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33

MEDIAÇÃO E AUDIOGUIA

visitas mediadas
visitas para pessoas com
deficiência visual
A mediação da 33ª Bienal de São ter, qua, qui, sex e sáb: horários diversos
Paulo – Afinidades afetivas assume Duração: 2 horas
que o estado de atenção prolongada e Agende online com 48 horas
intencional pode contribuir para de antecedência
um encontro significativo entre o
visitante e as obras de arte. Com cadeira de rodas
diferentes formatos de visitas, como Os visitantes que precisarem de cadeira
laboratórios e exercícios de atenção, de rodas devem dirigir-se aos balcões
os trabalhos são apresentados como de atendimento nas entradas da
são, sem a necessidade de que sejam exposição. As visitas com cadeirantes
“decodificados” de acordo com um têm o auxílio de funcionários da Bienal
conjunto predeterminado de questões. para condução nas rampas.

visitas espontâneas
audioguia
Procure os balcões de atendimento
nas entradas da exposição.
ter, qua, qui e sex: 10h, 11h30, 14h e No audioguia da 33ª Bienal, os artistas
16h30 / sáb e dom: a cada 30 minutos utilizam o som e as narrativas como
a partir das 10h até as 17h extensão de suas práticas. Com
Noturnas: qui e sáb: 18h e 20h ​ cerca de 50 faixas, o projeto pode ser
Duração: 1 hora acessado via QR Codes disponíveis
no espaço expositivo, no site e no
visitas agendadas aplicativo mobile da 33ª Bienal, além
Para grupos a partir de 10 pessoas. do perfil da Fundação Bienal no Spotify.
ter, qua, qui, sex e sáb: horários diversos
Duração: 2 horas
playlists
Diverte Cultural +55 11 3883 9090 /
exposicao@divertecultural.com.br
Encontre seleções musicais curadas
visitas em inglês, espanhol pelos artistas da 33ª Bienal no perfil
e libras da Fundação Bienal no Spotify, player
ter, qua, qui, sex e sáb: horários diversos oficial da mostra.
Duração: 2 horas
Agende online com 48 horas
bienal online
de antecedência

app33.bienal.org.br
bienal.org.br
33
FUNDAÇÃO BIENAL DE SÃO PAULO

fundador Evelyn Ioschpe


Francisco Matarazzo Sobrinho Fábio Magalhães
1898–1977 · presidente perpétuo Fersen Lamas Lambranho
Geyze Marchesi Diniz
conselho de administração Heitor Martins
Tito Enrique da Silva Neto · presidente Horácio Lafer Piva
Alfredo Egydio Setubal · vice‑presidente Jackson Schneider
Jean-Marc Robert Nogueira
membros vitalícios Baptista Etlin
Adolpho Leirner João Carlos de Figueiredo Ferraz
Alex Periscinoto Joaquim de Arruda Falcão Neto
Álvaro Augusto Vidigal José Olympio da Veiga Pereira
Beatriz Pimenta Camargo Kelly Pinto de Amorim
Beno Suchodolski Lorenzo Mammì
Carlos Francisco Bandeira Lins Lucio Gomes Machado
Cesar Giobbi Luis Terepins
Elizabeth Machado Marcelo Eduardo Martins
Jens Olesen Marcelo Mattos Araújo · licenciado
Julio Landmann Marcelo Pereira Lopes de Medeiros
Marcos Arbaitman Maria Ignez Corrêa da Costa Barbosa
Pedro Aranha Corrêa do Lago Marisa Moreira Salles
Pedro Paulo de Sena Madureira Miguel Wady Chaia
Roberto Muylaert Neide Helena de Moraes
Rubens José Mattos Cunha Lima Paula Regina Depieri
Paulo Sérgio Coutinho Galvão
membros Ronaldo Cezar Coelho
Alberto Emmanuel Whitaker Sérgio Spinelli Silva Jr.
Ana Helena Godoy de Almeida Pires Susana Leirner Steinbruch
Andrea Matarazzo Victor Pardini
Antonio Bias Bueno Guillon
Antonio Henrique Cunha Bueno
Cacilda Teixeira da Costa
Camila Appel
Carlos Alberto Frederico
Carlos Augusto Calil
Carlos Jereissati Filho
Claudio Thomas Lobo Sonder
Danilo Santos de Miranda
Daniela Villela
Eduardo Saron
Emanoel Alves de Araújo
conselho fiscal
Carlos Alberto Frederico
Carlos Francisco Bandeira Lins
Claudio Thomas Lobo Sonder
Pedro Aranha Corrêa do Lago

conselho consultivo internacional


José Olympio da Veiga Pereira ·
presidente
Susana Leirner Steinbruch ·
vice‑presidente
Barbara Sobel
Bill Ford
Catherine Petitgas
Debora Staley
Eduardo Costantini
Frances Reynolds
Kara Moore
Lonti Ebers
Mariana Clayton
Patricia Phelps de Cisneros
Paula e Daniel Weiss
Sarina Tang

diretoria
João Carlos de Figueiredo Ferraz ·
presidente
Eduardo Saron
Lidia Goldenstein
Flavia Buarque de Almeida
João Livi
Justo Werlang
Renata Mei Hsu Guimarães
Ricardo Brito Santos Pereira
Rodrigo Bresser Pereira
Em 1951, em um Brasil em vias de urbanização, onde os mais
antigos museus dedicados à arte moderna ainda não haviam
completado cinco anos, a 1ª Bienal de São Paulo atraiu 100 mil
pessoas à Esplanada do Trianon. Com obras que influenciaram
profunda e diretamente o rumo que a arte brasileira tomaria a
seguir, a Bienal estabeleceu, já na primeira edição, sua afinidade
com o que há de mais contemporâneo no pensamento e produção
artísticos, assim como sua capacidade de aproximar a arte do
grande público.
Muito mudou na Bienal desde então, como não poderia
deixar de ser. Diversos conteúdos, suportes e linguagens foram
incorporados. Para permanecer pertinente, a estrutura da mostra
teve de se manter maleável, adaptando-se a modelos e formatos
mais adequados ao seu tempo. Nesta 33ª edição, a Bienal continua
a abrir caminho para o novo. Mais uma vez, outra conformação é
experimentada, agora como alternativa ao “sistema operacional”
amplamente adotado nos últimos vinte anos pelas grandes
exposições de arte contemporânea, entre as quais a própria
Bienal se inclui.
A Fundação Bienal, criada em 1962, surgiu com a mesma
vocação inovadora e crítica do evento que motiva sua existência. Ao
longo de quase sessenta anos, também ela assumiu diversos modelos
de funcionamento e gestão, em busca de constante aprimoramento
na realização de sua missão e nos diversos processos necessários
para alcançá-la. O escopo de sua atuação cresceu, assim como seu
alcance. Hoje, a mostra Bienal continua sem dúvida o seu principal
projeto, mas é apenas uma das inúmeras atividades desenvolvidas
pela Fundação Bienal. Dentre elas, destaca-se o seu exitoso
programa de itinerâncias, promovido através de inúmeras parcerias
culturais – em especial com o Sesc São Paulo –, iniciativa que leva a
presença inovadora e transformadora da Bienal para além da capital
paulista e dos limites nacionais.
A 33ª Bienal de São Paulo – Afinidades afetivas não seria
possível sem o apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria
do Estado da Cultura por meio de suas leis de incentivo; da
Secretaria de Estado da Educação; dos patrocinadores master Itaú
e ISA CTEEP; e de todos os nossos patrocinadores, apoiadores
e parceiros, em especial a Prefeitura de São Paulo, a Secretaria
Municipal da Cultura, a Secretaria Municipal da Educação, a
Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e o Parque Ibirapuera.
É na articulação com esses agentes, a comunidade artística e o
público que a Fundação Bienal espera continuar a contribuir para
a formação de uma sociedade aberta ao diálogo e ao novo, cada
vez mais criativa, tolerante e plural.

João Carlos de Figueiredo Ferraz


Presidente da Fundação Bienal de São Paulo
Um novo olhar
Criada em 1951, a Bienal Internacional de São Paulo cumpriu ao
longo de quase sete décadas um papel fundamental no panorama
da cultura e da arte no Brasil. Aproximou milhões de pessoas
da produção nacional e internacional de arte contemporânea,
conectando-as a um universo cujo acesso é normalmente restrito.
Desse modo, realizou de forma exemplar o que quase sempre
se busca com a política cultural. Ampliou o acesso, compartilhou
experiências estimulantes, contribuiu para engrandecer o
repertório de muitas pessoas, movimentou o mundo da arte,
despertou inquietações, provocou o debate, abriu as portas
da percepção.
Agora, em meio à segunda década do século 21, a Bienal
propõe novos desafios: reinventar-se; ressignicar-se. Em um
contexto no qual predominam a aceleração e o excesso, em que
as pessoas são bombardeadas diariamente por um turbilhão
de imagens e informações, a Bienal segue na contramão dessa
tendência. Seus milhares de visitantes terão, em 2018, uma
experiência nova e potencialmente transformadora. Os artistas
passam a ter mais protagonismo em relação ao espaço e à
experiência geral nesta edição da Bienal, em que o curador
compartilhará com sete artistas a tarefa de conceber a exposição.
O foco e a atenção têm prioridade. Sem dispersão. Sem
fragmentação. Mas com a intensidade de sempre. Reinventar-se é
um ato de coragem. Abandonar conceitos tradicionais que um dia
foram revolucionários, navegar contra a corrente, contrapor-se ao
espírito do tempo para valorizar o território da arte…
Não é fácil. Mas é preciso ousar. Parabenizo a organização
da 33ª edição da Bienal por, mais uma vez, apostar na diferença.
“A arte é o exercício experimental da liberdade”, afirmou num
artigo o grande crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981), cuja
obra inspira o título desta edição da Bienal: Afinidades afetivas.
É na arte que encontramos o espaço pleno da liberdade, em que
princípios constitucionais de caráter vital tornam-se objetivos,
concretos, reais. A arte também é economia e desenvolvimento.
Temos enfatizado muito esta dimensão no Ministério da
Cultura. Não custa repetir, pois nem todos se dão conta disso.
As atividades culturais e criativas são vocações deste país e
contribuem muito para a geração de renda, de emprego, de
inclusão e de felicidade. E já são responsáveis por 2,64% do
Produto Interno Bruto brasileiro, por cerca de 1 milhão de
empregos diretos, por 200 mil empresas e instituições e pela
geração de mais de R$ 10,5 bilhões em impostos diretos.
Neste contexto, convido a todos que participam desta edição
da Bienal a refletir sobre uma mensagem simples: a cultura gera
futuro. É o momento de dar à cultura o lugar que ela merece;
de encarar a política cultural como política de promoção do
desenvolvimento que desejamos para nossa sociedade.
Um desenvolvimento que não apenas gera e distribui riqueza,
mas que também transforma, estimula, reinventa e potencializa
os indivíduos e o país – exatamente o que faz a arte, com suas
dimensões simbólica e econômica. E a Bienal de São Paulo
contribui muito para isso. A todos, uma excelente Bienal.

