínio de localizações espaciais e geográficas, com coordenadas e distâncias,
relações de vizinhança e inclusão.
(...) um domínio de objetos que existe no mesmo instante e na mesma escala de tempo
em que se formula o enunciado.
(...) o domínio de objetos que pertence a um presente inteiramente diferente – aquele
que indicado e constituído pelo próprio enunciado, e não aquele que o enunciado
pertence. P. 110.

O enunciado não tem diante de si (e numa espécie de conversa) um correlato – ou uma


ausência de correlato (...). Está antes ligado a um referencial que não é constituído de
“coisas”, de “fatos”, de “realidades”, ou de “seres”,(...) mas de leis de possibilidade, de
regras de existência para os objetos que aí se encontram nomeados, designados ou
descritos, para as relações que aí se encontram afirmadas ou negadas. P. 110.

(...) O referencial do enunciado forma o lugar, a condição, o campo de emergência, a


instância de diferenciação dos indivíduos ou dos objetos, dos estados de coisas, das
relações que são postas em jogo pelo próprio enunciado; p. 110-111.

Define as possibilidades de aparecimento e de delimitação do que dá à frase seu


sentido, à proposição seu valor de verdade. É esse conjunto que caracteriza o nível
enunciativo de formulação; p. 111.

Através da relação com esses diversos domínios de possibilidade, o enunciado faz se um


sintagma, ou uma série de símbolos, ou uma frase a que se pode, ou não, atribuir
sentido, uma proposição que pode receber ou não valor de verdade. P. 111
Vê-se (...) que a descrição do nível enunciativo não pode ser feita nem por uma análise
formal, nem por uma investigação semântica, nem por uma verificação, mas pela
análise de relações entre o enunciado e os espaços de diferenciação, em que ele mesmo
faz aparecer às diferenças. P. 111.

O sujeito ou a posição de sujeito.

Um enunciado, (...) se distingue de uma série qualquer de elementos lingüísticos,


porque mantém com um sujeito uma relação determinada que se deve isolar, sobretudo,
das relações com as quais se poderia ser confundida, e cuja natureza é preciso
especificar. P.11

Não é preciso, (...) reduzir o sujeito do enunciado aos elementos gramaticais de primeira
pessoa que estão presentes no interior da frase: inicialmente, porque o sujeito do
enunciado não está dentro do sintagma lingüístico; em seguida, porque o enunciado que
não comporta primeira pessoa têm (...) um sujeito (...). Enfim, (...) todos os enunciados
que têm uma forma gramatical fixa (qualquer seja a pessoa em questão) não têm um
único e mesmo tipo de relação com o sujeito do enunciado (...).

A relação não é a mesma em todo tipo de enunciado, assim, por exemplo, em


enunciados do tipo “ a tarde começa a cair” ou “deitei-me cedo durante muito tempo”,
a relação com o sujeito que as enuncia não é a mesma. Isto depende o espaço no qual
ela é proferida: em uma conversa ou em um livro.

Esse sujeito exterior á frase não seria, simplesmente, o individuo real que a articulou
ou escreveu? P. 112

Não há signos sem alguém para proferi-los, sem um emissor. Para que uma série signos
exista um “autor” ou uma instância produtora.

No entanto, esse “autor” não é idêntico ao sujeito do enunciado; e a relação de


produção que mantém com o enunciado não pode ser superposta à relação que une o
sujeito enunciante e o que ele enuncia. P.112.

O sujeito do enunciado é precisamente aquele que produziu seus diferentes elementos


com uma intenção de significação.

Isto, porém, tem uma série de problemas pertinentes, desde livros de romances, no qual
o autor da formulação é o indivíduo real cujo nome figura na capa do livro que mantém
a relação indivíduo-autor os enunciados não tem o mesmo sujeito.

Mas até fora dessas instâncias ao indivíduo-autor, os enunciados do romance não têm o
mesmo sujeito, conforme dêem, como se fosse do exterior, os marcos históricos e
espaciais da história contada, ou descrevem as coisas como as veria um indivíduo
anônimo, insensível e neutro(...). (p.112); ou ainda dêem, como se fosse por decifração
interior e imediata, versão verbal do que silenciosamente, experimenta o personagem.
(p.113).

Esses enunciados, ainda que o autor seja o mesmo, ainda que só os atribua a si (...) não
supõem para o sujeito enunciante os mesmos caracteres; não implica a mesma relação
entre o sujeito e o que ele está enunciando. P. 113.

Mesmo que uma séria de questões seja posta afirmando que se questiona é a própria
literatura e não status do sujeito do enunciado. E que isto é particularidade da literatura
e que lá o autor se ausenta, esconde, e se desaparece e que, por isso, não se deve
concluir:
(...) universalmente, que o sujeito do enunciado é distinto em tudo, - natureza, status,
função - identidade – do autor da formulação. P. 113.

E por mais que tudo isto seja posto, esta relação não se restringe a literatura.

O sujeito do enunciado é função determinada, mas não forçosamente a mesma de um


enunciado a outro; na medida em que é função ls, podendo ser exercida por diferentes
indivíduos, até certo ponto, indiferentes, quando chegam a formular o enunciado; e na
medida em que um único e mesmo indivíduo pode ocupar, alternadamente, em uma
série de enunciados, diferentes posições e assumir o papel de diferentes sujeitos. (p.
113).

Observemos um tratado de matemática escrito para responder um problema não


resolvido... Onde há uma explicação do porque se escreveu o tratado, os métodos, os
fracassos e tentativas feitas...

A posição de sujeito enunciativo só pode ser ocupada pelo autor ou autores da


formulação: as condições de individualização do sujeito são de fato muito estritas,
muito numerosas, e autorizam, nesse caso, apenas um sujeito possível.

Mas, se neste tratado há proposições do tipo: “duas quantidades iguais a uma terceira
são iguais entre si”.

O sujeito do enunciado é a posição do sujeito absolutamente neutra, indiferente ao


espaço, ás circunstâncias, idêntica em qualquer sistema lingüístico (...) e pode ser
ocupada por qualquer indivíduo, para afirmar tal proposição. P.114.

A posição de sujeito é definida: (numeração minha).


