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NÍVEL MÉDIO

PORTUGUÊS
SUMÁRIO

AULA 01 ....................................................................................................................................................... 2
AULA 02 ....................................................................................................................................................... 6
AULA 03 ..................................................................................................................................................... 10
AULA 04 ..................................................................................................................................................... 13
AULA 05 ..................................................................................................................................................... 15
AULA 06 ..................................................................................................................................................... 18
AULA 07 ..................................................................................................................................................... 22
AULA 08 ..................................................................................................................................................... 25
AULA 09 ..................................................................................................................................................... 28
AULA 10 ..................................................................................................................................................... 30
AULA 11 ..................................................................................................................................................... 34
AULA 12 ..................................................................................................................................................... 37
AULA 13 ..................................................................................................................................................... 40
AULA 14 ..................................................................................................................................................... 43
AULA 15 ..................................................................................................................................................... 45
AULA 16 ..................................................................................................................................................... 48
AULA 17 ..................................................................................................................................................... 52
AULA 18 ..................................................................................................................................................... 55
AULA 19 ..................................................................................................................................................... 57
AULA 01

LEI Nº 4.898/1965
LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE.

GENERALIDADES - ABUSO DE AUTORIDADE -

01. SUJEITO ATIVO -

1.1. CLASSIFICAÇÃO - é crime próprio, uma vez que só poderá ser praticado por autoridade pú-
blica. O art. 5° afirma que é autoridade aquele que exerce cargo, emprego ou função pública,
de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração.

1.2. CRIMES FUNCIONAIS - Os crimes de abuso de autoridade são classificados como crimes
funcionais, uma vez que são praticados por autoridade pública e dentre os bens jurídicos pro-
tegidos temos o regular funcionamento da administração pública.

1.3. NÃO PODERÃO SER SUJEITOS ATIVOS DO CRIME -

 Aposentado, Demitido e Exonerado -

 Aquele que “munus público‖ - é uma obrigação que deve ser exercida por alguém
atendendo ao poder público, essa obrigação decorre de lei. Exemplos: Tutor; Curador;
Inventariante judicial; Administrador de massa falida; Depositário judicial;

1.4. PODERÃO SER SUJEITOS ATIVOS DO CRIME - SÃO AUTORIDADES -

 Mesário Eleitoral -
 Defensor dativo - Informativo 579 - Defensor Dativo é equiparado a funcionário público
para fins penais.
"O advogado que, por força de convênio celebrado com o Poder Público, atua de forma re-
munerada em defesa dos agraciados com o benefício da Justiça Pública, enquadra-se no
conceito de funcionário público para fins penais (Precedentes)" (REsp. n. 902.037/SP, Rel.
Min. FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 17/4/2007, DJ de 4/6/2007). Precedentes.
Sendo equiparado a funcionário público, possível a adequação típica aos crimes previstos nos
artigos 312 e 317 do Código Penal.

 Autoridade em férias, de licença, praticado fora do exercício da função.

 Particular - Concurso de Pessoas - É possível que um particular pratique o deito de abuso


de autoridade em concurso de pessoas com autoridade pública, fundamento no arts. 29 e 30
do Código Penal (CP). Vejamos:

02. SUJEITO PASSIVO - Aqui, temos um delito de dupla subjetividade passiva. Vejamos: Estado, titular da
administração pública e a é a pessoa física ou jurídica que, eventualmente, sofre a lesão ao seu bem
jurídico protegido.

03. Bem Jurídico Protegido - Cada um dos tipos penais protege um bem jurídico previsto na Constituição
Federal de 1988. Dentre eles, temos:

04. ELEMENTO SUBJETIVO - DOLO - Só há crime de abuso de autoridade na modalidade dolosa. Não
crime de abuso de autoridade na modalidade culposa.
05. TENTATIVA - Deve ser analisado de acordo com o tipo do crime previsto na Lei. Vamos lá;

 Art. 3º - Não admite a tentativa - Crimes de Atentado - também chamados de delitos de em-
preendimento.

 Delitos do art. 4° - Os crimes previstos no art. 4°, como regra, admitem a tentativa. No entanto, há
exceções. Vejamos:

Art. 4° - (...)
c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer
pessoa;

d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunica-
da;

i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança, deixando


de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade.

Obs: Omissivos próprios ou puros - Esses delitos não admitem a tentativa porque são crimes
omissivos próprios ou puros, também chamados de omissivos simples.

06. AÇÃO OU OMISSÃO - Os crimes previstos na Lei 4898/65 poderão ser praticados mediante ação ou
omissão, a depender o caso concreto.

07. ROL TAXATIVO - O rol de crimes previstos na Lei 4898 de 1965 é taxativo. Desta forma, só é crime de
abuso de autoridade o que está previsto na lei.

08. COMPETÊNCIA - A competência será da Justiça comum, federal ou estadual.

09. ABUSO DE AUTORIDADE PRATICADO POR MILITAR EM SERVIÇO -

No ano de 2017, no dia 16 de outubro, foi publicada a Lei 13.491, que modificou o Código Penal Militar
e ampliou a competência da Justiça Militar. Esta lei ampliou o rol dos crimes de natureza militar, alte-
rando o inciso II do art. 9º do Código Penal Militar.

Lei 13.491/2017 – NOVA REDAÇÃO - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR -

Art. 9º. Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:

II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, quando praticados:

9.1. SÚMULAS SUPERADAS -

Súmula 90/STJ - “Compete à Justiça Estadual Militar processar e julgar o policial militar pela prática
do crime militar, e à Comum pela prática do crime comum simultâneo àquele.”

Súmula 172/STJ - “Compete à Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso de au-
toridade, ainda que praticado em serviço.”

Essas súmulas foram superadas, pois, com o advento a Lei 13.491/17, os crimes de abuso de autorida-
de praticados por militar em serviço são crimes militares e, portanto, serão julgados pela Justiça Militar.
10. DOS CRIMES EM ESPÉCIE - (ART. 3°)

GENERALIDADES -

CRIMES DE ATENTADO - TENTATIVA - é aquele em que a lei pune de forma idêntica o crime consumado
e a forma tentada, isto é, não há diminuição da pena em face da tentativa.

DIREITOS RELATIVOS - Conforme o entendimento do STF, os direitos e garantias individuais não têm
caráter absoluto.

Nas palavras do Ministro Celso de Mello,

“Não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter abso-
luto, mesmo porque razões de relevante interesse público ou exigências derivadas do princípio de
convivência das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a adoção, por parte dos órgãos
estatais, de medidas restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde que respeitados os
termos estabelecidos pela própria Constituição...”

Art. 3º. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:

a) à liberdade de locomoção;

 Previsão no art. 5°, inciso XV da CF. ―é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz,
podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;”

 Estrito cumprimento do dever legal - Não há crime.

b) à inviolabilidade do domicílio;

 Previsão no art. 5°, inciso XI da CF. Vejamos: “a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela
podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou
para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;”

 Estrito cumprimento do dever legal - Não há crime.

c) ao sigilo da correspondência;

 Previsão no art. 5°, inciso XII, CF - “XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunica-
ções telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judi-
cial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução
processual penal.”
 Diretor do Estabelecimento Prisional - Os fundamentos para tal decisão se baseiam preserva-
ção da segurança pública, disciplina prisional e a própria preservação da ordem jurídica.
Desta forma, à privacidade e à intimidade do preso não pode servir como ―escudo‖ para pratica de
crimes. Nas palavras do Min. Celso de Mello "a cláusula tutelar da inviolabilidade do sigilo epis-
tolar não pode constituir instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas" (H.C. 70.814-5/SP,
DJ de 24-6-1994, Rel. Min. Celso de Mello).

d) à liberdade de consciência e de crença;

e) ao livre exercício do culto religioso;

 Previsão no art. 5°, inciso VI e VIII, CF -


f) à liberdade de associação;

h) ao direito de reunião;

A proteção a esses bens jurídicos tutelados têm amparo constitucional, conforme previsão no art. 5°,
inciso XVII e XVIII. Vejamos

XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;

XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização,


sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;

XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado

g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto;

i) à incolumidade física do indivíduo;

 A proteção a esses bens jurídicos tutelados têm amparo constitucional, conforme previsão nos se-
guintes artigos. Vejamos:

III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.


XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

 Atentado à incolumidade física do indivíduo versus Crime de tortura;

 Atentado à incolumidade física do indivíduo versus Lesão Corporal -

 Violência arbitrária - Art. 322 do Código penal - Revogação -

Crime este previsto no CP com o seguinte texto:

Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la:


Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da pena correspondente à violência.

A doutrina diverge quanto à revogação ou não desse crime. Citamos o seguinte julgado do STJ e
STF -

HABEAS CORPUS. PENAL. CP , ART. 322 . CRIME DE VIOLÊNCIA ARBITRÁRIA. REVOGA-


ÇÃO PELA LEI N. 4.898 /65. INOCORRÊNCIA. O artigo 322 do Código Penal , que tipifica o crime
de violência arbitrária, não foi revogado pelo artigo 3º, alínea i da Lei n. 4.898 /65 ( Lei de Abuso
de Autoridade ). Precedentes. Recurso ordinário em habeas corpus não provido.
STF - RECURSO EM HABEAS CORPUS RHC 95617 MG (STF)
Data de publicação: 16/04/2009

HABEAS CORPUS. PENAL. ARTIGO 322 DO CÓDIGO PENAL . CRIME DE VIOLÊNCIA ARBI-
TRÁRIA. EVENTUAL REVOGAÇÃO PELA LEI N.º 4.898 /65. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES
DO STF. 1. O crime de violência arbitrária não foi revogado pelo disposto no artigo 3º , alínea i,
da Lei de Abuso de Autoridade . Precedentes da Suprema Corte. 2. Ordem denegada.

STJ - HABEAS CORPUS HC 48083 MG 2005/0155584-0 (STJ)


Data de publicação: 07/04/2008

j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional.


AULA 02

LEI Nº 4.898/1965
LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE.

Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:

a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as formalidades legais ou com
abuso de poder;

 Constituição Federal - Art. 5° - LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por
ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de
transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei.

 PRISÃO ADMINISTRATIVA - Portanto, com base na explicação acima, não é possível a pri-
são decretada por autoridade administrativa em respeito ao preceito constitucional.

 PRISÃO PARA AVERIGUAÇÃO

 VÍTIMA CRIANÇA OU ADOLESCENTE - Crime previsto no ECA (Lei Nº 8.069/90), em obe-


diência ao Princípio da Especialidade. Vejamos:

Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão
sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária
competente

b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em
lei;

 USO DE ALGEMAS - No que diz respeito ao uso de algemas, se não estiverem presentes situa-
ções previstas na Súmula Vinculante 11, poderá configurar Abuso de Autoridade.
Súmula Vinculante 11 - Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio
de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justifi-
cada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agen-
te ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da
responsabilidade civil do Estado.

 VÍTIMA CRIANÇA OU ADOLESCENTE - Configura crime previsto no ECA (Lei Nº 8.069/90), em


obediência ao Princípio da Especialidade. Vejamos:

Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a
constrangimento:
Pena - detenção de seis meses a dois anos

c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pes-


soa;

 CF - Art. 5° - LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados
imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;

 CRIME OMISSIVO PRÓPRIO OU PURO - Esses delitos não admitem a tentativa porque são crimes
omissivos próprios ou puros, também chamados de omissivos simples. Desta forma, a simples
omissão, a simples abstenção, já configura o crime. Não é necessário o resultado naturalístico. Por-
tanto não admitem a tentativa.

 VÍTIMA CRIANÇA OU ADOLESCENTE - Configura crime previsto no ECA (Lei Nº 8.069/90), em


obediência ao Princípio da Especialidade. Vejamos:

Art. 231. Deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou adolescente
de fazer imediata comunicação à autoridade judiciária competente e à família do apreendido
ou à pessoa por ele indicada:

Pena - detenção de seis meses a dois anos

d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada;

 CF- Art. 5° - LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

 CRIME OMISSIVO PRÓPRIO OU PURO -


 TENTATIVA -
 VÍTIMA CRIANÇA OU ADOLESCENTE - Se a vítima for criança ou adolescente, configura crime
previsto no ECA (Lei Nº 8.069/90), em obediência ao Princípio da Especialidade. Vejamos:

Art. 234. Deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata liberação de
criança ou adolescente, tão logo tenha conhecimento da ilegalidade da apreensão:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.

e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança, permitida em lei;

 Art. 5°. - LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade
provisória, com ou sem fiança;

 SUJEITO ATIVO - Autoridade Policial e Juiz.

 CRIMES QUE NÃO CABEM FIANÇA -

f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem, custas, emolumentos ou qual-


quer outra despesa, desde que a cobrança não tenha apoio em lei, quer quanto à espécie quer quan-
to ao seu valor;

g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de


carceragem, custas, emolumentos ou de qualquer outra despesa;

h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando praticado com abu-
so ou desvio de poder ou sem competência legal;
 CF - ART. 5º, X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

 SUJEITOS PASSIVOS - Tanto a Pessoa física como a Pessoa Jurídica.

i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança, deixando de ex-


pedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade.
 CF- Art. 5° - LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo le-
gal;

 ELEMENTO SUBJETIVO - Só é punido a título de dolo.

 CRIME OMISSIVO PRÓPRIO OU PURO -

 TENTATIVA -

 SUJEITOS ATIVOS - Juiz, Delegados de Polícia ou Autoridade ou Diretor de Estabelecimento


Prisional.

LEI DE ABUSO DE ESTATUTO DA CRIANÇA


AUTORIDADE (LEI 4898/65) E ADOLESCENTE (LEI 8069/90)
Art. 4º Constitui também abuso de autorida- Art. 230. Privar a criança ou o adolescente
de: de sua liberdade, procedendo à sua apreen-
são sem estar em flagrante de ato infracional
a) ordenar ou executar medida privativa da ou inexistindo ordem escrita da autoridade
liberdade individual, sem as formalidades judiciária competente:
legais ou com abuso de poder;

Art. 4º Constitui também abuso de autorida- Art. 232. Submeter criança ou adolescente
de: sob sua autoridade, guarda ou vigilância a
vexame ou a constrangimento.
b) submeter pessoa sob sua guarda ou cus-
tódia a vexame ou a constrangimento não
autorizado em lei;

Art. 4º Constitui também abuso de autorida- Art. 231. Deixar a autoridade policial res-
de: ponsável pela apreensão de criança ou ado-
lescente de fazer imediata comunicação à
c) deixar de comunicar, imediatamente, ao autoridade judiciária competente e à família
juiz competente a prisão ou detenção de do apreendido ou à pessoa por ele indicada:
qualquer pessoa;

Art. 4º Constitui também abuso de autorida- Art. 234. Deixar a autoridade competente,
de: sem justa causa, de ordenar a imediata libe-
ração de criança ou adolescente, tão logo
d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de tenha conhecimento da ilegalidade da apre-
prisão ou detenção ilegal que lhe seja comu- ensão:
nicada;
Art. 4º Constitui também abuso de autorida- Art. 235. Descumprir, injustificadamente,
de: prazo fixado nesta Lei em benefício de ado-
i) prolongar a execução de prisão temporá- lescente privado de liberdade:
ria, de pena ou de medida de segurança,
deixando de expedir em tempo oportuno ou
de cumprir imediatamente ordem de liberda-
de. (Incluído pela Lei nº 7.960, de
21/12/89)
AULA 03

LEI Nº 4.898/1965
LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE.

01. DO DIREITO DE REPRESENTAÇÃO

Art. 1º O direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa civil e penal, con-


tra as autoridades que, no exercício de suas funções, cometerem abusos, são regulados pela presente lei.

Art. 2º O direito de representação será exercido por meio de petição:

a) dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar, à autoridade civil ou militar
culpada, a respectiva sanção;

b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-crime contra a
autoridade culpada.

Parágrafo único. A representação será feita em duas vias e conterá a exposição do fato constitutivo
do abuso de autoridade, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado e o rol de testemu-
nhas, no máximo de três, se as houver.

