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.

JOSÉ RENATO NAL|N|

GERAL E PROFISSIONAL

13.” ediçõo
revisTc1.c|'ruoIizodc| e ampliado

THOHSON REUTERS

REVISTA DOS
TRIBUNAIS"

/ *Jó/fêíz W
_ l-

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Diretora Respoinsdvei
Marisa Harrns

Diretora de Operações de Conteiido


Juliana Mavumi O. Dna

Editores' Andreia Regina Schneider Nunes. Cristiane Gonzalez Basile de Faria, Diego Garcia Mendonça, lviê A M.
Loureiro Gomes e Luciana Feliii

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Analista de Produção Grdfico.'FlafaeI da Costa Brito

Dados Internacionais de Catalogaçio na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SE. Brasil)
Nalini, josé Renato.
Ética geral e profissional I lose Renato Nalini. -- 13.
ed. rev., atual. e ampl. -- São Paulo : Editora Revista dos
Tribunais, 2016.
Bibliografia.
ISBN 9.73-B5-ZÚ3-6356-5

1. Direito e ética 2. Ética 3. Ética profissional I. Titulo.


ió-úzsuz CDU-170
Índices para-catálogo sistemático: 1. Ética : Filosofia l?D

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i

A Ér|cA Do Paoivioioa DE iusnçn 1


3;-u-¬ .nú-F-u- _-:ir

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¡-rn.-

Ç 1

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Suiiiiiiiio: 15.1 Funçoes institucionais do Min'isterio


' * Público no B
'I - 15 ' ' '
Etica do promotor e a dos demais_ operadores
_ - 15.3 A É ' ras'
tica e o M [llSt."lçaU.en.tre
t _.3
15.4 O codigo deontologico do Ministerio Público -› 15.5 Postura diinploeiírlztilšijtalnctg o
juiz - 15.6 O futuro do Ministerio Público.

15.1 FUNÇÕES iusntuciowàis oo Mmisitiiio Púauco no Baiisii


O Ministerio Público e uma instituição permanente, considerada pelo
constituinte como essencial ã função jurisdicional do Estado. incumbe-lhe a
defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e indi-
viduais indisp oniveisf
A profissão de promotor de justiça, que já foi chamado de promotor público,
rrierce de sua consolidação institucional, já não se defronta com o absurdo psi-
cologico a que se referia Calamandreil O constituinte explicitou suas funçoes e
ampliou-lhe, significativamente, o campo de ação. A instituição tem princípios
proprios, entre os quais a independencia e a autonomia funcionais, podendo
propor ao Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares.
O Procurador-Geral da República e nomeado pelo Presidenteidai República
entre integrantes da carreira, apos aprovação de seu nome pela maioria absoluta

1. Art. 127, caput, da CF¡1988.

iz ii za if» se1Hd:<i:i:íi.°;2:;i$;§°ii:íi.:.“s
_? ® Em Elogio dos juizes, Piero Calamandrei (EÍUEÍU 305 juízes* Eles Os Juizes* “Sms por nós*

mfi Pafficfii É 0 CIO MÍUÍSÍÉTÍÚ Pública' Este* cünllü Suãterl gel i deveria ser tão imparcial
lã” Parcial como um advogado; e, como _guarda_inflex1iiE;idÉÍ1defi al absurdo Bsicülógim
come' um luiz- m lmfl-ãrclig zqiirbllrioise arrisca F; monneiil
no ua] Ú Ministério Púb im l - -dêfig agenerosa combativitladc do defensor
to a momen ci - er er or a d :lixão dó- màši5.U_ad.Ú,, Í ñ fg.-
Qu. por amor apolêmica,aobjetiviCl§_€Êc1.Êp----~ - ¬ E ' .§(i*W UM

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""¶

686 I Érica GERAL E i›iioi=issioNAi_

dos membros do Senado Federal, que deverá também autorizar 11 Sua destitui-
ção Os Ministérios Públicos dos Estados e dO DÍSÍYÍÍÚ Fedfífal C Tfiffilóriog
terão seu Procurador-Geral escolhido pelo Chefe do Executivo, entre os nomes
de uma lista tríplice eleita pelos intfigrantes da carreira' A destituição SÓ Püdflfá
_ . l .3
provir de deliberação da maioria absoluta do Poder Le815 amo
Os mmomres ozam das mesmas arantias atribuídas aos ma istrados
e as vedações
-- - - - s oo&
-L. /_; er'“/ fl
atividade político- artidáriaf LA¿l6"")° P G Ó J O `)
A enunciação constitucional de suas futiÇÕ€S ÍI`lSiÍUlCi0HaiS evidencia a
poderosa ascensão dessa carreira que já não se resume. a formular H í1CUS€lÇão
perante ajustiça Criminal. Embora ao Ministerio Público incuinba promover,
privativamente, a ação penal pública, avoluma-se o rol das demais atribuiÇÕ€S-
É seu dever institucional zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos c dos
serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição, pro-
mover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimonio
público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos.
E-lhe ainda conferido promover a ação de inconstitucionalidade ou represen-
tação para fins de intervenção da União e dos Estados, defender judicialmente
os direitos e interesses das populações indígenas, exercer o controle externo da
atividade policial e outras funções que ainda lhe possam ser atribuídas, desde
que compatíveis com sua finalidade.5
As atribuições que o constituinte conferiu ao Ministerio Público brasilei-
ro foram de tal ordem, que os interesses mais relevantes e emergentes numa
sociedade em transformação passaram a ser titularizados pelos Promotores.
A defesa do meio ambiente em juízo, por exemplo, e quase que exercida com
exclusividade pelo Ministerio Público. Tenho afirmado que o único tutor do
Ambiente no Brasil e o Promotor de ]ustiça.° Embora as organizações tenham
titularidade para propor ação civil pública, ainda e o Promotor dejustiça quem

3. Ari. 128, §§ 1.° a 4.°, da CF;1933_


_,,.@ An. izs, § 5.°, 1 E ii, da c_E¿19aa
5. Ari. 129, 1,11, iii,iv, v, vii fz ix, da c1=¡1983_
6. Tal asserto consta de inúmeros votos meus na Câmara Reservada ao Meio Ambien..
te do Tribunal de justiça de São Paulo, que integrei desde a sua criação em 2005.
Mas também reafirmo em aulas, palestras e manifesta ões úblizzg É admirável a
coragem do Promotor de ]iistiÇa, pressionado pelo püãer eiëonõmiéü devastador, a
proteger um patrimonio ambiental que foi extrem | d 1 p dm» públi-
co e pela comunidade. Con SU l tar. a res cito
- m amante re ega O
' ambiental,
' pe D O
Remcrsv ejuízes doummdore d P ii eu Ética 4 = . ed.. Tliomfifiii
5. a mesma editora.

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A ÉTICA DO P
Rtiiaoroa DE JUSTIÇA I 637

3 micia na maior parte dos casos. A defesa da cidada '


tilinofiãfs' wmowse tambem llülina nos Tribunais mem: do cunsumidün das
ml, Evidente que essa exposição perante uma socied rãe ga at'-¡HÇãto ministe-
ma cüngequências. l_Jma delas e o reforço na res Ú 1.8. mfflrmauünal afaf'
membm do Ministério Público brasil ' P “Sa “Raça” mma] df Cada
Elffl. Cobran . _
vezes. de forma bastante contundente. ça que a mldm exerma Ê- às
O fenomeno É natural. Ao acréscimo e reforça de t -b -
_
msiério - Publico
~ - _ . a rig uiu¡WES
deve corresponder uma responsabilização " 3° M1-_
. também reforçada. Essa tem sido
. 1
seja, a re 1- q vafm t E* ou
.
...A maior . . de poderes, hierarquia
importancia 8 az eEmatribui
todo oo mundo cmhzadül
' ' -
- - . Ç es conferidas cor-
f€5P°"de mamr -severidade "O ffiglmfi
,, de a responsabilidades e con se uentes
com €5l35z 3 aphcaf-30 da 53~flÇfi0 Í O proprio Ministerio Público cbr suas
- . _ i P
vozes catcgorizadas, reconhece a iiitensificação das exigências mmun¡¡¿¡¡a5
gm relaçao ao Parquet. Assim, Hugo Nigro Mazzilli, a voz braâilgira mais
Presente nas reflexões
_ mi m5Í_e1`13¡5›
` ' ` JH" flfientuou.. H Mas. em correspondência
. a
esse engrandecimento conceitual e funcional da instituição, ha a necessidade
de a sociedade cobrar mais do Ministerio Público: exigir-lhe uma atuação
mais eficiente, menos voltada para o aspecto burocrático dos pareceres pro-
cessuais e mais direcionada para, com o uso dos instrumentos que a lei lhe
confere, buscar atacar os problemas sociais. Não se quer dizer que a atuação
processual não seja necessária nem que não seja importante (___). O que se
quer dizer e que as funções do Ministério Público moderno não se resumem
nem se limitam a isso“.B
A multiplicada parcela de encargos do Ministerio Publico postula uma
nova ética dos promotores. Os desafios postos a carreira, a partir da vigente
realidade constitucional, oferecem também a vertente do enfrentamento dessas
novas exigências éticas.

15.2 D|si|NcÃo ENTRE A Éi|cA oo Paomoioa t A nos atuais opamooats


. . - ' '
A cada carreira, entre as ]urídiC215. lflflumbe uma ambmção dl'fE rente. Essa
diüinçào vai também condicionar a etica exigida a cada integrante delas.
O . _ _, , . d O grador inerte, age quando provocado.
..
__.11,iiz e ainda considera o _1,1U.1
. .
E --z_-¬- _ _ _ .
Dessa ms-
_ëfl‹
Nao te m iniciativa
- . . . para realizar
' a usti
. Ê._a ou
. pflffl
, C9'l?"_...l.l1Ju5[ÍÊEÊ'-f-»
a dürismü ~~
Tfisulta uma instituiÇão
¬
Pflrmeada P613 ""éfC.“'Ê_
- -1
e_.lÊ.Ê1Ê.c°lEÍenl

-i¬____'_

I I ' ' gr assessoramento. P~ 91-


7- Jose V. San Martin, Responsabilidade notarial p má
t
de `ustiça, in:J
8* Víãão critica da formaÇão Profissional e dflfi funções do pmmü Dr J
Rfinato Nalini (coord.), FOHHHÇÚÚ JÍ"“d¡ca" P' 59'

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688 | Erica GERAL E Paorissionat

