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FOCO E Desenvolvimento

no Novo Testamento

CARLOS OSVALDO CARDOSO PINTO


www.hagnos.com.br
© 2008 por Carlos Osvaldo Cardoso Pinto
Revisão
Artemis Fernandes Pinto Todos os direitos desta edição reservados para:
João Guimarães Editora Hagnos
Design gráfico Av. Jacinto Julio, 27
Patricia Caycedo 04815-160 - São Paulo, SP
1ª edição – Outubro - 2008 (11) 5668-5668
Gerente editorial hagnos@hagnos.com.br
Juan Carlos Martinez www.hagnos.com.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso
Foco e desenvolvimento no Novo Testamento / Carlos Osvaldo Cardoso Pinto. – São Paulo :
Hagnos, 2008.
ISBN 978-85-7742-034-6
Bibliografia.
1. Bíblia. N. T. - Crítica e interpretação. I. Título.
08-06585 CDD-225.6
Índices para catálogo sistemático:
1. Novo Testamento : Interpretação e crítica 225.6
2. Novo Testamento : Teologia 225.6

DEDICATÓRIA
À Artemis, amiga, namorada e esposa– por seu incentivo constante, pelas críticas
oportunas, pela companhia e pelas caminhadas, por acreditar em mim, mesmo quando
eu pensava em desistir. Amor assim não tem preço!
Ao Nathan, que chegou quando o livro estava quase terminado, alegrando três
gerações. Que você dê ao seu avô a alegria adicional de estudar o Novo Testamento
com ele, algum dia.

PREFÁCIO
ARY VELLOSO
Por muitos anos, este nosso Brasil sofre pela carência de boas ferramentas para um
estudo sério da Bíblia. Hoje este já não é o caso. Temos bons e ótimos recursos a nossa
disposição para entendermos melhor a Palavra de Deus.
Depois de nos dar Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento , uma obra
riquíssima, a qual eu consultei várias vezes, ora buscando subsídios para uma
mensagem, ora para esclarecer uma dúvida sobre o autor ou data em que foi escrito
determinado livro, o Dr. Carlos Osvaldo Cardoso Pinto, agora coloca a nossa disposição
o Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento.
ComoDr.
próprio fizera no primeiro
Carlos. volume(i.e.,
―não é o púlpito sobrenão
o Antigo Testamento,
é um livro de esboçoscujo objetivo,mas
de sermão), diz oo
escritório, particularmente aquelas longas horas em que buscamos, como expositores,
tornar nossas a história em que cada livro se insere e a mensagem que ele comunica‖,
ele agora faz o mesmo com o Novo Testamento.
O pastor, o líder, a pessoa estudiosa do Novo Testamento será muito enriquecida
com este precioso volume onde livro por livro do Novo Testamento é tratado com
seriedade, erudição e lógica.
O leitor verá que para cada livro o autor oferece o argumento do livro, isto é, ele
apresenta a estrutura do mesmo, o propósito daquele livro e umesboço sintético, que é
de grande valor, rico em idéias e percepções espirituais— uma preciosidade para toda
pessoa séria no seu estudo e exposição da Palavra de Deus.
Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento não é um livro de esboço de sermão,
mas
Livrocontém muito
que leva Deusmaterial enriquecedor
e sua Palavra a sério.para
Obraumesta
bom sermão.
escrita por Precisamos
alguém que deste
de fatolivro.
crê
que a Bíblia é a Palavra do Deus vivo. Eu sei, querido leitor, que você também será
ajudado por esta obra.

ABREVIATURAS
AB Anchor Bible
ARA Versão Revista e Atualizada de Almeida, Sociedade Bíblica do Brasil
BA Biblical Archaeologist
BAGD W. Bauer, W. Arndt, F. Gingrich e F. Danker, A Greek-English Lexicon of the New
Testament and other Early Christian Literature
BECNT Baker Exegetical Commentary on the New Testament
BHS Biblia Hebraica Stuttgartensia
BKCNT Bible Knowledge Commentary–New Testament
BSac Bibliotheca Sacra
DITNT Colin Brown (ed.) Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento
EBC Frank Theological
GTJ Grace (ed. geral)Expositor’s Bible Commentary
E. GaebeleinJournal
ISBE International Standard Bible Encyclopaedia
ICC The International Critical Commentary
JBL Journal of Biblical Literature
JETS Journal of the Evangelical Theological Society
JSNT Journal for the Study of the New Testament
KJV Versão Autorizada Inglesa de 1611.
LXX Septuaginta, versão grega do Antigo Testamento
NA27 The Greek New Testament, 27ª edição
NCB New Century Bible
NICNT New International Commentary on the New Testament
NVI Nova Versão Internacional
SCB
TDNTSérie Cultura
Gerhard Bíblica
Kittel e Wilhelm Friedrich (eds.),Theological Dictionary of the New Testament
TM Texto Massorético
NT Novum Testamentum
WBC Word Biblical Commentary
WTJ Westminster Theological Journal
ZPEB Zondervan Pictorial Encyclopaedia of the Bible

Índice
Dedicatoria
Prefácio
Abreviaturas
O período intertestamental
O argumento de Mateus
Esboço sintético
O argumento de Marcos
Esboço sintético
O argumento de Lucas
Esboço sintético
O argumento de João
Esboço sintético
O argumento de Atos
Esboço sintético
O argumento de Romanos
Esboço sintético
O argumento de 1Coríntios
Esboço sintético
O argumento de 2Coríntios
Esboço sintético
O argumento de Gálatas
Esboço sintético
O argumento de Efésios
Esboço sintético
O argumento de Filipenses
Esboço sintético
O argumento de Colossenses
Esboço sintético
O argumento de 1Tessalonicenses
Esboço sintético
O argumento de 2Tessalonicenses
Esboço sintético
O argumento de 1Timóteo
Esboço sintético
O argumento de 2Timóteo
Esboço sintético
O argumento de Tito
Esboço sintético
O argumento de Filemom
Esboço sintético
O argumento
Esboço de Hebreus
sintético
O argumento de Tiago
Esboço sintético
O argumento de 1Pedro
Esboço sintético
O argumento de 2Pedro
Esboço sintético
O argumento de 1João
Esboço sintético
O argumento de 2 e 3 João
Esboço sintético 2João
Esboço sintético 3João
O argumento
Esboço de Judas
sintético
O argumento de Apocalipse
Esboço sintético
Bibliografia
Biografia
O período
INTERTESTAMENTAL
A compreensão do Novo Testamento será grandemente auxiliada se o leitor tiver
uma noção razoável do longo período que vai da composição do último livro do Antigo
Testamento até o limiar da era neotestamentária com o advento de João Batista. As
páginas seguintes fornecem um resumo funcional desse período.
I. CONTEXTO POLÍTICO
A. O Domínio Persa sobre a Palestina
Quando o Antigo Testamento se encerrou, por volta de 430 a.C., os persas ainda
eram o poder dominante no Oriente Médio. Seu império se estendia da Índia à Turquia e
não havia ameaça imediata à sua hegemonia.
Depois de suas derrotas humilhantes diante dos gregos no começo do século V a.C.
os persas conduziram uma política mais cautelosa, jogando os espartanos contra os
atenienses durante as Guerras do Peloponeso (431-404 a.C.) e assim tirando partido da
falta de unidade dos gregos, para manter e, ocasionalmente, recuperar território na Ásia
Menor.
O relacionamento dos persas com os judeus se manteve amistoso, apesar de
ocasionais concessões à intriga internacional dos samaritanos e outros povos
circunvizinhos, conforme registrado em Esdras 4 e em várias passagens de Neemias.
Um exemplo dessa política amistosa foi o decreto favorável de Dario II (em 419 a.C.),
permitindo aos judeus de Elefantina, no Egito, reconstruir seu templo aYaho e oferecer
sacrifícios animais, apesar de episódios violentos de oposição dos egípcios às práticas
religiosas dos colonos judeus.
Depois que Artaxerxes II subiu ao trono (404 a.C.), o império persa começou a
desmoronar. Rebeliões estouraram no Egito, e uma tentativa frustrada de recuperar
aquela satrapia teve o efeito colateral de violência contra Jerusalém e taxação pesada
sobre os judeus.
Sob o governo de Artaxerxes III (358-338 a.C.), o Egito foi reconquistado pelos
persas, mas nem mesmo este sucesso permitiu ao monarca escapar a um golpe palaciano
que culminou com seu envenenamento.Arses, filho de Artaxerxes, ficou menos de três
anos no trono, sendo também ele envenenado por ordem de um ministro influente, de
nome Bagoas, em 336 a.C.
Um novo imperador, Dario III, foi designado em 336 a.C. Dario conseguiu escapar a
um novo golpe arquitetado por Bagoas, mas não teve herdeiros no trono persa que
dominassem o Oriente Médio. Na Macedônia, um novo poder se erguera e iria,
eventualmente, engolfar o gigantesco império persa.
B. O Domínio Macedônio sobre a Palestina
Filipe da Macedônia morreu em 334 a.C., antes de realizar seu sonho de unir os
gregos e de espalhar a cultura grega pelo mundo. Essa tarefa caiu sobre os ombros de
seu filho e herdeiro, Alexandre, que tinha então vinte anos de idade.
O jovem príncipe, que fora pupilo de Aristóteles, partilhava do sonho e visão de seu
pai. Depois de derrotar e arrasar Tebas, que se revoltara contra a dominação macedônia,
Alexandre
Pérsia. motivou os gregos a se juntarem a ele na tarefa hercúlea de conquistar a
Alexandre mobilizou um exército de dimensões modestas, quando comparado aos
mastodônticos exércitos mercenários dos persas. Suas forças tinham, porém, um
treinamento superior e muito maior mobilidade. A primeira batalha decisiva foi travada
junto ao rio Granico, na Ásia Menor, em 334 a.C., e abriu as comportas da influência
grega sobre o Oriente Médio. Dario III foi derrotado mais uma vez em Isso, na Cilícia
(333 a.C.), e fugiu de volta para a Pérsia.
Alexandre desviou sua marcha para o sul, conquistando a Palestina e o Egito, tarefa
facilitada pela boa vontade egípcia em escaparem à odiosa dominação persa e
completada em 331 a.C. No Egito, fundou Alexandria, uma cidade grega destinada a ser
um centro irradiador da cultura helênica e fundamental mais tarde na moldagem tanto
do judaísmo quanto do cristianismo. Reza a tradição judaica que ao aproximar-se de
Jerusalém, Alexandre se defrontou com uma embaixada judaica, encabeçada pelo sumo
sacerdote Jadua, que lhe mostrou o livro de Daniel e as profecias de que fora objeto, e
mudou
tributossua disposição
no ano para
1
sabático. com Jerusalém e os judeus, liberando-os do pagamento de
A ascensão meteórica de Alexandre continuou quando ele marchou para o norte e
derrotou Dario III na planície de Gaugamela, a noroeste da antiga Nínive (também
conhecida como batalha de Arbela) em 1º de outubro de 331 a.C. Apesar de lutar contra
forças numericamente superiores, Alexandre empregou táticas brilhantes que garantiram
sua vitória. Pouco a pouco o jovem general foi ocupando as principais cidades do
império — Babilônia, Susa e Persépolis.
Quando Dario III foi assassinado, Alexandre lhe concedeu pompas fúnebres dignas
de um rei, e assumiu para si o título de Rei da Ásia. Sua marcha para o leste continuou
até chegar ao vale do rio Indo, em 325 a.C. De lá, retornou para o ocidente,
estabelecendo pelo caminho outras Alexandrias, como nas províncias de Bactria e
Sogdiana. Nem tudo foi tranqüilo nessa marcha de conquista, pois os generais de
Alexandre lhe conquistar.
restavam para deram quaseAotanto trabalho
voltar, quanto
ainda teve queascorrigir
províncias do império
distorções que ainda
administrativas
impostas por seus representantes durante sua ausência de cinco anos. Quando de sua
volta, aceitou a deificação, recebendo aξνζπλήζο proskunēsis dos persas, mas
isentando os gregos de tal prática.
A morte de Alexandre foi tão súbita quanto sua carreira de líder mundial. Em 13 de
junho de 323 a.C., com a idade de 32 anos, Alexandre morreu, provavelmente de
malária, sem deixar sucessor. Sua esposa, a princesa sogdiana Roxane, com quem se
casara como garantia da pacificação daquela província, estava grávida, mas seu filho
jamais chegou a ser considerado herdeiro do trono. O chifre notável da profecia de
Daniel 8 fora quebrado, e outros quatro chifres emergiriam do seu gigantesco império.
C. A Divisão do Império Macedônio
Uma longa disputa sobre os direitos de governar os territórios de Alexandre foi
finalmente resolvida em 301 a.C., quando Antígono, o general que tentara obter a
exclusividade do poder, foi morto em batalha. Quatro sátrapas, que haviam previamente
(303 a.C.) concordado em dividir o império em quatro partes, assumiram seus governos
como reis sobre territórios independentes. O gráfico a seguir indica como o império
macedônio foi dividido:

Governantes Territórios
Ptolomeu Egito e Palestina
Seleuco Frígia, Síria, Mesopotâmia e Pérsia
Cassandro Macedônia e Grécia
Lisímaco Trácia e Bitínia
Este arranjo durou apenas vinte anos, depois dos quais os selêucidas estabeleceram
controle sobre a Ásia Menor, e Antígono Gônatas, neto do general de Alexandre,
assumiu o controle da Macedônia. Esses três reinos (Egito, Síria e Macedônia) duraram
até o advento de Roma como uma superpotência.

1
Flávio Josefo, Antiguidades dos Judeus, 11.8.4-6.
D. O Domínio Ptolemaico sobre a Palestina
Os primeiros herdeiros do império macedônio prestaram pouca atenção à Judéia, que
continuou a ser controlada pelo sumo sacerdote, que era diretamente responsável por
enviar a Alexandria o tributo anual.
A segunda geração de líderes, porém, Antíoco I e Ptolomeu II, começou a competir
pelo controle da Palestina, e assim começaram as chamadas guerras sírias. Na gangorra
política e militar que se seguiu, a Síria e a Fenícia trocaram de mãos várias vezes, mas a
Judéia permaneceu sob controle egípcio por quase um século.
E. O Domínio Selêucida sobre a Palestina
Quando o segundo século a.C. começou, Antíoco III (o Grande) tentou unificar
(militarmente) os reinos rivais (Síria e Egito), mas fracassou em suas tentativas de
invasão do Egito. Depois de duas fragorosas batalhas nas mãos dos romanos
(Termópilas [191 a.C.] e Magnésia [190 a.C.]), Antíoco recorreu a uma política de
saques, que acabou por se transformar num esforço de helenização quando Antíoco IV
(Epífanes) subiu ao trono em 175 a.C.
Seus esforços para helenizar os judeus foram canalizados primeiramente pela
venalidade das lideranças judaicas. A corrupção era tal que Menelau, um judeu pró-
helênico e não arônico, veio a ser sumo sacerdote!
Em suas lutas contra o Egito, Antíoco Epífanes acabou por despertar a ira dos
romanos,
seu inimigoquenadependiam daHumilhado
Ásia Menor. agriculturapelos
egípcia e não queriam
romanos, perdê-laa para
que o forçaram quem
sair do já era
Egito,
Epífanes voltou à Síria firmemente decidido a helenizar totalmente os judeus, de modo a
ter uma retaguarda confiável entre si e as legiões romanas do cônsulPopillius Laenas,
estacionadas no Egito.
Antíoco entrou à força em Jerusalém e iniciou seu programa de helenização
profanando o Templo. Em 25 de quisleu de 167 a.C., um altar ao Zeus Olímpico foi
erigido no lugar do altar do holocausto, e ali foi sacrificada uma porca. A circuncisão
foi proibida por lei e a adoração compulsória de deuses gregos era exigida em bases
mensais.2
Isto levou à revolta dos macabeus, que começou com a reação de Matatias, um velho
sacerdote que matou um judeu apóstata e um representante sírio em sua aldeia, Modina.
O terceiro filho de Matatias, Judas, liderou os judeus numa luta de guerrilhas que logo
escalou
sírios empara
todauma guerra convencional.
a Palestina, Depois de
e obteve a libertação detrês anos Judas
Jerusalém, ondeconseguiu
o Temploderrotar
foi os
purificado e o culto normal restabelecido. A data da purificação, 25 de quisleu de 164
a.C., marca o começo da celebração deChanukkah, a festa da dedicação.
F. O Domínio Hasmoneano sobre a Palestina
A despeito das vitórias espetaculares de Judas e seus irmãos, e do fato de que a
liberdade religiosa dos judeus foi assegurada a partir do reinado de Antíoco V, a
verdadeira independência política ainda demoraria 22 anos para surgir. A instabilidade
política crescente na Síria permitiu ao irmão de Judas, Simão, obter concessões
significativas de Demétrio, um dos rivais ao trono da Síria.
Simão estabeleceu a Judéia como uma nação independente, e sua própria família
como príncipes-sacerdotes sobre Israel. Seu filho, João Hircano (135-104 a.C.), perdeu
e reconquistou a independência da Judéia e, com o consentimento de Roma, estendeu as

2
E. Schurer indica que esse processo já estava adiantado entre os mais cultos e
aristocráticos em Judá, e que esses grupos de fato promoveram o programa de Antíoco, que se
tivesse continuado teria destruído o judaísmo, que já naquela ocasião tinha os contornos
básicos da era do Mishnah (The History of the Jewish People in the Age of Jesus Christ, edição
revisada, 1:142, 145).
fronteiras judias de modo a incluir Edom, Samaria e Galiléia. Foi durante seu reinado
que se definiu a duradoura rixa entre os fariseus (descendentes religiosos dos hasidim da
época dos macabeus) e os saduceus, a classe sacerdotal dominante, que apoiava os
governantes hasmoneanos.
Alexandre Janeu, um dos filhos de João Hircano, conquistou ainda mais território,
tornando o reino hasmoneano quase tão extenso quanto o de Davi. A conseqüência de
seu reino de violência foram lutas internas que duraram quase quarenta anos, e que
virtualmente
Depois de extinguiram a linhagem
quase um século de autohasmoneana.
governo, os judeus voltaram a ser dominados por
uma potência estrangeira quando Pompeu interveio na Judéia para pôr fim aos conflitos
surgidos entre os filhos de Salomé Alexandra, viúva de Alexandre Janeu. O quadro
abaixo resume a história dos macabeus e seus descendentes político-religiosos, os
hasmoneanos.

Governantes Hasmoneanos na Palestina


Governantes Datas Eventos Principais
Simão Macabeu 143-135 Independência da Síria
Invasão síria. Aliança com Roma e reconquista da
João Hircano 135-104 independência. Expansão territorial. Cunhagem de
moedas.
Aristóbulo I 104-103 Conquista da Galiléia
Conquistas territoriais. Lutas internas. Perdas de
Alexandre Janeu 103-76
território para os nabateus.
Salomé 76-67 Crescimento da influência dos fariseus.
Alexandra
Luta fratricida contra Hircano II. Roma intervém e
Aristóbulo II 67-63
termina a soberania da Judéia.
Líderes perdem o título de rei, retendo apenas o
Hircano II 63-40 sumo sacerdócio. Crescimento do controle idumeu
sobre a política judaica.
Conflito contra Hircano II. Roma designa Herodes
Antígono 40-37 como rei. Antígono é decapitado. Fim da linhagem
hasmoneana pura.
G. O Domínio Romano sobre a Palestina
Os romanos, que tinham o controle efetivo da Palestina desde a invasão de Pompeu
em 63 a.C., finalmente desistiram de arbitrar as intermináveis lutas entre os
hasmoneanos, e indicaram Herodes, filho de Antipatro, chefe de uma família iduméia
que crescera em prestígio fazendo o jogo político e econômico dos romanos na
Palestina, como o rei dos judeus. Com ajuda romana, ele conquistou a Galiléia e depois
Jerusalém. Escolhendo cuidadosamente a quem apoiar nas lutas que se seguiram ao
assassinato de Júlio César em 44 a.C., Herodes reconquistou muito território.
Sistematicamente eliminou a competição no cenário doméstico, matando sem hesitar até
esposas e filhos para assegurar sua posição.
Herodes foi um administrador e negociador capaz, conseguindo agradar tanto a
romanos quanto a judeus, que sempre se ressentiram de sua ascendência iduméia e de
como mandara matar os últimos governantes hasmoneanos. Foi um ávido construtor de
palácios, fortalezas, monumentos e templos, um dos quais dedicado a Otávio Augusto.
O Templo de Jerusalém, sua obra máxima, foi começado por ele, mas ainda estava em
construção parcial ao tempo do ministério de Jesus, mais de trinta anos depois da sua
morte .
Os muitos casamentos de Herodes fomentavam a intriga palaciana e as lutas
domésticas. Isso levou a seis testamentos diferentes e a uma série de execuções de suas
próprias esposas e filhos, o que levou Otávio a dizer que preferiria ser o porco de
Herodes (ὕο em grego) a ser o filho de Herodes πἱόο
( huios).
Herodes o Grande morreu por volta de 4 a.C. Depois de sua morte, e com base em
seu testamento, Otávio dividiu o território sobre o qual Herodes reinara entre seus três
filhos, Arquelau, Filipe e Antipas. Arquelau rapidamente conquistou a reputação de ser
incapaz e cruel,
constantes o que fezdoapovo,
reclamações família de Jesus
Otávio mudar-se
o removeu para Nazaré
e baniu, (Mt 2:22).
substituindo-o porDevido às
procuradores romanos. Filipe governou a parte mais setentrional da Palestina e não teve
influência direta nos acontecimentos do Novo Testamento. Antipas era ambicioso e
satisfazia seus próprios desejos, e eventualmente perdeu o favor de Roma e foi banido.
Seu território esteve brevemente sob o governo de procuradores até que Herodes Agripa
I recebeu o reino em a.D. 41. No Novo Testamento, todos esses são mencionados com
seu nome familiar (Herodes), mas o que teve maior contato com Jesus foi Antipas. O
quadro a seguir apresenta essas divisões.
Áreas Geográficas e Distritos Administrativos da
Palestina
Governados pelos Herodes3
Sul Nordeste
Norte – Leste Ituréia, Traconite,
Samaria, Judéia, e
Iduméia Galiléia e Peréia Gaulanite, Auranite,
Batanéia
Herodes o Grande
37 – 4 a.C.
Arquelau Filipe
4 a.C. - a.D. 6 4 a.C. - a.D. 34
Antipas
4 a.C. - a.D. 39 Governadores
Governadores romanos
romanos 34 - 37
a.D. 6 - 41 Agripa I Agripa I
39 – 44 37 - 44
Agripa I
41 – 44
Governadores
Governadores romanos
romanos
44 - 56
Governadores 44 – 53
romanos Agripa Governadores
44 - 66 Agripa II II romanos
53 – 66 53 -
66 56 - 66
Rebelião dos judeus contra Roma
66 – 70
Província da Palaestina
70 – 135
Colonia Aelia Capitolinia
depois de 135
Herodes Agripa I foi o neto de Herodes o Grande, que assumiu o controle do
território de Filipe em 37. Depois que Antipas foi banido, recebeu controle de seu
território também e acabou por reinar sobre um território tão grande quanto o de seu
avô. Agripa I foi responsável pela primeira perseguição ―governamental‖ enfrentada
pelos cristãos (At 12.1-3).
Depois de sua morte, em 44, seu filho Agripa II (Marco), que estava em Roma, foi
mantido lá por ser considerado ainda muito jovem para o trono. Oito anos depois,
todavia, foi-lhe concedido o território de seu tio, Herodes de Cálcis, e no ano seguinte

3
O território hoje conhecido como Palestina foi dividido em diferentes distritos
administrativos em ocasiões diferentes pelo governo romano e administrado por vários níveis
da burocracia política romana. A liderança política era concedida como recompensa por
amizade ou favores ao imperador e poderia ser retirada com igual facilidade. Como resultado,
partes diferentes do território passaram de governo monárquico supervisionado a completo
controle de Roma por meio de procuradores ou governadores.
as tetrarquias de Filipe (Batanéia, Traconite e Gaulanite) e de Lisânias (Abilene).
Quando Nero subiu ao trono, Agripa II recebeu ainda a Peréia e a Galiléia. Ele foi o
―Herodes‖ diante de quem Paulo compareceu e apresentou sua defesa (At 25:13 -26:32).
A região da Palestina esteve unificada durante o reinado de Herodes, o Grande (37-4
a.C.) e por três anos (41-44) durante o reinado de Agripa I. O reino de Agripa II não
incluía a Judéia e, embora tenha subsistido até à destruição de Jerusalém, nada mais era
que uma fachada para o governo romano (de quem ele foi ferrenho aliado). Depois da
primeira
Palaestinarevolta (66-70), apor
– e governada região
um foi organizada
legado imperialcomo uma província
residente imperial
em Cesaréia. -
A decisão de
Adriano de converter o território de Israel numa colônia romana precipitou a segunda
revolta (liderada por Bar Kochba, 132-135). Depois dessa revolta ter sido sufocada, os
judeus foram expulsos e a região se tornou uma colônia romana, como o nome de
Colonia Aelia Capitolinia.
Quando o Senhor Jesus Cristo iniciou seu ministério, a Judéia estava sob governo
romano direto. Arquelau, o etnarca idumeu, havia sido deposto e banido, e o governo
era exercido por procuradores romanos. Os outros dois filhos de Herodes retiveram suas
posições, mas viviam debaixo de supervisão romana. Antes que o Novo Testamento
fosse concluído, Israel desaparecera como nação instalada em sua própria terra. O
quadro a seguir alista imperadores romanos e governantes romanos na Palestina entre 27
a.C. e a.D. 96, bem como sua relação com eventos do Novo Testamento.
Governantes romanos e sua re lação com o Novo Testamento
Procuradores e
Imperadores Datas Eventos bíblicos
datas
27 a.C.- Copônio
Otávio César Nascimento e infância de Jesus
a.D. 14 (a.D. 6-10)

Ambívio (10-13)
Anio Rufo (13-15)
Ministério público de Jesus.
Valério Grato
Tibério 14-37 Pentecostes.
(15-26)
Conversão de Paulo.
Pôncio Pilatos (26-
36)
Marcelo (36-37)
Caio Calígula 37-41 Marulo (38-41)
Morte de Tiago.
4 1ª viagem de Paulo.
Cláudio 41-54 *** Concílio de Jerusalém.
2ª viagem de Paulo
Cuspio Fado
(44-46)
Tibério Júlio
(46-48)
Ventídio (49-52)
3ª Viagem de Paulo. Prisão.
Marco Félix Ministério pós-prisão.
Nero 54-68
(52-59) Martírio de Paulo.
Perseguição aos cristãos.
Pórcio Festo
(60-62)
Albino (62-64)
Géssio Floro
(65-70)5
Galba, Otão,
68-69
Vitélio
Vespasiano 69-79 Vetuleno (70-72) (Destruição de Jerusalém)
Lucílio Basso
Tito 79-81
(72-75)
Domiciano 81-96 Salvieno (75-86) Perseguição. Exílio de João.

4
De 41 a 44 não houve procurador romano na Judéia, pois Herodes Agripa I reinou sobre
toda a Palestina, inclusive a Judéia.
5
De 66 a 70 Jerusalém esteve em revolta contra Roma e foi sitiada por Vespasiano e por
Tito.
II. CONTEXTO RELIGIOSO
A. Templo, Sinagoga e Torah
Depois de seu retorno de Babilônia, os judeus não mais se deixaram enredar pela
idolatria, sua antiga nêmesis. Durante sua permanência em Babilônia, uma nova ênfase
surgira no estudo e aplicação cuidadosos da Torah, e isso foi levado de volta à Palestina.
Assim, quando o Templo foi reconstruído, enfrentou feroz competição do que
poderia ser chamado ―a religião da pequena comunidade‖, centrada na sinagoga, que
estava presente em quase todas as cidades dos judeus, e onde uma religião mais pessoal
podia ser buscada por meio do estudo da Torah.
B. Expectativas Messiânicas
Quando o Antigo Testamento se encerrou, Malaquias apontava para a vinda do
profeta Elias antes do aparecimento do Dia do Senhor. Na medida em que os anseios
judaicos por independência eram continuamente abafados por uma série de nações
conquistadoras, suas expectativas messiânicas ganhavam um sabor distintamente
político, associado a um cenário apocalíptico, extraído e desenvolvido da profecia
vétero-testamentária. A literatura pseudepigráfica judaica e os documentos de Qumran
oferecem exemplos eloqüentes disso, enfatizando figuras messiânicas de caráter político
e religioso.
Épocas como a perseguição de Antíoco IV Epífanes e a opressão dos romanos
geraram
variados um messianismopopular.
de mobilização que era O
aotestemunho
mesmo tempo especulativo
do Novo e prático,
Testamento é quecom graus
movimentos
messiânicos estavam em voga quando o cristianismo adentrou no cenário religioso do
primeiro século (cf. Atos 4.36-37; 21.37-38).
C. Grupos Religiosos
A tensão religiosa já mencionada entre o Templo e a sinagoga encontrou expressão
humana nos dois principais grupos do judaísmo, os fariseus e os saduceus.
Os fariseus eram os herdeiros espirituais dos hasidim, os judeus piedosos que haviam
se alinhado com Matatias e seus filhos na luta contra a helenização no século II a.C.
Consideravam revelação divina todo o Antigo Testamento e reverenciavam a tradição
oral, a ponto de fazê-la mais importante que a própria Escritura ( cf. Marcos 7). Vinham
das camadas inferiores e médias da população e tinham a sinagoga por plataforma de
expressão. Sua teologia enfatizava a predestinação, a imortalidade, a ressurreição e a
vinda de um Messias libertador político. Opunham-se sistematicamente a qualquer
cooperação com as potências opressoras.
Os saduceus eram a classe sacerdotal elitista cujo envolvimento religioso se limitava
ao Templo. Sua religiosidade era mais formal e elaborada, e por isso menos pessoal.
Sua srcem é obscura; alguns a fazem remontar a Zadoque, mas os próprios saduceus
não o faziam. Sua srcem como classe parece ter ocorrido na agitada segunda metade do
segundo século a.C., quando judeus ricos competiam pelo sumo sacerdócio e pelo poder
e prestígio que o acompanhavam. Sua teologia era bem menos rígida que a dos fariseus;
aceitavam apenas o Pentateuco como revelação, acreditavam na autonomia do homem,
negavam completamente a imortalidade e a existência de seres espirituais, quer
angélicos quer demoníacos. Por estarem no topo da pirâmide social israelita, não
desfrutavam de grande prestígio com as massas.6
Os essênios têm sido associados e desassociados da comunidade de Qumran por
várias vezes nas últimas décadas. Parece agora que essênios e qumranitas eram um e o
mesmo grupo, também historicamente relacionados aoshasidim, zelosos por pureza

6
Josefo afirma: “Eles só atraem os ricos; o povo não está ao seu lado” ( Antiquidades dos
Judeus, 13.10.6).
7
religiosa e ainda mais radicais em suas expectativas messiânicas.W. S. LaSor vê uma
ruptura histórica noshasidim que acabou por produzir essênios e qumranitas.8
Os essênios eram separatistas, praticavam batismo (não como rito iniciatório) e vida
comunitária, e submetiam-se a um ascetismo rigoroso.9 Tal como os fariseus, os
essênios eram deterministas, criam em anjos e demônios, tinham uma vaga concepção
de ressurreição individual, e criam numa iminência messiânica, afirmando que viviam
nos últimos dias.
Embora
zelotes eramfossem mais um fenômeno
uma continuação sócio-político
dos macabeus, do que um
e acrescentaram grupo
o aço de religioso, os às
seus punhais
esperanças de libertação que outros centravam
no futuro, mais ou menos próximo. Atos 5.37 menciona um certo Judas, o galileu, que
pode ter sido o srcinador do movimento contra o domínio romano. Josefo pode fazer
menção a esse indivíduo, que o situaria em Seforis, na Galiléia, por volta de a.D. 10
6.
Um dos discípulos de Jesus pode ter participado deste movimentocf. ( Mateus 10.4).
D. Produção Literária.
O período intertestamental foi uma época fértil em termos de aparecimento de
literatura religiosa. Por toda a parte os judeus se dedicaram a desenvolver algumas de
suas lendas e a incorporar as experiências de suas perseguições aos grandes nomes de
seu passado, numa tentativa de produzir esperança em meio ao intenso sofrimento de
um povo constantemente achado entre o malho e a bigorna das ambições políticas de
seus vizinhos e de potências distantes.
Essa literatura abrangeu tipos distintos e possui valor histórico variado, indo desde
relatos fidedignos das atividades sociais e bélicas do Israel hasmoneano até as fábulas
sobre antigas invasões e grandes atos de heroísmo que os próprios judeus admitem ser
indignos do nome de história.
A classificação que fornecemos a seguir é a classicamente adotada pelos estudiosos.
Os livros apócrifos são aqueles que encontraram algum tipo de canonização entre
diversos grupos cristãos, ainda que jamais tenham sido assim considerados pelos judeus.
Os pseudepigráficos são aqueles livros que ninguém inseriu em listas canônicas mas
que refletem preocupações de ordem teológica (apocalíptica ou didática) ou narram
lendas que refletem preocupações pontuais da comunidade israelita.
Algumas dessas obras datam realmente do período intertestamental. Outras foram de
composição tão longa (e variada) que tiveram partes escritas já no período
neotestamentário, tendo algumas de fato recebido toques (ou retoques) cristãos.
Os quadros a seguir resumem essa imensa produção:
Quadro resumo dos livros apócrifos do Antigo Testamento

7
Concordam com essa posição os seguintes estudiosos: Geza Vermes, E. L. Sukenik, A.
Dupont-Sommer, Roland de Vaux e W. F. Albright.
8
William S. LaSor, “The Dead Sea Scrolls”, em The Expositor’s Bible Commentary, 1:398-399.
9
Novamente é Josefo quem afirma: “Eles evitam os prazeres como um vício, e consideram a
moderação e o controle das paixões como a essência da virtude” (Guerras Judaicas, 2.8.2). O
historiador indica ainda que comiam apenas o bastante para aplacar a fome e a sede (Ibid.,
2.8.5), “contentando-se com a mesma alimentação dia após dia, pois amavam a frugalidade e
rejeitavam o luxo como uma doença da alma e do corpo” (Filo de Alexandria, Hypothetica
11.11).
10
Antiguidades dos Judeus, 17.10.5.
Livro Língua Data Conteúdo Comentário
Século I Apocalipse (hebraico, O mais ―eclético‖ dos
2 Esdras Grego
a.D. grego e cristão) apócrifos
Hebraico Mistura de lenda, com
Século Crivado de erros
Tobias ou piedade judaica
II a.C. históricos
aramaico intertestamental
Hebraico, Século Uma história de Erros históricos bem
Judite coragem e heroísmo de
via grego II a.C. gritantes
uma jovem judia
107 versículos Supostos conteúdos de
Adições a
Grego inseridos no texto orações, discursos e
Ester
canônico decretos
Aforismos e Combate à influência da
125-75 provérbios no estilo da cultura grega sobre a
Sabedoria Grego
a.C. literatura sapiencial ética e a religião dos
canônica judeus
180 a.C.
Ponto de vista
/ (trad. Temas típicos da
Eclesiástico Hebraico gr.) 130 sabedoria esquizofrênico
mulher sobre a
a.C.
Hebraico
com Exortações ao
Baruque tradução —
arrependimento Inexatidão histórica
grega
Oração de Azarias,
Inseridos nos lugares
Adições de ??? 125-75 Cântico dos Três apropriados na Bíblia de
Daniel a.C. Rapazes, Bel e o
Jerusalém
Dragão, Susana
Oração de Língua II – I Arrependimento e Paralelos entre a oração
Manassés semítica a.C. [??] confissão de Manassés e o texto de 2Cr 33. 6-12
1 Macabeus Hebraico 100 a.C. Período das guerras Historicamente
siro-egípcias fidedigno
Paralelo a 1Mc 1.10— Menos histórico, mais
2 Macabeus Grego ??
7.50 teológico
Quadro resumo dos livros pseudepigráficos
Categori Nome Língu Data Conteú Comentá
a a do rios
Livro dos
Vigilantes
(1-36) [1]
Hebraic Visões
sobre Parábolas
Apocalípt 1 oe III a.C. – futuro da de Enoque
icos Enoque Aramaic a.D. I humanid (37-71) [5]
o ade e dos Astronômi
anjos co (72-82)
[2]
Sonhos e
Visões (83-
90) [3]
Admoestaç
ões (91-
107) [4]
7 Visões.
Hebraico Análise
e pessimista Uma visão
interpreta
Aramaico do
4Esdras a.D. I Daniel 7
(sobreviv problema
messianicament
ente em do
e
Latim) sofrimento
de Israel
Material
judaico-
Oráculo
cristão;
s 150 a.C. Profetisa –
resenha
Sibilino – a.D. Nora de Noé
histórica
s
em forma
de verso
Hebraico Visão
ou 1750 anos entre
Ascensã apocalíptic
Aramaico a morte de
o de a.D. I a da
(sobreviv Moisés e a
Moisés história de
ente em parousia
Israel
Latim)
Vislumbra
2Baruqu
a esperança Texto
e
messiânica composto
(Apocali a.D.
Siríaco depois da (Apocalipse –
pse de 75-150
destruição 1-77) (carta –
Baruque de 78-87)
) Jerusalém
Exortações
Testame
nto dos morais e Conceitos
II a.C. – expectativa semelhantes
Doze Grego
Patriarc a.D. II s aos do NT e
escatológic AT
as
as
Escrito
Curso da Semanas
em
história de sete
hebraico
de anos estão
, daí
traduzid Gênesis presentes

Lendário Jubileus siríaco


o para c.a.C.
100 dividido
em (cf. Dn 9).
Fragmento
s e
períodos s
grego e
de 49 encontrado
daí para
anos (cf. s em
latim e
Lv 25) Qumran.
etiópico
Carta de Grego c. 170- Histórico Elementos
Aristeas 100 a.C. da tradução fantasiosos com
da Lei para um cerne de
o grego verdade
Transcendência
Reinterpret de Deus
ação descrita
Vida de
a.D. 70- lendária de antropomorfica
Adão
Eva e Hebraico 100 Gn 1-5 e mente.
da história Restauração da
de Israel vida plena na
ressurreição.
Referência à
Martírio Martírio Martírio de
– morte de Isaías;
e Isaías e
II a.C. - idéia de que
ascensã Hebraico suas visões
a.D. I-II Nero voltaria
o de Ascensão sobre Jesus
como o
Isaías – Grego e a Igreja
Anticristo
Ficção
histórica.
Defesa
das Tecnicame
nte não
tradições deveria se
3Macab I a.C. – de Israel chamar
Grego
eus a.D. I em meio Macabeus,
a crises e pois sua
persegui narrativa é
ções anterior
Didáticos aos
macabeus.
Exortações
4Macab c. a.D. estóicas ao
Defesa da lei
eus 40-50 controle
das paixões
Parte em Aventuras
História
acádico, c. VI e aforismos Sabedoria pagã,
de
parte em a.C. (?) de um vizir politeísmo
Ahiqar
aramaico assírio
Fases da
Poemas
vida do
de sabor
Messias;
cristão
Odes de descrição
Siríaco c. a.D. em
Salomã bizarra do
(?) 100 louvor a
o Messias
Deus e
como o
ao
Poéticos Messias leite
Deusde
Hebraico, Poemas de Vaga esperança
Salmos traduzido lamento messiânica;
I a.C. –
de para pela triste Messias como
a.D. I
Salomão grego e situação de fruto da
siríaco Israel linhagem
(destruição davídica
de
Jerusalém)

O argumento de
MATEUS
Questões introdutórias
TÍTULO E AUTORIA
O sobrescrito do manuscrito mais antigo do Evangelho éΚΑΣΑ ΜΑΘΘΑΙΟΝ ,
segundo Mateus. Isto aponta para a antiga tradição cristã de que Mateus, ou Levi, o
discípulo publicano de Jesus, escreveu o primeiro evangelho.
A evidência externa em favor da autoria mateana é a seguinte. (1) o Didaquê,
composto por volta de a.D. 110, cita mais deste evangelho que de qualquer outro; (2) o
testemunho de Papias (c. a.D. 135) de que Mateus compusera sualogia no idioma
hebreu (trata-se de uma citação muito debatida que, à primeira vista, sugere que Mateus
teve um srcinal em hebraico ou aramaico, mas que já foi interpretada de outras
maneiras);11 (3) vários dos primeiros pais da Igreja citam Mateus como o autor, entre
eles Pseudo-Barnabé, Clemente de Roma, Policarpo, e Justino Mártir.
A evidência interna em favor da autoria mateana gira em torno de detalhes que se
encaixam muito bem com a pessoa do discípulo publicano. Em primeiro lugar, este é o
evangelho que tem mais referências e explicação de questões relativas a dinheiro, o que
se poderia esperar de um publicano (i.e., um coletor de impostos); em segundo lugar, o
autor usa continuamente o termo ofensivo ―publicano‖ ou ―coletor de impostos‖ para
descrever Mateus, ao passo que Marcos e Lucas evitam o termo; em terceiro lugar, o
autor se refere à festa oferecida por Mateus a Jesus um ―jantar‖ (9.9-10), ao passo que
Lucas a chama de ―um grande banquete‖ (Lc 5.29); por fim, circunstâncias e ensinos
que exaltavam os publicanos foram aqui omitidas cf. ( Lc 18.9-14; 19.1-10).
DATA
Uma vez que o livro contém a predição da destruição de Jerusalém por Jesus (Mt
24.1-28), deve ser datado de antes de a.D. 70. Isso está ligado à questão de que
Evangelho foi o primeiro a ser escrito.
Se Marcos foi, de fato, o primeiro evangelho, escrito como registro das memórias de
Pedro próximo do tempo de sua morte (c. a.D. 68), então seria necessário algum tempo
para que o evangelho fosse aceito com a autoridade de Escritura e Mateus, que
supostamente cita da obra anterior, teria que ter escrito seu livro depois da queda de
Jerusalém, que serviria
usada no Novo como poderosa apologética para a fé cristã, mas que nunca foi
Testamento.
O Evangelho de Mateus contém mais advertências e críticas contra os saduceus que
qualquer outro livro do Novo Testamento. Uma vez que os saduceus deixaram de ser
uma força viva no judaísmo depois de a.D. 70, o evangelho deve ser datado antes da

11
D. A. Carson, “Mateus,” Expositor`s Bible Commentary, 8:11-13.
destruição de Jerusalém. Bo Reicke pensa que oSitz im Leben de Mateus reflete a
situação da Palestina entre a.D. 50 e 64.12 Robert Gundry também defende uma data em
torno da metade do primeiro século.13
Parece haver razão suficiente para acreditar que o srcinal do Evangelho de Mateus
foi escrito antes dos outros três evangelhos, por volta de a.D. 50.
LOCAL DE ORIGEM E DESTINO
Antioquia da Síria, uma cidade grega cosmopolita com numerosa população judaica
éisso
o lugar
é quefavorito dosmenção
a primeira estudiosos para a srcem
ao Evangelho de do evangelho.
Mateus vem daUma
penarazão particular
de Inácio, entãopara
bispo de Antioquia.
As pessoas que argumentam em favor de um srcinal em hebraico ou aramaico
preferem localizar o evangelho na Palestina. Na verdade, não há maneira de determinar
claramente onde o livro foi escrito.
Os destinatários do Evangelho de Mateus constituem uma questão igualmente
incerta. Que tenha sido escrito primariamente para uma audiência judaica parece claro
em vista das frequentes alusões ao Antigo Testamento, da ausência de explicações sobre
expressões e costumes judaicos, da ênfase nas reivindicações messiânicas a partir do
primeiro versículo do livro, e da ênfase no Reino dos céus. Isso, todavia, não oferece
qualquer prova da localização exata dos leitores srcinais. A única declaração
inequívoca quanto a esses assuntos interrelacionados é que o Evangelho de Mateus foi
escrito em e enviado para pessoas que viviam na província romana da Síria (que incluía
a Palestina).
Qualquer que tenha sido a sua localização, os leitores srcinais ao Evangelho de
Mateus eram judeus de fala grega que precisavam de uma clara explicação da natureza
da messianidade de Jesus e do programa divino para o Reino prometido. Sua menção do
mundo como o campo (13.38) e da última ordem de ―fazer discípulos de todas as
nações‖ (28.19) sugere que havia uma perspectiva e uma preocupação universais no
primeiro Evangelho.
OCASIÃO E PROPÓSITO
A data designada para o Evangelho de Mateus nesta obra aponta para o período em
que a cisão entre a Igreja e o judaísmo estabelecido estava se tornando mais e mais
pronunciada. Era importante que os judeus que tinham confiado em Jesus como Messias
soubessem que não haviam traído os ideais de Yahweh para a nação de Israel por
tomarem o partido dAquele que a nação havia oficialmente rejeitado.
Ao mesmo tempo, o evangelho apresenta uma apologética da messianidade de Jesus
dirigida a judeus que pudessem fazer objeção a um Messias crucificado. Mateus
concretiza esse objetivo primariamente por uma demonstração de como a vida, o ensino,
a morte e a ressurreição de Jesus cumpriam predições do Antigo Testamento. Nove
textos-prova são utilizados para demonstrar as credenciais de Jesus como Messias
(1.22-23; 2.15; 2.17-18; 2.23; 4.14-16; 8.17; 12.17-21; 13.35; 27.9-10).
Os milagres de Jesus também são apresentados como prova de Suas reivindicações
messiânicas. Alguns de seus milagres (como o acalmar da tempestade no mar e as
multiplicações dos pães) estavam associados a atividades manifestamente divinas no
Antigo Testamento, servindo também como prova de Sua divindade.
O caráter messiânico de Jesus também é enfatizado por meio de Seu ensino,
especialmente por aquelas porções contidas nos cinco grandes discursos - o Sermão do
Monte (5.1-7.27), os deveres dos discípulos (10.5-42), as parábolas do Reino (13.1-52),
os relacionamentos no Reino (18.1-35), e o sermão profético (24.3–25.46) - nos quais
12
Bo Reicke, “Synoptic Prophecies on the Destruction of Jerusalem”, em Studies in New
Testament and Early Christian Literature, p. 133.
13
Robert H. Gundry, Mateus: A Commentary on His Literary and Theological Art, pp. 599ss.
Sua penetrante aplicação da Lei, Sua exigência de que os discípulos Lhe obedecessem,
Seu programa para o Reino, Seus elevados princípios de relacionamento interpessoal, e
Suas ameaçadoras previsões sobre o futuro (respectivamente) apontam para uma pessoa
especial, cujas alegações de messianidade só aceitam duas opções - serem descartadas
como refinada loucura ou aceitas com fé e submissão.
CONTEXTO HISTÓRICO
Mateus registra toda a vida de Jesus, de 5/4 a.C. a 3 de abril de a.D. 33. Estas datas
foram
quandoobtidas a partir da
Jesus nasceu, queobservação
não mais dede dois
que Herodes, o Grande,
anos poderiam ainda estava
ter passado entrevivo
o
nascimento de Jesus e o infanticídio ordenado por Herodes, e que Jesus nasceu depois
do recenseamento ordenado por Augusto por volta de 6 a.C.
O fato da morte de Jesus ter sido posterior a a.D. 30 se percebe na resposta atípica de
Pilatos às ameaças dos judeus de denunciá-lo como um ―não-amigo‖ de César. Uma vez
que seu mentor e protetor Marcus Sejanus tinha o controle virtual do império até a.D.
32, quando foi confrontado, removido e executado por ordem de Tibério César, é
melhor datar a morte de Cristo em a.D. 33.14
Esse intervalo entre 5 a.C. e a.D. 33 foi marcado pelo começo da tensão política na
Palestina, à medida que grupos armados de judeus começaram a atacar soldados
romanos. Quando o imperador Tibério tomou Marcus Sejanus como conselheiro e
confidente, uma onda de anti-semitismo varreu o império, e culminou com a indicação
de Profundamente
Pôncio Pilatos como procurador
anti-semita, da esforçou-se
Pilatos Judéia. ao máximo para provocar os judeus,
e respondeu de madeira rápida e brutal às provocações dos judeus radicaiscf.( Lucas
13.1 para encontrar um exemplo da crueldade de Pilatos).
Na Palestina, o cenário político incluía, além dos fariseus, saduceus, e zelotes, o
partido dos herodianos, um grupo que não tinha convicções religiosas próprias ou
definidas, mas seguia uma política de conveniência, argumentando que o governo
romano por meio da linhagem iduméia de Herodes era a melhor linha de ação. No
devido tempo, essas facções rivais ajuntaram forças e idéias contra Jesuscf.( Mt 22.15-
22).
Também havia uma certa tensão entre Herodes Antipas e Pôncio Pilatos por causa da
maneira que o procurador romano tratara cidadãos galileus. Essa querela terminou por
ocasião do julgamento e crucificação de Jesus.
Socialmente
oferecia, havia
enquanto uma pequena
a maioria minoriagemia
da população que desfrutava melhor
sob uma carga que o mundopesada
extremamente
de impostos, que era agravada pela desonestidade notória dos publicanos, que era
tolerada pelos romanos, mas fazia dos publicanos uma classe detestada pelo povo. Os
escribas, especialistas na Lei de Moisés, sobrecarregavam o povo com miríades de leis
supostamente derivadas da Torah. Apesar de serem apoiados pelo povo, desprezavam
profundamente o populacho ignorante a quem deviam instruir ( cf. Mt 23.4;
Mc 12.40; Jo 7.49).
Argumento básico
PROPÓSITO
O propósito do Evangelho de Mateus é duplo. Tem um aspecto didático e um aspecto
apologético, ambos relacionados ao conceito fundamental do Reino messiânico. Aqui
está um resumo que envolve o conteúdo e o propósito do livro.
Eventos e ensinos selecionados do ministério público e particular de Jesus foram
registrados para provar a uma audiência judaica que Jesus de Nazaré era o Messias

14
Detalhes minuciosos podem ser obtidos consultando Harold W. Hoehner, Chronological
Aspects of the Life of Christ, passim.
prometido de Israel, e para esclarecer o programa divino para o Reino nesta presente
era, à luz da ultrajante rejeição do Rei-Messias por Israel.
DESENVOLVIMENTO
Mateus conseguiu seu propósito duplo de provar que Jesus era o Messias e que Deus
não abandonara Seus planos do estabelecimento de Seu Reino ao organizar Seu
evangelho em torno de cinco discursos principais, que sempre fornecem o clímax para
os blocos de material narrativo que os precedem.
O esboço do livro, em termos do seu propósito, é o seguinte:
Provar o caráter messiânico de Jesus e esclarecer o programa divino do Reino para a
presente era à luz da rejeição de Jesus por Israel...
… narrando a encarnação e preparação do Rei (1.1 - 4.25).
… apresentando a proclamação dos princípios do Rei para a vida no Reino (5.1 - 7.29).
… descrevendo o poder manifesto pelo Rei como Sua autenticação perante Israel (8.1 -
11.1).
… relatando o aumento da oposição oficial ao Rei à medida que Suas reivindicações se
chocam contra as tradições da liderança judaica (11.2 - 13.53).
… resumindo a preparação dos discípulos pelo Rei para o tempo de Sua rejeição
definitiva pelo judaísmo oficial (13.54 - 19.2).
… narrando a apresentação e a rejeição oficiais do Rei em Jerusalém (19.3 - 25.46).
… apresentando
(26.1 - 28.20). a vindicação definitiva do Rei em Sua morte, ressurreição e comissão
I. A encarnação e preparação do Rei ( 1.1 - 4.25).
O propósito dessa divisão dentro do propósito geral do Evangelho é autenticar as
reivindicações messiânicas de Jesus narrando as circunstâncias que fizeram tão
peculiares o Seu nascimento e o início de Seu ministério.
Desde o princípio Mateus deixou claro quais eram as questões a respeito de Jesus.
Mateus 1.1 corresponde perfeitamente ao propósito do livro. Jesus de Nazaré é
apresentado como o judeu por excelência; além de ser descendente de Abraão, com
direito às promessas da aliança abraâmica c(f. Gn. 12.1-3, 15.1-21), é também
descendente de Davi, com direito às promessas da aliança davídicacf. ( 2 Sm. 7).
Significativamente, Jesus é apresentado primeiro como o Filho de Davi, um título
claramente
O associa àsmessiânico. Sua segunda
bênçãos universais credencial
prometidas ao épatriarca.
ser ―Filho de Abraão‖, um título que
A genealogia seletiva de Mateus também sugere que em Sua longa preparação para a
encarnação do Messias, Deus tinha em mente os gentios (1.5, 6). A genealogia também
enfatiza as reivindicações reais de Jesus ao registrar sua linhagem leal até Davi, com a
dinastia ininterrupta até o exílio em Babilônia. O arranjo em três blocos de quatorze
gerações indica uma preocupação com simetria, mas também pode conter um toque de
polêmica – ligando Jesus a Davi por meio do número 14, que era o valor numérico das
consoantes hebraicas do nome (dāwiḏ, Davi).
Na medida em que está apresentando uma pessoa incomum, Mateus enfatiza a
maneira divina e miraculosa em que Jesus de Nazaré foi concebido - cumprindo uma
profecia do Antigo Testamento (cf. Is 7.14). Também aqui há um elemento polêmico, à
luz de acusações de ilegitimidade dos judeus contra Jesus cf. ( Jo 8.41, 48).
Além disso, quando o anjo revela o plano de Deus para a criança que haveria de
nascer, a natureza redentiva do Reino e a natureza divina do Rei são enfatizadas (1.21,
23). O nascimento incomum não é percebido pelos líderes judaicos, mas será notado
pelos gentios, um tema bastante comum no Evangelho de Mateus.
A descrição da infância de Jesus (2.1-23) é outro dos meios usados por Mateus para
apresentar os temas paralelos de indiferença e oposição ao Messias por parte da
liderança religiosa judaica. Os escribas e sacerdotes são informados de Seu nascimento
mas não se importam com o fato, ao passo que o líder político, Herodes, o Grande,
planeja eliminar ainda no berço o Rei que ameaçava sua posição real. A nação, por sua
vez, está preocupada com mais uma crise de fúria do monarca idumeu, imaginando de
quem será a próxima cabeça que Herodes mandará cortar. Num contraste dramático, os
magos gentios reconhecem a Jesus como Rei e O adoram como tal, na própria cidade
em que o Filho de Davi deveria nascer, de acordo com a profecia.
Mateus inclui a fuga para o Egito e a permanência da sagrada família ali para
demonstrar como a vida de Jesus é uma perfeita recapitulação da existência de Israel
como
Antigonação, apontando
Testamento assimaspara
confirma Ele como o messiânicas
reivindicações Israel ideal. Cada uma
15 das citações do
de Jesus.
Mateus não fornece outros detalhes da vida de Jesus por um período de
aproximadamente trinta anos, depois dos quais ele enfoca o assunto da preparação do
Rei para Sua missão (3.1 - 4.11). Esta seção contém três áreas que serão significativas
para validar as reivindicações messiânicas de Jesus. Ele possui, em primeiro lugar, um
arauto que proclama a Sua vinda real (3.1-12); a alusão ao ―deserto‖ aponta para a
profecia de Isaías sobre os preparativos para a manifestação de Yahweh ao Seu povo (Is
40). Em segundo lugar, ele é adequadamente ungido em Seu batismo (3.12-17). Por fim,
ele vence a tentação ao ser confrontado pelo próprio Satanás (4.1-11), em contraste com
Israel, que fracassara miseravelmente no deserto.
Com o ministério de João Batista surge a primeira referência ao Reino dos céus no
livro. A semelhança entre João e Elias e sua mensagem de arrependimento a fim de
participar nos privilégios
sobre o Messias e o Dia dodoSenhor
Reino (fazem reverberar
cf. Malaquias 3 eas4,profecias vétero-testamentárias
por exemplo). O Messias viria
como juiz, separando para condenação todos os pecadores impenitentes antes de
estabelecer o Seu Reino, e também batizaria com o Espírito Santocf. ( Ez 36.24-28;
39.25-29).
A seção sobre o batismo de Jesus (3.13-17) tem como propósito identificá-lo com o
programa divino do Reino conforme delineado nos profetas. A despeito de Sua
perfeição moral, Jesus veio a João para ser batizado a fim de ―cumprir toda a justiça‖,
ou seja, autenticar o ministério de João como uma ordenança divina a que todos
deveriam se submeter à luz da iminência do Reino. Imediatamente depois do batismo
Jesus foi ungido pelo Espírito Santo, outra marca autenticatória de Sua realeza e
messianidade (cf. Is 61.1).
Legal e religiosamente Jesus estava capacitado para Seu papel messiânico. Como o
Israel da antiguidade
pelo batismo (cf. 1 CoEle foraAchamado
10.2). pergunta desde o Egito
seguinte e fora identificado
era. ―Estaria com Yahweh
Ele moralmente
qualificado para ser o Messias?‖ Su a tentação por Satanás e Sua vitória sobre o tentador
revelaram inegavelmente que sim. Tentado em três áreas que afetavam diretamente Seu
ministério como Messias, Ele emergiu triunfante por apegar-se à Palavra de Deus. No
aspecto pessoal de Sua tentação o Rei foi tentado a agir independentemente de Deus; no
aspecto nacional, o Rei foi tentado a duvidar da fidedignidade de Deus; no aspecto
universal, o Rei foi tentado a ignorar o decreto de Deus sobre o Reino (Sl 2.7-8). Ao
vencer as três tentações, Jesus demonstrou ser moralmente capaz de ser o Messias
Redentor, tanto no nível nacional quanto no nível universal.
Mateus 4.12-25 é uma passagem de transição no livro. Preocupado com o aspecto
real da vida de Cristo, Mateus omite o primeiro ministério na Judéia, onde Jesus e João
ministraram juntos (ou pelo menos próximos) durante cerca de nove mesescf. ( Jo 4.1).
Em Mateus o Reia só
era basicamente aparece
mesma quedepois que o precursor
João pregara, sai de messiânico
mas Seustatus cena. A mensagem de Jesus
distinto foi
15
A referência a Jesus como Nazareno em Mateus 2.23 tem sido muito debatida. Uma
análise detalhada das possibilidades interpretativas se encontra em “A Suposta Citação do
Antigo Testamento em Mateus 2.23”, deste autor, em Chamado para Servir. Estudos em
Homenagem a Russell P. Shedd, pp. 51-63 (São Paulo. Edições Vida Nova, 1995?).
demonstrado desde o princípio pelos Seus milagres e pelo Seu poder de atrair
seguidores a Si. Seu ministério introdutório na Galiléia prepara o caminho para a
proclamação de Seus princípios para a vida no Reino.
II. A proclamação dos princípios do Rei
para a vida no Reino (5.1 - 7.29).
Essa divisão principal se encaixa no propósito geral do livro ao demonstrar que a
mensagem pregada
Yahweh a Israel, empelo Rei eracom
contraste verdadeira
a justiçaconformidade com a Torah oferecida
hipócrita e autocomplacente exibida por
pelos
líderes religiosos de Israel. Uma vez que tanto João Batista quanto Jesus haviam
denunciado laços sanguíneos e adesão formal à tradição religiosa como meios
insuficientes de acesso ao Reino, era necessário que o Rei oferecesse um padrão
adequado pelo qual Seus discípulos mais próximos verificassem sua posição em relação
do Reino. O Sermão do Monte responde a duas perguntas. ―Que tipo de justiça é
exigido para ingresso no Reino?‖ e ―Como deveríamos viver uma vez que nos jun temos
às fileiras dos que aguardam a manifestação do Reino?‖
A primeira seção (5.2-16) descreve os súditos do Reino em suas qualidades pessoais
e suas recompensas (5.2-12) e em sua função na sociedade (5.13-16).
Um amante do Reino deveria exibir esses atributos relacionais, todos eles
encontrados no próprio Rei, e esperar colher suas recompensas. À luz da iminência do
Reino, os discípulos
que outros viessem aode Messias
Cristo deveriam funcionar
em fé. Nesse como
sentido elespoderosos motivadores
são comparados ao salpara
e à luz.
O trecho que vai de 5.17 a 7.12 apresenta a justiça do Reino. A passagem crucial é
5.17-20, onde o relacionamento entre a ética do Reino e a Lei de Yahweh é definido.
Jesus negou veementemente que tivesse vindo abolir a Lei, pois ela oferecia um
referencial verdadeiro para avaliar os que professavam ter parte no Reino. O conceito de
justiça proposto pelo Rei, no entanto, vai além da mera observância da letra da Lei, pois
exige obediência interna, de coração, ao espírito da Lei. Na verdade, Ele viera para
cumprir a Lei (obedecendo-a perfeitamente) e as predições dos profetas concernentes ao
Messias e Seu Reino.
Em 5.21-48, Jesus contrasta Sua interpretação de seis passagens da Lei com a
interpretação dos líderes judaicos contemporâneos a fim de demonstrar a natureza da
verdadeira justiça. Sua ênfase era a superioridade da ética do Reino sobre a piedade
hipócrita
cumprimentodos escribas e fariseus.uma
da Lei constituem Paraquestão
o Rei, adeverdadeira interpretação
pensamentos e o não
e intenções, verdadeiro
de ações
externas somente!
6.1-18 trata da prática da justiça. Uma vez mais Jesus enfatiza a importância da
motivação do indivíduo para a prática de boas obras. Orações, esmolas e jejuns (as três
expressões máximas de piedade no judaísmo) não passam de ações vazias se feitas por
amor ao aplauso humano. Essa seção está tematicamente ligada a 5.20 e prova que
quem faz boas obras com vistas à aprovação terrena fecha contra si mesmo as portas do
Reino messiânico.
As consequências da justiça do Reino são apresentadas em 6.9 a 7.11. O parágrafo
anterior apresentara a consciência de ter Deus por pai como a base para a prática da
verdadeira justiça. Aqui Jesus exorta Seus discípulos a concentrarem seus esforços em
tal prática, ao invés de lutarem por ganho e posição terrenos (6.19-34). Isso significa dar
prioridade a Deusjustiça
A verdadeira e a Seu Reino
deve em suas vidas.
ser manifesta em termos de uma atitude positiva para os
outras pessoas, ao invés de (pré) julgar suas intenções e criticar ferinamente (7.1-5). É
necessário, todavia, que o discípulo utilize bem suas faculdades críticas para não cair no
erro de compartilhar as boas-novas do Reino com os inimigos do Rei (os cães e porcos
de 7.6). Finalmente, a capacidade de viver de acordo com o padrão do Rei depende da
relação do discípulo com Deus; vê-lo como Pai amoroso permitirá que o discípulo lhe
peça tudo aquilo que é necessário para uma vida justa (7.7-11).
Um resumo da justiça do Reino é oferecido em 7.12. Esse é um versículo-chave pois
nele se acha a expressão ―a Lei e os profetas‖, também encontrada em 5.17. Este arranjo
deliberado indica que o Reino messiânico seria calcado verdadeiro significado da
revelação divina.
A seção final nessa divisão contém o apelo a que os ouvintes se juntem ao Reino
(7.13-27). Essas três parábolas visavam basicamente a multidão de seguidores
―periféricos‖ que acompanhavam Jesus por causa de Seus milagres mas ainda não se
haviam comprometido
As parábolas mostram como verdadeiros discípulos.
que participação no Reino exige auto-sacrifício (7.13-14), que
o discípulo será capaz de discernir falsos mestres por sua doutrina (7.15-23), e que o
verdadeiro discípulo do Reino é a pessoa que além de ouvir o Rei faz do Seu ensino o
alicerce sobre o qual constrói a sua vida (7.24-27).
Os dois versículos finais do capítulo 7 apresentam o resultado do ensino do Rei. Essa
conclusão é polêmica à luz do propósito do Evangelho e das confrontações que se
seguiriam entre Cristo e os escribas. A mensagem do Rei tinha uma vida genuína a
apoiá-la e, por isso, atraía a atenção daqueles que estavam acostumados ao palavrório
vazio dos rabis. Jesus tinha autoridade, pois era o próprio Rei (7.28-29). Esse parágrafo
oferece uma perfeita transição para a divisão seguinte, na qual o poder e a autoridade de
Jesus serão demonstrados.
III. A manifestação do poder do Rei
como sua autenticação perante Israel (8.1 - 11.1).
Essa divisão é particularmente importante no argumento do livro, pois é usada por
Mateus para provar quem Jesus é, bem como para mostrar a proximidade do Reino. Há
uma ênfase especial nos milagres de cura, que, mais que quaisquer outros, atraíam
multidões ao Senhor e davam autoridade adicional à Sua mensagem.
Mateus 8.1 - 9.38 exibe uma disposição simétrica em que milagres e ensinos se
intercalam. Jesus demonstra Sua autoridade messiânica por meio de milagres de cura,
milagres sobre as forças da natureza, e milagres de restauração. Em cada uma dessas
três áreas, três eventos ilustram o poder messiânico de Jesus. Ao mesmo tempo,
inseridas entre as três seções de milagres, encontramos o Messias ativamente engajado
no ministério de fazer discípulos. O gráfico na página 43 visualiza o arranjo literário da
divisão.
Os milagres
perspectiva totaldedo
cura registrados
Evangelho de nesta seção
Mateus. (8.1-17) refletem
Demonstra como os de modoeincomum
pobres a
desprezados
vinham ao Messias em fé, ao passo que os ―herdeiros do Reino‖ preferiam rejeitá -lo.
Ele, no entanto, Se faz disponível a todos que dEle precisam (8.16-17). Essa seção do
Evangelho de Mateus contempla profeticamente o futuro quando, na consumação do
Reino messiânico, toda doença será eliminada.
A manifestação do poder messiânico de Cristo
Cristo realiza três milagres de cura (8.1-17)
O leproso impuro.
O servo do centurião.
A sogra do discípulo.
Cristo apresenta as exigências do discipulado (8.18-22)
Compromisso antes do conforto.
Compromisso sem concessões.
Cristo realiza três milagres de poder (8.23 –9.8)
Acalma o mar.
Expulsa demônios.
Cura um paralítico.
Cristo apresenta as marcas distintivas do discipulado (9.9-17)
Ao convocar um rejeitado.
Ao desafiar a hipocrisia dos fariseus.
Ao esclarecer a natureza do discipulado messiânico.
Cristo realiza três milagres de res tauração (9.18-34)
Restauração de uma situação de doença e morte.
Restauração de uma situação de cegueira.
Restauração de uma condição de domínio satânico.
Cristo demonstra a necessidade de compaixão
por parte do discípulo (9.35-38)
A condição das pessoas exige isso.
A convocação de novos discípulos flui a partir disso.
1. A MANIFESTAÇÃO DO PODER MESSIÂNICO DE CRISTO
A seção de discipulado que alterna com a descrição dos milagres foi inserida aqui
para confrontar os leitores com as árduas exigências do discipulado até a chegada do
Reino.
causa deUma
Suasvez que muitas pessoas
demonstrações haviam
de poder, sido deixou
o Senhor atraídasbem
a Jesus simplesmente
clado porao
que a lealdade
Messias implicava abrir mão dos confortos básicos da vida e dos mais íntimos laços
familiares; o Rei que exigia verdadeira justiça, exigia também compromisso total.
A manifestação do Rei continuou com uma série de milagres que, de maneira velada,
apontavam para a divindade do Messias. Primeiramente, Jesus aparece acalmando uma
tempestade no mar da Galiléia (8.23-27), uma atividade normalmente atribuída a
Yahweh no Antigo Testamento (cf. Sl 106.9, 11).
Os próprios demônios reconhecem quem Jesus é (o Messias) e temem Seu poder
sobre o mundo sobrenatural. Em contraste, os gergesenos rejeitam Seu poder e até Sua
presença entre eles.
A alegação final de divindade é feita pelo próprio Jesus, quando pronuncia perdão
para os pecados de um paralítico pouco antes de o curar. Essa é a primeira confrontação
registrada entre Daqui
imediatamente. Jesus epor
os escribas, e oandarão
diante eles tema denosua oposição
rastro é introduzido
de Jesus e procurarão uma
oportunidade para eliminá-lo. Mateus indica assim, a partir daqui, que a cruz não foi um
incidente fortuito, mas o resultado de uma oposição prolongada, deliberada, ferina e
desleal.
O tema do discipulado é retomado uma vez mais num contexto de controvérsia. Os
fariseus criticam Jesus por Sua associação com ―pecadores‖ notórios. A resposta de
Jesus revela mais uma vez o pensamento subjacente ao Evangelho de Mateus - de quão
pouco dispostos estavam os judeus a saírem de sua concha teológica para aceitarem a
verdadeira religião apresentada pelo Messias, que buscava os pecadores para restaurá-
los à comunhão com Deus.
O incidente com os discípulos de João sobre o jejum traz à tona, mais uma vez, as
reivindicações messiânicas de Jesus. A ilustração do banquete nupcial usada por Jesus
aparece profeticamente no Antigo Testamento como uma prefiguração da Era
Messiânica (cf. Is 25.6; Mt 22.1-14; 25.19; 26.19). Indica, ainda, que as esperanças
messiânicas já eram uma realidade à luz da presença do Messias, de modo que a ênfase
não deveria mais cair sobre rituais que expressavam dor e expectativa, mas sobre um
relacionamento pessoal e jubiloso com o próprio Messias.
A seção seguinte contém três eventos que englobam quatro milagres (9.18-34) e traz
à luz o fato de que a oposição não era absoluta entre a liderança (9.18), que um rumor
messiânico a respeito de Jesus se espalhava por Israel (9.27), e que as autoridades
religiosas já haviam chegado a uma conclusão a respeito de Jesus, considerando-O
como um indivíduo controlado por Satanás. Essa seção demonstra ainda que o
necessário para partilhar das bênçãos do Messias não é uma grande fé, mas fé colocada
corretamente nEle.
A passagem final sobre discipulado (9.35-38) constitui uma dobradiça para a seção
seguinte, na qual os discípulos serão enviados para disseminar a mensagem do Reino. O
próprio Jesus já viajara pelas aldeias e vilas apresentando-se como Messias, e
encontrara umafora
com Ele, pois nação extremamente
enganada necessitada,
e maltratada maslíderes
pelos seus sem desejo de compromissar-se
religiosos. Assim, Mateus
condena não tanto a nação, mas os seus líderes. A urgência da necessidade de Israel
move Jesus à compaixão, o que, por sua vez, motiva os discípulos à ação, ao serviço
como apóstolos do Messias - Seus representantes oficiais.
A comissão dos discípulos e o material discursivo a ela relacionado foram usados
aqui por Mateus para indicar que uma oferta bona fide legítima do Reino fora feita
exclusivamente à nação de Israel (10.1 - 11.1).16
Os versículos 10.1-4 registram a investidura dos discípulos à autoridade e ao
apostolado messiânico. A sua nomeação aos pares provavelemnte indica uma parceria
no ministério de anúncio do evangelho do Reino.
Os versículos 10.4-42 registram as instruções de Jesus a Seus representantes oficiais.
Ao contrário de Lucas, Mateus omite os resultados espetaculares de seu ministério,
concentrando-se
(10.18-39), e nasna natureza depela
recompensas sua recepção
tarefa (10.5-16), em sua atitude
de sua mensagem no ministério
(10.40-42). No final
dessa seção Mateus coloca um marcador literário (um resumo da tarefa discipuladora de
Jesus, 11.1).
Os esforços dos discípulos deveriam limitar-se a Israel, pois a plena manifestação do
Reino era contingente à resposta da nação. A mensagem dos discípulos era preparatória
para tal manifestação, tal como haviam sido as mensagens de João e do próprio Jesus.
A dependência de Deus para o suprimento de suas necessidades devia ser a mesma
que tinha até então caracterizado o Filho do Homem (vv. 9-11). Seu julgamento contra
as cidades incrédulas serviria para sublinhar a rejeição final que resultaria quando a
nação como um todo recusasse receber a Jesus como Messias.
O tema subjacente da rejeição continuou a ser desenvolvido quando Jesus assegurou
a Seus discípulos que encontrariam oposição. Ele deixou claro, todavia, que receberiam
ajuda
homens derejeitassem
Deus para testemunharem a respeito
o Rei e a mensagem do Messias,
do Reino. mesmo
Essa seção quando os
transcende todos os
eventos
históricos da época de Jesus e aguarda pleno cumprimento no futuro, quando uma vez
mais o Reino será proclamado a Israel como uma realidade que está ―às portas‖.
Em face de tal oposição, o discípulo deve temer somente a Deus, não aos homens,
que podem apenas matar o corpo. O pensamento que está por trás dessa admoestação é
que verdadeiros discípulos suportam até a própria morte por amor a Cristo e Seu Reino.

16
Esta é uma das muitas controvérsias quanto ao Reino entre amilenistas e pré-milenistas
dispensacionais. Os primeiros negam que tenha havido qualquer oferta de um Reino terreno e
político − que Jesus sempre prometeu um Reino que não é deste mundo. Os últimos afirmam
que houve uma oferta legítima de um Reino terreno, com base no conhecimento comum aos
judeus de que o Messias cumpriria as promessas da aliança davídica, e que este Reino tinha a
sua manifestação contingente ao seu recebimento por parte de Israel, o que não aconteceu.
Interessantemente, muitos que argumentam que tal oferta (cujo resultado Deus já sabia ser
negativo) não é legítima, defendem fervorosamente que a tentação de Jesus (cujo resultado
Deus já sabia ser negativo) foi legítima, sem levantarem suspeitas sobre a legitimidade da ação
divina nesse incidente.
Os discípulos deveriam se conscientizar também que a mensagem do Reino pode
eventualmente romper os relacionamentos mais íntimos, pois é altamente exclusiva,
exigindo dedicação e compromisso totais.
Por fim, os discípulos foram instruídos quanto ao significado da recepção de sua
mensagem. A igualdade velada entre Jesus e o Pai é a característica mais notável da
passagem. Mateus quer deixar claro a seus leitores que qualquer pessoa que recebesse a
mensagem do Reino se identificaria com o Deus que havia prometido o Reino a Israel.
Da mesmaasforma,
recebido seus leitores,
promessas de Deus aoe, confiarem
por isso, oem JesusDeus
próprio como(10.40).
o Messias, haviam
Mateus registrou a retomada do ministério de pregação de Jesus para indicar que as
cidades às quais os discípulos haviam ido como arautos do Reino foram visitadas por
Jesus com Sua oferta genuína do Reino. Assim, Israel ficou sem desculpa e não poderia
alegar ignorância ao rejeitar o Messias que por tanto tempo havia esperado.
IV. A oposição oficial ao Rei aumenta à medida que Suas
reivindicações se chocam com as tradições da liderança judaica (11.2 -
13.53).
Essa divisão maior do Evangelho de Mateus é crítica para a compreensão do
programa de Deus para o Reino. Mateus relata os incidentes de modo a demonstrar a
inescapável realidade da rejeição, mesmo que esta ainda não estivesse formalizada na
vida da nação.
rejeição Seupara
de Israel outro
compropósito para
o Messias essaReino
e Seu divisão dehavia
não seu livro era indicar
eliminado que a
o programa
divino, embora tivesse ―causado‖ o seu ―adiamento‖. Um paralelo na história de Israel
pode nos ajudar a entender essa tensão entre a vontade soberana de Deus e a experiência
negativa do povo. Yahweh fizera uma oferta genuína ao povo na saí da do Egito. ―Eu
lhes darei a terra que sob juramento prometi a seus pais‖. A oferta foi legítima, ainda
que 39 anos antes da conquista Deus já tivesse deixado claro que aquela geração não
entraria em Canaã. A conquista da terra, ainda que ―adiada‖ por causa da incredulidade
em Cades-Barnéia, não foi descartada por Deus, pois estava baseada em uma aliança
incondicional, outorgada por Yahweh a Abraão. O mesmo se pode dizer da geração
contemporânea a Jesus. A manifestação do Reino messiânico, ainda que ―adiada‖ por
causa da incredulidade do povo e de seus líderes, não foi descartada por Deus, pois
estava baseada em uma aliança incondicional, outorgada por Yahweh a Davi.
Mateus começa essa seção oferecendo evidências da oposição ao Rei (11.2-30). A
oposição se reflete primeiramente nas dúvidas do próprio Precursor (11.2-6). A prisão
de João Batista foi um rude golpe para o remanescente fiel em Israel. Certamente
homens violentos estavam tentando suprimir o Reino. As dúvidas de João Batista não
constituem motivo de espanto ou surpresa para o Rei. No entanto, ao ser questionado
quanto à sua messianidade, Jesus a afirmou categoricamente por meio de milagres
associados a profecias reconhecidamente messiânicas.
A seguir a oposição foi demonstrada na rejeição definitiva do precursor pela
liderança nacional (11.7-19). A apologia de Jesus a João é importante não apenas por
causa da grandeza atribuída ao Batista, mas primariamente porque afirma a contingência
da manifestação do Reino à resposta daquela geração– αί εἰ έιεηε δέμαζα, αὐηνο
ἐζηλ Ἠιίαο ὁ κέιισλ ἔξρεζα (kai ei thelete dexasthai, autos estin Ēlias ho mellōn
erchesthai, 11.14). A prótase (oração condicional) indica a real possibilidade de que
João pudesse ter cumprido plenamente o ministério prometido do Elias escatológico.
Prova ainda que a nação havia de fato rejeitado o Reino, uma vez que não tinha aberto o
coração nem para o grave reformador nem para o gracioso Redentor.
A seguir Mateus indica que a oposição se refletia na incredulidade das três cidades
impenitentes que haviam testemunhado os grandes milagres de Jesus mas não haviam
crido nEle como Messias. A maior tolerância prometida por Jesus àqueles que, no
passado, teriam se arrependido de seus hediondos pecados se tivessem recebido luz
comparável, aponta também para a oportunidade que seria estendida aos gentios depois
da consumação da rejeição israelita ao Messias (11.20-24).
A evidência final da oposição é a mudança ministerial de Jesus - deixando de lado
uma proclamação e uma oferta de âmbito nacional e passando a um convite de natureza
pessoal a que os desencantados e afadigados com as falsas promessas do judaísmo
viessem a Ele para encontrar verdadeira paz (11.25-30). Neste parágrafo, Jesus
reconheceu a soberania de Deus em Sua rejeição pela liderança e pela nação em geral.
Em flagrante
libertação doscontraste
fardos doEle agorafarisaico.
sistema apela a indivíduos que venham
Ele pode fazer a Ele
isso, pois para encontrar
recebeu do Pai toda
autoridade. Aqui percebemos a mudança de ênfase do estabelecimento imediato do
Reino para a própria Pessoa do Rei.
A próxima seção nessa divisão lida com áreas diversas de oposição ao Rei (12.1-50).
A primeira confrontação narrada por Mateus diz respeito à quebra da tradição oral do
judaísmo (12.1-21). Dois incidentes revelam que Jesus definitivamente considerava
espúrio o zelo com que os fariseus guardavam o sábado. O Rei via pessoas e suas
necessidades como mais importantes que as tradições religiosas da liderança, e não
hesitou em quebrar estas últimas. Em Sua defesa Ele invoca dois precedentes - um deles
envolvendo o rei Davi, e o outro envolvendo o sacerdócio. Ao fazer isso, apontou
veladamente para Si e para Sua autoridade como o Rei-sacerdote de Israel!
A esta altura, a oposição já havia dado à luz sua filha, a rejeição definitiva, que
ganhava
eliminar contornos
Jesus. claros. os líderes de Israel começam a fazer planos concretos de
A seguir, Mateus registra a oposição quanto à fonte do poder do Rei (12.22-34). Aqui
encontramos o âmago amargo da rejeição; confrontados com a realidade de um milagre
tríplice, os líderes de Israel categorizam Jesus como endemoninhado e capacitado pelo
próprio Satanás, ao passo que as multidões expressam dúvidas sobre Sua messianidade.
A forma em que Mateus registra a indagação das multidões revela essa mistura de
desejo e incredulidade (Μήη νὗηνο ἐζηλ ὁ πἱνο, mēti απίδ houtos estin ho huios
dauid, 12.23).
A resposta de Jesus é acusar os líderes de darem mais crédito aos dúbios relatos de
exorcismo supostamente realizados pelos discípulos (―filhos‖) dos fariseus que ao óbvio
testemunho do Espírito sobre Sua messianidade; isso constituía um pecado imperdoável.
A rejeição de um Messias tão incontestavelmente aprovado confirmava, aos olhos de
Jesus e, por extensão, para os leitores de Mateus, a natureza corrompida daquela
geração.
A oposição é dirigida, a seguir, à natureza dos milagres do Rei (12.35-45). O
parágrafo indica que Israel já havia passado do ponto de não-retorno espiritual.
Hipocritamente, os líderes pedem um sinal (Lucas acrescenta aqui a expressãoζκεῖνλ
ἐμ νὐξαλνῦ [sēmeion ex ouranou, ―um sinal vindo do céu‖, Lc 11.16], indicando que
queriam algo de natureza espetacular, que merecesse a sua fé). Tal sinal lhes é negado
por causa de sua recusa em aceitar o testemunho do Espírito por meio de João Batista e
de Jesus.17 O único sinal que lhes restava era o sinal de Jonas, que ilustrava a vindoura
ressurreição do Messias.
Os ninivitas e a rainha do sul são apenas dois exemplos do recorrente tema da
preferência salvífica pelos gentios em lugar dos judeus devido à incredulidade destes. A
parábola do espírito imundo antecipa o terrível juízo que se abateria sobre a nação por
haver rejeitado o Rei prometido.

17
Esse áspero diálogo entre Jesus e a liderança reflete uma verdade presente em todo o
Novo Testamento, mas tristemente ignorada e até contradita por muitos evangélicos em
nossos dias. No Novo Testamento, pedir milagres não é prova de fé, mas de falta de fé. Paulo,
décadas depois de Jesus, enfrentou o mesmo problema entre os judeus (cf. 1Co 1.22).
O incidente final da oposição nessa divisão é o mais desanimador de todos. Mesmo a
família do Rei o rejeita! Mateus inclui esse incidente aqui, pois ele claramente serve ao
seu propósito de delinear o programa do Reino na presente era. O Reino do Messias não
será povoado com base em relacionamentos naturais; ser judeu já não é o fator
determinante. A questão central é obedecer à vontade de Deus confiando em Jesus como
Messias.
À luz da rejeição corporativa da nação na pessoa de seus líderes, o Rei adaptou Sua
mensagem de modo
programa divino a preparar
do Reino Seus discípulos
iria operar para as
(13.1-53). Esse novasécondições
capítulo crucial nosob as quais o
desenvolvimento do argumento de Mateus. Daqui em diante as referências ao Reino
serão esparsas, ao passo que menções aos sofrimentos do Rei serão mais freqüentes e
mais próximas umas das outras.
A nação chegara a uma daquelas crises cíclicas em que sua incredulidade havia
fechado a porta da oportunidade e um endurecimento judicial se abatera sobre Israel. A
citação de Isaías 6.9-10 é usada para reforçar esse conceito. Para evitar o acúmulo de
culpa e condenação sobre Israel, Jesus abandona gradativamente seu ministério de
ensino público e aberto sobre a proximidade e os requisitos do Reino e adota um ensino
mais restrito em alcance e parabólico em natureza para apresentar uma nova fase do
programa divino para o Reino. Assim, ele vela a verdade aos incrédulos enquanto lança
luz adicional sobre aqueles que confiaram nEle.
O desvendamento
meio parcial
de parábolas, quatro da nova
delas fase do programa
pronunciadas perante adivino parajunto
multidão o Reino é feito
ao mar, por
e quatro
pronunciadas para os discípulos, numa casa.
As parábolas são analisadas brevemente abaixo quanto ao seu assunto central e o
ensino que Cristo queria comunicar com cada uma delas. Depois disso, um quadro
resumo encerra nossa consideração sobre esta importante seção.
As parábolas de Mateus 13
PARÁBOLAS PRONUNCIADAS JUNTO AO MAR
1. Parábola dos solos (13.3-23).
Questão tratada: A falta de resposta de Israel à apresentação de Jesus como Messias.
Verdade central: A receptividade ao Messias determina a produtividade em prol do
Messias.
2. Parábola do joio e do trigo (13.24-30, 36-43).
Questão tratada: A coexistência de lealdades verdadeiras e falsas para com o Reino.
Verdade central: O Reino de Deus tem um rival no domínio fraudulento do Inimigo e a
distinção entre eles só será feita noeschaton.
3. Parábola do grão de mostarda (13.31-32).
Questão tratada: A probabilidade de crescimento para o Reino à luz da rejeição de
Israel.
Verdade central: Pequenos começos trarão notável progresso até que se chegue a uma
completude global.
4. Parábola do fermento (13.33-34).
Questão tratada: O processo de crescimento do Reino.
Verdade central: O Reino crescerá de maneiras sutis, com vitalidade e dinâmica internas
próprias.
PARÁBOLAS PRONUNCIADAS NA CASA
1. Parábola do tesouro escondido (13.44).
Questão tratada: Quão importante é o Reino para o israelita como indivíduo?
Verdade central: Filiar-se ao Reino é mais importante do que tudo que uma pessoa
possuir.
2. Parábola do comerciante de pérolas (13.45-46).
Questão tratada: Quão importante é o Reino para o israelita como indivíduo?
Verdade central: Filiar-se ao Reino é mais importante do que tudo que uma pessoa
possuir.
3. Parábola da rede (13.47-50).
Questão tratada: A extensão da proclamação do Reino e as normas que serão seguidas.
Verdade central: A proclamação do Reino é uma tarefa abrangente que produzirá
resultados mistos até que venha o juízo divino.
4. Parábola do dono da casa (13.51-52).
Questão
no Reino?tratada: Como é que discípulos conhecedores da verdade devem se comportar
Verdade central: O equilíbrio na vida do Reino vem de aplicar velhas e novas verdades
sobre o Reino.
Como o gráfico na página abaixo demonstra, as duas parábolas iniciais lidam com a
questão do estabelecimento do Reino; as duas seguintes lidam com seu crescimento no
mundo; a quinta e a sexta lidam com seu valor, e as duas últimas tratam das
responsabilidades dos discípulos no Reino.

