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Cálculo III, exercícios

1
ect/ufrn

(rascunho do professor H.L.Carrion S.


ufrn/ect)

Capítulo VI
Campos vetoriais
6.1 Definição de campo vetorial e campo
escalar.
6.2 Divergência e rotacional de campo
vetorial.
6.3 Campos conservativos
6.31 Definição de campo conservativo.
6.32 Condição necessária e suficiente para
um campo conservativo.
6.33 Função potencial para campos
conservativos.
6.4 Linhas de campo vetorial.
6.5 Integral de linha de campos escalares e
campos vetoriais
6.6 Aplicações: massa de arames, área lateral
de paredes verticais sobre curvas arbitrarias,
trabalho mecânico, circulação na eletrostática.
6.7 Integral de linha e campos conservativos.
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6.8 fluxo de campos vetoriais.


6.9 Teoremas importantes
6.91-Teorema da divergência
6.92- Teorema de Green
6.93- Teorema de Stokes.

Apendice 1
Eletrostática : campos elétrico e superfícies
equipotenciais.
Linhas de campo magnético de um condutor
infinito.
Leis de Maxwell- forma integral
Leis de Maxwell- forma diferencial

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6.1 Campo escalar e campo vetorial


6.11 Campo escalar

Fonte : NASA, 16/11/2011

A equipe científica que supervisiona o sistema de imagens a bordo do


Orbitador Lunar de Reconhecimento (LRO = Lunar Reconnaissance
Orbiter) liberou o mapa topográfico quase global da Lua com a mais alta
resolução jamais criado.

A foto acima mostra o resultado com cores para indicar a


profundidade e a elevação. Roxo mais profundo, então azul, laranja,
vermelho mais alto. Ainda não é possível fotografar os 3TTP3 da
Lua, que ficam a maior parte do tempo em escuridão total, mas
outro satélite, Lunar Orbit Laser Altimeter (LOLA), pode ajudar com isso.
O mapa é a realização do sonho da era Apollo: conhecer a superfície lunar
com detalhes para entender melhor sua origem e história. Existe uma
câmera semelhante orbitando e fotografando Marte.
Por tanto, para criar o mapa colorido acima, podemos associar pontos da
superfície luar r=(x,y,z) com o valor da profundidade ou elevação no local

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h(x,y,z) e posteriormente associar uma cor e tonalidade diferente para


cada valor da profundidade ou elevação; desta maneira o computador
pode reconstruir a topografia da lua.
Logo o que é um campo escalar? Numa forma intuitiva, um campo escalar
é uma função escalar real que se associa a cada ponto de uma região
espacial.
Outro exemplo, seria a distribuição da densidade 𝜌(𝑥, 𝑦, 𝑧) numa
determinada região; ou a distribuição da temperatura 𝑇(𝑥, 𝑦, 𝑧) numa
lamina, etc.

Definição de campo escalar.- Seja D um subconjunto do espaço


R . Logo o campo escalar 𝑓 é :
3

𝑓: 𝐷 ⊂ 𝑅3 → 𝑅
(𝑥, 𝑦, 𝑧) ↦ 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧)
Exemplos:
a) Quando tempos um paralelepípedo 𝑊 = {[𝑎, 𝑏] × [𝑏, 𝑐] × [𝑚, 𝑛]},
contendo gás com densidade arbitraria em cada parte do
recipiente, podemos então definir o campo escalar densidade 𝞺
assim:
𝜌: 𝑊 ⊂ 𝑅3 → 𝑅
(𝑥, 𝑦, 𝑧) ↦ 𝜌(𝑥, 𝑦, 𝑧)

b) Temos a superfície da terra 𝑆 = {(𝜑, 𝜃) ⋰ 𝜑 ∈ [0,2𝜋], 𝜃 ∈ [0, 𝜋]} .


Podemos construir o mapa de temperatura ao longo da superfície
terrestre, associado a cada ponto (𝜑, 𝜃) da terra um campo escalar
T denominado temperatura assim:
𝑇: 𝑆 ⊂ 𝑅3 → 𝑅
(𝜑, 𝜃) ↦ 𝑇(𝜑, 𝜃)

Temperatura da superfície terrestre em 2010 foi 0,62 0C superior


à média do século 20.

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O ano de 2010 empatou com 2005 como o mais quente desde o início das
medições, em 1880, encerrando uma década de temperaturas
excepcionalmente altas devido às emissões humanas de gases do efeito
estufa, segundo uma agência do governo norte-americano.

A temperatura da superfície terrestre no ano passado foi 0,62 grau Celsius


superior à média do século 20, segundo o relatório divulgado na quarta-
feira pelo Centro Nacional de Dados Climáticos (NCDC), ligado à
Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos

Na figura se mostra a distribuição da temperatura (media anual) na


superfície terrestre em graus centígrados. Os valores são
aproximados, desde que a temperatura pode variar no mesmo local
ao longo do dia e da noite.

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Campo de temperatura no olho humano

A figura mostra o campo de temperaturas obtido para o olho


humano portador de um melanoma de. Pode ser observado que o
campo de temperaturas apresenta uma diminuição na sua
intensidade à medida que se aproxima da córnea. Este
comportamento é devido às condições de contorno impostas que
incluem troca de calor por convecção com o ambiente. A córnea
cobre uma área frontal do olho com diâmetro de 10 mm e perde
calor para o ambiente. A esclera cobre toda a superfície do olho
exceto aquela correspondente à córnea, e possui temperatura
constante (condição de contorno).

Fonte:
6 TTP://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-
31512013000100007

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6.12 Campo vetorial.


Campo de velocidades do vento nos furacões.

Mapa de vento produzido com dados de um radar scatterometer sobre a


Organização de Pesquisa Espacial Indiana do (ISRO) Oceansat-2, mostra a
força e direção dos ventos de superfície do oceano de Sandy em 28 de
outubro de 2012 (primeira foto). O mapa dos ventos do furacão Katrina
(segunda foto) foi feita a partir de dados similares adquiridos em 29 de
agosto de 2005, por um scatterometer radar no satélite da NASA
QuickSCAT aposentado.

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Em ambos os mapas, a velocidade do vento acima de 65 km por hora são


amarelos; acima de 80 kmph são de cor laranja, e acima de 95
quilômetros por hora são vermelho escuro.

Este site faz um seguimento das correntes de ar no mundo inteiro

https://www.windy.com/?-5.800,-35.211,5

Outro exemplo de campo vetorial é o gradiente da temperatura ∇𝑇 que se


estabelece numa região, quando tempos dois lugares com diferente
temperatura. Estabelece-se um fluxo de calor da região de maior
temperatura à região de menor temperatura.

Definição de campo vetorial. Seja o conjunto D um subconjunto do


espaço R3, então podemos definir em cada ponto de D um vetor F, da
seguinte maneira:

𝐹⃗ : 𝐷 ⊂ 𝑅3 → 𝑅3
⃗⃗
(𝑥, 𝑦, 𝑧) ↦ 𝐹⃗ (𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝐹1 (𝑥, 𝑦, 𝑧)𝑖⃗ + 𝐹2 (𝑥, 𝑦, 𝑧)𝑗⃗ + 𝐹3 (𝑥, 𝑦, 𝑧)𝑘

Observe que cada componente do campo vetorial, pode-se considerar um


campo escalar no mesmo domínio D em que esta definido o campo
vetorial.

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Exemplos de campos vetoriais.

a) Campo gravitacional uniforme perto da superfície terrestre.

Superfície terrestre

b) Campo elétrico devido a duas cargas pontuais de sinal contrario, a


distancia bem definida.

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q 4q
- +

c) Campo vetorial de velocidades num fluido em movimento.

Fonte: 10TTP://www.anst.uu.se/thokl773/fluid2010/WaveParticlesPathVelocitiesPressure.gif

A figura mostra o campo de velocidades das partículas de um modelo


teórico de fluido com ondas (ver a animação no site indicado).

Exemplo 6121.- um campo vetorial proveniente de uma função escalar


via gradiente se denomina campo gradiente, ou campo conservativo.
𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
Seja 𝑓: 𝑅3 → 𝑅 tal que f(x,y,z) = x2+y2+z2, logo 𝐹⃗ = ∇(𝑓) = ( , , )
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

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𝐹⃗ = (2𝑥, 2𝑦, 2𝑧).

6.21 Divergência de um campo vetorial.


Seja 𝐹⃗ um campo vetorial de 𝑊 ⊂ 𝑅𝑛 → 𝑅 𝑛 , onde todas as componentes
do campo são diferenciáveis parcialmente no domínio D pelo menos,

Logo:

𝑑𝑖𝑣(𝐹⃗ ): 𝑊 → 𝑅 /

𝜕𝐹1 𝜕𝐹2 𝜕𝐹𝑛


𝑑𝑖𝑣(𝐹⃗ ) = + +⋯+
𝜕𝑥1 𝜕𝑥2 𝜕𝑥𝑛

A igualdade anterior é a definição da divergência do campo vetorial 𝐹⃗ em


coordenadas cartesianas.

Exemplo 6211: Seja 𝐹⃗ : 𝑅3 → 𝑅3 / 𝐹⃗ = (𝑥𝑦, 𝑧 + 2𝑦, 𝑧𝑦 + 𝑧𝑥) um campo


vetorial definido no espaço R3, determine a divergência do campo 𝐹⃗ .

Solução.

Temos as componentes: 𝐹1 = 𝑥𝑦, 𝐹2 = 𝑧 + 2𝑦, 𝐹3 = 𝑧𝑥 + 𝑧𝑦;

𝑥1 = 𝑥, 𝑥2 = 𝑦, 𝑥3 = 𝑧. Logo aplicando a definição temos:

𝜕𝐹1 𝜕𝐹2 𝜕𝐹3


𝑑𝑖𝑣(𝐹⃗ ) = + + = 𝑦 + 2 + 𝑥 + 𝑦 = 2 + 𝑥 + 2𝑦
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Exemplo 6212.- verifique que a divergência dos campos a seguir é zero.

a) 𝐹⃗ = (4,3) , b) 𝐹⃗ = (𝑦, −𝑥), c) 𝐹⃗ = (𝑦, 2𝑥)

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caso a (campo uniforme)

caso b) campo rotacional caso c)

Comentário 1.- O fato que 𝑑𝑖𝑣(𝐹⃗ ) = 0 implica que na região não


tem fonte de campo ou sumidouros, nos três casos indicados (ver
figura anterior).

Exemplo 6213.- verifique que a divergência dos campos a seguir é


positiva.

a) 𝐹⃗ = (2𝑥, 2), b) 𝐹⃗ = (𝑥 − 1, 𝑦 − 1),

Respostas.
𝜕(2𝑥) 𝜕(2)
a) 𝑑𝑖𝑣(𝐹) = + = 2,
𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝜕(𝑥−1) 𝜕(𝑦−1)
b) b) 𝑑𝑖𝑣(𝐹) = + = 1 + 1 = 2.
𝜕𝑥 𝜕𝑦

Observe o comportamento do campo


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Caso a) Caso b)

Comentário 2.- O fato que 𝑑𝑖𝑣(𝐹⃗ ) > 0 implica que em toda região do
plano 𝑅2 tem fonte de campo. Posteriormente iremos voltar a tocar o
assunto, pois vamos ver que em um entorno fechado, num lado o campo
de força é mais intenso que o outro, o que quer dizer, que dentro do
entorno tem que ter uma fonte que alimenta esta diferença.

Comentário 3.- Se considerarmos que o campo for, campo de força, então


as linhas de campo indicam a trajetória seguida por uma partícula teste
solta em algum lugar desta linha.

Exemplo 6214.- verifique que a divergência dos campos a seguir é


negativo.

a) 𝐹⃗ = (−3𝑥, 2), b) 𝐹⃗ = (−3𝑥 − 1, −2𝑦 − 1).

Solução.
𝜕(−3𝑥) 𝜕(2)
a) 𝑑𝑖𝑣(𝐹) = + = −3,
𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝜕(−3𝑥−1) 𝜕(−2𝑦−1)
b) 𝑑𝑖𝑣(𝐹) = + = −5,
𝜕𝑥 𝜕𝑦

Observe o comportamento dos campos.

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Caso a) caso b)

Comentário 3.- O fato que 𝑑𝑖𝑣(𝐹⃗ ) < 0 implica que na região 𝑅2 há


sumidouros (ver figura anterior).

Observação importante.
Podemos pensar também a divergência de um campo vetorial como um
produto escalar entre o campo vetorial 𝐹⃗ : 𝑅 3 → 𝑅3 e o operador nabla ∇
⃗⃗,
como segue:

⃗⃗ = ( 𝝏 ,
𝛁
𝝏 𝝏
, ) operador nabla (operador de derivação)
𝝏𝒙 𝝏𝒚 𝝏𝒛

𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 , 𝐹3 ) campo vetorial no espaço R3

𝜕 𝜕 𝜕 𝜕𝐹1 𝜕𝐹2 𝜕𝐹3


⃗⃗) = ∇
div(F ⃗⃗. 𝐹⃗ = ( , , ) . (𝐹1 , 𝐹2 , 𝐹3 ) = + +
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Ou seja, no produto escalar anterior todas as componentes do operador


⃗⃗ age derivando na função escalar que está a sua direita.
𝛁

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6.22 Rotacional de um campo vetorial.- Seja 𝐹⃗ um campo


vetorial de 𝑊 ⊂ 𝑅3 → 𝑅3 , onde todas as componentes do campo são
diferenciáveis parcialmente no domínio D pelo menos,

Logo:

𝑟𝑜𝑡(𝐹⃗ ): 𝑊 → 𝑅 3 /

𝑖⃗ 𝑗⃗ 𝑘⃗⃗
𝜕 𝜕 𝜕
∇ × 𝐹⃗ = 𝑟𝑜𝑡(𝐹⃗ ) =
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
[ 𝐹1 𝐹2 𝐹3 ]

𝜕𝐹3 𝜕𝐹2 𝜕𝐹3 𝜕𝐹1 𝜕𝐹2 𝜕𝐹1


∇ × 𝐹⃗ = ( − ) 𝑖⃗ − ( − ) 𝑗⃗ + ( − ⃗⃗
)𝑘
𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑦

Exempo 6221.- Determine o rotacional do campo

a) 𝐹⃗ = (−𝑦, 𝑥) b) 𝐹⃗ = (−𝑦, −𝑥)

Solução.

𝑖⃗ 𝑗⃗ ⃗⃗
𝑘
𝜕 𝜕 𝜕
a) ∇ × 𝐹⃗ = 𝑟𝑜𝑡(𝐹⃗ ) = [ ]
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
−𝑦 𝑥 0

𝜕(0) 𝜕𝑥 𝜕(0) 𝜕(−𝑦) 𝜕𝑥 𝜕(−𝑦)


∇ × 𝐹⃗ = ( − ) 𝑖⃗ − ( − ) 𝑗⃗ + ( − ⃗⃗ = 2𝑘
)𝑘 ⃗⃗
𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑦

Se diz que o campo é rotacional. Em particular o vetor ∇ × 𝐹⃗ = 2𝑘 ⃗⃗ é


perpendicular ao plano de rotação do campo vetorial. Se pode ver na
figura que ainda o campo 𝐹⃗ gira em sentido anti-horário e a regra da mão
direita vai indicar a orientação correta do vetor ∇ × 𝐹⃗ , que é, ao longo do
eixo +Z (saindo do plano de rotação).

⃗⃗ (ver exercício 6.2).


Se o campo for 𝐹⃗ = (𝑦, −𝑥) , então ∇ × 𝐹⃗ = −2𝑘

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𝑖⃗ 𝑗⃗ ⃗⃗
𝑘
𝜕 𝜕 𝜕
b) ∇ × 𝐹⃗ = 𝑟𝑜𝑡(𝐹⃗ ) = [ ]
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
−𝑥 −𝑦 0

𝜕(0) 𝜕(−𝑦) 𝜕(0) 𝜕(−𝑥)


∇ × 𝐹⃗ = ( − ) 𝑖⃗ − ( − ) 𝑗⃗
𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑧
𝜕(−𝑦) 𝜕(−𝑥)
+( − ⃗⃗
)𝑘
𝜕𝑥 𝜕𝑦

∇ × 𝐹⃗ = (0,0,0). Diz-se que o campo vetorial é i-rotacional.

Para ver a diferença do campo rotacional e o i-rotacional veja a figura a


seguir.

Caso a) campo rotacional caso b) campo i-rotacional.

Exempo 6222.- Determine o rotacional do campo 𝐹⃗ = (𝑥𝑦, 𝑦𝑧, 𝑥𝑦)

Solução.

𝑖⃗ 𝑗⃗ ⃗⃗
𝑘
∇ × 𝐹⃗ = 𝑟𝑜𝑡(𝐹⃗ ) = 𝜕 𝜕 𝜕
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
[𝑥𝑦 𝑦𝑧 𝑥𝑦]

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𝜕(𝑥𝑦) 𝜕(𝑦𝑧) 𝜕(𝑥𝑦) 𝜕(𝑥𝑦) 𝜕(𝑦𝑧) 𝜕(𝑥𝑦)


∇ × 𝐹⃗ = ( − ) 𝑖⃗ − ( − ) 𝑗⃗ + ( − ⃗⃗
)𝑘
𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑦

⃗⃗ = (𝑥 − 𝑦)𝑖⃗ − 𝑦𝑗⃗ − 𝑥𝑘
∇ × 𝐹⃗ = (𝑥 − 𝑦)𝑖⃗ − (𝑦 − 0)𝑗⃗ + (0 − 𝑥)𝑘 ⃗⃗ .

∇ × 𝐹⃗ = (𝑥 − 𝑦, −𝑦, −𝑥).

Exempo 6223.- Considere o campo 𝐹⃗ = (𝑥 3 𝑦 + 3𝑥𝑧, 2𝑥𝑧 + 𝑦𝑧, 𝑧𝑥 2 +


⃗.
𝑦𝑥 2 ). Determine o rotacional do campo 𝐹

𝑖⃗ 𝑗⃗ 𝑘⃗⃗
𝜕 𝜕 𝜕
∇ × 𝐹⃗ = 𝑟𝑜𝑡(𝐹⃗ ) =
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
[𝑥 3 𝑦 + 3𝑥𝑧 2𝑥𝑧 + 𝑦𝑧 𝑧𝑥 2 + 𝑦𝑥 2 ]

𝜕𝐹3 𝜕𝐹2 𝜕(𝑧𝑥 2 + 𝑦𝑥 2 ) 𝜕(2𝑥𝑧 + 𝑦𝑧)


( − ) 𝑖⃗ = ( − ) 𝑖⃗
𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑦 𝜕𝑧
𝜕𝐹 𝜕𝐹2
( 𝜕𝑦3 − 𝜕𝑧
) 𝑖⃗ = (𝑥 2 − 2𝑥 − 𝑦) 𝑖⃗,

𝜕𝐹3 𝜕𝐹1 𝜕(𝑧𝑥 2 + 𝑦𝑥 2 ) 𝜕(𝑥 3 𝑦 + 3𝑥𝑧)


( − ) 𝑗⃗ = ( − ) 𝑗⃗
𝜕𝑥 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑧
𝜕𝐹 𝜕𝐹1
( 𝜕𝑥3 − 𝜕𝑧
) 𝑗⃗ = (2𝑧𝑥 + 2𝑦𝑥 − 3𝑥)𝑗⃗.

𝜕𝐹2 𝜕𝐹1 𝜕(2𝑥𝑧 + 𝑦𝑧) 𝜕(𝑥 3 𝑦 + 3𝑥𝑧)


( − ⃗⃗
)𝑘 = ( − ⃗⃗
)𝑘
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝜕𝐹 𝜕𝐹1
( 𝜕𝑥2 − ⃗⃗ = (2𝑧 − 𝑥 3 )𝑘
)𝑘 ⃗⃗, por tanto
𝜕𝑦

⃗⃗
∇ × 𝐹⃗ = (𝑥 2 − 2𝑥 − 𝑦)𝑖⃗ − (2𝑧𝑥 + 2𝑦𝑥 − 3𝑥)𝑗⃗ + (2𝑧 − 𝑥 3 )𝑘

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Propriedades de gradiente, rotacional e divergência de


campos vetoriais (em coordenadas cartesianas)
Seja 𝐹⃗ : 𝐷 ⊂ 𝑅3 → 𝑅 3 , 𝐺⃗ : 𝐷 ⊂ 𝑅3 → 𝑅3 campos vetoriais de classe C2 em
D.

Seja os campos escalares 𝑓: 𝐷 ⊂ 𝑅3 → 𝑅 e 𝑔: 𝐷 ⊂ 𝑅3 → 𝑅 de classe C1.


a e b são constante numéricas.
Linearidade
L1.- Gradiente: 𝛻(𝑎 𝑓 + 𝑏𝑔) = 𝑎 𝛻(𝑓) + 𝑏 𝛻(𝑔)

L2.- Divergência: ∇. (𝑎𝐹⃗ + 𝑏𝐺⃗ ) = 𝑎 ∇. 𝐹⃗ + 𝑏 ∇. 𝐺⃗ .

L3.- Rotacional : ∇ × (𝑎𝐹⃗ + 𝑏𝐺⃗ ) = 𝑎(∇ × 𝐹⃗ ) + 𝑏(∇ × 𝐺⃗ )

Produto:

P1.- gradiente : ∇(𝑓 𝑔) = 𝑓∇(𝑔) + 𝑔 ∇(𝑓)

P2.- Divergência: ∇. (𝑓 𝐹⃗ ) = ∇(𝑓)𝐹⃗ + 𝑓 ∇. 𝐹⃗ . Onde ∇(𝑓) é o gradiente da


função escalar f.

P3.- Rotacional : ∇ × (𝑓 𝐹⃗ ) = ∇(𝑓) × 𝐹⃗ + 𝑓 ∇ × 𝐹⃗ .

Identidades vetoriais

I1.- 𝑟𝑜𝑡(𝑔𝑟𝑎𝑑(𝑓) = ∇ × (∇(𝑓)) ≡ ⃗0⃗.

I2.- 𝑑𝑖𝑣 (𝑟𝑜𝑡(𝐹⃗ )) = ∇. ∇ × 𝐹⃗ ≡ 0.

I3.- ∇. (𝐹⃗ × 𝐺⃗ ) = (∇ × 𝐹⃗ ). 𝐺⃗ − 𝐹⃗ . ( ∇ × 𝐺⃗ )

I4.- ∇ × (∇ × 𝐹⃗ ) = ∇(∇. 𝐹⃗ ) − ∇2 𝐹⃗

𝜕2 𝜕2 𝜕2
Sendo ∇2 o operador Laplaciano ∇2 = ∇. ∇= 2
+ 2
+
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 2

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A sua vez

2
𝜕2𝑓 𝜕2𝑓 𝜕2𝑓
∇ 𝑓 = ∇. ∇(𝑓) = 2 + 2 + 2
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Se 𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 , 𝐹3 ) então :

∇2 𝐹⃗ ≡ (∇2 𝐹1 , ∇2 𝐹2 , ∇2 𝐹3 )

Existe outro operador, denominado d’Alambertiano, definido assim

1 𝜕2
⊡2 = 𝛁 𝟐 − (operador d’Alambertiano).
𝑣 2 𝜕𝑡 2

Observe que este operador tem uma parte de derivada espacial de


segunda ordem (operador de Laplace) e um termo de derivada temporal
de segunda ordem.
Se pode provar que
⊡2 𝜑(𝑥, 𝑦, 𝑧, 𝑡) = 0
Constitui a equação de onda, do campo escalar 𝜑(𝑥, 𝑦, 𝑧, 𝑡)
Um exemplo seria, quando temos a propagação de vibrações transversais
numa corda horizontal, neste caso, 𝜑(𝑥, 𝑡) representa o deslocamento
transversal da corda.
Outro exemplo é a propagação de campos eletromagnéticos
monocromáticos (frequência definida) oscilantes no vácuo. Neste caso,
𝜑(𝑥, 𝑦, 𝑧, 𝑡) vai representar as componentes do vetor intensidade de
campo elétrico (ou magnético); sendo que os dois campos se propagam
simultaneamente na direção ortogonal à direção de oscilação de ambas
(uma oscila perpendicularmente a outra).

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Operador nabla, gradiente e divergência em coordenadas


cilíndricas
Sabemos que o operador nabla ∇ em coordenadas cartesianas é

⃗⃗= ( 𝜕 ,

𝜕
,
𝜕
⃗⃗= 𝑖⃗
) ou ∇
𝜕
+ 𝑗⃗
𝜕
⃗⃗
+𝑘
𝜕
𝜕𝑥 𝑑𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Queremos encontrar a forma do operador de derivação anterior

em coordenadas cilíndricas (𝜌, 𝜃, 𝑧). Sendo que (𝜌, 𝜃) sao as coordenadas


polares conhecidas.

Proposta:

𝜕 𝜕 𝜕
⃗⃗= 𝑒⃗𝜌 ℎ1
∇ + 𝑒⃗𝜃 ℎ2 + 𝑒⃗𝑧 ℎ3
𝜕𝜌 𝜕𝜃 𝜕𝑧

Sendo ℎ1 (𝜌, 𝜃, 𝑧), ℎ2 (𝜌, 𝜃, 𝑧), ℎ3 (𝜌, 𝜃, 𝑧), certas funções escalares a ser
encontradas.

𝑒⃗𝜌 , 𝑒⃗𝜃 , 𝑒⃗𝑧 sao vetores unitarios ortogonais, em coordenadas cartesianas tal
que

𝑒⃗𝜌 . 𝑒⃗𝜌 = 1, 𝑒⃗𝜃 . 𝑒⃗𝜃 = 1, 𝑒⃗𝑧 . 𝑒⃗𝑧 = 1

𝑒⃗𝜌 . 𝑒⃗𝜃 = 0, 𝑒⃗𝜌 . 𝑒⃗𝑧 = 0, 𝑒⃗𝜃 . 𝑒⃗𝑧 = 0

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⃗⃗ vai ser em coordenadas cilíndricas


O raio vetor 𝑟⃗ = 𝑥𝑖⃗ + 𝑦𝑗⃗ + 𝑧𝑘

⃗⃗ ).
𝑟⃗ = 𝜌 𝑒⃗𝜌 + 𝑧 𝑒⃗𝑧 (𝑒⃗𝑧 = 𝑘

No capitulo II, de sistema de coordenadas, foi demostrado que

𝑑𝑟⃗ = 𝑑𝜌𝑒⃗𝜌 + 𝜌𝑑𝜃 𝑒⃗𝜃 + 𝑑𝑧 𝑒⃗𝑧

Consideremos agora uma função escalar 𝑓: 𝑅3 → 𝑅 tal que 𝑤 = 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧)

Iremos definir que:

⃗⃗(𝒇). 𝒅𝒓
𝒅𝒇 = 𝛁 ⃗⃗

É independente do sistema de coordenadas (foi provado em calculo II, no


capitulo de funçoes de varias variaveis).

Em particular nas coordenadas cartesianas teremos

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝑑𝑓 = ( , , ) . (𝑑𝑥, 𝑑𝑦, 𝑑𝑧)
𝜕𝑥 𝑑𝑦 𝜕𝑧

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝑑𝑓 = 𝑑𝑥 + 𝑑𝑦 + 𝑑𝑧
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Que é a diferencial total da função 𝑓.

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Em coordenadas cilíndricas 𝑤 = 𝑓(𝜌, 𝜃, 𝑧) , logo teremos então

𝑑𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝑑𝑓 = 𝑑𝜌 + 𝑑𝜃 + 𝑑𝑧
𝑑𝜌 𝜕𝜃 𝜕𝑧

De acordo a proposta do operador nabla

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
⃗⃗(𝑓) = 𝑒⃗𝜌 ℎ1
∇ + 𝑒⃗𝜃 ℎ2 + 𝑒⃗𝑧 ℎ3
𝜕𝜌 𝜕𝜃 𝜕𝑧

Substituindo na forma geral da diferencial total da funcao escalar 𝑓,


temos

𝑑𝑓 = ∇(𝑓). 𝑑𝑟⃗

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝑑𝑓 = (𝑒⃗𝜌 ℎ1 + 𝑒⃗𝜃 ℎ2 + 𝑒⃗𝑧 ℎ3 ). (𝑑𝜌𝑒⃗𝜌 + 𝜌𝑑𝜃 𝑒⃗𝜃 + 𝑑𝑧 𝑒⃗𝑧 )
𝜕𝜌 𝜕𝜃 𝜕𝑧

Utilizando as propiedades de ortogonalidade dos vetores unitarios


cilíndricos, obtemos

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝒅𝒇 = ℎ1 𝑑𝑟 + ℎ2 𝜌𝑑𝜃 + ℎ3 𝑑𝑧
𝜕𝜌 𝜕𝜃 𝜕𝑧

Comparando as diferenciáis 𝒅𝒇 e 𝒅𝒇

Temos

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
(ℎ1 − ) 𝑑𝜌 + (ℎ2 𝜌 − ) 𝑑𝜃 + (ℎ3 − ) 𝑑𝑧 = 0
𝜕𝜌 𝜕𝜌 𝜕𝜃 𝜕𝜃 𝜕𝑧 𝜕𝑧

Como as diferenciáis das coordenadas cilíndricas sao independentes,


então os coeficientes devem ser idénticamente nulos, por tanto:

1
ℎ1 = 1, ℎ2 = ,ℎ = 1
𝜌 3

Finalmente o operador nabla é:

𝝏 𝟏 𝝏 𝝏
⃗⃗ = 𝒆
𝛁 ⃗⃗𝝆 ⃗⃗𝜽
+𝒆 ⃗⃗𝒛
+𝒆
𝝏𝝆 𝝆 𝝏𝜽 𝝏𝒛

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Divergencia de um campo vetorial em coordenadas cilíndricas

Seja 𝐹⃗ = 𝐹𝜌 𝑒⃗𝜌 + 𝐹𝜃 𝑒⃗𝜃 + 𝑒⃗𝑧 𝐹𝑧 um campo vetorial em coordenadas

Cilíndricas, sendo

𝐹𝜌 (𝜌, 𝜃, 𝑧), 𝐹𝜃 (𝜌, 𝜃, 𝑧), 𝐹𝑧 (𝜌, 𝜃, 𝑧)

As componentes de 𝐹⃗ (𝜌, 𝜃, 𝑧) ao longo dos 3 vetores unitarios das


coordenadas cilíndricas.

