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DOUGLAS JOSÉ DA SILVA

STF e STJ
2017 a 2019

POR ASSUNTO
INCLUI
 INFORMATIVOS do STF e STJ - 2017 a 2019
 Vários julgados não divulgados em informativos
 Links para os artigos de leis citados
 Links para a ementa de cada julgado
 Questões COMENTADAS com situações hipotéticas
 Resumo dos julgados ao final (como se fossem súmulas)

EBOOK
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DJUS - Prof. Douglas Silva
VADE MECUM de JURISPRUDÊNCIA PENAL em QUESTÕES COMENTADAS – Por ASSUNTO - STF e STJ – 2017 a 2019

Sumário
DIREITO PENAL - PARTE GERAL

1. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA ............................................................................................................................ 5

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E RÁDIO PIRATA ......................................................................................................... 5


PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E FURTO DE BEM DE VALOR INEXPRESSIVO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS
...................................................................................................................................................................................... 6
PRINCÍPIO DA INSIGINIFICÂNCIA E SUBSTITUIÇÃO DA PPL POR PRD ............................................................................ 7
O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA APLICA-SE OU NÃO AO CRIMINOSO HABITUAL? .................................................... 7
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E APLICAÇÃO OU NÃO DO REGIME SEMIABERTO AO REINCIDENTE PUNIDO COM
PENA DE RECLUSÃO ...................................................................................................................................................... 8
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: APLICA-SE OU NÃO AO REINCIDENTE? ..................................................................... 9
NÃO APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E FIXAÇÃO OU NÃO DO REGIME ABERTO COMO REGRA ......... 9
O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA APLICA-SE AO FURTO QUALIFICADO? .................................................................. 10
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: APLICA-SE OU NÃO AOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA? ............. 11
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: APLICA-SE OU NÃO ÀS CONTRAVENÇÕES PENAIS NO ÂMBITO DAS RELAÇÕES
DOMÉSTICAS? ............................................................................................................................................................. 12
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: APLICA-SE OU NÃO AO CRIME DO ART. 34, DA LEI DE CRIMES AMBIENTAIS? ....... 13
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E CRIME DO ART. 34, DA LEI DE CRIMES AMBIENTAIS............................................. 13
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E LIMITE DO DÉBITO TRIBUTÁRIO ............................................................................ 14

2. CONCURSO DE CRIMES.........................................................................................................................................15

CRIME CONTINUADO: POSSIBILIDADE OU NÃO ENTRE ROUBO, LATROCÍNIO E/OU EXTORSÃO. ............................... 15

3. AUTORIA – TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO ..........................................................................................................16

SUPERIOR HIERÁRQUICO E TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO 1 .................................................................................... 16


SUPERIOR HIERÁRQUICO E TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO 2 .................................................................................... 16

4. EFEITOS DA CONDENAÇÃO ...................................................................................................................................17

PERDA DA FUNÇÃO PÚBLICA: APLICA-SE OU NÃO AO NOVO CARGO OCUPADO DEPOIS DA DATA DO CRIME?........ 17

5. DAS PENAS ...........................................................................................................................................................18

CONDENAÇÕES ANTERIORES TRANSITADAS EM JULGADO E UTILIZAÇÃO OU NÃO COMO CONDUTA SOCIAL


NEGATIVA .................................................................................................................................................................... 18
POSSIBILIDADE OU NÃO DA EXECUÇÃO PROVISÓRIA DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS .................................... 18
POSSIBILIDADE OU NÃO DO ARRESTO DE IMÓVEL PARA GARANTIR O PAGAMENTO DE PENA DE PRESTAÇÃO
PECUNIÁRIA................................................................................................................................................................. 19
PENA-BASE NO MÍNIMO LEGAL E REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO ..................................................................... 20
REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA NA LEI DE DROGAS ............................................................................. 20
LEGITIMIDADE PARA A EXECUÇÃO DA PENA DE MULTA ............................................................................................ 21

6. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE ...............................................................................................................................22

QUANDO SE INICIA O PRAZO DA PRESCRIÇÃO EXECUTÓRIA?..................................................................................... 22

DIREITO PENAL - PARTE ESPECIAL

7. CRIMES CONTRA A VIDA ......................................................................................................................................23

MOTIVO TORPE, FEMINICÍDIO E BIS IN IDEM.............................................................................................................. 23


TRIBUNAL DO JÚRI E APRECIAÇÃO DE DOLO EVENTUAL PELO JUIZ............................................................................ 23

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DIRIGIR VEÍCULO EMBRIAGADO E DOLO EVENTUAL .................................................................................................. 24


DIRIGIR VEÍCULO EMBRIAGADO NA CONTRAMÃO E DOLO EVENTUAL ...................................................................... 24
POSSIBILIDADE OU NÃO DA EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA SENTENÇA CONDENATÓRIA DO TRIBUNAL DO JÚRI ......... 24

8. LESÕES CORPORAIS ..............................................................................................................................................25

LESÃO CORPORAL ENTRE IRMÃO E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ...................................................................................... 25

9. CRIMES CONTRA A HONRA...................................................................................................................................26

INJÚRIA E LEGITIMIDADE DA ESPOSA DA VÍTIMA DA OFENSA ................................................................................... 26

10. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO .........................................................................................................................27

O PAGAMENTO DO DÉBITO DO FURTO DE ENERGIA ELÉTRICA ANTES DO OFERECIMENTO DA DENÚNCIA EXTINGUE


A PUNIBILIDADE? (JDP11) ........................................................................................................................................... 27
SUBTRAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA POR ADULTERAÇÃO DO MEDIDOR: ESTELIONATO OU FURTO MEDIANTE
FRAUDE? ..................................................................................................................................................................... 28
ROUBO POR ARMA BRANCA E ABOLITIO CRIMINIS .................................................................................................... 28
LATROCÍNIO E COAUTORIA ......................................................................................................................................... 29
LATROCÍNIO: PLURARIDADE DE MORTES E CONCURSO DE CRIMES ........................................................................... 29
CRIME DE EXTORSÃO E AMEAÇA ESPIRITUAL ............................................................................................................. 30

11. CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL ...............................................................................................................31

CASA DE PROSTITUIÇÃO E NECESSIDADE OU NÃO DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DA VÍTIMA .......................................... 31


ESTUPRO DE VULNERÁVEL E RELAÇÃO DE NAMORO COM A VÍTIMA......................................................................... 32
ESTUPRO, VIOLÊNCIA REAL E AÇÃO PENAL DEPOIS DA LEI Nº 12.015/09. ................................................................. 32
ESTUPRO E APLICAÇAO DA MAJORANTE DO ART. 226, II, AO BISAVÔ. ....................................................................... 33

12. CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA ............................................................................................................................33

PETRECHO PARA A FASIFICAÇÃO DE MOEDA E EXCLUSIVIDADE OU NÃO DO MAQUINÁRIO UTILIZADO .................. 33


CURRILULO LATTES E CRIME DE FALSIDADE IDEOLÓGICA .......................................................................................... 34
DOCUMENTO ASSINADO POR PREFEITO E FALSIDADE IDEOLÓGICA .......................................................................... 35

13. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.....................................................................................................36

CORRUPÇÃO PASSIVA E/OU ATIVA: NECESSIDADE OU NÃO DA VANTAGEM SER PARA PRATICAR DE ATO DE OFÍCIO
.................................................................................................................................................................................... 36
CORRUPÇÃO PASSIVA E CONCUSSÃO, OBTENÇÃO DO LUCRO FÁCIL E ELEVAÇÃO DA PENA-BASE. ........................... 37
CORRUPÇÃO PASSIVA E TROCA DE APOIO POLÍTICO .................................................................................................. 37
CORRUPÇÃO PASSIVA ATRAVÉS DE DOAÇÃO ELEITORAL OFICIAL .............................................................................. 38
PAGAMENTO DE TRIBUTO E EXINÇÃO DA PUNIBILDADE DE CRIME CONEXO ............................................................ 38
CONSTITUCIONALIDADE OU NÃO DO CRIME DE DESACATO ...................................................................................... 39
PECULADO E APROPRIAÇÃO DO FUNDO DE DESENVOLVIMENTO DO PODER JUDICIÁRIO POR TABELIÃO ................ 40
DEPOSITÁRIO JUDICIAL É FUNCIONÁRIO PÚBLICO PARA FINS PENAIS? ..................................................................... 40
DIRETOR DE ORGANIZAÇÃO SOCIAL É FUNCIONÁRIO PÚBLICO PARA FINS PENAIS? ................................................. 41

14. CRIME DE DESABAMENTO ....................................................................................................................................41

CRIME DE DESABAMENTO E RESPONSABILIDADE PENAL DO REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA CONTRATANTE


.................................................................................................................................................................................... 41

DIREITO PENAL - LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE

15. CRIMES DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO.......................................................................................................42

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PORTAR GRANADA DE GÁS LACRIMOGÊNIO OU GÁS PIMENTA É OU NÃO CRIME? .................................................. 42


POLICIAL QUE POSSUI ARMA DE FOGO SEM REGISTRO COMETE OU NÃO CRIME? ................................................... 43
CONSELHEIRO DO TCE PODE OU NÃO PORTAR/POSSIR ARMA DE USO RESTRITO? ................................................... 43
POSSUIR ARMA DE FOGO COM REGISTRO VENCIDO É OU NÃO CRIME?.................................................................... 44

16. LEI DE DROGAS .....................................................................................................................................................44

TRÁFICO PRÓXIMO A ESTABELECIMENTO PRISIONAL E MAJORANTES DA LEI DE DROGAS........................................ 44


TRÁFICO EM DIA SEM MOVIMENTAÇÃO NAS ESCOLAS E MAJORANTE DA LEI DE DROGAS....................................... 45
TRÁFICO PRÓXIMO A ESCOLAS E EFETIVA COMERCIALIZAÇÃO .................................................................................. 45
TRÁFICO INTERNACIONAL E EFETIVA TRANSPOSIÇÃO DA FRONTEIRA ....................................................................... 46
TRAFICO INTERESTADUAL E TRANPOSIÇÃO DOS LIMITES DO ESTADO ....................................................................... 46
APLICAÇÃO SIMULTÂNEA OU NÃO DE MAJORANTES (TRANSNACIONALIDADE E INTERTADUALIDADE) ................... 47
HÁ OU NÃO CONCURSO DE CRIMES ENTRE OS DOS ARTS. 33 a 37 DA LEI DE DROGASCOM O DO ART. 244-B DO
ECA? ............................................................................................................................................................................ 47
GRANDE QUANTIDADE DE DROGA E POSSIBILIDE OU NÃO DE RECONHECER O TRÁFICO PRIVILEGIADO .................. 48
POSSIBILIDADE OU NÃO DO RECONHECIMENTO DO TRÁFICO PRIVILEGIADO ÀS “MULAS” ...................................... 48
POSSIBILIDDE OU NÃO DA UTILIZAÇÃO DE INQUÉRITOS PARA AFASTAR O TRÁFICO PRIVILEGIADO ......................... 49
CUMULATIVIDADE DOS REQUISITOS PARA O RECONHER O TRÁFICO PRIVILEGIADO................................................. 50
É OU NÃO CRIME EQUIPADADO A HEDIONDO O TRAFICO PRIVILEGIADO? ............................................................... 50
É OU NÃO TRÁFICO DE DROGAS A IMPORTAÇÃO DE SEMENTES DE MACONHA? ...................................................... 51
POSSE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL GERA OU NÃO REINCIDÊNCIA? ......................................................... 51
DESCLASSIFICAÇÃO DE TRÁFICO PARA POSSE DE DROGAS E REINCIDÊNCIA .............................................................. 52
TRÁFICO DE DROGAS E POSSIBILIDADE OU NÃO DO CONFISCO DE BENS DE USO EVENTUAL ................................... 53
INTERROGATÓRIO NA LEI DE DROGAS COMO PRIMEIRO OU ÚLTIMO ATO DA INSTRUÇÃO. ..................................... 53

17. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – LEI MARIA DA PENHA ..................................................................................................54

MEDIDA PROTETIVA DE ALIMENTOS E NECESSIDADE OU NÃO AJUIZAMENTO DA EXECUÇÃO EM 30 DIAS .............. 54


PRISÃO PREVENTIVA POR VIAS DE FATO E DESCUMPRIMENTO DE MEDIDA PROTETIVA .......................................... 55
VIOLÊNCIA DOMESTICA GERA OU NÃO DANO MORAL IR RE IPSA (PRESUMIDO)?..................................................... 55
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E NECESSIDADE OU NÃO DE COABITAÇÃO ........................................................................... 56
INFRAÇÕES PENAIS COM VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E SUBSTITUIÇÃO DA PENA ........................................................... 57
LESÃO CORPORAL CONTRA A MULHER E AÇÃO PENAL .............................................................................................. 58

18. LEI DE TORTURA ...................................................................................................................................................58

TORTURA-CASTIGO E SUJEITO ATIVO.......................................................................................................................... 58

19. ECA 59

ROUBO, CORRUPÇÃO DE 02 MENORES E CONCURSO DE CRIMES. ............................................................................. 59

20. CRIMES AMBIENTAIS ............................................................................................................................................60

A ASSINATURA DE TAC IMPEDE OU NÃO A AÇÃO PENAL POR CRIME AMBIENTAL? .................................................. 60
POLUIÇÃO AMBIENTAL E NECESSIDADE OU NÃO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA .......................................................... 60
TRANSPORTE DE PRODUTOS PERIGOSOS E NECESSIDADE OU NÃO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA .............................. 61
O CRIME DE EDIFICAÇÃO PROIBIDA ABSORVE OU NÃO O DE DESTRUIÇÃO DE VEGETAÇÃO? ................................... 61

21. CRIMES DO CTB - CÓDIGO E DE TRÂNSITO BRASILEIRO ........................................................................................62

O CRIME DO ART. 307 DO CTB OCORRE OU NÃO SE A DECISÃO QUE SUSPENDEU O DIREITO DE DIRIGIR FOR
ADMINISTRATIVA? ...................................................................................................................................................... 62
HOMICÍDIO CULPOSO DE TRÂNSITO E PERDÃO JUDICIAL ........................................................................................... 63
ART. 305 DO CTB: FUGA DO LOCAL DO ACIDENTE E PRINCÍPIO DA NÃO INCRIMINAÇÃO .......................................... 63

22. CRIMES DA LEI DE LICITAÇÃO ...............................................................................................................................64

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CRIME DO ART. 89 DA LEI DE LICITAÇÕES E NECESSIDADE OU NÃO DE DOLO ESPECÍFICO ........................................ 64


NÃO CUMPRIR AS FORMALIDADES NO PROCEDIMENTO DE INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO E CRIME DO ART. 89.. 65
CRIME DO AT. 89 DA LEI DE LICITAÇÕES E PARECER DA PROCURADORIA JURÍDICA PELA INEXIGIBILIDADE DA
LICITAÇÃO ................................................................................................................................................................... 66
ATO AMPARADO POR PARECER DA PROCURADORIA JURÍDICA AFASTA OU NÃO O CRIME DO AT. 89 DA LEI DE
LICITAÇÕES? ................................................................................................................................................................ 66
INCONSTITUCIONALIDADE OU NÃO DO PRECEITO SECUNDÁRIO DO CRIME DO ART. 89 DA LEI DE LICITAÇÕES ....... 67
CRIME DO ART. 89 DA LEI DE LICITAÇÕES E NECESSIDADE OU NÃO DE PROVA DO EFETIVO PREJUÍZO..................... 67

23. RACISMO ..............................................................................................................................................................68

CASO BOLSONARO: IMUNIDADE PARLAMENTAR E CRIME DE RACISMO ................................................................... 68


RACISMO E DISCURSO DE ÓDIO CONTRA OUTRAS RELIGIÕES .................................................................................... 69

24. CRIMES ELEITORAIS ..............................................................................................................................................70

OMISSÃO DE GASTOS DE CAMPANHA NA PRESTAÇÃO DE CONTRA À JUSTIÇA ELEITORAL CONFIGURA OU NÃO


FALSIDADE IDEOLÓGIDA?............................................................................................................................................ 70

25. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA ..............................................................................................................70

A SÚMULA VINCULANTE 24 APLICA-SE OU NÃO AOS FATOS ANTERIORES A SUA EDIÇÃO? ....................................... 70
ADVOCACIA ADMINISTRATIVA PERANTE A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E PRÉVIAS CORREÇÕES GRAMATICAIS
PELO SERVIDOR ........................................................................................................................................................... 71
NÃO RECOLHIMENTO DE ICMS E APROPRIAÇÃO INDÉBITA TRIBUTÁRIA ................................................................... 71
CRIMES TRIBUTÁRIOS E NECESSIDADE OU NÃO DE JUNTADA DO PROCESSO ADMINITRATIVOA FISCAL (PAF) ......... 72
O PAGAMENTO DO DÉBITO TRIBUTÁRIO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO EXTINGUE OU NÃO A PUNIBILIDADE? .. 73
O PAGAMENTO DA MULTA APLICADA PELA NÃO EXIBIÇÃO DOS LIVROS AO FISCO EXTINGUE OU NÃO A
PUIBILIDADE? .............................................................................................................................................................. 73
O PARCELAMENTEO DO DÉBITO FISCAL SUSPENDE OU NÃO A PRESCRIÇÃO? ........................................................... 74
O NÃO RECOLHIMENTO DE ELEVADO MONTANTE DE TRIBUTOS É OU NÃO CAUSA DE AUMENTO DE PENA? ......... 74
DESCAMINHO E NECESSIDADE OU NÃO DE CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO .......................... 75

26. LAVAGEM DE DINHEIRO .......................................................................................................................................76

RECEBER DINHEIRO EM ESPÉCIE OU FAZER DEPÓSITO FRACIONADO EM CONTA CONFIGURA OU NÃO LAVAGEM DE
DINHEIRO? .................................................................................................................................................................. 76
LAVAGEM DE DINHEIRO É OU NÃO CRIME PERMANENTE?........................................................................................ 77
MULTIPLAS TRANSAÇÕES SÃO OU NÃO CIRCUNSTÂNCIAS NEGATIVAS DO CRIME DE LAVAGEM DE DINHEIRO? ..... 78
LAVAGEM DE DINHEIRO: DEPUTADO COM LONGA VIDA PÚBLICA TEM OU NÃO MAIOR CULPABILIDADE? ............. 78
LAVAGEM DE DINHEIRO: ELEVADA QUANTIA DE VALORES E CONSEQUÊNCIAS DO CRIME ....................................... 79

27. CRIMES DA LEI DE TELECOMUNICAÇÕES ..............................................................................................................80

TRANSMITIR SINAL DE INTERNET VIA RÁDIO: FATO TÍPICO OU ATÍPICO? .................................................................. 80

28. CRIMES COTRA O SISTEMA FINANCEIRO ..............................................................................................................81

SIMULAÇÃO DE CONSÓRCIO POR MEIO DE VENDA PREMIADA: CRIME CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO OU
ESTELIONATO? ............................................................................................................................................................ 81
ULITIZAÇÃO DE “LARANJA” PARA COMPRAR MOEDA ESTRANGEIRA E CRIME CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO
NACIONAL ................................................................................................................................................................... 82

29. LEI DE SEGURANÇA NACIONAL - LEI Nº 7.170/83..................................................................................................82

CRIME POLÍTICO: REQUISITOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS ........................................................................................... 82

30. RESUMO...............................................................................................................................................................83

DIREITO PENAL - PARTE GERAL ..................................................................................................................................... 83

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DIREITO PENAL - PARTE ESPECIAL ................................................................................................................................. 87


DIREITO PENAL - LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE ............................................................................................................ 91

DIREITO PENAL
VADE MECUM DE JURISPRUDÊNCIA PENAL – POR ASSUNTO
STF e STJ – 2017 a 2019

PARTE GERAL

1. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
CRIMES DA LEI DE TELECOMUNICAÇÕES – LEI Nº 9.472/97

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E RÁDIO PIRATA

1. (DJUS) Aplica-se o princípio da insignificância no de caso provedor clandestino de


sinal de internet via radiofrequência de baixa potência (art. 183 da Lei n.
9.472/1997), de acordo com o STF e STJ. C/E? (JDP07)

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Tingulinho, imputável, sem autorização da ANATEL, fornece internet via radiofrequência


de baixa potência para alguns clientes, recebendo determinada quantia mensal pelo
serviço. Nessa situação, para o STF e STJ, por ser provedor de internet de baixa potência
é possível aplicar o princípio da insignificância. C/E?
INFO
622/STJ COMENTÁRIO

INFO Gabarito: ERRADO. O STF e o STJ não admitem a aplicação do princípio da insignificância
883/STF ao crime do art. 183 da Lei n. 9.472/1997 (Desenvolver clandestinamente atividade de
telecomunicações), ainda que se trate de provedor de baixa potência (ou frequência),
INFO inclusive, havendo entendimento sumulado do STJ nesse sentido: “Súmula 606-STJ: Não
853/STF se aplica o princípio da insignificância a casos de transmissão clandestina de sinal de
internet via radiofrequência, que caracteriza o fato típico previsto no art. 183 da Lei n.
9.472/1997”. Em outras palavras, a transmissão clandestina de sinal de internet, via
radiofrequência, sem autorização da ANATEL, caracteriza, em tese, o delito previsto no
artigo 183 da Lei n. 9.472/1997. O STF, inclusive, decidiu (HC 152118 AgR) que para se
configurar o crime do artigo 183 da Lei n. 9.472/1997 não precisa comprovar efetivo
prejuízo, vejamos: “O desenvolvimento clandestino de atividade de transmissão de sinal
de internet, via rádio, comunicação multimídia, sem a autorização do órgão regulador,
caracteriza, por si só, o tipo descrito no artigo 183 da Lei nº 9.472/97, pois se trata de
crime formal, não exigindo, destarte, a necessidade de comprovação de efetivo
prejuízo”. CUIDADO: (i) O STF tem um julgado isolado da 1ª Turma (HC 127978), o qual foi
divulgado no INFO/STF 883, afirmando que o fato seria atípico e não poderia ser tipificado
como crime do art. 183, entretanto esse entendimento foi modificado posteriormente
pelo HC 152118 AgR (não noticiado em informativo); (ii) O STF já aplicou o princípio da

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insignificância ao crime do art. 183 (atividade clandestina de telecomunicações)


considerando a excepcionalidade do caso concreto por que se tratava de rádio
comunitária que operava em baixa frequência e em localidade afastada dos grandes
centros, como noticiado no INFO/STF 853. Considerou ainda a importância das rádios
comunitárias como prestadoras de serviço público, a aparente boa-fé do acusado e
inexistência de lesividade. Em provas de concursos recomendo somente utilizar esse
último entendimento se for citado detalhes desse julgado.
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1077499/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares, julgado em 26/09/2017
STJ. 3ª Seção. Súmula 606 aprovada em 11/04/2018, DJe 17/04/2018 (INFO/STJ 622).
STF. 1ª Turma. HC 127978, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 24/10/2017 (INFO/STF 883).
STF. 1ª Turma. HC 152118 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 07/05/2018.
STF. 1ª Turma. HC 129807 AgR, Rel. Min. LUIZ FUX, julgado em 31/03/2017.
STF. 2ª Turma. HC 138134/BA, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 7/2/2017 (INFO/STF 853)
STF. 2ª Turma. HC 128130/BA, Rel. Min. Teori Zavascki, DJe 23/09/2015.

FURTO

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E FURTO DE BEM DE VALOR INEXPRESSIVO DE


ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS

2. (DJUS) Aplica-se o princípio da insignificância ao furto de bem de inexpressivo valor


pecuniário de associação sem fins lucrativos, praticado por mãe que induziu seu
filho menor a participar do ato, de acordo com o STJ. C/E? (JDP30)

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Tamilânia, imputável, estava na Associação do Câncer Renascer, entidade sem fins


lucrativos, quando pediu para seu filho de 9 anos pegar um cofrinho pertencente a
associação, no qual existia a quantia de R$ 4,80, saindo em seguida do local. Nessa
situação, para o STJ, deve ser aplicado o princípio da insignificância em razão da mínima
ofensividade do ato. C/E?

INFO COMENTÁRIO
622/STJ
Gabarito: ERRADO. Para o STJ, NÃO se aplica o princípio da insignificância ao furto de
bem de inexpressivo valor pecuniário de associação sem fins lucrativos com o
induzimento de filho menor a participar do ato. A jurisprudência só reconhece o princípio
da insignificância se estiverem presentes os seguintes requisitos cumulativos: a) mínima
ofensividade da conduta; b) nenhuma periculosidade social da ação; c) reduzido grau de
reprovabilidade do comportamento; e d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. No
caso concreto narrado, o STJ entendeu que embora a lesão tenha sido ínfima
(inexpressiva), não estão presentes a mínima ofensividade da conduta e nem o reduzido
grau de reprovabilidade do comportamento. Isso, porque foi subtraído o bem com o
induzimento do próprio filho menor da ré para praticar o ato, e ainda, lamentavelmente,
contra uma instituição sem fins lucrativos que dá amparo a crianças com câncer. Desse
modo, ainda que irrelevante a lesão pecuniária provocada, porque inexpressivo o valor do
bem, a repulsa social do comportamento é evidente.
STJ. 6ª Turma. RHC 93.472-MS, Rel. Min. Maria Thereza, julgado em 15/03/2018 (INFO/STJ 622).

INFO

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913/STF PRINCÍPIO DA INSIGINIFICÂNCIA E SUBSTITUIÇÃO DA PPL POR PRD

3. (DJUS) Para o STF, a depender do caso concreto, o julgador pode reconhecer o


princípio da insignificância para determinar a substituição da pena privativa de
liberdade (PPL) por pena restritiva de direitos (PRD) ao reincidente (o que seria
vedado pelo art. 44, II, do CP), ao invés de absolver o réu por atipicidade da conduta.
C/E? (JPD31)

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Tingulau, reincidente, furtou quatro frascos de xampu, no valor de R$ 31,20. Nessa


situação, para o STF, é possível reconhecer o princípio da insignificância para determinar
a substituição da pena privativa de liberdade (PPL) por pena restritiva de direitos (PRD),
ao invés de absolver o réu por atipicidade da conduta. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STF, a depender do caso concreto, o julgador pode reconhecer
o princípio da insignificância para determinar a substituição da pena privativa de
liberdade (PPL) por pena restritiva de direitos (PRD) ao reincidente (o que seria vedado
pelo art. 44, II, do CP), ao invés de absolver o réu por atipicidade da conduta. No caso
concreto, o STF, por maioria, resolveu adotar uma posição intermediária, pois o
reconhecimento do principio da insignificância tornaria o fato atípico (ausência de
tipicidade material), e o réu ficaria impune. Em outras palavras, a Excelsa Corte entendeu
que não se aplicaria ao caso o princípio da insignificância para não tornar a conduta
atípica (deixando de punir o réu), mas ao mesmo tempo adotou o princípio da
insignificância para determinar a substituição da pena privativa de liberdade (PPL) por
restritiva de direitos (PRD), substituição que é vedada pelo art. 44, II, do CP. Ou seja, no
julgamento “(...) prevaleceu o voto médio proferido pelo ministro Alexandre de Moraes no
sentido da inaplicabilidade do referido princípio”. No entanto, concedeu a ordem de ofício,
para que seja substituída a pena aplicada por medida restritiva de direito. É que, para o
STF, em pequenas comunidades, a substituição da pena privativa de liberdade por medida
restritiva de direito, a permitir que as pessoas vejam onde está sendo cumprida, tem valor
simbólico e pedagógico maior do que a fixação do regime semiaberto ou aberto.
Destaque-se que o art. 44, II, do CP veda a substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos quando o réu é reincidente, mas o STF aplicou a substituição em
razão da insignificância (posição intermediária).
STF. 1ª Turma. HC 137217/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
28/8/2018 (INFO/STF 913).

O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA APLICA-SE OU NÃO AO CRIMINOSO HABITUAL?

4. (DJUS) A habitualidade delitiva específica afasta, por si só, a aplicação do princípio


INFO da insignificância. C/E? (JDP14)
911/STF
Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Sílvio, imputável, furtou 01 galo, 04 galinhas caipiras, 01 galinha garnizé e 03 quilos de


feijão. O réu já responde a outra ação penal por igual conduta. Nesse caso, para o STF,

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não será possível aplicar o princípio da insignificância, em razão da habitualidade


delitiva específica. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. A habitualidade delitiva, ainda que específica, por si só, não é
suficiente para afastar a aplicação do princípio da insignificância, conforme
jurisprudência do STF e do STJ. Em outras palavras, como regra a habitualidade delitiva
específica é um parâmetro que afasta a análise do valor do bem jurídico tutelado para fins
de aplicação do princípio da bagatela. Excepcionalmente, no entanto, as peculiaridades do
caso concreto podem justificar a exclusão dessa restrição, com base na ideia da
proporcionalidade em sentido concreto, mesmo que conste em desfavor do acusado
outra ação penal instaurada por igual conduta. No caso concreto narrado, a
excepcionalidade se justifica por se tratar de hipossuficiente e de furto famélico. É que,
não é razoável que o Direito Penal e todo o aparelho do Estado-polícia e do Estado-juiz
movimentem-se no sentido de atribuir relevância a estas situações. Em suma, a
jurisprudência do STF e STJ tem afastado como regra geral a aplicação do princípio da
insignificância ao criminoso habitual porque não se pode considerar como reduzidíssimo
o grau de reprovabilidade da conduta, entretanto o caso concreto, considerando outras
circunstâncias é que vai indicar a aplicação ou não do princípio da insignificância.
STJ. 6ª Turma. HC 299.185-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 9/9/2014 (INFO 548/STJ).
STF. 2ª Turma. HC 141440 AgR/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018 (INFO 911/STF).

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E APLICAÇÃO OU NÃO DO REGIME SEMIABERTO AO


REINCIDENTE PUNIDO COM PENA DE RECLUSÃO

5. (DJUS) O STF entende que nos casos em que não for possível reconhecer o princípio
da insignificância para absolver o réu por atipicidade da conduta, é possível aplicar o
mesmo princípio para fixar o regime semiaberto ao reincidente, condenado com
pena de reclusão, em razão do princípio da proporcionalidade. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Tingulau, reincidente, furtou bens de um estabelecimento comercial avaliados em R$


44,00. Apurou-se que já era o quinto furto praticado por ele no pequeno município.
INFO
Nesse caso, para o STF, não se deve aplicar o princípio da insignificância, mas a
910/STF
imposição de regime fechado viola o princípio da proporcionalidade, devendo ser fixado
o semiaberto. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. O STF entende que nos casos em que não for possível reconhecer o
princípio da insignificância para absolver o réu por atipicidade da conduta, é possível
aplicar o mesmo princípio para fixar o regime semiaberto ao reincidente, condenado
com pena de reclusão, em razão do princípio da proporcionalidade. Em outras palavras,
a Excelsa Corte entendeu que não se aplicaria ao caso o princípio da insignificância para
não tornar a conduta atípica (deixando de punir o réu), mas ao mesmo tempo adotou o
princípio da insignificância para determinar a aplicação do regime semiaberto ao
reincidente, condenado com pena de reclusão, em razão do princípio da

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proporcionalidade. Para o reincidente, aplicada a pena de reclusão, o regime inicial de


cumprimento de pena é, em regra, o fechado (CP, art. 33). Sendo que, no caso concreto
narrado, o STF entendeu que não poderia aplicar o princípio da insignificância, tornando o
fato atípico (ficando impune o réu), ante a reprovabilidade da conduta, devido à
reiteração criminosa. Entretanto, entendeu também que em razão do referido princípio o
regime não poderia ser o fechado, pois violaria o princípio da proporcionalidade, assim,
aplicou o regime semiaberto. Pela mesma razão o STF também já aplicou em outros casos
o regime aberto. A orientação firmada pelo Plenário do STF é no sentido de que a aferição
da insignificância da conduta como requisito negativo da tipicidade, em crimes contra o
patrimônio, envolve um juízo amplo, que vai além da simples aferição do resultado
material da conduta, abrangendo também a reincidência ou contumácia do agente,
elementos que, embora não determinantes, devem ser considerados (HC 123.533, Relator
Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, DJe de 18/2/2016).
STF. 1ª Turma. HC 136385/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/8/2018
(INFO/STF 910).

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: APLICA-SE OU NÃO AO REINCIDENTE?

6. (DJUS) A reincidência afasta, por si só, a aplicação do princípio da insignificância,


conforme STF e STJ. C/E? (JDP10)

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Armando, reincidente, furtou um chinelo no valor de R$ 16,00. Nesse caso, para o STF, a
reincidência impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância penal da
conduta. C/E?
INFO
793/STF
COMENTÁRIO
INFO
548/STJ Gabarito: ERRADO. Para o STF e STJ, a reincidência NÃO afasta, por si só, a aplicação do
princípio da insignificância. Em regra, o STF não tem admitido a aplicação da
insignificância ao reincidente. Isso porque a aplicação desse princípio envolve um juízo
amplo (“conglobante”), que vai além da simples aferição do resultado material da
conduta, abrangendo também a reincidência ou contumácia do agente, elementos que,
embora não determinantes, devem ser considerados. Entretanto, o tribunal decidiu, por
maioria, que a reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a
insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto. Acrescente-se que
o STJ admite a aplicação do princípio da insignificância ao reincidente, seja específico ou
genérico, mas, em regra, tem negado o beneficio na maioria dos julgados (INFO
548/STJ).
STF. Plenário. HC 123108/MG, HC 123533/SP, HC 123734/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 3/8/2015
(INFO/STF 793).

NÃO APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E FIXAÇÃO OU NÃO DO REGIME


INFO ABERTO COMO REGRA
793/STF
7. (DJUS) Para a Excelsa Corte, na hipótese de o juiz considerar penal ou socialmente
indesejável a aplicação do princípio da insignificância por furto, em situações em

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que tal enquadramento seja cogitável, eventual sanção privativa de liberdade


deverá ser fixada, como regra geral, em regime inicial aberto. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Furtônio, imputável, praticou o crime de furto qualificado, ao subtrair dois sabonetes


líquidos íntimos avaliados em R$ 40,00, juntamente com outra pessoa. Nesse caso, para
o STF, não se deve aplicar o princípio da insignificância, mas a imposição de regime
semiaberto viola o princípio da proporcionalidade, devendo ser fixado o aberto. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STF, na hipótese de o juiz considerar penal ou socialmente


indesejável a aplicação do princípio da insignificância por furto, em situações em que tal
enquadramento seja cogitável, eventual sanção privativa de liberdade deverá ser fixada,
como regra geral, em regime inicial aberto. Em outras palavras, nos casos em que não for
possível reconhecer o princípio da insignificância para absolver o réu por atipicidade da
conduta, deve o magistrado aplicar o mesmo princípio para fixar, como regra, o regime
aberto ao reincidente, condenado com pena de reclusão, em razão do princípio da
proporcionalidade. Assim, a corte entende que se a regra ao caso concreto for pela
aplicação do princípio da insignificância (ex.: furto de um chinelo de R$ 16,00), mas o juiz
não reconhecer a aplicação do benefício, pela ausência de algum dos requisitos, deve o
magistrado na aplicação de eventual sanção privativa de liberdade fixar, como regra geral,
o regime inicial aberto. Acrescente-se que o réu reincidente, em regra, inicia o
cumprimento da pena em regime fechado, se condenado a pena de reclusão; ou
semiaberto, se punido com detenção (CP, art. 33, § 2º). Entretanto o STF afastou a
aplicação dessa regra. Dito de outro modo, negada a aplicação da insignificância ao
reincidente, em situação que ao primário seria aplicável, deve-se fixar um regime mais
brando (aberto), paralisando-se a incidência do art. 33, § 2º, c, do CP, em homenagem ao
princípio da proporcionalidade. No caso concreto, o STF concedeu a ordem para alterar de
semiaberto para aberto o regime inicial do cumprimento da pena imposta ao paciente
STF. Plenário. HC 123108/MG, HC 123533/SP, HC 123734/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 3/8/2015
(INFO/STF 793).

O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA APLICA-SE AO FURTO QUALIFICADO?

8. (DJUS) A prática de furto qualificado não deve, por si só, impedir a aplicação do
princípio da insignificância, cujo afastamento deve ser objeto de motivação
específica à luz das circunstâncias do caso concreto, de acordo com o STF e STJ. C/E?

INFO Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):


793/STF
Ladrônio, imputável, mediante escalada e com rompimento de obstáculo, furtou 15
bombons caseiros, avaliados em R$ 30,00. Nessa situação, para o STF, mesmo sendo o
delito praticado o de furto qualificado é possível aplicar o princípio da insignificância.
C/E?