1.1. NATUREZA JURÍDICA DA REPRESENTAÇÃO - MINISTÉRIO PÚBLICO -

A representação ao Ministério Público não é condição objetiva de procedibilidade para dá inicio ao


processo contra aquele que cometeu abuso de autoridade.
A natureza jurídica da representação é de notítia criminis (ou notícia-crime). Por fim, a os crimes pre-
vistos na 4898/65 são de ação penal pública incondicionada. Inclusive é o que está expresso na lei
5.249/67, que dispõe sobre a natureza da ação Pública de Crimes de Responsabilidade. Vejamos:

Art. 1º - A falta de representação do ofendido, nos casos de abusos previstos na Lei nº 4.898, de 9
de dezembro de 1965, na obsta a iniciativa ou o curso de ação pública.

PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE – LEI Nº


4.898/65. FALHA NA REPRESENTAÇÃO INSTAURAÇÃO DA AÇÃO PENAL. ART.1º DA LEI N°
5.249/67.

Em se tratando de crime de abuso de autoridade – Lei nº 4.898/65 - eventual falha na representa-


ção, ou sua falta, não obsta a instauração da ação penal. Isso nos exatos termos do art. 1º da Lei n°
5.249/67, que prevê, expressamente, não existir, quanto aos delitos de que trata, qualquer condição
de procedibilidade. (HC 19.124/RJ, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em
02/04/2002, DJ 22/04/2002, p. 226).

1.2. PROCESSO E JULGAMENTO - A lei 4898/65 traz como pena a detenção de 10 dias a 6 meses.
Dessa forma, o seu processo e julgamento será de acordo com as regras dos Juizados Especiais
Criminais. Assim, não se aplica o procedimento previsto na Lei de Abuso de autoridade.

HABEAS CORPUS. CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE. COMPETÊNCIA PARA PROCESSA-


MENTO E JULGAMENTO. JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL. CRIME DE MENOR POTENCIAL
OFENSIVO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA.
1. O rito previsto na Lei dos Juizados Especiais deve ser empregado, mesmo quando da ocorrência
de crimes que prevêem procedimento próprio, como, in casu, a Lei 4.898, de 9 de dezembro de 1965
(Lei de Abuso de Autoridade);

2. Reconhecendo-se a competência absoluta do Juizado Especial para processar e julgar a conduta


imputada ao paciente, imperioso o reconhecimento da extinção da punibilidade pela ocorrência da
prescrição, eis que afastada a causa interruptiva (recebimento da denúncia.)

HC 36429 / MG, Ministro Hélio Quaglia Barbosa, 6º Turma, DJ 17/12/2004

02. DAS SANÇÕES -

Art. 6º O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa civil e penal.

2.1. SANÇÃO ADMINISTRATIVA -

§ 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e consis-
tirá em:

a) advertência;

b) repreensão;

c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias, com perda de
vencimentos e vantagens;

d) destituição de função;

e) demissão;

f) demissão, a bem do serviço público.

2.2. SANÇÃO CIVIL -

§ 2º A sanção civil, caso não seja possível fixar o valor do dano, consistirá no pagamento de uma
indenização de quinhentos a dez mil cruzeiros.

2.3. SANÇÃO PENAL

§ 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e
consistirá em:

a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;

b) detenção por dez dias a seis meses;

c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo até
três anos.

2.3.1. NATUREZA DA SANÇÃO PENAL -

Tem natureza de pena principal, não sendo caracterizado como mero efeito secundário da conde-
nação. Nesse sentido, STJ
RECURSO ESPECIAL. LEI 4.898/65. ABUSO DE AUTORIDADE. PRESCRIÇÃO.

1. A pena de detenção, porque privativa de liberdade, é a sanção de natureza penal mais grave comina-
da aos crimes de abuso de autoridade.
2. A prescrição da pretensão punitiva, para os crimes previstos na Lei nº 4.898/65, ocorre, in abstrato, em
2 anos, à luz do que determina o artigo 109, inciso VI, da lei material penal.
3. A pena de perda do cargo e inabilitação para o exercício de função pública, prevista no artigo
6º, parágrafo 3º, alínea c, da Lei nº 4.898/65, é de natureza principal, assim como as penas de multa e
detenção, previstas, respectivamente, nas alíneas a e b do mesmo dispositivo, em nada se confundindo
com a perda do cargo ou função pública, prevista no artigo 92, inciso I, do Código Penal, como efeito da
condenação. 4. Recursos especiais prejudicados, em face da declaração da extinção da punibilidade do
crime. (STJ - REsp: 279429 SP 2000/0097650-4, Relator: Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Data de
Julgamento: 21/10/2003, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJ 15.12.2003 p. 411RSTJ vol. 187
p. 535)

2.3.2. INSTITUTOS CABÍVEIS -

 PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE - detenção por dez dias a seis meses

Sursis da Pena - Poderá ser aplicado, desde que presente os requisitos do art. 77 do CP.

Sursis processual - Poderá ser aplicado, desde que presente os requisitos do art. 89 da Lei
9.099/95.

Pena Restritiva de Direito - Poderá ser aplicado, desde que presente os requisitos do art. 44 do
CP

Transação penal - A transação penal poderá ser conceituada como um acordo entre o Ministério
Público (MP) e o autor do fato, no qual o MP propõe uma pena alternativa ao réu, como uma pena
restritiva de direito ou multa. Nesse caso, será dispensada a instauração do processo. Portanto,
atendendo a algumas condições, o MP deixa de promover a ação.

Informativo nº 0169 - STJ - ABUSO DE AUTORIDADE. TRANSAÇÃO PENAL.

―É possível propor a transação penal no crime de abuso de autoridade (Lei n. 4.989/1965), visto que
a Lei n. 10.259/2001 não exclui da competência do Juizado Especial Criminal os crimes que possu-
am rito especial.‖

(HC 22.881-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 8/4/2003

2.4. APLICABILIDADE -

§ 4º As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumulativamente.

§ 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar, de qualquer ca-
tegoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o acusado exercer fun-
ções de natureza policial ou militar no município da culpa, por prazo de um a cinco anos.

01. (2016/ CESPE - PC-PE - Escrivão de Polícia) Para os efeitos da referida lei, são considerados au-
toridade aqueles que exercem um munus público, como, por exemplo, tutores e curadores dativos,
inventariantes, síndicos e depositários judiciais
02. (2016/ CESPE - PC-PE - Escrivão de Polícia) Nessa lei, há condutas tipificadas que caracterizam
crimes próprios e crimes impróprios, admitindo-se as modalidades dolosa e culposa.

03. (2016/ CESPE - PC-PE - Escrivão de Polícia) O particular coautor ou partícipe, juntamente com o
agente público, em concurso de pessoas, responderá por outro crime, uma vez que a qualidade de
autoridade é elementar do tipo.

04. (2016/ CESPE - PC-PE - Escrivão de Polícia) Não há crime de abuso de autoridade por conduta
omissiva, já que, para tanto, deve ocorrer a prática de ação abusiva pelo agente público.

05. (CESPE/2016 TRT - 8ª Região (PA e AP) Analista judiciário - Oficial de Justiça Avaliador Fede-
ral) A representação prevista na lei que trata dos crimes de abuso de autoridade é mera notícia do
fato criminoso, inexistindo condição de procedibilidade para a instauração da ação penal.

GABARITO
01 02 03 04 05
E E E E C

AULA 04

LEI N° 10.826, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2003.


Dispõe sobre o Estatuto do desarmamento

INTRODUÇÃO - A Lei N. 10.826/03 pune diversas condutas, como a posse e o porte de arma de fogo sem autoriza-
ção ou em desacordo com a legislação, o comércio, o tráfico e o disparo. Com a punição para essas condutas, quer o
legislador evitar que as mesmas citadas acima não evoluam para crimes mais graves.

GENERALIDADES RELACIONADAS AOS CRIMES PREVISTOS -

 OBJETO JURÍDICO - O Estatuto do Desarmamento (Lei N. 10.826/03) protege diversos bens jurídi-
cos, tendo como o principal a incolumidade Pública ou seja, preservação da segurança pública e a
paz social.

Informativo 570 do STJ - Conforme o texto retirado o Informativo 570 do STJ, o ―bem jurídico de-
nominado incolumidade pública que, segundo a doutrina, compreende o complexo de bens e inte-
resses relativos à vida, à integridade corpórea e à saúde de todos e de cada um dos indivíduos que
compõem a sociedade‖.

 OBJETO MATERIAL - Arma de Fofo, Acessório, Munição, Explosivo e Incendiário. Os conceitos


desses objetos materiais estão no Decreto 3.665 de 2000 e o Decreto 5.123/2004.
Obs.: Portanto trata-se uma norma penal em branco heterogênea.

 Crime de perigo abstrato - Crime de Perigo Presumido -


O crime de perigo abstrato é aquele que, para sua configuração, não é necessária a efetiva exposi-
ção a uma situação de risco. Ele dispensa a comprovação de que a vítima foi exposta a uma situa-
ção real de risco.
 Crime de mera conduta - Os crimes da Lei 10.826 de 2003 são crimes de mera conduta. Uma vez
praticada a conduta descrita no tipo penal, estará consumado o crime.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL -


―O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é de mera conduta e de perigo abstrato,
ou seja, consuma-se independentemente da ocorrência de efetivo prejuízo para a sociedade, e a
probabilidade de vir a ocorrer algum dano é presumida pelo tipo penal. Além disso, o objeto jurídico
tutelado não é a incolumidade física, mas a segurança pública e a paz social, sendo irrelevante o fa-
to de estar a arma de fogo municiada ou não.‖ (HC 104.206/RS, 1.ª Turma, Rel. Min. Cármen Lú-
cia, DJe de 26/08/2010)

 TIPO PENAL PREVENTIVO - é aquele em que o legislador antecipa a tutela penal

CONCEITOS DOS OBJETOS JURÍDICOS PREVISTOS NESSA LEI -

Arma de fogo - Previsto no Decreto 3.665/00, art. 3°, XIII. Vejamos:

“arma que arremessa projéteis empregando a força expansiva dos gases gerados pela com-
bustão de um propelente confinado em uma câmara que, normalmente, está solidária a um
cano que tem a função de propiciar continuidade à combustão do propelente, além de dire-
ção e estabilidade ao projétil;”

Arma de fogo de uso permitido - Previsto no Decreto 5.123/04, art. 10. Vejamos:

“Arma de fogo de uso permitido é aquela cuja utilização é autorizada a pessoas físicas, bem como a pessoas jurídi-
cas, de acordo com as normas do Comando do Exército e nas condições previstas na Lei no 10.826, de 2003.”

Arma de fogo de uso restrito - Previsto no Decreto 5.123/04, art. 11. Vejamos:

“Arma de fogo de uso restrito é aquela de uso exclusivo das Forças Armadas, de instituições
de segurança pública e de pessoas físicas e jurídicas habilitadas, devidamente autorizadas
pelo Comando do Exército, de acordo com legislação específica.”

Acessório - Previsto no Decreto 3.665/00, art. 3°, I. Vejamos:

“engenho primário ou secundário que suplementa um artigo principal para possibilitar ou me-
lhorar o seu emprego;”

Munição - Previsto no Decreto 3.665/00, art. 3°, LXIV. Vejamos:

“artefato completo, pronto para carregamento e disparo de uma arma, cujo efeito desejado pode ser:
destruição, iluminação ou ocultamento do alvo; efeito moral sobre pessoal; exercício; manejo; outros
efeitos especiais;”
Arma branca - Tudo aquilo que não for arma de fogo, será arma branca por, ou seja, o conceito se dará por exclusão.
O porte ostensivo de arma branca, em local público, configura contravenção penal, conforme o artigo 19 do Decreto-
Lei nº 3.688/41. Nesse sentido, STJ
―A Lei 9.437/1997, ao instituir o Sistema Nacional de Armas e tipificar o crime de porte não autorizado de
armas de fogo, não revogou o art. 19 da Lei das Contravenções Penais, de forma que subsiste a contraven-
ção penal em relação ao porte de arma branca. Precedentes. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no
RHC 26.829/MG, Rel. Ministra MARILZA MAYNARD (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/SE), SEXTA
TURMA, julgado em 08/05/2014, extraído do site www.stj.jus.br).

ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO -

Registro -
Art. 5° O certificado de Registro de Arma de Fogo, com validade em todo o território nacional, autoriza o seu proprie-
tário a manter a arma de fogo exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou dependência desses, ou,
ainda, no seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa.
(Redação dada pela Lei nº 10.884, de 2004)
§ 1° O certificado de registro de arma de fogo será expedido pela Polícia Federal e será precedido de autorização do
Sinarm.

Porte -
Art. 10. A autorização para o porte de arma de fogo de uso permitido, em todo o território nacional, é de competência
da Polícia Federal e somente será concedida após autorização do Sinarm.
USO RESTRITO -

USO RESTRITO -
Registro - O Registro será emitido pelo Comando do Exército, conforme previsão no Decreto 5.123/04, em seu Art. 11
e 18; e na Lei 10.826/03, ar. 3° - Vejamos:
DECRETO 5.123/04 -

Art. 11 - “Arma de fogo de uso restrito é aquela de uso exclusivo das Forças Armadas, de instituições de se-
gurança pública e de pessoas físicas e jurídicas habilitadas, devidamente autorizadas pelo Comando do Exér-
cito, de acordo com legislação específica.”
Art. 18. Compete ao Comando do Exército autorizar a aquisição e registrar as armas de fogo de uso restrito.
§ 1° As armas de que trata o caput serão cadastradas no SIGMA e no SINARM, conforme o caso.
LEI 10.826/03 -

Art. 3° É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão competente.


Parágrafo único. As armas de fogo de uso restrito serão registradas no Comando do Exército, na forma do
regulamento desta Lei.
Porte - Caberá ao Comando do Exército autorizar, conforme artigo 27 da Lei 10.826/03. Vejamos:
Art. 27. Caberá ao Comando do Exército autorizar, excepcionalmente, a aquisição de armas de fogo de uso
restrito.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às aquisições dos Comandos Militares.

AULA 05

LEI N° 10.826, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2003.


Dispõe sobre o Estatuto do desarmamento

POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO (art. 12) - A lei 10.826/03 traz o seguinte texto -
Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência des-
ta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimen-
to ou empresa: Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

- NÚCLEO DO TIPO - “Possuir ou manter”


- ELEMENTO SUBJETIVO - Dolo, ou seja, vontade livre e consciente de praticar as condutas previstas no dispositivo
legal.
- Objeto Material - Arma de fogo, Acessório, Munição.
- Sujeito Ativo - ―Arma dentro da Residência‖ -
- Sujeito Ativo - ―Local de trabalho‖ -
- Sujeito Passivo - coletividade, sujeito passivo indeterminado.
- Crime permanente - Crime permanente é aquele em que a execução se protrai no tempo por determinação do sujei-
to ativo.

OBSERVAÇÕES SOBRE O LOCAL DO CRIME - POSSE IRREGULAR -


1. POSSUIR OU MANTER ARMA NA CASA DE TERCEIRO - Configura Porte ilegal (Art. 14)

2. LOCAL DE TRABALHO - Nesse aspecto, é necessário que o agente seja o titular ou responsável
legal da empresa.

3. LOCAL DE TRABALHO - NÃO TITULAR OU RESPONSÁVEL LEGAL DA EMPRESA - Configura


Porte ilegal (Art. 14)

4. TRANSPORTE DE ARMAS EM VEÍCULOS - MOTORISTA DE TÁXI e CAMINHÕES - PORTE


ILEGAL -

Para a doutrina e jurisprudência, transportar arma de fogo dentro do táxi ou caminhão configura cri-
me de porte ilegal de arma de fogo (art. 14) e não posse ilegal (art. 12). Nesse sentido,

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA -


1. (...)
3. No mais, melhor sorte não assiste ao agravante, visto que não é possível desclassificar o cri-
me de porte ilegal para o delito definido no artigo 12 do Estatuto do Desarmamento, conforme
pretende a Defesa. (...)
5. Ora, conquanto o recorrente seja motorista de táxi e o utilize para sua atividade laboral, es-
te não pode ser considerado como a extensão do local de trabalho.
6. A adoção de tal entendimento ocasionaria a indevida ampliação do art. 12 do Estatuto do Desar-
mamento, permitindo a qualquer profissional o livre transporte de arma de fogo em diversos locais,
sob o argumento de que o veículo conduzido consistiria em extensão do local de trabalho. (STJ,
SEXTA TURMA; Julgado em 20.05.2013; Relator Ministro OG FERNANDES)

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA -


O veículo utilizado profissionalmente não pode ser considerado local de trabalho para tipifi-
car a conduta como posse de arma de fogo de uso permitido (art. 12 da Lei n. 10.826/2003).

