Вы находитесь на странице: 1из 15

ISSN 1413-389X Temas em Psicologia - 2009, Vol.

17, no 2, 377 – 391


Dossiê "Psicologia, Violência e o Debate entre Saberes"

Análise da destrutividade em adictos a drogas:


contribuição a uma abordagem psicoterapêutica

Maria Abigail de Souza


Universidade de São Paulo – Brasil

Renata Galves Merino Kallas


Universidade de São Paulo – Brasil

Resumo
A compreensão teórica do fenômeno de adicção a drogas, bem como a análise da destrutividade
presente na dinâmica transferencial destes pacientes revela-se fator imprescindível para melhor
direcionamento interventivo, na medida em que esta destrutividade evidencia-se não só como fonte de
perturbação do desenvolvimento psíquico, mas também pela grande dificuldade que representa para
uma abordagem psicoterapêutica. Neste trabalho, objetiva-se demonstrar a importância da análise da
destrutividade em adictos a drogas, o que será realizado através da apresentação de suas excessivas
manifestações de violência e agressividade. Expressão destrutiva que será ilustrada a partir de
resultados obtidos com sujeitos adictos a drogas, 39 pacientes em situação de psicodiagnóstico e 26
pacientes em psicoterapia de orientação psicanalítica, atendidos pelas autoras em instituições públicas
de Saúde Mental, em Centros de Saúde vinculados ao problema de Álcool e Drogas e na Clínica
Psicológica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Será discutida a importância dos
aspectos destrutivos observados no diagnóstico psicológico, no que concerne às vinculações com o
narcisismo e as relações objetais, pressupondo diferentes níveis de estruturação psíquica. Os dados
obtidos em psicoterapia serão objeto de considerações e sugestões para indicação de intervenção
psicoterapêutica de maior eficácia.
Palavras-chave: Droga (Vício), Agressividade, Teste de Rorschach, Psicoterapia Psicanalítica.

Analysis of destructivity of drug addicted: Contribution to a


psichotherapeutic approach

Abstract
The theoretical understanding of the phenomena of the drug addiction, as well as the analysis of the
destructivity, existing in the transferential dynamics of these patients, reveals itself as an essential
factor, in so far as this destructivity reveals itself not only as a disturbance source of the psychic
development, but also to the great difficulty that it represents for a psychotherapeutic approach,
which leads to the need of distinguishing between a destructivity more linked to the violence or to the
aggressiveness, for a better interventive direction. This article’s objective is to demonstrate the
importance of the destructivity analysis regarding drug addicts, which will be performed through the
presentation of its excessive manifestations of violence and aggressiveness. The destructive
expression will be illustrated based on results obtained with drug addicted individuals, 39 patients in a
situation of psychodiagnostic and 26 patients in psychotherapy of psychoanalytic orientation, in
Mental Health public institutions, in Health Centers linked to the Alcohol and Drug problem and in
the Psychological Clinic of the Instituto de Psicologia of the São Paulo University. The importance of
destructive aspects, as observed in the psychological diagnosis will be discussed, regarding the links
with narcissism and object relations, assuming different levels of psychic structure. Data obtained in
psychotherapy will be object of considerations and suggestions for indication of psychotherapeutic
intervention with higher efficiency.
Keywords: Drug Dependency, Aggressiveness, Rorschach test, Psychoanalytic Psychotherapy.
______________________________________
Endereço para correspondência: Maria Abigail de Souza. Av. Professor Mello Moraes, 1721, Bloco F, sala 18,
CEP: 05508-030, Cidade Universitária, São Paulo, SP, Brasil.
378 Souza, M. A., & Kallas, R. M.

1. Adicção Alguns, como Bergeret (1983, 1991),


Hervé (1998) e Morel, Hervé e Fontaine
A etimologia latina do termo adicção
(1997), descrevem peculiaridades do
remete à submissão do devedor inadimplente ao
funcionamento dos drogadictos de acordo com
credor, que podia fazer daquele seu escravo.
a estrutura de personalidade, e outros
Optou-se pela utilização desse termo,
aproximam esse modo de funcionamento
acompanhando a tendência dos estudos
àquele apresentado nos estados-limite (Brusset,
franceses acerca do fenômeno (Blondel, 2004;
2004; Chauvet, 2004; Sztulman, 1997).
Brusset, 2004; Chauvet, 2004; McDougall,
Bergeret (1983, 1991) identifica que a
2004; Valleur & Matysiak, 2002, 2006), que
maior parte das pesquisas epidemiológicas
enfatizam precisamente o caráter de
mostram que prevalecem os toxicômanos de
escravização dos indivíduos adictos a uma
personalidades mal-estruturadas, as quais
única solução para escaparem do sofrimento
nomeia “personalidades depressivas” – não se
psíquico, com menor ênfase na especificidade
podendo falar de estrutura, mas sim em
do produto/objeto de adicção utilizado.
organização. Caracteriza-as por personalidades
que exibem uma importante imaturidade
2. Funcionamento psicodinâmico afetiva, impedindo o indivíduo de se estruturar
solidamente, seja segundo o modo neurótico,
A maioria dos estudiosos das adicções não
seja segundo o modo psicótico. Correspondem
postula a existência de uma estrutura
a indivíduos mal-organizados afetivamente,
especificamente toxicomaníaca (Timsit &
com medo do isolamento devido à angústia
Leduc, 1981; Bergeret, 1983, 1991;
Olievenstein, 1985; Morel, Hervé & Fontaine, interior, à pouca confiança neles próprios, que
os obriga a procurarem compulsivamente a
1997; Sztulman, 1997; Hervé, 1998; Souza,
1998; Pacheco Filho, 1999; Berendonk & adesão a um grupo de semelhantes. Além disso,
a inscrição edipiana não pôde representar o
Rudge, 2002; Bittencourt, 1993, 2003;
Rabinovich, 2003; Brusset, 2004; Chauvet, pólo estruturador do conjunto da personalidade
e o imaginário genital encontra-se bloqueado,
2004; Escobar, 2006; Freire, 2006), mas sim
diferentes modos de funcionamento, na ausência de suficientes integrações
pulsionais. O desejo jamais é suscetível de
destacando ora as angústias e defesas
peculiares, ora o modo de organização ou elaboração e há necessidade de uma remissão
às ilusões do processo primário que reclama
esboço de estruturação, sempre com referência
às já conhecidas estruturas psicopatológicas. soluções imediatas, vindas do exterior.
Essas personalidades mal-estruturadas
Talvez a controvérsia esteja ligada à assemelham-se às descrições de Green (1990)
complexidade dos quadros toxicomaníacos com relação às estruturas-limite ou casos-
observada por Olievenstein (1985), quando limite, compreendidas como uma espécie de
assinala que : estrutura geral que é indeterminada, mas que
o toxicômano sempre é “um pouco” pode se voltar tanto para o lado da depressão,
parecido com alguma coisa que ele como para o lado da perversão, da toxicomania
(terapeuta) já viu: um pouco de psicótico, e da psicose. É como se no interior da estrutura
um pouco de maníaco depressivo, um psíquica os núcleos psicopáticos, perversos,
pouco de perverso, um pouco de toxicomaníacos, depressivos e delirantes
homossexual, etc. Um pouco, mas não travassem uma luta para estabelecer qual deles
exatamente – com variações para cada conseguiria apoderar-se da totalidade da
indivíduo, e para o mesmo indivíduo, a estrutura psíquica.
cada etapa do atendimento terapêutico. Sztulman (1997) observa que os
(p. 82). mecanismos de defesa, a natureza da angústia
e, de maneira mais geral, a economia dos
Bittencourt (1993) e Berendonk e Rudge sujeitos toxicômanos remete, com frequência,
(2002) também destacam a dificuldade ao que os especialistas observam nos estados-
diagnóstica desses casos, principalmente se limite de personalidade.
vigorar a relação de necessidade com o objeto- Brusset (2004) também afirma que é por
droga, pois, nesse caso, as relações do sujeito extensão do quadro da clínica dos estados-
com a fantasia e com o desejo estarão limite que a adicção é explicada pelos
obscurecidas pelo uso da droga. problemas de identidade, pelo falso-self
Destrutividade em adictos a drogas 379

