Вы находитесь на странице: 1из 15

MAGISTRATURA E MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAIS

Renato Brasileiro
Direito Processual Penal
Aula 02

ROTEIRO DE AULA

INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR II

6. Notitia criminis
6.1. Conceito
É o conhecimento, espontâneo ou provocado, por parte da autoridade policial, acerca de um fato delituoso.
6.2. Espécies de notitia criminis
a) De cognição imediata (espontânea): a autoridade policial toma conhecimento do crime através de suas
atividades rotineiras;
b) De cognição mediata (provocada): a autoridade policial toma conhecimento do crime através de um
expediente escrito;
Exemplos: (i) requerimento da vítima, (ii) representação do ofendido, (iii) requisição Ministerial, com
indicação das razões de sua manifestação. O CPP também dispõe (art. 5º) que o Juiz poderia requisitar a
instauração de inquérito. Todavia, a possibilidade de o Juiz requisitar a instauração é muito criticada pela
doutrina moderna, uma vez que a previsão se mostra, no mínimo, incompatível com o sistema inquisitório e
com a imparcialidade que deve ser observada pelos órgãos do Poder Judiciário. O ideal é concluir que o Juiz
deve dar vistas do processo ao Ministério Público, para que requisite a instauração do inquérito, caso constate a
prática de crime.
c) De cognição coercitiva: nesse caso a autoridade policial toma conhecimento do fato delituoso através da
apresentação de indivíduo preso em flagrante.
Nestes casos, o delegado de polícia está obrigado a tomar conhecimento do fato delituoso – por isto esta notítia
criminis é denominada de “cognição coercitiva”.
6.3. Notitia criminis inqualificada.
É também conhecida como denúncia anônima. É utilizada, basicamente, por conta da Internet, que facilita o
anonimato – todavia, não pode haver instauração de inquérito com base em denúncia anônima, por força de
previsão constitucional que veda o anonimato, para garantir eventual responsabilização civil: a simples
instauração de um inquérito pode se revelar extremamente danosa. Portanto, a doutrina e a jurisprudência são

1
www.g7juridico.com.br
pacíficas ao entenderem que a notitia criminis inqualificada, por si só, não pode dar ensejo à instauração de um
inquérito policial. Diante de uma denúncia anônima, deve-se fazer uma averiguação preliminar, para
constatar-se possível verossimilhança da denúncia. Neste sentido:

STF: “(...) Firmou-se a orientação de que a autoridade policial, ao receber uma denúncia anônima, deve antes
realizar diligências preliminares para averiguar se os fatos narrados nessa "denúncia" são materialmente
verdadeiros, para, só então, iniciar as investigações”. (STF, 1ª Turma, HC 95.244/PE, Rel. Min. Dias Toffoli, j.
23/03/2010, DJe 76 29/04/2010)
7. Identificação criminal
A própria Constituição dispõe que nenhuma pena poderá passar da pessoa do condenado (princípio da
pessoalidade da pena). Neste sentido, é evidente que a identificação criminal do verdadeiro autor do delito é
de suma importância para o Processo Penal Brasileiro, mesmo para que não haja o risco de processar e
condenar a pessoa errada.
Hoje, pode-se dizer que a identificação criminal abrange pelo menos três espécies de identificação. Assim, a
identificação criminal seria gênero, do qual seriam espécies:
I) Identificação fotográfica: feita através de fotografias de frente, tamanho 3x4cm. Não é um método seguro
de identificação criminal, por conta da modificação da imagem pessoal ao longo dos anos e pela possibilidade
de manipulação da imagem fotográfica;
II) Identificação datiloscópica: coleta das impressões digitais. Esta forma de identificação é muito mais
confiável, já que a identificação datiloscópica é imutável, e pela possibilidade extremamente baixa de
identidade de impressões digitais entre duas pessoas;
III) Identificação do perfil genético: através da coleta e realização de exames de DNA, torna-se praticamente
impossível que uma pessoa seja confundida com a outra. A coleta do material biológico deve ser feita à luz do
principio que veda a autoincriminação.
→ A identificação criminal pode ser feita em relação a todo e qualquer indivíduo? A Constituição Federal traz
disposição expressa no art. 5º, LVIII:

“Art. 5º. (...)


(...)
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses
previstas em lei;”

Deste dispositivo pode-se extrair duas conclusões importantes: (i) se o indivíduo se identificar civilmente, em
regra, ele não será submetido à identificação criminal – ou seja, em sentido contrário, se o indivíduo não se
identificar civilmente, poderá ser submetido à identificação criminal; (ii) ainda que o indivíduo tenha se
identificado civilmente, ele poderá ser submetido à identificação criminal, nas hipóteses previstas em lei. A lei
nº 12.037/2009 é a que atualmente rege a matéria, revogando todos os demais dispositivos legais que tratavam
do assunto.
7.1. Hipóteses em que pode ocorrer identificação criminal independentemente de anterior identificação civil
Lei n. 12.037/09
“Art. 3º Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer identificação criminal quando:
I – o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação;
II – o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado;
III – o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si;
.

2
www.g7juridico.com.br
IV – a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da autoridade
judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial, do
Ministério Público ou da defesa;”

Segundo o inciso IV, pode haver identificação criminal quando for essencial às investigações policiais, segundo
despacho da autoridade judiciária competente. Assim, o único inciso do art. 3º que versa acerca de autorização
judicial é o IV. Apenas nesta hipótese, portanto, é necessária autorização judicial. Nas demais hipóteses, não.
Exemplo: às vezes se utiliza a identificação não apenas para se individualizar o autor do delito, mas também
como meio de prova para uma futura condenação.

