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O Sistema AMDP

Associação para Metodologia e


Documentação em Psiquiatria (AMDP)
(Org.)

O Sistema AMDP
Manual de documentação de
achados diagnósticos psiquiátricos

Tradução de Dr. Med. Eduardo Aratangy


e Prof. Dr. Med. Paulo Sallet
Revisão técnica de Dr. Thomas Haunold
Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Copyright © 1995, 1997, 2000, 2007 e 2016
Hogrefe Verlag GmbH & Co. KG, Göttingen
Título original: Das AMDP-System – Manual zur Dokumentation psychiatrischer Befunde,
Arbeitsgemeinschaft für Methodik und Dokumentation in der Psychiatrie (AMDP)
Editora: Cristiana Negrão
Tradução: Dr. Med. Eduardo Aratangy e Prof. Dr. Med. Paulo Sallet
Capa e diagramação: Claudio Braghini Junior
Revisão técnica: Dr. Thomas Haunold
Preparação: Klaus Brüscke
Revisão: Eliane Santoro
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
O Sistema AMDP: manual de documentação de achados diagnósticos
psiquiátricos / Achim Haug...[et al.] ; tradução Paulo Sallet e Eduardo
Aratangy. -- 1. ed. -- São Paulo : Hogrefe CETEPP, 2016.
Outros autores: Michael Rösler, Carsten Spitzer, Rolf-Dieter Stieglitz,
Wolfgang Trabert
Título original: Das AMDP-System – Manual zur Dokumentation psychiatrischer
Befunde
Bibliografia.
ISBN 978-85-85439-32-3
1. Psicofarmacologia 2. Psicopatologia 3. Psiquiatria I. Haug, Achim. II.
Rösler, Michael. III. Spitzer, Carsten. IV. Stieglitz, Rolf-Dieter. V. Trabert,
Wolfgang. VI. Título: Manual de documentação de achados diagnósticos
psiquiátricos.
CDD-616.89
16-03420 NLM-WM 141
Índices para catálogo sistemático:
1. Manual de documentação : Psiquiatria : Medicina 616.89

Este livro segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa.


Todos os diretos desta edição reservados à

Editora Hogrefe CETEPP


R. Comendador Norberto Jorge, 30
Brooklin, São Paulo – SP, Brasil
CEP: 04602-020
Tel.: +55 11 5543-4592
www.hogrefe.com.br

Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer for-
ma ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópias e gravação)
ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita.
ISBN: 978-85-85439-32-3
Apresentação
No dia 1o de outubro de 1978, iniciei minhas atividades no Instituto
Central de Saúde Mental de Mannheim, uma das Clínicas Psiquiátri-
cas da Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Como era praxe
com todo novato, recebi um kit inicial de materiais: quatro aventais
brancos (que eram de uso obrigatório na clínica), um crachá, um
fichário com todas as normas e regras do hospital, uma chave uni-
versal que me dava acesso a todas as enfermarias, um Dictaphone
Gründig (onde ditávamos as evoluções para serem datilografadas
pelas secretárias e ordenadas no prontuário do paciente), o manual
da Classificação Internacional de Doenças (na ocasião, CID-9) e o
manual de algo novo para mim, cujo nome, por estar me iniciando
na língua alemã, me impressionou: Arbeitsgemeinschaft für Methodik
und Dokumentation in der Psychiatrie (AMDP). Naquele momento,
eu mal imaginava que aquele livreto me acompanharia durante os 18
anos que fiquei em Mannheim.
O AMDP era de uso obrigatório na internação e na alta do pacien-
te. Ao darmos alta para o paciente, o prontuário era encaminhado
para o Arquivo, onde um funcionário checava se todas as evoluções
haviam sido ditadas e se os AMDPs de entrada e de alta haviam sido
preenchidos. Os achados psicopatológicos, colhidos assim de forma
estandardizada, eram então armazenados eletronicamente, compon-
do a parte fundamental do Registro Cumulativo de Casos de Man-
nheim, na ocasião um dos mais completos da Europa.
Para mim o AMDP teve uma utilidade dupla. Por um lado, como jovem
psiquiatra, ele me ofereceu um método sistemático para a anamnese
dos pacientes. Os itens do AMDP eram então uma espécie de check
list completa para o exame psiquiátrico. Por outro lado, como inician-
te na língua alemã, o AMDP me forneceu de imediato a tradução das

5
expressões e dos sintomas psicopatológicos. Era o meu dicionário ale-
mão de psicopatologia. Desde então, vinha pensando em como seria
útil para a psiquiatria brasileira a tradução deste instrumento, que
reflete de forma concisa a psicopatologia das escolas alemãs que tão
fortemente nos influenciaram.
Por isso fiquei feliz quando constatei a motivação para esta tarefa de
dois colegas jovens, dinâmicos e, sobretudo, profundos conhecedores
da psicopatologia: Paulo Clemente Sallet e Eduardo Aratangy. Inicia-
mos este projeto em abril de 2013, com a ida dos dois para a Alema-
nha, para participarem, em Emden, de um curso de treinamento no
sistema AMDP. A partir daí, contagiados pela riqueza do método,
eles fizeram uma primeira tradução e introduziram o AMDP no nos-
so Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. A esta
tradução seguiu-se o contato com a editora Hogrefe, que solicitou
esta versão revisada do AMDP em português.
Sallet e Aratangy fizeram uma tradução primorosa, que agora está
ao alcance dos psiquiatras brasileiros e dos de língua portuguesa em
geral. Creio que esta é uma importante contribuição para a nossa
psiquiatria. Desejo que ela alcance em breve um amplo uso, dando
valioso auxilio para a formação de novos psiquiatras e para o registro
estandardizado de dados, fornecendo uma plataforma para estudos
epidemiológicos voltados ao planejamento de serviços de Saúde Men-
tal adequados às necessidades de nossos pacientes.
São Paulo, março de 2016
Wagner F. Gattaz
Professor Titular de Psiquiatria
Presidente do Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria do
Hospital das Clínicas da FMUSP

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Prefácio à 9a edição do
original alemão
A publicação da 9a edição do Sistema AMDP, revisada e complementa-
da, coincide com o 50o aniversário da Associação para Metodologia e
Documentação em Psiquiatria (AMDP). Desde 1965 ocorreram em psi-
quiatria, em especial na aplicação dos conhecimentos adquiridos com
a experiência psicopatológica, grandes mudanças. Inicialmente, o Siste-
ma AMDP foi desenvolvido por um grupo de trabalho alemão e suíço
como um sistema confiável e válido de documentação para descrever
alterações psicopatológicas sob tratamento medicamentoso.

Nos últimos cinquenta anos, por um lado, o rápido desenvolvimento


no campo da psicofarmacologia já perdeu sua dinâmica; por outro,
foram desenvolvidas escalas cada vez mais especializadas na avalia-
ção de alterações psíquicas isoladas e delimitadas. As vantagens des-
sas escalas especializadas são indiscutíveis; elas, porém, também têm
um preço: a perda de um diagnóstico psicopatológico abrangente e,
com isso, a potencial negligência para com sintomas que talvez não
se apresentem “em uma bandeja de prata”.

Ao invés disso, o Sistema AMDP procura uma abordagem psicopato-


lógica descritiva muito ampla e, assim, nenhuma área da psicopato-
logia fica fora do registro sintomatológico. É por isso que o Sistema
AMDP também desempenha hoje um papel fundamental na media-
ção e na aquisição de conhecimento psicopatológico. Já durante
os estudos, quando os alunos de medicina e psicologia são pro-
fissionalmente confrontados pela primeira vez com o sofrimento
mental e precisam descrevê-lo numa linguagem clara e facilmente
compreensível, eles entram em contato com o Sistema AMDP. Du-

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rante todo o período de formação clínica – e além dela –, o Sistema
AMDP mantém seu importante papel como a base de representa-
ção dos achados psicopatológicos no histórico do paciente e rela-
tórios médicos. Por uma boa razão, portanto, a terminologia do
Sistema AMDP é utilizada em quase todos os livros de psiquiatria
e psicoterapia1.

Na versão atual, os cem sintomas mentais e os quarenta sintomas


somáticos principais foram linguisticamente e conceitualmente refi-
nados. Um capítulo foi incluído no apêndice relativo à construção
conceitual de síndromes. O conteúdo central dos sintomas isolados
permaneceu inalterado em relação às edições anteriores, de modo
que comparações de estudos e o uso da escala previamente estabele-
cida para síndromes ainda sejam possíveis. Para se adaptar ao desen-
volvimento de novas descrições e ordenamentos psicopatológicos dos
últimos anos, o sistema foi acrescido de onze definições (sintomas)
psicopatológicas e três somáticas adicionais. Esses sintomas podem
ser acrescentados aos modelos anteriormente preenchidos do siste-
ma, conforme a necessidade.

Além disso, esta nona edição dos manuais AMDP alterou outros pon-
tos em relação às edições anteriores: capa, projeto gráfico, qualidade
do papel e esquema de cores do manual foram visivelmente melhora-
dos. Aqui cabe um agradecimento particular à editora Hogrefe pelos
muitos anos em que inclui este livro em seu programa.

M. Rösler
R.-D. Stieglitz
W. Trabert

1 Em língua alemã. [N.d.T.]

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Sumário
Introdução.................................................................................. 11
Fundadores da AMP............................................................................ 12
Presidentes do Sistema AMDP........................................................... 13
Presidentes da AMDP.......................................................................... 13
Grupo de revisão da 9 a edição do AMDP............................................ 14

1. Introdução geral............................................................... 15
1.1. Estrutura geral do Sistema AMDP......................................... 15
1.2. Representação das características sintomatológicas
no Manual................................................................................ 16
1.3. Pressupostos para o uso........................................................ 17
1.4. Estrutura básica...................................................................... 19
1.5. A lógica formal da decisão...................................................... 23
1.6. Processamento de dados....................................................... 29
1.7. A anamnese AMDP.................................................................. 30

2. Achados psíquicos........................................................... 33
2.1. Introdução................................................................................ 33
2.2. Alterações da consciência [Bewusstseinsstörungen].......... 34
2.3. Alterações da orientação
[Orientierungsstörungen]........................................................ 38
2.4. Alterações da atenção e da memória
[Aufmerkamkeits- und Gedächtnisstörungen]...................... 41
2.5. Alterações formais do pensamento
[Formale Denkstörungen]....................................................... 47
2.6. Temores/medos e obsessões
[Befürchtungen und Zwänge].................................................. 58
2.7. Delírios [Wahn]........................................................................ 63
2.8. Alterações da sensopercepção
[Sinnestäuschungen]............................................................ 79
2.9. Alterações da consciência do eu
[Ich-Störungen].................................................................................86
2.10. Alterações da afetividade
[Störungen der Affektivität]..................................................... 93
2.11. Alterações do impulso e da psicomotricidade
[Antriebs- und psychomotorische Störungen].....................112
2.12. Particularidades circadianas
[Circadiane Besonderheiten]................................................120
2.13. Outras alterações
[Andere Störungen]................................................................123
2.14. Achados adicionais da exploração psíquica.......................132

3. Achados somáticos........................................................ 147


3.1. Alterações do sono e da vigília.............................................147
3.2. Alterações da apetência.......................................................151
3.3. Alterações gastrointestinais................................................155
3.4. Alterações cardiorrespiratórias...........................................159
3.5. Outras alterações neurovegetativas....................................162
3.6. Outras alterações..................................................................166
3.7. Alterações neurológicas.......................................................171
3.8. Sintomas somáticos adicionais (SA1-SA3).........................179

Literatura.................................................................................. 183

Apêndices................................................................................. 187
Apêndice A: Formulário de achados................................................189
Apêndice B: Terminologia das características do Sistema
AMDP em alemão, inglês e francês.............................193
Apêndice C: Síndromes AMDP..........................................................203

Índice remissivo........................................................................ 213


Introdução
A Associação para Metodologia e Documentação em Psiquiatria
(AMDP, em alemão Arbeitsgemeinschaft für Methodik und Dokumen-
tation in der Psychiatrie) surgiu em 1965 mediante a união de dois
grupos de trabalho, sendo um alemão (Bente, Engelmeier, Heinrich,
Hippius e Schmitt) e um suíço (Angst, Battegay, Cornu, Dick, Hei-
mann, Pöldiger, Schmidlin e Weis), primeiramente sob a sigla AMP.
Pouco tempo depois, juntou-se a Clínica de Viena (Berner). Nos anos
seguintes, foram desenvolvidos o sistema de colaboradores AMP para
documentação da anamnese psiquiátrica, bem como os formulários
de anotação dos achados psíquicos e somáticos.

Este sistema possibilitou a análise de dados eletronicamente (ver item


1.6) após a coleta e comparação de grandes volumes de informações
de diferentes países e centros psiquiátricos, constituindo um patri-
mônio de experiências, amplo e padronizado. O sistema passou a
ser designado de AMDP em 1979 e serviu para a padronização in-
ternacional de pesquisa e diagnóstico psiquiátricos. Desde então, os
manuais AMDP foram traduzidos para diversas línguas (p. ex., inglês,
francês, italiano, conforme Bobon et al., 1983).

O principal objetivo deste manual é o de oferecer uma fonte que reúna os


consensos, definições e comentários sobre o Sistema AMDP para servir
de introdução aos iniciantes, assim como servir de consulta aos profissio-
nais experientes, o que é possibilitado pelo uso padronizado do sistema.

A atual edição do Sistema AMDP abrange, em seu formulário de qua-


tro páginas, documentos com os seguintes conteúdos:
• anamnese,
• achados psíquicos e
• achados somáticos.

11
Os conteúdos dos sintomas psíquicos e somáticos dos achados fo-
ram extraídos de análises empíricas sobre mais de dois mil e qui-
nhentos pacientes (Baumann & Stieglitz, 1983). Na maioria dos ca-
sos, os pacientes apresentavam as antigamente chamadas psicoses
endógenas (principalmente as esquizofrenias, psicose esquizoafeti-
va e psicoses afetivas).

Vários estudos independentes de confiabilidade inter-examinadores


e os critérios de quantidade, especificidade, sensibilidade histórica,
confiabilidade e significância clínica contribuíram para a escolha
dos sintomas. As definições sintomatológicas foram construídas a par-
tir da psicopatologia descritiva tradicional de língua alemã.

Desde 1965, um grande número de colegas tem colaborado com a


AMDP com diferentes intensidades e por períodos variados. A seguir
estão listados os colegas que contribuíram para o desenvolvimento
do Sistema e, principalmente, para esta edição.

Fundadores da AMP

J. Angst, Prof. Dr., Clínica Psiquiátrica Universitária de Zurique

R. Battegay, Prof. Dr., Policlínica Psiquiátrica Universitária de Basileia

D. Bente, Prof. Dr., Setor de Psicofisiologia da Universidade Livre de


Berlim

F. Cornu, Prof. Dr., Clínica Psiquiátrica Particular WYSS AG

P. Dick, Dr., Clínica Psiquiátrica Universitária Chêne-Bourg, Genebra

M. P. Engelmeier, Prof. Dr., Clínica Psiquiátrica/Instituto Municipal


de Saúde de Essen

H. Heimann, Prof. Dr., Clínica Psiquiátrica Universitária de Tübingen

12
K. Heinrich, Prof. Dr., Clínica Psiquiátrica Universitária de Düsseldorf

H. Helmchen, Prof. Dr., Clínica Psiquiátrica e Policlínica da Universi-


dade Livre de Berlim

H. Hippius, Prof. Dr., Clínica Psiquiátrica Universitária de Munique

W. Pöldinger, Prof. Dr., Clínica Psiquiátrica Universitária de Basileia

P. Schmidlin, Dr., CIBA-GEIGY Basileia

W. Schmitt, Prof. Dr., Clínica Sociopsiquiátria Sonnenberg, Saarbrücken

P. Weis, Dr., CIBA-GEIGY Basileia

Presidentes do Sistema AMDP


H. Heimann (Tübingen) 1970–1972
P. Berner (Viena) 1972–1974
H. Helmchen (Berlim) 1974–1978
U. Baumann (Kiel) 1979–1983
B. Woggon (Zurique) 1984–1989
R.-D. Stieglitz (Freiburg) 1990–1998
W. Trabert (Emden) desde 1998

Presidentes da AMDP
E. Fähndrich (Berlim) 1989–1992
H.-J. Möller (Munique) 1992–2000
W. Maier (Bonn) 2000–2003
H.-J. Freyberger (Greifswald/Stralsund) 2003–2006
R.-D. Stieglitz (Basileia) 2006–2012
M. Rösler (Homburg) desde 2012

13
Grupo de revisão da 9a edição do AMDP
Presidente: Wolfgang Trabert (Emden)
Bernd Ahrens (Lübeck/Berlim)
Matthias Albers (Colônia)
Stefan Borgwardt (Basileia)
Ronald Bottlender (Lüdenscheid)
Andreas Broocks (Schwerin)
Dieter Caspari (St. Wendel)
Thomas Dietzfelbinger (Munique)
Erdmann Fähndrich (Berlim)
Harald J. Freyberger (Stralsund/Greifswald)
Claudia Haslacher-Steck (Constança)
Achim Haug (Zurique)
Paul Hoff (Zurique)
Silke Kleinschmidt (Malente)
Erik Lauterbach (Berlim)
Hans-Jürgen Luderer (Heilbronn)
Patricia Perkmann (Berlim)
Martin Preisig (Lausanne)
Wolfgang Retz (Mainz)
Michael Rösler (Homburg/Saar)
Carsten Spitzer (Göttingen)
Rainer T. Schaub (Weinsberg)
Rolf-Dieter Stieglitz (Basileia)
Andreas Thiel (Rotenburg/Wümme)
Johannes Thome (Rostock)
Redação final:
Achim Haug (Zurique)
Michael Rösler (Homburg/Saar)
Carsten Spitzer (Göttingen)
Rolf-Dieter Stieglitz (Basileia)
Wolfgang Trabert (Emden)

14
1. Introdução geral
1.1 Estrutura geral do Sistema AMDP

O Sistema AMDP abrange o formulário para documentação de acha-


dos psíquicos e somáticos bem como para a anamnese. Também
encontra-se disponível um suplemento do Sistema AMDP com ou-
tras escalas dentro de um “sistema modular” (Freyberger & Moller,
2003). Por meio dele é possível constatar áreas sintomáticas adicio-
nais (p. ex., sintomas dissociativos), bem como identificar e diferen-
ciar áreas sintomáticas já disponíveis no Sistema (p. ex., transtornos
depressivos, obsessivos e sintomas negativos).

O cerne do Sistema AMDP repousa nos “achados psíquicos” e


“achados somáticos” que, em função do manejo prático, foram
juntados à anamnese em um formulário resumido de quatro pá-
ginas, que, contudo, pode ser utilizado de forma independente.
Para a inclusão do registro dos “achados somáticos” existem as
seguintes razões:

• para a formulação das assim chamadas “síndromes AMDP” (Ge-


bhardt et al., 1983; Apêndice C) também são necessários alguns
sintomas somáticos (p. ex., síndromes vegetativas e síndromes
depressivas);
• os achados somáticos contêm igualmente sintomas relevantes
para a classificação diagnóstica na Classificação Internacional de
Doenças (CID) (p. ex.: episódio depressivo e síndromes somato-
formes);
• os achados somáticos são utilizados em diversos estudos psico-
farmacológicos como escalas de efeitos colaterais, podendo assu-
mir tal função em casos isolados.

15
Esta 9a edição concentrou-se, sobretudo, no “achado psíquico”. O
“achado somático", normalmente menos problemático, foi revisto e
algumas de suas falhas foram corrigidas. O formulário de anamnese
do Sistema AMDP não foi alterado em relação à sua última edição
(Baumann & Stieglitz, 1983).

No cabeçalho do formulário do “achado psíquico e somático” podem


ser registrados, sob o título “Informações pessoais”, os seguintes dados:

• nome do paciente;
• nome do entrevistador;
• data da entrevista (DD/MM/AAAA);
• idade do paciente (em anos);
• data de nascimento (DD/MM/AAAA);
• gênero (m = masculino e f = feminino);
• período de avaliação (em dias);
• diagnóstico(s).

O Sistema AMDP foi traduzido para muitas línguas (Bobon et al.,


1983) e nos apêndices encontra-se a tradução para o inglês e para
o francês das expressões das características sintomatológicas indi-
viduais (páginas 193 a 201). Essas expressões das características
sintomatológicas também podem ajudar na publicação de conceitos
equivalentes em diferentes línguas. A última versão é a italiana. Pa-
ralelamente à edição alemã está sendo lançada a versão em inglês,
juntamente com esta edição em língua portuguesa.

1.2 Representação das características


sintomatológicas no Manual

Para a padronização desta representação, todos os sintomas foram


estruturados da seguinte forma (em detalhes, no capítulo 2):

16
• Definição;
• Esclarecimentos e exemplos;
• Indicações para graduação;
• Sintomas diferenciais.

1.3 Pressupostos para o uso


1.3.1 Pressupostos gerais

A familiaridade com o Sistema AMDP é o principal pressuposto para


a utilização e confiabilidade dos dados registrados. Portanto, antes de
lidar autonomamente com ele, é recomendável a realização de treina-
mento com colegas profissionais experientes. Para isso são oferecidos
seminários de treinamento (conforme subitem 1.3.2).

Antes da utilização rotineira do Sistema AMDP, devem se desenvolver


várias entrevistas supervisionadas por profissionais experientes para
o preenchimento do “achado psíquico” (e do “somático” se necessá-
rio). É importante observar que a entrevista abranja o conteúdo das
características sintomatológicas dos formulários AMDP utilizados.
Verificou-se serem de grande valia as Orientações para o preenchimen-
to do achado psíquico: Entrevista semiestruturada do Sistema AMDP
(Faehndrich & Stieglitz, 2016), que oferecem apoio na exploração dos
“achados psicopatológicos”.

Os treinamentos poderão ser realizados com base em vídeos ou en-


trevistas ao vivo. Ambos apresentam prós e contras. Para praticar a
técnica de entrevistas e principalmente para a avaliação de sintomas
afetivos, as entrevistas presenciais são mais eficazes, uma vez que são
vivazes e permitem a todos os participantes formularem perguntas
de aprofundamento. No caso de se tratar de uma avaliação para trei-
namento de avaliação de conteúdo, as gravações em vídeo mostram-

17
-se muito úteis, pois podem ser repetidas ou utilizadas por mais de
um grupo. Mediante seminários e treinamentos do Sistema AMDP, é
possível aprimorar claramente a confiabilidade inter-entrevistadores.
Isso é de significativa relevância na pesquisa, assim como na prática.

O tempo necessário para se aplicar o Sistema AMDP é idêntico ao


tempo normal de uma avaliação psiquiátrica cuidadosa: no mínimo
trinta minutos. Quando se tratar de uma primeira entrevista, serão
necessários de quarenta e cinco a sessenta minutos. Entretanto, ha-
vendo um bom conhecimento dos critérios de documentação do ma-
nual, a entrevista poderá durar poucos minutos.

É recomendável, não apenas para iniciantes no Sistema AMDP, que se


utilize este manual de documentação. Até os colegas experientes em
psicopatologia podem ter dificuldades em utilizar as definições precisas
do Sistema AMDP. Somente ao se respeitarem precisamente as defini-
ções de sintomas psicopatológicos estabelecidos no manual é possível
se alcançar uma boa confiabilidade inter-entrevistadores nas entrevistas.

