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OS SACRAMENTOS

Segundo a tradição cristã, especialmente católica, alguns sacramentos


foram escolhidos pelo próprio Cristo, que fez deles seus "sacramentos", sete ao
todo (batismo, crisma, penitência, Eucaristia, ordem, matrimônio, unção
dos enfermos). Faz-se então distinção entre sacramentais (sinais sagrados em
geral) e sacramentos propriamente ditos. A diferença consiste essencialmente
no fato de que o sinal sacro se tornou, por vontade de Cristo (portanto de
Deus), além de um signum (sinal) de Deus Salvador e de sua salvação e graça,
também medium (meio) dessa graça, não só signum, mas signum efficax (sinal
eficaz). A essa elevação do sinal servem a água, o óleo (crisma e unção dos
enfermos), o pão e o vinho, o amor verdadeiro e fiel (matrimônio), o
arrependimento, a confissão e a absolvição.

BATISMO

O batismo é o primeiro dos sete sacramentos e, por isso, definido como o


sacramento "da iniciação cristã": torna todo batizado filho de Deus, membro da
Igreja, sanciona sua identidade pelo recebimento do nome próprio, e é
necessário para o recebimento dos demais sacramentos.
O vocábulo deriva do grego "baptízein", com o significado de "imergir". A
Igreja apostólica primitiva conferia o batismo por imersão, juntamente com a
confirmação pela imposição das mãos sobre a cabeça, somente aos adultos,
depois de um período de preparação chamado catecumenato. Os dois
sacramentos eram, pois, considerados inseparáveis na iniciação cristã, para
que esta acontecesse "na água e no Espírito Santo". A necessidade de garantir
a salvação eterna também para as crianças, cuja mortalidade era muito alta em
tempos e lugares em que a ciência médica não tinha atingido os atuais índices
de sobrevivência, inclusive em casos de graves doenças infecciosas, imbuiu a
Igreja na sugestão de conferir o batismo num momento bem próximo do
nascimento. A confirmação foi, assim, separada e adiada para uma idade de
maior compreensão do próprio crismando, para confirmação pessoal e direta
de suas escolhas de fé e de vivência no mistério pascal.
Atualmente, o rito do batismo, depois do concílio Vaticano II, realiza-se
dentro da celebração eucarística, a fim de dispor toda a assembléia cristã ao
acolhimento do novo membro e envolvê-la na responsabilidade do crescimento
espiritual dele na fé cristã. O rito acontece, pois, por infusão, ou seja, por meio
do derramamento de água benta sobre a cabeça do batizando. Somente em
caso de expressa vontade dos familiares é que o rito se faz de modo privado e é
administrado na pia batismal, normalmente colocada num dos lados da entrada
da igreja.
O ministro do batismo é o sacerdote ou o diácono. Em caso de
necessidade extrema, pode ser qualquer um, inclusive um não-crente, desde
que respeite as disposições da Igreja. O rito, nesse caso, reduz-se ao essencial,
na única fórmula: "Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".
Ao lado dos pais, durante o rito, está presente um padrinho ou madrinha: estas
figuras representam as pessoas que se comprometem com seu exemplo a
ajudar os pais, ou a substitui-los, na formação cristã do batizado.
São quatro os momentos fundamentais do rito batismal:
1. acolhida: manifestada pelo "sinal da cruz", que celebrante, pais e padrinhos
traçam sobre a fronte do batizando.
2. liturgia da Palavra: que, unida à homilia e à oração dos fiéis, tem a finalidade
de dispor a comunidade a professar a fé também em nome do batizando e a
comprometer-se a fazê-lo tornar-se um "adulto na fé"; vem depois a oração "do
exorcismo" e "a unção com o óleo dos catecúmenos", como libertação do
pecado original e sinal da luta pelo bem contra o mal.
3. liturgia do sacramento: a liturgia propriamente dita do sacramento começa
com a "bênção da água" e com o diálogo entre celebrante, pais e toda a
comunidade sobre a:
- RENÚNCIA A SATANÁS, repetindo-se três vezes o "renuncio".
- PROFISSÃO DE FÉ, repetindo-se três vezes o "creio".
- SOLICITAÇÃO EXPLÍCITA DO BATISMO E DO NOME a ser dado.
- INFUSÃO DA ÁGUA com a fórmula trinitária, precedida do nome próprio.
A partir desse momento, o batizando é o novo membro da Igreja de Cristo.
Seguem-se então "os ritos pós-batismais”:
A UNÇÃO COM O SAGRADO CRISMA, sinal do sacerdócio real de todo crente
e de sua agregação ao povo de Deus.
A entrega da VESTE BRANCA e da VELA, que o pai acende no círio pascal,
sinais da integridade e da luz da fé a ser professada
O EFFATÁ, isto é, "abre-te", que repete o gesto de Jesus e signifca o
acolhimento da Palavra e a coragem de professá-la com a vida.
4. os ritos de conclusão: exprimem-se com a recitação comunitária do "Pai-
nosso" e com a "bênção" sobre os pais, padrinhos e comunidade, a fim de que
todos se sintam renovados no compromisso de crescer até a maturidade da
vida em Cristo.