0 adm adg é um profissional liberal que, na busca da subsistência, mana


vczsevê nacontin
___ __ genciav I. - *- __ ' _ '" ' ' "' '- " . - UTI o

- . '-
' iu. .i rmarasociedaeg
onsab" ' I' ' " "" "' _, _
real_¡_;z_n¿ a_pa<;ifieaçaoâocia1. Esta diaul@i@ z
zšnglgiez-agia @o¿sipilnfl
dšnamgntipzaazq «z ze;-.u_1tanie denf0 .
Os promotores nunca desconheceram
__ _ _ _ __ _ _ , tal_ s_
drama judiciário, o papel do Promotor e eminentemente dtnamico. Enquanto
ojuiz se ma`nt`erTeš`tático na sua cátedra decisoria ã es era de ue ` ` ,
o Promotor esta sempre em ação. Daí aquele desi nativo a licado ao membro
do Parquet, na França: Magístrat debout”.°
O protagonismo do Ministerio Público, por força mesmo das funçoes ins-
titucionais que o constituinte a ele reservou, implica uma evidente ampliação
de poder. O Ministério Público “pode tudo”, dizem os políticos. Alvo certo de
uma Instituição zelosa e atenta aos descalabros impróprios a uma Repúbica
Democrática.

ma
zessada e a melhor corregedora do j¿tiz_,_Está atenta ao que acontece no pro-
cesso. Os_ju_i_'isdi_cionados fis-Í:-alizarão sua conduta no decorrer do rocesso_ O
L¶__._..-
rea reciação do mesmo tema. já para o promotor, o confronto inicial e com ele
IJ§i1_12_z QUí=1.5_f'3.5€m_l2__.I2T@
aff fiflší Bxçlläivf.-intento de sua consciencia petfifigiáll'
a realização de al uns valores, interessar-se efetivamente pela concretização da
justiça e exaurir o imenso rol de suas incumbências ara o ue se e e consi-
fifáv e dis osi ã rifício
O comando do Ministerio Público brasileiro precisa estar muito atenta- ao
crescimento da importancia dessa Instituição que, há pouco, estava em b11SC3

9- Francisco Bueno Torres, O Ministerio Público e a ética, justitia 43/ 127. A EXPWS
Na
Slgmfica Mflgistrado de PÉ» ainda hoje utilizada para designar o Ministerio PúbliC0- re
França» hfljfí. se fala em Magistrat du Parquet e Magistrat de siège para distinguir enl
pmmowf PJUIZ. ambos integrando uma única e mesma Magistratura.

1;¿ .-_;_i_ __

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A Erica no PRQ
Moroeoejusrica I 689

de um destino ' _ I-lo'e,


J_ não_ fora_ 0_ Ministerio
' ' - - Publico
. _ muirg (1
rávei na vida publica brasil _____a ___S_ _ . o que se faz de
Exec _ ana 505 0 tapete. O Ministério Público
___m de E-,gy extremamente
_ _ ze oso no recrutame nto de seus quadr
r¡_¿da¿¿ continue a imperar e m suas hostes e " os, ara uea
se _ _ nao se deslegitime op l q
mbalho que ele concretiza na ed ii ” re evante
1 CHÇHO da Demo cracia ' renascente.
A instituição dispoe _ de quadros notáveis
_ . A li'iston`a do Ministério Público
éumn história de lieroismo. _ O organismo trad`icionalmente
' '
vinculado ao Exe-
cutivo precisava conquistar _ seu espaço . institucio na l _ E isso se [ez mediante a
Seleção dos mais combativos entre os eruditos A lucid
- ez de seus proceres con-›
mbuiu para que o sistema de recrutamento fosse mais r
acional do que o ainda
Vigente na Magistratura. Pois o Ministerio Público depende, essencialmente,
da qualidade humana de seus inte gr antes. O engrandecimento' institucional
resulta dessa excelência. A conservação d as amplas e ambiciosas
' ' funçoes cons-
titucionais também dependerá da prese rvaçao " de tais
' atributos.
' Dai' a impor-
'
tância de se investir no aprimoramento etic o d os promotores brasileiros.
' `

15.3 A Érica E 0 Novo l\/||N|siÉi=i|o Púeuco


Esse promotor pleno de poderes, que a Constituição de 1988 desenhou se fl

' se desincumbir a contento de suas tarefas, enfrentará conflitos éticos visí-


quiser
. - ~ ' ' '
veis. Admitindo-se que, alem de intervir nos pro cessos em flue se discuta
_ inte-
resse indisponível., deva também oficiar em hipóteses em que se contenda interesse
d'is onfvgl Será ele o juiz ético do cabimento da iniciativa
. . ou . _ intei¬venÇflU- Na PW'
ring essa opção toma rumos que podem debilitar a instituição.
1'

A vinculflcãfl (10 Pfflmümf H ÊWPUS “U a Expresiãüfisälleääêias leuizlle


dade Püdfi wlher 5113 independência ama persecuçtaü Ê ara o excesso e tam-
improbidade. As Corregedorias precisam est_ar aten Êí 1_2Í_____ ________________________ a______________
bem Para a leniéncia. A Comarca que nao dislílusege _______________C________ ______ g____________E E
esta deSguarnecida. Alvo facil dos desmandos qufi
na pequena política.
_ - ~ - lsabe_n1, <3L1£Ê.Ê."1'1PÚ551
'' 'irei a sua
s FV
tt-D Oeifieiuaieadús
elnocao,_ como " "se foracomum www - . ml“*5*Q”*“
funcionario __ _. ' ' _. « --"""'“_"”"““í""
_ sub¡=1lI.€f.1'1'3'-_ Por isso mesmo investem
" ` _'
Liln_ assédio sutil,H na_exH -lora
_ _:-idlal
ao vaidade- “ noe' .. €IlV.U1›¬iÍm*3“ÊÚ-alãiye-im-ii-“Ema
JelW%'K ' " d¢@a qäE_aoontece¬n¬`ã§` _ .
ivo. Ate ue o Prom as que fegiamariamfsuaatuacãfl-Il-Tëlã
eles ambientes or l fre 1.1EI1.ÍëE_1°5*~m-¬ __ ""
6 . - - qa
- financeira.
Une liberta l Os na liberdade plena.
evistfl qualquer outra forma de cortarfi ¬_, , _ « . s
cO#m__Eas
(_un|lb “D isso não acontece apenas 11215. dimin _ Esitranhq
- äg, E_ no I111111!Í1.'.Él
rtiht. Curadorjzg dzggm ggtgr imu£eifl

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690 erica GERAL E Paorissionat

ue um Cura oes or exem lo se a funcionalmente subord'


d __ _ te
o a uma das funda oes or ele Fi caliz E tar na folha de a amento“ de
uma Funda ão com romete a lisura do Curador dc Funda Õ€S Ainda na ele
seja uma pessoa correta. Va la tambem
' para o Promotor a velha conce ` d
que “ nao
` basta ser onesto - e' reciso também arecer honesto” CZ...
Na segunda instancia esta a vulnerabilidade maior do Ministério Público,
Se no primeiro grau o Promotor é o exemplo de Cümbfilivídfldc E destemor, ao
ÊXEITEII' p3I'€CEI`ES I`CCll.lZ-58 3 51.13. l'El€Vãl'lCÍEl. ESSE UII1 ICITIEI 3. HIETECET SÉYÍEI, Cün..
sistente e urgente rellexão das cúpulas e dos pensadores do Parquet. Reclama-
_-_s¿e_u_pi_protagoipsmo efetivo para os Procuradores de justiça. Eles não podem
ser irrelevantes pareceristas, cuja ausencia não comprometeria o julgamento.
_C¿par_ecer não pode ser mera orma i a e. se não e possive conferir ao pa-
recer relei.ã'nÊ:i_ši rnaior do*-que aguela gue já possui - nível fEtc_o -__a_urgéncia é
conferir rÍi_va;s_ at_;_r_i_buiçöes ã Procuradoria.
Mesmo hoje, grande parte da Procuradoria não colabora para conferir
um salto qualitativo à sua atuação junto aos Tribunais. Exemplo disso e a praxe
de a participação ou não do Ministério Público no processo ser discricionária
ou seletiva. Deixa a desejar, para quem pretenda uma instituiçao respeitada,
combativa_pr
QLse sflflslfli @fls@e¢eS
decepçao de guem aguardaria a contribuição de um foco novo para a melhor
solução do poilflito, exis_t_e _t_;~__ aspecto da vulneraça"o_zLc"eleridade. Para emitir

recerista. E um ator e agravamento do drama da morosidade, çonsidemdo 9


maior da justiça brasileira.
A voz autorizada de Hugo Mazzilli já se posicionou a respeito: “Não pa-
rece correto que uma instituição de largo potencial de serviços a coletivida-
de, não identifique razão para intervir em prol do zelo de um interesse de tal
forma disperso pela comunidade. lnvoquemos ainda as medidas economicas
que atinjam a economia popular, que alterem a estabilidade e credibilidade dO
sistema de captação pública de poupança. É possível dizer que o Ministério
Público não tem nada com isto?”.1° O promotor deve atentar para esse comprü-
misso e verificar até que ponto a tendencia natural ao comodismo não o inclina
a evitar uma lide com exa m outro extremo a vaidade natural a qual uer
criatura - e a al umas mais do ue a outras - po e atuar no Senti 0 inverso, ou
.5e`a, transformar toda e ualquer questao em objeto de demanda a ena
ozo inefável de ocu ar espaço e tempo na mídia. Qt

_______________..
1Ú› HUBÚ NÍBYÚ MEZZÍÍÍÍ. Questões atuais de Ministério Público, RT 698/34.

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A Érica oo p Rüivloroa oe Jusriça | 691

A vaidade é uma companhia indesejáv 1


. Q __ m - _, _ _
nada €5PéC1Ê de PÊ5503. . O promotor pgde se r ati_ as: mulw Pfüxlma a determi-
que, detentor de bandeiras as mais simpáticas :gd1d_Ê3 PUT ela. Compreende-se
dania, do patrimonio publico, dos con5um_d__________ ___e esa do ambiente, da cida-
todas as outras_ minorias -, dispense m -111€ ri. . '_ as m¡“°fia5 Índígfiflfifi E dt!
nais da comunicaÇão.
_ Isso não Pode c onverter-se
p “legado
em esttlawmemo os pmfissio' .
vezes ¡Em¿¡.¿¡.¡0_ mas garanüdor da _____m _ _ imulo para um atuar as
_ a transitória reservada '
çartáveis. O fenomeno não é recente. César Salgado já ___d___e r ___ia:ao_s_`l_ierois__‹_:les-
unca eve
oP romotor valer-se
_ _ do infortú ' ' .
nio alheio para a conquista de Iauréis no palco
das competiçoes forenses. A desgraça do réu mais do qua piedade i
. ~ _ 1 , merece res-
peito. Que os sentimentos de nobreza, inerentes ao caráter de um verdadeira
proirioton jamais se deixem vencer pela vaidade, quando o preço do au.-gesso
alinejado implicar danos a bens alheios”.“
A vaidade pode se tornar institucional e isso explica o volume de car.
gos de promotores, praticamente identico ao de juízes, quando um número
mais reduzido asseguraria qualidade acrescida. Fator que não deixou de ser
observado pelo descortino de Hugo Mazzilli: “(...) não vejo a necessidade de
tantos promotores, o que torna cada vez mais difícil acomoda-los fisicamente
no Forum, lutar por vencimentos condignos, com quadros cada vez mais
inchados, com dois ou mais concursos por ano. Para cada promotor novo
que ingressasse no Ministério Público, poderiamos estar colocando cinco
servidores qualificados”.“ Uma reflexão detida sobre o tema poderia condu-
zir ã conclusão de que nem sempre o prestígio da instituição acompanha o
crescimento vegetativo do quadro. Reside mais na eficiencia com que se de-
sincumbem de suas funçoes institucionais, na seriedade conferida ao trato do
interesse público e na qualidade intrínseca de seus integrantes. Decorrencia
desse çrggçimgmo É o número de episodios lamentãveis que envolvem pro-
. ~ - ' d d`fi ld d
motores. Uma instituição que se torna gigantesca vê se diante a 1 cu :-1 E
_ z» ~ " -se menos
de suprir seus quadros com a excelencia desejavel. A seleçao torna
ela roduzida pelas mais de duas
rigorosa. A clientela de concursandos é aqu P ___ 20 “___ ___________S
. _ . - f * e
mil Faculdades de Direito do Brasil. TESPÚUSWEIS pm uma
_ e avalia memorização, o
bacharéis a cada semestre. E. Para um concursg qä S funções minismiais É
. . a
risco de se admitir pessoa inapta ao desempfifi 0
cada v ` ente. . .
ez mais . Pres ' dg MÍHÍSIÉH'o Público não poderia deixar _de
O excessivo protagonismo dos Segmentfls pretensamente prqu-
causar algumas reacÕ€S. Principalmente