A lei dispõe que o Juiz pode decidir de ofício; todavia, o ideal é entender-se que o Juiz não pode agir de ofício
na fase investigatória – agindo apenas quando provocado pelo delegado de polícia, Ministério Público ou
defesa.

Lei n. 12.037/09
“Art. 3º (...)
(...)
V – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações;
VI – o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento
apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais.
Parágrafo único. As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas aos autos do inquérito, ou
outra forma de investigação, ainda que consideradas insuficientes para identificar o indiciado.”
7.2. Identificação do perfil genético (Lei n. 12.654/12)
A identificação do perfil genético foi introduzida pela Lei nº 12.654/2012, que alterou a Lei nº 12.037/2009,
bem como a Lei de Execução Penal (LEP): à Lei nº 12.037/2009 foi acrescentado o art. 5º, parágrafo único:
Lei n. 12.037/09
“Art. 5º (...)
Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV do art. 3º, a identificação criminal poderá incluir a coleta de
material biológico para a obtenção do perfil genético.”

Neste caso, a coleta do material biológico depende de autorização judicial, já que a hipótese do inciso IV a
exige. Neste caso, em tese, a identificação do perfil genético poderá se dar em relação a todo e qualquer
delito, desde que seja útil para as investigações. A LEP, a seu turno, dispõe:
“Art. 9º-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra
pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, serão
submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido
desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor (Incluído pela Lei n. 12.654/12).
§ 1º A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme
regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo.
§ 2º A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito
instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético.”
Na LEP, a identificação do perfil genético não depende de autorização judicial. A lei dispõe, de forma clara,
que a identificação é compulsória – sem fazer referência à necessidade de autorização judicial. Não obstante, a
Lei nº 12.037 trata de qualquer delito, enquanto a LEP dispõe apenas sobre os indivíduos condenados por
crimes dolosos com violência grave contra pessoa ou por crimes previstos na Lei nº 8.072/1990.
8. Indiciamento .

3
www.g7juridico.com.br
8.1. Conceito
Consiste em atribuir a alguém a autoria ou participação em determinada infração penal.
O indiciamento não traz consequências concretas. Segundo a doutrina, a partir do indiciamento, uma primeira
consequência significaria dizer que o sujeito recebe um status a mais: provavelmente, o indiciado poderá ser
denunciado pelo Ministério Público; por outro lado, o que o indiciamento realmente produz é uma
estigmatização perante a sociedade, apesar disto não trazer qualquer consequência concreta.
8.2. Momento
O indiciamento pode ser feito apenas na fase investigatória. Em tese, o indivíduo já pode ser indiciado no
próprio auto de prisão em flagrante, uma vez que já existem os elementos necessários para que sejam
identificados os autores do delito. Pode-se indiciar, portanto, desde a lavratura do auto de prisão em flagrante
até o momento da elaboração do relatório, que é a conclusão do trabalho investigatório.
Se o processo judicial já está em andamento, já não há mais falar em indiciamento. Neste sentido:
“(...) Esta Corte Superior de Justiça, reiteradamente, vem decidindo que o indiciamento formal dos
acusados, após o recebimento da denúncia, submete os pacientes a constrangimento ilegal e
desnecessário, uma vez que tal procedimento, que é próprio da fase inquisitorial, não mais se justifica
quando a ação penal já se encontra em curso. Habeas corpus concedido para cassar a decisão que
determinou o indiciamento formal dos pacientes, excluindo-se todos os registros e anotações, relativos
ao processo de que aqui se cuida, sem prejuízo do regular andamento da ação penal.” (STJ, 6ª Turma,
HC 182.455/SP, Rel. Min. Haroldo Rodrigues, j. 05/05/2011)
8.3. Pressupostos
O indiciamento não é um ato arbitrário: traz consigo sérios constrangimentos. Por isto, a doutrina e a
jurisprudência exigem certos pressupostos (condições sine qua non) para que alguém seja indiciado.
Basicamente, deve haver (i) prova da existência do crime e (ii) indícios de autoria (ou de participação).
“(...) Indiciamento. Ato penalmente relevante. Lesividade teórica. Indeferimento. Inexistência de fatos
capazes de justificar o registro. Constrangimento ilegal caracterizado. Liminar confirmada. Concessão
parcial de habeas corpus para esse fim. Precedentes. Não havendo elementos que o justifiquem, constitui
constrangimento ilegal o ato de indiciamento em inquérito policial”. (STF, 2ª Turma, HC 85.541, Rel.
Min. Cezar Peluso, DJe 157 21/08/2008)
8.4. Atribuição
A atribuição para o indiciamento é privativa do delegado de polícia. Além disto, não pode ser objeto de
requisição do Juiz ou do Ministério Público. Sobre o assunto, a Lei nº 12.830/2013 positivou o que já era
defendido pela doutrina e pela jurisprudência:
“(...) Sendo o ato de indiciamento de atribuição exclusiva da autoridade policial, não existe fundamento
jurídico que autorize o magistrado, após receber a denúncia, requisitar ao Delegado de Polícia o
indiciamento de determinada pessoa. A rigor, requisição dessa natureza é incompatível com o sistema
acusatório, que impõe a separação orgânica das funções concernentes à persecução penal, de modo a
impedir que o juiz adote qualquer postura inerente à função investigatória. Doutrina. Lei 12.830/2013.
Ordem concedida.” (STF, 2ª Turma, HC 115.015/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 27/08/2013)
Lei n. 12.830/13
“Art. 2, § 6º O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á por ato fundamentado, mediante
análise técnico-jurídica do fato, que deverá indicar a autoria, materialidade e suas circunstâncias.”
8.5. Sujeito passivo .