(...)(1)É então fixada no interior de um domínio constituído por um conjunto finito de
enunciados; (2)é localizada em uma série de acontecimentos enunciativos que já se
devem ter produzidos; (3) é estabelecida em um tempo demonstrativo cujos momentos
anteriores jamais se perdem e que não têm, pois, necessidade de serem recomeçados e
repetidos identicamente, para se apresentarem novo (basta uma menção para reativá-los
em sua validade original); (4) é determinada pela existência prévia de um certo número
de operações efetivas que talvez não tenham sido feitas por um único e mesmo
indivíduo ( o que fala no momento) mas que pertencem, de direito, ao sujeito
enunciante e que estão à sua disposição, e podendo ser retomando por ele quando
necessário. P. 114.
Definiremos o sujeito de tal enunciado pelo conjunto destes requisitos e possibilidades;
e não o descrevemos como um indivíduo que tivesse, realmente, efetuado operações,
que tivesse num tempo sem esquecimento e sem ruptura, que tivesse interiorizado, no
horizonte de sua consciência, todo um conjunto de proposições veredeiras, e que delas
retivesse, no presente vivo de seu pensamento, o reaparecimento virtual p. 114.

Em proposições como as “Chamo de reta todo conjunto de pontos que”, “consideramos


um conjunto finito de elementos quaisquer”...
A posição do sujeito está, em ambas:

(...) ligada à existência de uma operação ao mesmo tempo determinada e atual; em


ambas, o sujeito do enunciado é também o sujeito da operação (aquele que estabelece a
definição é também aquele que enuncia; aquele que coloca a existência é, ao mesmo
tempo, quem coloca o enunciado); em ambas, finalmente, o sujeito liga, por essa
operação e pelo enunciado em que toma corpo, seus enunciados e suas operações
futuros( enquanto sujeito enunciante, ele aceita o enunciado como sua própria lei).
P.115

No primeiro caso, o que está enunciado é uma convenção de linguagem- aquela da qual
o sujeito utiliza e na qual se define. (...): O sujeito enunciante e o que é enunciado estão
no mesmo nível (...).

No segundo caso, o sujeito pertence um domínio já definido, cujas leis de possibilidade


já foram articuladas e cujos caracteres são anteriores à enunciação que o coloca.

Ou seja,

A posição de sujeito enunciante nem sempre é idêntica quando se trata de afirmar uma
proposição verdadeira; (...) é tão pouco a mesma quando se trata de efetuar, no próprio
enunciado, uma operação. 115

Em outras palavras, em certos momentos o sujeito se coloca no mesmo nível do


enunciado, é idêntico a ele. Em outros, ao contrário, o enunciado e o sujeito estão em
níveis diferentes. A ocorrência do se dá, sobretudo, quando se pressupõem um domínio
já definido anteriormente, um conjunto de leis e de possibilidades na qual a ação deve
ser realizada.

Não é preciso, pois, conceber o sujeito do enunciado como idêntico ao autor da


formulação, nem substancialmente, nem funcionalmente. P. 115

O sujeito não é: numeração minha


(...) (1)causa, origem ou ponto de partida do fenômeno da articulação da escrita ou oral
de uma frase;
(2) não, é, tampouco, a intenção significativa que, invadindo silenciosamente o terreno
das palavras, as ordena como o corpo visível de sua intenção.
(3) não é núcleo constante, imóvel e idêntico a si mesmo de uma série de operações que
os enunciados, cada um por sua vez, viriam a se manifestar na superfície do discurso. p.
115
O sujeito é:
É um lugar determinado e vazio que pode ser efetivamente ocupado por indivíduos
diferentes;
(1)mas esse lugar, em vez de ser definido de uma vez por todas e de ser manter
uniforme ao logo de um texto, de um livro ou de uma obra, varia - ou melhor, é
variável o bastante para pode continuar, idêntico a si mesmo (...).p.115.
(2) esse lugar é uma dimensão que caracteriza toda uma formulação enquanto
enunciado, constituindo um dos traços que pertence exclusivamente á função
enunciativa e permitem descrevê-la. P.116.

Se uma frase, proposição ou signo se transformaram em enunciado se deve ao fato de:

(...) Na medida em que pode ser assinalada a posição de sujeito. P.116.

Descrever uma formulação enquanto enunciado não consiste em analisar as relações


entre o autor e o que ele disse ( ou quis dizer, ou disse sem querer), mas em determinar
qual é a posição que pode e deve ocupar todo indivíduo para ser seu sujeito.
( ou sujeito de enunciação.

Terceira característica de um enunciado:

Campo associado:

Terceira característica da função enunciativa: ela não pode se exercer sem a existência
de um domínio associado. p. 116.

Isto faz do enunciado um diferente em relação à frase, proposição ou signos: No que se


refere à frase apenas a análise de sua constituição gramatical é o suficiente para sua
determinação. Ela, sem nenhum outro referente, se determina.
De maneira geral, a frase e a proposição - mesmo isoladas, mesmo retirada do contexto
natural - continua sendo sempre uma frase ou uma proposição.

A função enunciativa – mostrando assim que não é pura e simples construção de


elementos prévios – não pode exercer sobre a frase ou proposição em estado livre. Não
basta dizer uma frase, nem mesmo basta dizê-la em uma relação determinada com um
campo de objetos ou uma relação determinada com um sujeito, para que haja enunciado
- para que se trate de um enunciado é preciso relacioná-la com todo um campo
adjacente. 118

Não se pode dizer uma frase, não se pode fazer com que ela chegue a uma existência de
enunciado sem que ela seja utilizado um campo colateral: um enunciado tem sempre
margens povoadas de outros enunciados. 118.

(1)Essas margens se distinguem do que se entende geralmente por “contexto” (conjunto


de elementos que motivam uma formulação e lhe delimitem sentido)(...) E elas se
distinguem na medida em que o tornam possível (...) 118.
É sobre uma relação mais geral entre as formulações, sobre toda uma rede verbal que o
efeito de contexto pode ser determinado. 119

(2) As margens, não são tampouco, idênticas aos diferentes textos, às diferentes frases
que o sujeito pode ter em mente quando fala; (...) elas, são mais extensas que o
envolvimento psicológico; e, até certo ponto, elas o determinam, pois, segundo a
posição, o status e o papel da formulação entre todas as outras (...) o modo de presença
dos outros enunciados na consciência do sujeito não será o mesmo; não é nem o mesmo
nível, nem a mesma forma de experiência lingüística, de memória verbal, de evocação
do já dito que são utilizados. P.119.

O halo psicológico de uma formulação é comandado de longe pela disposição do campo


enunciativo.

O campo associado que faz de uma frase ou de uma série de signos um enunciado e que
lhes permite ter um contexto determinado, um conteúdo representativo específico,
forma uma trama complexa.