1.3.2 Seminários de Treinamento AMDP

Para o aprendizado do Sistema, é recomendável participar de, pelo


menos, um Seminário AMDP. Tais seminários são oferecidos regular-
mente em língua alemã e também em francês.

Antes da participação em um seminário, recomenda-se a leitura deste


manual. O tempo dedicado a um seminário é diretamente proporcio-
nal ao conhecimento prévio dos participantes. Todos os seminários
focalizam o trabalho prático com o Sistema AMDP. O levantamento
do achado pode ser realizado mediante vídeos ou entrevistas ao vivo
com pacientes. Após a documentação dos achados por parte dos par-
ticipantes, os sintomas poderão ser discutidos de forma aprofundada.

18
As apresentações teóricas nos seminários ocupam-se, principalmen-
te, da introdução ao sistema, bem como da forma de desenvolvimen-
to da entrevista. Para os iniciantes no Sistema AMDP, são oferecidos
seminários de um dia a um dia e meio. Seminários de reciclagem
poderão ser programados de acordo com os treinadores e o conteúdo
desses seminários. Informações atualizadas sobre seminários de trei-
namento poderão ser encontradas no site <www.amdp.de>.

1.4 Estrutura básica


1.4.1 Geral

Para a avaliação das respectivas características sintomatológicas de-


vem ser consideradas informações objetivas (por meio da entrevista
e das observações de comportamento pelo médico, equipe de enfer-
magem, familiares ou correlatos) e subjetivas (relatadas pelo próprio
paciente) disponíveis. O registro do exame deverá ser descritivo. A
presunção de motivos (p. ex., estresse no trabalho), assim como diag-
nósticos já conhecidos ou presumidos não deverão ser levados em
conta no registro dos sintomas1. Mesmo havendo uma suspeita de
diagnóstico, não deverão ocorrer conclusões baseadas na presença
ou ausência de características sintomatológicas.

Um grande problema na avaliação é a possível influência de medica-


ções nos sintomas psicopatológicos. Uma vez que o Sistema AMDP
exige um relato descritivo da sintomatologia, a possível influência da
medicação não deve ser levada em consideração na avaliação. So-
mente em interpretações posteriores tal influência deverá ser consi-
derada, dependendo do caso.

1 Não considerar as possíveis causas dos sintomas, mas registrá-los de forma descritiva.
[N.d.T.]

19
1.4.2 Bases para avaliação

O Sistema AMDP pertence ao grupo das avaliações aplicadas por en-


trevistador. As fontes de dados da entrevista são os relatos de vivências
e comportamentos do próprio paciente e as observações do entrevista-
dor ou de outras pessoas (p. ex.: enfermagem, familiares do paciente).

Devido à grande importância de tal divisão, na prática clínica foram


estabelecidas as fontes de dados para cada sintoma.

A designação P (= relato do paciente) significa que a fonte do dado


é o próprio paciente e expressa uma avaliação que ele faz de si. A
designação E (= observação do entrevistador) identifica outras fontes
de dados (do entrevistador ou de outros) e significa que somente a
observação de terceiros é relevante.

Adicionalmente, existe uma classificação PE, que mostra que as duas


fontes de dados (relato do paciente ou observação do entrevistador)
são relevantes para a avaliação dos sintomas, ou seja, qualquer uma
dessas fontes é suficiente para se concluir pela existência do sintoma.

P (= relato do paciente)

São necessários a declaração, o relato, a descrição do paciente so-


bre uma situação, tanto emitidos espontaneamente pelo próprio pa-
ciente quanto em resposta a uma pergunta feita pelo entrevistador.

E (= observação do entrevistador)

É necessária a observação externa de fatos efetuada pelo entre-


vistador ou por outras pessoas relacionadas, caso o sintoma se
origine de declaração verbal ou comportamento do paciente.

20
Exemplos de classificação P ou E

• Sintoma 15 “inibição” (P): o paciente percebe e descreve


para o entrevistador o pensamento como travado, lentificado
ou bloqueado (como se houvesse uma oposição interna).
• Sintoma 62 “alterações da vitalidade” (P): o paciente relata a
redução dos sentimentos de força, vivacidade e energia.
• Sintoma 22 “fuga de ideias” (E): aumento da ideação é clara-
mente observado pelo entrevistador na verbalização do paciente.
• Sintoma 26 “neologismos” (E): a criação de novas palavras
ou o uso semântico não convencional de palavras já existen-
tes chamam a atenção durante a conversa com o paciente.

Atendendo à solicitação de muitos usuários, essa categorização da


fonte de dados dos sintomas foi incluída não apenas neste manual,
mas também no formulário de documentação do Sistema, visando à
agilidade na orientação.

Exemplos de classificação PE

• Sintoma 24 “bloqueio do pensamento” (PE): o paciente para no


meio de uma frase, cala-se e então continua com uma conversa
sobre um tema desarticulado do anterior. O pensamento é visto
pelo entrevistador como “bloqueado” (E) ou relatado pelo pa-
ciente como roubado/arrancado (P), ou seja, há uma interrup-
ção abrupta e sem causa reconhecível no curso do pensamento.
• Sintoma 80 “pobreza de impulsos” (PE): o paciente relata pouco
ânimo, elã (P), ou o entrevistador observa tais fatos durante a
entrevista, ou ainda conta com informações confiáveis, p. ex., da
enfermagem (E).

21
Mais uma vez, é necessário salientar a importância do seguinte as-
pecto: a caracterização P, E ou PE refere-se às fontes dos dados. Uma
vez que o Sistema AMDP é uma avaliação realizada por um avaliador
externo, a classificação e a ponderação das informações disponíveis
sempre dependerão do entrevistador. Assim, p. ex., em um sintoma
unicamente P será necessário incluir a plausibilidade do relato do pa-
ciente na ponderação. A simples resposta “sim” para uma pergunta
relacionada a “ouvir vozes” não é suficiente, uma vez que o paciente
deverá esclarecer, mediante descrição distinta e de exemplos plausí-
veis, a sua vivência de ouvir vozes. No guia de entrevistas encontram-
-se exemplos de como levantar corretamente as informações (Faehn-
drich & Stieglitz, 2016).

1.4.3 Período de avaliação

O relato psíquico e somático mostra o recorte de determinado pe-


ríodo de avaliação. A amplitude desse período deverá aparecer em
número de dias no cabeçalho do formulário no campo “Período
de avaliação”.

A escolha do período depende do objetivo do levantamento de re-


latos. Para um mesmo paciente, poderá haver períodos de avalia-
ção distintos. P. ex., na documentação do relato de admissão e na
inclusão da anamnese, são consideradas as últimas duas semanas;
no caso de controle (acompanhamento) durante a avaliação do tra-
tamento, será considerado o tempo desde a última entrevista. Nos
casos de documentação sem um objetivo específico, recomenda-se
restringir o período de avaliação apenas aos últimos três ou quatro
dias, para constatar apenas o status atual. Entretanto, quando se
deseja realizar comparações com outras escalas de avaliação (au-
toaplicadas ou aplicadas por entrevistador), pode ser utilizado um
período de avaliação de sete dias, uma vez que este é empregado

22
frequentemente por outras escalas (p. ex., Lista de Verificação de
Sintomas SCL-90-R). Entretanto, se quisermos ainda fazer um le-
vantamento visando à constatação de um diagnóstico, deverão ser
utilizados os critérios de tempo dos respectivos sistemas de classi-
ficação (p. ex., para Episódio Depressivo conforme CID-10, usar
catorze dias; para episódio maníaco, período de sete dias; para es-
quizofrenia, quatro semanas).

1.4.4 Documentação

A classificação de sintomas é sistemática. Por isso deverá ser utili-


zada uma codificação para cada sintoma. A marcação “inexistente”
para algum deles só poderá ser empregada quando houver completa
segurança de que o sintoma realmente não consta em toda a gama de
sintomas disponível. Recomenda-se o uso muito cuidadoso da docu-
mentação global dentro da gama de sintomas, por existir o risco de
não se identificar corretamente alguma sintomatologia.

1.5 A lógica formal da decisão

O processo formal de decisão pode ser representado por um modelo


lógico, a assim chamada árvore de decisão (veja ilustração 1). Essa
árvore contempla quatro níveis de decisão.

Importante

A árvore de decisão necessita ser repassada a cada sintoma consta-


tado, ou seja, antes de assinalar no formulário de documentação é
necessário confirmar em qual nível se está.

23
1.5.1 Nível de Decisão 1:
Viabilidade da investigação/exame

Pode ocorrer a inviabilidade de avaliação quando o paciente não per-


mite a investigação de determinado sintoma. Então, a anotação é co-
dificada como “não avaliado”.

Exemplo

Um paciente em estupor ou mutismo não poderá ser avaliado quan-


do apresentar distúrbios de orientação, de atenção, de memória, de
raciocínio formal e uma série de outros sintomas psicopatológicos.

Merkmal
Sintoma

1. Viabilidade da investigação avaliável 
não  não
investigável 
 avaliado

2. Certeza na decisão certa duvidosa
sobre a existência ou
não do sintoma

3. Existência existente inexistente

4. Quantificação leve moderado grave

Ilustração 1:
Árvore de Decisão AMDP

24
1.5.2 Nível de Decisão 2:
Certeza na decisão sobre a existência ou
não do sintoma

Existem duas possibilidades de declaração para a existência ou não


de determinado sintoma: certa ou duvidosa. Se a declaração for du-
vidosa e, portanto, o sintoma só se apresenta de forma incerta, sua
codificação deverá ser do tipo “não avaliado”.

Exemplo

A falta de cooperação do paciente pode levar à dúvida no processo


de decisão se este apresenta ou não alucinações. A observação de
seu comportamento poderá induzir o entrevistador à existência de
alucinações, mesmo com o paciente insistindo em negá-las. Nesse
caso, a anotação deverá ser “não avaliado”.

A rubrica “não avaliado” não deve refletir a insegurança pessoal do


entrevistador, mas se referir a uma situação de impossibilidade de
verificar um sintoma psicopatológico do paciente.

A não viabilidade de avaliação e de exame ou mesmo a dificuldade de


decisão por dúvida ou insegurança deverão ser marcadas como “não
avaliado”. Além disso, “não avaliado” também deverá ser registrado
quando se perdeu a oportunidade de aprofundar determinado sinto-
ma, uma vez que não tenha sido possível obter informações suficien-
tes sobre determinada característica. Para o examinador, o registro
dessa rubrica significa, como regra geral, que o fenômeno deverá ser
explorado em algum momento posterior.

25
1.5.3 Nível de Decisão 3:
Existência do sintoma

A decisão sobre a existência ou ausência de um sintoma psicopatoló-


gico confirma-se muitas vezes no exercício regular de exames e de do-
cumentação. As dificuldades na objetivação ocorrem principalmente
em sintomas limítrofes entre a situação normal e a patológica (o as-
sim chamado problema de transição — ilustração 2), como, p. ex., na
avaliação de sintomas afetivos.

No que se refere à categoria “grave”, é importante ficar-se atento ao


fato de que se trata de uma categoria aberta para cima e assim, mesmo
que se possa imaginar uma sintomatologia ainda mais grave, a classifica-
ção a ser adotada é “grave” se os critérios assim o definirem (como no
caso de definições de situações de transição). Entretanto, a classificação
especialmente importante é a de transição para “leve”, uma vez que a
partir daí se constata a existência de um sintoma. Isso é significativo,
uma vez que os sistemas de classificação como CID-10 e DSM-5 caracte-
rizam critérios de existência de um sintoma sem mostrar sua gravidade.

Inexistente Leve Moderado Grave

Ilustração 2:
Problema de transição no Sistema AMDP

Os problemas também poderão surgir por causa da linguagem popu-


lar adotada. O conceito “ambivalente”, na linguagem popular, significa

26
algo diferente (ambíguo) do que na linguagem descritiva da psicopato-
logia. Portanto, recomenda-se estudar não apenas as definições, mas
também os esclarecimentos e exemplos.

No caso de avaliação da existência (ou inexistência) de determinado


sintoma, é fundamental a definição sobre qual a norma de classifica-
ção que o examinador (entrevistador) utilizará. Dessa maneira, os
vários tipos de normas poderão ter significado na avaliação, como
a norma cultural geral (p. ex., em sintomas de “lentificação” ou “lo-
gorreia”), a norma do grupo sociocultural do paciente, como ainda a
norma individual (ipsativa) do paciente (p. ex., “distúrbios de concen-
tração” ou “distúrbios de memória”).

1.5.4 Nível de Decisão 4:


Quantificação

No caso da existência de determinado sintoma, ele poderá ser classi-


ficado como leve, moderado ou grave.

Desta forma, a sua intensidade, a sua intensidade, duração e frequên-


cia poderão ter influência significativa na graduação de cada sintoma.

Para a avaliação da gravidade também deverão ser levados em con-


sideração a relevância dos comportamentos e seu reflexo na vida do
paciente. Os exemplos mostrados para ilustração não representam
critérios, mas são apenas exemplificações para auxiliar a graduação
e que deverão facilitar a classificação. Assim, servem especificamente
como referência, para identificação do início de determinado grau,
ou seja, quando há a transposição de um grau para outro. Quanto à
graduação “grave”, esta não deverá ser entendida como a ilustração
da situação mais grave concebível. “Grave” é uma categoria “aberta
para cima”. Assim, p. ex., no caso de um paciente classificado como

27
“gravemente deprimido”, este poderá ter melhoras em seu estado de
depressão, mas esse sintoma ainda poderá continuar a ser registrado
como “grave” em uma nova avaliação.

A operacionalização dos casos do tipo “leve” e “grave” contém exem-


plos (referências) que foram escolhidos por critérios didáticos. Ob-
viamente, é possível imaginar muitos outros exemplos adequados.
Não desenvolvemos a operacionalização da categoria intermediária
(“moderada”) por considerarmos esta um tanto artificial, o que es-
treitaria demais o espaço de decisão clínica. Faz-se a anotação dessa
decisão no formulário de documentação (ilustração 3).

Achados
Entrevistador ou Paciente

Sintoma
Fonte de dados

Não avaliado
Moderado
Ausente

Grave
Leve

Alterações da consciência

1. Rebaixamento da consciência E

2. Turbamento da consciência E

3. Estreitamento da consciência PE

4. Expansão da consciência P

Ilustração 3:
Parte do novo formulário

28
1.6 Processamento de dados

Desde o início do desenvolvimento do Sistema AMP/AMDP, levou-se


em consideração o preparo e análise de dados de maneira eletrônica
(Stassen, Bente, Feder, Freudenthal & Strauss, 1983).

Na primeira edição (Scharfetter, 1971), os formulários foram previs-


tos para simples preenchimento e por cartão perfurado. Já na terceira
edição do Sistema AMDP (1979) encontram-se instruções detalhadas
no capítulo “Indicações para processamento dos dados”. Nessa épo-
ca já haviam sido desenvolvidos softwares em várias clínicas psiquiá-
tricas de universidades (principalmente Berlim, Munique e Zurique)
para diferentes tipos de computadores (principalmente mainframes).
Esses equipamentos realizavam procedimentos para coleta e controle
de dados, além de programas estatísticos relacionados à avaliação
dos níveis de sintomas ou de síndromes, principalmente visando à
utilização nos estudos terapêuticos. Em 1989 foi publicado o primei-
ro programa de avalição para computadores pessoais, elaborado por
Gebhardt et al. e publicado por Hengesch et al. Atualmente o Sistema
AMDP já faz parte dos prontuários médicos de muitas clínicas.

O desenvolvimento da área de processamento de dados nas últimas


décadas trouxe muitas simplificações e melhorias ao Sistema AMDP,
tanto hardware quanto em software. O desenvolvimento de PCs mais
poderosos e capazes de processar maiores volumes de dados elimi-
nou a necessidade de mainframes. Além disso, o desenvolvimento e
prosseguimento na evolução de programas estatísticos (especialmente
SPSS, SAS e BMDP) tornaram quase desnecessário o desenvolvimen-
to de programas próprios de avaliação. Isso dá ao usuário do Sistema
AMDP a possibilidade de utilizar ou desenvolver formatos adaptados
à própria necessidade. Os bancos de dados e a formatação de tabelas

29
podem ser muito úteis (p. ex., Access e Excel), bem como o desenvol-
vimento de formas específicas de lançamento de dados (p. ex., Data
Entry do SPSS). A avaliação poderá ser desenvolvida com a ajuda de
qualquer um desses softwares disponíveis.

1.7 A anamnese AMDP

O formulário de anamnese AMDP abrange doze sintomas (o formu-


lário encontra-se também como anexo ao livro, p. 189). A notação
geral “não avaliado” deverá ser utilizada se determinado sintoma não
foi adequadamente investigado no paciente ou se não foi possível ob-
ter informações confiáveis.

1. Sexo do paciente.
2. Data de nascimento. No formato DD/MM/AAAA (dia, mês e
ano) informada pelo paciente.
3. Situação de moradia. Distinguir se o indivíduo tem moradia inde-
pendente (mora só, com parceiro, com família própria), se resi-
de com os pais, avós ou outros parentes, se mora em residência
assistida, moradia compartilhada ou moradias asilares/hospitala-
res. Pessoas sem lar, assim como aquelas que vivem em abrigos,
são classificadas na mesma categoria. Na categoria “outros” são
incluídos, p. ex., presidiários.
4. Convivência. Solteiros, viúvos e divorciados são classificados
como pessoas que vivem sozinhas (“mora só”). Entre os que
vivem “com parceiros” são considerados os que têm cônjuge ou
companheiro. Um caso especial são solteiros, separados ou di-
vorciados que vivem com seus filhos. Na categoria residual “ou-
tros” podem ser incluídas as pessoas que vivem com amigos ou
em condições especiais, p. ex., em conventos. É possível preen-
cher mais de uma resposta.

30
5. Escolaridade. Aqui se marca o maior nível de educação escolar
concluído pelo paciente. Se uma pessoa cursou e não concluiu
o ensino médio, marca-se “ensino médio incompleto”. Quando
indivíduos ainda em formação não concluíram seu nível, marca-
-se o maior nível educacional concluído. P. ex., deve-se marcar
“ensino médio completo” para um estudante que se prepara
para o vestibular e já concluiu o ensino médio.
6. Ocupação. Na categoria “estudante/em treinamento” são in-
cluídos também estagiários, aprendizes e alunos. Na categoria
“aposentado” entram os pensionistas e aqueles aposentados pre-
maturamente. Trabalhadores especialistas e semiqualificados são
listados juntos, assim como funcionários públicos e demais em-
pregados, e profissionais liberais e autônomos.
7. Local da terapia. Enfermaria, hospital-dia, ambulatório, outros
(p. ex., setor de observação do pronto-socorro).
8. Motivo da consulta. Aqui se diferencia entre tratamento, avalia-
ção, aconselhamento e outras investigações.
9. Evolução da doença. Existindo mais de um transtorno psiquiátri-
co, deve-se considerar o diagnóstico principal. Se for o primeiro
acometimento psico/patológico do paciente, deve-se marcar “pri-
meiro episódio”. Doenças fásicas e cíclicas devem ser codificadas
como “recorrente ou crônica”.
10. Transtornos psiquiátricos na família. Aqui se deve registrar se há
outras pessoas acometidas por transtornos mentais na família.
Também se incluem nessa categoria familiares que tentaram sui-
cídio. Não importa se os parentes têm ligação sanguínea ou não,
assim como se o paciente conviveu com eles ou não.
11. Intensidade dos sintomas. A classificação da gravidade da doença
mental mencionada é mensurada a partir da escala CGI (Clinical
Global Impression). Deve-se atentar às regras de aplicação da es-

31
cala, sendo que o examinador deve utilizar-se de toda sua expe-
riência para avaliar a situação atual do paciente.
12. Diagnósticos. Aqui podem ser incluídos outros diagnósticos (tan-
to psíquicos quanto somáticos), de acordo com a codificação do
sistema diagnóstico vigente (CID-10 ou DSM-5).

32
2. Achados psíquicos

2.1 Introdução

O glossário a seguir apresenta as descrições detalhadas das caracte-


rísticas dos achados psíquicos e somáticos. Todas as características
são descritas de acordo com uma estrutura uniforme:
• conceito (incluindo-se avaliação do paciente [P] e/ou do entrevis-
tador [E]);
• definição;
• explicações e exemplos;
• indicações para a graduação/quantificação;
• sintomas diferenciais.

A definição contém uma descrição concisa dos sintomas. Para maior


precisão, são fornecidos explicações e exemplos.

As indicações para a quantificação da gravidade servem para facili-


tar o processo de avaliação e, portanto, para aumentar a confiabi-
lidade entre avaliadores. Pelo fato de o Sistema AMDP continuar
sendo principalmente um procedimento de avaliação clínica, para
não regular demasiadamente o processo de julgamento são ofere-
cidos exemplos apenas dos níveis de escala “leve” e “grave”. Nos
exemplos do nível “grave” da escala, deve-se notar que o significado
não corresponde à expressão máxima possível, mas sim ao fato de
se ter ultrapassado o “limiar” dessa categoria. Ou seja, “grave” pode
e deve ser codificado também quando se lembra de um paciente
que apresentava o sintoma ainda mais pronunciado. Pode ocorrer
também de o sintoma de determinado paciente melhorar, mas ainda
assim manter-se gravemente expresso.

33
Nos sintomas diferenciais há indicações sobre outros sintomas que
podem ocorrer em associação com o sintoma em questão ou serem
facilmente confundidos com ele.

2.2. Alterações da consciência


[Bewusstseinsstörungen]
Introdução
Não existe uma definição de consciência [Bewusstsein] aceita uni-
versalmente. Assim, na prática clínica em geral evita-se uma defini-
ção positiva de consciência. Ao invés disso, aborda-se o conceito de
consciência pelo seu lado negativo, o conhecimento psicopatológico
empírico sobre o deterioramento ou a desintegração da consciência
produzidos pelos transtornos psíquicos.

O Sistema AMDP considera sempre as alterações de consciência como


alterações da experiência e do comportamento em geral. Aspectos da
alteração da consciência são os transtornos da atividade, da clareza
[Klarheit]2 (discernimento das próprias percepções e intenções), da in-
tencionalidade na atenção para o ambiente, da atenção, da apreensão
sensorial, da capacidade de resposta [Ansprechbarkeit], da capacidade de
fixar-se no diálogo, da reação aos estímulos ambientais, da orientação, do
pensamento, das vontades e das atitudes. Por meio dessas formulações,
são descritos os princípios de organização da estrutura da consciência,
associados aos aspectos psicopatológicos apresentados. Assim, as altera-
ções da consciência ocupam um lugar especial no Sistema AMDP.

Na avaliação dos distúrbios de consciência há um sintoma quantita-


tivo (redução ou rebaixamento da consciência) e três sintomas qua-
litativos (turbamento da consciência, estreitamento da consciência e
expansão da consciência).

2 O uso de colchetes ao longo desta obra indica inserções adicionadas a esta edição. Na
maior parte das vezes, trata-se da indicação dos termos alemães originais. [N.d.T.]

34
Alguns dos conceitos listados a seguir são utilizados na medicina de
maneira parcialmente diferente. A seguir são descritas as operaciona-
lizações dos sintomas no Sistema AMDP.

1. Rebaixamento da consciência
[Bewusstseinsverminderung] (E)
Definição

Alteração do estado de vigília (ou de atenção desperta).