COMENTÁRIO

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Gabarito: CERTO. Para o STF e STJ, a prática de furto qualificado não deve, por si só,
impedir a aplicação do princípio da insignificância, cujo afastamento deve ser objeto de
motivação específica à luz das circunstâncias do caso concreto. A jurisprudência
dominante dos tribunais superiores tem afastado, como regra, a incidência do princípio da
insignificância nos casos de furto qualificado (CP, art. 155, § 4º). Entretanto, ao mesmo
tempo, afirma-se que a prática de furto qualificado não deve, por si só, impedir a
aplicação do princípio da insignificância, cujo afastamento deve ser objeto de motivação
específica à luz das circunstâncias do caso (e.g., número de reincidências, especial
reprovabilidade decorrente de qualificadoras etc.). Em outras palavras, está correto
afirmar que é possível aplicar o princípio da insignificância ao furto qualificado. E
também é certo dizer que a jurisprudência dominante do STF e STJ não aplica o referido
princípio ao furto qualificado. O Min. Barroso, relator, citou vários exemplos em que o
STF admitiu a insignificância ao furto qualificado: HC 113.327, HC 110.244, HC 94.549, HC
96.822. E citou outros tantos em que a insignificância foi negada ao furto qualificado: HC
113.258, HC 118.584, HC 113.872. Em suma, a jurisprudência do STF e STJ tem afastado
como regra geral a aplicação do princípio da insignificância ao furto qualificada porque há
maior reprovabilidade das condutas, entretanto o caso concreto, considerando outras
circunstâncias (e não o furto por si só) é que vão indicar a aplicação ou não do princípio da
insignificância.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 403.593/ES, Rel. Ministro JORGE MUSSI, j. 25/09/2018, DJe 03/10/2018.
STJ. 6ª Turma. REsp 1659536/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, j. 07/08/2018.
STF. Plenário. HC 123108/MG, HC 123533/SP, HC 123734/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 3/8/2015
(INFO/STF 793).

CRIMES CONTRA A ADMINSTRAÇÃO PÚBLICA

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: APLICA-SE OU NÃO AOS CRIMES CONTRA A


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA?

9. (DJUS) Para o STJ, o princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a


administração pública. C/E?

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Tingulinho, imputável, foi denunciado pela prática do delito do art. 312, § 1º, do CP
INFO (peculato-furto), pois teria se apropriado, na condição de carcereiro policial, de um farol
615/STJ de milha que guarnecia uma motocicleta apreendida em ocorrência policial, avaliado em
R$ 13,00. Nessa situação, para o STJ, é inaplicável o princípio da insignificância,
SÚMULA entretanto, para o STF, o referido princípio deve ser aplicado, excluindo-se a tipicidade
599/STJ material. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. O STJ não admite a aplicação do princípio da insignificância aos Crimes
Contra a Administração Pública, conforme súmula 599/STJ: “O princípio da
insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública”. É importante
destacar que o crime de descaminho (CP, art. 334) está no Título dos Crimes Contra a
Administração Pública, mas o STJ e STF admitem a aplicação do princípio bagatela até o
limite de R$ 20.000,00 (STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, e STF. 2ª Turma. HC
155347/PR). No STF o entendimento é o de que a prática de crime contra a Administração

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Pública, por si só, não inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância, devendo haver
uma análise do caso concreto. Desse modo, o STF decidiu o caso concreto narrado cujo
acórdão teve a seguinte ementa: “Delito de peculato-furto. Apropriação, por carcereiro, de
farol de milha que guarnecia motocicleta apreendida. Coisa estimada em treze reais. Res
furtiva de valor insignificante. Periculosidade não considerável do agente. Circunstâncias
relevantes. Crime de bagatela. Caracterização. Dano à probidade da administração.
Irrelevância no caso. Aplicação do princípio da insignificância. Atipicidade reconhecida.
Absolvição decretada. HC concedido para esse fim”.

STJ. Corte Especial. Súmula 599 aprovada em 20/11/2017, DJe 27/11/2017.


STF. 2ª Turma. HC 112388/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Rel. p/ Acórdão: Min. Cezar Peluso, julgado em
21/08/2012.

CRIMES COM VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: APLICA-SE OU NÃO ÀS CONTRAVENÇÕES PENAIS NO


ÂMBITO DAS RELAÇÕES DOMÉSTICAS?

10. (DJUS) Para o STF e STJ, o princípio da insignificância é aplicável somente às


contravenções penais cometidas contra a mulher no âmbito das relações
domésticas, não se estendendo aos crimes nas mesmas condições. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Tingulinho, imputável, praticou vias de fato contra sua mulher, entretanto a partir das
declarações da própria vítima, foi cabalmente constatado que o triste episódio
correspondeu a ato completamente isolado, estando a relação familiar em
desenvolvimento normal, cercada de amor, harmonia e pacificidade. Nessa situação,
para o STF e o STJ, por se tratar de contravenção penal e não de crime, é possível ser
aplicado o princípio da insignificância ao caso. C/E?
INFO
610/STJ
COMENTÁRIO
INFO
Gabarito: ERRADO. O STF e o STJ não admitem a aplicação do princípio da
825/STF
insignificância, sejam aos crimes ou às contravenções penais praticados contra a mulher
no âmbito das relações domesticas, inclusive havendo súmula do STJ nesse sentido:
“Súmula 589/STJ: É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções
penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas”. Acrescente-se que
o entendimento que já era pacífico no STJ, agora virou súmula, entendendo o Tribunal da
Cidadania que nesses casos não estão presentes os requisitos para a aplicação da
insignificância seja ela própria ou imprópria. Para o STF, mesmo se tratando contravenção
penal, que no caso foi a de vias de fato, não há razão para a aplicação do princípio da
insignificância que na situação se mostra incabível “ante a excepcional vulnerabilidade da
mulher no âmbito das relações domésticas” (RE nº 807.781/SP, Relator o Ministro Luiz
Fux, DJe de 9/10/15), o que enseja um juízo de maior reprovabilidade da conduta
praticada que põe em risco a integridade física da vítima.
STF. 2ª Turma. RHC 133043/MT, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/5/2016 (INFO/STF 825).
STF. 2º Turma. HC 141594 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 09/06/2017.
STJ. 3ª Seção. Súmula 589 aprovada em 13/09/2017, DJe 18/09/2017 (INFO/STJ 610).

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CRIME AMBIENTAL

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: APLICA-SE OU NÃO AO CRIME DO ART. 34, DA LEI DE


CRIMES AMBIENTAIS?

11. (DJUS) Para o STF e STJ, em regra, aplica-se o princípio da insignificância ao crime do
art. 34 da Lei nº 9.605/98 (ex.: pescar em período proibido). C/E?

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Sandro cometeu o crime do art. 34, parágrafo único, II, da Lei nº 9.605/98, por ter
pescado mediante método de arrasto motorizado em período de defeso 7 kg de
camarão. Nessa situação, para o STF, deve-se aplicar o princípio da insignificância. C/E?
INFO
901/STF COMENTÁRIO

INFO Gabarito: ERRADO. O STF e o STJ entendem que, em regra, o princípio da bagatela não
816/STF se aplica ao crime previsto no art. 34, “caput” c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/1998.
É que, no caso concreto, as circunstâncias da prática delituosa não afastam a configuração
INFO do tipo penal. As circunstâncias do crime que, em tese, levaria a insignificância devem
602/STJ apenas repercutir na fixação da pena. Ademais, a natureza do bem protegido — o meio
ambiente — afasta, como regra, a construção jurisprudencial do crime de bagatela.
CUIDADO: Embora nesse julgado o STF tenha afirmado não se aplicar a insignificância ao
crime do art. 34, parágrafo único, II, da Lei nº 9.605/98, tanto o STF, quanto o STJ
SOMENTE têm jugados admitindo a aplicação do princípio da insignificância ao referido
delito, sendo que somente em casos excepcionais (STF. 2ª Turma. Inq 3788/DF, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 1°/3/2016 - INFO 816/STF). A regra geral nos dois tribunais é
pela não aplicação. Em outras palavras, a jurisprudência dominante do STF e STJ não
aplica, em regra, o princípio da insignificância ao crime do art. 34, da Lei nº 9.605/98,
entretanto, as peculiaridades do caso concreto podem indicar a incidência desse princípio,
como já foi admitido em alguns casos.
STF. 1ª Turma. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (INFO 901/STF)

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E CRIME DO ART. 34, DA LEI DE CRIMES AMBIENTAIS.

12. (DJUS) Não se configura o crime do art. 34 da Lei nº 9.605/98, se o réu depois de
pescar um peixe em período e em local proibido, o tenha devolvido ainda vivo ao
rio, em razão do princípio da insignificância. C/E?
INFO
602/STJ
COMENTÁRIO
INFO
Gabarito: CERTO. Não se configura o crime previsto no art. 34 da Lei nº 9.605/98 na
901/STF
hipótese em há a devolução do único peixe – ainda vivo – ao rio em que foi pescado. Em
outras palavras, não há tipicidade material na conduta, em razão da aplicação do princípio
da insignificância. Para o STJ, somente haverá lesão ambiental irrelevante no sentido
penal quando a avaliação dos índices de desvalor da ação e do resultado indicar que é
ínfimo o grau da lesividade da conduta praticada contra o bem ambiental tutelado. Isso,
porque não se deve considerar apenas questões jurídicas ou a dimensão econômica da

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conduta, mas se deve levar em conta o equilíbrio ecológico que faz possíveis as condições
de vida no planeta. Foi o que ocorreu no caso concreto. Reza o referido artigo: “Art. 34.
Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão
competente: Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas
cumulativamente”. CUIDADO: Embora nesse julgado o STJ tenha decidido aplicar o
princípio da insignificância ao crime do art. 34 da Lei nº 9.605/98, ESSA NÃO É A REGRA.
Tanto o STF, quanto o STJ SOMENTE, têm jugados admitindo a aplicação do princípio da
insignificância ao referido delito somente em casos excepcionais (STF. 2ª Turma. Inq
3788/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 1°/3/2016 - INFO 816/STF). A regra geral nos
dois tribunais é pela não aplicação. Em outras palavras, a jurisprudência dominante do
STF e STJ não aplica o princípio da insignificância ao crime do art. 34, da Lei nº 9.605/98,
entretanto, as peculiaridades do caso concreto podem indicar a incidência do princípio da
insignificância.
STF. 1ª Turma. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (INFO 901/STF)
STJ. 6ª Turma. REsp 1.409.051-SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 20/4/2017 (INFO/STJ 602).

CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E LIMITE DO DÉBITO TRIBUTÁRIO

13. (DJUS) Aplica-se o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de


descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$
20.000,00. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Sonegônio, imputável, procedeu por meio da entrada de mercadoria proveniente do


Paraguai, à supressão de tributos devidos, perfazendo o montante de R$ 14.442,30,
praticando, em tese, o crime de descaminho (art. 334 do CP). Nessa situação, para o STF
e STJ, deve ser aplicado o princípio da insignificância, pois não há tipicidade material no
fato. C/E?
INFO
622/STJ COMENTÁRIO

INFO Gabarito: CERTO. Para o STF e STJ, incide o princípio da insignificância aos crimes
898/STF tributários federais e de descaminho quando o débito tributário verificado não
ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei
n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do
Ministério da Fazenda. É que, a portaria MF nº 75, de 29/03/2012, do Ministro da Fazenda
determina no art. 1º, inciso II, “o não ajuizamento de execuções fiscais de débitos com a
Fazenda Nacional, cujo valor consolidado seja igual ou inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil
reais)”. Assim, como o direito penal é a ultima ratio, não faz sentido permitir uma pessoa
ser processado criminalmente pela falta de pagamento de tributo que o próprio credor
não o cobra no âmbito administrativo-tributário. Em outras palavras, se o credor entende
que, em razão do “baixo” valor, não compensa ingressar com ação judicial para cobrar a
quantia, com maior razão também não se deve iniciar uma ação penal para punir o
agente.
STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo) –
INFO/STJ 622.

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STF. 1ª Turma. HC 137595 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 07/05/2018.
STF. 2ª Turma. HC 155347/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/4/2018 (INFO/STF 898).

2. CONCURSO DE CRIMES
CRIME CONTINUADO

CRIME CONTINUADO: POSSIBILIDADE OU NÃO ENTRE ROUBO, LATROCÍNIO E/OU


EXTORSÃO.

14. (DJUS) Excepcionalmente, é possível haver continuidade delitiva entre roubo e


extorsão. C/E?

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Tingulinho, armado com revólver, entrou no carro de Ana e exigiu a entrega de sua
carteira e de seu telefone celular. Em seguida, já em posse de seu cartão bancário, o
assaltante exigiu a senha e as letras de segurança de sua conta para sacar dinheiro em
caixas eletrônicos. No decorrer da ação criminosa, a vítima foi obrigada a permanecer
no porta-malas do carro por dez minutos. Nessa situação, para o STF, houve 02 crimes
praticados em continuidade delitiva. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STF e STJ, por não constituírem delitos da mesma espécie,
não é possível reconhecer a continuidade delitiva na prática dos crimes de roubo e
extorsão. Em outras palavras, roubo e a extorsão ainda que tenham sido praticados
INFO
contra a mesma pessoa, no mesmo lugar e em contexto semelhante, não são crimes da
899/STF
mesma espécie, embora protejam idêntico bem jurídico (patrimônio) e tenham elementos
e sanções similares. Com esse argumento o STF rejeitou a tese da defesa. No caso
apresentado, a primeira ação foi o crime de roubo circunstanciado (CP, art. 157, § 2º-A, I),
pois o réu, mediante o uso de arma de fogo, subtraiu da vítima a carteira e o celular. O
segundo crime foi o de extorsão qualificada por restrição de liberdade (CP, art. 158, § 3º).
A diferença fundamental entre o crime de roubo e extorsão é que a colaboração da
vítima neste último é essencial para a obtenção da vantagem do agente. No caso em
exame, veja que se a vítima não entregasse a carteira e o celular, o assaltante poderia
simplesmente tomar. Mas no segundo caso, sem a colaboração da vítima, será impossível
o bandido retirar o dinheiro do caixa eletrônico sem antes obter a senha. Em outras
palavras, na extorsão é imprescindível a participação da vítima para possibilitar a
obtenção da vantagem ilícita. Crimes da mesma espécie são aqueles que apresentam a
mesma estrutura jurídica, ou seja, protegem o mesmo bem jurídico e estão no mesmo
tipo penal. Por essa razão o STF e o STJ não admitem a continuidade delitiva entre roubo e
latrocínio, por não serem crimes da mesma espécie, embora do mesmo gênero (ambos
estão no mesmo tipo penal – art. 157 do CP –, mas um protege o patrimônio; o outro, a
vida e o patrimônio, respectivamente).
STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 24/4/2018 (INFO/STF 899).
STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018.
STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 06/12/2016.

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3. AUTORIA – TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO

SUPERIOR HIERÁRQUICO E TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO 1

15. (DJUS) Conforme a jurisprudência do STF, a teoria do domínio do fato preceitua que
a posição de um agente na escala hierárquica serve para demonstrar ou reforçar o
dolo da conduta. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. O entendimento do STF é justamente o contrário do que trouxe a


INFO assertiva. Ou seja, para o STF, a teoria do domínio do fato preceitua que a mera posição
880/STF de um agente na escala hierárquica não serve para demonstrar ou reforçar o dolo da
conduta. Dito de outro modo, não é por que o agente está em escala hierárquica superior
(ex.: governador, presidente de uma empresa) que ele vai responder criminalmente como
autor do delito, aplicando-se a teoria do fato. Em cada caso, deve-se provar que ele de
fato tinha domínio da situação e dirigia os demais subalternos para conseguir consumar
toda a prática criminosa. Ademais, qualquer imputação centrada, unicamente, na posição
de um dado agente na escala hierárquica governamental, deve ser refutada, por inegável
afinidade com o Direito Penal Objetivo.
STF. 2ª Turma. AP 975/AL, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/10/2017 (INFO/STF 880).

SUPERIOR HIERÁRQUICO E TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO 2

16. (DJUS) Funcionários de determinada empresa de telefonia inseriram em livros fiscais


informações inexatas que caracterizaram o crime do art. 1º, II, da Lei nº 8.137/90.
Nesse caso, de acordo com o STF, os diretores da empresa responderão,
necessariamente, pelo crime com base na teoria do domínio do fato. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. De acordo com a jurisprudência do STF, não se pode invocar a teoria
INFO
do domínio do fato, pura e simplesmente, sem nenhuma outra prova, citando de forma
866/STF
genérica os diretores estatutários da empresa, espalhados pelo Brasil, para lhes imputar
um crime fiscal que teria sido supostamente praticado no Estado-membro. Em matéria
de crimes societários, a denúncia deve apresentar, suficiente e adequadamente, a
conduta atribuível a cada um dos agentes, de modo a possibilitar a identificação do papel
desempenhado pelos denunciados na estrutura jurídico-administrativa da empresa. No
caso concreto, o STF trancou a ação penal por entender que a acusação feita aos
pacientes deriva apenas dos cargos por eles ocupados na empresa de telefonia, estando
ausente a descrição mínima dos supostos atos ilícitos por eles praticados. Em outras
palavras, a simples condição de diretor ou presidente de determinada empresa não o
torna autor do crime, com base na teoria do domínio do fato, simplesmente por ser quem
tem o controle geral dos empregados da pessoa jurídica, sendo preciso a indicação de

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elementos mínimos que indique que, de algum modo, possui o domínio do fato crimino.
A teoria do domínio do fato foi criada na Alemanha, em 1939, por Hans Welzel com o
objetivo de ampliar o conceito de autor. Para esta teoria, autor não é apenas quem
executa o verbo do tipo penal (ex.: matar alguém), mas também aquele que tem todo o
domínio da situação, embora não pratique diretamente nenhum ato executório concreto.
Essa teoria é muito importante nos crimes tributários e nas organizações criminosas, pois
os que a comandam dificilmente praticam atos concretos, mas normalmente, decidem ou
determinam que outros o façam.
STF. 2ª Turma. HC 136250/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017 (INFO/STF 866).

4. EFEITOS DA CONDENAÇÃO

PERDA DA FUNÇÃO PÚBLICA: APLICA-SE OU NÃO AO NOVO CARGO OCUPADO DEPOIS


DA DATA DO CRIME?

17. (DJUS) A pena de perdimento do art. 92, I, do CP se restringe à atividade pública


exercida no momento do delito, ainda que o novo cargo ou função guarde
correlação com as atribuições anteriores. C/E? (JDP08)

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Fuciano, imputável, na condição de gerente da agência dos Correios de Brejinho/PE,


encaminhava os aposentados do INSS para o escritório onde trabalhava Chico para que
efetivassem o recebimento e preenchimento do formulário de recadastramento perante
o INSS, momento em que era cobrado o valor de R$ 5,00, quantia que era repartida
entre ambos. Fuciano, durante o processo, foi aprovado em outro concurso e tomou
posse como servidor da Universidade Federal. Nessa situação, para o STJ, Fuciano, se
INFO condenado, pode perder o novo cargo ocupado, nos termos do art. 92, I, do CP. C/E?
599/STJ
COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. A pena de perdimento deve ser restrita ao cargo ocupado ou função
pública exercida no momento do delito, à exceção da hipótese em que o magistrado,
motivadamente, entender que o novo cargo ou função guarda correlação com as
atribuições anteriores, conforme entendimento do STJ. Em outras palavras, o juiz, em
regra, só pode declarar a perda do cargo ocupado na data do crime, com fulcro no art. 92,
I, CP, por reconhecer que o crime foi cometido com abuso de poder ou violação de dever
para com a Administração Pública. Entretanto, o STJ traz uma exceção, qual seja, é se o
novo cargo ocupado tiver correlação com o cargo ocupado na data do crime (ex.: ser o
acusado policial na dará do crime, mas na data da condenação ser policial civil). No caso
concreto analisado o STJ entendeu que o novo cargo ocupado pelo réu (servidor da
universidade Federal) não guardava correlação com o de gerente dos Correios e afastou a
pena de perda do novo cargo público ocupado decreta pelo juiz de piso.
STJ. 5ª Turma. REsp 1.452.935-PE, Rel. Min. Reynaldo Soares, julgado em 14/3/2017 (INFO/STJ 599).

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5. DAS PENAS
PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS

CONDENAÇÕES ANTERIORES TRANSITADAS EM JULGADO E UTILIZAÇÃO OU NÃO COMO


CONDUTA SOCIAL NEGATIVA

18. (DJUS) É possível a utilização de condenações anteriores com trânsito em julgado


como fundamento para negativar a conduta social, de acordo com o STF e STJ. C/E?
(JDP32)

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Ladrônio, imputável, possui 03 condenações criminais que transitaram em julgado em


2018. Nessa situação, para o STF e STJ, se cometer novo crime em 2019 o juiz poderá
utilizar uma dessas condenações como agravante, outra como maus antecedentes e a
última como conduta social negativa. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STF e STJ, NÃO é possível a utilização de condenações


INFO
anteriores com trânsito em julgado como fundamento para negativar a conduta social.
639/STJ
Isso, porque, a conduta social não se confunde com maus antecedentes (antecedentes
criminais). Conduta social (ou antecedentes sociais) é o estilo de vida do acusado, ou seja,
INFO
seu papel na comunidade, inserido no contexto da família, da escola, do trabalho, da
825/STF
vizinhança (STJ – HC 225.035/ES). Já os antecedentes (ou antecedentes criminais), por sua
vez, referem-se à vida pregressa (passada) do acusado em relação ao “mundo do crime”,
ou seja, são os registros criminais contidos na folha de antecedentes criminais. Assim, não
é por que o agente tem maus antecedentes que ele também terá má conduta social, não
se confundindo uma circunstância judicial com a outra. Por essa razão, para melhor
atender ao princípio da individualização da pena, STF e STJ decidiram que as condenações
com trânsito em julgado, não utilizadas a título de reincidência, não podem fundamentar
a negativação da conduta social. Por fim, havendo duas condenações que geram
reincidência, uma delas deve servir como agravante e a outra como maus antecedentes,
conforme STF e STJ. A fixação da pena privativa de liberdade passa por 03 fases: (i) pena-
base; (ii) agravantes e atenuantes e, por fim; (iii) causas de aumento ou diminuição de
pena. Na primeira fase (fixação da pena-base) o juiz analisa as circunstâncias do art. 59, do
CP (chamada de circunstâncias judiciais), estando entre elas a “conduta social e os
antecedentes” do crime.
STF. 2ª Turma. RHC 130132, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10/5/2016 (INFO/STF 825).
STJ. 5ª Turma. HC 475.436/PE, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 13/12/2018.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.760.972-MG, Rel. Min. Sebastião Reis, julgado em 08/11/2018 (INFO/STJ 639).

PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS

POSSIBILIDADE OU NÃO DA EXECUÇÃO PROVISÓRIA DAS PENAS RESTRITIVAS DE


INFO
DIREITOS
609/STJ
19. (DJUS) Para o STF e STJ é possível a execução da pena restritiva de direitos antes do

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trânsito em julgado da condenação. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Há divergência entre os dois tribunais. Para o STJ, não é possível a
execução das penas restritivas de direitos antes do trânsito em julgado da condenação
(execução provisória). Em outras palavras, havendo condenação do réu com substituição
da pena privativa de liberdade (PPL) por restritiva de direitos (PRD), não é possível
executar esta última antes do transito em julgado da sentença. Ou seja, não é possível
fazer a execução provisória das penas restritivas de direitos. O STJ decidiu assim porque o
STF no julgamento do HC n. 126.292/SP permitiu a execução da PPL após a decisão em
segundo grau não transitada em julgado (execução provisória da PPL), mas não analisou,
na época, essa possibilidade em relação à PRD (atualmente o STF já se manifestou sobre o
tema, no RE 1169624 ED/SC, o que fara com que o STJ, certamente, quando chamado a
decidir o mesmo caso mude seu entendimento). Já o entendimento do STF atualmente,
como dito, é diverso, ou seja, permite a execução provisória tanto da PRL, quanto da
PRD, por não comprometer o princípio constitucional da presunção de inocência,
previsto no art. 5º, inciso LVII, da Constituição Federal.
STJ. 3ª Seção. EREsp 1.619.087-SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. para acórdão Min. Jorge Mussi,
julgado em 14/6/2017 (INFO/STJ 609).
STJ. 3ª Seção. AgRg no HC 435.092/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Rel. p/ Acórdão Ministro REYNALDO
SOARES DA FONSECA, DJe 26/11/2018 (reafirmado).
STF. 1ª Turma. RE 1169624 ED, Rel. Min. ALEXANDRE DE MORAES, julgado em 15/02/2019.

POSSIBILIDADE OU NÃO DO ARRESTO DE IMÓVEL PARA GARANTIR O PAGAMENTO DE


PENA DE PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA

20. (DJUS) O juiz pode determinar arresto de imóvel para garantir o cumprimento de
pena de prestação pecuniária, conforme jurisprudência do STJ. C/E?

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Armando foi condenado a 03 anos de reclusão pelo cometimento do crime do art. 299
do CP (falsificação de documento particular), substituída por 02 penas restritivas de
direitos, sendo uma delas a de prestação pecuniária no valor de R$ 30.000,00, parcelado
INFO em 30 prestações mensais. Nessa, situação, para o STJ, com o fim de garantir o
631/STJ cumprimento da obrigação, o juiz pode decretar a medida cautelar de arresto em
desfavor do condenado. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STJ, o juiz não pode determinar a medida cautelar de arresto
para garantir o cumprimento de pena restritiva de direitos substitutiva da privativa de
liberdade. É que, havendo expressa previsão legal de reconversão da pena restritiva de
direitos em privativa de liberdade, não há que se falar em arresto para o cumprimento
forçado da pena substitutiva. Em outras palavras, como o § 4º do art. 44 do CP estabelece
que “A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o
descumprimento injustificado da restrição imposta”, o juiz deve aplicar essa sanção como
medida coercitiva e não a medida cautelar de arresto.

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STJ. 6ª Turma. REsp 1.699.665-PR, Rel. Min. Maria Thereza, julgado em 07/08/2018 (INFO/STJ 631).

REGIME INCIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA

PENA-BASE NO MÍNIMO LEGAL E REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO

21. (DJUS) Fixada a pena-base no mínimo legal, não é possível impor um regime inicial
para o cumprimento da pena mais rigoroso que o previsto em lei. C/E?

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Tingulinho, primário, foi condenado por roubo simples, sendo fixada a pena-base no
mínimo legal, por serem todas as condições judiciais favoráveis. O juiz, fundamentando
sua decisão, aplicou o regime semiaberto para o início do cumprimento da pena. Nessa
situação, para o STF e STJ, errou o magistrado, pois o regime escolhido deveria ter sido o
aberto. C/E?

INFO COMENTÁRIO
881/STF
Gabarito: CERTO. Tanto para o STF quanto para o STJ se o juiz aplicou a pena-base no
SÚMULA mínimo legal, por serem todas as condições judiciais favoráveis, não existe justificativa
440/STJ para impor ao condenado um regime inicial para o cumprimento da pena mais rigoroso
que o previsto em lei. Em outras palavras, de acordo com a jurisprudência, se favoráveis
SÚMULA todas as circunstâncias judiciais, de modo que a pena-base seja fixada no mínimo legal,
719/STF não cabe a imposição de regime inicial mais gravoso. No STJ, inclusive há súmula nesse
sentido: “Súmula 440/STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o
estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção
imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito”. No caso hipotético, vemos
que a pena mínima para o crime de roubo simples é de 04 anos (CP, art. 157). O regime
inicial para essa quantidade de pena é o aberto (CP, art. 33, § 2º, c). Assim, o magistrado
deveria ter aplicado o regime aberto, de acordo com o STF e STJ. OBS: é possível a fixação
de regime inicial de pena mais severo que o previsto se houver motivação idônea, o que
não ocorre quando todas as circunstâncias judiciais são favoráveis e pena-base fica no
mínimo legal, conforme súmula do STF: “Súmula 719/STF: A imposição do regime de
cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea”.
STF. 2ª Turma. RHC 131133/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/10/2017 (INFO/STF 881)
STF. 1ª Turma. HC 118230/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 08/10/2013.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 303.275/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 03/02/2015.

REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA NA LEI DE DROGAS


INFO
859/STF
22. (DJUS) Drogário, primário, foi condenado a uma pena de 06 anos de reclusão pelo
cometimento do crime de tráfico de drogas. As circunstâncias judiciais do art. 59 do
SÚMULA
CP eram favoráveis ao réu, mas o juiz fixou o regime inicial fechado para o
718/STF
cumprimento da pena, em razão da gravidade do delito. Nessa situação, para o STF,
agiu corretamente o juiz. C/E?
SÚMULA
719/STF
COMENTÁRIO

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Gabarito: ERRADO. Para o STF, o condenado por tráfico de drogas não reincidente, cuja
pena seja superior a 4 anos e não exceda a 8 anos tem o direito de cumprir a pena
corporal em regime semiaberto (art. 33, § 2°, b, do CP), caso as circunstâncias judiciais
do art. 59 do CP sejam favoráveis ao réu. É que a imposição de regime de cumprimento
de pena mais gravoso deve ser fundamentada, atendendo à culpabilidade, aos
antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias
e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima (art. 33, § 3°, do CP).
Para o STF a decisão do juiz violou as súmulas 718 e 719 do STF: “Súmula 719/STF: A
imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige
motivação idônea”; “Súmula 718/STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em
abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais
severo do que o permitido segundo a pena aplicada”.
STF. 2ª Turma. HC 140441/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. em 28/3/2017 (INFO/STF 859).

PENA DE MULTA

LEGITIMIDADE PARA A EXECUÇÃO DA PENA DE MULTA

23. (DJUS) Compete ao ministério público e subsidiariamente à fazenda pública propor a


cobrança da pena de multa decorrente de sentença penal condenatória transitada
em julgado. C/E?

Vejamos a situação hipotética:

Jangolão foi condenado criminalmente, com sentença já transitada em julgado, pelo


tipo do art. 329 do CP, a uma pena de 30 dias-multa. Nessa situação, para o STF,
prioritariamente cabe ao MP propor a execução da pena de multa na vara de execuções
penais. Entretanto, ficando inerte o parquet por 90 dias, a legitimidade passa para a
fazenda pública que deve propor a ação na própria vara de execução fiscal, com a
INFO observância do rito da Lei 6.830/1980. C/E?
927/STF
COMENTÁRIO
SÚMULA
521/STJ Gabarito: CERTO. Para o STF, a legitimidade é do Ministério Público (MP) para propor a
cobrança de multa decorrente de sentença penal condenatória transitada em julgado,
com a possibilidade subsidiária de cobrança pela Fazenda Pública no caso de inércia do
MP por mais de 90 dias. Em outras palavras, havendo pena de multa, decorrente de
sentença penal condenatória transitada em julgado, a legitimidade para propor a
cobrança é inicialmente do MP e somente no caso de inércia deste é que passa para a
fazenda pública, a qual, no caso, passa a ter legitimidade subsidiária. É que, para a Excelsa
Corte, o fato de a Lei 9.268/1996 ter considerado a multa penal como dívida de valor, não
lhe retirou o caráter de sanção criminal que inerente a ela, por força do art. 5º, XLVI, c, da
Constituição Federal (CF). Como consequência, a legitimação prioritária para a execução
da multa penal é do MP, perante a vara de execuções penais. Entretanto, caso o titular da
ação penal, devidamente intimado, não proponha a execução da multa no prazo de
noventa dias, o juiz da execução criminal deverá dar ciência do feito ao órgão competente
da Fazenda Pública (federal ou estadual, conforme o caso) para a respectiva cobrança na
própria vara de execução fiscal, com a observância do rito da Lei 6.830/1980. Ademais, o

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art. 164 da Lei de Execução Penal (LEP) é expresso ao reconhecer essa competência do
MP. Esse dispositivo não foi revogado expressamente pela Lei 9.268/1996. Como se trata
de decisão do plenário do STF fica superado o entendimento da súmula 521 do STJ, a
qual está em sentido contrário ao desta decisão: “Súmula 521-STJ: A legitimidade para a
execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é
exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública”.
STF. Plenário. ADI 3150/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto Barroso e AP 470/MG, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 12 e 13/12/2018 (INFO/STF 927)

6. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
PRESCRIÇÃO

QUANDO SE INICIA O PRAZO DA PRESCRIÇÃO EXECUTÓRIA?

24. (DJUS) A contagem do prazo da prescrição executória se inicia quando “transita em


julgado a sentença condenatória para a acusação” (art. 112, I, do CP), conforme
pacífica jurisprudência do STF e do STJ. C/E? (JDP09)

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Firmino, primário, nascido em 01/01/1990, cometeu crime de furto qualificado no dia


01/01/2013, sendo condenado a 02 anos de reclusão (sentença publicada em
01/01/2014). O MP não recorreu, assim, houve trânsito em julgado da sentença para o
ministério público em 10/01/2014. A Defesa, no prazo legal, recorreu da sentença que
foi mantida pelo tribunal (acórdão publicado em 25/12/2017), transitando em julgado
em 25/01/2018. Nessa situação, para o STF e STJ, não houve prescrição da pretensão
executória. C/E?

INFO COMENTÁRIO
890/STF
Gabarito: ERRADO. Como a pena aplicada foi de 02 anos, o prazo prescrição para a
execução (pretensão executória) é de 04 anos (CP, art. 109, V c/c art. 110). Os dois
tribunais divergem quanto ao marco inicial da contagem do prazo prescricional da
execução quando apenas a defesa recorre da sentença condenatória. Para o STJ, a
contagem do prazo no caso deve ocorrer da forma que determina o art. 112, I, do CP, ou
seja, “do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação”.
Trata-se de interpretação literal que é mais benéfica ao réu. Assim, no caso em exame,
para o STJ, a contagem do prazo prescricional da execução se deu no dia 10/01/2014,
estando extinta a pretensão executória no dia 10/01/2018. Já para o STF, no caso
analisado, não houve prescrição, pois o prazo desta começa do dia 25/01/2018, data em
que houve trânsito em jugado para ambas as partes. Isto porque, o art. 112, I, do CP deve
ser analisado de forma sistemática, ou seja, o início da contagem do prazo da prescrição
somente se dá quando a pretensão executória pode ser exercida. Em outras palavras, se o
Estado ainda não pode executar a pena (ex.: está pendente uma apelação da defesa), não
teve ainda início a contagem do prazo para a prescrição executória. RESUMINDO: Para o
STJ, a contagem do prazo da prescrição executória se inicia quando “transita em julgado
a sentença condenatória para a acusação” (art. 112, I, do CP); já para o STF o início de

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contagem desse prazo começa quando ocorre o transito em julgado para ambas as
partes (interpretação sistemática).
STF. 1ª Turma. RE 696533/SC, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/2/2018
(INFO/STF 890).
STJ. 6ª Turma. AgRg no RHC 74.996/PB, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 12/09/2017.

DIREITO PENAL - PARTE ESPECIAL

7. CRIMES CONTRA A VIDA


HOMICÍDIO

MOTIVO TORPE, FEMINICÍDIO E BIS IN IDEM.

25. (DJUS) Caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe
e de feminicídio no crime de homicídio praticado contra mulher em situação de
violência doméstica e familiar, conforme STJ. C/E? (JDP33)

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. De acordo com o STJ, não caracteriza bis in idem o reconhecimento
das qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no crime de homicídio praticado
INFO contra mulher em situação de violência doméstica e familiar. O STJ considerou que “(...)
625/STJ conforme determina o art. 121, § 2º-A, I, do CP, a qualificadora do feminicídio deve ser
reconhecida nos casos em que o delito é cometido em face de mulher em violência
doméstica e familiar. Assim, considerando as circunstâncias subjetivas e objetivas, temos a
possibilidade de coexistência entre as qualificadoras do motivo torpe e do feminicídio. Isso
porque a natureza do motivo torpe é subjetiva, porquanto de caráter pessoal, enquanto o
feminicídio possui natureza objetiva, pois incide nos crimes praticados contra a mulher por
razão do seu gênero feminino e/ou sempre que o crime estiver atrelado à violência
doméstica e familiar propriamente dita, assim o animus do agente não é objeto de
análise".
STJ. 6ª Turma. HC 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (INFO/STJ 625).

TRIBUNAL DO JÚRI E APRECIAÇÃO DE DOLO EVENTUAL PELO JUIZ

26. (DJUS) Cabe ao juiz, na primeira fase do Tribunal do Júri, apreciar a existência de
dolo eventual ou culpa consciente do condutor do veículo que causa acidente de
trânsito com resultado morte, de acordo com o STJ. C/E? (JDP15)
INFO
623/STJ
COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Entende o STJ que na primeira fase do Tribunal do Júri, ao juiz togado
cabe apreciar a existência de dolo eventual ou culpa consciente do condutor do veículo
que, após a ingestão de bebida alcoólica, ocasiona acidente de trânsito com resultado
morte. A decisão do STJ afirmou que “(...) a primeira etapa do procedimento bifásico do

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Tribunal do Júri tem o objetivo principal de avaliar a suficiência ou não de razões (justa
causa) para levar o acusado ao seu juízo natural. O juízo da acusação (iudicium
accusationis) funciona como um filtro pelo qual somente passam as acusações fundadas,
viáveis, plausíveis e idôneas a ser objeto de decisão pelo juízo da causa (iudicium causae).
Desse modo, não é consentâneo (conveniente), aos objetivos a que representa na
dinâmica do procedimento bifásico do Tribunal do Júri, a decisão de pronúncia relegar a
juízes leigos, com a cômoda invocação da questionável regra do in dubio pro societate, a
tarefa de decidir sobre a ocorrência de um estado anímico cuja verificação demanda
complexo e técnico exame de conceitos jurídico-pena.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti, julgado em 21/11/2017 (INFO/STJ 623).

