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SEMINÁRIO DE MICROBIOLOGIA

INTRODUÇÃO
• Peste negra: 50 milhões de óbitos
As doenças infectocontagiosas são consideradas um problema de saúde pública desde
os primórdios da humanidade. A peste bubônica, também conhecida como peste negra, é
uma doença causada pela bactéria do rato, Xenopsylla cheopis, que, quando infecta os
seres humanos, causa a doença, passando-a então a ser transmitida por gotículas de ar.
Acredita-se que ela tenha surgindo no século VI, na Ásia, e causou 3 grandes pandemias,
chegando a dizimar mais de 50 milhões de pessoas. Na imagem, é possível visualizar a
foto de um médico da Idade Média responsável por tratar de doenças infecciosas.
Naquela época, acreditava-se na teoria dos miasmas, a qual dizia que as enfermidades
eram ocasionadas devido aos maus odores. Dentro da máscara em formato, havia
perfumes e ervas que acreditavam auxiliar na proteção das infecções.

• Mais de 1 milhão de infecções sexualmente transmissíveis são adquiridas


diariamente em todo o mundo
Tratando-se agora das infecções causadas por doenças sexualmente transmissíveis, a
Organização Mundial da Saúde estima que um milhão de pessoas são infectadas por
DSTs diariamente em todo o mundo, sendo que a maioria delas não apresenta sintomas
no apenas sintomas leves, que geralmente não são reconhecidos como infecções
sexualmente transmissíveis e auxiliam na transmissão.

• Ainda não existe cura para DSTs causadas por vírus


Ainda não existe cura para DSTs causadas por vírus, apenas para bactérias, fungos e
parasitas, porém, muitos desses microrganismos vem apresentando resistência aos
medicamentos atuais, tornando o tratamento ainda mais difícil e duradouro.
DSTs VIRAIS
AIDS
• Causado pelo Vírus da Imunodeficiência Humano (HIV)
A AIDS é causada por um vírus chamado Vírus da Imunodeficiência Humana, da família
dos retrovírus (que possui RNA em vez de DNA como material genético). Ela foi
reconhecida uma nova doença ainda na década de 80 nos EUA, em indivíduos
homossexuais do sexo masculino que apresentaram doenças oportunistas ocasionadas
pelo comprometimento do sistema imune. A doença possui dois agentes etiológicos, o
HIV-1 e HIV-2. Estudos indicam que ambos apresentam uma similaridade genética de
55%, porém a principal diferença é que o HIV-1 produz mais partículas virais, sendo
responsável pela maioria dos casos (cerca de 95% deles), além do fato de que o HIV-2
ser mais restrito ao continente africano.

• Formas de transmissão
O vírus é transmitido principalmente por via sexual através da relação entre um indivíduo
contaminado e outro sadio sem o uso de preservativo. Outras formas de transmissão
incluem também o sangue, como a transfusão de sangue contaminado e por objetos
perfurocortantes, e também pelo leite materno. O vírus está presente tanto no sêmen
quanto nas células vaginais e no útero, penetrando no organismo por meio de pequenas
ulcerações. Diante disso, estudos apontam que a relação anal receptiva possui maior
probabilidade na transmissão da doença, visto que o ânus é um órgão dotado de pouca
lubrificação, o que pode provocar micro-lesões locais que facilitem a entrada do vírus no
organismo.
O diagnóstico pode ser feito pela aplicação de testes rápidos por imunoensaios, que
consiste na detecção de anticorpos por meio da obtenção de sangue por punção digital
(furo no dedo). Testes complementares, mais específicos, como western blot e imunoblot,
são testes moleculares mais sensíveis e visam encontrar proteínas do próprio vírus no
sangue.

• Tratamento farmacológico: uso de antirretrovirais como o Abacavir, Darunavir,


Tenofovir
O tratamento para a doença consiste no uso de medicamentos antirretrovirais que
dificultam a proliferação do vírus no organismo, impedindo, dessa maneira, a evolução da
doença. Atualmente, existem 21 medicamentos em 37 formas farmacêuticas diferentes
para o tratamento da doença, o que incluem o Abacavir, Darunavir, Tenofovir. O coquetel
anti-HIV que muito se fala constitui um tratamento profilático após uma possível exposição
ao vírus, diminuindo o risco do indivíduo adquirir a infecção. É utilizado em casos de
violência sexual, relação sexual desprotegida e em acidentes ocupacionais, como no
manuseio de materiais biológicos de origem desconhecida.
DSTs BACTERIANAS
Gonorreia
A gonorreia é uma infecção sexualmente transmissível que acomete o trato geniturinário,
causada pelo coco gram-negativo aeróbico Neisseria gonorrhoeae, conhecida também
como gonococo. O microrganismo é extremamente exigente e, para que ocorra a sua
penetração no organismo, é necessário que se tenha contato direto com a mucosa da
pessoa infectada, ocorrendo na maioria das vezes por contato sexual, e também pelo
parto, que pode infectar os olhos do neonato causando a oftalmia neonatal. As bactérias
inicialmente se prendem no epitélio da mucosa usando estruturas de aderência
associadas à membrana, conhecidas como pili. Essa aderência é muito importante, pois
evitam que os microrganismos sejam carregadas por fluídos corporais, como a urina e
muco endocervical.
Na imagem, é possível visualizar através de uma microscopia de alta precisão a
Neisseria. Após a adesão, a membrana da célula hospedeira (em verde) circunda a
bactéria (em vermelho). Ela, então, consegue penetrar nas células do epitélio e invadir
tecidos mais profundos.