Sérgio Sá Leitão
Ministro da Cultura
Acreditamos que o acesso à cultura é essencial para a
construção da identidade de um país e um dos caminhos para
a promoção da cidadania.
Por isso, apoiamos e incentivamos as mais diversas
manifestações artísticas e culturais e pelo quinto ano consecutivo
patrocinamos a Bienal de São Paulo, a maior mostra de arte
contemporânea do hemisfério sul.
O mundo das pessoas muda com mais cultura. O mundo da
cultura muda com mais pessoas.

Itaú. Feito para você.


Ao promover conexões, aproximamos elementos distantes,
possibilitando seu contato e, muitas vezes, criando algo
transformador. Estabelecer conexões que contribuam para o
desenvolvimento do país e da sociedade é o propósito do nosso
trabalho. Pela infraestrutura da ISA CTEEP trafegam 60% da
energia consumida na Região Sudeste e quase 100% da energia
consumida no estado de São Paulo.
Nossas conexões vão além de interligar, por meio da energia,
diferentes pontos do Brasil: nosso objetivo é conectar pessoas.
Pois somos parte de um todo e por isso queremos deixar um
legado para a sociedade e para as futuras gerações.
Essa preocupação com o desenvolvimento humano se alinha
à parceria de sucesso com a Fundação Bienal para promover o
acesso à arte a um número cada vez maior de pessoas.
A empresa se orgulha de apoiar projetos culturais dessa
relevância, que estimulam a reflexão e a evolução dos cidadãos.

ISA CTEEP
A cultura e a educação formam um binômio indissociável.
Essa ideia está presente na ação de diversas instituições que
têm o campo da arte como foco de trabalho. Assim, reconhecer
o caráter irredutível da arte em relação a outras formas de
conhecimento e de ação passa pela observação de sua capacidade
de operar transformações no cotidiano de pessoas e de
coletividades, explicitando seu potencial educativo.
Com base nessa premissa, o Sesc e a Fundação Bienal de São
Paulo mantêm profícua parceria, fruto da compatibilidade de suas
missões para a difusão e o fomento à arte contemporânea. Nos
últimos anos, essa parceria vem sendo intensificada e ampliada
por meio de ações formativas de curadoria, encontros abertos
com o público, seminários e coprodução de obras, culminando
com a itinerância de trabalhos selecionados por unidades da rede
Sesc no interior e no litoral do estado de São Paulo.
Dar prosseguimento a essa cooperação representa um valor
fundamental do trabalho do Sesc, ligado à continuidade de ações
cuja potencialidade seja explorada diversamente ao longo do
tempo. Apostando em modos de compreensão e de recortes da
realidade que tenham em perspectiva as noções dominantes do
mundo, o objetivo almejado é que os processos de trabalho possam
constituir plataformas permanentes de processos educativos.

Danilo Santos de Miranda


Diretor Regional do Sesc São Paulo
33
Ministério da Cultura,
Fundação Bienal de São Paulo
e Itaú apresentam

33bienal/sp [afinidades afetivas]


7 de setembro – 9 de dezembro de 2018
sumário
16 
afinidades afetivas
gabriel pérez-barreiro [curador]

22  convite à atenção

térreo 30  antonio ballester moreno [artista-curador]

1
36  alejandro corujeira
38  sofia borges [artista-curadora]

2
44  alejandro cesarco [artista-curador]
48  claudia fontes [artista-curadora]
52  lucia nogueira
54  luiza crosman
56  maria laet
58  nelson felix
60  tamar guimarães
62  wura-natasha ogunji [artista-curadora]

3
68  aníbal lópez (a-1 53167)
70  denise milan
72  feliciano centurión
74  mamma andersson [artista-curadora]
78  siron franco
80  vânia mignone
82  waltercio caldas [artista-curador]

+ 88  bruno moreschi

90  lista de artistas e créditos


16

afinidades afetivas
gabriel pérez-barreiro
Em seu romance Afinidades eletivas, de 1809, Goethe conta a
história de um casal burguês cuja vida idílica é perturbada pela
introdução de dois novos personagens em sua relação: a filha
adotiva da esposa e um amigo de infância do marido. Como
costuma acontecer nessas histórias, novas relações são forjadas
para além das convenções sociais da época. Até aí, tudo muito
típico. Contudo, quando os quatro protagonistas estão na vasta
biblioteca desfrutando de uma noite de música e leituras, um
deles pega um tratado científico da estante e lê, em voz alta,
sobre as reações de certos elementos e moléculas, e como
alguns se atraem e outros se repelem, assim como óleo e água.
Goethe parece estar nos convidando a traçar um paralelo entre
as afinidades eletivas do mundo natural e as conflituosas vidas
emocionais e espirituais dos personagens do romance. Se nossos
gostos e afinidades são governados por leis que não entendemos
totalmente, talvez estejamos diante de um sistema de organização
que não é exclusivamente moral ou cultural ou biológico, mas um
estranho amálgama dos três, no qual nossas afinidades, sejam elas
conscientes ou inconscientes, nos conduzem.
Quase um século e meio depois, em um Brasil no limiar de
uma revolução nas artes (reforçada pela criação da Bienal de São
Paulo em 1951), o crítico de arte e ativista político Mário Pedrosa
escreveu sua tese “Da natureza afetiva da forma na obra de arte”. 1
Nesse texto, ele usa a teoria da gestalt para discutir os modos como
o espectador ativamente constrói um entendimento de uma obra
de arte qualquer, estabelecendo um diálogo entre as características
formais da obra e a estrutura psicológica do espectador. A natureza
dialética dessa construção e sua adoção tanto da análise formal
quanto da subjetividade se mostrariam transformadoras para o
desenvolvimento da arte brasileira desde o início dos anos 1950
até o presente. Simultaneamente enfatizando e relativizando
o espectador individual, Pedrosa articulou uma perspectiva
18

profundamente humanista pela qual é possível entender a arte e seus


efeitos (ou afetos, para usar sua terminologia), independentemente
do campo de batalha ideológico dominante no qual uma forma de
arte x é considerada inerentemente superior a uma forma de arte
y. Para Pedrosa, a arte devia ser julgada essencialmente em termos
de sua capacidade de criar uma relação produtiva entre a intenção
do artista e a sensibilidade do espectador. Um dos mais importantes
ativistas políticos do século 20, Pedrosa era também bastante claro
quanto ao potencial revolucionário da arte dentro dessa estrutura de
emancipação individual, resistindo à proposta de uma arte “política”
no âmbito de seus conteúdos narrativos.
Eu diria que as ideias de Goethe e de Pedrosa, aplicadas
à nossa realidade atual, podem oferecer um modo útil e
enriquecedor de pensar os desafios e as contribuições de
uma bienal de arte contemporânea. Será que os conceitos de
afinidade e afeto fornecem uma estrutura ou sistema operacional
diferentes, dentro dos quais é possível organizar uma Bienal?
Para a 33ª edição da Bienal de São Paulo, proponho que a Bienal
centralizada, discursiva e de cima para baixo – que hoje é o
protocolo padrão para as bienais internacionais – possa evoluir
para uma experiência mais diversificada, na qual a hierarquia
entre arte e prática curatorial possa ser repensada. Sendo assim,
convidei sete artistas para compor a equipe curatorial e para
organizar uma exposição independente dentro do pavilhão,
na qual suas próprias obras estivessem incluídas, ao lado das/
dos artistas de sua escolha. Com este modelo, espero mostrar
como os artistas constroem suas genealogias e sistemas para
entender suas próprias práticas em relação às de outros artistas,
permitindo ao mesmo tempo que os temas e as relações surjam
organicamente do processo da feitura da exposição, em vez de
partir de um conjunto prédeterminado de questões. Essa escolha
também reflete um desejo de reavaliar a tradição dos artistas
como curadores, que é uma parte central da história da arte
moderna e contemporânea e também particularmente relevante
no Brasil, onde os artistas há muito tempo organizam suas
próprias plataformas discursivas.2 Cada artista-curador trabalhou
com total liberdade ao determinar a lista de artistas, o projeto
expográfico e a lógica curatorial interna de suas exposições. A
diversidade de metodologias curatoriais resultante é inteiramente
intencional. Além dessas sete exposições coletivas, escolhi
doze projetos individuais de artistas que considero notáveis por
diferentes motivos e que não necessariamente têm uma relação
temática entre si. Desses doze projetos, três são exposições
póstumas de artistas fundamentais dos anos 1990 que não
receberam a atenção merecida na história da arte recente: Lucia
Nogueira, Aníbal López e Feliciano Centurión. Além deles, o
artista Siron Franco participa com uma seleção de sua icônica
série Rua 57 (1987), momento transformador na produção do
artista, e também na história da arte brasileira, em reação a um
acontecimento catastrófico do ponto de vista ambiental e social.
Se uma das críticas ao modelo atual das bienais é que existe
um descompasso entre os princípios discursivos afirmados
e a experiência física efetiva de estar no espaço expositivo,
essa questão deveria estar no centro de qualquer proposta de
renovação. Para a 33ª edição, essa preocupação informa tanto a
distribuição física das obras de arte no pavilhão (baixa densidade
e espaços expositivos claramente demarcados), quanto o
programa educativo. As duas principais bienais brasileiras (a de
São Paulo e a do Mercosul) deram grande prioridade à mediação
e à educação, e, para mim, essa tradição as distingue da maioria
das bienais, nas quais, se essa preocupação existe, geralmente se
situa no nível das boas intenções, e não se reflete em termos de
recursos concretos. Nesta edição, o foco conceitual do programa
educativo é a atenção: como administramos ou não nossa
20