Da definição da divergencia de um campo vetorial:

𝐷𝑖𝑣(𝐹⃗ ) = 𝛁
⃗⃗. 𝐹⃗

𝜕 1 𝜕 𝜕
𝐷𝑖𝑣(𝐹⃗ ) = (𝑒⃗𝜌 + 𝑒⃗𝜃 + 𝑒⃗𝑧 ) . (𝐹⃗ )
𝜕𝜌 𝜌 𝜕𝜃 𝜕𝑧

𝜕𝐹⃗ 1 𝜕𝐹⃗ 𝜕𝐹⃗


𝐷𝑖𝑣(𝐹⃗ ) = 𝑒⃗𝜌 . + 𝑒⃗ . + 𝑒⃗𝑧 .
𝜕𝜌 𝜌 𝜃 𝜕𝜃 𝜕𝑧

Onde os pontos “.” Representa produto escalar.

Alemm disso:

𝜕𝐹⃗ 𝜕𝐹𝜌 𝜕𝐹𝜃 𝜕𝐹𝑧


= 𝑒⃗𝜌 + 𝑒⃗𝜃 + 𝑒⃗
𝜕𝜌 𝜕𝜌 𝜕𝜌 𝜕𝜌 𝑧

𝜕𝐹⃗ 𝜕𝐹𝜌 𝜕𝐹𝜃 𝜕𝐹𝑧


= 𝑒⃗𝜌 + 𝐹𝜌 𝑒⃗𝜃 + 𝑒⃗𝜃 + 𝐹𝜃 (−𝑒⃗𝜌 ) + 𝑒⃗
𝜕𝜃 𝜕𝜃 𝜕𝜃 𝜕𝜃 𝑧

𝜕𝐹⃗ 𝜕𝐹𝜌 𝜕𝐹𝜃 𝜕𝐹𝑧


= 𝑒⃗𝜌 + 𝑒⃗𝜃 + 𝑒⃗
𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝑧
Substituindo estas três equações na equação anterior da divergência e

Considerando a ortonormalidade dos vetores unitários das coordenadas


cilíndricas, obtemos:

𝜕𝐹𝜌 1 1 𝜕𝐹𝜃 𝜕𝐹𝑧


𝐷𝑖𝑣(𝐹⃗ ) = + 𝐹𝜌 + +
𝜕𝜌 𝜌 𝜌 𝜕𝜃 𝜕𝑧

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ou

𝟏 𝝏(𝝆 𝑭𝝆 ) 𝟏 𝝏𝑭𝜽 𝝏𝑭𝒛


⃗⃗) =
𝑫𝒊𝒗(𝑭 + +
𝝆 𝝏𝝆 𝝆 𝝏𝜽 𝝏𝒛

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6.3 Campos conservativos


Um campo vetorial 𝐹⃗ : 𝐷 ⊂ 𝑅𝑛 → 𝑅𝑛 é conservativo se é gradiente de
um campo escalar 𝑓: 𝐷 ⊂ 𝑅𝑛 → 𝑅 diferenciável tal que

𝐹⃗ = 𝑔𝑟𝑎𝑑(𝑓) = ∇(𝑓).

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝐹⃗ = ( , ,…., )
𝜕𝑥1 𝜕𝑥2 𝜕𝑥𝑛

O campo escalar f se denomina função potencial de 𝐹⃗ .

Exemplo 631.- Considere a função escalar 𝑓: 𝑅3 → 𝑅,𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝑥𝑦𝑧 +


cos(𝑥 + 2𝑦) . Determine o campo conservativo (campo gradiente)
associado a função potencial f.

Solução.

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝐹⃗ = ( , , ) = (𝑦𝑧 − sin(𝑥 + 2𝑦) , 𝑥𝑧 − 2 sin(𝑥 + 2𝑦) , 𝑥𝑦)
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
1
Exemplo 632.- Considere a função potencial 𝑈 = − 𝐾(𝑥 2 + 𝑦 2 )
2
determine o campo conservativo associado a esta função.

Solução.
𝜕𝑈 𝜕𝑈
𝐹⃗ = ( , ) = −(𝐾𝑥, 𝐾𝑦) = −𝐾(𝑥, 𝑦) = −𝐾𝑟⃗.
𝜕𝑥 𝜕𝑦

Comentário. A função potencial U é nada mais que a energia potencial


elástica de um oscilador bidimensional (salvo um fator multiplicativo), e o
campo vetorial 𝐹⃗ é a força elástica bidimensional.

Campo conservativo na física clássica.


Na verdade em física clássica temos campos conservativos bem
conhecidos: o campo gravitacional e o campo elétrico.

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A propriedade mais importante dos campos conservativos na mecânica


clássica é que sistemas físicos submetidos unicamente à ação de forças
conservativas tem a energia mecânica conservada, ou seja, a energia
mecânica é constante conforme o sistema evolui no tempo.

Em sistemas físicos onde agem forças não conservativas (força de atrito,


força de resistência nos fluidos) a energia mecânica não se conserva.

Um oscilador harmônico também é um sistema conservativo, desde que a


energia mecânica( energia potencial elástica+ energia cinética) se
conserva no tempo, logo a força elástica que age sobre o oscilador é uma
força conservativa. A diferença em relação ao campo elétrico e
gravitacional é que os últimos são campos fundamentais, a força elástica
não.

Campo gravitacional

Uma partícula de certa massa m (fonte de campo) gera no espaço ao


redor da partícula uma forma de matéria não substancial denominada
campo gravitacional, este campo se estende no espaço inteiro
R3,atenuando-se conforme nos afastamos da fonte de campo.

Em cada ponto do espaço podemos definir uma grandeza física vetorial


denominada intensidade de campo gravitacional 𝒈 ⃗⃗⃗ (aceleração da
gravidade). Se colocarmos a uma distancia fixa d da massa m, outra
partícula muito pequena m0 (partícula teste : m0<<<m); então o campo
gravitacional age sobre a partícula teste com uma força, a esta força
denomina-se de força gravitacional.

Algumas definições.

⃗⃗⃗ -> Intensidade de campo gravitacional no ponto P.


𝒈

U-> Potencial gravitacional no ponto P.

Ep -> Energia potencial gravitacional do sistema m e m0.

𝐹⃗𝑔 -> Força gravitacional do campo sobre m0.

Conforme as definições dadas na seção 6.4, temos:

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⃗⃗ = −𝐠𝐫𝐚𝐝(𝐔) ou ⃗𝑭⃗𝒈 = −𝒈𝒓𝒂𝒅(𝑬𝒑 )


𝐠

z 
g
P
m0
fonte
m y

Campo gravitacional
3
x No espaço R .

Comentário. No caso do campo gravitacional gerado pela terra, nas


proximidades da superfície terrestre pode-se desprezar a curvatura da
terra, e considerar que localmente a terra é plana, logo o campo
gravitacional é aproximadamente uniforme. Como consequência as linhas
de campo são paralelas e verticais apontando a superfície da terra.

 Superfície
terrestre
g

Campo elétrico.

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Uma partícula pontual de carga elétrica Q (fonte de campo) gera no


espaço ao redor da partícula uma forma de matéria não substancial
denominada campo elétrico, este campo se estende no espaço inteiro
R3,atenuando-se conforme nos afastamos da fonte de campo.

Em cada ponto do espaço podemos definir uma grandeza física vetorial


denominada intensidade de campo elétrico ⃗𝑬 ⃗⃗ Se colocarmos a uma
distancia fixa d da carga Q, outra partícula carregada muito pequena q0
(partícula teste : q0<<<Q); então o campo elétrico age sobre a partícula
teste com uma força, a esta força denomina-se de força eletrostica ou
força elétrica.

Algumas definições.

⃗𝑬
⃗⃗ -> Intensidade de campo elétrico no ponto P.

U-> Potencial elétrico no ponto P.

Ep -> Energia potencial elétrica do sistema Q e q0.

𝐹⃗𝐸 -> Força elétrica do campo elétrico (criado pela cara elétrica Q) sobre
q0.

Conforme as definições dadas na seção 6.4, temos:

⃗⃗ = −𝐠𝐫𝐚𝐝(𝐔) ou 𝑭
𝐄 ⃗⃗𝑬 = −𝒈𝒓𝒂𝒅(𝑬𝒑 )

6.32 Condição necessária e suficiente para um campo ⃗𝑭⃗


ser conservativo.

Teorema 6.3. Seja D um conjunto conexo (um único pedaço) de Rn, e


seja 𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 , . . , 𝐹𝑛 ) um campo vetorial continuamente diferençável em
D. Então 𝐹⃗ é conservativo, se e somente se

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𝜕𝐹𝑖 𝜕𝐹𝑘
= ; 𝑖, 𝑗 = 1,2, . . , 𝑛.
𝜕𝑥𝑗 𝜕𝑥𝑖

Corolário. Qualquer campo da forma 𝐹⃗ = ∇(𝑓) obedece a relação


anterior, sendo f uma função potencial. Logo, é claro que o teorema é
compatível com a definição de campo conservativo.

Exemplo 6.321.- Seja: 𝐹⃗ : 𝑅2 → 𝑅2 , verifique se os seguintes campos são


conservativos.

a) 𝐹(𝑥, 𝑦) = 2 𝑒 −𝑦 cos(2𝑥) 𝑖⃗ − 𝑒 −𝑦 sin(2𝑥) 𝑗⃗

Solução.-

a) Neste caso tempos um campo de duas componentes, logo i=1,2.


Aplicando o teorema 6.3 :
𝜕𝐹1 𝜕𝐹
𝐹 = (𝐹1 , 𝐹2 ) →
𝜕𝑥2
= 𝜕𝑥2 ou
1

𝜕𝐹1 𝜕𝐹2 𝜕(2 𝑒−𝑦 cos(2𝑥)) 𝜕(−𝑒−𝑦 sin(2𝑥))


= → = , logo:
𝜕𝑦 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑥

−2 𝑒 −𝑦 cos(2𝑥) = −2 𝑒 −𝑦 cos(2𝑥). Por tanto o campo é conservativo.

b) Neste caso o campo 𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 , 𝐹3 ) tem 3 componentes, logo


i=1,2,3. Aplicando o teorema 6.3 :

𝜕𝐹1 𝜕𝐹2 𝜕𝐹1 𝜕𝐹3 𝜕𝐹2 𝜕𝐹3


= , = , =
𝜕𝑥2 𝜕𝑥1 𝜕𝑥3 𝜕𝑥1 𝜕𝑥3 𝜕𝑥2
Ou

𝜕𝐹1 𝜕𝐹2 𝜕𝐹1 𝜕𝐹3 𝜕𝐹2 𝜕𝐹3


= , = , =
𝜕𝑦 𝜕𝑥 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑧 𝜕𝑦
Particularizando para nosso caso:

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𝜕(𝑦𝑧) 𝜕(𝑥𝑧)
= →𝑧=𝑧
𝜕𝑦 𝜕𝑥
𝜕(𝑦𝑧) 𝜕(𝑥𝑦)
= →𝑦=𝑦
𝜕𝑧 𝜕𝑥
𝜕(𝑥𝑧) 𝜕(𝑥𝑦)
= →𝑥=𝑥
𝜕𝑧 𝜕𝑦
Por tanto o campo é conservativo.

Exemplo 6.322.- Seja: 𝐹⃗ : 𝑅3 → 𝑅3 , verifique se os seguintes campos são


conservativos.

⃗⃗
a) 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 2 𝑒 −𝑦 cos(2𝑥) 𝑖⃗ − 𝑒 −𝑦 sin(2𝑥) 𝑗⃗ + 2𝑘

b) 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = (𝑦𝑧, 𝑥𝑧, 𝑥𝑦)

c) 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = (𝑦𝑠𝑖𝑛(2𝑧), 𝑥 𝑠𝑖𝑛(2𝑧), 2𝑥 𝑦 𝑠𝑖𝑛(2𝑧))

d) 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 3𝑦 𝑖 + (3𝑥 + 𝑧) 𝑗 – 𝑦 𝑘

6.33 Função potencial para campos conservativos.


Tendo como informação inicial o campo conservativo 𝐹⃗ é possível
encontrar a função potencial associada ao campo. Para isto, é
necessário escrever 𝐹 = 𝑔𝑟𝑎𝑑(𝑓) em componentes

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 , . . , 𝐹𝑛 ) = ( , ,.., )
𝜕𝑥1 𝜕𝑥2 𝜕𝑥𝑛

Logo, devemos resolver o sistema de equações diferencias parciais.

𝜕𝑓
𝐹1 =
𝜕𝑥1

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𝜕𝑓
𝐹2 =
𝜕𝑥2

..

𝜕𝑓
𝐹𝑛 =
𝜕𝑥𝑛

Para resolver o sistema anterior, não tem um método único, cada


problema tem sua peculiaridade, desde que o sistema anterior em geral
pode ser um sistema não linear de equações diferençais parciais.

Entre tanto se recomenda resolver iterativamente, começando pela


equação que aparenta ser, mas fácil de integrar.

Veja os exemplos a seguir.

Exercícios 6.322.- Encontre a função potencial f para os campos:

a) 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = (2𝑥, 3𝑦, 4𝑧)


b) 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = (𝑦 + 𝑧, 𝑥 + 𝑧, 𝑥 + 𝑦)
c) 𝐹(𝑥, 𝑦) = (𝑦, 𝑥)

Solução
A pergunta pressupõe que o campo F deve ser conservativo, logo
𝐹 = 𝑔𝑟𝑎𝑑(𝑓).

Solução

Caso a)

𝐹⃗ = 𝐹⃗ (𝑥, 𝑦, 𝑧) → 𝑓 = 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧)

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝐹⃗ = (2𝑥, 3𝑦, 4𝑧) = ( , , )
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
𝜕𝑓
2𝑥 = ...(1)
𝜕𝑥

𝜕𝑓
3𝑦 = ...(2)
𝜕𝑦

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𝜕𝑓
4𝑧 = ...(3)
𝜕𝑧

Resolvendo a equação diferencial (1):

2𝑥𝑑𝑥 = 𝑑𝑓 → ∫ 2𝑥 𝑑𝑥 = ∫ 𝑑𝑓 → 𝑥 2 + 𝜑(𝑦, 𝑧) = 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) , sendo


𝜑(𝑦, 𝑧) uma constante de integração.

𝒇(𝒙, 𝒚, 𝒛) = 𝒙𝟐 + 𝝋(𝒚, 𝒛)....(4)

Substituindo (4) em (2):

𝜕𝑓 𝜕(𝑥 2 + 𝜑(𝑦, 𝑧)) 𝜕𝜑(𝑦, 𝑧)


3𝑦 = = =
𝜕𝑦 𝜕𝑦 𝜕𝑦
3
∫ 3𝑦𝑑𝑦 = ∫ 𝑑𝜑(𝑦, 𝑧) → 2 𝑦 2 + ℎ(𝑧) = 𝜑(𝑦, 𝑧), logo

𝟑
𝒇(𝒙, 𝒚, 𝒛) = 𝒙𝟐 + 𝒚𝟐 + 𝒉(𝒛).....(5)
𝟐

Substituindo a equação (5) em (3):

3
𝜕𝑓 𝜕(𝑥 2 + 2 𝑦 2 + ℎ(𝑧)) 𝑑ℎ(𝑧)
4𝑧 = = =
𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝑑𝑧

integrando

∫ 4𝑧𝑑𝑧 = ∫ 𝑑ℎ → 2𝑧 2 + 𝑘 = ℎ(𝑧),

Finalmente:
𝟑
𝒇(𝒙, 𝒚, 𝒛) = 𝒙𝟐 + 𝒚𝟐 + 𝟐 𝒛𝟐 + 𝒌. Resposta.
𝟐

Sendo k uma constante numérica arbitraria.

Em geral, todo problema deste tipo terá infinitas soluções, desde que a
constante k é arbitraria. De outra maneira, a função potencial f(x,y,z) para
o campo 𝐹⃗ tem infinitas possibilidades, a diferença é basicamente uma
constante de integração.

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Caso b) 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = (𝑦 + 𝑧, 𝑥 + 𝑧, 𝑥 + 𝑦)

𝐹⃗ = 𝐹⃗ (𝑥, 𝑦, 𝑧) → 𝑓 = 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧)

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝐹⃗ = (𝑦 + 𝑧, 𝑥 + 𝑧, 𝑥 + 𝑦) = ( , , )
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
𝜕𝑓
𝑦+𝑧 = ...(1)
𝜕𝑥

𝜕𝑓
𝑥+𝑧 = ...(2)
𝜕𝑦

𝜕𝑓
𝑥+𝑦 = ...(3)
𝜕𝑧

Resolvendo a equação diferencial (1):

(𝑦 + 𝑧)𝑑𝑥 = 𝑑𝑓 → ∫(𝑦 + 𝑧) 𝑑𝑥 = ∫ 𝑑𝑓,

𝑦𝑥 + 𝑧𝑥 + 𝜑(𝑦, 𝑧) = 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧)

sendo 𝜑(𝑦, 𝑧) uma constante de integração.

𝒇(𝒙, 𝒚, 𝒛) = 𝒚𝒙 + 𝒛𝒙 + 𝝋(𝒚, 𝒛)....(4)

Substituindo (4) em (2):

𝜕𝑓 𝜕(𝑦𝑥 + 𝑧𝑥 + 𝜑(𝑦, 𝑧)) 𝜕𝜑(𝑦, 𝑧)


(𝑥 + 𝑧) = = =𝑥+
𝜕𝑦 𝜕𝑦 𝜕𝑦
∫ 𝑧 𝑑𝑦 = ∫ 𝑑𝜑(𝑦, 𝑧) → 𝑧𝑦 + ℎ(𝑧) = 𝜑(𝑦, 𝑧), logo

𝒇(𝒙, 𝒚, 𝒛) = 𝒚𝒙 + 𝒛𝒙 + 𝒛𝒚 + 𝒉(𝒛).....(5)

Substituindo a equação (5) em (3):

𝜕𝑓 𝜕(𝑦𝑥 + 𝑧𝑥 + 𝑧𝑦 + ℎ(𝑧)) 𝑑ℎ(𝑧)


(𝑥 + 𝑦) = = =𝑥+𝑦+
𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝑑𝑧
𝑑ℎ(𝑧)
Simplificando temo: = 0 → ℎ(𝑧) = 𝑘
𝑑𝑧

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Finalmente:
𝒇(𝒙, 𝒚, 𝒛) = 𝒚𝒙 + 𝒛𝒙 + 𝒛𝒚 + 𝒌. Resposta.

Sendo k uma constante numérica arbitraria.

6.4 Linhas de campo vetorial


Consideremos o campo 𝐹⃗ : 𝑅3 → 𝑅3 / 𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 , 𝐹3 ) sendo:

𝐹1 = 𝐹1 (𝑥, 𝑦, 𝑧)

𝐹2 = 𝐹1 (𝑥, 𝑦, 𝑧)

𝐹3 = 𝐹1 (𝑥, 𝑦, 𝑧)

A curva 𝛾 ∶ 𝑅 → 𝑅3 cuja função vetorial associada é


𝑟⃗(𝑡) = (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡)), representa uma linha de campo de 𝐹⃗ se

⃗⃗
𝒅𝒓
⃗⃗(𝒓
=𝜶𝑭 ⃗⃗(𝒕))
𝒅𝒕

........(6.41)

Sendo 𝛼 uma constante de proporcionalidade. A equação anterior, quer


dizer, que em cada ponto da linha de campo 𝛾 o campo vetorial 𝐹⃗ é
tangente a esta curva, ou seja, o campo vetorial 𝐹⃗ é proporcional ao vetor
velocidade da curva 𝛾 (significado geométrico da equação anterior).

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Sem perda de generalidade, podemos escolher 𝛼 = 1. Logo :

𝑑 𝑟⃗
= 𝐹⃗ (𝑟⃗(𝑡))
𝑑𝑡
em componentes:

𝑑 𝑥(𝑡)
= 𝑥̇ (𝑡) = 𝐹1 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡))
𝑑𝑡
𝑑 𝑦(𝑡)
= 𝑦̇ (𝑡) = 𝐹2 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡))
𝑑𝑡
𝑑 𝑧(𝑡)
= 𝑧̇ (𝑡) = 𝐹3 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡))
𝑑𝑡
.........(6.42)

Ao resolver o sistema de equações diferenciais ordinárias e não


homogêneo anterior, teremos como solução uma família de curvas que
constituem as linhas de campo F. Tendo uma condição inicial, teremos

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uma curva em particular, pelo teorema de existência e unicidade das


equações diferenciais ordinárias.

Exemplo 1.- Se o campo vetorial 𝐹(𝑥, 𝑦) = (𝑦, 2), determine a equação


das linhas de campo que passa pelo ponto (0,1).

Solução. Consideremos que a família de linhas do campo seja


representados genericamente pela função

𝑟⃗(𝑡) = (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)), 𝑡 ∈ 𝑅

A equação diferencial que define estas linhas de campo é:

𝑥̇ (𝑡) = 𝐹1 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = 𝑦 .......(1)

𝑦̇ (𝑡) = 𝐹2 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = 2 .....(2)

Resolvendo a segunda equação

𝑦(𝑡) = 2𝑡 + 𝑐

Substituindo na primeira equação, temos:

𝑥̇ (𝑡) = 2𝑡 + 𝑐

Integrando 𝑥(𝑡)

𝑥(𝑡) = 𝑡 2 + 𝑐 𝑡 + 𝑘

Finalmente

𝑟⃗(𝑡) = (𝑡 2 + 𝑐 𝑡 + 𝑘, 2𝑡 + 𝑐), 𝑡 ∈ 𝑅

c e k são números reais arbitrários. Para valore particulares de c e k


temos uma linha de campo. E para todos os valores possíveis de c e k,
temos na verdade, uma família de linhas de campo.

Do ponto de vista de sistema de equações diferenciais, se temos


condições iniciais 𝑟0 = (𝑥0 , 𝑦0 ) definidas, então podemos fixar os
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parâmetros c e k, o que é o mesmo dizer, que temos definido uma única


linha de campo que passa por 𝑟0 .

Para identificar o tipo de curvas representam as linhas de campo,


podemos eliminar o parâmetro t da solução anterior, por simples
manipulação algébrica, temos:

1 2 𝑐2
𝑥 = 𝑦 +𝑘−
4 4
𝑐2
Redefinindo 𝑘 − = 𝑥0
4

1
𝑥 = 𝑦 2 + 𝑥0
4
A resposta anterior da questão representa uma família de parábolas.

Na questão, devemos encontrar a curva que passa pelo ponto (0,2),


substituindo na solução obtemos 𝑥0 = −1

Finalmente a linha de campo que passa pelo ponto (0,2) é

1
𝑥 = 𝑦2 − 1
4

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Exemplo 2.- Seja o campo vetorial 𝐹(𝑥, 𝑦) = (−𝑦, 𝑥), determine a


equação que define as linhas de campo 𝐹. Em particular qual é a equação
da curva que passa pelo ponto (1,0).

Solução.- Consideremos que a linha do campo seja

𝑟⃗(𝑡) = (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)), 𝑡 ∈ 𝑅

A equação diferencial que define as linhas de campo é:

𝑥̇ (𝑡) = 𝐹1 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = −𝑦(𝑡) .......(1)

𝑦̇ (𝑡) = 𝐹2 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = 𝑥(𝑡) .....(2)

Derivando a primeira

𝑥̈ (𝑡) = −𝑦̇ (𝑡)

Da equação 2, temos :

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𝑥̈ (𝑡) = −𝑥(𝑡) ......(3)

Uma solução mais geral desta ultima equação é:

𝑥(𝑡) = 𝐴𝑐𝑜𝑠(𝑤𝑡 + 𝑎),

substituindo em (3):

-𝐴 𝑤 2 𝑐𝑜𝑠(𝑤𝑡 + 𝑎)=−𝐴𝑐𝑜𝑠(𝑤𝑡 + 𝑎)

Temos: 𝑤 = ±1 (𝑤 2 = 1)

Sendo A, a constantes arbitrarias.

De (1), temos:

𝑦(𝑡) = −𝑥̇ (𝑡) = −𝑤 𝐴𝑠𝑖𝑛(𝑤𝑡 + 𝑎) . Com a escolha w=1, finalmente, a


equação vetorial da linha de campo è:

𝑟⃗(𝑡) = (𝐴𝑐𝑜𝑠(𝑡 + 𝑎), − 𝐴𝑠𝑖𝑛(𝑡 + 𝑎)), 𝑡 ∈ 𝑅

Em coordenadas cartesianas :

𝑥 2 + 𝑦 2 = 𝐴2

Isto constitui uma família de circunferências centralizada na origem de


coordenadas e anti-horária; sendo a constante A o radio da circunferência.

Em particular a circunferência que passa pelo ponto (1,0) é

𝑥2 + 𝑦2 = 1

E na sua forma paramétrica é : (w=1)

𝑟⃗(𝑡) = (𝑐𝑜𝑠(𝑡 + 𝑎), − 𝐴𝑠𝑖𝑛(𝑡 + 𝑎)), 𝑡 ∈ 𝑅

Ver figura a seguir:

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Importante: ao invés de calcular primeiro a equação paramétrica da linhas


de campo, podemos calcular primeiro a equação cartesiana, isso é útil em
algumas situações.

Forma diferencial das equações de linha de campo 𝐹


Da equação 6.42, utilizando o conceito de diferencial, temos:

𝑥̇ (𝑡)𝑑𝑡 = 𝑑𝑥 = 𝐹1 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡)) 𝑑𝑡

𝑦̇ (𝑡)𝑑𝑡 = 𝑑𝑦 = 𝐹2 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡))𝑑𝑡

𝑧̇ (𝑡)𝑑𝑡 = 𝑑𝑧 = 𝐹3 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡)) 𝑑𝑡

Logo isolando o diferencial 𝑑𝑡, temos:

𝒅𝒙 𝒅𝒚 𝒅𝒛
= =
𝑭𝟏 𝑭𝟐 𝑭 𝟐
....(6,43)

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Em particular, se tivermos um campo vetorial 𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 )


bidimensional, com as componentes da seguinte forma:

𝐹1 = 𝐹1 (𝑥, 𝑦)

𝐹2 = 𝐹1 (𝑥, 𝑦)

A equação diferencial das linhas de campo anterior fica assim:

𝒅𝒚 𝑭𝟐
=
𝒅𝒙 𝑭𝟏

.....(6,44)

Aplicação. Vamos resolver o exemplo 1, utilizando este ultimo resultado:

Se o campo é 𝐹⃗ = (−𝑦, 𝑥), então a equação anterior fica:

𝑑𝑦 𝑥
=
𝑑𝑥 −𝑦

Logo

𝑦𝑑𝑦 + 𝑥𝑑𝑥 = 0

Daqui

𝑑(𝑥 2 + 𝑦 2 ) = 0

Em consequência: 𝑥 2 + 𝑦 2 = 𝐴2 ≥ 0

O que representa a mesma solução que no método anterior.

Uma aplicação direta em eletromagnetismo é o seguinte problema.

Exemplo 3.-

Considere um cabo condutor rígido infinito que conduz uma corrente


constante I, ao longo do eixo z. A intensidade de campo magnético no
ponto P, localizado a distância r do cabo é dado pela seguinte formula

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𝑢𝑜 𝐼
⃗⃗𝑃 =
𝐵 𝑢
⃗⃗
2𝜋𝑟
Sendo 𝑟⃗ = (𝑥, 𝑦) a posição do ponto P, em relação á origem de
coordenadas localizado em algum ponto do cabo condutor. E o vetor
−𝑦 𝑥
𝑢
⃗⃗ = ( 2 2 , 2 2) é unitário. Determine a equação das linhas de
√𝑥 +𝑦 √𝑥 +𝑦
campo magnético. Observe que o campo magnético 𝐵⃗⃗ está localizado num
plano transverso a cabo condutor da corrente 𝐼.

Solução.-

No plano transverso indicado no texto da questão vamos descrever este


campo, logo as componentes do campo 𝐵 ⃗⃗ são:

𝑢𝑜 𝐼 −𝑦
𝐵𝑥 =
2𝜋 (𝑥 2 + 𝑦 2 )

𝑢𝑜 𝐼 𝑥
𝐵𝑦 =
2𝜋 (𝑥 2 + 𝑦 2 )

Utilizando a equação 6.44, da equação das linhas de campo na sua forma


diferencial:

𝒅𝒚 𝑩𝒚 𝒙
= =
𝒅𝒙 𝑩𝒙 −𝒚

O procedimento a seguir é o mesmo do exemplo 2 na sua forma


diferencial, logo:

𝑑(𝑥 2 + 𝑦 2 ) = 0

Em consequência: 𝑥 2 + 𝑦 2 = 𝐴2 ≥ 0

O que significa que as linhas de campo magnético são uma família de


circunferências concêntrica em relação ao cabo condutor e sempre
localizado em planos paralelos e transversos ao cabo condutor infinito.

(ver figura a seguir)

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Observação.- A partir desta dedução, surge uma regra mnemotécnica para


identificar rapidamente a orientação do vetor intensidade de campo
magnético num ponto P localizado a distancia r do cabo condutor.

Esta regra se chama, a regra da mão direita. Onde o índice da mão direita

Aponta a direção da corrente elétrico, e o movimento natural dos outros


dedos ao se fechar, indica a direção do campo magnético ou a direção
das linhas de campo.

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Exemplo 3.- Determina as linhas de campo associado ao campo vetorial


𝐹⃗ = 𝐴⃗ × 𝑟⃗, sendo 𝐴⃗ um vetor constante arbitrário.

Solução.

Seja 𝐴⃗ = (𝑎, 𝑏, 𝑐) logo

𝑖 𝑗 𝑘
⃗ ⃗
𝐹 = 𝑟⃗ × 𝐴 = [𝑥 𝑦 𝑧]
𝑎 𝑏 𝑐

𝐹⃗ = (−𝑏𝑧 + 𝑐𝑦, −𝑐𝑥 + 𝑎𝑧, −𝑎𝑦 + 𝑏𝑥)

Substituindo na equação diferencial 6.43

𝑑𝑥 𝑑𝑦 𝑑𝑧
= =
−𝑏𝑧 + 𝑐𝑦 −𝑐𝑥 + 𝑎𝑧 −𝑎𝑦 + 𝑏𝑥

.......(1)

Multiplicamos a primeira fração, tanto no numerador como no


denominador por x, multiplicamos a segunda fração, tanto no numerador
como no denominador por y,e finalmente a terceira fração multiplicamos
por z , temos:

𝑥𝑑𝑥 𝑦 𝑑𝑦 𝑧 𝑑𝑧
= =
−𝑏𝑧𝑥 + 𝑐𝑥𝑦 −𝑐𝑥𝑦 + 𝑎𝑦𝑧 −𝑎𝑧𝑦 + 𝑏𝑧𝑥

Realizamos a seguinte soma:

−𝑐𝑥𝑦 + 𝑎𝑦𝑧 −𝑎𝑧𝑦 + 𝑏𝑧𝑥


𝑥𝑑𝑥 + 𝑦𝑑𝑦 + 𝑧𝑑𝑧 = 𝑥𝑑𝑥 + 𝑥𝑑𝑥 ( ) + 𝑥𝑑𝑥( )
−𝑏𝑧𝑥 + 𝑐𝑥𝑦 −𝑏𝑧𝑥 + 𝑐𝑥𝑦

Simplificando:

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𝑥𝑑𝑥 + 𝑦𝑑𝑦 + 𝑧𝑑𝑧 = 0

Logo,

𝑑(𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 ) = 0

Então

𝑥2 + 𝑦2 + 𝑧2 = 𝐾2

Sendo 𝐾 uma constante arbitraria.