(...)
O Min. Relator registrou que a expressão local de trabalho contida no art. 12 indica um lugar deter-
minado, não móvel, conhecido, sem alteração de endereço. Dessa forma, a referida expressão não
pode abranger todo e qualquer espaço por onde o caminhão transitar, pois tal circunstância está sim
no âmbito da conduta prevista como porte de arma de fogo. Precedente citado: HC 116.052-MG,
DJe 9/12/2008. REsp 1.219.901-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 24/4/2012.

PRINCÍPIO A INSIGNIFICÂNCIA - POSSE (ART. 12) DE MUNIÇÃO SEM ARMA DE FOGO –


Em setembro de 2017, o STF aplicou o princípio a insignificância a um caso, onde o sujeito ativo possuía, em
sua residência, apenas uma munição de calibre 38.

―Não é possível vislumbrar, nas circunstâncias, situação que exponha o corpo social a perigo, uma vez que a
única munição apreendida, guardada na residência do acusado e desacompanhada de arma de fogo, por si
só, é incapaz de provocar qualquer lesão à incolumidade pública‖ (RHC 143.449/MS, j. 26/09/2017).
Segundo a Defensoria estadual, a mera posse de uma munição isolada, apreendida dentro da resi-
dência de S.L.D., sem a arma de fogo, atrairia o reconhecimento da atipicidade da conduta tida co-
mo delituosa, em consonância com os princípios da insignificância, proporcionalidade e razoabilida-
de.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL


ARMA DE FOGO. REGISTRO VENCIDO -

―Habeas corpus. Penal. Crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido (art. 12 da Lei nº
10.826/03). Atipicidade da conduta. Pretendido reconhecimento da existência de mera infra-
ção administrativa. (...)
Caso que se reveste de peculiaridades que tornam atípica a conduta do paciente (...) Dolo au-
sente. Não conhecimento da impetração. Concessão da ordem, de ofício, para determinar o tran-
camento da ação penal. 05/2016 - (HC 133468 / MG - 24)

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


ATIPICIDADE DA CONDUTA DE POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO COM REGIS-
TRO VENCIDO -
Não configura o crime de posse ilegal de arma de fogo (art. 12 da lei nº 10.826/2003) a conduta do agente que
mantém sob guarda, no interior de sua residência, arma de fogo de uso permitido com registro vencido. (...)
(STJ. 5ªTurma. HC 294.078/SP, Rei. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/08/2014.)

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA -


AUSÊNCIA DE REGISTRO
STJ - Posse e porte ilegal de armas de fogo e munições de uso permitido. Ausência de certificado federal.
Delegado de Polícia Civil. Irrelevância. Conduta Típica.
É típica e antijurídica a conduta de policial civil que, mesmo autorizado a portar ou possuir arma de fogo, não observa
as imposições legais previstas no Estatuto do Desarmamento, que impõem registro das armas no órgão competente.
(...)

(RHC 70.141-RJ, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, por unanimidade, julgado em 7/2/2017, DJe 16/2/2017.)
OMISSÃO DE CAUTELA – (Art. 13, CAPUT) - A lei 10.826/03 traz o seguinte texto -
Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa porta-
dora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade:
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.

CARACTERÍSTICAS DO CRIME -
Sujeito Ativo – É crime próprio, uma vez que exige uma qualidade especial.

Sujeito Passivo – O sujeito passivo é próprio, uma vez que só poderá ser sujeito passivo desse crime o menor de 18
anos ou portador de deficiência mental.
Deficiente físico - Fato Atípico - Se for imputável, maior e capaz, porém deficiente físico, o fato será atípico.
Objeto Material – Arma de Fogo.
CONTRAVENÇÃO PENAL – APODERAMENTO DE MUNIÇÃO –

Art. 19. Trazer consigo arma fora de casa ou de dependência desta, sem licença da autoridade:

Pena – prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis a três contos de réis, ou
ambas cumulativamente.

§ 2º Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis a um conto
de réis, quem, possuindo arma ou munição:
b) permite que alienado menor de 18 anos ou pessoa inexperiente no manejo de arma a tenha consigo;

c) omite as cautelas necessárias para impedir que dela.

FATO ATÍPICO – APODERAMENTO DE ACESSÓRIO – Fato atípico.

Consumação – Apoderamento da arma por parte do sujeito passivo, independente de qualquer resultado naturalísti-
co.
Elemento Subjetivo – Crime Culposo, modalidade negligência, que se caracteriza pelo ―não fazer‖, ―não observar os
deveres‖, por uma ―atitude negativa.
Entregar dolosamente arma de fogo –
Art. 14 – Portar (...) fornecer, (...) ceder... arma de fogo (...) de uso permitido.
Art. 16 – Portar (...) fornecer, (...) ceder... arma de fogo (...) de uso permitido.
Tentativa – Como se trata de crime culposo, não admite a tentativa.

CONDUTA EQUIPARADA À OMISSÃO DE CAUTELA – (Art. 13, parágrafo único) - A lei 10.826/03 traz o seguinte
texto -

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de seguran-
ça e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal per-
da, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua
guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato.

CARACTERÍSTICAS DO CRIME -
Sujeito Ativo – Por proprietário ou diretor responsável pela empresa de segurança e transporte de valores - é crime
próprio.

Sujeito Passivo - é a Coletividade.

Objeto Jurídico Protegido – a veracidade do cadastro de arma de fogo perante ao Sinarm.

Objeto Material – a arma de fogo, o acessório e munição.

Elemento Subjetivo – É o dolo, não havendo modalidade culposa.


Consumação – após 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato.
Crime Omissivo Próprio ou Puro –
Tentativa – Não admite a tentativa.

AULA 06

LEI N° 10.826, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2003.


Dispõe sobre o Estatuto do desarmamento

PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO – (ART. 14) - A lei 10.826/03 traz o seguinte texto -

Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gra-
tuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou
munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamen-
tar:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
CARACTERÍSTICAS DO CRIME –
Sujeito Ativo – é crime comum

Sujeito Ativo – Coletividade.

Objeto Material – Arma de fogo, Acessório, Munição.

Objeto Jurídico – Incolumidade Pública; Segurança pública.

Núcleo do tipo - Plurinuclear - Tipo misto alternativo. Princípio da alternatividade.


Consumação – O crime se consuma com a prática de um dos verbos previstos no tipo, independentemen-
te de qualquer resultado naturalístico.
Crime de mera conduta – são os que se consumam com a mera conduta do agente, ou seja, são crimes
sem resultado.
Tentativa – é possível.
Elemento subjetivo – dolo.

JURISPRUDÊNCIA -

TRANSPORTE DE ARMAS EM VEÍCULOS - MOTORISTA DE TÁXI e CAMINHÕES - PORTE ILEGAL –


Para a doutrina e jurisprudência, transportar arma de fogo dentro do táxi ou caminhão configura crime de
porte ilegal de arma de fogo (art. 14) e não posse ilegal (art. 12), com base nos fundamentos já citados
acima.

PORTE SIMULTÂNEO DE DUAS ARMAS DE FOGO DE USO PERMITIDO –


Se, no mesmo contexto fático, o sujeito porta duas armas de fogo, ou seja, praticando um núcleo do tipo
penal, ele responderá apenas por um crime. Nesse caso, a quantidade de armas será levada em conside-
ração na dosagem da pena.

ARMA QUEBRADA –

1. TOTALMENTE INAPTA A EFETUAR DISPAROS -

INFORMATIVO 570 - STJ - DIREITO PENAL. ATIPICIDADE DA CONDUTA DE PORTE ILEGAL


DE ARMA DE FOGO INEFICAZ. Demonstrada por laudo pericial a total ineficácia da arma de fogo
e das munições apreendidas, deve ser reconhecida a atipicidade da conduta do agente que detinha
a posse do referido artefato e das aludidas munições de uso proibido, sem autorização e em desa-
cordo com a determinação legal/regulamentar (...)

2. RELATIVAMENTE INAPTA A EFETUAR DISPAROS - Contudo, se a ineficácia for relativa, haverá


o crime.

PORTE DE ARMA DE FOGO SEM MUNIÇÃO –

1. É pacífico na jurisprudência do STF e do STJ que o porte de arma de fogo mesmo sem munição é
crime tipificado no art. 14 da Lei 10.826/74. (INFORMATIVO 699 do STF e 493 do STJ)

PORTE (ART. 14) DE MUNIÇÃO SEM ARMA DE FOGO –


É crime sim, uma vez que se trata de crime de perigo abstrato, não sendo necessário demonstrar e perigo
efetivo da conduta do agente.

INFORMATIVO 688 do STF – A 2ª Turma denegou habeas corpus no qual se requeria a absolvição do
paciente — condenado pelo porte de munição destinada a revólver de uso permitido, sem autorização legal
ou regulamentar (Lei 10.826/2003, art. 14) — sob o argumento de ausência de lesividade da conduta. (...)
Por fim, firmou-se ser irrelevante cogitar-se da lesividade da conduta de portar apenas munição,
porque a hipótese seria de crime de perigo abstrato, para cuja caracterização não importaria o resul-
tado concreto da ação.

POSSE (ART. 12) DE MUNIÇÃO SEM ARMA DE FOGO –


Em setembro de 2017, o STF aplicou o princípio a insignificância a um caso, onde o
sujeito ativo possuía, em sua residência, apenas uma munição de calibre 38.
(RHC 143.449/MS, j. 26/09/2017).
USO DA MUNIÇÃO COMO PINGENTE —

INFORMATIVO 826 DO STF - É atípica a conduta daquele que porta, na forma de pingente, munição de-
sacompanhada de arma. HC 133984/MG, rel. Min. Cármen Lúcia, 17.5.2016. (HC-133984)

PORTE DE ARMA DE BRINQUEDO, SIMULACRO E RÉPLICA — é fato atípico.

DISPARO DE ARMA DE FOGO - (ART. 15) - A lei 10.826/03 traz o seguinte texto -
Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em
via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de ou-
tro crime

CARACTERÍSTICAS DO CRIME -

Tipo Objetivo do tipo (núcleo do tipo) -Nesse crime, são os verbos: ―Disparar" arma de fogo ou ―acio-
nar‖ munição.

Sujeito ativo - crime comum.

Sujeito passivo - coletividade, ou seja, pessoa indeterminada;

Objeto material - Arma de fogo e munição.

Elemento subjetivo - Dolo. Por falta de previsão legal, não há crime de disparo de arma de fogo na moda-
lidade culposa.

Tentativa - é possível quando, por exemplo, por ineficácia relativa da arma de fogo, não ocorrer o disparo.

LOCAL NÃO HABITADO - Nessa hipótese, o fato será atípico.

Ex.: local ermo, lugar desabitado, deserto.

DELITO SUBSIDIÁRIO - Trata-se de uma subsidiariedade expressa.

NÚMERO DE DISPAROS - O número de disparos é irrelevante.

DISPARO DE ARMA DE FOGO - PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE


Crime Crime Prevalece
Disparo (Reclusão de 2 a Porte ilegal (no mesmo Disparo
4 anos) contexto fático) - Reclusão (art. 15)
de 2 a 4 anos.
Disparo (Reclusão de 2 a Posse ilegal (no mesmo Disparo
4 anos) contexto fático) - Detenção (art. 15)
de 1 a 3 anos.
Disparo (Reclusão de 2 a Lesão leve (3meses a 1 Disparo
4 anos) ano) (art. 15)
Disparo (Reclusão de 2 a Homicídio (6 a 20 anos) Homicídio
4 anos) (art. 121)
Disparo (Reclusão de 2 a Lesão grave (1 a 5 anos) Lesão grave (art. 129)
4 anos)
Disparo (Reclusão de 2 a Perigo (3 meses a 1 ano) Perigo
4 anos) (art. 132)
AULA 07

LEI ° 10.826, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2003.


Dispõe sobre o Estatuto do desarmamento

POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO (Art. 16)

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou
munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regula-
mentar:

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

CARACTERÍSTICAS DO CRIME –

1. Sujeito Ativo – é crime comum.

2. Sujeito Ativo – Coletividade.

3. Objeto Material –Arma de fogo, Acessório, Munição de uso restrito ou proibido.

4. Objeto Jurídico – Incolumidade Pública; Segurança pública.

5. Consumação – O crime se consuma com a prática de um dos verbos previstos no tipo, independen-
temente de qualquer resultado naturalístico.

6. Crime de mera conduta – são os que se consumam com a mera conduta do agente, ou seja, e inde-
pendem de qualquer resultado.

7. Elemento subjetivo – Dolo. Não há crime de ―posse irregular de arma de fogo de uso restrito‖ na mo-
dalidade culposa.

8. PORTE DE ARMA DE FOGO SEM MUNIÇÃO – É pacífico na jurisprudência do STF e do STJ que o
porte de arma de fogo mesmo sem munição é crime.

E M E N T A RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PORTE DE MUNIÇÃO DE ARMA DE


FOGO DE USO RESTRITO. ARTIGO 16 DA LEI 10.826/2003. CRIME DE PERIGO ABSTRATO. TI-
PICIDADE DA CONDUTA.

1. O porte de munição de arma de fogo de uso restrito constitui crime de perigo abstrato, portanto, ir-
relevante a presença da arma de fogo para sua tipificação.

Precedentes. (STF - RHC: 118304 ES, Relator: Min. ROSA WEBER, Data de Julgamento: 17/12/2013,
Primeira Turma, Data de Publicação: DJe-031 DIVULG 13-02-2014 PUBLIC 14-02-
9. PORTE (ART. 14) DE MUNIÇÃO SEM ARMA DE FOGO –
É crime sim, uma vez que se trata de crime de perigo abstrato.

10. CRIME DE POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO - CRIME HEDI-
ONDO - Esse é o mais novo crime hediondo, foi incluído pela Lei 13.497 de 2017.

CONSEQUÊNCIAS PENAIS E PROCESSUAIS (Art. 2°, caput) Os crimes hediondos, a prática da


tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de anistia, gra-
ça, indulto e fiança.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:

I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou


artefato;

II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo


de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade
policial, perito ou juiz;

III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização
ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar;
STJ - PORTE DE ARTEFATO EXPLOSIVO. GRANADA DE GÁS LACRIMOGÊNEO/PIMENTA. INADE-
QUAÇÃO TÍPICA.

A conduta de portar uma granada de gás lacrimogêneo e outra de gás de pimenta não se subsome ao deli-
to previsto no art. 16, parágrafo único, III, da Lei n. 10.826/03.
(REsp 1.627.028-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, por unanimidade, julgado em 21/2/2017,
DJe 3/3/2017.)

IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou
qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado;

SUPRESSÃO PARCIAL DO NÚMERO DE SÉRIE DA ARMA - DESGASTE NATURAL DO EQUIPAMEN-


TO - OXIDAÇÃO - CONFIGURA PORTE DE ARMA DE USO PERMITIDO (ART. 12) -

APELAÇÃO - ART. 16, PARÁGRAFO ÚNICO, INCISO IV, DA LEI 10.826/03 - PORTE ILEGAL DE ARMA
COM NUMERAÇÃO SUPRIMIDA. (...) IMPOSSIBILIDADE - CONDENAÇÃO MANTIDA- DESCLASSIFI-
CAÇÃO DO DELITO PARA POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO - POSSIBILIDADE
- INDÍCIOS DE QUE A SUPRESSÃO PARCIAL DO NÚMERO DE SÉRIE DA ARMA OCORREU DEVIDO
AO DESGASTE NATURAL DO EQUIPAMENTO (OXIDAÇÃO) ...
(...) Havendo indícios de que o número de série da arma de fogo apreendida se encontrava parcial-
mente ilegível em razão do adiantado estado de oxidação do artefato, impõe-se a desclassificação
para o delito previsto no art. 12 da Lei 10.826/03. (...)

