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RESUMO DOS QUATRO LIVROS

RESUMO 01:GEOPOLÍTICA E MODERNIDADE - GEOPOLÍTICA


BRASILEIRA
AUTOR: GenDiv Carlos de MEIRA MATTOS
ANO DA PUBLICAÇÃO: 2002 (2003), Biblioteca do Exército, FGV Editora

RESUMO 02: ORDEM MUNDIAL


AUTOR: HENRY KISSINGER
ANO DA PUBLICAÇÃO: 2014
NÚMEROS DE CAPÍTULOS: 09

RESUMO 03: A UTILIDADE DA FORÇA - A Arte da Guerra no Mundo


Moderno
AUTOR: RUPERT SMITH (Gen da reserva Britânico)
ANO DA PUBLICAÇÃO: 2005

RESUMO 04: INTRODUÇÃO À ESTRATÉGICA


AUTOR: ANDRÉ BEAUFRE
ANO DA PUBLICAÇÃO: 1998
RESUMO
GEOPOLÍTICA E MODERNIDADE
GEOPOLÍTICA BRASILEIRA

AUTOR: GenDiv Carlos de MEIRA MATTOS


ANO DA PUBLICAÇÃO: 2002 (2003), Biblioteca do Exército, FGV Editora

O livro busca fazer uma avaliação dos fundamentos da Geopolítica na atualidade, em face das rápidas
transformações do meio geográfico e dos instrumentos de ação política que interagem nas concepções
geopolíticas. O autor procurou avaliar o IMPACTOde Modernização, trazido pelas inovações
revolucionárias nas áreas da ciência, da tecnologia e da informática, surgidas nos últimos 50 anos que
poderão influir na equação de Poder do Estado no que se refere a importância de sua geografia.
O livro é dividido em duas partes. A 1a parte, com 5 capítulos, denomina-se Fundamentos e
Modernização, onde o autor define os fundamentos da geopolítica e a contribuição dos Fatores
Geográficos, Políticos e da História Moderna. Na 2a parte, com 3 capítulos, faz-se uma avaliação de como a
Geopolítica brasileira projeta-se viva e inspiradora na Modernidade, observando os predecessores e o
pensamento geopolítico. O livro termina com dois anexos escritos pelos Professor norte-americano Philip
Kelly.

CAPÍTULO I – Raízes da Geopolítica


Neste capítulo o Gen Meira Mattos descortina as raízes da Geopolítica. Esse estudo começa com o
filósofo Francis Bacon em 1620, passando por FreidrichRatzel e Rudolf Kjellen no final do século XIX.
Ressalta a importância do Almirante Alfred Mahane de HalfordMackinder que inspiraram a política do
Poder Marítimoe do Poder Continental. Para o período entre guerras (1919-1939) é ressaltado as obras do
general alemão Karl Von Haushofer que empolgaram o espírito de Hitler e dos principais líderes do Partido
Nazista.
Mostra o surgimento de autores a partir da década de 1940, como George Kennan, que influenciaram a
Guerra Fria, sendo usado como referencia dos soviéticos para a instalação de bases navais.

CAPÍTULO II – Contribuição do Fator Geográficopara a Formulação da Geopolítica


É relatado, pelo autor, que o espaço geográfico natural vem sendo politicamente enriquecido por
instrumentos e adaptações artificiais implantadas pelo homem, tais como pontes e túneis, encontrando
superação para os obstáculos do meio natural. Afirma que o homem ativo da modernidade conta com o
domínio do espaço aéreo, do estratosférico e sideral.
Aliado a esse fato, analisa o superpovoamento do planeta, gerando novas preocupações aos agentes
políticos, a poluição e a preservação do meio ambiente.

CAPÍTULO III – Contribuição do Fator Políticopara a Formulação da Geopolítica


O Gen Meira Mattos inicia o capítulo citando o sociólogo francês Maurice Duvenger – “Política é Poder”,
citando quem não tem poder não pode perseguir seus objetivos políticos. Ele cita que a MODERNIDADE, na
área da Política está representada, cada vez mais, pela presença do Poder Extraterritorial, levando a
informação que interessa a sua cultura, a sua política e sua economia. Fala-se de um novo
“COLONIALISMO TECNOLÓGICO”imposto pelos estados poderosos e que os tradicionais meios de
proteção territorial dos estados, mostram-se incapazes de impedir esta invasão.
O capítulo é concluído com a análise do escritor Samuel Huntington (The Clash ofCivilization), que toma
os conflitos contemporâneos no Oriente Médio como ingrediente mais ativo a penetração e o radicalismo da
civilização muçulmana.

CAPÍTULO IV – Contribuição da História Moderna para a Formulação da Geopolítica.


O principal inovador dos estudos da ciência histórica foi o Italiano Giovanni Vico que apreendeu o
caráter orgânico da história da sociedade humana e a importância de reintegrar, através da História, as
diversas forças e fatores que compõe a vida humana. Cita também as teorias etnocentristas e geocentristas
que negam às sociedades de raças não brancas a capacidade de virem a criar uma civilização.
Conclui neste capítulo que os progressos alcançados nesta área de conhecimento só vieram fortalecer a
sua inserção como inspiradora da Geopolítica.

CAPÍTULO V – A Geopolítica na Modernidade – Síntese


Neste curto capítulo, o autor sintetiza os ramos do conhecimento que compõe a Geopolítica, o geográfico,
o politico e o histórico.
Dentro do geográfico, ele ressalta dois fatores principais, a extensão e a posição de um país, onde o valor
da extensão tem peso politico quantitativo pela população e a riqueza naturais que pode abrigar.
O fator politico sempre foi influenciado pelos fatores de tempo e espaço, sendo atingidos com
intensidadedesigual pela tecnologia moderna.
A história, que é o 3o ramo científico que contribui para a formação do pensamento geopolítico foi
enriquecido nos últimos séculos por novosmétodos de interpretação.

CAPÍTULO VI – Os Predecessores
Neste capítulo, que abre a 2a parte, o autor observa os predecessores do pensamentoGeopolítico no Brasil.
Esse pensamento inicia-se mesmo antes do descobrimento com o Tratado de Tordesilhas (1494). Ressalta que
a maisantigavisão prospectiva sobre o futuro do Brasil data de 1587, com o historiador português Gabriel
Soares de Souzacom o livro In Tratado Descritivo do Brasil. José Bonifácioé citado pelo autor pela grande
preocupação com a preservação da unidade nacional e a necessidade de interiorização do país em seu
documento “Lembranças e Apontamentos” de 1821. Outra figura citada é o diplomata Alexandre Gusmão,
inspirador do Tratado de Madri, que legitimou as conquistas dos bandeirantes paulistas e nortistas.
No século XX, aparece o Capitão Mario Travassoscom seus dois livros que inspiraram vários autores
em geopolítica, ProjeçãoContinental do Brasil (1931) e Introdução à Política de ComunicaçõesBrasileiras
(1941). Nestes livros, Mario Travassos traçou rumos de uma política nacional destinada a nos levar à posição
de maior potência sul-americana. Outro autor, Professor EverardoBackheuser difundiu ideias para a criação
de unidadesfederativas no Brasil.
Na década de 1950, desponta o então Tenente Coronel Golbery do Couto e Silva, direcionando o
projeto desenvolvimentista brasileiro. É citado pelo autor a surgimento da professora de HistóriaTherezinha
de Castrona década de 1970 com inúmeros livros publicados, reivindicando a participação brasileira na
comunidadeantártica.
O capítulo termina com a referencia aos 06 livros escrito pelo autor nos 25 anos de trabalho sobre
geopolítica.

CAPÍTULO VII – Síntese de 70 anos de Pensamento Geopolítico Brasileiro.


Nesta síntese, o Gen Meira Mattos descreve as principais ideias dos 70 anos de pensamento geopolítico
no Brasil, entre as quais:
- A ideia de império, inspirada na grandeza territorial e na missão de desbravá-lo;
- A necessidade de uma política de interiorização;
- Aumentar a importância do desenvolvimento e da defesa da região amazônica;
- O grau de valor da nossa maritimidade;
- O desenvolvimento aeronáutico, indispensável para a integração nacional;
- Uma política de desenvolvimento econômico, social, cientifico e tecnológico, abrangente para
todo o território;
- Ter uma força militar de dissuasão estratégica, capaz de desencorajar as ambições internacionais
suscitadas pelo seu imenso patrimônio geográfico e suas riquezas inexploradas.

CAPÍTULO VIII – Um visão para a nossa Geopolítica Futura.


No último capítulo do livro, o autor cita uma frase do filósofo Spengler – “de pé no passado, vivendo o
presente, nos debruçamos no futuro”. Permanece a preocupação do autor com a integridade territoriale com
interiorização. Cita os problemas com infraestruturasque foram iniciados e não acabados. Outro problema
levantado é a questão da energia que inibe o progresso econômico e social. Conclui o capítulo com a
preocupação do desinteresse do Ministério da Educação com o ensino da Educação Moral e Cívica.

ANEXO 1 – O PENSAMENTO GEOPOLÍTICO DO GEN MEIRA MATTOS

ANEXO 2 – FRONTEIRAS E GEOPOLÍTICA (Professor dos EUA Philip Kelly)

Resenha
Geopolítica e Modernidade–2002 / 2003, GenDivCarlos de Meira Mattos (paulista)
Biblioteca do Exército, FGV Editora

Prefácio – José Sarney


Apresentação – Meira Mattos

- Ciência, tecnologia e informática: fatores que interagem e aumentam a capacidade do homooperandi.


- Modernidade (mais abrangente) X Globalização (moda)

Parte I – Fundamentos e Modernização (com 5 capítulos)

Principais ideias transmitidas no livro:

- Ênfase na interação de três fatores para formulação da Geopolítica na Modernidade:


Política+Geografia+História, que resultam em uma visão prospectiva sobre os acontecimentos futuros.
-Geopolítica é a aplicação da Política(Poder do Estado) aos espaços geográficos que ocupa (território),
sob a inspiração da história.

- Dos EspaçosNaturais se desenvolvem EspaçosArtificiais (Estradas, Pontes, Túneis,etc), ou seja, os


primeiros são politicamente enriquecidos por instrumentos e adaptações artificiais.
- A Rapidez dos Transportes conduz ao encurtamento de distâncias e os Fluxos
eletrônicos(modernidade) aproximaos contatos.

- “Política é Poder”,doSociólogo Fra Maurice Duvenger, Poder para perseguir objetivos políticos.
- Sintomas da expansão: ideias, intercâmbio comercial, atividades missionárias.
- InvasãoVertical: “Novo colonialismo tecnológico”. Interferência vertical dos países poderosos (Ex.:
EUA).
- A modernidade influi no Poder do Estado.
- “O Espaço dos Estados devem crescer com a sua cultura”. “Espaçoé Poder” - Fronteiras e Geopolítica:
o Brasil é bem resolvido.

Síntese da Geopolítica na Modernidade (capítulo 5):

- FatorGeográfico - dois aspectos principais: a extensão e a posição de um país.


- Extensão tem peso político quantitativo (quanto a população e riquezas naturais que pode abrigar).
- O Estado luta por áreas valiosas: litoral, planícies, regiões ricas em recursos. Ex: Amazônia Azul, Seg
alimentar e recursos minerais.
- “A fronteira é o órgão periférico do Estado.”
- “Regiões despovoadas são áreas suscetíveis à presença de imigrantes / forasteiros e passíveis de
movimentos subversivos e revolucionários.”
- “O território condiciona a vida de um estado e limita suas aspirações.”

- FatorPolítico: influência dos fatores tempo e espaço, que são atingidos com intensidade desigual pela
Ciência, Informática e Tecnologia.

- FatorHistórico: comprova as raízes da Geopolítica (capítulo 1) e está enriquecido nos últimos séculos
por novos métodos de interpretação.
- 1750, Tratado de Madri, Alexandre Gusmão, Diplomata (legitimou conquistas dos bandeirantes).
- 1821, “Lembranças e Apontamentos”, José Bonifácio (grande preocupação com a preservação da
unidadenacional e a necessidade de interiorizaçãodopaís).
- A teoria do desafio e resposta de Toynbee.

Parte II – A Geopolítica brasileira (Predecessores e geopolíticos)(com 3 capítulos)

- A Geopolítica Brasileira possui 2 Desafios: Fronteiras e Litoral.


- Antagonismos geográficos: Região do Prata x Região Amazônica.
- CapMárioTravassos: 1931 “Projeção Continental do Brasil”, (Pacífico x Atlântico), Área Pivô.
- TenCel Golbery do Couto e Silva, 1950 (década), Dou Seg Nacional/ESG/SNI,direcão para o
projeto desenvolvimentista BRA;
- Professora TherezinhadeCastro(1970 – década): Atlântico Sul / Antártica (direito de defrontação)
(figura 11).
- Avança Brasil (FHC, 1998).
- GenMeiraMattos: 1977, 5º em superfície, 6º em população e 10º em produção econômica.
- “Oficiais da Sorbonne” – “internacionalistas liberais”, núcleo do 1º governo militar: liderança
respeitada, democracia, capitalismo e nacionalismo racional com planejamento.
- “A Geopolítica corretamente aplicada, é uma fonte de poder”.

Síntese de 70 anos de Pensamento Geopolítico Brasileiro (capítulo 7):

- A ideia de império, inspirada na grandeza territorial e na missão de desbravá-lo.


- A necessidade de uma política de interiorização.
- Aumentar a importância do desenvolvimento e da defesa da regiãoamazônica.
- O grau de valor da nossa maritimidade.
- O desenvolvimento aeronáutico (indispensável para a integração nacional).
- Uma política de Dsv econômico, social, científico e tecnológico, abrangente para todo o território.
- Ter uma força militar de dissuasãoestratégica, capaz de desencorajar ambições internacionais (em
face do patrimônio geográfico e suas riquezas inexploradas).

Uma visão para a nossa Geopolíticafutura (capítulo 8):

- “de pé no passado, vivendo o presente, nos debruçamos no futuro”, filósofo Spengler.


- Permanece a preocupação com a integridadeterritorial e com interiorização.
- Problemas atuais: infraestruturas (iniciadas e não acabadas – figura 16), questão da energia (inibe o
progresso econômico e social) e o desinteresse do Min Educação com o ensino da Educação Moral e Cívica.
- Mensagem política, ideia-força, nossa missão: vitalizar o potencial humano e geográfico do país, a fim
de construir uma das nações mais prósperas e respeitadas do mundo.

ANEXO 1 – O PENSAMENTO GEOPOLÍTICO DO GEN MEIRA MATTOS(Professor dos EUA Philip


Kelly)
- Os fatores geopolíticos são vitais para o desenvolvimento e a segurança nacional do Brasil.
- A posição geográfica do Brasil.
- A segurança do Brasil está ligado à bacia do Atlântico Sul.
- Desenvolvimento regional para a bacia amazônica.
- Desenvolvimento, poder e segurança.

ANEXO 2 – FRONTEIRAS E GEOPOLÍTICA (Professor dos EUA Philip Kelly)


- Comentários do livro Geopolítica e teoria de fronteiras – fronteiras do Brasil
- Estados imperialistas X Estados satisfeitos (desenvolver e não expandir seu patrimônio)

Geopolítica e Modernidade (Geopolítica brasileira)


Cronologia:

- 1494 TratadodeTordesilhas (predecessores do pensamento Geopolítico no Brasil);


- 1587, livro “In Tratado Descritivo do Brasil” (mais antiga visão prospectiva sobre a futuro do Brasil),
Gabriel Soares de Souza;
- 1620, Francis Bacon, Inglês, (fundador da Ciência Moderna/Met. Científica) - raízes da Geopolítica;
- 1750, Tratado de Madri, Alexandre Gusmão, Diplomata (legitimou conquistas dos bandeirantes);
- 1821, “Lembranças e Apontamentos”, José Bonifácio (grande preocupação com a preservação da
unidadenacionale a necessidade de interiorizaçãodopaís);
- 1840-1914, Alfred Mahan, EUA, ideias sobre o poderio naval  PolPoder Marítimo;
- 1844-1904, FreidrichRatzel, Alemão, criou o termo “Lebensraum” (espaço vital)  o ambiente
interfere no desenvolvimento de uma sociedade na medida em que pode oferecer melhor ou pior acesso aos
recursos, atuando assim como estímulo ou obstáculo ao progresso;
- 1861-1947, HalfordMackinder, ING, “The Geographical Pivot of History” (1904), Teoria do Heartland
(centro da Eurásia, estendendo-se do Volga ao Yangtzé e do Himalaia ao Ártico)  Pol Poder Continental;
- 1899, Rudolf Kjellen, SUE, cunhou o termo geopolítica, lançou as bases da geopolítica Ale;
- 1906-1933, Obras Prof Everardo Backheuser, reforma urbana no RJ/Rodrigues Alves (1902-1906)
 ideias para a criação de unidades federativas no Brasil;
- 1919-1939, obras do Gen Karl Von Haushofer,ALE, estudou a cultura oriental (Pcp Jap, Ex: SS Ale =
samurais), pode ter desenvolvido ideias de superioridade racial a partir dos sistemas de castashindus)
influência para Hitler/líderes do Partido Nazista;
- 1931 “Projeção Continental do Brasil”, Cap Mario Travassos Pacífico x Atlântico/Área Pivô;
- 1941 “Introdução à Política de Comunicações Brasileiras”, Cap Mario Travassos rumos de uma
política nacional destinada a nos levar à posição de maior potência sul-americana);
- 1940 (década), George Kennan, EUA, relações da Rússia com as potências ocidentais, GF 
influência: para EUA com Doutrina Truman/Política de Contenção e para URSS na instalação de bases
navais;
- 1950 (década), TenCel Golbery do Couto e Silva, Dou Seg Nacional/ESG/SNI, direcão para o
projeto desenvolvimentista BRA;
- 1970 (década), Prof Therezinha de Castro, IBGE  participação brasileira na Antártica/Atlântico
Sul;
- 1975-2002, Obras Meira Mattos, Brasil: 5º em superfície, 6º em população e 10º em produção Eco;
- 1993, SamuelHuntington, “The Clash of Civilization”  teoria segundo a qual as identidades culturais
e religiosas dos povos serão a principal fonte de conflito no mundo pós-Guerra Fria (Ex: conflitos
contemporâneos no OM - penetração e radicalismo da civilização muçulmana);
- 1998-2002, FHC, “Avança Brasil”, proposta de governo (conjunto de inúmeros projetos envolvendo
todas as áreas: economia, política, sociedade, etc objetivando a modernização do país).