Por outro lado, de novo na equação (1) da questão, podemos


multiplicamos a primeira fração, tanto no numerador como no
denominador por a, multiplicamos a segunda fração, tanto no numerador
como no denominador por b,e finalmente a terceira fração multiplicamos
por c, temos :

𝑎𝑑𝑥 𝑏𝑑𝑦 𝑐𝑑𝑧


= =
−𝑎𝑏𝑧 + 𝑎𝑐𝑦 −𝑏𝑐𝑥 + 𝑏𝑎𝑧 −𝑐𝑎𝑦 + 𝑐𝑏𝑥

e realizamos a seguinte operação

−𝑏𝑐𝑥 + 𝑏𝑎𝑧 −𝑐𝑎𝑦 + 𝑐𝑏𝑥


𝑎𝑑𝑥 + 𝑏𝑑𝑦 + 𝑐𝑑𝑧 = 𝑎𝑑𝑥 + 𝑎𝑑𝑥 ( ) + 𝑎𝑑𝑥( )
−𝑎𝑏𝑧 + 𝑎𝑐𝑦 −𝑎𝑏𝑧 + 𝑎𝑐𝑦

Temos:

𝑎𝑑𝑥 + 𝑏𝑑𝑦 + 𝑐𝑑𝑧 = 0

Logo,

𝑑(𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 + 𝑐𝑧) = 0

Ou seja,

𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 + 𝑐𝑧 = 𝑑

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Das duas soluções

𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 = 𝐾 2 , 𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 + 𝑐𝑧 = 𝑑

Podemos entender que as linhas de campo é resultado da interseção da


primeira equação, que é uma circunferência de raio K (centralizada na
origem de coordenadas), e o plano cujo vetor normal é 𝑛⃗⃗ = (𝑎, 𝑏, 𝑐).

Se consideramos que o eixo norte-sur geográfico da superfície esférica é


colinear ao vetor (𝑎, 𝑏, 𝑐), então a interseção por ambas superfícies
representam curvas circulares denominados paralelos, por sobre a
superfícies esférica, são estas a família de linhas de campo que estávamos
procurando. K e d são constantes reais arbitrarias.

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Exemplo 4.- Considere uma carga elétrica 𝑄 pontual localizada na


origem de coordenadas. De acordo a teoria eletrostática, o potencial
elétrico no ponto 𝑃, a uma distancia 𝑟 da carga elétrica é

𝐾𝑄
𝑉𝑃 =
𝑟
1
Sendo 𝐾 = a constante elétrica.
4𝜋𝜖0

a) Determina e equação cartesiana da superfície equipotencial, de


potencial elétrico 𝑉0
b) Determine a intensidade de campo elétrico (campo conservativo),
no ponto P de acordo a formula

𝐸⃗⃗𝑃 = −∇(𝑉𝑃 )

c) Verifique que as linhas de campo elétrico atravessam a superfície


equipotencial em angulo reto.

Solução.-

a) Sabemos que a superfície equipotencial, é aquele superfície onde


o potencial, neste caso elétrico é constante para seus pontos, logo

𝐾𝑄 𝐾𝑄
𝑉0 = =
𝑟 √𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2

Logo

𝐾𝑄 2
𝑥2 + 𝑦2 + 𝑧2 = ( ) = 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒
𝑉0

Se trata de uma superfícies esférica centralizada na origem de


𝐾𝑄
coordenadas, de raio 𝑅 =
𝑉0

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b) Determinando a intensidade de campo elétrico

𝜕 1 𝜕 1 𝜕 1
𝐸⃗⃗𝑃 = −∇(𝑉𝑃 ) = −𝐾𝑄( ( ) , ( ) , ( ))
𝜕𝑥 𝑟 𝜕𝑦 𝑟 𝜕𝑧 𝑟

Da lista de exercícios, temos:

𝜕 1 𝑥 𝜕 1 𝑦 𝜕 1 𝑧
( ) = − 3, ( ) = − 3, ( ) = − 3
𝜕𝑥 𝑟 𝑟 𝜕𝑦 𝑟 𝑟 𝜕𝑧 𝑟 𝑟

𝑥 𝑦 𝑧 𝐾𝑄 𝑟⃗ 𝐾𝑄
𝐸⃗⃗𝑃 = 𝐾𝑄 ( 3 , 3 , 3 ) = 3 = 2 𝑒⃗𝑟
𝑟 𝑟 𝑟 𝑟 𝑟
Sendo 𝑒⃗𝑟 é vetor unitário na direção radial.

c) Considerando que as linhas de campo são definidas de tal forma


que a intensidade de campo 𝐸⃗⃗ sempre são tangentes a estas linhas
em cada ponto do espaço, e do resultado anterior em que 𝐸⃗⃗ é
radial em particular se afastando da origem de coordenadas
(𝑄 > 0); intuitivamente, podemos concluir que qualquer linha de
campo elétrico se origina na origem de coordenadas (onde está a
fonte) e é radial e segue ate o infinito. (éste resultado é
demonstrado formalmente no exercício 12 da lista de exercícios
desta capitulo) Como as superfícies equipotenciais são superfícies
esféricas concêntricas centralizadas na origem de coordenadas,
podemos concluir que as linhas de campo elétricas atravessam em
ângulo reto a qualquer superfície equipotencial.

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6.5.- Integral de linha de um campo


escalar e vetorial.
6.51 Integral de linha de um campo escalar
Seja 𝛾 uma curva suave contido no espaço 𝑅 𝑛 . Parametrizamos a curva da
seguinte forma:

𝑟⃗: [𝑎, 𝑏] ⊂ 𝑅 → 𝐷 ⊂ 𝑅𝑛

𝑡 ⟼ 𝑟⃗(𝑡) = (𝑥1 (𝑡), 𝑥2 (𝑡), . . , 𝑥𝑛 (𝑡)).

Ou seja: 𝑡 ∈ [𝑎, 𝑏] e a imagem da função vetorial 𝐹⃗ é a curva 𝛾.

Seja 𝑓: 𝐷 ⊂ 𝑅𝑛 → 𝑅 uma campo escalar (função real de variável vetorial)

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Definição. Seja a partição 𝑃 = {𝑠0 , 𝑠1 , … , 𝑠𝑛 } da curva 𝛾, tal que :

𝑟⃗(𝑎) = 𝑠0 < 𝑠1 < 𝑠3 < ⋯ < 𝑠𝑖 < 𝑠𝑖+1 < 𝑠𝑛 = 𝑟⃗(𝑏),

sendo ∆𝑆𝑖 = 𝑠𝑖+1 − 𝑠𝑖

logo

𝑛−1

∫ 𝑓 |𝑑𝑟⃗| = lim ∑ 𝑓(𝑥1𝑖 , 𝑥2𝑖 , . . , 𝑥𝑛𝑖 ). ∆𝑠𝑖


∆𝑠→0
𝛾 𝑖=0

𝑛−1

∫ 𝑓(𝑥1 , 𝑥2 , . . , 𝑥𝑛 ) 𝑑𝑠 = lim ∑ 𝑓(𝑥1𝑖 , 𝑥2𝑖 , . . , 𝑥𝑛𝑖 )∆𝑠𝑖


∆𝑠→0
𝛾 𝑖=1

é chamada de integral de linha de f ao longo da curva 𝜸, desde que o


limite da soma de Riemann exista.

Sendo ∆𝑆 = 𝑚á𝑥{|∆𝑆0 |, |∆𝑆1 |, |∆𝑆2 | … |∆𝑆𝑖 |, … , |∆𝑆𝑛−1 |}, para todo


𝑖 = 0,1,2,3, . . . , 𝑛 − 1.

𝑑𝑟⃗/𝑑𝑡 -> é o vetor “velocidade” tangente em cada ponto à curva 𝛾.


𝑑𝑟⃗(𝑡)
𝑣(𝑡) = | |-> é o modulo da velocidade instantânea, ou chamada de
𝑑𝑡
velocidade escalar em física. A função 𝑓 esta inicialmente definida no seu
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domínio D (a curva 𝛾 esta dentro do conjunto D), entre tanto na integral


de linha, somente importa os valores de f ao longo da curva 𝛾, ou seja,
para integrar devemos avaliar a função f na curva 𝛾 e isto deve estar bem
definido.

Se a curva esta parametrizada, então a integral de linha do campo escalar


fica assim:

⃗⃗) 𝒅𝒔 = ∫ 𝒇(𝒓
∫ 𝒇(𝒓 ⃗⃗(𝒕)) 𝒗(𝒕)𝒅𝒕
𝜸 𝜸

Sendo 𝒅𝒔 = 𝒗(𝒕)𝒅𝒕 , para calcular a integral de linha é preciso determinar


o intervalo de valores do parâmetro 𝑡 (𝑡𝑚𝑖𝑛 ≤ 𝑡 ≤ 𝑡𝑚á𝑥).

Exemplo 6.51.- Considere a função identidade 𝑓: 𝑅𝑛 → 𝑅 /


𝑓(𝑥1 , 𝑥2 , . . , 𝑥𝑛 ) = 1, e a curva
𝛾: [𝑎, 𝑏] ⊂ 𝑅 → 𝑅𝑛

logo :
𝑏
∫𝛾 𝑓(𝑟(𝑡)) 𝑑𝑠 = ∫𝑎 1. 𝑑𝑠 = 𝑙𝑎𝑏 é o comprimento de arco entre dois
pontos arbitrários a e b da curva 𝛾 no espaço 𝑅𝑛

Exemplo 6.52.- Considere o campo escalar 𝑓: 𝑅2 → 𝑅 / 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝑥 2 +


𝑦 2 + 𝑦. Determine a integral de linha do campo escalar f, ao longo da
curva 𝛾: 𝑅 → 𝑅3 𝛾(𝑡) = (cos(𝑡) , sin(𝑡) , 4), 0 ≤ 𝑡 ≤ 2𝜋.

Solução.-

Devemos calcular o elemento comprimento de arco 𝑣(𝑡)𝑑𝑡

Derivando a função vetorial 𝛾(𝑡)

𝛾(𝑡)′ = (− sin(𝑡) , cos(𝑡) , 0)

𝑣 = |𝛾(𝑡)′ | = 1

Avaliando a função f na curva 𝛾:

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𝑓(𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡)) = 𝑥(𝑡)2 + 𝑦(𝑡)2 + 𝑦 = cos(𝑡)2 + sin(𝑡)2 + sin(𝑡)

𝑓(𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡)) = 1 + sin(𝑡)

Substituindo na integral

∫ 𝑓(𝑟⃗) 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓(𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡)) 𝑣(𝑡)𝑑𝑡


𝛾 𝛾

𝑡=2𝜋

∫ 𝑓(𝑟⃗) 𝑑𝑠 = ∫ (1 + sin(𝑡)) 1 𝑑𝑡 = (𝑡 − cos(𝑡))|2𝜋


0
𝛾 𝑡=0

∫ 𝑓(𝑟⃗) 𝑑𝑠 = (2𝜋 − 1) − (0 − 1) = 2𝜋
𝛾

Caso especial n=2. Considere o caso especial de uma curva no plano


R , onde 𝑦 = 𝑦(𝑥), 𝑎 ≤ 𝑥 ≤ 𝑏, ou seja, a curva esta definida em forma de
2

uma equação cartesiana. Seja também o campo escalar 𝑓: 𝐷 ⊂ 𝑅2 → 𝑅


Logo:

∫ 𝑓(𝑥, 𝑦) 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓(𝑥, 𝑦(𝑥)) √𝑑𝑥 2 + 𝑑𝑦 2


𝛾 𝛾

𝒅𝒚 𝟐
= ∫ 𝒇(𝒙, 𝒚(𝒙)) √𝟏 + ( ) 𝒅𝒙
𝒅𝒙
𝜸

Exemplo 6.53 Considere a parábola 𝑦 = 𝑥 2 + 4 no intervalo I=[-2,2].


Determine a integral de linha do campo escalar 𝑓(𝑥, 𝑦) = |𝑥| no intervalo
dado.

Solução. Como a curva esta definida na sua forma cartesiana, então


podemos imediatamente aplicar a equação da integral de linha anterior,
logo, precisamos calcular a integral a seguir:
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𝒅𝒚 𝟐
∫ 𝑓(𝑥, 𝑦) 𝑑𝑠 = ∫ |𝒙| √𝟏 + ( ) 𝒅𝒙
𝒅𝒙
𝛾 𝜸

𝑑𝑦
Como : 𝑦 = 𝑥 2 + 4 entao : = 2𝑥
𝑑𝑥

∫𝛾 𝑓(𝑥, 𝑦) 𝑑𝑠 = ∫𝛾 |𝑥| √1 + 4𝑥 2 𝑑𝑥, sendo −2 ≤ 𝑥 ≤ 2.

𝑥, 𝑥 ≥ 0
Como |𝑥 | = {
−𝑥, 𝑥 < 0
𝑥=2

𝐼 = ∫ 𝑓(𝑥, 𝑦) 𝑑𝑠 = ∫ |𝑥|√1 + 4𝑥 2 𝑑𝑥
𝛾 𝑥=−2

𝑥=0 𝑥=2

= ∫ (𝑥)√1 + 4𝑥 2 𝑑𝑥 + ∫ (−𝑥)√1 + 4𝑥 2 𝑑𝑥
𝑥=−2 𝑥=0

Por substituição: 𝑢 = 1 + 4𝑥 2 logo 𝑑𝑢 = 8 𝑥 𝑑𝑥


1
17 17
1/2
𝑑𝑢 1/2
𝑑𝑢 𝑑𝑢
𝐼 = ∫𝑢 −∫ 𝑢 = −2 ∫ 𝑢1/2
8 1 8 1 8
17

1 𝑢3/2 17 −1
𝐼=− |1 = (173/2 − 1)
3
4 ( ) 6
2
Resposta.

Exemplo 6.54.- Considere a função escalar 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = (𝑥 2 +𝑦 2 )𝑧 2 .


Determine a integral de linha de 𝑓, ao longo da curva
𝑟⃗(𝑡) = (acos(𝑡) , asin(𝑡) , 𝑏𝑡), do ponto 𝐴 = (𝑎, 0,0) ao ponto 𝐵 =
3𝜋𝑏
(0, −𝑎, ). a e b são constantes numéricas arbitrarias.
2

Solução.-

Primeiro iremos calcular o elemento diferencial de comprimento de arco

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𝑑𝑠 = 𝑣(𝑡)𝑑𝑡

Para isto derivamos a função vetorial que define a curva

𝑑𝑟⃗(𝑡)
𝑟⃗(𝑡) = (acos(𝑡) , asin(𝑡) , 𝑏𝑡) → = (− asin(𝑡) , acos(𝑡) , 𝑏)
𝑑𝑡
Tomando modulo:

𝑑𝑟⃗(𝑡)
𝑣(𝑡) = | | = √𝑎 2 + 𝑏 2
𝑑𝑡

dai que,

𝑑𝑠 = √𝑎2 + 𝑏 2 𝑑𝑡

Logo na definição da integral de linha

∫ 𝑓(𝑥, 𝑦) 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓(𝑥, 𝑦)| 𝛾 𝑑𝑠


𝛾 𝛾

𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧)| 𝛾 = (𝑥 2 +𝑦 2 )𝑧 2 |𝛾 = (𝑎2 cos(𝑡)2 + 𝑎2 sin(𝑡)2 )𝑏2 𝑡 2 |

𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧)| 𝛾 = 𝑎2 𝑏 2 𝑡 2

Logo,

∫ 𝑓(𝑥, 𝑦) 𝑑𝑠 = ∫ 𝑎2 𝑏 2 𝑡 2 √𝑎2 + 𝑏 2 𝑑𝑡
𝛾 𝛾

𝑡2

∫ 𝑓(𝑥, 𝑦) 𝑑𝑠 = 𝑎2 𝑏 2 √𝑎2 + 𝑏 2 ∫ 𝑡 2 𝑑𝑡
𝛾 𝑡1

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𝑡 3 𝑡2
∫ 𝑓(𝑥, 𝑦) 𝑑𝑠 = 𝑎 2 𝑏 2 √𝑎 2 + 𝑏2 |
3 𝑡1
𝛾

Determinando os limites de integração

𝐴 = (𝑎, 0,0) = 𝑟⃗(𝑡1 ) = (acos(𝑡1 ) , asin(𝑡1 ) , 𝑏𝑡1 )

Dai que 𝑡1 = 0, de forma similar

3𝜋𝑏
𝐵 = (0, −𝑎, ) = 𝑟⃗(𝑡2 ) = (acos(𝑡2 ) , asin(𝑡2 ) , 𝑏𝑡2 )
2

3𝜋
Dai que, 𝑡2 =
2

Finalmente

𝜋3
∫ 𝑓(𝑥, 𝑦) 𝑑𝑠 = 9𝑎2 𝑏 2 √𝑎2 + 𝑏2
8
𝛾

6.52.- Integral de linha de um campo vetorial.


Seja 𝛾 uma curva suave de classe C1 (primeira derivada

continua) : [𝑎, 𝑏] ⊂ 𝑅 → 𝑅𝑛 . Parametrizamos a curva da seguinte forma:

𝛾: [𝑎, 𝑏] ⊂ 𝑅 → 𝐷 ⊂ 𝑅𝑛

𝑡 ⟼ 𝑟(𝑡) = (𝑥1 (𝑡), 𝑥2 (𝑡), . . , 𝑥𝑛 (𝑡)).

A imagem da função vetorial 𝛾 é uma curva que se encontra no conjunto


𝐷 ⊂ 𝑅𝑛 .

Seja 𝐹⃗ : 𝐷 ⊂ 𝑅𝑛 → 𝑅 𝑚 uma campo vetorial (função vetorial de variável


vetorial)

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s0 s1
si Si+
1

∆Si
 sn
a r r
γ
t

b R Rn

Definição. Seja a partição 𝑃 = {𝑠0 , 𝑠1 , … , 𝑠𝑛 } da curva γ, tal que :

𝑟(𝑎) = 𝑠0 < 𝑠1 < 𝑠3 < ⋯ < 𝑠𝑖 < 𝑠𝑖+1 < 𝑠𝑛 = 𝑟(𝑏),

sendo ∆𝑆𝑖 = 𝑠𝑖+1 − 𝑠𝑖 . Logo

⃗⃗ . 𝒅𝒓
∫𝜸 𝑭 ⃗⃗ = 𝐥𝐢𝐦∆𝒔→𝟎 ∑𝒏−𝟏 ⃗⃗
𝒊=𝟎 𝑭(𝒓(𝒕𝒊 )). (𝒓
⃗⃗(𝒕𝒊+𝟏 ) − 𝒓
⃗⃗(𝒕𝒊 )).

Produto escalar no espaço 𝑅 𝑛

Observe que uma partição na curva γ, implica uma partição no domínio


[a,b]; e ∆𝒔 = 𝒎á𝒙{∆𝑆𝑖 }.

Como a função vetorial r(t) é diferençável então,


𝑑𝑟⃗
𝑑𝑟⃗ = 𝑑𝑡 = 𝑣⃗(𝑡)𝑑𝑡 , logo
𝑑𝑡

⃗⃗ . 𝒅𝒓
∫𝑭 ⃗⃗ (𝜸(𝒕)) . 𝒗
⃗⃗ = ∫ 𝑭 ⃗⃗(𝒕)𝒅𝒕
𝜸 𝜸

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Exemplo 6.521.- Considere o campo vetorial ⃗𝑭⃗ = (−𝑦, 𝑥) e a curva


⃗⃗ . 𝒅𝒓
𝑟(𝑡) = (sin(𝑡) , cos(𝑡)), 𝑡 ∈ 𝑅. Determine ∫𝜸 𝑭 ⃗⃗ no intervalo 𝑡 = 0 a
𝑡 = 4𝜋

Solução.-

∫ ⃗𝑭⃗ . 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫ ⃗𝑭⃗ (𝜸(𝒕)) . 𝒗
⃗⃗(𝒕)𝒅𝒕
𝜸 𝜸

⃗⃗ avaliado ao longo do caminho 𝛾 fica:


O campo vetorial 𝑭

𝐹⃗ (𝛾(𝑡)) = (−𝑦(𝑡), 𝑥(𝑡)) = (− cos(𝑡) , sin(𝑡)), e

𝑣⃗(𝑡) = (𝑐𝑜𝑠(𝑡), −𝑠𝑖𝑛(𝑡)), e assim :

𝐹⃗ . 𝑣⃗(𝑡) = (−𝑐𝑜𝑠(𝑡)2 − 𝑠𝑖𝑛(𝑡)2 ) = −1

𝑡=4𝜋

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ (−1) 𝑑𝑡 = −4𝜋


𝛾 𝑡=0

Propriedades de integral de linha

Sejam os campos escalares 𝑓, 𝑔 : 𝑅 𝑛 → 𝑅 e os campos vetoriais

𝐹⃗ , 𝐺⃗ ∶ 𝑅𝑛 → 𝑅𝑛 . Considere uma curva 𝛾 de classe 𝐶 1 , a e b são


constantes numéricas, então:

1) Linearidade das integrais de linha

∫ (𝑎 𝑓 + 𝑏 𝑔)𝑑𝑠 = 𝑎 ∫ 𝑓 𝑑𝑠 + 𝑏 ∫ 𝑓 𝑑𝑠
𝛾 𝛾 𝛾

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∫ (𝑎 𝐹⃗ + 𝑏 𝐺⃗ ). 𝑑𝑟⃗ = 𝑎 ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + 𝑏 ∫ 𝐺⃗ . 𝑑𝑟⃗


𝛾 𝛾 𝛾

2) Integral de linha de um campo escalar ou vetorial numa curva 𝜸


seccionalmente contínua

Seja 𝛾 uma curva tal que é a união de um número finito 𝑛 (𝑛 ∈ 𝑁)


de curvas parciais, ou seja: 𝛾 = 𝛾1 ⋃ 𝛾2 ⋃ 𝛾3 ⋃ … . ⋃ 𝛾𝑛 = ⋃𝑖=𝑛
𝑖=1 𝛾𝑖 e
1
𝑟⃗(𝑡) é uma função vetorial de classe 𝐶 que parametriza
seccionalmente a curva 𝛾, então

∫ 𝑓 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓 𝑑𝑠1 + ∫ 𝑓 𝑑𝑠2 +. . ∫ 𝑓 𝑑𝑠𝑛


𝛾 𝛾1 𝛾2 𝛾𝑛

Sendo |𝑑𝑠𝑖 | = |𝑑𝑟⃗| restrita á curva 𝛾𝑖 (𝑖 = 1,2, . . . 𝑛).

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ +. . ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗


𝛾 𝛾1 𝛾2 𝛾𝑛

Onde o 𝑑𝑟⃗ em cada integral está restrito a cada curva parcial.

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ect/ufrn

2
n

1
3

 .....

3) Seja 𝛾 uma curva arbitraria entre os pontos A e B, então:

3 a)
𝐴→𝐵 𝐵→𝐴

∫ 𝑓 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓 . 𝑑𝑠
𝛾 𝛾

3 b)
𝐴→𝐵 𝐵→𝐴

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = − ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗
𝛾 𝛾

Sendo 𝐹⃗ um campo vetorial, e 𝑓 um campo escalar.

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Exemplo para 3 a)

Seja a curva 𝛾 definida pela circunferência 𝑥 2 + 𝑦 2 = 4 , considere a


integral de linha do campo escalar 𝑓(𝑥, 𝑦) definido no plano 𝑅2 . Verifique
que
𝐴→𝐵 𝐵→𝐴

∫ 𝑓 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓 . 𝑑𝑠
𝛾 𝛾

A=(0,2), B=(2,0)
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ect/ufrn

Solução
𝐴→𝐵
⋇ Calculando ∫𝛾 𝑓 𝑑𝑠

Uma parametrização valida no percurso 𝐴 → 𝐵 (sentido horário ) é

𝑥(𝑡) = 2 sin(𝑡) , 𝑦(𝑡) = 2cos(𝑡)

Pois obedece a equação da circunferência, logo

𝛾⃗(𝑡) = (2 sin(t) , 2 cos(t))


𝜋 𝜋
Além de isso 𝛾⃗(0) = (0,2) e 𝛾⃗ ( ) = (2,0), por tanto 0 ≤ 𝑡 ≤
2 2

Dai que

𝐴→𝐵 𝐴→𝐵

∫ 𝑓 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓(𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) 𝑣(𝑡)𝑑𝑡


𝛾 𝛾

Derivando a função vetorial que define a curva

𝛾⃗̇ (𝑡) = (2 cos(t) , −2sin(t)) → |𝛾⃗̇(𝑡)| = 𝑣(𝑡) = 2

𝜋
𝐴→𝐵 2

∫ 𝑓 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓(𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) 2 𝑑𝑡
𝛾 0

𝜋
𝐴→𝐵 2

∫ 𝑓 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓(2 sin(𝑡),2 cos(𝑡)) 2 𝑑𝑡


𝛾 0

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ect/ufrn

𝐵→𝐴
⋇ Agora vamos integral ∫𝛾 𝑓 . 𝑑𝑠

Devemos parametrizar de tal forma que devemos percorrer a mesma


curva no sentido inverso ao anterior(sentido anti-horário).

Proposta de parametrização (𝐵 → 𝐴) :

𝑥(𝑢) = −2sin(u), 𝑦(𝑢) = 2cos(𝑢)

Pois obedece a equação da circunferência, logo

𝛾⃗(𝑢) = (−2sin(u), 2cos(u))

Além de isso
𝜋
𝛾⃗ (− ) = (2,0) = 𝐵 e 𝛾⃗(0) = (0,2) = 𝐴, por tanto o parâmetro 𝑢 varia
2
de
𝜋
− a 0.
2

Dai que

𝐵→𝐴 𝐵→𝐴

∫ 𝑓 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓(𝑥(𝑢), 𝑦(𝑢) ) 𝑣(𝑢)𝑑𝑢


𝛾 𝛾

Derivando a função vetorial que define a curva

𝛾⃗̇ (𝑢) = (−2 cos(u) , −2sin(u)) → |𝛾⃗̇(𝑢)| = 𝑣(𝑢) = 2

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ect/ufrn
𝐵→𝐴 0

∫ 𝑓 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓(𝑥(𝑢), 𝑦(𝑢) ) 2 𝑑𝑢
𝛾 𝜋

2

𝐵→𝐴 0

∫ 𝑓 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓(−2 sin(𝑢) , 2 cos(𝑢)) 2 𝑑𝑢


𝛾 𝜋

2

Fazendo uma mudança de coordenadas: 𝑡 = −𝑢


𝜋 𝜋
𝑢 = 0 → 𝑡 = 0; 𝑢 = − →𝑡=
2 2
𝐵→𝐴 0

∫ 𝑓 𝑑𝑠 = ∫ 𝑓(−2 sin(−𝑡) , 2 cos(−𝑡)) 2(− 𝑑𝑡)


𝛾 𝜋
2

Utilizando propriedades de paridade de funções trigonométricas


𝐵→𝐴 0

∫ 𝑓 𝑑𝑠 = − ∫ 𝑓(2 sin(𝑡) , 2 cos(𝑡)) 2 𝑑𝑡


𝛾 𝜋
2

𝝅
𝑩→𝑨 𝟐

∫ 𝒇 𝒅𝒔 = ∫ 𝒇(𝟐 𝐬𝐢𝐧(𝒕) , 𝟐 𝐜𝐨𝐬(𝒕)) 𝟐 𝒅𝒕


𝜸 𝟎

As integrais em azul são idênticas, para qualquer função escalar 𝑓(𝑥, 𝑦)

Com isto, foi verificado que a integral de linha de um campo escalar

é a mesma quando trocamos a orientação da curva entre os mesmos


pontos.

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64
ect/ufrn

Exemplo para 3b) Verifique a relação

𝐴→𝐵 𝐵→𝐴

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = − ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗
𝛾 𝛾

No caso quando o campo vetorial é: 𝐹⃗ = (𝑥𝑧 + 𝑦 2 , −𝑥𝑦, 𝑧 2 ) e o trajeto a


mesma da figura anterior.

Solução.-
𝐴→𝐵
⋇ Calculando ∫𝛾 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗

𝐴→𝐵 𝐵

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫(𝑥𝑧 + 𝑦 2 , −𝑥𝑦, 𝑧 2 ). (𝑑𝑥, 𝑑𝑦, 𝑑𝑧)


𝛾 𝐴

𝐴→𝐵 (2,0)

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ ((𝑥𝑧 + 𝑦 2 )𝑑𝑥 − 𝑥𝑦𝑑𝑦 + 𝑧 2 𝑑𝑧)


𝛾 (0,2)

Como a trajetória está inteiramente no plano 𝑥𝑦: 𝑧 = 0 𝑒 𝑑𝑧 = 0

𝐴→𝐵 (2,0) 𝟐 𝟎

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ (𝑦 2 𝑑𝑥 − 𝑥𝑦𝑑𝑦 ) = ∫ 𝒚𝟐 𝒅𝒙 − ∫ 𝒙𝒚𝒅𝒚


𝛾 (0,2) 𝟎 𝟐

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ect/ufrn
𝐵→𝐴
⋇ Calculando ∫𝛾 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗

𝐵→𝐴 𝐴

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫(𝑥𝑧 + 𝑦 2 , −𝑥𝑦, 𝑧 2 ). (𝑑𝑥, 𝑑𝑦, 𝑑𝑧)


𝛾 𝐵

𝐵→𝐴 (0,2)

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ ((𝑥𝑧 + 𝑦 2 )𝑑𝑥 − 𝑥𝑦𝑑𝑦 + 𝑧 2 𝑑𝑧)


𝛾 (2,0)

Como a trajetoria esta inteiramente no plano xy, 𝑧 = 0 𝑒 𝑑𝑧 = 0

𝐵→𝐴 (0,2) 0 2

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ (𝑦 2 𝑑𝑥 − 𝑥𝑦𝑑𝑦) = ∫ 𝑦 2 𝑑𝑥 − ∫ 𝑥𝑦𝑑𝑦


𝛾 (2,0) 2 0

𝐵→𝐴 𝟐 𝟎

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = −(∫ 𝒚𝟐 𝒅𝒙 + ∫ 𝒙𝒚𝒅𝒚)


𝛾 𝟎 𝟐

As integrais em azul são exatamente iguais salvo um sinal negativo, logo


𝐴→𝐵 𝐵→𝐴
A relação inicial ∫𝛾 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = − ∫𝛾 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ foi verificada no exemplo.