DIRIGIR VEÍCULO EMBRIAGADO E DOLO EVENTUAL

27. (DJUS) O condutor que dirige veículo embriagado e causa acidente com resultado
morte de terceiro responde por homicídio com dolo eventual, de acordo com o STJ.
C/E?

COMENTÁRIO

INFO Gabarito: ERRADO. Consoante jurisprudência do STJ dependerá de outros fatores para
623/STJ se chegar à conclusão de que o condutor que dirige veículo embriagado e causa acidente
com resultado morte de terceiro responde por homicídio com dolo eventual. A
embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não pode servir de premissa
bastante para a afirmação do dolo eventual em acidente de trânsito com resultado morte.
Isto é, deve haver mais alguma circunstância (ex.: dirigir na contra mão ou em alta
velocidade) que somada ao estado de embriaguez tenho contribuído para o resultado
morte.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.689.173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti, julgado em 21/11/2017 (INFO/STJ 623).

DIRIGIR VEÍCULO EMBRIAGADO NA CONTRAMÃO E DOLO EVENTUAL

28. (DJUS) Para o STF, dirigir veículo automotor sob a influência de álcool, além de fazê-
lo na contramão, é suficiente para configurar a existência de dolo eventual. C/E?

COMENTÁRIO
INFO
904/STF Gabarito: CERTO. O STF decidiu que se verifica a existência de dolo eventual no ato de
dirigir veículo automotor sob a influência de álcool, além de fazê-lo na contramão. Esse
é, portanto, um caso específico que evidencia a diferença entre a culpa consciente e o
dolo eventual. O condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com o risco
de, eventualmente, causar lesões ou mesmo a morte de outrem.
STF. 1ª Turma. HC 124687/MS, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgamento em
29.5.2018 (INFO/STF 904).

INFO
POSSIBILIDADE OU NÃO DA EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA SENTENÇA CONDENATÓRIA DO
922/STF
TRIBUNAL DO JÚRI

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29. (DJUS) Para o STF, nas condenações proferidas pelo tribunal do júri, é necessário
aguardar o trânsito em julgado da sentença para iniciar a execução da pena. C/E?

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Chico, primário, que estava em liberdade, foi condenado pelo tribunal do júri a 12 anos
de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática de homicídio qualificado. O juiz
presidente entendeu ausentes os requisitos da prisão preventiva, mas determinou a
execução provisória da pena, mandando prender o condenado. Nessa situação, para o
STF, não agiu corretamente o juiz, pois sua decisão violou o princípio da presunção de
inocência. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Nas condenações proferidas pelo tribunal do júri, NÃO é necessário
aguardar o trânsito em julgado da sentença para iniciar a execução da pena (execução
provisória), consoante jurisprudência do STF. Em outras palavras, caso haja condenação
pelo Tribunal do Júri, o réu já pode ser preso para iniciar o cumprimento da pena,
independentemente do julgamento de eventual recurso apresentado, ou seja, inicia-se a
execução provisória da pena. Sabe-se que a réu quando sentenciado, em regra, somente
pode ser preso ou mantido na prisão se presentes os requisitos da prisão preventiva (CPP,
art. 387, § 1º) ou depois do trânsito em julgado da sentença condenatória. Contudo, para
a Excelsa Corte, essa regra é afastada quando se trata de sentença oriunda do Tribunal
Popular. É que, as decisões do tribunal do júri são soberanas e, por isso, o tribunal de
justiça pode, eventualmente, anulá-las, mas não pode substituí-las. Em outras palavras,
não viola o princípio da presunção de inocência ou da não culpabilidade a execução da
condenação pelo Tribunal do Júri, independentemente do julgamento da apelação ou de
qualquer outro recurso. Isso, porque essa decisão está em consonância com a lógica do
precedente firmado em repercussão geral no ARE 964.246-RG, Rel. Min. Teori Zavascki,
uma vez que, também no caso de decisão do Júri, o Tribunal não poderá reapreciar os
fatos e provas, na medida em que a responsabilidade penal do réu já foi assentada
soberanamente pelo Júri.
STF. 1ª Turma. HC 140449/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgamento em
6.11.2018 (INFO/STF 922).
STF. 1ª Turma. HC 118770, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Relator (a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, Primeira
Turma, julgado em 07/03/2017.

8. LESÕES CORPORAIS

LESÃO CORPORAL ENTRE IRMÃO E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


INFO
30. (DJUS) A lesão corporal contra irmão no local de trabalho de ambos é qualificada
609/STJ
pela violência doméstica, conforme entendimento do STJ. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

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Tingulinho e Tingulau, imputáveis, são irmãos e trabalham na mesma empresa.


Tingulinho, no local de trabalho, agrediu fisicamente Tingulau, causando-lhe lesões
corporais leves. Nessa situação, Tingulinho, em tese, responderá pelo crime de lesão
corporal leve qualificada pela violência doméstica (CP, art. 129, § 9º). C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STJ, o parágrafo 9º do art. 129, do CP, que qualifica o crime de
lesão corporal pela violência doméstica, aplica-se tanto a homens quanto a mulheres
(RHC 27.622-RJ), ainda que a lesão não tenha ocorrido no ambiente familiar. Em outras
palavras: “se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou
companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido”, o crime será qualificado pela
violência doméstica, ainda que a agressão não tenha ocorrido no ambiente familiar (ex.:
casa do agressor ou vítima). É que, para o STJ, da simples leitura do artigo mencionado,
verifica-se que a lesão corporal qualificada pela violência doméstica não exige que as
agressões ocorram em contexto familiar de forma peremptória, apresentando, em
verdade, diversos núcleos alternativos. Portanto, cuidando-se de lesões corporais
praticadas contra irmão, a conduta já se encontra devidamente subsumida ao tipo penal
tratado, o qual não exige que a lesão seja contra familiar e também em contexto familiar,
sendo suficiente a configuração da primeira elementar. De acordo com a doutrina, nesses
casos, é "dispensável a coabitação entre o autor e a vítima, bastando existir a referida
relação parental”. OBS: embora seja um crime no âmbito das relações domésticas, não
se aplica a Lei Maria da Penha ao caso, pois a vítima não é mulher.

STJ. 5ª Turma. RHC 50.026-PA, Rel. Min. Reynaldo Soares, julgado em 3/8/2017 (INFO/STJ 609).
STJ. 5ª Turma. RHC 27.622-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 7/8/2012.

9. CRIMES CONTRA A HONRA


INJÚRIA

INJÚRIA E LEGITIMIDADE DA ESPOSA DA VÍTIMA DA OFENSA

31. (DJUS) Não comete crime de injúria contra a esposa do marido também ofendido
aquele que insinua, em rede social, que ela está sendo traída pelo marido com outro
homem. C/E?

Vejamos o caso concreto (com adaptações):


INFO
Tingulinho, imputável, em uma rede social, postou mensagem insinuando que Tingulau
919/STF
tem um relacionamento homossexual extraconjugal com outro homem. A esposa de
Tingulau se sentiu ofendida em razão da insinuação da suposta traição pelo marido.
Nessa situação, para o STF, Tingulinho, em tese, não cometeu o crime de injúria contra a
esposa de Tingulau, mas esta possui legitimidade extraordinária para ingressar com a
queixa-crime. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STF, comete crime de injúria contra a esposa do marido

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também ofendido aquele que insinua, em rede social, que ela está sendo traída pelo
marido com outro homem, passando ela a ter legitimidade para ingressar com a queixa-
crime. Em outras palavras, a conduta, em tese, configura o crime de injúria (art. 140 do
CP) contra a esposa da vítima, uma vez que atinge sua honra subjetiva, possuindo ela
própria legitimidade ativa para ingressar com a ação penal (queixa-crime). Assim, não se
trata de legitimidade extraordinária, pois ela age em nome próprio, defendendo direito
próprio (sua honra subjetiva), sendo a própria vítima do crime. É que, para a Excelsa
Corte, deve ser dado à mulher o mesmo tratamento dispensado ao homem, pois a
doutrina reconhece com tranquilidade a legitimidade ativa do homem casado que é
chamado de “corno” em relação a conduta desonrosa atribuída a sua mulher. Assim, em
tese, houve o crime do art. 140 do CP, o qual dispõe: “Art. 140. Injuriar alguém,
ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa”.

STF. 1ª Turma. Pet 7417 AgR/DF, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/10/2018
(INFO/STF 919.

10. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO


FURTO

O PAGAMENTO DO DÉBITO DO FURTO DE ENERGIA ELÉTRICA ANTES DO OFERECIMENTO


DA DENÚNCIA EXTINGUE A PUNIBILIDADE? (JDP11)

32. (DJUS) O STJ consolidou o entendimento de que o pagamento do débito oriundo do


furto de energia elétrica antes do oferecimento da denúncia configura causa de
extinção de punibilidade. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. O STJ consolidou o entendimento de que o pagamento do débito


oriundo do furto de energia elétrica antes do oferecimento da denúncia NÃO configura
causa de extinção de punibilidade. O entendimento que antes era divergente entre a 5ª e
a 6ª Turma do STJ agora foi pacificado pela 3ª Seção do Tribunal da Cidadania que
INFO acompanhou a jurisprudência da 5ª Turma. Antes desse julgamento o entendimento era
622/STJ assim: a 5ª Turma do STJ (atual jurisprudência pacífica na corte) entendia não configurar
causa de extinção de punibilidade o pagamento de débito oriundo de furto de energia
elétrica antes do oferecimento da denúncia. É que o furto de energia elétrica não pode
receber o mesmo tratamento dado aos crimes tributários, considerando serem diversos
os bens jurídicos tutelados e, ainda, tendo em vista que a natureza jurídica da
remuneração pela prestação de serviço público, no caso de fornecimento de energia
elétrica, é de tarifa ou preço público, não possui caráter tributário, em relação ao qual a
legislação é expressa e taxativa; já o entendimento da 6ª Turma do STJ (atualmente
superado), era no sentido de que o pagamento do débito oriundo do furto de energia
elétrica, antes do oferecimento da denúncia, configurava causa de extinção da
punibilidade, pela aplicação analógica do disposto no art. 34 da Lei n. 9.249/95 e do art. 9º
da Lei n. 10.684/03.
STJ. 3ª Seção. RHC 101299/RS, Rel. Min. Nefy Cordeiro, julgado em 13/03/2019.
STJ. 5ª Turma. HC 412.208-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 20/03/2018 (INFO/STJ 622).
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 796.250/RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 26/09/2017.

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SUBTRAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA POR ADULTERAÇÃO DO MEDIDOR: ESTELIONATO OU


FURTO MEDIANTE FRAUDE?

33. (DJUS) Para o STJ, a subtração de energia elétrica por adulteração do medidor, sem
o conhecimento da concessionária, configura o crime de estelionato (CP, art. 171).
C/E?

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Tingulinho adulterou o medidor de energia elétrica de sua casa que passou a registrar
consumo menor que o efetivo. Nessa situação, para o STJ, Tingulinho responderá pelo
crime de estelionato (CP, art. 171). C/E? (JDP01)

COMENTÁRIO
SEM
INFO Gabarito: ERRADO. Para o STJ, a subtração de energia elétrica por alteração
(adulteração) do medidor, sem o conhecimento da concessionária, melhor amolda-se ao
delito de furto mediante fraude (CP, art. 155, § 4º, II) e não ao de estelionato (CP, art.
171). Isso, porque, conforme o ministro relator, no furto qualificado com fraude, o agente
subtrai a coisa com discordância expressa ou presumida da vítima, sendo a fraude meio
para retirar a res da esfera de vigilância da vítima, enquanto no estelionato o autor obtém
o bem através de transferência empreendida pelo próprio ofendido por ter sido induzido
em erro. Assim, a conduta amolda-se no crime de furto mediante fraude porque a
concessionária de prestação de serviço público não tinha conhecimento da fraude
perpetrada (adulteração do medidor) que passaram a registrar consumo de energia
elétrica a menor, situação típica do crime descrito no art. 155, § 4º, II, do CP e não do de
estelionato (CP, art. 171).
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1279802/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, julgado em 08/05/2012.
STJ. 6ª Turma. RHC 62.437/SC, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, julgado em 21/06/2016 (OBS: o entendimento está no
acórdão, mas não consta na ementa).

ROUBO

ROUBO POR ARMA BRANCA E ABOLITIO CRIMINIS

34. (DJUS) A Lei nº 13.654/2018 revogou o inciso I do § 2º do art. 157 do Código Penal,
hipótese de abolitio criminis que deve ser aplicada retroativamente aos réus
condenados por roubo majorado pelo emprego de arma branca. C/E?

INFO COMENTÁRIO
626/STJ
Gabarito: CERTO. O STJ decidiu que a Lei n. 13.654/2018 trouxe uma hipótese de
abolitio criminis, pois deixou de considerar o emprego de arma branca (antes previsto
no inciso I do § 2º do art. 157 do CP) como causa de aumento de pena. Assim, é de rigor
a aplicação retroativa da novatio legis in mellius, ou seja, da mais favorável, para excluir a
referida causa de aumento da pena imposta aos réus condenados por roubo majorado
pelo emprego de arma branca, conforme art. 5º, XL, da CF/88.

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STJ. 5ª Turma. REsp 1519860/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, j. 17/05/2018 (INFO/STJ 626).
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1.249.427/SP, Rel. Min. Maria Thereza, j. 19/06/2018.

LATROCÍNIO

LATROCÍNIO E COAUTORIA

35. (DJUS) Aquele que se associa a comparsas para a prática de roubo, sobrevindo a
morte da vítima, responde pelo crime de latrocínio, ainda que não tenha sido o
autor do disparo fatal ou a participação se revele de menor importância, conforme
jurisprudência do STF. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Tingulau e Tinguleu mediante grave ameaça por meio de arma de fogo subtraíram bens
de duas vítimas, sequestrando-as em seguida para uma casa abandonada. Tingulau ficou
vigiando as vítimas, enquanto o comparsa saiu para praticar outros crimes. As vítimas
tentaram fugir e acabaram sendo mortas ao receber vários tiros efetuados por Tingulau.
Nessa situação, para o STF, além do crime de sequestro e cárcere privado (CP, art. 148),
ambos responderão por latrocínio consumado (CP, art. 157, $ 3º, II). C/E?

INFO COMENTÁRIO
855/STF
Gabarito: CERTO. Para o STF, aquele que se associa a comparsas para a prática de roubo,
sobrevindo a morte da vítima, responde pelo crime de latrocínio, ainda que não tenha
sido o autor do disparo fatal ou a participação se revele de menor importância. Em
outras palavras, mesmo que o coautor (Tingulau) não esteja no local e não tenha efetuado
os disparos que causaram a morte das vítimas, por ter praticado inicialmente o crime de
roubo contribuiu ativamente para a realização do delito, em unidade de desígnios e
mediante divisão de tarefas, com pleno domínio do fato. Além disso, o agente assumiu o
risco de produzir o resultado mais grave, ciente de que atuava em crime de roubo, no qual
as vítimas foram mantidas em cárcere sob a mira de arma de fogo. Para a Excelsa Corte,
aquele que se associa a comparsa para a prática de roubo, sobrevindo a morte da vítima,
responde pelo crime de latrocínio, ainda que não tenha sido o autor do disparo fatal ou
que sua participação se revele de menor importância. Desse modo, ambos devem
responder por sequestro, cárcere privado (CP, art. 148) e latrocínio consumado (CP, art.
157, § 3º, II).

STF. 1ª Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (INFO/STF 855).

LATROCÍNIO: PLURARIDADE DE MORTES E CONCURSO DE CRIMES

36. (DJUS) A pluralidade de vítimas em crime de latrocínio não enseja a conclusão de


INFO ocorrência de concurso formal impróprio, conforme pacífica jurisprudência do STF e
855/STF do STJ. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Chico com o uso de arma de fogo e com a intensão de subtrair um automóvel abordou

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Pedro, proprietário, que estava dentro do seu carro com um amigo. As vítimas tentaram
reagir o que motivou o réu a matar os dois para consumar a subtração, o que foi feito.
Nessa situação, para o STF e STJ, Chico responderá por um único crime latrocínio
consumado (CP, art. 157, § 3º, II). C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Consumada ou não a subtração, mas havendo pluralidade de mortes


no crime de latrocínio o agente responderá por crime único? STF: SIM; STJ: NÃO (será
concurso formal impróprio). A assertiva está incorreta porque o entendimento do STF e
do STJ é divergente nesse ponto. Para o STF e doutrina majoritária, a pluralidade de
vítimas em crime de latrocínio não enseja a conclusão de ocorrência de concurso formal
impróprio. Isto é, o agente responde por um único crime de latrocínio. No tocante ao
reconhecimento de crime único, o STF ponderou ser o latrocínio delito complexo, cuja
unidade não se altera em razão da existência de mais de uma vítima fatal. Em outras
palavras, a pluralidade de vítimas é insuficiente para configurar o concurso de crimes,
uma vez que, na espécie, o crime fim arquitetado foi o de roubo (CP, art. 157, § 3º), e não
o de duplo latrocínio. No mesmo sentido é a doutrina majoritária. Já para o STJ o
entendimento é diverso, ou seja, há concurso formal impróprio no latrocínio quando
ocorre uma única subtração e mais de um resultado morte, uma vez que se trata de
delito complexo, cujos bens jurídicos tutelados são o patrimônio e a vida. Em outras
palavras, para o STJ, mesmo havendo subtração de patrimônio único, caso ocorra duas
mortes decorrente do roubo, teremos dois crimes de latrocínio em concurso formal
impróprio.

STF. 1ª Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (INFO/STF 855).
STF. 2ª Turma. HC 96736, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 17/09/2013.
STJ. 5ª Turma. HC 336.680/PR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/11/2015.
STJ. 6ª Turma. HC 185.101/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 07/04/2015.

EXTORSÃO

CRIME DE EXTORSÃO E AMEAÇA ESPIRITUAL

37. (DJUS) O crime de extorsão (CP, art. 158) pode ser cometido através de grave
ameaça espiritual à vítima, capaz de compeli-la a realizar o pagamento de vantagem
econômica indevida, de acordo com o STJ. C/E?

COMENTÁRIO

INFO Gabarito: CERTO. De acordo com o STJ, configura o delito de extorsão (art. 158 do CP) a
598/STJ conduta de agente que submete vítima à grave ameaça espiritual que se revelou idônea
a atemorizá-la e compeli-la a realizar o pagamento de vantagem econômica indevida. O
STJ pontuou que “A alegação de ineficácia absoluta da grave ameaça de mal espiritual
não pode ser acolhida, haja vista que (...) a vítima, em razão de sua livre crença religiosa,
acreditou que a recorrente poderia concretizar as intimidações de "acabar com sua vida",
com seu carro e de provocar graves danos aos seus filhos; coagida, realizou o pagamento
de indevida vantagem econômica. Tese de violação do art. 158 do CP afastada”.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.299.021-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/2/2017 (INFO/STJ 598).

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11. CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL


CASA DE PROSTITUIÇÃO

CASA DE PROSTITUIÇÃO E NECESSIDADE OU NÃO DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DA VÍTIMA

38. (DJUS) Para ocorrer o crime do art. 229 do CP (casa de prostituição) é prescindível
(não precisa) existir a exploração sexual da vítima. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Plutônio, imputável, dono do PRIMAS BAR, para aumentar sua clientela, no ano de
2010, contratou garotas, maiores de 18 anos, dispostas a se prostituírem. Conforme
combinado, quando os clientes chegassem ao local elas os convenceriam a pagar
bebidas, que eram vendidas por doses e em valores superiores ao de mercado. Em
seguida, essas mulheres acertariam com os clientes a realização de programa sexual em
um dos quartos do local. Ao final, a mulher ficaria com o valor do programa enquanto
Plutônio ganharia com a venda das bebidas o e aluguel dos quartos. A atividade foi
mantida com habitualidade. Nessa situação, para o STJ, Plutônio, cometeu o crime do
art. 229 do CP (Casa de Prostituição), pois manteve, com habitualidade, por conta
própria, estabelecimento em que ocorria exploração sexual, com intuito de lucro do
proprietário. C/E?

COMENTÁRIO
INFO
Gabarito: ERRADO. Conforme a jurisprudência do STJ, para ocorrer o crime do art. 229
631/STJ
do CP (Casa de Prostituição) é IMPRESCINDÍVEL (precisa) existir a "exploração sexual"
(elemento normativo do tipo), de modo que a conduta consistente em manter casa para
fins libidinosos, por si só, não caracteriza crime, sendo necessário, para a configuração
do delito, que haja exploração sexual, assim entendida como a violação à liberdade das
pessoas que ali exercem a mercancia carnal. Em outras palavras, só há o crime do art.
229 se o agente mantiver a vítima em condição de explorada, obrigada, coagida, não raro
em más condições, ou mesmo em condição análoga à de escravidão, impondo-lhe a
prática de sexo sem liberdade de escolha, ou seja, com tolhimento de sua liberdade sexual
e em violação de sua dignidade sexual. Desse modo, para o STJ, no caso em exame, não
houve crime (o fato é atípico), pois o bar do réu não se voltava exclusivamente à prática
de mercancia sexual, tampouco envolveu menores de idade. Também não se verificou
que retirava proveito, auferindo lucros da atividade sexual alheia mediante ameaça,
coerção, violência ou qualquer outra forma de violação ou tolhimento à liberdade das
pessoas. Em suma, no fato narrado não houve o elemento normativo do tipo “exploração
sexual”, uma vez que as garotas tinham a liberdade de praticarem ou não a prostituição,
sem qualquer coação. Por fim, entendeu o STJ que o bem jurídico tutelado não é a moral
pública, mas sim a dignidade sexual, razão pela qual o sujeito passivo do delito não é a
sociedade e sim a pessoa explorada, vítima da exploração sexual. OBS 1: a relatora
afirmou que há julgados do STJ em sentido contrário (considerando típica a conduta),
entretanto da leitura destes se percebe que versam sobre: (i) hipóteses que envolviam ou
a subtração de parte do pagamento efetuado pelos clientes, com a percepção dos lucros
auferidos da atividade pelos proprietários, em nítida caracterização da exploração sexual

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(REsp 1435872/MG e HC 238.688/RJ); (ii) mediante violência e grave ameaça (HC


210.785/MG) ou; (iii) envolviam menores de idade que não tem condição de exercer
livremente o direito de escolha (REsp 1464450/SC e HC 214.445/SP). OBS 2: a doutrina
tradicional, divergindo do STJ, entende que o sujeito passivo do tipo do art. 229 é a
sociedade e o bem jurídico tutelado é a moral pública.

STJ. 6ª Turma. REsp 1.683.375-SP, Rel. Min. Maria Thereza, julgado em 14/08/2018 (INFO/STJ 631).

ESTUPRO

ESTUPRO DE VULNERÁVEL E RELAÇÃO DE NAMORO COM A VÍTIMA

39. (DJUS) O agente imputável, maior de 18 anos, que pratica conjunção carnal com sua
namorada, de 13 anos, comete o crime de estupro de vulnerável, sendo irrelevante
a existência de relacionamento amoroso entre eles. C/E?

COMENTÁRIO

INFO Gabarito: CERTO. Súmula 593-STJ: “O crime de estupro de vulnerável se configura com a
614/STJ conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante
eventual consentimento da vítima para a prática do ato, sua experiência sexual anterior
ou existência de relacionamento amoroso com o agente”. Ou seja, para o STJ, não há
possibilidade de se relativizar a vulnerabilidade da vítima por algumas das questões
pontuadas, pois o art. 217-A, do CP, é taxativo apenas em exigir a práticas daqueles atos
com pessoa menor de 14 anos, independente de outras circunstâncias: “Art. 217-A. Ter
conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena -
reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos”.
STJ. 3ª Seção. Súmula 593 aprovada em 25/10/2017, DJe 06/11/2017.

ESTUPRO, VIOLÊNCIA REAL E AÇÃO PENAL DEPOIS DA LEI Nº 12.015/09.

40. (DJUS) Em 10/02/2017 Tingulinho, imputável, mediante violência real, cometeu o


crime de estupro (CP, art. 213) contra Tingulau, maior e capaz, quando o Código
Penal ainda previa que a ação penal seria pública condicionada à representação. Em
24/09/2018 entrou em vigor a Lei nº 13.718, a qual modificou a referida ação para
pública incondicionada. O ministério público em 10/10/2018, sem representação da
INFO
vítima, ofertou denúncia contra o réu, a qual foi recebida pelo juízo competente.
905/STF
Nessa situação, para o STF e STJ, o ministério público não agiu corretamente ao
oferecer a denúncia sem a representação da vítima. C/E?
INFO
892/STF
COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. A assertiva está incorreta porque o crime foi praticado com violência
real (aplica-se a súmula 608 do STF), sendo prescindível (não precisa) a representação da
vítima, independentemente da lei vigente à época do fato. Antes da Lei nº 12.015/2009 a
ação penal do crime de estupro, em regra, era de iniciativa privada. Uma das exceções era
quando praticada mediante violência real, conforme súmula 608 do STF: “No crime de
estupro, praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada”. A lei

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(12.015/2009) transformou a ação (que era de iniciativa privada) em pública condicionada


à representação. Assim, a pergunta que se faz é a seguinte: o entendimento da súmula
608 do STF ficou superado após a Lei nº 12.015/2009? A resposta é NÃO. Para o STF, o
entendimento sintetizado na referida súmula continua aplicável, ou seja, praticado o
estupro, mediante violência real, antes ou depois da Lei nº 12.015/2009 a ação penal será
pública incondicionada. Ficou decidido também que “é dispensável a ocorrência de lesões
corporais para a caracterização da violência real nos crimes de estupro”. Ou seja, A
violência real se caracteriza não apenas nas situações em que se verificam lesões
corporais, mas sempre que é empregada força física contra a vítima, cerceando-lhe a
liberdade de agir segundo a sua vontade. O STJ aplica o mesmo entendimento do STF.
Atualmente, não tem mais sentido a discussão se no estupro com violência real a ação
penal é publica condicionada ou incondicionada, pois a Lei nº 13.718/2018 tornou a
referida ação no crime de estupro em pública incondicionada, haja ou não violência real.
STF. 2ª Turma. RHC 117978, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 05/06/2018 (INFO/STF 905).
STF. 1ª Turma. HC 125360/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado
em 27/2/2018 (INFO/STF 892).
STF. 2ª Turma. HC 102683, Rel. Min. ELLEN GRACIE, julgado em 14/12/2010.
STJ. 6ª Turma. REsp 1485352/DF, Rel. Min. ROGERIO SCHIETTI, julgado em 25/11/2014.
STJ. 6ª Turma. HC 161.663/SP, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, julgado em 17/11/2015.

ESTUPRO E APLICAÇAO DA MAJORANTE DO ART. 226, II, AO BISAVÔ.

41. (DJUS) Para o STF, bisavô não é considerado ascendente para fins de aplicação da
causa de aumento de pena do art. 226, II, do CP, pois essa majorante está limita até
o segundo grau. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Conforme entendimento do STF, bisavô É SIM considerado


INFO ascendente para fins de aplicação da causa de aumento de pena do art. 226, II, do CP,
866/STF uma vez que essa majorante NÃO está limita até o segundo grau. O art. 226, II, do CP,
dispõe que, no caso de estupro de vulnerável (CP, art. 217-A), a pena será aumentada de
metade se o acusado forme ascendente da vítima. No caso em exame, o STF afirmou que
o réu, na relação de parentesco com a bisneta, o bisavô está no terceiro grau da linha
reta, nos termos previstos no Código Civil, e não há, no ordenamento jurídico, nenhuma
regra de limitação quanto ao número de gerações. Assim, entendeu o Supremo que deve
haver a majoração da pena privativa de liberdade imposta ao acusado, bisavô da vítima,
em razão da incidência da causa de aumento prevista no inciso II do art. 226 do Código
Penal, considerada a figura do ascendente.

STF. 2ª Turma. RHC 138717/PR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. em 23/5/2017 (INFO/STF 866)

12. CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA


MOEDA FALSA

INFO PETRECHO PARA A FASIFICAÇÃO DE MOEDA E EXCLUSIVIDADE OU NÃO DO


633/STJ MAQUINÁRIO UTILIZADO

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42. (DJUS) Para haver o crime do art. 291 do CP (petrecho para falsificação de moeda) o
maquinário deve ser exclusivo para esse fim. C/E?

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Falsificônio, suspeito da prática do crime de moeda falsa, foi flagrado na posse de


computadores e impressoras normais, não destinados exclusivamente à produção de
cédulas falsas. Nessa situação, para o STJ, Falsificônio não poderá ser condenado pelo
crime do art. 291 do CP (petrechos para fabricação de moeda), pois os equipamentos
encontrados não se destinam exclusivamente para a fabricação de moeda falsa, não
podendo, assim, ser considerados como "petrechos para falsificação de moeda falsa",
sob pena de se admitir a analogia in malam partem. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STJ, é prescindível (não precisa) que o maquinário utilizado
para a fabricação de moeda falsa seja destinado exclusivamente para esse fim, para
ocorrer o crime do art. 291 do CP (petrecho para falsificação de moeda). Em outras
palavras, o crime do art. 291 do CP (Petrecho para falsificação de moeda) ocorre mesmo
que o maquinário encontrado possa ter outras finalidades, além da produção de moeda
falsa, como, por exemplo, impressoras normais que pode imprimir outras coisas diversas.
O art. 291 do CP tipifica, entre outras condutas, a posse ou guarda de maquinismo,
aparelho, instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de
moeda. O STJ assim decidiu porque a expressão “especialmente destinado” não diz
respeito a uma característica intrínseca ou inerente do objeto. Se assim fosse, só o
maquinário exclusivamente voltado para a fabricação ou falsificação de moedas
consubstanciaria o crime, o que implicaria a absoluta inviabilidade de sua consumação
(crime impossível), pois nem mesmo o maquinário e insumos utilizados pela Casa de
Moeda são direcionados exclusivamente para a fabricação de moeda. A dicção legal está
relacionada ao uso que o agente pretende dar ao objeto, ou seja, a consumação depende
da análise do elemento subjetivo do tipo (dolo), de modo que, se o agente detém a posse
de impressora, ainda que manufaturada visando ao uso doméstico, mas com o propósito
de utilizá-la precipuamente para contrafação (falsificação) de moeda, incorre no referido
crime.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.758.958-SP, Rel. Min. Sebastião Reis, julgado em 11/09/2018 (INFO/STJ 633).

FALSIDADE IDEOLÓGICA

CURRILULO LATTES E CRIME DE FALSIDADE IDEOLÓGICA

43. (DJUS) De acordo com o STJ, inserir em currículo Lattes dado que não condiz com a
realidade é fato atípico. C/E?
INFO
610/STJ COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Não é típica (é fato atípico) a conduta de inserir em currículo Lattes
dado que não condiz com a realidade, conforme a jurisprudência do STJ. É que, o
currículo Lattes não é documento, ainda que inserido na plataforma virtual Lattes do
CNPq, porque desprovido de assinatura digital, não tendo validade jurídica. Mas ainda que

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pudesse ser considerada a sua validade, para fins penais, tem-se que, como qualquer
currículo, seja clássico (papel escrito) ou digital, o Currículo Lattes é passível de
averiguação, ou seja, as informações nele contidas deverão ser objeto de aferição por
quem nelas tem interesse, o que denota atipicidade (para o STJ, quando um documento é
passível de averiguação não há crime de falsidade ideológica mesmo que o agente tenha
nele inserido informações falsas – ex.: declaração de pobreza apresentada em juízo).
Nesse sentido, a doutrina afirma que "havendo necessidade de comprovação - objetiva e
concomitante -, pela autoridade, da autenticidade da declaração, não se configura o
crime, caso ela seja falsa ou, de algum modo, dissociada da realidade".
STJ. 6ª Turma. RHC 81.451-RJ, Rel. Min. Maria Thereza, julgado em 22/8/2017 (INFO/STJ 610).

DOCUMENTO ASSINADO POR PREFEITO E FALSIDADE IDEOLÓGICA

44. (DJUS) Prefeito que assina documento parcialmente falso e apresenta ao Ministério
da Previdência Social, possibilitando a obtenção de Certificado de Regularidade
Previdenciária e, consequentemente, a transferência voluntária de recursos da
União, deve responder pelo crime de falsidade ideológica, pois se presume que tinha
ciência inequívoca do conteúdo falso do documento, de acordo com a jurisprudência
do STF. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STF, o fato de determinado prefeito ter assinado documento
com conteúdo parcialmente falso e o apresentado ao Ministério da Previdência Social
não é suficiente para fazer com que responda pelo crime de falsidade ideológica (CP, art.
299). Necessário se faz que ministério público comprove que o réu tinha ciência
inequívoca do conteúdo falso do documento. Isto é, não se presume essa ciência
INFO inequívoca pelo simples fato de ter assinado e utilizado os papeis ideologicamente falsos.
868/STF A situação concreta foi a seguinte: O réu, então prefeito, e o presidente, à época, do
Instituto de Previdência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais, elaboraram,
assinaram e apresentaram ao Ministério da Previdência Social (MPAS) comprovantes de
Repasse e Recolhimento ao Regime Próprio de Previdência Social contendo informações
falsas. Os documentos atestavam o recolhimento integral da parcela patronal referente a
alguns meses, quando, na verdade, teria havido recolhimento a menor das respectivas
contribuições sociais. Tais dados teriam possibilitado a obtenção, no MPAS, de diversos
Certificados de Regularidade Previdenciária emitidos em favor do Município e,
consequentemente, a transferência voluntária de recursos da União. O STF considerou
que a materialidade e a prática da conduta estão comprovadas pela assinatura do
denunciado em documentos com informações falsas. No entanto, as provas produzidas
não evidenciam que ele tivesse ciência inequívoca do conteúdo inverídico dos
documentos que havia assinado na condição de prefeito, tampouco que o tenha feito com
o objetivo de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade de fato juridicamente
relevante.
STF. 1ª Turma. AP 931/AL, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/6/2017 (INFO/STF 868).

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13. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


CORRUPÇÃO PASSIVA

CORRUPÇÃO PASSIVA E/OU ATIVA: NECESSIDADE OU NÃO DA VANTAGEM SER PARA


PRATICAR DE ATO DE OFÍCIO

45. (DJUS) De acordo com o STF e STJ, para haver o crime de corrupção ativa e passiva
não é prescindível que a vantagem oferecida e aceita, respectivamente, seja para
praticar ato de ofício. C/E? (JDP12)

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Libâneo, estrangeiro, ingressou irregularmente no território nacional, através de voo


oriundo do Líbano. Para não passar pelo serviço de imigração e ser descoberto, ofereceu
vantagem econômica para Tingulinho, imputável, funcionário da VOATEX, empresa
concessionária do uso de área destinada a carga e descarga de aeronaves no Aeroporto
Internacional de São Paulo, em Guarulhos. O combinado foi que Tingulinho deveria
escoltar Libâneo pelas áreas restritas do aeroporto até que o mesmo passasse
furtivamente pelo serviço de imigração, deixando-o em algum banheiro da área de
desembarque internacional de qualquer dos terminais, ocasião em que lhe retirava o
crachá anteriormente fornecido. Tingulinho aceitou a oferta de Libâneo e, antes de
receber qualquer quantia, procedeu como combinado. Nessa situação, para o STF e STJ,
Libâneo cometeu o crime de corrupção ativa (art. 333 do CP) e Tingulinho o delito de
corrupção passiva (art. 317 do CP). C/E?
INFO
COMENTÁRIO
635/STJ
Gabarito: ERRADO. Conforme jurisprudência do STF e do STJ, para haver o crime de
corrupção ativa é imprescindível (precisa) que a vantagem oferecida seja para o
funcionário praticar ato de ofício. Já para configurar o crime de corrupção passiva, essa
vantagem aceita ou recebida não precisa ser para a prática de ato de ofício. Desse modo,
Libâneo não cometeu o crime de corrupção ativa (art. 333 do CP), pois ausente a
elementar do tipo “ato de ofício”. Em outras palavras, Libâneo ofereceu vantagem para
que Tingulinho praticasse um ato (facilitasse sua entrada irregular sem passar pelo serviço
de imigração), que não está entre suas atribuições, ou seja, o ato a ser praticado não era
um “ato de ofício”, vejamos: “Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a
funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ATO DE OFÍCIO”.
Assim, como a vantagem oferecida não era destinada para que Tingulinho praticasse “ato
de ofício” não houve o crime de corrupção ativa (art. 33 do CP). Diferentemente é a
situação de Tingulinho, pois, para o STJ, embora não tenha praticado “ato de ofício”, este
cometeu o crime de corrução passiva (art. 317 do CP). É que o crime de corrupção passiva
consuma-se ainda que a solicitação ou recebimento de vantagem indevida, ou a
aceitação da promessa de tal vantagem, esteja relacionada com atos que formalmente
não se inserem nas atribuições do funcionário público, mas que, em razão da função
pública, materialmente implicam alguma forma de facilitação da prática da conduta
almejada. Em outras palavras, o STJ, citando entendimento do STF, afirmou que a
interpretação do artigo 317 do CP é no sentido de que "se exige, para a configuração do
delito (de corrupção passiva), apenas o nexo causal entre a oferta (ou promessa) de
vantagem indevida e a função pública exercida, sem que necessária a demonstração do

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mesmo nexo entre a oferta (ou promessa) e o ato de ofício esperado, seja ele lícito ou
ilícito" (Voto da Ministra Rosa Weber no Inq 4.506/DF).
STJ. 6ª Turma. REsp 1.745.410-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, julgado em
02/10/2018 (INFO/STJ 635).
STF. 1ª Turma. Inq 4506-DF, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Rel. p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, julgado em
17/04/2018.