. . - 'bl' o, vol.41 P- 2-
11. Boletim da Associação Paulista do Ministerio PU "5
12. Hugo Nigfo Mazzilli, Q"f5¡Õf5"' Cn" P' 37-

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692 I i~;nt:.›\t;eRA1.emiot=tsstoNAL

dicados. Contra ele se ameaçou editar a l.eí 1l4€ifdflÇfl13z fífifilíflflflfl 3 fazer si-
lenciar o promotor, hoje acusado de se aliar a midia para divulgar informações
temcrarias. A partir das Publ¡cflÇÕ¢5 Pela gfapfle ufnpreflsfa* O m_e1_nbr° f_10_MÍ-
nisterio Público se acredita autorizado a requlsltar mclue-m0 P0hC1al 6 3 Hllciar
um procedimento investigalöfiü que UÊO teria lugar não fora 0 auxfliü PUT file
suscitado junto ã imprenSfl-
A Lei da Mordaça tem um componente ético de bastante relevo. De um
lado, interessa a sociedade dispor de um agente independfifllfi. d€S€I1V0ll0 para
proceder as investigações tão necessarias à apuT2iÇflC_> fle IHÍTHÇOÊS. Hum país
movido a denúncias constantes. De outro, a Constttutçao consagra a presunção
de inocência, postulado inspirador de todo o ordenamento infraconstitucional
pertinente ao processo penal e criterio de interpretação para o procedimento
administrativo investigatõrio. 1*
Propalar acusações temerarias vulnera os interesses do presumível ino-
cente. É manifesto um protagonismo exagerado de alguns membros do Parquet
que se consideram acima do bem e do mal e que iniciam investigações teme-
rãrias. A intimidade com a mídia faz com que os males causados à reputação
de inocentes seja marca indelevel e nunca mais reparada. Daí o zelo ético dos
Promotores e dos responsáveis pela sua unidade. Por outro lado, manietar o
Ministerio Público desprotege a sociedade. A busca do equilíbrio não tem sido
fácil na implementação de uma democracia incipiente, depois de longo perí-
odo autoritãrio, com um Ministerio Público atrelado ã vontade do Governo.
Algo que de certa forma desconforta a sociedade é a seletividade na apuração
de eventuais ilícitos, que focam tópicos e deixam uma faixa análoga sem qual-
quer providencia. Ou a praxe de inexistir observância de prazo para ultimar a
instrução de denúncias ou procedimentos de ofício. Manter alguém atrelado

13. Nas manifestações de junho de 2013, obteve-se como resultado o arquivamento da


PEC-37, que reduzia os poderes do Ministerio Público.
14. Em 2013, graças às manifestações difusas que surgiram para impugnar o acrescimfl
de vinte centavos ã tarifa de onibus, o MP se beneficiou com o arquivamento da Pro-
PUSÍÉ1 de EC 37, que cerceava a atuação ministerial. Nem por isso deve ele descuidar
de exigir uma conduta cada vez mais responsavel e etica de seus integrantes. CUIU
a palavra, um líder do Parquet, João Benedicto de Azevedo Marques: “Este ataque
à ÍHSÍÍÍUÍÇÉO hoje se consubstancia na PEC 37, que pretende dar o monopólio da
investigação criminal ã polícia, impedindo que o MP possa faze-lo em circunstân-
cias especiais, como nos grandes escândalos de corrupção ou nos casos de tortura C
violencia que foram desvendados graças ã ação intimorata de promotores de juãlíía
ou de deputados nas CPIs, ou ainda pelas Comissões de Direitos Humanos da OAB É
pelo Conselho de Defesa dos Direitos Humanos no Ministerio da Justiça" (VÍl'iÍ"fÍa
É f0"'UPÇão no Brasil, São Paulo, CLA Editora, 2013, p. 40.

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A ÉTICA Do Pliotvioroii os Jusriça | 693

3 uma apuração ministerial e uma pena autono ~


5zja o resultado do procedimento. ma* ainda que Ú flffiuivflfflfiflíü

- Outra -das- ameaças


- É Ímpfldir o Ministeri o P ú bl ico de t ' ' -
çao. A tendencia e vedar a qualquer Pr-Úmmor de Justiça fazíruriir na inäelstiga
- a
cias para verificar se ha base concreta 3 fundamenta d gumas 1 igen-
_ ru ' '
e extremamente complexo, drame da I,ea 1. d - ma- enuncia. O tema
Pfilífiia Civil a função de investigar- Ma5 seria
I. ade °°“5t““°*°“a1
interessante QUE çao
a concilia Cfimfflf
` ã
" de in-
teresses entre a polícia e o Ministerio Público - para que a pUsS.b.l.d
1 1 1 a d e d e ave-
riguação permitisse ao Promotor atuar com rapidez maior sob um sigilo mais
efetivo, de maneira a coibir as praticas nefastas que ocon,-em com fr '" '
. equencia
Cada Vez mais preøcupame Para Um Brasil tão necessitado de res ate de sua
moral. Notadamente na area pública. g

15.4 O cõoioo oEoNTotÓG|co oo M|N|sTÉR|o Pusuco


A preocupação etica não e recente para uma instituição de trajetória de
tão reconhecido êxito. já em 1956, guando_do II_(_I_ong§e§so Interamerigarroxio
Ministério P1¿tb_lic_o_, tÊ_ali_:íado em Havana, aprovot_1_-se o Decãlogo do Promotor,
elaborado por jose Augusto Cesar Salgado,__t_1m dos maiores nomes da i11'5tl1`¡`ur1'-
ção em São Paulo.”
O decálogo reza:
“I - Ama a Deus acima de tudo, e ve no homem, mesmo desfigurado pelo
crime, uma criatura à imagem e semelhança do Criador.
II - Sê digno de tua grave missão. Lembra-te de que falas em nome da Lei,
dajustiça e da Liberdade.
III - Sê probo. Faze de tua consciencia profissional um escudo invulnerá-
velas paixões e aos interesses.
IV - Se sincero. Procura a verdad e, e confessa-a, em qualquer circuns-
tãncia.
V - Se justo. Que teu parecer de a cada um o que e seu.
d a a alheia em pedestal para teus êxi-
VI - Sê nobre. Não convertas a €58f Ç
tos e cartaz para tua vaidade.

i
. ' ' ificar, oiso laicismo le-
_' . . .

l5. A menção e mais histórica e sim.bol 1 ca do que poderia


o
sign
“ido p pane do Brasil
Em grande
Vadfl às Suas e uencias.
CÚÍ15 q_ D usC0m°
Seja tem
comaoc[Ori D conteúdo da exorlaçãü Con-

P°d€fÍ3
_ im P U 3"af 3 mvücaçao. a E ' ti' 1ar1a
' ' ain
' da mais o Ministerio Público
ttnua valido e sua observância apeliiaâcpríãnšonne O lc] Brasil _ da FGV.
instituição bem avaliada pfilfl PPP” “Ç

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694 1 Erica GERAL E PROFISSIONAL

VII - Se bravo. Arrosta os perigos com CÍBSICITIOT, SETHPYB que tiveres um


dever a cumprir, venha o atentado de onde vier.
VIII- Se cortes. Nunca te deixes transportar pela paixão. Conserva a dig-
nidade e a compostura que o decoro de tuas funções exige.
IX - Se leal. Não macules tuas ações com o emprego de meios condenados
pela etica dos homens de honra.
X - Se independente. Não te curves a nenhum poder., nem aceites outra
soberania senão a da lei“."'
Para as atuais gerações, um texto como esse decãlogo soa anacrõnico. É
que a mutação de valores excluiu Deus do discurso, na alegaçao simplista de
que o Estado é laíco. De maneira superficial - até simplõria - esquece-se de que
“se poderia reconhecer que a genuína `secularidade° - que é o reconhecimento
da autonomia de alguma esfera civil da sociedade - e por natureza positiva,
- - - 1- u_u
porque libera a fe do mtegrahsmo e do absoluttsmo fundamenta tsta lag
`
em um indivi m canc_elame_t_1to_cle__tuçlg_ o_qgg_11ão_¿:
fi_a__.fi
fiflÊ1f511_5h°fl2w@@.ffle0fl
nica, a exorcizar, como mítica e irraciona , to a outra experiência espiritual

entre a nossa Repúb ica e erativa e o Estado do Vaticano.


as n " ' só D estaria p ara al guns em desuso _ Verbetes como
Liberdade e ' " ` z_em__os_fr ma socte a e e onista,
om p_çLue já não reveste
SÍHÍÍÍ H- - ' -- 'I - "--' '- ' _' earaevidenciarseo
` lidade nas últimas décadas foi rumo ao cresct
to ético ou ao evidente retrocesso moral.
Para os que guardaram respeito pela tradição, o decãlogo poderia se apli-
car a qualquer profissão jurídica, pois encerra normas deontológicas bastante
genéricas. Não deixa de ser oportuno demonstrar que, hã quase meio seculü.
os promotores paulistas se preocupavam com tema que emergiu de forma en-
fãtica no final do milênio, constituindo hoje um núcleo nevrãlgico nas discus-
sões de qualquer carreira. Se hoje a etica equivale ã eficiencía, diante da disfun-
cionalidade do direito para resolver problemas humanos com a pressa qtlfida
- - a
contemporaneidade exige, ela não delxa de guardar um apelo moral, diante
prática identidade conceitual.

