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Edson Rebouças Vasconcelos

ROTEIRO DE PROCEDIMENTOS E
PROCESSOS ADMINISTRATIVOS
• PRISÃO E AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO MILITAR (PAPFDM)
• PRISÃO E AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO COMUM (PAPFDC)
• INQUÉRITO POLICIAL MILITAR (IPM)
• INQUÉRITO POLICIAL (IP)
• TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA (TCO)
• INQUÉRITO TÉCNICO (IT)
• TERMO DE DESERÇÃO (TD)
• SINDICÂNCIA MILITAR (SM)
• ATESTADO DE ORIGEM (AO)
• INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM (ISO)
• COMISSÃO DE MERITORIEDADE (CM)
• PROCESSO REGULAR (PR)
• CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO (CJ)
• CONSELHO DE DISCIPLINA (CD)
• PROCESSO ADMINISTRATIVO-DISCIPLINAR (PAD)
• PROCEDIMENTO DISCIPLINAR (PD)
• RECOLHIMENTO TRANSITÓRIO (RT)
• NORMATIZAÇÕES COMPLEMENTARES (NC)

CONTÉM:
• VASTA LEGISLAÇÃO FEDERAL APLICÁVEL
• LEGISLAÇÃO MILITAR FEDERAL SUBSIDIÁRIA
• COMPLETA LEGISLAÇÃO MILITAR ESTADUAL
• EXTENSO GLOSSÁRIO COMPLEMENTAR
• TEORIA RESUMIDA E SEQUENCIAL
• COMPÊNDIO DOUTRINÁRIO E JURISPRUDENCIAL
• CERCA DE 340 MODELOS PRÁTICOS
Edson Rebouças Vasconcelos
Tenente-Coronel da Ativa da Polícia Militar do Ceará
Bacharel em Direito pela Universidade Regional do Cariri - URCA
Especialista em Direito Público e Privado pela UNIGRANRIO
Especialista em Segurança Pública pela PMRN
Possuidor do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais/PMCE
Possuidor do Curso Superior de Polícia/PMRN
Instrutor nos Cursos de Formação e de Habilitação de Oficiais e
Praças
Instrutor dos Alunos da Guarda Municipal de Fortaleza
Autor, Có-autor e Organizador dos seguintes trabalhos:
1 – Manual de Otimização e Procedimento Policial
2 – Estudo das Leis e das Espécies de Atos Administrativos –
Influência na Administração das Organizações Militares Estaduais
3 – Do Processo Regular Disciplinar e dos Procedimentos
Incidentes
4 – Coletânea de Leis da Polícia Militar do Ceará

ROTEIRO DE PROCEDIMENTOS E
PROCESSOS ADMINISTRATIVOS

CONTÉM VASTA LEGISLAÇÃO VIGENTE: FEDERAL (Constituição Federal


de 1988, Código Penal Militar, Código de Processo Penal Militar, Código
Penal, Código de Processo Penal, Código Civil, Código de Processo Civil,
Jurisprudências e Súmulas) e ESTADUAL DO CEARÁ (Estatuto e Código
Disciplinar dos Militares, Leis, Decretos, Regulamentos, Regimentos, Atos
Normativos e Portarias), Compêndio Doutrinário e Jurisprudencial,
DENTRE OUTRAS.
• COM TEORIA RESUMIDA E SEQUENCIAL
• COM CERCA DE 340 MODELOS PRÁTICOS
FORTALEZA – CEARÁ
Copyright c 2007 by Edson Rebouças Vasconcelos

Revisão/colaboração/comentários/apresentação
Revisão jurídica, ortográfica e gramatical – José Carlos Teodoro da Silva –
Defensor Público Estadual - Apresentação: Dr. Oscar d’Alva e Souza Filho –
Procurador de Justiça – MP/CE, Editor da Revista Cearense Independente do
Ministério Público e Diretor Geral da Escola Superior do Ministério Público no Estado
do Ceará.

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. Proibida a reprodução total ou parcial, por


qualquer meio ou processo, salvo pequenos trechos, mencionando-se as fontes, e
modelos, a serem aplicados na execução dos procedimentos e dos processos
corriqueiros. A violação dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e
parágrafos do Código Penal Brasileiro) com pena de prisão e multa, busca e
apreensão e indenizações diversas (artigos. 101 a 110 da lei nº 9. 610, de 19 de
fevereiro de 1998 – Lei dos Direitos Autorais).

Editor Responsável: Edson Rebouças Vasconcelos


Capa: ___________
Editoração eletrônica: _______________
Impressão e Acabamento: ____________________

VASCONCELOS, Edson Rebouças


Roteiro de Procedimentos e Processos Administrativos - Edson Rebouças
Vasconcelos – Fortaleza – Ceará: Gráfica e Editora RDS, 2007.
_____ páginas.

Inclui Referências Bibliográficas

Consulta, correção, sugestão e críticas: tc.edson@bol.com.br


Há uma dúvida se é melhor sermos amados do que
temidos, ou vice-versa. Deve-se responder que
gostaríamos de ter ambas as coisas, sermos amados e
temidos; mas como é difícil juntar as duas coisas, se
tivermos que renunciar a uma delas, é muito mais seguro
sermos temidos do que amados (...), pois, dos homens,
em geral podemos dizer o seguinte: eles são ingratos,
volúveis, simuladores e dissimuladores; eles furtam-se
aos perigos e são ávidos de lucrar. Enquanto você fizer o
bem para eles, são todos teus, oferecem-te seus próprios
sangues, suas posses, suas vidas, seus filhos. Isso tudo
até o momento que você não tem necessidade. Mas,
quando você precisar, eles viram as costas.

Nicolau Maquiavel
NOTA DO AUTOR

A diversidade de nossas idéias não provém de serem umas


mais racionais do que as outras, mas apenas que nos
guiarmos pôr caminhos diferentes e de não considerarmos
as mesmas coisas.

René Descartes

Aprenda a construir todas as suas estradas no hoje, porque


o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o
futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

William Shakspeare

Todos estes subsídios jurídicos e técnicos visam fomentar não somente o


acervo dos militares e das organizações militares estaduais, para fins de estudos
(pesquisa e conhecimentos), como também difundir no seio das Corporações Militares
Estaduais de um modo em geral uma visão mais clarividente da realidade dos
procedimentos e processos administrativos, através da aplicação da lei e de seus
princípios, da irrestrita isenção na apuração dos fatos e na busca constante do
aperfeiçoamento, da recapacitação, da atualização e da aplicação correta de todos os
mecanismos apuratórios e coercitivos legais vigentes.
Os tópicos e padrões aqui apresentados não são estanques, não tem o
condão de esgotar as matérias, não são imodificáveis, muito menos, totalmente
inéditos. Seria uma precipitação da parte deste colaborador afirmar que estamos
encerrando os assuntos, dialéticos, observáveis sobre diversos aspectos e amplos por
natureza.
Todas as obras e autores pesquisados deram, direta ou indiretamente, uma
grande contribuição para a formatação deste trabalho. Alguns com modelos padrões já
colocados em prática nas diversas organizações militares e civis no Brasil e, na sua
grande maioria, adaptados a nossa realidade. Outros, por meio da apurada, seleta e
apaixonante doutrina jurídica.
No entanto, a luz dos regramentos jurídicos federais (Constituição Federal
de 1988, Código Penal Militar, Código de Processo Penal Militar, Código Penal,
Código de Processo Penal, Código Civil e Código de Processo Civil) dentre outras leis
especiais e principalmente, estaduais do Ceará (Novo Estatuto e o Novo Código
Disciplinar dos Militares, Leis, Decretos, Regulamentos e Portarias) além de outras
diversas regulamentações internas e de interesse dos militares estaduais do Ceará,
passamos a pesquisar, coletar dados, adquirir livros e coletâneas, augurar diminuir o
estágio da dúvida, tão comum ao homem, pela própria falibilidade humana que cada
um indistinta e individualmente apresenta, na busca incansável pelo conhecimento e
sua divulgação dentre esses militares.
Destarte, resolvemos elaborar um trabalho de atualização jurídica, que era
uma vontade, de idos de 1997, portanto, há uma década, para suprir uma grande
lacuna existente no seio da Administração e dos militares estaduais, que trata de um
estudo teórico e prático de vários dos procedimentos e processos administrativos que
são realizados “interna e externa corporis”, por força legal, que envolvem diretamente
as atividades administrativo-operacionais dos militares estaduais e que obedecem,
num todo, pelo menos “a priori”, a um padrão definido.
Porém, somente agora este trabalho está sendo realmente materializado,
principalmente, pela possibilidade de atualização normativa (Estatuto, Código
Disciplinar, Leis, Decretos, Regulamentos e Portarias) das Corporações Militares do
Estado do Ceará, vociferada pelos Poderes Executivo e Legislativo Estadual, cuja
vontade de torná-los atuais, passou por muitos projetos e durou cerca de 30 (trinta)
anos para sua real efetivação. Para se ter uma idéia, o antigo Estatuto da Polícia
Militar do Ceará datava de 20 de dezembro de 1976.
Podemos afirmar com toda a segurança que vivenciamos um momento
ímpar e de grandes conquistas de interesses coletivos. Más, muitas coisas ainda têm
por fazer, inclusive, propor alterações nos regramentos jurídicos que não vem dando
certo e que não atendem ao bem comum e geral e sugerirmos novos projetos de leis
visando à plena afirmação de nossas conquistas.
Aliados a tudo isso, a dificuldade que o militar estadual tem na sua
operação administrativa hodierna, muitas vezes, sem fonte de consulta, sem o devido
conhecimento das matérias, sem a certeza na aplicabilidade das novas leis, sem
noção de onde buscar algumas das respostas para a formatação do procedimento ou
do processo.
Nesse diapasão, é comum percebermos os olhares desses militares
estaduais que se entrecruzam na busca de quem realmente possa prestar uma
informação palpável e segura. Por isso, estamos tentando aliar a teoria à prática.
Visamos também, com uma grande amplitude, incentivar o estudo
investigativo das temáticas na origem da carreira militar estadual, ou seja, nas escolas
de formação de oficiais e praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar,
dimensionando tais discussões para os demais cursos, tais como: Curso de
Aperfeiçoamento de Oficiais, Curso Superior de Polícia, Curso de Preparação de
Instrutores, Cursos de Habilitações à Sub-tenente, à Sargento e à Cabo, dentre outros
cursos ou treinamentos que não obrigatoriamente, tenham que ser regulares.
Para isso, seguimos o ensinamento do renomado jurista Léo da Silva Alves,
que profetiza em uma de suas excepcionais obras: “Não há crime perfeito, há
investigação imperfeita. A dúvida, portanto, não resulta da falta de provas, mas da falta
de produção da prova” e “As academias de polícia dedicam, em regra, apenas 10 %
do tempo ao estudo das técnicas de investigação. O resultado é a pobreza de
raciocínio.”
Igualmente, não queremos aqui corroborar para o engessamento de tais
modalidades por via de teorias e modelos utopicamente imodificáveis, suprimindo a
capacidade individual e discricionária de cada encarregado ou responsável pelo
procedimento ou processo, desejamos sim, que essas informações sejam lapidadas,
discutidas e questionadas nas escolas de formação e nos demais quartéis, e que ao
final, possam servir de premissa basilar para um procedimento ou um processo bem
realizado, investigado, organizado, com conclusão coerente e obedecendo ao princípio
maior expresso no art. 37 “caput” da Carta Magna vigente, o princípio da legalidade.
Nos diversos capítulos, fomentados de teoria resumida e especialmente de
modelos práticos, estes, que recorremos nas situações emergenciais, procuramos
realizar de maneira didática uma auto-complementação, em que as partes dissecadas
nos capítulos formam um todo encadeado, suprindo carências entre si.
Explicamos essa tendência, tendo-se em vista, que muitos dos tópicos de
um determinado assunto, citados em um capítulo, poderão servir de base ou de
fundamento para respostas contidas em assuntos em um outro capítulo, e vive-versa,
especialmente, as conceituações, que muitas vezes, somente encontramos em
coletâneas ou dicionários jurídicos.
Por isso, a necessidade de uma leitura integral do trabalho ora proposto,
visando a aquilatação dos conhecimentos de forma dinâmica, intensa, integralizada e
motivadora. Porém, nada impede que façamos consultas rápidas, momentâneas e
dissipadoras de dúvidas que a toda hora surgem.
Ressalte-se, também, que temos por objetivo lapidar, que cada
organização policial ou bombeirística militar estadual, possa ser contemplada, para
carga em seu acervo, de um exemplar do trabalho, para que, no recanto mais
longínquo do Estado, um militar estadual, estando ou não a serviço, possa num
momento de pesquisa, de dúvida, de descontração, de questionamento, de
necessidade profissional, consultá-lo.
Nesse prisma, desejamos que todos os militares estaduais no dia-a-dia
político e jurídico da administração vociferem com consciência, responsabilidade e
conhecimento, todo o ordenamento legal aplicável às espécies. É a dinâmica cíclica do
conhecimento que não pode parar, sob pena de fracassarmos.
Esperamos que o trabalho alcance o fim proposto e que o acesso a leitura
possa ser realizado pelos militares estaduais desde os grupamentos até os grandes
comandos das corporações. Registre-se que o trabalho não se destina a jurista nem a
doutores das ciências jurídicas, mas poderá merecer a atenção daqueles que
necessitam de informações úteis e confiáveis.
Finalmente, não poderíamos obter sucesso na elaboração deste roteiro, se
é que assim podemos realmente conceituá-lo, para a consecução dos nossos
objetivos, sem que fizéssemos as devidas referências e citações de autores e de suas
obras, que estão devidamente elencadas em todo o trabalho, nos textos, nas notas de
rodapés e nas referências bibliográficas, obedecendo-se ao disposto nos artigos 8º,
inciso IV e 46, Inciso III, da lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1988 (Lei dos Direitos
Autorais – LDA).
HOMENAGEM ESPECIAL

A DEUS
A quem me dirijo humildemente, agradecendo por tudo que fiz, que pude
fazer, que tenho feito e que possuo, inclusive, a minha vida, a minha família e as
pessoas de boa-fé que me ajudaram e continuam me ajudando até hoje, as pessoas
de bem que me rodeiam. Para isso, cito uns Salmos Bíblicos que considero um dos
escritos mais fortes (Primeiro Livro – Salmo 7, p. 660):

(...) 7. Apelo à Justiça de Deus


Senhor, ó meu Deus, é em vós que eu busco meu refúgio;
salvai-me de todos os que me perseguem e livrai-me, para
que o inimigo não me arrebate como um leão, e me dilacere
sem que ninguém me livre.
Senhor, ó meu Deus, se acaso fiz isso, se minhas mãos
cometeram a iniqüidade, se fiz mal ao homem pacífico, se
oprimi os que me perseguiam sem motivo, que o inimigo me
persiga e me apanhe, que ele me pise vivo ao solo e atire
minha honra ao pó.
Levantai-vos, Senhor, na vossa cólera; erguei-vos contra o
furror dos que me oprimem, erguei-vos para me defender
numa causa que tomastes a vós. Que a assembléia das
nações vos circunde; presidi-a de um trono elevado.
O senhor é o juiz dos povos. Fazei-me justiça, Senhor,
segundo o meu justo direito. Ponde fim à malícia dos ímpios e
sustentai o direito, ó Deus de justiça, que sondais os corações
e os rins.
O meu escudo é Deus, ele salva os que têm o coração reto.
Deus é um juiz íntegro, um Deus perpetuamente vingador. Se
eles não se corrigem, ele afiará a espada, entesará o arco e
visará. Contra os ímpios apresentará dardos mortíferos,
lançará flechas inflamadas.
Eis que o mau está em dores de parto, concebe a malícia e
dá a luz a mentira. Abre um fosso profundo, mas cai no
abismo por ele mesmo cavado. Sua malícia recairá em sua
própria cabeça, e sua violência se voltará contra a sua fronte.
Eu, porém, glorificarei o Senhor por sua justiça, e salmodiarei
ao nome do Senhor, o Altíssimo.

A Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e a Nossa Senhora Aparecida


A quem também me dirijo humildemente, agradecendo as graças
alcançadas. Para tanto, cito 2 (dois) salmos que minha mãe amada Maria Lúcia recita
diariamente como milagrosos (Primeiro Livro, Salmos 22 e 120, p. 672 e 761):

(...) 22. Deus, pastor dos homens. O Senhor é meu pastor,


nada me faltará. Em verdes pastos ele me faz repousar.
Conduz-me junto às águas refrescantes, restaura as forças de
minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do
seu nome.
Ainda que eu atravessasse o vale escuro, nada temerei, pois
estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são os meus
amparos. Preparai para mim a mesa à vista de meus
inimigos.
Derramai o perfume sobre minha cabeça e transborda minha
taça. A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por
todos os dias da minha vida. E habitarei a casa do senhor por
longos dias.
120. Deus, guarda do seu povo. Para os montes levanto os
olhos: de onde me virá socorro? O meu socorro virá do
Senhor, criador do céu e da terra. Ele não permitirá que teus
pés resvalem; não dormirá aquele que te guarda. Não há de
dormir, nem adormecer o guarda de Israel.
O Senhor é teu guarda, o senhor é teu abrigo, sempre ao teu
lado. De dia, o sol não te fará mal; nem a lua durante a noite.
O Senhor te resguardará de todo o mal; ele velará sobre tua
alma. O Senhor guardará os teus passos, agora e para todo o
sempre.
APRESENTAÇÃO

É com inusitada satisfação que procedemos, presentemente, a


apresentação da obra ROTEIRO DE PROCEDIMENTOS E PROCESSOS
ADMINISTRATIVOS de autoria do Tenente-Coronel Edson Rebouças Vasconcelos de
nossa briosa e ativa Polícia Militar do Estado do Ceará.
O autor além de Oficial Superior de nossa PM/Ce é Bacharel em Direito
pela Universidade Regional do Cariri (URCA) e pós-graduado como Especialista em
Direito Público e Privado pela Universidade do Grande Rio. Concluiu Curso de
Aperfeiçoamento de Oficiais na PM/Ce e Curso Superior de Polícia junto a Polícia
Militar do Estado do Rio Grande do Norte. É um militar vocacionado pelas atividades
gerais da caserna e como estudioso do Direito e amante da causa da justiça busca
democratizar seus conhecimentos em atitudes engrandecedoras de seu caráter nobre
e de sua querida Instituição Militar.
A característica comum das instituições militares tem sido apontada
historicamente como o apego canônico à lei e ao Direito. A observância aos
regulamentos, estatutos, regramentos e ordenamentos, tudo isso revela uma atitude
rígida de respeito à ordem e a manutenção da paz social. Essa é, com certeza, a
grande diferença das instituições militares com relação às demais instituições sociais,
onde o elemento individualista e desagregador, quase sempre corrói o princípio da
disciplina e acaba por promover o caos e a desordem.
Sendo um militar de carreira e um jurista convicto, o autor tem a certeza
moral de que, mesmo na rigidez da caserna, algumas condutas desagregadoras se
efetivam e podem, se não forem de logo reprimidas pedagogicamente, constituir-se
em maus exemplos e em óbices ao compromisso social da instituição militar. Por isso,
o Ten-Cel Edson nos apresenta um eficiente ROTEITO DE PROCEDIMENTOS E
PROCESSOS ADMINISTRATIVOS onde traz à baila importantes considerações
práticas e doutrinárias nas mais diversas situações que os praças, Cabos, Sargentos,
Subtenentes, Tenentes e Oficiais Superiores encontram no dia a dia disciplinar e na
reivindicação legal de seus direitos e deveres.
O autor enriquece sua pesquisa com reflexões exemplares a partir do
exame do texto Constitucional de 1988 e suas Emendas, e ainda as disposições
codificadas do CPP, do CPB, do CPM e dos Códigos Civis substantivo e adjetivo. Traz
ainda ao cotejo da discussão jurídica o Estatuto e o Código dos militares, além de leis,
decretos e regulamentos da vida da corporação castrense.
A obra sob apresentação é de inafastável importância e atualidade,
sobretudo porque é sintonizada com o espírito principiológico do Estado Democrático
de Direito, que permite ao operador do direito e ao próprio Administrador Público a
aplicação do direito não apenas como um conjunto de regras frias e mecânicas, mas
com uma destinação humanizante que busca um conteúdo material de justiça social.
O autor, além de militar e jurista é um homem de fé. Humilde, invoca de
logo a proteção do Legislador Maior (Deus) e sob esse parâmetro tem certeza de que
poderá melhor honrar à sua Corporação e servir à Sociedade cearense.
A obra possui também grande extensão formal, pois trata de temas
específicos como a Prisão em Flagrante no CPP e no CPPM, das competências das
Justiças comuns, militar estadual e militar federal, das formalidades dos atos
processuais e dos Modelos que devem ser seguidos pelos militares na elaboração de
Portarias, Ofícios, Despachos, Guias, e comunicações protocolares com as suas
autoridades judiciárias e do MP.
A densidade do trabalho se constata e se positiva também pela fecunda
relação de obras consultadas, conforme se vê na Bibliografia apresentada.
Diga-se, mais que o autor é já conhecido e acatado no meio jurídico de
nossa cidade e de nosso Estado, em face da publicação de obra similar, denominada
“Do Processo Regular Disciplinar e dos Procedimentos Incidentes”, editada em 2006 e
que tem recebido intenso reconhecimento.
Acreditamos, pois, no inteiro sucesso desse lançamento editorial, ante sua
forma e o seu conteúdo jurídico didático e atualizado e em face da indiscutível
liderança e credibilidade intelectual e moral que tem o autor na comunidade jurídica do
Estado do Ceará.
Parabenizamos também à PM/Ce através de seu Comando Geral pela
contribuição relevante que nos oferece, através de seu Oficial Superior Tenente
Coronel Edson, militar e jurista que engrandece a corporação à qual dedica o melhor
de seu valor físico e intelectual.
Oscar d’Alva e Souza Filho
Procurador de Justiça do MP/CE
Diretor da Escola Superior do Ministério Público do Ceará
SUMÁRIO

CAPÍTULO I
PRISÃO E AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO MILITAR (PAPFDM)

I – Considerações Iniciais.....
II - Atividade de Polícia Judiciária Militar .....
III – Modalidades de Flagrante .....
1. Próprio .....
2. Impróprio ou quase-flagrante .....
3. Presumido ou ficto .....
IV – Princípios Constitucionais Aplicáveis.....
V – Sujeitos de Flagrante de Delito Militar e Competências .....
1. Sujeito ativo .....
2. Sujeito passivo .....
3. Crimes militares .....
1) Próprios .....
2) Impróprios .....
4. Competência da justiça militar federal e estadual .....
4.1 Jurisprudências .....
4.2 Dos tribunais militares .....
4.3 A reforma do judiciário .....
1) Formação dos conselhos .....
2) Atos disciplinares .....
VI – Formalidades na Elaboração do Auto de Prisão .....
1. Competência para a lavratura .....
2. Designação do escrivão .....
3. Inquirição do condutor, das testemunhas e do infrator .....
4. Recolhimento à prisão .....
5. Nota de culpa .....
6. Se houver envolvimento de menor .....
7. Preparação do relatório e remessa à autoridade competente.....
8. Liberdade provisória .....
9. Apresentação espontânea do militar estadual .....
10. Omissão de autoridade .....
11. Prisão não sujeita à administração militar .....
12. Competência dos crimes dolosos contra a vida .....
13. Nulidades do auto de prisão .....
14. Emprego da força e uso de algemas .....
15. Considerações gerais e fases do flagrante .....
VII – Relação os Delitos Militares em Tempo de Paz .....
1. Dos crimes contra a segurança externa do país .....
2. Dos crimes contra a autoridade ou disciplina militar .....
3. Dos crimes contra o serviço militar e o dever militar .....
4. Dos crimes contra a pessoa .....
5. Dos crimes contra o patrimônio .....
6. Dos crimes contra a incolumidade pública .....
7. Dos crimes contra à administração pública .....
8. Dos crimes contra a administração da justiça militar .....
VIII – Modelos .....
1. Modelo de capa e autuação .....
2. Modelo de portaria .....
3. Modelo de termo de designação e compromisso do escrivão .....
4. Modelo de nota de ciência das garantias constitucionais do preso .....
5. Modelo de auto de prisão em flagrante de delito militar ocorrido em presença de
autoridade ou contra ela.....
6. Modelo de auto de prisão em flagrante delito realizado em hospital .....
7. Modelo de auto de resistência .....
8. Modelo de despacho de juntada de documentos .....
9. Modelo de despachos diversos .....
10. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada) .....
11. Modelo de nota de culpa .....
12. Modelo de guia para recolhimento do preso .....
13. Modelo de ofício comunicando o juiz competente sobre a prisão .....
14. Modelo de ofício comunicando a esposa, pai, mãe ou irmão do autuado .....
15. Modelo de ofício de solicitação do extrato de assentamentos do autuado .....
16. Modelo de ofício de encaminhamento ao instituto médico legal para exame de
corpo de delito .....
17. Modelo de ofício ao diretor do instituto de criminalística, solicitando realização de
exame pericial .....
18. Modelos de atos do escrivão (certidão e conclusão) .....
19. Modelo de despachos diversos.....
20. Modelos de atos do escrivão (recebimento e juntada) .....
21. Modelo de auto de exame de corpo de delito indireto .....
22. Modelo de auto de exame de corpo de delito direto .....
23. Modelo de ofício de representação pela expedição de mandado de busca e
apreensão .....
24. Modelo de auto de apreensão .....
25. Modelo de nomeação de peritos em crime contra o patrimônio .....
26. Modelo de notificação de peritos avaliadores .....
27. Modelo de auto de avaliação de coisa .....
28. Modelo de termo de restituição de objetos .....
29. Modelo de atos de escrivão (certidão e conclusão) .....
30. Modelo de portaria de relatório do flagrante .....
31. Modelo de termo encerramento e remessa .....
32. Modelo de ofício de remessa do auto de prisão em flagrante ao juízo militar .....
33. Modelo de ofício de comunicação do auto de prisão em flagrante ao promotor de
justiça do juízo militar .....
34. Modelo de requerimento de relaxamento da prisão em flagrante ou de liberdade
provisória .....
35. Modelo de termo de apresentação espontânea de militar estadual .....

CAPÍTULO II
PRISÃO E AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO COMUM (PAPFDC)

I – Preâmbulo .....
II – Modalidades de Flagrante .....
III – Flagrante Irregular .....
1) Anulação do flagrante por defeito de lavratura .....
2) Anulação do flagrante por não cabimento perante a lei .....
IV – Outras Formas de Flagrante Delito .....
1. Flagrante esperado .....
2. Flagrante postergado ou retardado .....
3. Flagrante preparado .....
4. Flagrante forjado .....
V – Prisão em Flagrante nos Crimes Permanentes, Continuados e Habituais .....
1. Nos crimes permanentes .....
2. Nos crimes continuados .....
3. Nos crimes habituais .....
VI – Sujeitos, Imunidades e Prerrogativas .....
1. Sujeito ativo e passivo .....
2. Imunidades .....
1) Imunidade diplomática .....
2) Imunidade parlamentar ....
3. Prerrogativa de função .....
1) Presidente da república .....
2) Chefe do executivo estadual .....
3) Secretários estaduais .....
4) Prefeitos .....
5) Magistrados (desembargadores e juízes) .....
6) Membros do ministério público (procuradores e promotores de justiça) .....
7) Defensores públicos .....
8) Advogados .....
9) Militares federais e estaduais .....
10) Integrantes da polícia judiciária federal e estadual (polícia civil e federal) .....
4. Maioridade penal – polêmicas .....
5. Outros casos contidos em leis especiais .....
6. Autoridades e pessoas que detêm o direito a prisão especial .....
VII – Formalidades e Fases do Auto de Prisão .....
VIII – Relação dos Delitos Comuns de Maior Potencial Ofensivo (Conforme o
Código Penal) .....
1. Dos crimes contra a pessoa .....
2. Dos crimes contra o patrimônio .....
3. Dos crimes contra a propriedade imaterial .....
4. Dos crimes contra a organização do trabalho .....
5. Dos crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos .....
6. Dos crimes contra os costumes .....
7. Dos crimes contra a família .....
8. Dos crimes contra a incolumidade pública .....
9. Dos crimes contra a paz pública .....
10.Dos crimes contra a fé pública .....
11.Dos crimes contra a administração pública .....
IX – Modelos .....
1. Modelo de autuação .....
2. Modelo de portaria de nomeação de escrivão .....
3. Modelo de termo de designação de compromisso do escrivão .....
4. Modelo de auto de prisão em flagrante de delito comum – declaração do condutor
....
5. Modelo de auto de prisão em flagrante de delito comum – depoimento de
testemunha .....
6. Modelo de auto de prisão em flagrante de delito comum – interrogatório do
suspeito .....
7. Modelo de atos do escrivão (juntada e conclusão) .....
8. Modelo de despachos diversos .....
9. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada) .....
10. Modelo de nota de culpa .....
11. Modelo de ofício de solicitação de exame pericial ao instituto de criminalística .....
12. Modelo de ofício de solicitação de exame pericial ao instituto médico legal .....
13. Modelo de solicitação de auto de exames periciais .....
14. Modelo de atos do escrivão (juntada, certidão e conclusão) .....
15. Modelo de relatório .....
16. Modelo de ofício comunicando a prisão a pessoa indicada pelo preso .....
17. Modelo de ofício de remessa do auto de prisão em flagrante delito .....
18. Modelo de requerimento de relaxamento da prisão em flagrante .....

CAPÍTULO III
INQUÉRITO POLICIAL MILITAR (IPM)

I – Breves Comentários Sobre o IPM .....


II – Dos Procedimentos a Serem Adotados .....
1. Seqüência lógica dos atos administrativos .....
1) Medidas preliminares ao inquérito .....
2) Nomeação do escrivão .....
3) Ouvir o ofendido .....
4) Ouvir o indiciado .....
5) Ouvir as testemunhas .....
6) Proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e realizar acareações .....
7) Determinar e proceder a exame de corpo de delito .....
8) Determinar a avaliação de coisa subtraída, desviada, subtraída ou danificada .....
9) Proceder a buscas e apreensões .....
10) Proteção de testemunhas, peritos e ofendidos .....
11) Reconstituição dos fatos .....
12) Assistência de procurador para acompanhar o feito......
13) Reunião de peças num só processar .....
14) Encerrar com minucioso relatório .....
2. Outras providências e formalidades .....
1) Incomunicabilidade do indiciado .....
2) Detenção e prisão preventiva do indiciado .....
a) Da detenção .....
b) Da prisão preventiva .....
(1) Tratando-se de crime militar próprio .....
(2) Tratando-se de crime militar impróprio .....
3) Prazos para terminação do IPM e pedido de prorrogação .....
4) Proibição do arquivamento do inquérito e devolução dos autos para novas
diligências .....
5) Suficiência do auto de prisão e dispensa do inquérito .....
6) Tipificação penal .....
7) Detalhes processualísticos para evitar erros de elaboração (regras gerais) .....
III – Conceituações Processuais Complementares .....
1) Arresto .....
2) Bens irrestituíveis .....
3) Carta precatória .....
4) Carta rogatória .....
5) Cifra negra .....
6) Coisa julgada .....
7) Coisa julgada formal .....
8) Coisa julgada material ......
9) Confissão .....
10) Correição parcial .....
11) Defensor dativo .....
12) Delação do crime .....
13) Habeas corpus .....
14) Hipoteca legal .....
15) Litispendência .....
16) Mandado de injunção .....
17) Mandado de prisão .....
18) Mandado de segurança .....
19) Notícia do crime .....
20) Penhora .....
21) Prisão civil .....
22) Prisão disciplinar .....
23) Prisão penal .....
24) Seqüestro .....
25) Sub júdice .....
IV – Modelos .....
1. Modelo de capa e autuação ......
2. Modelo de portaria .....
3. Modelo de termo de designação de escrivão.....
4. Modelo de termo de compromisso de escrivão.....
6. Modelo de despachos diversos.....
7. Modelo de atos do escrivão (recebimento, juntada e carga dos autos).....
8. Modelo de ofício comunicando o recebimento dos autos e da nomeação de
escrivão.....
9. Modelo de ofício ao diretor do instituto médico legal.....
10. Modelo de ofício ao diretor do instituto de criminalística.....
11. Modelo de ofício ao juiz das varas de execuções penais .....
12. Modelo de ofício ao diretor de pessoal da PM/BM solicitando os extratos da fé de
ofício ou resumo de assentamentos.....
13. Modelo de ofício ao procurador-geral de justiça solicitando promotor de justiça
para acompanhar as investigações ......
14. Modelo de ofício ao comandante da OPM/OBM comunicando a realização de
reconstituição dos fatos .....
15. Modelo de ofício ao juiz de direito do juízo militar representando pela busca e
apreensão .....
16. Modelo de ofício ao juiz de direito do juízo militar representando pela prisão
preventiva ou temporária do indiciado .....
17. Modelo de termo de declarações do ofendido .....
18. Modelo de termo de qualificação e interrogatório do indiciado .....
19. Modelo de termo de depoimento de testemunha .....
20. Modelo de termo de compromisso de curador .....
21. Modelo de atos do escrivão (autenticação, certidão e conclusão) .....
22. Modelo de despachos diversos.....
23. Modelo de atos do escrivão (recebimento, juntada e carga de autos) .....
24. Modelo de ofício a autoridade instauradora suscitando a exceção de suspeição ou
impedimento do encarregado com despacho da mesma autoridade .....
25. Modelo de termo de abertura de novo volume .....
26. Modelo de ofício ao comandante de OPM/OBM solicitando apresentação do
indiciado para reconhecimento .....
27. Modelo de ofício ao ofendido ou testemunha para reconhecimento .....
28. Modelo de ofício a oficial para cumprir precatória .....
29. Modelo de termo de reconhecimento de pessoa ou coisa .....
30. Modelo de termo de acareação (espécie de reprodução simulada) .....
31. Modelo de termo de diligência .....
32. Modelo de ofício a autoridade delegante solicitando prorrogação de prazo .....
33. Modelo de auto de avaliação direta .....
34. Modelo de termo de reconstituição dos fatos em local de crime .....
35. Modelo de auto de busca e apreensão ......
36. Modelo de auto de reconhecimento de escrito .....
37. Modelo de auto de reconhecimento fotográfico .....
38. Modelo de atos do escrivão (autenticação, certidão e conclusão) ......
39. Modelo de relatório .....
40. Modelo de termo de encerramento e remessa .....
41. Modelo de oficio de remessa dos autos de IPM .....
42. Modelo de solução do IPM .....
43. Modelo de ofício de remessa dos autos ao juiz de direito do juízo militar .....
44. Modelo de requerimento de diligência no IPM .....
45. Modelo de requisição de instauração de IPM .....
46. Modelo de requerimento de instauração de IPM nos crimes de ação penal pública
incondicionada .....
47. Modelo de recurso contra indeferimento de instauração de IPM .....
48. Modelo de representação .....
49. Modelo de requerimento de instauração de IPM decorrente de sindicância militar
.....
50. Modelo de pedido de arquivamento .....
51. Modelo de requerimento de revogação de prisão preventiva .....
52. Modelo de requerimento de liberdade provisória ....

CAPÍTULO IV
INQUÉRITO POLICIAL (IP)

I – Notas Introdutórias .....


II – Atribuições no Inquérito Policial .....
1. Competência investigatória .....
2. Outros tipos de inquéritos .....
1) Inquérito policial militar (IPM) .....
2) Inquérito judicial (IJ) .....
3) Inquérito civil (IC) .....
4) Inquérito realizado pelas comissões parlamentares de inquérito (CPI) .....
5) Inquérito contido no regimento interno do supremo tribunal federal (STF) .....
6) Inquérito contido na lei de organização nacional da magistratura (LONM) .....
7) Inquérito contido na lei de organização nacional do ministério público (LONMP) ...
III – Elementos Identificadores do Inquérito Policial .....
1. Início do inquérito policial .....
1) No caso de ação pública incondicionada .....
2) Nio caso de ação pública condicionada .....
3) No caso de ação penal privada .....
2. Alguns detalhes importantes .....
1) No código penal .....
2) Na justiça federal e legislação extravagante .....
3) Prazos e indiciamento .....
IV – Procedimentos no Inquérito Policial, das Provas e Outras Perícias .....
1. No decorrer do procedimento .....
1) Inquérito policial .....
2) Indício .....
3) Prova testemunhal .....
4) Prova documental .....
5) Confissão .....
6) Suspeição .....
7) Arquivamento .....
8) Decisões .....
9) Envolvimento do juiz ou do promotor de justiça .....
10) Remessa do inquérito .....
2. Das perícias e outros exames .....
2.1 Da prova .....
1) Corpo de delito .....
2) Exame de corpo de delito .....
2.2 Outros exames periciais .....
3. Legislação a respeito de perícias .....
1) Disciplina legal .....
2) Corpo de delito .....
3) Realização de perícias .....
4) Intervenção dos peritos .....
5) Perícia contraditória .....
6) Laudos irregulares, falhos, omissos e nulos .....
7) Credibilidade da perícia .....
8) Peritos .....
9) Exames complementares .....
10) Lei n.º 8.862/94 (perícias e peritos oficiais) .....
4. Seqüência lógica do inquérito policial (peças) .....
V – Modelos .....
1. Modelo de boletim de ocorrência policial .....
2. Modelo de portaria de instauração de inquérito policial .....
3. Modelo de intimação para depoimento, declaração ou interrogatório .....
4. Modelo de carta precatória .....
5. Modelo de relatório .....
6. Modelo de requerimento de diligências no inquérito policial .....
7. Modelo de requisição de instauração de inquérito policial .....
8. Modelo de requerimento de instauração de inquérito policial nos crimes de ação
penal pública incondicionada .....
9. Modelo de recurso contra indeferimento de instauração de inquérito policial .....
10. Modelo de representação .....
11. Modelo de requerimento de instauração de inquérito policial nos crimes de ação
pública privada.....
12. Modelo de pedido de arquivamento .....
13. Modelo de requerimento de revogação de prisão preventiva .....
14. Modelo de requerimento de liberdade provisória sem fiança .....
15. Modelo de requerimento de liberdade provisória com fiança .....

CAPÍTULO V
TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA (TCO)

I – Aplicação da Lei n.º 9.099/1995 .....


1. Tópicos iniciais .....
2. Infrações penais de menor potencial ofensivo .....
1) Contravenções penais contidas em leis especiais .....
2) Código penal – tópicos sobre os delitos cujas penas máximas não sejam superior
a dois anos .....
II – Foco do Nosso Estudo .....
1. Artigo 69 da lei n.º 9.099/95 – autoridade policial .....
2. Doutrina que não reconhece o policial militar como autoridade policial .....
3. Doutrina que reconhece o policial militar como autoridade policial .....
4. Conclusões do autor .....
III – Relação dos Crimes de Menor Potencial Ofensivo e das Contravenções
Definidas no Código Penal e Legislações Especiais .....
1. Decreto-lei n.º 2.848/1940 – Código Penal .....
1.1 Dos crimes contra a pessoa .....
1.2 Dos crimes contra a propriedade imaterial .....
1.3 Dos crimes contra a organização do trabalho .....
1.4 Dos crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos .....
1.5 Dos crimes contra os costumes .....
1.6 Dos crimes contra a família .....
1.7 Dos crimes contra a incolumidade pública .....
1.8 Dos crimes contra a paz pública .....
1.9 Dos crimes contra a fé pública .....
1.10 Dos crimes contra a administração pública .....
2. Decreto-lei n.º 3. 688/1941 (Lei das contravenções penais) .....
2.1 Das contravenções referentes à pessoa .....
2.2 Das contravenções referentes ao patrimônio .....
2.3 Das contravenções referentes à incolumidade pública .....
2.4 Das contravenções contra à paz pública .....
2.5 Das contravenções contra à fé pública .....
2.6 Das contravenções contra à organização do trabalho .....
2.7 Das contravenções contra à polícia de costumes .....
3. Decreto-lei n.º 6.259/1944 (Loterias) .....
4. Lei n.º 8.069/1990 (Estatuto da criança e do adolescente – ECA) .....
5. Lei n.º 8.078/1990 (Código de defesa do consumidor – CDC ) .....
6. Lei n.º 9.503/1997 (Código de trânsito brasileiro – CTB) .....
7. Lei n.º 9.605/1998 (Meio ambiente) .....
8. Lei n.º 9.615/1998 (Lei do desporto/bingo) .....
9. Lei n.º 10.826/1998 (Estatuto do desarmamento) .....
10. Lei n.º 11.343/2006 (Nova lei antitóxicos) .....
IV – Providências Necessárias à Realização do TCO – Doutrina e Jurisprudência
.....
V – Modelos .....
1. Modelo de formulário de capa de ocorrência e autuação .....
2. Modelo de termo circunstanciado de ocorrência .....
3. Modelo de termo de representação .....
4. Modelo de termo de compromisso e comparecimento .....
5. Modelo de boletim de ocorrência ......
6. Modelo de autos .....
7. Modelo de tombo e de vistas .....
8. Modelo de designação de audiência .....
9. Modelo de certidão .....
10. Modelo de termo de audiência preliminar.....

CAPÍTULO VI
INQUÉRITO TÉCNICO (IT)

I – Conceituação .....
II – Tópicos Iniciais .....
III – Normas Procedimentais .....
1. Finalidade .....
2. Das formalidades do inquérito técnico .....
3. Procedimentos específicos do encarregado do inquérito técnico .....
1) Apuração de danos em material de armamento e munição .....
2) Apuração de danos em material de motomecanização .....
3) Apuração de danos em material permanente .....
4) Apuração de danos em material de comunicação .....
IV – Legislação de Trânsito Subsidiária .....
1) Conceito .....
2) Sistema nacional de trânsito .....
3) Órgãos normativos ......
4) Órgãos executivos .....
5) Órgãos rodoviários .....
6) Órgãos policiais .....
7) Juntas .....
8) Classificação da CNH .....
9) Classificação dos veículos .....
10) Do processo (crimes de trânsito) .....
V – 100 (Cem) Conceituações e Definições .....
1) Abalroamento .....
2) Acidente .....
3) Acordo .....
4) Acostamento .....
5) Alienação .....
6) Ampla defesa .....
7) Atropelamento .....
8) Avaliação .....
9) Automóvel .....
10) Autoridade de trânsito .....
11) Bem .....
12) Bicicleta .....
13) Bonde .....
14) Calçada .....
15) Caminhonete .....
16) Camioneta .....
17) Canteiro-central .....
18) Capotamento .....
19) Carro de mão .....
20) Carroça .....
21) Carga .....
22) Causa .....
23) Charrete .....
24) Choque .....
25) Ciclomotor .....
26) Colisão .....
27) Cobrança .....
28) Contraditório .....
29) Culpa .....
30) Dano .....
31) Dano de causa pessoal .....
32) Dano de causa técnica .....
33) Declaração .....
34) Descarga .....
35) Desmonte .....
36) Dispositivo de segurança .....
37) Dolo .....
38) Estrada .....
39) Extravio .....
40) Fiscalização .....
41) Força maior .....
42) Fortuito .....
43) Furto .....
44) Homologação de descarga .....
45) Imperícia .....
46) Imprudência .....
47) Incêndio .....
48) Indenização .....
49) Infração .....
50) Instauração .....
51) Laudo .....
52) Logística .....
53) Manobra .....
54) Manutenção corretiva .....
55) Manutenção de 1.º escalão .....
56) Manutenção de 2.º escalão .....
57) Manutenção de 3.º escalão .....
58) Manutenção de 4.º escalão .....
59) Manutenção de 5.º escalão .....
60) Material de 1.ª classe .....
61) Material de 2.ª classe .....
62) Material de 3.ª classe .....
63) Material de 4.ª classe .....
64) Material bélico .....
65) Material obsoleto .....
66) Material permanente .....
67) Microônibus .....
68) Motocicleta .....
69) Motoneta .....
70) Negligência .....
71) Nexo causal .....
72) Ônibus .....
73) Orçamento .....
74) Parecer técnico .....
75) Passarela .....
76) Patrulhamento .....
77) Peculato .....
78) Perda .....
79) Perícia .....
80) Perito .....
81) Pista .....
82) Policiamento ostensivo de trânsito .....
83) Portaria .....
84) Prejuízo .....
85) Prova .....
86) Queda .....
87) Recebimento .....
88) Recuperação .....
89) Reparação .....
90) Responsabilidade .....
91) Ressarcimento .....
92) Roubo .....
93) Soterramento .....
94) Submersão .....
95) Testemunha .....
96) Tombamento .....
97) Trailer .....
98) Via local .....
99) Via rural .....
100) Via urbana .....
VI – Determinações do Comando-Geral .....
1. Vias de inquérito técnico .....
2. Formalidades legais .....
VII – Legislação do Exército Brasileiro – Complementar .....
1. Instruções para elaboração .....
2. Modelo auxiliar de relatório e solução .....
VIII – Modelos .....
1. Modelo de ofício de designação de instauração de inquérito técnico .....
2. Modelo de capa e autuação .....
3. Modelo de portaria .....
4. Modelo de termo de abertura .....
5. Modelo de ofício de inquirição de testemunha .....
6. Modelo de termo de depoimento .....
7. Modelo de ofício ao imputado concedendo o direito de defesa .....
8. Modelo de relatório .....
9. Modelo de ofício de encaminhamento dos autos à autoridade delegante .....
10. Modelo de despacho da autoridade delegante .....
11. Modelo de solução de inquérito técnico .....

CAPÍTULO VII
TERMO DE DESERÇÃO (TD)

I – Da Deserção .....
1. Conceituação e fundamentação legal .....
2. Dos crimes .....
1) Deserção propriamente dita .....
2) Casos semelhantes .....
3) Deserção especial ......
4) Conserto para deserção .....
5) Deserção, após evasão ou fuga .....
6) Favorecimento a desertor .....
7) Omissão de oficial .....
3. Do insubmisso .....
II – Das Providências Elencadas no Código de Processo Penal Militar .....
1. Da processualística penal militar .....
2. Fases procedimentais e resumo seqüencial .....
3. Restauração dos autos .....
4. Orientações do comando-geral adjunto .....
III – Outros Pontos Relevantes – Doutrina e jurisprudência .....
IV – Orientações Normativas Gerais .....
1. Da rotina após a consumação do delito de deserção .....
1.1. Das atribuições do comando-geral adjunto .....
1.2. Das atribuições da diretoria de pessoal .....
1.3. Das atribuições da diretoria de finanças .....
2. Da rotina após a apresentação espontânea ou captura do desertor .....
2.1. Da captura e da apresentação espontânea do desertor .....
2.2. Da lavratura do termo de captura e do termo de apresentação espontânea do
desertor .....
2.3. Das atribuições da diretoria do presídio militar.....
2.4. Das atribuições do presidente da junta militar de saúde .....
2.5. Das atribuições do comando-geral adjunto .....
2.6. Das atribuições da diretoria de pessoal .....
3. Disposições finais .....
V – Modelos .....
1. Modelo de capa e autuação .....
2. Modelo de parte de falta ao serviço (ausência ilegal) .....
3. Modelo de despachos diversos do comandante .....
4. Modelo de auto de inventário (bens da fazenda pública) .....
5. Modelo de auto de inventário (bens particulares) .....
6. Modelo de termo de depoimento de testemunha .....
7. Modelo de auto de consumação da deserção – parte acusatória .....
8. Modelo de termo de deserção .....
9. Modelo de notas para boletim – transcrição de termo de deserção, modelos de atos
de agregação e exclusão .....
10. Modelo de termo de captura por crime de deserção com despacho .....
11. Modelo de termo de apresentação espontânea com despacho .....
12. Modelo de inspeção de saúde feita pela junta militar de saúde .....
13. Modelo de notas para boletim – Modelos de atos de reinclusão ou reversão e de
declaração de incapacidade definitiva .....
14. Modelo de ofício de remessa dos autos do termo de deserção ao juiz do juizo
militar estadual .....

CAPÍTULO VIII
SINDICÂNCIA MILITAR (SM)

I – Considerações Iniciais .....


II – Conceituação e Fundamentação .....
1. Conceituação .....
2. Fundamentação legal .....
III – Da Processualística .....
1. Terminologias e conceitos .....
1) Sindicante .....
2) Sindicado .....
3) Autoridade delegante .....
4) Prazos .....
5) Suspeição e substituição do sindicante .....
6) Contraditório e ampla defesa .....
7) Presença do acusado nas oitivas das testemunhas .....
8) Da retratação .....
2. Seqüência de atos - fases .....
3. Providências da autoridade delegante ao solucionar o procedimento .....
1) Houve prática de transgressão disciplinar a punir .....
2) Indício de prática de crime de natureza militar .....
3) Indício de prática de crime de natureza comum .....
4) Inexistência de transgressão disciplinar a punir ou de indício de crime .....
5) Remessa a corregedoria-geral da SSPDS .....
6) Remessa dos autos ao juízo militar .....
7) Anulação de sindicância .....
IV – Normas Gerais para a Elaboração de Sindicância no Âmbito da PMCE –
Portaria do Comando-Geral .....
V – Modelos .....
1. Modelo de ofício de solicitação (determinação) de instauração de sindicância ....
2. Modelo de capa e autuação .....
3. Modelo de portaria de designação.....
4. Modelo de juntada de portaria e anexos .....
5. Modelo de despachos diversos .....
6. Modelo de notificação prévia do sindicado .....
7. Modelo de notificação prévia da vítima ou acusador .....
8. Modelo de termo de retratação .....
9. Modelo de juntada de documentos expedidos e recebidos .....
10. Modelo de ofício ao comandante do sindicado .....
11. Modelo de ofício de inquirição de testemunha .....
12. Modelo de carta precatória .....
13. Modelo de termo de depoimento de testemunha .....
14. Modelo de inquirição de sindicado .....
15. Modelo de ofício de substituição de sindicante .....
16. Modelo de termo de acareação .....
17. Modelo de termo de reconhecimento de pessoa .....
18. Modelo de termo de encerramento de instrução .....
19. Modelo de vista da sindicância .....
20. Modelo de requerimento de juntada de defesa .....
21. Modelo de ofício à autoridade delegante solicitando prorrogação de prazo .....
22. Modelo de atos (certidões) .....
23. Modelo de relatório de sindicância formal .....
24. Modelo de relatório de sindicância sumária .....
25. Modelo de termo de encerramento e remessa .....
26. Modelo de ofício de remessa de sindicância ......
27. Modelo de solução de sindicância ......

CAPÍTULO IX
ATESTADO DE ORIGEM (AO) E INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM (ISO)

I – Definição .....
II – Fundamentação – Portaria do Comando-Geral da PMCE .....
III – Da Regulamentação da Junta Militar de Saúde .....
1. Da legalidade .....
2. Tópicos a serem regulamentados .....
IV – Modelos .....
1. Atestado de Origem (AO) .....
1) Modelo de capa e de autuação .....
2) Modelo de portaria .....
3) Modelo de declaração testemunhal ......
4) Modelo de parecer médico .....
5) Modelo de inspeção de saúde de controle .....
6) Modelo de exame de sanidade de paciente em ato de serviço .....
7) Modelo de relatório e parecer .....
8) Modelo de ofício de remessa com despacho de solução.....
2. Inquérito Sanitário de Origem (ISO).....
1) Modelo de capa e de autuação .....
2) Modelo de portaria .....
3) Modelo de termo de declaração de paciente .....
4) modelo de termo de depoimento de testemunha .....
5) Modelo de inspeção de saúde de controle .....
6) Modelo de exame de sanidade de acidentado em ato de serviço .....
7) Modelo de ofício à autoridade delegante solicitando prorrogação de prazo .....
8) Modelo de relatório e parecer.....
9) Modelo de ofício de remessa com despacho de solução .....

CAPÍTULO X
COMISSÃO DE MERITORIEDADE (CM)

I – Tópicos Iniciais .....


1. Do procedimento .....
2. Da obediência estatutária .....
3. Dos benefícios ao militar estadual .....
II – Das Promoções (Fundamentação) .....
1. Promoção por ato de bravura .....
1) De oficiais .....
2) De praças .....
2. Promoção “post mortem” .....
1) De oficiais .....
2) De praças .....
III – Modelos .....
1. Modelo de capa e autuação .....
2. Modelo de portaria .....
3. Modelo de designação de escrivão .....
4. Modelo de termo de compromisso de escrivão .....
5. Modelo de recebimento .....
6. Modelo de despachos diversos .....
7. Modelo de juntada .....
8. Modelo de oitiva de testemunha .....
9. Modelo de conclusão .....
10. Modelo de relatório de promoção “post modem” .....
11. Modelo de relatório de promoção por bravura .....
12. Modelo de encerramento e remessa .....
13. Modelo de ofício de remessa .....
14. Modelos de atos de promoção .....

CAPÍTULO XI
PROCESSO REGULAR (PR) – GÊNERO

I – Intróito .....
II – Direito Administrativo-Disciplinar .....
III – Fundamento do Processo Regular .....
1. Código Disciplinar (Lei n.º 13. 407/2003) .....
2. Conceito de direito disciplinar .....
3. Dos princípios informadores .....
1) legalidade objetiva .....
2) oficialidade .....
3) Formalismo moderado .....
4) Verdade material .....
5) Garantia de defesa .....
3. Princípios expressos no artigo 37, “caput” da CF/1988 e demais reconhecidos .....
1) legalidade .....
2) Impessoalidade .....
3) Moralidade .....
4) Publicidade .....
5) Eficiência .....
6) Motivação .....
7) Razoabilidade e proporcionalidade .....
8) Segurança jurídica .....
9) Gratuidade dos processos administrativos .....
10) Oficialidade .....
11) Supremacia do interesse público .....
12) “Nom bis in idem” .....
13) Boa-fé .....
14) Duplo grau de jurisdição .....
15) Fungibilidade recursal .....
16) Economia processual .....
5. Etapas do processo regular (sínteses) .....
1) Início do processo .....
2) Instrução probatória .....
3) Apresentação de defesa .....
4) Relatório .....
5) Decisão ou dispositivo .....
6) Recursos .....
6. Da processualística .....
1) Das sanções disciplinares .....
2) Das provas .....
3) Da reincidência .....
4) Dos recursos e da revisão .....
5) Da prescrição e da decadência .....
6) Das nulidades .....
7) Do direito constitucional de defesa .....
8) Da citação .....
a) Acusado que se recusa a receber o mandado .....
b) Citação militar .....
c) Citação por edital .....
d) Acusado que aparece após a citação por edital ou está preso .....
e) Citação por precatória .....
f) Citação circunduta .....
9) Da publicidade das audiências .....
a) Código de processo penal militar .....
b) Código de processo penal .....
c) Código de processo civil .....
10) Da contagem dos prazos .....
11) Da independência das instâncias .....
12) Dos incidentes processuais .....
13) Da Polêmica das licenças médicas .....
7. Roteiro conceitual para análise na formatação do processo regular.....
1) Acareação .....
2) Advocacia .....
3) Apreensão .....
4) Assentada .....
5) Autos .....
6) Autuação .....
7) Certidão .....
8) Circunscrição .....
9) Citação .....
10) Compromisso .....
11) Conclusão .....
12) Contradita .....
13) Confissão .....
14) Contrafé .....
15) Contumácia .....
16) Declarações .....
17) Decoro profissional .....
18) Deliberação .....
19) De ofício .....
20) Deontologia ....
21) Depoimento .....
23) Despacho .....
22) Direito ....
24) Edital .....
25) “Emendacio libeli” .....
26) Ética .....
27) Exibição de coisas .....
28) Exteriorização de deveres para com a justiça .....
29) “Fac-simili” .....
30) Fungibilidade dos recursos .....
31) Habeas data .....
32) Impedimento .....
33) Incidente de falsidade .....
34) Interesse de agir .....
35) Interrogatório .....
36) Intimação .....
37) Juiz de direito .....
38) Juntada .....
39) Jurisdição .....
40) Lacuna ou obscuridade da lei .....
41) Lealdade .....
42) “Mutatio libeli” .....
43) Norma deontológica .....
44) Norma ontológica .....
45) Norma legal .....
46) Notificação .....
47) Partes .....
48) Pressupostos de validade .....
49) Pressupostos processuais .....
50) Presunção de veracidade .....
51) Promotor de justiça .....
52) Reconhecimento .....
53) Relatório .....
54) Reconstituição dos fatos .....
55) Reprodução simulada dos fatos .....
56) Restauração dos autos .....
57) Retratabilidade .....
58) Revelia .....
59) Saneamento do processo .....
60) Vistas .....

IV – Atribuições dos Membros da Comissão ......


1. Do presidente da comissão .....
2. Dos membros da comissão .....
3. Do escrivão .....
4. Outras atribuições contidas na Lei n.º 13. 407/2003 ......
1) Do comandante-geral ......
2) Do corregedor-geral .....
3) Do governador do estado .....

CAPÍTULO XII
CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO (CJ) – ESPÉCIE

I – Definição .....
II – Decorrências do Processo .....
1. Da submissão ao conselho ......
2. Do apuratório ......
3. Tópicos importantes sobre indignidade e incompatibilidade .....
III – Fundamentação (Lei n.º 13. 407/2003 – Código Disciplinar .....
IV – Modelos .....
1. Modelo de capa e autuação .....
2. Modelo de nomeação do conselho de justificação .....
3. Modelo de portaria de instauração .....
4. Modelo de ofício de convocação dos membros do conselho de justificação .....
5. Modelo de ofício de convocação do acusado .....
6. Modelo de ata da sessão prévia .....
7. Modelo de termo de compromisso .....
8. Modelo de despachos diversos .....
9. Modelo de atos do Escrivão (recebimento e juntada) .....
10. Modelo de ofício de citação do acusado .....
11. Modelo de edital de citação .....
12. Modelo de termo de revelia .....
13. Modelo de incidente processual .....
14. Modelo de ofício ao diretor de pessoal .....
15. Modelo de atos do Escrivão (certidão e conclusão) .....
16. Modelo de termo de qualificação e interrogatório do acusado .....
17. Modelo de ofício de entrega de libelo acusatório ao acusatório .....
18. Modelo de despachos diversos ......
19. Modelo de atos do Escrivão (recebimento e juntada) ......
20. Modelo de termo de notificação do acusado para realização de perícia
(diligência).....
21. Modelo de vistas dos autos ao advogado .....
22. Modelo de ata da 1.ª sessão .....
23. Modelo de atos do Escrivão (certidão e conclusão) .....
24. Modelo de termo de encerramento de volume .....
25. Modelo de termo de abertura de novo volume .....
26. Modelo de despachos diversos .....
27. Modelo de atos do Escrivão (recebimento e juntada) .....
28. Modelo de ofício de convocação de testemunha para depoimento .....
29. Modelo de ofício de convocação de testemunha PM/BM para depoimento .....
30. Modelo de ofício de mandado de Intimação para acareação .....
31. Modelo de termo de depoimento de testemunha .....
32. Modelo de vista dos autos ao advogado do acusado ......
33. Modelo de ata da 2.ª sessão .....
34. Modelo de atos do Escrivão (certidão e conclusão) .....
35. Modelo de despachos diversos .....
36. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada) .....
37. Modelo de ofício ao advogado comunicando a data da sessão de julgamento .....
38. Modelo de atos do escrivão (certidão e conclusão) .....
39. Modelo da ata da sessão secreta de julgamento ......
40. Modelo de relatório final do conselho de justificação ......
41. Modelo de termo de encerramento .....
42. Modelo de ofício de remessa dos autos de conselho de justificação .....
43. Modelo de decisão do governador .....

CAPÍTULO XIII
CONSELHO DE DISCIPLINA (CD) E PROCESSO ADMINISTRATIVO-DISCIPLINAR
(PAD) – ESPÉCIES

I – Definição ......
II – Dos Processos e das Competências ......
III – Fundamentação (Lei n.º 13. 407/2003 – Código Disciplinar) .....
IV – Modelos ......
1. Modelo de capa e autuação .....
2. Modelo de nomeação de conselho de disciplina ou PAD .....
3. Modelo de portaria de instauração .....
4. Modelo de ofício de convocação dos membros do conselho de disciplina ou PAD
.....
5. Modelo de ofício de convocação de acusado .....
6. Modelo de ata da sessão prévia .....
7. Modelo de termo de compromisso .....
8. Modelo de despachos diversos .....
9. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada) ......
10. Modelo de ofício de citação do acusado .....
11. Modelo de edital de citação .....
12. Modelo de termo de revelia .....
13. Modelo de incidente processual .....
14. Modelo de ofício ao diretor de pessoal ......
15. Modelo de atos do escrivão (certidão e conclusão) .....
16. Modelo de termo de qualificação e interrogatório do acusado .....
17. Modelo de ofício de entrega de libelo acusatório ao acusatório .....
18. Modelo de despachos diversos .....
19. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada) .....
20. Modelo de vistas dos autos ao advogado do acusado .....
21. Modelo de notificação do acusado para realização de perícia (diligência) .....
22. Modelo de ata da 1.ª sessão .....
23. Modelo de atos do escrivão (certidão e conclusão) .....
24. Modelo de termo de encerramento de volume ......
25. Modelo de termo de abertura de novo volume .....
26. Modelo de despachos diversos ......
27. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada) .....
28. Modelo de ofício de convocação de testemunha para depoimento .....
29. Modelo de ofício de convocação de testemunha PM/BM para depoimento .....
30. Modelo de ofício de mandado de intimação para acareação .....
31. Modelo de termo de depoimento de testemunha .....
32. Modelo de vista dos autos ao advogado do acusado .....
33. Modelo de ata da 2.ª sessão .....
34. Modelo de atos do escrivão (certidão e conclusão) ......
35. Modelo de despachos diversos .....
36. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada) .....
37. Modelo de ofício ao advogado comunicando a data da sessão de julgamento ....
38. Modelo de atos do escrivão (certidão e conclusão) .....
39. Modelo da ata da sessão secreta de julgamento ......
40. Modelo de relatório final do conselho de disciplina ou PAD .....
41. Modelo de termo de encerramento e remessa .....
42. Modelo de ofício de remessa dos autos de conselho de disciplina ou PAD ao
comandante-geral .....
43. Modelo de ofício de remessa dos autos de conselho de disciplina ou PAD ao
corregedor-geral .....
44. Modelo de solução do processo .....

CAPÍTULO XIV
PROCEDIMENTO DISCIPLINAR (PD) – ESPÉCIE

I – Definição .....
1. Conceitos doutrinários .....
2. Seqüência do procedimento disciplinar ......
1) Comunicação disciplinar ....
2) Capa .....
3) Autuação .....
4) Contraditório e ampla defesa (manifestação preliminar) ......
5) Certeza da prática da transgressão disciplinar .....
6) Termo acusatório .....
7) Ciente do termo .....
8) Contraditório e ampla defesa (alegações finais) .....
9) Julgamento .....
10) Enquadramento disciplinar .....
11) Nota de culpa .....
12) Nota de solução e decisão administrativa .....
13) Notificação do punido da respectiva solução .....
14) Recurso de reconsideração de ato .....
15) Análise do recurso de reconsideração de ato .....
16) Recurso hierárquico .....
17) Análise do recurso hierárquico .....
18) Cumprimento da sanção disciplinar .....
19) Contagem do tempo .....
20) Representação .....
21) Análise da representação .....
22) Publicação dos atos administrativos .....
3. Outros atos administrativos relacionados .....
1) Revisão dos atos disciplinares .....
2) Conversão da punição ......
3) Recompensas .....
4. Cerceamento da liberdade – ilegalidade ou abuso de poder .....
5. Análise e julgamento de atos disciplinares pelo juízo militar – Emenda
Constitucional n.º 45/2004 .....
II – Fundamentação (Lei n.º 13. 407/2003 – Código Disciplinar) .....
III – Modelos ......
1. Modelo de capa e autuação ......
2. Modelo de ofício de comunicação disciplinar .....
3. Modelo de termo acusatório .....
4. Modelo de razões preliminares de defesa .....
5. Modelo de termo acusatório precedido de manifestação preliminar .....
6. Modelo de alegações finais de defesa .....
7. Modelo de decisão administrativa – enquadramento disciplinar – solução .....
8. Modelo de notificação do punido (nota de culpa) ......
9. Modelo de punição disciplinar (nota para boletim) .....
10. Modelo de procuração “AdJudicia”......
11. Modelo de requerimento de pedido de reconsideração de ato .....
12. Modelo de despacho em requerimento de pedido de reconsideração de ato .....
13. Modelo de nota para boletim de despacho em reconsideração de ato .....
14. Modelo de requerimento de recurso hierárquico .....
15. Modelo de decisão em recurso hierárquico .....
16. Modelo de nota para boletim de despacho em pedido de recurso hierárquico .....
17. Modelo de nota para boletim de efeito suspensivo ao cumprimento de sanção
disciplinar tendo-se em vista a impetração de recurso reconsiderativo de ato ou
hierárquico .....
18. Modelo de representação .....
19. Modelo de decisão em representação .....
20. Modelo de pedido de revisão dos atos disciplinares .....
21. Modelo de despacho em pedido de revisão dos atos disciplinares .....
22. Modelo de pedido de conversão da permanência disciplinar .....
23. Modelo de recompensas militares estaduais (elogio, dispensa de serviço e
cancelamento de sanções ......
24. Modelo de mandado de segurança com pedido de liminar visando análise e
julgamento de ato disciplinar pelo juízo militar estadual ......
25. Modelo de ação ordinária (inominada) visando análise e julgamento de ato
disciplinar pelo juízo militar estadual .....

CAPÍTULO XV
RECOLHIMENTO TRANSITÓRIO

I – Considerações Preliminares .....


II – Conceito .....
III – Questionamentos .....
1. Requisitos para o recolhimento.....
2. Controvérsias ......
IV – Doutrina .....
V – Fundamentação ......
VI– Modelos .....
1. Modelo de capa de recolhimento transitório .....
2. Modelo de ordem de recolhimento transitório ......
3. Modelo de recolhimento transitório .....
4. Modelo de termo de garantias constitucionais .....
5. Modelo de nota de culpa ......
6. Modelo de ofício ao diretor do Instituto médico legal .....
7. Modelo de auto de exame de corpo de delito indireto realizado por autoridade
militar estadual .....
8. Modelo de ofício ao corregedor-geral ou juiz de direito e promotor de justiça do
juízo militar .....
9. Modelo de ofício ao oficial-de-dia ou graduado a serviço .....
10. Modelo de ofício ao comandante/chefe/diretor do recolhido ou autoridade
competente para imediata investigação e/ou instauração de procedimento disciplinar
.....
11. Modelo de documento de liberação de PM/BM recolhido tendo-se em vista o
restabelecimento da situação de normalidade .....
12. Modelo de recurso em sede de recolhimento transitório .....
13. Modelo de decisão em sede de recurso de recolhimento transitório .....
14. Modelo de nota para boletim de liberação de PM/BM recolhido transitoriamente ....

CAPÍTULO XVI
NORMATIZAÇÕES COMPLEMENTRES – FEDERAL E ESTADUAL (CEARÁ)

I – Constituição Federal de 1988 .....


II – Constituição do Estado do Ceará de 1989 .....
1. Dos militares estaduais .....
2. Da polícia militar .....
3. Do corpo de bombeiros militar ......
III – Estatuto dos Militares do Estado do Ceará (Lei n.º 13. 729/2006), Alterado
pela Lei n.º 13. 768/2006 ......
IV – Portarias do Comando-Geral .....
1. Dos prazos para conclusão e prorrogação de procedimentos e processos no âmbito
da PMCE e de outras providências .....
2. Número de vias de autos de procedimentos administrativos .....
3. Regulamentação da reposição e do ressarcimento de produto extraviado, furtado,
roubado ou danificado, controlado pelo Exército Brasileiro, pertencente ao patrimônio
da PMCE ......
4. Normas regulamentares de apresentação pessoal .....
5. Licença para tratamento de saúde (LTS) – acompanhamento do comandante de
OPM ....
6. Portaria n.º 540/GC do secretário da segurança pública – proibição do uso de arma
de fogo .....
V – Leis, Decretos e Instrução Normativa Estaduais .....
1. Leis .....
2. Decretos e instrução normativa .....
VI – Legislação Militar Federal (Exército Brasileiro) .....
1. Leis .....
2. Lei delegada .....
3. Decretos-Lei .....
4. Medidas provisórias .....
5. Decretos .....
6. Portarias .....
VII – Legislação dos Crimes, Contravenção e Responsabilidade Penal .....
1. Subsidiária .....
2. Relacionada .....
3. Complementar .....
VIII – 100 (Cem) Expressões e Terminologias Forenses Bastante Utilizadas nos
Processos e Procedimentos – Do Latim para o Português em Ordem Alfabética
.....
IX – Súmulas .....
1. Supremo Tribunal Federal (STF) ......
2. Superior Tribunal de Justiça (STJ) .....
3. Superior Tribunal Militar (STM) .....

REFERÊNCIAS .....
CAPÍTULO I

PRISÃO E AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO MILITAR


(PAPFDM)

É muito comum na labuta diária administrativo-operacional, o militar


estadual se envolver em ocorrências que, em tese, se apresentam como crimes. No
entanto, muitas vezes, permeiam dúvidas se o fato ali apresentado é crime de
natureza militar ou comum, qual a autoridade competente para a realização do
flagrante, de quem é a competência para o julgamento, quais as providências a serem
adotadas, dentre outras situações, que no fervor do delito ou durante a sua
investigação, geram dúvidas e podem causar sérios danos à apuração pela
Administração e aos próprios militares estaduais envolvidos. Para tanto, importante
realizarmos considerações a respeito da problemática como fito de dirimir essas
dúvidas.

I – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Não poderíamos iniciar este tema, sem antes frisarmos o que intitula a
Carta Política vigente (Constituição da República Federativa do Brasil), promulgada
em 5 de outubro de 1988, mais precisamente no artigo 5º, inciso LXI: “Ninguém será
preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente
militar, definidos em lei”.
A lei maior elenca simplesmente duas formas de se tirar à liberdade da
pessoa. A primeira é no caso de estar o indivíduo em estado de flagrância, ou seja,
enquadrado nas proposituras dos artigos 244 do CPPM (Código de Processo Penal
Militar) ou 302 do CPP (Código de Processo Penal).
A segunda, nos casos de decretação de uma das espécies de prisão
provisória (gênero), que podem ser: prisão preventiva, prisão temporária, prisão
decorrente de sentença condenatória recorrível e prisão decorrente de sentença de
pronúncia (espécies). Ressalte-se que a própria prisão em flagrante delito (única que
não precisa de ordem de autoridade judiciária competente para se efetivar) configura
uma espécie do gênero das prisões provisórias, esta, constituindo coerção processual
e prolatada antes da condenação definitiva.1
Ao final o legislador constituinte faz duas exceções à regra, justamente
quando trata da disciplina militar e dos crimes propriamente militares, que faremos
comentários específicos mais adiante.
Inicialmente, trataremos apenas da prisão em flagrante referente ao delito
militar, que está definido no Decreto-Lei nº 1.002, de 21 de outubro de 1969 – Código
de Processo Penal Militar (CPPM). Frize-se, que quanto ao fundamento jurídico e a
natureza jurídica da prisão em flagrante, devido à correspondência, pouco difere o
flagrante delito de crime militar e o flagrante delito de crime comum, porém, alguns
detalhes imprescindíveis devem ser delineados e esclarecidos, no intuito de se evitar
confusões processuais na feitura do procedimento.
Não obstante, as regras processuais da prisão e do auto de prisão em
flagrante de delito militar serão as mesmas da prisão e do auto de prisão em flagrante
de delito comum, no que lhe for aplicável.

II – ATIVIDADE DE POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR

A atividade de polícia judiciária militar tem por condão a investigação de


crimes militares, tendo-se por base a Carta Maior da República, o Código Penal Militar
e o Código de Processo Penal Militar. Segundo a Carta Política de 1988, em seu artigo
144, § 4.º, a competência para apuração de crimes é da Polícia Civil, exceto a
competência de apurar as infrações penais militares.
A competência para o exercício da atividade de polícia judiciária militar está
descrita nos artigos 7.º e 8.º do Código de Processo Penal Militar. Para COSTA (2007,
p. 30), tratando do assunto:

O Código de Processo Penal Militar apresenta, em seu


conteúdo, quatro procedimentos a serem elaborados quando
do conhecimento de uma 'notitia criminis' pela autoridade de
polícia judiciária militar, que são: 1) Auto de Prisão em
Flagrante Delito; 2) Inquérito Policial Militar; 3) Termo de
Deserção; 4) Termo de Insubmissão.2

Cada um dos procedimentos acima referidos tem rito próprio e será


instaurado obrigatoriamente de conformidade com a notícia do delito. A lei processual
dirá como fazer.
Inicialmente, estudaremos a Prisão e o Auto de Prisão em Flagrante de
Delito Militar, para empós, dissecarmos nos capítulos seguintes sobre o Inquérito
Policial Militar, o Termo de Deserção e o Termo de Insubmissão.

III – MODALIDADES DE FLAGRANTE

Vejamos o que prescreve o artigo 244 do Código de Processo Penal Militar:


Art. 244. Considera-se em flagrante delito aquele que:
a) está cometendo o crime;
b) acaba de cometê-lo;
c) é perseguido logo após o fato delituoso em situação que o
faça acreditar ser ele o autor;
d) é encontrado, logo depois, com instrumentos, objetos,
material ou papéis que façam presumir a sua participação no
fato delituoso.
Parágrafo único. Nas infrações permanentes, considera-se o
agente em flagrante delito enquanto não cessar a
permanência.

Lecionam os autores que flagrante vem do latim “flagrans”, que quer dizer
ardente, queimante, ou seja, a ardência, o fervor do delito, do crime.
Hélio Tornaghi (1992, p. 48), faz a seguinte definição de prisão em
flagrante: “Prender em flagrante é capturar alguém no momento em que comete o
crime. O que é flagrante é o delito. A flagrância é uma qualidade da infração: o sujeito
é preso ao perpetrar o crime.”3
Sendo assim, no que tange ao artigo 244 do Código de Processo Penal
Militar, podemos dizer que são três os tipos de flagrantes:
1) Flagrante próprio - está cometendo o crime ou acaba de cometê-lo -
alienas “a e b”, apresenta-se à situação de flagrância própria ou propriamente dita, ou
seja, o agente é surpreendido no momento em que está cometendo o crime ou acaba
de cometê-lo, situações fáticas em que podemos afirmar que aquele agente é de fato
o autor do crime;
2) Flagrante Impróprio ou quase-flagrante - é perseguido logo após o
fato delituoso em situação que o faça acreditar ser ele o autor - alínea “c”,
perpetua-se à situação de flagrância imprópria ou quase-flagrância, dá-se pelo simples
fato de se acreditar que aquele agente é o autor do delito;
3) Flagrante presumido ou ficto - é encontrado, logo depois, com
instrumentos, objetos, material ou papéis que façam presumir a sua participação
no fato delituoso - alínea “d”, ocorre à flagrância presumida ou ficta, ou seja, todas as
circunstâncias conduzem a uma presunção de que o agente é o autor do delito.
Finalmente, no parágrafo único, trata dos crimes permanentes, ou seja,
aqueles que se prolongam no tempo ou enquanto dura a modalidade criminosa (Ex:
crime de deserção).
Na doutrina vigente e dominante, podemos encontrar vários fundamentos
para a prisão em flagrante, sendo que, os mais aceitos são:

a) a necessidade de satisfazer o anseio da justiça da opinião


pública, diminuindo a comoção social, e, por conseguinte,
mantendo a ordem social, fazendo com que a credibilidade do
Estado, através de suas autoridades constituídas se
mantenha;
b) como função acautelatória da prova, pois com a prisão em
flagrante, faz prova da autoria e da materialidade do delito
(justa causa).4

IV – PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS APLICÁCEIS

A Constituição Federal (CF) de 1988 elencou no artigo 5º uma série de


princípios e procedimentos indispensáveis ao fiel cumprimento do ato de prender,
assegurando vários direitos individuais aos presos, quais sejam:

(...)
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma
coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido à tortura nem a tratamento
desumano ou degradante;
XI - a casa é asilo inviolável do individuo, ninguém nela
podendo penetrar sem o consentimento do morador, salvo em
caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro,
ou, durante o dia, por determinação judicial;
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena
sem prévia cominação legal;
XLIII - A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de
graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como
crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os
executores e os que, podendo evitá-los, se omitiram;
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de
grupos armados, civis ou militares, contra a ordem
constitucional e o Estado Democrático;
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física
e moral;
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela
autoridade competente;
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem
o devido processo legal;
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por
meios ilícitos;
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em
julgado de sentença penal condenatória;
LVIII - o civilmente identificado não será submetido à
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre
serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à
família do preso ou à pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais
o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada à assistência
da família e de advogado;
LVIV - o preso tem o direito à identificação dos responsáveis
por sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela
autoridade judiciária;
LVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a
lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança.5

Mais dois pontos ainda se vislumbram como importantes:

a) comunicar a prisão ao Promotor de Justiça competente com


a indicação do lugar onde se encontra o preso e cópia dos
documentos comprobatórios da legalidade da prisão, tudo
com fulcro no artigo 3.º da Lei Complementar Estadual n.º 9,
de 23 de julho de 1998, que instituiu o controle externo da
atividade policial pelo Ministério Público;
b) Ressalte-se, finalmente, que a Lei n.º 11. 113, de 13 de
maio de 2005, que modificou o artigo 304 do Código de
Processo Penal não atingiu o artigo 245 do Código de
Processo Penal Militar. Tal dispositivo legal referiu-se apenas
a atividade de policia judiciária comum (Polícias Federal e
Civil) quando da prisão em flagrante de delito comum, relativa
à demora de lavratura do respectivo auto. Tal assunto será
tratado no capítulo seguinte e interessa bastante aos militares
estaduais.

Vejamos que o legislador constituinte é bastante intransigente no tocante a


preservação e proteção dos valores morais do indivíduo, principalmente, partindo-se
da premissa maior de que o dogma é a liberdade. Qualquer ofensa a esses princípios
constitui ato abusivo, que poderá vislumbrar e resultar sanções administrativa, cível e
penal ao agente causador.

V – SUJEITOS DE FLAGRANTE DE DELITO MILITAR E


COMPETÊNCIAS

Para ser preso em flagrante por cometimento de delito militar é necessário


que o agente cometa crime tipificado na lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969 -
Código Penal Militar (CPM). Para tanto, necessário conhecermos os sujeitos ativos e
passivos dessa nomenclatura.

1. Sujeito ativo
O art. 243 do Código de Processo Penal Militar dispõe que: “Qualquer
pessoa poderá e os militares deverão prender quem for insubmisso ou desertor, ou
seja, encontrado em flagrante delito”.
Aqui se explicita a obrigatoriedade para os militares prenderem em
flagrante delito, tanto o civil como o militar, facultando essa possibilidade a qualquer
pessoa.
Na nossa ótica, exceção à regra ocorre diante das autoridades elencadas
nos artigo 127 e 144 da Constituição Federal de 1988, pois tanto o juiz, como o
Promotor de Justiça, além daquelas autoridades responsáveis pela Segurança
Pública, mesmo sendo pessoas do povo (civis), diante das competências
constitucionais próprias de cada autoridade, tem a obrigação (dever) de prender
qualquer pessoa que tenha cometido crime militar e esteja em estado de flagrância.

2. Sujeito passivo
A doutrina tem conceituado crime militar como: “a violação do dever militar
ou da integridade das organizações militares, conforme previsão e definição da
legislação penal militar, independentemente da qualidade civil ou militar de seu
agente”.
Já Plácido e Silva define como (1996, p. 587): “Todo o delito ou infração
prevista e punida pela lei penal militar”.6
Importante o elenco de incisos do artigo 9º do Código Penal Militar, para
entendermos o que são sujeitos passivos:

Art. 9.º Consideram-se crimes militares em tempo de paz:


I - os crimes de que trata este Código, quando definidos de
modo diverso na lei penal comum, ou nela não previstos,
qualquer que seja o agente, salvo disposição especial;
II - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam
com igual definição na lei comum, quando praticados:
a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra
militar na mesma situação ou assemelhado;
b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em
lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva,
ou reformado, ou assemelhado, ou civil;
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em
comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora
do lugar sujeito à administração militar contra militar da
reserva, ou reformado ou civil;
d) por militar, durante o período de manobras ou exercício,
contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou
civil;
e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado,
contra o patrimônio sob a administração militar, ou a ordem
administrativa militar;
f) REVOGADO;
III – os crimes praticados por militar da reserva, ou
reformados, ou por civil, contra as instituições militares,
considerando como tais não só os compreendidos no inciso I,
como os do inciso II, nos seguintes casos:
a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a
ordem administrativa militar;
b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em
situação de atividade ou assemelhado, ou contra funcionário
de Ministério Militar, no exercício da função inerente ao cargo;
c) contra militar em formatura, ou durante o período de
prontidão, vigilância, observação, exploração, exercício,
acampamento, acantonamento ou manobra;
d) ainda fora do lugar sujeito à administração militar, contra
militar em função de natureza militar, ou no desempenho de
serviço de vigilância, garantia e preservação da ordem pública,
administrativa ou judiciária, quando legalmente requisitado
para aquele fim, ou a obediência à determinação legal
superior.
Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo, quando
dolosos contra a vida e praticados contra civil, serão de
competência da Justiça Comum (Acrescentado pela Lei n.º
9.299, de 7/8/1996).7

Segundo ensina LOUREIRO NETO (2000, p. 41-42), em seu estudo de


Direito Penal Militar, militar pratica crime militar nas seguintes situações:
a) por militar em serviço de qualquer natureza;
b) por militar de folga, mas em situação de atividade, ou seja,
no serviço ativo.
(...)
Militar inativo ou civil pratica crime militar:
a) contra militar em serviço;
b) contra militar em situação de atividade em lugar sujeito a
administração militar ou contra funcionário de Ministério ou da
Justiça Militar, no exercício de função inerente a seu cargo;
c) contra o patrimônio sob a administração militar ou contra a
ordem administrativa militar.8

Devemos conceituar algumas terminologias do Direito Militar para facilitar o


entendimento. Conforme LOUREIRO NETO (2000, p. 36):

1) Militar em situação de atividade – é o militar da ativa, no


pleno exercício de suas funções;
2) Militar da reserva – é aquele que deixa o serviço ativo;
3) Militar reformado – é aquele que foi definitivamente
desligado do serviço ativo;
4) Situação de inatividade – militar sujeito à reversão ao
serviço ativo.9

Segundo o magistério de LOBÃO (2004, p. 106), citando Pontes de


Miranda, assemelhado:
É quem se assemelha, se aproxima, quem, na forma da
legislação imperial e no início da República, não sendo
combatente, não usando farda, nem tendo posto ou
graduação gozava de direitos, vantagens e prerrogativas de
militar. Como ensina Pontes de Miranda, a natureza das
funções não importa – o que importa é a subordinação, a
disciplina.10

3. Crimes militares
Desta forma, podemos explicitar que os crimes militares se dividem em:
1) Próprios - São aqueles que somente estão previstos no Código Penal
Militar, mais precisamente no inciso I do artigo 9º.

Segundo Jorge César de Assis (Revista Direito Militar: 2001):

“... crime militar próprio é aquele que só está previsto no


Código Penal Militar e só pode ser praticado por militar,
exceção feita ao de INSUBMISSÃO, que apesar de só estar
previsto no Código Penal Militar (artigo 183), só pode ser
cometido por civil.” 11

2) Impróprios – São aqueles que existem previsão tanto na legislação


penal militar, no inciso II do artigo 9º, como na legislação penal comum.
As situações expostas no inciso III do art. 9º do Código Penal Militar
enfocam que o civil, o militar da reserva e o militar reformado só cometerão crimes
militares próprios ou impróprios, se enquadrados naqueles casos.

HIDEJALMA MUCCIO (2000, p. 157), em seu curso de processo penal


enfoca que:

... São chamados crimes propriamente militares, os que não


guardam nenhuma equivalência com aqueles tipificados no
Código Penal Comum. É dessa natureza o crime contra a
segurança externa do país, contra a autoridade militar e o
dever militar, contra a administração militar e contra o serviço
militar. Exemplo: a Deserção.
Os crimes impropriamente militares são os que apresentam
muita similitude com aqueles previstos no Código Penal
comum. Em suma, são os crimes definidos no Código Penal
Comum e no Código Penal Militar, e isso ocorre de forma mais
acentuada no tocante aos crimes contra a pessoa, a liberdade,
a honra e o patrimônio.12

4. Competência da justiça militar federal e estadual


A Justiça Militar é uma justiça especial. Não se trata de foro excepcional,
mas especial. Assim, há um Código Penal Militar, que define os crimes militares e um
Código de Processo Penal Militar que se aplica na composição das lides de natureza
penal militar.13 Um, o primeiro, diz o que fazer. Outro, o segundo, como fazer.
O Código Penal Militar define os crimes de competência da Justiça Militar.
O Código de Processo Penal Militar estabelece as normas processuais para o
julgamento dos crimes militares.
Está também em vigência a Lei de Organização Judiciária Militar (LOJM),
instituída pelo Decreto-lei nº 1.003, de 21 de outubro de 1969, que traz, também, farta
matéria de direito processual penal militar.
O artigo 122 da Constituição Federal explicita como é composta a Justiça
Militar Federal: I - Superior Tribunal Militar e II - Tribunais e Juízes Militares instituídos
por lei.
A Justiça Militar Estadual tem sua definição no artigo 124 da mesma Carta
Política aludindo que:

Art. 124. À Justiça Militar compete processar e julgar os


crimes militares definidos em lei.
Parágrafo único. A lei disporá sobre a organização, o
funcionamento e a competência da Justiça Militar.