A CRISMA

A crisma, chamada também de "confirmação", é o segundo dos sete


sacramentos e, juntamente com o batismo e a eucaristia, constitui a plenitude e
a marca da iniciação cristã, porque por meio dela o cristão recebe os dons do
Espírito Santo e completa a sua identidade cristã e eclesial. Seu nome deriva
do grego "chrisma", que significa "ungüento" e, por extensão, "unção". Essa
tríade sacramental constitui em seu conjunto a energia espiritual que sustenta
o desenvolvimento e o crescimento cristãos. O concílio Vaticano II sugere que:
- A crisma seja administrada dentro da celebração eucarística.
- O crismando tenha uma idade de razoável consciência: 12/13 anos.
- Ela seja precedida por uma adequada preparação catequética, estendida
também à família e aos padrinhos e/ou madrinhas.
- A comunidade participe com o consentimento unânime na profissão de fé.
- A eucaristia possa ser recebida sob as duas espécies pelos crismados,
familiares, padrinhos/madrinhas e catequistas.
- O ministro "originário", na prática católica, seja o bispo ou sacerdote por
ele delegado; na prática oriental é o sacerdote que a confere juntamente
com o batismo.
- O "crisma" usado seja, todavia, na tradição comum às Igrejas do Oriente
e do Ocidente, o que foi consagrado pelo bispo durante a "missa do
crisma" de Quinta-feira santa.
- A celebração tenha caráter festivo e solene e seja comum para todos os
candidatos; não é prevista, portanto, a administração individual.
O rito da confirmação segue o esquema clássico:
1º- ritos de introdução, de acordo com a prática comum das Igrejas locais.
2º- liturgia da Palavra, própria da missa do dia, com leituras que demonstrem a
intervenção histórica e profética do Espírito, que é autor, em Cristo, do
mistério messiânico da salvação e, na Igreja, de sua missão de evangelização.
3º- liturgia do sacramento que se realiza em três fases:
a) renovação das promessas batismais, ou seja, a fé expressa pelo próprio
crismando; não mais delegada, portanto, como no batismo. A profissão da fé
tem um aspecto negativo expresso pela "renúncia" e um positivo expresso pelo
"credo", a que toda a assembléia adere com seu "Amém".
b) imposição coletiva das mãos com a oração epiclética, que dispõe ao
recolhimento para a acolhida da efusão do Espírito.
c) o ato de crismar ou a unção com o crisma sobre a fronte do crismando com a
fórmula que acompanha: "Recebe a marca do Espírito Santo que te é dada
como um dom", enquanto o padrinho/madrinha mantém a própria mão direita
sobre o ombro do crismando como sinal de seu compromisso de apoiá-lo em
seu caminho cristão. A sagrada unção é sinal do Espírito que permanece no
crente, ilumina-o e identifica-o com Cristo, eterno sacerdote. A sagrada unção
termina com a saudação de paz: "a paz esteja contigo", dom pascal de
fraternidade.
4º- liturgia eucarística, com a possibilidade para os crismados, pais, padrinhos
e catequistas de receber a comunhão sob as duas espécies.
5º- ritos de conclusão com bênção final explicitada por duas possíveis fórmulas,
significando ambas o mistério trinitário celebrado. Toda a simbologia
sacramental aprofunda suas raízes e seu significado litúrgico nas Sagradas
Escrituras do Antigo e do Novo Testamento. Como no caso do Batismo, também
a Crisma é recebida uma só vez.