-il-

16. Boletim da Associação Paulista do Ministérío Público, vol. 4, p. 2-3. J'¿¡.'n|.ÂL.¬n".¡I-L.\ I'L¡.

17. Gianfranco Ravasi, Guida ai Naviganti, Milano, Mondadori, 2012, p. 18.

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A.
Erica oo Pitonoroa oi: Justiça l 695

Com o passar do tempo, além dos de slizes intensificados, viu-se que o úni-
C0 freio para a ganancia e a insensatez e gen a armadura moral. A ética adquiriu
importância ainda maior. Embora necessária, é 1 nsuficiente a mera proclama-
ção retórica. E preciso
É md tipificar condutas. Eri glr * padroes
~ de comportame mc,
f' . ssirn 'br
CUCO oum ca ítul O E' 1'Ê5€1LVäÇl_0_aQs deveres dos membros dg
ei O1'gÊl'ti§a_Nacional editada em 12.02. 1993.13 Ele con-
té 05 mandamentos_.. ' -eticos
_ _ _ .1. positivados __' " "T ' ¬'"` J"todos " '“ mem
J' " ""
m.... - - -- _ - __ _ ____ã_\ que estao sujeitos
...__ ___ b1`05._
do Ministerio Pub ico.Asaber,
_d . _ , os_ promotores,
_ _ _C| ue atua ' ' '_
_ m em primeiro grau de
@§¿ de Jusfiéá. He aiuaçâójumó ass T.-tb
unais.
O primeiro dever é o de manter ilibada conduta pública e particular.” Sobre
0 conceito de conduta iiibada já se fez menção no Capítulo 6.1” Acrescente-se
_1__1_e_2 a_t_rib_iito do comportamento sem mãcula deve preceder o ingresso
.. -_ '_"'T".-,.-.- , _ _-_ ,_....------"'
do bacharel a _‹iarreira_do iilinisterio Iäblico, pois para ele constitui req1.t_is_itg_.
Zelar pelo prestígio da Justiça, por suas prerrogativas e pela dignidade
de suas funções é o segundo dever.” Também aqui em nada o preceito ético
faz distinguir o promotor de justiça dos demais operadores juridicos ' ` . 5 eu zelo
há de c " ` usti a e não o restigio apenas_ do fiidiciario.
Com isso, fica o promotor também eticamente comprometido com a eficiéncia
e a credibilidade de outros organismos consi_de¶i_dos__inte_gran_tes _da__]t¿_stiga,
C omo a polícia. Esta, por sinal, sujeita_ã sua fi_§_cal_i;_ação externa gcorregedoría
ÊÊITIIEIIIEIIÍÃE .

Um dever que é prõprio ao promotor de justiça, e corresponde com o


dever do juiz de fundamentar a decisão jurisdicional, é o de indicar os funda-
mentos jurídicos de seus pronunciamentos processuais, elaborando relatorio
em sua manifestação final ou recursal.” Assim como não se concebe decisão
judicial desmotivada, a manifestação ministerial hã de ser consistente. A ela-
.. , . . . ' te exa-
boraçao do relatorio imprime certeza de que os fl11I05 f01'flm fifeüvfimen
_ _ - s essenciais ao
minados e o profissional fez a apreensão de todos os elemento
conhecimento da demanda.
Obedecer aos prazos processuais é outra obrigiflišãf' dc' Pmmümr E do pm'
.. pode ser nfigllgenclado'
curador.” Esse dever nao * ' O P romotor também integ ra

_" l__ ¡ _

13. Lei 8.625, de 12.02.1993, publicada HD


Dou de 15.02.1993.
19. Art. 43, I, da Lei 8.625, de 12.02.1993-
ZÚ. Ver Capítulo 6, item 6.4.1-
2l. Art. 43, Il, da Lei 8.625, de 12.02.1993.
22. Art. 43, III, da Lei 8.625, de 12.02.1993.
23. Ari. 43, tv, da La aózs, de 12.02.1993.

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696 | Erica GERAL E PRoi=isstoNA1_

o complexo denominado justiça e é corresponsãvel pelo pecado da lentidâg O


mais severamente repudiado, se depender da avaliação popular. l
Deve ainda o promotor assistir aos atos judiciais, quando obrigatória Du
conveniente a sua presença.” Esse compromisso é o da presença física, não da
presença virtual. O bom promotor não precisa ser lembrado de que sua presença
e essencial as audiências e sempre conveniente. Deve possuir pauta propria, em
que as audiências designadas sejam anotadas para que, independentemente de
provocação, se faça presente. Um episódio que pode chocar a parte ou o advo-
gado é o juiz se ver obrigado a mandar chamar o promotor para a audiência e
permanecer ã espera, pois esse atendimento não se faz com a necessaria presteza,
-rf* Ne li enciar o promotor nessa resença faz com que o es aço institucio-
F7* nalreservadoãsu . _- -. 5 zz- -z. .-. ' ' H. ~.. -'ui_
.ii
,Ji Nao
- ú- * ¢ 1
lmente em unidad
z 1 . s .
d 1 menores o uiz itar ao
, _ di

fijfrd escre1ente_ou_s_ec_i;e ' ` inisterial nos debates.. Não é excessivo


bo Qrnlalismo _ç_onsiderar errónea e perigo_sa_e§_a praxe. Cada parte deve bl
exercer
f o seu a el no rocesso. Se o `uiz supre a lacuna do Ministério Pú ico isso
deseguilibra o contraditório. Esvazia a dialética processii_a_l_._E_n;i d3
tígio__dq Minispério Público. Como também não é §rta__a _postura de izes
116011 I 1.11 .| | nu ú . 9 : ez-' - n - 1- -" 1-um 'ro
processo criminal. Em comarcas do interior, a carga de serviço [ez surgir uma
pratica inadmissível. O juiz se encgregada pauta cível e delega - oficiosamen-
te - ao promotor desincumbir-se da pauta criminal. O promotor interroga, in-
guire teste_mu_r1has_, abreespaço para os debates, fa_z_a_s1,_1a_p do `uiz. Est
se limita a assinar o termo de audiência. Os adv `
com esse costume ois ha ine avel re`uízo ara a Mesmo e rec -
o acúmulo de serviço, a boa-fé do romotor a concordan 1` ' *if
IlV0lVÍClDS'--.-.iI".'ln|'t ui.. -'
A virtude é uma exigência legal imposta ao promotor. Ele deve desempe-
n h ar, com zelo e p resteza , as suas funções . 15 Virtude que deve ser a de todos os
P rofissionais z não apenas dos operadores jurídicos. Mas que precisa ser ma1S
intensamente perseguida por aqueles profissionais remunerados pelo pow.
entidade coletiva na qual inserta a legião de miseráveis sem as menores condi-
ções de subsistência digna., por alegada falta de recursos financeiros públicos.
d l ` ' outro dever impüfi'
Declarar-se suspeito ou impedido, nos termos a ei, e
to ao promotor.” Antes de ser dever legal é dever ético. Ha situações qllfi im'

24. Art. 43, V, da Lei 8.625, de 12.02.1993.


25. Art. 43, Vl, da Lei 8.625, de 12.02.1993.
26. Art. 43, Vil, da Lei 8.625, de 12.02.1993.

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A.
ÉTICA Do Piioivtoroa DE Jusrtça I 697

pedem 0 promotor deatuar. outras que o tornam suspeito O o erador .urídico


estatal nao pode oficiar quando impedido ou Su . P J
. . . speito. Com rometeria toda
a credlbllldadfi “Ú apaffilhfimfiflíü Estatal encarregado de admigistrar `ustiça
Dever etico de consistência e a 1 cance e- o de adotar n ' ' J '
. . _ - z. - . .
ambuiçoes, as providencias cabiveis face ai irregularidade
' - . os limites de suas
de ue t
_
Cimento ou que ocorra nos serviços a s 2? q enha -conhe-
.
_ - - .- . . . eu Cafgfi - A segunda fun çao ' institu-
zional do Ministerio Publico ezelar P elo 6 [EHV0- respeito. dos Poderes Publicos
_ _
e dos serviçoã Clã Tfilfivflnfilfi Públítëëi aos direitos assegurados na Constituição
promove ndo as medid as necessarias
* ' a sua garantia
- ii* O Con U. . `*
_ , , . P j bl. , . s tuinte converteu
0 Ministerio u ico em verdadeiro corregedor dos poderes estatais quanto ã
observãncia
_ dos
_ direitos
_ fundamentais. E nao
' so' dos direitos
' ' -
estritamente fun-
damentais, assim considerados os também chamados direitos humanos mas de
todos os direitos consagrados na Constituição, nas mais diversas intensidades
jurídicas nela contempladas.
Embora o dever de adoção de providências tenha sido limitado com a
adoção das expressões “nos limites de suas atribuições”, ele deve ser interpre-
tado em consonãncia com a função institucional expressa no texto maior. Toda
irregularidade - expressão de amplitude a ser edificada pelo compromisso éti-
co do promotor ao exaurir o cumprimento de seu dever - suscita a reação da
providência cabível por parte do Ministério Público.
Esse dever ético e legal de coibir irregularidades e um campo fecundo de
atuação ministerial, que poderá - se bem aplicado - colaborar para o aprimo-
ramento das instituições brasileiras e para o resgate de milhões de nacionais da
situação subumana em que se encontram.
Preceito de comezinha educação, assim como posto para a Magistratura,
ê destinado ao promotor: tratar com urbanidade as partes, testemunhas, fun-
cionãrios e auxiliares da justiça.” Um reparo se põe de imediato. A Lei Orgã-
nica da Magistratura, ao endereçar dever idêntico ao juiz, destinou menção
expressa aos “membros do Ministério Público“.3“ A
Público não incluiu os juízes como destinatários do lr
romotores - Como não se P ode concluir _ _qilfi -0121?. dʧL“€feÇfl._ÊmlamE_1ELP.il=
. ' . - .
ll 0. a exc usão se torna incompreensível e em nada contí1_l_JU1__EaI.Ê.aP1."l-“J-Êll-Êl`
"in-__ííí_,__ .__ _ I "'_"" _- I '

o relacionamento entre os integraI2lteS_Ç12i5.Cl.'~l.@-5 Cmlelraä* A


relevãnc` ' b`eto de abo 3'

-____________í__

27. Art. 43, viii, da Lei 13.625, de 12.02.1993.


28. Art. 43, VIII, da Lei 8.625, de 12.02.1993.
29. Ari.-13, ix, da Le1s.ó25,de 12.02.1993.
30- Art. 35, IV, da Lei Orgãnica da Magis” atura Lei Complementar Federal 35, de
14.03.1979.