(1)Ele é constituído, de inicio, pela série das outras formulações, no interior das quais o
enunciado se escreve e forma um elemento.
(2) é constituído, também, pelo conjunto de formulações a que o enunciado se refere
(implicitamente ou não) seja para repeti-las, seja para modificá-las ou adaptá-las, seja
para se opor a elas, seja para falar de cada uma delas.

Não há enunciado que, de uma forma ou de outra, não reatualize outros enunciados
119.

(3) É, constituído, ainda, pelo conjunto das formulações cuja possibilidade ulterior é
propiciada pelo enunciado e que podem vir depois dele como conseqüência, sua
seqüência natural, ou sua réplica. (os ecos)

(4) é constituído, finalmente, pelo conjunto das formulações cujo status é


compartilhado pelo enunciado em questão, entre as quais toma lugar sem consideração
de ordem linear, com quais se apagará, ou com as quais, ao contrário, será valorizado,
conservado, sacralizado e oferecido como objeto possível a um discurso futuro. 120

“Um enunciado não é dissociável do status que lhe pode ser atribuído” (...) 120.
Uma seqüência de elementos lingüísticos só é enunciado se estiver imersa em um
campo enunciativo em que apareça como elemento singular.
p. 120.
(status e singularidade)

Não é enunciado:
(1) O enunciado não é a projeção direta, sobre um plano da linguagem, de uma situação
determinada ou de um conjunto de representação.
(2) Não é simplesmente a utilização, por um sujeito falante, de um certo número de regras
lingüísticas.
O enunciado é:
(1) (...) ele se delineia em um campo associativo onde tem lugar de status, que lhe
apresenta relações possíveis com o passado e que lhe abre um futuro eventual.
(2) (...) não há enunciado em geral, enunciado livre, neutro, independente; mas sempre um
enunciado fazendo parte de uma série ou de um conjunto, desempenhando um papel no
meio de outros, neles se apoiando e deles se distinguindo: ele se integra sempre em um
jogo enunciativo, onde tem sua participação, por ligeira em ínfima que seja. p.120
(3) Não há enunciado que não suponha outros; não há nenhum que não tenha, em torno de
si, um campo de coexistências, efeitos de série e de sucessão, uma distribuição de
função e papéis. 121
Sobre esse cenário da coexistência enunciativa se destacam, em um nível autônomo e
descritível, as relações... (entre as frases, as relações lógicas, as relações
metalingüísticas, as relações retóricas)121
É licito, certamente, analisar todas essas relações sem que se tome por tema o próprio
campo enunciativo, isto é, o domínio de coexistência em que se exerce a função
enunciativa. Mas elas só podem existir e só são suscetíveis de analise na medida em que
as frases tenham sido “enunciadas”; (...), na medida em que se desenrolem em um
campo enunciativo que permita que elas se sucedam, se ordenem e desempenhem um
papel uma em relação às outras. 121
O enunciado, longe de ser o princípio de individualização dos conjuntos significantes
(...) é o que situa essas unidades significativas em um espaço em que elas se
multiplicam e se acumulam. 121

Quarta característica de um enunciado:

A materialidade.
Finalmente, para que uma seqüência de elementos lingüísticos possa ser
considerada e analisada como enunciado é preciso que ela preencha uma
quarta condições: deve ter uma existência material. 121.

O enunciado é sempre apresentado através de uma espessura material,


mesmo dissimulada, mesmo se, apenas surgida, estiver condenada a se
desvanecer. 122.
O enunciado tem necessidade de uma materialidade, mas ela não lhe dada
de suplemento, uma vez estabelecida todas as suas determinações: em
parte, ela o constitui.
As coordenadas e o status material do enunciado fazem parte de seus
caracteres intrínsecos.
Mas se observada de perto há problemas nesta concepção, que embaralham
e que precisam ser determinadas.

(...) Somos tentando a dizer que se o enunciado é caracterizado, pelos


menos em parte, por seu status material, e sua identidade é sensível a uma
modificação desse status (...).

A materialidade desempenha, no enunciado, um papel muito mais


importante: 123
(1) Não é simplesmente principio de variação ou modificação dos critérios de
reconhecimento, ou determinação de subconjuntos.
O autor lança algumas interrogações sobre a natureza da materialidade do
enunciado, como, por exemplo, uma mesma seqüência, pronunciada em
voz alta e baixa, forma dois enunciados distintos? Como reconhecer a
identidade do enunciado nas suas varias ocorrências, nas usas transições?

O enunciado precisa ter substância, um suporte, um lugar e uma data.


Quando estes requisitos se modificam, ele próprio muda de identidade.

É necessário pôr de lado, inicialmente, a multiplicidade das enunciações.


(...) Há enunciações cada vez que um conjunto de signos for emitido. Cada
uma destas articulações têm sua individualidade espaço-temporal.

Duas pessoas podem dizer ao mesmo a mesma coisa; já que são duas,
haverá duas enunciações distintas no tempo.

A enunciação é um acontecimento que se repete; tem sua singularidade


situada e datada que não se pode reduzir. 123

O tempo e o lugar de enunciação, o suporte material que ele utiliza,


tornam-se, então indiferentes, pelo menos em grande parte: o que se
destaca é uma forma repetível e que pode dar lugar às enunciações mais
dispersas. 124.

O enunciado pode ser repetido apesar de sua materialidade: (uma mesma


frase pronunciada por sujeitos distintos é o mesmo enunciado) 124

Qual é, pois, esse regime de materialidade repetível que caracteriza o


enunciado?
Sem dúvida não é uma materialidade sensível, qualitativa, apresentada sob
a forma da cor, do som ou da solidez e esquadrinhada pela demarcação
espaço-temporal que o espaço perceptivo. 124.
A materialidade do enunciado não é definida pelo espaço ocupado ou pela data da
formulação, mas por status de coisa ou de objeto, jamais definitivo, mas modificável.
Relativo e sempre suscetível de ser novamente posto em questão. 125

(...)de um lado, há os próprios enunciados, do outro, sua reprodução.

O enunciado não se identifica com um fragmento de matéria, mas sua identidade varia
de acordo com um regime complexo de instituições materiais. 125.

Ele pode ser:

(1) Um enunciado pode ser o mesmo, manuscrito em uma folha de papel ou publicado em
um livro.
(2) Pode ser o mesmo pronunciado oralmente, impresso em um cartaz, reproduzido por um
gravador; 125
(3)
O regime de materialidade a que obedecem necessariamente os enunciados é, pois, mais
da ordem da instituição do que a localização espaço-temporal: define antes
possibilidades de reinscrição e de transcrição (...) do que individualidades limitadas e
perecíveis. 125-126.
A identidade de um enunciado está submetida a um segundo conjunto de condições e
limites: (define os conceitos de (a) campo de estabilização e (b) campos de utilização)
(1) Os que lhe são impostos pelo conjunto de outros enunciados no meio dos quais figura;
(2) Pelo domínio no qual podemos utilizá-lo ou aplicá-lo;
(3) Pelo papel ou função que deve desempenhar.