adaptativo, pelas dificuldades de relação na criança da crença em sua capacidade para


afetiva, pela depressividade, pela angústia, pelo desenvolver suas próprias fontes psíquicas a
vazio e, do ponto de vista metapsicológico, fim de atenuar suas tensões afetivas. A autora
pelo polimorfismo e pela ineficácia dos hipotetiza que em razão de suas angústias e de
mecanismos de defesa, que não impedem a seus medos e desejos inconscientes, uma mãe é
angústia, a aflição, ou mesmo o desespero. potencialmente capaz de criar em seu bebê uma
Acrescenta-se a isso a ausência aparente de relação adictiva tanto à sua presença quanto aos
ancoragem na organização edipiana, a seus cuidados. Daí pode sobrevir o risco de que
importância dos mecanismos de clivagem e de a criança não chegue a adquirir uma
projeção, a destrutividade, a fragilidade representação de uma mãe interna cuidadora, a
narcísica no relacionamento com os objetos que qual, normalmente, poderia lhe oferecer a
estão sempre longe demais ou perto demais, capacidade de se identificar a este objeto
entre o abandono e a intrusão. interno para suportar os estados de sofrimento
Chauvet (2004) não menciona literalmente psíquico. A criança que não chega a uma tal
os estados-limite, mas afirma que a busca representação permanecerá incapaz de suportar
desmedida de um objeto a ser consumido, os momentos de tensão de origem interna ou
reflexo de um apetite sem investimento, é uma externa, de forma a buscar sempre soluções
verdadeira batalha cotidiana a que se entregam paliativas, assim como o fazia em pequena, no
esses sujeitos para tentar manter um equilíbrio mundo externo. Dessa forma, a alimentação, as
econômico sempre ameaçado pela oscilação drogas, o tabaco, o álcool, ou outros podem
permanente entre a necessidade do objeto e a temporariamente servir como esses paliativos
salvaguarda narcísica. Configura-se, dessa do stress psíquico e, dito de outra maneira,
forma, uma problemática da separação do preencher uma função maternal que a pessoa
objeto, cuja perda é impossível em razão de sua adicta é incapaz de proporcionar a si mesma.
função narcísica fundamental.
Por outro lado, McDougall (1984) delimita 4. Violência e agressividade
uma suposta “estrutura adictiva”, em que a A busca de compreensão da etiologia da
atuação representaria uma maneira compulsiva adicção a drogas passa por uma observação
de evitar um transbordamento afetivo, e mais paralela ao que sucede com as manifestações de
tarde, (McDougall, 2004), vai instituir uma violência e agressividade no desenvolvimento
distinção em função da presença de angústias do indivíduo, pois muito do que é referido às
neuróticas, que impedem o acesso ao prazer possíveis origens das condutas antissociais e de
sexual e narcísico e as angústias psicóticas em agressão destrutiva encontra estreita
pacientes severamente adictos, que ameaçam o correspondência com o que ocorre na criança
sentido de identidade, de integridade corporal e que, no futuro, recorrerá a objetos de adicção.
da própria vida. As manifestações agressivas, a princípio,
seriam espontâneas e necessárias na criança e
3. Etiologia e desenvolvimento da somente vão se estabelecendo como
adiccção agressividade destrutiva a partir da interação
Olievenstein (1985) localiza as possíveis com o ambiente.
origens dessa dinâmica no desenvolvimento Isto é o que postula Klein (1927/1996,
precoce do “futuro toxicômano”, na relação 1933/1996, 1934/1996) quando afirma haver
com a mãe que não teria possibilitado a tendências criminais presentes no curso do
vivência do estágio do espelho de forma plena. desenvolvimento de todas as crianças, inclusive
Essas observações assemelham-se às de das normais.
McDougall (2004), que, em termos Winnicott (1966/1994) também se refere a
winnicottianos, destaca as relações iniciais amor e ódio como elementos constitucionais,
mãe-bebê como determinantes quanto às que envolvem agressão, mas que a princípio a
origens de certos modos de funcionamento criança não tem uma intenção destrutiva. Ela é
psíquico, dentre os quais aqueles que tendem a apenas um sinal de vida, de vitalidade, como
buscar objetos de adicção. Ressalta que o tipo que um movimento muscular para começar a
de relação vivida nessa época pode ser decisivo discriminar o eu e o não eu. Algo que teria a
no que concerne tanto ao desenvolvimento dos ver com a voracidade, um amor apetite
fenômenos transicionais, quanto à instauração primário, que não visa causar dano ao objeto.
380 Souza, M. A., & Kallas, R. M.

Falando-se de vida e vitalidade, podemos principalmente aqueles que apresentam


nos remeter à pesquisa realizada por Bergeret excessiva carência narcísica.
(1994) sobre o termo violência, o qual ele nos Adotando posição intermediária entre
informa que decorre de um radical indo- Bergeret e Freud, que procura reunificar estes
europeu, que em sua passagem para o grego e termos em torno da concepção de pulsão de
para o latim (vita), define somente a vida, a morte ou de destruição, Green (1994) propõe
força vital, o elã da sobrevivência, e que em sua distinguir diversos tipos de violência e reunir
origem o termo só se relaciona com a ideia de noções próximas como agressividade e ódio em
vida, não implicando qualquer conotação um conjunto, em conexão com a pulsão de
destrutiva ou erótica. Ele acrescenta que o morte. Ele considera aceitável a pulsão de
psicanalista não pode se deixar levar pelo morte como teoria e que a destrutividade seja
sentido derivado desse substantivo, sobretudo parte integrante e fundamental da estrutura
quando utilizado no plural, porque o uso psíquica humana. Concebe a ideia de uma fonte
comum induz a uma confusão entre as noções comum para as pulsões de vida e de morte, mas
de violência e agressividade. E que o julga que se deva fazer diferenciações entre
psicanalista possui modelos claros destas elas, sem que se esqueça que pode ocorrer a
noções, principalmente no que tange à intricação e a desintricação destas pulsões.
agressividade, mas também no que concerne à Assim, do lado das pulsões de vida, ele coloca
violência, pois, desde 1897, Freud fala de uma as pulsões de autoconservação, narcísica e
crueldade instintiva primitiva presente tanto na objetal eróticas e agressivas. Observa também
criança, quanto no selvagem, não sendo questão que, na experiência analítica, a violência é a
de ódio, nem de amor. Diante de dados força latente que gira em torno de toda
clínicos, o psicanalista não deve confundir a transferência e que é absurdo julgar que ela
violência instintual primitiva com os destinos possa estar ausente. O papel do objeto frente à
desta no domínio da psicopatologia. Para violência é o de assegurar a ligação, de conferir
compreender os pacientes no cotidiano clínico, sentido a ela e de ajudar a assimilar a violência
não se deve confundir violência e pulsional transformando-a. Nesta fala, em um
agressividade, o que Bergeret (1994) procura Colóquio de Mônaco intitulado “Os destinos da
diferenciar sob o ponto de vista da natureza, do violência“, Green (1994) afirma suas posições
objetivo e da relação com o objeto da pulsão: de forma bastante abrangente, indo além da
− a violência é apenas um instinto questão psicopatológica, que é o foco deste
primitivo, talvez isolável em estado puro e trabalho e de outras apresentações de
nascente, cujo objetivo limita-se à satisfação da renomados psicanalistas que fizeram parte
necessidade de sobrevivência narcísica. A deste evento. Mas, ao falar de transformação da
manifestação desta violência, mesmo em ato, violência pulsional, remete-nos novamente a
não dá lugar ao prazer nem ao ódio. Na simples Freud, quando este é solicitado por Einstein em
violência, o objeto conserva um papel mais 1932, para se pronunciar, como conhecedor do
modesto, mais próximo de um não eu gênero humano, sobre a seguinte questão:
elementar, do que um objeto autorizando uma “Que se pode fazer para desviar os homens da
relação introjetável na sua ambivalência fatalidade da guerra?”
erotizada. O self violento permanece A resposta-texto de Freud recebeu o título
direcionado a uma problemática narcísica, ele de “Por que a guerra?” (1933/1976) e parece-
só pensa em si mesmo. nos apropriada a este contexto, pois ele utilizou
− a disposição agressiva já pressupõe uma o termo Violência para opor ao termo Direito,
mistura pulsional entre camadas violentas e substituindo a oposição Poder x Direito,
sexuais. O agressivo obtém prazer em fazer mal mencionada por Einstein. Trata-se, de acordo
ao objeto, isto por razões conflituais e com o próprio Freud, não de uma resposta
relacionais precisas, colocando em jogo o prática, mas de uma simples indicação de como
imaginário triangular edipiano e a ambivalência se apresenta o problema da prevenção das
afetiva. Trata-se de fazer o maior mal possível guerras, de um ponto de vista psicológico. Ele
ao objeto, obtendo o máximo de prazer, sem começa afirmando que os conflitos de interesse
parar de pensar que este objeto permanece entre os homens são fundamentalmente
ligado à representação de um prazer interdito. resolvidos pelo recurso à violência. Que é
Para Bergeret (1994) esta distinção é bastante assim no reino animal, do qual o homem não
importante nos pacientes limites-depressivos, pode se excluir; mas no homem acrescentam-se
Destrutividade em adictos a drogas 381