Ideias Pcp:
- Geopolítica é a aplicação do Poder do Estado ao espaço geográfico que ocupa (território);
- Ramos do conhecimento que compõe a Geopolítica: o geográfico, o político e o histórico;
- “A Geopolítica corretamente aplicada, é uma fonte de poder”;
- Avaliar como o impacto da modernização (inovações revolucionárias nas áreas da CIT - ciência,
informática e tecnologia), nos últimos 50 anos, pode influir no Poder do Estado;

- Fator Geográfico para formulação da Geopolítica na Modernidade:


- Espaço geográfico natural - politicamente enriquecido por instrumentos e adaptações artificiais (pontes
e túneis), superação para os obstáculos do meio natural
- Dos Espaços Naturais se desenvolvem Espaços Artificiais;
- Rapidez dos Transportes (encurtamento de distâncias) + Fluxos Eletrônicos (aproximação dos
contatos)
- Homem ativo da modernidade - domínio do espaço: aéreo, estratosférico e sideral;
- Superpovoamento - novas preocupações: poluição e preservação do meio ambiente;

- Fator Político para formulação da Geopolítica na Modernidade:


- “Política é Poder”, Sociólogo Fra Maurice Duvenger (Poder para perseguir objetivos políticos);
- Poder (Geografia + Política + História = visão prospectiva sobre os acontecimentos futuros);
- Presença do Poder Extraterritorial levando a Info que interessa da: sua cultura, sua Pol e sua Eco;
- Interferência vertical, “Colonialismo tecnológico” (estados poderosos) x tradicionais meios de
proteção territorial dos demias estados (incapazes de impedir a “invasão”);
- “O Espaço dos Estados devem crescer com a sua cultura” (sintomas da expansão: ideias, intercâmbio
comercial, atividades missionárias);

- Fator Histórico para formulação da Geopolítica na Modernidade:


- Giovanni Vico, Ita, inovador dos estudos da ciência histórica - caráter orgânico da história da
sociedade humana (reintegrar as diversas forças e fatores que compõe a vida humana);
- Teorias etnocentristas e geocentristas (negam às sociedades de raças não brancas a capacidade de
virem a criar uma civilização);

- Síntese da Geopolítica na Modernidade:


- Fator Geográfico - dois aspectos principais: a extensão e a posição de um país;
- Extensão tem peso político quantitativo (quanto a população e riquezas naturais que pode abrigar);
- O Estado luta por áreas valiosas: litoral, planícies, regiões ricas em recursos (Ex: Amazônia Azul, Seg
alimentar e recursos minerais);
- “A fronteira é o órgão periférico do Estado” (Ex: SISFRON);
- “Regiões despovoadas são áreas suscetíveis à presença de imigrantes/forasteiros e passíveis de
movimentos subversivos e revolucionários” (Ex: estratégia da presença nacional);
- Fator Político: influência dos fatores tempo e espaço (atingidos com intensidade desigual pela CIT
moderna)
- Fator Histórico: enriquecido nos últimos séculos por novos métodos de interpretação;

- Síntese de 70 anos de Pensamento Geopolítico Brasileiro:


- A ideia de império, inspirada na grandeza territorial e na missão de desbravá-lo;
- A necessidade de uma política de interiorização;
- Aumentar a importância do desenvolvimento e da defesa da região amazônica;
- O grau de valor da nossa maritimidade;
- O desenvolvimento aeronáutico (indispensável para a integração nacional);
- Uma política de Dsv econômico, social, científico e tecnológico, abrangente para todo o território;
- Ter uma força militar de dissuasão estratégica, capaz de desencorajar ambições internacionais (em face
do patrimônio geográfico e suas riquezas inexploradas);

- Uma visão para a nossa Geopolítica Futura:


- “de pé no passado, vivendo o presente, nos debruçamos no futuro”, filósofo Spengler;
- Permanece a preocupação com a integridade territorial e com interiorização;
- Problemas atuais: infraestruturas (iniciadas e não acabadas), questão da energia (inibe o progresso
econômico e social) e o desinteresse do Min Educação com o ensino da Educação Moral e Cívica.

RESUMO
ORDEM MUNDIAL

AUTOR: HENRY KISSINGER


ANO DA PUBLICAÇÃO: 2014
NÚMEROS DE CAPÍTULOS: 09

O livro busca fazer uma avaliação sobre um conceito de ordem mundial que está ligado, interdependente
e globalizado, que traz consigo várias ameaças do caos: disseminação de armas de destruição em massa,
desintegração de Estados, degradação ambiental, práticas genocidas e na difusão de novas tecnologias que
levam os conflitos para além da compreensão ou do controle humano.

INTRODUÇÃO
Na introdução, o autor afirma que nunca existiu uma “ordem mundial” que fosse verdadeiramente global.
A ordem que conhecemos hoje foi concebida há quase 04 séculos na Europa Ocidental em uma conferência de
paz realizada na região alemã de Vestfália. Essa conferência caracterizou-se pela multiplicidade de unidades
políticas em um sistema de Estados independentes que renunciavam à interferência nos assuntos internos uns
dos outros e limitavam as respectivas ambições por meio de um equilíbrio geral de poder.
Henry Kissenger continua com a afirmação que essa conferencia não se preocupou em incluir, por
exemplo, a vizinha Rússia, que continuava com sua ortodoxia religioso e com programa de expansão
territorial. Da mesma forma, a China que mantinha seu sistema milenar. Outro aspecto foi a expansão do Islã e
do Império Turco-Otomano que baseava-se em um único governo legítimo.

CAPÍTULO I – Europa: o ordem internacional pluralista.


Neste capítulo o autor busca explicar de forma histórica o surgimento do pensamento da ordem mundial
da Europa. Kissinger começa explicando o pluralismo que assumiu características de um modelo de ordem
mundial. Inicia a percorrida histórica com o Império Romano que possuía duas autoridades que se
completavam, o governo civil e a Igreja. Salienta que a ordem mundial internacional adotada pela Europa
Medieval refletia uma acomodação negociada caso a caso entre o papa e o imperador e uma série de outros
governantes feudais. Cita que a era dos descobrimentos, a invenção da imprensa e o cisma da Igreja
fragmentou a ordem politica e religiosa medieval.
O autor cita a PAZ DE VESTFÁLIA como o marco de um novo conceito de ordem internacional que se
disseminou pelo mundo, sendo o documento mais citado na história europeia. Ficou consagrada a
IGUALDADE DOS ESTADOS SOBERANOS, a despeito de diferenças em termos de poder militar ou
político. Todos os reis eram tratados por “majestade” e todos os embaixadores por “excelência”. A Paz de
Vestfália tornou-se um ponto de inflexão na história das nações. O Estado, não o império, a dinastia ou a
confissão religiosa, foi consagrada como a pedra fundamental da ordem europeia. Ficou estabelecido o
conceito da SOBERANIA DO ESTADO. Foi afirmado o direito de cada um dos signatários de escolher sua
própria estrutura doméstica e sua orientação religiosa, salvo de qualquer tipo de intervenção. Começa a ganhar
corpo os princípios de um sistema das “RELAÇÕES INTERNACIONAIS”, trocas de caráter diplomático,
incluindo a instalação de bases regulares de representantes residentes nas capitais de outros estados.
Kenry Kissinger continua seu texto perguntando como se calibraria a balança do poder, já que o papado
havia sido confinado às funções eclesiásticas. A ascensão da Grã-Bretanha como uma potência naval de
primeira grandeza no século XVIII tornou possível a balança de poder enquanto sistema. Ele cita dois tipos de
DESAFIOS para o EQUILÍBRIO DE PODER: o primeiro se dá quando uma grande potencia se fortalece a
ponto de se tornar hegemônica e a segunda quando um Estado secundário tenta se tornar parte do círculo das
grandes potências. Cita o caso da França que na 1a metade do século XVIII e pela determinação da Prússia em
conquistar um lugar entre as grandes potências.
Com o surgimento do ILUMINISMO e o rápido avanço intelectual, a Europa nunca foi tão unida, de
modo que foi optado uma visão mais racionalista da evolução política.
Termina o capítulo discorrendo como a REVOLUÇÃO FRANCESA derrubou a ordem domestica e
internacional do sistema vestfaliano. A Revolução Francesa tomou como base a vontade popular e a
impossibilidade de coexistir pacificamente com diferentes concepções religiosas ou políticas.

CAPÍTULO II – O sistema de balança de poder europeu e o seu fim.


O autor continua uma análise histórica da sistema de balança de poder, mostrando a IMPORTÂNCIA
RUSSA dentro do contexto da ordem mundial europeia. Kissinger cita que a Rússia desempenha um papel
único no cenário internacional: EQUILÍBRIO DE PODER tanto na Europa como na Ásia. A Rússia deu
início a mais guerras do que qualquer outra grande potencia contemporânea, mas também impediu o domínio
da Europa por um único poder, resistindo o Carlos XII, da Suécia, Napoleão e Hitler. A “Terra dos Rus” está
situada em frágeis interseção entre civilizações e rotas comerciais, com os Vikings ao norte, o império árabe
ao sul e as tribos turcos ao leste, sempre buscou aumentar seu território e sua força política.
Continua a narração citando a ordem estabelecida pelo Congresso de Viena, segundo o qual evoluções
pacíficas no interior da ordem eram preferíveis e a preservação do sistema era mais importante do que
qualquer disputa isolada que pudesse surgir e que a convicção de que diferenças deveriam ser resolvidas por
consultas. O equilíbrio sutil do Congresso de Viena começou a se desgastar em meados do século XIX sob o
impacto de três acontecimentos: a ascensão do NACIONALISMO, as REVOLUÇÕES DE 1848 e a
GUERRA DA CRIMÉIA.
Kissinger prossegue na história da Europa verificando o importância da UNIFICAÇÃO ALEMÃ DE
1871, como um fato politico de maiores consequências do que a Revolução Francesa. Com a unificação surgiu
um país dominante, forte o bastante para derrotar cada vizinho individualmente. Neste contexto a diplomacia
havia perdido sua flexibilidade, devido ao contato com novas tecnologias e com novos estilos de guerras.
Entra-se na época da 1A GUERRA MUNDIAL, onde a morte de 25 milhões de pessoas fez
NAUFRAGAR A ORDEM INTERNACIONAL EXISTENTE. O TRATADO DE VERSALHES DE
1919 REJEITOU A VOLTA DA ALEMANHA À ORDEM EUROPEIA. O novo governo revolucionário
marxista-leninista da União Soviética declarou que não se pautaria pelos conceitos e limites de uma ordem
internacional cuja derrubada ele profetizava. Os Estados Unidos estavam recolhidos num relativo isolamento.
O tratado foi punitivo demais para inspirar conciliação e leniente demais para impedir que a Alemanha se
recuperasse. Era um convite ao revisionismo alemão. No fim, a ordem de Versalhes não alcançou nem
legitimidade, nem o equilíbrio.
Com o FIM DA 2A GUERRA MUNDIAL, a capacidade material e psicológica da Europa para forjar
uma ordem mundial estava praticamente esgotada. A balança de poder europeia deixou de focar nos arranjos
internos e se voltou para a contenção da URSS em temos globais.
O COLAPSO DA URSS, segundo o autor, mudou a ênfase da diplomacia. A natureza geopolítica da
ordem europeia foi transformada em sua essência quando deixou de existir uma ameaça militar substancial
vinda de dentro da Europa.

CAPÍTULO III – O islamismo e o Oriente Médio: um mundo em desordem.


O capítulo inicia com a afirmação que no Oriente Médio foi onde saíram as três grandes religiões do
mundo. Em nenhuma outra parte o desafio da ordem internacional se apresenta de forma tão complexa,
sendo que ali existiu todo o tipo de ordem doméstica e internacional, e todas, em algum momento foram
rejeitadas.
A ordem mundial islâmica iniciou no 3o milênio A.C. com o Egito que expandiu sua influência ao longo
do Rio Nilo. Logo após, surge o Império Persa, no século VI A.C., como a 1 a tentativa na história de unir
comunidades africanas, asiáticas. Cita-se a onda expansionista sem precedentes do Islã, considerado como
uns dos maiores consequências da história.
O Islã fomentou uma sociedade diferente de qualquer outra: exigência de orações diárias, ênfase
depositada na identidade do poder religioso. A cada povo dominado foi oferecido a mesma coisa: conversão,
adoção de um status de protetorado ou conquista.
A estratégia voltada para a construção deste sistema universal receberia o nome de jihad, sentido de
expandir sua fé por meio da luta. No antigo sistema islâmico, eram admissíveis tratados de não agressão com
sociedade não muçulmanas. O que não admitem é um SISTEMA PERMANENTE no qual o ESTADO
ISLÂMICO interagiria em TERMOS DE IGUALDADE COM ESTADOS SOBERANOS NÃO
ISLÂMICOS.
Henry Kissinger chega ao fim do século XIX analisando como o Império Otomano entrou NA
BALANÇA DE PODER EUROPEIA, sendo usado pela Grã-Bretanha para bloquear o avanço russo.
Vários acordos desenharam o Oriente Médio após a 1a Guerra Mundial. O Tratado de Sèvres e o Acordo
de Sykes-Picot ampararam os mandatos britânicos e franceses na Região. Nessa época surge as primeiras
ideias para a criação de uma nação judia na Palestina. Duas correntes opostas surgiram: o PAN-ARABISMO,
que aceitava a premissa de um sistema de Estados e o “ISLÃ POLÍTICO”, que insistia na adoção da religião
como o melhor veículo para a moderna identidade árabe.
Até a 2a Guerra Mundial, as potências foram suficientes fortes para manter a ordem regional que haviam
projetado para o Oriente Médio. Posteriormente, os Estados Unidos emergiram como a principal influência de
fora da região. Na época da Guerra Fria, as relações entre os MUNDOS ISLÂMICOS e NÃO ISLÂMICOS,
de um modo geral, seguiram essa abordagem de balança de poder. A única questão ideológica capaz de unir as
visões dos árabes foi a emergência de Israel.

CAPÍTULO IV – Os Estados Unidos e o Irã: abordagens da ordem


Neste capítulo, o autor faz uma abordagem nas relações entre EUA e Irã, analisando a estrutura histórica
até os dias atuais. Ele analisa que o ideal do “DESPERTAR ISLÂMICO”, rejeitando as experiências do
Ocidente na política e vencer a esmagadora influência dos EUA e seus aliados.
A primeira implementação dos princípios do islamismo radical ocorreu em 1979, não concebendo o
Estado como uma entidade legítima por si mesma, mas como uma arma a ser empregada no contexto de uma
Luta Religiosa Mais Ampla. Consideravam o Oriente Médio sendo uma falsa e não-islâmica criação dos
“imperialistas”.
O 1o passo seria a derrubada de todos os governos e sua substituição por um governo islâmico.
Levando em consideração que o governo é concebido como divino, a dissidência é tratada como blasfêmia e
não como oposição política.

CAPÍTULO V – A multiplicidade da Ásia


Henry Kissinger inicia o capítulo V afirmando que nenhum dos povos asiáticos via a si mesmo como
habitante de um único continente. Nunca existiu uma religião comum, nem um império comum. A ordem
global durante o século XIX e a 1a metade do século XX foi predominantemente europeia, fora desse
escopo, os Estados europeus construíram colônias e justificaram suas ações várias versões do que por elas era
classificado de “missão civilizadora”.
Após décadas de guerras e turbulências revolucionária, a Ásia transformou-se radicalmente. A ascensão
dos TIGRES ASIÁTICOS, a adoção por parte do JAPÃO de instituições democráticas e a construção de
uma economia capaz de reivalizar as nações europeias e a CHINA que, em 1979, proclamou uma política
externa não ideológica e uma política de reformas econômicas.
No prosseguimento do capítulo, o autor analisa o Japão em uma visão histórica. O JAPÃO foi a 1a nação
a reagir ao súbito aparecimento do Ocidente na região, ocupando durante muito tempo uma posição de
isolamento. A partir de 1868, durante o período Meiji, deixou o total isolamento. A partir de então, o Japão
se dedicaria à construção sistemática de ferrovias, indústrias modernas e uma economia voltada para a
exportação. Sendo considerado como a 1a grande potência não ocidental. Após o fim da 2a Guerra Mundial,
seus líderes retrataram a rendição como uma adaptação às prioridades americanas. As duas décadas depois
da devastação sofrida pela 2a Guerra Mundial, o Japão tinha se reconstruído como uma potência econômica
global.
O capítulo continua buscando entender a ÍNDIA dentro do contexto da Ordem Mundial. A Índia, com a
interferência ocidental, transformou-se de uma grande civilização num Estado Moderno. Ela tratou seus
invasores de maneira equidade, não os convertendo à religião ou à cultura indiana. O Arthashastra, de
Kautilya, apresentou um sistema análogo aos pensadores europeus sobre a teoria da balança do poder, mas
milênios antes. Em 1857, a Grã-Bretanha decidi administrar a Índia como uma única unidade imperial,
interligando as regiões por estradas de ferro e pelo idioma comum, o inglês. Durante a Guerra Fria, ela se
manteve neutra, fato que permitia a Índia obter apoio dos dois campos.
O autor termina o capítulo com uma análise da ordem mundial da Ásia, puxando para uma comparação
com a Europa. A ordem asiática contemporânea (multilateralismo) apresenta como característica
permanente a inclusão de potências de fora do continente e suas nações forjaram uma espantosa variedade de
grupos multilaterais e mecanismos bilaterais.