O artigo 125, § 4º da CF, informa que:

Art. 125 (...)


§ 4.º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os
policiais militares e bombeiros militares nos crimes militares,
definidos em lei, cabendo ao tribunal competente decidir sobre
a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das
praças.14

MIRABETE (2003, p. 170), em seu estudo de Processo Penal enfatiza que:

Compete à Justiça Militar processar e julgar os crimes militares


definidos em lei (art. 124). Os crimes militares estão definidos
no Código Penal Militar (Decreto-Lei nº 1.001, de 21-10-69).
Foram excluídos da competência da Justiça Militar os crimes
definidos na Lei de Segurança Nacional (Lei nº 7.170, de 14-
12-83). Com a nova redação que foi dada ao art. 9º, do CPM
pela lei nº 9.299, de 7-8-96, os crimes militares dolosos contra
a vida cometidos contra civil também passaram a ser da
competência da justiça comum.15

4.1 Jurisprudências
Para entendermos todo esse ordenamento jurídico em matéria de
competência para processamento e julgamento de delitos, apresentamos a seguinte
regra majoritária na doutrina e na jurisprudência atual:
1) tratando-se de crime militar da competência da Justiça Federal, poderá o
civil, também, ser por ela processado. Em se tratando de Justiça Militar estadual, é
diferente. Ela processa e julga, apenas, os militares estaduais nos crimes militares;
2) a Justiça Militar estadual, em nenhuma hipótese, pode processar e julgar
civis. É o que está estabelecido no artigo 125, § 4º da Constituição Federal de 1988;
3) de acordo com a lei n.º 9.299, de 7 de agosto de 1996, crime militar
praticado por militar, ainda que não em serviço, mas utilizando armamento de
propriedade militar, a competência para processar e julgar este crime é da Justiça
Comum;
4) militar que mesmo estando em atividade, pratica crime doloso contra a
vida (Homicídio doloso - art. 205 do CPM; instigação, indução ou auxílio ao suicídio –
art. 207 do CPM; Genocídio – art. 208 do CPM) contra civil, será julgado pela Justiça
Comum. Aqui se deve observar que a competência para a investigação continua
sendo da Polícia Judiciária Militar, eis que a Lei Federal nº 9.299/96, somente
deslocou a competência para a Justiça Comum, para o processo e julgamento. Daí
entendermos, que os crimes continuam sendo militares, apuráveis de acordo com o
estabelecido na legislação processual penal militar vigente;16
5) compete a Justiça Militar processar e julgar policial militar de corporação
estadual, ainda que o delito tenha sido praticado em outra unidade federativa (súmula
78 do STJ);
6) se um militar estadual cometer um crime militar e um comum, a
separação dos processos é de rigor, em face da incompetência absoluta da Justiça
Militar Estadual de julgar outros crimes que não os militares e para julgar outras
pessoas que não os integrantes das corporações militares estaduais. Em se tratando
da Justiça Militar Federal, nada impede que possa julgar um civil;
7) os militares estaduais (oficiais e praças) no exercício de função policial
civil não são considerados militares para efeitos penais, ou seja, na hipótese de um
militar exercer as funções de um policial civil e venha a cometer crime, será julgado
perante a Justiça Comum (Sumula nº 297 do STF).17

4.2 Dos tribunais militares


De acordo com o § 3º do artigo 125 da Constituição Federal de 1988:

A lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tribunal de


Justiça, a Justiça Militar estadual, constituída, em primeiro
grau, pelos Conselhos de Justiça, em segundo, pelo próprio
Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos
Estados em que o efetivo da Polícia Militar seja superior a
vinte mil integrantes.18

No Estado do Ceará, se contar os efetivos da Polícia Militar e do Corpo de


Bombeiros Militar (ativo e inativo) já dispomos de um efetivo superior a vinte mil
integrantes. No entanto, os processos ainda são julgados em primeira instância no
Juízo Militar Estadual, com recurso em nível de segundo grau para o próprio Tribunal
de Justiça estadual, e não para um Tribunal Militar estadual (Especial), que ainda não
foi criado.
Desse modo, existem Estados da Federação em que o órgão de 2º grau da
Justiça Militar estadual é o próprio Tribunal de Justiça, enquanto outros, um Tribunal
Especial, como é o caso dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio
Grande do Sul.19
A Lei n.º 8.457, de 4 de setembro de 1992, que organiza a Justiça Militar da
União e regula o funcionamento de seus serviços auxiliares, estabelece que os
Conselhos de Justiça (Especial e Permanente) são órgãos dessa justiça.

4.3 A reforma do judiciário


É de grande importância frisar que a Emenda Constitucional n.º 45
(Reforma do Judiciário)20 passou a denominar a Auditoria Militar de Juízo Militar e o
Juiz Auditor de Juiz de Direito do Juízo Militar. A Lei n.º 12. 342, de 28 de julho de
1994 (Código de Divisão e Organização Judiciária do Estado do Ceará) estabelecia
também as anteriores denominações.

1) Formação dos conselhos


O Conselho Especial de Justiça é formado pelo Juiz de Direito do Juízo
Militar, que agora é o presidente do Conselho, e por mais 3 (três) oficiais de posto
superior ao do acusado, todos sorteados entre os oficiais aptos em serviço, destinado
a processar e julgar oficiais acusados de crimes militares.
Já no que tange ao Conselho Permanente de Justiça, é formado pelo Juiz
de Direito do Juízo Militar, por 1 (um) oficial superior e por mais 3 (três) oficiais do
posto de capitão ou tenente, visando julgar as praças acusadas de crimes militares.
Ainda, o Juiz de Direito do Juízo Militar, no âmbito da Justiça Militar
Estadual, é competente para julgar os crimes militares, monocraticamente, cometidos
contra civis, dispensando a participação dos conselhos de Justiça Especial ou
Permanente, ressalvada a competência do Júri, nos crimes dolosos contra a vida, e de
forma colegiada, os demais crimes militares.21

2) Atos disciplinares
À justiça militar estadual, agora, em face das mudanças constitucionais,
tem o poder de processar e julgar as ações judiciais contra atos disciplinares militares.
O militar estadual após ter sido submetido a rigoroso procedimento disciplinar e, em
sendo provado a sua culpa ou o seu dolo, poderá recorrer da decisão administrativa
levando-a ao crivo do Poder Judiciário Militar.
Tal alteração está introduzida pela Emenda Constitucional n.º 45/2004 no §
4.º do artigo 125, da Constituição Federal de 1988: “A competência para processar e
julgar os atos disciplinares militares e, ainda, os crimes militares, excetuados os de
competência do júri, quando a vítima for civil”.22

VI – FORMALIDADES NA ELABORAÇÃO E FEITURA DO AUTO DE


PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO MILITAR

1. Competência para a lavratura


O artigo 245 do Código de Processo Penal Militar elenca claramente quem
são as autoridades competentes para a lavratura do auto: 1) Comandante, que se
estende pelo próprio conceito ao chefe ou diretor; 2) Oficial de dia, de serviço ou de
quarto, ou autoridade correspondente; ou 3) Autoridade judiciária.23
Para a doutrina de SARAIVA (1999, p. 73-74):

Se a prisão for efetuada no interior da Organização Militar não


há nenhuma dúvida de que o comandante da referida unidade
é a autoridade responsável pela confecção do Auto de Prisão
em Flagrante.24

No entanto, quando a prisão for efetuada em lugar não sujeito à


administração militar, o preso deverá ser apresentado ao comandante militar mais
próximo ou à autoridade civil, por inteligência do artigo 250 do Código de Processo
Penal Militar. Porém, nesse último caso, quanto a autoridade civil, o militar detém a
prerrogativa de ser mantido na delegacia somente durante o tempo necessário para a
lavratura do auto, cabendo aquela autoridade providenciar imediata remoção do
autuado ao Comando de Unidade Militar mais próximo.
Ressalte-se que o oficial-de-dia, de serviço ou de quarto, ou
correspondente, são também autoridades para a lavratura do Auto de Prisão em
Flagrante de Delito Militar. A continuação do artigo 245 anteriormente citado, trata da
chamada delegação de exercício de poder de polícia realizado diretamente pela lei,
uma vez que o oficial-de-dia é o representante do comandante da unidade.25
Um detalhe importante e que a própria jurisprudência castrense tem
aceitado, é que o conceito de autoridade competente a presidir o Auto de Prisão em
Flagrante de Delito Militar é ampliativo, alcançando qualquer oficial que tenha função
na unidade da lavratura.
Segundo ensina LIMA (Revista de Direito Militar: 1998):

Quanto à autoridade que pode e deve presidir o Auto de


Prisão em Flagrante, consoante dispõe o artigo 245 do CPPM,
não há dúvida que o oficial de serviço ou tenente tem essa
atribuição legal, todavia mister se faz a verificação de seus
atos pela autoridade de Polícia Judiciária Militar originária. É o
que se deflui da regra do artigo 7º e seus parágrafos.26

Por fim, a autoridade judiciária referida no final do artigo 245 é o Juiz de


Direito do Juízo Militar. Porém, não é muito comum tal autoridade proceder ao referido
auto, ficando reservada tal incumbência na prisão em flagrante no caso estipulado no
artigo 249 do Código de Processo Penal Militar, quando o delito é praticado na sua
presença.
Um dos detalhes que deve ser bem observado quanto à lavratura do auto
de prisão em flagrante é que obrigatoriamente o encarregado deverá ser mais antigo
do que o autuado, em obediência aos princípios constitucionais da hierarquia e da
disciplina.

2. Designação do escrivão
O Artigo 245, em seu § 4º do Código de Processo Penal Militar, exige que
quando o preso for oficial o escrivão a ser designado deve ser também oficial, mesmo
que seja de posto hierarquicamente inferior. No caso das praças essa obrigatoriedade
é mitigada.
Visando a celeridade do procedimento, o legislador permitiu no § 5º do
supradito artigo, que a autoridade responsável pelo auto, na falta ou impedimento do
escrivão ou das pessoas adredemente referidas, poderá designar qualquer pessoa
idônea, que prestará compromisso legal.

3. Inquirição do condutor, das testemunhas e do infrator


De conformidade com o artigo 245 do Código de Processo Penal Militar
(CPPM) será obrigatoriamente obedecida esta ordem:

3.1. Condutor, que poderá ser a autoridade ou qualquer


pessoa do povo que deu a voz de prisão e o conduziu até a
autoridade competente para a lavratura;
3.2. As testemunhas, que para efeito do auto não são
indispensáveis. Porém, na falta delas, deverão presenciar e
assinarem o feito, pelo menos, duas testemunhas, que são
denominadas testemunhas instrumentárias;
3.3. O infrator ou conduzido, ocasião em que serão
respeitados todos os seus direitos constitucionais já elencados
neste trabalho.27

Já se tem entendimento doutrinário de que o condutor é a pessoa que


apresenta o preso à autoridade, não sendo necessário que tenha participado da prisão
do infrator ou sido testemunha da prática do delito.
Por conseguinte, a falta de testemunha não impedirá o auto de prisão em
flagrante, que será assinado por duas pessoas idôneas e capazes, pelo menos, que
hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade competente (§ 2.º do
artigo 245 do Código de Processo Penal Militar).

4. Recolhimento à prisão
Depois da oitiva do condutor, testemunha e infrator, o encarregado
mandará recolher o preso à prisão, providenciando a coleta de todo o material
(materialidade) para fins de prova.
Conforme o artigo 242 do Código de Processo Penal Militar, aos oficiais
militares estaduais são conferidas a prerrogativa de prisão especial ou recolhidos a
quartel, à disposição da autoridade competente, antes de condenação irrecorrível, na
seguinte forma, observadas as alterações da Lei n.º 10. 258, de 11 de julho de 2001,
que alteraram o artigo 295 do Código de Processo Penal, mas extensivas às demais
leis:
Art. 242. Serão recolhidos a quartel ou a prisão especial, à
disposição da autoridade competente, quando sujeitos a
prisão, antes de condenação irrecorrível:
(...)
f) os oficiais das Forças Armadas, das Policiais Militares e dos
Corpos de Bombeiros Militares, inclusive os da reserva,
remunerada ou não, e os reformados;
(...)
Parágrafo único. A prisão de praças especiais e de
graduados atenderá aos respectivos graus de hierarquia.28

Conforme prescreve o artigo 246 do Código de Processo Penal Militar,


poderá, ainda, se for o caso, determinar o presidente do flagrante que seja
providenciado o auto de exame de corpo de delito, à busca e apreensão de
instrumento do crime e qualquer outra diligência necessária ao seu real
esclarecimento.
De imediato, tendo por base o artigo 345 do Código de Processo Penal
Militar, o encarregado deverá formular, em três vias, os quesitos necessários à perícia
dos objetos e instrumentos apreendidos, requisitando-os, com base no artigo 321 do
supradito diploma legal, aos órgãos encarregados de proceder a exames, destinando
as segunda e terceira vias para juntada nos documentos regulamentares do
procedimento.
Se ao contrário da hipótese prevista no artigo 246 do Código de Processo
Penal Militar, a autoridade judiciária verificar a inexistência de infração penal militar ou
a não participação da pessoa conduzida, relaxará a prisão. Em se tratando de infração
penal comum, remeterá o preso à autoridade civil competente (inteligência do § 2º do
artigo 247 do Código de Processo Penal Militar).
Poderá também ser lavrado um Auto de Resistência, na conformidade do
artigo 234 do Código de Processo Penal Militar. No ensinamento de Assis (2004, p.
105): “Tal procedimento é realizado pelo executor de uma prisão, quando se depara
com resistência e necessita empregar força física para vencê-la”.29

5. Nota de culpa
Muitos dos militares fazem uma verdadeira confusão no que concerne à
nota de culpa. Entendem alguns militares estaduais que se um infrator da lei penal que
esteja em estado de flagrância não for preso ou capturado em 24 horas, estará livre do
flagrante.
Na verdade, às 24 horas proferidas na lei são aquelas estabelecidas no
“caput” do artigo 247 do Código de Processo Penal Militar, ocasião em que, dentro de
24 horas após a prisão, será dado ao preso nota de culpa assinada pela autoridade,
com motivo da prisão, nome do condutor, das testemunhas e pelo ofendido.
Da nota de culpa o preso passará recibo (§ 1.º do artigo 247 do Código de
Processo Penal Militar) que será assinado por duas testemunhas. Caso não possa ou
não queira assinar, o encarregado deverá colher a assinatura das testemunhas que
comprovem o fato. Ressalte-se que a não apresentação da nota de culpa ao preso,
segundo a doutrina dominante, não gera nulidade do feito, sendo considerada apenas
uma irregularidade que poderá ser sanada. No entanto, poderá suscitar o relaxamento
do flagrante.
No que tange ao flagrante, enquanto a autoridade ou qualquer pessoa do
povo estiver perseguindo o infrator, estiver no seu encalço ininterruptamente, mesmo
que passem dias, meses ou anos, o estado de flagrância será mantido.
Outro detalhe é o prazo para a lavratura do auto de prisão em flagrante. A
doutrina dominante estabeleceu um prazo de 24 horas para a lavratura do flagrante
estando o agente preso, ou seja, a confecção dos atos administrativos que
materializam o feito.

A lei não fixa prazo para a lavratura do auto de prisão em


flagrante. Todavia, o seu caráter de urgência, aliados aos
entraves de cunho administrativo, levou os tribunais a optar
por um prazo limite de 24 horas, tempo em que será fornecida
ao indiciado a nota de culpa (TAMG – RT 683/347).30

6. Se houver envolvimento de menor


O artigo 50 do Código de Processo Penal Militar foi revogado pelo artigo
288 da Constituição Federal de 1988: “Art. 288. São penalmente inimputáveis os
menores de dezoito anos, sujeito as normas da legislação especial”.
A legislação especial é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Lei
n.º 8.069/1990, publicada em 13 de junho de 1990. Quando uma criança (até 12 anos
de idade incompletos) cometer um ato infracional será submetido a uma medida
protetiva prevista no artigo 101 do ECA. Quando o ato infracional for praticado por
adolescente (aquele entre 12 e 18 anos de idade), ser-lhe-á aplicada as medidas
sócio-educaticas previstas no artigo 112 do ECA.31
Ressalte-se que a criança em hipótese alguma poderá ser conduzida para
o Quartel ou Delegacia de Polícia, devendo-se acionar o Conselho Tutelar para as
providências legais. Quando ao adolescente apreendido, deverá o mesmo ser
encaminhado a delegacia de polícia especializada, ou, se no município não tiver, a
qualquer delegacia de polícia, para ser lavrado o flagrante de ato infracional.
Ademais, conforme preceitua o § 1º do artigo 245 do Código de Processo
Penal Militar, “em se tratando de menor inimputável, será apresentado, imediatamente,
ao juiz de menores”.
Por fim, para a realização de flagrante delito de maior de 18 e menor de 21
anos, deve ser nomeado curador especial.

7. Preparação do relatório e remessa à autoridade competente


O relatório é a materialização dos fatos formatado por uma narração
escrita, acerca dos fatos apresentados à autoridade judiciária, com a discriminação de
todos os seus aspectos ou elementos. Portanto, é uma exata relação do feito, em que
o Juiz de Direito do Juízo Militar irá se basear para posterior pronunciamento e
decisão.
No Código de Processo Penal Militar o relatório não está previsto
legalmente. No entanto, pela premissa do direito costumeiro, é de boa aceitação a
sua confecção para primado da organização e lisura do feito.
O auto de prisão em flagrante de delito militar será encaminhado
imediatamente ao Juiz de Direito do Juízo Militar, se não houver sido lavrado por
autoridade judiciária, e, no máximo, dentro de cinco dias, se depender de diligência
prevista no artigo 246 do Código de Processo Penal Militar, tudo, conforme preceitua o
“caput” do artigo 251 do mesmo dispositivo legal.
Desde então, o preso passará imediatamente à disposição da autoridade
judiciária competente para conhecer do procedimento (parágrafo único do artigo 251
do Código de Processo Penal Militar). Observe-se que o auto poderá ser mandado ou
devolvido à autoridade militar pelo Juiz de Direito do Juízo Militar ou a requerimento do
Ministério Público, se novas diligências forem necessárias ao fiel esclarecimento do
fato (artigo 252 do Código de Processo Penal Militar).

8. Liberdade provisória
O juiz de Direito do Juízo Militar, ao receber os autos de prisão em
flagrante de delito militar, procederá de acordo com o artigo 253 do Código de
Processo Penal Militar:

Art. 253. Quando o juiz verificar pelo auto de prisão em


flagrante que o agente praticou o fato nas condições dos
artigos 35, 38, observado o disposto no artigo 40, e dos
artigos 39 e 42, do Código Penal Militar, poderá conceder ao
indiciado liberdade provisória, mediante termo de
comparecimento a todos os atos do processo, sob pena de
revogar a concessão. Grifo nosso.32

Assim, de acordo com o Código Penal Militar (Parte Geral) e especialmente


em relação ao tópico retro citado:

Erro de Direito

Art. 35. A pena pode ser atenuada ou substituída por outra


menos grave quando o agente, salvo em se tratando de crime
que atente contra o dever militar, supõe lícito o fato, por
ignorância ou erro de interpretação da lei, se escusáveis.

Coação Irresistível e Obediência Hierárquica

Art. 38. Não é culpado quem comete crime:


a) sob coação irresistível ou que lhe suprima a faculdade de
agir segundo a própria vontade;
b) em estrita obediência hierárquica a ordem direta de
superior hierárquico em matéria de serviço.

Estado de Necessidade como Excludente de Culpabilidade

Art. 39. Não é igualmente culpado quem, para proteger direito


próprio ou de pessoa a quem está ligado por estritas relações
de parentesco ou afeição, contra o perigo certo e atual, que
não provocou, nem podia de outro modo evitar, sacrifica
direito alheio, ainda quando superior ao direito protegido,
desde que não lhe era razoavelmente exigível conduta
diversa.

Coação Física ou Material

Art. 40. Nos crimes em que há violação de dever militar, o


agente não pode invocar irresistível senão quando física ou
material.

Exclusão de Crime

Art. 42. Não há crime quando o agente pratica o fato:


I – em estado de necessidade;
II – em legítima defesa;
III – em estrito cumprimento do dever legal;
IV – em exercício regular do direito.
Parágrafo único. Não há igualmente crime quando o
comandante de navio, aeronave ou praça de guerra, na
iminência de perigo ou grave calamidade, compele os
subalternos, por meios violentos, a executar serviços e
manobras urgentes, para salvar a unidade ou vidas, ou evitar
o desânimo, o terror, a desordem, a rendição, a revolta ou o
saque.33

O artigo 270 do Código de Processo Penal Militar elenca outras situações


de concessão ou suspensão da liberdade provisória:

Art. 270. O indiciado ou acusado livrar-se-á solto no caso de


infração a que não for cominada pena privativa de liberdade.
Parágrafo único. Poderá livrar-se solto:
a) no caso de infração culposa, salvo se compreendida entre
as previstas no Livro I, Título I, da Parte especial, do Código
Penal Militar;
b) no caso de infração punida com pena de detenção não
superior a dois anos, salvo as previstas nos artigos 157, 160,
161, 162, 163, 164, 166, 173, 176, 178, 187, 192, 235, 299 e
302, do Código Penal Militar.
Art. 271. A superveniência de qualquer dos motivos referidos
no artigo 255 poderá determinar a suspensão da liberdade
provisória, por despacho da autoridade que a concedeu, de
ofício ou a requerimento do Ministério Público.34

9. Apresentação espontânea do militar estadual


Vislumbrando o artigo 243 do Código de Processo Penal Militar,
percebemos que a prisão em flagrante delito somente deve ser imposta àquele “que
seja encontrado em flagrante delito”.
O militar a serviço que, cometendo determinado crime, toma a iniciativa de
socorrer a vítima e acionar o comandante ou supervisor de policiamento da capital ou
superior de serviço, para certificar a sua ação policial que resultou no cometimento do
crime, implicando na sua apresentação espontânea, não pode ser preso em flagrante.
Aqui o militar estadual não é encontrado e sim, apresenta-se espontaneamente. Ele
deve anunciar que é o autor do delito e apresentar ao comandante do serviço todas as
provas relativas ao fato (armas, objetos, papéis, etc.).
O que nos leva a entender tal ação é o fato de que, independentemente
das circunstâncias que levam ao cometimento do delito, sob a proteção das
excludentes de ilicitude ou não, o simples fato de o agente apresentar-se lhe garante o
direito, dentre outras, o de ter a sua liberdade preservada até que o juiz aprecie sua
situação jurídica e fática. Ocorrido o comparecimento espontâneo, somente o juiz
competente pode deliberar sobre a medida judicial a adotar.
Ao se apresentar, o militar garante imediatamente o conhecimento da
autoria e da conduta, liminarmente. Assim, ocorrida à apresentação espontânea e
lavrado o respectivo termo, estarão sendo observados os princípios da economia
processual, da instrumentalidade do processo e do direito constitucionalmente
garantido da liberdade de locomoção.
Segundo magistério de TOURINHO FILHO (2001, p. 544):

Daí porque, não tendo havido prisão em flagrante do


requerente, mas, sim, apresentação espontânea, roga,
também por isso, a anulação do auto de prisão em flagrante
como instrumento de coação cautelar e o relaxamento da
prisão do requerente, com fundamento no artigo 5.º, LXV, da
Constituição Federal.35

Nesse sentido, a lição de MAGALHÃES NORONHA:

Apresentando-se, o acusado, nem por isso a autoridade


poderá prendê-lo: deverá mandar lavrar o auto de
apresentação, ouvi-lo-a e representará ao juiz quanto à
necessidade de decretar a custódia preventiva. Inexiste prisão
por apresentação.36

Finalmente, aplicando-se o princípio da compatibilidade vertical das normas


jurídicas (concepção de Hans Kelsen), e adequando o artigo 262 do Código de
Processo Penal Militar ao inciso LXVI do artigo 5º da Constituição Federal de 1988,
deve-se frisar que, apresentando-se espontaneamente o militar estadual, deve-se
lavrar o termo competente, sendo os autos apresentado, em seguida, ao juiz de Direito
do Juízo Militar, para as medidas legais cabíveis. 37

10. Omissão de autoridade


Quando o fato for praticado em presença de autoridade, ou contra ela, no
exercício de suas funções, deverá ela própria prender e autuar em flagrante o infrator,
mencionando a circunstância (artigo 249 do Código de Processo Penal Militar).
A autoridade que presencia prática delituosa e não procede de maneira
legal, evidencia uma conduta omissiva própria, e poderá incorrer em delitos previstos
no Código Penal Militar: 1) Prevaricação, para satisfazer interesse ou sentimento
pessoal (artigo 319); 2) Condescendência Criminosa (artigo 322) ou 3) Inobservância
de Lei, Regulamento ou Instrução (artigo 234).

11. Prisão não sujeita à administração militar


Quando a prisão em flagrante for efetuada em lugar não sujeita à
administração militar, o auto poderá ser lavrado por autoridade civil, ou pela autoridade
militar do lugar mais próximo daquele em que ocorre a prisão (artigo 250 do Código de
Processo Penal Militar), conforme já exposto em tópicos anteriores.

12. Competência nos crimes dolosos contra a vida


No caso de crimes dolosos contra a vida, exemplos do Código Penal Militar
(artigo 205 – homicídio; artigo 207 – instigação, induzimento ou auxílio ao suicídio e
artigo 208 – genocídio), praticados por militar contra civil, a competência para a
lavratura do flagrante é da autoridade militar estadual, nas circunstanciais elencadas
no artigo 9.º do Código Penal Militar.38
A Lei federal n.º 9. 299/1996 (Lei Hélio Bicudo), que alterou o Código Penal
Militar, apenas deslocou a competência para a justiça comum do seu processamento e
julgamento.
Para o eminente jurista COSTA, em Crime Militar (2005, p. 459):

A norma do parágrafo único inserido pela Lei n.º 9.299/96 no


artigo 9.º do Código Penal Militar redefiniu os crimes dolosos
contra a vida praticados por policiais militares contra civil, até
então considerados de natureza militar como crimes comuns.
Trata-se, entretanto, de redefinição restrita que não alcançou
quaisquer outros ilícitos, ainda que decorrente de
desclassificação, os quais permaneceram sob a jurisdição da
Justiça Militar, que, sendo de extração constitucional (artigo
125, § 4.º da CF), não pode ser afastada, obviamente por
efeito de conexão e nem, tampouco, pelas razões de política
processual que inspiram as normas do Código de Processo
Penal.”39

O assunto é polêmico até os dias de hoje, especialmente, quanto a


definição da competência para a instauração do Inquérito. No Estado do Ceará, o
Ministério Público Militar Estadual, expediu Recomendação Ministerial n.º 001, datada
de 3 de agosto de 2005, ao Comando-Geral da Polícia Militar, nos seguintes termos:

... Com relação ao poder de polícia judiciária militar outorgado


à V.Sª, esse será exercido por si ou por delegação, somente
na apuração de crime de natureza militar (“ex vi” dos artigos
8.º, alínea “a”, 9.º, “caput”, do Código de Ritos Penal Militar),
sendo vedada a essa autoridade policial militar instaurar
Inquéritos Policiais Militares em crimes cujo processo e
julgamento são da competência da justiça comum estadual,
como é exemplo, crime de homicídio praticado conta civil,
abuso de autoridade, porte ilegal de armas, caso esta não
seja patrimônio da corporação militar, crimes praticados
contra criança ou adolescente, crimes contra a Administração
Pública, etc, cuja inobservância dessa vedação se constitui
ilicitude prevista no artigo 324, do Código Penal Militar.

Adiante, o “Parquet” Militar Estadual informa, que objetivando prevenir


responsabilidade e evitar dispêndio ao Erário com a confecção de procedimentos
administrativos dúplice (na esfera policial militar e na esfera policial civil), incidindo o
princípio do “bis in idem”, é a presente para RECOMENDAR ao Comando Geral da
Polícia Militar do Ceará a adoção das seguintes providências:

I – (...)
II – abster-se, também, de determinar a instauração de
Inquéritos Policiais Militares em delitos que não se constituem
crimes militares e cuja competência para o processo e
julgamento é da justiça comum estadual.
III – proceder divulgação da presente RECOMENDAÇÃO
MINISTERIAL no Boletim do Comando Geral da Polícia Militar
do Ceará, para ciência de todas as Unidades Militares de
nossa Unidade Federativa, para imediata observância legal.40

A Corregedoria-Geral dos Órgãos de Segurança Pública do Estado do


Ceará, seguindo a mesma premissa, expediu RECOMENDAÇÃO aos Órgãos da
SSPDS, tudo publicado em Boletim do Comando-Geral da Polícia Militar do Ceará de
n.º 004, de 5 de janeiro de 2006, no sentido de:

I – (...)
II – Recomendar aos Comandantes-Gerais da Polícia Militar e
do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará que:
a) per si ou por delegação, se abstenham de realizarem auto
de prisão em flagrante delito ou instaurar inquérito policial
militar quando diante de notícias onde estejam presentes
circunstâncias que indiquem crimes cujo processo e
julgamento sejam de competência da Justiça Comum,
devendo, portanto, encaminhar, imediatamente, a ocorrência
e as peças de informações até a autoridade policial civil no
território de suas respectivas circunscrições, para a imediata
lavratura do auto de prisão em flagrante delito ou, em caso de
reclamação com indícios de cometimento de ilícito penal, de
instauração de Inquérito Policial comum.41

No entanto, pelo menos em relação ao inquérito, não foi esta a decisão e o


posicionamento tomado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Corte Maior de nossa
Justiça, Guardião da Constituição Federal, bem antes de tais recomendações (no ano
de 1997), ao julgar medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade ajuizada
pela Associação dos Delegados de Polícia do Brasil – ADEPOL contra a lei n.º
9.299/96 que, ao dar nova redação ao artigo 82 do Código Penal Militar, determina
que “nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a Justiça Militar
encaminhará os autos do Inquérito Policial Militar à Justiça Comum”.
Na ocasião o Supremo Tribunal Federal decidiu:

Afastando a tese da autora de que a apuração dos referidos


crimes deveria ser feita em inquérito policial civil e não em
inquérito policial militar, o Tribunal, por maioria, indeferiu a
liminar por ausência de relevância na argüição de ofensa ao
inciso IV, do § 1.º e ao § 4.º do artigo 144, da Constituição
Federal, que atribuem às polícias federal e civil o exercício
das funções de polícia judiciária e a apuração de infrações
penais, exceto as militares. Considerou-se que o dispositivo
impugnado não impede a instauração paralela de inquérito
pela polícia civil. Vencidos os ministros Celso de Mello,
relator, Maurício Corrêa, Ilma Galvão e Sepúlveda Pertence.
ADIN 1.494-DF, rel. orig. Min. Celso de Mello, rel. p/ ac. Min.
Marco Aurélio, 9.4.97.42
A decisão da Corte Suprema parece não deixar dúvidas de que a
autoridade militar estadual é competente para instaurar inquérito policial militar.
A lei é clara, senão vejamos:
1) Crime doloso contra a vida praticado por militar contra civil é julgado
pelo júri popular;
2) Existe apenas um deslocamento de competência para julgamento, ou
seja, da Justiça Militar para a Justiça Comum;
3) Compete a Justiça Militar remeter os autos de Inquérito Policial Militar
para a Justiça Comum, o que garante a feitura do procedimento investigatório de
natureza inquisitorial, ou seja, o Inquérito Policial Militar, pela Autoridade de Polícia
Judiciária Militar;
4) É cediço que não há ilegalidade no artigo 82, § 2.º do Código de
Processo Penal Militar com a redação dada pela Lei Federal n.º 9.299/96.

Sendo assim, entendemos que as recomendações adredemente vistas e


citadas, apresentam-se como uma mitigação da atividade de polícia judiciária militar
estadual, garantida por uma Lei Federal, plenamente em vigor.
Não obstante, respeitando o entendimento Ministerial, logicamente
preocupado com a situação do militar estadual poder submeter-se a dois
procedimentos investigatórios (militar e civil), inclusive com a questão da economia
processual, da duplicidade de procedimentos, não vemos, a luz do direito vigente,
como abdicar de uma competência legal e constituída.
Ensejo, na oportunidade, também discordar, de que a não observância das
recomendações, por parte da autoridade de polícia judiciária militar, no caso específico
do Inquérito, constitui ilicitude prevista no artigo 324, do Código Penal Militar.
Portanto, para o “Parquet” Estadual, se a autoridade autuar em flagrante
de delito militar ou instaurar Inquérito Policial Militar quando um militar estadual, em
serviço, cometer crime doloso contra a vida, estará incidindo no crime militar tipificado
como: “deixar, no exercício de função, de observar lei, regulamento ou instrução,
dando causa direta à prática de ato prejudicial à administração militar”.
Pergunto. Que lei não será observada? Qual seria o ato prejudicial à
administração militar? Que causa direta ensejaria tal prática? Lembramos que só
existe crime se o fato for típico e anti-jurídico. Para o Supremo Tribunal Federal,
intérprete da Constituição Federal, o Inquérito Policial Militar poderá ser legalmente
instaurado nesses casos.
Caso semelhante ocorre, a título de exemplo, se um militar estadual em
serviço cometer um crime de abuso de autoridade, estipulado em Lei especial (Lei n.º
4.898, de 9 de dezembro de 1965), a apuração do fato é feito pela Polícia Militar mas o
processamento e o julgamento pela Justiça Comum.
Para ratificar tal assertiva, lembramos a Súmula n.º 172 do Superior
Tribunal de Justiça (STJ): “Compete à Justiça Comum processar e julgar militar por
crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço”.
Por fim, o assunto tem causado ainda hoje alguns transtornos de caráter
jurídico-administrativo, incidindo em recursos por parte de alguns oficiais da Polícia
Militar do Ceará, que designados por portarias para instaurarem Inquéritos Policiais
Militares, argumentam a falta de competência, em virtude das citadas recomendações,
publicadas em Boletim do Comando-Geral.

13. Nulidades do auto de prisão


Segundo prescreve o artigo 500, inciso IV do Código de Processo Penal
Militar “por omissão de formalidade que constitua elemento essencial do processo”
poderá dá-se a nulidade do Auto de Prisão em Flagrante Delito Militar. Assim, têm
entendido sistematicamente os Tribunais Militares.
Com tudo isso, segundo ensina LOUREIRO NETO (2000, p. 90), em seu
estudo de Processo Penal Militar, tem-se entendido que o auto estará nulo nos
seguintes casos, muito embora possa ter valor como peça de informação:

a) falta de compromisso das testemunhas em dizer a verdade,


quando ouvidas no auto, conforme a última parte do artigo 352
do CPPM;
b) falta de compromisso também do condutor, a não ser que
figure como ofendido;
c) falta de assinatura de uma das pessoas ouvidas no auto e a
não-nomeação de curador ao preso menor de 21 anos;
d) falta de testemunhas de apresentação do preso pelo
condutor à autoridade militar (artigo 245, § 2.º do CPPM);
e) quando o auto não contiver o depoimento do condutor e das
testemunhas do flagrante;
f) o flagrante será nulo quando formalizada a prisão através do
auto com inobservância das regras contidas no artigo 244 do
CPPM.43

14. Emprego da força e uso de algemas


O artigo 234, § 1.º do Código de Processo Penal Militar, assevera que: “O
emprego de algemas deve ser evitado, desde que não haja perigo de fuga ou
agressão da parte do preso, e de modo algum será permitido, nos presos a que se
refere o artigo 242.”
Já o § 2.º do artigo 234 do CPPM, informa que: “O recurso do uso de
armas só se justifica quando absolutamente necessário para vencer a resistência ou
proteger a incolumidade do executor da prisão ou a de auxiliar seu”.
O artigo 242 do Código de Processo Penal Militar especifica as autoridades
que serão recolhidas a quartéis ou a prisão especial, à disposição da autoridade
competente, quando sujeitos a prisão, antes de condenação irrecorrível:

a) os ministros de Estado;
b) os governadores ou interventores de Estado, ou Territórios,
o prefeito do Distrito Federal, seus respectivos secretários e
chefes de Polícia;
c) os membros do Congresso Nacional, dos Conselhos da
União e das Assembléias Legislativas dos Estados;
d) os cidadãos inscritos no Livro de Mérito das ordens
militares ou civis reconhecidas em lei;
e) os magistrados;
f) os oficiais das Forças Armadas, das Polícias e dos Corpos
de Bombeiros Militares, inclusive os da reserva, remunerada
ou não, e os reformados;
g) os oficiais da marinha Mercante Nacional;
h) os diplomados por faculdade ou instituto superior de ensino
nacional;
i) os Ministros do Tribunal de Contas;
j) os ministros de confissão religiosa. 44

Segundo Marina Corrêa Xavier, em escrito na Tribuna do Brasil (2007),


existem projetos de regulamentação federal sobre o assunto. Um deles é o de n.º
185/2004, do Senado Federal, que regulamenta o emprego de algemas e ainda
ressalva que deve-se evitar a exposição dos presos à mídia, aos holofotes da política
e à ignomínia perante à sociedade. Nesse projeto há também o diferencial de não
abraçar o questionável sistema de privilégios do Código de Processo Penal Militar.
Outro projeto tramita na Câmara dos Deputados, o qual se diferencia por
dispensar o uso de algemas nos casos de réus primários, de cidadãos com bons
antecedentes, dos detentos que não tentam fugir e quando não se tratar de prisão em
flagrante.45
Finalmente, a lição insculpida no Manual de Técnica Policial Militar (2002,
p. 118) da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, o uso de algemas tem como
objetivos primários CONTROLAR o suspeito/agente, prover SEGURANÇA aos
policiais e suspeito/agente e REDUZIR o agravamento da ocorrência. O uso de
algemas em contraventores ou agentes de crimes mais simples é discricionário. Avalie
a situação, os riscos, as circunstâncias (...), contudo é preciso que o policial avalie a
real necessidade de fazê-lo, pois se trata de situação bastante constrangedora.46

15. Considerações gerais e fases do flagrante


Para que o flagrante delito seja perfeitamente válido é necessária a oitiva e
a presença do conduzido no ato da lavratura. No entanto, essa regra tem exceções
que deve gerar atenção especial ao encarregado do flagrante. É o que dizem os
autores:
1) caso em que o conduzido está gravemente ferido ou inconsciente, ou
apresente ou simule problemas médicos, que o faça ser transportado a um leito de
hospital – A autoridade encarregada do auto juntamente com o escrivão, condutor e
testemunhas, devem se dirigir a uma das salas do hospital e, providenciar a lavratura,
porém, deve nomear curador ao conduzido (pessoa em estado de inconsciência);
2) se um dos conduzidos for surdo, mudo ou surdo-mudo ou analfabeto e
não tiver intérprete e nem quem entenda a sua mímica – a autoridade encarregada
registra o fato mediante termo e justifica a impossibilidade de ouvir o conduzido
naquela oportunidade;
3) se o conduzido for estrangeiro e desconhece totalmente o idioma
nacional e não existe a possibilidade de se conseguir um intérprete – o encarregado
deve utilizar-se do mesmo procedimento anterior;
4) se o conduzido estiver embriagado ou sob forte efeito de substância
entorpecente – o encarregado deve lavrar o auto na presença de um Defensor Legal,
justificando as circunstâncias que levaram a autoridade à não ouvir o conduzido. Tão
logo cesse a causa determinante do impedimento, o acusado deverá ser ouvido, de
preferência nas próximas 24 horas, em termo a parte nos autos. Ele também poderá
ser ouvido em leito de hospital ou em qualquer outro local para onde tenha sido
conduzido. Importante frisar que, sempre que o auto for realizado e se tornar
impossível ou difícil de ouvir o conduzido dentro do prazo de até 5 (cinco) dias, tais
circunstâncias deverão ser comunicadas ao Juiz de direito do Juízo Militar, bem como
deverá ser certificado nos autos. 47
No caso citado no subitem 2) supra, quanto a oitiva do surdo, mudo ou
surdo-mudo é feita, conforme está descrito nos incisos I, II e III do artigo 192, e
artigos 193 e 195, da Lei n.º 10.792, de 1/12/03, que alterou a lei n.º 7.210, de
11/6/1984 (Lei de Execução Penal) e o Decreto-Lei n.º 3.689, de 3/10/1941 (Código
de Processo Penal - CPP):

Art. 192. O interrogatório do mudo, do surdo e do surdo-mudo


será feito pela forma seguinte:
I - ao surdo – serão apresentadas por escrito as perguntas,
que ele responderá oralmente;
II - ao mudo – as perguntas serão feitas oralmente,
respondendo-as por escrito;
III - ao surdo-mudo – as perguntas serão formuladas por
escrito e do mesmo modo dará as respostas.
Parágrafo único. Caso o interrogado não saiba ler ou
escrever, intervirá no ato, como intérprete e sob compromisso,
pessoa habilitada a entendê-lo.
Art. 193. Quando o interrogado não falar a língua nacional, o
interrogatório será feito por meio de intérprete.
Art. 195. Se o interrogado não souber escrever, não puder ou
não quiser assinar, tal fato será consignado em termo.48

Ressalte-se que, vigora no ordenamento jurídico nacional, o princípio de


que: a) morrendo o autor do fato punível, antes de ser iniciada a persecução penal,
esta não mais se iniciará; b) se já iniciada a ação penal, tranca-se a relação
processual, julgando-se extinta a punibilidade; c) Se depois de proferida sentença
condenatória, esta não mais poderá ser executada.
5) Não esquecer de assegurar as garantias constitucionais dos presos
elencadas no artigo 5.º da Constituição Federal de 1988 e anteriormente citados neste
capítulo.

Em resumo, logo após a preservação das garantias constitucionais da


pessoa presa, segundo a doutrina, pode-se conceituar o auto de prisão em flagrante
de delito militar em ato complexo, dividido em fases:
1ª Fase:
A autoridade militar ouvirá a pessoa que conduz o preso (condutor) sobre
os motivos da prisão e/ou suas circunstâncias (artigo 245 do Código de Processo
Penal Militar). Entretanto, pode o condutor não ser o responsável pela prisão, não
tendo presenciado o crime (por exemplo, o militar estadual requisitado por terceiro que
efetua a prisão).
2ª Fase:
A autoridade militar ouve as testemunhas (artigo 245 do Código de
Processo Penal Militar) – como testemunhas é mencionada no plural, é exigido o
número mínimo de duas, para a formação do procedimento, não obstante,
entendimento jurisprudencial majoritário que vislumbra necessária apenas a presença
de uma testemunha mais o condutor.
3ª Fase:
A autoridade militar ouve a vítima – esta é a pessoa que mais contribui para
a elucidação do fato, sendo indispensável sua oitiva, mesmo que tal providência não
esteja mencionada no artigo.
4ª Fase:
A autoridade militar interroga o indiciado. Neste momento o ato é presidido
pela autoridade militar que cumpre os ditames legais dos artigos 302 a 306 do Código
de Processo Penal Militar, inclusive no que tange ao inciso LXIII do artigo 5º da
Constituição Federal de 1988 (direito constitucional ao silêncio).
5ª Fase:
O auto de prisão em flagrante de delito militar é assinado pela autoridade
militar, pelo condutor, pelas testemunhas e pelo indiciado (artigo 245 do Código de
Processo Penal Militar).
6ª Fase:
A autoridade militar faz a comunicação da prisão ao Juiz de Direito do Juízo
Militar, com cópia do auto, expedindo a nota de culpa ao preso nos termos do artigo
247 do Código de Processo Penal Militar.

VII – RELAÇÃO DOS DELITOS MILITARES EM TEMPO DE PAZ


(CONFORME O CÓDIGO PENAL MILITAR)
Parte Especial do Código Penal Militar, citado por Miranda (1999, p. 41 a
108):49

1. TITULO I – DOS CRIMES CONTRA A SEGURANÇA EXTERNA DO


PAIS
a) Hostilidade contra país estrangeiro – Art. 136. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
b) Provocação a país estrangeiro – Art. 137. “caput”;
c) Ato de jurisdição indevida – Art. 138. “caput”;
d) Violação de território estrangeiro – Art. 139. “caput”;
e) Entendimento para empenhar o Brasil à neutralidade ou à guerra – Art.
140. “caput”;
f) Entendimento para gerar conflito ou divergência com o Brasil – Art. 141.
“caput” e §§ 1.º e 2.º;
g) Tentativa contra a soberania do Brasil – Art. 142 e incisos;
h) Consecução de notícia, informação ou documento para fim de
espionagem – Art. 143. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
i) Revelação de notícia, informação ou documento – Art. 144. “caput” e §§
1.º ao 3.º;
j) Turbação de objeto de documento – Art. 145. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
k) Penetração com o fim de espionagem – Art. 146. “caput” e parágrafo
único;
l) Desenho ou levantamento de plano ou planta de local militar ou de
engenho de guerra – Art. 147. “caput”;
m) Sobrevôo em local interdito – Art. 148. “caput”.

2. TITULO II – DOS CRIMES CONTRA A AUTORIDADE OU DISCIPLINA


MILITAR
1) Capítulo I – DO MOTIM E DA REVOLTA
a) Motim – Art. 149 e parágrafo único;
b) Organização de grupo para a prática de violência – Art. 150. “caput”;
c) Omissão de lealdade militar – Art. 151. “caput”;
d) Conspiração – Art. 152. “caput”.

2) Capítulo II – DA ALICIAÇÃO E DO INCITAMENTO


a) Aliciação para motim ou revolta – Art. 154. “caput”;
b) Incitamento – Art. 155. “caput”;
c) Apologia de fato criminoso ou do seu autor – Art. 156. “caput”.

3) Capítulo III – DA VIOLÊNCIA CONTRA SUPERIOR OU MILITAR DE


SERVIÇO
a) Violência contra superior – Art. 157. “caput” e §§ 1.º ao 5.º;
b) Violência contra militar de serviço – Art. 158. “caput” e §§ 1.º ao 3.º e art.
159;

4) Capítulo IV – DO DESRESPEITO A SUPERIOR E A SÍMBOLO


NACIONAL OU A FARDA
a) Desrespeito a superior – Art. 160. “caput” e parágrafo único;
b) Desrespeito a símbolo nacional – Art. 161. “caput”;
c) Despojamento desprezível – Art. 162. “caput” e parágrafo único.

5) Capítulo V – DA INSUBORDINAÇÃO
a) Recusa de obediência – Art. 163. “caput”;
b) Oposição à ordem de sentinela – Art. 164. “caput”;
c) Reunião ilícita – Art. 165. “caput”;
d) Publicação ou crítica indevida – Art. 166. “caput”.

6) Capítulo VI – DA USURPAÇÃO E DO EXCESSO OU ABUSO DE


AUTORIDADE
a) Assunção de comando sem ordem ou autorização - Art. 167. “caput”;
b) Conservação ilegal de comando – Art. 168. “caput”;
c) Operação militar sem ordem superior – Art. 169. “caput” e parágrafo
único;
d) Ordem arbitrária de invasão – Art. 170. “caput”;
e) Uso indevido por militar de uniforme, distintivo ou insígnia – Art. 171.
“caput”;
f) Uso indevido de uniforme, distintivo ou insígnia militar por qualquer
pessoa – Art. 171. “caput”;
g) Abuso de requisitar militar – Art. 173. “caput”;
h) Rigor excessivo – Art. 174. “caput”;
i) Violência contra inferior – Art. 175. “caput” e parágrafo único;
j) Ofensa aviltante a inferior – Art. 176. “caput”.

7) Capítulo VII – DA RESISTÊNCIA


a) Resistência mediante ameaça ou violência – Art. 177. “caput” e §§ 1.º e
2.º.

8) Capítulo VIII – DA FUGA, EVASÃO, ARREBATAMENTO E


AMOTINAMENTO DE PRESOS
a) Fuga de preso ou internado – Art. 178. e §§ 1.º ao 3.º e Art. 179;
b) Evasão de preso ou internado – Art. 180. “caput”;
c) Arrebatamento de preso ou internado – Art. 181. “caput”;
d) Amotinamento – Art. 182. “caput” e parágrafo único.

3. TITULO III – DOS CRIMES CONTRA O SERVIÇO MILITAR E O DEVER


MILITAR
1) Capítulo I – DA INSUBMISSÃO
a) Insubmissão – Art. 183. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
b) Criação ou simulação de incapacidade física – Art. 184. “caput”;
c) Substituição de convocado – Art. 185. “caput” e parágrafo único;
d) Favorecimento a convocado – Art. 186. “caput” e parágrafo único.
2) Capítulo II – DA DESERÇÃO
a) Deserção – Art. 187, 188, 189. “caput”;
b) Deserção especial – Art. 190. “caput” e §§ 1.º ao 3.º;
c) Concerto para a deserção – Art. 191 e incisos;
d) Deserção por evasão ou fuga – Art. 192. “caput”;
e) Favorecimento a desertor – Art. 193. “caput” e parágrafo único;
f) Omissão de oficial – Art. 194. “caput”;

3) Capítulo III – DO ABANDONO DE POSTO E DE OUTROS CRIMES EM


SERVIÇO
a) Abandono de posto – Art. 195. “caput”;
b) Descumprimento de missão – Art. 196. “caput” e §§ 1.º ao 3.º;
c) Retenção indevida – Art. 197. “caput” e parágrafo único;
d) Omissão de eficiência da força – Art. 198. “caput”;
e) Omissão de providências para evitar danos – Art. 199. “caput” e
parágrafo único;
f) Omissão de providências para salvar comandados – Art. 200. “caput” e
parágrafo único;
g) Omissão de socorro – Art. 201. “caput”;
h) Embriaguez em serviço – Art. 202. “caput”;
i) Dormir em serviço – Art. 203. “caput”.

4) Capítulo IV – DO EXERCÍCIO DE COMÉRCIO


a) Exercício de comércio oficial – Art. 204. “caput”.

4. TÍTULO IV – DOS CRIMES CONTRA A PESSOA


1) Capítulo I – DO HOMICÍDIO
a) Homicídio simples – Art. 205. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
b) Homicídio culposo – Art. 206. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
c) Provocação direta ou auxílio ao suicídio – Art. 207. “caput” e §§ 1.º ao
3.º;

2) Capítulo II – DO GENOCÍDIO
a) Genocídio – Art. 208. “caput” e parágrafo único.

3) Capítulo III – DA LESÃO CORPORAL E DA RIXA


a) Lesão leve – Art. 209. “caput” e §§ 1.º ao 6.º;
b) Lesão culposa – Art. 210. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
c) Participação em rixa – Art. 211. “caput”.
2) Capítulo IV – DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE
a) Abandono de pessoa – Art. 212. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
b) Maus-tratos – Art. 213. “caput” e §§ 1.º e 2.º.

5) Capítulo V – DOS CRIMES CONTRA A HONRA


a) Calúnia – Art. 214. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
b) Difamação – Art. 215. “caput”;
c) Injúria – Art. 216. “caput”;
d) Injúria real – Art. 217. “caput”;
e) Ofensa às Forças Armadas – Art. 219 e 220. “caput”;
f) Equivocidade da ofensa – Art. 221. “caput”.

6) Capítulo VI – DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE


a) Constrangimento ilegal – Art. 222. “caput” e §§ 1.º ao 3.º;
b) Ameaça – Art. 223. “caput” e parágrafo único;
c) Desafia para duelo – Art. 224. “caput”;
d) Seqüestro ou cárcere privado – Art. 225. “caput” e §§ 1.º ao 3.º;
e) Violação de domicílio – Art. 226. “caput” e §§ 1.º ao 5;
f) Violação de correspondência – Art. 227. “caput” e §§ 1.º ao 4.º;
g) Divulgação de segredo – Art. 228. “caput”;
h) Violação de recato – Art. 229. “caput” e parágrafo único;
i) Violação de segredo profissional – Art. 230 e 231. “caput”.

7) Capítulo VII – DOS CRIMES SEXUAIS


a) Estupro – Art. 232. “caput”;
b) Atentado violento ao pudor – Art. 233. caput”;
c) Corrupção de menores – Art. 234. “caput”;
d) Pederastia ou outro ato de libidinagem – Art. 235. “caput”;

8) Capítulo VIII – DO ULTRAGE PÚBLICO AO PUDOR


a) Ato obsceno – Art. 238. “caput” e parágrafo único;
b) Escrito ou objeto obsceno – Art. 239. “caput”.

5. TITULO V – DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO


1) Capítulo I – DO FURTO
a) Furto simples – Art. 240. “caput” e §§ 1.º ao 7.º;
b) Furto de uso – Art. 241. “caput” e parágrafo único.

2) Capítulo II – DO ROUBO E DA EXTORSÃO


a) Roubo simples – Art. 242. “caput”;
b) Roubo qualificado – Art. 242. § 2.º;
c) Latrocínio – Art. 242. § 3.º;
d) Extorsão simples – Art. 243. “caput” e §§ 1.º e 3.º;
e) Extorsão mediante seqüestro – Art. 244. “caput”;
f) Chantagem – Art. 245. “caput” e parágrafo único e Art. 246 e 247;

3) Capítulo III – DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA


a) Apropriação indébita simples – Art. 248. “caput” e seus incisos;
b) Apropriação de coisa havida acidentalmente – Art. 249. “caput” e
parágrafo único e Art. 250.

4) Capítulo IV – DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES


a) Estelionato – Art. 251. “caput” e seus parágrafos;
b) Abuso de pessoa – Art. 252 e 253. “caput”.

5) Capítulo V – DA RECPTAÇÃO
a) Receptação – Art. 254. “caput” e parágrafo único;
b) Receptação culposa – Art. 255. “caput” e parágrafo único e Art. 256.

6) Capítulo VI – DA USURPAÇÃO
a) Alteração de limites – Art. 257. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
b) Oposição, supressão ou alteração de marcas – Art. 258. “caput”.

7) Capítulo VII – DO DANO


a) Dano – Art. 259. “caput” (simples), Art. 260 (atenuado) e Art. 262
(qualificado);
b) Outros danos – Art. 262, 263, 264, 265 e 266.

8) Capítulo VIII – DA USURA


a) Usura pecuniária – Art. 267. “caput” e §§ 1.º e 2.º.

6. TITULO VI – DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA


1) Capítulo I – DOS CRIMES DE PERIGO COMUM
a) Incêndio – Art. 268. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
b) Explosão – Art. 269. “caput” e §§ 1.º ao 4.º;
c) Emprego de gás tóxico ou asfixiante – Art. 270. “caput”;
d) Abuso de radiação – Art. 271. “caput” e parágrafo único;
e) Inundação – Art. 272. “caput” e parágrafo único;
f) Perigo de inundação – Art. 273. “caput”;
g) Desabamento ou desmoronamento – Art. 274. “caput” e parágrafo único;
h) Subtração, ocultação ou inutilização de material de socorro – Art. 275.
“caput”;
i) Fatos que expõem a perigo aparelhamento militar – Art. 276. “caput” e
parágrafo único;
j) Difusão de epizootia ou praga vegetal – Art. 278. “caput” e parágrafo
único;
l) Embriaguez ao volante – Art. 279. “caput”;
m) Perigo resultante de violação de regra de trânsito – Art. 280. “caput”;
n) Fuga após acidente de trânsito – Art. 281. “caput” e parágrafo único.

2) Capítulo II – DOS CRIMES CONTRA OS MEIOS DE TRANSPORTE E


DE COMUNICAÇÃO
a) Perigo de desastre ferroviário – Art. 28. “caput” e §§ 1.º ao 4.º;
b) Atentado contra transporte – Art. 283. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
c) Atentado contra viatura ou outro meio de transporte – Art. 284. “caput” e
§§ 1.º e 2.º e Art. 285;
d) Arremesso de projétil – Art. 286. “caput” e parágrafo único;
e) Atentado contra serviço de utilidade militar – Art. 287. ”caput” e parágrafo
único;
f) Interrupção ou perturbação de serviço ou meio de comunicação – Art.
288. “caput” e Art. 289. “caput”.

3) Capítulo III – DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA


a) Tráfico, posse ou uso de entorpecente ou substância de efeito similar –
Art. 290. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
b) Receita ilegal – Art. 291. “caput” e parágrafo único;
c) Epidemia – Art. 292. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
d) Envenenamento com perigo extensivo – Art. 293. “caput” e §§ 1.º ao 3.º;
e) Corrupção ou poluição de água potável – Art. 294. “caput” e parágrafo
único;
f) Favorecimento de substância nociva – Art. 296. “caput” e parágrafo único;
g) Omissão de notificação de doença – Art. 297. “caput”.

7. TÍTULO VII – DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO MILITAR


1) Capítulo I – DO DESACATO E DA DESOBEDIÊNCIA
a) Desacato a superior – Art. 298. “caput” e parágrafo único;
b) Desacato a militar – Art. 299. “caput”;
c) Desacato a assemelhado ou funcionário – Art. 300. “caput”;
d) Desobediência – Art. 301. “caput”;
e) Ingresso clandestino – Art. 302. “caput”.

2) Capítulo II – DO PECULATO
a) Peculato – Art. 303. “caput” e §§ 1.º ao 4.º;
b) Peculato mediante aproveitamento do erro de outrem – Art. 304. “caput”.

3) Capítulo III – DA CONCUSSÃO, EXCESSO DE EXAÇÃO E DESVIO


a) Concussão – Art. 305. “caput”;
b) Excesso de exação – Art. 306. “caput”;
c) Desvio – Art. 307. “caput”.

4) Capítulo IV – DA CORRUPÇÃO
a) Corrupção passiva – Art. 308. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
b) Corrupção ativa – Art. 309. “caput” e parágrafo único;
c) Participação ilícita – Art. 310. “caput”.

5) Capítulo V – DA FALSIDADE
a) Falsidade de documento – Art. 311. “caput” §§ 1.º e 2.º;
b) Falsidade ideológica – Art. 312. “caput”;
c) Cheque sem fundos – Art. 313. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
d) Certidão ou atestado ideologicamente falso – Art. 314. “caput” e
parágrafo único;
e) Uso de documento falso – Art. 315. “caput”;
f) Supressão de documento – Art. 316. “caput”;
g) Uso de documento pessoal alheio – Art. 317. “caput”;
h) Falsa identidade – Art. 318. “caput”.

6) Capítulo VI – DOS CRIMES CONTRA O DEVER FUNCIONAL


a) Prevaricação – Art. 319. “caput”;
b) Violação de dever funcional com fim de lucro – Art. 320. “caput”;
c) Extravio, sonegação ou inutulização de livro ou documento – Art. 321.
“caput”;
d) Condescendência criminosa – Art. 322. “caput”;
e) Não inclusão de nome em lista – Art. 323. “caput”;
f) Inobservância de lei, regulamento ou instrução – Art. 324. “caput”;
g) Violação ou divulgação indevida de correspondência ou comunicação –
Art. 325. “caput” e parágrafo único;
h) Violação de sigilo funcional – Art. 326. “caput”;
i) Violação de sigilo de proposta de correspondência – Art. 327. “caput”;
j) Obstáculo à hasta pública, concorrência ou tomada de preço – Art. 328.
“caput”;
k) Exercício funcional ilegal – Art. 329. “caput”;
l) Abandono de cargo – Art. 330. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
m) Aplicação ilegal de verba ou dinheiro – Art. 331. “caput”;
n) Abuso de confiança ou boa-fé – Art. 332. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
o) Violência arbitrária – Art. 333. “caput”;
p) Patrocínio indébito – Art. 334. “caput”.

7) Capítulo VII – DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR


CONTRA A ADMINISTRAÇÃO MILITAR
a) Usurpação de função – Art. 335. “caput”;
b) Tráfico de influência – Art. 336. “caput” e parágrafo único;
c) Subtração ou inutilização de livro, processo ou documento – Art. 337.
“caput”;
d) Inutilização de edital ou de sinal oficial – Art. 338. “caput”;
e) Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência – Art. 339. “caput”.

8) Capítulo VIII – DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA


JUSTIÇA MILITAR
a) Recusa de função na Justiça Militar – Art. 340. “caput”;
b) Desacato – Art. 341. “caput”;
c) Coação – Art. 342. “caput”;
d) Denunciação caluniosa – Art. 343. “caput” e parágrafo único;
e) Comunicação falsa de crime – Art. 344. “caput”;
f) Auto-acusação falsa – Art. 345. “caput”;
g) Falso testemunho – Art. 346. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
h) Corrupção ativa de testemunha, perito ou intérprete – Art. 347. “caput”;
i) Publicidade opressiva – Art. 348. “caput”;
j) Desobediência a decisão judicial – Art. 349. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
k) Favorecimento pessoal – Art. 350. “caput” e §§ 1.º e 2.º;
l) Favorecimento real – Art. 351. “caput”;
m) Inutilização, sonegação ou descaminho de material probante – Art. 352.
“caput” e parágrafo único;
n) Exploração de prestígio – Art. 353. “caput” e parágrafo único e art. 354
“caput”.

VIII – MODELOS
Segue relação de modelos indispensáveis para a formalização do Auto de
Prisão em Flagrante de Delito Militar (PAPFDM).50

1 - Modelo de Capa e Autuação

CABEÇALHO

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO MILITAR

PRESIDENTE: _______ (Nome e matricula funcional)


CONDUTOR: ________ (Nome e matricula funcional)
ESCRIVÃO: _________ (Nome e matricula funcional)
CONDUZIDO (S): _____ (Nome e matricula funcional)

AUTUAÇÃO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________ na cidade


de __________ na OPM/OBM __________ (nome da circunscrição policial ou
bombeirística militar) __________, autuo as peças da presente prisão em flagrante de
delito militar, do que, para constar, lavrei o presente termo.

(Assinatura): Escrivão.

2 - Modelo de Portaria

CABEÇALHO

PORTARIA

Vindo a minha presença, hoje, às __________ horas, no __________


(OPM/OBM), na cidade de __________, Estado do __________, presente o autor da
prisão __________ que disse ter preso __________(nome completo e matrícula do
indiciado) no ato de cometer um delito __________ ou contra __________ (declinar a
infração penal ou contra quem foi cometida), fazendo-se acompanhar das
testemunhas __________ (nome completo com qualificação – não havendo
testemunhas, proceder como indica o § 2.º do artigo 245 do CPPM), determinei que
fosse lavrado contra o indiciado o Competente Auto de Prisão em Flagrante de Delito
Militar, na forma do § 4.º do artigo 245 ou § 5.º do artigo 245 do CPPM, no caso de
não ser militar a pessoa designada, para o que designo __________ (nome completo),
para, sob o compromisso, exercer as funções de escrivão, procedendo do respectivo
termo.

Local/data
(Assinatura): Presidente do Flagrante.

3 - Modelo de Termo de Designação e Compromisso de Escrivão

TERMO DE DESIGNAÇÃO E COMPROMISSO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________, no


__________ (OPM/OBM ou o local onde será lavrado o Auto de Prisão em Flagrante
de Delito Militar), na cidade de __________, Estado do __________, onde me
encontrava. Eu, __________ (nome completo e posto ou graduação), fui designado
pelo senhor __________ completo e posto do presidente do flagrante) para servir de
Escrivão “ad hoc” na lavratura do Auto de Prisão em Flagrante, contra __________
(nome completo do indiciado), o que faço, prestando por este termo um compromisso
de bem e fielmente desempenhar as funções que me foram dadas; do que, para
constar, lavrei este termo que assino com a referida Autoridade. Dou fé. Eu,
__________ servindo de escrivão “ad hoc”, o escrevi.

(Assinaturas): Presidente do Flagrante e Escrivão.

4 - Modelo de Nota de Ciência das Garantias Constitucionais do Preso

CABEÇALHO

O sr. __________ (presidente do flagrante), FAZ SABER:


A __________ (preso), preso em flagrante delito nesta data pelo
__________ (condutor), por cometer crime de__________ (especificar), previsto no
Código Penal Militar, contra ______________ (ofendido), que o artigo (incisos)
__________ da Constituição Federal de 1988 lhe assegura os seguintes direitos:
1) o respeito à integridade física e moral;
2) o de permanecer calado;
3) a assistência da família e de advogado;
4) a comunicação a família ou pessoa por si indicada;
5) a identificação dos responsáveis pela prisão e interrogatório policial;
6) comunicação da prisão ao juiz de direito do juízo militar e ao promotor
de justiça do juízo militar.

Local/data
(Assinatura): Presidente do Flagrante.

Recebi o Termo em: _____/_____/_____

_________________________________
(Assinatura): Preso

5 - Modelo de Auto de Prisão em Flagrante de Delito Militar Ocorrido em


Presença de Autoridade ou Contra Ela

CABEÇALHO

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE

Aos _____ dias do mês de __________do ano de __________, na cidade


de __________, Estado do __________, no __________ (OPM/OBM), onde se
achava __________ (posto do presidente do flagrante), comigo __________ (nome e
posto ou graduação), servindo de Escrivão. Também presente o Dr. __________
(nome completo), Advogado, OAB nº. __________ , com escritório profissional sito na
Rua ___________ nº _________. A seguir, nos termos do artigo 245 do CPPM, a
Autoridade passou a ouvir o condutor __________ (nome completo e sua respectiva
qualificação, ou seja: nacionalidade, naturalidade, filiação, estado civil, idade, profissão
e residência. Se militar, onde serve), se o fato foi praticado na presença de
autoridade ou contra ela (Comandante, Oficial-de-Dia ou Autoridade Judiciária),
exclui-se, obviamente, a figura do condutor em todo o auto, e deverá ela própria
prender e autuar em flagrante o infrator, sabendo ler e escrever, o qual, advertido,
compromissado e inquirido, disse que __________(redação do depoimento). Com a
palavra o Advogado: (consignar a pergunta se houver, e a respectiva resposta). Nada
mais. A seguir, a Autoridade passou a ouvir a vítima __________ (consignar o nome,
qualificação completa e endereço). Não presta compromisso. Passou a declarar que
__________ (redação das declarações, precisando dia, hora e local do evento). Com a
palavra o Advogado: (consignar a pergunta se houver, e a respectiva resposta). Nada
mais. A seguir, a Autoridade passa a ouvir a primeira testemunha __________ (nome
completo e sua respectiva qualificação e endereço), sabendo ler e escrever. Advertida,
compromissada e inquirida, disse que: __________ (redação do depoimento
precisando dia, hora e local do evento). Com a palavra o Advogado: (consignar a
pergunta se houver, e a respectiva resposta). Nada mais. A seguir, a Autoridade
passou a ouvir a segunda testemunha __________ (nome completo e sua respectiva
qualificação e endereço), sabendo ler e escrever. Advertida, compromissada e
inquirida, disse que: __________(redação do depoimento nos moldes acima
descritos). Com a palavra o Advogado: (consignar a pergunta, se houver, e a
respectiva resposta). Nada mais. A seguir, a Autoridade passou a ouvir o Indiciado
__________ (nome completo e sua respectiva qualificação e endereço), sabendo ler e
escrever. Não presta compromisso. Cientificado de seus direitos, especialmente os
constantes dos incisos, LXIII e LXIV, do Art. 5º da Constituição Federal de 1988,
declarou que __________ (redação do depoimento prestado, com indicação do dia,
hora e local do evento). Com a palavra o Advogado. (consignar a pergunta se houver,
e a respectiva resposta). Nada mais. Pela Autoridade foi determinado o encerramento
deste Auto, iniciado às __________ horas e concluído às __________horas, o qual vai
por todos assinados. Nada mais. Eu, _________ (nome e posto ou graduação),
servindo de Escrivão, o escrevi e subscrevo.

(Assinaturas): Presidente do Flagrante, Condutor, Vítima, 1.ª


Testemunha, 2.ª Testemunha, Indiciado, Advogado e Escrivão).

6 - Modelo do Auto de Prisão em Flagrante Delito Realizado em Hospital

CABEÇALHO

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________, na cidade


de __________, Estado do __________, no __________ (Unidade que for ou Hospital
devido), onde se achava o __________ (nome e posto), Cmt. da OPM/OBM, comigo
__________ (nome e posto ou graduação), servindo de Escrivão, que a mesma
Autoridade, nos termos do § 3.º do artigo 245 do CPPM (se o fato foi praticado na
presença de autoridade ou contra ela (Comandante, Oficial-de-Dia ou Autoridade
Judiciária), exclui-se, obviamente, a figura do condutor em todo o auto, e deverá
ela própria prender e autuar em flagrante o infrator), sob o compromisso do seu
cargo, disse que dera voz de prisão em flagrante delito contra __________ (nome e
qualificação completa do infrator), que, por motivo de se achar ferido, inconsciente
(doente ou embriagado), não pôde ser interrogado no mesmo auto, com a presença de
curador legalmente nomeado __________ (ou) mas que agora já fizesse a leitura
integral do referido auto pelo __________ (dizer como se verificou a infração
precisando dia, hora e local do evento, com todas as circunstâncias). Nada mais disse.
A seguir passou a Autoridade a qualificar o __________ e interrogado sobre a
imputação que lhe é feita, constante do mesmo auto, cuja leitura integral acaba de
ouvir, e perguntado se queria fazer alterações em sua defesa, respondeu que
__________ (segue-se o modelo apresentado normalmente, excluindo-se,
obviamente, a figura do condutor em todo o Auto).

(Assinaturas): Presidente do Flagrante, Condutor, Vítima, 1.ª


Testemunha, 2.ª Testemunha, Indiciado, Advogado e Escrivão).

7 - Modelo de Auto de Resistência

AUTO DE RESISTÊNCIA

Aos ____ dias do mês de __________ do ano de ___________, nesta


cidade __________, no Quartel do __________ (OPM/OBM) ou lugar onde houver
ocorrido a resistência, às __________ horas, em cumprimento ao mandado junto ou
após dar voz de prisão ou ao intentar a prisão do militar estadual __________ (citar),
pela prática do delito __________ (descrever) intimei o militar estadual __________ a
que me acompanhasse incontinente. E porque o militar estadual não obedeceu,
resistindo a prisão, havendo _________ (relatar os fatos minuciosamente,
mencionando as pessoas que o auxiliaram), repeli com o emprego da força essa
resistência, sendo auxiliado na oportunidade por __________ (citar quem auxiliou a
vencer a resistência e os meios empregados); e, depois de lutar e de desarmá-lo,
consegui prendê-lo (ou após troca de tiros o mesmo veio a se ferir ou a morrer),
conduzindo-o à presença da autoridade de Polícia Judiciária Competente. E, para
constar, lavro o presente auto, nos termos do artigo 234 do Código de Processo Penal
Militar (CPPM), que assino com as testemunhas.

(Assinaturas): Militar Estadual Executor ou Presidente do Flagrante, 1.ª


Testemunha, 2.ª Testemunha.

8 - Modelo do Despacho de “Juntada” de Documentos aos Autos do


Flagrante

JUNTADA

Junte-se aos autos.


Homologo o laudo.
Em ____/_____/_____

__________________
Presidente do Flagrante

ou

Junte-se aos autos o presente documento que me foi entregue


pessoalmente por __________ (nome completo de quem ofereceu o documento. Se
houver parentesco ou relação do apresentante, completará: pai, irmão do indiciado,
ofendido, etc.).

Local/data
(Assinatura): Presidente do Flagrante.

9 - Modelos de Despachos Diversos

DESPACHOS

1. Expeça-se a competente Nota de Culpa, fornecendo-a ao preso mediante


recibo, no prazo legal;
2. Expeça-se guia para recolhimento do preso;
3. Oficie-se ao senhor Juiz de Direito do Juízo Militar Estadual de
__________ (competente), ao Promotor de Justiça do Juízo Militar Estadual e a
pessoa indicada pelo preso, informando da prisão em flagrante de __________ (nome
completo e qualificação), no __________ (informar o local); pelo delito de __________
(informar qual o crime praticado);
4. Oficie-se ao senhor Comandante do __________ (OPM/OBM ou
repartição competente), solicitando os extratos da fé de ofício ou resumo de
assentamentos do indiciado __________ (nome completo e sua qualificação),
esclarecendo, ainda, que o mesmo foi preso e autuado em flagrante delito por infração
a dispositivos do CPM;
5. Oficie-se ao senhor Diretor do Instituto Médico-Legal, solicitando que
seja realizado e remetido, com a máxima urgência possível, o Laudo de Exame
Cadavérico procedido __________ (nome completo da vítima) e/ou laudo de Exame
de Corpo de Delito procedido em __________ (nome completo da vítima);
6. Oficie-se ao senhor Diretor do Instituto de Criminalística (ou órgão
correspondente) deste Estado, encaminhando a arma apreendida e objeto do crime,
solicitando o competente Laudo Pericial.
Providencie o senhor Escrivão.

Local/data
(Assinatura): Presidente do Flagrante.

10 - Modelos de Atos do Escrivão

RECEBIMENTO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________, recebi os


presentes autos do senhor Presidente do Flagrante.

(Assinatura): Escrivão.

JUNTADA

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________ faço a


juntada aos presentes autos dos documentos que adiante se seguem (especificar os
documentos juntados).

(Assinatura): Escrivão.

11 - Modelo de Nota de Culpa

NOTA DE CULPA

O senhor __________ (nome e posto do presidente do flagrante), faz saber


a __________ (nome completo e respectiva qualificação do indiciado preso em
flagrante) que se acha preso em flagrante delito, à disposição do Juízo Militar, pelo
fato __________ (descrever sucintamente o fato delituoso, precisando dia, hora e local
do evento), sendo condutor o __________ (nome completo de quem prendeu o
indiciado) e testemunhas __________ (nome completo das testemunhas), ciente o
Curador __________ (nome e posto do curador nomeado quando for o caso). E, para
sua ciência, mandou passar o presente, que vai por ele assinada. Eu, __________
(nome e posto ou graduação), servindo de Escrivão, a escrevi.

Local/data
(Assinatura): Presidente do Flagrante.

Recebi em: _____/_____/_____

__________________________
(Assinatura): Indiciado

Ciente em: _____/_____/____

_________________________
(Assinatura): Curador.

Negou-se a receber em

___________________
(Assinatura): Curador.

12 - Modelo de Guia para Recolhimento do Preso

CABEÇALHO

Ao senhor __________ - Comandante do (a) __________ - ou (Oficial-de-dia).

Solicito-vos o recolhimento à prisão desta OPM/OBM, com fulcro no artigo


246 do CPPM, do (Posto/Graduação) __________ (nome) __________, pertencente a
(OPM/OBM), Matrícula Funcional n.º __________, filho de __________ e __________
residente na rua __________ (endereço completo), nesta cidade, o qual foi, nesta
data, preso e autuado em flagrante de delito militar pelo crime de __________
praticado contra (pessoa ou Administração Pública), motivo pelo qual ficará recolhido a
esse Quartel à disposição do Juiz de Direito do Juízo Militar Estadual.

Local/data
(Assinatura): Presidente do Flagrante.

13 - Modelo de Ofício Comunicando o Juízo Competente Sobre a Prisão


em Flagrante

CABEÇALHO

Local/data
Of. nº. ______/______
Ao: MM. senhor Juiz de Direito do Juízo Militar
Assunto: Prisão em flagrante de__________ (nome do indiciado)
(comunica);
Anexo: Cópia dos Autos.

Excelentíssimo sr. Juiz,


Informo a Vossa Excelência em obediência ao artigo 5.º, inciso LXII da Constituição
Federal de 1988 que, nos termos da legislação vigente, foi autuado em flagrante neste
Quartel, sito na rua __________, o __________ (nome completo do indiciado), pelo
delito __________ (mencionar o delito), tendo como vítima __________ (mencionar o
nome da vítima).

Respeitosamente,
(Assinatura): Presidente do Flagrante.

14 - Modelo de Ofício Comunicando a Esposa, Pai, Mãe ou Irmão do


Autuado

CABEÇALHO

Local/data
Of. nº. ______/______
Ao: senhor (a) __________
Assunto: Prisão em flagrante de __________ (nome do indiciado)
(comunica)
Senhor (a) ___________

Informo a Vossa Senhoria, em obediência ao disposto no artigo 5.º, inciso LXII da


Constituição Federal de 1988 que, nos termos da legislação vigente, foi autuado em
flagrante neste Quartel, sito na rua __________, o __________ (nome completo do
indiciado), pelo delito __________ (mencionar o delito), tendo como vítima ________
(mencionar o nome da vítima).

Cordialmente,

(Assinatura): Presidente do Flagrante.

15 - Modelo de Ofício de Solicitação do Extrato dos Assentamentos do


Indiciado

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. _______/______
Ao: senhor Comandante do __________ (OPM/OBM ou repartição onde serve o
indiciado) ou Diretor de Pessoal da __________.
Assunto: Extratos da Fé de Ofício ou Resumo de Assentamentos;
Ref.: Auto de Prisão em Flagrante de delito militar.

Senhor Comandante,
Solicito a Vossa Senhoria a remessa, com a máxima urgência possível, os extratos da
Fé de Ofício ou do Resumo dos Assentamentos do __________ (nome completo do
indiciado), a fim de servir de peça no Auto de Prisão em Flagrante de Delito Militar
lavrado contra o mesmo, do qual sou presidente.

Cordialmente,

(Assinatura): Presidente do Flagrante.

16 - Modelo de Ofício de Encaminhamento ao Instituto Médico Legal para


Exame de Corpo de Delito

CABEÇALHO

Local/data
Of. nº. ______/______
Ao: Senhor Diretor do Instituto Médico Legal - IML (ou diretor do órgão
correspondente).
Assunto: Auto de Exame de Corpo de Delito (solicita).
Ref. Auto de Prisão em Flagrante de delito militar.

Senhor Diretor,

Apresento a Vossa Senhoria o __________ (nome completo da pessoa a ser


submetida a exame), a fim de ser submetida a Exame de Corpo de Delito.
Solicito-lhe que seja o respectivo laudo remetido a este presidente do flagrante, com a
máxima urgência possível, encontrado à __________ (local para onde deve ser
remetido o Auto de Exame).
Cordialmente,

(Assinatura): Presidente do Flagrante.

17 - Modelo de Ofício ao Diretor do Instituto de Criminalística,


Solicitando Realização de Exame Pericial

CABEÇALHO

Local/data
Of. nº. ______/_______.
Ao: senhor Diretor do Instituto de Criminalística (ou diretor do órgão correspondente).
Assunto: Exame Pericial (solicita).
Ref.: Auto de Prisão em Flagrante de delito militar.

Senhor Diretor,
Para fins de realização de exame pericial, encaminho a Vossa Senhoria o __________
(armamento com as respectivas características), pertencente a esta OPM/OBM e que
foi objeto de crime.
Solicito-lhe a remessa do competente laudo com a máxima brevidade a este
presidente do flagrante, encontrado à __________(local).

Cordialmente,

(Assinatura): Presidente do Flagrante.

18 - Modelos de Atos do Escrivão

AUTENTICAÇÃO

Confere com o Original.

Em _____/_____/_____
____________________
(Assinatura): Escrivão

CERTIDÃO

Certifico que foi providenciado de acordo com o despacho do Senhor


Presidente do Flagrante.

Local/data
(Assinatura): Escrivão.

CONCLUSÃO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________, faço os


presentes autos conclusos ao senhor Presidente do Flagrante.

(Assinatura): Escrivão.

19 - Modelo de Despachos Diversos

DESPACHOS
1. Realizar o Auto de Exame de Corpo de Delito Indireto por meio das
testemunhas __________ (cita-las), tendo em vista a impossibilidade de nomeação de
peritos para tal fim;
2. Realizar o Auto de Exame de Corpo de Delito Direto, por meios dos
peritos legalmente constituídos;
3. Representar pela expedição do Mandado de Busca e Apreensão nos
objetos __________ relacionados com o fato delitivo;
4. Materializar a apreensão dos objetos mediante termo;
5. A nomeação de peritos oficiais para proceder a avaliação dos objetos,
fruto de crime contra o patrimônio, bem como notificá-los da referida medida
processual;
6. proceder através dos peritos, o Auto de Avaliação dos objetos
apreendidos;
7. Realização do Auto de Restituição dos objetos apreendidos e periciados,
que deverão ser entregues a __________ (especificar).
8. Após o relatório final, oficie-se ao sr. Juiz de Direito do Juízo Militar
enviando os Autos.
Providencie o sr. Escrivão.

Local/data
(Assinatura): Presidente do Flagrante.

20 - Modelos de Atos do Escrivão

RECEBIMENTO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________, recebi os


presentes autos do senhor Presidente do Flagrante.

(Assinatura): Escrivão.

JUNTADA

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________, faço a


juntada aos presentes autos dos documentos que adiante se seguem (especificar os
documentos juntados).

(Assinatura): Escrivão.
21 - Modelo de Auto de Exame de Corpo de Delito Indireto - Excepcional

CABEÇALHO

AUTO DE EXAME DE CORPO DE DELITO INDIRETO - EXCEPCIONAL

Aos ______ dias do mês de __________ do ano de __________, Estado


do __________, no Quartel do __________ (OPM/OBM), na sala destinada à lavratura
do Auto de Prisão em Flagrante de Delito Militar, onde se achava o __________
(encarregado do flagrante), comigo __________ (servindo de escrivão), aí
compareceram __________ (nome completo e qualificações das pessoas que
presenciaram o fato), os quais disseram que no dia ______ do mês _________ do ano
__________, por volta das __________ horas, no __________ (local), que
apresentava __________ (descrever o que recorda sobre as lesões com suas
localizações), produzidas por __________ (tentar lembrar se foi por pistola, revólver,
faca, cassete, pedra, madeira, ferro – descrever as características do objeto do crime,
com sintomas de haver ingerido bebidas alcoólicas), com __________ (lembrar se
com cápsulas deflagradas ou intactas). E como nada mais disseram e nem lhe foram
perguntadas, deu por encerrado o encarregado do flagrante este auto, o qual lido e
achado conforme, vai devidamente assinado por todos. Somente se procede quando
desaparecem completamente os vestígios.
Do que para constar, mandei lavrar o competente Auto na conformidade da
lei processual vigente.

(Assinaturas): Presidente do Flagrante, 1.ª Testemunha, 2.ª Testemunha


e Escrivão.

22 - Modelo de Auto de Exame de Corpo de Delito Direto

CABEÇALHO

AUTO DE CORPO DE DELITO DIRETO

Aos ______ dias do mês de __________ do ano de __________, Estado


do __________, no Quartel do __________ (OPM/OBM), na sala destinada à lavratura
do Auto de Prisão em Flagrante de Delito Militar, onde se achava o __________
(encarregado do flagrante), comigo __________ (servindo de escrivão), aí
compareceram __________ (nome completo e qualificação das pessoas lesionadas),
os quais disseram que no dia __________ do mês ___________ do ano
____________, por volta das __________ horas, no __________ (local), que
apresentava ___________ (descrever as lesões com suas localizações), produzidas
por __________ (Pistola, revólver, faca, cassete, pedra, madeira, ferro – descrever as
características do objeto do crime), com _________ (Cápsulas deflagradas ou
intactas). Aí compareceram os peritos que prestaram termo de compromisso de
dizerem a verdade e passaram a proceder o exame de corpo de delito em
__________ (especificar a pessoa) e que responderam os seguintes quesitos:
1) ____________________;
2) ____________________;
3) ____________________.
Em conseqüência, passaram os peritos a fazer os necessários exames e
investigações peculiares (descrever com detalhes).
Desta forma, concluídos os exames e descoberta as causas das
__________ (lesões, danos), passaram os peritos a responder os quesitos propostos:
1) ____________________;
2) ____________________;
3) ____________________.
E como nada mais disseram e nem lhe foram perguntadas, deu por
encerrado o encarregado do flagrante este auto, o qual lido e achado conforme, vai
devidamente assinado por todos.
Do que para constar, mandei lavrar o competente auto na conformidade da
lei processual vigente.

(Assinaturas): Presidente do Flagrante, 1.º Perito, 2.º Perito, 1.ª


Testemunha, 2.ª Testemunha e escrivão.

23 - Modelo de Ofício de Representação pela Expedição de Mandado de


Busca e Apreensão

CABEÇALHO

Local/data
Of. nº. ______/_____
Ao: MM. Sr. Juiz de Direito do Juízo Militar
Assunto: Mandado de busca e apreensão de objetos.
Ref. Auto de Prisão em Flagrante de delito militar

Excelentíssimo senhor Juiz,


A fim de complementar o Auto de Prisão de Flagrante de Delito Militar, instaurado
contra __________ (nome e qualificação do indiciado), represento a V. Exa. pela
expedição de mandado de busca e apreensão de __________ (mencionar o tipo de
objeto e as respectivas características), pertencente a esta OPM/OBM e que foi objeto
de crime, a ser cumprido na residência de __________ (nome e qualificação da
pessoa que esta com o objeto), localizada na __________ (especificar o endereço).
Tal solicitação decorre do fato de que no dia _________ (mencionar sucintamente os
fatos).
Respeitosamente,

(Assinatura): Presidente do Flagrante.

