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SDDS 1917

AQUELE TEMPO É QUE ERA BOM

O COMUNISMO PREVALECERÁ

RIO DE JANEIRO, 18 DE MARÇO DE 2017 * ANO I * Nº 0

AI, Q SDDS D 1917

MANIFESTO ZAPATISTA

[or. em Nahuatl | traduzido do espanhol]

Hermanos e Hermanas, não morrerá a flor da palavra. Poderá morrer o rosto oculto de quem a nomeia hoje, mas a palavra que veio desde as profundezas da história e da terra já não poderá ser arrancada pela arrogância do poder.

já não poderá ser arrancada pela arrogância do poder. le napalm coule et moi je roule

le napalm coule et moi je roule Mao Mao

Nós nascemos da noite. Nela vivemos. Morreremos por ela. Mas a luz será manhã para os demais, para todos aqueles que hoje choram à noite, para quem tem o dia negado, para quem a morte está presente, para quem tem a vida proibida. Para todos a luz. Para todos, tudo. Para nós a dor e a angustia, para nós a alegre rebeldia, para nós, nada. Nossa luta é para que possamos ouvir, e o mau governo grita arrogância e tapa com canhões os seus ouvidos. Nossa luta é contra a fome, e o mau governo tampa os estômagos de nossos filhos com papel. Nossa luta é por um teto digno, e o mau governo destrói a nossa casa e a nossa história. Nossa luta é pelo saber, e o mau

governo reparte ignorância e desprezo. Nossa luta é pela terra, e o mau governo oferece cemitérios. Nossa luta é por um trabalho justo e digno, e o mau governo compra e vende corpos e vergonhas. Nossa luta é pela vida, e o mau governo oferta a morte como futuro. Nossa luta é

pelo respeito a nosso direito de governar e de nos governarmos, e o mau governo impõe aos muitos a lei de poucos. Nossa luta é pela liberdade para o pensamento e para o caminhar, e o mau governo impõe cárceres e tumbas. Nossa luta é pela justiça, e o mau governo se enche de criminosos e assassinos. Nossa luta é pela história, e o mau governo propõe o esquecimento. Nossa luta é pela Pátria, e

o mau governo sonha com bandeira e

língua estrangeiras. Nossa luta é pela paz, e o mau governo anuncia guerra e destruição.

Teto, terra, trabalho, pão, saúde, educação, independência, democracia, liberdade, justiça e paz. Estas foram nossas bandeiras na madrugada de 1994. Estas foram nossas demandas na longa noite dos 500 anos. Estas são, hoje, as nossas exigências. Nosso sangue e nossa palavra incendiaram um fogo pequenino na montanha e caminhamos rumo à casa do poder e do dinheiro. Hermanos e

Hermanas de outras raças e outras línguas,

de outra cor e mesmo coração, protegeram

nossa luz e nela beberam seus respectivos fogos. Veio o poderoso para nos apagar com seu sopro forte, mas nossa luz cresceu com outras luzes. Sonha o rico em apagar a primeira luz. É inútil, há muitas luzes e todas são as primeiras.

P E R G U N T A S

D E

U M

Quem construiu a Tebas de sete portas? Nos livros estão nomes de reis:

Arrastaram eles os blocos de pedra?

E a Babilônia várias vezes destruída

Quem a reconstruiu tantas vezes?

Em que casas da Lima dourada moravam os

construtores?

Para onde foram os pedreiros, na noite em que a

Muralha da China ficou pronta?

A grande Roma está cheia de arcos do triunfo:

Quem os ergueu? Sobre quem triunfaram os Césares?

A decantada Bizâncio

Tinha somente palácios para os seus habitantes?

Mesmo na lendária Atlântida Os que se afogavam gritaram por seus escravos Na noite em que o mar a tragou?

T R A B A L H A D O R

Q U E

Na noite em que o mar a tragou? T R A B A L H A

a rose is a rose is a rose

O jovem Alexandre conquistou a Índia. Sozinho?