capacidade de concentração àquilo que está à nossa volta. Embora


essa seja uma preocupação antiga, em nossa época a questão da
atenção se tornou especialmente pronunciada. Estamos apenas
começando a entender o impacto catastrófico das mídias sociais
em nossas vidas interpessoais e políticas. A nossa atenção se
tornou o principal produto que as plataformas “livres” tentam
revender, enquanto continuam a seduzi-la em nossas horas de
vigília.3 Aos visitantes da 33ª Bienal serão oferecidos diversos
exercícios ou protocolos, através dos quais poderão experimentar
de modos diferentes a exposição, na tentativa de compensar a
dispersão natural desse tipo de mostra de grande escala. A ênfase
na atenção também se associa à noção de Pedrosa da forma
afetiva, estimulando o espectador a criar sua própria relação com
o objeto e, depois, compartilhar essa experiência com os outros.
O conceito de Afinidades afetivas opera em dois níveis nessa
edição da Bienal. Os projetos dos artistas-curadores demonstram
como os artistas podem fornecer um modelo para pensar um
tipo de relação entre as obras que surge de relações longas e
produtivas dentro do campo em que trabalham. Por outro lado,
ao apresentarmos uma Bienal diversificada e fragmentada, livre
de uma estrutura temática abrangente, o espectador fica livre
para construir sua própria experiência das diferentes propostas,
sem a sensação de que obterá sucesso ou fracasso na medida em
que corresponder ou não a um conjunto de princípios centrais e
declarados. No cerne desta edição há um desejo de reafirmar o
poder da arte como lugar único para concentrarmos a atenção no
mundo e em favor do mundo. Se pudermos pensar na arte e em
suas exposições essencialmente como experiências, e não como
declarações, talvez possamos imaginar uma Bienal em que os artistas,
curadores e espectadores são tratados como iguais, todos capazes
de construir suas próprias afinidades afetivas com a arte e com o
mundo além dela.
1 Mário Pedrosa. “Da natureza
afetiva da forma na obra de arte”
(1949). In: Otília Arantes (org.),
Forma e percepção estética: Textos
escolhidos 2 / Mário Pedrosa. São
Paulo: EDUSP, 1996, pp.105-177.
2 Sobre o artista como curador, ver
Jens Hoffmann (org.) The Next
Documenta Should be Curated by
an Artist. Frankfurt: Revolver,
2004; Elena Filipovic (org.)
The Artist as Curator. Londres:
Koenig Books, 2017. No contexto
brasileiro, estou pensando
em projetos como a revista
Malasartes, e nas experiências
de artistas que deram aulas nos
primeiros anos do Museu de
Arte Moderna do Rio de Janeiro,
assim como em exemplos
contemporâneos como o Projeto
Fidalga e o Pivô em São Paulo,
ou a Escola de Arte do Parque
Lage no Rio, todas experiências
que propõem relações mais
horizontais entre artistas
e curadores.
3 Sobre a atenção e seus efeitos
políticos contemporâneos,
ver Jonathan Crary. 24/7: Late
Capitalism and the Ends of Sleep.
Londres: Verso, 2014 [ed. bras.:
24/7: Capitalismo tardio e os fins
do sono, São Paulo: Ubu, 2017,
tradução de Joaquim Toledo Jr.],
e John Lanchester, “You Are the
Product”. London Review of Books.
vol. 39, n. 16, agosto de 2017,
pp.3-10.
22

convite à atenção
Os exercícios de atenção aqui apresentados são práticas
concentradas no contato entre uma pessoa, ou um grupo de pessoas,
e uma obra de arte. Eles oferecem uma estrutura que organiza
esse contato, sem predeterminar o resultado. Constituem um
tipo de mediação que enfatiza a abertura ao que possa emergir da
experiência de dedicar atenção a uma obra de arte por um tempo
prolongado. Apresentamos aqui três propostas de atividades, que
fazem parte da publicação educativa. A versão integral pode ser
acessada em 33bienal.org.br.

Cada exercício compõe-se de quatro etapas:


1. encontrar uma obra / 2. dedicar atenção a ela /
3. registrar a experiência / 4. compartilhá-la

como utilizar

modo individual
• Deixe seu celular no modo avião.
• Escolha uma das propostas nas páginas seguintes.
• Providencie um marcador de tempo para a realização da etapa 2.
• Mantenha-se em silêncio, a menos que as instruções
indiquem o contrário.

modo coletivo
• No uso coletivo, uma pessoa deve assumir a mediação.
• Oriente os participantes a deixarem o celular no modo avião
e a se manterem em silêncio, a menos que as instruções
indiquem o contrário.
• Providencie um marcador de tempo para a realização da etapa 2.
• Reúna o grupo e apresente a proposta do exercício.
• Ao final, realize a etapa 4.
24

encontrar uma obra

Até o encontro, há um caminho a ser percorrido.

Observar seus passos, suas escolhas, o que está


à sua volta. Se desejar, peça a alguém que lhe indique
uma obra.

dedicar atenção

5 min: Investigar a obra: o que é?

5 min: Desviar-se da obra e desfazer os pensamentos e


as sensações anteriores, caminhando livremente.

5 min: Retornar à obra e perguntar do que ela necessita.

registrar a experiência

Afastar-se da obra. Recolher-se por alguns minutos.

O que seu corpo quer depois da experiência que você


teve com a obra? Reconhecer esse desejo e guardar
essa sensação.
encontrar uma obra

Até o encontro, há um caminho a ser percorrido.

Observar seus passos, suas escolhas, o que está à sua


volta. Deixar-se fisgar pela obra.

dedicar atenção

5 min: Investigar a obra generosamente.

5 min: Observar seu corpo e sua respiração diante da


obra. Perceber como você se comporta.

5 min: Retomar a atenção à obra.

registrar a experiência

Afastar-se da obra. Recolher-se por alguns minutos.

Fechar os olhos. Rememorar a experiência que você


teve com a obra. Abrir os olhos. Registrar aquilo que
você viu com os olhos fechados.
26

encontrar uma obra

Até o encontro, há um caminho a ser percorrido.

Observar seus passos, suas escolhas, o que está à sua


volta. Arriscar-se a escolher a obra que mais desafie você.

dedicar atenção

5 min: Investigar a obra generosamente.

5 min: Perguntar a ela sobre suas memórias:


Como ela foi feita? Por onde passou?

5 min: Agora, reconhecer o que há de você nela.

registrar a experiência

Afastar-se da obra. Recolher-se por alguns minutos.

Com base na experiência que você teve com a obra,


anotar em uma folha de papel o que ela te fez sentir.
compartilhar

Escolher uma das propostas de compartilhamento


ou criar uma nova proposta.

modo individual
• Com base em seu registro, conversar com alguém
sobre o que você vivenciou durante o exercício.
• Compartilhar seu registro em exercicio33.org.br.
Nesse site, você terá contato com os registros de
outras pessoas.
• Presentear-se com o registro e escolher um lugar
para guardá‑lo. Reencontrá-lo depois de um mês.
• Convidar um grupo e realizar o exercício de atenção
no modo coletivo.

modo coletivo
• Reunir o grupo e relatar como foi a sua realização
da etapa “Encontrar uma obra”.
• Orientar a cada pessoa do grupo que relate
a realização das etapas “Dedicar atenção” e
“Registrar a experiência”.
• Organizar a ordem das falas, assegurando
que todos se escutem e que a palavra circule
sem hierarquias.
• Evitar que os participantes se interrompam.
• Garantir que os relatos não sejam discutidos ou
comentados antes que todos terminem.
QV

p.30  antonio ballester moreno [artista-curador]


p.30

T
30

antonio ballester moreno [artista-curador]


madri, espanha, 1977.
vive em madri

sentido/comum

Somos todos diferentes. Cada um vê o mundo de uma


forma distinta.
Cada vez que nos movemos, o fazemos com nosso mundo.
O que nos rodeia a cada momento é parte de um universo
particular que se move conosco. O ambiente faz o mundo.
Dito isso, e consciente da infinidade de linguagens
que se apresentam no também particular mundo da arte,
tratamos aqui daquilo que nos une, uma experiência comum
em que compartilhamos os costumes mais básicos de nossa
própria natureza e da natureza que nos rodeia, e da qual
inevitavelmente somos parte.
Recuperar a continuidade entre a experiência estética e
os processos naturais da vida para dissolver o pensamento
dualista – a arte culta versus a popular, o estético em contraste
com o prático, o artista em oposição às pessoas supostamente
“normais” – implica em aceitar a separação entre as coisas e as
pessoas, os pensamentos e os sentimentos, a humanidade e a
natureza, o eu e o mundo.
Todas as vidas, sem exceção, são criativas, e o fim de toda
criação não é a verdade pura do conhecimento em si, mas
simplesmente melhorar a existência.
Porque ver as coisas unidas, em sua infinita diversidade, é
mais enriquecedor e satisfatório. [ABM]
artistas participantes:
alberto sánchez / andrea büttner / 
antonio ballester moreno / 
benjamín palencia / friedrich fröbel / 
josé moreno cascales / mark dion / 
matríztica (humberto maturana
e ximena dávila) / 
rafael sánchez-mateos paniagua
32

antonio ballester moreno, lluvia [chuva], 2016 / antonio ballester


moreno, sol (negativo), 2016 / benjamín palencia, arquitectura sensible
[arquitetura sensível], 1931 / friedrich fröbel, the second gift [o segundo
dom], c. 1890
andrea büttner, untitled (pink-blue) [sem título (rosa-azul)], 2017
p.38

p.36  alejandro corujeira


p.38  sofia borges [artista-curadora]
p.36

1
36

alejandro corujeira
buenos aires, argentina, 1961.
vive em madri, espanha

Eu gostaria que os materiais que utilizo, tanto a madeira quanto o


cobre do solo, atuassem como materiais de modulação afetiva, de
forma que as pessoas se encontrem em relação direta com eles.
Considero o desenho a semente, o germe de qualquer atividade
artística. Para mim, desenhar pode ser, inclusive, caminhar de
um lugar até outro. Esse trajeto pode se manifestar como um
percurso de desenho. É uma atividade de contemplação que leva,
implicitamente, a uma atitude respiratória, uma meditação.
Há momentos em que acho difícil falar, pois não quero
carregar o espectador com um conceito que anteceda seu
encontro com a obra. Sempre penso que esse encontro deve se
dar a partir de um lugar mais despido, de contemplação. Um
lugar no qual os olhos de quem contempla estejam um pouco
calados, silenciados de conceitos, para que possa surgir, daí,
uma experiência inédita. [ACo]

los ojos callados [os olhos calados], 2018. detalhe


38

sofia borges [artista-curadora]


ribeirão preto, sp, brasil, 1984.
vive em são paulo, sp, brasil, e paris, frança

a infinita história das coisas ou


o fim da tragédia do um

O fogo o fogo o lindo fogo. O branco o puro branco.