CORRUPÇÃO PASSIVA E CONCUSSÃO, OBTENÇÃO DO LUCRO FÁCIL E ELEVAÇÃO DA


PENA-BASE.

46. (DJUS) É pacífico no STJ que nos crimes concussão e corrupção passiva (arts. 316 e
317 do CP), a obtenção do lucro fácil e a cobiça podem ser utilizados como
circunstâncias judiciais para justificar a elevação da pena-base. C/E?

COMENTÁRIO

INFO Gabarito: ERRADO. É pacífico no STJ que a obtenção de lucro fácil e a cobiça constituem
608/STJ elementares dos tipos de concussão e corrupção passiva (arts. 316 e 317 do CP), sendo
indevido utilizá-las, para exasperação da pena-base, no momento em que analisados os
motivos do crime – circunstância judicial prevista no art. 59 do CP. Dito de outro modo,
para o STJ, no exame das circunstâncias judiciais envolvendo a prática desses dois delitos,
a cobiça, a ganância e a intenção de obter lucro fácil constituem elementares dos delitos,
não podendo, assim, serem utilizadas novamente na apreciação das circunstâncias
judiciais para justificar a elevação da pena-base, pois representaria um bis in idem.
STJ. 3ª Seção. EDv nos EREsp 1.196.136-RO, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, por unanimidade, julgado em
24/5/2017, DJe 1/8/2017.

CORRUPÇÃO PASSIVA E TROCA DE APOIO POLÍTICO

47. (DJUS) Mavino, deputado federal, em troca de apoio político à indicação e


manutenção do diretor Chico na Petrobras, estatal brasileira, recebia valores ilícitos
como contraprestação. Nessa situação, para o STF, como não é possível criminalizar
a atividade político-partidária, o parlamentar não cometeu o crime de corrupção
passiva (CP, art. 317). C/E?

COMENTÁRIO
INFO
904/STF Gabarito: ERRADO. Para a Excelsa Corte, o parlamentar que em troca de apoio político
à indicação e manutenção do diretor Chico na Petrobras, estatal brasileira, recebe
valores ilícitos como contraprestação, comete o crime de corrupção passiva, pois não
se trata simplesmente de criminalizar a atividade político-partidária, mas de
responsabilizar os atos que transbordam os limites do exercício legítimo da
representação popular. Em outras palavras, a 2ª Turma do STF entendeu ter ficado
comprovado que a sustentação política assegurada pelo parlamentar, em favor da
manutenção do diretor da estatal, configurou ato de ofício para fins de enquadramento
no crime de corrupção passiva. Ademais, o regime presidencialista brasileiro confere aos
parlamentares um espectro de poder que vai além da mera deliberação de atos
legislativos, com participação nas decisões de governo, inclusive por meio da indicação de

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cargos no Poder Executivo. O crime de corrupção passiva está previsto no art. 317 do CP:
“Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da
função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar
promessa de tal vantagem: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa”.
STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (INFO/STF 904).

CORRUPÇÃO PASSIVA ATRAVÉS DE DOAÇÃO ELEITORAL OFICIAL

48. (DJUS) Roubário, Senador, solicitou a uma construtora determinada quantia em


dinheiro para sua campanha eleitoral. Em troca prometeu dar apoio para manter
Tingulinho na diretoria de abastecimento da Petrobrás. A quantia solicitada foi
repassada por meio de doação eleitoral oficial ao partido de Roubário. Nessa
situação, para o STF, o réu cometeu, em tese, os crimes de corrupção passiva e
lavagem de dinheiro. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STF, o parlamentar que solicita (e/ou recebe) vantagem
INFO indevida (ainda que indiretamente) para exercer influencia com seu mandato em favor
856/STF de pleito de interesse de construtora (manter determinado servidor na diretoria de
abastecimento da Petrobrás), comete, em tese, o crime de corrupção passava tipificado
no art. 317, do CP: “Art. 317. Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela,
vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão, de 2 (dois) a
12 (doze) anos, e multa. § 1º A pena é aumentada de um terço, se, em consequência da
vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício
ou o pratica infringindo dever funcional”. Houve também, em tese, o crime de lavagem de
dinheiro (art. 1º, caput, da Lei nº 9.613/98), pois se dissimulou a origem ilícita do dinheiro,
realizando-se o pagamento através de doação eleitoral “oficial” para a campanha
eleitoral.
STF. 2ª Turma. Inq 3982/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 7/3/2017 (INFO/STF 856).

CORRUPÇÃO ATIVA

PAGAMENTO DE TRIBUTO E EXINÇÃO DA PUNIBILDADE DE CRIME CONEXO

49. (DJUS) O pagamento do imposto devido extingue a punibilidade do crime de


corrupção ativa atrelado ao de sonegação fiscal. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):


INFO
608/STJ
Sonegônio, imputável, com o fim de sonegar tributo, ofereceu vantagem indevida para
que o servidor encarregado emitisse a guia de pagamento com o valor menor, o que foi
feito. O fato foi descoberto e Sonegônio pagou a diferença do imposto devido, antes do
recebimento da denúncia. Nessa situação, para o STJ, deverá ser extinta a punibilidade
do crime de sonegação fiscal (art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90) e do delito de corrupção
ativa (art. 333 do CP) por estar atrelado ao primeiro. C/E?

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COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STJ, o pagamento da diferença do imposto devido, antes do


recebimento da denúncia, não extingue a punibilidade pelo crime de corrupção ativa
(art. 333 do CP), atrelado ao de sonegação fiscal. Em outras palavras, se o acusado
cometeu, em tese, em concurso, os crimes de sonegação fiscal (art. 1º, I, da Lei nº
8.137/90) e de corrupção ativa (art. 333 do CP), ainda que este esteja atrelado ao
primeiro, o pagamento do imposto devido extingue a punibilidade apenas do crime fiscal.
É que, o art. 9º da Lei nº 10.684/2003 menciona os crimes em que será extinta a
punibilidade se for pago o imposto sonegado, quais sejam: (i) arts. 1º e 2º da Lei nº
8.137/90; (ii) art. 168-A do CP (apropriação indébita previdenciária) e; (iii) art. 337-A do CP
(sonegação de contribuição previdenciária). Para o STJ, o benefício não pode ser
estendido por analogia ao crime de corrupção ativa, ainda que atrelado ao de sonegação
fiscal, pois são delitos totalmente distintos, com bem jurídicos tutelados igualmente
diversos. A extinção da punibilidade dos crimes de cunho fiscal, pelo pagamento do
tributo, antes do recebimento da denúncia, tem a ver com a proteção da ordem tributária
e com a efetividade da arrecadação estatal, enquanto no crime de corrupção ativa, o bem
jurídico tutelado é o normal funcionamento e o prestígio da administração pública.
STJ. 6ª Turma. RHC 95.557-GO, Rel. Min. Maria Thereza, julgado em 21/06/2018 (INFO/STJ 631).

DESACATO

CONSTITUCIONALIDADE OU NÃO DO CRIME DE DESACATO

50. (DJUS) Para o STF e STJ, desacatar funcionário público no exercício da função ou em
razão dela ainda é crime no Brasil. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela


continua a ser crime, conforme previsto no art. 331 do Código Penal, de acordo com o
INFO STF e STJ. O STJ tinha decidido que desacato não era mais crime (STJ. 5ª Turma. REsp
596/STJ 1640084/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 15/12/2016 - INFO STJ/596).
Entretanto, agora, o STJ pacificou a matéria decidindo que desacato continua a ser crime.
INFO Para o Tribunal da Cidadania, Não há incompatibilidade do crime de desacato (art. 331
607/STJ do CP) com as normativas internacionais previstas na Convenção Americana de Direitos
Humanos (CADH), pois: (i) desacato não viola a liberdade de expressão, uma vez que não
INFO impede que o cidadão de se manifestar desde que com civilidade e educação; (ii) a
894/STF responsabilização penal por desacato existe para inibir excessos e constitui uma
salvaguarda para os agentes públicos, expostos a todo tipo de ofensa no exercício de suas
funções; (iii) descriminalizar o desacato não traria benefícios porque o fato constituiria
injúria; (iv) a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) permite que se punam
excessos no exercício da liberdade de expressão. O STF pela mesma razão tem
entendimento igual ao do STJ, ou seja, o crime de desacato é compatível com a
Constituição Federal e com o Pacto de São José da Costa Rica. A figura penal do desacato
não tolhe o direito à liberdade de expressão, não retirando da cidadania o direito à livre
manifestação, desde que exercida nos limites de marcos civilizatórios bem definidos,
punindo-se os excessos.

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STJ. 3ª Seção. HC 379.269-MS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Rel. para acórdão Min. Antônio Saldanha
Palheiro, julgado em 24/5/2017 (INFO/STJ 607).
STF. 2ª Turma. HC 141949/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/3/2018 (INFO/STF 894)

PECULATO

PECULADO E APROPRIAÇÃO DO FUNDO DE DESENVOLVIMENTO DO PODER JUDICIÁRIO


POR TABELIÃO

51. (DJUS) De acordo com o STJ, o Tabelião que se apropria de valores do Fundo de
Desenvolvimento do Judiciário comete crime de peculato, mas a ação penal deve ser
suspensa se houver parcelamento do débito. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Consoante jurisprudência do STJ, o Tabelião que se apropria de


valores do Fundo de Desenvolvimento do Judiciário comete crime de peculato (art. 312
do CP), mas a ação penal deve ser suspensa se houver parcelamento do débito. Em
INFO outras palavras, a ação penal que apura a prática de crime de peculato de quantia de
611/STJ natureza sui generis com estreita derivação tributária, por suposta apropriação, por
Tabelião, de valores públicos pertencentes a Fundo de Desenvolvimento do Judiciário
deve ser suspensa enquanto o débito estiver pendente de deliberação na esfera
administrativa em razão de parcelamento perante a Procuradoria do Estado. O STJ
resolveu tratar o caso da mesma forma que os crimes tributários. Isto é, a imputação
penal em exame deve se submeter à mesma ratio que deu origem ao verbete n. 24 de
súmula vinculante do STF – segundo o qual “não se tipifica crime material contra a ordem
tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento
definitivo do tributo” –, já que os fatos narrados na inaugural acusatória pressupõem a
apropriação de valores de natureza sui generis, porém, com substancial carga tributária,
possibilitando, inclusive, o parcelamento do débito perante a Administração.
STJ. 6ª Turma. RHC 75.768-RN, Rel. Min. Antônio Saldanha, julgado em 15/8/2017 (INFO/STJ 611).

FUNCIONÁRIO PÚBLICO PARA FINS PENAIS

DEPOSITÁRIO JUDICIAL É FUNCIONÁRIO PÚBLICO PARA FINS PENAIS?

52. (DJUS) O particular nomeado depositário judicial pelo juízo é considerado


funcionário público para fins penais, pois exerce uma função pública, podendo
responder por peculato se vender os bens depositados, de acordo com o STJ. C/E?

INFO COMENTÁRIO
623/STJ
Gabarito: ERRADO. De acordo com o STJ, o particular nomeado depositário judicial pelo
juízo não é considerado funcionário público para fins penais (art. 327 do CP), assim, por
não exercer uma função pública, não pode responder por peculato se vender os bens
depositados. Em outras palavras, o depositário judicial apenas exerce um encargo por
designação do juiz (munus público). É, na verdade, um auxiliar do juízo que fica com o
encargo de cuidar de bem litigioso. Não ocupa, de igual modo, emprego público e nem
função pública. Não ocupa cargo criado por lei, não recebe vencimento, tampouco tem

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vínculo estatutário.
STJ. 6ª Turma. HC 402.949-SP, Rel. Min. Maria Thereza, julgado em 13/03/2018 (INFO/STJ 623).

DIRETOR DE ORGANIZAÇÃO SOCIAL É FUNCIONÁRIO PÚBLICO PARA FINS PENAIS?

53. (DJUS) Diretor de organização social é considerado funcionário público, por


equiparação, para fins penais, de acordo com o STF. C/E? (JDP13)

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Tião, imputável, diretor do instituto Candango de Solidariedade, mediante a prestação


de serviços superfaturados, desviou valores decorrentes de contratos de gestão
celebrados com a Administração Pública. Nessa situação, para o STF, Tião, em tese,
cometeu o crime de peculato-desvio (art. 312 do CP), pois sendo diretor de uma
organização social é considerado funcionário público por equiparação para fins penais.
C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STF, aquele que exerce a função de diretor em organização
social é considerado funcionário público por equiparação para fins penais (art. 327 do
INFO CP). Em outras palavras, a Excelsa Corte entente que organização social é uma entidade
915/STF paraestatal, assim, estando perfeitamente contida no conceito de funcionário público
para fins penas por equiparação (art. 327, § 1º, do CP): “Art. 327 - Considera-se
funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem
remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. § 1º - Equipara-se a funcionário
público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha
para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de
atividade típica da Administração Pública”. O STF rejeitou a tese de defesa de que o
preceito do art. 327 seria norma penal em branco, não precisando buscar complemento
em outra norma. Do mesmo modo, não aceitou a tese de que deveria ser aplicado o art.
84, § 1º, da Lei 8.666/1993 (Lei de Licitações), o qual não inclui as organizações sociais
expressamente entre aas entidades paraestatais, pois esse dispositivo repercute apenas
no âmbito administrativo, não sendo parâmetro interpretativo para os tipos do Código
Penal. Por fim, é importante saber que ORGANIZAÇÕES SOCIAIS são pessoas jurídicas de
direito privado, sem fins lucrativos, que prestam serviços em atividades de interesse
público e, ao preencherem certos requisitos contidos na Lei nº 9.637/98, recebem a
qualificação de “organização social”, concedida pelo Ministro do Planejamento em
conjunto com o Ministro da área de sua atuação.
STF. 1ª Turma. HC 138484/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/9/2018 (INFO/STF 915).

14. CRIME DE DESABAMENTO

INFO
CRIME DE DESABAMENTO E RESPONSABILIDADE PENAL DO REPRESENTANTE LEGAL DA
601/STJ
EMPRESA CONTRATANTE

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54. (DJUS) O representante legal de sociedade empresária contratante de empreitada


responde pelo delito de desabamento culposo ocorrido na obra contratada, pois age
na posição de garante, tendo o dever de impedir o resultado. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. O representante legal de sociedade empresária contratante de


empreitada NÃO responde pelo delito de desabamento culposo (art. 256, parágrafo
único, do CP) ocorrido na obra contratada, quando não demonstrado o nexo causal,
tampouco pode ser responsabilizado, na qualidade de garante, se não havia o dever
legal de agir, a assunção voluntária de custódia ou mesmo a ingerência indevida sobre a
consecução da obra. Em outras palavras, para o STJ, de fato, existe o dever objetivo de
cuidado de prover para que a obra seja realizada sem a intercorrência de infortúnios,
entretanto este dever é endereçado inicialmente aos agentes da empresa responsável
pela construção, ou a outros terceiros que tenham efetivamente interferido no curso
causal e não ao empresário contratante. Assim, para se imputar a prática do crime do art.
259, do CP ao empresário contratante da obra necessário se faz a demonstração de nexo
causal entre sua conduta e o resultado, que assumiu a posição de garante (de outra
forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado) ou mesmo sua ingerência
indevida na obra (com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do
resultado), tornando sua omissão penalmente relevante (CP, art. 13, § 2º).
STJ. 6ª Turma. RHC 80.142-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 28/3/2017 (INFO/STJ 601).

DIREITO PENAL
LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE

15. CRIMES DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO

PORTAR GRANADA DE GÁS LACRIMOGÊNIO OU GÁS PIMENTA É OU NÃO CRIME?

55. (DJUS) Para o STJ, a pessoa que portar granada de gás lacrimogênio ou de gás
pimenta cometerá o crime do art. 16, parágrafo único, da Lei nº 10.826/03, haja
vista sua natureza como artefato explosivo. C/E?
INFO
COMENTÁRIO
599/STJ
Gabarito: ERRADO. Consoante jurisprudência do STJ, a conduta de portar uma granada
de gás lacrimogêneo e/ou de gás de pimenta NÃO É CRIME, ou seja, não se subsumi ao
delito previsto no art. 16, parágrafo único, III, da Lei n. 10.826/03 (Posse ou porte ilegal
de arma de fogo de uso restrito). É que, para o STJ, esses equipamentos não são
enquadrados como artefato explosivo. Na verdade, explosivo é, em sentido amplo, um
material extremamente instável, que pode se decompor rapidamente, formando produtos

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estáveis. Esse processo é denominado de explosão e é acompanhado por uma intensa


liberação de energia, que pode ser feita sob diversas formas e gera uma considerável
destruição decorrente da liberação dessa energia. No entanto, não será considerado
explosivo o artefato que, embora ativado por explosivo, não projete e nem disperse
fragmentos perigosos como metal, vidro ou plástico quebradiço, não possuindo,
portanto, considerável potencial de destruição, com é o caso da granada de gás
lacrimogênio e gás pimenta.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.627.028-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 21/02/2017 (INFO/STJ 599).

POLICIAL QUE POSSUI ARMA DE FOGO SEM REGISTRO COMETE OU NÃO CRIME?

56. (DJUS) O policial civil que porta ou possui arma de fogo sem registro no órgão
competente não comete crime previsto na Lei nº 10.826/03, por ser esta conduta
mera irregularidade administrativa, de acordo com o STJ. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STJ é típica e antijurídica a conduta de policial civil que,
INFO mesmo autorizado a portar ou possuir arma de fogo, não observa as imposições legais
597/STJ previstas no Estatuto do Desarmamento, que impõem registro das armas no órgão
competente. É que, o fato de o agente ser um policial e, portanto, autorizado a possuir e
portar arma de fogo (art. 6ª da Lei nº 10.826/03) não o dispensa de atender as demais
imposições legais e regulamentares do Estatuto do Desarmamento. Para que a posse ou o
porte seja regular é preciso que a arma esteja registrada no órgão competente e
cadastrada no SINARM. Assim, possuir ou portar arma de fogo de uso permitido, por
exemplo, em desacordo com determinação legal ou regulamentar é conduta típica
prevista no art. 12 ou 14 do Estatuto do Desarmamento, ainda que o acusado seja policial
autorizado a portar arma de fogo.
STJ. 6ª Turma. RHC 70.141-RJ, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 7/2/2017 (INFO/STJ 597).

CONSELHEIRO DO TCE PODE OU NÃO PORTAR/POSSIR ARMA DE USO RESTRITO?

57. (DJUS) Pedro, imputável, é Conselheiro do TCE e mantém em sua residência, sob sua
guarda, uma arma de uso restrito (pistola calibre 9 mm). Nessa situação, para o STJ,
Pedro está cometendo o crime do art. 16, da Lei nº 10.826/03. C/E?

COMENTÁRIO
INFO
572/STJ Gabarito: ERRADO. Conforme o STJ, o Conselheiro do Tribunal de Contas Estadual que
mantém sob sua guarda arma ou munição de uso restrito NÃO comete o crime do art.
16 da Lei nº 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento). É que, para o STJ, Pedro é
equiparado, por simetria constitucional, a magistrado (arts. 73, § 3º, e 75 da CF). Como o
art. 33, V, da LC 35/1979 (LOMAN) garante ao magistrado porte de arma de defesa
pessoal sem fazer nenhuma distinção entre armas de uso permitido e as de uso restrito,
torna-se atípica a conduta de posse e guarda de arma e munições de uso restrito quando
se trata de magistrados. Existe uma portaria do comando do exercito que define o que é
ou não considerado arma de uso restrito. Entretanto, afirmou o STJ que as portarias do

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Comando do Exército não se aplicam a magistrados, pois invadiriam competência


reservada à lei complementar (art. 93 da CF), tocando em assuntos relativos a direitos e
prerrogativas da magistratura, limitando indevidamente o seu exercício. Assim, não pode
uma lei ordinária sobre desarmamento delegar a um decreto federal e a uma portaria a
restrição de direitos e prerrogativas da magistratura, especialmente para tornar a sua não
observância um crime, violando o princípio da tipicidade estrita. O STJ ainda citou um
julgado do STF bem semelhante sobre posse de arma de uso restrito (caneta-revólver) por
magistrado federal (HC 102422, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em
10/06/2010).
STJ. Corte Especial. APn 657-PB, Rel. Min. João Otávio, julgado em 21/10/2015 (INFO/STJ 572).

POSSUIR ARMA DE FOGO COM REGISTRO VENCIDO É OU NÃO CRIME?

58. (DJUS) Jacubino, imputável, mantém sob guarda, no interior de sua residência, arma
de fogo de uso permitido com registro vencido. Nessa situação, para o STJ, Jacubino
está cometendo o crime do art. 12 da Lei nº 10.826/03. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STJ, manter sob guarda, no interior de sua residência, arma
INFO de fogo de uso permitido com registro vencido NÃO configura o crime do art. 12 da Lei
572/STJ 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento). É que, o art. 12 do Estatuto do
Desarmamento afirma que é objetivamente típico possuir ou manter sob guarda arma de
fogo de uso permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, no
interior de residência. Entretanto, relativamente ao elemento subjetivo, não há dolo do
agente que procede ao registro e, depois de expirado prazo, é apanhado com a arma
nessa circunstância. Nessa situação entendeu o Tribunal da Cidadania que se trata de
uma irregularidade administrativa e não de crime.
STJ. Corte Especial. APn 686-AP, Rel. Min. João Otávio, julgado em 21/10/2015 (INFO/STJ 572).
STJ. 5ª Turma. HC 294.078/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/08/2014.

16. LEI DE DROGAS


MAJORANTES/CAUSAS DE AUMENTO DE PENA

TRÁFICO PRÓXIMO A ESTABELECIMENTO PRISIONAL E MAJORANTES DA LEI DE DROGAS

59. (DJUS) Tingulinho vendeu, nas imediações de um estabelecimento prisional, certa


quantidade de droga a Mané, usuário que por ali passava, o qual não era detento e
INFO nem frequentador do local. Nessa situação, para o STF e STJ, não se aplica a
858/STF majorante do art. 40, III, da Lei de Drogas, uma vez que o usuário comprador da
droga não tinha qualquer relação com o estabelecimento prisional. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito. ERRADO. Conforme jurisprudência do STF e STJ aplica-se a majorante do art.

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40, III, da Lei de Drogas quando constatada a comercialização de drogas nas imediações
de estabelecimentos prisionais, sendo irrelevante se o agente infrator visa ou não os
frequentadores daquele local. Em outras palavras, para o STF e STJ, basta que a
comercialização da droga seja feita nas imediações dos estabelecimentos descritos no
referido dispositivo legal, não importando se a droga se destina ou não às pessoas que
frequentam o local, como detentos ou familiares dos presos. O julgado refere-se a
estabelecimentos prisionais, mas nada impede que se faça o mesmo raciocínio em relação
aos outros locais: “Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas
de um sexto a dois terços, se: (...) III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou
imediações de estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de
entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais
de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer
natureza, de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social, de
unidades militares ou policiais ou em transportes públicos”.
STF. 2ª Turma. HC 138944/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/3/2017 (Info 858).
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1617550/SC, Rel. Ministro REYNALDO SOARES, j. 20/09/2016.
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1558551-MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 12/09/2017

TRÁFICO EM DIA SEM MOVIMENTAÇÃO NAS ESCOLAS E MAJORANTE DA LEI DE DROGAS

60. (DJUS) Aplica-se a majorante do art. 40, III, da Lei de Drogas ainda que o tráfico
ocorra em dia e hora em que não há movimento de pessoas no local (ex.: escola
fechada), de acordo com STJ. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito. ERRADO. De acordo com o STJ, não incide a causa de aumento de pena
INFO prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006, se a prática de narcotraficância
622/STJ ocorrer em dia e horário em que não facilite a prática criminosa e a disseminação de
drogas em área de maior aglomeração de pessoas (ex.: escolas fechadas). Em outras
palavras, para o STJ, é necessário se fazer uma interpretação teleológica (finalística) da
norma. É que a razão de ser da lei é punir de forma mais severa quem, por traficar nas
dependências ou na proximidade de estabelecimento de ensino, tem maior proveito e
facilidade na difusão e no comércio de drogas em região de grande circulação de pessoas,
expondo os frequentadores do local a um risco inerente à atividade criminosa da
narcotraficância. Assim, se a escola, por exemplo, está fechada, por ser domingo de
madrugada, não há como incidir a referida causa de aumento.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.719.792-MG, Rel. Min. Maria Thereza, julgado em 13/03/2018 (INFO/STJ 622).

TRÁFICO PRÓXIMO A ESCOLAS E EFETIVA COMERCIALIZAÇÃO

61. (DJUS) Para incidir a majorante do art. 40, inciso III, da Lei n. 11.343/2006 é
INFO
necessário haver efetiva comprovação de mercancia na respectiva entidade de
622/STJ
ensino, ou mesmo de que o comércio visa a atingir os estudantes, conforme STJ.
C/E?

COMENTÁRIO

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Gabarito. ERRADO. Para o STJ, a causa de aumento de pena prevista no art. 40, inciso III,
da Lei n. 11.343/2006 tem natureza objetiva, sendo desnecessária a efetiva
comprovação de mercancia na respectiva entidade de ensino, ou mesmo de que o
comércio visa a atingir os estudantes, sendo suficiente que a prática ilícita tenha ocorrido
em locais próximos.
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1558551-MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 12/09/2017.
STJ. 6ª Turma. HC 359088-SP. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 04/10/2016.

TRÁFICO INTERNACIONAL E EFETIVA TRANSPOSIÇÃO DA FRONTEIRA

62. (DJUS) Para o STF e STJ, é possível incidir a majorante do art. 40, I (tráfico
internacional de drogas) ainda que não ocorra transposição da fronteira do país.
C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito. CERTO. De acordo com o STF e STJ, é possível incidir a majorante do art. 40, I
INFO
(tráfico internacional de drogas) ainda que não ocorra transposição da fronteira do país,
622/STJ
bastando que se comprove que a droga se destinava ao exterior, inclusive havendo
súmula do STJ nesse sentido: “Súmula 607-STJ: A majorante do tráfico transnacional de
drogas (art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006) configura-se com a prova da destinação
internacional das drogas, ainda que não consumada a transposição de fronteiras”. STF no
mesmo sentido: “A incidência da majorante, que tem como objetivo apenar com maior
severidade a atuação do traficante direcionada para além das fronteiras do País, não
exige o transporte efetivo para o exterior, basta que se identifique a intenção”.
STJ. 3ª Seção. Súmula 607 aprovada em 11/04/2018, DJe 17/04/2018.
STF. 2ª Turma. HC 127221, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 25/08/2015.

TRAFICO INTERESTADUAL E TRANPOSIÇÃO DOS LIMITES DO ESTADO

63. (DJUS) Consoante jurisprudência do STF e do STJ é possível incidir a majorante do


art. 40, V (tráfico interestadual de drogas) ainda que não ocorra transposição da
fronteira do estado. C/E?

COMENTÁRIO
INFO
610/STJ
Gabarito. CERTO. Conforme jurisprudência do STF e STJ é possível incidir a majorante do
art. 40, V (tráfico interestadual de drogas) ainda que não ocorra a transposição entre as
INFO
fronteiras do estado da federação, sendo suficiente a comprovação de que a droga se
808/STF
destinava a outro estado, inclusive havendo súmula do STJ nesse sentido: “Súmula 587-
STJ: Para a incidência da majorante prevista no artigo 40, V, da Lei 11.343/06, é
desnecessária a efetiva transposição de fronteiras entre estados da federação, sendo
suficiente a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico interestadual”. STF
no mesmo sentido: “para a configuração do tráfico interestadual de drogas (art. 40, V, da
Lei 11.343/2006), não se exige a efetiva transposição da fronteira, bastando a
comprovação inequívoca de que a droga adquirida num estado teria como destino outro
estado da Federação”.

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STJ. 3ª Seção. Súmula 587 aprovada em 13/09/2017, DJe 18/09/2017.


STF. 1ª Turma. HC 122791/MS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/11/2015. (INFO/STF 808)

APLICAÇÃO SIMULTÂNEA OU NÃO DE MAJORANTES (TRANSNACIONALIDADE E


INTERTADUALIDADE)

64. (DJUS) De acordo com o STJ, no tráfico ilícito de drogas, é inadmissível a aplicação
simultânea das causas especiais de aumento de pena relativas à transnacionalidade
e à interestadualidade do delito (art. 40, I e V, da Lei n. 11.343/2006). C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito. ERRADO. Para o STJ, é perfeitamente possível a aplicação simultânea das


INFO causas especiais de aumento de pena relativas à transnacionalidade e à
586/STJ interestadualidade do delito no tráfico de drogas (art. 40, I e V, da Lei n. 11.343/2006),
desde que comprovada a intenção do importador da droga de difundi-la em mais de um
estado do território nacional. Em outas palavras, para o Tribunal da Cidadania, no tráfico
ilícito de entorpecentes, só é inadmissível a aplicação simultânea das causas especiais de
aumento de pena relativas à transnacionalidade e à interestadualidade do delito (art. 40, I
e V, da Lei n. 11.343/2006), quando não comprovada a intenção do importador da droga
de difundi-la em mais de um estado do território nacional, ainda que, para chegar ao
destino final pretendido, imperativos de ordem geográfica façam com que o importador
transporte a substância através de estados do país.
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1.273.754-MS, DJe 17/11/2014.
STJ. 6ª Turma. HC 214.942-MT, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 16/6/2016, DJe 28/6/2016.

HÁ OU NÃO CONCURSO DE CRIMES ENTRE OS DOS ARTS. 33 a 37 DA LEI DE


DROGASCOM O DO ART. 244-B DO ECA?

65. (DJUS) De acordo com o STJ, o réu que pratica algum dos crimes dos arts. 33 a 37 da
Lei de Drogas com um menor não responde pelo crime do art. 244-B do ECA
(corrupção de menores), mas apenas terá a majoração da sua pena pelo art. 40, VI,
da Lei nº 11.343/2006. C/E?

COMENTÁRIO
INFO
595/STJ Gabarito. CERTO. Para o STJ, na hipótese de o delito praticado pelo agente e pelo menor
de 18 anos não estar previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu poderá ser
condenado pelo crime de corrupção de menores. Porém, se a conduta estiver tipificada
em um desses artigos (33 a 37), não será possível a condenação por aquele delito, mas
apenas a majoração da sua pena com base no art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006. É que a
majorante do art. 40, VI, da Lei de Drogas aplica-se quando o agente pratica os delitos
previstos nos arts. 33 a 37 envolvendo ou visando atingir criança, adolescente ou quem
tenha capacidade de entendimento e determinação diminuída. Nesse caso, para o STJ,
deve incidir o princípio da especialidade atraindo a incidência da majorante e afastando a
aplicação do art. 244-B, do ECA. Também não poderia se aplicar cumulativamente a
referida majorante e o art. 244-B, sob pena de incidir em bis in idem.

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STJ. 6ª Turma. REsp 1.622.781-MT, Rel. Min. Sebastião Reis, julgado em 22/11/2016 (INFO/STJ 595).

TRÁFICO PRIVILEGIADO/CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA

GRANDE QUANTIDADE DE DROGA E POSSIBILIDE OU NÃO DE RECONHECER O TRÁFICO


PRIVILEGIADO

66. (DJUS) É pacífico no STF e STJ que a grande quantidade de droga apreendida é,
isoladamente, fundamento idôneo para concluir que o réu se dedicava a atividades
criminosas e afastar a aplicação do § 4º, do art. 33, da Lei nº 11.343/2006 (tráfico
privilegiado). C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Drogário, primário, foi preso ao transportar 136 Kg de maconha, sendo ao final


condenado por tráfico de drogas. O Juiz negou a aplicação do § 4º, do art. 33, da Lei nº
11.343/2006 (tráfico privilegiado) ao fundamento de que o réu se dedicava a atividades
criminosas, haja vista a grande quantidade de drogas apreendida. Nessa situação, de
acordo com a jurisprudência pacífica do STF e do STJ agiu corretamente o juiz. C/E?

COMENTÁRIO

INFO Gabarito. ERRADO. A grande quantidade de droga apreendida é, isoladamente,


866/STF fundamento idôneo para concluir que o réu se dedicava a atividades criminosas e
afastar a aplicação do § 4º, do art. 33, da Lei nº 11.343/2006 (tráfico privilegiado)? 2ª
INFO Turma do STF: NÃO 1ª Turma do STF e STJ: SIM. Desse modo a assertiva está incorreta
844/STF porque o tema não é pacífico no STF e no STJ, inclusive há divergência entre as duas
turmas do STF. Para a 2ª turma do STF a grande quantidade de droga apreendida NÃO é,
isoladamente, fundamento idôneo para concluir que o réu se dedicava a atividades
criminosas e afastar a aplicação do § 4º, do art. 33, da Lei nº 11.343/2006 (tráfico
privilegiado). Em outras palavras, não é por que o réu transportava grande quantidade de
drogas que se faz presumir que ele se dedicava a atividades criminosos, devendo o
magistrado unir a esse fato, outros elementos concretos. Já para a 1ª Turma do STF e para
o STJ o entendimento é justamente o oposto do que se afirmou, ou seja, a grande
quantidade de droga apreendida é fundamento idôneo para concluir que o réu se
dedicava a atividades criminosas para afastar a aplicação do § 4º, do art. 33, da Lei nº
11.343/2006 (tráfico privilegiado). Para o STF e STJ para se reconhecer o tráfico
privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006) é preciso que o réu preencha aos
seguintes requisitos cumulativos: (i) agente primário; (ii) bons antecedentes; (iii) não se
dedique às atividades criminosas e; (iv) não integre organização criminosa. Ou seja, esses
requisitos são cumulativos e não alternativos.
STF. 2ª Turma. RHC 138715/MS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. em 23/5/2017 (INFO/STF 866).
STF. 1ª Turma. HC 130981/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/10/2016 (INFO/STF 844).
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1446504/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, julgado em 23/10/2018.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 303.634/MS, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS, julgado em 12/06/2018.

INFO POSSIBILIDADE OU NÃO DO RECONHECIMENTO DO TRÁFICO PRIVILEGIADO ÀS “MULAS”


602/STJ
67. (DJUS) Não é possível o reconhecimento do tráfico privilegiado ao agente

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transportador de drogas, na qualidade de "mula", pois a simples atuação nessa


condição induz ser integrante de organização criminosa, de acordo com o STF e STJ.
C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito. ERRADO. Conforme STF e STJ, é possível o reconhecimento do tráfico


privilegiado (§ 4º do art. 33 da Lei de Drogas) ao agente transportador de drogas, na
qualidade de "mula", uma vez que a simples atuação nessa condição NÃO induz,
automaticamente, à conclusão de que ele seja integrante de organização criminosa. A
quinta turma dos STJ acompanhou o entendimento uníssono do Supremo Tribunal
Federal, no sentido de que a simples atuação como "mula" não induz automaticamente a
conclusão de que o agente integre organização criminosa, sendo imprescindível, para
tanto, prova inequívoca do seu envolvimento, estável e permanente, com o grupo
criminoso. Portanto, a exclusão da causa de diminuição prevista no § 4° do art. 33 da Lei
n. 11.343/2006, somente se justifica quando indicados expressamente os fatos concretos
que comprovem que a “mula” integre a organização criminosa. Para o STF e STJ para se
reconhecer o tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006) é preciso que o réu
preencha aos seguintes requisitos cumulativos: (i) agente primário; (ii) bons
antecedentes; (iii) não se dedique às atividades criminosas e; (iv) não integre organização
criminosa. Ou seja, esses requisitos são cumulativos e não alternativos.
STF. 1ª Turma. HC 124107/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 04/11/2014.
STF. 2ª Turma. HC 132.459, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 13/2/2017.
STJ. 5ª Turma. HC 387.077/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 6/4/2017 (INFO/STJ 602).