(a) Os esquemas de utilização, as regras de emprego, as constelações em que podem


desempenhar um papel, suas virtualidades estratégicas constituem para os enunciados
um campo de estabilização que permite, apesar de todas as diferenças de enunciação,
repeti-los em sua identidade; 126

(...) Mas este campo pode também, (... ) definir um limiar a partir do qual não a mais
equivalência, sendo preciso reconhecer o aparecimento de um novo enunciado.
(...) Podemos considerar que existe apenas um único e mesmo enunciado onde as
palavras, a sintaxe, a própria língua não são idênticas. 126.
Ainda aí, não se trata de um critério de individualização do enunciado, mas de seu
principio de variação. 127.
(b) A constância do enunciado, a manutenção de sua identidade através dos acontecimentos
singulares das enunciações, seus desdobramentos através da identidade das formas, tudo
isso é função do campo de utilização no qual ele se insere. 127.

O enunciado não deve ser tratado: (...)

(1) O enunciado não deve ser tratado como um acontecimento que se teria produzido em
um tempo e lugar determinados, e que poderia ser inteiramente lembrado – e celebrado
de longe- e um ato de memória. 127.

(2) Não é, tampouco, uma forma ideal que pode sempre atualizar em um campo qualquer,
em um conjunto indiferente e sob condições materiais que não importam.127-128

Ele é:

(1) Demasiado repetível para ser inteiramente solidário com as coordenadas espaços-
temporais de seu nascimento (é algo diverso da data e do local de seu aparecimento)128

(2) Demasiado ligado ao que o envolve e suporta para ser tão livre quando uma forma
pura ( é algo diferente de uma lei de construção referente a um conjunto de elementos.

(3) Ele é dotado de uma certa lentidão modificável, de um peso relativo ao campo em que
está associado, de uma constância que permite atualizações diversas, de uma
permanência temporal que não tem inércia de um simples traço, e que não dorme sobre
o seu passado. 128

(4) O enunciado tem a particularidade de poder ser repetido: mas sempre em condições
estritas. 128

(...) materialidade repetível que caracteriza a função enunciativa faz aparecer o


enunciado como um objeto especifico e paradoxal, mas também como um objeto entre
os que os homens produzem, manipulam, utilizam, transformam, trocam, combinam,
decompõem e recompõem.

(1) Em vez de ser coisa dita de forma definitiva (...) o enunciado, ao mesmo tempo, em que
surge em sua materialidade, aparece com status, entre em redes, se coloca em campos
de utilização, se oferece a transferência e a modificações possíveis, se integra em
operações estratégicas onde sua identidade se mantém ou se apaga. 128

(2) O enunciado circula, serve, se esquiva, permite ou impede a realização de um desejo, é


dócil ou rebelde a interesses, entra na ordem das contestações e das lutas, torna-se tema
de apropriação ou de rivalidade. 128.
Capítulo III: Descrição dos enunciados.

O front da análise encontra-se consideravelmente deslocado;


Voltando atrás, percebi que não podia definir o enunciado como unidade do
tipo lingüístico, mas que tinha de me ocupar de uma função enunciativa,
ponde em jogo estas unidades diversas; (...) e essa função, em vez de dar
um “sentido” a essas unidades, coloca-as em relação a um conjunto de
objetos; em vez de lhes conferir um sujeito, abre-lhes um conjunto de
posições subjetivas possíveis; em vez de lhe fixar limites coloca-as em um
domínio de coordenação e coexistência; etc.. 129
O que se descobriu não foi o enunciado atômico – com seu efeito de
sentido, sua origem, seus limites e sua individualidade -, mas sim, o campo
de exercício da função enunciativa e as condições segundo as quais ela faz
aparecerem unidades diversas. 129

No que consiste análise dos enunciados? Como a teoria do enunciado pode-


se a ajustar a das formações discursivas? 130
Primeiro cuidado: fixar um vocabulário. 130
Chamaremos de enunciado a modalidade de existência própria desse
conjunto de signos:
(1) Modalidade que lhe permite se algo diferente de uma série de traços,
(2) Algo diferente de uma sucessão de marcas em suas substância,
(3) Algo diferente de um objeto qualquer fabrico por um ser humano, (130).

(4) Modalidade que lhe permite estar em relação a um domínio de objeto, prescrever uma
posição definida a qualquer sujeito possível, estar situado entre outras performances
verbais, estar dotado, de uma materialidade repetível. 130-131.

Quanto ao termo discurso, de que aqui usamos e abusamos dos sentidos bem diferentes,
podemos agora compreender a razão de seu equívoco: p. 131

(1) De maneira mais geral e imprecisa, ele designava um conjunto de performances verbais;
e entendia-se então por discurso tudo o que havia sido (...) em matéria de conjunto de
signos.
(2) (...) Compreendia-se também por discurso um conjunto de atos e formulações, uma
série de frases ou proposições.
(3) Enfim - (...) – o discurso é constituído por um conjunto de seqüência de signos,
enquanto enunciados, isto é, enquanto lhes podemos atribuir modalidades particulares
de existência. 131
(4) E se conseguir demonstrar – (...) – que a lei de tal série é precisamente o que chamei, até
aqui, formação discursiva, se conseguir demonstrar que esta é o princípio de dispersão
e de repartição, não das formulações, das frases, ou das proposições, mas dos
enunciados, (...) o termo discurso poderá ser fixado: Conjunto de enunciados que se
apóia em uma mesma formação. p. 131.

Apesar de haver outros conceitos e de não tê-los testados e/ou não negar o seu valor,
Foucault quer:

(...) fazer aparecer uma possibilidade descritiva, esboçar um domínio ao qual ela é
suscetível, definir seus limites e sua autonomia. P. 132.

(...) a análise dos enunciados não pretende ser uma descrição total, exaustiva da
“linguagem” ou de “o que foi dito”. Em toda a densidade resultante das performances
verbais, ela se situa num nível particular que deve ser separado dos outros, caracterizado
em relação a eles e abstraído.
(...) constitui uma outra maneira d abordar as performances verbais, de dissociar sua
complexidade, de isolar os termos que aí se entrecruzam e demarcar as diversas
regularidades a que obedecem. P.132.
(...) não se tenta reencontrar uma totalidade perdida, nem ressuscitar, (...) a plenitude da
expressão viva, a riqueza do verbo, a unidade profunda do logos.
(...) A análise enunciados corresponde a um nível especifico de descrição. 132.