O fulguroso intacto diferente incontornável.
O infinito do tudo era um só. A junção do sentido era um
círculo. O vazio do vazio era inteiro. A porta do fim não fechava.
E no aberto não cabia mesmo o um. Porque o vão entre o tudo
era um ovo. A luz que emitia era um vaso. E o ausente que havia
era um só. A verdade não continha o presente. O passado um
uníssono sim. O equívoco era uma espécie de antigo. A floresta
era uma forma de medo. E a palavra só sabia o maior. O dourado
não era sequer existente, já que sabia, a si mesmo, ser sem fim.
Onde tudo cabia sem forma. O lugar do sem fim era um só. O
círculo era sempre uma reta. E a volta era só o início. Cada coisa
que havia era o tudo. E a verdade sequer sabia seu som. Assim,
tudo podia mudar. Era um fogo brilhante.
Ali no meio das coisas onde o inverso persiste. No meio das
coisas onde o inverso persiste.
Nunca se encontra.
O tênue rasgo do real.
É um em si, não por opacidade. [SB]
artistas participantes:
adelina gomes / ana prata / 
antonio malta campos / 
arthur amora / bruno dunley / 
carlos ibraim / jennifer tee / 
josé alberto de almeida / 
lea m. afonso resende / 
leda catunda / martín gusinde / 
rafael carneiro / sara ramo / 
sarah lucas / serafim alvares / 
sofia borges / sônia catarina
agostinho nascimento / 
tal isaac hadad / thomas dupal / 
tunga / outros artistas serão
incluídos ao longo da exposição
40

tunga, the bather [o banhista], 2014 / jennifer tee, da série ether plane
– material plane, abstraction of a shape, form or presence [plano etéreo
– plano material, abstração de formato, forma ou presença], 2016
sarah lucas, silver hippie [hippie prateado], 2016 / sofia borges, véu, 2017
p.48 p.56

p.54

p.58 p.52

p.44  alejandro cesarco [artista-curador]


p.48  claudia fontes [artista-curadora]
p.52  lucia nogueira
p.54  luiza crosman
p.56  maria laet
p.58  nelson felix
p.60  tamar guimarães
p.62  wura-natasha ogunji [artista-curadora]
p.62

p.44

p.60

2
44

alejandro cesarco [artista-curador]


montevidéu, uruguai, 1975.
vive em nova york, ny, estados unidos

aos nossos pais

Aos nossos pais é uma dedicatória, uma oferenda, uma forma


de tratamento, uma definição de público. É o reconhecimento
do passado, e de sua contínua presença no presente. Dedicar a
exposição a uma relação primordial (biológica ou adotiva, literal ou
metafórica) é um modo de construir uma genealogia e de tentar se
aproximar do cerne de nossos entendimentos, métodos, inibições,
possibilidades, expectativas etc.
Algumas das perguntas postas pela exposição são como o
passado (nossa história) ao mesmo tempo permite e frustra
possibilidades, como reescrevemos o passado com nosso trabalho
e como a diferença é produzida na repetição. De modo geral,
a exposição chama a atenção para as estruturas que permitem
certas narrativas e silenciam outras.
O trabalho de ressignificar e repetir ao reapresentar, reajustar
e reafirmar é abordado de diversas maneiras pelos artistas de
diferentes gerações incluídos na exposição. O impulso de deslocar
ou recontextualizar implica certas investigações sobre as políticas
cultural e estética. Uma rosa é uma rosa é uma rosa, até que deixa
de ser. [AC]
artistas participantes:
alejandro cesarco / andrea büttner / 
cameron rowland / henrik olesen / 
jennifer packer / john miller / 
louise lawler / matt mullican / 
oliver laric / peter dreher / 
sara cwynar / sturtevant
46

sturtevant, warhol flowers [flores de warhol], 1970 / louise lawler,


still life (candle) (traced) [natureza morta (vela) (traçado)], 2003/2013 /
jennifer packer, say her name [diga o nome dela], 2017
alejandro cesarco, learning the language (present continuous ii)
[aprendendo a língua (presente contínuo ii)], 2018. still de vídeo
48

claudia fontes [artista-curadora]


buenos aires, argentina, 1964.
vive em brighton, reino unido

o pássaro lento

O Pavilhão Ciccillo Matarazzo é um ponto de encontro de vida


humana e não humana, cada uma com sua temporalidade e seus
modos, quase opostos, de estar no mundo. Essa exposição toma
essa polaridade como premissa e propõe a imagem do pássaro
lento como um antídoto ao ideal de velocidade que o edifício
representa, com a ambição de gerar condições de observação
que atraiam e retenham a leitura atenta do visitante. O pássaro
lento não funciona em nossa exposição como um tema ou ideia
a ilustrar, e sim como uma figura ambígua oferecida como
território comum a partir do qual os artistas convidados iniciaram
processos criativos únicos e diversos entre si. Acompanha as
obras um conto policial no qual se desvelam aspectos do voo
curatorial do pássaro lento: considerar o espectador como leitor,
o curador como tradutor, o fato artístico como evidência de um
enigma, e a certeza de que esse enigma tem tantas possibilidades
de resolução quanto leitores. [CF]
artistas participantes:
ben rivers / claudia fontes / 
daniel bozhkov / elba bairon / 
katrín sigurdardóttir / 
pablo martín ruiz / 
paola sferco / roderick hietbrink / 
sebastián castagna / 
žilvinas landzbergas
50

žilvinas landzbergas, hidden sun [sol oculto], 2018. still de vídeo /


paola sferco, la respuesta de las cosas [a resposta das coisas], 2018.
still de vídeo / katrín sigurdardóttir, content [conteúdo], 2018
roderick hietbrink, the living room [a sala de estar], 2011. still de vídeo /
claudia fontes, nota al pie [nota de rodapé], 2018
52

lucia nogueira
goiânia, go, brasil, 1950 – londres, reino unido, 1998

Embora tenha nascido no Brasil, Lucia Nogueira desenvolveu


sua carreira em Londres, Inglaterra. Estudou na Chelsea College
of Art e na Central School of Art and Design e teve participação
relevante na cena artística londrina dos anos 1990. Viveu na
cidade até sua morte prematura, aos 48 anos.
Em suas obras, a artista usa objetos cotidianos para criar uma
sensação inquietante de suspensão e estranheza. Ao combinar e
confrontar móveis, engradados, tubos plásticos e vidros, provoca
diálogos misteriosos e envolventes, que parecem oferecer mais
perguntas que respostas. Como brasileira radicada em Londres,
ela fala da noção de deslocamento e dos questionamentos
que resultam de viver em uma cultura diferente, situação em
que o cotidiano e o óbvio podem se tornar desconcertantes.
Talvez por ser uma consequência desse deslocamento, a língua
é uma referência central em seus trabalhos; os títulos em inglês
geralmente jogam com duplos sentidos e com as idiossincrasias dos
termos gramaticais da língua.
Apesar de ter sido valorizada e respeitada como membro da
cena artística britânica – uma “artista de artistas” –, Lucia Nogueira
ainda é relativamente desconhecida no Brasil. Esta seleção de
alguns de seus trabalhos mais icônicos pretende apresentar sua obra
ao público de seu país, na esperança de criar uma nova relação com
a história da arte brasileira recente.[GPB]

full stop [ponto final], 1993


54

luiza crosman
rio de janeiro, rj, brasil, 1987.
vive em gante, bélgica, e rio de janeiro

Vou partir dessa imagem, a trama, pois ela já configura uma relação:
práticas que vêm de diferentes direções, possibilidades especulativas
que podem ou não ter continuidade e que, em algum momento, se
entrelaçam, e depois seguem suas próprias direções. O TRAMA pensa
práticas que são instituintes, mas não precisam permanecer atadas.
E aí entram as colaborações com a Zazie Edições, Pedro Moraes
e Negalê Jones. A ideia de colaboração, aqui, não envolve apenas
a reunião de uma série de pessoas em um projeto, é como uma
maximização de efeitos para dar conta de uma questão de escala.
Uma Bienal pode instituir práticas que têm tamanho, mas, não
necessariamente, escala; enquanto práticas de espaços menores podem
não ter tamanho, mas vir a adquirir escala. Ou seja, podem produzir
efeitos para além delas mesmas, ou que não se encerram no espaço
expositivo. Dito isso, um dos objetivos era justamente recalibrar a
escala da Bienal para uma potência que ela pode ter, por exemplo, de
ser uma ferramenta de imaginação política de operações institucionais.
O que me interessa é entender que já existem esforços nesse
sentido, e distribuir os recursos da Bienal para determinadas
iniciativas externas a ela. Uma colaboração que passa por várias
camadas no mundo da arte, entre artistas, arquitetos, editores,
advogados, produtores e por aí vai. Então é, de certa forma, uma
dissolução da figura ou da ideia do/a artista que age sozinho/a, ou
que impulsiona, sozinho/a, uma transformação no mundo. [LC]

trama, 2018. esboço de feitiço n.1


dar forma ao sistema

megaestrutura

s
ta
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um espaço de arte
ndir
si
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economia moral
56

maria laet
rio de janeiro, rj, brasil, 1982.
vive no rio de janeiro

Identifico-me e me encanto por coisas que vivem mais em


silêncio, que acontecem sem ser tão notadas, em paralelo a um
mundo que fala mais alto. É um processo intuitivo, como se esse
universo me chamasse para o diálogo.
Quando eu vim ao Pavilhão da Bienal, me impressionou o
vazio imenso criado pela arquitetura que se impõe, tão forte. E
justamente por ser tudo tão grande e importante, minha atenção
se voltou ainda mais para as sutilezas desse espaço vazio, o que há
de mais frágil e silencioso naquele contexto, o que não está sendo
visto. O contraste entre esses mundos, e onde eles se encontram,
é muito potente para mim.
Eu acho que a atenção no meu trabalho tem muito a ver
com um pensamento que vaga, um devaneio. Aonde você vai
encontrar o que te toca, sem procurar. É um tipo de atenção que
se deixa encontrar. [ML]

abismo das superfícies ii, 2018. still de vídeo


58

nelson felix
rio de janeiro, rj, brasil, 1954.
vive em nova friburgo, rj, brasil

A escala deste trabalho é composta de três momentos: o primeiro, uma


ação em dois pontos da América e, por isso, continental; depois, uma
peça sintética colocada em um espaço externo na cidade de São Paulo;
e, por último, como efeito de tudo isso, em espaço interno, a série de
esculturas realizadas para o prédio da Bienal.
Minha percepção de espaço expositivo se caracteriza por um
emaranhado de questões, muitas vezes díspares, esquizofrênicas
até. O que tenho como espaço, hoje, engloba a poesia e o desenho.
Nesse sentido, uso esculturas, objetos, fotografias, ações, coordenadas
geográficas, ou mesmo deslocamentos, para construir uma ideia de
espaço que, muitas vezes, não recorre só ao local imediato da obra
instalada, mas também ao próprio espaço global. Sua natureza não é
puramente concreta; sua base é poética. Sua referência não se baseia
unicamente na dimensão métrica. Está carregada de percepções,
significados, história, sentimentos, desejos, memórias. Um esforço se
faz necessário por parte do observador. A obra requer tempo para que
você possa tatear e começar a ver sua estrutura.
Nesse trabalho, fui a dois lugares na América: Anchorage, no
Alasca, e Ushuaia, na Argentina, “o início e o fim” de duas cordilheiras
que considero uma: a soma das Montanhas Rochosas e dos Andes. Eu
as vejo, poeticamente, como uma coluna vertebral do globo terrestre.
Nesse exagero de elementos articulados nasce uma noção de paisagem,
uma noção de espaço em que se mesclam espaço natural, operações
poéticas e espaço construído. [NF]

esquizofrenia da forma do êxtase, 2017-2018


60

tamar guimarães
viçosa, mg, brasil, 1967.
vive em copenhague, dinamarca

Eu cresci em Belo Horizonte, e o que havia lá eram cineclubes.