os conflitos de opinião que atingem as mais de vulnerabilidade do bebê humano, com sua
altas esferas de abstração e que parecem exigir incapacidade de fazer face às suas próprias
uma outra técnica de arbitragem. Freud necessidades, ele identifica o papel que esta
(1933/1976) segue afirmando que na horda vulnerabilidade desempenha na organização do
humana era a superioridade muscular que narcisismo primário.
decidia quem devia ter alguma coisa ou realizar Amar (2009) interpreta esta abordagem
sua vontade, que foi substituída pelos freudiana do narcisismo primário como um
instrumentos e pelas armas, e com estas a período da vida do bebê que inspirou muitos
superioridade intelectual passou a suplantar a psicanalistas, dentre eles Melanie Klein (1952),
força bruta, mas a intenção última do combate cuja concepção da continência do bebê pelos
permaneceu a mesma. No curso da evolução, cuidados maternos sugere que a mãe fornece ao
um caminho conduziu a violência ao direito. bebê um objeto interno ao funcionamento
Qual? A grande força de um pode ser psíquico com o qual o bebê pode se identificar,
compensada pela união de diversos fracos: “a chegando a conceber um fantasma de mundo
união faz a força”. Vemos que o direito é a interior e de mundo exterior. Esta autora
força de uma comunidade, mas trata-se sempre concebe ainda a existência de relações
de uma violência. A diferença é que se trata não psíquicas precoces entre o bebê e o mundo
mais da violência de um indivíduo que se externo, isto é, a mãe, o pai e outras pessoas
impõe, mas da violência da comunidade. Para que cuidam do bebê, como marcadas por um
que esta transição da Violência ao Direito fenômeno normal, tendo uma função de defesa
ocorra, esta reunião de diversos deve ser estável contra a angústia, mas que é suscetível de
e duradoura. Outra forma de mudança do assumir uma dimensão patológica pela
Direito advém das mutações culturais dos intensidade excessiva ou por sua rigidez. Trata-
membros da comunidade. Tudo que promove se da identificação projetiva e introjetiva, que
desenvolvimento cultural trabalha contra a são plasmadas nas primeiras experiências de
guerra. Mudanças psíquicas que são paralelas alimentação, do segurar o bebê nos braços, do
ao processo cultural são evidentes e contato pele com pele, que vão favorecer a
desprovidas de toda ambigüidade. Elas introjeção pelo bebê de um objeto interno
consistem em deslocamento progressivo dos maternal suficientemente bom para protegê-lo e
objetivos pulsionais e uma limitação das animá-lo. Contudo, quando o bebê é
pressões pulsionais. atormentado por dores e mal-estar interno, ele
Acompanhando esta comunicação de projeta-os para fora e tem necessidade de que
Freud, passamos a refletir sobre as estes elementos negativos não retornem para
possibilidades de mudanças da pulsão ele, havendo a necessidade de um objeto que
destrutiva humana que poderiam ocorrer possa receber e conter estes elementos. É o
também nos processos psicoterápicos e mais mecanismo de identificação projetiva que
especificamente sobre a evolução da violência sempre se acompanha de uma clivagem do
para a agressividade destrutiva e as respectivas objeto em bom e mau. A criança evolui entre
transformações que contribuem para o duas posições: esquizo-paranóide e depressiva.
desenvolvimento, propostas por Bergeret. A primeira caracterizada pela persecutoriedade,
a clivagem do objeto, mas também o temor da
retaliação por parte do objeto ferido ou
5. Narcisismo, depressão e
agredido fantasmaticamente. A posição
desenvolvimento
depressiva que corresponde à capacidade da
Em seu famoso artigo, “Para introduzir o criança a conceber um objeto de amor
narcisismo“ (1914/1976), Freud procura unificado, uma pessoa única, eventualmente
determinar o que sua teoria poderia contribuir insubstituível, que pode ser perdida. Uma
para a compreensão e o tratamento da psicose, dificuldade particular de sustentação da posição
estabelecendo as distinções desta com a depressiva no que ela tem de fecundo e
neurose, principalmente no que concerne ao criativo, de reconhecimento da unidade e da
narcisismo. No seu entender, o narcisismo, o individualidade da pessoa humana pode levar
amor a si mesmo, precede, como o − sob o efeito de um sentimento de culpa
autoerotismo, a noção de relação de objeto, inconsciente − ao sentimento de uma dor moral
sendo este um ponto nodal diferenciador entre profunda por ter perdido irremediavelmente o
psicose e neurose. Refletindo sobre a situação objeto de amor, como se observa na depressão
382 Souza, M. A., & Kallas, R. M.