Explicações e exemplos
Trata-se de um sintoma quantitativo. Remonta-se ao conceito neurofi-
siológico de vigília. As alterações do estado de alerta abrangem desde
a obnubilação [Benommenheit], passando pela sonolência e o sopor,
até o coma. Em diferentes graus, os pacientes apresentam sonolência
variada e lentificação global.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente está obnubilado ou sonolento, mas reage pron-
tamente à abordagem verbal.

“grave” — O paciente desperta apenas mediante estímulo doloroso


ou outros estímulos fortes.

Sintomas diferenciais
2. Turbamento da consciência
3. Estreitamento da consciência

2. Turbamento da consciência
[Bewusstseinstrübung] (E)
Definição

Prejuízo qualitativo da lucidez. Alteração da capacidade de com-


preensão, em diferentes aspectos, da própria pessoa e do ambiente,
de relacioná-los logicamente, de comunicá-los e de lidar com eles.

35
Explicações e exemplos
O turbamento da consciência leva ao prejuízo global da vivência e
do comportamento e não se restringe a um âmbito apenas. Sinto-
mas componentes do turbamento da consciência são, p. ex., distan-
ciamento do mundo exterior, dificuldade de compreensão, distração
ou dificuldade de concentração. O turbamento da consciência pode
ocorrer, p. ex., no contexto de delirium, em quadros psicóticos agu-
dos ou em intoxicações.

Indicações para graduação


“leve” — A coerência das experiências encontra-se prejudicada.

“grave” — A coerência das experiências encontra-se gravemente alterada.

Sintomas diferenciais
1. Rebaixamento da consciência
3. Estreitamento da consciência

3. Estreitamento da consciência
[Bewusstseinseinengung] (P ou E)
Definição

Restrição global da capacidade de vivência e de comportamento,


com reduzida capacidade de resposta aos estímulos externos.

Explicações e exemplos
A compreensão desse sintoma qualitativo remete-se à metáfora do
“cone de luz da consciência”. Trata-se de um foco estreito e inflexí-
vel. O paciente age como que fixado ou fascinado por determinadas
vivências internas ou situações externas.

O estreitamento da consciência ocorre não apenas em transtornos


psíquicos como estados crepusculares ou reações de estresse agudo,
mas também na hipnose ou na concentração externa em algum espe-
cífico tema, como a solução de um problema difícil.

36
Indicações para graduação
“leve” — O estreitamento da consciência pode ser facilmente supe-
rado. Depois de um acidente de trânsito, o paciente pode
apresentar-se atordoado, mas, mediante o diálogo, os po-
liciais conseguem rapidamente obter pormenores sobre as
circunstâncias do ocorrido.

“grave” — O estreitamento da consciência só pode ser superado com


esforço. P. ex., o paciente escuta a sua voz, mas, ante a
tentativa de guiá-lo para outras questões, ele não responde
ou apenas esboça alguma reação ao que foi sugerido antes
de voltar para suas vivências internas.

Sintomas diferenciais
1. Rebaixamento da consciência
2. Turbamento da consciência
18. Pensamento restrito
20. Ruminações

4. Expansão da consciência
[Bewusstseinsverschiebung] (P)
Definição

Trata-se de uma forma qualitativa de alteração da consciência na


qual o paciente refere que a totalidade de sua vivência [Erleben]
está expandida.

Explicações e exemplos
Os pacientes percebem-se de modo geral despertos, vivazes e abertos.
Sentimentos [Gefühle] ou sensações [Sinneswahrnehmungen] são viven-
ciados de modo particularmente intenso. A expansão da consciência pode
aparecer com uso de drogas ou em síndromes maníacas e psicóticas. Es-
tados de meditação também podem levar à expansão da consciência.

37
Indicações para graduação
“leve” — A expansão da consciência é relatada pelo paciente, mas
não é aparente durante a entrevista.

“grave” — O paciente descreve forte expansão da consciência, que


também é manifesta durante a entrevista.

Sintomas diferenciais
33. Humor ou pressentimento delirante
53. Desrealização

2.3 Alterações da orientação


[Orientierungsstörungen]
Introdução
Orientação significa saber sobre o tempo, o lugar, a situação e a pes-
soa. No caso de respostas erradas, é necessário perguntar novamente
para diferenciar a desorientação de outros sintomas (p. ex., alteração
da concentração), dando-se oportunidade para o paciente se corrigir.

Aqui não devem ser assinaladas falhas de orientação de caráter deli-


rante, como reconhecimentos delirantes de pessoas ou de situações,
desde que haja orientação real concomitante (p. ex., não se assinala
alteração da orientação em uma situação em que o paciente se sente
Deus, mas ao mesmo tempo reconhece sua situação pessoal).

5. Alteração da orientação temporal


[Zeitliche Orientierungsstörung] (P)
Definição

Data (dia, mês e ano), dia da semana ou estação do ano são esque-
cidos ou lembrados apenas parcialmente.

38
Explicações e exemplos
No caso de uma resposta “levemente” errada, deve-se dar ao paciente
a oportunidade para corrigir-se, ou seja, deve-se alertá-lo de que sua
resposta está errada. Se a partir disso o paciente acertar a resposta
sem ajuda, a resposta errada inicial não deve ser considerada.

Uma alteração na ordenação temporal de eventos, ou seja, a incapa-


cidade de ordenar os conteúdos da memória corretamente no tempo,
não constitui alteração da orientação temporal, mas sim uma altera-
ção da memória.

Indicações para graduação


“leve” — A resposta sobre o dia do mês ou da semana difere em
no máximo dois dias; contudo, mês, ano e estação do ano
estão corretos.

“grave” — A resposta sobre o ano difere em mais de um ano da res-


posta correta ou o paciente não sabe a estação do ano.

Sintomas diferenciais
10. Alterações da concentração
12. Alterações da memória

6. Alteração da orientação espacial


[Örtliche Orientierungsstörung] (P)
Definição

O paciente não sabe o local onde está ou fornece respostas muito


inexatas.

Explicações e exemplos
Caso o paciente não saiba sua localização (nome da localidade ou
nome do bairro em grandes cidades) apenas por não ter sido informa-
do sobre isso (p. ex., mudança recente), deve-se marcar “não avaliado”.

39
Quando um paciente não se localiza adequadamente no ambiente (p.
ex., não encontra seu quarto na enfermaria), não se trata de alteração
da orientação espacial e sim de alteração da memória.

Indicações para graduação


“leve” — Há incerteza sobre o paradeiro atual.

“grave” — Mesmo com ajuda, o paciente não sabe onde está.

Sintomas diferenciais
7. Alteração da orientação situacional
12. Alterações da memória

7. Alteração da orientação situacional


[Situative Orientierungsstörungen] (P)
Definição

O significado e sentido de coerência [Sinnzusammenhang] da situa-


ção ou do contexto atual é percebido de forma parcial ou errônea.

Explicações e exemplos
O paciente tem dificuldade de relatar que, no presente momento, está
em uma entrevista médica, p. ex..

Indicações para graduação


“leve” — O paciente não sabe exatamente em que situação se en-
contra (p. ex., em uma entrevista no hospital) e que papel
ele desempenha na situação.

“grave” — Mesmo com ajuda, o paciente não consegue dizer em que


situação se encontra.

Sintomas diferenciais
6. Alterações da orientação espacial

40
8. Alterações da orientação sobre a própria pessoa
[Orientierungsstörungen über die eigene Person] ( P )
Definição

A situação pessoal ou a história biográfica é total ou parcialmen-


te perdida.

Explicações e exemplos
O conhecimento sobre a situação biográfica compreende data e local
de nascimento, idade, nome, com quem mora e suas funções no con-
texto sócio-ocupacional (p. ex., profissão).

Indicações para graduação


“leve” — Incerteza sobre dados biográficos pessoais.

“grave” — Desconhecem-se os dados biográficos pessoais (p. ex., nú-


mero de filhos, local de nascimento, etc.).

Sintomas diferenciais
12. Alterações da memória
54. Despersonalização

2.4 Alterações da atenção e da memória


[Aufmerkamkeits- und Gedächtnisstörungen]
Introdução
Aqui são representados diferentes aspectos dos défices cognitivos.

Registra-se prejuízo cognitivo leve a partir do relato do paciente e


mediante exemplos plausíveis, mesmo quando tais défices não são
observados diretamente na entrevista. Quando o paciente tem a sen-
sação de redução funcional nas áreas de compreensão, concentração,
memória de fixação e de evocação, sem que o entrevistador tenha

41
constatado isso durante a entrevista, deve-se apenas marcar o item
71, “Sentimentos de inadequação/insuficiência”.

9. Alterações da compreensão
[Auffassungsstörungen] (PE)
Definição

Alteração da faculdade de apreensão de expressões e textos em seu


significado e sentido de coerência entre as partes. Trata-se de um
défice do processamento cognitivo das informações recebidas.

Explicações e exemplos
A compreensão pode ser mais ou menos errônea, lentificada ou au-
sente. Se a alteração da compreensão não se evidencia já pela conver-
sa, o exame deve ser feito, p. ex., pelo emprego de pares de palavras
(diferenças, semelhanças), de provérbios conhecidos, de desenhos ou
de fábulas.

Aqui pode também ser identificado o pensamento concreto. Pensa-


mento concreto significa prejuízo na faculdade de abstração e de
simbolismo do pensamento. Exemplos são a dificuldade em ordenar
elementos sob a mesma classe, problema com generalizações, fixação
em detalhes ou em referências pessoais na explicação de figuras de
linguagem metafóricas.

Indicações para graduação


“leve” — A alteração da compreensão é percebida apenas subjetiva-
mente e parece razoável. Ou a interpretação (p. ex., uma
fábula) está correta, mas o sentido somente é apreendido
após repetições.

“grave” — Perguntas ou solicitações não são compreendidas. Provér-


bios ou expressões idiomáticas simples também não po-
dem ser explicados.

42
Sintomas diferenciais
10. Alterações da concentração
23. Pensamento tangencial

10. Alterações da concentração


[Konzentrationsstörungen] (PE):
Definição

Redução da capacidade de manter, de modo contínuo, a atenção


em uma tarefa ou um tema.

Explicações e exemplos
Como teste, podem-se propor tarefas como “subtrair continua-
mente 4 de 81” ou “falar o nome dos meses em ordem inversa”.
Deve-se assegurar que o paciente consiga efetuar tarefas simples
de subtração ou saiba nomear os meses do ano na ordem normal.
Durante a avaliação clínica, as alterações da concentração não
costumam se apresentar em termos absolutos, mas sim pelo au-
mento no número de erros, retardamento ou eventual abandono
da tarefa iniciada.

Indicações para graduação


“leve” — Paciente refere alteração na capacidade de concentração,
o que parece plausível, mas não se mostra claramente du-
rante a entrevista.

“grave” — A entrevista mostra-se claramente prejudicada devido à


alteração da concentração.

Sintomas diferenciais
9. Alterações da compreensão
18. Pensamento restrito
11. Alterações da memória de fixação
12. Alterações da memória de evocação

43
11. Alterações da memória de fixação
[Merkfähigkeitsstörungen] (PE)
Definição

Redução ou supressão da capacidade de memorizar novas informa-


ções obtidas dentro de aproximadamente dez minutos.

Explicações e exemplos
Na testagem deve-se diferenciar a capacidade de reconhecer [Wiederer-
kennungsleistungen] da capacidade de lembrar (prejudicada). A memo-
rização diferencia-se pelos elementos do sentido e objetos mnemônicos,
e também por ser independente do conteúdo afetivo, razão por que de-
vem-se utilizar objetos mnemônicos neutros. Para fins de comparação,
aconselha-se utilizar provas semelhantes (p. ex., “34, Lisboa, cinzeiro”).
O paciente deve repetir as palavras imediatamente após tê-las escutado;
com isso exclui-se uma alteração da compreensão. Caso, após um pe-
ríodo de cinco a dez minutos, o paciente não lembre espontaneamente,
pode-se ajudá-lo com dicas (p. ex., “ uma das palavras era um número”).

Indicações para graduação


“leve” — Após dez minutos, apenas duas das três palavras
apresentadas são lembradas espontaneamente. Ou o
próprio paciente refere dificuldade para lembrar e isso
parece plausível.

“grave” — Mesmo com ajuda, após dez minutos o paciente não se


lembra de nenhuma das três palavras apresentadas.

Sintomas diferenciais
10. Alterações da concentração
12. Alterações da memória de evocação (memória remota)

44
12. Alterações da memória de evocação
[Gedächtnisstörungen] (PE)
Definição

Redução ou supressão da capacidade de armazenar informações


por períodos maiores do que dez minutos, ou seja, de recuperar da
memória o que se aprendeu.

Explicações e exemplos
As alterações da memória de evocação envolvem tanto os aconte-
cimentos mais recentes [anterógrada] quanto os mais antigos [re-
trógrada].

Como alterações da memória encontram-se também as amnésias


(lacunas temporais ou de conteúdo da memória) e alterações na or-
denação do tempo (incapacidade de ordenação temporal de even-
tos pregressos).

Indicações para graduação


“leve” — O paciente consegue recordar certos eventos ou informa-
ções, mas não se lembra de detalhes específicos. Ou o pa-
ciente consegue perceber subjetivamente e relatar prejuí-
zos na memória de evocação que sejam plausíveis, embora
isso não seja evidente na entrevista.

“grave” — O paciente praticamente não consegue se lembrar de


acontecimentos ou informações relevantes.

Sintomas diferenciais
8. Alteração da orientação sobre a própria pessoa
11. Alterações da memória de fixação

45
13. Confabulações
[Konfabulationen] ( E )
Definição

Lacunas de memória são espontaneamente preenchidas por


ideias variadas.

Explicações e exemplos
Na confabulação, o paciente oferece respostas diferentes à mesma
pergunta. Para avaliação, deve-se fazer a mesma pergunta reiteradas
vezes. O paciente não percebe a contradição de suas respostas, o
que sugere que se esqueceu dos fatos em si e também da resposta
dada anteriormente. A confabulação baseia-se sempre em alterações
da memória de evocação, que também deve ser registrada.

Indicações para graduação


“leve” — As confabulações aparecem apenas uma vez durante a
entrevista.

“grave” — Ocorrem inúmeras lacunas de memória que são preenchi-


das por confabulações.

Sintomas diferenciais
14. Paramnésias

14. Paramnésias
[Paramnesien] ( P )
Definição

Falsificações ou equívocos da memória; memórias intrusivas não


intencionais; ou aumento da capacidade de memória.

Explicações e exemplos
Aqui estão representados diferentes sintomas:

46
• falsos reconhecimentos, p. ex., suposta familiaridade (fenômenos
já vistos, ouvidos, vividos, déjà-vu) ou suposta estranheza (fenô-
menos de nunca visto, jamais-vu);

• ecmnésias (alterações da vivência temporal, ou seja, ordenação


temporal em que experiências do passado são vividas como atuais);

• hipermnésias (aumento da capacidade de lembrar; p. ex., memó-


ria fotográfica);

• flashbacks (revivências) e intrusões (memórias intrusivas de uma


experiência traumática);

• falsificações da memória (p. ex., síndrome de falsificação da


memória).

Delírios e vivências delirantes imprecisas não são representadas aqui.


Indicações para graduação
“leve” — Durante a entrevista, observa-se algum dos sintomas aci-
ma expressos de forma leve.

“grave” — Pelo menos um dos sintomas acima leva a um impacto sig-


nificativo no cotidiano do paciente.

Sintomas diferenciais
13. Confabulações

2.5 Alterações formais do pensamento


[Formale Denkstörungen]
Introdução:
As alterações formais do pensamento manifestam-se por meio de ex-
pressões verbais. Podem ser verificadas como alterações na velocida-

47
de, coerência e objetividade no curso do pensamento. Como critério
importante de gravidade da alteração formal do pensamento pode-se
considerar a dificuldade da entrevista ou anamnese, embora essa di-
ficuldade não precise ser permanente. A alteração formal do pensa-
mento pode ficar especialmente evidente devido à carga emocional
da entrevista ou pela duração maior dela.

15. Inibição
[Gehemmt] (P)
Definição

O paciente percebe subjetivamente o pensamento como travado ou


bloqueado (como se houvesse uma resistência interna).

Explicações e exemplos
Somente com muito esforço, o paciente consegue superar a inibição
do fluxo do pensamento. A inibição do pensamento pode chegar à
sensação subjetiva de não conseguir mais pensar.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente sente-se pouco afetado pela inibição do pensa-
mento; ele consegue realizar suas atividades de rotina.

“grave” — O paciente está quase completamente inibido, refere que


as palavras saem com muitíssima dificuldade. Ou a inibi-
ção do pensamento leva a um acentuado comprometimen-
to da função mental, atormentando o paciente.

Sintomas diferenciais
16. Lentificação
20. Ruminação

48
16. Lentificação
[Verlangsamt] (E)
Definição

O pensamento do paciente está lentificado e arrastado.

Explicações e exemplos
A lentificação do pensamento leva a um fluxo de fala viscoso. Aqui
também ocorre um aumento sustentado da latência de resposta.

Indicações para graduação


“leve” — A lentificação do pensamento é percebida pelo entrevista-
dor, mas não atrapalha significativamente a entrevista.

“grave” — A lentificação do pensamento leva a interrupções e gran-


des pausas na conversa, prejudicando significativamente
a entrevista.

Sintomas diferenciais
15. Inibição
87. Mutismo

17. Circunstancialidade
[Umständlich] (E):
Definição

A circunstancialidade evidencia-se quando o conteúdo do pensamento


não distingue coisas essenciais de coisas secundárias ou irrelevantes.
Entretanto, o sentido de coerência interna do discurso está preservado.

Explicações e exemplos
O paciente perde-se em detalhes irrelevantes e permanece preso ne-
les, sem chegar completamente ao objetivo pretendido. Devido a essa
prolixidade, a entrevista fica prejudicada.

49
Indicações para graduação
“leve” — A circunstancialidade faz-se notar, mas não impede dema-
siadamente a entrevista.

“grave” — A entrevista torna-se seriamente prejudicada pela circuns-


tancialidade.

Sintomas diferenciais
9. Alterações da compreensão
18. Pensamento restrito
22. Fuga de ideias
25. Incoerência
88. Logorreia

18. Pensamento restrito


[Eingeengt] (E)
Definição

Redução do conteúdo do pensamento, restrição a um ou poucos


temas, fixação a poucas representações cognitivas.

Explicações e exemplos
Durante o diálogo, o paciente tem dificuldade em mudar o tema
da conversa, ou retorna sempre ao mesmo tema. Na identificação
do pensamento restrito, devem-se explorar diferentes temas. Isso é
importante porque, p. ex., o assunto relativo à doença faz parte da
exploração durante a entrevista e não implica necessariamente restri-
ção do pensamento. Ocorre empobrecimento com relação ao tema
“doença” quando o paciente se fixa apenas em um aspecto, embora
se ofereçam outros assuntos (p. ex., paciente depressivo que só con-
segue falar de sua indigestão).

50
Indicações para graduação
“leve” — O paciente retorna algumas vezes ao “seu” tema, mas ao mes-
mo tempo é possível manter conversa sobre outros temas.

“grave” — O paciente não consegue abordar outros temas que não


os “seus”, retornando sempre ao seu assunto; p. ex., após
algumas frases, volta ao conteúdo de suas preocupações.

Sintomas diferenciais
20. Ruminação
30. Pensamentos obsessivos

19. Perseveração
[Perseverierend] (E)
Definição

Fixar-se nas palavras ou informações usadas anteriormente que, no


contexto atual da conversa, não fazem mais sentido.

Explicações e exemplos
Para a avaliação desse sintoma, a impressão geral do examinador é crucial
no discernimento se a repetição das palavras tem sentido no discurso.

O paciente descreve um objeto corretamente (p. ex., “chave”), mas


depois continua repetindo a mesma palavra sempre que solicitado,
mesmo quando se lhe pergunta pelo seu nome ou se lhe propõem
outros assuntos.

Indicações para graduação


“leve” — A perseveração é observada uma ou duas vezes durante a
entrevista.

“grave” — A perseveração é frequente e leva ao prejuízo da entrevista.

Sintomas diferenciais
84. Paracineses

51
20. Ruminações
[Grübeln] (P)
Definição

Constante preocupação mental, em geral com temas desagradáveis.

Explicações e exemplos
O paciente queixa-se de que seu pensamento gravita inútil e continua-
mente ao redor do mesmo conteúdo, e que pode ser interrompido
apenas com muita dificuldade. As ruminações são percebidas pelo
paciente como desagradáveis ou mesmo torturantes.

Indicações para graduação


“leve” — Devido às ruminações, o paciente apresenta dificuldade
discreta, mas consegue continuar suas atividades de rotina.

“grave” — Devido às ruminações, o paciente apresenta grave prejuí-


zo funcional e para a qualidade de vida.

Sintomas diferenciais
18. Pensamento restrito
21. Pressão do pensamento
30. Pensamento obsessivo

21. Pressão do pensamento


[Gedankendrängen] (P)
Definição

O paciente sente-se pressionado pelo surgimento de inúmeras


ideias e pensamentos.

52
Explicações e exemplos
O paciente sente a afluência contínua de diversas ideias e pensamentos
que ele não consegue ordenar ou controlar. Esses pensamentos podem
ser coerentes ou sem sentido, podem se sobrepor ou fluir automaticamen-
te. Nisso, o pensamento não precisa parecer acelerado ao observador.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente percebe a pressão do pensamento, mas consegue
se concentrar em um pensamento específico e desenvolvê-lo.

“grave” — O paciente não consegue mais refrear a torrente de pensa-


mentos e ideias.

Sintomas diferenciais
20. Ruminações
30. Pensamentos obsessivos
57. Inserção do pensamento

22. Fuga de ideias


[Ideenflüchtig] (E)
Definição

Aumento da ideação, não orientada por uma meta bem definida. O


objetivo do pensamento pode se alterar ou se perder em função da
contínua mudança de associações.

Explicações e exemplos
A fuga de ideias leva a uma fuga do assunto e à recorrente inconclu-
são do pensamento, resultante da contínua intercorrência de ideias.
A digressão no fluxo de ideias pode derivar de estímulos externos (p.
ex., ruídos, barulhos) ou por associações do pensamento. Na fuga de
ideias, o pensamento não necessariamente está acelerado.3

3 Ou seja, o paciente não necessariamente refere pressão do pensamento. Neste sentido,


fuga de ideias é sinônimo de pressão de fala, ambos observados pelo entrevistador. [N.d.T.]

53
Indicações para graduação
“leve” — A fuga de ideias não chega a prejudicar a entrevista.

“grave” — O paciente pula de um tema a outro continuamente. O en-


trevistador consegue seguir o curso do pensamento, mas a
entrevista fica claramente comprometida.

Sintomas diferenciais
17. Circunstancialidade
25. Incoerência
88. Logorreia

23. Tangencialidade
[Vorbeireden] ( E )
Definição

O paciente oferece respostas inadequadas, cujo conteúdo apenas


tangencia o tema proposto, embora tenha entendido a pergunta.

Explicações e exemplos
O fator decisivo na avaliação é que o paciente não necessariamente
oferece respostas erradas (p. ex., respostas incorretas a questões ob-
jetivas), mas sim que tangencia o tema proposto.

Um exemplo de tangencialidade é: “Por que você veio à clínica on-


tem?” “Porque a muralha da China tem cinco mil quilômetros de
extensão.” “Você ainda se lembra da minha pergunta?” “Sim, você
quer saber por que eu vim à clínica ontem.”