Minhas referências foram documentários subjetivos, o cinema verité
[verdade], ensaios, cinema experimental e autoral. Gosto de ensaios,
pela tensão entre repetição e diferença, pelo estado de espera por
aquilo que você já conhece, mas que vem potencialmente renovado
por mudanças internas de relações entre as partes. Por causa dessa
obsessão por ensaios, eu procurava um texto para um ensaio a ser
filmado, e queria trabalhar com um texto que falasse de um modo de
ser e estar no Brasil. Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado
de Assis, me cativou muito porque há um ceticismo em relação ao
progresso e uma leitura crítica afiada sobre a sociedade brasileira.
Em 1880, oito anos antes da abolição da escravidão no Brasil, ele teve
a clareza de dizer que “aqui vai haver a abolição da escravidão, mas
a estrutura básica da sociedade não vai mudar”. Queria trabalhar
com uma leitura do livro, assim como com a problemática de como
você adapta um texto, se você adapta ou não, e o que faz com as
diferenças de contexto e a passagem do tempo. Partes do roteiro foram
sugeridas e, às vezes, escritas por pessoas que estão dentro do elenco
e da equipe de produção do filme, principalmente entre os atores
não profissionais. A produção do roteiro fez parte de uma conversa
com o elenco de atores não profissionais, e pessoas em seu entorno,
que durou muitas semanas. Nos ensaios, houve uma tentativa de
estabelecer um processo de escuta e de escrita, uma escrita a várias
mãos. [TG]

o ensaio, 2018
um filme de / a film by Tamar Guimarães

O ENSAIO
Seria um evento ímpar… O caixão, o defunto falante, o emplastro, os soluços das amantes,
as falas baixas dos homens, o barulho da chuva nas folhas da moita…

com / with Isabél Zuaa, Germano Melo, Camila Mota, Julia Ianina, Kelner Macêdo, Silvio Restiffe, e convidados / and guests  direção de fotografia / 
cinematography Bárbara Alvarez  trilha sonora original / original soundtrack Arto Lindsay  roteiro / script Tamar Guimarães, Melissa de Raaf e
Lillah Halla, com a colaboração do elenco e equipe / with the collaboration of cast and crew
62

wura-natasha ogunji [artista-curadora]


st. louis, mo, estados unidos, 1970.
vive em lagos, nigéria

sempre, nunca

ruby onyinyechi amanze, Nicole Vlado, Youmna Chlala, Lhola


Amira, Mame-Diarra Niang e Wura-Natasha Ogunji apresentam
novos trabalhos que exploram o espaço e o lugar em relação ao
corpo, à história e à arquitetura. Suas investigações criativas
abrangem do íntimo (corpo, memória, gesto) ao épico (história,
país, cosmos). Desenvolvidos em um diálogo aberto entre artistas,
seus projetos individuais e práticas entrecruzam ideias e questões
sobre coragem, liberdade e experimentação, aspectos centrais
do processo artístico. Em suas práticas criativas, elas aceitam e
exploram o desconhecido: a fissura, a falha, o nó, a costura, a
espinha, a fresta, a dobra, a aparência, o não território. amanze
cria desenhos em papel que se dobram, suspendem e avançam
no espaço. Vlado, artista e arquiteta, concentra-se em captar as
superfícies dos corpos, os entornos construídos, e os espaços
entre eles. As Appearances [Aparições] de Amira invocam o
passado e o futuro. Chlala considera a espinha uma representação
da conexão entre presciência e memória. As videoinstalações
de Niang constituem ao mesmo tempo territórios novos e não
territórios. Os desenhos de Ogunji, bordados dos dois lados da
folha, revelam uma beleza misteriosa em seu avesso. São essas
fissuras que se tornam terreno fértil para experimentações e um
profundo respeito por tudo o que elas não conhecem. [WNO]
artistas participantes:
lhola amira / 
mame-diarra niang / nicole vlado / 
ruby onyinyechi amanze / 
wura-natasha ogunji / 
youmna chlala
64

lhola amira, lagom: breaking bread with the self-righteous ii [lagom:


partindo o pão com os hipócritas ii], 2017 / mame-diarra niang, since
time is distance in space [uma vez que o tempo é distância no espaço],
2017. performance
youmna chlala, loveseat process 10 [processo para namoradeira 10],
2018 / wura-natasha ogunji, desenho de projeto, 2018 / nicole vlado,
registro de pesquisa, 2018 / ruby onyinyechi amanze, bird dance #1
[dança dos pássaros #1], 2018
p.70 p.78
p.74

p.80
p.82
p.68 p.72

p.68  aníbal lópez (a-1 53167)


p.70  denise milan
p.72  feliciano centurión
p.74  mamma andersson [artista-curadora]
p.78  siron franco
p.80  vânia mignone
p.82  waltercio caldas [artista-curador]
3
68

aníbal lópez (a-1 53167)


cidade da guatemala, guatemala, 1964 – 2014

Aníbal López, ou A-1 53167 (número de seu documento de


identidade), foi pioneiro da performance de inspiração política,
embora sua produção cubra todo um espectro de práticas
experimentais. A obra de López desconstrói os diversos rituais e
crenças que governam nossa vida cotidiana, desestabilizando-a
(com uma tonelada de livros em uma avenida movimentada), ou
levando convenções tácitas ao limite do ridículo (ao permitir apenas
a entrada de “pessoas bonitas” em uma abertura de exposição).
A obra de López é permeada por um profundo compromisso
com a ética e um desejo de desmascarar todo tipo de hipocrisia.
Trabalhando em um contexto extremamente violento na Guatemala,
muitas vezes abordava os temas mais difíceis daquela sociedade,
do genocídio dos povos indígenas por militares à proliferação de
sicários, ou matadores de aluguel, um dos quais o artista levou para
ser entrevistado pelo público em um evento de arte na Alemanha.
López também direcionou seu olhar crítico preciso para o mundo da
arte e seus rituais, questionando como os valores são determinados e
como a arte se relaciona com a economia. Em um de seus trabalhos
mais icônicos, El préstamo [O empréstimo], o artista narra como
assaltou, com uma arma, um senhor na Cidade da Guatemala para
financiar a produção de uma exposição sua em uma galeria. Essa
convergência de arte, economia e crime percorre a produção do
artista. Apesar de sua morte abrupta, López continua sendo uma
figura central e uma inspiração para toda uma geração de artistas,
principalmente na América Central. [GPB]

guardias de seguridad [guardas de segurança], 2002. registro de ação


70

denise milan
são paulo, sp, brasil, 1954.
vive em são paulo

Eu fui olhando as pedras cada vez mais como seres humanos,


porque elas tinham formas humanas. E quanto mais fui olhando
para isso, para sua narrativa, mais elas foram me contando.
Fui encontrando testemunhos da analogia entre o ser humano
e a pedra, e do quanto, no fundo, a gente foi imaginado pela
Terra. Temos uma ilusão tão grande de ser um objeto separado.
Acho que é o que entristece o ser humano: ele esqueceu que foi
imaginado, que faz parte da imaginação da Terra.
Se você se sentar de frente para uma pedra, ela vai narrar
a história dela pra você. E quanto mais você senta e escuta, é
extraordinário, porque ela está falando da criação da Terra, mas
também de sua conexão com o universo, porque a Terra faz parte
do trajeto do universo. Então, imediatamente você deixa de ser
um ser isolado e se torna um ser que pertence a um discurso
telúrico, do sistema solar, do universo, dos sistemas maiores. Não
o sistema econômico. Um sistema de outra dimensão. [DM]

quartzotekário xiv, 2018


72

feliciano centurión
san ignacio, paraguai, 1962 – buenos aires, argentina, 1996

Nascido no Paraguai, Feliciano Centurión foi um artista


fundamental na renovação artística ocorrida nos anos 1990 em
Buenos Aires, em torno do Centro Cultural Ricardo Rojas. Os
artistas dessa geração exploraram a subjetividade de diversos
modos, muitas vezes incorporando elementos da cultura popular
que anteriormente seriam considerados kitsch ou inapropriados.
A obra de Centurión se caracteriza pelo uso dos tecidos e
do bordado, campos de criação femininos por tradição e que
são centrais na cultura paraguaia desde a Guerra da Tríplice
Aliança (1864-1870), ou Guerra do Paraguai, quando o país
perdeu noventa por cento da população masculina. Os primeiros
trabalhos de Centurión costumavam apresentar retratos
extravagantes de animais, pintados em cobertores baratos. Ele
também fez uma série de tecidos bordados, nos quais expressava
desejos ou vontades, quase como um diário íntimo. Quando foi
diagnosticado como HIV positivo, começou a relatar aspectos
de sua doença nas obras, culminando na série de travesseiros
apresentados no final dessa exposição. O uso do sentimento
e das linguagens visuais tradicionalmente femininas colocam
Centurión no contexto de artistas que começaram a explorar
gênero e sexualidade ao longo dos anos 1990. Embora sua
carreira tenha sido tragicamente curta, ele continua sendo
uma figura central, mas pouco reconhecida, da história da arte
contemporânea recente. [GPB]

cordero sacrificado [cordeiro sacrificado], c. 1996


74

mamma andersson [artista-curadora]


lula, suécia, 1962.
vive em estocolmo, suécia

stargazer II

A arte é uma linguagem visual. Pode ser encontrada em um


museu, uma igreja de pedra do século 13, uma revista de histórias
em quadrinhos, ou em um filme de 1912 estrelado por baratas.
A arte pode ser educativa, criada segundo regras, ou aprendida
de forma independente. Seja como for, é absolutamente essencial
para a vida.
Interessam-me sobretudo os artistas solitários, que encontram
sua voz em uma expressão única e própria. Esses artistas são,
muitas vezes, marginais natos, embora alguns tenham se tornado
marginais com o tempo.
Os artistas que apresento aqui são todos diferentes uns
dos outros, ainda que, para mim, estejam todos conectados.
Todos foram cruciais para o meu próprio processo criativo, em
diferentes etapas da minha vida.
O foco principal é a pintura, uma vez que sou pintora. Mas,
se me sinto tocada por uma obra de arte, não importa se é peça
sonora, filme, fotografia, escultura ou desenho.
As obras de minha autoria que incluí na exposição foram
feitas nos últimos oito anos. Eu as escolhi pensando nas outras
obras expostas aqui, por sentir que conversam com elas. [MA]
artistas participantes:
åke hodell / bruno knutman / 
carl fredrik hill / dick bengtsson / 
ernst josephson / gunvor nelson / 
henry darger / ícones russos / 
ladislas starewitch / lim-johan / 
mamma andersson / miroslav tichý 
76

miroslav tichý, sem título, s.d. / carl fredrik hill, utan titel (gran vid
vattenfall) [sem título (pinheiro e cachoeira)], 1883-1911 / mamma
andersson, stargazer [observador de estrelas], 2012
gunvor nelson, my name is oona [meu nome é oona], 1969. still de
vídeo / ladislas starewitch, la revanche du ciné-opérateur [a revanche
do cinegrafista], 1912. still de vídeo
78

siron franco
goiás velho, go, brasil, 1947.
vive em aparecida de goiânia, go, brasil