Quadro resumo das parábolas de Mateus 13


Parábola Interpretação
Semeador A mensagem do Reino apresenta uma variedade de
(13.3-8, 18-23) resultados.
Haverá mistura de mal e bem durante o intervalo, com
Joio (13.24-30, 36-43)
uma separação escatológica definitiva.
Grão de Mostarda Crescimento muito rápido da mensagem do Reino; com
(13.31-32) todo tipo de gente sob sua esfera de influência.
Fermento (13.33) Crescimento do elemento maligno no período do
intervalo até o fim desta era.
O supremo valor do Reino exige prioridade absoluta no
Tesouro (13.44)
coração dos que se defrontam com ele.
O supremo valor do Reino exige prioridade absoluta no
Pérola (13.45-46)
coração dos que se defrontam com ele.
Haverá uma mistura de bem e mal até que o juízo
Rede (13.47-50) anterior ao estabelecimento do Reino faça a separação
final.
Certa continuidade nas promessas e expectativas do
Dono da casa (13.52)
Reino; certa descontinuidade também.
2. QUADRO RESUMO DAS PARÁBOLAS DE MATEUS 13
Todas as parábolas refletem uma polêmica contra os judeus, que depois de rejeitarem
o Rei, continuavam a adotar um sistema religioso superado, em oposição à verdade. O
judaísmo foi representado pelo joio e pelos peixes ruins (cerimonialmente impróprios
para consumo), e coexistiria com a verdadeira manifestação do Reino até a implantação
definitiva deste sobre a terra.
Os leitores
programa de Mateus
do Reino, e são são assim informados
informados também dedaque
nova fase que capaz
o discípulo Deus de
iniciava em Seu
absorver
novas verdades sobre o Reino se beneficiará tanto das esperanças messiânicas do Antigo
Testamento quanto das novas verdades sobre o Reino no panorama da história
apresentado pelo Rei.
V. Preparação para a rejeição
final do Rei (13.54 - 19.2).
Nessa divisão Mateus utiliza uma série de milagres e de reações a Jesus e Seu ensino
a fim de demonstrar tanto a intensificação da rejeição dos judeus a Ele quanto o
aprofundamento do Seu compromisso para com aqueles que O haviam recebido como
Messias, quer judeus ou gentios.
A primeira seção lida com a primeira retirada de Jesus (13.54 - 16.12). Sua rejeição
em Nazaré confronta o leitor com a típica incredulidade judaica e o alastramento da
rejeição (13.54-58).
A referência
autor à reação de
quanto à divindade doHerodes
Messias,àscontrastando
notícias sobre Jesus é outro
o judaísmo indício
oficial - quedado pelo que
afirmara
Jesus era energizado por Satanás - com a opinião do ímpio rei Herodes Antipas, que
podia reconhecer o caráter sobrenatural dos milagres de Cristo, embora de maneira
confusa e contrária à verdade revelada (14.1-12).
Mesmo tendo sido desprezado pela nação, Jesus continua a revelar indícios de Sua
messianidade e de Seu amor por Israel. A primeira multiplicação dos pães mostrou
Cristo como um novo Moisés, capaz de suprir muito além das necessidades de Seu povo
(14.13-21).
O acalmar da tempestade foi um incidente dirigido especialmente aos doze
discípulos. Preparou-os para mais tarde tomarem posição quando à divindade de Jesus.
Ainda não houve aqui um pleno reconhecimento da divindade, mas este incidente teve,
sem dúvida, influência na posterior confissão de Pedro (14.22-33).
A descrição
princípio, do ministério
uma vez de Cristo
que as multidões em Genesaré
acorreram (14.34-36)
para ver Jesus. Naparece positiva
verdade, ela a
simplesmente reflete a tendência verificada antes, de multidões acorrerem até onde
Jesus estava apenas para se beneficiarem de Seu ministério de curas, sem qualquer
interesse em Sua pessoa ou Seu programa.
O conflito aberto com a liderança irrompeu uma vez mais sobre a questão da tradição
oral (15.1-20). A esta altura, a oposição já havia ganho em intensidade, pois vinha
diretamente de Jerusalém. A chave do parágrafo, e talvez de toda a seção é a citação de
Isaías: ―Este povo me honra com seus lábios, mas o seucoração está longe de mim. Em
vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens‖ (15.8-9; cf. Is
29.13). Uma vez mais Jesus instou Seus seguidores a se desassociarem dos falsos
ensinos dos fariseus - insistindo numa justiça interior como fizera no Sermão do Monte.
O problema da contaminação, que Jesus definiu como um problema do coração, não
das mãos,deé sua
despeito contrastado
condiçãodedemaneira bela, pela impura
cerimonialmente narrativa da mulher
como gentia,siro-fenícia,
não abriu mãoquedea sua
oportunidade de exercitar fé no Messias (15.21-28), e pela reação do populacho gentio,
que glorificou o Deus de Israel (15.31).
A segunda multiplicação dos pães faz eco a essa bela resposta gentia, demonstrando
a maneira em que Jesus, como Messias, tem tanto a misericórdia quanto o poder para
estender Suas bênçãos a todo o mundo (15.21-39).
O fariseus, sempre presentes, agora se associam a seus arquiinimigos, os saduceus e
renovam seu ataque contra Jesus quando Ele retorna do território gentio, solicitando
dEle um sinal milagroso, vindo diretamente do céu, com a intenção de expo-lo ao
ridículo. Desta vez, todavia, Jesus já não tem paciência com sua hipocrisia e
incredulidade. Parte definitivamente ( αηαιείσ Kataleipō), deixando a elite religiosa
de Israel a sós com Sua acusação de adultério espiritual e incapacidade de perceber os
sinais dosa tempos,
de Jesus que apontavam
Seus discípulos, para
portanto, Ele como
é contra o Messias
o tipo prometido.
de incredulidade A advertência
disfarçada de
religiosidade, frequentemente demonstrada pelos escribas e fariseus (16.1-12).
Dentro do propósito do livro, a divisão seguinte (16.13 - 19.2) desempenha o
importante papel de apresentar instruções aos discípulos sobre a vida nesta nova fase do
programa divino para o Reino. Uma questão crucial para o assunto de como viver nas
circunstâncias causadas pela rejeição do Messias era uma compreensão correta de quem
realmente era Jesus de Nazaré. Mateus 16.13-17 revela o coração do Evangelho - o fato
de que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. Ao contrário de declarações prévias, a
inferência direta da confissão de Pedro é a divindade do Messias.
A revelação sobre a pessoa do Rei leva à revelação sobre o Seu programa (16.18-26),
que serve ao propósito de explicar a necessidade da cruz. Nesta passagem encontramos
pela primeira vez o conceito de um intervalo até o pleno estabelecimento do Reino, à
medida que Jesus apresenta Suaἐιζία [ekklēsia], a assembléia messiânica. Essa
ἐιζία desfrutaria a autoridade do Messias e acabaria por derrotar Satanás, vencendo
atrazer
morte. Comoaorepresentante
homens doso período
Reino durante apóstolos,
emPedro teriapovoado
que seria um papel
napreponderante
nova fase do em
programa divino.
É somente aqui (cf. ηόηε ἤξμαην [tote ērxato]) que Jesus começa a confrontar os
discípulos com o fato de que o programa divino para o Reino incluía a morte e a
ressurreição do Rei. Não havia, entre os discípulos, uma noção clara de que o Reino
teria que ser oferecido com base na morte do Messias (cf. 1.21). Por isso Pedro se
apressa a contradizer as palavras de Jesus e recebe uma severa repreensão do Mestre
(16.21-23).
O aspecto aplicativo dessa verdade é que não cabe apenas a Jesus levar a cruz, mas
as exigências do discipulado incluem uma cruz para todos os que desejam segui-lo. Para
aqueles que o fizerem, o estabelecimento do Reino será um tempo de recompensa.
A seguir, Mateus acrescenta mais revelação sobre o Reino vindouro (16.28 - 17.13).
A transfiguração
apareceu em Seu serviu
estado como uma prévia
glorificado, do Reino
com santos do vindouro, uma vez que
Antigo Testamento. Cristo
A declaração de
Jesus sobre uma vinda futura e uma vinda passada de Elias confirma o propósito de
Mateus de demonstrar que o Reino viera e fora rejeitado, mas que seria oferecido mais
uma vez no futuro.
A seção seguinte, que combina material narrativo e didático, esboça as prioridades do
Rei para Seus discípulos até a vinda do Reino. Os princípios aqui contidos incluem a
necessidade de fé (17.14-21), a necessidade de evitar ofensas aos descrentes por amor
ao Reino (17.22-27), a necessidade de humildade e de cuidado para com outros crentes
(18.1-14), a necessidade de disciplina na igreja (18.15-20), e a necessidade de perdão
entre os crentes (18.21-35).
O indicador literário em 19.1 indica que uma nova fase no ministério de Jesus estava
prestes a começar. Depois de terminar Suas instruções aos discípulos sobre a
comunidade de crentes,que
ministério messiânico, Jesus partiu para
continuou o sul aa fim
a incluir de enfrentar
misericórdia aosacarentes
consumação de Seu
(19.2).
VI. A apresentação oficial e
a rejeição definitiva do Rei (19.3 - 25.46).
Enquanto Jesus viajava em direção ao sul para Jerusalém, usou incidentes ao longo
do caminho para ensinar a Seus discípulos certos princípios que afetariam suas vidas
como súditos do Reino, mas também se aplicavam às presentes condições de Israel em
sua rejeição ao Rei. O casamento deveria ser permanente, mas Israel havia rejeitado esta
verdade em favor de um divórcio fácil (19.3-9); o discipulado tem um alto custo em
vista de outras responsabilidades da vida, como o casamento (19.10-13); uma
humildade e confiança infantis deveriam substituir arrogância e autoconfiança baseadas
na raça como pré-requisitos para entrada no Reino (19.13-15).

queArevela
mais dramática dessas
as duas coisas emlições
que osfoiisraelitas
o encontro deconfiavam
mais Jesus compara
o jovem
entrarrico
no eReino
piedoso,
-
justiça baseada em obras e riqueza - não podiam garantir salvação. A lição de Jesus aos
discípulos é que o compromisso da própria pessoa e das suas riquezas ―com o Reino‖ é
uma indicação melhor de um relacionamento correto com Deus. Esse tipo de auto-
negação será recompensado quando o Reino for estabelecido na terra (19.16 - 20.16).
O quarto anúncio da morte de Jesus é feito no contexto de uma disputa sobre o lugar
de honra no Reino. Ao apresentar o fato de que Sua morte será um resgate por muitos
(20.28), Jesus confronta o persistente desejo dos discípulos de receberem honra em
lugar de serviço, que era o padrão que o Messias exemplificara diante deles. As sete
profecias específicas de Jesus sobre Sua morte vindoura também sugerem que o plano
de Deus para o Reino não fora alterado pela rejeição israelita, e que a cruz não era um
acidente.
O último estágio da viagem de Jesus a Jerusalém contém uma narrativa que parece
incidental, mas que tem grande significado à luz dos eventos que se seguiram. Trata-se
de umaum
Davi, polêmica, pois Mateus
título claramente apresenta enquanto
messiânico, dois cegosos―vendo‖
líderes Jesus como
da nação o Filho de cegos
permanecem
à incrível realidade.
Mateus 21.1-17 contém a apresentação oficial do Rei na cidade real. O conteúdo
obviamente messiânico dessa passagem não pode ser ignorado. Jesus se esforçou para
fazer Sua aparição tão próxima quanto possível da profecia de Zacarias 9.9, não com o
propósito de enganar o povo, mas de cumprir a Palavra da Deus a respeito dEle. O
versículo cinco é a chave de toda a passagem, uma vez que informa aos leitores as
expectativas básicas da multidão que acompanhava Jesus no caminho para Jerusalém.
Embora conhecesse parcialmente as reivindicações messiânicas de Jesus, a multidão
ainda está longe de compreender completamente Sua natureza e mensagem (21.1-11).
Seu conceito de um Rei é apenas o de Guerreiro-Libertador, não de um servo sofredor.
O primeiro e único ato de Jesus como ―Rei‖ é a segunda purificação do Templo, que
cria mais umO choque
as crianças louvam,entre Ele e os
os líderes interesses
reagem escusos dos
negativamente porlíderes religiosos.
se sentirem Enquanto
ameaçados por
Sua popularidade.
A seção seguinte teve o propósito de destacar a natureza definitiva e a mutualidade
da rejeição. Mateus 21.18-22, associado às parábolas de 21.28-32 e 21.33-46, demonstra
que a falta de resposta de Israel à revelação de Jesus causara ao povo escolhido a sua
rejeição como herdeiros imediatos do Reino.
O outro lado dessa mútua rejeição é a longa narrativa da rejeição da autoridade de
Cristo pelos líderes (cf. 21.23-27), autoridade que não podem negar mas se recusam a
aceitar como vinda de Deus. Cada uma das parábolas anteriores apresentava os líderes
religiosos como opositores da vontade de Deus revelada em Cristo. Os encontros que se
seguiram colocaram Cristo face a face com Seus adversários, a quem Ele silenciou ao
responder sabiamente às perguntas cujo propósito era fazê-lo cair numa cilada ético-
religiosa.
Mestre com A improvável
a questão doassociação de fariseus
tributo a César e herodianos
(22.15-22), ao passofalhou
que osaocínicos
confrontar o
saduceus
foram derrotados ao interrogarem Jesus sobre a ressurreição em que nem acreditavam
(22.22-33). As credenciais de Cristo como Rabi se demonstraram inatacáveis com Sua
resposta sobre o maior dos mandamentos (22.34-40). O resultado final dessas
confrontações foi a absoluta admiração das multidões com o ensino de Jesus, um
fenômeno semelhante ao observado depois do Sermão do Monte. Mateus registra esse
fato para uma vez mais chamar atenção à superioridade de Jesus sobre os líderes
religiosos de Israel.
O conflito sobre a autoridade de Cristo termina quando os líderes são forçados a
evitar o inevitável, o reconhecimento de Sua divindade (22.41-46). Completamente
cegos por sua incredulidade, uma vez mais eles tramam a morte de Jesus, ainda que
temendo a reação das multidões.

no O capítuloda23figueira
incidente contéminfrutífera,
a seqüênciamas
à rejeição do Rei pela
aqui a questão nação.
é tratada Issoclaramente.
mais já fora antevisto
O Rei
rejeitado agora rejeita a nação.
Em Sua acusação, Jesus dá importância primordial à Lei que viera cumprir. A
acusação básica contra os líderes religiosos era sua hipocrisia, seu fingimento de seguir
a Lei enquanto ignoravam completamente seu ingrediente básico - o amor ao próximo.
O peso da condenação de gerações anteriores seria lançado sobre aquela geração
hipócrita que, ao rejeitar o Rei, dava sua aprovação ao juízo contra aqueles que haviam
assassinado os profetas da antiguidade (23.29-36).
Apesar dessa acusação aos líderes, toda a nação será culpada de rejeitar o Messias,
conforme indicado pelo lamento sobre Jerusalém (23.37-39). Mateus relata esse
incidente aqui, fora de sua seqüência cronológica cf.
( Lc 13.34), para indicar a realidade
de uma nova oferta futura do Reino a Israel. Um dia, gritos de Hosana! voltarão a ser
ouvidos em Jerusalém.
A próxima
apropriado que,seção
à luzcontém o último
de Israel ter sidodiscurso depelo
rejeitado JesusRei,
no Ele
evangelho de Mateus.
instruísse É bem
Seus discípulos
sobre o que esperar no futuro, tendo em vista especialmente a reabilitação de Israelcf.(
23.39).
O discurso em si é uma resposta a duas perguntas formuladas pelos discípulos.
―Quando acontecerão essas coisas?‖, isto é, o juízo sobre Jerusalém e a destruição do
Templo (cf. 23.35-38; 24.4-28), e ―Qual será o sinal da tua vinda e do fim dos tempos?‖
A primeira sub-seção (24.4-28) deixa claro que a destruição de Jerusalém não será o
fim.18 Jesus a seguir responde à segunda pergunta (Lucas registrou Sua resposta à
primeira pergunta). Para os discípulos, o tempo do fim será um período de perseguição,
mas também de produtividade enquanto levam o evangelho do Reino a todo o mundo.
Será o tempo da abominação da desolação e a era áurea dos falsos messias. Jesus os
adverte, todavia, de que não será possível ignorar a Sua vinda, apesar do enxame de
falsos
Emprofetas
vista de que se abateráde
seu propósito sobre Israel os
informar (24.27-28).
cristãos sobre o programa para o Reino,
Mateus registra a advertência de Jesus quanto à diferença entre Sua aparição e a dos
falsos messias. Sua vinda será algo tão tremendo que pessoa alguma será capaz de
ignorar. Ela acontecerá depois de um período de tribulação que culminará com a reunião
dos eleitos em Israel.
A preocupação de Jesus com a atitude adequada dos Seus discípulos leva-O a ilustrar
a necessidade de vigilância com cinco parábolas. A implicação é que eles não devem
viver despreparados como Israel estivera quando de Sua primeira vinda. Ao passo que a
primeira parábola (a da figueira, 24.32-35) fala da iminência da vinda do Rei à luz dos
eventos da tribulação, todas as outras parábolas implicam uma demora no Reino, de
acordo com o propósito do livro. A falta de preparo generalizada que caracterizara a
geração de Noé deveria ser substituída por uma atitude de alerta (24.42-44), serviço fiel
(24.45-51),
um de Seus prontidão
discípulos(25.1-13), e diligência no uso do que o Messias confiara a cada
(25.14-30).
A última subdivisão do Sermão Profético lida com o julgamento das nações (25.31-
46), e ocupa nêle uma posição de climax,, uma vez que se trata do prelúdio do
estabelecimento do Reino adiado. Jesus estabelece uma correlação entre a vida eterna e
o Reino (v. 46), e oferece uma indicação de que tal Reino era o ideal de Deus para a
humanidade desde a fundação do mundo. A questão tratada na passagem é quem, dentre
os gentios, será aprovado para entrar no Reino para o qual os israelitas eleitos já tinham
sido reunidos (os que foram deixados em 24.31, 40-41, a passagem que antecede
tematicamente a 25.31-46).
A conclusão deste discurso é dramática, à medida que Jesus passa do limiar do Reino
à chocante realidade de Sua crucificação iminente. No entanto, o primeiro é
inteiramente dependente da última, e Mateus descreve Jesus como Aquele que enfrentou
a morte com uma sensação de propósito e destino (26.1-2).

18
Os eventos descritos por Jesus neste capítulo são paralelos próximos da ordem de
eventos em Apocalipse 6, apresentando assim uma visão unificada da Grande Tribulação.
Seções posteriores nesses dois capítulos têm paralelos nos juízos escatológicos preditos em
Ezequiel 20 [Israel] e Joel 3 [nações].
VII. A crucificação e a ressurreição do Rei ( 26.3 - 28.20).
À medida que Mateus começa a descrever os eventos relacionados à morte de Jesus
Cristo, ele cria um verdadeiro estudo em contrastes para seus leitores, antepondo às
sinistras maquinações dos líderes judeus e Judas Iscariotes o serviço sincero e a
adoração da mulher em Betânia e do proprietário da casa em que a última Páscoa seria
celebrada (26.3-19).

queOJesus
publicano-que-virou-Apóstolo
conhecia e controlava cadadescreve
situaçãoaligada
Páscoaà de
Suamodo a indicar
morte, claramente
inclusive a traição de
Judas e as negações de Pedro (26.20-35). O versículo 27 indica que outros ainda viriam
a ser beneficiários da Nova Aliança até que o Reino fosse finalmente estabelecido.
Jesus aparece como um servo plenamente submisso à vontade de Deus (26.36-46).
Depois de orar, Jesus está pronto a enfrentar Seu destino, a cruz.
A prisão e o julgamento de Jesus foram descritos por Mateus de modo a sugerir que
mesmo na hora mais escura o Rei manteve Sua incomparável majestade e dignidade,
enquanto que, por outro lado, Seus vários julgamentos ilegítimos servem apenas para
ressaltar Sua absoluta inocência (26.47 - 27.26). A decisão final quanto a Jesus já fora
tomada muito antes do julgamento, e não precisava de provas adicionais para receber
sua sanção legal.
1. Perante Anás João 18.12-14
2. Perante Caifás Mateus 26.57-68
3. Perante o Sinédrio Mateus 27.1-2
4. Perante Pôncio Pilatos João 18.28-38
5. Perante Herodes Antipas Lucas 23.6-12
6. Perante Pôncio Pilatos João 18.39 - 19.6
3. ORDEM CRONOLÓGICA DOS JULGAMENTOS
Uma tremenda polêmica, que segue a linha do tema do Evangelho de Mateus, é que
as duas acusações contra Jesus convergem para formar o propósito do primeiro
evangelho - que Jesus era o Messias, o Filho de Deus, o Rei de Israel (26.63; 27.11, 37).
Mateus dá seqüência ao seu estudo em contrastes apresentando as diferentes reações
de Pedro e Judas aos eventos que se seguiram ao Getsêmani (26.69 –27.10). A negação
covarde, seguida de arrependimento, deu lugar à recuperação. A traição cínica, seguida
de remorso, levou à ruína. Com isso, Mateus sugere que ainda há esperança para judeus
como indivíduos, a despeito da rejeição nacional, que atinge sua hora mais crítica
quando a nação grita em favor de um criminoso condenado e pede a crucificação do
verdadeiro Rei de Israel (27.11-26).

A apologética de Mateus em favor da messianidadde de Jesus é fortalecida por


alusões ao Antigo Testamento (veja quadro número 4) com respeito à Sua crucificação
(27.27-50). Ele também enfatiza que a morte de Jesus foi voluntária, implicando que a
autoridade de Jesus se estendia além da morte.
Ref. no AT Evento descrito Passagem no NT
27.26 Jesus é açoitado Isaías 53.5
27.34 Recebe fel para beber Salmo 69.21
27.35 Sortes são lançadas por suas roupas Salmo 22.18
27.38 Esteve com os criminosos em Sua morte Isaías 53.12
27.43 Zombam dele por Sua fé em Deus Salmo 22.8
27.46 Pede auxílio divino Salmo 22.1
27.48 Recebe vinagre para beber Salmo 69.21
27.59 Esteve com o rico em Seu sepultamento Isaías 53.9
4. REFERÊNCIAS AO AT NA CRUCIFICAÇÃO DE JESUS
Outro forte elemento apologético se acha nos eventos sobrenaturais ligados à morte
de Cristo (27.51-56). O rasgo do véu do Templo indicava a ab-rogação do sistema
religioso judaico. O tremendo poder da redenção de Cristo foi demonstrado na
ressurreição de judeus piedosos. A última alfinetada apologética de Mateus contra os
líderes judeus é a ênfase na aceitação de Jesus pelos gentios, demonstrada pelo
reconhecimento de Jesus pelo centurião (27.54), em contraste com a zombaria dos
judeus contra o Rei.
Há uma alusão sutil à profecia de Isaías sobre o Servo Sofredor na narrativa do
sepultamento de Jesus (27.57-66). Quanto às exigências dos judeus a Pilatos, Mateus as
usa como mais uma afirmação do glorioso poder o Messias sobre a morte; os líderes
judeus temiam a própria verdade que haviam rejeitado!
O ponto culminante da carreira messiânica de Jesus aparece em 28.1-20. Aqui
Mateus registrou Sua suprema demonstração de divindade e poder, pois Sua promessa
de ressurreição, muitas vezes mal compreendida, se cumpriu e foi proclamada por um
anjo a duas mulheres, às quais Jesus posteriormente apareceu (28.1-10). A maneira
casual em que Mateus usa duas mulheres como as primeiras testemunhas da
ressurreição revela a autenticidade da narrativa, uma vez que um documento forjado
sem dúvida usaria um testemunho legalmente mais forte (o testemunho de mulheres não
era aceito em tribunais israelitas). Trata-se também do último toque da apologética de
Mateus contra a rejeição israelita, pois ele aponta a farsa engendrada pela liderança na
tentativa fútil de escapar à inescapável realidade da ressurreição (28.11-15).
O último parágrafo do livro (28.16-20) deve ser comparado em primeiro lugar ao
capítulo 10, para a que a mudança seja vista em toda a sua magnitude. Ali (cap. 10),
Cristo, o Filho de Davi, delegou Seu poder para a evangelização de Israel. Aqui, Cristo,
o Filho de Abraão, delega Sua autoridade para a evangelização do mundo.
Em segundo lugar, deve ser comparado ao capítulo 16.17-26, na medida em que
28.18-20 oferece a função e o propósito da Igreja, ou seja, testemunhar a homens de
todas as nações e fazer deles discípulos, ensinando-lhes a obedecerem a Cristo.
A presença e a provisão de Cristo até o fim do tempos sugerem mais que
simplesmente o fim do mundo. À luz do sermão profético, aponta para o
estabelecimento do Reino, do qual a Igreja também participará.

ESBOÇO SINTÉTICO
Mensagem
A rejeição do Rei dos judeus estende as bênçãos do Reino prometido a todas as
nações na expectativa de seu estabelecimento definitivo.
I. O Rei é apresentado à nação como o cumprimento das mais altas esperanças de Israel (1.1
- 4.25).
A. O nascimento e a primeira infância de Jesus indicam a legitimidade de Suas
reivindicações de messianidade e governo em Israel (1.1 - 2.23).
1. A genealogia de Jesus aponta para Sua legítima reivindicação ao trono como descendente
de Abraão e Davi, cumpridor das três alianças fundamentais– abraâmica, davídica e
nova (1.1-17).
2. O nascimento incomum de Jesus aponta para Sua natureza divina e Sua missão salvadora
(1.18-25).
3. A chegada do Rei produz reações contrastantes de antagonismo pelos judeus e adoração
pelos gentios (2.1-12).
4. A oposição de Herodes, o Grande, a Jesus e a fuga de Sua família para o Egito
recapitulam o traço de oposição ao plano de Deus na história de Israel (2.13-18).
5. A fixação da família de Jesus em Nazaré prepara o caminho para o desprezo que Israel
eventualmente devotaria ao Rei (2.19-23).
B. A preparação de Jesus para Seu ministério público envolveu Sua anunciação ao povo
pelo precursor, Sua aprovação pelo Pai, e um ataque pelo inimigo - todos voltados para
expressar Sua qualificação para a tarefa messiânica (3.1 - 4.11).
1. O ministério de João Batista, o precursor prometido, anunciava a aparição do Messias e
convocava a nação ao arrependimento como preparação para o Reino (3.1-12).
2. O batismo de Jesus O identificou como Aquele que fora aprovado por Deus e ungido
pelo Espírito para a tarefa messiânica (3.13-17).
3. A tentação no deserto demonstrou as qualificações morais de Jesus para ser o Messias
redentor, capaz de vencer os ataques de Satanás com base na Palavra da Deus (4.1-11).
C. O surgimento de Jesus como um rabi itinerante sugere Seu papel messiânico por Sua
localização, Sua mensagem, e por Seu poder de atrair seguidores e curar os enfermos
(4.12-25).
1. A localização do ministério inicial de Jesus aponta para Sua missão messiânica (4.12-16).
2. A mensagem do ministério inicial de Jesus aponta para Sua auto-consciência messiânica
(4.17).
3. O poder que a mensagem de Jesus tinha de atrair seguidores e curar os enfermos aponta
para Sua messianidade (4.18-25).
II. O Rei proclama Sua mensagem autorizada à nação - Acesso ao Reino depende de uma
verdadeira justiça interior baseada na fé no Rei, expressa por obediência à Sua palavra
(5.1 - 7.29).
A. Os verdadeiros súditos do Reino desfrutarão das bênçãos prometidas do Reino à medida
que desempenham seu papel vital na sociedade pré-Reino (5.1-16).
1. Os verdadeiros súditos do Reino, que demonstram o caráter justo do Rei, serão
recompensados de acordo com a Palavra de Deus no Reino vindouro (5.1-12).
• Os humildes entrarão no Reino (5.1-3; cf. Is 57.15; 66.2; Sl 51.17).
• Os verdadeiros lamentadores serão consolados (5.4; cf. Is 61.2-3; Zc 12.10-14).
• Os mansos herdarão a terra (5.5; cf. Sl 37.11; Is 29.18-20).
• Os que anseiam por justiça serão satisfeitos (5.6;cf. Is 55.1; 66.1-2).
• Os misericordiosos receberão misericórdia (5.7; cf. Sl 18.25).
• Os puros de coração verão a Deus (5.8; cf. Sl 15.2-3; 24.3-5).
• Os pacificadores desfrutarão da paz do Reino (5.9; cf. Is 32.17-18).
• Os que forem perseguidos por amor ao Reino receberão pleno galardão (5.10-12; cf. Dn
7.25-27).
2. Os verdadeiros súditos do Reino agirão na sociedade como motivadores de uma ânsia
pela manifestação do Reino (5.13-16).
B. A justiça exigida para entrada no Reino é de acordo com a Lei divina, mas se encontra na
obediência de coração ao espírito da Lei, não numa pretensa conformidade externa à
letra da Lei (5.17 - 7.12).
1. Os requisitos éticos do Rei não estão em contradição com a Lei, oferecendo, isto sim, seu
verdadeiro cumprimento (5.17-20).
2. A justiça do Reino é exemplificada pela interpretação que o Rei oferece de seis princípios
da Lei, em contraste com tradições judaicas a seu respeito (5.21-48).
• O homicídio acontece quando o coração abriga o ódio deliberadamente (5.21-26).
• O adultério acontece quando os olhos disparam a cobiça no coração (5.27-30).
• O casamento não é um contrato que termina com uma carta de divórcio, mas um
compromisso de buscar o bem do cônjuge em lugar de expô-lo ao mal (5.31-32).
• A veracidade não é questão de quão solenes sejam os votos, mas de coerência entre as
ações e as palavras do indivíduo (5.33-37).
• Mansidão não é questão de obedecer àlex talionis, mas de abrir mão de direitos pessoais
[dependendo da ação de Deus] (5.38-42).
• O amor não é um sentimento limitado aos que o reciprocam, mas um dever a ser estendido
até os inimigos (5.43-48).
3. A justiça do Reino é aplicada à vida cotidiana em contraste a práticas judaicas vigentes
(6.1 - 7.12).
• Atividades religiosas não devem ser praticadas de maneira autocongratulatória, mas de
modo discreto, de modo a receber a recompensa que realmente importa (6.1-18).
• Recursos não devem ser acumulados mas consagrados a Deus, que pode suprir as
verdadeiras necessidades daqueles cuja primeira preocupação é Seu Reino (6.19-34).
• Relacionamentos devem ser governados por dependência em Deus como juiz e provedor,
que capacitará o indivíduo a tratar e avaliar corretamente outras pessoas (7.1-12).
C. A justiça do Reino deveria ser a primeira prioridade para aqueles que aspiram a uma
vida sob a autoridade messiânica de Jesus (7.13-27).
1. A Ilustração dos dois caminhos– A lealdade não deveria ser determinada pelo número de
pessoas que seguem pelo caminho proposto para a vida, pois o caminho do Messias não
será favorecido pelas multidões (7.13-14).
2. A Ilustração das duas árvores - A lealdade não deveria ser medida em termos de um
condicionamento verbal às circunstâncias, mas de conformidade prática à vontade de
Deus (7.15-23).
3. A Ilustração das duas casas– A lealdade não é questão de conscientização intelectual do
Reino [que não pode impedir a ruína], mas de sua apropriação interior [que conduz à
recompensa] (7.24-27).
D. A autoridade inerente ao ensino do Rei atrai as multidões (7.28-29).
III. O Rei atesta Sua mensagem e Sua chamada ao discipulado com demonstrações de Seu
divino poder (8.1 - 11.1).
A. A autoridade messiânica de Jesus e Sua chamada ao discipulado são apoiadas por três
séries de milagres (8.1 - 9.38).
1. A autoridade messiânica de Jesus é demonstrada por três milagres de cura (8.1-17).
• A cura do leproso revela o poder incomum de Jesus, bem como Sua compaixão e Sua
obediência à Lei como um testemunho aoestablishment religioso (8.1-4).
• A cura do servo do centurião revela a importância da fé em Cristo para o desfrute das
bênçãos liberadas por Seu poder messiânico (8.5-13).
• A cura da sogra de Pedro e de muitos outros revela a compaixão de Jesus e a natureza
messiânica de seu ministério de cura, que será plenamente consumado no Reino (8.14-
17).
2. Jesus confronta Seus seguidores em potencial com os requisitos do discipulado (8.18-22).
• Um discípulo messiânico deve compromissar-se a ponto de abrir mão de seu conforto
(8.18-20).
• Um discípulo messiânico deve compromissar-se sem quaisquer reservas ou transigências
(8.21-22).
3. A autoridade messiânica de Jesus é demonstrada por três milagres de poder (8.23 - 9.8).
• O acalmar da tempestade aponta para as prerrogativas divinas de Jesus como Messias
(8.23-27).
• O exorcismo dos endemoninhados revela o poder divino de Jesus, que é reconhecido até
pelos demônios, apesar de rejeitado pelos gergesenos (8.28-34).
• A cura do paralítico revela a divindade de Jesus apesar de rejeição deliberada de tal idéia
pela liderança religiosa (9.1-8).
4. Jesus apresenta a natureza distinta do discipulado messiânico (9.9-17).
• O discipulado é para aqueles que se consideram necessitados da ajuda do Messias,

• O conforme
discipuladoilustrado por Mateus,
representa o publicano
uma ruptura radical (9.9-13).
com a antiga confiança na tradição humana
em favor de lealdade exclusiva ao Messias (9.14-17).
5. A autoridade messiânica de Jesus é demonstrada por quatro milagres [três eventos] de
restauração (9.18-34).
• A cura da mulher hemorrágica e a ressurreição da filha de Jairo revelam o poder de Jesus
sobre a vida [sangue] e a morte (9.18-26).
• A restauração da vista aos cegos revela o poder que Jesus tem de recompensar a fé nEle
(9.27-31).
• A cura da surdez causada por demônios revela o poder inigualável de Jesus e a crescente
incredulidade dos líderes judeus (9.32-34).
6. Jesus confronta os discípulos com a necessidade que tinham de compaixão pelas massas
desvalidas de Israel (9.35-38).
B. A comissão dos discípulos como representantes messiânicos
enviados exclusivamente à casa de Israel indica que Jesus fez uma oferta legítima do
Reino à nação (10.1 - 11.1).
1. A investidura dos discípulos pelo Rei deu a eles autoridade apostólica (10.1-4).
2. As instruções aos discipulos definem o escopo de sua missão, o assunto de sua
mensagem, os sinais de seu apostolado messiânico, e os símbolos de sua resposta
mediatória a seus ouvintes (10.5-16).
3. Os impedimentos à missão dos discípulos seriam a reação humana à sua mensagem e seu
próprio desejo de se protegerem dos riscos inerentes à sua tarefa (10.17-39).
4. O incentivo aos discípulos era a promessa de que alguns receberiam a eles e à sua
mensagem, recebendo assim a recompensa prometida pelo Rei (10.40-42).
5. Um resumo do ministério de Jesus é fornecido (11.1).
IV. O Rei enfrenta crescente oposição da liderança judaica à medida que Suas exigências
contrariam as tradições religiosas (11.2 - 13.53).
A. A oposição se manifesta primeiro nas dúvidas do Precursor quanto ao caráter e à missão
de Jesus, os quais Ele confirma prontamente por meio de milagres messiânicos (11.2-6).
B. A oposição se reflete a seguir na maneira ilógica em que a nação nega tanto o severo
pregador do deserto quanto o sociável rabi da Galiléia (11.7-19).
1. A atitude da nação para com João Batista estava errada (11.7-8).
2. A avaliação que a nação fizera de João Batista e sua missão estava errada (11.9-15).
3. A reação de Israel ao ministério conjunto do Rei e Seu Precursor era errada e ilógica
(11.16-19).
C. A oposição por incredulidade nacional é contrastada com a confiante recepção individual
da oferta de descanso [vida do Reino] pelo Messias (11.20-30).

1. Atornarão
oposição pela incredulidade
o juízo é lamentável
severo e inevitável à luz das muitas provas oferecidas, que
(11.20-24).
2. A recepção confiante será recompensada com o conhecimento de Deus e o descanso para
a alma (11.25-30).
D. A oposição progride até se tornar rejeição aberta quando a demonstração da autoridade
do Rei gera tramas assassinos e acusações destrutivas contra Ele pela liderança nacional
(12.1-45).
1. O Rei condena o zelo espúrio com que os fariseus observavam o sábado (12.1-14).
• O zelo dos fariseus pela tradição do sábado é contrastado com seu descaso para com a
necessidade humana (12.1-8).
• O zelo dos fariseus pela tradição do sábado é contrastado com sua insensibilidade para
com o sofrimento humano (12.9-14).
2. Oprofecia
Rei se afasta do (12.15-21).
de Isaías debate e ministra às necessidades das pessoas, de acordo com a
3. A oposição da liderança a Jesus é refletida na controvérsia sobre a srcem dos sinais que
Ele realizava (12.22-45).
• A ocasião desta controvérsia são as especulações messiânicas do povo causadas pelo
tríplice milagre da cura de um endemoninhado cego e mudo (12.22-23).
• A oposição dos líderes a Jesus, quando confrontados com Seu tríplice milagre, levou à
maldosa acusação de que Seu poder derivava de Satanás (12.24).
• A resposta de Jesus foi uma denúncia da incoerência dos líderes e uma advertência contra
a rejeição do testemunho do Espírito Santo sobre Sua pessoa por meio de Seus milagres
(12.25-37).
4. A oposição da liderança a Jesus se intensifica na controvérsia sobre o sinal que
solicitaram (12.38-45).
• O cínico pedido da liderança foi por um sinal cataclísmico que tinha como objetivo
desacreditar Jesus (12.38).
• A resposta de Jesus foi uma condenação de sua hipocrisia e incredulidade, contrastadas
com respostas históricas de fé por parte de gentios (12.39-42).
• A advertência de Jesus à nação é que sua presente incredulidade levaria a uma situação
espiritual ainda pior que a anterior [à manifestação do Messias] (12.43-45).
• A advertência adicional de Jesus às multidões é que somente a lealdade exclusiva a Deus
por meio dEle, não os laços de sangue, poderia garantir participação no Reino (12.46-
50).
B. A oposição proporciona uma mudança na revelação do programa de Deus para o Reino -
passando de proclamação aberta à nação para o ensino particular dos discípulos (13.1-
53).
1. A parábola dos solos retrata a resposta variada de Israel ao Rei e a necessidade de receber
Sua mensagem para produzir fruto no Reino (13.1-23).
• A parábola é apresentada (13.1-9).
• O propósito das parábolas é apresentado - confirmar Israel em sua rejeição e instruir os
discípulos (13.10-17).
• A parábola é explicada aos discípulos (13.18-23).
2. A parábola do trigo e do joio retrata a rivalidade entre o verdadeiro Reino e um Reino
falso até o juízo escatológico (13.24-30, 36-43).
3. A parábola do grão de mostarda explica como o Reino crescerá até atingir proporções
universais apesar de seu humilde começo devido à rejeição de Israel (13.31-32).
4. A parábola do fermento explica como o Reino crescerá dinamicamente, mas sem
grandiosidade exterior (13.33-34).
5. A parábola do tesouro escondido indica quanto valor o israelita deveria dar ao Reino
(13.44).
6. A parábola do mercador de pérolas indica quanto valor o israelita deveria dar ao Reino
(13.45-46).
7. A parábola da rede indica que a proclamação do Reino produzirá resultados mistos até o
juízo escatológico (13.47-50).
8. A parábola do sábio dono da casa indica o tipo de comportamento que os discípulos
deveriam ter em sua vivência do Reino - aplicar verdades antigas e novas sobre o Reino
(13.51-52).
V. A atenção do Rei se volta para a preparação de Seus representantes autorizados (13.54 -
19.2).
A. Uma razão para a mudança da proclamação pública para a retirada e a instrução
particular foi a rejeição do Rei em Nazaré com escárnio e incredulidade (13.54-58).
B. Outra razão para a mudança da proclamação pública para a retirada e a instrução
particular foi a ameaça de Herodes Antipas, que tinha executado João Batista a despeito
de sua admiração pelo Precursor (14.1-12).
C. A preparação dos discípulos acontece por meio de milagres que revelam a compaixão, o
poder e a divindade do Rei (14.13-36).
1. A primeira multiplicação dos pães revela o poder e a compaixão de Jesus para com um
povo desvalido (14.13-21).
2. O acalmar da tempestade revela aos discípulos a divindade de Cristo e a necessidade de
fé inabalável nEle (14.22-33).
3. O ministério em Genesaré revela o poder de Jesus e Sua compaixão por pessoas que O
procuravam apenas pelo que poderiam obter dEle (14.34-36).
D. A preparação dos discípulos acontece pela denúncia do falso sistema de justiça e pureza
utilizado pelos fariseus (15.1-20).
1. A questão da purificação externa foi uma fachada para acusação contra Jesus por oficiais
vindos de Jerusalém (15.1-2).
2. A resposta de Jesus revela a natureza do problema de Israel - abandonar a Palavra de
Deus em favor das tradições humanas, conforme denunciado pelos profetas (15.3-9).
3. A natureza da verdadeira contaminação e da verdadeira pureza perante Deus é explicada
à multidão e depois aos discípulos (15.10-20).
E. A preparação dos discípulos acontece pelo prolífico ministério entre os gentios, num
contraste marcante com a falta de resposta positiva em Israel (15.21-39).
1. A cura da filha da cananita retrata o triunfo da fé sobre a contaminação cerimonial
(15.21-28).
2. As curas e a segunda multiplicação dos pães provocam louvor ao Deus de Israel pela
extensão das bênçãos messiânicas aos gentios (15.29-39).
F. A preparação dos discípulos acontece pela denúncia da hipocrisia dos fariseus ao
pedirem sinais, desprezando a evidência já disponível (16.1-12).
1. O pedido dos fariseus por um sinal do céu é confrontado por Jesus com um sinal
oferecido pelos céus como uma denúncia da hipocrisia dos líderes (16.1-4).
2. A instrução dos discípulos é que creiam no poder da palavra de Cristo e não se tornem
hipócritas caçadores de sinais (16.5-12).
G. A preparação dos discípulos acontece pelas revelações sobre a pessoa do Rei e Seu
futuro programa (16.13 - 19.2).
1. O Rei oferece revelação sobre Sua pessoa e Seu programa (16.13-28).
• A pergunta sobre a identidade de Jesus é respondida por Pedro por meio de uma revelação
vinda de Deus - Jesus é o Messias divino (16.13-17).
• A revelação do programa do Rei inclui a criação de Sua ειεζία ekklēsia e a
necessidade de Sua morte e ressurreição (16.18-23).
• A revelação do programa do Rei inclui a exigência de entrega de vida pelo discípulo
(16.24-28).
2. A preparação dos discípulos acontece por meio da revelação da glória divina do Messias
e da Sua aprovação perante testemunhas escolhidas (17.1-13).
• A transfiguração revela a aprovação divina ao Messias e o Seu cumprimento da Lei e dos
profetas (17.1-5).
• A transfiguração proporcionou confirmação da necessidade da cruz no plano de Deus,
conforme indicado pela rejeição a João Batista (17.6-13).
3. A preparação dos discípulos acontece por meio de milagres e ensinos que esboçam as
prioridades do Rei para Seus seguidores (17.14 - 19.2).
• A necessidade de fé é demonstrada pela cura de um menino endemoninhado (17.14-21).
• A realidade da crucificação do Rei é destacada mais uma vez (17.22-23).
• A necessidade de evitar escândalo aos incrédulos por amor ao Reino é demonstrada pela
provisão miraculosa para o tributo do Templo (17.24-27).
• A necessidade de humildade é demonstrada pelo ensino de Cristo quanto à preocupação
dos discípulos com a prioridade no Reino (18.1-6).
• A necessidade de cuidado para com outras pessoas, tanto dentro quanto fora do Reino, é
demonstrada pelo ensino sobre os tropeços (18.7-14).
• A necessidade de disciplina é demonstrada pelo ensino sobre como lidar com o pecado na
ekklēsia (18.15-20).
• A necessidade de perdão mútuo é demonstrada pela parábola do credor incompassivo
(18.21-35).
• A de
necessidade de compaixão
Cristo a caminho mesmo(19.1-2).
de Jerusalém em face da incredulidade é ilustrada pelo ministério
VI. O Rei instrui Seus discípulos e anuncia ao povo Sua pessoa e Seu programa profético à
luz da Sua rejeição definitiva por Israel (19.3 - 25.46).
A. As instruções aos discípulos a caminho de Jerusalém preparam-nos para um discipulado
leal em face da rejeição e crucificação do Messias por Israel (19.3 - 20.28).
1. A instrução aos discípulos quanto ao casamento é que o considerem como permanente
em contraste com o divórcio fácil praticado em Israel (19.3-12).
2. A instrução aos discípulos quanto aos pré-requisitos para entrada no Reino é que
valorizem a humildade e a confiança infantis em vez de arrogância racial e
autoconfiança (19.13-15).
3. A instrução aos discípulos quanto à admissão no Reino é não confiarem em riquezas e
justiça à base de obras (19.16-26).
4. Os discípulos são instruídos quanto às abundantes recompensas no Reino para a
autonegação (19.27 - 20.16).
• O princípio é estabelecido (19.27-30).
• A parábola dos trabalhadores ilustra o princípio da graciosa recompensa no Reino (20.1-
16).
5. A instrução aos discípulos quanto à honra definitiva é que ela vem por meio de um
serviço fiel até à morte, seguindo o exemplo de Jesus (20.17-28).
B. Transição – A tragédia de Israel se manifesta no fato de cegos serem capazes de
identificar Jesus como o compassivo Filho de Davi, enquanto a nação O ignora ou O
rejeita (20.29-34).
C. A apresentação oficial do Rei em Jerusalém resulta em conflitos que evidenciam a
rejeição do Messias por Israel (21.1 - 23.39).
1. Jesus é oficialmente apresentado como Rei-Messias a uma nação ainda indecisa quanto à
sua opinião sobre Ele (21.1-11).
2. A (segunda) purificação do Templo exacerba o conflito entre Jesus e a classe sacerdotal
que se beneficiava do comércio ilícito (21.12-17).
3. A maldição da figueira ilustra a difícil situação de Israel diante de Deus, rejeitado por
falta de fruto digno do Reino (21.18-22).
4. O desafio à autoridade do Rei revela a falência espiritual dos líderes de Israel, exposta
nas parábolas do Rei (21.23 - 22.14).
• O desafio à autoridade do Rei é desmascarado quando Cristo revela a desonestidade
intelectual e espiritual dos líderes em sua avaliação de João Batista (21.23-27).
• As parábolas apresentadas por Jesus enfatizam a progressiva perda de privilégios causada

- A pela incredulidade
parábola e faltarevela
dos dois filhos de receptividade ao Rei
a rejeição dos (21.28
líderes - 22.14). em contraste com a
impenitentes,
aceitação dos pecadores arrependidos (21.28-32).
- A parábola da videira infrutífera revela o severo juízo que Israel receberia por sua longa
história de rejeição espiritual (21.33-46).
- A parábola das bodas revela a rejeição iminente da nação por não se conformar às
exigências do Rei (22.1-14).
5. Os ataques feitos pelos líderes, projetados para enredar o Rei e minar Sua autoridade,
acabam por aumentar o prestígio de Jesus entre o povo comum (22.15-46).
• ataque político pelos fariseus e herodianos falhou quando Jesus invocou a lealdade a
O
Deus como a questão crucial na vida (22.15-22).
• O ataque teológico dos saduceus quanto à ressurreição falhou quando Jesus invocou o
poder de Deus conforme retratado nas Escrituras (22.23-33).
• O apta
ataque escriturísticoa aLei
respeito do grande mandamento falhou quando Jesus resumiu
e prontamente (22.34-40).
• O desmascaramento da falida liderança religiosa de Israel revela sua incapacidade de lidar
com a questão de um Messias divino (22.41-46).
6. A condenação dos líderes religiosos e seu sistema hipócrita pelo Rei põe em destaque a
rejeição de Israel por Deus (23.1-39).
• A religiosidade hipócrita e egocêntrica dos fariseus é denunciada perante o povo que se
deixava seduzir por ela (23.1-12).
• As muitas maneiras farisaicas de demonstrar descaso pelo ingrediente básico da Lei - o
amor leal - são denunciadas em oito ais (23.13-36).
- Sua distorção do meio de salvação designada por Deus é denunciada (23.13).
- Sua dilapidação dos bens das viúvas para seu próprio ganho é denunciada (23.14).
- Sua degeneração dos prosélitos do judaísmo é denunciada (23.15).
- Seu dolo disfarçado por votos altissonantes é denunciado (23.16-22).
- Seu descaso para com a essência da Lei a despeito de sua observância de aplicações
insignificantes é denunciado (23.23-24).
- Sua contaminação interior disfarçada por manifestações exteriores de pureza é denunciada
(23.25-26).
- Sua aparência enganosa de justiça é denunciada (23.27-28).
- Seu desrespeito pelos profetas no passado e no presente é denunciado e ameaçado com
pesado juízo (23.29-36).
• A condenação dos líderes se espalha por toda a nação que rejeitou o Rei (23.37-39).
D. O programa profético para Israel até o retorno do Rei e o estabelecimento do Reino é
delineado no Sermão Profético (24.1 - 25.46).
1. O assunto do Sermão Profético é a preocupação dos discípulos com a predição da
destruição de Jerusalém feita por Cristo e sua relação com o fim dos tempos [=
estabelecimento do Reino messiânico] (24.1-3).19
2. O fim dos tempos será caracterizado por convulsões físicas, sociais e religiosas em todo o
mundo até a vinda do Filho do Homem (24.4-28).
• O fim dos tempos será caracterizado por falso messianismo (24.4-5).
• O fim dos tempos será caracterizado por convulsões sociais e físicas em todo o mundo
(24.6-8).
• O fim dos tempos será caracterizado por produtividade para o evangelho em meio a
apostasia e perseguição (24.9-14).
• O fim dos tempos será caracterizado pelo cumprimento da septuagésima semana profética
[Dn 9.24-27], com crescente pressão sobre Israel para aceitar um falso Messias até que
venha o retorno do Rei (24.15-28).
- A abominação da desolação será manifesta no Templo e causará perseguição generalizada
entre sofrimento
- Haverá os judeus (24.15-20).
e agitação sem precedentes no mundo (24.21-22).
- Haverá uma explosão de falso messianismo (24.23-26).
- Haverá o inconfundível aparecimento do Messias com suas terríveis conseqüências
(24.27-28).
3. A segunda vinda do Messias será um evento súbito para o qual os discípulos deveriam
estar preparados, em contraste com a completa falta de preparação da humanidade em
geral (24.29-51).
• A segunda vinda do Messias será caracterizada por fenômenos celestes e pela aparição do
Seu sinal (24.29-30).
• A segunda vinda do Messias será caracterizada pela reunião de Israel em sua terra (24.30).
• A parábola da figueira ilustra a necessidade de estar atento aos sinais escatológicos em
meio a uma geração indiferente que será levada de roldão no juízo divino (24.32-41).
• A parábola do administrador vigilante ilustra a necessidade de estar preparado (24.42-44).
• A parábola do mordomo insensato ilustra a necessidade de sabedoria e fidelidade à luz da
ignorância quanto ao tempo da volta de Cristo (24.45-51).
4. A segunda vinda do Messias será um tempo de acerto de contas para o qual o povo de
Israel deveria se preparar (25.1-30).
• A parábola das dez virgens ilustra a necessidade de prontidão individual para entrada no
Reino (25.1-13).
• A parábola dos talentos ilustra a necessidade de fidelidade para obter recompensas no
Reino (25.14-30).
5. A segunda vinda do Messias será um tempo de acerto de contas para os gentios com o
fim de determinar se participarão do Reino ou não (25.31-46).
• A gloriosa vinda do Messias será seguida de uma reunião das nações diante dele para
julgamento (25.31-33).

19
Mateus não registra a resposta de Cristo à primeira pergunta dos discípulos, embora deixe
implícito que a destruição de Jerusalém não é o fim. Lucas registra detalhes sobre a destruição
de Jerusalém (Lc 21).
• Aqueles que o Messias considerar comoovelhas [por exercerem sua fé em bondade para
com as testemunhas do evangelho] partilharão as bênçãos do Reino sobre a terra (25.34-
40).
• Aqueles que o Messias considerar comobodes [por terem rejeitado as testemunhas e sua
mensagem] serão destinados ao tormento eterno (25.41-45).
• A humanidade será perfeitamente julgada e recompensada por ocasião da segunda vinda
(25.46).
VII.vindicado
O Rei reaparece, depoisalém
e invencível de sofrer zombaria
da morte, e morte vergonhosa
para comissionar na cruz, publicamente
Seus representantes (26.3 -
28.20).
A. O Rei anuncia soberanamente a seus discípulos a ocasião [Páscoa] e o modo
[crucificação] de Sua morte (26.1-2).
B. O Rei é o centro de uma contradição nacional, gerando ao mesmo tempo ódio e traição,
amor e serviço (26.3-19).
1. Os líderes de Israel planejam destruir o Rei a seu próprio tempo, ignorantes de Seus
desígnios soberanos (26.3-4).
2. Uma mulher oferece serviço sacrificial ao Rei, ungindo-O em preparação para Seu
sepultamento (26.5-13).
3. Judas proporciona
eliminar à liderança a oportunidade da traição que esta esperava para prender e
o Rei (26.14-16).
4. O proprietário de uma casa em Jerusalém oferece serviço sacrificial ao Rei provendo o
lugar para que o Rei coma a Páscoa de acordo com Seu soberano desígnio (26.17-19).
C. A celebração da Páscoa indica que a morte do Rei cumpriria o significado da festa
judaica e instituiria a Nova Aliança (26.20-35).
1. O anúncio da traição indica que o Rei tem pleno controle sobre as circunstâncias que
cercam Sua morte iminente (26.20-25).
2. A refeição pascal é investida de um significado mais profundo quando Jesus anuncia a Si
mesmo como o sacrifício da Nova Aliança (26.26-30).
• Seu corpo será quebrado como o pão (26.26).
• Seu sangue será derramado como o vinho (26.27-28).
• Sua oferta apontava para a consumação do Seu programa para o Reino em Sua segunda
vinda (26.29-30).
3. O anúncio da fuga dos discípulos e das negações de Pedro garante que o Rei tem pleno
controle das circunstâncias que cercam Sua morte iminente e Sua ressurreição (26.31-
35).
B. A oração do Rei no Getsêmani o retrata como o Servo do Senhor, plenamente submisso
à vontade de Deus em meio a companheiros descompromissados (26.36-46).
1. As três preces de Jesus revelam ao mesmo tempo Sua angústia e Sua determinação de
enfrentar o sofrimento iminente (26.36-39, 42, 44, 46).
2. A incapacidade dos discípulos de persistir na oração explica sua incapacidade posterior
de permanecerem fiéis ao Rei (26.38, 40-41, 43-45).
C. Os eventos do aprisionamento de Jesus revelam que o plano dos líderes para prendê-lo
estavam todos contidos no soberano plano de Deus prenunciado nas Escrituras (26.47-
56).
D. Os eventos dos julgamentos ilegítimos de Jesus colocam em relevo marcante Sua
inocência e Sua submissão à vontade determinada de Deus (26.57 - 27.26).
1. O julgamento dirigido por Caifás condena Jesus por blasfêmia (26.57-68).
• A promotoria dependeu de testemunhas falsas e contraditórias (26.57-62).
• A declaração condenatória foi a afirmação do próprio Jesus identificando-se com o Filho
do Homem da profecia de Daniel (26.63-68).
2. O trauma de Pedro após suas negações de Jesus demonstra a intensidade do sofrimento
associado a negar o Mestre (26.69-75).
3. O suicídio de Judas revela a enormidade da culpa associada a renegar a Jesus como o
verdadeiro Rei (27.1-10).
4. O julgamento dirigido por Pilatos condena Jesus por sedição contra Roma por fazer-se
passar por rei dos judeus (27.11-26).
• A silente admissão da acusação de sedição por Jesus deixa Pilatos surpreso (27.11-14).
• Convencido da inocência de Jesus e advertido por sua esposa, Pilatos tenta libertar o réu
(27.11-19).
• Pressionado pela multidão e protestando sua própria inocência no caso, Pilatos consente
em condenar Jesus pela acusação de sedição (27.20-26).
E. Os eventos ligados à crucificação de Jesus identificam-nO com o Justo Sofredor [dos
salmos] e como o Filho de Deus (27.27-61).
1. Jesus é ridicularizado e maltratado fisicamente [conforme fora profetizado a respeito do
Servo do Senhor] (27.27-31).
2. Jesus é maltrado e zombado pelos soldados romanos [de maneira semelhante às
descrições do Justo Sofredor nos salmos] (27.32-37).
3. Jesus é vilipendiado pelos judeus quando estes zombam de Suas reivindicações de
divindade e realeza [num uso blasfemo dos salmos] (27.38-44).
4. Os eventos sobrenaturais ligados à morte de Cristo revelam a veracidade de Suas
reivindicações (27.45-53).
• O período estranhamente longo de escuridão reflete a escuridão espiritual da hora (27.45-
50).
• O véu do Templo é rasgado de alto a baixo revelando a ab-rogação do sistema religioso
judaico (27.51).
• O terremoto e a ressurreição de judeus piedosos apontam para o supremo poder redentor
do Crucificado (27.51b-53).
5. O duro centurião romano reconhece a divindade de Jesus (27.54).
6. A solidão do Salvador em Sua morte é captada no testemunho distante das mulheres que
haviam ministrado a Jesus durante Seu ministério terreno (27.55-56).
7. O sepultamento de Jesus Lhe deu um lugar entre os ricos [conforme a profecia de Isaías]
(27.57-61).
F. Os eventos ligados à ressurreição de Jesus revelam Sua gloriosa divindade e Seu poder
para ordenar a expansão da mensagem do Reino a todo o mundo (27.62 - 28.20).
1. A solicitação de uma custódia oficial para a tumba pelos líderes judaicos revela seu
receio da verdade que haviam rejeitado (27.62-66).
2. A proclamação angélica da ressurreição e o recebimento de adoração pelo Cristo
ressurreto apontam para Sua divindade (28.1-10).
3. As incoerências latentes no plano dos líderes judeus para encobrir a ressurreição
reforçam a verdade do evento (28.11-15).
4. A comissão a fazer discípulos [messiânicos] de todas as nações é apresentada aos
apóstolos com base na autoridade universal de Jesus Cristo à luz do estabelecimento
escatológico do Reino (28.16-20).

O argumento de
MARCOS
Questões introdutórias
TÍTULO E AUTORIA
Não há debate quanto ao título do livro, uma vez que mesmo os manuscritos mais
antigos apresentam o sobrescrito gregoΚΑΣΑ ΜΑΡΚΟΝ. Embora isso não seja prova
definitiva de autoria, já que o texto em si é anônimo, acrescenta peso ao ponto de vista
de que João Marcos, filho de Maria, uma mulher cristã de proeminência em Jerusalém
(At 12.12),demissionário
associado Barnabé (Clem4.10;
treinamento com Paulo
At 15.36-39), (At 13.5, 13),
companheiro primoem
de Paulo e ministro
seus últimos
anos de ministério (2 Tm 4.11), e filho ―espiritual‖ de Pedro (1Pe 5.13), foi o autor do
segundo evangelho sinótico.
Tradição cristã antiga e substancial aponta para ele como o autor. Papias é a menção
mais antiga (c. 140), e indica que Marcos estivera associado a Pedro e recebera dele, em
forma homilética, as informações sobre a vida de Cristo, que Marcos anotara e
registrara com grande cuidado.20
Outros pais da Igreja que afirmam a autoria de Marcos são: Justino Mártir (Diálogo
com Trifo), Ireneu de Lyon (Adversus Heresiae), Taciano, Clemente de Alexandria,
Tertuliano (Contra Marcion), Orígenes, e Eusébio (que cita Papias como testemunha
autorizada; História Eclesiástica).
O conteúdo do livro oferece evidência circunstancial de que João Marcos tenha sido
osugere
seu autor. O primeiro argumento
um conhecimento funcional em favor da autoria
de aramaico deautor,
pelo seu Marcosqueé que
comogrande
evangelho
possibilidade teria sido um judeu palestino. Em segundo lugar, apenas Marcos, entre os
sinóticos, relata o incidente do jovem que fugiu nu da cena da prisão de Cristo no
Jardim do Getsêmani (14.51-52; alguns comentaristas especulam que Marcosera o tal
jovem). Por fim, o autor descreve em considerável detalhe o Cenáculo (chamando-o de
sala de hóspedes) onde o Senhor celebrou a última Páscoa (14.14); isto sugere que
estava bem familiarizado com o local. O fato de que a casa da mãe de Marcos se tornou
um ponto de encontro nos primeiros anos da igreja em Jerusalém acrescenta ainda mais
peso a este argumento.
LEITORES ORIGINAIS
A tradição cristã afirma que Marcos escreveu seu evangelho para benefício de
leitores romanos (assim diz Clemente de Alexandria). A evidência interna também
aponta nessa direção. Argumentando negativamente, há apenas uma 21 citação do Antigo
Testamento pelo autor com o uso de uma fórmula introdutória (1.2-3), o que faz
sentido se os leitores srcinais não estivessem familiarizados com a tradição hebraica.
Argumentando positivamente, Marcos oferece a tradução de termos aramaicos
empregados (e.g., 5.41; 7.11, 34; 9.43), explica costumes judaicos (e.g., 7.1-3;
14.12),oferece detalhes da topografia ao redor de Jerusalém (13.3), traduz palavras
gregas para o latim (e.g., 15.16), heleniza palavras latinas (e.g., flagellare em 15.15,
centurio em 15.39), menciona líderes cristãos identificados com a igreja em Roma ( cf.
Alexandre e Rufo em 15.21 [veja também Rm 16.13]), e usa um centurião romano
como testemunha chave em sua vindicação de Jesus como Filho de Deuscf. ( 15.39).
OCASIÃO E DATA
A data deste evangelho está presa à questão sinótica. Umterminus ad quem seguro
seria a.D. 70, quando Jerusalém foi destruída. Oterminus a quo varia de acordo com a
prioridade dada a Mateus ou a Marcos.
20
A única ocorrência bíblica de uma pregação de Pedro aos gentios se acha em Atos 10.37-
43, e contém um esboço semelhante ao conteúdo do evangelho de Marcos.
21
Há, no entanto, várias ocorrências de citações eventuais, quando Jesus cita as Escrituras
para Sua audiência (Por exemplo: 4.12; 7.6-7; 9.48; 11.17).
Pode-se presumir seguramente que Marcos estava em companhia de Pedro ao fim da
vida do apóstolo (cf. 1Pe 5.13). Se a primeira epístola petrina se srcinou em Roma, é
bem provável que o evangelho tenha se srcinado também ali, na segunda metade dos
anos 60. Isto concorda com a tradição cristã antiga, que coloca o segundo evangelho
próximo à morte de Pedro; concorda também com o testemunho de Clemente de
Alexandria, que afirmou ter sido o evangelho escrito a pedido dos crentes romanos, com
o fim de preservar a tradição apostólica petrina.
Este autor
tradicional sustenta
para Marcosa por
prioridade
volta dede65,Mateus, optando
em Roma. Seriaassim para uma
uma época data mais
de crescente
provação para os crentes romanos, quando um exemplo de perseverança em meio às
provas era necessário e bem-vindo.
Ralph Martin observou vários indicadores de um Sitz im Leben de perseguição.22 Os
mais importantes são: envergonhar-se do Messias (8.38), a inclusão de perseguições
como o preço de seguir o Messias (10.30), e o testemunho em contexto de julgamentos
e interrogatórios (13.11). O freqüente tema do segredo também se encaixaria com a
necessidade de cuidado entre os discípulos para que as pérolas do evangelho não fossem
lançadas aos porcos.
PROPÓSITO
Embora não haja afirmações diretas do propósito com que o evangelho de Marcos foi
escrito, há indicações de que sua preocupação principal fosse comunicar a verdade da
divindade e da messianidade
Isto é enfatizado de Jesus
no princípio Cristo. tanto no título dado a Jesus quanto na
do evangelho,
profecia messiânica citada em relação a João Batista (1.1-3). Aparece claramente
também nas duas confissões a respeito de Jesus: a de Pedro (8.29) e a do centurião
romano (15.39).
A quantidade de narrativas relacionadas a serviço sugere que Marcos queria que seus
leitores absorvessem o conceito de que serviço (atitude de servo) é um conceito
essencial para o discipulado, com base no exemplo de Cristo como O Servo, cujo
serviço autenticava Sua mensagem, e cuja morte sacrificial tornava a salvação acessível
a todos os perdidos (cf. 10.45).
CARACTERÍSTICAS
Marcos é um evangelho de ação concentrada, onde as multidões estão continuamente
a cercar Jesus, cujas ações são com freqüência precedidas pela palavra gregaεὐύο
[euthus], traduzida por ―imediatamente‖ (usada um total de 41 vezes neste evangelho).
O tema do segredo messiânico é predominante na primeira parte do livro (1.1 -
10.45). Esse Messiasgeheimnis23 levou alguns eruditos a lançar dúvida sobre a exatidão
de afirmações sobre a pessoa de Jesus, mas parece mais lógico (e coerente com uma
visão mais elevada das Escrituras) entender essas ordens para que se guarde segredo
como uma indicação acurada dos esforços de Jesus para evitar que as pessoas
chegassem a conclusões erradas sobre Sua pregação e Seu programa. A reação
entusiasmada que era típica dos judeus, bem como seu entranhado desejo de um Reino
político-militar, justificava a precaução do Mestre.
Marcos dedica grande parte de seu livro à última semana da vida de Cristo,
colocando assim considerável ênfase em Sua paixão. Isso se encaixa bem com um
contexto de perseguição para seus leitores srcinais. O retrato que Marcos pinta dos
Doze está longe de ser lisonjeiro, talvez com o propósito de usar sua falta de
perseverança, e posterior restauração ao ministério apostólico, como um meio de
encorajar seus leitores, que passavam por duras provas à sua fé.
22
R. Martin, Mark. Evangelist and Theologian, pp. 65-66.
23
Termo clássico (que significa “segredo messiânico”) entre os eruditos para essa ênfase dos
primeiros capítulos de Marcos.
Outra característica do Evangelho de Marcos é sua elevada cristologia. Algumas de
suas características mais notáveis se encontram na tabela abaixo.

Qualidades ou atividades de Jesus Cristo Passagem


Divindade ou filiação divina 1.1; 8.29; 15.39
Aquele que batiza com o Espírito Santo 1.8
Identificação com o Servo de Yahweh 1.11
Identificação com o Santo de Isaías 1.24
Capacidade de perdoar pecados 2.10
Autoridade sobre a Lei e as tradições judaicas 2.27-28
Identificação como Filho de Deus 2.11
Identificação como Messias, o Filho do Altíssimo 5.7
Reivindicação direta de messianidade 14.60
Ênfase nas emoções humanas de Jesus 1.41; 3.5; 10.14
Posse de conhecimento sobrenatural 2.8; 5.32; 8.16; 13.1
1. A CRISTOLOGIA DE MARCOS
É necessária aqui uma palavra sobre o fim do Evangelho de Marcos, um tópico
acaloradamente debatido ao longo dos últimos quinze séculos. Creio que os doze
últimos versículos de Marcos (16.9-20) pertencem ao lugar em que se acham e foram
escritos pelo próprio Marcos, sob a direção do Espírito Santo. A seguir seguem minhas
razões:
I. Razões textuais
A. As duas principais testemunhas textuais da omissão, os manuscritos VaticanusB() e
Sinaiticus ( ), deixam toda uma coluna em branco, como testemunho tácito de que seus
copistas sabiam que algum texto deveria ser inserido ali.
B. O testemunho patrístico que se alega contra a inclusão dos doze versículos finais não é,
de forma alguma, definitivo, servindo antes para confundir as coisas.
1. A homilia atribuída a Gregório de Nissa, na qual os versículos são negados a Marcos, não
pode ser atribuída a Gregório, e sim a Hesíquio de Jerusalém, cerca de dois séculos
depois de Gregório (que viveu de 330 a 395). Alguns defensores da omissão creditam
indevidamente essa homilia aos dois autores ao mesmo tempo.
2. Clemente de Alexandria supostamente não faz referência aos últimos doze versículos de
Marcos. Tal silêncio, todavia, não é mencionado como testemunha contra o último
capítulo de Mateus, do qual ele também não cita.
3. Clemente de Roma também é usado como testemunha silenciosa contra os últimos doze,
mas os defensores da omissão omitem o fato de que Clemente jamais cita o Evangelho
de Marcos!!!
4. As afirmações supostamente atribuídas a Eusébio sobre a omissão dos últimos doze mais
provavelmente são parte de palavras que Eusébio de fato escreveu, mas que foram por
ele colocadas
primeiros nos lábios
séculos de um suposto adversário, um recurso literário comum nos
do cristianismo.
5. A suposta citação de Jerônimo contra os últimos doze não passa, na realidade, de sua
tradução da Epístola a Marino de Eusébio. Jerônimo, que tão escrupulosamente omitia
ou incluía textos em sua Vulgata, deu aos últimos doze um lugar em seu texto e fez
citações desses versículos.
6. Vítor de Antioquia, que supostamente nega a autenticidade dos últimos doze, meramente
cita a Epístola a Marino de Eusébio na famosa passagem em que o historiador ecoa o
pensamento de seus adversários. O testemunho do próprio Vítor é positivo em
favor dos últimos doze, pois ele especificamente afirma que alguns os haviam omitido
de suas cópias por considerarem que eram espúrios.
II. Razões léxicas
A. Farmer demonstrou, conclusivamente a meu ver, que o vocabulário dos últimosdoze é
coerente com a autoria por Marcos, embora certas diferenças sejam encontradas. Ele
conclui, com base em uma minuciosa análise léxica, que ―A evidência contra Marcos
como autor parece
19 parecem ser preponderante
ser basicamente no versículo
neutros. Evidência 10. Osdeversículos
a favor 12, 14,
Marcos como 16,parece
autor 17, 18 e
24
ser preponderante nos versículos 9, 11, 13, 15 e 20‖.
B. O estilo supostamente abrupto e entrecortado dos últimos doze também é encontrado no
capítulo 1 do mesmo evangelho.25 Ao mesmo tempo, Marcos também apresenta
narrativas extensas de episódios extremamente breves da vida de Jesuscf.
( a cura do
endemoninhado gadareno). Tais fatores constituem prova de que o estilo dos últimos
doze não exige a sua omissão.
Argumento Básico
PROPÓSITO DO LIVRO
Produzir nos leitores um compromisso de fé com Jesus Cristo, que é o Servo de
Deus e o Sacrifício pela humanidade.
DESENVOLVIMENTO
O propósito de Marcos - produzir um compromisso de fé com Jesus Cristo nas vidas
de leitores profundamente afetados por perseguição e provações - é alcançado por duas
ênfases pictóricas em seu evangelho.
Os primeiros dez capítulos lidam com o serviço de Jesus Cristo ao povo carente de
Israel. Esse serviço oferece uma autenticação de Sua mensagem.
Os seis capítulos finais tratam do sacrifício de Jesus Cristo, cuja vida será oferecida
como resgate em favor da humanidade.
Em ambas as divisões, o alto custo do compromisso é enfatizado, primeiro na
pregação e nas parábolas de Jesus (1.1-10.45), e depois nos sofrimentos e na morte de
Jesus (11.1-16.20).
O Evangelho
livro. Trata-se dede
umMarcos começa
evangelho, umacom uma declaração
proclamação da natureza
de boas-novas, e do conteúdo
de triunfo, do
de vitória
e libertação. Quanto ao seu conteúdo, o livro fala de Jesus o Messias, o Filho de Deus.
A despeito de sua audiência gentílica, Marcos não explica esse título tão carregado de
significado, que fala de salvação por intermédio do Ungido, que era também
―verdadeiro Deus de verdadeiro Deus‖. Essa mesma característica da pessoa de Jesus
será reiterada num ponto crucial do evangelho, a morte do Servo como sacrifício vicário
(cf. 15.39).
Marcos indicou que escreveu sobreo princípio do evangelho. Embora alguns tenham
tomado tais palavras como indicação de que a pregação de João Batista foi o ponto de
partida do evangelho de Cristo,26 parece melhor entender a frase como uma indicação de
que a proclamação dos apóstolos, resumida em 16.20, é a continuação da mensagem
inicialmente proclamada pelo próprio Servo.

24
William Farmer, The Last Twelve Verses of Mark, p. 103.
25
John Burgon, The Last Twelve Verses of Mark, pp. 222-223.
26
C. E. B. Cranfield, The Gospel According to St. Mark, p.35.
Em contraste com Mateus, Marcos não estava preocupado em estabelecer
reivindicações genealógicas para o Servo. Sua melhor apresentação aqui é como o
cumprimento de esperanças há muito acalentadas e preservadas nos profetas (1.2-3). A
citação aplicativa composta revela uma abordagem hermenêutica que via em Jesus
ninguém menos que Yahweh encarnado, pois Yahweh é o objeto da profecia de
Malaquias (Ml 3.1) e da grandiosa visão de Isaías (Is 40.3).
A mensagem de João (1.4-8) era essencialmente a mesma de Malaquias, seu distante
predecessor.
mensagem deSomente o arrependimento,
João, permitiria que tanto oexpresso pela
indivíduo identificação
quanto batismal
a nação vissem e com a
desfrutassem da vinda de Alguém maior, que traria as bênçãos prometidas do Reino
messiânico (o batismo com o Espírito Santo era uma das marcas distintivas da era
messiânica nas profecias do Antigo Testamento;cf. Jl 2.28; Ez 36.24-27; 39.29). A
aparência de João se adequava à sua mensagem profética, sem dúvida acendendo
esperanças de que ele fosse o Elias prometido (1.6).
Infelizmente, tanto o homem quanto a mensagem foram oficialmente rejeitados e seu
ministério a la Elias sucumbiu diante da incredulidade de Israel, a despeito do furor que
causou entre os judeus mais messianicamente inclinados cf. ( 9.8-13).
A narrativa de Marcos sobre o batismo de Jesus por João (1.9-11) omite a relutância
do precursor em realizar a cerimônia. O propósito do evangelista parece ser a indicação
da aprovação de Deus para com Jesus, que se identificara plenamente com as
necessidades docomo
Seu ministério, povo.oAlém
Filho do mais, a narrativa
Messiânico identifica
escolhido pelo PaiJesus,
e comodesde o princípio
o Servo de de
Yahweh, ungido pelo Espírito (cf. Sl 2.7 e Is 42.1).
O relato conciso que Marcos faz da tentação (1.12-13) parece ajustado à mentalidade
romana, com a visão de um homem impelido por convicções interiores, levado a um
ambiente desfavorável para combater contra um inimigo poderoso. O longo período, a
presença de feras, tudo aponta para coragem e resistência, virtudes que os romanos
consideravam extremamente valiosas. Seu triunfo sobre o tentador fica implícito no
serviço que os anjos prestam a Jesus depois dos quarenta dias de tentação.
Marcos omite o primeiro ministério de Jesus na Judéia, que foi parcialmente
contemporâneo ao de João Batista c( f. Jo 3.23-24), indicando assim que a tarefa
divinamente designada para o precursor já fora cumprida. Além disso, Marcos sugere
com essa observação a natureza ameaçadora e sombria do ministério do Servo; Seu fim
designado
de Cristo. é a morte e assim a sombra da cruz se estende até o próprio começo da obra
A descrição do ministério inicial de Jesus (1.14-20) aponta para a continuidade entre
Sua mensagem e a de João Batista. É o evangelho de Deus, uma vez que se srcina em
Deus e proclama a iminência do Reino de Deus. Como João o fizera, Jesus exigia
arrependimento e fé à luz de tal iminência, que Ele proclamou ao longo de todo o Seu
ministério (cf. Mt 12.28, onde o verbo θάλσ phthanō significa ―chegou perante
vocês‖).
Em contraste com João Batista, que era até certo ponto um obreiro solitário, a
abordagem ministerial do Servo era partilhar com outros a responsabilidade de conduzir
pessoas ao Reino. Esses associados eram convocados ao serviço com irresistível
autoridade (1.16-20).
Essa mensagem e esse chamado necessitavam de autenticação diante dos leitores do
seu evangelho
milagres e, por
realizado porisso, Marcos
Jesus, oferece
ministério a descrição
esse do crescente
que provava a mensagemministério de
e a autoridade
messiânicas do servo (1.21 - 2.12).
O primeiro milagre registrado por Marcos é a cura de um endemoninhado na
sinagoga de Cafarnaum. Isso demonstrou que Jesus tinha autoridade sobre os demônios,
e lhe valeu a reputação de ser um Rabi que combinava ensino sadio e poder (1.21-28).
O registro de muitas curas demonstra não apenas a autoridade do Servo sobre as
doenças, mas também Sua grande compaixão pelos carentes (1.29-34). Esta seção do
evangelho oferece o primeiro indício de um conflito silencioso entre o Servo de Deus e
as forças do mal que procuravam sabotar o Seu ministério por meio de seu testemunho
enganoso ou incoerente a respeito de Sua pessoa.
Um parágrafo muito importante aparece em meio a quatro seções que relatam
milagres. 1.35-39 indica que o profundo senso de missão demonstrado por Jesus era
fruto de Sua íntima comunhão com o Pai por meio da oração. Além disso, o parágrafo
revela a razão pela qual Jesus obrigava os espíritos malignos a guardarem silêncio sobre
Sua identidade.
ao passo que as Ocuras
coração
eramdeconfirmações
Seu ministério
daera kērugma
ήξπγκα- [não
mensagem o seu],centro
a proclamação,
- como os
demônios levariam as multidões a pensar, dadas suas expectativas messiânicas
materialistas.
Esta preocupação que o Servo demonstrava com a compreensão correta de Sua
pessoa e Seu ministério se reflete na cura do leproso (1.40-45). Aqui Jesus demonstra
Sua autoridade sobre a contaminação, mas vai além disso, revelando também Sua
atitude para com a Lei (i.e., que Se preocupava com o seu verdadeiro cumprimento) e
27
Seu desprezo para com o ritualismo vazio, desprovido de compaixão.
O incidente final dessa divisão revela a autoridade do Servo sobre as deformidades,
que serviu como atestado de que Ele possuía poder divino e prerrogativa divina de
perdoar pecados (2.1-12). Marcos coloca a conclusão lógica dessa série de milagres nos
lábios dos mais acirrados inimigos de Jesus, os mestres da Lei (2.7).

do Uma divisão
ministério maior geral
público do Evangelho de Marcos
de proclamação (2.13 - 8.26)
e compaixão transfere
para o foco primário
um ministério mais
exclusivo e particular a um pequeno grupo de discípulos. Os milagres continuam a
servir como ferramentas didáticas para o preparo dos doze. À medida que isso acontece,
a oposição aumenta e o ensino público adota uma forma parabólica, velando a verdade
às multidões e oferecendo instrução mais clara ao grupo pequeno.
A primeira controvérsia focaliza a atitude do Servo para com a tradição judaica (2.13
- 3.6).
O chamado de Levi, tradicionalmente identificado com Mateus (2.13-17), oferece a
base do conflito, indicando como os fariseus zombavam de Jesus por Sua escolha de
companheiros. O contexto da comunhão à mesa oferece ao Servo a oportunidade de
uma resposta irônica - a participação no grande banquete messiânico dependia da
28
percepção humana de sua necessidade espiritual e da provisão divina do perdão (2.17).
Ele,Oassim,
próximorepreende os líderes
foco de disputa é opor suaaos
apego insensibilidade espiritual.
rituais (2.18-22). A prática do jejum tinha
limitações bem claras na Lei, mas fora exageradamente ampliada pelos judeus, que lhe
atribuíam grande valor. Os discípulos de João Batista, que praticavam o jejum por
outras razões (talvez pesar pela prisão, talvez esperança de libertação para seu líder),
também se envolveram nessa controvérsia.
A tese de Jesus é, em primeiro lugar, que rituais estabelecidos pelo homem não
constituem a essência do discipulado que, naquela ocasião, significava regozijar-se na
Sua presença como o Messias prometido. Mais tarde, disse Ele, haveria dias de tristeza
e anseio por Sua vinda (deixando antever, assim, Sua morte). Em segundo lugar, Ele
indica a impossibilidade de reter a religiosidade tradicional dos judeus e ser Seu
discípulo (i.e., um discípulo messiânico). As três ilustrações usadas aqui - o banquete
nupcial, as vestes novas, e o novo vinho - têm, todas, claras conotações e alusões à era
messiânica
O debatenos profetas
sobre (cf. Is
o sábado é o54.5;
mais62.4; Jl 3.18; Am
significativo dos 9.13; Is 61.10).
três aqui registrados, à luz da
extrema reverência que os judeus demonstravam para com as tradições quanto ao sinal

27
Walter W. Wessel, “Mark”, EBC 8.630.
28
William L. Lane, The Gospel According to Mark, p. 106.
da aliança mosaica (2.23 - 3.6). A acusação de que os discípulos estavam violando o
29
sábado ao apanharem grãos não se baseava na lei, mas na tradição judaica. A resposta
de Jesus, baseada no exemplo de Davi, significava que a necessidade humana é mais
importante que o ritualismo. O versículo 28 pode refletir um comentário editorial do
próprio Marcos sobre essa perícope.
A segunda fase do ataque dos fariseus foi dirigida contra o próprio Servo (3.1-6).
Uma vez mais, o objetivo dos fariseus não era proteger a Lei, mas sua própria
interpretação da Lei.noEssa
podiam ser curadas tradição
sábado. afirmava
Embora que somente
reconhecendo doenças
o poder terminais
que Jesus urgentes
tinha de curar
as doenças, preferiam condená-lo por usar tal poder no sábado a reconhecer o mesmo
como prova das reivindicações messiânicas de Jesus! Tal insensibilidade espiritual fazia
que valorizassem mais as suas tradições que o sofrimento das pessoas à sua volta e o
possível alívio que pudessem receber. A repreensão implícita de Jesus e a cura poderosa
do deficiente valeram ao Mestre a ira assassina da liderança religiosa e sua improvável
associação com os herodianos com o propósito de eliminar o inimigo comum, Jesus de
Nazaré.
Em seguida a esta controvérsia, Marcos indica como Jesus começou a mudar Sua
ênfase para um ministério mais direto com Seus discípulos (3.7-19).30 Isto não
significava abandonar os atos de misericórdia, pois as multidões continuavam a segui-
LO por toda parte (3.7); significava, isto sim, restringir o testemunho desorientador dos
31
espíritos malignos
doze, o núcleo a Seunova
de uma respeito, e limitar
comunidade o númeroAdeesses
messiânica. SeusEle
discípulos
designouimediatos a
como Seus
ἀόζηνιν [apostoloi], Seus representantes autorizados que Ele enviou às vilas e
cidades da região a fim de prepararem o caminho para Sua proclamação pessoal na
Galiléia (cf. 6.7).
A oposição, enquanto isso, crescia em amplitude e profundidade (3.20-25). Enquanto
as massas carentes e desinformadas acorriam para ver e ouvir Jesus, aqueles que
detinham a informação O rejeitavam sob a falsa impressão de que Ele estava louco, e a
própria família de Jesus procurou removê-lo de Seu ministério público (3.20-21).
Com base na conclusão estapafúrdia de que os exorcismos de Jesus eram srcinados
pelo próprio Satanás, os líderes religiosos acusaram Jesus de estar sob o poder de
Belzebu (3.22).
Num arranjo literário quiástico, Marcos registra primeiramente como Jesus
demonstra
blasfemarema inconsistência lógica
contra o Espírito Santodos fariseus registra
(3.23-30); e como depois
os adverte
comosolenemente contra
Cristo renega Sua
família carnal em favor de Sua família espiritual (3.31-35). Ao fazer isso, Jesus indicou
que a fé obediente em Deus era a condiçãosine qua non para uma comunhão íntima
com o Messias.
A reação do Servo à oposição crescente condizia com Seu próprio ensino de não
lançar pérolas aos porcos. Por isso, recorria às parábolas como Seu principal método de
ensino, pronunciando-as em público e explicando-as em particular (4.1-34). Tal como
no registro de Mateus, a parábola dos solos abre o caminho para a compreensão de todo
o conjunto de parábolas, indicando que a mensagem do Reino seria anunciada e, a
29
Mishnah, Shabbath 7.2.
30
O verbo grego ἀλαρσξέσ [anachōreo], usado freqüentemente em Mateus, mas apenas aqui
em Marcos, pode sugerir um abandono da sinagoga como o local costumeiro ou formal de
ensino. Assim pensa R. H. Lightfoot, The Gospel Message of Mark, p. 39.
31
Lane sugere que sua “confissão” estava relacionada ao conceito dominante no Antigo
Oriente Médio de que era possível obter autoridade sobre uma pessoa ao lhe conferir um
nome, Mark, p. 130.
despeito da incapacidade (ou da indisposição) de crer por parte da maioria dos ouvintes,
produziria uma colheita abundante.
O fato do endurecimento de Israel (4.10-12) é contrabalançado pelo desafio aos
indivíduos que ouviam a ―considerar a parábola‖, o que era facilitado pelo contexto
rural em que fora pronunciada. Seus discípulos, todavia, tinham o pleno benefício da
explicação (4.13-20).
O dito sobre a candeia não se encaixa no formato tradicional de uma parábola, mas
sua natureza
material implicitamente
parabólico. figurativa
Encontrada justifica
em outro sua em
contexto inclusão e seu
Mateus tratamento
e Lucas, como
ela aqui aponta
para a necessidade de que aqueles que foram iluminados pelo Servo passem tal luz para
outras pessoas, de modo que a realidade escondida do Reino seja plenamente revelada
(4.21-23). Essa metáfora traz consigo dois outros ditos que devem aqui ser aplicados ao
contexto primário. a medida do envolvimento do indivíduo na divulgação da mensagem
do Reino determinará a quantidade de nova revelação a ser recebida (4.24). De igual
modo, a pessoa que mais intensamente se apropriar da mensagem do Reino mais
ricamente será abençoada; aquele que presume já possuir lugar garantido no Reino
perderá até suas supostas credenciais (4.25).
A parábola da semente que germina (4.26-29) aponta para o crescimento progressivo
da mensagem do Reino até sua consumação escatológica cf. ( o uso das metáforas da
foice [δξέαλνλ, drepanon] e da colheita [εξζκόο, therismos] em Apocalipse 14.14-
16 Ae seu equivalente
última parábola no Antigo
aponta paraTestamento em Joel
o triunfo final 3.13).messiânico que, a despeito de
do Reino
seu começo insignificante, alcançará uma grandeza superior à de qualquer outro Reino
(4.30-33). O imaginário desta perícope não se deriva da experiência cotidiana na região
rural de Israel; vem provavelmente do livro de Daniel, no Antigo Testamento, onde
Nabucodonosor e o império neobabilônico são comparados a uma imensa árvore (cap.
4). O Reino de Deus é o verdadeiro e legítimo domínio mundial sob cuja sombra a
humanidade encontrará abrigo.
Os versículos 33 e 34 oferecem um resumo desta fase do ensino de Jesus. O
conteúdo de sua mensagem era a palavra η [ όλ ιόγνλ , ton logon], expressão com a qual
Marcos indica a mensagem do Reino. As multidões, embora capazes de perceber o
sentido geral das palavras de Jesus, não podiam, àquela altura, compreender todo o
escopo da mensagem do Reino; mesmo os discípulos, com acesso a informação
privilegiada,
praticado pelodemoraram
Mestre emmuito para captá-la. O princípio enunciado em 4.25 foi
Seu ensino.
A seção seguinte oferece apoio muito necessário às parábolas no capítulo 4. Lá no
fundo das mentes dos discípulos, e sem dúvida entre os leitores srcinais do evangelho,
a pergunta dominante deve ter sido. ―Que tipo de poder será necessário para implantar o
Reino de Deus num mundo tão hostil?‖ Os milagres nessa seção demonstram a natureza
e o poder divinos do Servo; Ele vence os elementos, os espíritos malignos, a
enfermidade e, por fim, a morte.
Sua autoridade divina brilha quando Ele acalma a tempestade no mar da Galiléia
(4.45-41). Ainda assim, Sua humanidade o deixa cansado e necessitado de sono e
descanso. Deste modo, sob a aparente fragilidade do Galileu, o próprio Deus exerceria
Sua prerrogativa de Criador e Controlador dos elementos - particularmente do mar e do
vento (cf. Sl. 89.8-9; 104.5-9; 107.23-32).