24 - Modelo de Auto de Apreensão

CABEÇALHO

AUTO DE APREENSÃO

Aos ________ dias do mês de __________ do ano de ___________,


Estado do ___________, no Quartel do __________ (OPM/OBM), na sala destinada à
lavratura do Auto de Prisão em Flagrante de Delito Militar, apreendo das mãos do
__________ (nome completo e qualificação da pessoa que tem a posse de
instrumento do crime), uma __________ (Pistola, revólver – descrever as
características do objeto do crime), com __________ (Cápsulas deflagradas ou
intactas). Do que para constar, mandei lavrar o competente Auto de Apreensão na
conformidade da letra “b” do artigo 12 do Código de Processo Penal Militar (CPPM).
Eu, __________, servindo de escrivão, que o escrevi.

(Assinaturas): Presidente do Flagrante e Escrivão.

25 - Modelo de Nomeação de Peritos em Crime Contra o Patrimônio

CABEÇALHO

PORTARIA

Tendo sido materializado o auto de prisão em flagrante de delito militar


contra __________ (preso) e sendo necessário se proceder, no presente auto, à
avaliação dos objetos (furtados, roubados, extraviados, danificados, apropriados
indevidamente, outros), pelo preso, tudo como está disposto no artigo 13, alínea “g” do
Código de Processo Penal Militar, designo peritos avaliadores os militares estaduais
__________ e __________ (qualificar), que deverão ser notificados.
Que o presente ato seja remetido ao senhor Comandante da __________
(OPM/OBM), para fins de publicação em Boletim Interno.

Local/data
(Assinatura): Presidente do Flagrante.

26 - Modelo de Notificação de Peritos Avaliadores

CABEÇALHO

NOTIFICAÇÃO

Certifico que nomeei conforme dispositivo processual vigente, o


__________ e __________ (nome completo e qualificação dos peritos) para que, no
dia __________ de ______ de ______, às _____horas, compareçam no ________
(OPM/OBM), a fim de procederem a avaliação dos objetos (furtados, roubados,
extraviados, danificados, apropriados indevidamente e outros) para que foram
nomeados no presente flagrante do que, para constar, lavrei a presente notificação.

Local/data
(Assinatura): Escrivão.

27 - Modelo de Auto de Avaliação de Coisa

CABEÇALHO

AUTO DE AVALIAÇÃO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de _________ no quartel


da OPM/OBM, local do flagrante, onde se achava o __________ (presidente do
flagrante), comigo __________ (servindo de escrivão), presentes os peritos
legalmente nomeados ________ e ________ (qualificar), todos abaixo assinados,
depois de prestarem o compromisso legal de bem fielmente desempenharem os
deveres de seus cargos, declarando a verdade, a autoridade que preside este ato
encarregou-os de procederem à avaliação dos seguintes objetos (furtados, roubados,
extraviados, danificados, apropriados indevidamente), apreendidos por __________
(militar ou pessoa civil que apreendeu). Em seguida passando os peritos a dar
cumprimento as determinações emanadas, depois dos exames necessários,
declararam que os objetos tinham respectivamente o valor aproximado (parcial) de
__________ (enumerá-los por extenso). E foram estas as declarações feitas.
E, nada mais tendo a ser acrescentado, mandou o encarregado encerrar a
presente avaliação, lavrando-se este auto, que depois de lido e achado conforme, vai
assinado por todos.

(Assinaturas): Presidente do Flagrante, 1.º Perito, 2.º Perito e Escrivão.

28 - Modelo de Termo de Restituição de Objetos

CABEÇALHO

AUTO DE RESTITUIÇÃO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________ no quartel


da OPM/OBM, local do flagrante, onde se achava o __________ (presidente do
flagrante), comigo __________ (servindo de escrivão), onde estiveram presentes as
testemunhas __________ e __________, bem como os peritos legalmente nomeados
__________ e __________ (qualificar), todos abaixo assinados, depois de prestarem
o compromisso legal de bem fielmente desempenharem os deveres de seus cargos,
declarando a verdade, a autoridade que preside este ato que os encarregou de
procederem à avaliação dos seguintes objetos (furtados, roubados, extraviados,
danificados, apropriados indevidamente), apreendidos por __________ (militar ou
pessoa civil que apreendeu), compareceu __________ qualificar a pessoa que vi
receber os bens) a quem foi entregue os bens __________ de sua propriedade. E,
nada mais tendo a ser acrescentado, mandou o encarregado encerrar o presente
termo, lavrando-se este auto, que depois de lido e achado conforme, vai assinado por
todos.

(Assinaturas): Presidente do Flagrante, Pessoa que Recebeu os Bens, 1.ª


Testemunha, 2.ª Testemunha e Escrivão.

29 - Modelos de Atos do Escrivão

AUTENTICAÇÃO

Confere com o Original.

Em _____/_____/_____
___________________
(Assinatura): Escrivão.
CERTIDÃO

Certifico que foi providenciado de acordo com o despacho do senhor


Presidente do Flagrante.

Local/data
(Assinatura): Escrivão.

CONCLUSÃO

Aos ____ dias do mês de __________ do ano de __________, faço os


presentes autos conclusos ao senhor Presidente do Flagrante.

(Assinatura): Escrivão.

30 - Modelo de Portaria de Relatório do Flagrante

CABEÇALHO

RELATÓRIO

Foi lavrado o presente Auto de Prisão em Flagrante contra __________


(nome completo do indiciado e sua respectiva qualificação), pelo fato de __________
(relato sucinto do fato que ensejou a prisão em flagrante, precisando dia, hora e local
do evento), tendo por vítima ___________ (nome).
Foram ouvidos o condutor, as testemunhas e o próprio indiciado, o qual
fazia acompanhar de seu __________ (Curador ou Advogado) além de serem
determinadas, através de despacho de fls. _________, as diligências necessárias à
instrução do presente Auto, inclusive a expedição da competente Nota de Culpa ao
infrator, no prazo legal.
Foram juntados aos autos os seguintes laudos de exames solicitados:
Cadavérico, Corpo de Delito e Pericial do armamento, além de outros documentos que
os completam, seja presente Auto de Prisão em Flagrante encaminhado à
__________ (autoridade judiciária militar competente), na forma da legislação vigente
(artigo 251 do Código de Processo Penal Militar).

Local/data
(Assinatura): Presidente do Flagrante.

31 - Modelo de Termo de Encerramento e Remessa


ENCERRAMENTO E REMESSA

Aos _____ do mês de __________ do ano de _________, dou por


encerrado o presente Auto de Prisão em Flagrante de delito Militar e faço remessa ao
sr. __________ Juiz de direito do Juízo Militar Estadual do que, para constar, lavrei o
presente termo. Eu, ______________, que o escrevi e subscrevo.

(Assinatura): Presidente do Flagrante.

32 - Modelo de Ofício de Remessa do Auto de Prisão em Flagrante ao


Juízo Militar

CABEÇALHO

Local/data
Of. nº. ______/_______
Ao: MM. Senhor Juiz de Direito do Juízo Militar Estadual.
Assunto: Auto de Prisão em Flagrante (remete).
Anexo: Auto de Flagrante contendo ___________ folhas
e objetos do crime.

Excelentíssimo senhor Juiz,

Remeto a Vossa Excelência o Auto de Prisão em Flagrante, lavrado contra


__________ (nome completo do indiciado), por mim presidido, nos termos da
legislação vigente, tendo por vítima __________ (nome), de conformidade com o
artigo 251, do CPPM (se depender de diligências previstas no artigo 246 do CPPM
– Exame de Corpo de Delito, Busca e Apreensão ou qualquer outra diligência –
os autos devem ser remetidos, no máximo, dentro de 5 dias).
No azo, apresento-lhe protestos de consideração e respeito.

Respeitosamente,

(Assinatura): Presidente do Flagrante.

33 - Modelo de Ofício de Comunicação do Auto de Prisão em Flagrante


ao Promotor de Justiça do Juízo Militar

CABEÇALHO

Local/data
Of. nº. _______/________
Ao: Ex.º. Senhor Promotor de Justiça do Juízo Militar
Assunto: Auto de Prisão em Flagrante.
Ref.: Ofício n.º _____/______, remetido ao Juiz de Direito do Juízo Militar Estadual.
Excelentíssimo sr. Promotor de Justiça,

Comunico a Vossa Excelência, em obediência ao disposto na Lei Complementar


Estadual n.º 9, de 23 de julho de 1998, que instituiu e operacionalizou o controle
externo da atividade policial pelo Ministério Público, que foi lavrado o Auto de Prisão
em Flagrante contra __________ (nome completo do indiciado), por mim presidido,
nos termos da legislação vigente, tendo por vítima __________ (nome), auto este,
remetido ao Excelentíssimo sr. Juiz de Direito do Juízo Militar, de acordo com o ofício
da referência supra.
No azo, apresento-lhe protestos de consideração e respeito.

Respeitosamente,

(Assinatura): Presidente do Flagrante.

34 - Modelo de Requerimento de Relaxamento da Prisão em Flagrante ou


de Liberdade Provisória

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do Juízo Militar da Comarca


de __________, do Estado de __________.
Fulano de tal, militar estadual (qualificação), por seu bastante procurador e
advogado signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Excelência para
requerer o RELAXAMENTO DE SUA PRISAO EM FLAGRANTE, nos termos do art. 5°,
LXV, da Constituição Federal de 1988 c/c o artigo 247, § 2.º do CPPM (se manifesta
inexistência da infração penal ou a não participação da pessoa acusada), em face dos
fatos a seguir aduzidos:
O requerente, na data de _____/_____/_____, foi preso em flagrante, com
fulcro no artigo 179, do Código Penal Militar, sob o argumento de que facilitou fuga de
preso em delegacia de polícia.
Ocorre que, “estando os presos recolhidos em ala de Delegacia de Polícia,
à disposição da Justiça Comum, e não em presídio sujeito à administração militar, o
crime não é militar, mas comum”. Interpretação do artigo 9.º, II do CPM. (RE 103. 431-
9-AL – 1.ª T. STF – 10-2-87 – DJU, 27 fev. 1987, p. 2.956 – SIP 3/87).

ou

Noutros termos:
Concessão de Liberdade Provisória, nos termos do artigo 253 do CPPM, se
o agente praticou o fato nas condições dos artigos 35 e 38, observado o disposto no
artigo 40 e dos artigos 39 e 42 do CPM, mediante termo de comparecimento a todos
os atos do processo.

ou

Nos termos do artigo 270 do CPPM, caso em que o indiciado poderá livrar-
se solto, observados os requisitos elencados nas alíneas “a” e “b” que se referem aos
artigos do Código Penal Militar.
Destarte, aguarda o requerente seja imediatamente relaxada sua prisão em
flagrante, com a expedição do respectivo alvará de soltura, pois só assim estará sendo
realizada a verdadeira JUSTIÇA.
Termos em que,
P. deferimento.

Local/data
(Assinatura): Advogado.

35 - Modelo de Termo de Apresentação Espontânea de Militar Estadual

APRESENTAÇÃO ESPONTÂNEA

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________ no quartel


da OPM/OBM, onde se achava a __________ (Autoridade – Comandante da Unidade
ou Oficial-de-Dia), comigo __________ , servindo como testemunhas __________ e
__________ (qualificar), todos abaixo assinados, compareceu __________ (fulano de
tal, militar estadual) que afirmou ter cometido delito tipificado como militar,
confessando o delito quando __________ (narrar os fatos com detalhes – socorreu a
vítima ou alegou excludente de ilicitude) que diz estar comparecendo
espontaneamente a fim de que possa responder “a priori” em liberdade os fatos por
ele cometidos. Na ocasião, citou como testemunhas presenciais __________ e
__________ e que está apresentando a arma do crime para fins de perícia.
ou
declarou que por sua livre e espontânea vontade, havia procurado
este quartel para afirmar que ignorava até a presente data quem fosse o autor do
crime e que não havia sequer indícios contra sua pessoa. Assim, por haver
reconhecido previamente a espontaneidade da apresentação, ordenou-se a lavratura
desta peça.
(Assinaturas): Autoridade Responsável, Militar que se Apresentou, 1.ª
Testemunha, 2.ª Testemunha e Escrivão.

CAPÍTULO – I ( NOTAS DE RODAPÉ)

1- Rodrigues, Alexandre Brandão. Prisão em Flagrante de Delito Comum e Militar.


Porto Alegre: Polost, 2004,p.10
2- COSTA,Alexandre Henriques da. Manual Prático dos Atos de Policia Judiciaria
Militar. São Paulo: Suprema Cultura,2007,p.30.
3- TORNAGHI, Hélio D. Curso de Processo Penal. V. 2. 8 ed. São Paulo: Saraiva,
1992. apud. RODRIGUES, op. Cit. 2004, p. 13.
4- Id. Ibid. 2003, p. 14.
5- BRASIL, Constituição da República Federativa do. 34 ed. São Paulo: Saraiva, 2005,
p. 5-13.
6- SILVA, Plácido e. Dicionario Jurídico. Vol. I. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 587.
7- LAZZARINI, Álvaro. Código Penal Militar, Código de Processo Penal Militar,Estatuto
dos Militares e Constituição Federal. 4 ed. São Paulo: RT, 2003, p. 292-293.
8- LOUREIRO NETO, José da Silva. Direito Penal Militar. 3 ed. São Paulo: Atlas,
2000, p. 41-42
9- Id. Ibi. 2000, p. 36.
10- LOBÃO, Célio. Direito Penal Militar. 2 ed. Brasília: Brasília e Jurídica. 2004, p. 106.
apud Pontes de Miranda.
11 – ASSIS, Jorge César de. Revista de Direito Penal Militar. Curitiba: 2001
12 – MUGGIO, Hidejalma. Curso de Processo Penal. Vol 1. São Paulo: Edipro, p. 157.
13 – Id. Ibid. 2000, p. 157.
14 – BRASIL, op. Cit. 2005
15 – MIRABETE, Júlio Fabrini. Processo Penal. 14 ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 170
16 – GUIMARÃES, Ivone Cataneo. et. al. Guia Prático de Inquérito Policial Militar e
Flagrante. Porto Alegre: Polost, 2001, p. 127.
17- COSTA, Álvaro Mayrink da. Crime Militar. 2 ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2005,
p. 557-561.
18 – BRASIL. op. Cit. 2005.
19 – ASSIS, Jorge César de. Direto Militar. Aspectos Penais, Processuais Penais e
Administrativos. Curitiba: Juruá, 2001, p. 144.
20 – TAVARES, André Ramos. et. al. Reforma do Judiciário. São Paulo: Método,
2005.
21- ROSA, Rodrigues Tadeu. Apud. TAVARES, 2005, p. 383-385
22 – BOTELHO, Roberto. Apud. TAVARES, 2005, ap. 411-416
23- LAZZARINI, op. Cit. 2003, p. 415.
24 – SARAIVA, Alexandre José de Barros Leal. Inquérito Policial e Auto de prisão em
Flagrante nos Crimes Militares. São Paulo: Atlas, 1999, p. 73-74.
25 – id. Ibid. 1999, p. 73-74.
26 - LIMA, Daniel Alves de. Revista de Direito Militar. Nº 13, Brasília: 1998.
27 – LAZZARINI, op. Cit . 2003, p. 415.
28 – Id. Ibid. 2003, p. 414.
29 – ASSIS, Jorge César de. Lições de Direito para a Atividade Policial Militar. 5 ed.
Curitiba: Juruá, 2004, p. 105.
30 – RODRIGUES, op. Cit. 2004, p. 49.
31 – TAVARES, José de Farias. Comentários ao Estatuto da Criança e do
Adolescente. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995.
32 – LAZZARINI, op. Cit. 2003, p. 416
33 – Id. Ibid . 2003, p. 196-297
34 – Id. Ibid. 2003, p. 419
35 – TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Código de Processo Penal Comentado.
Vol. 1. 6 ed. São Paulo: Saraiva,2001 p. 544.
36 – MAGALHÃES NORONHA, Edgar. Curso de Direito processual Penal. 22 ed. São
Paulo: Saraiva, 1994.
37 – GERAIS, Policia Militar do Estado de. O Alferes. Vol. 19 nº 55. Belo Horizonte:
2004, p. 16-20.
38 – GUIMARÃES, op. Cit. 2001, p. 127.
39 – COSTA, op. Cit. 2005, p. 459.
40 – Recomendação Ministerial nº 01/2005, PGJ/PGM/CEAPM, de 30/08/2005.
41- Boletim do Comando – Geral da Policia Militar do Ceará nº 04, de 5/01/2006 –
Recomendação da Corregedoria – Geral dos órgãos de Segurança Pública do Estado
do Ceará.
42 – Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIN nº 1.494 – Brasília.
43 – LOUREIRO NETO, José da Silva. Processo Penal Militar. 5 ed. São Paulo: Atlas,
2000. p. 90.
44 – LAZZARINI, op. Cit. 2003, p. 414.
45 - XAVIER, Mariana Correia. Tribuna do Brasil. 2007.
46 – GERAIS, Policia Militar do Estado de. Manual de Prática Policial. Belo Horizonte:
2002, p. 118.
47 – RODRIGUES, op. Cit. 2004, p. 44
48 – Vide Lei nº 10.792, de 1/12/2003 (Alterou a Lei de Execução Penal e o Código de
Processo Penal).
49 – LAZZARINI, op. Cit. 2003, p. 41-108.
50 – Cf. RODRIGUES, op. Cit 2004, p. 119-137: GUIMARÃES, op. Cit. 2005, p. 130-
149: BRASILEIRO, Exercito. Formulário Sobre Inquérito Policial Militar, Auto de prisão
em Flagrante e Sindicância. Brasília :1979, p.183-236: ASSIS, op. Cit. 2002, p. 109:
MIKALOVSKI, Algacir. Prática em Processos e procedimentos Administrativos. Vol 1
Conselho de Disciplina e Auto de prisão em Flagrante. Curitiba: Juruá, 2002, p. 117-
152: COSTA, op. Cit, 2007,p.49-54.
CAPÍTULO II

PRISÃO E AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO COMUM


(PAPFDC)

I – PREÂMBULO

É importante ressaltar que o militar estadual na sua atividade diária ou até


mesmo em sua folga, poderá deparar-se com situações, em que como autoridade
legalmente constituída, ou seja, pessoa que exerce função pública e tem em suas
mãos uma soma de poderes, representando o Estado, deverá atuar, prendendo quem
quer que esteja em Flagrante de Delito (artigo 301 do Código de Processo Penal), sob
pena de responder por omissão. Daí, que vislumbramos a necessidade de
conhecermos um pouco mais sobre esse procedimento tão comum em nossas
atividades, especialmente, operacional.

II – MODALIDADES DE FLAGRANTE

Como já estudamos inicialmente o estado de flagrância é o crime que está


ocorrendo, que está acontecendo. Quando tratamos de estado de flagrância de delito
comum, as hipóteses estão tratadas no Decreto-lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 -
Código de Processo Penal (CPP), mais precisamente elencadas no artigo 302, e seus
incisos, conforme vemos a seguir:

Art. 302 – considera-se em flagrante delito quem:


I – está cometendo a infração penal;
II – acaba de cometê-la;
III – é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido
ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser o
autor da infração;
IV – é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas,
objetos ou papeis que façam presumir ser ele autor da
infração.1

A prisão em flagrante somente poderá se efetivar se ocorrer às hipóteses


do artigo 302 do Código de Processo Penal Brasileiro. Caso haja qualquer
desobediência a um desses requisitos de admissibilidade, poderá ser requerido o
relaxamento da prisão em flagrante. Assim, podemos afirmar que caberá relaxamento
em flagrante sempre que ocorrer a situação de flagrante irregular.
III – FLAGRANTE IRREGULAR

Conforme explicita o artigo 5º, inciso LXV, da Constituição Federal de 1988:


”a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária”.
Como exemplos desses tipos de flagrantes irregulares, ALVES JÚNIOR
(2003, p. 69 e 70), em seu livro Manual de Prática Processual Penal, enfoca os
seguintes:

1) flagrante de crime habitual (Ex: o rufianismo e a casa de


prostituição);
2) não incidência de uma das hipóteses do art. 302 do CPP
(inexistência de flagrante);
3) fato atípico (ex: dano culposo);
4) ausência de nomeação de curador ao indiciado menor de
21 anos no auto de prisão em flagrante (para a minoria da
doutrina, diante no novo Código Civil Brasileiro);
5) ausência de emissão de nota de culpa;
6) apresentação espontânea;
7) quando não for feita a comunicação à autoridade judiciária;
8) quando não for feita a comunicação à pessoa indicada pelo
preso;
9) quando a prisão se der por mais tempo do que o permitido
em lei;
10) quando houver inversão na oitiva de condutor,
2
testemunhas e interrogado, etc.

AMARAL (1999, p. 9-11), em seu trabalho de orientação para concurso


público da Magistratura do Estado do Ceará, apresenta duas modalidades de
quebramento de flagrante delito, que se alegados através de “Habeas Corpus”,
poderão ser atendidos pelo juiz criminal:

1) Anulação do flagrante por defeito de sua lavratura (pela


forma):
a) autoridade incompetente;
b) falta de condutor ou de duas testemunhas;
c) se não forem ouvidos na ordem – condutor, testemunhas,
preso;
d) se houve comunicação entre as testemunhas;
e) se o condutor e as testemunhas não forem
compromissadas;
f) falta de assinaturas;
g) se o preso não foi qualificado;
h) se foi lavrado depois de 24 horas da prisão;
i) falta do laudo da perícia técnica (em caso de droga, por
exemplo);
j) falta de qualquer outra formalidade legal.

2) Anulação do flagrante por não ter cabimento perante a


lei vigente (pelo mérito):
a) se é caso de defender-se solto, ou sendo primário, de bons
antecedentes, com residência fixa e emprego certo (art. 310
do CPP);
b) se é caso de fiança;
c) se o flagrante foi preparado por terceiro;
d) se a infração não foi tipicamente configurada;
e) se a infração é isenta de pena pela justificativa de estado de
necessidade, de legítima defesa ou de estrito cumprimento de
dever legal;
f) se o acusado não foi preso no momento da infração ou se
não houve perseguição constante.3

Discute-se muito, até os dias de hoje, os conceitos das terminologias logo


após e logo depois, que são sinônimas, e que não tem definição estanque no mundo
jurídico. No flagrante impróprio (logo após) é necessário que a perseguição ao agente
seja iniciado quase que imediatamente. 4
Para TOURINHO FILHO, “se o agente não é determinado não há
perseguição, mas simples investigação”.5 É, no entanto, clarividente, que o inciso III do
art. 302 do Código de Processo Penal, deixa bem claro que não há limite para a
duração da perseguição iniciada logo após. Enquanto o agente for perseguido,
perdurará a situação de flagrância.
Na outra situação, quando não existe a possibilidade de se determinar o
agente ou realizar a perseguição, a lei processual prevê o flagrante presumido ou ficto.
Nesse prisma, o agente é encontrado logo depois, com instrumentos, armas, objetos
ou papeis que façam presumir ser ele o autor da infração penal. Nesse caso o tempo
deve ser curto, de horas. Mas não é inaceitável que este prazo seja estendido
enquanto houver desdobramento na conduta típica.6
IV – OUTRAS FORMAS DE FLAGRANTE DELITO

A Lei n.º 11. 113, de 13 de maio de 2005, que modificou o artigo 304 do
Código de Processo Penal não atingiu o artigo 245 do Código de Processo Penal
Militar. Tal dispositivo legal referiu-se apenas a atividade de policia judiciária comum
(Polícias Federal e Civil) quando da prisão em flagrante de delito comum, relativa à
demora de lavratura do respectivo auto. Tal assunto será tratado no capítulo seguinte
e interessa bastante aos militares estaduais do Ceará.

1. Flagrante esperado
O agente comete a infração penal, sem ser induzido ou provocado,
permanecendo a polícia como espectadora, somente observando o desenrolar do
evento e a prática do ilícito penal pelo agente.
Nesse flagrante, não há qualquer provocação ou induzimento à prática do
fato, há somente a espera, por motivos já investigados, de que o sujeito vá praticar o
fato e, em o praticando, determina a existência de crime.7 É plenamente aceito pela
doutrina e a jurisprudência vigente. A polícia apenas aguarda e observa a atuação do
agente, sem ocorrer indução ou provocação do crime.8

2. Flagrante postergado ou retardado


É uma modalidade totalmente diferenciada, contida em leis especiais. A
autoridade sabe do cometimento do delito e mesmo ciente da localização e da ação de
alguns agentes, posterga o ato de prender no intuito de identificar e responsabilizar um
maior número de integrantes na prática criminosa.
Como exemplo, a Nova Lei Antidrogas, Lei n.º 11. 343, de 23 de agosto de
2003 (institui o sistema nacional de políticas sobre drogas – SISNAD – prescreve
medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social do usuário e
dependentes de drogas – estabelece normas para repressão à produção não
autorizada e o tráfico ilícito de drogas – define crimes e outras providências).
No inciso II do artigo 33 da referida lei especial, é permitida a não-autuação
policial sobre os portadores de produtos, substâncias ou drogas ilícitas que entrem no
território brasileiro, dele saiam ou nele transitem, com a finalidade de, em colaboração
ou não com outros países, identificar e responsabilizar maior número de integrantes de
operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo da ação penal cabível.
Outro exemplo é aquele previsto no inciso III, do artigo 2º da lei nº 9.034/95
(trata da prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas),
que permite que o agente policial em investigação de práticas de organizações
criminosas possa retardar a intervenção e a concretização da prisão em flagrante,
buscando um momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e
informações.9

3. Flagrante preparado
O agente é induzido à prática do delito ou é provocado para cometê-lo,
geralmente pela polícia ou pela vítima.
É o flagrante fruto de alguma atividade ou providência que induza alguém à
prática do fato, o que determina, conseqüentemente, a inexistência da infração penal,
por falta de seu elemento objetivo, qual seja a real violação da norma penal. É
situação típica de crime impossível.10
Segundo a Súmula 145 do Supremo Tribunal Federal (STF): “Não há crime
quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação”.11

4. Flagrante forjado
Aqui se vislumbra situação diferente do crime preparado. No caso do
crime forjado, são criadas provas de um crime inexistente, forjando desta forma o
flagrante. Como exemplo, podemos citar a situação em que um policial coloca droga
ilícita na bolsa de um transeunte, e em seguida, da voz de prisão ao proprietário da
bolsa por porte ilegal de drogas ilícitas.
Nesse exemplo acima, o policial incorre na modalidade criminosa,
capitulada na lei especial nº 4.898/65 (Lei de Abuso de Autoridade).

V – PRISÃO EM FLAGRANTE NOS CRIMES PERMANENTES,


CONTINUADOS E HABITUAIS

1. Nos crimes permanentes


Crime permanente é aquele que se perpetua e se prolonga no tempo,
sendo considerado o flagrante atual e perfeito. Como exemplo, temos os crimes
tipificados no Código Penal Brasileiro de ocultação de cadáver (art. 211 do CP),
extorsão mediante seqüestro (art. 159 do CP), cárcere privado (art. 148 do CP).
No Código Penal Militar, o delito de deserção (art. 187 do CPM), etc. “Crime
de desobediência é permanente, ensejando prisão em flagrante enquanto não
cumprida a determinação” (STJ – RHC – Rel. Costa Leite – RSTJ 21/144). Alguns
autores entendem que o crime de prevaricação também é permanente.12

2. Nos crimes continuados


Crime continuado é aquele em que o agente pratica várias ações, com o
mesmo “modus operandi”, ferindo um único preceito legal. O flagrante vai interromper
a série contínua de crimes.
Como exemplo, o agente (pessoa comum do povo ou autoridade ou militar)
que todos os dias, no mesmo horário adentra numa grande loja de informática e furta
“CD-ROM”, colocando-os numa bolsa. O “modus operandi”, ou seja, o modo de
atuação do agente é sempre o mesmo.

3. Nos crimes habituais


Crime habitual é o que exige uma pluralidade de ações, com uma
reiteração de atos para que ele se consume. A doutrina e a jurisprudência vigente não
aceitam o flagrante nos crimes habituais.

O rufianismo (art. 230 do Código Penal) e a casa de


prostituição (art. 229 do Código Penal) são delitos tipicamente
habituais. O flagrante, em tal hipótese, serve apenas para por
à calva a prática de um ilícito jurídico ainda não identificável
com as infrações mencionadas, porque só através do requisito
da habitualidade neles se transmudaria, por força da tipicidade
(TJSP – RT 469/289).13

VI – SUJEITOS, IMUNIDADES E PRERROGATIVAS

Parte do estudo desta temática teve como base, o especial instrumento de


doutrina e informação da Polícia Militar de Minas Gerais, “Alferes”, volume 19, n.º 55,
no campo da segurança pública (2004, p. 11 a 21 e 49 a 72):14

1. Sujeito ativo e passivo


Nos termos do artigo 301 do Código de Processo Penal: “Art. 301.
Qualquer do povo poderá e as autoridades e seus agentes deverão prender quem
quer que seja encontrado em flagrante delito”. Grifo nosso.
A autoridade competente para a lavratura do auto de prisão em flagrante, é
aquela do lugar onde se efetivou a prisão (artigo 290 e seus parágrafos do Código de
Processo Penal). No entanto, não havendo autoridade no lugar em que se tiver
efetuado a prisão, o preso será logo apresentado à do lugar mais próximo,
itinerantemente (artigo 308 do Código de Processo Penal).
Aqui, ao tratar do sujeito ativo, o legislador impõe o dever as suas
autoridades e seus agentes de prender em flagrante delito, enquanto faculta tal
propositura, a qualquer um do povo.
Em caráter geral e global, qualquer pessoa do povo poderá ser sujeito
passivo da prisão em flagrante, ou seja, o agente cometedor do ilícito penal. Porém,
existem exceções a esta regra que não podemos deixar de enfatizar, principalmente
quando tratamos de imunidades e prerrogativas.

1. Imunidades
2.1 Imunidade Diplomática
É aquela estabelecida através dos tratados e convenções internacionais,
que considera imunes da jurisdição criminal brasileira, os chefe de Estados e os
representantes de governos estrangeiros, bem como os membros de suas comitivas.
Esta imunidade estende-se a todos os agentes diplomáticos (embaixador,
cônsules, secretários, técnicos administradores das representações) e aos
componentes de suas famílias, bem como os funcionários das organizações
internacionais, quando em serviço.
As sedes diplomáticas, já não são consideradas extensão do território
estrangeiro, mas são invioláveis como garantia aos representantes diplomáticos.
Estando imunes à prisão em flagrante delito e investigação criminal, todo o
material probatório do delito, praticado por quem tem imunidade diplomática, deverá
ser encaminhado ao seu Estado, devendo ser julgado conforme a legislação
peculiar.15

2. 2 Imunidade Parlamentar
É a imunidade Constitucional. Prescreve o artigo 53, ”caput” e § 2º, da
Constituição Federal de 1988, que “os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e
penalmente, por qualquer de suas opiniões, palavras e votos”. Ademais, desde a
expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional (Senadores e Deputados
Federais) não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Neste
caso, os autos serão remetidos dentro de 24 horas à casa respectiva (Senado ou
Câmara Federal), para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a
prisão.
O artigo 56 da Constituição Federal de 1988 assegura aos Senadores e
aos Deputados Federais a garantia dos mandatos, se investido no cargo de Ministro
de Estado, de Território, de Prefeitura de Capital ou de chefe de missão diplomática
temporária. Aos Deputados Estaduais é estendida tal imunidade parlamentar,
conforme preceitua o artigo 27, § 1º da Constituição Federal de 1988.16
Já no que tange aos Vereadores, que são membros do Poder Legislativo
Municipal, apenas possuem a inviolabilidade por suas opiniões, palavras e votos no
exercício do mandato e apenas na circunscrição do Município, ou seja, dentro dos
limites territoriais da localidade onde exercem a vereança, conforme previsto no inciso
VIII, do artigo 29 da Constituição Federal de 1988.
No que tange a ação policial, deve o militar estadual verificar se a infração
penal praticada pelo Vereador tem alguma relação política. No caso de uma passeata
ou manifestação pelo Município, o comportamento é político. Neste caso, o Vereador,
salvaguardado pela inviolabilidade, e sendo a infração afiançável, não poderá ser
levada a presença da autoridade de polícia judiciária e nem ser preso, não significando
que ficará imune a decorrência legal de seus atos.17
Porém, se o fato não tiver qualquer conotação política, ele terá o tratamento
de um cidadão comum, podendo ser preso e conduzido para as providências que a lei
elencar.

3. Prerrogativa de função
São os privilégios, as vantagens, que dele decorrem, em benefício ou em
proveito da pessoa, ou nele está provido. É um direito exclusivo, que se defere a
certas funções ou dignidades.
Passaremos a enumerar quem tem realmente prerrogativa:18
1) Presidente da República, conforme artigo 86, § 3º da Constituição
Federal de 1988, não pode ser preso em flagrante. Goza de prerrogativa de foro, ou
seja, não poderá ser julgado como as demais pessoas, cabendo ao Supremo Tribunal
Federal (STF) julgá-lo nos crimes comuns e ao Senado Federal julgá-lo nos crimes de
responsabilidade, estendendo-se essa prerrogativa ao Vice-Presidente e Ministros de
Estado, conforme previsão no inciso I, do artigo 52, da Constituição Federal de 1988.
2) Chefes do Executivo Estadual (Governadores) possuem prerrogativas
em razão da função, seguindo a lógica do Poder Executivo em nível Federal. No caso
dos Governadores, eles são julgados pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme
previsão no inciso I, do artigo 105 da Constituição Federal de 1988. O militar estadual
está impedido de efetuar a prisão do Governador, mesmo durante qualquer tipo de
ocorrência.
3) Secretários Estaduais, também possuem prerrogativas em razão da
função, seguindo a lógica do Governador. No entanto, serão julgados nos crimes
comuns e de responsabilidade pelo Tribunal de Justiça Estadual, conforme prevê as
respectivas Constituições Estaduais.
4) Prefeitos, estes serão julgados nos crimes de responsabilidade pelo
Tribunal de Justiça do Estado, conforme previsão no artigo 1º do Decreto-Lei nº
201/67. Quanto à perda do mandato serão julgados pela Câmara Municipal, conforme
artigo 4º do mesmo Decreto-Lei. No que tange aos crimes comuns, serão julgados
pelo Tribunal de Justiça do respectivo Estado, conforme previsão no inciso X, do artigo
29, da Constituição Federal de 1988. Os prefeitos possuem apenas prerrogativa de
foro, estando sujeitos aos mesmos procedimentos dados ao cidadão comum, no caso
de cometimento de infração penal e administrativa, bem como seus secretários de
governo, cabendo ao militar estadual atuar de forma rotineira na execução de seu
mister.
5) Magistrados (Desembargadores e Juízes) têm a prerrogativa de não
serem presos, senão por ordem escrita do Tribunal, salvo nos casos de flagrante de
crime inafiançável (imunidade formal), conforme dispõe o inciso II, do artigo 33 da Lei
Complementar nº 35/79 (Lei de Organização da Magistratura - LOM). Possuem a
prerrogativa de foro privilegiado, vitaliciedade e inamovibilidade.
6) Membros do Ministério Público (Procuradores e Promotores de
Justiça) não poderão ser presos, salvo por ordem judicial por escrito, ou em flagrante
delito de crime inafiançável, conforme inciso II, do artigo 40 da Lei 8.625/93 (Lei de
Organização do Ministério Público - LOMP).
7) Defensores Públicos, conforme preceitua o inciso II, do artigo 44 da Lei
Complementar nº 80, não poderão ser presos, salvo em flagrante, caso em que a
autoridade imediatamente terá que comunicar ao Defensor Público Geral.
8) Advogados, quando presos em flagrante de crime inafiançável, por
motivos ligados a profissão, necessária a presença de um representante da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB). Em casos não ligados a profissão, deverá ser feita
comunicação expressa a seccional da OAB, conforme dispõe o Estatuto, Lei nº
8.906/1994.
9) Militares Federais e Estaduais, com relação à prisão, o militar possui
também prerrogativas específicas, sendo a primeira delas só ser conduzido por
superior hierárquico, ou se igual, mais antigo, atendendo ao princípio da subordinação
hierárquica, tudo conforme prevê o artigo 223 do Código de Processo Penal Militar.
Possui também a prerrogativa da prisão especial, ou seja, diferenciada do civil. No
caso de prisão cautelar, o militar será levado para um aquartelamento, devendo ficar
separado dos presos comuns, conforme dispõe o artigo 295 do Código de Processo
Penal, observadas as alterações feitas pela Lei n.º 10. 258, de 11 de julho de 2001.
10) Integrantes da Polícia Judiciária Federal e Estadual possuem
também prerrogativas próprias, destinadas a dar garantias mínimas ao fiel exercício da
função. Podemos citar o porte de arma e o livre acesso a todos os locais abertos ao
público. Possuem também prerrogativa de prisão especial antes de sentença
condenatória, conforme está intitulado no artigo 40, da Lei nº 4.878/65 e no artigo 295
do Código de Processo Penal. Não possuem qualquer prerrogativa no caso de
cometimento de crime, podendo ser preso por cometimento de qualquer infração
penal.

4. Maioridade penal - polêmicas


Os assassinatos da atriz Daniela Perez e do jornalista Tim Lopes e mais
recentemente do menino João Hélio, todos mortos de maneira brutal, reacendem, a
cada episódio, as polêmicas sobre as questões da maioridade penal, especialmente,
pelo envolvimento de crianças e/ou adolescentes nos eventos dolosos.
A manifestação da Ministra do Supremo Tribunal Federal Ellen Grace,
contribuiu sobremaneira para o aumento das discussões e das questões que
envolvem direta e indiretamente a proliferação da criminalidade no País.
Observou a Presidente do Supremo Tribunal Federal:

Geralmente se discute a legislação e mudanças na legislação


sob um clima de tensão, de emoção (...) E isso não é
necessariamente a melhor forma de discutir a legislação. (...)
A questão da criminalidade é bem mais ampla, vai além do
estabelecimento de penas, do endurecimento dos regimes
prisionais, deveria ser tratada de formas mais amplas.

A sociedade espera por soluções viáveis e plausíveis, especialmente se o


Estado Federado instituirá a criminalização de jovens que têm entre 16 e 18 anos,
especialmente quando do cometimento de crimes dolosos contra a vida. A discussão
ganhou força depois da morte da criança de 6 anos (João Hélio), no Rio de Janeiro.
Estudiosos no assunto afirmam que o problema vai além de uma mudança
legal. Problemas como a baixa escolaridade, desemprego, crescimento populacional
descontrolado e desorganizado, a discriminação racial, presídios superlotados,
famílias desestruturadas, desídia da justiça, dentre outras, são causas diretas da
situação de violência vivenciada nos dias atuais.19
No entanto, o interessante para o nosso estudo é se haverá mudança na
legislação penal. Ocorrendo alterações no Código Penal Brasileiro, certamente haverá
alterações em alguns tópicos aqui estudados, especialmente, quanto a realização de
flagrantes de delito comum e outros procedimentos legais.

5. Outros casos contidos em leis especiais


1) no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em seu artigo 301, está disposto
que não será preso em flagrante delito, o autor do delito que socorrer a vítima de delito
de trânsito.
2) No Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), caso em que a criança
é apreendida em ato infracional e é encaminhada ao Conselho Tutelar e o
Adolescente a Delegacia Especializada no intuito de serem adotadas as medidas
previstas no Estatuto.
3) a prisão do alienado mental é considerada lícita, pois mesmo sendo
inimputável, é aplicada uma medida de segurança, procedida à instauração de
insanidade mental (artigo 148 do Código de Processo Penal).
4) o instituto da apresentação espontânea também é tutelado pelo Supremo
Tribunal Federal (STF), estando livre do flagrante delito a pessoa que se apresenta
espontaneamente. No entanto, nada impede que o juiz decrete posteriormente a
prisão preventiva do infrator.20

6. Autoridades e pessoas que detêm o direito a prisão especial


Conforme estabelece a Lei n.º 10. 258, de 11 de julho de 2001, que alterou
o artigo 295 do Código de Processo Penal, serão recolhidos a Quartéis ou a prisão
especial, à disposição da autoridade competente, quando sujeitos a prisão antes da
condenação definitiva:

I - os ministros de Estado;
II - os governadores ou interventores de Estados ou
Territórios, o Prefeito do Distrito Federal, seus respectivos
secretários, os prefeitos municipais, os vereadores e os chefes
de polícia;
III - os membros do Parlamento Nacional, do conselho de
Economia Nacional e das Assembléias Legislativas dos
Estados;
IV - os cidadãos inscritos no “Livro de Mérito”;
V - os oficiais das Forças Armadas e os Militares dos Estados,
do Distrito Federal e dos Territórios;
VI - os magistrados;
VII - os diplomados por qualquer das faculdades superiores da
República;
VIII - os ministros de confissão religiosa;
IX - os Ministros dos Tribunais de Contas;
X - os cidadãos que já tiveram exercido efetivamente a função
de jurado, salvo quando excluídos da lista por motivo de
incapacidade para o exercício daquela função;
XI - os delegados de polícia e os guardas-civis dos estados,
territórios, ativos e inativos.
§ 1.º A prisão especial, prevista neste código ou em outras
leis, consiste exclusivamente no recolhimento em local distinto
da prisão comum.
§ 2.º Não havendo estabelecimento específico para o preso
especial, este será recolhido em cela distinta do mesmo
estabelecimento.
§ 3.º A cela especial poderá consistir em alojamento coletivo,
atendidos os requisitos de salubridade do ambiente, pela
ocorrência dos fatos de aeração, insolação e condicionamento
térmico adequados à existência humana.
§ 4.º O preso especial não será transportado juntamente com
o preso comum.
§ 5.º Os demais direitos e deveres do preso especial serão os
mesmos do preso comum.21

VII – FORMALIDADES E FASES DO AUTO DE PRISÃO

Como já expomos anteriormente, a expedição da nota de culpa (artigo 306


do Código de Processo Penal), por extensão interpretativa, é quem fixa o prazo para a
lavratura do auto de prisão em flagrante, depois de efetuada a prisão, pois a lei
processual não fixa prazo para sua elaboração.
De acordo com o § 4º do artigo 144, da Constituição Federal de 1988, às
polícias, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a
competência da União, as “funções de polícia judiciária e a apuração de infrações
penais, exceto as militares”.
A polícia judiciária, na esfera estadual, é exercida pelas polícias civis dos
Estados, e, na esfera federal, pela polícia federal (Incisos I e IV, do § 1º do artigo 144
da Constituição Federal de 1988).22
Os juízes e promotores somente serão competentes para a lavratura do
auto na hipótese do artigo 307 do Código de Processo Penal:

Art. 307. Quando o fato for praticado em presença da


autoridade, ou contra esta, no exercício de suas funções,
constarão do auto a narração deste fato, a voz de prisão, as
declarações que fizer o preso e os depoimentos das
testemunhas, sendo tudo assinado pela autoridade, pelo preso
e pelas testemunhas e remetido imediatamente ao juiz a quem
couber tomar conhecimento do fato delituoso, se não o for a
autoridade que houver presidido o auto.

Como já tratamos anteriormente, o auto de prisão deve ser lavrado no local


onde foi efetuada a prisão e não no local onde o crime foi cometido. É o que explicita o
“caput” do artigo 290 do Código de Processo Penal:

Art. 290. Se o réu, sendo perseguido, passar ao território de


outro município ou comarca, o executor poderá efetuar-lhe a
prisão no lugar onde o alcançar, apresentando-o
imediatamente à autoridade local, que, depois de lavrado, se
for o caso, o auto de flagrante, providenciará para a remoção
do preso.23

Após a lavratura do auto, ouvidos o condutor (aquele que levou o preso até
a autoridade policial), testemunhas (pelo menos duas), e o conduzido (autuado), o fato
deverá ser comunicado imediatamente à autoridade judiciária que, de plano, verificará
a regularidade da prisão.
É por bem lembrar, conforme explicita MIRABETE, em seu curso de
processo penal (1997, p. 394):

a prisão não implica obrigatoriamente na lavratura do auto,


podendo a autoridade policial, por não estar convencida da
existência da infração penal ou por entender que não houve
situação de flagrância, dispensar a lavratura do auto,
determinando a instauração de inquérito policial para apurar o
fato, providenciando o registro da ocorrência e a soltura do
preso.24

Ressalte-se que a lei n.º 11. 113, de 13 de maio de 2005 (flagrante


eficiente), alterou o “caput” e o § 3.º do artigo 304 do Código de Processo Penal. Tal
alteração legal propiciou que o condutor (policial militar ou civil) seja liberado
imediatamente após a sua oitiva pela autoridade competente na lavratura do auto,
depois de recebida uma cópia do termo e do recibo de entrega do preso.
Destarte, o novo dispositivo legal também determina a autoridade policial
que proceda a imediata oitiva das testemunhas, colhendo suas assinaturas. Isso, com
toda a certeza, facilita que todos sejam liberados o mais rapidamente possível,
lavrando-se o referido auto e permitindo o retorno dos mesmos as suas atividades
normais e peculiares.
Por derradeiro, a referida lei ainda alterou o § 3.º do artigo 304 do Código
de Processo Penal, autorizando a confecção do Auto de Prisão de Flagrante, mesmo
que o acusado se recuse a assinar, não saiba ou não possa fazê-lo, desde que seja
assinado por duas testemunhas que acompanharam a leitura dos termos e auto na
presença do acusado.25
Desta feita, resumidamente, e da mesma forma do capítulo anterior,
apresentamos as fases para a feitura do auto de prisão em flagrante de delito comum:

1ª Fase:
A autoridade policial ouvirá a pessoa que conduz o preso (condutor) -
Sobre os motivos da prisão e/ou suas circunstâncias (artigo 304 do Código de
Processo Penal). Entretanto, pode o condutor não ser o responsável pela prisão, não
tendo presenciado o crime (por exemplo, o policial civil ou militar, ou um bombeiro
militar requisitado por terceiro que efetua a prisão). O condutor deve assinar de
imediato o termo.
2ª Fase:
A autoridade policial ouve as testemunhas – Como testemunhas é
mencionada no plural, é exigido o número mínimo de duas, para a formação do
procedimento, não obstante, entendimento jurisprudencial majoritário que entende
necessária apenas a presença de uma testemunha mais o condutor - artigo 304 do
Código de Processo Penal). A testemunha deve assinar de imediato o termo.
3ª Fase:
A autoridade policial ouve a vítima – Esta é a pessoa que mais contribui
para a elucidação do fato, sendo indispensável sua oitiva, mesmo que tal providência
não esteja mencionada no artigo 304 do Código de Processo Penal.
4ª Fase:
A autoridade policial interroga o indiciado – Neste momento o ato é
presidido pela autoridade que cumpre os ditames legais dos artigos 185 a 196 do
Código de Processo Penal, inclusive no que tange ao inciso LXIII do artigo 5º da
Constituição Federal de 1988 (direito constitucional ao silêncio).
5ª Fase:
Segundo leciona Fernando da Costa Tourinho Filho, em prática de
processo penal (2001, p. 42-43): “imediatamente após a lavratura do auto, a
autoridade policial deve tomar algumas providências indispensáveis à regularidade do
feito”:
1) comunicação da prisão ao Juiz, com cópia do auto (a
comunicação da prisão à autoridade judiciária competente
pode ser feita por telefone, fax, desde que seja prévia);
2) expedição de nota de culpa (parágrafo único do artigo 306
do Código de Processo Penal);
3) pregressar o preso (inciso IX, do artigo 6º do Código de
Processo Penal);
4) pôr o preso em liberdade, nas hipóteses do artigo 321 do
Código de Processo Penal e do artigo 69 da Lei nº 9.099/95;
5) arbitrar fiança nos casos de crime apenado com detenção
ou prisão simples, com exceções.26

VIII – RELAÇÃO DOS DELITOS COMUNS DE MAIOR POTENCIAL


OFENSIVO (CONFORME O CÓDIGO PENAL)

Crimes comuns elencados no Código Penal, de maior potencial ofensivo


(cuja pena máxima cominada seja superior a 2 anos) que reclamam a prisão em
Flagrante de Delito Comum, já que, os de menor potencial ofensivo, estão sendo
citadas no Capítulo V deste trabalho (Termo Circunstanciado de Ocorrência – TCO).27

1. TITULO I – DOS CRIMES CONTRA A PESSOA


1) Capítulo I - DOS CRIMES CONTRA A VIDA
a) Homicídio simples – Art. 121. “caput”;
b) Induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio – Art. 122. “caput”;
c) Infanticídio – Art. 123. “caput”;
d) Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento - Art. 124.
“caput”;
e) Aborto provocado por terceiro – Art. 125. “caput” e Art. 126. “caput”.

2) Capítulo II - DAS LESÕES CORPORAIS


a) Lesão corporal de natureza grave – Art. 129. (...) §§ 1.º e 2.º.
b) Lesão corporal seguida de morte – § 3.º.

3) Capítulo III - DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE


a) Art. 130. “caput” (...) e §1.º ;
b) Perigo de contágio de moléstia grave – Art. 131. “caput”;
c) Abandono de Incapaz – Art. 133. “caput”, §§ 1.º e 2.º;
d) Exposição ou abandono de recém-nascido – Art. 134. “caput”(...) - §§ 1 e
2.º ;
e) Maus tratos – Art. 136. “caput” (...) §§ 1.º , 2º e 3.º .

4) Capítulo IV - DOS CRIMES CONTRA A HONRA


a) Injúria – Art. 140. “caput” (...) - § 3.º .

5) Capítulo V - DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL


a) Seqüestro e cárcere privado – Art. 148. “caput”;
b) Redução à condição análoga de escravo – Art. 149. “caput”;
c) Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica ou telefônica – Art.
151. “caput” (...) - §3.º .

2. TITULO II – DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO


1) Capítulo I - DO FURTO
a) Art. 155. “caput”;
b) Furto qualificado – § 4.º, incisos I ao IV e § 5.º

2) Capítulo II – DO ROUBO E DA EXTORSÃO


a) Roubo – Art. 157. caput” - §§ 1.º, 2.º e 3.º;
b) Extorsão – Art. 158. “caput” §§ 1.º e 2.º;
c) Extorsão mediante seqüestro – Art. 159. “caput” - §§ 1.º, 2.º, 3.º e 4.º;
d) Extorsão indireta – Art. 160. “caput”.

3) Capítulo III - DA USURPAÇÃO


a) Supressão ou alteração de marca em animais – Art. 162. “caput”.

4) Capítulo IV – DO DANO
a) Dano qualificado – Parágrafo único e incisos do Art. 163.

5) Capítulo V – DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA


a) Art. 168. “caput”.

6) Capítulo VI – DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES


a) Estelionato – Art. 171. “caput”;
b) Duplicata simulada – Art. 172. “caput”;
c) Abuso de incapazes – Art. 173. “caput”;
d) Induzimento à especulação – Art. 174. “caput”;
e) Fraude no comércio – Art. 175. “caput” e § 1.º
f) Fraude e abusos na fundação ou administração de sociedade por ações
– Art. 177. “caput”;
g) Emissão irregular de conhecimento de depósito ou warrant (autorização,
sanção, justificativa) – Art. 178. “caput”.
7) Capítulo VII – DA RECEPTAÇÃO
a) Receptação – Art. 180. “caput” e § 1.º.

3. TITULO III – DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL


1) Capítulo I - DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE INTELECTUAL
a) Violação de direito autoral – Art. 184, § 1.º.

4. TITULO IV – DOS CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO


TRABALHO
a) Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem
– Art. 202. “caput”;
b) Frustração de direito assegurado por lei trabalhista – Art. 203. § 2.º;
c) Aliciamento para o fim de emigração – Art. 206. “caput”;
d) Aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional
– Art. 207. “caput”.

5. TITULO V – DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO E


CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS
1) Capítulo II – DOS CRIMES CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS
a) Violação de sepultura – Art. 210. “caput”;
b) Destruição, subtração ou ocultação de cadáver – Art. 211. “caput”;
c) Vilipêndio de cadáver – Art. 212. “caput”.

6. TITULO VI – DOS CRIMES CONTRA OS COSTUMES


1) Capítulo I - DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL
a) Estupro – Art. 213. “caput”;
b) Atentado violento ao pudor – Art. 214. “caput”;
c) Posse sexual mediante fraude – Art. 215. “caput”;
d) Atentado ao pudor mediante fraude – Art. 216. Parágrafo único.

2) Capítulo II – DA SEDUÇÃO E DA CORRUPÇÃO DE MENORES


a) Sedução – Art. 217. “caput”;
b) Corrupção de menores – Art. 218. “caput”.

3) Capítulo III – DO RAPTO


a) Rapto violento mediante fraude – Art. 219. “caput”;
b) Rapto consensual – Art. 220. “caput”.

3) Capítulo IV – FORMAS QUALIFICADAS


a) Forma qualificada - Art. 223. “caput” e parágrafo único.
b) Presunção de violência – Art. 224. “caput”.

5) Capítulo V – DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE MULHERES


a) Mediação para servir a lascívia de outrem – Art. 227. “caput” - §§ 1.º e
2.º;
b) Rufianismo – Art. 230. “caput” - §§ 1.º e 2.º;
c) Tráfico de mulheres – Art. 231. “caput” - §§ 1.º e 2.º.

7. TITULO VII – DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA


1) Capítulo I – DOS CRIMES CONTRA O CASAMENTO
a) Bigamia – Art. 235. “caput” e § 1.º;
b) Simulação de autoridade para celebração de casamento – Art. 238.
“caput”;
c) Simulação de casamento – Art. 239. “caput”.

2) Capítulo II – DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO


a) Registro de nascimento inexistente – Art. 241. “caput”;
b) Parto suposto. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil
de recém-nascido – Art. 242. “caput”;
b) Sonegação de estado de filiação – Art. 243. “caput”.

3) Capítulo III – DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR


a) Abandono material – Art. 244. “caput”;

8. TITULO VIII – DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA


1) Capítulo I – DOS CRIMES DE PERIGO COMUM
a) Incêncio – Art. 250. “caput”;
b) Explosão – Art. 251. “caput”;
c) Uso de gás tóxico ou asfixiante – Art. 252. “caput”;
d) Inundação – Art. 254. “caput”;
e) Perigo de inundação – Art. 255. “caput”;
f) Desabamento ou desmoronamento – Art. 256. “caput”;
g) Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento – Art.
257. “caput”;
h) Difusão de doença ou praga – Art. 259. “caput”.

2) Capítulo II – DOS CRIMES CONTRA A SEGURANÇA DOS MEIOS DE


COMUNICAÇÃO E TRANSPORTE E OUTROS SERVIÇOS PÚBLICOS
a) Perigo de desastre ferroviário – Art. 260. “caput” e § 1.º;
b) Atentado contra a segurança de transporte marítimo, fluvial ou aéreo –
Art. 261. “caput” e § 1.º;
c) Atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública – Art. 265.
“caput”;
d) Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico ou telefônico – Art.
266. “caput”.

3) Capítulo III – DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA


a) Epidemia – Art. 267. “caput”, §§ 1.º e 2.º;
b) Envenenamento de água potável ou de substância alimentícia ou
medicinal – Art. 270. “caput”;
c) Corrupção ou poluição de água potável – Art. 271. “caput”;
d) Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou
produtos alimentícios – Art. 272. “caput”;
e) Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a
fins terapêuticos ou medicinais – Art. 273. “caput”;
f) Emprego de processo proibido ou de substância não permitida – Art. 274.
“caput”;
g) Invólucro ou recipiente com falsa indicação – Art. 275. “caput”;
h) Produto ou substância nas condições dos dois artigos anteriores – Art.
276. “caput”;
i) Substância destinada a falsificação – Art. 277. “caput”;
j) Outras substâncias nocivas a saúde pública – Art. 278. “caput”;
k) Medicamento em desacordo com receita médica – Art. 280. “caput”.

9. TITULO IX – DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA


1) Quadrilha ou bando – Art. 288. “caput” e Parágrafo único.

10. TITULO X – DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA


1) Capítulo I – DA MOEDA FALSA
a) Moeda falsa – Art. 289. “caput”;
b) Crimes assimilados ao de moeda falsa – Art. 290. “caput”;
c) Petrechos para falsificação de moeda – Art. 291. “caput”.

2) Capítulo II – DA FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS


PÚBLICOS
a) Falsificação de papéis públicos – Art. 293. “caput” e § 2.º;
b) Petrechos de falsificação – Art. 294. “caput”.
3) Capítulo III – DA FALSIFICAÇÃO DOCUMENTAL
a) Falsificação de selo ou sinal público – Art. 296. “caput”;
b) Falsificação de documento público – Art. 297. “caput”;
c) Falsificação de documento particular – Art. 298. “caput”;
d) Falsidade ideológica – Art. 299. “caput”;
e) Falso reconhecimento de firma ou letra – art. 300. “caput”;
f) Redução ou adulteração de selo ou peça filatélica – Art. 303. “caput”;
g) Supressão de documento – Art. 305. “caput”.

4) Capítulo IV – DE OUTRAS FALSIDADES


a) Falsificação do sinal empregado no contraste de metal precioso ou na
falsificação alfandegária, ou para outros fins – Art. 306. “caput” e parágrafo único;
b) Fraude de lei sobre estrangeiro – Art. 309. caput” e Art. 310. “caput”;
c) Adulteração de sinal identificador de veículo automotor – Art. 311.
“caput”.

11. TITULO XI – DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


1) Capítulo I – DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO
PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
a) Peculato – Art. 312. “caput”;
b) Peculato mediante erro de outrem – Art. 313. “caput”;
c) Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento – Art. 314.
“caput”;
d) Concussão – Art. 316. caput” e §§ 1.º e 2.º;
e) Corrupção passiva – Art. 317. “caput”;
f) Facilitação de contrabando ou descaminho – Art. 318. “caput”;
g) Violência arbitrária – Art. 322. “caput”.

2) Capítulo II – DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR


CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
a) Usurpação de função pública – Art. 328. “caput”;
b) Resistência – § 1.º do Art. 329;
c) Tráfico de influência – Art. 332. “caput”;
d) Corrupção ativa – Art. 333. “caput”;
e) Contrabando ou descaminho – Art. 334. “caput”;
f) Subtração ou inutilização de livro ou documento – Art. 337. “caput”.

3) Capítulo III – DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA


JUSTIÇA
a) Reingresso de estrangeiro expulso – Art. 338. “caput”;
b) Denunciação caluniosa – Art. 339. “caput”;
c) Falso testemunho ou falsa perícia – Art. 342. “caput” e Art. 343. “caput”;
d) Coação no curso do processo – Art. 344. “caput”;
e) Fuga de pessoa presa ou submetida a medida de segurança – Art. 351,
§§ 1.º e 3.º;
f) Arrebatamento de preso – Art. 354. “caput”;
g) Patrocínio infiel – Art. 355. “caput”;
h) Sonegação de papel ou objeto de valor probatório – Art. 356. “caput”;
i) Exploração de prestígio – Art. 357. “caput”.

IX - MODELOS
Segue relação de modelos indispensáveis para a formalização da prisão e
do Auto de Prisão em Flagrante de Delito Comum (PAPFDC).28

1 - Modelo de Autuação

CABEÇALHO

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO COMUM

DELEGADO: _____________ (nome completo)


CONDUTOR: _____________ (nome completo)
ESCRIVÃO: ______________ (nome completo)
CONDUZIDO (S): _________ (nome completo)
TESTEMUNHAS __________ (nome completo)

AUTUAÇÃO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________ na cidade


de __________ na Delegacia do __________ (nome da circunscrição policial)
__________, autuo as peças da presente prisão em flagrante delito, do que, para
constar, lavrei o presente termo.

Local/data
(Assinatura): Escrivão.

2 - Modelo de Portaria de Nomeação de Escrivão

CABEÇALHO
PORTARIA

Sendo conduzido a minha presença por __________ (nome do condutor)


__________, que disse ter prendido o __________ (nome do suspeito) __________,
no ato de cometer o delito de __________ (nome do crime) __________ contra
__________ (nome da vítima, se houver), quando (narrar o fato) fazendo-se
acompanhar das testemunhas (nomes completos) _________.
Desta forma, determinei que fosse lavrado o competente auto de prisão em
flagrante delito, para o qual designo _________ (nome completo) _________, para,
sob compromisso, exercer as funções de escrivão, procedendo a lavratura do
respectivo auto.

Local/data
(Assinatura): Delegado de Polícia.

3 - Modelo de Termo de Designação e Compromisso do Escrivão

CABEÇALHO

TERMO DE DESIGNAÇÃO E COMPROMISSO

Aos _____ dias do mês de __________ de _________, no ___________


(local da lavratura), __________ na cidade de __________, eu __________ (nome do
escrivão) fui designado pelo Sr. __________ (nome do Delegado de Polícia) para
servir como escrivão na lavratura do auto de prisão em flagrante delito contra (nome
do suspeito) ___________ o que faço prestando por este termo o compromisso de
bem e fielmente desempenhar-me das funções que me foram dadas; do que, para
constar, lavrei este termo que assino com a referida autoridade, do que dou fé. Eu,
escrivão o escrevo.

(Assinaturas): Delegado de Polícia e Escrivão.

4 - Modelo de Auto de Prisão em Flagrante de Delito Comum –


Declaração do Condutor

CABEÇALHO

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO – DECLARAÇÃO DO


CONDUTOR
Aos _____ dias do mês ____________ de do ano de __________ dois mil
e __________, nesta cidade de ____________ no ___________ (Delegacia ou local),
onde se achava (nome do Delegado de Polícia) ___________ comigo _________
(nome do escrivão) servindo de escrivão, presente o condutor __________ (nome e
qualificação) sabendo ler e escrever, o qual inquirido pela autoridade sob o
compromisso de dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado, disse que
__________ (declaração do condutor). E mais nada disse nem lhe foi perguntado.

Local/data
(Assinaturas): Delegado de Polícia, Condutor, Advogado, Suspeito e
Escrivão.

5 - Modelo de Auto de Prisão em Flagrante de Delito Comum –


Depoimento de Testemunha

CABEÇALHO

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO – DEPOIMENTO DA


TESTEMUNHA

Aos _____ dias do mês __________ de do ano de __________ dois mil e


__________, nesta cidade de ____________ no __________ (Delegacia ou local),
onde se achava (nome do Delegado de Polícia) ___________ comigo __________
(nome do escrivão) servindo de escrivão, presente a 1.ª testemunha ____________
(nome e qualificação) sabendo ler e escrever, o qual inquirido pela autoridade sob o
compromisso de dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado, disse que
__________ (depoimento de testemunha). E mais nada disse nem lhe foi perguntado.

Local/data
(Assinaturas): Delegado de Polícia, Testemunha, Advogado, Suspeito e
Escrivão.

6 - Modelo de Auto de Prisão em Flagrante de Delito Comum –


Interrogatório do Suspeito

CABEÇALHO

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO – INTERROGATÓRIO DO


SUSPEITO
Aos _____ dias do mês __________ de do ano de __________ dois mil e
_______, nesta cidade de ____________ no_____________ (Delegacia ou local),
onde se achava (nome do Delegado de Polícia) ___________ comigo ________
(nome do escrivão) servindo de escrivão, presente o suspeito __________ (nome
e qualificação) sabendo ler e escrever, o qual inquirido pela autoridade sob o
compromisso de dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado, disse que
__________ (palavras do suspeito – pode permanecer calado). E mais nada disse
nem lhe foi perguntado.

Local/data
(Assinaturas): Delegado de Polícia, Advogado, Suspeito e Escrivão.

7 - Modelo de Atos de Escrivão

JUNTADA

Aos ____ dias do mês de __________ do ano de __________, faço juntada


dos documentos aos presentes autos conclusos.

Local/data
(Assinatura): Escrivão.

CONCLUSÃO

Aos ____ dias do mês de __________ do ano de _________, faço os


presentes autos conclusos ao senhor Encarregado do Inquérito Policial.

(Assinatura): Escrivão.

8 - Modelo de Despachos Diversos

DESPACHO

1. Expeça-se a competente Nota de Culpa fornecendo ao preso mediante


recibo;
2. Oficie-se ao Sr. Diretor do Instituto Médico Legal (IML) deste Estado
solicitando que seja remetido, com a máxima urgência possível, o Laudo de exame de
corpo delito de lesões corporais procedido em __________ (nome da vítima);
3. Oficie-se ao Sr. Diretor do __________ (repartição competente) _______
solicitando a folha de antecedentes penais e as individuais datiloscópicas do suspeito
________ (nome e sua qualificação), esclarecendo, ainda, que o mesmo foi preso e
autuado em flagrante de deliro;
4. Oficie-se ao Sr. Diretor do Instituto de Criminalística deste Estado,
encaminhando a arma apreendida e o objeto do crime, solicitando competente Laudo
Pericial, solicitando urgência.
Providencie o Sr. Escrivão.

Local/data
(Assinatura): Delegado de Polícia.

9 - Modelo de Atos do Escrivão

RECEBIMENTO

Aos ____ dias do mês de __________ do ano de dois mil e __________,


recebi estes autos do Delegado de Polícia.

(Assinatura): Escrivão.

JUNTADA

Aos ____ dias do mês de __________ do ano de dois mil e __________,


faço juntada aos presentes autos dos documentos que adiante se seguem.

(Assinatura): Escrivão.

10 - Modelo de Nota de Culpa

CABEÇALHO

NOTA DE CULPA

__________ (nome do Delegado de Polícia), faz saber __________ (nome


e qualificação do preso) __________ que o mesmo se acha preso em flagrante, à
disposição da Justiça, por ter __________ (descrever os fatos), conduta capitulada no
artigo __________ do Código Penal (ou outra Lei Especial), sendo condutor o
__________ (nome) __________ e testemunhas __________ (nomes) __________,
ciente o seu advogado __________ (nome e nº da OAB). E, para a sua ciência,
mandou passar a presente, que vai por ele assinada. Eu, __________ (nome)
__________, servindo de escrivão, escrevi.

Local/data
(Assinatura): Delegado de Polícia.
Recebi a nota de culpa: Ciente:
Local/data Local/data
_____________________ _____________________
Suspeito Advogado – nº da OAB

11 - Modelo de Ofício de Solicitação de Exame Pericial ao (IC)

CABEÇALHO

Of. N.º _____/_____


Local/data
Ao: Sr. Diretor do Instituto de Criminalística (IC).
Ass.: Solicitação
Senhor Diretor,

Encaminho a vossa senhoria, __________ (armamento com a respectiva


característica), __________ pertencente a esta (nome da unidade) e que foi objeto de
crime, solicitando que seja submetido a exame pericial, com a remessa do competente
laudo a este Presidente do Flagrante, encontrado à __________ (local para onde deve
ser remetido o Laudo Pericial) __________.
Para este fim, formulo os seguintes quesitos __________ (formular quesitos
pertinentes ao fato) __________.

Atenciosamente,

(Assinatura): Delegado de Polícia.

12 - Modelo de Ofício de Solicitação de Exame Pericial ao (IML)

CABEÇALHO

Of. N.º _____ / _____


Local/ data
Ao: Sr. Diretor do Instituto Médico Legal - (IML)
Ass.: Solicitação
Senhor Diretor,
Apresento a V. Sa. __________ (nome da pessoa a ser submetida ao exame) a fim de
ser submetida ao exame de corpo delito de lesões corporais, solicito que seja remetido
o competente laudo a este Presidente do Flagrante, encontrado à __________ (local
para onde deve ser remetido o Laudo Pericial), com a máxima urgência possível.
Para este fim, formulo os seguintes quesitos __________ (formular quesitos
pertinentes ao fato) ___________.

Atenciosamente,

(Assinatura): Delegado de Polícia.

13. Modelo de Ofício de Solicitação de Outros Exames Periciais

CABEÇALHO

Of. N.º _____/______


Local/data
Ao: Sr. Diretor (órgão competente)
Ass.: Solicitação
Senhor Diretor,

Solicito-vos a remessa, com a possível urgência, das individuais datiloscópicas, bem


como das folhas de antecedentes penais do acusado __________ (nome e
qualificação) informando, ainda, que o mesmo foi preso e autuado em flagrante por
infração capitulada no artigo __________ do Código Penal (CP).
Os documentos deverão ser remetidos para o seguinte endereço __________.
Atenciosamente,

(Assinatura): Delegado de Polícia.

14 - Modelo de Atos de Escrivão

JUNTADA

Aos ____ dias do mês de __________do ano de __________, faço juntada


aos presentes autos dos documentos que adiante se seguem. (O escrivão deverá a
seguir fazer a juntada de todos os documentos solicitados e encaminhados pelos
órgãos competentes como o laudo de exame pericial da arma, o laudo de exame de
corpo delito de lesões corporais, os assentamentos e a ficha disciplinar do suspeito
etc.).
(Assinatura): Escrivão.

CERTIDÃO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de ________, certifico que


dei cumprimento ao despacho do Sr. Presidente do Auto de Prisão em Flagrante.

(Assinatura): Escrivão.

15 - Modelo de Relatório

RELATÓRIO

Foi lavrado o presente auto de prisão em flagrante delito contra o


__________ (nome e qualificação) por ter em __________ (narrar o fato) conduta
tipificada no artigo __________ do Código Penal (ou Lei Especial). Foi facultado ao
suspeito, no momento de sua apresentação a esta autoridade, comunicar a sua família
e a seu advogado.
Compareceu para defender o suspeito o Dr. __________ (nome e n° da
OAB) __________ que acompanhou todo o procedimento.
Foram ouvidos o condutor, as testemunhas e o próprio suspeito, através de
despacho de fls. _________ diligências ___________. Foi expedida e entregue ao
acusado, no prazo do art. 306 do CPP, a NOTA DE CULPA, onde constam os motivos
da sua prisão, o nome do condutor das testemunhas e da autoridade autuadora.
Depois de juntados os laudos e documentos solicitados ao presente Auto
de Prisão em flagrante delito, encaminho ao Exmo. Sr. __________ - autoridade
judicial competente. (Se por ventura, o suspeito não quiser o advogado, isto, por si só,
não vicia o auto, mas o presidente deve ter o cuidado de documentar esta recusa,
inclusive com testemunhas. E fazer a menção da recusa no auto, no momento do
interrogatório do acusado e neste relatório).

Local/data
(Assinatura): Delegado de Polícia.

16 - Modelo de Ofício de Comunicando a Prisão em Flagrante Delito a


Pessoa Indicada pelo Preso

CABEÇALHO

Of. N.º _____/_____


Local/data
Do: Delegado ___________.
Ao: Sr. (a) ____________.
Senhor ____________

Através deste, comunico a V. Sª a Prisão em Flagrante Delito de __________ (nome


do acusado), por mim presidido.
Informo-lhe ainda, que o acusado encontra-se preso no _______ (local da prisão),
ocasião em que foram assegurados todos os direitos e garantias constitucionais
vigentes.

Atenciosamente,

(Assinatura): Delegado de Polícia.

17 - Modelo de Ofício de Remessa do Auto de Prisão em Flagrante ao


Juiz Competente

CABEÇALHO

Local/data
Of. nº. _____/_______
Ao: MM. Sr. Juiz da ____________
Assunto: Auto de Prisão em Flagrante (remete).
Anexo: Auto de Flagrante contendo ___________ folhas.
Excelentíssimo senhor Juiz,

Remeto a V. Exa. o Auto de Prisão em Flagrante, lavrado contra __________ (nome


completo do indiciado), por mim presidido, nos termos do art. 307 do Código de
Processo Penal, tendo por vítima ____________ (nome).
No azo, apresento-lhe protestos de consideração e respeito.

(Assinatura): Delegado de Polícia.

18 - Modelo de Requerimento de Relaxamento de Prisão em Flagrante

Excelentíssimo Senhor Doutor juiz de Direito da _________ Vara da


Comarca de __________, do Estado de __________.
Fulano de tal (qualificação), por seu bastante procurador e advogado
signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Excelência para requerer o
RELAXAMENTO DE SUA PRISAO EM FLAGRANTE, nos termos do art. 5°, LXV, da
Constituição Federal, em face dos fatos a seguir aduzidos:
O requerente, na data de ___/___/___, foi preso em flagrante sob o
argumento de que mantinha, por conta própria, casa de prostituição (art. 229 do
Código Penal).
Não obstante, como se sabe, o crime sobredito é habitual, fato que
impossibilita a configuração do flagrante, como lembra a jurisprudência: "O rufianismo
e a casa de prostituição são delitos tipicamente habituais. O flagrante, em tal hipótese,
serve apenas para por à calva a prática de um ilícito jurídico ainda não identificável
com as infrações mencionadas, porque só através do requisito da habitualidade neles
se transmudaria, por força da tipicidade" (TJSP - RT 469/289).
Destarte, aguarda o requerente seja imediatamente relaxada sua prisão em
flagrante, com a expedição do respectivo alvará de soltura, pois só assim estará sendo
realizada a verdadeira JUSTIÇA.
Termos em que,
P. deferimento.

Local/data
(Assinatura): Advogado.

CAPÍTULO II (NOTAS DE RODAPÉ)

1 - GOMES, Luiz Flávio. Código Penal, Código de Processo Penal e Constituição


Federal. 5 ed. São Paulo: RT, 2003, p. 434.
2 - NUNES JÚNIOR, Flávio Martins Alves. Manual de Prática Processual Penal. São
Paulo: LED, 2003, p. 69-70.
3 - AMARAL, Jucid Peixoto do. Orientações para o Concurso Público da Magistrada no
Estado do Ceará. Fortaleza: 1999, p. 9-11.
4 - FUHRER, Maximilianus Cláudio Américo. Resumo de Processo Penal. 11 ed. São
Paulo: malheiros, 2000, p.47.
5 - TOURINHO FILHO, Fernanado da Costa. Processo Penal. 14 ed. São Paulo:
Saraiva, 1993.
6 - Id. Ibid, 1993.
7 - NUNES JÚNIOR, op. cit. 2003, p. 91.
8 - FUHRER, op. cit. 2000, p. 47.
9 - RODRIGUES, Alexandre Brandão. Prisão em Flagrante de Delito Comum e Militar.
Porto Alegre, 2004, p. 36.
10 - JÚNIOR, op. cit. p. 91.
11 - FUHRER, op. cit. p. 48.
12 - COSTA, Álvaro Mayrink da. Crime Militar. 2 ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris,
2005.
13 - JÚNIOR, op. cit. 2003, p.93.
14 - GERAIS, Polícia Militar do Estado de. O Alferes. Vol. 19. n.º 55. Belo Horizonte:
2004, p. 11-21, apud. FERREIRA, Samuel Gonçalves. ROCHA, Cláudio Victor
Rodrigues.
15 - RODRIGUES, op. cit.. 2004. p. 19-20.
16 - BRASIL, Constituição da República Federativa do. 35 ed. São Paulo: Saraiva,
2005, p. 34 3 58.
17 - GERAIS, op. cit. 2004, p. 58.
18 - Vide RODRIGUES, op. cit.2004 ; GERAIS, op. cit. 2004; MORAES, Alexandre de.
Direito Constitucional. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2000, p. 467 - 468.
19 - Vide GLOBO on line. Maioridade Penal é Defendida no Senado. Alterações no
Código Penal Brasileiro, 2007. PAIVA, Mário Antônio Lobato. Temas Atuais em Direito
Processual Penal. São Paulo: LED, 2001.
20 - RODRIGUES, op. cit. 2004, p, 23.
21 - GOMES, op. cit. 2003. p, 433 - 434.
22 - BRASIL, op. cit. 2005, p. 109 - 110.
23 - GOMES, op. cit. 2003. p. 432 - 435.
24 - MIRABETE, Júlio Fabrini. Código de Processo Penal Interpretado. 5 ed. São
Paulo: Atlas, 1997. p, 394.
25 -VADE MECUM, Acadêmico de Direito. 3 ed. São Paulo: Redeel, 2006.
26 - TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Prática de Processo Penal. São Paulo:
Saraiva, 2201, p. 42 - 43.
27 - VADE MECUM, op. cit. 2006.
28 - Vide RODRIGUES, op.cit. 2004. p. 74 - 91; JÚNIOR, op. cit. 2003, p. 47 - 54 e
103 - 110.
CAPÍTULO III

INQUÉRITO POLICIAL MILITAR (IPM)

O estudo deste procedimento investigatório é extremamente necessário,


oportunidade em que discorreremos sobre seu rito, passo a passo, especialmente nos
modelos apresentados. Tal iniciativa tem também por escopo evitar os equívocos em
sua elaboração, como também orientar a todos que necessitem.

I – BREVES COMENTÁRIOS SOBRE O IPM

O Inquérito Policial Militar é um procedimento administrativo e


investigatório de natureza inquisitorial, que busca identificar a autoria (autor do delito)
e a materialidade do delito (provas do fato criminoso), visando fomentar todos os
elementos paupáveis com o fito de fornecer ao titular da ação penal pública, ou seja, o
Ministério Público, representado pelo Promotor de Justiça Militar, elementos de
convicção e segurança para posterior oferecimento da Denúncia Crime.
O Inquérito Policial Militar está disciplinado entre os artigos 9º e 28 do
Decreto-lei nº 1.002, de 21 de outubro de 1969 – Código de Processo Penal Militar
(CPPM), fazendo gerar no seio dos militares, a fiel execução da atividade de Polícia
Judiciária Militar.1
A instauração desse procedimento pode ter por base qualquer documento,
além de sindicâncias ou qualquer fato que possa resultar indício de prática de crime
militar.
Conforme estipula o artigo 10 do Código de Processo Penal Militar, o
Inquérito Policial Militar é iniciado mediante portaria:

a) de ofício, pela autoridade militar em cujo âmbito de


jurisdição ou comando haja ocorrido a infração penal,
atendida a hierarquia do infrator;
b) por determinação ou delegação da autoridade militar
superior, que, em caso de urgência, poderá ser feita por
via telegráfica ou radiotelefônica, posteriormente, por
ofício;
c) em virtude de requisição do Ministério Público;
d) por decisão do Supremo Tribunal Federal, nos termos
do artigo 25;
e) a requerimento da parte ofendida ou de quem
legalmente a represente, ou em virtude de representação
devidamente autorizada de quem tenha conhecimento da
infração penal, cuja representação caiba à Justiça Militar;
f) quando, de sindicância feita em âmbito de jurisdição
militar, resulte indício da existência de infração penal
militar.2

O Inquérito Policial Militar tem um caráter meramente de instrução


provisória, coletando elementos que serão de fundamental importância para a
propositura da ação penal cabível à espécie. Porém, não pode ser uma investigação
sem controle, aberto, o que com certeza prejudicará a credibilidade do feito.
É inquisitorial, pois não é aplicada a garantia constitucional do contraditório,
ou seja, a dialética no procedimento. O encarregado dirige as investigações de acordo
com os dispositivos legais contidos na legislação ordinária e especial.
Apesar de pacífico na doutrina, muito se questiona até hoje, o porque do
não cabimento dessa garantia constitucional por ocasião da feitura do Inquérito Policial
Militar ou Policial Civil.
Conforme leciona MORAES (2000, p. 118), em seu livro de Direito
Constitucional:

O contraditório nos procedimentos penais não se aplica aos


inquéritos policiais, pois a fase investigatória é preparatória da
acusação, inexistindo, ainda, acusado, constituindo, pois, mero
procedimento administrativo, de caráter investigatório,
destinado a subsidiar a atuação do titular da ação penal, o
Ministério Público.3

É também o Inquérito Policial Militar indisponível, ou seja, uma vez


instaurado, não pode ser paralisado ou arquivado pela autoridade militar estadual,
ficando essa possibilidade apenas para o Juiz e direito do Juízo Militar Estadual, de
ofício, ou a requerimento do Ministério Público.
O Inquérito Policial Militar é um procedimento que deve ser mantido em
sigilo, dele devendo tomar conhecimento o advogado do indiciado. Ademais, esse
sigilo também não se estende ao Ministério Público (representado pelo Promotor de
Justiça), em face de sua atuação constitucional de órgão agente (defende direitos) e
interveniente (fiscal da lei).
Essa premissa constitucional, como frisamos anteriormente, não é a
garantia do contraditório, mas a garantia de que o indiciado terá um profissional
qualificado, com conhecimento da legislação e acompanhando o feito, garantindo não
somente a lisura dos atos administrativos bem como a mantença da integridade física
e moral do mesmo.
É bom lembrar que a falta de observância desses regramentos por parte do
encarregado do Inquérito Policial Militar, em tese, pode caracterizar o crime de abuso
de autoridade, com previsão na alínea “j”, do artigo 3º da Lei nº 4.898/65 (Regula o
direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa civil e penal,
nos casos de abuso de autoridade).