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698 j Érica GERAL E i=-1ioi=1ssioNAL

Pzzaieiamegtgae ‹;19v.9.1.: dsejflië fssifl-if H-_-4


'°_°Ê*aÉ5-“t3 mf5m
atribuída*-ao prompt?? Í_Í_“¿_*l3É;_3l A1_ÉÊ_üfiÊ3ÊiÃ'.T_a é_1dÊ1_[ÍÊ.a¡ a auwndade precisa
ser encontrada a qualqugpmolneltopse é que ]us_tipa_ d_evÊ 5.ÊÍ._Ê_9nsiderado
Sewišó- li-Enzog_'šS:Ê'nä9i_paEa ,D p¡‹0¡I¡0j0_r,_¢oii1_razao ainda maior. O elencg
dg-:afribuiç-ões' institucionais c__ometid='=1§ E610 .C9115É1Ê.u1.nlÊ na°_--l)¶_.5E
cum fnlblhza
..z.z_...›oz,`“'íz'zfó'í“n@'t0;"z.1f.'ifâf;âii9_. Ss
fed-caiTga'de'tra'ball:1:d;s;e_q1._ie_,__eir_1 511215 E
B¿10_j1j1;_afiieig 51-_eÍsu_a_s_decisóes. F _ j _ i _
O dever de prestar informações solicitadas pelos .orgãos da instituiçaoil
não parece cãnone ético, nem mereceria inserção em diploma lflgfil. E fltflbui-
ção administrativa, cuja enunciação parece decorrer de dificuldade concreta
que os órgãos da instituição possam ter enfrentado na rotina dos serviços.
_ _ - - i - ii
Impóe-se ao promotor identificar-se em suas manifestações funcionais,
o que sendo de cautela e conveniência, não afronta o principio da unidade e
parece revestir sentido ético. O membro do Ministério Público deve peticionar,
requerer recorrer lançar cotas nos autos, sempre de forma transparente. Fã-
` . _ 1 . ' ' - r a '
-lo na condiçao de integrante do Parquet, mas deve identificar Ê: semp e,l te
para eventual responsabilização e principalmente porque, atuan o com ze o e
probidade, não precisa ser promotor sem face.
Um dos comandos éticos mais relevantes para o Minist_éi;io _Pú_b_lico está
no dever de atendei;__aos_i_nteressa r m me nos casos ur eli-
tes 34 'Essa É a tarfifa que 1][)b
l .gj|1*1Il Públicfj, a d1.S1.1ngu1"1Ú

dos demais operadores pagos pelo Erãrio. É a única _au_to_ijd_a_de - a relevância


Qnais do_.. Par__¢.íí___íi uet confere a seus integ_rantes_o
_ _ Í Í,
toridade - gue, por dever de oficio, preciía esta! sempre disponivel _ap_po¿f _._A
_maior for Ç a, a maioí expr_es_§ão_, a .magir riqueza
. da instituijçãp es¿t_a i_i_essa_t_¿z_i
- t_i'_‹jt!_Í¿1,
do contato direto com o semelhante, §e_m inte_ilne__diaçã_o_, sem o mono olio
da capacidade postulatória, sem nepessidadp deÁes
essa vertente, inpito antes das ADR,35 as_populares alternativas de resolução
Fí _

conflitos ue arecem ace ` araa usti a os ronw-

31. Art. 43, X, da Lei 8.625, de 12.02.1993.


32. Art. 43, Xl, da Lei 8.625, de 12.02.1993.
33. Art. 43, X11, da Lei 8.625, de 12.02.1993.
34. Art. 43, XIII, da Lei 8.625, de 12.02.1993.
35. ADR é a sigla resultante da expressão norte-americana: Alternative Dispute Resolvi-
tions, que inclui todas as fórmulas de pacificação excluídas do Judiciario cofliífin'
cional, reconhecidamente congestionado e em gravíssinia crise de funcionalidafilfi É
eficiéncia
C9E5rzi.zp11'=>'@”Í' 0 /-°°‹í›f›TMø‹..¿f¿.; a,=zs.;.r.ú po ipi/I 35
;›...m.›9IU9s*t›)f>..P1_ J. C/no pp ¿1;>,¡_ G , z_›_¬,.,., _;-N ¡-,,,..,,ƒ¿_, ,:¬=-*¡,¿wÍ '

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f I
AETICA [)(_)p
R°M°T0RDEiUsi1cA 699

65 a acificavani os des O
I l

on T to -
c__E.É-» o u to
O verdadeiro promotor de Justiça aquele u
1. z , 1 3 ' * _.

encara __.
com displicencia,
. . indiferença . com enaooumesmoco
qi Íipromovelusuça dama,
" mg '
essa missao institucional. No 'vio diuturno m “UÍHÇHO
a rende a conhecer a comunidade e se torna Q p3¡3-¡¡,-,jgs 1-HF,-à,-E; 5, I
ag, Enfrenta os oderosos, resolve questoes, acific d 8'
1'rit o s. Realiza a `ust`1 aconcreta.E - - _ . _ .
“Sama
. t 1 T 1 V1ÍHl1des.Descon iona o udiciãrio
isso re uer a ento. a ento na PÚSÍUTH. ois' o obre não abr' '
.... f -f fidä .

cora ao nem ara con encias a uma autoridade arto ante i _


" ecomsuaot dl" '- ..
um os atores. Ta ento_ pessoa › com is oni ii a e ara ouvir ' e aciencia
'- '
para a uardar o exaurimento da ver ' nem sem re ob`etiva Des o`amento
e desinteresse, pois é um trabalho gue nan ¡gpf;¡¢¡¡¡¢ ngm acamzfla ejogms dos
procuradores e dos Tribunais. É trabalho autenticamente humano, missão de
a ostolado `uridi mento de uem rivado embora de formação es-
pecífica, é chamado a fazer o papel de assistente social, psjçdlggg g ggggzdojg
au
__,i'I_i_J£111I10-
As lideranças ministeriais devem insistir para que o promotor não tergi-
verse nem reduza a importancia dessa prerrogativa da função Aparentemente
banal, para uma sociedade que prestigia a erudiçao e a tecnica, ela e a valvula
de escape na pressão conflitiva que se agiganta O preparo do jovem promotor,
a metodologia do concurso, as reciclagens a que o agente ministerial vier a se
submeter na carreira, devem leva-lo a conferir relevancia a esse mister Para
o qual não se pode admitir negligencia Pois essa missao e talvez, a mais im
portante a oportunidade de ouvir as partes, nesta sociedade em que ninguem
mais tem ouvidos, tempo ou paciencia para auscultar o proximo Ninguém
tem tempo para escutar lamurias Mas o promotor foi escolhido pelo sistema
para essa fase primordial a harmonização verdadeira Adequada formaçao etica
sabera mostrar ao promotor que essa e a tarefa de real consisteiicia em sua car-
1,sua
. _ püdera_ não ser bem Sucedldo. na açao
- civil
- - publica
-f ' promovida,-* podera târ
. z ' ' ' e

recorrer de inumeras sentenças, mfifi fllflišuem O Subsmulm mà encargo


de 1 f i ' ' ' as
reso [ven em defimtwoi ' ' pmblemas as
` vezes aparentemente insigni
d cantes, m
. z - ` a o.
de relgvo E de enorme; potencial de angustia para o interess

3 _ e ' uiz
' a cu ' a rese n a
5 eus clientes.
- Ou se endereçar a- Ma istratura
is e tornar
Ovidos sde Ca audade
_ 0Smla_
S09
3 Vflgfldo tem acesso _ Para os dem 3 ra O acesso a_ autoridade
_ . . ._ .
Judmam
H. e muito dificil o acolhimento Em T9

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700 I Érica GERAL E Peoetssionat

Êqgtase sern re limitado. só Mas o romotor é a _ autoridade


___ _ _ _ jurídica pre_or_z_;1@nada
_ _ __
assar aoa ¢em9 este 'Emis
ppõximp, o bastante para, díviya 1192, lEZ
não lhe Ie dado-_f.a_a_t;.-f cpm
O último dever legal do promotor É acatar, no plano administrativo, as
decisões dos Órgãos da Administração Superior do Ministério Eúblico.” O pm-
motor e independente. Mas os orgãos da Administração Superior, em assuntos
administrativos, podem deliberar. Tais deliberações hão de ser acatadas pfilgs
demais membros do Ministerio Público que os não integrem. A hierarquia ad-
ministrativa e necessaria para a preservação de uma ordem, sem a qual nâg
haverá eficiëncia.
Embora o tema revista menor interesse ético, justificou-se a explicitação
da norma para coibir eventuais excessos no individualismo. Alguns integran-
tes do Pctrquet, por imaturidade ou deformação funcional- o excesso de poder
e capaz de gerar anomalias -, poderiam em tese resistir ã observãncia do orde-
namento administrativo, e este se presume editado a benefício da instituição.
Em sínte ve ` - ue_o,rol do_s _ciev_e¿es dos membros dfifiinistgrio
Público te__m núcleo comum idêntico aos mais o eradoreüug-
dicos. Em toda a etica profissional forense os _n1es¿m__'os preceitos sã
dgshsejam eles s Íestídanteídeiireito, a advc¿ga5:lq_s,_a_ju_íze_s¿
promotores, a delegados, procuradores, t__1e_fe_nsores 91.1 consultores. A enfase
dos comandos éticos, em relação ao Ministerio Públicofhã de ser credilada _a_g
notório engrandecimento institícionalfcbnjugado ã intensi-ficação das exigen-
cias éticas postas a seus integrantes. Hi _ ' H _ '
Não existe forma de maior eficiência para desprestigiar uma instituição
do que cumulã-la de atribuições abrangentes, absorventes e intensas. A preser-
vação do equilíbrio institucional está indissoluvelmente vinculada ao redobra-
do empenho ético de seus integrantes.
impõe-se considerar que o objetivo do fortalecimento institucional cort-
solidado pelo constituinte de 1988 não foi redobrar o prestígio dos promoto-
res, mas a fEflliZflÇão do bem comum e, notadamente, o resgate dos semelhan-

¡ Fill HI F'

É Afifmaçãü Cada Vez mais Telativízfidfi- Já Hão se mostra admissível encontrar-se à PUT'
ta do gabinete do juiz o aviso que já foi encontrado em algumas unidades judiciaifií
Este Juiz não e Órgao de consulta. O Conselho Nacional de Justiça e o proprio STJ
tem salientado a necessidade de o magistrado sempre atender as partes dever qllfl 55
encontra inscrito na Loman - Ler Orgãnica da Magigtrazurz Nagignal a Lei Federal
Complementar 35, de 14.03.1979, ora em le ' ' - d la Cons-
ztzuiçâa da República, de 05.10.1988. P no “gnt” pm mepcmna a pe
37. Art. 43, XIV, da Lei 8.625, de 12.02.1993.

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A É Tica oo Pnoizioroii oe Jusriçzi I 701

tes __Excluídos à cidadania.