Segundo cuidado:

O enunciado não é, pois, uma unidade elementar que viria somar-se ou misturar-se às
unidades descritas pela gramática ou lógica. Não pode ser isolado como uma frase, uma
proposição ou um ato de formulação.

(...). Descrever um enunciado não significa isolar e caracterizar um segmento


horizontal, mas definir as condições nas quais se realizou a função que deu a uma série
de signos (...) uma existência, e uma existência específica. P.132

Esta a faz aparecer em:


(1) (...) em relação com um domínio de objetos (...).
(2) (...) um jogo de posições possíveis para um sujeito (...)132
(3) (...) um elemento no campo de coexistência (...)133.
(4) (...) uma materialidade repetível (...)
A descrição dos enunciados se dirige, segundo uma dimensão de certa forma vertical, ás
condições de existência dos diferentes conjuntos significantes. 133.
(...) Ela não tenta contornar as performances verbais para descobrir, atrás delas, ou sob
sua superfície aparente, um elemento oculto, um sentido secreto que nelas se esconde,
ou que através delas parece sem dizê-lo.
(...) O enunciado é, ao mesmo tempo, não visível e não oculto.
(...). A análise enunciativa só pode se referir a coisas ditas, a frases que foram realmente
pronunciadas ou escritas, a elementos significantes que foram traçados ou articulados –
e, mais precisamente, a essa singularidade que faz existirem, as oferece à observação, à
leitura, a uma reativação eventual, a mil usos e transformações possíveis, entre outras
coisas. 133
(...) analisa no nível da existência: descrição das coisas ditas, precisamente porque
foram ditas. (...)133
(...). A análise enunciativa é, pois, uma análise histórica, mas que se mantém fora de
qualquer interpretação;
(...); às coisas ditas, não pergunta o que obedecem, o que nelas estava dito e o não dito
que involuntariamente recobrem, a abundancia de pensamentos, imagens ou fantasmas
que a habitam;
As perguntas do analista do discurso:
(...); do contrário, de que modo existem, o que significa para elas o fato de terem
manifestado, de terem deixado rastros e, talvez, de permanecerem para a reutilização
eventual133;
(...); o que é para elas o fato de terem aparecido – e nenhuma outra em lugar; 133.

(...); as coisas ditas dizem bem mais que elas mesmas; 134;

(...). O enunciado não pode ser considerado como resultado cumulativo ou a


cristalização de vários enunciados flutuantes, apenas articulados, que se rejeitam entre
si. O enunciado não é assobrado pela presença secreta do não dito, das significações
ocultas, das repressões; ao contrário, a maneira pela qual os elementos ocultos
funcionam e podem ser restituídos depende da própria modalidade enunciativa: 134-
135;
(...); a todas essas modalidades diversas do não dito que podem ser demarcados sobre o
campo enunciativo, é necessário, sem dúvida, acrescentar uma ausência, que em vez de
ser interior, seria correlativa a esse campo e teria um papel na determinação de sua
própria existência. 135;

(...). Pode haver – (...) – nas condições de emergência dos enunciados, exclusões,
limites e lacunas que delineiam seu referencial, validam uma série de modalidades,
cercam e englobam grupos de coexistência, impendem certas formas de utilização. 135
(...). Não se deve confundir, nem seu status, nem em seu efeito, a ausência característica
de uma regularidade enunciativa e as significações encobertas pelo que se encontra
formulado. 135
Terceiro cuidado:
(...).Ora, por mais que o enunciado não seja oculto, nem por isso é visível; ele não se
oferece à percepção como portador manifesto de seus limites e caracteres. É necessária
uma certa conversão do olhar e da atitude para reconhecê-lo e considerá-lo em si
mesmo. 135.
(...).Talvez ele seja tão conhecido que se esconde sem cessar; talvez seja como essas
transparências familiares que, apesar de nada esconderem em sua espessura, não são
apresentadas com clareza total.
Há varias razões para este quase ocultamento.
Primeiro, o fato de o enunciado não situar ao lado de categorias como frases e
proposições. Embora esteja dentro destas unidades, não obedece a suas leis. A sua
identidade não é delimitada nelas, mas a partir do fato de elas serem apresentadas, e o
porquê não fazem isto.
Segundo:
A linguagem sempre aparece povoada pelo outro, pelo ausente, pelo distante, pelo
longínquo: ela é atormentada pela ausência. 136
(...). Ora, se queremos descrever o nível enunciativo, é preciso levar em consideração
justamente esta existência; interrogar a linguagem, não na direção a que ela remete, mas
na dimensão que a produz;
(...). Trata-se de suspender, no exame da linguagem, não apenas o ponto de vista do
significado (...) mas também o do significante, para fazer surgir o fato de que em ambos
existe linguagem, de acordo com domínios de objetos e sujeitos possíveis, de acordo
com outras formulações e reutilizações eventuais. 136.
Terceiro:
(...). Finalmente, ultima razão da quase invisibilidade enunciado: ele é suposto por
todas as outras análises da linguagem sem que elas tenham jamais de mostrá-lo.
(...)Para que a linguagem possa ser tomada como objeto, decomposta em níveis
distintos, descrita e analisada é preciso que haja um dado “enunciativo” que será sempre
determinado e não infinito. 136
Ou seja, o seu ocultamento ocorre devido:
(...)O fato de ser sempre indispensável para que a analise possa ocorrer lhe tira toda a
pertinência em relação à própria análise. 137.
(...) considerar os enunciados em si mesmos não será buscar, além de todas essas
análises e em um nível mais profundo, um certo segredo ou certa raiz de linguagem que
elas teriam omitido. É tentar tornar visível e analisável essa transparência tão próxima
que constitui o elemento de sua possibilidade. 137.