CAPÍTULO VI – Rumo a uma ordem asiática: confronto ou parceria?


O capítulo inicia marcando o traço mais característico dos Estados Asiáticos: representam países
“emergentes” ou “pós-coloniais”, buscando superar o jugo colonial. Com o evolução das modernas
tecnologias, as maiores potências da Ásia se armaram com arsenais de um poder de destruição muito maior
do que o maior estado europeu no século XIX, sendo um grande desafio para à ordem mundial.
A China dentro de um contexto de ordem mundial asiática, considerava-se a si mesma o único governo
soberano do Mundo. “Tudo que existe sob o céu”, inspirando e aperfeiçoando o resto da humanidade. A
fundação de uma república chinesa em 1912 deixou a China com um governo central enfraquecido. Um
governo mais forte emergiu com Chiang Kai-shek. Procurando ser a um só tempo moderno e
tradicionalmente chinês. Em 1o de outubro de 1949 foi proclamada a República Popular da China. Com a
morte de Mao, o papel histórico desempenhado por Deng Xianoing foi relevante para a ordem mundial.
Reformou a economia e abriu a sociedade, “socialismo com características chinesas”.
A China busca ter uma participação mais ativa no cenário mundial, aderindo a regras em cuja criação
não tiveram participação. A China desfrutou de muitas das formas de prestigio aceitas pelas ordens ocidentais:
recepção das Olimpíadas, discursos de seus presidentes na Nações Unidas e visitas recíprocas de chefes de
estado.
Tanto os Estados Unidos como a China são indispensáveis para a Ordem Mundial, mas com uma
ambivalência muito grande. Os EUA nunca tiveram sob a ameaça de um vizinho poderoso e a China nunca
esteve sem um vizinho poderoso nas suas fronteiras.
Esse curto capítulo termina com uma visão a longo prazo de uma ordem mundial asiática, tendo os EUA
e a China como seus principais atores. Para os americanos, o medo é o de que uma China em crescimento
acabe sistematicamente por abalar a preeminência e a segurança dos EUA. A China rejeita a noção de
que a ordem mundial seja fomentada pela disseminação da democracia liberal e que a comunidade
internacional tenha a obrigação de efetuar tal disseminação.

CAPÍTULO VII – “Agindo em nome de toda humanidade”: Os Estados Unidos e seu conceito de
ordem.
Nenhum país desempenhou papel tão decisivo na formação da ordem mundial contemporânea como os
EUA. Tem desempenhado um papel paradoxal na ordem mundial: expandiu através do continente alegando
um Destino Manifesto, enquanto negava quaisquer propósito imperialistas; exerceu influência fundamental
em importantes episódios da história ao mesmo tempo que negava qualquer motivação associada ao interesse
nacional e tornou-se uma superpotência enquanto desmentia qualquer intenção de pôr em prática uma política
de poder.
A situação geográfica favorável dos EUA facilitou a percepção que a politica externa era uma atividade
opcional, sentindo-se seguro atrás de dois grandes oceanos. Em 1890, o exército americano ocupava a 14a
posição mundial e a Marinha era menor do que a da Itália. A Guerra Hispano-Americana marcou o ingresso
dos EUA na política das grandes potências.
O autor como Theodore Roosevelt como o 1o presidente americano a se ocupar sistematicamente com
as implicações do papel mundial desempenhado pelos EUA. Roosevelt acreditava que os EUA tinham o
potencial para se tornar a maior das potencias. Desde modo, ele proclamou o “Corolário Roosevelt”
acrescentando à Doutrina Monroe afirmando que os EUA teriam o direito de interferir de maneira preventiva
nos assuntos domésticos das outras nações do Hemisfério Ocidental para corrigir flagrantes de “maldade ou
impotência”.
Woodrow Wilson, segundo Henry Kissinger, transformou a visão que os EUA tinham elaborado, em
grande medida para seu consumo interno, num programa operacional passível de ser aplicado ao mundo
inteiro. Ele rejeitou os métodos diplomáticos estabelecidos e chamados de “diplomacia secreta, considerando-
os como uma das causas que mais contribuíam para os conflitos.
No aspecto da balança de poder, ele afirmava que a DEMOCRACIA era a única garantia de uma paz
permanente e que a AUTODETERMINAÇÃO (AUTOGOVERNO) poderiam os povos expressar seu
desejo e estimular a harmonia internacional.
A distinção feita por Wilson entre alianças e segurança coletiva caracterizava a ALIANÇAS como um
acordo em torno de fatos ou expectativas específicas, criando obrigações formais na forma de agir diante de
uma eventualidade definida. A SEGURANÇA COLETIVA, ao contrário, é uma construção legal que não
esta voltada para uma contingência específica. Não define obrigações particulares.
A principal característica dessa visão tem sido sua capacidade de pôr o idealismo americano a serviço de
grandes realizações da política externa nas áreas de acordo de paz, direitos humanos e enfoques cooperativos
para a solução de problemas, além de incutir no exercício do poder americano a esperança para a solução de
problemas.
Franklin Roosevelt assume a presidência americana expressou os oito “princípios comuns” na visão
comum na Carta do Atlântico, como:
- direito de todos os povos escolherem a forma de governo sob o qual desejam viver;
- o fim de anexações territoriais
- Liberdade do medo e da necessidade;
- Programa de desarmamento internacional;

CAPÍTULO VIII – Os Estados Unidos: superpotência ambivalente


Todos os 12 presidentes americano do pós-guerra reafirmaram ardorosamente sua convicção no papel
excepcional que estaria reservado à América no mundo. O idealismo e o excepcionalismo foram as forças
motrizes por trás da construção de uma nova ordem mundial. Ao fim da 2a Guerra Mundial, os EUA,
produziam cerca de 60% do PNB mundial e foram a única potência a emergir ser sofrer danos significativos,
estavam portanto capacitados a definir a liderança.
A primeira tarefa de Truman foi concretizar a visão de Roosevelt de uma organização internacional,
assinada em São Francisco em 1945, sua carta fundia duas formas de tomada de decisão no plano
internacional. A Assembleia Geral seria UNIVERSAL quanto aos membros e baseada na DOUTRINA DA
IGUALDADE DOS ESTADOS. Ao mesmo tempo, as Nações Unidas implementariam a SEGURANÇA
COLETIVA por meio de um conceito global, o CONSELHO DE SEGURANÇA.
Vários impasses surgiram para a implementação de acordos no pós-guerra. A União Soviética insistia em
dar forma a uma nova estrutura internacional apresentada por Stalin em 1945: “Quem ocupar um território
também imporá sobre ele o seu próprio sistema social”. A 1a confrontação militar direta entre os aliados da
época da guerra foi em função das rotas de acesso à capital do antigo país inimigo, Berlim, em 1948.
O presidente Truman fez uma escolha estratégica, pondo fim à tentação histórica do país seguir sozinho
seu próprio caminho. Neste contexto, a mais abrangente concepção estratégica da Guerra Fria foi escrita
por George Kennan. Ele analisa que os EUA deveriam consolidar uma esfera na Europa Ocidental, que
ficaria sob a proteção americana. A ordem mundial viria a consistir no confronto entre duas superpotências
incompatíveis – cada uma delas organizou uma ordem internacional no interior da sua esfera.
Igualmente significativa foi a REAPROXIMAÇÃO COM A CHINA EM FEVEREIRO DE 1971, que
significaria um gradual isolamento da União Soviética. O presidente Nixon foi o 1o presidente a visitar a
Europa Oriental. Também promoveu a abertura em relação à China, realizou uma reunião de cúpula com a
URSS, obteve a virada do Egito e dois acordos de desocupação no Oriente Médio.
Ronaldo Reagan percebeu a fraqueza soviética, desafiando a URSS para uma corrida em termos de armas
e tecnologia que ela não poderia vencer. Eles tomava consciência da futilidade da corrida armamentista e sua
liderança cada mais idosa.

CAPÍTULO IX – Tecnologia, equilíbrio e consciência humana


O autor entra no último capítulo que cada ERA tem seu TEMA CENTRAL. No período medieval, era a
religião; no Iluminismo, era a razão; no século XIX e no século XX, foi a nacionalismo. A ciência e a
tecnologia são os conceitos que servem de guia para nossa era.
As tecnologias no período da Revolução Industrial contribuíram para varrer do mapa civilizações que
existiam nas Américas. O advento das ARMAS NUCLEARES levou esse processo ao auge. No fim dos anos
de 1960, a estratégia adotada por cada superpotência se apoiava na capacidade de infligir danos inaceitáveis
ao seu suposto adversário. As duas grandes potencias nunca chegaram ao ponto de efetivamente considerar
empregar armas nucleares, exceto pela crise dos mísseis em Cuba.
Com o fim da Guerra Fria, a ameaça de uma guerra nuclear entre as superpotências desapareceu. Mas a
DIFUSÃO DE TECNOLOGIA AUMENTOU enormemente o ACESSO À CAPACIDADE PARA
PRODUZIR ARMAS NUCLEARES.
O autor em uma segunda parte do capítulo enfoca a INFORMÁTICA dentro do contexto mundial e
inicia citando a grande avanço dos últimos anos em comparação a grande parte da história onde as mudanças
se deram ao longo de décadas e séculos. Os computadores encolherem de tamanho, baixaram de custo e têm
se tornado exponencialmente mais velozes a ponto de poderem ser inseridos em qualquer objeto. A natureza
das COMUNICAÇÕES EM REDE, com sua capacidade de tudo impregnar e penetrar, nos setores sociais,
financeiros, industriais e militares, tem apresentado aspectos incrivelmente benéficos.
O comandante do Cibercomando dos EUA previu que a próxima guerra começará no CIBERESPAÇO.
A ascensão da internet e das avançadas tecnologias de computação marca o inicio de uma nova era de
participação popular e de progresso rumo a paz, promovendo a transparência. Algumas MANIFESTAÇÕES
DE OPINIÃO que antes se mantinham desconhecidas agora são difundidas por todo o planeta e usadas como
pretexto para violenta agitação.

CONCLUSÃO – Uma ordem mundial na nossa época?


Kenry Kissinger inicia a conclusão citando que ao final da 2a Guerra Mundial um sentimento de
comunidade mundial parecia estar prestes a surgir. As regiões mais industrializadas estavam esgotadas
pela guerra; as partes subdesenvolvidas estavam iniciando seu processo de descolonização. Os livres-
mercados acabariam por fazer os indivíduos progredirem enriquecer as sociedades e substituir as
tradicionais rivalidades internacionais pela interdependência econômica.
As grandes civilizações contemporâneas tinham a realidade como algo interno ao observador. O
confucionismo ordenou o mundo entre tributários. O Islã dividiu a ordem mundial num mundo de paz, aquele
do Islã, e um mundo de guerra, habitado pelos infiéis. A China não sentia nenhuma necessidade de sair de
suas fronteiras. O hinduísmo distinguia ciclos de história e realidade metafísica transcendendo a experiência
temporal. Esses períodos chegaram ao fim. O mundo vem buscando a ciência e a tecnologia.
À medida que vêm aumentando os desequilíbrios, a estrutura do século XXI tem deixado a desejar em
relação a três dimensões:
A primeira, a própria natureza do Estado que vem sendo submetida a uma variedade de pressões. Em
segundo lugar, as organizações politicas e econômicas do mundo estão em desacordos uma com as
outras. O sistema econômico internacional tornou-se global, enquanto a estrutura política do mundo
permaneceu baseada no conceito de Estado-Nação. A terceira dimensão é a ausência de um mecanismo
efetivo para que as grandes potências se consultem e possivelmente cooperem a respeito das questões de
maior relevância.
ANOTAÇÕES SOBRE O LIVRO – ORDEM MUNDIAL (Henry Kissinger)

Capítulo 1– Europa, a Ordem Internacional pluralista.

1) Explicações históricas acerca de como foi estabelecida a atual Ordem Mundial. Importantes marcos
temporais nas mudanças e na determinação do conceito de Estado (a soberania absoluta de um povo dentro de
seu território).

2) Acontecimentos históricos (A Paz de Vestifália, Guerras Européiasdurante o reinado de Luís XIV,


Guerras Napoleônicas...) e personagens importantes como o Cardeal Richelieu (importância do "interesses
nacionais"), Luís XIV e Napoleão Bonaparte na estruturação de sistemas estatais não mais empossados por
outra autoridade, mas por si mesmo representando um chefe maior do Estado Nacional.

3) Página 33, último § - “A Paz deWestphalia tornou-se um ponto de inflexão na história das nações
porque os elementos que instituiu eram simples, mas exaustivos. O Estado, não o império, a dinastia ou a
confissão religiosa, foi consagrado como a pedra fundamental da ordem europeia.”

Comentário
Basicamente a Paz de Westphalia garantiu o direito de cada Estado manter seu regime e religião, sem
interferência externa.A Paz de Westphalia marcou, em sentido mais amplo, o início do sistema laico de
Relações Internacionais, na medida em que deu origem à estrutura legal e política das relações interestatais
modernas.

Reconheceu explicitamente uma sociedade de Estados fundada no princípio da soberania territorial, não-
intervenção em assuntos internos dos demais e a independência dos Estados, detentores de direitos jurídicos
iguais, a ser respeitados pelos demais membros. Todas as formas de governo passaram a ser legítimas e se
estabeleceu o princípio de tolerância e liberdade religiosa, escolhida pelo Príncipe.

Por meio do Sistema Westfaliano, surgiram novos conceitos como a Razão de Estadoe a Balança de
Poder.
Curiosamente, é nas periferias que o conceito vai encontrar novos adeptos. A Revolução Soviética, ao
implantar o primeiro Estado socialista, vai defender seu direito à existência e a coexistência pacífica entre
regimes diferentes, apoiando-se em princípios westfalianos. Hoje a grande discussão é se a globalização
significa ou não o fim do Sistema de Westphalia de primazia do Estado como ator da política mundial. A
defesa de um sistema internacional multipolar significa, de certa forma, uma sobrevida deste sistema.

Capítulo 2 – O sistema de balança de poder europeu e o seu fim.

1) Um estudo de caso da Rússia. A centralização do poder político estatal, tal qual no império chinês,
foi determinante para o progresso do Estado russo.“Aextensão dos domínios exige que um poder absoluto seja
concedido à pessoa que governa. É conveniente que assim seja, de modo que a rápida expedição das decisões
enviadas de pontos distantes possa compensar amplamente os atrasos ocasionados pelas grandes distâncias
entre os lugares.”

2) A Europa teve a difícil tarefa de acolher a Rússia, no Congresso de Viena (1814), na ordem
internacional pluralista, sem ser esmagada pelo seu abraço.
3) Página 66, 3º § - “A ordem estabelecida no Congresso de Viena foi o mais próximo que a Europa
se aproximou de um governo universal desde o colapso do império de Carlos Magno... A convicção de que as
diferenças deveriam ser resolvidas por consultas, não por guerras.”

4) Página 69, último § - Uma ilustração do sistema de balança de poder estava na Confederação
Germânica – na maior parte de seu tempo de existência mostrava-se dividida demais para empreender alguma
ação ofensiva, contudo era coesa o suficiente para resistir às incursões estrangeiras em seu território.

5) Página 71, último § -“A vitalidade de uma ordem internacional se reflete no equilíbrio que
consegue entre legitimidade e força e na ênfase relativa dada a cada uma delas.

6) Em meio à crescente onda nacionalista e chauvinista, do século XIX, dois personagens se


destacaram tentando valorizar a idéia universal de sociedade europeia – Metternich e Bismarck.

7) Página 82, 2º § -Disraeli, concluiu que a unificação da Alemanha (1871) foi um fato político de
maiores consequências do que a Revolução Francesa. Segundo ele, o equilíbrio de poder foi completamente
destruído. Surgiu um país forte o bastante para derrotar cada vizinho individualmente e, talvez, os países
continentais em seu conjunto.

8) A 1ª Guerra Mundial provocou a morte de mais de 25 milhões de pessoas e encerrou a então vigente
ordem mundial.

9) Página 93, último § -Depois do choque provocado por duas guerras mundiais devastadoras, os
países da Europa Ocidental se viram diante de uma mudança de perspectiva geopolítica que desafiava seu
senso de identidade histórica.

10) A União Europeia representa, em alguma medida, uma renúncia do Sistema Vestifaliano. A UE
reduz o grau de soberania de seus Estados-membros, além de suas funções tradicionalmente atribuídas aos
governos, como controle sobre suas moedas e fronteiras.

11) Em se tratando de UE, que grau de diversidade deve ser preservado para que se alcance a unidade
significativa entre os Estados?

Capítulo 3 – O Islamismo e o Oriente Médio: Um mundo em desordem


1) Representa o mais complexo desafio atual da ordem internacional – tanto em termos da organização
de uma ordem regional quanto da adequação dessa ordem à paz e a estabilidade no resto do mundo.