II – DOS PROCEDIMENTOS A SEREM ADOTADOS

1. Seqüência lógica dos atos administrativos


O eventual defeito de formatação em alguma peça ou formalidade não vai
gerar a anulação do feito, no entanto, são adotadas pelo Código Processual Penal
Militar algumas regras que visam a boa condução das investigações, no que concerne
ao cumprimento da lei e de critérios de organização. Passamos aqui a relatar as
regras desse diploma legal:4
1) medidas preliminares ao inquérito (alíneas “a” a “d” do artigo 12 do
Código de Processo Penal Militar) - a autoridade tem o dever legal de ir até o local da
prática da infração penal. O sucesso da investigação pode depender desses cuidados,
por isso, a diligência é da total responsabilidade da autoridade competente. A
preservação do local que compete à autoridade só deve ocorrer enquanto necessária,
ou como diz a lei: “até a chegada dos peritos criminais”.
2) nomeação do escrivão e seu compromisso legal, conforme estabelece
o (artigo 11 ”caput” e seu parágrafo único) – escrivão5 é aquele que tem o encargo de
reduzir a escrito todos os atos do procedimento inquisitorial ou determinados pela
autoridade encarregada.
3) ouvir o ofendido (alínea “b” do artigo 13) – é a pessoa que sofreu
diretamente as conseqüências do crime. É geralmente a vítima quem fornece à
autoridade as primeiras informações sobre o fato, que vão orientar, conforme o caso
concreto, a linha mais adequada de investigação. O ofendido presta declarações.6
Com base no artigo 313 e 339 do Código de Processo Penal Militar deverá responder
a qualquer pergunta e caso efetive notícia do crime sabendo ser o ofendido inocente
poderá responder por denunciação caluniosa.
4) ouvir o indiciado - a melhor terminologia a ser empregada seria
“investigado ou suspeito” (alínea “c” do artigo 13) – é aquele sobre quem recai a
autoria do delito. O autor da infração penal será ouvido também nos autos de
inquérito, através do termo de interrogatório. Ressalte-se o direito ao silêncio do
indiciado, antes garantido na lei ordinária, é hoje assegurado constitucionalmente
(inciso LXIII, da CF/88). Lembre-se também que a lei exige que o interrogatório se faça
na presença de curador se o indiciado for maior de 18 e menor de 21 anos. O curador
pode ser qualquer pessoa leiga, desde que capaz e idônea. Deverá ser ouvido durante
o dia, em período que medeie entre as 7 (sete) e as 18 (dezoito) horas, conforme
artigo 19 do Código de Processo Penal Militar.
No entanto, conforme foi estudado no capítulo I, a criança não poderá ser
conduzida a quartel, devendo-se acionar o Conselho Tutelar. Quanto ao adolescente
apreendido, deverá ser encaminhado à Delegacia especializada para o flagrante de
ato infracional, tudo conforme descrito na Lei especial n.º 8.069/1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente).
Quanto à qualificação do indiciado, esta é feita de acordo com o artigo 306
“caput” do Código de Processo Penal Militar, nela se incluem: “Nome, naturalidade,
estado, idade, filiação, residência, profissão, ou meio de vida e lugar onde exerce sua
atividade, se sabe ler e escrever e se tem defensor”.
Além disso, serão feitas perguntas ao interrogado, de conformidade com as
alíneas do artigo 306 do Código de Processo Penal Militar:

a) onde estava ao tempo em que foi cometida a infração e


se teve notícia desta e de que forma;
b) se conhece a pessoa ofendida e as testemunhas
arroladas na denúncia, desde quando e se tem alguma
coisa a alegar contra elas;
c) se conhece as provas contra ele imputadas e se tem
alguma coisa a alegar a respeito das mesmas;
d) se conhece o instrumento com que foi praticada a
infração, ou qualquer dos objetos com ela relacionados e
que tenham sido apreendidos;
e) se é verdadeira a imputação que lhe é feita;
f) se, não sendo verdadeira a imputação, sabe de algum
motivo particular a que deva atribuí-la ou conhece a
pessoa ou pessoas a que deva ser imputada a prática do
crime e se elas estiveram antes ou depois dos fatos;
g) se está sendo ou já foi processado por prática de outra
infração e, em caso afirmativo, em que juízo, se foi
condenado, qual a pena imposta e se a cumpriu;
h) se tem quaisquer declarações a fazer.7
5) ouvir testemunhas (alínea ”d” do artigo 13) – qualquer pessoa pode ser
testemunha (as que presenciaram o fato e as que dele sabem alguma coisa por ouvir
dizer), mesmo os doentes, os deficientes mentais, os silvícolas, o insano, as crianças
etc. A testemunha deve contar o que sabe, explicando sempre as razões de sua
ciência ou as circunstâncias pelas quais se possa avaliar sua credibilidade, segundo
dispõe o Estatuto Processual Penal. Em princípio, a lei não descrimina quem pode ser
testemunha, entretanto, permitem que certas pessoas neguem-se a depor, outras são
impedidas, outras tem prerrogativas de função, outras estão fora da circunscrição etc.
A testemunha presta depoimento8 com o compromisso legal de dizer a verdade.
Deverá ser ouvido durante o dia, em período que medeie entre as 7 (sete) e as 18
(dezoito) horas, conforme artigo 19 “caput” do Código de Processo Penal Militar.
Na conformidade do § 2.º do artigo 19 do Código de Processo Penal Militar,
a testemunha não poderá ser inquirida por mais de 4 horas consecutivas, sedo-lhe
facultada o descanso por meia hora. Se o depoimento não for concluído as 18 horas
será encerrado para prosseguir no dia seguinte ou no 1.º dia útil, salvo caso de
urgência.
Segundo a doutrina, deverá se observar ainda, à frente do nome
testemunha, quando da sua qualificação:

a) se é da terra (residente ou domiciliada na comarca, caso em


que a notificação é pessoal);
b) de fora (residente ou domiciliada fora da comarca), quando,
embora a notificação continue sendo pessoal, há necessidade
de se expedir carta precatória;
c) servidor público, tendo em vista a necessidade de se dar
ciência, nesse caso, também ao chefe de sua repartição;
d) militar, de qualquer força, quando a notificação é feita por
intermédio do chefe do respectivo serviço;
e) testemunha presa deve-se requisitar à direção do presídio.9

LOUREIRO NETO (2000, p. 46 e 47) em Processo Penal Militar:

As testemunhas podem ser classificadas em: a) Numerárias,


quando oferecidas pelas partes e prestam compromisso de
dizer a verdade sobre o que souber e lhe for perguntado. (...)
b) Extranumerárias, que são ouvidas por iniciativa do auditor
e que também prestam compromisso, são suplementares.(...)
c) Informantes, que compreendem as que não prestam
compromisso. Entre elas estão incluídos os doentes e
deficientes mentais e os menores de 14 anos (art. 352, § 2.º).
d) Referidas, consideradas terceiras pessoas mencionadas no
depoimento de outra testemunha.10

Além destas, SARAIVA (1999, p. 30-40), acrescenta:

a) Direta, quando depõe sobre fatos que presenciou; b)


Indireta, quando depõe sobre fatos os quais ouviu
comentários; (...) c) Instrumentárias, que depõe sobre atos
de que tenha assistido ou participado, como, por exemplo, a
pessoa que assiste à autuação de um preso em flagrante; d)
Própria, que depõe acerca de fatos objetos da investigação,
podendo ser direta ou indireta; e) Imprópria, que depõe sobre
ato, fato ou circunstância alheia ao fato objeto do inquérito.11

6) proceder ao reconhecimento de pessoas e coisas, e realizar


acareações (alínea “e” do artigo 13) – reconhecer é estabelecer a identidade da
pessoa ou da coisa que se vê. No reconhecimento de pessoas o auto de
reconhecimento deve ser pormenorizado e subscrito pela autoridade, pela pessoa
chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais. No
reconhecimento de coisas a diligência será formalizada em auto de reconhecimento
de objetos ou coisas, de forma pormenorizada, com descrição do objeto pelo
identificador, inclusive, colocado entre outros que com ele guardem semelhança. Ao
final, será o auto subscrito pela autoridade, o identificador e duas testemunhas.12
Acareação (artigo 365 do Código de Processo Penal Militar) é o ato legal de colocar
duas pessoas, cujos depoimentos sejam conflitantes, em presença uma da outra, para
que expliquem a razão das divergências, ratifiquem ou retifiquem o que anteriormente
disseram. É uma espécie de reprodução simulada dos fatos.
7) determinar, se for o caso, que se proceda a exame de corpo de
delito e a quaisquer outros exames periciais (alínea “f” do artigo 13) – A perícia no
processo penal militar também é meio de prova. Entre outras perícias, temos: a de
corpo de delito (nos vestígios), exame grafotécnico ou grafológico (nos escritos e
documentos), balística (possíveis defeitos na arma), parafina (nos resíduos de
pólvora), merceológico (em mercadorias contrabandeadas), exame de sanidade
mental (no autor do delito), exame químico toxicológico, etc. Se a perícia for
necessária ao esclarecimento da verdade, não só pode ser determinada de ofício pela
autoridade de polícia judiciária militar ou pelo juiz, como a requerimento das partes.
Uma perícia, no entanto, é obrigatória, a de exame de corpo de delito.13
8) determinar a avaliação e identificação da coisa subtraída, desviada,
destruída ou danificada, ou da qual houve indébita apropriação (alínea “g” do
artigo 13 do Código de Processo Penal Militar) – a preservação do local de crime é de
interesse da investigação criminal, pois impede que se alterem o estado de
conservação das coisas. No entanto, se a coisa tiver sido indebitamente apropriada
(coisa cedida por pouco e limitado tempo, e, quando solicitada é negada), a autoridade
deverá determinar a avaliação e a identificação da coisa por peritos ou técnicos.
9) proceder a buscas e apreensões, nos termos dos artigos 172 a 184 e
185 a 189 do Código de Processo Penal Militar (alínea ”h” do art. 13) – A busca
consiste na diligência que se destina a encontrar pessoa ou coisa que se procura. A
apreensão é a conseqüência da busca, a sua materialização. Encontrado o que se
procura se for à pessoa, tem-se sua prisão, se for à coisa, sua apreensão. A busca
pode ser domiciliar ou pessoal.14 A busca domiciliar só pode ser feita durante o dia,
entre o raiar e o cair do sol (critério penal), ou das 6 às 20h (critério civil) - art. 172 do
Código de Processo Civil (CPC) e por determinação judicial. Durante a noite o acesso
à casa é possível com o consentimento do morador, ou na ocorrência de flagrante
delito ou desastre, ou para prestar socorro (inciso XI do artigo 5º, da CF/1988 e § 3º,
do artigo 150 do Código Penal). A busca pessoal, de acordo com o artigo 180 do
Código de Processo Penal Militar, constituirá na procura material feita nas vestes,
pastas, e outros objetos que estejam com a pessoa revistada e, quando necessário,
no próprio corpo.
10) tomar as medidas necessárias destinadas à proteção de
testemunhas, peritos ou ofendidos, quando coatos ou ameaçados de coação que
lhes tolha a liberdade de depor, ou a independência para a realização de perícias ou
exames (alínea “i” do artigo 13) – As testemunhas vítimas de crimes se estiverem
sob ameaça, podem obter proteção especial, própria e de seus familiares, como
escolta, mudança de nome, ajuda financeira e várias outras garantias. Essa premissa
se estende aos peritos, ofendidos, acusados, ou qualquer pessoa que colabore
voluntariamente na investigação e no processo criminal (inteligência da Lei 9.807/1999
– Programa Especial de Proteção à Vítima e Testemunhas Ameaçadas).15
11) providenciar a reconstituição dos fatos, no intuito de verificar de que
modo à infração foi realmente praticada, reconstituindo os fatos de forma simulada,
desde que não contrarie a ordem pública e a moralidade, nem atente contra a
hierarquia e a disciplina militar (parágrafo único do artigo 13 do Código de Processo
Penal Militar) – a reconstituição é uma forma de voltar-se ao passado e reativar-se a
cena delito, por informações isoladas, ou em conjunto, do próprio indiciado, de
testemunhas ou do ofendido. É feita para que se tenha uma idéia mais precisa
possível sobre as circunstâncias que antecederam e sucederam o fato delituoso. Essa
diligência se põe como medida importante e necessária, se a autoridade, por outros
meios de investigação, não conseguiu compreender a infração penal.16
Ressalte-se, que em decisão prolatada pelo Supremo Tribunal Federal
(STF):

O suposto autor do ilícito não pode ser compelido, sob pena


de caracterização de injusto constrangimento, a participar da
reprodução simulada do fato delituoso. O magistério
doutrinário, atento ao princípio que concede a qualquer
indiciado ou réu o privilégio contra a auto-incriminação, resulta
a circunstância de que é essencialmente voluntária a
participação do imputado ao ato (RT, 697/385).

12) solicitar do Procurador-Geral de Justiça do Estado à assistência de um


procurador para acompanhar o feito, quando o fato delituoso for de excepcional
importância ou de difícil elucidação (artigo 14 do Código de Processo Penal Militar) –
O Ministério Público é sem dúvida um dos órgãos mais isentos dentre os poderes da
Administração Pública. Com o conhecimento jurídico que detém o Promotor de
Justiça, aliado a sua imparcialidade, devotamento e discernimento, com toda a
convicção, a autoridade encarregada do Inquérito Policial Militar terá uma excepcional
ajuda na busca da autoria e materialidade do delito, quando esse for de difícil
elucidação.
13) O escrivão deverá reunir todas as peças do inquérito por ordem
cronológica, num só processado, datilografada ou digitada em espaço dois, com todas
as folhas numeradas e rubricadas, inclusive, juntar todos os documentos precedidos
de despacho do encarregado (artigo 21 do Código de Processo Penal Militar).
Ademais, providenciar outros atos importantes para a formatação do procedimento,
tais como:17
a) autuação – é o termo inicial do Inquérito Policial Militar subscrito e feito
na parte inferior da capa, onde menciona a data e o local do ato, bem como o número
da portaria;
b) certidão – é o termo pelo qual consigna no Inquérito Policial Militar, de
modo a dar fé, o cumprimento de ordem legal emanada pelo encarregado nos
despachos;
c) conclusão – é o termo através do qual submete o Inquérito Policial
Militar ao exame e despacho do encarregado;
d) juntada – é o termo que registra a anexação ao Inquérito Policial Militar,
mediante prédio despacho do encarregado, de qualquer documento ou prova de
interesse do apuratório;
e) recebimento – é o termo que registra a entrega dos autos por parte do
encarregado.
14) O inquérito será encerrado com um minucioso relatório, em que o seu
encarregado mencionará as diligências realizadas, todas as pessoas ouvidas, os
resultados obtidos, além de todos os detalhes do fato delituoso. Em conclusão, dirá se
há infração disciplinar a punir ou indício de crime, além da conveniência da prisão
preventiva do indiciado (artigo 22 do Código de Processo Penal Militar). O relatório é
ato final da autoridade encarregada do Inquérito. Com ele a autoridade dá por
concluída sua função de polícia judiciária militar. Ao elaborá-lo, a autoridade não pode
fazer qualquer juízo de valor sobre a culpabilidade ou antijuridicidade e nem deve
fazer considerações de ordem pessoal sobre o fato em si, pois a devida competência
para dar opinião no procedimento é do Ministério Público Militar e, em juízo, já sob o
crivo constitucional do contraditório e da ampla defesa, que se estabelece à dialética
no processo, ou seja, o debate, a discussão em torno dos fatos.

2. Outras providências e formalidades

1) Incomunicabilidade do indiciado
O artigo 17 do Código de Processo Penal Militar está revogado pela
Constituição Federal de 1988.
A Carta Política assevera em seu artigo 136, § 3º, inciso IV, que: “é vedada
a incomunicabilidade do preso”. A sua incomunicabilidade caracteriza o delito de
abuso de autoridade, afirmado no artigo 4º, alínea “b”, da lei nº 4.898/65: ”submeter
pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado
por lei”.
ASSIS (2001, p. 55), no seu livro Direito Militar, alude posicionamento de
TOURINHO FILHO:

Sendo proibida a incomunicabilidade nas situações


excepcionais, em que o Governo deve tomar medidas
enérgicas para preservar a ordem pública e a paz social,
podendo por isso restringir direitos, com maior razão não se
pode permiti-la em situação de normalidade.18

Porém, em sentido contrário SARAIVA (1999, p. 56):


Somos pela não revogação do artigo 17 do CPPM, até porque
as medidas adotadas durante o sistema constitucional das
crises são informados pelos princípios da necessidade e da
temporariedade, e destinam-se, somente, à manutenção do
estabelecimento da normalidade constitucional.19

2) Detenção e prisão preventiva do indiciado


a) Da detenção
A detenção aqui relatada não se trata de detenção disciplinar (punição)
constante no artigo 22, § 3º, do Regulamento Disciplinar do Exército (RDE) e nem de
detenção (pena) contida no artigo 55, alínea ”c” do Código Penal Militar (CPM), muito
menos, a contida no Código Disciplinar dos Militares do Estado do Ceará, que revogou
o antigo Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Ceará. Trata-se de uma
detenção determinada pela autoridade de polícia judiciária militar com fulcro no artigo
18 do Código de Processo Penal Militar, por um período de até 30 (trinta) dias,
prorrogado por mais vinte dias, comunicando-se ao juízo militar competente.
No entanto, tal dispositivo está parcialmente revogado pelo artigo 5º, inciso
LXI da Constituição Federal de 1988. Esse tópico quando trata de prisão, faz uma
ressalva de que nos casos de transgressão disciplinar e nos crimes propriamente
militares, definidos em lei, tal instituto pode ocorrer.
Sendo assim, a detenção especificada no artigo 18 do Código de Processo
Penal Militar, só poderá ocorrer nos casos de crimes militares próprios, que são
aqueles já tratados no capítulo I deste trabalho. No caso dos crimes militares
impróprios, a medida da detenção é abusiva, sendo a autoridade responsabilizada
penalmente.
Destarte, de acordo com o artigo 224 do Código de Processo Penal Militar,
se a autoridade judiciária verificar que a prisão é ilegal, deverá relaxá-la
imediatamente.

SARAIVA (1999, p. 48-50) ensina que:

... se cabível a liberdade provisória, não será permitida a


detenção por parte da autoridade de polícia judiciária militar,
isto em decorrência do preceito contido no artigo 5.º, inciso
LXVI, in verbis: 'Ninguém será levado à prisão ou nela mantido,
quando a lei admitir a liberdade provisória.
Continua o autor:
De qualquer modo, o despacho da autoridade policial que
determinar a detenção deverá, em sua motivação, indicar quais
as circunstâncias que autorizaram a adoção da privação da
liberdade do indiciado; despacho este que passará pelo crivo
do Ministério Público e do Judiciário.20

b) Da prisão preventiva
Quanto à prisão preventiva, esta pode ocorrer com fundamento no
parágrafo único do artigo 18 do Código de Processo Penal Militar, e sua decretação
pode ocorrer toda vez que a reclame o interesse da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para a efetiva aplicação da lei penal, observadas, a necessidade
de manutenção da hierarquia e da disciplina, bem como as condições dos artigos 220
e 242 do mesmo diploma legal c/c o artigo 5.º, inciso LXI, da Constituição Federal de
1988.21
Resumidamente, conforme assevera de forma bastante didática a Nota de
Instrução n.º 153/2003 da Brigada Militar, se no curso do Inquérito Policial Militar
houver necessidade de o (s) indiciado (o) ser (em) preso (s), o encarregado deverá
observar o seguinte (2005, p. 166-172):
(1) Tratando-se de crime militar próprio – aquele que só está previsto no
Código Penal Militar e que só pode ser praticado por militar. O encarregado do
Inquérito Policial Militar decretará a detenção, tendo por base o artigo 18 do Código de
Processo Penal Militar, observando as disposições dos artigos 220 a 242 do estatuto
processual. Desta feita, o encarregado deverá comunicar a detenção de imediato ao
Juiz-Auditor (leia-se Juiz de Direito do Juízo Militar).22
EX: * Violência contra superior ou militar de serviço (artigo 157);
* Insubordinação – recusa de obediência (artigo 163);
* Da usurpação e do excesso ou abuso de autoridade – violência contra
inferior (artigo 167);
* Abandono de posto (artigo 155);
* Dormir em serviço (artigo 203).23

(2) Tratando-se de crime militar impróprio – aquele que encontra igual


definição tanto no Código Penal Militar como no Código Penal Comum. O encarregado
do Inquérito Policial Militar nesse caso terá duas possibilidades:

a) representar pela decretação da prisão temporária, nos


termos da lei federal nº 7.960/89 (Dispõe sobre a prisão
temporária), quando visualizar os incidentes nela contidos;
b) representar pela decretação da prisão preventiva, nos
termos dos artigos 254 ao 262 do Código de Processo Penal
Militar.24
EX: * Crimes contra a vida – homicídio simples (artigo 205);
* Crimes contra a liberdade – violação de domicílio (artigo 206);
* Crimes sexuais – estupro (artigo 232), dentre outros.25

Em ambos os casos, a representação deverá ser devidamente motivada e


dirigida ao Juiz do Juízo Militar. Interessante ressaltar que o indiciado em Inquérito
Policial Militar poderá ser submetido a menagem, que consiste em uma espécie de
prisão preventiva da liberdade fora do cárcere, conforme artigo 263 do Código de
Processo Penal Militar, cuja autoridade deverá fundamentar seu pedido com indicação
das condições pessoais do indiciado, notas sobre seus antecedentes e
26
comportamento profissional.

3) Prazos para terminação do IPM e pedido de prorrogação


De acordo com o artigo 20 do Código de Processo Penal Militar, o inquérito
policial militar deverá ser concluído no prazo de:
1) 20 (vinte) dias se o indiciado estiver preso, contado esse prazo a partir
do dia em que se executar a ordem de prisão;
2) 40 (quarenta) dias, quando o indiciado estiver solto, contados a partir da
data em que se instaurar o inquérito.27
A prorrogação do procedimento está definida no § 1º do artigo 20 do
Código de Processo Penal Militar. O prazo de 40 (quarenta) dias poderá ser
prorrogado por mais 20 (vinte) dias pela autoridade militar superior (delegante), desde
que não estejam concluídos exames ou perícias já iniciadas, ou haja necessidade de
diligência, indispensável à elucidação do fato. Observe-se que o pedido de
prorrogação deve ser motivado e feito em tempo oportuno, de modo a ser atendido
antes da terminação do prazo.
Findo o prazo de prorrogação, o procedimento deverá ser remetido à
autoridade competente, mesmo que os laudos periciais ou exames bem como os
documentos colhidos depois dela não tenham sido concluídos ou recebidos a tempo.
Posteriormente, toda a documentação deverá ser remetida ao Juiz de Direito do Juízo
Militar, além da indicação de onde poderão ser encontradas as testemunhas que não
foram ouvidas.

4) Proibição do arquivamento do Inquérito e devolução dos autos


para novas diligências
Obedecendo ao princípio da indisponibilidade do objeto no processo penal,
a lei processual não permite a autoridade militar mandar arquivar ou autos de
inquérito, mesmo que a conclusão ateste a inexistência de crime ou de
inimputabilidade do indiciado. Essa atribuição é própria do Juiz de Direito do Juízo
Militar, após manifestação do Ministério Público do Juízo Militar.
No entanto, o arquivamento do Inquérito pela autoridade judiciária militar
não obsta a instauração de outro, se novas provas aparecerem em relação ao fato, ao
indiciado ou a terceira pessoa, ressalvados o caso julgado e os casos de extinção da
punibilidade (artigo 25 do Código de Processo Penal Militar).
Posteriormente, conforme reza o artigo 26 do Código de Processo Penal
Militar, os autos de Inquérito Policial Militar não poderão ser devolvidos à autoridade
de polícia judiciária militar, a não ser nos seguintes casos:

1) mediante requisição do Ministério Público, para diligências


por ele consideradas imprescindíveis ao oferecimento da
denúncia;
2) por determinação do juiz, antes da denúncia, para o
preenchimento de formalidades previstas neste Código, ou
para complemento de prova que julgue necessária.

Em qualquer desses casos, o juiz marcará prazo, não excedente de


20(vinte) dias, para a restituição dos autos (parágrafo único do artigo 26).28

5) Suficiência do auto de prisão em flagrante delito e dispensa do


Inquérito
Se, por si só, for suficiente para a elucidação do fato e sua autoria, o auto
de flagrante delito constituirá o inquérito policial militar, dispensando outras diligências,
salvo o exame de corpo de delito no crime que deixa vestígios, a identificação da coisa
e a sua avaliação, quando o seu valor influir na aplicação da pena (artigo 27 do Código
de Processo Penal Militar).
O inquérito poderá ser dispensado, sem prejuízo de diligências requisitadas
pelo Ministério Público (artigo 28 do Código de Processo Penal Militar):

1) quando o fato e sua autoria já estiverem esclarecidos por


documentos ou outras provas materiais;
2) nos crimes contra a honra, quando decorrerem de escrito ou
publicação, cujo autor esteja identificado;
3) nos crimes previstos nos artigos 341 (desacato) e 349
(desobediência à decisão judicial) do Código Penal Militar
(CPM).29

6) Tipificação penal
O encarregado do inquérito não deverá fazer tipificação penal, nem querer
qualificar ou desclassificar crime, pois essa atividade é própria do Promotor de Justiça
e do Juiz de Direito do Juízo Militar. Como bem frisa o artigo 22 do Código de
Processo Penal Militar, basta que o encarregado conclua afirmando se há infração
disciplinar a punir ou indício de crime.
De acordo com a alínea “g” do artigo 77 do Código de Processo Penal
Militar, a denúncia deve conter a classificação do crime. Dar a classificação do delito
ou tipificação da infração penal é dizer em que dispositivo da Lei Penal Militar o autor
do fato se acha incurso.
A chamada opinião do delito compete exclusivamente ao autor (titular) da
ação penal pública, o Promotor de Justiça do Juízo Militar. O Órgão do Ministério
Público, como “dominus litis”, ao deduzir a pretensão punitiva do Estado-
Administração na denúncia crime, exporá o fato criminoso com todas as suas
circunstâncias, e dirá qual foi o artigo de lei violado.
No nosso direito público interno, vigora o “princípio da livre dicção do
direito”, pelo qual, o juiz, conhecendo o direito, dará ao fato que lhe foi apresentado
pelo autor da ação penal a definição jurídica que ele comportar.30
Portanto, assim como acontece no Inquérito Policial, realizado pelo
Delegado de Polícia, também não cabe a autoridade de polícia judiciária militar tipificar
crime, e sim, o Promotor de Justiça do Juízo Militar, tudo de acordo com o artigo 41 do
Código Penal Militar.
Ressalte-se que, as regras processuais para proceder ao Inquérito Policial
Militar (IPM) serão as mesmas do Inquérito Policial (IP), no que lhe for aplicável.
Portanto, nada impede que o encarregado de forma subsidiária e analógica, possa
observar algumas providências complementares ali existentes, como fonte
complementar de informação para a tomada de providências no decorrer da
investigação.

7) Detalhes processualísticos para evitar erros de elaboração (regras


gerais)
a) O Inquérito Policial Militar não poderá ser encadernado (usar espiral),
mantendo-se o uso tradicional de fixador removível e perfuração do papel em dois
pontos, à esquerda da folha;
b) O investigado, na fase do Inquérito Policial Militar é designado indiciado.
Já na fase judicial, após o recebimento da denúncia crime pelo juiz, é designado
acusado;
c) Aplicando-se analogicamente o artigo 161 do Código de Processo Civil
(CPC), é vedado aos oficiais e escrivães de Inquérito Policial Militar o lançamento de
“cotas” e/ou marcações nos autos, ou seja, sublinhar ou marcar com caneta destaca-
texto;
d) De acordo com o artigo 11 do Código de Processo Penal Militar, fica
expressamente proibida, sob qualquer pretexto, a nomeação de escrivão, oficiais do
posto superior ao de tenente. O correto será (1.º tenente, sub-tenente ou sargento);
e) O oficial encarregado do Inquérito Policial Militar não poderá ser de posto
inferior ao do indiciado. Não sendo possível a designação de oficial de posto superior
ao do indiciado, poderá ser feita a de oficial do mesmo posto, desde que mais antigo;
f) Quando o Inquérito Policial Militar atingir 200 (duzentas) folhas deve-se
abrir novo volume;
g) Nos termos do artigo 391 do Código de Processo Penal Militar, deverão
ser juntado aos autos do Inquérito Policial Militar apenas o extrato dos assentamentos
dos militares estaduais e não de forma integral;
h) É entendimento pacífico que nos termos do artigo 20 do Código de
Processo Penal Militar, o início da contagem do prazo para o encerramento do
Inquérito Policial Militar data do recebimento da portaria de designação;
i) O pedido de prorrogação de prazo deve ser devidamente motivado e
realizado antes de findarem os 40 (quarenta) dias, a contar da data da portaria de
instauração (portaria do encarregado), como medida de segurança;
j) Não prestarão compromisso os menores de 14 anos e os doentes,
inclusive os mentais, nem as pessoas elencadas no artigo 354 do Código de Processo
Penal Militar (parentes em geral, o cônjuge ou ex-cônjuge);
k) Lacrar-se-á o volume do Inquérito Policial Militar com os seguintes
dizeres: material apreendido em poder de (especificar a pessoa), conforme auto de
busca e apreensão de fl. _____.
l) Observar se todas as folhas foram numeradas e rubricadas pelo escrivão;
m) Evitar rasuras nas folhas numeradas;
n) O encarregado deve utilizar, se possível, papel de um só tamanho em
todo o Inquérito Policial Militar. Se for anexar recibo ou outros documentos de tamanho
menor ao da folha utilizada no procedimento, deverá colar o documento na folha de
tamanho padrão colocando o termo “Em Branco” nas partes não preenchidas;
o) Cuidado com as falhas de digitação e os erros de português;
p) O relatório deverá ser datado e assinado pelo encarregado;
q) Quando o militar estadual for punido, juntar aos autos o boletim que
publicou o enquadramento disciplinar;
r) Antes de encaminhar o Inquérito Policial Militar, o encarregado tem a
obrigação de observá-lo minuciosamente, para se certificar de que não faltaram
assinaturas, rubricas e/ou documentos a serem apresentados posteriormente,
através de ofício;
s) Antes de remeter o Inquérito Policial Militar a autoridade nomeante, o
escrivão deverá certificar-se que não faltam assinaturas dentro do procedimento
inquisitorial;
t) Quando forem solicitados laudos (perícias, exames, etc), e estes não
chegarem até o final do prazo, deverá ser informado no relatório de que serão
encaminhados posteriormente.31

III. CONCEITUAÇÕES PROCESSUAIS COMPLEMENTARES

1) Arresto – Medida assecuratória que resulta na apreensão de quaisquer


bens pertencentes ao patrimônio do réu ou do indiciado. Arrentam-se alguns bens
suficientes para cobrir os prejuízos do patrimônio militar (artigo 215 do CPPM);
2) Bens irrestituíveis - São os confiscados e perdidos para a Fazenda
Nacional, conforme artigos 190 do CPPM e artigo 109, inciso II, alíneas “a” e artigo
119, incisos I e II do CPM;
3) Carta precatória – É o instrumento que serve para indicar o ato, cuja
prática se requisita de outro juiz, dentro do Território Nacional. Pode ser aplicado tal
dispositivo de forma subsidiária no Inquérito Policial Militar;
4) Carta rogatória – É o instrumento que serve para requisitar atos que
devam ser praticados no estrangeiro;
5) Cifra negra – São os delitos cometidos cotidianamente más que não
registrados oficialmente;
6) Coisa julgada – Sentença penal imutável, o que ocorre após o trânsito
em julgado, e contra a qual não cabe mais recurso;
7) Coisa julgada formal – É a imutabilidade da decisão dentro do processo
em que foi proferida;
8) Coisa julgada material – É o impedimento de ser a questão novamente
discutida em outro processo, ou no mesmo, por estar definitivamente julgada;
9) Confissão – É o meio probatório pelo qual o réu ou indiciado reconhece
a autoria dos fatos que lhe são imputados;
10) Correição parcial – De acordo com o artigo 498 do CPPM, o Superior
Tribunal Militar (STM) procederá à correição parcial: a) a requerimento das partes,
para o fim de ser corrigido erro ou omissão inescusáveis, abuso ou ato tumultuário, em
processo, cometido ou consentido por juiz, desde que, para obviar tais fatos, haja
recurso previsto no código; b) mediante representação do Corregedor-Geral, para
corrigir arquivamento irregular em inquérito ou processo;
11) Defensor dativo – Acompanha todo o processo quando a a parte não
apresenta procurador legalmente constituído;
12) Delação do crime – É quando o próprio ofendido ou seu representante
legal relata um fato ilícito à autoridade militar estadual ou ao representante do
Ministério Público do Juízo Militar Estadual;
13) Habeas Corpus – Significa tomar o corpo. Será concedido sempre que
alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou abuso de poder (inciso
LXVIII do artigo 5.º, da Constituição Federal de 1988);
14) Hipoteca legal – Medida assecuratória que serve para individualizar o
imóvel pertencente ao patrimônio do réu ou do indiciado, que servirá de garantir para o
ressarcimento dos danos causados ao cometer o ilícito;
15) Litispendência – É a existência simultânea de idênticas demandas
judiciais em andamento, com o mesmo pedido e o mesmo fundamento, envolvendo o
mesmo fato e as mesmas partes;
16) Mandado de injunção – Conceder-se-á sempre que a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e
das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (inciso LXXI,
do artigo 5.º da Constituição Federal de 1988);
17) Mandado de prisão – É o documento oficial, escrito e formal, de
competência da autoridade judiciária, que determina ou autoriza a prisão;
18) Mandado de segurança – Conseder-se-à para proteger direito líquido
e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela
ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no
exercício de atribuição do Poder Público (inciso LXIX, do artigo 5.º da Constituição
Federal de 1988);
19) Notícia do crime – É o relato de fato feito diretamente à autoridade
militar estadual ou ao representante do Ministério Público do Juízo Militar Estadual,
nos casos de crimes da competência da Justiça Militar Estadual. Geralmente se diz no
jargão popular que se vai fazer uma “Queixa”. Queixa crime é uma ação privada, no
entanto, os crimes capitulados no Código Penal Militar são todos de ação pública
incondicionada;
20) Penhora – Ato judicial, pelo qual se apreendem ou se tomam os bens
do devedor, dados ou não em garantia, para que se cumpra o pagamento da dívida ou
da obrigação executada;
21) Prisão civil – Medida legal que não tem caráter de pena no sentido
criminal, embora seja privativa de liberdade. De acordo com a Constituição Federal de
1988, somente se admite prisão civil nos casos de depositário infiel e inadimplemento
em obrigação alimentícia (vide artigo 5.º, inciso LXVII, da CF/88);
22) Prisão disciplinar – É a prevista em lei, para que a autoridade
administrativa possa assegurar o cumprimento dos deveres e obrigações da função
pública e a observância das normas de subordinação hierárquica.
23) Prisão penal – É a privação da liberdade que resulta de condenação
em processo penal, constituindo em meios de repressão a crimes, podendo ser de
reclusão, detenção ou prisão simples;
24) Seqüestro – Medida assecuratória que resulta na apreensão de bens
certos e determinados, pertencentes ao patrimônio do réu ou do indiciado e que sejam
adquiridos com o produto do crime em prejuízo ao patrimônio militar (artigo 201 do
CPPM). Se houver apreensão de instrumentos do crime, o seqüestro consistirá no
confisco destes objetos em favor da União;
25) Sub-júdice – É uma expressão latina que se traduz por sob julgamento,
ou seja, está sujeito a julgamento. E nessa condição permanecerá até que o processo
seja julgado e a sentença transite em julgado, após os prazos estabelecidos pela Lei.32

IV - MODELOS
Segue relação de modelos indispensáveis para a formalização do Inquérito
Policial Militar (IPM).33

1 - Modelo de Capa e Autuação

CABEÇALHO

INQUÉRITO POLICIAL MILITAR

ENCARREGADO: _________ (nome e matricula funcional)


ESCRIVÃO: ______________(nome e matricula funcional)
INDICIADO: _____________ (nome e matricula funcional)
OFENDIDO (S): __________ (nome, matricula funcional ou RG)

AUTUAÇÃO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de ________ na cidade de


__________ na OPM/OBM __________ (nome da cidade na circunscrição militar
estadual) __________, autuo a portaria de nomeação e demais peças destes autos,
do que, para constar, lavrei o presente termo.

(Assinatura): Escrivão.

2 - Modelo de Portaria

CABEÇALHO

PORTARIA

Tendo-me sido delegadas, pelo senhor _______ (comandante, chefe ou


diretor), as atribuições que lhe competem, na forma e prazos regulamentares, a fim de
apurar os fatos constantes no (documento de origem), envolvendo ______ (nome dos
envolvidos), os quais _______ (narrar os fatos de forma sintética), instauro, com fulcro
no artigo 10, alínea “b”, do Código de Processo Penal Militar, o presente Inquérito
Policial Militar.
Assim, determino ao senhor Escrivão que autue a presente, com os
documentos inclusos, juntando sucessivamente as demais peças que forem
acrescendo e que tome as providências que o caso requer.

Local/data
(Assinatura): Encarregado do IPM.

3 - Modelo de Termo de Designação de Escrivão

TERMO DE DESIGNAÇÃO

Designo, nos termos do artigo 11 do Código de Processo Penal Militar, o


__________ (nome/posto ou graduação – 2.º ou 1º tenente, se o indiciado for oficial, e
em sargento, sub-tenente ou suboficial, nos demais casos), para servir como escrivão
do IPM do qual sou encarregado, lavrando-se o competente termo de Compromisso.

Local/data
(Assinatura): Presidente do Flagrante.

4 - Modelo de Termo de Compromisso de Escrivão

TERMO DE COMPROMISSO
Aos ____ dias do mês de __________ do ano de __________, no
__________ (OPM/OBM), na cidade de __________, Estado do __________, foi
designado pelo senhor __________ (nome, posto ou graduação), encarregado deste
Inquérito Policial Militar o __________ (nome, posto ou graduação) para exercer a
função de escrivão, tendo este, perante o referido encarregado, prestado o
compromisso legal de manter o sigilo do Inquérito e de cumprir fielmente as
determinações contidas no Código de Processo Penal Militar, durante o exercício da
função.

(Assinaturas): Encarregado do IPM e Escrivão.

5 - Modelo de Portaria de Designação do Encarregado

CABEÇALHO

PORTARIA N.º ______ /______

O __________ (comandante, chefe ou diretor), no uso de suas atribuições


legais, com base no artigo 10, alínea “a”, do Código de Processo Penal Militar:

RESOLVE:
Delegar poderes ao __________ (nome do oficial), lotado na (OPM/OBM)
__________, para proceder ao Inquérito Policial Militar, na forma e prazo
regulamentares, a fim de apurar os fatos constantes no(a) __________
(documentação originária),

ou
oriunda de sindicância militar, onde resultou indícios de prática de crime
militar a apurar, nos termos do artigo 10, alínea “f” do Código de Processo Penal
Militar (...) e demais documentos, exercendo as atribuições de Polícia Judiciária Militar
Estadual, nos termos do artigo 7.º, § 1.º, e do artigo 8.º, do Código de Processo Penal
Militar.
Registre, publique, cumpra-se.

Local/data
(Assinatura): Autoridade Competente ou Delegada.

6 - Modelo de Despachos Diversos


DESPACHOS

1. Oficie-se ao senhor (autoridade delegante) informando a cerca do


recebimento dos documentos de origem do presente Inquérito Policial Militar e da
designação do escrivão;
2. oficie-se ao senhor Diretor do Instituto Médico Legal, solicitando o envio
do Laudo de Exame de Corpo de Delito (cadavérico) do(s) ofendido (s);
3. Oficie-se ao senhor Diretor do Instituto de Criminalística, encaminhando
as armas de fogo e munições utilizadas na ocorrência, solicitando perícia das armas
dos envolvidos, ofendidos e indiciados;
4. Oficie-se aos senhores (comandante, chefe ou diretor), solicitando a
liberação das armas de fogo e munições envolvidas nos fatos, bem como solicitando a
apresentação dos PM/BM envolvidos para interrogatório;
5. Oficie-se aos senhores (ofendido e testemunhas) informando do dia dos
termos de declaração e depoimentos;
6. Oficie-se ao senhor Diretor de Pessoal da PM/BM, solicitando extratos da
fé de ofício do oficial ou do resumo de assentamentos da praça;
7. Oficie-se ao Excelentíssimo senhor Juiz da vara das execuções penais
solicitando certidão de antecedentes criminais dos ofendidos;
8. Oficie-se ao Excelentíssimo senhor Juiz da vara da infância e da
juventude, solicitando certidão de atos infracionais praticados pelos ofendidos, criança
ou adolescente;
9. Oficie-se ao senhor Procurador-Geral de Justiça do Estado, solicitando a
indicação de um Promotor de Justiça para prestar assistência ao presente Inquérito
Policial Militar, em virtude de se tratar de apuração de fato de (excepcional importância
ou de difícil elucidação), nos preceitos do artigo 14 do Código de Processo Penal
Militar;
10. Oficie-se ao Excelentíssimo senhor Juiz de Direito do Juízo Militar
Estadual, solicitando mandado de busca e apreensão para o local (especificar com
minúcias);
11. Oficie-se ao Excelentíssimo senhor Juiz de Direito do Juízo Militar
Estadual, representando pela prisão (preventiva ou temporária) do indiciado (nome
completo), nos termos do artigo 255 do Código de Processo Penal Militar ou artigo 1.º
da Lei n.º 7.960/1989;
12. Oficie-se ao senhor Comandante da OPM/OBM informando local/data e
hora da reconstituição dos fatos;
13. Elabore termo de compromisso de curador.
Providencie o senhor escrivão

Local/data
(Assinatura): Encarregado do IPM.

7 - Modelos de Atos do Escrivão

RECEBIMENTO

Aos ____ dias do mês de _______ do ano de _______, recebi os presentes


autos do senhor Encarregado do Inquérito Policial Militar.

(Assinatura): Escrivão.

JUNTADA

Aos ___ dias do mês de _____ do ano de ______, faço a juntada aos
presentes autos dos documentos que adiante se seguem (especificar os documentos
juntados).

(Assinatura): Escrivão.

CARGA DOS AUTOS

Aos ____ do mês de __________ do ano de __________, dei em carga os


autos do __________ (mencionar o tipo de documento), ao Dr. __________ (nome do
advogado/OAB), com endereço __________ no Estado do __________ o referido
processo __________ que possui _____ páginas.

(Assinatura): Escrivão.

8 - Modelo de Ofício de Comunicando o Recebimento dos Autos e


Nomeação de Escrivão

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. _____/_____
Ao: Senhor (Comandante/Chefe ou Diretor) da __________ (OPM/OBM).
Assunto: Comunicação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____
Senhor Comandante,

Comunico a Vossa Senhoria que recebi os autos de Inquérito Policial Militar,


publicados em Boletim n.º _____/_______ o qual sou encarregado, bem como solicito
a V.Sa. determinar a publicação atinente à nomeação do __________ (2.º ou 1.º
tenente, se o indiciado for oficial e sargento, sub-tenente ou suboficial, se o indicado
for praça), como escrivão, em conformidade com o disposto no artigo 11 do Código de
Processo Penal Militar.

Cordialmente,

(Assinatura): Encarregado do IPM.

9 - Modelo de Ofício ao Diretor do Instituto Médico Legal

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. ______/______
Ao: Senhor __________ (Diretor do IML).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor Diretor,

Solicito a Vossa senhoria, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º _____/_____, cópia do Laudo de lesões Corporais
do senhor __________ realizado em _____/_____/_____ e de __________ (falecida),
visando instruir a presente apuração.

Cordialmente,

(Assinatura): Encarregado do IPM.

10 - Modelo de Ofício ao Diretor do Instituto de Criminalística

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. _____/______
Ao: Senhor __________ (Diretor do IC).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.
Senhor Diretor,

Solicito a Vossa Senhoria, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º _____/_____, cópia do laudo pericial realizado nas
armas de fogo abaixo delineadas, visando instruir a presente apuração.
Arma _______________________;
Arma _______________________.

Cordialmente,
(Assinatura): Encarregado do IPM.

11 - Modelo de Ofício ao Juiz das Varas de Execuções Penais

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. ______/______
Ao: Excelentíssimo Senhor ____________ (Juiz Titular da Vara de Execução Penal).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor Juiz,

Solicito a Vossa Excelência, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º _____/_____, certidão de antecedentes criminais de
__________ (nome e qualificação do civil) como vítima ou autor ou co-autor.

Respeitosamente,
(Assinatura): Encarregado do IPM.

12 - Modelo de Ofício ao Diretor de Pessoal PM/BM Solicitando os


Extratos da Fé de Ofício ou Resumo de Assentamentos

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. ______/_______
Ao: Senhor __________ (Diretor de Pessoal da PM/BM).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor diretor,

Solicito a Vossa Senhoria, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º _____/_____, extratos da Fé de Ofício do Oficial ou
do Resumo de Assentamentos da Praça, visando instruir os autos de IPM ao meu
cargo.

Atenciosamente,

(Assinatura): Encarregado do IPM.

13 - Modelo de Ofício ao Procurador-Geral da Justiça Solicitando


Promotor para Acompanhar as Investigações

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. _____/______
Ao: Excelentíssimo senhor __________ (Procurador-Geral de Justiça).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor Procurador,

Solicito a Vossa Excelência, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º ______/_______, nos termos do artigo 14 do Código
de Processo Penal Militar, um Promotor de Justiça para prestar assistência nos autos
de Inquérito Policial Militar do qual sou encarregado, em virtude de tratar de apuração
de fato delituoso de excepcional importância ou de difícil elucidação.

Respeitosamente,

(Assinatura): Encarregado do IPM.

14 - Modelo de Ofício ao Comandante da OPM/OBM Comunicando a


realização de Reconstituição dos Fatos

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. _____/_____
Ao: Senhor __________ (Comandante da OPM/OBM).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor comandante,

Comunico a Vossa senhoria, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º ______/______, que designei o dia
_____/_____/_____, às ______ horas, para proceder a reconstituição dos fatos na rua
__________ (local), devendo para isso, ser elaborado o competente documento, se
possível ilustrado com fotografias e gravuras, observando-se, ainda, o disposto no
parágrafo único do artigo 13 do Código de Processo Penal Militar.

Atenciosamente,
(Assinatura): Encarregado do IPM.

15 - Modelo de Ofício ao Juiz de Direito do Juízo Militar Estadual


Representando pela Busca e Apreensão

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. ____/____
Ao: Excelentíssimo Senhor __________ (Juiz de Direito do Juízo Militar Estadual).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor Juiz,

Solicito a Vossa Excelência, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º _______/______, mandado de busca e apreensão
para a residência de __________ (citar detalhes, nome da pessoa), localizada na rua
_________ (descrever detalhadamente o material a ser apreendido).
Conforme provas colhidas nos autos do IPM do qual sou encarregado, cujas cópias
seguem anexas, o indiciado __________ encontra-se na posse de tais produtos,
havidos ilicitamente, os quais são objetos de crime.

Respeitosamente,

Assinatura): Encarregado do IPM.

16 - Modelo de Ofício ao Juiz de Direito do Juízo Militar Estadual


Representando pela Prisão Preventiva ou Temporária do Indiciado

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. _____/_____
Ao: Excelentíssimo senhor __________ (Juiz de Direito do Juízo Militar Estadual).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.
Senhor Juiz,

Na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar instaurado através da


portaria n.º ______/_____, nos termos dos artigos 254 e 255 do Código de Processo
Penal Militar, represento a Vossa Excelência pela decretação da prisão preventiva do
__________, residente na rua __________, pelos fundamentos de fato e de direito
que seguem __________ (expor os motivos).

ou

Nos termos do artigo 1.º da Lei n.º 7. 960/1989, represento a Vossa Excelência pela
decretação da prisão provisória (temporária) do __________, residente na rua
________, pelos fundamentos de fato e de direito que seguem ____________ (expor
os motivos).

Respeitosamente,
(Assinatura): Encarregado do IPM.

17 - Modelo de Termo de Declarações do Ofendido

TERMO DE DECLARAÇÕES DO OFENDIDO

Aos ____ dias do mês de ___________ do ano de _________, nesta


cidade de __________, no quartel do __________ compareceu o ofendido
__________ (nome completo, profissão, posto ou graduação e __________
OPM/OBM onde serve, se militar, idade, naturalidade, estado civil, filiação, residência,
documento de identidade), que foi inquirida pelo encarregado. Perguntado a respeito
do fato que deu origem ao presente Inquérito Policial Militar, constante da
___________ (portaria, parte, etc.), de fls. ______, a qual lhe foi lida, respondeu que
__________ (consignar as respostas transcrevendo, tanto quanto possível, a exatidão
das palavras e o sentido dado ao fato pelo ofendido; sempre atento ao que se está
apurando, e com a maior objetividade, desenvolver a formulação das perguntas,
procurando precisar datas, horas, locais e circunstâncias do evento). Perguntado, ain-
da, se tem algo mais a declarar, respondeu que __________. E como nada mais
disse, nem lhe foi perguntado, dou por encerrado o presente termo de declarações,
que depois de lido e achado conforme, vai devidamente assinado pelo encarregado,
pelo ofendido, pelas testemunhas e pelo escrivão que presenciaram a declaração.
(Assinaturas): Encarregado do IPM, Ofendido, 1.ª Testemunha, 2.ª
Testemunha e Escrivão.

18 - Modelo de Termo de Qualificação e Interrogatório do Indiciado

TERMO DE QUALIFICAÇÃO E INTERROGATÓRIO DO INDICIADO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de _________, nesta


cidade de __________, no quartel do __________ compareceu o indiciado
__________ (nome completo, profissão, posto ou graduação e __________
OPM/OBM onde serve, se militar, idade, naturalidade, estado civil, filiação, residência,
documento de identidade), que foi inquirida pelo encarregado. Sabendo ler e escrever,
foi informado de que, embora não esteja obrigado a responder às perguntas que lhe
forem formuladas, seu silêncio significa a perda da oportunidade de exercer o direito
de defesa. Perguntado a respeito do fato que deu origem ao presente Inquérito Policial
Militar, constante da __________ (portaria, parte, etc.), de fls. _____, a qual lhe foi
lida, respondeu que __________ (consignar as respostas transcrevendo, tanto quanto
possível, a exatidão das palavras e o sentido dado ao fato pelo ofendido; sempre
atento ao que se está apurando, e com a maior objetividade, desenvolver a formulação
das perguntas, procurando precisar datas, horas, locais e circunstâncias do evento).
Perguntado, ainda, se tem algo mais a declarar, respondeu que ________. E como
nada mais disse, nem lhe foi perguntado, dou por encerrado o presente interrogatório,
que depois de lido e achado conforme, vai devidamente assinado pelo encarregado,
pelo interrogado e pelo escrivão que presenciaram a declaração.

(Assinaturas): Encarregado do IPM, Indiciado, 1.ª Testemunha, 2.ª


Testemunha e Escrivão.

19 - Modelo de Termo de Depoimento de Testemunha

TERMO DE DEPOIMENTO DE TESTEMUNHA

Aos _____ dias do mês de ___________ do ano de _________, nesta


cidade de __________, no quartel do __________ compareceu a testemunha
__________ (nome completo, profissão, posto ou graduação e __________
OPM/OBM onde serve, se militar, idade, naturalidade, estado civil, filiação, residência,
documento de identidade), que foi inquirida pelo encarregado. Cientizada de que tem a
obrigação de falar a verdade sob pena de crime de perjúrio. Perguntado a respeito do
fato que deu origem ao presente Inquérito Policial Militar, constante da __________
(portaria, parte, etc.), de fls. _____, a qual lhe foi lida, respondeu que __________
(consignar as respostas transcrevendo, tanto quanto possível, a exatidão das palavras
e o sentido dado ao fato pela testemunha; sempre atento ao que se está apurando, e
com a maior objetividade, desenvolver a formulação das perguntas, procurando
precisar datas, horas, locais e circunstâncias do evento). Perguntado, ainda, se tem
algo mais a declarar, respondeu que __________. E como nada mais disse, nem lhe
foi perguntado, dou por encerrado o presente depoimento, que depois de lido e
achado conforme, vai devidamente assinado pelo encarregado e pelo escrivão que
presenciaram a declaração.

(Assinaturas): Encarregado do IPM, Testemunha e Escrivão.

20 - Modelo de Termo de Compromisso de Curador

TERMO DE COMPROMISSO DO CURADOR

Aos ____ dias do mês de _________ de __________, nesta cidade de


___________, no quartel do (a) __________(OPM/OBM) presentes as testemunhas
______ (qualificar) e __________ (qualificar), presente o indiciado __________
(nome), já inquiridos nestes autos de IPM, por este encarregado, comigo __________,
servindo de escrivão, aí compareceu __________ (qualificar) e, a ele, foi deferida pela
referida autoridade o compromisso de fielmente, sem dolo e com boa consciência,
servir de curador ao menor/enfermo/inconsciente (qualificar) com __________ anos de
idade, nos termo do artigo 306, § 1.º do Código de Processo Penal Militar, tudo na
forma da lei e do estilo. E como nada mais declararam, lavrei o presente termo, que
depois de lido e achado conforme, assinam juntamente com este encarregado e com o
escrivão.

(Assinaturas): Encarregado do IPM, Curador e Escrivão.

21 - Modelo de Atos do Escrivão

AUTENTICAÇÃO

Confere com o Original.

Em _____/_____/_____
____________________
Escrivão

CERTIDÃO

Certifico que foi providenciado de acordo com o despacho do senhor


Encarregado do Inquérito Policial Militar.

Local/data
(Assinatura): Escrivão.

CONCLUSÃO

Aos ____ dias do mês de __________ do ano de __________, faço os


presentes autos conclusos ao senhor Encarregado do Inquérito Policial Militar.

(Assinatura): Escrivão.

22 - Modelo de Despachos Diversos

DESPACHOS

1. Oficie-se a autoridade delegante manifestando-se sobre a suspeição ou


impedimento deste encarregado;
2. O senhor escrivão providencie a abertura de novo volume dos autos;
3. Oficie-se ao senhor (comandante OPM/OBM) informando a cerca do dia
para que o indiciado seja submetido a reconhecimento, nos termos do artigo 368 do
Código de Processo Penal Militar;
4. Oficiem-se as (pessoas que farão parte do reconhecimento) comunicando
o dia da apresentação;
5. Oficie-se aos senhores (indiciado, testemunhas e ofendido) para
participarem de uma acareação em dia e local definidos;
6. Oficie-se ao senhor (oficial) para cumprir a precatória ouvindo
(especificar) respondendo aos quesitos a serem elaborados por este encarregado;
7. Oficie-se à autoridade delegante, solicitando a prorrogação de prazo para
conclusão do Inquérito Policial Militar, nos termos do artigo 20, § 1.º do Código de
Processo Penal Militar;
8. providencie o senhor escrivão dia e local para diligências necessárias a
elucidação do procedimento;
9. Providencie o senhor escrivão a nomeação de peritos para a realização
do auto de avaliação direta dos objetos que compõem o conjunto probatório;
10. Providencie autos de reconhecimentos de escrito e fotográfico;
11. Providencie o senhor escrivão o relatório final e empós, o envio dos
autos à autoridade delegante para solução.

Local/data
(Assinatura): Encarregado do IPM.

23 - Modelo de Atos do Escrivão

RECEBIMENTO

Aos ____ dias do mês de __________ do ano de __________, recebi os


presentes autos do senhor Encarregado do Inquérito Policial Militar.

(Assinatura): Escrivão.

JUNTADA

Aos _____ dias do mês de _______ do ano de _________, faço a juntada


aos presentes autos dos documentos que adiante se seguem (especificar os
documentos juntados).

(Assinatura): Escrivão.

CARGA DOS AUTOS

Aos _____ do mês de __________ do ano de __________, dei em carga


os autos do __________ (mencionar o tipo de documento), ao Dr. __________ (nome
do advogado/OAB), com endereço __________ no Estado do __________ o referido
processo ________ que possui _____ páginas.

(Assinatura): Escrivão.

24 - Modelo de Ofício a Autoridade Intauradora Suscitando a exceção de


Suspeição ou Impedimento do Encarregado com Despacho da Mesma
Autoridade

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. ______/______
Ao: Senhor __________ (Autoridade Instauradora).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor comandante,

Solicito a Vossa Senhoria, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º _____/_____, a declaração e o reconhecimento da
suspeição ou impedimento deste encarregado, nos termos do artigo 142 do Código de
Processo Penal Militar, com fundamento no fato de __________ (narrar com detalhes),
observado o disposto no artigo ______, momento em que solicito-vos a nomeação e
designação de outro oficial para continuação do investigatório.

Atenciosamente,
(Assinatura): Encarregado do IPM.

DESPACHO DA AUTORIDADE COMPETENTE:


Em face de argüição de suspeição ou impedimento, levantada pelo presidente
do Inquérito Policial Militar, nos termos do artigo 142, do Código de Processo Penal
Militar, com fundamento no fato de __________ (descrever), observado o disposto no
artigo __________ do mesmo diploma legal, ACEITO/NÃO ACEITO, pelos seguintes
motivos e fundamentos__________ (descrever), onde determino à Diretoria de
Pessoal que SUBSTITUA o atual encarregado ou MANTENHO A DESIGNAÇÃO.
Cumpra, registre, publique-se.

Local/Data
(Assinatura): Autoridade Competente.

25 - Modelo de Termo de Abertura de Novo Volume

CABEÇALHO

TERMO DE ABERTURA DO __________ VOLUME

Aos ____ dias do mês de ___________ do ano de _________, nesta


cidade de __________, no quartel do ________ (OPM/OBM), inicia as folhas
__________ este volume do Inquérito Policial Militar em que é __________ (indiciado),
nos termos da Portaria n.º _______/_______ do senhor ____________ (autoridade
delegante), juntando as peças que se seguem, do que, para constar, lavrei o presente
termo.
Eu, __________ servindo de escrivão que o escrevi e subscrevo.

(Assinatura): Escrivão.

26 - Modelo de Ofício ao Comandante da OPM/OBM Solicitando


Apresentação de Indiciado para Reconhecimento

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. ____/_____
Ao: Senhor __________ (Comandante da OPM/OBM).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor comandante,

Solicito a Vossa senhoria, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º _______/_____, a apresentação do indiciado (nome)
, às __________ do dia _____/_____/_____, neste quartel, a fim de ser submetido a
reconhecimento, nos termos do artigo 368 do Código de Processo Penal Militar.

Atenciosamente,
(Assinatura): Encarregado do IPM.

27 - Modelo de Ofício ao Ofendido ou Testemunha para Reconhecimento

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. _____/_____
Ao: Senhor. __________ (Comandante da OPM/OBM).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.
Senhor _________

Solicito a Vossa Senhoria, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º ______/______, a vossa apresentação (nome), às
_________ do dia _______/_______/_______, neste quartel, a fim de ser submetido a
reconhecimento, nos termos do artigo 368 do Código de Processo Penal Militar.

Atenciosamente,
(Assinatura): Encarregado do IPM.
28- Modelo de Ofício a Oficial para Cumprir Precatória

CABEÇALHO

Local/data
Of. nº. ______/______
Ao: Senhor __________ (Oficial deprecado).
Assunto: Inquirição de (testemunha, ofendido ou indiciado).
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor __________,

Solicito a Vossa Senhoria, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º ______/______, seja designado um oficial para
cumprir a presente precatória, a fim de (inquirir, ouvir ou interrogar) _________
(testemunha, ofendido ou indiciado) residente _______ (citar) arrolados no Inquérito
Policial Militar.
Desde já, solicito-vos resposta aos seguintes quesitos:
1. O que sabe sobre o crime?
2. Se estava acompanhado de alguém no momento do crime?
3. Qual o instrumento usado para a prática delituosa?
4. Quem mais presenciou os fatos?
5. Quem prestou socorro à vítima?
6. Houve intervenção policial?
7. Está de posse de algum material relacionado com o crime?
8. Qual a sua real participação nos fatos?

Atenciosamente,
(Assinatura): Encarregado do IPM.

29 - Modelo de Termo de Reconhecimento de Pessoa ou Coisa

TERMO DE RECONHECIMENTO DE PESSOA OU COISA

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de _________, nesta


cidade de __________, no quartel do __________ (OPM/OBM) compareceu o
indiciado __________ (nome completo, profissão, posto ou graduação e OPM/OBM
onde serve, se militar, idade, naturalidade, estado civil, filiação, residência, documento
de identidade), e as testemunhas __________ e __________, que convidadas, sem
qualquer coação física ou moral a reconhecer a pessoa ou a coisa (de acordo com os
artigos 368 a 370 do Código de Processo Penal) passou a transcrever a seguinte
descrição: __________.
Em seguida o __________ (indiciado) foi colocado ao lado de __________
(pessoas semelhantes) tendo o senhor(a) dito que __________ (transcrever com
detalhes o reconhecimento). A outra testemunha também relatou
_____________________________ (transcrever). E nada mais sendo perguntado,
dou por encerrado o presente termo de reconhecimento, que depois de lido e achado
conforme, vai devidamente assinado pelo encarregado, pelas testemunhas e pelo
escrivão que o presenciaram.

(Assinaturas): Encarregado do IPM, 1.ª Testemunha, 2.ª Testemunha e


Escrivão.

30 - Modelo de Termo de Acareação (Reprodução Simulada dos Fatos)

TERMO DE ACAREAÇÃO

Aos _____ dias do mês de __________ de __________, nesta cidade de


__________, no quartel do (a) __________ (OPM/OBM) presentes as testemunhas
__________ (qualificar) e __________ (qualificar), presente o indiciado __________
(nome), já inquiridos nestes autos de Inquérito Policial Militar, por este encarregado
foram, à vista das divergências existentes nos seus depoimentos, nos pontos ("tais e
tais" decliná-los), e conforme prescreve o artigo 365, 366 e 367 do Código de
Processo Penal Militar, reperguntadas às mesmas testemunhas, uma em face da outra
e do indiciado, para explicarem as ditas divergências. (Se for por precatória, indicar os
quesitos enunciados no ofício de designação). E depois de lidos perante eles os
depoimentos referidos nas partes divergentes, pela testemunha __________
(qualificar) foi dito que __________ pela testemunhas __________ (qualificar) foi dito
que, __________ pelo indiciado (nome completo) foi dito que __________. E como
nada mais declararam, lavrei o presente termo, que depois de lido e achado conforme,
assinam juntamente com este encarregado e com o escrivão.

(Assinaturas): Encarregado do IPM, Indiciado, 1.ª Testemunha Acareada,


2.ª Testemunha Acareada e Escrivão.

31 - Modelo de Termo de Diligência

TERMO DE DILIGÊNCIA

Aos _____ dias do mês de ___________ do ano de _________, nesta


cidade de __________, no quartel do __________ (OPM/OBM), eu __________
servindo de escrivão, certifico para os fins que se fizerem necessários que procedi a
diligência sob a coordenação do encarregado do presente Inquérito Policial Militar no
intuito de __________ (transcrever os objetivos da diligência) com os seguintes
resultados __________ (especificar os resultados), tudo presenciado por __________
(elencar as pessoas) que estavam presentes nos atos, juntamente comigo,
__________ escrivão e com o senhor encarregado do Inquérito Policial Militar.
E como nada mais disse, nem lhe foi perguntado, dou por encerrado o
presente termo de diligência, que depois de lido e achado conforme, vai devidamente
assinado pelo encarregado, pelas testemunhas e pelo escrivão que o presenciaram.

(Assinaturas): Encarregado do IPM, 1.ª Testemunha, 2.ª Testemunha e


Escrivão.

32 - Modelo de Ofício a Autoridade Delegante Solicitando Prorrogação de


Prazo

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. _____/______
Ao: Senhor _________ (Autoridade delegante).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor comandante,

Solicito a Vossa Senhoria, na qualidade de encarregado do Inquérito Policial Militar


instaurado através da portaria n.º ______/_____, a prorrogação do Inquérito Policial
Militar ao meu cargo, de conformidade com o artigo 20 do Código de Processo Penal
Militar.
Tal pedido deve-se ao fato de que este encarregado ainda aguarda o envio de exames
ou perícias, ou ainda a necessidade de diligência (citar), indispensável à elucidação
dos fatos.

Atenciosamente,

(Assinaturas): Encarregado do IPM.

33 - Modelo de Auto de Avaliação Direta

AUTO DE AVALIAÇÃO
Aos ____ dias do mês de __________ do ano de _________ no quartel da
OPM/OBM, onde se achava o __________ (encarregado do Inquérito Policial Militar),
comigo _________ (servindo de escrivão), presentes os peritos legalmente nomeados
__________ e __________ (qualificar), todos abaixo assinados, depois de prestarem
o compromisso legal de bem fielmente desempenharem os deveres de seus cargos,
nos termos do artigo 315 do Código de Processo Penal Militar, declarando a verdade,
a autoridade que preside este ato encarregou-os de procederem à avaliação dos
seguintes objetos (furtados, roubados, extraviados, danificados, apropriados
indevidamente), apreendidos por __________ (militar ou pessoa civil que apreendeu).
Em seguida passando os peritos a dar cumprimento as determinações emanadas e de
conformidade com o parágrafo único do artigo 48 do Código de Processo Penal Militar,
depois dos exames necessários, declararam que os objetos tinham respectivamente o
valor aproximado (parcial) de __________ (enumerá-los por extenso). E foram estas
as declarações feitas. E, nada mais tendo a ser acrescentado, mandou o encarregado
encerrar a presente avaliação, lavrando-se este auto, que depois de lido e achado
conforme, vai assinado por todos.

(Assinaturas): Encarregado do IPM, 1.º Perito, 2.º Perito e Escrivão.

34 - Modelo de Termo de Reconstituição dos Fatos em Local de Crime

RECONSTITUIÇÃO DOS FATOS

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de _________, às


________ horas, nesta cidade de __________, às _____ horas, após previa
convocação por parte do encarregado do Inquérito Policial Militar __________ (nome),
comigo __________ (nome) servindo de escrivão, compareceram no __________
(especificar o local onde ocorreram os fatos) as seguintes pessoas __________ (citar
todas elas) as quais tiveram participação direta ou indireta nos acontecimentos objeto
da presente apuração e que, após darem suas versões nos autos, se prontificaram a
participar da reconstituição dos fatos, que foi (filmada – fotografada) por __________
(especificar – nome – endereço, etc.), que neste momento presta o compromisso legal
de desempenhar suas funções com honra e boa fé, cujo resultado pode-se verificar a
seguir: __________ (narrar tudo com legenda, histórico e descrição minuciosa da
reconstituição). E, nada mais tendo a ser acrescentado, mandou o encarregado
encerrar a presente avaliação, lavrando-se este auto, que depois de lido e achado
conforme, vai assinado pelo encarregado e pelo escrivão.

(Assinaturas): Encarregado do IPM, Fotógrafo (outros), Testemunhas e


Escrivão.

35 – Modelo de Auto de Busca e Apreensão

AUTO DE BUSCA E APREENSÃO

Aos _____ dias do mês de ___________ do ano de _________, às ______


horas, nesta cidade de __________, em cumprimento ao mandado de busca expedido
pelo Exm.º senhor Juiz __________, nos dirigimos à __________ (local referido), onde
reside __________ (nome completo), e depois de ter sido mostrado e lido o mandado,
o intimamos para que, nos facilitássemos a entrada no imóvel, a fim de procedermos à
diligência ordenada, ao que obedeceu, e em seguida assistiu às diligências desde o
início, bem como as testemunhas __________ e __________ (qualificar) abaixo
assinadas; e, entrando no imóvel (especificar) supra declarado, procedemos uma
minuciosa busca, examinando todas as dependências, fazendo abrir portas, armários,
gavetas, (enfatizar o lugar exato), encontramos os seguintes objetos __________
(descrevê-los) – a) se máquinas, veículos, instrumentos ou armas, da sua marca e tipo
e, se possível, da sua origem, número e data de fabricação b) se livros, o respectivo
título e o nome do autor c) se documentos, a sua natureza - os quais apreendemos e,
para constar, lavrou-se o presente auto na forma do artigo 189 do Código de Processo
Penal Militar que vai assinado por todos. Ao final, uma via foi entregue a pessoa que
estava no imóvel.

(Assinaturas): Encarregado da Diligência, Pessoa que Estava no Imóvel,


1.ª Testemunha e 2.ª Testemunha.

36 - Modelo de Auto de Reconhecimento de Escrito

AUTO DE RECONHECIMENTO DE ESCRITO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de _______, no quartel da


OPM/OBM, nesta cidade de __________, na presença do __________ (encarregado),
comigo o __________ (escrivão) deste feito, compareceu a __________
(devidamente) qualificada, passou a escrever o texto elencado pelo encarregado do
IPM (pelo menos 100 linhas), na presença das __________ e __________
(testemunhas, a qual está ciente) de que será o escrito submetido a exame pericial
para comprovação de que o atestado é falso, sendo assinado ao final por todos.

(Assinaturas): Encarregado do IPM, 1.ª Testemunha, 2.ª Testemunha e


Escrivão.

37 - Modelo de Auto de Reconhecimento Fotográfico

AUTO DE RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO

Aos ____ dias do mês de __________ do ano de _______, no quartel da


OPM/OBM, nesta cidade de __________, na presença do __________ (encarregado),
comigo o __________ (escrivão) deste feito, compareceu as testemunhas __________
e __________ (qualificadas), compareceu o __________ (reconhecedor) o qual foi
solicitado que fizesse uma descrição do possível autor dos fatos __________
(características físicas). Depois foi-lhe apresentadas fotos dos Policiais Militares da
__________ (OPM/OBM), onde se encontravam as fotos da pessoa a ser reconhecida,
colocadas entre várias outras. Convidada a reconhecer fotograficamente o indivíduo
acima descrito, RECONHECEU SEM/COM SOMBRAS DE DÚVIDAS o __________
(dados completos do reconhecido), como o autor dos fatos narrados. E como nada
mais disse nem lhe foi perguntado, o encarregado deu por findo o presente
reconhecimento fotográfico, mandado lavrar este Auto, que depois de lido e achado
conforme vai devidamente assinado ao final por todos.

(Assinaturas): Encarregado do IPM, 1.ª Testemunha, 2.ª Testemunha,


Agente Reconhecedor e Escrivão.

38 - Modelo de Atos do Escrivão

AUTENTICAÇÃO

Confere com o Original.

Em _____/_____/_____
___________________
Escrivão

CERTIDÃO
Certifico que foi providenciado de acordo com o despacho do senhor
Encarregado do Inquérito Policial Militar.

Local/data
(Assinatura): Escrivão.

CONCLUSÃO

Aos _____ dias do mês de __________ do ano de __________, faço os


presentes autos conclusos ao senhor Encarregado do Inquérito Policial Militar.

(Assinatura): Escrivão.

39 - Modelo de Relatório

CABEÇALHO

RELATÓRIO

1. Objetivo do Procedimento
O presente procedimento foi mandando instaurar por determinação do
__________ (autoridade delegante), através da portaria n.º _____/_____, com a
finalidade de apurar os fatos __________ (narrar), resultando ________ (narrar), em
conseqüência __________ (foram vítimas) e como autor __________ (nominar).

2. Diligências Realizadas e Provas Produzidas


2.1 Foi ouvido o ofendido _________________________;
2.2 Foi ouvido o indiciado _________________________;
2.3 Foram inquiridas as testemunhas ________________;
2.4 Documentos juntados _________________________;
2.4 Laudos periciais _____________________________;
2.5 Mandados cumpridos _________________________;
2.6 Provas produzidas ___________________________;
2.7 Acompanhamento do Promotor de Justiça _________;
2.8 Outras ocorrências ____________.

3. Dos Fatos
Da minuciosa análise dos fatos e do conjunto probatório restou comprovado
que a ocorrência deu origem à presente investigação de natureza inquisitorial da
seguinte maneira: _____________.
4. Conclusão
Tendo por base as provas elencadas nos autos, conclui-se que:
4.1 Há (não há) fortes indícios de cometimento de crime militar (de natureza
comum) ou de transgressão disciplinar de natureza grave a punir, praticada por
_________ (dizer quem);
4.2 Encaminhamento dos autos ao Juízo Militar Estadual;
4.3 Instauração do Competente Conselho de Justificação, Disciplina ou
Processo Administrativo-Disciplinar;
4.4 Instauração de Procedimento Disciplinar.

Sob censura, é o relatório.

Local/data
(Assinatura): Encarregado do IPM.

40 - Modelo de Termo de Encerramento e Remessa

ENCERRAMENTO E REMESSA

Aos _____ do mês de __________ do ano de _________, dou por


encerrada a presente investigação e faço remessa dos autos ao senhor __________
(autoridade delegante) do que, para constar, lavrei o presente termo. Eu,
__________, servindo de escrivão que o escrevi e subscrevo.

(Assinaturas): Encarregado do IPM.

41 - Modelo de Ofício de Remessa dos Autos de IPM

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. _____/______
Ao: Senhor __________ (autoridade delegante).
Assunto: Envio de autos contendo _____ folhas e ____ volumes
Anexo: Material apreendido
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor Comandante,
Envio a Vossa Senhoria, os autos de Inquérito Policial Militar instaurado através da
portaria n.º ______/______, em que figura como indiciado o ___________
(especificar).

Atenciosamente,

(Assinatura): Encarregado do IPM.

42 - Modelo de Solução de Inquérito Policial Militar

CABEÇALHO

SOLUÇÃO DE IPM N.º________/________

O Inquérito Policial Militar instaurado através da portaria n.º


_______/_______, de _____/_____/_____, que teve como encarregado do
investigatório o _________ (nome/posto/MF), lotado na _________ (OPM/OBM), teve
por finalidade apurar os fatos constantes na documentação __________ (documento
de origem), que relata sobre __________ (narrar os fatos).
Tendo-se em vista as conclusões obtidas mediante a análise do conjunto
probatório, RESOLVO:
1. concordar (discordar) com as conclusões do encarregado, visto que
__________ (narrar);
2. que os fatos narrados constituem crime previsto no Código Penal Militar,
figurando como indiciado o __________ (especificar).
3. Determino, pois, que sejam os presentes autos encaminhados ao Juízo
Militar Estadual, na forma da lei.
Publique-se em Boletim.

ou

1. concordar (discordar) com as conclusões do encarregado, visto que


_______ (narrar);
2. que os fatos narrados constituem crime previsto no Código Penal Militar,
figurando como indiciado o __________ (especificar), imputando-lhe ainda os
prejuízos causados na(s) __________ (relatar) e a existência de resíduo administrativo
de transgressão disciplinar militar a apurar.
3. instaure-se o competente procedimento disciplinar;
4. determino, pois, que sejam os presentes autos encaminhados ao Juízo
Militar Estadual, acompanhado de cópia da nota de punição, na forma da lei.
Publique-se em Boletim.

ou

1. concordar (discordar) com as conclusões do encarregado, visto que


__________ (narrar);
2. que os fatos narrados não constituem crime.
3. que os fatos narrados constituem transgressão disciplinar de natureza
grave, incompatível com a carreira militar estadual. Assim, com base em cópia do
procedimento, remeta-se ao senhor Comandante-Geral da PM/BM, solicitando a
instauração de (Conselho de Justificação, Conselho de Disciplina ou Processo
Administrativo-Disciplinar) contra __________ (especificar o PM/BM);
4. determino, pois, que sejam os presentes autos encaminhados ao Juízo
Militar Estadual, na forma da lei.
Publique-se em Boletim.

ou

1. concordar (discordar) com as conclusões do encarregado, visto que


________ (narrar);
2. que os fatos narrados não constituem crime nem transgressão disciplinar
a apurar.
3. determino, pois, que sejam os presentes autos encaminhados ao Juízo
Militar Estadual, na forma da lei.
Publique-se em Boletim.

Local/data
(Assinaturas): Autoridade Competente ou Delegada.

43 - Modelo de Ofício de Remessa dos Autos de IPM ao Juiz de Direito do


Juízo Militar

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. _____/_____
Ao: Senhor __________(Juiz de Direito do Juízo Militar).
Assunto: Envio de autos contendo _____ folhas e ____ volumes
Anexo: Material apreendido
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Excelentíssimo senhor Juiz,,

Envio a Vossa Excelência, os autos de Inquérito Policial Militar instaurado através da


portaria n.º _____/_____, em que figura como indiciado o __________ (especificar)
para os fins que a lei mandar.

Respeitosamente,
(Assinatura): Comandante-Geral Adjunto.

44 - Modelo de Requerimento de Diligências no Inquérito Policial Militar

Ilustríssimo Senhor Oficial Comandante do (a) __________ (OPM/OBM) da


cidade de ___________.

Inquérito Policial Militar nº _____/_____.


Boletim n.º _____, de _____/_____/_____

Requerente, PM/BM (qualificação), por seu bastante procurador e advogado


signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Senhoria para, nos autos do
sobredito Inquérito Policial Militar nº _____/_____, no qual responde como incurso nas
sanções do artigo ______ do Código Penal Militar (especificar), requerer sejam
efetuadas as seguintes diligências, que indubitavelmente são necessárias ao
esclarecimento da verdade:
1. oitiva da testemunha __________ residente e domiciliada na rua
__________, centro, nesta cidade;
2. oitiva da testemunha __________ residente e domiciliado na rua
__________, centro, nesta cidade e comarca.
Nestes termos,
P. deferimento.
Local/data
(Assinatura): Advogado.

45 - Modelo de Requisição de Instauração de Inquérito Policial Militar

Senhor Oficial Comandante do (a) __________ OPM/OBM deste Município.


Sr. Comandante

Tendo chegado ao meu conhecimento, por intermédio de __________


(pessoa comum ou autoridade), que no dia _____/_____/_____, (horário, local, nome
do suspeito praticou nome e descrição da infração penal) __________, requisito a
instauração de Inquérito Policial Militar a respeito, caso Vossa Senhoria já não o tenha
feito.
Nestas condições, renovo meus protestos de estima e consideração.

Local/data

(Assinaturas): Promotor de Justiça ou Juiz do Juízo Militar.

46 - Modelo de Requerimento de Instauração de Inquérito Policial nos Crimes de


Ação Penal Pública Incondicionada

Ilustríssimo Senhor Comandante do (a) __________ (OPM/OBM) da cidade


de __________.
Requerente, (qualificação), por seu bastante procurador e advogado
signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Senhoria para, nos termos do
artigo 10, alínea “a”, do Código de Processo Penal Militar, requerer a instauração de
Inquérito Policial Militar contra ______ (nome do suspeito, qualificação), de acordo com
os fatos adiante elencados:

Descrição dos fatos ____________.

Assim, tendo o requerido praticado o crime previsto no artigo ______, do


Código Penal Militar, a instauração do Inquérito Policial Militar (IPM) é medida que se
impõe, motivo pelo qual a vítima, nos termos do artigo do Código de Processo Penal
Militar já mencionado, requer seja o mesmo instaurado, a fim de que possam ser
melhor apurados os fatos sobreditos.
Por fim, poderão testemunhar o fato: __________ (nomes das testemunhas,
qualificação e endereço).

Nestes termos,
P. deferimento.

Local/data
(Assinatura): Advogado.

47 - Modelo de Recurso Contra o Indeferimento de Instauração de


Inquérito Policial Militar

Excelentíssimo Senhor Secretário de Segurança Pública e Defesa Social do


Estado ___________.
Requerente, (qualificação), por seu bastante procurador e advogado
signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Excelência para, com fulcro no
artigo 1.º, § 2.º do Código de Processo Penal Militar (CPPM), recorrer
administrativamente, em analogia ao artigo 5.º, § 2°, do Código de Processo Penal,
contra o indeferimento do requerimento de instauração de Inquérito Policial Militar
(IPM), feito pelo Ilustríssimo Senhor Comandante do (a) ____ (OPM/OBM) da cidade
de _______, de acordo com os fatos adiante elencados:

Descrição dos fatos (falar sobre o indeferimento do requerimento e se


houve eventual motivação).
Ora, com a devida venia, tal indeferimento jamais poderia ter ocorrido. Isso
porque ___________ motivação (preferencialmente, indicar doutrina e jurisprudência).
Diante do exposto, requer seja determinada a instauração do respectivo
Inquérito Policial Militar, em face do princípio da obrigatoriedade, que rege a questão.
Nestes termos,
P. deferimento.

Local/data
(Assinatura): Advogado.

48 - Modelo de Representação

Ilustríssimo Senhor Oficial Comandante do (a) _______ (OPM/OBM) da


cidade _______.
Requerente, PM/BM (qualificação), por seu bastante procurador e advogado
signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Senhoria para, nos termos do
art. 10, alínea “e”, do Código de Processo Penal Militar, oferecer representação contra
__________ (qualificação), de acordo com os fatos adiante elencados:

Descrição dos fatos ___________.

Assim, tendo o ora representado praticado o crime previsto no artigo


______ do Código Penal Militar cuja ação penal somente se procede mediante
representação, a vítima sobredita não vê outra solução senão a de representar a fim
de que seja instaurado o respectivo Inquérito Policial Militar (IPM) e, ao depois, possa
o Excelentíssimo representante do Ministério Público Militar Estadual contra ele
intentar a ação penal.
Por fim, poderão testemunhar o fato: nome das testemunhas, qualificação e
endereço.
Nestes termos,
P. deferimento.

Local/data
(Assinaturas): Advogado.

49 - Modelo de Requerimento de Instauração de Inquérito Policial Militar


Decorrente de Sindicância Militar

Ilustríssimo Senhor Comandante do (a) __________ (OPM/OBM) da cidade


_________.
Requerente, PM/BM (qualificação), por seu bastante procurador e advogado
signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Senhoria para, nos termos do
art. 10, alínea “f”, do Código de Processo Penal Militar, requerer a instauração de
Inquérito Policial Militar contra __________ (nome do suspeito, qualificação), de
acordo com os fatos adiante elencados:

Descrição dos fatos ___________.

Assim, conforme conclusão do procedimento (sindicância), e entendendo


haver indício de crime previsto no artigo ______, do Código Penal Militar a instauração
do Inquérito Policial Militar (IPM) é medida que se impõe, motivo pelo qual a vítima,
nos termos do artigo do Código de Processo Penal Militar já mencionado, requer seja o
mesmo instaurado, a fim de que possam ser melhor apurados os fatos sobreditos.
Por fim, poderão testemunhar o fato: __________ (nome das testemunhas,
qualificação e endereço).
Nestes termos,
P. deferimento.

Local/data
(Assinaturas): Advogado.

50 - Modelo de Pedido de Arquivamento

PROMOTORIA DE JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL

Feito nº. _____/_____ - Juízo Militar


MM. JUIZ:
Trata-se de Inquérito Policial Militar instaurado para apurar crime de
__________ que vitimou __________ (nome da vítima). Isso na data de
_____/_____/_____, (horário, local) __________, nesta cidade e comarca.
Segundo apurado, __________ (descrição dos fatos).
Ocorre que __________ (mencionar o motivo do arquivamento: o fato é
atípico, existe uma causa de exclusão da ilicitude, não existem provas suficientes para
oferecimento da denúncia etc.).
Em decorrência disso, é forçoso concluir que não pode o Ministério Público
Militar Estadual exercer o direito de ação penal, outra solução não restando senão a do
arquivamento do feito, uma vez adotado as demais formalidades legais e sem prejuízo,
é óbvio, do disposto no art. 25 do Código de Processo Penal Militar.

Local/data
(Assinaturas): Promotor de Justiça do Juízo Militar.

51 - Modelo de Requerimento de Revogação de Prisão Preventiva

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do Juízo Militar da Comarca


de ___________, do Estado ____________.
Fulano de tal, PM/BM já qualificado nos autos do processo crime _____
/______, por seu bastante procurador e advogado signatário, respeitosamente se faz
presente ante Vossa Excelência para requerer a REVOGAÇÃO DE SUA PRISÃO
PREVENTIVA, nos termos do art. 259 do Código de Processo Penal Militar, em face
dos motivos adiante aduzidos:
Na data de _____/_____/_____, esse douto Juízo, atendendo ao
requerimento do digno representante do Ministério Público Militar Estadual, houve por
bem decretar a prisão preventiva do requerente, fundamentando sua decisão no fato
de ter o requerente tentado destruir parte das provas.
Não obstante, desde então, o requerente entregou todas as provas que mantinha
guardadas e tem atendido a todas as requisições feitas.
Assim, não estão mais presentes as condições que autorizavam a decretação da
prisão preventiva. Ora, conforme intitula o artigo 259, 1.ª parte do próprio Código de
Processo Penal Militar: "O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no curso do
processo, verificar a falta de motivo para que subsista...".
Diante do exposto, por ter bons antecedentes, ser primário e por não existir qualquer
dos motivos previstos nos artigos 254 e 255 do Código de Processo Penal Militar,
requer seja revogada sua prisão preventiva, pois só assim estará sendo realizada a
verdadeira JUSTIÇA.
Termos em que,
P. deferimento.

Local/data
(Assinaturas): Advogado.

52 - Modelo de Requerimento de Liberdade Provisória

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do Juízo Militar da Comarca


de __________, do Estado __________.

Fulano de tal (qualificação), representado por seu bastante procurador e


advogado signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Excelência para
requerer sua LIBERDADE PROVISÓRIA, pelos motivos adiante elencados.
O requerente encontra-se preso e recolhido ao Presídio Militar, desde a
data de _____/_____/_____, em razão do flagrante contra si lavrado no 1º Batalhão
Policial Militar, da cidade de Russas-CE, sob a acusação de ter praticado o crime
previsto no artigo 205 do CPM.
Conforme se extrai do auto de prisão em flagrante, o requerente agiu sob o
amparo da excludente da ilicitude da legítima defesa. Isso porque desferiu um disparo
de arma de fogo na vítima somente depois desta última tentar agredi-lo com um Fuzil
Modelo 765 M 968.
Aliás, dispõe o artigo 253, caput, do Código de Processo Penal Militar:
"Quando o juiz verificar pelo auto de prisão em flagrante que o agente praticou o fato,
nas condições do artigo 35, 38, observado o disposto no artigo 40, e dos artigos 39 e
42 do Código Penal Militar, poderá, depois de ouvir o Ministério Público Militar
Estadual, conceder ao réu liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a
todos os atos do processo, sob pena de revogar a concessão".
Assim, estando presentes os requisitos exigidos para a concessão da
liberdade provisória, amparado pelo artigo 253 do Código de Processo Penal Militar, a
liberdade do requerente, com a expedição do competente alvará de soltura, é medida
de JUSTIÇA.
Termos em que,
P. deferimento.
Local/data
(Assinatura): Advogado.
CAPÍTULO III (NOTAS DE RODAPÉ)

1 - LAZZARINI, Álvaro. Código Penal Militar, Código de Processo Penal Militar,


Estatuto dos Militares e Constituição Federal. 4 ed, São Paulo: RT, 2003, p. 292 - 295.
2 - Id. ibid. 2003, p. 293.
3 - MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2000, p.
118.
4 - LAZZARINI, op. cit. 2003, p. 377 - 397.
5 - SILVA, Plácido e. Dicionário Jurídico. 12 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 197.
6 - CRETELLA JÚNIOR, José. et. al. 1000 Perguntas e Respostas de Processo Penal.
Rio de Janeiro: 1996, p. 32.
7 - LAZZARINI, op. cit. 2003.
8 - CRETELLA JÚNIOR, op. cit. 1996, p. 32.
9 - MUCCIO, Hidejalma. Curso de Processo Penal. Vol. 1. São Paulo: Edipro, 2002.
10 - LOUREIRO NETO, José da Silva. Processo Penal Militar. 5 ed. São Paulo: 2000,
p. 46 - 47.
11 - SARAIVA, Alexandre José de Barros Leal. Inquérito Policial e Auto de Prisão em
Flagrante nos Crimes Militares. São Paulo: Atlas, 1999.
12 - MUCCIO, op. cit. 2002, p. 276 - 281.
13 - Id. ibid. 2002, p. 287.
14 - Id. ibid. 2002, p. 262.
15 - VADE MECUM, Acadêmico de Direito. 3 ed. São Paulo: Rideel, 2006.
16 - MUCCIO, op. cit. 2002, p. 302 - 302.
17 - GUIMARÃES, Ivone Cataneo. et. al. Guia Prático de Inquérito policial Militar e
Auto de Prisão em flagrante. Porto Alegre: Polost, 2005, p. 32 - 33.
18 - ASSIS, Jorge César de. Direito Militar. Curitiba: Juruá, 2001, p. 55. apud.
TOURINHO FILHO.
19 - SARAIVA, op. cit. 1999, p. 56.
20 - Id. Ibid. 1999, p. 48 - 50.
21 - GUIMARÃES, op. cit. 2005, p. 166 - 172.
22 - Id. Ibid. 2003.
23 - MIKALOVSKI, Algacir. et. al. Prática em Processos e Procedimentos
Administrativos. Vol. 2. Curitiba: Juruá, 2006, p. 112 - 113.
24 - GUIMARÃES, op. cit. 2005.
25 - MIKALOVSKI, op. cit. 2006.
26 - SARAIVA, op. cit. 1999, p. 55.
27 - LAZZARINI, op. cit. 2003, p. 379.
28 - Id. Ibid. 2003, p. 380.
29 - Id. Ibid. 2003, p. 380 - 381.
30 - MUCCIO, Hidejalma. Da Denúncia. Teoria e Prática. São Paulo: Edipro, 2001, p.
34 - 35.
31 - Vide GUIMARÃES, op. cit. 2005, p. 14-74; MIKALOVSKI, op. cit. 2006, p. 125 -
126.
32 - Vide SILVA, Plácido e. Dicionário Jurídico. Vol. I ao V. 12 ed. Rio de Janeiro:
Forense, 1996; ACQUAVIVA, Marcus Cláudio. Dicionário Jurídico Brasileiro. 12 ed.
São Paulo: Jurídica Brasileira, 2004; FÜHRER, Maximilianus Américo Cláudio. et. al.
Resumo de Processo Penal. 11 ed. São Paulo: 2000; CRETELLA JÚNIOR, José. et.
al. 1000 Perguntas e Respostas de Processo Penal. Rio de Janeiro: Forense, 1996;
PINHO, Olavo. PIMENTEL, Patrícia Barros. Concursos Públicos Jurídicos. 12 ed. São
Paulo: Pinho, 2001. TOURINHO FILHO, Fernando da costa. Manual de Processo
Penal. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2007.
33 - Vide GUIMARÃES, op. cit. 2005, p. 22 - 74; BRASILEIRO, Exército. Formulário
Sobre Inquérito Policial Militar, Auto de Prisão em Flagrante e Sindicância. Brasília:
1979; JÚNIOR, Flávio Martins Alves Nunes. Manual de Prática Processual Penal. São
Paulo: LED, 2003. COSTA, Alexandre Henriques da. Manual Prático de polícia
Judiciária Militar. São Paulo: Suprema Cultura, 2007, p. 100 - 116.
CAPÍTULO IV

INQUÉRITO POLICIAL (IP)

O estudo deste procedimento administrativo é muito importante para a


atividade militar estadual, tendo-se em vista que o militar estadual poderá cometer
crimes de natureza penal militar visualizados no Código Penal Militar (CPM) e/ou
Penal Comum (CP), além de outros crimes contidos em legislações especiais,
respondendo a processos judiciais nas diversas esferas jurisdicionais, militar e/ou
comum.
Além disso, o militar estadual poderá participar do rito procedimental como
vítima, testemunha ou indiciado.

