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A ORIGEM PITAGÓRICA DO SÍMBOLO

Livre tradução nossa da Seção 3, Capítulo I, do livro de Jean Borella


Rodolfo Petrônio

Parece serem os pitagóricos e os neoplatônicos que haviam feito uso desse termo [symbolon],
sem excluir outros vocábulos tais como alegoria, sema, hyponoia (“alegoria”, “signo”, “signo
oculto”). É o que afirmam em particular Porfírio e Jâmblico.

Quando ele (Pitágoras) conversava com seus familiares, ele os exortava, seja de uma
maneira discursiva, seja de uma maneira simbólica (diexódikós, symbolikós)1.

O acima afirmado se confirma uma pouco mais adiante quando declara: “Pitágoras expunha
simbolicamente, segundo um tropo† de mistério2”. E Jâmblico nos ensina que os pitagóricos,

Na presença de estranhos, de profanos por assim dizer, se encontravam (...) comunicando


entre si por palavras encobertas, com o auxílio de símbolos3.

Porém, antes deles, Plotino usava o mesmo termo para caracterizar o modo pitagórico de
exposição: interrogando-se sobre o nome que convém ao Um [Uno] , ele declara que

Os pitagóricos o designavam simbolicamente entre si por Apollon, que é a negação da


pluralidade4.

Contudo, se a palavra symbolon parece desfrutar positivamente de um patrocínio pitagórico e


neoplatônico, a realidade que ela designa é bem mais antiga, pois esses mesmos autores a fazem
remontar ao Egito misterioso, de onde Pitágoras a teria importado. É isto que declara Porfírio:

No Egito, Pitágoras frequentara os sacerdotes; ele se iniciara á sua sabedoria [dos


sacerdotes] e à língua dos egípcios, do mesmo modo que seus três tipos de cartas:
epistolográficas, hieroglíficas e simbólicas, umas exprimindo as coisas em seu sentido


BORELLA, J. Histoire et Théorie du Symbole. 2.ed. Paris, L’Harmattan, 2015.
1
Porphyre, Vie de Pythegore, 36, ed. Nauck, p. 36, 14-15, dans Porphyriis Opuscula Selecta iterum
recognivit A. Nauck, Leipzig, Teubner, 1886, cité par J. Pépin, Mythe et Allegorie, Aubier, 1958, p.95 (Nós
modificamos ligeiramente a tradução de J. Pépin).

Um tropo (do grego τρόπος ou "trópos", do verbo "trépo", "girar"), é uma figura de linguagem ou da
retórica em que ocorre uma mudança de significado, seja interna (em nível do pensamento) ou externa (em
nível da palavra). No primeiro caso, e quando ocorre apenas uma associação de ideias, dá-se o nome de
"perífrase"; se a associação de ideias é de caráter comparativo, produz-se uma "metáfora", que é o tropo por
excelência. O uso de tropos por Pitágoras revela a intenção de comparar, obter semelhança ou similitude,
sobre aquilo que desejava expor.
2
Ibid, ed. Nauck, p. 38, 2-39, 3; et Pépin, ibid., p. 96 (tradução de Pépin modificada).
3
Jamblique, Vie de Pythagore, 32, 2227, ed. Deubner, p. 122, 3-5, Leipzig, Teubner, 1937; citado por
Pépein, ibid., p. 95.
4
Plotin, V, 5, 6, trad. Bréhier, Ennéades, V, p. 98. Trata-se evidentemente de um jogo de palavras
simbólico, análogo ao nirukta hindu: Apllon = a-pollon, quer dizer, palavra a palavra, “não múltiplo”.
2

próprio por imitação (é a escrita kyriológica da qual fala Clemente de Alexandria), as


demais procedendo alegoricamente por meio de certos enigmas5.

Também é assim que desenvolve o tema Jâmblico em sua obra célebre, Os Mistérios do
Egito6.
Se tu propões alguma questão filosófica, escreve o autor a um suposto interlocutor,
nós a determinaremos para ti também ela segundo as antigas tábuas de Hermes,
que Platão já anteriormente e Pitágoras haviam investigado para constituir sua
filosofia7.

E mais adiante,

Antes de tudo, eu quero te explicar o modo de teologia dos egípcios; estes, com
efeito, imitam a natureza universal e a criação divina quando produzem também eles
as cópias simbólicas das intelecções místicas, escondidas e invisíveis, na medida
que a natureza tem exprimido de uma certa maneira simbólica as razões invisíveis
por meio das formas aparentes, e que a criação divina esboça a verdade das Ideias
pelas cópias visíveis (...) Escuta então, tu também, segundo a inteligência mesma
dos egípcios a interpretação intelectual dos símbolos8.

Existe então um simbolismo natural e cosmológico, ao qual responde, na ordem cultural, um


simbolismo tradicional ou sagrado (formas sensíveis, palavras, gestos) à finalidade noética ou
didática, mas também, e sobretudo, à finalidade ritual:

Por meio das obras ordinárias da teurgia, com efeito, umas têm uma causa inefável
e suprarracional, outras são como os símbolos consagrados de toda a eternidade aos
entes superiores9.

Seguramente, os símbolos culturais e os símbolos rituais são instituídos. Mas essas


instituições são elas mesmas dos deuses, direta ou indiretamente, em conformidade à ordem das
coisas queridas pelo divino.

Não provêm dos deuses as instituições e não têm sido estabelecidas por eles desde a
origem numa forma inteligível? Elas imitam a ordem mesma dos deuses, a ordem
inteligível e a ordem celeste. Possuem as medidas eternas daquilo que é dos sinais
maravilhosos; pois elas são enviadas para cá pelo demiurgo e o pai de todos, e por elas os
segredos indizíveis são exprimidos com o auxílio dos símbolos misteriosos, o invisível está
encerrado nas formas, e aquilo que é superior a tudo é representado pelas imagens10.

5
Cf. Porphyre, Vita. Pythag. 11-12, ed. Nauck, p. 23, 1-6, trad. Pépin, op. cit., p. 270.
6
Texto e tradução de E. des Places, S.J., “Les Belles Letres”, 1966.

Refere-se Jâmblico a Hermes Trismesgisto.
7
Ibid., 1,2; p. 40.
8
Ibid., VII, 1-2; p. 188-189.
9
Ibid., I, 11; p. 60.
10
Ibid., I, 21; seguimos aqui a tradução de Pierre Quillard, Dervy, 1948, p. 54.