• Manifestações clínicas
A infecção por gonococo costuma ser localizada no trato genital, mas também pode ser
disseminada pelo sangue para outros órgãos. Nos homens, a infecção é facilmente
percebida por sua sintomatologia que ocorre após poucos dias desde o início da infecção,
caracterizada por uretrite (inflamação da uretra), acompanhada por disúria (dor ao urinar)
e secreção purulenta (que contém pus). Nas mulheres, a infecção localiza-se no
endocérvix (porção visível do colo do útero), provocando secreção vaginal purulenta e
cervicite (inflamação do útero), além de infecções nas tubas uterinas que pode causar
esterilidade ou gravidez ectópica. As paredes da vagina são compostas por células
estratificadas (i. e., possui mais de uma camada de células) e, por isso, não são
colonizadas, o que torna a detecção mais difícil de ser percebida.

Na imagem abaixo é possível ver o caso de uma secreção purulenta ocasionada por uma
uretrite num indivíduo com caso agudo de gonorreia.

• Tratamento
A recomendação atual é utilizar no início do tratamento cefalosporinas, como a
ceftriaxona ou o cefixime. As fluoroquinolonas deixaram de ser recomendadas devido ao
rápido desenvolvimento de resistência da bactéria a elas. Os parceiros sexuais também
devem passar pelo tratamento, a fim de diminuir o risco de reinfecção e a incidência de
infecções sexualmente transmissíveis em geral.

• Diagnóstico: Meio Ágar Thayer-Martin


O material biológico utilizado nos exames laboratoriais é obtido por meio de swab do
canal uretral para homens; ou do cérvix (colo uterino), para as mulheres. Ao se detectar
diplococos da Neisseria intracelularmente em neutrófilos durante um esfregaço da
secreção uretral masculina, as chances de diagnósticos chegam a 90%. Contudo, a
detecção de diplococos extracelulares não garante que o indivíduo esteja com a doença,
uma vez que a bactéria também faz parte da microbiota normal do paciente, podendo
estar associada a uma uretrite não-gonocóccica, que é uma infecção extremamente
comum ocasionada também por outros microrganismos, como a Chlamydia.
Em relação as mulheres, o esfregaço não é muito confiável, pois tem uma sensibilidade
de apenas 50%, ainda que realizado por um microbiologista experiente. Nesse caso, é
necessário uma cultura do material coletado no cérvix. O meio de cultura ideal para esses
casos é o de Thayer-Martin, que consiste em ágar chocolate contendo antibióticos como
a vancomicina e nistatina, necessários para suprimir a microbiota normal do local e se
tornar seletivo para Neisseria A detecção de uma colônia oxidase-positiva composta por
diplococos gram-negativos é suficiente para identificar o isolado como um membro do
gênero Neisseria.

Na imagem a direita é possível visualizar um esfregaço de um paciente com gonorreia. As


bactérias estão contidas dentro de leucócitos que realizaram fagocitose, sendo visíveis
como pares de cocos. As grandes massas coradas em vermelho representam o núcleo
dos leucócitos.
DSTS FÚNGICAS
Candidíase
A Candida albicans é o agente mais comum causador de doença fúngica no ser humano.
Ele faz parte da microbiota da cavidade oral, trato gastrointestinal, vagina e pele, então,
quando causa alguma doença sistêmica, geralmente está associado a uma depleção do
sistema imune ou alguma agressão de origem externa. Além da Candida albicans, outros
fungos do mesmo gênero também podem ocasionar a candidíase como C. tropicalis, C.
parapsilosis, C. glabrata, C. guilliermondii e C. dubliniensis.

• Morfologia
O gênero Candida possui morfologia em forma de levedura oral, podendo também
apresentar pseudo-hifas, que são leveduras alongadas que permaneceram unidas entre
si.
As hifas são estruturas alongadas presentes em diversos fungos que têm como função
auxiliar na reprodução e digestão extracelular. Dessa maneira, para diferenciar a hifa de
um fungo qualquer e uma pseudo-hifa da Candida, basta observar a presença de
constricções (pequenas saliências) no filamento do fungo [imagem inferior].
Outras estruturas presentes na Candida são o clamidoconídios, que seriam estruturas
de resistência semelhantes a esporos das bactérias, formados quando o ambiente está
impropício, por exemplo, na escassez de água e nutrientes. E os blastoconídios, que
seriam pequenos brotos formados durante a reprodução do fungo que podem se
diferenciar em pseudo-hifas posteriormente. A presença de blastoconídios e pseudo-hifas
constituem fatores de patogenecidade do fungo, pois indicam adaptação dele nas
condições do ambiente.