I – NOTAS INTRODUTÓRIAS
A denominação do Inquérito Policial surgiu em nossa legislação, através da
lei nº 2.033 de 20 de setembro de 1871, e foi regulamentada pelo Decreto-Lei nº
2.824, de 28 de novembro de 1871.
O artigo 42 da citada lei definia que o inquérito policial consistia nas
diligências necessárias para o “descobrimento dos fatos criminosos, de suas
circunstâncias e de seus autores e cúmplices, devendo ser reduzido a instrumento
escrito”.
Atualmente, é conceituado como procedimento investigatório de natureza
inquisitorial, presidido por Delegado de Polícia (federal ou estadual) tendo previsões
legais no artigo 4º e seguintes do Decreto-lei n° 3.689, de 3 de outubro de 1941 -
Código de Processo Penal (CPP).1
O inquérito policial é a primeira fase da persecução penal, tendo como
finalidade à colheita de material probatório, necessário a instruir futuro processo penal.
Para PÊCEGO, citando CAPEZ, TOURINHO FILHO e MIRABETE (2000, p.
71, 181 e 79):

A persecução penal normalmente se inicia por intermédio da


investigação criminal, com o Estado coletando elementos
para o exercício do jus puniendi em juízo, motivo pelo qual
sendo o inquérito policial peça procedimental de suma
importância para o Estado, devidamente regulado pelo
Código de Processo Penal, embora prescindível, não é ele
mera peça de informação como a doutrina e a jurisprudência
praticamente pacífica o denominam, mas sim peça de
informação de alta relevância que lida com o sagrado direito à
liberdade, que sendo bem conduzida, certamente propiciará
uma maior possibilidade de sucesso no exercício do direito de
punir do Estado-Administração e de justiça na fixação da
pena pelo Estado-Juiz, ao analisar as circunstâncias judiciais
(artigo 59, do Código Penal).2

O inquérito policial é instaurado pela autoridade de polícia judiciária comum


(federal ou civil) quando os crimes não puderam ser prevenidos pela polícia
administrativa (polícia militar). Segundo COLAÇO (2002, p. 21), citando José Geraldo
da Silva, divide a polícia em:

Polícia Administrativa, que tem por fim prevenir crimes,


evitar perigos, proteger a coletividade, assegurar os direitos de
seus componentes, manter a ordem e o bem públicos... Sua
ação se exerce antes da infração penal, sendo também por
isso chamada de Polícia Preventiva. As vastas atribuições
desse ramo da polícia são disciplinadas por leis, decretos,
regulamentos e portarias.
Polícia Judiciária, destinada a investigar os crimes que não
puderam ser prevenidos, descobrir-lhes os autores e reunir
provas e indícios contra eles, no sentido de levá-los ao juízo e,
conseqüentemente, a julgamento; a prender em flagrante os
infratores da lei penal; a executar os mandados de prisão
expedidos pelas autoridades judiciárias, e a atender às
requisições destas. Assume aí o caráter de órgão judiciário
auxiliar. Sua atividade só se exerce após a consumação do
fato delituoso, pelo que se dá à polícia judiciária também a
denominação de Polícia Repressiva.3

Dentre as organizações de Segurança Pública referida no artigo 144 da


Constituição Federal de 1988, ressalvada a competência da Polícia Federal em
exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União (inciso IV, do art.
144 CF/88), têm a atribuição de instaurar e elaborar o inquérito policial a polícia civil.

II – ATRIBUIÇÕES NO INQUÉRITO POLICIAL

1. Competência investigatória
A investigação policial é uma atividade legal, exercida pelos órgãos de
segurança pública, dentro dos limites que lhes são assinalados pela Carta Maior e
pela legislação complementar.
A Polícia Federal tem competência para apurar as infrações penais contra a
ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou
de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja
prática tenha repercussão interestadual e internacional e exija repressão uniforme,
segundo dispõe a lei.
As Polícias Civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem,
ressalvada a competência da União, as funções de Polícia Judiciária e a apuração de
infrações penais, exceto as militares.4
No artigo 4º do Código de Processo Penal está estabelecido que: “A Polícia
Judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas
circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria.”

2. Outros tipos de inquéritos


Entende-se que a atribuição para a realização do inquérito policial é da
polícia civil. No entanto, a atribuição de realizar inquérito (gênero) não é exclusiva,
pois outras autoridades administrativas também executam tal mister, conforme
podemos ver a seguir:
1) Inquérito Policial Militar (com fundamento no artigo 9º e seguintes do
Código de Processo Penal Militar – CPPM - é realizado pelas autoridades de polícia
judiciária militar - Forças Armadas, Polícias e Bombeiros Militares - no intuito de apurar
prática – indícios - de crime militar);
2) Inquérito Judicial (o juiz, excepcionalmente, pode no que tange aos
crimes falimentares – com fundamento no artigo 103 e seguintes da lei de falência e
nos artigos 102 e 103 do Estatuto do Estrangeiro - exercer funções investigatórias);
3) Inquérito civil (com fundamento no inciso III do artigo 129 da CF/1988 –
realizado pelo Ministério Público para apuração de danos causados a interesses
coletivos e difusos);
4) Inquérito realizado pelas Comissões Parlamentares de Inquérito
(CPIs), conforme prescreve o § 3º do artigo 58 da Constituição Federal de 1988 e a
Lei nº 1.579, de 18 de março de 1952);
5) às disposições especiais, de acordo com o artigo 41 do Regimento
Interno do Supremo Tribunal Federal (RISTF), no caso das infrações penais
ocorridas em suas dependências, cabendo a um membro da corte maior a
presidência do Inquérito;
6) No caso estipulado no artigo 33 da Lei de Organização Nacional da
Magistratura (LONM), quando um dos membros do Tribunal de Justiça terá a
atribuição de realizar inquérito, por crime praticado por Juiz de Direito;
7) Quanto ao Ministério Público, o parágrafo único do artigo 41, da lei nº
8.625/93 – Lei de Organização Nacional do Ministério Público (LONMP) traz
disposição semelhante à tratada no item 6) retro.5

III – ELEMENTOS IDENTIFICADORES DO INQUÉRITO POLICIAL

1. Início do inquérito policial


Não se tratando de crimes abrangidos pela lei nº 9.099/95 (Lei dos
Juizados Especiais Cíveis e Criminais), o início do Inquérito Policial (IP) dependerá da
ação penal da qual o crime é apurado. Desta forma, o inquérito policial poderá ser
iniciado (instaurado) da seguinte forma:

1) No caso de ação penal pública incondicionada


a) A autoridade de polícia ao tomar conhecimento da prática de uma
infração penal (“notitia criminis” ou notícia de um crime), deverá instaurar o inquérito
de ofício, ou seja, por meio de portaria (artigo 5º, inciso I do Código de Processo
Penal), que será a primeira peça do inquérito policial;
b) por meio de requisição do juiz ou do órgão do Ministério Público (artigo
5, inciso II do Código de Processo Penal - CPP). A requisição geralmente é
acompanhada de alguma peça de informação, como exames, termos de declaração
etc. Neste caso, não haverá necessidade para expedição de portaria por parte da
autoridade de polícia, até porque a requisição é uma determinação, uma ordem que
não poderá ser descumprida;
c) por requerimento do ofendido ou de seu representante (artigo 5, inciso II,
“final” do Código de Processo Penal - CPP). Esse requerimento ou representação
deverá conter a narração do fato criminoso com todas as suas circunstâncias, as
características do indiciado, a relação de testemunhas com a indicação de sua
residência e profissão.

2) No caso de ação penal pública condicionada


a) mediante representação, com a vontade expressa de processar o
propenso criminoso. Essa representação pode ser um simples termo de declarações
prestado perante a autoridade de polícia, ao juiz ou ao promotor de justiça (artigo 39
do Código de Processo Penal) e deverá conter todas as informações que possam
servir de subsídios para a perfeita apuração da autoria e materialidade do fato (§ 2º do
art. 39 do Código de Processo Penal).
b) por meio de requisição do Ministro da Justiça (Art. 7º, § 3º, alínea “b” e
artigo 145, parágrafo único, do Código Penal – CP). Tal requisição, além de ser
irretratável e não decadencial, deverá conter os elementos necessários á apuração do
fato e sua autoria.

3) No caso de ação penal privada


Procede-se a requerimento de quem tenha qualidade para intentar (queixa-
crime). O Código não menciona o conteúdo do requerimento, no entanto, utiliza-se
analogicamente o mesmo conteúdo do § 1º do art. 5º do Código de Processo Penal.6

2. Alguns detalhes importantes:


1) Ninguém comparece a Delegacia ou a presença da autoridade de polícia
para dar uma queixa. Toda vez que se tomar conhecimento de um fato delituoso, dar-
se “notícia de um crime”. Queixa é denominação dada a queixa crime própria das
ações privadas.
2) Não precisa ficar confuso a respeito de como saber se o fato delituoso é
de ação pública incondicionada, condicionada a representação ou privada. O Código
Penal explicita claramente tal questão. Quando a ação for condicionada a
representação ou que se proceda mediante queixa, o Código dirá. Nas demais em que
o Código silencia a ação é pública incondicionada.
Vejamos os exemplos dos artigos 138 a 145 do Código Penal, que tratam
dos Crimes Contra a Honra (Calúnia, Difamação e Injúria), que somente se procedem
mediante queixa crime (ação privada) e os artigos 152 (correspondência comercial) e
154 (violação do segredo profissional), que somente se procedem mediante
representação, além de muitos outros intitulados.
Sobre o assunto, TOURINHO FILHO expõe o seguinte (2001, p. 10-11):

Nos termos do artigo 100 do CP, a ação é pública, salvo


quando a lei expressamente a declare privativa do ofendido.
Assim, quando o legislador diz que, em tal ou qual caso,
‘somente se procede mediante queixa’, é sinal de que a citada
infração é de ação privada, pois por meio da queixa que se
inicia a ação penal privada. (...) quando condicionada, a lei
exige a manifestação de alguém, e somente se procede
mediante representação. (...) E se o legislador silenciar quanto
à forma de se iniciar o processo, é sinal de que a infração é de
ação pública incondicionada.7

Para d’Alva (2004, p. 35), citando Fernando Capez:


A prisão preventiva pode ocorrer em qualquer fase do
inquérito policial ou da instrução criminal, em virtude de
requerimento do Ministério Público, representação da
autoridade policial (seguida de manifestação do “parquet”), ou
de ofício pelo juiz. Cabe tanto em ação penal pública quanto
em ação privada.8

3. Prazos e indiciamento
1) No Código Penal
O inquérito policial deverá ser concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o
indiciado estiver solto, podendo ser prorrogado de acordo com a necessidade e
havendo concordância do Promotor de Justiça e do juiz.
No caso do indiciado preso, o prazo é de 10(dez) dias, improrrogáveis,
contados a partir do dia da prisão (artigo 10 do Código de Processo Penal). Nesse
caso se a autoridade de polícia (delegado) não concluir o inquérito no prazo
estipulado, o preso deverá ser solto imediatamente.9
A autoridade policial, federal ou estadual, concluído o inquérito policial, fará
um relatório de tudo que foi apurado, atentando aos princípios da objetividade, clareza
e concisão (§ 1º do artigo 10, do Código de Processo Penal). Nesse prisma, o
delegado poderá decidir pelo indiciamento do suspeito. O indiciamento é a imputação
na fase do inquérito policial dos fatos investigados ao suspeito da prática da infração.
Na nossa ótica as terminologias mais adequadas para com o suposto
infrator seriam as expressões “suspeito ou investigado”. Porém as expressões
“acusado” ou “indiciado” são as empregadas, pela doutrina, até o encerramento do
Inquérito policial. Acusado é aquele que foi denunciado pelo Ministério Público e
indiciado é aquele que ao final do inquérito, restou indícios de autoria e materialidade
do delito.

2) Na Justiça Federal e legislação extravagante


a) Nos casos que são da competência da Justiça Federal, os prazos para a
conclusão do inquérito são diferentes:

1) estando o suspeito preso, o prazo para a conclusão do


inquérito é de 15(quinze) dias, podendo ser prorrogado por
mais 15 (quinze) dias. Neste caso, o delegado deverá
apresentar o suspeito ao juiz (artigo 66 da Lei nº 5.010, de
30/5/1966); estando o suspeito solto, o prazo é de 30 (trinta)
dias;
2) na nova lei antitóxicos (artigos 51 e parágrafo único da Lei nº
11. 343/2006), o prazo para a conclusão do inquérito é de 30
(trinta) dias (se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias,
se solto.10
3) conforme o artigo 307 do Código de Processo Penal, na
prisão em flagrante, se o crime for praticado em presença de
autoridade (juiz ou delegado de polícia), ou contra esta, não
haverá condutor e a remessa do inquérito deve ser imediata.11

b) Nos crimes contra a economia popular o prazo é de 10 (dez) dias, esteja


preso ou solto o suspeito do delito. Inteligência do § 1º do artigo 10, da Lei nº
1.521/1951).

IV – PROCEDIMENTOS NO INQUÉRITO POLICIAL, DAS PROVAS E DE


OUTRAS PERÍCIAS

1. No decorrer do procedimento
1) o inquérito policial mesmo com todas essas nuances não é
indispensável, pois o Ministério Público poderá oferecer denúncia crime baseado em
qualquer peça de informação (artigos 12, § 5º do artigo 39 e § 1º do artigo 46 do
Código de Processo Penal);
2) indício, é a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com
o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias
(artigo 239 do Código de Processo Penal);
3) a prova testemunhal deverá ser renovada em juízo, senão não servirá
para fundamentar a possível condenação do denunciado. No entanto, as provas
obtidas no decorrer do inquérito terão o valor que lhes atribuir o juiz, pelo princípio do
livre convencimento do juiz natural. No entanto, a lei permite certas minúcias quanto à
presença da testemunha para depor. A lei permite que certas pessoas neguem-se a
depor (artigo 206 do Código de Processo Penal), outras estão proibidas de depor
(artigo 207 do Código de Processo Penal), algumas pessoas estão impedidas
legalmente de depor (inciso II do artigo 252, 258, inciso I do art. 564 e § 2º do artigo
405 do Código de Processo Penal), algumas autoridades por prerrogativa de função,
devem ser ouvidas em dia, hora e local previamente acertados, algumas delas,
podendo até apresentar documento escrito (artigo 221 do Código de Processo Penal),
etc;
4) prova documental é aquela constituída por qualquer escrito,
instrumento ou papel, público ou particular (artigo 232 do Código de Processo Penal);
5) a confissão (que é o reconhecimento, pelo suspeito, da autoria dos
fatos que lhe são imputados) feita no inquérito, ainda que retratada pelo suspeito
depois do processo, poderá ser válida, desde que mantenha harmonia com os demais
elementos de prova;
6) conforme reza o artigo 107 do Código de Processo Penal, não se poderá
opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas
declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal. Os casos de suspeição estão
descritos no artigo 254 do Código de Processo Penal;12
7) Como já tratamos anteriormente, o arquivamento do inquérito não
cabe à autoridade policial (artigo 17 do Código de Processo Penal), mas ao juiz,
mediante motivação do Promotor de Justiça, observado o artigo 28 do Código de
Processo Penal;
8) Recebido o Inquérito, o Promotor de Justiça poderá tomar 3 (três)
decisões: “a) requerer novas diligências; b) oferecer a denúncia crime e c) opinar pelo
arquivamento.”
9) Quando no curso da investigação policial houver indício de prática de
infração penal por juiz ou promotor de justiça, o inquérito deverá ser remetido
imediatamente aos órgãos superiores (Tribunal ou Procuradoria-Geral de Justiça), que
prosseguirão na investigação. Observância do artigo 33, parágrafo único da Lei
Orgânica Nacional da Magistratura (LONM), Lei Complementar (LC) nº 35/79 e artigo
41, parágrafo único, da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (LONMP), Lei nº
8.625/93. Tratando-se de indício de prática de infração por defensor público, a
autoridade policial, civil ou militar, comunicará o fato imediatamente ao Defensor
Público Geral, que indicará defensor público para acompanhar a apuração
sigilosamente (artigo 64, § único, da Lei Complementar n.º 06/1997);13
10) Há discussão no tocante a remessa do inquérito. Alguns estudiosos e
aplicadores do direito dizem que deve ser remetido diretamente ao Ministério Público
que é o titular da ação penal pública, conforme incisos I e VII do artigo 129 da
Constituição Federal de 1988. No entanto, até hoje tal medida constitucional não foi
regulamentada, assim, melhor remeter ao juiz competente.14

2. Das perícias e outros exames


2.1 Da prova
Prova é a demonstração do fato e da autoria. Luiz Carlos Rocha, citando
José Frederico Marques, ensina que: “a demonstração dos fatos em que assenta a
acusação e daquilo que o réu alega em sua defesa é o que constitui prova”.15
A prova pericial é constituída pelo resultado da pesquisa, exame e
verificação da realidade de certos fatos, e tem pôr objetivos: “1) constar à existência
do crime; 2) verificar os meios e os modos como foi praticado; 3) indicar a sua
autoria”.16
O exame pericial é feito por perito criminal ou médico-legista da Secretaria
da Segurança, para elucidação da verdade, sujeita esses profissionais à disciplina
judiciária, e constitui ato instrutório no futuro processo penal.17
Importante frisar que o Laudo Pericial pode acarretar alguns efeitos: “1)
comprovação de que o infrator era ao tempo da ação ou omissão inimputável – sendo
assim, o prosseguimento do feito será realizado com a presença de curador –
aplicação de medida de segurança; 2) comprovação de que o infrator se tornou
inimputável ao longo da apuração – suspensão do feito, até o seu pronto
restabelecimento; 3) comprovação de que o infrator se tornou inimputável depois do
início da indiciação – internação ou tratamento psiquiátrico.”
É indispensável a realização de exame de corpo de delito, necessária à
prova das infrações que deixam vestígios (artigos 158 a 184 do Código de Processo
Penal).
Dentro dessa premissa, dois conceitos não podem confundir:
1) corpo de delito – São os elementos sensíveis, exteriores, os vestígios
deixados por conseqüência do delito e da prática da infração. É a constatação da
materialidade do delito ou o conjunto de elementos sensíveis do fato criminoso;
2) exame de corpo de delito – É a análise procedida pelos técnicos, pelos
peritos, nos vestígios deixados no local de crime. É obrigatório nos crimes que deixam
vestígios, não podendo supri-lo a confissão do suspeito e poderá ser realizado a
qualquer hora, do dia ou da noite.
Pode ser direto (quando há traços materiais) ou indireto (quando o fato, em
tese, não deixou vestígios ou já desapareceram ou foram destruídos):
• direto – quando é procedido sobre a própria coisa ou pessoa que
sofreu a ação incriminadora. É a inspeção ocular.
Ex. Exame de parafina (resíduos de pólvora), merceológico (em
mercadorias) ou a necropsia de cadáver, para se saber a causa morte ou os meios
que a produziram, etc;
• indireto – quando os vestígios desaparecem completamente, podendo
ser suprido por provas testemunhais, em caráter excepcional.
Ex. Exame de embriaguez (clínico—neuro—psíquico), no qual se analisa
hálito, equilíbrio, articulação de palavras, atitudes, gestos, etc.
O exame de corpo de delito pode ser dispensado quando o acusado destrói
ou oculta a prova de forma a dificultar a realização da perícia, mesmo assim, não
invalidará outras provas.18
A prova da existência da infração que deixa vestígio, deverá ser feita
mediante exame de corpo delito indireto, mediante diligências (documentos, ficha
clínica, fotografia etc.), sendo o suprimento de prova testemunhal ou outro meio
qualquer, em caráter excepcional, aceito por alguns doutrinadores (artigos 167 e § 1º
do artigo 168 do Código de Processo Penal).
Em regra, o prazo para elaboração do laudo é de 10 (dez) dias,
prorrogáveis a juízo da Autoridade Judiciária (artigo 160 do Código de Processo
Penal).

2.2 Outros exames periciais


Alguns outros exames periciais podem constituir em:
a) autópsia (artigo 162 do CPP);
b) exumação ou exame cadavérico (artigos 163 e 164 do CPP);
c) exame de lesões corporais (artigo 168 do CPP);
d) exame de local de crime (artigo 169 do CPP);
e) exames laboratoriais (artigo 170 do CPP);
f) exames de autenticidade e falsidade documental (artigo 174 do CPP);
g) exames nos vestígios do crime nos casos de rompimento ou destruição
de obstáculos (artigo 171 do CPP);
h) incêndio (artigo 173 do CPP);
i) exames nos instrumentos do crime (artigo 175 do CPP) etc.19
Além destas, existem as provas materiais (impressões, marcas, pegadas,
manchas e materiais, armas, roupas, papeis etc), prova testemunhal (conforme já
estudado) e provas complementares (retrato falado, fotografia, reconhecimento,
reconstituição etc).

3. Legislação a respeito de perícias


Para melhor aprofundamento da matéria é indispensável que a autoridade
encarregada do procedimento e o militar estadual conheça todo o disciplinamento
legal. Para isso, passaremos a fazer algumas observações a respeito, especialmente
às coletadas no livro de medicina legal, de autoria de William Douglas e outros (2003,
p. 25 e 26):
1) Disciplina legal – Sobre perícias, também de diligências, é
indispensável o estudo dos artigos 145 a 147 e 420 a 439 do
Código de Processo Civil (CPC), artigos 158 a 184 do Código
de Processo Penal (CPP), além das alterações feitas pela lei
nº 8.862/94;
2) Corpo de delito – O § 1º, do artigo 77, da lei nº 9.099/95,
que modificou o tratamento legal quanto à exigência do exame
de corpo de delito, nas infrações sujeitas aos Juizados
Especiais Criminais (ver artigos 60 e 61, da lei nº 9.099/95).
Fazer análise dos artigos acima referendados com os artigos
158 e 167 do Código de Processo Penal;
3) Realização de Perícias – As perícias podem ser realizadas
em qualquer dia e qualquer hora. Uma exceção feita à regra é
quanto à perícia realizada à noite no caso de poder prejudicar
a segurança ou observação dos peritos, tudo conforme artigos
161 e 797, do Código de Processo Penal;
4) Intervenção dos Peritos – Os peritos podem intervir em
qualquer fase da persecução criminal: inquérito, instrução e
julgamento;
5) Perícia contraditória – É aquela realizada por peritos da
Justiça e das partes, ou então, a que se processa para corrigir
perícia anterior, tudo conforme prevê os artigos 180 e 182 do
Código de Processo Penal;
6) Laudos irregulares, falhos, omissos e nulos – Os laudos
são inaceitáveis quando não esclarecem a questão, quando
são dúbios, eivados de imparcialidade, não apresentam
fundamentação científica e outros casos. Nessas situações, o
laudo deve ser refeito. No entanto, quando o laudo tiver defeito
sanável ou apenas pequenas omissões, poderão ser
devolvidos aos peritos, para que estes o emendem. Importante
observar a Súmula 361 do Supremo Tribunal Federal (STF) –
Vê Capitulo VI deste trabalho;
7) Credibilidade da perícia – A perícia é apenas uma das
provas dentro do procedimento ou do processo. Assim, o seu
resultado não vincula o encarregado ou ao juiz, que não fica
adstrito ao laudo. Tudo conforme artigos 436 do Código de
Processo Civil, e 157 e 158 do Código de Processo Penal;
8) Peritos – Pesquisar os artigos 159 e seus parágrafos do
Código de Processo Penal e 421 do Código de Processo Civil.
Sobre o compromisso que devem prestar, verificar os artigos
159, § 2º, do Código de Processo Penal e 422 do Código de
Processo Civil;
9) Exames complementares – Verificar os artigos 168 e seus
parágrafos do Código de Processo Penal;
10) Lei nº 8.862/94 – Inovou o tema em questão, pacificando o
entendimento de que o número de peritos oficiais são
realmente 2 (dois), retirou da autoridade policial o poder de
determinar correções nos laudos, tornou obrigatório o
comparecimento ao local do crime, dentre outras mudanças.20

4. Seqüência lógica do Inquérito Policial


De acordo com Augusta Tavares de Andrade (1996, p.7-9), em Manual do
Inquérito Policial, tal procedimento segue um determinado rito:

1) Capa – Contém o número de Inquérito, do livro competente, a data e o


nome do escrivão, a delegacia, o nome do indiciado, a infração cometida, a autuação
e o nome da autoridade policial presidente;
2) Boletim de ocorrência – Registro da ocorrência policial com todas as
suas minúcias;
3) Portaria – Ato administrativo que o presidente do inquérito emite,
contendo instruções para a instauração do inquérito. Com as alterações feitas pela Lei
n.º 11. 113, de 13 de maio de 2005, que deu nova redação ao artigo 304 do Código de
Processo Penal, não se realiza mais assentada e sim, oitivas em separado, liberando
as partes logo em seguida.
4) Intimação – É o ato em que as partes e as testemunhas são chamadas
pela autoridade policial, para prestar esclarecimento do fato do qual trata o inquérito
policial;
5) Termo de declarações – Serve para que a autoridade policial obtenha
maiores informações a respeito do fato a apurar. Quem presta declarações é a vítima;
6) Assentada – Vítima e testemunhas são identificadas, qualificadas e
ouvidas em documento próprio para cada ato;
7) Perícia – É um instrumento de ajuda e auxilio a justiça na busca da
descoberta da verdade;
8) Auto de avaliação – Todos os objetos apreendidos pela autoridade
policial exigem uma avaliação, que pode ser realizada por perito, especialmente,
quando os valores suscitam dúvidas;
9) Auto de exibição e apreensão – É emitido quando a autoridade policial
determina que o objeto ou valor seja apreendido, com o fim de garantir a produção de
prova;
10) Auto de entrega – Só é realizado quando o objeto ou valor não
necessita passar por perícia ou acompanhar o inquérito;
11) Auto de arrecadação – Só é realizado quando existe a necessidade de
arrecadar objeto ou valor ligado ao ilícito;
12) Auto de depósito – É emitido quando o objeto ou valor apreendido
necessita ser periciado, ou quando não se encontra o verdadeiro proprietário;
13) Ordem de serviço – É emitida quando houver necessidade de
esclarecimento, impondo aos investigadores o dever de efetuar diligências no ímpeto
de esclarecer os fatos;
14) Auto de qualificação e interrogatório – O indiciado é interrogado.
Para a sua qualificação, basta que apresente documentos que comprovem a sua
identificação pessoal. Poderá ser observado o artigo 2.º, da Lei n.º 10. 792, de
1/12/2003, que alterou os artigos 185 a 192, do Decreto-Lei n.º 3.689, de 3/10/1941
(Código de Processo Penal Militar;
15) Auto de reconhecimento – É lavrado pela autoridade policial com
duas testemunhas presenciais e visa identificar o autor do delito, produzindo prova
individualizada;
16) Acareação – Sempre que houver discrepância de declarações ou de
informações entre indiciado e testemunhas, testemunhas e testemunhas, indiciado e
pessoa ofendida, conforme determinar a autoridade policial;
17) Relatório – É um resumo de todos os atos praticados no decorrer da
investigação, sem a emissão de opinião pessoal;
18) Auto de remessa – É o fim da fase investigatória. Os autos são
remetidos ao juízo competente.21

V - MODELOS
Segue relação de modelos indispensáveis para a formalização do Inquérito
Policial (IP).22

1 - Modelo de Boletim de Ocorrência Policial


CABEÇALHO

BOLETIM DE OCORRÊNCIA POLICIAL

Boletim n.º _____/_____


Emitido em: _____/_____
Local: ___________________ Circunscrição: ____
Data da ocorrência: _______ Hora: ____________
Data da Comunicação: _______ Hora: _________
Elaborado em: ___________Hora: _____________
VITIMA(S): ________________________________
Documento: _______________________________
Nacionalidade: ____________________________
Estado civil: ______________________________
Pai: ______________________________________
Mãe: _____________________________________
Endereço: ________________________________
HISTÓRICO: _________________(narrar os fatos)
SOLUÇÃO: _______________________________

(Assinaturas): Delegado de Polícia e Escrivão.

2 - Modelo de Portaria de Instauração de Inquérito Policial

CABEÇALHO

PORTARIA

Chegando ao meu conhecimento, através de Boletim de ocorrência datado


de ___________, horário, local, nesta cidade, (nome do suspeito) praticou __________
(nome e descrição da infração penal), determino que, autuada esta, instaure-se o
respectivo inquérito policial, para total elucidação dos fatos.
O senhor Escrivão tome preliminarmente as seguintes providências:
1. Juntada aos autos, cópia do Boletim de Ocorrência n.º _____/_____,
lavrado sobre o mesmo;
2. Concluídos os autos, volta-me para posterior deliberação.
Cumpra-se.
Local/data
(Assinatura): Delegado de Polícia.
3 - Modelo de Intimação para Depoimento, Declarações ou Interrogatório

CABEÇALHO

INTIMAÇÃO

Intimação n.º _____/_____


B.O n.º _____/_____
I. P. n.º _____/_____

INTIMADO: ______________.

De ordem do Sr. Delegado de Polícia __________, intimo vossa senhoria a


comparecer nesta Delegacia à __________ no dia __________ do corrente mês, às
_________ horas para _________.
O não comparecimento sujeita às penas do artigo 330 do Código Penal.

Local/data
(Assinatura): Escrivão.

4 - Modelo de Carta Precatória

CABEÇALHO

CARTA PRECATÓRIA

CARTA PRECATÓRIA que se expede à Delegacia de Polícia de


__________, Estado de __________ para fins abaixo designados:

Ilustríssimo Senhor __________, ou que suas vezes fizer o conhecimento


desta haja de pertencer.
O senhor __________ Delegado de Polícia da _______ do Estado do
__________.
FAZ SABER que por esta Delegacia de Polícia corre Inquérito Policial, por
__________ e no qual figuram como indiciado (s) ____ e como vítima(s) __________
conforme consta da __________ do teor seguinte: _________.
Em virtude do que se expede a presente carta precatória do teor da qual
depreco a vossa senhoria, que, sendo-lhe esta apresentada, e depois de nela exarar o
seu respeitável cumpra-se, se digne determinar.
Assim o depreco: Eu, ___________, escrivão, que o digitei.
Local/data
(Assinatura): Delegado de Polícia.

5 - Modelo de Relatório

CABEÇALHO

RELATÓRIO

RELATÓRIO:
Inquérito Policial n.º _____/_____
Natureza: _____________________.
Indiciado(s): __________________.
Vítima(s): ____________________.

Meritíssimo Juiz:
Versam os presentes autos de inquérito policial instaurado mediante
__________ (portaria, requerimento, representação, requisição da autoridade judiciária
ou do Ministério Público, auto de prisão em flagrante) sobre uma ocorrência de
__________ descrição dos fatos, horário, local, nesta cidade.
(Elencar as diligências realizadas e em que folhas se encontram)
__________. Se foi feito o indiciamento, dizer: Em face das provas apuradas,
concluímos pelo formal indiciamento de nome do indiciado, visto a existência de
suficientes indícios da autoria e da materialidade do delito em tela.
Destarte, em não havendo outras diligências essenciais à comprovação do
fato e de suas circunstâncias, dou por encerrado este inquérito e remeto-o,
tempestivamente, a Juízo a fim de ser dado início à segunda fase da persecução
penal, se o caso.
É o relatório.

Local/data
(Assinatura): Delegado de Polícia.

6 - Modelo de Requerimento de Diligências no Inquérito Policial

Ilustríssimo Senhor Delegado de Polícia do______ Distrito Policial da


cidade de ________.
Espaço de Rosto

Inquérito nº ___/______.
Requerente, __________ (qualificação), por seu bastante procurador e
advogado signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Senhoria para, nos
autos do sobredito Inquérito Policial (IP) nº _____/_____, no qual responde como
incurso nas sanções do artigo ___________ (especificar), requerer sejam efetuadas as
seguintes diligências __________, que indubitavelmente são necessárias ao
esclarecimento da verdade:
1. oitiva da testemunha __________ residente e domiciliada na rua
__________, centro, nesta cidade;
2. oitiva da testemunha __________ residente e domiciliado na rua
_________, centro, nesta cidade e comarca.
Nestes termos,
P. deferimento.

Local/data
(Assinatura): Advogado.

7 - Modelo de Requisição de Instauração de Inquérito Policial

DD. Delegado de Polícia do __________ Distrito Policial deste Município.


Dr. Delegado
Tendo chegado ao meu conhecimento, por intermédio de __________
(pessoa comum ou autoridade), que no dia _____/_____/_____, (horário, local, nome
do suspeito praticou nome e descrição da infração penal) __________, requisito a
instauração de Inquérito Policial (IP) a respeito, caso Vossa Senhoria já não o tenha
feito.
Nestas condições, renovo meus protestos de estima e consideração.

Local/data
(Assinaturas): Promotor de Justiça ou Juiz de Direito.

8 - Modelo de Requerimento de Instauração de Inquérito Policial nos


Crimes de Ação Penal Pública Incondicionada

Ilustríssimo Senhor Delegado de Polícia do Distrito Policial da cidade de


__________.
Requerente, __________ (qualificação), por seu bastante procurador e
advogado signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Senhoria para, nos
termos do artigo 5°, II, do Código de Processo Penal, requerer a instauração de
inquérito policial contra __________ (nome do suspeito, qualificação), de acordo com
os fatos adiante elencados:

Descrição dos fatos ____________.

Assim, tendo o requerido praticado o crime previsto no artigo ______, do


Código Penal, a instauração do Inquérito Policial (IP) é medida que se impõe, motivo
pelo qual a vítima, nos termos do artigo do Código de Processo Penal já mencionado,
requer seja o mesmo instaurado, a fim de que possam ser melhor apurados os fatos
sobreditos.
Por fim, poderão testemunhar o fato: __________ (nomes das testemunhas,
qualificação e endereço).
Nestes termos,
P. deferimento.

Local/data
(Assinatura): Advogado.

9 - Modelo de Recurso Contra o Indeferimento de Instauração de


Inquérito Policial

Excelentíssimo Senhor Secretário de Segurança Pública e Defesa Social do


Estado __________.
Requerente, __________ (qualificação), por seu bastante procurador e
advogado signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Excelência para,
nos termos do artigo 5°, § 2°, do Código de Processo Penal, recorrer
administrativamente contra o indeferimento do requerimento de instauração de
inquérito policial (IP), feito pelo Ilustríssimo Senhor Delegado de Polícia do
__________ Distrito Policial da cidade de _________, de acordo com os fatos adiante
elencados:

Descrição dos fatos __________ (falar sobre o indeferimento do


requerimento e se houve eventual motivação).
Ora, com a devida venia, tal indeferimento jamais poderia ter ocorrido. Isso
porque _______ motivação (preferencialmente, indicar doutrina e jurisprudência).
Diante do exposto, nos termos do artigo 5°, § 2º, do Código de Processo
Penal, requer seja determinada a instauração do respectivo Inquérito Policial, em face
do princípio da obrigatoriedade, que rege a questão.
Nestes termos,
P. deferimento.

Local/data
(Assinatura): Advogado.

10 - Modelo de Representação

Ilustríssimo Senhor Delegado de Polícia do __________ Distrito Policial da


cidade _________.
Requerente, __________ (qualificação), por seu bastante procurador e
advogado signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Senhoria para, nos
termos do artigo 5°, § 4°, do Código de Processo Penal, oferecer representação contra,
qualificação, de acordo com os fatos adiante elencados:
Descrição dos fatos ___________.

Assim, tendo o ora representado praticado o crime previsto no artigo


________ do Código Penal cuja ação penal somente se procede mediante
representação, a vítima sobredita não vê outra solução senão a de representar a fim
de que seja instaurado o respectivo Inquérito Policial (IP) e, ao depois, possa o Exce-
lentíssimo representante do Ministério Público contra ele intentar a ação penal.
Por fim, poderão testemunhar o fato: __________ (nome das testemunhas,
qualificação e endereço).
Nestes termos,
P. deferimento.

Local/data
(Assinatura): Advogado.

11 - Modelo de Requerimento de Instauração de Inquérito Policial nos


Crimes de Ação Penal Privada

Ilustríssimo Senhor Delegado de Polícia do __________ Distrito Policial da


cidade ___________.
Requerente, __________ (qualificação), por seu bastante procurador e
advogado signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa Senhoria para, nos
termos do artigo 5°, § 5°, do Código de Processo Penal, requerer a instauração de
inquérito policial contra _________ (nome do suspeito, qualificação), de acordo com os
fatos adiante elencados:
Descrição dos fatos __________.

Assim, tendo praticado o crime previsto no artigo ______, do Código Penal


a instauração do inquérito policial (IP) é medida que se impõe, motivo pelo qual a
vítima, nos termos do artigo do Código de Processo Penal já mencionado, requer seja
o mesmo instaurado, a fim de que possam ser melhor apurados os fatos sobreditos.
Por fim, poderão testemunhar o fato: __________ (nome das testemunhas,
qualificação e endereço).
Nestes termos,
P. deferimento.

Local/data
(Assinaturas): Advogado.

12 - Modelo de Pedido de Arquivamento

PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE (Nome da Cidade)


Feito nº. ____/_____ - Vara Criminal.

MM. JUIZ:
Trata-se de inquérito policial instaurado para apurar crime de __________ que
vitimou (nome da vítima). Isso na data de _____/_____/_____, (horário, local)
__________, nesta cidade e comarca.
Segundo apurado, __________ (descrição dos fatos).
Ocorre que __________ (mencionar o motivo do arquivamento: o fato é
atípico, existe uma causa de exclusão da ilicitude, não existem provas suficientes para
oferecimento da denúncia etc.).
Em decorrência disso, é forçoso concluir que não pode o Ministério Público
exercer o direito de ação penal, outra solução não restando senão a do arquivamento
do feito, uma vez adotado as demais formalidades legais e sem prejuízo, é óbvio, do
disposto no artigo 18 do Código de Processo Penal.

Local/data
(Assinatura): Promotor de Justiça.

13 - Modelo de Requerimento de Revogação de Prisão Preventiva


Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da __________ Vara Criminal
da Comarca de ___________, do Estado ___________.
Fulano de tal __________, já qualificado nos autos do processo crime
_____ /______, por seu bastante procurador e advogado signatário, respeitosamente
se faz presente ante Vossa Excelência para requerer a REVOGAÇÃO DE SUA
PRISÃO PREVENTIVA, nos termos do artigo 316 do Código de Processo Penal, em
face dos motivos adiante aduzidos:
Na data de _____/_____/_____, esse douto Juízo, atendendo ao
requerimento ao digno representante do Ministério Público, houve por bem decretar a
prisão preventiva do requerente, fundamentando sua decisão no fato de ter o
requerente tentado destruir parte das provas.
Não obstante, desde então, o requerente entregou todas as provas que
mantinha guardadas e tem atendido a todas as requisições feitas.
Assim, não estão mais presentes as condições que autorizavam a
decretação da prisão preventiva. Ora, o próprio Código de Processo Penal afirma que
"O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a falta de
motivo para que subsista..." (artigo 316, 1ª parte).
Diante do exposto, por ter bons antecedentes, ser primário e por não existir
qualquer dos motivos previstos nos artigos 312 e 313 do Código de Processo Penal,
requer seja revogada sua prisão preventiva, pois só assim estará sendo realizada a
verdadeira JUSTIÇA.
Termos em que,
P. deferimento.

Local/data
(Assinatura): Advogado.

14 - Modelo de Requerimento de Liberdade Provisória sem Fiança

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da _________ Vara Criminal


da Comarca de _________, do Estado __________.
Fulano de tal _________ (qualificação), representado por seu bastante
procurador' e advogado signatário, respeitosamente se faz presente ante Vossa
Excelência para requerer sua LIBERDADE PROVISÓRIA SEM FIANÇA, pelos motivos
adiante.
O requerente encontra-se preso e recolhido à Cadeia Pública local, desde a
data de _____/_____/_____, em razão do flagrante contra si lavrado no 1º Distrito
Policial desta cidade, sob a acusação de ter pratica do o crime previsto no artigo 121
do Código Penal.
Conforme se extrai do auto de prisão em flagrante, o requerente agiu sob o
amparo da excludente da ilicitude da legítima defesa. Isso porque desferiu uma facada
na vítima somente depois desta última tentar agredi-lo com um pedaço de madeira.
Dispõe o artigo 310, caput, do Código de Processo Penal: "Quando o juiz
verificar pelo auto de prisão em flagrante que o agente praticou o fato, nas condições
do art. 19, I, II e lII, do Código Penal, poderá, depois de ouvir o Ministério Público,
conceder ao réu liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os
atos do processo, sob pena de revogação" .
Assim, estando presentes os requisitos exigidos para a concessão da
liberdade provisória, amparado pelo artigo 310 do Código de Processo Penal, a
liberdade do requerente, com a expedição do competente alvará de soltura, é medida
de JUSTIÇA.

Termos em que,
P. deferimento.

Local/data
(Assinatura): Advogado.

15 - Modelo de Requerimento de Liberdade Provisória com Fiança

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ________ Vara Criminal


da Comarca de ___________, do Estado __________.

Fulano de tal, _________ (qualificação), representado por seu bastante


procurador, respeitosamente se faz presente ante Vossa Excelência para requerer sua
LIBERDADE PROVISÓRIA COM FIANÇA, pelos motivos adiante elencados.
O requerente encontra-se preso e recolhido à Cadeia Pública local, desde a
data de _____/_____/_____, em razão do flagrante contra si lavrado; no _____ Distrito
Policial desta cidade, sob a acusação de ter praticado o crime de sonegação fiscal.
Entretanto, conforme se extrai do auto de prisão em flagrante, o ora
requerente não possui quaisquer antecedentes criminais, possui residência fixa, é
conhecido empresário da cidade, não estando, portanto, presentes, quaisquer das
condições que autorizam a decretação da prisão preventiva, sendo, portanto, incabível,
a mantença da prisão em flagrante.
Não obstante, nos termos do artigo 325, § 2°, l, do Código de Processo
Penal, com relação ao crime de sonegação fiscal, a liberdade provisória somente pode
ser concedida mediante fiança, por decisão do juiz competente.
Assim, sendo absolutamente desnecessária a manutenção da prisão em
flagrante, em face dos argumentos acima expostos, e estando presentes os requisitos
exigidos para a concessão da liberdade provisória, a libertação do requerente, com a
expedição do competente alvará de soltura, e medida de JUSTIÇA.

Termos em que,
P. deferimento.

Local/data
(Assinatura): Advogado.

CAPÍTULO IV (NOTAS DE RODAPÉ)

1 - GOMES, Luiz Flávio. Código Penal, Código de Processo Penal e Constituição


Federal. 5 ed. São Paulo: 2003.
2 - PÊCEGO, Antônio José Franco de Souza. Polícia Judiciária – Persecução Penal,
Defesa e Sigilo. Jus Navegandi. Teresina: ano 4, n.º 43, julho, 2000. apud CAPEZ,
Fernando. Curso de Processo Penal. 4 ed. Saraiva, 1999, p. 71. TOURINHO FILHO,
Fernando da Costa. Processo Penal. Vol. 1. 12 ed. Saraiva, 1990, p. 181. MIRABETE,
Júlio Fabrine. Processo Penal. 3 ed. Atlas, 1994, p. 79.
3 - COLAÇO, Pedro de Jesus. Termo Circunstanciado e Competência para a
Respectiva Lavratura. Curitiba: Juruá, 2002, p. 21.
4 - BRASIL, Constituição da República Federativa do. 35 ed. São Paulo: Saraiva,
2005, p. 109 - 110.
5 - VADE MECUM, Acadêmico de Direito. 3 ed. São Paulo: Rideel, 2006.
6 - MUCCIO, Hidejalma. Curso de Processo Penal. Vol. 1. Rio de Janeiro: Edipro,
2000, p. 179 - 244.
7 - TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Prática de processo Penal. São Paulo:
Saraiva, 2001, p. 10 - 11.
8 - d'ALVA, Wladimir Albuquerque. Da Prisão Preventiva. Fortaleza: ABC, 2004, p. 35.
apud. CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 8 ed. Saraiva, 2002, p. 241.
9 - LOPES, Rogério Antônio. et. al. Teoria e Prática da Polícia Judiciária – A Luz do
Princípio da Legalidade. 2 ed. Curitiba: Juruá, 2006, p. 91 - 92.
10 - GOMES, Abel Fernandes. et. al. Nova lei antitóxicos – Teoria, crítica e
comentários à lei nº 11.343, de 23 de Agosto de 2006, Rio de Janeiro: Impetos, 2006.
11 - BIBLIOTECA BÁSICA, Legislação dos Crimes, Contravenções e
Responsabilidade Penal. São Paulo: LTR, 2000.
12 - VADE MECUM, op. cit. 2006.
13 - Id. ibid. 2006.
14 - GOMES, op. cit. 2003.
15 - ROCHA, Luiz Carlos. Investigação Policial. 2 ed. São Paulo: Edipro, 2003, p. 79.
apud. MARQUES, José Frederico.
16 - Id. Ibid. 2003, p. 84.
17 - Id. Ibid. 2003, p. 84.
18 - DOUGLAS, William. et. al. Medicina Legal – Teoria, Jurisprudências e Questões.
5 ed. Rio de Janeiro: 2003, p. 30 - 31,
19 - Id. Ibid. 2003.
20 - Id. Ibid. 2003,p. 25 - 26.
21 - ANDRADE, Augusta Tavares. Manual de Inquérito Policial. São Paulo: Edipro,
1996.
22 - Vide id. Ibid. 1996; MUCCIO, op. cit. 2000; LOPES, op. cit. 2006, p. 109 - 157;
JÚNIOR, Flavio Martins Alves Nunes. Manual de Prática Processual Penal. São Paulo:
LED, 2003, p. 105 - 110; PINHO, Olavo. PIMENTEL, Patrícia Barros. Concursos
Públicos Jurídicos. 12 ed. São Paulo: Pinho, 2001.
CAPÍTULO V

TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA (TCO)

Apesar da acirrada discussão doutrinária relativa à participação do militar


estadual, especialmente o policial militar, como autoridade, na feitura e providências
do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), entendemos viável enfatizar e discutir
tal assunto, não somente por sua comum aplicabilidade nas Delegacias de Polícia, em
face da mitigação da Denúncia Crime, relativa a algumas tipologias penais comuns e
especiais, mas como fonte de incentivo ao conhecimento da matéria que é vasta e de
grande aplicabilidade na rotina operacional dos militares estaduais.

I – APLICAÇÃO DA LEI 9.099/1995

1. Tópicos iniciais
Por força legal constitucional, havia a necessidade de se promulgar uma
Lei com a finalidade de regulamentar o artigo 98, “caput”, inciso I, da Constituição
Federal de 1988:

Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os


Estados criarão:
I – juizados especiais, promovidos por juízes togados, ou
togados e leigos, competentes para a conciliação, o
julgamento e a execução de causas cíveis de menor
complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo,
mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos,
nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de
recursos por turmas de juízes de primeiro grau (...).1

Diante da premissa constitucional, foi promulgada e vigora no nosso


ordenamento pátrio a lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre os
Juizados Especiais Cíveis e Criminais.
Inicialmente, a lei definia as infrações penais de menor potencial ofensivo
como sendo as contravenções penais e os crimes a que a lei cominava pena máxima
não superior a 1(um) ano, excetuados os casos em que a lei previa procedimento
especial. Posteriormente, o conceito foi ampliado pela lei nº 10.259/2001, que
estabeleceu infrações de menor potencial ofensivo os crimes a que a lei comine pena
máxima não superior a 2(dois) anos, ou multa.2

2. Infrações penais de menor potencial ofensivo


A lei n.º 10.259/2001 classifica como infrações penais de menor potencial
ofensivo:

1) as contravenções penais (Decreto-lei nº 3.688, de 3 de outubro de


1941) – além das que estão previstas nessa lei, e que estudaremos adiante, existem
várias contravenções que estão contidas em leis especiais:
a) lei nº 1.508/51, que alterou o Decreto Lei (DL) nº 6.259/44, em seu artigo
58 – trata do jogo do bicho;
b) lei nº 4.591/64, em seus artigos 65 e 66 – trata das florestas;
c) lei nº 4.771/65 – trata da fauna;
d) lei nº 5.197/67 – que trata da retenção ilegal de documentos de uso
pessoal;
e) lei nº 5.553/65 – trata dos Símbolos Nacionais;
f) lei nº 5.700/71 – trata da distinção entre brasileiros natos e naturalizados;
g) lei nº 6.192/74 – trata da crueldade contra animais;
h) lei nº 6.638/79, em seu artigo 5º - trata da segurança e da higiene no
trabalho;
i) lei nº 8.213/91- trata da locação;
j) lei nº 8.245/91 – trata dos serviços de loteria;
l) lei nº 6.259/44 – trata sobre jogos e corridas de cavalos fora do
hipódromo.3

GRINOVER (1999, p. 69), entende que: “todas as contravenções penais,


inclusive as que estão contidas em leis especiais, são da competência dos Juizados
Especiais”.4
DAMÁSIO DE JESUS (1997, p. 43) tem o mesmo entendimento, fazendo
exceção apenas: “no jogo do bicho e na corrida de cavalo fora do autódromo, uma vez
que esses delitos seguem rito processual todo especial”.5

2. os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos
(contidas no Código Penal – Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940),
inclusive os casos em que a lei preveja procedimento especial (Nova Lei Antitóxicos,
Lei n.º 11. 343, de 23 de agosto de 2006; crimes de trânsito – Lei nº 9.503, 23 de
setembro de 1997; Lei de imprensa – lei nº 5.250, de 9 de fevereiro de 1967, dentre
outras).
São também da competência do Juizado especial criminal, os crimes
tipificados no Código de Defesa do Consumidor – Lei nº 8.078, de 11 de setembro de
1970, não importando para isso, a natureza das penas cominadas e nem o seu
quantitativo, considerando a competência funcional do Juizado para apreciar os
conflitos decorrentes de consumo, tendo em vista os preceitos constitucionais contidos
no artigo 5º, incisos XXXII, e os artigos 5º, inciso IV e 98, da lei acima citada, que fixa
a competência dos Juizados especiais.
GRINOVER e outros (2005, p. 80) em Comentários à lei 9.099/95, enfocam
que:

Com a aplicação da Lei n.º 10.259, dos juizados especiais


federais, não há mais, na definição de infração de menor
potencial ofensivo, a restrição feita aos procedimentos
especiais. Assim, tanto os crimes, quanto as contravenções,
ainda que submetidos a procedimentos especiais, são, agora,
infrações de menor potencial ofensivo quando puníveis com
pena máxima não superior a dois anos.6

Ao autores, excluem categoricamente a aplicação da Lei dos Juizados


Especiais aos fatos julgados pela Justiça Militar (Federal e Estadual), Justiça Eleitoral
e Justiça Federal Comum.
Sobre a Justiça Militar (federal e estadual), já realizamos comentários a
respeito. Portanto, é o entendimento dominante na doutrina que a Lei n º 9.839/99,
alterou a lei nº 9.099/95 e passou a dispor expressamente que as disposições desta lei
não se aplicam no âmbito da Justiça Militar (artigo 90-a). Apesar de proibida
expressamente pela nova redação, diversos promotores e juízes têm admitido sua
aplicação por deferência a princípios constitucionais. Na Justiça eleitoral existem
casos semelhantes.7
No mesmo sentido, DAMÁSIO DE JESUS (1997, p. 43) que menciona a
exclusão da aplicação da lei nos crimes militares e também enfatiza que: “A Justiça
Federal e Eleitoral não possuem Juizados especiais Criminais, embora a primeira
possa aplicar a conciliação (arts. 74 a 76) e a representação (art. 88), e ambas
possam aplicar a suspensão do processo (art. 89)”.8
Outra exceção feita a regra e muito mais recente, é a Lei Especial n.º 11.
340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), que cria mecanismos para coibir a
violência doméstica contra a mulher, nos termos do § 8.º do artigo 226 da Constituição
Federal, da Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação
contra as mulheres e da Convenção interamericana para prevenir, punir e erradicar a
violência contra a mulher. Dispõe sobre a criação dos juizados de violência doméstica
e familiar contra mulher, altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de
Execução Penal.
Assim, a competência da Lei 9.099/95 (Juizados Especiais Cíveis e
Criminais): “é a de processar e julgar as infrações de menor potencial ofensivo,
orientando-se pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia
processual e celeridade, buscando sempre que possível, a conciliação ou a
transação”.

II – FOCO DO NOSSO ESTUDO

Para efeito de classificação de crimes de menor potencial ofensivo,


considera o legislador aqueles de tímida repercussão social, chamados “crimes de
bagatela”, de pouca significância, exigindo ínfima intervenção do Estado no seu poder
repressor de punir. Nesses casos, não existem as figuras do flagrante delito e nem a
do Inquérito Policial (taxados no Código Penal), e sim, um Termo Circunstanciado de
Ocorrência (TCO).

1. Artigo 69 da lei n.º 9.099/95 – Autoridade policial


A questão específica, e que gostaríamos de trazer a tona, principalmente
para os militares estaduais, é que:

nos crimes e contravenções a que a lei comine pena não


superior a 2 (dois) anos, a autoridade policial que tomar
conhecimento da ocorrência lavrará Termo Circunstanciado de
Ocorrência (TCO) e o encaminhará imediatamente ao Juizado,
com o autor do fato e a vítima, providenciando as requisições
dos exames periciais necessários (artigo 69 da lei 9.099/95).
Se o autor do fato, após a lavratura do termo, for
imediatamente encaminhado ao Juizado ou assumir o
compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em
flagrante, nem se exigirá fiança (Parágrafo único do artigo
69).9

Nesse prisma, quem seria realmente a autoridade policial? Será que o


militar estadual, especificamente o Policial Militar, pode ou poderia ser essa
autoridade, com competência para lavrar o TCO e tomar todas as medidas cabíveis ao
fato entelado?
Como no direito nada é estanque, mais uma vez ocorrem divergências de
posicionamentos entre autores.

2. Doutrina que não reconhece o Policial Militar como autoridade


policial
A Polícia Judiciária Comum, na sua quase totalidade, defende que esse
mister deve ser executado com exclusividade pelo Delegado de Polícia, para isso,
argumentam o que prescreve o artigo 4º e seguintes do Decreto-Lei (DL) nº 3689/41.
RIBEIRO (2004, p. 24), citado na Revista o Alferes, seguindo o mesmo
posicionamento, enfatiza que:

... Não obstante a busca de um procedimento mais rápido e


desburocratizante comungamos com a opinião de René Ariel
Dotti: ‘ (...) Seria um contra-senso jurídico e uma ligeireza de
raciocínio admitir que qualquer agente ou servidor policial
possa conhecer da ocorrência, lavrar termo circunstanciado e
requisitar os exames necessários, bem como praticar os atos
acima referidos, sem a habilitação funcional e técnicas
indispensáveis para o bom desempenho de tais encargos.
Essas e outras são atribuições da polícia judiciária, que deve
ser, na pessoa do delegado, o responsável para todos os
efeitos processuais, penais, cíveis e administrativos’(...).10

Dessa forma, já entendeu a 9ª Câmara Criminal (TACRIM-SP), que em


julgado datado de 18 de dezembro de 2002, publicada em Boletim nº 126/2003, tendo
como relator o Juiz Samuel Júnior, que a lavratura de Termo Circunstanciado de
Ocorrência por policial militar é ilegal.
Conforme enfatiza SILVA JÚNIOR (2006, p. 24), em Revista de Direito
Militar:

...Entre outros poucos autores de renome no cenário jurídico,


que defendem a mesma tese de exclusividade dos Delegados
de Polícia na lavratura dos termos circunstanciados de
ocorrências, encontramos Mirabete, enquanto a maioria segue
posicionamento contrário.11

Para COLAÇO (2002, p. 76) em Termo Circunstanciado:

Desta forma, ficou claro, em tal ato administrativo, que a


autoridade competente para lavrar o termo circunstanciado, é
o delegado de polícia, haja vista ser ele, efetivamente, a
autoridade policial em serviço na delegacia de polícia. Implícito
está, pois, que, para o jurista José Afonso da Silva, a
autoridade policial, em face da Lei 9.099/95, é o delegado de
polícia.12
Da mesma forma, LOPES et al OLIVEIRA (2006, p. 68) em Teoria e Prática
da Polícia Judiciária:

Genericamente, o soldado é uma Autoridade Policial, o


investigador também, até o carcereiro não o deixa de ser, mas,
quando se trata de presidir procedimento que caracteriza a
fase primeira da persecutio criminis, Inquérito Policial ou
Termo Circunstanciado, é autoridade Policial o Delegado de
Polícia.13

3. Doutrina que reconhece o Policial Militar como autoridade policial


Em posicionamento adverso, Ada Pellegrine Grinover, Antônio Magalhães
Gomes Filho, Antônio Scarance e Luiz Flávio Gomes (1999:107),dentre os quais, os
três primeiros integrantes da Comissão que elaborou o Anteprojeto da Lei nº 9.099/95,
manifestaram-se sobre o artigo 69:

... qualquer autoridade policial poderá dar conhecimento do


fato que poderia configurar em tese, infração penal. Não
somente as polícias federal e civil da União e dos Estados (Art.
144, § 1º, inciso IV, e § 4º da CF/88), mas também a Polícia
Militar.14

Ainda sobre os comentários de SILVA JÚNIOR (2006, p. 24), em Revista


de Direito Militar:

Uma questão que pode gerar dúvida é o entendimento relativo


à expressão “autoridade policial”, conforme disposto no artigo
69 da lei n.º 9099/95. Considerando que a finalidade da lei é
agilizar o processo, com uma estrutura que dispense a
apuração da autoria e materialidade pelas vias tradicionais, os
órgãos policiais que executarem a repressão imediata por
qualquer um dos seus integrantes poderão, ao se depararem
com infração penal de competência dos juizados, encaminhar
os envolvidos diretamente à autoridade judiciária. O termo
“autoridade policial”, portanto, compreende quem se encontre
investido na missão policial. Essa também é a posição de Ada
Pellegrini, Antônio Magalhães Filho, Antônio Scarance e Luiz
Flávio Gomes.15
Ao nosso entender, a regra geral deve ser que o militar estadual colha os
dados do fato, com informações sobre o autor e reúna todas as provas possível e leve
ao conhecimento da Justiça, diretamente ou por intermédio do Delegado de Polícia,
sem efetuar a prisão em flagrante do autor. Não importa quem é a autoridade. O
Estado não pode se omitir, essa é a questão.
Nesse prisma, nada impede que um militar estadual, principalmente um
Policial Militar possa adotar todas as providências necessárias à lavratura do Termo
Circunstanciado de Ocorrência. A título de exemplo, imagine um Sargento
comandando um destacamento policial em um Município longínquo, onde somente
exista uma Unidade Policial e ele é o próprio responsável. Será que seria econômico,
célere, informal não lavrar o Termo e encaminhar tudo para um Delegado Regional,
que se encontra a 100 (cem) quilômetros ou mais de distância daquele lugar,
sabendo-se que no próprio município do ocorrido existe um Juiz Singular?
Sabemos que a única autoridade que está em todos os recantos do Estado,
atuando diuturna e ininterruptamente, 24 horas por dia, é o soldado de polícia militar.
Se o legislador não pensou nessa possibilidade, se não existem Delegados
nos lugares onde existem policiais militares e enquanto não se chega a um consenso,
para que as autoridades ajam de forma límpida, e uniforme, entendo que, se em
determinado local ou área circunscricional existe uma Delegacia de Polícia e um
Delegado, o Policial Militar deverá se encaminhar até aquela unidade para que aquela
autoridade policial providencie o termo. Caso contrário, o policial militar o realizará.
Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso
Extraordinário nº 80.839-PR, decidiu que:

... o soldado de polícia, em policiamento de uma cidade do


interior, é a encarnação mais presente e respeitada da
autoridade do Estado, a presunção jurídica é sempre no
sentido de que ele age em função do Estado.

O Desembargador Cláudio Nunes do Nascimento, Presidente do Tribunal


de Justiça do Paraná, quando da realização do encontro do Colégio Permanente de
Representantes dos Tribunais de Justiça do Brasil (1995), discutindo a amplitude do
artigo 69, enfocou que:

Pela expressão ‘Autoridade Policial’ se entende qualquer


agente policial, sem prejuízo de a parte ofendida levar o fato
diretamente a conhecimento do Juizado Especial, caso em
que se dará conhecimento ao Ministério Público.
Mais recentemente, por ocasião do XVII Encontro Nacional do Colégio dos
Desembargadores e Corregedores-Gerais da Justiça do Brasil (1999), em estudo
sobre a aplicabilidade do artigo 69, da referida lei, consideraram que:

... é também o policial de rua, o policial militar, não


constituindo, portanto, atribuição exclusiva da polícia judiciária
a lavratura de ’Termos Circunstanciados’. O combate à
criminalidade e à impunidade exige atenção dinâmica de todos
os órgãos envolvidos na Segurança Pública.16

Por fim, conforme Enunciado n.º 34 do Conselho Nacional dos Juizados


Cíveis e Criminais: “Atendidas as peculiaridades locais, o termo circunstanciado
poderá ser lavrado pela Polícia Civil ou Militar”.

4. Conclusões do autor
Não podemos esquecer, que apesar da necessidade de rapidez no
procedimento imposta pela Lei, uma série de medidas são necessárias para o fiel
cumprimentos dos regramentos jurídicos, tais como: perícias, prontuários, termo,
comunicação e apresentação imediata ao juiz e outras produções de provas para o
esclarecimento do fato.
É dessa forma que tentaremos estabelecer o mínimo de conhecimento ao
Militar Estadual, visando a sua capacitação, não para usurpar função de quem “as
detém” por força constitucional, mas para suprir uma demanda processual que o
Estado, o legislador, o aplicador da Lei e o doutrinador não chegaram ainda a um
denominador comum.
A única coisa que não poderá haver é a desídia por parte do Estado,
representada por Juízes, Promotores, Delegados de Polícia, Militares Estaduais,
Serventuários da Justiça e auxiliares, que em conflito por saber quem é realmente
autoridade policial, deixem de executar os ditames da lei, permitindo que o
contraventor ou até mesmo o infrator da lei penal, possa permanecer impune.
As divergências de opiniões não se restringem aos partícipes do Estado
Federado, pois, além de alcançar os Tribunais, a própria doutrina não tem sido
pacífica ao tratar do assunto, quiçá, aquele que está nas ruas, no dia-a-dia, tentando
preservar a ordem pública e garantir a incolumidade das pessoas e do patrimônio,
como, especialmente, o soldado de polícia, o maior elo de ligação, a qualquer hora do
dia ou da noite, entre a sociedade e o Estado.

III. RELAÇÃO DOS CRIMES E DAS CONTRAVENÇÕES DEFINIDAS


COMO INFRAÇÃO DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO
1. Decreto-lei nº 2.848, de 7 de Dezembro de 1940 (Crimes Tipificados
no Código Penal Brasileiro):
O conceito de crime, também está descrito no artigo 1º do Decreto-lei nº
3.914/41 (Lei de Introdução ao Código Penal). “Considera-se crime a infração penal a
que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa
ou cumulativamente com a pena de multa”.
No que tange aos crimes da competência do Juizado Especial, são todos
os tipos penais tipificados no Código Penal “cuja pena máxima cominada não seja
superior a 2 anos.”
Temos no Código Penal Brasileiro uma relação de tipos penais em que a
pena máxima cominada em seus preceitos não é superior a 2 (dois) anos, nesses
casos, a competência será dos juizados especiais.
Lembre-se que o artigo 88, da Lei n.º 9.099/1995 enfatiza que todos os
crimes de lesão corporal, simples ou culposa, são da responsabilidade dos juizados,
mediante representação.
Abaixo, relacionaremos todas essas tipologias penais elencadas no Código
Penal Brasileiro – (CPB), no intuito de facilitar a pesquisa e o trabalho do encarregado
do Termo Circunstanciado de Ocorrência.17

1.1. Dos Crimes Contra a Pessoa


1) Das lesões corporais
a) Lesão corporal dolosa simples – Art. 129. “caput” (ver lei nº 8.974/95,
Alínea “a”, § 1º do artigo 13 – Manipulação genética);
b) Lesão corporal privilegiada, com causas específicas de redução ou
substituição de penas –Art. 129, §§ 4º e 5º;
c) Lesão corporal culposa simples - Art. 129, § 6º.

2) Da periclitação da vida e da saúde


a) Perigo de contágio venério – Art. 130. “caput”;
b) Perigo para a vida ou saúde de outrem –Art. 132. “caput”;
c) Exposição ou abandono de recém-nascido – Art. 134. “caput”;
d) Omissão de socorro sem o resultado morte – Art. 135 “caput”;
e) Maus tratos – Art. 136. “caput” (ver lei nº 4.898/65 – Abuso de
autoridade).

3) Da rixa
a) Rixa simples – Art. 137. “caput” e seu (parágrafo único – com resultado
morte ou lesão corporal de natureza grave).
4) Dos crimes contra a honra
a) Calúnia – Art. 138. “caput” (ver art. 324 da lei nº 4.737/65 – Código
Eleitoral; art. 20 da lei nº 5.250/67 – lei de Imprensa);
b) Difamação – Art. 139. “caput” (ver art. 26, da Lei nº 7.170/83 –
Segurança Nacional);
c) Injúria – Art. 140. “caput”.

5) Dos crimes contra a liberdade individual


a) Constrangimento ilegal simples – Art. 146. “caput” (ver art. 6º, da Lei nº
1.079/50 – Crimes de Responsabilidade; art. 232, da lei nº 8.069/90 – Estatuto da
Criança e do Adolescente, art. 71, da lei nº 8.078/90 – Código de Defesa do
Consumidor);
b) Ameaça – Art. 147. “caput”;
c) Violação de domicílio simples –Art. 150, “caput”;
d) Violação, sonegação ou destruição de correspondência e violação de
comunicação telegráfica, radioelétrica ou telefônica simples – Art. 151, “caput” e §§ 1º
e 2º (ver lei nº 4.117/62 – Código Brasileiro de Telecomunicações; lei nº 4.898/65 –
Abuso de Autoridade; lei nº 9.296/96 – Dispõe sobre a Interpretação de Comunicações
Telefônicas);
e) Correspondência comercial – Art. 152. “caput”;
f) Divulgação de segredo – Art. 153. “caput” (ver art.2º, § 6º do Dec.-lei nº
3.200/41 – Organização e proteção à família);
g) Violação de segredo profissional – Art. 154. “caput” (ver inciso XII, do art.
195, da lei nº 9.279/95 – Regula direitos e obrigações relativos à propriedade
industrial);
h) Furto de coisa comum – Art. 156. “caput”;
i) Alteração de limites – Art. 161. “caput” (ver art. 2º da lei nº 8.17691 –
Crimes contra a ordem econômica – combustíveis);
j) Dano simples – Art. 163. “caput”;
l) Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia –Art. 164.
“caput”;
m) Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico – Art. 165.
“caput”;
n) Alteração de local especialmente protegido – Art. 166. “caput”;

6) Da apropriação indébita
a) Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força da natureza e
apropriação de tesouro e de coisa achada – Art. 169. “caput” (ver art. 5º da lei nº
7.492/86 – Crimes contra o sistema financeiro nacional).

7) Do estelionato e outras fraudes


a) Fraude no comércio – Art. 175. “caput” (ver lei nº 1.521/51 – crimes
contra a economia popular);
b) Outras fraudes – Art. 176. “caput”;
c) Fraudes e abusos na fundação ou administração de sociedade por
ações – Art. 177, § 2.º.
d) Fraude a execução - Art. 179. “caput” (ver art. 24, § 2º do CPP).

8) Da receptação
a) Receptação culposa –Art. 180, § 1º (ver lei nº 9.426/96).

1.2 Dos Crimes Conta a Propriedade Imaterial


1) Dos crimes contra a propriedade intelectual
a) Violação de direito autoral simples – Art. 184, “caput” (ver lei nº 9.610/98
– Direitos autorais);
b) Usurpação de nome ou pseudônimo alheio – Art. 185. “caput”.

1.3 Dos Crimes Contra a Organização do Trabalho


1) Atentado contra a liberdade de trabalho, desde que não seja de
competência da Justiça Federal – Art. 197. “caput”;
2) Atentado contra a liberdade de trabalho e boicotagem violenta, desde
que não seja de competência da Justiça Federal – Art. 198. “caput”;
3) Atentado contra a liberdade de associação desde que não seja da
competência da Justiça Federal – Art. 199. “caput”;
4) Paralisação de trabalho seguida de violência ou perturbação da ordem,
desde que não seja da competência da Justiça Federal – Art. 200. “caput”;
5) Paralisação de trabalho de interesse coletivo, desde que não seja da
competência da Justiça Federal – Art. 201. “caput”;
6) Frustração de direito assegurado por lei trabalhista, desde que não seja
da competência da Justiça Federal – Art. 203. “caput” (ver lei nº 9.777/98);
7) Frustração de lei sobre nacionalização do trabalho, desde que não seja
da competência da Justiça Federal – Art. 204. “caput”;
8) Exercício de atividade com infração de decisão administrativa, desde que
não seja da competência da Justiça Federal – Art. 204. “caput”.
1.4 Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso e Contra o Respeito
aos Mortos
1) Dos crimes contra o sentimento religioso
a) Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo – Art.
208. “caput” (ver inciso I, do art. 59 da lei nº 6.001/73 – Estatuto do índio).

2) Dos crimes contra o respeito aos mortos


a) Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária – Art. 209, “caput”.

1.5 Dos Crimes Contra os Costumes


1) Dos crimes contra a liberdade sexual
a) Atentado ao pudor mediante fraude – Art. 216. “caput”.

2) Do ultraje público ao pudor


a) Ato obsceno – Art. 233. “caput”;
b) Escrito ou objeto obsceno - Art. 234. “caput” (ver art. 240, da lei nº
8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente; lei nº 9.472/97 –
Telecomunicações).

1.6 Dos Crimes Contra a Família


1) Dos crimes contra o casamento
a) Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento – Art. 236.
“caput” (ver artigos 1.521 e 1522 do Código Civil de 2002);
b) Conhecimento prévio de impedimento – Art. 237. “caput” (ver Dec. Lei nº
3.200/41);
c) Adultério – Art. 240. “caput”. Revogado pela Lei n.º 11. 106, de 28 de
março de 2005. (ver artigo 1.600 do Código Civil de 2002).

2) Dos crimes contra a assistência familiar


a) Entrega de filho menor a pessoa inidônea – Art. 245. “caput” (ver lei nº
7.251/84);
b) Abandono intelectual – Art. 246. “caput” (ver arts. 55, 98, 100 e 101 da
lei nº 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente);
c) Má tutela de menor – Art. 247. caput”.

3) Dos crimes contra o pátrio poder, tutela ou curatela


a) Induzimento a fuga, entrega arbitrária ou sonegação de incapaz – Art.
248. “caput”;
b) Subtração de incapazes – Art. 249. “caput”.
1.7 Dos Crimes Contra a Incolumidade Pública
1) Dos crimes de perigo comum
a) Incêndio culposo – Art. 250, § 2º (ver Decreto nº 2.661/98, lei nº 4.771/65
– Código florestal; lei nº 5.197/67 – Proteção à fauna; lei nº 9.605/98 – Crimes
ambientais);
b) fabrico, fornecimento, aquisição, posse ou transporte de explosivos ou
gás tóxico, ou asfixiante – Art. 253. “caput” (ver artigos 22 e 26 da lei nº 6.453/77 –
Responsabilidade civil e criminal por danos nucleares – ver lei nº 10.300/2001);
c) Desabamento ou desmoronamento culposo – Art. 256, parágrafo único;
d) Difusão de doença ou praga – Art. 259, parágrafo único.

2) Dos crimes contra a segurança dos meios de comunicação e transporte


e outros serviços públicos
a) Atentado culposo contra segurança de meio de transporte – Art. 262.
“caput” (ver lei nº 7.170/83);
b) Arremesso de projétil na forma simples – Art. 264. “caput”.

3) Dos crimes contra a saúde pública


a) Infração de medida sanitária preventiva simples – Art. 268. “caput”;
b) Omissão de notificação de doença – Art. 269. “caput” (ver lei nº 6.259/75
– Organização sobre vigilância epidemiológica);
c) Substância nociva a saúde pública de forma culposa – Art. 278,
parágrafo único;
d) Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica – Art. 282.
“caput” (ver lei nº 3.268/57 – Código de ética médica);
e) Charlantarismo – Art. 283. “caput”;
f) Curandeirismo – Art. 284. “caput”.

1.8 Dos Crimes Contra a Paz Pública


1) Incitação ao crime – Art. 286. “caput”;
2) Apologia de crime ou criminoso - Art. 287. “caput” (ver lei nº 5.250/67 –
Lei de Imprensa).

1.9 Dos Crimes Contra a Fé Pública


1) Moeda falsa
a) Emissão de título ao portador sem permissão legal – Art. 292. caput”.

2) Da falsidade documental
a) Falsificação de papeis públicos – Art. 293, § 4.º;
b) Certidão ou atestado ideologicamente falso – Art. 301. “caput”;
c) Falsidade de atestado médico – Art. 302. “caput” (ver art. 304 do Código
Penal).

3) Outras falsidades
a) Falsa identidade – Art. 307. “caput” (ver Súmula nº 200 do STJ);
b) Falsa identidade – Art. 308. “caput” – usar de terceiro.

1.10 Dos Crimes Contra a Administração Pública


1) Dos crimes praticados por funcionário público contra a
administração em geral
a) Peculato culposo – Art. 312, § 2º;
b) Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações –
Art. 313-B;
c) Emprego irregular de verbas ou rendas públicas – Art. 315. “caput” (ver
dec. Lei nº 201/67);
d) Prevaricação – Art. 319. “caput” (ver art. 438 do CPP);
e) Condescendência criminosa – Art. 320. “caput”;
e) Advocacia administrativa – Art. 321. “caput” (ver art. 91, da lei nº 8.666 –
Licitações e contratos da Administração Pública);
f) Abandono de função – Art. 323, “caput” e & 1º;
g) Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado – Art. 324.
“caput”;
h) Violação de sigilo funcional – Art. 325. “caput” (ver lei nº 9.983/2000);
i) Violação de sigilo de proposta de concorrência – Art. 326. “caput” (ver lei
nº 8.666/93).

2) Dos crimes praticados por particular contra a administração em


geral
a) Usurpação de função pública – Art. 328 “caput”;
b) Resistência – Art. 329 “caput”;
c) Desobediência – Art. 330. “caput”;
d) Desacato – Art. 331. “caput” (ver art. 75 e 351 do dec. Lei nº 5.452/43 e
art. 200 do Código Tributário Nacional – CTN, lei nº 5. 172/66);
e) Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência – Art. 335. “caput”;
f) Inutilização de edital ou de sinal – Art. 336. “caput”.

3) Dos crimes contra a administração da justiça


a) Comunicação falsa de crime ou contravenção – Art. 340. “caput”;
b) Auto-acusação falsa – Art. 341. “caput”;
c) Exercício arbitrário das próprias razões – Art. 345. “caput”;
d) Fraude processual – Art. 347. “caput”;
e) Favorecimento pessoal – Art. 348. “caput”;
f) Favorecimento real – Art. 349. “caput”;
g) Exercício arbitrário ou abuso de poder – Art. 350. “caput” (ver lei nº
4.898/65);
h) Fuga de pessoa presa ou submetida a medida de segurança – Art. 351.
“caput”;
i) Fuga culposa de preso – Art. 351, § 4º;
j) Evasão mediante violência contra a pessoa – Art. 352. “caput”;
l) Motim de presos – Art. 354. “caput”;
m) Violência ou fraude em arrematação judicial – Art. 358. “caput”;
n) Desobediência à decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito –
Art. 359. “caput”;
o) Contratação de operação de crédito – Art. 359-A;
p) Inscrição de despesas não empenhadas em restos a pagar – Art. 359-B;
q) Não cancelamento de restos a pagar – Art. 359-F.

2. Decreto-lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei Das


Contravenções Penais):

Conforme conceituação exposta no artigo 1º da Lei de Introdução ao


Código Penal (Decreto-lei nº 3.914/41), Contravenção Penal, “é a infração penal a que
a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa
ou cumulativamente.”
Como o Código Penal Brasileiro é de 1940, e com o advento da Lei
9.099/95, que mitigou o princípio da ação penal pública, permitindo a denominada
transação penal e a aplicação de penas alternativas, o conceito de Contravenção
Penal encontra-se obsoleto, pois todas as Contravenções Penais estipuladas no
Decreto-lei nº 3.688/41, são, sem exceção, da competência dos Juizados Especiais.
Desta forma, para melhor facilitar o trabalho do encarregado do Termo
Circunstanciado de Ocorrência, passaremos a relacionar todas as Contravenções
Penais inseridas na Lei e em outras especiais, cujas são remetidas.

2.1 Das Contravenções Referentes à Pessoa.


1) Fabrico, comércio, ou detenção de armas ou munição – tal tipificação é
regida por lei especial – Art. 18. “caput” (lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 –
Estatuto do Desarmamento);
2) Porte de arma – Art. 19. “caput” – tal tipificação é regida por lei especial
(lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 – Estatuto do Desarmamento);
3) Anúncio de meio abortivo – Art. 20. “caput” (ver lei nº 7.209/84, sobre a
pena de multa);
4) Vias de fato – Art. 21. “caput”;
5) Internação irregular em estabelecimento psiquiátrico – Art. 22. caput”;
6) Indevida custódia de doente mental – Art. 23. “caput.

2.2 Das Contravenções Referentes ao Patrimônio.


1) Instrumento de emprego usual na prática de furto – Art. 24. “caput”;
2) Posse não justificada de instrumento de emprego usual na prática de
furto – Art. 25. “caput”;
3) Violação de lugar ou objeto – Art. 26. “caput”;
4) Exploração da crueldade pública – Art. 27. “caput” (revogado pela lei nº
9.521/97).

2.3 Das Contravenções Referentes à Incolumidade Pública.


1) Disparo de arma de fogo – tal tipificação é regida por lei especial – Art.
28. “caput” (lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 – Estatuto do Desarmamento);
2) Desabamento de construção – Art. 29. “caput”;
3) Perigo de desabamento – Art. 30. “caput”;
4) Omissão de cautela na guarda ou condução de animais – Art. 31.
“caput”;
5) Falta de Habilitação para dirigir veículo – Art. 32. “caput” (tal tipificação é
regida por lei especial – artigos 162, 244, 298, 302, parágrafo único, inciso I, e 309, da
lei nº 9.503/97 – Código de Trânsito Brasileiro – A Sexta Turma do Superior Tribunal
de Justiça – STJ decidiu, por unanimidade, que o art. 309 do CTB derrogou este
artigo);
6) Direção não licenciada de aeronave – Art. 33. “caput” – (ver lei nº
7.565/86 – Código Brasileiro de Aeronáutica);
7) Direção perigosa de veículo na via pública – Art. 34. “caput” – (tal
tipificação é regida por lei especial – artigos 162 da lei nº 9.503/97 – Código de
Trânsito Brasileiro);
8) Abuso na prática da aviação – Art. 35. “caput” – (ver lei nº 7.565/86 –
Código Brasileiro de Aeronáutica);
9) Sinais de perigo – Art. 36. “caput”;
10) Arremesso ou colocação perigosa – Art. 37. “caput”;
11) Emissão de fumaça, vapor ou gás – Art. 38. “caput” – (ver artigos 231,
III, da lei nº 9.503/97 – Código de Trânsito Brasileiro e artigo 54, da lei nº 9.605/98 –
Crimes e Infrações Administrativas contra o Meio Ambiente).

2.4 Das Contravenções Referentes à Paz Pública.


1) Associação secreta – Art. 39. “caput”;
2) Provocação de tumulto. Conduta inconveniente – Art. 40. “caput”;
3) Falso alarma – Art. 41. “caput”;
4) Perturbação do trabalho ou do sossego alheio – Art. 42. “caput”.

2.5 Das Contravenções Referentes à Fé Pública


1) Recusa de moeda de curso legal – Art. 43. “caput”;
2) Imitação de moeda para propaganda – Art. 44. “caput”;
3) Simulação da qualidade de funcionário – Art. 45. “caput”;
4) Uso ilegítimo de uniforme ou distintivo – Art. 46. “caput”.

2.6 Das Contravenções Relativas à Organização do Trabalho.


1) Exercício ilegal de profissão ou atividade – Art. 47. “caput”;
2) Exercício ilegal do comércio de coisas antigas e obras de arte – Art. 48.
“caput”;
3) Matrícula ou escrituração de indústria e profissão – Art. 49. “caput”.

2.7 Das Contravenções Relativas à Polícia de Costumes.


1) Jogo de azar – Art. 50. “caput” – (ver leis 9.215/46 – proibição dos jogos
de azar; 3.502/58 – Seqüestro e Perdimento de Bens nos Casos de Enriquecimento
Ilícito; 9.615/98 – Normas Gerais sobre o Desporto; 7.291/84 – Dispõe sobre
Atividades Relacionadas a Eqüideocultura – ver Súmula nº 362 do STF);
2) Loteria não autorizada – Art. 51. “caput” – (ver Decreto-lei nº 204/67 –
Dispõe sobre a Exploração de loterias; Artigos 45 e 51 do Decreto-lei nº 6.295/44 –
Serviços de Loterias; Decretos-lei nº 66.118/70 e 68.702/71 – Regulamentam a loteria
esportiva Federal);
3) Loteria estrangeira – Art. 52. “caput” (ver Dec. Lei nº 6.259/44);
4) Loteria estadual – Art. 53. “caput”;
5) Exibição ou guarda de lista de sorteio – Art. 54. caput”;
6) Impressão de bilhetes, listas e anúncios – Art. 55. “caput”;
7) Distribuição ou transporte de listas ou avisos – Art. 56. “caput”;
8) Publicidade de sorteio – Art. 57. “caput”;
9) Jogo do bicho – Art. 58. “caput”;
10) Vadiagem – Art. 59. “caput” (ver lei nº 6.815/80 – Estatuto do
Estrangeiro - é inafiançável nos termos do art. 323, inciso II, do Código de Processo
Penal – CPP);
11) Mendicância – Art. 60. “caput” – (é inafiançável nos termos do art. 323,
inciso II, do Código de Processo Penal – CPP);
12) Importunação ofensiva ao pudor – Art. 61. “caput”;
13) Embriaguez – Art. 62. “caput” (ver lei nº 6.368/76 – Entorpecentes);
14) Bebidas alcoólicas – Art. 63. “caput”;
15) Crueldade contra animais – Art. 64. “caput” (ver lei nº 9.605/98 –
Crimes e Infrações Administrativas Contra o Meio Ambiente);
16) Inumação ou exumação de cadáver – Art. 67. “caput”;
17) Recusa de dados sobre a própria identidade ou qualificação – Art. 68.
“caput”;
18) Proibição de atividade remunerada a estrangeiro – Art. 69. “caput”
(revogado pela lei nº 6.815/80);
19) Violação de privilégio postal da União – Art. 70. “caput” (ver artigo 42
da lei nº 6.538/78 – Serviços Postais).

