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CLASSIFICAÇÃO DAS ÁREAS INTERNA E EXTERNA DOS LOCAIS DE CRIME

Introdução

A legislação brasileira não tem uma definição de local de crime ou local do fato,
que é a área física interna ou externa onde se comete fato delituoso, ao qual se segue o
chamado à polícia, geralmente a polícia militar, os peritos criminais e, com as provas, a prisão
e o processo judicial. Na verdade, coube à doutrina fazer a definição do que é chamado de
local de interesse à Justiça Criminal. Neste trabalho de pesquisa fazemos a relação entre o que
diz a legislação infraconstitucional brasileira e a doutrina a respeito do tema.
Do mesmo modo, procuramos explicar as diferenças existentes entre áreas
externas e internas do local de crime, como área mediata interna e área mediata externa. Nessa
classificação, os locais fechados são os internos, e tem área mediata aberta e área imediata
interna. Os locais externos se dividem em área mediata externa e área imediata externa.
Fazem parte da classificação os locais relacionados, os locais idôneos ou preservados e os
inidôneos ou violados. Procuramos mostrar, em relação ao tema, o trabalho da perícia,
fundamental nos cuidados que se devem tomar em relação aos locais de crime.

Desenvolvimento

O Código de Processo Penal deixou para a doutrina a definição de local do crime,


quando, em seu artigo 6º declara que a polícia deve se dirigir ao local logo que tiver
conhecimento da prática de uma infração penal, fazendo com que não se altere o estado e a
conservação das coisas até a chegada dos peritos criminais. A doutrina define-o como sendo a
porção de espaço compreendida num raio que tem a origem do fato e que abranja todos os
lugares em que aparente, necessária ou presumidamente tenham sido praticados os atos
materiais, preliminares ou posteriores à consumação do delito e com este diretamente
relacionado, conforme explica Rabello (1996).
Para Pereira (2015), é um espaço territorial, imediato ou mediato, de interesse
público, onde tenha sido praticado um fato que configura uma infração penal e exige
providências por parte da polícia. O conteúdo do local pode ser variado, determinando assim
providências também diversas. É o caso de crimes contra a pessoa, com homicídio,
induzimento a suicídio, aborto, infanticídio, crimes contra o patrimônio, furto, latrocínio,
extorsão mediante sequestro ou ainda os crimes ambientais ou de trânsito.
É de grande importância a preservação do local do crime, pois concretiza a
materialidade, fornecendo elementos para se chegar à autoria. Envolve conhecimentos
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multidisciplinares, abrangendo a atividade prática do policial militar, geralmente o primeiro a