melancólica, ou nas fortes depressões por perda Objetivo


de continência na criança e no adolescente. Neste trabalho, pretende-se demonstrar a
Ainda de acordo com Amar (2009) o ódio importância da análise da destrutividade de
do amor e as defesas violentas contra a angústia adictos a drogas, através da apresentação de
depressiva são noções que não entram no suas excessivas manifestações de violência e
âmbito da psicose, nem da neurose e que se agressividade, que permeiam suas falas nas
revestem de uma certa importância entrevistas iniciais, nos resultados obtidos no
psicopatológica no momento atual, pois ela método de Rorschach, dados constituintes de
estão implicadas nas patologias perversas e processo psicodiagnóstico e no registro do
adictivas. Tais tipos de defesas são discurso na intervenção psicoterapêutica.
caracterizadas pela decepção com o laço objetal
relacionado com a qualidade insuficientemente Justificativa
boa do objeto, ou com uma agressividade muito
A importância desta análise reside na
forte do sujeito em sua identificação projetiva.
possibilidade de maior compreensão do
A organização libidinal de tais estruturas que se
diagnóstico psicológico, essencial para a
integrariam bem nos estados limites leva-os a
direção do tratamento, sabendo-se da
se afastarem de uma relação afetiva com um
expressiva dificuldade deste grupo clínico em
objeto humano, sempre aleatório em sua
investir e aderir a intervenções psicoterápicas,
resposta, e a se voltarem preferencialmente
qualquer que seja a abordagem, mas
para uma relação com um objeto concreto e às
especialmente de orientação psicanalítica.
sensações que ele pode induzir, como é o caso
Considerando-se que a ampliação do
da droga para o adicto.
conhecimento e da discussão sobre a dinâmica
Nestas estruturas é que podemos encontrar específica desses pacientes possa auxiliar na
no âmbito da psicoterapia o que Resnik (1994) construção de estratégias de intervenção mais
chama de narcisismo destrutivo e que se adequadas, espera-se que este trabalho possa
desenvolve em conexão com os conceitos de ser uma contribuição neste sentido, a partir da
ferida narcísica e reação terapêutica negativa. experiência clínica das autoras.
Para ele, no nível da transferência, as
reivindicações infantis e a avidez do paciente Método
vão provocar sentimentos de inveja em relação
ao terapeuta, que o coloca em contato com 1. No processo psicodiagnóstico
aspectos de seu mundo interno, por ele Sujeitos
desconhecido. Se o paciente é muito orgulhoso, 39 pacientes (38 do sexo masculino e 01
ele encontrará enorme dificuldade para tolerar do sexo feminino), dependentes de maconha
uma ajuda, um esclarecimento, da parte de um e/ou cocaína há pelo menos um ano.
outro, o terapeuta. Ele padece de um conflito
entre ter necessidade de ajuda e atacar a mão Instrumentos
que lhe é estendida. Esta situação conflitual, • Entrevistas semidirigidas.
intrapsíquica e intersubjetiva ou relacional cria
• Método de Rorschach em aplicação
uma situação repetitiva e circular, que faz parte
individual.
daquilo que se pode chamar de “reação
terapêutica negativa“.
Procedimentos
Anderson (1994) nos alerta para as defesas Os pacientes passavam por algumas
violentas contra as angústias da posição entrevistas iniciais, cuja quantidade variava em
depressiva, particularmente nestes pacientes função da demanda particular de cada caso,
que funcionam em um nível mais borderline ou eram submetidos ao Método de Rorschach e,
narcísico, pois a posição depressiva configura- posteriormente recebiam a devolutiva do
se para eles um estado vagamente à distância e processo psicodiagnóstico, com eventual
temido, devido à ameaça de confronto entre um indicação psicoterápica de orientação
self frágil e os sofrimentos que eles não psicanalítica na Clínica Psicológica do Instituto
poderão suportar. de Psicologia da Universidade de São Paulo
(IP/USP).
Destrutividade em adictos a drogas 383

Análise de dados entre 11 e 17 anos. A maioria faz uso cotidiano


O Método de Rorschach foi aplicado, e individual da droga. Os efeitos mais
classificado e avaliado de acordo com o esperados com o consumo da droga
Sistema Francês (Rausch de Traubenberg, relacionavam-se à fuga da realidade, esquecer
1998; Chabert, 2003, 2004). Os dados do os problemas, diminuir a tensão e não se
Psicodiagnóstico, incluindo Entrevista e deprimir.
Método de Rorschach foram analisados
quantitativa e qualitativamente, mas neste b) Aspectos afetivo-relacionais
estudo serão apresentados apenas os relativos Na infância e adolescência, quase 90%
ao tema em foco. destes indivíduos tiveram dificuldades nas
relações com os pais, seja porque eles eram
agressivos, adictos a drogas ou eram pais
2. No processo psicoterápico
ausentes (62%), seja porque os pais eram
Sujeitos separados de suas mães (23,5%). Por outro
26 pacientes (24 do sexo masculino e 02 lado, as más relações com as mães apresentam
do sexo feminino), cujas drogas de escolha são menores proporções, só vindo a se tornar mais
a maconha e/ou a cocaína, com a prevalência difíceis a partir do consumo de droga.
desta última, dependentes há pelo menos um As relações com suas namoradas ou
ano. Há expressiva prevalência de sujeitos do esposas são consideradas boas por 15% deles,
sexo masculino por disparidade na busca enquanto outros mencionam a existência de
espontânea por tratamento na instituição onde a conflitos (41%) e outros não mantêm relações
pesquisa interventiva foi realizada. A faixa afetivas no momento (44%).
etária predominante vai de 17 a 25 anos. No que concerne à sexualidade, os
Alguns destes pacientes passaram pelo problemas situam-se no registro da
psicodiagnóstico antes da psicoterapia na homossexualidade, bissexualidade ou da falta
Clinica Psicológica do Instituto de Psicologia de relações afetivo-sexuais (36%).
da USP, e outros vieram diretamente para a Aqueles que mantêm relações
Psicoterapia por indicação externa. heterosexuais (65%) dizem que a droga não
afeta seus relacionamentos de forma
Procedimentos significativa.
Os pacientes foram atendimentos Estes pacientes consideram que sua
individualmente em sessões com duração de 50 capacidade de manter bom relacionamento é
minutos e frequência de uma ou duas vezes por boa e normal (58%) enquanto que 41%
semana. consideram-se tímidos e inibidos.

Análise de dados
As sessões foram registradas após sua B) Método de Rorschach
realização e aqui serão apresentadas algumas a) Abordagem quantitativa e
vinhetas focalizando as manifestações que qualitativa
pretendemos ressaltar. 1. Determinantes cinestésicos
As cinestesias humanas (K) são de boa
qualidade em sua maioria. Este tipo de
Resultados e discussão movimeno ativo está concentrado na prancha
1. No processo psicodiagnóstico III, onde se encontram figuras humanas
femininas e indefinidas. Como o grupo é
A) Entrevista constituido majoritariamente por indivíduos do
a) Dados pessoais e relativos ao sexo masculino, poder-se-ia esperar que a
consumo de droga: frequência de representações masculinas fosse
Em sua maioria, são indivíduos solteiros, maior, o que sugere a tendência de inversão no
na faixa etária entre 17 e 23 anos, de baixa processo de identificação sexual. Quanto às
escolaridade. O motivo para a busca do percepções humanas sexualmente indefinidas,
atendimento era parar o consumo da droga, isto poderia caracterizar a impossibilidade de
sendo a cocaína a droga mais consumida, assumir uma posição sexual. É provável que
seguida pela maconha. A maior frequência em haja um temor da figura masculina, pois o
relação à idade de início do consumo ocorre maior número de representações humanas
384 Souza, M. A., & Kallas, R. M.