de O quadro
Cristo comque Marcos pinta
a impotência doahomem
seguir diante
diantededoseus leitores
poder (5.1-20) malignos
dos espíritos contrasta que
o poder
amiúde se manifestavam em Israel ao tempo de Jesus. Marcos contrasta ainda o
reconhecimento que os demônios prestavam da divindade de Cristo com a deliberada
rejeição da presença e da mensagem de Cristo por parte dos gerasenos.
De novo em território judeu, Jesus revela ao mesmo tempo Sua compaixão e Seu
poder (5.21-43). Em dois episódios entrelaçados a vida ia se esvaindo. No caso da
mulher hemorrágica, lentamente; no caso da filha de Jairo, muito depressa. Em ambos
os casos, a fé encontrou uma resposta de empatia e compaixão da parte de Jesus, e uma
completa reversão - da perda de vida para a plenitude de vida. Em ambos os casos, a fé
foi fundamental, apesar de não ser, em qualquer dos dois casos, uma fé madura e bem
informada. Ao final de mais este ciclo de milagres, no entanto, o Messias ainda não
permite a exposição pública de Suas obras. Era necessário que o povo aceitasse Sua
mensagem, não apenas admirasse Seus atos de poder.
A divisão seguinte é situada por volta do final do chamado ―ano de popularidade‖,
durante
levar emo conta,
outonoe[setembro - dezembro]
Marcos registra de a.D.
exemplos 31. A oposição
de oposição vindosjádeeratrês
umfontes.
fator aAinda
se
assim, tal oposição tem como resposta generosas demonstrações de poder e compaixão
por parte do Servo (6.1 - 8.26).
A rejeição em Nazaré (6.1-6) deve ter sido dolorosa para Jesus, pois ali as pessoas O
rejeitaram por Ele ser um homem comum, e com o agravante de uma srcem nebulosa.
Sua repulsa em relação a Jesus é expressa pelo verbo ζαλδαιίνκα [skandalizomai,
―escandalizar-se‖]; mais adiante, Marcos usará essa palavra para descrever a reação dos
discípulos à prisão e aos julgamentos de Jesus (14.27).
Foi por essa ocasião que os doze foram enviados, de dois em dois (de modo que seu
testemunho fosse válido, segundo a Lei), precedendo Jesus nas vilas onde Ele iria
pregar o Evangelho do Reino e realizar os milagres comprobatórios (6.7-13).
À medida que a fama de Suas grandes obras se espalhava pela Galiléiaθαλεξόλ[ γάξ
ἐγέλεην ηό ὄλνκα
a experimentar αὐηνῦ
phaneron gar egeneto to onoma autou, 6.14], o Servo passou
a hostilidade latente de Herodes Antipas, cujo tratamento cruel de João
Batista agora constituía uma ameaça direta a Jesus e servia como prenúncio de Sua
futura paixão.32
Apesar disso, tal oposição encontra o Servo ainda mais sensível e compassivo para
os carentes que O procuram, conforme demonstrado pela milagrosa provisão de comida
para milhares de Seus seguidores (6.30-44). A passagem enfatiza o papel de Jesus como
um novo Moisés, capaz de fazer provisão no deserto (um tema que é bastante explorado
em João 6, passagem paralela a esta). Em Marcos a ênfase recai sobre a disposição e
capacidade do Servo para suprir o que aos olhos dos homens claramente impossível.
Fica claro, também, que esses milagres tinham como propósito adicional fortalecer a
fé dos discípulos na pessoa de Jesus, como comprova a perícope seguinte. Em 6.45-52,
Marcos relata o soberano controle de Jesus sobre as forças e as leis da natureza,
realidades quededeixam
significativo os discípulos
Jesus orando boquiabertos.
no monte, enquanto osMarcos menciona
discípulos o detalhe
lutavam contra o mar
revolto; esta é a segunda de três referências às orações de Jesus neste evangelho, e todas
vêm em momentos quando Seu compromisso com Sua missão messiânica estava sendo
testado (é preciso ler o relato joanino deste evento para perceber este fato neste
contexto).
Marcos omite o conhecido incidente de Pedro caminhando sobre as águas (o que
pode ser uma indicação de que se trata de uma descrição pessoal de Pedro para o
evento) porque Seu interesse maior parece ser contrastar a magnitude dos milagres que
Jesus realiza com a morosidade da percepção espiritual dos discípuloscf. ( ἐμίζηαλην
[existanto, ―ficaram fora de si‖] e εσξσκέλ [pepōrōmenē, ―endurecido‖].
Outro contraste poderoso entre o ódio dos líderes e a compaixão do Servo surge
quando os fariseus O atacam ao acusarem Seus discípulos de quebrarem a tradição do
lavar
Suadas mãos (7.1-23).
resposta é ir além da tradição e recuperar aquilo que deveria ser verdadeiramente
obedecido, a Lei de Deus. Jesus reverte a acusação apontando para a tradição como uma
32
Wessel (“Mark”, EBC 8.669) observa que a morte de João desempenha um papel
importante no Evangelho de Marcos, que dedica três versículos ao seu ministério, mas detalha
a sua morte em dez versículos.
cortina de fumaça para a impureza pessoal e vida egoísta em desobediência à vontade de
Deus (7.6-13). A seguir, Ele adverte Seus discípulos e as multidões a se precaverem
contra a hipocrisia crônica dos líderes religiosos (7.14-23), indicando que a verdadeira
contaminação é interior, não exterior, afetando o centro da vida do homem - seu
coração.
Esse incidente, que relata o ataque final (em Marcos) contra o Servo antes de Seu
aprisionamento, julgamento e crucificação, reflete a reação negativa de Israel ao Servo,
egentios
é seguido,
(7.24em agudo
- 8.9). contraste,
Bem pela reação
adequadamente, de fé sobre
o debate e louvor que Ele encontrou
a contaminação entreéos
cerimonial
seguido pela perícope da mulher cananita (siro-fenícia), cuja fé superou a discriminação
racial e religiosa (cerimonial) entre os judeus e os gentios, além de lhe dar uma
experiência significativa do ministério e do poder de Jesus, um belo prenúncio da
extensão das bênçãos messiânicas aos gentios (7.24-30).
Continuando o seu ministério aos gentios próximos a Israel, Jesus cura um homem
surdo e [virtualmente] mudo (κνγιάινο, mogilalos)33 em Decápolis (7.31-37). Esse
milagre é narrado exclusivamente por Marcos e oferece outro contraste entre as atitudes
de gentios e judeus ao ministério terapêutico do Servo. Os teólogos judeus atribuem
Suas obras a Satanás, ao passo que gentios ignorantes reconhecem Sua bondade,
sabedoria e poder (cf. 7.37).
O último milagre em solo gentio é a segunda multiplicação dos pães. Detalhes da
narrativa exigem que do
É uma manifestação se trate
Servodecomo
um incidente
o grandedistinto da divino
provedor primeira, descrita
também emem 6.31-44.
favor dos
gentios (8.1-10).
Ao voltar do território gentio, Jesus enfrenta mais uma vez a incredulidade dos
fariseus (8.11-13). Seu pedido de um sinal vindo do céu ( ἐ, ek) foi uma obra-prima da
hipocrisia, uma vez que haviam deliberadamente atribuído a evidência disponível do
poder à atividade do príncipe dos demônios cf. ( 3.22). A reação de Jesus foi, a princípio,
de desapontamento (evidenciado em Seu profundo suspiro [ἀλαζηελάσ, anastenazō
depois, Ele condena sua incredulidade ao negar-lhes qualquer outro sinal confirmatório.
Deixando os fariseus para trás, Jesus adverte Seus discípulos espiritualmente míopes
contra a hipocrisia dos fariseus (8.14-21), o fermento que corrompia todo o seu sistema
religioso. Ele também cura um homem cego, cujos três estágios progressivos de visão
oferecem uma perspectiva das condições espirituais da passagem, os líderes cegos, os
discípulos míopes
gentios!). Esse e aqueles
milagre que fases
em duas podiam ver claramente
demonstra quem Jesus
a necessidade realmente
que Israel tinhaera
de (os
uma
visão espiritual clara (8.24-26).
A segunda divisão principal da Primeira Parte confronta os discípulos do Servo com
o programa de Deus para Ele, que incluía oposição e, por fim, o martírio, e com um
estilo de vida que acabaria por levá-los a experimentar o mesmo destino de seu Mestre
(8.27 - 10.52).
Na primeira seção, o Servo desvenda aos doze os sofrimentos e a glória que O
aguardavam como Messias (8.27 - 9.13). O primeiro passo nesse desvendamento é Sua
apresentação como Messias, que vem por meio da confissão de Pedro (8.29). Mesmo
aqui, onde a compreensão de Sua pessoa foi um pouco mais clara, Jesus exigiu silêncio
para evitar que o testemunho dos doze provocasse falsas esperanças nos menos
conhecedores. Isso obedece ao padrão geral observado nas perícopes de exorcismo e
cura (cf. pública
opinião 8.22-26).
deOque
fatoJesus
de oseradiscípulos
o Messiasnão teremque,
sugere indicado, em suas
a despeito respostas, uma
das muitas
―confissões‖ feitas pelos espíritos malignos e da muita publicidade derivada de outras
33
Esta palavra incomum só ocorre uma outra vez no grego bíblico, na tradução grega de Isaías
35.6, uma passagem messiânica. Marcos, sem dúvida, tencionava que sua alusão messiânica
fosse percebida por seus leitores.
curas, a população em geral ainda não havia compreendido o caráter e o papel de Jesus
como (maš’aḥ, ―Messias‖).
A percepção de Pedro, ainda que suprida por Deus c(f. Mt 16.17), era limitada, como
se vê na abrupta repreensão que recebe por desafiar Jesus quando Ele ensina sobre a
necessidade de Sua morte sacrificial c( f. δεῖ [dei] in 8.31). A passagem inclui tanto a
morte quanto a ressurreição, mas aparentemente apenas o aspecto negativo da
experiência do Messias, que os judeus sempre tiveram problemas em aceitar, fora
percebido pelos
Enquanto discípulos.
o Rabi e Seus doze discípulos viajavam pela Galiléia, em preparação para
sua última viagem para a Judéia, durante o verão [junho-setembro] de a.D. 32, Ele
instruiu os doze (e outros seguidores) quanto à sua atitude face a Sua morte e
glorificação iminentes, e como eventualmente eles enfrentariam o mesmo destino (8.34-
9.1). Wessel afirma que esses pronunciamentos foram agrupados por Marcos (i.e.,
tirados de seu contexto srcinal) ou pela pessoa responsável pela tradição que Marcos
usou;34 não há razão, todavia, que impedisse Jesus de repetir pronunciamentos para
audiências diferentes em contextos diferentes.
Marcos 8.34 - 9.1 teria tido um impacto tremendo em seus leitores, uma vez que se
aplicava à realidade cotidiana - a possibilidade de ser levado perante um magistrado
romano e ali receber a escolha entre renunciar a Cristo ou sofrer por Ele. Autonegação,
aceitação de sofrimento, e perseverança em seguir a Jesus cf.
( ἀνινπεῖην,
akoloutheito) eram verdadeiras marcas do discipulado. O amor à vida material
implicaria a perda de uma existência significativa, bem como vergonha diante do
Messias em Sua glorificação, ao passo que a perda da vida física por amor ao Messias
traria significado à vida presente e recompensa na vida ―escatológica‖ (futura).
A promessa em 9.1 relaciona a glorificação do Servo à promessa de recompensa por
fidelidade a Ele; quando cumprida - uma semana mais tarde - serviu como garantia de
que a vida do discípulo estava segura no Mestre que ele escolhera seguir (9.2-13). O
Servo demonstrou, sobre o monte da Transfiguração, quem realmente era e como Se
encaixava no plano de Deus, cumprindo a revelação iniciada por Moisés e continuada
pelos profetas.
As observações de Pedro, muitas vezes mal entendidas, sugerem que ele entendera as
palavras de Jesus literalmente, uma vez que a referência a tendas (9.5) mais
provavelmente fora motivada pela idéia [bem bíblica] de que a Festa dos Tabernáculos
seria celebrada no Reino (cf. Zc 14.16-19). Esse tempo, todavia, ainda não havia
chegado; o tempo presente seria a ocasião para ouvir o Filho de Deus, cuja morte e
ressurreição faziam parte do bom propósito do Pai (cf. εὐδόζα [eudokēsa], Texto
Majoritário). Isso se acha implícito na descrição que Jesus faz do papel de João e da
rejeição que este experimentara por parte de Israel (9.8-13).
A segunda seção dessa divisão apresenta o estilo de vida esperado de um discípulo
num contexto de provas e oposição. A necessidade de fé e de uma oração constante é
ilustrada pela cura do menino endemoninhado, a quem os nove discípulos que haviam
ficado ao pé do monte não haviam conseguido curar durante a ausência de Jesus (9.14-
29).
Um segundo anúncio da morte do Servo também não consegue captar a compreensão
dos discípulos (9.30-32), bem possivelmente porque seus pensamentos estão focalizados
no aspecto do poder do Reino tal como o entendiam, o que os levou a discutir
intensamente sobre quem teria o lugar de honra quando o Reino finalmente se
manifestasse (9.33-37). Jesus, assim, separa algum tempo para instruí-los sobre a
necessidade de serem humildes e demonstrarem um coração de servo.
Tal era o espírito de orgulho e competição entre os discípulos que haviam proibido
um discípulo de Jesus que não seguia com o grupo de dar continuidade a um ministério
34
Wessel, “Mark,” EBC 8.696,7.
de exorcismo; talvez a visão de seu sucesso fosse demais em vista das lembranças do
recente fracasso dos nove ao pé do monte. Jesus toma tempo, portanto, para instilar
neles o conceito de aceitação mútua entre os co-discípulos, uma vez que todos os que O
servem irão, eventualmente, desfrutar das recompensas de tal serviço (9.38-41).
Deixar de agir em mútua aceitação seria colocar tropeços diante de outros, com
conseqüências temporais devastadoras (9.42). A necessidade de auto-exame e de
remoção de pensamentos e ações malignos m ( ão, pé e olho são metonímias) era
imperativa porque de
Cristo e o destino a pessoa que deixa
sofrimento de fazê-lo
no inferno indica suadeγfalta
(a explicação εέλαλde[geenan
compromisso com
] em 9.48
deriva de Isaías 66.24, uma passagem messiânica). No caso de um verdadeiro discípulo,
o pecado fará que ele perca seu papel na sociedade messiânica. Como sal que perdeu
suas características,35 um compromisso com Cristo é muito difícil de recuperar (9.43-
50).
A estrada levara o Servo e Seus discípulos à Peréia, onde uma vez mais Ele
ministrou às multidões enquanto instruía os seguidores mais próximos. Seus perenes
inimigos, os fariseus, agora procuram colocá-lo em rota de colisão com Herodes
Antipas (uma vez que a Peréia era parte da tetrarquia de Herodes) por causa da questão
do divórcio. O perigo era real, uma vez que esta fora a causa da morte de João. O Servo
não só expõe as práticas pecaminosas dos judeus na área do casamento, mas também
encoraja os discípulos a tratar o casamento como uma instituição divina e indissolúvel
(10.1-12).
Duas outras lições sobre o discipulado oferecem idéias antitéticas para enfatizar a
importância da fé na obtenção de acesso ao Reino. Na primeira passagem (10.13-16),
humildade e fé infantis são apresentadas como essenciais a tal acesso. Na segunda
passagem (10.17-27), a arrogância produzida pelas riquezas e pela autojustificação é
exposta como o principal obstáculo à entrada no Reino. Isso era tão contrário à doutrina
oficial do judaísmo que os discípulos chegaram à conclusão [falsa] de que ninguém
entraria no Reino, o que leva Jesus a explicar que tal entrada é um ato exclusivo de
Deus (10.26-27).
A lição a ser extraída desses contrastes é que o compromisso dos discípulos com o
evangelho renderia dividendos temporais e eternos, a despeito da rejeição humana que
viessem a experimentar (10.28-31).
O anúncio final da morte e ressurreição de Cristo é feito num contexto de incerteza e
medo
dúvida,por parte dos discípulos
relacionada (10.32-34).erradas
às suas expectativas A perplexidade dos discípulos
sobre o futuro imediato, estava,
o que é sem
evidente no pedido feito por João e Tiago para terem lugares de honra. A resposta de
Cristo indica, uma vez mais, que a auto-afirmação deve dar lugar ao serviço sacrificial,
de acordo com o exemplo da morte substitutiva do Servo ( cf. ιύηξνλ ἀληί νιι῵λ
[lutron anti pollōn], 10.35-45).
O parágrafo final da primeira parte do Evangelho de Marcos oferece uma ilustração
vívida de seu conceito de discipulado; assim como Bartimeu recebeu vista e começou a
seguir a Jesus, o discípulo cristão é alguém que é iluminado pelo Messias e O segue na
estrada rumo ao martírio (10.46-52).
A segunda parte do livro apresenta o sacrifício do Servo (11.1 - 16.20). A extrema
importância desse evento para Marcos se vê no fato de que um terço do seu evangelho é
dedicado à última semana da vida de Jesus.

35
Para ver um ponto de vista alternativo (que pessoalmente prefiro) do sentido de sal neste
contexto, ler E. P. Deatrick, “Salt, Soil, Savior,” BA 25.2 (Maio, 1962): 41 -48. Deatrick
argumenta que na Palestina o sal de rocha era usado como fertilizante e que sua
decomposição química o deixava ao mesmo tempo insosso − i.e., inútil como tempero − e
inadequado como fertilizante.
Marcos apresenta um resumo do ensino de Jesus, suas últimas confrontações com as
autoridades judaicas, Seu julgamento, Sua crucificação e ressurreição.
A apresentação oficial de Jesus a Israel como Messias ocorreu de acordo com as
profecias veterotestamentárias sobre o Rei que viria (Zc 9.9); a resposta popular foi de
aclamação enquanto grandes multidões de judeus se dirigiam a Jerusalém para celebrar
a Páscoa (11.1-11).
No resumo de Marcos o começo do ministério de Jesus durante a semana de Sua
paixão consistiu
do Templo de intensas
(11.12-25). confrontações
A primeira acusaçãocom a liderança
contra religiosa
eles foi por nas dependências
sua ganância e pelo
arremedo em que haviam transformado a religião judaica com seu comércio ilícito nos
pátios do Templo (11.12-19). Marcos é bastante explícito em sua ênfase aqui,
apresentando o Templo comocasa de oração para todas as nações (11.17), um
propósito que o chamado ―Bazar de Anás‖ inviabilizava, porque ocupava com seu
comércio o pátio dos gentios. Mais adiante, questões como ganância e hipocrisia
voltariam à tona.
O episódio da figueira reflete a acusação contra a nação, mas também serve como
estímulo a que os discípulos continuem a confiar na palavra de Deus com respeito ao
Reino, apesar de Israel ter rejeitado a Jesus (11.12-14, 20-26).
Críticas tão contundentes não poderiam passar sem resposta, e a seção seguinte
(11.27 - 12.44) contém o contra-ataque dos líderes. A tentativa óbvia é provar que Jesus
não tinha autoridade
frustrado, paramaneira
todavia, pela o status
desafiarsábia em quo religioso;
que Jesus lidouseu ataque
com agressivo(11.27-33).
sua pergunta foi
Por terem deixado de reconhecer a óbvia autoridade celestial que Jesus demonstrara em
Seus milagres, atribuindo-a, antes, a Satanás, os líderes já tinham sido desqualificados
(cf. 3.22); a contrapergunta feita por Jesus, um método de debate aceitável entre os rabis
judeus, expõe a falta de integridade dos líderes para sequer questionar o Mestre. O fato
de não terem respondido adequadamente à mensagem de João já os havia desqualificado
como líderes e, por isso, Jesus não sentiu que era necessário afirmar o que eles já
presumiam ser falso.
A iniciativa passa para o Servo, que por meio de parábolas revela que a rejeição
sistemática dos mensageiros de Deus por parte de Israel - que culminaria com a rejeição
do Filho - acabaria por trazer o juízo divino (12.1-12).
Precisando dar uma resposta, os líderes se ajuntaram de maneiras incomuns para
derrotar o Rabie galileu.
falhas morais Asda
teológicas respostas sábias
liderança de Jesus
de Israel, revelam
e fazem Suaainda mais claramente
autoridade as
brilhar ainda
mais diante do povo (12.13-37).
O ataque político pelos fariseus e herodianos (companhia incomum) é frustrado pelo
apelo de Jesus a uma lealdade maior que o nacionalismo dos fariseus e o oportunismo
político dos herodianos - lealdade e submissão a Deus, cuja imagem fora gravada no
homem (12.13-17).
A armadilha teológica apresentada pelos saduceus foi frustrada quando Jesus apelou
às Escrituras e ao poder de Deus, que eventualmente ressuscitaria os patriarcas de modo
que estes desfrutassem as promessas (12.18-27).
O ataque escriturístico ou legal sobre uma questão muito debatida no judaísmo foi
frustrado quando Jesus resumiu perfeitamente a lei. A afirmação sobre a proximidade
daquele escriba ao Reino destaca o ensino prévio de que o conhecimento da verdade
deveria ser seguido
A despeito porcompleto
de Seu um compromisso de féSeus
triunfo sobre com adversários
Jesus como (12.34),
Messias.Jesus considerou
necessário enfatizar ainda mais Suas reivindicações de divindade, assim oferecendo a
resposta esperada à pergunta inicial sobre Sua autoridade. Ele o fez ao reivindicar, com
base no Salmo 110, ser ao mesmo tempo filho (i.e., descendente) e senhorύξνο
( ,
kurios) de Davi, o que na mentalidade judaica era o equivalente a reivindicar divindade
(12.35-37).
Esta seção termina com um contraste entre a liderança falida e o castigo que haveria
de receber (12.38-40), e o ato de adoração genuína de uma viúva pobre, que entregara a
Deus tudo que possuía (12.41-44). Ela, em toda sua pobreza e humildade, ofereceu um
retrato perfeito do Servo altruísta que estava prestes a morrer pela nação.
As freqüentes menções de julgamento contra Israel nos debates entre o Servo e os
líderes desembocam numa revelação profética sobre o futuro da nação naquele que é o
mais longo discurso de Jesus no Evangelho de Marcos (13.1-37). Essa revelação tinha o
propósito
enganos quedidático
viriamdeantes
promover vigilância
da volta entre os discípulos à luz das perseguições e
do Servo.
A ocasião para o ensino foi a preocupação dos discípulos com a predição que Jesus
fizera sobre a destruição de Jerusalém (13.1-4). Sua preocupação é expressa em duas
perguntas. ―Quando acontecerão essas coisas?‖ e ―Qual será o sinal [ζεκεῖνλ, semeion]
de que estão prestes a se cumprir?‖ Os discípulos interpretaram a destruição de
Jerusalém como um evento simultâneo à consumação do séculocf. ( ζπληειέσ,
sunteleō).
A resposta de Jesus, como no Evangelho de Mateus, diz respeito em primeiro lugar à
segunda pergunta, lidando com a invasão e destruição definitivas de Jerusalém,
conforme preditas por Zacarias.
Ele indica, primeiro, que o fim desta era será caracterizado por uma enxurrada de
falso messianismo e por grandes convulsões mundiais, como guerras, terremotos e
fomes (13.5-8).
que exigirá Além disso,
vigilância haverá
por parte perseguição
deles. A promessageneralizada aos discípulos
de Jesus, todavia, é que o do Messias,
Espírito
Santo haveria de prestar assistência em tempos de perseguição, de modo que o
testemunho messiânico fosse apresentado a todo o mundo (13.9-13).
A segunda marca identificatória dos tempos do fim é o cumprimento da
septuagésima semana profética de Daniel (13.14-23). Isso significaria pressão crescente
sobre Israel para aceitar um falso Messias, com o estabelecimento da abominação da
desolação (ou o sacrilégio terrível, aβδέιπγκα ηῆο ἠξκώζεσο , bdelugma toēs
ērēmōseōs, um objeto de idolatria tão repugnante que fará que o Templo seja
abandonado).36 Esse aumento na pressão trará consigo uma necessidade ainda maior de
vigilância espiritual e fidelidade para os discípulos do Messias, que têm a promessa de
libertação em meio a muito sofrimento e apostasia (13.19-23).
Então o sinal sobre o qual os discípulos haviam perguntado é mencionado, pois o fim
da
comeraa profecia
será marcado por sinais
de Daniel (13.26;cósmicos e pela aparição
cf. Dn 7.13-14). do aplicação
A terceira Filho do Homem
de Jesusde acordo
também
é relacionada à vigilância, e à percepção espiritual que capacitará os discípulos a
discernir os sinais dos tempos (13.28-31). A referência muito debatida à geração que irá
testemunhar o cumprimento da profecia é melhor entendida como uma indicação de que
os eventos aqui preditos terão um rápido desenvolvimento (se esta interpretação do
Sermão Profético estiver correta, tudo irá durar apenas sete anos), permitindo aos
sobreviventes da tribulação testemunhar todos os assustadores eventos do tempo do fim.
A exortação final é à fidelidade em vigilância e serviço, à luz da natureza súbita da
segunda vinda do Filho (13.32-37). Cinco imperativos ousadamente exigem que os
cristãos (cf. 13.37), em toda parte e a todo tempo, permaneçam vigilantes.

36
Embora Jerusalém tivesse sido arrasada durante a Guerra Judaica contra Roma, nada que
pudesse ser classificado como “a abominação desoladora” ocorreu durante aqueles dias.
Somos levados a crer, portanto, que estes versículos ainda não se cumpriram e aguardam
cumprimento futuro quando da segunda vinda do Messias. Na melhor das hipóteses, a.D. 70
serve como uma ilustração de tais eventos.
A divisão final do Evangelho apresenta o ponto culminante da missão do Servo - Sua
morte sacrificial e substitutiva e Sua triunfante ressurreição e ascensão como o Filho de
Deus glorificado (14.1 - 16.20).
A morte do Servo é tramada pelos líderes, que esquecem suas diferenças diante de
seu ódio comum ao homem que tornara pública sua falência religiosa (14.1-2). Suas
tentativas de controlar a cronologia do evento e com isso obter vantagens, sem causar
revolta popular de conseqüências trágicas, irão fracassar sob a intervenção providencial
de Deus.
Enquanto isso, em Betânia, uma mulher [aqui anônima] antecipa a morte de Cristo ao
ungi-lo com um caríssimo perfume (14.3-9). Cronologicamente recolocado por Marcos,
esse parágrafo serve como contraste entre a mais intensa devoção (gastar o que era de
mais precioso em Jesus) com a mais intensa degradação (vender o mais Precioso por tão
pouco) - quando Judas vende Jesus à morte ao concordar entregá-lo aos líderes
religiosos (14.10-11).
A descrição da Páscoa que Jesus celebrou com Seus discípulos indica que Sua morte
iria cumprir, ou seja, exaurir, o significado da festa e instituir a Nova Aliança (14.12-
26). A descrição dos preparativos indica que Jesus tinha pleno controle das
circunstâncias que cercaram a Sua morte. Em obediência à tradição judaica, uma pessoa
específica (tinha de ser um homem) supriu o aposento em que o grupo iria celebrar a
Páscoa e participar da refeição pascal.
O anúncio
Antigo da traição
Testamento e daschocou os discípulos,
predições mas Sua
de Jesus sobre também
morteconfirmou a realidade
(14.17-21). do
No ambiente
de consternação geral depois da partida de Judas, Jesus investiu a Páscoa de um
significado mais profundo, anunciando a Si mesmo como o sacrifício da Nova Aliança
(14.22-25). Marcos 14.24 ecoa Êxodo 24.8, o sangue da aliança que o Senhor faz com
vocês.
É digno de nota o fato de que mesmo aqui a esperança do Reino é colocada diante
dos discípulos (14.25). A parte triste, conforme encontrada no relato de Lucas, é que os
discípulos ainda estavam preocupados com quem seria o maior no Reino. Com o
cântico da segunda parte dos Salmos do Hallel (Sl 115-118), o grupo deixou a casa em
direção ao Getsêmani. Significativamente, as últimas palavras do Salmo 118 dizem:
Não morrerei, antes viverei e anunciarei as obras do Senhor.
Os dois parágrafos seguintes apresentam mais um contraste interessante. Marcos
14.27-31
mas tambémretrata o Servo comoMarcos
de estabelecê-lo. alguém14.32-41,
onisciente, capazretrata
todavia, não apenas de como
o Servo preveralguém
o futuro,
plenamente submisso e dependente da vontade de Deus, a despeito da falta de apoio e
encorajamento de Seus amigos mais íntimos. A descrição feita por Marcos enfatiza a
luta emocional de Jesus (cf. ἐακβεῖζα [ekthambeisthai] e ἀδκνλέσ [adēmoneō],
14.33), uma característica singular de Sua humanidade.
A chegada de Judas com a patrulha de soldados enviados para prender Jesus serve
apenas para confirmar o soberano plano de Deus predito nas Escrituras. O
comportamento de Judas reflete as práticas dos inimigos do Sofredor Justo dos Salmos
(cf. Salmo 41.9); a fútil tentativa de Pedro de impedir a prisão cumpre a profecia de
Isaías de que o Servo seria contado entre os transgressores (Is 53.9); por fim, a deserção
de todos os Seus companheiros, tanto os próximos quanto os ocasionais, confirmou Sua
própria aplicação da profecia de Zacarias (Zc 13.7).
Tal como
colocar Mateus fizera
em destaque o fato antes
de Suadele, Marcose narra
inocência os julgamentos
Sua submissão de Jesus
à vontade de modo
de Deus (14.53a
- 15.15).
O primeiro julgamento, sob a direção de Caifás, foi ilegalmente realizado no meio da
noite, e condenou Jesus ilegitimamente com base em testemunhos contraditórios. É
verdade que Jesus afirmou ser o Filho do Homem, e isso deu aos líderes judeus as
razões religiosas para Sua condenação (14.53-65).
A perícope que contém as negações de Pedro tem um propósito editorial subjacente,
uma vez que pouco acrescenta à trama. Focalizando a hora mais escura da vida de Pedro
e confrontando-a com a fidelidade de Jesus, Marcos expõe a completa infelicidade
produzida pela negação e encoraja seus leitores à fidelidade usando Pedro como prova
de que a misericórdia e a graça de Cristo superam a infidelidade do homem (14.65-72).
Condenado pelas autoridades judaicas, Jesus ainda precisava ser formalmente
acusado e condenado num tribunal romano antes que pudesse ser executado, o que era o
plano da liderança.
de Herodes, Assim,
não muito foi levado
distante da casaperante Pôncio Pilatos, possivelmente no palácio
de Caifás.
Marcos registra apenas uma das acusações trazidas perante Pilatos, precisamente
aquela que iria atrair a atenção de um procurador anti-semita - sedição e traição contra
Roma. Percebendo o ódio e a inveja que motivavam o Sinédrio, Pilatos se mostrou
ansioso por libertar Jesus, de modo a deixar os judeus ainda mais irados (10.9-10). No
entanto, preso entre o seu ódio aos judeus e a possibilidade de uma insurreição num
momento em que Jerusalém estava apinhada de gente, Pilatos finalmente concordou e
entregou Jesus aos soldados para ser crucificado, soltando então Barrabás, o revoltoso
(10.12-15).
Marcos descreve a seguir alguns eventos relativos à crucificação de Jesus (15.16-47).
Esses eventos foram selecionados e dispostos de modo a indicar que Jesus era o Servo
Sofredor e o Filho de Deus. Isaías tinha profetizado que o Servo do Senhor sofreria mau
tratos verbais
Marcos e físicos (Is. 50.6; 53.3,
é compreensivelmente 5) ecom
breve assim aconteceu
respeito com Jesus
à própria (15.16-20).
crucificação. Há um
esforço controlado de não incriminar os romanos além da admissão de que haviam
efetivamente causado a morte do Servo. A maior parte do escárnio contra o Servo vem
dos circunstantes judeus, particularmente dos líderes religiosos, que zombam de Suas
reivindicações reais e messiânicas, blasfemando descaradamente de Deus ao citarem as
Escrituras em sua zombaria contra o Servo (15.29-32).
Marcos é, mais uma vez, bastante frugal nos detalhes da crucificação, omitindo até
eventos notáveis. Assim mesmo, registra aqueles eventos que revelam a verdade das
reivindicações de Cristo por causa de sua natureza singular (15.33-41). Esses eventos
incluem (1) o período incomum de escuridão; (2) o rasgo do véu do Templo; (3) a
confissão do centurião romano; e (4) o sepultamento incomum, que cumpriu a profecia
de Isaías de que o Servo estaria com o rico na sua morte (Is 53.9).
A presença
equivalente emdas
suamulheres
presençananohora finalglorioso
evento da vida de
do Jesus (15.40-41,
primeiro 47) achaSua
dia da semana. um
fidelidade diante das provações é recompensada com a primeira alegria da ressurreição
e a primeira responsabilidade da proclamação (16.1-8).
Já apresentamos uma breve defesa da autenticidade de Marcos 16.9-20 na discussão
das Questões Introdutórias. Do ponto de vista da doutrina e da hermenêutica, o chamado
final breve virtualmente nega a alegação do próprio autor de que sua obra é um
evangelho. Além do mais, o quadro que esses versículos pintam dos apóstolos não é
nada lisonjeiro, contendo uma crítica ácida à sua incredulidade, algo que igualmente
serve como argumento para a autenticidade dos doze últimos versículos (16.9-14).
O triunfo definitivo do Servo aparece em Sua comissão a que Seus discípulos levem
o Evangelho a toda a criatura (16.15-20). A questão central desseήξπγκα [kērugma] é
o assunto da fé. Aqueles que crerem serão eventualmente batizados (16.16, conforme
sugerido peloincredulidade.
apenas pela único artigo grego
Assimpara
comoosos
dois particípios),
milagres mashaviam
do Servo a condenação
servidoécomo
causada
autenticação de Sua mensagem, Ele agora oferece soberanamente, em favor daqueles
que vão levar adiante a Sua mensagem, alguns milagres confirmatórios que irão
autenticar a verdade de sua fé, ―não a confiança pessoal que qualquer um deles viesse a
exercer‖.37
37
John D. Grassmick, “Mark,” in BKC - New Testament Edition, 196.
A evidência histórica e a simples lógica de um período confirmatório para os sinais
durante o processo de consolidação da fé cristã sugerem que tais milagres foram
designados para um uso de apenas algumas décadas, conforme sugerido pelo linguajar
de Hebreus 2.3-4. Os sinais confirmatórios eram: (1) exorcismos; (2) glossolalia; (3)
imunidade a veneno; e (4) curas.
O Evangelho termina com uma visão do Servo glorificado, subindo aos céus e
ocupando o lugar de honra e autoridade à destra do Pai (16.19-20). A imagem é
messiânica,
capacitaria atomada mais uma
continuação vez de Daniel
do Evangelho 7. Desde
de Jesus os céus,
Cristo, o Servo
o Filho dirigiria
de Deus cf. e
( 1.1).

ESBOÇO SINTÉTICO
Mensagem
O padrão do discipulado cristão se encontra no Servo de Deus, cujo serviço
autentica Sua mensagem, e cuja vida é um sacrifício por toda a humanidade.
PARTE I – O SERVIÇO DO SERVO
O padrão do discipulado cristão se encontra no Servo de Deus, cujo ministério

I. O autentica
ministérioSua
do mensagem em meiode
Servo às multidões a oposição e má compreensão
Israel autentica (1.1a -despeito
Sua mensagem 10.52). de Sua
rejeição pela nação (1.1 - 8.26).
A. O ministério do Servo recebe o selo divino de aprovação (1.1-13).
1. O ministério do Servo é adequadamente identificado como Boas-
novas sobre um Salvador divino, o Messias (1.1).
2. O ministério do Servo é adequadamente introduzido por um precursor profeticamente
prometido (1.2-8).
• O precursor do Servo foi prometido pelos profetas da antiguidade (1.2-3).
• A mensagem do precursor do Servo foi a necessidade de arrependimento por parte de
Israel (1.4-6).
• O incentivo apresentado pelo precursor do Servo era a vinda do grande Rei que traria as
bênçãos prometidas do Reino messiânico (1.7-8).
3. O ministério do Servo é adequadamente identificado pela proclamação de Sua aprovação
por Deus quando de Seu batismo (1.9-11).
4. O ministério do Servo é adequadamente assegurado pela Sua vitória sobre a tentação no
deserto (1.12-13).
B. O ministério inicial do Servo é uma chamada ao discipulado messiânico à luz da oferta
de salvação motivada pela iminência do Reino de Deus (1.14-20).
1. A proclamação do Servo era a iminência do Reino de Deus e a necessidade de uma fé
penitente para alcançá-lo (1.14-15).
2. A convocação do Servo era ao envolvimento com Ele na tarefa de atrair homens para o
Reino (1.16-20).
C. O crescente ministério de milagres realizado pelo Servo autentica Sua mensagem e
autoridade messiânicas diante do povo (1.21 - 2.12).
1. A cura de um endemoninhado na sinagoga de Cafarnaum demonstra a autoridade do
Servo sobre os demônios e lhe granjeia ampla reputação (1.21-28).
2. O ministério de compaixão a multidões de pessoas carentes demonstra a autoridade do
Servo sobre as doenças, mesmo enquanto Ele silencia o testemunho desorientador de
Seus inimigos demoníacos (1.29-34).
3. O crescimento do ministério de compaixão e proclamação do Servo está relacionado a
um senso pessoal de missão baseado na comunhão com Deus por meio da oração (1.35-
39).
4. A cura de um leproso demonstra a autoridade do Servo sobre a contaminação e Seu
desejo de que Ele mesmo e Sua mensagem sejam corretamente compreendidos (1.40-
45).
5. A cura de um paralítico demonstra a prerrogativa divina do Servo de perdoar pecados,
demonstrando Sua autoridade sobre a deformidade (2.1-12).
D. O amplo ministério de cura e pregação realizado pelo Servo dá lugar a um ministério
mais restrito de preparação dos discípulos à medida que a oposição à Sua pessoa e à Sua
mensagem surge e cresce em Israel (2.13 - 8.26).
1. Uma aguda controvérsia se forma entre o Servo e a liderança religiosa judaica por causa
de Sua atitude para com a tradição rabínica (2.14 - 3.6).
• O Servo critica a insensibilidade espiritual dos líderes quando eles O atacam por Se
associar com pessoas de má reputação e inseri-las em Seu programa de discipulado
(2.13-17).
• O Servo critica o apego a rituais, que segundo Ele se tornariam inúteis porque o
verdadeiro discipulado significa desfrutar da Sua presença como o Messias prometido
(2.18-22).
• O preocupação
Servo critica genuína
os líderes porassua
com observância
pessoas cega
em favor dedo sábado,
quem despida
o sábado foradeinstituído
qualquer(2.23 -
3.6).
- A acusação dos líderes contra os discípulos de violarem o sábado é refutada pela maneira
que o Servo aplica as Escrituras contra meras tradições humanas (2.23-28).
- A tentativa dos líderes de acusar o Servo de violar o sábado é frustrada pela Sua cura de
um homem deformado, a qual expõe a insensatez de sua tradição, provocando assim na
ira assassina da liderança (3.1-6).
2. Um contexto melhor de ministério se apresenta quando o Servo reúne um grupo de
discípulos que aprenderão em contato com Ele à medida que ensina e ministra às
multidões carentes de Israel (3.7-19).
• A retirada do Servo com os discípulos não O impede de ministrar às multidões carentes
(3.7-10).
• A restrição imposta pelo Servo aos espíritos malignos é necessária por causa de sua
tentativa de sabotar Sua mensagem chamando atenção indevida a Seus poderes
milagrosos (3.11-12).
• A escolha do Servo para a plena continuidade de Seu ministério foi um grupo de doze
homens com os quais Ele iria compartilhar Sua vida, Sua mensagem e Sua autoridade
(3.13-19).
3. A oposição ao Servo se espalha e se aprofunda à medida que Sua própria família e a
liderança de Israel atribuem Seus milagres a fontes malignas e Ele se desassocia de
ambos os grupos (3.20-35).
• A oposição por parte da família terrena do Servo foi causada pela impressão errada de que
Ele tinha enlouquecido (3.20-21).
• A oposição por parte da liderança religiosa de Israel veio da conclusão errada de que os

• A exorcismos
resposta do realizados pelo Servo
Servo aos líderes eram
revela suasrcinados emeSatanás
incoerência (3.22).
os adverte contra o irreversível
pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo (2.23-30).
• A resposta do Servo à Sua família indica que a verdadeira comunhão com Ele não
depende de relacionamentos de sangue ou raça, mas de uma fé submissa (3.31-35).
4. A mudança de ênfase no ministério do Servo, induzida pela oposição, levou-O a velar a
proclamação pública das verdades do Reino por meio de parábolas, enquanto as
revelava em particular aos discípulos (4.1-34).
• A parábola dos solos retrata as variadas reações em Israel à mensagem do Reino
proclamada pelo Servo e a necessidade de recebê-la em fé para produzir fruto no Reino
(4.1-20).
- A parábola é apresentada às multidões (4.1-9).
- O propósito da parábola é apresentado - confirmar Israel em sua rejeição e instruir os
discípulos (4.10-12).
- A parábola é explicada aos discípulos (4.13-20).
• A la
parábola
adianteda candeia(4.21-25).
a outros indica que aqueles que recebem iluminação do Servo devem passá-
• A parábola da semente que germina indica que o Reino crescerá com sua dinâmica própria
até o tempo do juízo escatológico (4.26-29).
• A parábola da semente de mostarda explica como o Reino irá crescer até atingir
proporções universais apesar de seu humilde começo (4.30-32).
• A nova ênfase no ministério do Servo se acha na preparação particular de Seus discípulos
(4.33-34).
5. Os notáveis atos de poder do Servo demonstram a realidade de Seu ensino sobre o Reino
(4.35 - 5.43).
• A autoridade divina se revelano Servo quando Ele acalma uma tempestade no mar (4.35-
41).
• A cura do endemoninhado revela o poder divino do Servo, reconhecido pelos demônios,
mas rejeitado pelos gerasenos (5.1-20).
• A cura da mulher hemorrágica e a ressurreição da filha de Jairo revelam a compaixão do
Servo e Seu poder sobre a vida e a morte (5.21-43).
- O comovente pedido de Jairo encontra uma resposta terna e compassiva por parte do
Servo (5.21-24).
- A fé sincera, ainda que imperfeita, da mulher hemorrágica é recompensada pelo Servo
com a cura e a promessa de contínuo bem-estar (5.25-34).
- A ressurreição da filha de Jairo destaca o poder do Servo sobre a morte (5.35-43).
6. A crescente oposição ao Servo por pessoas comuns e pelas autoridades de Israel é
respondida com generosas demonstrações de poder em Seu ministério (6.1 - 8.26).
• A rejeição pública do Servo em Nazaré, sua ―cidade natal‖, é respondida com o ministério
comissionado dos discípulos como Seus representantes autorizados (6.1-13).
• A reação ameaçadora de Herodes Antipas ao ministério do Servo é respondida com uma
demonstração milagrosa de misericórdia e poder (6.14-56).
- O tratamento brutal dispensado por Herodes a João Batista torna-se uma ameaça à vida do
Servo (6.14-29).
- A provisão de alimento para uma grande multidão manifesta a misericórdia do Servo e
Seu cuidado para com os carentes (6.30-44).
- A caminhada do Servo sobre as águas e o acalmar da tempestade manifestam o Seu divino
poder (6.45-56).
• A oposição legalista dos fariseus e escribas tem como reação a extensão do ministério
misericordioso de milagres ao território gentio (7.1 - 8.9).
- As objeções dos fariseus ao estilo de vida do Servo são denunciadas como cortina de
fumaça para sua falta de pureza interior (7.1-23).
• A questão da purificação interna aparece como pretexto contra o Servo (7.1-5).
• O Servo traz a lume o problema dos líderes de Israel - o abandono da Palavra de Deus
em favor de tradições humanas (7.6-13).
• As multidões e os discípulos são advertidos contra a hipocrisia crônica dos líderes
religiosos (7.14-23).
- O ministério aos gentios revela a extensão das bênçãos do Reino a todas as nações à luz da
resposta negativa de Israel ao Servo (7.24 - 8.9).
• A cura da filha da mulher siro-fenícia ilustra o triunfo da fé sobre a contaminação
cerimonial aos olhos de Deus (7.24-30).
• A cura do surdo-mudo revela a resposta positiva dos gentios aos atos de misericórdia
do Servo (7.31-37).
• A alimentação milagrosa de quatro mil pessoas apresenta o Servo como o provedor
divino para as necessidades dos gentios (8.1-10).
• A oposição hipócrita dos fariseus incrédulos é condenada e contra-atacada pela cura de

- O um cego
Servo (8.9-26).
condena a incredulidade que ignora a evidência disponível e exige sinais
adicionais como se isso fosse marca de piedade (8.11-13).
- O Servo adverte os discípulos sobre a maneira em que a incredulidade prejudica a
percepção espiritual do indivíduo (8.14-21).
- O Servo demonstra a necessidade de uma visão espiritual clara ao curar um cego por meio
de um milagre em duas fases (8.22-26).
II. O ministério do Servo aos discípulos desvenda o programa divino para Ele e o estilo de
vida que se espera do discípulo num contexto de provações e oposição (8.27 - 10.52).
A. O ministério do Servo aos discípulos desvenda o programa divino de sofrimento e
glorificação para Ele como o Messias (8.27 - 9.13).
1. A confirmação da messianidade de Jesus para os discípulos vem por meio da confissão
de Pedro (8.27-30).
2. A instrução referente ao programa divino para o Servo diz respeito à necessidade de seu
sofrimento, morte e ressurreição (8.31-33).
3. A instrução sobre a atitude dos discípulos em face do sofrimento do Servo (e do seu
próprio) e de Sua posterior glorificação deveria ser de autonegação e aceitação das
provas devidas ao seu compromisso com Ele (8.34 - 9.1).
4. A transfiguração oferece um estímulo à fé e ao compromisso dos discípulos ao confirmar
a autoridade real designada para o Servo no programa de Deus (9.2-13).
• A transfiguração revela a aprovação de Deus ao Servo e Seu papel chave no programa
divino (9.1-7).
• A transfiguração confirma a necessidade da morte do Servo sobre a cruz, prefigurada na
rejeição de João Batista por Israel (9.8-13).
B. Onum
ministério
contextododeServo aos discípulos
provações e oposiçãodesvenda o estilo de vida esperado de um discípulo
(9.14 - 10.52).
1. Os discípulos precisam de fé e oração poderosa para vencer forças demoníacas conforme
demonstrado na cura de um menino endemoninhado (9.14-29).
2. O segundo anúncio da morte e ressurreição do Servo revela a falta de compreensão da
missão do Servo por parte dos discípulos (9.30-32).
3. Os discípulos precisam de humildade e de uma atitude de serviço entre a comunidade da
fé conforme ilustrado pelo lugar e papel de uma criança em sua sociedade (9.33-37).
4. Os discípulos precisam aceitar outros seguidores do Servo porque o compromisso com
Ele trará recompensa divina a despeito das associações terrenas (9.38-41).
5. Os discípulos precisam evitar tornar-se pedras de tropeço a todo custo, pois um
compromisso perdido com o Messias é difícil de recuperar (9.42-50).
6. Os discípulos
divórcio fácilprecisam
dos judeustratar o casamento como uma instituição divina e rejeitar o
(10.1-12).
7. Os discípulos precisam valorizar a humildade e a confiança infantis como as qualidades
exigidas para a entrada no Reino (10.13-16).
8. Os discípulos precisam abandonar a confiança nas riquezas e na justiça baseada em obras
como garantias de entrada no Reino (10.17-27).
9. Os discípulos precisam lembrar que o compromisso com o evangelho não trará apenas
vida eterna, mas o paradoxo de recompensas e rejeição na terra (10.28-31).
10. O terceiro anúncio da morte de Cristo reforça a necessidade dos discípulos assumirem
uma atitude de serviço e não de auto-afirmação (10.32-45).
C. Transição - A cura de Bartimeu, o cego, retrata o verdadeiro significado do discipulado -
ser iluminado pelo Messias e segui-LO na estrada rumo ao martírio (10.46-52).

PARTE
O padrão O SACRIFÍCIO
II - do DO SERVO
discipulado cristão se encontra no Servo de Deus, cuja vida é oferecida
como um sacrifício por toda a humanidade (11.1 - 16.20).
I. A apresentação oficial do Servo como Messias provoca o tipo de oposição oficial que
levará à Sua rejeição definitiva pela nação (11.1 - 12.44).
A. A apresentação do Messias de acordo com as profecias do Antigo Testamento encontra
boa recepção e exuberante alegria por parte das multidões que acorrem a Jerusalém
(11.1-11).
B. O início do ministério do Servo durante a Semana da Paixão prepara o caminho para sua
confrontação posterior com os líderes religiosos por causa de Sua condenação da
ganância e da falsa religiosidade da liderança (11.12-25).
1. Jesus condena os líderes por sua ganância e pela paródia de religião que criaram com seu
comércio ilícito dentro das dependências do Templo (11.12-19).
2. A maldição contra a figueira serve como encorajamento aos discípulos para que
continuem a crer em Deus a despeito da rejeição do Servo por Israel (11.20-26).
C. A contestação da autoridade do Servo pelos líderes de Israel fracassa quando Ele revela
sua falência espiritual e Sua superioridade moral em relação a eles (11.27 - 12.44).
1. A contestação da autoridade do Servo é frustrada quando Ele expõe a incapacidade
espiritual dos líderes, evidenciada em sua reação a João Batista (11.27-33).
2. A rejeição sistemática do plano de Deus por Israel, que culminou com a rejeição do
Servo pelos líderes, trará juízo divino sobre a nação (12.1-12).
• A parábola dos agricultores perversos retrata a longa história de rejeição do plano de Deus
por Israel (12.1-9).
• A aplicação de passagens messiânicas à rejeição do Servo pelos líderes comunica a
mensagem de juízo contra a liderança (12.10-12).
3. A maneira sábia como o Servo lidou com os ataques das diversas facções da liderança
judaica desmascara sua inépcia espiritual e deixa Sua autoridade intocada diante do
povo (12.13-37).
• O ataque político pelos fariseus e herodianos foi frustrado pelo apelo do Servo à lealdade
a Deus como a questão fundamental da vida (12.13-17).
• O ataque teológico pelos saduceus quanto à ressurreição foi frustrado pelo apelo do Servo
às Escrituras e ao poder de Deus, dos quais Seus adversários eram vergonhosamente
ignorantes (12.18-27).
• O ataque escriturístico por um mestre da Lei quanto ao maior dos mandamentos foi
frustrado pela capacidade do Servo de resumir a Lei (12.28-34).
• O desmascaramento da inépcia espiritual da liderança foi completo quando eles se
mostraram incapazes de lidar com a reivindicação de divindade do Servo com base nas
Escrituras [Salmo 110] (12.35-37).
4. A condenação dos líderes religiosos e de seu sistema hipócrita de religião pelo Rei retrata
e define a rejeição divina de Israel (12.38-40).
5. O contraste entre os líderes, hipócritas e egoístas, e o Servo, autêntico e altruísta, foi
ilustrado pelo compromisso total da viúva e sua pequena oferta (12.41-44).
II. O desvendamento do programa profético de Deus pelo Servo contribui para intensificar
a necessária atitude de vigilância entre os discípulos em vista das perseguições e dos
enganos vindouros (13.1-37).
A. A ocasião para o Sermão Profético foi a preocupação dos discípulos com a predição da
destruição de Jerusalém por Jesus (13.1-4).
B. Convulsões cósmicas, perseguição e apostasia generalizadas caracterizarão o fim desta
era, exigindo vigilância dos discípulos (13.5-23).
1. O fim desta era será caracterizado por falso messianismo e por convulsões físicas e
sociais no mundo (13.5-8).
2. O fim desta era será caracterizado por oposição generalizada ao evangelho e perseguição
aos crentes (13.9-13).
3. O fim desta era será caracterizado pelo cumprimento da septuagésima semana de Daniel,
com pressão aumentada sobre Israel para aceitar um falso Messias, exigindo assim a
vigilância dos discípulos (13.14-23).
• A abominação desoladora será manifestada no Templo e trará ampla perseguição entre os
judeus (13.14-18).
• Haverá libertação para os eleitos, apesar de sofrimento e agitação sem precedentes no
mundo (13.19-20).
• Haverá uma explosão de falso messianismo (13.21-23).
C. A vinda do Filho do Homem será marcada por sinais cósmicos e pela reunião universal
dos eleitos de Deus (13.24-27).
D. A vigilância é necessária para discernir os sinais dos tempos e para ser encontrado fiel
quando da vinda do Filho do Homem (13.28-37).
1. Os discípulos deveriam ser capazes de identificar os sinais do fim dos tempos tão
claramente quanto identificam as estações do ano, bem como estar prontos para a vinda
iminente do Filho do Homem (13.28-31).
2. Os discípulos deveriam ser vigilantes para serem encontrados fiéis à luz da natureza
súbita da vinda do Filho do Homem (13.32-37).
III. O ponto culminante da missão do Servo surge com Sua morte sacrificial como resgate
por muitos e com Sua triunfante ressurreição e ascensão como Filho de Deus (14.1 -
16.20).
A. O ponto culminante da missão do Servo surge com Sua morte sacrificial como resgate
por muitos (14.1 - 15.47).
1. O cenário para a morte do Servo é preparado por uma conspiração, uma unção e uma
traição (14.1-11).
• Os líderes religiosos conspiram para eliminar o Servo sem causar um levante popular
(14.1-2).
• A mulher de Betânia antecipa a morte do Servo ungindo-O com um caro perfume (14.3-
9).
• Judas Iscariotes oferece aos líderes a oportunidade de que precisavam para eliminar Jesus
(14.10-11).
2. Asignificado
celebraçãoda
dafesta
Páscoa indicae instituiria
judaica que a morte do Servo
a Nova daria(14.12-26).
Aliança pleno cumprimento ao
• Os preparativos para a Páscoa refletem o controle que o Servo exercia sobre as
circunstâncias que cercavam Sua morte próxima (14.12-16).
• O anúncio da traição confirma a realidade das predições do Servo sobre Sua morte (14.17-
21).
• A refeição pascal é investida de sentido mais profundo quando Jesus anuncia-Se a Si
mesmo como o sacrifício que garante a Nova Aliança (14.22-25).
- Seu corpo seria quebrado como o pão (14.22).
- Seu sangue seria derramado como o vinho (14.23-24).
- Sua oferta apontava para a consumação do programa do Reino em Sua segunda vinda
(14.25).
- Um hino [salmos do Hallel] foi cantado em louvor a Deus (14.26).
3. O Servo soberanamente prediz o Seu abandono pelos discípulos e a negação de Pedro,
indicando quão terrivelmente só Ele ficaria por ocasião de Sua morte (14.27-31).
4. As orações àdevontade
submisso Jesus nodeGêtsemani apresentam-nO
Deus embora cercado porcomo o Servo
amigos do Senhor, plenamente
descompromissados (14.32-
42).
5. Os eventos da prisão de Jesus revelam que o plano para eliminá-lo estava dentro do
escopo do plano soberano de Deus predito nas Escrituras (14.43-52).
• O sinal de Judas para os aprisionadores foi o sinal universal de amizadecf.
[ Salmo 41.9]
(14.43-46).
• A fútil tentativa de afastar os aprisionadores deu a Jesus uma associação formal com os
violentos [cf. Is 53.9] (14.47-49).
• A deserção de todos os Seus companheiros, tanto os próximos quanto os casuais,
confirmou Seu próprio uso da profecia [ cf. Zc 13.7] (14.50-52).
6. Os eventos relacionados aos julgamentos ilegítimos de Jesus colocam em alto relevo Sua
inocência e Sua entrega à vontade determinada de Deus (14.53 - 15).
• O julgamento conduzido por Caifás condenou Jesus por blasfêmia com base em
testemunho contraditório e em Sua alegação de ser o Filho do Homem (14.53-65).
- A tentativa dos líderes de incriminar Jesus falhou por causa do uso de evidência
contraditória (14.53-59).
- A acusação de blasfêmia foi lançada contra Jesus por causa de Sua alegação de ser o Filho
do Homem (14.60-64).
- O tratamento brutal dispensado a Jesus revela a natureza ilegítima do julgamento (14.61-
65).
• As negações de Pedro revelaram tanto a completa solidão de Jesus em Seu julgamento
38
quanto a enormidade da culpa resultante de negar a Jesus (14.65-72).
• O julgamento conduzido por Pilatos condena Jesus por sedição contra Roma com base em
Sua alegação de ser Rei dos Judeus (15.1-15).
-- A
A resposta
tentativa de Jesus
pífia à acusação
de Pilatos trazidaJesus
de libertar contrafoiEle deixou pela
superada Pilatos perplexo
incitação da (15.1-5).
multidão pelos
líderes religiosos (15.6-11).
- A motivação determinante para a condenação do Servo foi agradar uma multidão
descontrolada (15.12-15).
7. Os eventos relacionados à crucificação de Jesus claramente O identificam como o Servo
Sofredor e o Filho de Deus (15.16-47).
• Jesus é ridicularizado e maltratado fisicamente [como fora profetizado sobre o Servo
Sofredor] (15.16-20).
• Jesus é vilipendiado pelos judeus quando estes zombam de Suas reivindicações de realeza
e messianidade [num uso errado e blasfemo dos Salmos] (15.21-32).
• Os eventos sobrenaturais ligados à morte de Cristo revelam a verdade de Suas alegações
(15.33-47).

38
À luz do propósito de encorajar um discipulado fiel num contexto de perseguição, esta
passagem é muito importante para o desenvolvimento da mensagem do livro. Cf. 16.7, onde
Pedro é especialmente ajudado com o encorajamento de Cristo. Marcos usou a experiência de
seu mentor para encorajar os crentes a perseverarem.
- O período de escuridão estranhamente longo reflete a escuridão espiritual da hora (15.33-
37).
- O véu do Templo é rasgado de alto a baixo, revelando a ab-rogação do sistema religioso
judaico (15.38).
• A admissão da deidade de Cristo por um centurião romano estabelece um forte contraste
com a zombaria dos judeus (15.39).
• A presença de algumas seguidoras de Jesus que observavam a cena a distância atesta o

• O absoluto abandono
sepultamento do Servo
de Jesus na hora
por José de Sua morte
de Arimatéia deu (15.40-41).
ao Servo um lugar entre os ricos, em
cumprimento da profecia de Isaías (15.42-47).
B. O ponto culminante da missão do Servo vem com Sua triunfante ressurreição e Sua
ascensão como o Filho de Deus (16.1-20).
1. A ressurreição é anunciada a um grupo de mulheres como prova das reivindicações de
divindade e messianidade por parte de Jesus (16.1-8).
• A expectativa das mulheres era encontrar um cadáver a quem iriam ungir com especiarias
(16.1-3).
• O anúncio da ressurreição de Cristo e de Sua presença na Galiléia por meio de um jovem
cuja presença não era esperada deixou as mulheres confusas e temerosas (16.4-8).
2. As aparições pós-ressurreição confirmam a realidade do anúncio de que Jesus estava

• O vivo, descrevendo
primeiro como
relatório por foi Madalena
Maria difícil vencer
não ofoiceticismo dosdiscípulos
crido pelos discípulos(16.9-11).
(16.9-14).
• O segundo relatório pelos dois discípulos que viajavam não foi crido pelos onze (16.12-
13).
• A aparição do próprio Jesus aos onze trouxe consigo uma repreensão por sua
incredulidade (16.14).
3. O Servo triunfante comissiona e capacita Seus discípulos a levarem o Evangelho a toda a
criatura (16.15-18).
• A mensagem que deveriam proclamar era de salvação por meio da fé e condenação pela
incredulidade (16.15-16).
• A confirmação que apresentariam consistiria de sinais milagrosos concedidos a eles pelo
próprio Servo (16.17-18).
4. O servo triunfante subiu ao lugar de autoridade no céu, de onde dirige a proclamação e a
confirmação do Evangelho (16.19-20).

O argumento de
LUCAS
Questões introdutórias
TÍTULO
A maioria dos manuscritos mais algumas testemunhas ocidentais e alexandrinas
contêm o sobrescrito εὐαγγέινλ αηά Λνπᾶλ (euangelion kata Loukan). Alguns
manuscritos da tradição bizantina mais e B têm apenas αηά Λνπᾶλ .
AUTORIA
O terceiro Evangelho é anônimo. Seu autor, porém, deixou algumas informações
sobre si mesmo no prólogo (1.1-4): (a) a conformidade aos padrões literários do seu
tempo indica que ele era um homem bastante culto; (b) ele afirma especificamente que
pesquisou seu material a partir de testemunhas oculares dos eventos, o que sugere que
não estava entre os seguidores srcinais de Jesus.
Evidências externas: Evidências de uma autoria lucana para esse evangelho vêm
principalmente da segunda metade do século II. Marcion, o herege, aceitava apenas
39
Lucas como um evangelho verdadeiro, embora com algumas excisões. Justino Mártir
(c. 100-165) cita Lucas 22.44 e 23.46, sem, contudo, especificamente identificar Lucas
40
como o autor.(c. A
Muratoriano primeira
180), evidência
cujas linhas 2 a 8bem definida da autoria lucana vem do Cânon
dizem:
O terceiro livro do Evangelho: Segundo Lucas. Este Lucas era um médico. Depois da
ascensão de Cristo, quando Paulo o levara com ele como um dedicado a letras. Ele
escreveu sob seu próprio nome, a partir de relatos alheios. Ele mesmo, pois, não tinha
visto o Senhor pessoalmente, mas, na medida em que era capaz de seguir (tudo),
começou o seu relato com o nascimento de João.41
Irineu de Lyon (c. 140-203) escreve especificamente. ―Lucas também, o
companheiro de Paulo, levou adiante num livro o evangelho, como fora pregado por
ele.‖42 Talvez a declaração mais completa de autoria lucana se encontra no prólogo
Antimarcionita, que data de cerca de 18043. A estes se acrescentam os testemunhos de
Tertuliano (c. 150-220), Orígenes (185-254), Eusébio (324), Jerônimo (340-420), que
recapitula esta sólida tradição da igreja.44 Todos os antigos cânones, versões, e listas
canônicas conciliares contêm o Evangelho e apontam solidamente para o médico amado
como seu autor.
Evidência interna: Esta precisa levar em conta a evidência obtida do livro de Atos,
principalmente seu prólogo e as chamadas ―passagens inclusivas‖.45 Assim, ambos os
livros são dedicados ao mesmo indivíduo, um certo Teófilo; Atos faz referência ao
primeiro volume (ηόλ ξ῵ηνλ ιόγνλ , ton prōton logon); os livros contêm semelhanças
46
de estilo e vocabulário, partilham de preferências teológicas semelhantes; a noção
definida de progressão geográfica encontrada em ambos os livros.
39
Tertuliano Contra Marcion, 4.1.
40
D. Edmond Hiebert, An Introduction to the New Testament, 1:115.
41
Citado por Joseph A. Fitzmyer, The Gospel According to Luke I-IX, AB 28A, p. 37.
42
Contra Heresias 3.1.1. A simplificação exagerada do papel de Lucas como um autor não
invalida o fato da sua autoria. Este ponto de vista de Lucas como um mero copista ou
amanuense provavelmente nasceu de um desejo de dar autoria apostólica ao livro.
43
E. E. Ellis, The Gospel of Luke, NBC, 41, e Fitzmyer, Luke I-IX, pp. 38-39, ambos citam o
texto. Fitzmyer, no entanto, argumenta em favor de duas composições separadas e destaca
que a especulação sobre as srcens do Novo Testamento já era um fato comum no século II.
Sua conclusão, porém, é que “descartar a substância da tradição – que Lucas escreveu o
terceiro Evangelho e Atos – parece desnecessário”.
44
De viris illustribus 7.
45
As chamadas “we-passages” nos comentários ingleses.
46
F. F. Bruce lista as seguintes: simpatias católicas (i.e. universais), interesse pelos gentios,
proeminência a mulheres, tendências apologéticas semelhantes, aparições pós-ressurreição
limitadas à Judéia, e o julgamento de Cristo diante de Herodes Antipas (The Acts of the
Apostles, p. 2).
A semelhança de estilo e vocabulário entre as passagens inclusivas e o resto de Atos
indica que foram escritos pela mesma pessoa. Visto que apenas Lucas e Tito entre os
companheiros não são mencionados especificamente em Atos, um dos dois deve ser o
autor. Tito, cuja ausência em Atos é, de fato, surpreendente, nunca foi indicado como o
autor de Atos, deixando assim Lucas como o único verdadeiro candidato para a autoria
do terceiro Evangelho.
A partir do Evangelho de Lucas apenas se descobre que a grande precisão com a qual
oescreveu
autor seoreferiu a e usoutanto
livro. Assim, termos médicos externa
a evidência sugere que alguém
quanto envolvido
a interna compara
apontam medicina
Lucas
como o autor.
Lucas deve ter sido um gentio porque Paulo o diferenciava dos ―da circuncisão‖ (Cl
4.10-14) e por causa do seu comentário distanciado sobre a língua hebraica, ―em sua
própria língua‖ (At 1.19). Além de ser um companheiro chegado de Paulo, ele foi
chamado ―o médico amado‖ pelo Apóstolo (Cl 4.14).
O médico juntou-se a Paulo em Trôade na segunda viagem missionária de Paulocf. (
At 16.10, a primeira ―passagem inclusiva‖ em Atos). Ele provavelmente ficou em
Filipos e se tornou um líder importante depois da partida de Paulo (At 16). Uns seis
anos depois, Lucas se reuniu a Paulo quanto este foi a Filipos em sua terceira viagem
missionária e permaneceu com ele até chegar à Palestina. Lucas permaneceu com Paulo
durante o seu aprisionamento de dois anos em Cesaréia e depois o acompanhou a Roma
(At 28). Ele foi visto novamente ao lado de Paulo durante o terceiro aprisionamento do
Apóstolo.
DATA E ORIGEM
O final do livro de Atos, às vezes chamado de ―abrupto‖ por pessoas que não
percebem plenamente o propósito de Lucas para o segundo volume da sua obra, sugere
que Lucas concluiu sua composição pouco tempo depois da soltura de Paulo em a.D.
62.
Essa data, então, seria oterminus a quo para a composição do Evangelho de Lucas,
que é o primeiro volume da descrição que Lucas fez do progresso soberano da
mensagem do Reino de Jerusalém a Roma.47
Durante os dez anos em que Lucas ministrou com Paulo, ele teve muitas
oportunidades de coletar seu material, mas o melhor período para essa atividade foram
os dois anos que Paulo passou como prisioneiro romano em Cesaréia. O sabor
nitidamente hebraísta
entrevistas ―ao dos Maria,
vivo‖ com capítulos
mãe1 do
e 2nosso
do seuSenhor,
Evangelho pode
ou um dos ser devido
irmãos a
de Jesus.
A data mais provável para o Evangelho, então, é por volta de a.D. 58-59, antes que
Paulo e Lucas partissem para Roma. À luz do relato do naufrágio em Atos 27, pode-se
supor que, onde quer que tenha morado Teófilo, Lucas provavelmente enviou o srcinal
para lá, de Cesaréia, antes da sua viagem.48

47
É notável que a maioria dos autores que defendem a existência de várias fontes primitivas
das quais os Evangelhos Sinópticos derivam sua informação argumentam que visto que Lucas
menciona “muitas” tentativas de compor uma história da vida terrena de Cristo, seu Evangelho
precisa ser tardio. Assim diz Fitzmyer, Luke I-IX, 54, e implicitamente N. Geldenhuys,
Commentary on the Gospel of Luke, NICNT, 33.
48
J. A. T. Robinson, Redating the New Testament, 50-60, coloca a data de Lucas por volta de
57-60, refutando acusações de vaticinia ex eventu para as profecias sobre a destruição de
Jerusalém (cf. Lc 21.20-24) e argumentando por menos dependência literária entre os
Sinópticos.
Há cinco outros locais de srcem propostos para o Evangelho de Lucas. O(s)
prólogo(s) Anti-Marcionita(s) afirma(m) que ele foi composto na Acaia.49 Jerônimo
propõe duas srcens diferentes: Beócia (onde Lucas teria morrido, segundo oprólogo) e
Roma. Outras candidatas são Alexandria e Decápolis.50 Este escritor prefere uma
srcem cesareana para o Evangelho e uma srcem romana para Atos, o segundo volume.
DESTINATÁRIOS
Há indicações literárias e contextuais de que o público alvo de Lucas era
predominantemente
judaica dos discursosgentio.
que se Fitzmyer
encontramalista as seguintes:
em Mateus (a) estão
e Marcos as porções comemorientação
ausentes Lucas
(e.g., as antíteses de Mateus 5.21-48 estão ausentes no Sermão do Monte [?] em Lucas);
(b) expressões gregas substituem títulos hebraicos/aramaicos (por exemplo, ἐζηάησ
[epistatō] em lugar de Ραββί [Rabbi] e λνκόο [nomikos] em lugar de γξακκαηεύο
[grammateus(c) a genealogia de Jesus é levada até Adão, em vez de até a Abraão
(cf. Mt 1.1); (d) a maioria das citações de Lucas vem da Septuaginta (com pequenas
modificações editoriais); e (e) o uso de ―Judéia‖, às vezes, para incluir Samaria e
Galiléia (por exemplo, 1.5; 4.44). O exemplo mais óbvio, porém, se encontra em Lucas
22.1, onde a Festa dos Pães Asmos recebe o adendo, ―chamada páscoa‖.
A pessoa especificamente denominada como o recipiente da obra, Teófilo, não é
conhecida. Seu nome era comum, e isso pode ter ocasionado a idéia de que ele
represente ―os amigos de Deus‖, isto é, cristãos em geral. Isto, porém, é uma
desnecessária falta de consideração
nos outros Evangelhos, supostamentepela dedicatóriaaformal
direcionados certos de Lucas, que está ausente
grupos.
Pressupondo, então, a sua existência individual, Teófilo deve ter sido um gentio de
certa riqueza ou importância na sociedade, talvez até na hierarquia imperial, como se vê
pela designação ξάηζηε (kratiste, 1.3). Hiebert indica que era costume que ―um livro
assim dedicado se tornasse a propriedade daquele ao qual era dedicado com o
entendimento de que o recipiente assumia a responsabilidade por sua publicação.‖51
O propósito imediato de Lucas com respeito a Teófilo era garantir que sua
informação sobre a pessoa e a obra de Jesus Cristo seria precisa. Este prólogo sugere
que ou alguns dos movimentos cismáticos já estavam publicando evangelhos suspeitos
ou que obras difamatórias haviam sido escritas contra Jesus.
CARACTERÍSTICAS
Lucas foi escrito do ponto de vista de um historiador. O autor estava preocupado com
precisão cronológica e geográfica. Lucas é o único evangelista que liga seus eventos
narrativos à história secular.52 Ele também prestou atenção a pequenos detalhes
pessoais, como a intensidade de uma febre ou a extensão da lepra de um homem (4.38;
5.12).
Ademais, Lucas é o mais literário de todos os Evangelhos. Embora não se alcance o
nível estilístico de Hebreus, o grego de Lucas é muito mais polido e gramatical do que
de qualquer outro autor do Novo Testamento. Isto não o impede de permitir alguns

49
Fitzmyer, Luke I-IX, p. 38.
50
Hiebert, Introduction, 1.140.
51
Hiebert, Introduction, 1:130.
52
Para uma excelente defesa da precisão de Lucas como um historiador, veja I. Howard
Marshall, Luke: Historian and Theologian. Veja também capítulos pertinentes em Harold W.
Hoehner, Chronological Aspects of the Life of Christ. Para fins de contraste, Fitzmyer acusa
Lucas de desrespeitar a História para favorecer suas preocupações teológicas (Luke I-IX, p. 16).
hebraísmos e aramaísmos em seu texto; estes servem, na verdade, para destacar sua
abordagem de testemunha ocular para coletar dados.53
As preocupações teológicas de Lucas incluem o Espírito Santo (com atenção
específica para o fenômeno que ele descreve comoἐιήζ λεύκαηνο ἁγίνπ [eplesthē
pneumatos hagiou], que é freqüente em Atos), o escopo universal da missão redentora
de Cristo como o Filho do Homem (cf. 19.10 e 24.47), o ministério dos anjos em
relação à pessoa de Jesus Cristo (mais de vinte referências), e o deslocamento
deliberado
capítulos nodelivro.
Cristo
54 (e sua mensagem do Reino) rumo a Jerusalém, que cobre doze

Argumento Básico
PROPÓSITO
A discussão do propósito do Evangelho de Lucas precisa levar em consideração dois
fatores importantes diretamente relacionados ao seu texto. O primeiro é o prólogo (1.1-
4), que oferece uma clara indicação dos resultados que Lucas esperava alcançar com a
composição da sua obra, a saber, dar uma base histórica para a fé que Teófilo exercia
em Cristo. Isto é o que poderíamos chamar um propósito pastoral-apologético para o
Evangelho.
Segundo, é preciso considerar o epílogo (24.45-53), que aponta para uma
continuação da saga do Reino, visto que as testemunhas permanecem em Jerusalém
esperando o cumprimento
efetivamente daas
levada a todas promessa
nações. para
Essaque a mensagem
última do éReino
observação bem seja
resumida por
Guthrie, que propõe que o propósito de Lucas era de descrever os primórdios de um
processo que se espalhou além de Jerusalém até o coração do próprio Império
Romano.55 Ainda assim, o Evangelho está completo em si e carrega esse propósito
teológico de demonstrar que a pregação da mensagem do Reino aos gentios é legítima à
luz da rejeição de Israel para com Jesus como o Filho do Homem.
Outra teoria muito mencionada sobre o propósito de Lucas-Atos é a teoria da defesa
legal, que vê a obra de dois volumes como uma vindicação do cristianismo como uma
religião que desde o princípio encontrou favor com as autoridades romanascf.( a tripla
referência à opinião de Pilatos de que Jesus era inocente).
Tendo em mente essas observações, o propósito do Evangelho de Lucas pode ser
resumido da seguinte maneira:
Demonstrar
gentios para historicamente queuama
a sua salvação era mensagem do Reino,
continuação conforme
legítima do planopregada
de Deusaos
à luz
de como Israel rejeitou Jesus como seu Rei.
DESENVOLVIMENTO
O Evangelho de Lucas tem cinco grandes divisões. Estas estão resumidas na tabela
abaixo:

Prólogo Preparação Proclamação Proposta Propagação


1.1-4 1.5–4.13 4.14–9.50 9.51–19.27 19.28–24.53
Fontes Anunciações Mini-rejeição Discipulado Entrada triunfal

53 Donald Guthrie, New Testament Introduction, pp. 115-116, sugere que essa
adaptabilidade era a maior virtude de Lucas como um autor, misturando o grego polido no
prólogo, com bom coinê literário e grego semitizado nas narrativas da infância (para dar cor).
54
Isto certamente é paralelo à progressão do Evangelho rumo a Roma no livro de Atos.
55
Guthrie, Introduction, p. 95.
Propósito Nascimentos Provas 72 Purificação
precursor Instrução Controvérsia Confrontação
O batismo de Milagres Ensinamentos do Profecia
Jesus Revelação Reino Páscoa
Genealogia Fim da jornada Paixão
Tentação Ressurreição

A
de mensagem
Israel para soberana dooReino
com Jesus, Filho foi
do estendida
Homem, comoa todasseuasMessias.
nações em vista da rejeição
O livro abre com um prólogo (1.1-4), escrito em forma grega clássica, que enuncia
um dos propósitos para a sua composição e os métodos pelos quais a informação foi
coletada para esse fim.
A seção chamada Preparação (1.5 - 4.13) descreve os eventos sobrenaturais que
precederam a manifestação do Filho do Homem, Jesus de Nazaré, ao qual o trono de
Davi, Seu pai (antepassado), fora prometido (1.32-33). Essa seção está repleta de
profecia, especialmente profecia messiânica, e de passagens relativas à aliança do
Antigo Testamento.
Essas últimas estão mais evidentes no Benedictus. O cântico de louvor de Zacarias
por ocasião do nascimento de João, que se tornaria o predecessor do Reicf. ( 1.76).
O cântico apresenta alguns dos mais destacados temas da esperança messiânica,
organizados numa estrutura quiástica centrada na aliança abraâmica (fato muito
significativo em vista do tom universal do evangelho).56
Tais elementos de esperança messiânica incluem o livramento dos inimigos (1.71),
um Salvador da casa de Davi (1.69), o cumprimento da promessa de terra na Aliança
Abraâmica (1.74-75), a chegada de um mensageiro profético (1.76), o perdão da Nova
Aliança (1.77), o nascer do sol da justiça (1.78), e o cumprimento da promessa da Nova
Aliança de restauração da terra em paz (1.74-75).
56

Estrutura Quiástica do Benedictus

o Senhor... visitou [o Seu povo] (1.68a)

e redimiu o Seu povo (1.68b)

suscitou plena e poderosa salvação (1.69)

como prometera... seus santos profetas (1.70)

nos libertar de nossos inimigos (1.71)

lembrar-se da Sua santa aliança (1.72)

do juramento que fez a Abraão (1.73)

... livres de nossos inimigos (1.74)

... serás chamado profeta do Altíssimo (1.76)

conhecimento da salvação (1.77a)

... no redimi-lo dos seus pecados (1.77)

nos visitará o sol nascente das alturas (1.78)


Com tais expectativas, o Rei e Seu predecessor entraram na cena da Palestina
dominada por Roma. O nascimento do Rei é anunciado por anjos e reconhecido por
pastores, na combinação de glória e humildade que caracterizaria a Sua futura vida
terrena (cap. 2). Na verdade, toda essa seção prenuncia o caráter e o ministério de Jesus
como o Filho do Homem, o Rei que seria também o Salvador cf. ( 2.11, 30-32). As
palavras de Simeão de que Jesus seria umζκεῖνλ ἀληιεγόκελνλ (sēmeion
antilegomenon, 2.34) são abundantemente demonstradas nas passagens posteriores no

livro.
Lucas é o único Evangelho que apresenta cenas da infância de Jesus, enfatizando seu
completo crescimento até a perfeita varonilidade, inclusive a Sua obediência aos Seus
pais e Sua consciência de Si mesmo como Filho de Deus (2.39-52).
O capítulo 3 e o primeiro parágrafo do capítulo 4 registram a última fase da
preparação de Jesus para Seu ministério terreno. O ministério de João e o batismo de
Jesus, a genealogia de Jesus e Seu triunfo sobre o tentador servem para autenticar Jesus
tanto como Filho do Homem quanto como Filho de Deus.
A seção denominada Proclamação (4.14 - 9.50) se encaixa no propósito de Lucas ao
descrever a apresentação e a autenticação da mensagem do Reino perante a nação
enquanto o Filho do Homem ministra na Galiléia.
Ela começa com um incidente cronologicamente deslocado, a rejeição de Jesus em
Nazaré (cf. 4.23), que Lucas coloca no começo dessa seção como um artifício literário e
teológico
Jesus seriapara indicar que a rejeição nacional seria o modo sob o qual o ministério de
efetuado.
Nazaré era uma amostra grátis da nação, e a denúncia que Jesus fez da rejeição de
Israel para com as bênçãos de Deus em favor dos gentios serviu como um prenúncio da
extensão das bênçãos do Reino para todo o mundo por causa da rejeição de Israel para
com sua bênção máxima, a pessoa e o ministério do Messias (4.24-27).
Começando em 4.31, Lucas alterna a descrição de milagres e interações com pessoas
para demonstrar a singularidade de Jesus como um líder. A autoridade soberana de
Jesus como Messias é demonstrada em Seu ministério a indivíduos e Sua confrontação
com líderes espirituais (5.1 - 6.16).
Depois de revelar a autoridade de Cristo, Lucas apresenta Seus ensinamentos sobre a
vida no Reino, que são incorporados num sermão apresentado aos Seus discípulos e às
multidões (6.17-49). Essa vida devia ser marcada por dependência em Deus (destacada
nas condições
(estendido aosem que a bem-aventurança
inimigos se manifesta;
e cuidadoso em não 6.20-23),
julgar; 6.27-38) amor sem hipocrisia
e conformidade aos
ensinamentos do Rei (6.39-49).
Depois de apresentar a autoridade e os ensinamentos do Rei, Lucas retrata a Sua
compaixão, que é demonstrada quando Ele expande o Seu ministério a várias
necessidades humanas apesar de rejeição e oposição continuadas (7.1 - 8.56).
Essa seção contém milagres, uma gentil repreensão das dúvidas do precursor sobre a
identidade do Messias (7.18-23), a censura contra a nação por sua falta de reação diante
do ministério de João (7.24-35), e a reprimenda contra um representante da liderança
por sua falta de compaixão para com pecadores (7.36-50).
Numa passagem crucial, o Rei abandona o ensino ―no atacado‖ a multidões
indiferentes e recorre a parábolas, que encorajam os que se comprometeram a aprender
e informam os curiosos sobre o Reino (8.1-21). A culminação da prova do poder e da
compaixão de Jesus vem
a natureza, demônios, quando
a doença e aEle derrota
morte os quatro inimigos implacáveis do homem:
(8.22-56).
No contexto do Evangelho de Lucas, esta seção indica que ―o Reino livrará o homem
da morte e do mal e até restaurará a natureza à sua ordem pretendida.‖57 9.1-50 é o
ponto culminante do ministério na Galiléia, e Lucas o usa como o ápice da auto-

57
E. E. Ellis, The Gospel of Luke, NCB, p. 123.
revelação do Rei. Em resposta à pergunta de Herodes em 9.9,ηίο δέ ἐζηλ νὗηνο (tis de
estin houtos), a narrativa progride das explanações populares (João Batista, Elias ou
um dos profetas; 9.19), à resposta divinamente srcinada de Pedro (o Messias de Deus,
9.20), até a máxima autenticação, que Deus faz do seu Rei eleito.No cume do Monte da
Transfiguração, onde Jesus é identificado como o Filho aprovado, cuja mensagem Israel
deveria ouvir (9.35).
Com o desenrolar dessa revelação, o Rei confidencia a Seus discípulos a Sua
identidade
seguidores messiânica divina
entreguem suas e o propósito
vidas a Ele a fimfinal da Suarecompensados
de serem vida e morte e quando
exige que
EleSeus
for
vindicado em glória (9.23-27). A última sub-seção do ministério na Galiléia apresenta
traços de caráter necessários para partilhar do propósito final do Rei - fé, humildade e
tolerância (9.27-50).
A divisão maior do Evangelho de Lucas enfatiza a passagem de Cristo rumo a
Jerusalém.
58
Toda a seção é elaboradamente construída em forma quiástica, às vezes fugindo a
um referencial cronológico preciso a fim de alcançar uma continuidade temática (Ex.: a
58

Embora esta estrutura quiástica não tenha sido seguida no esboço e no desenvolvimento,

esta é sua forma conforme proposta por Mark Bailey (Notas de aula do curso profetas Pós-
Exílicos e Evangelhos, DTS, Outono de 1989).