_ _ Um país que C0 nseguiu a f 11 (1 ' '
jeglao dos desvalidos, hoje contados aos milh" açan H E muluphcar a
_ _ UBS. precisa de institui ões fortes
para reverter esse quadro de iniquidade. O Promot d Ç
_ Ur e justiça, a artir do
HOW-E_ ambmdo ao seu Cargo E fl-111930. É o operador P rede s ti na d o a transP formar
3 naçao. Talvez sobre ele repouse a esperança posta pelo çgnsmuim
__ . . _ e no pacto
olitico: edificar
lã _g____ldad__S
a patria J
usta, fra; - . . _
Ema Ê Sühdflflfii Sem preconceitos e sem
esi -

15.5 Posiuea Ética oo Paouoioe ANTE o Juiz


Conse " ` a_c_o_rr_o_s_ão do sagrado é a banalização das fun_ções exercidas
por bacharé_i_s__ em_dire_ito, No momentoem que o direit
quase transcendente, os integrantes das funções clássicas se comportavam como
z--_-_... .._----- .__ . L-, - aa- __-- _ ,___ . _ _.
_i_nii:1a‹I_l__9_S__I_1l}_l1'1_i1 __Ç1€QC_[_fi_ revestida de um halo quase spbrenatpral, luízes eram
figuras___ res p eitadíssimas
___ e _ promotores tambem. ' Nao " maçulana ' ¡ ec
Em díiiSl*II1_l_'¿Ê_11d_1Tf1E_I1_Í_í_?1_5.}3I'1_gI=15_,_1Iic_om__p_reens_t¿es, A¿_hoJ1Dr_abili_dade era um atribu-
to do carS o e a ela se conformavam_até os espíritoënais
_ impulsízzos .
Hoje o mundo é outro. A aura de sacralidade desapareceu. A maior par-
te dos que procuram a Magistratura ou o Ministério Público estão em busca
de emprego. Tanto que são conhecidos como “concurseiros”. Frequentadores
habituais dos exitosos Cursinhos de Preparação, ávidos por disputarem uma
vaga, qualquer seja ela, em toda e qualquer localidade em que haja concurso
aberto.
Resultado disso é que o relacionamento juiz - promotor já não é aquele
padrão de elegância de ãureos tempos. As Corregedorias e Orgãos Especiais
São obrigados a enfrentar processos que sequer existiriam, se os envolvidos ti-
vessem uma boa educação de berço. _P_p_r i_sso é que 21 ÊÊÍC? Í m.e5“ÊÚ.1?.fl$ Cëffãzüä
`urídicas -tem de começar com a reiter_a_ção das ëlpmfilllflffis TÊEÊHS de-99l1d~Ê¿
U6 E ns ares 'fo-rauinhes' uecidas.
- - ' ' rreiras`udicialem`-
Em todos os cursos romovidos icia__r1te:¿‹_Il_fl$ C? _ J _ _ ,¬____-1
nisterial um modulo é reservado a _çl_Lf..=›C1‹155§9
_._-11-¬"# ___
5519 £€l_i1..C1ÚÍ1amEÍl“)_l_°_r-QÍTÊÚ
-
UI'-lä_lZ-'
A experiencia
. demonstra que, no convivio - › sautäflàffigl enm am .e___`_ e _ dE Suas _/__-_¡_~¿~«_._
' ' a eseconsci
rov ' ' ' motor e uiz sem_.11l`“a-1 - - - - ~ -_ - _ __bf
. mo
patribui _ oe
_ 6 Ú da JuSuÇa` PIO _ ' ¬ J' ` "gd - ' do `usto . Ao _ _
reves, da __ _..
animo; -,-Gem
'f7¿*~/15
L_§_S_Ç__0_1'1seÊÊ*T`5 m a_mais talhada EHUZÊÇÊL3'
-----'rã' 1'd de não _ -Lapenas
_- - -do- relacio_nam_entp
_ ;t¿___. 9
Sldade
Íou c
__o_I1Í1”Q_I1to advém_ ueda 6__ 1131-usti 3 a_ Justiça . e. produto 'humano ¬ Nú” ___
e ,Q,u¿_,..._
. uinano, mas da excelência do ro uto __ _ _________________ (___ _ç______ __ _§_____ ___
_. . › ' " ess . i ‹i.
Uflanto, sem re vulneravel as im erfei oes _ _ _ Mffi' ¿, _ *7 ,Q .

- ' vo ado nao existe hierarquia. ao.:


já 5 E 3-Cemuou que E mm P rornotor.J'~"z E ad " uiz . e promotor A nitida .. 1)C-. H
A5 aut Und
-... . a_d_gs _da_cena
_ j_- ud1c1a
- _-« - Entretanto. " " "
S39] " ' ______,._...; __ ___"'
f_f°iz_

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702 l Érica GERAL E PRoi=1ssioNAL

. . , . . - .. - ' l n
distinçao entre as atribuiçoes nao tem sido sufic1ente_,_ em a gu s casos, para
garantir um convívio respeitoso e ameno desses DPÊW mes*
o
a defesa. Depois de examinar a posição da doutrina, Hllgü M*-1221111 Pffileeiona:
“Assim, o Ministério Público, sobre ser PHITE U0 5Êm1d0 mfllerlal, é também
parte formal ou instrumental. Sua imparcialidade e iizeramenge moral, nàg É
gferlida ein sentido técnico. Sei' PFATLÊ Ê-5ÊT. ÍÍ.lUl3T__dÊ Úlluã E fÍlÇUlFlflClES.pLo_-
cäaais. Seu dever de buscar a verdade, sua l_ib_erdg_dp de_¿acu§_ar ou de edir
a absolvição, por ce_r_t;Li1ão _desnat_ur_am_ sua posiçao_de or_ga_o_do _lÊs_o_ido,_ gua
concentra nas mãos a titulari_§la_dEi_e?šCl1-15ÍVa de ETÚUÍÚIÊT 9. Êllrçllü de P1-Inir do
Estado“.3'E Situar-se em condição de privilégio desequilibra a paridade de armas
"_-'-_'P-'“_'- .

e desatende ao contraditório. Essa é sempre uma fonte de desentendimentos.


' . . .
uiz convezsem so b rpgocesso. O assunto_pij_i¿i_1e_1rQ . .

entre ambos é e_sse. _ as o§__do_i_s deve_i_n_sal¿e_rtra_ça.Lli1Ila_liI1l1H.eI1ITe. a amiza_ç_l_‹__e


e o dever fu_rlt_'io¿_ial. Cada qual tem s_ua_ função e,_se qu e
constrangido para poder cumpri-la, estatãlalh
sicos. Lição de grande sabedoria é desvincular o convívio do trabalho, cada qual
_a exercer em plenitude sua função, sem pr_e_ocupaç_ão_de_feri1_ su_st_:etil;ii.li_cla_d¿5__
Pedir arguivamen_to__ou denun lflçã¿ rgcori-er ou
r-se com a decisãoÉ questão de fo_i_o íntimo do promotor- Receber a de-
n_ú_1ici__.-';t_oi_i rejeitã-la, absolve_i_'_pu condenar, sem se_preocupar com a interposição
__c_1_e__ rpcur_s_o, é assynto de ipt o_dtguiz. l_j§_omo_tor_r_eg_uer, postula, de-
_i_'i _1_r_i_çgt_, ret_;o§e_]_uiz rec_ebe ou rejeita, a_l¿i_so1ye ou condena. O juiz não po_de_d__e;
nunciar, nem o promotor condenar. O obvio, muitas vezes, precisa ser lembrado.
(EHQÚQ 9_11'1eI`Q ÇXeTU§i.0 .
0 irritadieø deve pensar Seriamemese
ãlâfflâlfišl" E1Í5§fl¬_0_ T_e1leC1__ii§i_é_si,_1l:›ii_ieter-se a novo concurso. O certame é Ótima
o ortunidade ara reciclar
__L__¶p _ _ os con h ecimentos ' _ '_ _e _'_“ ara mostrar ' 9 ' se' os” pre i """"
aro
.. . 1 -I __,
'
tecmcü ' `
E Slw-ÚÊIÇÊLSÉY-3' ` suficientt-:__ 5 _Q1_1_engao ' a_ve_i_it1,irar-se naI profissão
I " Ibe-
1
@,_pr~.i¿ra_a_qual não h_a_¿:_:oncurso ormal senao a avalia ao diuturna dos clientes,
dÚ5 ml ` cial em ue atua.
Ambf-*Ê 'fluiz É Pmmfltflf -. para um bom convívio, devem eliminar pruri-
dos de sensibilidade ex t rema d a. A fo ueira - das vaidades
- chamusca as virtud ›
de um_ e de outro. O sol nasce u para l-ÚdÚ5, ha- Espaçg para " lnufngrüs
.f¬. - [fll€I`1lÚ5-
Juiz
_ e promotor sao parceiros pode-se d' izer até cúmplices na realização daJU5 -
UÇH- DE End licidade s ' - ja E I ' ' 3
da comunidade e até do réu. Profission
-- -- - - - 1 1 - _ J.l1P-Ê
fwe tal? em dl) aghmgad O lc! -

í¿.

38- H'-eflNiafflMfl2=i11izFunçõesii-zzttzaamtzâauâatzzéaapúaitzú p zz

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A ETICA oo PROMOTOR oe Jusrica I 703

r£ÚeSeee-oe' Ê nada ÍI11 edira uma hí ida realiza ão da 'usti a


umana em sua contin ente ade uaçã0_ Ç Ç
Estados como a França e a Italia PÚSSl1€m uma só carreira ara O Ministe-
rio Público e para
i _ a Magistratura. Carr eira
` que permite
- continuo
. P intercâmbio
nã0 50 1105 Pnmelmsi mas “U5 graus fiflfiiã dê jurisdição Alguem ousaria dizef
que EIJUSÍ i Ç a franc E1521 E ijustlça
' italiana
* - `
padecem de maiores imperfeições em
Virtude desse unidade? A ge-*fmÍHHÇä0 univitelina de ambas as instituições
está a , demonstrard que . devem
d _ caminhar
_ juntas, sem que os con'jun t urais
' an-
íflgümsmes as esvlem Ú Pfmclpfllí ffllël' justiça. O direito não perde com as
visões diversas de um identico fenomeno jurídico. Apenas müsn-a a sua ,¿Xu]¡,E_
rancia, a sua riqueza e a sua força.
Pensar meu i l r na realidad
para com legiões e generpsa paia com escasso rol de_privile iados. P r ue
o direito e instrumento de realização da dig_nidad_e humana e gue os opera-
dores se irmanados
.._____¿ __ __ nessa
__ missão
_____ _ __›___poderão
_L converter
_ O mund o. S'ao preceitos
`
ue de nada exterior dependem, senão da vontade de cada qual. Refletir neles

exercício mais profícuo da missão de livrar a Terra de toda injustiça.