masculinas encontra-se nos conteúdos 3. Determinantes de tonalidades(claro-


parahumanos e fantásticos, em geral na prancha escuro)
IV. A representação de relações entre os As respostas de tonalidades puras (E)
personagens é reduzida, havendo quase que a mostram absoluta prevalência da difusão nas
mesma proporção de relações positivas e imagens, cujos conteúdos denunciam a
negativas, destacando-se nestas as agressivas e fragilidade, a fluidez e a instabilidade, em
persecutórias, o que sugere vivências afetivas função dos limites e contornos mal definidos,
bastante ambivalentes. Prevalece a tonalidade ou são de nível regredido, como se os sujeitos
desagradável nas representações, talvez pela padecessem de uma fraqueza egoica que não
dificuldade que os sujeitos encontram frente ao possibilitasse se construir em torno de um
relacionamento humano. Daí a necessidade de núcleo sólido. Nas respostas de tonalidade com
se esconder sob uma segunda pele, a forma secundária (EF), os conteúdos são mais
representada pela colocação constante de diversificados, mas eles acentuam o caráter
roupas e acessórios nos personagens. fluido das representações. As respostas de
textura são mais frequentes nas pranchas VII e
As cinestesias animais (kan) encontram- IX, de teor menos agradável, parecendo remeter
se sobretudo nas pranchas V, VIII e X, com boa às relações objetais precoces. Nas respostas em
qualidade formal em sua maioria, indo do mais que a forma é prioritária ao sombreado, surgem
forte ao mais fraco animal, numa oscilação que textura e difusão na mesma proporção, a
lembra a valorização e a desvalorização em primeira mais ligada aos contatos corporais
termos de imagem. A expressão de relações precoces e a segunda à busca de controle dos
entre os animais mostra a prevalência de sentimentos de falta de segurança e de limites
tonalidade desagradável e de conteúdos corporais.
agressivos, o que nos leva a pensar que aquilo
que já fora evidenciado com os humanos 4. Outros Conteúdos
exacerbou-se nos animais. Sabendo-se que Segundo Chabert (2003), os conteúdos
representações projetadas nos animais podem ser analisados em suas valências
configuram-se mais primitivas e menos agressiva, regressiva e sexual, podendo ser
integradas à personalidade atual, observa-se a representados em diversas categorias de
tentativa de reprimir as pulsões agressivas, conteúdo. Neste grupo de pacientes, a valência
consideradas como inadequadas no plano das agressiva foi a mais frequente, representada em
relações humanas. conteúdos menos evoluídos. Os conteúdos
anatômicos mais frequentes referem-se a tórax,
Nas cinestesias de objeto ou forças da pulmão e coluna vertebral. Por outro lado, o
natureza (kob), a ênfase é colocada no percentual de angústia patológica acima de
simbolismo feminino/maternal nas pranchas II 12% leva a pensar em preocupações corporais
e IX e no simbolismo sexual da prancha VI. A que, associadas às constantes respostas de
projeção do movimento privilegia as pulsões difusão, refletem a dificuldade de integração da
agressivas e sexuais, que não encontram uma imagem corporal, uma identidade difusa,
expressão mais socializada, gerando assim representada por imagens humanas envoltas
permanente conflito. emfumaça.

5. Conteúdos de valência agressiva


2. Determinantes de cores Independentemente da categoria dos
conteúdos, identificam-se expressões agressivas
Nestas respostas, o maior número e violentas em diversas respostas. Por exemplo,
concentra-se naquelas que utilizam em figuras fantásticas (“duendes prestes a
prioritariamente a cor e secundariamente a saírem no tapa”, “duende de touca escondendo
forma (CF), atravessando uma extensa gama de algo que ‘não é uma faca”); em animais
conteúdos nas pranchas coloridas. O que (“arrancaram a cabeça do gorila e espirrou
caracteriza menor capacidade de controle dos sangue”, “um rato saindo do corpo de um
afetos e uma expressão emocional lábil. O uso canguru”, “porco espinho que morde”, “porco
do vermelho nas pranchas II e III está ligado à com cara de mau”,“um grilo querendo pular de
agressividade e sexualidade, com uma raiva”, “insetos formando um triângulo de
expressão afetiva regredida. ataque” e “leão de boca aberta”); nos
Destrutividade em adictos a drogas 385

Elementos(“fogo”); (em Fragmentos em seu livro Privação e Delinquência, que


(“furacão”, “ciclone”, “vulcão”); em Plantas pode ter proporcionado alguma continência até
(“folha seca, pontuda”, “um tronco entrando em certo ponto do desenvolvimento da criança e
um corpo”); em Objetos (“espada”, “lança”, que a partir de alguma mudança interna e/ou
“alicate”, “machado” e “bumerangue”); em externa, sua capacidade de conter as angústias
respostas puras de Sangue; na Abstração, temos da criança e de se preocupar com ela, foi
a “discórdia”. duramente atingida.
Além dos Conteúdos Agressivos, vale No Rorschach, temos resultados que
destacar: revelam tanto aspectos neuróticos, quanto
− as atitudes durante a aplicação que alguns próximos à psicose. No nível neurótico,
também evidenciam a tendência à oposição, identificamos as dificuldades no
como o excesso de giros da prancha na posição estabelecimento de relações, com certa
contrária à solicitada; ambivalência, pois além de relações amistosas,
− o excessivo número de percepções de vemos a predominância de relações marcadas
espaço em branco, que além de ser uma por agressividade. Há evidentes dificuldades no
oposição, no sentido de perceber o fundo e não processo de identificação secundária, mas a
a figura, também falam de uma sensibilidade à maioria parece ter alcançado alguma integração
falta e ao vazio. no estabelecimento da identidade, ainda que de
forma frágil e oscilante. Neste ponto é que se
6. Fenômenos Especiais aproximam, mas também diferem do
Neste grupo, as respostas reflexo funcionamento psicótico, cuja dinâmica é
apresentam-se sobretudo nas pranchas VI e marcada por uma identidade não integrada.
VIII e as respostas especulares na prancha III. Razão pela qual são identificados pelos
No entanto, o raro fenômeno de recusa da psicanalistas, estudiosos mais recentes das
simetria deve ser sublinhado, pois, assim como adicções, como “estados-limites”, “casos-
as respostas especulares, configura-se como limites” ou “estruturas-limite” (Green, 1990;
representativo de um narcisismo exacerbado. O Sztulman, 1997; Brusset, 2004; Chauvet, 2004)
sujeito, ao invés de ver duas imagens nas ou algo similar como Bergeret (1991) quando
manchas simétricas, vê apenas um lado, o que fala de personalidades mal-estruturadas ou
seria análogo ao fato de não poder ver ou como Olievenstein (1985), Bittencourt (1993),
considerar o outro no plano das relações Berendock e Rudge (2002), McDougall (2004),
humanas. Seria a centração sobre si mesmo, que se baseiam nas diferentes manifestações
característico do funcionamento narcísico. Tal típicas a diferentes expressões
fenômeno também foi observado por alguns psicopatológicas. Constatamos que a força das
pesquisadores rorschachistas, participantes do pulsões sexuais e agressivas marcadas pela pré-
grupo suiço de Lausanne coordenado por genitalidade exercem constante pressão e a
Rossel, em especial, Collete Merceron (2005) necessidade de adequar-se às exigências sociais
em seu trabalho com psicopatas. coloca o sujeito em permanente conflito e em
posição insustentável. Daí podermos
compreender o desejo, que se transforma em
Discussão sobre o Psicodiagnóstico necessidade, de se alienar na droga. A fuga
Pelas entrevistas, pode-se supor que a ocorrendo não só da realidade externa com suas
grande maioria desse grupo passa por conflitos frustrações habituais, mas a fuga,
que dificultam o estabelecimento de relações principalmente, de si mesmo, por ter que sediar
afetivo-sexuais saudáveis. Em geral, não posições aparentemente inconciliáveis. Quando
dispuseram de um ambiente familiar que relembramos algumas falas de nossos sujeitos
favorecesse um bom desenvolvimento sobre a necessidade de consumir droga para
psicológico, seja pela falta de apoio paterno, “ficar na paz”, “aliviar a tensão”, “fugir dos
seja pela atitude ambígua das mães, que se problemas”, que eles mal conseguiam
configuram como presença concreta, mas verbalizar quais seriam, compreendemos que,
pouco continentes às necessidades dos filhos. além da realidade externa, está
Ao ouvirmos estas mães, no início do preponderantemente em causa, a realidade
atendimento a seus filhos, pudemos várias interna, a dinâmica afetiva.
vezes depreender de suas falas e atitudes aquela No que concerne à dinâmica afetiva,
mãe mencionada por Winnicott (1956/1994) destaca-se em grande escala não só as
386 Souza, M. A., & Kallas, R. M.