4
www.g7juridico.com.br
Em regra, qualquer pessoa pode ser indiciada. Há, contudo, exceções:
I) Membros do Ministério Público e Membros do Poder Judiciário: a Lei Orgânica do MP e a Lei Orgânica
da Magistratura dispõem, expressamente, que estas autoridades não podem ser indiciadas – nos casos de
indícios da prática de crimes, os autos deverão ser encaminhados ao Presidente do Tribunal de Justiça ou ao
Procurador-Geral de Justiça para que as investigações tenham andamento.
II) Autoridades dotadas de foro por prerrogativa de função: segundo o STF, se o indivíduo é dotado de foro
por prerrogativa de função, eventual indiciamento (bem como as próprias investigações) depende de
autorização do Ministro relator. Sobre o assunto:
“(...) Se a Constituição estabelece que os agentes políticos respondem, por crime comum, perante o STF
(CF, art. 102, I, b), não há razão constitucional plausível para que as atividades diretamente relacionadas
à supervisão judicial (abertura de procedimento investigatório) sejam retiradas do controle judicial do
STF. A iniciativa do procedimento investigatório deve ser confiada ao MPF contando com a supervisão
do Ministro-Relator do STF. A Polícia Federal não está autorizada a abrir de ofício inquérito policial
para apurar a conduta de parlamentares federais ou do próprio Presidente da República (no caso do
STF). No exercício de competência penal originária do STF (CF, art. 102, I, "b" c/c Lei nº 8.038/1990,
art. 2º e RI/STF, arts. 230 a 234), a atividade de supervisão judicial deve ser constitucionalmente
desempenhada durante toda a tramitação das investigações desde a abertura dos procedimentos
investigatórios até o eventual oferecimento, ou não, de denúncia pelo dominus litis. Questão de ordem
resolvida no sentido de anular o ato formal de indiciamento promovido pela autoridade policial em face
do parlamentar investigado.” (STF, Pleno, Inq. 2.411 QO/MT, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe 74
24/04/2008)
“(...) Inquérito policial em tramitação perante a Justiça Federal de primeira instância, para apurar
possível prática de crime de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro por pessoas que não gozam de foro
por prerrogativa de função. A simples menção de nome de parlamentar, em depoimentos prestados pelos
investigados, não tem o condão de firmar a competência do Supremo Tribunal para o processamento de
inquérito. H.C. indeferido”. (STF, 2ª Turma, HC 82.647/PR, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ 25/04/2003)

Obs. 1: portanto, se a investigação contra titular de foro por prerrogativa de função for levada adiante sem a
supervisão do Tribunal competente, os elementos de informação obtidos pela autoridade policial devem ser
considerados ilícitos. Nesse contexto: STF, Pleno, Inq. 2.842/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 41
26/02/2014.
8.6. Afastamento do servidor público do exercício de suas funções como efeito automático do indiciamento em
crimes de lavagem de capitais
Lei n. 9.613/98
Art. 17-D, com redação dada pela Lei n. 12.683/12: “Em caso de indiciamento de servidor público, este
será afastado, sem prejuízo da remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz competente
autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno.”
O que o art. 17-D faz é atribuir efeito automático ao indiciamento nos crimes de lavagem de capitais quando o
indiciado for servidor público. Segundo a doutrina (ex: Gustavo Henrique Badaró; Pierpaolo Bottini), o
afastamento automático é incabível: o delegado de polícia não pode determinar o afastamento do servidor
através do indiciamento. O afastamento do servidor dependerá de autorização judicial, com base no art. 319
do CPP, que, após alterado, passou a prever várias medidas cautelares diversas da prisão.
9. Conclusão do inquérito policial
9.1. Prazo para a conclusão do IP
.
CPP

5
www.g7juridico.com.br
“Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante,
ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a
ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.”

Ao longo de todo o processo penal, os prazos variam conforme o indivíduo esteja preso ou em liberdade.
Quando o indivíduo se encontra preso, o prazo é de 10 dias; quando está solto, o prazo é de 30 dias.

→ Qual é a natureza deste prazo? Quando se refere a um prazo penal, o dia do início é incluído no cômputo,
sendo fatal e improrrogável; em se tratando de prazo processual penal, o dia do início não é computado, sendo
prorrogado até o primeiro dia útil subsequente caso tenha termo final em final de semana ou feriado. Expõe a
doutrina (ex: Guilherme Nucci) que, quando o indivíduo está preso, trata-se de prazo penal. O ideal, contudo, é
entender-se que o prazo de prisão é penal; mas o prazo para a conclusão do inquérito é processual penal,
ainda que o indivíduo esteja preso. Quando o indivíduo está solto, o prazo de 30 dias pode ser prorrogado;
quando o indivíduo estiver preso, contudo, prevalece o entendimento de que o prazo não pode ser prorrogado.
Na visão da jurisprudência, a contagem do prazo é feita de maneira globalizada (isto é, eventuais excessos de
prazo podem ser compensados ao longo da instrução processual penal).
- Atenção para alguns prazos previstos na legislação especial:
Lei 5.010/66 (Justiça Federal)
“Art. 66. O prazo para conclusão do inquérito policial será de quinze dias, quando o indiciado estiver
preso, podendo ser prorrogado por mais quinze dias, a pedido, devidamente fundamentado, da
autoridade policial e deferido pelo Juiz a que competir o conhecimento do processo.
Parágrafo único. Ao requerer a prorrogação do prazo para conclusão do inquérito, a autoridade policial
deverá apresentar o preso ao Juiz.”
Lei 11.343/06 (Drogas)
“Art. 51. O inquérito policial será concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e
de 90 (noventa) dias, quando solto.
Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser duplicados pelo juiz, ouvido o
Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.”
CPPM