A A Jerusalém e ascensão (9.51)

B Samaritanos e salvação (9.52-56)

C Discipulado e continuidade (9.57-62)

D 70 e rejeição da mensagem (10.1-24)

E Mestre da lei e vida eterna (10.25-42)

F Oração e dependência (11.1-13)

G Blasfêmia dos fariseus (11.14-28)

H O sinal de Jonas (11.29-36)

I Ai dos líderes (11.37-54)

J Ensinando os discípulos (12.1-34)

K Parábolas de vigilância (12.35-48)

L Discipulado (12.49-53)

M Hipocrisia (12.54-59)

N Parábola de graça (13.1-9)

O Cura no sábado (13.10-17)

P Crescimento do Reino (13.18-21)

P' Juízo sobre Israel (13.22-35)


inserção do ensinamento sobre divórcio em 16.18 como um exemplo do desrespeito dos
líderes para com o verdadeiro significado da Lei). Esses dez capítulos contêm o pivô
teológico para o propósito geral de Lucas para sua obra de dois volumes, nos quais ele
demonstra que a mensagem soberana do Reino é nacionalmente rejeitada enquanto o
Rei passa rumo à Sua morte predita em Jerusalém (9.51 - 19.27).
O material de ensino alterna entre instrução direta aos discípulos e debate (às vezes
conflito) com a oposição. O esboço apresenta três seções dentro desta divisão maior: os
capítulos
provas de9.51
poder- 11.54 apresentam
oferecidas por Eleuma rejeição
e Seus generalizada
representantes do Reiproclamam
enquanto apesar das amuitas
mensagem por toda a Judéia.
Isto faz a Judéia tão culpada em sua rejeição quanto as cidades galiléias que tinham
testemunhado o começo do ministério de Cristo e permanecido impenitentes. Essa culpa
alcança o seu clímax na acusação dos líderes de que Ele é controlado por Satanás,
acusação que revela sua cegueira espiritual e risco iminente de juízo (11.14-54).
A segunda seção do que é chamado ―O Diário de Viagem‖ contém a resposta de
Jesus a essa completa rejeição da Sua autoridade divina. Concentrando-se
primariamente em Seus discípulos, Jesus minuciosamente instrui Seus seguidores
quanto à qualidade da vida no Reino (12.1 - 17.10).59
Os discípulos precisam resistir às pressões do seu ambiente (12.1-53), como
hipocrisia, materialismo e intimidação; eles precisam também ter uma noção adequada

O' Cura no sábado (14.1-6)

N' Parábolas de convite (14.7-15)

M' Rejeição (14.16-24)

L' Discipulado (14.25-35)

K' Parábolas de reconciliação (15.1-32)

J' Parábola do mau administrador (16.1-13)

I' Condenação dos líderes (16.14-18)

H' O homem rico e Lázaro [pós-morte] (16.19-31)

G' Juízo na Segunda Vinda (17.1-37)

F' Oração e dependência (18.1-14)

E' O jovem rico e a vida eterna (18.18-30)

D' Anúncio da rejeição em Jerusalém (18.31-34)

C' Bartimeu segue Jesus (18.35-43)

B' Zaqueu e a salvação (19.1-10)

A' Parábola das dez minas (19.1-27)


59
Ellis (Luke, p. 148) está correto ao afirmar que a ênfase de Lucas é em Jesus como um
Mestre, não um viajante. As viagens são o contexto necessário para o ensino, que aponta para
Seu “êxodo”, logo a ser realizado. Enfatizar a jornada e desprezar a mensagem, porém, é
ignorar o elemento mais importante de Lucas.
da natureza e dos efeitos da manifestação do Rei, de modo a não serem iludidos pela
oposição (12.49-53).
A seguir, o Rei instrui as multidões que O seguiam sobre sua falta de verdadeira
reação à mensagem do Reino (12.54 - 13.21). A falta de arrependimento e o amor à
tradição são destacados como a pedra de tropeço que impede Israel de provar a
libertação que o Messias traz aos filhos de Abraão que crêem nele. Apesar de tal
rejeição, a mensagem do Reino cresceria muitíssimo por causa do seu poder inerente,
como ilustrado final
A subseção pelascondena
duas parábolas
a nação(13.18-21).
ao mostrar que a natureza do Reino é tal que entrar
nele será o privilégio de alguns candidatos improváveis fora da estrutura religiosa de
Israel (13.22 - 17.10). Isto é uma condenação direta contra os líderes cujos corações
estavam fechados para a compaixão divina e eram insensíveis ao seu próprio pecado.
O judaísmo era uma porta larga que levava à destruição, a menos que fosse
abandonado em favor da porta estreita do discipulado no Reino (13.22-30).
Conspirações políticas contra o Rei apenas tornaram a culpa de Israel mais profunda e
sua rejeição mais certa, como demonstrado na lamentação de Cristo quanto a Jerusalém
(13.31-35).
Dois capítulos enfatizam a verdade de que a entrada no Reino é um privilégio dos
deserdados que se arrependem diante do Rei em vez dos dignitários que se amotinam
contra o Rei.
As parábolas
puritanos de Lucas
de Israel, 15 claramente
e as estatísticas colocam
do Rei os pródigos
favorecem de Israel
os primeiros. Em contra
últimooslugar,
mas não em importância, Jesus aponta para o fato de que a riqueza não era um requisito
em para a entrada para o Reino; na verdade era um empecilho a ela (16.1-31); os
discípulos, portanto, deveriam ter em vista um galardão celestial, não recompensas
terrenas, e serem mais dedicados ao cuidado mútuo do que a preocupações egoístas
(17.1-10).
A terceira divisão do ―Diário de Viagem‖ focaliza as atitudes adequadas que os
discípulos deviam exibir à luz da tensão entre a proximidade da paixão do Rei e a oferta
válida de um Reino iminente (17.11 - 19.27). Oração persistente e humilde e
dependência infantil em Deus são qualidades que os discípulos não podem se dar ao
luxo de ignorar enquanto ao seu redor a ingratidão e a cegueira espiritual impedem que
a nação reconheça Jesus como Messias, preferindo antes a falsa certeza da justiça diante
da lei e da riqueza
A realidade (18.18-29).
da condição espiritual de Israel é que homens cegos vêem melhor do que
fariseus, e publicanos têm mais sensibilidade espiritual do que escribas (18.35 - 19.10),
e a nação cai sob juízo por deixar de tomar posse dos privilégios do Reino que recebera
(19.11-27).
A última divisão se desenrola totalmente em Jerusalém e abrange a última semana da
vida de Jesus na terra com suas controvérsias com a liderança da nação, que realçou sua
rejeição, e introduziu o juízo que Deus traria contra a nação (19.28 - 21.38).
A rejeição de Israel para com Jesus como Messias culmina na Sua traição, na
deserção dos discípulos, no julgamento parcial e na Sua crucificação injusta como um
criminoso comum (22.1 - 23.56). Os detalhes da crucificação apresentados por Lucas,
em particular, mostram que a morte de Cristo foi a base do perdão e da segurança da
vida eterna (23.26-56).
Assim como
inocência fez Marcos,
de Cristo no tempoLucas
da Suatem um oficial
morte; isto seromano
encaixacomo
com otestemunha da
propósito apologético
do livro.
O clímax da narrativa de Lucas é o relato da ressurreição de Jesus, pela qual ele O
autentica como o Messias glorificado que cumpriu as Escrituras e estendeu a bênção da
salvação [= mensagem do Reino] a todas as nações (24.1-53). Lucas escolhe como suas
testemunhas principais os dois discípulos na estrada para Emaús, mais provavelmente
porque eles se encaixam na sua necessidade de apoiar o argumento de que a mensagem
do Reino deveria ser estendida a todo o mundo (24.46-47).
O livro encerra com um tom de expectativa, enquanto os discípulos esperam pelo
elemento necessário para a realização bem-sucedida da nova missão messiânica, a vinda
do Espírito Santo prometido (24.48-53). A última frase do livro, εὐινγνῦληεο ηόλ εόλ
(eulogountes ton theon), aparece no começo do livro (1.64; 2.28, 34) em contextos
messiânicos de esperança de intervenção divina em favor do Seu povo. O mesmo é
verdadeiro para o último
Suas testemunhas versículo
escolhidas do livro.doOsegundo
é o assunto que Jesus continuaria
volume, Atos ados
fazer por meio de
Apóstolos.
ESBOÇO SINTÉTICO
Mensagem
A mensagem soberana do Reino foi estendida a todas as nações por meio da
rejeição de Israel para com Jesus, o Filho do Homem, como o seu Messias.
I. Prólogo: Esta versão dos primórdios do cristianismo foi projetada para fortalecer as
convicções dos seus leitores sobre a veracidade e confiabilidade da mensagem cristã
(1.1-4).
II. A mensagem soberana do Reino é introduzida nos nascimentos e preparações
sobrenaturais do Rei e Seu predecessor (1.5 - 4.13).
A. Os nascimentos milagrosos de João e Jesus antecipam a intervenção de Deus na História
por meio deles (1.5-2.52).
1. As anunciações angelicais dos nascimentos revelam o caráter incomum da vinda dos
meninos (1.5-38).
• A anunciação angelical a Zacarias revela o papel incomum do seu filho como o ministério
nazireu de preparar Israel para a vinda do Messias (1.5-25).
• A anunciação angelical a Maria revela a natureza singular do seu Filho como um Filho
divino e Sua missão como Filho de Davi, o Salvador prometido (1.26-38).
2. O contato entre Maria e Isabel revela a sua consciência da operação singular de Deus em
suas vidas rumo ao cumprimento das promessas da aliança de Israel (1.39-56).
3. O nascimento de João é apresentado como o cumprimento de promessas do Antigo
Testamento a respeito do precursor (1.57-80).
4. As narrativas sobre a infância de Cristo apontam para Ele como o Salvador e Rei
prometido de Deus (2.1-51).
• O nascimento do Messias ocorre segundo a profecia divina ainda que sob a tutela do
domínio romano (2.1-7).
• A vinda do Salvador é anunciada aos humildes e pobres, que se tornaram Seus primeiros
arautos (2.8-20).
• A infância de Jesus fornece testemunho adicional da Sua missão como salvador universal
e libertador de Israel (2.21-39).
• O primeiro ato público de Jesus em Israel revelou Sua submissão ao plano terreno de Deus
e Sua consciência de Si mesmo como Filho de Deus (2.40-52).
B. A messianidade real de Jesus é atestada pelo ministério de João em favor dEle e com
respeito a Ele, por Sua genealogia e pelo Seu triunfo sobre a tentação (3.1 - 4.13).
1. A messianidade real de Jesus é atestada pelo ministério de João a Ele e a respeito dEle
(3.1-22).
2. A messianidade real de Jesus é atestada por Sua genealogia (3.23-38).
3. A messianidade real de Jesus é atestada por Seu triunfo sobre a tentação (4.1-13).
III. A mensagem soberana do Reino é apresentada e autenticada diante da nação enquanto o
Filho do Homem ministra na Galiléia (4.14 - 9.50).
A. A rejeição de Nazaré para com as declarações do Rei baseadas nas Escrituras serve como
uma amostra grátis da rejeição de Israel para com Jesus e da extensão da mensagens do
Reino aos gentios (4.1-30).
B. O ministério de cura de Jesus autentica o ministério de ensino que Ele realiza por toda a
Galiléia (4.31-44).
C. A autoridade soberana de Jesus como Messias é demonstrada em Seu ministério a
indivíduos e Seu confronto com líderes religiosos (5.1 - 6.16).
1. Sua autoridade sobre a natureza e homens é demonstrada pela pesca milagrosa e o
chamado dos seguidores (5.1-11).
2. Sua autoridade sobre a doença é demonstrada na purificação de um leproso (5.12-16).
3. Sua autoridade sobre o pecado é demonstrada na cura de um paralítico (5.17-26).
4. Sua autoridade sobre a tradição e o preconceito humanos é demonstrada em Suas
controvérsias sobre o jejum e o sábado (5.27 – 6.11).
5. Sua autoridade é demonstrada pelo chamado soberano dos Seus doze discípulos e futuros
apóstolos (6.12-16).
D. A declaração do Rei sobre os princípios da vida no Reino está incorporada a um sermão
apresentado aos Seus discípulos e às multidões (6.17-49).
1. A congregação de uma audiência nacional é o contexto para o sermão (6.17-19).
2. A santidade do Reino não é para os auto-suficientes, mas para os que vieram a depender
de Deus através da fidelidade ao Filho do Homem (6.20-26).
3. O comportamento dos súditos do Reino devia ser marcado por um amor que perdoa e dá
sem preconceito ou hipocrisia (6.27-38).
4. Pertencer ao Reino seria evidenciado por palavras e obras em conformidade aos
ensinamentos do Rei (6.39-49).
• Pertencer ao Reino seria evidenciado pela capacidade de levar outros a dependerem da
pessoa certa [o Rei] e serem guiados por ela (6.39-40).
• Pertencer ao Reino seria evidenciado pela capacidade de ajudar outros a dependerem da
aplicação da mensagem do Rei às próprias necessidades (6.41-42).
• Pertencer ao Reino seria evidenciado por palavras moralmente boas, que provariam a
fidelidade de uma pessoa ao Rei (6.43-45).
• Obras de obediência seriam a prova máxima da vida do Reino (6.46-49).
E. A compaixão do Rei é demonstrada quando Ele expande Seu ministério às várias
necessidades humanas, apesar da contínua rejeição e oposição que recebe (7.1 - 8.56).
1. O Rei recompensa a confiança notável curando a distância o servo de um gentio (7.1-10).
2. O Rei restaura o sentido da vida a uma viúva ao ressuscitar seu único filho dentre os
mortos, ratificando assim Sua reputação (7.11-17).
3. O Rei reage compassivamente a dúvidas erguidas pelas circunstâncias desanimadoras de
João Batista (7.18-23).
4. O Rei reprova a Sua geração por sua rejeição incoerente do ministério de João e da Sua
própria pessoa (7.24-35).
5. O Rei repreende um representante da liderança de Israel por sua falta de entendimento e

6. Oprática de perdão
Rei restringe enquanto
Seus restauramais
ensinamentos uma profundos
pecadora penitente (7.36-50).
àqueles que responderam com
obediência ao Seu chamado, ao passo que ainda estendia a mão através de parábolas
(8.1-21).
• Os discípulos e mantenedores de Jesus eram agora Seu círculo mais próximo de
relacionamento (8.1-3).
• A parábola do semeador e dos solos, publicamente pronunciada e particularmente
explanada, enfatiza a importância da obediência para a comunhão íntima com o Rei
(8.4-15).
• A parábola da candeia enfatiza a importância da atenção obediente para que alguém se
torne mensageiro do Reino e partilhe ainda mais dos seus benefícios (8.16-18).
• A família imediata de Jesus é substituída por aqueles que obedecem à Sua mensagem
como Seu círculo mais íntimo de relacionamentos (8.19-21).
7. O Rei revela Seu poder ao derrotar os quatro inimigos implacáveis do homem (8.22-56).
• O Rei refreia a natureza a fim de demonstrar Seu divino poder aos Seus discípulos (8.22-
25).
• O Rei restaura um endemoninhado indefeso, livrando-o do poder de Satanás (8.26-39).
• O Rei restabelece uma mulher à vida normal, curando-a de uma hemorragia anormal
(8.40-48).
• O Rei resgata uma menina da morte apesar da predominante incredulidade ao Seu redor
(8.49-50).
F. O foco do ministério do Rei passa das multidões para os Seus discípulos, os quais Ele
comissiona como testemunhas e aos quais Ele confidencia Sua identidade messiânica
divina e o propósito máximo da Sua vida e morte (9.1-50).
1. O Rei comissiona e envia Seus discípulos como arautos da mensagem do Reino em
palavra e obras de poder do Reino (9.1-9).
• A missão deles era de tornar conhecido Jesus e o Reino como iminente, demonstrando
total dependência no poder de Deus (9.1-6).
• O sucesso da missão deles é medido pela perplexidade de Herodes Antipas quanto à fonte
de tal poder (9.7-9).
2. O Rei demonstra-Se como plenamente capaz de sustentar Seu povo ao alimentar
milagrosamente e abundantemente mais de 5.000 pessoas (9.10-17).
3. O Rei confidencia Sua identidade messiânica divina e o propósito máximo da Sua vida e
morte (9.18-36).
• A confissão de Pedro de Jesus como o Messias leva à revelação dos sofrimentos e
ressurreição do Filho do Homem (9.18-22).
• A rejeição máxima do Messias exige que Seus seguidores entreguem suas vidas a Ele a

• A fim de serem recompensados


transfiguração quandoaEle
de Jesus estabeleceu for vindicado
necessidade em glória
da Sua morte (9.23-27).
vindoura e a certeza da
Sua glorificação final como o Filho-Rei aprovado por Deus (9.28-36).
4. O Rei ensina que partilhar do Seu propósito máximo exige fé, humildade e tolerância
(9.37-50).
• O incidente do menino endemoninhado revela a necessidade dos discípulos de
crescimento e discernimento (9.37-45).
• O conflito quanto à grandeza no Reino leva à lição de Cristo sobre a nossa carência de
humildade (9.46-48).
• O excessivo zelo partidário de João leva à lição de Cristo sobre tolerância (9.49-50).
IV. A mensagem soberana do Reino é nacionalmente rejeitada enquanto o Rei ruma à Sua
morte predita em Jerusalém (9.51 - 19.27).

A. Ooferecidas
Rei e Suapor
mensagem sãorepresentantes
Ele e Seus rejeitados pela maioria,
(9.51 apesar das provas de poder
- 11.54).
1. A rejeição samaritana se depara com o perdão do Rei ao prenunciar a resposta nacional a
Ele (9.51-56).
2. O preço de seguir Jesus desencoraja três aspirantes ao discipulado que serviram como
exemplo (9.57-62).
3. A missão bem-sucedida dos 72 de proclamar a mensagem do Reino deu uma
oportunidade legítima para Israel responder ao Messias (10.1-24).
• As instruções aos 7 2 incluem urgência, dependência em Deus e proclamação de juízo
contra aqueles que recusavam a mensagem do Reino (10.1-13).
• A condenação do Rei contra as cidades galiléias que O haviam rejeitado dá o tom para a
missão dos 72 (10.13-16).
• A alegria do Rei com o relato dos 72 vem do fato de que este relato prenunciava a derrota
final de Satanás (10.17-24).
4. O ensinamento do Rei enfatiza a preocupação com os necessitados, a atenção voltada
para Ele e confiança em Deus por meio da oração (10.25 - 11.13).
• A exigência do Rei de que Seus discípulos se envolvam com os necessitados é ilustrada
pela parábola do Bom Samaritano (10.25-37).
• A exigência do Rei por prioridade na atenção das pessoas é ilustrada por Seu diálogo com
Maria e Marta (10.38-42).
• A exigência do Rei por confiança na bondade de Deus por meio da oração é reforçada
com exemplo e ilustração (11.1-13).
- O exemplo de oração de Jesus leva à Sua oração modelo para aqueles que aguardam o
Reino (11.1-3).
- A oração eficaz depende da perseverança (11.5-10).
- A esperança na oração do Reino se baseia na bondade de Deus e em Sua disposição para
derramar as bênçãos do Reino (11.11-13).
5. A oposição ao Rei tem seu clímax na acusação dos líderes de que Ele é controlado por
Satanás, que revela a sua cegueira espiritual e elegibilidade para a punição (11.14-54).
• A conclusão dos líderes de que o poder de Jesus é derivado de Satanás é contestada por
Ele com base na lógica (11.14-22).
• O desafio de Jesus aos líderes hipócritas de Israel é que não é possível nenhuma
neutralidade a respeito da Sua pessoa e Seu Reino (11.23-28).
• A hipocrisia espiritual e ganância material dos líderes de Israel precipitam o juízo de Deus
contra a sua geração (11.37-52).
• A oposição contra o Rei começa a passar de palavras para planos de assassinato (11.53-
54).
B. A resposta do Rei à crescente oposição é de instruir meticulosamente Seus discípulos e
ouvintes sobre a qualidade da vida no Reino (12.1 - 17.10).
1. A instrução de Jesus para o círculo mais íntimo de Seus discípulos diz respeito às
respostas adequadas de súditos do Reino às pressões do ambiente (12.1-53).
• Testemunhas do Reino devem guardar-se contra a hipocrisia farisaica (12.1-3).
• Testemunhas do Reino não devem temer a intimidação humana (12.4-11).
• Testemunhas do Reino não devem permitir que o materialismo controle sua perspectiva de
vida (12.13-34).
- A parábola do homem rico revela a tragédia de confiar nos tesouros (12.13-21).
- A atitude do discípulo deve ser de confiar no Pai para as provisões terrenas enquanto
busca os galardões celestes (12.22-34).
• Testemunhas do Reino não devem permitir que o desleixo reduza a sua firmeza espiritual
(12.35-48).
- A vinda
vigilância no serviço (12.35-40).
será inesperada do Reino será recompensada com honra da parte do Rei, cuja
- O descuido com as oportunidades relativas ao Reino será punido na vinda inesperada do
Rei (12.41-48).
• Testemunhas do Reino não devem aceitar falsos conceitos sobre o Reino (12.49-53).
- A vinda do Rei produz o juízo do mundo após o sofrimento de Cristo (12.49-50).
- A natureza controversa da mensagem do Reino produz divisão (12.51-53).
2. As instruções de Jesus para as multidões que O seguiam dizem respeito à sua falta de
resposta genuína à mensagem do Reino (12.54 - 13.21).
• A falta de arrependimento da nação diante de Deus à luz dos sinais dos tempos a expõe à
condenação do Rei (12.54-59).
• A falta de arrependimento da nação com respeito ao Reino é o que finalmente a destruiria
no final do tempo de oportunidade concedido por Deus (13.1-9).
- Tragédias recentemente acontecidas a alguns não isentam a maioria do juízo devido em

- A vista de sua
parábola da impenitência
figueira ilustra(13.1-5).
a iminência do juízo sobre o Israel impenitente, adiado
apenas pela misericórdia de Deus (13.6-9).
• A cura de uma mulher enferma - Os líderes se recusam a aceitar a liberdade oferecida pelo
Rei por causa de sua escravidão à tradição, trazendo sobre si a condenação do Rei
(13.10-17).
• O crescimento do Reino é inevitável, apesar da rejeição, devido a seu poder inerente
(13.18-21).
- A parábola da semente de mostarda– O Reino crescerá rápida e surpreendentemente
(13.18-19).
- A parábola do fermento – O Reino crescerá e se disseminará muito (13.20-21).
3. A natureza do Reino é tal que entrar nele será o privilégio de alguns candidatos
improváveis, que estavam fora da estrutura religiosa de Israel (13.22 - 17.10).
• A entrada para o Reino não é para aqueles que optam pela porta larga do judaísmo, mas
para aqueles que escolhem a porta estreita do discipulado (13.22-30).
• Jerusalém e os líderes judeus que conspiraram juntos e usaram uns aos outros nas suas
tentativas de se livrarem de Jesus são desmascarados pelo Rei (13.31-35).
- O programa do Reino proposto por Jesus não é afetado pelas conspirações de Herodes e
dos fariseus (13.31-33).
- Jerusalém é entregue à destruição pelo Rei por recusar-se a aceitar Sua oferta de amor
(13.34-35).
• Convidado à casa de um fariseu– A admissão ao Reino não é para tradicionalistas sem
amor ou caçadores de fama, mas para os quebrantados que Deus escolhe chamar (14.1-
24).
- A cura de um hidrópico aponta para a disposição divina de trazer aos humanamente

- A indesejáveis
busca por famaas bênçãos
entre os do Reinodesqualifica
homens (14.1-6). uma pessoa para o Reino (14.7-14).
- A parábola do grande banquete– A resposta negativa dos religiosamente aceitáveis à
mensagem do Reino dá impulso à decisão divina de recompensar os gentios e judeus
rejeitados (14.15-24).
• O discipulado no Reino requer para com Jesus, o Rei, um compromisso total de vida, cuja
alternativa é uma vida sem propósito (14.25-35).
- A lealdade ao Reino deve ser maior do que a lealdade à família (14.25-26).
- A lealdade ao Reino significa seguir o Rei até à morte (14.27).
- A lealdade ao Reino exige planejamento e sacrifício (14.28-33).
- A alternativa ao compromisso total com o Reino é uma vida sem propósito (14.35-36).
• Aqueles que os homens consideram estar totalmente excluídos do Reino serão
introduzidos por Deus no Reino, do qual serão excluídos os ensoberbecidos por sua

- O religiosidade
contexto deste(15.1-32).
ensinamento era o desprezo dos fariseus pela recepção que Jesus oferecia
aos socialmente marginalizados e pela comunhão que mantinha com eles (15.1-2).
- A parábola da ovelha perdida - Todo pecador que se arrepende traz mais alegria para o céu
do que 99 que se auto-intitulam justos (15.4-7).
- A parábola da dracma perdida - A busca de Deus pelo pecador é tão intensa quanto a
alegria no céu quando este se arrepende (5.18-20).
- A parábola do filho pródigo – A busca pelos rejeitados de Israel e sua recepção no Reino
são justificadas apesar da oposição dos fariseus em sua justiça própria (15.11-32).
• A riqueza não é necessariamente um sinal da bênção de Deus, servindo antes como um
empecilho para a entrada no Reino (16.1-31).
- A parábola do administrador infiel– A riqueza não deve ser o mestre do discípulo, mas
sua serva para a expansão do Reino (16.1-13).
- O amor dos fariseus pela riqueza revelava seu desprezo pelo Reino e pela Lei, que é

- A exemplificado
história do riconadesconhecido
sua atitude para com–oAdivórcio
e Lázaro condição(16.14-18).
econômica de uma pessoa não é a
medida da sua justiça ou aceitação com Deus (16.19-31).
• As responsabilidades inescapáveis dos discípulos como servos no Reino são o cuidado
mútuo e o perdão baseados na fé (17.1-10).
- O cuidado mútuo e o perdão são necessários por causa da inevitável presença de ofensas
(17.1-5).
- O cuidado mútuo e o perdão não são opções, mas sim deveres dos servos do Reino, que
precisam de fé para agir em obediência (17.5-10).
C. A tensão entre a proximidade da paixão do Rei e a iminência do Reino exige atitudes
adequadas dos discípulos (17.11– 19.27).
1. A cura dos dez leprosos ilustra a necessidade de se reconhecer Jesus como o Messias em
vez de meramente gozar dos benefícios do Seu ministério (17.11-19).
2. A vinda efetiva do Reino, potencialmente expressa na presença do Rei, não será questão
de especulação, mas uma manifestação óbvia do poder de Deus por meio do
aparecimento do Filho do Homem (17.20-37).
• O desafio aos fariseus é reconhecerem a presença do Rei entre eles (17.20-21).
• O ensinamento aos discípulos é que a repentina manifestação do Reino será precedida
pelos sofrimentos do Filho do Homem (17.22-25).
• O Reino virá repentinamente como o juízo de Deus sobre um mundo despreocupado com
a realidade espiritual (17.26-37).
3. A oração é a comunicação vital dos discípulos com Deus nos tempos perigosos até o
estabelecimento do Reino (18.1-14).
• A parábola da viúva persistente– A oração persistente em tempo de crise é o meio pelo
qual os discípulos do Reino se valem da justiça de Deus a seu favor (18.1-8).
• A parábola do fariseu e do publicano– A dependência humilde de Deus em vez de justiça
própria é a base para a resposta de oração (18.9-14).
4. A dependência infantil de Deus é o ingrediente essencial para a entrada no Reino (18.15-
30).
• A bênção de Jesus sobre as criancinhas aponta para a qualidade que se precisa ter para
entrar no Reino - a dependência infantil (18.15-17).
• A entrevista de Jesus com o homem rico aponta para o perigo de confiar nas riquezas
terrenas em vez de depender de Deus para ter riqueza celestial [= uma parte no Reino]
(18.18-30).
- Justiça perante a Lei não dá a segurança de salvação até para aqueles que os judeus
pensavam estar sob a bênção de Deus, os ricos (18.18-21).
- Abrir mão das posses como um sinal de dependência em Deus permite que se partilhe do

- A Reino, emboraem
dependência pareça
Deus,loucura para os homens
como demonstrada (18.22-27).
pelos discípulos, terá recompensas temporais,
bem como eternas, muito superiores às que a riqueza pode trazer (18.28-30).
5. O ensinamento que os discípulos não entendem sobre o Filho do Homem é que Ele será
crucificado e ressurgirá ao terceiro dia (18.31-34).
6. Os eventos em Jericó resumem e retratam a resposta esperada da nação à mensagem do
Reino e os tristes resultados da sua rejeição (18.35 - 19.27).
• A fé de um cego em Jesus como o Filho de Davi restaura a sua visão [em contraste com a
cegueira obstinada da nação] (18.35-42).
• O arrependimento de um publicano desonesto traz salvação e comunhão com o Rei [em
contraste com a impenitência da nação] (19.1-10).
• A parábola das dez minas – A má administração de Israel quanto aos seus privilégios do
Reino resulta em seu juízo e serve como um aviso para os discípulos do Reino (19.11-
27).
V. Anações
mensagem soberana
em nome do Reino
de Cristo proclama
depois a vitória
da rejeição oficialsobre a morte e o(19.28
em Jerusalém perdão- 24.53).
a todas as

A. A rejeição oficial do Rei depois da Sua apresentação em Jerusalém acarreta a Sua


declaração de juízo contra a nação (19.28– 21.38).
1. A apresentação que Jesus faz de Si mesmo como o Messias e Rei em Jerusalém é
recebida com júbilo, o qual Ele sabe ser superficial e que se tornará em rejeição e juízo
(19.28-44).
• Jesus Se apresenta como o Messias-Rei prometido em conformidade com as profecias no
Antigo Testamento (19.28-36).
• Discípulos peregrinos recebem Jesus como Rei com júbilo enquanto os fariseus
questionam Jesus por aceitar tal idéia (19.37-40).
• Jesus lamenta a natureza superficial da resposta de Jerusalém a Ele, sabendo que seu final
será juízo (19.41-44).
2. O ministério de Jesus em Jerusalém é recebido com oposição pelos líderes judeus, que
questionam a Sua autoridade e tentam incriminá-lO diante do governo romano (19.45–
21.4).
• A purificação do Templo precipita a confrontação entre Jesus e a liderança, que se
beneficiava do comércio ilícito (19.45-48).
• O desafio dos líderes à autoridade do Rei serve para expor sua falência espiritual (20.1-
19).
• A resposta da liderança para a sentença de Jesus é uma tentativa de desacreditá-lO diante
do povo e incriminá-lO diante do governador (20.20-39).
• A exposição final que Jesus fez da falência espiritual dos líderes revela a sua falta de
discernimento espiritual e seu mau uso da autoridade em sua busca por prestígio, sua

- A ganância e sua hipocrisia


falta de discernimento (20.41-47).
espiritual dos líderes é revelada em sua incapacidade de entender
a srcem divina do Rei (20.41-44).
- O mau uso da autoridade da parte dos líderes é revelado em sua busca por prestígio
(20.45-46).
- O mau uso da autoridade da parte dos líderes é revelado na maneira em que eles usam a
religião para acobertar sua ganância (20.47).
• O contraste entre os líderes hipócritas e egoístas e o Rei genuíno e altruísta é ilustrado no
total compromisso da viúva pobre e sua doação de duas moedas (21.1-4).
3. O ministério do Rei em Jerusalém termina em Seu pronunciamento de juízo sobre a
nação por ela se recusar a aceitar a Ele e a Sua mensagem (21.5-38).
• O motivo do pronunciamento de juízo era a preocupação dos discípulos com a predição de
Cristo sobre a destruição do Templo (21.5-7).
• A destruição de Jerusalém virá num tempo que espelha as condições do fim da era - falso
messianismo, tumultos mundiais e perseguição generalizada - exigindo vigilância dos
discípulos (21.8-19).
• O sinal de uma punição longa e terrível sobre Israel seria o cerco a Jerusalém (21.20-24).
• A seqüela da longa punição contra Israel será a volta do Filho do Homem em poder
(21.25-28).
• A vigilância na oração é necessária para que os discípulos discirnam os sinais dos últimos
dias e compareçam aprovados quando o Filho do Homem vier em glória (21.25-28).
4. A última semana de ministério aos peregrinos da Páscoa é resumida (21.37-38).
B. A rejeição de Israel para com Jesus como Messias culmina na traição, na deserção dos
discípulos, no julgamento ilícito e na Sua crucificação injusta como um criminoso
comum (22.1 - 23.56).
1. A oportunidade dos líderes destruírem Jesus vem por meio do controle de Satanás sobre
Judas, que concorda em traí-lO.
2. A celebração da Páscoa indica que a morte de Jesus cumpriria o significado da festa
judaica e instituiria a Nova Aliança (22.7-23).
• Os preparativos para a Páscoa refletem o controle de Jesus sobre as circunstâncias que
cercaram Sua rejeição e morte (22.7-13).
• A refeição da Páscoa é investida com significado mais completo quando Jesus anuncia
que Ele mesmo é o sacrifício da Nova Aliança (22.14-20).
• O anúncio da traição confirma a realidade das predições anteriores de Cristo sobre Sua
morte e a oposição humana a Ele (22.20-23).
3. A necessidade dos discípulos no tempo da rejeição do Rei não é de autoridade, mas de
humildade e fidelidade que garantem recompensa quando o Reino for estabelecido
(22.24-30).
4. O anúncio da traição de Pedro revela o cuidado de Cristo pelos Seus apesar dos fracassos
deles (22.31-34).
5. A rejeição do Rei finalmente seria direcionada aos discípulos que, como Ele, seriam
rejeitados como criminosos (22.35-38).
6. A oração de Jesus no Getsêmani revela a intensidade da Sua submissão ao Pai e de Sua
luta interior com a proximidade da consumação de Sua missão (22.39-46).
7. Os eventos em torno da prisão de Jesus revelam a Sua consciência e aceitação do plano
que dava às trevas triunfo temporário sobre a luz (22.47-53).
• Cristo estava ciente do desprezível ato de traição de Judas (22.47-48).
• Cristo aceitou a violência feita contra Ele e mostrou compaixão aos Seus opositores
(22.49-51).
• Cristo ligou a Sua prisão noturna à hipocrisia dos líderes (22.52-53).
8. Aarrependimento
negação de Pedro encontra o olhar compassivo do Rei que gera verdadeiro
(22.54-62).
9. Os eventos em torno dos julgamentos ilícitos de Jesus destacam Sua inocência e a culpa
daqueles que O condenaram (22.36 - 23.25).
• Jesus foi ilegalmente maltratado (22.63-64).
• Jesus foi condenado pelo Sinédrio com base em Sua declaração de ser o Messias, o Filho
Real de Deus (22.65-71).
• As acusações de sedição diante de Pilatos não bastam para criar um veredicto de culpa
(23.1-5).
• O interrogatório diante de Herodes Antipas não fornece nenhum veredicto de culpa apesar
das acusações dos líderes (23.6-12).
• A acusação de sedição diante de Pilatos finalmente tem êxito quando o governador abre

- Asmão da justiça
tentativas queem favorfez
Pilatos dapara
conveniência (23.13-25).
achar um meio termo ao flagelar Jesus apesar da Sua
inocência fracassam devido à intransigência judaica (23.13-16).
- Os judeus pedem a soltura de um verdadeiro criminoso em vez de desistir da condenação
de Jesus (23.17-19).
- Pilatos entrega o Rei para execução a fim de poupar-se o incômodo de uma revolta
popular (23.20-25).
10. Os eventos em torno da crucificação de Jesus apontam para seu propósito de fornecer
perdão por meio do sacrifício voluntário do compassivo Rei (23.26-49).
• Simão é forçado a carregar a cruz de Cristo (23.26).
• Jesus mostra a Sua compaixão pelas pessoas que O crucificaram, enquanto indicava a
certeza do Seu juízo (23.27-31).
• Jesus demonstra Seu amor perdoador para aqueles que zombavam dEle e escarneciam Sua
declaração de ser o Messias Rei de Israel, como fora acusado (23.31-38).
• Jesus demonstra Seu amor perdoador ao prometer a salvação a um criminoso arrependido
que era crucificado com Ele (23.39-43).
• A inocência de Jesus foi conformada pelas circunstâncias incomuns em torno do tempo da
Sua morte (23.44-48).
- Trevas prevaleceram durante o tempo da crucificação (23.44).
- O grosso véu do Templo foi rasgado no momento da morte de Jesus (23.45-46).
- O centurião romano que liderara os procedimentos da crucificação confessou a inocência
de Jesus (23.47).
- As próprias pessoas que haviam motivado a crucificação e escarneciam o Crucificado
foram dominadas por remorso (23.48).
• Os seguidores de Jesus observaram Sua paixão de longe (23.49).
11. O sepultamento de Jesus por José de Arimatéia revelou a realidade da morte de Cristo e
a existência de um remanescente fiel dentre a nação rebelde (23.50-56).
C. vindicação de Jesus como Messias e Rei vem em cumprimento das Escrituras por
A
meio da Sua ressurreição, que fornece a base para a proclamação universal da
mensagem do Reino (24.1-53).
1. A ressurreição é anunciada por um grupo de mulheres crentes como o cumprimento das
predições sobre o Filho do Homem (24.1-8).
2. O relato das mulheres aos discípulos é ouvido com incredulidade e perplexidade por
Pedro (24.9-12).
3. O aparecimento de Jesus aos discípulos na estrada para Emaús atesta a Sua morte e
ressurreição como o cumprimento das Escrituras do Antigo Testamento (24.13-35).
• conversa na estrada revela a desesperança dos discípulos (24.13-24).
A
• A comparação dos eventos com as profecias do Antigo Testamento revela o verdadeiro

• A significado
comunhão àdamesa
morte e ressurreição
revela a realidadededaCristo (24.25-27).
ressurreição de Cristo (24.28-32).
• A comparação de experiências em Jerusalém ratifica a realidade da ressurreição (24.33-
35).
4. A manifestação aos discípulos reunidos prova a realidade da ressurreição e os prepara
para a proclamação da mensagem do Reino a todas as nações (24.36-49).
• A manifestação aos discípulos reunidos prova a realidade da ressurreição, superando as
suas dúvidas racionalistas (24.36-43).
• A manifestação aos discípulos reunidos os prepara para a proclamação da mensagem do
Reino a todas as nações (24.44-49).
- Jesus lhes revela o plano bíblico da salvação centrado em Sua morte e ressurreição (24.44-
45).
- Jesus recapitula a missão deles de proclamar o perdão a todas as nações com base na Sua
obra (24.46-47).
- Jesus os relembra da Sua promessa de equipá-los com poder para a sua tarefa ao receber a
promessa do Pai (24.48-49).
D. A ascensão de Cristo aos céus aponta para a aceitação de Deus para com a Sua obra
redentora, que os discípulos exuberantes exaltam no Templo em obediência à ordem de
Jesus (24.50-53).
O argumento de
JOÃO
Questões introdutórias
TÍTULO
Os manuscritos gregos variam levemente quanto ao sobrescrito deste Evangelho. A
66 75 1
P P
maioria
Ἰσάλλλdos
, aomanuscritos,
passo que além de ,apenas
e B trazem . A,Καηά
C, D, L, e ƒ traz
Ἰσάλλλ Δὐαγγέινλ
. Ambos αηά
os sobrescritos
refletem tradição antiga e forte da autoria apostólica do livro.
AUTORIA
Donald Guthrie afirma que a autoria do quarto evangelho é um assunto polêmico e
emocionalmente carregado.60 A crítica radical nega ao evangelho a autoria apostólica, e
tal posição precisa ser respondida com base em evidência interna e externa.
Evidência interna. O autor alega ter sido testemunha ocular dos eventos do evangelho
(1.14, ἐεαζάκεα [etheasametha]; 19.35, ὁ ἑσξαώο [ho heōrakōs]; 21.24-25, ὁ
καηήο ὁ καξηπξ῵λ [ho mathētēs ho marturōn]). Além disso, exibe bom
conhecimento de costumes judaicos como rituais de purificação (2.6), cerimônias de
libação e iluminação durante a Festa dos Tabernáculos (7.37 e 8.12), e contaminação
devida à Páscoa (19.31ss.). Conhece também teologia judaica, como a legislação sobre
o sábado (6.10; 9.14ss.) e o conceito da transmissão hereditária da culpa (9.2).
Em terceiro lugar, é conhecedor da geografia da Palestina e até pequenos detalhes da
arquitetura de Jerusalém. Exemplos específicos são as menções às duas Betânias (1.28;
12.1), à proximidade entre Enon e Salim (3.23), e a um poço nas cercanias do monte
Gerizim (4.21). Com referência a Jerusalém, o autor sabia dos detalhes da planta do
60
D. Guthrie, New Testament Introduction, p. 241.
Tanque de Betesda (5.1-2) e da existência de um pavimento ao redor do Pretório,
conhecido pelo nome aramaico de Gábata (19.13).61
Em quarto lugar, ele usa a expressão ὁ καηήο ὃλ ἠγαα ὁ Ἰζνπο , (ho mathētēs
hon ēgapa ho Iēsous, 13.23; 19.26) para descrever a si mesmo. Embora alguns tomem
esse título como indício de autoria não-joanina, ou de um caso patológico de orgulho
por parte de João, parece claro que essas não são as duas únicas opções. Ao invés de
suprir seu próprio nome, João preferiu descrever-se por aquilo que era sua maior honra -
oDeus,
fato de
de que
fato apesar de seus
o amava. Esta tropeços
pode ter-seiniciais como
tornado suadiscípulo, Jesusentre
identificação Cristo, o Filho para
as pessoas de
quem o evangelho foi escrito, de modo que especulações sobre a identidade do
―discípulo amado‖ são inúteis.
Outras tentativas de identificar o tal ―discípulo amado‖ com o jovem rico (cf. Mc
10.21) ou com Natanael encontraram (com justiça) pouco apoio entre os estudiosos. A
posição de intimidade desfrutada por João nos sinóticos confirma a veracidade do título
por ele empregado, ὁ καηο ὃλ ἠγαα ὁ Ιζνπο .
Por fim, o autor demonstra intimidade com os discípulos com sua conduta e até
mesmo com seus processos mentais (2.11-12; 6.19; 12.16; 13.22), o que sugere alguém
que era membro do grupo apostólico.
Três objeções comuns à autoria joanina a partir da evidência interna são: (a) o modo
abrupto como a messianidade de Jesus é introduzida, em contraste com a abordagem
gradativa dos sinóticos;
retrato iminente (b) a escatologia
e apocalíptico daαξνπζίαrealizada do) evangelho,
(parousia emsinóticos;
que se vê nos contraste ecom
(c) oa
diferença radical entre os discursos de Jesus em João e nos sinóticos.
As respostas a essas objeções são simples, embora não sejam simplistas.
Primeiramente, se for presumido que João escreveu com a consciência de que outros
evangelhos já haviam sido escritos e estavam em circulação (o que não é impossível
mesmo se uma data bem recuada for aceita), a maneira direta da introduzir a
messianidade é algo a se esperar. Além do mais, o que se percebe em João é um
crescimento gradativo na percepção da messianidade de Jesus por parte dos discípulos.
A própria maneira em que João usa o verbo ζηεύσ [pisteuo] sugere isso (cf. 2.11, 22-
24).
Em segundo lugar, a escatologia de João nem sempre é realizada, conforme visto nas
promessas que Jesus faz sobre o juízo escatológico (5.5-29) e sobre o Seu retorno (14.1-
4).
porAlém disso,Éosmelhor
exemplo). sinóticos também
afirmar apresentam
que tanto ―escatologia
João quanto realizada‖
os sinóticos (cf. Lc 17.21,
apresentam
exemplos de escatologia ―inaugurada‖, ao passo que João tem uma ênfase apocalíptica
menor (possivelmente porque os outros três evangelhos já houvessem suprido material
suficiente desse gênero).
Em terceiro lugar, diferenças de conteúdo e forma de expressão não exigem
diferença de srcem. As diferenças encontradas entre os discursos de João de maneira
alguma contradizem os ensinos contidos nos sermões e discursos dos sinóticos. A
observação de Lightfoot é bem oportuna.
A Igreja jamais se mostrou cônscia de qualquer incompatibilidade fundamental entre o
retrato de nosso Senhor neste Evangelho e aquele encontrado nos outros três. Esse
62
assunto de há muito foi resolvido pela consciência religiosa da Cristandade.

61
O fato de que a maior parte de Jerusalém foi arrasada pelos romanos entre 66 e 70 torna
altamente improvável que um não-palestino fosse capaz de fornecer tais detalhes, ou mesmo
estivesse interessado em fornecê-los, por estar distante dos eventos reais no tempo e no
espaço.
62
R. H. Lightfoot, St. John’s Gospel. A Commentary, p. 1.
Um argumento persuasivo com respeito a essa objeção é que as mesmas pessoas que
a invocam aqui querem negar a Mateus a autoria de Mateus 11.25-30 com a alegação de
que aquela passagem é joanina demais. Assim, diferença e semelhança são convocadas
a servir o mesmo senhor de maneira ilógica e equivocada. Esse tipo de erudição é
evidência de noções preconcebidas e traz consigo sua própria refutação!
Essa observação não procura minimizar as diferenças entre João e seus companheiros
sinóticos,63 cada um dos quais tinha seu propósito para o qual escolheu a forma e o
estilo
padrãoque julgou melhor.
tradicional O fatomais
revela ainda de o claramente
evangelho de João ter
o gênio escolhido
criativo romper com
e a autoridade um
pessoal
de seu autor; um indivíduo de menor porte teria permanecido leal à tradição já aceita.
Evidência externa. A tradição universal confirma João como autor do quarto
evangelho. Há alusões em vários autores pós-apostólicos como Clemente de Roma (c.
95), Policarpo (69-155), Inácio de Antioquia (m. 110) e Justino Mártir (c. 100-165).64
Irineu de Lyon, discípulo de Policarpo, discípulo de João, escreveu no segundo século:
―João, o discípulo do Senhor, que também se reclinara sobre o Seu peito, ele mesmo
publicou um evangelho durante sua residência em Éfeso na Ásia‖.65
Outros autores que confirmam a autoria joanina são Taciano (c. 170, no seu
Diatessaron), Teófilo de Antioquia (c. 180), Clemente de Alexandria, Tertuliano,
Orígenes e Eusébio. Esse último é responsável pela preservação de uma frase de Papias,
que identificava o autor como ―João, o presbítero‖. Tenney argumentou, corretamente,
que é ilógicodedarmais
interpretada precedência a uma referência
de uma maneira) secundária
que à referência mais recente
de Irineu, direta e(que
maispode ser
66
antiga.
63

Os verdadeiros contrastes entre João e os sinóticos são resumidos na tabela abaixo:

O Evangelho de João Os Evangelhos Sinóticos

Pouco movimento Muito movimento

Centralizado na Judéia Centralizado na Galiléia

Ênfase na pessoa de Jesus Ênfase no Reino


Jesus como Filho de Deus Jesus como Homem, Filho de Davi

Ênfase em discursos Ênfase em narrativas

Muito material editorial Pouco material editorial

Longos pronunciamentos de Jesus Pronunciamentos breves de Jesus

Ênfase no significado de Jesus Ênfase na história de Jesus

64
D. Edmond Hiebert, An Introduction to the New Testament, 1:195.
65
Adversus Heresiae 3.1. Ele se identifica como discípulo de Policarpo na mesma obra
(3.3.4).
66
A verdade é que mesmo a frase de Papias não indica que outro João tenha sido o autor, pois
nela Papias chama outros apóstolos de “presbíteros”.
Morris sugere que mesmo Marcion, o arqui-herege do segundo século, atribuiu o
quarto evangelho a João, o apóstolo, ainda que argumentando que as teses de Marcion
estavam erradas.67
DATA
A data do quarto evangelho já tem sido situada entre a década de 40 no primeiro
século até à metade do segundo século. Essa grande variedade não significa incerteza,
todavia.
John Robinson,
anterior em seu
a a.D. 70, com emRedating
baselivro João 5.2,the NewseTestament
onde lê:ἔζηλ ,δέ
defendeu
ἐλ ηνῖοuma data
Ἰεξνζνιύκνο …
νιπκβήξα (estin de en tois Ierosolumois … kolumbēthra, ―existe em Jerusalém …
um tanque). Argumentando a partir do tempo presente do verbo, Robinson propõe que
68
Jerusalém ainda não havia sido destruída quando o evangelho foi escrito. Embora tal
argumento pareça colocar peso excessivo sobre um simples tempo verbal, e uma data
anterior à destruição de Jerusalém não seja imprescindível, concordo com Robinson
quanto à composição inicial do evangelho, seguido por Apocalipse e pelas cartas.
Por outro lado, a presença de elementos antignósticos no evangelho não o torna
posterior ao ano 80, pois elementos gnósticos foram encontrados na Palestina e no Novo
Testamento ainda nos anos 50 (cf. O Argumento de Colossenses).
Do outro lado do espectro estão os antigos estudiosos da Universidade de Tübingen e
seus seguidores, que postulam uma data na metade do segundo século com base no
conteúdo teológico
helênica da e naalgo
cristologia, idéiaque
de não
que poderia
João reflete umaproduzido
ter sido abordagemporprofundamente
um galileu, ainda
mais um pescador analfabeto.
Numa resposta sucinta a tais teorias, pode-se dizer que a educação de João pode ter
sido melhor que a de seus companheiros de apostolado, uma vez que sua família
aparece nos evangelhos como bem afluente, contando com servos (Mc 1.20) e
auxiliando no ministério de Jesus (Lc 8.2-3). Além do mais, o comentário negativo de
que foi objeto em Atos 4.13 pode ser uma referência não à condição de analfabeto, mas
à de não ter recebido treinamento rabínico formal.
Descobertas em Qumran também contribuíram para diminuir o entusiasmo
acadêmico com uma data recente para o quarto evangelho, demonstrando que
concepções supostamente helênicas do universo e da natureza humana eram bastante
comuns na Palestina do primeiro século, a ponto de penetrarem numa comunidade
hermética
Guthrieeindica,
isolada, que vivia naque
corretamente, periferia
os quedoatribuem
judaísmo.
uma data recente a João
presumem, de maneira totalmente gratuita, que Jesus teria sido incapaz de formular
Seus conceitos de maneira adequada à expressão em formas gregas de pensar, 69 o que é
uma pressuposição injustificada, para dizer o mínimo.
O golpe de misericórdia para a teoria da data recente foi a descoberta deP52, um dos
papiros John Rylands, um fragmento de João 18.31-33, 37-38, que foi
paleograficamente datado por volta de a.D. 130. O período de circulação e cópia teria
que ter começado décadas antes dessa data. Além disso, o Papiro Egerton 2, datado da
mesma década,70 preserva parte de um evangelho apócrifo cuja fraseologia, na avaliação
71
de Tenney, incorporava alusões inconfundíveis ao quarto evangelho.
67
Leon Morris, The Gospel According to John, NICNT, p. 26.
68
John T. Robinson, Redating the New Testament, pp. 227 -278.
69
Guthrie, Introduction, p. 256.
70
Hiebert, Introduction, 1:196.
71
Tenney, “John,” EBC 9.9.
ORIGEM E DESTINATÁRIOS
A srcem do quarto evangelho é nebulosa, embora a tradição eclesiástica antiga
aponte solidamente para Éfeso, seguindo Irineu e Eusébio. Se uma data mais remota for
presumida, não há razão para rejeitar a Palestina como lugar de srcem. Minha
preferência por uma data anterior a a.D. 70 leva-me a deixar em aberto a questão de
uma srcem palestina.
Os destinatários constituem questão igualmente aberta a debate. A tendência de
interpretar
Os supostosnomes hebraicos e de
versículos-chave, situar localidades
20.30-31, na Palestina
têm sido usados sugereque
para provar leitores gentios.
João tinha em
mente pessoas não-salvas, mas isso parece pouco provável quando se considera que
todos os outros livros do Novo Testamento foram dirigidos a comunidades ou a
indivíduos cristãos.
O propósito geral do evangelho, encorajar a fé, pode indicar uma audiência mista, em
que cristãos precisavam de confirmação e interessados podiam encontrar um
testemunho direto sobre a pessoa e obra de Cristo que os levasse a crer nele e, assim, ser
salvos.
ARGUMENTO BÁSICO
Características
João apresenta características próprias em contraste com os evangelhos sinóticos. Por
isso, muitos eruditos continuam a negar sua historicidade, sem levar em conta
propósitos diferentes entre os autores e o fato de João ter escrito mais tarde, e
provavelmente com conhecimento do material já registrado pelos sinóticos.
Uma característica marcante de João são os longos discursos de Jesus (o pão da vida
[cap. 6], a luz do mundo [cap. 8], o bom pastor [cap. 10] e o discurso do cenáculo [caps.
14-16]) e Seus debates (alguns tranqüilos, outros inflamados) com a liderança judaica
(caps. 5, 8, 10 e 12). Notáveis nesses discursos são as auto-afirmações de Jesus com a
frase ἐγώ εἰκί, egō eimi (o pão da vida [6.35], a luz do mundo [8.12], a porta [10.7], o
bom pastor [10.11], a ressurreição e a vida [11.25], o caminho a verdade e a vida [14.6].
Como disse Ladd: ―todas essas declarações são reflexos de uma autoconsciência
absoluta: ‗antes que Abraão fosse, eu sou‘ (8.58)‖. 72
Outra característica do quarto evangelho são os diálogos com indivíduos que
eventualmente chegam a confiar em Jesus como Messias. João utiliza a crença dos
primeiros discípulos (cap. 1), Nicodemos (cap. 3), a mulher samaritana (cap. 4), o cego
de nascença (cap. 9) e a família de Lázaro (cap. 11) como um refletor que ilumina a
trágica rejeição de Jesus por Israel, já prenunciada em 1.11-12, e que se intensifica no
transcorrer do evangelho.
João ainda se distingue dos evangelhos sinóticos por aquilo que é chamado de
escatologia realizada, a súbita irrupção do mundo ―de cima‖ na pessoa de Jesus. Essa
distinção, todavia, não pode ser absolutizada, já que João contém promessas de
julgamento escatológico (5.25-29) e a promessa da volta de Jesus (14.1-4).
Há ainda uma diferença em cronologia e geografia entre João e os sinóticos. João
deixa claro que o ministério de Jesus envolveu pelo menos três Páscoas (caps. 2, 6, 13)
e dá ênfase ao ministério realizado na Judéia, em contraste com o foco galileu dos
sinóticos. Uma vez mais encontramos o fenômeno da complementação entre os
evangelhos.
Uma última característica do quarto evangelho é o seu dualismo vertical, entre o
mundo e a vida superiores, e suas contrapartidas terrenas. Enquanto os sinóticos
estabelecem o contraste entre esta era a e era do Reino por vir, João trabalha com as
categorias ―este mundo‖ e o ―mundo de cima‖, entre Deus e o diabo, entre a luz e as
trevas. Neste caso, Ladd parece exagerar a distinção entre o Reino de Deus nos sinóticos

72
George E. Ladd, Teologia do Novo Testamento, p. 202.
e a vida eterna em João.73 Os diálogos de Jesus com o jovem rico e Nicodemos
combinam as duas expressões de maneira notável, com uma inversão de ordem de
aparição mas uma equivalência de significado.
PROPÓSITO
João é o único evangelho que claramente anuncia seu propósito. Ele aparece em
20.31. ηαῦηα δέ γέγξαηα ἵλα ζηεύζηε ὅη Ἰζνῦο ἐζηλ ὁ Υξζηνο ὁ πἱόο ηνῦ ενῦ,
αί ἵλα ζηεύνληεο σήλ ἔρηε ἐλ ηῶ ὀλόκαη αὐηνῦ
(tauta de gegraptai hina
pisteusēte hoti Iēsous estin ho Christos ho huios tou theou, kai hina pisteuontes
zōēn echēte en tō onomati autou , ―Na verdade fez Jesus diante dos discípulos muitos
outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que
creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu
nome‖).
Infelizmente, a maioria dos comentaristas tem enfatizado o aspecto evangelístico
deste propósito, sem atentar para os aspectos apologético ou polêmico do evangelho, em
que João enfatiza a glória do Verbo c( f. 1.14; 17.1, 5) e a realidade de sua encarnação.74
O alvo de João era ―estabelecer e confirmar a realidade histórica sobre a natureza do
homem Jesus‖.75 Fez isso enfatizando, desde o princípio (1.19ss.) até o dramático fim
(12.12-19; 18.19-21.25) os seguintes tópicos: (a) a natureza e a missão messiânica de
Jesus; (b) a singularidade de Jesus como ―o Filho de Deus‖, ou s eja a pessoa
verdadeiramente divina cujos milagres atestam a realidade das ousadas afirmações que
João fez a6.40).
(3.16-17; Seu respeito
Assim, no capítulo
João 1; eser
consegue (c) ao
o escopo
mesmouniversal de Sua obra polêmico,
tempo evangelístico, redentora e
pastoral.
Acompanhando seus companheiros sinóticos, o Evangelho de João visa estabelecer
relações pessoais de fé para com Deus mediante Jesus Cristo. A maneira peculiar
adotada por João para conseguir isso é proclamando a glória do eterno Filho agora
encarnado, que por meio de Sua vida, morte e ressurreição, media a graça e a verdade
divinas para aqueles que crêem.
O propósito do Evangelho de João pode ser assim formulado:
Estabelecer relacionamentos de fé com Deus proclamando a glória de Jesus, o
Messias, o Filho encarnado, cuja vida, morte e ressurreição mediam vida eterna,
graça e verdade aos crentes.

MENSAGEM E DESENVOLVIMENTO
A maioria dos comentários de João dá a devida atenção a João 20.30-31 como
passagem determinativa para o propósito e a mensagem do quarto Evangelho. Embora
este autor não negue que João 20.30-31 seja uma declaração de propósito, crê que o
76
propósito de João não era exclusivamente soteriológico, nem didático,77 mas também
73
Ibid., p. 201.
74
Há indícios de que João queria esvaziar um gnosticismo incipiente, de tendências
docéticas, enfatizando a encarnação e a realidade da natureza humana de Jesus. Ele relata
como atividades de Jesus comer, chorar e sentir-se cansado, bem como oferece o testemunho
importantíssimo do tórax perfurado, do qual fluíram sangue e água (19.34-35). Outro
elemento polêmico no quarto evangelho é sua quase-obsessão com a verdade e a verificação
objetiva por meio de testemunho. Isto se vê pelo uso freqüente de ἀιήεα (alētheia) e seus
cognatos (55 vezes) e de καξηπξία(marturia) e seus cognatos (47 vezes).
75
Hiebert, Introduction, 1:214-215..
76
B. F. Westcott, The Gospel According to John, p. xl.
77
William Hendriksen, The Gospel of John, NTC, p. 34.
doxológico, com o prólogo, especialmente 1.14, operando em conjunto com 20.30-31
para provocar nos leitores a apreciação correta da divindade e da majestade de Jesus
Cristo. Na verdade, os termos δόμα (doxa) e δνμάσ (doxazō) têm uma ocorrência
combinada de 39 vezes, fazendo o conceito de glorificação ser menos importante apenas
que ζηεύσ (pisteuō) na determinação do propósito e mensagem do quarto Evangelho.
Outro fator importante na busca dessa mensagem é o constante conflito entre a fé e a
incredulidade que João sintetiza em 1.11-12: ―Veio para o que era seu, mas os seus não
oDeus,
receberam,
aos quemas a todos
crêem quantos
no seu o receberam deu-lhes o poder de se tornarem filhos de
nome.‖
A incredulidade jamais é neutra nas Escrituras, e João freqüentemente a relaciona à
oposição que crescia contra Jesus à medida que Seu ministério se desenvolvia. Isso
cresceu de um simples preconceito na mente de Seus primeiros discípulos (1.46) ao
ódio declarado e às intenções assassinas (15.18; 10.31; 12.10-11). A princípio, a reação
a Jesus e Seu ministério é favorável entre a população, embora nem sempre
corretamente motivada; assim, em 2.24, encontramos discípulos que não são dignos de
confiança, e em 6.66 muitos que abandonam Jesus ante a possibilidade de terem que se
identificar com Seu sofrimento. Alguns, ainda, permanecem discípulos secretos por
temerem perder prestígio e posição (7.50-52; 12.42-43; 19.38-39). A oposição cresce de
um simples questionamento de Sua ousada purificação do Templo (2.18), a um debate
ferrenho sobre Seus pontos de vista quanto ao sábado (cap. 5) e, principalmente, sobre
sua reivindicação
destruir de divindade
as evidências (cap.
ao invés de 10). A tragédia
se submeter da liderança
a elas sublinha israelitadas
a realidade preferir
palavras
proféticas de Isaías. ―Cegou os seus olhos, e endureceu-lhes o coração, para que não
vejam com os olhos, nem percebam com o coração, e se convertam e eu os cure‖ (Is
6.10, conforme parafraseado em João 12.40).
Outra fibra no tecido da mensagem de João é a natureza expiatória da missão de
Cristo na terra. Esta é anunciada ao início do evangelho, em 1.29, e recebe confirmação
de fontes inesperadas, como camponeses samaritanos (4.42) e um sumo Sacerdote
cínico (11.49-50).
Com base nesses elementos, foi formulada a seguinte mensagem de João.
A encarnação do Filho de Deus revela Sua glória divina àqueles que, a despeito da
oposição generalizada, desfrutam de graça e verdade mediante a fé em Jesus como
a provisão divina para o pecado do mundo.
O Evangelho de João muitas vezes é chamado de ―o Evangelho da Fé‖; bem poderia
ser chamado de ―O Evangelho do Conflito entre a Fé e a Incredulidade‖, porque desde o
princípio até os eventos finais do livro, a apresentação do Messias provoca confiança e
incredulidade, com os resultados naturais de bênção e condenação.
Esse contraponto se vê no desenvolvimento da narrativa. O prólogo (1.1-18)
estabelece os dois temas básicos da natureza essencial (divindade) e missão (revelar a
glória de Deus) de Jesus; depois disso encontra-se a apresentação inicial de Jesus por
seu precursor (1.19-51), que provoca uma reação cética por parte da liderança judaica e
uma resposta superficial de fé por parte de Seus primeiros discípulos.
A terceira divisão principal (2.1-4.54) apresenta o crescimento da fé entre pessoas de
contextos diferentes em Israel, mas isso é contrabalançado pelo crescimento da
controvérsia sobre Jesus (5.1-47), que acaba por degenerar em conflito aberto (6.1-
12.50), causado pela rejeição das reivindicações de divindade e messianidade de Jesus
por parte dos líderes representativos de Israel.
Apenas João, entre os evangelistas, registra as importantes instruções de Cristo na
véspera de Sua crucificação (13.1-17.26), palavras que Jesus usou para encorajar Seus
seguidores a não abrirem mão da fé nEle por causa de Sua morte iminente, de Sua
partida e da demora no estabelecimento do Reino cf. ( a pergunta de Judas em 14.22). Os
acontecimentos dramáticos da prisão, julgamento e crucificação de Cristo (18.1-19.42)
retratam a consumação da incredulidade de Israel (já sugerida no Prólogo, em Jo 1.11,
εο ηά ἴδα ἦιελ, αί νἱ ἴδν αὐηόλ νὐ αξέιαβνλ (eis ta idia ēlthen kai hoi idioi
auton ou parelabon, ―veio para o que era seu e os seus não o receberam‖).
O livro termina com duas divisões que ressaltam a fé. A vindicação da fé por meio da
ressurreição (20.1-31) e as recompensas [ou responsabilidades] da fé (21.1-23). Mesmo
o pós-escrito de João oferece um desafio à fé, na medida que atesta a verdade do relato e
oferece a possibilidade de mais provas (21.24-25).
O Prólogo, simples mas profundo, lança os alicerces literários e teológicos do
Evangelho
Deus e Luz aode apresentar
Luz‖, o FilhJesus Cristo como
o encarnado oιόγνο
de Deus, (logos
vindo , ―Palavra,
à terra Verbo‖),
para revelar ―Deus
o Pai e de
redimir o homem. O prólogo estabelece as duas únicas respostas possíveis à mensagem
de Jesus sobre Sua pessoa e Sua obra; não há neutralidade com respeito a Jesus, e o
leitor se defronta, desde o princípio, com a necessidade de escolher entre a fé (que
restaura o privilégio [ἐμνπζία, exousia, ―poder‖] de tornar-se corretamente relacionado
a Deus) e a incredulidade (que significa negar a Jesus o controle que é, por direito, Seu).
O tema de Jesus como Luz, o Revelador adequado do Pai, aparece no prólogo (1.14-
18) e reaparece em várias das confrontações e dos diálogos de Jesuscf.( 5.18-19; 8.26-
27; 14.9-11).
A segunda divisão do livro lida com reações diferentes ao testemunho do precursor
do Messias, João Batista, ou João o Batizador (1.19-51). A resposta oficial à mensagem
de João foi de interesse nascido do ceticismo (um fato amplamente atestado nos
sinóticos [cf. Mtà21.23-27]
dúvidas quanto identidadee já atestadopara
dAquele no prólogo [1.8, 10]).oJoão
Quem preparava Batista
caminho. Elenão deixara
chamou
Jesus de kuvrio~ (kurios, ―senhor‖, 1.23), citando Isaías 40, e assim igualou Jesus a
Yahweh, o Deus de Israel; identificou, ainda, Jesus comoὁ ἀκλόο ηνῦ ενῦ ὁ αἴξσλ ηήλ
ἁκαξηίαλ ηνῦ όζκνπ (ho amnos tou theou ho airōn tēn hamartian tou kosmou , ―o
Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo‖, 1.29), deixando claro, assim, desde o
começo do evangelho, a essência da missão de Cristo e a natureza de Sua morte. Por
fim, identificou Jesus como Aquele que batizaria com o Espírito Santo, o que parece ser
uma alusão às promessas escatológicas que Ezequiel e Joel haviam feito a Israel -
restauração por meio de intervenção divina, com o estabelecimento da Nova Aliança a
restauração do Reino davídico. Israel jamais poderia alegar falta de conhecimento dos
fatos sobre Cristo como causa de sua rejeição.
Em contraste com isso, um pequeno grupo de indivíduos respondia à mensagem de
João
não écom interesse
exato em suaedescrição
uma fé incipiente (1.35-51).encontros
desses primeiros Críticos radicais sugerem
porque ela que João
apresenta (ou
transforma) os discípulos como messianistas ardentes desde o princípio, um quadro que
os sinóticos não confirmam. Talvez a melhor resposta a tal acusação venha do próprio
João, que no capítulo 2 fala de crentes indignos de confiança (2.23-25), em cujo caso a
fé estava presente, embora ainda não fosse testada e desenvolvida.
A técnica joanina de delimitar seu livro com expressões de profunda convicção
religiosa (Natanael no capítulo 1 e Tomé no capítulo 20) destaca a natureza dinâmica da
fé neste Evangelho; o que começava com um rompante de entusiasmo genuíno, mas
superficial, à vista de uma demonstração sobrenatural de conhecimento (1.49)
amadureceu até o ponto de tornar-se convicção de Sua soberania divina (20.28). Em
ambos os incidentes, Jesus prenuncia que coisas maiores estavam por vir para aqueles
78
que cressem, confirmando assim o conceito de progresso na fé e suas recompensas.
A parte
Filho principal
de Deus do livroO compreende
(2.1-12.50). centro deste orelato
relatório
é umajoanino do sete
série de ministério público
milagres do
em torno
dos quais se agregam conversas particulares e discursos públicos nos quais se revelam a
glória divina de Jesus e Sua missão redentora.
78
Ver Zane C. Hodges, “Untrustworthy Believers - John 2.23-25,” Bibliotheca Sacra 135.538
(Ab. - Jun. 1978): 139-152.
A primeira seção desta divisão fala de uma ampla reação de crença em Jesus como
resultado de milagres (2.1-25),79 diálogo (3.1-21), testemunho (3.22-36), diálogo (4.1-
42), e milagre (4.43-54).80 A disposição quiástica das narrativas é claramente
intencional, e o mesmo se pode dizer da sua distribuição geográfica, que englobam a
Galiléia, a Judéia e a Samaria. O Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo
considerou imperativo (δεῖ, dei, ―era necessário‖, 4.4) compartilhar Sua mensagem de
redenção até mesmo com os desprezados samaritanos.
81

comOsNicodemos
dois diálogos nessarevela
(3.1-21) seção asão positivos, de
necessidade e resultam emaconversões;
abandonar o diálogo
confiança na própria
condição de judeu para poder ingressar no Reino (que mais adiante Jesus relaciona à
vida eterna, 3.16), ao passo que a longa conversa entre Jesus e a mulher samaritana
revela que a salvação está acessível a todos que corretamente reconheçam a Jesus como
Messias e Salvador (4.25-26, 29, 42).
A seção seguinte descreve o desenvolvimento e aprofundamento da incredulidade
nacional contra Jesus (5.1-12.50). O entusiasmo geral gerado pelos milagres realizados
por Jesus não é suficiente para superar a natureza controversa de Sua mensagem como
Messias e Deus (cf. 5.18 – ἀιιά αί αηέξα ἴδνλ ἔιεγελ ηόλ εόλ, ἴζνλ ἑαπηόλ ν῵λ
ηῶ εῶ, alla kai patera idion elegen ton theon ison heauton poiōn tō theō , ―também
dizia que Deus era seu próprio Pai, igualando-se a Deus‖). A liderança religiosa de
Israel, em particular, reagiu contra o aparente descaso de Jesus para com o sinal da
aliança
causadamosaica, o sábado
pelos ataques (5.16).
de Jesus Isso os
contra foilíderes
provavelmente agravado peladeirritação
por sua incapacidade entender o
testemunho das Escrituras com respeito a Ele (5.39-47), e pela perplexidade das
multidões
diante de um operador de milagres que recusava o apelo e a aclamação populares para
torná-lo Rei (6.15).
O primeiro milagre nesta seção, a cura do paralítico no tanque de Betesda (5.1-18),
foi o estopim para o debate sobre a relação de Jesus para com o Pai, que Ele defendeu
com base em cinco testemunhos - o de João Batista (5.33), o de Suas próprias obras
(5.36), o do Pai (5.37), o das Escrituras (5.39), e o de Moisés (5.46). O segundo milagre
nesta seção (o quarto no cômputo geral) é o único narrado por todos os quatro
evangelhos. Ele é o ponto de partida para o debate sobre o pão da vida, que enfatiza a
obra salvadora de Jesus (cf. 6.35-40), em contraste com o esforço insano dos judeus
para obterem
judeus salvação
recusam guardando
as evidências a Lei c(ef.a6.29).
oferecidas Comoatestada
mensagem nos evangelhos
por elas. esinóticos, os
exigem outro
ζκεῖνλ (sēmeion, ―sinal‖, 6.30), o que apenas confirma sua incredulidade
profundamente arraigada. A esta altura, o entusiasmo inicial acaba por desvanecer e a

79
A primeira purificação do Templo ocorreu no contexto dos milagres realizados na Judéia e
serviu para estabelecer o tom básico do diálogo (ou da confrontação) entre Jesus e o judaísmo
oficial. Este incidente é significativo também por seu valor cronológico para estabelecer a
duração do ministério terreno de Cristo.
80
Todos esses incidentes contêm algum comentário editorial feito pelo evangelista, algumas
vezes tão bem integrados à narrativa e ao tema da conversa que comentaristas e tradutores
têm dificuldade de determinar exatamente onde terminam os diálogos e começam os
comentários (por exemplo, o que são as palavras em João 3.16 − as ipsissima verba de Jesus ou
o comentário teológico de João?).
81
A confiança de Nicodemos em Jesus não foi revelada senão mais tarde no livro (7.50-51;
19.39), embora o desfecho positivo possa ser lido nas entrelinhas do capítulo 3.
maré da opinião pública se volta contra Jesus (6.66). A partir deste ponto, também, a
oposição parte da palavra para a ação.
O quinto discurso de Jesus no livro ocorre por ocasião da Festa dos Tabernáculos
(7.1-52). Esse capítulo retrata de maneira bem vívida a confusão em que se encontrava a
nação com respeito à pessoa de Jesus.
As pessoas que vinham a Jerusalém estavam divididas em sua opinião a respeito dEle
(7.12-13, 20, 31), ao passo que os moradores de Jerusalém demonstravam apatia com
respeito à Sua pessoa
estão decididos a fazere oposição
Suas obras (7.25).(7.14-15,
a Jesus Somente30,
os 45-52),
líderes têm
mas opinião formada
sua tentativa de e
prendê-lo acaba falhando. Mesmo nesse ambiente misto de dúvida e oposição, alguns
crêem em Jesus, imaginando que seria impossível ao Messias fazer coisas maiores que
as que Jesus fizera (7.31; Ὁ Υξζηόο ὃηαλ ἔιῃ κή ιείνλα ζκεῖα νήζε ὧλ νὗηνο
ἐνίζελ [ho Christos hotan elthē mē pleiona sēmeia poiēsei hōn houtos
epoiēsen,―quando o Cristo vier, acaso fará milagres maiores do que este tem
realizado?‖] Não é uma crença madura e fidedigna, mas oferece um contraste salutar
para a incredulidade e hostilidade da liderança.
Neste ponto da narrativa Jesus se apresenta como a consumação das esperanças
israelitas preservadas na Festa dos Tabernáculos, reivindicando ser, Ele mesmo, a
provisão de Deus para a sede espiritual (7.37-39) e para a escuridão espiritual do
homem (8.12), trazendo assim as bênçãos espirituais do Reino esperado (a alegação de
ser a Luz identificava Jesus com a coluna de fogo no[ deserto e com
Isaías
em49.6, o Servo de Yahweh
ûneṯatîḵā leʾôr gôyim
lihyôt yešûʿāṯ’ ‘aḏ qeṣēh hāʾāreṣ ―e te constituí como luz para os gentios, para seres
minha salvação até os confins da terra‖]).
A famosa perícope de adultera (parágrafo da mulher adúltera) se encaixa no tema da
seção e oferece uma transição entre a rejeição de Jesus por causa de Sua srcem galiléia
e Seu inestimável valor como a Luz do mundo (8.12).82 As alusões na passagem
apontam para seu encaixe temático no desenvolvimento do argumento. O abandono com
o qual os judeus celebravam a Festa dos Tabernáculos se prestava aos excessos do tipo
apresentado na passagem; somente no último dia da festa os participantes voltavam
realmente a seus lares; a exigência da Lei, escrita com o dedo de Deus na pedra, foi
refocalizada pelo dedo de Deus escrevendo na areia; assim como Israel fora objeto da
graça no Sinai, a despeito de seu adultério espiritual, assim a mulher recebeu graça no
Templo depois de seu adultério físico.83
O conflito com a liderança continuou à medida que Jesus se apresentou como um
objeto fidedigno da fé (8.21-30), e desafiou a falsa segurança que os judeus derivavam

82
Zane C. Hodges apresenta evidências convincentes em favor da inclusão desta perícope
no texto srcinal de João. Seus argumentos principais são os seguintes: (1) Apocalipse 22.18-
19, que sugere que bem cedo no primeiro século houve adulteração do texto do Novo
Testamento; (2) embora a evidência textual para a omissão seja antiga, isso não significa que a
inclusão seja posterior a tais testemunhas textuais; (3) há dependência literária entre as
principais testemunhas textuais da omissão, o que reduz o peso de seu testemunho; (4) a
localização é segura em 450
manuscritos; (5) a maioria dos manuscritos da mais antiga das versões, a Itala, contém a
passagem; e (6) argumentos a partir da evidência patrística são, em sua maioria, a partir de
silêncio, silêncio esperado em vista da natureza controversa da história ( “The Woman Taken in
Adultery (John 7.53−8.11). The Text,” BibSac 136.544 (Oct.-Dec. 1979), pp. 318-332.

83
Hodges, “The Woman Taken in Adultery (John 7.53−8.11).Exposition,” BibSac 137:545 (Jan.-
Mar. 1980): pp. 41-53.
de sua descendência física de Abraão (8.31-47). Sua alegação de ser maior que Abraão
provocou tamanha fúria nos judeus que ali mesmo eles tentaram apedrejá-lo (8.48-59).
O aprofundamento do conflito e da cegueira de Israel à verdade espiritual é
destacado no capítulo 9, quando Jesus cura um homem cego, que progride da absoluta
ignorância quanto a Jesus até chegar a crença nEle e adoração a Ele, em contraste com
os líderes judeus, que se firmam ainda mais em sua obstinada recusa em aceitar a
autoridade e as reivindicações de autoridade de Jesus, mesmo em face de evidência
irrefutável,
previamentecomo a cura(6.30)
solicitado do cego de foi,
lhes nascença (9.32).
de certa Assim,
maneira, o sinal que
concedido, haviam
e rejeitado.
O chamado ―Discurso do Bom Pastor‖ (10.1-21) é, na realidade, uma continuação do
tema da insensibilidade espiritual ilustrado pelo incidente do
cego de nascença. Jesus reivindica ser o Messias ao usar uma metáfora messiânica
tradicional (cf. Isa 40.11 e Ez 34.11-16); ao mesmo tempo, Ele acusa a liderança
judaica, cuja única preocupação era seu próprio bem-estar, não o das ovelhas. Além do
mais, o conteúdo do discurso é ilustrado pelo cego, que se tornara uma das ovelhas de
Jesus, uma vez que ouvira Seu chamado, ao contrários dos fariseus, que o haviam
rejeitado. O resultado final dessa confrontação foi controvérsia renovadaζρίζκα( ,
schisma, ―divisão‖) entre o povo (10.19-21).
84
O debate seguinte (10.22-42) ocorre por ocasião de Hanukkah, a festa da
Dedicação, que celebrava a purificação do Templo por Judas Macabeu em dezembro de
165 a.C.que
parece Comentaristas
Jesus estava não indicam umum
estabelecendo elocontraste
entre a Festa
entre ea osegurança
conteúdoquedo discurso,
os judeusmas
pensavam ter nas dependências do Templo e aquela que Ele podia oferecer às Suas
ovelhas (10.28). Quando se pensa no massacre romano de vários milhares de judeus no
monte do Templo, a verdade das palavras de Cristo se torna ainda mais pungente.
É neste contexto que Jesus faz Sua mais clara reivindicação de divindade em Seus
discursos públicos ao dizerἐγώ αί ὁ αηήξ ἕλ (ἐκελ egō kai ho patēr hen esmen, ―eu
e o Pai somos um‖, 10.30), frase que os judeus entenderam como uma blasfêmia,
preparando-se mais uma vez para apedrejá-lo. Jesus evitou uma morte prematura
citando as Escrituras e empregando o que intérpretes judeus chamavam de argumento
(a fortiori). Se juízes corruptos são funcionalmente rotulados como ―deuses‖,
o Filho que não conheceu corrupção tem todo o direito de se intitular Deus,
especialmente à luz de Suas provas funcionais ηνῖο ( ἔξγνο ζηεύεηε, tois ergois
pisteuete, ―crede por causa das obras‖, 10.38).
A crise precipitada por essa confrontação foi tão séria que Jesus Se retirou para a
Peréia (10.40-42), onde o povo se mostrou mais receptivo à Sua mensagem. De lá Ele
voltou à Judéia motivado pela doença e morte de Seu amado amigo Lázaro (11.1-44).
Este capítulo retoma temas já introduzidos (σή [zōē, ―vida‖] e ἀλάζηαζο [anastasis,
―ressurreição‖]) e os entrelaça com as palavras de consolo que Jesus oferece a Maria e
Marta.
As circunstâncias nas quais a ressurreição de Lázaro aconteceu fazem deste o clímax
dos milagres no Evangelho de João, aquele que serve como estopim da decisão
85
definitiva de matar Jesus (11.45-53), em vista da resposta popular ao evento. A
inferência feita pelos líderes é que a mensagem de Jesus continha um elemento político
que, uma vez percebido
pelo populacho, traria o poderio romano contra a Judéia, aniquilando seu estado
centrado no Templo. Assim, o veredicto de morte já fora decidido, e a verdade da Sua
morte substitutiva foi inferida na observação cínica (mas profética) de Caifás (11.49ss.).
84
Isso se deu aproximadamente dois meses depois dos eventos relatados nos capítulos 7 e 8.
85
S. D. Toussaint associa a ressurreição ao sinal de Jonas em Mateus 12.38-41 (notas de aula
do curso 380 Seminário em Teologia Joanina, DTS, primavera de 1989).
O capítulo 12 leva ao seu ápice a controvérsia iniciada dois anos antes (cap. 5, mais
provavelmente na Páscoa de a.D. 31). Em contraste com o amor sacrificial demonstrado
por Lázaro (com seu testemunho), Marta (com seu serviço), e, especialmente, Maria
(com seu precioso ungüento),86 a traição exibe seu rosto disforme dentro do círculo dos
mais íntimos discípulos de Jesus, de acordo com Seu próprio conhecimento e desígnio
(cf. 6.70). O tema do martírio aparece veladamente quando a vida de Lázaro é ameaçada
por causa de sua identificação com Jesus.
A entrada
pronto triunfal Jesus
para assumir (12.12-19)
comodeixa claro parae seu
seu campeão os líderes que o povo
Rei (segundo sua em geral está
compreensão
desse papel) com conseqüências catastróficas (12.19). As esperanças patrióticas dos
peregrinos são expressas nas palavras messiânicas do Salmo 118.25-26. O fato de Jesus
ter escolhido um jumentinho para Seu meio de transporte adiciona lenha à sua fogueira
messiânica, à luz da predição feita por Zacarias de que o Rei viria desta maneira
(Zc 9.9). A entrada do Filho de Davi estabelece um contraste marcante com a partida
vergonhosa de Seu antepassado (cf. 2Samuel 15.13ss.)

A relação entre milagres, discursos,


e respostas no Evangelho de João
Resposta da
Milagre Discurso audiência Cap.
Água transformada Primeiros discípulos
- 2
em vinho crêem
O novo
- Nicodemos crê 3
nascimento
Água, Messias,
- Os samaritanos crêem 4
Salvador
Cura do filho do
- Alguns galileus crêem 4
oficial
A autoridade do
Cura do paralítico Oposição dos líderes 5
Filho
A (primeira) As multidões querem
multiplicação dos pães - entronizar Jesus 6
Caminhada sobre as Os discípulos ficam
- 6
águas aterrorizados
Oposição; discípulos
- O Pão da Vida 6
se afastam
Os líderes decidem
- A água viva 7
matar Jesus
A luz do mundo; Líderes tentam
- 8
maior que Abraão apedrejar Jesus
Cura do cego de Os líderes rejeitam as
- 9
nascença evidências; o cego crê
Líderes tentam
- O Bom Pastor apedrejar Jesus 10
- Reivindicação de Líderes tentam prender 10

86
Há debate quanto à natureza dessa unção − se teria sido tencionada como uma unção real
ou não. Uma vez que João não menciona a unção da cabeça de Jesus, é melhor não ver tal
implicação aqui, embora seja uma possível inferência a extrair do relato de Marcos.
divindade Jesus
Ressurreição de Muitos crêem; líderes
- 11
Lázaro se endurecem
Discurso do Discípulos ficam
- 13-17
Cenáculo perplexos
Um último incidente prepara o leitor para a eventual resolução do conflito. A
chegada de alguns gregos provoca uma resposta emocionada por parte de Jesuscf.(
12.27) pois Ele percebe que a hora crucial de Sua morte finalmente chegoucf.( ὁ
όνο ηνῦ ζίηνπ , ho kokkos tou sitou, ―o grão de trigo‖, 12.24); assim, Ele prediz a
glória que Deus irá receber pela ampliação de Sua obra redentora a todas as nações da
terra. A chegada desses gregos ―tementes a Deus‖ é importante para validar a p redição
feita por João Batista de que Jesus seria ―o Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo‖. Em contraste, os judeus afundam cada vez mais em sua incredulidade (12.37-
50), cumprindo assim as sombrias profecias de endurecimento nacional encontradas em
Isaías 6.10. Apesar disso, como em Isaías, um pequeno remanescente confia em Cristo,
embora que ainda debilmente a esta altura (12.42-43).
A quarta divisão principal do Evangelho de João contém Suas instruções quando ao
intervalo entre Sua morte iminente e Seu segundo advento (13.1-17.26). Cristo prepara
Seus discípulos oferecendo um conjunto de prioridades pelas quais deveriam pautar sua
vida sob a égide do Espírito Santo (13.1-16.33).
A cerimônia do lava-pés durante a Páscoa revela o Filho como Servo e instrui os
discípulos em humildade e perdão mútuo, mesmo em face da traição (13.1-30). Seu
exemplo de humildade contrasta com a atitude egoísta dos discípulos em sua
desorientada preocupação com a grandeza no Reino cf. ( Lc 22.24-30).
Do exemplo o Senhor passa à descrição dos relacionamentos funcionais dentro da
comunidade dos seguidores do Filho (13.31-16.33). Esses relacionamentos devem ser
moldados de acordo com Seus preceitos (resumidos no novo mandamento, 13.34-35),
Suas promessas (Sua preparação de um lugar para os Seus, Seu retorno, e Seu traslado
de Seu povo com Ele, 13.36-14.15), e Suas provisões (o ministério vindouro do
Espírito, 14.16-26, e a dádiva da paz, 14.27-31). O ciclo de preceito, promessa, e
provisão é retomado uma vez mais no capítulo 15, onde Jesus apresenta como
equivalentes o amor e a obediência perseverante;87 a promessa contém um elemento
positivo e um negativo - o primeiro sendo a certeza de que o discípulo que permanece
em Cristo produzirá muito fruto (15.9-17), e o segundo sendo a oposição engendrada
pelo mundo que antes se opusera ao próprio Mestre e O rejeitara (15.18-25). A
provisão, uma vez mais, seria o Espírito Santo, desta feita em Sua missão como
αξάιηνο (paraklētos, ―consolador‖) e δδάζαινο (didaskalos, ―mestre‖, 15.26-
16.16), acompanhado da paz divina em meio a circunstâncias desanimadoras (16.17-
33).
A última seção dessa divisão é a verdadeira oração do Senhor, Seu louvor a Deus em
vista do cumprimento iminente de Sua missão redentora e reveladora (17.1-5), e Sua
intercessão por Seus discípulos, presentes (17.6-19) e futuros (17.20-26).
A seguir João relata como a obra redentora do Filho de Deus foi culminada com Sua
prisão (18.1-11), dois julgamentos injustos (18.12 - 19.16), o abandono e a negação por

87
Há debate considerável quanto à identificação dos ramos infrutíferos. Eu acredito que
eles descrevem uma pessoa salva. Minha razão principal é que a passagem está
principalmente preocupada com o relacionamento funcional entre um discípulo e um Messias
ausente, não com um relacionamento essencial entre um crente e o Cristo que nele habita (o
conceito paulino de ἐλ Υξζηῳ). O versículo chave deste conceito é 15.5b, “sem mim nada
podeis fazer”.
Seus amigos mais próximos, e uma morte ignominiosa (19.17-42), tudo isso culminado
e colocado em perspectiva correta por Sua gloriosa ressurreição (20.1-31).
Em sua descrição da prisão de Jesus no Jardim do Getsêmani, João dá ênfase ao
contraste entre a glória e o poder demonstrados na revelação da identidade de Cristo
(ἐγὼ εἰκί) e Seu compromisso com a missão redentora que recebera do Pai, com todo o
sofrimento e humilhação que essa missão envolvia ηό ( νηήξνλ ὃ δέδσελ κν ὁ, αηήξ
to potērion ho dedōken moi ho patēr, ―o cálice que o Pai me deu‖, 18.11).
O julgamento
culmina uma sériereligioso (realmente
de rejeições três seções que
que eventualmente João condensa
confirmaram Israelememuma
suasó)
incredulidade e levaram os judeus a crucificar seu Messias pelas mãos dos romanos. A
ironia dessa seção é a narrativa paralela das negações de Jesus por Pedro. É como se
João usasse Pedro, a quem Jesus mais tarde restaura, como uma amostra ou exemplo da
nação, que um dia será restaurada.
O relato do julgamento civil (realmente três seções que João condensa numa só)
revela a natureza injusta de Sua morte redentora, causada pela rebelião dos judeus e a
má compreensão de Suas reivindicações de realeza e autoridade por parte de Pilatos
(18.27 - 19.16). Esta seção é quiasticamente disposta de acordo com o esquema abaixo.
A. Os judeus exigem a execução de Jesus (18.28-32).
B. Jesus reivindica ser um Rei (18.33-38a).