tendências agressivas, mas também a expressão transfere sua necessidade e demanda de ter um
de angústia primitiva e narcisismo patológico. tratamento especial, para preencher suas falhas
Tais aspectos conjugados parecem estar narcísicas. São atitudes inconscientes
funcionando como uma defesa contra a decorrentes da necessidade de um cuidado e de
depressão, que estes pacientes não suportariam uma valorização que não tiveram e ao mesmo
em vista de sua semelhança com a morte. tempo de um temor da proximidade relacional,
Envidam grande esforço para manter um falso- que poderá torná-lo muito frágil e dependente
self, no que a droga vem ajudá-los. desta relação terapêutica, com o risco que
O dinamismo encontrado nestes resultados poderá correr do abandono e da desvalorização
guarda correspondência com as contribuições já vivenciados nas relações precoces com as
teóricas de Green (1983) quando associa sobre figuras significativas que fizeram parte de seu
a angústia e narcisismo, a de Kernberg (1995), desenvolvimento. Tal dinâmica é semelhante
sobre a intricação entre agressividade e àquela mencionada por Resnik (1994) em sua
narcisismo destrutivo e o de Bleichmar (1983) experiência como psicanalista, como sendo a
sobre a “depressão narcísica”, que seria o expressão do narcisismo destrutivo, que gera o
centro de um triângulo, cujo vértice seria o conflito entre a necessidade de ter ajuda e o
ideal narcísico elevado, a desvalorização da orgulho ou arrogância que dificulta aceitá-la.
representação de si mesmo e a agressividade da As contribuições teóricas sobre a etiologia
consciência crítica. da adicção (Olievenstein, 1985; McDougall,
2004) e das manifestações agressivas na tenra
2. No processo psicoterápico infância (Klein, 1927/1996; Winnicott,
1964/1994) ressaltam as dificuldades
Resultados relacionais precoces com a figura materna e a
Dentre os 26 pacientes atendidos, ausência da figura paterna, como favorecedora
poderíamos considerar que 14 tiveram uma do processo de identificação secundária, em
evolução positiva, podendo retornar ao estudo e conexão com as vicissitudes do complexo
ao trabalho, com maior regularidade e bom edípico. Tal constituição vai nos trazer as
desempenho. Como também passaram a questões propostas por vários autores sobre os
estabelecer relações de forma menos agressiva destinos da violência na psicopatologia e em
e, principalmente, de maior respeito e especial a colaboração de Bergeret (1994) que
consideração com o outro, marcando sua parece elucidar bem a evolução e a congruência
assunção a uma posição desenvolvimental desta evolução no que concerne a nos
próxima à posição depressiva. Tal resultado depararmos com uma violência mais primitiva,
resultou da própria avaliação das terapeutas em em que a luta é travada num nível mais
consonância com os pacientes. Alguns ainda primitivo de sobrevivência narcísica, ou se nos
continuam em processo de psicoterapia. encontramos diante de uma violência que passa
a se chamar de agressividade com as
repercussões e representações que ela assume
Discussão sobre a psicoterapia: na psicopatologia. A conexão entre a nosologia
A psicoterapia com pacientes adictos é psicopatológica psicanalítica e a descrição do
reconhecida por todos que se dedicam a ela desenvolvimento psicológico de todo indivíduo
como de difícil manejo, pois as manifestações em termos de posições esquizo-paranóide e
de agressividade diretas ou indiretas estão posição depressiva descritas por Klein
sempre presentes, ainda que certas vezes de (1933/1996) vão nos alertar sobre as defesas
forma bem dissimulada. A começar pelo violentas erigidas contra a angústia depressiva
estabelecimento de um enquadre que o no decorrer de uma intervenção
paciente, inicialmente, sempre busca subverter. psicoterapêutica. Anderson (1994) vai destacar
São as demandas constantes de mudanças de as defesas violentas contra as angústias da
horário, as dificuldades em cumprirem os posição depressiva que pacientes mais
horários combinados, a não comunicação de narcísicos ou borderline (como os nossos) vão
quando irão faltar, mas reagem muito mal a apresentar no processo terapêutico devido à
qualquer atraso ou mudança solicitada pelo fragilidade deste pacientes para enfrentar
profissional. É a prevalência do princípio do sofrimentos que eles não poderão suportar.
prazer e ao mesmo tempo uma forma de testar a Amar (2009) ressalta a importância destas
tolerância do terapeuta, ao qual o paciente defesas violentas contra a angústia depressiva,
Destrutividade em adictos a drogas 387

pois elas estão implicadas nas patologias ninguém, só grita. Piora quando ela
adictivas, onde o sujeito tenta se afastar do chega. Antes disso, ninguém se fala, mas
objeto humano com o receio de suas respostas aí ela chega gritando... Tem muito ódio
aleatórias, para se abrigar na relação com um de mim pros meus irmãos, deles pra
objeto concreto, cujas sensações ele conhece, mim, da minha mãe pra gente (...) Ao
como é o caso da droga para o adicto. mesmo tempo dela eu sei que tem amor”
Chegamos aqui à importância desta (N.V., 18 anos)
distinção que pode ser vislumbrada tanto
“Minha mãe não me dá atenção, tá
através do Rorschach, quanto através do
sempre ocupada. Tem um monte de coisa
processo psicoterápico, com suas manifestações
pra fazer, tem que trabalhar. Aí vem
secundarizadas de violência (agressividade),
reclamar que eu tô distante. Ou chega no
que já implica em relações marcadas por
final de semana que ela não tem nada
ambivalência, por questões sexuais, agressivas
pra fazer, quer que eu fique em casa”.
e de dominação, aproximando-se do nível
“Ela me disse que eu sou um refugo, que
neurótico. Ou por manifestações mais
ela não me queria mais em casa... que
elementares e primitivas, que se assemelham ao
eu não servia pra nada, que eu só dava
funcionamento psicótico.
problema, desde pequeno. Falou outras
Mas por que nos interessa esta distinção coisas horríveis que eu não gosto nem de
psicopatológica? Porque ela pode orientar pensar”. (O.P., 23 anos)
procedimentos e cuidados na psicoterapia e nos
encaminhamentos complementares necessários
dentro de uma instituição. Especialmente Pais ausentes
quando esta instituição é um serviço dentro de Muitos pacientes cresceram sem conhecer
uma Clínica-Escola e tal esclarecimento pode ou sem ter um contato mais próximo com seus
dirimir dúvidas diagnósticas sobre pacientes pais biológicos. Mesmo aqueles que tiveram
que apresentam o sintoma comum da adicção, pais presentes fisicamente, revelaram que eles
mas que podem apresentar uma variedade de não puderam cumprir este papel:
funcionamentos dentro de uma estrutura limite.
Para os supervisores que estão atuando com “Me doía muito não ter um pai presente.
aprendizes principiantes, esta distinção permite Tinha dia dos pais na escola, eu ficava
sugerir estratégias terapêuticas mais muito triste olhando todo mundo com os
condizentes com o nível da patologia e dos seus pais e eu sozinho. Hoje não me faz
recursos preservados que os pacientes mais falta, hoje eu aprendi a me virar.
apresentam. (...) a gente mantém uma relação
Se há variabilidade entre estes pacientes, estritamente social. De vez em quando
como acentuam as várias teorias já eu almoço com ele, mas a gente não tem
mencionadas, também pudemos constatar a menor intimidade”. (O.P., 23 anos)
algumas similaridades, no que diz respeito a “... e meu pai sempre foi muito ausente,
algumas características do grupo familiar, dos mas eu não acho que isso tenha sido um
pacientes e de suas interações, conforme nos problema pra mim. Ele não tava lá nem
apontaram Olievenstein (1985) e Bergeret no dia que eu nasci. (...) Mas pra mim
(1991), com suas experiências nesta área e que nunca foi um problema. Eu nunca me dei
serão ilustradas com trechos das falas dos bem com ele mesmo. (...) Meu pai um dia
pacientes em atendimento psicoterápico: me disse que eu era uma aberração. Só
porque eu sou diferente dos outros? Só
Relacionamento ambíguo da mãe porque eu com doze anos me interessei
com os filhos pela cultura japonesa e não por inglês?”
Ainda que sejam mães presentes no (C.J., 25 anos)
convívio e adequadas nos cuidados básicos
materiais, os pacientes queixam-se de sua falta
Rivalidade, ainda que velada, com
de afetividade e de correspondência às suas
os irmãos
reais necessidades:
Observa-se que a atitude das mães com o
“Quando minha mãe chega, é só filho se modifica com a chegada de irmãos e
gritaria, só grito. Ninguém fala com principalmente irmãs mais novas, despertando
388 Souza, M. A., & Kallas, R. M.