César bateu os gauleses. Não levava sequer um cozinheiro?

Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada naufragou. Ninguém mais chorou?

Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos. Quem venceu além dele?

FUZIL | RITA CATALGAN

sim, gosto muito de Fidel charutos excelentes ninguém mais dorme de barriga vazia por aqui amável quando não destrava o fuzil

não, não gosto dos yankees cheiram a supermercado e fuzil amam notas e propriedades correntes e mulheres acorrentadas

amam notas e propriedades correntes e mulheres acorrentadas mundo mundo vasto mundo mais vasta é a

mundo mundo vasto mundo mais vasta é a reforma agrária

sim, gosto de meu amor, quando me penetra sonhamos juntos uma Terra toda ilha de Cuba, mas sem fuzis, não gosto de fuzis

L Ê

|

B E R T. B R E C H T

Cada página uma vitória. Quem cozinhava o banquete?

A cada dez anos um grande Homem. Quem pagava a conta?

Tantas histórias.

Tantas questões.

TODA EDIÇÃO UM TRECHO ALEATÓRIO DE KARL MARX!

“Considerando-se o capital excedente, o capitalista representa o valor-para-si, dinheiro num terceiro momento, riqueza mediante a simples apropriação de trabalho alheio, na medida em que cada momento do capital excedente, material, instrumento e meios de subsistência, se resolve em trabalho alheio que o capitalista apropriou não por meio da troca, por valores existentes, mas que apropriou sem troca.”

cartas para a redação: sdds1917@gmail.com

SDDS 1917

ANA MARIA BRAGA E IDA SANDES TENTAM BOTAR PETKOVIC EM SAIA JUSTA, MAS O SÉRVIO É BOM DE FALTA

ANA MARIA BRAGAComo é que é ter nascido em um país [socialista] com tantas dificuldades?

PETKOVICQuando eu nasci não tinha

dificuldade nenhuma

gente vivia um regime socialista, todo mundo bem, todo mundo com trabalho, com salário. Mas pro

Era um país maravilha. A

blemas aconteceram depois dos anos 1980

E

competia em tudo, tanto que eu posso dizer que sei

vôlei, ou tiro a meta, pingue-pongue, xadrez

IDA SANDES E em relação a suas experiências

jogar todos os esportes. Sou muito bom no

com futebol, na infância, lá na Sérvia [comunista]:

basquete

O futebol é a primeira paixão, e

que relação você pode fazer com relação às

fiquei

Depois da escola você ficava na rua, a

oportunidades que os jovens têm aqui no Brasil

gente tinha aqueles times de rua contra rua

[capitalista] com o futebol?

jogando, eu moro nessa rua, você na outra, vamos

PETBom, o Brasil é muito grande. Na minha infância a gente via um país socialista, então o

esporte tava presente, tinha tudo, e era uma época

A

muito bonita, muito rica em todas essas coisas

gente jogava futebol na rua o tempo todo, todos os

esportes nas escolas

A cada dia você tinha: um

dia futebol, outro dia basquete, outro handebol, ou

E competia

muito! Chegava em casa, “mamãe!” e ela pegava assim, com toda a roupa mesmo, jogava na banheira. E isso deveria ter aqui nas comunidades

bater uma bola, qual é a melhor rua

IDA [interrompendo] Pet, vou te interromper aqui, muito obrigada pela participação

vou te interromper aqui, muito obrigada pela participação os sandinistas estão chegando E ENTÃO, QUE QUEREIS?

os sandinistas estão chegando

E ENTÃO, QUE QUEREIS?

PERGUNTA VLAD. MAIAKÓVSKI

Fiz ranger as folhas de jornal abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo

de cada fronteira distante

subiu um cheiro de pólvora

perseguindo-me até em casa. Nestes últimos vinte anos nada de novo há

no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,

é certo,

mas também por que razão

haveríamos de ficar tristes?