Na suspeita de tangencialidade, o entrevistador deve certificar-se de


que o paciente entendeu corretamente a pergunta. Por isso pede-se que
o paciente a repita. O não responder intencional da pergunta (desviar
dela) ou a sua não compreensão (mal-entendido) não devem ser marca-
dos como tangencialidade.

54
Indicações para graduação
“leve” — A tangencialidade é observada uma vez durante a entrevista.

“grave” — A tangencialidade aparece frequentemente e atrapalha a


entrevista.

Sintomas diferenciais
9. Alterações da compreensão
10. Alterações da concentração
18. Pensamento restrito
25. Incoerência

24. Bloqueio do pensamento


[Gesperrt/Gedankenabrei en] (PE)
Definição

Interrupção abrupta no fluxo do pensamento ou da fala, sem mo-


tivo aparente.

Explicações e exemplos
O paciente para no meio de uma frase, fica em silêncio e então
continua com um outro assunto desarticulado do anterior. O fe-
nômeno é percebido pelo entrevistador como “bloqueado” (E)
ou pelo paciente como “arrancado” [Gedankenabrei en] (P), ou
seja, uma interrupção abrupta no curso do pensamento sem cau-
sa reconhecível.

Indicações para graduação


“leve” — O bloqueio ou a interrupção do pensamento é algo sina-
lizado uma ou duas vezes pelo entrevistador ou noticiado
pelo paciente durante a entrevista.

“grave” — O bloqueio ou a interrupção do pensamento ocorre frequen-


temente durante a entrevista e prejudica o seu andamento.

55
Sintomas diferenciais
10. Alterações da concentração

25. Incoerência
[Inkohärent/zerfahren] (E)
Definição

O entrevistador não consegue compreender o pensamento e o


discurso do paciente. Em casos extremos, eles são fragmentados
em frases, grupos de frases ou ideias isoladas, aparentemente
embaralhadas.

Explicações e exemplos
• “Ontem à tarde eu vim à clínica porque estamos em ano de elei-
ções e o padeiro abre somente às oito horas.” (paralogia)
• “Antigamente as pessoas tinham olhos azuis e trabalhavam com
o cérebro.”
• “Eu conheci uma pessoa que não conseguia se mostrar diferente-
mente de como em geral todos a tomavam. Foi assim concebido
e assim tinha de ser: deixem o rei na barriga. Felicidade é uma
menina inchada com um homem e ambos procurarem a salvação
na sorte.” (esquizofasia)

Em casos leves com pensamento ilógico (paralogia), a construção


gramatical pode ainda estar preservada. Em casos mais graves, o
pensamento é caótico (parapragmatismo), com uma mistura incom-
preensível de palavras e sílabas (“salada de palavras”, esquizofasia).

Indicações para graduação


“leve” — O pensamento do paciente torna-se incoerente uma ou
duas vezes durante a entrevista, sem necessariamente con-
duzir ao impedimento do diálogo.

56
“grave” — As alterações atingem grande parte do pensamento do pa-
ciente ou pelo menos uma vez leva à pronunciada desagre-
gação da linguagem (esquizofasia).

Sintomas diferenciais
17. Circunstancialidade
22. Fuga de ideias

26. Neologismos
[Neologismen] (E)
Definição

Utilização ou construção de palavras novas que não correspondem


às convenções lexicais e frequentemente são incompreensíveis.

Explicações e exemplos
Uma paciente referiu-se à realização de um EEG: “Ontem fiz um ‘dia-
gráfico’ e minha cabeça ficou ‘demacronisada’.” Aqui também ocorre
uma utilização semântica incomum de palavras. Em casos extremos,
pode-se ter uma construção ou utilização de uma linguagem artificial.

Conceitos utilizados em determinados círculos ou subculturas (p. ex.,


jargões adolescentes, gíria relacionada a grupos de drogadição) não
são descritos aqui. O domínio insuficiente da língua também fica ex-
cluído deste item.

Indicações para graduação


“leve” — Ocorre um neologismo durante a entrevista.

“grave” — Os neologismos surgem frequentemente durante a entrevista.

Sintomas diferenciais
84. Paracineses
85. Maneirismos

57
2.6 Temores/medos e obsessões
[Befürchtungen und Zwänge]
Introdução
Neste grupo heterogêneo são apresentados diferentes sintomas rela-
cionados a vivências de angústia e medo.

27. Desconfiança
[Misstrauen] (PE)
Definição

O comportamento de outras pessoas é percebido como temeroso,


duvidoso ou hostil com relação à própria pessoa.

Explicações e exemplos
Durante a entrevista, o paciente pergunta diversas vezes se o grava-
dor está desligado. Um paciente pergunta se o entrevistador é de fato
médico. Outro questiona diversas vezes a razão das perguntas que
lhe são endereçadas.

A desconfiança pode também ocorrer no contexto de um delírio, si-


tuação em que este deve ser assinalado. Contudo, nem todo delírio
está associado à desconfiança.

Indicações para graduação


“leve” — O comportamento desconfiado pode ser observado duran-
te um breve período da conversa ou percebido ou relatado
pelo paciente como passageiro.

“grave” — O comportamento do paciente é caracterizado por descon-


fiança contínua. Ele relata angústia persecutória contínua.

58
Sintomas diferenciais
67. Disforia

28. Hipocondria
[Hypochondrie] (P)
Definição

Relação de acentuada angústia com o próprio corpo, p. ex., per-


cepção de sensações ruins, com receios evidentemente despropor-
cionais, de ficar doente, estar ou ficar deformado ou mutilado; as
sensações corpóreas normais assumem significado desmedido.

Explicações e exemplos
Na hipocondria, os fenômenos corpóreos são objeto de enorme aten-
ção, vistos como angustiantes, preocupantes ou superestimados. O
objeto do medo hipocondríaco pode variar.

Aqui também são registradas angústias relacionadas a uma dada


doença, que popularmente são referidas como fobias, como, p. ex.,
fobia cardíaca, fobia de AIDS, fobia de câncer, ou também medo ina-
dequado de estar sofrendo de demência.

Esses sintomas podem ocorrer concomitantemente a um delírio hipo-


condríaco; nesse caso, a vivência angustiante deve ser pronunciada.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente refere aumento da auto-observação devido à
preocupação com uma doença. Contudo, os medos hipo-
condríacos ainda não mobilizam o paciente a buscar con-
sultas médicas frequentes e trocas de médicos.

“grave” — Observações sobre eventos somáticos e medos de doen-


ças dominam a entrevista, ou o paciente relata uma busca

59
contínua de ajuda (médicos ou curandeiros) para seu pro-
blema, apesar de os exames e achados estarem normais.

Sintomas diferenciais
29. Fobias

29. Fobias
[Phobien] (P)
Definição

Medo de situações ou objetos específicos, resultando principalmen-


te em comportamentos de evitação.

Explicações e exemplos
Fobias são formas de ansiedade relacionadas a objetos ou situações
específicos, reconhecidas pelo paciente como infundadas e inconve-
nientes. O paciente procura evitar deparar-se com a ansiedade provo-
cada pelos objetos ou situações.

Aqui são computados agorafobia, fobias específicas (p. ex., aracnofo-


bia) e fobia social. Ansiedades relacionadas ao corpo, às vezes também
descritas como fobias, tais como cardiofobia, AIDS-fobia e câncer-fo-
bia, não são classificadas aqui, mas sim como 28, “Hipocondrias”.

Indicações para graduação


“leve” — Nenhum prejuízo relevante na rotina diária.

“grave” — Significativa limitação da vida diária devido ao comporta-


mento de evitação.

Sintomas diferenciais
28. Hipocondria
65. Angústia/Ansiedade

60
30. Pensamentos obsessivos
[Zwangsdenken] (P):
Definição

Pensamentos continuamente intrusivos, percebidos como sem sen-


tido ou excessivos.

Explicações e exemplos
Pensamentos obsessivos frequentemente são percebidos pelo pacien-
te como tormentos. O paciente não consegue, ou muito dificilmente
consegue, interrompê-los, pois se intrometem mesmo contra a sua
vontade. Os pensamentos são percebidos como próprios do paciente,
não como influência externa.

Pensamentos suicidas devem ser descritos aqui somente quando


apresentarem caráter obsessivo.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente refere pensamentos obsessivos, mas não há
prejuízo na vida diária.

“grave” — Os pensamentos obsessivos estão continuamente presen-


tes ou levam ao impedimento da vida cotidiana.

Sintomas diferenciais
20. Ruminações
57. Inserção do pensamento

31. Impulsos compulsivos


[Zwangsimpulse] (P)
Definição

Impulsos intrusivos contínuos que levam a comportamentos espe-


cíficos [compulsões], percebidos como sem sentido ou exagerados.

61
Explicações e exemplos
Impulsos compulsivos são frequentemente percebidos como tormen-
tos. O paciente dificilmente consegue ou não consegue contê-los,
impondo-se à sua vontade. Os impulsos compulsivos são percebidos
como próprios, não externos ao paciente.

Aqui são incluídos também impulsos, p. ex., de controlar coisas, ferir


a si ou outras pessoas ou gritar palavras obscenas.

Impulsos suicidas devem ser incluídos aqui apenas quando apresen-


tarem caráter obsessivo.

Indicações para graduação


“leve” — Os impulsos compulsivos aparecem apenas ocasionalmen-
te, não são percebidos como tormentos e não interferem
significativamente na vida diária.

“grave” — Os impulsos compulsivos estão quase sempre presentes e


atrapalham significativamente a vida diária.

Sintomas diferenciais
30. Pensamentos obsessivos
32. Compulsões
58. Outras ideias de influência

32. Compulsões
[Zwangshandlungen] (P)
Definição

Ações compulsivas desencadeadas continuamente, percebidas como


sem sentido ou excessivas.

62
Explicações e exemplos
Compulsões e rituais compulsivos são descritos de modo preciso,
com frequência determinada (p. ex., compulsões de limpeza e de con-
trole). Frequentemente são sentidos pelo paciente como torturantes.
O paciente não consegue ou muito dificilmente consegue interrompê-
-los, pois se intrometem mesmo contra a sua resistência ou vontade.
As ações compulsivas são percebidas como próprias do paciente, não
como influência externa.

As compulsões diferem, p. ex., de comportamentos sob influência de


alucinações ou delírios, que não devem ser descritos aqui.

Também comportamentos autolesivos podem ter caráter compulsivo


e, nesse caso, devem ser descritos aqui.

Indicações para graduação


“leve” — As compulsões estão presentes, mas não interferem na
vida diária do paciente.

“grave” — As compulsões são frequentes e prejudicam significativa-


mente a vida diária do paciente.

Sintomas diferenciais
84. Paracineses

2.7 Delírios
[Wahn]
Introdução
O delírio surge no contexto de uma alteração global da vivência/ex-
periência [Erleben] e impõe-se como apreciação equivocada da rea-
lidade, que surge como evidência a priori (certeza independente da
experiência) e é mantida com convicção subjetiva inabalável, mesmo

63
quando em contradição com a realidade e a experiência de pessoas
saudáveis, opinião e parecer coletivos. Em geral, o paciente prescinde
de fundamentos para suas ideias delirantes, sendo sua veracidade in-
condicionalmente evidente. Os delírios ocorrem em diferentes trans-
tornos psíquicos e não são específicos de esquizofrenia.

Neste capítulo deve-se sempre registrar pelo menos duas marcações:


uma sobre a descrição formal (sintomas 34 a 38) e outra sobre a des-
crição do conteúdo do delírio (sintomas 39 a 46). A presença isolada
de um pressentimento delirante (sintoma 33) pode resultar na ausên-
cia de sintomas adicionais relativos ao conteúdo delirante (sintomas
39 a 46), pelo fato de que o conteúdo (ainda) não está claro.

Observe a relação entre os sintomas 34 a 36: intuições delirantes


[35] e percepções delirantes [34] antecedem temporalmente os pen-
samentos delirantes [36]. Isso significa que, adicionalmente aos “pen-
samentos delirantes”, os sintomas “percepção delirante” e “intuição
delirante” só devem ser assinalados quando tiverem também ocorri-
do durante o tempo de observação definido.

Ideias supervalorizadas (representações que dominam a vida do pa-


ciente) não preenchem critérios para delírio e, portanto, não devem
ser referidas aqui.

Observação sobre a avaliação da gravidade dos sintomas


relativos ao conteúdo do delírio (sintomas 39 a 46)
A gravidade dos sintomas delirantes de conteúdo deve ser considera-
da de acordo com os seguintes pontos de vista:

1. Verifica-se o grau de prejuízo no âmbito de funcionamento socio-


-ocupacional (trabalho, família e lazer). O critério de análise tem
por referência o nível funcional existente antes do surgimento
dos sintomas delirantes.
2. Deve haver correlação entre o delírio e o comprometimento
observado.

64
Exemplo

O paciente acha que está sendo espionado e perseguido por uma


organização criminosa, embora consiga manter seu trabalho e
cumprir com suas obrigações familiares (= manifestação leve de
delírio persecutório).

Outro paciente vai de um médico a outro, fica o dia inteiro na


cama, abandona atividades que antes lhe interessavam e não vai
mais trabalhar alegando ter uma doença incurável (= manifestação
grave de delírio hipocondríaco).

33. Pressentimento delirante


[Wahnstimmung] (P)
Definição

O pressentimento delirante consiste em uma espécie de tensão emo-


cional particular e frequentemente difusa, subjacente à experiência
delirante (semelhante a uma aura). Essa “atmosfera” [Stimmung]
delirante ocorre em um nível de significado e de associações, de
opiniões, suspeitas e expectativas que não podem ser compreendi-
dos por uma pessoa saudável.

Explicações e exemplos
Entende-se como uma esfera de preocupação, uma expectativa tensa
em que o mundo ou o "Eu" são percebidos como estranhos e dife-
rentes. Há diversos tons nessa atmosfera de fundo: frequentemente
tem-se uma sensação de estranheza, de desconfiança, de mudanças,
de ameaça, medo, suspeita, perplexidade, mas também às vezes de
elação, euforia e confiança excessiva.

No pressentimento delirante, o conteúdo do delírio (p. ex., delírio


persecutório) ainda não está definido; por isso, na maioria das vezes,
o paciente não consegue dar uma explicação para suas vivências.

65
• “Diga-me, o que está acontecendo? Algo está acontecendo, eu
sei, mas não sei o quê.”
• “Há alguma coisa no ar; tudo ao meu redor ficou diferente, tudo
tão estranho; as pessoas estão com cara de bravas, deve ter acon-
tecido alguma coisa ruim, não é?”
• “De repente, tive uma sensação estranha de felicidade; senti que
alguma coisa magnífica devia ter acontecido, embora não tivesse
nenhuma noção do que seria. Somente à noite a coisa se revelou.”
Indicações para graduação
“leve” — O pressentimento delirante restringe-se a poucas vivên-
cias. Um paciente fala de mudanças estranhas no ambien-
te de trabalho, que o deixam desconfiado e com medo.

“grave” — As vivências do paciente estão impregnadas pelo pressenti-


mento delirante. Para ele, a totalidade do ambiente perdeu
seu significado habitual e evidente; tudo se torna diferente
e estranho.

Sintomas diferenciais
38. Dinâmica delirante
53. Desrealização
59. Perplexidade

34. Percepção delirante


[Wahnwahrnehmung] (P)
Definição

Estímulos perceptivos reais são associados a uma significação anor-


mal, principalmente de caráter autorreferente, sem que haja uma
conexão racional ou emocional compreensível. A percepção deliran-
te é um erro de interpretação delirante de uma percepção correta.

66
Explicações e exemplos
Durante o passeio, um paciente observou como um cão olhou para
ele e levantou a pata. Ele interpretou isso como uma revelação divina.

Aqui também são descritas “percepções delirantes mnêmicas”,


compreendidas como formas específicas de lembranças delirantes:
“Quando eu era pequeno, tinha um pente com uma coroa gravada
nele; hoje sei que isso queria dizer que sou de linhagem nobre!”

Também aqui são registrados os falsos reconhecimentos de pessoas,


desde que apresentem caráter de percepção delirante.

Percepções delirantes que apareceram há mais tempo (antes do pe-


ríodo de investigação) e agora estão sedimentadas passam a consti-
tuir pensamentos delirantes (sintoma 36).

Indicações para graduação


“leve” — As percepções delirantes restringem-se a um único tema das
vivências (uma percepção durante o período de observação).

“grave” — As vivências do paciente são marcadas por percepções


delirantes (são observadas mais do que três durante a
entrevista).

Sintomas diferenciais
35. Ideação delirante
36. Pensamentos delirantes
47. Ilusões

35. Ideação delirante


[Wahneinfall] (P)
Definição

Representação meramente mental ou convicção delirante de início


recente.

67
Explicações e exemplos

• “Ontem me ocorreu ter recebido o Prêmio Nobel da Paz porque


eu reconciliei as superpotências mundiais telepaticamente.”

• “Hoje de manhã ficou claro que meu filho não é legítimo.”

Ao contrário da percepção delirante [34], a ideação delirante [35]


não contém nenhuma percepção. Ideações delirantes já existentes
antes do período de observação, mas agora sedimentadas, passam a
constituir pensamentos delirantes [36].

Aqui também podem ocorrer “ideações delirantes mnésicas” como


formas específicas de lembranças delirantes: um paciente repentina-
mente lembra que, desde criança, tinha poderes sobrenaturais.

Indicações para graduação


“leve” — As ideações delirantes restringem-se a um único tema de
vivências (uma a duas ideações delirantes durante o perío-
do de observação).

“grave” — As vivências do paciente são marcadas por ideações deli-


rantes (são verificadas mais do que três durante o tempo
de observação).

Sintomas diferenciais
34. Percepção delirante
36. Pensamentos delirantes

36. Pensamentos delirantes


[Wahngedanken] (P)
Definição

Convicções de caráter delirante estabelecidas e permanentes.

68
Explicações e exemplos
Pensamentos delirantes surgem a partir de ideações ou percepções
delirantes.

• “Por muitos meses circulavam pela cidade carros estrangeiros


que frequentemente me observavam. Desde então eu sei que eles
estão me vigiando.”

• “Há três anos venho percebendo, e agora tenho certeza disso,


que pertenço a uma espécie de inteligência elevada, que prova-
velmente pertence ao planeta Alfa de Centauro.”

Indicações para graduação


“leve” — Os pensamentos delirantes restringem-se a um único tema
de vivências (um a dois pensamentos delirantes durante o
período de observação).

“grave” — As vivências do paciente são marcadas por pensamentos


delirantes (são verificados mais do que três diferentes pen-
samentos delirantes durante o tempo de observação).

Sintomas diferenciais
34. Percepção delirante
35. Ideação delirante

37. Delírio sistematizado


[Systematisierter Wahn] (P)
Definição

Descreve o grau de sistematização [coerência e conexão = Verknüp-


fung] (lógica ou paralógica) de um sintoma delirante com outros
fenômenos delirantes, alucinações, alterações do “Eu” ou outras ob-
servações e vivências não psicopatologicamente alteradas.

69
Explicações e exemplos

Esse sintoma remete ao estabelecimento de conexões entre os fenô-


menos citados anteriormente, que frequentemente possuem caráter
causal ou final, que são tomadas pelo paciente como evidências e
provas de sua convicção. Na sistematização, os elementos conectados
[sintomas] devem ser também assinalados (p. ex., ideias delirantes e
percepções delirantes).

Indicações para graduação


“leve” — A conexão é pouco sustentada, fundamentações causais
são presumidas, ou apenas alguns elementos estão conec-
tados entre si.

“grave” — O delírio é continuamente construído, estruturado e “ama-


durecido”. Quase não há dúvidas sobre a convicção deliran-
te. Qualquer contradição cética é repelida com tentativas de
convencer o interlocutor sobre a veracidade do delírio.

Sintomas diferenciais
Nenhum

38. Dinâmica delirante


[Wahndynamik] (PE)
Definição

Força ou intensidade do envolvimento afetivo que acompanha o delírio.

Explicações e exemplos
A intensidade da participação afetiva é percebida pelo entrevistador
mediante o comportamento do paciente e pela maneira como ele des-
creve o delírio durante o período de observação.

70
Pensamentos delirantes acompanhados de pouca participação afetiva
e com reduzida expressividade psicomotora apresentam pouca dinâ-
mica delirante. Um exemplo pode ser visto na ausência de participa-
ção afetiva associada às ideias delirantes em pacientes esquizofrêni-
cos crônicos, às vezes veiculadas em tom monótono.

Uma expressão dinâmica mais forte pode ser observada, p. ex., quan-
do um paciente com delírio de culpa depressivo chora e se lamenta
pelos supostos erros cometidos.

Indicações para graduação


“leve” — Observa-se pequena participação afetiva, perceptível por
meio da fisionomia, da mímica ou de gesticulações.

“grave” — O afeto ligado ao delírio domina o paciente e é perceptível


por meio de gesticulações, palavras e movimentos.

Sintomas diferenciais
33. Pressentimento delirante

39. Delírio de referência


[Beziehungswahn] (P)
Definição

Convicção delirante de que acontecimentos ou objetos do ambiente


têm um significado especial para o paciente.

Explicações e exemplos
O paciente sente-se objeto central de atenção deliberada por parte do
ambiente. Acontecimentos completamente insignificantes passam a
constituir sinais inequívocos que se referem a ele de modo especial.
A conversa de outras pessoas refere-se ao paciente; gestos e soslaios

71
de um desconhecido significam a transmissão de informações impor-
tantes para ele.

O delírio de referência pode aparecer isoladamente, p. ex., como de-


lírio de vínculo passional com convicção incorrigível de ser amado
por determinada pessoa. Quando não houver um delírio de referên-
cia isolado, mas elementos delirantes de referência de outros delírios
(p. ex., delírio de perseguição), apenas estes devem ser codificados.

Indicações para graduação


“leve” — O delírio refere-se a apenas uma área da vida do pacien-
te. P. ex., o paciente relata que ocasionalmente recebe
atenções especiais de sua vizinha. Não se sente obser-
vado assim nem no ambiente familiar, nem no local de
trabalho, e seu funcionamento em ambos os locais encon-
tra-se preservado.

“grave” — No âmbito do delírio passional, notícias de jornais, rádio e


TV e olhares de transeuntes são indícios ocultos para um
casamento próximo. O paciente se deixa absorver cada
vez mais pelos preparativos para esse acontecimento, a
ponto de abandonar suas atividades de rotina.

Sintomas diferenciais
27. Desconfiança

40. Delírio persecutório ou de ser prejudicado


[Beeinträchtigungs- und Verfolgungswahn] (P)
Definição

O paciente sente-se objeto de hostilidades. Sente-se ameaçado,


ofendido, insultado, vexado ou depreciado. Tem certeza de que
querem tirar suas posses, prejudicar sua saúde ou mesmo matá-lo.

72
Explicações e exemplos
• “Os psicólogos me observam com grandes telescópios. Eles fil-
mam com videocâmeras todos os meus movimentos e depois uti-
lizam isso contra mim. Eles querem me levar ao suicídio.”

• “Por meio de artimanhas, eles põem veneno na minha comida


para que eu morra aos poucos. Meu antigo chefe está por trás
disso, porque sempre teve coisas contra mim.”

Aqui também são registrados os delírios querelantes como uma forma


especial de delírio de ser prejudicado, que em geral surgem de uma
mágoa inicial à qual se segue uma luta pelos direitos [ou pela honra].

Indicações para graduação


“leve” — O paciente sente-se, p. ex., vítima de espionagem, mas conse-
gue levar seu trabalho e atividades sociais adequadamente.