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Propriedade: Considere duas curvas 𝛿 𝑒 𝜑 fechas com um lado em


comum a seguir : 𝛿 = 𝛾1 ∪ 𝛾− e 𝜑 = 𝛾+ ∪ 𝛾2 . Provar que:

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗


𝛿 𝜑 𝛾1 ∪𝛾2

Sendo as duas curvas com a mesma orientação horária.

1

B

A


3

Prova:

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗


𝛿 𝛾1 ∪𝛾− 𝛾1 𝛾−

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∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗


𝜑 𝛾+ ∪𝛾2 𝛾+ 𝛾2

Porem

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = − ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗
𝛾− 𝛾+

Somando as duas equações anteriores e simplificando

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗


𝛿 𝜑 𝛾1 𝛾2

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗


𝛿 𝜑 𝛾1 ∪𝛾2

⃗⃗. 𝒅𝒓
Exemplo 6.522 Determinar a seguinte integral de linha ∫𝜸 𝑭 ⃗⃗ ao
longo da curva 𝛾 definida na figura a seguir.

𝛾: 𝐴 → 𝐵 → 𝐶

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y
A

B x

O campo vetorial é ⃗𝑭⃗(𝑥, 𝑦) = (𝑥 + 𝑦 + 4, 𝑥 + 𝑦 2 ) ,


A=(4,4);B=(0,0),C=(8,0).

Solução.-

Primeiro método

∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ + ∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗
𝜸 𝜸𝟏 𝜸𝟐

Sendo 𝛾 = 𝛾1 ∪ 𝛾2

I) Tramo 𝐴 → 𝐵 (𝛾1 )

A equação cartesiana da reta que passa pelos pontos A e B é


𝑦 = 𝑥, já que o coeficiente angular é 1. Se nos restringimos ao
segmento ̅̅̅̅
𝐴𝐵 a equação seria

𝑦 = 𝑥, 0 ≤ 𝑥 ≤ 4

Como a curva tem orientação, lembrar que no ponto inicial A, 𝒙 = 𝟒, e no


ponto final B, 𝒙 = 𝟎.

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Calculando a integral
𝑩

∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫ ⃗𝑭⃗|𝜸𝟏 . 𝒅𝒓
⃗⃗
𝜸𝟏 𝑨

Avaliando o campo ⃗𝑭⃗ ao longo da curva 𝜸𝟏

𝐹⃗ (𝑥, 𝑦) = (𝑥 + 𝑥 + 4, 𝑥 + 𝑥 2 )

também

𝑑𝑟⃗ = (𝑑𝑥, 𝑑𝑦) = (𝑑𝑥, 𝑑𝑥)

Substituindo
𝑩

⃗⃗. 𝒅𝒓
∫𝑭 ⃗⃗ = ∫(𝑥 + 𝑥 + 4, 𝑥 + 𝑥 2 ). (𝑑𝑥, 𝑑𝑥)
𝜸𝟏 𝑨

𝟎
3𝑥 2 𝑥3 0 184
∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫(3𝑥 + 4 + 𝑥 2 ) 𝑑𝑥 = ( + 4𝑥 + )4 = −
2 3 3
𝜸𝟏 𝟒

II Tramo 𝐵 → 𝐶 (𝛾1 )

Equação cartesiana do segmento de reta 𝐵𝐶

𝑦 = 0, 𝑥 ∈ [0,8]

Observe que quando 𝑥 = 0 estamos no ponto B, e quando 𝑥 = 8 estamos


no ponto final C.

Calculando a integral

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∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫ ⃗𝑭⃗|𝜸𝟐 . 𝒅𝒓
⃗⃗
𝜸𝟐 𝑨

Avaliando o campo ⃗𝑭⃗ ao longo da curva 𝜸𝟐

𝐹⃗ (𝑥, 𝑦) = (𝑥 + 0 + 4, 𝑥)

Também

𝑑𝑟⃗ = (𝑑𝑥, 𝑑𝑦) = (𝑑𝑥, 0)

Substituindo
𝑩

∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫(𝑥 + 4, 𝑥). (𝑑𝑥, 0)
𝜸𝟐 𝑨

∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫(𝑥 + 4) 𝒅𝒙
𝜸𝟐 𝟎

𝑥2
⃗⃗
∫ 𝑭. 𝒅𝒓 = ( + 4 𝑥) |𝟖𝟎 = 64
⃗⃗
2
𝜸𝟐

Finalmente

184 8
⃗⃗. 𝒅𝒓
∫𝑭 ⃗⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫ 𝑭 ⃗⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ + ∫ 𝑭 ⃗⃗ = − + 64 =
3 3
𝜸 𝜸𝟏 𝜸𝟐

Segundo método

∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ + ∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗
𝜸 𝜸𝟏 𝜸𝟐

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Sendo 𝛾 = 𝛾1 ∪ 𝛾2

Primeiro iremos parametrizar a curva 𝛾1

II) Tramo AB

A equação cartesiana da reta que passa pelos pontos A e B é


𝑦 = 𝑥, já que o coeficiente angular é 1. Se nos restringimos ao
segmento 𝐴𝐵̅̅̅̅ a equação seria

𝑦 = 𝑥, 0 ≤ 𝑥 ≤ 4

Podemos parametrizar a curva de forma que o ponto inicial seja A e o


ponto final seja B.

A escolha mais natural da parametrização é:

𝑥 = 4 − 𝑡,

𝑦 = 4 − 𝑡,

Sendo 0 ≤ 𝑡 ≤ 4.

A função vetorial que descreve o segmento de reta ̅̅̅̅


𝐴𝐵 é

𝑟⃗(𝑡) = (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = (4 − 𝑡, 4 − 𝑡), 0≤𝑡≤4

É fácil verificar que :

𝑟⃗(0) = (4,4) → 𝐴

𝑟⃗(4) = (0,0) → 𝐵

Quer dizer que quando o parâmetro 𝑡 aumenta de 0 a 4 a curva(segmento


̅̅̅̅
𝐴𝐵) é percorrida no sentido de A a B.

Calculando a integral
𝑩

∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫ ⃗𝑭⃗|𝜸𝟏 . 𝒅𝒓
⃗⃗
𝜸𝟏 𝑨

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Avaliando o campo ⃗𝑭⃗ ao longo da curva 𝜸𝟏

𝐹⃗ (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = (𝑥(𝑡) + 𝑦(𝑡) + 4, 𝑥(𝑡) + 𝑦(𝑡)2 )

Na curva 𝜸𝟏 : 𝑥 = 4 − 𝑡, 𝑦 = 4 − 𝑡

𝐹⃗ (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = (12 − 2𝑡, 4 − 𝑡 + (4 − 𝑡)2 )

𝐹⃗ (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = (12 − 2𝑡, 20 − 9𝑡 + 𝑡 2 )

𝑑𝑟⃗ = (𝑑𝑥, 𝑑𝑦) = (−𝑑𝑡, −𝑑𝑡)

Substituindo
𝑩

⃗⃗. 𝒅𝒓
∫𝑭 ⃗⃗ = ∫(12 − 2𝑡, 20 − 9𝑡 + 𝑡 2 ). (−𝑑𝑡, −𝑑𝑡)
𝜸𝟏 𝑨

∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = − ∫(32 − 11𝑡 + 𝑡 2 ) 𝒅𝒕
𝜸𝟏 𝟎

11𝑡 2 𝑡 3 𝟒 184
∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = − (32𝑡 − + ) |𝟎 = −
2 3 3
𝜸𝟏

II Tramo BC

Equação cartesiana do segmento de reta 𝐵𝐶

𝑦 = 0, 𝑥 ∈ [0,8]

Uma escolha de parametrização é 𝑥 = 𝑡, 𝑦 = 0, 0 ≤ 𝑡 ≤ 8.

A função vetorial que descreve o segmento de reta ̅̅̅̅


𝐵𝐶 é

𝑟⃗(𝑡) = (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = (𝑡, 0), 0≤𝑡≤8

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É fácil verificar que :

𝑟⃗(0) = (0,0) → 𝐵

𝑟⃗(8) = (8,0) → 𝐶

Quer dizer que quando o parâmetro 𝑡 aumenta de 0 a 8 a curva(segmento


̅̅̅̅
𝐵𝐶 ) é percorrida no sentido de B a C.

Calculando a integral
𝑩

∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫ ⃗𝑭⃗|𝜸𝟐 . 𝒅𝒓
⃗⃗
𝜸𝟐 𝑨

Avaliando o campo ⃗𝑭⃗ ao longo da curva 𝜸𝟐

𝐹⃗ (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = (𝑥(𝑡) + 𝑦(𝑡) + 4, 𝑥(𝑡) + 𝑦(𝑡)2 )

Na curva 𝜸𝟐 : 𝑥 = 𝑡, 𝑦 = 0

𝐹⃗ (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = (𝑡 + 4, 𝑡)

𝑑𝑟⃗ = (𝑑𝑥, 𝑑𝑦) = (𝑑𝑡, 0𝑑𝑡)

Substituindo
𝑩

∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫(𝑡 + 4, 𝑡). (𝑑𝑡, 0𝑑𝑡)
𝜸𝟐 𝑨

∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫(𝑡 + 4) 𝒅𝒕
𝜸𝟐 𝟎

𝑡2
⃗⃗ ⃗⃗ = ( + 4𝑡) |𝟖𝟎 = 64
∫ 𝑭. 𝒅𝒓
2
𝜸𝟐

Finalmente
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184 8
∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ + ∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = − + 64 =
3 3
𝜸 𝜸𝟏 𝜸𝟐

Observação.- A escolha da parametrização não é única. Podemos escolher


uma infinidade de possibilidades, em geral temos a formula da
reparametrização: 𝑡 = 𝑔(𝑡 ′ ) , sendo que :

a) Se 𝑔(𝑡 ′ ) é monotonamente crescente, então, 𝑟⃗(𝑡) e 𝑟⃗(𝑡′) são


parametrizações que preservam a orientação
b) Se 𝑔(𝑡 ′ ) é monotonamente decrescente, então, 𝑟⃗(𝑡) e 𝑟⃗(𝑡′) são
parametrizações que tem a orientação oposta.

6.6 Aplicações de integral de linha


6.61.- Massa de arames
Exemplo 6.611 Um arame em forma de hélice 𝛾 é parametrizada pela
função vetorial 𝑟(𝑡) = (𝑐𝑜𝑠(𝑡), 𝑠𝑖𝑛(𝑡),2𝑡). Determine a massa do arame
no intervalo 𝑡 ∈ [0, 2𝜋] nos seguintes casos.

a) O arame tem densidade uniforme 𝜌(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 2


b) O arame tem densidade 𝜌(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝑧 (𝑥 2 + 𝑦 2 )

Solução.-

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Sabemos : para o elemento de

massa diferencial:

𝑑𝑚
𝜌=
𝑑𝑠

dm

r(t)

𝑀𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = ∫ 𝑑𝑚 = ∫ 𝜌(𝑥, 𝑦, 𝑧) 𝑑𝑠
ℎé𝑙𝑖𝑐𝑒 𝛾

A integral anterior de fato é uma integral de linha de um campo


escalar, neste caso o campo escalar é a densidade 𝜌: 𝑅3 → 𝑅
definida na questão.

Resolvendo item b.

𝑀𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = ∫ 𝜌(𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡)) 𝑣(𝑡)𝑑𝑡


𝛾

Como a hélice tem a seguinte parametrização :


𝑟(𝑡) = (𝑐𝑜𝑠(𝑡), 𝑠𝑖𝑛(𝑡), 2𝑡), então a densidade sobre o arame é :

𝜌(𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡), 𝑧(𝑡) = 2𝑡(cos(𝑡)2 + sin(𝑡)2 ) = 2𝑡


𝑑𝑟⃗(𝑡)
Por outro lado, = (− sin(𝑡) , cos(𝑡) , 2), logo :
𝑑𝑡

𝑑𝑟⃗(𝑡)
𝑣(𝑡) = | | = √5
𝑑𝑡

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𝑡=2𝜋

𝑀𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = ∫ 2𝑡 √5 𝑑𝑡 = ∫ 2𝑡 √5 𝑑𝑡 = 4 𝜋 2 √5
𝛾 𝑡=0

6.62.- Área da parede vertical sobre uma curva


plana. A integral de linha de uma função de duas variáveis
(função escalar ou campo escalar) tem uma interpretação
geométrica evidente. Ela pode ser utilizada para calcular a área de
uma parede construída por cima de uma curva plana qualquer.
Considere γ uma curva no plano xy e diferençável.

z Elemento de área

infinitesimal

𝒅𝑨 = 𝒅𝒔 𝒉

Seja h(x,y) uma função real de variável vetorial definida ao longo

da curva γ, que pode ser interpretada como a altura da parede em cada


ponto (x,y) da curva γ. De acordo a figura anterior, podemos integrar o
elemento de área infinitesimal 𝒅𝑨 = 𝒉(𝒙, 𝒚) 𝒅𝒔 ao longo da curva γ,
assim temos a área total da parede vertical :

𝐴𝑝𝑎𝑟𝑒𝑑𝑒 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙 = ∫ 𝑑𝐴 = ∫ ℎ(𝑥, 𝑦) 𝑑𝑠


𝛾
𝛾

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A relação anterior é uma expressão típica da integral de linha de


um campo escalar.

Exercício 6.621.- considere uma circunferência 𝑥 2 + 𝑦 2 = 4, por


cima desta curva construímos uma parede vertical, tal que altura
dessa parede seja variável de acordo ℎ(𝑥, 𝑦) = 8(𝑥 + 𝑦) determine
a área total da parede vertical para 0 ≤ x ≤ 2.

Solução.

Observe que a parede vertical se encontra unicamente no primeiro


oitante, desde que : 0 ≤ x ≤ 2.

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𝐴𝑝𝑎𝑟𝑒𝑑𝑒 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙 = ∫ 𝑑𝐴 = ∫ ℎ(𝑥, 𝑦) 𝑑𝑠


𝛾
𝛾

Parametrizando a circunferência: x2+y2=4.


𝜋
𝑥 = 2 cos(𝑡) , 𝑦 = 2 sin(𝑡) , 0≤𝑡≤
2
A função vetorial que descreve o quarto de circunferência é :

𝑟(𝑡) = (2 cos(𝑡) , 2 sin(𝑡)), tal que :


𝜋
𝑟(0) = (2,0), 𝑟 ( ) = (0,2)
2

𝐴𝑝𝑎𝑟𝑒𝑑𝑒 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙 = ∫ ℎ(𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) 𝑣(𝑡) 𝑑𝑡


𝛾

ℎ(𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = 𝑥(𝑡) + 𝑦(𝑡) = 2 cos(𝑡) + 2 sin(𝑡)

𝑣⃗(𝑡) = (−2 sin(𝑡) , 2 cos(𝑡)) → 𝑣(𝑡) = 2

Finalmente:
𝜋
𝑡=
2

𝐴𝑝𝑎𝑟𝑒𝑑𝑒 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙 = ∫ (2 cos(𝑡) + 2 sin(𝑡)). 2 𝑑𝑡


𝑡=0

𝐴𝑝𝑎𝑟𝑒𝑑𝑒 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙 = 4(sin(𝑡) − cos(𝑡))|0 = 8 2

Resposta.

Exemplo 6.622 Considere uma curva plana em forma de uma parábola


parametrizada da seguinte forma 𝑟(𝑡) = (𝑡, 4 − 𝑡 2 ). Por cima desta curva
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construímos uma parede vertical, tal que altura dessa parede seja variável
de acordo ℎ(𝑥, 𝑦) = 8|𝑥|, determine a área total da parede vertical para
−2 ≤ 𝑡 ≤ 2.

Solução.-

Seja a parábola 𝛾: 𝑅 → 𝑅2 , 𝑟(𝑡) = (𝑡, 4 − 𝑡 2 )

Na figura, consideremos uma elemento de arco diferencial 𝑑𝑠, numa


posição arbitraria (x,y,0) ao longo da curva 𝛾. Por cima de 𝒅𝒔 iremos
construir um elemento de área vertical que ate o topo da parede vertical,
logo

𝑑𝐴 = ℎ(𝑥, 𝑦)𝑑𝑠

h(x,y)

Na curva plana 𝑟(𝑡) = (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = (𝑡, 4 − 𝑡 2 ), temos

𝑑𝑠 = |𝑟̇ (𝑡)|𝑑𝑡 = |1, −2𝑡|𝑑𝑡 = √1 + 4 𝑡 2 𝑑𝑡

(x,y,0) ds Base da parede


vertical
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Também

ℎ(𝑥, 𝑦)|𝛾 = ℎ(𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) = 8|𝑡|

Logo o elemento de área 𝑑𝐴 fica

𝑑𝐴 = 8|𝑡|√1 + 4 𝑡 2 𝑑𝑡

Integrando ao longo da curva definida pelo intervalo −2 ≤ 𝑡 ≤ 2

2 2

𝐴(𝑝𝑎𝑟𝑒𝑑𝑒 𝑣𝑒𝑟𝑡𝑖𝑐𝑎𝑙) = ∫ 𝑑𝐴 = ∫ 8|𝑡|√1 + 4 𝑡 2 𝑑𝑡


−2 −2

A função integrando 𝑔(𝑡) = 8|𝑡|√1 + 4 𝑡 2 é função par, logo:


2 2
𝐴(𝑝𝑎𝑟𝑒𝑑𝑒 𝑣𝑒𝑟𝑡𝑖𝑐𝑎𝑙) = ∫−2 8|𝑡|√1 + 4 𝑡 2 𝑑𝑡 = 2 ∫0 8|𝑡|√1 + 4 𝑡 2 𝑑𝑡.

Para integrar, utilizamos o método de substituição 𝑢 = 1 + 4 𝑡 2

Daí, 𝑑𝑢 = 8 𝑡 𝑑𝑡
2
4 3
𝐴(𝑝𝑎𝑟𝑒𝑑𝑒 𝑣𝑒𝑟𝑡𝑖𝑐𝑎𝑙) = 2 ∫ √𝑢 𝑑𝑢 = (172 − 1)
3
0

Num projeto de monitoria junto com os alunos Maciel e Diego,


alunos da ect, temos implementado um site interativo que ajuda
nas contas desta parte da matéria.

http://aulainterativa.ect.ufrn.br/integral-linha/

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6.63.- Trabalho mecânico de uma força sobre uma


partícula.
Seja uma partícula de massa m realizando uma trajetória arbitraria
⃗⃗(𝒕) (equação de movimento). Seja
definida pela função vetorial 𝒓
também uma força ⃗𝑭⃗(𝒕) agindo sobre a partícula.

Logo o trabalho mecânico realizado pela força 𝐹⃗ (𝑡) sobre a


partícula é

⃗⃗ . 𝒅𝒓
𝑾𝑭𝜸 = ∫𝜸 𝑭 ⃗⃗ ou

𝑾𝑭𝜸 = ∫ ⃗𝑭⃗ (𝜸(𝒕)) . 𝒗


⃗⃗(𝒕)𝒅𝒕
𝜸

Exemplo 6.631.- Considere uma partícula de massa m=2 que descreve


uma trajetória parabólica do tipo 𝑟(𝑡) = (10𝑡, 100 + 10𝑡 − 5𝑡 2 ).
Determine o trabalho mecânico realizado pela força de gravidade
𝐹⃗𝑔 = −𝑚𝑔⃗ sobre a partícula no intervalo de tempo 𝑡 ∈ [0,3]. Sendo
𝑔⃗ = (0, −10).

Solução.-

Determinando a velocidade instantânea

𝑑𝑟⃗(𝑡)
= (10,10 − 10𝑡)
𝑑𝑡

𝐹⃗ (𝛾(𝑡)). 𝑣⃗(𝑡) = (0, −20). (10,10 − 10𝑡) = −200 + 200𝑡

Logo

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𝑊𝛾𝐹 = ∫ 𝐹⃗ (𝛾(𝑡)). 𝑣⃗(𝑡)𝑑𝑡 = ∫ (−200 + 200𝑡) 𝑑𝑡


𝛾 𝛾

𝑊𝛾𝐹 = (−200𝑡 + 100𝑡 2 )|30 = 300

6.64 Circulação de um campo elétrico.


Na eletrostática a integral de linha da intensidade do campo elétrico numa
curva aberta é denominada de circulação do campo elétrico, e tem uma
interpretação direta. Ela dá o valor da diferença de potencial (∆𝑉) entre os
extremos da curva γ.

∫ ⃗𝑬
⃗⃗ . 𝒅𝒓
⃗⃗ → 𝒄𝒊𝒓𝒄𝒖𝒍𝒂çã𝒐 𝒅𝒐 𝒄𝒂𝒎𝒑𝒐 𝒆𝒍𝒆𝒕𝒓𝒊𝒄𝒐 𝒏𝒂 𝒄𝒖𝒓𝒗𝒂 𝜸
𝜸

Considere uma distribuição de cargas elétricas que geram no espaço R3


campo elétrico. Considere também no entorno das cargas uma curva γ
suave e arbitraria, cujo extremo são os pontos 𝑝𝑓 e 𝑝𝑖 , logo :

∆𝑽 = ∫ ⃗𝑬
⃗⃗ . 𝒅𝒓
⃗⃗ = 𝑽(𝒑𝒇 ) − 𝑽(𝒑𝒊 )
𝜸

𝑉(𝑝𝑓 ) → Potencial elétrico no ponto final

𝑉(𝑝𝑖 ) → Potencial elétrico no ponto inicial.

∆𝑉 → é a diferença de potencial elétrico.

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pf
γ

+
pi

A demonstração da equação anterior vai ser feita na sua versão mais


geral, ou seja, quando estudarmos propriedades gerais de integral de linha
de campos conservativos (seção seguinte 6.7)

Em particular se termos um circuito simples formado por um condutor em


cujos extremos temos uma fonte de força eletromotriz, então a circulação
do campo elétrico ao longo do condutor é igual à diferença de potencial
entre os extremos do condutor que é exatamente a força eletromotriz
gerada pela fonte, assim:

𝒇. 𝒆. 𝒎 = ∫ ⃗𝑬
⃗⃗ . 𝒅𝒓
⃗⃗
𝜸

6.7 Integral de linha e campos conservativos


Teorema 6.71.- Seja ⃗𝑭⃗ um campo vetorial contínuo e conservativo
Definido num domínio 𝐷 ,tal que 𝐷 ⊂ 𝑅3 e 𝐹⃗ = ∇(𝑓) sendo 𝑓 uma
função escalar (função potencial de classe 𝐶 1 ). Seja 𝛾 uma curva aberta

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qualquer parametrizada, de classe 𝐶 1 (suave ou parcialmente suave),


contida em D unindo o ponto A e B, então :

∫𝜸 ⃗𝑭⃗ . 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫𝜸 ∇(𝑓) . 𝒅𝒓
⃗⃗ = 𝒇(𝑩) − 𝒇(𝑨)

Demonstração.-
Sendo 𝑓 uma função diferenciável então
𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝑑𝑓 = 𝑑𝑥 + 𝑑𝑦 + 𝑑𝑧 é a diferencial total de 𝑓.
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Entre tanto a relação anterior podemos reorganizar utilizando o produto


escalar, assim:

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝑑𝑓 = 𝑑𝑥 + 𝑑𝑦 + 𝑑𝑧 ≡ ( , , ) . (𝑑𝑥, 𝑑𝑦, 𝑑𝑧)
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

𝑑𝑓 = ∇(𝑓) . 𝑑𝑟⃗ , logo:

𝐵
∫𝛾 ∇(𝑓) . 𝑑𝑟⃗ = ∫𝐴 𝑑𝑓 = 𝑓(𝐴) − 𝑓(𝐵).

Corolário 1.- Considere uma curva 𝛾 fechada, nas condições do


teorema anterior, então o ponto inicial e ponto final coincidem, logo :
A=B e

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮ ∇(𝑓) . 𝑑𝑟⃗ = 0. (o percurso pode ser horário ou anti-horário)

A=
B
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Corolário 2.- Nas condições do teorema anterior, consideremos dois


ponto A e B arbitrários e diferente contidas no domínio D. considere
também dois caminhos arbitrários 𝛾 e 𝜑 entre os pontos A e B, então:

⃗⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗, sendo 𝐹⃗ um campo conservativo.


∫𝛾 F 𝜑

B
ϕ

Exemplo 6.71. Determine a integral de linha do campo conservativo


𝐹⃗ = (𝑦, 𝑥 + 𝑧, 𝑦) ao longo de uma circunferência 𝑥 2 + 𝑦 2 = 4, do ponto
𝐴 = (0,2,0) ao ponto 𝐵 = (0, −2,0), percorrido no sentido anti-horário.

Solução.

γ
B A
ϕ y

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A integral de linha do campo conservativo 𝐹⃗ = (𝑦, 𝑥 + 𝑧, 𝑦) no trajeto


circular de 𝐴 → 𝐵, em sentido anti-horário, pode-se calcular
parametrizando a equação da circunferência. Entre tanto, utilizando o
corolário 2, podemos calcular de uma forma mais fácil, escolhendo um
caminho mais apropriado, que seria o caminho reto (ϕ:verde)

∫𝛾 ⃗F⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫𝜑 𝐹⃗ (𝑟(𝑡)) . 𝑑𝑟⃗,

Parametrizando a curva 𝜑: 𝑟(𝑡) = (0, 𝑡, 0) → 𝑑𝑟 = (0, 𝑑𝑡, 0), 𝑡 ∈ [2, −2].

𝑟(2) = 𝐴, 𝑟(−2) = 𝐵. 𝐹⃗ (𝑟(𝑡)) = (𝑡, 0 + 0, 𝑡) = (𝑡, 0, 𝑡).

𝐵 𝐵

∫ 𝐹⃗ (𝑟(𝑡)) . 𝑑𝑟⃗ = ∫(𝑡, 0, 𝑡) . (0, 𝑑𝑡, 0) = ∫ 0 = 0


𝜑 𝐴 𝐴

Exemplo 6.72.- Considere a função potencial 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝑥𝑦 + 𝑥𝑧. E


considere a hélice 𝛾: 𝑟(𝑡) = (2 cos(𝑡) , 2 sin(𝑡) , 4𝑡), 0 ≤ 𝑡 ≤ 8𝜋.
Determine ∫ ⃗𝑭⃗ . 𝒅𝒓
𝜸
⃗⃗ entre os pontos 𝐴 = 𝑟(0) e 𝐵 = 𝑟(4𝜋), sendo
⃗𝑭⃗ = ∇(𝑓).

Solução.-

De acordo com o teorema, Como 𝐹⃗ é um campo conservativo, então a


integral de linha pode ser calculada utilizando unicamente a função
potencial, assim :

∫𝜸 ⃗𝑭⃗ . 𝒅𝒓
⃗⃗ = 𝒇(𝑩) − 𝒇(𝑨) .

𝐴 = 𝑟(0) = (2 𝑐𝑜𝑠(0), 2 𝑠𝑖𝑛(0), 4.0) = (2,0,0).

Similarmente

𝐵 = 𝑟(4𝜋) = (2 𝑐𝑜𝑠(4𝜋), 2 𝑠𝑖𝑛(4𝜋), 4.4𝜋) = (2,0,16𝜋), logo

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = 𝑓(2,0, 16𝜋) − 𝑓(2,0,0), 𝑜𝑛𝑑𝑒 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝑥𝑧 + 𝑥𝑧.


𝛾

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𝑓(2,0, 16𝜋) = 2.0 + 2.16𝜋 = 32𝜋,

𝑓(2,0, 0) = 2.0 + 2.0 = 0

∫𝛾 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = 32𝜋 − 0.

6.8 Fluxo de um campo vetorial


6.81 Fluxo do campo vetorial numa superfície aberta.
Consideremos uma superfície 𝑆 orientada definida no espaço 𝐷 ⊂ 𝑅3 , e
um campo vetorial 𝐹⃗ : 𝐷 ⊂ 𝑅3 → 𝑅3 .

Definição. Denomina-se fluxo ΦS𝐹 do campo vetorial 𝐹⃗ na superfície S,
à integral de superfície da projeção do campo 𝐹⃗ na direção normal à
superfície.


ΦS𝐹 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑠

Sendo 𝑑𝐴 o elemento diferencial de área relativa a superfície S, onde


estamos calculando o fluxo do campo 𝐹⃗ . O vetor unitário 𝑛⃗⃗ é um vetor
ortogonal ao elemento diferencial dA em S. Para que este vetor 𝑛⃗⃗ este
bem definido, a superfície tem que ser orientável, no caso, ainda tem
possibilidades, correspondentes aos lados opostos da superfície, basta
escolher um deles.

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Superf. Orientável

Superfície não orientável (superfície de Möbious)

Na figura a seguir podemos observar as linhas de campo atravessando a


superfície aberta S. Perceba que o produto escalar 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ varia de valor
ponto a ponto em toda a superfície S, desde que a superfície é arbitraria e
o campo vetorial também.

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n


z F

dA

S
Linha de campo

y
x

Dependendo do tipo de problema a resolver, o produto escalar pode ser


substituído por: 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ = |𝐹⃗ ||𝑛⃗⃗| cos(𝜃) = 𝐹 cos(𝜃).

Em caso de uma superfície fechada, vamos escolher o vetor unitário


normal (versor) direcionado para o lado de fora do domínio limitado pela
superfície S.