2) Uma crise de sucessão que se seguiu à morte de Maomé levou ao cisma entre os ramos Sunita e
Xiita do Islã, uma divisão que caracteriza o mundo islâmico contemporâneo.

a) Os Sunitas ou “povo da tradição e do consenso”, adeptos da linha sucessória do sogro de Maomé,


Abu Bakr, selecionado por um conselho de anciãos tribais.

b) Os Xiitas adeptos da linha sucessória do primo de Maomé, Ali; guerreiro heroico, um dos
primeiros convertidos ao Islã e supostamente pré-selecionado pelo próprio Maomé.

3) Rivalidades geopolíticas agravaram diferenças doutrinárias.

4) Página 121, 2º §-Em termos econômicos, os regimes autoritários tiveram um avanço demasiado
lento e o acesso aos benefícios se deu de forma desigual para atender às necessidades do seu povo. A
abundância de recursos energéticos levou a renda nacional a depender exclusivamente do petróleo, forjando
uma cultura econômica desfavorável à inovação e à diversificação.
5) Página 127, último §- “A partir de 2010, a Primavera Árabe, na prática, tem servido mais para
demonstrar do que para superar as contradições do mundo árabe-islâmico e das políticas projetadas para
resolvê-los.”

6) A tradição ocidental exige apoio às instituições democráticas e eleições livres.

7) A questão Palestina e a ordem internacional:” ...A existência de Israel e suas proezas militares
sempre foram sentidas através do mundo árabe como uma humilhação.” Na criação de um Estado Judeu, a
famigerada questão palestina, identifica-se três grupos distintos entre os árabes: a) um pequeno é dedicado
grupo que aceita a coexistência com Israel e se encontra preparado para trabalhar em prol disso; b)um grupo
bem maior que procura destruir Israel pela confrontação permanente; e c) os que se dispõe a negociar com
Israel, mas justificam as negociações como um meio para triunfar sobre os Estado judeu por etapas.

8) Página 142, último §- A dicotomia conflitante da Arabia Saudita que coexiste pacificamente em
aliança com os EUA, por meio de princípios vestifalianos e representa a pátria materna o radical islâmico
jihadista – Osama Bin Laden, responsável pelo ato terrorista do século XXI (11 de setembro de 2001) e o
apelo veiculado por meio desse evento – a expulsão do ocidente e suas influências do interior do Oriente
Médio.Uma guerra entre ordens mundiais havia sido declarada.

9) Página 147, 1º §- “Quando Estados não são governados em sua integridade , a própria ordem
internacional ou regional começa a se desintegrar. O colapso de um Estado pode transformar seu território
numa base para o terrorismo, suprimento de armas e ou agitação sectária contra vizinhos.”

10) Página 148, último §- “Numa era de terrorismo suicida e de proliferação de armas de destruição
em massa, a tendência aos confrontos sectários panregionais deve ser considerada uma ameaça à estabilidade
mundial...”.

Capítulo 4 – OS EUA e o Irã: abordagens da ordem

1) Página 149, 1º §- “O que em outras partes do mundo vinha sendo chamado de “Primavera Árabe”’
era na realidade um “despertar islâmico” de consequências mundiais. Na analisa de Khamenei, esse novo
despertar da consciência islâmica estava abrindo a porta para uma revolução religiosa global que iria
finalmente vencer a esmagadora influência dos EUA e seus aliados e por um fim à 3 séculos de supremacia do
ocidente...

2) Página 156, 1º §- Quando o governoé concebido como divino, a dissidência é tratada como
blasfêmia e não como oposição política.

3) Página 158, 2º §- De acordo com o Alcorão, todos os muçulmanos formam uma única nação e
devem formular suas políticas tendo emvista o cultivo da amizade e da unidade entre todos os povos
muçulmanos.

4) Página 163, 1º §- O melhor, e talvez o único, modo de evitar a emergência de uma capacidade de
produzir armas nucleares é inibir o desenvolvimento do processo de enriquecimento de urânio. Tal aspecto
torna-se relevante tendo em vista que a medida que a capacidade de produção de armas nucleares encontra-se
disponível a um maior número de países, menos confiável é o cálculo de quem está dissuadindo quem.

Capítulo 5 – A multiplicidade da Ásia

1) Página 177, 3º §- “Após décadas de guerras e turbulência revolucionária, a Ásia se transformou


radicalmente. A partir de 1979, a China mudou o seu curso e, com DengXiaoping, proclamou uma política
externa não ideológica e uma política de reformas econômicas (4 grandes modernizações) que, continuada e
acelerada por seus sucessores, exerceu um efeito profundamente transformador sobre a China e o mundo.”
2) Página 177, 4º §- Ao contrário do Oriente Médio, onde quase todos os Estados parecem enfrentar
desafios militantes à sua legitimidade, na Ásia o Estado é tratado como se fosse a unidade básica da política
internacional e doméstica. As várias nações que emergiram do período colonial, de um modo geral,
confirmaram as soberanias umas das outras e se comprometeram com a não interferência nos seus assuntos
internos.

3) Página 192, 2º §- Sobre o Japão: O efeito do primeiro estágio da evolução do Japão no pós-guerra
foi tirar sua orientação estratégica das disputas da guerra fria, liberando o país para centrar seu foco num
programa transformativo do desenvolvimento econômico.

4) Página 202, 3º §-Sobre a Índia: A Índia sobrevivera ao longo dos séculos ao combinar uma cultura
que não se mostrava permeável com uma extraordinária capacidade psicológica para lidar com as forças de
ocupação.

5) Página 204, 2º §- A Índia independente elevou sutilmente à condição de um princípio ético a


liberdade de manobra necessária para barganhar... Em outras palavras, se declarava neutra e acima do jogo de
poder mundial, em parte por uma questão de princípios no interesse da paz mundial, mas igualmente porque
isso atendia a seu interesse mundial.

6) Página 205, 3º §- Ao procurar desempenhar esse papel, a Índia se propôs a construir um bloco de
Estados que mantivessem uma atitude semelhante -na realidade, um alinhamento dos não-alinhados. Tal
intenção foi evidenciada na Conferência de Bandung, na Indonésia em 1955.

7) Página 206, 3º §- Os cinco princípios de coexistência (PanchaShila), uma recapitulação mais


magnânima do modelo Vestifaliano para uma ordem multipolar de Estados soberanos:

a. Respeito mútuo pela integridade territorial e soberania;


b. Não agressão mútua;
c. Não interferências mútua nos assuntos internos;
d. Igualdade e benefícios mútuos;
e. Coexistência pacífica.

8) Página 207, 2º §- Além de sua crescente influência econômica e diplomática, a Índia aumentou
consideravelmente sua capacidade militar, incluindo uma marinha e seu estoque de armas nucleares.

Capítulo 6 – Rumo a uma ordem asiática: confronto ou parceria?

1) Página 214, 1º §-O traço mais característicos dos Estados asiáticos reside na sua percepção de que
representam países “emergentes” ou “pós-coloniais”.

2) Página 218, 3º §- A China resistiu abertamente ao engajamento britânico, na verdade europeu, que
tentou estabelecer o livre comércio e representatividade diplomática em solo chinês durante o século XVIII.
Essa postura fechada e protecionista permaneceu inabalada mesmo face ao triunfo da Inglaterra nas Guerras
Napoleônicas.

3) Página 207, 2º §- Durante os últimos quarenta anos a posição chinesa com relação às nações mais
avançadas do mundo mudou completamente.Firmou tratados com estas em temos de igualdade, mas não se
acredita que seus ministros e seu povo tenham realmente encarado frente a verdade, de modo a compreender o
fato de que a China é apenas uma das muitas nações independentes do mundo determinada por uma porção
finita sobre a superfície da terra e passível de se apontada num mapa.

4) Página 228, 2º §- Os EUA nunca se viram sob a ameaça de um vizinho poderoso. A China nunca
esteve sem um vizinho poderoso nas suas fronteiras. O pensamento chinês é moldado em parte pelo
comunismo, mas adota uma medida cada vez maior, um modo de pensar tradicionalmente chinês; os
americanos não se mostram familiarizados com nenhum dos dois.
5) Página 230, último §- Grupos importantes veem a China, numa analogia com a União Soviética na
Guerra Fria, como determinada a alcançar o domínio não apenas econômico, mas militar em todas as regiões
de sua vizinhança e em última análise, a hegemonia.

Capítulo 7 – “Agindo em nome de toda humanidade”: Os EUA e seu conceito de ordem.

1) Página 236, 1º §- Nenhum país desempenhou papel tão decisivo na formação da ordem
mundial contemporânea como os EUA, nem manifestou tamanha ambivalência a respeito da sua participação
nesse processo.Se expandiu através do continente alegando um Destino Manifesto enquanto negava
solenemente qualquer propósito imperialista...

2) Página 242, 2º §- Os EUA se tornaram uma grande potência é uma nação de dimensões
continentais por meio da mera acumulação de poder interno, com uma política externa quase inteiramente
foçada quase inteiramente no objetivo negativo de manter a maior distância possível em relação aos
acontecimentos além de suas fronteiras.

3º§... Somente no fim do século XIX, na Guerra Hispano-Americana de 1898, que os EUA se engajaram
num conflito declarado, no exterior, com outra grande potência.

3) Página 248, 2º §- A Guerra Hispano-Americana marcou o ingresso dos EUA na política das
grandes potências, e nas disputas pelas quais durante tanto tempo, demonstraram desprezo. A presença
americana era intercontinental em sua extensão, se estendendo das águas marítimas do Caribe ao sudeste da
Ásia.
Theodore Roosevelt: Primeiro presidente a se ocupar sistematicamente com as implicações do papel
mundial desempenhado pelos EUA.

4) Página 265, último §-O sistema de balança de poder entrou em colapso com a 1ª GM porque as
alianças que a produziram não dispunham de nenhuma flexibilidade e eram indiscriminadamente aplicadas a
questões periféricas, aumentando dessa forma todos os conflitos.

5) Página 276, último §- Theodore Roosevelt se mostrou ambivalente em relação aos dois lados da
ordem mundial – tinha esperança em alcançar uma paz baseada na legitimidade (respeito ao direito
internacional, objetivos humanitários e boa vontade), no entanto, confrontado por uma URSS que insistia em
uma visão que priorizava o poder, confiava no seu lado das articulações maquiavélicas.

Capítulo 8 –Os EUA: superpotência ambivalente

1) Página 280, 1º §-... Praticamente todo presidente insistindo que os EUA tinham princípios
universais, enquanto os outros países nutriam meramente interesses nacionais...

2) Página 282, 1º §- (Comentário)O início da confrontação entre os EUA e a URSS decorreu em


razão da nova estrutura internacional imposta pela União Soviética, pós cúpula de Podstam (1945). Stalin
abandonou os princípios vestifalianos e passou a enunciar que “quem ocupa um território também imporá
sobre ele o seu próprio sistema social. Todos imporão seus sistemas até o ponto que seus exércitos
alcançarem. As coisas não podem se dar de outra maneira.”

3) Página 283, 3º §- A OTAN, criada em 1949, representava um novo começo para o estabelecimento
da segurança européia.

4) Página 287, 1º §- Durante a Guerra Fria a ordem mundial viria a consistir no confronto entre as
duas superpotências incompatíveis – EUA e URSS – cada uma delas organizou uma ordem internacional no
interior da sua esfera.
5) Página 298, 1º §- Ao defender a Ásia, os EUA tinham se proposto a agir como se estivessem na
Europa Ocidental. A fim de evitar a “Teoria Dominó”, o presidente Eisenhoweraplicava a doutrina de
contenção para frustrar os objetivos do agressor (como no modelo da OTAN) e para fomentar a reabilitação
econômica e política (como no plano Marshall).

6) Página 303, 2º §- Na opinião do autor, ao perder a sua 1ª guerra, no Vietnã, os EUA perderam
também o “fio a partir do qual se desenrolava” seu conceito de ordem mundial.

7) Página 325, 3º §- Bush condenou as políticas anteriormente adotadas pelos EUA para a região por
terem priorizado a busca da estabilidade em detrimento da liberdade. “... Porque a estabilidade não pode ser
adquirida em roça da liberdade.”

8) Página 326, 4º §- Implementar uma democracia pluralista em substituição ao regime brutal Saddan
Hussein mostrou ser infinitamente mais difícil do que derrubar o ditador.

9) Página 328, 3º §- A natureza da ordem internacional foi posta em questão quando a URSS emergiu
como um desafio ao sistema de Estados vestifalianos. Décadas depois daqueles acontecimentos, é possível
discutir se o equilíbrio buscado pelos EUA foi sempre o mais favorável. Porém, é difícil negar que os EUA,
num mundo de armas de erudição em massa e convulsões sociais e políticas, preservaram a paz, ajudaram a
restaurar a vitalidade da Europa e proporcionaram uma ajuda econômica crucial para os países emergentes.

Capítulo 9 –Tecnologia, equilíbrio e consciência humana

O desafio da proliferação nuclear

1) Página 335, 3º §-(Adaptado) Na Era Nuclear, as mais temíveis armas já concebidas, que consomem
grandes orçamentos de defesa das grandes potências, perderam sua relevância para a crise com que os líderes
efetivamente tinham que lidar. O suicídio mútuo tornou-se o mecanismo da ordem internacional. A medida do
sucesso não se dava por meio do poder nuclear das potências, mas pela eficácia com que eram apoiados os
aliados locais no mundo em desenvolvimento.

2) Página 337, 2º §- (Adaptado) Em função do poder destrutivo do arsenal nuclear construído pelas
grandes potências, a supremacia tecnológica se transformou em impotência geopolítica.A proliferação de
armas nucleares se tornou um problema estratégico de grande abrangência para a ordem mundial
contemporânea.

3) Página 341, 1º §- Então pode ser que a proliferação de armas leve a formação de sistemas de
alianças comparáveis, em sua rigidez, àquelas que conduziram à 1ª GM, ainda que as superando amplamente
em termos de abrangência global e poder destrutivo.

4) Página 342, 3º §-Talvez o mais importante desafio às potências nucleares estabelecidas seja o de
determinar qual seria sua reação caso armas nucleares fossem de fato usadas pelos novos países nucleares, uns
contra os outros.

A informática e a ordem mundial

5) Página 345, 2º §- O ciberespaço desafia toda a experiência histórica. É onipresente, porém não
ameaçador em si mesmo; a ameaça depende do seu uso. A natureza das comunicações em rede, com sua
capacidade de tudo impregnar e penetrar, nos setores sociais, financeiros, industriais e militares, tem
apresentado aspecto incrivelmente benéfico...

Conclusão

1) Página 363, 1º §- Nas décadas que se seguiram após a 2ª GM um sentimento de comunidade


mundial parecia estar prestes a surgir. As regiões mais industrializavas dos mundo estavam esgotadas, as
subdesenvolvidas iniciando seus processos de descolonização e redefinindo suas identidades. Todos
precisavam de cooperação e não de confrontação. Os EUA, preservamos das devastações provocadas pela
Guerra, e na verdade, fortalecidos na sua economia e confiança nacional, se lançaram na concretização de
ideais que consideravam passíveis de serem aplicados no mundo inteiro.

2) Página 364, 2º §- O esforço de construção de uma ordem mundial, algo que se estende por
gerações, em muitos sentidos produziu frutos concretos. Seu sucesso se expressa na grande variedade de
Estados soberanos independentes que governam a maior parte do território mundial.

3) Página 366, 4º §- No mundo da geopolítica, a ordem estabelecida e proclamada como universal


pelos países ocidentais se encontra num momento crítico. ... Na realidade conceitos como democracia, direitos
humanos e direito internacional recebem interpretações tão divergentes que as partes em guerra regularmente
os invocam uns contra os outros, como seus gritos de batalha.

4) Página 369, último §- (Adaptado)No século XXI a manutenção do equilíbrio de poder vem sendo
prejudicada por conta da deficiência de três importantes dimensões: A própria natureza do Estado, as
organizações políticas e econômicas do mundo e a ausência de um mecanismo efetivo para consulta mútua
entre as grandes potências (a respeito de questões de maior relevância).

a. A natureza do Estado:Uma grande de diversidade de pressões têm corrompido a unidade básica


formal da vida internacional. Novos modelos de políticas externas baseadas em valores humanitários e
ambientais tem comprometidoa soberania estatal em muitas áreas propensas a vácuos de autoridade no plano
interno e desequilíbrio de poder ao longo das fronteiras. Desde o fim da Guerra Fria tem-se testemunhado o
fenômeno de “Estados Falidos” ou “áreas não governadas” ou mesmo Estados que mal merecem esse nome.
Este intervencionismo dos “maiores” na soberania dos “menores” pode ser fator determinante para o
desenvolvimento de um estado de anarquia.

b. As organizações políticas e econômicas:O sistema econômico internacional tornou-se global,


enquanto a estrutura política do mundo permaneceu baseada no conceito de Estado-nação. A globalização
econômica, em sua essência, ignora as fronteiras nacionais. O sistema político internacional ainda é em grande
medida baseado em ideias conflitantes de ordem mundial. A política internacional enfatiza a importância das
fronteiras, mesmo ao procurar conciliar objetivos nacionais.
A ordem internacional se vê, assim diante de um paradoxo: sua prosperidade depende do sucesso da
globalização, mas o processo produz uma reação política que muitas vezes age no sentido contrário das suas
aspirações. A capacidade de governar tem sido um desafio, Governos tem sido submetidos a pressões ao
tentar conduzir o processo de globalização na direção de vantagens nacionais.

c. A ausência de um mecanismo de consulta mútua:A natureza e a periodicidade das reuniões dos


diversos fóruns existentes na atualidade trabalham contra uma estratégia de longo prazo. O foco das decisões é
quase sempre o impacto público das ações dos líderes participantes nesses fóruns. Uma estrutura
contemporânea de regras e normas internacionais, caso pretenda se tornar relevante, não pode ser afirmada
meramente por meio de declarações conjuntas; precisa ser adotada como uma questão de convicção comum.