V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição
ou explosivo a criança ou adolescente; e

VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma,


munição ou explosivo.
Comércio ilegal de arma de fogo

Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar,
montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito pró-
prio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou muni-
ção, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo, qual-
quer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o
exercido em residência.
REQUISITOS PARA CONFIGURAR DO CRIME –

Para que haja a configuração do crime em análise, deverão está presentes os dois requisito: finalida-
de da obtenção de lucro e estabilidade, permanência, constância, continuidade na prática do ato de comér-
cio.
Desse modo, a prática eventual, ocasional, esporádica, não reiterada de vendas de munição de for-
ma irregular não configura o crime em análise.

Tráfico internacional de arma de fogo

Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título,
de arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente:

Pena – reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE – O crime de tráfico internacional de arma de fogo é crime especial em


relação aos crimes de contrabando (art. 334 - A, CP) e facilitação de contrabando (art. 318, CP).

EXPLOSIVO OU INCENDIÁRIO – Como já vimos acima, os objetos materiais do crime são: de arma de
fogo, acessório ou munição. Não foram incluídos os explosivos e incendiários. Dessa forma, se alguém for
flagrado nas importando e exportando explosivo ou incendiário responderá pelo crime do art. 334-A do
CP, contrabando.

Competência e julgamento- Compete à Justiça Federal.

TRÁFICO INTERNACIONAL DE MUNIÇÃO E PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA -

A 1ª Turma, por maioria, indeferiu habeas corpus em que se pretendia a aplicação do princípio da
insignificância para trancar ação penal instaurada contra o paciente, pela suposta prática do crime
de tráfico internacional de munição (Lei 10.826/2003, art. 18). . HC 97777/MS, rel. Min. Ricardo Le-
wandowski, 26.10.2010. (HC-97777)

Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma de
fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito.

Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade se
forem praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6o, 7o e 8o desta Lei.

Art. 21. Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são insuscetíveis de liberdade provisó-
ria. (Vide Adin 3.112-1)
AULA 08

Lei nº 8.072/90
Lei dos Crimes Hediondos.

DEFINIÇÃO DE CRIMES HEDIONDOS -

A definição de crimes hediondos será feita de acordo com o critério adotado. Há três critérios ou sistemas
adotados para definir crimes hediondos. Vejamos:

 Sistema legal - É crime hediondo todo aquele que a lei prevê expressamente como tal, descon-
siderando o caso concreto por parte do juiz. Desta forma, quem diz que o crime é Hediondo ou
não é o legislador, e não o juiz. Assim, o rol dos crimes hediondos, conforme previsto na lei, é
taxativo, e não exemplificativo.

 Sistema Judicial - Fica a critério do juiz se o crime é hediondo ou não. O Juiz analisa o caso
concreto e decide pela hediondez ou não.

 Sistema Misto - Aqui o legislador traz um rol exemplificativo de crimes hediondos. O juiz, con-
forme o caso concreto, decidirá pela hediondez ou não.

MANDADO CONSTITUCIONAL DE CRIMINALIZAÇÃO - O critério adotado pela lei dos crimes hediondos
é uma obediência à Constituição Federal de 1988, uma vez que a CF/88 exigiu, através de um mandado
constitucional de criminalização. Vejamos:

CF/88, Art. 5°, XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a
prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como
crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-
los, se omitirem;

ROL TAXATIVO - PRINCÍPIO DA LEGALIDADE -

Somente a lei poderá indicar os crimes hediondos, não cabendo ao juiz analisar se o crime é
hediondo ou não.

CRIME DE MÁXIMO POTENCIAL OFENSIVO -

Crimes hediondos são aqueles considerados de máximo potencial ofensivo por força constitucional.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL -


―Daí porque ela, Constituição, explicitamente trabalha com dois extremos em matéria de política criminal:
os crimes de máximo potencial ofensivo (dentre os quais os chamados delitos hediondos e os que lhe se-
jam equiparados, de parelha com os crimes de natureza jurídica imprescritível) e as infrações de pequeno
potencial ofensivo (inciso I do art. 98 da CF). Mesmo remetendo à conformação legislativa ordinária a des-
crição dos crimes hediondos, bem como daqueles de pequeno potencial de ofensividade.‖ Habeas Corpus
109.277; Sergipe, Segunda Turma; 13/12/2011)

NOVOS CRIMES - A Lei 8072/90 não criou novos tipos penais;

Art. 1º - São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei


no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: (Redação
dada pela Lei nº 8.930, de 1994) (Vide Lei nº 7.210, de 1984)
I – homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que co-
metido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI e
VII); (Redação dada pela Lei nº 13.142, de 2015)

1. Homicídio simples - O homicídio simples, por si só, não será hediondo. Ele só será
hediondo quando for praticado em atividade típica de grupo de extermínio.

1.1. Não exigência de grupo de extermínio - A lei não exige que o crime seja praticado
por grupo de extermínio, basta atividade típica de grupo de extermínio. Portanto, a lei não
exige número mínimo de pessoas, podendo ser praticado por um único agente.

1.2. HOMICÍDIO PRATICADO GRUPO DE EXTERMÍNIO - AUMENTO DE PENA NO


CÓDIGO PENAL - ART. 121, § 6º -

CP - Art. 121, § 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for
praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por
grupo de extermínio.

Obs: NÃO É HEDIONDO!!!

2. HOMICÍDIO QUALIFICADO (art. 121, § 2o, incisos I, II, III, IV, V, VI e VII);

De acordo com o Código Penal, o homicídio é qualificado se

Homicídio qualificado se cometido:

I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;

II - por motivo fútil;

III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou
cruel, ou de que possa resultar perigo comum;

IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou


torne impossível a defesa do ofendido;

V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime.

VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: (Incluído pela Lei nº
13.104, de 2015)

VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,
integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício
da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente con-
sanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição:

Art. 142 da CF/88 - Membros das Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exér-
cito e pela Aeronáutica.

Art. 144 da CF/88 - polícia federal; polícia rodoviária federal; polícia ferroviária federal;
polícias civis; polícias militares e corpos de bombeiros militares.
3. HOMICÍDIO FUNCIONAL -

Em julho de 2015, entrou em vigor a Lei n. 13.142, que acrescentou ao Código Penal o
inciso VII no rol do homicídio qualificado, previsto no artigo 121, § 2°, com o seguinte tex-
to:

Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:

VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,
integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício
da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente con-
sanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição:

Portanto, o que qualifica o homicídio é a condição ou situação da vítima (sujeito passivo) e


a motivação do sujeito passivo.

FEMINICÍDIO x FEMICÍDIO

O feminicídio como crime hediondo foi incluído na Lei 8072/90 apenas em 2015, através
da Lei nº 13.104, de 2015, que alterou o Código Penal e acrescentou mais um inciso na
LCH.

Obs: FEMICÍDIO – NÃO É HEDIONDO.

HOMICÍDIO PRIVILEGIADO-QUALIFICADO -

É possível que um homicídio seja, ao mesmo tempo, privilegiado-qualificado. No entanto,


para que isso ocorra, é necessário que a qualificadora seja objetiva, uma vez que a privi-
legiadora é sempre subjetiva. Assim, o privilégio afasta a qualificadora, que, por conse-
quência, afasta a hediondez.
Desta forma, o homicídio privilegiado-qualificado não é considerado crime hedion-
do. Além disso, não há previsão legal do homicídio privilegiado-qualificado no rol dos cri-
mes hediondos

I-A – lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2º) e lesão corporal seguida de morte
(art. 129, § 3º), quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Cons-
tituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente con-
sanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição; (Incluído pela Lei nº 13.142, de
2015)

LESÃO CORPORAL DOLOSA DE NATUREZA GRAVÍSSIMA - Praticado contra


autoridade ou agente descrito no dispositivo acima. O art. 129, §2° traz a as seguintes
formas de lesão corporal de natureza grave:

§ 2° Se resulta:

I - Incapacidade permanente para o trabalho;


II - enfermidade incurável;
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto:
LESÃO CORPORAL DOLOSA DE NATUREZA GRAVE - por falta de previsão legal,
se resultar em lesão corporal de natureza grave, não configura crime hediondo.

II - latrocínio (art. 157, § 3º, in fine); (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 1994)

Súmula 603 - A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz


singular e não do tribunal do júri.

Súmula 610 - Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não
realize o agente a subtração de bens da vítima.

11.1. OBSERVAÇÕES - Não são crimes hediondos por falta de previsão legal:

1. Roubo qualificado pelas lesões corporais (Art. 157, § 3º, primeira


parte);
2. Roubo mediante uso de arma de fogo (Art. 157, §2°, I

AULA 09

Lei nº 8.072/90
Lei dos Crimes Hediondos.

1. EXTORSÃO QUALIFICADA PELA MORTE (ART. 158, § 2O)

Somente a Extorsão qualificada pela morte é crime hediondo. As demais formas de extorsão, por falta
de previsão legal, não são considerados crimes hediondos. Vejamos:

1. Extorsão simples (Art. 158, caput- Pena: Reclusão de 4 a 10 anos)

2. Extorsão qualificada pela lesão corporal de natureza grave (Art. 158, §2º c/c Art. 157, § 3º - Pena:
Reclusão de 7 a 15 anos)

3. Sequestro relâmpago (Art. 158, § 3º - Pena: Reclusão de 6 a 12 anos)

SEQUESTRO RELÂMPAGO - POLÊMICA - O sequestro relâmpago está previsto no Código Penal com o
seguinte texto:

Art. 158, § 3º - Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é ne-
cessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos,
além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159,
§§ 2º e 3º, respectivamente.

A parte grifada nos remete a outra parte do Código Penal, que irá nos trazer as penas do sequestro re-
lâmpago quando resultar lesão corporal grave ou morte. Vejamos...

CP, 159, § 2º - Se resultar em lesão corporal grave - A pena será de reclusão de 16 a 24 anos;

CP, 159, § 3º - Se resultar em morte - A pena será de reclusão de 24 a 30 anos;


Ressalta-se que a extorsão qualificada pela morte, conforme previsto no Código Penal, tem uma
pena de reclusão de 20 a 30 anos, além da multa.
Desta forma, o sequestro relâmpago, apesar de ter uma pena maior no caso de morte, não será consi-
derado crime hediondo.

2. EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO E NA FORMA QUALIFICADA (ART. 159, CAPUT, e §§ 1o, 2o e

3o); É SEMPRE HEDIONDO!

A extorsão mediante sequestro é considerada hediondo na forma simples (art. 159, caput) e na forma
qualificada (art. 159, §§ 1°, 2º e 3º.). Portanto, serão considerados hediondos quando:

a. do sequestro, houver extorsão com o fim de obter qualquer vantagem, como condição ou preço
do resgate;
b. o sequestro durar mais de 24 (vinte e quatro) horas;
c. o sequestrado for menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos;
d. o sequestrado for cometido por bando ou quadrilha.
e. do sequestro resultar lesão corporal de natureza grave;
f. do sequestro resultar morte.

CRIME DE SEQUESTRO - não é considerado crime hediondo

3. ESTUPRO (ART. 213, CAPUT E §§ 1O E 2O);

Art. 213 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar
ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.

Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.

§ 1º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou mai-
or de 14 (catorze) anos:

Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.

§ 2º Se da conduta resulta morte:

Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos

4. ESTUPRO DE VULNERÁVEL (ART. 217-A, CAPUT E §§ 1O, 2O, 3O E 4o);

Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze)
anos:

Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.

§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por
enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que,
por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.

§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave:

Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos


§ 4o Se da conduta resulta morte:

Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.

SÚMULA 593 DO STJ - “O crime de estupro de vulnerável configura-se com a conjunção carnal ou
prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante o eventual consentimento da víti-
ma para a prática do ato, experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o
agente”.

5. EPIDEMIA COM RESULTADO MORTE (ART. 267, § 1O).

Esse delito está previsto no Código Penal com o seguinte texto:

Art. 267 - Causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos:

Pena - reclusão, de dez a quinze anos.

§ 1º - Se do fato resulta morte, a pena é aplicada em dobro.

6. FALSIFICAÇÃO, CORRUPÇÃO, ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE PRODUTO DESTINADO A


FINS TERAPÊUTICOS OU MEDICINAIS (art. 273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B)

AULA 10

Lei nº 8.072/90
Lei dos Crimes Hediondos.

1. GENOCÍDIO - O crime de Genocídio, como crime hediondo, está previsto no Art. 1° - Parágrafo único. Vejamos:

Art. 1° - Parágrafo único. Consideram-se também hediondos o crime de genocídio previsto nos
arts. 1°, 2° e 3° da Lei no 2.889, de 1° de outubro de 1956, (...).

A lei N° 2.889, de 1° de outubro de 1956 define os crimes de Genocídio. Vejamos:

Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou reli-
gioso, como tal: (Vide Lei nº 7.960, de 1989)

a) matar membros do grupo;


b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo;
c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a des-
truição física total ou parcial;
d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;
e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo;
(...)

Art. 2º Associarem-se mais de 3 (três) pessoas para prática dos crimes mencionados no artigo ante-
rior:
Pena: Metade da cominada aos crimes ali previstos.
Art. 3º Incitar, direta e publicamente alguém a cometer qualquer dos crimes de que trata o art. 1°:
Pena: Metade das penas ali cominadas.

O crime de Genocídio, juntamente com o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, são os
únicos que não estão previstos no Código Penal.

2. CRIME DE POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO (ART. 16 DA LEI N° 10.826,
de 22 de dezembro de 2003)

Esse é o mais novo crime hediondo, foi incluído pela Lei nº 13.497, de 2017. Ele está previsto no Art. 1° - Parágrafo
único. Vejamos:

Art. 1° - Parágrafo único. Consideram-se também hediondos o crime (...) de posse ou porte ilegal de arma de fogo
de uso restrito, previsto no art. 16 da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003, todos tentados ou consumados.

2.1. NÃO SÃO CRIMES HEDIONDOS - ART. 17 e ART. 18 -

Apesar de estarem no projeto original (Projeto de Lei do Senado n° 230, de 2014, de Autoria do Senador Marce-
lo Crivella - PRB/RJ), os delitos de Comércio ilegal de arma de fogo (art. 17) e Tráfico internacional de arma de
fogo (Art.18) foram retirados no decorrer do processo legislativo. Desta forma, apesar de terem penas mais graves
(pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa) não são crimes hediondos por falta de previsão legal.

3. CONDUTAS EQUIPARADAS -

Por força constitucional, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo não são
crimes hediondos, e sim, crimes equiparados, assemelhados. Assim, eles recebem o mesmo tratamento dos crimes
hediondos.

o
Obs: Tortura omissiva - (Art. 1°, § 2 ) - Não é crime hediondo.

3.1.TRÁFICO - Na lei 11.343 de 2006, há diversas condutas. No entanto, não são todas que são equiparadas a hedi-
ondo. Dentre elas, são considerados crimes assemelhados a Hediondos:

a. Art. 33, Caput - Tráfico em sentido estrito;


b. Art. 33, §1° - Condutas equiparadas ao tráfico;
c. Art. 34 - Maquinário para o tráfico.

4. GRAÇA, ANISTIA e INDULTO (Art. 2°, I)

4.1. CONCEITOS INICIAIS -

A anistia, a graça e o indulto são meios pelo qual o Estado renuncia seu direito de punir. Na forma do Art. 107, II,
do Código Penal, são formas de extinção da Punibilidade. São espécies de clemência.