3. Decreto-Lei n.º 6.259, de 10 de fevereiro de 1944 (Loterias):


a) Loteria não autorizada – Art. 45. caput”;
b) Introdução de loteria estrangeira no país ou de loteria estadual de um
Estado em outro – Art. 46. ‘caput”;
c) Posse ou distribuição de bilhetes de loteria estrangeira – Art. 47. “caput”;
d) Posse ou distribuição de bilhetes de loteria estadual fora do respectivo
Estado – Art. 48. “caput”;
e) Posse ou exibição de listas de sorteios de loteria estrangeira ou de outro
Estado – Art. 49. “caput”;
f) Pagamento de prêmio de loteria estrangeira ou de outro Estado sem
circulação legal – Art. 50. “caput”;
g) Distribuição ou transporte de listas ou avisos de loteria sem circulação
local legal – Art. 52. “caput”;
h) Transmissão de resultado de extração de loteria não autorizada – Art. 56.
“caput”;
i) Jogo do bicho – Art. 58. “caput”;
j) Jogo sobre corridas de cavalos fora do hipódromo ou entidade autorizada,
ou sobre competições esportivas – Art. 60. “caput”.

4. Lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do


Adolescente):
a) Não manutenção de registro das atividades de estabelecimento de
saúde da gestante ou não fornecimento de declaração de nascimento de neonato –
Art. 288, parágrafo único;
b) Não identificação correta ou não realização de exames do neonato e da
parturiente – Art. 299, parágrafo único;
c) Apreender menor de 18 anos sem estarem presentes as circunstâncias
da flagrância “caput”, ou sem observar as formalidades legais – Art. 230. “caput”;
d) Deixar a autoridade policial de comunicar a apreensão de menor de 18
anos a autoridade judiciária e a família do apreendido – Art. 231. “caput”;
e) Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou
vigilância a vexame ao a constrangimento – Art. 232. “caput”;
f) Deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata
liberação de criança ou adolescente quando ciente da ilegal apreensão – Art. 234.
“caput”;
g) Impedir ou embaraçar ação de autoridade judiciária, membro do
Conselho Tutelar ou representante do Ministério Público no exercício de função
prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente – Art. 236. “caput”;
h) Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer
forma ao menor de 18 anos arma, munição ou explosivo – Art. 242. “caput”; (ver Lei
n.º 10. 826/2003 – Estatuto do Desarmamento);
i) Vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar ao menor
de 18 anos produtos que possam causar dependência física ou psíquica – Art. 243.
“caput”.

5. Lei n.º 8078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do


Consumidor):
a) Omissão dolosa sobre nocividade ou periculosidade do produto “caput” e
do serviço – Art. 63, § 1.º, em embalagens ou publicidade;
b) Omissão culposa ou periculosidade do produto – Art. 63, § 2.º “caput” e
do serviço, § 1.º, em embalagens ou publicidade;
c) Omissão dolosa sobre conhecimento posterior ao lançamento no
mercado sobre nocividade ou periculosidade do produto, e deixar de retirá-lo do
mercado – Art. 64. “caput”;
d) Executar serviço de alta periculosidade, contrariando determinação de
autoridade competente – Art. 65. “caput”;
e) Afirmação falsa, enganosa ou omissão de informação relevante sobre
produtos e serviços ofertados – Art. 66, “caput”;
f) Oferta de produtos e serviços com afirmação falsa, enganosa ou com
omissão de informação relevante – Art. 66, § 1.º;
g) Publicidade enganosa ou omissiva – Art. 67. “caput”;
h) Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser capaz de
induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa a sua saúde –
Art. 68. “caput”;
i) Não organização de dados que dão base à publicidade – Art. 69. “caput”;
j) Reparação não autorizada de produtos com peças ou componentes
usados – Art. 70. “caput”;
l) Constrangimento físico ou moral na cobrança de dívida do consumidor –
Art. 71. “caput”;
m) Impedimento ou dificuldade no acesso às informações cadastrais do
consumidor – Art. 72. “caput” ;
n) Não correção de informação inexata em cadastro de consumidor – Art.
73. ‘caput”;
o) Não entrega de termo de garantia ao consumidor – Art. 74. “caput”.

6. Lei n.º 9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito


Brasileiro):
a) Lesão corporal culposa na direção de veículo – Art. 303. “caput”;
b) Omissão de socorro por condutor do veículo do local do acidente – Art.
304. “caput”;
c) Fuga do condutor do veículo do local do acidente – Art. 305. “caput”;
d) Violação da suspensão ou proibição de obter habilitação para dirigir
veículo –Art. 307,”caput”;
e) Participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida,
disputa ou competição automobilística não autorizada pela autoridade competente que
resulte dano potencial à incolumidade pública ou privada – Art. 308. “caput”;
f) Direção não habilitada de veículo automotor, gerando perigo – Art. 309.
“caput;
g) Entrega de direção de veículo automotor a pessoa não habilitada ou
sem condições de conduzir o veículo com segurança – Art. 310. “caput”;
h) Tráfego em velocidade incompatível com a segurança no trânsito – Art.
311. “caput”;
i) Inovação artificiosa de local de acidente automobilístico – Art. 312.
“caput”.

7. Lei n.º 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Meio Ambiente):


a) Caça, perseguição ou apanha de espécime da fauna silvestre sem
licença ou em desacordo com a obtida – Art. 29, “caput”;
b) Impedimento de procriação da fauna silvestre sem licença ou em
desacordo com a obtida – Art. 29. § 1.º, I;
c) Destruição, dano ou modificação de ninho, abrigo ou criadouro natural –
Art. 29, § 1.º, II;
d) Venda, exportação, aquisição ou guarda de espécimes de fauna
silvestre e produtos derivados, sem licença ou provenientes de criadouros não
autorizados – Art. 29, § 1.º, III;
e) Introdução de espécimes animal no país sem licença – Art. 31. “caput”;
f) Abuso ou maus tratos em animais – Art. 32, “caput”;
g) Experiência dolorosa ou cruel com animal vivo – Art. 32, § 1.º;
h) Incêndio culposo em mata ou floresta – Art. 41, § único;
i) Extração mineral não autorizada em florestas públicas ou de preservação
– Art. 44. “caput”;
j) Cortar ou transformar em carvão, madeira de lei, assim classificada por
ato do poder público, para fins industriais, energéticos ou para outra exploração,
econômica ou não, em desacordo com as determinações legais – Art. 45. “caput”;
k) Aquisição ou recebimento de produtos vegetais sem verificação de sua
extração mediante licença e desacompanhados de documento – Art. 46, “caput”;
l) Venda, depósito, transporte ou guarda de produtos de origem vegetal
sem licença – Art. 46, § único;
m) Impedimento da regeneração de florestas e vegetação – Art. 48.
“caput”;
n) Destruição ou dano em plantas ornamentais de logradouros ou
propriedade privada – Art. 49. “caput”;
o) Destruição ou dano em floresta ou vegetação de especial preservação –
Art. 50. “caput”;
p) Comercialização ou uso de moto-serra sem licença ou registro – Art. 51.
“caput”;
q) Penetração em unidade de conservação, portanto instrumentos para a
caça ou exploração florestal, sem licença – Art. 52. “caput”;
r) Causação culposa de poluição danosa à saúde humana ou provocadora
de mortandade de animais ou de destruição da flora – Art. 54, § único;
s) Pesquisa ou extração mineral sem autorização ou em desacordo com a
licença – Art. 55, “caput”;
t) Não recuperação de área de pesquisa ou exploração mineral – Art. 55, §
único;
u) Estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem
licença ou contrariando normas legais e regulamentares – Art. 60. “caput”;
W) Destruição, inutilização ou deteriorização culposa de bem
especialmente protegido – Art. 62, § único;
v) Construção em solo não edificável ou sem entorno, sem autorização ou
em desacordo com a autorização concedida – Art. 64. “caput”;
x) Conspurcação (sujar, macular) de monumento ou coisa tombada – Art.
65, § único;
z) Não cumprimento culposo de obrigação de relevante interesse
ambiental – Art. 68, § único.

8. Lei n.º 9.615, de 24 de março de 1998 (Lei do Desporto/Bingo):


a) Manutenção ou realização de jogo de bingo sem autorização legal –
Art. 75. “caput”;
b) Oferecimento em bingo de prêmio diverso do permitido em lei – Art. 77.
“caput”.

9. Lei n.º 10.826, de 22 de dezembro de 2003 (Estatuto do


Desarmamento):
a) Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de
18 anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que
esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade - Art. 13, “caput”;
b) Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de
empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência
policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de
extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas
primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois de ocorrido o fato – Art. 13, parágrafo
único.18

10. Lei n.º 11.343, de 23 de agosto de 2006 (Nova Lei Antitóxicos):


a) Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu
relacionamento, para juntos a consumirem - § 3.º do Art. 33;
b) prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas
necessitem o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar – Art. 28, “caput”.

IV. PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS À REALIZAÇÃO DO TERMO


CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA (TCO) – DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA

1. A autoridade policial que tomar conhecimento ou presenciar o fato


delituoso tipificado como de menor potencial ofensivo, deve lavrar o Termo
Circunstanciado de Ocorrência (TCO), que nada mais é do que um misto de Boletim
de Ocorrência e relatório e trata-se de uma mera narrativa dos fatos ocorridos;
2. Conforme ensina Damásio de Jesus, o TCO deve ser sucinto e conter
poucas peças, garantindo o exercício do princípio da oralidade;
3. Não se vislumbra a necessidade de encaminhamento de testemunha do
fato ao juizado, tendo apenas o cuidado de qualificá-las;
4. Não há necessidade de instauração de Inquérito Policial, devendo a
autoridade policial constar de forma clara e precisa todas as informações que possam
ser úteis, podendo até diligenciar e produzir provas;
5. A autoridade policial não poderá impor a prisão em flagrante nem exigir
fiança (ver o parágrafo único do artigo 69 da lei 9.099/95), quando houver o
encaminhamento imediato ao juizado ou o autor do fato assumir o compromisso de a
ele comparecer. O desrespeito a esse requisito configura abuso de autoridade (ver
artigos 3º e 4º da lei nº 4.898/65);
6. Havendo concurso de crimes entre um crime e uma contravenção da
competência do Juizado Espacial Criminal e outro do Juízo Comum, as duas infrações
serão julgadas pelo Juízo Comum;
7. O lugar da conduta delituosa ou contravencional, independe do local da
produção do resultado;
8. Dependendo da organização judiciária local, os Juizados Especiais
Criminais poderão funcionar à noite e em qualquer dia da semana, inclusive sábados,
domingos e feriados;
9. A autoridade policial para fins de aplicação dessa lei, compreende quem
se encontra revestido em função policial, podendo a Secretaria do Juizado proceder à
lavratura do TCO e tomar as providências previstas no artigo 69, da lei 9.099/95;
10. A prisão preventiva não é cabível. Só é possível no Juízo Comum;
11. Somente o juiz togado pode determinar a condução coercitiva ao
juizado, do autor do fato, o ofendido e as testemunhas arroladas pelas partes;
12. O juiz, ao receber o termo, deve encaminhá-lo ao Ministério Público
(Promotor de Justiça), que terá algumas alternativas em relação ao feito:
a) propor, se for o caso, a aplicação imediata da pena não privativa de
liberdade;
b) oferecer denúncia;
c) propor a suspensão do processo;
d) requerer diligências;
e) requerer o arquivamento.19

Finalmente, recomendamos aos militares estaduais e aos operadores do


direito o estudo mais aprofundado da Lei nº 9.099/95 (Lei dos Juizados Especiais
Cíveis e Criminais) com o fito de aquilatar os conhecimentos a respeito não somente
do conteúdo aplicável, mas também, das polêmicas e discussões de maior ênfase no
nosso cotidiano. O importante é frisar mais uma vez, que o Estado não pode se omitir,
em face das ilegalidades que porventura venham a ocorrer.

V - MODELOS
Segue relação de modelos indispensáveis para a formalização do Termo
Circunstanciado de Ocorrência (TCO).20

1 - Modelo de Formulário de Capa de Ocorrência e Autuação

CABEÇALHO

CAPA DE OCORRÊNCIA E AUTUAÇÃO

BO N.º _____/_____
Audiência em: _____/_____/_____, às _______ horas
Órgão Policial Militar: ____________
Atendente da Ocorrência: ________

PROCEDIMENTO DE TERMO CIRCUNSTANCIADO - AUTUAÇÃO


AUTUAÇÃO

Aos _____ dias do Mês de _________ do ano de _________, nesta cidade


de _________, Estado do _________, no prédio onde funciona esta OPM, autuo as
peças que adiante se seguem, do que, para constar, lavrei este Termo. Eu,
_________, revisor, dou fé e assino.

(Assinatura): Autoridade policial militar.

2 - Modelo de Termo Circunstanciado de Ocorrência

CABEÇALHO

TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA N.º /

1. Dados da Ocorrência:

Data/hora:
Incidência Penal:
Local:
Bairro:

2. Dados do(s) Autor(es):

Autor:
Alcunha:
Estado Civil
Mãe:
Pai:
Nascimento:
Naturalidade:
Nacionalidade:
Registro Geral:
Escolaridade:
Endereço:
Telefone:

3. Dados da(s) Vítima(s):

Nome:
Estado Civil:
Mãe:
Pai:
Nascimento:
Registro Geral:
Endereço:

4. Dados da(s) Testemunha(s):

Nome:
Estado Civil:
Registro Geral:
Endereço:
Bairro:
Telefone:

6. Providências Adotadas:

Exame de Corpo de Delito ( )


Exame Perícia Técnica ( )
Representação( )
Avaliação ( ):
Termo de Compromisso de Comparecimento ( )
Antecedentes Criminais ( )
Outros ( )

7. Narrativa da Ocorrência:

MM Juiz de Direito do Juizado Especial Criminal da Comarca de


__________

O presente procedimento policial foi instaurado para apurar ilícito penal


capitulado no artigo _______ do ____, em que figura como vítima __________ e como
autor (a) __________, fato ocorrido no dia ____/_____/_____, por volta das ________
horas, na rua _________, nesta cidade de __________.
A vítima foi _________ (narrar os fatos com detalhes).
As testemunhas arroladas no presente procedimento, disseram que
tomaram conhecimento dos fatos acima narrados, através da própria vítima e
__________.
O autor (a), disse que: __________ (narrar os fatos com detalhes).

Local/data
(Assinatura): Autoridade Policial Militar.

Recebido em:
_____/_____/_____
Agente Recebedor

3 - Modelo de Termo de Representação

CABEÇALHO

TERMO DE REPRESENTAÇÃO

Aos _____ de ________ do ano de _________, nesta cidade de


__________, Estado do _________, onde pelas _______ horas, presente comigo
_________ Escrivão ao meu cargo, ao final assinado, aí compareceu _________
(vítima) qualificada no Termo Circunstanciado de Ocorrência n.º ______/_____, a qual
manifestou à Autoridade Policial Militar no termo mencionado, aí também qualificada, a
fim de que sejam adotadas as providências, atendendo à condição de procedibilidade
para a instauração da respectiva ação penal e conseqüente sanção, motivo pelo qual
a Autoridade Policial Militar determinou fosse lavrado o presente, que, depois de lido e
achado conforme, segue pela mesma assinado, pelo representante, pelas
testemunhas deste ato, comigo, ________, Escrivão que o digitei.

(Assinaturas): Autoridade Policial Militar, Vítima, Testemunhas e


Escrivão.

4 - Modelo de Termo de Compromisso e Comparecimento

CABEÇALHO

TERMO DE COMPROMISSO E COMPARECIMENTO

Aos ____ do mês de _________ do ano de __________, na OPM (unidade


policial) _________, Estado do _________, onde se achava a Autoridade Policial
Militar respectiva, presente os senhores:
1. Autor (s): ___________
2. Vítima(s): ___________

Todos qualificados no Termo Circunstanciado de Ocorrência n.º


_____/_____, os quais se comprometeram, sob as penas da lei, a comparecerem, no
dia _____/_____/_____, às _____ horas (agendados junto a Secretaria do Juizado
_________ Unidade de _________) à sala de audiências do Juizado Especial Criminal
do Município de _________ situado na Rua __________ e fone __________. E nada
mais havendo, determinou a Autoridade Policial Militar encerrar o presente termo que
vai por mim, ________, escrivão que o digitei.

(Assinaturas): Autoridade Policial Militar, Autor, Vítima e Escrivão.

5- Modelo de Boletim de Ocorrência

CABEÇALHO

BOLETIM DE OCORRÊNCIA
1. Dados da Ocorrência:
Data/hora:
Incidência Penal:
Local:
Bairro:

2. Dados do(s) Autor(es):

Autor:
Alcunha:
Estado Civil:
Mãe:
Pai:
Nascimento:
Naturalidade:
Nacionalidade:
Registro Geral:
Escolaridade:
Endereço:
Telefone:

3. Dados da(s) Vítima(s):

Nome:
Estado Civil:
Mãe:
Pai:
Nascimento:
Registro Geral:
Endereço:

4. Histórico da Ocorrência: (narrar) _____________

(Assinatura): Autoridade Policial Militar.

6 - Modelo de Autos

Modelo de Autos

ESTADO DO CEARÁ
SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA SOCIAL
OPM

AUTO DE APREENSÃO DE SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE, DE


CONSTATAÇÃO DE DEGRADAÇÃO AMBIENTAL, DE CONSTATAÇÃO DE
DANO, DE EXAME DE CORPO DE DELITO INDIRETO (EXAME CLÍNICO –
EMBRIAGUEZ)

AUTO DE: CPF:


LOCAL/DATA: ENDEREÇO
QUALIFICAÇÃO DO INFRATOR: RAZÃO SOCIAL:
NOME: REGISTRO GERAL:

Descrição da Substância: (maconha, cocaína, craque, outros) quantidade:


Descrição da Infração: (Degradação ambiental):
Descrição da Infração: (dano):
Descrição da situação do Infrator: Exame Indireto de Embriagues – (Clínico-Neuro-
Psíqico) __________ (hálito, postura, aparência, gestos, fala, equilíbrio etc.)
Testemunhas:
Nome:
Endereço:
Identificação da Autoridade:
Ciência do Infrator:

(Assinaturas): Autoridade Policial Militar, Infrator e Testemunha.

7 - Modelo de Tombo e Vista

TOMBO

Nesta data tombei o(a) presente: ( ) Termo Circunstanciado de Ocorrência


– TCO, no livro de tombo criminal n.º _________ da Secretaria deste Juizado, sob o
n.º __________.

Local/data

(Assinatura): Diretor de Secretaria.

VISTAS

Nesta data faço estes autos com vistas ao Ilustre Representante do


Ministério Público deste Juizado.

Local/data
(Assinatura): Diretor de Secretaria.

8 - Modelo de Designação de Audiência

CABEÇALHO

AUTOS: N.º :
AUTOR DO FATO:
VÍTIMA:

MM Juiz,
Trata os presentes autos de crime capitulado no artigo _________, da Lei
n.° _________ (especificar), de ação exclusivamente _________.

Requer esta Promotoria a Vossa Excelência a designação de audiência


preliminar, nos termos do artigo 27 da Lei n.º 9. 099/95, para o que deve ser juntada
aos autos a folha de antecedentes criminais do (a) autor (a) da infração.

Local/data
(Assinatura): Promotor de Justiça.

9 - Modelo de Certidão

CABEÇALHO

PROCESSO N.° _____/______

CERTIDÃO

Certifico que foi designada, pela Secretaria deste Juizado, a data de


_____/_____/_____, ás _________ horas, para realização de AUDIÊNCIA
PRELIMINAR. Dou fé.

Local/data
(Assinatura): Servidor do Juizado.

10 - Modelo de Termo de Audiência Preliminar Criminal

CABEÇALHO

TERMO DE AUDIÊNCIA PRELIMINAR CRIMINAL

Autos n.º:
Data:
Juiz de Direito:
Promotor de Justiça:
Vítima:
Autor do Fato:
Advogado ou Defensor Público:

Ocorrências: realizado os pregões de estilo, foi aberta a audiência


preliminar a que se refere o artigo 72, da lei n.º 9.099/95, onde verificou-se a presença
da vítima. Ausente (ou presente) o autor do fato que regularmente intimado, consoante
se vê às fls. _____. A vitima ratificou as declarações de fls. _____/_____, bem como a
representação de fls. _____, formulada na esfera policial, manifestando o desejo de
ver o autor do fato processado. A seguir foi dada a palavra ao Ilustre Representante do
Ministério Público Estadual, que expressou na forma seguinte: Douto Magistrado:
_________ (especificar). Assim, O Ministério Público do Estado do Ceará, por seu
Promotor de Justiça, tendo em vista a ocorrência noticiada à fl. _____/_____ dos
presentes autos, no uso de suas atribuições legais, especialmente a do artigo 129, I,
da Carta da República e do artigo 24, c/c 41 do Código de Processo Penal, articulado
com os artigos 77 e 89, da lei n.º 9.099/95, vem perante Vossa Excelência propor a
presente AÇÃO PENAL PÚBLICA, contra: _________ (qualificar), pela CONDUTA
DELITUOSA ABIXO DESCRITA: 1. Dos fatos: _________ (narrar). 2. Da Autoria:
_________ (narrar). 3. Da Classificação do Crime: _________ (tipificar). 4. Da
Impossibilidade de Aplicação Imediata da Pena e da Suspensão Condicional do
Processo: _________ (justificar). 5. Da Condição de Procedibilidade: _________
(especificar). 7. Requerimentos: I - _________; II – Depoimento da Vítima; III –
recebida e autuada a peça delatória, juntamente com o Termo Circunstanciado que lhe
serviu de base, com rito processual pertinente, com remessa ao Juízo Comum. Em
seguida o MM. Juiz prolatou a seguinte decisão: Tendo em vista o oferecimento da
denúncia pelo Ilustre Representante do Ministério Público, CITE-SE o autor do fato
para comparecer a audiência de instrução e julgamento, sob pena de revelia, devendo
ser acostado o Mandado de Citação, cientificando-o da necessidade de vir
acompanhado de Advogado ou de Defensor Público. Arrolar testemunhas no máximo
três. Fica designado o dia _____/_____/_____, às _____ horas. Eu, _________
(fulano de tal), Técnico Judiciário, _________ o digitei.

ou

Em seguida o MM. Juiz prolatou a seguinte decisão: Considerando que o


autor do fato, assistido por seu advogado, aceitou a TRANSAÇÃO PENAL acima
especificada e ofertada pelo Representante do Ministério Público, homologo por
sentença em todos os seus termos para que surta os efeitos jurídicos, o que faço com
lastro no artigo 76, § 4.º da lei n.º 9.099/95. Determino a Secretaria desde Juizado
Especial a realização dos expedientes necessários para efetividade do pleito
Ministerial e execução dos disposições constantes na Transação Penal por parte do
autor da infração. Dou a presente por publicada em audiência e saem as partes
intimadas. REGISTRE-SE, e após o cumprimento da pena, renove-se vista ao douto
Representante do Ministério Público, e após a sua manifestação venham-se os autos
conclusos para extinção do processo, o arquivamento, bem como a devida baixa.
Nada mais dito, fica encerrado o presente termo. Eu, _________ (fulano de tal),
Técnico Judiciário, _________ o digitei.

ou

Em seguida o MM. Juiz prolatou a seguinte decisão: Que os autos


permaneçam na secretaria desta vara aguardando a apresentação da Queixa-Crime
por parte da vítima, uma vez que ao delito imputado ao autor corresponde a ação
penal de iniciativa privada. Os autos deverão aguardar a iniciativa da vítima até o dia
_____/_____/_____, conforme o artigo 38, do Código de Processo Penal. Foi dada a
palavra ao Ilustre Representante do Ministério Público pela vista dos presentes autos,
para os devidos fins. Em seguida o MM Juiz, acolhendo o pleito do Ministério Público,
determinou a Secretaria deste juízo a abertura de vistas dos presentes autos ao
Representante do “parquet” Estadual. Nada mais foi dito, fica encerrado o presente
termo. Eu, _________ (fulano de tal), Técnico Judiciário, _________ o digitei.

ou

Outra decisão, conforme o caso.

Local/data
(Assinaturas): Juiz de Direito, Promotor de Justiça, Vítima, Autor do fato e
Advogado ou Defensor Público.

CAPÍTULO V (NOTAS DE RODAPÉ)

1 - BRASIL, Constituição da República Federativa do. 35 ed. São Paulo: Saraiva,


2005, p. 80.
2 - VADE MECUM, Acadêmico de Direito. 3 ed. São Paulo: Rideel, 2006.
3 - DOUGLAS, William. et. al. Medicina Legal – Teoria, Jurisprudências e Questões. 5
ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2003, p. 233 - 234.
4 - GRINOVER, Ada Pellegrini. et. al. Juizados Especiais Criminais – Comentários a
Lei n.º 9.099, de 26/9/1995. 5 ed. Rio de Janeiro: RT, 2005, p. 80.
5 - DAMÁSIO DE JESUS, Esmeraldo de. Lei dos Juizados Especiais e Criminais
Anotada. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 43.
6 - GRINOVER, op. cit. 2005.
7 - Id. Ibid. 2005; VEDE MECUM, op. cit. 2006.
8 - DAMÁSIO DE JESUS, op. cit. 1997, p. 43.
9 - VADE MECUM, op. cit. 2006, p. 979.
10 - GERAIS, Polícia Militar do Estado de. O Alferes. Vol. 19. n.º 55. Belo Horizonte:
2004, p. 24.
11 - GERAIS, Polícia Militar do Estado do. Revista Direito Militar. Belo Horizonte: 2006,
p. 24.
12 - COLAÇO, Pedro de Jesus. Termo Circunstanciado e Competência para a
Respectiva Lavratura – Lei Federal n.º 9099/1995. Curitiba: Juruá, 2002, p. 76.
13 - LOPES, Rogério Antônio. et. al. Teoria e Prática da Polícia Judiciária – À Luz do
Princípio da Legalidade. 2 ed. Curitiba: Juruá, 2002, p. 68..
14 - DOUGLAS, op. cit. 2003; GRINOVER, op. cit. 2005, p. 107.
15 - SILVA JÚNIOR, op. cit. 2006, p. 24.
16 - www.jusnavegandi.com.br; www.planalto.com.br
17 - Vide SILVA, Luiz Cláudio. Juizado Especial Criminal – Prática e Teoria do
Processo. Rio de Janeiro: Forense, 1997; VADE MECUM, Acadêmico de Direito. 3 ed.
São Paulo: Rideel, 2006. SANTOS, Sérgio Moreira dos. Manual Prático da Autoridade
Policial Militar. São Paulo: Suprema Cultura, 2007, p. 37 - 46.
18 - VADE MECUM, op. cit. 2006, SANTOS, op. cit. 2007, p. 37 - 46.
19 - SILVA, op. cit. 1997; DOUGLAS, op. cit. 2003.
20 - Id. Ibid. 1997; 6.ª Unidade dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais. Fortaleza:
2006.
CAPÍTULO VI

INQUÉRITO TÉCNICO (IT)

I – CONCEITUAÇÃO

O Inquérito Técnico é um procedimento investigatório e consuetudinário,


instaurado de forma obrigatória pela Administração Militar Estadual, com o fito de
apurar as circunstâncias (causas e efeitos) e responsabilidades, por dano causado em
material bélico e permanente pertencente à Fazenda Pública Estadual e sob os
auspícios das Organizações Militares Estaduais. A sua materialização, no Estado do
Ceará, ainda não teve uma regulamentação, fazendo com que cada encarregado
busque uma forma própria de apuração.1
No entanto, buscando subsídios na Brigada Militar, especialmente no
trabalho (Normas Gerais para Apuração de Danos em materiais Bélico e Permanente),
publicado em Boletim n.º 079, de 29 de abril de 1999, resolvemos adequar o trabalho
a nossa realidade e apresentar um caminho que pode facilitar tal propositura, como
também, orientar os militares estaduais para uma apuração mais célere, usando as
terminologias próprias, bem como seguindo um rito uniforme e doutrinado.
Também como norma subsidiária, apresentaremos a regulamentação
pertinente ao Exército Brasileiro (norma e modelo) e no último capítulo deste trabalho,
a Portaria do Comando-Geral da PMCE, de n.º 069/2006, publicada em Boletim do
Comando Geral n.º 101, de 30 de maio de 2006, que regulamenta a reposição e o
ressarcimento de produto extraviado, furtado, roubado ou danificado, controlado pelo
Exército Brasileiro, pertencente ao patrimônio da Polícia Militar do Ceará.

II – TÓPICOS INICIAIS

Dentro do que estabelece a legislação aplicável aos militares estaduais do


Ceará, nenhuma delas trata das providências a serem tomadas quando da ocorrência
de um dano ao patrimônio estadual.
Pesquisando a legislação pertinente e aplicável às Corporações Militares
em outros Estados da Federação, apresentaremos uma seqüência lógica de conceitos
e definições, bem como uma proposta de regramento na feitura do procedimento
administrativo aqui estudado que poderá ser perfeitamente seguido pelos
encarregados, bem como referendado pelos Comandantes-Gerais da Polícia Militar e
do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará.
III – NORMAS PROCEDIMENTAIS

O nosso objetivo é instituir as normas procedimentais para a instauração,


realização e responsabilização na esfera administrativa, concernente a fiel apuração
de ocorrência de danos causados em material Bélico e Permanente em uso nas
Organizações Militares Estaduais do Ceará denominado Inquérito Técnico (IT).

1. Finalidade
Padronizar e normatizar os procedimentos concernentes à instauração,
realização e responsabilização na esfera administrativa, quando da ocorrência de
danos em Material Bélico e Material Permanente pertencente à Fazenda Estadual e
em uso na Corporação, através do competente Inquérito Técnico (IT).

2. Das formalidades do Inquérito Técnico


1) O Inquérito Técnico é uma investigação obrigatória, instaurada para
apurar as circunstâncias e responsabilidades, por dano causado em material
pertencente à Fazenda Estadual e na carga da Corporação Militar Estadual;
2) O Inquérito Técnico é instaurado por ordem do Diretor da DAL (Diretoria
de Apoio Logístico) que detém o material, através de publicação em Boletim do
Comando-Geral devendo ser nomeado um oficial para proceder-lho;
3) O prazo para a confecção do Inquérito Técnico será de 40 (quarenta)
dias, contados a partir do recebimento da Portaria de nomeação, podendo ser
prorrogado por mais 20 (vinte) dias, desde que o pedido seja motivado;2
4) A comunicação disciplinar contendo os dados da ocorrência além de
outros documentos julgáveis úteis, devem acompanhar a Portaria de nomeação;
5) O Encarregado do Inquérito Técnico deverá providenciar a feitura dos
autos, conforme modelo previsto neste capítulo, devendo colocar em ordem
cronológica, numerar e rubricar todas as folhas.
6) O encarregado do Inquérito Técnico deverá formar a sua convicção de
acordo com as provas obtidas nos autos, principalmente quando procedida prova
técnica pericial;
7) De acordo com a prova técnica pericial, concluirá apontando as causas
prováveis da avaria, especificando, se forem o caso, se são decorrentes de uso
normal ou fruto de uso inadequado e/ou manutenção deficiente, e dizer se a causa é
técnica, pessoal ou de força maior, opinando quanto à viabilidade de manutenção ou
descarga e classe do material:
a) Como causas técnicas: defeito de fabricação de peças, componentes,
conjuntos ou equipamentos, que não tenha sido possível constatar anteriormente ou
danos produzidos por desgaste de peças, componentes ou conjuntos, desde que a
manutenção preventiva e/ou corretivas tenham sido executadas corretamente.
b) Como causas pessoais:
I – Deficiência de manutenção de qualquer escalão;
II – Imperícia, imprudência ou negligência;
III – Emprego do equipamento com defeito proibitivo de sua utilização;
IV – Falta de habilitação para operar ou manter o equipamento;
V - Outras causas por ação ou omissão.
c) Como causas fortuitas ou de força maior: defeito de natureza
imprevisível em peças ou componentes de conjunto de equipamentos, como ruptura,
quebra, afrouxamento ou perda de qualquer parte, quando imprevisível.
8) Findada as diligências, o Encarregado do Inquérito Técnico formará sua
convicção em conclusão, demonstrando de forma clara e insofismável, que os danos
são ou não, resultantes de ato de serviço com emprego judicioso do material, ou
apontará o responsável (is) pelo (s) dano (s) ocorrido (s), ou ainda sugerir:
a) Desmontagem para aproveitamento de peças e/ou conjuntos e a sua
destinação;
b) Alienação como sucata das peças e/ou conjunto inservível;
c) Alienação da viatura como um todo;
d) Sugerir o recolhimento do material ao (órgão ou setor), para a sua
recuperação ou descarga, se for o caso;
e) Sugerir a instauração de IPM (Inquérito Policial Militar) caso haja indício
de crime militar (se autor e vítima forem policiais militares em situação de atividade ou
processo regular, de acordo com o Código Disciplinar vigente;
f) Sugerir o envio dos autos à justiça comum estadual a quem compete
julgar delito decorrente de acidente de trânsito envolvendo viatura de polícia militar
(Súmula n.º 6 do STJ – Superior Tribunal de Justiça).
9) O Encarregado do Inquérito Técnico, deverá dar vistas ao imputado pela
autoria dos danos, que terá um prazo de 5 (cinco) dias úteis, para oferecer por escrito,
as suas razões de defesa, de forma a assegurar o direito constitucional do
contraditório e da ampla defesa.
10) É facultada ao imputado, a possibilidade de reparar os danos causados
até a conclusão do feito (ver portaria n.º 069/2006-GC, no Capítulo XVI deste
trabalho):
a) No caso do imputado ter causado o dano de forma dolosa, mesmo que
venha a ressarcir o bem, deverá ser submetido a uma apuração disciplinar;
b) Na fase do Inquérito Técnico, o Diretor da DAL, após a análise das
circunstâncias poderá deixar de sugerir a aplicação das sanções disciplinares, nos
casos previstos no Código Disciplinar dos Militares Estaduais do Ceará, devendo
motivar sua decisão;
c) Sempre que o Inquérito Técnico apontar indícios de prática de
transgressão disciplinar, a apuração disciplinar deverá constar da sua própria solução.
11) Concluído o Inquérito Técnico, o Encarregado o encaminha através de
ofício a autoridade delegante.
12) Caberá ao Diretor da DAL, examinar o Inquérito Técnico, à justeza de
sua elaboração dentro das normas e a apuração de responsabilidade, devendo
restituí-lo, diretamente ao encarregado para correções, quando for o caso. O prazo
para análise e restituição não poderá ultrapassar o total de 10 (dez) dias.
13) O Diretor da DAL, dentro do prazo máximo de 5 (cinco) dias, a contar
da data do recebimento dos autos, lança sua solução, remetendo-o em seguida ao
Comandante-Geral da Corporação, para homologação ou adoção de outra providência
que o caso requeira:
a) Deverá constar obrigatoriamente da solução:
I – a atribuição de responsabilidade pelo dano;
II – o destino a ser dado ao material;
III – o valor da imputação dos prejuízos causados;
IV – as providências disciplinares a ser adotadas;
V – sugestão de instauração de IPM (Inquérito Policial Militar), caso haja
indício de crime militar (se autor e vítima forem policiais militares em situação de
atividade) ou de processo regular, de conformidade com o Código Disciplinar;
VI – Encaminhamento de cópia dos autos à Justiça Comum Estadual, pois,
de acordo com a Súmula n.º 6 do STJ: “Compete a Justiça Comum Estadual
processar e julgar delito de acidente de trânsito envolvendo viatura de polícia militar”.
b) Caso o Diretor da DAL tenha dúvida de caráter técnico sobre a solução
do Inquérito Técnico, deverá solicitar parecer de especialista na área, ocasião em que
remeterá os autos ao Comandante-Geral para decisão final do feito e publicação em
Boletim do Comando-Geral da Corporação;
c) O Diretor da DAL deverá remeter os autos originais de Inquérito Técnico
ao Comandante-Geral, que os remeterá a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), com a
finalidade de promover a ação cível de ressarcimento de danos. Nesta condição, uma
cópia será retirada para arquivo;
d) No âmbito da Corporação, a única autoridade que poderá definir o
arquivamento do Inquérito Técnico é o Comandante-Geral, após manifestação do
Diretor da DAL.3

3. Procedimentos específicos do encarregado do Inquérito Técnico


1) Apuração de danos em material de armamento e munição:
a) O Encarregado do Inquérito Técnico deverá obrigatoriamente,
especificar:
I - Identificação do material:
II – Descrição da arma ou munição utilizada;
III – Marca;
IV – Número de série;
V – Dimensões e capacidade;
VI – Ano da inclusão na carga da Corporação.
b) Exame do material:
I – Armação;
II – Cano;
III – Tambor;
IV – Dispositivo de segurança;
V - Dispositivo de disparo;
VI – Acabamento.
c) Despesa para recuperação: O Encarregado do Inquérito Técnico deverá
constar os valores individuais das peças substituídas e o valor total da recuperação.
Caso o valor da recuperação ultrapasse 60% do valor venal do armamento, o
Encarregado sugerirá sua descarga. O valor venal é apurado partindo-se de uma arma
similar nova e decrescendo-se, a cada ano de uso, 5% do valor.

2) Apuração de danos em material de motomecanização


No Inquérito Técnico deverão ser anexados 3 (três) orçamentos de
recuperação da viatura e dos demais veículos ou viaturas envolvidas no acidente que
servirão de base para a elaboração das despesas de recuperação e Auto de
avaliação, se for o caso:
a) Deverá providenciar ainda:
I – Identificação e depoimentos dos motoristas envolvidos e de duas
testemunhas, se houverem;
II – Cópia autêntica do certificado de registro do (s) veiculo (s) particular
(es);
III – Cópia autêntica da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) dos
motoristas envolvidos no acidente.
b) No depoimento do motorista civil, se houver, deverá constar o nome
completo, estado civil, filiação, nº da carteira de identidade, nº do CIC, endereço
profissional e residencial e nº da apólice de seguro e da companhia seguradora.
c) Em princípio, não eximirão de culpa circunstâncias eventuais, tais como:
I – Pavimentação de ruas e estradas;
II – Condições atmosféricas adversas;
III – Sinalização deficiente.
d) Finda tais diligências e tomadas a termo os depoimentos dos condutores
e testemunhas, o Encarregado do Inquérito Técnico fará uma reconstituição do evento,
declarando as causas e registrará as conclusões finais, nas quais demonstrará, de
forma clara e concisa, se as avarias são ou não resultantes de ato do serviço, se o
encarregado do material foi judicioso ou apontará o responsável pelos danos
ocorridos.

3) Apuração de danos em material permanente


No Inquérito Técnico, deverá ser observado:
a) Na identificação do material:
I – Nome;
II – Modelo;
III – Marca;
IV – Número de série;
V – Material utilizado na confecção e outros.
b) No exame do material: deverá efetuar a descrição detalhada do real
estado em que se encontra o material após a avaria. Tal descrição poderá ser única
ou em partes, dependendo do material examinado, citando inclusive acessórios, se
possuir;
c) Ocorrências: descrever as causas prováveis do dano ocorrido no
material;
d) Despesas para recuperação: deverá constar o material necessário, item
por item, contendo o nome correto, quantidade, valor e o total para recuperação;
e) Conclusão: Especificar os danos decorrentes do tempo de uso, se uso
inadequado, falta de manutenção, de conservação, armazenamento inadequado, etc.
Manifestar-se quanto a conveniência ou não da recuperação e em caso negativo,
opinar sobre o destino do material, por exemplo, descarga, reaproveitamento de partes
etc.
4) Apuração de danos em material de comunicação:
a) No Inquérito Técnico, devem constar obrigatoriamente os itens abaixo
discriminados, onde o Encarregado fará observações:
I – Identificação através do número de série;
II – Marca, modelo, tipo de equipamento e instalação;
III – Tempo de uso do equipamento;
IV – Danos;
V – Avaliação:
• para recuperação ou reparação;
• para descarga, valor atualizado, conforme a depreciação.
VI – Causas do dano: se proveniente de deficiência técnica ou não, e como
se manifestaram.
b) O Comandante-Geral poderá baixar normas complementares a esta
orientação, visando uma melhor consecução na apuração do feito.4

IV - LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO SUBSIDIÁRIA

Entendemos importante expor neste trabalho, como orientação e indicação


dos dispositivos legais, uma parte básica referente à legislação de trânsito,
especialmente a conceitual, tendo-se em vista o grande número de sinistros de
trânsito que envolve viaturas e motocicletas administrativas e operacionais das
corporações militares estaduais, independentemente, de sabermos que o Inquérito
Técnico vai muito além de uma investigação de trânsito.

1. Conceito
A legislação de trânsito é o conjunto de leis que regem a circulação de
homens, veículos e animais pelas vias públicas terrestres (urbanas e rurais).

2. Sistema Nacional de Trânsito (artigos 5 a 25 do Código de Trânsito


Brasileiro – Lei n.º 9.503/1997)
É o conjunto de órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios que tem por finalidade o exercício das atividades de
planejamento, administração, normatização, pesquisa, registro e licenciamento de
veículos, formação, habilitação e reciclagem de condutores, educação, engenharia,
operação do sistema viário, policiamento, fiscalização, julgamento de infrações e de
recursos e aplicação de penalidades. Compete ao Ministério da Justiça a coordenação
máxima do Sistema Nacional de Trânsito (vide Decreto n.º 2.327, de 23 de setembro
de 1997).
3. Órgãos Normativos
1) CONTRAN – Conselho Nacional de Trânsito – Órgão coordenador
máximo normativo e consultivo, a quem compete regulamentar as normas do Código
de Trânsito Brasileiro e as diretrizes da Política Nacional de Trânsito;
2) CETRAN – Conselho Estadual de Trânsito;
3) CONTRADIFE – Conselho de Trânsito do Distrito Federal – Órgãos
normativos, consultivos e coordenadores, que realizam também estatísticas de trânsito
e orientam campanhas educativas de trânsito.

4. Órgãos Executivos
1) DENATRAN – Departamento Nacional de Trânsito – Órgão máximo
executivo de trânsito da União, que é responsável pela execução da política e do
programa nacional de trânsito;
2) DETRAN – Departamento de Trânsito - Órgão máximo executivo de
trânsito dos Estados e do Distrito Federal, que tem como atribuições, entre outras, a
responsabilidade pela habilitação de condutores e registro de veículos.

5. Órgãos Rodoviários
1) DNER – Departamento Nacional de Estradas de Rodagem – Compete
construir, sinalizar e manter as estradas e rodovias nacionais;
2) DER – Departamento Estadual de Estradas de Rodagem – Compete
construir, sinalizar e manter as estradas e rodovias estaduais. No Estado do Ceará, o
órgão é denominado DERT (Departamento de Edificações, Rodovias e Transporte).
3) PREFEITURA MUNICIPAL – Compete planejar, construir, sinalizar e
manter as vias urbanas dentro de cada circunscrição municipal.

6. Órgãos Policiais
1) PRF – Polícia Rodoviária Federal – Compete controlar e fiscalizar o
trânsito nas rodovias federais;
2) PRE – Polícia Rodoviária Estadual – Compete controlar o trânsito nas
rodovias estaduais. No Estado do Ceará, tal desiderato é desempenhado pela CPRV
(Companhia de Policiamento Rodoviário Estadual) – Projeto de Lei de Organização
Básica da PMCE está prevendo a criação de um Grande Comando de Trânsito;
3) PM – Polícia Militar – No âmbito de sua competência, a quem compete
controlar e fiscalizar o trânsito nas Rodovias Estaduais;
4) ÓRGÃOS E ENTIDADES DE TRÂNSITO ESTADUAIS – A quem
compete executar a fiscalização de trânsito, autuar e aplicar medidas administrativas
cabíveis por infrações de circulação, estacionamento e parada no exercício regular do
Poder de Polícia de Trânsito, conforme legislação vigente (artigo 24 do CTB).

7. Juntas
1) JARI – Junta Administrativa de Recursos de Infrações – Compete, no
âmbito das jurisdições, julgar os recursos interpostos pelos infratores.

8. Classificação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por


categoria:
1) Categoria “A” - condutor de veículos motorizados, de duas ou três
rodas, com ou sem carro lateral;
2) Categoria “B” – condutor de veículos motorizados, não abrangido pela
categoria A, cujo peso bruto total não exceda a três mil e quinhentos quilogramas e
cuja lotação não exceda a oito lugares, excluindo a do motorista;
3) Categoria “C” – condutor de veículos motorizados utilizados em
transporte de carga, cujo peso bruto total exceda a três mil e quinhentos quilogramas;
4) Categoria “D” – condutor de veículos motorizados no transporte de
passageiros, cuja lotação exceda a oito lugares, excluindo o do motorista;
5) Categoria “E” – condutor de combinação de veículos em que a unidade
tratora se enquadre nas categorias B, C e D e cuja unidade acoplada, reboque, semi-
reboque ou articulada tenha seis mil quilogramas ou mais de peso bruto total, ou,
ainda seja enquadrado na categoria trailer.

9. Classificação dos Veículos


1) Quanto à tração – Automotor, elétrico, de propulsão humana, de tração
animal e de reboque ou semi-reboque;
2) Quanto à espécie – (de passageiros): bicicleta, ciclomotor, motoneta,
motocicleta, triciclo, quadriciclo, automóvel, microônibus, ônibus, bonde, reboque ou
semi-reboque e charrete; (de carga): motoneta, motocicleta, triciclo, quadriciclo,
caminhonete, caminhão, reboque ou semi-reboque, carroça e carro-de-mão; (misto):
camioneta, utilitário e outros; (de competição), (de tração): caminhão-trator, trator de
rodas, trator de esteira e trator misto; (especial) e de (coleção);
3) Quanto à categoria – oficial, de representação diplomática, de
repartições ou organismos internacionais, particular, de aluguel e de aprendizagem.5

10. Do Processo (crimes de trânsito)


Além das infrações de ordem administrativa, com penalidades e medidas
administrativas próprias, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) traz a lume 11 (onze)
condutas criminais, tipificando 11 modalidades criminosas que podem ser praticadas
pelo condutor de veículo automotor.
Um fato poderá está descrito como infração administrativa e como crime e
o infrator poderá ser duplamente punido, administrativa e criminalmente. Os crimes de
trânsito podem ser: De dano (são os que consumam com a ocorrência de um dano –
homicídio culposo, artigo 302, e lesões corporais culposas, artigo 303). De perigo (são
os que consumam sem um dano real, existindo a possibilidade de haver um dano a
um indivíduo ou a coletividade – dirigir embriagado, participar de racha, excesso de
velocidade, etc).
Ocorrendo infração penal, o caso é enviado ao Juízo competente (Juizado
Especial Criminal) para o devido processo e aplicação da pena.
O motorista causador do acidente terá que ressarcir os prejuízos causados,
conforme estabelece o artigo 159 do Código Civil Brasileiro (CC), sendo de
competência do Juizado Especial Civil, julgar os litígios por dano em acidente de
trânsito.6

V - 100 (CEM) CONCEITUAÇÕES E DEFINIÇÕES

Para a realização do procedimento, 100 (cem) conceituações e definições


que poderão ser úteis ao apuratório:
1) Abalroamento – Ocorre quando um veículo, em movimento, é colhido
lateral ou transversalmente por outro veículo também em movimento;
2) Acidente – Acontecimento imprevisto ou fortuito, do qual resulta um
dano à coisa pública ou à pessoa;
3) Acordo – Ajuste, convenção ou contrato instituído entre duas ou mais
pessoas, que se acertam em estabelecê-lo;
4) Acostamento – Parte da via diferenciada da pista de rolamento
destinada à perda ou estacionamento de veículos, em caso de emergência, e à
circulação de pedestres e bicicletas, quando não houver local apropriado para esse
fim;
5) Alienação – Consiste na transferência da propriedade do material
desativado, excedente, inservível ou obsoleto, por cessão, doação ou venda;
6) Ampla defesa – Garantia constitucional que todo acusado tem o direito
de se defender, em processo judicial ou administrativo (inciso LV, do artigo. 5º da
Constituição Federal de 1988). Divide-se em Direta (quando o próprio acusado está
presente em todos os atos do processo) e Indireta (quando legalmente representado
por Advogado);
7) Atropelamento – Ocorre quando um veículo, em movimento, colhe uma
pessoa ou animal;
8) Avaliação – Ato pelo qual se procede à estimativa ou se dá o exato valor
econômico dos bens. Sua finalidade é determinar o justo preço da coisa em face das
utilidades que o próprio bem possa representar. A avaliação se concretiza através de
um laudo de avaliação;
9) Automóvel – Veículo automotor destinado ao transporte de passageiros,
com capacidade para até oito pessoas, inclusive o condutor;
10) Autoridade de trânsito – Dirigente máximo de órgão ou entidade
executiva integrante do Sistema Nacional de Trânsito ou pessoa por ele
expressamente credenciada;
11) Bem - Todo material permanente ou de consumo. No sentido jurídico,
toda coisa, todo direito, toda obrigação, enfim, qualquer elemento material ou imaterial,
representando uma utilidade ou uma riqueza, integrado no patrimônio do Estado ou de
alguém e passível de apreciação monetária;
12) Bicicleta – Veículo de propulsão humana, dotada de duas rodas, não
sendo, para efeito do Código de Trânsito, similar à motocicleta, motoneta e ciclo
motor;
13) Bonde – Veículo de propulsão elétrica que se move sobre trilhos;
14) Calçada – Parte da via, normalmente segregada e em nível diferente,
não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres;
15) Caminhonete – Veículo destinado ao transporte de carga com peso
bruto total de até três mil e quinhentos quilogramas;
16) Camioneta – veículo misto destinado ao transporte de passageiros e
carga ao mesmo compartimento;
17) Canteiro-central – Obstáculo fixo construído como separador de duas
pistas de rolamento;
18) Capotamento – Um veículo, em movimento, gira em qualquer sentido,
ficando com as rodas para cima, mesmo que momentaneamente;
19) Carro de Mão – Veículo de propulsão humana utilizada no transporte
de pequenas cargas;
20) Carroça – Veículo de tração animal destinado ao transporte de carga;
21) Carga - É todo suprimento existente em uma Organização Militar,
excetuando-se o material de consumo;
22) Causa – O motivo, a razão, o princípio, o fundamento, ou seja, tudo
que motiva ou faz que a coisa exista ou de fato aconteça. A causa é que produz o
efeito, seja fora do direito como no próprio direito;
23) Charrete – Veículo de tração animal destinado ao transporte de
pessoas;
24) Choque – É o impacto de um veículo contra qualquer obstáculo fixo,
estacionado, parado (poste, muro, árvore e outros);
25) Ciclo-motor – Veículo de duas ou três rodas, providas de um motor de
combustão interna e cuja velocidade máxima de fabricação não exceda a cinqüenta
quilômetros por hora;
26) Colisão – É o impacto entre veículos em movimento frente a frente ou
pela traseira;
27) Cobrança – Significa procurar receber o que é devido por uma pessoa
à outra, bem como exigir que se pague o que é devido. Segundo a exigência do
pagamento, ou da entrega de coisa, se faz em juízo ou fora dele, diz-se que a
cobrança é extrajudicial (amigável) e judicial, (quando se intenta por ação);
28) Contraditório – É a dialética (discussão) no procedimento. Uma parte
vai apresentar uma tese, uma outra parte a antítese e o encarregado a síntese;
29) Culpa – É a falta cometida contra o dever, por ação ou por omissão,
derivado de negligência, imprudência ou imperícia. Revela a violação de um dever
preexistente, não praticado de má-fé, ou com a intenção de causar prejuízos aos
direitos ou ao patrimônio de outrem. Cabe responsabilidade do agente nas esferas
cível, penal e administrativa;
30) Dano – Toda avaria, deteriorização, estrago, adulteração ou desgaste,
ocorrido à coisa, ou que atinja a coisa, em virtude do que diminui de valor ou se torna
ineficiente à sua utilização. Em geral, gera prejuízos em razão da desvalorização
conseqüente do desgaste decorrente da manutenção deficiente;
31) Dano de causa pessoal - Avaria causada pela utilização indevida ou
fora das especificações do fabricante;
32) Dano de causa técnica – Avaria decorrente de defeito de fabricação,
ou fadiga precoce dos materiais;
33) Declaração – Afirmação da existência de uma situação de direito ou de
fato e, nesta razão sirva de prova. Para tal é necessário o conhecimento do fato ou do
direito e que sua palavra ou escrita possam merecer a fé jurídica, decorrente de sua
capacidade, liberdade de afirmativa e de poder declarar;
34) Descarga – É o ato de dar baixa de um material permanente, em face
de sua inservibilidade para o fim a que se destina ou ainda por perda, extravio,
peculato, furto ou roubo;
35) Desmonte – Consiste na desmontagem de material descarregado para
o aproveitamento de componentes ou matéria prima;
36) Dispositivo de segurança – Qualquer elemento que tenha a função
específica de proporcionar maior segurança ao usuário da via;
37) Dolo – É empregado para indicar toda espécie de artifício, engano, ou
manejo astucioso promovido, por uma pessoa, com a intenção de induzir alguém a
prática de ato em proveito próprio ou de outrem. Aqui a pessoa pratica o ato com
consciência e vontade e assume o risco de produzi-lo;
38) Estrada – Via rural não pavimentada;
39) Extravio – É todo desvio ou descaminhamento de coisas, que, assim,
não são conduzidas para o destino próprio, ou que se perdem;
40) Fiscalização – Ato de controlar o cumprimento das normas
estabelecidas na legislação de trânsito, por meio do poder de polícia administrativa de
trânsito;
41) Força Maior – Assim se diz em relação ao poder ou a razão mais forte,
decorrente da irressistibilidade do fato, que, por sua influência, veio impedir a
realização de outro, ou modificar o cumprimento de obrigação, a que se estava sujeito.
Na técnica jurídica, força maior e caso fortuito possuem efeitos análogos;
42) Fortuito – Indica tudo que possa vir a acontecer por acaso, sem
causas determinantes, com falta de intenção. Opõe-se ao intencional. Mostra-se
imprevisível e, por vezes, visto chegar sem ser esperado e por força estranha à
vontade do homem, que não o pode impedir;
43) Furto - É o ato de subtração, feito às escondidas, sorrateiramente,
clandestinamente. É a subtração sem violência, simplesmente pela astúcia;
44) Homologação de descarga - É o ato administrativo realizado pela
Diretoria de Apoio Logístico (DAL), no sentido de referenciar a baixa de um material
permanente, em face de sua inservibilidade para o fim a que se destina ou ainda por
perda, extravio, peculato, furto ou roubo, após a adoção das medidas legais;
45) Imperícia – É a falta de prática ou ausência de conhecimentos
necessários para o exercício de uma profissão. A imperícia é erro próprio na execução
do trabalho ou serviço, cuja inabilidade se manifestou;
46) Imprudência – É a desatenção culpável, a falta de precaução na
prática da ação;
47) Incêndio – Sinistro provocado ou acidental ocorrendo queima de
material;
48) Indenização – Se refere ao reembolso, pagamento ou reparação de
prejuízo ou dano que se tenha causado a outrem. Pode ser promovida
voluntariamente (extrajudicialmente) ou contenciosamente (através de indenização);
49) Infração – Inobservância a qualquer preceito da legislação de trânsito,
às normas emanadas do Código de Trânsito, do Conselho Nacional de Trânsito e a
regulamentação estabelecida pelo órgão ou entidade executiva de trânsito;
50) Instauração – Na terminologia jurídica é tomado no sentido de
organização ou formação e estabelecimento de alguma coisa, a fim de que possa
executar ou cumprir suas finalidades. É a apresentação escrita dos fatos e indicação
do direito que ensejam o procedimento administrativo. Consubstancia-se, via de regra,
quando provém da administração, através de Portaria;
51) Laudo – Parecer escrito, fundamentado e elaborado por perito sobre a
matéria submetida a sua avaliação, contendo exposição das operações e ocorrências
das diligências da perícia realizada, inclusive, respondendo aos quesitos propostos e
consignando o resultado do exame pericial. É realizado por peritos do IPT (Instituto de
Perícia Técnica) caso haja vítimas ou peritos do DETRAN (Departamento de Trânsito)
e nos demais casos por peritos oficiais;
52) Logística - É à parte do apoio administrativo relativo à previsão e
provisão dos meios materiais necessários as atividades de suprimento, manutenção,
construção e transporte;
53) Manobra – Movimento executado pelo condutor para alterar a posição
em que o veículo está no momento em relação à via;
54) Manutenção corretiva – Está a cargo das equipes de manutenção.
Compreende as atividades de 3º escalão de manutenção;
55) Manutenção de 1º escalão – Manutenção preventiva orgânica, que
compreende as operações de manutenção mais simples, realizada pelo próprio
operador, utilizador ou detentor do material;
56) Manutenção de 2º escalão – Manutenção orgânica, que compreende
as operações de manutenção realizadas nas Organizações Militares através dos
elementos treinados para tal fim;
57) Manutenção de 3º escalão - Manutenção corretiva, que compreende
as operações realizadas pelas equipes móveis de manutenção, em apoio direto nas
Organizações Militares, consistindo em reparações, já de uma certa complexidade;
58) Manutenção de 4º escalão – Manutenção corretiva realizada nos
laboratórios e oficinas especializadas, constituindo em reparações mais complexas, de
equipamentos que deverão retornar as Organizações Militares de origem;
59) Manutenção de 5º escalão – Manutenção de recuperação, que
compreende as operações realizadas pelos Centros, Fabricantes ou Laboratórios
Técnicos Credenciados;
60) Material de 1ª classe – Material em bom estado e em uso;
61) Material de 2ª classe – Material já usado, podendo ser reutilizado
depois de revisado e reparado, se for o caso;
62) Material de 3ª classe - Material inservível, cuja matéria-prima oferece
condições de aproveitamento;
63) Material de 4ª classe – Material inservível, cuja matéria-prima não
oferece condições de aproveitamento;
64) Material bélico – Todo o material necessário às Polícias Militares
(entenda-se também militares estaduais) para o desempenho de suas atribuições
específicas nas ações de defesa Interna e de Defesa Territorial. Compreende-se como
tal: armamento, munição, material de motomecanização, material de comunicação,
material de guerra química, material de engenharia e campanha.
65) Material obsoleto – É aquele que está fora dos padrões tecnológicos
atuais e, conseqüentemente, em desuso;
66) Material permanente – É o material que, em razão de seu uso
corrente, não perde normalmente sua identidade física e/ou sua durabilidade por um
período superior a 2 (dois) anos;
67) Microônibus – Veículo automotor de transporte coletivo com
capacidade para até vinte passageiros;
68) Motocicleta – Veículo automotor de duas rodas, com ou sem side-car
(carro lateral), dirigido por condutor em posição montada;
69) Motoneta – Veículo automotor de duas rodas, dirigido por condutor
com posição sentada;
70) Negligência – Exprime a desatenção, a falta de cuidado ou de
preocupação com que se executam certos atos, em virtude dos quais se manifestam
resultados maus ou prejudiciais que não adviriam se o agente ordenado pela
prudência mais atenciosamente ou com a devida preocupação agisse;
71) Nexo causal – É a relação que se estabelece entre a ação ou omissão
e o resultado final, o qual só pode ser imputado a quem lhe deu causa;
72) Ônibus – Veículo automotor de transporte coletivo com capacidade
para mais de vinte passageiros;
73) Orçamento – Significa a estimativa do custo para recuperação ou
reparação de um dano;
74) Parecer técnico – É um exame, uma avaliação ou vistoria, realizado
com a finalidade de determinar as causas das avarias encontradas no material,
especificando se as mesmas são provenientes ou não de uso normal;
75) Passarela – Obra de arte destinada à transposição de vias, em
desnível aéreo, e ao uso de pedestres;
76) Patrulhamento – Função exercida pela polícia com o objetivo de
garantir obediência às normas de trânsito, assegurando a livre circulação e evitando
acidentes;
77) Peculato – Exprime a apropriação, a subtração, o consumo ou o desvio
de valores ou bens móveis pertencentes à Fazenda Pública ou que se encontrem em
poder do Estado, por servidor público ou militar;
78) Perda – É a privação de alguma coisa, seja por extravio, destruição,
apreensão ou um prejuízo ou uma diminuição de valor no patrimônio;
79) Perícia – Conjunto de atos realizados por técnicos ou especialistas
(peritos) para esclarecimento de determinados fatos, destinados a levar ao
encarregado do inquérito técnico, elementos instrutórios que possibilitem a este
pronunciar sua decisão;
80) Perito - Pessoa capaz para todos os atos da vida civil que, designado
para efetuar laudo ou parecer técnico, exame, avaliação ou vistoria, sirva como auxiliar
do encarregado do procedimento, ajudando-o a formar o seu convencimento, quando
a prova do fato dependa de conhecimento técnico. Deve ser possuidor de capacidade
técnica, competência, aptidão, idoneidade e conhecimentos suficientes para exercer
com competência a função pericial que lhe é cometida;
81) Pista – Parte da via normalmente utilizada para a circulação de
veículos;
82) Policiamento ostensivo de trânsito – Função exercida pelas Polícias
Militares com o objetivo de prevenir e reprimir atos relacionados com a Segurança
Pública e de garantir obediência às normas relativas à segurança de trânsito, em
rodovias estaduais ou demais lugares, mediante convênio, assegurando à livre
circulação e evitando acidentes;
83) Portaria – É todo documento expedido pelos Chefes ou superiores
hierárquicos de uma Organização Militar, para que por ela transmita a seus
subordinados as ordens de serviços ou determinações que sejam de sua alçada. Por
portaria também se iniciam sindicâncias, Inquéritos e outros procedimentos ou
processos administrativos;
84) Prejuízo – É o dano, mal ou ofensa, seja de ordem material ou moral,
que possam acarretar uma perda, uma danificação ou um desfalque ao patrimônio de
outrem ou do Estado;
85) Prova – É a demonstração que se faz, pelos meios legais, lícitos, da
existência ou veracidade de um fato material ou de um ato jurídico, em virtude da qual
se conclui por sua existência ou se afirma a certeza a respeito da existência do fato ou
do ato demonstrado;
86) Queda – Precipitação em local com abismo ou elevada depressão;
87) Recebimento – É a atividade que implica na conferência do material
recebido, de acordo com a legislação e normas que regulam o recebimento e exame
de material;
88) Recuperação – É o conjunto de atividades de manutenção destinado a
recuperar os materiais usados, deixando-os o mais próximo possível do seu estado
original;
89) Reparação – É o conjunto de atividades de manutenção que consiste
na remoção de falhas apresentadas pelo material, para restabelecer as condições de
uso de cada item. Compreende a manutenção de 2º, 3º e 4º escalões;
90) Responsabilidade – É a obrigação de satisfazer a prestação ou de
cumprir os fatos atribuídos ou imputados à pessoa por determinação legal;
91) Ressarcimento – Ato pelo qual se cumpre a indenização, ou se
satisfaz o pagamento das perdas e danos, a que se está sujeito. É o pagamento ou a
satisfação da obrigação, conseqüente da responsabilidade apurada;
92) Roubo – É a subtração da coisa alheia, contra a vontade do
proprietário, com violência a pessoa que a tem, ou contra a coisa;
93) Soterramento – O veículo é soterrado por camada material por
desabamento ou por outro tipo de acidente, ficando seriamente danificado;
94) Submersão – É a queda do veículo em água, quando atinge o nível do
teto;
95) Testemunha – Pessoa que atesta a veracidade de um ato, ou que
presta esclarecimento acerca de fatos que lhe são perguntados, afirmando-os ou os
negando. A função da testemunha está ligada ao conceito de prova;
96) Tombamento – Ocorre quando um veículo, em movimento, tomba
lateral ou frontalmente;
97) Trailer – Reboque ou semi-reboque tipo casa, com duas, quatro ou seis
rodas, acopladas ou adaptadas à traseira de automóvel ou camionete, utilizado em
geral em atividades turísticas como alojamento, ou para atividades comerciais;
98) Via local – Aquela caracterizada por interseções em nível não
semaforizadas, destinada apenas ao acesso local ou a áreas restritas;
99) Via Rural – Estradas e rodovias;

100) Via Urbana – Ruas, avenidas, vielas, ou caminhos e similares abertos


à circulação pública, situada em área urbana, caracterizada principalmente por
possuírem imóveis edificados ao longo de sua extensão.7
VI – DETERMINAÇÕES DO COMANDO-GERAL
1) VIAS DE INQUÉRITO TÉCNICO – DETERMINAÇÕES
O Coronel PM Comandante-Geral da PMCE no uso de suas atribuições
legais e considerando que alguns Inquéritos Técnicos são remetidos a PGE, visto que
não há acordo na solução do problema, determina aos Encarregados de I.T. que
doravante, entreguem os autos conclusos à DAL em duas vias, salvante quando o
veículo já houver sido consertado pelo causador do acidente, fato comprovado
mediante declaração da DAL inserta nos autos (transcrição da Nota n.º 846/2006 –
GAB.ADJ), publicada em Boletim do Comando Geral n.º 195, de 16 de outubro de
2006.
2) FORMALIDADES LEGAIS
O Diretor de Apoio Logístico, no uso de suas atribuições legais com a
devida aquiescência do Comandante-Geral, com fulcro na transcrição da portaria n.º
108/06 – GC, que normatiza prazos para conclusão e prorrogação de procedimentos e
processos no âmbito da PMCE, publicada em BCG n.º 149/06, e visando aprimorar a
confecção de inquéritos técnicos, com o objetivo de dar uma maior celeridade na
remessa dos procedimentos administrativos (Inquérito Técnico), esclarece aos oficiais
encarregados de instaurarem inquéritos técnicos, que observem o seguinte:
a) cumprir rigorosamente o prazo estabelecido na portaria supracitada,
mesmo que não tenha completado as diligências necessárias (Laudo pericial, oitiva de
testemunha, orçamento, etc.);
b) no caso de ausência de algum item das diligências, este deve justificar o
motivo no relatório final do procedimento;
c) priorizar a requisição do laudo pericial ao órgão competente;
d) notificar testemunhas suficientes para facilitar a elucidação dos fatos;
e) juntar até 03 (três) orçamentos necessários para subsidiar e
esclarecimento da ordem técnica quanto as avarias.
Quando o oficial nomeado dirigir-se a seção de Inquérito Técnico/DAL, este
deverá receber juntamente com a Portaria de nomeação a nota de esclarecimento
para subsidiar a confecção do referido procedimento administrativo. (Transcrição da
nota n.º 024/2006-DAL/1).8

VII – LEGISLAÇÃO DO EXÉRCITO BRASILEIRO - COMPLEMENTAR


Conforme intitula o artigo 228 da Lei n.º 13. 729/2006 (Estatuto dos
Militares do Estado do Ceará): “Aplica-se à matéria não regulada nesta Lei,
subsidiariamente e no que couber, a legislação em vigor para o Exército Brasileiro.”
Portanto, conforme reza a Portaria n.º 10, Diretoria Logística/Exército
Brasileiro, de 27/6/2002, publicada em Boletim do Exército n.º 27/2002, foram
reguladas as instruções para elaboração do Inquérito Técnico.

1. Instruções para elaboração


1) O IT é um processo sumário, pelo qual o oficial habilitado apura as
causas, efeitos e responsabilidades de avarias em viaturas e outros MEM ocasionadas
por acidentes de trânsito e/ou outras ocorrências. Em quaisquer outros tipos de
acidentes ou avarias deve ser observado o Art. 88 do RAE. É instaurado por ordem do
Cmt, Chefe ou Diretor da OM a que pertencer o equipamento ou “ex-offício”, por
autoridade superior àquela.

2) A homologação do IT é da competência dos seguintes escalões:


a) da RM - quando se tratar de material não controlado; e
b) da DMnt - quando se tratar de material controlado.
3) A nomeação de escrivão não é impositiva.
4) As folhas do processo serão colocadas em ordem cronológica,
numeradas e rubricadas.
5) São documentos básicos para instauração e início do IT:
a) Portaria da nomeação para proceder ao IT;
b) Cópia do documento que o motivou;
c) Ficha de Acidente e Laudos Periciais; e
d) Ficha de Serviço, se for o caso.
Obs: Quaisquer informações ou documentos julgados úteis poderão ser
solicitados e juntados ao IT.
6) O encarregado do IT deverá apresentar suas conclusões no prazo de 30
(trinta) dias corridos, prorrogável uma única vez, pela autoridade que determinou sua
instauração, por mais 10 (dez) dias corridos.
7) Concluído o IT, o encarregado o encaminhará, por meio de ofício, à
autoridade que determinou sua instauração. Esta autoridade, dentro do prazo de 08
(oito) dias, a contar da data de recebimento dos autos, lavrará a solução, remetendo-
os, em seguida, ao escalão competente, para homologação.
8) Os prejuízos somente serão imputados à União nos seguintes casos:
a) quando plenamente configurada a falha técnica ou motivo de força
maior de acordo com o Art 147 do R-3;
b) quando o responsável e/ou operador do material ou equipamento agir
dentro das prescrições dos manuais e normas do D Log/DMnt; e
c) quando houver o falecimento do responsável pelo acidente.
9) Os encarregados do IT poderão abrir qualquer órgão do equipamento
para exame pericial, podendo solicitar a cooperação de escalão superior, se for o
caso.
10) Para a conclusão do IT, as causas dos acidentes devem ser
classificadas como técnicas ou pessoais.
a) Causas Técnicas
Como causas técnicas de acidente devem ser consideradas apenas as
inerentes a defeitos do material, alheias à responsabilidade do operador, ou do
pessoal encarregado da manutenção, tais como:
(1) defeitos de fabricação em peças, conjuntos ou órgãos que não
tenham sido constatados anteriormente;
(2) defeitos de natureza imprevisível ou inevitável em peças, conjuntos
ou órgãos; e
(3) ruptura, quebra, afrouxamento ou perda de qualquer parte, quando
imprevisível.
b) Causas Pessoais
Como causas pessoais, considerar as seguintes:
(1) deficiência de manutenção de qualquer escalão;
(2) imperícia, imprudência ou negligência;
(3) emprego de qualquer equipamento sem as necessárias inspeções
previstas nos manuais e boletins técnicos;
(4) falta de habilitação específica para operar equipamentos; e
(5) responsabilidade de terceiros no acidente.
11) As causas técnicas devidamente comprovadas eximirão de culpa, ao
passo que as causas pessoais implicarão em culpa por parte do responsável ou
responsáveis.
Obs: Circunstâncias eventuais como condições atmosféricas, ambientais
e outras não eximirão de culpa o responsável caso fique comprovado que este agiu
com imperícia, imprudência ou negligência.
12) O encarregado do IT deverá ser Oficial com o curso de especialização
correspondente ao MEM, objeto do IT.
a) Na falta absoluta de oficial habilitado na guarnição, deve ser
designado um oficial com assessoramento técnico de um graduado especializado no
respectivo MEM, objeto do IT.
b) Caso a UA não possua, também, graduado especialista, solicitará ao
escalão superior a designação de um oficial ou graduado habilitado, justificando o
motivo.9
2. Modelo auxiliar de relatório e solução

INQUÉRITO TÉCNICO

1. TERMO DE ABERTURA
Aos ____ dias do mês de _________ do ano de dois mil e _________
iniciando o IT, determinado pela Portaria Nr _______ de ________do Sr. ________,
verifiquei a cópia da parte (ou outro documento) que acompanhou a citada Portaria,
para adoção das providências decorrentes.

2. INSPEÇÃO
Aos _____ dias compareci ao _______ (local onde se encontra o
equipamento) acompanhado pelo operador/responsável/perito, a fim de proceder à
inspeção.

3. IDENTIFICAÇÃO DO MATERIAL

Nomenclatura, tipo, marca, modelo, ano de fabricação, Nr de série ou de


chassi, fornecedor, valor de inclusão em carga, data, horas de funcionamento e/ou
quilometragem.

4. AVARIAS

Descrever sucintamente cada uma das avarias observadas.

5. CUSTOS DE MANUTENÇÃO

Avalio os danos causados em R$ _________(________), e sou de


parecer que a recuperação pode ser procedida pelo (_________).

6. DECLARAÇÕES
Do Operador:
Aos _____ dias do mês de _________ do ano de _______, foi por mim
ouvido o Sr. _________ operador do equipamento anteriormente citado, habilitado a
operá-lo de acordo (documento comprobatório), fornecido por (entidade que o
forneceu), o qual disse: _______.

Das Testemunhas (em princípio três):

Aos ____ dias do mês de ________ do ano de _______, foi por mim
ouvida a primeira testemunha do ocorrido, (nome da testemunha) identidade _______
expedida por (entidade que expediu), a qual disse: ________.
Idem para as demais testemunhas.

7. RECONSTITUIÇÃO

Aos ____ dias do mês de ________ do ano de ______, compareci ao local


do acidente, onde procedi ao exame do local e do equipamento, tendo confrontado os
documentos anexos com as declarações do operador/responsável e das testemunhas,
realizei a reconstituição da ocorrência, a qual passo a relatar: _________.

8. CAUSA(S) DA(S) AVARIA(S)


a. Causa pessoal (discriminar a imprudência, negligência ou imperícia do
operador, se for o caso).

b. Causa técnica (discriminar, quando for o caso).

9. CONCLUSÃO

Pelo exposto, sou de parecer que as avarias foram determinadas por


causas pessoais, com exclusiva responsabilidade do (operador e/ou outros) e/ou
foram determinadas por causas técnicas e, nada mais havendo a constar, encerro o
presente IT, o qual será remetido ao (autoridade que o determinou) para que se
produzam os efeitos legais.

Local/data

(Assinatura): Oficial Encarregado.10

VIII - MODELOS
Segue relação de modelos indispensáveis para a formalização do Inquérito
Técnico (IT).11

1 - Modelo de Ofício de Solicitação de Instauração de Inquérito Técnico

CABEÇALHO

Local/data
Ao Senhor Diretor de Apoio Logístico.
Assunto: Instauração de Inquérito Técnico
(IT)
Anexos: Cópia Autêntica extraída de
_______
Ref. Relatório do Serviço de Supervisor de
Policiamento da Capital (ou outro)
documento.

Senhor Diretor

Tendo chegado ao meu conhecimento que no _________ (características do material


de __________), na carga do _________ (Unidade) ocorreu _________ (resumo da
ocorrência), solicito que seja, com a possível urgência, instaurado a respeito, o devido
Inquérito Técnico, e que seja delegando ao encarregado, para este fim, as atribuições
militares que lhe competem, na forma da legislação vigente.

Cordialmente,

(Assinatura): Autoridade Comunicadora.

Recebi a 1.ª Via:


EM: _____/_____/_____
____________________
Oficial Diretor – MF

2 - Modelo de Capa e Autuação

CABEÇALHO

INQUÉRITO TÉCNICO

ENCARREGADO:
INVESTIGADO:
DANO:
LOCAL:

Inquérito Técnico mandando proceder pelo senhor Diretor da DAL (Diretoria


de Apoio Logístico), através da Portaria n.º _____/_____, publicada em Boletim do
Comando-Geral n.º _____, de _____/_____/_____ para apurar dano em material
___________, fato ocorrido __________, na cidade de __________ (OPM/OBM).
Local/data
(Assinatura): Encarregado do IT.

3 - Modelo de Portaria

CABEÇALHO

INQUÉRITO TÉCNICO

PORTARIA N.º _______/______ - DAL

O Coronel PM/BM Diretor de Apoio Logístico, no uso de suas atribuições


legais, RESOLVE:
Designar o _________ (oficial), da _________ (OPM/OBM), para proceder
Inquérito Técnico sob o que contém na documentação em anexo _________
envolvendo _________, delegando-lhe para este fim, as atribuições de sua
competência.

Local/data
(Assinatura): Diretor de Apoio Logístico.

Por delegação
________________________
Sub-diretor de Apoio Logístico
Matrícula Funcional

BCG N.º ____ de ____/____/____

4 - Modelo de Termo de Abertura

CABEÇALHO

TERMO DE ABERTURA

Aos ____ dias do mês de _________ de _________ do ano de


__________, nesta cidade de ___________, OPM/OBM, às ________ horas, dei por
aberto os trabalhos procedimentais referentes ao presente apuratório, do que, para
constar, lavrei o presente termo. Eu, Encarregado do Inquérito Técnico que ao final
assino.
(Assinatura): Encarregado do IT.

5 - Modelo de Ofício de Inquirição de Testemunha

CABEÇALHO

Of. Nº _____/______

Local e data

Ao (Nome da Testemunha)
Assunto: Comparecimento de testemunha
Ref.: BCG n.º _____/_____ - I.T.

Se a testemunha for militar – oficia-se ao comandante do mesmo;


Se a testemunha for servidor público – oficia-se ao chefe respectivo;
Se a testemunha for civil (maior) – oficia-se a
própria;
Se a testemunha for civil (menor ou adolescente) – oficia-se ao responsável pelo
mesmo (pai, mãe, curador), que deverá comparecer juntamente com a testemunha;
Se a testemunha for autoridade que detenha imunidade ou prerrogativa –
verificar os casos já estudados no capítulo II deste trabalho.

Solicito-vos comparecer no dia _____ de _____ de _____ , às _____ horas no quartel


do (a) OPM/OBM, localizado (na) _________ (endereço), a fim de prestar depoimento
em Inquérito Técnico da qual sou encarregado, conforme fez público em Boletim do
Comando-Geral n.º _____ /______.

Cordialmente,

(Assinatura): Encarregado do IT.

Recebi a 1.ª Via:


EM: _____/_____/_____
____________________
Testemunha – MF ou RG

6 - Modelo de Termo de Depoimento

CABEÇALHO
TERMO DE DEPOIMENTO

Aos _____ dias do mês de _________ do ano de _________, nesta cidade


de _________, no quartel do(a) __________ compareceu __________ (nome
completo, profissão, posto ou graduação e OPM/OBM onde serve se militar, idade,
naturalidade, estado civil, filiação, residência, documento de identidade), que foi
inquirido da seguinte forma: Perguntado a respeito do fato que deu origem ao presente
Inquérito Técnico, constante da _________ (portaria, parte, etc.), de fls. _____, a qual
lhe foi lida, respondeu que _________ (consignar as respostas transcrevendo, tanto
quanto possível, a exatidão das palavras e o sentido dado ao fato; sempre atento ao
que se está apurando, e com a maior objetividade, desenvolver a formulação das
perguntas, procurando precisar datas, horas, locais e circunstâncias do evento).
Perguntado, ainda, se tem algo mais a declarar, respondeu que ________. E como
nada mais disse, nem lhe foi perguntado, dou por encerrado o presente depoimento,
que depois de lido e achado conforme, vai devidamente assinado pelo Encarregado,
pelo inquirido e pelas testemunhas que presenciaram a inquirição (se houver).

(Assinaturas): Encarregado do IT, Testemunha, Testemunha(s) de


inquirição (se houver).

7 - Modelo de Ofício de Vistas dos Autos Para Defesa

CABEÇALHO

Of. Nº _____/______

Local e data

Ao Imputado
Assunto: Direito de defesa nos autos
Ref.: BCG n.º _____/_____ - I.T.

De conformidade com o artigo 5.º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988,


concedo a V. Sª o prazo de 5 (cinco) dias para manifestação de defesa em Inquérito
Técnico da qual sou encarregado, conforme fez público em Boletim do Comando-
Geral n.º _____ /______, visto que os danos causados a _________, de acordo com o
laudo/perícia foram a vós imputados.

Cordialmente,

(Assinatura): Encarregado do IT.


Recebi a 1.ª Via:
EM: _____/_____/_____
____________________
Imputado – MF

8 - Modelo de Relatório

CABEÇALHO

RELATÓRIO

1. Objeto do Procedimento
O presente Inquérito Técnico foi instaurado por determinação do Sr.
_________, através Portaria nº. __________, de _________, publicada em BCG n.º
_____, de _____/_____/_____, com a finalidade de apurar as circunstâncias e
responsabilidades em que ocorreram os danos no _________ (descrever do material).

2. Diligências realizadas
a. Inicialmente este Encarregado entendeu em ouvir as _______;
b. Posteriormente foram ouvidos _________________________;
c. Finalmente, foi reinquirido investigado ou foi feita a acareação entre
____;
d. Foram expedidos os seguintes documentos ______________;
e. Foram juntados aos autos os seguintes documentos _________.

3. Reconstituição dos fatos


Segundo resultou apurado, conforme declarações, interrogatórios e
documentos juntados, os fatos ocorreram da seguinte forma:
a. __________________________________;
b. __________________________________.

4. Valor da Recuperação _______________.


Tendo em vista que a avaliação dos danos causados orçados em R$
_________ e sou de parecer que a recuperação pode ser procedida pelo __________
ou __________ (ressarcimento ao Erário).

5. Da Reposição ou do Ressarcimento
É facultado a sua reposição nas mesmas características do produto
extraviado, furtado, roubado ou danificado ou o ressarcimento do respectivo valor pelo
militar estadual que deu causa ou contribuiu de alguma forma para as hipóteses
previstas neste artigo.
A reposição do produto extraviado ou o ressarcimento do respectivo valor
também poderá ser efetuado durante a ação penal.
A reposição do produto extraviado ou o ressarcimento do valor do produto
controlado extraviado não isenta o militar estadual da responsabilidade penal ou
administrativa.
O valor a ser ressarcido será o valor constante de tabela atualizada de
preço da indústria fabricante do produto extraviado, a ser informado pela 4ª Seção do
Estado Maior, conforme Anexo II da portaria do Comando-Geral n.º 069/2006, BCG n.º
101, de 30/5/2006.
Caso o produto controlado extraviado não seja mais fabricado, será
considerado o valor do modelo que porventura o tenha substituído e caso não exista,
aquele com as características que mais se aproximem do extraviado, devendo ser
indicado pela DAL, conforme Anexo III da portaria do Comando-Geral n.º 069/2006,
BCG n.º 101, de 30/5/2006.
O militar estadual que desejar ressarcir o valor de produto controlado
extraviado deverá preencher uma autorização, junto à Diretoria de Finanças (DF), para
desconto em folha no código referente ao Fundo específico, conforme Anexo IV da
portaria do Comando-Geral n.º 069/2006, BCG n.º 101, de 30/5/2006.
Após a implantação do desconto em folha, a DF fornecerá uma certidão,
conforme Anexo V da portaria do Comando-Geral n.º 069/2006, BCG n.º 101, de
30/5/2006, comprovando o ressarcimento ao militar estadual interessado para
apresentação junto ao processo judicial.
O ressarcimento, voluntário e expresso, poderá ser feito em 24 (vinte
quatro) parcelas fixas, desde que o valor da parcela não ultrapasse 10% (dez
porcento) dos vencimentos brutos, situação em que o prazo poderá ser aumentado até
que o valor do bem a ser ressarcido seja completado, com descontos efetuados
diretamente na folha de pagamento, salvo manifestação em contrário, por escrito, do
mesmo, caso deseje ressarcir em um período menor de tempo.
Caso o militar estadual não deseje, voluntariamente, ressarcir o valor do
produto controlado extraviado deverá o procedimento ser encaminhado à
Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para fins de adoção das providências legais.

6. Conclusão
De tudo o que foi acima exposto, concluo que não há (ou que há) indícios
de crime, mas sim (e nem) transgressão da disciplina militar.
Atribuo a responsabilidade pelos danos causados ao _________, sendo
que foram (não foram) apresentadas justificativas plausíveis para os fatos.
Isto posto, encaminho os presentes autos ao senhor _________
(autoridade delegante), a quem compete solucioná-los.

Local/data
(Assinatura): Encarregado do IT.

9 - Modelo de Encaminhamento de Inquérito Técnico á Autoridade


Delegante

CABEÇALHO

Of. nº ______/_______

Local/data

Ao Sr. Diretor da DAL


Assunto: Remessa de Inquérito Técnico (IT)
Anexos: IT em _____ vias, contendo _____ fls.
Ref.: BCG n.º _____/_____ - I.T.

Senhor Diretor

Remeto a V. Sª., o Inquérito Técnico anexo, procedido conforme Portaria nº. ______
de _____, publicado em Boletim do Comando-Geral n.º _____, de _____/_____/_____
para as providências julgadas pertinentes.

Cordialmente,

(Assinatura): Encarregado do IT.

Recebi a 1.ª Via:


EM: _____/_____/_____
____________________
Agente Recebedor – MF

10 - Modelo de Despacho da Autoridade Delegante

CABEÇALHO

DESPACHO
1. Retorne-se os autos ao Encarregado do Inquérito Técnico, para que, no
prazo de 10 (dez) dias após o recebimento, possa realizar as correções, perícias ou
exames necessários a conclusão do feito;
2. Após recebimento do feito diligencial, proceda-se a solução no prazo de
5 (cinco) dias, remetendo-se os autos ao Sr. Comandante-Geral da Corporação para
os fins de direito.
Cumpra-se, o responsável pelo setor.

Local/data
(Assinatura): Autoridade Delegante.