chegar à cena do crime, o perito criminal com seu conhecimento científico, e o delegado de
polícia, que coordena os trabalhos de investigação, com seus conhecimentos de técnica e
conhecimentos jurídicos.
Dentre as regras fundamentais do perito, segundo Ludwig (1996), está a de anotar
a hora da chamada e a autoridade ou agente que fizeram a chamada. É aí que começa o
levantamento dos dados. A primeira regra a ser seguida é que tudo deve ser anotado, inclusive
todos os detalhes, não confiando nada à memória.
A segunda regra fundamental é a mobilidade, devendo a equipe se deslocar
imediatamente para o local do crime, logo após ser solicitada pela autoridade, porque reduz ao
mínimo as possibilidades de interferência estranha que possa alterar o estado original das
coisas. O deslocamento imediato possibilita também o estudo de indícios que por sua natureza
podem desaparecer ou alterar-se pela passagem do tempo. Além disso, desembaraça os
funcionários que estiveram guarnecendo o local e desinterdita-o, restabelecendo suas
condições normais de funcionamento.
As conclusões e observações feitas pelo perito são sigilosas e não devem ser
comentadas com ninguém. Os dados levantados devem ser comunicados somente à autoridade
que preside o inquérito, de forma reservada. Não se preocupa com a necessidade de poupar
tempo ou recursos, pelo contrário, a coleta deve ser de maneira mais completa possível. O
menor número de pessoas possível deve ter acesso ao local para preservação das evidências.
Esse fato está determinado no artigo 6º do Código de Processo Penal.
Segundo esse artigo, logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a
autoridade policial deverá dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado
e conservação das coisas até a chegada dos peritos criminais. Deve apreender os objetos que
tiveram relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais e colher todas as provas que
servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias.
A Policia Militar quase sempre é a primeira autoridade a chegar ao local do crime.
Deve, em primeiro lugar, se certificar se a vítima ainda está com vida, e, em caso afirmativo
prestar os primeiros socorros. Se não estiver com vida, deve então isolar o local para que
permaneça idôneo e facilite o trabalho dos peritos.
Pereira (2015) lembra que a preservação da cena do crime é tão importante que foi
elevada a condição de crime, constante do Código Penal, em seu artigo 347, a sua destruição
ou modificação. Chama-se fraude processual e crime contra a Administração Pública e reside
em inovar, mudar ou alterar de maneira artificial ou artificiosamente o estado do lugar, da
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coisa ou da pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito. A pena é de detenção de
três meses a dois anos e multa. Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal,
ainda que não iniciado, aplicam-se as penas em dobro.
Em casos de morte, os peritos, em locais interiores, devem verificar os aspectos de
desordem, móveis derrubados, objetos caídos, roupas desarrumadas, pequenos objetos,
mossas deixadas por objetos contundentes, fendas, perfurações, manchas, pegadas, armas,
chapéus, bengalas, frascos com remédio ou veneno, impressões digitais em copos, vidraças e
objetos lisos. Devem ser tiradas fotografias. Depois desse primeiro exame passam para o
exame do corpo, mostrando, inclusive a relação entre ferimentos e instrumentos.
Para o local do crime existe uma classificação: são internos os locais fechados,
normalmente por paredes ou outros meios, como o interior de uma residência, veículo ou bar.
A área pode ser mediata aberta, que são as vias de acesso ao ambiente onde ocorrer o fato
delituoso. São os corredores, os ambientes ao redor do cômodo, os jardins e as áreas vizinhas.
A área imediata interna é o espaço físico onde ocorreu o crime, como um quarto ou uma sala.
Os locais externos são os locais abertos como ruas, rodovias, praças, estradas,
matagal, beira de rios, que se subdividem também em área mediata externa, que são as áreas
de acesso que levam ao local onde ocorreu o crime, como estradas, picadas e as imediações; e
a área imediata externa, o local propriamente dito, onde o crime ocorreu.
Existem ainda outros conceitos importantes, como os locais relacionados, mesmo
que diversos do local original. Isso acontece quando o agente mata a vítima e joga o corpo
num matagal. Ambos se relacionam. Numa última classificação, os locais de crime podem ser
idôneos ou inalterados, que facilitam o trabalho da perícia, ou inidôneos, quando são alterados
ante da mudança dos peritos.
Garcia e Régis (2016) estão de acordo de que o local do crime ou cena do crime
fala com quem a compreende. Ela demonstra peculiaridades que somente o profissional
treinado consegue ver, diante dos diferentes modos de interpretá-la. Deve ser explorada da
maneira possível para contribuir com os elementos fundamentais de salvaguarda da ordem
jurídica. As regras fundamentais são isolar e preservar. Com elas se tornam práticas as ações
seguintes da investigação, como o inquérito policial, a prisão e o processo judicial célere,
legal e disponível.
Para tanto, consolidam-se os trabalhos da perícia forense, atividade técnico-
científica prevista no Código de Processo Penal, indispensável para elucidação de crimes
quando houver vestígios. Realiza-se por meio da ciência forense, responsável por auxiliar na
produção do exame pericial e na interpretação correta dos vestígios deixados para trás pelo
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criminoso. Os peritos atendem requisições de delegados de polícia, procuradores e juízes. São