C. Pilatos considera Jesus inocente (18.38b-40).


D. Jesus é açoitado e zombado (19.1-3).
C1. Pilatos pronuncia Jesus inocente (19.4-7).
B1. Jesus reivindica ser um Rei maior que Pilatos (19.8-11).
A1. Os judeus exigem a execução de Jesus (19.12-16).
Assim como João havia usado adouble entendre de Caifás para retratar a
necessidade da morte redentora de Cristo, Ele agora usa a reação mal-humorada de
Pilatos aos eventos perturbadores daquela manhã de sexta-feira para proclamar a
realidade daquilo que Jesus ali realizou; Jesus é publicamente declarado Rei dos Judeus.
A obra redentora de Jesus, o Filho de Deus, foi cumprida (ηεηέιεζα, tetelesthai, cf.
17.4), proclamando Sua glória como Rei de Israel a despeito de Sua rejeição pela nação
(19.17-42). O cuidado dispensado ao Salvador morto, com embalsamamento e
sepultamento adequados, revelou que Ele era um Rei digno de honra, e que ainda se
achava em Israel uma certa medida de fé, mesmo em face da morte (19.38-42).
João registrou a seguir a ressurreição e apenas três das dez aparições que se podem
encaixar no referencial de tempo dos Evangelhos. Essas aparições (a Maria Madalena,
junto ao túmulo, 20.11-18; a dez apóstolos, 20.19-23; e aos onze, 20.24-30) comprovam
as reivindicações de divindade e messianidade feitas por Jesus e trazem a compreensão
e a fé dos discípulos à plena fruição c( f. Tomé em 20.24-30). Uma das características
notáveis dessa seção é que, a despeito das falhas de lealdade dos discípulos, as primeiras
palavras de Jesus a eles são o cumprimento de Sua promessa de paz e do Espírito Santo
(20.19-23; cf. 14.15, 27).
O epílogo do livro foi escrito como uma última manifestação de Jesus, cujo propósito
era encorajar os leitores a perseverarem na confiança e no serviço à luz do
misericordioso tratamento de Jesus para com Seus discípulos. Ao invés de criticar os
sete discípulos que foram pescar, Jesus, o Senhor ressurreto, realizou um milagre que
provou Sua suficiência como a fonte de sua vida e ministério (21.1-14); ao invés de
repreender Pedro por sua infidelidade, Jesus o restaurou a uma vida de comunhão e
serviço (21.15-23). O livro termina com um colofão a respeito da natureza parcial, mas
fidedigna da evidência oferecida pelo autor (21.24-25).
ESBOÇO SINTÉTICO
Mensagem
A encarnação do Filho de Deus revela Sua glória divina àqueles que, a despeito da
oposição generalizada, desfrutam graça e verdade mediante a fé em Jesus como a
provisão divina para o pecado do mundo.
I. Prólogo – Os relacionamentos de Jesus, o Logos, com Deus e com a humanidade formam
a base de Sua Missão como Vida e Luz, Salvador do homem e Revelador de Deus (1.1-
18).
A. Jesus, o Logos, é Deus na própria essência de Seu ser e no exercício de Seus atributos
(1.1-5).
B. Jesus, o Logos, aparece como Vida e Salvador em Sua expressão ao mundo (1.6-13).
C. Jesus, o Logos, ministra como Luz e Revelador na exposição do caráter glorioso,
gracioso e verdadeiro de Deus (1.14-18).

II. Amista
Apresentação
de crença edoincredulidade
Filho de Deus. Os primeiros
no começo de Seurelatos sobrepúblico
ministério Jesus geram uma reação
(1.19-51).
A. Os relatos do precursor a respeito de Jesus apontam para Ele como o Messias divino e o
cordeiro sacrificial de Deus diante de uma audiência marcada pelo ceticismo (1.19-34).
1. A auto-identificação de João Batista como o precursor aponta para Jesus como o Messias
(1.19-23).
2. O ministério batizador de João Batista aponta para a vinda de Jesus como o Messias
(1.24-28).
3. O testemunho de João Batista identifica Jesus à sua audiência como o sacrifício
designado por Deus, como Messias e Filho de Deus (1.29-34).
B. Os relatos do precursor sobre Jesus apontam para Ele como o Cordeiro sacrificial de
Deus para um pequeno grupo de homens que se dispõem a crer (1.35-51).
III. O Ministério Público do Filho de Deus. A glória divina e a missão redentora de Jesus
são reveladas por meio de uma série de milagres, diálogos e discursos públicos que
provocam reações de fé, de poucos, e de incredulidade, na maioria (2.1 - 12.50).
A. O início do ministério de Jesus provoca uma reação positiva de fé numa variedade de
camadas do povo de Israel (2.1 - 4.54).
1. O milagre em Caná revela a glória de Jesus e provoca fé em Seus primeiros discípulos
(2.1-11).
2. A purificação do Templo e os milagres realizados por Jesus Lhe granjeiam inimigos e
amigos em Jerusalém (2.12-25).
3. O diálogo com Nicodemos revela a exigência messiânica de que Israel recebesse o
Messias e o novo nascimento que Ele oferece aos que nEle crerem (3.1-21).
4. O testemunho de João Batista sobre Jesus confirma Seu papel como Messias [i.e., o
Noivo] (3.22-36).
5. O diálogo com a mulher samaritana identifica Jesus como Messias e Salvador diante dos
samaritanos, que nEle crêem sem necessidade de sinais (4.1-45).
6. A cura do filho do oficial demonstra o poder de Cristo e destaca que a fé dos galileus era
dependente de milagres (4.43-54).
B. A natureza controvertida da mensagem de Jesus como Messias e Deus provoca uma
reação crescente de incredulidade da liderança religiosa de Israel (5.1 - 12.50).
1. A cura do paralítico junto ao Tanque de Betesda provoca um conflito com a liderança
judaica quanto à autoridade de Jesus, por causa da cura no dia de sábado (5.1-18).
2. O discurso sobre a autoridade divina recebida por Jesus invoca um testemunho quíntuplo
em favor de Suas reivindicações de divindade (5.19-47).
• A autoridade de Jesus procede do Pai, Que confiara a Ele os papéis de doador da vida e
Juiz (5.19-30).
• A autoridade de Jesus é testemunhada por João, por Suas próprias obras, pelo Pai, pelas
Escrituras, e por Moisés (5.31-47).
3. A alimentação milagrosa de milhares de pessoas apresenta Jesus como um novo Moisés,
a Quem o povo deseja fazer Rei, com motivos exclusivamente materiais (6.1-15).
• O milagre da caminhada sobre as águas apresenta Jesus como Deus, o Regente da
natureza, para admiração e perplexidade de Seus discípulos (6.16-21).
• O discurso sobre o Pão da Vida confronta os seguidores de Jesus com as realidades
espirituais de Sua morte e de sua necessidade de se identificarem com Ele, o que gera
rejeição generalizada (6.22-71).
- Jesus confronta Sua audiência com seus motivos errados e com a necessidade de confiar
nEle e não em sua prática da Lei (6.22-29).
- Jesus aponta
do Céu, para
pode sua necessidade
oferecer (6.30-40). maior de suprimento espiritual, que somente Ele, o Pão
- A resposta de Jesus às acusações dos judeus sobre Sua srcem e Sua oferta de vida é
apontar à incapacidade da Lei mosaica de oferecer verdadeiro alimento espiritual (6.41-
59).
- A reação dos ouvintes de Jesus à Sua exigência de abandonarem Moisés e confiarem nEle
provoca o abandono de muitos de Seus seguidores (6.60-66).
- A reação dos Doze é se apegarem a Jesus como o único doador da vida eterna (6.67-71).
3. O ensino de Jesus durante a Festa dos Tabernáculos alimentou a oposição da liderança e
a controvérsia entre o povo (7.1-53).
• O ensino de Jesus alimentou a oposição da liderança quando Ele reivindica autoridade
divina sobre o sábado (7.1-24).
• O ensino de Jesus alimentou a controvérsia entre o povo quando Ele reivindica ser o
cumprimento das esperanças judaicas relacionadas à Festa dos Tabernáculos (7.25-44).
• A reação oficial ao ensino de Jesus é a decisão de eliminá-lo, a despeito do protesto legal
de Nicodemos (7.45-53).
4. O discurso sobre a Luz do mundo com suas reivindicações de srcem divina e
superioridade a Abraão provoca uma tentativa de apedrejar a Jesus (8.1-59).
• O contexto em que o discurso aconteceu foi a demonstração da sabedoria e do perdão de
Jesus, em contraste com a desonestidade intelectual e insensibilidade espiritual dos
líderes (8.1-11).
• A reivindicação de Jesus de ser a Luz do mundo é apoiada pelo testemunho do Pai (8.12-
20).
• apelo de Jesus a que o povo confie que Ele veio de Deus e é Deus é recebido com
O
perplexidade por muitos e com fé por uns poucos (8.21-30).
• A irracional
promessa dede orgulho
liberdade feita por
judaico por Jesus aos que haviam
Sua audiência crido nEle provoca uma resposta
(8.31-41).
• A reivindicação de Jesus de Sua superioridade a Abraão provoca uma acusação implícita
de blasfêmia e uma tentativa de apedrejá-lo (8.42-59).
5. O irrefutável sinal da cura de um cego de nascença é recusado pela liderança, que passa a
hostilizar aqueles que professam fé em Jesus (9.1-42).
• A cura do cego de nascença gera controvérsia em Jerusalém (9.1-12).
• A reação imediata da liderança ao milagre é ignorar a evidência que conflita com sua
tradição quanto ao sábado (9.13-23).
• A reação final ao milagre é hostilizar o ex-cego que os confrontara com sua ilógica
incredulidade (9.24-34).
• A cura do cego de nascença acaba por levá-lo a crer em Jesus, aumentando assim a
condenação aos líderes por sua cegueira espiritual (8.35-42).
6. A auto-apresentação de Jesus como o Pastor Messiânico de Israel, cuja vida será
oferecida pelas ovelhas gera controvérsia entre Seus ouvintes (10.1-21).
• Jesus estabelece um contraste entre Seu papel amoroso e sacrificial como o Pastor
Messiânico e as práticas autogratificantes dos falsos pastores de Sua época (10.1-13).
• Jesus anuncia que por meio de Sua morte Ele reuniria um rebanho muito maior (10.14-
18).
• As opiniões do povo quanto a Jesus ficam divididas (10.19-21).
7. O discurso sobre a segurança oferecida às ovelhas de Deus por seu divino Pastor provoca
violenta oposição (10.22-42).
• A promessa de segurança às Suas ovelhas é uma reivindicação de igualdade a Deus por
parte de Jesus (10.22-30).
• A reação contra Jesus é tão violenta que Ele se retira para a Peréia, onde muitos crêem
nEle (10.31-42).

8. Aconfirma
ressurreição de Lázaro
a liderança promove
em seu pecadofédeentre discípulos (11.1-54).
incredulidade e seguidores, ao mesmo tempo que
• O milagre tem como objetivo revelar o poder de Cristo e promover a glória de Deus
provocando crença entre discípulos céticos (11.1-16).
• O contato entre Jesus e as irmãs de Lázaro ressalta Seu papel como doador da vida bem
como a necessidade da fé nEle (11.17-37).
• O milagre em si ocorre para a glória de Deus à medida que Jesus demanda a fé (11.38-44).
• A reação da liderança ao milagre e suas conseqüências é planejar o assassinato de Jesus
(11.45-53).
• A resposta de Jesus a essa nova ameaça é retirar-se para Efraim, enquanto uma nação
perplexa diante dEle se prepara para a Páscoa (11.54-57).
9. Os eventos finais do ministério público de Jesus levam à confrontação final entre a
oposição da liderança, as evidentes reivindicações messiânicas de Jesus, e a
perplexidade da nação (12.1-50).
• O ministério da família de Lázaro a Jesus atrai ainda mais a curiosidade popular para Ele,
atraindo assim contra eles a ira da liderança (12.1-11).
• A entrada triunfal destaca Jesus como Messias aos olhos dos peregrinos da Páscoa e no
entendimento da liderança (12.12-19).
• O pedido dos gregos piedosos de verem a Jesus assinala a aproximação do tempo de Sua
morte e glorificação (12.20-33).
• As palavras finais de Jesus à multidão constituem uma convocação a que creia nEle
enquanto isso ainda é possível (12.34-36).
• A incredulidade nacional, da qual poucos escapam, é resultado de um endurecimento
profetizado como juízo divino pela falta de reação à verdade revelada (12.37-50).
II. O Ministério Particular do Filho de Deus. A glória de Deus e o ministério redentor do
Filho por meio
revelados de Seusinstruções
nas últimas seguidores capacitados
quanto pelo Espírito
à Sua paixão Santo
e ausência prometido(13.1
prolongada são -
17.26).
A. A cerimônia da lavagem dos pés durante a Páscoa revela o Filho como Servo e instrui os
discípulos em humildade e perdão mútuo mesmo em face da traição (13.1-30).
1. A cerimônia da lavagem dos pés serve como a lição última de Jesus sobre a necessidade
de humildade e perdão mútuo (13.1-20).
2. A traição é predita (13.21-30).
B. Os relacionamentos funcionais dentro da comunidade do Filho devem ser moldados de
acordo com Seus preceitos, Suas promessas, e Suas provisões (13.31 - 16.33).
1. Os relacionamentos funcionais dentro da comunidade dos seguidores do Filho devem ser
moldados de acordo com Seu preceito de amor sacrificial (13.31-35).
2. Os relacionamentos funcionais dentro da comunidade dos seguidores do Filho devem ser
moldados de acordo com Suas promessas (13.36 - 14.15).
• A promessa de Jesus quanto à Sua vinda é que retornará para os Seus a despeito das falhas
destes (13.36 - 14.4).
• A promessa de Jesus quanto à continuidade de Sua obra é que Seus discípulos seriam
capacitados, em virtude de sua fé nEle, a fazer coisas maiores do que Ele para a glória
do Pai (14.5-15).
3. Os relacionamentos funcionais dentro da comunidade dos seguidores do Filho devem ser
moldados de acordo com Suas provisões (14.16-31).
• A provisão capacitadora de Jesus para Seus seguidores seria o Espírito Santo como seu
mestre e guia (14.16-26).
• A provisão interior de Jesus para Seus seguidores seria paz inigualável em meio a aflições
(14.27-31).
4. Os relacionamentos funcionais dentro da comunidade dos seguidores do Filho devem ser
moldados de acordo com Seu preceito de permanecer nEle por meio da obediência
(15.1-8).
5. Os relacionamentos funcionais dentro da comunidade dos seguidores do Filho devem ser
moldados de acordo com Suas promessas (15.9-25).
• O discípulo que permanece será frutífero para a glória do Senhor (15.9-17).
• O discípulo que permanece será perseguido tal como foi o seu Mestre (15.18-25).
6. Os relacionamentos funcionais dentro da comunidade dos seguidores do Filho devem ser
moldados de acordo com Suas provisões (15.26 - 16.33).
• O Espírito suprirá orientação e apoio para o ministério em meio a aflições (15.26 - 16.16).
• Os discípulos terão alegria e paz depois que Jesus voltar para o Pai apesar de
experimentarem fracassos e aflições (16.17-33).
C. A posição privilegiada dos discípulos como recipientes da obra revelatória do Filho, bem
como sua responsabilidade
sacerdotal como
de louvor e petição feitapropagadores dessa obra, são o objeto da oração
por Jesus (17.1-26).
1. Jesus solicita ao Pai a Sua intervenção para que o Filho seja glorificado no cumprimento
de Sua missão (17.1-5).
2. Jesus solicita ao Pai Sua proteção para os discípulos de modo que permaneçam em
unidade e verdade enquanto dão continuidade à missão do Filho (17.6-19).
3. Jesus solicita ao Pai Sua intervenção para que futuros crentes experimentem unidade e
amor de modo que o mundo reconheça que Ele foi enviado pelo Pai (17.20-26).
III. A Paixão do Filho de Deus. A glória divina e a missão redentora do Filho de Deus são
vindicadas por Sua morte expiatória e Sua ressurreição, nas quais Seus discípulos vêm a
crer (18.1 - 20.31).
A. A prisão do Filho de Deus ressalta o contraste entre Sua glória essencial e Seu
compromisso prático à missão redentora que recebera do Pai (18.1-11).
B. O julgamento religioso do Filho de Deus retrata a resposta definitiva de incredulidade e
rejeição pela nação, que entrega seu Messias aos gentios para crucificação, enquanto
Seus discípulos O abandonam (18.12-26).
1. Jesus comparece perante Anás para uma audiência prévia (18.12-14).
2. Pedro nega a Jesus pela primeira vez (18.15-18).
3. Jesus comparece perante Anás para interrogatório com respeito a Seu ensino (18.19-24).
4. Pedro nega a Jesus duas outras vezes (18.25-26).
C. O julgamento civil do Filho de Deus revela a natureza injusta de Sua morte redentora,
causada pela rebelião dos judeus e pela má compreensão de Suas alegações de realeza e
domínio por parte de Pilatos (18.27 - 19.16).
1. Jesus é levado perante Pilatos com a vaga acusação de ser um criminoso (18.27-32).

2. Aleva
má ocompreensão de Pilatos
romano a aceder das reivindicações
às exigências de realeza
judaicas apesar e domínio
da inocência pordeparte
legal Jesusde(18.33
Jesus
- 19.7).
3. O receio de Pilatos quanto a acusações dos judeus perante César leva-o a condenar Jesus
Cristo por sedição como Rei dos Judeus (19.8-16).
D. A crucificação do Filho de Deus cumpre Sua obra redentora e proclama Sua glória como
Rei de Israel de acordo com a profecia messiânica, a despeito de Sua rejeição pela nação
(19.17-42).
1. O titulum sobre a cruz e a disputa pela túnica de Jesus por meio de sortes revelam Sua
glória como o Rei sofredor prometido nas Escrituras (19.17-24).
2. Jesus faz provisão para o cuidado de Sua mãe por meio do discípulo amado (19.25-27).
3. A morte de Jesus cumpre Sua obra redentora de acordo com a Escritura (19.28-37).
4. O sepultamento de Jesus foi efetuado por um pequeno grupo de crentes (19.38-42).
E. A ressurreição e as aparições do Filho de Deus vindicam Suas reivindicações de
divindade e messianidade, que são finalmente cridas por Seus discípulos (20.1-31).
1. Os primeiros relatos da ressurreição de Jesus geram perplexidade em alguns e crença em
outros (20.1-9).
2. A aparição de Jesus a Maria Madalena oferece a prova oficial de Sua ressurreição (20.10-
18).
3. A aparição de Jesus a dez discípulos oferece a eles a evidência necessária para crerem em
Sua ressurreição e se tornarem Seus enviados (20.19-22).
4. A aparição a Tomé e aos dez produz a confissão vital de fé em Jesus como Deus e
Messias (20.23-31).
IV. Epílogo. A fé no Filho de Deus ressurreto se apropria das bênçãos de Sua glória e é
recompensada pela comunhão com Ele e pelo serviço a Ele (21.1-25).
A. O milagre realizado perante sete discípulos demonstrou a suficiência de Jesus como a
fonte e da fé como o meio da vida e do ministério de Seus seguidores (21.1-14).
B. A restauração de Pedro demonstra a disposição de Jesus para restaurar aqueles que O
amam à plena comunhão e ao serviço (21.15-21).
C. A natureza srcinal da evidência sobre Jesus garante sua fidedignidade a despeito de seu
escopo limitado (21.24-25).
O argumento de
ATOS
Questões introdutórias
TÍTULO
O sobrescrito tradicional éξάμεο ἀνζηόισλ (praxeis apostolōn), embora alguns
dos manuscritos contenham o adjetivoἁγίσλ (hagiōn ) entre as duas palavras. Um
número pequeno de manuscritos atribui a obra a ―Lucas, o evangelista‖. A primeira
evidência para o título tradicional vem do(s) Prólogo(s) Anti-Marcionita(s) ao
Evangelho de Lucas, datados entre a.D. 150 e 180.88
Embora esse título não seja preciso no sentido de que o livro se concentra nas
atividades de apenas dois dentre treze indivíduos reconhecidos como apóstolos, Pedro e
Paulo, e dedica porções consideráveis a não-apóstolos, como Estêvão e Filipe, o título é
aceitável, visto que os apóstolos foram os instrumentos pelos quais Jesus Cristo
continuou a difundir a mensagem do Reino c( f. ὣλ ἔξμαην ὁ Ἰλζνῦο νεῖλ αί
δδάζελ 1.1).
AUTORIA
Embora Atos tenha permanecido como obra anônima, a evidência externa e interna
aponta fortemente para Lucas como seu autor.
Evidência externa. A tradição uniforme da igreja primitiva atribui o livro a Lucas,
sem quaisquer alternativas. O documento fragmentário chamadoCânon Muratoriano (c.
180) atribui os ―Atos de todos os apóstolos‖ a Lucas. Esse documento, todavia, sugere
indiretamente que o livro foi escrito depois da morte de Pedro, mencionando ainda que
a partida de Paulo de Roma fora posterior a este evento, o que torna sua afirmação sobre
a autoria um tanto ou quanto questionável.
Poucos anos depois, Irineu de Lyon indicava sua aceitação de Lucas como o autor
(Adversus Heresiae), como também o fez Clemente de Alexandria (c. 155-215;
Stromata 5.12). Tertuliano (c. 150-220) também atesta a autoria lucana (Do Jejum 10).
O testemunho explícito de Eusébio (História Eclesiástica 3.4.7) traz a confirmação de
que nenhum outro autor fora proposto pela igreja primitiva.89
Evidência interna. Tanto Lucas quanto Atos foram dedicados ao mesmo indivíduo,
um certo Teófilo. Atos faz referência ao primeiro volume ( ηόλ ξ῵ηνλ ιόγνλ, [ton
prōton logon]). Os livros contêm semelhanças de estilo e vocabulário e compartilham
preferências teológicas.90 Além disso, ambos os livros partilham um sentido definido de
progressão geográfica - para Jerusalém no evangelho e para Roma em Atos.
Alguns comentaristas e críticos têm buscado estabelecer uma distinção entre as
passagens de Atos narradas na primeira pessoa do plural e o restante do livro. A

88
F. F. Bruce sugere que a expressão “Atos dos Apóstolos” pode ter sido uma reação contra
Marcion e sua doutrina de um só apóstolo, que preservava Paulo e seus escritos e descartava
os demais apóstolos e suas cartas.
89
D. Edmond Hiebert, An Introduction to the New Testament, 1:249.
90
F. F. Bruce alista as seguintes: Sentimentos católicos (i.e. universais), interesse pelos
gentios, importância às mulheres, tendências apologéticas semelhantes, aparições do Cristo
ressurreto limitadas à Judéia e o julgamento de Cristo perante Herodes Antipas (The Acts of
the Apostles, p. 2).
semelhança de estilo e de vocabulário, todavia, indica que foram escritas pela mesma
pessoa. Uma vez que apenas Lucas e Tito jamais são mencionados especificamente
entre os companheiros de Paulo em Atos, presume-se que um dos dois tenha sido aquele
que, anonimamente, se incluiu entre os ―nós‖. Tito, cuja ausência em Atos é
surpreendente, jamais foi defendido como o autor do livro, deixando assim Lucas como
candidato único à autoria.
Mais uma vez em Atos, tal como acontecera no Evangelho de Lucas, descobrimos
que a grande
sugere alguémprecisão quecom
envolvido o autor se referiu
medicina. a casos
Assim, deadoença
tanto e usou
evidência termos
externa médicos
quanto a
interna apontam para Lucas como o autor de Atos.
Embora comentaristas críticos continuem demonstrando ceticismo quanto à autoria
de Lucas,91 a crítica mais recente vem se mostrando crescentemente favorável a Lucas
como autor de Lucas-Atos. As palavras de I. Howard Marshall são um bom resumo do
crescimento da posição tradicional entre os críticos. ―A conclusão de que o autor de
Lucas-Atos era companheiro de Paulo e que, de fato, era Lucas, o médico, ainda
permanece a explicação histórica mais provável dos fenômenos [literários de Atos]‖. 92
DATA
A erudição radical do século XIX defendia uma data no segundo século para o livro
de Atos com base na aparente discrepância entre a figura de Paulo na narrativa, que
difere substancialmente do Apóstolo dasHauptbriefe (cartas principais – Romanos, 1 e
2fé,Coríntios
ao passo eque
Gálatas).
em AtosNessas, ele é ferozmente
ele freqüentemente oposto aoaojudaísmo
se acomoda como
judaísmo, o inimigo
e adota da
aspectos
rituais da sua religião de srcem.
Esse ponto de vista foi corrigido, entre outras coisas, por uma leitura mais precisa de
Paulo em Atos e em suas cartas. Ele aparece pronto a negociar o que não é essencial em
Romanos 14, por exemplo, e se mostra inflexível com a incredulidade dos judeus em
quase todos os lugares por onde passa em Atos. Além disso, as situações de vida de
cada cidade visitada e a da igreja onde os problemas se manifestaram haviam mudado
drasticamente (cf. Gl 3.1; 4.15-20).
Além disso, os estudos de William Ramsay demonstraram que Lucas foi
extremamente preciso em termos históricos e geográficos.93 Mais recentemente, F. F.
Bruce argumentou que a data de composição de Atos deve ser decidida com base no
propósito claramente apologético do livro.94 Apesar de não assumir qualquer
compromisso
absoluta falta adenão ser o de uma
referências data judaica
à revolta dentro do
e àperíodo dos Flávios,
subseqüente Bruce
destruição de indica que a
Jerusalém
podem colocar o livro de Atos entre a libertação de Paulo de Roma e a destruição de
Jerusalém por Tito, em a.D. 70. 95

91
Ernst Haenchen, The Acts of the Apostles, é o exemplo par excellence. Tendências
recentes de analisar Lucas-Atos como uma unidade literária são mais favoráveis à autoria
lucana, e não mais refletem as opiniões radicais de críticos passados.
92
I. Howard Marshall, Luke: Historian and Theologian, p. 220.
93
Richard N. Longenecker, “The Acts of the Apostles,” EBC, pp. 9:208-212, indica que a obra
de Ramsay negou definitivamente as idéias da escola de Tübingen, que considerava o autor de
Atos tão distante dos eventos de sua narrativa que teria cometido graves erros históricos.
94
Bruce, Acts, pp. 6-13.
95
Argumentos adicionais em favor de uma data recuada se acham em Longenecker, “Acts”,
pp. 9:236-238. Veja também John A. T. Robinson, Redating the New Testament, pp. 86-92.
Este autor prefere uma data entre 62 e 70, concordando com Bruce que a falta de
referências à morte de Paulo não torna obrigatória uma data anterior a 68. Se o
propósito subjacente de Lucas era indicar o progresso do cristianismo de uma seita
judaica a uma religião universal por meio do ministério autorizado de Paulo, não
haveria necessidade de incluir a morte do Apóstolo, pois sua missão já fora cumprida,
conforme descrito em Atos 28, onde ―o Reino de Deus‖ é proclamado em Roma ―sem
impedimento algum‖. O mesmo argumento se aplica à perseguição de Nero, que
começou
ORIGEMnoE verão de 64.
DESTINATÁRIOS
A composição do livro de Atos pode ter levado um tempo considerável. A admissão
do próprio Lucas de que usou fontes (Lc 1.1-4) e a distinção de estilo entre os capítulos
96
1 a 15 e o restante do livro (de um grego aramaizado para um grego mais helênico)
fornecem razão para crermos que, com o passar dos anos, fontes como tradição oral (de
acesso tão fácil quanto uma simples viagem de Cesaréia a Jerusalém durante o cativeiro
de Paulo), notas abreviadas de discursos anteriores,97 e o próprio ―diário de bordo‖ de
Lucas foram combinadas para formar nosso atual documento. Fica a pergunta se esse
material teria sobrevivido ao naufrágio. Presumindo que tenha, e sabendo que Lucas
esteve com Paulo em seu primeiro cativeiro romano (cf. Cl 4.14), Roma aparece como o
local mais provável para a srcem do segundo volume da obra de Lucas.
O livro foi dedicado, tal como o evangelho de Lucas, a Teófilo, um indivíduo
proeminente, que pode
visto como a razão ter patrocinado
dominante sua publicação.
da composição Se leitores
de Atos, os o propósito apologético
podem for
ter sido, como
Teófilo, oficiais romanos cuja simpatia Lucas esperava conquistar. Certamente a igreja
primitiva precisava obter a visão de que o cristianismo havia de fato rompido as
algemas do judaísmo e era agora uma religião universal, graças principalmente à visão e
aos esforços do ―vaso escolhido‖ de Deus, o Apóstolo Paulo.
CRONOLOGIA
Um entendimento adequado de Atos e das epístolas Paulinas é impossível sem um
referencial cronológico razoável. O que é apresentado aqui é derivado da dissertação e
de anotações da aula de Harold Hoehner sobre o assunto. As referências a estações do
ano dizem respeito ao hemisfério norte.

Uma cronologia da primeira parte da e ra apostólica


Evento Passagem Data
Crucificação de Jesus Lucas 23 3 de abril de 33
Dia de Pentecostes Atos 2 24 de maio de 33
Pedro perante o Sinédrio Atos 4 Verão de 33
Morte de Ananias e Safira Atos 5 33-34
Parecer de Gamaliel sobre o cristianismo Atos 5 34-35
Martírio de Estêvão Atos 7 Abril de 35
Conversão de Paulo Atos 9 Verão de 35
Atos 9.8-25; Gl Verão de 35 a verão
Paulo em Damasco e na Arábia
1.16-17 de 37

96
Longenecker, “Acts”, p. 9:222.
97
Veja W. Harold Mare, “The Role of the Note-taking Historian and His Emphasis on the
Person and Work of Christ,” JETS 15 (Primavera 1972):107-121.
Primeira visita de Paulo a Jerusalém Atos 9.26-29; Verão de 37
Paulo ministra na região de Tarso Atos 9.30; Outono 37
Primeiras conversões de gentios Atos 10-11 40-41
Barnabé se muda para Antioquia Atos 11.19-24 41
Barnabé leva Paulo para Antioquia Atos 11.25-26 Primavera de 43
Ágabo prediz fome Atos 11.28 Primavera de 44
Herodes Agripa I ordena a execução de
Atos 12.1-23 Primavera de 44
Tiago
Paulo visita Jerusalém (2) com ajuda para
Atos 11.30; Outono de 47
fome
Atos 12.25 – Outono de 47 a
Paulo e Barnabé ministram em Antioquia
13.1 primavera de 48
Primavera de 48 a
Primeira viagem missionária Atos 13-14
outono de 49
Pedro ministra em Antioquia Gl 2.11-16 Outono de 49
Gálatas escrita de Antioquia Outono de 49

Paulo visita Jerusalém (3) para o concílio Atos 15 Outono de 49


Paulo e Barnabé retornam a Antioquia Atos 15.24-41 Inverno de 49-50
Na medida em que a narrativa se concentra no ministério de Paulo, ele se torna o
foco da cronologia. 98

Uma cronologia da primeira viagem missionária de Paulo


Evento Passagem Data
Partida de Antioquia 13.4 Abril de 48
Ministério em Chipre 13.5-12 Abril a junho de 48
Panfília. João Marcos deserta 13.13 Julho de 48
Ministério em Antioquia da Pisídia 13.14-52 Julho
48 a setembro de
Outubro de 48 a
Ministério em Icônio 14.1-5
fevereiro de 49
Ministério em Listra-Derbe 14.6-21a Março a junho de 49
Revisitam as igrejas 14.21b-25 Junho a agosto de 49
Retorno a Antioquia da Síria 14.26-28 Setembro de 49

Uma cronologia da segunda viagem missionária de Paulo


Evento Passagem Data
Partida de Antioquia 15.40 Abril de 50
Ministério em Síria e Cilícia 15.41 Abril 50
Ministério na Galácia do Sul 16.1-6 Maio a julho de 50
Parada em Troas 16.7-10 Julho de 50

98
Eventos não especificamente mencionados no livro de Atos aparecem em itálico.
Agosto a outubro de
Ministério em Filipos 16.11-40
50
Novembro de 50 a
Ministério em Tessalônica 17.1-9 janeiro de 51
Ministério em Beréia 17.10-15 Fevereiro de 51
Fevereiro a março de
Ministério em Atenas 17.16-34
51
Chegada a Corinto 18.1-18 Março de 51
Silas e Timóteo chegam a Corinto 18.5 Abril a maio de 51
1Tessalonicenses escrita de Corinto Verão de 51
2Tessalonicenses escrita de Corinto Verão de 51
Começo de setembro
Partida de Corinto 18.19
de 52
Meados de setembro
Breve estada em Éfeso 18.19-21 de 52
Paulo visita (4) Jerusalém 18.22 Começo de outubro de
52
Retorno a Antioquia 18.22 Novembro de 52

Uma cronologia da terceira viagem missionária de Paulo


Evento Passagem Data
Partida de Antioquia 18.23 Primavera de 53
Primavera - inverno
Visita a igrejas da Galácia 18.23
de 53
Chegada a Éfeso 19.1 Setembro de 53
1Coríntios é escrita de Éfeso Primavera de 56
Agitação e partida de Éfeso 20.1 Maio de 56
Permanência em Troas 2Coríntios 2.12 Maio de 56
Chegada a Macedônia 20.2 Junho de 56
2Coríntios escrita da Macedônia Outono de 56
Partida da Macedônia Novembro de 56
Fim de novembro de
Chegada a Corinto 20.2-3
56
Romanos escrita de Corinto Inverno de 56-57
Partida de Corinto 20.4 Fim de fevereiro de 57
Permanência em Filipos 20.6 6 a 14 de abril de 57
Permanência em Troas 20.6-13 19 a 25 de abril de 57
Viagem de Troas a Mileto 20.13-17 25 a 29 de abril de 57
Permanência em Mileto 20.17-38 30 de abril a 2 de
maio de 57
Viagem de Mileto a Tiro 21.1-3 3 a 9 de maio de 57
Permanência em Tiro 21.4-6 10 a 16 de maio de 57
Viagem de Tiro a Cesaréia 21.7-8 17 a 19 de maio de 57
Permanência em Cesaréia 21.9-14 19 a 25 de maio de 57
Viagem de Cesaréia a Jerusalém 21.15-16 25 a 27 de maio de 57

Uma cronologia dos capítulos finais de Atos


Evento Passagem Data
Paulo visita (5) Jerusalém 21.13-23 28 de maio de 57
Paulo é preso no Templo 21.27 - 22.29 2 de junho de 57
Paulo comparece perante o Sinédrio 22.30 - 23.11 3 de junho de 57
Paulo é transferido para Cesaréia 23.23-35 4-5 de junho de 57
Paulo é julgado perante Félix 24.1-21 9 de junho de 57
Paulo comparece perante Félix e Drusila 24.24-26 Junho de 57
Junho de 57 a agosto
Paulo fica preso em Cesaréia 24.26-27
de 59
Paulo é julgado por Pórcio Festo 25.7-12 Julho de 59
Começo de agosto de
Paulo é julgado por Herodes Agripa II 26
59
Agosto de 59 a
fevereiro de 60
Viagem para Roma 27.1 - 28.29
Agosto de 59
Partida de Cesaréia 27.1-2
Setembro de 59
Lícia 27.5
Outubro 5-10, de 59
Creta 27.7-9
Fim de outubro de 59
Naufrágio em Malta 27.27-44
Começo de fevereiro
Partida de Malta 28.11
de 60
Chegada a Roma 28.16
Meados
de 60 de fevereiro
28.30 Março de 60 a março
Primeira prisão em Roma
de 62
Efésios,
Efésios escrita de Roma
Colossenses Outono de 60
Colossenses e Filemom escritas de Roma
Filemom Outono de 61
Filipenses escrita de Roma Filipenses Começo de 62
Argumento básico
PROPÓSITO
Atos talvez seja o melhor exemplo no Novo Testamento da multiplicidade de
propósitos de uma obra. Estudiosos enfatizam qualquer um desses propósitos de acordo
com sua abordagem específica.
Apologético. Lucas pretendia defender o apostolado de Paulo, complementando,
assim, com base histórica, as defesas do próprio Paulo em tais cartas como Gálatas e
2Coríntios. Lucas descreve o poder e a autoridade de Paulo como sendo comparáveis
aos de Pedro.99 Sua conversão e seu chamado pelo Senhor ressurreto são registrados três
vezes (9, 22, 26), cada vez enfatizando sua condição de ―vaso escolhido‖, o que dá uma
medida de quanta importância Lucas dava ao evento. Isto, contudo, não pode ser o
único propósito de Lucas porque grande parte de Atos não contribui diretamente a ele
(e.g., relatos de outros líderes, como Estêvão e Filipe).
A isso muitas vezes é acrescentada a idéia de que Lucas-Atos foi escrito como um
dossiê jurídico para o primeiro julgamento de Paulo em Roma, com vistas a demonstrar
que o Apóstolo
principal nãoaseserenvolvera
acusação levantadacom atividades
contra ele pelosanti-romanas, já que
queixosos judeus ( esta
cf. seria a
24.5).
A possibilidade de que as intenções apologéticas de Lucas fossem mais amplas do
que a pessoa e o papel de Paulo foi defendida por vários estudiosos e é enfatizada por
Bruce.100 Opositores judeus haviam dado ao cristianismo uma boa dose de difamação.
Por conta das más línguas, que precederam Paulo e Lucas à capital do Império Romano
(e.g., ―em toda parte é impugnada‖ 28.22), Lucas oferecia provas de que a fé não era um
movimento subversivo, uma ameaça àPax Romana.
Ele cuidadosamente indica que as perseguições em Atos eram de srcem religiosa,
não política. Elas nasciam da incredulidade e intolerância dos judeus, exceto em Éfeso e
Filipos, onde os motivos eram puramente econômicos, visto que o evangelho tinha de
tal modo transformado vidas que outras atividades religiosas eram ameaçadas ou
totalmente descontinuadas.
Levando-se
vezes em conta
foi registrada pelo os dois volumes,
evangelista descobre-se
a declaração que nadademenos
da inocência Jesusdo quepor
feita trêsPilatos
(Lc 23.4, 14, 22). Em Pafos, o procônsul de Chipre, Sérgio Paulo, foi convertido ao
cristianismo (13.6-12). Em Filipos os magistrados pediram desculpas a Paulo e Silas por
açoitá-los e os prender ilegalmente (16.35-39). Em Corinto, o procônsul de Acaia,
Gálio, considerou Paulo e Silas inocentes de qualquer ofensa contra a lei romana
(18.12-17). Em Éfeso, alguns dos oficiais da província eram amigos de Paulo, e o
tabelião da cidade o absolveu da acusação de sacrilégio (19.31, 35-41). Na Palestina, os
governadores Félix e Festo consideraram Paulo inocente da acusação contra ele, com o
rei Agripa II concordando que Paulo não merecia morte nem aprisionamento e que ―este
homem bem podia ser solto, se não tivesse apelado para César‖ (24.1–26.32).

99

As seguintes comparações podem ser feitas entre os dois apóstolos no livro de Atos:

Os atos poderosos de Pedro Os atos poderosos de Paulo

3.1-11 Curou um homem paralítico de


14.8-18 Curou um homem paralítico de nascença.
nascença.

19.11-12 Lenços e aventais de Paulo curavam


5.15-16 Sua sombra curava pessoas.
pessoas.

8.9-24 Lidou com Simão, um ilusionista. 13.6-11 Lidou com Bar-Jesus, um feiticeiro.

9.32-35 Curou Enéias de paralisia. 28.7-9 Curou o pai de Públio e outros.

9.36-41 Trouxe Dorcas de volta à vida. 20.9-12 Trouxe Êutico de volta à vida.

100
Bruce, Acts, pp. 8ss.
Teológico. Este ponto de vista do propósito vê uma afirmação teológica primária que
Lucas tentava fazer através de sua obra de dois volumes. O tema do Reino de Deus
continua no livro de Atos. O livro começa com uma pergunta escatológicaεἰ ( ἐλ η῵
ρξόλῳ ηνύηῳ ἀναζηάλεο ηήλ βαζιείαλeiηῶ Ἰζξαήι
em tō chronō toutō
apokathistaneis tēn basileian tō Israēl, 1.6) e conclui com terminologia escatológica
(ξύζζσλ ηήλ βαζιείαλ kērussōn tēn basileian, 28.31).101
Lucas buscava explicar o relacionamento entre a igreja e o Reino de Deus, i.e., como
apara
mensagem do Reino
um movimento soberanamentegentio,
principalmente passara
comde seu
um centro
fenômeno principalmente
passando judaico
de Jerusalém a
Roma. Ele mostrou ao(s) seu(s) leitor(es) que ―é a intenção de Deus que o Seu Reino
milenar inclua uma população de crentes retirados dentre judeus e gentios durante a
presente era‖. 102
Assim como ele fizera antes em seu Evangelho, Lucas vindicou essa mudança na
operação divina em Atos ao relatar a oferta autorizada da mensagem cristã aos judeus,
sua rejeição não só na Palestina, mas por todo o Império Romano, e a extensão aos
gentios. Assim, as palavras de Paulo e Barnabé na sinagoga em Antioquia na Pisidia são
significativas: ―era mister que a vós se pregasse em primeiro lugar a palavra de Deus;
mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos viramos
para os gentios‖ (13.46). Para os judeus incrédulos em Roma, Paulo citou Isaías 9.9-10
para mostrar o juízo de Deus sobre Israel (28.26-27) e disse: ―Seja-vos pois notório que
estaAssim
salvação de Deus é enviada
a historiografia aos égentios,
de Lucas e eles ouvirão‖
teologicamente (28.28). e orientada.
fundamentada
Enquanto documentava precisamente a disseminação da mensagem do evangelho de
Jerusalém a Judá, a Samaria e aos confins da terra, ele ligou a história ao propósito
divino de Deus para o povo escolhido de Israel e para o mundo, que o acesso ao Reino e
ao gozo de suas bênçãos espirituais sejam partilhados por judeus e gentios igualmente
até o tempo da restauração de Israel c( f. o uso de ἀναζηάλσ apokathistanō em
1.6).
Didático. Quando Lucas mencionou ―o primeiro tratado‖ que compôs, ele se referiu
a esse propósito declarado em seu evangelho, dar um relato preciso e sistemático do
desenvolvimento do cristianismo. No Evangelho, ele contou as palavras e obras de
Jesus Cristo, e em Atos, ele contou a obra do Cristo ressurreto feita por meio dos Seus
apóstolos. Ele fez isso para que Teófilo e outros leitores conhecessem plenamente as
coisas emaspecto
Outro que foram instruídos. Lucas
da historiografia escreveu
teológica para fortalecer
de Lucas e edificar.
é sua ênfase no fato de o
progresso da mensagem do Reino ser uma obra do Senhor ressurreto por intermédio do
Espírito Santo, não o resultado de esforços humanos. A ênfase no Espírito Santo não só
provou o cumprimento da promessa de Jesus, mas O mostrou invisível operando entre o
Seu povo, manifestando Seu poder por intermédio do Espírito em poderosos milagres e
livramentos. Isto é ainda mais enfatizado pelo cumprimento implícito das profecias de
Jesus em Atos.103

101
A expressão profética basileia tou theouocorre 32 vezes em Lucas e 6 vezes em Atos,
além de alusões ao Reino de Deus em 1.6 e 20.5 (cf. 1.3; 8.12; 14.22; 19.8; 28.23, 31).
102
Stanley D. Toussaint, “Acts,” em The Bible Knowledge Commentary. New Testament
Edition, p. 351.

103

A tabela abaixo indica o tema do desenvolvimento/cumprimento em Atos:

Temas do ensino de Jesus continuados em Atos


Assim, o propósito do livro de Atos pode ser formulado da seguinte maneira.
Validar a missão gentílica como a continuação legítima da
mensagem do Reino segundo a promessa e o poder do Rei.
DESENVOLVIMENTO
O tema central do livro de Atos é o progresso da mensagem do Reino das ruas
estreitas de Jerusalém no começo da década de a.D. 30 às colinas abafadas de Roma no
verão de a.D. 60. Este livro trata das forças, humanas e sobrenaturais, que permitiram
que o Evangelho de Jesus Cristo atingisse o centro do Império Romano em menos de
uma geração.
Atos tem sido dividido de várias maneiras. A mais comum é de acordo com seu
suposto verso-chave, Atos 1.8, com uma introdução, a proclamação em Jerusalém,
Judéia e Samaria, e no mundo todo. Outros dividem Atos de acordo com seus
personagens principais, dedicando a Pedro os primeiros doze capítulos e a Paulo os
últimos dezesseis.
Outra maneira comum de esboçar o livro de Atos é seguir os ―relatórios de
progresso‖ inseridos por Lucas em certos pontos da narrativa. Esses variam, de acordo
com o expositor, entre seis e nove.
Este autor optou por uma divisão do livro em duas partes, observando os seus limites
racial-geográficos, com os doze primeiros capítulos tratando do crescimento do
evangelho no mundo judaico ou palestiniano, e os últimos dezesseis descrevendo o
mesmo fenômeno no mundo gentílico. Com isso, combinou uma divisão em seis

Lucas registrou o começo e a expansão da


Jesus profetizou a edificação da igreja, que
Igreja e a conquista dos domínios das trevas e
seria vitoriosa contra Satanás (Mt 16.18).
do mal.

Jesus disse aos líderes religiosos que somente A morte, ressurreição e ministério continuado
mais um sinal seria dado a Israel, a Sua de Jesus Cristo formam o pano de fundo e o
ressurreição (Mt 12.38-40; cf. Jo 2.19). alicerce do livro de Atos.

Jesus declarou que a cidade de Jerusalém seria


destruída, porque aquela geração de israelitas Os apóstolos instaram urgentemente com os
estava debaixo de julgamento divino pelo udeus para que se arrependessem, a fim de se
pecado nacional de rejeição do Messias (Lc salvarem daquela geração perversa (At 2.40).
21.23-24).

(1) O Reino permaneceu em foco (1.3; 28.31).


(2) Jesus não negou a restauração do Reino a
Israel (1.6-7). (3) Ele esboçou para os
discípulos o seu trabalho, até a época
Jesus declarou que o Reino fora tirado de
determinada pelo Pai em Sua autoridade (1.8).
Israel (aquela geração) e dado a outro povo (os
(4) O ministério dos apóstolos, especialmente
gentios/a Igreja), até o cumprimento futuro de
Suas alianças com Abraão e Davi (Mt 21.43). de Paulo, confirmaria ainda mais a rejeição
nacional do Messias pelos judeus, e mostrava
um movimento da obra de Deus entre os
udeus para uma obra entre os gentios por
meio da Igreja.
―livros‖, três em cada divisão, cada um deles terminando com um ―relatório de
progresso‖.
Assim, a Parte I abre com o Livro das doze testemunhas (1.1– 6.7). Este livro contém
o registro de como as doze testemunhas autorizadas efetivamente permearam Jerusalém
com a mensagem do Reino a despeito da oposição sistemática do judaísmo estabelecido.
104
O livro começa com o que Longenecker chama de prefácio retrospectivo, um curto
parágrafo que recapitula uma obra anterior e estabelece a ligação entre esta e a obra
atual
(1.1), (1.1-5). Uma dasoschaves
que caracteriza neste
eventos livro como
de Atos é a expressãoἤξμαην
pertencentes erxato
… νεῖλ
à mesma esfera poiein
daqueles
narrados no Evangelho - atos sobrenaturais do Rei Soberano, que atestam a validade de
Sua mensagem.
A capacitação para a próxima tarefa seria a influência e o poder do Espírito Santo
(1.8), dados como a promessa do Pai para os discípulos enquanto eles esperam a
cumprimento (literal) das promessas do Reino depois da ascensão de Cristo.105 Essa
expectativa messiânica continua bem presente na vida e na pregação da igreja primitiva
ao longo do livro.
Como preparação para a promessa vindoura, a comunidade messiânica (os apóstolos
mais uns cem discípulos) se dedica à oração e a conseguir um substituto para Judas,
Matias (1.12-26).
O cumprimento da promessa no Dia de Pentecostes capacita as Doze Testemunhas a
proclamar efetivamente
(2.41). O elemento a mensagem
milagroso de falardoemReino a judeus
línguas de todonao Império
gera espanto maioria eRomano
zombaria
em outros, mas quando a atenção geral é dada aos apóstolos, a mensagem de Pedro lhes
mostra de perto a realidade de bênçãos semelhantes às do Reino em seu meio (2.14-
21)106 e a magnitude do seu pecado quando rejeitaram a fonte de tais bênçãos (2.22-36).
O desafio aos ouvintes de Pedro é que eles se arrependam da sua blasfema rejeição de
Jesus e se desassociem da perversa geração que o Rei colocara sob juízo (2.38-40).
Com as pessoas que responderam à pregação de Pedro, uma comunidade messiânica
é estabelecida em Jerusalém, cujo estilo de vida reflete a expectativa do retorno do
Messias em breve (2.42-27).107
104
Longenecker, “Acts,” p. 9:244.
105
A expectativa dos discípulos quanto ao estabelecimento de um Reino físico não é negada
por Jesus. Ele apenas corrige o seu calendário.
106
Há uma variedade de posições interpretativas quanto à relação entre a profecia de Joel e
seu uso por Pedro em Atos 2. Amilenistas geralmente vêem um cumprimento total e não
literal no Dia de Pentecostes. Alguns pré-milenistas advogam um cumprimento parcial, com as
promessas espirituais se cumprindo em Pentecostes e os elementos cósmicos aguardando
cumprimento na Segunda Vinda de Cristo. Uma variante dessa posição fala de cumprimento
condicional, dando a entender que tudo teria sido cumprido se Israel tivesse respondido
positivamente às reivindicações de Cristo. O ponto de vista que prefiro é a chamada posição
ilustrativa, que entende a frase de Pedro ηνῦηό ἐζηλ (touto estin “isto é”) como metafórica ou
comparativa em seu sentido, estabelecendo um paralelo mas não uma correspondência
unívoca entre Atos e Joel. A ausência de uma fórmula de citação é um argumento forte em
favor dessa posição, que vê o cumprimento de Joel 2.28-32 como algo totalmente futuro.
107
Particularmente relevantes para essa expectativa são a venda de propriedades, a vida
comunitária, e a presença diária no Templo, onde os “salvos” da profecia de Joel seriam
encontrados. Isso pode explicar em parte por que os discípulos se mostraram tão relutantes
em deixar Jerusalém.
A expansão dessa comunidade do Reino continuou através de obras de poder e
proclamação (3.1-26), apesar da crescente oposição do judaísmo oficial (4.1-22).
Altamente motivados pelo privilégio de sofrer por amor a Cristo, os apóstolos se unem à
igreja em súplicas por intrepidez contra esse ataque contínuo contra o Messias (4.23-
31). O estilo de vida singelo e altruísta da comunidade é ameaçado por obstáculos
internos – ganância e hipocrisia. O fato de serem estes dois pecados tratados de modo
tão severo (5.1-11) evitou falsas profissões de fé, mesmo quando grandes números
vinham
oposiçãoà (5.17-42).
fé como resultado de obrasinternos
Os obstáculos de poder
de(5.12-16) e proclamação
descontentamento à sombra da
e murmuração são
resolvidos quando novos líderes assumem responsabilidades na comunidade (6.1-6).
Lucas conclui O livro das doze testemunhas com o relatório de que Jerusalém fora
permeada com a fé (6.7).
O passo seguinte no avanço soberano da mensagem do Reino é ultrapassar as
fronteiras do mundo cultural e racial de Israel por meio de três pregadores, Estêvão,
Filipe e Saulo (6.8 – 9.31).
Com grande habilidade literária Lucas provoca seus leitores com a pergunta. ―Quem
há de levar a mensagem do Reino aos confins da terra, conforme ordenado pelo Rei?‖
Estêvão, que aparece plenamente preparado para a missão, tanto espiritualmente (6.5, 8)
quanto culturalmente (6.9-10), morre como mártir depois de denunciar cortantemente
sua geração (7.1 – 8.1a). Aparece brevemente Saulo, um jovem fariseu, cuja devoção ao
judaísmo o leva a apoiar a morte de Estêvão e iniciar a sua própria cruzada contra a
igreja (8.1-3).
Entra em cena Filipe, que parece lançar-se rumo ao mundo, levando as novas a
Samaria (8.4-13), além das fronteiras raciais do judaísmo, num ministério pessoalmente
autenticado pelos dois apóstolos principais, Pedro e João (8.14-25), e a um oficial etíope
solitário numa estrada deserta (8.26-40). Seu sucesso o leva a Cesaréia, um local
promissor, por ser um centro do governo romano. Entretanto, como Lucas o relatou,
Filipe permanece lá, como será visto no capítulo 21.
Saulo entra novamente em cena. Sua conversão é um evento chave no enredo do
livro (9.1-19a).108 Esse incidente foi narrado a fim de demonstrar a realidade do poder
que fora desencadeado em Pentecostes e ainda operava em Damasco dois anos depois.
Ainda assim, Lucas mantém o suspense ao relatar como as primeiras tentativas de Paulo
de ministrar entre os judeus foram frustradas pela incerteza dos novos amigos e pela
vingança dos velhos
vaso escolhido (9.19b-30). Como um indivíduo encrenqueiro assim podia ser o
de Deus?
Com essa pergunta no ar, Lucas encerra o Livro II– O livro dos três pregadores,
com um segundo relatório, observando o crescimento quantitativo e qualitativo da
Igreja em toda a Palestina.
A terceira divisão da Parte I, denominada aquiLivro das quatro cidades, contém o
relato da soberana intervenção de Deus para que Pedro, o personagem central deste
livro, entrasse em contato com gentios a quem Deus preparara para receber a salvação
por meio de Cristo.
O ministério de Pedro incluiu cura e pregação em duas cidades, Lida e Jope (9.32-
109
43), que pode refletir o seu ministério futuro aos gentios em Cesaréia. Vê-se a ação
108
Lucas a relata três vezes (caps. 9, 22, e 26) com o propósito de estabelecer sua
significância para o propósito do livro − demonstrar que a missão aos gentios era a
continuação legítima da soberana proclamação da mensagem do Reino feita por Jesus Cristo.
109
Richard B. Rackam, The Acts of the Apostles, 143-144, sugere que a cura de Enéias é
representativa da cura espiritual a ser efetuada entre os gentios. Embora possa haver um
paralelo na natureza dos milagres e as realidades, reluto em aceitar tal semelhança como
intencional.
soberana de Deus na preparação de ambos os homens, Cornélio e Pedro, para o seu
encontro (10.1-23) e no derramar do Espírito em resposta à fé mesmo antes que se
formulasse um apelo formal ao arrependimento (10.44-48).
A relutância da igreja de Jerusalém em aceitar a realidade da salvação de gentios foi
temporariamente superada pelo relatório de Pedro e pelo fato inegável do batismo do
Espírito, um sinal que a promessa fora formal e soberanamente estendida aos gentios
(11.1-18).
A reação
abertura fria e céticaem
e exuberância emAntioquia,
Jerusalém onde
(11.1-18)
umaéigreja
contrastada com
vibrante um quadro deé
e cosmopolita
estabelecida pelo testemunho de crentes comuns (11.19-21). Pedro abrira as comportas
e a mensagem soberana do Reino fluía com a força de uma torrente. Outro contraste
desse capítulo é a receptividade dos gentios no capítulo 11 e a oposição violenta dos
judeus no capítulo 12, evidenciada na ação de Agripa I contra os apóstolos. A sua
morte, preservada em detalhes por Josefo também,110 é um testemunho dramático do
juízo divino contra os que se opõem ao progresso soberano da mensagem do Reino
(12.1-23).
O último relatório de progresso da Parte I enfatiza o contínuo crescimento e
progresso da Igreja a despeito de muita oposição (12.24).
A Parte II descreve a irrupção da mensagem soberana do Reino no mundo gentílico
ou mediterrâneo (12.25 – 28.31). Mais uma vez, a parte é dividida em três livros com
relatórios de progresso
no epicentro ao final
da irradiação cristã,deque
cada um. Aem
começa estratégia de Lucas
Antioquia é seguir
e termina o movimento
em Roma. Esses
movimentos seguiam uma estratégia bem definida, concebida e executada pelo
instrumento escolhido de Deus, Paulo. A tabela abaixo define os elementos dessa
estratégia:
1. Concentrar-se em centros estratégicos por motivos práticos;
2. Pregar aos judeus na sinagoga primeiro pelo motivo teológico de oferecer o Reino,
suscitar um remanescente fiel e verificar a incredulidade de Israel (cf. Rm 11.5-7);
3. Demonstrar integridade de motivação ao trabalhar com as próprias mãos para que
ninguém o acusasse de pregar por dinheiro;
4. Enfatizar a Palavra de Deus ao pregar Cristo.
A primeira divisão na Parte II é Olivro de expansão e separação, onde é descrito o
período em que, além de aparecer no mapa do Mediterrâneo, o cristianismo gentílico
afirmou sua independência do judaísmo e sua distinção do cristianismo judaico (12.25 –
16.5).
Os dois grandes eventos nesse livro são a primeira viagem missionária (12.25 –
14.28) e o Concílio de Jerusalém (15.1-35). A primeira viagem missionária foi o
produto da obra do Espírito Santo na igreja predominantemente gentia em Antioquia.
Lucas finalmente resolve o suspense sobre Paulo, começado no capítulo 8, quando o
Espírito dá a ordem que lançou a primeira onda de atividade missionária cristã,
Αθνξίζαηε εἰο ηό ἔξγνλ ὃ ξνζέικαaphorisate αὐηνύο eis to ergon ho
proskeklēmai autous (13.2). A primeira viagem missionária disseminou a mensagem
do Reino entre judeus e gentios no leste da Ásia Menor. Ao longo dos quase dezoito
meses dessa primeira viagem, a rejeição generalizada de Israel para com Jesus como o
Messias se torna um dos temas predominantes, visto que em cidade após cidade um
pequeno
mas remanescente
persegue crê enquanto
os apóstolos e assedia aosvasta maioriacf.
convertidos (não só rejeita
14.22). Pauloa oferta de salvação,
claramente viu
isso como um sinal de que a sua missão e a rejeição da Diáspora para com o Evangelho

110
Antiguidades dos Judeus, 18.6.7.
se encaixavam com a profecia de Isaías do Servo como uma luz às naçõescf. ( 13.46-47;
Is 49.6).111
Quando retornaram a Antioquia, o preconceito que fervilhara em Jerusalém desde a
conversão de Cornélio finalmente transbordou numa tentativa de forçar a circuncisão
aos crentes como uma condição para a salvação (15.1). O Concílio de Jerusalém foi
convocado a pedido dos crentes antiocanos para resolver a questão. Sua decisão,
baseada nos testemunhos de Pedro, Paulo, Barnabé e Tiago, foi manter [no ínterim até a
112
chegada do Reino]
ligação com obras da oLei.
princípio de que a salvação é pela graça por meio da fé sem
O Concílio passou uma resolução aprovando restrições mínimas sobre práticas
ofensivas por causa do testemunho a Israel, sem implicações para a salvação. Esse
capítulo é fundamental no livro de Atos, e seu propósito é validar a missão gentílica
como a continuação legítima da mensagem do Reino.
Enquanto Paulo e Barnabé se preparavam para lançar um segundo esforço
missionário, uma desavença entre eles levou-os a quebrar sua associação missionária e
tomar cada qual o seu rumo. A missão de Barnabé a Chipre permaneceu desconhecida
quanto ao seu desenrolar e seus resultados, pois o foco da mensagem do Reino passaria
agora às costas do mar Egeu.
Depois de relatar as visitas de Paulo e Silas às igrejas fundadas na primeira viagem,
Lucas insere o quarto relatório de progresso (16.5), indicando como a missão gentílica
produzira igrejas
A segunda fortesdae crescentes.
divisão Parte II é chamadaO livro do desenvolvimento e do desafio
(16.6 - 19.20). Nessa parte, a mensagem soberana do Reino é espalhada pelos grandes
centros da cultura grega e ali é desafiada pelo judaísmo e pelo paganismo helênico. Os
pontos altos desta divisão são: (1) a soberana direção do Espírito Santo, que ―empurra‖
os apóstolos para Macedônia e Acaia, não permitindo que Paulo concretize nessa
ocasião seus planos de alcançar a Ásia [Éfeso] (16.6-10); (2) a receptividade sôfrega dos
gentios; (3) uma combinação de oposição econômica e religiosa ao evangelho (Filipos e
Tessalônica); e (4) uma atitude de ―deixar o barco correr‖ pelas autorida des romanas em
relação ao cristianismo, exemplificada por Gálio em Corinto (18.12-17).
O estabelecimento do cristianismo em Macedônia e Acaia, com centros vigorosos em
Filipos, Tessalônica e Corinto, intensificou a oposição judaica depois que a crise
messiânica ocorreu nas sinagogas. Ainda assim, sempre há um remanescente que se une
aosNa
apóstolos
viagem edeseus convertidos
volta gentios,
a Antioquia, Paulocomo exemplificado
se prepara em Corinto
para seu alvo a longo (18.7).
prazo - fazer
de Éfeso o centro irradiador do cristianismo - ao deixar lá seus assistentes fiéis, Áquila e
Priscila (18.18-22). Fecha-se o ciclo missionário com o retorno de Paulo e o relatório a
Jerusalém e Antioquia.
A terceira viagem missionária segue o padrão e a estratégia da segunda, com a
consolidação da obra anterior e a conquista de novo território. O alvo principal, Éfeso, a
maior cidade na Ásia Menor, foi o centro de operações missionárias por quase três anos.
Os esforços de Paulo em Éfeso resultam num triunfo da mensagem soberana do Reino
sobre a oposição judia e pagã (19.1-19). Nesse ponto, Lucas insere seu quinto relatório
de progresso, indicando que a mensagem acerca do Senhor Jesus tinha um efeito cada
vez mais abrangente e profundo na província da Ásia (19.20).
111
Esta associação da missão gentílica com os temas de rejeição e salvação em Isaías atinge
seu clímax em 28.26-27, onde Paulo (e Lucas) apresentam a rejeição universal de Jesus Cristo
por Israel como o resultado do endurecimento disciplinar divino (cf. Is 6.9-10).
112
A idéia que Tiago pretende demonstrar a partir das Escrituras (Am 9.11-12) é que na era
do Reino os gentios serão salvos como gentios, o que certamente impede que qualquer pessoa
os submeta a um processo de judaização no tempo da proclamação do Reino.
A última divisão da Parte II é chamadaO livro do conflito e da chegada, e seu
resumo é que a mensagem soberana do Reino sofre conflito da parte de judeus e gentios
que procuram eliminar Paulo. Apesar disso, ele chega a Roma, o centro do império,
onde a rejeição israelita atinge seu triste final (19.21 - 28.31).
Mais uma vez, o conjunto de fatores religiosos e econômicos é responsável pela feroz
oposição contra o Evangelho (19.23-41). A razão pela qual Lucas escolheu começar
essa seção com o protesto em Éfeso, em vez de ligar essa narrativa com o ministério de
Paulo ali,ofertas
levantar é que para
no tempo em que
os crentes se deu o protesto,
necessitados Paulo jáe Judéia,
em Jerusalém começaraumseu esforço
plano de
que seria
instrumental para o cumprimento do objetivo final de Deus de levar o Evangelho a
Roma.
Seu ministério em Macedônia e Acaia, depois de sair de Éfeso, é certamente um
misto de consolidação da obra ali (com muito a fazer em Corinto) e arrecadação das
ofertas levantadas nas igrejas individuais (como evidenciado pela lista de companheiros
de viagem a caminho de Jerusalém, 20.4).
Lucas dá atenção especial à viagem de Paulo a Jerusalém, pois ela ressalta seu poder
apostólico e seu compromisso com o chamado que recebera do Senhor (20.4 - 21.16).
Sua determinação em ir a Jerusalém apesar dos muitos avisos e pedidos dos seus
irmãos, que eram guiados pelo bom senso, serve para provar que sua missão gentílica
não era o produto de algum tipo de anti-semitismo, mas o resultado da dura cerviz de
Israel ao rejeitar ademensagem
O testemunho Paulo em do Reino. ocorre em meio a uma violência injustificada
Jerusalém
dos judeus para com um homem que estava disposto a se conformar comadiaphora
(elementos não essenciais à fé) a fim de ter uma oportunidade de testificar sobre Jesus
(21.17 - 23.30). Duas vezes o seu testemunho é interrompido pela intransigência da
audiência para com os pontos-chave do seu ministério - seu chamado à proclamação do
Evangelho aos gentios (21.37 - 22.21) e a ressurreição de Jesus (22.30 - 23.10).
À medida que a narrativa se desenrola, Roma dá proteção contra as conspirações dos
judeus (23.12-30), e acusações injustas (23.31 - 24.23). A política, porém, começou a
ameaçar a sua segurança quando um novo governador entra em cena, e Paulo apela para
César, o que era direito seu como cidadão romano (25.1-12). A promessa de ser uma
testemunha diante de reis é cumprida quando Festo pede a Herodes Agripa II uma
opinião especializada sobre o caso de Paulo.

ReiOsetestemunho do Paulo
torna, em termos diante de
literários, umAgripa é preservado
representante em grandes
de Israel detalhes porque
em sua indecisão entre o
professar a crença nas Escrituras e rejeitar o evento factual para o qual todas as
Escrituras se dirigiam e apontavam– a ressurreição de Jesus Cristo (25.23 - 26.29).
O subpropósito apologético de Lucas é vindicado no acordo entre Festo e Agripa
quanto à inocência de Paulo. A ironia do destino de Paulo é que a liberdade que ele
merecia como um homem inocente só poderia ser preservada se ele fosse mantido
prisioneiro até que César o julgasse (26.30-32).
O capítulo 27 é notável devido à sua detalhada descrição de como se viajava na
antigüidade e porque destaca a sabedoria e a compaixão de Paulo. A idéia básica desse
―diário de bordo‖ é que a viagem de Paulo a Roma o revela como o vaso escolhido de
Deus, cuja vida Ele protegia e cujo ministério entre os gentios Ele fazia prosperar (27.1
- 28.10).
Na sua
Sejam chegada a Roma,
as afirmações Paulojudeus
dos líderes segue verdadeiras
sua estratégiaoudenão,
ministrar
113 ―primeiro
o ministério de ao judeu‖.
Paulo aos
113
Bruce sugere que houve mais diplomacia do que verdade nessas afirmações, uma vez
que a conexão entre Jerusalém e Roma era muito forte (Acts, p. 506). Pode ser que, depois de
dois anos, e sem material para formular uma acusação estruturada, os judeus tivessem
diminuído suas tentativas de eliminar Paulo.
judeus em Roma traz a um fim trágico a história nacional de rejeição da mensagem do
Reino, conforme profetizada nas Escrituras (28.17-28).114 Esse ponto culminante da
rejeição judia assinalava que o foco principal do ministério cristão dali em diante seriam
os gentios (28.28-29).
O livro de Atos termina com o sexto relatório de progresso, no qual o cristianismo é
vindicado em Roma, onde a mensagem do Reino é livremente proclamada (28.30-31).

ESBOÇO SINTÉTICO
Mensagem
A mensagem soberana do Reino iniciada por Jesus encontra culminação
autorizada em sua proclamação por todo o mundo gentio.
PARTE I –
A MENSAGEM SOBERANA DOREINO É PROCLAMADA NO MUNDO JUDAICO(1.1 -
12.24)
I. O livro das doze testemunhas - As Doze Testemunhas autorizadas permeiam Jerusalém
com a mensagem do Reino (1.1 - 6.7).
A. Prólogo. O tema do livro é a continuação da obra do Messias ressurreto por meio de
Suas testemunhas oficiais capacitadas pelo Espírito Santo (1.1-5).
1. O antecedente desta obra foi o relato lucano do ministério de Jesus até o tempo de Sua
ascensão (1.1-2).
2. A autenticação da história a ser contada é o fato seguro da ressurreição de Jesus (1.3).
3. O agente principal da história a ser contada é o Espírito Santo prometido (1.4-5).
B. Partida. A ascensão de Jesus estabelece os apóstolos como testemunhas do Reino sob a
influência e o poder do Espírito prometido, enquanto esperam o retorno do Messias
(1.6-11).
1. Os apóstolos são comissionados como testemunhas do Reino a todo o mundo enquanto
esperam pelo tempo indicado pelo Pai para o seu estabelecimento (1.6-8).
• O conceito que os discípulos tinham do estabelecimento do Reino é refinado por Jesus no
que diz respeito ao seu tempo (1.6-7).
• A comissão de Jesus aos discípulos é que sejam testemunhas do Rei sob o poder do
Espírito Santo que lhes seria concedido (1.8).
2. A ascensão de Jesus perante Seus discípulos é acompanhada pela promessa de sua volta
pessoal e corporal (1.9-11).
C. Preparação. A preparação dos discípulos para o cumprimento da promessa do Messias
consistiu de oração unida e complementação do número oficial das testemunhas da
ressurreição (1.12-26).
1. A comunidade do Reino ora unida na expectativa da promessa de Cristo (1.12-14).
2. A comunidade do Reino seleciona a décima segunda testemunha com base na Palavra e

• A na soberania reconhece
comunidade de Deus (1.15-26).
a soberania de Deus na obra e na morte de Judas (1.15-20).

114
Esta é a quarta e última vez que Isaías 6.9-10 é citado no Novo Testamento, e desta vez
traz em si uma nota de finalidade. Desde Jerusalém até Roma a oportunidade havia sido
rejeitada e a porta parecia se fechar definitivamente para Israel como nação.
• A comunidade concorda em encontrar outra testemunha entre os primeiros seguidores de
Jesus (1.21-22).
• Sortes soberanamente designadas indicam Matias como a décima segunda testemunha
(1.23-26).
D. Pentecostes, o cumprimento da Promessa. A chegada do Espírito capacita as Doze
Testemunhas a lançar com sucesso a mensagem do Reino entre os judeus (2.1-41).
1. O Espírito manifesta Sua chegada visível e audivelmente às Doze Testemunhas (2.1-4).
• A ocasião da manifestação é a Festa das Semanas [Pentecostes] (2.1).
• A forma da manifestação foi por meio de som e visão de acordo com os símbolos do
Antigo Testamento (2.2-3).
• O resultado da manifestação foi o controle das testemunhas pelo Espírito, demonstrado
pelo falar em outras línguas [terrenas] (2.4).
2. O testemunho a respeito de Jesus, o Messias, é apresentado aos peregrinos em seus
dialetos nativos, causando ao mesmo tempo surpresa e zombaria (2.5-13).
• Judeus palestinos e prosélitos peregrinos reagem com surpresa à proclamação do Reino de
Deus em seus próprios dialetos (2.5-12).
• Alguns dos ouvintes [os residentes] zombam dos mensageiros, atribuindo suas atividades
e capacidades ao efeito do vinho (2.13).
3. A mensagem de Pedro. Os fenômenos observados pela multidão testificam a realidade da
messianidade de Jesus e da manifestação do Reino de Deus, exigindo arrependimento e
identificação com Jesus, o Messias (2.14-41).
• A seção da polêmica [ἀνινγία, apologia] – Os fenômenos observados pelo povo não são
resultado de pecado humano, mas da soberania divina em manifestar Seu Reino de
acordo com as Escrituras (2.14-21).
- Pedro nega a acusação de embriaguez afirmando sua piedade judaica tradicional (2.14-15).
- Pedro define os eventos como uma manifestação soberana do Reino de Deus de acordo
com a profecia de Joel (2.15-21).
• A seção da proclamação [ήξπγκα, kērugma] – Os fenômenos observados pelo povo são
prova de que Jesus de Nazaré, rejeitado e crucificado pela nação, era de fato o Messias,
que ressurgira dos mortos e concedera o Espírito prometido pelos profetas (2.22-36).
- A ressurreição de Jesus é apresentada como o cumprimento das Escrituras concernentes ao
Messias (2.22-31).
- A ressurreição de Jesus é apresentada como a causa do cumprimento da promessa do
derramamento do Espírito, o que testemunha de Sua divina messianidade (2.32-36).
• As respostas necessárias à realidade da ressurreição e à manifestação do poder de Jesus
são o arrependimento nacional do pecado de rejeitar a Jesus e a identificação com Ele
mediante o batismo (2.37-41).
- A resposta da multidão à proclamação de Pedro é de contrição e boa vontade (2.37).
- A exigência da hora é arrependimento e identificação com Jesus, o Messias, por meio do
batismo, para desfrute de Sua promessa (2.38-40).
• O arrependimento é a chave do perdão individual (2.38).
• A identificação por meio do batismo é a chave para o recebimento da promessa e o
livramento do juízo iminente contra a nação (2.38-40).
• A resposta dos ouvintes acrescenta três mil pessoas à comunidade do Reino (2.41).

E. Prática.
Reino éObaseado
início da
navida da comunidade
demonstração do Reino
do poder divino- pelos
O crescimento
apóstolosda comunidade
e na do sua
qualidade de
vida comunitária (2.42-47).
1. Sua vida comunitária era marcada pela unidade e pela comunhão centradas no ensino dos
apóstolos e dependentes da oração (2.42-44).
2. Sua vida comunitária era marcada pelo partilhar mútuo das necessidades e pelo
testemunho no Templo (2.45-47a).
3. O resultado de sua vida e testemunho era o crescimento regular da comunidade (2.47b).
F. Expansão em Jerusalém. O progresso da comunidade do Reino em Jerusalém ocorre num
contexto de oposição externa e obstáculos internos (3.1 - 6.7).
1. O progresso da comunidade do Reino em Jerusalém ocorre num contexto de oposição
externa (3.1 - 4.31).
• A cura de um paralítico oferece a oportunidade para uma segunda proclamação em
Jerusalém (3.1-10).
• O sermão de Pedro no Templo convoca o povo a aceitar a realidade da ressurreição de
Jesus para poder partilhar das bênçãos prometidas da aliança que Deus concentrou em
Jesus (3.11-26).
- O poder de Jesus, o Ressurreto, a Quem a nação crucificara, foi a base para o milagre que
o povo testemunhara (3.11-18).
- A promessa de Jesus, o Ressurreto, é que o arrependimento da rejeição do Messias trará a
restauração às bênçãos prometidas da aliança, que Deus concentrou em Jesus (3.19-26).
• A reação do judaísmo oficial ao crescimento excepcional da comunidade do Reino foi de
assédio e intimidação (4.1-22).
- A resposta à proclamação de Pedro é grande, a despeito da ríspida prisão de Pedro e João
(4.1-4).
- A resposta apostólica ao assédio do Sinédrio foi afirmar sua obrigação de continuar a

- A proclamar
resposta dosalvação
Sinédrioexclusivamente em Jesus
ao desafio de Pedro foi Cristo (4.5-12).
intimidar os apóstolos em vista da inegável
evidência do poder de Cristo operando por meio dos apóstolos (4.13-18).
- A resposta apostólica à intimidação do Sinédrio foi afirmar a necessidade de seu
testemunho em prol de Jesus (4.19-22).
• A reação da comunidade do Reino à pressão externa foi amparar-se na soberania e no
poder de Deus para manter um compromisso contínuo com a tarefa de proclamar Jesus
(4.23-31).
- Eles reconhecem a oposição do Sinédrio como parte do soberano plano de Deus com
respeito ao Messias (4.23-26).
- Eles pedem poder divino de modo a permanecerem firmes e ousados em sua missão como
testemunhas (4.27-30).
- Eles experimentam capacitação divina e dão continuidade à sua missão com ousadia

2. O(4.31).
progresso da comunidade do Reino em Jerusalém ocorre apesar de obstáculos internos
(4.32 - 5.11).
• A vida na comunidade do Reino era marcada por altruísmo e por contínuas demonstrações
de poder em testemunho (4.32-35).
• A contribuição generosa de Barnabé para o sustento dos pobres demonstra a prática do
amor na igreja primitiva (4.36-37).
• A tentativa satânica de minar a eficácia do testemunho da Igreja por meio do engano de
Ananias e Safira foi frustrada por uma drástica disciplina divina (5.1-11).
3. O progresso da comunidade do Reino em Jerusalém ocorre num contexto de oposição
externa renovada (5.12-42).
• Os efeitos da disciplina divina foram o crescimento quantitativo e qualitativo na
comunidade do Reino à medida que os milagres messiânicos prosseguiam sem
diminuição (5.12-16).
• A oposição do Sinédrio chega ao ponto de maus-tratos físicos, a despeito do conselho à
prudência por parte de Gamaliel (5.17-42).
- O assédio humano é superado pela assistência angelical (5.17-24).
- O assédio humano é desafiado pela afirmação apostólica de seu papel como testemunhas e
da culpa do Sinédrio na morte de Jesus (5.25-32).
- O conselho de Gamaliel à prudência em vista de problemas anteriores impede a morte
prematura dos apóstolos (5.33-40a).
- O castigo corporal causa regozijo ao invés de recuo na atividade dos representantes do
Ressurreto (5.40b-42).
4. O progresso da comunidade do Reino em Jerusalém ocorre apesar de obstáculos internos
renovados (6.1-6).
• Diferenças culturais dentro da comunidade do Reino geram conflito à medida que as

• A necessidades materiais
solução apostólica paraaumentam
o problema(6.1).
é a escolha de homens piedosos que conduzam o
ministério social no seio da comunidade do Reino (6.2-6).
5. Relatório nº 1 – Jerusalém está permeada com a fé (6.7).
II. O livro dos três pregadores – A mensagem do Reino chega além dos confins do Israel
racial por meio da missão de três indivíduos escolhidos - Estêvão, Filipe e Saulo (6.8 -
9.31).
A. A proclamação provocativa de Estêvão precipita uma perseguição que promove o plano
de Deus para o Seu povo (6.8 - 8.1a).
1. A prisão de Estêvão é causada por sua veemente apologia de Jesus como Messias (6.8 -
7.1).
• O ministério de Estêvão atrai a oposição de judeus helenistas (6.8-9a).
• A apologia que Estêvão faz de Cristo como Messias leva à sua prisão, acusado falsamente
de blasfêmia (6.9b - 7.1).
2. O discurso de Estêvão denuncia a presente rejeição de Jesus por Israel como o ponto
culminante de sua longa rejeição da mensagem e dos mensageiros de Deus (7.2-53).
• A posição de Israel desde o princípio foi privilegiada como recipiente da revelação e das
promessas de Deus (7.2-8).
• A rejeição da mensagem e dos mensageiros de Deus por Israel foi exemplificada na
rejeição de José pelos patriarcas (7.9-16).
• A rejeição da mensagem e dos mensageiros de Deus por Israel foi exemplificada na
resposta negativa da nação a Moisés (7.17-43).
- A tentativa de libertação feita por Moisés no Egito foi motivo de zombaria (7.17-29).
- A graciosa libertação divina realizada por meio de Moisés foi retribuída com idolatria

• A (7.30-43).
rejeição da mensagem e dos mensageiros de Deus por Israel foi exemplificada em sua
excessiva confiança no Templo e seu desprezo pelas promessas encontradas na Lei
(7.44-53).
3. O ataque contra Estêvão demonstra a culpa continuada do Sinédrio ao rejeitar a
mensagem messiânica (7.54 - 8.1a).
• A aplicação de Estêvão quanto ao papel de Jesus como Filho do Homem precipita o
ataque do Sinédrio contra ele (7.54-58).
• O apedrejamento de Estêvão contrasta seu espírito perdoador e a fria concordância de
Saulo com sua morte (7.59 - 8.1a).
4. A conseqüência da morte de Estêvão foi o espalhamento da igreja de Jerusalém pela
Judéia e Samaria e sua perseguição sistemática pelo Sinédrio por meio de Paulo (8.1b-
3).
B. A comunidade perseguida leva a mensagem do Reino além dos limites raciais da Judéia
no ministério evangelístico de Filipe (8.4-40).
1. Filipe proclama eficazmente o Reino de Deus e Jesus como Messias na região de Samaria
(8.4-13).
• A confirmação da pregação Filipe por meio de sinais atrai muitas pessoas (8.4-8).
• O poder do Evangelho é demonstrado pela conversão de um farsante chamado Simão, o
Mago (8.9-13).
2. A missão de Pedro e João autentica a expansão do Evangelho para os não-judeus (8.14-
25).
• O pleno privilégio do batismo do Espírito chega por meio da oração apostólica (8.14-17).
• A severa repreensão da visão distorcida de Simão quanto ao poder do Reino estabelece a
distinção clara entre o cristianismo e o paganismo (8.18-24).
• O sinal definitivo da expansão é o envolvimento apostólico na evangelização dos
samaritanos (8.25).
3. O ministério de Filipe ao oficial etíope confirma a expansão da mensagem do Reino a
gentios prosélitos (8.26-40).
• O ministério de Filipe ao oficial etíope é soberanamente dirigido por Deus (8.26-30a).
• A interação entre Filipe e o oficial quanto à profecia de Isaías resulta na proclamação do
Evangelho de Jesus (8.30b-35).
• O resultado do ministério de Filipe é a fé do oficial em Cristo e sua identificação com Ele
por meio do batismo (8.36-38).
• resposta do oficial é a alegria da salvação (8.39).
A
• O ministério de Filipe leva o testemunho do Reino até a cidade romana de Cesaréia (8.40).
C. A mensagem do Reino alcança além dos limites da raça israelita pela conversão e
chamada de Saulo, o instrumento escolhido de Deus (9.1-31).
1. A conversão de Saulo é o meio usado por Cristo para preparar a Igreja para levar a
mensagem do Reino aos gentios (9.1-19).
• A conversão de Saulo ocorreu num momento em que ele tentava extirpar o cristianismo
(9.1-2).
• A conversão de Saulo ocorreu por meio de uma aparição do Cristo ressurreto e glorificado
(9.3-9).
• A comissão de Saulo é apresentada a Ananias, que foi o instrumento divino para
apresentar o novo convertido à sua nova comunidade (9.10-19).
- A relutância de Ananias quanto ao passado de Saulo é superada pela revelação quanto ao
futuro de Saulo (9.10-16).
- O ministério de Ananias a Paulo, o novo convertido, incluiu seu batismo e sua
apresentação
2. Os à igreja em
primeiros conflitos Damasco
de Saulo com(9.17-19).
os judeus por causa da messianidade de Jesus dão
destaque ao seu chamado para ministrar aos gentios (9.19-30).
• O ministério convincente de Paulo aos judeus em Damasco causa tamanho antagonismo
que ele é forçado a fugir (9.20-25).
• Os contatos de Paulo com a desconfiada igreja de Jerusalém são mediados por Barnabé
(9.26-27).
• A continuidade do ministério apologético de Estêvão aos judeus helenistas por meio de
Paulo provoca sua retirada prematura para Tarso (9.28-30).
3. Relatório de progresso no 2 – O crescimento quantitativo e qualitativo da Igreja estende-a
por toda a Palestina de acordo com a ordem de Cristo (9.31).
III. O livro das quatro cidades – A mensagem do Reino é oficialmente estendida aos
gentios por meio de Pedro e encontra expressão vibrante em seu futuro centro,
Antioquia (9.32 - 12.24).
A. A mensagem do Reino é oficialmente estendida aos gentios por meio de Pedro (9.32 -
11.18).
1. O ministério terapêutico e proclamativo de Pedro emLida leva a Cristo uma grande
multidão (9.32-35).
• A cura de Enéias chama a atenção do povo para o evangelho(9.32-34).
• Um grande número de pessoas se volta para o Senhor por meio do ministério da pregação
de Pedro (9.35).
2. O ministério terapêutico e proclamativo de Pedro emJope leva a Cristo uma grande
multidão (9.36-43).
• A ressurreição de Dorcas é a avenida para que o Evangelho chegue à cidade de Jope
(9.36-41).
• Um grande número de pessoas se volta para o Senhor por meio do ministério proclamativo
de Pedro (9.42-43).
3. O ministério proclamativo de Pedro emCesaréia oficialmente introduz os gentios ao
Reino de Deus (10.1-48).
• Cornélio foi preparado para a pregação do Evangelho por sua devoção ao judaísmo e por
uma revelação divina sobre a pessoa de Pedro (10.1-8).
• Pedro é preparado para pregar o Evangelho aos gentios por uma revelação divina do novo
programa de Deus e da prontidão de Cornélio para ouvir a mensagem (10.9-23a).
• A proclamação do Evangelho a Cornélio e sua família resulta em fé e recepção do Espírito
Santo pelos ouvintes (10.23b-48).
- O ato de reverência de Cornélio perante Pedro é polidamente recusado pelo Apóstolo
(10.23b-26).
- A razão de Pedro para aceitar o convite de Cornélio foi a revelação divina concernente aos
gentios (10.27-29).
- A razão para o convite de Cornélio a Pedro foi a comunicação feita pelo anjo (10.30-33).
- A mensagem de Pedro resume o plano divino de salvação pela fé em Jesus, Aquele que foi
crucificado e ressurreto (10.34-43).
- A descida do Espírito Santo sobre Cornélio e sua família confirma a inserção dos gentios
na igreja e lhes oferece identificação com Cristo por meio do batismo (10.44-48).
4. O relatório de Pedro à igreja em Jerusalém ganha aprovação (relutante) para a inclusão
dos gentios no Reino (11.1-18).
• O preconceito dos judeus questiona a sabedoria de Pedro ao compartilhar o Evangelho
com os gentios (11.1-3).
• O relatório de Pedro sobre as circunstâncias incomuns do evento convence os cristãos
racialmente preconceituosos em Jerusalém (11.4-18).
- Pedro relata sua visão incomum (11.4-11a).
- Pedro relata
próprio o testemunho
Cornélio comprobatório de seis irmãos de Jope bem como a história do
(11.11b-14).
- Pedro relata o fato indiscutível do batismo do Espírito e sua conclusão sobre o assunto
(11.15-17).
- Os judeus cristãos aceitam o fato da inclusão dos gentios na Igreja (11.18).
B. O estabelecimento de uma igreja cosmopolita emAntioquia dá expressão vibrante à
mensagem do Reino entre os gentios (11.19-30).
1. A expansão do Evangelho entre os gentios aconteceu primeiro em Antioquia como
resultado da proclamação dos ―leigos‖ depois da perseguição em Jerusalém (11.19-21).
2. A solidificação da presença do Evangelho entre os gentios aconteceu quando Barnabé
confirmou sua direção divina e trouxe Paulo como um auxiliar para o ministério (11.22-
26).