“grave” — O paciente, p. ex., acha que vai ser envenenado por fami-
liares. Não come quase nada, não sai mais de casa e não
recebe visitas.

Sintomas diferenciais
27. Desconfiança

41. Delírio de ciúmes


[Eifersuchtswahn] (P)
Definição

Convicção delirante de que está sendo traído ou enganado pelo parceiro.

Explicações e exemplos
O paciente está absolutamente convencido de que o parceiro conju-
gal está tendo ou irá ter um relacionamento sexual com outra pessoa.

73
Acontecimentos ou observações insignificantes são frequentemente
tomados como evidências da traição do cônjuge.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente está delirantemente convencido da infidelidade
da esposa, mas segue convivendo com ela sem que haja
conflitos muitos frequentes envolvendo o tema.

“grave” — O paciente falta muito ao trabalho porque fica longas ho-


ras espionando a parceira, colhendo evidências de sua
traição. Ele escreve cartas para os amantes imaginários e
os ameaça.

Sintomas diferenciais
27. Desconfiança

42. Delírio de culpa


[Schuldwahn] (P)
Definição

Convicção delirante de ter feito alguma coisa errada e sentir-se cul-


pado por isso.

Explicações e exemplos
O paciente está convencido de que cometeu um erro imperdoável e
irreparável. Esse erro pode ter sido contra normas individuais, sociais
ou religiosas. O delírio de culpa frequentemente leva à convicção de
estar sendo punido pelo próprio comportamento. Não raramente, pe-
quenos deslizes de conduta no passado são superestimados de forma
totalmente inadequada.
• Um paciente teve relacionamento extraconjugal em uma ocasião,
conviveu diversos anos com a esposa sem nunca ter se preocu-

74
pado com isso ou ter conversado com ela sobre o caso; agora,
durante o delírio de culpa, recrimina-se continuamente por tal
comportamento.
• “Há trinta anos eu peguei indevidamente dez selos do escritório;
eu jamais deveria ter feito isso. Agora estou sendo processado, e
a polícia seguramente está atrás de mim.”
• “Eu nunca deveria ter concordado com a venda. Isso com certeza
foi um erro. Se as crianças um dia descobrirem, nunca mais vão
querer saber de mim; mas eu não mereço nada de melhor, tudo
está perdido.”

Indicações para graduação


“leve” — Um paciente acha que traiu a confiança de seus pais e es-
pera ser castigado em breve; contudo, ao mesmo tempo
consegue manter sua rotina.

“grave” — Um paciente se sente culpado porque pensa que a doença da


sua esposa se deve ao fato de ele ter tido, há muitos anos, uma
relação extraconjugal. Para expiar a culpa, ele tenta se suicidar.

Sintomas diferenciais
71. Sentimentos de inadequação
73. Sentimentos de culpa

43. Delírio de empobrecimento [ruína]


[Verarmungswahn] (P)
Definição

Convicção delirante de não ter recursos suficientes para sobreviver.

Explicações e exemplos
Pacientes com delírio de empobrecimento (ruína) estão convenci-
dos de que estão à beira da falência financeira. Frequentemente

75
expressam que não têm mais recursos para arcar com tratamentos
necessários, dívidas ou despesas atuais. Não raramente também en-
volvem familiares nessa catástrofe, e o paciente acha que a fortuna
deles também vai se perder.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente está convencido de que ele e sua família não
têm mais dinheiro suficiente e que estão próximos da ruí-
na, sem que haja mudanças comportamentais concretas
ou economia exagerada.

“grave” — Devido ao delírio de empobrecimento, o paciente não


quer mais usar medicamentos caros e pressiona para ter
alta, porque o plano de saúde não vai pagar as despesas.

Sintomas diferenciais
74. Sentimentos de ruína

44. Delírio hipocondríaco


[Hypochondrischer Wahn] (P)
Definição

Convicção delirante de estar gravemente doente.

Explicações e exemplos
O conteúdo desses delírios pode ser representado por doenças reais,
como câncer, AIDS ou demência. Às vezes, os pacientes estão apenas
convencidos de que, em breve, terão uma doença grave e vão morrer,
mesmo sem poder dar maiores explicações.

A existência de uma doença não impede o diagnóstico adicional de


um delírio hipocondríaco [desde que haja caráter delirante na per-
cepção da doença].

76
Indicações para graduação
“leve” — O paciente está convencido de ter um câncer de cólon,
mas não apresenta alterações comportamentais ou prejuí-
zo funcional significativos.

“grave” — O paciente está convencido de que tem AIDS, fica o


tempo todo preocupado com consultas médicas e expe-
rimenta desesperadamente várias medicações ou pensa
em suicídio.

Sintomas diferenciais
28. Hipocondria
51. Alucinações corporais

45. Delírio de grandeza


[Grö enwahn] (P)
Definição

Autoestima sobrevalorada e autoengrandecimento delirantes.

Explicações e exemplos
Paciente com convicção delirante de ser superior às demais pessoas.
A superioridade pode ser no âmbito de inteligência, beleza, riqueza,
talento, linhagem e muitas outras características.
• “Após uma guerra atômica, apenas alguns escolhidos como eu
irão sobreviver!”
• “Eu possuo uma superinteligência e tenho a missão de reconci-
liar os países beligerantes.”
• “Em duas semanas me darão um programa de televisão e, então,
vou produzir uma feira beneficente para arrecadar quarenta mi-
lhões de reais destinados às pessoas carentes.”

77
Indicações para graduação
“leve” — O paciente crê-se um grande inventor e, ao mesmo tempo,
trabalha tranquilamente como jardineiro.

“grave” — O paciente acha-se o salvador do mundo. Ele prega a céu


aberto ou renuncia ao seu emprego, achando que essa fun-
ção está muito aquém de suas capacidades.

Sintomas diferenciais
72. Autoestima exagerada

46. Outros conteúdos delirantes


[Andere Wahninhalte] (P)
Definição

Temas delirantes que não se enquadram nas categorias citadas acima.

Explicações e exemplos

Delírio de estar grávida.

Convicção de que uma poderosa organização planeja a união de to-


dos os Estados e povos, sem que o paciente tenha qualquer participa-
ção pessoal nisso.

Um paciente está convencido de que na noite anterior esteve em uma


reunião de seres extraterrestres em outro planeta.

“Fenômenos delirantes bizarros” no sentido do DSM (p. ex., delírio


de controle, retirada do pensamento, “sensação de ser controlado”)
não são registrados aqui, mas sim nas alterações do “Eu”.

Delírio passional é classificado como delírio de referência [39].

78
Indicações para graduação
“leve” — O delírio tem pouco impacto na rotina diária.

“grave” — O delírio leva ao grave comprometimento da rotina diária.

Sintomas diferenciais
54. Despersonalização
55. Transmissão do pensamento
56. Roubo do pensamento
57. Inserção do pensamento
58. Outras vivências de influência

2.8 Alterações da sensopercepção


[Sinnestäuschungen]
Introdução
Embora o reconhecimento das alterações sensoperceptivas não
seja problemático na prática clínica, uma definição abrangente
torna-se difícil e envolve questões fundamentais da percepção e
cognição humanas.

Neste capítulo discutimos três tipos de alterações da sensopercepção:


ilusões, alucinações e pseudoalucinações.

Para diferenciar entre ilusões e alucinações, serve como critério a


presença ou ausência de um estímulo real.

No caso das “pseudoalucinações”, mesmo que o paciente reconhe-


ça o caráter enganoso de sua percepção, vamos concebê-las como
alucinações. Pseudoalucinações como expressão de intrusões ou
flashbacks serão concebidas como sintomas de “14. paramnésias”.

79
As alucinações podem ocorrer em quaisquer dimensões senso-
riais, muito frequentemente em vários sistemas sensoriais ao mes-
mo tempo.

Na avaliação da gravidade das alterações sensoperceptivas devem ser


considerados três critérios:
1. a frequência de aparecimento durante o período de observação,
2. a intensidade (concretude, clareza e complexidade) e
3. o grau de comprometimento subjetivo (sofrimento e relevância
no comportamento do paciente).

A avaliação da gravidade (leve — moderada — grave) é definida pelo


critério de maior impacto.

47. Ilusões
[Illusionen] (P)
Definição

Percepção enganosa (percepção distorcida) de estímulos concretos


e reais, ruídos, situações ou pessoas.

Explicações e exemplos
Na ilusão, objetos, ruídos, pessoas e situações são direta e imediata-
mente reconhecidos de forma distorcida (diferentemente de percep-
ções delirantes, em que a sensopercepção está preservada, mas o sen-
tido do estímulo recebido é avaliado por crenças delirantes).
• Uma pessoa com medo, à noite em uma floresta escura, enxerga
figuras assustadoras nas sombras. Padrões no papel de parede
são percebidos como rostos grotescos.
• O som de carros passando é percebido como esteiras de tanques
blindados.

80
Indicações para graduação
“leve” — Um motorista cansado reconhece, de modo fugaz, som-
bras de árvores como animais cruzando a pista.

“grave” — Um paciente foge de seu quarto por confundir uma planta


com um monstro assustador.

Sintomas diferenciais
34. Percepções delirantes
48. Alucinações auditivas
49. Outras alucinações auditivas
50. Alucinações visuais
51. Alucinações somestésicas
52. Alucinações olfativas e gustativas
53. Desrealização

48. Alucinações auditivas (vozes)


[Stimmenhören] (P)
Definição

Ouvir vozes (fonemas), sem que alguém realmente esteja falando.

Explicações e exemplos
As vozes podem falar diretamente ao paciente, dar ordens, comentar
suas ações ou argumentar e falar sobre ele.

As vozes nem sempre precisam ser percebidas como vindas de fora,


podendo também ser percebidas como vozes alheias (!) ouvidas a
partir do próprio corpo. Também o pensamento “em voz alta” do
próprio paciente [pensamento audível] deve ser considerado aqui.

• “Ouvi a voz de minha finada mãe. Ela sempre me elogiou ou


criticou, dependendo do que eu fizesse.”

81
• “Ouvi as vozes de vários homens que falavam sobre mim. Um
deles ordenou que eu fosse para Santos.”

Sons incompreensíveis ou inarticulados (p. ex., gemidos, murmúrios in-


compreensíveis) são classificados em “49. outras alucinações auditivas”.

Indicações para graduação


“leve” — Um paciente relata que escuta vozes ocasionalmente, mas
elas não têm importância para ele.

“grave” — Um paciente acredita firmemente que a voz de Deus orde-


nou que ele vendesse as joias da família e doasse o dinhei-
ro aos pobres.

Sintomas diferenciais
47. Ilusões
49. Outras alucinações auditivas
55. Transmissão do pensamento
57. Inserção do pensamento

49. Outras alucinações auditivas


[Andere akustische Halluzinationen] (P)
Definição

Ouvir ruídos ou barulhos sem que esses sons existam de fato.

Explicações e exemplos
• “Eu ouço continuamente uma música, como se estivesse em um
concerto.”
• “Eu ouvi claramente gemidos e suspiros vindos da parede.”
• “Sempre ouço um clique na cabeça e, a cada vez, fico mais
inteligente.”

82
Indicações para graduação
“leve” — Ontem à noite um paciente ouviu uma orquestra tocando
no jardim do hospital.

“grave” — Um paciente queixa-se de que o vizinho estaria há dias


martelando continuamente no seu sótão.

Sintomas diferenciais
47. Ilusões
48. Alucinações auditivas (vozes)

50. Alucinações visuais


[Optische Halluzinationen] (P)
Definição

Percepção visual sem estímulo de origem sensorial correspondente.

Explicações e exemplos
Visões, p. ex., de clarões, padrões, objetos, pessoas ou cenas inteiras
que não existem.
• “E de repente, no centro de Zurique, eu vi um exército de solda-
dos com capacetes dourados vindo em minha direção.”
• “O ambiente todo estava cheio de clarões e quadros coloridos.”
• “Subitamente entrou um cachorro na enfermaria e pulou na
cama do paciente ao lado.”
Aqui deve-se registrar também o chamado delírio dos sósias ou im-
postores (heautoscopia, ou seja, ver a própria fisionomia).

Indicações para graduação


“leve” — Um paciente relata ter visto rapidamente e de forma não
muito clara o semblante da Virgem Maria.

“grave” — Um paciente vê em todo o quarto incontáveis parasitas


rastejando.

83
Sintomas diferenciais
47. Ilusões

51. Alucinações somestésicas


[Körperhalluzinationen] (P)
Definição

Percepções táteis ou viscerais (cenestésicas) sem estímulo sensorial


correspondente.

Explicações e exemplos
Sob a rubrica “alucinações somestésicas” podemos distinguir dois
fenômenos:

a) Alucinações táteis
• “Senti uma mão fria e peluda encostar em mim; percebi clara-
mente os cinco dedos. Era uma mão muito áspera.”
• “Repentinamente senti água gelada escorrendo por minhas cos-
tas, mas, quando fui ver, minha pele estava completamente seca.”
• “De repente, senti um monte de cristais pequenos entre os dedos,
alguns redondos, outros alongados.”
b) Alucinações cenestésicas

Sensações viscerais qualitativamente anormais, novas e estranhas,


assim como frequentes sensações corporais desagradáveis. Os pa-
cientes têm dificuldade em descrever tais sensações, muitas vezes
empregando comparações bizarras. Essas sensações podem ser
uniformes e bem definidas, mas podem também se alternar em ter-
mos de qualidade e extensão. Quando são descritas como “vindas
de fora”, deve-se assinalar adicionalmente “58. Outras vivências
de influência”.

84
• “Minhas tripas estão petrificadas e na minha barriga há uma con-
tínua queimação.”
• “Uma corrente elétrica flui pela minha barriga; o coração e os
intestinos se comprimem. Em minha cabeça, o cérebro balança
de um lado para outro.”
• “Sinto um puxão estranho nos meus testículos, como se uma
bola de ferro estivesse pendurada neles.”
Indicações para graduação
“leve” — “Vez ou outra sinto uma pontada estranha na minha ca-
beça, como se o cérebro se dividisse.” (Mas o paciente
não parece preocupado nem se sente prejudicado pela
sensação).

“grave” — O paciente sente que sua pele está queimando (incandes-


cente) e, por isso, enrola seus braços em papel alumínio.

Sintomas diferenciais
47. Ilusões

52. Alucinações olfativas e gustativas


[Geruchs- und Geschmackshalluzinationen] (P)
Definição

Percepções olfativas e gustativas sem estímulo sensorial correspondente.

Explicações e exemplos
Sentir um gosto particular na boca (em geral desagradável) sem que
o paciente tenha comido ou bebido algo.
• “Repentinamente, senti um gosto realmente pútrido em minha
boca.”
• “Subitamente senti cheiro de gás. Foi muito estranho, porque
ninguém mais percebeu.”

85
Alucinações gustativas e olfativas frequentemente se sobrepõem do
ponto de vista fenomenológico.

Indicações para graduação


“leve” — “Na semana passada senti um leve cheiro de cadáver em
decomposição.” Isso não causou desconforto ao pacien-
te, tampouco ele tentou descobrir de onde vinha o cheiro
nem tomou qualquer providência.

“grave” — Há dias um paciente recusa as refeições por terem um gos-


to muito estranho. Um paciente veda todas as frestas das
portas e janelas para se proteger do cheiro de gás.

Sintomas diferenciais
34. Percepção delirante
47. Ilusões

2.9 Alterações da consciência do Eu


[Ich-Störungen]
Introdução
Sob alterações da consciência do “Eu” são registradas experiências
em que há alterações nos limites entre o “Eu” e o ambiente [Ich-Um-
welt-Grenze] ou alterações do sentido global de unidade das vivên-
cias pessoais [personales Einheitserleben]. Também são registradas
aqui vivências em que fenômenos corporais ou mesmo o próprio
pensamento, sentimentos ou ações são percebidos como conduzi-
dos externamente.

Algumas das alterações vistas aqui são descritas no DSM como “fe-
nômenos delirantes bizarros” (p. ex., delírio de controle, roubo do
pensamento, sensação de familiaridade, déjà-vu).

86
53. Desrealização
[Derealisation] (P)
Definição

O ambiente ou o fluxo do tempo são percebidos como transformados


e irreais. O sentido de familiaridade com as coisas rotineiras é perdido.

Explicações e exemplos
Pessoas, objetos e ambiente parecem irreais, estranhos ou também
deslocados no espaço. Com isso, o ambiente torna-se, p. ex., desco-
nhecido, esquisito ou fantasmagórico. As sensações podem ser mais
intensas ou mais fracas:
• “Tudo soa em surdina, como se houvesse um filtro entre mim e
o som.”
• “É como se tudo estivesse coberto com um véu.”
• “De repente a comida ficou tão insípida.”
• “Tive a sensação de que o tempo passa tão devagar.”
A desrealização ([53] vivência de estranhamento) pode aparecer jun-
to com o [33] pressentimento delirante.

Indicações para graduação


“leve” — As vivências de desrealização aparecem apenas ocasional-
mente ou não atrapalham o paciente.

“grave” — Grande parte das vivências estão comprometidas. P. ex., o


paciente conta que o mundo se tornou para ele uma coisa
artificial, as pessoas agem como se fossem marionetes sem
vida real, o mundo parece-lhe completamente estranho.

Sintomas diferenciais
4. Expansão da consciência

87
33. Pressentimento delirante
36. Pensamentos delirantes

54. Despersonalização
[Depersonalisation] (P)
Definição

O paciente sente-se estranho com relação a si próprio, irreal ou


mudado, como se fosse outra pessoa.

Explicações e exemplos
Essa alteração pode ser efêmera ou permanecer por períodos de tem-
po mais longos:
• “Todas as vezes você implanta em mim um outro eu, por isso
não consigo me lembrar das coisas. O meu verdadeiro eu, você o
implantou em outras pessoas.”
• “Durante o ataque de pânico, não senti mais meu corpo; tive a
sensação de que ele não pertencia mais a mim.”
• “Durante a depressão, eu era como uma máquina, como um apa-
relho automático. Então eu não existo mais. Estou morto. Sinto-
-me como um nada. Eu estou morto, sou um cadáver.”
Nesse caso também se inclui a vivência da mudança de características
corporais (p. ex., extremidades aumentadas).

Também aqui são registrados os fenômenos de transitivismo (atri-


buir a outras pessoas as próprias experiências e comportamentos)
e personificação [Appersonierung] (vivências observadas em outras
pessoas são sentidas pelo paciente como em seu próprio corpo).

Não se aplica a sensação de ter sido transformado pela doença ou


elucubrações “pseudofilosóficas” de uma transformação permanente
do “Eu”.

88
Indicações para graduação
“leve” — A despersonalização aparece apenas ocasionalmente ou
apenas parte da identidade ou experiência subjetiva de
unidade encontra-se afetada.

“grave” — O paciente tem a sensação de que sua unidade ou identi-


dade subjetiva transformou-se profundamente ou as ma-
nifestações de despersonalização permanecem por um
grande período de tempo.

Sintomas diferenciais
8. Alterações da orientação sobre a própria pessoa
34. Percepção delirante
47. Ilusões
51. Alucinações corpóreas

55. Difusão do pensamento


[Gedankenausbreitung] (P)
Definição

O pensamento não pertence mais apenas ao paciente; outras pes-


soas participam dele e sabem o que o paciente está pensando (lei-
tura do pensamento).

Explicações e exemplos
eco do pensamento (ou o pensamento audível) deve ser registrado
aqui quando o paciente acredita que o pensamento dele pode ser
ouvido também por outras pessoas.
• “As pessoas percebem o que eu penso. Todos sabem o que se
passa na minha cabeça.”
• “Quando penso em algo, as pessoas sentadas à frente percebem
imediatamente.”

89
• “Meu pai consegue ouvir meus pensamentos.”
• “Todos aqui podem ver meus pensamentos.”
Não são registrados aqui medos de que outras pessoas possam re-
conhecer o estado do paciente (p. ex., “Basta que me olhem para
saberem da minha situação”).

Indicações para graduação


“leve” — A difusão do pensamento aparece apenas ocasionalmente
ou compromete apenas parte dos pensamentos.

“grave” — Praticamente todos os pensamentos estão “acessíveis” às


outras pessoas ou a difusão do pensamento permanece
por um longo período de tempo.

Sintomas diferenciais
27. Desconfiança
56. Retirada/roubo do pensamento

56. Retirada/roubo do pensamento


[Gedankenentzug] (P)
Definição

Os pensamentos do paciente são retirados ou “roubados”.

Explicações e exemplos
Um paciente queixa-se de que outras pessoas ou uma força pode-
rosa tomaram ou roubaram seus pensamentos. “Lá onde estavam
meus pensamentos resta agora apenas um grande buraco negro.”
“Todos os meus pensamentos foram levados pela minha primeira
namorada.”

90
Indicações para graduação
“leve” — A retirada do pensamento aparece apenas ocasionalmente
ou apenas parte dos pensamentos é envolvida ou a retira-
da limita-se apenas a situações específicas.

“grave” — Inúmeros pensamentos são roubados ou a retirada se


mantém por um longo período de tempo.

Sintomas diferenciais
24. Bloqueio do pensamento

57. Inserção do pensamento


[Gedankeneingebung] (P)
Definição

O paciente percebe seus pensamentos e ideias como influenciados,


determinados, dirigidos, controlados, inseridos ou impostos.

Explicações e exemplos
• “Eles me hipnotizam, de modo que os pensamentos na minha
cabeça não são meus.”
• “Eles fazem com que eu fique pensando continuamente em coi-
sas sexuais, embora eu não queira fazer isso.”

Indicações para graduação


“leve” — A inserção ocorre apenas esporadicamente, apenas parte
dos pensamentos está envolvida ou o fenômeno limita-se a
poucas situações.

“grave” — Numerosos pensamentos são inseridos, ou as inserções


ocorrem por um longo período de tempo.

91
Sintomas diferenciais
30. Pensamentos obsessivos
48. Alucinações auditivas (vozes)

58. Outras vivências de influência externa


[Andere Fremdbeeinflussungserlebnisse] (P)
Definição

Sentimentos, intenções, comportamentos ou funções corporais são


percebidas como externamente determinadas.

Explicações e exemplos
O paciente é levado a falar alguma coisa específica; ele precisa gritar,
agir de uma certa maneira, ele precisa atacar alguém, agitar-se etc.
• “Eles fazem com que eu grite.”
• “Eles controlam as batidas do meu coração, fazem com que ele
fique mais rápido ou mais lento.”
• “Eles fazem com que eu me vire de um lado para outro na cama.”
• “Eu sou uma marionete controlada externamente.”
• “Eles provocam uma excitação sexual em mim.”
Aqui não se aplicam as afirmações comuns de ser influenciado pela
mídia, pela sociedade ou pelos pais.

Todas as influências sobre pensamentos devem ser codificadas ou como


difusão [Gedankenausbreitung], ou como roubo [-entzug], ou como in-
serção [-eingebung] do pensamento.

Indicações para graduação


“leve” — Vivências de influência externa aparecem apenas ocasio-
nalmente, apenas parte das suas percepções está envolvi-
da, ou as vivências de influência externa são limitadas a
poucas situações.

92
“grave” — Vivências de influência externa dominam o paciente ou
permanecem por longos períodos de tempo.

Sintomas diferenciais
51. Alucinações corpóreas
55. Difusão do pensamento
56. Roubo do pensamento
57. Inserção do pensamento

2.10 Alterações da afetividade


[Störungen der Affektivität]
Introdução
A avaliação das alterações da afetividade (sentimentos, ânimo, emo-
ções, humor) sempre apresenta dificuldades específicas.