5) Página 374, 3º §-Os EUA precisam estar preparados para responder algumas perguntas no sentido
de desempenharem um papel responsável na evolução de uma ordem mundial no século XXI:

a. O que nos propomos a evitará? A respostadefineas condições mínimas de sobrevivência da nossa


sociedade.

b. O que nos propomos a realizar? A resposta define os objetivos mínimos de uma estratégia
nacional.

c. O que nos propomos a realizar ou a evitar apenas se contarmos com o apoio de uma aliança?
A resposta define os limites máximos das aspirações estratégicas do país como parte de um sistema global.
d. O que não deveríamos empreender, mesmo quando estimulados por uma aliança? A resposta
define as condições que limitam a participação americana na ordem mundial.

e. Acima de tudo, qual a natureza do valores que procuramos propor? Que aspectos
daimplementaçãodesses valores dependem das circunstâncias?

6) Página 375, 4º §- Para obtermos uma genuína ordem mundial os países, ainda que mantendo seus
próprios valores, precisam adquirir uma cultura que seja global, estrutural e jurídica – um conceito de ordem
mundial que transcenda a perspectiva é os ideais de uma única região ou nação – uma modernização do
Sistema Westifaliano.

RESUMO
A UTILIDADE DA FORÇA
A Arte da Guerra no Mundo Moderno

AUTOR: RUPERT SMITH (Gen da reserva Britânico)


ANO DA PUBLICAÇÃO: 2005

O livro busca explicar como a força pode ser empregada com a máxima utilidade de uma perspectiva
conceitual e prática.
O livro é dividido em três partes, além da introdução e da conclusão. A 1 a parte, com 3 capítulos,
denomina-se Guerra Industrial entre Estados, onde o autor define os fundamentos do combate moderno,
começando em Napoleão e chegando até as grandes guerras mundiais. Na 2a parte, com 3 capítulos, chamada
de Guerra Fria, faz uma avaliação histórica da antítese do paradigma da guerra industrial. E a 3a parte,
também com 3 capítulos, a Guerra entre o Povo. O livro termina com dois anexos escritos pelo Professor
norte-americano Philip Kelly.

INTRODUÇÃO – Compreender a Força


O autor inicia o livro afirmando que já não existem guerras. O Gen Smith analisa que existem vários
confrontos e conflitos e que os Estados ainda possuem forças armadas que utilizam como símbolo de poder. A
última verdadeira batalha ocorreu na guerra árabe-israelense, em 1973.
Com o aparecimento das armas nucleares houve uma mudança na mentalidade dos conflitos, a chamada
guerra industrial ficou praticamente impossível. Sendo a Guerra Fria travada sob o conceito da “destruição
mútua assegurada”.
Durante os últimos quinze anos, os estadistas, políticos, diplomatas, generais tem se confrontado com
dificuldades para aplicar a força de forma vantajosa e explicar suas intenções e ações, querendo utilizar suas
forças configuradas convencionalmente.
Smith faz uma diferenciação conceitual entre forças regulares e irregulares, citando quatro atributos
para a formação de uma força militar: corpo militar organizado, estrutura hierárquica, estatuto legal e um
código disciplinar separado e financiamento centralizado para aquisição de material bélico.
Forças militares são os meios pelas quais a força é aplicada.
Uma FA pode ser constituída por forças regulares e irregulares.
FORÇA REGULAR = é empregada p/ servir a um objetivo POLÍTICO decidido por um governo, o que
dá respaldo (LEGITIMIDADE) para uma AÇÃO MILITAR. Uma força regular é LEGAL, LETAL E
DESTRUTIVA.
FORÇA IRREGULAR = é LETAL e DESTRUTIVA, mas opera à margem da LEI.
Atualmente, há um profundo desinteresse no mundo ocidental por todos os aspectos da força MILITAR.
Em termos globais, o debate público sobre questões militares têm sido relegadas para discussões relativas aos
ORÇAMENTOS PARA A DEFESA e à LEGALIDADE e MORALIDADE do emprego da força.
Esse desinteresse e incompreensão da opinião pública ocidental sobre as forças militares têm sido
incrementado em virtude dos políticos enviar e empregar forças militares em MISSÕES HUMANITÁRIAS E
DE POLICIAMENTO para as quais não foram treinadas nem concebidas.
As guerras e os conflitos são travados a quatro níveis: político, estratégico, tático e operacional. Todos
esses níveis se complementam e seguem cinco fatores críticos para uma força militar: formação,
deployment(Mvt colocação da força no TO, Prep p/ uma ação imediata.) direção(= é a capacidade de utilizar a
força de modo a alcançar o desfecho político e Mil da campanha.), sustentação(não se pode começar uma
guerra que não se pode aprovisionar.) e recuperar.

PARTE I – A GUERRA INDUSTRIAL ENTRE OS ESTADOS


CAPÍTULO 01 – Da Fundação: de Napoleão a Clausewitz
O autor cita que a nossa compreensão das forças militares, das operações militares e das guerras surgiram
no século XIX, quando foi forjado o paradigma da guerra industrial entre os Estados. Sendo as guerras
Napoleônicas o ponto de partida, onde nasceu as forças militares moderna.
Napoleão criou o conceito de SOLDADO NACIONAL.
Conscrição. Formação do Exército de cidadãos.
Escolha dos Pcp postos com base na meritocracia (diferente da escolha aristocrática) →
PROFISSIONALISMO.
Estabeleceu as guerras de manobra. Marchar dividido; combater unido.
O capítulo continua com uma comparação do exército Napoleônico com o Prussiano, levantando as
causas da derrota da Prússia. Mesmo derrotado, os inimigos acabaram reformando seus exércitos, fazendo
nos parâmetros estabelecidos por Napoleão. Nessa comparação, o autor cita a conscrição, a estrutura de
estado-maior, a mobilidade e a flexibilidade como as principais diferenças entre os exércitos. As forças
Prussianos eram compostas por estrangeiros (2/3) enquanto os franceses recrutados dentro da população. O
Estado-Maior prussiano era formado por príncipes e duques, bem diferente dos franceses que possuíam um
estado-maior geral comandando por um marechal, seguindo a linha da meritocracia. Outro ponto este
relacionado com as linhas rígidas e inflexíveis da Prússia.
Carl Von Clausewitz (1780 – 1831), Gen prussiano, compreendeu que Napoleão (1769 – 1821) não
representava apenas uma força maior ou mais poderosa, mas sim uma força completamente diferente, que
combatia por objetivos estratégicos. Ele observou que existiam outras formas de guerra além da guerra entre
nações e/ou Estados, e que embora a violência absoluta fosse teoricamente imprescindível na guerra, existiam
motivos para moderar a violência.
A combinação da visão de Napoleão, da reforma militar prussiana e da visão teórica de Clausewitz
estabeleceram indubitavelmente a estrutura para as novas formas de forças e para a aplicação da força. Estas
foram as bases do paradigma da guerra industrial entre Estados. Essa estrutura é citado pelo autor:
- O aparecimento de exércitos de cidadãos conscritos;
- Destruição das principais forças inimigas como objetivo estratégico;
- Manutenção de grandes números de reservistas em tempos de paz;
- Divisão hierárquica dos exércitos;
- Profissionalismo e meritocracia e
- Instrução profissional no âmbito de uma doutrina de guerra.

CAPÍTULO 02 – Desenvolvimento: Ferro, Vapor e Massa

O capítulo começa que o comando é um elemento crucial na utilização da força, dado ao comandante a
decisão acerca da estrutura das suas forças e do emprego da força. O comandante é vital para compreender a
força. O comandante deve possuir conhecimento do assunto, mas a sua perspectiva é a do generalista, do
geral, não a do perito. Não existe plano perfeito, apenas existe o melhor compromisso entre as prioridades. O
comandante é a fonte primária do moral para as suas forças. O moral é produto da liderança, da disciplina, da
camaradagem, da autoconfiança e da confiança no comandante e na sua equipe.
Smith cita Napoleão e Clausewitz como as duas figuras mais importantes na construção do paradigma da
guerra industrial entre Estados. Ele analisa que decorridos algumas décadas, a espingarda de retrocarga e o
cartucho de metal revolucionaram as táticas, a energia a vapor e a estrada de ferro ampliaram a guerra em
todos os sentidos, e as comunicações foram fundamentalmente alteradas com a invenção do telégrafo. Essas
mudanças no armamento, no transporte e nas comunicações, três elementos básicos da guerra, alteraram de
modo substancial o emprego da força no século XIX.
Clausewitz idealizou a trindade: povo – Estado – Exército.
No sinal do século XIX, as nações industrializadas tinham a sua disposição toda a gama de armamentos:
navios de guerra, movidos a vapor, com canhões de longo alcance; portos e fronteiras fortificados, fazendo
uso dos avanços na artilharia naval; espingardas capazes de manter um fogo constante a distâncias superiores
a 800m. Ocorreu uma relação simbiótica entre a guerra industrial e a indústria. Remington, Mauser, Colt e
Krupp são alguns exemplos de companhias que evoluíram de conflito em conflito.
Simbiose entre a guerra industrial e a indústria de defesa (guerra econômica). As empresas alimentam-se
da vontade política de preparação para a guerra e a capacidade de fazer a guerra depende da indústria de
defesa.
A Guerra de Secessão, que eclodiu em 1861, foi o 1o grande conflito a incorporar os novos
desenvolvimentos nos transportes, comunicações e armamentos. Foi a primeira guerra industrial. Assinalou a
futura direção da guerra industrial, ao considerar como alvo a infraestrutura industrial e econômica do
inimigo.
1860 – os EUA tinham mais de 45.000 km de linhas ferroviárias (maior rede ferroviária do mundo). Os
nortistas tinham mais que o dobro da malha ferroviária que os sulistas. Houve um boom da indústria bélica do
Norte no que se refere ao Dsv de novos armamentos: melhoramentos dos obuses, armas de retrocarga, linhas
de produção das espingardas. Instalação de 24 mil km de linhas de telégrafos (ferramenta estratégica e
operacional)

CAPÍTULO 03 – Culminação: as Guerras Mundiais.


O último capítulo da Parte I cita que o paradigma da guerra industrial entre Estados estava completo: os
seus elementos centrais – massa, indústria e força – estavam presentes, bem como os conceitos nucleares de
processo e organização. As grandes guerras foram as maiores e mais poderosas do que seria possível
imaginar, já não era entre Estados, era mundial.
A lógica de uma guerra para acabar com todas as guerras era simples: tendo reconfigurado com êxito o
mapa da Europa através da capacidade industrial, a guerra também poderia definir sua potência dominante
absoluta. Para isso, todos os exércitos tinham aprendido a importância de uma mobilidade rápida,
compreendiam que não bastava concentrarem as suas forças: para aplicarem a força através delas, tinham que
as organizar no local correto e nas formações adequadas.
A guerra (no continente europeu) foi compreendida como um evento de massas no qual forças imensas
combateriam com imensa força para alcançarem uma vitória decisiva. Acreditavam, ainda, que as batalhas
seriam rápidas.
A prosperidade europeia (milagre industrial europeu – na virada do século XX) cegou a percepção de que
a guerra industrial poderia originar a destruição absoluta da Europa. Militarização (corrida armamentista).
Nacionalismo exacerbado.
O autor analisa, primeiramente, a 1a Guerra Mundial onde o plano alemão era ter uma rápida vitória, mas
nenhum dos lados conseguiu uma vitória decisiva. Ambos os lados se entrincheiraram: os alemães
essencialmente num sistema defensivo e os Aliados em um sistema ofensivo. Conseguiram fazê-lo com
homens suficientes e em profundidade suficiente, não existia nenhum flanco para envolver, todas as
extremidades da linha estavam firmemente ancoradas no Mar do Norte e na fronteira suíça. Desta forma, a 1 a
Guerra Mundial foi essencialmente uma guerra de artilharia, e os milhares de grandes canhões empregados em
ambos os lados e foram a principal causas das baixas.
A Grã- Bretanha mantivera sempre a Royal Navy para defender as suas costas e o seu comércio, e
proteger o seu poder e influência. O seu exército permanecera uma pequena força de voluntários. Foi
necessário esperar até 1917 para que a Grã-Bretanha atingisse a sua capacidade máxima para travar a guerra
industrial. A base industrial nacional foi transformada para apoiar o esforço de guerra, a conscrição foi
estabelecida em janeiro de 1916.
A 1a Guerra Mundial lançou as bases de uma forma de guerra fortemente dependente de tecnologia,
envolvendo os não combatentes através da inédita e intensiva mobilização da sociedade e da capacidade de
produção no esforço de guerra. Os soldados combatiam enquanto os civis, a indústria e o capital participavam
no maior esforço nacional, financiando, expandindo e operando as linhas de produção que abasteciam as
forças militares. A metralhadora, o avião e o tanque também foram características-chaves do conflito.
A guerra terminou em 1918, praticamente como começou: com um inovador e maciço ataque alemão, que
acabou por ultrapassar as suas capacidades logísticas e foi depois o alvo de um contra-ataque aliado bem
sucedido.
Em menos de um ano, e com custos relativamente baixos, os Alemães conseguiram o que anos de uma
desgastante guerra de trincheiras não tinham possibilitado. Os Alemães pareciam ter descoberto como
empregar a força com grande utilidade. Assim começou a 2a Guerra Mundial.
Depois da conquista da Europa Ocidental, Hitler viu-se com a mesma realidade geoestratégica que
confrontara Napoleão: para derrotar os Britânicos, é preciso chegar primeiro à ilha. A derrota da Luftwaffe na
Batalha da Inglaterra foi semelhante à derrota das marinhas francesas e espanhola em Trafalgar. No frente
russo, a Alemanha invadiu a União Soviética com o maior exército reunido até então. Mas a medida que
foram avançando para o leste, a frente tornava-se mais extensa e não dispunham de forças suficientes para a
cobrir por inteiro. Em consequência, começaram a surgir brechas e com a queda das primeiras neves, o
Exército Vermelho passou ao contra-ataque.
Em dezembro de 1941, a guerra envolveu verdadeiramente o mundo quando o Japão atacou os EUA.
Retirou-os do isolacionismo e atirou-os para uma guerra que estavam determinados a vencer. Como sempre, a
indústria acabou por se revelar o fator decisivo: a inovação e a massa de homens e material tornaram-se o
cerne da competição entre os antagonistas. A economia americana em 1940 e 1945 cresceu 50%, os
armamentos e equipamentos militares foram padronizados e produzidos em série.
A 2a Guerra Mundial foi a guerra do paradigma da guerra industrial entre os Estados e no seu último ato
colocou um fim ao paradigma. A bomba atômica foi o produto final do ciclo da guerra industrial, e da
indústria a serviço da guerra. Os exércitos industriais de massas já não podiam ser eficazes face a uma arma
de destruição em massa. A guerra industrial era impossível nessas circunstâncias.