(...)Nem oculto, nem visível, o nível enunciativo está no limite da linguagem; 137;
(...). Ele define modalidade de seu aparecimento: antes sua periferia que sua
organização interna, antes sua superfície que seu conteúdo. 137

(...); o fato de que se pode descrever a superfície enunciativa prova que o ‘ dado da
linguagem não é a simples laceração de um mutismo fundamental; que as palavras, as
frases, as significações não se apóiam diretamente na noite primeira do silencio; mas
que o súbito aparecimento de uma frase, o lampejo do sentido, o brusco índice da
designação surgem sempre no domínio do exercício de uma função enunciativa; 137;
A linguagem, na instância de seu aparecimento e de seu modo de ser, é o enunciado;
138

(...) Devo-me voltar agora, para o segundo grupo de questões: como a descrição dos
enunciados, assim definida, pode-se ajustar à análise das formações discursivas; 139;

(...) Não infiro a análise das formações discursivas a partir de uma definição dos
enunciados que valeria como fundamento; (...); não infiro, tampouco, a natureza dos
enunciados a partir do que são formação discursivas, como se pôde abstraí-las desta ou
daquela descrição; p. 139-140

(...); tento mostrar como se pode organizar, sem falha, sem contradição, sem imposição
interna, um domínio em que estão em questão os enunciados, seu princípio de
agrupamentos, as grandes unidades históricas que eles podem construir e os métodos
que permitem descrevê-los. 140.

Não procedo por dedução linear, mas por círculos concêntricos (...) partindo do
problema da descontinuidade no discurso e da singularidade do enunciado (tema
central) procurei analisar, na periferia, certas formas de agrupamentos enigmáticos; 140
(...) se não estabeleci o modelo, pelo menos abri e preparei a possibilidade - se tiver
conseguido “fechar o círculo e mostrar que a análise das formações discursivas está
bem centrada na descrição dos enunciados em sua especificidade(...); 140

(...) o que se descreveu sob o nome de formação discursiva constitui, em sentido estrito,
grupos de enunciados, isto é, conjuntos de performances verbais que não estão ligadas
entre si, no nível das frases, por laços gramaticais (sintáticos ou semânticos); que não
se estão ligados entrei si, no nível das proposições, por laços lógicos ( de coerência
formal ou encadeamentos conceituais); que tampouco estão ligados entre si, no nível
das formulações, por laços psicológicos (seja de identidade das formas de consciência, a
constância das mentalidades, ou a repetição de um projeto); mas que estão ligados no
nível dos enunciados. 141
Isto supõe que:
(1) (...) se possa definir o regime geral a que obedecem objetos, a forma de dispersão que
reparte regularmente aquilo do que falam, o sistema de seus referenciais; 141
(2) (...);que se defina um regime geral ao obedecem os diferentes modos de enunciação, a
distribuição possível das posições subjetivas e o sistema que o define e os prescreve;
(3) (...) que se defina o regime comum a todos os seus domínios associados,a forma de
sucessão, de simultaneidade de repetição de que todos são suscetíveis, e o sistema que
liga, entre si, todos estes campos de coexistência;
(4) (...) que se possa, enfim, definir o regime geral a que está submetido o status desses
enunciados, a maneira pela qual são institucionalizados, recebidos, empregados,
reutilizados, combinados entre si, o modo segundo o que se tornam objetos de
apropriação, instrumentos para uma estratégia. 141

(...)Descrever enunciados, descrever a função enunciativa de que são portadores,


analisar as condições nas quais se exercem essa função, percorrer os diferentes
domínios que ela pressupõem e a maneira pela qual s articulam é tentar revelar o que se
poderá individualizar como formação discursiva. 141-142

(...); a formação discursiva é o sistema de enunciativo geral ao qual obedece um grupo


de performances verbais – sistema que não rege sozinho, já que ele obedece ainda, e
segundo suas outras dimensões, aos sistemas lógicos, lingüísticos e psicológicos. 142

(...) O que foi definido como formação discursiva escande o plano geral das coisas ditas
no nível específico dos enunciados.

A formação discursiva é que repartem os enunciados segundo regras, leis de


regularidade, que integra as diferentes práticas discursivas e, ao mesmo tempo, forma
seus objetos, delimita os temas do que pode e quando pode ser dito.

(...) As quatro direções em que a analisamos ( formação dos objetos, formação das
posições subjetivas, formação dos conceitos, formação das escolhas estratégicas)
correspondem aos domínios quatros domínios em que se exerce a função enunciativa.
142

(...) A partir disso, podemos adiantar um certo número de proposições que estão no
centra de todas as essas análises.

1. (...) a demarcação das formações discursivas, independentemente dos princípios de


possível unificação, revela o nível especifico do enunciado; (...) pode-se dizer, da
mesma forma, que a descrição dos enunciados e da maneira pela qual se organiza o
nível enunciativo conduz à individualização das formações discursivas.

A análise do enunciado e a da formação são estabelecidas correlativamente.

2. Um enunciado pertence a uma formação discursiva (e); a regularidade dos enunciados é


definida pela própria formação discursiva. 142-143;
A lei dos enunciados e o fato de pertencerem à formação discursiva constituem uma
única e mesma coisa; 143.
(...); A formação discursiva se caracteriza não por princípios de construção, mas por
uma dispersão de fato, já que ela é para os enunciados não uma condição de
possibilidade, mas uma lei de coexistência, e já que os enunciados, em troca, não são
elementos intercambiáveis, mas conjuntos caracterizados por sua modalidade de
existência. 143

3. (...) Chamaremos de discurso um conjunto de enunciados, na medida em que se apóiem


na mesma formação discursiva; ele não forma uma unidade retórica ou formal,
indefinidamente repetível e cujo aparecimento ou a utilização poderíamos assinalar (...)
na história.143
(a) (...) É constituído de um número limitado de enunciados para os quais podemos definir
um conjunto de existência.
(b) (...) O discurso, assim entendido, não é uma forma ideal e intemporal que teria, além do
mais, uma história.
(c) (...); é (...) histórico – fragmento de história, unidade e descontinuidade na própria
história, que coloca o problema de seus próprios limites, de seus cortes, de suas
transformações, dos modos específicos de sua temporalidade, e não de seu surgimento
ab-rupto em meio às cumplicidades do tempo. 143.

4. (...) o que se chama “prática discursiva” pode ser agora precisado. 143.

Para isto, não podemos confundi-la com:

a. (...) operação expressiva pela qual um indivíduo formula uma ideia, um desejo, uma
imagem;
b. (...) nem com a atividade racional que pode ser acionada em um sistema de inferência;
143.
c. (...) nem com a “competência” de um sujeito falante, quando constrói frases
gramaticais; 144

(a) (...) é um conjunto de regras anônimas, históricas, sempre determinadas no tempo e no


espaço, que definiram, em uma dada época e para determinada área social, econômica,
geográfica ou lingüística, as condições de exercício da função enunciativa. 144.
Capítulo 4: Raridade, exterioridade, acúmulo. P. 145-153.
Legenda:
® raridade
-e- exterioridade.
(@) acúmulo

® A análise enunciativa leva em conta um efeito de raridade. P. 145

A análise do discurso está colocada de duas formas: a partir do signo de totalidade e de


pletora.