PENITÊNCIA

A penitência é o sacramento da reconciliação do pecador com Deus, por


meio da confissão de seus pecados, obtida pela absolvição sacramental
expressa pela fórmula trinitária: "Eu te absolvo de teus pecados em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo". Não há ação litúrgica do mistério da
salvação que não requeira antes a reconciliação com o Senhor. A celebração
eucarística, que é o sacramento por excelência, é precedida do "Confiteor" da
assembléia, a que se segue a absolvição geral e a tríplice invocação do "Kyrie".
Com a reforma proposta pelo Vaticano II, também o sacramento da
Penitência foi renovado, mas falta ainda uma autêntica catequese dos cristãos
para recuperar seu valor salvífico. As ciências sociológicas modernas e uma
prática confessional nem sempre correta e esclarecida afastaram muito os fiéis
da experiência de reconciliação; muitos crentes sentem-se autorizados a um
arrependimento e absolvição pessoais, sem confirmação por parte dos
ministros da Igreja.
As motivações são muitas e enchem os textos de liturgistas e teólogos.
Todavia, o sacramento, para ser válido, exige três atos do penitente:
- Arrependimento, ou contrição, que consiste na dor de não ter
acreditado no amor do Senhor;
- A confissão auricular dos pecados graves ao sacerdote; recomenda-
se também a confissão dos pecados veniais para consolidar a
consciência reta na luta contra satanás;
- A absolvição pelo sacerdote, se julgar o penitente realmente
arrependido, ou seja, bem disposto a não ter recaídas.
Segue-se o cumprimento de alguns atos de satisfação, ou penitência,
pedidos pelo sacerdote, para reparar o mal cometido e restabelecer a
dignidade cristã de discípulo do Senhor. O ministro do sacramento é somente o
sacerdote para isso designado pelo bispo. A cor litúrgica é o roxo da estola que
o celebrante enverga no ato da confissão. Uma vez que esse sacramento obriga
o sacerdote ao silêncio, normalmente a confissão acontece no confessionário;
essa prática está caindo em desuso, pois os fiéis preferem a aproximação direta
e pessoal. Além das diversas parábolas do perdão e da misericórdia, este
sacramento tem seu fundamento neotestamentário nas palavras de Jesus:
"Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão
perdoados. A quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20,22-23).

EUCARISTIA

É um dos sete sacramentos e, juntamente com o batismo e a crisma,


completa a iniciação cristã. Os sinais essenciais da Eucaristia são o pão de
trigo e o vinho de uva, em que, por meio da consagração, dá-se a
transubstanciação no Corpo e Sangue de Cristo: Ele está presente de modo
verdadeiro, real, substancial nas espécies sacramentais; por isso, é-Lhe devido
o culto de adoração. O termo "Primeira Comunhão" indica esse sacramento
quando é recebido pela primeira vez pelas crianças para isso devidamente
catequizadas. Normalmente é administrada a crianças por volta dos 8/9 anos
de idade e sob a única espécie do pão consagrado. Recebe o nome de
"Communio" justamente para indicar a "comum união" e "igual participação"
delas nesse sacramento "divino" por excelência, sendo materializada na hóstia
e no vinho a presença real do Senhor.
A Comunhão é celebrada dentro da própria celebração eucarística e não
tem liturgia própria porque já lhe é própria toda liturgia dominical e festiva.
Normalmente, para torná-la solene, é administrada em dia ferial destinado a
uma festividade civil ou do Santo Patrono local, para que possa se tornar um
rito de grande assembléia litúrgica. A cor litúrgica é o branco, presente não só
nos paramentos sagrados, mas também nas vestes dos comungantes,
revestidos todos, a partir da reforma ensejada pelo Vaticano II, de uma túnica
branca de corte monástico, para evitar qualquer exibição no trajar e criar
assim de fato "a união fraterna", que foi a finalidade com a qual Jesus instituiu
a Eucaristia. É, em certo sentido, também a festa de toda a família e dos
parentes, que se reúnem com alegria em volta do pequeno comungante; às
vezes, é ocasião da reconciliação deles com a Igreja e de retorno à prática
sacramental.
Os comungantes, para ter acesso a esse sacramento, além de receber
uma preparação específica, foram anteriormente catequizados para receber o
sacramento da Penitência e ser assim educados imediatamente "na iniciação do
estado de graça", sem o qual não se pode assumir dignamente o Corpo do
Senhor.