Em setembro de 1987, um catador de sucata em Goiânia


encontrou uma máquina de raio X abandonada em um terreno
baldio na rua 57 do Bairro Popular. Quando abriu parte da
máquina, encontrou uma cápsula de césio 137, substância
altamente radioativa usada para fins terapêuticos e que deveria
ter sido descartada profissionalmente, e não jogada no lixo
comum. Ignorando suas propriedades letais, o catador ficou
fascinado com a substância, que brilhava no escuro, e a levou para
casa, onde a mulher e a filha brincaram com ela. Em 24 horas,
diversas pessoas adoeceram gravemente. Assim que a causa foi
identificada, foi declarado estado de emergência nuclear em
Goiânia, o mais grave depois de Chernobyl. A cidade inteira ficou
em quarentena. O artista Siron Franco, que cresceu a poucos
quarteirões do local do acidente, voltou a Goiânia na época e
começou a produzir uma série de desenhos para registrar as
imagens chocantes do desastre. Uma seleção de obras dessa série,
chamada Rua 57, está exposta nesta sala, ao lado das pinturas
que o artista fez em homenagem às quatro primeiras vítimas da
catástrofe e de uma seleção de materiais da imprensa da época.
Naquela ocasião, Siron Franco era um dos mais bem-sucedidos
jovens artistas brasileiros. A série Césio marcou uma mudança
dramática em sua linguagem e em seu comprometimento político
com as realidades do Brasil contemporâneo e representa uma
grande afirmação do potencial da arte para registrar e comentar
tragédias humanas e sociais. [GPB]

terceira vítima, 1987


80

vânia mignone
campinas, sp, brasil, 1967.
vive em campinas

Meu trabalho de desenho e pintura tem uma enorme influência


da música popular brasileira. Achava a música que eu ouvia tão
linda que precisava fazer algo, dentro dos meus recursos, que
fosse tão bom quanto. E isso envolve também algo que a música
tem: diferente do desenho e da pintura, ela entra por todos os
lados. Você sente.
Para mim, essa série de pinturas é como se fosse uma emoção
baseada em certos contextos do dia a dia, em informações, coisas
que li, aprendi, escutei, e que se juntam e me fazem produzir um
grupo de trabalhos. São individuais, mas vêm todos dentro de uma
mesma ideia. Então não é exatamente uma série. É o resultado
de um período. Tem alguma coisa muito rápida, um ar de que
existiria uma sequência entre eles. Existe uma ideia de história em
quadrinhos, de filme, de que todos eles têm um começo, um meio
e um fim. Não têm, mas há esse ambiente. [VM]

sem título, 2018


82

waltercio caldas [artista-curador]


rio de janeiro, rj, brasil, 1946.
vive no rio de janeiro

os aparecimentos

Não preciso da operação curatorial se posso exercer três atividades


correlatas: a do artista que realiza uma obra, a do artista que tem
preferências, e a de um terceiro que pensa a relação entre os dois
anteriores. Assim, posso tratar as questões como gostaria, sem
torná-las discursivas, colocando sob suspeita as justificativas e
teorias estéticas. Apresento minhas escolhas como uma composição
musical, evitando quaisquer conceitos ou excessos que tentem
minimizar a experiência com as obras. A música resultante seria
a forma explícita da relação entre o espectador e o que ele tem
diante de si. É sempre bom lembrar que as verdadeiras obras de arte
ignoram qualquer discurso que as desvirtue, e são suficientemente
eloquentes para desautorizar interpretações oportunistas.
Substituindo a ideia de demonstração pela de apresentação,
pretendo tornar claro o que acontece ali, na diversidade das obras
selecionadas; e reconheço neste confronto algo mais importante do
que uma suposta autoridade curatorial sobre elas. Essa autonomia,
essa linguagem própria das obras, beneficia a experiência, pois agora
cabe somente aos trabalhos falar do desconhecido que os justifica.
Partindo do princípio de que existem riscos bem‑humorados,
acredito que a arte pode melhorar a qualidade do desconhecido.
E nos resta a questão: como alterar as regras em benefício do que
ainda não sabemos? [WC]
artistas participantes:
anthony caro / 
antonio calderara / antonio dias / 
armando reverón / blaise cendrars / 
bruce nauman / cabelo / 
friedrich vordemberge-gildewart / 
gego / jorge oteiza / josé resende / 
miguel rio branco / milton dacosta / 
oswaldo goeldi / richard hamilton / 
sergio camargo / tunga / 
vicente do rego monteiro / 
victor hugo / waltercio caldas  
84

victor hugo, tache dentelle [mancha de renda], 1855-1856 / josé


resende, sem título, 2012 / waltercio caldas, talco, 2008
antonio calderara, spazio luce [luz do espaço], 1961
p.88  bruno moreschi
+
88

bruno moreschi
maringá, pr, brasil, 1982.
vive em são paulo, sp, brasil

Encaro este projeto como um convite para pensar a Bienal de


uma maneira não tradicional. Quatro perguntas me interessam:
o que é presença, hoje? O que os não especializados têm a dizer?
O que reverbera (do prédio para o parque e para a cidade)? E o
que fica? São perguntas propositadamente amplas. Relembro à
equipe que trabalha comigo (Gabriel Pereira, pesquisador parceiro,
Bernardo Fontes, programador, e Nina Bamberg, produtora) que
não precisamos provar nada. Queremos constituir um arquivo
de experiências que não são aquelas de um arquivo oficial. Num
futuro próximo ou distante, alguém vai estudar a 33ª Bienal e se
deparar com o arquivo oficial esperado, mas também com outro
conjunto de documentos resultante de nossas ações. Gosto de
imaginar que isso será um estímulo para que as pesquisas sobre o
passado sejam mais experimentais. O que aconteceu sempre está
em construção. Para ficar só em um exemplo, pensar no que os
não especializados têm a dizer é escutar os guardas e o pessoal do
setor de limpeza da Bienal, mas também as inteligências artificiais
(IA), que não são familiarizadas com a leitura de imagens de obras
de arte – uma das IAs leu uma parede expositiva da Bienal como
“vasto horizonte”; outra interpretou os vidros do prédio como
“cercas”. Alguém pode encarar a interpretação não especializada
como algo a não se considerar seriamente, como um erro. Nós
pensamos essas leituras como ampliações. [BM]

outra 33ª bienal de são paulo, 2018. interferências geradas por


inteligências artificiais sobre imagem de arquivo da 1ª bienal de são
paulo (1951)
pessoa 0.7
carro 0.84
pessoa 0.70
pessoa 0.71

pessoa 0.70

gravata 0.96

pessoa 0.76

pessoa 0.75
pessoa 0.73

pessoa 0.87
pessoa 0.99

gravata 0.83

pessoa 0.89

pessoa 0.98
pessoa 0.96

gravata
um grupo de pessoas em pé em um campo
90

lista de artistas e créditos


LISTA DE ARTISTAS

exposições coletivas
Resende / Leda Catunda / Martín
Gusinde / Rafael Carneiro / Sara Ramo /
aos nossos pais   p.44 Sarah Lucas / Serafim Alvares / Sofia
Alejandro Cesarco [artista-curador] / Borges [artista-curadora] / Sônia
Andrea Büttner / Cameron Rowland / Catarina Agostinho Nascimento / Tal
Henrik Olesen / Jennifer Packer / John Isaac Hadad / Thomas Dupal / Tunga /
Miller / Louise Lawler / Matt Mullican / outros artistas serão incluídos ao longo
Oliver Laric / Peter Dreher / Sara da exposição
Cwynar / Sturtevant 
os aparecimentos  p.82
sentido/comum   p.30 Anthony Caro / Antonio Calderara /
Alberto Sánchez / Andrea Büttner / Antonio Dias / Armando Reverón / Blaise
Antonio Ballester Moreno Cendrars / Bruce Nauman / Cabelo /
[artista‑curador] / Benjamín Palencia / Friedrich Vordemberge-Gildewart /
Friedrich Fröbel / José Moreno Gego / Jorge Oteiza / José Resende /
Cascales / Mark Dion / Matríztica Miguel Rio Branco / Milton Dacosta /
(Humberto Maturana e Ximena Dávila) / Oswaldo Goeldi / Richard Hamilton /
Rafael Sánchez-Mateos Paniagua Sergio Camargo / Tunga / Vicente do
Rego Monteiro / Victor Hugo /
o pássaro lento   p.48 Waltercio Caldas [artista-curador]
Ben Rivers / Claudia Fontes [artista-
-curadora] / Daniel Bozhkov / Elba sempre, nunca   p.62
Bairon / Katrín Sigurdardóttir / Pablo Lhola Amira / Mame-Diarra Niang /
Martín Ruiz / Paola Sferco / Roderick Nicole Vlado / ruby onyinyechi
Hietbrink / Sebastián Castagna / amanze / Wura-Natasha Ogunji
Žilvinas Landzbergas [artista-curadora] / Youmna Chlala

stargazer ii  p.74


projetos individuais
Åke Hodell / Bruno Knutman / Carl
Fredrik Hill / Dick Bengtsson / Ernst
Josephson / Gunvor Nelson / Henry Alejandro Corujeira  p.36
Darger / ícones russos / Ladislas Aníbal López (A-1 53167)  p.68
Starewitch / Lim‑Johan / Mamma Bruno Moreschi  p.88
Andersson [artista-curadora] / Denise Milan  p.70
Miroslav Tichý  Feliciano Centurión  p.72
Lucia Nogueira  p.52
a infinita história das coisas Luiza Crosman  p.54
ou o fim da tragédia do um   p.38 Maria Laet  p.56
Adelina Gomes / Ana Prata / Antonio Nelson Felix  p.58
Malta Campos / Arthur Amora / Bruno Siron Franco  p.78
Dunley / Carlos Ibraim / Jennifer Tee / Tamar Guimarães  p.60
José Alberto de Almeida / Lea M. Afonso Vânia Mignone  p.80
CRÉDITOS DE IMAGENS

alejandro cesarco  p.47 antonio ballester moreno  p.32


Learning the Language (Present Sol (negativo), 2016. Colagem, papel
Continuous II) [Aprendendo a língua cartão colorido, 35 × 25 cm. Cortesia:
(Presente contínuo II)], 2018. Vídeo HD MaisterraValbuena, Christopher Grimes
(cor, som), 15’25’’. Cortesia do artista e e Pedro Cera.
Tanya Leighton Gallery, Berlim. Lluvia [Chuva], 2016. Colagem, papel
cartão colorido, 35 × 25 cm. Cortesia:
alejandro corujeira  p.37 MaisterraValbuena, Christopher Grimes
Los ojos callados [Os olhos e Pedro Cera.
calados], Série Al despertar, flotaban
[Ao despertar, flutuavam], 2018. antonio calderara  p.85
Aquarela e acrílica sobre tela, 130 Spazio Luce [Luz do espaço], 1961.
× 120 cm. Coleção Cecilia Brunson Óleo sobre painel, 27 × 36 cm. Coleção
Projects, Londres. Foto: Francisco Fondazione Calderara, Vacciago. ©
Fernandez / Unidad Móvil. Fondazione Antonio e Carmela Calderara.