O mar da história

é agitado.

As ameaças

e as guerras

havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio,

cortando-as

como uma quilha corta

as ondas.

COREIA DO NORTE DURANTE A GUERRA DA COREIA

O

herói Kang Ho-yunf foi seriamente ferido nos

dois braços e nas duas pernas durante a Batalha do

Monte Kamak, e foi então que atacou os inimigos rolando no chão com uma granada de mão na boca, gritando (logo antes de destroça-los): “Partiram- me os braços e as pernas. Mas o meu espírito de vingança contra os canalhas que vocês são tornou- se, em compensação, mil vezes mais forte. Vou mostrar pra vocês o ardor inquebrantável de um membro do Partido dos Trabalhadores da Coreia e sua vontade inflexível e firmemente empenhada em defesa do Partido e do Líder!”

O ‘MARXISMO VULGARDE RAFAEL ZACCA

diz o comercial:

ao apertar o coração de karl marx

o ludilumpesinato ouvirá

“uni-vos, uni-vos, uni-vos”

e mais nada

karl marx tem a fala arrebentada

e vermelha

como a garganta das coisas justas que passam

de mão em mão de boca em boca

uma espécie de reforma herpária

a boca da terra cheia de feridas

“uni-vos, uni-vos, uni-vos”

da terra cheia de feridas “uni -vos, uni-vos, uni- vos” em mim a anatomia ficou louca

em mim a anatomia ficou louca

O SENSO ESTÉTICO DE FERREIRA GULLAR

CANTADA

Você é mais bonita que uma bola prateada de papel de cigarro Você é mais bonita que uma poça dágua

límpida

num lugar escondido Você é mais bonita que uma zebra que um filhote de onça que um Boeing 707 em pleno ar Você é mais bonita que um jardim florido em frente ao mar em Ipanema Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás de noite mais bonita que Ursula Andress que o Palácio da Alvorada mais bonita que a alvorada que o mar azul-safira

da República Dominicana

Olha,

você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro

em maio

e quase tão bonita

quanto a Revolução Cubana

o coração de karl marx

é feito de borracha

desarticulado como as crianças

que não sabem dançar

e não guarda nada

a não ser essa frase

“uni-vos, uni-vos, uni-vos”

e muitas paródias, caricaturas

todas elas censuradas por quererem abolir

a propriedade privada

diz o comercial:

ao apertar

o coração de karl marx as crianças perdem

o juízo

a higiene

A PR

OL ET

ÁRIA

ROSA

LUX

A mulher do povo teve de trabalhar pesado desde sempre. Na horda bárbara ela carrega o peso, coleta alimentos; no povoado primitivo, planta e mói o cereal, faz panelas; na Antiguidade, como escrava, serve os senhores e amamenta os rebentos; na Idade Média, fiava para o senhor feudal. Mas, desde que existe a propriedade privada, na maioria das vezes a mulher do povo trabalha separada da grande oficina na produção social, ou seja, separada também da cultura, encurralada na estreiteza doméstica de uma pobre existência familiar. Foi apenas capitalismo que a arrancou da sua família e a colocou sob o fardo da produção social, empurrou-a para as lavouras de outrem, para as oficinas, construções, escritórios e lojas. Como mulher burguesa, a mulher é uma parasita da sociedade, sua função consiste apenas em auxiliar no consumo dos frutos da exploração; como pequeno-burguesa, ela é o animal de carga da família. E apenas na proletária moderna que a mulher se toma um ser humano, pois e apenas a luta que produz o ser humano, a participação no trabalho cultural, na história da humanidade. Proletária, a mais pobre dos pobres, a mais injustiçada dos injustiçados, vá a luta pela libertação do gênero das mulheres e do gênero humano do horror da dominação do capital. A social-democracia concedeu a você um lugar de honra. Corra para o front, para a trincheira!

do capital. A social-democracia concedeu a você um lugar de honra. Corra para o front, para

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