Como o AMDP é um sistema descritivo, os dados afetivos percebidos


pelo entrevistador devem ser sempre registrados quando presentes,
independentemente de serem ou não correspondentes a determinada
alteração psicopatológica de base. Como exemplos, consideramos os
sintomas de “sentimentos de insuficiência e inadequação” e os “sen-
timentos de ruína”, que podem ser considerados vivências reativas
normais ante determinadas situações reais de vida do paciente. Assim,
mesmo como reações adequadas às circunstâncias da vida do pacien-
te, devem ser registradas. Em alguns casos, torna-se difícil observar
fenômenos afetivos separados de outras alterações. Um delírio, p. ex.,
quase sempre vem ligado a algum afeto. Mesmo neste caso, o princípio
da descrição deve ser seguido. Se, p. ex., um paciente vivencia senti-
mentos de culpa, tais sentimentos precisam ser registrados, mesmo que
se trate de um delírio de culpa.

93
59. Perplexidade
[Ratlos] (E)
Definição

O paciente parece estar impressionado, arrebatado e confuso, como


alguém incapaz de gerir sua situação, compreender as circunstân-
cias, eventos e ambiente circundantes. Não consegue entender o que
está acontecendo, o que ele deveria pensar, planejar ou fazer. O pa-
ciente se mostra “estupefato”, perplexo, surpreso e desamparado.

Explicações e exemplos
Trata-se de um sintoma frequentemente inferido a partir do compor-
tamento do paciente. A perplexidade é reconhecida principalmente
pela conjunção de mímica, gesticulações e palavras.

Não se trata de incapacidade de tomar decisões, tampouco de “bus-


car conselhos” no sentido corriqueiro (“Não sei o que fazer”). A
decisão pela existência do sintoma depende muito mais do afeto en-
volvido na perplexidade, que pode ser acompanhado de uma altera-
ção cognitiva.

Na perplexidade, tal aspecto cognitivo em si tem pouco peso: o pa-


ciente é incapaz de compreender o que acontece com ele e não con-
segue ter uma noção integrada das coisas.

A perplexidade revela-se em uma expressão facial de espanto, estra-


nheza e angústia, às vezes como uma inquietação ou uma postura de
insistência hesitante, na incapacidade de reagir, em atitudes de busca,
em expressões como, p. ex., “O que houve? Quem sou eu? O que
aconteceu? Eu não sei... Estou confuso...”.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente está temporariamente perplexo.

94
“grave” — A perplexidade do paciente prevalece na maior parte do
tempo, comprometendo a entrevista.

Sintomas diferenciais
33. Pressentimento delirante
53. Desrealização
75. Ambivalência

60. Sensação de falta de sentimento


[Gefühl der Gefühllosigkeit] (P)
Definição

Trata-se da vivência subjetiva de falta de sentimentos, situação de


perda ou redução da afetividade informada pelo paciente. O pa-
ciente vivencia tal fenômeno como vazio, empobrecimento, ausên-
cia de sentimentos não somente de alegria, mas também de tristeza.

Explicações e exemplos
Os pacientes informam que os sentimentos se atrofiaram, murcha-
ram, estando vazios ou “frios”, como se não tivessem sentimentos,
nem mesmo os de tristeza. Na sensação de falta de sentimentos há
um lado subjetivo que o entrevistador pode apreender como pobreza
afetiva. “Estou internamente ‘murcho’, insensível e não sinto mais
nada. Em mim está tudo morto e vazio. Não consigo me alegrar com
nada e também não me entristeço. Nada me abala, está tudo ‘está-
tico’.” “Eu gostaria de chorar, mas não consigo.” “Eu não consigo
mais me alegrar como antigamente.” “Eu não sinto mais as alegrias
da música ou de outras coisas que me emocionavam.”

Indicações para graduação


“leve” — O paciente vive seus sentimentos de modo parcial, reduzi-
do, ou levemente alterados por um tempo limitado.

95
“grave” — A perda ou redução dos sentimentos é intensa ou ocorre
durante a maior parte do dia.

Sintomas diferenciais
61. Empobrecimento afetivo
79. Rigidez afetiva

61. Empobrecimento afetivo


[Affektarm] (E)
Definição

A quantidade (a gama) de manifestações afetivas está diminuída.

Explicações e exemplos
Observam-se poucas manifestações afetivas (como raiva, ódio, má-
goa e luto) ou o paciente se mostra afetivamente isolado. A redução
de manifestações afetivas não ocorre exclusivamente em pacientes
depressivos. Nos pacientes esquizofrênicos ou com transtornos de
personalidade também pode ocorrer empobrecimento afetivo, quan-
do demonstram apenas um ou poucos afetos.

Para se ter uma avaliação mais acurada, o examinador deverá estimu-


lar diferentes manifestações afetivas, quando estas não se mostrarem
espontaneamente.

Indicações para graduação


“leve” — As manifestações afetivas apontam para uma direção pre-
dominante (como uma tonalidade depressiva). Quando
estimulado, o paciente pode demonstrar outros afetos.

“grave” — Mesmo com estímulos, o paciente não demonstra qual-


quer manifestação afetiva.

96
Sintomas diferenciais
60. Sensação de falta de sentimento
79. Rigidez afetiva

62. Alterações da vitalidade


[Störung der Vitalgefühle] (P)
Definição

Redução dos sentimentos de força, energia e vitalidade.

Explicações e exemplos
Surgem queixas como: “Tudo é tão pesado... Isso me ‘puxa para bai-
xo’, eu me sinto destroçado.” Perda de força e cansaço, rápido esgo-
tamento mental e físico fazem parte dessa alteração.

Queixas físicas isoladas (cefaleias e lombalgias, p. ex.) sem alterações


da vitalidade são registradas apenas no campo de estado somático.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente relata o sintoma, mas ainda não se sente preju-
dicado.

“grave” — O paciente sente-se prejudicado pelas alterações da vitalidade.

Sintomas diferenciais
71. Sentimento de inadequação
80. Pobreza de impulsos (não quer)
81. Inibição de impulsos (não pode)

63. Depressão
[Deprimiert] (PE)
Definição

Estado de espírito de tonalidade negativa (abatido, desanimado).

97
Explicações e exemplos
Neste sintoma ocorre um amplo espectro de sentimentos, preocupa-
ções, desapontamento ou desamparo. Descrições depressivas mos-
tram-se com frases como “Estou triste” (referindo-se à descrição de
um estado de espírito abatido), indo de demonstrações de desgosto e
desesperança até algum “tormento interno indescritível e apavoran-
te”. A manifestação dos sentimentos depressivos pode ser visível pelo
abatimento, ocorrendo choro, comoção e torpor pelo sofrimento.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente admite que se sente “diferente”, embora o
comportamento e atitude visíveis (atividade, fala, mími-
ca e gestos) revelem pouca sintomatologia depressiva
conforme.

“grave” — Por meio da postura corporal, movimentação, mímica facial


e gesticulação, fica evidente a sintomatologia depressiva.

Sintomas diferenciais
61. Empobrecimento afetivo
79. Rigidez afetiva

64. Desesperança
[Hoffnungslos] (P)
Definição

Estado de espírito pessimista, esperança diminuída, dificuldade ou fal-


ta de orientação para o futuro (prospecção e planejamento). A crença
em um futuro positivo está reduzida ou ausente (“ver tudo negro”).

Explicações e exemplos
Verifica-se a alteração de humor; nesse sintoma tem menos peso o
aspecto cognitivo. O paciente tem uma disposição pessimista, com

98
dúvidas sobre um futuro positivo. Revela pouca ou nenhuma espe-
rança, visualizando apenas problemas e dificuldades. Qualquer mu-
dança é vista como piora.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente tem dúvidas, em determinados aspectos, quan-
to a um futuro positivo.

“grave” — O paciente tem uma sensação de sofrimento em todos os


aspectos de sua vida e/ou está próximo da absoluta falta
de esperança.

Sintomas diferenciais
Nenhum

65. Ansiedade/angústia
[Ängstlich] (PE)
Definição

O paciente possui sentimentos de apreensão ou medo sem às vezes


conseguir explicar de quê.

Explicações e exemplos
Indicações de ansiedade/angústia podem ser percebidas pela expres-
são e comportamento. A ansiedade/angústia pode ser notada por sin-
tomas físicos como “suor e tremor”, que devem ser documentados
adicionalmente no estado somático.

A causa da ansiedade (ataque de pânico, hipocondria, fobia, alucina-


ção) não tem relevância em seu registro. Adicionalmente, a existência
de fobia ou hipocondria necessita ser comprovada.

99
Indicações para graduação
“leve” — O paciente admite ser ansioso, sem ser afetado em dema-
sia por isso.

“grave” — Estados de ansiedade/angústia que surgem afetam profun-


damente a vida do paciente.

Sintomas diferenciais
29. Fobias

66. Euforia
[Euphorisch] (PE)
Definição

Estado de espírito ou disposição psíquica com exacerbação das sen-


sações de bem-estar, de satisfação, felicidade, confiança, segurança
e dos sentimentos de vitalidade.

Explicações e exemplos
Trata-se do estado de espírito e disposição dos pacientes em mania
ou em quadros maniformes agudos (uso de entorpecentes ou outras
afecções de base). Além disso, pode ocorrer euforia reativa (p. ex.
após experiências de perigo superadas).

Indicações para graduação


“leve” — Quando a disposição maníaca se revela em baixo grau, haven-
do controle ou moderação do estado maniforme pelo paciente.

“grave” — A euforia define a vida do paciente. Nesses casos é prati-


camente impossível fazer uma exploração durante a entre-
vista devido à hilariedade ou alegria excessiva do paciente.
O paciente torna-se incapaz de rendimentos e realizações,
podendo apresentar dificuldades de sociabilização.

100
Sintomas diferenciais
68. Irritabilidade
72. Autoestima exagerada

67. Disforia
[Dysphorisch] (PE)
Definição

Mau humor e sentimentos de contrariedade. O paciente é rabugen-


to, descontente e insatisfeito, infeliz e aborrecido.

Explicações e exemplos
Um estado de espírito disfórico pode ocorrer por um longo tempo
dentro do período de avaliação ou também de modo situacional com
relação a determinado tema ou interlocutor.

Indicações para graduação


“leve” — A disforia é controlada pelo paciente e não acarreta conse-
quências (ex: quando a disforia leva o paciente a se abor-
recer com amigos).

“grave” — As consequências da disforia surgem, como dificuldades no


convívio com os amigos. A entrevista se torna dificultosa.

Sintomas diferenciais
27. Desconfiança
68. Irritabilidade

68. Irritabilidade
[Gereizt] (PE)
Definição

O paciente reage de maneira desmedida ou impetuosa e de modo


agressivo.

101
Explicações e exemplos
O entrevistador percebe a predisposição para arroubos afetivos de
tonalidade agressiva que podem eclodir de uma calma superficial
(calma tensa), ou o paciente relata o fenômeno de forma plausível no
período de observação (“a menor coisa me irrita profundamente”).

Indicações para graduação


“leve” — A irritabilidade só é percebida eventualmente na conver-
sa com o entrevistador sem, entretanto, haver influência
no curso da entrevista. O entrevistador sente um “clima
tenso” durante o diálogo. Ou o paciente relata sua irrita-
bilidade durante o período de observação, mas que ainda
a mantém sob seu controle.

“grave” — O comportamento do paciente com outros é carregado de


irritabilidade. A entrevista fica prejudicada, determinados
temas deixam de ser tratados por essa agressividade, ou
o entrevistador cria certa distância para não ser alvo da
irritação do paciente.

Sintomas diferenciais
67. Disforia
94. Agressividade

69. Inquietação interior


[Innerlich unruhig] (P)
Definição

O paciente sente desassossego interno, tensão ou nervosismo.

Explicações e exemplos
O paciente sente-se “remexido”, acossado, revolvido internamente. A
inquietação interior pode estar ligada a estados de espírito depressivos,

102
ansiosos, desesperançosos e desesperados. Pode aparecer também
com irritabilidade maníaca, desconfiança, pressentimentos delirantes
ou delírios de outros conteúdos.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente sente-se inquieto internamente, porém é pouco
ou nada afetado por isso.

“grave” — O paciente sente-se incomodado, com dificuldade em se


concentrar na entrevista, ou as tarefas cotidianas são bas-
tante prejudicadas.

Sintomas diferenciais
82. Aumento da energia (impulso)
83. Inquietação motora

70. Propensão à lamúria


[Klagsam/Jammrig] (E)
Definição

Queixas de dor, aflição, desgosto, angústia, expressas amplamente


em palavras, gestos e mímica.

Explicações e exemplos
Os pacientes choram, suspiram, gemem, queixam-se e lamentam.

Indicações para graduação


“leve” — A entrevista não é prejudicada pelas lamúrias. O paciente
pode demonstrar outros sentimentos e se desprender de
suas queixas durante a entrevista.

“grave” — O paciente queixa-se de forma preponderante; dificilmen-


te consegue se desligar de suas lamúrias. A entrevista é
bastante prejudicada. O convívio com outras pessoas é
impregnado pelo sintoma.

103
Sintomas diferenciais
86. Teatralidade

71. Sentimento de inadequação


[Insuffizienzgefühle] (P)
Definição

A confiança na capacidade própria ou a autoestima perdeu-se ou


está reduzida.

Explicações e exemplos
O paciente sofre um sentimento de ter menos ou não ter qualquer
valor. Acha-se incapaz, inábil, desajeitado, parvo, indeciso, incom-
preendido, feio ou algo semelhante. Tais sentimentos de inadequa-
ção também deverão ser registrados quando o paciente sofre de
algum prejuízo ou dano real. Trata-se de uma percepção do pacien-
te, independente de uma possível adequação à realidade. Ex.: um
cadeirante considera-se um “aleijado inútil”. Um paciente depres-
sivo sem alterações cognitivas objetivas queixa-se de prejuízos da
memória e da concentração.

Indicações para graduação


“leve” — O sentimento de inadequação ou insuficiência refere-se
a determinados temas ou conteúdos e durante a entre-
vista poderá ser entendido de outra forma pelo próprio
paciente.

“grave” — O paciente sofre com a autodepreciação, e isso se refletirá


em aspectos importantes de sua vida.

Sintomas diferenciais
63. Depressão

104
72. Autoestima exagerada
[Gesteigertes Selbstwertgefühl] (P)
Definição

Sentimento positivo de elevação da autoestima, força ou capacidade


de realização.

Explicações e exemplos
O paciente atribui a si mesmo um alto valor. Considera-se especial-
mente esperto, capacitado, melhor que os outros. A vivência de au-
toestima exagerada deverá ser considerada independentemente da
real capacitação/capacidade de realização do paciente.

Quando houver autoestima exagerada combinada com delírios de


grandeza, ambos os fenômenos deverão ser registrados.

Indicações para graduação


“leve” — O sentimento tem alcance limitado às próprias capacida-
des/aptidões ou aparece efemeramente durante o período
de observação.

“grave” — O sentimento abrange a maior parte das capacidades/ap-


tidões da pessoa. O paciente considera-se especialmente
capaz diante de qualquer desafio.

Sintomas diferenciais
66. Euforia

73. Sentimentos de culpa


[Schuldgefühle] (P)
Definição

O paciente sente-se culpado por atos, pensamentos ou desejos. Sen-


te que fez algo errado ou contrário às normas.

105
Explicações e exemplos
Trata-se unicamente de afeto subjetivo de culpa. Aqui se incluem tam-
bém sentimentos de culpa “reais”, como, p. ex., a culpa de um paciente
que agiu contra determinadas normas. Os sentimentos de culpa não
são, necessariamente, embutidos em uma vivência depressiva.

Quando os pensamentos de culpa incluírem delírios, tal fenômeno


deve ser classificado adicionalmente ao delírio de culpa.

Indicações para graduação


“leve” — Os sentimentos de culpa não influenciam o comportamen-
to, o pensamento ou os sentimentos do paciente de forma
importante.

“grave” — A totalidade de sentimentos, pensamentos e ações é afe-


tada pela culpa. O paciente esforça-se muito na entrevista
para encontrar um tema que seja independente de seu sen-
timento de culpa.

Sintomas diferenciais
Nenhum

74. Sentimentos de ruína


[Verarmungsgefühle] (P)
Definição

O paciente teme que lhe faltem os meios de manter sua sobrevivên-


cia e que tenha empobrecido.

Explicações e exemplos
O sentimento de ruína não está necessariamente embutido em uma vi-
vência depressiva. Sentimentos de ruína, quando ocorrem em situações

106
de real empobrecimento, também são classificados aqui. Quando houver
delírio de ruína, este deverá ser registrado adicionalmente. Os delírios de
ruína, em geral, são acompanhados de sentimentos de ruína.

Indicações para graduação


“leve” — Os sentimentos de ruína referem-se apenas a alguns
aspectos da vida, como, p. ex., não conseguir pagar o
aluguel.

“grave” — Diversos aspectos da vida são afetados pelos sentimentos


de ruína.

Sintomas diferenciais
64. Desesperança

75. Ambivalência
[Ambivalent] (P)
Definição

Há coexistência de sentimentos ou impulsos antagônicos vividos


simultaneamente e, muitas vezes, de modo sofrido.

Explicações e exemplos
A característica da ambivalência deve ser diferenciada da “falta de
capacidade de decisão” cognitiva ou “discrepância”, por vezes cha-
mada ambitendência. Não se classificam como ambivalência as pror-
rogações planejadas e conscientes de determinadas decisões. Não se
incluem aqui incapacidades decisórias por sentimentos de inadequa-
ção/insuficiência ou limitações impostas por uma inibição depressiva.
• Ex.: um paciente relata possuir sentimentos de amor e ódio pela
mesma pessoa.

107
• Um paciente persiste num movimento pendular por querer, ao
mesmo tempo, andar e permanecer parado.
Indicações para graduação
“leve” — A vivência de ambivalência refere-se a algum aspecto de
sentimento, pensamento ou vontade. O paciente é pouco
ou nada influenciado pela ambivalência.

“grave” — Sentimentos opostos, pensamentos ou intenções afetam


e influenciam grande parte da vida do paciente, com
comprometimento cotidiano causado pela ambivalência.

Sintomas diferenciais
59. Perplexidade
81. Inibição do impulso (não pode)

76. Paratimia (discordância afetiva)


[Parathymie] (E)
Definição

A expressão dos sentimentos e um relato das vivências não coinci-


dem (afetos paradoxais e reações inadequadas aos sentimentos).

Explicações e exemplos
Tal conceito também pode ser chamado de discordância/inadequação
afetiva. O paciente demonstra um afeto “errado” ou “inadequado”;
ele não consegue expressar um afeto “adequado”. Como exemplo,
um paciente que relata sorridente que na noite anterior foi horrorosa-
mente torturado. Ou outro paciente que sente alegria ao ganhar um
presente, mas choraminga ao mesmo tempo (paramimia).

Não se classifica aqui qualquer afeto inadequado, como um sorriso


embaraçado (como de insegurança, p. ex.). Também não se considera

108
paratimia se uma pessoa relata experiências difíceis com um sorriso
proposital para manter a etiqueta. Além disso, deve-se observar que
diferentes afetos devem estar presentes. Quando um paciente em ma-
nia sorri longamente ao relatar um evento triste, não se considera tal
vivência como paratimia.

Risos estereotipados são registrados no campo de paracinese, não se


tratando propriamente de alteração afetiva.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente apresenta poucos momentos de paratimia du-
rante a entrevista.

“grave” — O paciente, durante a entrevista, demonstra diversas vezes


sentimentos paratímicos, ou a entrevista tem predominan-
temente um caráter de inadequação afetiva do paciente.

Sintomas diferenciais
61. Empobrecimento afetivo
84. Paracineses

77. Labilidade afetiva


[Affektlabil] (PE)
Definição

Rápida mudança de afetos proveniente de estímulos externos (au-


mento da distração da afetividade) ou aparecimento espontâneo de
afeto (instabilidade emocional).

Explicações e exemplos
Os afetos observados possuem, na maioria das vezes, curta duração
e muitas variações, podendo apresentar múltiplas oscilações e alter-
nando-se em altos e baixos. Oscilações afetivas por períodos prolon-

109
gados (p. ex., no contexto de um transtorno bipolar) não são registra-
das aqui, assim como não se registram oscilações circadianas.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente apresenta labilidade afetiva em alguns momen-
tos ou relata tal vivência de modo coerente.

“grave” — Grande parte da entrevista é definida pela labilidade afetiva.

Sintomas diferenciais
78. Incontinência afetiva
89. Piora matinal
90. Piora vespertina
91. Melhora vespertina

78. Incontinência afetiva


[Affektinkontinent] (PE)
Definição

Os afetos ultrapassam, mesmo com poucos estímulos, o controle


do paciente, podendo assumir força incomensurável (falta de con-
trole afetivo).

Explicações e exemplos
Choro “desolado”, raiva incontrolável. Os afetos não são controlá-
veis ou restringíveis pelo paciente. P. ex., um paciente relata que pre-
cisa chorar, contra a vontade, toda vez que ouve uma notícia triste
no rádio.

Indicações para graduação


“leve” — Na entrevista, dificilmente a incontinência afetiva é constata-
da, ou o paciente informa que tal incontinência é eventual.

110
“grave” — A incontinência afetiva permeia grande parte da entrevista
ou o paciente informa que ela ocorre com frequência.

Sintomas diferenciais
77. Labilidade afetiva

79. Rigidez afetiva


[Affektstarr] (E)
Definição

A modulação do afeto encontra-se reduzida. A amplitude de varia-


ções afetivas é diminuída.

Explicações e exemplos
Podem ocorrer diversos afetos com pouca modulação (registrar
também o achatamento afetivo). Quando não se observa a modu-
lação espontânea de afetos, o entrevistador deverá induzir estímu-
los emocionais.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente necessita de estímulos externos para a modula-
ção de seus afetos, sendo essa modulação possível.

“grave” — Há claro estreitamento nas variações afetivas, mesmo com


fortes estímulos externos.

Sintomas diferenciais
61. Empobrecimento afetivo

111
2.11 Alterações do impulso e da
Psicomotricidade
[Antriebs- und psychomotorische
Störungen]
Introdução
Impulso [Antrieb] significa a força animadora que motiva todas as
funções psíquicas e físicas em termos de velocidade, intensidade e
duração. Portanto, o impulso relaciona-se com vitalidade, ímpeto,
iniciativa, dedicação, atenção, energia e espírito empreendedor. O
impulso é reconhecido primeiramente no nível de atividades e na
psicomotricidade.

80. Pobreza de impulso


[Antriebsarm] (PE)
Definição

Falta de energia, de iniciativa e de interesse.

Explicações e exemplos
A alteração é relatada pelo paciente ou percebida pelo entrevistador,
em parte, pela escassa motricidade espontânea ou falta de iniciativa
no diálogo.
• O paciente abandona hobbies até então praticados (“Ultimamen-
te faço muito menos do que antes”).
• Um paciente fica durante longos períodos sentado na frente da
televisão e apenas com muita dificuldade é estimulado a fazer
outras atividades.

112
Indicações para graduação
“leve” — O impulso e a iniciativa estão reduzidos, mas não há pre-
juízo significativo das atividades de rotina.

“grave” — Fatores externos estimulam ou não o paciente. As ativida-


des cotidianas estão claramente prejudicadas. Aqui tam-
bém devem ser registrados casos de estupor.