Esta análise considera que todos os enunciados se dirigem a um único ponto, formando
o “grande” discurso. Cada elemento é tomado como portador de uma totalidade no qual
está ligado e ultrapassa. Nesse sentido, a diversidade das coisas ditas é substituída pelo
grande texto uniforme e suas correlações. De outra maneira, os enunciados têm
abundância e o discurso se faz em sua “plenitude e riqueza indefinida”. 145.

Ao contrário disso, análise das formações discursivas e dos enunciados se dirige em


outra direção, no intuito de determinar o princípio segundo o qual os conjuntos
significantes ganharam materialidade. Para isto, é preciso “buscar as leis de sua
raridade” (p.146).

Esta tarefa, contudo, é feito de múltiplos aspectos:

a. ® ela repousa no principio de que nem tudo é sempre dito; em relação ao que poderia
ser enunciado em língua natural, em relação a cominatória ilimitada dos elementos
lingüísticos; 146;
b. ® (...) os enunciados (por números que sejam) estão sempre em déficit; a partir da
gramática do tesouro vocabular de que se dispõem em dada época, relativamente poucas
coisas são ditas em suma.
c. ® Estudam-se os enunciados no limite que os separa do que não está dito, na instância
que os fazem surgirem à exclusão de todos os outros.
d. ® (trata-se...) definir um sistema limitado de presenças.

(...) A formação discursiva não é, pois, um totalidade em desenvolvimento, tendo todo


seus dinamismo próprio ou inércia particular, carregando consigo, em um discurso não
formulado, o que ele não mais diz, ainda não diz, ou que a contradiz no momento; não
é uma rica e difícil germinação, mas uma distribuição de lacunas, de vazios, de
ausências, de limites, de recortes. P. 146

a) (...)(...); não ligamos essas “exclusões” a um recalcamento ou a uma repressão, não


supomos que, sob enunciados manifestos, alguma coisa permaneça oculta subjacente.
b) (...)(...). Analisamos os enunciados não como se estivessem no lugar de outros
enunciados caídos abaixo uma linha de emergência possível, mas como estando sempre
em seu lugar próprio. (...). Não há um embaixo, portanto, nenhuma pletora. O domínio
enunciativo está, inteiro, em sua própria superfície. (...). Cada enunciado ocupa aí um
lugar que só aele pertence.
c) (...)(...). A descrição não consiste, pois, a propósito de um enunciado, em reconhecer o
não dito cujo lugar ele ocupa; nem como podemos reduzi-lo a um texto silencioso.146
d) (...); mas, pelo contrário que posição singular ocupa, que ramificações no sistema de
formação permitem demarcar sua localização, como ele se isola na dispersão geral dos
enunciados. 147.
a. ®. Essa raridade dos enunciados, a forma lacunar e retalhada do campo enunciativo, o
fato de poucas coisas, em suma, podem ser ditas explicam que os enunciados não sejam,
como o ar que respiramos, uma transparência infinita. 147
b. ® (...); mas sim coisas que tem transmitem e se conversam, que tem um valor, e da
quais procuramos nos apropriar; que repetimos, reproduzimos e transformamos; para as
quais preparamos circuitos preestabelecidos e às quais damos uma posição dentro da
instituição.
c. ® por serem raros os enunciados recolhemo-los em totalidade que os unificam e
multiplicamos os sentidos que habitam em cada um deles (...). 147.

(...); Analisar uma formação discursiva é procurar a lei de sua pobreza, é medi-la e
determinar-lhe a forma especifica(...). É, pois, em um sentido, pesar o “valor” dos
enunciados. 147.
(...). Esse valor não é definido por sua verdade, não é avaliado pela presença de um
conteúdo secreto; mas caracteriza o lugar deles, sua capacidade de circulação e de troca,
sua possibilidade de transformação, não apenas a economia dos discursos, mas na
administração, em geral, dos recursos raros. 147.

(...). Assim concebido, o discurso deixa de ser o que é para a atitude exegética; (...)
(p.147); ele aparece como um bem – finito, limitado, desejável, útil – que tem suas
regras de aparecimento e também suas condições de apropriação e de utilização; um
bem que coloca, por conseguinte, desde a sua existência (...) a questão do poder (º1º);
um bem que é, por natureza, objeto de uma luta, e de uma luta política. P. 148.

Eis outro traço: a análise dos enunciados trato-os na forma exterioridade-e-. 148.

O que Foucault chama de história transcendental é a prática recorrente da história


tradicional, de recolhimento e reconstituição de um passado contínuo. A história que
busca a origem e sua sucessão, a continuidade, portanto, é aquela que atribui a
centralidade ao sujeito, a sua consciência fundadora capaz de modificar o próprio rumo
da história.
(...) a descrição histórica das coisas ditas é inteiramente atravessada pela oposição do
interior e do exterior, e inteiramente comandada pela tarefa de voltar dessa exterioridade
– (...) em direção ao núcleo essencial da interioridade. p. 148.
Empreender a história do que foi dito é refazer, em outro sentido, o trabalho da
expressão: retomar os enunciados conservados ao longo do tempo e dispersos no
espaço, em direção ao segredo interior que os precedeu, nele se depositou e aí se
encontra (...) traído. Assim se encontra liberto do núcleo central da subjetividade
fundadora, que permanece sempre atrás da história manifesta e que encontra (...) mais
próxima da origem, ligada a seu horizonte último (...) P. 148.
A análise que propõem vem na contra corrente, descentraliza o sujeito, pensa as
descontinuidades, liberta-se da reconstituição da origem e de seus processos de
continuação. Portanto, liberta-se do que ele denomina como histórico-transcendental.
-e-.Deste tema ( histórico-transcendental), a análise enunciativa tenta liberar-se, (...).
a. -e-; para restituir os enunciados à sua pura dispersão; para analisá-los em sua
exterioridade sem dúvida paradoxal, já que não remete a nenhuma forma adversa de
interioridade; ( 148-149); (...).
b. -e-; para considerá-los em sua descontinuidade, sem ter relaciona-los, por um
desses descolamentos que põem fora de circuito e os torna inessenciais, a uma abertura
ou a uma diferença fundamental; 149(...).
c. -e-; para aprender sua própria irrupção no lugar e no momento em que se
produziu; para reencontrar sua incidência de acontecimento. 149. (...).
(...); o que importa é reencontrar o exterior onde se repartem, sem sua relativa raridade,
em sua vizinhança lacunar, em seu espaço aberto, os acontecimentos enunciativos. (...).
Está tarefa supõem que: 149
1.
a. (...) (...); o campo dos enunciados não seja descrito com “tradução” de operações
ou de processos que se desenrolam em algum outro lugar ( no pensamento dos homens,
em sua consciência ou sem seu inconsciente (...);(...).
b. (...); mas que seja aceito, em sua modéstia empírica, como local de
acontecimentos, de regularidades, de relacionamentos, de modificações determinadas,
de transformações sistemáticas; (...).
c. (...); em suma, que seja tratado com um domínio prático que é autônomo (apesar
de dependente) e que se pode descrever em seu próprio nível (se bem que seja preciso
articulá-lo com algo que não seja ele)(...).