ORDEM

É o sacramento que confere a alguém poder espiritual em virtude da


graça particular que o torna apto a exercer as várias tarefas eclesiais e
eclesiásticas. Em primeiro lugar, a de celebrar a Eucaristia, além do poder de
perdoar ou não os pecados no exercício do sacramento da Penitência: é o poder
sobre o Corpo Real e sobre o Corpo Místico de Cristo.
Esse sacramento tem sua origem no ato de Jesus ao escolher um grupo
de apóstolos e discípulos para continuar Sua ação no mundo. Já no Novo
Testamento, nos Atos dos Apóstolos e Cartas de Paulo aparece uma primeira
hierarquia, com tarefas específicas, mas subordinadas: bispos-presbíteros, que
tornam atual o "memorial" eucarístico e a pregação, e diáconos, que exercem
os ministérios da colaboração no culto e da caridade fraterna com os
necessitados. Num documento oficial do século III, qual seja, a carta do papa
Cornélio I ao bispo Fábio de Antioquia, já se expressam, com os nomes
específicos, os três graus da ordem sagrada:
- Bispo, um só nas diversas comunidades,
- Presbíteros, também chamados padres ou sacerdotes,
- Diáconos.
- A Igreja latina, com o tempo, distinguiu entre "ordens maiores" e "ordens
menores", cada uma delas conferida com ritos específicos:
- Ordens maiores: compreendem bispos, presbíteros, diáconos,
subdiáconos.
- Ordens menores: compreendem ostiário, leitor, exorcista, acólito.
A Igreja grega considera-as todas ordens menores conferidas com ritos
especiais, que não são considerados sacramento. O concílio de Trento limitou-
se a definir que na Igreja católica, por instituição divina, há uma hierarquia; a
compreende-la:
- Os bispos, incumbidos do governo pastoral, "munus regendi";
- Os presbíteros, encarregados do culto divino, "munus liturgicum";
- Os diáconos, encarregados do ensinamento, "munus docendi".
O sacramento em si deriva o nome do latim "ordo", ou seja, "grau". Os
ministérios conferidos pela ordenação são insubstituíveis e definem a estrutura
orgânica e interdependente da Igreja. O ministro do sacramento é o bispo, que
consagra por meio da imposição das mãos, da sagrada unção e de uma oração
consecratória específica ao Espírito Santo: tudo acontece dentro da celebração
eucarística, com rito solene.
Três são os momentos principais da administração desse sacramento:
- Ritos de introdução.
- Rito de consagração.
- Ritos explicativos.
Os ritos de introdução, idênticos para as três ordens, compreendem a
chamada dos candidatos e a apresentação ao bispo ministrante, a atestação da
idoneidade deles e a eleição por parte do bispo à ordem a que se candidatam, a
homilia do bispo ordenante, o diálogo entre bispo e candidatos com a promessa
de obediência destes últimos representada pelo gesto de colocar as próprias
mãos juntas nas do bispo (para os bispos, nas do papa), o canto das ladainhas
dos santos com a prostração dos candidatos.
O rito de consagração cumpre-se com a imposição das mãos do bispo
sobre a cabeça dos candidatos; aqui se dá a primeira hierarquização: se
diácono impõe as mãos só o bispo; se presbítero, impõem as mãos o bispo e, a
seguir, cada presbítero presente ao rito; na ordenação episcopal impõem as
mãos também todos os bispos presentes e, a seguir, dois diáconos seguram
sobre a cabeça dele um evangelho aberto para significar que ele está
submetido à Palavra de Deus; tudo acontece em silêncio. Depois vem a oração
consecratória, específica para cada ordem: proclamada somente pelo bispo,
para presbíteros e diáconos; por todos os bispos presentes, para o bispo; a
assembléia adere com o próprio "Amém".
Os ritos explicativos fazem uso de gestos e ações para representar o que
aconteceu: os diáconos recebem as vestes litúrgicas de seu grau, ou seja, a
estola e a damática; os presbíteros vestem a estola e a casula, e o bispo unge
suas mãos com o crisma sagrado; na consagração episcopal unge-se a cabeça;
depois, diáconos e bispos recebem o livro do evangelho, enquanto os
presbíteros recebem o pão sobre a patena e o cálice do vinho para a celebração
eucarística; os bispos recebem também as insígnias de seu grau, ou seja, o
anel, a mitra, o bastão pastoral, e são convidados a se sentar sobre a cátedra
episcopal. Tudo se conclui com o abraço e o beijo da paz. Os candidatos à
consagração, na Igreja romana, devem satisfazer aos seguintes requisitos: - ser
homens - ser batizados - estar dispostos ao celibato pelo Reino, o que deve ser
expresso publicamente por livre vontade.
O sacramento imprime um caráter indelével e cabe à autoridade da
Igreja a responsabilidade e a decisão última de aceitar os candidatos ao
sacerdócio, depois de uma adequada preparação doutrinal, pastoral, litúrgica,
evangélica e espiritual no seminário. O concílio Vaticano II estabeleceu o
"diaconato", do grego "diákonos", "servidor", como grau permanente conferível
também a homens casados. Nas comunidades cristãs primitivas, o diaconato
era conferido também às mulheres, em geral viúvas; atualmente, essa
instituição permanece em muitas Igrejas protestantes. O "sacerdote", do latim
"sacer-facere", é o mediador entre o homem e Deus no exercício do culto
sagrado; entre católicos e ortodoxos, ele recebeu o sacramento da ordem.
Os sacerdotes são chamados "regulares" quando estão vinculados à regra
de uma ordem religiosa; "seculares" ou diocesanos, quando dependem
diretamente do bispo e operam no âmbito da diocese de sua jurisdição. Na
liturgia protestante, aquele que preside a assembléia chama-se "pastor", é
ministro do culto e não tem ordem sacra. O "bispo", do grego "epíscopos", do
verbo "epi-scopein", ou seja, "vigiar", sucessor dos apóstolos, recebe com a
consagração episcopal a missão de santificar, ensinar e governar o povo de
Deus a ele confiado e circunscrito no âmbito de um território, definido como
"diocese", do grego "dioíkesis", "administrador da casa". Somente o papa tem o
poder de erigir, modificar ou suprimir uma diocese. Atualmente, estão em vigor
três modos de nomear os bispos:
- Eleição, nomeação, ou designação da autoridade civil;
- Legítima eleição, segundo o direito universal, confirmada pelo romano
pontífice, que confere a missão canônica;
- Livre nomeação por parte do romano pontífice; é o modo principal em
uso na Igreja latina.
O bispo deve ter pelo menos 35 anos de idade e 5 de sacerdócio ativo. Os
bispos, depois, distinguem-se em:
- Diocesanos sufragâneos, quando dependem de um metropolita e fazem
parte de uma província eclesiástica;
- Diocesanos isentos, quando depende diretamente da Santa Sé;
- Titulares coadjutores, quando servem de ajuda ao bispo diocesano, com
direito de sucessão;
- Titulares auxiliares, de ajuda ao bispo diocesano, com ou sem faculdades
especiais;
- Eméritos, se perderam o ofício por limite de idade ou por renúncia
aceita.