3. Oliga
apoio oferecido porgentia
as comunidades Antioquia à igreja
e judaica em Jerusalém em resposta à revelação divina
(11.27-30).
C. A perseguição em Jerusalém oferece um contraste entre a abertura dos gentios e a
intolerância dos judeus para com o cristianismo (12.1-23).
D. Relatório nº 3 - O crescimento e o progresso da igreja continuam a despeito da oposição
(12.24).
PARTE II –
A MENSAGEM SOBERANA DOREINO É PROCLAMADA NO MUNDO GENTÍLICO
(12.25 - 28.31).
I. O livro da expansão e separação - A mensagem soberana do Reino é proclamada com
sucesso entre os gentios e alcançastatus independente perante a igreja judaica (12.25 -
16.5).
A. A mensagem soberana do Reino é proclamada com sucesso entre os gentios na primeira
viagem missionária de Paulo (12.25 - 14.28).
1. Barnabé e Saulo são divinamente designados para promover a expansão do ministério
aos gentios (12.25 - 13.3).
2. A primeira viagem missionária espalha o evangelho entre judeus e gentios no leste da
Ásia Menor sob o poder e a proteção do Espírito Santo (13.4 - 14.28).
• O ministério em Chipre revela o poder do Evangelho para cegar falsos profetas e iluminar
―homens de discernimento‖ (13.4-12).
• O ministério em Antioquia da Pisídia apresenta a base escriturística da pregação
apostólica e as respostas contrastantes de judeus - rejeição - e gentios tementes a Deus -
regozijo (13.13-52).
- Marcos abandona a missão e retorna para Jerusalém (13.13).
- O ministério em Antioquia da Pisídia apresenta a base bíblica da pregação apostólica
sobre o Jesus ressurreto como o Messias (13.14-41).
- O ministério em Antioquia da Pisídia apresenta as respostas contrastantes de judeus -
rejeição - e gentios tementes a Deus - regozijo (13.42-52).
• O ministério em Icônio recapitula a recepção dos gentios e a rejeição dos judeus, que
cresce ao ponto destes planejarem a morte dos apóstolos (14.1-7).
• O ministério em Listra apresenta a interação dos apóstolos com pagãos idólatras e o ápice
da oposição judaica, o apedrejamento de Paulo (14.8-20).
- A pregação apostólica a pagãos idólatras aponta primeiramente para a revelação natural, e
depois para Cristo (14.8-18).
- A oposição judaica atinge seu ápice com o apedrejamento de Paulo (14.19).
• O ministério em Derbe transcorre com considerável sucesso e sem perseguições (14.20-
21).
3. A viagem de retorno a Antioquia da Síria é usada para fortalecer e estabelecer os
convertidos em cidades previamente visitadas (14.21-25).
4. O relatório dos apóstolos à igreja que os enviara enfatizou a resposta positiva dos gentios
à sua mensagem (14.26-28).
B. A mensagem soberana do Reino alcançastatus independente perante a igreja judaica
depois que o Concílio de Jerusalém declara os gentios livres da observância da Lei
(15.1-35).
1. A ocasião que provocou o Concílio foi o debate envolvendo, de um lado, Paulo e
Barnabé, e do outro, cristãos legalistas da Judéia, sobre a necessidade de observância da
Lei como condição para salvação (15.1-2, 5).
2. A reação da igreja gentílica foi enviar uma delegação para uma consulta em Jerusalém
(15.3-4).
3. A deliberação no Concílio incluiu testemunhos de pessoas envolvidas na evangelização
dos gentios (15.5-12).
• Pedro testificou que sua experiência demonstrava que a graça recebida por fé era o meio
de receber a salvação (15.5-11).
• Paulo e Barnabé testificaram da validade da missão aos gentios com base nos atos
poderosos de Deus entre eles durante sua viagem missionária (15.12).
4. A deliberação do Concílio incluiu uma proposta de Tiago que demonstrava pelas
Escrituras que os gentios seriam salvos sem se tornarem israelitas e fazia provisão para
reduzir ao mínimo o conflito nas relações entre judeus e gentios no processo de
disseminação da fé (15.13-21).
• A deliberação do Concílio incluiu uma proposta de Tiago que demonstrava pelas
Escrituras que os gentios seriam salvos sem se tornarem israelitas (15.13-18).
• A deliberação do Concílio incluiu uma proposta de Tiago que fazia provisão para reduzir
ao mínimo o conflito nas relações entre judeus e gentios no processo de disseminação
da fé (15.19-21).
5. As resoluções
uma do Concílio foram oficialmente enviadas às igrejas gentias em forma de
carta (15.22-31).
6. Os portadores da carta ministram à igreja em Antioquia (15.32-33).
7. Paulo e Barnabé retomam seu ministério à igreja gentia independente em Antioquia
(15.34-35).
C. A segunda viagem missionária solidifica o trabalho na Ásia Menor Oriental em preparo
para alcançar a Ásia Menor Ocidental e a Europa (15.36 - 16.5).
1. Uma discordância entre Barnabé e Paulo leva à formação de duas equipes missionárias,
que dividem seu itinerário anterior de acordo com a srcem de cada um dos líderes
(15.36-40).
2. A missão ao leste da Ásia Menor tem como propósito fortalecer as igrejas e confirmar
sua liberdade, fazendo valer as decisões do Concílio de Jerusalém (16.1-4).
D. Relatório nº 4 – A missão aos gentios produz igrejas fortes e crescentes (16.5).
II. O livro do desenvolvimento e do desafio – A mensagem soberana do Reino é levada
aos centros da cultura grega e ali seu progresso é desafiado pelo judaísmo e pelo
paganismo (16.6 - 19.20).
A. A direção providencial do Espírito Santo dirige os esforços apostólicos para a região do
mar Egeu (16.6-10).
1. A intenção dos apóstolos de ministrar nas províncias da Ásia e da Bitínia é indeferida
pelo Espírito Santo (16.6-7).
2. A revelação da vontade de Deus vem por meio de uma visão em que um macedônio pede
ajuda a Paulo, indicando assim o alvo seguinte da atividade missionária - a Europa
(16.8-10).
B. O ministério da mensagem do Reino na Macedônia resulta na implantação de igrejas a
despeito de oposição econômica e religiosa (16.11 - 17.15).
1. O ministério em Filipos resulta no estabelecimento de uma igreja depois de
demonstrações de poder apostólico em meio a perseguições (16.11-40).
• A equipe missionária começa seu ministério em Filipos, uma cidade estratégica da
Macedônia (16.11-12).
• A primeira oportunidade de ministério - a proclamação do Evangelho a algumas mulheres
piedosas - produz a primeira conversão na Europa - uma mulher gentia (16.13-15).
• O exercício do poder apostólico para curar uma adivinhadora endemoninhada leva Paulo e
Silas à prisão por causa de interesses econômicos frustrados (16.16-24).
- A cura da adivinhadora endemoninhada precipita a crise (16.16-18).
- As acusações trazidas contra os apóstolos são de ordem religiosa, embora os motivos
sejam econômicos (16.19-21).
- A justiça romana contra a suposta conversão ilícita é apressada pela violência da multidão
(16.22-24).
• Os apóstolos são açoitados antes de serem julgados formalmente (16.22-23a).
• Os apóstolos são aprisionados sob segurança máxima (16.23b-24).
• O estabelecimento da igreja em Filipos acontece à medida que Deus intervém
sobrenaturalmente para vindicar publicamente os Seus servos (16.25-39).
- A conduta incomum dos prisioneiros e a violência do terremoto levam o carcereiro à
salvação pela fé em Cristo (16.25-34).
- A retratação dos magistrados traz libertação aos apóstolos e segurança para a igreja
nascente (16.35-39).
• Os apóstolos partem de Filipos depois de encorajarem a jovem igreja [e deixarem ali a
Lucas, para cuidar dela] (16.40).
2. O ministério em Tessalônica estabelece uma igreja e desencadeia a oposição sistemática

• O dos judeus contra


ministério a mensagem
na sinagoga apostólica
ganha alguns (17.1-9).
judeus, um número significativo de gregos
piedosos, e algumas mulheres de influência (17.1-4).
• A reação oficial dos judeus à proclamação da mensagem do Reino é montar uma
campanha de difamação com o propósito de acusar os cristãos de sedição (17.5-9).
3. O ministério em Beréia produz fruto entre judeus e gregos até que a oposição vinda de
Tessalônica obriga os apóstolos a partirem da cidade (17.10-15).
C. O ministério da mensagem do Reino na Acaia resulta no estabelecimento de um centro
cristão em Corinto depois de magros resultados em Atenas (17.16 - 18.17).
1. Os esforços missionários de Paulo emAtenas produzem parcos resultados tanto entre os
judeus quanto entre os gentios (17.16-34).
• Paulo ministra, angustiado, entre judeus e gregos tementes a Deus (17.16-17).
• A curiosidade ateniense quanto a novas correntes de pensamento oferece a Paulo uma
oportunidade de proclamar o Evangelho no Areópago (17.18-31).
- A oportunidade de ministério surge por meio de intelectuais que haviam debatido com
Paulo por causa de seu inusitado ensino público sobre a ressurreição (17.18-21).
- A mensagem de Paulo no Areópago enfatizava o progresso da revelação divina e a
maneira definitiva de Deus lidar com a humanidade por meio do Messias ressurreto,
Jesus, o futuro Juiz (17.22-31).
- A pregação de Paulo em Atenas produz alguns convertidos apesar da reação fria da
maioria de seus ouvintes à idéia de uma ressurreição corporal (17.32-34).
2. Os esforços missionários de Paulo emCorinto resultaram no estabelecimento de uma
grande igreja contra a qual os judeus não conseguiram cooptar a ação legal de Roma
(18.1-17).
• A primeira parte do ministério de Paulo na sinagoga foi realizada às custas de seu próprio
trabalho manual (18.1-4).
• A dedicação completa de Paulo à pregação na sinagoga produziu poucos resultados,
levando-o a concentrar seus esforços primariamente entre os gentios (18.5-8).
• O compromisso de Paulo com o estabelecimento de um centro cristão na cosmopolita
Corinto é reforçado por uma visão pessoal do Senhor Jesus Cristo (18.9-11).
• A oposição judaica contra o cristianismo é incapaz de conquistar o apoio legal das
autoridades romanas, uma vez que Gálio determina que as diferenças entre os dois
grupos transcendem a lei romana (18.12-17).
D. O retorno dos apóstolos a Antioquia prepara o caminho para o antigo objetivo de Paulo
de estabelecer um centro cristão em Éfeso (18.18-22).
1. Paulo estabelece um posto avançado em Éfeso ao pregar na sinagoga e deixar ali o casal
Áquila e Priscila (18.18-21).
2. Paulo e Silas prestam relatório à igreja que os enviara depois de saudarem a igreja-mãe
em Jerusalém (18.22).
E. O ministério da mensagem do Reino em Éfeso resulta no estabelecimento de um centro
cristão que permite a expansão do evangelho a toda a província da Ásia (18.23 - 19.19).
1. A estratégia paulina de fortalecer as igrejas leva o Apóstolo a revisitar as antigas
congregações na primeira fase de sua terceira viagem missionária (18.23).
2. A estratégia de deixar antecipadamente um núcleo de crentes traz dividendos quando
Áquila e Priscila orientam Apolo a uma compreensão correta sobre Jesus e a um
ministério frutífero de proclamação (18.24-28).
3. O trabalho de Paulo em Éfeso resulta no triunfo da mensagem soberana do Reino sobre a
oposição judaica e pagã (19.1-20).
• O encontro com os discípulos de João aponta para o ministério de Paulo em Éfeso como
uma reedição de Pentecostes (19.1-7).
• A rejeição na sinagoga leva a um ministério de discipulado que permite a proclamação do
Evangelho por toda a província da Ásia (19.8-10).
• O ministério apostólico de curas fez crescer a visibilidade do Evangelho, à medida que
este é contrastado com o fracasso dos exorcistas judeus (19.11-16).
• O respeito conquistado pelo cristianismo entre os efésios é medido pela confissão pública
de pecados e pela queima de livros de mágica e feitiçaria (19.17-19).
F. Relatório nº 5 – A mensagem sobre o Senhor Jesus tem efeito amplo e profundo na
província da Ásia (19.20).
III. O livro do conflito e da chegada – A mensagem soberana do Reino é antagonizada
nas tentativas gentias e judaicas de eliminar Paulo, que assim mesmo chega a Roma,
onde a rejeição judaica do Messias chega ao seu trágico final (19.21 - 28.31).
A. A estratégia de Paulo o leva a planejar uma visita a Jerusalém antes de ir a Roma, o
centro último de propagação do evangelho (19.21-22).
B. A oposição econômico-religiosa aoCaminho, que encontrou expressão no motim de
Éfeso, demonstra a extensão e profundidade da influência do evangelho na Ásia e
justifica a expansão do ministério para Roma (19.23-41).
1. Pressões econômicas causadas pelo declínio na devoção e nas práticas religiosas pagãs
provocaram um apelo ao orgulho cívico- religioso dos efésios contra o cristianismo
(19.23-27).
2. A ameaça contra os cristãos nos distúrbios em Éfeso é minorada pelo escrivão da cidade
que invoca o sistema legal romano como o fórum para resolver as diferenças religiosas
(19.28-41).
• Paulo foi persuadido pelos discípulos e oficiais da cidade a não se apresentar perante a

• A multidão
tentativa exaltada (19.28-31).
judaica de trazer novas acusações contra Paulo aumenta a sensação difusa de
uma revolta popular contra religiões ―estrangeiras‖ (19.32-34).
• A intervenção prudente do escrivão da cidade faz a turba cair em si, restaurando a paz
(19.35-41).
- Ele isenta o cristianismo das acusações de sacrilégio (19.35-36).
- Ele dirige o protesto contra o cristianismo para seu foro legítimo, o sistema judicial
romano (19.37-39).
- Ele aponta para o perigo de uma acusação de sedição contra a cidade (19.40-41).
C. O ministério de Paulo na Macedônia e na Acaia segue sua estratégia de confirmar igrejas
previamente estabelecidas e fazê-las participar de seus planos (20.1-3).
1. Paulo encorajou os crentes na Macedônia (20.1-2a).

2.
3. Paulo permaneceu
Uma tentativa em Corinto
judaica por três
de assassinar meses
Paulo faz(20.2b-3a).
que ele decida iniciar a viagem para
Jerusalém por terra, e não por mar (20.3b).
D. A descrição dos ministérios de Paulo a caminho de Jerusalém destaca sua autoridade
apostólica e sua dedicação à orientação que recebera do Senhor (20.4 - 21.16).
1. Os companheiros de Paulo na viagem eram representantes de diversas igrejas regionais
[encarregados de levar o dinheiro das ofertas para os pobres da Judéia] (20.4-5).
2. O ministério de Paulo em Trôade revela seu poder apostólico e seu compromisso com a
edificação dos irmãos (20.6-13).
3. O ministério de Paulo aos presbíteros da igreja de Éfeso em Mileto revela sua filosofia de
ministério e sua preocupação com o bem-estar espiritual da igreja (20.14-35).
• Paulo convocou os presbíteros a Mileto para não correr o risco de demorar em Éfeso
(20.14-16).
• Ele recapitulou sua filosofia de ministério durante seu tempo em Éfeso (20.17-21).
• Ele reafirmou seu compromisso em fazer a vontade de Deus ao viajar para Jerusalém sob
a direção do Espírito Santo (20.22-24).
• Ele recordou a abrangência de seu ensino como a base para sua paz de espírito quanto ao
destino espiritual de seus ouvintes (20.25-27).
• Ele aconselhou os presbíteros a se apoiarem e ajudarem mutuamente e a protegerem a
igreja como pastores, à luz do surgimento futuro da heresia (20.28-31).
• Ele encomendou os presbíteros à graça de Deus com uma exortação a um ministério auto-
sustentado e sacrificial (20.32-35).
• A afetuosa despedida dos presbíteros a Paulo contrasta com as intenções assassinas dos
judeus (20.36-38).
4. O contato de Paulo com os crentes em Tiro revela uma vez mais seu compromisso para
com sua missão em Jerusalém a despeito dos conselhos dos irmãos para que a evitasse

5. O(21.1-6).
contato de Paulo com os crentes em Cesaréia confirma o ameaçador destino que o
esperava bem como sua submissão ao plano divino (21.7-14).
6. Paulo chega em segurança a Jerusalém (21.15-16).
E. O ministério de Paulo em Jerusalém oferece evidência de que ele (e os gentios crentes)
não deram a judeus ou romanos qualquer razão válida de acusação exceto sua
proclamação da ressurreição de Jesus Cristo (21.17 - 23.30).
1. O encontro com os presbíteros da igreja revela a disposição de Paulo a adotar práticas
judaicas não-essenciais à fé cristã para poder ministrar entre seu povo sem causar ofensa
(21.17-26).
2. O quase linchamento de Paulo no Templo foi causado por suposições errôneas e não
provadas, e executado com violência abusiva, da qual somente a intervenção romana o

3. Osalvou (21.27-36).
discurso de Paulo à turba judaica foi uma tentativa de defender sua lealdade a Israel e
sua obediência à revelação divina em sua missão aos gentios (21.37 - 22.21).
• Paulo recebe permissão de falar à multidão depois de corrigir a falsa impressão do tribuno
quanto à sua identidade (21.37-40).
• Paulo recorda sua antiga lealdade a Israel e ao judaísmo (22.1-5).
• Paulo recapitula sua experiência de conversão perante o povo para fazê-los entender sua
missão (22.6-16).
• Paulo recorda a determinação do Senhor de enviá-lo aos gentios apesar de seu desejo de
ministrar em Israel (22.17-21).
4. A defesa de Paulo diante da tentativa do tribuno de açoitá-lo para descobrir a causa do
furor da multidão é apelar para sua cidadania romana (22.22-29).
5. O comparecimento de Paulo diante do Sinédrio destaca a incapacidade judaica de lidar
com ele e com sua mensagem cristã (22.30 - 23.10).
• A agressão instigada pelo sumo sacerdote prova a atitude preconceituosa do Sinédrio
contra Paulo (22.30 - 23.5).
• O conflito interno do Sinédrio quanto ao assunto da proclamação de Paulo indica sua
incapacidade de julgar o caso (23.6-10).
6. A aparição do Senhor a Paulo assegura a ele que a custódia romana é o meio que Deus
usará para levá-lo como testemunha a Roma (23.11).
7. O plano judaico de assassinar Paulo é providencialmente exposto pelo sobrinho do
Apóstolo e impedido pelo tribuno romano ao transferir Paulo para a jurisdição do
governador (23.12-30).
• O plano judaico de assassinar Paulo é providencialmente exposto pelo sobrinho do
Apóstolo (23.12-22).
• O plano judaico de assassinar Paulo é impedido pelo tribuno ao transferir Paulo para a
jurisdição do governador (23.23-30).
F. Oolhos
tempo
daspassado
por Paulo
autoridades
sob custódia
seculares romanasimperial
em(23.31
e judaicas
Cesaréia vindica sua inocência aos
- 26.32).
1. O tamanho da escolta militar de Paulo revela a preocupação romana com a violência
judaica e a segurança de um cidadão romano (23.31-33).
2. Os procedimentos pré-julgamento do governador Félix revelam um tratamento justo do
caso (23.34-35).
3. O primeiro julgamento civil de Paulo põe em destaque a intensidade do ódio judaico,
evidente nas falsas acusações que ele facilmente refuta (24.1-21).
• As acusações apresentadas contra Paulo eram de perturbação, promoção de umareligio
illicita, e profanação do templo (24.1-9).
• A defesa de Paulo foi afirmar a natureza pacífica de sua visita, a relação não-contraditória
entre o cristianismo e o judaísmo, e a natureza adequada de sua conduta no templo
(24.10-19).
• A percepção de Paulo quanto à sua situação é que ela se deve ao fato de ele pregar a
ressurreição (24.20-21).
4. Uma demora no veredicto de Felix é causada pela natureza contraditória da evidência, o
que exigiu o testemunho do tribuno (24.22-23).
5. As razões egoístas de Felix para manter Paulo como prisioneiro dão ao Apóstolo uma
oportunidade de pregar o evangelho ao governador e sua esposa (24.24-26).
6. A conveniência política leva Felix a manter Paulo como prisioneiro de Roma por ocasião
de sua saída do cargo (24.27).
7. A inclinação pró-judaica de Festo no caso de Paulo convence o Apóstolo de que sua
única opção viável é apelar a César como cidadão romano (25.1-12).
• A disposição de Festo para levar o caso de volta para Jerusalém fica evidente em sua

• O consulta
julgamento prévia com por
dirigido os judeus (25.1-5).
Festo em Cesaréia repete a natureza inconclusa da audiência
anterior (25.6-9).
• A inclinação pró-judaica de Festo fica evidente em sua proposta de mudar o foro do
julgamento para Jerusalém (25.9-10).
• A decisão de Paulo de apelar para César é [alegremente] aceita por Festo (25.11-12).
8. O desejo de Festo de ter uma segunda opinião no caso de Paulo abre a oportunidade a
Paulo de proclamar o Evangelho ao rei Agripa II e seu séquito (25.13 - 26.29).
• Festo solicita a Agripa que ouça o caso de Paulo que parece estar fora do escopo da
jurisprudência romana (25.13-22).
• A audiência de Paulo perante Agripa assume uma natureza religiosa quando Paulo relata
sua conversão e proclama a ressurreição como cumprimento das esperanças judaicas
(25.23 - 26.29).
- Festo apresenta o prisioneiro ao seu régio juiz (25.23-27).
- Paulo dirige o tema do julgamento para a questão básica da ressurreição de Jesus como a
esperança de Israel (26.1-8).
- Paulo relata sua conversão para demonstrar que não nutria qualquer animosidade contra o
judaísmo ao dedicar-se à missão de alcançar os gentios (26.9-18).
- Paulo testifica que a proteção divina lhe permitiu estar ali e testificar da esperança de todo
o Israel, a ressurreição do Messias (26.19-23).
- A exclamação de espanto de Festo quanto ao compromisso de Paulo para com um
conceito aparentemente sem sentido oferece a Paulo a oportunidade de pôr em relevo a
questão da fé perante Agripa (26.24-29).
• A ironia do destino de Paulo é que a liberdade que ele merecia como homem inocente só
podia ser preservada se ele permanecesse como prisioneiro até que César o julgasse
(26.30-32).
G. Os eventos da viagem de Paulo a Roma revelam-no como vaso escolhido, cuja vida
Deus protegeu e cujo ministério entre os gentios Deus fez prosperar (27.1 - 28.10).
1. O primeiro estágio da viagem [de Cesaréia a Creta] transcorre sem problemas (27.1-8).
2. O segundo estágio da viagem destaca a posição de Paulo como um homem de Deus, cuja
vida Ele protege de modo a beneficiar aqueles que estão a seu redor (27.9 - 28.6).
• O conselho de Paulo quanto à continuação da viagem é ignorado (27.9-14).
• A condição de Paulo passa de prisioneiro a capelão, encorajando e motivando as pessoas a
bordo enquanto a tempestade lança o navio de um lado a outro do Mediterrâneo (27.13-
26).
• A condição de Paulo passa de capelão a comandante, determinando o que deveria ser feito
à medida que o naufrágio se torna inevitável (27.27-44).
• A condição de Paulo passa de humano a ―divino‖ à medida que Deus milagrosamente
poupa sua vida quando é mordido por uma víbora na praia depois do naufrágio (28.1-6).
3. Oministério
terceiro estágio
entre osdagentios
viagemEle
destaca a posição
faz prosperar de Paulo como o homem de Deus, cujo
(28.7-10).
H. A chegada de Paulo à Itália é saudada pelos discípulos, que encorajam o Apóstolo em
seu cárcere privado (28.11-16).
I. O ministério de Paulo aos judeus em Roma traz a um fim trágico a história nacional de
rejeição da mensagem do Reino, conforme profetizado na Escritura (28.17-28).
1. A disposição de Paulo em explicar sua situação aos líderes judaicos encontra eco em seu
interesse em ouvir sobre o cristianismo (28.17-22).
2. A proclamação paulina da mensagem do Reino com base nas Escrituras é rejeitada pelos
judeus como comunidade, tal como Isaías profetizara (28.23-27).
3. A rejeição nacional dos judeus, culminada em Roma, assinala que o foco primário do
ministério cristão dali em diante seriam os gentios (28.28-29).
J. Relatório nº 6 – O cristianismo é vindicado em Roma à medida que a mensagem do
Reino é livremente proclamada com aquiescência romana (28.30-31).
1. Paulo, o prisioneiro romano, recebia livremente aqueles que desejavam ouvi-lo (28.30).
2. A mensagem do Reino foi livremente pregada a despeito da condição de Paulo como
prisioneiro (28.31).
O argumento de
ROMANOS
Questões introdutórias
TÍTULO
A primeira e maior das epístolas de Paulo tem como seu títuloΠΡΟ΢ ΡΩΜΑΙΟΤ΢ ,
derivado do nomen patrium dos destinatários. Embora o título não seja parte do texto
srcinal, sua ampla atestação prova o verdadeiro destino da carta.115
AUTORIA
Romanos é uma das cartas paulinas mais amplamente aceitas, especificamente por
causa da grande similaridade de conteúdo entre ela, Gálatas e 1Coríntios (i.e.,
justificação pela fé [Rm 3.20-22 e Gl 2.16] e a distribuição individual dos dons no
Corpo [Rm 12 e 1Co 12]), as quais são indiscutivelmente paulinas.
O testemunho da tradição, as várias referências pessoais na própria carta (1.10-13;
11.1; 15.15-27; 16.3), e a aceitação virtualmente universal por parte dos estudiosos
críticos, todos sugerem que Paulo foi o autor de Romanos.
Tércio, o amanuense de Paulo, tem o privilégio de ser o único amanuense conhecido
por
DATAnome em todo o Novo Testamento.
E OCASIÃO
Ao admitir-se a integridade da epístola (em particular dos capítulos 15 e 16), a data
de Romanos pode ser estabelecida como a.D. 57, escrita de Corinto, durante a terceira
viagem missionária de Paulo.
As seguintes indicações textuais sugerem esse fato: (a) a arrecadação para os santos
pobres da Judéia havia sido concluída (15.22ss.); (2) Febe, que vivia e servia em
Cencréia, foi recomendada à igreja em Roma, o que reforça a idéia de que a carta foi
escrita da Acaia (16.1-2); (3) as saudações de Gaio e Erasto, ambos mencionados em
relação a Corinto [1Co 1.14 e 2Tm 4.20, respectivamente] apontam para Corinto como
o lugar de srcem (16.23).
A ocasião da carta não é completamente clara, uma vez que deveria estar de acordo
com os planos de Paulo e com a constituição básica da igreja romana na época.
Ao final
o Ilírico de sua
(15.19), terceira viagem,
a intenção de Paulodepois de ter
era ir para proclamado
Jerusalém paraacumprir
Palavraseus
de Jerusalém até
planos para
a arrecadação e dali para a Espanha (15.28). Embora uma visita a Roma não fosse de
maneira nenhuma um imprevisto, somente em Jerusalém Paulo obteve a confirmação de
que Deus o queria na capital do Império como uma testemunha,ήξπμ kērux ―arauto‖
(Atos 23.11). Paulo queria compartilhar com a igreja algum dom espiritual (1.11), e isto
pode refletir sua preocupação com um entendimento adequado do Evangelho e suas
implicações, tanto teológicas quanto práticas. O fato de ele desejar estar e ministrar ali,
onde a igreja já existia, indica que a(s) igreja(s) de Roma não havia(m) sido fundada(s)
por um Apóstolo.
Presumindo, à luz de um número razoável de indicações textuais (1.5; 1.12-14; 6.19;
11.13 – gentios; caps. 14-15 - judeus), uma congregação mista de maioria gentílica,
parece que uma das razões para a carta foi uma definição clara do Evangelho e uma

115
A ausência das palavras ἐλ Ρώκῃ em algumas testemunhas (G, it g, Orígenes), além da
posição diferente da doxologia de 16.25-27 em p 46 (fim do capítulo 15), levou T. W. Manson e
alguns outros estudiosos a propor que nossa versão atual era uma cópia de “Efésios” que
incorporava alguns nomes de pessoas que moravam em Éfeso. Essa teoria embora engenhosa,
não recebeu muito apoio.
compreensão do papel de Israel no plano de Deus para o presente e o futuro a partir da
pena de um Apóstolo. Uma vez que Roma estava dentro de sua jurisdição, Paulo sentia
que escrever para eles era sua obrigação como Apóstolo.
Além do mais, é possível que Paulo quisesse que Roma se tornasse sua base de
operações no oeste, tal como Antioquia o fora no leste, e isso exigia um conhecimento
maior de sua ―filosofia‖ e do Evangelho que ele pregava.
Portanto, uma combinação de fatores pessoais e ministeriais serviu como motivação
para escrever Romanos. Argumento básico
PROPÓSITO
Intenções ministeriais, apologéticas e pastorais são combinadas em Romanos para
fornecer o propósito geral da carta.
Em termos de ministério, Paulo queria que a(s) igreja(s) romana(s) se envolvesse(m)
116
com o apoio financeiro e espiritual à sua planejada viagem missionária à Espanha.
Em termos de apologia, a carta fornece uma certa teodicéia ao apresentar o plano de
redenção de toda humanidade, e a realidade de que Israel ainda tinha um lugar nesse
plano, a despeito de sua rejeição obstinada de Jesus como Messias e de sua subseqüente
remoção do fluxo central da obra redentora de Deus.
Como pastor, Paulo tenta abafar as primeiras chamas de disputa e divisão entre os
judeus e gentios
50) ainda emmemória
era uma Roma. Arecente,
expulsão dos judeus, seria
e certamente ordenada por Cláudio
lembrada, (a.D.
de modo que49tensões
ou
em ebulição abaixo da superfície na sociedade romana poderiam facilmente encontrar
espaço de manifestação na igreja. Portanto, ao expor a terrível necessidade dos judeus e
gentios, e a graça transformadora de Cristo, igualmente disponível a ambos, Seu
chamado irrevogável de Israel, e a responsabilidade mútua dos cristãos, tanto judeus
quanto gentios, de viver buscando o benefício dos outros, Paulo buscava reconciliar
aqueles que comiam e aqueles que não comiam c(f. caps. 14-15).
O propósito da epístola aos Romanos pode ser assim expresso:
Encorajar os crentes de Roma a partilhar em sua compreensão e ministério do
Evangelho como o meio gracioso e eficaz de Deus para satisfazer as necessidades
morais dos homens diante dEle e suas necessidades relacionais entre si mesmos.
DESENVOLVIMENTO
A introdução da carta (1.1-17) serve para determinar o direito de Paulo de ministrar
aos romanos, por carta no momento e pessoalmente no futuro. É seu chamado como
Apóstolo de Jesus Cristo que o motiva a partilhar suas perspectivas espirituais acerca do
Evangelho, o qual proclama a dádiva da justiça de Deus, recebida por meio da fé em
Jesus, o Filho encarnado de Deus.
Em sua saudação (1.1-7), Paulo declara sua comissão para pregar o Evangelho de
Jesus Cristo entre os gentios, como meio de estabelecer suas credenciais para pregar em
Roma e para apresentar sua preocupação com os santos de lá. Os versículos seguintes
(1.8-15) contêm sua expressão comum de interesse por seus destinatários, seu
conhecimento de suas virtudes e sua intercessão por eles. A intercessão de Paulo e sua
esperança de ministrar entre os romanos eram parte de seu sentimento intenso de dívida
(1.14) pela bênção do Evangelho em sua própria vida.

116
A Espanha era, àquela época, o local favorito da nobreza romana e da hierarquia militar
reformada. Portanto, Paulo estava provavelmente querendo atingir um segmento da
população romana que ainda tinha importância estratégica para o progresso do Evangelho.
Alguns dos últimos imperadores vieram da Espanha, o que mostra a perspicácia missionária do
Apóstolo Paulo.
A introdução (1.16-17) contém a declaração de que o Evangelho era o poder
sobrenatural de Deus em oferecer [imputar] a justiça por meio da fé. Paulo inicia e
encerra a introdução (1.1-16) com a palavra ―Evangelho‖, enfatizando, portanto, sua
centralidade na carta.
A segunda divisão maior (1.8 - 3.20) na carta é um exemplo clássico na psicologia,
uma vez que nela o Apóstolo intensifica o desejo dos leitores de participar do seu
conhecimento acerca do Evangelho ao descrever a necessidade universal do homem
pela
de suajustiça divina
rejeição alcançada
intencional depela fé.conforme
Deus, Os gentiosrevelado
são justamente condenados
na Criação, por causada
com o resultado
queda na direção da idolatria e imoralidade, sendo punidos junto com aquilo que eles
escolheram por causa de seu estilo de vida (1.18-32). O moralista gentio também é
condenado porque, a despeito de ter uma consciência que o alerta da violação da
vontade de Deus, ele não consegue viver à altura desses padrões (2.1-16). Os judeus, a
despeito de suas vantagens evidentes como um povo da Lei e da circuncisão, também
estavam sob condenação por desobedecer à primeira e confiar falsamente na última
(2.17 - 3.8).
A seção é resumida com a merecida condenação do mundo inteiro, já que, de acordo
com as Escrituras, a humanidade tornou-se totalmente corrupta, e os gentios, assim
como os judeus, estão sob a condenação decretada pela Lei; os judeus pecando ―sob a
lei‖ com pleno conhecimento dela, e os gentios tornando-se culpados diante de Deus em
virtude de suaseção,
Na última inclinação
Paulonatural
prova(3.9-20).
a completa depravação da humanidade. Isso não
significa que todos os homens são tão maus quanto podem ser, embora alguns o sejam,
mas que todos os homens são indignos ou não merecedores da aprovação de Deus. O
homem não possui mérito diante de um Deus justo, e essa depravação é total porque
afeta todos os aspectos do ser humano e cada membro da raça humana.
Nesta seção (3.21-5.21), em contraste, Paulo declara, que há uma base para aceitação
diante de Deus e para o recebimento de Sua justiça (imputação); estas são recebidas pela
fé, sem qualquer esforço ou mérito humanos, já que foram fornecidos por Deus por
meio da morte sacrificial de Jesus Cristo. Esse meio exclusivamente divino de salvação
pode ser encontrado já nas páginas do Antigo Testamento e está disponível para todos
os homens.
No restante do capítulo 3, Paulo explica o processo divino de justificação (3.21-31).
Sua apresentação
sendo recebida porindica
todosque é independente
aqueles que crêem da Lei e, noSua
(3.21-23). entanto, é atestada
provisão pornaela,
baseia-se graça
por meio da redenção de Cristo, que é apropriada pela fé para a justificação de Deus
(3.24-26). Suas proposições são de que: (1) a fé não deixa espaço para a vanglória
humana; e (2) a fé, ao mesmo tempo, valida a Lei (3.27-31).
A seguir Paulo ilustra a justificação pela fé a partir da vida de Abraão e das palavras
de Davi (4.1-25), extraindo seus argumentos de textos anteriores e posteriores ao
recebimento da Lei, para indicar a validade eterna do princípio de fé para a justificação.
A seção final desta divisão relaciona a fé/certeza da justificação com as provações
associadas à vida cristã. Ao argumentar duas vezes do menor para o maior,νιιῶ (
κᾶιινλ pollō mallon, 5.9-10), Paulo testifica que aqueles a quem Deus reconciliou
consigo mesmo, Ele também irá proteger e abençoar com uma perseverança
sobrenatural (ὑνκνλή uhpomonē ) e um caráter fornecido por Cristo (5.1-11).
Depois de
apresentar suademonstrar
necessidadea certeza da justificação
e aplicabilidade pela(5.12-21),
universal fé, o passoo seguinte de ao
que ele faz Paulo é
estabelecer o contraste entre Adão e Cristo, e o destino do homem sob a tutela dessas
duas pessoas representativas da raça humana. O pecado entrou no mundo, e a morte
com ele, por meio da justa punição de um ato de transgressão, cujos resultados foram
transmitidos para as gerações seguintes daqueles que estavam em Adão. Em contraste,
diz Paulo, não por obras ou mérito, a vida foi dada de graça para aqueles que estão em
Cristo.117 Deve-se observar atentamente, aqui, que a mesma palavraνιινί polloi se
refere a dois grupos diferentes de pessoas, duas humanidades, por assim dizer.
A quarta divisão principal lida extensamente com a espinhosa questão de como a
justiça imputada se torna justiça prática na vida de um crente (6.1 - 8.39). A
preocupação imediata de Paulo era uma possível acusação de antinomismo (6.1), que
ele refuta veementemente. Seu argumento contra isso é de que o crente está agora morto
para o controle do pecado em virtude de sua co-crucificação, uma doutrina fundamental
no pensamento
ressurreição Cristo (clibertou
compaulino f. Ef 4.17-24; Gl 2.20;
os crentes Cl 3.1-11).
da sua O fato
escravidão é queao
adâmica a morte e
pecado.
Portanto, ὁ αιαόο ἡκ῵λ ἄλξσνο ζπλεζηαπξώ [ho palaios hēmōn anthrōpos
sunestaurōthē, ―o nosso velho homem foi co-cruficado‖] aponta não para a
autocrucificação diária, mas para um momento definitivo em que o controle de Adão
sobre ele foi cancelado, e uma nova união tomou posse, permitindo ao homem dizer
―não‖ ao pecado e viver uma nova vida de obediência a Deus (6.12 -14), desde que ele
continuamente se considere (ινγίνκα, logizomai) morto. Essa ―consideração‖ não
produz união com Cristo em Sua morte, mas torna tal união uma realidade viva na vida
do crente.118 Portanto, a graça não é um incentivo para o pecado (6.15), já que o tipo de
escravidão que alguém escolhe revela o seu mestre (6.16-20) e seu destino (6.21-23).
No capítulo sete, Paulo questiona a possibilidade da Lei servir como um auxílio para
tirar alguém do domínio do pecado em sua vida (7.1-25). Sua resposta é um sonoro
NÃO, nãouma
Lei como porque a Lei
regra paraseja má(7.1-6);
a vida ou imperfeita, masnão
e (2) a Lei porque: (1) o crente
foi planejada paramorreu
reprimirpara
o a
pecado, apenas para destacá-lo (7.7-25). Sua própria tentativa de viver em justiça ao
guardar a Lei é oferecida como exemplo de como o pecado humano impede que a Lei
realize aquilo que, desde o início, não tinha o propósito de alcançar... (7.7-13). A
questão freqüentemente levantada de se Paulo aqui está descrevendo uma pessoa salva
ou não salva deve ser respondida com a primeira opção, por causa: (1) do uso do tempo
presente; (2) da posição desta seção na carta, bem no meio da seção de santificação; (3)
da descrição de seu eterno conflito entre desejar a vontade de Deus e descobrir sua
incapacidade em fazê-la, em contraste com a rebelião da pessoa não-salva contra Deus
(cf. Rm 8.7); (4) da natureza representativa de sua luta, facilmente verificável na
experiência cristã; (5) da estreita conexão entre essa seção e o final do capítulo, onde
Paulo claramente se identifica como cristão.
A cena de conflito
relacionamento no capítulo
de submissão 7 leva ao
do crente à cena de triunfo
Espírito Santo no capítulo
garante 8, à medida
a vitória na vidaque o
cristã,
a despeito das provações que ela apresenta.
Portanto, a vida em submissão ao Espírito traz liberdade da possibilidade sempre
presente de controle pela natureza humana pecaminosa (8.1-11), não com base na Lei,
mas na morte de Cristo como um sacrifício pelo pecado. Além disso, a vida em
submissão ao Espírito produz segurança e regozijo de filiação (8.12-17), estabilidade e
expectativa de glória futura em meio às provações do presente (8.18-25), e garante o
auxílio do trino Deus cujo plano é levar os cristãos à semelhança de Cristo nesta vida e
à glorificação na vida seguinte, com alegria triunfante sobre as provações que são

117
A frase “todos pecaram” em 5.12 pode apontar para um conceito seminal de que todos
os homens estavam presentes em Adão e pecaram com ele (cf. Hb 7.9-10) já que eles estavam
potencialmente nele. Outra idéia possível é a de que a culpa de Adão foi imputada a todos os
seus descendentes. Uma terceira idéia é a de que o versículo descreve atos reais de pecado, e
que o aoristo ἥκαξηνλ (hēmarton) é proléptico, vendo toda a história humana da perspectiva
do dia final de juízo divino.
118
Everett F. Harrison, “Romans”, EBC 10:71.
produzidas pelo discipulado cristão, e sobre as vicissitudes da existência humana (8.26-
39).
Depois de afirmar e provar a necessidade que o homem tem de uma justiça
divinamente imputada, demonstrar como o homem se apropria dela, e que tipo de efeito
deve ter na vida de um crente, Paulo precisa lidar com uma possível objeção de seus
ouvintes gentios, qual seja, que tal plano grandioso deveria ter funcionado para Israel,
que tinha tamanhos privilégios (cf. 1.16; 3.1ss.). Se o Evangelho era o poder de Deus
para a salvação
da rejeição primeiro
obstinada dos judeus,
de Israel teriaJesus
para com sido como
o plano
seuum completo
Messias? Emfracasso
lugar depor
sercausa
um
apêndice, sem relação com o restante da epístola, esta longa passagem (caps. 9 - 11) lida
com e menciona muitos dos mesmos assuntos dos primeiros oito capítulos, como
ζσηξία [sōtēria, ―salvação‖], ζῴσ[sōzō, ―salvar‖], δανζύλ [dikaiosunē,
―justiça‖], ζηεύσ[pisteuō, ―crer‖], e ίζηο[pistis, ―fé‖]. Harrison diz que existe uma
―conexão com o fim do capítulo 8; a eleição, que é tratada de forma individual em 8.28 -
30, 33, é agora vista a partir da perspectiva nacional de Israel. A adoção é um elemento
comum a ambas as porções (8.15; 9.4), bem como o conceito de ‗chamar‘ ou ‗chamado‘
(8.20-30; 5 vezes no cap. 9)‖.119
A idéia de Paulo neste segmento maior é de que Deus é justo ao rejeitar Israel no
presente, já que a nação escolhida rejeitou a oferta da justiça pela fé. Nenhuma das duas
rejeições, entretanto, é final ou completa, para que Israel perceba o propósito divino
paraEm
ele,9.1-29,
pelo qual Deus
Paulo deveque
mostra ser adorado (9.1-11.36).
o fracasso de Israel não invalida a promessa de Deus
nem nega a Sua justiça. Seu profundo lamento por Israel indica que foi culpa da nação,
e não de Deus, que seu excepcional conjunto de privilégios tenha sido desperdiçado
(9.1-5).
A suposta inconsistência entre a promessa e a realidade não é válida porque: (1) nem
todos os israelitas por descendência física são verdadeiramente israelitas (9.6-9); e (2) o
programa de Deus sempre foi a seleção de alguns, mas não de todos (9.10-13).
A suposta inconsistência entre justiça e rejeição não é válida porque: (1) Ele é
soberano ao dispensar misericórdia, conforme ilustrado no caso de Faraó (9.14-18); (2)
Ele é paciente com aqueles que se rebelam, mas não irá tolerar o questionamento
arrogante de Sua soberania, uma vez que Seu propósito é manifestar a Sua glória (9.19-
24). As palavras dos profetas do Antigo Testamento comprovam as declarações de
Paulo, já que
preservara a misericórdia
alguns divina
em Israel que tinha dispostos
estavam sido estendida aos gentios
a receber (9.25-26)
a Sua graça e 120
(9.27-29).
Cranfield, que não é amigo do dispensacionalismo, é bastante enfático ao afirmar que a
Igreja não tomou o lugar de Israel, e bate no próprio peito para reforçar a idéia. Ele diz:
―Eu confesso com vergonha que em mais de uma ocasião usei na página impressa essa
linguagem da substituição de Israel pela Igreja‖.121

119
Harrison, “Romans”, EBC 10:201.
120
Esta passagem não indica que a Igreja é um novo Israel. Paulo usa a promessa de Oséias
de restauração final para Israel e a aplica ao novo status dos gentios como um povo pactual de
Deus. Israel, por sua idolatria, tinha cortado sua aliança com Yahweh; Sua promessa de
restauração da aliança para Israel no futuro ainda será cumprida, independente do enxerto
dos gentios nas bênçãos da aliança. A ausência de uma fórmula introdutória de citação é uma
indicação de que Paulo está usando Oséias como uma ilustração, não como uma predição já
cumprida. Igualmente, a omissão da primeira parte de Oséias 1.10 indica uma distinção entre
os objetos da aplicação de Paulo e os destinatários da promessa de Oséias.
121
C. B. E. Cranfield, Romans, ICC New Series, 2:448.
O próximo passo de Paulo é demonstrar que o fracasso de Israel não pode ser
atribuído a nenhuma falha inerente ao Evangelho, ou injustiça em Deus, mas à tentativa
culpável dos judeus de obter mérito com Deus por meio de obras de justiça humana, e
não pela fé (9.30 - 10.21). A tragédia de tal fracasso é que Cristo, o Messias, a quem
eles rejeitaram em favor de sua tradição, era oηέινο ηνῦ λόκνπ (telos tou nomou, ―o
fim da lei‖, cf. Mt 5.17), que, por causa da incredulidade deles, tornou-se uma pedra de
tropeço para Israel (9.30 - 10.4). A tragédia era combinada ao fato de que a oferta divina
de
masjustiça
ainda estava
mais nadisponível e reconhecível
proclamação não que
do Evangelho, apenas no rejeitara
Israel Antigo Testamento (10.5-13),
tão obstinadamente
(10.14-21). A triste condição de Israel é que eles tinham zelo por Deus sem a submissão
ao Messias (isso é ἐγλώζο, epignōsis, ―entendimento‖, 10.1), eles tinham a
consciência da verdade sem obedecê-la (10.18-21).
Além disso, em sua tentativa de motivar os romanos a valorizarem o plano de Deus e
acompanhá-lo em seus esforços para alcançar os judeus e gregos, Paulo mostra que o
fracasso de Israel não é completo nem final (11.1-36). A história prova que a rejeição de
Israel não é final. Recentemente, o próprio exemplo de Paulo garante esse fato; mais
distante disso, o remanescente da época de Elias prova isso, e a oposição a Davi
confirma isso (11.1-10).
A lógica prova que a rejeição de Israel não é final. Já que sua queda significou a
extensão da bênção a todos, as realidades da restauração definitiva do mundo e as
promessas da restauração
presume a certeza de IsraeldoseAntigo
das promessas sustentam mutuamente.
Testamento Parece que
de restauração deaqui Paulo
Israel, e as
utiliza para o benefício de seus leitores gentios (11.13), menos familiarizados com tais
assuntos (11.11-15). Seu argumento baseia-se na realidade do relacionamento de Deus
com os patriarcas e das Suas promessas feitas a eles, os destinatários da Aliança
Abraâmica, que são descritos como ἀαξρή [aparchē, ―primícias‖] e ῥία[riza, ―raiz‖],
duas figuras que sugerem a continuidade dos propósitos divinos de salvação.
Começando pelo versículo 17, Paulo fornece uma mudança prática em seu
argumento ao sugerir que aqueles que são beneficiados com o fracasso de Israel não
devem presumir serem superiores a eles, ou então estariam caindo no mesmo erro de
basear sua posição no mérito humano, já que tudo é fruto da graça e é apropriado pela
graça (11.17-24). Esta passagem muito possivelmente reflete oSitz im Leben da
epístola. As promessas de restauração no Antigo Testamento são um impedimento
contra
daquelao era
orgulho dos gentios,
escatológica, pois o verdadeiro
irá desfrutar as bênçãosIsrael de Deus, do
irrevogáveis o remanescente fiel de
chamado pactual
Deus para com Israel (11.27, 29). Assim, Paulo chega ao ponto em que estava em 3.9,
todos estão debaixo de pecado, mas todos têm a misericórdia divina estendida a eles, e
disponível a todos por meio da fé.
Tal sabedoria, que permite que a bênção universal flua a partir da rejeição nacional, e
ainda garante a recuperação definitiva de Israel, é motivo de louvor. O homem não tem
qualquer reivindicação para com Deus e não pode, sozinho, entender Seu plano ou
perceber o Seu propósito. Deus é o início, o meio e o fim de toda a história, e portanto é
digno de todo louvor.
Quando se chega ao capítulo 12, a transição comum de indicativos a imperativos
mostra que Paulo mudou dos ―o quê‖ e ―porquê‖ para os ―e daí?‖ de sua epístola. Em
sua tentativa de motivar os romanos a participar de seu ministério, ele agora confronta
seus leitoresuma
do homem, comvez
a forma
aceitopela
porqual
ele.oTrata
Evangelho
aqui dairáprática
suprirda
as justiça
necessidades relacionais
de Deus (12.1 -
15.13) como um servo dentro do corpo (12), como um cidadão em seu país (13), e como
um irmão na comunidade cristã (14.1 - 15.13).
―A idéia principal que transita por toda a seção parece ser a de uma paz e unidade
para a Igreja em todos os seus relacionamentos, tanto internos quanto externos.‖122
Paulo começa com o compromisso individual com Deus (12.1-2), muda para o
compromisso mútuo com o corpo por meio dos dons (12.3-8) e por atos de amor (12.9-
21). Depois ele relaciona a obrigação social dos crentes para com o governo
estabelecido (13.1-7), e as responsabilidades morais do amor para com todos os homens
e da pureza perante Deus (13.8-14). Ele finalmente aborda questões delicadas de
relacionamento
a liberdade cristãentre
(14.1irmãos de concluindo
- 15.8), diferentes níveis de maturidade
suas aplicações cristã
práticas come sua relação
louvor com
a Deus,
em quem a nossa esperança, alegria e paz são encontradas (15.9-13).
À luz do plano inigualável de Deus de conceder misericórdia para os redimidos, os
crentes devem tornar sua vida totalmente consagrada a Jesus e estabelecer o ritmo de
sua vida espiritual por meio da constante recusa de ser dominado pelos padrões de
comportamento dirigidos pela carne (12.1-2).123
Em lugar da autovalorização, o crente justificado deve praticar a auto-avaliação de
acordo com os talentos que recebeu para o serviço do corpo (12.3-8). Os diversos dons
fornecem a multiplicidade que, embora essencial para o funcionamento apropriado do
corpo, também permite a comparação e a competição (como em Corinto). O ideal de
Paulo é que o corpo funcione em cooperação.
A lista de dons é mais curta do que a de 1Coríntios 12.8-10 e apresenta algumas
diferenças. Não há ―dons
dos dons relacionados aode sinais‖estão
serviço apresentados em Romanos
ausentes em 1Coríntios12.6 -8, enquanto
12.8-10, mas sãoalguns
mencionados na lista das pessoas dotadas de dons no final daquele capítulo. Parece
haver uma conexão entre os dons de ensino e exortação em Romanos 12 e aqueles de
palavra de sabedoria e palavra de conhecimento em 1Coríntios 12.

Dons Requisito Descrição


Profecia Capacidade de falar em nome de
De acordo com sua fé10.
(ξνθηεία) Deus e revelar Sua vontade.
Serviço Capacidade sobrenatural de se dar
[Que ele] sirva.
(δανλία) para ajudar aos outros.
Capacidade de descobrir e
Ensino [Que ele] ensine. transmitir a verdade de forma
(δδαζαιία) convincente.
Encorajamento Capacidade de confortar e motivar
[Que ele] dê animo.
(αξάιζζ) outros para Cristo.
Contribuição Com sinceridade, Capacidade sobrenatural de
generosidade, sem levantar e doar bens materiais para
122
W. Sanday e A. Headlam, A Critical and Exegetical Commentary on the Epistle to the
Romans, ICC, p. 351.
123
O uso do verbo αξααιέσ parakaleō tem sido debatido com respeito à força relativa do
significado tencionado por Paulo. Alguns comentaristas preferem um sentido mais forte de
“ordeno, mando”, enquanto outros sugerem um significado mais brando, tal como “suplico,
peço”. Não há dúvida de que Paulo poderia fazer uso de sua autoridade apostólica quando
havia necessidade disso. Aqui, entretanto, parece que ele está apelando mais à boa vontade
dos romanos do que à sua obediência por constrangimento exterior, isto é, ele não está
lançando mão de seu status como Apóstolo, mas persuadindo gentilmente estas pessoas que
ele quer recrutar como parceiros de ministério.
(κεηαδίδνκ) motivações ocultas. a obra do ministério.
Liderança Capacidade de coordenar esforços
Com diligência. e facilitar o trabalho de outras
(ξνίζηκ) pessoas no corpo.
Misericórdia Capacidade de perceber e
Com um sentimento de
preencher diversas necessidades
(ἔιενζ) alegria.
no corpo.
124
1. A LISTA DE DONS EM ROMANOS 12
Como era o caso em 1Coríntios, Paulo passa de uma descrição de dons variados para
a forma que tais capacidades, e o restante dos relacionamentos interpessoais e o corpo
deveriam ser exercitados, isto é, num espírito de amor e auto-entrega (12.9-21). Morris
aponta para o fato de que Paulo faz o mesmo em Gálatas, e descreve essa passagem
como ―um soletrar do significado do amor‖.125
A lista de virtudes a serem praticadas inclui amor fraternal, respeito mútuo, zelo
espiritual, alegria, perseverança, fidelidade na oração, generosidade, compaixão cristã,
humildade, tolerância, e bondade. Esta passagem é mais uma das descrições por itens do
que o amor ἀγά significa, a busca ativa do bem maior da outra pessoa.
As obrigações do cristão como cidadão são citadas em 13.1-7. Ele deve se submeter
às autoridades à luz do completo controle de Deus sobre elas, e deve pagar tributo e
respeito, não apenas para evitar a punição, mas também por causa de sua própria
consciência diante de Deus (13.5).
À medida que o cristão vive em meio a uma sociedade caída, e à luz da proximidade
do dia da redenção, ele deve considerar-se um devedor do amor a todas as pessoascf(.
1.9, onde o termo νθειέηο [opheiletēs, ―devedor‖] derivado do verbo utilizado aqui,
aparece). O amor satisfaz a lei e resulta num estilo de vida de pureza à medida que as
obras da carne são colocadas de lado ἀ( νηίκ, apotithēmi) e o caráter de Cristo é
assimilado com regularidade (cf. ἐλδπζώκεα, endusōmetha, ―revistamo-nos‖, 13.12 e
ἐλδύζαζε, endusasthe―revistam-se‖ 13.14).126
Como irmãos numa comunidade cristã, os romanos são exortados, então, a praticar a
aceitação e encorajamento mútuos (seguindo o exemplo de Cristo) em áreas de
liberdade cristã e questões sensíveis relacionadas à cultura e raça (14.1-15.13). O
argumento
Roma eram,deemPaulo é que asindiferentes.
si mesmas, diferenças que estavam
Portanto, ameaçando
aqueles a unidade
que tinham da igreja de
assimilado
firmemente o conceito da liberdade cristã não iriam desprezar os escrúpulos daqueles
que continuavam achando que era uma ofensa comer certos tipos de comida e não
observar certos dias (14.1-5). Sua preocupação deveria ser, entretanto, agradar a Cristo,
que é Senhor de tudo e diante de Quem teremos que prestar contas (14.6-12). O
chamado irmão ―mais fraco‖ não deveria julgar aquele que goza de sua liberdade

124
A expressão aqui utilizada, ἀλαινγία ηῆο ίζηεσο, também tem sido interpretada com o
significado de “a medida de sua fé” (NVI) ou “o padrão de (que é a) fé cristã”. Leon Morris, em
The Epistle to the Romans, pp. 440-441, prefere a segunda, e alega que a base bíblica para isso
se acha em 1Coríntios 14.29. Isso forneceria alguma medida de controle objetivo sobre os
excessos carismáticos, não desconhecidos no cristianismo do primeiro século
125
Morris, Romans, p. 443
126 12
A semelhança dos temas entre esta passagem e Romanos 6, Efésios 4 e Colossenses 3 é
um fator para a determinação de uma autoria comum para essas epístolas.
cristã;127 o irmão ―mais forte‖, por outro lado, deveria valorizar mais o bem estar
espiritual de seu irmão do que o exercício de sua liberdade, pois o estar no Reino não é
determinado nem pelo desfrute nem pela abstinência. Uma convicção pessoal firme e a
honestidade diante de Deus em fé, por outro lado, são mandamentos universais (14.13-
23).
Aceitar pessoas com opiniões diferentes sem desprezá-
Aceitação
las ou julgá-las.
Possuir uma opinião pessoal definida e viver por dela,
Honestidade porque a oscilação revela falta de interesse pelo caráter
e vontade de Deus.
Lembrar que nossa lealdade última e nossa prestação
Prestação de contas de contas definitiva são para com o Senhor no Seu
βῆκα bēma, ―trono de juízo‖.
Embora o cristão seja liberto pela graça, ele é
Paradoxo constrangido pelo amor.
As preferências pessoais não-essenciais deveriam ser
Paz sacrificadas no altar da paz.
Os direitos pessoais de uma pessoa deveriam ser
Entrega de direitos entregues para promover a edificação de seu irmão.
Seguir o exemplo de Cristo, de aceitar a todos e servir a
Imitação todos.
2. PRINCÍPIOS DE LIBERDADE CRISTÃ EM ROMANOS 14-15
O apelo final de Paulo é para o exemplo de Cristo, cuja maior preocupação não era
Sua própria pessoa ou bem-estar, mas as outras pessoas (15.1-7). O principal critério é
buscar aquilo que trará o bem maior de nosso próximo (15.2), sua edificação espiritual.
O resumo da exortação de Paulo é encontrado em 15.5-7, num apelo que combina
esperança cristã, unidade e obediência, como meios para a glória de Deus e de Jesus.
Em 15.8-13, a universalidade da missão de Cristo é citada como um argumento final
para a unidade. Sendo ambos beneficiários da obra salvífica do Messias, profetizada
pelo legislador,
louvor pelolhes
a Deus, que profeta
dá paze epelo salmista,
alegria gentios
por meio e judeus deveriam unir-se em
da esperança.
Ao contrário da opinião de Sanday e Headlam, este escritor não crê que a essência da
epístola tenha se esgotado neste ponto.128 Esta seção final contribui com o propósito de
Paulo ao demonstrar seu genuíno interesse não apenas pelos romanos como indivíduos,
mas pela(s) igreja(s) de Roma como parte integral de seu plano de levar a mensagem do
Evangelho aos limites extremos de seu mundo de forma pioneira (15.14-21). Portanto,
seu desejo de visitar os romanos era parte de um plano maior que incluía a entrega da
oferta de amor dos gentios para os cristãos pobres na Judéia, um lembrete sutil da dívida
contraída por partilhar das bênçãos da salvação (15.22-33). Os cumprimentos finais
revelam a amplitude de sua familiaridade e a profundidade de sua preocupação com
pessoas cristãs em todos os lugares (16.1-16).
Seu coração pastoral se mostra novamente no final de sua epístola quando ele alerta
seus leitores contra os sempre ameaçadores judaizantes cf( . δνπιεύνπζλ … ηῇ ἑαπη῵λ
127
Uma clara distinção precisa ser feita entre essa pessoa e o legalista em Gálatas,
Colossenses e Filipenses 3, que claramente buscava impor a observância da tradição para
obter mérito diante de Deus, para a salvação ou para a santificação.
128
Sanday and Headlam, Romans, ICC, p. 403.
νιίᾳ; douleuousin tē heautōn koilia, ―servem o seu próprio ventre‖, e Fp 3.19), que
perseguiam Paulo na sua jornada em direção ao ocidente, e certamente gostariam muito
de tomar partido de qualquer divisão menor quanto ao assunto da observância da lei,
conforme apresentado nos capítulos 14 e 15. Sua esperança era de que, obedientes, os
romanos não seriam enganados pelo discurso vazio dos judaizantes, e de que Deus iria
destruir rapidamente tais instrumentos de Satanás (16.17-20).
A epístola se encerra com saudações aos cooperadores de Paulo (16.21-24) e com sua atribuição de glória ao sábio Deus que,
tendo revelado o Evangelho da graça a todo o mundo, também é capaz de estabelecer para sempre aqueles que o recebem (16.25-
27).129

ESBOÇO SINTÉTICO
Mensagem
O Evangelho de Cristo estabelece graciosa e eficazmente judeus e gentios em
justiça diante de Deus e num viver sadio entre si depois de satisfazer, por meio da
fé, suas necessidades morais perante Deus.
I. Introdução. A comissão de Paulo como Apóstolo de Jesus, o Messias, o motiva a usar
seus dons para fortalecer a igreja em Roma com uma explicação detalhada do
Evangelho, por meio do qual o dom divino da justiça é revelado e recebido pela fé no
Filho de Deus encarnado (1.1-17).
A. A comissão de Paulo para pregar o Evangelho entre os gentios serve como uma
credencial para validar seu esperado ministério em Roma (1.1-7).
B. Um sentimento de Paulo de dívida para com toda a humanidade é acompulsão para seus
planos de partilhar seus dons com os romanos para estabelecê-los (1.8-15).
C. A confiança de Paulo no poder do Evangelho para dar salvação por meio da fé pela
imputação da justiça divina lhe dácoragem para proclamá-lo a judeus e gentios (1.16-
17).
II. O Evangelho satisfaz as necessidades morais dos homens diante de Deus (1.18 - 8.39).
A. A necessidade moral dos homens é de justiça diante de Deus, sob cujo julgamento todos
eles são culpados (1.18 - 3.20).
1. O gentio pagão é justamente condenado a sofrer horríveis efeitos morais por ter rejeitado
deliberadamente a revelação divina na natureza (1.18-32).
• A ira evidente de Deus é justificada por causa da ignorância obstinada de Seus atributos
revelados (1.18-20).
• A rejeição do conhecimento de Deus levou os homens a um estado de vazio intelectual e
escuridão espiritual (1.21-23).
• A rejeição do conhecimento de Deus levou os homens à auto-degradação, quando Deus os
abandonou aos seus desejos ímpios (1.24-32).
• A punição de Deus serve para permitir que os homens sigam suas escolhas pecaminosas
com seus desfechos amargos (1.24).

129
O verbo grego ēō é de fundamental importância para o propósito e a
ζηξίσ stērizō

mensagem deste livro, uma vez que é também encontrado em 1.11 ( ζηξρῆλα
stērichtenai), formando assim um inclusio ao redor do qual a totalidade da carta está contida.
Paulo via claramente como sua responsabilidade apostólica a presença de uma igreja forte e
voltada para a causa missionária em Roma, por causa do papel estratégico da cidade na
evangelização do Ocidente.. Portanto, o verbo “estabelecer” aparece tanto no propósito
quanto na mensagem de Romanos, conforme proposto neste argumento.
• A rejeição da verdade levou à falsidade da idolatria (1.25).
• A idolatria levou a um uso não-natural e pecaminoso do corpo (1.26-27).
• A imoralidade corrompeu totalmente cada aspecto da vida humana (1.28-32).
2. O pagão moralista é justamente condenado por causa de seu fracasso em viver à altura
dos preceitos e sua consciência, dados por Deus (2.1-16).
• O juízo hipócrita que o moralista faz de seus iguais não o isenta do verdadeiro juízo de
Deus por sua rebelião e pecado (2.1-5).
• O juízo de Deus será baseado nas obras do homem, não em seus conceitos éticos (2.6-11).
- O juízo divino das obras humanas será individualizado (2.6).
- Deus irá determinar de forma justa o destino eterno de cada pessoa de acordo com o
caráter moral de sua vida (2.7-10).
- As pessoas com uma vida moral limpa receberão a vida eterna, independente de sua raça
(2.7, 10).
- As pessoas com uma vida corrupta receberão a condenação eterna, independente de sua
raça (2.8-9).
- A base do justo juízo de Deus é Sua imparcialidade (2.11).
• O juízo de Deus reflete o montante de revelação dado a cada pessoa (2.12-16).
- O tipo de revelação que alguém possui determina o critério de seu julgamento (2.12).
- Conhecimento é uma base inadequada de esperança aos olhos de Deus, já que Ele exige
obediência (2.13).
- A resposta do coração ao tipo de revelação recebida determina o resultado do julgamento
de alguém, independente de sua raça (2.14-16).
3. O judeu é justamente condenado por causa de sua confiança em aspectos religiosos
externos, que não são acompanhados por uma obediência de coração e por fé num Deus
que é justo (2.17 - 3.8).
• A confiança arrogante do judeu na posse da Lei não tem sentido, uma vez que não é
acompanhada pela obediência de coração aos seus princípios (2.17-24).
- Os privilégios que os judeus alegavam possuir estavam relacionados à Lei (2.17-20).
- A prática que os judeus demonstravam desonrou a Deus ao contradizer suas
reivindicações de um relacionamento especial com Ele (2.21-24).
• A confiança dos judeus na circuncisão não tem sentido, já que não é acompanhada pela
obediência de coração à Lei para a qual apontava (2.25-29).
- A coração
circuncisão equivale
à Lei, à incircuncisão
e vice-versa (2.25-27). se não for acompanhada pela obediência de
- A submissão do coração à lei de Deus, e não a circuncisão física, é o verdadeiro critério de
avaliação de um judeu (2.28-29).
• As objeções dos judeus às palavras de Paulo são rejeitadas por sua falta de coerência com
o plano e caráter de Deus (3.1-8).
- A objeção baseada na suposta falta de privilégio é negada por causa da realidade da
revelação de Deus a Israel (3.1-2).
- A objeção baseada na natureza automática da bênção de Deus a despeito do caráter de
Israel é negada porque Deus é fiel ao Seu justo caráter (3.3-4).
- A objeção baseada na necessidade do pecado para que a justiça possa sobressair é negada
porque um Deus transigente não estaria moralmente qualificado para julgar o mundo
(3.5-6).
- A porque
objeçãotalbaseada na glória
pensamento última
revela de Deus
o caráter por meio
distorcido do pecado
de quem do homem
a propõe é negada
e sua justa
condenação (3.7-8).
4. O mundo inteiro é justamente condenado porque todos estão debaixo de pecado,
conforme argumentado anteriormente e demonstrado pelas Escrituras (3.9-20).
• O judeu e o gentio, conforme argumentado anteriormente, estão sob a justa condenação de
Deus (3.9).
• As Escrituras provam a universalidade do pecado (3.10-12).
• As Escrituras provam que a depravação do homem é total (3.13-18).
- É evidente em suas palavras (3.13-14).
- É evidente em suas ações (3.15-17).
- É evidente em sua perspectiva (3.18).
• As tentativas humanas de superar a condenação guardando a Lei estão condenadas ao
fracasso, já que o seu propósito não é remover o pecado, mas revelá-lo (3.19-20).
B. O Evangelho satisfaz as necessidades morais dos homens por meio da imputação da
justiça de Cristo,
representativo da recebida pela(3.21
humanidade fé por- todos
5.21). os que crêem em Jesus, o novo cabeça
1. A justificação universalmente disponível de Deus é a concessão de uma posição perfeita
perante Deus com base na propiciação de Cristo, recebida pela fé de acordo com a lei
(3.21-31).
• A manifestação da justiça de Deus à parte da Lei está universalmente disponível para
aqueles que crêem (3.21-23).
• A base legal para a concessão divina de uma posição perfeita é a morte de Jesus Cristo,
que satisfez as exigências da justiça de Deus para todos os pecados do homem,
permitindo-Lhe executar justiça e, ao mesmo tempo, justificar (3.24-26).
• A livre concessão da justiça de Deus pela fé aos judeus e gentios elimina a vanglória
humana e comprova a Lei (3.27-31).
2. Odeprincípio de que a justificação ocorre pela fé de acordo com a Lei é ilustrado na vida
Abraão (4.1-25).
• O testemunho das Escrituras acerca da justificação aponta para a fé, não para as obras,
como o meio de recebê-la (4.1-8).
- O testemunho das Escrituras acerca de Abraão é de que ele foi justificado por meio da fé
(4.1-3).
- A verdade sobre trabalho e recompensas na vida real é contrastada com a dádiva do
perdão de Deus por meio da fé (4.4-5).
- As palavras de Davi confirmam a tese de Paulo de que o perdão é um presente de Deus
(4.6-8).
• O testemunho das Escrituras acerca da justificação é de que ela já estava disponível pela
fé antes que a circuncisão fosse instituída, para que todos pudessem desfrutar dela (4.9-
12).
- Abraão foi justificado pela fé antes de sua circuncisão (4.9-10).
- A circuncisão não era o meio, mas o sinal da justificação de Abraão, o que dá aos gentios
uma relação de fé com ele (4.11-12).
• O testemunho das Escrituras acerca da justificação é de que já estava disponível pela fé,
por meio da promessa, antes que a Lei fosse promulgada (4.13-15).
• O testemunho das Escrituras acerca da justificação pela fé é que a promessa que a garante
é fidedigna, uma vez que se baseia no poder do Deus doador da vida (4.16-25).
- A promessa de justificação pela fé se estende a todos os filhos de Abraão na fé, quer sejam
judeus ou gentios (4.16-17).
- A experiência de Abraão testifica a capacidade que Deus tem de realizar o que é
impossível para o homem (4.18-22).
- A implicação da justificação de Abraão pela fé é a justificação garantida para os crentes
em Jesus Cristo, com base em Sua morte vicária e ressurreição (4.23-25).
3. O efeito da justificação é uma vida de vitória em meio às tribulações, por causa da vitória
representativa sobre os efeitos do pecado de Adão, realizada por Cristo (5.1-21).
• A vida do crente é uma experiência de vitória em meio às tribulações terrenas por causa
do amor de Deus, evidenciado na obra de Cristo (5.1-11).
- A vida de vitória do crente é caracterizada por paz com Deus e exultante segurança de
glorificação, como resultado da justificação (5.1-2).
- A vida de vitória do crente é caracterizada pela superação nas tribulações da vida por meio
do ministério de amor efetuado pelo Espírito que neles habita (5.3-5).
- A vida de vitória do crente é caracterizada por uma alegre segurança de que o amor de
Deus irá sustentá-lo, à luz da provisão definitiva realizada em Cristo (5.6-11).
• A vida do crente é uma experiência de vitória por causa da vitória representativa sobre os
efeitos do pecado de Adão, realizada por Cristo (5.12-21).
- O efeito fatal do pecado de Adão sobre a raça humana foi derrotado pela justiça de Cristo,

- O dada de forma
princípio graciosa a todos
da representação que Ele representa
tem vigorado (5.12-17).
tanto na esfera da condenação quanto na esfera
da justificação (5.18-19).
- O aumento do peso do pecado, produzido pelo conhecimento da Lei foi derrubado pela
superabundância da graça, que é a base da justiça imputada (5.20-21).
C. O Evangelho satisfaz as necessidades morais dos homens por meio da santificação, pela
qual Deus, por meio do Espírito Santo, torna a justiça imputada uma realidade prática
para o crente (6.1 - 8.39).
1. O princípio de santificação é de que os crentes morreram para o pecado e foram
vivificados com Cristo para viver para Deus por meio dEle (6.1-14).
• A morte do crente para o pecado torna a licenciosidade impensável para ele (6.1-2).
• A identificação do crente com Cristo torna possível para ele uma vida de liberdade (6.3-

- O 10).
crente foi sepultado com Cristo (6.3-4a).
- O crente foi ressuscitado com Cristo para uma nova vida (6.4b-5).
- A escravidão do crente ao pecado foi cancelada por meio de sua co-crucificação com
Cristo (6.6-7).
- O triunfo do crente sobre o pecado e a morte é garantida pelo próprio Cristo (6.8-10).
• A obrigação do crente perante Cristo é de considerar-se morto para o pecado, mas vivo
para Deus (6.11).
• A obrigação do crente para consigo mesmo é trocar o objeto de sua auto-entrega (6.12-
14).
2. O processo de santificação significa que os crentes devem se conformar à sua nova
posição como justos, reconhecendo a quem pertencem agora e refletindo sobre os
respectivos destinos de sua antiga e de sua nova vida (6.15-23).
• A pecando
nova posição
(6.15).do crente debaixo da graça não significa permissão para continuar
• Os crentes devem se conformar à sua nova posição de justos reconhecendo a quem
pertencem agora (6.16-18).
- A escolha do indivíduo quanto ao mestre a quem vai obedecer determina seu destino final
(6.16).
- A posição do crente mudou de escravidão ao pecado para escravidão à justiça (6.17-18).
• Os crentes devem se conformar à sua nova posição como justos refletindo nos respectivos
destinos de sua antiga e de sua nova vida (6.19-23).
- A obrigação do crente é de reverter sua auto-entrega do pecado para a justiça (6.19).
- O resultado justo da escravidão ao pecado era a vergonha, e, por fim, a morte (6.20-21).
- O resultado gracioso da escravidão à justiça é santidade e vida eterna (6.22-23).
3. O problema da santificação é que os crentes não serão capazes de completá-la por meio
do próprio esforço para guardar a Lei, cujo propósito é revelar, e não reprimir o pecado
(7.1-25).
• Os crentes não têm obrigação para com a Lei uma vez que morreram para ela por meio de
Jesus Cristo (7.1-6).
- O casamento e a viuvez ilustram a libertação do crente para com a Lei (7.1-3).
- A escravidão do crente para com o pecado, acentuada pela Lei, foi removida em virtude de
sua identificação com a morte de Cristo (7.4-6).
• A Lei, que não foi criada para reprimir o pecado, mas para revelá-lo, acentua o conflito
interior do crente, do qual apenas Jesus pode livrar (7.7-25).
- O fato de que a Lei revela o pecado e expõe sua hediondez não invalida seu caráter santo,
justo e bom (7.7-13).
- A realidade do conflito de que o pecado, embora derrotado, ainda se levanta contra o bem
que o cristão deseja em sua alma, ressalta a inutilidade da Lei e nos impulsiona em
direção à dádiva divina de libertação, Jesus Cristo (7.14-25).
•e A incapacidade
não do homem de fazer o bem que ele aprova mostra que ele é o problema,
a Lei (7.14-17).
• A incapacidade do homem de evitar o mal que ele desaprova mostra que um princípio
mais forte que sua vontade está em operação (7.18-20).
• A falta de esperança quanto ao conflito interior conduz o crente desgostoso à dádiva
divina da libertação, Jesus Cristo (7.21a).
• O princípio do conflito é recordado [para que os crentes possam lembrar da futilidade
de se buscar solução na Lei] (7.21b).
4. O poder da santificação permite que os crentes desfrutem do ministério do Espírito, que
dá segurança de vitória na vida cristã (8.1-39).
• A vida em submissão ao Espírito traz liberdade da possibilidade sempre presente de
controle pela natureza humana pecaminosa (8.1-11).
- A base da libertação dos cristãos não é a Lei enfraquecida pela carne, mas a morte vicária
de Jesus Cristo aplicada pelo Espírito que neles habita (8.1-4).
- O processo de libertação do cristão é a superação da mentalidade carnal que conduz à
morte pela mentalidade espiritual que conduz à vida (8.5-11).
- Uma mente inclinada para a carne está em oposição a Deus e conflito com Ele (8.5-8).
- Uma mentalidade controlada pelo Espírito traz harmonia com Deus por meio da justiça
(8.9-11).
• A vida em submissão ao Espírito é um padrão que os crentes irão obedecer à medida que
são guiados pelo Espírito a desfrutar de sua filiação (8.12-17).
- O padrão esperado para os crentes é a obediência à orientação do Espírito, abandonando
os padrões antigos de pecado (8.12-14).
- O padrão esperado para os crentes é a alegria crescente em seu relacionamento de filhos,
na segurança e esperança de glorificação (8.15-17).
• A vida em submissão ao Espírito fornece segurança de uma bênção futura incomparável,
que capacita os crentes a perseverar nas tribulações do presente com esperança (8.18-
30).
- Os crentes devem perseverar com esperança nas tribulações que ocorrem em sua vida no
presente, à luz de uma glória muito maior reservada para eles (8.18-25).
- Os crentes podem perseverar com esperança nas tribulações que ocorrem em sua vida
presente à luz do ministério do Espírito em suas mais íntimas necessidades (8.26-27).
- Os crentes irão perseverar com esperança nas tribulações de sua vida presente à medida
que percebem Deus movendo todas as coisas para cumprir Seu plano bondoso de
redimir completamente os que são Seus (8.28-30).
• A vida em submissão ao Espírito fornece segurança em Cristo pelas evidências do
incomparável amor de Deus (8.31-39).
- A segurança do crente repousa na provisão única de Deus o Pai (8.31-33).
- A segurança do crente repousa na obra intercessória de Deus o Filho (8.34).
- A segurança do crente repousa no amor inabalável de Deus em Cristo, que supera
qualquer circunstância (8.35-39).
III. Vindicação – O plano de Deus para suprir as necessidades morais do homem por meio
do Evangelho não é frustrado pela resposta negativa de Israel à oferta divina de justiça
por meio da fé e por seu temporário alijamento como resultado disso (9.1 - 11.36).
A. A rejeição da oferta divina de justiça pela fé por Israel não é contraditória à promessa ou
à justiça de Deus (9.1-29).
1. O profundo sofrimento de Paulo por Israel indica que o desperdício dos privilégios da
nação era culpa dos israelitas, e não de Deus (9.1-5).
2. A suposta contradição entre promessa e realidade não é real por causa do testemunho da
História quanto ao princípio da eleição (9.6-13).
• Nem todos os israelitas por descendência física são filhos na fé de Abraão, como prova a
escolha de Isaque em lugar de Ismael (9.6-9).
• Nem todos os israelitas por descendência física são filhos eleitos de Isaque, como prova a
escolha de Jacó em lugar de Esaú (9.10-13).
3. A presente rejeição do Israel físico não é contraditória com a justiça de Deus porque é
equilibrada por Sua misericórdia e paciência soberanas (9.14-29).
• A rejeição não é injusta porque é equilibrada pela demonstração soberana da misericórdia
de Deus, conforme ilustrado pelo papel de Faraó na história de Israel (9.14-18).
• A rejeição não é injusta porque é equilibrada pela demonstração soberana da paciência de
Deus para com as Suas criaturas rebeldes (9.19-24).
• A misericórdia soberana de Deus em favor de alguns dentre os muitos que não a mereciam
foi predita pelos profetas (9.25-29).
B. A presente rejeição de Deus para com Israel não é devida ao fracasso em Seu plano mas
à tentativa reprovável da nação de obter mérito com Deus por meio de obras, em vez de
fazê-lo pela fé, conforme oferecido nas Escrituras (9.30 - 10.21).

1. A maneira reprovável de Israel buscar justiça por meio de obras da Lei, e não pela fé,
acarretou o seu profetizado tropeço no requisito da fé voltada para o Messias, que era o
alvo final da Lei (9.30 - 10.4).
• A razão porque Israel perdeu acesso à justiça de que os gentios agora desfrutam foi sua
rejeição da exigência de fé no Messias (9.30-33).
• A razão porque Israel recusou a sua exigência de fé foi que seu zelo por Deus era fruto de
uma [deliberada] ignorância quanto ao papel da fé (10.1-4).
2. A maneira reprovável de Israel buscar justiça por meio de obras da Lei e não pela fé é
trágica, porque a exigência de fé já estava evidente nas Escrituras (10.5-13).
• A impossibilidade da perfeição exigida pela Lei apontava para a necessidade de fé na
graça de Deus (10.5).
• A disponibilidade da justiça baseada na fé no Antigo Testamento apontava para a presente
ofertafoiemexigida
• Nunca Cristouma
(10.6-13).
tarefa impossível para Israel (10.6-8).
• A exigência presente de Deus é razoável: crer em Jesus como Messias e Deus (10.9-13).
3. A maneira reprovável de Israel buscar justiça pelas obras da Lei e não pela fé é trágica
por causa da proclamação mundial do Evangelho (10.14-21).
• Os elementos necessários para que o Evangelho seja crido pelos judeus em toda parte
foram fornecidos em harmonia com a palavra dos profetas (10.14-15).
• A resposta de Israel à mensagem do Messias tinha sido majoritariamente negativa, em
harmonia com a palavra dos profetas (10.16-18).
• A resposta dos gentios ao Evangelho deveria ter servido para Israel como um sinal
profetizado de seu próprio estado de desobediência (10.19-21).
C. O plano de Deus para satisfazer as necessidades morais do homem por meio do
Evangelho não é frustrado por Sua rejeição de Israel, pois esta não é completa nem
definitiva (11.1-32).
1. A rejeição de Israel não é completa porque Deus sempre possuiu um remanescente (11.1-
10).
• A própria conversão de Paulo é prova de que Israel não havia sido completamente
rejeitado (11.1-1).
• A experiência de Elias na história prova que Deus não irá abrir mão de Sua eleição de
Israel (11.2-4).
• A existência de um remanescente nos dias de Paulo comprova a verdade profética do
endurecimento parcial de Israel (11.5-10).
2. A rejeição de Israel não é completa porque Deus irá utilizar esse período de bênção para
os gentios para levar Israel à inveja espiritual, de modo a tornar-se, uma vez mais, o
canal de bênção de Deus (11.11-24).
• Explicação – O propósito divino ao rejeitar Israel foi estender sua misericórdia ao mundo
inteiro para trazer Israel de volta a uma bênção ainda maior (11.11-16).
• Aplicação – Os gentios não devem menosprezar orgulhosamente os judeus, agora que
desfrutam das bênçãos abraâmicas (11.17-24).
- O orgulho dos gentios por sua posição privilegiada no presente iria sujeitá-los ao final à
mesma disciplina que Israel recebeu (11.17-21).
- O perfeito equilíbrio divino entre bondade e severidade pode tanto derrubar ou soerguer,
de acordo com a reação do homem (11.22-24).
3. Expectativa – A restauração de Israel é certa por causa das irrevogáveis promessas da
aliança com os patriarcas (11.25-32).
• Israel está parcialmente endurecido no presente (11.25).
• Israel será totalmente salvo no futuro, de acordo com a promessa (11.26-27).
• O propósito final de Deus no exercício de Seu plano soberano é tornar Sua misericórdia
disponível a todos os homens (11.28-32).
- A presente inimizade de Israel será mudada à luz das promessas irrevogáveis da aliança
(11.28-29).
- A inversão de destino experimentada pelos gentios irá acontecer também com Israel, para
que a misericórdia de Deus se torne disponível a todos (11.30-32).
D. Exaltação – Deus é digno de todo louvor pela profundidade de Sua incomparável
sabedoria [no planejamento de uma salvação como essa] e por Sua plena suficiência
universal (11.33-36).
IV. O Evangelho de Cristo estabelece graciosa e eficazmente os judeus e gentios num viver
sadio entre si, pela prática da justiça (12.1 - 15.13).
A. O crente justificado precisa praticar a justiça como um servo no Corpo de Cristo (12.1-
21).
1. O requisito essencial para a prática da justiça pelos crentes é a consagração da vida ao
Senhor (12.1-2).
• Eles devem se apresentar como sacrifício (12.1).
• Eles devem evitar contaminar-se (12.2a).
• Eles devem mudar por meio de uma renovação da mente (12.2b).
• Eles perceberão a vontade de Deus para sua vida (12.2c).
2. A exigência corporativa para os crentes quanto à prática da justiça é o serviço humilde,
de acordo com o dom que receberam de Deus (12.3-8).
• O serviço deve proceder de uma atitude humilde (12.3).
• O serviço deve ser sincero e intenso, de acordo com as capacidades variadas recebidas de
Deus (12.4-8).
3. A exigência comunitária para os crentes quanto à prática da justiça é o de estender o
amor a todos (12.9-21).
• Cada crente deve estender o amor para com os irmãos (12.9-13).
… sem hipocrisia (12.9a).
… sem dolo (12.9b).
… com devoção (12.10a).
… com humildade (12.10b).
… com zelo (12.11).
… com alegria e perseverança (12.12).
… com generosidade (12.13).
Cada crente deve estender o amor para o mundo (12.14-21).
… abençoando os que amaldiçoam (12.14).
… tendo empatia com os outros (12.15).
… sem tolerar o orgulho nos seus relacionamentos (12.16).
… não buscando vingança (12.17-21).
B. O crente justificado deve praticar a justiça na sociedade como cidadão do Estado (13.1-
14).
1. O crente deve sujeitar-se às autoridades, à medida que isso mostra sua submissão a Deus
(13.1-7).
• A autoridade civil é uma instituição divina (13.1-2).
• A autoridade civil é instituída para promover o bem e evitar o mal (13.3-4).
• A desobediência à autoridade civil traz o juízo de Deus e uma consciência culpada (13.5).
• A sujeição à autoridade inclui o pagamento apropriado dos impostos (13.6-7).
2. O crente deve amar seu próximo na sociedade como cumprimento da Lei de Deus (13.8-
10).
3. O crente deve viver uma vida pura na sociedade à luz da proximidade do dia (13.11-14).
• Não há espaço para apatia espiritual à luz de nossa iminente redenção (13.11-12a).
• Os antigos hábitos pecaminosos devem ser abandonados (13.12b-13).
• Uma mentalidade como a de Cristo deve substituir o pensamento mundano (13.14).
C. O crente justificado deve praticar a justiça como um irmão atencioso na comunidade
cristã (14.1 - 15.13).
1. Os crentes devem aceitar uns aos outros a despeito de suas diferentes opiniões pessoais
(14.1-12).
• Opiniões diferentes em questões de liberdade cristã [alimentos, dias] precisam ser tratadas
num espírito de aprovação mútua (14.1-5).
- As diferenças não devem levar a atitudes de julgamento (14.1-2).
- Desprezo pelo imaturo e condenação do maduro devem ser evitados à luz da provisão de
Deus para ambos os indivíduos (14.3-5).
• Deus os aceitou (14.3).
• Deus, como Mestre de cada pessoa, capacita cada um a permanecer firme em sua
opinião (14.4-5).
• Opiniões diferentes em questões de liberdade cristã devem ser negociadas com a
consciência da responsabilidade individual diante de Cristo (14.6-12).
- Preferências pessoais em questões de liberdade não determinam a devoção ou gratidão de
um indivíduo a Deus (14.6-8).
- Preferências pessoais em questões de liberdade serão definitivamente resolvidas no juízo
divino, não por avaliações humanas (14.9-12).
2. Os crentes maduros não devem ofender seus irmãos imaturos (14.13-23).
• O princípio para o indivíduo maduro é não criar obstáculos para o imaturo apesar da sua
convicção quanto à liberdade cristã (14.13-14).
• A prática para o indivíduo maduro é valorizar o irmão imaturo mais do que sua própria
liberdade individual (14.15-21).
• A prioridade para o crente é de manter suas convicções diante do Senhor (14.22-23).
3. Os crentes maduros devem ajudar seus irmãos imaturos a crescer rumo ao exemplo de
Cristo (15.1-6).
• O princípio para o crente maduro é encorajar o imaturo rumo à maturidade, em lugar de
agradar a si mesmo (15.1-2).
• O padrão para o crente maduro é a auto-humilhação de Cristo por nós (15.3-4).
• O pedido aos romanos é que eles vivam em unidade em meio à diversidade para a glória
de Deus (15.5-6).
4. Os crentes devem aceitar uns aos outros com suas diferenças assim como Cristo aceitou
judeus e gentios de acordo com as promessas feitas aos patriarcas (15.7-13).
V. Conclusão. A explicação do ministério de Paulo e de seus planos procura motivar a
igreja romana a apoiá-lo, à medida que completa seu ministério (15.14-33).
A. A razão de Paulo escrever aos romanos era sua preocupação com o desenvolvimento de
igrejas gentias, que eram a razão de ser de seu ministério (15.14-21).