CONSTITUCIONALIDADE DA VEDAÇÃO AO INDULTO PREVISTO NA LCH -

Apesar de divergência, prevalece na doutrina e no Supremo Tribunal Federal que a vedação ao indulto na Lei
8072/90 é constitucional, uma vez que a constituição federal quando proibiu a graça o fez em sentido amplo, englo-
bando a graça individual e o indulto coletivo. Além disso, a constituição traz parâmetros mínimos que o legislador deve
obedecer no mandado constitucional de criminalização. Portanto, é perfeitamente possível que o legislador ordinário
traga outras regras além daquelas previstas.
4.2 ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL –

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DECRETO FEDERAL. INDULTO. LIMITES. CONDENADOS


PELOS CRIMES PREVISTOS NO INCISO XLIII DO ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPOSSIBILI-
DADE. INTERPRETAÇÃO CONFORME. REFERENDO DE MEDIDA LIMINAR DEFERIDA.

1. A concessão de indulto aos condenados a penas privativas de liberdade insere-se no exercício do poder discri-
cionário do Presidente da República, limitado à vedação prevista no inciso XLIII do artigo 5º da Carta da Repúbli-
ca. A outorga do benefício, precedido das cautelas devidas, não pode ser obstado por hipotética alegação de
ameaça à segurança social, que tem como parâmetro simplesmente o montante da pena aplicada.
2. Revela-se inconstitucional a possibilidade de que o indulto seja concedido aos condenados por crimes hedion-
dos, de tortura, terrorismo ou tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, independentemente do lapso tempo-
ral da condenação. Interpretação conforme a Constituição dada ao § 2º do artigo 7º do Decreto 4495/02 para fixar
os limites de sua aplicação, assegurando-se legitimidade à indulgencia principais. Referendada a cautelar deferi-
da pelo Ministro Vice-Presidente no período de férias forenses.

(medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade nº 2795, relatada pelo ministro Maurício

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - ―O art. 5º, XLIII, da CF, que proíbe a graça, gênero do qual o indulto é espé-
cie, nos crimes hediondos definidos em lei, não conflita com o art. 84, XII, da Lei Maior. O decreto presidencial
que concede o indulto configura ato de governo, caracterizado pela ampla discricionariedade.‖ [HC 90.364, rel.
min. Ricardo Lewandowski, j. 31-10-2007, P, DJ de 30-11-2007.] HC 81.810, rel. min. Cezar Peluso, j. 16-4-
2009, P, DJE de 7-8-2009

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - (...) é constitucional o art. 2º, I, da Lei 8.072/1990, porque, nele, a menção
ao indulto é meramente expletiva da proibição de graça aos condenados por crimes hediondos ditada pelo art. 5º,
XLIII, da Constituição. Na Constituição, a graça individual e o indulto coletivo – que ambos, tanto podem ser totais
ou parciais, substantivando, nessa última hipótese, a comutação de pena – são modalidades do poder de graça
do presidente da República (art. 84, XII) – que, no entanto, sofre a restrição do art. 5º, XLIII, para excluir a possi-
bilidade de sua concessão, quando se trata de condenação por crime hediondo. Proibida a comutação de pena,
na hipótese do crime hediondo, pela Constituição, é irrelevante que a vedação tenha sido omitida no Decreto
3.226/1999. [HC 84.312, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 15-6-2004, 1ª T, DJ de 25-6-2004.

5. INAFIANÇÁVEL (Art. 2°, II) - A lei dos crimes hediondos, em seu artigo 2° inciso I, traz o seguinte texto:

Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terro-
rismo são insuscetíveis de:

II - fiança.

CF/88, Art. 5°, XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anis-
tia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os de-
finidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os
que, podendo evitá-los, se omitirem;

CPP - Art. 323. Não será concedida fiança:

II - nos crimes de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e nos defi-
nidos como crimes hediondos;
5.1. LIBERDADE PROVISÓRIA -

É um direito do acuso de aguardar em liberdade seu julgamento. Geralmente, está ligado a certas condições e/ou
obrigações.

Súmula 697 do STF foi superada.

STF - Súmula 697 - A proibição de liberdade provisória nos processos por crimes hediondos não
veda o relaxamento da prisão processual por excesso de prazo.

STF - HC 104.339/SP - ―O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o HC 104.339/SP, declarou a inconstitucionalidade da


expressão "e liberdade provisória", constante do art. 44, caput, da Lei n. 11.343/06, afastando o óbice à concessão da
liberdade provisória aos acusados da prática de crimes hediondos e equiparados, razão pela qual a decretação da
prisão preventiva sempre deve ser fundamentada na presença dos requisitos do art. 312 do Código de Processo Pe-
nal - CPP. (RHC 81676 /)

6. REGIME DE CUMPRIMENTO DE PENA - (Art. 2° § 2º) - A lei dos crimes hediondos, em seu artigo 2°, § 2º, traz o
seguinte texto:

§ 2° - A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo, dar-se-á após o cumpri-
mento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente.

INFORMATIVO 672 DO STF - É inconstitucional o § 1º do art. 2º da Lei 8.072/90 (―Art. 2º Os crimes hediondos, a
prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: ... § 1º A pena
por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado‖).

6.1.LEI PENAL NO TEMPO - PROGRESSÃO DE REGIME -

SÚMULA 471 DO STJ - ―Os condenados por crimes hediondos ou assemelhados cometidos antes da vigência da Lei
n. 11.464/2007 sujeitam-se ao disposto no art. 112 da Lei n. 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) para a progressão
de regime prisional.

6.2. REINCIDÊNCIA GENÉRICA - Apesar da divergência doutrinária, prevalece que a reincidência para a progressão
é a genérica (Art. 63 do CP), não importando se o crime é hediondo ou não, uma vez que o legislador não fez referên-
cia a qual tipo de reincidência.

INFORMATIVO 563 - STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME DO REINCIDENTE


CONDENADO POR CRIME HEDIONDO.

―A progressão de regime para os condenados por crime hediondo dar-se-á, se o sentenciado for reincidente, após o
cumprimento de 3/5 da pena, ainda que a reincidência não seja específica em crime hediondo ou equiparado. Isso
porque, conforme o entendimento adotado pelo STJ, a Lei dos Crimes Hediondos não faz distinção entre a reincidên-
cia comum e a específica. Desse modo, havendo reincidência, ao condenado deverá ser aplicada a fração de 3/5 da
pena cumprida para fins de progressão do regime.‖ Precedentes citados: HC 173.992-MS, Quinta Turma, DJe
10/5/2012, HC 273.774-RS, Rel. Quinta Turma, DJe 10/10/2014, HC 310.649-RS, Sexta Turma, DJe 27/2/2015. HC
301.481-SP, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-SP), julgado em 2/6/2015, DJe
11/6/2015.

6.3. EXAME CRIMINOLÓGICO -

Súmula Vinculante 26 - “Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo, ou
equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990,
sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo
determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico.”

Súmula 439 - Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão motiva-
da. (Súmula 439, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 13/05/2010)

7. PRISÃO TEMPORÁRIA (Art. 2°, § 4º) - A Lei 8072/90 traz o seguinte texto:

§ 4° - A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei no 7.960, de 21 de dezembro de 1989, nos crimes previstos nes-
te artigo, terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessida-
de.

8. LIVRAMENTO CONDICIONAL - CÓDIGO PENAL - Art. 83 -

O livramento condicional tem previsão no art. 83 do CP e trata-se de um benefício legal ao condenado, que permi-
te cumprir parte de sua pena em liberdade, atendendo a algumas condições e requisitos. Portanto, consiste na anteci-
pação provisória da liberdade do condenado.

8.1. REQUISITOS - REINCIDENTE ESPECÍFICO -

De acordo com a redação trazida pela LCH, que acrescentou o inciso V, ao art. 83 do CP, ―cumprido mais de dois
terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e
drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza."

AULA 11

Lei nº 9.455/1997 (Definição dos crimes de tortura).

01. PREVISÃO EM TRATADOS INTERNACIONAIS –


- Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH 1945);
- Convenção Americana De Direitos Humanos (1969), conhecido como ―Pacto de San José DA Costa Ri-
ca.‖

2. CONSTITUIÇÃO FEDERAL -

- CF/88, Art. 5°, III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.

- CF/88, Art. 5° - XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática
da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hedi-
ondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

3. TORTURA NO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (LEI 8069/90 - ECA)

- Art. 233. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a tortura: (Revoga-
do pela Lei nº 9.455, de 7.4.1997)

4. TORTURA NA LEI DOS CRIMES HEDIONDOS (LEI 8072/90 - LCH)

Mandado Constitucional de Criminalização -


Art. 5° - XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática
da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes
hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omi-
tirem.

5. LEI DOS CRIMES HEDIONDOS - EQUIPARAÇÃO DA TORTURA A HEDIONDO -

Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terro-
rismo são insuscetíveis de:

I - anistia, graça e indulto;


II - fiança.

6. TORTURA NO CONTEXTO INTERNACIONAL E NO BRASIL

6.1. INTERNACIONAL -

 CRIME PRÓPRIO -

CONCEITO -
A Convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes
traz o conceito de tortura em seu artigo 1°. Trata-se de um conceito amplo e abrangente Conven-
ção contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes - Ado-
tada pela Resolução 39/46, da Assembléia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1984.

Artigo 1

1. Para os fins desta Convenção, o termo "tortura" designa qualquer ato pelo qual uma violenta dor
ou sofrimento, físico ou mental, é infligido intencionalmente a uma pessoa, com o fim de se obter
dela ou de uma terceira pessoa informações ou confissão; de puní-la por um ato que ela ou uma
terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir ela ou
uma terceira pessoa; ou por qualquer razão baseada em discriminação de qualquer espécie,
quando tal dor ou sofrimento é imposto por um funcionário público ou por outra pessoa atuando
no exercício de funções públicas, ou ainda por instigação dele ou com o seu consentimento ou
aquiescência. Não se considerará como tortura as dores ou sofrimentos que sejam consequên-
cia, inerentes ou decorrentes de sanções legítimas.

 CRIME IMPRESCRITÍVEL -

ESTATUTO DE ROMA DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL –


O Artigo 7 prever os crimes contra a humanidade, dentre eles o crime de tortura.

Crimes contra a Humanidade

Para os fins do presente Estatuto, entende-se por “crime contra a humanidade” qualquer um dos se-
guintes atos quando praticados como parte de um ataque generalizado ou sistemático contra uma popula-
ção civil e com conhecimento de tal ataque: (...)

- Tortura

O Artigo 29 traz a previsão da Imprescritibilidade.

Os crimes sob a jurisdição do Tribunal não prescrevem.


6.2. NACIONAL - BRASIL –

 CRIME COMUM -
Porém, no Brasil, o crime de tortura destoou da tortura dos Tratados Internacionais, tratando o de-
lito como crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. Desta forma, não se exige a
qualidade de representante estatal.
Trata-se, portanto, do chamado crime jabuticaba, pois só existe no Brasil.

 PRESCRITÍVEL –
A constituição Federal de 1988, em seu art. 5°, incisos XLII e XLIV apenas dois crimes como
imprescritíveis - Racismo e ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitu-
cional e o Estado Democrático.

Vejamos:

CF/88 - Art. 5°XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à
pena de reclusão, nos termos da lei;

XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares,
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

8.1. GENERALIDADES APLICADAS AO ART. 1°, INCISO I, ―a‖, ―b‖ e ―c‖ –

Art. 1º Constitui crime de tortura:

I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou
mental:

a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa;

b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;

c) em razão de discriminação racial ou religiosa;

 NÚCLEO DO TIPO – ―Constranger‖ - o verbo constranger significa obrigar alguém a fazer algo
contra sua vontade, retirando sua liberdade de autodeterminação.

 MEIOS DE EXECUÇÃO -

- violência -
Ex.: Choque, queimadura, breve afogamento.

- grave ameaça -

 OBJETO JURÍDICO PROTEGIDO - integridade física e mental da pessoa; bem como a dignidade
da pessoa humana.

 SUJEITO PASSIVO - é a pessoa que suporta o sofrimento.

 SUJEITO ATIVO - sujeito ativo comum.


 ELEMENTO SUBJETIVO - Dolo. Não admite a modalidade culposa.

 AUSÊNCIA DO ELEMENTO SUBJETIVO ESPECÍFICO ou ESPECIAL - (DOLO ESPECÍFICO) -


Ausentes as finalidades, não configura crime de tortura, podendo caracterizar crime menos grave,
como lesão corporal, ameaça ou constrangimento ilegal.

 CONSUMAÇÃO - Consuma-se no momento em que são empregados a violência ou grave ameaça,


isto é, no momento em que o agente constrange, efetivamente, a vítima, embora não consiga alcan-
çar o resultado pretendido.

 CRIME FORMAL -

 DESNECESSIDADE DA OBTENÇÃO DO RESULTADO - É dispensável que o agente alcance sua


finalidade, pois se trata de um crime formal.

 TENTATIVA - é possível, uma vez que se trata de crime plurissubsistente, podendo os atos serem
fracionados.

 CRIME DE MÁXIMO POTENCIAL OFENSIVO - São aqueles que a constituição exigiu um trata-
mento diferenciado. São eles: Tráfico, Terrorismo, Tortura e os definidos como hediondos. Dessa
forma, não se aplicam os institutos da Lei 9.099/95, como transação pena; suspensão condicional
do processo; rito sumaríssimo.

 TORTURA PSICOLÓGICA. EXAME PERICIAL. DESNECESSIDADE -

“O entendimento deste Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que o crime de tortura psicológica
não deixa vestígios, assim dispensável a realização de exame pericial. Incidência do enunciado 83 da
Súmula deste STJ.” (STJ - AgRg no AREsp: 466067 SP 2014/0017376-9, Relator: Ministra MARIA
THEREZA DE ASSIS MOURA, Data de Julgamento: 21/10/2014, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publi-
cação: DJe 04/11/2014)

STJ - 1. Em se tratando do crime de tortura, previsto no artigo 1º, inciso I, 'a', da Lei 9.445/97, e sendo
impingido à vítima apenas e tão somente sofrimento de ordem mental, e que, portanto, e de regra, não
deixa vestígios, é suficiente a sua comprovação por meio de prova testemunhal. 2. Ordem denegada.
(HC 72.084/PB, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em
16/04/2009, DJe 04/05/2009)

 SOFRIMENTO FÍSICO E MENTAL SIMULTANEAMENTE - DESNECESSIDADE -

STJ: “Não é necessária a existência de sofrimento físico e mental simultaneamente para a caracterização
do crime de tortura, pois a comprovação de tortura psicológica, por si só, é suficiente para a condenação.”
(STJ - AgRg no AREsp: 466067 SP 2014/0017376-9, Relator: Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOU-
RA, Data de Julgamento: 21/10/2014, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 04/11/2014

AULA 12

1 - TORTURA CONFISSÃO - TORTURA PROVA - TORTURA PROBATÓRIA

• Art. 1º, I, “a” - Constitui crime de tortura constranger alguém com emprego de violência ou grave
ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental com o fim de obter informação, declaração ou
confissão da vítima ou de terceira pessoa.
FINALIDADE ESPECÍFICA OU ESPECIAL –
NATUREZA DA INFORMAÇÃO –

2 - TORTURA - CRIME

• Art. 1º, I, “b” - Constitui crime de tortura constranger alguém com emprego de violência ou grave
ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou me para provocar ação ou omissão de natureza crimino-
sa;

• FINALIDADE ESPECÍFICA OU ESPECIAL –

• TORTURA PRATICADA COM A FINALIDADE DE PRÁTICA E CONTRAVENÇÃO PENAL –


Por falta de previsão legal, bem como por configurar analogia ―in malan partem‖ não configura crime
de tortura.

• AUSÊNCIA DO ELEMENTO SUBJETIVO ESPECÍFICO ou ESPECIAL - (DOLO ESPECÍFICO) -


Ausentes as finalidades, não configura crime de tortura, podendo caracterizar crime menos grave,
como lesão corporal, ameaça ou constrangimento ilegal.