MATRIMÔNIO

Este sacramento é o que sanciona diante de Deus a união completa da


pessoa e da vida de um homem e de uma mulher. Uma vez que o matrimônio é
uma festividade solene para quem o contrai e para todos os que partilham de
sua alegria, a Igreja nega-se a celebrá-lo nos tempos do Advento e da
Quaresma, dado seu caráter penitencial, ou o consente, porém de forma
simples. O termo deriva do latim "matris" e "munus", com o significado de dom-
compromisso recíproco. Sua instituição fundamenta-se na origem bíblica da
espécie: "Deus criou o homem à sua imagem... macho e fêmea Ele os criou"(Gn
1,27) e ainda: "... deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher e se
tornarão uma só carne" (Gn 2,24).
Seu fundamento jurídico e ético baseia-se no consenso dos contraentes e
contempla a unidade, a indissolubilidade, a disponibilidade para procriar.
Durante os primeiros séculos do cristianismo, o matrimônio não tinha liturgia
própria; a partir do século IV, começou-se a abençoar os anéis e, em seguida, o
objeto específico da bênção foi o véu e a esposa. Com a reforma litúrgica do
concílio Vaticano II, entrou em vigor um ritual mais conforme ao novo direito
de igualdade jurídica do homem e da mulher e mais exemplificativo do
significado profundo próprio desse "contrato". Um aspecto essencial foi a
inserção da celebração dentro da missa. A liturgia do sacramento articula-se
em quatro momentos:
- As perguntas.
- O consentimento.
- A bênção e a troca dos anéis.
- A oração dos fiéis.
Os ministros do sacramento são os próprios esposos, que contraem
diante de Deus o pacto de aliança recíproca, segundo o exemplo daquela que
Deus quis selar com a humanidade: o sacerdote é sua testemunha e mediador
litúrgico. A tríplice bênção sobre o casal indica a associação deste ao mistério
eucarístico.