Propriedades de fluxos
a) O fluxo do campo vetorial 𝐹⃗ muda de sinal ao modificar a
orientação da superfície (ou seja, se trocamos a direção do vetor
unitário normal à superfície S).
b) Propriedade da linearidade

∬𝑠 (𝛼 𝐹⃗ + 𝛽 𝐺⃗ ). 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = 𝛼 ∬𝑠 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 + 𝛽 ∬𝑠 𝐺⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴

Onde 𝛼, 𝛽 são constantes numéricas.

c) Propriedade da atividade: Considere a superfície S composta pelas


partes S1,S2,...Sm, então o fluxo do campo 𝐹⃗ através de S é igual a
soma dos fluxos do campo 𝐹⃗ através das superfícies S1,S2,...Sm .

Seja

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ΦS𝐹 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑠

e
𝑖=𝑚

𝑆 = ⋃ 𝑆𝑚
𝑖=1

Logo:

𝑖=𝑚

∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∑ ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑠 𝑖=1 𝑆𝑚

Ou seja, o fluxo total é a soma dos fluxos parciais:


i=m
⃗ ⃗
ΦS𝐹 = ∑ ΦS𝐹m
i=1

Exemplo 6.811.- Dado uma circunferência fixa de radio 2 colocada no


plano x y, determine o fluxo do campo vetorial 𝐹⃗ através da superfície
limitada pela circunferência.

⃗⃗
a) Quando 𝐹⃗ = 5𝑘

⃗⃗
b) Quando 𝐹⃗ = 3𝑗⃗ + 4𝑘

c) Quando 𝐹⃗ = 𝑎𝑖⃗ + 𝑏𝑗⃗

Solução.-

a)

Primeiro vamos visualizar a configuração do campo em relação à


superfície circular. Observamos que o campo vetorial é ortogonal à
superfície circular de raio 2, logo :

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ect/ufrn


ΦS𝐹 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑠

𝐹⃗ = (0,0,5), 𝑛⃗⃗ = (0,0,1)

Por tanto : 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ = 5

n F

Finalmente:


ΦS𝐹 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∬ 5 𝑑𝐴 = 5 ∬ 𝑑𝐴 = 5 𝜋 22 = 20𝜋
𝑠 𝑆 𝑆

Área do círculo = 4π

b) No segundo caso, o campo vetorial constante 𝐹⃗ forma um ângulo


agudo em relação a normal à superfície circular S.

Campo 𝐹⃗ = (0,3,4),

Normal à superfície S : 𝑛⃗⃗ = (0,0,1), logo :

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ΦS𝐹 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∬(0,3,4). (0,0,1) 𝑑𝐴 = ∬ 4 𝑑𝐴
𝑠 𝑠 𝑆


ΦS𝐹 = 4. (π22 ) = 16π

n
F

Exemplo 6.812.- Considere um campo vetorial uniforme 𝐹⃗ = 𝐹𝑘 ⃗⃗ e


uma superfície circular de área A localizada em 3 distintas posições.

a) Superfície circular em posição horizontal


b) Superfície circular plana com normal 𝑛⃗⃗ = (0, 𝑎, 𝑏), 𝑎2 + 𝑏 2 = 1
c) Superfície circular plana com normal 𝑛⃗⃗ = (0, −1,0)

Solução

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n F
A
z
n
A
n y
x A

Construindo a figura que representa as três situações anteriores,


percebemos que algumas linhas de campo que atravessam o circulo
horizontal (a) não atravessa o circulo inclinado (b). Percebemos
também que todas as linhas de campo verticais são paralelas ao
circulo na posição vertical (c), logo podemos concluir que neste
ultimo caso, o fluxo é zero, desde que nenhuma linha de campo
atravessa a superfície circular.

Calculando o fluxo em cada caso:


a) ΦS𝐹 = ∬𝑠 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 sendo:

𝐹⃗ = (0,0, 𝐹), 𝑛⃗⃗ = (0,0,1)


ΦS𝐹 = ∬𝑠 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∬𝑠 (0,0, 𝐹). (0,0,1) 𝑑𝐴 = 𝐹 ∬𝑆 𝑑𝐴 = 𝐹𝐴


b) ΦS𝐹 = ∬𝑠 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 sendo:

𝐹⃗ = (0,0, 𝐹), 𝑛⃗⃗ = (0, 𝑎, 𝑏)

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ΦS𝐹 = ∬(0,0, 𝐹). (0,0, 𝑏) 𝑑𝐴
𝑠


ΦS𝐹 = 𝐹 𝑏 ∬ 𝑑𝐴 = 𝐹𝑏𝐴
𝑆

Observe que, 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ = 𝐹𝑏 ≡ |𝐹⃗ ||𝑛⃗⃗| cos(𝜃) =F cos(𝜃)



ΦS𝐹 = 𝐹𝐴𝑐𝑜𝑠(𝜃).

Sendo 𝞠 o ângulo formado pelo campo vetorial uniforme 𝐹⃗ e o


vetor unitário normal 𝑛⃗⃗ à superfície S.

Como: | cos(𝜃) | ≤ 1 entao :

⃗⃗
𝚽𝐛𝑭 < 𝚽𝐚⃗𝑭⃗


c) ΦS𝐹 = ∬𝑠 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 sendo:

𝐹⃗ = (0,0, 𝐹), 𝑛⃗⃗ = (0, −1,0)


ΦS𝐹 = ∬𝑠 (0,0, 𝐹). (0, −1,0) 𝑑𝐴 = 0.

Os três resultados anteriores indicam claramente que o fluxo de


um campo vetorial tem uma interpretação geométrica. Ela
determina o número de linhas de campo que atravessa uma
dada superfície.

Observe que dada a disposição da mesma superfície circular


(área A) em 3 posições distintas, o fluxo do campo vai depender
da posição relativa das linhas de campo em relação ao vetor

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unitário normal à superfície S. O fluxo será máximo na posição


inicial a, onde as linhas de campo são ortogonais a superfície S.

Na situação b, algumas linhas de campo que atravessam a


superfície S horizontal (a) não atravessa mais, ou seja o fluxo do
campo deve diminuir, isto se verifica ao realizar a conta
especifica.

Pior ainda, na situação (c), as linhas de campo são paralelas à


superfície S, logo elas não atravessam a superfície S. Ou seja, o
fluxo do campo vertical uniforme F sobre a superfície S é nulo.
Que esta de acordo com o resultado matemático feito a partir da
definição formal do fluxo do campo F.

Resumo:
⃗⃗⃗

ΦS𝐹 = 𝐹𝐴𝑐𝑜𝑠(𝜃). a) 𝜃 = 0, → Φ𝐹S = 𝐹𝐴𝑐𝑜𝑠(0) = 𝐹𝐴.
𝜋 ⃗
b) 0 < 𝜃 < , ΦS𝐹 = 𝐹𝐴𝑐𝑜𝑠(𝜃)
2
⃗⃗⃗⃗
𝐹
c) 𝜃 = 𝜋/2, → ΦS = 𝐹𝐴𝑐𝑜𝑠 (𝜋2) = 0
Sendo 𝞠 o ângulo formado pelo campo vetorial uniforme 𝐹⃗ e o
vetor unitário normal 𝑛⃗⃗ à superfície S.

6.82.- Fluxo de um campo vetorial numa superfície


fechada.
Consideremos um campo vetorial 𝐹⃗ arbitrário no espaço R3, e uma
superfície fechada S é orientável. É natural pensar que teremos linhas de
campo entrando e saindo através da superfície S. Para cada elemento de
área dA da superfície S, teremos um vetor unitário normal 𝑛⃗⃗,
convencionalmente apontando para fora da superfície.

Para calcular o fluxo total sobre uma superfície fechada S, realizaremos


uma integral de superfície da projeção do campo vetorial F na direção do
vetor unitário normal à ao elemento de área infinitesimal dA pra toda a
superfície fechada (ver figura)

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ΦS𝐹 = ∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑆

F 
F n
z
dA

x
Linhas de campo

F
𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ = 𝐹𝑐𝑜𝑠(𝜃)
n F cos(𝞠�)
𝞠�
dA

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Observação 1.- Observe que em geral o vetor unitário 𝑛⃗⃗ varia ponto a
ponto ao longo da superfície, o valor e a orientação do campo 𝐹⃗ varia
ponto a ponto, logo o ângulo entre o campo 𝐹⃗ e 𝑛⃗⃗ varia ponto a ponto
também.

Observação 2.- Caso a superfície fechada seja constituída por varias faces,
tipo um paralelepípedo, um tetraedro, uma cunha, etc. O calculo do fluxo
total na superfície fechada será simplesmente a soma aritmética dos
fluxos calculados em todas as faces. A seguir iremos calculo o fluxo de um
campo vetorial em algumas superfícies conhecidas: superfícies planas,
cilíndricas, esféricas.

Exemplo 6.821.- Dada um campo vetorial 𝐹⃗ = 4𝑗⃗ constante, determine o


fluxo deste campo através das diferentes faces do prisma triangular a
seguir.

F
C
D

A
E

A=(2,0,0), B=(0,4,0),C=(0,0,3), D=(2,0,3), E=(2,4,0).

Qual é o valor do fluxo total do campo vetorial 𝐹⃗ através da superfície


fechada definida pelo prisma?

Solução.-

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A superfície fechada tem 5 faces, iremos cálculos o fluxo em cada face por
separado, e logo o fluxo total será a soma algébrica dos fluxos em cada
face.

Por convenção o vetor unitário normal 𝑛⃗⃗ que forma parte da formula do
fluxo pra superfícies fechadas, sempre estará orientada para o lado de
fora da superfície

Seja O -> a origem de coordenadas, então:

Face 0CDA -> S1 -> 𝑛⃗⃗1 = (0, −1,0) ,

Face 0AEB -> S2 -> 𝑛⃗⃗2 = (0,0, −1) ,

Face DAE -> S3 -> 𝑛⃗⃗3 = (1,0,0) ,

Face 0BC -> S4 -> 𝑛⃗⃗4 = (−1,0,0) ,

Face DEBC -> S5 -> 𝑛⃗⃗5 =? ,

Para calcular o ultimo vetor unitário, vamos desenhar a vista de perfil do


solido.

 No triangulo retângulo junto aos eixos


z n5
coordenados, o ângulo 𝞠 (cuja tangente

𝞠 é 4/3 ) tem valor de 𝞠=530


𝞠�
3

y
4
Da figura anterior podemos determinar as componentes do vetor unitário
𝑛⃗⃗5 .

3 4
𝑛⃗⃗5 = (0, cos(𝜃) , sin(𝜃)) = (0, , )
5 5

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O fluxo total no prisma triangular “S” é :


ΦS𝐹 = ∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑆

Sendo 𝑆 = 𝑆1 ∪ 𝑆2 ∪ 𝑆3 ∪ 𝑆4 ∪ 𝑆5

Calculando o fluxo em cada face.

Face S1

𝐹⃗
ΦS1 = ∬S1 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗1 𝑑𝐴 sendo:

𝐹⃗ = (0,4,0), 𝑛⃗⃗1 = (0, −1,0)

𝐹 ⃗
ΦS1 = ∬(0,4,0). (0, −1,0) 𝑑𝐴 = −4 ∬ 𝑑𝐴 = −4(𝑎𝑟𝑒𝑎 𝑆1 )
S1 S1

𝐹 ⃗
ΦS1 = −4(2.3) = −24

Obs: O sinal negativo significa um fluxo entrante pela face S1, na


superfície fechada.

Face S2


𝐹
ΦS2 = ∬S2 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗2 𝑑𝐴 sendo:

𝐹⃗ = (0,4,0), 𝑛⃗⃗2 = (0,0, −1)

𝐹⃗
ΦS2 = ∬S2 (0,4,0). (0,0, −1) 𝑑𝐴 = 0.

Obs: o fluxo nulo quer dizer que por esta face não atravessa nenhuma
linha de campo.

Face S3

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𝐹⃗
ΦS3 = ∬S3 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗3 𝑑𝐴 sendo:

𝐹⃗ = (0,4,0), 𝑛⃗⃗3 = (1,0,0)

𝐹⃗
ΦS3 = ∬S3 (0,4,0). (1,0,0) 𝑑𝐴 = 0.

Face S4


𝐹
ΦS4 = ∬S4 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗4 𝑑𝐴 sendo:

𝐹⃗ = (0,4,0), 𝑛⃗⃗4 = (−1,0,0)

𝐹⃗
ΦS4 = ∬S4 (0,4,0). (−1,0,0) 𝑑𝐴 = 0.

Face S5


𝐹
ΦS5 = ∬S5 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗5 𝑑𝐴 sendo:

3 4
𝐹⃗ = (0,4,0), 𝑛⃗⃗5 = (0, , )
5 5
𝐹⃗ 3 4 12 12
ΦS5 = ∬S5 (0,4,0). (0, , ) 𝑑𝐴 = ∬S5 𝑑𝐴 = (𝑎𝑟𝑒𝑎 𝑆5 ).
5 5 5 5

𝐹⃗ 12
ΦS5 = 2.5 = 24
5

Finalmente :
⃗ ⃗ ⃗ ⃗ ⃗ ⃗
ΦS𝐹 = ΦS1
𝐹 𝐹
+ ΦS2 𝐹
+ ΦS3 𝐹
+ ΦS4 𝐹
+ ΦS5


ΦS𝐹 = −24 + 0 + 0 + 0 + 24 = 0

Conclusão: O fato que todas as linhas que entraram saíram significa que
o fluxo total na superfície fechada é nulo, logo significa também ausência

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de fontes ou sumidouros dentro da superfície fechada. Isto é porque na


região temos um campo uniforme.

Propriedade: Dada uma superfície fechada orientável e arbitraria S e um


campo vetorial arbitrário 𝐹⃗ na região onde temos definido a superfície S,
então se dentro da superfície S não temos fontes ou sumidouros, o fluxo
total do campo vetorial 𝐹⃗ na superfície fechada é nula.

Este resultado ser ira provar posteriormente de forma exata e fácil,


quando apresentarmos o teorema da divergência.

Observação 1.- Observe na figura, que o número de linhas que entram em


S (fluxo negativo) é o mesmo que número de linhas que saem de S (fluxo
positivo), por tanto é evidente que o fluxo total na superfície fechada S é
nulo.

Observação 2.- na formula


ΦS𝐹 = ∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑆

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Na região onde o campo vetorial é entrante, o produto escalar 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ é


negativo desde que o campo 𝐹⃗ e o vetor normal 𝒏
⃗⃗ formam um ângulo
obtuso ( 𝜃 ≥ 𝜋/2), dando um fluxo negativo.

Na região onde o campo vetorial é saindo, o produto escalar 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ é


positivo desde que o campo 𝐹⃗ e o vetor normal 𝒏
⃗⃗ formam um ângulo
agudo ( 𝜃 ≤ 𝜋/2), dando um fluxo positivo.

Exemplo 6.822.- Calcular o fluxo do campo vetorial 𝐹⃗ = 2𝑟⃗, através da


superfície cilíndrica de altura H, e raio da base R (superfície fechada).
Sendo o eixo Z o eixo coaxial do cilindro e a base do cilindro se encontra
no plano xy. O vetor 𝑟⃗ é o raio vetor de qualquer ponto arbitrário do
espaço a partir do eixo z (𝐹⃗ = 2𝑟 ⃗⃗⃗⃗,
𝑒𝑟 onde 𝑟 é a variável radial em
coordenadas cilíndricas, e ⃗⃗⃗⃗
𝑒𝑟 é o vetor unitário radial).

Solução.

A superfície cilíndrica S (fechada) esta constituída de 3 superfícies


abertas, ( uma superfície lateral e duas superfícies circulares):

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𝑆 = 𝑆1 + 𝑆2 + 𝑆3

Logo


ΦS𝐹 = ∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑆

é a integral que queremos calcular. De acordo a propriedade c do fluxo


uma superfície S, temos que:


ΦS𝐹 = Φ𝑆𝐹⃗1 + Φ𝑆𝐹⃗2 + Φ𝑆𝐹⃗3

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z n1
S1

F
S2

n2
F
F

x  S3
n3

𝑛1 = (0,0,1), 𝑛3 = (0,0, −1), 𝑛2 = 𝑒⃗𝑟

Sendo 𝑒⃗𝑟 um vetor unitário radial em coordenadas cilíndricas, logo ele é


sempre perpendicular ao eixo z.

Calculando o fluxo na superfície S1:

Na superfície S1, localizamos o elemento de área 𝑑𝑠 (arbitrário) junto ao


vetor 𝑛⃗⃗1 que é perpendicular à ds. O vetor 𝑛⃗⃗1 e o vetor 𝑒⃗𝑟 (que é
horizontal) são ortogonais, então: 𝑛⃗⃗1 . 𝑒⃗𝑟 = 0.

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O campo 𝐹⃗ pode se escrever assim: 𝐹⃗ = 2𝑟⃗ = 2𝑟𝑒⃗𝑟 em coordenadas


cilíndricas.

Φ𝑆𝐹⃗1 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗1 𝑑𝐴 = 2 ∬ 𝑟(𝑒⃗𝑟 . 𝑛⃗⃗1 ) 𝑑𝐴 = 0


𝑆1 𝑆1

Calculando o fluxo na superfície S3:

O processo é similar que no caso anterior. o vetor 𝑛⃗⃗3 é perpendicular ao


vetor 𝑒⃗𝑟 (que é horizontal) então: 𝑛⃗⃗3 . 𝑒⃗𝑟 = 0. Logo

Φ𝑆𝐹⃗3 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗3 𝑑𝐴 = 2 ∬ 𝑟(𝑒⃗𝑟 . 𝑛⃗⃗3 ) 𝑑𝐴 = 0


𝑆3 𝑆3

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Calculando o fluxo na superfície S2:

Na superfície lateral S2, numa posição arbitraria localizamos um elemento


de área 𝑑𝑠, junto ao versor 𝑛⃗⃗2 perpendicular à 𝑑𝑠. O campo vetorial
𝐹⃗ = 2𝑟⃗ = 2𝑟𝑒⃗𝑟 é paralelo ao vetor unitário 𝑛⃗⃗2

Já sabemos que 𝑒⃗𝑟 = 𝑛⃗⃗2 . Na superfície lateral : 𝑅 = 𝑟.

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Φ𝑆𝐹⃗2 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗2 𝑑𝐴 = 2 ∬ 𝑟(𝑒⃗𝑟 . 𝑒⃗𝑟 ) 𝑑𝐴 = 2 ∬ 𝑅 𝑑𝐴


𝑆2 𝑆3 𝑆3

Φ𝑆𝐹⃗2 = 2𝑅 ∬ 𝑑𝐴 = 2𝑅 𝑎𝑟𝑒𝑎 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 2𝑅 (𝟐𝝅𝑹𝑯)


𝑆3

Φ𝑆𝐹⃗2 = 4𝑅2 𝐻 𝜋

Finalmente

ΦS𝐹 = Φ𝑆𝐹⃗1 + Φ𝑆𝐹⃗2 + Φ𝑆𝐹⃗3


ΦS𝐹 = 0 + 4𝑅2 𝐻 𝜋 + 0 = 4𝑅2 𝐻 𝜋

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6.83 Cálculo de fluxo de um campo vetorial


em superfícies arbitrárias.
-Método de projeção a um plano coordenado
Consideremos uma superfície aberta S, que se projeta recíproca e
univocamente no plano xy, no domínio 𝐷𝑥𝑦 . Logo a superfície pode ser
definida pela equação 𝑧 = 𝑓(𝑥, 𝑦). Considerando que o elemento de área
infinitesimal em S é

𝑑𝑥𝑑𝑦
𝑑𝐴 =
|cos(𝛾)|

Logo o cálculo do fluxo do campo vetorial 𝐹⃗ através da superfície S


arbitraria no espaço 𝑅3


ΦS𝐹 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑆

Fica assim:

⃗ 1
ΦS𝐹 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ | 𝑑𝑥𝑑𝑦
|cos(𝛾)| 𝑧=𝑓(𝑥,𝑦)
𝑆

Sendo 𝑛⃗⃗ o versor normal ao lado elegido para calcular o fluxo na


superfície S.

Considerando a hiper-superfície :

𝑧 − 𝑓(𝑥, 𝑦) = ℎ(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 0

temos

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Cálculo III, exercícios
109
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∇ℎ (−𝑓𝑥 , −𝑓𝑦 , 1)
𝑛⃗⃗ = ± =±
|∇ℎ|
√𝑓𝑥 2 + 𝑓𝑦 2 + 1

⃗⃗ = (0,0,1) então o produto escalar fica :


Se 𝑘

⃗⃗ = |𝑛⃗⃗||𝑘
𝑛⃗⃗. 𝑘 ⃗⃗ | cos(𝛾) = cos(𝛾)

1
± = cos(𝛾)
2 2
√𝑓𝑥 + 𝑓𝑦 + 1

Substituindo na formula do fluxo do campo vetorial 𝐹⃗ através da


superfície S, temos:


ΦS𝐹 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ √𝑓𝑥 2 + 𝑓𝑦 2 + 1 𝑑𝑥𝑑𝑦
𝐷

Esta é a formula final para calcular o fluxo numa superfície aberta e


arbitraria S, observamos que a integra dupla se calcula no domínio
𝐷𝑥𝑦 = 𝐷 ⊂ 𝑅2 que é a projeção de S no plano xy.

𝑛⃗⃗ F

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110
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Exemplo 6.831.- Considere o campo vetorial 𝐹⃗ = (𝑥, 𝑦, 𝑧 + 𝑥) e a


superfície plana S definido pela função 𝑧 = 4 − 2𝑥 − 2𝑦 , limitado no
primeiro oitante. Determine o fluxo do campo 𝐹⃗ em S na direção oposta a
origem de coordenadas.

Solução.-

Da equação da superfície:

𝑓𝑥 = −2, 𝑓𝑦 = −2

Logo

(−𝑓𝑥 , −𝑓𝑦 , 1) (2,2,1)


𝑛⃗⃗ = ± =+
3
√𝑓𝑥 2 + 𝑓𝑦 2 + 1

⃗⃗ é
O sinal (+) foi escolhido devido a que o ângulo 𝛾 do vetor 𝑛⃗⃗ e o vetor 𝑘
agudo (menor que 900) (o vetor tem que estar orientado em direção ao
primeiro oitante a partir da origem de coordenadas).

O produto escalar

2 2 1 2𝑥 + 2𝑦 + 𝑧 + 𝑥
𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ == (𝑥, 𝑦, 𝑧 + 𝑥). ( , , ) =
3 3 3 3
Substituindo a função 𝑧 = 4 − 2𝑥 − 2𝑦

4+𝑥
𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ =
3
Logo a formula do fluxo na superfície S fica

⃗ 4+𝑥
ΦS𝐹 = ∬ 3 𝑑𝑥𝑑𝑦
3
𝐷𝑥𝑦

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111
ect/ufrn


ΦS𝐹 = ∬(4 + 𝑥) 𝑑𝑥𝑑𝑦
𝐷𝑥𝑦

Sendo 𝐷𝑥𝑦 a projeção de S no plano xy (triangulo AOB)

F

n

S: Z=4-2x-2y

o B y

A F
x

O triangulo AOB pode-se definir assim

𝐷𝑥𝑦 = {(𝑥, 𝑦) ∈ 𝑅2 0 ≤ 𝑥 ≤ 2, 0 ≤ 𝑦 ≤ 2 − 𝑥}

Por tanto o fluxo em S é:


2 2−𝑥

ΦS𝐹 = ∫ ∫ (4 + 𝑥) 𝑑𝑥𝑑𝑦
0 0

2 2

ΦS𝐹 = ∫(4𝑦 + 𝑥𝑦)|2−𝑥
2 𝑑𝑥 = ∫(8 − 2𝑥 − 𝑥 2 ) 𝑑𝑥
0 0

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112
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⃗ 28
ΦS𝐹 =
3

Exemplo 6.832. Considere o campo vetorial 𝐹⃗ = (𝑥, 𝑦, 4𝑧) e o


paraboloide S definido pela função 𝑧 = 𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑥 2 + 𝑦 2 , limitado pelo
plano horizontal z=4. Determine o fluxo do campo 𝐹⃗ em S na direção da
parte externa da superfície.

Solução.-

Da equação da superfície:

𝑓𝑥 = 2𝑥, 𝑓𝑦 = 2𝑦

Logo

(−2𝑥, −2𝑦, 1)
𝑛⃗⃗ = −
√4𝑥 2 + 4𝑦 2 + 1

⃗⃗ é
O sinal (-) foi escolhido devido a que o ângulo 𝛾 do vetor 𝑛⃗⃗ e o vetor 𝑘
obtuso (maior que 900).

O produto escalar

(2𝑥, 2𝑦, −1) 2𝑥 2 + 2𝑦 2 − 4𝑧


𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ = (𝑥, 𝑦, 4𝑧). =
√4𝑥 2 + 4𝑦 2 +1 √4𝑥 2 + 4𝑦 2 + 1

Substituindo a função 𝑧 = 𝑥 2 + 𝑦 2

−(2𝑥 2 + 2𝑦 2 )
𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ =
√4𝑥 2 + 4𝑦 2 + 1

Logo a formula do fluxo na superfície S fica

⃗ −(2𝑥 2 + 2𝑦 2 )
ΦS𝐹 = ∬ √4𝑥 2 + 4𝑦 2 + 1 𝑑𝑥𝑑𝑦
𝐷𝑥𝑦
√4𝑥 2 + 4𝑦 2 + 1

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ΦS𝐹 = − ∬(2𝑥 2 + 2𝑦 2 ) 𝑑𝑥𝑑𝑦
𝐷𝑥𝑦

Sendo 𝐷𝑥𝑦 a projeção de S no plano xy.


n
y

x Dxy

x2  y 2  4

A interseção da superfície S : 𝑧 = 𝑥 2 + 𝑦 2 e o plano z=4, da como


interseção a circunferência 4 = 𝑥 2 + 𝑦 2 , que será a borda da superfície
S. Projetando a superfície S no plano x y, obtemos uma região circular 𝐷𝑥𝑦
de raio R=2 .

Para calcular a integral dupla no domínio circular, vamos utilizar


coordenadas polares, sendo que:

𝐷𝑥𝑦 = {(𝑟, 𝜃) 𝜖 𝑅2 / 0 ≤ 𝑟 ≤ 2,0 ≤ 𝜃 ≤ 2𝜋}

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Cálculo III, exercícios
114
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2π 2 2π 2

ΦS𝐹 = −2 ∫ ∫(𝑥 2 + 𝑦 2 ) 𝑟 𝑑𝑟 𝑑𝜃 = −2 ∫ ∫ r 2 𝑟 𝑑𝑟 𝑑𝜃
0 0 0 0

⃗ r4 2
ΦS𝐹 = −2 |0 . (2π) = −16π
4
Exemplo 6.833.- Considere uma superfície cônica S, cuja equação é
𝑧 = √𝑥 2 + 𝑦 2 e limitada pelo plano 𝑧 = 2 (define a borda da superfície
cônica). Considere o campo vetorial 𝐹 = (0,0, 𝑧 2 ), logo determine o fluxo
do campo F através da superfície S.

Solução.-

Da equação da superfície:
𝑥 𝑦
𝑓𝑥 = , 𝑓𝑦 =
√𝑥 2 + 𝑦 2 √𝑥 2 + 𝑦 2

Logo

(−𝑓𝑥 , −𝑓𝑦 , 1) (𝑥, 𝑦, −√𝑥 2 + 𝑦 2 )


𝑛⃗⃗ = ± =
2
√𝑓𝑥 + 𝑓𝑦 + 1 2 √2𝑥 2 + 2𝑦 2

⃗⃗ é
O sinal (-) foi escolhido devido a que o ângulo 𝛾 do vetor 𝑛⃗⃗ e o vetor 𝑘
0
obtuso (maior que 90 ).

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Cálculo III, exercícios
115
ect/ufrn

Borda da superfície S
z

S: Superfície
cônica

Projeção de S
x
no plano xy

O produto escalar

(𝑥, 𝑦, −√𝑥 2 + 𝑦 2 ) 1
𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ = (0,0, 𝑧 2 ). = −𝑧 2 ( )
√2𝑥 2 + 2𝑦 2 √2


ΦS𝐹 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ √𝑓𝑥 2 + 𝑓𝑦 2 + 1 𝑑𝑥𝑑𝑦
𝐷𝑥𝑦

⃗ 1
ΦS𝐹 = ∬ −𝑧 2 ( ) √2 𝑑𝑥𝑑𝑦 = − ∬ 𝑧 2 𝑑𝑥𝑑𝑦
√2
𝐷𝑥𝑦 𝐷𝑥𝑦

Sendo 𝐷𝑥𝑦 a projeção da superfície cônica no plano x y, que é uma


circunferência de raio R=2.

Em coordenadas polares

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116
ect/ufrn

𝐷𝑥𝑦 = {(𝑟, 𝜃) 𝜖 𝑅2 / 0 ≤ 𝑟 ≤ 2,0 ≤ 𝜃 ≤ 2𝜋}

Logo
2𝜋 2

ΦS𝐹 = − ∫ ∫ 𝑧 2 𝑟𝑑𝑟𝑑𝜃
0 0

Na superfície cônica 𝑧 2 = 𝑥 2 + 𝑦 2 em coordenadas polares

𝑧2 = 𝑟2

logo
2𝜋 2

ΦS𝐹 = − ∫ ∫ 𝑟 2 𝑟𝑑𝑟𝑑𝜃 = −8𝜋
0 0

Relação entre a divergência e o fluxo de um campo


vetorial.
A seguinte equação, vamos apresentar sem demonstração, ela indica a
relação próxima que existe entre a divergência de um campo vetorial num
ponto do espaço e o fluxo do mesmo campo num entorno fechado e
arbitrário ao redor do ponto.

∯𝑆 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝐷𝑖𝑣(𝐹⃗ ) = lim
∆𝑉→0 ∆𝑉
Sendo S a superfície fechada fronteira ou borda do volume ∆𝑉.

Observe que se a divergência for positiva num ponto dado do espaço, é


sinal de que no ponto dado, tempos a presença de uma fonte; de forma
análoga, se calcularmos o fluxo total do campo ao redor do ponto, e se o
resultado por positivo, então também podemos entender, que dentro da
superfície fechada e totalmente arbitraria, temos uma fonte.

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Vamos entender melhor esta relação através de um exemplo bem


particular, e uma escolha da superfície fechada também, bem particular.

Exemplo de aplicação.

Considere o campo vetorial 𝐹⃗ = (2𝑥, 0,0) e seja uma caixa retangular de


dimensões 𝑎, 𝑏, 𝑐 localizada no primeiro oitante do espaço tridimensional
(ver figura a seguir) com os lados paralelo aos eixos coordenados. Nesta
situação 𝑆 é a superfície total de um paralelepípedo.