andrea büttner  p.33 benjamín palencia  p.32


Untitled (Pink-Blue) [Sem título (rosa- Arquitectura sensible [Arquitetura
azul)], 2017. Xilogravura sobre papel, sensível], 1931. Óleo e areia sobre tela,
200 × 140 cm (peça esquerda), 201 54 × 72 cm. Coleção Miguel Palencia.
× 130 cm (peça direita). Cortesia: Foto: Ramón Palencia.
Hollybush Gardens, Londres; David
Kordansky Gallery, Los Angeles; bruno moreschi  p.89
Galerie Tschudi, Zuoz. © Andrea Outra 33ª Bienal de São Paulo,
Büttner / VG Bild-Kunst, Bonn 2018. 2018. Interferências geradas por
Foto: Andy Keate. Inteligências Artificiais sobre imagem
de arquivo da 1ª Bienal de São
aníbal lópez  p.69 Paulo (1951). Colaboradores: Gabriel
Guardias de seguridad [Guardas de Pereira (pesquisador), Bernardo
segurança], 2002. Registro de ação Fontes (programador), Nina Bamberg
realizada em Fuori Uso Ferrotel, (produtora). Foto original: Cav. Giov.
Pescara, Itália. Coleção Acumulação Strazza / Fundação Bienal de São Paulo.
Cultural. Foto: Aníbal López.
carl fredrik hill  p.76
Utan Titel (Gran vid Vattenfall)
[Sem título (Pinheiro e cachoeira)],
1883-1911. Giz de cera sobre papel,
36,5 × 22,7 cm. Coleção Malmö
Konstmuseum.
claudia fontes  p.51 jennifer tee  p.40
Nota al pie [Nota de rodapé], 2018. Ether Plane – Material Plane,
História de detetive e ornamentos Abstraction of a shape, form or
de porcelana quebrados por oito presence [Plano etéreo – Plano
pássaros em 5500 fragmentos, material, Abstração de formato,
cobertos por tecido de algodão feito à forma ou presença], 2016. Papel
mão, 750 × 120 cm. © 2018 Bernard G Hahnemühle Museum Etching 350g,
Mills. All rights reserved. 65 × 100 cm. Cortesia da artista e
Galerie Fons Welters, Amterdã.. Foto:
denise milan  p.71 Gert Jan van Rooij.
Quartzotekário XIV, 2018. Impressão
sobre papel de algodão, 90 josé resende  p.84
× 70 cm. © Denise Milan / Fotógrafo: Sem título, 2012. Aço, cobre e bronze,
Thomas Susemihl. 12 × 80 × 31 cm. Coleção: Paulo Darzé
Galeria. Foto: Andrew Kemp.
feliciano centurión  p.73
Cordero sacrificado [Cordeiro katrín sigurdardóttir  p.50
sacrificado], c. 1996. Acrílica sobre Content [Conteúdo], 2018. Papel e
cobertor de poliéster, 236,2 × 130,8 madeira exportadas do Brasil para os
cm aprox. Coleção Blanton Museum Estados Unidos, dimensões variáveis.
of Art, da University of Texas at Austin
(Adquirido com fundos fornecidos por ladislas starewitch  p.77
Donald R. Mullins, Jr., 2004‑2004.173). La Revanche du Ciné-opérateur
Foto: Rick Hall. [A revanche do cameraman], 1912.
Filme de animação stop-motion, 2’35’’.
friedrich fröbel  p.32 Coleção Martin Starewitch. Foto:
The Second Gift [O segundo dom], Ladislas Starewitch.
c. 1890. Construído por J. W.
Schermerhorn & Company, Nova lhola amira  p.64
York. Madeira e barbante, dimensões LAGOM: Breaking Bread with the
variáveis. Coleção Norman Brosterman. Self-Righteous II [LAGOM: Partindo
Foto: Kiyoshi Togashi. o pão com os hipócritas II], 2017,
Série, LAGOM: Breaking Bread with
gunvor nelson  p.77 the Self‑Righteous. Impressão giclée
My Name is Oona [Meu nome é Oona], sobre Hahnemühle PhotoRag Baryta
1969. Still de vídeo, 10’. Cortesia: Diasec, 91 × 145 cm. Coleção: Skövde
Moderna Museet, Estocolmo. Art Museum, Tiroche DeLeon, Robert
Devereux, Bob & Reneé Drake. Foto:
jennifer packer  p.46 Annie Hyrefeldt.
Say Her Name [Diga o nome dela],
2017. Óleo sobre tela, 101 × 122 cm.
Cortesia da artista.
louise lawler  p.46 nelson felix  p.59
Still Life (Candle) (traced) [Natureza Desenho 19 do caderno de artista
morta (Vela) (traçado)], 2003/2013. Esquizofrenia da Forma do Êxtase,
Adesivo vinílico, dimensões variáveis. 2017–2018. Nanquim sobre papel, 40 ×
Cortesia da artista e Metro Pictures, 30 cm aprox. Foto: Pedro Ivo Trasferetti /
Nova York. Fundação Bienal de São Paulo.

lucia nogueira  p.53 nicole vlado  p.65


Full Stop [Ponto final], 1993. Poste Registro de pesquisa (2018). Gesso.
de aço, bobina de madeira para cabo, Foto: Nicole Vlado.
102 × 57 × 73 cm. Espólio de Lucia
Nogueira. Cortesia: Anthony Reynolds. paola sferco  p.50
© Espólio de Lucia Nogueira. La respuesta de las cosas [A resposta
das coisas], 2018. Projeção de vídeo
luiza crosman  p.55 (multicanal), 11’; 3 paredes (2,80 × 3 m,
TRAMA, 2018. Esboço de Feitiço n.1. 5 × 3 m, 3 × 3 m).
Dimensões variáveis. Coleção editorial
TRAMA. Colaboradores: Negalê Jones, roderick hietbrink  p.51
Pedro Moraes e Zazie Edições. The Living Room [A sala de estar], 2011.
Still de vídeo, 8’05’’. Coleção Stedelijk
mame-diarra niang  p.64 Museum, Amsterdã.
Performance de Mame-Diarra Niang na
videoinstalação Since Time Is Distance ruby onyinyechi amanze  p.65
in Space [Uma vez que o tempo é bird dance #1 [dança dos pássaros
distância no espaço], Joanesburgo #1], 2018. Impressão a jato de tinta em
(setembro, 2017). Foto: Nina Lieska | papel semi mate, 185,4 × 97,8 cm.
REPRO.
sarah lucas  p.41
mamma andersson  p.76 Silver Hippie [Hippie prateado], 2016.
Stargazer [Observador de estrelas], Meia-calça, espunha, cadeira, 215 ×
2012. Óleo sobre painel, 160 × 100 180 × 65 cm. Cortesia: CFA, Berlin e
cm. Cortesia da artista e Stephen Sadie Coles HQ, Londres. © Sarah
Friedman Gallery, Londres. © Mamma Lucas / Foto: Jochen Littkemann.
Andersson / Foto: Stephen White.
siron franco  p.79
maria laet  p.57 Terceira vítima, 1987, Série Césio.
Abismo das superfícies II, 2018. Still de técnica mista sobre tela, 155 × 135
vídeo, 3’44’’. Coleção da artista. cm. Coleção particular. Foto: Paolo
Giorlando Ribeiro.
miroslav tichý p.76
Sem título, s.d. Impressão em gelatina sofia borges  p.41
de prata, 15,2 × 22,1 cm. Cortesia: Véu, 2017. Impressão de pigmento
Zeno × Gallery, Antuérpia. mineral em papel algodão, 150 × 230
cm (variável).
sturtevant  p.46 wura-natasha ogunji  p.65
Warhol Flowers [Flores de Warhol], Desenho do projeto, 2018. Tinta sobre
1970. Polímero sintético e serigrafia papel, 21 × 13 cm.
sobre tela, 56 × 56 cm. Cortesia
Galerie Thaddaeus Ropac London, youmna chlala  p.65
Paris, Salzburgo. © Estate Sturtevant, LoveSeat Process 10 [Processo
Paris / Foto: Charles Duprat. para namoradeira 10], 2018. Tinta
sobre papel velino, 45 × 30 cm. Foto:
tamar guimarães  p.61 Youmna Chlala.
O ensaio, 2018. Pôster de filme.
Cortesia da artista, Fortes D’Aloia & žilvinas landzbergas  p.50
Gabriel, São Paulo e Dan Gunn Gallery, Hidden Sun [Sol oculto], 2018. Still
Londres. Foto: Mauro Restiffe. de vídeo, 6’40’’. Câmera: Mikas
Zukauskas.
tunga  p.40
The Bather [O banhista], 2014. Tripé
de ferro, resina, cerâmica, gesso,
papel de algodão, 220 × 150 × 150
cm. Coleção: Instituto Tunga, Rio de
Janeiro. Cortesia: Luhring Augustine,
Nova York; Galeria Millan, São Paulo.
© Instituto Tunga, Rio de Janeiro.

vânia mignone  p.81


Sem título, 2018. Acrílica com colagem
sobre papel, 51,1 × 36 cm. Coleção da
artista. Foto: Daniel Malva / Fundação
Bienal de São Paulo.

victor hugo  p.84


Tache dentelle [Mancha de renda],
1855-1856. Aguada de tinta marrom
sobre papel fino, 6,4 × 10,4 cm. Coleção
Maison de Victor Hugo, Paris, inv.
2012.3.1 © Maisons de Victor Hugo /
Foto: Roger-Viollet.