muito ciúme e ódio em relação aos pais ou “Minhas amigas disseram que todo
mesmo na relação fraterna: mundo gosta de um feedback, mas pra
mim é demais, eu quero o tempo todo
“Ela (irmã) sempre foi a queridinha do que me digam o que acham de mim.”
meu pai. Nela, ele nunca bateu, acho que (O.P., 23 anos)
porque ela era mulher, não sei, mas nela
ele nunca fez nada, só em mim. Eu falo Muitas vezes essa dúvida desencadeia
‘mãe, eu queria conversar com você’, ela muita competitividade com os que estão à
fala ‘tô com sono, amanhã a gente volta. Parecem ter a necessidade de afirmar sua
conversa’. Mas aí minha irmã chega em superioridade, para não entrarem em contato
casa mais tarde que eu, elas ficam com o sentimento de inferioridade. Quando
conversando” (O.P, 23 anos) esse sentimento emerge, são frequentes as
“Eles (os pais) nunca me entenderam. atitudes intensamente agressivas e impulsivas.
Meu pai queria que eu tivesse os mesmos
“Eu tenho que ser a melhor em tudo,
gostos idiotas das minhas irmãs, que eu
não admito perder. Que nem em
ficasse na mesmice, mas eu não sou
discussão, eu posso tá errada, mas a
assim.” (C.J., 25 anos)
última palavra tem que ser minha. (...) Se
“...minha casa não existia, o terreno era a S. (amiga) discorda de mim eu agarro
da minha avó e a gente morava na casa no pescoço dela (gesticula) e falo ‘o que
dela. Aí meus pais construíram a minha garota?’, aí ela sempre acaba
casa grudada na casa da minha avó, aí concordando (risadas)” “Eu nunca me
eu durmo no porão. É meio dei bem em escola por causa dos
separado.(...) Desde que minha irmã professores. Eles são mó babacas, se
nasceu. É que nossa casa só tem dois colocam numa posição superior. Aposto
quartos, aí ela ficou lá onde era o meu que eu já li muito mais que todos os
quarto e eu fui lá pra baixo”(G.R., 19 professores de literatura das escolas
anos) onde eu estudei.” (P.M., 17 anos)

“ um tiozinho... falando por cima, com


Questões ligadas ao narcisismo arrogância, isso foi o que mais me
negativo irritou, falar comigo daquele jeito, um
Destacam-se frequentes dúvidas quanto ao cara que fica atrás do balcão...”
próprio valor e consequentes relações de “Essa semana eu tive uma briga séria
competitividade e agressividade. Cada um à sua com a minha irmã. (...)“O jeito dela, ela
maneira parece buscar “fora”, no ambiente e é muito arrogante. (...) Por isso que eu
em outras pessoas, fora do ambiente familiar, parti pra cima. Ela fala como se ela
alguma resposta quanto a uma dúvida interior e fosse a dona do mundo” (O.P., 23 anos)
profundamente arraigada do próprio valor, que
não foi interiorizado nas relações parentais:
“Porque eu vou muito na ideia dos A dificuldade de vivenciar
outros. Eu não queria fazer as coisas aí frustrações e consequente depressão
vem um e fala ‘vamos fazer, não pega
nada’, eu falo ‘não, não quero, não tô “...Não quero pensar nos problemas de
afim’. Mas aí se insiste mais um pouco, traição da minha mulher, não é possível
eu falo tudo bem. É como se eu não você me dar um comprimido para eu
tivesse personalidade. Minha parar de pensar e apagar?” (N.M. 24
personalidade é muito fraca ” (W.F., anos)
17anos)
“Tenho que agitar os colegas, beber,
“Direto eu vou lá na casa da minha mãe jogar, puxar um fumo, senão fico
conversar com ela agora, eu pergunto pensando que não tenho ninguém, pois a
pra ela se eu mudei, se eu tô um cara mina não quer mais saber de mim... acho
mais responsável, agora que eu não uso que nunca mais vou conseguir alguém
mais droga.” na vida...” ( P. S. 22 anos)
Destrutividade em adictos a drogas 389

Considerações finais Berendonk, E., & Rudge, A. M. (2002). O


fenômeno da drogadição em suas relações
Estes resultados sugerem, por um lado, a com a perversão. Psychê , 6(10), 137-147.
necessidade de consumo de drogas para reduzir
o sofrimento psíquico, por outro lado, a Bergeret, J. (1983). Toxicomania e
necessidade de erigir um falso-self, para fazer personalidade. Rio de Janeiro: Zahar
face às demandas internas e externas, visto que Editores.
se vislumbram conflitos exacerbados, mas com Bergeret, J. (1991). A personalidade do
o sentido de realidade parcialmente preservado. toxicômano. In J. Bergeret (Org.),
Os sentimentos de depressão e de Toxicomanias: uma visão multidisciplinar
desvalorização de si mesmo (narcisismo (pp. 91-109). Porto Alegre: Artes Médicas.
destrutivo) são reprimidos pelos efeitos
alienantes da droga. Frente a uma ampla Bergeret, J. (1994). Les destins de la violence
expressão de agressividade, angústia e en psychopathologie. Journal de La
narcisismo patológico, relembramos a Psychanalyse de l’enfant, 18, 19-42.
contribuição winnicotianna sobre a (Colloque de Monaco: Destins de la
compreensão das tendências antissociais, onde Violence.)
a agressividade, como sintoma, não deve ser
Bittencourt, L. (1993). Algumas considerações
vista apenas como algo negativo, mas um sinal
sobre a neurose e a psicose nas
de esperança, pois na falta dela viria a
toxicomanias. In C. L. Inem, G. Acselrad
depressão.
(Orgs.), Drogas: uma visão contemporânea
Concluímos também que, mesmo a partir (pp. 81-91). Rio de Janeiro: Imago.
de maior conhecimento sobre o
Bittencourt, L. (2003). O rei está nu: um dos
psicodinamismo destes pacientes, com suas
avatares da função paterna na sociedade
similaridades, mas também com suas
contemporânea. In M. Baptista, M. S. Cruz,
especificidades, é exigida do terapeuta uma
& R. Matias (Orgs.), Drogas e pós-
leitura particular do lugar ocupado pela
modernidade: prazer, sofrimento, tabu (pp.
destrutividade no funcionamento psíquico. A
97-109). Rio de Janeiro: EDUERJ.
experiência e o conhecimento não podem
garantir, mas podem indicar caminhos para Bleichmar, H. (1983). Depressão: um estudo
algum sucesso terapêutico, se considerarmos psicanalitico (M. C. Tschiedel, Trad.). Porto
que este depende não só do conhecimento, mas Alegre: Artes Médicas.
da relação transferencial, que vai favorecendo
transformações e metabolizações da Blondel, M. P. (2004). Objet transitionnel et
agressividade e evoluções na capacidade de autres objets d’addiction. Revue Française
tolerar frustrações, em função da segurança e de Psychanalyse, 68(2), 459-467.
afirmação advinda da interiorização progressiva Brusset, B. (2004). Dépendance addictive et
de bons objetos internos ao longo do processo dépendance affective. Revue Française de
psicoterápico. Psychanalyse, 68(2), 405-420.
Chabert, C. (2003). O Rorschach na clínica do
adulto. Lisboa: Climepsi.
Referências
Chabert, C. (2004). Psicanálise e Métodos
Amar, M. (2009). La psychopathologie Projetivos. São Paulo: Vetor.
psychanalytique. In A. Deneux, F. X. Chauvet, E. (2004). L’addiction à l’objet: une
Poudat, T. Servillat, & J. L. Vénisse dépendance passionnelle. Revue Française
(Orgs.), Les psychothérapies: approche de Psychanalyse, 68(2), 609-622.
plurielle (pp. 48-56). Paris: Masson.
Escobar, J. C. S. de. (2006). Dependência de
Anderson, R. (1994). “Y aller à la botte” Les drogas e psicoterapia − A perspectiva
défenses violentes contre l’angoisse psicanalítica. In D. X. Silveira, & F. G.,
dépressive. Journal de La Psychanalyse de Moreira (Orgs.), Panorama atual de drogas
l’enfant, 18, 123-139. (Colloque de e dependências (pp. 217-221). São Paulo:
Monaco: Destins de la Violence.) Editora Atheneu.
390 Souza, M. A., & Kallas, R. M.