PARTE II – GUERRA FRIA


CAPÍTULO 04 – Antítese: dos Guerrilheiros aos Anarquistas e a Mao.
O 1o capítulo da Parte II começa com a afirmação que o desaparecimento da guerra industrial foi ignorada
porque toda a base da Guerra Fria foi a necessidade de cada lado convencer o outro da sua necessidade da
dissuasão. A utilidade da força residia na sua dissuasão, não na sua aplicação.
A partir de 1945, as realidades militares evoluíram por dois caminhos paralelos: enquanto os dois blocos
da Guerra Fria constituíam exércitos industriais maciços, forças desses mesmos exércitos travavam conflitos
diferentes, com tipos de inimigos diferentes, todos eles de natureza não industrial.
O autor até o desse momento centrou na guerra industrial entre os Estados, mas isto não quer dizer que
não tenham existido outros tipos de guerra, a partir do século XIX. Um dos exemplos foi a guerra de Napoleão
contra a Espanha (Guerra Peninsular – 1808 a 1814). O povo chamou ao seu conflito uma pequena guerra,
guerrilla. O termo nasceu para designar as táticas utilizadas pelos populares para resistirem ao regime francês
(Guerra do Povo).
As táticas de guerrilha decorrem do princípio básico de que as suas forças só procuram o combate nos
seus próprios termos, o que implica conhecer a posição e a força do inimigo, possuir o elemento surpresa e
escolher o momento para combater. Carecendo de forças numérica e das armas para enfrentar diretamente um
exército regular, os guerrilheiros preferem evitar as batalhas campais. São as emboscadas e as incursões,
evitando sempre apegar-se ao terreno, atacando com rapidez e de surpresa. Os guerrilheiros dependiam do
apoio moral e material proporcionado pelo povo.
A Guerra de Independência Americana e a Guerra dos Bôeres são alguns exemplos de guerra de
guerrilha. No caso dos Bôeres, eram organizados em pequenas unidades autossuficientes chamadas
“comandos”. Os últimos anos desse conflito foram um exemplo dessa antítese da guerra industrial entre
Estados: pequenas operações, com um mínimo de efetivo.
A 1a Guerra Mundial foi o seguinte passo importante na evolução da antítese da guerra industrial. A
campanha de libertação travada pelos Árabes da Península Arábica, liderados pelos seus xeques. O Ten Cel T.
E. Lawrence foi escolhido para funções de aconselhamento e ligação junto aos movimentos nacionalistas
árabes. Lawrence conseguiu persuadir os líderes árabes a coordenarem os seus esforços insurrecionais e
começou a combater com suas tropas irregulares, sob o comando supremo do emir Faiçal.
Período entre guerras. Evolução da guerra industrial, com perene influência de Clausewitz. Em contraste,
sua antítese evoluiu muito mais através da ideologia e do nacionalismo. A propaganda tornou-se uma linha
de operações das campanhas revolucionárias a fim de obrigar o povo, o governo e as entidades estrangeiras a
prestarem atenção à 'causa'. Ex: assassinato de um elemento da nobreza britânica pelo IRA (1979), na Irlanda
do Norte.
A estratégia da provocação, tendo como ideia utilizar o poder e o peso das forças contrarrevolucionárias
em proveito próprio. Os “ataques”/ “incidentes” são levados a cabo para exigirem uma resposta por parte das
autoridades, sendo aqui os objetivos de retratar o governo um opressor brutal perante o povo e as entidades
estrangeiras, Conq a simpatia do povo para a 'causa' e recrutamento.
Outra ação é minar a governança dos governos.
O capítulo continua falando da revolução chinesa com Mao Tsé-tung, onde sua teoria revolucionária era
dividida em 3 fases: formar células no seio da comunidade no interior das áreas rurais e em uma fronteira
amigável, depois essa área local é transformada em um santuário através da expansão da estrutura celular e na
última fase, as forças constituídas consolidam e operam as forças governamentais. Comparando com a
revolução russa, o autor cita que enquanto a chinesa centrou-se na população rural, os russos sustentou-se no
proletariado urbano, mas em ambos os casos, os revolucionários terminaram as suas companhas como
exércitos convencionais. Esse é o verdadeiro paradoxos da antítese da guerra industrial conduzida com êxito
por revolucionários: evolui para um ponto no qual se funde com o paradigma convencional.
A 2a Guerra Mundial assistiu a uma evolução contínua desta antítese com as operações da Resistência e
dos partisans nos territórios ocupados pelos alemães e japoneses. No fim dessa grande guerra tinha sido
estabelecido as características definidoras da antítese da guerra industrial, como uma combinação de guerra de
guerrilha e revolucionárias.
A guerra industrial tem como objetivo a destruição da capacidade de resistência do adversário. A
sua antítese, permite aos militarmente fracos enfrentarem fortes com vantagem. Esses dois modelos de guerra,
a guerra industrial e guerra de guerrilha/revolucionária estão evoluindo a novas direções.
Na guerra de guerrilha ou revolucionária, a força que a combate deve progressivamente negar a área de
atuação (santuário) dos guerrilheiros/revolucionários, dominando as comunicações e influenciando a
população, isolando-os dos Hab que poderiam os dar abrigo.

CAPÍTULO 05 – Confronto e Conflito: Um novo Propósito para o Emprego da Força.


Com a derrota da Alemanha e a erradicação do fascismo, desapareceu o propósito comum que levara a
Rússia e os Aliados Ocidentais a cooperarem. As tensões ideológicas e estratégicas saltaram para o primeiro
plano, levando a chamada Guerra Fria. As forças estavam estruturadas e podiam ser concentradas e utilizadas
no âmbito do paradigma antigo, mas a força nunca foi aplicada. No paradigma da guerra industrial, a premissa
é a sequência paz-crise-guerra-resolução, da qual resultará novamente a paz. No novo paradigma, não existe
essa sequência pré-definida.
A partir dessa introdução Smith faz uma explicação da diferença entre confronto e conflito. Nos
confrontos, o objetivo é influenciar o oponente, alterar ou formar as suas intenções, estabelecer
condições e, acima de tudo, vencer o choque de vontades. Nos conflitos, o objetivo é destruir, tomar,
manter; atingir um resultado decisivo através da aplicação direta da força militar. Ele cita a Guerra
Fria como um confronto político e ideológico, mas que nunca foi ditada pelos militares, sendo o melhor
exemplo de um confronto. Coloca a Guerra das Malvinas (1982) um exemplo de um confronto que se
transformou em um conflito.

A partir da Guerra Fria o poder de dissuasão foi baseado na ameaça nuclear. Desta forma, ambas
potências adotaram a estratégia da dissuasão, que evoluiu para a “destruição mútua assegurada”(MAD).
Existia uma profunda diferença de abordagem entre Leste e Ocidente. Os Soviéticos permaneceram em
prontidão para uma guerra industrial total e as linhas de produção continuaram a existir no seio de sua
economia estatal. No Ocidente, não foi mantida a capacidade para travar uma guerra total industrial. A
prosperidade sobrepôs as armas.
O conflito da URSS no Afeganistão, na década de 1980, com o emprego do arsenal produzido pela
corrida armamentista na Guerra Fria, foi catastrófico. Perdeu-se um elo da trindade clausewitziana (povo).
Além disso, Gorbachev realizou a reestruturação e abertura na URSS, bem como retirou o exército vermelho
das repúblicas satélites do leste europeu, corroborando para o fim do Pacto de Varsóvia.
A Guerra da Coreia e os dois conflitos na Malásia foram 2 conflitos enquadrados em confrontos. Ambos
os modelos pertencem ao paradigma da GUERRA ENTRE O POVO, combinando Atv políticas com Mil.
Assim, o período de 1946-1991, pode ser definido como o de um confronto fundamental (GF) mantido
por estruturas industriais (contendo conflitos não industriais): as guerras paralelas.
O objetivo político e o objetivo estratégico-militar nunca são os mesmos. O último é alcançado pela
FORÇA MILITAR, enquanto que o primeiro pelo RESULTADO do êxito militar. Além disso, é o MODO como
o êxito militar é alcançado que define se pode ou não ser traduzido em VANTAGEM POLÍTICA. O autor cita
como exemplo o bombardeio norte-americano no Vietnã em alvos civis, resultando numa forte reação da
opinião pública nacional e internacional. Desta forma, não convertendo em capital político.

CAPÍTULO 06 – Capacidades: Em busca de uma Nova Via


O último capítulo da Parte II inicia falando dos cenários de descolonização levados a cabo nos países
dominados pela França e Grã-Bretanha. Esses conflitos apresentaram diferentes tipos de inimigos: não-
estatais, com armamento leve e ideologicamente motivados. Inimigos que recorreram a antítese da guerra
industrial.
O autor cita que a atuação francesa na Indochina constituiu um exemplo de um confronto que se
converteu em um conflito militar, no entanto, permaneceu um confronto político-ideológico que ficou
integrado no grande confronto da Guerra-Fria. Uma lição importante foi apreendida nas guerras na Indochina,
tanto pelos franceses como pelos americanos, raramente é possível prever o desfecho, particularmente com
base nas forças conhecidas.
Os conflitos têm sido cada vez mais assimétricos e desequilibrados, forças estatais industriais
tecnologicamente armadas contra atores não estatais muita vezes mal equipados. O poder de uma força militar
compõe-se de três fatores relacionados: os meios, o modo como são utilizados e a vontade que os mantêm.
Capacidade = Meios x Modo x Vontade
Aplicando essa fórmula a Guerra do Vietnã, podemos ver porque os Norte-Vietnamitas descobriram um
modo de utilizar seus recursos, relativamente escassos, contra os EUA de uma forma que anulou as suas
forças industriais, muito mais bem equipadas e instruídas.
Outro caso, foi a guerra da Argélia, confronto entre o regime colonial francês e povo argelino. Os
Franceses alcançaram sucessos táticos, mas nunca conquistaram a vontade popular a um nível que lhes
permitisse manterem a Argélia integrada à França.

PARTE III – A GUERRA ENTRE O POVO


CAPÍTULO 07 – Tendências: As Nossas Operações Modernas.
A Parte III inicia com uma afirmação do autor que não existe uma data específica na qual a guerra entre o
povo tenha começado. Um mundo de confrontos e conflitos emergiu no seguimento da 2a Guerra Mundial,
ainda que, a guerra industrial tivesse deixado de constituir uma opção com a invenção da bomba atômica.
O autor cita seis tendências básicas que constituem o paradigma da guerra entre os povos:
- Os objetivos pelos quais combatemos estão mudando;
- Combatemos entre o povo, não no campo de batalha;
- Os nossos conflitos tendem a ser intemporais ou mesmo infindáveis;
- Combatemos para preservar a força (pessoal e material), não arriscando tudo para atingirmos o
objetivo;
- Descobrem-se novas utilizações para armas e organizações que são produtos da guerra industrial e;
- Os beligerantes são majoritariamente não estatais.

CAPÍTULO 08 – Orientação: Definindo o Propósito para o Emprego da Força.


Smith conclui que devido a análise das seis tendências discutidas no capítulo anterior, não podemos
praticar a guerra industrial. Travamos conflitos por objetivos que a resolução da questão não é resolvido pela
força das armas.
Os militares continuam agarrados a conceitos de guerra ultrapassados, buscando soluções tecnológicas
para ameaças de natureza bélica industrial, mesmo quando as ameaças existentes e emergentes são
nitidamente outras. Estas dificuldades estão relacionados com cinco áreas de qualquer operação militar:
- Iniciar e manter a análise da força adversaria, incluindo o recolhimento de informação para apoiar a
análise;
- Identificar e declarar o propósito e objetivos da operação;
- Limitar os riscos da linha de ação escolhida;
- Dirigir e coordenar o esforço global;
- Constituir e manter a vontade de vencer.
Em 1994, o então Secretário de Defesa, Caspar Weinberger definiu seis condições para que os EUA se
envolvessem em um conflito:
- Deve ser de interesse vital para os EUA e seus aliados;
- A intervenção deve ser resoluta e com uma clara intenção de vitória;
- Devem existir objetivos políticos e militares claramente definidos;
- A relação entre objetivos e as forças devem ser reavaliadas e ajustadas sempre que necessário;
- Deve existir uma certeza razoável de que o povo americano e o Congresso apoiam a
intervenção e;
- O emprego de forças americanas deve ser o último recurso.

Mas em situações nas quais o que está em causa é a vontade do povo, onde o inimigo opera em guerrilha
ou onde devem ser criadas e mantidas condições para uma governança aceitável, é muito pouco provável que
estes pressupostos sejam satisfeitos.
O autor é guiado por três regras que o acompanha desde a Guerra do Golfo:
- Em todas as iniciativas, garantir que existe um objetivo ou um propósito comum;
- Garantir equidade no risco e no benefício e
- Conduzir as forças com base na boa vontade para com todos os aliados.

Nos últimos anos, os militares de muitos países tem falado bastante de interoperabilidade e de
uniformização de procedimentos e equipamentos. A organização da força multinacional deve ser
compreendida pelo que é capaz de fazer e não segundo aspirações abstratas. Cada luta ou combate deve ser
travado dentro de um grupamento nacional.
O novo inimigo não possui um exército constituído ou formal. As forças convencionais desenvolveram
seu sistema nervoso ou de comando no âmbito da guerra industrial. É essencialmente hierárquico, com as
informações fluindo de baixo para cima e as ordens e instrução de cima para baixo.
O sistema nervoso da guerrilha é comparado com as plantas rizomatosas, que conseguem se propagar
pelas raízes, espalhando sementes fertilizadas, mesmo quando a raiz é cortada do corpo. Esse tipo de sistema é
difícil de atacar. Os rizomas são erradicados através de um de três métodos: desenterrando-os, removendo os
nutrientes do solo ou inoculando as raízes com veneno. Cortar a cabeça que está à vista as deixara
adormecidas.

CAPÍTULO 09 – Bósnia: Empregando a Força Entre o Povo


Neste último capítulo antes da conclusão, Rupert Smith analisa suas experiências como comandante da
UNPROFOR, ilustrando a complexidade dos conflitos e confrontos atuais, da perspectiva de alguém a nível
superior.
A UNPROFOR iniciou suas operações em fevereiro de 1992. A missão era regida pelo Capítulo VI da
Carta da ONU, no qual a força só poderia ser empregada em autodefesa. Não havia uma orientação
estratégica, não havia um objetivo militar estratégico a atingir, não havia uma campanha militar, não havia
objetivos militares ao nível Teatro de Operações: todas as ações eram táticas.
Existia a grande dificuldade em atender os interesses da ONU e da OTAN. Tecnicamente, a OTAN e
ONU encontravam-se em confronto com os Sérvios Bósnios, mas a OTAN estava unicamente centrada nos
Sérvios Bósnios, enquanto a UNPROFOR lidava com todas as partes do conflito e respectivas posições.
Na Bósnia, todas as lutas – inter-étnicas e contra a comunidade internacional – decorreram entre o povo.
Os Sérvios bósnios não pretendiam viver entre os Bósnios muçulmanos, e os Croatas não queriam viver com
mais ninguém.
Ocorreu, também, uma grande preocupação da ONU com a segurança da tropa em detrimento da
implementação do mandato: representou a ausência de vontade política, por parte de todos os países para
arriscarem as respectivas forças envolvidas.

CONCLUSÃO – Que fazer?


A guerra entre os povos não é um paradigma melhor do que a guerra industrial entre Estados, é diferente
e compreender e aceitar a diferença deve ser uma parte central do nosso caminho futuro. Não deixaram de
existir confrontos e conflitos. É imperativo que comecemos a assimilar as tendências e implicações do novo
paradigma, dando início a um profundo processo de mudança.
O autor pretende dizer que, em muitos círculos, se aceita que hoje conduzimos operações e não guerras,
mas ainda esperamos que as operações originem uma vitória militar definitiva que resolverá um problema
político, e não que a vitória seja apenas uma contribuição para a resolução da questão por outros meios.
As ameaças que constituem não são diretamente aos nossos Estados ou territórios, mas sim à segurança
dos nossos povos e modo de vida, de modo a modificarem as nossas intenções e cumprirem os seus desígnios.
São do povo e estão entre o povo, e é aqui que o combate tem lugar. Mas este combate deve ser vencido de
modo a alcançar o objetivo primordial, a conquista da vontade do povo.
Atualmente a tendência é para analisarmos as situações em termos de guerra industrial, e quando as
circunstâncias não se enquadram, declaramos que se trata de um caso de assimetria e guerra assimétrica.
O autor afirma que não existem soldados internacionais, e cada um deles está sujeito a uma lei nacional
diferente. Essa realidade complexa reflete em dois aspectos da lei do conflito: o estabelecimento da lei entre o
povo e a relação entre os militares e a lei. Podemos definir essa pretensão como um objetivo estratégico, o que
significa então que se operarmos taticamente à margem da lei, estaremos prejudicando o nosso próprio
objetivo estratégico.
A conclusão continua com a análise do planejamento, citando que existe dois conjuntos de perguntas que
devem ser feitas. A primeira, sobre o contexto geral da operação, nos níveis político e estratégico, como:
- Vamos usar as nossas leis ou a deles?
- Quem vai administrar o estado?
E o segundo, dentro de um contexto da conduta, no nível teatro de operações, como:
- Como podemos ter a certeza de confiar no adversário e no povo?
- Como mostramos que o nosso resultado é melhor para o povo e para o adversário?
A dificuldade na conduta das nossas operações modernas reside na congregação dos esforços de todas as
entidades do teatro de operações com um propósito. A melhor forma de travar a guerra entre o povo é uma
operação de inteligência e informação, não como uma operação de manobra e atrito, à maneira industrial.
A mídia e o seu papel também devem ser parte integrante de planejamento. Se estamos a combater pela
vontade do povo, todos os êxitos que alcancemos de nada valerão se o povo não pensar que estamos
vencendo. Em larga medida, é comunicando através da mídia que transmitimos esta mensagem. O
comandante deve evitar a tentação de cooperar com os jornalistas convertendo-os ele próprio na história.
O povo não é inimigo. O inimigo encontra-se entre o povo, e o objetivo de qualquer emprego da força
militar e de qualquer outro poder é diferenciar entre o inimigo e o povo para conquistar a vontade deste
último.
A guerra, tal como a maioria dos não combatentes a conhecem, a guerra como combate em um campo
entre homens e máquinas, a guerra como evento de massas e de decisão em uma disputa internacional, a
guerra industrial – está guerra já não existe. Temos que adaptar a nossa abordagem e organizar as nossas
instituições em função desta realidade incontornável, se pretendemos triunfar nos confrontos e conflitos que
enfrentamos.