atribuições inerentes a inquéritos policiais e a processos penais. A perícia criminal se baseia
nas ciências forenses da química, biologia, geologia, engenharia, física, medicina, toxicologia,
odontologia, documentoscopia, dentre muitas outras, tudo isso para analisar da melhor
maneira possível os vestígios deixados no local do crime.
Na definição do local do crime, de uma porção do espaço compreendida num raio,
tendo por origem o ponto no qual é constatado o fato, conclui-se que não pode ser mensurado,
pois é um espaço peculiar, dispondo de diversas variáveis que não permite que seja delimitado
um raio de espaço físico como determinaria um procedimento operacional padrão.
Embora não seja unânime a classificação do local do crime, adota-se a
especificação corrente de interna e externa , imediato ou mediato, locais relacionados, idôneos
e preservados, e inidôneos ou violados. Comecemos pelos locais internos. São os locais
fechados. Garcia e Régis (2016) dão o exemplo de um bar. São fechados por paredes ou
outros meios. Dos locais internos temos a área mediata aberta, que são as vias de acesso ao
local, os ambientes existentes ao seu redor. A área imediata interna é o próprio espaço físico
onde ocorreu o crime, ou seja, o próprio local do crime.
Os locais externos são os locais abertos e tem uma área mediata externa, as áreas
de acesso para o local do crime, como estradas, trilhas ou imediações. E se o local é aberto, a
área imediata externa é o próprio local do crime. Os locais relacionados têm relação direta
com o crime, pois pode ser cometido em um lugar e terminar em outro, como quando se
desembaraça de um corpo cuja vítima foi atacada em outro ponto original.
Além dessa classificação, deve-se importar com os indícios deixados no local do
crime, que são diferentes de vestígios. Num crime de morte, por exemplo, os indícios
deixados no cadáver são sua situação, sua posição, distâncias relativas, condições externas,
quer do conjunto do corpo quer de cada um dos seus segmentos. Vê-se ainda a posição da
mão, a temperatura do corpo, a rigidez cadavérica, os livores e as lesões superficiais. Levam-
se ainda em consideração as vestes do cadáver, a arma, substâncias, como restos de alimentos
ou bebidas, manchas de sangue, manchas de outras espécies e pelos humanos ou de animais.
Há também indícios nos sinais de luta, impressões digitais, palmares, plantares, dentárias,
impressões de projéteis nas paredes, nos tetos as vias de acesso.
Consta que os indícios são considerados meios de prova e equiparam-se, em tese,
à confissão, aos testemunhos, aos documentos. Os vestígios, por outro lado, significando sinal
ou pegada no dicionário comum, na perícia significa todo e qualquer sinal, marca, objeto,
situação fática ou ente concreto sensível, potencialmente relacionado a uma pessoa ou a um
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evento de relevância penal presente no local de crime, mediato ou imediato, interno ou


externo, direta ou indiretamente relacionado ao crime. O vestígio é um produto de um agente
ou de um evento provocador.
Em vez de local de crime, como é usualmente chamado, Del Campo (2008)
denomina-os de locais de interesse da Justiça Criminal. O nome local de crime não estaria tão
de acordo assim com a denominação porque nem todo exame realizado confirme a ocorrência
de um fato típico. No entanto, ocorre que, embora pareça imprópria, a denominação tem por
interesse manter viva a advertência de que toda ocorrência suspeita deve ser investigada como
crime até prova em contrário. Isso convém com o fato de que todo criminoso quer dar ao
crime uma aparência de ocorrência natural das coisas. Pode ainda ter outras denominações
como local do fato. Pouco importa ao perito que deve sempre se fazer acompanhar da certeza
de fazer o seu trabalho pericial de acordo com a natureza jurídica do evento, sempre tendo em
mente o ilícito penal. O local de fato é, assim, toda área em que tenha ocorrido um fato
juridicamente relevante e que podendo vir a ser como penalmente típico exige providências da
polícia judiciária.
Del Campo (2008) faz uma classificação mais abrangente dos locais de crime.
Quanto ao lugar em que o fato é cometido ele pode ser interno, em veículo ou em um imóvel,
externo ou relacionado. Quanto ao afluxo de populares, ele pode ser público ou aberto ou
privado ou fechado. Quanto à distribuição dos vestígios e indícios, eles podem ser contínuos
ou descontínuos. Quanto ao âmbito da perícia, podem ser imediatos, mediatos ou distantes.
Quanto à preservação, podem ser idôneo ou preservado, inidôneo ou violado, ou prejudicado.
Internos são os locais situados em qualquer ambiente fechado, o interior das
habitações, estabelecimentos comerciais, dentre mitos outros. Os externos são os sítios a céu
aberto, onde indícios e vestígios podem desaparecer rapidamente, como em quintais, terrenos
baldios, etc. Não se deve confundir o local externo com público ou aberto. Ele pode ser
público ou privado, conforme permitam o acesso de pessoas.
Quanto ao âmbito da perícia é que são chamados de imediatos ou mediatos. O
local imediato é aquele onde ocorreu o fato delituoso, merecendo uma atenção muito maior e
mais cuidadosa. O mediato corresponde às imediações, às cercanias, ou uma área
intermediária onde ocorreu o crime e o grande ambiente exterior. Tem ainda o local distante,
que, mesmo separado, guarda com o local do crime uma relação probatória.
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Conclusão