𝑆 = 𝑠1 ∪ 𝑠2 ∪ 𝑠3 ∪ 𝑠4 ∪ 𝑠5 ∪ 𝑠6

Devemos calcular ambos lados da igualdade anterior em forma


independente e verificar a igualdade. O lado esquerdo da igualdade é
evidente.

A 𝑑𝑖𝑣(𝐹⃗ ) = 𝟐

No lado direito devemos calcular o fluxo do campo 𝐹⃗ na caixa em forma


de paralelepípedo. È fácil ver que, somente vai ter contribuição efetiva em
duas faces da caixa, aquelas que estão frontalmente à direção das linhas
de campo do fluxo, que vamos enumerar como 𝑠1 e 𝑠2

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Para calcular o fluxo vamos localizar melhor o paralelepípedo, assim

Observe que as linhas de campo ao longo do eixo x, unicamente atravessa


as faces de dimensão 𝑏𝑐, e o faz de forma ortogonal; as outras faces são
paralelas as linhas de campo, por tanto a contribuição ao fluxo total é
nula.

∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 + ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 + 0 + 0 + 0 + 0


𝑆 𝑠1 𝑠2

Fluxo na face 𝑠1

𝑛 𝑝

∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∫ ∫(2𝑥, 0,0). (1,0,0) 𝑑𝑧 𝑑𝑥


𝑠1 𝑛−𝑏 𝑝−𝑐

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𝑛 𝑝 𝑛 𝑝

∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∫ ∫ 2𝑥 𝑑𝑧 𝑑𝑥 = ∫ ∫ 2𝑚 𝑑𝑧 𝑑𝑥 = 2𝑚𝑏𝑐
𝑠1 𝑛−𝑏 𝑝−𝑐 𝑛−𝑏 𝑝−𝑐

Porque a face 𝑠1 tem como equação 𝑥 = 𝑚.

Fluxo na face 𝑠2
𝑛 𝑝

∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∫ ∫(2𝑥, 0,0). (−1,0,0) 𝑑𝑧 𝑑𝑥


𝑠2 𝑛−𝑏 𝑝−𝑐

𝑛 𝑝 𝑛 𝑝

∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = −2 ∫ ∫ 𝑥 𝑑𝑧 𝑑𝑥 = −2 ∫ ∫(𝑚 − 𝑎) 𝑑𝑧 𝑑𝑥
𝑠2 𝑛−𝑏 𝑝−𝑐 𝑛−𝑏 𝑝−𝑐

Isto, porque a face 𝑠2 tem como equação 𝑥 = 𝑚 − 𝑎. Logo

∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = −2(𝑚 − 𝑎)𝑏𝑐


𝑠2

Dai que

∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = 2𝑚𝑏𝑐 − 2(𝑚 − 𝑎)𝑏𝑐 = 2𝑐𝑏𝑎 = 2 ∆𝑉


𝑆

Sendo ∆𝑉 = 𝑎𝑏𝑐 o volume do paralelepípedo.

Logo,

∯𝑆 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 2 ∆𝑉
lim = lim = lim (2) = 2
∆𝑉→0 ∆𝑉 ∆𝑉→0 ∆𝑉 ∆𝑉→0

Que é o mesmo valor que a divergência do campo.

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Logo temos verificado, nas condições do exemplo, a validade da relação


entre a divergência e o fluxo.

6.84 Fluxo de um campo de velocidades


na hidrodinâmica
Escoamento de fluidos.

Vazão em volume (𝑄𝑉 ).- É a quantidade de volume do fluido em que


atravessa uma superfície por unidade de tempo uma seção S de um
conduto. Ou seja, vazão é a rapidez com a qual um volume escoa pela
seção S do conduto. Podemos dizer também que vazão corresponde a
taxa e escoamento pela mesma seção S. Matematicamente, podemos
definir um campo de velocidade do fluido 𝑉 ⃗⃗ (𝑥, 𝑦, 𝑧) a qual vai definir um
fluxo através da superfície S por unidade de tempo. Logo:

⃗⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑄 𝑉 = ∬𝑉
𝑆

𝑚3
unidades:
𝑠

Vazão em massa (Qm) .- É a quantidade de fluido em unidades

de massa que atravessa uma superfície 𝑆 por unidade de tempo, definida


como o fluxo do campo de velocidades 𝑉⃗⃗ (𝑥, 𝑦, 𝑧) (do fluido de densidade
𝜌) através da superfície 𝑆.

Unidades: kg/s

⃗⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑄𝑚 = ∬ 𝜌𝑉
𝑆

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𝑛⃗⃗ é o vetor unitário perpendicular ao elemento de área 𝑑𝐴 na direção


para fora da superfície S .

Exercício 6.841.- Temos uma tubulação vertical em forma cilíndrica de raio


R=2m posicionada ao longo do eixo “z”. Por ela circula água
(ρ=1000kg/m3) a uma velocidade 𝑉 = (0,0,4 − 𝑥2−𝑦2) 𝑚/𝑠

a) Determine a vazão em massa do fluido através da superfície plana e


transversal do cilindro, localizada a altura z=4.

b) Determine a vazão em massa do fluido através da superfície semi -


esférica colocada na saída da tubulação: 𝑥 2+𝑧2+𝑧2= 4, 𝑧 ≥ 0.

Solução

a) A superfície plana e transversal ao cilindro é na verdade a superfície


circular de raio R=2.

⃗⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑄𝑚 = ∬ 𝜌𝑉
𝑆

𝑄𝑚 = ∬ 1000(0,0,4 − 𝑥 2 − 𝑦 2 ) . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑆

O vetor 𝑛⃗⃗ = (0,0,1), e 𝑑𝐴 = 𝑑𝑥𝑑𝑦, logo

𝑄𝑚 = ∬ 1000(0,0,4 − 𝑥 2 − 𝑦 2 ) . (0,0,1) 𝑑𝐴
𝑆

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𝑄𝑚 = 1000 ∬(4 − 𝑥 2 − 𝑦 2 ) 𝑑𝑥𝑑𝑦


𝐷

Sendo

𝐷 = {(𝑥, 𝑦, 𝑧) ∈ 𝑅3 , 𝑥 2 + 𝑦 2 = 4, 𝑧 = 4}

Em coordenadas cilíndricas

𝐷 = {(𝑟, 𝜃, 𝑧) ∈ 𝑅3 , 𝑟 = 2, 𝑧 = 4}

Logo a integral fica


2𝜋 2

𝑄𝑚 = 1000 ∫ ∫(4 − 𝑟 2 ) 𝑟𝑑𝑟 𝑑𝜃


0 0

𝑄𝑚 = 8000𝜋 𝑘𝑔/𝑠

b) Calculo do fluxo na superfície esférica 𝑧 = √4 − 𝑥 2 + 𝑦 2


(hemisfério norte). Podemos resolver utilizando coordenadas
esféricas.

Temos novamente a formula do fluxo do campo de velocidades,


agora na superfície 𝑆 (semi-esférica)

⃗⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑄𝑚 = ∬ 𝜌𝑉
𝑆

O elemento de área na superfície esférica é 𝑑𝐴 = 𝑅2 sin(𝜃) 𝑑𝜃𝑑𝜙

O vetor unitário normal à superfície semi-esférica é radial saindo


para o lado de fora da superfície. Como o campo vetorial é vertical

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𝐹⃗ = 𝜌𝑉
⃗⃗ = 𝜌(0,0,4 − 𝑥 2 − 𝑦 2 ) então 𝑛⃗⃗ e 𝐹⃗ formam ângulo 𝜃

logo

𝑛⃗⃗. 𝐹⃗ = |𝐹⃗ ||𝑛⃗⃗| cos(𝜃) = 𝜌|(4 − 𝑥 2 − 𝑦 2 )|cos(𝜃)

Além do mais, dentro da tubulação (𝑥 2 + 𝑦 2 ≤ 4) , dai

Substituindo na integral

𝑄𝑚 = ∬ 𝜌(4 − 𝑥 2 − 𝑦 2 )cos(𝜃) 4 sin(𝜃) 𝑑𝜃𝑑𝜙


𝑆

Lembrando transformação de coordenadas esféricas a cartesianas

Na superfície esférica S temos:

𝑥 = 2 sin(𝜃) cos(𝜙) , 𝑦 = 2 sin(𝜃) sin(𝜙)

logo

𝑄𝑚 = ∬ 1000(4 − (2 sin(𝜃))2 )cos(𝜃) 4 sin(𝜃)𝑑𝜃 𝑑𝜙


𝑆

𝑄𝑚 = 16000 ∬ cos(𝜃)3 sin(𝜃) 𝑑𝜃 𝑑𝜙


𝑆

𝜋
No hemisfério norte : 𝑟 = 𝑅 = 2,0 ≤ 𝜃 ≤ , 0 ≤ 𝜙 ≤ 2𝜋
2

𝜋
2𝜋 2

𝑄𝑚 = 16000 ∫ ∫ cos(𝜃)3 sin(𝜃) 𝑑𝜃 𝑑𝜙


0 0

Integrando em ∅ e logo por substituição em 𝜃 (𝑢 = cos(𝜃)

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∗ 𝜋
3
cos(𝜃)4 2
𝑄𝑚 = −32000𝜋 ∫ u 𝑑𝑢 = −32000𝜋
4 0

Finalmente

𝑄𝑚 = 8000𝜋 𝑘𝑔/𝑠

Deixo como tarefa resolver a mesma questão utilizando o método de


projeção para calcular integrais duplas em superfícies arbitrarias utilizada
no exercício 6.833

6.85 Fluxo de campo na eletrostática.


𝐾𝑄 𝑟⃗
Exercício.- Provar que o fluxo da intensidade de campo elétrico 𝐸⃗⃗ = 3
𝑟
através de uma superfície fechada e arbitrária 𝑆 (contendo a carga Q) é
proporcional a carga 𝑄. 𝐸⃗⃗ é a intensidade de campo elétrico gerado pela
carga elétrica Q localizada na origem de coordenadas.

Solução.-

Primeiro vamos demonstrar no caso particular quando a superfície é uma


superfície esférica centralizada na carga 𝑄 (𝑆 2 ) de raio R.

𝑆2

n
E
R

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⃗⃗
Seja Φ𝑆𝐸2 o fluxo do campo elétrico através da superfície esférica 𝑆 2 , logo:

⃗⃗
Φ𝑆𝐸2 = ∯ 𝐸⃗⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑆2

Sendo que o campo elétrico tem que ser avaliado na superfície esférica de
raio R, então:

⃗⃗ 𝐾𝑄 𝑟⃗
Φ𝑆𝐸2 = ∯ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑅3
𝑆2

e 𝑟⃗ = 𝑅 𝑛⃗⃗, sendo 𝑛⃗⃗ o vetor unitário ortogonal a superfície esférica no


ponto arbitrário de 𝑆 2 onde avaliamos o campo elétrico.

⃗⃗ 𝐾𝑄 𝐾𝑄 1. 𝑄 𝑸
Φ𝑆𝐸2 = ∯ 𝑛

⃗. 𝑛

⃗ 𝑑𝐴 = ∯ 𝑑𝐴 = 4𝜋𝑅 2
=
𝑅2 𝑅2 4𝜋𝜀0 𝑅2 𝜺𝟎
𝑆2 𝑆2

Este resultado é importante na eletrostática, e diz, que o fluxo do campo


elétrico através de uma superfície esférica (que contém a carga elétrica Q)
é proporcional ao valor da carga elétrica Q. isto quer dizer que se
duplicarmos o valor da carga Q, o fluxo também irá se duplicar.

Em seguida, vamos calcular o fluxo do campo elétrico gerado pela mesma


carga Q, através de uma superfície arbitraria S que contém a carga elétrica
Q.

Como foi demonstrado no exercício 12 da lista, as linhas de campo


elétricas devido a uma carga pontual são linhas radiais, saindo de carga se

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orientando até o infinito; isto está em concordância com a formula da


intensidade de campo elétrico, que é radial sempre nesta situação.

Como não existe outras fontes (cargas positivas) ou sumidouros (cargas


negativas) no entorno de nossa carga e dentro da superfície S, então é
evidente afirmar que todas as linhas que passam pela superfície esférica
também passa pela superfície fechada e arbitraria S. Logo

⃗⃗
Φ𝑆𝐸2 = Φ𝑆𝐸⃗⃗

Como podemos ver na figura anterior, o numero de linhas de campo


elétrico que passa pela superfície esférica de raio arbitrário é a mesma
que o numero de linhas de campo que passa pela superfície fechada e
arbitrária S, ambas contendo a carga Q, logo a equação anterior é
perfeitamente válida.

Teorema de Gauss para uma carga pontual Q.

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𝑄 𝑟⃗
O fluxo do campo elétrico 𝐸⃗⃗ = 4𝜋𝜀 3
gerado por uma carga
0𝑟
pontual, através de uma superfície arbitraria S, contendo a carga
Q, é proporcional ao valor da carga Q.

𝑸
Φ𝑆𝐸⃗⃗ = ∯ 𝐸⃗⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 =
𝜺𝟎
𝑆

Teorema de Gauss (forma integral)


O teorema anterior para uma carga pontual, pode ser generalizado para
uma distribuição de carga elétrica arbitraria contida num volume V.

Enunciado: O fluxo do campo elétrico através de uma superfície fechada


e arbitraria 𝑆, contendo uma distribuição volumétrica de carga total Q, é
proporcional ao valor desta carga Q contida no volume V.

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𝑸
Φ𝑆𝐸⃗⃗ = ∯ 𝐸⃗⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 =
𝜺𝟎
𝑆

Onde Q é a carga total contida na região volumétrica V, de densidade


volumétrica (carga elétrica por unidade de volume). Logo

𝑄 = ∭ 𝜌(𝑟⃗) 𝑑𝑣
𝑉

A demonstração do teorema anterior, é baseado no princípio de


superposição, das interações eletromagnéticas, e em particular no
principio de superposição das intensidades de campo elétrico, que afirma
que “a intensidade de campo elétrico num ponto é a soma vetorial de
todas as intensidades de campo elétrico devido a todas as cargas elétricas
que contribuem para o campo elétrico neste ponto.” Também é baseado
na linearidade da integral dupla em superfícies arbitrarias.

6.9 Teoremas importantes


6.91.-Teorema da divergência (Gauss-
Ostrogradski)
Seja 𝐷 ⊂ 𝑅3 um solido tal que S é fronteira de D, sendo
S uma superfície fechada e orientável. Seja 𝐹⃗ um campo vetorial
de classe C1, definido pelo menos em 𝐷
⃗⃗ e um vetor normal orientado para fora do volume D.
𝒏

Enunciado: O fluxo de um campo vetorial 𝐹⃗ através da


superfície orientável e fechada 𝑆 na direção do vetor 𝒏 ⃗⃗ (para fora da
superfície), é igual a integral tripla da divergência do campo 𝐹⃗ no volume
D limitada por 𝑆.

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∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∭ ∇. 𝐹⃗ 𝑑𝑉
𝑆 𝐷

...................................(equac. 6.91)

n F

D: é a região volumétrica limitada pela superfície fechada S.

Demonstração.

Consideremos que uma região volumétrica 𝑉 pode ser definida do


seguinte modo

𝑊 = {(𝑥, 𝑦, 𝑧) ∈ 𝑅3 , (𝑥, 𝑦) ∈ 𝐷 ⊂ 𝑅2 𝑥𝑦 , 𝑓(𝑥, 𝑦) ≤ 𝑧 ≤ 𝑔(𝑥, 𝑦)

𝑊 = {(𝑥, 𝑦, 𝑧) ∈ 𝑅3 , (𝑥, 𝑧) ∈ 𝐷 ⊂ 𝑅2 𝑥𝑧 , 𝑓(𝑥, 𝑧) ≤ 𝑦 ≤ 𝑔(𝑥, 𝑧)

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𝑊 = {(𝑥, 𝑦, 𝑧) ∈ 𝑅3 , (𝑦, 𝑧) ∈ 𝐷 ⊂ 𝑅2 𝑦𝑧 , 𝑓(𝑦, 𝑧) ≤ 𝑥 ≤ 𝑔(𝑦, 𝑧)

Simultaneamente.

Quando a região volumétrica é do primeiro tipo dizemos que a região é do


tipo I. Sendo 𝑧1 = 𝑓(𝑥, 𝑦) e 𝑧2 = 𝑔(𝑥, 𝑦) são equações de superfícies.

As outras se denominam regiões do tipo II e tipo III respectivamente.

Consideremos também um campo vetorial arbitrário 𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 , 𝐹3 )


definido pelo menos na região 𝑉.

Logo, no lado direito da equação (6.91) desenvolvendo a divergência do


campo 𝐹⃗ temos

𝜕𝐹1 𝜕𝐹2 𝜕𝐹3


∭ ∇. 𝐹⃗ 𝑑𝑉 = ∭ 𝑑𝑉 + ∭ 𝑑𝑉 + ∭ 𝑑𝑉
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
𝐷 𝐷 𝐷 𝐷

........(6.92)

Considerando 𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 , 𝐹3 ) = (𝐹1 , 0,0) + (0, 𝐹2 , 0) + (0,0, 𝐹3 )

No lado esquerdo da equação (6.91) temos

∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∯(𝐹1 , 0,0). 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 + ∯(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 + ∯(0,0, 𝐹3 ). 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴


𝑆 𝑆 𝑆 𝑆

................(6.93)

Iremos provar que:

𝜕𝐹1
∭ 𝑑𝑉 = ∯(𝐹1 , 0,0). 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝜕𝑥
𝐷 𝑆

.....T1

𝜕𝐹2
∭ 𝑑𝑉 = ∯(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝜕𝑦
𝐷 𝑆

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131
ect/ufrn

.......T2

𝜕𝐹3
∭ 𝑑𝑉 = ∯(0,0, 𝐹3 ). 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝜕𝑧
𝐷 𝑆

......T3

Com isto, estaria provado que o lado esquerdo da equação (6,93) é igual
ao lado esquerdo da equação (6,92), o que significa a validade do
teorema da divergência.

Iremos demonstrar a igualdade T2; as igualdades T1 e T3 se demonstram


do mesmo modo.

Para demonstrar T2, suponhamos que a região 𝑉 seja do tipo II

𝑊 = {(𝑥, 𝑦, 𝑧) ∈ 𝑅3 , (𝑥, 𝑧) ∈ 𝐷 ⊂ 𝑅2 𝑥𝑧 , 𝑓(𝑥, 𝑧) ≤ 𝑦 ≤ 𝑔(𝑥, 𝑧)

E analisemos o primeiro membro de T2:


𝑔(𝑥,𝑧)
𝜕𝐹2 𝜕𝐹2
∭ 𝑑𝑉 = ∬ ∫ [ 𝑑𝑦 ] 𝑑𝑥𝑑𝑧
𝜕𝑦 𝜕𝑦
𝐷 𝐷 𝑓(𝑥,𝑧)

Na hora de integrar na variável 𝑦, ao fixar 𝑥 e 𝑧 temos

𝜕𝐹2
𝑑𝐹2 = 𝑑𝑦
𝜕𝑦

𝑔(𝑥,𝑧)

∫ 𝑑𝐹2 = 𝐹2 (𝑥, 𝑔(𝑥, 𝑧), 𝑧) − 𝐹2 (𝑥, 𝑓(𝑥, 𝑧), 𝑧)


𝑓(𝑥,𝑧)

Logo

𝜕𝐹2
∭ 𝑑𝑉 = ∬(𝐹2 (𝑥, 𝑔(𝑥, 𝑧), 𝑧) − 𝐹2 (𝑥, 𝑓(𝑥, 𝑧), 𝑧)) 𝑑𝑥𝑑𝑧
𝜕𝑦
𝐷 𝐷

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ect/ufrn

...............................(6,94)

Analisando o segundo membro de T2

∯(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴


𝑆

= ∬(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗1 𝑑𝐴 + ∬(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗2 𝑑𝐴


𝑆1 𝑆2

+ ∬(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗3 𝑑𝐴


𝑆3

Na superfície 𝑆1 definida pela equação 𝑦 = 𝑔(𝑥, 𝑧) podemos calcular o


vetor normal unitário genérico numa posição arbitraria, assim

(−𝑔𝑥 , 1, −𝑔𝑧 )
𝑛⃗⃗1 = +
√𝑔𝑦 2 + 𝑔𝑧 2 + 1

O fluxo pode ser calcular, pelo método da projeção definida na seção 6.83

dai

∬(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗1 𝑑𝐴 = ∬(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗1 √𝑔𝑦 2 + 𝑔𝑧 2 + 1 𝑑𝑥𝑑𝑦


𝑆1 𝐷

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133
ect/ufrn

∬(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗1 𝑑𝐴


𝑆1

(−𝑔𝑥 , 1, −𝑔𝑧 )
= ∬(0, 𝐹2 , 0).
2 2
√𝑔𝑦 2 + 𝑔𝑧 2 + 1 𝑑𝑥𝑑𝑦
𝐷
√𝑔𝑦 + 𝑔𝑧 + 1

Simplificando

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134
ect/ufrn

∬(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗1 𝑑𝐴 = ∬ 𝐹2 (𝑥, 𝑦, 𝑧)|𝑆1 𝑑𝑥𝑑𝑦


𝑆1 𝐷

Observemos que a integral dupla se realiza na superfície 𝑆1 , logo o campo


𝐹2 tem que ser avaliado na equação 𝑦 = 𝑔(𝑥, 𝑧), finalmente

∬(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗1 𝑑𝐴 = ∬ 𝐹2 (𝑥, 𝑔(𝑥, 𝑧), 𝑧) 𝑑𝑥𝑑𝑦


𝑆1 𝐷

De forma similar na superfície 𝑆2 temos

(−𝑔𝑥 , 1, −𝑔𝑧 )
𝑛⃗⃗2 = −
√𝑔𝑦 2 + 𝑔𝑧 2 + 1

O sinal negativo é porque agora o vetor unitário é na direção contraria ao


caso da superfície 𝑆1 (ver figura), já que os vetores unitários em S tem
que ser sempre para o lado de fora da superfície fechada.

∬(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗2 𝑑𝐴 = − ∬ 𝐹2 (𝑥, 𝑓(𝑥, 𝑧), 𝑧) 𝑑𝑥𝑑𝑦


𝑆2 𝐷

Na superfície 𝑆3 o vetor normal não tem a segunda componente

Ou seja, 𝑛⃗⃗3 = (𝑛31 , 0, 𝑛33 ), logo

∬(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗3 𝑑𝐴 = ∬(0, 𝐹2 , 0). (𝑛31 , 0, 𝑛33 )𝑑𝐴 = 0


𝑆3 𝑆3

Por tanto

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135
ect/ufrn

∯(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴


𝑆

= ∬ 𝐹2 (𝑥, 𝑔(𝑥, 𝑧), 𝑧) 𝑑𝑥𝑑𝑦 − ∬ 𝐹2 (𝑥, 𝑓(𝑥, 𝑧), 𝑧) 𝑑𝑥𝑑𝑦


𝐷 𝐷

................(6,95)

Comparando as equações (6.94) e (6.95), vemos que

𝜕𝐹2
∯(0, 𝐹2 , 0). 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∭ 𝑑𝑉
𝜕𝑦
𝑆 𝐷

Que é a igualdade T2; de forma similar podemos demonstrar as igualdades


T1 e T3; com o qual o teorema da divergência foi demonstrado.

Exemplo 6.911. Considere um campo uniforme 𝐹⃗ e uma superfície


fechada arbitrária S. provar que o fluxo total do campo 𝐹⃗ na superfície S é
sempre zero.

Solução.-

n F

S
D

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136
ect/ufrn


Como a ideia é calcular o fluxo total na superfície fechada S ΦS𝐹 =
∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴, então podemos calcular seu valor utilizando o teorema da
𝑆
divergência, assim:

∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∭ ∇. 𝐹⃗ 𝑑𝑉
𝑆 𝐷

Seja 𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 , 𝐹3 ) o campo uniforme (constante)


𝜕𝐹1 𝜕𝐹2 𝜕𝐹3
Calculando ∇. 𝐹⃗ = + + = 0 + 0 + 0 = 0 logo:
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧


ΦS𝐹 = ∯𝑆 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∭𝐷 ∇. 𝐹⃗ 𝑑𝑉 = ∭𝐷 0 𝑑𝑉 = 0

Logo o fluxo total na superfície fechada S é sempre zero.

É evidente a resposta, desde que o número de linhas de campo que


entram na superfície fechada é exatamente igual ao número de linhas de
campo que saem da superfície S. Logo é claro que o fluxo total será zero.

Exemplo 6.912.- Seja 𝐹⃗ = (𝑥 𝑦, 𝑦 𝑧, 𝑥 𝑧) um campo vetorial definido no


espaço R3. Determine o fluxo do campo vetorial 𝐹⃗ para fora de uma
superfície cúbica localizado no primeiro oitante e limitado por: 0 ≤ 𝑥 ≤
1, 0 ≤ 𝑦 ≤ 1, 0 ≤ 𝑧 ≤ 1.

Solução.

Como a superfície cúbica é fechada.


z Então o fluxo do campo vetorial
pode-se calcular utilizando o
teorema da divergência.

1 y
1
x 1

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137
ect/ufrn

O que queremos calcular é a seguinte integral:


ΦS𝐹 = ∯𝑆 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴, sendo S a superfície cúbica: (fechada)

𝑆 = 𝑆1 ∪ 𝑆2 ∪ 𝑆3 ∪ 𝑆4 ∪ 𝑆5 ∪ 𝑆6 . Onde S é a união das 6 faces do cubo.

Entre tanto, como a superfície de interesse é fechada, então podemos


calcular o fluxo total em S, utilizando o teorema da divergência, assim:


ΦS𝐹 = ∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∭ ∇. 𝐹⃗ 𝑑𝑉
𝑆 𝐷

O solido D é o volume do cubo limitado por S, logo:

𝐷 = {0 ≤ 𝑥 ≤ 1, 0 ≤ 𝑦 ≤ 1, 0 ≤ 𝑧 ≤ 1}.

Calculando a divergência do campo 𝐹⃗ :

𝜕𝐹1 𝜕𝐹2 𝜕𝐹3 𝜕(𝑥𝑦) 𝜕(𝑦𝑧) 𝜕(𝑥𝑧)


∇. 𝐹⃗ = + + = + + =𝑦+𝑧+𝑥
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Logo :


ΦS𝐹 = ∭(𝑥 + 𝑦 + 𝑧) 𝑑𝑉
𝐷


ΦS𝐹 = ∭ 𝑥 𝑑𝑥 𝑑𝑦 𝑑𝑧 + ∭ 𝑦 𝑑𝑥 𝑑𝑦 𝑑𝑧 + ∭ 𝑧 𝑑𝑥 𝑑𝑦 𝑑𝑧
𝐷 𝐷 𝐷

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Cálculo III, exercícios
138
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A primeira integral do lado direito é:


1 1 1
∭𝐷 𝑥 𝑑𝑥 𝑑𝑦 𝑑𝑧 = ∫0 𝑥 𝑑𝑥 ∫0 𝑑𝑦 ∫0 𝑑𝑧 = 1/2, da mesma forma as
outras duas integrais tem o mesmo valor. Por tanto:

ΦS𝐹 = 3/2.

Observe que o fluxo na superfície cúbica, podemos também determinar


calculando o fluxo em cada uma das 6 faces da superfície cúbica, no final
devemos obter o mesmo resultado anterior.

Exemplo. 6.913.- Seja 𝐷 = {(𝑥, 𝑦, 𝑧) ∈ 𝑅3 / 𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 ≤ 4} um


sólido esférico de raio R=2, cuja borda é a uma superfície esférica de raio
𝑅 = 2 (𝑆 = {(𝑥, 𝑦, 𝑧) ∈ 𝑅3 / 𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 = 4}), observe que 𝑆 é uma
superfície fechada. Seja 𝐹 = 3 𝑟 𝑒⃗𝑟 um campo vetorial definido em R3,
verifique a validade do Teorema da divergência. 𝑒⃗𝑟 é o vetor unitário
radial em coordenadas esféricas.

Solução.-

Em primeiro lugar vamos calcular ∯𝑆 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 e posteriormente


∭𝐷 ∇. 𝐹⃗ 𝑑𝑉,logo vamos ver que são idênticos.

a) Calculando o fluxo através da superfície esférica.

∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = 3 ∯ 𝑟 𝑒⃗𝑟 . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴


𝑆 𝑆

Como a superfície é esférica, então o vetor normal e unitário à


superfície esférica coincide com 𝑒⃗𝑟 , logo: 𝑒⃗𝑟 = 𝑛⃗⃗, dai que 𝑒⃗𝑟 . 𝑛⃗⃗ = 1,e
𝑟 = 𝑅 na superfície esférica.

Então

∯ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = 3 ∯ 𝑅 𝑑𝐴 = 3𝑅 ∯ 𝑑𝐴 = 3𝑅(4𝜋𝑅2 ) = 96𝜋


𝑆 𝑆 𝑆

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139
ect/ufrn

b) Calculando a integral de volume da 𝑑𝑖𝑣(𝐹⃗ ) no volume V

∭ ∇. 𝐹⃗ 𝑑𝑉 =?
𝑉

Como:

𝐹 = 3𝑟 𝑒⃗𝑟 = (3𝑥, 3𝑦, 3𝑧)

𝜕(3𝑥) 𝜕(3𝑦) 𝜕(3𝑧)


∇. 𝐹⃗ = + + =9
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

4𝜋𝑅3
∭ ∇. 𝐹⃗ 𝑑𝑉 = ∭ 9 𝑑𝑉 = 9 ∭ 𝑑𝑉 = 9 ( ) = 96𝜋
3
𝑉 𝑉 𝐷
𝑉

Teorema de Gauss (na forma diferencial)


Considere uma distribuição de carga elétrica numa região espacial
volumétrica, com densidade volumétrica de carga 𝜌(𝑟⃗). Considere
também a intensidade de campo elétrico no espaço 𝑅3 gerado pela
distribuição de carga; então vale a seguinte igualdade

𝜌(𝑟⃗)
𝑑𝑖𝑣(𝐸⃗⃗ ) =
𝜀0

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Demonstração.-

Vamos demonstrar a partir da forma integral do teorema de Gauss.

𝑸
Φ𝑆𝐸⃗⃗ = ∯ 𝐸⃗⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 =
𝜺𝟎
𝑆

Onde Q é a carga total contida na região volumétrica V e limitada pela


superfície fechada 𝑆.