• Manifestações clínicas e tratamento


Como ela está presente na nossa microbiota normal, não é transmitida para outros
indivíduos. A presença do fungo na pele pode ocasionar micoses pela perfuração de
objetos cortantes, como agulhas na aplicação de fármacos injetáveis. A Candida também
pode crescer excessivamente no caso de o indivíduo realizar o tratamento com
antibióticos para outras doenças, uma vez que essa classe de medicamentos reduz
microbiota bacteriana e, consequentemente, a competição entre os microrganismos.
Na cavidade oral, a Candida forma uma camada esbranquiçada constituída de
pseudomembranas contendo microrganismos e restos inflamatórios comumente
conhecida como sapinho [figura superior].
A vaginite causada por Candida é uma infecção comum nas mulheres, principalmente em
pacientes portadores de diabetes e grávidas. Já a esofagite está mais relacionada com
indivíduos imunossuprimidos, como os portadores de AIDS e neoplasias locais, os quais
apresentam disfagia (dor ao engolir). O tratamento para a doença é feito com
antifúngicos, como miconazol e clotrimazol, em caso de lesões na pele; e fluconazol,
quando acomete outros órgãos.

• Diagnóstico: Exame direto e Ágar Sabouraud


O diagnóstico de Candida albicans pode ser realizado por duas maneiras principais, o
exame direto e Ágar Sabouraud. O exame direto é um método simples, rápido e de baixo
custo e utilize micoses cutânias e sistêmicas. O procedimento consiste em colocar o
material numa lâmina e acrescentar hidróxido de potássio com tinta permanente, sendo
vista na forma de levedura oral [figura a esquerda].
DOENÇAS PROTOZOÁRIAS
• Trichomonas vaginalis: participa da microbiota normal de homens e
mulheres
O protozoário anaeróbio Trichomonas vaginalis é um microrganismo comum da vagina e
da uretra que causa a doença chamada de tricominíase. Ele não possui mitocôndrias,
mas apresenta uma membrana semelhante à de uma organela respiratória chamada de
hidrogenossomo, a qual utiliza para fazer a respiração celular. Uma outra característica
importante do protozoário é que ele não apresenta um estágio de cisto no seu ciclo
biológico, importante para manter a sua sobrevivência quando o meio está desfavorável
onde o protozoário reduz o seu volume e forma uma espécie de “casca” resistente,
passando para a forma ativa quando o ambiente torna-se propício. Desse modo, o
Trichomonas vaginalis não sobrevive no meio externo e precisa ser transmitido
rapidamente de um indivíduo a outro antes que comece a dessecar.

Perceba que o protozoário possui uma forma alongada [ver imagem no slide]. Algumas
estruturas importantes dele são:
- Flagelos: possui ao todo 4 e realizam o movimento semelhante ao de uma onda,
responsável por auxiliar na movimentação. O termo Trichomonas, inclusive, indica o
número de flagelos que o gênero possui. Se fossem dois flagelos, Ditrichomonas; três
flagelos, Tritrichomonas e assim sucessivamente;
- Membrana ondulante: é um dos 4 flagelos, em que esse recobre o corpo do protozoário
e também ajuda na movimentação do protozoário;
- Axóslito: é uma estrutura em forma de fita constituída pela justaposição de microtúbulos.
Acredita-se que desempenha a função de sustentação do parasita.

• Transmissão
A tricomoníase pode ser transmitida em banheiros e pelo compartilhamento de roupas e
tecidos íntimos, como as toalhas de banho, porém o principal meio de transmissão é a via
sexual. O parasita tem um tempo de incubação entre 4 a 28 dias e a infecção costuma
ocorrer, nas mulheres, quando a acidez do órgão é alterada, fazendo com que o
protozoário possa crescer de maneira exacerbada. Isso faz com que o organismo
acumule leucócitos no local da infecção em resposta a invasão do protozoário, formando
um corrimento vaginal de cor amarelo-esverdeada e com odor fétido.
Já nos homens, a doença costuma ocorrer de maneira assintomática. Contudo, nos
indivíduos que apresentam alguma sintomatologia, geralmente ocorre uretrite pela
infecção local. Estudos recentes vem apontando que o parasita pode provocar problemas
relacionados gravidez, como a gravidez ectópica e infertilidade; e no neonato, sendo
associado a episódios de prematuridade. Felizmente, o tratamento é relativamente
simples e é feito pela administração de metronidazol em ambos os parceiros sexuais,
capaz de curar totalmente a infecção.

• Diagnóstico
Como nos homens a infecção costuma ser assintomática e nas mulheres ocorre
sintomatologia comuns, como corrimento vaginal, o diagnóstico clínico é insuficiente e
poderia ser associado a outras DSTs, havendo a necessidade de realizar o
microbiológico.
O Trichomonas vaginalis é um protozoário anaeróbio facultativo e ele costuma habitar a
vagina e o trato uretral. Então, pode-se dizer que ele costuma crescer bem na ausência
de oxigênio e em meios ricos com pH ácido.
A cultura ainda é o método de predileção utilizado no diagnóstico porque apresenta maior
sensibilidade. Para a obtenção do material biológico, coleta-se um swab da região
exocérvice, mais conhecida como colo do útero, w