O local de crime ou local de fato, embora não seja definido pelo Código de
Processo Penal, tem na doutrina uma correspondência com a porção de espaço compreendida
num raio que, tendo por origem o ponto no qual é constatado o fato, se estenda de modo a
abranger todos os lugares onde tenha sido consumado o delito pelo criminoso ou criminosos.
A polícia deve se deslocar o mais rapidamente possível para esse local tão logo seja
comunicada do fato delituoso.
Quanto à classificação do local de crime, existem as áreas internas e externas. São
internos os locais fechados, normalmente por paredes ou outros meios. A área pode ser
mediata aberta, que são as vias de acesso ao ambiente onde ocorrer o fato delituoso. A área
imediata interna é o espaço físico onde ocorreu o crime, como um quarto ou uma sala. Os
locais externos são os locais abertos como ruas, rodovias, praças, estradas, matagal, beira de
rios, que se subdividem também em área mediata externa, que são as áreas de acesso que
levam ao local onde ocorreu o crime, como estradas, picadas e as imediações; e a área
imediata externa, o local propriamente dito, onde o crime ocorreu.

REFERÊNCIAS

DEL CAMPO, Eduardo Roberto Alcântara. Exame e levantamento técnico pericial de


locais de interesse da justiça criminal: abordagem descritiva e crítica. 2008. Dissertação
(Mestrado em Medicina Legal) – Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, 2008.
Disponível em:
<www.teses.usp.br/teses/.../Eduardo_Roberto_Alcantara_Del_Campo_Dissertacao.pdf>
Acesso em: 20/09/2018.
GARCIA, Tiago Mikael; RÉGIS, Jonathan Cardoso. Local do crime: a preservação e o
isolamento e seus reflexos na persecução criminal. Revista Jurídica da Universidade do Sul
de Santa Catarina, ano 7, n. 12, p. 239-251, jan.-jun. 2016. Disponível em:
<www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/U_Fato_Direito/article/.../3595/2566> Acesso
em: 20/09/2018.
PEREIRA, Jeferson Botelho. A necessidade de se preservar o local do crime à luz da moderna
investigação e seus reflexos no CPP. [online]. Jus.com.br, 2015. Disponível em:
<https://jus.com.br/artigos/36557/a-necessidade-de-se-preservar-o-local-do-crime-a-luz-da-
moderna-investigacao-e-seus-reflexos-no-cpp-the-need-of-preserving-the-crime-local-
according-to-the-modern-investigation-and-its-consequences-on-the-cpp> Acesso em:
20/09/2018.
LUDWIG, Artulino. A perícia em local de crime. Canoas: Editora da Ulbra, 1996.
RABELLO, Eraldo. Curso de Criminalística. Porto Alegre: Sagra Luzzatto. 1996