De acordo ao teorema da divergência,

∯ 𝐸⃗⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∭ ∇. 𝐸⃗⃗ 𝑑𝑉


𝑆 𝑉

Das duas equações anteriores

𝑄
= ∭ ∇. 𝐸⃗⃗ 𝑑𝑉
𝜀0
𝑉

Como:

𝑄 = ∭ 𝜌(𝑟⃗) 𝑑𝑣
𝑉

Substituindo na equação anterior

1
∭ 𝜌(𝑟⃗) 𝑑𝑣 = ∭ ∇. 𝐸⃗⃗ 𝑑𝑉
𝜀0
𝑉 𝑉

Dai que

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ect/ufrn

1
∭( 𝜌(𝑟⃗) − ∇. 𝐸⃗⃗ ) 𝑑𝑣 = 0
𝜀0
𝑉

Como o elemento de volume é arbitrário, então

1
𝜌(𝑟⃗) − ∇. 𝐸⃗⃗ = 0
𝜀0

ou

𝟏
⃗⃗⃗
⃗⃗) = 𝛁. 𝑬
𝝆(𝒓
𝜺𝟎

Que é a primeira das 4 equações de Maxwell que governas todas as


interações eletromagnéticas.

Como um exemplo trivial, se tivermos uma carga pontual 𝑞 na origem de


coordenadas, então 𝜌(𝑟⃗) = 0, se 𝑟⃗ ≠ ⃗0⃗ porque a única carga que temos
esta exclusivamente na origem de coordenadas. Por outro lado, a
intensidade de campo elétrico gerado pela carga q, é dado por

𝑞 𝑒⃗𝑟
𝐸⃗⃗ =
4𝜋𝜀0 𝑟 2

E foi verificado que

∇. 𝐸⃗⃗ = 0

⃗⃗ (exercício 8 c), já que quando 𝑟⃗ = 0


Para 𝑟⃗ ≠ 0 ⃗⃗, a divergência não está
definida.

A verificação da lei de Gauss, na origem de coordenadas, sai dos limites

dos objetivos da matéria (ver referencia xxx, para maior informação).

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142
ect/ufrn

6.92 Teorema de Green


Nesta seção iremos apresentar o teorema de Green que relaciona
integrais de linha sobre uma curva fechada localizado no plano R2 e
integrais duplas avaliadas na região interna limitada pela curva fechada.

Definição 6.921.- Seja uma função vetorial de Rn definido assim:


𝛾: 𝐼 = [𝑎, 𝑏] ⊆ 𝑅 → 𝑅𝑛

𝑡 ↦ 𝛾(𝑡)

Em que I é um intervalo de reta real R. O contradomínio da função 𝛾 diz-se


traço da função ou curva.

Uma curva diz-se uma curva simples se e somente se

∀ 𝑡1 , 𝑡2 ∈ 𝐼, 𝜸(𝒕𝟏 ) ≠ 𝜸(𝒕𝟐 ). Ou seja, com a possível exceção das


extremidades, uma curva simples não tem auto-intersecção.

Diz-se uma curva fechada se e somente se

𝜸(𝒂) = 𝜸(𝒃), 𝑎 ≠ 𝑏, 𝑎 ∈ 𝐼, 𝑏 ∈ 𝐼.

x
Curva não é simples Curva simples

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143
ect/ufrn

É um resultado intuitivo que toda curva simples fechada no plano é a


fronteira de uma região. Mais precisamente dizemos que “a região é
limitada por 𝛾.”

Por convenção, uma curva simples fechada será dita positivamente orien-
tada se for percorrida no sentido anti-horário ou em geral, se para um
objeto bidimensional que percorre tal curva, a superfície está a sua
esquerda sempre.

Definição 6.922 (Teorema de Green no plano R2).- Seja D


uma região simplesmente conexa e simples (limitada pela curva finita e
simples γ), 𝛾 orientada positivamente em relação a D, tal que o campos de
vetores 𝐹⃗ : 𝐷 ⊆ 𝑅2 → 𝑅2 seja de classe C1(diferenciável ate primeira
ordem nas derivadas parciais), então:

𝜕𝐹2 𝜕𝐹1
∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∬ ( − ) 𝑑𝐴
𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝛾 𝐷

Sendo 𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 ).

𝞬�

Observação 1. Uma superfície D é simplesmente conexa se : dado dois


pontos arbitrários e fixos em D e uma curva 𝜎1 inteiramente contida em
D, unindo tais pontos, pode ser deformada continuamente em outra curva

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ect/ufrn

𝜎2 contida em D, entre os mesmos pontos. Outra forma equivalente de


dizer que a superfície D é simplesmente conexa é dizer que tal superfície
não tem furos. Quando a superfície tem furos dizemos que a superfície é
multiplamente conexa.

Observação 2.- O teorema anterior, pode ser generalizado pra curvas


fechadas continua por partes (seccionalmente continua), neste caso a
integral de linha, do lado esquerda da equação anterior, será uma soma
de todas as integrais de linha de todas as partes que constituem a curva
fechada.

Exemplo 6.91.- Considere o campo vetorial 𝐹⃗ = (𝑦, −𝑥) e a região planar


𝐷 = {0 ≤ 𝑟 ≤ 2,0 ≤ 𝜃 ≤ 𝜋}. Verifique a validade do teorema de Green.

Solução.-

y
1

D
2
x

A região D é um semicírculo de raio 2 e centralizada na origem de


coordenadas, ela esta limitada pela curva 𝛾 = 𝛾1 ∪ 𝛾2 . Sendo 𝛾1 uma
semicircunferência de raio 2 e 𝛾2 é uma reta colinear ao eixo x,
especificamente:

𝛾1 = (2 cos(𝑡) , 2 sin(𝑡)), 0 ≤ 𝑡 ≤ 𝜋,

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𝛾2 = (𝑡, 0), −2 ≤ 𝑡 ≤ 2.

É claro que a curva 𝛾 esta sendo percorrida em sentido anti-horário em


relação a região D (orientação positiva, como requer o teorema de Green).

Calculo da integral de linha

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗


𝛾 𝛾1 𝛾2

(I)
Na curva 𝜸𝟏 temos : x=2 cos(t), y=2sin(t)
∫𝛾 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ =? dx = -2 sin(t) dt, dy =2 cos(t) dt.
1

𝐹⃗ = (𝑦(𝑡), −𝑥(𝑡)) = (2 sin(𝑡) , −2 cos(𝑡))

Substituindo na integral:

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ (2 sin(𝑡) , −2 cos(𝑡)). (−2 sin(𝑡) 𝑑𝑡, 2 cos(𝑡)𝑑𝑡)


𝛾1 𝛾1

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ (−4 sin(𝑡)2 − 4cos(t)2 )𝑑𝑡 = − ∫ 4𝑑𝑡 = −4𝜋


𝛾1 𝛾1 0

Na curva 𝛾2 : x=t, y=0;


(II)
dx =dt, dy=0
∫𝛾 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ =?
2
𝐹⃗ = (𝑦(𝑡), −𝑥(𝑡)) = (0, −𝑡)

Substituindo na integral de linha:

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∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ (0, −𝑡). (𝑑𝑡, 0) = 0


𝛾2 𝛾2

Logo:

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = −4𝜋 + 0 = −4𝜋.


𝛾 𝛾1 𝛾2

A seguir iremos calcular o lado direito do teorema de Green.

𝜕𝐹2 𝜕𝐹1 𝜕(−𝑥) 𝜕(𝑦)


∬( − ) 𝑑𝐴 = ∬ ( − ) 𝑑𝐴 = ∬(−1 − 1) 𝑑𝐴
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝐷 𝐷 𝐷

𝜕𝐹2 𝜕𝐹1
∬( − ) 𝑑𝐴 = −2 ∬ 𝑑𝐴 = −2 𝐴𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑜 𝑠𝑒𝑚𝑖𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑜
𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝐷 𝐷

𝜕𝐹2 𝜕𝐹1 𝜋22


∬( − ) 𝑑𝐴 = −2 ( ) = −4𝜋
𝜕𝑥 𝜕𝑦 2
𝐷

Finalmente comparando os dois resultados, verificamos que no exemplo


dado o teorema de Green é perfeitamente valido.

Exemplo 6.91.- Determine a seguinte integral de linha ∮(𝑥 + 𝑦)𝑑𝑦 +


(2𝑦 − 4𝑥)𝑑𝑥 no contorno do triangulo ABC, percorrido no sentido anti-
horário. A=(-2,0), B=(2,0), C=(0,4).

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y C

A Bx

Solução

Para calcular a integral de linha ∮(𝑥 + 𝑦)𝑑𝑦 + (2𝑦 − 4𝑥)𝑑𝑥 no sentido


anti-horário (uma volta completa), devemos parametrizar os 3 lados do
triangulo e integral em cada segmento , entre tanto podemos calcular tal
integral utilizando o teorema de Green.

∮(2𝑦 − 4𝑥)𝑑𝑦 + (𝑥 + 𝑦)𝑑𝑥 = ∮(2𝑦 − 4𝑥, 𝑥 + 𝑦). (𝑑𝑥, 𝑑𝑦) = ∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗

Sendo 𝐹⃗ = (2𝑦 − 4𝑥 2 , 𝑥 + 𝑦) e 𝑑𝑟⃗ = (𝑑𝑥, 𝑑𝑦) . Pelo teorema de Green

𝜕𝐹2 𝜕𝐹1
∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∬ ( − ) 𝑑𝐴
𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝛾 𝐷

𝜕(𝑥 + 𝑦) 𝜕(2𝑦 − 4𝑥 2 )
∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∬ ( − ) 𝑑𝐴
𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝛾 𝐷

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∬(1 − 2) 𝑑𝐴 = − ∬ 𝑑𝐴
𝛾 𝐷 𝐷

A integral dupla anterior é a área do triangulo, logo

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = 8
𝛾

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6.921 Calculo de área de uma região plana pelo teorema


de Green.
Consideremos o campo vetorial 𝐹 = (−𝒚, 𝒙) e uma curva fechada 𝛾
fronteira de uma superfície plana S.


S

Aplicamos o teorema de Green nas condições do enunciado do teorema :

𝜕𝐹2 𝜕𝐹1 𝜕(𝒙) 𝜕(−𝒚)


∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∬ ( − ) 𝑑𝐴 = ∬ ( − ) 𝑑𝐴
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝛾+ 𝐷 𝐷

∮ (−𝑦, 𝑥). (𝑑𝑥, 𝑑𝑦) = ∬(1 − (−1)) 𝑑𝐴 = ∬ 2 𝑑𝐴


𝛾+ 𝐷 𝐷

Finalmente

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ect/ufrn

1
∬ 𝑑𝐴 = ∮ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥)
2
𝐷 𝛾+

O lado direito da equação anterior é área total da superfície S.

Por tanto

Corolario 6.922 Dado uma superfície plana S, limitada pela curva 𝛾 +


e parametrizada em sentido anti-horário, então a área total da superfície S
se calcula assim:

𝟏
𝑨𝒓𝒆𝒂(𝑺) = ∮ (𝒙𝒅𝒚 − 𝒚𝒅𝒙)
𝟐
𝜸+

Formulas alternativas:

𝑨𝒓𝒆𝒂(𝑺) = ∮ (𝒙𝒅𝒚)
𝜸+

𝑨𝒓𝒆𝒂(𝑺) = − ∮ (𝒚𝒅𝒙)
𝜸+

As três formulas anteriores são equivalentes, para calcular a área de uma


superfície S com borda a curva 𝛾 +

𝑥2 𝑦2
Exemplo 6.921. Considere a elipse 2 + 2 = 1 centralizada na origem de
𝑎 𝑏
coordenadas. Determine a área do da elipse utilizando o teorema de
Green.

Solução.- Inicialmente iremos parametrizar a elipse, considerando a


identidade trigonométrica sin(𝑡)2 + cos(𝑡)2 = 1, temos a seguinte
forma paramétrica da elipse:

𝑥 = 𝑎 cos(𝑡) , 𝑦 = 𝑏 cos(𝑡)

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150
ect/ufrn

Por simples substituição podemos verificar que a parametrização anterior


é anti-horária, e se da uma volta completa à elipse de t=0 a t=2π.

t= 0

t =2π

De acordo ao corolário 6.922, a área da elipse tem a seguinte forma:

1
𝐴𝑟𝑒𝑎(𝑒𝑙𝑖𝑝𝑠𝑒) = ∮ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥) … … … … (∗)
2
𝛾+

Se

𝑥 = acos(𝑡) → 𝑑𝑥 = −𝑎 sin(𝑡) 𝑑𝑡

𝑦 = b sin(𝑡) → 𝑑𝑦 = 𝑏 cos(𝑡) 𝑑𝑡

Substituindo em (*) :

1
𝐴𝑟𝑒𝑎(𝑒𝑙𝑖𝑝𝑠𝑒) = ∮(acos(𝑡)𝑏 cos(𝑡) 𝑑𝑡 − b sin(𝑡)(−𝑎 sin(𝑡) 𝑑𝑡))
2
𝛾+

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ect/ufrn
𝑡=2𝜋
1
𝐴𝑟𝑒𝑎(𝑒𝑙𝑖𝑝𝑠𝑒) = ∫ 𝑎𝑏 𝑑𝑡 = 𝜋𝑎𝑏
2
𝑡=0

Exemplo 6.922 Considere o quadrilátero ABCD, sendo


A=(0,0),B=(2,2),C=(5,2),D=(9,0). Determine área do quadrilátero utilizando
integral de linha.

Solução

De acordo ao enunciado do teorema de Green, devemos percorrer o


quadrilátero no sentido anti-horário. Logo

𝐴𝑟𝑒𝑎(𝐴𝐵𝐶𝐷) = ∮ (𝑥𝑑𝑦)
𝛾+

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152
ect/ufrn

3

2
4

1

De acordo a figura anterior a área do quadrilátero fica assim

𝐴𝑟𝑒𝑎(𝐴𝐵𝐶𝐷) = ∮ (𝑥𝑑𝑦) = ∫ 𝑥𝑑𝑦 + ∫ 𝑥𝑑𝑦 + ∫ 𝑥𝑑𝑦 + ∫ 𝑥𝑑𝑦


𝛾+ 𝛾1 𝛾2 𝛾3 𝛾4

Percurso A->D:

𝑦 = 0, 0 ≤ 𝑥 ≤ 9; 𝑑𝑦 = 0

∫ 𝑥𝑑𝑦 = ∫ 𝑥 0 = 0
𝛾1 0

Percurso D->C :

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153
ect/ufrn

Determinamos a equação da reta ̅̅̅̅


𝐷𝐶 considerando que o coeficiente
angular entre os pontos D e C é o mesmo que entre os ponto Q= (x,y)
(arbitrário) e o ponto D.

2−0 𝑦−0
=
5−9 𝑥−9
Logo:

𝑥 9
𝑦=− +
2 2
Da equação da reta anterior, temos que :

𝑑𝑥
𝑑𝑦 = −
2
Considerando o percurso 𝐷 → 𝐶, a variável 𝑥 varia de 9 a 5.

5
𝑑𝑥 1
∫ 𝑥𝑑𝑦 = ∫ 𝑥(− ) = − 𝑥 2 |59 = 14
2 4
𝛾2 9

Percurso C-> B :

𝑦 = 2, 2 ≤ 𝑥 ≤ 5; 𝑑𝑦 = 0

∫ 𝑥𝑑𝑦 = ∫ 𝑥 0 = 0
𝛾1 5

Percurso B->A:

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154
ect/ufrn

Determinamos a equação da reta ̅̅̅̅


𝐴𝐵 considerando que o coeficiente
angular entre os pontos A e B é o mesmo que entre os ponto Q= (x,y)
(arbitrário) e o ponto A.

2−0 𝑦−0
=
2−0 𝑥−0
Logo:

𝑦=𝑥

Da equação da reta anterior, temos que :

𝑑𝑦 = 𝑑𝑥

Considerando o percurso 𝐵 → 𝐴, a variável 𝑥 varia de 2 a 0.

0
1
∫ 𝑥𝑑𝑦 = ∫ 𝑥 𝑑𝑥 = 𝑥 2 |02 = −2
2
𝛾2 2

Finalmente:

𝐴𝑟𝑒𝑎(𝐴𝐵𝐶𝐷) = ∮ (𝑥𝑑𝑦) = 0 + 14 + 0 + (−2) = 12


𝛾+

Exemplo 6.923 Use o teorema de Green para encontrar a área da região do


primeiro quadrante limitada internamente pela da elipse 4x2+y2 =16 e
externamente pela circunferência de raio 4 e centro na origem

Solução.-

Para identificar a região plana considerada, devemos localizar a elipse em


primeiro lugar.

2
𝑥2 𝑦2
2
4𝑥 + 𝑦 = 16 → 2 + 2 = 1
2 4

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155
ect/ufrn

y
C
2
A= (2,0), B=(4,0)

C=(0,4)
3
B
A
1
x

A região de interesse esta limitada pelas 3 curva 𝛾1 , 𝛾2 , 𝛾3 .

1
𝐴𝑟𝑒𝑎(𝐴𝐵𝐶) = ∮(𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥)
2
𝛾+

Da figura anterior temos que: 𝛾 + = 𝛾1 ∪ 𝛾2 ∪ 𝛾3

∮ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥) = ∫ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥) + ∫ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥) + ∫ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥)


𝛾+ 𝛾1 𝛾2 𝛾3

Trajeto A -> B :

Curva 𝛾1 : 𝑥: 2 → 4, ; 𝑦 = 0, 𝑑𝑦 = 0

∫ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥) = ∫ (𝑥 0 − 0𝑑𝑥) = 0


𝛾1 𝛾1

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156
ect/ufrn

Trajeto B -> C :

Curva 𝛾2 : 𝑟(𝑡) = (4 cos(𝑡) , 4 sin(𝑡)) : uma circunferência de raio R=4

Logo:

𝑥 = 4 cos(𝑡) → 𝑑𝑥 = −4 sin(𝑡) 𝑑𝑡

𝑦 = 4sin(t) → 𝑑𝑦 = 4 cos(𝑡) 𝑑𝑡
𝜋
Por simples observação, no quarto de circunferência 𝑡 varia de 0 a
2

Substituindo na integral de linha, temos:


𝜋
2

∫ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥) = ∫(4 cos(𝑡) 4 cos(𝑡) 𝑑𝑡 + 4 sin(𝑡) 4 sin(𝑡) 𝑑𝑡)


𝛾2 0

𝜋
2

∫ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥) = ∫(16 𝑑𝑡) = 8𝜋


𝛾2 0

Trajeto C -> A :
𝑥2 𝑦2
Temos aqui um pedaço de uma elipse 2 + 2 = 1, que iremos
2 4
parametrizar assim:

Curva 𝛾3 : 𝑟(𝑡) = (2sin(t), 4cos(t))

Logo:

𝑥 = 2 sin(t) → 𝑑𝑥 = 2 cos(𝑡) 𝑑𝑡

𝑦 = 4 cos(t) → 𝑑𝑦 = −4 sin(𝑡) 𝑑𝑡
𝜋
Por simples observação, no trajeto de C A o parâmetro t varia de 0 a
2

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ect/ufrn

Substituindo na integral de linha, temos:


𝜋
2

∫ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥) = ∫(−2 sin(𝑡) 4 sin(𝑡) 𝑑𝑡 − 4 cos(𝑡) 2 cos(𝑡) 𝑑𝑡)


𝛾2 0

𝜋
2

∫ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥) = − ∫(8 𝑑𝑡) = −4𝜋


𝛾2 0

Dai que,

∮ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥) = 0 + 8𝜋 − 4𝜋 = 4𝜋
𝛾+

Finalmente

1
𝐴𝑟𝑒𝑎(𝐴𝐵𝐶) = . ∮ (𝑥𝑑𝑦 − 𝑦𝑑𝑥) = 2𝜋
2
𝛾+

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6.93 Teorema de Stokes


Seja S uma superfície regular e orientável de classe C1 , tal que 𝛾 + é uma
curva fechada simples (fronteira de S) e de classe C1 por partes e
orientada positivamente. Seja 𝐹: 𝐷 ⊂ 𝑅3 → 𝑅3 um campo vetorial,
também de classe C1, sendo que 𝑆 ⊂ 𝐷, então :

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∬ ∇ × 𝐹⃗ . 𝑛
⃗⃗⃗⃗ 𝑑𝐴
𝛾+ 𝑆

Sendo ∇ × 𝐹⃗ o rotacional do campo vetorial 𝐹⃗ , e 𝑛


⃗⃗⃗⃗ é o vetor unitário
normal ao elemento de área 𝑑𝐴, na superfície S.

A curva 𝛾 deve ser percorrida no sentido em que a superfície S,

sempre deve estar á esquerda do objeto bidimensional que realiza


o percurso .

Observação.- o teorema anterior, é valido em superfícies sem


furos(superfícies simplesmente conexas), porem é possível generalizar
para superfícies com vários furos no interior(superfícies multiplamente
conexas), este ponto vamos explorar no exercício 41 e 42 da lista de
exercícios.

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Cálculo III, exercícios
159
ect/ufrn

Exemplo 6.931.- Considere o hemisfério norte de uma superfície esférica

𝑆 = {(𝑥, 𝑦, 𝑧) ∈ 𝑅3 / 𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 = 16, 𝑧 ≥ 0}. A fronteira ou borda


desta superfície S é a curva 𝛾 = {(𝑥, 𝑦, 𝑧) ∈ 𝑅3 / 𝑥 2 + 𝑦 2 = 16, 𝑧 = 0}.

O campos 𝐹 é 𝐹 = (−2𝑦, +2𝑥, 0). Verifique a validade do teorema de


Stokes.

Solução.-

S:
Hemisfério
norte

Circunferência: γ
(fronteira de S)

A curva 𝛾 é percorrida no sentido anti-horário, quando um objeto


bidimensional percorre a curva neste sentido a superfície S fica, sempre a
sua esquerda.

Realizando o calculo da integral de linha na curva 𝛾

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Cálculo III, exercícios
160
ect/ufrn

Se 𝛾 : 𝑥 2 + 𝑦 2 = 16, 𝑧 = 0, então uma parametrização possível da curva


é

𝑥 = 4 cos(𝑡) , 𝑦 = 4 sin(𝑡) , 𝑧 = 0

Esta parametrização define uma função vetorial que descreve a


circunferência : 𝑟(𝑡) = (4 cos(𝑡) , 4 sin(𝑡) , 0), pra verificar se o percurso
é horário ou anti-horário, é suficiente dar alguns valores numéricos
𝜋 𝜋
𝑡 = 0 → 𝑟(0) = (4,0,0); 𝑡 = → 𝑟 ( ) = (0,4,0) e
2 2

𝑡 = 2𝜋 → 𝑟(2𝜋) = (4,0,0) . Logo, estes valores indicam que o percurso é


anti-horário como devia ser para aplicar no teorema de Stokes.

Diferenciando as três equações

𝑑𝑥 = −4 sin(𝑡) 𝑑𝑡, 𝑑𝑦 = 4 cos(𝑡) 𝑑𝑡, 𝑑𝑧 = 0.

Logo a integral

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮ (𝐹1 , 𝐹2 , 𝐹3 ). (𝑑𝑥, 𝑑𝑦, 𝑑𝑧)


𝛾+ 𝛾+

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ect/ufrn

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮ (𝐹1 𝑑𝑥 + 𝐹2 𝑑𝑦 + 𝐹3 𝑑𝑧)


𝛾+ 𝛾+

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮ (−2𝑦 𝑑𝑥 + 2𝑥 𝑑𝑦 + 0 𝑑𝑧)


𝛾+ 𝛾+

Substituindo

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮ (−8 sin(𝑡) (−4 sin(𝑡)) 𝑑𝑡 + 8cos(𝑡)) 4 cos(𝑡) 𝑑𝑡)


𝛾+ 𝛾+

2𝜋

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮ (32) 𝑑𝑡 = 32 ∫ 𝑑𝑡 = 𝟔𝟒𝝅


𝛾+ 𝛾+ 0

A seguir iremos calculara outra integral

∬ ∇ × 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑆

Para insto inicialmente iremos calcular o rotacional do campo 𝐹⃗

𝑖 𝑗 𝑘
∇ × 𝐹⃗ = [ 𝜕𝑥 𝜕𝑦 ⃗⃗ (4) = 4𝑘
𝜕𝑧 ] = 𝑖⃗(0) − 𝑗⃗(0) + 𝑘 ⃗⃗
−2𝑦 2𝑥 0

Considerando S como uma superfície de nível

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Cálculo III, exercícios
162
ect/ufrn

𝑤 = 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 = 𝐶 = 16, o vetor unitário 𝑛⃗⃗ no ponto


arbitrário de S è

∇𝑓
𝑛⃗⃗ =
|∇𝑓|

2𝑥 2𝑦 2𝑦
𝑛⃗⃗ = ( , , )
√4𝑥 2 + 4 𝑦 2 + 4𝑧 2 √4𝑥 2 + 4 𝑦 2 + 4𝑧 2 √4𝑥 2 + 4 𝑦 2 + 4𝑧 2

𝑥 𝑦 𝑧
𝑛⃗⃗ = ( , , )
4 4 4
𝑥 𝑦 𝑧
Logo o produto escalar ∇ × 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ = (0,0,4). ( , , ) = 𝑧
4 4 4

∬ ∇ × 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∬ z . 𝑑𝐴
𝑆 𝑆

A superfície S é o hemisfério norte da esfera de raio R=4. Logo em


coordenadas esféricas
𝜋
𝑆 = {(𝑟, 𝜃, 𝜑) 𝜖 𝑅3 / 𝑟 = 𝑅, 0 ≤ 𝜃 ≤ , 0 ≤ 𝜑 ≤ 2𝜋}
2
calculando a integral dupla em coordenadas esféricas.

𝑧 = 𝑅𝑐𝑜𝑠(𝜃) e

𝑑𝐴 = 𝑅2 sin(𝜃) 𝑑𝜃 𝑑𝜑

∬ z . 𝑑𝐴 = ∬ R 𝑐𝑜𝑠(𝜃)𝑅2 sin(𝜃) 𝑑𝜃 𝑑𝜑
𝑆 𝑆

HLCS
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163
ect/ufrn
𝜋
2𝜋 2

∬ z . 𝑑𝐴 = ∫ ∫ 32 sin(2𝜃) 𝑑𝜃 𝑑𝜑 = 64𝜋
𝑆 0 0

Ou, seja

∬ ∇ × 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = 64𝜋
𝑆

Finalmente, os valores das integrais ∮𝛾+ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ e ∬𝑆 ∇ × 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 são


iguais a 64𝜋, o que verifica a validade do teorema.

Exercício 2. Considere a superfície cônica S definida pela equação


𝑧 = 𝑓(𝑥, 𝑦) = √𝑥 2 + 𝑦 2 , sendo 𝑧 ∈ [0,4]. Considere também o campo
vetorial 𝐹⃗ = (𝑦 2 , 𝑥 2 , ln(𝑧)). Determine o fluxo do rotacional do campo
vetorial 𝐹⃗ .

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Cálculo III, exercícios
164
ect/ufrn

Solução.- Considerando que:

ΦSF → Fluxo do campo vetorial 𝐹⃗

ΦSF = ∬ 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑆


ΦS∇×𝐹 → Fluxo do rotacional docampo vetorial 𝐹⃗

∬ ∇ × 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴
𝑆

Na questão é esta ultima integral que devemos encontrar

Porem pelo teorema de Stokes

∬ ∇ × 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗
𝑆 𝛾+

Ou seja, o fluxo do rotacional do campo (lado esquerdo da equação ) pode


ser calculada utilizando uma integral de linha (lado direito da equação) ao
longo da curva 𝛾 + (no percurso, na qual a superfície sempre esta à
esquerda do trajeto).

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Cálculo III, exercícios
165
ect/ufrn



Superfície
Cônica

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮(𝑦 2 , 𝑥 2 , ln(𝑧)). (𝑑𝑥, 𝑑𝑦, 𝑑𝑧)


𝛾+ 𝛾+

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮(𝑦 2 𝑑𝑥 + 𝑥 2 𝑑𝑦 + ln(𝑧) 𝑑𝑧)


𝛾+ 𝛾+

A curva 𝛾 + é a borda da superfície cônica S, como tal tem a seguinte


equação

𝛾 + = {(𝑥, 𝑦, 𝑧) 𝜖 𝑅3 / 𝑥 2 + 𝑦 2 = 16, 𝑧 = 4}

Parametrizando

𝑥 = 4 cos(𝑡) , 𝑦 = −4 sin(𝑡) , 𝑧 = 4

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Cálculo III, exercícios
166
ect/ufrn

Calculando as diferenciais

𝑑𝑥 = −4 sin(𝑡) 𝑑𝑡, 𝑑𝑦 = −4 cos(𝑡) 𝑑𝑡, 𝑑𝑧 = 0.

A função vetorial que descreve a circunferência 𝛾 + é


𝑟(𝑡) = (4 cos(𝑡) , −4 sin(𝑡) , 4), a curva é percorrida no sentido indicado
na figura.

Por simples inspeção 𝑟(0) = (4,0,4), 𝑟(2𝜋) = (4,0,4), logo numa volta
completa 𝑡: 0 → 2𝜋

Substituindo na integral

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∮(16 𝑠𝑖𝑛(𝑡)2 (−4 sin(𝑡) 𝑑𝑡) + 16 cos(𝑡)2 (−4 cos(𝑡) 𝑑𝑡 ))


𝛾+ 𝛾+

2𝜋

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ (64 𝑠𝑖𝑛(𝑡)3 𝑑𝑡 + 64 cos(𝑡)3 𝑑𝑡)


𝛾+ 0

2𝜋 2𝜋
∫0 64 𝑠𝑖𝑛(𝑡)3 𝑑𝑡 = −64 ∫0 (1 − 𝑢2 ) 𝑑𝑢 , sendo 𝑢 = cos(𝑡)

2𝜋 2𝜋
∫0 64 𝑐𝑜𝑠(𝑡)3 𝑑𝑡 = −64 ∫0 (1 − 𝑤 2 ) 𝑑𝑤 , sendo 𝑤 = cos(𝑡)

Finalmente

cos(𝑡)3 sin(𝑡)3 2𝜋
∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = [64 (− cos(𝑡) + ) + 64 (sin(𝑡) − )]0
3 3
𝛾+

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Cálculo III, exercícios
167
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∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = 0
𝛾+

Considere o campo vetorial 𝐹⃗ = (𝑦, −𝑥), logo verifique que ∇ × 𝐹⃗ =


−2𝑘⃗⃗ , e ainda verifique que o campo vetorial 𝐹⃗ gira no plano xy em
sentido horário de acordo a regra da mão direita.