11 - Modelo de Solução de Inquérito Técnico

CABEÇALHO

INQUÉRlTO TÉCNICO - SOLUÇÃO

Pelas conclusões a que chegou o (posto, nome, matrícula) Encarregado do


Inquérito Técnico instaurado para apurar as circunstâncias e responsabilidades nos
danos sofridos pelo (especificar o material) verifica-se que o dano é decorrente de
(narrar a causa), pelo que resolvo:
a) Concordar ou não com o Relatório do Encarregado do Inquérito Técnico,
fundamentando sua decisão;
b) Imputar ou deixar de imputar os prejuízos (especificar o nome do
responsável) na importância de R$ __________;
c) Declarar sobre acordo extrajudicial para o ressarcimento dos danos de
conformidade com o artigo 4.º da Portaria n.º 069/2006, publicada em BCG n.º 101, de
30 de maio de 2006;
d) Determinar medidas administrativas ao P/4 da Diretoria;
e) Remeter a primeira via para a autoridade delegante, a quem compete
remeter a Procuradoria Geral do Estado (P.G.E) para as providências legais. Desta
forma, retire-se uma outra via para arquivo.
f) remeta-se ao Sr. Comandante-Geral da Corporação para fins de decisão
final e publicação da presente Solução em BCG.

Local/data
(Assinatura): Autoridade Delegante.
CAPÍTULO VI (NOTAS DE RODAPÉ)

1 – MOREIRA, Juceli dos Santos. MATTE, Sérgio Saldanha. Inquerito Técnico e


Sindicância Policial Militar. Porto Alegre: Polost, 2004.
2 – Portaria nº 108/2006 – Gabinete do Comando-Geral da PMCE, Publicada em
Boletim nº 149, de 7 de Agosto de 2006.
3 – MOREIRA, op. cit 2004, p. 23-25.
4 – Id. Ibid. 2004, p. 27-32
5 – Vide Manual Básico de Segurança do Trânsito. FIAT. Belo Horizonte: 2000:
POLASTRI, Marcellus. O Processo Penal nos Crimes de Trânsito Rio de Janeiro:
Lumem Juris, 2001.
6 – RIZZARDO, Arnaldo. A Reparação nos Acidentes de Trânsito. 8 ed. São Paulo:
RT, 2000.
7 – Vide id. Ibid. 2004; RIZZARDO, Arnaldo. Comentários ao Código de Trânsito
Brasileiro. 5 ed. São Paulo: RT, 2004; SANTOS, Altamiro J. Dos. Direito Civil do
Trânsito. São Paulo: LTR, 2003; LUZ, Waldemar P. da. Trânsito e Veículos. 2 ed Porto
Alegre; Sagra, 1990. BRASILEIRO, Exército. Portaria n.º 10, de 27 de Junho de 2002,
Publicada em Boletim do Exército n.º 27/2002, p. 12-15.
8 – Boletim do Comando-Geral da Policia Militar do Ceará n.º 149/06 e 195/06.
9 – BRASILEIRO, op. cit 2002, p. 54-62.
10 – Id. Ibid. 2002.
11 – MOREIRA, op. cit. 2004, p. 33-40; BRAISLEIRO, op. cit. 2002; BRASILEIRO,
Exército. Estado Maior do. Formulários Sobre Inquérito Policial Militar, Auto de Prisão
em Flagrante Delito e Sindicância. Brasília: 1969, p. 42-43.
CAPÍTULO VII

TERMO DE DESERÇÃO (TD)

Tratando-se de Deserção, o militar estadual está sujeito a tipologia


insculpida no Código Penal Militar bem como as regras especiais do Código de
Processo Penal Militar.
Mesmo assim, dentre os militares estaduais, muitas dúvidas pairam em
relação à formalização de tal procedimento, pois não temos em nosso ordenamento
interno, qualquer normatização no sentido de orientar a feitura e a materialização do
mesmo a luz dos ritos especiais. Apenas alguns autores de renome, que lidam na área
do direito militar (juízes, promotores, procuradores, advogados e oficiais militares), têm
contribuído com seus artigos e matérias com o fim de dirimir dúvidas ainda reinantes.

I – DA DESERÇÃO

1. Conceituação e fundamentação legal


Deserção, na acepção da palavra, significa abandonar, desamparar.
Origina-se do Latim “desertio” e remonta o tratamento rigoroso que perdurou por
longos tempos, passando pelos exércitos romanos até os povos mais antigos, como
os gregos, cujas penas eram de extremo rigor, materializadas pelo fuzilamento,
esquartejamento e crucificação do militar, culminando, muitas vezes, com lançamentos
às feras, do alto da Rocha Tarpéia, das mãos ou das pernas do militar desertor, para a
perda da condição de militar.1
A deserção, delito propriamente militar, é sem dúvida alguma um dos tipos
penais mais questionados pelos especialistas na área. Para os dias atuais, alguns
entendem que é um privilégio do militar, pois ao desertar sem qualquer motivo
aparente, passando mais de 8 (oito) dias ausente sem permissão, retorna ao serviço
ativo como se nada ocorrera, apenas respondendo a um processo que por vezes se
arrasta no Juízo Militar. Outros já enfatizam que os militares, nesses casos
específicos, deveriam ter tratamento idêntico aos servidores civis, que, ausentes sem
justa causa por mais de 30 (trinta) dias consecutivos ou 60 (sessenta) dias,
interpoladamente, durante o período de 12 (doze) meses (vide artigos 138 e 139 da lei
nº 8.112/90 – Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Federais), perdem o
cargo público.2
Adiante, asseveram alguns outros autores mais radicais que as atecnias na
feitura do termo de deserção, aliada a letargia de parte da Administração Militar,
principalmente por comandantes desidiosos, que conduzem os processos com vícios
de formalidade e legalidade, geram, normalmente, à absolvição ou a prescrição, esta,
muitas vezes, chegam ha números extremos em determinados Estados da Federação.
Seguindo essa lógica, enfatizam que os desertores, muitas vezes, sequer
são punidos disciplinarmente, ocorrendo via de regra, uma “poupança forçada”, em
que o desertor, sentindo-se tolhido em seu “direito”, recorre as Varas da Fazenda
Pública, que terminam por condenar o Estado (Administração) a pagar-lhe o devido
com atrasos e dividendos, desde o ato de exclusão ou agregação.
Na verdade, não será intenção encerrar questionamentos a respeito da
polêmica, até porque já existe em vigor projeto de lei no intuito de modificar tal
tipologia militar, além da simples proposta de revogação expressa dos artigos 187 e
seguintes do diploma penal militar (CPM), datado de 21 de outubro de 1969.
Por oportuno, a deserção tem fundamentação legal: a) No Código Penal
Militar (artigo 187 ao 194); b) No Código de Processo Penal Militar (artigo 451 ao 462);
c) Na Lei de Organização Judiciária Militar (alínea “c” e § 3.º do artigo 13); d) Na Lei do
Serviço Militar (alínea “d”, do artigo 31); e) No Regulamento da Lei do Serviço Militar (§
5.º do artigo 140, artigos 142, 148 e § 6.º do artigo 166); f) No Estatuto dos Militares
Federais (artigo 90); g) No Estatuto dos Militares Estaduais do Ceará (artigo 202) e no
Código Disciplinar dos Militares do Estado do Ceará (artigo 23, inciso I, alínea “f”).

2. Dos Crimes
O crime de deserção é tipificado no Código Penal Militar (CPM), mais
especificamente entre os artigos 187 e 194, e apresenta-se da seguinte forma:

1) Deserção propriamente dita:


Art. 187. Ausentar-se o militar, sem licença, da unidade em
que serve, ou de lugar em que deva permanecer, por mais de
(oito) dias:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a dois anos; se oficial, a
pena é agravada.

Se o militar se ausenta voluntariamente do local onde deva estar, e


transcorrido mais de 8 (oito) dias (prazo de graça), o crime de deserção está
consumado. A deserção se constitui e consuma pela ausência irregular e continuada
do militar, por mais de 8 (oito) dias, do quartel ou da unidade em que estiver servindo.
A questão tornou-se polêmica desde o julgamento de recurso ordinário em
Habeas Corpus, em 13/12/2000, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), para afastar
a incidência do crime de deserção. Vejamos a decisão:
Processo Penal Militar – Crime de deserção – Policial Militar –
Não configuração. O crime de deserção configura-se pela
simples ausência (crime formal), por mais de 8 (oito) dias, e
se caracteriza no nono dia, contando como primeiro dia o de
sua ausência da unidade. Logo, como sua ausência se deu
no dia 04/02, a contagem do prazo para efeitos de deserção
iniciou em 05/02, findando-se em 12/02. Portanto, como o
requerente apresentou-se em 13/02, conclui-se, destarte, que
seu período de ausência foi de apenas oito dias, e não de
mais de oito dias, conforme estabelece a lei para a
configuração do crime em questão (grifo nosso).3

Autores renomados dizem que a questão é meramente aritmética. Para


tanto, citam a regra do artigo 451 do Código de Processo Penal Militar (CPPM), com
nova redação que lhe deu a Lei n.º 8.236, de 20 de setembro de 1991, que dispõe o
seguinte: “A contagem dos dias de ausência, para efeito de lavratura do termo de
deserção, iniciar-se-á a zero hora do dia seguinte àquele em que foi verificada a falta
injustificada do militar”.
Sendo assim, pela interpretação da norma legal, se um militar se ausentar
injustificadamente no dia 1.º, inicia-se a contagem do prazo dos dias de ausência a
zero hora do dia 2.º e consumar-se-á a deserção, a partir da zero hora do dia 10.4
SANTOS (2007, p. 246) apresenta um esquema prático:5

X = dia do mês que o militar estaria a serviço.


Início da contagem (ausência ilegal, art. 451, § 1.º do CPPM =
às 00h de X + 1;
Parte de Ausência = às 00 de X +2;
Termo de Deserção = às 00 de X + 9.

A controvérsia criada ainda se estende nos quartéis de todo o Brasil.


Porém, entendemos que a inteligência interpretativa da lei n.º 8.236/1991 é a que
garante mais segurança jurídica para o caso em comento.

2) Casos semelhantes:
Em outras situações, o militar também cometerá crime de deserção, e
incorrerá na mesma pena estipulada no artigo 187 do Código Penal Militar, senão
vejamos:

Art. 188 (...)


I – não se apresenta no lugar designado, dentro de 8 (oito)
dias, findo o prazo de trânsito ou férias;
II – deixa de se apresentar à autoridade competente, dentro do
prazo de 8 (oito) dias, contados daquele em que termina ou é
cassada a licença, ou agregação ou em que é declarado o
estado de sítio ou de guerra;
III – tendo cumprido pena, deixa de se apresentar, dentro do
prazo de 8 (oito) dias;
IV – consegue exclusão do serviço ativo ou situação de
inatividade, criando ou simulando incapacidade.

Clarividentemente, o militar praticará crime de deserção ao infringir


qualquer dos regramentos legais supra citados, pois, ciente do prazo que deva se
apresentar, não cabe ao bel prazer alongá-lo. São os casos de deserção após
ausência autorizada ou criação e simulação de incapacidade.6

3) Deserção especial:
No artigo 190 do Código Penal Militar, vislumbra a denominada deserção
especial:

Art. 190. Deixar o militar de apresentar-se no momento da


partida do navio ou aeronave, de que é tripulante, ou da
partida ou deslocamento da unidade ou força em que serve.
Pena – detenção, até 3 (três) meses, se após a partida ou
deslocamento, se apresentar, dentro de 24 (vinte e quatro)
horas, à autoridade militar do lugar, ou, na falta desta, à
autoridade policial, para ser comunicada a apresentação a
comando militar da região, distrito ou zona.
§ 1.º Se a apresentação se der dentro de prazo superior a 24
(vinte e quatro) horas e não excedente a 5 (cinco) dias.
Pena – detenção, de 2 (dois) a 8 (oito) meses.
§ 2.º Se superior a 5 (cinco) dias e não excedente a 10 (dez)
dias.
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
§ 3.º - A Se superior a 8 (oito) dias.
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2(dois) anos.
§ 4.º A pena é aumentada de 1/3 (um terço), se se tratar de
sargento, subtenente ou suboficial, e de 1/2 (metade) se
oficial.
Nos casos acima expressos, existe a situação do militar ser tripulante, ou
seja, o militar integra o efetivo previamente escalado, devendo estar presente no local,
dia e horário determinado para o embarque, não se admitindo atrasos. Na outra
situação, em que o militar não é tripulante, mas de qualquer sorte, integra o efetivo
escalado. É a deserção imediata.
Ressalte-se, que em tais casos, não existe o Prazo de Graça, e a deserção
se tem por consumada no momento da partida do navio ou da aeronave.

4) Concerto para a deserção:

Art. 191. Concertarem-se militares para a prática da deserção:


I – se a deserção não chega a consumar-se:
Pena – detenção, de três meses a um ano.
II – se consumada a deserção:
Pena - reclusão, de dois a quatro anos.

Segundo lição de LOBÃO (2004, p. 288):

O concerto significa a conjugação de vontades, para alcançar


o fim expresso na Lei, configurando-se no momento da
concordância de dois militares, pelo menos. Os que recusam,
embora presente à reunião ou tendo conhecimento do fato,
responderão disciplinarmente ou por outro delito que não o de
concerto.7

5) Deserção, após evasão ou fuga:

Art. 192. Evadir-se o militar do poder da escolta, ou de recinto


de detenção ou de prisão, ou fugir em seguida à prática do
crime para evitar prisão, permanecendo ausente por mais de 8
(oito) dias.
Pena – detenção, de 6 (seis) a 2 (dois) anos.

Neste caso específico, podemos dividir o artigo em três momentos:


a) Evadir-se do poder da escolta – o detento militar está fora da prisão,
sendo deslocado mediante escolta, para comparecer a algum evento de ordem
jurídica;
b) Evadir-se do recinto de detenção ou da prisão – do local onde o
detento militar se encontra recolhido, podendo ser Quartel, Presídio Militar,
Penitenciária etc.;
c) Evadir-se do local de crime, evitando a prisão – a prisão é a espécie
flagrante delito, onde o militar pratica o crime e foge para evitar a prisão.

Evadindo-se ou fugindo, o militar passa à condição de ausente e a


ausência por tempo superior a oito dias opera a transformação do ausente em
desertor.8

6) Favorecimento a desertor

Art. 192. Dar asilo a desertor, ou tomá-lo a seu serviço, ou


proporcionar-lhe ou facilitar-lhe transporte ou meio de
ocultação, sabendo ou tendo razão para saber que cometeu
qualquer dos crimes previstos neste capítulo:
Pena – detenção, de quatro meses a um ano.
Isenção de pena
Parágrafo único. Se o favorecedor é ascendente,
descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de
pena.

Assevera-se penalidade para aquele agente (militar ou civil) que sabendo


que determinado militar é desertor, procura ajudá-lo a consumar o delito, favorecendo-
o. No parágrafo único a exceção a regra.

7) Omissão de Oficial

Art. 194. Deixar o oficial de proceder contra desertor,


sabendo, ou devendo saber encontrar-se entre os seus
comandados:
Pena – detenção, de seis meses a um ano.

O oficial que se omitir, em realizar os procedimentos legais, sendo


comandante do militar ou responsável pela Organização Militar ou não prende quem
quer que se encontre na condição de desertor, deve ser apenado, conforme o “caput”
do artigo, em concurso com os crimes de condescendência criminosa ou
inobservância de lei, regulamento ou instrução (vide artigos 322 e 324 do Código de
Processo Penal).9

3. Do Insubmisso
O Crime de insubmissão está definido no artigo 183 do Código Penal
Militar, obedecendo aos preceitos dos artigos 463 e 465 do Código de Processo Penal
Militar, no que diz respeito a seu processo e julgamento.
Segundo Plácido e Silva (1996, p. 490): “Insubmisso é a pessoa que deixou
de apresentar-se ao serviço militar ou à sua incorporação, se em tempo para isso, ou
se convocado para servir”.10
Consumada a insubmissão, lavrado o respectivo Termo, este será assinado
pelo Comandante, ou autoridade correspondente, e duas testemunhas. Formalizada
tal providência, fica o insubmisso sujeito à captura, para o efeito de incorporação.
Apresentado ou capturado, o procedimento é o mesmo daquele previsto
para o julgamento dos crimes de deserção, com suas características especiais. Tal
ocorre com o desertor, se for julgado incapaz definitivamente, ficando isento do
processo e da inclusão.
No entanto, enquanto o desertor capturado ou apresentado será
imediatamente preso, o insubmisso terá o quartel por menagem (concessão ou
benefício concedido, quando acusado de certas faltas, para que fiquem presa fora do
cárcere, até que se julgue sobre o caso) e, da menagem será liberado, se não for
julgado no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, a contar de sua apresentação ou
captura.11
Considera-se que somente o civil poderá praticar o crime de insubmissão.
Para COSTA (2007, p. 131):

Sua existência somente é possível na Esfera das Forças


Armadas, pois nas Forças Auxiliares e Reservas do Exército
não há obrigatoriedade do recrutamento para o serviço militar.
A legislação que trata do serviço militar é a Lei n.º 4.375/64,
dispondo sobre as regras do recrutamento.12

Na citada Lei n.º 4.375/64, em seu artigo 12 o recrutamento para o serviço


militar compreende: “a) seleção; b) convocação; c) incorporação ou matrícula em
órgãos de formação de reserva; d) voluntariado.”
Por fim, entendemos que o estudo em questão merece pouco
aprofundamento por parte dos militares estaduais.

II – DAS PROVIDÊNCIAS ELENCADAS NO CÓDIGO DE PROCESSO


PENAL MILITAR (CPPM)

1. Da Processualística Penal Militar


Na processualística penal militar, com especialidade entre os artigos 451 a
457, evidenciam-se de forma latente, todas as fases do procedimento e do processo
de deserção.
Aqui, especificamente, evidencia-se os atos de Polícia Judiciária Militar,
que sofrerá o exame do Ministério Público do Juízo Militar. O encarregado do
procedimento, bem como o comandante da Organização Militar deverá tomar todos os
cuidados possíveis, além de adotar todas as providências que a lei processual
enumera, com o fim específico de não causar nenhuma nulidade ao feito, além de
evitar que o infrator (desertor) seja ao final beneficiado.
Por bem, impõe-se observar o rito do processual da deserção em geral
(artigos 451 a 453 do Código de Processo Penal Militar), quando o desertor é oficial
(artigos 454 e 455 do Código de Processo Penal Militar) ou se praça (artigos 456 e
457 do Código de Processo Penal Militar).13

2. Fases Procedimentais

Para SANTANA (1999, p. 10-11), Promotor de Justiça do Juízo Militar e


Professor da Academia de Polícia Militar do Estado da Bahia, em lapidar
posicionamento sobre as imprescindíveis providências a serem tomadas na condução
dos referidos procedimentos, no âmbito das Organizações Militares (OM), relacionou
as seguintes providências, que referendamos por fases:14

1ª Fase:
Recebida a ‘Parte de Ausência’, que é dada decorridas as primeiras 24
horas da falta do miliciano ao serviço, o comando determinará, de logo, a realização
do inventário do material permanente em poder do ausente.
2ª Fase:
Decorrido o ‘Prazo de Graça’, configurada a deserção, deve o comando da
subunidade encaminhar a ‘Parte de Deserção’ - Acusatória - devidamente
acompanhada do inventário, ao comando da sua OM, que fará lavrar o ‘Termo de
Deserção’, devidamente assinado por ele, por 2 (duas) testemunhas (oficiais ou
graduados) e do militar encarregado da sua lavratura.
3ª Fase:
Ambos, ‘Parte de Ausência’ e ‘Termo de Deserção’, são publicados em
Boletim do Comando Geral (BCG), sendo, também, se praça sem estabilidade o
desertor, ser providenciado o ato da sua exclusão do serviço ativo. Se praça com
estabilidade ou oficial, será agregado - grifo nosso.
4ª Fase:
Só depois da publicação de tais atos (exclusão ou agregação) em Boletim
do Comando Geral (BCG) e da devida transcrição em Boletim Interno (BI), é que os
autos do ‘procedimento de deserção’ devidamente instruídos com os documentos
exigidos pela norma devem ser encaminhados ao Ministério Público, e não à Auditoria
da Justiça Militar Estadual (AJME) – Leia-se Juízo Militar, como ainda exige a lei.
5ª Fase:
Agregado o desertor, sendo praça, decorrido um ano desse ato deverá ser
excluído sob os mesmos cuidados (publicação em BCG, transcrição em BI e
comunicação a AJME). O desertor oficial permanece na condição de agregado,
mesmo se apresentando voluntariamente ou capturado, até o trânsito em julgado da
sentença no processo de deserção
6ª Fase:
Capturado ou se Apresentando Voluntariamente o desertor, será este fato
comunicado ao juiz imediatamente (art. 222 do CPPM), pelo comando da Organização
Militar onde ele se apresentar, com a devida publicação.
7ª Fase:
Se excluído, deverá logo após sua captura ou apresentação voluntária, ser
encaminhado à Junta Militar de Saúde (JMS) para Inspeção de Saúde e avaliação da
sua capacidade para fins de reinclusão. Apto, será reincluído, remetendo o comando
cópia da ata e do boletim onde publicou a reinclusão a Auditoria da Justiça Militar
Estadual (AJME). Inapto, recebida à cópia da Ata na AJME, fica o desertor dispensado
da reinclusão e livre do processo, que será arquivado;
8ª Fase:
Se agregado, após a Inspeção de Saúde, deve o desertor praça ser
revertido ao serviço ativo por ato simples publicado em BCG, cuja cópia será
encaminhada a AJME.”

RESUMO SEQUENCIAL:
1) Parte de Ausência;
2) Despacho na Parte de Ausência;
3) Inventário de bens pertencentes à Fazenda Pública e Particular;
4) Prazo de Graça;
5) Parte de Deserção – Acusatória;
6) Despacho do Comandante;
7) Termo de Deserção;
8) Publicação em Boletim do Comando Geral;
9) Agregação ou Exclusão ou Reinclusão do Desertor;
10) Comunicação ao Juiz do Juízo Militar.15

De acordo com publicação em boletim do Comando-Geral da Polícia Militar


do Estado de São Paulo (PMESP) de n.º 146/99 que trata da rotina de procedimentos
relativos ao procedimento da deserção, visto a multiplicidade de Órgãos envolvidos
com o procedimento adotado para o referido delito propriamente militar, enfocou-se
alguns tópicos:16
1) O Termo de Deserção tem caráter de instrução provisória e destina-se a
fornecer os elementos necessários à propositura da ação penal, sujeitando desde
logo, o desertor à prisão;
2) Nas formalidades para a captura do desertor, garantem-se os direitos
constitucionais do preso;
3) Em recentes episódios, foi constatado que as medidas adotadas pela
Corporação para subsidiar a ação penal perante a Justiça Militar careceram de uma
melhor sistematização, a qual se faz urgente;
4) A ação penal, para se desenvolver validamente, necessita de uma série de
providências de cunho administrativo, de responsabilidade da Corporação, visando
atender aos prazos legais previstos no Código de Processo Penal Militar;
5) As providências administrativas referentes ao crime de deserção não se
exaurem com a consumação do delito, mas prosseguem com a captura do desertor ou
sua apresentação espontânea.

3. Restauração dos Autos


Toda vez que os autos originais de processo penal militar forem extraviados
ou destruídos, poderão ser restaurados, na forma dos artigos 481 a 488 do Código de
Processo Penal Militar.
Proceder-se-á, no dia designado, à audiência das partes, que serão
ouvidas, conforme se vê o artigo 483. O prazo para conclusão das diligências é de 40
(quarenta) dias. Juntada a restauração, os autos respectivos valerão pelos originais.
Deverá ser apurada a responsabilidade do extravio dos autos originais,
sendo o causador responsabilizado criminalmente pelos fatos, nos termos do artigo
352, do Código Penal Militar, além da responsabilidade administrativo-disciplinar,
contida no Código Disciplinar, respaldado pelo princípio da independência das
instâncias.17

4. Orientações do Comando-Geral Adjunto


O Coronel PM Comandante-Geral Adjunto, no uso das atribuições legais e
considerando:
1) a necessidade de aperfeiçoamento na elaboração de processo de
deserção;
2) o Ministério Público, para consubstanciar a “opinio delict”, necessita de
informações certas ou indicativas ou não do dolo/culpa na conduta do agente;
3) a simples falta do serviço pelo tempo estabelecido em lei não é suficiente
para consumação da conduta desertora, ante a falta de dolo específico, qual seja, o
fim de abandonar a função militar;
4) para uma boa instrução processual, faz-se necessária à tomada de
depoimentos pessoais das testemunhas do fato. ORIENTA aos senhores
comandantes de OPM a determinarem realização de diligências no processo de
deserção, dentre as quais a tomada do depoimento de testemunhas, mais
precisamente amigos, colegas e familiares do suposto desertor, cujo resultado
constará no Termo de Diligências.18

III – OUTROS PONTOS RELEVANTES – DOUTRINA E


JURISPRUDÊNCIA

Na feitura do procedimento pelo encarregado, bem como no decorrer do


processo já no Juízo Militar, além das fases que obrigatoriamente devem ser
realizadas, outros pontos são de grande relevância para que todo o rito processual se
complete plenamente.
A Polícia Judiciária Militar, como o Ministério Público e o Juiz de Direito do
Juízo Militar, devem proceder ao feito com a maior celeridade possível, praticando
todos os atos de forma solene e com o maior rigor, com o fim maior de evitar
processos viciados desde a origem, o estagnamento no Juízo Militar e principalmente,
a impunidade.
Desta forma, para melhor entendimento da matéria, outros tópicos devem
ser acrescentados aos já estudados, para que o ciclo do rito processualístico seja
plenamente concretizado, senão vejamos:19
1) Antes do prazo de graça não haverá desertor e sim, o ausente, a quem
são aplicadas as sanções disciplinares estabelecidas no Código Disciplinar. A Parte de
Ausência tem algumas finalidades: a) dar conhecimento ao escalão superior de que o
militar acha-se faltando ao quartel ou ao serviço; b) registrar o início do Prazo de
Graça; c) inventariar bens; d) medidas administrativas pertinentes (instrução,
alimentação, vencimentos, etc);
2) A deserção é uma infração penal, onde o militar evolui da simples
transgressão dA disciplina para o cometimento do crime;
3) Se o ausente retornar ao Quartel em prazo inferior a 8 (oito) dias,
responderá tão-somente pela transgressão estabelecida no Código Disciplinar
4) O ausente que retornar ao quartel ou que for encontrado em prazo
inferior a 8 (oito) dias, poderá ser Recolhido Transitoriamente, por um período de até 5
(cinco) dias, na conformidade do artigo 26 do Código Disciplinar;
5) O Termo de Deserção é o documento mais importante do processo, e a
partir de sua lavratura revertida das formalidades legais (artigo 456, § 4.º do Código de
Processo Penal Militar), e da correspondente publicação em boletim, o Ausente
passará à condição de Desertor;
6) Recebida a Parte de Acusatória acompanhada dos Inventários, será
lavrado o Termo de Deserção. Desde então, juntando-se todas as peças nas quais se
fundamentam, o desertor está sujeito à prisão, segundo previsto no artigo 452 do
Código de Processo Penal Militar;
7) O desertor, em estado deliquencial, estará na iminência de Apresentar-
se Espontaneamente ou ser Capturado (artigo 243 do Código de Processo Penal
Militar), bastando o termo de deserção para sujeitar o desertor à prisão (§ 2º do artigo
451 do Código de Processo Penal Militar). A partir da lavratura do Termo de Deserção,
o delito está sendo Permanentemente Praticado e a prisão do desertor assemelha-se,
por si mesmo, a uma Autêntica Prisão em Flagrante que se legitima automaticamente,
independente de qualquer mandato de citação;
8) Caso o desertor seja considerado apto ao serviço ativo, quando da
Inspeção de Saúde, a autoridade de Polícia Judiciária Militar deve providenciar a
reinclusão do desertor e a sua notícia deve chegar a tempo no Juízo Militar, antes do
prazo de 5 (cinco) dias daquela prisão (analogia ao artigo 79 do Código de Processo
Penal Militar – 1ª parte), caso contrário, ocasionará a soltura do desertor;
9) Sem a providência do item 8) retro, não haverá a possibilidade do
oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, por lhe faltar uma condição
específica da ação;
10) Constitui uma prática generalizada nos processos ou procedimentos, o
pedido de exame de sanidade mental do desertor, artifício usado pela defesa como
medida protelatória. Tratando-se de um exame complexo, que nunca é feito
imediatamente após o pedido, a medida se transformou em instrumento hábil da
defesa, permitindo que o réu ganhe a liberdade por ultrapassar o prazo de 60
(sessenta) dias previsto no artigo 453 do Código de Processo Penal Militar para que
se efetive o julgamento;
11) Para evitar tal prática, inteiramente contrária ao bom andamento da
justiça, convém que a Junta Médica que examinar o desertor para fins de reinclusão,
já se manifeste quanto às condições físicas e mentais do paciente que, uma vez
reincluído, não mais poderá argumentar nesse sentido. Embora se trate de um
problema médico dos mais complexos e a Junta nem sempre dispõe de todos os
meios necessários à realização do mesmo, ela poderá opinar quanto a sanidade
mental do desertor, naqueles casos em que o seu comportamento é normal;
12) A lei estabelece um prazo para o julgamento do desertor, que é de 60
(sessenta) dias, a contar do dia de sua apresentação voluntária ou captura. Caso
contrário, será posto em liberdade, salvo se tiver dado causa ao retardamento do
processo (artigo 453 do Código de Processo Penal Militar), situação que obriga o juiz,
após manifestação ministerial, determinar que o preso permaneça custodiado;
13) Mesmo sem processo, a prisão de qualquer desertor é possível, a
qualquer tempo, em razão dos efeitos do Temo de Deserção lavrado pelo
Comandante da OPM/OBM logo após a consumação do crime (artigo 452 e § 3º do
artigo 456 do Código de Processo Penal Militar);
14) Em sede de deserção, não existe condenação por revelia. É necessário
sempre, para o início do processo especial e para o julgamento, a presença física do
desertor. Mais que isso, é exigido o seu “status” de militar, para que possa ser
denunciado (Súmulas nºs 8 e 12 do Superior Tribunal Militar – STM);
15) No crime de deserção, embora decorrido o prazo de prescrição, esta só
extingue a punibilidade quando o praça desertor atinge a idade de 45 (quarenta e
cinco) anos e, se oficial, a de 60 (sessenta), desde que, já tenha decorrido o prazo de
4 (quatro) anos, inteligência do artigo 132 do Código de Processo Penal Militar;
16) Não mais se realizam diligências para encontrar desertor;
17) Somente militares da ativa respondem a processo de deserção;
18) Como toda ação penal militar é pública (artigo 29 do Código de
Processo Penal Militar), cabe ao Ministério Público do Juízo Militar, após recebimento
do procedimento da deserção realizado pelo encarregado, que executa a atividade de
Polícia Judiciária Militar, o oferecimento da denúncia crime, provocando o início do
processo;
19) Desertor é o militar que consumou o crime e Emansor é o militar que
estando ausente, não extrapola o prazo de graça 8 (oito) dias da deserção;
20) O Estatuto dos Militares do Estado do Ceará (Lei n.º 13. 729, de 11 de
Janeiro de 2006) modificou a estabilidade do militar estadual do Ceará estabelecida
na lei n.º 13. 407/2003 (Código Disciplinar), mitigando-a de 10 para 3 anos de efetivo
serviço. Tal propositura ficou em consonância com o artigo 41 “caput”, da Constituição
Federal de 1988.

IV – ORIENTAÇÕES NORMATIVAS GERAIS


Sendo assim, com base nas orientações normativas da Polícia Militar do
Estado de São Paulo, passaremos de forma analógica a adaptar e a estabelecer
normas procedimentos para facilitar o trabalho dos responsáveis pelos procedimentos
ou parte deles, depois da consumação do delito, visto que não temos normas próprias
e que estas poderão serem seguidas pelas Organizações Militares do Estado do
Ceará:

1. Da Rotina Após a Consumação do Delito de Deserção

1.1. Das Atribuições do Comandante-Geral Adjunto:


1.1.1. Lavrado o Termo de Deserção, de acordo com o artigo 451 "caput"
do Código de Processo Penal Militar e realizada sua publicação em boletim interno,
deverá:
I – remeter, os autos originais, de acordo com o artigo 454, § 2º e artigo
456, § 4º, do Código de Processo Penal Militar diretamente ao Juízo Militar do Estado,
endereçados ao MM Juiz do Juízo Militar, acompanhados dos seguintes documentos:
a) cópia do boletim interno que publicou o termo de deserção;
b) copia do assentamento individual do desertor, já com a transcrição do
boletim interno acima mencionado.
c) Ficha Individual de Fardamento.
II – Instauração de Processo Regular, caso o militar estadual seja
capturado ou apresentado, tendo sido submetido a exame de saúde, for julgado
incapaz definitivamente para o serviço militar;

1.2. Das Atribuições da Diretoria de Pessoal:


Através da DP-2, deverá providenciar a exclusão do serviço ativo, para fins do
disposto no artigo 456, § 4º, do Código de Processo Penal Militar, e agregação do
policial militar desertor, a contar da data em que se consumou a deserção.

1.3. Das Atribuições da Diretoria de Finanças


Com a informação do último dia de vencimento do desertor, calculará os
vencimentos a receber, determinando a exclusão da folha de pagamentos até
comunicação da reversão ao serviço ativo.

2. Da Rotina Após a Apresentação Espontânea ou Captura do Desertor


2.1. Da Captura e da Apresentação Espontânea do Desertor
Qualquer policial ou bombeiro militar deverá efetuar a prisão do desertor,
nos termos dos artigos 243 e 452 do Código de Processo Penal Militar, devendo o
preso ser apresentado imediatamente à Autoridade Policial ou Bombeirística Militar
para lavratura do Termo de Apresentação Espontânea do Desertor ou do Termo de
Captura do Desertor.

2.2. Da Lavratura do Termo de Captura e do Termo de Apresentação


Espontânea do Desertor
2.2.1. A Autoridade Policial ou Bombeirística Militar que capturar o desertor ou
aquela a quem este se apresentar, deverá:
I - elaborar, em 4 (quatro) vias, o respectivo Termo de Captura ou Termo de
Apresentação Espontânea, conforme o caso;
II - entregar, mediante recibo, 1 (uma) via do Termo ao desertor;
III - determinar a escolta imediata do desertor ao Presídio Militar,
encaminhando 1(uma) via do Termo de Captura ou Apresentação Espontânea;
IV - encaminhar 1(uma) cópia do Termo de Captura ou Apresentação
Espontânea ao Comandante-Geral Adjunto;
V - encaminhar 1(uma) cópia do Termo de Captura ou Apresentação
Espontânea à OPM/OBM que lavrou o termo de deserção;
2.2.2. O Presídio Militar somente receberá o desertor se a escolta entregar,
no mesmo ato, uma via do Termo de Captura ou do Termo de Apresentação
Espontânea.
2.2.3. Para efeitos legais, considera-se Autoridade Policial ou Bombeirística
Militar aquelas definidas no artigo 245 do Código de Processo Penal Militar.

2.3. Das Atribuições da Diretoria do Presídio Militar


2.3.1. O Diretor do presídio deverá providenciar:
I - de imediato, se durante o expediente administrativo da respectiva
Corporação, ou no primeiro dia útil subseqüente à apresentação do desertor ao
Presídio, a comunicação da prisão do desertor ao MM Juiz de Direito do Juízo Militar;
II - de imediato, se durante o expediente administrativo da Corporação, ou
no primeiro dia útil subseqüente à apresentação do desertor ao Presídio, encaminhá-lo
ao Hospital da Polícia Militar (JMS) no período matutino, para a inspeção de saúde;
III - imediata remessa dos autos ao Comandante-Geral Adjunto da
Corporação para publicação em Boletim do Comanda Geral do Termo de Captura ou
de Apresentação Espontânea, e da ata de inspeção de saúde para fins de reinclusão,
com os resultados, transcrevendo tudo nos assentamentos e elaborando o Adendo de
Assentamentos do desertor;

2.4. Das Atribuições do Presidente da Junta Militar de Saúde


No mesmo dia da apresentação do desertor para inspeção de saúde, fará
chegar a ata de inspeção de saúde para fins de reinclusão, às mãos do Diretor do
Presídio Militar, por intermédio da própria escolta, devendo constar o eventual
encaminhamento do desertor às clínicas especializadas.

2.5. Das Atribuições do Comandante-Geral Adjunto


Imediatamente após o recebimento de toda a documentação, inclusive, da
ata de inspeção de saúde para fins de reinclusão, efetuada pelo HPM, o envio de
ofício, em caráter urgentíssimo à Diretoria de Pessoal (via DP/2), encaminhando a
cópia do Termo de Captura ou de Apresentação Espontânea, a ata de inspeção de
saúde e o adendo de assentamentos, solicitando ainda a cessação da agregação do
desertor e indicando, se possível, ao Juízo Militar onde se encontra o processo.

2.6. Das Atribuições da Diretoria de Pessoal


Tão logo receba a documentação oriunda do Diretor do Presídio, deverá
providenciar:
I - a imediata publicação do termo de reversão ao serviço ativo e reinclusão
no estado efetivo da OPM/OBM de origem do desertor;
II - a imediata transmissão, via fax, ao MM Juiz de Direito do Juízo Militar
que se encontra o processo do expediente originário do Presídio Militar, da portaria
para publicação do ato administrativo que reverteu o desertor ao serviço ativo, do
Termo de Captura ou Apresentação Espontânea e da Ata de Inspeção de Saúde para
fins de reinclusão.

3. Disposições Finais
3.1. O Comandante da OPM/OBM que lavrou o Termo de Deserção deverá
acompanhar, logo após o encaminhamento do Termo de Deserção ao Juízo Militar, a
regularidade do feito, tomando conhecimento da manifestação do Ministério Público do
Juízo Militar e do despacho da autoridade judiciária militar (artigo 457, "caput", do
Código de Processo Penal Militar) providenciando, em caso de inépcia do Termo de
Deserção, a imediata comunicação ao Presídio Militar.
3.2. Se instaurado processo regular (CJ, CD ou PAD), conforme o artigo 71
do Código Disciplinar, ao policial ou bombeiro militar for cominada pena administrativa
de expulsão ou demissão, o Comandante da OPM/OBM do ausente deverá, de
imediato, informar tal fato ao MM Juiz de Direito do Juízo Militar que se encontra com
processo (utilizando-se o número deste como referência).
3.3. As praças Militares Estaduais que houverem cumprido a pena
conseqüente de crime de deserção, deverão ser submetidos a processo regular, onde
lhe serão assegurados o contraditório e a ampla defesa, nos termos do artigo 23,
inciso II, alínea “e”, da Lei n.º 13. 407/2003 (Código Disciplinar).20

V - MODELOS
Segue relação de modelos indispensáveis para a formalização do Termo de
Deserção (TD).21

1 - Modelo de Capa e Autuação

CABEÇALHO

TERMO DE DESERÇÃO

ENCARREGADO:
1º TESTEMUNHA:
2º TESTEMUNHA:
DESERTOR:

AUTUAÇÃO

Aos ____ dias do mês de _________ do ano de _________ nesta cidade


de _________ no Quartel do (a) _________ autuo o (a) _________ que me foi
entregue pelo ________.
Do que, para constar, lavro este termo e os demais registros em livro
próprio.

(Assinatura): Comandante da Unidade.

2 - Modelo de Parte de Falta ao Serviço (Ausência Ilegal)

CABEÇALHO

PARTE DE FALTA AO SERVIÇO (AUSÊNCIA ILEGAL)

Local/data
PARTE N.º _____/_____.

Do: Sub-Comandante, Oficial-de-Dia ou de Serviço ___________.


Ao: Sr. Comandante do(a) OPM/OBM.
Assunto: Comunicação de Ausência.
Anexo: 1) Parte n.º (de falta ao serviço); 2) Cópia da escala de serviço de (data da
falta).
Senhor Comandante,

Comunico a V.S. ª que o _________ PM/BM (faltoso), escalado nesta data, no serviço
de dia no horário das _________às __________ horas, faltou ao serviço. Até a
presente data não se apresentou ou enviou motivo que justificasse a sua ausência.

(Assinatura): Autoridade Comunicante (Sub-Comandante ou Oficial-de-Dia


ou de Serviço).

3 - Modelo de Despachos Diversos do Comandante

CABEÇALHO

DESPACHOS NA PARTE DE AUSÊNCIA

1. Declaro ausente o _____ PM/BM, a contar da 00:00 hora do dia (dia do


início da ausência). Publique-se a Parte de Ausência em Boletim Interno da Unidade
ou Sub-Unidade;
2. Nomeio o _________ e o _________ (testemunhas - preferencialmente
dois Oficiais) para juntamente com o Sub-Comandante da ______ Unidade ou Sub-
Unidade, Major ou Capitão PM/BM ________, diligenciar para elaboração de Auto de
Inventário do material pertencente a Fazenda Pública distribuído ao ausente e por ele
deixado e extraviado;
3. Deve ser, igualmente, elaborado Auto de Inventário dos pertences
pessoais encontrados do ausente (Bens Particulares);
4. O Major ou Capitão PM/BM ________ deverá realizar as diligências
abaixo elencadas:
4.1. expedir mensagem circular para todas as OPM/OBM comunicando a
ausência;
4.2. expedir mensagem aos hospitais e familiares para verificação se o
ausente encontra-se internado naquela Unidade ou em outra local;
5. Contados 8 (oito) dias, não sendo capturado ou apresentando-se o
ausente, deverá ser elaborado a Termo de Deserção, por este Comandante, ratificado
pelas testemunhas e o Sub-Comandante da Unidade ou Sub-Unidade no mesmo dia
para a adoção das medidas de polícia judiciária militar cabíveis.

Local/data (dia seguinte ao início da ausência).


(Assinatura): Autoridade (Comandante da Unidade).
4 - Modelo de Auto de Inventário (Bens da Fazenda Pública)

CABEÇALHO

AUTO DE INVENTÁRIO (BENS DA FAZENDA PÚBLICA)

Aos ____ (após o início da ausência) dias do mês de _________ do ano


de _________, no quartel do _________, o Major ou Capitão PM/BM _________,
acompanhado das testemunhas abaixo, realizaram o inventário dos bens pertencentes
a Fazenda Pública distribuídos ao ____________ PM/BM (ausente).
1. Material Distribuído
1.1. Fardamento não vencido
1.2. Equipamento
1.3. Armamento
2. Material encontrado:
Nada mais havendo, encerra-se o presente auto que vai por todos
assinados.

(Assinaturas): Encarregado (Sub-Comandante da Unidade ou Sub-


Unidade), 1.ª Testemunha e 2.ª Testemunha.

5 - Modelo de Auto de Inventário (Bens Particulares)

CABEÇALHO

AUTO DE INVENTÁRIO (BENS PARTICULARES)

Aos ____ (após o início da ausência) dias do mês de _________ do ano de


___________, no quartel do(a) _________ (OPM/OBM do desertor), o Major ou
Capitão PM/BM _________ – Sub-Comandante da _________, acompanhado das
testemunhas abaixo, realizou o inventário dos bens particulares do ____________
PM/BM (ausente), encontrados no interior da OPM/OBM.
1. _________________________________;
1.1_________________________________;
1.2_________________________________.

Nada mais havendo, encerra-se o presente auto que vai por todos
assinados.

(Assinaturas): Encarregado (Sub-Comandante da Unidade ou Sub-


Unidade), 1.ª Testemunha e 2.ª Testemunha).

6 - Modelo de Termo de Depoimento de Testemunha (s)

CABEÇALHO

TERMO DE DEPOIMENTO DE TESTEMUNHA

Aos ____ dias do mês de _________ do ano de _________, nesta cidade


de _______, no quartel do _________ compareceu a testemunha (nome completo,
profissão, posto ou graduação e OPM/OBM onde serve, se militar, idade, naturalidade,
estado civil, filiação, residência, documento de identidade), que foi inquirida pelo
sindicante. Perguntado a respeito do fato que deu origem à presente investigação,
constante da __________ (parte, etc.), de fls _______, a qual lhe foi lida, respondeu
que _________ (consignar as respostas transcrevendo, tanto quanto possível, a
exatidão das palavras e o sentido dado ao fato pela testemunha; sempre atento ao
que se está apurando, e com a maior objetividade, desenvolver a formulação das
perguntas, procurando precisar datas, horas, locais e circunstâncias do evento).
Perguntado, ainda, se tem algo mais a declarar a respeito do destino do PM/BM
ausente, respondeu que _______. E como nada mais disse, nem lhe foi perguntado,
dou por encerrado o presente depoimento, que depois de lido e achado conforme, vai
devidamente assinado pelo sindicante, pelo inquirido e pelas testemunhas que
presenciaram o depoimento.

(Assinaturas): Oficial Encarregado do Depoimento e Testemunha ou


Testemunhas de Depoimento.

7 - Modelo de Auto de Consumação da Deserção – Parte Acusatória

CABEÇALHO

AUTO DE CONSUMAÇÃO DA DESERÇÃO – PARTE ACUSATÓRIA

Assunto: Parte Acusatória.


Anexo: 1) parte de falta ao serviço;
2) parte de ausência;
3) despacho do Comandante da OPM/OBM;
4) relatório(s) de diligência(s);
5) auto(s) de inventário(s).
Após cumprir as providências determinadas pelo Comandante da Unidade
ou Sub-Unidade, no despacho retro-citado, e uma vez decorrido o período legal de
mais de 8 (oito) dias marcado em lei (artigo 187 do Código Penal Militar) para se
configurar a deserção, que se configurou de forma injustificada a 00:00 desta data,
acuso que o prazo está findo:
1) Este comando não recebeu qualquer comunicação do desertor ou de
parentes sobre os motivos do delito.
2) Realizou-se as diligências contidas no despacho além de outras
consideradas convenientes (descrever).
Sendo assim, lavro o presente auto de consumação de deserção, com a
Parte Acusatória e todas as peças em anexo.

Local/data
(Assinatura): Encarregado (Sub-Comandante da Unidade ou Sub-
Unidade).

DESPACHO:
EM _____/_____/_____

1. Publique-se;
2. Lavre-se o TERMO DE DESERÇÂO
Na forma prevista no § 4.º, do artigo 456
Do Código de Processo Penal Militar.
________________________________
Comandante da Unidade

8 - Modelo de Termo de Deserção

CABEÇALHO

TERMO DE DESERÇÃO N. º _______/__________

Aos _____ dias do mês de _________ de ________ (datado do 9.º dia


de ausência), nesta cidade de _________, presentes o Sr. _________, Comandante
desta Unidade e as testemunhas abaixo, foram lidas as peças componentes dos
presentes autos, nos quais verifica-se que o _________ PM/BM faltou ao serviço das
________ às ________ horas de _________, sendo declarado ausente a contar da
00:00 hora de _________, transcorrendo o prazo legal de 8 (oito) dias sem que o
ausente se apresentasse espontaneamente ou fosse localizado e capturado, apesar
das diligências descritas nos documentos de folhas ____ a ____ , consumando-se o
crime de deserção, previsto no artigo 187 do Código Penal Militar (ou artigo 188, inciso
I ou artigo 192 do CPM) à 00:00 hora desta data; Que, em face do ocorrido, fica
determinado expediente ao Comandante-Geral Adjunto da Corporação, visando
publicação em Boletim do Comando-Geral bem como, via diretoria de pessoal a
agregação ou exclusão do desertor do estado efetivo desta Corporação, a contar de
_________ (dia anterior à consumação da deserção); Que os assentamentos
individuais do desertor devem ser atualizados com a citada publicação, extraindo-se,
após, cópia para juntada aos presentes autos; Que, o presente termo deve ser
numerado, autuado e capeado, juntando-se os demais documentos em ordem
cronológica, devidamente numerados e rubricados; Que a Diretoria de Finanças deve
ser comunicada, visando o cálculo e bloqueio dos créditos pecuniários do desertor. Ao
final, os autos originais devem ser remetidos ao Juízo Militar Estadual para distribuição
do feito. Nada mais havendo, mandou a Autoridade Policial Militar/Bombeirística Militar
encerrar o presente termo, que para os fins do artigo 451 do Código de Processo
Penal Militar mandou lavrar, e que será por todos assinados. Eu, _________, o digitei.

(Assinaturas): Comandante da Unidade , 1.ª Testemunha, 2.ª Testemunha


e Sub-Comandante da Unidade ou Sub-Unidade.

DESPACHO:
EM _____/_____/_____
1. Publique-se o Termo em Boletim Interno.
2. Remeta-se ao Comandante-Geral Adjunto para:
a) Publicação em Boletim do Comando-Geral;
b) Exclusão do serviço ativo ou Agregação do Desertor (§ 4.º do artigo 456,
do CPPM);
c) Registro da deserção em livro específico (§ 5.º do artigo 456, do CPPM).
3. Ao Ajudante/Secretário para providenciar extrato dos assentamentos do
desertor;
4. Ao Ajudante/Secretário para arquivo de toda a documentação pertinente
ao caso, aguardando a “Apresentação Voluntária” ou a “Captura” do desertor, quando
deverá ser a mesma encaminhada, mediante ofício, a autoridade Judiciária
competente.

(Assinatura): Comandante da Unidade.

9 - Modelo de Notas para Boletim


CABEÇALHO

NOTA PARA BOLETIM N.º ___________ - ____________

TRANSCRIÇÃO DE TERMO DE DESERÇÃO

Aos _____ dias do mês de _________ do ano de ________, estando


presentes o _________ Oficial Cmt. da OPM/OBM), tendo como testemunhas
_________ e _________, foi lida a Parte Acusatória, da qual consta que o _________
(PM/BM – qualificação), encontra-se faltando ao Quartel da _________ (OPM/OBM),
desde o dia ____/_____/_____ completando assim, os dias de ausência previstos em
Lei para que se consume o crime de deserção.
E para que conste do processo a que responderá perante o Juízo Militar
Estadual, como incurso na sanção penal prevista no artigo ________ do Código Penal
Militar, lavrou-se este termo que vai devidamente assinado por todos (Transcrição do
termo de Deserção n.º da ______ (OPM/OBM), anexo ao ofício n.º _____/_______ -
OPM/OBM).

ou

EXCLUSÃO DE PM/BM DESERTOR

Na forma do artigo 456, § 4.º, do Código de Processo Penal Militar,


EXCLUO do estado efetivo da Corporação, a contar de _____/_____/_____, o
_________ PM/BM, n.º _________, matrícula Funcional n.º _________, pertencente
ao efetivo da _________.

ou

AGREGAÇÃO DE PM/BM DESERTOR

Na forma do artigo 456, § 4.º, do Código de Processo Penal Militar,


AGREGO no estado efetivo da Corporação, a contar de _____/_____/_____, o
_________ PM/BM, n.º __________, matrícula Funcional n.º _________, pertencente
ao efetivo da ________.
Que a Diretoria de Pessoal, Diretoria de Finanças e o Comandante da Unidade ou
Sub-Unidade adotem as providências legais.
Publique, registre, cumpra-se.

Local/data
(Assinatura): Comandante-Geral da Corporação.
Por Delegação:
________________________
Comandante-Geral Adjunto

10 - Modelo de Termo de Captura por Crime de Deserção

CABEÇALHO

TERMO DE CAPTURA POR CRIME DE DESERÇÃO

Aos _____ dias do mês de _________ do ano de _________, na


_________ (local onde foi capturado o desertor - endereço, Município e Estado)
_________, foi preso ________ (graduação/posto, RG, nome completo do desertor e
endereço residencial atual), sendo conduzido ao quartel do (OPM/OBM onde foi
lavrado o Termo) _________, onde foi por mim, (autoridade militar que lavrou o
termo), cientificado de seus direitos constitucionais, dentre os quais permanecer
calado, de ter identificado os autores de sua prisão e de seu interrogatório e
assegurada a assistência de sua família e de advogado que indicar, manifestou na
oportunidade que deseja manter contato com ________ (indicar os telefones
chamados e as pessoas contatadas - família e advogado). Foi-lhe então informado
que se acha preso, por força do Termo de Deserção _______ (Nº do Termo de
Deserção) por haver cometido o crime de deserção, previsto no Código Penal Militar,
tendo figurado como condutor o (qualificação do condutor) e ________ (qualificação
das testemunhas) como testemunhas. Dada a palavra ao desertor, declarou que
_______ (colher as razões pelas quais o militar estadual desertou das fileiras da
Corporação). Nada mais a declarar, encerrou-se o presente termo que, lido e achado
conforme, vai devidamente assinado por todos.

(Assinaturas): Autoridade, Condutor, 1.ª Testemunha, 2.ª Testemunha e


Desertor.

Data de entrega
_____/_____/_____
________________
Agente Recebedor

DESPACHO:
EM _____/_____/_____
1. Publique-se o Termo em Boletim Interno;
2. Seja recolhido à prisão, de acordo com o artigo 452 do CPPM, o
__________ Ex- (PM/BM) ou Agregado, devendo aguardar o preso a solução do
processo a que responderá perante o Juízo Militar;
3. Submeta-se o preso a Inspeção de Saúde, para fins de reinclusão ou
reversão, de acordo com o § 1.º do artigo 457 do CPPM;
4. Ciência ao Comandante-Geral da Corporação;
5. Comunicação e remessa dos Autos ao Juízo Militar.

(Assinatura): Comandante da Unidade da Apresentação.

11 - Modelo de Termo de Apresentação Espontânea de Desertor

CABEÇALHO

TERMO DE APRESENTAÇÃO ESPONTÂNEA DE DESERTOR

Aos _____ dias do mês de _________ do ano de ________, apresentou-se


espontaneamente, no quartel do _________ (OPM/OBM), localizado à _________
(endereço da OPM/OBM), o _________ (graduação/posto, RG, nome completo do
desertor e endereço residencial atual), onde foi por mim, (autoridade militar que lavrou
o Termo), na presença das testemunhas _________ (qualificação das testemunhas),
cientificado de que se acha preso, por força do Termo de Deserção _________ (Nº do
Termo de Deserção), por haver cometido o crime de deserção, previsto no Código
Penal Militar. Foi então cientificado de seus direitos constitucionais, dentre os quais
permanecer calado, de ter identificado os autores de sua prisão e de seu interrogatório
e assegurada a assistência de sua família e de advogado que indicar, manifestou na
oportunidade que deseja manter contato com _________ (indicar os telefones
chamados e as pessoas contatadas - família e advogado). Dada a palavra ao desertor,
declarou que _________ (colher as razões pelas quais o policial militar desertou das
fileiras da Corporação). Nada mais havendo a declarar, encerrou-se o presente termo
que, lido e achado conforme, vai devidamente assinado por todos.

(Assinaturas): Autoridade, Condutor, 1.ª Testemunha, 2.ª Testemunha e


Desertor.

Data de entrega
_____/_____/_____
________________
Agente Recebedor
DESPACHO:
EM _____/_____/_____
1. Publique-se o Termo em Boletim Interno;
2. Seja recolhido à prisão, de acordo com o artigo 452 do CPPM, o
__________ Ex (PM/BM) ou Agregado, devendo aguardar o preso a solução do
processo a que responderá perante o Juízo Militar;
3. Submeta-se o preso a Inspeção de Saúde, para fins de reinclusão ou
reversão, de acordo com o § 1.º do artigo 457 do CPPM;
4. Caso a Apresentação Voluntária na data de _____/_____/_____, não
tenha ultrapassado o limite de 8 ou de 60 dias da condição de Desertor, fica
assegurado ao Ex (PM/BM), os benefícios do inciso I, do artigo 89 do Código Penal
Militar (Livramento Condicional).
5. Ciência ao Comandante-Geral da Corporação;
6. Comunicação e remessa dos Autos ao Juízo Militar.

(Assinatura): Comandante da Unidade da Apresentação.

12 - Modelo de Inspeção de Saúde

CABEÇALHO

INSPEÇÃO DE SAÚDE

Em cumprimento ao disposto no § 1.º do artigo 457 do Código de


Processo Penal Militar, e consoante despacho do Comandante já devidamente
publicado, o Desertor PM/BM _________, n.º _________, Matrícula Funcional n.º
_________ (Capturado ou Apresentado Espontaneamente) foi submetido a Inspeção
de Saúde. Do resultado da inspeção, derivam:
1. Desertor julgado Incapaz Definitivamente para o serviço ativo da
PMCE/CMBCE, pelos seguintes motivos: _________ (elencar);
2. Desertor julgado Apto para o serviço ativo da PMCE/CBMCE.

Local/data
(Assinaturas): Presidente da Junta Militar de Saúde, 1.º Membro e 2.º
Membro.

OBS:
1) A JMS deverá manifestar-se quanto às condições físicas e mentais do
paciente;
2) Na avaliação da sua capacidade para fins de reinclusão, deverá ser
providenciado: Se apto, será reincluído, remetendo o comando cópia da ata e do
boletim onde publicou a reinclusão ao Juízo Militar. Se inapto, recebida à cópia da Ata
no Juízo Militar, fica o desertor dispensado da reinclusão e livre do processo, que será
arquivado;
3) Se agregado, após a Inspeção de Saúde, deve o desertor ser revertido ao
serviço ativo por ato simples publicado em BCG, cuja cópia será encaminhada ao
Juízo Militar.

13 - Modelo de Notas para Boletim

CABEÇALHO

NOTA PARA BOLETIM N.º ___________ - ____________

REINCLUSÃO OU REVERSÃO DE PM/BM CAPTURADO OU


APRESENTADO ESPONTANEAMENTE

Na forma do artigo 457, § 1.º, do Código de Processo Penal Militar,


REINCLUO ou REVERTO ao estado efetivo da Corporação, a contar de
_____/_____/_____, o _________ PM/BM, n.º _________, matrícula Funcional n.º
_________, pertencente ao efetivo da _________, depois de submetido a inspeção de
saúde e, julgado apto para o serviço ativo.
Que a Diretoria de Pessoal, Diretoria de Finanças e o Comandante da
Unidade ou Sub-Unidade adotem as providências legais, inclusive, as constantes nos
§ 3.º do artigo 457 ou seja, remessa de cópia ao Juízo Militar do ato de reinclusão ou
do ato de reversão, sob pena de responsabilidade.
ou

DECLARAÇÃO DE INCAPACIDADE DEFINITIVA

Na forma do artigo 457, § 2.º, do Código de Processo Penal Militar,


DECLARAMOS A INCAPACIDADE DEFINITIVA ao estado efetivo da Corporação, a
contar de _____/_____/_____, do _________ EX- PM/BM, n.º __________, matrícula
Funcional n.º _________, que era pertencente ao efetivo da _________, depois de
submetido a inspeção de saúde e, julgado incapaz definitivamente para o serviço
ativo.
Que a Diretoria de Pessoal e o Comandante da Unidade ou Sub-Unidade
adotem as providências legais, inclusive, as constantes no § 2.º do artigo 457 ou seja,
remessa de cópia ao Juízo Militar da Ata de Inspeção de Saúde, para que o desertor
sem estabilidade seja isento da reinclusão e do processo, sob pena de
responsabilidade.
Publique, registre, cumpra-se.

Local/data
(Assinatura): Comandante-Geral da Corporação.

Por Delegação:
________________________
Comandante-Geral Adjunto

14 - Modelo de Ofício de Remessa dos Autos ao Juiz do Juízo Militar

CABEÇALHO

Of. n.º _____/_____


Local/data

Do: Comandante-Geral Adjunto da PM/BM.


Ao: Exmº Sr. Juiz do Juízo Militar Estadual.
Assunto: Remessa de Documentação.
Anexos: Autos do Termo de Deserção n.º ______ (Relacionar toda a documentação).

Senhor Juiz,

Encaminho a Vossa Excelência os Autos do Termo de Deserção em anexo, lavrado


nesta data em desfavor do _________ (PM/BM) desertor. Até a presente data não se
apresentou ou enviou motivo que justificasse a sua ausência.

Respeitosamente,

(Assinatura): Comandante-Geral Adjunto PM/BM.

CAPÍTULO VII (NOTAS DE RODAPÉ)

1 – LOUREIRO NETO, José da Silva. Direito Penal Militar. 3 ed. São Paulo: Alas,
2000, p. 152.
2 – PRADO, Leandro Cadenas. Servidores Públicos Federais. Lei n.º 8. 112/90. 2 ed.
Rio de Janeiro: 2004.
3 – ASSIS, Jorge César. O Prazo para Consumação do Crime de Deserção. Revista
Jurídica Consulex, Rio de Janeiro: Ano IX, n.º 192,2005.
4 – Id. Ibid. 2005, p. 46.
5 – SANTOS, Sérgio Moreira dos. Manual Prático da Autoridade Policial Militar. São
Paulo: Suprema Cultura, 2007, p. 246.
6 – LOBÃO, Célio. Direito Penal Militar. 2 ed. Brasília e Jurídica. 2004, p. 267 e 272.
7 – Id. Ibid. 2004, p. 278.
8 – Id. Ibid. 2004, p. 292.
9 – LOUREIRO NETO, op. cit, 2000.
10 – SILVA, Plácido e. Dicionario Juridico. 12 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p.
490.
11 – FAGUNDES, João Batista. A Justiça do Comandante. Brasília: Senado Federal,
1988, p. 158-159.
12 – COSTA, Alexandre Henriques da. Manual Prático dos Atos de Policia Judiciária
Militar. São Paulo: Suprema Cultura, 2007, p. 131.
13 – LAZZARINI, Álvaro. Código Penal Militar, Código de Processo Penal Militar,
Estatuto dos Militares e Constituição Federal. 4 ed. São Paulo: RT, 2003.
14 – SANTANA, Luiz Augusto de. O crime de Deserção e as Policias Militares. Revista
de Direito Militar. Curitiba: n.º 19, 1999, p. 10-11.
15 – FAGUNDES, op. cit 1999, p. 152-153.
16- Policia Militar do Estado de São Paulo. Boletim do Comando Geral. São Paulo: n.º
149/1999.
17 – FAGUNDES, op. cit. 1988, p. 38.
18 – CEARÁ, Policia Militar do. Boletim do Comando Geral n.º 194, de 13 de Outubro
de 2006.
19 – Vide FAGUNDES, op. cit. 1988; ROTH, Ronaldo João. Temas de Direito Militar.
São Paulo: Suprema Cultura, 2004. SANTANA, op. cit, 1999. CEARÁ, Código
Disciplinar dos Militares dos Estado do. Fortaleza: Inesp, 2003
20 – São Paulo, op. cit. 1999.
21 – FAGUNDES, op. cit. 1988, p. 101-107. COSTA, op. cit, p. 124-130; SANTOS, op.
cit. 2007, p. 2003.
CAPÍTULO VIII

SINDICÂNCIA MILITAR (SM)

I – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A legislação federal (Código de Processo Penal Militar), além da Instrução


Geral do Exército Brasileiro (IG-10-11), esta, bem detalhada, tratam com atenção da
Sindicância Militar, procedimento largamente citado por autores atuantes na área do
Direito Administrativo, especialmente, a do Direito Administrativo-Disciplinar.
A legislação militar estadual do Ceará (Código Disciplinar, Lei n.º
13.407/2003), também refere-se a este procedimento investigatório, necessitando que
se estabeleça rito, fases, prazos, dentre outros atos processuais indispensáveis a
feitura do mesmo.
Sendo assim, como forma de orientação aos militares estaduais,
passaremos a apresentar e dissecar vários tópicos referentes a tal procedimento, de
forma, que ao final, possamos seguir um rito próprio, dentro dos princípios basilares da
Administração Pública.

II – CONCEITUAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO

1. Conceituação
Conforme leciona MEIRELLES (1993, p. 596), em seu estudo de Direito
Administrativo Brasileiro: “Sindicância é o meio sumário de elucidação de
irregularidades no serviço para subseqüente instauração de processo e punição ao
infrator”.1
Já para DI PIETRO (2001, p. 509), fazendo referências a CRETELLA
JÚNIOR:

Sindicância é o meio sumário de que se utiliza a Administração


do Brasil para, sigilosa ou publicamente, com indiciados ou
não, proceder à apuração de ocorrências anômalas no serviço
público, as quais, confirmadas, fornecerão elementos
concretos para a imediata abertura de processo administrativo
contra funcionário público responsável.2

PRADO (2003, p. 136), em seu resumo da lei 8.112/90 (dispõe sobre o


Regime Jurídico dos Servidores Públicos Federais), enfatiza que o artigo 143 trata
sobre sindicâncias:
As irregularidades cometidas por servidores públicos deverão
ser apuradas imediatamente pela autoridade que tiver ciência
do fato ou ato. Isso se dará por dois meios, a saber:
sindicância e processo administrativo-disciplinar, não se
olvidando de sempre assegurar ao servidor o direito à ampla
defesa.3

Para ROSA (2006, p. 11), citado por Jorge César de Assis em Revista de
Direito Militar: “A sindicância, com o objetivo de apurar a falta administrativa praticada
em tese, pelo servidor ou militar apesar de possuir rito próprio não chega a configurar
um processo administrativo”.4
Continua o renomado autor informando que a sindicância poderá ser
investigatória ou acusatória. No primeiro caso, o fato é conhecido, mas o autor do
ilícito administrativo é desconhecido. No segundo caso, tanto o autor como o fato são
desconhecidos, e a autoridade Administrativa busca colher elementos para comprovar
os indícios dos fatos que são atribuídos ao militar, a funcionário civil, que poderá ser
submetido a um processo administrativo para a perda do cargo ou da função, ou para
a aplicação de outras penalidades previstas em lei.5

2. Fundamentação legal
O Código de Processo Penal Militar (CPPM), quando trata do Inquérito
Policial Militar, mais precisamente no artigo 10 (modos por que pode ser iniciado),
elenca na alínea ”f”, que:

Art. 10. O Inquérito é iniciado mediante portaria:


(...)
f) quando, de sindicância feita em âmbito de jurisdição militar,
resulte indício da existência de infração penal militar.6

O Código Disciplinar da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do


Ceará (lei nº 13.407, de 21 de novembro de 2003), estabelece em seu artigo 11, § 4º,
inciso I, que:

Art. 11. A ofensa aos valores e aos deveres vulnera a


disciplina militar, constituindo infração administrativa, penal ou
civil, isolada ou cumulativamente.
(...)
§ 4.º A disciplina e o comportamento do militar estadual estão
sujeitos à fiscalização, disciplina e orientação pela
Corregedoria-Geral dos Órgãos de Segurança Pública e
Defesa Social, criada pela lei Estadual nº 12.691, de 16 de
maio de 1997, competindo-lhe, ainda:
I – instaurar e realizar sindicância por suposta transgressão
disciplinar que ofenda a incolumidade da pessoa e do
patrimônio estranhos às estruturas das Corporações Militares
do Estado.7

O Exército Brasileiro, através da IG 10-11, mais precisamente no artigo 1º,


estabeleceu que: “... As instruções gerais, com a finalidade de normatizar, padronizar
e orientar procedimentos para a realização de sindicância no âmbito do Exército
Brasileiro”.8
Ainda hoje, são bastante utilizados os regramentos para a feitura da
sindicância contidos no Formulário sobre Inquérito Policial Militar, Auto de Prisão em
Flagrante Delito e Sindicância (Exército Brasileiro: 1979) e o Manual da Corregedoria,
editado pela Polícia Militar do Ceará, datado de 11 de março de 1993 e que somente
apresenta modelo padrão das peças a serem materializadas. Este último, na nossa
ótica, foi derrogado pela Lei Estadual nº 12.691, de 16 de maio de 1997 (Criou a
Corregedoria-Geral dos Órgãos de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do
Ceará).
No entanto, a realização da sindicância no seio das Corporações Militares
no Estado do Ceará, assim como outros procedimentos ainda sem regulamentação
“interna corporis”, podem e devem ser confeccionados por interpretação analógica ao
que se tem em vigor no Exército Brasileiro.
Isso se deve ao preceito constitucional estabelecido no artigo 42 e seus
parágrafos, artigo 142 e seus parágrafos e artigo 144, §§ 5º e 6º da Constituição
Federal de 1988, além do que está frisado no Estatuto da Polícia Militar do Ceará (lei
nº 13.729, de 11 de janeiro de 2006), artigo 139: “Art. 228. Aplica-se à matéria não
regulada nesta Lei, subsidiariamente e no que couber, a legislação em vigor para o
Exército Brasileiro”.9
Assim, como o Exército Brasileiro regulou o procedimento de Sindicância
através da IG 10-11, nada impede que utilizemos esse regramento administrativo
naquilo que não colidir com o que temos definido atualmente na portaria, publicada em
Boletim do Comando-Geral.10

III – DA PROCESSUALÍSTICA

A abertura de sindicância na Corporação só se justifica quando: “a) tenha


ocorrido um ato ou fato de certa e ponderável gravidade; b) não haja elementos
capazes de provar, suficientemente, a existência ou a autoria destes.” São os
ensinamentos de OCTAVIANO et al GONZALEZ (2002, p. 29).11
No entanto, instaurado o procedimento administrativo interno, conferem a
ele serem observadas certas conceituações próprias e indispensáveis à sua real
efetivação, senão vejamos:

1. Terminologias e conceitos.
1) Sindicante – é o oficial designado através de portaria (delegação da
autoridade competente) para a feitura do procedimento.
2) Sindicado – é a pessoa envolvida no fato a ser esclarecido e sob quem
recai todo o objeto da investigação.12
3) Autoridade delegante – é o que, determina e dá poderes a outrem para
investigar. É cediço que no âmbito das Corporações militares estaduais as autoridades
competentes para determinar a instauração de sindicância, por analogia ao Código
Disciplinar dos Militares Estaduais do Ceará, são aquelas elencadas no inciso I, do §
4º do artigo 11, conforme estudamos neste capítulo, e no artigo 31, a seguir
nominadas:

Art. 31. A competência disciplinar é inerente ao cargo, função


ou posto, sendo autoridades competentes para aplicar a
sanção disciplinar:
I – o Governador do Estado: a todos os militares do Estado
sujeitos a este Código;
II – o Secretário da Segurança Pública e Defesa Social e o
respectivo Comandante-Geral: a todos os militares do estado
sujeitos a este Código, exceto os indicados no inciso seguinte;
III – o Chefe da Casa Militar: aos integrantes desta;
IV – os Subcomandantes da Polícia Militar e do Corpo de
Bombeiros Militar: a todos sob seu comando e das unidades
subordinadas e às praças inativas da reserva remunerada;
V – os oficiais da ativa: aos militares do Estado que estiverem
sob seu comando ou integrantes das OPM ou OBM
subordinadas.13

4) Prazos – A portaria n.º 108/2006, publicada em Boletim do Comando


Geral da Polícia Militar do Ceará normatiza prazos para conclusão e prorrogação de
procedimentos e processos no âmbito da PMCE, elencando a Sindicância como
gênero, tendo como espécies a Sindicância Formal e Sumária com prazos
diferenciados para a conclusão dos trabalhos. Formal, 30 (trinta) dias com prorrogação
de mais 20 (vinte) dias. Sumária, 20 (vinte) dias, podendo ser prorrogada também por
mais 20 (vinte) dias.
No nosso entendimento, a autoridade delegante deveria determinar apenas
a instauração da SINDICÂNCIA, que poderia ser denominada SINDICÂNCIA MILITAR,
augurando que o encarregado (sindicante) obedecesse às exigências formais
existentes, como: investigação, coleta de informações, declarações, depoimentos,
juntada de provas materiais e outras.
5) Suspeição e substituição do sindicante – conforme prescreve o artigo
142 do Código de Processo Penal Militar (CPPM), não se poderá opor suspeição ao
encarregado do Inquérito, mas deverá este se declarar suspeito quando ocorrer motivo
legal, que lhe seja aplicável. Nesse caso, caberá a autoridade delegante, de acordo
com as provas evidenciadas nos autos, acatar ou não o incidente de suspeição,
decisão essa que deverá ser motivada e enquadrar-se nos casos estipulados nos
artigos 251 a 256 do Código de Processo Penal (CPP).
6) Contraditório e ampla defesa – é pacífico na doutrina e na
jurisprudência que o instituto da dialética no procedimento, da defesa direta e da
defesa indireta são assegurados quando da realização de sindicâncias. Esse
dispositivo constitucional, que se identifica como direito público subjetivo negativo, já é
amplamente difundido no seio das organizações militares estaduais e será estudado
mais detalhadamente nos capítulos seguintes.14
7) Presença do acusado nas oitivas das testemunhas - O direito de
presença do acusado na sala de audiência não é absoluto e a lei processual penal
(artigo 217) e penal militar (artigo 358) conferem ao juiz, o poder-dever de fazer retirar
o réu sempre que pela sua atitude possa influir no ânimo da testemunha. O poder-
dever legal é o de proteger a produção da prova oral, assegurando a liberdade
subjetiva das testemunhas e vítimas. Portanto, já se manifestou o Superior Tribunal de
Justiça (STJ) que: “Inocorre cerceamento de defesa na decisão que determina a
retirada do acusado da sala de audiência em razão de pedidos formulados pelas
próprias testemunhas, face temor e receio de prestar depoimento na presença do
mesmo”.
8) Da retratação – É um instituto do Direito Penal, cabível nas ações
privadas referentes aos crimes de calúnia ou de difamação. Retratar-se é admitir o
erro formalmente, é a retirada das expressões caluniosas ou difamatórias ditas contra
o ofendido. Está inserida no artigo 143 do CP, dispondo a norma: “O querelante que,
antes da sentença, se retratar cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de
pena”. A aplicação deste instituto, em forma de desistência e renúncia, na seara do
Direito Administrativo, em nível federal, está inserido nos artigos 51 e 52, da Lei
Federal n.º 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (regula o processo administrativo no
âmbito da administração pública federal). Tais dispositivos informam que:

Art. 51. O interessado poderá, mediante manifestação escrita,


desistir total ou parcialmente do pedido formulado ou, ainda,
renunciar a direitos adquiridos.
§ 1.º Havendo vários interessados, a desistência ou renúncia
atinge somente quem a tenha formulado.
§ 2.º A desistência ou renúncia do interessado, conforme o
caso, não prejudica o prosseguimento do processo, se a
Administração considerar que o interesse público assim o
exige.
Art. 52. O órgão competente poderá declarar extinto o
processo quando exaurida sua finalidade ou o objeto da
decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato
superveniente.

Em nível estadual, não se tem regulamentação para tal dispositivo, porém,


no que couber, poderá o sindicante aplicar subsidiariamente tal norma, que não
consideramos peremptoriamente impeditiva.
Igualmente, enfoque-se que os crimes militares em regra são de ação
pública incondicionada, salvo em casos excepcionais, condicionadas a requisição, não
se admitindo nem mesmo nos crimes contra a honra a ação penal privada, destarte
inexiste retratação.

2. Seqüência de atos – Fases


O Encarregado da Sindicância na feitura do procedimento administrativo
deverá tomar todos os cuidados necessários para o fiel cumprimento dos ditames
legais, inclusive, nos casos omissos, aplicar analogicamente o que está estabelecido
na IG 10-11 do Exército Brasileiro, bem como, subsidiariamente, o que prescrevem o
Código de Processo Penal Militar (CPPM), o Código de Processo Penal (CPP) e o
Código de Processo Civil (CPC).
Assim, para primado e lisura dos autos, inicialmente, apresentaremos, com
base nas normas de sindicância policial militar (2004, p. 51 a 63), algumas fases do
procedimento apuratório, que devem ser seguido pelo Encarregado:15

1ª Fase:
Lavratura do Termo de Abertura e Autuação – são lançados na primeira
folha (capa), contendo os nomes do sindicante e sindicado, dados referentes à portaria
de nomeação, bem como podendo ser digitado ou datilografado em papel ofício;
2ª Fase:
Juntar a Portaria da autoridade delegante e demais documentos –
todos os documentos referentes ao fato a ser apurado, devem ficar em ordem
cronológica, devendo o encarregado numerar e rubricar todas as folhas na parte
direita superior;
3ª Fase:
Expedir ofícios – o ofício é um ato administrativo ordinatório, mediante os
quais os servidores públicos bem como os militares (federais e estaduais) se dirigem a
outros servidores de mesma ou igual categoria, ou que exerçam funções na esfera de
outros poderes. Ao ser devidamente expedido, deve ser juntado mediante termo, bem
como todos os outros documentos expedidos e recebidos.
4ª Fase:
Inquirir pessoas – a regra do código processual enfatiza que o investigado
é interrogado, a vítima presta declarações e a testemunha presta depoimento. Se
essas pessoas forem militares ou servidores, serão solicitadas as suas apresentações
em local, dia e horário já previamente definidos pelo encarregado, tudo através de
ofício ao Comandante ou chefe do respectivo setor, respectivamente. Se se tratarem
de pessoas comuns do povo, poderá ser feita uma intimação (ciência de ato que ainda
vai se realizar no procedimento) pessoal.
5ª Fase:
Proceder a acareações, expedir precatórias e certidões – qualquer
documento que possa esclarecer a verdade deve-se fazer juntada aos autos. A
acareação em alguns casos será imprescindível, principalmente, quando os fatos
explicitados nos termos são controversos. No caso da expedição de precatórias, tal
ocorre, quando o inquirido está em outra comarca, e o encarregado não tem ou não
pode se dirigir até lá. Tem caráter itinerante e fundamento no § 1º do art. 355 do
CPP.16 No fornecimento de Certidões, nada mais é do que uma cópia autêntica de
algum fato já registrado, e é obrigatório o seu fornecimento, conforme alude a alínea
“b”, do inciso XXXIV, do art. 5º da Constituição Federal de 1988.17
6ª Fase:
Elaboração do Relatório – o encarregado deverá fazer uma exposição
minuciosa de todos os fatos e circunstâncias que elementarizam o procedimento. Nele
se devem mencionar os nomes das partes envolvidas, as providências adotadas, os
documentos recebidos, a materialidade da defesa, além de um resumo minucioso dos
fundamentos fáticos e jurídicos apresentado pelas partes. Em conclusão, dirá se há
transgressão disciplinar a punir, se não há transgressão disciplinar há punir, se há
indício de crime militar ou comum e ao final, emite parecer recomendando a adoção
das providências cabíveis.
7ª Fase:
Termo de encerramento – após a feitura do relatório e parecer conclusivo,
o sindicante confeccionará o termo de encerramento, declarando que dentro do prazo
e obedecendo aos ditames de legalidade, concluiu o procedimento e, naquela
oportunidade remeterá a autoridade delegante, mediante ofício de remessa.18

3. Providências da autoridade delegante ao solucionar o


procedimento.

Ao receber os autos de sindicância militar a autoridade delegante fará uma


minuciosa análise do que foi apurado, e dentro dos requisitos de legalidade deverá
decidir:
1) houve prática de transgressão disciplinar a punir – de acordo com o
Código Disciplinar dos Militares Estaduais do Ceará (Lei nº 13.407/2003), decidirá pela
aplicação da sanção disciplinar (artigo 14 a 26), propor a instauração de Conselho de
Justificação – CJ (inciso I, do artigo 71), se oficial, ou de Conselho de Disciplina - CD,
(inciso II, do artigo 71) se praça com mais de 10 (dez) anos de serviço, ou
Administrativo-Disciplinar (inciso III, do artigo 71), se praça com menos de 10 (dez)
anos de serviço.
2) indício de prática de crime de natureza militar – determinará ou
solicitará imediatamente a promoção dos autos, mediante instauração de Inquérito
Policial Militar (IPM), na forma da alínea “f” do artigo 10 (dez) do Código de Processo
Penal Militar, a seguir: “Art. 10. O Inquérito é iniciado mediante portaria: f) quando, de
sindicância feita em âmbito de jurisdição militar, resulte indício da existência de
infração penal militar.”
Indício é a circunstância ou fato conhecido e provado, de que se induz a
existência de outra circunstância ou fato, de que se tem prova (vide o artigo 382 do
Código de Processo Penal Militar).
3) indício de prática de crime de natureza comum - se a infração não for,
evidentemente, de natureza militar, comunicará o fato a autoridade policial competente
(Delegado de Polícia), a quem fará apresentar o infrator, através dos canais de
subordinação hierárquica (§ 3º do artigo 10 do Código de Processo Penal Militar);
4) inexistência de transgressão disciplinar a punir ou de indício de
crime ou retratação – mandará arquivar os autos na seção competente, podendo ser
desarquivada, se novos fatos surgirem.
5) remessa para a Corregedoria-Geral dos Órgãos de Segurança
Pública e Defesa Social – a disciplina e o comportamento do militar estadual estão
sujeitos à fiscalização e orientação pela Corregedoria-Geral, especificamente nos
casos de suposta transgressão disciplinar que ofenda a incolumidade da pessoa e do
patrimônio estranhos às estruturas das Corporações Militares do Estado (inciso I, do §
4º do artigo 11 da lei nº 13.407/03). Desta forma, a autoridade delegante, através dos
canais competentes, deverá remeter os autos ao Corregedor-Geral, a quem competirá
decidir pelas providências disciplinares.
Entretanto, o mais corretamente aceito é remeter os autos ao Corregedor-
Geral, no momento em que se verificar que os fatos praticados ofendem a
incolumidade da pessoa ou do patrimônio estranhos às estruturas das Corporações,
evitando apurações pelo mesmo fato.
6) remessa dos autos ao Juízo Militar – encaminhar os autos ao Juízo
Militar quando contenham indícios suficientes da prática de crime, extraindo-se cópia
para que sejam adotadas as demais medidas administrativas;
7) anulação da sindicância – anular a sindicância, quando ocorrerem
ilegalidades resultantes de vícios praticados antes ou durante a elaboração do
procedimento. Nesse caso, depois de nomeado outro oficial para proceder o feito,
deverão serem adotadas medidas disciplinares para aquele que deu causa a
anulação;19
Antes de solucionar o procedimento a autoridade delegante deverá
observar as regras (formalidades) do mesmo, inclusive, em analogia ao item 2.7, do
capítulo III deste trabalho, que versam sobre detalhes processualísticos para evitar
erros de elaboração.20

IV – NORMAS GERAIS PARA A ELABORAÇÃO DE SINDICÂNCIAS NO


ÂMBITO DA POLÍCIA MILITAR DO CEARÁ – em BCG - PMCE.

PORTARIA N.º 181, de 10 de Setembro de 2007 – GC

EMENTA: Normas Complementares que regulam os


procedimentos necessários à realização da sindicância
militar, de acordo com o § 1.º, do artigo 71, da Lei n.º
13.407, de 21 de novembro de 2003 (Código
Disciplinar dos Militares do Estado do Ceará).

O Comandante-Geral da Polícia Militar do Ceará no uso das suas


atribuições legais e, tendo em vista o que dispõe o artigo 5º, da Lei nº. 10.145, de 29
de novembro de 1977, c/c o artigo 105, da Lei Estadual n.º 13.407, de 21 de novembro
de 2003 (Código Disciplinar dos Militares do Estado do Ceará) e, CONSIDERANDO
que a sindicância é um procedimento administrativo interno que necessita de
regulamentação; CONSIDERANDO que o Código Disciplinar dos Militares do Estado
do Ceará, no seu artigo 11, § 4.º, inciso I, trata da instauração e realização de
sindicância por suposta transgressão disciplinar que ofenda a incolumidade da pessoa
e do patrimônio estranhos às estruturas das Corporações Militares do Estado;
CONSIDERANDO, ainda, que o Código de Processo Penal Militar em seu artigo 10,
alínea “f”, especifica que a sindicância é feita no âmbito da jurisdição militar e pode
ser preliminar de Inquérito Policial Militar se resultar indício da existência de infração
penal militar, RESOLVE editar as seguintes normas complementares a serem
cumpridas pelos policiais militares do Estado do Ceará.