3 - CONCURSO DE CRIMES - TORTURA (ART. 1°, I, ―b‖) E O CRIME PRATICADO PELO COATO
(COAGIDO)

• TORTURA DISCRIMINATÓRIA ou TORTURA RACIAL –

• Art. 1º, I, “c” - Constitui crime de tortura constranger alguém com emprego de violência ou grave
ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental em razão de discriminação racial ou religiosa;

• ROL TAXATIVO –

• A primeira observação a ser feita diz respeito ao motivo da discriminação. Perceba que o legislador
restringiu à discriminação racial ou religiosa. Não abarcando a hipótese de discriminação por opção
sexual, social, política ou outa qualquer.

• JUDEU É RAÇA –

• STF, em 2003, entendeu que judeu é raça, portanto crime imprescritível e inafiançável. (Habeas
Corpus 82424; julgado em 17 de setembro de 2003). Transcrevo parte do HC. Vejamos:

• “O julgamento do pedido de Habeas Corpus (HC 82424) de Sigfried Ellwanger, iniciado em dezem-
bro do ano passado, levou nove meses para ser concluído. O pedido, no entanto, foi negado em ju-
nho, quando a maioria dos ministros entendeu que a prática de racismo abrange a discriminação
contra os judeus.‖

4 - TORTURA CASTIGO (Art. 1°, II)

• Art. 1°, II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou
grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou me-
dida de caráter preventivo.
4.1 - CLASSIFICAÇÃO DO CRIME –

• NÚCLEO DO TIPO –

• Submeter - Sujeitar alguém a determinado comportamento, minando sua resistência. Tirar a liber-
dade e a independência de; dominar, subjugar, sujeitar. Reduzir à obediência, à dependência, ou
render-se, obedecer às ordens ou vontade de.

• SUJEITO ATIVO - Pessoa que detém a guarda, poder ou autoridade, exigindo-se qualidade especi-
al. Portanto, sujeito ativo próprio.

• SUJEITO PASSIVO - Pessoa que está sob a guarda, poder ou autoridade de alguém. Portanto, su-
jeito passivo próprio.

• ELEMENTO SUBJETIVO - Dolo, com a finalidade específica de aplicar castigo pessoal ou medida
de caráter preventivo.

• AUSÊNCIA DO ELEMENTO SUBJETIVO ESPECÍFICO ou ESPECIAL - (DOLO ESPECÍFICO)

4.2 - TORTURA CASTIGO E MAUS-TRATOS –

• A diferença da tortura para o crime de maus-tratos (Art. 136 do CP) está exatamente na intensidade
do sofrimento da vítima.

• SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA –

I - A figura do inc. II do artigo 1º, da Lei nº 9.455/97 implica na existência de vontade livre e consciente do
detentor da guarda, do poder ou da autoridade sobre a vítima de causar sofrimento de ordem física ou mo-
ral, como forma de castigo ou prevenção.

II - O tipo do artigo 136, do Código Penal, por sua vez, se aperfeiçoa com a simples exposição a perigo a
vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, em razão de excesso nos meios de
correção ou disciplina.

III - Enquanto na hipótese de maus-tratos, a finalidade da conduta é a repreensão de uma indisciplina, na


tortura, o propósito é causar o padecimento da vítima.

IV - Para a configuração da segunda figura do crime de tortura é indispensável a prova cabal da intenção
deliberada de causar o sofrimento físico ou moral, desvinculada do objetivo de educação.

V - Evidenciado ter o Tribunal a quo desclassificado a conduta de tortura para a de maus tratos por enten-
der pela inexistência provas capazes a conduzir a certeza do propósito de causar sofrimento físico ou moral
à vítima, inviável a desconstituição da decisão pela via do recurso especial. (REsp 610.395/SC, Rel. Min.
Gilson Dipp, Quinta Turma, julgado em 25.05.2004, DJ 02.08.2004 p. 544).

INTENSO SOFRIMENTO - TORTURA x MAUS-TRATOS

Para configurar a Tortura-Castigo, deverá ser comprovado o intenso sofrimento físico ou mental. Já
no que diz respeito ao delito de maus-tratos (art. 136), basta a exposição a perigo da vida ou da saúde da
pessoa.
Outra diferença reside no fato de que o crime de maus-tratos é de perigo (dolo de perigo); Já é o de
tortura, é classificado como delito de dano (dolo de dano). Desta forma, a diferença entre os crimes de tor-
tura e de maus-tratos deve ser feita no caso concreto.

LEI 9.455/97 - CÓDIGO PENAL -


Art. 1°, II - TORTURA – CASTIGO Art. 136 - MAUS TRATOS -

Submeter alguém a intenso sofrimento físico ou Expor a perigo a vida ou a saúde


mental.

Pessoa sob sua guarda, poder ou autoridade; Pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilân-
cia.

Com emprego de violência ou grave ameaça; Quer privando-a de alimentação ou cuidados


indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho
excessivo ou inadequado;

Com o fim de aplicar castigo pessoal ou medida Para fim de educação, ensino, tratamento ou
de caráter preventivo. custódia; quer abusando de meios de correção
ou disciplina.

AULA 13

1 - TORTURA PELA TORTURA ou TORTURA EQUIPARADA -

Art. 1°. § 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a so-
frimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida
legal.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL de 1988

Art. 1º A República Federativa do Brasil (...) tem como fundamentos:

III - a dignidade da pessoa humana;

Art. 5º - (...)

XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o
período de amamentação.
CÓDIGO PENAL de 1940

Art. 38 - O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda da liberdade, impondo-se a todas
as autoridades o respeito à sua integridade física e moral. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

LEI DE EXECUÇÃO PENAL - LEI 7.210/84

Art. 1º - A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e pro-
porcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.

Art. 3º Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou
pela lei.

Art. 40 - Impõe-se a todas as autoridades o respeito à integridade física e moral dos condenados e dos
presos provisórios

ELEMENTO SUBJETIVO - Dolo, que consiste na vontade livre e consciente de praticar o crime, ou seja, de
impor sofrimento a pessoa que está presa ou submetida à medida de segurança, por meio de ato não pre-
visto em lei ou não resultante de medida legal.

OBSERVAÇÃO - FINALIDADE ESPECÍFICA -


Aqui não há qualquer finalidade específica, ou seja, não é exigido para seu aperfeiçoamento o especial fim
de agir por parte do agente, bastando, para a configuração do crime, o dolo de praticar a conduta descrita
no tipo objetivo.

SUJEITO ATIVO - PRÓPRIO OU COMUM?


Divergência -

SUJEITO PASSIVO - a pessoa que está presa ou submetida à medida de segurança. Portanto, sujeito
passivo próprio.

CRIME DE TORTURA PELA TORTURA (OU TORTURA EQUIPARADA) e ABUSO DE AUTORIDADE


(ART. 4°, ―b‖)

Lei 4.898/65

Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:

b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei.

TORTURA-OMISSIVA - TORTURA ANÔMALA - TORTURA IMPRÓPRIA - TORTURA ATÍPICA (ART. 1°,


§ 2º)

§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre
na pena de detenção de um a quatro anos.

SUJEITO ATIVO - é crime próprio ou especial. Crime praticado por funcionário público, especialmente
aquele que tem o dever jurídico de evitar ou apurar o crime de tortura.
CONSUMAÇÃO - O delito se consuma com a mera omissão. Isto é, se consuma com a inércia dolosa na
apuração da tortura, não se exigindo qualquer resultado naturalístico.

CRIME FORMAL - Não se exige qualquer resultado naturalístico para sua consumação, uma vez que se
consuma com a mera omissão.

ELEMENTO SUBJETIVO - Dolo, sem finalidade específica.

OMISSÃO CULPOSA - Como não existe participação culposa em crime doloso, caso o omitente tenha agi-
do culposamente, o fato será atípico.

PREVARICAÇÃO x TORTURA-OMISSIVA - A principal diferença entre os dispositivos reside no fato de


que a Prevaricação (Art. 319, CP) tem com fim a satisfação de interesse ou sentimento pessoal. No delito
de tortura não tem essa finalidade específica.

PRINCÍPIO DO ―NO BIS IN IDEM‖


Consiste na repetição (bis) de uma sanção sobre mesmo fato (in idem). Para evitar o ―Bis In Idem‖, não se
aplica a causa de aumento de pena do art. 1°, § 4º, I desta lei;

NÃO EQUIPARAÇÃO A HEDIONDO - Por força constitucional (como já vimos acima) e conforme previsão
expressa na Lei 8072/90 (LCH), o delito de tortura é equiparado a Hediondo. No entanto, essa modalidade
não é equiparada a hediondo.

TORTURA QUALIFICADA

Art. 1°. § 3º - Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a
dez anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.

TORTURA QUALIFICADA PELA MORTE


De acordo com a segunda parte do dispositivo legal, qualifica a tortura se resultar em morte. Temos, por-
tanto, um crime preterdoloso. Aqui, inicialmente, o sujeito ativo quer apenas torturar, no entanto, por culpa
na conduta consequente, ele acaba matando a vítima. Desta forma temos a tortura dolosa + morte culposa.

HOMICÍDIO QUALIFICADO PELA TORTURA - (Art. 121, § 2º, III)


Diferente da tortura qualificada pela morte (dolo + culpa), temos o homicídio qualificado pela tortura (dolo +
dolo). A grande diferença está no animus necand (intenção de matar). No homicídio qualificado pela tortura,
o sujeito ativo, desde o início, quis a morte. No entanto, a tortura foi o meio para alcançar seu objetivo.

CONCURSO MATERIAL DE CRIMES - TORTURA + HOMICÍDIO


É perfeitamente possível o concurso de crimes entre tortura e homicídio. Temos, portanto crime de Tortura-
Prova (Art. 1°, I, ―a‖) em concurso com homicídio qualificado pela conexão consequencial (Art. 121, § 2º, V)
AULA 14

BLOCO 4 - Lei nº 9.455/1997 (Definição dos crimes de tortura)


Art. 1º, §4º, §5º, §6º, §7º; E art. 2º.

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA - MAJORANTES -

§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:

I - se o crime é cometido por agente público;


II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60
(sessenta) anos;
III - se o crime é cometido mediante sequestro.

• Nexo de Causalidade – Deverá haver nexo causal entre a função e a prática delituosa.
• Não revogação da Lei 4.898/65 - Esse dispositivo não revogou a lei dos crimes de Abusos de auto-
ridades.
• ―Bis in idem‖ - Para evitar o ―Bis In Idem‖, não se aplica na hipótese em que a condição de funcio-
nário já é requisito da própria existência do tipo penal.

EFEITOS DA CONDENAÇÃO -

§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercí-
cio pelo dobro do prazo da pena aplicada.

PERDA DO CARGO - REGRA -


A regra no Código Penal, conforme o art. 92, é que a perda do cargo não se dará automaticamente.

PERDA DO CARGO - EXCEÇÃO - são automáticos, ou seja, independem de motivação expressa na sen-
tença pelo Juiz, bem como independem do quantum da pena aplicada.

STJ: Isso porque, conforme dispõe o §5º do art. 1º deste diploma legal, a perda do cargo, função ou em-
prego público é efeito automático da condenação, sendo dispensável fundamentação concreta. (REsp
1.044.866-MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 2/10/2014.)

3. INSUSCETÍVEL DE GRAÇA OU ANISTIA E FIANÇA -

Art. 2º, § 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DECRETO FEDERAL. INDULTO. LIMITES. CONDE-


NADOS PELOS CRIMES PREVISTOS NO INCISO XLIII DO ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO CONFORME. REFERENDO DE MEDIDA LIMINAR DEFERIDA.

1. A concessão de indulto aos condenados a penas privativas de liberdade insere-se no exercício do poder
discricionário do Presidente da República, limitado à vedação prevista no inciso XLIII do artigo 5º da Carta
da República. A outorga do benefício, precedido das cautelas devidas, não pode ser obstado por hipotética
alegação de ameaça à segurança social, que tem como parâmetro simplesmente o montante da pena apli-
cada.
2. Revela-se inconstitucional a possibilidade de que o indulto seja concedido aos condenados por
crimes hediondos, de tortura, terrorismo ou tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, indepen-
dentemente do lapso temporal da condenação. Interpretação conforme a Constituição dada ao § 2º do
artigo 7º do Decreto 4495/02 para fixar os limites de sua aplicação, assegurando-se legitimidade à indul-
gencia principais. Referendada a cautelar deferida pelo Ministro Vice-Presidente no período de férias foren-
ses.
(medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade nº 2795, relatada pelo ministro Maurício Corrêa,
Pleno, publicada no Diário de Justiça em 2 de junho de 2003).

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL –


Habeas Corpus. Comutação de pena. Indulto. Inadmissibilidade. Crime equiparado a hediondo ca-
racterizado. Impossibilidade. Aplicação do art. 8º, II, do Decreto nº 6.706/08. Ordem denegada.

1. A comutação nada mais é do que uma espécie de indulto parcial (em que há apenas a redução da
pena). daí porque a vedação à concessão de indulto em favor daqueles que praticaram crime hedi-
ondo - prevista no art. 2º, i, da lei nº 8.072/90 - abrange também a comutação.

Precedentes. (HC nº 84.734/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe de 26/3/10; HC nº
96;431/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe de 15/5/09; HC nº 94.679/SP, Segunda Turma,
Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJe de 19/12/08). 2. Ordem denegada.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - ―O art. 5º, XLIII, da CF, que proíbe a graça, gênero do qual o indulto é
espécie, nos crimes hediondos definidos em lei, não conflita com o art. 84, XII, da Lei Maior. O decreto pre-
sidencial que concede o indulto configura ato de governo, caracterizado pela ampla discricionariedade.‖
[HC 90.364, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 31-10-2007, P, DJ de 30-11-2007.] HC 81.810, rel. min. Ce-
zar Peluso, j. 16-4-2009, P, DJE de 7-8-2009

4. INÍCIO DO CUMPRIMENTO DA PENA -


Art. 1° § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da
pena em regime fechado.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL –


No entanto, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o § 1º do art. 2º da Lei nº 8.072/90,
por ofender à garantia constitucional da individualização da pena (inciso XLVI do art. 5º da CF/88).
No caso, o réu, acusado de táfico de entorpecentes, foi condenado a uma pena inferior a 8 anos de
reclusão, que, de acordo com o § 1º do art. 2º da Lei dos Crimes Hediondos, deveria ser obedecida à regra
da obrigatoriedade do regime inicial fechado. (27/06/2012; Plenário; Habeas Corpus 111.840 - Espírito
Santo)

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL –

1. Verifica-se que o delito foi praticado em 10/10/09, já na vigência da Lei nº 11.464/07, a qual instituiu a
obrigatoriedade da imposição do regime inicialmente fechado aos crimes hediondos e assemelhados.

2. Se a Constituição Federal menciona que a lei regulará a individualização da pena, é natural que ela exis-
ta. Do mesmo modo, os critérios para a fixação do regime prisional inicial devem-se harmonizar com as
garantias constitucionais, sendo necessário exigir-se sempre a fundamentação do regime imposto, ainda
que se trate de crime hediondo ou equiparado.
3. Na situação em análise, em que o paciente, condenado a cumprir pena de seis (6) anos de reclusão,
ostenta circunstâncias subjetivas favoráveis, o regime prisional, à luz do art. 33, § 2º, alínea b, deve ser o
semiaberto. (Supremo Tribunal Federal; HC 111.840 / ES)

LEI DE TORTURA -
Predomina na doutrina, bem como na Jurisprudência, que a decisão do STF, declarando inconstitu-
cional o Art. 2°, § 1° da Lei 8072/90 se estende, por óbvio, aos crimes de tortura, pois esses são equipara-
dos a hediondos.

RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME DE TORTURA. REGIME INICIAL FECHADO


FIXADO EXCLUSIVAMENTE COM BASE NO ART. 1º, § 7º, DA LEI 9.455/97. INCONSTITUCIONALIDA-
DE DECLARADA. RECONHECIMENTO DA ILEGALIDADE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. ALTERA-
ÇÃO DO REGIME PARA O SEMIABERTO, COM FULCRO NO ART. 33 E PARÁGRAFOS DO CÓDIGO
PENAL.