Cronologia e Ideias Pcp (Ordem Mundial,Utilidade da Força eGeo & Mod)

Pré-História: até a invenção da escrita 4.000/3.500 a.C


 Idade Antiga: até a queda do Império Romano Ocidente 476 d.C.
 Idade Média: até a queda do Império Romano Oriente 1453
 Idade Moderna: até a Revolução Francesa 1789
 Idade Contemporânea: até os dias atuais
-476/1453 Idade Média: Rei e Igreja;
- Século VII, Advento de Maomé/Alcorão/Islã;
- Século XV, Reforma, Cisma do Ocidente, Renascimento, Expansão Marítima e Estado-Nação;
- 1494 Tratado de Tordesilhas (predecessores do pensamento Geopolítico no Brasil);
- 1587, livro “In Tratado Descritivo do Brasil” (mais antiga visão prospectiva sobre a futuro do Bra),
Gabriel Soares de Souza;
- 1618 Guerra do 30 Anos: questões sucessórias, religiosas, territorias...
- 1620, Francis Bacon, Ing, (fundador Ciência Moderna/Met. Científica) - raízes da Geopolítica;
- Paz de Westfália 1638: Balanço de Poder, Estado Laico, Relações Internacionais...
- Século XVIII, 1ª Revolução Industrial;
- 1750, Tratado de Madri, Alexandre Gusmão, Diplomata (legitimou conquistas dos bandeirantes);
- 1789 Revolução Francesa;
- 1775-1783Guerra de Independência Americana, guerra de guerrilha*;
- Século XIX 2ª Revolução Industrial;
- Século XIX mudanças: armamento (retrocarga e cartucho metálico), transporte (vapor e ferrovias) e
comunicações (telégrafo) – emprego da Força;
- 1803-1815 Guerras Napoleônicas, nascem as forças militares modernas;
- 1806-1807 Guerra da 4ª Coalizão, Batalha de Jena (França x Prússia): conscrição, estado-maior,
mobilidade e flexibilidade;
- 1807-1814 Guerra Peninsular (França x Espanha), “chaga”, guerra de guerrilha*;
- 1815 Congresso de Viena: situação peculiar da Rússia;
- 1821, “Lembranças e Apontamentos”, José Bonifácio (grande preocupação com a preservação da
unidade nacional e a necessidade de interiorização do país);
- 1827-1830 “Da Guerra”Carl, Von Clausewitz, violência absoluta, motivos para moderar a violência;
- Trindade para guerra: Exército/Povo/Estado;
- A guerra tem suas raízes em Obj políticos; A guerra é um” teste de forças” / “choque de vontades”;
- Napoleão + Reforma prussiana + Clausewitz - base p/ paradigma GI entre Estados.
- Exércitos de cidadãos conscritos, Obj estratégico na destruição Pcp forças inimigas, Mnt Res em tempos
de paz, divisão hierárquica dos exércitos, profissionalismo e meritocracia, e instrução profissional (doutrina de
guerra);
- Aumento do Patriotismo e do Nacionalismo;
- 1840-1842 1ª Guerra do Ópio (Chi x Ing), Projeção do poder militar naval inglês;
- 1840-1914, Alfred Mahan, EUA, ideias sobre o poderio naval  PolPoder Marítimo;
- 1844-1904, Freidrich Ratzel, ALE, criou o termo “Lebensraum” (espaço vital)  o ambiente interfere
no desenvolvimento de uma sociedade na medida em que pode oferecer melhor ou pior acesso aos recursos,
atuando assim como estímulo ou obstáculo ao progresso.
- 1861 Guerra de Secessão, incorporou Dsv Transp/Com/Armto, 1ª GI, considerou alvo a infraestrutura
industrial e econômica Ini.
- Relação simbiótica, GI a indústria (Remington, Mauser, Colt e Krupp);
- Paradigma GI entre Estados estava completo: massa, indústria e força (mais os conceitos de processo e
organização);
-1853 Guerra da Criméia, 1871 Unificação da Alemã e 1867/1902Era Meiji;
- 1861-1947, Halford Mackinder, ING, “The Geographical Pivot of History” (1904), Teoria do Heartland
(centro da Eurásia, estendendo-se do Volga ao Yangtzé e do Himalaia ao Ártico)  Pol Poder Continental;
- 1870-1871 Guerra Franco-Prussiana (Unificação Alemã);
- 1880-1881 1ª Guerra dos Bôeres, guerra de guerrilha*;
- 1890, destituição de Otto Van Bismark (fim da diplomacia cautelosa);
- 1898 Guerra hispano americana (T. Roosevelt EUA);
- 1899, Rudolf Kjellen, SUE, cunhou o termo geopolítica, lançou as bases da geopolítica Ale;
- 1906-1933, Obras Prof Everardo Backheuser, reforma urbana no RJ/Rodrigues Alves (1902-1906) 
ideias para a criação de unidades federativas no Brasil;
- 1911 Revolução Nacionalista na China (Kuomitang/Sun Yat-sen);
- 1914/1918 1ª G. Mundial: Impérios (Alemão, AH e Otomano) x Fra, Ing, Rus, Ita...(W. Wilson, EUA);
- 1914 1a GM, os lados se entrincheiraram, “guerra de artilharia”;
- A 1a GM dependente de: tecnologia (metralhadora, o avião e o tanque), mobilização da sociedade e
esforço de guerra;
- Grã- Bretanha, Royal Navy, exército pequena força de voluntários;
- 1916 Grã-Bretanha, base industrial transformada e a conscrição estabelecida;
- 1916-1918 Revolta Árabe (Árabes x Império Turco Otomano), campanha de libertação da Península
Arábica, Ten Cel T. E. Lawrence (Ing), Lig movimentos nacionalistas árabes (comando supremo do Emir
Faiçal), guerra de guerrilha*;
- 1917 Grã-Bretanha atingiu a capacidade máxima para travar a GI;
- 1917 Revolução Russa, proletariado urbano, movimento revolucionário, guerra de guerrilha*;
- 1917 Revolução Russa;
- 1ª GM: 15 mil mortos e 21 mil feridos, lenta/desgastante x rápida/triunfal;
- 1919 Conferência de Paris, Tratado de Versalhes, Liga das Nações;
- 1919-1939, obras do Gen Karl Von Haushofer,ALE, estudou a cultura oriental (Pcp Jap, Ex: SS Ale =
samurais), pode ter desenvolvido ideias de superioridade racial a partir dos sistemas de castashindus)
influência para Hitler/líderes do Partido Nazista;
-1929 Crise Eco Mundial: Quebra da Bolsa NY;
- 1931 “Projeção Continental do Brasil”, Cap Mario Travassos Pacífico x Atlântico/Área Pivô;
- 1939/1945 2ª G. Mundial: Alemanha, Itália e Japão x França, Inglaterra e EUA; (F. Roosevelt EUA);
- 1939 2ª GM, Hitler, primeiro a conquista da Europa Ocidental (BlitzKrieg), segundo a derrota dos
Britânicos (“é preciso chegar primeiro à ilha”, Napoleão);
- Derrota da Luftwaffe na Batalha da Inglaterra semelhante à derrota das marinhas Fra e Esp na Batalha
de Trafalgar (Guerras Napoleônicas);
- Na frente Oriental, Ale invade a URSS, avançando para o leste, forças insuficientes, brechas, neves,
Exército Vermelho contra-ataca;
- 1941 (Dez), Japão atacou os EUA no Pacífico (isolacionismo), Guerra “Mundial”;
- 1941 “Introdução à Política de Comunicações Brasileiras”, Cap Mario Travassos  rumos de uma
política nacional destinada a nos levar à posição de maior potência sul-americana);
- Indústria se revela como fator decisivo(1940/1945 economia EUA cresceu 50%);
- 2a GM assistiu a evolução da antítese da GI com as operações da resistência (“partisans”, Ex: Tito na
Ioguslávia)nos territórios ocupados pela Ale e Jap;
- 2ª GM estabeleceu as características definidoras da antítese da guerra industrial, c uma combinando:
guerra de guerrilha e revolucionária.
- 2a GM, guerra do paradigma da guerra industrial entre os Estados;
- 1945 Bomba Atômica, produto final do ciclo da GI e da indústria a Svç da guerra.
- 1940 (década), George Kennan, EUA, relações da Rússia com as potências ocidentais, GF 
influência: para EUA com Doutrina Truman/Política de Contenção e para URSS na instalação de bases
navais;
- GF, a utilidade da força residia na sua dissuasão, não na sua aplicação;
- GF, “destruição mútua assegurada”;
- GF, confronto político e ideológico (nunca foi ditada pelos militares);
- GF: cenários de descolonização nos países dominados pela França e Grã-Bretanha;
- 1945 Tratado de Potsdam, criação da ONU;Plano Marshall (H. Truman EUA);
- 1945/... 3ª Revolução Industrial –
- 1946-1954 1ª Guerra da Indochina – Fra x Vietnã, Laos e Camboja (atuação Fra na Indochina é exemplo
de um confronto que se converteu em um conflito militar);
- 1948 Guerra da Independência de Israel(Conflito Árabe-Israelense) x Egi, Sir, Transjordânia, Lib e Ira;
- 1948 Declaração Universal dos DH;
- 1949 Criação da OTAN;
- 1949Revolução Comunista na China(Mao Tsé Tung);
- 1949 Revolução Chinesa, Mao Tsé-tung, população rural, movimento revolucionário, guerra de
guerrilha*;
- 1950 (década), Ten Cel Golbery do Couto e Silva, Dou Seg Nacional/ESG/SNI, direcão para o
projeto desenvolvimentista BRA;
- 1952 CECA (BENELUX + Fra, Ita e Ale Ocidental);
- 1954-1962 Guerra da Argélia (regime colonial Fra x povo argelino), Fra alcançou apenas sucessos
táticos, nunca conquistou a vontade popular, guerra de guerrilha*;
- 1955-1975 Guerra do Vietnã, Norte-Vietnamitas descobriram um modo de utilizar seus recursos, guerra
de guerrilha*;
- 1955 Conferência de Bandung;
- 1956 Guerra de Suez (Conflito Árabe-Israelense) x Egito;
- 1955/1975 Guerra do Vietnã;
- 1959 Revolução Cubana;
- 1967 Guerra dos 6 Dias (Conflito Árabe-Israelense), Israel: Cisjordânia, Gaza, Jerusalém, Golã e Sinai;
- 1970 (década), Prof Therezinha de Castro, IBGE  participação brasileira na Antártica/Atlântico Sul;
- 1972 Conferência de Estocolmo, ideias do Clube de Roma (relatório “Os limites do crescimento”);
- 1973 Guerra do Yom Kippur (Conflito Árabe-Israelense) x Egito e Síria;
- 1973 Crise Eco Mundial: Crise do Petróleo;
- 1973 Guerra do Yom Kippur em 1973 (última verdadeira batalha);
- 1975-2002, Obras Meira Mattos, Brasil: 5º em superfície, 6º em população e 10º em produção Eco;
- 1977Conferência Mundial Meio Ambiente: Declaração de Tbilisi, URSS,educação ambiental;
- 1978 Socialismo de Mercado, Deng Xiaoping;
- 1979 Revolução Iraniana (Xá x Aiatolá);
- 1979 Crise Eco Mundial: Crise do Petróleo;
- 1979/1989 Guerra do Afeganistão;
- 1980 (década) Crise Eco Mundial: Crise das dívidas exorbitantes;
- 1982 Guerra do Líbano (Conflito Árabe-Israelense) x Fatah Palestina;
- 1982 Guerra das Malvinas, exemplo de confronto que se transformou em conflito;
- 1985 Perestroika e Glasnost;
- 1989 Queda do Muro de Berlim;
- 1991 Dissolução da URSS;
- 1990/1991 1ª Guerra do Golfo (Invasão do Kuweit);
- 1992 Conferência ONU Meio Ambiente e Desenvolvimento: Eco-92/Agenda 21, RJ;
- 1991-2001 Guerra da Iugoslávia, República Socialista Federativa da Iugoslávia (não alinhado), “Grande
Sérvia” x Eslovênia, Croácia, Bôsnia, Kosovo e Montenegro);
- 1992-1995 UNPROFOR (Croácia e Bósnia), Rupert Smith (Cmt) da UNPROFOR, Capítulo VI ONU,
força só poderia ser empregada em autodefesa.
- Não havia: orientação estratégica, objetivo militar estratégico, campanha militar, objetivos militares.
Todas as ações eram táticas.
- Grande dificuldade em atender os interesses da ONU e da OTAN, OTAN unicamente centrada nos
Sérvios Bósnios, UNPROFOR lidava com todas as partes do conflito e respectivas posições;
- Sérvios bósnios não pretendiam viver entre os Bósnios mulçumanos;
- Croatas não queriam viver com mais ninguém;
- Preocupação ONU com a Seg da tropa x implementação do mandato (ausência de vontade política de
todos os países para arriscarem as forças envolvidas);
- 1995, substituição pelas Mis OTAN e União Européia;
- 1993, Samuel Huntington, “The Clash of Civilization”  teoria segundo a qual as identidades
culturais e religiosas dos povos serão a principal fonte de conflito no mundo pós-Guerra Fria (Ex: conflitos
contemporâneos no OM - penetração e radicalismo da civilização muçulmana);
- 1993 Tratado de Maastricht (União Europeia);
- 1998-2002, FHC, “Avança Brasil”, proposta de governo (conjunto de inúmeros projetos envolvendo
todas as áreas: economia, política, sociedade, etc objetivando a modernização do país);
- 2001 Termo BRIC é cunhado;
- 2001 Atentados AL QAEDA nos EUA,11 Set;
- 2001 Crise Eco Mundial: Crise da “Bolha da Internet”/Nasdaq;
- 2002“Rio +10”, Johanesburgo, Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável;
- 2001/2014 Guerra do Afeganistão;
- 2003/2011 2ª Guerra do Golfo (Guerra do Iraque);
- 2008 Crise Eco Mundial: Crise do “SubPrime”/Falência do Banco Lehman Brothers, fundado em 1850;
- 2010 Primavera Árabe;
- 2011/...Guerra da Síria
- 2011 Morte de Osama Bin Laden, 2 Mai;
- 2011 Termo BRICS é cunhado;
- “Rio +20”, RJ, Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, 2012;
- 2014 Formação do ISIS;
- 2015 COP 21, Paris, Fórum de sustentabilidade e de inovação;
- 2015 Atentados ISIS em Paris, 13 Nov;
Projeção da população mundial: 9,6 bilhões em 2050 e 10,9 bilhões em 2100;
 Projeção da escassez de água: em 2025, mais da metade da população viverá em regiões comescassez;
e
Projeção do aquecimento: elevação de 3,5 °C implicaria na extinção de até 70% de todas as espécies.

Utl Força - Ideias Gerais:


- GI (paz/crise/guerra/resolução) x GEP (guerra/paz) - Obj, Combate entre o povo, Intemporais, Não
perder a Força Mil, Novas Utlz Armto antigos e Ini não estatal
- As guerra e os conflitos, 4 níveis: político, estratégico, tático e operacional;
- 5 fatores críticos p/ força militar: formação, “deployment”,direção, sustentação, recompletamento;
- 4 atributos para formação de força militar: corpo militar organizado, estrutura hierárquica, estatuto
legal/código disciplinar separado e financiamento centralizado para aquisição de material bélico;
- Confronto, o objetivo é influenciar o oponente, vencer o choque de vontades;
- Conflito, o objetivo é destruir/tomar/manter, atingir um resultado decisivo através da aplicação direta da
força militar;
- Mil em Op em Confrontos/Conflitos políticos: melhorar, conter, dissuadir, coagir e destruir;
- Coligação, a “cola” que a Mnt unida é o inimigo comum e não o resultado político;
Utl Força - Ideias Guerra Industrial:
- GI tem como objetivo a destruição da capacidade de resistência do adversário;
- A sua antítese permite aos militarmente fracos enfrentarem fortes com vantagem;
- Guerrilha (guerra pequena): emboscadas/incursões, não domínio do terreno, Atq com rapidez/surpresa,
depedência do apoio do povo (moral e material);
- O sistema nervoso da guerrilha é comparado com as plantas rizomatosas. Os rizomas são erradicados
por 3 métodos: - desenterrando-os, - removendo os nutrientes do solo; ou - inoculando as raízes com veneno.
- Paradoxo da antítese da guerra industrial conduzida com êxito por revolucionários: evolui para um
ponto no qual se funde com o paradigma convencional.
- O poder de uma força militar compõe-se de 3 fatores: os meios, o modo como são utilizados e a vontade
que os mantêm (Capacidade= Meios x 2Modo x 3Vontade)
- Avaliação de uma Força nunca é absoluta, Michell Focault: “...o poder é uma relação, não uma posse”.
- Vontade  Moral (liderança + disciplina + camaradagem)
- Conceitos de guerra ultrapassados: buscam soluções tecnológicas para ameaças de natureza bélica
industrial x novas ameaças;
- 5 pressupostos de qualquer operação militar: - Iniciar e manter a análise da força adversaria; - Identificar
e declarar o propósito e objetivos da operação; - Limitar os riscos da linha de ação escolhida; - Dirigir e
coordenar o esforço global; e - Constituir e manter a vontade de vencer;
- Sit atual: o que está em causa é a vontade do povo, Ini opera em guerrilha, devem ser criadas/mantidas
condições para uma governança aceitável  dificuldade em adequar os pressupostos;

Utl Força - Ideias Guerra entre o Povo:


- o novo inimigo não possui um exército constituído ou formal;
- As novas ameaças não são diretamente contra os Estados ou territórios, mas sim à segurança dos povos
e ao modo de vida;
- Onipresença da Mídia no TO (deve ser parte integrante de planejamento);
- O povo não é inimigo, o inimigo encontra-se entre o povo;
- Para vencer este combate, objetivo primordial, a conquista da vontade do povo;
- 3 Regras de Rupert Smith (desde a Guerra do Golfo): - Em todas as iniciativas, garantir que existe
objetivo/propósito comum; - Garantir equidade no risco e no benefício; e - Conduzir as forças com base na
boa vontade para com todos os aliados;
- Conclusão, Análise do Planejamento, 2 conjuntos de perguntas;
- 1º: Contexto geral da operação (níveis político e estratégico): - Vamos usar as nossas leis ou a deles? -
Quem vai administrar o estado?
- 2º: Contexto da conduta (nível teatro de operações): - Como podemos ter a certeza de confiar no
adversário e no povo? - Como mostramos que o nosso resultado é melhor para o povo e para o adversário?
- A dificuldade na conduta das Op modernas reside na congregação dos esforços de todas as entidades do
teatro de operações com um propósito;
- A melhor forma de travar a guerra entre o povo é uma operação de inteligência e informação, não como
uma operação de manobra e atrito, à maneira industrial;
- Emprego da Força com legalidade, moralidade e em Operações Interagências;
- Modificar/formar as intenções do Povo para vencer o “choque de vontades”;
- Se operarmos taticamente à margem da lei, prejudicamos o nosso próprio objetivo estratégico (Ex:
prisões de Abu Ghraib - Bagdá e Guantánamo - Cuba);
- Obj Mil Estratégico  deve descrever o Estado Final Desejado (A arte está em ver a campanha como
um todo, desde o início);
- Necessidade atual de adaptar abordagens e instituições;
Geopolítica e Modernidade – Ideias Pcp:
- Geopolítica é a aplicação do Poder do Estado ao espaço geográfico que ocupa (território);
- Ramos do conhecimento que compõe a Geopolítica: o geográfico, o politico e o histórico;
- “A Geopolítica corretamente aplicada, é uma fonte de poder”;
- Avaliar como o impacto da modernização (inovações revolucionárias nas áreas da CIT - ciência,
informática e tecnologia), nos últimos 50 anos, pode influir no Poder do Estado;
- Fator Geográfico para formulação da Geopolítica na Modernidade:
- Espaço geográfico natural - politicamente enriquecido por instrumentos e adaptações artificiais (pontes e
túneis), superação para os obstáculos do meio natural
- Dos Espaços Naturais se desenvolvem Espaços Artificiais;
- Rapidez dos Transportes (encurtamento de distâncias) + Fluxos Eletrônicos (aproximação dos contatos)
- Homem ativo da modernidade - domínio do espaço: aéreo, estratosférico e sideral;
- Superpovoamento - novas preocupações: poluição e preservação do meio ambiente;
- Fator Político para formulação da Geopolítica na Modernidade:
- “Política é Poder”, Sociólogo Fra Maurice Duvenger (Poder para perseguir objetivos políticos);
- Poder (Geografia + Política + História = visão prospectiva sobre os acontecimentos futuros);
- Presença do Poder Extraterritorial levando a Info que interessa da: sua cultura, sua Pol e sua Eco;
- Interferência vertical, “Colonialismo tecnológico” (estados poderosos) x tradicionais meios de proteção
territorial dos demias estados (incapazes de impedir a “invasão”);
- “O Espaço dos Estados devem crescer com a sua cultura” (sintomas da expansão: ideias, intercâmbio
comercial, atividades missionárias);
- Fator Histórico para formulação da Geopolítica na Modernidade:
- Giovanni Vico, Ita, inovador dos estudos da ciência histórica - caráter orgânico da história da sociedade
humana (reintegrar as diversas forças e fatores que compõe a vida humana);
- Teorias etnocentristas e geocentristas (negam às sociedades de raças não brancas a capacidade de virem
a criar uma civilização);
- Síntese da Geopolítica na Modernidade:
- Fator Geográfico - dois aspectos principais: a extensão e a posição de um país;
- Extensão tem peso político quantitativo (quanto a população e riquezas naturais que pode abrigar);
- O Estado luta por áreas valiosas: litoral, planícies, regiões ricas em recursos (Ex: Amazônia Azul, Seg
alimentar e recursos minerais);
- “A fronteira é o órgão periférico do Estado” (Ex: SISFRON);
- “Regiões despovoadas são áreas suscetíveis à presença de imigrantes/forasteiros e passíveis de
movimentos subversivos e revolucionários” (Ex: estratégia da presença nacional);
- Fator Político: influência dos fatores tempo e espaço (atingidos com intensidade desigual pela CIT
moderna)
- Fator Histórico: enriquecido nos últimos séculos por novos métodos de interpretação
- Síntese de 70 anos de Pensamento Geopolítico Brasileiro:
- A ideia de império, inspirada na grandeza territorial e na missão de desbravá-lo;
- A necessidade de uma política de interiorização;
- Aumentar a importância do desenvolvimento e da defesa da região amazônica;
- O grau de valor da nossa maritimidade;
- O desenvolvimento aeronáutico (indispensável para a integração nacional);
- Uma política de Dsv econômico, social, cientifico e tecnológico, abrangente para todo o território;
- Ter uma força militar de dissuasão estratégica, capaz de desencorajar ambições internacionais (em face
do patrimônio geográfico e suas riquezas inexploradas);
- Uma visão para a nossa Geopolítica Futura:
- “de pé no passado, vivendo o presente, nos debruçamos no futuro”, filósofo Spengler;
- Permanece a preocupação com a integridade territorial e com interiorização;
- Problemas atuais: infraestruturas (iniciadas e não acabadas), questão da energia (inibe o progresso
econômico e social) e o desinteresse do Min Educação com o ensino da Educação Moral e Cívica.
RESUMO 04: INTRODUÇÃO À ESTRATÉGICA
AUTOR: ANDRÉ BEAUFRE
ANO DA PUBLICAÇÃO: 1998

André Beaufre, Introdução a Estratégia


Capítulo 1

Finalidade da estratégia

Pode-se admitir que a finalidade da estratégia é atingir os objetivos fixados pela política, utilizando da melhor
maneira os meios de que se dispõe. Ora, tais objetivos podem ser ofensivos (conquista, impor a aceitação de
tais e tais condições onerosas), defensivos (proteção do território ou de tais e tais interesses), ou mesmo
visarem simplesmente ao status quo político. Vê-se, desde já, que fórmulas como a atribuída a Clausewitz, de
"a decisão pela batalha vitoriosa", por exemplo, não se podem aplicar a todos esses objetivos. Pelo contrário, a
única lei geral englobando-os todos é a que, afastando qualquer noção de meio pelo qual a decisão seria
obtida, não considera mais que a essência mesmo da decisão procurada. Essa decisão é a aceitação pelo
adversário das condições que se lhe quer impor. Em tal dialética de vontades, a decisão é um acontecimento
de ordem psicológica que se quer produzir no adversário": convencê-lo de que engajar-se ou prosseguir na
luta é inútil.

Naturalmente, tal resultado poderia ser atingido pela vitória militar, mas esta muitas vezes não é
indispensável; frequentemente, é mesmo irrealizável (caso dos felagas, Combatente argelino ou tunisiano nas
guerras de independência contra a França nas décadas de 1950-60., por exemplo), enquanto que outros meios
(viu-se bem nesse caso) podem ser eficazes. Recolocando o problema em seu verdadeiro terreno, que é o da
psicologia do adversário, estamos em condições de apreciar corretamente os fatores decisivos. Assim, de um
só golpe, encontramo-nos em um sistema de pensamento que engloba tanto a vitória militar como a estratégia
da dissuasão nuclear, que se diz nova.

Lenin, analisando Clausewitz, havia proporcionado uma definição, bastante citada, que reconhece plenamente
o caráter psicológico da decisão: "retardar as operações, até que a desintegração moral do inimigo torne ao
mesmo tempo possível e fácil desfechar o golpe decisivo". Mas ele pensava como revolucionário e somente
via a ação política atuando como uma espécie de preparação de artilharia de caráter moral. Era o inverso da
concepção romântica e militar de Clausewitz, na qual o moral inimigo era quebrado por meio de uma vitória
militar. A fórmula geral, também, parece-me ser a seguinte: obter a decisão, criando e explorando uma
situação que leve a uma desintegração moral do adversáno, suficiente para fazê-lo aceitaras condições que se
lhe quer impor.

Meios da estratégia

O estudo dos meios da estratégia permite ainda melhor colocar em evidência a forma de raciocínio que lhe é
própria.

Para atingir a decisão, a estratégia vai dispor de uma gama de meios materiais e morais, indo do bombardeio
nuclear à propaganda, ou ao tratado de comércio. A arte consistirá em escolher entre os meios disponíveis, e
em combinar sua ação, para fazê-los concorrer para um mesmo resultado psicológico, suficientemente eficaz
puta produzir o efeito moral decisivo.

A escolha dos meios vai depender de uma confrontação entre as vulnerabilidades do adversário e as nossas
possibilidades. Para fazer isto, é preciso analisar o efeito moral decisivo. Quem se quer convencer? Em última
análise, é o Governo adverso que se quer convencer; mas, segundo o caso, será mais fácil agir diretamente
sobre os dirigentes (Chamberlain em Bad Godsberg ou em Munique), escolhendo os argumentos aos quais
eles serão sensíveis; ou, ao contrário, agir indiretamente sobre tal ou tal parte da opinião que tem alavancagem
sobre o Governo, ou sobre um Governo aliado que goze de forte influência, ou sobre a ONU, por exemplo. Se
o que está em jogo é pouco, tais pressões podem bastar. Se o que está em jogo é mais importante, ações de
força podem ser necessárias.

Ainda assim a escolha dos meios deve ser perfeitamente adaptada às possibilidades amigas e às
vulnerabilidades adversas: a vitória militar clássica, por exemplo, pode estar fora de alcance, ou ser demasiado
perigosa. Neste caso, escolher-se-ia um levante re¬volucionário, destinado a levar a uma intervenção
internacional, (como nos sudetos, antes de Munique), um levante revolucionário capaz de mudar o Governo
(como em Praga, em 1950), uma pressão económica apoiada (como nas sanções económicas contra a Itália,
em 1935), ou uma longa campanha de guerrilhas, combinada com uma ação internacional (como no Vietmine
e nos felagas)? Quais serão as ações possíveis, as mais suscetíveis de influenciar decisivamente a psicologia
dos dirigentes adversos? Se, enfim, uma ação militar dever ser empreendida, qual será seu objetivo? Será
neces¬sário "destruir" as Forças Armadas adversas, seguindo a fórmula clau-sewitziana? Será isso possível?
E, se não for, bastará um êxito local (campanha da Criméia, em 1854); e qual? Que categoria de Forças
Armadas ou que região geográfica passa por ser decisiva, sob o ponto de vista do adversário (a Marinha e a
Aviação, na Inglaterra, o Exército, na França etc)? Será indispensável, ou inútil, tomar a capi¬tal? Bastará
ameaçar destrui-la? etc. Pode-se, assim, levar a análi¬se cada vez mais longe, até que se tenham encontrado os
meios ao nosso alcance, capazes de levar à decisão buscada.

Elaboração do plano estratégico

Vai-se, então, poder realizar a elaboração do plano estratégico. Trata-se de uma dialética. Em consequência, é
preciso preverás possíveis reações adversas, para cada uma das ações que se tem em vista; e assegurar-se a
possibilidade de fazer face a cada uma delas. Essas reações podem ser internacionais ou nacionais, morais,
polí¬ticas, económicas ou militares. Ações sucessivas e possibilidades de parada devem ser montadas num
sistema visando a conservar o poder de desenvolver seu plano, a despeito da oposição adversa. Se o plano for
bem feito, nele não deverá mais haver áleas. A mano¬bra estratégica, visando a conservar a liberdade de ação,
deve ser "contra-aleatória". Naturalmente, ela deve ter em vista, claramente toda a sequência de
acontecimentos que levam à decisão; o que, diga-se de passagem, não foi o caso do nosso lado, nem em 1870,
nem em 1939, nem na Indochina, nem na Argélia. Acrescentemos, ainda, que o esquema da dialética dos dois
adversários complica-se com a existência do contexto internacional. O peso dos aliados e mesmo dos neutros
pode mostrar-se decisivo (como em Suez). Por tê-lo mal compreendido, a Alemanha perdeu duas guerras,
atraindo a hostilidade da Grã-Bretanha (invasão da Bélgica) e dos Estados Unidos (guerra submarina). A
avaliação correta da liberdade de ação rwultante da conjuntura internacional constitui, assim, elemento, capital
da estratégia, sobretudo desde que o poder atómico reforçou, de forma extraordinária, a interdependência das
nações.

Modelos estratégicos

Assim sendo, de acordo corn os meios relativos dos dois ad¬versários, e segundo a importância do que está
em jogo, o plano estratégico se ordenará segundo diversos modelos, dos quais se irá examinar os mais
característicos.

1. Caso se disponha de meios muito poderosos (ou se a ação que se tem em vista pode colocar em jogo fortes
meios de nações aliadas), e se o objetivo é modesto, a simples ameaça de emprego desses meios pode levar o
adversário a aceitar as condições que se lhe quer impor; e, ainda mais facilmente, a renunciar a pretensões de
modificar o status quo estabelecido. Este modelo, de ameaça direta, é o que conhece atualmente grande voga,
graças à existência da arma atómica, e que serve de base para o imponente edifício da estratégia de dissuasão.

2. Se, ao contrário, o objetivo permanecendo modesto, não se dispõe de meios suficientes para constituir uma
ameaça decisiva, procurar-se-á a decisão por meio de ações mais ou menos insidiosas, de caráter político,
diplomático ou económico. Este modelo de pressão indiretafoi largamente empregado nas estratégias hitle-
riana e soviética, menos devido à fraqueza de seus meios de coerção, que em virtude da dissuasão decorrente
da ameaça direta das forças adversas. É uma estratégia que corresponde aos casos em que a margem de
liberdade de ação da força é estreita.
3. Se, estreita a margem de liberdade de ação e limitados os meios, o objetivo é importante, procurar-se-á a
decisão através de uma série de ações sucessivas, combinando, segundo a necessida¬de, a ameaça direta e a
pressão indireta com ações em forças limitadas. Este modelo, de ações sucessivas, foi ilustrado por Hitler, de
1935 a 1939, mas somente deu resultado enquanto o objetivo pare¬ceu de interesse menor. Ao contrário,
quando o "mordiscar" põe em jogo objetivos vitais, o modelo desagua, necessariamente, num gran¬de
conflito. Com as particularidades decorrentes de sua situação insular, a Grã-Bretanha, geralmente, usou esta
estratégia de aproxi¬mação indireta, que Liddell Hart reformulou em nossos dias, de for¬ma muito explícita.
Ela adapta-se, em particular, ao caso de nações defensivamente fortes (ou bem protegidas peia Natureza),
desejosas de obter progressivamente grandes resultados, engajando ofensivamente apenas meios reduzidos. As
guerras europeias do século XVIII têm mais comumente o caráter de aproximação indireta por meio de ações
sucessivas, porque os meios empregados eram rela¬tivamente muito limitados.

4. Se a margem de liberdade de ação é grande, mas os meios disponíveis excessivamente fracos para obter
uma decisão militar, pode-se recorrer a uma estratégia de conflito de longa duração, visando a promover a
usura moral, a lassidão do adversário. Para poder durar, os meios empregados serão muito rústicos, mas a
técnica de emprego (geralmente uma guerra total apoiada sobre uma guerrilha generalizada) obrigará o
adversário a um esforço bem mais considerável do que ele poderá suportar indefinidamente. Este modelo de
luta total prolongada de fraca militar foi geralmente empregado com sucesso nas guerras de descolonização.
Seu teórico principal é Mao-Tsé-tung. Observemos que esta estratégia, que exige considerável esforço moral
de parte de quem toma a iniciativa, pressupõe forte elemento passional e muito boa coesão da alma nacional.
Assim, ela corresponde o mais com-pletamente possível às guerras de liberação. Mas ela somente tem chances
de sucesso se o que está em jogo entre as partes é bem desigual (caso das guerras de descolonização), ou bem
ela se beneficia de intervenções armadas (caso das guerras de liberação, na Europa, entre 1944-45, e na
Espanha, em 1813-14) às quais elas servem de reforço.

5. Se os meios militares de que se dispõe são bastante poderosos, procurar-se-á a decisão pela vitória militar,
em conflito violento e, se possível, curto. A destruição das forças adversas na batalha pode ser suficiente,
sobretudo se o que está em jogo não é demasiado vital para o adversário. Caso contrário, a ocupação de todo
ou de parte do território deverá materializar a derrota aos olhos da opinião pública, para fazer-lhe admitir as
condições impostas. Na¬turalmente, a capitulação moral do vencido poderá ser grandemente facilitada, na
hipótese de se dispor de quintas-colunas simpatizantes, como foi o caso nas vitórias da Revolução Francesa e
de Napoleão. Essas quintas-colunas poderão mesmo desempenhar papel importante para ajudar as operações
militares. Tal modelo de conflito violento visando à vitória militar corresponde à estratégia clássica do tipo
napoleônico. Seu teórico principal, frequentemen¬te traído por seus exegetas, demasiadamente impregnados
de uma espécie de romantismo wagneriano, é Clausewitz. Ela dominou a estratégia europeia do século XIX e
da primeira parte do século XX. Considerada, erroneamente, como a única estratégia ortodoxa, engendrou as
duas grandes guerras mundiais, de 1914-18 e de 1939-45, que, todas duas, colocaram em evidência os limites
do conceito clausewitziano-napoleônico: a decisão não pode ser conseguida pela operação, sob certos aspectos
cirúrgica, da vitória militar, a menos que as possibilidades militares do momento permitam obter,
rapi¬damente, uma vitória militar completa. Ora, esta condição - ver-se-á mais adiante, quando se tratar da
estratégia operacional - não existe, a não ser em certos momentos da evolução da tática e das operações. No
intervalo entre esses períodos favoráveis, a estratégia clausewitziana não consegue mais que opor, em
gigantescos conflitos militares, adversários que se equilibram (estabilização do fim de 1914, vitória
continental alemã de 1940, que não pode transpor a Mancha e se atola em uma impossível campanha da
Rússia). Nesse caso, a decisão somente ocorre após uma fase de usura recíproca, prolongada e desmesurada
em relação ao que está em jogo, após a qual, vencedor e vencido saem do conflito inteiramente esgotados.
Além disso, é interessante assinalar que o esquema já fora aplicado a Napoleão, por causa de sua impotência
para resolver os problemas inglês e russo. Mas Clausewitz e seus alunos haviam sido obnubilados pelas
vitórias do Imperador, a ponto de lhe desconhecerem os limites. Esse erro intelectual, provavelmente, custou à
Europa sua preeminência no mundo.