“Art. 20. O inquérito deverá terminar dentro em vinte dias, se o indiciado estiver preso, contado esse
prazo a partir do dia em que se executar a ordem de prisão; ou no prazo de quarenta dias, quando o
indiciado estiver solto, contados a partir da data em que se instaurar o inquérito.
1º Este último prazo poderá ser prorrogado por mais vinte dias pela autoridade militar superior, desde
que não estejam concluídos exames ou perícias já iniciados, ou haja necessidade de diligência,
indispensáveis à elucidação do fato.”
Lei n. 1.521/51 (crimes contra a economia popular)
“Art. 10. (…)
§1º Os atos policiais (inquérito ou processo iniciado por portaria) deverão terminar no prazo de 10 (dez)
dias.”

Lei 8.072/90 (Crimes Hediondos)


“Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o
terrorismo são insuscetíveis
. de: (…)

6
www.g7juridico.com.br
§ 4º A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei no 7.960, de 21 de dezembro de 1989, nos crimes
previstos neste artigo, terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema
e comprovada necessidade.” (Incluído pela Lei nº 11.464, de 2007)

PRAZO SOLTO PRESO


JUSTIÇA ESTADUAL 30 10
JUSTIÇA FEDERAL 30 15 + 15
LEI DE DROGAS 90+90 30+30
JUSTIÇA MILITAR 40 20
CRIMES CONTRA A 10 10
ECONOMIA POPULAR
Prisão temporária em crimes não se aplica 30+30
hediondos

“(...) A prisão ilegal, que há de ser relaxada pela autoridade judiciária, em cumprimento de dever-poder
insculpido no artigo 5º, inciso LXV, da Constituição da República, compreende, por certo, aquela que,
afora perdurar por prazo superior ao prescrito em lei, ofende de forma manifesta o princípio da
razoabilidade. É induvidosa a caracterização de constrangimento ilegal, quando perdura a constrição
cautelar por mais de seis meses, sem oferecimento da denúncia, fazendo-se invocável a razoabilidade.
Ordem concedida.” (STJ, 6ª Turma, HC 44.604/RN, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, j. 09/12/2005, DJ
06/02/2006, p. 356)
9.2. Relatório da autoridade policial: peça de caráter descritivo, em que o Delegado de Polícia descreve as
principais diligências realizadas na fase investigatória.
Ao menos em regra, o delegado não pode dar a sua opinião (juízo de valor) quanto ao que deverá ser feito. O
relatório não é uma peça obrigatória; contudo, sua não execução pode ensejar responsabilidade
administrativa. A ausência do relatório não representa óbice ao oferecimento da denúncia, já que o Promotor de
Justiça pode oferecer a denúncia com base na análise dos autos do inquérito.
Importante exceção está na lei de drogas, em que se exige do delegado de polícia uma valoração quanto ao
fato – para que dê sua opinião em relação a qual crime teria sido praticado (porte de drogas para consumo
pessoal ou tráfico de drogas). A opinião do delegado, contudo, não vincula ninguém, mas detém relevância para
a definição do procedimento a ser seguido. Sobre o assunto:
CPP
Art. 10. (…)
“§ 1º A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz
competente.
§ 2º No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas,
mencionando o lugar onde possam ser encontradas.
§ 3º Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer ao
juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz.”
Lei 11.343/06
“Art. 52. Findos os prazos
. a que se refere o art. 51 desta Lei, a autoridade de polícia judiciária,
remetendo os autos do inquérito ao juízo:

7
www.g7juridico.com.br
I - relatará sumariamente as circunstâncias do fato, justificando as razões que a levaram à classificação
do delito, indicando a quantidade e natureza da substância ou do produto apreendido, o local e as
condições em que se desenvolveu a ação criminosa, as circunstâncias da prisão, a conduta, a
qualificação e os antecedentes do agente (...)”
9.3. Destinatário dos autos do inquérito policial
Para onde o inquérito deve ser enviado?
CPP
“Art. 10 (…)
§ 1º A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz
competente.”