UNÇÃO DOS ENFERMOS

A Unção dos Enfermos é um dos sete sacramentos. Na perspectiva do


Vaticano II, também o rito para os doentes foi renovado; não se fala mais de
Extrema Unção, como se fosse um subterfúgio mágico que se apoiasse na
inconsciência agônica do moribundo. É um autêntico sacramento de ajuda e de
apoio ao doente para que suporte o limite que a doença grave lhe traz, além de
ser um fortificante do corpo para que lute contra a própria doença com a
vontade confiante de sarar, pois a vida é um dom de Deus que sempre se deve
sustentar e desejar. Esta nova ótica esbarra, naturalmente, no cientismo
moderno, que tende a ver na morte a libertação de um mal definido como
irreversível. O sacramento da Unção supõe, portanto, a plena consciência do
sujeito que o recebe, porque se põe no plano do evento salvífico: "Por esta
santa unção e sua piíssima misericórdia, te ajude o Senhor com a graça do
Espírito Santo. Amém. E, libertando-te dos pecados, te salve e, em sua
bondade, te reerga. Amém”.
Este sacramento tem a finalidade de conferir uma graça especial ao
cristão que experimenta as dificuldades e os sofrimentos da doença ou da
velhice; pode ser administrado até mais de uma vez, segundo o agravamento
do estado da doença. O ministro do sacramento é apenas o sacerdote, que usa
o óleo bento pelo bispo ou pelo próprio sacerdote celebrante. No rito romano, a
unção é feita sobre as mãos e sobre a fronte do doente; no rito oriental,
também sobre outras partes do corpo e é acompanhada por uma oração
específica. Seus efeitos são:
- A união do doente à Paixão de Cristo para o próprio bem e de toda
a Igreja;
- O conforto, a paz, a coragem para suportar cristãmente o mal;
- O perdão dos pecados, se já não tiver sido obtido com o sacramento
da penitência;
- A recuperação da saúde, se isso ajudar a salvação espiritual;
- A preparação da passagem para a vida eterna.
A Igreja pede que a administração da Unção dos Enfermos seja um ato
comunitário com a presença dos familiares e parentes; para o rito não se
exigem alfaias especiais: basta uma vela acesa e uma mesa adequadamente
preparada se a essa administração se associar, por vontade do doente, a da
eucaristia.
Os 7 Pecados Capitais

Orgulho (Soberba)
Inveja
Ira (Cólera)
Preguiça
Avareza
Gula
Luxúria

O problema do mal e dos atos considerados contrários aos preceitos


divinos ocupa lugar central na doutrina cristã e teve influência determinante
na elaboração discursiva do medievo. O pecado encontra-se na reflexão de
teólogos, filósofos, moralistas, pregadores, mas também em obras literárias e
testemunhos iconográficos cristãos. A definição de Santo Agostinho, segundo a
qual o pecado é "uma palavra, uma ação ou um desejo contrário à lei divina"
(Contra Faustum, XX, 27) teve ampla aceitação entre os letrados, e a idéia do
pecado motivou a produção de gêneros textuais variados (Libri paenitentiales,
Summae confessorum) e o estabelecimento de gradações, distinções, enfim,
classificações sobre os tipos, as formas, as relações entre atos e pensamentos
pecaminosos.
A lista dos pecados capitais foi esboçada pelos primeiros pensadores
cristãos, aperfeiçoada no século V por João Cassiano e fixada definitivamente
por Gregório Magno, no fim do século VI. Este esquema baseava-se na
existência de sete pecados principais, hierarquicamente organizados num
grande exército, onde o orgulho (superbia) exercia a função de comandante
supremo, seguido dos seis outros vícios, quer dizer, a inveja (invidia), a cólera
(ira), a tristeza ou preguiça (accidia), a avareza (avaritia), a gula e a luxúria, os
quais, por sua vez, conduziam uma multidão de pecados secundários. Embora
tivessem existido outras formas de classificação (a divisão entre pecados
mortais e veniais; pecados de pensamentos, palavras ou obras), a dos pecados
capitais foi a mais difundida e a que mais exerceu influência na cultura
medieval.
Deste modo, na Idade Média a concepção do tempo, a organização do
espaço, os elementos que integravam os sistemas de valores, toda a vida e
visão de mundo girava em torno da presença do pecado. A esta "cultura do
pecado" pode-se associar um complexo de práticas penitenciais bem como o
desenvolvimento da idéia e prática da confissão, que conheceu grande
desenvolvimento a partir do século XIII.