Sintomas diferenciais
81. Inibição do impulso [Antriebsgehemmt]
87. Mutismo
92. Retraimento social
136. Hipocinesia

81. Inibição do impulso


[Antriebsgehemmt] (P)
Definição

Energia e iniciativa são percebidas pelo paciente como travadas ou


bloqueadas.

Explicações e exemplos
Aqui não se trata da absoluta falta de energia, que leva à redução
do funcionamento (ver 80, “pobreza de impulso”), mas o funciona-
mento implica maior esforço e fadiga. O esforço do paciente e a di-
ficuldade em superar a inibição são evidentes. O paciente exprime
planos e desejos, mas não consegue persegui-los; interrompe a busca,
levanta-se novamente, e assim por diante. Ao contrário da pobreza
de impulso, aqui a intencionalidade está preservada. O paciente gos-
taria, mas não consegue.
• “Tudo me parece mais difícil do que antes; sinto-me como que
travado, mas até agora quase ninguém se deu conta disso.”

113
• “Eu acordo, me levanto e me visto, mas é muito cansativo e, en-
tão, volto para a cama.”
• “Eu sento frequentemente no sofá e digo para mim mesmo: ‘Faça
pelo menos alguma coisa’.”
Indicações para graduação
“leve” — O paciente fala sobre a sensação de inibição. Mas, median-
te esforço ativo, ele ainda consegue superá-la.

“grave” — O sentimento de inibição é proeminente. O paciente tem


dificuldade para realizar atividades de rotina, como vestir-
-se e atender ao telefone.

Sintomas diferenciais
80. Pobreza de impulso
87. Mutismo
136. Hipocinesia

82. Aumento da energia (ou do impulso)


[Antriebsgesteigert] (PE)
Definição

Aumento da energia, da iniciativa e de interesse.

Explicações e exemplos
As atividades do paciente direcionam-se a inúmeras práticas, não ne-
cessariamente com sentido. O paciente faz muitos planos.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente tem muitos planos e desejos que são expres-
sos, alguns eventualmente realizados, mas ele ainda pode
ser conduzido.

“grave” — Paciente continuamente hiperativo, dificilmente se deixa


convencer por argumentos em contrário e não reconhece

114
ou não dá importância às consequências negativas de seu
comportamento (p. ex., conflitos conjugais, financeiros,
riscos no local de trabalho ou na esfera social).

Sintomas diferenciais
93. Aumento da sociabilidade

83. Inquietação motora


[Motorisch unruhig] (PE)
Definição

Atividade motora aumentada e não direcionada.

Explicações e exemplos
Os pacientes estão em contínua movimentação, correm ou não pa-
ram no lugar. A inquietação motora pode também ser expressa, p.
ex., como movimento de coçar-se, agitar as mãos [Händeringen], mo-
ver os pés [Fusswippen] ou tamborilar com os dedos.
• Durante a entrevista, o paciente balança frequentemente os pés.
• O paciente relata que, durante o período de observação, ele fre-
quentemente perambula em casa, sem rumo.
• Na entrevista, ele não consegue ficar sentado, levanta-se e cami-
nha de um lado para outro.
Indicações para graduação
“leve” — Inquietação motora de algumas partes do corpo, como as
mãos, sem que haja prejuízo significativo nas atividades
do dia a dia.

“grave” — O paciente está em contínua movimentação e, em conse-


quência disso, não consegue realizar as atividades de rotina.

115
Sintomas diferenciais
69. Inquietação interior
82. Aumento da energia
84. Paracineses
135. Discinesias
137. Acatisia

84. Paracineses
[Parakinesen] (E)
Definição

Nesta característica incluem-se diversos sintomas psicopatológicos:


• Paracineses constituem movimentos qualitativamente anor-
mais, em sua maioria complexos, que frequentemente afetam a
gesticulação, a mímica e também a fala.
• Estereotipias caracterizam expressões na esfera motora e da
linguagem, com tendência à repetição dos mesmos gestos/tre-
jeitos durante longos períodos de tempo. Ao contrário da per-
severacão, aqui não ocorre associação com palavras ou gestos
utilizados anteriormente. Aqui também ocorrem verbigerações
(estereotipias de palavras), ecolalia (repetição de palavras finais,
como eco), ecopraxia (imitação automática dos movimentos de
outra pessoa), catalepsia (estereotipia da postura) e a flexibili-
dade cérea. Também o riso automático pode ser descrito aqui.
• Obediência automática [Befehlsautomatismus]: o paciente exe-
cuta movimentos automáticos sob estímulos específicos (p. ex.,
espetar a língua com alfinete).
• Negativismo: pacientes negativistas não executam o que deles
se espera ou se solicita (negativismo passivo) ou fazem exata-
mente o contrário (negativismo ativo). Pacientes negativistas,
em alguns casos, podem executar comandos quando são proi-
bidos de fazê-los ou quando se lhes pede que façam o contrário
(negativismo de comando).

116
Explicações e exemplos
Também as expressões sonoras, mímicas e gestuais do transtorno de
tiques (Síndrome de Gilles de la Tourette) podem ser descritas aqui.

Indicações para graduação


“leve” — As paracineses aparecem apenas em certas situações. As ati-
vidades diárias do paciente não são prejudicadas por isso.

“grave” — As paracineses ocorrem com frequência e claramente in-


terferem nas atividades cotidianas.

Sintomas diferenciais
19. Perseveração
32. Compulsões
83. Inquietação motora
85. Maneirismos
135. Discinesias

85. Maneirismos/posturas bizarras


[Manieriert/bizarr] (E)
Definição

Movimentos e ações (e também gestos, mímica e fala) rotineiros


parecem excêntricos, extravagantes, amaneirados e afetados, são
realizados por vezes de modo pronunciado e jocoso.

Explicações e exemplos
Os pacientes se comportam, p. ex., de modo particularmente estra-
nho (bizarro) e tais comportamentos contrastam com os costumes
locais em termos de fala, movimentação ou aparência.

Constituem maneirismos também atitudes sem naturalidade, com


pomposidade e presunção, e atitudes que refletem ares de importân-

117
cia e afetação. Nisso se enquadram características como pomposida-
de, afetação, artificialidade e comportamentos forçados, estilizados,
retóricos e pedantes.

Indicações para graduação


“leve” — Os maneirismos/bizarrices não prejudicam os contatos
sociais.
“grave” — A estranheza psicopatológica impacta claramente ao pri-
meiro contato. Numa convivência mais longa, as atitudes
estranhas permanecem independentemente do interlocu-
tor e das circunstâncias.

Sintomas diferenciais
26. Neologismos
84. Paracineses
86. Teatralidade

86. Teatralidade
[Theatralisch] (E)
Definição

O paciente gera a impressão de estar encenando (como em uma


representação cênica).

Explicações e exemplos
A teatralidade manifesta-se frequentemente nas encenações insólitas do
comportamento expressivo do paciente. Aqui também podem surgir fenô-
menos de agravamento (apresentação exagerada das queixas existentes).

Indicações para graduação


“leve” — Durante a entrevista, o comportamento teatral aparece
apenas ocasionalmente ou apenas de modo discreto.

“grave” — O comportamento está impregnado de teatralidade.

118
Sintomas diferenciais
85. Maneirismos

87. Mutismo
[Mutistisch] (E)
Definição

Laconismo que pode chegar ao emudecimento (mutismo).

Explicações e exemplos
Mesmo acordado, o paciente fala pouco, quase nada ou é monossi-
lábico. Pode aparecer em associação com pobreza do impulso, blo-
queio ou negativismo ativo durante as situações de contato verbal.
Surdez ou mutismo somático não devem ser incluídos aqui.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente fala pouco, frequentemente em voz baixa. A
comunicação está prejudicada, mas ainda é possível.

“grave” — O paciente fica mudo ou apenas expressa poucas palavras.


A comunicação está gravemente comprometida.

Sintomas diferenciais
16. Lentificação
80. Pobreza de impulso
81. Inibição do impulso

88. Logorreia
[Logorrhoisch] (E)
Definição

Aumento no fluxo do discurso.

119
Explicações e exemplos
A fala logorreica pode ser correta e lógica. Não necessariamente pre-
cisa ser acelerada.

Indicações para graduação


“leve” — Ainda é possível interromper o discurso; o paciente conse-
gue adequar-se ao diálogo por algum tempo.

“grave” — A comunicação com o paciente está claramente prejudica-


da. O paciente ignora ou rejeita tentativas de interrompê-
-lo, pois ele volta à logorreia.

Sintomas diferenciais
17. Circunstancialidade
22. Fuga de ideias
82. Aumento da energia (impulso)

2.12 Particularidades circadianas


[Circadiane Besonderheiten]
Introdução
Aqui são registradas de forma sistemática as alterações cíclicas da
condição ou do comportamento do paciente em períodos de vinte e
quatro horas.

Trata-se da avaliação da mudança do sintoma, não só da oscilação


diária do humor, mas também de padrões regulares de aparên-
cia de outros sintomas: fenômenos como sun-downing (piora, ao
anoitecer, da ansiedade e inquietação) e as oscilações circadianas
dos delírios.

120
O próprio paciente fala a respeito de tais oscilações ou o dado é
trazido por terceiros, dizendo que o estado geral ou algum aspecto
importante da psicopatologia melhora ou piora em algum período
específico do dia.

89. Piora matinal


[Morgens schlechter] (PE)
Definição

Acentuação, de modo relativamente constante, da sintomatologia


pela manhã.

Explicações e exemplos
O sintoma do paciente piora, de modo bastante perceptível, no perío-
do matinal, em comparação com os outros períodos do dia (em geral
em comparação com o período da tarde).

As alterações circadianas não precisam, necessariamente, ser diárias,


mas são vivenciados ou observados padrões típicos e estáveis (ex.,
“deprimido de manhã”).

Indicações para graduação


“leve” — O paciente reconhece diferenças sintomatológicas entre
períodos distintos do dia apenas quando questionado.

“grave” — O paciente relata a clara piora matinal de seus sintomas


em relação a outros períodos do dia, ou tais mudanças são
relatadas por terceiros.

Sintomas diferenciais
91. Melhora vespertina

121
90. Piora vespertina
[Abends schlechter] (PE)
Definição

Acentuação, de modo relativamente constante, da sintomatologia


pela tarde/noite.

Explicações e exemplos
O paciente sente sua condição piorar, de modo bastante percep-
tível, no período vespertino/ao anoitecer em comparação com os
outros períodos do dia (em geral em comparação com o período
da manhã).

As alterações circadianas não precisam, necessariamente, ser diárias,


mas são vivenciadas ou observadas segundo um padrão relativamen-
te típico e estável.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente reconhece a piora vespertina apenas quando
questionado.

“grave” — O paciente relata a piora vespertina importante de seus sin-


tomas em relação a outros períodos do dia, nota piora de
seu nível de atividade ou forma de perceber as coisas nesse
período, ou tais mudanças são relatadas por terceiros.

Sintomas diferenciais
Nenhum

91. Melhora vespertina


[Abends besser] (PE)

122
Definição

Melhora/atenuação, em um padrão relativamente constante, da sin-


tomatologia pela tarde/noite.

Explicações e exemplos
O paciente sente sua condição melhorar, de modo bastante perceptí-
vel, no período vespertino/ao anoitecer em comparação com os outros
períodos do dia (em geral em comparação com o período da manhã).

As alterações circadianas não precisam, necessariamente, acontecer


todos os dias, mas precisam seguir um padrão relativamente típico
e estável.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente reconhece, após ser questionado, alguma me-
lhora sintomatológica no período vespertino ou noturno.

“grave” — O paciente relata espontaneamente a melhora vespertina/


noturna de seus sintomas em relação a outros períodos
do dia, ou esse fenômeno é observado e comentado por
acompanhantes ou pela enfermagem como acentuado.

Sintomas diferenciais
89. Piora matinal

2.13 Outras alterações


[Andere Störungen]
Introdução
Aqui são descritas alterações que não podem ser agregadas às outras
áreas e têm relevância clínica.

123
92. Retraimento social
[Sozialer Rückzug] (PE)
Definição

Afastamento de outras pessoas.

Explicações e exemplos
Aqui é descrito o retraimento que leva à redução do contato social do
paciente. Contudo, não deve ser descrito o isolamento social no qual
o desejo de contato e as correspondentes atividades do paciente estão
preservados (p. ex., inibição do impulso).

Indicações para graduação


“leve” — O retraimento social é relatado e parece plausível; contudo,
não parece muito evidente durante a entrevista ou internação.

“grave” — O paciente quase não tem contato com amigos ou conheci-


dos, ou permanece isolado no quarto durante a internação.

Sintomas diferenciais
80. Pobreza de impulso (não quer)
81. Inibição do impulso (não consegue)
87. Mutismo

93. Aumento da sociabilidade


[Soziale Umtriebigkeit] (PE)
Definição

Aumento das atividades sociais.

Explicações e exemplos
O paciente intensifica contatos com outras pessoas. Mas trata-se, na
maioria das vezes, de contatos superficiais e instáveis. A propensão

124
para o contato é percebida como excessiva, sendo frequentemente
sentida pelos interlocutores como desagradável, inoportuna ou inde-
licada, de modo que traz consequências negativas para o paciente.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente busca amigos e conhecidos com mais frequên-
cia e estabelece mais contatos, sem que isso lhe traga con-
sequências negativas.

“grave” — O paciente fala muito mais também com estranhos, e a


sociabilidade excessiva lhe traz consequências negativas.

Sintomas diferenciais
82. Aumento da energia (impulso)
88. Logorreia

94. Agressividade
[Aggressivität] (PE)
Definição

Comportamento hostil e agressivo.

Explicações e exemplos
Aqui são registrados tanto agressividade verbal quanto atos agressi-
vos para com objetos ou pessoas.

Exemplos de agressividade são insultos, ofensas, ameaças, intimida-


ções, danos materiais e lesões corporais.

Autoagressividade não é descrita aqui (ver 96. “autoflagelação” e 95.


“tendência suicida”).

Indicações para graduação


“leve” — Agressividade verbal ou física tem poucas consequências
em si. Um paciente empurra o médico durante a entrevis-

125
ta. Outro paciente xinga a enfermagem durante a visita,
mas depois pede desculpas.

“grave” — A agressividade verbal ou física traz consequências graves.


Um paciente ameaça outros pacientes, de modo que ficam
com medo dele. Um paciente irritado joga a louça no chão.

Sintomas diferenciais
67. Disforia
68. Irritabilidade
95. Tendência suicida
96. Autoflagelação

95. Tendência suicida


[Suizidalität] (PE)
Definição

Pensamentos, planos e ações concretas relacionados ao desejo de


morrer ou tirar a própria vida.

Explicações e exemplos
Aqui são descritos quadros de desgosto pela vida e desejo ou vontade
de morte, não necessariamente com pensamentos suicidas. Também
é considerada tendência suicida se o paciente ouve vozes dando or-
dens para que se suicide.

Comportamentos de risco sem intenção suicida (p. ex., esportes de


risco e fumar) não são descritos aqui.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente tem pensamentos suicidas, mas consegue se
controlar. Outro paciente está velho e doente e pensa em
morrer, mas não tem pensamentos suicidas.

126
“grave” — O paciente tem pensamentos suicidas impelentes e dificul-
dade para controlá-los. Outro paciente prepara seu suicí-
dio ou faz uma tentativa concreta.

Sintomas diferenciais
96. Autoflagelação

96. Autoflagelação
[Selbstbeschädigung] (PE)
Definição

Autoagressão sem intenção suicida.

Explicações e exemplos
Aqui são descritos comportamentos em que o paciente tem a inten-
ção de infligir-se lesão (ingestão de objetos perigosos, ferimentos cor-
tantes, arranhaduras, queimaduras ou batidas na cabeça). Incluem-se
também os casos de autolesões com o objetivo de reduzir a tensão.

Neste caso não devem ser descritos comportamentos de risco sem


intenção autolesiva (comportamento sexual de risco, abuso de dro-
gas, comportamento alimentar inadequado ou intervenções cosmé-
ticas descabidas).

Indicações para graduação


“leve” — Lesões que não necessitam de intervenção médica (p. ex.,
cortes superficiais que não necessitam de sutura).

“grave” — Autolesões que necessitam de imediata intervenção médi-


ca, p. ex., sutura de feridas sangrantes, endoscopia etc.

Sintomas diferenciais
94. Agressividde
95. Tendência suicida

127
97. Ausência da percepção de estar doente
[Mangeln an Krankheitsgefühl] (P)
Definição

O paciente não se sente doente, ou sente-se menos doente do que


de fato está.

Explicações e exemplos
Aqui está representada a sensação geral e subjetiva de estar física ou
psiquicamente doente. O conceito de doença do paciente não tem
relevância para a marcação. P. ex., um paciente hipocondríaco não
apresenta ausência da percepção de estar doente quando se sente
fisicamente doente, embora o médico o perceba como tendo uma
doença psíquica.

Como exemplos de ausência de percepção de estar doente temos um


paciente demenciado ou maníaco que, apesar de evidentes limita-
ções, não se percebe doente. Um paciente esquizofrênico, apesar de
pronunciados sintomas negativos acompanhados de isolamento so-
cial e diminuição do impulso, sente-se plenamente saudável.

Indicações para graduação


“leve” — Um paciente levemente comprometido sente-se plenamen-
te saudável; ou um paciente bastante comprometido sente-
-se limitado pela doença em pequena proporção.

“grave” — Um paciente gravemente comprometido sente-se plena-


mente saudável.

Sintomas diferenciais
98. Falta de crítica da doença
99. Recusa ao tratamento

128
98. Falta de crítica (insight ou compreensão) da doença
[Mangel an Krankheitseinsicht] (P)
Definição

O paciente não atribui suas queixas à sua doença psíquica.

Explicações e exemplos
Aqui deve ser descrito se o paciente tem consciência de sua doença
psíquica. O conceito de doença do paciente neste caso é decisivo: p.
ex., o paciente hipocondríaco apresenta falta de crítica da doença
quando está convencido de que tem uma doença física, embora esteja
de fato psiquicamente doente.

Um exemplo característico de falta de crítica da doença ocorre quan-


do um paciente esquizofrênico atribui suas alucinações auditivas à
existência de um radiossensor, em vez de um sintoma de sua doença.

Ausência da percepção de estar doente [Kranheitsgefühl] e falta de


crítica (compreensão) da doença [Krankheitseinsicht] são conceitos
independentes entre si. Pacientes com mania podem estar plena-
mente conscientes da origem de seus sintomas, embora não se sin-
tam doentes.

Indicações para graduação


“leve” — Apenas alguns sintomas da doença são atribuídos a ou-
tras causas.

“grave” — Quase todos os sintomas do doente são atribuídos a ou-


tros fatores.

Sintomas diferenciais
97. Ausência da percepção de estar doente
99. Recusa do tratamento

129
99. Recusa do tratamento
[Ablehnung der Behandlung] (PE)
Definição

O paciente recusa o tratamento ou é contrário a ele.

Explicações e exemplos
Essa característica compreende um amplo espectro de comportamen-
tos. A recusa do tratamento pode ir desde a cooperação insuficiente
até a completa recusa do manejo. Exemplos podem ser atrasos, falta de
vontade de falar, negligência na medicação ou recusa em fazer exames.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente toma a medicação de modo relutante e contra
a vontade.

“grave” — O paciente recusa-se a tomar medicação ou recusa-se a se


internar apesar de isso ser urgentemente necessário.

Sintomas diferenciais
97. Ausência da percepção de estar doente
98. Falta de crítica (insight ou compreensão) da doença

100. Necessidade de cuidados especiais


[Pflegebedürftigkeit] (PE)
Definição

O paciente necessita de ajuda externa para realizar suas atividades


de rotina.

Explicações e exemplos
O paciente não tem condições de executar exigências funcionais
básicas: encontra-se acamado, não consegue comer ou beber au-

130
tonomamente ou necessita de ajuda para os cuidados de asseio e
higiene corporais.

A necessidade de cuidados especiais pode resultar de doença física


ou psíquica, deficiência ou alterações do desenvolvimento.

Indicações para graduação


“leve” — Redução na autonomia para o preparo das refeições, lim-
peza do ambiente, vestir-se e despir-se.

“grave” — O paciente está acamado ou precisa ser alimentado.

Sintomas diferenciais
Nenhum

Itens adicionais/itens de reserva


Nas linhas marcadas de R1-R14 encontram-se os chamados itens de
reserva, para livre preenchimento. Entrevistadores que queiram in-
cluir características não incluídas nas cem características psicopatoló-
gicas descritas no AMDP podem fazê-lo individualmente neste setor.
Aqui são marcados também os sintomas adicionais (SA1-SA11).

Grau de certeza dos achados


Definição

Aqui o entrevistador pode estimar o grau de precisão nos resulta-


dos de sua entrevista em cinco níveis distintos.

Explicações e exemplos
A avaliação dos achados psicopatológicos conforme o Sistema AMDP
é um processo complexo, que pode ser dificultado por vários fatores.
Entre estes incluem-se:

131
1. A psicopatologia do próprio paciente (p. ex., alterações do pen-
samento importantes).
2. A cooperação ou a motivação do paciente.
3. A sugestibilidade do paciente, ou seja, a facilidade de o paciente
concordar rapidamente com as perguntas postas.
4. Uma capacidade diminuída do paciente de refletir (p. ex., por
baixa inteligência).
Um ou mais desses fatores podem ter uma influência sobre a confia-
bilidade dos dados. Por isso, é algo que deve ser registrado na rubrica
“Grau de certeza dos achados” no final da entrevista.

Indicações para graduação


“leve” — A maioria dos sintomas pôde ser avaliada com certeza; só
esporadicamente foi necessário marcar “não avaliado”.

“grave” — Em muitas categorias não pôde ser feita senão uma avalia-
ção incerta; muitas vezes foi marcado “não avaliado”.

2.14 Achados adicionais da exploração


psíquica (SA1-SA11)
Introdução
O catálogo de sintomas do Sistema AMDP existe inalterado desde
1979. Foi, porém, muitas vezes discutido, e foram dadas muitas su-
gestões para possíveis modificações, acréscimo de sintomas, retirada
de outros ou alteração da denominação de alguns.

Argumentos em prol de modificações do catálogo:


• Alguns sintomas não são mais adequados ao contexto de hoje.
Por exemplo: os sintomas “angústia” e “fobias” são descrições
de alterações do medo que contribuem pouco para o manejo

132
específico, p. ex., no contexto ambulatorial. Além disso, “fobia”
não é um sintoma, mas é, hoje em dia, considerada um grupo de
alterações psiquiátricas à parte.
• A alteração de conceitos diagnósticos altera a relevância de cer-
tos sintomas (p. ex.: o abandono do conceito de depressão en-
dógena deu muita importância para características circadianas).
• Alguns termos não combinam mais com o uso atual da língua,
são estranhos ou têm cunho pejorativo (p. ex.: incontinência afe-
tiva, propensão à lamúria).
• Às vezes, as delimitações entre certos sintomas e categorias diag-
nósticas não são muito claras (p. ex.: “fobia”, “hipocondríaco”).
• O conceito de alterações da consciência como sintomas é polêmico.
Argumentos contra a modificação do catálogo:
• A expansão do catálogo poderia levar a um sistema pouco prático.
• Uma mudança do catálogo ou das denominações dos sintomas
poderia levar a uma piora da comparabilidade ou impossibilitá-la
(p. ex., na pesquisa e também no prontuário).
• Uma alteração implicaria altos custos para todos os sistemas es-
tabelecidos que fazem uso do Sistema AMDP (p. ex.: histórico
médico eletrônico do paciente).
• A redução do número de sintomas que constam no catálogo leva-
ria a dificuldades com os conceitos de síndromes estabelecidos.
• Todo o material que se usa atualmente para os seminários, in-
clusive os vídeos, não poderia ser usado da mesma forma se a
exploração fizesse referência a outro catálogo.
O grupo de revisão do AMDP tomou a decisão de não modificar
o catálogo de sintomas de base. Especialmente porque quis deixar
possível a comparabilidade com aplicações anteriores do sistema.
Os membros do grupo concordaram em que a maior vantagem do

133
Sistema AMDP é o seu uso no treinamento de psicopatologia e que
os argumentos em prol da modificação podem ser de proveito no
treinamento didático.