De acordo com o CPP, o inquérito policial segue o seguinte trâmite: (i) Polícia → (ii) Judiciário → (iii)
Ministério Público. Todavia, hoje, esta sequência vem sendo muito criticada: se o Ministério Público é o
destinatário final dos autos do inquérito, por que tramitar perante o Juiz, causando uma dilação indevida da
duração do processo (Aury Lopes Jr.). Portanto, nos últimos anos, vem sendo editadas Resoluções, Portarias e
Provimentos dos próprios Tribunais estabelecendo que a tramitação deve se dar de maneira direta entre a
polícia e o Ministério Público, salvo se houver necessidade de intervenção do Judiciário.
- Resolução n. 63/2009 do Conselho da Justiça Federal.
Obs. 1: no julgamento da ADI 2.886/RJ, o Plenário do Supremo julgou procedente, em parte, pedido formulado
em ação direta para declarar a inconstitucionalidade formal do inciso IV art. 35 da Lei Complementar
106/2003, do Estado do Rio de Janeiro (“Art. 35. No exercício de suas funções, cabe ao Ministério Público: ...
IV - receber diretamente da Polícia Judiciária o inquérito policial, tratando-se de infração de ação penal
pública”). O Tribunal reconheceu o caráter procedimental do inquérito e afastou a apontada ofensa à
competência privativa da União para legislar sobre direito processual (CF, art. 22, I). Entretanto, entendeu
violado o § 1º do art. 24 da CF, porquanto o ato atacado dispõe de forma diversa do que estabelecido pela
norma geral editada pela União sobre a matéria, qual seja, o § 1º do art. 10 do CPP. (STF, Pleno, ADI 2.886/RJ,
Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 03/04/2014)
Obs. 2: na dicção do TRF da 4ª Região, embora seja juridicamente possível que o magistrado, no livre exercício
da atividade jurisdicional, sopesando princípios como economia processual, instrumentalidade, eficiência e
celeridade, determine a tramitação direta de inquéritos sob sua jurisdição entre a polícia e o parquet, tal não
pode ser imposto por resoluções administrativas, atos infralegais, como, por exemplo, a Resolução n. 63 do
Conselho da Justiça Federal. Inexistindo na lei determinação de que o Juiz estabeleça a tramitação direta de
inquérito policial entre Autoridade Policial e o Ministério Público Federal, e sendo certo que resoluções
administrativas não têm o condão de arredar o disposto no art. 10, §3º, do CPP, interferindo no livre exercício
da jurisdição, eventual indeferimento dessa tramitação direta não caracteriza inversão tumultuária dos atos para
fins de interposição de correição parcial. Nessa linha: TRF4, COR 2009.04.00.044743-5, Oitava Turma, Relator
Guilherme Beltrami, D.E. 03/02/2010.
“(...) A tramitação direta de inquéritos entre a polícia judiciária e o órgão de persecução criminal traduz
expediente que, longe de violar preceitos constitucionais, atende à garantia da duração razoável do processo,
assegurando célere tramitação, bem como aos postulados da economia processual e da eficiência. Essa
constatação não afasta a necessidade de observância, no bojo de feitos investigativos, da chamada cláusula de
reserva de jurisdição. 4. Não se mostra ilegal a portaria que determina o trâmite do inquérito policial
diretamente entre polícia e órgão da acusação, encontrando o ato indicado como coator fundamento na
Resolução n. 63/2009 do Conselho da Justiça Federal.” (STJ, 5ª Turma, RMS 46.165/SP, Rel. Min. Gurgel de
Faria, j. 19/11/2015, DJe 04/12/2015)
.
9.4. Providências a serem adotadas pelo MP ao ter vista dos autos do inquérito policial

8
www.g7juridico.com.br
Em primeiro lugar, deve-se olhar para a espécie de crime. Isto porque pode ser que o crime seja de ação penal
privada.
a) Crimes de ação penal privada:
Nestes casos, o Promotor não adotará qualquer medida.
CPP
“Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão remetidos ao juízo
competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues
ao requerente, se o pedir, mediante traslado.”
Se o Promotor visualizar que o crime é de ação penal privada, deverá pedir que os autos permaneçam em
cartório, aguardando-se a iniciativa do ofendido.
b) Crimes de ação penal pública
b.1. Oferecimento de denúncia;
b.2. promoção de arquivamento;
b.3. requisição de diligências;
A depender do caso concreto, o Promotor de Justiça pode entender que alguma diligência se faz necessária.
Deve-se ter cuidado para não fazer requisições ilegais ou desnecessárias.

CPP
“Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial, senão
para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.”
Estas requisições Ministeriais devem ser feitas diretamente ao delegado de polícia, salvo quando houver
necessidade de intervenção judicial. Se o Juiz indeferir o retorno dos autos à polícia, cabe correição parcial,
por error in procedendo. O Juiz não deve se imiscuir no mérito das diligências investigatórias, já que dizem
respeito à formação da opinio delicti do Ministério Público.
CF/88
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
(…)
VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os
fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;
b.4. declinação da competência;
O Promotor pode entender que o Juízo perante o qual atua não tem competência para processar e julgar certa
demanda. Neste sentido, pode solicitar a declinação da competência para o Juízo competente.
b.5. suscitar conflito de competência;
Na declinação de competência, o MP manifesta-se pela primeira vez no sentido da incompetência do Juízo; no
caso do conflito de competência, uma outra autoridade jurisdicional já terá se manifestado no sentido da
incompetência. Como o próprio nome indica, o conflito de competência é um conflito entre dois ou mais órgãos
jurisdicionais quanto à competência. Este conflito pode ser positivo ou negativo:
Conflito de competência
. dirimir eventual controvérsia entre duas ou mais autoridades judiciárias acerca
Trata-se de instrumento que visa
da (in)competência para o processo e julgamento de determinada demanda.