15.6 O FUTURO Do |\/||N|siÉR|o Púsuco


O fortalecimento institucional do Ministerio Público, propiciado pelo
constituinte de 1988, veio a gerar um protagonismo bifronte. De um lado, O
Parquet levou a serio sua renovada missão e empalmou todas as bandeiras sen-
síveis ã cidadania. Passou, na verdade, a desempenhar o papel de um eficiente
defensor da coletividade. Foi ele quem deu início ã proteção do meio ambiente,
do consumidor e da cidadania, e assumiu a tutela de questões emergentes e ate
então parcialmente descuidadas no sistema de justiça.
Por outra face, protagonismo tal causou muitas reaÇÕ€5- .Õ €5PflÇ0 I`ESfif'-
vado pela mídia ao Ministerio Público foi sensivelmente ampliado. Os demais
operadores se ressentiram_ O Governo também sentiu desconforto diante da
autonomia ministerial, quando as investigações recaíram sobre membros do
Executivo ou autoridades ligadas a empresas estatais.
. - - ' ' “ elada, mais forte e mais
Integrar num sistema arcaico uma instituiÇ*10_1'*°1_111'¿f'el_ P fibhco da chamad
P0derosa suscita desconforto. Os membros do M1nlSI€I'10 U H

}§*¬¬----.__..í_
. ' entada - o `uiz tradi-
39~ A, utopia de uma carreira única.› lmegfade pela âvleelefiremreéaâãjeto
e us i 21 -z.
de miähas refle '
Clonal - e a Magistratura em Pe " Ú promotor 'l Ç
Xöes na obra A rebelião da tüga-

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704 I Error oizimt r. vaorisslomit

velha guarda, dos tempos heroicos, também sentiram os ventos novos. E alguns
os estranharam. jovens ainda jejunos na tradiÇã0 msmueleml IÚSD lncorpora-
ram os robustecidos poderes e passaram a ostentar desenvoltura ate então inc-
xistente. Houve arroubos e exageros, certo exibicionismo, Chegou-se ate ã trans-
missão de uma quase arrogância institucional. Postura impertinente para quem
e servidor público, remunerado pela comunidade e preordenado a prestar-lhe
serviços. Nada que uma boa reflexão etica e um equilíbriü (135 lid€rflI1ÇflS não
possa conter. Afinal, o Ministerio Público prossegue a pr0Vfi1' OS SEUS quadros
com os melhores entre os egressos das Faculdades de Direito no Brasil.
Outro ponto a merecer meditação e o exercício, por membros do Ministerio
Público, de cargos ou funções distintas as tipicamente institucionais. Carreira
equiparada aojudiciãrio, sempre mereceu as mesmas prerrogativas, mas resistiu
às vedações impostas ã Magistratura. A garantia aos membros do Ministerio Pú-
blico de direito adquirido ao desempenho de cargo público sem a necessidade de
se aposentar e tema de alta indagação etica. A justificação e juridicamente irre-
preensível: está reservada essa faculdade ao promotor que ingressou na carreira
sob outro regime juridico. Esse direito ingressou em seu patrimonio e dele não
pode a lei privá-lo. Mas a tensão etica não e eliminada diante do argumento de
direito. Isso porque o desempenho de cargos junto ao Executivo propicia ao Mi-
nisterio Público intimidade muito proxima ao real- ou seria imperial? -, poder
que e, em última instância, aquele que detem a chave do Erãrio.
O Ministerio Público obteve, junto ao constituinte, todos os direitos e
prerrogativas doutrinariamente proclamados, fruto de uma luta árdua e longa
da instituição, hoje independente e provida de condições para o eficiente exer-
cício de suas funções. Tem pago um preço por isso. O Parlamento acena com
reformas, ameaça com a Lei da Mordaça, pretende coibir aos promotores mais
afoitos a desenvoltura com que encaram as câmeras de TV e os fotógrafos dos
jornais. Recrudesce a discussão a respeito da investigação que seria privativa
da polícia judiciária. Ou seja: a tentativa e a de reduzir poderes, de manter o
Ministerio Público na condição de uma burocratizada carreira juridica, afeilfl
a formalismos e a procedimentalismos, sufocada pelo iitualismo e, portanto.
inapta a exercer a missão que o constituinte preceituou no pacto de 1988.
É preciso estar atento para isso. Para onde se encaminhará o Ministerifl
Público brasileiro neste seculo que teve início tão turbulento?
Ao lado da mídia, foi o Ministerio Público o autor das denúncias que
escancararam a promiscuidade incestuosa entre autoridades entre estas 6 35
empresas, numa atuação evidentemente moralizadora
Resta avaliar se a democratização interna do Ministerio Público, vanlfl'
gem inegável diante de um judiciário avesso a qualquer [orma do participa-
Çã0 (135 W535 na fiX&Çã0 dos rumos da instituição, foi fator ponderável iiesfifffi

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A Erica oo PROMOTOR DE Jusrica | 705

ornou su ' ~ .
avanços euââ I _ _ t 3 Cllpula muito vulnerável as postulações da linlia de
frente. Tam m É mis
_ d er €l'lCaI'aI' 0 esvaziamento
- das funções de segundo grau,
esmaecida a atuaçao
_ a Pr0CUI'flCl0f1az Sfi Cütfijada com os poderes atribuídos ao
promotor deJl15UÇf=1- OCOITE com o Ministerio Público uma prática inversão se
comparada com a carreira da Magistratura. No judiciário, em tese a anti uid. -
do era a Obífinçao de ambulçües mms TÊÍCVHHIES. cnqtianto ue no Pai tie
'í.í - - -- ---_. . _ _ __ _
combativo Promotor e usti a ao ser romovido oferece arecercs nos ai
ggm combatividade, 56111 Pl`0lflg0_nismo, numa evidente debilitação de atribiii-
H ú I
o Hflfim
i
Uã .TL L1f_lais__se_m_erecessem
""' _ ' --
o concurso
ííí§
imediato dos
Procuradores para julgar, em lugar de opiiiar?'*°
Outra questão em que a etica teria lugar reservado e O debate sobre a pre-
servação do Quinto Constitucional, modalidade de acesso aos Tribunais que
leva alguns dos mais eminentes membros do Ministerio Público a abandonar a
instituição. Não sem, antes disso, guardadas honrosas exceções se subordinar

0- .yfz-~ .aa ›.rzfr-¢-.zw c __ ,


A postura ministerial mereceria tambem análise etica em relação ao exa-
gerado zelo institucional por conservar faculdades que contribuem para a pro-
crastinação dos processos. i_j\io_1_ri_ria_de,inti__ii_'iaç_ã_o_g;LQ_I\/ljnist_erio Público, qu_£i¡
do arte rivilegiada no crime, a utiliza ão dos r ` ' `
brevidade no trãmite das ações penais, parecem mais resguício de certo coggo-
rativismo do ue inser ão na estrutura ' ` V ` ' '
ara a instituição, exi ível não a enas ara os advo adosf"
A Instituição não se encontra inerte. Muito pelo contrário. A ação civil
pública abriu um campo imenso de atuação para o Ministério Público. Em

__ | 1

-of
I ii Illhliçin-

Jã fiz a sugestão de absorção dos Procuradores pelos Tribunais no livro rebelião


da Ioga, certo de que e apenas material para discussao e reflexão, tal a resistencia a
qualquflr transfmmaçãg em inäiruiçoes já consolidadas, como e O caso do Ministerio
Público no Brasil.
deãl. Quando presidi 0 Extinto Tribunal de Alçada Criminal do Estado de São Paulo, sem
duvida O mejiwr ¡,-íbunaj qm O Bmgil já possuia, tentei, sem exito, obter do Ministerio
Público manifestaçãü verbal nos Habeas Corpus originarios apenas durante a sessão
de julgamemü [550 porque verifiquei que as teses eram sempre as mesmas e que a fala
ministerial não constata da redaÇã0 Original dd Cddlgo de pmceeeo eenel` embem
produzido n O perio' C1 O a moriiário da ditadura Vargas.
_ _ A implementaçao
. _ da reinessa_
d'-DS autos ao MP sobreveio em outro moniento ditatorial, Pfdxêeee eâtl í";?b¶?deeär
me de ÍmPcdir que oludiciário concedeãfifl 11 Ufdem'ddrgu¶ele¡.¡:;dlÍ1dE gas mn C: C
de O TACrim5P se tornar O mais celere tribunal em eƒesa a 1 ` , _ z n-
eeglli convencer o Ministerio Público, Sübffwdü Pefdde de deddrlälcudând dããfdrdde
HC nos moldes em que então funcionava E que “dd me mnete ten e el O me 1 me 0'

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706 l Erica GERAL E i=Roi=issioi~uu.

regra, qualquer Promotor de justiça pode ingressar com uma ação civil públi-
ca.” E elas são muitas. Hugo Nigro Mazzilli fez um levantamento e encontrou
107 ações públicas diferentes, todas de iniciativa do Ministerio Público. São
elas fundadas na Constituição da República, no Códif-50 CÍVÍL U0 Códígo de
Processo Civil, no Codigo de Processo Penal, no Estatuto da Crianiia E do
Adolescente., na legislação trabalhista, na Lei de Registros PübliCOS._. na Lei do
Loteamentos e em leis diversas.”
O Ministerio Público já não e o acusador da ação penal pública incondi-
cionada clássica. Avulta hoje o seu papel de autor, por legitimação ordinária,
por substituição processual, inteiveniente em razão da natureza da lide ou da
qualidade da parte e mesmo reu no Processo Civil. Sempre que houver inte-
resse indisponível ligado a uma pessoa, a uma relação jurídica ou existencia de
um interesse, ainda que não propriamente indisponível, mas suscetível a uma
análise de repercussão social que afete toda a sociedade, legitima-se a parti-
cipação do Ministerio Público no processo cível."'* É importante que a comu-
nidade saiba da obrigatoriedade da ação civil pública por parte do Ministerio
Público. Lembra Hugo Mazzilli que “para o Ministerio Público, há antes dever
que direito de agir. Por isso e que se afirma a obrigatoriedade e a consequente
indisponibilidade da ação pelo Ministerio Público“.*5 Isso não significa que o
Promotor se veja impedido de não propor ação civil pública. A Lei da Ação
Civil Pública o prevê expressamente.”
Muitas as hipóteses em que isso pode se dar. Entre elas: “(a) falta de indis-
ponibilidade total ou parcial do bem em questão, ou falta de expressão social
da lesão; (b) solução extrajudicial satisfatória (v.g., tomada de compromisso
de ajustamento de conduta); (c) ocorrência de hipótese em que a própria lei

42. Lembra Hugo Nigro Mazzilli que a ressalva esta nas ações cíveis cuja iniciativa cai-
ba. POI' HPIESSO. a membros do Ministério Público integrantes de Promotorias dc
justiça especializadas. Exemplo: ação de nulidade de casamento as promotorias dt
família; a ação destinada proteção do patrimonio público e soeial, as promotorias
da cidadania etc. (Hugo Nigro Mazzilli, A deƒesa dos interesses diƒusos em juizo - Meio
ambiente, consumidor; património cultural, patrimonio público e oum-,is imzrgggzg, 25.
ed., São Paulo, Saraiva, 2012, p. 74.
43. idem, p. 75-82.
4-4. Idem, p. 89.
45. Idem, p.91.
_» ®. An. .9.°‹1zi
.
uicv-i.zi
.
7.347¡i9ssz
_
“sz 0 órgão do Ministério Público. esgotadas 10d”
as diligências se convencer da inexistência de fundamento para a propositura da aÇã°
civil, promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das peças iniormau.
vas, fazendo-o fundamentadatriente".