Freire, C. M. R. C. (2006). O diagnóstico e suas Klein, M. (1996). Tendências criminais em


diferentes aplicações no manejo clínico – crianças normais. In: M. Klein, Amor, culpa
uma ressalva. Psicodiagnóstico e e reparação e outros trabalhos (1921-1945)
dependência. In D. X. Silveira, & F. G. (pp. 197-213). Rio de Janeiro: Imago.
Moreira (Orgs.), Panorama atual de drogas (Trabalho original publicado em 1927).
e dependências (pp. 222-227). São Paulo:
Editora Atheneu. Klein, M. (1996). O desenvolvimento inicial da
consciência na criança. In M. Klein, Amor,
culpa e reparação e outros trabalhos (1921-
Freud, S. (1969). Rascunho N. In S. Freud,
1945) (pp. 283-295). Rio de Janeiro: Imago
Edição standard brasileira das obras
Ed. (Trabalho original publicado em 1933).
psicológicas completas de Sigmund Freud
(vol.1) (J. Salomão, Trad.) (pp. 304-307). Klein, M. (1996). Sobre a criminalidade. In M.
Rio de Janeiro: Imago (Trabalho original Klein, Amor, culpa e reparação e outros
publicado em 1897). trabalhos (1921-1945) (pp. 296-300). Rio
de Janeiro: Imago Ed. (Trabalho original
Freud, S. (1976). Sobre o narcisismo: uma publicado em 1934).
introdução. In S. Freud, Edição standard
brasileira das obras psicológicas completas Klein, M. (1952). Développements de la
de Sigmund Freud (vol. 14) (J. Salomão, psychanalyse. Paris: PUF, 1966.
Trad.) (pp. 83-119). Rio de Janeiro: Imago McDougall, J. (1984). The “dis-affected”
(Trabalho original publicado em 1914). patient: reflections on affect pathology.
Psychoanalytic Quartely, 53, 386-409.
Freud, S. (1976). Por que a guerra? In S. Freud,
Edição standard brasileira das obras McDougall, J. (2004). L’economie psychique
psicológicas completas de Sigmund Freud de l’addiction. Revue Française de
(vol. 22) (J. Salomão, Trad.) (pp. 237 - 259). Psychanalyse, 68(2), 511-527.
Rio de Janeiro: Imago (Trabalho original
publicado em 1933). Morel, A, Hervé, F., & Fontaine, B. (1997).
Soigner les toxicomanes. Paris: Dunod.
Green, A. (1983). Narcissime de vie. Olievenstein, C. (1985). Destino do
Narcisisme de mort. Paris: Editions de toxicômano. São Paulo: Almed.
Minuit.
Pacheco Filho, R. A. (1999). Drogas: um mal-
Green, A. (1990). Conferências brasileiras de estar na cultura contemporânea. Psicanálise
André Green: metapsicologia dos limites. e Universidade, 9(10), 119-147.
Rio de Janeiro: Imago. Rabinovich, D. (2003). Desejo, afeto e
patologia do ato. In M. Baptista, M. S. Cruz,
Green, A. (1994). Sources, poussées, buts, & R. Matias (Orgs.), Drogas e pós-
objets de la violence. Journal de la modernidade: prazer, sofrimento, tabu (pp.
Psychanalyse de l’enfant, 18, 215-259. 49-56). Rio de Janeiro: EdUERJ.
(Colloque de Monaco: Destins de la
Violence.). Rausch de Traubenberg, N. (1998). A prática
do Rorschach. São Paulo: Vetor.
Hervé, F. (1998). Souffrance psychique et
Resnik, S. (1994). Le narcissisme destructeur.
toxicomanies. Revue Toxibase, 4.
Journal de La Psychanalyse de l’enfant, 18,
Recuperado em 11 de junho, 2010
79-99. (Colloque de Monaco: Destins de la
http://www.hopital-
Violence.).
marmottan.fr/spip/IMG/pdf/dossier_souffr.p
df. Merceron, C. (2005). Propos sur La symètrie au
Rorschach: de l’objectif à l ‘objectal. In F.
Kernberg, O. F. (1995) Agressão nos Rossel, O. Husain, & C. Merceron (Org.),
transtornos de personalidade e nas Les Phénomènes particuliers au Rorschach:
perversões (M. E. Z. Schestatsky, Trad.). une relecture pointilliste (pp.67-94). Dijon-
Porto Alegre: Artes Médicas. Quetigny: Éditions Payot Lausanne.
Destrutividade em adictos a drogas 391

Souza, M. A. de (1998). Funcionamento Winnicott, D. (1994). Raízes da agressão. In D.


psicodinâmico em drogadictos através do Winnicott. Privação e delinqüência (pp.96-
Rorschach. Boletim de Psicologia, 48(108), 103). São Paulo: Martins Fontes. (Trabalho
1-12. original publicado em 1964).
Sztulman, H. (1997). Entre addiction et ordalie, Winnicott, D. (1994) A tendência anti-social.
les toxicomanes. Adolescence. 15(2), 57-65. In D. Winnicott. Privação e delinqüência
(pp.127-137). São Paulo: Martins Fontes.
Timsit, M., & Leduc, A. (1981, octobre).
(Trabalho original publicado em 1956).
Identification d’un profil Rorschach
“Limiteˮ dans les protocoles de cinquante Winnicott, D. (1994). A tendência anti-social.
usagers de drogues dures incarcerés. In D. Winnicott. Privação e delinqüência
Bulletin de la Societé Française du (pp.127-137). São Paulo: Martins Fontes.
Rorschach et des Méthodes. Projectives, 32, (Trabalho original publicado em 1966).
33-58.
Valleur, M., & Matysiak, J-C. (2002). Les
addictions - dépandances, toxicomanies:
repenser la souffrance psychique. Paris:
Enviado em Novembro de 2009
Armand Colin.
Aceite em Janeiro de 2010
Valleur, M., & Matysiak, J-C. (2006). Les Publicado em Outubro de 2010
addictions: panorama clinique, modèles
explicatifs, débat social et prise en charge.
Paris: Armand Colin.