9
www.g7juridico.com.br
Previsão legal: CPP, arts. 113 a 117.
Espécies de conflitos de competência
a) positivo: quando dois ou mais Juízos se consideram competentes para o julgamento da demanda
b) Negativo: quando dois ou mais Juízos se consideram incompetentes para o julgamento da demanda
Atenção para o limite temporal previsto na súmula 59 do STJ: não há conflito de competência se já existe
sentença com trânsito em julgado, proferida por um dos juízos conflitantes.
Só há falar em conflito de competência se os dois processos ainda estão em tramitação: se um dos processos já
foi sentenciado, com decisão transitada em julgado, não há conflito de competência.
Súmula 73 do STJ: a utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de
estelionato, da competência da Justiça Estadual.
Tribunal competente para decidir o conflito de competência
Há duas regras básicas para se determinar o Tribunal competente:
I) Não há conflito de competência quando houver hierarquia jurisdicional
II) Quem decide o conflito? Basta subir na hierarquia do Poder Judiciário até que se encontre um Tribunal
comum aos dois órgãos jurisdicionais em conflito.
- Juiz da comarca de Cabo Frio/RJ X TJ/ RJ: não há conflito de competência, pois o Juiz Estadual de Cabo
Frio/RJ está subordinado ao TJ/RJ.
- Juiz Federal do MS X Juiz Federal SP: ambos os Juízes Federais estão subordinados ao mesmo TRF (3ª
Região), que será o competente para dirimir o conflito.
- Juiz de Direito do JECRIM/BH x Juiz de Direito da Vara Criminal/BH: entendia-se que esta competência
seria do próprio STJ (Súmula nº 348: compete ao Superior Tribunal de Justiça decidir os conflitos de
competência entre juizado especial federal e juízo federal, ainda que da mesma seção judiciária). Esta Súmula,
no entanto, foi cancelada após decisão em sentido contrário do STF – sendo, após, editado um novo verbete
(Súmula nº 428: compete ao Tribunal Regional Federal decidir os conflitos de competência entre juizado
especial federal e juízo federal da mesma seção judiciária). Os dizeres da Súmula também são aplicáveis no
âmbito estadual, desde que feitas as devidas observações e mudanças.
- Juiz de Direito da Vara Criminal/RS X Juiz de Direito do Juízo Militar/RS: o Juiz de Direito da Vara Criminal
está subordinado ao TJ/RJ; o Juiz de Direito do Juízo Militar está submetido ao TJM/RS. Neste exemplo, o
conflito será julgado pelo STJ. Caso se trate de um Estado que não tenha TJM, a conclusão se altera – neste
caso, o Tribunal de Justiça apreciará o conflito, pois é superior a ambos os Juízos em conflito.
- Distinção entre conflito de competência e conflito de atribuições
O conflito de competência se estabelece entre dois ou mais Juízos; o conflito de atribuições, a seu turno, é o que
se estabelece entre dois ou mais órgãos do Ministério Público que possuem responsabilidade ativa para a
persecução penal.
Quem decide estas questões?
1) MP/RR X MP/RR: a decisão cabe ao respectivo Procurador-Geral de Justiça.
2) MPF/BA X MPF/PE: ao contrário dos Ministérios Públicos Estaduais, o Ministério Público da União tem um
órgão intermediário, que exercerá as funções de supervisão. Assim, a decisão cabe à Câmara de Coordenação e
Revisão do MPF.
.

10
www.g7juridico.com.br
3) MPM x MPF: o Ministério Público da União possui quatro ramos – (i) MPT, (ii) MPDFT; (iii) MPF e (iv)
MPM. Um conflito entre membros de ramos distintos deve ser decidido pelo chefe do MPU, qual seja, o
Procurador-Geral da República.
4) MPF/RS x MP/SC: há três possíveis soluções. Alguns doutrinadores (primeira corrente) defendem que este
conflito de atribuições deve ser tratado como um conflito virtual de competência. Isto porque todo Promotor
acaba atuando perante Juízo; desta forma, se há Promotores em conflito, virtualmente, há um conflito de
competência. Para esta primeira corrente, nos exemplos 4 e 5, a decisão do conflito caberia ao STJ. Trata-se da
melhor posição, pois prestigia a celeridade, a economia processual e a duração razoável do processo.
A segunda corrente era sustentada até o ano de 2015: o MPF representa a União, enquanto o MP/SC
representa o Estado de Santa Catarina. Defendia-se que os conflitos tratados nos exemplos 4 e 5 deveriam ser
julgados pelo STF, pois, de acordo com a Constituição, compete ao STF o julgamento e eventuais conflitos
entre a União e os Estados e entre os Estados (ver abaixo a disposição constitucional do art. 102, I, “f”).
5) MP/ MG X MP/BA
CF/88
“Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-
lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
(...)
f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros,
inclusive as respectivas entidades da administração indireta;”
A posição defendida pela segunda corrente foi superada porque, em 2016, o STF decidiu que caberia ao
Procurador-Geral da República julgar os conflitos de atribuição dos exemplos 4 e 5. O entendimento,
contudo, é passível de críticas, porquanto o PGR não é hierarquicamente superior aos Ministérios Públicos dos
Estados.
“Não cabe ao STF julgar conflitos de atribuição entre o Ministério Público Federal e os Ministérios
Públicos dos Estados. A questão não é jurisdicional, e sim administrativa. Logo, deve ser remetida ao
Procurador-Geral da República”. (STF, ACO 924/ ACO 1.394/ PET 4.706/ PET 4.863)
Fundamentos da decisão do Supremo Tribunal Federal:
- Para o Min. Dias Toffoli, a competência para dirimir esses conflitos é do Procurador-Geral da República, que,
na condição de chefe do Ministério Público, deve decidi-los como entender de direito;
- O STF não tem condição de dar vazão à miríade de pedidos de solução desses conflitos, e muitos casos podem
sofrer a prescrição diante da demora involuntária na solução;
10. Arquivamento do Inquérito Policial
Apesar de Súmula do STF dispor que se trata de um mero despacho, para a doutrina, não há dúvidas de que o
arquivamento é decisão judicial. Isto porque não é um ato de mera movimentação processual; em segundo
lugar, o arquivamento é capaz de produzir coisa julgada (ora apenas formal, ora formal e material). Pode-se
dizer, no entanto, que se trata de decisão judicial consensual. Isto porque, num primeiro momento, haverá um
pedido feito pelo MP (promoção de arquivamento), que será levada à apreciação do Juiz. Para que haja o
arquivamento, pelo menos em regra, deverá haver consenso entre Promotor e Juiz (que homologará o
arquivamento).