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a Érica oo Paoiaoroa oe Jusriçii | 707

111€ P grmita
ão agir sob critérios
da Existência d dd E Úpüflunidade
- _ _ d) falta de de-
e conveniência;
münsmlç . ., of E am'-" 01-1 risco de dano ou falta de ideniifica ão
do responsavel . De qualquer forma z o M'mistério' - 1Publico
- - está sob controleÇ
da sociedade a que serve. Hugo Mazzilli recorda os d ' ' . _
. . _ . d f
fzgulandade/legitimidade da não propositura da ação Éilffiínfiipíi e a Ínäio
_ . _ .. pu ica e o inis-
uma Pubhco` (al Sob pena de falta funcififlfil. o membro que pronlloveu o ar-
quivamento deve remeter de ofício, no prazo de tres dias, os autos do inquérito
civil GU 35 PÊÇHS dfi informação ao Conselho Superior do Ministerio Público
(nos Estados) ou a uma das Camaras de Coordenação e Revisão (nos ramos do
MÍHÍSIÕTÍÚ Públififi da União), para reexame da decisão de arquivamento' (b)
Como não detém o Ministerio Público legitimação exclusiva para a ação civil
pública, outros colegitimados podem concorrentemente propor a ação que ele
entendeu não devesse ajuizar“.*5
Nesse ponto, seria interessante que o Ministerio Público, apos esse peri-
odo desde 1985 e, notadamente, apos a Constituição, de intenso desempenho
em novas e relevantes funçoes, procurasse disseminar seu know how com a co-
munidade. Ainda e tímida a participação das associações na defesa de valores
esgarçados nesta República de ética em naufrágio. Reconhecida a valia extrema
de seu protagonismo, não é conveniente para a consolidação da Democracia
- e, principalmente, para a edificação da Democracia Participativa prometida
pelo constituinte - que o Ministério Público continue, ad aeternum, como úni-
co tutor desses direitos, interesses e valores.
Outro ponto que estã sendo revisitado e o da responsabilidade do Minis-
tério Público. Nas hipóteses de abuso, erros, omissões ou fraudes, o membro do
Ministerio Público se sujeita ã responsabilização pessoal. Isso na esfera admi-
nistrativa - eticofdisciplinar - civil ou penal. Como existe a distinção e sepa-
ração de esferas, nada impede que a responsabilização seja cumulativa. A res-
ponsabilidade e da pessoa, não da instituição. “A ação ou omissão do membro
do Ministerio Público, mesmo quando ilegais ou abusivas, nunca responsabili-
Zarão o proprio Ministerio Público, que não tem personalidade iuridica e sirrií
Órgão do Estado, Este sim e o responsável pelos atos do Ministerio Publico .
PQ; úlfimo ._ e mm ênfase que não desconhece a dificuldade extrema de se
propor 3 Sério 3 qufi-,tãg _, cumpre repensar a necessidade de continuarem se-
. * ' n
paradas duas insfimiçögs que, unidas, confeririam força nova ao equipame to

47- Hugo Nigro Mazzilli, op. CÍL. P. 97. D da CF . ía d LACP


43_ mem* ibidemi Cimndü an. 9_z› E §§, do LACP e art.l29. § 1. , art a e
art.82 do CDC.
49- Hugo Nigro Mazzilli. UP- CÍÍ-z P- 679'

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708 I Erica ora.-ii E Paorissionxt

público denominado justiça. Em Estados-NflÇã0 mflífi dfiâfinvolvidos, como a


França e a Itália, judiciário e Ministerio Público constituem uma única mag¡5_
tratura. Quando se ameaça de separação o co1'p0 ÚHÍC0 de juíz-P5 É Pmmotoreg
na ltãlia - e cabe lembrar que a famosa oporElÇã0 'P305 llmP“5 [Oi Pmlagonismo
de promotores, não de juizes -, ambas as carreiras nutrem consenso contrário.
Todos os profissionais da Magistratura e do Ministério Público italiano con-
sideram a unificação uma tentativa de se enfraquecer a Justiça. Pois e Óbvio
que muitos dos interessados na perpetuidade de algumas situações injustas se
valem do corporativismo e de certo antagonismo natural entre duas carreiras
tão semelhantes para mamã-las envolvidas em questões particulares e meno-
res. A perda e para a Democracia e para o Estado de Direito. Enquanto isso, a
ilicitude e a corrupção ganham espaço maior para perseverar na desenvoltura
nefasta com que dilapidam valores.
Apego a posturas conservadoras, a preocupação corporativista de preser-
vação de espaços políticos, uma concepção arcaica da expressão autoridade, a
natural resistência ã mudança, tudo impede uma discussão seria tendente a se
encarar a conveniência de unificação das duas instituições. Não se pode deixar
de reconhecer que, eticamente, tal proposta e outras, voltadas ao aperfeiçoa-
mento dos serviços, ã eficiencia do desempenho e ao mais completo atendi-
mento ao interesse público, não podem ser descartadas de plano.
Para terminar e propor uma reflexão ao Ministério Público, nada como
recorrer a ensinamentos provindos de um paradigma do Parquet, que alia sÓ-
lida convicção etica a uma atuação criativa, construtiva e inovadora. Rogério
Schietti Machado Cruz,f'° membro do Ministerio Público Federal desde 1987, foi
Procurador-Geral dejustiça do Distrito Federal e faz uma concitante indagação:
“Como te identificas, Promotor de _|ustiça?”, que produziria enorme benefício,
viesse a ser respondida por todos os membros do Parquet, em todos os niveis.
O questionamento de Rogerio Schietti Machado Cruz se fraciona em inú-
meras perguntas, algumas das quais merecem reprodução:
“És um burocrata encastelado dentro de teus processos, unicamente pro-
ocupado em eliminar papéis, ou te dedicas a procurar a realidade que E165
ocultam?
“Tens consciência do alcance de tua palavra e de tuas ações?
“Promoves 0 quê? Tua particular satisfação ou a Justiça?

50- CUmPfP'm¢ 3 531Í5fflÇã0 do mencionar a feliz escolha do nome do Procurador Rüilén-O


Schietti Machado Cruz para integrar o ST] no ano dg 2013 a representar a sua classe
de origem, o Ministerio Público Federal. Excelente nome: que alia erudiçao a 111113
irrepreensivel consciência ética profission.-,fl_

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A Erica oo Prior-zioroii oe Justiça l 709

“A quem persegues? Ao reu ou ã verdade?


“Serv-es a quem? A ti proprjü au -
z S interesses de uns oucos ou ao bem
cümum? P l

“Usas a lei como ferramenta útil à felizi


, _ dade hum
para aplica-la incondicionalmente? ana` ou a ela te apegas
“Contentas-te em ser apenas um Úperáfio
f a mais na linha de produção,
no procuras des orçar-te para que
_ teu
. tirocinio ju 1-id'ico, tua experiencia e teu
'
poder_ engen , rem uma soluçao mais criativa e intel'igente para o conflito em
que intervens?
“Permites que as emoções momentãneas e oscila
ntes detenninem tuas
açoes, ou colocas a razão como o senhor seguro de teu agir funcional?
“Em tuas elevadas missões,
_ ' rigoroso com os mais fracos e generoso
es
com os 1poderosos,
I i? ou es igualment e austero, porem respeitosa, ' com todos os
que vio am a ei.
“Arrostas os perigos da profissão e te imunizas contra as injunções dos
fortes, ou abres espaço para que te explorem as fraquezas do comodismo?
“lnebrias-te pelo poder e p ela tua autoridade, ou desta e daquele te utili-
zas para prestar teu serviço impessoal e desinteressado?
“imaginas-te, com o açoite de teu pensamento, a destruir opinioes con-
trárias as tuas, ou de tua inteligencia te vales para, convencido do erro alheio,
fazer emergir, pelo saudavel dialogo, a verdade em que acreditas, sem vilipen-
dio e prepotência sobre teu oponente?"'-“
São questões recorrentes e perfeitamente aplicáveis a todos os integrantes
de qualquer carreira juridica, mas destinadas ã meditação do Promotor dejus-
tiça. Autoridade em quem o constituinte mais acreditou quando da elaboração
da Constituição cidadã e que depende de sua convicção e vivência etica para
preservar o elevado acervo de atribuições institucionais e dele se servir para re-
duzir as iniquidades num Brasil de tantos paradoxos e de crescente iniquidade.
Para isso, de prestígio o,M bfiCQ-jÉ.£Ú.33- l`?l.P_ÚlllmÚ _lCJ§P.¡a5¡li
'ndice de CD - la Escola de Direito de São Pau-
lo da Fundação Getúlio Var as, ele qc11pfl_Uf.!l. ¡Êf°Êl_É(Ê_lBgaf;ÊÊsC;éälBl_íld.š:dE
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47% E O Ú Em Segm * ' ico. com 44%. l§lPa_sequencia+lmpL€I1;
es mpresas - , oderludiciario - 34%, Governo

51' Rügtšrio Schietti Machado Cruz, Processo Pfml Pmsadfl É “ditado” P' 13'

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710 rricii oeazii. E Paorissitinat

- 3% Poli 'ia - 31% E`mi_ss_oi;a_sfide_ TV - 29%, Cong_resso_N_a_cjo¿i§j


- 17% e P arti'd os Poiticos
l' ` ~ - 5 %.” E ssap rivile g iada condição conTê`re
_ ___ _ ao Minis.
t no Pu ico maior responsa i i a e ao repensar o seu futuro, para correspon-
der à fidelidade da popu ação ao recon ecer os seus r . jr Ci' W ()‹1¿/,
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- ` 47/51/9:1 "
PARA REFLEXÃO EM GRUPO '¿'°""7ë"^ 7 "K
Como se justifica a circunstância de o Ministerio Público integrar 0
equipamento denominado justiça e estar bem avaliado no ranking de
confiança popular, enquanto judiciário e Policia alcançam indices
inferiores?
O excesso de protagonismo midiático do Promotor de Justiça é fator
de incremento da Democracia ou reflete conduta ética discutível de
quem se serve da exposição da mídia para outros objetivos, entre os
quais perseguir projetos personalistas?
A unificação das carreiras da Magistratura e do Ministerio Público,
exatamente conforme a solução francesa e italiana, serviria melhor à
edificação do Estado de Direito?
O Ministerio Público vem refletindo sobre a redução de suas fun-
ções, ã proporção em que a cidadania vier a se revestir de condições
plenas para a defesa de seus interesses, tomando desnecessária a tu-
tela do Parquet?
A democratização interna do Ministério Público foi implementada
de modo eticamente irrepreensível ou ainda pode ser aperfeiçoada?
O Ministerio Público deveria, efetivamente, assumir o controle ex-
temo da polícia?
Por que o Ministerio Público não pode investigar?
Qual deve ser o parametro do relacionamento do Ministerio Público
com a mídia?
A função de Procurador de Justiça não serviria melhor ã adminis-
tração do justo se reseivasse a maior parte de seus integrantes para
compor os tribunais?
QUHÍS 35 hipóteses que o ordenamento brasileiro prevê de ações civis
públicas de iniciativa do Ministério Público? São suficientes ou 0
legislador atuou com demasia?

.._V Disponivel em: [www.fgv.br/direitogvl, Acesso em; 22_01_2014_

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