POSSIBILIDDE OU NÃO DA UTILIZAÇÃO DE INQUÉRITOS PARA AFASTAR O TRÁFICO


PRIVILEGIADO

68. (DJUS) O juiz pode utilizar Inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para
afastar a minorante do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas, de acordo com o STF e STJ.
C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito. CERTO. Para o STF e STJ, é possível a utilização de inquéritos policiais e/ou
ações penais em curso para formação da convicção de que o réu se dedica a atividades
INFO
criminosas, de modo a afastar o benefício legal previsto no art. 33, § 4º, da Lei n.º
596/STJ
11.343/2006 (tráfico privilegiado). Em outras palavras, inquéritos e ações penais em
curso não podem ser valorados como maus antecedentes para agravar a pena base do
réu. Contudo, são capazes de impedir a aplicação da minorante do tráfico privilegiado,
pois esta somente deve ocorrer em casos singulares, quando preenchidos os requisitos, os
quais merecem interpretação restritiva, de modo a prestigiar quem efetivamente mereça
redução de pena. É que os princípios constitucionais devem ser interpretados de forma
harmônica, não merece ser interpretado de forma absoluta o princípio da inocência, de
modo a impedir que a existência de inquéritos ou ações penais impeçam a interpretação
em cada caso para mensurar a dedicação do Réu em atividade criminosa. Para o STF e STJ
para se reconhecer o tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006) é preciso
que o réu preencha aos seguintes requisitos cumulativos: (i) agente primário; (ii) bons
antecedentes; (iii) não se dedique às atividades criminosas e; (iv) não integre organização

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criminosa. Ou seja, esses requisitos são cumulativos e não alternativos.


STJ. 3ª Seção. EREsp 1.431.091-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 14/12/2016 (INFO/STJ 596).
STF. 1ª Turma. HC 108135/MT, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 05/06/2012; HC 109168/MS, 1ª Turma, Rel. Min.
CÁRMEN LÚCIA, DJe de 14/02/2012.

CUMULATIVIDADE DOS REQUISITOS PARA O RECONHER O TRÁFICO PRIVILEGIADO

69. (DJUS) De acordo com o STF e STJ, para a aplicação da minorante do art. 33, § 4º, da
Lei de Drogas é necessário o preenchimento, alternativo, dos seguintes requisitos:
primariedade; bons antecedentes; não se dedicar a atividades criminosas ou não
integrar organização criminosa. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito. ERRADO. Conforme a jurisprudência do STF e STJ para se reconhecer o tráfico


privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006) é preciso que o réu preencha aos
INFO seguintes requisitos cumulativos: (i) agente primário; (ii) bons antecedentes; (iii) não se
596/STJ dedique às atividades criminosas e; (iv) não integre organização criminosa. Ou seja,
esses requisitos são cumulativos e não alternativos. Em outras palavras, a jurisprudência
entende que para haver tráfico privilegiado é necessário que o acusado seja primário,
tenha bons antecedentes, não se dedique a atividades criminosas e nem integre
organização criminosa. Reza o referido artigo: “Art. 33 (...) § 4º Nos delitos definidos no
caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços,
vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de
bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização
criminosa”.
STJ. 3ª Seção. EREsp 1.431.091/SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 14/12/2016 (INFO/STJ 596).
STJ. 5ª Turma. HC 413.558/RS, Rel. Min. REYNALDO SOARES, julgado em 07/11/2017.
STF. 1ª Turma. HC 123430, Rel. Min. LUIZ FUX, julgado em 14/10/2014.

É OU NÃO CRIME EQUIPADADO A HEDIONDO O TRAFICO PRIVILEGIADO?

70. (DJUS) Para o STF e STJ, o tráfico ilícito de drogas privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei nº
11.343/2006) não é crime equiparado a hediondo. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito. CERTO. Consoante jurisprudência do STF e do STJ, o tráfico ilícito de drogas na


INFO
sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não é crime equiparado a
595/STJ
hediondo. O STJ acompanhou a jurisprudência pacífica do STJ e, inclusive, cancelou a
súmula 512 da corte, a qual previa que: Súmula 512/STJ (CANCELADA): “A aplicação da
causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não afasta a
hediondez do crime de tráfico de drogas”. Para o Tribunal da Cidadania o legislador deu ao
tráfico privilegiado um tratamento distinto das demais espécies de tráfico previstas no art.
33, caput e § 1º. Trouxe uma redação que indica a existência de um menor juízo de
reprovação nesta conduta com punição mais branda para a pessoa acusada. Assim, o tipo
apresenta contornos mais benigno e menos gravoso, não podendo, portanto, ser também
considerado equiparado a hediondo.

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STJ. 3ª Seção. Pet 11.796-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 23/11/2016 (recurso repetitivo)
(INFO/STJ 595).
STF. Plenário. HC 118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/6/2016 (INFO/STF 831).

QUESTÕES DIVERSAS

É OU NÃO TRÁFICO DE DROGAS A IMPORTAÇÃO DE SEMENTES DE MACONHA?

71. (DJUS) É pacífico no STF e STJ que importar semente de maconha é crime. C/E?

Vejamos o caso concreto julgado (com adaptações):

Jerimundo, imputável, importou, pela internet, 26 sementes de maconha. Nessa


situação, conforme jurisprudência pacífica do STF e do STJ, Jerimundo cometeu o crime
do art. 33, § 1º da Lei de Drogas. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito. ERRADO. Importar semente de maconha é crime? STF e 6ª Turma do STJ: NÃO;
5ª Turma do STJ: SIM. Ou seja, a posição do STF e STJ é divergente sobre o tema, por isso
a assertiva esta incorreta. Como dito, para o STF, a importação de sementes de maconha
não configura o crime tipificado no art. 33, § 1º da Lei de Drogas, o qual dispõe que: “Art.
33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à
INFO
venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever,
615/STF
ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: § 1o Nas mesmas
penas incorre quem: I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à
venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que
gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, MATÉRIA-PRIMA, INSUMO OU PRODUTO QUÍMICO DESTINADO À
PREPARAÇÃO DE DROGAS;”. Isso, porque, para a Excelsa Corte, a matéria-prima ou
insumo deve ter condições e qualidades químicas que permitam, mediante transformação
ou adição, por exemplo, a produção da droga ilícita. Não é esse o caso das sementes da
planta cannabis sativa, as quais não possuem a substância psicoativa THC
(Tetrahidrocanabinol). Já para o STJ há entendimento, inclusive, oposto sobre o tema
entre suas turmas: para a 5ª Turma a importação de sementes de maconha é crime (art.
33, § 1º da Lei de Drogas); diferentemente, para a 6ª Turma não configura o referido
crime.
STF. 2ª Turma. HC 144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018 (INFO/STF 615).
STJ. 5ª Turma. REsp 1723739/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/10/2018.
STJ. 6ª Turma. AgRg no AgInt no REsp 1616707/CE, Rel. Min. Antônio Saldanha, j. 26/06/2018.

POSSE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL GERA OU NÃO REINCIDÊNCIA?


INFO
632/STJ
72. (DJUS) A condenação anterior pelo crime de posse de drogas para consumo pessoal
gera reincidência, de acordo com o STJ. C/E?
INFO
636/STJ
Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

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Lício foi condenado no ano de 2017 nas penas do art. 28 da Lei de Drogas (posse de
drogas para consumo pessoal), cuja sentença transitou em julgado no mesmo ano. Em
2018 foi acusado de ter cometido novamente o mesmo crime. Nessa situação, para o
STJ, se condenado novamente, Lício será considerado reincidente. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito. ERRADO. Para o STJ, a condenação anterior pelo crime de posse de drogas
para consumo pessoal (art. 28 da Lei de Drogas) NÃO gera reincidência. Isso, porque o
STJ entende que é desproporcional o reconhecimento da reincidência no delito de tráfico
de drogas que tenha por fundamento a existência de condenação com trânsito em julgado
por crime anterior de posse de droga para uso próprio. A razão é bem simples, ou seja, se
a condenação anterior por contravenção penal (que pode ser punida com prisão simples)
não gera reincidência, pois o artigo 63 do Código Penal é expresso ao se referir à pratica
de novo crime, seria totalmente desproporcional a consideração, para fins de
reincidência, da posse de droga para consumo próprio, que conquanto seja crime, é
punida apenas com "advertência sobre os efeitos das drogas", "prestação de serviços à
comunidade" e "medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo",
mormente se se considerar que em casos tais não há qualquer possibilidade de conversão
em pena privativa de liberdade pelo descumprimento, como no caso das penas
substitutivas. Desse modo, considerar a condenação anterior com fundamento no artigo
28 da Lei n. 11.343/2006 para fins de caracterizar a reincidência viola o princípio
constitucional da proporcionalidade. O STJ reafirmou, ainda, o entendimento do STF, no
sentido de que a conduta de portar substância entorpecente para consumo próprio,
prevista no art. 28 da Lei n. 11.343/2006, foi apenas despenalizada, mas não
descriminalizada, ou seja, não houve abolitio criminis (STF. Questão de ordem no RE
430.105/RJ).
STJ. 6ª Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria Thereza, julgado em 21/08/2018 (INFO/STJ 632).
STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares, julgado em 04/10/2018 (INFO/STJ 636).

DESCLASSIFICAÇÃO DE TRÁFICO PARA POSSE DE DROGAS E REINCIDÊNCIA

73. (DJUS) Para o STJ, a desclassificação do art. 33 (tráfico de drogas) para o 28


(posse de droga para consumo pessoal), seguida pela extinção da punibilidade
em razão do tempo de prisão provisória cumprido gera reincidência. C/E?
INFO
619/STJ COMENTÁRIO

INFO Gabarito. ERRADO. A desclassificação do art. 33 (tráfico de drogas) para o art. 28 (posse
632/STJ de droga para consumo pessoal) da Lei de Drogas, seguida pela extinção da punibilidade
em razão do tempo de prisão provisória cumprido NÃO gera reincidência, nos termos da
INFO jurisprudência do STJ. Em outras palavras, não se pode reconhecer a reincidência com
636/STJ base em único processo anterior em desfavor do réu, no qual - após desclassificar o delito
de tráfico para porte de substância entorpecente para consumo próprio - o juízo extinguiu
a punibilidade por considerar que o tempo da prisão provisória seria mais que suficiente
para compensar eventual condenação. Posteriormente, o STJ foi além e decidiu, inclusive,
que a própria condenação anterior pelo crime de posse de drogas para consumo pessoal
(art. 28 da Lei de Drogas) NÃO gera reincidência (Informativos/STJ 632 e 636), pois viola
o princípio da proporcionalidade. Ou seja, é desproporcional o reconhecimento da

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reincidência no delito de tráfico de drogas que tenha por fundamento a existência de


condenação com trânsito em julgado por crime anterior de posse de droga para uso
próprio.
STJ. 6ª Turma. HC 390038/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti, julgado em 06/02/2018 (INFO/STJ 619).
STJ. 6ª Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria Thereza, julgado em 21/08/2018 (INFO/STJ 632).
STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares, julgado em 04/10/2018 (INFO/STJ 636).

TRÁFICO DE DROGAS E POSSIBILIDADE OU NÃO DO CONFISCO DE BENS DE USO


EVENTUAL

74. (DJUS) Para o STF, é possível o confisco de todo e qualquer bem de valor econômico
apreendido em decorrência do tráfico de drogas, desde que exista habitualidade ou
reiteração do uso do bem para tal finalidade. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Droguento, imputável, utilizou seu veículo uma única vez para a prática do crime de
tráfico de drogas. Nessa situação, para o STF, não é possível aplicar a pena de perda do
bem pelo confisco (CF, art. 243, parágrafo único), pois é reservada aos casos de
utilização do objeto de forma efetiva, e não eventual, para a prática do citado delito.
C/E?

COMENTÁRIO

INFO Gabarito. ERRADO. O STF decidiu, com repercussão geral, que é possível o confisco de
865/STF todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico de
drogas, sem a necessidade de se perquirir (verificar) a habitualidade, reiteração do uso
do bem para tal finalidade, a sua modificação para dificultar a descoberta do local do
acondicionamento da droga ou qualquer outro requisito além daqueles previstos
expressamente no art. 243, parágrafo único, da Constituição Federal: “Art. 243. (...)
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será
confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei”. Em
outras palavras, ainda que o veículo de propriedade de acusado seja utilizado de forma
eventual (uma única vez) para a prática do crime de tráfico de entorpecentes, deve ser
aplicada a pena de perda do bem pelo confisco, uma vez que a Constituição não impôs
nenhuma limitação. Deve o julgador conformar-se com a literalidade do texto
constitucional, vedada a adstrição de seu alcance por outros requisitos que não os
estabelecidos pelo art. 243, parágrafo único, da CF. Segundo o ministro relator, Luiz Fux, o
confisco previsto no art. 243, parágrafo único, da CF deve ser interpretado à luz dos
princípios da unidade e da supremacia da Constituição, ou seja, não se pode ler o direito
de propriedade em separado, sem considerar a restrição feita a esse direito.
STF. Plenário. RE 638491/PR, Rel. Min. Luiz Fux, j. 17/5/2017 (repercussão geral) – INFO/STF 865.

INFO
609/STJ INTERROGATÓRIO NA LEI DE DROGAS COMO PRIMEIRO OU ÚLTIMO ATO DA
INSTRUÇÃO.
INFO
816/STF 75. (DJUS) Nos processos que apurem crimes regidos por leis especiais (como os da Lei

Atualizado em 18/04/2019 DJUS.com.br 53


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de Drogas, militares e eleitorais), o interrogatório deve ser o último ato da instrução,


sendo, contudo, válido aquele realizado até o dia 11/03/2016, ainda que realizado
como primeiro ato instrutório, conforme STF e STJ. C/E? (JDP16)

COMENTÁRIO

Gabarito. CERTO. De acordo com o STF e STJ, os procedimentos regidos por leis especiais
devem observar, a partir da publicação da ata de julgamento do HC 127.900/AM do STF
(11.03.2016), a regra disposta no art. 400 do CPP, cujo conteúdo determina ser o
interrogatório o último ato da instrução criminal. É que, para o STF e STJ, o interrogatório
realizado por último é mais benéfico ao réu. Nesse caso, optou-se por afastar a aplicação
do princípio da especialidade, fazendo-se uma interpretação teleológica (finalística) em
sintonia com o sistema acusatório. Por fim, importante ressaltar que, em atenção ao
princípio da segurança jurídica, foi realizada a modulação dos efeitos da decisão da Corte
Suprema, pelo que a nova interpretação dada somente tem aplicabilidade a partir da
publicação da ata daquele julgamento, ocorrida em 11.03.2016 (DJe n. 46, divulgado em
10/3/2016). A partir desse marco, portanto, incorreriam em nulidade os processos em
que o interrogatório fosse o primeiro ato da instrução. Em suma, todos os interrogatórios
realizados até o dia 11/03/2016 são válidos, ainda que realizados como primeiro ato da
instrução.
STJ. 6ª Turma. HC 397.382-SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 3/8/2017 (INFO/STJ 609).
STF. Plenário. HC 127900/AM, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/3/2016 (INFO/STF 816).

17. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – LEI MARIA DA PENHA

MEDIDA PROTETIVA DE ALIMENTOS E NECESSIDADE OU NÃO AJUIZAMENTO DA


EXECUÇÃO EM 30 DIAS

76. (DJUS) A decisão que defere medida protetiva de urgência de alimentos provisórios
em favor da mulher, vítima de violência doméstica, é título executivo hábil para
imediata cobrança e, em caso de inadimplemento, passível de decretação de prisão
civil, não perdendo a eficácia se a execução não for ajuizada no prazo de 30 dias,
conforme STJ. C/E?

INFO Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):


640/STJ
Joaquina foi vítima de lesão corporal causada por seu marido no âmbito das relações
domésticas. Em razão disso, requereu ao juiz a concessão de medida protetiva de
urgência de afastamento do lar e de alimentos provisórios, o que foi deferido com fulcro
no art. 22 da Lei nº 11.340/2003. Nessa situação, para o STJ, se houver inadimplemento,
a decisão é título hábil para ser executado e passível de prisão civil, desde que ajuizada
a ação no prazo de 30 dias, em razão de sua natureza cautelar. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. De acordo com o STJ, a decisão que defere medida protetiva de

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urgência de alimentos provisórios em favor da mulher (art. 22 da Lei nº 11.340/2003),


vítima de violência doméstica, é título executivo hábil para imediata cobrança e, em
caso de inadimplemento, passível de decretação de prisão civil (art. 528, § 3º, do
CPC/15), não perdendo a eficácia se a execução não for ajuizada no prazo de 30 dias, em
razão de sua NATUREZA SATISFATIVA (e não cautelar). Em outras palavras, a decisão que
defere medida protetiva de urgência (ex.: de alimentos) é título executivo judicial,
totalmente hábil para fundamentar processo de execução e, por ter NATUREZA
SATISFATIVA, afigura-se absolutamente inaplicável o art. 308 do CPC/2015, que exige o
ajuizamento de ação principal no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de perda da eficácia
da medida. Desse modo, enquanto não revogada a decisão pelo juízo competente é
possível o ajuizamento da execução pelo rito art. 528 do CPC/15, ou seja, se o executado,
em 3 (três) dias, não pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de
efetuá-lo, o juiz pode decretar sua prisão civil.
STJ. 3ª Turma. RHC 100.446-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

PRISÃO PREVENTIVA POR VIAS DE FATO E DESCUMPRIMENTO DE MEDIDA PROTETIVA

77. (DJUS) O descumprimento de medida protetiva da Lei Maria da Penha autoriza a


prisão preventiva do autor de vias de fato. C/E? (JDP17)

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Chico, imputável, praticou vias de fato contra sua ex-namorada, a qual solicitou medida
protetiva de urgência ao juiz, o qual determinou que Chico não se aproximasse da
vítima a uma distancia mínima de 200 metros. Mesmo depois de intimado, após alguns
dias, o acusado descumpriu a determinação judicial. Nessa situação, para o STJ, o
magistrado poderá decretar a prisão preventiva de Chico. C/E?

COMENTÁRIO
INFO
632/STJ Gabarito: ERRADO. Para o STJ, o descumprimento de medida protetiva da Lei Maria da
Penha NÃO autoriza a prisão preventiva do autor de vias de fato ou de outra
contravenção penal. Em outras palavras, somente se o fato cometido pelo acusado fosse
crime é que seria permitida a prisão preventiva. O acusado, em tese, praticou vias de fato
que é hipótese de contravenção penal (art. 21 do Decreto-Lei n. 3.688/1941), e não crime,
desautorizando o decreto de prisão. É que, para o STJ, o art. 313, III, do CPP, que autoriza
o decreto a prisão no caso de descumprimento de medida protetiva aplicada, deve
interpretado de forma literal. Assim, o referido dispositivo fala em CRIME e não
contravenção, o que afasta a possibilidade de decretação da prisão preventiva: “Art. 313.
Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: (...)
III -se o CRIME envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança,
adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das
medidas protetivas de urgência”.
STJ. 6ª Turma. HC 437.535-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado
em 26/06/2018 (INFO/STJ 632).

INFO
621/STJ VIOLÊNCIA DOMESTICA GERA OU NÃO DANO MORAL IR RE IPSA (PRESUMIDO)?

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78. (DJUS) Ainda que não especificada a quantia do pedido e independentemente de


instrução probatória, nos casos de violência contra a mulher praticados no âmbito
doméstico e familiar, é possível a fixação de valor mínimo indenizatório a título de
dano moral. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. O crime com violência contra a mulher, nas relações domésticas, gera
dano moral ir re ipsa (presumido), ainda que não especificada a quantia do pedido e
independentemente de instrução probatória. O art. 387, IV, do CPP determina que o juiz,
ao proferir sentença condenatória, fixará valor mínimo para reparação dos danos
causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido. Essa
indenização pode ser a título de danos materiais ou morais, desde que fundamentada a
opção (REsp 1.585.684-DF). Para tanto é necessário que haja pedido expresso e formal
(não precisando especificar a quantia), feito pelo parquet ou pelo ofendido, para
possibilitar o contraditório (AgRg no REsp 1688389/MS). No caso de dano material,
mesmo nos casos de violência doméstica contra a mulher, além do pedido, é necessário
haver instrução probatória para que o juiz fixe a indenização, pois a fixação da reparação
civil mínima (art. 387, IV, do CPP) não dispensa a participação do réu, sob pena de frontal
violação ao seu direito de contraditório e ampla defesa (REsp 1236070/RS). Já no caso de
dano moral, nos casos de violência contra a mulher praticados no âmbito doméstico e
familiar, é possível a fixação de valor mínimo indenizatório, desde que haja pedido
expresso da acusação ou da parte ofendida, ainda que não especificada a quantia, e
independentemente de instrução probatória. Isso, porque, no caso, o dano moral é in re
ipsa (presumido) o que independe da produção de prova em juízo. Ora, para o STJ, não há
razoabilidade na exigência de instrução probatória acerca do dano psíquico, do grau de
humilhação, da diminuição da autoestima, etc., se a própria conduta criminosa
empregada pelo agressor já está imbuída de desonra, descrédito e menosprezo ao valor
da mulher como pessoa e à sua própria dignidade.
STJ. 3ª Seção. REsp 1.643.051-MS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 28/02/2018 (INFO/STJ 621) – recurso
repetitivo.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.585.684/DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis, j. em 9/8/2016 (INFO/STJ 588)
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1688389/MS, Rel. Min. Sebastião Reis, julgado em 22/03/2018

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E NECESSIDADE OU NÃO DE COABITAÇÃO

79. (DJUS) A coabitação entre autor e vítima é prescindível para a configuração da


violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria
da Penha). C/E?
INFO
COMENTÁRIO
615/STJ
Gabarito: CERTO. A coabitação entre autor e vítima é prescindível (não precisa) para a
configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei nº
11.340/2006 (Lei Maria da Penha), inclusive havendo, nesse sentido, a súmula 600 do
STJ: “Para a configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei nº
11.340/2006 (Lei Maria da Penha) não se exige a coabitação entre autor e vítima”. Esse
entendimento já vinha sendo adotado no STJ em diversos julgados e agora virou súmula. É

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que, para o STJ, a intenção do legislador, ao editar a Lei Maria da Penha, foi de dar
proteção à mulher que tenha sofrido agressão decorrente de relacionamento amoroso, e
não de relações transitórias, passageiras, sendo desnecessária, para a comprovação do
aludido vínculo, a coabitação entre o agente e a vítima ao tempo do crime (STJ. 6ª Turma.
HC 181.246/RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, DJe 06/09/2013).

STJ. 3ª Seção. Súmula 600 aprovada em 22/11/2017, DJe 27/11/2017.

INFRAÇÕES PENAIS COM VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E SUBSTITUIÇÃO DA PENA

80. (DJUS) Conforme súmula do STJ, não é possível a substituição da pena privativa de
liberdade por restritiva de direitos nos crimes ou contravenções contra a mulher no
âmbito das relações domésticas. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Não é possível a substituição da pena privativa de liberdade por


restritiva de direitos nos crimes ou contravenções, COM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA
contra a mulher no âmbito das relações domésticas, conforme súmula 588 do STJ: “A
prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça
no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos”. Em outras palavras, desde que os crimes ou contravenções NÃO
tenham sido praticados com violência ou grave ameaça à pessoa e preencha os demais
requisitos do art. 44 do CP, ainda que contra a mulher no âmbito das relações
INFO domésticas, é possível substituir a pena privativa de liberdade (PPL) por restritiva de
610/STJ direitos (PRD). É que, para o STJ, embora a Lei nº 11.340/2006 não vede a substituição da
pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, obstando apenas a imposição de
INFO prestação pecuniária e o pagamento isolado de multa, o art. 44, I, do CP proíbe a
804/STF conversão da pena corporal em restritiva de direitos quando o crime for cometido com
violência à pessoa (AgRg no REsp 1521993/RO). Acrescente-se ainda que, nos crimes de
INFO violência domestica conta a mulher, também não é possível a substituição da PPL por
884/STF penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de
pena que implique o pagamento isolado de multa (art. 17, da Lei nº 11.340/203 – Lei
Maria da Penha). O STF compartilha do mesmo entendimento quando se trata de CRIMES
(HC 129446/MS). Em relação às CONTRAVENÇÕES PENAIS há divergência entre a 1ª e a
2ª Turma do STF. A 2ª turma do STF admite a substituição da PPL por PRD quando se trata
de contravenção penal, pois não está na proibição contida no inciso I do art. 44 do CP, que
fala apenas em crime (HC 131160). Já a 1ª Turma do STF, igualmente ao STJ, não admite a
referida substituição (HC 137888/MS).

RESUMINDO: para o STJ e 1ª Turma do STF não é possível a substituição de pena privativa
de liberdade por restritiva de direitos nos crimes ou contravenções com violência ou
grave ameaça contra a mulher no âmbito das relações domésticas. Para a 2ª Turma do STF
essa substituição é possível em relação às contravenções penais.
STJ. 3ª Seção. Súmula 588 aprovada em 13/09/2017, DJe 18/09/2017 (INFO/STJ 610).
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1521993/RO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 04/08/2016
STF. 2ª Turma. HC 129446/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 20/10/2015 (INFO/STF 804).
STF. 2ª Turma. HC 131160/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 18/10/2016.
STF. 1ª Turma. HC 137888/MS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 31/10/2017 (INFO/STF 884).

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LESÃO CORPORAL CONTRA A MULHER E AÇÃO PENAL

81. (DJUS) Para o STF e STJ, é pública incondicionada a ação penal no crime de lesão
corporal leve ou culposa contra a mulher. C/E? (JDP18)

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. De acordo com o STF e STJ, somente é pública incondicionada a ação
penal no crime de lesão corporal leve ou culposa contra a mulher se o delito for
praticado no âmbito das relações domésticas. Nas demais situações segue a regra geral
aplicando-se o art. 88, da Lei n. 9.099/95, ou seja, a ação é pública condicionada à
representação. É o que se extrai da súmula 542 do STJ: “A ação penal relativa ao crime
INFO de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher é pública
604/STJ incondicionada”. No mesmo sentido o STJ decidiu em recurso repetitivo: “A ação penal
nos crimes de lesão corporal leve cometidos em detrimento da mulher, no âmbito
doméstico e familiar, é pública incondicionada”. Isso, porque o art. 41, da Lei nº
11.340/2006 (Lei Maria da Penha) afasta a aplicação da Lei nº 9.099/95 aos crimes
envolvendo violência doméstica contra a mulher. É nesse diploma legal (art. 88) que há
previsão de que as lesões leves e culposas estão sujeitas a representação. Ora, afastada a
aplicação da Lei nº 9.099/95 deve se analisar no Código Penal caso a caso se ação é ou não
condicionada à representação. Ex.: o crime de ameaça (CP, art. 147) continua sendo de
ação penal pública condicionada à representação, ainda que praticado contra a mulher no
âmbito das relações domésticas.
STJ. 3ª Seção. Pet 11.805-DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 10/5/2017 (INFO/STJ 604) - recurso
repetitivo.
STF. Tribunal Pleno. ADI 4424/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/02/2012.

18. LEI DE TORTURA


TORTURA-CASTIGO

TORTURA-CASTIGO E SUJEITO ATIVO

82. (DJUS) A tortura-castigo (art. 1º, II, da Lei n. 9.455/1997) é delito próprio, somente
podendo ser sujeito ativo aquele que detiver outra pessoa sob sua guarda, poder ou
autoridade, de acordo com o STJ. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):


INFO
633/STJ
Tingulinho fez contrato com Calotônio para que este instalasse um ar condicionado num
salão de beleza do réu, recebendo um adiantamento em dinheiro, mas nada fez para
cumprir o contrato. Diante disso, o réu pediu a um casal de amigos que fingisse
interesse num orçamento para instalação de ar-condicionado doméstico. A vítima foi ao
endereço indicado, sendo ali subjugada, amarrada, desapossada dos cartões bancários e
obrigada, mediante violência e grave ameaça, a revelar as senhas. O saque se frustrou
por falta de dinheiro na conta, sendo por isso torturada com pimenta nos olhos e
thinner jogado nos órgãos genitais, sofrendo lesões corporais que a deixaram

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incapacitada para as ocupações habituais por mais de trinta dias. Nessa situação, para o
STJ, o réu não cometeu o crime de tortura-castigo (art. 1º, II, da lei n. 9.455/1997), mas
apenas o delito de exercício arbitrário das próprias razões (art. 345, do CP) e de lesão
corporal grave (art. 129, § 1º, do CP). C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STJ, a tortura-castigo (art. 1º, II, da lei n. 9.455/1997) é delito
próprio, somente podendo ser sujeito ativo aquele que detiver outra pessoa sob sua
guarda, poder ou autoridade. Em outras palavras, no caso concreto, representado na
assertiva, o STJ entendeu que o fato não se enquadrava no crime de tortura-castigo. É
que, embora a vítima tenha sido submetida a intenso sofrimento físico e mental como
castigo por não ter cumprido o contrato, o réu não era funcionário público e nem exercia
a “posição de garante”. Isso, porque o referido delito não pode ser perpetrado (praticado)
por qualquer pessoa, na medida em que exige atributos específicos do agente ativo,
somente cometendo essa forma de tortura quem detiver outra pessoa sob sua guarda,
poder ou autoridade (crime próprio). A expressão guarda, poder ou autoridade denota um
vínculo preexistente, de natureza pública, entre o agente ativo e o agente passivo do
crime. Logo, o delito até pode ser perpetrado por um particular, mas ele deve ocupar
posição de garante (obrigação de cuidado, proteção ou vigilância) com relação à vitima,
seja em virtude da lei ou de outra relação jurídica. Desse modo, o delito cometido pelo
réu, segundo a corte, foi o de lesão corporal grave em concurso com o do art. 345 do CP
(exercício arbitrário das próprias razões), uma vez que o réu visava fazer justiça pelas
próprias mãos, para satisfazer pretensão legítima: “Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias
mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite: Pena -
detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência”.
Inaplicável também no caso o princípio da consunção porque o tipo exercício arbitrário
das próprias razões, no preceito secundário, expressamente prevê a dupla punição do
agente em caso de violência.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.738.264-DF, Rel. Min. Sebastião Reis, julgado em 23/08/2018 (INFO/STJ 633).

19. ECA
CORRUPÇÃO DE MENORES

ROUBO, CORRUPÇÃO DE 02 MENORES E CONCURSO DE CRIMES.

83. (DJUS) Se Pedro, imputável, praticar um roubo com dois adolescentes, além da pena
pelo roubo, deverá ser condenado por 02 crimes de corrupção de menores, em
concurso formal, de acordo com o STJ. C/E? (JDP19)
INFO
613/STJ COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Consoante jurisprudência do STJ, se um agente imputável praticar um


roubo com dois adolescentes, além da pena pelo roubo, deverá ser condenado por 02
crimes de corrupção de menores, em concurso formal (art. 70 do CP), pois mediante
uma só ação fora praticado vários crimes. Em outras palavras, para o STJ, o bem jurídico
tutelado pelo art. 244-B do ECA é a formação moral da criança e do adolescente no que se

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refere à necessidade de eles não ingressarem ou permanecerem no mundo da


criminalidade. Ora, se o bem jurídico tutelado pelo crime de corrupção de menores é a
sua formação moral, caso duas crianças/adolescentes tiverem seu amadurecimento moral
violado, em razão de estímulos a praticar o crime ou a permanecer na seara criminosa,
dois foram os bens jurídicos violados. Da mesma forma, dois são os sujeitos passivos
atingidos, uma vez que a doutrina é unânime em reconhecer que o sujeito passivo do
crime de corrupção de menores é a criança ou o adolescente submetido à corrupção.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.680.114-GO, Rel. Min. Sebastião Reis, julgado em 10/10/2017 (INFO/STJ 613).

20. CRIMES AMBIENTAIS

A ASSINATURA DE TAC IMPEDE OU NÃO A AÇÃO PENAL POR CRIME AMBIENTAL?

84. (DJUS) A assinatura do termo de ajustamento de conduta com órgão ambiental


impede a instauração de ação penal, de acordo com o STJ. C/E? (JDP25)

COMENTÁRIO

INFO Gabarito: ERRADO. Conforme jurisprudência do STJ, a assinatura do termo de


625/STJ ajustamento de conduta com órgão ambiental NÃO impede a instauração de ação
penal. Isso, porque a assinatura do referido termo não impede a instauração da ação
penal em razão da independência das instâncias administrativa e penal. Assim, o STJ
decidiu que "mostra-se irrelevante o fato de o recorrente haver celebrado termo de
ajustamento de conduta, [...] razão pela qual o Parquet, dispondo de elementos mínimos
para oferecer a denúncia, pode fazê-lo, ainda que as condutas tenham sido objeto de
acordo extrajudicial”.
STJ. Corte Especial. APn 888-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/05/2018 (INFO/STJ 625).

POLUIÇÃO AMBIENTAL E NECESSIDADE OU NÃO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA

85. (DJUS) Para o STJ, é necessária a realização de perícia para a comprovação do dano
efetivo à saúde humana no que tange ao crime ambiental consubstanciado em
causar poluição de qualquer natureza (artigo 54 da Lei n. 9.605/1998). C/E?

COMENTÁRIO
INFO
624/STJ Gabarito: ERRADO. Conforme jurisprudência do STJ, o delito previsto na primeira parte
do artigo 54 da Lei n. 9.605/1998 possui natureza formal, sendo suficiente a
potencialidade de danos à saúde humana para configuração da conduta delitiva, assim,
prescinde (não precisa) da realização de perícia para a comprovação do dano efetivo à
saúde humana. Em outras palavras, para o STJ, não há necessidade da realização de
perícia, sendo suficiente a potencialidade de dano à saúde humana para configurar a
conduta delitiva, não se exigindo, portanto, resultado naturalístico e, consequentemente,
a realização de perícia. Reza o referido artigo: “Art. 54. Causar poluição de qualquer
natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou

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que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora: Pena -


reclusão, de um a quatro anos, e multa”.
STJ. 3ª Seção. EREsp 1.417.279-SC, Rel. Min. Joel Ilan, julgado em 11/04/2018 (INFO/STJ 624).

TRANSPORTE DE PRODUTOS PERIGOSOS E NECESSIDADE OU NÃO DE REALIZAÇÃO DE


PERÍCIA

86. (DJUS) É necessária a realização de perícia para atestar a nocividade ou a


periculosidade dos produtos transportados, não bastando que estes estejam
elencados em Resolução da ANTT, para se configurar o crime previsto no art. 56,
caput da Lei n. 9.605/1998, que é de perigo concreto, conforme STJ. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STJ, o crime previsto no art. 56, caput da Lei n. 9.605/1998 é
de perigo abstrato, sendo dispensável a produção de prova pericial para atestar a
INFO nocividade ou a periculosidade dos produtos transportados, bastando que estes estejam
613/STJ elencados na Resolução pertinente da ANTT. Em outras palavras, o legislador foi claro em
não exigir a geração concreta de risco na conduta ali positivada. O tipo penal possui a
natureza de crime de perigo abstrato, ou, de crime de perigo abstrato-concreto, em que,
embora não baste a mera realização de uma conduta, não se exige, a seu turno, a criação
de ameaça concreta a algum bem jurídico e muito menos lesão a ele. Basta a produção de
um ambiente de perigo em potencial, em abstrato – in casu, com o transporte dos
produtos ou substâncias em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos
seus regulamentos. Reza o referido artigo: “Art. 56. Produzir, processar, embalar,
importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em
depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao
meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus
regulamentos: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa”.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.439.150-RS, Rel. Min. Rogério Schietti, julgado em 05/10/2017 (INFO/STJ 613).

O CRIME DE EDIFICAÇÃO PROIBIDA ABSORVE OU NÃO O DE DESTRUIÇÃO DE


VEGETAÇÃO?

87. (DJUS) O crime de edificação proibida (art. 64 da Lei n. 9.605/1998) absorve o crime
de destruição de vegetação (art. 48 da mesma lei) quando a conduta do agente se
realiza com o único intento de construir em local não edificável, de acordo com o
STJ. C/E?
INFO
597/STJ
COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STJ, o crime de edificação proibida (art. 64 da Lei n. 9.605/1998)
ABSORVE o crime de destruição de vegetação (art. 48 da mesma lei) quando a conduta
do agente se realiza com o único intento de construir em local não edificável. Em outras
palavras, não há concurso de crimes, seja formal ou material, pois o crime de edificação
proibida (art. 64 da Lei n. 9.605/1998) ABSORVE o crime de destruição de vegetação (art.
48 da mesma lei) quando a conduta do agente se realiza com o único intento de construir

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em local não edificável. Isso, porque o crime de destruir floresta nativa dá-se como meio
da realização do único intento de construir em local não edificável, em razão do que
incide a absorção do crime-meio de destruição de vegetação pelo crime-fim de edificação
proibida. Na mesma linha, o delito de impedir a regeneração natural da flora dá-se como
mero gozo da construção, em evidente pós-fato impunível. Aquele que constrói uma
edificação, claramente não poderá permitir que dentro daquela venha a nascer uma
floresta. É mero exaurimento do crime de construção indevida, pelo aproveitamento
natural da coisa construída.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.639.723-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 7/2/2017 (INFO/STJ 597).