11
www.g7juridico.com.br
Conceito: o arquivamento do inquérito policial é uma decisão judicial, muito embora ainda não haja um
processo judicial em curso. Ele depende de pedido de promoção de arquivamento feito pelo MP, que será
apreciado pelo juiz.
O arquivamento não pode ser determinado de ofício pela autoridade judiciária, nem mesmo em se tratando de
competência originária dos Tribunais.
“(...) O inquérito policial é procedimento de investigação que se destina a apetrechar o Ministério
Público (que é o titular da ação penal) de elementos que lhe permitam exercer de modo eficiente o poder
de formalizar denúncia. Sendo que ele, MP, pode até mesmo prescindir da prévia abertura de inquérito
policial para a propositura da ação penal, se já dispuser de informações suficientes para esse mister de
deflagrar o processo-crime. É por esse motivo que incumbe exclusivamente ao Parquet avaliar se os
elementos de informação de que dispõe são ou não suficientes para a apresentação da denúncia,
entendida esta como ato-condição de uma bem caracterizada ação penal. Pelo que nenhum inquérito é de
ser arquivado sem o expresso requerimento ministerial público”. (STF, 1ª Turma, HC 88.589/GO, Rel.
Min. Carlos Britto, j. 28/11/2006, DJ 23/03/2008)
“(...) Deveras, mesmo nos inquéritos relativos a autoridades com foro por prerrogativa de função, é do
Ministério Público o mister de conduzir o procedimento preliminar, de modo a formar adequadamente o
seu convencimento a respeito da autoria e materialidade do delito, atuando o Judiciário apenas quando
provocado e limitando-se a coibir ilegalidades manifestas. In casu: (i) inquérito destinado a apurar a
conduta de parlamentar, supostamente delituosa, foi arquivado de ofício pelo i. Relator, sem prévia
audiência do Ministério Público; (ii) não se afigura atípica, em tese, a conduta de Deputado Federal que
nomeia funcionário para cargo em comissão de natureza absolutamente distinta das funções
efetivamente exercidas, havendo juízo de possibilidade da configuração do crime de peculato-desvio
(art. 312, caput, do Código Penal)”. (STF, Pleno, Inq. 2.913 AgR/MT, Rel. Min. Luiz Fux, j. 1º/03/2012,
DJe 121 20/06/2012).
10.1. Fundamentos para o arquivamento
Não há previsão expressa em lei. De acordo com a doutrina, os fundamentos para o arquivamento podem ser
extraídos dos arts. 395 e 397 do CPP. O art. 395 indica quais as causas de rejeição da peça acusatória, enquanto
o art. 397 indica as causas de absolvição sumária. Neste sentido, é intuitivo que se possa daí extrair os
fundamentos para o arquivamento. Veja-se:
“Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008)
I - for manifestamente inepta; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008)
II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou (Incluído pela Lei nº
11.719, de 2008)
III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008)”
“Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá
absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008)
I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008)
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade;
(Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008)
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008)
IV - extinta a punibilidade do agente. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008)”
CP .

12
www.g7juridico.com.br
“Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.” (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
10.2. Coisa julgada na decisão de arquivamento
Coisa julgada é uma decisão contra a qual já não cabe mais recurso, por dois motivos: (i) pelo esgotamento dos
recursos cabíveis e (ii) pela inexistência de interposição de recursos no momento oportuno, operando-se a
preclusão temporal. A principal consequência da coisa julgada é a imutabilidade da decisão, e pode ser de duas
espécies:
Coisa julgada formal: imutabilidade da decisão dentro do processo (endoprocessual). Haverá coisa julgada
formal quando se verificar que a decisão de arquivamento apresentou fundamento de natureza processual.
Quando se diz que a decisão produz apenas coisa julgada formal, significa dizer que, em tese, é possível o
desarquivamento.

Coisa julgada material: imutabilidade da decisão que se estende para fora do processo. Estará presente quando o
fundamento utilizado para o arquivamento for com base em razões de mérito. Trata-se de uma verdadeira
“decisão absolutória”, que teria o condão de formar coisa julgada formal e material, não sendo mais possível o
desarquivamento.

FUNDAMENTOS DO ARQUIVAMENTO COISA JULGADA


Ausência de pressupostos processuais ou de Formal
condições da ação
Falta de justa causa Formal
Atipicidade Formal e material
Excludente de ilicitude Formal e material*
Excludente de culpabilidade Formal e material
Excludente da punibilidade Formal e material

Na visão da doutrina, quando o arquivamento se dá com base em uma excludente de ilicitude, dá-se com base
em fundamento de mérito. Assim, o ideal seria concluir que o fundamento da decisão está protegido por coisa
julgada formal e material. Todavia, não é esta a orientação do STF, que entende que arquivamento com base
em excludente da ilicitude só faz coisa julgada formal – sendo possível, por consequência, o desarquivamento.
STJ: “(...) A representação do ofendido ou de seu representante legal – condição de procedibilidade da
ação penal pública condicionada – prescinde de rigor formal, sendo suficiente a demonstração
inequívoca da parte interessada de que seja apurada e processada a infração penal. A comprovação da
miserabilidade da família da vítima pode se dar pela simples declaração verbal ou até pela notoriedade
do fato, não sendo imprescindível a apresentação do atestado de pobreza. Improcede a alegação de
decadência quando a representação dos responsáveis pelo menor ofendido for apresentada
tempestivamente, tão logo tomem conhecimento da autoria do crime. O Promotor de Justiça não exaure
suas atribuições no feito quando promove o arquivamento do inquérito se manifestando apenas sobre
condição de procedibilidade da ação penal pública condicionada à representação, sem se pronunciar
sobre a justa causa para a ação penal”. (STJ, 5ª Turma, HC 54.148/DF, Rel. Min. Laurita Vaz, j.
27/03/2008, DJe 22/04/2008).
STF: “(...) Não se revela cabível a reabertura das investigações penais, quando o arquivamento do
respectivo inquérito policial tenha sido determinado por magistrado competente, a pedido do Ministério
Público, em virtude da atipicidade penal do fato sob apuração, hipótese em que a decisão judicial -
.
porque definitiva - revestir-se-á de eficácia preclusiva e obstativa de ulterior instauração da "persecutio
criminis", mesmo que a peça acusatória busque apoiar-se em novos elementos probatórios.