Capítulo I
DA FINALIDADE E DA COMPETÊNCIA

Art. 1º. As presentes normas têm por finalidade estabelecer os procedimentos


necessários à realização de sindicâncias no âmbito da Polícia Militar do Ceará.
Art. 2º. A sindicância é o meio elucidativo de ocorrências irregulares acontecidas no
seio da Corporação e, mais especificamente, para apurar suposta transgressão
disciplinar, ou de indício de infração penal militar cometida pelos militares da
Corporação, as quais, confirmadas, fornecerão elementos concretos para a
subseqüente instauração do competente Inquérito Policial Militar, bem como de
quaisquer dos processos regulares de que trata o art. 71, da Lei nº 13.407, de 21 de
novembro de 2003, e, ainda, a conseqüente punição ao infrator. Pode ser iniciada com
ou sem sindicado, bastando que haja indicação da falta a apurar. Tem valor apenas
informativo, e será realizada por um Oficial designado pela autoridade instauradora.
Art. 3º. Quando o objetivo da apuração for a verificação de possível transgressão
disciplinar ou infração penal militar cometida, é necessária e indispensável a defesa do
sindicado e a observação concomitante do princípio constitucional do contraditório,
sob pena de nulidade do procedimento. Neste caso, o sindicado deverá ser assistido
por advogado legalmente habilitado.
Art. 4º. No caso do artigo anterior deve-se assegurar ao sindicado o acompanhamento
de todos os atos da sindicância, o qual tem o direito de apresentar defesa prévia, no
prazo de três (03) dias, a contar da data de sua inquirição, arrolar até três (03)
testemunhas, solicitar reinquirição de testemunhas, juntar documentos, obter cópias
de peças dos autos e requerer o que entender necessário ao exercício de sua defesa.
Art. 5º. O encarregado da sindicância poderá indeferir, mediante despacho
fundamentado, o pedido do sindicado, quando considerar ilícito o objeto do pedido,
impertinente, desnecessário, protelatório, ou de nenhum interesse para o
esclarecimento dos fatos.
Art. 6º. O advogado do sindicado poderá presenciar os atos de inquirição deste e das
testemunhas, bem como acompanhar os demais atos investigatórios, sendo,
entretanto, vedado ao mesmo interferir nas perguntas e respostas, podendo, no
entanto, reinquiri-las por intermédio do sindicante.
Art. 7º. Após a ouvida do sindicado e testemunhas, bem como ultimadas as diligências
consideradas necessárias, o sindicado será notificado para oferecer suas alegações
finais no prazo de cinco (05) dias, a contar da data do recebimento da notificação,
assegurando-se ao mesmo vista dos autos em local designado pelo encarregado.
Parágrafo único. A autoridade que tiver ciência de qualquer irregularidade cometida
é obrigada a adotar as medidas necessárias à sua apuração, mediante sindicância.
Art. 8º. A sindicância será instaurada mediante portaria da autoridade competente,
publicada em boletim interno (BI) da Organização Policial Militar (OPM) e poderá ser:
I – Sindicância Formal – é o procedimento administrativo instaurado com maior
formalismo, com as declarações das partes e depoimentos das testemunhas, por
escrito, com a juntada de toda a documentação probatória acerca do fato averiguado e
o uso de todos os recursos processuais possíveis na busca da fiel apuração dos fatos.
II – Sindicância Sumária - é o procedimento instaurado sem maiores formalismos,
ouvindo-se oralmente as partes e testemunhas, porém constituída de relatório e
parecer final, podendo ser preliminar da sindicância formal.
Art. 9º. É competente para instaurar a sindicância:
I - o Comandante-Geral da PMCE, a todos os Policiais Militares do Estado, ativos ou
inativos, exceto os reformados, no caso de transgressão disciplinar;
II - o Comandante-Geral Adjunto e o Coordenador-Geral de Administração, a todos os
que estiverem sob os seus Comandos, bem como às praças inativas da reserva
remunerada;
III - o Comandante, Chefe ou Diretor de OPM, aos que estiverem sob seus Comandos.
Art. 10. Quando o fato envolver policiais militares de Unidades diferentes, a
competência para instaurar o procedimento ficará a cargo do Comandante-Geral
Adjunto.

Capítulo II
DOS PROCEDIMENTOS

Art. 11. O sindicante deverá observar os seguintes procedimentos na realização da


Sindicância:
I - lavrar o termo de abertura;
II - juntar aos autos os documentos pertinentes ao fato objeto da investigação, por
ordem cronológica, com data e hora, numerando e rubricando as folhas no canto
superior direito;
III - indicar na capa dos autos seus dados de identificação e os do sindicado, caso
haja;
IV - cumprir as formalidades iniciais, promovendo a notificação do sindicado, quando
houver, para conhecimento do fato que lhe é imputado e ciência da data de sua
inquirição, bem como que compareça ao local do procedimento acompanhado de
advogado legalmente habilitado, isto no caso do fato ser objeto de apuração de
suposta transgressão disciplinar ou infração penal militar cometida;
V - fazer constar nos pedidos de informações e nas requisições de documentos,
referências expressas ao fim a que se destinam e o tipo de tramitação (normal,
urgente ou urgentíssima);
VI - juntar, mediante termo, todos os documentos expedidos e recebidos;
VII – não ouvir quem quer que seja sob o efeito de bebidas alcoólicas ou substâncias
químicas;
VIII – ouvir o sindicado, caso haja, e as testemunhas relacionadas aos fatos;
IX - se a pessoa ouvida for analfabeta ou não puder assinar o termo, pedir a alguém
que o faça por ela, depois de lido na presença de ambos, e mais duas testemunhas,
devendo constar no termo o motivo do impedimento;
X - após a leitura do termo e, antes da assinatura, se for verificado algum engano,
fazer constar, sem supressão do que foi alterado, a retificação necessária, bem como
o seu motivo, rubricando-a juntamente com o depoente ou quem assinou o termo;
XI - encerrar a instrução do feito com o respectivo termo;
XII - encerrar a apuração com um relatório, além de parecer conclusivo sobre a
elucidação do fato;
XIII - elaborar o termo de encerramento dos trabalhos atinentes ao feito e remeter os
autos à autoridade instauradora.
Parágrafo único. O relatório do sindicante deverá ser apresentado de forma sucinta e
clara, com a exposição de todos os pormenores relativos ao fato investigado. Após tal
peça, mediante a análise dos depoimentos e documentos probatórios, emitirá o seu
parecer, mencionando, com exatidão, o que realmente apurou, e se há ou não indícios
de crime militar ou comum, ou suposta transgressão disciplinar cometida,
recomendando, se for o caso, a adoção das providências cabíveis.
Art. 12. Recebidos os autos, a autoridade instauradora, no prazo de 08 (oito) dias
corridos, solucionará a sindicância, publicando tal solução em Boletim Interno.
Art. 13. A solução da sindicância deverá ser explícita e clara, com a indicação dos
fatos investigados e das providências que serão adotadas em conseqüência da
apuração.
Art. 14. Quando o objeto da apuração for acidente ou dano com viatura, material
bélico, material de comunicações ou outro material pertencente ao patrimônio da
corporação, a Sindicância deverá ser encaminhada pela autoridade que a mandou
instaurar à Diretoria de Apoio Logístico para fins de serem adotadas as providências
necessárias à instauração do competente Inquérito Técnico.

Capítulo III
DOS PRAZOS

Art. 15. Na realização das sindicâncias deverão ser observados os seguintes prazos:
I – Formal: 30 (trinta) dias, podendo ser prorrogada por mais 20 (vinte) dias;
II – Sumária: 20 (vinte) dias, improrrogáveis.
Parágrafo único. O prazo se inicia, a contar da data do recebimento da Portaria de
designação, não podendo exceder o prazo de 72 (setenta e duas) horas após a
publicação e circulação do Boletim, exceto nos casos de impedimentos devidamente
comprovados.
Art. 16. Na contagem do prazo necessário á realização da sindicância, excluir-se-á o
dia do início e incluir-se-á o do vencimento.
Parágrafo único. Os prazos se iniciam e vencem em dia de expediente na OPM.
Art. 17. A prorrogação do prazo para a realização da sindicância deverá ser solicitada
pelo sindicante, devidamente fundamentada, no mínimo, 03 (três) dias antes do
término daquele inicialmente previsto, e será concedida ou não pela autoridade
instauradora, a qual publicará em Boletim a sua decisão.

Capítulo V
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 18. Os participantes da sindicância são:
I – sindicante: o encarregado da sindicância;
II – sindicado: a pessoa envolvida no fato a ser esclarecido;
III – testemunha: a pessoa que presta esclarecimentos acerca do fato;
IV - técnico ou pessoa habilitada: aquele que for indicado para proceder a exame ou
dar parecer técnico sobre determinado assunto;
V - denunciante ou ofendido: aquele que provoca a ação da Administração Militar
Estadual.
Parágrafo único. O sindicante poderá, caso julgue necessário, se utilizar de um
escrivão para auxiliá-lo nos trabalhos.
Art. 19. O sindicante será oficial de maior posto ou precedência hierárquica que o
sindicado.
Parágrafo único. Se no curso da apuração o sindicante verificar a existência de
indícios contra policial militar de posto superior ao seu, ou mais antigo, adotará as
providências necessárias para que suas funções sejam delegadas a outro
encarregado, mais antigo que o sindicado.
Art. 20. O denunciante ou ofendido deverá ser ouvido em primeiro lugar.
§ 1.º - Caso o denunciante ou ofendido se recuse a depor, o sindicante deverá lavrar o
competente termo, com a narração do fato.
§ 2.º - O denunciante ou ofendido poderá apresentar ou oferecer subsídios para o
esclarecimento do fato, indicando testemunhas, requerendo a juntada de documentos
ou indicando as fontes onde poderão ser obtidos.
Art. 21. A falta do sindicado ao depoimento que deveria prestar, sem justo motivo,
constará de termo nos autos.
Parágrafo único. Comparecendo para depor no curso da sindicância, o sindicado
será, então, inquirido.
Art. 22. Quando a testemunha deixar de comparecer para depor, sem justo motivo, ou,
comparecendo, se recusar a depor, o sindicante lavrará termo circunstanciado e
mencionará tal fato no relatório.
Art. 23. Ao comparecer para depor, a testemunha declarará seu nome, idade, estado
civil, residência, telefone, profissão, lugar onde exerce sua atividade, se é parente de
alguma das partes e, em caso positivo, o grau de parentesco.
Art. 24. Quando a residência do denunciante ou ofendido, da testemunha, ou do
sindicado, estiver situada em localidade diferente daquela em que foi instaurada a
sindicância e, ocorrendo impossibilidade do comparecimento dos mesmos para
prestarem depoimento, o sindicante se deslocará ao local de suas residências a fim de
ouvir tais pessoas.
Art. 25. As testemunhas serão ouvidas, separadamente, de modo que uma não
conheça o teor do depoimento da outra.
Art. 26. O sindicante poderá ouvir tantas testemunhas quantas achar conveniente á
apuração do fato investigado.
Art. 27. Será admitida a realização de acareação sempre que houver divergências ou
contrariedades nas declarações prestadas sobre o fato.
Art. 28. O sindicante, ao realizar a acareação, esclarecerá aos depoentes os assuntos
em que divergiram, solicitando novas explicações a respeito dos mesmos, visando
aclará-los.
Art. 29. Se a testemunha for menor de 18 (dezoito) anos, o sindicante deverá ouvi-la
na presença do seu representante legal, constando tal fato no termo de declarações.
Art. 30. No decorrer da sindicância, se for verificado algum impedimento, o sindicante
levará o fato ao conhecimento da autoridade instauradora para que este designe, por
meio de portaria, novo sindicante para concluí-la.
Art. 31. A sindicância terá sempre o caráter sigiloso.
Parágrafo único. O sigilo decretado não se estende ao advogado constituído pelo
sindicado, quando necessário e ao Ministério Público, no caso de intervenção deste.

Capítulo VI
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 32. No intuito investigativo, o sindicante poderá solicitar perícias e exames


técnicos necessários ao esclarecimento dos fatos.
Art. 33. Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas
todas as disposições em contrário que conflitem com as presentes normas.21

V - MODELOS
Segue relação de modelos indispensáveis para a formalização da
Sindicância Militar (SM).22

1 - Modelo de Ofício Solicitando Instauração de Sindicância

CABEÇALHO
OPM/OBM
Of. N.º _____/_____
Local/data
Ao: Sr. (autoridade competente)
Assunto: Solicitação de instauração de
Sindicância
Ref: Comunicação Disciplinar nº. _________ de
_________ (ou outro documento que motivou a
sindicância)

Senhor oficial
Tendo tomado conhecimento dos fatos constantes do(s) documento(s) anexo(s), que
denunciou __________ (síntese dos fatos – não estranhos às estruturas da
Corporação, conforme inciso I, § 4.º do artigo 11 da lei n.º 13. 407/2003), solicito seja
instaurada Sindicância (formal ou sumária), de conformidade com as normas vigentes
para esse fim, de acordo com as atribuições que lhe competem.

Cordialmente,

(Assinatura): Autoridade Instauradora.

Recebi a 1.ª Via em: ___/___/___


___________________________
Agente Recebedor

2 - Modelo de Capa e Autuação

CABEÇALHO

AUTOS DE SINDICÂNCIA

SINDICANTE: (nome e posto de quem procederá à sindicância)


SINDICADO(S): (nome e posto/graduação, ou relato sucinto do fato a ser apurado)
ADVOGADO: OAB - ___________.

AUTUAÇÃO

Aos _____ dias do mês de _________ do ano de _________, nesta cidade


________, Quartel do _________, em cumprimento ao determinado na Portaria n°
_______/ de ____/_____/_____da________(autoridade instauradora), faço a autuação
e a abertura dos trabalhos atinentes à presente Sindicância, do que, para constar,
lavrei o presente termo.

(Assinatura): Sindicante.

3 - Modelo de Notas para Boletim

CABEÇALHO

SINDICÂNCIA _____________________

PORTARIA N.º ________/_______ (OPM/OBM)

O Coronel PM/BM Comandante-Geral da PMCE/CMBCE, ou


Comandante/Chefe ou Diretor no uso de suas atribuições legais, RESOLVE:
Designar o _________ (oficial), da _________ (OPM/OBM), para proceder
a Sindicância (Formal ou Sumária) sob o que contém na documentação em anexo
________ envolvendo _________, delegando-lhe para este fim, as atribuições de sua
competência.

Local/data
(Assinatura): Autoridade Instauradora.

Por delegação:
________________________
Comandante Adjunto

BCG ou BI N.º _____, de ____/_____/_____

4 - Modelo de Juntada de Portaria e Instauração de Anexos

CABEÇALHO

JUNTADA

Aos _____ dias do mês de _________ de _________, nesta cidade


_________, no Quartel do _________ (OPM/OBM ou repartição competente), faço a
juntada aos autos da presente Sindicância e demais documentos a seguir
especificados, do que, para constar, lavrei o presente termo:
1. Portaria n° _______________, da OPM/OBM;
2. Comunicação Disciplinar nº ________ do Sr _________;
3. Outros ....

(Assinatura): Sindicante.

5 - Modelo de Despacho

CABEÇALHO

DESPACHO

1. Oficiar ao Sr. Comandante da OPM/OBM _______, solicitando a


remessa da ocorrência policial registrada em ______de _______de _______,
envolvendo o PM/BM _______;
2. Oficiar ao Sr. Comandante do (a)_______, solicitando dois militares
peritos para a realização de uma perícia técnica (citar o material, local ou objeto) a
realizar-se no dia ____/____ /_____ ás _____ horas, no Quartel do_______
(OPM/OBM onde será realizada a perícia);
3. Oficiar ao Sr. Comandante do ________, para que sejam ouvidas, em
precatória, as testemunhas__________ (citar nome completo, posto ou graduação);
4. Oficiar ao Sr. Comandante (Diretor) do ___________, solicitando a
remessa das alterações militares do ______(citar nome completo, posto ou
graduação);
5. Designo o dia _____/_____/_____, às _________ horas, a fim de ser
ouvida a testemunha _________ (nome completo), no _________ (local onde será
ouvida a testemunha);
6. Designo no dia _____/_____/_____, às __________horas, a fim de ser
ouvido o sindicado _________ (nome completo), no __________ (Local). Registre-se
para constar.

Local/data
(Assinatura): Sindicante.

6 - Modelo de Notificação Prévia do Sindicado

CABEÇALHO

Of. Nº _______/________
Local/data.
Ao Sr (Nome, posto/graduação do envolvido
e nome da seção ou OPM/OBM onde serve)
Assunto: Notificação prévia

Venho por meio deste, notificar V. Sª., sobre os fatos (ou irregularidades) a que se
refere a sindicância instaurada para apurar _________ (indicação dos fatos
pertinentes), razão pela qual lhe é facultada, a partir da data de ciência (ou
recebimento) deste documento, vista dos respectivos autos, no local __________ bem
como assegurado o direito de, pessoalmente ou por intermédio de procurador
constituído, apresentar defesa prévia, arrolar testemunhas, assistir a depoimentos,
oferecer alegações finais e praticar todos os demais atos necessários ao exercício do
contraditório e da ampla defesa.

Foi designado o dia _____ /______/_______às _____horas, para audiência de sua


inquirição, no _________ (local onde será ouvido - observar a antecedência de dois
dias úteis quanto à data do comparecimento).

Cordialmente,

(Assinatura): Sindicante.

Data de entrega
EM_____/_____/____
__________________
Sindicado

7 - Modelo de Notificação Prévia da Vítima ou Acusador

CABEÇALHO

Of. Nº _______/________
Local/data.
Ao Sr (Nome do civil ou posto/graduação da
vítima ou acusador e nome da seção ou
OPM/OBM onde serve)
Assunto: Notificação prévia

Venho por meio deste, notificar V. Sª., sobre os fatos (ou irregularidades) a que se
refere a sindicância instaurada para apurar _________ (indicação dos fatos
pertinentes), razão pela qual lhe é facultada, a partir da data de ciência (ou
recebimento) deste documento, vista dos respectivos autos, no local _______ bem
como assegurado o direito de, pessoalmente ou por intermédio de procurador
constituído, apresentar-se, arrolar testemunhas, assistir a depoimentos e praticar
todos os demais atos necessários ao exercício do acusatório.

Foi designado o dia _____ /______/_______às _____horas, para audiência de sua


oitiva, no _________ (local onde será ouvido - observar a antecedência de dois dias
úteis quanto à data do comparecimento).

Cordialmente,

(Assinatura): Sindicante.

Data de entrega
EM_____/_____/____
__________________
Vítima ou Acusador

8 - Modelo de Termo de Retratação

TERMO DE RETRATAÇÃO - DECLARAÇÃO

Aos _____ dias do mês de _______ do ano de _________, nesta cidade de


________, no quartel do _________ compareceu a vítima ou acusador (se civil
qualificar) e acusado (nome completo, profissão, posto ou graduação e OPM/OBM
onde serve, se militar, idade, naturalidade, estado civil, filiação, residência, documento
de identidade). Perguntado a respeito do fato que deu origem à presente sindicância,
constante da _________ (portaria, parte, etc.), de fls _________, a qual lhe foi lida,
respondeu a vítima que __________ (consignar as respostas transcrevendo, tanto
quanto possível, a exatidão das palavras e o sentido dado ao fato; sempre atento ao
que se está apurando, e com a maior objetividade, desenvolver a formulação das
perguntas, procurando precisar datas, horas, locais e circunstâncias do evento).
Mesmo assim, diante dos fatos o acusado (militar) – se foi militar contra militar e
houver indício de crime não cabe retratação - formulou pedido de retratação perante a
vítima ou acusador e demais testemunhas nos seguintes termo. Eu _______ (fulano
de tal) PEÇO RETRATAÇÃO perante vossa senhoria e as testemunhas aqui presente
sobre todo o ocorrido, visto que proferi, sem justo motivo, na presença de diversas
pessoas, palavras ofensivas a honra subjetiva, sabendo o quanto é desgastante o
processo. E como nada mais disse, nem lhe foi perguntado, dou por encerrado o
presente termo, que depois de lido e achado conforme, vai devidamente assinado pelo
sindicante, pela vítima ou acusador, pelo acusado e pelas testemunhas que
presenciaram o termo.

ACEITE

A vítima ou acusador enfatiza que: CONCORDO COM O PEDIDO DE


RETRATAÇÃO, declarando, por ser minha vontade, de imediato.

(Assinaturas): Sindicante, Vítima ou Acusador, Acusado e Testemunhas.

9 - Modelo de Jumtada de Documentos Expedidos e Recebidos

CABEÇALHO

JUNTADA

Aos ____ dias do mês de _________ do ano de _________ faço a juntada


aos presentes autos dos documentos de fls. ___, do que, para constar, lavrei o
presente termo.

(Assinatura): Sindicante.

ou

Digitar ou carimbar no próprio documento juntado, na parte superior


esquerda o seguinte:

Junte-se aos autos:

Em _____/_____/______
_____________________
Sindicante

10 - Modelo de Ofício ao Comandante do Sindicado

CABEÇALHO

Of. Nº _____/_____

Local/data
Ao Sr. (Comandante do Sindicado)
Assunto: Comparecimento de sindicado
Sr. Comandante,

Solicito-vos autorizar o comparecimento do (a) _________ (nome, posto ou


graduação), desse OPM/OBM no dia _______ de ______de _______ às _______
horas, no quartel do(a) OPM/OBM, a fim de ser inquirido em Sindicância da qual sou
encarregado, conforme portaria de designação de n.º _____/_____, publicada em
boletim n.º _____/_____.

Cordialmente,

(Assinatura): Sindicante.

Data de entrega
EM_____/_____/____
__________________
Agente Recebedor

11 - Modelo de Ofício de Inquirição de Testemunha

CABEÇALHO

Of. Nº _____/______

Local e data
Ao (Nome da Testemunha)
Assunto: Comparecimento de Testemunha

Se a testemunha for militar – oficia-se ao comandante do mesmo;


Se a testemunha for servidor público – oficia-se ao chefe respectivo;
Se a testemunha for civil (maior) – oficia-se a
própria;
Se a testemunha for civil (menor ou adolescente) – oficia-se ao responsável pelo
mesmo (pai, mãe, curador), que deverá comparecer juntamente com a testemunha;
Se a testemunha for autoridade que detenha imunidade ou prerrogativa –
verificar os casos já estudados no capítulo II deste trabalho.

Solicito-vos comparecer no dia _____ de _____ de _____ ,às _____ horas no quartel
do (a) OPM/OBM, localizado (na) ______ (endereço), a fim de prestar depoimento em
Sindicância da qual sou encarregado, conforme fez público em boletim interno n.º
_____ /______.
Cordialmente,

(Assinatura): Sindicante.

Recebi a 1.ª Via em: _____/_____/_____


_________________________________
Agente Recebedor – Curador

12 - Modelo de Precatória

CABEÇALHO

Of. Nº _____/______

Local/data

Ao Sr. (Comandante da OPM/OBM da


testemunha ofendida ou sindicado)
Assunto: Inquirição de testemunha (ou
ofendido ou sindicado)
Anexo: Cópia da portaria de instauração;
relação dos quesitos a serem respondidos.

Solicito-vos exarar na presente precatória o competente "cumpra-se" e determinar a


um oficial que proceda ao depoimento da testemunha (ou ofendido ou sindicado)
_________ (nome e grau hierárquico), dessa OPM/OBM, a respeito dos fatos que
deram origem à sindicância da qual sou encarregado.
Solicito-vos, ainda, que seja remetido o respectivo Termo de Depoimento, contendo as
respostas aos quesitos constantes da relação anexa, bem como outras informações
declaradas pela testemunha.

Cordialmente,

(Assinatura): Sindicante.

Recebi a 1.ª Via em: _____/_____/_____


_________________________________
Agente Recebedor

13 - Modelo de Termo de Depoimento de Testemunha


CABEÇALHO

TERMO DE DEPOIMENTO DE TESTEMUNHA

Aos _____ dias do mês de _________ do ano de _________, nesta cidade


de _________, no quartel do _________ compareceu a testemunha (nome completo,
profissão, posto ou graduação e OPM/OBM onde serve, se militar, idade, naturalidade,
estado civil, filiação, residência, documento de identidade), que foi inquirida pelo
sindicante. Perguntado a respeito do fato que deu origem a presente sindicância,
constante da _________ (portaria, parte, etc.), de fls. _________, a qual lhe foi lida,
respondeu que _________ (consignar as respostas transcrevendo, tanto quanto
possível, a exatidão das palavras e o sentido dado ao fato pela testemunha; sempre
atento ao que se está apurando, e com a maior objetividade, desenvolver a formulação
das perguntas, procurando precisar datas, horas, locais e circunstâncias do evento).
Perguntado, ainda, se tem algo mais a declarar, respondeu que _________. E como
nada mais disse, nem lhe foi perguntado, dou por encerrado o presente depoimento,
que depois de lido e achado conforme, vai devidamente assinado pelo sindicante, pelo
inquirido e pelas testemunhas que presenciaram o depoimento.

(Assinaturas): Sindicante, Testemunha e Testemunhas de Depoimento, se


Houver.

14 - Modelo de Termo de Inquirição de Sindicado

CABEÇALHO

TERMO DE INQUIRIÇÃO DE SINDlCADO

Aos _____ dias do mês de _________ do ano de __________, nesta


cidade de _________, no quartel do(a) __________ compareceu o sindicado (nome
completo, profissão, posto ou graduação e OPM/OBM onde serve, se militar, idade,
naturalidade, estado civil, filiação, residência, documento de identidade), o qual,
interrogado pelo sindicante sobre os fatos constantes da (parte ou portaria, etc.)
_________ de fls. _________ , que lhe foi lida, respondeu: que _________ (após o
sindicado ter prestado todos os esclarecimentos, o sindicante poderá formular
perguntas que julgar elucidativas do fato); perguntado se tinha algo mais a declarar
sobre os fatos objeto da sindicância, respondeu que __________. E como nada mais
disse, nem lhe foi perguntado, dou por encerrada a presente inquirição que, depois de
lida e achada conforme vai devidamente assinada pelo sindicante, sindicado e
testemunhas que presenciaram a inquirição.

(Assinatura): Sindicante, Sindicado e Testemunhas, se houver.

15 - Modelo de Substituição de Sindicante

CABEÇALHO

Of. Nº _____/______
Local/data

Ao Sr. (Autoridade instauradora)


Assunto: Substituição de sindicante
Anexo: Autos de sindicância

Estando encarregado de proceder a uma Sindicância instaurada pela da Portaria nº


______ de _____ de ______ de ______, para apurar _________ (relato sucinto) e
tendo constatado, de acordo com o documento de fls. ______, que __________
(declinar o motivo), solicito-vos minha substituição para o prosseguimento do feito,
entendendo encontrar-me impedido para tal (casos de suspeição e ou impedimentos).
Remeto-vos, em anexo, os autos da aludida sindicância.

Cordialmente,

(Assinatura): Sindicante.

Recebi a 1.ª Via em: _____/_____/_____


_________________________________
Agente Recebedor

16 - Modelo de Termo de Acareação

CABEÇALHO

TERMO DE ACAREAÇÃO

Aos ____ dias do mês de _________ de _________, nesta cidade de


_________, no quartel do (a) _________ (OPM/OBM) presentes as testemunhas
_________ (qualificar) e _________ (qualificar), presente o sindicado _________
(nome), já inquiridos nestes autos, por este sindicante foram, à vista das divergências
existentes nos seus depoimentos, nos pontos ("tais e tais" - decliná-los), e conforme
prescreve o artigo 365, 366 e 367 do Código de Processo Penal Militar, reperguntadas
às mesmas testemunhas, uma em face da outra e do sindicado, para explicarem as
ditas divergências. E depois de lidos perante eles os depoimentos referidos nas partes
divergentes, pela testemunha __________ (qualificar) foi dito que _________ pela
testemunhas __________ (qualificar) foi dito que, _________ pelo sindicado (nome
completo) foi dito que _________. E como nada mais declararam, lavrei o presente
termo, que depois de lido e achado conforme, assinam juntamente com este
sindicante.

(Assinatura): Sindicante, Testemunha A, Testemunha B e Sindicado.

17 - Modelo de Termo de Reconhecimento de Pessoa

CABEÇALHO

TERMO DE RECONHECIMENTO

Aos ____ dias do mês de _________ de ________, nesta cidade de


__________, no quartel do (a) __________ (OPM/OBM) presentes as testemunhas
_________ (qualificar) e _________ (qualificar), presente o sindicado _________
(nome), já inquiridos nestes autos, por este sindicante foram, à vista da necessidade
de reconhecimento de pessoas, e conforme prescreve o artigo 368, 369 e 370 do
Código de Processo Penal Militar.
Em seguida, a testemunha _________ (qualificar) disse que _________
(falar pormenores do reconhecimento), pela testemunhas _________ (qualificar) foi
dito que, _________ pelo sindicado (nome completo) foi dito que _________. E como
nada mais declararam, lavrei o presente termo, que depois de lido e achado conforme,
assinam juntamente com este sindicante.

(Assinaturas): Sindicante, Testemunha Reconhecedora, Testemunha e


Escrivão.

18 - Modelo de Termo de Encerramento e Instrução

CABEÇALHO
TERMO DE ENCERRAMENTO

Aos ____ dias do mês __________ do ano de _________, nesta cidade


_________ no quartel do(a) _________, encerro os trabalhos de instrução atinentes à
presente sindicância, procedida em cumprimento ao determinado na Porcaria nº
______, de ______, do Sr. ______, do que, para constar, lavrei o presente termo.

(Assinatura): Sindicante.

19 - Modelo de Vista de Sindicância

CABEÇALHO

Of. Nº _____/______

Local/data

Ao Sr. (nome, posto ou graduação do


sindicado)
Assunto: Vista e apresentação de defesa.
Ref. Portaria n.º _____/_____.

Senhor sindicado,

Notifico Vossa Senhoria para, no prazo de 5 (cinco) dias corridos, apresentar


alegações finais por escrito.
Informo, ainda, que os autos da Sindicância encontram-se à sua disposição para vista
no (indicar local, dia e hora).

Cordialmente,

(Assinatura): Sindicante.

Data de entrega
EM_____/_____/____
__________________
Sindicado

20 - Modelo de Requerimento para Juntada de Defesa


CABEÇALHO

Of. Nº _____/_____

Local/data

Ao Sr. Sindicante (indicar)


Objeto: Apresentação de Defesa em
Sindicância.
Ref. Portaria n.º _____/_____.

Senhor sindicante,

(nome do sindicado) posto/graduação, servindo no _________, requer a juntada das


razões de defesa que seguem em anexo.
Tal solicitação encontra amparo no inciso LV, do artigo 5º, da Constituição Federal de
1988.

Cordialmente,

(Assinatura): Sindicado ou Defensor Legal.

Data de entrega
EM_____/_____/____
__________________
Sindicante

21 - Modelo de Ofício a Autoridade Delegante Solicitando Prorrogação de


Prazo de Sindicância Formal

CABEÇALHO

Local e data
Of. nº. _____/______
Ao: Senhor _________ (Autoridade delegante).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor comandante,

Solicito a Vossa Senhoria, na qualidade de encarregado da Sindicância Formal


instaurado através da portaria n.º ______/_____, a prorrogação do referido
procedimento ao meu cargo, de conformidade com o inciso I, do artigo 15 da portaria
de regulamentação.
Tal pedido deve-se ao fato de que este encarregado ainda aguarda o envio de exames
ou perícias, ou ainda a necessidade de diligência (citar), indispensável à elucidação
dos fatos.

Atenciosamente,

(Assinatura): Sindicante.

22 - Modelo de Atos

CABEÇALHO

CERTIDÂO

Certifico que, nesta data, às ____ horas (horas exatas), decorreu o prazo
concedido por meio do ofício. nº ______, de ____/_____/_____, sem que o sindicado
apresentasse suas razões de defesa escritas, do que para constar, lavrei o presente
termo.

C E R T I D Ã O DE DILIGÊNCIA

Certifico que, nesta data, às _________ horas (horas exatas), compareci na


rua _________ (endereço completo ou ponto de referência), onde reside (residia) o Sr.
(a) _________ (nome da testemunha, vítima ou denunciante) não obtendo êxito em
localizá-lo (a), tendo servido de testemunha o Sr. (a) _________, rua _________
(endereço completo) que informou (caso tenha referido algo, citar, por exemplo, se co-
nhece ou não a pessoa procurada), do que para constar, lavrei o presente termo.

Local/data
(Assinatura): Sindicante.

23 - Modelo de Relatório de Sindicância Formal

CABEÇALHO
RELATÓRIO

I - INTRODUÇÃO

A presente sindicância foi instaurada por determinação do Sr. _________


(nomear e indicar a função da autoridade instauradora) para apurar o ato, fato ou
irregularidade narrado(s) na Comunicação Disciplinar nº _______, (indicar o autor da
parte ou documento que deu origem à sindicância), conforme documento de fls. ___ e
tendo como sindicado __________ (nome/posto/graduação), sobre quem pesa a
acusação de _________ (declinar a acusação).

II - DILIGÊNCIAS REALIZADAS

Com o objetivo de reunir todos os fatos possíveis para a elucidação da


irregularidade em pauta, este sindicante houve por bem diligenciar conforme despacho
de fls. ________ (se houver), expedindo os seguintes ofícios: _________ (citar os
destinatários e providências solicitadas; citar outros despachos e diligências se hou-
ver).

III - PARTE EXPOSITIVA

Em torno do fato e a fim de ficarem esclarecidas suas circunstâncias e os


responsáveis pela irregularidade em causa, foram ouvidas como testemunhas as
seguintes pessoas _______ e ______, como se vê dos documentos de fls. ____,
____, _____ e _____.
Além da inquirição das testemunhas mencionadas, providenciaram-se no
sentido de serem juntados aos autos os seguintes documentos (e/ou provas materiais)
_________ e _________, constantes das fls. ________ e _________ (se for o caso).
Foi assegurado ao sindicado o contraditório e a ampla defesa, como
constados documentos de fls. ______, que no prazo dado de _________ dias corridos
apresentou, por intermédio de seu advogado ________ (se for o caso), sua defesa
escrita de fls. ____, protestando por (provas testemunhais, documentais, diligências
_________etc.).

IV - PARTE CONCLUSIVA
Da análise de todas as peças que compõem a presente sindicância, chega-
se à conclusão de que o fato em apuração passou-se da seguinte forma: (narrar as
conclusões obtidas em decorrência dos depoimentos, provas e diligências coligidos
nos autos).
Em face do exposto e que dos autos consta, verifica-se que o fato objeto da
presente sindicância, conforme resulta dos depoimentos de fls. _____ e _____ das
declarações do sindicado, etc. _________ não se acerca de indícios de crime ou
transgressão disciplinar, posto que _________ (justificar a razão da conclusão da
inexistência da infração).
Em conseqüência sou de parecer que os presentes autos sejam
arquivados.

ou

Considerando o que dos autos consta e o acima exposto e ainda a prova


_________ ou os depoimentos de fls. ____ em confronto com o depoimento do
sindicado, conclui-se que o fato não configura crime de natureza militar ou comum,
mas sim transgressão disciplinar prevista no Código Disciplinar da PMCE e do
CBMCE (indicar qual ou quais dispositivos regulamentares infringidos), pelo que sou
de parecer que a irregularidade é da responsabilidade do _________ (nome, posto ou
graduação), e que poderá ser solucionada à luz do Código Disciplinar da PMCE e do
CBMCE.

ou ainda

Pelo que resultou apurado e consta dos autos chega-se à conclusão que
da conduta do sindicado (nome, posto ou graduação), conforme _________ (sua
própria confissão, ou depoimentos, etc, de fls. ____), verifica-se claros indícios de
infração penal militar.

Local/data
(Assinatura): Sindicante.

24 - Modelo de Relatório de Sindicância Sumária

CABEÇALHO

RELATÓRIO

I - INTRODUÇÃO

A presente sindicância sumária foi instaurada por determinação do Sr


_________ (nomear e indicar a função da autoridade instauradora) para apurar o ato,
fato ou irregularidade narrado(s) na Comunicação Disciplinar nº _________ (Indicar o
autor da parte ou documento que deu origem à sindicância), envolvendo, em tese,
guarnição de serviço deste batalhão, sob a acusação de _________ (declinar a
acusação).

lI - DILIGÊNCIAS REALIZADAS

1. Foram ouvidos o _________ (citar o efetivo e demais pessoas ouvidas,


sem a necessidade de ouvi-Ias a termo);
2. Foi juntado ao presente relatório _________ (citar os documentos que
por ventura tenha anexado, exemplo: cópia de escala de serviço, documento
operacional, etc.);

III - PARTE CONCLUSIVA

Segundo restou apurados os fatos ocorreram da seguinte forma _________


(descrever os fatos como foi apurado)
Em face do que foi exposto, verifica-se que o fato objeto da presente
sindicância sumaria, envolveu (não envolveu) guarnição deste OPM/OBM e não se
acerca de indícios de crime ou transgressão disciplinar, posto que (justificar a razão da
conclusão da inexistência da infração).
Em conseqüência sou de parecer que os presentes autos sejam
arquivados.

ou

Conclui-se que não há indícios de crime de natureza militar ou comum, mas


sim de transgressão disciplinar prevista no Código Disciplinar da PMCE e do CBMCE
(indicar qual ou quais dispositivos regulamentares infringidos), pelo que sou de
parecer pela punição do transgressor.

ou ainda

Pelo que resultou apurado e consta dos autos chega-se à conclusão que
da conduta do sindicado (nome, posto ou graduação), conforme _______ (sua própria
confissão, ou depoimentos, etc, de fls.____), verifica-se claros indícios de infração
penal militar.
Conclui-se que há indícios de crime de natureza militar ou comum,
(indicar qual ou quais dispositivos de lei infringidos), pelo que sou de parecer pela
promoção dos autos com a instauração de Inquérito Policial Militar.
Local/data
(Assinatura): Sindicante.

25 - Modelo de Termo de Encerramento e Remessa

CABEÇALHO

TERMO DE ENCERRAMENTO E REMESSA

Aos ____ dias do mês _________ do ano de ________, nesta cidade


_________, no quartel do(a) _________, encerro os trabalhos atinentes à presente
sindicância, procedida em cumprimento ao determinado na Portaria nº _____, de
_____/_____/_____ do Sr. _______, do que, para constar, lavrei o presente termo.

(Assinatura): Sindicante.

26 - Modelo de Ofício de Remessa de Sindicância

CABEÇALHO

Of. Nº _____/______

Local/data
Ao Sr. Autoridade delegante (indicar)
Objeto: Remessa de Sindicância (Formal ou
Sumária), contendo _____ (folhas)
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor Comandante

Com o devido respeito e acatamento que o caso requer, remeto-vos os autos de


Sindicância instaurada por meio da Portaria n.º _____, de _____/_____/_____ em que
figura como sindicado o PM/BM _________ (especificar), integrante da OPM/OBM.

Cordialmente,

(Assinatura): Sindicante.

Recebi a 1.ª Via em: _____/_____/_____


_________________________________
Agente Recebedor
27 - Modelo de Solução de Sindicância

CABEÇALHO

SOLUÇÃO DE SINDICÂNCIA

Da análise das averiguações que mandei proceder por intermédio do


________ (sindicante), pela Portaria n.º _____/_____, verifica-se, pelas _______
(conclusões), que os fatos apurados __________, constituem infração disciplinar ou
há indícios de crime (militar ou comum) ________ (fundamentação legal).
Diante dos fatos, resolvo, pois, acolher, ou não acolher, ou acolher
parcialmente, o parecer do sindicante e determinar as seguintes medidas
administrativas ao caso concreto:
1) Enquadramento disciplinar do sindicado à luz do Código Disciplinar; ou
2) Instauração de Processo Regular; ou
3) Instauração de Inquérito Policial Militar, em face da existência de
indícios de infração penal militar a apurar; ou
4) Remessa dos autos da sindicância para o Juízo Militar do Estado – caso
tenha elementos suficientes para o oferecimento da Denúncia, (sem instauração do
Inquérito Policial Militar); ou
5) Arquivamento dos autos; e
6) Publicação em Boletim.

Local/data
(Assinatura): Autoridade Instauradora.

CAPÍTULO VIII (NOTAS DE RODAPÉ)

1 – MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 18 ed. São Paulo: 1993,
p. 596.
2 – DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 13 ed. São Paulo: Atlas,
2001, p. 509.
3 – PRADO, Leandro Cadenas. Servidores Públicos federais. Lei n.º 8.112/90. 2 ed.
Rio de Janeiro: Impetus, p. 148-149.
4 – ASSIS, Jorge César de. Revista Direito Militar. n.º 59 apud. ROSA, Paulo Tadeu
Rodrigues.
5 – Id. Ibid. 2006.
6– LAZZARINI, Álvaro. Código Penal Militar, Código de Processo Penal
Militar,Estatuto dos Militares e Constituição Federal. São Paulo: RT. 2003, P. 376.
7 – CEARÁ, Código Disciplinar da Policia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar.
Fortaleza: Inesp. 2004, p. 18-19.
8 – MOREIRA, Juceli dos Santos. MATTE,Sérgio Saldanha. Inquérito Técnico e
Sindicância Policial Militar. Porto Alegre: Polost, 2004, p. 88-94
9 – CEARÁ, Estatuto dos Militares Estaduais do. Tribunal de Justiça do Estado do
Ceará. Fortaleza: 2006, p. 42.
10 – Portaria n.º 181 – GC/2007, Publicada em Boletim do Comando-Geral da PMCE
n.º 177, de 23/09/2007 . Fortaleza: 2007.
11 – OCTAVIANO, Eromar. GONZALEZ, Atila J. Sindicância e Processo
Administrativo. 10 ed. Brasília e Jurídica, 2002, p. 29.
12 – MOREIRA , op. cit. 2004, p. 55.
13 – CEARÁ, op. cit. 2004, p. 44-45.
14 - LAZZARINI, op. cit. 2003.
15 – MOREIRA, op. cit. 2004, p. 51-63.
16 - LAZZARINI, op. cit. 2003.
17 - BRASIL, Constituição da República Federativa do. 35 ed. São Paulo: Saraiva,
2005, p. 8.
18 - MIKALOVISK, Aglacir. GARRETT, Waldick Alan de Almeida. Prática em
Processos e Procedimentos Administrativos – Sindicância e Inquérito Policial Militar.
Curitiba: Juruá, 2006. apud. Portaria n.º 649, de 12/7/1978 da PMPR, p. 41-56
19- Id. Ibid. 2006, p. 40-41
20 – MOREIRA, op. cit. 2004.
21 – Portaria n.º 181 – GC/2007, Publicada em Boletim do Comando-Geral n.º 177, de
23/09/2007 da PMCE: Fortaleza: 2007.
22 – Vide MOREIRA, op. cit. 2004, p. 64-87; OCTAVIANAO, op. cit. 2002, p. 37-45;
LESSA, Sebastião José. Do Processo Administrativo-Disciplinar e da Sindicância. 3 ed
Brasília: Brasília e Jurídica, 2001.
CAPÍTULO IX

ATESTADO DE ORIGEM (AO) E INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM


(ISO)

No pleno exercício da atividade militar estadual que é bastante perigoso,


tanto o policial como o bombeiro militar está sujeito a envolverem-se em acidentes em
objeto de serviço ou no legítimo exercício da atuação militar estadual que podem
causar lesões ou até a morte. Diante disso, as corporações precisam munir-se de
instrumentos investigativos de natureza administrativa ( Documentos Sanitários de
Origem) com manifestação direta da área médica, mediante pareceres e laudos
periciais, objetivando garantir os direitos dos militares estaduais, bem como munir o
Estado de documentação plausível, visando uma decisão final justa, quanto ao destino
daquele militar estadual e de seus dependentes. Tais procedimentos são: O Atestado
de Origem e o Inquérito Sanitário de Origem.1

I – DEFINIÇÃO

São documentos elaborados sobre orientação e devidamente organizados,


realizados e lavrados em favor de Militares Estaduais, acidentados em Objeto de
Serviço e que resultem causa externa ou interna, súbita, imprevista ou fortuita,
provocada por agentes mecânicos, físicos, químicos ou biológicos, desde que não
tenha se originado de crime, transgressão disciplinar ou provocado com aquiescência
própria, ou em caso de morte.2

II – FUNDAMENTAÇÃO

Tais procedimentos tinham como fundamentação basilar, o artigo 96, § 1.º


da lei estadual n.º 10.072, de 20 de dezembro de 1976 e a Lei estadual n.º 10. 972, de
10 de dezembro de 1984, ambas ab-rogadas. Atualmente, sua fundamentação tem
como base a Lei Estadual n.º 13. 729/2006 (Estatuto dos Militares do Estado do
Ceará).
Pelo novo Estatuto dos militares do Estado do Ceará, tais institutos foram
mantidos, conforme prescreve o artigo 190, § 9, necessitando serem atualizados os
procedimentos para as respectivas feituras aos ditames da nova lei, tendo em vista
que os atuais regramentos ainda resistem através dos modelos da antiga e extinta
Corregedoria e de Portarias do Comando da Polícia Militar do Ceará, ao nosso
entender, revogadas, conforme foi frisado.
PORTARIA N.º 182, de 10 de Setembro de 2007 – GC

EMENTA: Normas Complementares que regulam o Atestado


de Origem (AO) e o Inquérito Sanitário de Origem (ISO) no
âmbito da Polícia Militar do Ceará, conforme preceitua o §
9º, do artigo 190, da Lei n.º 13.729, de 11 de janeiro de 2006
(Estatuto dos Militares Estaduais do Ceará).

O Comandante-Geral da Polícia Militar do Ceará, no uso das suas


atribuições legais, e tendo em vista o que dispõe a Portaria n.º 108/2006- Gabinete do
Comando, que dispõe sobre os prazos para conclusão e prorrogação de
procedimentos e processos no âmbito da PMCE e, CONSIDERANDO que é
necessária à implementação de normas de condutas orientadoras para a confecção do
Atestado de Origem e do Inquérito Sanitário de Origem e, CONSIDERANDO que é
indispensável regular tais procedimentos, conforme o § 9º, do art. 190, da Lei n.º 13.
729, de 11 de janeiro de 2006, RESOLVE editar as seguintes normas complementares
cujo objetivo é estabelecer procedimentos necessários à realização de tais
documentos.

CAPÍTULO I
DA DISPOSIÇÃO PRELIMINAR
Art. 1º As presentes normas se destinam a padronizar os procedimentos necessários
à confecção do Atestado de Origem (AO) e do Inquérito Sanitário de Origem (ISO),
nos casos de ferimento, doença, moléstia ou enfermidade adquirida, acontecidas com
o policial militar em objeto de serviço, ou no legítimo exercício da atuação militar
estadual.

CAPÍTULO II
DO ATESTADO DE ORIGEM
Seção I
Da Finalidade
Art. 2º O Atestado de Origem (AO) é um documento administrativo-militar destinado a
apurar se o ferimento, a doença, a moléstia ou a enfermidade adquirida pelo policial
militar ocorreu em objeto de serviço ou no legítimo exercício da atuação militar
estadual e se tais infortúnios, por sua natureza, podem dar origem á sua incapacidade
física, temporária ou definitiva.
Parágrafo único. Entende-se por acidente, por ferimento, doença, moléstia ou
enfermidade adquirida em objeto de serviço, os infortúnios acontecidos com o militar
estadual no exercício de suas atividades profissionais inerentes ao serviço policial
militar ou ocorrido no trajeto casa-trabalho-casa, ou mesmo quando de folga, agiu em
defesa da preservação da ordem pública, visando à proteção do patrimônio ou à
segurança pessoal ou de terceiro em situação de risco, infortúnio ou de calamidade,
bem como em razão de enfermidade contraída no exercício de qualquer função militar
estadual ou que nela tenha sua causa eficiente.

Seção II
Da Constituição e da Lavratura do Atestado de Origem
Art. 3º O Atestado de Origem, elaborado em duas vias, se constitui, obrigatoriamente,
do seguinte conteúdo: prova testemunhal, parecer médico, inspeção de saúde de
controle, exame de sanidade e outras provas julgadas pertinentes.
Parágrafo único. São competentes para a realização do Atestado de Origem os
oficiais do serviço ativo pertencentes à OPM do acidentado, nomeados por
determinação do Comandante, Chefe ou Diretor desta.
Art. 4º Ao receber uma parte ou outra comunicação oficial da ocorrência de ferimento,
acidente, doença, moléstia ou enfermidade acontecida com seu subordinado, o
Comandante, Chefe ou Diretor da OPM deverá adotar as seguintes providências,
quando couber:
I – havendo indícios de ocorrência de transgressão disciplinar ou crime militar
perpetrados pelo militar, por superior deste, ou subordinado, determinará a
instauração de Sindicância ou Inquérito Policial Militar;
II – Determinará a lavratura do Atestado de Origem, publicando tal decisão em
Boletim.
Parágrafo único. O Atestado de Origem deverá ser realizado em 30 (trinta) dias,
improrrogáveis, a contar da data do recebimento da Portaria de designação, não
podendo exceder o prazo de 72 (setenta e duas) horas após a publicação e circulação
do Boletim, exceto nos casos de impedimentos devidamente comprovados.

Seção III
Da Prova Testemunhal
Art. 5º Caberá, inicialmente, ao Comandante, Chefe ou Diretor do acidentado, antes
de mandar instaurar o Atestado de Origem, ao tomar conhecimento dos fatos, arrolar
as testemunhas e adotar as providencias no sentido de que as mesmas sejam ouvidas
em termos circunstanciados.
§ 1º Iniciado o Atestado de Origem e não tendo sido feito juntada da Prova
Testemunhal, caberá ao Encarregado arrolar as testemunhas e ouvi-las em termo.
§2º A testemunha assinará seus termos sobre o fato e, quando não poder ou não
souber assinar, será assinado a rogo, por duas testemunhas idôneas, após lidas na
presença destas.
Seção IV
Do Parecer Médico
Art. 6º O Parecer Médico será realizado, preferencialmente, por médico militar e nele
deverão constar as descrições e características do ferimento, da doença, da moléstia
ou da enfermidade, bem como se tais infortúnios são capazes de causar a
incapacidade temporária ou definitiva do paciente.
Parágrafo único. Se o policial militar ou servidor civil tiver sido socorrido por médico
civil, estando internado em Órgão Civil de Saúde (OCS), ou em tratamento domiciliar,
deverá o Encarregado do Atestado de Origem providenciar para que tal profissional
emita o parecer médico.

Seção V
Da Inspeção de Saúde de Controle
Art. 7º. A Inspeção de Saúde de Controle será realizada pela Junta Militar de Saúde
Ordinária do hospital da PMCE, devendo o Comandante, Chefe ou Diretor da OPM a
qual se subordina o inspecionado, encaminha-lo àquele órgão, bem como os autos do
Atestado de Origem já concluídos.
§ 1º No laudo da Inspeção de Saúde de Controle, a Junta Militar de Saúde registrará
o(s) diagnóstico(s), do ferimento, doença, moléstia ou enfermidade adquirida pelo
inspecionado, assim como emitirá parecer circunstanciado da relação de causa e
efeito que possa existir entre a(s) lesão(ões) encontrada(s) e a(s) constante(s) do
Parecer Médico.
§ 2º A Inspeção de Saúde de Controle deverá atestar se o paciente está apto para
realização de serviço operacional e/ou administrativo na Corporação e, caso
necessário, determinar o prazo de retorno para nova inspeção, no máximo, a cada
período de 30 (trinta) dias.
§ 3º O procedimento previsto no parágrafo anterior será efetuado tantas vezes
quantas se fizerem necessárias, até o término do tratamento ou constatação de
incapacidade definitiva, ocasião em que será realizado o Exame de Sanidade.
§ 4º As perícias reguladas por este artigo serão anexadas ao Atestado de Origem.
§ 5º Caso o policial militar ou servidor civil se encontre baixado em Órgão Civil de
Saúde (OCS), ou submetido a tratamento domiciliar, estando impossibilitado de se
locomover, a Junta Militar de Saúde realizará a Inspeção de Saúde de Controle
naqueles locais.

Seção VI
Do Exame de Sanidade
Art. 8º. O Exame de Sanidade será realizado pela Junta Militar de Saúde Ordinária e
constará de uma descrição dos procedimentos médico-hospitalares realizados no
paciente, bem como da doença, moléstia ou enfermidade deste, e de sua capacidade
de retorno ao serviço operacional e/ou administrativo.
Parágrafo único. Constatada a incapacidade definitiva do paciente para retornar ao
serviço operacional e/ou administrativo da Corporação, a Junta Militar de Saúde
Ordinária se manifestará, opinando pela sua transferência para a inatividade, na
condição de reformado, conforme prediz a lei estatutária.

Seção VII
Do Falecimento do Paciente

Art. 9º. Se o paciente falecer antes da realização da Inspeção de Saúde de Controle e


do Exame de Sanidade, estas perícias serão substituídas pelo Auto de Exame
Cadavérico ou pelo Laudo de Necropsia.

Seção VIII
Do Destino do Atestado de Origem
Art. 10. O Atestado de Origem será confeccionado em duas vias, sendo a primeira
arquivada na Diretoria de Pessoal da Corporação, e a segunda remetida ao arquivo da
OPM a que pertencer o paciente, transcrevendo-se nos assentamentos funcionais
deste um resumo dos fatos acontecidos.
§ 1º A solução do Atestado de Origem, procedida pelo Comandante, Chefe ou Diretor
da OPM a que estiver subordinado o paciente, será publicada em Boletim.
§2º No caso da OPM não dispor de Boletim, a solução será publicada no Boletim da
Unidade a que a OPM estiver imediatamente subordinada.

CAPÍTULO II
DO INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM

Seção I
Da Finalidade
Art. 11. O Inquérito Sanitário de Origem (ISO) é a apuração médico-administrativa
realizada para comprovar:
I - se a incapacidade física temporária ou definitiva do militar ou servidor civil,
constatada em inspeção de saúde, resultou de ferimento, doença, moléstia ou
enfermidade contraída em objeto de serviço ou no legítimo exercício da atuação militar
estadual;
II – se a causa da morte decorreu em conseqüência de ferimento, doença, moléstia ou
enfermidade contraída em objeto de serviço ou no legítimo exercício da atuação militar
estadual.
§1º. Entende-se por ferimento, doença, moléstia ou enfermidade adquirida em objeto
de serviço, os infortúnios acontecidos com o militar estadual no exercício de suas
atividades profissionais inerentes ao serviço policial militar ou ocorrido no trajeto casa-
trabalho-casa, ou mesmo quando de folga, agiu em defesa da preservação da ordem
pública, visando a proteção do patrimônio ou à segurança pessoal ou de terceiro em
situação de risco, infortúnio ou de calamidade, bem como em razão de enfermidade
contraída no exercício de qualquer função militar estadual ou que nela tenha sua
causa eficiente.
§2º. A realização do Inquérito Sanitário de Origem é obrigatória sempre que houver
irregularidades insanáveis no Atestado de Origem, ou inexistência deste.

Seção II
Dos Documentos Básicos
Art. 12. São documentos básicos para instauração do Inquérito Sanitário de Origem:
I – requerimento do interessado ou determinação da autoridade competente;
II – cópia do laudo de Inspeção de Saúde, expedido pela Junta Militar de Saúde da
Corporação, declarando a incapacidade física temporária ou definitiva do paciente;
III – cópia de registros da causa da doença alegada, constante dos assentamentos
funcionais do interessado;
IV - cópia da documentação médica referente aos atendimentos ambulatoriais e baixas
hospitalares relacionados com a doença alegada;
V – cópia do Boletim que publicou a ocorrência de registro do ferimento, doença,
moléstia ou enfermidade acontecida com o paciente, em objeto de serviço ou no
legítimo exercício da atuação militar estadual, ou do documento que comprove o ato
de serviço do qual resultou a doença que motivou a incapacidade;
VI – cópia de IPM ou Sindicância, cujo objeto de averiguação tenha correlação com a
doença alegada;
VII – cópia do Atestado de Origem, que apresentou irregularidades insanáveis;
IX – Cópia do Auto de Exame de Corpo de Delito ou do Auto de Exame Cadavérico;
X – Atestado de Óbito expedido por Cartório Competente.

Seção III
Do Início e da Instauração do Inquérito Sanitário de Origem
Art. 13. O Inquérito Sanitário de Origem terá como encarregado um oficial do Quadro
de Saúde da Polícia Militar a ser designado pela Diretoria de Pessoal da Corporação.
Parágrafo único. Deverá ser iniciado através de Portaria publicada em Boletim do
Comando Geral por determinação do Comandante-Geral ou do Comandante-Geral
Adjunto.

Seção IV
Dos Prazos
Art. 14. O Inquérito Sanitário de Origem deverá ser concluído no prazo de 30 (trinta)
dias, a contar da data do recebimento da Portaria de designação, não podendo
exceder o prazo de 72 (setenta e duas) horas após a publicação e circulação do
Boletim, exceto nos casos de impedimentos devidamente comprovados.
Parágrafo único. O prazo estipulado no caput deste artigo poderá ser prorrogado pela
autoridade que determinou a sua instauração por 20 (vinte) dias, a pedido do
encarregado, que deverá fundamentar tal necessidade.

Seção V
Das Providências do Encarregado do Inquérito Sanitário de Origem
Art. 15. O Encarregado do Inquérito Sanitário de Origem deverá esclarecer os motivos
causadores do ferimento, da doença, da moléstia ou da enfermidade do paciente, bem
como se tal infortúnio teve relação de causa e efeito com o serviço ou com o legitimo
exercício da atuação militar estadual.
Art. 16. A fim de instruir os autos do Inquérito Sanitário de Origem, caberá a seu
encarregado:
I – ouvir o paciente, quando possível, reduzindo a termo suas declarações;
II – ouvir as testemunhas que tenham conhecimento dos fatos, ou seja, importantes
para a elucidação destes, reduzindo a termo tais depoimentos;
III – juntar todos os documentos relevantes e pertinentes com o objeto da apuração;
IV – solicitar, formalmente, diretamente ao órgão competente, perícias e exames
técnicos necessários ao embasamento de seu relatório e parecer.
§ 1º Em suas declarações, o paciente deverá informar em que estabelecimento
hospitalar esteve em tratamento da doença que motivou a incapacidade, declarando a
época e o médico que o assistiu.
§ 2º As testemunhas prestarão depoimentos diretamente ou por carta precatória, a ser
enviada à autoridade militar competente, que lhe dará cumprimento.

Seção VI
Do Relatório e Parecer
Art. 17. O Inquérito Sanitário de Origem será encerrado com um relatório
circunstanciado do fato, em que o encarregado mencionará as pessoas ouvidas, as
diligências realizadas e os resultados obtidos, exarando, ao final, o seu parecer.
Parágrafo único. No parecer o Encarregado declarará, de modo seguro e preciso, se
há relação de causa e efeito entre o óbito ou entre a incapacidade do paciente com o
serviço ou o exercício da atuação militar estadual.
Seção VII
Da Confecção
Art. 18. Os Autos do Inquérito Sanitário de Origem terão, obrigatoriamente, suas
folhas numeradas e rubricadas pelo seu Encarregado no canto superior direito da
folha, com os documentos juntados em ordem cronológica, por data e hora.
Parágrafo único. Os termos de declarações do paciente e os depoimentos das
testemunhas deverão ser assinados pelos respectivos, bem como pelo médico militar
encarregado.

Seção VIII
Da Inspeção de Saúde de Controle e do Exame de Sanidade
Art. 19. Concluído o Inquérito Sanitário de Origem, o Encarregado encaminhá-lo-á à
autoridade que determinou sua realização, a qual adotará providências no sentido de
que o paciente seja submetido à Inspeção de Saúde de Controle pela Junta Militar de
Saúde Ordinária da Corporação.
§ 1º No laudo de Inspeção de Saúde de Controle, a Junta Militar de Saúde registrará o
diagnóstico do ferimento, doença, moléstia ou enfermidade adquirida pelo
inspecionado, assim como emitirá parecer circunstanciado da relação de causa e
efeito que possa existir entre as lesões encontradas e as constantes do parecer
médico, observando as conclusões do Encarregado do Inquérito Sanitário de Origem.
§ 2º A Inspeção de Saúde de Controle deverá atestar se o paciente está apto para
realização de serviço operacional e/ou administrativo na Corporação e, caso
necessário, determinará o prazo de retorno para nova inspeção, no máximo, a cada
período de 30 (trinta) dias.
§ 3º O procedimento previsto no parágrafo anterior será efetuado tantas vezes
quantas se fizer necessário, até o término do tratamento, ou constatação de
incapacidade definitiva, ocasião em que será realizado o Exame de Sanidade.
§ 4º Caso o acidentado encontre-se baixado em Órgão Civil de Saúde (OCS) ou
submetido a tratamento domiciliar, estando impossibilitado de se locomover, a Junta
Militar de Saúde efetuará a Inspeção de Saúde de Controle no local em que este
paciente estiver.
Art. 20. O Exame de Sanidade será realizado pela Junta Militar de Saúde Ordinária da
Corporação e constará de uma descrição dos procedimentos médico-hospitalares
realizados no paciente, da doença, moléstia ou enfermidade deste e de sua
capacidade de retorno ao serviço operacional e/ou administrativo.
Parágrafo único. Constatada a incapacidade definitiva do paciente para retornar ao
serviço operacional e/ou administrativo da Corporação, a Junta Militar de Saúde
Ordinária se manifestará, opinando pela sua transferência para a inatividade, na
condição de reformado, conforme prediz a Lei estatutária.

Seção IX
Da Solução e do Destino do Inquérito Sanitário de Origem
Art. 21. Compete ao Comandante Geral ou Comandante Geral Adjunto solucionar o
Inquérito Sanitário de Origem e determinar a sua publicação em Boletim do Comando
Geral.
Parágrafo único. O Inquérito Sanitário de Origem será confeccionado em duas vias,
sendo a primeira arquivada na Diretoria de Pessoal da Corporação e a segunda
remetida ao arquivo da OPM a que pertencer o paciente, transcrevendo-se nos
assentamentos funcionais deste um resumo dos fatos acontecidos.

Seção X
Da Doença Endêmica e Epidêmica
Art. 22. Sobre os casos de doença incapacitante, alegada como adquirida, com
relação de causa e efeito inerente às condições do serviço policial militar, seja
endêmica ou epidêmica, deverá ser observado o seguinte:
I - doença endêmica ou epidêmica é toda aquela que se verifica em conseqüência de
desobediência aos preceitos e às medidas de profilaxia preconizadas pelas
autoridades sanitárias;
II - se a epidemia ocorreu no quartel ou no posto de serviço em que o interessado
serve ou foi designado, a sua doença será considerada como adquirida em objeto de
serviço ou no legítimo exercício da atuação militar estadual, desde que uma apuração
epidemiológica comprove que o foco original da doença ou a fonte de infecção
encontrava-se naquele local e não ocorreu a profilaxia preconizada pelas autoridades
sanitárias;
III - quando uma doença endêmica ou epidêmica for alegada como adquirida em
objeto de serviço ou no legítimo exercício da atuação militar estadual e causadora de
incapacidade física temporária ou definitiva, torna-se necessário, para o início de
Inquérito Sanitário de Origem, juntada de atestado, expedido por autoridade sanitária
militar ou civil, que comprove o estado endêmico ou epidêmico da doença alegada e
sua ocorrência na época e na localidade ou posto de serviço que o interessado servia;
IV - em todos os casos de Inquérito Sanitário de Origem por doença endêmica ou
epidêmica, o Encarregado deverá averiguar:
a) o tempo de duração do(s) ato(s) objeto(s) de serviço realizado(s) pelo paciente na
zona endêmica ou epidêmica;
b) a data de início da doença.

CAPÍTULO III
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 23. Compete ao Comandante-Geral dirimir as dúvidas decorrentes das presentes
Normas Reguladoras.
Art. 24. Em todo óbito da qual haja fundada suspeita de que sua causa decorreu do
serviço ou do legítimo exercício da atividade militar estadual, será instaurado o
Inquérito Sanitário de Origem.
Art. 25. Estas Normas entrarão em vigor na data de sua publicação, ficando
revogadas todas as disposições em contrário.3

III – DA REGULAMENTAÇÃO DA JUNTA MILITAR DE SAÚDE

1. Da Legalidade
O artigo 88, inciso IV, da Constituição Estadual do Ceará c/c os artigos 218
e 219 da Lei n.º 13. 729, de 11 de janeiro de 2006, alterada pela lei n.º 13. 768, de 4
de maio de 2006, determinam que mediante Decreto do Chefe do Poder Executivo
local (Governador do Estado), sejam regulamentadas os funcionamentos das Juntas
Militares de Saúde, Dispensas de Serviço por Prescrição Médica e Readaptação do
Militar Estadual (Projeto de Decreto já foi enviado).

2. Tópicos a Serem Regulamentados


1) Das Juntas Militares de Saúde:
a) Da Organização Administrativa das Juntas;
b) Da Junta Militar de Saúde Ordinária;
c) Da Junta Militar de Saúde Superior;
d) Da Junta Militar de Inclusão.
2) Das Dispensas de Serviço por Prescrição Médica:
a) Disposições Gerais;
b) Dispensa para Tratamento de Saúde;
c) Licença para Tratamento de Saúde;
d) Licença à Gestante;
e) Licença par Tratamento de Saúde de Dependente.
3) Funcionamento, Diagnóstico e Pareceres da Junta Militar de Saúde:
a) Funcionamento da Junta Militar de Saúde;
b) Diagnósticos e Pareceres Médicos.
4) Prestação de Serviços Administrativos e Readaptação:
a) Prestação de Serviços Administrativos;
b) Readaptação;
c) Incapacidade.
5) Processos Avaliativos:
a) Para Demissão;
b) Condições Incapacitantes.4

IV - MODELOS
Segue relação de modelos indispensáveis para a formalização do Atestado
de Origem (AO) e do Inquérito Sanitário de Origem (ISO).5

1 - Modelo de Capa e Autuação

CABEÇALHO

ATESTADO DE ORIGEM

Paciente: _____________________________
(indicar posto ou graduação/nome completo do
paciente/nº da identidade)
Encarregado: _________________________
(indicar posto/nome completo/n.º da identidade)

AUTUAÇÃO

Aos ____ dias do mês de _________ do ano de _________, nesta cidade


de _________, Estado do Ceará, no Quartel do _________, dando cumprimento à
designação constante do Boletim Interno/do Comando-Geral nº _________, datado de
_________ de _________ de _________, instauro o presente Atestado de Origem
_______.

(Assinatura): Encarregado.

2 - Modelo de Portaria

CABEÇALHO

ATESTADO DE ORIGEM

PORTARIA N.º ______/______ P/1 da OPM/OBM ou DP-3

O Coronel PM/BM Comandante-Geral da PMCE/CMBCE ou (Comandante


de Unidade, Chefe ou Diretor), no uso de suas atribuições legais, RESOLVE:
Designar o _________ (oficial do serviço ativo pertencente a OPM/OBM do
acidentado), da _________ (OPM/OBM), para proceder Atestado de Origem (AO) sob
o que contém na documentação em anexo _________ envolvendo_________
delegando-lhe para este fim, as atribuições de sua competência.

Local/data
(Assinatura): Autoridade Instauradora.

Por delegação
________________________
Comandante Adjunto da OPM/OBM

3 - Modelo de Prova Testemunhal

CABEÇALHO

VISTO
___________
Cmt/Dir/Ch

ATESTADO DE ORIGEM
Prova Testemunhal

Atesto que o(a) ________ (indicar posto ou graduação/nome completo/n.º


da identidade/função) servindo no ________ (OPM do paciente) sofreu acidente em
serviço ou no legítimo exercício da atuação militar estadual às_____ horas do dia
______ de ______ de ______, que ocorreu da seguinte forma: ________ (relatar as
circunstâncias do acidente e a natureza do serviço que era realizado).

Local/data
(Assinaturas): Testemunha e Comandante da Subunidade ou Chefe
Imediato do Paciente.

4 - Modelo de Parecer Médico

CABEÇALHO

VISTO
___________
Cmt/Dir/Ch
ATESTADO DE ORIGEM

Parecer Médico

Certifico que o(a) _________ (posto ou graduação/nome completo/n.º da


identidade/função/OPM do acidentado) às ______ horas do dia ____ de _________
de ______ foi vítima do acidente relatado na Prova Testemunhal, sendo verificadas as
seguintes lesões ou perturbações mórbidas resultantes do sinistro: _________
(descrever as características do ferimento, da doença, da moléstia ou da enfermidade,
bem com se tais infortúnios são capazes de causar a incapacidade temporária ou
definitiva do paciente).

Local/data
(Assinatura): Médico.

5 - Modelo de Inspeção de Saúde de Controle

CABEÇALHO

ATESTADO DE ORIGEM

Inspeção de Saúde de Controle

A Junta Médica da Polícia Militar do Ceará declara que inspecionou o(a) _________
(indicar posto ou graduação/nome do paciente/nº da identidade) com o seguinte
resultado, DIAGNÓSTICO _________ (do ferimento, da doença, da moléstia ou
enfermidade adquirida).

PARECER:
De acordo com o que foi apurado __________ (emitir parecer
circunstanciado da relação de causa e efeito que possa existir entre as lesões
encontradas constantes do parecer médico).
Consta que __________ (se o paciente está apto para a realização de
serviço operacional e/ou administrativo na Corporação e, caso necessário,
determinará o prazo de retorno para a nova inspeção, no máximo, a cada período de
30 dias ou se a incapacidade é definitiva).

Local/data
(Assinaturas): Presidente da Junta Médica, Médico Militar e Médico Militar.
6 - Modelo de Exame de Sanidade do Paciente em Ato de Serviço

CABEÇALHO

ATESTADO DE ORIGEM

Exame de Sanidade de Paciente em Ato de Serviço

Aos _________ dias do mês de _________ do ano de _________, na


cidade de ____________, a Junta Médica da Polícia Militar do Ceará procedeu a
exame de sanidade em _________ (indicar posto ou graduação/nome do
acidentado/nº da identidade), o qual esteve em tratamento decorrente de acidente
sofrido em ato de serviço, e, passando a fazer os exames pertinentes, exara o
seguinte DIAGNÓSTICO E PARECER: ______________ (descrever os
procedimentos médico-hospitalares realizados, as lesões ou perturbações mórbidas
que porventura restarem no acidentado e sua capacidade de retorno ao serviço
operacional e/ou administrativo). E, nada mais havendo a constar, encerra-se o
presente exame.
(Assinaturas): Presidente da Junta Médica, Médico Militar e Médico
Militar.

7 - Modelo de Relatório e Parecer

CABEÇALHO

ATESTADO DE ORIGEM

RELATÓRIO E PARECER

Aos ____ dias do mês de _________ do ano de ________, depois de


concluídas as inquirições, pesquisas, diligências, exames e outras providências
necessárias, foi vítima do acidente relatado na Declaração Testemunhal, sendo
verificadas as seguintes lesões ou perturbações mórbidas resultantes do sinistro:
________ (descrever as lesões ou perturbações mórbidas no momento dos primeiros
socorros médicos).

PARECER

Do exposto, verifica-se que o(a) _________ (indicar posto ou graduação,


nome completo, nº da identidade) contraiu/acidentou-se em _________ (data), quando
servia no(a) _________ (OPM em que servia) que foi (ou não) adquirida em
conseqüência de _________ (especificar o ato ou acidente em serviço), conforme
ficou apurado no presente Atestado.
Desta forma, concluo haver (ou não) relação de causa e efeito entre a
doença ______(doença que motivou a incapacidade) e o ato de serviço (ou acidente
em serviço).

OBS: Se houver falecimento do paciente antes da realização da Inspeção de Saúde


de Controle e do Exame de Sanidade, estas perícias serão substituídas pelo Auto de
Exame Cadavérico ou pelo Laudo de Necropsia.

(Assinatura): Encarregado.

8 - Modelo de Ofício de Remessa de Atestado de Origem

CABEÇALHO

Local/data
Of. nº. ______/______
Ao: _________________ - Autoridade delegante.
Assunto: Atestado de Origem (remete).
Anexo: Autos contendo ___________ folhas.
Ref.: Portaria n.º _____/_____, publicada em B.I n.º _____/_____.

Sr. ___________________________
Remeto a V.Sª. os autos de Atestado de Origem, lavrado em favor de _________
(nome completo do paciente), por mim presidido, nos termos da legislação vigente.
No azo, apresento-lhe protestos de consideração e respeito.

Cordialmente,

(Assinatura): Encarregado.

Recebi a 1.ª Via em: _____/_____/_____


_________________________________
Agente Recebedor

DESPACHO DE SOLUÇÃO:
1) Ciente – Concordo com as conclusões e o parecer do encarregado nos seguintes
termos _________ (relatar) e que surta os efeitos legais na forma do Estatuto vigente.
2) Envie-se ao Sr. Comandante-Geral Adjunto para fins de Publicação em BCG;
3) Transcreva-se em BI;
4) Registre-se nos Assentamentos do PM/BM;
5) Propor Instauração de Comissão de Meritoriedade;
6) Arquive-se Cópia na seção competente.

Local/data
(Assinatura): Autoridade Delegante.

1 - Modelo de Capa e Autuação

CABEÇALHO

INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM

Paciente: __________________________
(indicar posto ou graduação/nome completo
do paciente/nº da identidade)
Encarregado: _______________________
(indicar posto/nome completo/n.º da identidade
– Oficial Médico Militar)

AUTUAÇÃO

Aos _____ dias do mês de _________ do ano de _________, nesta cidade


de _________, Estado do Ceará, no Quartel do _________, dando cumprimento à
designação constante do Boletim do Comando Geral nº __________, datado de
__________ de _________ de _________, instauro o presente Inquérito Sanitário de
Origem _________.

(Assinatura): Encarregado – Oficial Médico Militar.

2 - Modelo de Portaria

CABEÇALHO
INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM

PORTARIA N.º _____________/______________ DP-3

O Coronel PM/BM Comandante-Geral da PMCE/CMBCE, no uso de suas


atribuições legais, RESOLVE:
Designar o _________ (oficial – Médico Militar), da _________
(OPM/OBM), para proceder a Inquérito Sanitário de Origem (ISO) sob o que contém
na documentação em anexo _________ (observar os documentos inscritos no artigo
12 da portaria reguladora do procedimento) envolvendo _________, delegando-lhe
para este fim, as atribuições de sua competência.

Local/data
(Assinatura): Comandante-Geral da Corporação.

Por delegação:
________________________
Comandante-Geral Adjunto da Corporação

3 - Modelo de Termo de Declarações de Paciente

CABEÇALHO

INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM

Termo de Declaração do Paciente

Aos _____ dias do mês de _________ do ano de _________, nesta cidade


de _________, Estado do Ceará, nas dependências do _________ (OPM), às
________ horas, compareceu o(a) paciente _________ (indicar posto ou
graduação/nome completo/nº da identidade), brasileiro, ________ (estado civil),
filho(a) de _________ e de _________, natural de _________, nascido(a) em
__________ (data de nascimento), domiciliado(a) na _________ (citar endereço
completo - rua, avenida, nº, complemento, bairro e cidade), o(a) qual, sem qualquer
tipo de coação física e/ou moral passou a declarar o que segue: _________.
Perguntado em qual estabelecimento hospitalar esteve em tratamento da doença que
motivou a incapacidade, qual a época e o médico assistente; respondeu que
__________. Perguntado sobre _________ (perguntas julgadas necessárias pelo
encarregado); respondeu que _________.
E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, às ______ horas, deu-
se por encerrado o presente termo, que depois de lido e achado conforme, segue
devidamente assinado.

(Assinaturas): Paciente e Encarregado – Oficial Médico Militar.

4 - Modelo de Termo de Depoimento de Testemunha

CABEÇALHO

INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM

Termo de Depoimento de Testemunha

Aos _____ dias do mês de _________ do ano de _________, nesta cidade


de _______, Estado do Ceará, nas dependências do _________ (OPM), às ________
horas, compareceu a testemunha _________ (indicar posto ou graduação/nome
completo/nº da identidade), brasileiro (a), _________ (estado civil), filho(a) de
_________ e de _________, natural de _________, nascido(a) em __(data de
nascimento), domiciliado(a) na _________ (citar endereço completo - rua, avenida, nº,
complemento, bairro e cidade), o(a) qual, após o compromisso de dizer a verdade
sobre o que disser e o que lhe for perguntado e sem qualquer tipo de coação física
e/ou moral passou a declarar o que segue: ________
Perguntado sobre _________ (perguntas julgadas necessárias pelo
encarregado); respondeu que _________.
E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, às ___ horas, deu-se
por encerrado o presente termo, que depois de lido e achado conforme, segue
devidamente assinado.

(Assinaturas): Testemunha e Encarregado – Oficial Médico Militar.

5 - Modelo de Inspeção de Saúde de Controle

CABEÇALHO

INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM

Inspeção de Saúde de Controle

A Junta Médica da Polícia Militar do Ceará declara que inspecionou o(a)


_________ (indicar posto ou graduação/nome do acidentado/nº da identidade) com o
seguinte resultado, DIAGNÓSTICO: _________ (registrar o diagnóstico do ferimento,
da doença, moléstia ou enfermidade adquirida).
PARECER:
__________ (circunstâncias da causa e efeito que possa existir entre as
lesões encontradas constantes do parecer médico – se o paciente está apto para a
realização de serviço administrativo e/ou operacional na Corporação e, caso
necessário, determinar o prazo de retorno para a nova inspeção, no máximo, a cada
período de 30 dias) – Manifestar-se opinando pela sua transferência para a
inatividade, na condição de reformado, conforme prediz lei estatutária.

Local/data
(Assinaturas): Presidente da Junta Médica, 1.º Médico Militar e 2.º Médico
Militar.

6 - Modelo de Exame de Sanidade

CABEÇALHO

INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM

Exame de Sanidade

Aos ____dias do mês de ________ do ano de _________na cidade de


________ a Junta Médica da Polícia Militar do Ceará procedeu a exame de sanidade
em _________ (indicar posto ou graduação/nome do militar estadual/nº da identidade),
e, passando a fazer os exames pertinentes, exara o seguinte DIAGNÓSTICO E
PARECER: _________ (descrever os procedimentos médico-hospitalares realizados,
as lesões ou perturbações mórbidas que porventura restarem no militar estadual e sua
capacidade de realização de serviço operacional e/ou administrativo).
E, nada mais a constar, encerra-se o presente exame, que segue
devidamente assinado.

(Assinaturas): Presidente da Junta Médica, 1.º Médico Militar e 2.º


Médico Militar.

7 - Modelo de Ofício a Autoridade Delegante Solicitando Prorrogação de


Prazo de Inquérito Sanitário de Origem

CABEÇALHO
Local e data
Of. nº. _____/______
Ao: Senhor _________ (Autoridade delegante).
Assunto: Solicitação.
Ref.: Portaria n.º _____/_____.

Senhor comandante,

Solicito a Vossa Senhoria, na qualidade de encarregado do Inquérito Sanitário de


Origem instaurado através da portaria n.º ______/_____, a prorrogação do referido
procedimento ao meu cargo, de conformidade com o parágrafo único, do artigo 14 da
portaria de regulamentação.
Tal pedido deve-se ao fato de que este encarregado ainda aguarda o envio de exames
ou perícias, ou ainda a necessidade de diligência (citar), indispensável à elucidação
dos fatos.

Atenciosamente,

(Assinatura): Encarregado.

8 - Modelo de Relatório e Parecer

CABEÇALHO

INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM

RELATÓRIO E PARECER

Aos ____ dias do mês de _________ do ano de ________, depois de


concluídas as inquirições, pesquisas, diligências, exames e outras providências
necessárias para avaliar as circunstâncias que produziram a doença incapacitante,
assim como a influência das obrigações militares cumpridas na origem da doença,
passo a relatar o que foi apurado: _________ (descrição de tudo o que foi apurado
com relação à doença que motivou a incapacidade).

PARECER

Do exposto, verifica-se que o(a) _________ (indicar posto ou graduação,


nome completo, nº da identidade) contraiu em _________ (data), quando servia no(a)
_________ (OPM em que servia o paciente) a doença _________ (doença que
motivou a incapacidade) que foi (ou não) adquirida em conseqüência de _________
(especificar o ato ou acidente em serviço), conforme ficou apurado no presente
Inquérito.
Desta forma, concluo haver (ou não) relação de causa e efeito entre a
doença ______(doença que motivou a incapacidade) e o ato de serviço (ou acidente
em serviço).
O encarregado declarará, de modo seguro e preciso, se há relação de causa
e efeito entre o infortúnio ou o óbito ou entre a incapacidade do paciente com o serviço
ou com o legítimo exercício da atuação militar estadual.
Relatar sobre doenças incapacitantes __________ (endêmicas e
epidêmicas).

OBS: O Encarregado poderá solicitar, formalmente, diretamente ao órgão


competente, perícias e exames técnicos necessários ao embasamento de seu relatório
e parecer. Também, observar as normas estatutárias.

(Assinatura): Encarregado - Oficial Médico Militar.

9 - Modelo de Ofício de Remessa de Inquérito Sanitário de Origem

CABEÇALHO

Local/data
Of. nº. ______/_______
Ao: _________________ - Autoridade delegante
Assunto: Inquérito Sanitário de Origem (remete).
Anexo: Autos contendo ______ folhas.
Ref: Portaria n.º _____/_____, publicada em BCG n.º _____/_____.

Sr. _____________________

Remeto a V.Sª. os autos de Inquérito Sanitário de Origem, lavrado em favor de


_________ (nome completo do paciente) ou do falecido _________, por mim
presidido, nos termos da legislação vigente.
No azo, apresento-lhe protestos de consideração e respeito.

Cordialmente,

(Assinatura): Encarregado – Oficial Médico Militar.

Recebi a 1.ª Via em: _____/_____/_____


_________________________________
Agente Recebedor
DESPACHO DE SOLUÇÃO:

1) Ciente – Concordo com as conclusões e o parecer do encarregado nos seguintes


termos _________ (relatar) e que surta os efeitos legais na forma do Estatuto vigente.
2) Envie-se ao Sr. Comandante-Geral para fins de Publicação em BCG;
3) Transcreva-se em BI;
4) Registre-se nos Assentamentos do PM/BM (falecido ou não)
5) Instaurar Comissão de Meritoriedade;
6) Arquive-se Cópia na seção competente.

Local/data
(Assinatura): Autoridade Delegante.

CAPÍTULO IX (NOTAS DE RODAPÉ)

1 – Vide IR 30-34 (Atestado de Origem e Inquérito Sanitária de Origem) – EB, Portaria


n.º 064- DGP, de 4/Julho/2001 – EB; Portaria n.º 016-DGP, de 7/3/2001 EB; Portaria
n.º 1.174/MD, de 6/Set/2006 – EB; Portaria n.º 141, de 31/12/2004 – EB; Portaria n.º
113/DEP. DE 7/12/2001 – EB; Portaria n.º 042- DEP, de 12/4/2004 – EB.
2 – Id. Ibid. 2001.
3 - Portaria do Comando-Geral da Policia Militar do Ceará n.º 182/2007, Publicada em
Boletim do Comando-Geral n.º 177, de 23/08/2007. Fortaleza: 2007.
4 – Vide Portaria n.º 064 – DEP, de 4/7/2001 (Aprova as instituições
Regulamentadoras dos Documentos Sanitários de Origem – IRDSO (IR 30-34)
Exército Brasileiro.
CAPÍTULO X

COMISSÃO DE MERITORIEDADE

I – TÓPICOS INICIAIS

1. Do procedimento
É de se ressaltar que as faltas administrativas devem ser apuradas por
meio de procedimentos disciplinares, tendo-se em vista o poder-dever do Estado. O
poder-dever, na lição de PAULO (2004, p. 121): “significa dizer que o poder
administrativo, por ser conferida à Administração para o atingimento do fim público,
representa um dever de agir”.
Tais procedimentos disciplinares são céleres e obedecem a ritos próprios,
elencados no Código Disciplinar ou nos regramentos normativos aplicáveis a cada
espécie.
No entanto, conforme ensina ALVES (2001, p. 209) em seu estudo de
Prática de Processo Disciplinar: “o procedimento não existe para satisfazer
formalidades e sim, como meio racional, lógico, de reunir elementos que permitam à
autoridade um julgamento à luz da certeza. E esses elementos são as provas”.2
Dentre os vários procedimentos aplicáveis aos militares estaduais do
Ceará, um deles enseja destaque especial: A meritoriedade. Ao contrario da maioria
dos procedimentos que visam apurar a responsabilidade administrativo-disciplinar, em
tese, por falta cometida, eis que a lei estadual, Estatuto dos Militares do Estado do
Ceará (Lei n.º 13. 729/2006) previu um procedimento que visa apurar mérito, estando
o PM/BM vivo ou não, como forma de recompensa pela coragem, destemor, audácia,
fibra, garbo, dentre outros requisitos essenciais para a concessão de uma futura
promoção.

2. Da obediência estatutária
No título III (Direitos e Prerrogativas dos Militares Estaduais) artigo 52, do
supra referendado Estatuto, especificamente no inciso VII, está elencado o direito a
promoção, direito esse reconhecido como um dos mais motivadores da carreira militar
estadual, tanto para o militar como para a família e seus pares.3
O militar estadual no exercício da atividade policial ou bombeirística militar
exercita inúmeras atividades, tais como: policiamento ostensivo geral, rural e urbano;
trânsito rodoviário, nas rodovias estaduais, observadas as disposições da lei n.º
9.503/97 (Código de Trânsito); policiamento florestal, de mananciais e de preservação
ambiental; guarda das sedes dos poderes estaduais; segurança externa dos
estabelecimentos penais do Estado; radio-patrulhamento terrestre, aéreo, lacustre e
fluvial (a pé, montado, motorizado, embarcado e aerotransportado); de atividades de
garantia do exercício do poder de polícia dos órgãos da administração pública; de
polícia judiciária militar estadual; prestação de assistência e socorro em geral, de
defesa civil, dentre outros de grande e elevada importância.4
Os militares estaduais estão presentes em todos os municípios do Estado,
sem ressaltar um número expressivo de distritos e localidades em que a força estatal
também está presente, visível, fardada, ostensiva, armada, com um atendimento
totalmente desconcentrado.
Conforme VALLA (2004, p. 87) em Doutrina de Emprego de Polícia e
Bombeiro Militar, a segurança, como uma das necessidades das pessoas,