waltercio caldas  p.84


Talco, 2008. Mármore, aço inoxidável
e acrilico gravado, 12 × 43 × 50 cm.
Foto: Paulo Costa.
33ª BIENAL DE SÃO PAULO − AFINIDADES AFETIVAS
FUNDAÇÃO BIENAL DE SÃO PAULO [EQUIPE]

superintendência projetos

Luciana Guimarães · superintendente


executiva produção
Dora Silveira Corrêa · superintendente de Felipe Isola · gerente de planejamento
projetos e logística
Emilia Ramos · superintendente Joaquim Millan · gerente de obras
administrativo-financeira e expografia
Waleria Dias · coordenadora
Dorinha Santos · produtora
administrativo-financeiro
Felipe Melo Franco · produtor
Gabriela Lopes · produtora
financeiro Heloisa Bedicks · produtora
Amarildo Gomes · gerente Veridiana Simons · produtora
Cristiane Santos · coordenadora Bianca Volpi · assistente
Fábio Kato · assistente Graziela Carbonari · assessora –
Silvia Andrade Branco · assistente conservação
Viviane Teixeira · assistente
planejamento e operações
Marcela Amaral · coordenadora programa educativo
Danilo Alexandre Machado de Souza · Cláudia Vendramini Reis · gerente
assistente Laura Barboza · coordenadora
Rone Amabile · assistente Anita Limulja · assessora
Bianca Casemiro · assessora – difusão
recursos humanos Elaine Fontana · assessora
Albert Cabral dos Santos · assistente Janaína Machado · assessora
Regiane Ishii · assessora – conteúdo
gestão de materiais e patrimônio
Valdomiro Neto · gerente arquivo bienal
Larissa Di Ciero · assessora – gestão predial Ana Luiza de Oliveira Mattos · gerente
Vinícius Araújo · assessor – compras Ana Paula Andrade Marques · assessora
Angélica de Oliveira · assistente Fernanda Curi · assessora
Daniel Pereira Nazareth · assistente – Melânie Vargas de Araujo · assessora
compras Pedro Ivo Trasferetti von Ah · assessor
Wagner Pereira de Andrade · auxiliar –
gestão predial Cristina Fino · coordenadora – editorial
Thiago Gil · pesquisador

tecnologia da informação
Leandro Takegami · gerente
Diego Rodrigues · assistente
comunicação serviços terceirizados
Felipe Taboada · gerente bombeiros: Alpha Secure Serviço e
Caroline Carrion · coordenadora Multi Serviço. consultoria de engenharia
Ana Elisa de Carvalho Price · elétrica: Sinsmel Engenharia.
coordenadora – design limpeza / manutenção predial: Tejofran
Diana de Abreu Dobránszky · assessora Saneamento e Serviços. motoboy:
– editorial ATNTO Transporte Rodoviário. portaria
Julia Bolliger Murari · assessora – conteúdo e vigilância: Plansevig Terceirização
Victor Bergmann · assessor – internet de Serviços. assessoria jurídica: Olivieri
Adriano Campos · assistente – design – Consultoria Jurídica em Cultura e
Eduardo Lirani · assistente Entretenimento; Pannunzio, Trezza,
Donnini Advogados; Montenegro
relações institucionais e parcerias Castelo Advogados Associados;
Flávia Abbud · gerente Gusmão & Labrunie Propriedade
Eduardo Augusto Sena · coordenador – Intelectual; Manesco, Ramires, Perez,
projetos especiais Azevedo Marques – Sociedade
Irina Cypel· coordenadora de Advogados; Tepedino, Migliore,
Mariana Sesma · assessora – internacional Berezowki e Poppa Advogados
Raquel Silva · assistente – gestão de espaços
Rayssa Foizer · assistente

Paula Signorelli · consultora da


superintendente executiva

secretaria geral
Maria Rita Marinho · gerente
Josefa Gomes · auxiliar

projeto acervos
Leandro Melo · consultor de conservação
assistentes: Aline Midori M. Yado,
Amanda Pereira Siqueira, Antonio
Paulo Carretta, Bruno César
Rodrigues, Daniel Malva Ribeiro,
Elaine de Medeiros, Fernanda Cícero
de Sá, Jéssica da Silva Carvalho,
Marcele Souto Yakabi, Nayara
Maria Ayres de Oliveira, Pollyana
Pereira Marin. estagiária: Olívia Tamie
Botosso Okasima
33ª BIENAL DE SÃO PAULO − AFINIDADES AFETIVAS

curadoria colaboradores temporários

Gabriel Pérez-Barreiro · curador‑geral projetos

artistas-curadores produção
Alejandro Cesarco Marina Scaramuzza · produtora –
Antonio Ballester Moreno transporte
Claudia Fontes Carolina Kimie Noda · assistente
Mamma Andersson Manoel Borba · assistente
Sofia Borges
Waltercio Caldas audiovisual
Wura-Natasha Ogunji Maxi

conselho curatorial cenotécnica


Antonio La Pastina Cinestand
Jacopo Crivelli Visconti
conservação
Laura Cosendey · assistente Ana Carolina Laraya Glueck, Cristiane
Gabriela Saenger Silva · Basilio Gonçalves, Frederico Bertani
curadora convidada (Aníbal López) Ferreira, Tatiana Sontori
Norman Brosterman ·
curador convidado (Friedrich Fröbel) iluminação
Lux Projetos
arquitetura
Alvaro Razuk montagem
equipe: Bruna Canepa, Daniel Winnik, Gala
Ligia Zilbersztejn, Victor Delaqua
seguro
editorial Axa Art | Geco Brasil corretora de seguros
Fabiana Werneck · consultora
transporte
projeto educativo Art Quality
Lilian L’Abbate Kelian · consultora Log Solutions
Helena Freire Weffort · consultora Waiver Arts

identidade visual projeto educativo


Raul Loureiro Mediadores: Affonso Prado Valladares
Abrahão, Amanda Preisig, Amanda
Navarro, Ana Beatriz Silva Domingues,
Ana Gabriela Leirias, Ana Maria Krein,
Ana Lívia Castro, Anderson Barreto
Pereira, André Luiz de Jesus Leitão, administrativo-financeiro
André Rosa, Anne Magalhães, Bianca
Leite, Bruno Ramos, Carolina Rosa, gerência de serviços da exposição
Célia Barros, Daiana Ferreira de Lima, Anna Riso · gerente
Daniel Manzione, Darlan Gonçalves Thomás Bobadilha · assistente
Teles, Denise Rodrigues, Dione
Pozzebon, Diran Castro, Émerson ambulância e posto médico
Prata, Erica da Costa Santos, Fabio Premium Serviços Médicos
Moreira Caiana, Isis Andreatta, Isis
Gasparini, Janaína Grasso, Josiane bombeiros
Cavalcanti, Julia Monteiro Viana, Local Serviços Especializados
Juliana Biscalquin, Juliana Melhado,
Kim Cavalcante, Laura da Silva compras
Monteiro Chagas, Leandro de Souza, Victor Senciel · auxiliar
Leila Rangel da Silva, Leo Lin, Luana
Robles Vieira, Lucas Itacarambi, Lucas elétrica
Oliveira, Luciano Wagner Favaro, Francisco Galdino de Oliveira Junior
Lucimara Amorim, Ludmila Costa Instalações Elétricas
Cayres, Luiza Gianesella, Luna Borges
Berruezo, Marcia Falsetti, Maurício limpeza
Perussi, Monika Jun Honma, Natalia MF Serviços de Produções de Eventos
Homero, Nina Clarice Montoto, Paula em Geral
Berbert, Paula Nogueira Ramos,
Pedro Ermel, Priscila Nascimento orientação de público
Pires, Rafael Gatuzzo Barbieri, Renato EWA Serviços de Apoio Empresarial Ltda
Ferreira Lopes, Roberta Browne,
Rogério Da Col Luiz Pereira, Rômulo segurança
dos Santos Paulino, Sansorai de Prevenção Vigilância e Segurança Ltda
Oliveira, Suzy da Silva Santos, Tailicie
Paloma, Thiago Franco, Vinebaldo wi-fi
de Souza Filho. estagiários: Laura New Telecom
Frare, Jailson Xavier, Camélia Paiva,
Gabriel Santos comunicação

acessibilidade assessoria de imprensa nacional


Museus Acessíveis Conteúdo Comunicação

agendamento assessoria de imprensa internacional


Diverte Logística Cultural Ltda Pickles PR
audioguia CRÉDITOS DA PUBLICAÇÃO
Renato Parmi

design organizado por


Manu Vasconcelos · assistente Gabriel Pérez-Barreiro
Laura Cosendey · assistente
editorial
Rafael Falasco · assistente coordenação editorial
Cristina Fino
publicidade Diana de Abreu Dobránszky
Tech & Soul
projeto gráfico
conteúdo audiovisual Aninha de Carvalho Price
Dreambox, Zeppelin Filme Adriano Campos
Manu Vasconcelos
registro videográfico
F For Felix, Um Audiovisual editor‑assistente
Rafael Falasco
international weekend
Mônica Novaes Esmanhotto · autores
consultora Alejandro Cesarco – AC
Alejandro Corujeira – ACo
produção de eventos Antonio Ballester Moreno – ABM
Patrícia Galvão · consultora Bruno Moreschi – BM
Claudia Fontes – CF
Denise Milan – DM
Gabriel Pérez-Barreiro – GPB
Luiza Crosman – LC
Mamma Andersson – MA
Maria Laet – ML
Nelson Felix – NF
Sofia Borges – SB
Tamar Guimarães – TG
Vânia Mignone – VM
Waltercio Caldas – WC
Wura-Natasha Ogunji – WNO
traduções © Copyright da publicação:
Alexandre Barbosa Fundação Bienal de São Paulo.
Janaína Marcoantonio Todos os direitos reservados.
John Norman
As imagens e os textos reproduzidos
preparação e revisão de provas nesta publicação foram cedidos por
John Norman artistas, fotógrafos, escritores ou
Teté Martinho representantes legais e são protegidos
Richard Sanches por leis e contratos de direitos autorais.
Nenhum uso é permitido sem a
transcrições autorização da Bienal de São Paulo,
Janaína Marcoantonio dos artistas e dos fotógrafos. Todos
Débora Donadel os esforços foram feitos para localizar
Maria Claudia Mattos os detentores de direitos das obras
reproduzidas, mas nem sempre isso
produção gráfica foi possível. Corrigiremos prontamente
Signorini Produção Gráfica quaisquer omissões, caso nos
Eduardo Lirani sejam comunicadas.

pré-impressão e impressão Este guia foi publicado por ocasião da


Ipsis 33ª Bienal de São Paulo – Afinidades
afetivas, realizada entre 7 de setembro
e 9 de dezembro de 2018, no Pavilhão
Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera,
São Paulo.
patrocínio master

patrocínio
parceria cultural

apoio

apoio mídia apoio


comunicação

player oficial
apoio internacional

apoio institucional

realização
Dados Internacionais de Catalogação
na Publicação (cip)

33ª Bienal de São Paulo: afinidades afetivas :


guia / Fundação Bienal de São Paulo [et al.];
curadoria Gabriel Pérez-Barreiro]. São Paulo:
Fundação Bienal de São Paulo, 2018.

Outros autores: Gabriel Pérez-Barreiro,


Alejandro Ballester Moreno, Alejandro
Cesarco, Claudia Fontes, Mamma Andersson,
Sofia Borges, Waltercio Caldas, Wura-
Natasha Ogunji.

Bibliografia
isbn 978-85-85298-64-7

1. Arte – São Paulo (sp) – Exposições; 2.


Arte – Século 21; 3. Bienal de São Paulo
(sp) I. Pérez-Barreiro, Gabriel; II. Ballester
Moreno, Alejandro; III. Cesarco, Alejandro;
IV. Fontes, Claudia; V. Andersson, Mamma.
VI. Borges, Sofia; VII. Caldas, Waltercio; VIII.
Ogunji, Wura-Natasha; VIII. Fundação Bienal
de São Paulo.

18-12899cdd-709

Índices para catálogo sistemático:


1. Bienais de arte: São Paulo: Cidade 709.8161
2. São Paulo: Cidade: Bienais de arte 709.8161
ministério da cultura, fundação bienal e itaú apresentam

33bienal/sp [afinidades afetivas] 2018 guia

ISBN978-85-85298-64-7