21. CRIMES DO CTB - CÓDIGO E DE TRÂNSITO BRASILEIRO

O CRIME DO ART. 307 DO CTB OCORRE OU NÃO SE A DECISÃO QUE SUSPENDEU O


DIREITO DE DIRIGIR FOR ADMINISTRATIVA?

88. (DJUS) É típica a conduta contida no art. 307 do CTB quando a suspensão ou a
proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor
advém de decisão administrativa, conforme STJ. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Infratônio, imputável, em razão de infrações de trânsito, teve como sanção


administrativa do DETRAN a suspensão do direito de dirigir (art. 256 do CTB). Infratônio
ignorou a decisão e foi parado em uma blitz dirigindo seu veículo automotor. Nessa
situação, para o STJ, Infratônio, em tese, cometeu o crime do art. 307 do CTB, o qual
dispõe: “Violar a suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para
dirigir veículo automotor imposta com fundamento neste Código: Penas - detenção, de
INFO seis meses a um ano e multa, com nova imposição adicional de idêntico prazo de
641/STJ suspensão ou de proibição”. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para p STJ, é ATÍPICA a conduta contida no art. 307 do CTB (violação
da suspensão do direito de dirigir) quando a suspensão ou a proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor advém de decisão
administrativa (a violação deve ser de decisão judicial). Em outras palavras, somente a
decisão oriunda do juízo penal, suspendendo ou proibindo o réu de obter a permissão ou
a habilitação para dirigir veículo automotor, na forma do art. 292 do CTB, pode ser objeto
do descumprimento previsto no tipo do art. 307, caput, do CTB, para que se caracterize o
referido delito. Assim, aquele que viola decisão administrativa que suspendeu a
habilitação para dirigir veículo automotor não comete o crime do art. 307, caput, do CTB,
embora possa infringir outra espécie de infração administrativa, a depender do caso
concreto.
STJ. 6ª Turma. HC 427.472-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis, j. em 23/08/2018 (INFO/STJ 641).

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HOMICÍDIO CULPOSO DE TRÂNSITO E PERDÃO JUDICIAL

89. (DJUS) O autor de homicídio culposo no trânsito que mata dois ocupantes do
veículo, se beneficiado pelo perdão judicial em relação a uma das vítimas, deverá
também receber o perdão em relação à outra, em razão do concurso formal. C/E?
(JDP21)

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Paulo em acidente de trânsito, culposamente, causou a morte de seu filho e de um


amigo deste. Nesse caso, para o STJ, o réu poderá ser beneficiado por perdão judicial em
relação ao filho, cuja extensão do benefício é obrigatória em relação à outra vítima em
razão do concurso formal. C/E?

COMENTÁRIO
INFO
606/STJ Gabarito: ERRADO. Para o STJ, o fato de ocorrer dois homicídios culposos no trânsito em
concurso formal não autoriza a extensão dos efeitos do perdão judicial concedido para
um dos crimes, se não restou comprovada, quanto ao outro, a existência do liame
subjetivo entre o infrator e a outra vítima fatal. Isso, porque, conforme jurisprudência do
STJ, o perdão judicial é uma causa de extinção de punibilidade excepcional, que somente
é cabível quando presentes os requisitos necessários à sua concessão. Esses preceitos de
índole atípica devem ser os balizadores precípuos para a aferição de sua concessão ou
não, levando-se em consideração cada delito de per si, e não de forma generalizada. Por
fim, para a aplicação do perdão judicial previsto no § 5º do art. 121 do CP deve haver um
vínculo, um laço prévio de conhecimento entre os envolvidos, para que seja "tão grave" a
consequência ao agente a ponto de ser despicienda e até exacerbada outra pena, além da
própria dor causada, intimamente, pelo dano provocado ao outro. Assim, por exemplo, se
o agente culposamente em um acidente de transido causa a morte de seu filho e de um
amigo deste, a causa de extinção da punibilidade não pode ser aplicada também em
relação a morte do amigo do seu filho por ausência desse vínculo de afeto.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.444.699-RS, Rel. Min. Rogério Schietti, julgado em 1/6/2017 (INFO/STJ 606).

ART. 305 DO CTB: FUGA DO LOCAL DO ACIDENTE E PRINCÍPIO DA NÃO INCRIMINAÇÃO

90. (DJUS) Para o STF, é constitucional e não viola o princípio da não incriminação o art.
305 do CTB, o qual dispõe: “Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo do local do
acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa”. C/E? (JDP22)
INFO
923/STF Vejamos a situação hipotética:

Bento, imputável, por imprudência, causou acidente de trânsito que ocasionou a morte
do outro condutor. Para tentar se furtar de sua responsabilidade civil e penal, evadiu-se
do local. Nessa situação, para o STF, Bento, ao fugir do local cometeu, em tese, o crime
do art. 305 do CTB, dispositivo legal que é constitucional e não viola o princípio da não
incriminação. C/E?

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COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STF, é constitucional e NÃO viola o princípio da não


incriminação o art. 305 do CTB, o qual dispõe: “Art. 305. Afastar-se o condutor do
veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa
ser atribuída: Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa”. Isso, porque, para a
Excelsa Corte, é perfeitamente admissível a flexibilização do princípio da vedação à
autoincriminação proporcionada pela opção do legislador de criminalizar a conduta de
fugir do local do acidente. De fato, tal procedimento não afeta o núcleo irredutível
daquela garantia enquanto direito fundamental, qual seja, jamais obrigar o investigado ou
réu a agir ativamente na produção de prova contra si próprio. O tipo penal do art. 305 do
CTB apenas obriga a permanência do agente no local para garantir a identificação dos
envolvidos no sinistro e o devido registro da ocorrência pela autoridade competente. O
bem jurídico tutelado é a administração da justiça, prejudicada pela fuga do agente do
local do evento, uma vez que tal atitude impede sua identificação e a consequente
apuração do ilícito, para fins de se promover a responsabilização cível ou penal de quem,
eventualmente, provocar um acidente de trânsito, dolosa ou culposamente. Essa
diligência administrativa, aliás, transforma-se em meio de defesa do próprio acusado. Em
suma, a exigência de permanência no local do acidente e de identificação perante a
autoridade de trânsito não obriga o condutor a assumir eventual responsabilidade cível ou
penal pelo sinistro nem, tampouco, enseja que contra ele se aplique qualquer penalidade
caso não o faça. O condutor, após sua identificação pela autoridade de trânsito, pode
optar, quando indagado, por permanecer em silêncio e não prestar nenhum
esclarecimento acerca das circunstâncias do acidente.
STF. Plenário. RE 971.959/RS, Rel. Min. Luiz Fux, j. 14/11/2018 - repercussão geral (INFO/STF 923).

22. CRIMES DA LEI DE LICITAÇÃO

CRIME DO ART. 89 DA LEI DE LICITAÇÕES E NECESSIDADE OU NÃO DE DOLO ESPECÍFICO

91. (DJUS) Conforme jurisprudência do STF, para existir o crime do art. 89, da Lei nº
8.666/93, além do dolo genérico (vontade livre e consciente de pratica o crime, ou
seja, dispensar ou inexigir a licitação sem observar as formalidades legais),
necessário também se faz a presença do dolo específico (especial fim de agir), isto é,
a vontade de causar dano à administração pública ou de se enriquecer ilicitamente.
C/E?
INFO
913/STF
Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Maria, Secretária de Educação, sem observar todas as formalidades legais do


procedimento de inexigibilidade de licitação, fez contratação direta de livros didáticos,
de fornecedor exclusivo, escolhidos por equipe técnica formada por pedagogos para a
rede pública de ensino. Nessa situação, para o STF, somente haverá o crime do art. 89,
da Lei nº 8.666/93 se comprovado o dolo específico de Maria. C/E?

COMENTÁRIO

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Gabarito: CERTO. O crime do art. 89, da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações) ocorre quando
o agente: (i) dispensar a licitação fora das hipóteses previstas em lei (art. 24); (ii) inexigir
licitação fora das hipóteses previstas em lei (art. 25); ou (iii) deixar de observar as
formalidades pertinentes à dispensa ou à inexigibilidade previstas no art. 26 da mesma lei.
A situação hipotética aqui se amolda ao item (iii). Ocorre que, conforme jurisprudência do
STF, para existir o referido delito, além do dolo genérico (vontade livre e consciente de
pratica o crime, ou seja, dispensar ou inexigir a licitação sem observar as formalidades
legais), necessário também se faz a presença do dolo específico (especial fim de agir),
isto é, a vontade de causar dano à Administração Pública ou de se enriquecer
ilicitamente. Desse modo, por reconhecer não ter ficado provado o dolo específico o STF
absolveu a ré no caso concreto.
STF. Plenário. AP 946/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 30/8/2018 (INFO/STF 913).

NÃO CUMPRIR AS FORMALIDADES NO PROCEDIMENTO DE INEXIGIBILIDADE DE


LICITAÇÃO E CRIME DO ART. 89

92. (DJUS) Para o STF, será atípica a conduta descrita no art. 89, da Lei 8.666/93, se não
demonstrado que houve violação de princípios cardeais da administração pública,
pois o tipo penal em questão não criminaliza o mero descumprimento de
formalidades. C/E? (JDP24)

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Tingulinho, gestor municipal, sem observar todas as formalidades legais do


procedimento de inexigibilidade de licitação, fez contratação direta de determinado
cantor consagrado pela opinião pública. Nesse caso, para o STF, será atípica a conduta
se não demonstrado que houve violação de princípios cardeais da administração
pública, pois o tipo penal em questão não criminaliza o mero descumprimento de
formalidades. C/E?
INFO
891/STF COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STF, será atípica a conduta descrita no art. 89, da Lei 8.666/93,
se não demonstrado que houve violação de princípios cardeais da administração
pública, pois o tipo penal em questão não criminaliza o mero descumprimento de
formalidades. Isso, porque, para a Excelsa Corte, irregularidades pontuais são inerentes à
burocracia estatal e não devem, por si só, gerar criminalização de condutas, se não
projetam ofensa consistente — tipicidade material — ao bem jurídico tutelado, no caso,
ao procedimento licitatório. De modo geral, o STF diz que não há o crime do art. 89
quando não há conluio entre os agentes com o fim de se enriquecer ilicitamente, não há
superfaturamento e, principalmente, quando demonstrado que o gestor agiu amparado
por parecer jurídico e/ou do órgão técnico pertinente. Nessa conduta o STF não vê dolo
específico (especial fim de agir), necessário para a configuração do delito. O crime do art.
89, da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações) ocorre quando o agente: (i) dispensar a licitação
fora das hipóteses previstas em lei (art. 24); (ii) inexigir licitação fora das hipóteses
previstas em lei (art. 25); ou (iii) deixar de observar as formalidades pertinentes à dispensa
ou à inexigibilidade previstas no art. 26 da mesma lei. Além disso, conforme STF, para
existir o referido delito, além do dolo genérico (vontade livre e consciente de pratica o

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crime), necessário também se faz a presença do dolo específico (especial fim de agir), ou
seja, vontade de causar dano à Administração Pública ou de se enriquecer ilicitamente.
STF. 1ª Turma. Inq 3962/DF, Rel. Min Rosa Weber, julgado em 20/2/2018 (INFO/STF 891).

CRIME DO AT. 89 DA LEI DE LICITAÇÕES E PARECER DA PROCURADORIA JURÍDICA PELA


INEXIGIBILIDADE DA LICITAÇÃO

93. (DJUS) Para o STF, o crime previsto no art. 89 da Lei 8.666/1993 reclama o dolo,
consubstanciado na vontade livre e consciente de praticar o ilícito penal, que não se
faz presente, em regra, quando o acusado atua com fulcro em parecer da
Procuradoria Jurídica no sentido da inexigibilidade da licitação. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. O STF entende que não há o crime do art. 89, da Lei de Licitações,
quando não há conluio entre os agentes com o fim de se enriquecer ilicitamente, não há
INFO superfaturamento e, principalmente, quando demonstrado que o gestor agiu amparado
861/STF por parecer jurídico no sentido de inexigir a licitação (OBS: o parecer, por si só, não é
suficiente para afastar o dolo, devendo ser analisado em conjunto com as demais
circunstâncias que envolvem o fato). Desse modo, afasta-se o dolo, não tendo o agente a
vontade de praticar o delito. O crime do art. 89, da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações)
ocorre quando o agente: (i) dispensar a licitação fora das hipóteses previstas em lei (art.
24); (ii) inexigir licitação fora das hipóteses previstas em lei (art. 25); ou (iii) deixar de
observar as formalidades pertinentes à dispensa ou à inexigibilidade previstas no art. 26
da mesma lei. Além disso, conforme STF, para existir o referido delito, além do dolo
genérico (vontade livre e consciente de pratica o crime), necessário também se faz a
presença do dolo específico (especial fim de agir), ou seja, vontade de causar dano à
Administração Pública ou de se enriquecer ilicitamente.
STF. 1ª Turma. Inq 3753/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/4/2017 (INFO/STF 861).

ATO AMPARADO POR PARECER DA PROCURADORIA JURÍDICA AFASTA OU NÃO O CRIME


DO AT. 89 DA LEI DE LICITAÇÕES?

94. (DJUS) O fato de a dispensa de licitação ter sido precedida de parecer jurídico é
bastante para afastar o dolo do gestor que pratica o ato com base no documento,
conforme jurisprudência do STF. C/E?

INFO Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):


859/STF
Tingulinho, gestor público, com base em parecer jurídico, fez a contratação direta, por
dispensa de licitação, da empresa ALFA para fazer obras emergenciais no Ginásio da
Cidade. Nesse caso, Tingulinho não cometeu o crime do art. 89, da Lei nº 8.666/93, pois
o ato foi precedido de parecer jurídico que é suficiente para afastar o dolo, conforme
jurisprudência do STF. C/E?

COMENTÁRIO

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Gabarito: ERRADO. O fato de a dispensa de licitação ter sido precedida de parecer


jurídico NÃO é suficiente para afastar o dolo do gestor que pratica o ato com base no
documento, conforme jurisprudência do STF. Em outras palavras, a jurisprudência do STF,
em regra, tem afastado o dolo do crime do art. 89, da Lei de Licitações, quanto o ato do
gestor público é precedido de parecer jurídico do órgão consultivo (ex.: parecer da
procuraria no sentido da dispensa da licitação). Entretanto, afirma também que “O fato de
a dispensa de licitação ter sido precedido de parecer jurídico não é bastante para afastar o
dolo, caso outros elementos externos indiciem a possibilidade de desvio de finalidade, ou
de conluio entre o gestor e o responsável pelo parecer”. Dito de outro modo, no caso do
crime do art. 89, da Lei de Licitações, o parecer jurídico, de início, faz presumir a boa-fé, a
probidade e ausência de dolo do gestor público, entretanto se provado ter havido, por
exemplo, conluio entre o gestor e o parecerista para fraudar o contrato coma dispensa da
licitação, devem todos responder pelo tipo penal em exame.
STF. 1ª Turma. Inq 3621/MA, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
28/3/2017 (INFO/STF 859).

INCONSTITUCIONALIDADE OU NÃO DO PRECEITO SECUNDÁRIO DO CRIME DO ART. 89


DA LEI DE LICITAÇÕES

95. (DJUS) O preceito secundário do crime do art. 89, da Lei de Licitações (Lei n°
8.666/93) viola o princípio da proporcionalidade, sendo nessa parte inconstitucional,
conforme jurisprudência do STF. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STF não é inconstitucional o preceito secundário tipo penal do
art. 89, da Lei de Licitações (Lei n° 8.666/93), não havendo violação do princípio da
INFO proporcionalidade. Isso, porque, segundo a Excelsa Corte, “o controle de
859/STF constitucionalidade de tipos penais sob o parâmetro da ofensa ao princípio da
proporcionalidade na fixação do “quantum” abstrato da pena deve ser excepcional e
comedido”, o que não se verifica no referido crime. Outro fundamento apontado é que
seria impróprio ao Poder Judiciário interferir em opção legislativa de política criminal que
não discrepe flagrantemente da razoabilidade enquanto Princípio, assim, não foi
reconhecida essa excepcionalidade quanto ao tipo do art. 89. O preceito primário é a
parte do tipo penal que o descreve com objetividade, clareza e precisão (ex.: no homicídio
é “matar alguém”). Já o preceito secundário é a que faz a cominação abstrata e
individualizada da sanção penal (ex.: pena – reclusão, de 6 a 20 anos).
STF. 1ª Turma. Inq 3621/MA, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
28/3/2017 (INFO/STF 859).

CRIME DO ART. 89 DA LEI DE LICITAÇÕES E NECESSIDADE OU NÃO DE PROVA DO


INFO
EFETIVO PREJUÍZO
856/STF
96. (DJUS) De acordo com o entendimento pacífico do STF e do STJ, o tipo penal do art.
INFO
89 da Lei de Licitações prevê crime formal, que dispensa o resultado danoso para o
813/STF
erário. C/E?

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COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. O tipo penal do art. 89 da Lei de Licitações prevê crime formal, que
dispensa o resultado danoso para o erário? STJ e 2ª Turma do STF: NÃO; 1ª Turma do
STF: SIM. O STJ (HC 377.711/SC) e a 2ª Turma do STF (Inq 3731/DF) posicionam-se em
sentido contrário à 1ª Turma do STF. Desse modo, a assertiva tornou-se incorreta, pois o
tema não é pacífico nos tribunais superiores (STF e STJ), havendo divergência entre as
Turmas do STF e entre a 1ª Turma do STF e o STJ. RESUMINDO: conforme jurisprudência
do STJ e 2ª Turma do STF para a configuração do crime do art. 89 da Lei nº 8.666/93 é
necessário demonstrar o dolo específico de causar dano ao erário e a configuração do
efetivo prejuízo ao patrimônio público; já para a 1ª Turma do STF basta a demonstração
desse dolo, não sendo preciso haver a prova do efetivo prejuízo.
STJ. 6ª Turma. HC 377.711/SC, Rel. Min. NEFI CORDEIRO, julgado em 09/03/2017, DJe 16/03/2017.
STF. 2ª Turma. Inq 3731/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 2/2/2016 (INFO/STF 813).
STF. 1ª Turma. Inq 3674/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 7/3/2017 (INFO/STF 856).

23. RACISMO

CASO BOLSONARO: IMUNIDADE PARLAMENTAR E CRIME DE RACISMO

97. (DJUS) Comete crime de racismo (art. 20 da Lei nº 7.7716/89) o parlamentar que fala
em uma palestra, fora do Congresso Nacional, mas em razão do cargo, que
afrodescendente de determinado quilombola “pesava sete arrobas”, “não fazia
nada” (...) “e nem para procriador eles servem mais”. C/E? (JDP23)

Vejamos o caso concreto (com adaptações):

Bolsonaro, imputável, deputado federal na data do fato, em razão do cargo, foi


convidado para dar uma palestra fora do recinto do Congresso Nacional. Durante sua
fala o parlamentar disse: “Eu fui a um quilombola em El Dourado Paulista. Olha, o
afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem
INFO
para procriador eles servem mais. Mais de um bilhão de reais por ano gastado com eles.
915/STF
Recebem cesta básica e mais material em implementos agrícolas. Você vai a El Dourado
Paulista, você compra arame farpado, você compra enxada, pá, picareta por metade do
preço vendido em outra cidade vizinha. Por quê? Porque eles revendem tudo baratinho
lá. Não querem nada com nada”. Nessa situação, para o STF, o parlamentar cometeu,
em tese, o crime de racismo do art. 20 da Lei nº 7.716/89. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STF, NÃO comete crime de racismo (art. 20 da Lei nº
7.716/89) o parlamentar que fala em uma palestra, fora do Congresso Nacional, mas em
razão do cargo, que afrodescendente de determinado quilombola “pesava sete arrobas”,
“não fazia nada” (...) “e nem para procriador eles servem mais”, pois suas palavras
estão acobertadas pela liberdade de expressão prevista no art. 5º, IV, da Constituição
Federal (CF), bem como também estão cobertas pela imunidade parlamentar, a que se

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refere o art. 53, da CF. Além disso, em relação aos quilombolas, entendeu-se que, embora
as afirmações possam dar entendimento de diferenciação e até de superioridade, são elas
desprovidas da finalidade de repressão, dominação, supressão ou eliminação. Assim, por
não se investirem de caráter discriminatório, são incapazes de caracterizar o crime
previsto no art. 20, caput, da Lei 7.716/1989. A Excelsa Corte, também entendeu que o
emprego, no discurso, do termo arroba não consiste em ato de desumanização dos
quilombolas, no sentido de comparação a animais, mas forma de expressão – de toda
infeliz –, evocada a fim de enfatizar estar um cidadão específico do grupo acima do peso
considerado normal. Acrescentou que as palavras ditas pelo então deputado estão ligadas
ao contexto de demarcação e proveito econômico das terras e configuram manifestação
política que não extrapola os limites da liberdade de expressão. Não se podendo
confundir o interesse na extinção ou diminuição de reservas indígenas ou quilombolas
com a supressão e eliminação dessas minorias.
STF. 1ª Turma. Inq 4694/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/9/2018 (INFO/STF 915).

RACISMO E DISCURSO DE ÓDIO CONTRA OUTRAS RELIGIÕES

98. (DJUS) Para o STF e STJ, a incitação ao ódio público contra quaisquer denominações
religiosas e seus seguidores não está protegida pela cláusula constitucional que
assegura a liberdade de expressão, podendo, a depender do caso concreto,
configurar o crime de racismo (art. 20, § 2º, da Lei nº 7.716/81). C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Tingulau, imputável, pastor evangélico, manifestou-se pela internet pregando discurso


de ódio contra várias religiões, inclusive defendendo "o fim das Igrejas da Assembleia de
Deus e igualmente prática de intolerância religiosa contra judeus”. Imputou ainda fatos
criminosos e ofensivos aos seus devotos e sacerdotes, como assassinato,
homossexualismo, prostituição, roubo, furto, manipulação, etc. Nessa situação, para o
STF, Tingulau cometeu crime de racismo (art. 20, §2º, da Lei nº 7.716/81), pois os atos
por ele praticados não estão protegidos pela cláusula constitucional que assegura a
INFO
liberdade de expressão. C/E?
893/STF
COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STF e STJ, a incitação ao ódio público contra quaisquer
denominações religiosas e seus seguidores NÃO está protegida pela cláusula
constitucional que assegura a liberdade de expressão, podendo, a depender do caso
concreto, configurar o crime de racismo (art. 20, § 2º, da Lei nº 7.716/81). Isso, porque, o
exercício da liberdade religiosa e de expressão não é absoluto, pois deve respeitar
restrições previstas na própria Constituição. Ademais, os postulados da igualdade e da
dignidade pessoal dos seres humanos constituem limitações externas à liberdade de
expressão, que não pode e não deve ser exercida com o propósito subalterno de veicular
práticas criminosas tendentes a fomentar e a estimular situações de intolerância e de ódio
público. No caso concreto, a corte considerou que as condutas praticadas pelo réu
representam abusos graves contra os valores, fundamentos e princípios da Constituição
Federal, indo de encontro ao que consigna o preâmbulo. Ele agiu contra a harmonia social
e a fraternidade que os constituintes procuraram construir a partir da promulgação do
texto constitucional. .

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STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2018
(INFO/STF 893).
STJ. 5ª Turma. HC 388.051/RJ, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, julgado em 25/04/2017.

24. CRIMES ELEITORAIS


FALSIDADE IDEOLÓGICA PARA FINS ELEITORAL

OMISSÃO DE GASTOS DE CAMPANHA NA PRESTAÇÃO DE CONTRA À JUSTIÇA ELEITORAL


CONFIGURA OU NÃO FALSIDADE IDEOLÓGIDA?

99. (DJUS) Para o STF, o candidato que omite parte dos gastos de campanha na
prestação de contas à justiça eleitoral comete o crime do art. 350 do Código Eleitoral
(falsidade ideológica para fins eleitorais) que é delito formal e não depende da
apreensão do material não declarado. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Tingulinho, candidato a deputado federal, contratou a empresa ALFA para fazer material
gráfico para sua campanha eleitoral, pagando a quantia de R$ 168.500,00. O gasto foi
omitido na prestação de contas à justiça eleitoral e o material gráfico não foi
apreendido. Nessa situação, para o STF, Tingulinho cometeu o crime de falsidade
INFO ideológica para fins eleitorais (art. 350 do Código Eleitoral) que é delito formal e não
903/STF exige, portanto, o recolhimento do material não declarado. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STF, o candidato que omite parte dos gastos de campanha na
prestação de contas à justiça eleitoral COMETE o crime do art. 350 do Código Eleitoral
(falsidade ideológica para fins eleitorais) que é delito FORMAL e NÃO depende da
apreensão do material não declarado. O crime de falsidade ideológica está previsto no
art. 299 do CP. Se tiver fins eleitorais, em razão do princípio da especialidade, aplica-se o
art. 350 do Código Eleitoral: “Omitir, em documento público ou particular, declaração que
dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia
ser escrita, para fins eleitorais:”. Tanto para o STF quanto para o TSE (Ac.-TSE, de
7.12.2011, no HC nº 154094) se trata de delito formal e independe de resultado
naturalístico.
STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/5/2018 (INFO/STF 903).

25. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA

INFO
639/STJ A SÚMULA VINCULANTE 24 APLICA-SE OU NÃO AOS FATOS ANTERIORES A SUA EDIÇÃO?

INFO 100. (DJUS) A Súmula Vinculante nº 24, a qual dispõe que “Não se tipifica crime material

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786/STF contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90,
antes do lançamento definitivo do tributo”, NÃO se aplica aos fatos anteriores a
sua edição, de acordo com o STF e STJ. C/E? (JDP26)

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Conforme jurisprudência do STF e do STJ, a Súmula Vinculante nº 24,


a qual dispõe que “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no
art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”,
APLICA-SE aos fatos anteriores a sua edição. Isso, porque, a aprovação da Vinculante n.
24/STF, no dia 02/12/2009 (DJ de 11/12/2009), não trouxe novos contornos para a
questão, pois o referido enunciado nada mais fez do que consolidar o entendimento
jurisprudencial que já era aplicado tanto no âmbito do STF como do STJ, razão pela qual
não se pode falar em indevida aplicação retroativa do referido texto sumular.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.770.444-DF, Rel. Min. Antônio S. Palheiro, j. em 08/11/2018 (INFO/STJ 639).
STF. 1ª Turma. RHC 122774/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/5/2015 (INFO/STF 786).

ADVOCACIA ADMINISTRATIVA PERANTE A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E PRÉVIAS


CORREÇÕES GRAMATICAIS PELO SERVIDOR

101. (DJUS) É típica a conduta de agente público que procede à prévia correção quanto
aos aspectos gramatical, estilístico e técnico das impugnações administrativas,
configurando o crime de advocacia administrativa perante a Administração
Fazendária (art. 3º, III, da Lei 8.137/90), conforme STJ. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STJ, é ATÍPICA a conduta de agente público que procede à
prévia correção quanto aos aspectos gramatical, estilístico e técnico das impugnações
administrativas, NÃO configurando o crime de advocacia administrativa perante a
INFO Administração Fazendária (art. 3º, III, da Lei 8.137/90). Isso, porque, o referido delido
639/STJ ocorre quando o agente valendo-se da sua condição de funcionário público patrocina,
perante a administração fazendária, interesse alheio em processo administrativo.
Contudo, pressupõe-se que se utilizando da sua condição de funcionário para influenciar
os responsáveis pela análise do pleito. Assim, não é qualquer atuação do agente perante a
administração que o faz virar criminoso, ou seja, não basta que ostente a condição de
funcionário público, mas é necessário e indispensável que pratique a ação aproveitando-
se das facilidades que sua qualidade de funcionário público lhe proporciona. Por essa
razão, o STJ entendeu que “não se pode tomar como típica a conduta de proceder à
correção quanto aos aspectos gramatical, estilístico e técnico das impugnações
administrativas anteriormente confeccionadas pelos causídicos do administrado”. Muito
embora a conduta perpetrada possa ser avaliada sob o aspecto ético, ela não se justapõe
à conduta típica descrita no art. 3º, III, da Lei dos Crimes contra a Ordem Tributária.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.770.444-DF, Rel. Min. Antônio S. Palheiro, j. em 08/11/2018 (INFO/STJ 639).

INFO
NÃO RECOLHIMENTO DE ICMS E APROPRIAÇÃO INDÉBITA TRIBUTÁRIA
611/STJ

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102. (DJUS) Não recolher ICMS em operações próprias ou em substituição tributária


configura o crime do art. 2º, II, da Lei n. 8.137/1990 (apropriação indébita
tributária). C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Chico, imputável, dono da Loja Autopeças Chico, vendeu diversas peças de automóveis a
vários consumidores, no mês de janeiro de 2019, embutindo no preço o valor que seria
gasto com o ICMS, sendo tudo declarado ao fisco estadual, entretanto não houve o
pagamento do tributo no prazo legal. Nesse caso, para o STJ, Chico cometeu, em tese, o
crime previsto no art. 2º, II, da Lei n. 8.137/1990 (apropriação indébita tributária). C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Consoante jurisprudência do STJ, a conduta de não recolher ICMS em


operações próprias ou em substituição tributária enquadra-se formalmente no tipo
previsto no art. 2º, II, da Lei n. 8.137/1990 (apropriação indébita tributária), desde que
comprovado o dolo. A corte ainda definiu que para haver o referido delito é necessário o
preenchimento de 04 requisitos: 1º) Inexistência de clandestinidade, assim, o fato de o
agente registrar, apurar e declarar em guia própria ou em livros fiscais o imposto devido
não tem o condão de elidir ou exercer nenhuma influência na prática do delito; 2º) O
sujeito ativo é aquele que ostenta a qualidade de sujeito passivo da obrigação
tributária, conforme claramente descrito pelo art. 2º, II, da Lei n. 8.137/1990, (...) que não
distingue o sujeito passivo direto do indireto da obrigação tributária e, por isso, nada
impede que o sujeito ativo do crime possa ser, ao menos em tese, tanto o contribuinte
(sujeito passivo direto da obrigação tributária) quanto o responsável tributário (sujeito
passivo indireto da obrigação tributária); 3º) A conduta deve ser dolosa (elemento
subjetivo do tipo), consistente na consciência (ainda que potencial) de não recolher o
valor do tributo; 4º) Nem todo sujeito passivo de obrigação tributária que deixa de
recolher tributo ou contribuição social responde pelo crime do art. 2º, II, da Lei n.
8.137/1990, mas somente aqueles que "descontam" ou "cobram" o tributo ou
contribuição. O termo "descontado" refere-se aos tributos diretos quando há
responsabilidade tributária por substituição, já o termo "cobrado" em relação tributária
com tributos indiretos (incidentes sobre o consumo). Desse modo, não há relevância o
fato de o ICMS ser próprio ou por substituição.
STJ. 3ª Seção. HC 399.109-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti, julgado em 22/08/2018 (INFO/STJ 633).

CRIMES TRIBUTÁRIOS E NECESSIDADE OU NÃO DE JUNTADA DO PROCESSO


ADMINITRATIVOA FISCAL (PAF)

103. (DJUS) A materialidade dos crimes listados no art. 1º, inciso I a IV, da Lei n.
8.137/1990 apenas se verifica com a constituição definitiva do crédito tributário,
INFO
bastando a prova desta para o início da ação penal, sendo prescindível a juntada
627/STJ
integral do Processo Administrativo Fiscal, conforme jurisprudência do STJ. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. De acordo com o STJ, para o início da ação penal referente aos crimes
listados no art. 1º, inciso I a IV, da Lei n. 8.137/1990, basta a prova da constituição

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definitiva do crédito tributário (Súmula Vinculante 24), sendo desnecessária a juntada


integral do Procedimento Administrativo Fiscal correspondente. Em outras palavras,
para o STJ, a prova da constituição definitiva do crédito é suficiente para o início da ação
penal. RESUMINDO: o STJ decidiu que: a) para o início da ação penal, basta a prova da
constituição definitiva do crédito tributário (Súmula Vinculante 24), não sendo necessária
a juntada integral do Procedimento Administrativo Fiscal – PAF correspondente; b) a
validade do crédito fiscal deve ser examinada no Juízo cível, não cabendo à esfera penal
qualquer tentativa de sua desconstituição; c) caso a defesa entenda que a documentação
apresentada pelo Parquet é insuficiente e queira esmiuçar a dívida, pode apresentar cópia
do referido PAF ou dizer de eventuais obstáculos administrativos; e d) se houver qualquer
obstáculo administrativo para o acesso ao procedimento administrativo fiscal respectivo,
a parte pode sugerir ao Juiz sua atuação até mesmo de ofício, desde que aponte qualquer
prejuízo à defesa, que possa interferir na formação do livre convencimento do julgador.
STJ. 5ª Turma. RHC 94.288-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/05/2018 (INFO/STJ 627).

O PAGAMENTO DO DÉBITO TRIBUTÁRIO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO EXTINGUE OU


NÃO A PUNIBILIDADE?

104. (DJUS) De acordo com a jurisprudência do STF e do STJ, o pagamento do débito


tributário é causa de extinção da punibilidade, ainda que tenha sido feito depois do
trânsito em julgado da sentença penal condenatória. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STF e STJ, o pagamento do débito tributário, a qualquer tempo,
INFO até mesmo após o advento do trânsito em julgado da sentença penal condenatória, é
611/STJ causa de extinção da punibilidade do acusado. Isso, porque, da leitura do art. 9º, § 2º, da
Lei nº 10.684/2003, depreende-se que o legislador ordinário não fixou um limite temporal
dentro do qual o adimplemento da obrigação tributária e seus acessórios significaria a
extinção da punibilidade do agente pela prática da sonegação fiscal, deixando
transparecer que, uma vez em dia com o Fisco, o Estado não teria mais interesse em
atribuir-lhe uma reprimenda corporal em razão da sonegação verificada. Assim, mesmo
após o transito em julgado da sentença penal condenatória deve ser extinta a punibilidade
se houver o pagamento do débito tributário.
STJ. 5ª Turma. HC 362.478-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 14/9/2017 (INFO/STJ 611).
STF. 2ª Turma. RHC 128245, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23/08/2016.

O PAGAMENTO DA MULTA APLICADA PELA NÃO EXIBIÇÃO DOS LIVROS AO FISCO


EXTINGUE OU NÃO A PUIBILIDADE?

105. (DJUS) Conforme o STJ, o contribuinte que deixa de atender às exigências da


INFO
autoridade tributária quanto à exibição de livros e documentos fiscais comete do
598/STJ
crime do art. 1º, inciso V, parágrafo único, da Lei n. 8.137/90, cuja punibilidade é
extinta se houver o pagamento da multa aplicada pelo fisco. C/E?

COMENTÁRIO

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Gabarito: ERRADO. O contribuinte que deixa de atender às exigências da autoridade


tributária quanto à exibição de livros e documentos fiscais COMETE O CRIME do art. 1º,
inciso V, parágrafo único, da Lei n. 8.137/90, cuja punibilidade NÃO é extinta se houver
o pagamento da multa aplicada pelo fisco, conforme jurisprudência do STJ. É importante
destacar que o crime do art. 1º, inciso V, parágrafo único, da Lei n. 8.137/90 é FORMAL
não lhe sendo aplicável a súmula vinculante 24, ou seja, não é necessário haver a prévia
constituição definitiva do crédito tributário para a configuração do delito (STJ. 6ª Turma.
AgRg no REsp 1.534.688/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJe 28/3/2016 e STJ.
5ª Turma. RHC 31.062/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe 12/8/2016). Sobre o tema, o STJ
entendeu que o pagamento da penalidade pecuniária imposta ao contribuinte que deixa
de atender às exigências da autoridade tributária estadual quanto à exibição de livros e
documentos fiscais não se adequa a nenhuma das hipóteses de extinção de punibilidade
previstas no § 2º do art. 9º da Lei nº 10.864/2003. Isso, porque, de acordo com o artigo 3º
do CTN, os tributos – por serem prestações pecuniárias compulsórias, não sancionatórias,
instituídas ex lege – são inconfundíveis com as multas, porquanto estas têm natureza
sancionatória.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.630.109-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 14/2/2017 (INFO/STJ 598).

O PARCELAMENTEO DO DÉBITO FISCAL SUSPENDE OU NÃO A PRESCRIÇÃO?