1. A obrigatoriedade do regime inicial fechado prevista na Lei do Crime de Tortura foi superada pela Su-
prema Corte, de modo que a mera natureza do crime não configura fundamentação idônea a justificar a
fixação do regime mais gravoso para os condenados pela prática de crimes hediondos e equiparados. Para
estabelecer o regime prisional, deve o magistrado avaliar o caso concreto, seguindo os parâmetros estabe-
lecidos pelo artigo 33 e parágrafos do Código Penal. (RHC 76.642/RN, Rel. Ministra MARIA THEREZA
DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 11/10/2016, DJe 28/10/2016)

AULA 15

LEI Nº 11.343, DE 23 DE AGOSTO DE 2006.


LEI DE DROGAS
TÍTULO III - CAPÍTULO III
DOS CRIMES E DAS PENAS

GENERALIDADES

01- TIPOS PENAIS CONSIDERADOS COMO ―TRÁFICO DE DROGAS‖

02 - MANDADO CONSTITUCIONAL DE CRIMINALIZAÇÃO


Segundo Cleber Masson, os mandados de criminalização indicam matérias sobre as quais o legislador or-
dinário não tem a faculdade de legislar, mas a obrigatoriedade de tratar, protegendo determinados bens ou
interesses de forma adequada e, dentro do possível, integral.

Art. 5° - XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortu-
ra, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos,
por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.

03 - EQUIPARAÇÃO DO TRÁFICO A CRIME HEDIONDO - O delito de tráfico de drogas não é crime he-
diondo, sim delito equiparado, tendo, portanto, as mesmas consequências dos delitos hediondos, como
podemos observar no texto do art. 2°
Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terro-
rismo são insuscetíveis de:

I - anistia, graça e indulto;

II - fiança.

§ 1° A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado.
§ 2° A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo, dar-se-á após o
cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se reinciden-
te.
§ 4° A prisão temporária, (...) terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso de ex-
trema e comprovada necessidade.

NÃO SÃO CONSIDERADOS TRÁFICO - Como já citamos acima, os demais dispositivos não são conside-
rados como crime de tráfico de drogas, por exemplo:

Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos
crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos)
dias-multa.

Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34
desta Lei:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil)
dias-multa.

04 - SUJEITO ATIVO - Em regra, é comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa, dispensando qua-
lidade especial do sujeito ativo para a prática do ilícito.

EXCEÇÃO - No entanto, de forma excepcional, o Sujeito Ativo será próprio no caso do crime do art. 38.

05 - SUJEITO PASSIVO - A coletividade, pessoas indeterminadas. Temos, portanto, o que a doutrina


chama de crime vago, que é aquele que tem como sujeito passivo a coletividade.

06 - OBJETO JURÍDICO - A saúde pública, a saúde da coletividade, uma vez que a propagação e disse-
minação do uso de drogas por todos, de forma descontrolada, causaria uma grande desordem na socieda-
de.

07 - OBJETO MATERIAL - o objeto material a ―droga‖. O conceito de droga está no art. 1°, parágrafo único
da lei 11.343/06. Vejamos:

“Para fins desta Lei, consideram-se como drogas as substâncias ou os produtos capazes de causar depen-
dência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Execu-
tivo da União.”
08 - Requisitos para ser considerado droga:

Conter o princípio ativo - ou seja, capacidade de causar dependência física ou psíquica.

Previsão na lei ou ato do poder executivo – Portaria 344/98 da Secretaria de Vigilância Sanitária, do
Ministério da Saúde.

09 - NORMA PENAL EM BRANCO HETEROGÉNEA - É aquela que o tipo penal necessita de complemen-
to de outra norma de espécie diferente para ter aplicabilidade.

10 - NECESSIDADE DE PERÍCIA - Para que alguém venha a ser denunciado pelos crimes previstos na Lei
11.343/03, é necessário haver um laudo de constatação, realizado por perito oficial, chamado de exame
químico toxicológico.

11 – CRIME DE PERIGO ABSTRATO – LEI DE DROGAS

12 - CRIME DE PERIGO CONCRETO - Em regra, os crimes previstos na Lei de Drogas são crime de peri-
go abstrato, no entanto temos uma exceção, que é crime de perigo concreto prevista art. 39. Vejamos:

Art. 39. Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de drogas, expondo a dano potencial a in-
columidade de outrem:

13 - CONSUMAÇÃO

14 - ELEMENTO SUBJETIVO - Em regra, o elemento subjetivo é dolo

15 - Exceção no art. 38, da Lei de Drogas.

Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo
em doses excessivas ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

16 - NÃO CABE O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NOS DELITOS DE TRÁFICO -

STJ - ―O princípio da insignificância não se aplica ao uso e tráfico de drogas. Como esses são crimes de
perigo abstrato, é irrelevante a quantidade da substância apreendida. Com base nesse entendimento, a 5ª
Turma do Superior Tribunal de Justiça afastou a insignificância e, em decisão unânime, determinou o rece-
bimento de denúncia por prática de tráfico internacional em razão da importação clandestina de 14 semen-
tes de maconha por remessa postal.‖ REsp 1.637.113; Brasília (DF), 06 de abril de 2017
AULA 16

LEI Nº 11.343, DE 23 DE AGOSTO DE 2006.

LEI DE DROGAS

01 - PORTE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL - Esse tipo penal está no art. 28 da Lei de Dro-
gas. Vejamos.

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal,
drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às se-
guintes penas:

I - advertência sobre os efeitos das drogas;


II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

CLASSIFICAÇÃO DO CRIME

• Sujeito Ativo -.
• Sujeito Passivo –
• Objeto Jurídico .
• Consumação - Trata-se de um tipo penal misto alternativo.
• Elemento subjetivo - É o dolo, com um fim especial de agir: ―para consumo pessoal‖.
• NÚCLEOS DO TIPO – DIFERENÇA – ART. 28 e ART. 33

02 - NATUREZA JURÍDICA DO ART. 28 –

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal,
drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às se-
guintes penas:

I - advertência sobre os efeitos das drogas;


II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

DESCRIMINALIZAÇÃO - Essa tese foi defendida pelos Professores Luiz Flávio Gomes e Rogério Sanches
Cunha, no entanto foram vencidas pelo STF.

Fundamento para ―Descriminalização‖ e Infração Penal Sui Generis –

A antiga e revogada Lei de drogas, Lei 6.368/76, trazia em seu art. 16 uma pena de detenção de 6 me-
ses a 2 anos cumulada com a pena de multa para aquele que incorresse na conduta de ―adquirir, guardar
consigo, para uso próprio, substância entorpecente...‖. Como sabemos, essa lei foi revogada pela atual Lei
N° 11.343/06. 1º).

Crime - pena de reclusão ou detenção.


Contravenção - pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente.

Como o art. 28 da Lei de Drogas não previu nenhum tipo de Privação de liberdade, não se encaixando no
conceito de crime ou contravenção. Seria, portanto, uma infração penal sui generis, ou seja, sem gênero.

DESPENALIZAÇÃO - Prevalece na doutrina e Jurisprudência do STF que o art. 28 da Lei de Drogas conti-
nua sendo crime. No entanto, houve uma despenalização.

3 - ART. 28 - ABOLITIO CRIMINIS E INFRAÇÃO PENAL SUI GENERIS -

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL –


PENAL. HABEAS CORPUS. ART. 16 C. C. 18, IV, DA LEI 6.368/76. REINCIDÊNCIA. ART. 28 DA LEI
11.343/06. DESCRIMINALIZAÇÃO. NÃO-OCORRÊNCIA. ORDEM DENEGADA.

"O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento de Questão de Ordem suscitada
nos autos do RE 430105 QO/RJ, rejeitou as teses de abolitio criminis e infração penal sui generis pa-
ra o crime previsto no art. 28 da Lei 11.343/06, afirmando a natureza de crime da conduta perpetrada
pelo usuário de drogas, não obstante a despenalização". RE 430105 2811.3432. Ordem denegada. (90090
DF 2007/0210677-3, Relator: Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Data de Julgamento: 03/12/2009, T5 -
QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/02/2010).

INFRAÇÃO DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO - É cabível no crime de porte de drogas para consumo
pessoal os institutos da transação penal e suspensão condicional do processo. Nesse sentido, reza o art.
48, § 5º que

“para os fins do disposto no art. 76 da Lei no 9.099, de 1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Cri-
minais, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena prevista no art. 28 desta Lei, a ser
especificada na proposta.”

STF - As infrações atribuídas ao usuário de drogas serão submetidas ao rito estabelecido para os crimes
de menor potencial ofensivo, possibilitando até mesmo a proposta de aplicação imediata da pena de que
trata o art. 76 da L. 9.099/95 (art. 48, §§ 1º e 5º); STF; 1ª Turma; Recurso Extraordinário; 430105 QO /
RJ - Rio de Janeiro; 13 fev. 2007.

3.1 - USAR DROGA É FATO ATÍPICO –

3.2 - PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - De acordo com o entendimento do STJ, não é aplicável o princí-
pio da insignificância.

STJ - RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS RHC 34466 DF 2012/0247691-9 (STJ)

PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. POSSE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL
(ART. 28 DA LEI 11.343 /06). PEQUENA QUANTIDADE DE DROGA APREENDIDA. INAPLICABILIDADE
DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. PRECEDENTES DO STJ.

1. A jurisprudência desta Corte firmou entendimento de que o crime de posse de drogas para consumo
pessoal (art. 28 da Lei n. 11.343 /06) é de perigo presumido ou abstrato e a peque-
na quantidade de droga faz parte da própria essência do delito em questão, não lhe sendo aplicável o prin-
cípio da insignificância. (Data de publicação: 27/05/2013)
04 - CONDUTAS EQUIPARADAS AO PORTE DE DROGA PARA CONSUMO PESSOAL

PLANTIO PARA CONSUMO PESSOAL – Essa conduta está no §1º e traz o seguinte texto:
“Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas des-
tinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física
ou psíquica.”

CRITÉRIO UTILIZADO PARA DETERMINAR SE A DROGA É PARA CONSUMO PESSOAL OU TRÁFI-


CO

A lei de drogas traz, em seu § 2º os critérios que deverão ser analisados para determinar se a droga é para
consumo pessoal. Vejamos:

“Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da
substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e
pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente.”

4.1 - DÚVIDA – Caso haja dúvida se a droga é para o consumo pessoal ou para traficância, o crime tipifi-
cado será o do Art. 28, em homenagem ao Princípio do ―in dubio pró reu‖, favor rei‖, ―favor libertatis.‖

05 - PLANTIO PARA CONSUMO PESSOAL (ART. 28, §1º) VS CRIME DE TRÁFICO (ART. 33, §1º, II)

PLANTIO PARA CONSUMO CRIME DE TRÁFICO


PESSOAL (ART. 28, §1º) (ART. 33, §1º, II)

Art. 28, § 1o Às mesmas medidas submete-se


Art. 33, §1º, II - semeia, cultiva ou faz a colheita,
quem, para seu consumo pessoal, semeia,
sem autorização ou em desacordo com determi-
cultiva ou colhe plantas destinadas à prepara-
nação legal ou regulamentar, de plantas que se
ção de pequena quantidade de substância ou
constituam em matéria-prima para a preparação
produto capaz de causar dependência física
de drogas;
ou psíquica.

5.1 - PENAS PARA O USUÁRIO As penas estão no art. 28, e incisos. Vejamos:

I - advertência sobre os efeitos das drogas;


II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

§ 3o As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 5
(cinco) meses.

§ 4o Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas
pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.
5.2 - MEDIDAS COERCEITIVAS –

§ 6o Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere o caput, nos incisos I, II e III, a
que injustificadamente se recuse o agente, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a:

I - admoestação verbal;
II – multa.

06 - APLICAÇÃO DA PENA - Art. 27. As penas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou
cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo, ouvidos o Ministério Público e o defensor

07 - EFEITOS DA CONDENAÇÃO –

GERA REINCIDÊNCIA - De acordo com o STJ - 6ª Turma. HC 275.126-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado
em 18/9/2014 (Info 549) -, a condenação por porte de drogas para consumo próprio (art. 28 da Lei
11.343/2006) transitada em julgado gera reincidência. Isso porque a referida conduta foi apenas despenali-
zada pela nova Lei de Drogas, mas não descriminalizada (abolitio criminis).

Nesse mesmo sentido:


‖ (HC 314594⁄SP, rel. Min. FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, DJe 1⁄3⁄2016)‖ (HC 354.997/SP, j.
28/03/2017).

08 - NÃO APLICABILIDADA DA MINORANTE DO TRÁFICO PRIVILEGIADO (ART. 33, § 4º) EM VIR-


TUD DA CONDENAÇÃO COM BASE NO ART. 28 –

“1. No caso, a aplicação da minorante foi afastada, em decisão suficientemente motivada, a qual reconhe-
ceu a existência de condenação anterior por uso de entorpecentes.” (AgRg no AREsp 971.203/SP, j.
09/05/2017).

09 - PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE – Como podemos perceber, não temos como pena para o usuário
a pena privativa de liberdade.

09.1 - NÃO CABIMENTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE – Conforme o art. 48, § 2º, não se imporá prisão
em flagrante ao usuário, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente ou,
na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e providen-
ciando-se as requisições dos exames e perícias necessários. Desta forma, ele não poderá ser preso em
flagrante ou provisoriamente.

9.2 - NÃO CABIMENTO DE HC – Como não há restrição à liberdade do usuário, não é cabível HC.

COMPETÊNCIA - Conforme o art. 48, § 5º, será aplicado o procedimento do art. 76 da Lei no 9.099, de
1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais. Tratando- se de crime de menor potencial ofensi-
vo.

9.2 - NÃO CABIMENTO DE HC – Como não há restrição à liberdade do usuário, não é cabível HC.

9.3 - COMPETÊNCIA - Conforme o art. 48, § 5º, será aplicado o procedimento do art. 76 da Lei no 9.099,
de 1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais. Tratando- se de crime de menor potencial
ofensivo.
9.4 PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - CONDUTA EQUIPARADA AO ART. 28 - PORTE DE DROGAS
PARA CONSUMO PRÓPRIO –

STJ: ―Nos atos infracionais equiparados ao delito de uso de entorpecentes - art. 28 da Lei nº 11.343 /06 -
não há que se falar em aplicação do princípio da insignificância, tendo em vista que a pequena quanti-
dade de droga apreendida é da própria natureza do crime. Precedentes. (...) Data de publicação:
04/04/2011

AULA 17

LEI Nº 11.343, DE 23 DE AGOSTO DE 2006.

LEI DE DROGAS

Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer,
ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer
drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamen-
tar:

CLASSIFICAÇÃO DO CRIME
Crime equiparado a hediondo – Art. 5º, XLIII, CF/88 –

• Sujeito ativo – Como regra, é crime comum, qualquer pessoa pode praticar.

Exceção - É crime próprio a Conduta ―prescrever‖, uma vez que só poderá ser praticado por médico ou
dentista.

• Sujeito Passivo – A Coletividade.


• Objeto Jurídico – Saúde Pública.
• Objeto Material – Drogas.
• Consumação – Com a prática de uma das condutas previstas no tipo penal.
• Elemento subjetivo – Dolo. Não se admite a modalidade culposa.
• Tipo penal misto alternativo - Também chamados de crimes de ação múltipla; ou de conteúdo
variado, crime plurinuclear ou multinuclear.
• Crime formal - STJ - ―A conduta prevista no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 constitui delito
formal, multinuclear, e, para sua consumação, basta a execução de quaisquer das condutas previs-
tas no tipo penal (...) . (CC 133.560/RJ, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Terceira Seção,
julgado em 11/6/2014, DJe 17/6/2014)

MOMENTO CONSUMATIVO DO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS NA MODALIDADE ADQUIRIR.