2.

a. (...)(...). Elas supõem que esse domínio enunciativo não tome como referência
nem um sujeito individual, nem alguma coisa semelhante a uma consciência coletiva;
b. (...) (...); mas que seja descrito como um campo anônimo cuja configuração
defina lugar possível dos sujeitos falantes. (...). Não é mais preciso situar os enunciados
em relação a uma subjetividade soberana, (...) mas reconhecer, nas diferentes formas da
subjetividade que fala, efeitos próprios do campo enunciativo.

3.
a. (...)Ela supõe, (...) que em suas transformações, em suas séries sucessivas, em suas
derivações, o campo dos enunciados não obedeça à temporalidade da consciência como
a seu modelo necessário.

O tempo do discurso não é a tradução, em uma cronologia visível, do tempo obscuro do


pensamento. 149

Na análise: 150
(...)(...) Não se coloca a questão quem fala, quem exerce o comando da palavra sua
liberdade soberana, ou se submete sem sabê-lo a coações que percebe mal. 150.

(...). Ela situa-se, de fato, no nível do “diz-se (...)

(...)( ao situar o “diz-se); não deve ser entendido como uma espécie de opinião comum,
de representação coletiva que se imporia a todo indivíduo, em como uma grande voz
anônima que falaria necessariamente através dos discursos de cada um (...) p. 150.
(...)( situar o “diz-se a partir do ); conjunto das coisas ditas, as relações, as regularidades
e as transformações que aí podem ser observadas, o domínio do qual certas figuras e
certos cruzamentos indicam o lugar singular de um sujeito falante e podem receber um
nome de autor. “Não importa quem fala”, mas o que ele diz não é dito em qualquer
lugar. (p. 150. Grifos meus).

Eis o terceiro traço da análise enunciativa: (@).

(@); ela se dirige a formas específicas de acúmulo que não podem se


especificar-se nem com uma interiorização (subjetividade) na forma de
lembrança, nem com uma totalização dos documentos. P. 150

Geralmente, quando se analisa o discurso pressupõem uma inércia, como se


estes fossem conservados ao acaso ou sob cuidados dos homens e que, em
certos momentos, são retomados. Neste caso, não passam de um traço, uma
espécie de memória que atravessa o tempo, pensamentos, desejos e
fantasmas adormecidos. A análise, portanto, é a retirada deste discurso do
sono profundo e reencontrar a sua vivacidade no presente. P. 150.151.
Ao contrário disso, na análise enunciativa não é o despertar destes
discursos para reencontrar pontos possíveis de sua origem, as memórias
apagadas e os desejos latentes. Trata-se, de outra forma de trabalho, de
outro norte a ser tomado aquele que : p. 151

(...); de segui-los ao longo de seu sono, ou, antes, de levantar os temas


relacionados ao seu sono, ao esquecimento, à origem perdida, e de procurar
que modo de existência pode caracterizar os enunciados, independente de
sua enunciação, na espessura do tempo em que subsistem, em que
conservam, em que são reativados, e utilizados, em que são, também, mas
não por uma destinação originária, esquecidos e até mesmo, destruídos. P.
151
Alguns pontos a serem observados.

1.
a. (...) Essa análise (descrita na citação anterior) supõem que os enunciados
sema considerados na remanência (o restante) que lhes própria e que não é
retorno possível ao acontecimento passado da formulação. 151.
No entanto, dizer que um enunciado é remanente, todavia, não coloca
diretamente no campo da memória, ou talvez, que se possa encontrar o
sentido primeiro dado a ele. Mas tão somente :
b. (...); que se conservaram graças a um certo número de suportes e de
técnicas matérias (...) segundo tipos de instituições (...) e com certas
modalidades estatutárias ( diferentes conforme a FD) 151
c. (...). Isso que dizer, finalmente, que as coisas não têm mais o mesmo modo
de existência, o mesmo sistema de relações com o que as cerca, os mesmos
esquemas de uso, as mesmas possibilidades de transformação depois de
terem sido ditos.
d. (...). Embora a conservação através do tempo seja o prolongamento
acidental ou bem-sucedido de uma existência feita para passar com o
momento, a remanência pertence, de pelo direito, ao enunciado; o
esquecimento e a destruição são apenas, de certa forma, grau zero de
remanência.
2.
a. (...) Essa análise supõe igualmente que os enunciados sejam
abordados na forma de aditividade (acréscimo) que lhes é especifica. Na
verdade, os tipos de grupamento entre os enunciados não são sempre os
mesmos e não procedem jamais por simples amontoamento ou
justaposição de elementos sucessivos. 151-152.

3.
a. (...)A análise enunciativa supõe (...), que se levem em consideração
os fenômenos de recorrência. 152

(...) Todo enunciado compreende um campo de elementos antecedentes em


relação aos quais s situa, mas que tem o poder de reorganizar e de
redistribuir segundo relações novas. 152.

(...) ( o enunciado) Ele constitui seu passado, define, naquilo que o precede,
sua própria filiação, redesenha o que torna possível e necessário, exclui o
que não pode ser compatível com ele.

(...) ( o enunciado); coloca o passado enunciativo como verdade adquirida,


como acontecimento que se produzia, como uma forma que se modificar,
como matéria a transformar, ou, ainda, como objeto de que se pode falar.
b. (...) em relação a todas estas possibilidades de recorrência (ao
enunciado e suas funções), a memória e o esquecimento, a redescoberta do
sentido ou sua repressão, longe de serem leis fundamentais, não passam de
figuras singulares. 152
Em suma, na análise:
(...); trata os enunciados do acúmulo em que são tomados e que, entretanto,
não deixam de modificar, de inquietar, de agitar e, às vezes, de arruinar.
P.152
Analisar uma formação discursiva é, pois, tratar de um conjunto de
performances verbais, no nível dos enunciados e da forma de positividade
que as caracteriza; ou, mais, sucintamente, é definir o tipo de positividade
de um discurso. p. 153.