106. (DJUS) Tinguleu, imputável, foi denunciado pelo crime de sonegação de


contribuição previdenciária (CP, art. 337-A, III), mas requereu o parcelamento do
débito fiscal. Nessa situação, para o STF, ficará suspenso o processo, mas não o
prazo prescricional. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STF, por estar suspensa a pretensão punitiva durante o
INFO período em que estiverem sendo cumpridas as condições do parcelamento do débito
911/STF tributário, também fica suspenso o prazo prescricional. Permitir que a prescrição siga seu
curso normal durante o período de adesão voluntária do contribuinte ao programa de
recuperação fiscal serviria como estratégia do réu para alcançar a impunidade. Essa
previsão de suspensão é, inclusive, prevista expressamente na Lei nº 10.684/2003 que:
“Art. 9º É suspensa a pretensão punitiva do Estado, referente aos crimes previstos nos
arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e nos arts. 168-A e 337-A do
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, durante o período em que
a pessoa jurídica relacionada com o agente dos aludidos crimes estiver incluída no regime
de parcelamento”. Igual previsão há no art. 83, § 2º, da Lei nº Lei nº 9.430/96.
STF. 2ª Turma. ARE 1037087 AgR/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018 (INFO 911/STF).

O NÃO RECOLHIMENTO DE ELEVADO MONTANTE DE TRIBUTOS É OU NÃO CAUSA DE


AUMENTO DE PENA?
INFO
882/STF 107. (DJUS) O não recolhimento de vultoso montante de tributos, ainda que inferior a
dez milhões, configura grave dano à coletividade o que justifica a aplicação da
causa de aumento da pena estabelecida no art. 12, inciso I, da Lei n.º 8.137/90,
conforme jurisprudência do STF e do STJ. C/E?

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Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Arnaldo sonegou quatro milhões de reais em tributos federais e foi condenado pelo
crime do art. 1º, I, da Lei 8.137/1990. Nessa situação, para o STF e STJ, por ter
ocasionado grave dano à coletividade a pena será aumentada de 1/3 a 1/2. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STF e STJ, o não recolhimento de vultoso montante de tributos,
ainda que inferior a dez milhões, configura grave dano à coletividade, o que justifica a
aplicação da causa de aumento da pena estabelecida no art. 12, inciso I, da Lei n.º
8.137/90. O art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 dispõe que “São circunstâncias que podem
agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas previstas nos arts. 1°, 2° e 4° a 7°: I -
ocasionar grave dano à coletividade”. Embora o artigo afirme que “podem agravar a
pena”, na verdade, trata-se de causa de aumento de pena a ser aplicado na terceira fase
da dosimetria da pena e não na segunda fase como circunstância agravante. Já o art. 2º da
Portaria nº 320 da PFN dispõe que são considerados “grandes devedores” as pessoas que
tiverem débitos inscritos em dívida ativa da União em valor igual ou superior a R$ 10
milhões. A jurisprudência teve que definir se basta que o valor sonegado seja vultoso
(elevado), ainda que inferior a 10 milhões, para incidir a causa de aumento de pena do art.
12, I - “ocasionar grave dano à coletividade” ou se essa portaria define um valor objetivo
(10 milhões) para fins de incidência da majorante. O STF e o STJ firmaram entendimento
no sentido de que o não recolhimento de vultoso montante de tributos, ainda que
inferior a dez milhões, configura grave dano à coletividade, o que justifica a aplicação da
causa de aumento da pena estabelecida no art. 12, inciso I, da Lei n.º 8.137/90, pelo fato
de a quantia suprimida repercutir sobre a coletividade, destinatária da receita pública
decorrente do pagamento de tributos. A Portaria 320/2008 da PGFN, apenas dispõe sobre
o Projeto Grandes Devedores no âmbito da PFN, conceituando, para os seus fins, “grandes
devedores”, com o objetivo de estabelecer, na Secretaria de Receita Federal do Brasil,
método de cobrança prioritário a esses sujeitos passivos de vultosas obrigações
tributárias, sem limitar ou definir, no entanto, o grave dano à coletividade.
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1274989/RS, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 19/08/2014.
STF. 2ª Turma. HC 129284/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 17/10/2017 (INFO/STF 882).

DESCAMINHO

DESCAMINHO E NECESSIDADE OU NÃO DE CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO


TRIBUTÁRIO

INFO 108. (DJUS) O crime de descaminho (art. 334 do CP) se consuma independentemente da
904/STF constituição definitiva do crédito tributário, por ser delito formal, consoante
entendimento do STF e do STJ. C/E? (JDP27)
INFO
548/STJ Vejamos a seguinte situação hipotética:

Fernando, imputável, iludiu parte do imposto devido pela entrada de mercadoria no


território brasileiro. Nesse caso, conforme STF e STJ, para a consumação do delito, são
prescindíveis a instauração de procedimento administrativo fiscal e a constituição

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definitiva do crédito tributário. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. O crime de descaminho (art. 334 do CP) se consuma


independentemente da constituição definitiva do crédito tributário, por ser delito
FORMAL, sendo PRESCINDÍVEIS (não precisa) a instauração de procedimento
administrativo fiscal e a constituição definitiva do crédito tributário, consoante
entendimento do STF e do STJ. Fernando praticou o crime de descaminho tipificado no
art. art. 334, do CP: “Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto
devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria: Pena - reclusão, de 1
(um) a 4 (quatro) anos”. O STF e STJ entendem que o crime de descaminho tem natureza
FORMAL, ou seja, a consumação não depende de prévio processo administrativo fiscal,
nem de constituição definitiva do crédito tributário. Desse modo não se aplica a súmula
vinculante nº 24, a qual dispõe que: “Não se tipifica crime material contra a ordem
tributária, previsto no artigo 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento
definitivo do tributo”. Em outras palavras, o crime de descaminho se consuma com a
simples conduta de iludir o Estado quanto ao pagamento dos tributos devidos quando da
importação ou exportação de mercadorias.
STF. 1ª Turma. HC 121798/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/5/2018 (INFO/STF 904).
STF. 2ª Turma. HC 122325, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/05/2014.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.343.463-BA, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/3/2014 (INFO/STJ
548).

26. LAVAGEM DE DINHEIRO

RECEBER DINHEIRO EM ESPÉCIE OU FAZER DEPÓSITO FRACIONADO EM CONTA


CONFIGURA OU NÃO LAVAGEM DE DINHEIRO?

109. (DJUS) O recebimento de propina em dinheiro (em espécie) ou através de depósito


fracionado do dinheiro em conta corrente, em valores que não atingem os limites
estabelecidos pela autoridade monetária à comunicação compulsória dessas
operações, são meios idôneos para a consumação do crime de lavagem de dinheiro,
conforme STF. C/E? (JDP28)

INFO Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):


904/STF
Mavino, imputável, deputado federal, recebia mensalmente valores ilícitos de um
diretor da Petrobras. Para evitar a descoberta do crime, a quantia era entregue em
dinheiro (em espécie) ou em depósito bancário fracionado, cujo valor era inferior aquele
estabelecido pela autoridade monetária para a comunicação compulsória da operação
ao COAF. Nessa situação, para o STF, as duas formas de receber a vantagem ilícita são
idôneas para configurar o crime de lavagem de dinheiro (art. 1º, da Lei nº 9.613/98).
C/E?

COMENTÁRIO

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Gabarito: ERRADO. Para o STF, o recebimento de dinheiro (em espécie), oriundos de


propina, com o fim de ocultar a origem ilícita da vantagem indevida, NÃO configura o
crime de lavagem de dinheiro. Já a realização de depósitos fracionados do dinheiro
oriundo de corrupção em conta corrente, em valores que não atingem os limites
estabelecidos pela autoridade monetária à comunicação compulsória dessas operações,
é meio idôneo para a consumação do crime de lavagem de dinheiro (art. 1º, da Lei nº
9.613/98). Dito de outro modo, a Excelsa Corte firmou entendimento de que a primeira
conduta (receber dinheiro em espécie) não configura lavagem de dinheiro, ou seja, o
mero ato de recebimento de valores em dinheiro (“dinheiro vivo”) não tipifica o delito de
lavagem, seja quando recebido por interposta pessoa ou pelo próprio agente público que
acolhe a remuneração indevida. Já no segundo caso o STF decidiu que configura sim o
crime de lavagem de dinheiro. Em outras palavras, o depósito fracionado do dinheiro em
conta corrente, em valores que não atingem os limites estabelecidos pelas autoridades
monetárias à comunicação compulsória dessas operações, é meio idôneo para a
consumação do crime de lavagem de dinheiro. Trata-se de modalidade de ocultação da
origem e da localização de vantagem pecuniária recebida pela prática de delito anterior.
Nesse caso temos a seguinte situação: a legislação brasileira determina que os bancos
devem comunicar ao COAF (Centro de Controle de Atividades Financeiras) a ocorrência de
movimentações financeiras a partir de determinado valor (ex.: R$ 50.000,00); Para burlar
essa regra o réu recebia depósito de valores um pouco menor (ex.: R$ 49.000,00). O STF
entendeu que essa prática é idônea a caracterizar o crime de lavagem de dinheiro, pois
visa ocultar a origem e a localização da vantagem pecuniária recebida pela prática do
crime anterior.
STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (INFO/STF 904).

LAVAGEM DE DINHEIRO É OU NÃO CRIME PERMANENTE?

110. (DJUS) O crime de “Lavagem de Dinheiro” está previsto no art. 1º da Lei nº


9.613/98, o qual dispõe: “Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização,
disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores
provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal”. Para o STF, se realizado
na modalidade ocultar o delito será permanente. C/E?

COMENTÁRIO

INFO Gabarito: CERTO. Para o STF, o crime de lavagem de bens, direitos ou valores (art. 1º, da
866/STF Lei nº 9.613/98), quando praticado na modalidade típica de “OCULTAR”, é
PERMANENTE, protraindo-se (estendendo) sua execução até que os objetos materiais
do branqueamento se tornem conhecidos, razão pela qual o início da contagem do
prazo prescricional tem por termo inicial o dia da cessação da permanência, nos termos
do art. 111, III, do Código Penal. Em outras palavras, aquele que oculta e mantém oculto
algo prolonga a ação até que o fato se torne conhecido. A consequência é que o agente
pode ser preso em flagrante enquanto oculto estiver os bens e valores, pois se considera
que o delito está em execução, bem como o prazo de prescrição somente começa a correr
com o fim da permanência. A característica básica dos delitos permanentes está na
circunstância de que a execução desses crimes não se dá em um momento definido e
específico, mas em um alongar temporal.
STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017(INFO/STF 866)

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MULTIPLAS TRANSAÇÕES SÃO OU NÃO CIRCUNSTÂNCIAS NEGATIVAS DO CRIME DE


LAVAGEM DE DINHEIRO?

111. (DJUS) A Lavagem de Dinheiro mediante múltiplas transações financeiras e de


múltipla transnacionalidade, são circunstâncias negativas do crime que justificam a
elevação da pena-base, conforme jurisprudência do STF. C/E?

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Turquino, imputável, deputado federal, praticou o crime de “Lavagem de Dinheiro”


mediante múltiplas transações financeiras e de múltipla transnacionalidade. Para o STF,
nessa situação, as circunstâncias do crime são negativas devendo a pena-base ser mais
elevada. C/E?

COMENTÁRIO

INFO Gabarito: CERTO. Conforme jurisprudência do STF, a prática do crime de lavagem de


866/STF dinheiro (art. 1º, da Lei nº 9.613/98) mediante múltiplas transações financeiras e de
múltipla transnacionalidade, são circunstâncias negativas do crime que justificam a
elevação da pena-base. A fixação da pena privativa de liberdade passa por 03 fases (pena-
base, agravantes e atenuantes e, por fim, causas de aumento ou diminuição de pena). Na
primeira fase (fixação da pena-base) o juiz analisa as circunstâncias do art. 59, do CP
(chamada de circunstâncias judiciais), estando entre elas as “circunstâncias” do crime.
Podemos dizer que “circunstâncias” são dados acidentais e secundários que não integral o
tipo. Ex.: modo de execução, tempo, lugar, instrumentos, relacionamento com a vítima,
etc. O STJ, por exemplo, admitiu a valoração negativa dessa circunstância no crime de
estelionato em razão da confiança da vítima no acusado (STJ – HC 332.676/PE). No caso
em exame (julgamento do ex-deputado Maluf) o STF considerou como circunstâncias
negativas do crime, elevando a pena-base acima do mínimo legal, o fato de a ação
delituosa, no crime de lavagem de capitais, ter sido realizada através de múltiplas
transações financeiras, de múltipla transnacionalidade, justamente por interferir na
ordem jurídica de mais de um Estado soberano.

STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017(INFO/STF 866)

LAVAGEM DE DINHEIRO: DEPUTADO COM LONGA VIDA PÚBLICA TEM OU NÃO MAIOR
CULPABILIDADE?

112. (DJUS) Para o STF, o fato de ter sido o crime de Lavagem de Dinheiro cometido por
deputado federal com vários mandatos no parlamento e com longa vida pública, é
INFO circunstância judicial que autoriza a elevação da pena-base. C/E?
866/STF
COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para o STF, o fato de ter sido o crime de Lavagem de Dinheiro (art. 1º,
da Lei nº 9.613/98) cometido por deputado federal com vários mandatos no parlamento
e com longa vida pública (julgamento do ex-deputado Maluf), é circunstância judicial
que autoriza a elevação da pena-base, em razão da maior reprovabilidade da conduta.

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Em outras palavras, o STF considerou que aquele que tem longo mandato e duradoura
vida pública, merece maior reprovabilidade da conduta (maior culpabilidade). Isto é, o
juízo de reprovação que recai sobre a conduta é particularmente intenso, na medida em
que se trata de quem exerce há longa data representação popular, obtida por meio da
confiança depositada pelos eleitores em sua atuação. A transgressão da lei por parte de
quem usualmente é depositário da confiança popular para o exercício do poder, enseja
juízo de reprovação muito mais intenso do que seria cabível em se tratando de um
cidadão comum. Do mesmo modo, igualmente merece destaque negativo, no que diz
respeito à capacidade de compreensão da ilicitude do fato, a circunstância de ser o
acusado homem de longa vida pública, acostumado com regras jurídicas, às quais, com
vantagem em relação aos demais cidadãos, tem a capacidade acentuada de conhecer e
compreender a necessidade de observá-las. A fixação da pena privativa de liberdade passa
por 03 fases (pena-base, agravantes/atenuantes e, por fim, causas de aumento ou
diminuição de pena). Na primeira fase (fixação da pena-base) o juiz analisa as
circunstâncias do art. 59, do CP (chamada de circunstâncias judiciais), estando entre elas a
“culpabilidade” do crime. Culpabilidade é juízo de reprovabilidade da conduta, o grau de
censura que o autor do fato merece no caso concreto.

STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017(INFO/STF 866)

LAVAGEM DE DINHEIRO: ELEVADA QUANTIA DE VALORES E CONSEQUÊNCIAS DO CRIME

113. (DJUS) A elevada quantia de valores ocultados no crime de lavagem de dinheiro


não pode ser considerada como consequências negativas do crime, com o fim de
elevação da pena-base, pois já foram valoradas pelo tipo penal e configurariam bis
in idem, conforme jurisprudência do STF. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Conforme jurisprudência do STF, a elevada quantia de valores


ocultados no crime de lavagem de dinheiro (art. 1º, da Lei nº 9.613/98) PODE ser
considerada como consequências negativas do crime, com o fim de elevação da pena-
base, pois NÃO foram valoradas pelo tipo penal, NÃO configurando bis in idem. A
INFO fixação da pena privativa de liberdade passa por 03 fases (pena-base,
866/STF agravantes/atenuantes e, por fim, causas de aumento ou diminuição de pena). Na
primeira fase (fixação da pena-base) o juiz analisa as circunstâncias do art. 59, do CP
(chamada de circunstâncias judiciais), estando entre elas a “consequências” do crime.
Consequências do crime são efeitos danosos causados pelo delito (ex.: trauma causado
nos filhos menores que presenciaram o crime; elevada quantia subtraída da vítima; maior
gravidade das lesões no caso concreto, etc.). No caso, se a quantia ocultada nas
transações no crime de lavagem de capitais foi bastante elevada, por óbvio que as
consequências são maiores e a pena-base deve ser mais elevada, considerando a grande
quantia como consequências negativas do crime. Assim, decidiu o STF afirmando que as
consequências devem sofrer, na 1ª fase de aplicação da pena, maior juízo de reprovação
quando vão além das consequências usuais dessa modalidade criminosa. Nesse tópico, o
crime praticado pelo réu violou o bem jurídico tutelado pelo tipo de forma muito mais
intensa do que o usual, tendo em vista a vultuosidade dos valores envolvidos.

STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017(INFO/STF 866).

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27. CRIMES DA LEI DE TELECOMUNICAÇÕES

TRANSMITIR SINAL DE INTERNET VIA RÁDIO: FATO TÍPICO OU ATÍPICO?

114. (DJUS) Para o STF e STJ, transmitir, sem autorização da ANATEL, sinal de internet
via rádio é fato atípico, pois não é considerado como atividade de
telecomunicações. C/E?

Vejamos a seguinte situação hipotética:

Ardônio, imputável, transmitia sinal de internet via rádio frequência, recebendo


mensamente R$ 50,00 de cada cliente que contratava o serviço. Nessa situação, para o
STF e STJ, Ardônio praticou fato atípico. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. Para o STF e STJ aquele que transmite, sem autorização da ANATEL,
sinal de internet via rádio, praticada, em tese, o crime tipificado no art. 183, da Lei nº
9.472/97 (Lei de Telecomunicações): “Art. 183. Desenvolver clandestinamente
atividades de telecomunicação: Pena - detenção de dois a quatro anos, aumentada da
INFO metade se houver dano a terceiro, e multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais)”. O STJ
622/STJ também não admite a aplicação do princípio da insignificância ao crime art. 183, da Lei nº
9.472/97, ainda que se trate de provedor de baixa potência, conforme entendimento
INFO sumulado: “Súmula 606-STJ: Não se aplica o princípio da insignificância a casos de
883/STF transmissão clandestina de sinal de internet via radiofrequência, que caracteriza o fato
típico previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997”. O STF possui o mesmo entendimento
INFO (HC 152118 AgR) para o qual: “O desenvolvimento clandestino de atividade de transmissão
853/STF de sinal de internet, via rádio, comunicação multimídia, sem a autorização do órgão
regulador, caracteriza, por si só, o tipo descrito no artigo 183 da Lei nº 9.472/97, pois se
trata de crime FORMAL, inexigindo, destarte, a necessidade de comprovação de efetivo
prejuízo”. CUIDADO: (i) O STF tem um julgado isolado da 1ª Turma (HC 127978), o qual foi
divulgado no INFO/STF 883, de que transmitir, sem autorização da ANATEL, sinal de
internet via rádio, seria fato atípico e não poderia ser tipificado como crime do art. 183,
entretanto esse entendimento foi modificado posteriormente pelo HC 152118 AgR (não
noticiado em informativo), conforme já explicado; (ii) O STF já aplicou o princípio da
insignificância ao crime do art. 183 (atividade clandestina de telecomunicações)
considerando a excepcionalidade do caso concreto por que se tratava de rádio
comunitária que operava em baixa frequência e em localidade afastada dos grandes
centros, como noticiado no INFO/STF 853. Considerou ainda a importância das rádios
comunitárias como prestadoras de serviço público, a aparente boa-fé do acusado e
inexistência de lesividade. Em provas de concursos recomendo somente utilizar esse
último entendimento se for citado detalhes do julgado.
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1077499/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares, julgado em 26/09/2017
STJ. 3ª Seção. Aprovada em 11/04/2018, DJe 17/04/2018 (INFO/STJ 622).
STF. 1ª Turma. HC 127978, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 24/10/2017 (INFO/STF 883).
STF. 1ª Turma. HC 152118 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 07/05/2018.
STF. 1ª Turma. HC 129807 AgR, Rel. Min. LUIZ FUX, julgado em 31/03/2017.

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STF. 2ª Turma. HC 138134/BA, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 7/2/2017 (INFO/STF 853)
STF. 2ª Turma. HC 128.130, Rel. Min. Teori Zavascki, DJe 23/09/2015.

28. CRIMES COTRA O SISTEMA FINANCEIRO

SIMULAÇÃO DE CONSÓRCIO POR MEIO DE VENDA PREMIADA: CRIME CONTRA O


SISTEMA FINANCEIRO OU ESTELIONATO?

115. (DJUS) A simulação de consórcio por meio de venda premiada configura o crime de
estelionato (art. 171 DO CP) de competência da justiça estadual, de acordo com o
STJ. C/E? (JDP29)

Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):

Calotônio, imputável, proprietário da empresa Vendamax Motos, que funcionava sem


autorização do Banco Central, vendeu a Jumais um “consórcio simulado”, denominado
venda premiada. A vítima adquiriu do réu uma motocicleta HONDA NX 150, mediante o
pagamento de 20 prestações de R$ 500,00. O bem adquirido não era retirado de
imediato, mas somente através de sorteio, momento em que já vinha quitado,
dispensando o participante de pagar as prestações remanescentes. Caso não fosse
contemplado até o final, o bem seria retirado depois de paga a ultima prestação. Jumais
não foi contemplado em sorteio e paga a última parcela, também não lhe foi entregue o
bem que nunca existiu, tratando-se de uma fraude. Nessa situação, para o STJ,
Calotônio cometeu, em tese, o crime de estelionato (art. 171 do CP) de competência da
justiça estadual. C/E?
INFO
637/STJ
COMENTÁRIO

Gabarito: ERRADO. De acordo com o STJ “a simulação de consórcio por meio de venda
premiada, operada sem autorização do Banco Central do Brasil, configura crime contra
o sistema financeiro, tipificado pelo art. 16 da Lei n. 7.492/1986, e não o crime de
estelionato (art. 171 do CP), o que atrai a competência da Justiça Federal”. Isso, porque
mesmo havendo identidade perfeita entre a venda premiada e o consórcio, é evidente
que não se trata de venda comum, na medida em que a pessoa jurídica capta recursos de
terceiros, podendo, portanto, ser considerada instituição financeira a teor do art. 1º da Lei
n. 7.492/1986. Desse modo, a ausência de autorização do Banco Central do Brasil não
afasta a prática de crime contra o sistema financeiro, ao contrário, constitui justamente
elemento constante no tipo descrito no art. 16 da Lei n. 7.492/1986: “Fazer operar, sem a
devida autorização, ou com autorização obtida mediante declaração (Vetado) falsa,
instituição financeira, inclusive de distribuição de valores mobiliários ou de câmbio: Pena -
Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa”. OBS: (MUDANÇA DE ENTENDIMENTO) o
STJ tinha entendimento oposto ao aqui comentado (3ª Seção, CC 121.146/MA), ou seja, o
de que “as operações denominadas compra premiada ou venda premiada - caracterizadas
pela promessa de aquisição de bens, mediante formação de grupos, com pagamentos de
contribuições mensais e sorteios, cujos contemplados ficam exonerados de adimplir as
parcelas restantes - não constituem atividades financeiras para fins de incidência da Lei n.
7.492/1986”. Por fim, com esse novo entendimento, por configurar crime contra o

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sistema financeiro a competência para julgar passar a ser da Justiça Federal.


STJ. 3ª Seção. CC 160.077-PA, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 10/10/2018 (INFO/STJ 637).

ULITIZAÇÃO DE “LARANJA” PARA COMPRAR MOEDA ESTRANGEIRA E CRIME CONTRA O


SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

116. (DJUS) A utilização de terceiro (“laranja”) para a aquisição de moeda estrangeira


para outrem se subsumi à conduta tipificada no art. 21 da Lei n. 7.492/1986, ainda
as pessoa utilizada como “laranja” tenha anuído com as operações, conforme
jurisprudência do STJ. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Conforme o STJ, a utilização de terceiro (“laranja”) para a aquisição de


INFO moeda estrangeira para outrem se subsumi à conduta tipificada no art. 21 da Lei n.
604/STJ 7.492/1986, ainda a pessoa utilizada como “laranja” tenha anuído com as operações.
Isso, porque a conduta prevista no art. 21, Lei n. 7.492/86 (Atribuir-se, ou atribuir a
terceiro, falsa identidade, para realização de operação de câmbio), pressupõe fraude que
tenha o potencial de dificultar ou impossibilitar a fiscalização sobre a operação de câmbio,
com o escopo de impedir ou constatar a prática de condutas delitivas diversas, ou mesmo
eventuais limites legais para a aquisição de moeda estrangeira. O tipo tem como objetos
jurídicos a credibilidade do mercado financeiro e a proteção do investidor. Em outras
palavras, ainda que os terceiros tenham anuído com as operações, tal fato, por si, não é
capaz de descaracterizar o tipo penal, pois o bem jurídico restou violado com a
dissimulação de esconder a real identidade do adquirente da moeda estrangeira valendo-
se da identidade, ainda que verdadeira, de terceiros.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.595.546-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 2/5/2017 (INFO/STJ 604).

29. LEI DE SEGURANÇA NACIONAL - LEI Nº 7.170/83


CRIME POLÍTICO

CRIME POLÍTICO: REQUISITOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS

117. (DJUS) Para haver crime político não basta a adequação formal ao tipo, sendo
necessário também o preenchimento do requisito subjetivo, ou seja, ser
demonstrada a motivação política, conforme jurisprudência do STF. C/E?
INFO
Vejamos o caso concreto decidido (com adaptações):
885/STF
Tinguleu, imputável, fez manobras anormais e não autorizadas, sem motivação política,
em controles de equipamentos de unidades geradores da Usina Hidrelétrica de Estreito,
alterando a chave da bomba de alta pressão de óleo, que passou de manual para local.
O MP ofertou denúncia afirmando que o réu praticou “atos de sabotagem contra a
Hidrelétrica, a fim de impedir o pleno funcionamento de mecanismos (bombas de alta
pressão de óleo)”, tipificando a conduta no art. 15, §2º, da Lei 7.170/1983. Na situação

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apresentada, para o STF, Tinguleu praticou fato atípico. C/E?

COMENTÁRIO

Gabarito: CERTO. Para haver crime político NÃO basta a adequação formal ao tipo,
sendo necessário também o preenchimento do requisito subjetivo, ou seja, ser
demonstrada a motivação política, conforme jurisprudência do STF. O julgamento de
crime político é de competência da justiça federal (CF, art. 109, IV), com recurso ordinário
para o STF (CF, art. 102, II, b). A conduta narrada possui adequação formal ao tipo do art.
15, §2º, da Lei 7.170/1983 (Lei de Segurança Nacional). Entretanto, conforme a Excelsa
Corte, para haver crime político não basta a adequação formal ao tipo. Necessário se faz
também o preenchimento do requisito subjetivo, ou seja, ser demonstrada a motivação
política. Em outras palavras, crimes políticos, para os fins do artigo 102, II, b, da
Constituição Federal, são aqueles dirigidos, subjetiva e objetivamente, de modo imediato,
contra o Estado como unidade orgânica das instituições políticas e sociais e, por
conseguinte, definidos na Lei de Segurança Nacional, presentes as disposições gerais
estabelecidas nos artigos 1º e 2º do mesmo diploma legal. Desse modo, de acordo com o
STF, para haver crime político, deve-se fazer a conjugação dos artigos 1º e 2º da Lei nº
7.170/83 (Lei de Segurança Nacional), dos quais se extraem dois requisitos, um de ordem
subjetiva e outro de natureza objetiva: i) motivação e objetivos políticos do agente, e ii)
lesão real ou potencial à integridade territorial, à soberania nacional, ao regime
representativo e democrático, à Federação ou ao Estado de Direito. (RC 1472, Tribunal
Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, Rev. Ministro Luiz Fux, unânime, j. 25/05/2016). Conforme
narrado na situação concreta, não houve motivação política, assim, não se trata de crime
previsto na Lei de Segurança Nacional. Restaria o enquadramento em outro crime
comum, mas como não há outro tipo que se amolde à conduta, o STF entendeu ser o fato
atípico.
STF. 1ª Turma. RC 1473/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/11/2017 (INFO/STF 885).
STF. Tribunal Pleno. RC 1472, Rel. Min. Dias Toffoli, Rev. Ministro Luiz Fux, unânime, j. 25/05/2016.

RESUMO
30. RESUMO
DIREITO PENAL - PARTE GERAL

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCA

1) O STF e o STJ não admitem a aplicação do princípio da insignificância ao crime do art. 183 da
Lei n. 9.472/1997 (Desenvolver clandestinamente atividade de telecomunicações), ainda que
se trate de provedor de baixa potência (ou frequência), inclusive, havendo entendimento
sumulado do STJ nesse sentido: “Súmula 606-STJ: Não se aplica o princípio da insignificância a
casos de transmissão clandestina de sinal de internet via radiofrequência, que caracteriza o
fato típico previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997“.

2) O STF decidiu (HC 152118 AgR) que para se configurar o crime do artigo 183 da Lei n.
9.472/1997 não precisa comprovar efetivo prejuízo, vejamos: “O desenvolvimento clandestino
de atividade de transmissão de sinal de internet, via rádio, comunicação multimídia, sem a
autorização do órgão regulador, caracteriza, por si só, o tipo descrito no artigo 183 da Lei nº

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9.472/97, pois se trata de crime formal, não exigindo, destarte, a necessidade de


comprovação de efetivo prejuízo”.

3) Para o STJ, não se aplica o princípio da insignificância ao furto de bem de inexpressivo valor
pecuniário de associação sem fins lucrativos com o induzimento de filho menor a participar do
ato.

4) A jurisprudência do STF e STJ só reconhece o princípio da insignificância se estiverem presentes


os seguintes requisitos cumulativos: a) mínima ofensividade da conduta; b) nenhuma
periculosidade social da ação; c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e d)
inexpressividade da lesão jurídica provocada.

5) Para o STF, a depender do caso concreto, o julgador pode reconhecer o princípio da


insignificância para determinar a substituição da pena privativa de liberdade (PPL) por pena
restritiva de direitos (PRD) ao reincidente (o que seria vedado pelo art. 44, II, do CP), ao invés
de absolver o réu por atipicidade da conduta.

6) A habitualidade delitiva, ainda que específica, por si só, não é suficiente para afastar a
aplicação do princípio da insignificância, conforme jurisprudência do STF e do STJ.

7) A jurisprudência do STF e STJ tem afastado como regra geral a aplicação do princípio da
insignificância ao criminoso habitual porque não se pode considerar como reduzidíssimo o grau
de reprovabilidade da conduta, entretanto o caso concreto, considerando outras circunstâncias
é que vai indicar a aplicação ou não do princípio da insignificância.

8) O STF entende que nos casos em que não for possível reconhecer o princípio da insignificância
para absolver o réu por atipicidade da conduta, é possível aplicar o mesmo princípio para fixar
o regime semiaberto ao reincidente, condenado com pena de reclusão, em razão do princípio
da proporcionalidade.

9) A orientação firmada pelo Plenário do STF é no sentido de que a aferição da insignificância da


conduta como requisito negativo da tipicidade, em crimes contra o patrimônio, envolve um
juízo amplo, que vai além da simples aferição do resultado material da conduta, abrangendo
também a reincidência ou contumácia do agente, elementos que, embora não determinantes,
devem ser considerados.

10) Para o STF e STJ, a reincidência NÃO afasta, por si só, a aplicação do princípio da insignificância.

11) Para o STF, na hipótese de o juiz considerar penal ou socialmente indesejável a aplicação do
princípio da insignificância por furto, em situações em que tal enquadramento seja cogitável,
eventual sanção privativa de liberdade deverá ser fixada, como regra geral, em regime inicial
aberto.

12) Para o STF e STJ, a prática de furto qualificado não deve, por si só, impedir a aplicação do
princípio da insignificância, cujo afastamento deve ser objeto de motivação específica à luz das
circunstâncias do caso concreto.

13) A jurisprudência do STF e STJ tem afastado como regra geral a aplicação do princípio da
insignificância ao furto qualificada porque há maior reprovabilidade das condutas, entretanto o

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caso concreto, considerando outras circunstâncias (e não o furto por si só) é que vão indicar a
aplicação ou não do princípio da insignificância.

14) O STJ não admite a aplicação do princípio da insignificância aos Crimes Contra a Administração
Pública, conforme súmula 599/STJ: “O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes
contra a administração pública”.

15) Consoante jurisprudência do STF, a prática de crime contra a Administração Pública, por si só,
não inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância, devendo haver uma análise do caso
concreto.

16) O STF e o STJ não admitem a aplicação do princípio da insignificância, sejam aos crimes ou às
contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domesticas, inclusive
havendo súmula do STJ nesse sentido: “Súmula 589/STJ: É inaplicável o princípio da
insignificância nos crimes ou contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das
relações domésticas”.

17) A jurisprudência dominante do STF e STJ não aplica, em regra, o princípio da insignificância ao
crime do art. 34, da Lei nº 9.605/98, entretanto, as peculiaridades do caso concreto podem
indicar a incidência desse princípio, como já foi admitido em alguns casos.

18) Não se configura o crime do art. 34 da Lei nº 9.605/98, se o réu depois de pescar um peixe em
período e em local proibido, o tenha devolvido ainda vivo ao rio, em razão do princípio da
insignificância.

19) Aplica-se o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando
o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00.

CONCURSO DE PESSOAS

20) Para o STF e STJ, por não constituírem delitos da mesma espécie, não é possível reconhecer a
continuidade delitiva na prática dos crimes de roubo e extorsão.

21) Roubo e a extorsão ainda que tenham sido praticados contra a mesma pessoa, no mesmo lugar
e em contexto semelhante, não são crimes da mesma espécie, embora protejam idêntico bem
jurídico (patrimônio) e tenham elementos e sanções similares, o que impede o
reconhecimento da continuidade delitiva entre ambos, conforme STF e STJ.

22) Crimes da mesma espécie são aqueles que apresentam a mesma estrutura jurídica, ou seja,
protegem o mesmo bem jurídico e estão no mesmo tipo penal. Por essa razão o STF e o STJ não
admitem a continuidade delitiva entre roubo e latrocínio, por não serem crimes da mesma
espécie, embora do mesmo gênero (ambos estão no mesmo tipo penal – art. 157 do CP –, mas
um protege o patrimônio; o outro, a vida e o patrimônio, respectivamente).

AUTORIA – TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO

23) Para o STF, a teoria do domínio do fato preceitua que a mera posição de um agente na escala
hierárquica não serve para demonstrar ou reforçar o dolo da conduta.

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24) De acordo com a jurisprudência do STF, não se pode invocar a teoria do domínio do fato, pura
e simplesmente, sem nenhuma outra prova, citando de forma genérica os diretores
estatutários da empresa, espalhados pelo Brasil, para lhes imputar um crime fiscal que teria
sido supostamente praticado no Estado-membro.

EFEITOS DA CONDENAÇÃO

25) A pena de perdimento deve ser restrita ao cargo ocupado ou função pública exercida no
momento do delito, à exceção da hipótese em que o magistrado, motivadamente, entender
que o novo cargo ou função guarda correlação com as atribuições anteriores, conforme
entendimento do STJ.

DAS PENAS

26) Para o STF e STJ, NÃO é possível a utilização de condenações anteriores com trânsito em
julgado como fundamento para negativar a conduta social.

27) Havendo duas condenações que geram reincidência, uma delas deve servir como agravante e a
outra como maus antecedentes, conforme STF e STJ.

28) Para o STJ, não é possível a execução das penas restritivas de direitos (PRD) antes do trânsito
em julgado da condenação (execução provisória).

29) O STF permite a execução provisória tanto da PRL, quanto da PRD, por não comprometer o
princípio constitucional da presunção de inocência, previsto no art. 5º, inciso LVII, da
Constituição Federal.

30) Para o STJ, o juiz não pode determinar a medida cautelar de arresto para garantir o
cumprimento de pena restritiva de direitos substitutiva da privativa de liberdade.

31) Tanto para o STF, quanto para o STJ, se o juiz aplicou a pena-base no mínimo legal, por serem
todas as condições judiciais favoráveis, não existe justificativa para impor ao condenado um
regime inicial para o cumprimento da pena mais rigoroso que o previsto em lei.

32) Súmula 440/STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime
prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na
gravidade abstrata do delito.

33) É possível a fixação de regime inicial de pena mais severo que o previsto em lei se houver
motivação idônea, o que não ocorre quando todas as circunstâncias judiciais são favoráveis e
pena-base fica no mínimo legal, conforme súmula do STF: “Súmula 719/STF: A imposição do
regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea”.

34) Súmula 718/STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui
motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena
aplicada.

35) Para o STF, o condenado por tráfico de drogas não reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos
e não exceda a 8 anos tem o direito de cumprir a pena corporal em regime semiaberto (art. 33,
§ 2°, b, do CP), caso as circunstâncias judiciais do art. 59 do CP sejam favoráveis ao réu.