B. Oemdesejo de Paulo
Jerusalém de visitar os romanos se realizará depois da entrega da oferta de amor
(15.22-29).
C. O pedido de Paulo é de que os romanos o apóiem em seu ministério (15.30-33).
VI. Saudações Finais. As saudações de Paulo revelam o tamanho de sua familiaridade e a
profundidade de sua preocupação para com os cristãos em Roma (16.1-16).
A. A recomendação de Febe revela o apreço de Paulo pelo ministério dela (16.1-2).
B. Vários crentes recebem saudações pessoais (16.3-16).
C. O alerta final de Paulo é contra os judaizantes enganadores e causadores de divisão, a
quem Deus irá derrotar por meio dos romanos (16.17-20).
D. Os amigos de Paulo saúdam a igreja (16.21-24).
E. Louvor – O Deus que é capaz de estabelecer os romanos por meio do Evangelho merece
glória eterna (16.25-27).

O argumento de

1CORÍNTIOS
Questões introdutórias
TÍTULO
O título desta epístola,ΠΡΟ΢ ΚΟΡΙΝΘΙΟΤ΢ ,Αé derivado de seus destinatários,
membros de uma igreja nova em Corinto. Acredita-se que seja a segunda carta escrita
por Paulo aos convertidos na Acaia. Uma carta anterior, mencionada em 5.9, foi
perdida, e esta epístola canônica tornou-se tradicionalmente conhecida como Primeira
aos Coríntios.
AUTORIA
1Coríntios pertence às epístolas paulinas não questionadas pelos críticos. Os
relacionamentos pessoais de Paulo com os destinatários durante sua segunda viagem
missionária, as duas referências à sua autoria no livro (1.1; 16.21), e o testemunho da
tradição cristã primitiva (Por exemplo, Clemente de Roma) garantem sua aceitação
generalizada.
DATA
É geralmente aceito que Paulo escreveu 1Coríntios próximo ao final de seu
ministério de três anos em Éfeso. Isso é indicado por 1Coríntios 16.8, onde Paulo
expressa seu desejo de permanecer em Éfeso até o Pentecostes. O ano preciso varia de
acordo com cada esquema cronológico dos eruditos. Tenney sugere a.D. 55, Hoehner
130
propõe a.D. 56, e Guthrie pensa que a.D. 57 é a data mais provável.
CONTEXTO HISTÓRICO
História e cultura. A cidade de Corinto, na época da chegada de Paulo, pouco
deveria às modernas metrópoles em termos de atividade comercial, ambiente
internacional, e depravação geral. Corinto era tão famosa por causa desta última
característica que Aristófanes, o comediante grego, cunhou um termo específico para
―viver uma vida desregrada‖, νξληαλίνκα [korintianizomai].
Corinto era o centro comercial do Império Romano, uma cidade com dois portos -
Lequeu no mar Jônico, e Cencréia no mar Egeu. Por meio da cidade fluía a riqueza do
Império, em larga escala, porque os comerciantes marítimos preferiam empurrar seus
navios sobre troncos pelo istmo a empreender viagens traiçoeiras em torno da Península
do Peloponeso.
Corinto esteve sob domínio estrangeiro durante a maior parte de sua existência. Do
quarto século a.C. até 196 a.C. ela foi controlada pelos macedônios. Os romanos
libertaram a cidade naquela época, apenas para destruí-la cinqüenta anos mais tarde, sob
a liderança do cônsul Lucius Mummius.
Em 46 a.C., Júlio César ordenou a reconstrução da cidade, da qual apenas o templo a
Apolo havia sido poupado. Mais tarde, Otavio tornou Corinto a capital da província da
Acaia, e deu-lhe o status de colônia romana.
Quando Paulo chegou em Corinto, a cidade ostentava, além do templo a Apolo, o
tristemente famoso templo a Afrodite, localizado na Acrocorinto, um majestoso
precipício de cerca de 550 metros de altura. Ali, cerca de 1000 prostitutas cultuais
promoviam um culto que fez de Corinto um exemplo proverbial de sensualidade. Essa
familiaridade com a imoralidade certamente desempenhou um papel nos problemas que
Paulo buscava resolver ao escrever esta carta. A situação moral era tal que Corinto foi
certa vez descrita como ―o paraíso do marinheiro, o céu do bêbado, e o inferno para uma
mulher decente‖.
Política e população. Corinto era uma colônia romana, e ali localizava-se oβῆκα
bēma, o trono do governo proconsular. Seus habitantes eram isentos dos impostos, mas
seu número preciso não pode ser determinado. Algumas estimativas sugerem 100.000
habitantes em Corinto, enquanto outros estimam uma população elevada de cerca de
700.000.
Como é o caso da maioria das cidades cosmopolitas de hoje, Corinto possuía uma
população misturada (romanos, gregos e pessoas vindas do Oriente). Uma parte
considerável da população era de escravos, e o número de judeus provavelmente
também era grande.

130
Harold W Hoehner , Notas de aula de Cronologia Bíblica. Seminário Teológico de Dallas,
verão de 1988.
Clima social. Os moradores de Corinto foram influenciados pelo espírito
competitivo da cultura greco-romana, valorizando em demasia ostatus e a glória. Os
vencedores eram respeitados e honrados - os vencedores nos jogos Olímpicos e
Ístmicos, conquistadores das batalhas, debatedores e oradores eloqüentes, aristocratas,
ou até proprietários ricos de grande número de escravos. Assim como em toda a Grécia,
a sabedoria (ou melhor, os sofismas filosóficos) era muito estimada, e essa preferência
tornou-se apreciada na igreja.
À medida
espiritual quepara
tendia os cristãos em Corinto
o mundanismo. Na assumiam essas preferências,
igreja de Corinto, suasignificava
ser espiritual condição ser
sofisticado, quer social, intelectual ou espiritualmente (i.e., em termos de dons). A
transformação interna era demonstrada pela exibição ostentosa da sofisticação, em
termos de capacidades e resultados. Quando a sabedoria desta era tomou conta dos
membros da igreja, as pessoas começaram a procurar marcas de sucesso e
espiritualidade, e se entregaram à competição, particularmente no exercício do dom de
línguas. A comparação e a competição resultaram em conflito e divisões. Os processos
eram levados a cortes pagãs, porque ninguém queria ser visto como perdedor. Até
mesmo mulheres cristãs eram pegas na luta pelo poder, aparentemente buscando afirmar
sua liberdade usurpando papéis de liderança e perturbando o andamento dos cultos para
expressar suas opiniões. Talvez mulheres que tinham sidoἥηαξα (hētairai), as
sofisticadas e estudadas garotas de programa do primeiro século, com quem os homens
gregos e romanos
enfrentando discutiam
problemas filosofia
para se adaptare apolítica,
uma nova tivessem se etornado
posição crentes e estavam
realidade.
OCASIÃO E DATA
Paulo chegou a Corinto em a.D. 51, vindo de Atenas, onde havia pregado o
Evangelho com alguns poucos resultados tangíveis (não há evidência de uma igreja
fundada em Atenas).
Paulo permaneceu em Corinto por cerca de dezoito meses, vivendo com um casal de
judeus, Áquila e Priscila, fazedores de tendas como ele. Algum tempo depois da
chegada de Paulo, Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, trazendo uma oferta que
possibilitou que Paulo dedicasse todo o seu tempo e energia para pregar o Evangelho e
plantar uma igreja.
Depois do contato inicial com a sinagoga local, Paulo sofreu dura oposição da
liderança judaica, que o arrastou a um tribunal romano. Gálio, procônsul da Acaia
naquela
a igreja eépoca, recusou-se
a sinagoga comoaté
umaa julgar
questãoo caso, considerando
puramente judaica, oque
conflito
deveriamessiânico
ser tratadoentre
pelo
tribunal judaico em Corinto. Essa decisão marcante forneceu, sem dúvida, um refúgio
legal para a igreja local durante as duas décadas seguintes.
Uma vez fundada e estabelecida a igreja, Paulo mudou-se para Éfeso com Áquila e
Priscila, deixou-os ali e viajou para a Judéia. Enquanto isso, em Éfeso, Áquila e Priscila
encontraram e discipularam Apolo, um judeu alexandrino. Eventualmente, Apolo
chegou até Corinto, onde sua eloqüência gerou um entusiasmo desproporcional entre os
coríntios imaturos.
Esse amor pela sabedoria mundana, com um grupo de judaizantes e o pano de fundo
imoral de muitos na igreja, criou uma grande variedade de problemas, com os quais a
primeira epístola lida.
A CORRESPONDÊNCIA DE CORINTO
Muito papel e tinta já foi utilizado na tentativa de estabelecer uma ordem precisa na
qual as várias cartas e visitas de Paulo a Corinto devem ser relacionadas. Entre as
questões a serem determinadas, estão: (1) a natureza da ―carta anterior‖, que alguns
dizem conter 2Coríntios 6.14 - 7.1, por causa de uma similaridade de assunto; (2) a data
da ―visita dolorosa‖, quer antes ou depois da composição de 1Coríntios; e (3) a
identificação e a natureza da ―carta severa‖, que alguns afirmam que fosse 1Coríntios
(uns poucos a relacionam com 2Coríntios 6.14 - 7.1), e maioria afirma que também foi
perdida. A tabela abaixo contém a preferência do autor quanto a esse assunto.

Visitas de Paulo a Corinto e correspondência com a Igreja


Evento Referência Data
A igreja é fundada na segunda viagem At 18.1-17 51
Paulo deixa Corinto e vai a Éfeso At 18.18-19 53
Paulo faz uma visita ―constrangedora‖ a Corinto 2Co 2.1; 12.14 54?
Paulo escreve a ―carta perdida‖ 1Co 5.9-13 55?
Relato negativo dos familiares de Cloé e carta
1Co 1.11 e 7.11 56?
de Corinto com perguntas
Paulo escreve 1Coríntios 1Coríntios 56
1Co 4.17; 16.10; At
Paulo envia Timóteo e Erasto a Corinto 19.22 Final de 56
Crise em Corinto porque judaizantes não 2Co 10.10; 11.23;
56-57
aceitam a autoridade apostólica de Paulo 12.6-7
Paulo escreve a carta pesarosa 2Co 2.3-9; 7.8-12 Final de 56
Paulo deixa Éfeso rumo a Trôade e não Meados de
2Co 2.12-13
consegue encontrar Tito lá 57
Paulo encontra Tito na Macedônia e ouve que o Meados de
2Co 7.6-16
pior já passou em Corinto 57
Paulo escreve 2Coríntios 2Coríntios 57
At 19.21; 20.3; 2 Co Verão de
Paulo visita Corinto pela terceira vez 13.1 57
1. A CORRESPONDÊNCIA COM A IGREJA EM CORINTO

Argumento básico
ESTRUTURA
1Coríntios contém claros indicativos dos assuntos tratados por seu autor. Nos
capítulos 1 a 6, Paulo lida com problemas comunicados a ele pelas pessoas da casa de
Cloé (1.11), isto é, divisões (caps. 1-4) e desordens (caps. 5-6).
Começando no capítulo 7, Paulo responde perguntas que pessoas na igreja lhe
haviam enviado. Tais respostas são introduzidas pela expressão gregaεξί δέperi de. O
capítulo 15 é aparentemente isolado. Uma vez que contém correção doutrinária e novas
informações acerca da segunda vinda de Cristo, ele aparentemente reflete outra área
problemática em Corinto, possivelmente relatada oralmente por Estéfanas, Fortunato e
Acaico, que teriam sido os portadores da carta dos coríntios a Paulo (16.17).
LUGAR NO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO
Se considerarmos apenas os temas principais e as estruturas dos livros do Novo

Testamento no
Testamento. Comsentido mais amplo,
2Coríntios, 1Coríntiose Tito,
1 e 2 Timóteo, pertence
estaàepístola
porção lida
aplicativa do Novode
com questões
Eclesiologia, especialmente com questões práticas sobre essa doutrina, tais como: (1)
unidade e divisões; (2) disciplina moral na igreja; (3) práticas duvidosas; (4) tradições
apostólicas relacionadas ao culto público; e (5) galardões divinos como recompensa
eterna.
PROPÓSITO
É difícil, se não impossível, determinar um propósito único para 1Coríntios. Sua
preocupação central é o desenvolvimento de um comportamento maduro dentro da
igreja. Paulo demonstra essa preocupação: (1) ao identificar os problemas básicos
relacionados aos relatórios negativos que havia recebido, e às perguntas que os coríntios
haviam lhe enviado; (2) ao oferecer soluções por meio da doutrina e exemplo pessoal;
(3) ao ensinar doutrinas específicas e sua relação com a vida da igreja em Corinto; e (4)
ao defender seu apostolado e usar seu próprio exemplo em relação com a questão da
liberdade cristã.
DESENVOLVIMENTO
Paulo inicia sua carta com saudações pessoais e de Sóstenes, que pode muito bem ter
sido o antigo líder da sinagoga espancado pelos judeus por não ter conseguido que
Paulo fosse condenado por Gálio (Atos 18.17). A introdução focaliza não naquilo que
os coríntios tinham realizado por Deus (em contraste com os tessalonicenses, por
exemplo), mas naquilo que Deus havia realizado por eles. Alguns dos temas tratados
posteriormente são mencionados aqui, tais como dons espirituais e a esperança da
ressurreição. O tema geral da carta, maturidade espiritual, é apresentado em 1.8, e a
esperança de Paulo de que seria alcançada, repousa na fidelidade de Deus (1.9).
A primeira divisão principal (1.10 - 4.21) trata do problema das divisões. Para
corrigi-las, Paulo demonstra que esse problema se srcina primeiro de uma concepção
errônea da mensagem do Evangelho (1.10 - 3.4), e depois de uma concepção errônea do
ministério do Evangelho
Os coríntios (3.5 - 4.21).
haviam perdido a percepção da centralidade da pessoa de Cristo (1.10-
17), e lidavam tão ineptamente com opiniões diferentes que a igreja realmente havia se
dividido em quatro facções, cada uma seguindo um homem e as tradições associadas a
ele. Desenvolvimentos posteriores na carta sugerem que a facção de Pedro pode ter sido
um grupo orientado por δύλακο [dunamis], a facção de Apolo pode ter sido orientada
por ζνθία [sophia], a facção de Paulo era orientada por αξάδνζο [paradosis], e a
facção ―de Cristo‖ era orientada por ἐιεπξία [eleuthēria].
Além disso, em seus conflitos internos, os coríntios haviam perdido a perspectiva da
centralidade da missão de Cristo (1.18-25). Sua tentativa de parecerem sábios e
sofisticados fez que perdessem a perspectiva de apresentar uma mensagem simples que
poderia de fato resolver os problemas cruciais do homem - a justiça, a santidade, e a
libertação da escravidão do pecado c( f. 1.30). Ao utilizar um padrão secular de medida,
os coríntios deixaram de valorizar o sábio plano de Deus para a salvação.
O fato que Paulo deseja destacar no capítulo 1 é que, conforme demonstrado pela
constituição humilde de sua assembléia, a sofisticação humana, não importa qual a sua
capa espiritual, não é um substituto de Cristo como ponto de convergência para todos os
crentes (1.26-31).
Em sua tentativa de fazer os coríntios entenderem a verdadeira natureza da
mensagem do Evangelho, Paulo continua descrevendo seu próprio ministério, por meio
do qual eles haviam crido. Seu trabalho indicava que a sabedoria que os coríntios tanto
estimavam não era a essência do evangelho (2.1-16). A eloqüência, abundantemente
demonstrada por Apolo, tinha um lugar secundário em relação aopoder do Espírito,
como alicerce do seu ministério (2.1-5), ao passo que o conteúdo dele não era ζνθία
humana, mas uma sabedoria revelada diretamente aos mensageiros apostólicos por meio
do Espírito (2.6-16). Essa explicação contém algumas indicações da futura defesa de
Paulo e de seu ministério apostólico, em 2Coríntios , e uma indicação do que era a
verdadeira espiritualidade (2.15-16), antecipando os problemas descritos nos capítulos
12 a 14.
A razão fundamental porque os coríntios estavam fracassando tão miseravelmente
em reter a verdadeira natureza da mensagem apostólica era sua imaturidade espiritual
(3.1-4), pela qual Paulo os repreende. O desapontamento de Paulo com seus filhos
espirituais se demonstra nessa passagem, em particular por causa de sua lealdade
infantil aos homens, em vez de se submeterem ao Senhor Jesus, por meio da obediência
à Sua palavra revelada.
Na segunda seção desta primeira divisão, Paulo promove a maturidade espiritual ao
apontar para a causa básica das divisões entre os coríntios (3.5 - 4.16). Ele primeiro
chama a atenção de seus leitores para o papel subserviente de qualquer pessoa a quem
se submetessen quando comparada a Deus, Aquele que era o autor final da vida e do
crescimento (3.5-9). Ao trocar as metáforas da vida vegetal para a atividade de
construção,
temível juízoPaulo pressiona
das obras dos os líderes(3.10-17).
cristãos auto-indicados em Corinto
A qualidade ao apontar
do serviço para
de um o
indivíduo
na terra irá determinar a natureza de sua recompensa no céu.
Depois de se dirigir aos líderes, Paulo volta-se à congregação e aponta para as
riquezas disponibilizadas para eles em Cristo como uma motivação para perdoar e
esquecer suas disputas sobre liderança e sabedoria humana (3.18-22). Além do mais, ele
aponta para a insuficiência das avaliações humanas como base para estabelecer o valor
de um indivíduo como líder (4.1-5). Paulo não está defendendo a falta de
responsabilidade aqui, mas afirmando que apenas à luz da eternidade um ministério
poderá ser mensurado e recompensado de forma apropriada. Portanto, ele equilibra as
motivações negativa e positiva relacionadas ao tribunal de Cristocf( . 3.10-17; 2 Co
5.10).
O sarcasmo é sua próxima arma, ao contrastar os orgulhosos coríntios e seus líderes
arrogantes
Apesar do com o estilosua
sarcasmo, decrítica
vida humilde dostom
possui um verdadeiros
pastoral apóstolos de fraterno,
e um apelo Deus (4.6-13).
uma vez
que seu desejo é que eles endireitem seus caminhos. Por isso, Timóteo seria enviado
[com a carta] como representante com a autoridade de impor a disciplina apostólica
(4.14-17); se mesmo isso falhasse, então o próprio Paulo teria que lidar com aqueles
líderes orgulhosos ensoberbecidos ( εθπζσκέλσλ [pephusiōmenōn]) (4.18-21). A
ameaça de Paulo não era vazia, à luz da primeira ação disciplinar apostólica do Novo
Testamento (cf. Atos 13.9-11).
A segunda divisão principal no livro lida com asdesordens na vida da igreja, a saber,
imoralidade e litígios; a visão de Paulo nessa porção da epístola é que os crentes
maduros não apenas se tolerem mas, em lugar disso, procurem a unidade em pureza
para o bem de todo o corpo (5.1 - 6.20).
Paulo começa esta seção ao indicar aos coríntios quão baixo a reputação deles havia
chegado:
com um casoeles de
eram pioresnadocongregação
incesto que pagãos,(5.1-2).
conformeEle evidenciado
diz, de fato, por
quesua complacênciaé
a complacência
tão ruim quanto a cumplicidade, porque compromete a pureza da igreja (5.6-8).
Conseqüentemente, a disciplina prescrita é severa - rejeição e excomunhão - tanto para
o atual transgressor (5.3-5) quanto para quaisquer pessoas que reivindiquem ser cristãs
mas levem vidas imorais (5.9-13). Aqui Paulo esclarece sua carta anterior, que
aparentemente fora mal compreendida pela igreja.
A auto-indulgência era levada a tamanhos extremos que as pessoas estavam levando
umas às outras ao tribunal por questões que deveriam ser resolvidas e estabelecidas
dentro dos limites da assembléia local. Guthrie sugere que a presença de dois parágrafos
sobre imoralidade depois de 6.1-11 aponta para a imoralidade como causa dos
processos;131 isto, entretanto, não é necessário, uma vez que as perguntas no versículo 7
sugerem a idéia de perda financeira ἀ( δέσ [adikeō], ἀνζηξέσ [apostēreō]).
Essencialmente, ambos osauto-indulgente
mentalidade egocêntrica, problemas (ganância e imoralidade)
de Corinto. eramdesub-produtos
A repreensão da
Paulo é destacada
pela ocorrência repetida (6 vezes) da pergunta retórica νὐ νἴδαηε(ouk oidate), sem
dúvida um doloroso lembrete de como a igreja havia negligenciado o conhecimento
anterior com base no qual eles deveriam estar agindo.

131
Donald Guthrie, New Testament Introduction, p. 444.
O ponto básico aqui é que os processos julgados por descrentes sem discernimento
espiritual destruíam a unidade e o testemunho da igreja. Frustrado com o absurdo de tal
prática (6.1), Paulo oferece três razões pelas quais os problemas deviam ser tratados
dentro da igreja (6.2-8): o papel futuro dos crentes como juízes, a falta de discernimento
espiritual dos descrentes e a exposição de sua falência espiritual.
O tratamento de Paulo para este problema termina com uma perspectiva apropriada
sobre a ganância e o orgulho revelados por esses processos; estes eram tão maléficos
quanto os de
Para agir pecados vulgaresconsistente
uma maneira que faziamcom
que sua
as pessoas
posiçãonão
de entrassem no reino (6.9-10).
justiça e santidade, dada pelo
Espírito, tais práticas teriam que ser abandonadas (6.11).
A correção de Paulo para o espírito de auto-indulgência dos coríntios aborda a seguir
o uso errado do corpo em imoralidade (6.12-20). Parece claro, a partir desse texto, que
alguns conceitos gregos acerca do corpo haviam se imiscuído de volta, e ao encontrar
um solo favorável nos antigos hábitos da congregação, haviam se espalhado e
contaminado a vida dela.
O gráfico abaixo compara as visões grega, hebraica e cristã do corpo:

Três conceitos diferentes do corpo


Grego Hebraico Cristão
O que o indivíduo faz O que o indivíduo faz O que o indivíduo faz com
com seu corpo não tem com seu corpo é muito seu corpo afeta vitalmente
qualquer relevância para importante para sua vida seu relacionamento com
sua vida espiritual. espiritual. Deus.
2. CONCEITOS SOBRE O CORPO
Paulo corrige duas falsas premissas que os coríntios haviam adotado: primeiro, de
que o crente é absolutamente livre (6.12); segundo, que o sexo é uma função biológica
simples, assim como comer (6.13).132 O corpo humano é investido por Deus com uma
santidade que exige pureza sexual como um meio de glorificá-lo (6.15-20). Portanto, a
pureza significa autopreservação e o cumprimento do propósito de Deus para o corpo.
Ao se conservarem puros, os cristãos iriam honrar a presença do Espírito, reconhecer a
propriedade de Deus em suas vidas, e valorizar o sacrifício do Filho pela redenção deles
(6.19-20).
A quarta divisão principal é a maior de toda a carta (7.1 - 14.40) e trata de várias
questões apresentadas ao apóstolo pela própria igreja. Estas questões são relacionadas
ao mau uso de privilégios cristãos, a tradições apostólicas, e a dons espirituais tanto na
vida particular quanto na adoração corporativa. Todas elas refletem o mesmo espírito de
egocentrismo que penetrara na vida da igreja em Corinto. O propósito de Paulo é
mostrar a seus leitores que a verdadeira maturidade espiritual não busca o bem-estar
individual, mas o bem comum maior, que resulta numa glória maior a Deus (10.31).
No capítulo 7 Paulo expõe sua visão acerca do casamento cristão e do celibato,
estabelece paralelos e conexões com os ensinos de Cristo acerca do assunto, e relaciona
as questões de casamento e ministério cristão.
Ele começa observando que, embora o celibato seja uma opção para os crentes, o
casamento é um estado desejável no qual as necessidades básicas de uma pessoa são
supridas (7.1-9). A união sexual no casamento não deve nunca ser proibida porque a

132
Este autor adota a visão de que as declarações iniciais em 6.12 e 6.13 não são
declarações paulinas de fato, mas sim sua citação de visões contrárias à sua, propostas pelos
falsos líderes em Corinto, que ele então passa a refutar. O mesmo ocorre em 10.23,
fornecendo, portanto, o padrão da pedagogia paulina.
satisfação sexual mútua é a norma de Deus para o casamento (7.2-6), e o celibato para
os cristãos depende de uma capacitação especial de Deus (7.7;cf. Mt 19.10-12).
Aparentemente, casais cristãos estavam se separando devido a uma reação exagerada
aos desvios de ordem sexual na igreja, tanto no passado quanto no presente. Em
resposta a esse problema, Paulo indica que a estabilidade na família é o alvo para os
crentes, em conformidade com o ensinamento de Cristo e de seu apóstolo (7.10-16). Em
caso de casamentos mistos, Paulo apela para o equilíbrio e harmonia como os principais
fatores
presençaa dele
se considerar. Um crente
em casa possui nunca
um efeito deveria iniciar
santificador uma separação,
(7.12-14); já que
se o descrente, pora outro
lado, exige a separação, o crente não está preso a permanecer casado com a outra pessoa
133
(7.15-16), já que ele não possui garantia de que o cônjuge descrente será salvo.
Paulo expande seu apelo por estabilidade de modo a abranger as situações social,
racial e religiosa de um indivíduo, oferecendo encorajamento para utilizar as
oportunidades sem transtornar a vida simplesmente por causa da mudança (7.17-24).
Já que a pergunta mais geral vinda de Corinto lidava com o ministério cristão, Paulo
declara, com base em sua própria experiência, que sua preocupação básica é que aqueles
que não são casados, quer solteiros ou viúvos, aproveitem sua liberdade no presente
para se empenhar no ministério do Senhor, já que o tempo para isso seria breveὁ(
αξόο ζπλεζηαικέλνο[ἐζηλ ho kairos sunestalmenos estin]; cf. 10.11, onde Paulo
fala de ηά ηέι η῵λ αἰώλσλ [ta telē tōn aiōnōn] como uma realidade presente para os
cristãos).
O próximo alvo de Paulo é o mau uso da liberdade pelos coríntios, que se
manifestava primeiramente em comer carnes sacrificadas a ídolos e, eventualmente,
levava à participação deles em festas pagãs. Ao utilizar sua própria experiência como
um exemplo positivo, e a história de Israel como um exemplo negativo, Paulo indica
que esse uso incorreto é completamente incompatível com o privilégio de partilhar da
mesa do Senhor. A lição que Paulo quer transmitir é que a forma madura de desfrutar
dos privilégios da liberdade cristã é demonstrar compreensão e preocupação pelos
outros (8.1 - 11.1).
O capítulo 8 destaca a necessidade da preocupação pelos outros no exercício da
liberdade cristã. Paulo começa observando que o conhecimento não é uma base
apropriada para decidir o que fazer ou não fazer, uma vez que pode levar ao orgulho
(8.1-3). Os coríntios haviam se tornado tão autocentrados que justificavam seu uso dos
privilégios comdeoamor
errada de falta argumento corretomais
pelos irmãos de que os ídolos
fracos nada
(8.4-8). são,isso
Fazer masiriacom a atitude
causar a queda
de um cristão menos esclarecido e iria constituir uma ofensa contra a expiação efetuada
por Cristo (8.9-12). A proposta de Paulo é que seus leitores exercitem a autolimitação
por causa do bem-estar coletivo (8.13). Para reforçar seu argumento, ele fornece a
ilustração do capítulo 9. A entrega de seus direitos apostólicos ilustra a atitude madura
que ele espera dos coríntios sobre a questão da liberdade cristã. Em 9.1-12 Paulo
estabelece a base para seu direito a sustento (sua autoridade apostólica [9.1-6], as
realidades da vida diária [9.7, 11-12a], e as Escrituras [9.8-10]).
O exemplo do próprio Paulo era apropriado porque ele havia aberto mão de
privilégios que até os pagãos religiosos dispensavam a seus ministros! E não apenas
isso, o próprio Cristo havia prometido esse sustento para os Seus apóstolos; ainda assim,
por causa do Evangelho, Paulo havia aberto mão deles (9.12b-15a), agindo sem

133
Há um grande debate sobre o significado de νὐ δεδνύισηα (ou dedoulōtai) (7.15), com
um número crescente de intérpretes usando esta expressão para permitir o recasamento
entre cristãos. Este escritor crê que é melhor entender isso como uma permissão para o
cônjuge cristão se separar de um cônjuge incrédulo, e permanecer no celibato depois disso. A
regra para um crente nesses casos deriva de 1Coríntios 7.39 e Romanos 7.1-3.
segundas intenções ou motivos escusos (9.15b-18) para ganhar o máximo de pessoas
para Cristo (9.19-23).
O reforço positivo de Paulo se encerra com a ilustração de um atleta (9.24-27), um
assunto bastante familiar para os coríntios, cuja cidade era a sede dos Jogos Ístmicos,
um evento bienal que só perdia em importância para os Jogos Olímpicos. A vida cristã
exige um nível de renúncia aos direitos comparável ao de um atleta; à luz do valor
incomparavelmente maior de nossa recompensa e da perda em caso de
134
desqualificação, os coríntios
ministros do Evangelho deviam agir como Paulo, para serem aprovados como
(9.26-27).
Concluindo sua motivação positiva, Paulo oferece uma negativa, a saber, as trágicas
perdas de Israel devido ao mau uso dos privilégios (10.1-13). Ele primeiro demonstra
que possuir grandes privilégios coletivos não é garantia de bênção individual (10.1-5).
Os israelitas partilhavam da redenção, da identificação com o libertador, da provisão
sobrenatural,135 e mesmo assim sua grande maioria não agradou a Deus por causa de sua
incredulidade e desobediência.
O que Paulo queria comunicar era que assim como o mau uso dos privilégios havia
levado Israel a pecados graves como a idolatria e a imoralidade e os juízos resultantes
disso, a atitude dos coríntios iria levá-los a pecado e punição maiores (10.6-13). Sua
advertência é que, a despeito da auto-confiança de um indivíduo, abandonar o caminho
certo é sempre uma possibilidade; a mão auxiliadora de Deus, entretanto, é sempre uma
segurança da qualfinais
Os parágrafos podemos depender.
do capítulo 10 fornecem as conclusões de Paulo acerca do
assunto da liberdade cristã. Tomando como ponto de partida a instância específica
levantada pelos coríntios, Paulo afirma que a liberdade cristã não dá a alguém o
privilégio de partilhar das festas pagãs (10.14-22). Essas festas eram, aparentemente,
grandes oportunidades para socializar e melhorar, de graça, a dieta de um indivíduo.
Ainda assim, eles se expunham ao perigo de profanar a comunhão de alguém com
Cristo pelo contato próximo com a idolatria (10.14-22). A história de Israel demonstra
que qualquer um que participa de uma refeição cerimonial participa do sacrifício que a
precedeu, reconhecendo, de fato, o deus ao qual foi oferecido, como sendo um objeto
passível de adoração. Isso, Paulo disse, era absolutamente incompatível com uma
comunhão íntima com Cristo. De fato, equivalia a uma negação da singularidade de
Cristo como nosso Deus (10.21-22).
Essa negação
circunstâncias abrupta,
onde entretanto,de
a singularidade nãoCristo
esgotanãoo assunto
estivessedaem
liberdade
jogo, e acristã. Em de
consciência
um irmão não fosse ameaçada, comer carne sacrificada, que havia sido vendida no
açougue (a um preço menor) era possível. Isso se daria utilizando a liberdade individual,
mostrando consideração pelas necessidades daqueles ao redor, e buscando a glória de
Cristo (10.23 - 11.1). Nos versículos 10.31 a 11.1 Paulo resume sua idéia acerca da

134
Esta passagem é freqüentemente citada como prova da perda de salvação,
especialmente por causa da palavra ἀδόκνο (adokimos), que possui significados negativos de
rejeição em algumas passagens (cf. Hb 6.8). O contexto, entretanto, é de recompensas
merecidas por meio de esforço pessoal, não de dons espirituais recebidos com base nos
méritos de Cristo. Portanto, a interpretação apropriada é que o mau uso do privilégio leva à
perda do galardão.
135
Os adjetivos λεπκαηόλ e λεπκαηή nesta passagem sugerem não substância, mas
srcem. Era uma provisão srcinada de outro reino que não o natural ou físico. Portanto, a
frase “e essa rocha era Cristo” deve ser tomada num sentido metafórico. Este texto possui
uma forte conotação litúrgica, porque Paulo estava preocupado com as distorções do batismo
e com a Ceia do Senhor em Corinto.
liberdade cristã: (1) ela precisa ser usada para a glória de Deus (10.31); (2) ela precisa
ser usada para influenciar positivamente todos os tipos de pessoas (10.32); (3) ela
precisa ser exercida numa imitação do exemplo de Cristo [de autonegação], espelhado
pelo apóstolo (10.33 - 11.1).
A terceira seção nesta divisão maior é devotada ao assunto do culto público, onde
mais uma vez a liberdade estava sendo mal utilizada. Para os coríntios, a grandeza era
demonstrada por meio de auto-expressão e auto-promoção. Paulo os corrige ao dizer
que a submissão
público à tradição apostólica revelada era a forma madura de agir no culto
(11.2 - 14.40).
Aqui Paulo começa dizendo que as mulheres não deveriam usar sua liberdade de
modo a subverter seu papel divinamente instituído dentro da igreja (11.2-16). O ponto
136
crucial da questão em Corinto era a rejeição da tradição apostólica do véu. Paulo
argumenta que a liberdade deles deve ser acompanhada pela observância da tradição, já
que esta reflete a ordem estabelecida por Deus, ou seja, a cadeia de comando [Deus–
Messias – Marido – Esposa] por Ele instituída (11.2-6). Além do mais, a liberdade para
exercer os dons não permitia que a mulher ignorasse as razões para utilizar o véu (11.7-
16), isto é, a hierarquia na criação (com base na prioridade e posição, não no valor
intrínseco), a presença de anjos durante a adoração cristã pública, o testemunho da
natureza (o uso de ἀληί εξβνιαίνπ [anti peribolaiou] indica que o véu era a reação
espiritual esperada a uma característica física), e a prática universal da igreja.
A próxima
[paradosis ] emtradição (cf. oosuso
11.2) que de αξαδίδσκ
coríntios paradidōmi
estavam [violando ] em 11.23 e αξάδνζο
descaradamente era a Ceia do
Senhor. Eles a haviam transformado numa ocasião para egoísmo e segregação, e Paulo
os alerta que tal atitude não iria escapar da severa punição de Deus (11.17-34). Paulo
condenou a formação de partidos ou ―panelinhas‖ (11.17-19), que estavam levando os
coríntios mais abastados a ostentar sua riqueza e a humilhar os irmãos mais pobres. Eles
devoravam avidamente sua comida enquanto os menos favorecidos ficavam com fome,
quando a igreja se reunia para uma refeição de comunhão servida com a Ceia do Senhor
(11.20-22). Tal falta de ―discernimento do corpo‖ (cf. 11.29) significava, na prática, a
anulação do significado espiritual da Ceia.
Para se beneficiar completamente da Ceia do Senhor, os coríntios precisavam
compreender sua natureza e suas implicações para o corpo (11.23-34). A Ceia era tanto
um memorial da obra passada de Cristo quanto uma proclamação de Sua vinda futura, e
participar dela],com
(ξίκα [krima uma atitude
utilizada de egoísmo
num sentido ou impureza
genérico), como deera
fatocausa de coríntios
alguns disciplinajádivina
haviam experimentado (11.27-32). A comunhão na Igreja, Paulo conclui, deveria ser
uma ocasião de autocontrole e altruísmo (11.33-34). Os três capítulos seguintes lidam
com a questão de dons espirituais (ηά λεπκαηά [ta pneumatika]). Esta é uma área
em que podemos presumir que desinformação era uma das principais causas do
136
Há basicamente três pontos de vista acerca desta passagem. Alguns vêem as exigências
de Paulo como limitadas em termos de local e cultura, muito embora o princípio de submissão
ainda esteja operando hoje; outros, vêem as exigências como sendo supraculturais, uma vez
que sua base é puramente teológica e transcende a história; um terceiro grupo entende tanto
as exigências quanto o princípio subjacente como ligados à cultura e, de fato, já superados por
outras passagens das Escrituras (i.e. Gl 3.28). Este escritor crê que a segunda visão é a melhor
opção exegética. Suas razões para isto são: (1) ordem divina: Deus - Messias - Homem - Mulher
(vv. 3-6); (2) criação. a mulher srcinada do homem (vv. 7-8); (3) anjos: eles observam a
conduta dos crentes na reunião da igreja e ficariam ofendidos por ver uma mulher descoberta
[o que significaria insubordinação] (v. 10); (4) natureza: o cabelo comprido foi dado à mulher
como uma cobertura natural; esta deve ser correspondida por uma cobertura física em
reuniões públicas (vv. 13-15); (5) prática da igreja (v. 16).
problema. O propósito de Paulo nesta seção é mostrar que o uso dos dons espirituais
não deveria visar a glória ou edificação pessoal, mas a edificação do corpo numa atitude
de amor (12.1 - 14.40).
O espírito egoísta dominante em Corinto não permitia que eles vissem quão rica e
diversificadamente a igreja havia sido abençoada para servir o Deus Trino (12.1-31a).
Sua experiência anterior na idolatria certamente havia contribuído para sua ignorância e
para a manifestação de falsos dons, que explicava até a ocorrência de blasfêmias contra
Cristo
Paranoresponder
culto em aCorinto (12.1-3). Paulo explica que os verdadeiros dons, seu
essas tendências,
exercício, e seus resultados são intervenções soberanas do Deus Trino (Espírito, Filho e
Pai, respectivamente), dados individualmente para o progresso do corpo (12.4-11).137
Definição de manifestações do Espírito em
1Coríntios 12.8-10
Mensagem de sabedoria – Aplicação prática de conhecimento espiritual.
Mensagem de conhecimento – Percepção especial de realidades espirituais.
Fé – Capacidade de confiar em Deus e obter dEle respostas incomuns.
Dons de curar – Capacidade de curar sem recurso à medicina e sem depender da fé do
doente.
Realização de milagres – Desempenhar ações sobrenaturais no poder de Deus.
Profecia – Capacidade de predizer o futuro e revelar verdade divina.
Discernimento de espíritos – Percepção da srcem de fenômenos espirituais.
Variedade de línguas – Capacidade de expressar-se numa língua não aprendida.
Interpretação de línguas – Capacidade de traduzir de/para uma língua não aprendida.
3. DEFINIÇÃO DE MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO
A ilustração do corpo humano foi particularmente útil para demonstrar aos elementos
exclusivistas da igreja a importância da diversidade dentro da unidade (12.12-26). A
tese de Paulo, portanto, é que deve haver harmonia na Igreja para que ela funcione
como um corpo unido. Uma vez que eles haviam sido unidos pelo batismo do Espírito
de modo a formar um corpo (12.13), ter inveja dos dons de outras pessoas, ou
menosprezar o papel dos outros, eram atitudes contraproducentes que não contribuíam
com o propósito de Deus, o crescimento e o progresso do corpo.
Paulo conclui esta seção acerca do corpo ao citar vários papéis desempenhados por
indivíduos dentro do corpo, insinuando, portanto, que em sua busca frenética pelo
sobrenatural ou pelos dons miraculosos, os coríntios estavam correndo na direção
contrária ao plano de Deus para a Igreja (12.27-31a).
O caminho mais excelente de Paulo era que os coríntios demonstrassem amor em
seus relacionamentos, porque apenas quando usados em amor os dons iriam contribuir
para a maturidade espiritual (12.31b - 13.13). Com o uso de merisma e hipérbole, Paulo
argumenta que mesmo as realizações mais impressionantes, religiosas ou não, são
inúteis sem uma motivação de amor altruísta ἀγά
( [agapē], 13.1-3). A descrição das
características do amor não é ocasional ou separada do contexto da carta; como a tabela
abaixo indica, cada uma dessas características se relaciona a um ou mais problemas
mencionados na carta (13.4-7).

137
Este escritor crê que apenas Romanos 12.6-8 apresenta ραξίζκαηα. As listas em
1Coríntios 12.28-31 e Efésios 4.11 referem-se a pessoas dotadas de dons e suas atividades na
Igreja. A presente lista indica formas pelas quais os dons eram manifestos.
O amor
É paciente – O problema dos processos judiciais diante de pagãos.
É amável – O problema de carnes sacrificadas a ídolos.
Não é invejoso – A busca de superioridade por meio do uso dos dons.
Não é arrogante – A busca de superioridade por meio de discórdias.
Não é orgulhoso – Exibir riquezas na Ceia do Senhor; véu.
Não é rude – Rejeição dos irmãos mais pobres na Ceia do Senhor.
Não busca os próprios interesses – Uso imaturo da liberdade; carnes; maus líderes.
Não se ira facilmente – Invejas e discussões; processos.
Não guarda rancor dos erros – Processos.
Não se alegra com o mal – O problema do incesto e da imoralidade.
Alegre-se com a verdade – Incesto; as chamadas coisas lícitas.
Suporta todas as coisas – A questão da auto-restrição; processos.
Sempre crê – Desconfiança mútua; processos.
Sempre espera – A questão da disciplina na igreja e seu fruto.
Sempre persevera – Abrir mão de privilégios em favor dos irmãos.
4. RELAÇÃO DO AMOR AOS PROBLEMAS EXISTENTES EM CORINTO
Além do mais, em contraste com os dons que eram transitórios, a permanência do
amor torna-se o fator definitivo de crescimento de uma igreja (13.8-13).138
O capítulo 14 é a aplicação prática da informação fornecida no capítulo 12, e da
motivação oferecida no capítulo 13. Em resumo, Paulo diz aos coríntios que se
quisessem utilizar de forma apropriada seus dons, eles teriam que buscar e dar
prioridade para aquelas capacitações espirituais que iriam levar à edificação da igreja e
atender às instruções apostólicas acerca da adoração (14.1-40).
Na primeira parte desse capítulo (14.1-25), Paulo define o que é mais proveitoso ou
edificante para a igreja. Ele primeiro estabelece um valor de comparação entre línguas e
profecia, para mostrar que os coríntios estavam se concentrando no dom menos
importante (14.1-19). As duas razões contra a manifestação de línguas são sua natureza
não-conclusiva (14.6-12) e seus efeitos não-abrangentes quando ele é exercido sem o
complemento necessário da tradução e da profecia (14.13-19). Em segundo lugar, Paulo
estabelece uma comparação de resultados entre profecia e línguas (14.20-25), que
mostra as línguas como restritas principalmente ao uso como um instrumento de
julgamento contra a incredulidade dos judeus (ou descrentes), enquanto a profecia
possui um espectro mais amplo de efeitos sobre todos os tipos de descrentes.

138
Essa passagem é alvo de interpretações diversas. Alguns acham que ela se refere ao
fechamento do cânon do Novo Testamento, e relacionam-na à maturidade espiritual da Igreja.
Embora essa visão se relacione bem com o propósito geral da carta, não explica o
conhecimento final mencionado em 13.12. Outros crêem que ela se refere à morte de um
cristão, talvez pelas várias referências à cessação; isto, entretanto, não se encaixa com o
contexto nem com a palavra ηό ηέινλ (to telion). A outra possibilidade, minha favorita, é a de
que esses versículos referem-se à segunda vinda de Cristo, quando a maturidade da Igreja irá
chegar ao ápice de repente, quando a morte finalmente irá render-se a Cristo, e os cristãos
irão desfrutar uma comunhão sem impedimentos com o seu Senhor, e com pleno
conhecimento dEle.
Além de estabelecer uma prioridade para a busca de dons cf( . 12.31a), Paulo fornece
diretrizes para seu exercício no culto público. Disciplina e auto-restrição, de acordo com
a tradição apostólica eram a marca de maturidade no uso dos dons (14.26-40). Dentro
do princípio de variedade, tanto as línguas (14.27-28) quanto a profecia (14.29-33a)
deveriam ser limitadas e organizadas, buscando a edificação da igreja.
A proibição quanto à mulher falar na igreja (14.33b-36) tem levado alguns estudiosos
a postular um tipo de esquizofrenia teológica em Paulo, que permitia que elas falassem
no capítulo
mesma, elas11se eharmonizam,
as proibia aqui. Se,entram
e não entretanto, permite-se
em conflito. quedecada
O uso ιαιέσpassagem
[laleō] nofale por si
capítulo 14 deve ser entendido em conjunção com seu contexto de dons mal utilizados e
de perguntas sendo levantadas acintosamente durante a parte do culto dedicada à
profecia.139
Paulo conclui essa divisão com um resumo de seu ensino acerca dos dons e de seu
uso. o uso maduro e apropriado dos dons espirituais exige obediência às instruções
apostólicas, que possuem umstatus de mandamentos divinos, e a observância de suas
prioridades, no valor e exercício dos dons (14.37-40).
O capítulo 15 não é introduzido porεξί δέ[peri de], o que sugere que esta não é
uma parte das perguntas enviadas a Éfeso pelos coríntios. Relaciona-se, entretanto, ao
propósito final da carta, uma vez que a corrupção da doutrina eventualmente levava à
corrupção da moralidade,140 frustrando assim a maturidade cristã.
O centro
Parece do problema
que alguns era seestavam
em Corinto a ressurreição
negandoerapelo
umamenos
doutrina
isso,essencial para
talvez até a fé.
negando
totalmente a realidade da ressurreição. A correção de Paulo primeiro aponta para o fato
de que a fidelidade à realidade da ressurreição é essencial para a fé cristã (15.1-11). A
ressurreição não era apenas parte integral do Evangelho (15.3-4), era também
amplamente atestada como um fato digno de confiança (15.5-10). As testemunhas
oculares ainda podiam ser consultadas e o próprio pai espiritual deles havia visto o
Senhor ressurreto! Abrir mão disso seria abandonar um fato da tradição cristã deles
(outro exemplo do verbo αξαδίδσκ [paradidōmi]). Em segundo lugar, ele declara que
negar a ressurreição implica a impossibilidade da ressurreição de Cristo, que equivale a
uma negação da fé cristã (15.12-19). Ele demonstra, mais adiante, que a realidade da
ressurreição de Cristo é o alicerce indispensável para a esperança cristã e para a
autêntica vida cristã (15.20-34).
Aqui Paulo detalha
argumentando que assimo plano
comode Deustinha
Adão parasido
a redenção definitiva
o instrumento de umamundo
de trazer morte, caído,
um
Cristo ressurreto era o instrumento necessário para redimir o homem e seu mundo da
morte, e para restabelecer o governo legítimo de Deus sobre todas as coisas. De
qualquer forma, os coríntios deveriam estar cientes de tais fatos, pois até mesmo as
pessoas envolvidas em cultos pagãos (os mistérios eleusinos, muito populares em
Corinto naquela época) agiam com a convicção de que a ressurreição era uma realidade
(15.29).141

139
O uso do verbo δαιέγεζα (δαιεγεζηα) em Atos 17.2, 17; 19.8-9; e 20.7, sugere que
um estilo de profecia conversacional era comum na igreja primitiva. Portanto, a proibição de
Paulo seria a ruptura ou o domínio do diálogo, violando o papel de submissão da mulher. As
limitações paulinas seriam, então, o uso do véu, e um papel não autoritário, não didático
durante o ensino no culto público.
140
Paulo faz isso ao citar a tragédia de Menandro, Taís, dando a entender, por metonímia,
que as ὁκιία ααί (homiliai kakai) vinham daquelas pessoas que negavam a ressurreição.
141
Este versículo tem recebido uma grande variedade de interpretações. Três das mais
comuns são: (1) os crentes vivos eram vicariamente batizados (ὑέξ, [huper]) em favor dos
Seu terceiro argumento é que a ressurreição não é uma idéia absurda, uma vez que
seu princípio opera na própria natureza, ou seja, que suas maiores expressões de vida
procedem de formas inferiores, e que há manifestações crescentes de glória entre as
diversas partes da criação (15.35-49). O uso de sementes (transformação subterrânea) e
de estrelas (glória visível) cria um contraste notável que destaca a humildade presente
do homem e a glória final da vida ressurreta.
Seu argumento final (15.50-58) é de que a ressurreição é uma realidade necessária
para a αξνπζία
cristãos [parousia
mortos serão ], a época
ressurretos para em que os crentes
se unirem, vivosincorruptíveis,
com corpos serão transformados
à esferae os
maior da vida, onde Deus habita (cf. 1Tm 6.16). Essa passagem complementa
1Tessalonicenses 4.13-18 acerca do arrebatamento; a carta anterior indica o fato, e esta
passagem fornece seus detalhes. O gráfico abaixo indica porque os coríntios teriam tido
tantos problemas ao aceitar o fato da ressurreição; o desejo deles de competir com a
elite intelectual da Grécia não era apenas uma característica imatura, mas também um
perigo insidioso para seu compromisso cristão. A exortação de Paulo em 15.58 revela
sua preocupação com a estabilidade espiritual e fidelidade a Cristo na conduta deles.

Razões filosóficas para os problemas com


a ressurreição em Corinto
Epicureus Negavam qualquer possibilidade de vida depois da morte.
Criam que a alma do indivíduo se fundia com a divindade, o que
Estóicos equivalia à perda da existência individual.
Negavam veementemente a possibilidade de ressurreição corpórea, a
Platônicos despeito da crença na imortalidade da alma.
Se a sinagoga tivesse uma orientação dos saduceus, eles iriam negar a
Judeus possibilidade da ressurreição (cf. Mt 22.23).
5. OS CORÍNTIOS E A RESSURREIÇÃO
Na divisão final de sua carta, Paulo lida com uma variedade de assuntos. Ainda
assim, suas palavras revelam um coração compassivo, ansioso por alcançar aquilo que
iria trazer benefícios para as outras pessoas. Portanto, ele encoraja os coríntios a
levarem adiante a arrecadação para os pobres em Jerusalém (16.1-4).
Os planos de Paulo para o futuro revelam sua preocupação com as pessoas a quem
ele havia ministrado. Seu desejo de estar em Corinto e partilhar da vida deles era
genuíno (16.5-7), bem como o seu desejo de aproveitar ao máximo a abertura da Ásia
para o Evangelho (16.8-9; cf. Atos 19.10). A preocupação de Paulo com Timóteo e seu
encorajamento a Apolo para mais uma vez ministrar em Corinto fornece um exemplo da
maturidade que Paulo buscava provocar entre os cristãos ali (16.10-12). O fato de que
Paulo encorajava um ―rival em potencial‖ (pelo menos aos olhos dos coríntios) a
ministrar onde sua imagem havia sido tão manchada é uma lição notável de altruísmo.
A conclusão (16.13-24) encoraja a maturidade ἀκδξίεζε
( [andrizesthe], v. 13), o
amor, e a pureza na devoção dos coríntios a Cristo (16.22), cuja graça Paulo deseja para
eles.

ESBOÇO SINTÉTICO
crentes que haviam morrido sem receber o batismo; (2) os crentes vivos eram batizados para
preencher as fileiras cristãs, tomando o lugar dos crentes mortos; e (3) cristãos eram batizados
na expectativa da ressurreição. Este escritor prefere considerar a referência de Paulo a esta
prática como uma repreensão aos coríntios por terem abandonado uma doutrina na qual até
os pagãos apoiavam suas vidas.
Mensagem
A verdadeira maturidade espiritual na vida de uma igreja desenvolve
relacionamentos de amor sob o poder libertador e a graça unificadora de Cristo.
I. Introdução (1.1-9).
A. Os escritores são identificados (1.1).
B. Os leitores são identificados (1.2).
… por seu relacionamento (1.2a).
… pela sua posição (1.2b).
… pelo seu chamado (1.2c).
C. A saudação aos leitores (1.3).
D. A oração de Paulo em favor dos crentes de Corinto expressa sua gratidão pela obra de
Cristo entre eles (1.4-9).
1. As razões para a gratidão de Paulo são encontradas na obra de Cristo pelos coríntios e
entre eles (1.4-6).
• Ele os colocou sob a graça (1.4).
• Ele lhes deu a capacitação espiritual (1.5).
• Ele realizou a sua conversão espiritual (1.6).
2. A razão para a carta é sugerida (1.7-9).
• Lidava com a questão dos dons (1.7a).
• Lidava com a questão da volta de Cristo (1.7b).
• Lidava com a questão da maturidade (1.8).
• A expectativa de Paulo estava alicerçada na fidelidade de Deus (1.9).
II. A maturidade espiritual verdadeira não busca a divisão, mas a unidade do corpo (1.10 -
4.21).
A. O problema das divisões vem de uma percepção errônea da mensagem do evangelho
(1.10 - 3.4).
1. Os coríntios haviam perdido a percepção da centralidade da pessoa de Cristo (1.10-17).
• O problema é definido como falta de unidade (1.10-11).
• O tratamento inadequado das diferenças de opinião levou à formação de grupos rivais
(1.12).
• O fato de que todas as bênçãos cristãs estão centradas em Cristo, e não no homem e em
suas tradições, argumenta em favor da unidade da igreja (1.13-17).
2. Os coríntios haviam perdido a percepção da centralidade da missão de Cristo (1.18-25).
• A missão de Cristo revela a sabedoria e o poder de Deus (1.18).
• As Escrituras provam que a natureza do homem é reagir contra a simplicidade do plano de
Deus (1.19).
• A missão de Cristo foge do critério pelo qual os homens não salvos avaliam sucesso e
valor (1.20-25).
- Nem a sofisticação religiosa nem a intelectualidade secular podem apropriar-se da

- Ossabedoria de Deus
instrumentos (1.20-21).
humanos de medição são inadequados para o plano de redenção do
homem (1.22-23).
- Apenas os homens salvos podem perceber como a missão de Cristo realiza as maiores
aspirações da humanidade (1.24-25).
3. Os coríntios haviam perdido a percepção do padrão do chamado de Cristo para eles
(1.26-31).
• A constituição de sua assembléia deveria ter-lhes ensinado que a sofisticação não é o que
agrada a Deus (1.26).
• O chamado deles como povo de Deus servia para mostrar quão inútil é a sofisticação
humana como base de vanglória (1.27-29).
• Os privilégios que o chamado de Cristo lhes dava apontavam para Ele como seu ponto de
convergência (1.30-31).
4. O ministério de Paulo em Corinto era a prova de que a essência do Evangelho não é
encontrada na sabedoria humana (2.1-16).
• A base de seu ministério não era a eloqüência, mas o poder do Espírito de Deus (2.1-5).
• O conteúdo de seu ministério não era a sabedoria humana, mas uma sabedoria
sobrenatural ensinada pelo Espírito para os agentes da revelação (2.6-16).
5. A imaturidade espiritual dos coríntios evita que eles percebam a verdadeira natureza da
mensagem apostólica (3.1-4).
B. O problema das divisões vem de uma concepção errônea do ministério cristão (3.5 -
4.21).
1. Os coríntios estavam apegando-se a homens e abandonando sua lealdade mais
importante, ao Senhor da obra (3.5-9).
2. Aqueles que reivindicavam a liderança com base em seu pregador favorito
demonstravam não se importar com a grande responsabilidade, à luz do juízo de Cristo
(3.10-17).
3. A divisão da igreja com base na sabedoria humana ou no nome dos mensageiros do
Evangelho é tolice, à luz das riquezas que Cristo torna disponíveis para os crentes (3.18-
22).
4. As divisões com base na avaliação humana dos mensageiros do Evangelho são incorretas
porque apenas o juízo de Deus é perfeito e definitivo (4.1-5).
5. As divisões alicerçadas em preferências pessoais revelam a imaturidade dos coríntios
com relação aos ministros que eles diziam seguir (4.6-13).
6. A correção iria vir apenas se a igreja se submetesse à reprovação apostólica (4.14-21).
• Timóteo traria uma repreensão terna (4.14-17).
• Paulo iria trazer uma disciplina mais dura para os coríntios insubordinados (4.18-21).
III. A verdadeira maturidade espiritual não busca a auto-indulgência, mas a unidade em
pureza para o corpo (5.1 - 6.20).
A. A imoralidade entre os membros da igreja deve ser disciplinada para que esta possa
recobrar sua pureza e alcançar a maturidade (5.1-13).
1. A complacência da igreja com o problema do incesto é condenada (5.1-2).
2. A disciplina para o transgressor é definida (5.3-5).
3. A complacência arrogante dos coríntios com o pecado compromete a pureza da igreja
(5.6-8).
4. A atitude exigida por Paulo contra os pecadores impenitentes que alegavam ser irmãos é
a rejeição e a excomunhão (5.9-13).
B. Os processos de crentes contra crentes em Corinto deviam cessar, porque destroem a
unidade da igreja e seu testemunho na comunidade (6.1-11).
1. O absurdo dessa prática frustra o apóstolo Paulo (6.1).
2. As disputas legais entre os crentes devem ser resolvidas dentro da igreja (6.2-8).
… porque os cristãos irão julgar o mundo (6.2-3).
… porque não faz sentido pedir que os incrédulos, que não têm discernimento, decidam as
questões dos crentes (6.4-5).
… porque buscar soluções com incrédulos revela a falência espiritual dos coríntios (6.6-8).
3. A tentativa de lesar um irmão para tirar proveito é inconsistente com a nova posição dos
coríntios (6.9-11).
• Tal atitude é tão ruim quanto os pecados que não deixam que os pagãos entrem no reino
de Deus (6.9-10).
• A nova posição dos coríntios é de justiça e santidade por meio do Espírito Santo (6.11).
C. A atitude irresponsável dos coríntios para com o uso do corpo deve ser alterada se a
igreja deseja alcançar a maturidade espiritual (6.12-20).
1. Paulo corrige duas premissas falsas dos coríntios (6.12-14).
• O crente é absolutamente livre (6.12).
• O sexo é uma função biológica simples, como comer (6.13-14).
2. A santidade que Deus atribui ao corpo humano exige a pureza sexual como um meio de
glorificá-lO (6.15-20). Portanto ...
• Quem está unido com Cristo não pode se envolver em imoralidade sexual (6.15-17).
• Quem se dá à impureza sexual está destruindo sua própria vida (6.18).
• Quem se mantém sexualmente puro cumpre o propósito de Deus para o corpo [que
significa a maturidade nessa área da vida] (6.19-20).
… ao honrar a presença do Espírito Santo (6.19a).
… ao respeitar a propriedade de Deus sobre o seu corpo (6.19b).
… ao valorizar o alto preço que o Filho pagou para a redenção (6.20).
IV. A verdadeira maturidade espiritual não busca o bem-estar individual, mas o bem-estar
comum (7.1–14.40).
A. As questões acerca do casamento são tratadas de umaforma madura, levando em
consideração os mandamentos do Senhor e o conselho do apóstolo (7.1-40).
1. O casamento é desejável como um estado no qual as necessidades básicas de uma pessoa
são supridas (7.1-9).
• O celibato é uma opção para os crentes (7.1).
• A satisfação sexual mútua é a norma de Deus para o casamento (7.2-4).
• A abstinência sexual no casamento é uma possibilidade, mas apenas temporariamente
(7.5-6).
• O celibato entre os cristãos é aceitável, mas depende de uma capacitação especial de Deus

• Os(7.7).
crentes solteiros devem escolher sua condição de acordo com a medida de sua
capacitação divina (7.8-9).
2. A estabilidade da família é o alvo para o crente em obediência a Cristo e a Seu apóstolo
(7.10-16).
• A permanência do casamento é uma ordenança de Cristo para os casais cristãos (7.10-11).
• Equilíbrio e harmonia são os fatores principais em relacionamentos matrimoniais mistos
(7.12-16).
- O casamento nunca deve ser quebrado pelo crente (7.12-14).
• por uma questão de mandamento (7.12-13).
• por uma questão de lógica (7.14).
- visando a santificação do companheiro.
- visando a santificação dos filhos.
- A separação imposta pelo incrédulo não deve ser resistida pelo crente (7.15-16).
• Deus não deseja uma vida de conflito para o crente (7.15).
• O cristão não tem garantia de que seu(sua) compa-nheiro(a) incrédulo(a) irá se
converter (7.16).
3. A estabilidade é o ideal divino para os cristãos em cada situação de vida (7.17-24).
• As situações individuais diante de Deus devem ser aceitas (7.17).
• A condição racial-religiosa de um indivíduo não precisa ser alterada (7.18-19).
• A condição social de um indivíduo não precisa ser alterada, mas oportunidades nessa área
precisam ser plenamente aproveitadas (7.20-23).
• As situações individuais diante de Deus precisam ser aceitas (7.24).
4. A liberdade para abraçar o ministério pelo Senhor em tempos difíceis é o ideal proposto
por Paulo para os solteiros e viúvos (7.25-40).
• A proposta de Paulo vem de sua própria experiência (7.25).
• Preferivelmente, um cristão não deveria mudar sua situação de vida durante situações de
crise (7.25-27).
• A situação atual de crise torna o casamento menos atrativo (7.28-31).
- O casamento, embora santo, traz consigo certas pressões peculiares (7.28).
- A urgência da hora exige o sacrifício de lealdades terrenas (7.29-31).
- A proposta de permanecer no celibato busca maior liberdade para uma consagração
completa para a obra de Cristo (7.32-35).
- A decisão de levar adiante os planos de casamento é individual e não envolve pecado
(7.36-38).
- A liberdade dos(as) viúvos(as) para o recasamento depende do novo cônjuge ser cristão
(7.39-40).
B. As questões relacionadas com a liberdade cristã são resolvidas de uma forma madura
quando os privilégios são desfrutados com discernimento e interesse pelos outros (8.1

11.1).
1. As questões relacionadas à liberdade cristã são resolvidas de uma forma madura quando
os privilégios são desfrutados com interesse pelos outros (8.1-13).
• Decisões baseadas somente no conhecimento, sem amor, revelam imaturidade e
insensibilidade (8.1-3).
• O fato dos ídolos nada serem não evita que irmãos mais fracos sejam desencaminhados
pelo uso egoísta da liberdade cristã (8.4-8).
• A insistência em desfrutar da liberdade cristã às custas de um irmão espiritualmente mais
fraco é uma ofensa contra o sacrifício expiatório de Cristo (8.9-12).
• A decisão madura proposta por Paulo é restringir a liberdade pessoal por causa do bem-
estar coletivo (8.13).
2. A renúncia aos direitos apostólicos por parte de Paulo ilustra a atitude madura que ele
espera dos coríntios na questão da liberdade cristã (9.1-27).
• Os direitos de Paulo a sustento e cuidado das igrejas são afirmados com base em sua
autoridade, nos exemplos da vida diária, e nas Escrituras (9.1-12).
- Os direitos de Paulo a sustento e cuidado das igrejas são afirmados com base em sua
autoridade (9.1-6).
- Os direitos de Paulo a sustento e cuidado das igrejas são afirmados com base nos
exemplos da vida diária (9.7, 11-12a).
- Os direitos de Paulo a sustento e cuidado das igrejas são afirmados com base nas
Escrituras (9.8-10).
• Os direitos de que Paulo abriu mão são encontrados em todas as religiões e são garantidas
pela própria palavra de Cristo (9.12b-15a).
• A renúncia de Paulo aos seus direitos visava o progresso do Evangelho (9.12b).
• A renúncia de Paulo foi além das expectativas de todas as religiões e além do próprio

- A mandamento
renúncia aos de Cristo
seus (9.13-15a).
direitos dá a Paulo a liberdade para pregar o evangelho com base em
obediência genuína sem motivos escusos (9.15b-18).
• Sua pregação altruísta é uma razão para se gloriar (9.15b).
• Sua motivação como uma pessoa chamada para pregar o evangelho não vem de
motivos escusos (9.16-18).
• A renúncia de Paulo aos seus direitos visava ganhar o máximo possível de pessoas para
Cristo (9.19-23).
• A renúncia de Paulo aos seus direitos significava tornar-se um servo para todos os
tipos de pessoas (9.19).
• A renúncia de Paulo aos seus direitos significava adaptar-se a seus ouvintes (9.20-22).
• A renúncia de Paulo aos seus direitos significava uma tentativa constante de se
envolver com o Evangelho (9.23).
• O apelo para que os coríntios sigam os passos de Paulo na renúncia aos seus direitos é
reforçado pela ilustração do atleta (9.24-27).
-- A
O corrida
exemplocristã exigenaa mesma
de Paulo corrida renúncia
cristã é dea renúncia
direitos que a vida de
a direitos, umvistas
com atletaa(9.24-25).
alcançar seus
alvos ministeriais e ser aprovado como ministro (9.26-27).
3. Os tristes resultados do mau uso dos privilégios por Israel servem como alerta para os
coríntios (10.1-13).
• Os altos privilégios nacionais de Israel não garantiram a bênção individual para todos
(10.1-5).
- Eles partilharam da libertação (10.1).
- Eles partilharam na identificação com o libertador (10.2).
- Eles partilharam da provisão (10.3-4).
- A grande maioria não partilhou da recompensa da Terra Prometida (10.5).
• O mau uso dos privilégios pelos israelitas e a punição que se seguiu alertam os coríntios
contra sua arrogância espiritual em meio à tentação (10.6-13).
- O mau uso dos privilégios que levou Israel a se entregar a pecados grosseiros e a sofrer a
punição divina serve como alerta para a igreja (10.6-11).
… Israel entregou-se à cobiça (10.6).
… Israel entregou-se à idolatria (10.7).
… Israel entregou-se à imoralidade (10.8).
… Israel entregou-se à obstinação (10.9).
… Israel entregou-se à murmuração (10.10).
- Os erros do passado servem como exemplo para aqueles que vivem no final dos tempos
(10.11).
- O exemplo assustador de Israel motiva os coríntios a desistir de sua arrogância e a buscar
ajuda divina (10.12-13).
• A queda é sempre uma possibilidade (10.12).
• A ajuda de Deus é sempre uma certeza (10.13).
4. A liberdade dos cristãos não lhes dá o privilégio de partilhar das festas pagãs (10.14-22).
• Contexto cultural. Sacrifícios em templos pagãos eram oportunidades para socializar e
comer carne (de graça!).
• Os cristãos são exortados a fugir da idolatria em vista de sua comunhão íntima com Cristo
e Seu corpo (10.14-17).
• Um cristão que aceita participar numa festa pagã onde os demônios são adorados profana
sua comunhão com Cristo (10.18-22).
- A história de Israel demonstra que quem participa de uma refeição cerimonial, participa
do sacrifício que a precedeu (10.18).
- Partilhar de uma refeição no templo de um ídolo envolve alguma comunhão com o
demônio que está por trás do ídolo [que em si mesmo não é nada] (10.19-20).
- Partilhar de adoração idólatra é negar a singularidade do Senhor nosso Deus (10.21-22).
5. Anos
liberdade
encorajacristã não nos dá
a considerar o direito
primeiro as de desfrutar indiscriminadamente
necessidades de tudo,
daqueles ao nosso redor antes de
e a glória
Deus (10.23 - 11.1).
• A liberdade é limitada pelo bem comum (10.23-24).
• Contexto cultural. O mesmo tipo de carne, vendida no mercado por um preço menor, e
oferecida numa refeição na casa de alguém.
• A liberdade pode ser exercida nesta situação doméstica (10.25-26).
• A liberdade pode ser exercida no contexto da casa de um amigo não-cristão (10.27).
• A liberdade em qualquer contexto deve ser regulada pela possibilidade de escândalo
[interno/externo] (10.28-30).
• A liberdade dos coríntios deve ser exercida com objetivos altruístas, de acordo com o
exemplo de Paulo (10.31 - 11.1).
- Deve ser usada para a glória de Deus (10.31).
- Deve ser usada para influenciar positivamente a outros (10.32).
- O exemplo altruísta de Paulo deve ser imitado, uma vez que se srcina em Cristo (10.33 -

C. A11.1).
maturidade espiritual na esfera da atividade religiosa não é demonstrada por meio da
auto-expressão e autopromoção, mas por meio da submissão à tradição apostólica
revelada (11.2 - 14.40).
1. As mulheres cristãs não devem usar sua liberdade para subverter seu papel divinamente
instituído dentro da igreja (11.2-16).
• A liberdade para exercer os dons na assembléia exige a observância da tradição do véu,
que reflete a ordem estabelecida por Deus (11.2-6).
• A liberdade para exercer dons na assembléia não permite que alguém ignore as razões
para o uso do véu (11.7-16).
- A ordem na criação exige isso (11.7-9).
- A presença de anjos exige isso (11.10).
- A ordem
prática natural exige
apostólica emisso (11.11-15).
outras igrejas exige isso (11.16).
2. A Ceia do Senhor não pode ser realizada em um ambiente de egoísmo e segregação
(imaturidade) sem a severa punição de Deus (11.17-34).
• O egoísmo e a segregação durante a Ceia do Senhor em Corinto tiram a aprovação de
Paulo para a igreja (11.17-22).
- O egoísmo e a segregação se manifestam na formação de partidos que, embora úteis às
vezes, prejudicam a igreja (11.17-19).
- O egoísmo e a segregação na Ceia do Senhor fazem dela uma cena patética (11.20-22).
• Alguns cristãos ostentavam sua riqueza com excesso de comida e bebida, enquanto
outros passavam fome (11.20-21).
• Alguns cristãos humilhavam intencionalmente outros, trazendo vergonha para a igreja
e para a Ceia do Senhor (10.22).
• A oCeia dode
corpo Senhor
Cristodeve ser entendida de acordo com sua natureza e suas implicações para
(11.23-34).
- A Ceia do Senhor é um memorial e uma proclamação da obra de Cristo (11.23-26).
- A Ceia do Senhor possui implicações de disciplina física contra os cristãos egoístas que
não discerniam o corpo (11.27-32).
- A Ceia do Senhor deve ser desfrutada em unidade e altruísmo (11.33-34).
3. O uso de dons espirituais não deve visar glória ou edificação pessoais, mas a edificação
do corpo numa atitude de amor (12.1–14.40).
• A Igreja foi generosamente abençoada para funcionar como um corpo no serviço do Deus
Trino (12.1-31a).
- A necessidade de informação acerca dos dons espirituais é levantada pela possibilidade de
confusão nessa área (12.1-3).
• A necessidade de informação em Corinto se srcinava de seu envolvimento passado
com a idolatria pagã (12.1-2).
• A necessidade de informação em Corinto vinha da manifestação de dons falsos dentro
da igreja (12.3).
- A capacitação da igreja por meio dos dons espirituais vem de Deus por meio da ação do
Espírito Santo (12.4-11).
• O serviço cristão resulta da atividade das três pessoas da Trindade (12.4-6).
- O Espírito capacita com dons (12.4).
- O Filho oferece oportunidades para o serviço (12.5).
- O Pai garante o cumprimento da tarefa (12.6).
• A diversidade dos dons dados à Igreja visa seu bem comum (12.7-11).
- O propósito das manifestações individuais é o progresso do corpo (12.7).
- As manifestações do Espírito variam de pessoa para pessoa (12.8-10).
- As manifestações do Espírito são soberana e individualmente distribuídas (12.11).
- O uso apropriado dos dons é ilustrado pela diversidade e unidade dentro do corpo humano
(12.12-26).
• O corpo da Igreja, formado pelo Espírito, é um, como o corpo humano (12.12-13).
• O funcionamento adequado do corpo depende da harmonia entre suas partes (12.14-
26).
- A harmonia é quebrada quando as partes desprezam seu próprio papel e invejam as outras
partes (12.15-20).
- A harmonia é quebrada quando as partes desprezam o papel das outras partes (12.21-24a).
- A harmonia que Deus planejou para o corpo é demonstrada quando cada parte busca o
bem estar dos outros (12.24b-26).
- A variedade das funções no corpo de Cristo ordenado por Deus indica aos coríntios que
sua busca por dons miraculosos segue na direção oposta ao plano divino (12.27-31a).
• O uso maduro e apropriado dos dons espirituais exige um amor capaz de superar as
deficiências espirituais em Corinto (12.31b - 13.13).
- O usavam
amor oferece uma(12.31b).
seus dons alternativa para a forma invejosa que os coríntios buscavam e
- O uso dos dons espirituais sem uma motivação de amor torna inúteis até mesmo as
realizações mais impressionantes (13.1-3).
- As características do amor indicam que sua presença iria resolver a maioria dos problemas
encontrados em Corinto (13.4-7).
- A superioridade do amor como um meio para o crescimento da igreja repousa em sua
permanência (13.8-13).
- Os dons irão passar quando o plano de Deus estiver cumprido, ao passo que o amor
permanecerá (13.8-10).
- A vida oferece exemplos de coisas boas que são abandonadas em favor de coisas maiores
(13.11-12).
- O amor é superior às outras virtudes cardeais porque é permanente (13.13).
• O para
uso maduro
a igreja ee apropriado dosàsdons
a obediência espirituais
instruções exige a para
apostólicas buscaa ordem
do que na
é mais edificante
adoração cristã
(14.1-40).
- O uso maduro e apropriado dos dons espirituais exige a busca do que é mais edificante
para a igreja (14.1-25).
• A comparação de valor entre línguas e profecia indica que os coríntios estavam se
concentrando no que era menos importante (14.1-19).
- O dom de profecia é superior à manifestação de línguas (14.1-5).
- A manifestação de línguas não é a mais desejável devido à sua natureza não-conclusiva
(14.6-12).
• Línguas não contribuem diretamente para o bem da igreja (14.6).
• Línguas são susceptíveis a confusão (14.7-11).
• O desejo de usar dons espirituais exige a busca do melhor entre eles (14.12).
- Línguas
quem asnãousa
sãonem
as manifestações
quem as ouve mais desejáveis, porque, por si mesmas não edificam
(14.13-19).
• São úteis apenas quando a interpretação está presente (14.13-15).
• São válidas apenas quando seu uso traz edificação (14.16-17).
• Paulo preferia profetizar, embora fosse capaz de falar em línguas (14.18-19).
• O uso maduro e apropriado dos dons espirituais exige a busca daquilo que mais
impacta os incrédulos (14.20-25).
- Línguas servem para comunicar uma mensagem [de juízo] para os incrédulos [judeus]
(14.20-22).
- A profecia é mais eficaz para comunicar a verdade para os incrédulos (14.23-25).
- O uso maduro e apropriado dos dons espirituais exige obediência às instruções apostólicas
para a ordem na adoração cristã (14.26-40).
• O princípio básico é que a variedade de dons seja utilizada para a edificação (14.26).
• O uso das línguas deve ser limitado, organizado, e seguido por interpretação (14.27-
28).
• O uso da profecia deve ser limitado, organizado e administrado com autocontrole para
o propósito da edificação (14.29-33a).
• A participação das mulheres na adoração pública deve ser regulamentada pelo
princípio da submissão e pelas instruções dos apóstolos (14.33b-36).
• Resumo – O uso maduro e apropriado dos dons espirituais exige a obediência às
instruções apostólicas e a observância de suas prioridades (14.37-40).
V. A maturidade espiritual não se concentra na vida terrena, mas na vida ressurreta (15.1-
58).
A. A fidelidade à realidade da ressurreição é essencial para manter a fé cristã (15.1-11).
1. Os coríntios estavam vacilando em sua fidelidade à ressurreição (15.1-2).
2. A ressurreição é uma parte integral do verdadeiro evangelho (15.3-4).
3. A ressurreição é amplamente atestada como um fato digno de confiança (15.5-10).
4. A crença na ressurreição era um fato na vida dos coríntios (15.11).
B. A fidelidade à realidade da ressurreição é essencial para manter a esperança cristã viva e
a vida cristã autêntica (15.12-34).
1. A fidelidade à realidade da ressurreição é essencial para manter viva a esperança cristã
(15.12-28).
• É essencial para nossa esperança de salvação (15.12-19).
- As dúvidas dos coríntios acerca da ressurreição eram espantosas (15.12).
- A falta de uma ressurreição iria significar uma fé vazia, um testemunho falso, e uma vida
sem sentido para o cristão (15.13-19).
• É essencial para a nossa esperança na consumação do plano de Deus (15.20-28).
- A ressurreição é o penhor histórico do triunfo divino sobre o mal (15.20).
- A ressurreição é a provisão divina para a consumação do plano de Deus (15.21-22).
- A ressurreição é as primícias da vitória divina em Cristo (15.23-28).
2. A fidelidade à realidade da ressurreição é essencial para manter a vida cristã autêntica
(15.29-34).
• Negar a ressurreição era algo que nem mesmo as pessoas com uma visão distorcida da
vida cristã e do batismo fariam (15.29).
• Negar a ressurreição iria tornar sem sentido todos os perigos a que os apóstolos estavam
se expondo por causa de Cristo (15.30-32).
• Negar a ressurreição corrompe as perspectivas de vida e o comportamento cristão (15.33-
34).
C. A perspectiva futura para os cristãos é uma ressurreição semelhante à de Cristo (15.35-
58).
1. A realidade da ressurreição é ilustrada por exemplos da natureza (15.35-41).
2. A natureza da ressurreição é passar de uma esfera inferior de vida para uma esfera
superior em Cristo (15.42-49).
• A fraqueza terrena herdada de Adão dará lugar ao poder celeste em Cristo (15.42-44)
• A imagem terrena de Cristo dará lugar à imagem celestial em Cristo (15.45-49).
3. O processo da ressurreição inclui a transformação dos corpos dos crentes (15.50-57).
• Essa transformação é necessária para o acesso à glória de Deus (15.50).
• Essa transformação acontecerá num momento único para todos os cristãos, vivos e mortos
(15.51-52).
• Essa transformação é necessária para que o plano de Deus de conquistar a morte seja
cumprido nas vidas dos cristãos (15.53-57).
4. Conclusão – A esperança da ressurreição encoraja os cristãos a perseverar no serviço
com suas recompensas em vista (15.58).
VI. A maturidade espiritual busca benefícios para outras pessoas (16.1-12).
A. A coleta para os cristãos pobres na Judéia precisa ocorrer regular e generosamente entre
os coríntios (16.1-4).
B. Os planos de Paulo visavam benefício daqueles com quem ele tinha contato (16.5-12).
1. Sua presença em Corinto e a participação dos coríntios em sua vida são importantes para
ele (16.5-7).
2. Sua presença em Éfeso é necessária para o desenvolvimento de seu ministério (16.8-9).
3. Uma boa recepção para Timóteo entre os coríntios é uma preocupação de Paulo (16.10-
11).
4. O encorajamento de Paulo a Apolo para visitar Corinto revela seu altruísmo e seu
interesse pelo benefício da igreja (16.12).
VII. Conclusão (16.13-24).
A. Ajam de forma madura (16.13-14).
B. Recebam meus mensageiros com amor (16.15-18).
C. Recebam as saudações de nossos irmãos na Ásia (16.19-21).
D. Permaneçam puros e desfrutem a graça de Cristo (16.22-24).

O argumento de
2CORÍNTIOS
Questões introdutórias
TÍTULO
A carta é intitulada ΠΡΟ΢ ΚΟΡΙΝΣΙΟΤ΢ ,Βsegundo o nomen patrium dos seus
recipientes, com o indicador que a distingue da primeira carta.
DATA E AUTORIA
Há pouco debate quanto à data e à autoria desta carta. Ela foi escrita na Macedônia
(cf. 7.5; 8.1;9.2-4) por volta do final de a.D. 56, depois de Paulo deixar Éfeso a fim de
completar o circuito
oferta em dinheiro de acoleta
para igrejapela Macedônia
de Jerusalém. 142e Acaia em preparação para enviar a

Há abundantes evidências internas de que Paulo foi o autor da carta, principalmente


por causa da intensidade de emoção presente na carta e a variedade de detalhes
142
PARA UMA DISCUSSÃO DETALHADA DA SEQÜÊNCIA DE EVENTOS RELACIONADOS À CORRESPONDÊNCIA
CORÍNTIA, VEJA O ARGUMENTO DE 1CORÍNTIOS.
relacionados ao ministério de Paulo para Cristo. O autor duas vezes se identifica como
Paulo (2Co 1.1 e 10.1), e é muito improvável que um impostor retrataria um apóstolo
sob tais ataques, precisando defender com tanto vigor seu próprio apostolado.
A evidência externa para a autoria paulina da carta é razoavelmente boa. Embora não
seja mencionada por Clemente de Roma (a.D. 96), ela é citada por Policarpo (c. a.D.
105), Ireneu (c. a.D. 135), Clemente da Alexandria (c. a.D. 210) e Tertuliano (c. a.D.
215). Ela é alistada por Marcion (a.D. 140) e é também encontrada no Cânon
143
Muratoriano
UNIDADE (c. a.D. 180).
Este tem sido o cenário da mais feroz batalha sobre 2Coríntios desde que Semler
propôs pela primeira vez, em 1776, que os capítulos 10-13 eram srcinalmente uma
composição diferente.
Que este ponto de vista tenha obtido tão tremendo apoio144 é um tanto surpreendente,
visto que nenhuma evidência manuscritológica existe para sustentá-lo. Nenhuma das
variantes textuais encontradas para passagens como Marcos 16.9-20, João 7.53–8.11, ou
mesmo tão escassas quanto aquelas para Romanos 16, existem em qualquer porção de
2Coríntios! As bases para tal divisão são totalmente internas, tanto filológicas quanto
temáticas, baseadas em tentativas subjetivas de explicar a seqüência de eventos relativos
à correspondência coríntia enquanto se ignoram algumas das ligações entre as duas
cartas existentes.
Uma leitura
A primeira detalhada
abrange de 2Coríntios
os capítulos 1 a 7 e indica queo aministério
lida com epístola tem
e ostrês divisões
planos distintas.
do apóstolo
quanto aos coríntios; a segunda divisão abrange os capítulos 8 e 9, lidando com a
questão da participação coríntia na coleta para os santos na Judéia; finalmente, os
capítulos 10 a 13 formam a terceira divisão que lida principalmente com uma defesa do
apostolado de Paulo e como os coríntios reagiam a essa autoridade apostólica.
O primeiro desafio à unidade se encontra nos capítulos 10-13, os quais
aparentemente contradizem o espírito alegre da primeira seção e apresentam um ataque
tão cáustico aos opositores de Paulo que os estudiosos propõem que sejam parte de
outra carta, possivelmente a carta severa de 2Coríntios 2.3-4; 7.8,12.
O segundo desafio é o parágrafo de 6.14 a 7.1, que aparentemente quebra a
continuidade entre 6.13 e 7.2. Assim, alguns estudiosos propõem que este parágrafo é
parte da primeira carta escrita por Paulo aos Coríntios, que lidou com o problema da
imoralidade e foi mencionada
um redator, chamando-o de umaespecificamente em 1Coríntios 5.9; outros o atribuem a
interpolação não-paulina.
Uma solução conservadora para o problema é a adotada por Hiebert e Hughes, que a
carta severa é, na realidade, 1Coríntios.145 Embora o conteúdo de 1Coríntios
ocasionalmente se encaixe na descrição de uma carta escrita ―com muitas lágrimas‖,
não é impossível que Paulo tenha escrito outra carta mais dura do que a primeira

143
Murray J. Harris, “2 Corinthians,” ECB, 10:306.
144
Os seguintes comentaristas e estudiosos argumentam a favor de várias unidades distintas
que compõem o texto preservado de 2Coríntios. Alfred Plummer (A Critical and Exegetical
Commentary on 2 Corinthians, ICC), Werner Kummel(Introduction to the New Testament), Jean

Héring, The Second Epistle of Saint Paul to the Corinthians, Charles K. Barrett (A Commentary
on the Second Epistle to the Corinthians, HNTC), and Ralph P. Martin (2 Corinthians, WBC).

145
D. Edmond Hiebert, An Introduction to the New Testament, 2:140ss. Philip E. Hughes, Paul’s
Second Epistle to the Corinthians , NICOT, pp. xxix-xxx. Este ponto de vista antigo e venerado se
baseia na identificação entre o ofensor em 2Coríntios 2 e o homem que estava vivendo um
relacionamento incestuoso em 1Coríntios 5.
epístola canônica e ainda distinta de
2Coríntios 10-13. Guthrie afirma que ―este ponto de vista encontra menos dificuldades
do que os outros, embora nos deixe sem muitos dados para reconstruir o assunto da
carta.‖146 Este escritor prefere a segunda opção, ou seja, que houve uma carta perdida.
A questão da autenticidade de 2Coríntios 6.14–7.1 precisa ser abordada em três
níveis. Há, primeiro, o problema filológico de seishapax legomena do Novo
Testamento; segundo, há o problema temático de uma aparente quebra na continuidade
encontrada em 6.13 e 7.2;ἑαηνύο
paulina, ααξίζσκελ terceiro, ἀό
há umαληόο
problemaκνιπζκνῦ
teológico de uma expressão
ζαξόο não-
αί λεύκαηνο
(katharisōmen heautous apo pantos molusmou sarkos kai pneumatos ).
A questão de vocabulário não é um fator decisivo, pois também outras partes de
cartas paulinas contêm alta incidência dehapax legomena (cf.
1Co 4.7-13 e 2Co 6.3-10), 147 e 2Coríntios sozinha contém cinqüenta.148
A questão temática é até menos problemática, por qualquer uma das seguintes
razões: (1) Paulo era um divagador crônico, como a maioria dos comentadores
concorda.149 A possibilidade de uma quebra no ditado ou da chegada de notícias, ou
mesmo de uma lembrança, poderia ter feito com que Paulo mudasse de assunto. (2) Não
há nenhuma grande divergência de temas entre 6.13 e o parágrafo seguinte, visto que
Paulo poderia estar se referindo a uma área específica na qual os coríntios ainda
estavam relutando em sua lealdade à autoridade e ao ensino apostólico dele, a saber, sua
incapacidade deou
citação paulina abrir
umamão dasdivagação,
breve suas associações pagãs.
estes seis Harris opodem
versículos diz bem: ―Seja
indicar uma
o motivo
para esse elemento de inquietude e constrangimento (2Co 6.12-13; 7.2) que poluiu a
reconciliação dos coríntios com Paulo, ou seja, uma indisposição para renunciar a toda
transigência com a idolatria pagã.‖150
Terceiro, o uso ocasional da antítese entre carne e espírito não está além do alcance
teológico de Paulo, como fica evidente em Romanos 8, por exemplo. O uso singular do
incomum substantivo κνιπζκόο (molusmos) para expressar o conceito de impureza é
151
adequadamente abordado na seção sobre vocabulário acima.
Assim, pode-se argumentar validamente que não há motivo forçoso para extirpar
2Coríntios 6.14–7.1 da epístola, ora atribuindo a passagem a uma fonte não paulina (por
que alguém a inseriria neste local improvável?) ou a uma carta perdida (a carta anterior
mencionada em 1Co 5.9).
Este autor
afirmado crê que 2Coríntios
por Theodore Zahn. é, na verdade, uma unidade, como foi primorosamente

146
Donald Guthrie, New Testament Introduction, p. 437.
147
Ralph Martin, 2 Corinthians, p. 192, observa que estes são comuns naquilo que ele chama
de “explosões paulinas”, passagens onde todo o peso emocional de uma situação vem à tona
no vocabulário. Ele também indica outros três hapax legomena, que são citações diretas de
textos do Antigo Testamento e não devem ser vistas como palavras paulinas.
148
Hughes, 2 Corinthians, p. 242.