DIREITO PENAL. CONSUMAÇÃO DO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS NA MODALIDADE ADQUIRIR.
A conduta consistente em negociar por telefone a aquisição de droga e também disponibilizar o veí-
culo que seria utilizado para o transporte do entorpecente configura o crime de tráfico de drogas em sua
forma consumada - e não tentada (...)
Nesse sentido, a Segunda Turma do STF (HC 71.853-RJ, DJ 19/5/1995) decidiu que a modalidade
de tráfico "adquirir" completa-se no instante em que ocorre a avença entre comprador e vendedor. (...) . HC
212.528-SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 1º/9/2015, DJe 23/9/2015.

NÃO SE APLICA PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA


O princípio da insignificância não se aplica ao uso e tráfico de drogas. Como esses são crimes de
perigo abstrato, é irrelevante a quantidade da substância apreendida. (...) Em decisão monocrática, o minis-
tro Jorge Mussi acolheu o recurso, invocando entendimento do STJ segundo o qual não se aplica a insigni-
ficância aos delitos de tráfico de drogas e uso de substância entorpecente, pois são crimes de perigo abs-
trato ou presumido, ―sendo irrelevante para esse específico fim a quantidade apreendida‖. REsp 1.637.113

Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e qui-
nhentos) dias-multa.

§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:

I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em de-
pósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de
drogas;

IMPORTAÇÃO DE SEMENTES DE MACONHA.

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENAL. IMPORTAÇÃO DE SEMENTES DE MA-


CONHA. DELITO PREVISTO NO ART. 33, § 1º, INCISO I, DA LEI N. 11.343/06. PRINCÍPIO DA INSIGNI-
FICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. INSURGÊNCIA DESPROVIDA.

1. Esta Corte Superior de Justiça firmou entendimento no sentido de que "A importação clandestina de se-
mentes de cannabis sativa linneu (maconha) configura o tipo penal descrito no art. 33, § 1º, I, da Lei n.
11.343/2006" (EDcl no AgRg no REsp 1442224/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma,
julgado em 13/09/2016, DJe 22/09/2016).

II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regula-
mentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas;

Art. 28, §1º Art. 33, §1º, II

Semeia, cultiva ou faz a colheita, sem


Semeia, cultiva ou colhe plantas autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar,;

Plantas destinadas à preparação de


de plantas que se constituam em ma-
pequena quantidade de substância ou
téria-prima para a preparação de dro-
produto capaz de causar dependência
gas
física ou psíquica.

Consumo pessoal Para fins de tráfico


III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou
vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desa-
cordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.

§ 2o Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: (Vide ADI nº 4.274)

Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa.

§ 3o Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos
a consumirem:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.500 (mil e quinhen-
tos) dias-multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28.

CONSUMAÇÃO - O Crime se consuma com a oferta, sendo irrelevante se a pessoa de seu relacionamento
fez o uso ou não. Trata-se, portanto, de crime formal.

§ 4o Nos delitos definidos no caput e no § 1o deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a
dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de
bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. (Vide
Resolução nº 5, de 2012)

REQUISITOS - Os requisitos deverão ser observados de forma cumulativa, de modo que a falta de um dos
requisitos impede a diminuição da pena. São eles:

Agente primário - Ou seja, não tenha sido julgado definitivamente com trânsito em julgado por crime ante-
rior. Lembrando que a condenação por com base no art. 28 impede a aplicação desse dispositivo.

Bons antecedentes - ou seja, não responda a outra ação penal; ou não tenha inquéritos policiais em curso
contra o réu.

Não se dedique às atividades criminosas, nem integre organização criminosa - não tenha envolvimen-
to com o crime.

QUANTIDADE DE DROGA – JURISPRUDÊNCIA


(...) No presente caso, o v. acórdão exasperou a pena-base do paciente em 01 (um) ano de reclusão e 100
(cem) dias-multa, em razão da quantidade e diversidade de drogas apreendidas, ao passo em que, na ter-
ceira fase não considerou o privilégio descrito no parágrafo 4º, do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, ao
fundamento de que o paciente se dedicava às atividades criminosas, lastreando-se na grande quan-
tidade de droga apreendida, qual seja, 468,5g (quatrocentos e sessenta e oito gramas e cinco deci-
gramas) de Cannabis Sativa L ("maconha"). Assim, as fundamentações exaradas são adequadas ao
caso concreto e justificam o afastamento da figura do tráfico privilegiado, de modo que, rever esse enten-
dimento, para fazer incidir a causa especial de diminuição, demandaria revolvimento da matéria fático-
probatória, procedimento que, a toda evidência, é incompatível com a estreita via do mandamus. (...)

(QUINTA TURMA; Relator Ministro FELIX FISCHER (1109) - HC 424437 / RJ - Data da Publicação:
15/02/2018
STF - Informativo 866 - Participação em organização criminosa e quantidade de drogas -
A defesa alegou que o não reconhecimento da minorante prevista no § 4º do art. 33 da Lei de
Drogas, pelas instâncias ordinárias, baseou-se unicamente na quantidade da droga apreendida.
O Colegiado assentou que a grande quantidade de entorpecente, apesar de não ter sido o único
fundamento apontado para afastar a aplicação do redutor do art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006, foi isolada-
mente utilizada como elemento para presumir-se a participação da paciente em uma organização
criminosa e, assim, negar-lhe o direito à minorante. (Maio de 2017)

STJ - INFORMATIVO 596

DEDICAÇÃO À ATIVIDADE CRIMINOSA. UTILIZAÇÃO DE INQUÉRITOS E/OU AÇÕES PENAIS. POS-


SIBILIDADE

É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação da convicção de
que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal previsto no artigo 33, § 4º,
da Lei 11.343/06. (1º de março de 2017)

CONDIÇÃO DE ―MULA‖ - ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA -

STJ - INFORMATIVO - 602 - (maio de 2017)


É possível o reconhecimento do tráfico privilegiado ao agente transportador de drogas, na quali-
dade de "mula", uma vez que a simples atuação nessa condição não induz, automaticamente, à conclusão
de que ele seja integrante de organização criminosa

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - TRÁFICO PRIVILEGIADO NÃO É CRIME HEDIONDO -


O Superior Tribunal de Justiça (STJ), alinhando-se a entendimento definido pelo Supremo Tribu-
nal Federal, afirmou recentemente que o crime de tráfico privilegiado de drogas não tem natureza hedion-
da. A posição foi adotada pela Terceira Seção ao julgar a Pet 11.796, em novembro de 2016. Na ocasião,
o colegiado resolveu cancelar o enunciado da Súmula 512/STJ.

SÚMULA 512/STJ - CANCELADA –


―a aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não
afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas‖.

AULA 18

LEI Nº 11.343, DE 23 DE AGOSTO DE 2006.

LEI DE DROGAS

Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar a qualquer título, possu-
ir, guardar ou fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer objeto des-
tinado à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200 (mil e duzentos) a 2.000 (dois mil) dias-
multa.

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - (STJ) 6ª T. Simples posse de balança de precisão não prova
conexão com tráfico. Lei 11.343/2006, art. 34

A apreensão isolada de balança de precisão não basta para caracterizar o crime de posse de equipamento
para o preparo de entorpecentes ( Lei 11.343/2006, art. 34).

Esse foi o entendimento da maioria dos ministros da Sexta Turma, em pedido de habeas corpus originário
da Bahia. (HC 153.322; Fevereiro de 2011)

Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos
crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos)
dias-multa.

NÚMERO DE PESSOAS - O dispositivo exigiu a reunião de, no mínimo, duas pessoas. Trata-se, portanto
de um crime de concurso necessário, também chamado de crime plurissubjetivo. Assim, é necessário
um número mínimo de agentes para a prática do delito em virtude de sua conceituação típica

PARTICIPAÇÃO DO MENOR - INIMPUTÁVEL - De acordo com o STJ, o menor poderá contabilizado no


número mínimo para configurar o delito de associação. Além disso, poderá, inclusive, aumentar a pena de
um sexto a dois terços, conforme previsto no art. 40, inciso VI. (Informativo N° 576, STJ

ASSOCIAÇÃO PERMANENTE - Já decidiu o STJ que, para configurar o delito de associação, é exigível
que o faça de maneira permanente e estável, com a finalidade de praticar os delitos já citado. (Informativo
509, STJ)

CONCURSO DE CRIMES - ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO E TRÁFICO -


Não há que se falar em absorção de um crime pelo outro; afasta-se o princípio da consunção. A associação
é crime autônomo e independe da efetiva traficância. Portanto, é possível sim o concurso de crimes nesse
caso.

DELITO NÃO EQUIPARADO A HEDIONDO.

STJ - 2015 - O Superior Tribunal de Justiça entende que o delito de associação para o tráfico de drogas
não possui natureza hedionda, por não estar expressamente previsto nos arts. 1º e 2º, da Lei n. 8.072/90.
(...), Data de Julgamento: 12/02/2015, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 26/02/2015)

Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se associa para a prática reite-
rada do crime definido no art. 36 desta Lei.

Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34
desta Lei:

Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil)
dias-multa.
FINANCIAMENTO DE OUTREM - No crime de financiamento ou custeio a prática do crime de tráfico, o
agente financiador colabora com outrem, para que esse pratique as condutas de tráfico.

AUTOFINANCIAMENTO - Se o agente pratica a traficância e financia seu próprio tráfico, ele responderá
pelo tráfico com aumento de pena, de um sexto a dois terços, art. 40, VII.

De acordo com o entendimento do STJ, através do Informativo N° 534, não haverá concurso de crimes
entre o tráfico (art. 33) e o financiamento (art. 36) se o agente financia sua própria atividade de traficância,
devendo incidir aumento de pena.

CONDUTA REITERADA - Para configurar o delito em análise, é exigível que o faça de maneira estável e
reiterada.

NÃO TRAFICÂNCIA - SUJEITO ATIVO - O agente não pratica as condutas do tráfico, mas apenas financia
ou custeia a prática do crime. Vale destacar que o legislador optou por punir de forma mais severa o agente
que financia do que o agente que efetivamente pratica o tráfico.

AULA 19

LEI Nº 11.343, DE 23 DE AGOSTO DE 2006.

LEI DE DROGAS
Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou associação destinados à práti-
ca de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e pagamento de 300 (trezentos) a 700 (setecentos) dias-multa.

NÃO TRAFICÂNCIA - SUJEITO ATIVO - O agente não pratica as condutas do tráfico, nem faz parte do
grupo, organização ou associação. O sujeito apenas colaborar como informante com grupo, organização ou
associação destinados aos seguintes crimes:

• Art. 33, caput - Tráfico propriamente dito.


• Art. 33, §1º - Condutas equiparadas ao tráfico.
• Art. 34 - Maquinário para tráfico

NÃO PARTICIPAÇÃO DO GRUPO, ORGANIZAÇÃO OU ASSOCIAÇÃO - O sujeito ativo não poderá par-
ticipar direta ou indiretamente do grupo, pois se fizer parte ele responderá pelo crime de tráfico (art. 33,
caput; §1º ou Art. 34); ou responderá pela associação (art. 35)

CONCURSO ENTRE OS CRIMES DE TRÁFICO DE DROGAS (ART. 33) E COLABORAR COMO IN-
FORMANTE (ART. 37) - NÃO É POSSÍVEL.
STJ - (...). O tipo penal do art. 37 da referida lei (colaboração como informante) reveste-se de verda-
deiro caráter de subsidiariedade, só ficando preenchida a tipicidade quando não se comprovar a
prática de crime mais grave. De fato, cuidando-se de agente que participe do próprio delito de tráfi-
co ou de associação, a conduta consistente em colaborar com informações já será inerente aos
mencionados tipos. (...) Se a prova indica que o agente mantém vínculo ou envolvimento com esses
grupos, conhecendo e participando de sua rotina, bem como cumprindo sua tarefa na empreitada
comum, a conduta não se subsume ao tipo do art. 37, podendo configurar outros crimes, como o
tráfico ou a associação, nas modalidades autoria e participação. HC 224.849-RJ, Rel. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 11/6/2013.

CONCURSO ENTRE OS CRIMES DE ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO (ART. 35) E COLABORAR


COMO INFORMANTE (ART. 37) - NÃO É POSSÍVEL.

―Considerar que o informante possa ser punido duplamente (pela associação e pela colaboração com a
própria associação da qual faça parte), contraria o princípio da subsidiariedade e revela indevido bis in
idem, punindo-se, de forma extremamente severa, aquele que exerce função que não pode ser entendida
como a mais relevante na divisão de tarefas do mundo do tráfico.‖ STJ. 5ª Turma. HC 224.849-RJ, Rel.
Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 11/6/2013 (Info 527)

DIREITO PENAL. SUBSIDIARIEDADE DO TIPO DO ART. 37 EM RELAÇÃO AO DO ART. 35 DA LEI


11.343/2006.

―Responderá apenas pelo crime de associação do art. 35 da Lei 11.343/2006 - e não pelo mencionado cri-
me em concurso com o de colaboração como informante, previsto no art. 37 da mesma lei - o agente que,
já integrando associação que se destine à prática do tráfico de drogas, passar, em determinado momento,
a colaborar com esta especificamente na condição de informante.‖ HC 224.849-RJ, Rel. Min. Marco Auré-
lio Bellizze, julgado em 11/6/2013

STJ - ―. Dessa forma, conclui-se que só pode ser considerado informante, para fins de incidência do
art. 37 da Lei 11.343/2006, aquele que não integre a associação, nem seja coautor ou partícipe do
delito de tráfico. HC 224.849-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 11/6/2013

CONDUTA DO ―FOGUETEIRO‖

STF - INFORMATIVO - 643 -

―(...) Reputou-se que a conduta do ―fogueteiro‖ no tráfico enquadrar-se-ia como informante (...) Asseverou-
se que essa conduta fora reproduzida, não no art. 33 da Lei 11.343/2006, mas no seu art. 37 (HC
106155/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, 4.10.2011. (HC-106155)

AUTORIDADE PÚBLICA – Causa de aumento de pena. Art. 40, II (aumentadas de um sexto a dois terço)

Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo em
doses excessivas ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50 (cinqüenta) a 200 (duzentos) dias-
multa.
Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho Federal da categoria profissional a que
pertença o agente.

• SUJEITO ATIVO - Próprio, exigindo a qualidade especial do sujeito ativo.


• NÚCLEO DO TIPO - Ação executada pelo sujeito ativo, que são os verbos prescrever ou ministrar.

1 - Prescrever - é receitar, é a indicação de medicamento para determinado paciente.

2 - Ministrar - é fazer ingerir, ou aplicar o medicamento.


FORMAS DE PRATICAR O CRIME

1 - Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas necessite o paciente;


2 - Paciente precisa da droga, mas foi realizada em doses excessivas;
3 - Paciente precisa da droga, mas foi realizada ou em desacordo com determinação legal ou regulamenta.

• SUJEITO PASSIVO - Coletividade e a pessoa que recebe a medicação.


• OBJETO JURÍDICO - isto é, bem jurídico protegido, é a saúde pública.

CONSUMAÇÃO - consuma-se com a prática das condutas previstas no tipo, ou seja, com a conduta de
prescrever ou ministrar, independentemente de qualquer resultado.

1 - Prescrever - No momento que o médico prescreve a droga estará configurado o crime, mesmo que o
paciente não venha a efetivamente adquirir a droga.

2 - Ministrar - Da mesma forma, consuma-se com a efetiva aplicação do medica


mento, mesmo que o paciente não sofre qualquer lesão física ou mental.

• É crime formal - Em regra, os crimes culposos são materiais. Este, portanto, e uma exceção.
• ELEMENTO SUBJETIVO – Culposo, na modalidade negligência.

TENTATIVA - Não admite, uma vez que é crime culposo.

PRESCREVER OU MINISTRAR DOLOSAMENTE DROGAS

CONCURSO DE CRIMES - Se da conduta de ministrar drogas, o paciente vier a sofres lesões físicas, ha-
verá concurso de crimes.

NÃO É CRIME HEDIONDO OU EQUIPARADO - Por falta de previsão legal, não é crime hediondo ou equi-
parado. Portanto, não recebe tratamento mais severo dispensado àqueles.

CRIME DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO - Como a pena máxima não ultrapassa dois anos, é cabível
os benefícios da Lei 9.099/95.