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36) Para o STF, a legitimidade é do Ministério Público (MP) para propor a cobrança de multa
decorrente de sentença penal condenatória transitada em julgado, com a possibilidade
subsidiária de cobrança pela Fazenda Pública no caso de inércia do MP por mais de 90 dias.

37) Súmula 521 do STJ (SUPERADA): “A legitimidade para a execução fiscal de multa pendente de
pagamento imposta em sentença condenatória é exclusiva da Procuradoria da Fazenda
Pública”. Esse entendimento está superado em razão da decisão do plenário do STF em
sentido contrário.

EXTINÇÃO DA PUNIBILDADE

38) Para o STJ, a contagem do prazo da prescrição executória se inicia quando “transita em julgado
a sentença condenatória para a acusação” (art. 112, I, do CP).

39) Para o STF, o início da contagem do prazo da prescrição executória começa quando ocorre o
transito em julgado para ambas as partes (interpretação sistemática).

DIREITO PENAL - PARTE ESPECIAL

CRIMES CONTRA A VIDA

40) De acordo com o STJ, não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de
motivo torpe e de feminicídio no crime de homicídio praticado contra mulher em situação de
violência doméstica e familiar.

41) Para o STJ, a qualificadora do feminicídio no crime de homicídio possui natureza objetiva, pois
incide nos crimes praticados contra a mulher por razão do seu gênero feminino e/ou sempre
que o crime estiver atrelado à violência doméstica e familiar propriamente dita, assim o
animus do agente não é objeto de análise.

42) Entende o STJ que na primeira fase do Tribunal do Júri, ao juiz togado cabe apreciar a
existência de dolo eventual ou culpa consciente do condutor do veículo que, após a ingestão
de bebida alcoólica, ocasiona acidente de trânsito com resultado morte.

43) Consoante jurisprudência do STJ dependerá de outros fatores para se chegar à conclusão de
que o condutor que dirige veículo embriagado e causa acidente com resultado morte de
terceiro responde por homicídio com dolo eventual.

44) O STF decidiu que se verifica a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor
sob a influência de álcool, além de fazê-lo na contramão.

45) Nas condenações proferidas pelo tribunal do júri, NÃO é necessário aguardar o trânsito em
julgado da sentença para iniciar a execução da pena, consoante jurisprudência do STF.

46) Para o STF, não viola o princípio da presunção de inocência ou da não culpabilidade a execução
da condenação pelo Tribunal do Júri, independentemente do julgamento da apelação ou de
qualquer outro recurso.

LESÕES CORPORAIS

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47) Para o STJ, o parágrafo 9º do art. 129, do CP, que qualifica o crime de lesão corporal pela
violência doméstica, aplica-se tanto a homens quanto a mulheres (RHC 27.622-RJ), ainda que a
lesão não tenha ocorrido no ambiente familiar.

CRIMES CONTRA A HONRA

48) Para o STF, comete crime de injúria contra a esposa do marido também ofendido aquele que
insinua, em rede social, que ela está sendo traída pelo marido com outro homem, passando ela
a ter legitimidade para ingressar com a queixa-crime.

CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

49) O STJ consolidou o entendimento de que o pagamento de débito oriundo de furto de energia
elétrica antes do oferecimento da denúncia NÃO configura causa de extinção de punibilidade.

50) Para o STJ, a subtração de energia elétrica por alteração (adulteração) do medidor, sem o
conhecimento da concessionária, melhor amolda-se ao delito de furto mediante fraude (CP,
art. 155, § 4º, II) e não ao de estelionato (CP, art. 171).

51) O STJ decidiu que a Lei n. 13.654/2018 trouxe uma hipótese de abolitio criminis, pois deixou de
considerar o emprego de arma branca (antes previsto no inciso I do § 2º do art. 157 do CP)
como causa de aumento de pena.

52) Para o STF, aquele que se associa a comparsas para a prática de roubo, sobrevindo a morte da
vítima, responde pelo crime de latrocínio, ainda que não tenha sido o autor do disparo fatal ou
a participação se revele de menor importância.

53) Consumada ou não a subtração, mas havendo pluralidade de mortes no crime de latrocínio o
agente responderá por crime único? STF: SIM; STJ: NÃO (será concurso formal impróprio). Para
o STF e doutrina majoritária, a pluralidade de vítimas em crime de latrocínio não enseja a
conclusão de ocorrência de concurso formal impróprio. Já para o STJ o entendimento é diverso,
ou seja, há concurso formal impróprio no latrocínio quando ocorre uma única subtração e mais
de um resultado morte, uma vez que se trata de delito complexo, cujos bens jurídicos
tutelados são o patrimônio e a vida.

54) De acordo com o STJ, configura o delito de extorsão (art. 158 do CP) a conduta de agente que
submete vítima à grave ameaça espiritual que se revelou idônea a atemorizá-la e compeli-la a
realizar o pagamento de vantagem econômica indevida.

CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL

55) Conforme a jurisprudência do STJ, para ocorrer o crime do art. 229 do CP (Casa de Prostituição)
é IMPRESCINDÍVEL (precisa) existir a "exploração sexual" (elemento normativo do tipo), de
modo que a conduta consistente em manter casa para fins libidinosos, por si só, não
caracteriza crime, sendo necessário, para a configuração do delito, que haja exploração sexual,
assim entendida como a violação à liberdade das pessoas que ali exercem a mercancia carnal.
56) Só há o crime do art. 229 do CP (Casa de Prostituição) se o agente mantiver a vítima em
condição de explorada, obrigada, coagida, não raro em más condições, ou mesmo em condição

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análoga à de escravidão, impondo-lhe a prática de sexo sem liberdade de escolha, ou seja, com
tolhimento de sua liberdade sexual e em violação de sua dignidade sexual.

57) Súmula 593-STJ: “O crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou
prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual consentimento da
vítima para a prática do ato, sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento
amoroso com o agente”.

58) Antes da Lei nº 12.015/2009 a ação penal do crime de estupro, em regra, era de inciativa
privada. Uma das exceções era quando praticada mediante violência real, conforme súmula
608 do STF: “No crime de estupro, praticado mediante violência real, a ação penal é pública
incondicionada”. A lei (12.015/2009) transformou a ação (que era de iniciativa privada) em
pública condicionada à representação. Assim, a pergunta que se faz é a seguinte: o
entendimento da súmula 608 do STF ficou superado após a Lei nº 12.015/2009? A resposta é
NÃO. Para o STF e STJ, o entendimento sintetizado na referida súmula continua aplicável, ou
seja, praticado o estupro, mediante violência real, antes ou depois da Lei nº 12.015/2009 a
ação penal será pública incondicionada.

59) É dispensável a ocorrência de lesões corporais para a caracterização da violência real nos
crimes de estupro, conforme jurisprudência do STF e do STJ.

60) Atualmente, não tem mais sentido a discussão se no estupro com violência real a ação penal é
publica condicionada ou incondicionada, pois a Lei nº 13.718/2018 tornou a referida ação no
crime de estupro em pública incondicionada, haja ou não violência real.

61) Conforme entendimento do STF, bisavô É SIM considerado ascendente para fins de aplicação
da causa de aumento de pena do art. 226, II, do CP, uma vez que essa majorante NÃO está
limita até o segundo grau.

CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA

62) Para o STJ, é prescindível (não precisa) que o maquinário utilizado para a fabricação de moeda
falsa seja destinado exclusivamente para esse fim, para ocorrer o crime do art. 291 do CP
(petrecho para falsificação de moeda).

63) Não é típica (é fato atípico) a conduta de inserir em currículo Lattes dado que não condiz com a
realidade, conforme a jurisprudência do STJ.

64) Para o STJ, quando um documento é passível de averiguação não há crime de falsidade
ideológica mesmo que o agente tenha nele inserido informações falsas – ex.: declaração de
pobreza apresentada em juízo.

65) Para o STF, o fato de determinado prefeito ter assinado documento com conteúdo
parcialmente falso e o apresentado ao Ministério da Previdência Social não é suficiente para
fazer com que responda pelo crime de falsidade ideológica (CP, art. 299).

CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

66) Conforme jurisprudência do STF e do STJ, para haver o crime de corrupção ativa é
imprescindível (precisa) que a vantagem oferecida seja para o funcionário praticar ato de

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ofício. Já para configurar o crime de corrupção passiva, essa vantagem aceita ou recebida não
precisa ser para a prática de ato de ofício.

67) Para o STF e STJ, o crime de corrupção passiva consuma-se ainda que a solicitação ou
recebimento de vantagem indevida, ou a aceitação da promessa de tal vantagem, esteja
relacionada com atos que formalmente não se inserem nas atribuições do funcionário público,
mas que, em razão da função pública, materialmente implicam alguma forma de facilitação da
prática da conduta almejada.

68) É pacífico no STJ que a obtenção de lucro fácil e a cobiça constituem elementares dos tipos de
concussão e corrupção passiva (arts. 316 e 317 do CP), sendo indevido utilizá-las, para
exasperação da pena-base, no momento em que analisados os motivos do crime –
circunstância judicial prevista no art. 59 do CP.

69) Para a Excelsa Corte, o parlamentar que em troca de apoio político à indicação e manutenção
do diretor Chico na Petrobras, estatal brasileira, recebe valores ilícitos como contraprestação,
comete o crime de corrupção passiva, pois não se trata simplesmente de criminalizar a
atividade político-partidária, mas de responsabilizar os atos que transbordam os limites do
exercício legítimo da representação popular.

70) Para o STF, o parlamentar que solicita (e/ou recebe) vantagem indevida (ainda que
indiretamente) para exercer influencia com seu mandato em favor de pleito de interesse de
construtora (manter determinado servidor na diretoria de abastecimento da Petrobrás),
comete, em tese, o crime de corrupção passava tipificado no art. 317, do CP.

71) Para o STJ, o pagamento da diferença do imposto devido, antes do recebimento da denúncia,
não extingue a punibilidade pelo crime de corrupção ativa (art. 333 do CP), atrelado ao de
sonegação fiscal.

72) Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela continua a ser crime,
conforme previsto no art. 331 do Código Penal, de acordo com o STF e STJ.

73) Consoante jurisprudência do STJ, o Tabelião que se apropria de valores do Fundo de


Desenvolvimento do Judiciário comete crime de peculato (art. 312 do CP), mas a ação penal
deve ser suspensa se houver parcelamento do débito.

74) De acordo com o STJ, o particular nomeado depositário judicial pelo juízo não é considerado
funcionário público para fins penais (art. 327 do CP), assim, por não exercer uma função
pública, não pode responder por peculato se vender os bens depositados.

75) Para o STF, aquele que exerce a função de diretor em organização social é considerado
funcionário público por equiparação para fins penais (art. 327 do CP).

CRIME DE DESABAMENTO

76) O representante legal de sociedade empresária contratante de empreitada NÃO responde pelo
delito de desabamento culposo (art. 256, parágrafo único, do CP) ocorrido na obra contratada,
quando não demonstrado o nexo causal, tampouco pode ser responsabilizado, na qualidade de
garante, se não havia o dever legal de agir, a assunção voluntária de custódia ou mesmo a
ingerência indevida sobre a consecução da obra.

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DIREITO PENAL - LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE

CRIMES DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO

77) Consoante jurisprudência do STJ, a conduta de portar uma granada de gás lacrimogêneo e/ou
de gás de pimenta NÃO É CRIME, ou seja, não se subsumi ao delito previsto no art. 16,
parágrafo único, III, da Lei n. 10.826/03 (Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito).

78) Para o STJ, não será considerado explosivo o artefato que, embora ativado por explosivo, não
projete e nem disperse fragmentos perigosos como metal, vidro ou plástico quebradiço, não
possuindo, portanto, considerável potencial de destruição, com é o caso da granada de gás
lacrimogênio e gás pimenta.

79) Para o STJ é típica e antijurídica a conduta de policial civil que, mesmo autorizado a portar ou
possuir arma de fogo, não observa as imposições legais previstas no Estatuto do
Desarmamento, que impõem registro das armas no órgão competente.

80) Conforme o STJ, o Conselheiro do Tribunal de Contas Estadual que mantém sob sua guarda
arma ou munição de uso restrito NÃO comete o crime do art. 16 da Lei nº 10.826/2003
(Estatuto do Desarmamento).

81) Para o STJ, manter sob guarda, no interior de sua residência, arma de fogo de uso permitido
com registro vencido NÃO configura o crime do art. 12 da Lei 10.826/2003 (Estatuto do
Desarmamento).

LEI DE DROGAS

82) Conforme jurisprudência do STF e STJ aplica-se a majorante do art. 40, III, da Lei de Drogas
quando constatada a comercialização de drogas nas imediações de estabelecimentos
prisionais, sendo irrelevante se o agente infrator visa ou não os frequentadores daquele local.

83) De acordo com o STJ, não incide a causa de aumento de pena prevista no art. 40, inciso III, da
Lei nº 11.343/2006, se a prática de narcotraficância ocorrer em dia e horário em que não
facilite a prática criminosa e a disseminação de drogas em área de maior aglomeração de
pessoas (ex.: escolas fechadas).

84) Para o STJ, a causa de aumento de pena prevista no art. 40, inciso III, da Lei n. 11.343/2006
tem natureza objetiva, sendo desnecessária a efetiva comprovação de mercancia na respectiva
entidade de ensino, ou mesmo de que o comércio visa a atingir os estudantes, sendo suficiente
que a prática ilícita tenha ocorrido em locais próximos.

85) De acordo com o STF e STJ, é possível incidir a majorante do art. 40, I (tráfico internacional de
drogas) ainda que não ocorra transposição da fronteira do país, bastando que se comprove que
a droga se destinava ao exterior, inclusive havendo súmula do STJ nesse sentido: “Súmula 607-
STJ: A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006)
configura-se com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a
transposição de fronteiras”.

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86) Conforme jurisprudência do STF e STJ é possível incidir a majorante do art. 40, V (tráfico
interestadual de drogas) ainda que não ocorra a transposição entre as fronteiras do estado da
federação, sendo suficiente a comprovação de que a droga se destinava a outro estado,
inclusive havendo súmula do STJ nesse sentido: “Súmula 587-STJ: Para a incidência da
majorante prevista no artigo 40, V, da Lei 11.343/06, é desnecessária a efetiva transposição de
fronteiras entre estados da federação, sendo suficiente a demonstração inequívoca da intenção
de realizar o tráfico interestadual”.

87) Para o STJ, é perfeitamente possível a aplicação simultânea das causas especiais de aumento
de pena relativas à transnacionalidade e à interestadualidade do delito no tráfico de drogas
(art. 40, I e V, da Lei n. 11.343/2006), desde que comprovada a intenção do importador da
droga de difundi-la em mais de um estado do território nacional.

88) Para o STJ, na hipótese de o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos não estar
previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu poderá ser condenado pelo crime de
corrupção de menores. Porém, se a conduta estiver tipificada em um desses artigos (33 a 37),
não será possível a condenação por aquele delito, mas apenas a majoração da sua pena com
base no art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006.

89) A grande quantidade de droga apreendida é, isoladamente, fundamento idôneo para concluir
que o réu se dedicava a atividades criminosas e afastar a aplicação do § 4º, do art. 33, da Lei nº
11.343/2006 (tráfico privilegiado)? 2ª Turma do STF: NÃO 1ª Turma do STF e STJ: SIM.

90) Conforme STF e STJ, é possível o reconhecimento do tráfico privilegiado (§ 4º do art. 33 da Lei
de Drogas) ao agente transportador de drogas, na qualidade de "mula", uma vez que a simples
atuação nessa condição NÃO induz, automaticamente, à conclusão de que ele seja integrante
de organização criminosa.

91) Para o STF e STJ, é possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para
formação da convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o
benefício legal previsto no art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006 (tráfico privilegiado).

92) Conforme a jurisprudência do STF e STJ para se reconhecer o tráfico privilegiado (art. 33, § 4º,
da Lei n.º 11.343/2006) é preciso que o réu preencha aos seguintes requisitos cumulativos: (i)
agente primário; (ii) bons antecedentes; (iii) não se dedique às atividades criminosas e; (iv) não
integre organização criminosa.

93) Consoante jurisprudência do STF e do STJ, o tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada
(art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não é crime equiparado a hediondo. O STJ acompanhou a
jurisprudência pacífica do STJ e, inclusive, cancelou a súmula 512 da corte, a qual previa que:
Súmula 512/STJ (CANCELADA): “A aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art.
33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas”.

94) Importar semente de maconha é crime? STF e 6ª Turma do STJ: NÃO; 5ª Turma do STJ: SIM.

95) Para o STJ, a condenação anterior pelo crime de posse de drogas para consumo pessoal (art. 28
da Lei de Drogas) NÃO gera reincidência.

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96) De acordo com o STJ, considerar a condenação anterior com fundamento no artigo art. 28 da
Lei de Drogas (posse de drogas para consumo pessoal) para fins de caracterizar a reincidência
viola o princípio constitucional da proporcionalidade.

97) Conforme jurisprudência do STF e do STJ, a conduta de portar substância entorpecente para
consumo próprio, prevista no art. 28 da Lei de Drogas (posse de drogas para consumo pessoal),
foi apenas despenalizada, mas não descriminalizada, ou seja, não houve abolitio criminis.

98) A desclassificação do art. 33 (tráfico de drogas) para o art. 28 (posse de droga para consumo
pessoal) da Lei de Drogas, seguida pela extinção da punibilidade em razão do tempo de prisão
provisória cumprido NÃO gera reincidência, nos termos da jurisprudência do STJ.

99) O STF decidiu, com repercussão geral, que é possível o confisco de todo e qualquer bem de
valor econômico apreendido em decorrência do tráfico de drogas, sem a necessidade de se
perquirir (verificar) a habitualidade, reiteração do uso do bem para tal finalidade, a sua
modificação para dificultar a descoberta do local do acondicionamento da droga ou qualquer
outro requisito além daqueles previstos expressamente no art. 243, parágrafo único, da
Constituição Federal: “Art. 243. (...) Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico
apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da exploração de
trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica, na
forma da lei”.

100) Nos processos que apurem crimes regidos por leis especiais (como os da Lei de Drogas,
militares e eleitorais), o interrogatório deve ser o último ato da instrução, sendo, contudo,
válido aquele realizado até o dia 11/03/2016, ainda que realizado como primeiro ato
instrutório, conforme STF e STJ.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – LEI MARIA DA PENHA

101) De acordo com o STJ, a decisão que defere medida protetiva de urgência de alimentos
provisórios em favor da mulher (art. 22 da Lei nº 11.340/2003), vítima de violência doméstica,
é título executivo hábil para imediata cobrança e, em caso de inadimplemento, passível de
decretação de prisão civil (art. 528, § 3º, do CPC/15), não perdendo a eficácia se a execução
não for ajuizada no prazo de 30 dias, em razão de sua NATUREZA SATISFATIVA (e não
cautelar).

102) Para o STJ, o descumprimento de medida protetiva da Lei Maria da Penha NÃO autoriza a
prisão preventiva do autor de vias de fato ou de outra contravenção penal.

103) O crime com violência contra a mulher, nas relações domésticas, gera dano moral ir re ipsa
(presumido), ainda que não especificada a quantia do pedido e independentemente de
instrução probatória.

104) No caso de dano material, mesmo nos casos de violência doméstica contra a mulher, além do
pedido, é necessário haver instrução probatória para que o juiz fixe a indenização, pois a
fixação da reparação civil mínima (art. 387, IV, do CPP) não dispensa a participação do réu,
sob pena de frontal violação ao seu direito de contraditório e ampla defesa.

105) A coabitação entre autor e vítima é prescindível (não precisa) para a configuração da violência
doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha),

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inclusive havendo, nesse sentido, a súmula 600 do STJ: “Para a configuração da violência
doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) não se
exige a coabitação entre autor e vítima”.

106) Não é possível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos nos
crimes ou contravenções, COM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA contra a mulher no âmbito
das relações domésticas, conforme súmula 588 do STJ: “A prática de crime ou contravenção
penal contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos”.

107) Para o STJ, desde que os crimes ou contravenções NÃO tenham sido praticados com violência
ou grave ameaça à pessoa e preencha os demais requisitos do art. 44 do CP, ainda que contra
a mulher no âmbito das relações domésticas, é possível substituir a pena privativa de
liberdade (PPL) por restritiva de direitos (PRD).

108) Para o STJ e 1ª Turma do STF não é possível a substituição de pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos nos crimes ou contravenções com violência ou grave ameaça contra a
mulher no âmbito das relações domésticas. Para a 2ª Turma do STF essa substituição é
possível em relação às contravenções penais.

109) De acordo com o STF e STJ, somente é pública incondicionada a ação penal no crime de lesão
corporal leve ou culposa contra a mulher se o delito for praticado no âmbito das relações
domésticas. Nas demais situações segue a regra geral aplicando-se o art. 88, da Lei n.
9.099/95, ou seja, a ação é pública condicionada à representação. É o que se extrai da súmula
542 do STJ: “A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência
doméstica contra a mulher é pública incondicionada”.

LEI DE TORTURA

110) Para o STJ, a tortura-castigo (art. 1º, II, da lei n. 9.455/1997) é delito próprio, somente
podendo ser sujeito ativo aquele que detiver outra pessoa sob sua guarda, poder ou
autoridade.

ECA – ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

111) Consoante jurisprudência do STJ, se um agente imputável praticar um roubo com dois
adolescentes, além da pena pelo roubo, deverá ser condenado por 02 crimes de corrupção de
menores, em concurso formal (art. 71 do CP), pois mediante uma só ação fora praticado
vários crimes.

CRIMES AMBIENTAIS

112) Conforme jurisprudência do STJ, a assinatura do termo de ajustamento de conduta com


órgão ambiental NÃO impede a instauração de ação penal.

113) Conforme jurisprudência do STJ, o delito previsto na primeira parte do artigo 54 da Lei n.
9.605/1998 possui natureza formal, sendo suficiente a potencialidade de danos à saúde
humana para configuração da conduta delitiva, assim, prescinde (não precisa) da realização
de perícia para a comprovação do dano efetivo à saúde humana.

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114) Para o STJ, o crime previsto no art. 56, caput da Lei n. 9.605/1998 é de perigo abstrato, sendo
dispensável a produção de prova pericial para atestar a nocividade ou a periculosidade dos
produtos transportados, bastando que estes estejam elencados na Resolução pertinente da
ANTT.

115) Para o STJ, o crime de edificação proibida (art. 64 da Lei n. 9.605/1998) ABSORVE o crime de
destruição de vegetação (art. 48 da mesma lei) quando a conduta do agente se realiza com o
único intento de construir em local não edificável.

CRIMES DE CTB – CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO

116) Para p STJ, é ATÍPICA a conduta contida no art. 307 do CTB (violação da suspensão do direito
de dirigir) quando a suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para
dirigir veículo automotor advém de decisão administrativa (a violação deve ser de decisão
judicial).

117) Para o STJ, o fato de ocorrer dois homicídios culposos no trânsito em concurso formal não
autoriza a extensão dos efeitos do perdão judicial concedido para um dos crimes, se não
restou comprovada, quanto ao outro, a existência do liame subjetivo entre o infrator e a
outra vítima fatal.

118) Para o STF, é constitucional e não viola o princípio da não incriminação o art. 305 do CTB, o
qual dispõe: “Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à
responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída: Penas - detenção, de seis meses a
um ano, ou multa”.

CRIMES DA LEI DE LICITAÇÕES (LEI Nº 8.666/93)

119) Conforme jurisprudência do STF, para existir o crime do art. 89, da Lei nº 8.666/93, além do
dolo genérico (vontade livre e consciente de pratica o crime, ou seja, dispensar ou inexigir a
licitação sem observar as formalidades legais), necessário também se faz a presença do dolo
específico (especial fim de agir), isto é, a vontade de causar dano à administração pública ou
de se enriquecer ilicitamente.

120) Para o STF, será atípica a conduta descrita no art. 89, da Lei 8.666/93, se não demonstrado
que houve violação de princípios cardeais da administração pública, pois o tipo penal em
questão não criminaliza o mero descumprimento de formalidades.

121) O STF entende que não há o crime do art. 89, da Lei de Licitações, quando não há conluio
entre os agentes com o fim de se enriquecer ilicitamente, não há superfaturamento e,
principalmente, quando demonstrado que o gestor agiu amparado por parecer jurídico no
sentido de inexigir a licitação (OBS: o parecer, por si só, não é suficiente para afastar o dolo,
devendo ser analisado em conjunto com as demais circunstâncias que envolvem o fato).

122) O crime do art. 89, da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações) ocorre quando o agente: (i) dispensar
a licitação fora das hipóteses previstas em lei (art. 24); (ii) inexigir licitação fora das hipóteses
previstas em lei (art. 25); ou (iii) deixar de observar as formalidades pertinentes à dispensa ou
à inexigibilidade previstas no art. 26 da mesma lei. Além disso, conforme STF, para existir o
referido delito, além do dolo genérico (vontade livre e consciente de pratica o crime),

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necessário também se faz a presença do dolo específico (especial fim de agir), ou seja,
vontade de causar dano à Administração Pública ou de se enriquecer ilicitamente.

123) O fato de a dispensa de licitação ter sido precedida de parecer jurídico NÃO é bastante
(suficiente) para afastar o dolo do gestor que pratica o ato com base no documento,
conforme jurisprudência do STF.

124) No do crime do art. 89, da Lei de Licitações, o parecer jurídico, de início, faz presumir a boa-
fé, a probidade e ausência de dolo do gestor público, entretanto se provado ter havido, por
exemplo, conluio entre o gestor e o parecerista para fraudar o contrato coma dispensa da
licitação, devem todos responder pelo tipo penal em exame.

125) Para o STF não é inconstitucional o preceito secundário tipo penal do art. 89, da Lei de
Licitações (Lei n° 8.666/93), não havendo violação do princípio da proporcionalidade. OBS: O
preceito primário é a parte do tipo penal que o descreve com objetividade, clareza e precisão
(ex.: no homicídio é “matar alguém”). Já o preceito secundário é a que faz a cominação
abstrata e individualizada da sanção penal (ex.: pena – reclusão, de 6 a 20 anos).

126) O tipo penal do art. 89 da Lei de Licitações prevê crime formal, que dispensa o resultado
danoso para o erário? STJ e 2ª Turma do STF: NÃO; 1ª Turma do STF: SIM. RESUMINDO:
conforme jurisprudência do STJ e 2ª Turma do STF para a configuração do crime do art. 89 da
Lei nº 8.666/93 é necessário demonstrar o dolo específico de causar dano ao erário e a
configuração do efetivo prejuízo ao patrimônio público; já para a 1ª Turma do STF basta a
demonstração desse dolo, não sendo preciso haver a prova do efetivo prejuízo.

LEI DE RACISMO (LEI Nº 7.716/89)

127) Para o STF, NÃO comete crime de racismo (art. 20 da Lei nº 7.716/89) o parlamentar que fala
em uma palestra, fora do Congresso Nacional, mas em razão do cargo, que afrodescendente
de determinado quilombola “pesava sete arrobas”, “não fazia nada” (...) “e nem para
procriador eles servem mais”, pois suas palavras estão acobertadas pela liberdade de
expressão prevista no art. 5º, IV, da Constituição Federal (CF), bem como também estão
cobertas pela imunidade parlamentar, a que se refere o art. 53, da CF.

128) Para o STF e STJ, a incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus
seguidores NÃO está protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de
expressão, podendo, a depender do caso concreto, configurar o crime de racismo (art. 20, §
2º, da Lei nº 7.716/81).

CRIMES ELEITORAIS

129) Para o STF, o candidato que omite parte dos gastos de campanha na prestação de contas à
justiça eleitoral COMETE o crime do art. 350 do Código Eleitoral (falsidade ideológica para fins
eleitorais) que é delito FORMAL e NÃO depende da apreensão do material não declarado.

CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA

130) Para o STJ, é ATÍPICA a conduta de agente público que procede à prévia correção quanto aos
aspectos gramatical, estilístico e técnico das impugnações administrativas, NÃO configurando

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o crime de advocacia administrativa perante a Administração Fazendária (art. 3º, III, da Lei
8.137/90).

131) Conforme jurisprudência do STF e STJ, a Súmula Vinculante nº 24, a qual dispõe que “Não se
tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº
8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”, APLICA-SE aos fatos anteriores a sua
edição.

132) De acordo com o STF e STJ, a Súmula Vinculante nº 24 aplica-se aos fatos anteriores a sua
edição porque não trouxe novos contornos para a questão, uma vez que nada mais fez do
que consolidar o entendimento jurisprudencial que já era aplicado tanto no âmbito do STF
como do STJ, razão pela qual não se pode falar em indevida aplicação retroativa do referido
texto sumular.

133) Consoante jurisprudência do STJ, a conduta de não recolher ICMS em operações próprias ou
em substituição tributária enquadra-se formalmente no tipo previsto no art. 2º, II, da Lei n.
8.137/1990 (apropriação indébita tributária), desde que comprovado o dolo.

134) De acordo com o STJ, para o início da ação penal referente aos crimes listados no art. 1º,
inciso I a IV, da Lei n. 8.137/1990, basta a prova da constituição definitiva do crédito
tributário (Súmula Vinculante 24), sendo desnecessária a juntada integral do Procedimento
Administrativo Fiscal correspondente.

135) Para o STF e STJ, o pagamento do débito tributário, a qualquer tempo, até mesmo após o
advento do trânsito em julgado da sentença penal condenatória, é causa de extinção da
punibilidade do acusado.

136) O contribuinte que deixa de atender às exigências da autoridade tributária quanto à exibição
de livros e documentos fiscais COMETE O CRIME do art. 1º, inciso V, parágrafo único, da Lei n.
8.137/90, cuja punibilidade NÃO é extinta se houver o pagamento da multa aplicada pelo
fisco, conforme jurisprudência do STJ.

137) De acordo com o STJ, o crime do art. 1º, inciso V, parágrafo único, da Lei n. 8.137/90 é
FORMAL não lhe sendo aplicável a súmula vinculante 24, ou seja, não é necessário haver a
prévia constituição definitiva do crédito tributário para a configuração do delito.

138) Para o STF, por estar suspensa a pretensão punitiva durante o período em que estiverem
sendo cumpridas as condições do parcelamento do débito tributário, também fica suspenso o
prazo prescricional.

139) Para o STF e STJ, o não recolhimento de vultoso montante de tributos, ainda que inferior a
dez milhões, configura grave dano à coletividade, o que justifica a aplicação da causa de
aumento da pena estabelecida no art. 12, inciso I, da Lei n.º 8.137/90.

140) O crime de descaminho (art. 334 do CP) se consuma independentemente da constituição


definitiva do crédito tributário, por ser delito FORMAL, sendo PRESCINDÍVEIS (não precisa) a
instauração de procedimento administrativo fiscal e a constituição definitiva do crédito
tributário, consoante entendimento do STF e do STJ.

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141) STF e STJ entendem que o crime de descaminho tem natureza FORMAL, ou seja, a
consumação não depende de prévio processo administrativo fiscal, nem de constituição
definitiva do crédito tributário. Desse modo não se aplica a súmula vinculante nº 24, a qual
dispõe que: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º,
incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”.

LAVAGEM DE DINHEIRO (LEI Nº 9.613/98)

142) Para o STF, o recebimento de dinheiro (em espécie), oriundos de propina, com o fim de
ocultar a origem ilícita da vantagem indevida, NÃO configura o crime de lavagem de dinheiro
(art. 1º, da Lei nº 9.613/98).

143) Conforme STF, a realização de depósitos fracionados do dinheiro oriundo de corrupção em


conta corrente, em valores que não atingem os limites estabelecidos pela autoridade
monetária à comunicação compulsória dessas operações, é meio idôneo para a consumação
do crime de lavagem de dinheiro (art. 1º, da Lei nº 9.613/98).

144) Para o STF, o crime de lavagem de bens, direitos ou valores (art. 1º, da Lei nº 9.613/98),
quando praticado na modalidade típica de “OCULTAR”, é PERMANENTE, protraindo-se
(estendendo) sua execução até que os objetos materiais do branqueamento se tornem
conhecidos, razão pela qual o início da contagem do prazo prescricional tem por termo inicial
o dia da cessação da permanência, nos termos do art. 111, III, do Código Penal.

145) Conforme jurisprudência do STF, a prática do crime de lavagem de dinheiro (art. 1º, da Lei nº
9.613/98) mediante múltiplas transações financeiras e de múltipla transnacionalidade, são
circunstâncias negativas do crime que justificam a elevação da pena-base.

146) Para o STF, o fato de ter sido o crime de Lavagem de Dinheiro (art. 1º, da Lei nº 9.613/98)
cometido por deputado federal com vários mandatos no parlamento e com longa vida pública
(julgamento do ex-deputado Maluf), é circunstância judicial que autoriza a elevação da pena-
base, em razão da maior reprovabilidade da conduta.

147) Conforme jurisprudência do STF, a elevada quantia de valores ocultados no crime de lavagem
de dinheiro (art. 1º, da Lei nº 9.613/98) PODE ser considerada como consequências negativas
do crime, com o fim de elevação da pena-base, pois NÃO foram valoradas pelo tipo penal,
NÃO configurando bis in idem.

CRIMES DA LEI DE TELECOMUNICAÇÕES - LEI Nº 9.472/97

148) Para o STF e STJ aquele que transmite, sem autorização da ANATEL, sinal de internet via
rádio, praticada, em tese, o crime tipificado no art. 183, da Lei nº 9.472/97 (Lei de
Telecomunicações): “Art. 183. Desenvolver clandestinamente atividades de telecomunicação:
Pena - detenção de dois a quatro anos, aumentada da metade se houver dano a terceiro, e
multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais)”.

149) O STJ não admite a aplicação do princípio da insignificância ao crime art. 183, da Lei nº
9.472/97, ainda que se trate de provedor de baixa potência, conforme entendimento
sumulado: “Súmula 606-STJ: Não se aplica o princípio da insignificância a casos de
transmissão clandestina de sinal de internet via radiofrequência, que caracteriza o fato típico
previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997”.

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150) Conforme jurisprudência do STF (HC 152118 AgR) “O desenvolvimento clandestino de


atividade de transmissão de sinal de internet, via rádio, comunicação multimídia, sem a
autorização do órgão regulador, caracteriza, por si só, o tipo descrito no artigo 183 da Lei nº
9.472/97, pois se trata de crime FORMAL, inexigindo, destarte, a necessidade de
comprovação de efetivo prejuízo”.

151) ATENÇÃO: (i) O STF tem um julgado isolado da 1ª Turma (HC 127978), o qual foi divulgado no
INFO/STF 883, de que transmitir, sem autorização da ANATEL, sinal de internet via rádio, seria
fato atípico e não poderia ser tipificado como crime do art. 183, entretanto esse
entendimento foi modificado posteriormente pelo HC 152118 AgR (não noticiado em
informativo), conforme já explicado; (ii) O STF já aplicou o princípio da insignificância ao crime
do art. 183 (atividade clandestina de telecomunicações) considerando a excepcionalidade do
caso concreto por que se tratava de rádio comunitária que operava em baixa frequência e em
localidade afastada dos grandes centros, como noticiado no INFO/STF 853. Considerou ainda
a importância das rádios comunitárias como prestadoras de serviço público, a aparente boa-
fé do acusado e inexistência de lesividade. Em provas de concursos recomendo somente
utilizar esse último entendimento se for citado detalhes do julgado.

CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIOANL - LEI Nº 73492/86

De acordo com o STJ “a simulação de consórcio por meio de venda premiada, operada sem
autorização do Banco Central do Brasil, configura crime contra o sistema financeiro, tipificado
pelo art. 16 da Lei n. 7.492/1986, e não o crime de estelionato (art. 171 do CP), o que atrai a
competência da Justiça Federal”.

152) Conforme o STJ, a utilização de terceiro (“laranja”) para a aquisição de moeda estrangeira
para outrem se subsumi à conduta tipificada no art. 21 da Lei n. 7.492/1986, ainda a pessoa
utilizada como “laranja” tenha anuído com as operações.

LEI DE SEGURANÇA NACIONAL - LEI Nº 7.170/83

153) Para haver crime político NÃO basta a adequação formal ao tipo, sendo necessário também o
preenchimento do requisito subjetivo, ou seja, ser demonstrada a motivação política,
conforme jurisprudência do STF.

154) O julgamento de crime político é de competência da justiça federal (CF, art. 109, IV), com
recurso ordinário para o STF (CF, art. 102, II, b).

155) De acordo com o STF, para haver crime político, deve-se fazer a conjugação dos artigos 1º e
2º da Lei nº 7.170/83 (Lei de Segurança Nacional), dos quais se extraem dois requisitos, um
de ordem subjetiva e outro de natureza objetiva: i) motivação e objetivos políticos do agente,
e ii) lesão real ou potencial à integridade territorial, à soberania nacional, ao regime
representativo e democrático, à Federação ou ao Estado de Direito.

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