149 Veja Martin, 2 Corinthians, p. li, que cita D. Guthrie virtualmente palavra por palavra no
assunto(sem referências).
150
Murray J. Harris, “2 Corinthians,” ECB 10:303.
151
Pode ser que Paulo, depois de usar o verbo ααξίσ (katharizō) escolheu κνιπζκόο
(molusmos), que é menos comum, para evitar dois cognatos tão próximos um do outro.
Em espírito o leitor segue Paulo de Éfeso, por Trôade até a Macedônia (caps. i-vii); daí
permanece com ele por um momento nas Igrejas da Macedônia (caps. viii-ix);
finalmente ele é levado à consideração de condições na igreja em Corinto do ponto de
vista da futura visita de Paulo àquela cidade. As três seções da carta tratam,
respectivamente, o passado imediato com seus mal-entendidos e explicações, o presente
152
com seus problemas práticos, e o futuro com suas ansiedades.
CONTEXTO HISTÓRICO
Há um debate contínuo sobre este assunto, com grande variedade de pontos de vista
quanto ao número de cartas enviadas a Corinto (de três a nove) e o número de visitas
(três ou quatro)153. Meu resumo do fundo histórico de 1 e 2 Coríntios se encontra na
tabela abaixo.

Visitas de Paulo a Corinto e correspondência com a igreja


EVENTO REFERÊNCIA DATA
A igreja é fundada na segunda viagem. At 18.1-17 51
Paulo deixa Corinto e vai a Éfeso. At 18.18-19 53
Paulo faz uma ―constrangedora‖ visita a Corinto. 2Co 2.1; 12.14 54?

Paulo escreve a ―carta perdida‖. 1Co 5.9-13 55?


Relato negativo dos familiares de Cloé e carta de
1Co 1.11 e 7.11 56?
Corinto com perguntas.
Paulo escreve 1Coríntios. 1Coríntios 56
1Co 4.17; 16.10;
Paulo envia Timóteo e Erasto a Corinto. Final de 56
At 19.22
Crise em Corinto porque judaizantes não aceitam 2Co 10.10; 11.23;
56-57
a autoridade apostólica de Paulo. 12.6-7
Paulo escreve a carta pesarosa 2Co 2.3-9; 7.8-12 Final de 56
Paulo deixa Éfeso rumo a Trôade e não consegue
2Co 2.12-13 Meados de 57
encontrar Tito lá.
Paulo encontra Tito na Macedônia e ouve que o 2Co 7.6-16 Meados de 57
pior já passou em Corinto.
Paulo escreve 2Coríntios. 2Coríntios 57
At 19.21; 20.3;
Paulo visita Corinto pela terceira vez. Verão de 57
2Co 13.1
1. O CONTEXTO HISTÓRICO DE 2CORÍNTIOS
MOTIVO
A chegada de Tito. Dois fatores levaram Paulo a enviar 2Coríntios e ambos estavam
relacionados à chegada de seu assistente pastoral, Tito, à Macedônia. Paulo esperara
encontrar Tito em Trôade e a ausência de seu associado lá deixou Paulo tão inquieto que
ele deixou para trás uma vibrante oportunidade de ministério (2Co 2.12-13) e correu à
Macedônia. Lá ele encontrou Tito, que lhe trouxe boas e más notícias. A boa notícia era
que a maioria da igreja em Corinto reagira favoravelmente à ―carta severa‖ (2.4, 9; 7.6-
16). A má notícia era a existência de um grupo que continuava a se opor a ele e minar

152
Theodore Zahn, Introduction to the New Testament, 1:312.
153
Martin, 2 Corinthians, pp. xli-xlii; Harris, “2 Corinthians,” p. 302.
sua autoridade, agora sob o amparo de alguns homens que se declaravam superiores a
Paulo e mais dignos da obediência e do apoio da igreja.
Os opositores de Paulo. Os opositores de Paulo aparentemente eram judeus (11.22),
―agentes autodesignados da Judéia que apelavam para a autoridade dos Doze,
especialmente Pedro‖.154 Harris levanta quatro pontos para sustentar este ponto de vista:
(1) O termo ἗βξαίν (hebraioi, 2Co 11.22; cf. Fp 3.5) se refere a judeus de
descendência palestina, com referência à herança lingüística e cultural, especificamente.
(2) O contraste
―falsos irônico
apóstolos‖ que Paulo fez[pseudapostoloi
(ςεπδαόζηνιν entre ―os superapóstolos‖ (2Co 11.5;
], 11.13) implicava 12.11) e os
a tentativa
injustificada destes em apelar para aqueles em sua apropriação do apostolado. Estes
impostores pregavam ―outro evangelho‖ (εὐαγγέινλ ἕηεξνλ [euangelion heteron],
2Co 11.4). (3) De fato, tais atividades ilícitas não eram sem precedentes, visto que
algumas pessoas da Judéia tinham invocado a autoridade dos Doze sem sua autorização
(At 15.24; cf. Gl 2.4). (4) Finalmente, um grupo em Corinto já apelara a Jerusalém por
usar o nome de Pedro (1Co 1.12).155
Esses pseudolíderes declaravam ser apóstolos (11.5, 13; 12.11), mas pregavam um
falso evangelho (11.4) e estavam dominando, ameaçando e liderando com fins egoístas
(11.20). Eles eram judaizantes cujo ponto de contenda não era tanto a circuncisãocf.( Gl
6.12-13), mas, mais provavelmente, algumas condições menos conspícuas, como as leis
alimentares propostas pelo concílio de Jerusalém.156

emOCorinto.
conteúdo da declarações
Suas carta nos permite traçareram:
principais sua estratégia parade
(1) sua posse ganhar
cartaso de
controle da igreja
recomendação
(3.1); (2) suas habilidades retóricas (11.6); (3) suas visões e revelações (5.13; 12.1, 7);
(4) seus milagres (12.12); (5) sua suposta honestidade, implícita na sua disposição de
aceitar dinheiro (11.7;cf. 1Co 9.5-7, 11-12); (6) sua srcem palestina (11.22); (7) terem
sido discípulos de Cristo (10.7); (8) e sua suposta pregação do evangelho de Jesus
(11.4).
A fim de garantir seu controle recém-ganhado sobre os coríntios, estes pseudolíderes
tentaram minar e destruir a autoridade apostólica de Paulo. Eles atacaram Paulo de
todos os ângulos. Primeiro, sua aparência era impressionante a distância, mas fraca e
desprezível quando pessoalmente presente (10.1-2, 9-11; 11.6; 13.3, 4, 9); segundo, sua
autoridade era duvidosa, visto que não carregava nenhuma carta de recomendação (3.1;
10.13-14), e ele não podia mais curar, estando ele mesmo enfermo (12.7-10). Terceiro,
suas ações
planos eram questionáveis
(1.17-18; por ser ele
10.2-4) e mostrando-se imprevisível,
indigno constantemente
de confiança, mudando
visto que não recebiaseus
remuneração por seu ministério (11.5, 7-11, 13; 12.11-15; 13.3a, 6) mas tinha
organizado uma coleta para os santos em Jerusalém, cujos fundos alegadamente teriam
acabado em seus bolsos (12.16-18). Quarto, suaatitude era reprovável pela maneira
como ele exercia autoridade excessiva sobre seus convertidos (1.24; 7.2), em que ele se
vangloriava indevidamente (4.2, 5; 5.12; 6.4; 10.12, 18; 12.11), e que exagerava as
afirmações sobre suas experiências religiosas (5.13).
Argumento básico
PROPÓSITO
154
Harris, ”2 Corinthians”, EBC, 10:313
155
Ibid., pp. 312-314.
156
Harris, p. 313. David Lowery propõe duas alternativas para a identificação destes
inimigos: (1) Judeus helenistas; (2) Judeus de uma doutrina gnóstica ou docética que negava os
sofrimentos de Jesus e defendia uma teologia de glória como uma norma para a vida; The Bible
Knowledge Commentary, New Testament edition, pp. 552-553.
Nenhuma outra epístola paulina apresenta tantas dificuldades para o comentarista que
busca discernir um único propósito nela. Ela é, de fato, um livro de múltiplos
propósitos, criado para cumprir vários subpropósitos. Estes são os mais importantes: (1)
expressar alegria com o triunfo da verdade do evangelho em Corinto, reconhecendo a
―tristeza piedosa‖ e o arrependimento da maioria dos crentes lá; (2) expor a verdadeira
natureza e as verdadeiras intenções dos falsos mestres por meio de uma detalhada
descrição do ministério da Nova Aliança (1-7) e das verdadeiras credenciais de um
apóstolo (11-12); (3)
uma contribuição instigarpara
generosa os cristãos ementre
os pobres Corinto a cumprir
os cristãos nasua promessa
Judéia, de fazer
que demonstraria
ao mesmo tempo o amor cristão e a unidade de judeus e gentios em Cristo (8-9).
Estes subpropósitos podem ser combinados em um propósito geral para a carta como
se segue:
Reconquistar os coríntios a uma verdadeira lealdade ao evangelho confrontando a
sua aceitação de falsos mestres com um ministério r ealmente cristão e digno de ser
seguido.
DESENVOLVIMENTO
A preocupação de Paulo com o bem-estar de sua amada igreja coríntia envolvia mais
do que corrigir suas doutrinas e práticas errôneas. Pouco tempo depois de ser escrita
1Coríntios, uma nova leva de problemas surgiu, instigada por indivíduos que alegavam
possuir maior autoridade do que a de Paulo, e desviaram a igreja da lealdade ao apóstolo
e seus ensinamentos. Uma pessoa em particular parece ter liderado este grupo
antipaulino, e ele pode ser aquele mencionado em 10.7, que seria também a pessoa que
fora disciplinada em 2.5-11, embora esta última identificação seja questionada.
Uma visita mal sucedida resultou em insulto e tristeza pessoal para Paulo (2.5-8;
7.12), e isto provocou uma carta severa (2.3-4; 7.8-12; 10.10), carregada por Tito e
parcialmente eficaz em reduzir as tensões.
A segunda carta aos coríntios é fruto da preocupação de Paulo em relação ao sucesso
de Tito e a carta que ele carregava, tanto ao expressar o seu alívio pela melhora nas
atitudes para com ele em Corinto quanto ao dar voz às suas preocupações sobre a
capacidade dos coríntios para discernir entre ministros e ministérios dignos e indignos.
Os vários assuntos abordados dentro da carta (i.e., a mudança nos planos de Paulo
quanto à sua visita a Corinto, a explanação do fundo de auxílio, e a vindicação da
autoridade de Paulo) estão todos relacionados à questão de qual o tipo de ministério (ou
ministro) que os coríntios escolheriam seguir. Apesar do seu recente crescimento, eles
ainda tendiam para os judaizantes egoístas e arrogantes que haviam ―invadido o
território de Paulo‖ (10.12-18). A defesa que Paulo faz do seu ministério apostólico e de
sua autoridade apostólica, portanto, não é uma vindicação para lucro pessoal ou
elevação do ego, mas uma tentativa de colocar os coríntios no caminho certo pela
provisão de um modelo digno a seguir.
A carta começa com a saudação costumeira de graça e paz (1.1-2). Há uma indicação
do conteúdo da carta na apresentação de Paulo como um apóstoloδά ειήκαηνο ενῦ
(dia thelematos theou).
A introdução de Paulo é um pouco incomum ao dar graças a Deus não pelo que Ele
realizara em favor dos coríntios e por meio deles, mas pelo que Ele fizera pelo próprio
escritor. Esta porção (1.3-11) buscava indicar aos leitores que Deus definitivamente não
tinha terminado com Paulo como Seu instrumento, visto que Ele providenciara
abundantemente os recursos que fariam a vida e o ministério de Paulo uma bênção
contínua para os outros. A natureza específica da aflição de Paulo não é conhecida, mas
sua severidade é inquestionável. O veterano experiente chegara ao ponto de
ἐμανξῆλα … αί ηνῦ([ῆλ exaporēthēnai … kai tou zēn ], 1.8). Isto está de algum
modo relacionado ao ministério de Paulo na Ásia e pode ter precipitado algumas das
mudanças que seus adversários costumavam denunciar diante dos coríntios.
A primeira e maior divisão da carta propriamente dita começa a lidar com acusações
lançadas contra Paulo e acaba por desenvolver uma descrição completa do ministério
cristão sob a Nova Aliança (1.12– 7.16).
A fim de alcançar seu propósito de ganhar os coríntios de volta para a verdadeira
lealdade a Cristo, Paulo achou necessário provar que os recentes acontecimentos no seu
ministério não eram o produto de capricho humano ou insinceridade, mas o resultado da
operação da graça da nova aliança (1.12– 2.13).
Paulo primeiro
coríntios afirma
(1Co 16.5-7) nãoque os planos
foram mudadosrelatados
por queem
suasua comunicação
motivação prévia
para com com os
os coríntios
havia se deteriorado. Ele afirma que sua consciência estava limpa diante de Deus (1.12-
14) e que tinha pelos coríntios um amor fiel, que preferia sofrer a causar tristeza, que o
movera a mudar de duas visitas curtas para uma estadia mais prolongada em Corinto
(1.15–2.4). A menção de outra visita ἐλ ιύῃ([en lupē], 2.1) indica que ainda existiam
em Corinto problemas que precisavam de tratamento apostólico.
O próximo parágrafo trata sobre o assunto da disciplina que Paulo prescrevera para
um certo indivíduo na igreja. Paulo se defende de qualquer acusação de vingança ao
declarar revogada a disciplina já que seus efeitos haviam sido alcançados (2.5-11). Se
esse é o homem imoral de 1Coríntios 5 ou o instigador de 2Coríntios 7.12, a
preocupação de Paulo não era a sua própria reputação, mas o bem-estar da igreja.
O último parágrafo enfatiza a preocupação de Paulo pelos outros, neste caso pelo seu
representante,
severa‖ que TitoTito, e o resultado
carregara, da sua mis
e preocupado comsão. Incerto quanto
o destino à reação
deste como coríntia
possível à ―carta
portador da
oferta coríntia, Paulo reforça a idéia de que sua mudança final de planos não fora outro
arroubo temperamental, mas o resultado de amor genuíno (2.12-13).
Começando com 2.14, Paulo expõe seu ponto de vista quanto ao ministério cristão
(2.14 – 6.10). O fator essencial é a graça da nova aliança, que fornece a dinâmica do
comportamento de Paulo em meio a muita oposição e aflição produzidas por serviço
leal a Cristo. Em vez de ver esta passagem como uma ―grande digressão‖157, este
escritor concorda com Martin que esta seção é, na verdade, o ―tema principal‖ da
carta.158
Em 2.14-17 Paulo louva a Cristo por Sua posição como conquistador, na qual Paulo
se tornou parceiro, seja como um escravo conquistado, seja como um soldado vitorioso.
Harris corretamente sugere que ―Cristo assumiu uma batalha que não lhe pertence por
159
direito,
capacitanós partilhamos
Paulo emfielmente
a ministrar um triunfoe que não nos
produzir pertencedepor
evidência di reito‖.genuíno,
ministério Isto sem
necessidade de louvor humano (3.1-3).
Este ministério é contrastado com o ministério mosaico a fim de ajudar os coríntios a
valorizarem seu privilégio, e também para fazer que eles contrastem a intrepidez e a
competência de Paulo, resultantes de um glorioso e vivo relacionamento com o Deus
Triúno (3.4-18), com a competência reivindicada pelos judaizantes (11.4, 13), baseada
numa tradição mosaica que ia aos poucos desaparecendo (3.11-13).
A próxima reivindicação de Paulo a um ministério legítimo parte da perseverança
dada pela esperança da nova aliança (4.1– 5.10). Os muitos obstáculos que Paulo
enfrentava no ministério não o podiam derrubar; a cegueira dos seus ouvintes não o
podia levar à desonestidade (4.1-6); os rigores do ministério e sua própria fragilidade
não o podiam desencorajar de servir a Cristo (4.7-15); a sempre presente possibilidade

157
Harris, “2 Corinthians,” p. 10:317.
158
Martin, 2 Corinthians, p. xxxvii.
159
Harris, “2 Corinthians,” p. 10:332.
de morte não o podia levar ao desespero por causa da esperança oferecida pela nova
aliança, da restauração interior na terra e da ressurreição eterna no céu (4.16– 5.10).
O clímax desta seção sobre ministério cristão surge em 5.11?- 6.2, onde Paulo
esclarece sua motivação interna e sua mensagem intrínseca. Amotivação de Paulo era
baseada no amor reconciliatório de Jesus, não na aprovação humana baseada em forma
exterior (5.11-13), no senhorio de Cristo sobre toda a vida (5.14-15), e nas mudanças
radicais que Ele propiciou para aqueles que a Ele vieram (5.16-17). Amensagem de um
ministério
pelo pecado.realmente
Esta eracristão é reconciliação
uma mensagem que osatravés de precisavam
coríntios Cristo, que foi
pôrnosso sacrifício
em prática em
suas vidas ao submeterem-se mais uma vez a Paulo como o representante indicado de
Deus. Seu perigo atual era desperdiçar a graça que os redimira (5.18 – 6.2).
Paulo se permite outro parágrafo apologético ao demonstrar seu genuíno
compromisso com o ministério (6.3-10). A sua aprovação vinha da sua disposição para
submeter-se a tribulações e traumas sem fazer concessões, aproveitando ao máximo os
paradoxos do ministério. Rebaixado pelos homens, ele se regozijava na aprovação de
Deus; humilde na estimativa dos homens, era rico e importante aos olhos de Deus.
A longa descrição que Paulo fez do ministério é interrompida por uma preocupação
pastoral. Depois de abrir o coração na descrição da sua conduta, ele pede que os
coríntios façam o mesmo (6.11-13). Paulo, que nunca foi homem de pedidos vagos,
explicou bem o que deveria ser feito. os coríntios precisavam abandonar suas
associações pagãs
objetivo do seu (6.14– 7.4).
ministério, Só assimem
maturidade eles alcançariam
santidade o quedePaulo
no temor considerava
160
Deus. A lista de o
práticas deploráveis em 12.20-21 demonstra que a exortação de Paulo neste parágrafo é
uma parte integral da sua epístola.
Os dois temas, ministério cristão e a vindicação da lealdade de Paulo aos coríntios, se
mesclam enquanto ele descreve a alegria do verdadeiro ministro– o crescimento na vida
daqueles a quem ele ministra (7.4-16). Reconhecendo a resposta positiva dos coríntios e
o seu tratamento cordial para com Tito, Paulo prepara seus leitores para o segundo item
de sua agenda epistolar, a questão da participação deles no fundo de auxílio.
Esta porção da carta (8.1?–?9.15) tem dois propósitos: ela encoraja os coríntios a
cumprirem suas promessas de apoio para o fundo de auxílio e, ao mesmo tempo,
fornece uma defesa de como Paulo lida com assuntos financeiros, visto que
aparentemente havia pessoas em Corinto que questionavam sua honestidade e suas
motivações. Paulo primeiro
em Corinto (8.1-7), estabelece
e então exorta os macedônios
os coríntios como
com base um padrão a ser
na generosidade seguido
máxima de
Cristo, a Encarnação (8.8-12). Em tudo isto, Paulo esperava plenamente que Deus Se
mostrasse fiel em suprir o que fosse necessário àqueles que contribuíssem em
obediência (8.13-15).
A próxima seção introduz as pessoas que Paulo designara como os encarregados das
doações coríntias (8.16-24). A excelente reputação desses homens os tornava
administradores ideais. A esta altura, Paulo mostra como levava a sério o risco de
desacreditar o ministério (6.3); ele não se satisfazia apenas com fazer o que era certo,
querendo antes que toda essa operação multi-igreja permanecesse visível e acima de
qualquer suspeita.
Paulo não era apenas responsável. Ele também era amável, positivo, na maneira
como expressava suas expectativas aos coríntios (9.1-5), pondo ênfase no compromisso
deles, não na sua própria autoridade. Esta exortação termina com um lembrete dos

160
Em vários lugares na epístola Paulo enfatiza a idéia de crescimento ou maturidade,
usando palavras diferentes. Aqui ele usa ἐηέισ (epitelō), enquanto em 10.15 ele emprega
αὐμάλσ (auxanō), νἰνδνκέσ (oikodomeō) em 12.19, αηάξηζο (katartisis) em 13.9 e
αηαξηίσ (katartizō) em 13.11.
benefícios outorgados por Deus sobre aqueles que contribuem generosamente - provisão
e participação na Sua glória.
A terceira e maior porção da epístola é uma confrontação direta entre as más
doutrinas e práticas dos pseudo-apóstolos e a realidade de Cristo na vida de Paulo. Em
10.1-18 Paulo responde às acusações lançadas contra ele. Os ataques à sua coragem
moral são confrontados pela promessa de uma demonstração de poder espiritual na
chegada (10.1-6). A questão de autoridade é invocada quando Paulo responde aos
ataques contra
que poderia sua força
incluir moral,sobrenatural
disciplina prometendocf.
( o At
uso13.10-11).
de sua plena autoridade apostólica,
O último ataque a ser contido e voltado contra os oponentes de Paulo estava
relacionado aos seus direitos ministeriais (10.12-18). Aqueles que reivindicavam o
direito de liderar os coríntios acusavam Paulo de violações territoriais, aos quais o
apóstolo respondeu reivindicando Corinto não só como seu território no passado, mas
como seu trampolim para o futuro (10.15-16).161
Da defesa contra os ataques que sofria, Paulo parte para autenticar seu ministério
diante dos coríntios (11.1– 12.13). Embora em sua própria estimativa tal defesa fosse
ἀθξνζύλ (aphrosunē), ele a achou necessária para que a igreja decidisse corretamente
que tipo de líder ela queria seguir.
Nos primeiros quatro versículos, Paulo descreve seu anseio pela verdade na vida dos
Coríntios (11.1-4); no parágrafo seguinte Paulo se refere jocosamente aos seus
oponentes como ―super
de conhecimento -apóstolos‖,
e serviço afirmando
sacrificial (11.5-12)sua superioridadecomo
e tachando-os sobreo eles
que em
elestermos
de fato
eram, servos de Satanás (11.13-15).
Ao descrever, a seguir, os sofrimentos que o seu ministério gerara, Paulo confronta
sua vida abnegada com a folga em que viviam os que se auto-intitulavam apóstolos
(11.16–12.10). A lista inclui tanto aqueles sofrimentos que foram gerados por
problemas na proclamação, tais como perseguição, maus-tratos e desastres naturais
(11.16-33), quanto aqueles sofrimentos relacionados aos privilégios que Deus lhe
outorgara (12.1-10).
A última reivindicação de Paulo vem do exercício da sua autoridade apostólica por
meio de sinais (12.11-13). Sua referência aos ―superapóstolos‖ sugere que a
comparação terminou.162
A última área em que Paulo confronta o mal no ministério em Corinto é sua
incansável busca
materialmente de aperfeiçoamento
à custa para seus
deles (12.14– 13.10). Ao filhos
tentar espirituais sem se beneficiar
ganhar os coríntios de volta à
total lealdade a Jesus, Paulo lembra seu serviço desinteressado a eles (12.14-18),
lamenta a falta de obediência a Cristo por parte deles (12.19-21), promete chegar ao
fundo dos problemas que ainda restavam (13.1-4), preparando-se para administrar
disciplina, mas ainda esperando reconciliação (13.5-10).
A saudação final (13.11-13) contém uma exortação ao aperfeiçoamento mútuo
(αηαξηίεζε [katartizesthe]) e à união, uma saudação e uma bênção.

ESBOÇO SINTÉTICO

Mensagem
161
Como 2Coríntios precede Romanos por alguns meses, estes versículos parecem ser uma
alusão ao Projeto Ocidental de Paulo, que ele especificamente menciona em Romanos 15.
162
As suas referências aos ὑεξιίαλ ἀόζηνιν (huperlian apostoloi) em 11.5 e 12.11
formam um inclusio para esta seção.
Um ministério digno de ser seguido reflete o poder da vida na nova aliança àqueles
cuja lealdade a Cristo ele busca renovar.
SAUDAÇÃO (1.1-2)
I. Introdução: Um ministério digno de ser seguido exulta na abundante provisão que Deus
faz dos recursos necessários para que o ministro seja uma bênção para outros (1.3-11).
A. O louvor é devido a Deus pelo consolo divino que transforma o sofrimento por Cristo
em uma avenida para o ministério aos outros (1.3-7).
B. A gratidão é devida a Deus, cuja intervenção em resposta à oração livrou Paulo da morte
e o capacitou à dependência (1.8-11).
II. Um ministério digno de ser seguido encontra na graça da nova aliança sua
determinação e dinâmica (1.12 – 7.16).
A. Um ministério digno de ser seguido encontra suadeterminação na graça da nova
aliança mesmo em meio à mudança imprevista e crítica injusta (1.12 - 2.13).
1. As recentes ações de Paulo em relação a Corinto eram motivadas não por segundas
intenções, mas pela graça de Deus nele (1.12-14).
• Sua consciência testifica da sinceridade das suas motivações (1.12).
• O conteúdo da sua comunicação anterior com os coríntios não deixa margem para má
interpretação das suas motivações (1.13-14).
2. A recente mudança dos planos de Paulo era motivada não por capricho, como se dizia,
mas por amor fiel que prefere sofrer a causar tristeza (1.15 - 2.4).
• O plano srcinal de duas visitas estava baseado na sinceridade motivada pelo padrão de
fidelidade de Deus (1.15-22).
• O plano revisado de uma visita está baseado num sincero desejo de evitar tristeza
renovada aos coríntios (1.23 - 2.4).
3. A exigência anterior que o ofensor seja disciplinado não era motivada por vingança,
como se alegava, mas por genuína preocupação, como seu atual perdão demonstra (2.5-
11).
• A natureza geral da ofensa em termos da igreja indica que o motivo de Paulo para a
disciplina não era uma vingança pessoal (2.5-6).
• O sua
conselho e a promessa
motivação deoperdão
srcinal era de Paulo
bem estar à luz
da igreja da disciplina eficaz demonstram que
(2.7-11).
4. A mudança final dos planos de Paulo não era motivada por capricho egoísta, mas por
uma verdadeira preocupação por Tito e pelo resultado da missão dele (2.12-13).
B. Um ministério digno de ser seguido encontra suadinâmica na graça da nova aliança
apesar das aflições e ansiedades que enfrenta (2.14 - 6.10).
1. Um ministério digno de ser seguido encontra seuvalor no relacionamento que a nova
aliança provê entre o ministro e Deus (2.14 - 3.18).
• O triunfo dado por Cristo em meio às aflições capacita o ministro a dispensar fielmente a
palavra de Deus (2.14-17).
• A autenticação dada pelo Espírito na vida dos convertidos capacita o ministro a dispensar
elogios humanos (3.1-3).
• A Aliança
competência dada por Deus confere a Paulo confiança como um ministro da Nova
(3.4-6).
• A alegria maior dada por uma contemplação direta de Deus na pessoa de Cristo por meio
do Espírito confere ao ministro intrepidez e liberdade (3.7-18).
- A eterna Nova Aliança mediada pelo Espírito é mais gloriosa do que a temporária Aliança
Mosaica mediada pelo homem (3.7-11).
- A certeza de glória maior traz intrepidez na proclamação e liberdade na transformação
espiritual (3.12-18).
2. Um ministério digno de ser seguido encontra suaperseverança em meio às tribulações
na esperança fornecida pela Nova Aliança (4.1 - 5.10).
• Ministros da nova aliança permanecem sinceros, sem lançar mão do engano, frente à
cegueira induzida por Satanás (4.1-6).
• Ministros da nova aliança permanecem contentes, sem reagir com desânimo frente a sua
própria fragilidade e os rigores do ministério (4.7-15).
• Ministros da Nova Aliança permanecem esperançosos, sem cair no desespero frente à
constante ameaça
(4.16 de
morte, por causa das realidades da restauração, ressurreição e
recompensa - 5.10).
- A esperança é mantida pela realidade da restauração espiritual em meio à deterioração
física (4.13-18).
- A esperança é mantida pela realidade da ressurreição para a imediata presença do Senhor
(5.1-8).
- A esperança é mantida pela realidade da recompensa diante doβῆκα (bēma) de Cristo
(5.9-10).
3. Um ministério digno de ser seguido encontramotivação e mensagem no amor
reconciliador de Jesus Cristo (5.11 - 6.2).
• Um ministério digno de ser seguido encontra suamotivação no amor reconciliador de
Jesus Cristo (5.11-17).
- A motivação de Paulo não era a aprovação humana baseada no exterior (5.11-13).
- A motivação de Paulo era o senhorio de Cristo, demandado por Seu amor sacrificial (5.14-
16).
- A motivação de Paulo era o novostatus dado pela nova vida em Cristo (5.16-17).
• Um ministério digno de ser seguido encontra suamensagem no amor reconciliador de
Jesus Cristo (5.18–6.2).
- A mensagem e o ministério de reconciliação foram confiados a Paulo por Deus, o Autor
da reconciliação (5.20 - 6.2).
- A mensagem aos coríntios recalcitrantes era praticarem a reconciliação que tinham
recebido, submetendo-se a Paulo como representante designado por Deus (5.20– 6.2).
4. Um ministério digno de ser seguido encontra suarecomendação em atitude e
comportamento positivos em meio à dificuldade (6.3-10).
• O padrão de Paulo nunca foi fazer que os outros rejeitassem sua mensagem por causa do

• A seu comportamento
recomendação (6.3).como um servo de Deus vinha da sua disposição para sofrer
de Paulo
dificuldades por amor ao ministério (6.4-5).
• A recomendação de Paulo como um servo de Deus vinha da sua atitude positiva no
ministério (6.6-7).
• A recomendação de Paulo como servo de Deus vinha do fato dele aproveitar ao máximo
os paradoxos do ministério apostólico (6.8-10).
C. Um ministério digno de ser seguido apela à lealdade demonstrada em contínua pureza à
luz de genuíno amor dedicado aos coríntios e sua resposta positiva anterior (6.11 - 7.4).
1. O amor genuíno de Paulo para com os coríntios pede uma resposta equivalente deles
(6.11-13).
2. O apelo de Paulo é que os coríntios abram mão do apego às coisas não cristãs a fim de

• O desfrutarem
motivo para aprovação
o apelo dedePaulo
Deusé (6.14 - 7.1).
a incompatibilidade entre a posição deles em Cristo e
suas antigas práticas (6.14-16a).
• O objetivo do apelo de Paulo é o crescimento na santidade pela consistente separação do
mal com base nas promessas de Deus (6.16 - 7.1).
3. O comportamento genuíno e as esperanças otimistas de Paulo para com os coríntios
pedem deles uma resposta de amor (7.2-4).
D. Um ministério digno de ser seguido encontra suaalegria em meio à aflição ao ser o
agente de crescimento na vida de outros (7.5-16).
1. As notícias de Tito sobre mudança de atitudes em Corinto aliviaram as ansiedades de
Paulo na Macedônia (7.5-7).
2. A notícia sobre o arrependimento induzido por Deus e impulsionado por sua carta
transformou a decepção de Paulo em júbilo (7.7-13a).
3. A alegria de Paulo pelo arrependimento dos coríntios é aumentada por sua evidência na
maneira como receberam Tito (7.13b-16).
III. Um ministério digno de ser seguido lida sábia e generosamente com recursos da igreja
(8.1?-?9.15).
A. Um ministério digno de ser seguido mistura exemplo e exortação de modo a encorajar a
contribuição (8.1-15).
1. A generosidade incomum demonstrada pelos macedônios estabelece o padrão da
expectativa de Paulo para os coríntios (8.1-7).
2. A graça ímpar demonstrada por Jesus Cristo ao esvaziar-se para o nosso enriquecimento
estabelece o motivo para a exortação de Paulo a que os coríntios cumpram seu
compromisso financeiro (8.8-12).
3. A provisão incomum de Deus para as necessidades do Seu povo é o modelo para o
projeto de Paulo de apoio gentio para as necessidades dos cristãos judeus (8.13-15).
B. Um ministério digno de ser seguido mostra-se responsável e amável ao lidar com
assuntos financeiros (8.16 - 9.5).
1. O envolvimento de Tito, Lucas (?) e do irmão fiel como administradores do fundo de
auxílio garante a prestação de contas diante do público cristão (8.16-24).
2. A maneira como Paulo pede ação urgente em relação ao fundo de auxílio foi amável, pois
apelou ao compromisso deles e não à sua autoridade apostólica (9.1-5).
C. Um ministério digno de ser seguido encoraja a generosidade ao destacar sua provisão e
sua promessa (9.6-15).
1. A generosidade é encorajada pelo princípio de que Deus amorosamente provê o
enriquecimento daqueles que contribuem com alegria (9.6-11).

2. Alembrados
generosidade é encorajada
em oração pela promessa
como resultado de que Deus
da contribuição será louvado e os coríntios serão
(9.12-15).
IV. Um ministério digno de ser seguido confronta o mal em mensagem e em experiências
práticas com Cristo (10.1-13.10).
A. Um ministério digno de ser seguido atesta sua autoridade com base em suas realizações
(10.1-18).
1. A resposta de Paulo aos ataques feitos contra sua coragem moral é prometer uma
demonstração de poder espiritual na disciplina de crentes recalcitrantes quando ele
retornar a Corinto (10.1-6).
2. A resposta de Paulo aos ataques contra sua força moral é prometer que ele fará uso da sua
autoridade apostólica não apenas em carta, mas também durante sua estadia em Corinto
(10.7-11).
3. A resposta de Paulo aos ataques contra os seus direitos ministeriais é reivindicar Corinto
como seu território legítimo e seu trampolim para um ministério mais abrangente
(10.12-18).
B. Um ministério digno de ser seguido afirma sua autenticidade com base em atributos
apostólicos (11.1-12.13).
1. Um ministério autêntico anseia pela verdade na vida do seu povo (11.1-4).
2. Um ministério autêntico atenta para as suas forças (11.5-12).
3. Um ministério autêntico aborrece a mentira em nome de Cristo (11.13-15).
4. Um ministério autêntico avalia-se pelos sofrimentos que gerou (11.16-12.10).
• Um ministério autêntico avalia-se pelos sofrimentos relacionados aos problemas que gera
para o minístro (11.16-33).
• Um ministério autêntico avalia-se pelos sofrimentos relacionados aos privilégios que gera
para o ministro (12.1-10).
5. Um ministério autêntico aquilata-se pelos seus sinais sobrenaturais (12.11-13).
C. Um ministério digno de ser seguido almeja o aperfeiçoamento daqueles que alcança sem
se beneficiar das vantagens que outros gozam (12.14-13.10).
1. Um ministério digno de ser seguido se doa gratuitamente para o progresso dos outros
(12.14-18).
2. Um ministério digno de ser seguido lamenta o crescimento incompleto daqueles que
alcança (12.19-21).
3. Um ministério digno de ser seguido se esforça para chegar ao fundo dos problemas e da
disciplina que estes requerem (13.1-4).
4. Um ministério digno de ser seguido se prepara para a ação disciplinar enquanto espera
produzir reconciliação (13.5-10).
V. Saudações e Bênção (13.11-14).163

O argumento de
GÁLATAS
Questões introdutórias
TÍTULO
O título grego desta epístola éΠΡΟ΢ ΓΑΛΑΣΑ΢(pros galatas), refletindo o nomem
patrium da região em que as igrejas endereçadas se localizavam.
AUTORIA
Historicamente Gálatas desfruta de uma aceitação plena de sua autoria paulina.
Desde os primórdios ela recebeu atestação externa forte. Clemente de Roma, Ea pístola
de Barnabé, Policarpo (Epístola aos Filipenses) e O Pastor de Hermas têm alusões a
ela. Marcion a colocou em primeiro lugar no seuApostolicon, e ela é citada por Justino
Mártir, Ireneu, Tertuliano e Clemente de Alexandria, todos os quais a atribuem a
Paulo.164
Internamente, o autor duas vezes se identifica como Paulo (1.1; 5.2) e apresenta-se
como o fundador das igrejas (4.19-20), e alguém que tinha uma enfermidade física
(4.13). Isto põe a autoria paulina além de qualquer questionamento.
DESTINAÇÃO E DATA
A tradição antes apoiava solidamente o distrito geográfico da Galácia, localizado na
parte setentrional da província romana da Galácia. Isso colocaria a composição de
Gálatas durante a terceira viagem missionária de Paulo, visto que as igrejas teriam então
sido fundadas durante a segunda viagem missionária cf.( At 16).
No século XIX, contudo, uma nova teoria foi proposta que passou a destinação da
Galácia geográfica para a política, mais especificamente na porção sulina da província

163
A NVI segue algumas versões inglesas ao dividir o versículo 13 em duas partes, chegando
assim a 14 versículos, contra os treze versículos de outras Bíblias em português.
164
Henry C. Thiessen, Introduction to the New Testament, pp. 212-213.
romana, onde Paulo fundara igrejas durante sua primeira viagem missionáriacf.( At 13-
14).
Argumentos para estes pontos de vista opostos são considerados abaixo:
Teoria da Galácia do Norte: (a) a palavra ―gálatas‖ deveria ser considerada em seu
sentido étnico, como é sugerido pelo epítetovolúvel (cf. o De Bellum Gallicum IV.5 de
Júlio César); (b) a narrativa de Lucas em At 16 não concorda com as palavras de Paulo
em Gl 4.13, 14 quanto à sua―enfermidade física‖; (c) Lucas parece empregar o termo
Galácia numem
missionária sentido
Atos popular,
16.6. Elevisto que ele não a emprega
consistentemente mencionanomes
até a segunda viagem
geográficos como
Panfília (13.13), Pisídia (13.14) e Licaônia (14.6); (d) a tradição afirma que a referência
era às igrejas do norte; (e) a absoluta falta de menção do concílio de Jerusalém sugere
que algum tempo já havia se passado para que as decisões não parecessem tão fortes
como haviam sido uns cinco anos antes; (f) esta teoria fornece tempo suficiente para
todos os eventos e visitas descritos em Gálatas 1 e 2.
Teoria da Galácia do Sul: (a) A melhor maneira de interpretar Atos 16.6 é
considerá-lo uma referência à parte frígia (étnica) da província romana da Galácia
[política]; 165 (b) a falta de informação sobre as igrejas gálatas do norte em Atos é um
silêncio eloqüente, visto que havia tanto em jogo lá; (c) a menção de Barnabé seria
inútil se as igrejas em Gálatas houvessem sido fundadas na segunda viagem missionária,
quando Barnabé não era mais o companheiro de Paulo. Gálatas 2.13 sugere que ele era
conhecido intimamente
de usar nomes pelos
geográficos. Naleitores;
verdade,(d)
elePaulo
usavanão precisava
títulos seguir
provinciais o hábito de Lucas
muito
consistentemente quando se referia à localização de igrejascf. ( Gl 1.2; 1 Co 16.19); (e)
a gramática de Atos 16.6 permite uma atividade restritiva do Espírito subseqüente à
viagem deles à Frigia e à Galácia. O particípio aoristoσιπέληεο (kōluthentes) não
significa necessariamente ação antecedente ao particípio aoristoδειόληεο
(dielthontes, At 16.6);166 (f) a ausência de qualquer menção ao concílio de Jerusalém
indica que a carta foi escrita antes que aquelas decisões obrigatórias fossem tomadas.
Isto explicaria a insegurança de Pedro quanto ao contato com gentios. Depois do
concílio, tal comportamento teria sido surpreendente; (g) ηό ξόηεξνλ (to proteron) em
Gl 4.13 não significa ―a primeira vez‖ como se implicasse uma segunda visita [terceira
viagem]. Significa ―uma vez, anteriormente, antes‖.167
A preferência pessoal deste autor é pela teoria da Galácia do Sul, embora ele
reconheça
À luz deo tal
peso da tradição
escolha quantoa favor da Galácia
à destinação do Norte.sua data precisa ser designada ao
da epístola,
período do intervalo entre a primeira e a segunda viagem missionária de Paulo. A data
exata depende de (1) a questão de Paulo ter visitado os gálatas uma vez ou duas antes de
escrever a carta, baseada em 4.13; e (2) a identificação da segunda visita de Paulo a
Jerusalém em 2.1.
Optando-se por duas visitas antes de escrever a carta, a data precisa ser entre a.D. 52
e 57, provavelmente durante a permanência de Paulo em Éfeso,168 ou durante sua
165
Isto fica complicado quando se aceita o Texto Majoritário, que tem dois artigos, ηήλ
θξπγίαλ αί ηήλ γαιαηήλ(ρώξαλ tēn phrugian kai tēn galatikēn chōran). Uma explicação
possivel para este problema seria propor que ali a conjunção αί (kai) tem o sentido de “isto
é”.
166
Esta é a leitura do Texto Majoritário. Nestle-Aland (27ª ed.) tem o indicativo aoristo
δῆινλ (diēlthon).
167
Walter Bauer, W. F. Arndt, W. Gingrich, A Greek-English Lexicon, p. 729.
168
Assim prefere James M. Boice, “Galatians”, EBC 10:420. Porém, Boice adota uma data de
52 A.D.
permanência em Corinto, pouco tempo depois da composição das epístolas aos
Tessalonicenses.169
Optando-se por apenas uma visita à Galácia, um ponto de vista reforçado pelo
advérbio ηαρέσο (tacheōs) em 1.6, a escolha natural seria de ter Antioquia como o lugar
da composição, e uma data antes do concílio de Jerusalém, assim tornando Gálatas a
primeira epístola de Paulo.170 Isto porém, exige uma explicação adequada de Gálatas
1.13–2.16 e a cronologia dos primeiros anos de Paulo como um apóstolo. A questão
chave é ―Qual
A minha visita é a mencionada
preferência é a visita de em Gálatas
auxílio 2.1, a(a)
porque: visita de auxílio
Se Atos ou do concílio?‖
15 estivesse em vista,
Paulo teria dado aos seus opositores base para dizer que ele ocultara evidência que
provaria sua dependência dos apóstolos de Jerusalém; (b) as decisões do concílio de
Jerusalém são completamente omitidas em Gálatas, onde elas teriam sido vitais à luta de
Paulo contra os judaizantes; (c) a visita em Gálatas 2 é particular, limitada ηaνῖο
δννῦζλ (tois dokousin), não como em Atos 15; (d) se Gálatas 2 for identificado com
Atos 15, não seria necessário que Paulo repreendesse Pedro tão severamente em
Antioquia, pois a questão teria sido resolvida recentemente em Jerusalém; (e) o número
de 14 anos, algumas vezes considerado excessivo para encaixar-se na cronologia do
Novo Testamento, pode ser explicado da seguinte maneira:

a. Os 14 anos precisam ser considerados desde a sua conversão, como o texto de


Gálatas certamente permite (embora não o exija).
b. O costume judaico de contar uma parte de um ano como um ano poderia reduzir 14
anos contados a apenas 12 anos cronológicos mais alguns meses. Assim, a conversão de
Paulo teria acontecido por meados de A.D. 35, e a visita de Gl 2.1 no final de A.D. 47.
c. A fome precisa ser posicionada entre 46–48, possivelmente em 47. Esta hipótese
presume que Lucas intencionalmente trocou a ordem cronológica de Atos 11 e 12
porque queria situar todos os primeiros ministérios gentílicos dentro de uma mesma
porção da sua obra.
d. O comportamento de Pedro em Antioquia (assim como a incoerência implícita de
Barnabé) torna impossível que Gálatas 2.11-16 tenha ocorrido depois do concílio de
Jerusalém, tornando assim impossível trocar a ordem de Gálatas 2.1-10 e 2.11-16.
A tabela seguinte resume a posição adotada acima:

Uma cronologia da atividade apostólica inicial de Paulo


A crucificação de Cristo. Lucas 23 3 de abril, 33
Dia de Pentecostes. Atos 2 24 de maio de 33
Pedro e João diante do Sinédrio. Atos 4 Verão 33
A morte de Ananias e Safira. Atos 5 33-34
A posição de Gamaliel quanto ao
Atos 5 34-35
cristianismo.
O martírio de Estevão. Atos 7 Abril 35

169
Assim prefere D. Edmond Hiebert, An Introduction to the New Testament, 2:87-88.
170
Esta é a minha preferência pessoal. Donald Guthrie, New Testament Introduction, pp.
461-463, e Harold W. Hoehner, “Chronology of the Apostolic Age”, Notas de aula de
Cronologia Bíblica, Seminário Teológico de Dallas verão 1988, optam por esta data e
localidade.
A conversão de Paulo. Atos 9 Verão 35
Atos 9.8-25; Gl Verão 35 a verão
Paulo em Damasco e na Arábia.
1.16-17 37
Atos 9.26-29; Gl
A primeira visita de Paulo a Jerusalém. Verão 37
1.18-20
Atos 9.30; Gl
Paulo ministra na região de Tarso. Outono 37
1.21
As primeiras conversões gentias. Atos 10-11 40-41
Barnabé se muda para Antioquia. Atos 11.19-24 41
Barnabé traz Paulo a Antioquia. Atos 11.25-26 Primavera 43
Ágabo prediz fome. Atos 11.28 Primavera 44
Herodes Agripa ordena a execução de Tiago. Atos 12.1-23 Primavera 44
Atos 11.30; Gl
A visita de auxílio (2ª) de Paulo a Jerusalém. Outono 47
2.1-10
Outono 47 a
Paulo e Barnabé ministram em Antioquia. Atos 12.25–13.1
primavera 48
Primavera 48 a
A primeira viagem missionária. Atos 13-14 outono 49
Pedro ministra em Antioquia. Gl 2.11-16 Outono 49
Gálatas é escrita em Antioquia. Outono 49
A visita de Paulo a Jerusalém (3ª) para o Atos 15 Outono 49
concílio.
Paulo e Barnabé retornam a Antioquia. Atos 15.24-41 Inverno 49-50
FUNDO HISTÓRICO
Dos destinatários. Os γαιάηα (galatai) eram srcinalmente uma tribo indo-ariana,
ligada aos celtas ou gauleses. No início do século III a.C. uma parte da tribo invadiu a
Macedônia. Depois de serem derrotados pelos gregos em 278 a.C., seus remanescentes
atravessaram o Helesponto até a Ásia Menor, onde causaram mais distúrbios até que
Átalo I, rei de Pérgamo, os derrotou e fixou limites ao seu território em torno de três
cidades, Ancira (atual Ancara), Pessino e Távio, entre os rios Halis e Sangário.
Seu histórico de assédio aos povos vizinhos continuou até que os romanos entraram
em cena e conquistaram o seu reino em 189 a.C. Osγαιάηα foram então usados pelos
romanos como um Estado-tampão contra os reis de Pérgamo. Mesmo durante a guerra
contra Mitridates, rei de Ponto, eles permaneceram leais a Roma, e como resultado o
seu reino foi generosamente expandido por seu suserano. Por volta de 40 a.C., algumas
das regiões mencionadas em Atos, tal como Pisídia, Frígia e Licaônia foram
adicionadas ao seu território.
Todo o reino foi doado para os romanos e feito província do império depois da morte
do seu último rei, Amintas, em 25 a.C. Nos tempos do Novo Testamento a população da
Galácia, a província, era bastante mista, incluindo descendentes etnicamente puros dos
gauleses,171 romanos, judeus e gallograeci.172 A escolha da Galácia do sul como a
171
Três tribos compunham o grupo de ocupadores srcinais, os Tolistobogii, os Tectosages, e
os Trocmi. Estes adotaram a religião dos habitantes nativos mas retiveram a sua própria como
uma identificação étnica até o século II A.D. (W. M. Ramsay e C. J. Hemer, “Galatia”, ISBE,
2:378). Isto sugere que tentativas de determinar a destinação da carta apelando à volubilidade
dos gálatas/gauleses não é um argumento muito forte (cf. J. B. Lightfoot, Saint Paul’s Epistle to
the Galatians, pp. 13ss.).
destinação da epístola exige que este último grupo, gentios de raças miscigenadas,
sejam os recipientes da carta, visto que gauleses de sangue puro mantinham seus centros
srcinais de população no norte.
Da epístola. O pano de fundo de Gálatas é a controvérsia legalista que deu ocasião
ao concílio de Jerusalém em Atos 15.
Paulo e Barnabé tinham visitado a parte sul da província romana da Galácia em sua
primeira viagem missionária (At 13-14; a.D. 48-49). Depois de seu retorno a Antioquia,
Pedro visitou2.11-16.
em Gálatas aquela igreja, e por ocasião dessa visita aconteceu a controvérsia relatada
A questão claramente percebida por Paulo era a natureza tanto da justificação quanto
da santificação; seriam elas produtos exclusivos da fé ou seria exigida alguma medida
de lealdade à Lei? Que toda a questão estava longe de ser resolvida naquela altura
parece evidente não só devido à relutância de Pedro em manter sua comunhão com os
gentios, mas também às exigências impostas pelos enviados de Tiago. Parece que a
pressão inicial que Pedro sentira depois de levar Cornélio à fé em Jesuscf.( At 11.2)
havia retornado com suficiente força para afetar até os líderes da igreja em Jerusalém.
Logo depois disso Paulo recebeu notícia que as mesmas pressões estavam sendo
aplicadas às jovens igrejas que ele e Barnabé haviam fundado menos de um ano antes.
A ênfase na circuncisão, um item claro na agenda do concílio, sugere mais uma vez que
a carta precedeu aquele encontro.
Assim, estadoepístola
fundamentos fervorosa,
cristianismo, nascidacomo
foi escrita de uma
umacontrovérsia que ameaçava
defesa da salvação os
(= justificação +
santificação) somente por meio da fé.
Argumento básico
PROPÓSITO
Gálatas não é exceção à regra de que as cartas de Paulo combinam vários objetivos
sob um propósito geral. Pelo menos três objetivos podem ser determinados para esta
epístola.
O primeiro era a vindicação do ministério apostólico de Paulo, que era normalmente
atacado no começo da uma campanha judaizante a fim de desacreditar a mensagem
desvalorizando o mensageiro. Isto é evidente no tom apologético dos capítulos 1 e 2,
onde Paulo afirma sua independência dos outros apóstolos tanto na fonte quanto no
conteúdo
judaizantesdaquestionavam
sua mensagem. Isto aparece
a lealdade em 6.17
de Paulo também, à luz do qual parece que os
a Cristo.
O segundo objetivo era definir e defender a salvação pela fé, o que é feito nos
capítulos 3 e 4. Há ocasional debate se a preocupação principal de Paulo era justificação
ou santificação, mas a carta parece apontar para ambas as questões como parte de um
pacote, como sugerido em 3.3, onde a questão é crescimento até a ―perfeição‖ (ἐηειέσ
[epiteleō]), e 3.11, onde o centro é a justificação (δαόσ [dikaioō]).
O terceiro objetivo era definir os limites da liberdade cristã, a fim de evitar a
acusação de promover antinomianismo (cf. Rm 3.8; 6.1; 6.15).
O propósito geral da epístola parece ter sido:
Levar os cristãos gálatas de volta ao desfrute total da sua liberdade ao reivindicar
a srcem e autoridade divina para o evangelho da graça, denunciando o
cristianismo judaizado como um evangelho falso, e encorajando santidade e amor
induzidos pelo Espírito.
DESENVOLVIMENTO

172
Este grupo era uma mistura étnica entre gauleses e os habitantes gregos srcinais da
região.
A epístola começa com a saudação usual de Paulo,ράξο αί εἰξήλ (charis kai
eirēnē) para seus leitores. A característica incomum nesta saudação é a ênfase no seu
apostolado. Paulo afirma seu status como um (sālîaḥ), um ἀόζηνινο
(apostolos), um representante autorizado. Isto era necessário porque o ataque contra o
evangelho da graça na Galácia era primariamente um ataque contra seu mensageiro.
Assim, a fim de validar a mensagem, era necessário defender o mensageiro.
Paulo então expressa sua reação à chocante notícia da ameaça de abandono da fé em
favor de um cristianismo judaizado (1.6-9). Primeiro ele expressa seu espanto com a
volubilidade dos gálatas, passando tão rápido da verdade para o erro. Ele então
pronuncia um forte anátema contra qualquer um que ousar propor outro (um tipo
diferente de) evangelho (1.8-9)
O corpo da carta começa com Paulo defendendo seu papel como apóstolo e sua
autoridade apostólica (1.10–2.21). Isto era necessário porque os proponentes do
cristianismo judaizante estavam atacando Paulo como um não-apóstolo, ou, na melhor
das hipóteses, um mensageiro com mensagem e autoridade secundárias.
A primeira contestação de Paulo era que afonte da sua mensagem era divina, não
humana, visto que fora recebida por meio deἀνάιπςο (apokalupsis, 1.10-12). Ele
argumenta que a formulação do seu evangelho de graça não podia ter vindo de sua
religião antiga, na qual ele era radicalmente oposto ao cristianismo (1.13-14); nem podia
ser dos líderes cristãos na Palestina, com os quais ele não tivera interação (1.15-17) por
pelo menos três anos depois da sua conversão,173 durante os quais ele já estava
proclamando o Evangelho. Isto tornava a mensagem e o ministério de Paulo totalmente
independentes de qualquer agência humana, como indicado por seu contato bastante
limitado com os apóstolos durante sua primeira visita a Jerusalém, quando Barnabé o
apresentou a Pedro e Tiago (cf. At 9.26-30). Além do mais, seu ministério inicial não
fora dependente da aprovação de igrejas judaicas (1.20-21), com as quais seu contato
fora limitado ao nível de informação indireta (1.22-24).
A partir da defesa do seu apostolado, que é a sua autoridade como mensageiro, Paulo
segue adiante para defender a própria mensagem, indicando que o evangelho da graça
mediado por ele tinha a aprovação dos outros representantes autorizados de Cristo. A
primeira seção lidou com suaautoridade, esta lida com sua ortodoxia.
A questão da visita à qual ele se refere em 2.1-10 já foi abordada acimacf.( p. 279).
A visita veio como uma resposta à revelação de Ágabo sobre uma fome, e deu a Paulo
uma oportunidade de ―trocar figurinhas‖ com os outros apóstolos quanto à sua
mensagem, que ele defendia acirradamente, não contra os apóstolos, mas contra os
ςεπδαδέιθνπο (pseudadelphous), judaizantes que haviam se infiltrado nas trincheiras
em Jerusalém para espiar (αηαζνέσ, kataskopeō) a liberdade cristã e subvertê-la de
dentro para fora. Esses indivíduos precisam ser identificados com aqueles mencionados
em 2.12 e não estão relacionados à controvérsia gerada pela conversão de Cornéliocf.(
At 10.45–11.3).
O desejo de Paulo de ter este encontro não era medo de que sua mensagem não seria
aprovada pelos outros apóstolos. Ele queria, antes, antecipar-se aos ataques judaizantes
contra seu ministério em Antioquia e na Ásia Menor. Este é o significado da expressão
κή σο εἰο ελόλ ηξέρσ ἢ ἕδξακνλ (mē pōs eis kenon trechō ē edramon, 2.3). O medo
de Paulo não era intrínseco à sua mensagem, e sim extrínseco.
O argumento de Paulo foi reforçado pela presença de Tito, um gentio de Antioquia,
com ele. A igreja de Jerusalém, nas pessoas de seus líderes, tinha reconhecido o
ministério e a mensagem de Paulo aos gentios como plenamente apostólicos (2.6-10) ao

173
Isto está implícito no texto de Atos 9.23, onde as palavras Ὡο δέ ἐιξνῦλην ἡκέξα
ἱαλαί (hōs de eplērounto hēmerai hikanai) indicam o intervalo entre a conversão de Paulo e
sua fuga de Damasco (cf. 2 Co 11.33).
dar total aceitação a Tito como um crente incircunciso. Assim, a tentativa dos
judaizantes de forçar os gálatas à circuncisão era uma violação de decisões anteriores da
igreja mãe (2.3-5).
Não só foram autenticados o ministério e a mensagem de Paulo pela igreja, mas ele
também era suficientemente digno de respeito para corrigir um dos pilares e seu próprio
companheiro de missão, Barnabé, quando a verdade foi ameaçada pelo legalismo (2.11-
21). A confrontação de Paulo com Pedro girou em torno da incoerência deste na crença
epela
prática com
fé, ele desviadoasola
foirespeito pelosgratia ; emboraquando
judaizantes Pedro visitou
reconhecesse a suficiência da graça
Antioquia.
174
Esta é muito provavelmente a situação descrita em Atos 15.1. A reação de Paulo à
incoerência de Pedro foi repreensão pública (2.14)175, feita para efetivamente evitar que
a heresia se espalhasse, uma possibilidade bem real, visto que até Barnabé fora presa da
ὑόξζο (hupokrisis) dos judaizantes.
O último parágrafo desta divisão serve um propósito duplo na carta. Ele resume a
defesa de Paulo do seu ministério e sua mensagem, e dá um resumo do restante do livro.
Assim, 2.15-16 fala de justificação pela fé, correspondendo aos capítulos 3 e 4,
enquanto 2.17-21 falam da santificação pela fé, correspondendo aos capítulos 5 e 6.
Como de costume, Paulo se defende contra a acusação de antinomianismo (2.17), e
apresenta a verdade do privilégio duplo do crente, co-crucificação com Cristo e vida
diária de fé baseada na graça de Deus (2.20-21). O versículo 21 é uma chave na epístola
porque Pauloque
uma pessoa afirma a necessidade
se declara degraça
salva pela viver não
pelopode
mesmo sistema
buscar sob o qual
santificação porsemeio
é salvo;
de
legalismo e vice-versa. Sua acusação mais séria contra os gálatas (5.4) contém um
paralelo a esse versículo; aqui ele fala de anular ἀεηέσ
( , atheteō) a graça de Deus (cf.
também 3.15), enquanto em 5.4 ele usa o verbo ―cair‖ (ἐίησ , ekpiptō).
A segunda grande divisão da carta lida com os valores relativos de graça/fé e
Lei/obras para a salvação. Fazendo isso, Paulo finalmente denuncia o sistema Lei/obras
como uma perversão do verdadeiro evangelho, contrário ao programa histórico de Deus
e prejudicial àqueles que o adotam (3.1–4.31).
Em sua tentativa de atrair os gálatas para longe do cristianismo judaizado, Paulo usa
três argumentos. a própria experiência de salvação dos gálatas (3.1-5), o testemunho das
Escrituras (3.6-14), e lógica (3.15-29).
Paulo contrasta os dúbios métodos de persuasão usados pelos judaizantes (a palavra
grega βνζαίλσ
uma pessoa [boskainō
através de mau] ol
indica ―enfeitiçar,
hado ou lançar feitiço mágico,
palavra pronunciada‖) com sua tentar prejudicar
proclamação
aberta da morte de Cristo como pagamento suficiente para o pecado do homem. A
própria experiência de salvação por meio da fé tornava totalmente desnecessária a atual
fascinação dos gálatas com o legalismo (3.1-2).
Além do mais, os gálatas tinham sofrido por sua fé, e seu atual flerte com o
legalismo era contraditório à sua lealdade anterior a Jesus e ao evangelho da graça pela
fé (3.3-4). Além disso, tal mudança para o legalismo era injustificada por sua atual
experiência do poder de Deus entre eles c( f. o uso de particípios no presente ἐρνξγ῵λ
[epichōrēgōn, suprir] e ἐλεξγ῵λ [energōn, desempenhar]), visto que tal poder fora
recebido somente pela fé.

174
A cronologia adotada aqui supõe que algum tempo se passou entre os eventos de
Gálatas 2.13 e a solidariedade de Barnabé com Paulo em Atos 15.2 e sua defesa da liberdade
cristã da lei em Atos 15.12.
175
Há ampla divergência sobre onde termina a repreensão que Paulo fez a Pedro no texto
de Gálatas. Este escritor crê que 2.15-21 não fornece o conteúdo da repreensão, mas os
comentários ou reflexões de Paulo sobre o incidente para o benefício dos gálatas.
O segundo argumento de Paulo se baseava no testemunho das Escrituras e, como de
costume, Abraão é a principal testemunha. Ao citar Gênesis 15.6, Paulo deixa claro que
aqueles que escolhem o caminho da graça/fé ao invés de Lei/obras partilham do caráter
(e dos privilégios, 3.9) de Abraão (o gregoπἱνί [huioi, filhos] pode ter este sentido,
como em Efésios 2.2). Paulo liga a atual expansão do Evangelho aos gentios com a
promessa universal de bênção por intermédio da linhagem abraâmica, que seria
impossível em termos de circuncisão, mas possível em termos de fé.
NãoPaulo
disse só iria Abraão condenar
(3.10-14). tal abordagem,
A Lei exigia mas a própria
obediência perfeita Lei se mostraria
e amaldiçoava fútil,nisto
aqueles que
falhavam (3.10), enquanto apresentando um paradoxo entre fé e obras; tendo já
insinuado que a salvação por Lei/obras é impossível por causa de suas exigências, Paulo
apresenta a incompatibilidade entre os dois sistemas. Ambos exigem total lealdade
(―viver‖) e os gálatas não podiam tentar misturá-las e encaixá-las ao seu bel-prazer. A
única saída era aceitar a provisão feita pela morte substitutiva de Cristo (3.13), que
tornou possível que gentios partilhassem as promessas abraâmicas(3.14).
Finalmente, mas nem por isso menos importante, Paulo ataca o cristianismo
judaizado como uma afronta à lógica. A partir da lei comum (3.15), Paulo argumenta
que obras não podem suplantar a fé, visto que a aliança da promessa tinha precedência
cronológica sobre a Lei (3.15-18).176 No argumento de Paulo, a singularidade do meio
de bênção (ζέξκα, [sperma], ―semente‖) exige que os gálatas rejeitem outros que
afirmam
um meio ser semente de Abraão e apontam para qualquer outra coisa além da fé como
de salvação.
O argumento seguinte de Paulo é que a Lei tinha um propósito temporário como
instrumento de Deus (3.19-25) para suscitar a consciência do pecado (3.19a) e encorajar
a dependência de Deus ao apontar para o Messias vindouro (3.21-25). A razão de deixar
a Lei para trás e apegar-se à fé somente era que a fé se baseava numa aliança superior,
176

O número de 430 anos tem suscitado muita discussão. Ele aparentemente se choca com
Atos 7.6, que diz 400 anos. Supondo que se tome 1Reis 6.1 literalmente e uma data recuada
para o período patriarcal, estes 430 anos seriam deduzidos a partir de 1875 a.C., a data
quando Jacó e sua família migraram para o Egito, e terminaria em 1445 a.C. com o êxodo. As
três referências no Novo Testamento ao período do cativeiro seriam assim explanadas:

1875

430 anos de permanência (Êx 12.40-41; Gl 3.17) 1445

400 anos de opressão (At 7.6)

Cerca de 450 anos de opressão, peregrinação e conquista (At 13.19-20)

1395
unilateral e não-mediada, enquanto a Lei era bilateral e mediada (3.19b-20); nestes
versículos Gálatas ecoa o livro de Hebreus.
Para ilustrar, Paulo emprega a figura doαδαγσγόο [paidagōgos], o escravo que
acompanhava a criança e exercia um certo grau de disciplina até um certo ponto do
tempo quando a criança era aceita como um membro adulto da família. Este versículo
não deve ser entendido como se a Lei servisse para nos levar a Cristo; o grego
αδαγσγόο ἡκσλ γέγνλελ εἰο (Υξζηόλ paidagōgos hēmōn gegonen eis Christon )
deveria sernão
temporal, traduzido ―tornou-se nosso tutor até Cristo‖, com uma idéia totalmente
funcional.
O último golpe de Paulo contra o cristianismo judaizado é um panorama dos
privilégios pertinentes à posição do crente em Cristo (3.26-29). Esses privilégios advêm
a nós pela fé por meio de uma aliança superior, a aliança abraâmica, na qual distinções
humanas anteriores dão lugar à união em posição e privilégio espirituais. Portanto, seria
ilógico para os gálatas agirem como se fossem inferiores aos judaizantes, aceitando sua
exigência quanto à circuncisão.
No capítulo 4, Paulo desenvolverá mais sua metáfora de infância a fim de encorajar
os gálatas à maturidade. Isto exigia que eles abandonassem o cristianismo judaizado
como um sistema prejudicial (4.1-31).
Sua primeira afirmação é a superioridade da fé sobre a lei porque ela oferece
liberdade e herança como filhos adultos, em contraste com a lei, que prendia a pessoa
como
como ηάcriança imatura ηνῦ
ζηνρεία e, atéόζκνπ
pior, sob escravidão
(ta stoicheia (4.1-7)., ―rudimentos
tou kosmou A Lei, que Paulo descreve
do mundo‖, 4.3),
servira como um curador, mas efetivamente mantivera os judeus sob escravidão, assim
como os gentios gálatas tinham sido escravizados por ídolos pagãos (que Paulo também
denomina ζηνρεία, ―rudimentos‖ em 4.8, assim sutilmente igualando as duas
escravidões). A fé tinha o mesmo efeito libertador que a cerimônia romana de Liberalia,
pela qual um filho era ―adotado‖ como um adulto em sua própria família e recebia
plenos privilégios como um indivíduo responsável. Sua mudança destatus era
simbolizada pela remoção datoga praetexta e pelo vestir da toga virilis.177
Tendo assim expressado a superioridade da fé, Paulo verbaliza suaansiedade pelos
gálatas, que estavam prestes a fazer do seu árduo trabalho entre eles um desperdício de
tempo (não porque sua salvação viesse a ser perdida, mas porque ela permaneceria
infrutífera devido à escolha errada deles quanto à santificação, 4.8-11).
Emgálatas
pelos sua tentativa
quandodeo afastá-los
Evangelhodelhes
tal fora
asneira espiritual,
pregado PauloaApela
(4.12-20). ao zelodeexibido
essência seu pedido
é que os gálatas, como Paulo, permaneçam firmes na liberdade pela fé em vez de
submeterem-se à escravidão sob a Lei (4.12). Sua feroz lealdade anterior ao Evangelho
178
e a Paulo como seu mensageiro torna a quase deserção atual muito mais frustrante. A
resposta anterior deles era prova da realidade da mensagem que eles agora arriscavam
abafar sob o fardo do legalismo. Além do mais, a motivação das pessoas às quais eles
estavam agora dispostos a se submeter estava longe das motivações puras e quase
maternais de Paulo (4.19). Em vez de buscar o progresso dos gálatas, os judaizantes
queriam lucrar com a generosidade deles.

177
Em contraste com o costume grego, no qual a maioridade vinha aos 18 anos, a cerimônia
romana era celebrada em 17 de março à discrição do pai, o que harmoniza com as palavras de
Paulo em 4.4, ὅηε δέ ἦιελ ηό ιήξσκαρξόλνπηνῦ (hote ēlthen to plērōma tou ch ronou).
178
Há grande divergência quanto à natureza da doença de Paulo. Entre as enfermidades
propostas estão. malária, epilepsia, oftalmia (4.15), deformidades causadas por seu
apedrejamento em Listra, e o muito debatido “espinho na carne”. Era obviamente algo
repulsivo que, contudo, não evitou que os gálatas aceitassem a ele e sua mensagem.
O último golpe de Paulo contra o legalismo vem por meio de uma aplicação
alegórica do episódio histórico de Sara e Hagar (4.21-31). Ele primeiro exorta os gálatas
a permitirem que a Lei fale por si mesma. O argumento de Paulo é que a história da
família de Abraão sustenta seu ponto de vista sobre a superioridade da fé. Todo o seu
argumento gira em torno dostatus social das duas esposas e dos métodos pelos quais
seus filhos foram concebidos. O que Abraão gerou em Hagar, a escrava, era o resultado
de obras, e portanto, era corretamente rejeitado como impróprio para a continuação da
sua linhagem;
resultado o que ele
da promessa gerou em Sara,
capacitadora por outro
de Deus, obtidalado, era totalmente
por meio sobrenatural, um
da fé (4.21-27).
Paulo faz três aplicações com base nesta interpretação ilustrativa do relato de
Gênesis. Primeiro, em conformidade com o nascimento sobrenatural de Isaque, cristãos
têm experimentado um nascimento sobrenatural e receberam a promessa da salvação
(cf. Gl 3.9, 22, 29). Segundo, em conformidade com a perseguição de Ismael (nascido
da carne) para com Isaque (nascido do Espírito), falsos mestres agora se opõem a Paulo
e perseguem os crentes (4.28-29). Terceiro, em conformidade com a aquiescência de
Abraão ao pedido de Sara de expulsar a escrava e seu filho, os gálatas deveriam
excomungar os judaizantes e aqueles que adotam sua falsa doutrina (4.30-31).
A terceira ênfase de Paulo em seu objetivo de levar os gálatas de volta à plena
liberdade envolve encorajar santidade e amor induzidos pelo Espírito (5.1 –6.10). O
resumo da sua exortação prática se encontra em 5.1, que ecoa as palavras de Jesus em
João 8.32,Fp
Co 16.13; 36,1.27;
assim como
4.1; freqüente grito de guerra de Paulo,ζηήεηε (stēkete, cf. 1
2 Tso2.15).
Paulo primeiro demonstra que sua opção pelo legalismo em vez de fé como um meio
para a santificação é totalmente indesejável (5.2-9). Antes de tudo, significa abrir mão
do poder santificador de Cristo (5.2). Este escritor prefere esta interpretação do
versículo à noção que vê nele uma referência à salvação, visto que implicaria ou que os
gálatas nunca haviam recebido Cristo, ou que sua salvação em Cristo poderia de alguma
maneira ser perdida pela adesão ao legalismo.179
Segundo, o cristianismo judaizado é indesejável porque não é um empreendimento
onde se escolhe o que se gosta, mas uma declaração de sujeição à obediência de toda a
Lei Mosaica (5.3-4; cf. Tg 2.10). Isto significaria colocar-se fora da esfera da graça para
o desenvolvimento da sua salvação (i.e. santificação). As duas expressões,αηξγήηε
ἀό Υξζηνῦ (katēergēthēte apo Christou) e ηῆο ράξηνο ἐέζαηε (tēs charitos
epesate), mais uma vez não podem se referir à perda de salvação, mas à repressão da
santificação.
O próximo ataque de Paulo contra o legalismo (5.5-6) era pela sua maneira de anular
as virtudes que tornavam o cristianismo singular - uma esperança ativa [= certeza]
quanto ao veredicto final de Deus que opera por meio de uma fé que produz o amor.
Estas três virtudes cardeais que Paulo tantas vezes esperava em suas igrejas seriam
perdidas quando a escolha pelo legalismo fosse feita.
A decepção de Paulo foi ainda maior porque os gálatas tiveram um começo tão
auspicioso e agora estavam em perigo de serem desqualificados da corrida por causa da
sua tolerância para com aquilo que apenas parecia ser uma questão pequena, mas era
muito grave (5.7-9).180
179
Donald K. Campbell, “Galatians,” The Bible Knowledge Commentary. New Testament
Edition, p. 605, sugere o primeiro ponto de vista. James M. Boice, “Galatians”, EBC 10:487,
sugere o segundo ponto de vista. Ele escreve “Deus colocará um sinal de menos antes de
Cristo na vida dos gálatas se eles colocarem um sinal de mais antes de qualquer outra coisa”.
180
A referência de Paulo ao fermento pode ser entendida como uma referência àquele (ou
ao maior) promotor do legalismo, ou ao próprio erro como estava presente dentro das igrejas
da Galácia, ou ainda à exigência individual por circuncisão.
Entretanto, apesar de suas severas exortações e duras palavras contra os judaizantes,
a atitude de Paulo para com os gálatas era otimista (5.10-12). Ele esperava que eles
rompessem as cadeias do legalismo e que os defensores deste ruíssem sob escrutínio.
Para o benefício de seus leitores ele deixa claro que, contrário aos boatos (espalhados,
sem dúvida, por judaizantes), ele não pregava nem jamais pregara a circuncisão como
um meio de salvação. Quanto aosἀλαζηαηνῦληεο (anastatountes, ―perturbadores‖),
Paulo sarcasticamente comenta que eles deveriam se castrar, assim indicando que em
vez de alcançar
inaceitáveis, poisa um
graça de Deus,
homem esta circuncisão
castrado enganosa
não tinha parte na verdade
no culto os tornava
de adoração 181
de Israel.
Evidentemente o conflito entre fé e legalismo já estava a todo vapor na Galácia, e por
isso Paulo usa o próximo parágrafo para exortar as igrejas para usar sua liberdade em
amor, não egoísmo ou licenciosidade. Isto finalmente os traria ao cumprimento da lei,
não como um meio de salvação, mas como um resultado da salvação. De outra maneira,
as igrejas lá se autodestruiriam (5.13-15).
O parágrafo mais famoso da epístola lida com o processo de santificação, que
consiste em vencer os impulsos pecaminosos da natureza humana por meio do controle
do Espírito, com a resultante humildade, paz e harmonia que Ele provê e produz (5.16-
25). Muitos têm identificado Gálatas 5.16-25 com Romanos 7.13-24, mas há várias
182
distinções que tornam os dois conflitos diferentes um do outro.

Dois conflitos do cristão


Aspectos do conflito Em Romanos Em Gálatas
Naturezas diferentes. Experiência anormal Experiência normal
O indivíduo como um
Oponentes diferentes da ζάξμ. O Espírito Santo
todo
Esferas diferentes. Puramente sob a lei Sob lei e graça
Resultados diferentes. Derrota total Vitória ou derrota
Paulo prossegue explicando aos gálatas que escolher o controle do Espírito em lugar
do controle da carne capacita a pessoa a triunfar sobre o pecado e sobre a Lei (5.16-18).
Isto não é uma opção, mas uma ordem ( εξαηεῖηε, [peripateite], ―andai‖) sem a qual
nenhum cristão jamais
A motivação alcançará
para obedecer taluma liberdade vem
mandamento constantemente
da descriçãocrescente
do tipo deemvida
sua vida.
produzido pelas obras da carne (5.19-21). Sua imoralidade, sua religião corrupta, seus
pecados sociais e sua intemperança levam à máxima rejeição por parte de Deus. Uma
vida controlada pelo Espírito, por outro lado, promove genuína liberdade da Lei ao
gerar qualidades mentais e interpessoais positivas (o fruto do Espírito, 5.22-23). O
contraste entre estes dois pacotes de ações e atitudes é bem resumido por Constable, que
diz. ―Há leis contra as obras da carne porque elas são destrutivas, mas não contra o fruto
do Espírito, pois é edificante.‖183

181
O culto de Cibele, a deusa-mãe da Ásia, empregava sacerdotes castrados. O sarcasmo de
Paulo pode ser direcionado a esta comparação, que faria a prática dos judaizantes equivalente
à idolatria aos olhos de Deus.
182
A tabela acima foi adaptada de Stanley D. Toussaint, “The Contrast Between the Spiritual
Conflict in Romans 7 and Galatians 5”, Bibliotheca Sacra 123:492 (Out-Dec 1996): 310-314.
183
Thomas L. Constable, “Notes on Galatians”, anotações de aula para 308 Epístolas
Paulinas e Apocalipse, Seminário Teológico de Dallas, 1990.
O último comentário de Paulo sobre este conflito enfrentado por todo cristão é que o
controle do Espírito e a vitória são possíveis por causa da participação de cada crente na
morte de Cristo (cf. o aoristo ἐζηαύξσζαλ, [estaurōsan] 5.24-25).
O último capítulo lida com compromissos mútuos necessários entre os membros da
igreja (5.26–6.10), de modo a indicar que a liberdade da Lei não significa ausência de
responsabilidade. Precisa haver humildade pessoal, ou uma visão adequada de si mesmo
e do seu papel no corpo (5.26), um humilde esforço para restaurar, curar ( αηαξηίσ,
katartizō
[(6.2). ]) um irmão em
Individualmente, pecado
cada crente(6.1)
devee um crentetotal
assumir espiritualmente sobrecarregado por si
e humilde responsabilidade
mesmo diante do Senhor (6.3-5).
A liberdade em Cristo precisa ser refletida no mútuo suportar de fardos materiais
também (6.6-10). Isto significa que cristãos serão generosos para com aqueles que lhes
dão conhecimento e discernimento espiritual, e que eles o serão liberalmente,
reconhecendo o caráter generoso de Deus, e que eles serão incansáveis na prática de
boas obras generosas, principalmente dentro da ―família dos crentes‖. Isto está longe do
―morder e devorar‖ induzido pelo legalismo no capítulo 5.
A conclusão de Paulo resume seu propósito, reafirmando seu interesse apostólico
neles, repreendendo os judaizantes, e expressando sua confiança na resposta positiva
dos gálatas (6.11-16). A questão chave era a reação da pessoa à cruz (vergonha) de
Cristo. Para os judaizantes isso era uma pedra de tropeço e um motivo de vergonha;
para
DeusPaulo
usaraera uma trampolim
para e umesperança
salvação. Sua motivo para
era glória,
que os visto quee era
gálatas o instrumento
outros que
gentios, assim
como judeus convertidos, percebessem que a circuncisão não era nem uma boa base
para a salvação nem um bom motivo para brigar. Àqueles, ele deseja paz e misericórdia,
184
uma ligeira variação da sua saudação tradicional (6.16).
O último apelo de Paulo é que seus prolongados sofrimentos pela causa de Cristo
sejam levados a sério na Galácia com o fim de sua controvérsia de acordo com os
pontos de vista e as instruções de Paulo (6.17). O último desejo de Paulo para os gálatas
é que eles experimentem a graça de Cristo no âmago do seu ser (6.18).
ESBOÇO SINTÉTICO
Mensagem
A verdade
amor do evangelho
pelo poder da graça estabelece os crentes na liberdade para viver em
do Espírito.
I. Introdução (1.1-10).
A. Saudação – Paulo deseja graça e paz aos gálatas, ele, um representante do divino
Messias e de Deus Pai, cujo amor é a fonte de tais bênçãos e aos quais pertence eterna
glória (1.1-5).
1. O status de Paulo é o de um representante autorizado de Deus e do Messias que Ele
ressuscitou dos mortos (1.1-2).
2. Graça e paz são desejadas para os gálatas do Pai soberano e do Salvador Messias, aos
quais pertence eterna glória (1.3-6).

184
A expressão “Israel de Deus” é muitas vezes considerada como uma referência à igreja
como o novo povo de Deus. Contudo, as outras 65 ocorrências da palavra Israel no Novo
Testamento se referem invariavelmente ao Israel físico ou nacional. Além do mais, a tentativa
de traduzir αί (kai) por “ou seja” tropeça na presença de uma segunda preposição, ἐί (epi),
que exige que se refira a um segundo grupo. Isto também é apoiado pelo desejo de Paulo de
certificar-se que sua carta nao tivesse insinuações antijudaicas.
B. Denúncia – A reação de Paulo à possibilidade de uma deserção gálata do verdadeiro
evangelho para uma falsa mensagem é de espanto e anatematização (1.6-7).
1. Paulo reage com espanto à possibilidade de uma deserção gálata do verdadeiro evangelho
para uma falsa mensagem pregada por agitadores (1.6-7).
2. Paulo reage à possibilidade de uma deserção gálata do verdadeiro evangelho com um
anátema contra qualquer um que a tenha induzido [ou que a possa induzir] (1.8-9).
II. Vindicação – O evangelho da graça é verdade, mediada por intermédio de Paulo pelo
próprio Cristo, independente de homens, aprovada pelos outros apóstolos, e com
autoridade para corrigir erros (1.10–2.21).
A. O evangelho da graça é verdade, mediada por intermédio de Paulo pelo próprio Cristo,
independente de homens (1.10-24).
1. A responsabilidade de Paulo como mediador do Evangelho não é de agradar homens,
mas ser um servo de Cristo (1.10).
2. A fonte do evangelho de graça de Paulo não era o homem, mas o próprio Messias (1.10-
12).
3. A formulação do evangelho da graça de Paulo não aconteceu por meio de agentes
humanos, mas pela interação pessoal com Cristo sem recurso à religião organizada
(1.13-17).
• O encontro de Paulo com o evangelho da graça significou um rompimento radical com sua
religião anterior [que não poderia ter sido a fonte do seu evangelho] (1.13-14).
• O chamado de Paulo para o evangelho da graça não foi seguido pela instrução de outros
líderes cristãos (1.15-17a).
• A formulação de Paulo do evangelho da graça aconteceu por meio da interação pessoal
com Cristo sem recurso à religião organizada [judaica ou cristã] (1.17b).
4. Os primeiros contatos de Paulo com os apóstolos foram breves demais para sugerir sua
dependência deles (1.18-20).
5. Os primeiros contatos com as igrejas judias foram muito superficiais para sugerir sua
dependência delas (1.21-24).
• Paulo deixou a Judéia rapidamente e assumiu um ministério independente na Síria e
Cilícia (1.21).
• Ossecundária
contatos de Paulo com as igrejas judias permaneceram num nível de informação
(1.22-24).
B. O evangelho da graça é verdade, responsavelmente mediada por intermédio de Paulo
com a aprovação dos outros representantes autorizados de Cristo (2.1-10).
1. A apresentação paulina do evangelho da graça aos outros apóstolos veio quatorze anos
depois de sua conversão com o propósito de protegê-lo de falsos ataques (2.1-2).
2. O evangelho da pura graça pregado por Paulo foi vindicado pelos apóstolos frente a
oposição dos judaizantes (2.3-5).
3. O evangelho da pura graça pregado por Paulo foi vindicado pelos apóstolos como a
extensão divinamente aprovada da Sua palavra aos gentios (2.6-10).
• Os apóstolos que os homens consideravam mais importantes só podiam reconhecer o
evangelho de Paulo, mas não acrescentar a ele (2.6-7).
• Osgraça
apóstolos
pregadoquepor
os Paulo
homens
comoconsideravam mais
uma extensão importantesaprovada
divinamente reconheciam
da suaoprópria
evangelho da
mensagem (2.8-9).
• A única exigência apostólica para Paulo era de orientar os gentios a ajudar os cristãos
judeus necessitados, o que ele já começara a fazer (2.10).
C. O evangelho da graça é verdade, sendo mediada por meio de Paulo com autoridade para
corrigir o erro até no nível apostólico (2.11-21).
1. A correção pública que Paulo fez a Pedro em Antioquia foi devida à incoerência deste na
questão de liberdade cristã por meio da graça (2.11-14).
• A ocasião para a confrontação Paulo-Pedro foi quando Pedro se retirou da comunhão à
mesa com os cristãos gentios devido à pressão dos judaizantes (2.11-13).
• O conteúdo da confrontação Paulo-Pedro era a exposição da incoerência entre a crença de
Pedro em sola gratia e sua prática de segregação (2.14).
2. O conteúdo do evangelho da graça é confiança em Jesus, o Messias, que conduz a uma
nova vida nEle, ao invés de observância à Lei com vistas a ser declarado justo por Deus
(2.15-21).
• A observância à Lei é inadequada como um meio de alcançarstatus de justiça com Deus
(2.15-16).
• A observância à Lei, para pessoas que dizem confiar em Jesus, gera inconsistência na vida
e idéias incorretas sobre o Messias (2.17-18).
• O evangelho da graça traz uma vida ressurreta de identificação com Cristo depois da
morte com Ele para as exigências da Lei (2.19-20).
- A condenação recebida por meio da lei libertou os crentes da sua observância para uma
nova vida para Deus (2.19).
- A vida ressurreta do crente é um resultado da sua co-crucificação com seu divino e
amoroso Salvador (2.20).
• A observância à Lei nega o evangelho da graça tornando a morte de Cristo inútil (2.21).
III. Elucidação – A superioridade do programa divino de salvação [justificação +
santificação] pela fé exige que os gálatas abandonem o cristianismo judaizado como um
falso evangelho contrário ao programa de Deus e prejudicial àqueles que o adotam (3.1 –
4.31).
A. A superioridade do programa divino de salvação [justificação + santificação] pela fé
exige que os gálatas abandonem o cristianismo judaizado como um falso evangelho
contrário ao programa de Deus (3.1-29).
1. O cristianismo judaizado é um falso evangelho negado pela experiência de salvação dos
gálatas pelo ministério suficiente do Espírito Santo através da fé (3.1-5).
• A fascinação injustificada dos gálatas por esse cristianismo judaizado é incoerente com os
meios pelos quais eles primeiro receberam o cristianismo (3.1-2).
• A começara
tola tentativa
pelodos gálatasSanto
Espírito de aperfeiçoar porcom
é incoerente meio
suadedisposição
esforço humano
anterioraquilo quepor
a sofrer Deus
sua
fé (3.3-4).
• As tendências dos gálatas ao cristianismo judaizado são incoerentes com sua atual
experiência do ministério do Espírito (3.5).
2. O cristianismo judaizado é um falso evangelho negado pelo testemunho das Escrituras
(3.6-14).
• O testemunho de Abraão é que fé é suficiente como meio de justificação diante de Deus
(3.6-9).
• O próprio testemunho da Lei quanto à superioridade da fé sobre o esforço humano aponta
para a obra redentora de Cristo (3.10-14).
3. O cristianismo judaizado é um falso evangelho negado pela lógica (3.15-29).
• A lei humana sobre testamentos garante que uma aliança justamente estabelecida não pode
ser revogada (3.15).
• A prioridade cronológica da aliança da promessa sobre a aliança da lei torna o
cristianismo judaizado uma escolha inválida e ilógica (3.15-18).
• O papel temporário da lei como mero indicador e encorajamento à fé torna o cristianismo
judaizado uma escolha ilógica (3.19-2