13
www.g7juridico.com.br
Inaplicabilidade, em tal situação, do art. 18 do CPP e da Súmula 524/STF”. (STF, 2ª Turma, HC
84.156/MT, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 11/02/2005).
Os Tribunais têm decidido que decisão de arquivamento proferida com base em certidão de óbito falsa pode
ser revogada, por ser juridicamente inexistente. Neste sentido:
STF: “(...) A decisão que, com base em certidão de óbito falsa, julga extinta a punibilidade do réu pode
ser revogada, dado que não gera coisa julgada em sentido estrito”. (STF, 2ª Turma, HC 84.525/MG, Rel.
Min. Carlos Velloso, j. 16/11/2004, DJ 03/12/2004).
STF: “(...) O arquivamento de inquérito, a pedido do Ministério Público, em virtude da prática de
conduta acobertada pela excludente de ilicitude do estrito cumprimento do dever legal (CPM, art. 42,
inciso III), não obsta seu desarquivamento no surgimento de novas provas (Súmula nº 5241/STF).
Precedente. Inexistência de impedimento legal para a reabertura do inquérito na seara comum contra o
paciente e o corréu, uma vez que subsidiada pelo surgimento de novos elementos de prova, não havendo
que se falar, portanto, em invalidade da condenação perpetrada pelo Tribunal do Júri. 3. Ordem
denegada. STF, 2ª Turma, HC 125.101/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 25/08/2015, DJe 180 10/09/2015.
10.3. Desarquivamento do Inquérito policial e oferecimento da denúncia
CPP
“Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base
para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver
notícia.”
Desarquivamento e oferecimento de denúncia têm naturezas jurídicas, pressupostos e titularidade diversa.
Desarquivamento é a reabertura das investigações, tendo como pressuposto básico a notícia de provas novas
(não há necessidade de que a prova seja efetivamente nova). Para o oferecimento da denúncia, serão necessárias
provas novas: isto é, aquelas capazes de alterar o contexto probatório dentro do qual foi proferida a decisão de
arquivamento. Na visão da doutrina, esta prova pode ser (i) formalmente nova ou (ii) substancialmente nova. A
prova formalmente nova já era conhecida, mas agora ganha uma nova versão. Sobre o assunto, ver a Súmula nº
524/STF:
Súmula n. 524 do STF: “Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do
Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas”.
- Provas novas:
“(...) Entendem doutrina e jurisprudência que três são os requisitos necessários à caracterização da prova
autorizadora do desarquivamento de inquérito policial (artigo 18 do CPP): a) que seja formalmente
nova, isto é, sejam apresentados novos fatos, anteriormente desconhecidos; b) que seja substancialmente
nova, isto é, tenha idoneidade para alterar o juízo anteriormente proferido sobre a desnecessidade da
persecução penal; c) seja apta a produzir alteração no panorama probatório dentro do qual foi concebido
e acolhido o pedido de arquivamento; Preenchidos os requisitos - isto é, tida a nova prova por pertinente
aos motivos declarados para o arquivamento do inquérito policial, colhidos novos depoimentos, ainda
que de testemunha anteriormente ouvida, e diante da retificação do testemunho anteriormente prestado -,
é de se concluir pela ocorrência de novas provas, suficientes para o desarquivamento do inquérito
policial e o conseqüente oferecimento da denúncia.” (STJ, 6ª Turma, RHC 18.561/ES, Rel. Min. Hélio
Quaglia Barbosa, j. 11/04/2006)
10.4. Procedimento do arquivamento
a) Arquivamento na Justiça Estadual

CPP
“Art. 28. Se o órgão do .Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento
do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes

14
www.g7juridico.com.br
as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este
oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido
de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.”

O procedimento de arquivamento pode ser entendido da seguinte forma:

I) O Promotor apresenta promoção de arquivamento ao Juiz;

II) Se o Juiz não concordar, envia os autos ao Procurador-Geral de Justiça (PGJ);

III) O PGJ, a seu turno, pode

(i) requisitar diligências;

(ii) oferecer denúncia – na grande maioria dos casos, o PGJ designa outro órgão do MP para oferecê-la,
não podendo ser o mesmo Promotor que opinou pelo arquivamento, sob pena de violação à
independência funcional. Segundo uma corrente minoritária, o outro Promotor também não é obrigado
a oferecer denúncia, já que pode se valer de sua independência funcional. Uma segunda corrente,
majoritária, defende que o Promotor é obrigado a oferecer a denúncia, por agir por delegação do PGJ.
A última possibilidade dada ao PGJ é insistir no arquivamento do inquérito, caso em que o Juiz estará

15
www.g7juridico.com.br

Похожие интересы