Exercícios
Propriedades gerais de campos vetoriais

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Cálculo III, exercícios
168
ect/ufrn

1.- Seja as funções escalares


I) f(x,y,z)= xy+yz+zx, para todo x,y,z do espaço R3,
II) f(x,y,z)=x3+xy+z2, para todo x,y,z do espaço R3,
III) seja a função z= f(x,y)= xy
a) determine o gradiente da função escalar f: 𝒈𝒓𝒂𝒅(𝒇) = 𝛁(𝒇)
b) Determine o rotacional do gradiente de f : ∇ × ∇(𝑓)
c) considere a função f do item II, logo ∇. ∇(𝑓) é 14 na reta x=2?
d) desenhe as curvas de nível da função do item III, desenhe em alguns
pontos do domínio da função o campo gradiente. O que podemos
concluir?, existe alguma propriedade geral entre a direção do campo
gradiente e a direção das linhas de campo em cada ponto?.

e.- Considere o campo vetorial 𝐹⃗ = (𝑦, −𝑥), logo verifique que


∇ × 𝐹⃗ = −2𝑘⃗⃗, e ainda verifique que o campo vetorial 𝐹⃗ gira no plano xy
em sentido horário de acordo a regra da mão direita.

2.- Seja a campo vetorial F(x,y,z) = (0,0,4-x2-y2), definido para todo o


espaço R3,
a) desenhe o campo no espaço R3 para alguns pontos, seja utilizando
algum programa de computação gráfica, ele seria um campo rotacional?
b) determine o rotacional e a divergência de F(x,y,z).
3.- Seja o campo vetorial 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = (𝑥𝑦𝑧, 𝑦𝑧𝑥, 𝑧𝑥 2 + 𝑧𝑦 2 ), determine
𝒅𝒊𝒗(𝒓𝒐𝒕(𝑭))
𝜕 𝜕 𝜕
4.- Seja o operador gradiente ∇= ( , , ), e seja a função arbitraria
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
𝜑(𝑥, 𝑦, 𝑧) definida no espaço R3. Determine o seguinte produto escalar
𝛁. 𝛁(𝝋) ≡ 𝛁 𝟐 (𝝋). Verifique que a equação de onda tridimensional
𝜕2 𝜑 𝜕2 𝜑 𝜕2 𝜑 1 𝜕2 𝜑
+ + − = 0, pode-se escrever assim: ⊡2 𝜑 = 0, onde
𝜕𝑥 2 𝜕𝑦 2 𝜕𝑧 2 𝑣 2 𝜕𝑡 2

1 𝜕2
⊡2 = 𝛁 𝟐 − (operador d’Alambertiano).
𝑣 2 𝜕𝑡 2

Sendo 𝑣, a velocidade de propagação da onda.

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Cálculo III, exercícios
169
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5.- Seja o campo escalar 𝑓(𝑥, 𝑡) = 𝜑(𝑥 + 𝑣𝑡) + 𝜑(𝑥 − 𝑣𝑡), sendo 𝜑 um
campo escalar arbitrário no ponto (𝑥, 𝑡).
a) Determine o gradiente da função 𝑓(𝑥, 𝑡),
b) Determine 𝛁. 𝛁(𝒇).
Ajuda: utilize regra da cadeia, e a resposta depende de 𝜑

c) Prove que ⊡2 𝑓 ≡ 0, isto quer dizer, que toda função escalar da forma
𝑓(𝑥, 𝑡) = 𝜑(𝑥 + 𝑣𝑡) + 𝜑(𝑥 − 𝑣𝑡), satisfaz a equação de onda
𝜕2 𝑓 1 𝜕2 𝑓
unidimensional 2
− =⊡2 𝑓 = 0
𝜕𝑥 𝑣 2 𝜕𝑡 2

6.- Prove a propriedade, 𝒓𝒐𝒕(𝒈𝒓𝒂𝒅(𝒇)) = 𝛁 × 𝛁(𝒇) = ⃗𝟎⃗ ,


para qualquer função escalar 𝑓: 𝑅3 → 𝑅, 𝑐𝑙𝑎𝑠𝑠𝑒 𝐶 2 ou por extenso “f(x,y,z)
é uma função real de variável vetorial, que tem derivadas parciais de
segunda ordem contínuas”.

7.-Prove a propriedade 𝒅𝒊𝒗(𝒓𝒐𝒕(𝑭)) = 𝛁. (𝛁 × 𝑭) = 𝟎, sendo


F=(F1,F2,F3) um campo vetorial sobre R3 arbitrário e com cada componente
Fi, (i=1,2,3) tem derivadas parciais de segunda ordem contínuas.

8.- seja 𝑟⃗ = (𝑥, 𝑦, 𝑧), onde r=√𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 ,


1 1 −𝑟⃗
a) Provar 𝑔𝑟𝑎𝑑 ( ) = ∇ ( ) = ,
𝑟 𝑟 𝑟3

⃗⃗
b) provar ∇ × 𝑟⃗ = 0
c) Seja uma partícula com carga elétrica Q localizada na origem de
coordenadas, então a intensidade de campo elétrico no ponto r = (x,y,z) é
𝑄
𝐸⃗⃗ = 𝐾 2 𝑒⃗𝑟 . Sendo 𝑒⃗𝑟 o vetor unitário no ponto r = (x,y,z) saindo da
𝑟
origem de coordenadas. K é uma constante características do meio em
que está localizada a partícula e 𝑟 = √𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 é o modulo do vetor
r. Verifique que ∇. 𝐸⃗⃗ = 0 para todo 𝑟⃗ ≠ (0,0,0).

desafio:
I) Determine o seguinte produto escalar ∇. ∇(𝜑) em coordenadas
cilíndricas, sendo ∇ o operador diferencial nabla, e 𝜑 é uma

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Cálculo III, exercícios
170
ect/ufrn

função escalar 𝜑 = 𝜑(𝜌, 𝜃, 𝑧). Em seguida escreva a equação de


onda tridimensional em coordenadas cilíndricas.

Campos vetoriais conservativos, função potencial.


9.- Verifique se os seguintes campos são conservativos ou não
a) F = (z+y,z,y+x),
b) F = e(y+2z)(i+xj+2xk)
c) F=(x-3,-zsin(y),cos(z))
d) F=(ex cos(y)+y z, x z-ex sin(y), x y+z)
e) Verifique que a intensidade de campo elétrico do item 8 c é
conservativo.
10.- Determine a função potencial para cada campo gradiente
a) 𝐹(𝑥, 𝑦) = (𝑒 𝑥 sin(𝑦) , 𝑒 𝑥 cos(𝑦))
b) 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = (2𝑦 + 3𝑧, 2 𝑥 + 4𝑧, 3𝑥 + 4𝑦)
c) 𝐹(𝑥, 𝑦) = 𝑎 (𝑥, 𝑦), sendo a>0 uma constante arbitraria.
11.-. Determine a equação das líneas de campo associado nas seguintes
situações
a) Um campo vetorial 𝐹(𝑥, 𝑦) = (𝑥, −𝑦) esta definida no plano R2. em
particular diga qual é a equação da linha que passa pelo ponto (1,1). (ver
figura)

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Cálculo III, exercícios
171
ect/ufrn

b) No caso que o campo vetorial seja 𝐹 = (𝑦, 1,0). Em particular


determinar a curva que passa pelo ponto (2,1,0). Neste caso encontre a
forma paramétrica da curva, que pode passar pra forma cartesiana depois.
12.- Seja uma carga pontual localizada na origem de coordenadas com o
campo elétrico E do exercício 9e. Demonstre que as linhas de campo
elétrico são linhas retas e radiais saindo da origem de coordenadas.
http://webphysics.davidson.edu/physlet_resources/bu_semester2/c02_fi
eld.html

Integral de linha de campo escalar


13.- Um aro em forma circular de radio R=2 tem uma densidade linear
𝜑(𝜃) = 𝑅 (𝑐𝑜𝑠(𝜃))2 𝑘𝑔/𝑚 determine a massa total do aro.
14.- Tema a curva plana r(t)=(t,2-t) tal que 0 ≤ t ≤ 2. Construímos uma
parede vertical por cima da curva de tal forma que a altura h(x,y)=x2+y2
varia de ponto a ponto ao longo da curva r(t). Determine a área total da
parede.
15.- Um cercado circular centrada na origem de coordenadas tem radio
4m. No ponto (x,y) da cerca a altura da mesma está dada pela relação
𝜑(𝑥, 𝑦) = (|𝑦| + 2)𝑚. Determine a área total do cercado. Se pintar o
metro quadrado da parede custa 10 reais, quanto custou pintar toda a
parede do cercado?.
Integral de linha de campo vetorial

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Cálculo III, exercícios
172
ect/ufrn

16.-Seja o campo vetorial F(x,y,z) = (x,y,z) para todo R3. E seja a helicóide
“c” parametrizada da seguinte forma 𝑟⃗(𝑡) = (𝑐𝑜𝑠(𝑡), −𝑠𝑖𝑛(𝑡), 2𝑡), 0 ≤
𝑡 ≤ 4𝜋.

Calcular ∫𝑐 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗.

17.-Considere a curva “c=c1Uc2, c1=A->B , c2= B->C ” ao longo de triangulo


retângulo com vértices A=(0,0),B=(2,0),C= (0,2). Dado o campo vetorial

F(x, y) = (x2,y), determine ∫𝑐 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗.

18.- Um arame tem a forma de uma curva obtida como interseção da


esfera x2+y2+z2 = 4, y≥0, com o plano x+z=2. Sabendo que a densidade em
cada ponto do arame é dada por f(x, y, z) = x y, calcular a massa total do
arame.
𝑥 𝑦
19.- Temos campo elétrico 𝐸⃗⃗ (𝑥, 𝑦) = ( 3 , 3 ) numa superfície
(𝑥 2 +𝑦 2 )2 (𝑥 2 +𝑦 2 )2
horizontal, gerado por uma carga pontual colocada na origem de
coordenadas.

a) Determine a integral a seguir: ∫ 𝐸⃗⃗ . 𝑑𝑟⃗ deste campo (“força eletromotriz


induzida”) ao longo de um cabo condutor reto colocada na posição radial
do ponto (2,2) ao ponto (4,4).
b) Determine a circulação do campo E(x,y) ao longo de uma
circunferência de radio R= 4 do ponto (4,0) até o ponto (0,4) em sentido
horário
c) Repetir a questão anterior b entre os mesmos pontos percorrendo em
sentido anti-horário.
20.- Seja o campo vetorial de forças 𝐹(𝑥, 𝑦) = (𝑒 −𝑥 sin(𝑦), −𝑒 −𝑥 cos(𝑦)),
a) determine a função potencial associado ao campo vetorial F.
b) determine o trabalho do campo F(x,y) numa trajetória parabólica
y=x2+π do ponto A = (0, 𝜋) ao ponto B = (2,4+π).
c) Determine o trabalho ao longo da elipse (x-2)2+ 4y2=4, do ponto (0,0)
ao ponto (4,0) no percurso horário.

HLCS
Cálculo III, exercícios
173
ect/ufrn

d) qual valor da integral de linha do campo F ao longo da elipse anterior


num percurso horário de duas voltas completas?.

21.- Calcule ∫𝐶 (𝑦𝑑𝑥 + 𝑧𝑑𝑦 + 𝑥𝑑𝑧) onde C é a curva fechada definida


como a união dos segmento de reta 𝐶 = 𝐶1 ∪ 𝐶2 ∪ 𝐶3 , onde C1 une
(2,0,0) a (3,4,5) seguido pelo segmento de reta vertical C2 de (3,4,5) a
(3,4,0) e finalmente C3 une (3,4,0) a (2,0,0).

22.- Calcular ∫𝐶 [𝑒 𝑥 sin(𝑦) 𝑑𝑥 + (𝑒 𝑥 cos(𝑦) + 𝑦)𝑑𝑦],

a) Onde C é o arco de circunferência x2+y2=1, no segundo quadrante,


juntamente com os eixos 𝑥 = 0 e 𝑒 𝑦 = 0; orientado no sentido horário.
Observe que C é uma curva fechada.
b) Onde 𝐶 = 𝐶1 ∪ 𝐶2 ; 𝐶1 é a elipse x2+ 4y2=4 do ponto (0,1) ao ponto
(2,0) orientada no sentido horário. 𝐶2 é o eixo 𝑥 do ponto (2,0) ao ponto
(0,0)

23.- Calcular a integral ∮𝑐 [𝑦 2 𝑑𝑥 + 𝑥 2 𝑑𝑦], ao longo da curva c, orientada


em sentido anti-horário; c é a fronteira do retângulo D=[-2,2] x [-1,1] .
24.- Considere o campo vetorial de forças 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 4(𝑥, 𝑦, 𝑧)
a) Verifique se o campo vetorial 𝐹 é conservativo.
𝐹
b) Determine o trabalho 𝑊𝐴→𝐵 realizado pelo campo vetorial 𝐹 ao longo
da curva parametrizada “c” : 𝑟(𝑡) = (𝑡, 2𝑡, 𝑧(𝑡)) , inteiramente contida na
superfície 𝑆 e que passa pelos pontos A=(0,0,d) e B=(1,2,9) . A superfície
𝑆 tem a seguinte equação explicita : 𝑧 = 𝑦 2 + 𝑥 2 + 4.
𝐹
c) Determine o trabalho 𝑊𝐴→𝐵 se a curva 𝐶 é um meridiano e uma
superfície esférica de raio arbitrário (do polo norte ao polo sur).
Fluxo de campo vetorial

25.- Seja o campo vetorial 𝐹 = (𝑒 𝑧 𝑥𝑧, 𝑒 𝑧 𝑥𝑧, 𝑒 𝑧 𝑥𝑦), determine o fluxo


deste campo vetorial através de:

a) Da face superior de um cubo no primeiro oitante com um vértice em


(0,0,0), o lado do cubo tem 1 unidade.

HLCS
Cálculo III, exercícios
174
ect/ufrn

b) Da face lateral e ortogonal ao eixo y do mesmo cubo, onde a


coordenada y é 1.

26.-Considere um campo vetorial da forma 𝐹⃗ (𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝑓(𝑟)𝑒⃗𝑟 definido


para todo o espaço 𝑅 3 . Determine o fluxo do campo através do hemisfério
norte de uma superfície esférica de raio 𝑅, centralizada na origem de
coordenadas. Sendo 𝑒⃗𝑟 o vetor unitário radial em coordenadas esféricas,
𝑟 = √𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 e 𝑓(𝑟) é uma função escalar qualquer.

27.- Determine o fluxo do campo 𝐹 = (𝑥𝑦, 𝑧𝑦, 𝑥𝑧) através do


paralelepípedo localizado no primeiro oitante com vértices nos pontos
𝐴 = (0, 𝑎, 0), 𝐵 = (𝑏, 0,0) e 𝐶 = (0,0, 𝑐)

28.- Calcule o fluxo do campo vetorial F(x,y,z) = (0,0,-2z) através da


superfície S do parabolóide z = x2+y2; 0 ≤z ≤1, com o vetor normal
apontando para fora de S.

29.- Seja um campo potencial escalar 𝜑(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 2(𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 )


a) definida o campo gradiente 𝐹 = ∇(𝜑),
b) Verifique a ortogonalidade entre o campo gradiente e a superfície de
nível (superfície equipotencial: “S”) 𝜑(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 2
c) Determine o fluxo do campo gradiente F através da superfície S para o
lado de fora da superfície. Que significa fisicamente o resultado?.
d) o campo F é conservativo?
e) Seja a curva γ parametrizada pela equação r(t)=( tsin(t), t cos(t), t).
Determine o trabalho do campo F 𝑊𝐹 = ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗⃗⃗⃗⃗ entre t=π/2, e t=3π.
𝛾

30.- Um condensador plano gera um campo elétrico uniforme entre as


laminas paralelas. Suponha que a intensidade de campo elétrico seja
E=(0,400)N/c . Um elétron entra paralelamente as laminas do
condensador, com uma velocidade v=(30,0)m/s próximo a lamina de carga
superficial negativa. Considere que a força elétrica que sente o elétron é
𝐹⃗𝐸 = 𝑞𝐸⃗⃗ , sendo q=-1.6 10-19 Coulomb a carga do elétron.
a) determine o trabalho da força elétrica quando o elétron descreve uma
trajetória parabólica y=(-x2+2)m entre dois pontos A(0,2) e C(1,1).
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Cálculo III, exercícios
175
ect/ufrn

b) Determine o trabalho da força elétrica sobre o elétron na trajetória


reta AB+ BC, sendo B=(0,1)
c) Determine a função potencial V(x,y) (potencial elétrico) a partir do fato
que o campo elétrico é conservativo.
d) Determine a diferença V(B)-V(A), compare com o resultado do item A,
qual sua conclusão?, isto acontece porque?

Teorema de Green

31.- Calcular ∮𝐶 [𝑒 𝑥 sin(𝑦) 𝑑𝑥 + (𝑒 𝑥 cos(𝑦) + 2𝑥)𝑑𝑦], onde C é o arco de


circunferência x2+y2=4, no segundo quadrante, juntamente com os eixos
𝑥 = 0 e 𝑦 = 0; orientado no sentido anti-horário. Observe que C é uma
curva fechada.

32.- Use o teorema de Green para encontrar a área da região D nos


seguintes casos
a) D é a região limitada pelas curvas 𝑦 = 𝑥, 𝑦 = 1/2, 𝑥 = 0 e 𝑦 = 2 −
𝑥 2.
b) D é a região do primeiro quadrante limitada internamente pela da
elipse x  4 y  16 e externamente pela circunferência de raio 4 e
2 2

centro na origem.

33.- calcule a integral ∮𝑐 (𝑦 2 𝑑𝑥 + 3𝑥𝑦 𝑑𝑦), onde c é a curva que define a


fronteira da região semi-anular D contida no semi-plano superior entre os
círculos x2+y2=1, e x2+y2=9. A curva é percorrida no sentido anti-horário.
Teorema da divergência.

34.- Seja uma superfície S1, definida assim 4- x2- y2- z = 0. Seja o campo
F=(2x,2y,-1). Determine o fluxo do campo F através de S1 (para fora de S1)
do seu vértice até a sua borda localizada no plano z=0. Ajuda utilize o
teorema de divergência.

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Cálculo III, exercícios
176
ect/ufrn

35.- Use o teorema da divergência para achar o fluxo do campo vetorial


⃗⃗ = (𝒙𝟑 , 𝒚𝟑 , 𝒛𝟑 ). Através da superfície fechada que limita o hemisfério
𝑭
sólido 𝑥 2 + 𝑦 2 + 𝑧 2 ≤ 4, 𝑧 ≥ 0.

36.- um fluido tem densidade ρ=1000kg/m3 e escoa com velocidade


v=(z,y2,x2) m/s . Encontre o vazão do fluido para fora do cilindro fechado:
x2+y2=4, 0 ≤ z ≤ 1.

37.- Resolva o exercício 28 utilizando o teorema da divergência.

38.- Considere a porção da superfície esférica x2+y2+z2=4, limitada pelo


cilindro x2+y2=1 e 𝑧 ≥ 0 . Considere o campo vetorial F = (x, x z, x2+y2).
Determine o fluxo do campo vetorial F através dessa superfície.

Teorema de Stokes

39.- Determine ∬𝑆 ∇ × 𝐹⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴, sendo F=(x2z2, y2z2, xyz). S é a parte do


parabolóide z=x2+y2, que esta dentro do cilindro x2+y2=4

40.- Seja o campo F=(x z, y z, x y) , e a superfície S é parte da superfície


esférica x2+y2+z2=4 que esta dentro do cilindro x2+y2=1 com 𝑧 ≥ 0
orientada para baixo.

a) determine o campo G=rot(F),

b) Determine ∬𝑆 𝐺⃗ . 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 , 𝑛⃗⃗ é o vetor unitário ortogonal ao elemento de


área dA na superfície S.

41.- Considere o campo de indução magnética (𝐵 ⃗⃗) estudada no exemplo 3


da seção 6.4 de campos vetoriais. Considere a superfície (𝑆) do
paraboloide 𝑧 = 𝑥 2 + 𝑦 2 limitada por dois planos horizontais 𝑧 = 4, e
𝑧 = 9; verifique a validade do teorema de Stokes, ou seja,

⃗⃗. 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = ∮ 𝐵
∬∇ × 𝐵 ⃗⃗⃗⃗⃗
⃗⃗ . 𝑑𝑟
𝑆 𝐶

Onde 𝐶 é a borda da superfície S, observe que 𝐶 é a união de dois


circunferência horizontais.

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Cálculo III, exercícios
177
ect/ufrn

42.- Considere o campo de indução magnética do exercício 41; agora


considere uma superfície de revolução (𝑆), gerada pela rotação de uma
curva

𝑦 = 𝑦(𝑥), 𝑎 ≤ 𝑥 ≤ 𝑏

⃗⃗. 𝑛⃗⃗ 𝑑𝐴 = 0
Provar que sempre ∬𝑆 ∇ × 𝐵

Desafios.

1. Deduzir a formula do operador vetorial nabla em coordenadas


esféricas, assim como também a formula da divergência e
rotacional de um campo vetorial arbitrário em coordenadas
esféricas. Determine também a formula do Laplaciano e o
d’Alambertiano em coordenadas esféricas.

Algumas respostas:

1.

I a) grad(f(x,y,z)) = (y+z, x+z, y+x)

I b) rot(grad(f(x,y,z))) = ⃗0⃗

1 c) na verdade a igualdade acontece no plano x=2, z real e y real.

2.

b) div(F(x,y,z)) = 0, rot(F(x,y,z)) = (-2y, 2x)

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Cálculo III, exercícios
178
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3.

Div(rot(F)) = 0.

4.

𝜕2𝜑 𝜕2𝜑 𝜕2𝜑


∇ . ∇(f) = + +
𝜕𝑥 2 𝜕𝑦 2 𝜕𝑧 2
𝜕𝜑 𝜕𝜑 𝜕𝜑 𝜕𝜑
5 a) ∇(𝑓) = ( + ,𝑣( − )) onde 𝑢 = 𝑥 + 𝑣𝑡, 𝑤 = 𝑥 − 𝑣𝑡
𝜕𝑢 𝜕𝑤 𝜕𝑢 𝜕𝑤

𝜕2 𝜑 𝜕2 𝜑
5 b) ∇2 𝑓(𝑥, 𝑡) = 2
+
𝜕𝑢 𝜕𝑤 2

9.

a) Não é conservativo;

b) Conservativo;

c) Não conservativo;

d) Conservativo.

10.

a) 𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑒 𝑥 𝑠𝑖𝑛 𝑦 + 𝐶, 𝑜𝑛𝑑𝑒 𝐶 ∈ ℝ

b) 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 2𝑦𝑥 + 3𝑧𝑥 + 4𝑧𝑦 + 𝐶, 𝑜𝑛𝑑𝑒 𝐶 ∈ ℝ


𝑎𝑥 2 𝑎𝑦 2
c) 𝑓(𝑥, 𝑦) = + + 𝐶, 𝑜𝑛𝑑𝑒 𝐶 ∈ ℝ
2 2
11) A curva que passa pelo ponto (2,1,0) é uma parábola localizada no
plano 𝑧 = 0.

3
𝑦2 3
𝐶 ≔ {(𝑥, 𝑦, 𝑧) ∈ 𝑅 , 𝑥= + , 𝑧 = 0}
2 2

13. Resposta : 4π

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Cálculo III, exercícios
179
ect/ufrn

14.

16√2
3
15.

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Cálculo III, exercícios
180
ect/ufrn

A= (64 + 16 π) 𝑚2

(640 + 160 π) reais.

17.

2.

16.
resposta : 32π2
17.
Resposta : 2
18.
Resposta : 4

19.

√2
a)
8

b) 0

20.
a) f(x,y) = −𝑒 −𝑥 sin 𝑦 + 𝐶, 𝑜𝑛𝑑𝑒 𝐶 ∈ ℝ
b) Resposta sin(4) e-2
c) Resposta zero
d resposta zero
22. sugestão : prove que o campo é conservativo e calcule a função
potencial.
a) 0
1
b) −sin(1) −
2

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Cálculo III, exercícios
181
ect/ufrn

23. Zero.
24 b) 140
c) zero
𝑒
25 a) b) ½
4

26.- 𝑓(𝑅)2𝜋𝑅2
27.

Resposta: abc(a+c+b)/2

28.- 𝜋
29.
29.e) Resposta WF=35π2
31 2𝜋
32 a) 25/24 32 b) 2𝜋
33.
Resposta: 52/3
34.

Resposta: 28π
35.
192 𝜋
resposta :
5

36.
Resposta 0
38.

𝜋(19 − 9√3)
Φ𝑠 =
3
39.
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Reposta: zero
40
b) Reposta: zero
41.

⃗⃗⃗⃗⃗ = Á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑜 𝑡𝑟𝑖â𝑛𝑔𝑢𝑙𝑜 𝑞𝑢𝑒 𝛾 𝑑𝑒𝑙𝑖𝑚𝑖𝑡𝑎 = 8


∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟
𝛾

42.
B)
⃗⃗
Resposta: zero, pois 𝛁 × 𝛁(𝒇) = 𝟎
43.
a)
𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = xy + zx + zy + 𝐶, 𝑜𝑛𝑑𝑒 𝐶 ∈ ℝ (função potencial)
b)

⃗⃗⃗⃗⃗ = 𝑓(1,3,0) − 𝑓(0,0,0) = 3


∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟
𝐴𝐵 𝑈 𝐵𝐶

c)
2𝑥 + 2𝑦 + 2𝑧 = 6
d)
3 − 𝑡2 −6 − 2𝑡 2
𝑟⃗(𝑡) = (𝑡, 𝑡, ) , 𝑙𝑜𝑔𝑜 𝑑𝑟⃗ = (𝑡, 𝑡, ) 𝑑𝑡;
2𝑡 4𝑡 2

−6 + 2𝑡 2 −6 + 2𝑡 2

𝐹 ( 𝑟⃗(𝑡)) = ( , , 2)
4𝑡 2 4𝑡 2

𝐹⃗ ( 𝑟⃗(𝑡)) ° 𝑑𝑟⃗ = 0 , (𝑠𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒 𝑧𝑒𝑟𝑜)

𝑆𝑒𝑛𝑑𝑜 𝑎𝑠𝑠𝑖𝑚 𝑜 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜:

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⃗⃗⃗⃗⃗ = 0, 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑞𝑢𝑎𝑙𝑞𝑢𝑒𝑟 𝑑𝑜𝑖𝑠 𝑝𝑜𝑛𝑡𝑜𝑠 𝑎𝑟𝑏𝑖𝑡𝑟á𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑟⃗(𝑡).


𝑊 = ∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟
𝐶

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Apêndice 1

Teorema de Green para superfícies


não simples (com furos)

Seja D uma região multiplemente conexa (com um furo) e simples


(limitada pelas curvas finitas e simples 𝛾1 , 𝛾2 ), as curvas são orientadas
positivamente em relação a D; tal que o campos de vetores 𝐹⃗ : 𝐷 ⊆ 𝑅2 →
𝑅2 seja de classe C1(diferenciável ate primeira ordem nas derivadas
parciais).

A seguir vamos demonstrar o teorema de Green, neste contexto.

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ect/ufrn

Como se observa na figura a seguir, colocamos uma curva arbitrária


(continua) entre um ponto arbitrário a da borda interna, e outro ponto
arbitrário b da borda externa da região D.

A seguir, vamos definir duas curvas idênticas entre a e b, salvo que


tenham orientação oposta. Para que seja mais didático a explicação do
processo, vamos definir os ponto a e a’, e b e b’ (a=a’, b=b’)

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Considere a região planar D limitado pela curva fechada 𝑎𝑑𝑎′ 𝑏′𝑐𝑏𝑎, nesta
região simplesmente conexa podemos aplicar o teorema de Green, já
estudada anteriormente, como segue

𝜕𝐹2 𝜕𝐹1
∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∬ ( − ) 𝑑𝐴
𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝛾 𝐷

Sendo 𝐹⃗ = (𝐹1 , 𝐹2 ). A curva fechada 𝛾 é justamente a curva 𝑎𝑑𝑎′ 𝑏′𝑐𝑏𝑎.


A integral de linha, do lado esquerdo da equação anterior, podemos
expressar como uma soma parcial de integrais de linha em vários pedaços
como segue:

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗


𝛾 𝑎𝑑𝑎′ 𝑎′𝑏′ 𝑏′𝑐𝑏 𝑏𝑎

Na equação anterior, a segunda integral e a ultima integral são iguais,


salvo um sinal negativo, já que, a curva 𝑎′𝑏′ e idêntica a curva 𝑏𝑎,
somente tem a parametrização oposta (ver figura). Logo

∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = 0
𝑎′𝑏′ 𝑏𝑎

Dai que:

∮ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ = ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗ + ∫ 𝐹⃗ . 𝑑𝑟⃗


𝛾 𝑎𝑑𝑎′ 𝑏′𝑐𝑏

Como curva 𝑎𝑑𝑎′ = 𝛾1 e curva 𝑏 ′ 𝑐𝑏 = 𝛾2 , então a equação anterior fica


assim

∮𝜸 ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∫𝜸 ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ + ∫𝜸 ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗
𝟏 𝟐

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Observe que ambas curvas fechadas, 𝛾1 e 𝛾2 são percorridas de tal forma


que a superfície D sempre esta a sua esquerda(o objeto que vai percorrer
é um ser bidimensional). Se a figura é plana, tem outra forma de lembrar
de uma maneira didática, a orientação precisa nas integrais de linha na
equação anterior. A borda externa se percorre de forma anti-horária e as
bordas internas (se tiver mais de um furo ) são percorridas no sentido
horário. No caso descrito acima, dizemos que a curva está orientada
positivamente.

Enunciado do teorema de Green numa superfície


plana D com um furo.
Seja D uma região multiplemente conexa (com um furo) e simples
(limitada pelas curvas finitas e simples 𝛾1 , 𝛾2 ), as curvas são orientadas
positivamente em relação a D; tal que o campos de vetores 𝐹⃗ : 𝐷 ⊆ 𝑅2 →
𝑅2 seja de classe C1(diferenciável ate primeira ordem nas derivadas
parciais). Logo:

𝜕𝐹2 𝜕𝐹1
∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ + ∫ ⃗𝑭⃗. 𝒅𝒓
⃗⃗ = ∬ ( − ) 𝑑𝐴
𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝜸𝟏 𝜸𝟐 𝐷

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