No entanto, o grupo sugere sintomas adicionais, que sempre são


considerados importantes nos seminários e têm relevância clínica.
Esses sintomas vêm sendo apresentados como sintomas adicio-
nais (descritos como SA1-SA11), da mesma forma que o catálogo
de base. Recomenda-se o uso desses SA se necessário. É óbvio
que mesmo esse catálogo aumentado não retrata toda a gama de
sintomas. O uso dos sintomas adicionais deve servir para ameni-
zar alguns dos problemas do catálogo de base mencionados aci-
ma. Em todo o caso, o grupo de revisão recomenda o uso e o
treinamento dos cem sintomas de base na clínica. Os novos sinto-
mas adicionais podem servir para a prática e ser usados de forma
isolada ou em conjunto. No formulário dos achados psíquicos,
esses sintomas podem ser marcados sob o ponto dos achados de
reserva (“R”).

Para o uso dos sintomas adicionais, deve-se considerar que, isolada-


mente, o significado de alguns sintomas de base se altera um pouco.
Por exemplo, o sintoma “65. angústia” pode valer no estado origi-
nal. Nesse sintoma também se completam explicitamente ataques
de pânico. Quando se usa a característica adicional “SA1. ataque
de medo”, não se deve empregar no paciente o duplo registro “65.
angústia” e “SA1. ataque de medo”. Nesse caso, os ataques de pâni-
co devem ser assinalados apenas em “SA1. ataque de medo”. “An-
gústia” somente deve ser anotado quando os medos aparecem fora
dos ataques de pânico. Se o paciente tiver exclusivamente ataques
de pânico severo e não apresentar outros medos, deve-se optar pela
seguinte marcação:
1. No uso do catálogo de base (cem itens): “65 angústia”: grave.

134
2. No uso do sintoma adicional SA1: “65 angústia”: inexistente;
“SA1 ataques de angústia”: grave.

SA1. – Ataques de angústia


[Angstanfälle] (PE)
Definição

Ataques de pânico são períodos temporalmente limitados de


angústia imensa, de aparência súbita e muitas vezes associados
com sintomas corpóreos. Eles podem acontecer “do nada” ou
em situações específicas.

Explicações e exemplos
O termo “ataque de angústia” é sinônimo do termo “ataque de pâni-
co”. Prefere-se o uso da expressão “ataque de angústia” para ressaltar
que se trata de um sintoma associado a muitas alterações. A expressão
“ataque de pânico” sugere uma proximidade ao transtorno de pânico.

Ataques de angústia podem ser associados a sintomas psíquicos e cor-


póreos. Palpitação, batedeira, sudorese, tremor, boca seca, dispneia,
sensação de asfixia, hiperventilação, pressão, aperto no peito, náusea
ou irritações gastrointestinais, vertigem, sensação de insegurança, des-
maio ou entorpecimento, desrealização, despersonalização, parestesia,
calor ou calafrio e também o medo de ficar enlouquecido, inconscien-
te, descontrolado ou de morrer. Esses sintomas, se presentes, devem
ser registrados junto dos achados somáticos ou psíquicos.

Ataques de angústia começam repentinamente e chegam rapida-


mente ao ponto máximo. Eles podem ser associados a uma situação
ou acontecer inesperadamente. Ataques de angústia são sintomas
não específicos. Ocorrem não só no transtorno de pânico e na ago-
rafobia, mas também associados a muitas outras doenças psíquicas
ou somáticas.

135
Se os ataques de angústia são acompanhados de fobias, deve-se mar-
car a fobia adicionalmente.

Indicações para graduação


“leve” — Ataques de angústia com pouco prejuízo e poucas implica-
ções para a vida diária.

“grave” — Ataques com grandes consequências; o paciente tem de


sair do seu lugar de trabalho ou chama o Samu.

Sintomas diferenciais
28. Hipocondria
29. Fobias
44. Delírio hipocondríaco
65. Angústia, ansiedade

SA2. Pensamento acelerado


[Beschleunigtes Denken] (P)
Definição

A sensação subjetiva de pensamento acelerado.

Explicações e exemplos
O paciente percebe a sua mente como acelerada. Os pensamentos
são rápidos e frenéticos, mas não são vivenciados como desorganiza-
dos ou insistentes.
• “Os meus pensamentos estão muito mais rápidos que o normal.”
• “Os meus pensamentos são quase frenéticos.”
Indicações para graduação
“leve” — O pensamento acelerado não leva a prejuízo nas ativida-
des diárias.

“grave” — O pensamento acelerado prejudica as atividades diárias.

136
Sintomas diferenciais
21. Pressão do pensamento
22. Fuga de ideias
88. Logorreia

SA3. Ideias de associação


[Beziehungsideen] (P)
Definição

Sensação que o paciente tem de que certos eventos aleatórios têm


um significado especial e incomum.

Explicações e exemplos
O paciente interpreta objetos na proximidade como de importância
para ele. Ele considera-se o centro dos eventos. Ao contrário do que
ocorre no delírio, o paciente não apresenta convicções incorrigíveis.

O paciente tem a sensação de chamar a atenção dos outros, mas,


sendo questionado sobre essa sensação, ele não a considera realista.
• “Às vezes, tenho a impressão de que as pessoas no ônibus estão
falando de mim, mas na verdade isso não pode ser real.”
• “Em público, sempre tenho a impressão de que as pessoas me
olham por causa das minhas orelhas de abano.”
Pensamentos estranhos ou mágicos também podem ser registrados
aqui, desde que acompanhem a associação patológica ao “Eu” do
paciente descrita aqui.

Indicações para graduação


“leve” — As atividades diárias não são muito prejudicadas; o sinto-
ma tem pouca relevância afetiva.

“grave” — A relevância afetiva é evidente; o paciente tem dificulda-


des nas atividades diárias.

137
Sintomas diferenciais
27. Desconfiança
33. Pressentimento delirante
34. Percepções delirantes
36. Pensamentos delirantes
39. Delírio de referência
40. Delírio persecutório ou de ser prejudicado
SA4. Desorganização
[Desorganisiert] (PE)
Definição

Dificuldades de ordenar certos passos nas atividades diárias numa


sequência correta para chegar a uma meta predefinida.

Explicações e exemplos
Trata-se de um planejamento de atividades prejudicado, da alteração
da organização e do controle dos passos individuais e também da
reação inadequada a erros ou obstáculos.

Atividades simples (p. ex.: seguir instruções simples) não são descri-
tas aqui; devem ser consideradas apenas as dificuldades com ativida-
des complexas que envolvem vários passos.

Os pacientes não chegam às metas predefinidas por eles mesmos,


porque abortam os passos necessários, confundem a ordem certa ou
não reagem de maneira flexível aos obstáculos encontrados.
• O paciente não consegue realizar um projeto de ergoterapia,
mesmo conseguindo realizar os passos individuais.
• O paciente não consegue escrever o seu currículo, embora seja
capaz de informar todos os dados corretamente.
• O paciente não consegue terminar os preparativos para uma visi-
ta (p. ex.: fazer compras, arrumar a mesa, cozinhar).

138
Indicações para graduação
“leve” — Raramente comete erros, e estes não causam prejuízo im-
portante às atividades do dia a dia.

“grave” — Erros frequentes e dificuldade de enfrentar o dia a dia.

Sintomas diferenciais
9. Alterações da compreensão
10. Alterações da concentração
11. Alterações da memória de fixação
12. Alterações da memória de evocação
80. Pobreza de impulso
81. Inibição do impulso

SA5. Redução da distância


[Distanzlos] (E)
Definição

Redução inadequada da distância interpessoal.

Explicações e exemplos
A redução da distância pode-se demostrar pela proximidade corporal,
como: chegar muito perto de alguém, fitar alguém por muito tempo,
tocar na outra pessoa durante as conversas etc. O estilo verbal da co-
municação pode ser estranho. O paciente pode usar tratamento infor-
mal quando se dirige a pessoas com as quais não tem relação pessoal.

O comportamento pode ser inadequado (p. ex., tirar livros da estante


sem pedir licença). Ou o paciente faz perguntas excessivamente pes-
soais (p. ex., sobre a situação financeira, sexualidade etc.). Ou ain-
da deixa os outros em situação embaraçosa pela excessiva abertura
quanto às questões pessoais. Mesmo se os pacientes se apresentam
como “diretos” e “abertos”, isso deve ser registrado aqui. Pessoas

139
sem distância são percebidas como insistentes, incomodantes, impor-
tunas ou invasivas.

O comportamento relativo à distância tem de ser considerado no con-


texto sociocultural! Depende do desrespeito à adequada distância so-
cial, de acordo com as normas culturais.

Indicações para graduação


“leve” — A redução da distância é observada na conversa, mas não
atrapalha a exploração ou o contato pessoal.

“grave” — As dificuldades com a distância já levaram a consequên-


cias (p. ex., no local de trabalho, isolamento de amigos) ou
são frequentes e incomodam na conversa.

Sintomas diferenciais
93. Aumento da sociabilidade

SA6. Audição do pensamento


[Gedankenlautwerden] (P)
Definição

O paciente escuta seus próprios pensamentos (não pronunciados).

Explicações e exemplos
O paciente escuta os próprios pensamentos como uma voz alta na
cabeça, ao mesmo tempo em que está consciente do fato de que se
trata dos seus pensamentos.

Um paciente responde à pergunta sobre vozes: “O que eu escuto são


os meus próprios pensamentos. Eles são altos quando há silêncio.”

Se o paciente acredita que os seus pensamentos são audíveis pelos outros,


deve-se registrar “55. Transmissão do pensamento” adicionalmente.

140
Indicações para graduação
“leve” — O paciente não se sente muito incomodado.

“grave” — A audição do pensamento acontece frequentemente e tem


consequências para as atividades diárias.

Sintomas diferenciais
48. Alucinações auditivas
55. Transmissão do pensamento
56. Roubo do pensamento

SA7. Aumento dos impulsos


[Impulsiv] (PE)
Definição

Atos súbitos, sem ponderação anterior, causados por impulsos in-


ternos ou externos.

Explicações e exemplos
A impulsividade descreve o aumento de disposição de agir sem pon-
deração crítica e subitamente. Pensamentos e ideias são proferidos
espontaneamente, mesmo que insultem alguém ou prejudiquem o
paciente. Este não cogita as consequências dos próprios atos. O pa-
ciente tem dificuldade de deter uma ação já em andamento. Ele reage
mais facilmente aos impulsos externos e internos.

Por exemplo: o paciente interrompe o examinador, não consegue fi-


car esperando, relata gastos ou assinatura de contratos sem ter pon-
derado antes.

Impulsividade proveniente de excitação emocional, como raiva ou


crises explosivas, também se registra aqui.

141
Indicações para graduação
“leve” — O paciente responde e reage sem pensar; a conversa não é
prejudicada.

“grave” — O paciente interrompe o examinador constantemente, ou


ele relata problemas frequentes advindos da impulsividade.

Sintomas diferenciais
68. Irritabilidade
77. Labilidade afetiva
78. Incontinência afetiva
94. Agressividade

SA8. Alterações da imagem corporal (dismorfias)


[Körperbildstörung] (P)
Definição

Percepção inadequada, negativa ou distorcida do próprio corpo.

Explicações e exemplos
A imagem do próprio corpo faz parte da imagem de si e refere-se à
avaliação emocional ou cognitiva momentânea de partes do corpo ou
do corpo inteiro.

Uma alteração dismorfofóbica é constatada quando o paciente sofre


de uma avaliação excessivamente negativa e inadequada de seu corpo.
• Uma paciente é tão infeliz com o corpo e o rosto dela que prefere
ficar em casa, além de querer ser operada em várias partes. Ela
endivida-se para poder fazer essas cirurgias e submete-se a pro-
cedimentos repetitivos e corre o risco de complicações eventuais
para poder voltar a se suportar.
• Uma paciente jovem é obcecada pela convicção de que tem sobre-
peso, e o pensamento dela gira em torno da redução da gordura.

142
• Um paciente tem a convicção de que seu corpo é fraco e flácido
e, por isso, ele passa várias horas por dia na academia, faz uso de
anabolizantes, apesar das consequências para a saúde, e controla
periodicamente seus músculos com uma fita métrica.
Indicações para graduação
“leve” — Preocupação intensa com o próprio corpo, mas a realiza-
ção das atividades diárias não prejudicada por isso.

“grave” — Preocupação permanente com o próprio corpo, sem-


pre tomando medidas para mudá-lo. Claro dano à vida
diária.

Sintomas diferenciais
28. Hipocondria
44. Delírio hipocondríaco
51. Alucinações corporais
54. Despersonalização

SA9. Pudor/vergonha
[Schamgefühle] (P)
Definição

Sensação de vergonha, timidez, constrangimento, quando alguém


se sente exposto pela percepção, observação e/ou julgamento.

Explicações e exemplos
Trata-se de um sintoma que é vivenciado subjetivamente, mas muitas
vezes é evidente pelo comportamento do paciente. Frequentemente
pode-se perceber o pudor pelas expressões faciais, pelos gestos e ou-
tros aspectos do comportamento interpessoal. Quando o paciente se
sente exposto ou teme uma perda de respeito, ele pode ficar verme-
lho ou abaixar o olhar.

143
A delimitação com a sensação de culpa pode ser difícil. Sentimentos de
culpa acontecem quando o paciente desrespeitou normas internas, que
ele considera justas e boas. Pudor, porém, acontece sempre no contex-
to social real ou imaginado e trata da violação do “Eu” e da segurança
pessoal num nível íntimo (“Sinto-me exposto para os outros”).

Indicações para graduação


“leve” — O pudor evidencia-se algumas vezes durante a conversa ou
o paciente relata sentimentos de pudor, sem que isso tenha
levado a um prejuízo importante do dia a dia.

“grave” — O pudor aparece várias vezes durante a exploração, ou o


paciente relata um dano importante para sua vida diária
pela sensação de pudor.

Sintomas diferenciais
29. Fobias
65. Angústia/ansiedade
73. Sentimentos de culpa

SA10. Ideias supervalorizadas


[Überwertige Ideen] (P)
Definição

Ideias que têm alta importância pessoal para o paciente. Essa im-
portância dificilmente é compreendida por outros.

Explicações e exemplos
Frequentemente as ideias supervalorizadas representam o início de
um delírio, mas ainda podem ser retificadas. O paciente tem uma
grande vontade de convencer os outros da importância das próprias
ideias. O paciente identifica-se de forma muito emocional com elas,
que podem ter grande influência na vida dele.

144
O examinador ainda consegue compreender e seguir os pensamen-
tos do paciente. Contudo, evidencia-se uma fixação acentuada e
uma preocupação excessiva do paciente com as ideias. Ideias su-
pervalorizadas podem demostrar relação com a situação biográfica
do paciente.

Indicações para graduação


“leve” — Pouca afeição emocional com as ideias; as atividades diá-
rias são pouco atingidas.

“grave” — Uma grande afeição é evidente; as atividades diárias se


impregnam pelas ideias.

Sintomas diferenciais
34. Percepções delirantes

SA11. Dificuldade de lembrar/encontrar palavras


[Wortfindungsstörungen] (PE)
Definição

O paciente não se lembra de palavras comuns que ele lembrava antes.

Explicações e exemplos
O paciente para no meio da frase porque não consegue se lembrar da
palavra. Ele procura descrever de outra forma a fim de não precisar
usar a palavra esquecida. Por exemplo: “Naquele momento a moça
caiu no… ahm, ela caiu na água”. O paciente pode reagir à sua difi-
culdade de achar as palavras: “Ah, que inconveniente, eu não estou
lembrando” etc.

Pessoas eloquentes têm mais facilidade de contornar situações de di-


ficuldade de lembrar palavras.

145
Indicações para graduação
“leve” — O paciente não se lembra de algumas palavras durante a
entrevista, mas a exploração não é prejudicada por isso.
Ou o paciente lembra-se de situações nas quais ele não se
lembrou das palavras certas.

“grave” — A entrevista é limitada pela falta de palavras ou o paciente


sofre pela falta de capacidade de se comunicar.

Sintomas diferenciais
15. Inibição
16. Lentificação
24. Bloqueio do pensamento

146
3. Achados somáticos
3.1. Alterações do sono e da vigília
Introdução
Aqui se trata de identificar as alterações do sono e os níveis de
sonolência do paciente. Especialmente com relação ao sono, há
uma grande variação das normas individuais. Como regra geral,
os critérios de referência são complicados pela ampla variação
individual, sendo necessário recorrer à comparação intraindivi-
dual com estado pré-mórbido. A vivência subjetiva do paciente
(P) é decisiva na análise. Em pacientes que não dormem, todas as
características relacionadas ao sono (de 101 a 104) são designadas
como graves.

101. Insônia inicial


[Einschlafstörungen] (P)
Definição

Aumento do tempo necessário (dificuldade) para adormecer.

Explicações e exemplos
Os pacientes queixam-se de demora ou dificuldade para ador-
mecer. Normalmente, o processo de adormecimento (latência de
adormecimento) em indivíduos saudáveis não dura mais do que
trinta minutos, mesmo considerando-se diferenças individuais ex-
tremas. O “abandono passivo” ao sono torna-se difícil; o pacien-
te revira-se na cama e acentua a atenção relativa ao processo de
adormecimento (p. ex., registra o tempo de demora para adorme-
cer etc.).

147
Indicações para graduação
“leve” — O paciente percebe a dificuldade para adormecer, mas ain-
da considera ser uma demora para adormecer aceitável.
Não há prejuízos significativos (p. ex., sonolência, prejuí-
zo funcional etc.).

“grave” — O paciente percebe a dificuldade como torturante, o ritmo


social normal é perturbado ou ocorrem prejuízos decor-
rentes da demora para adormecer (sonolência, deteriora-
ção funcional etc.).

Sintomas diferenciais
102. Despertar noturno
103. Redução na duração do sono

102. Insônia intermediária


[Durchschlafstörungen] (P)
Definição

Após adormecer, o sono é descontínuo. O paciente desperta diversas


vezes e percebe a alteração, embora consiga adormecer novamente.

Explicações e exemplos
O conceito clínico de “insônia intermediária”, caracterizada por cur-
tas interrupções do sono sugestivas de alteração fisiológica, é preen-
chido desde que o paciente se lembre das interrupções do sono ao
longo do dia seguinte.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente percebe uma noite agitada com interrupções
do sono. Contudo, a qualidade geral do sono não está cla-
ramente prejudicada, não havendo prejuízo funcional du-
rante o dia (p. ex., sonolência ou déficit funcional).

148
“grave” — O paciente percebe as interrupções de seu sono como tor-
turantes e/ou padece de claras dificuldades durante o dia
(p. ex., sonolência ou deterioração funcional).

Sintomas diferenciais
101. Insônia inicial
103. Redução da duração do sono
104. Despertar precoce

103. Redução da duração do sono


[Verkürzung der Schlafdauer] (P)
Definição

Redução da duração total do sono durante a noite.

Explicações e exemplos
A média da duração de sono “normal” em indivíduos saudáveis mostra
grandes variações interindividuais, mas exibe relativa constância intrain-
dividual. O paciente percebe a redução da duração do sono principal-
mente pelo prejuízo (redução da qualidade) do seu sono, embora haja
também uma redução da duração do sono sem a sensação de prejuízo
(p. ex., na síndrome maníaca), que também deve ser registrada aqui.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente percebe apenas uma pequena redução da du-
ração do sono (menos de uma hora).

“grave” — O paciente percebe uma grande redução na duração do


sono (mais da metade da duração total do sono).

Sintomas diferenciais
101. Insônia inicial
102. Insônia intermediária
104. Despertar precoce

149
104. Despertar precoce
[Früherwachen] (P)
Definição

Acentuada antecipação do horário de despertar, associada à impos-


sibilidade de conseguir dormir novamente.

Explicações e exemplos
O paciente desperta mais cedo do que o costume e não consegue vol-
tar a dormir. Ele se ressente da alteração do sono e percebe redução
na qualidade de todo o período de seu sono.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente percebe o despertar precoce não particular-
mente problemático e/ou este não provoca maiores difi-
culdades ao longo do dia seguinte.

“grave” — O despertar precoce torna-se bastante prejudicial ao pa-


ciente e/ou provoca impacto negativo (aumento da irrita-
bilidade, redução da performance funcional, cansaço) ao
longo do dia seguinte.

Sintomas diferenciais
102. Insônia intermediária
103. Redução da duração do sono

105. Sonolência diurna


[Müdigkeit] (PE)
Definição

Sensação de diminuição do estado de alerta, indo da redução da


presteza à tendência para adormecer.

150
Explicações e exemplos
Aqui a “hipersonia” (aumento evidente do sono) deve estar caracte-
rizada. A causa da sonolência não faz diferença. A sonolência resul-
tante de efeito colateral da medicação também deve ser registrada
aqui. Quando a sonolência se faz acompanhar de redução da dis-
posição e do vigor físico, deve-se também assinalar associação de
“alteração da vitalidade”.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente sente-se sonolento, mas isso não compromete
significativamente seu funcionamento e/ou consegue su-
perar a sonolência sem dificuldade.

“grave” — O paciente sente dificuldade em se manter acordado, e /


ou a sonolência leva a significativa redução funcional (p.
ex., aumento da irritabilidade, redução da capacidade de
concentração).

Sintomas diferenciais
1. Rebaixamento da consciência
62. Alterações da vitalidade

3.2 Alterações da apetência


Introdução
Junto com as necessidades alimentares (apetite), agregam-se aqui
também outras necessidades que precisam ser satisfeitas, tais como
sede e sexualidade. A apetência pode estar aumentada ou diminuída.

Com relação à sexualidade, apenas a redução da apetência sexual


será incluída.

151
106. Redução do apetite
[Appetit vermindert] (P)
Definição

Redução da vontade de alimentação, do prazer de comer e/ou beber.

Explicações e exemplos
Ao contrário de antes, o paciente não tem mais “comidas preferidas”.
A satisfação de comer está reduzida ou mesmo desaparece. O pacien-
te precisa se obrigar a comer ou ser convencido a alimentar-se.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente sente a alteração do apetite, mas ainda conse-
gue comer espontaneamente.

“grave” — O paciente tem de se forçar para se alimentar ou medidas


externas precisam ser tomadas para evitar déficit nutricio-
nal; ou a alteração leva o paciente à redução de peso ou ao
enfraquecimento físico.

Sintomas diferenciais
100. Necessidade de cuidados especiais

107. Aumento do apetite


[Appetit vermehrt] (P)
Definição

Aumento do desejo por alimentos.

Explicações e exemplos
O aumento do apetite pode aparecer como uma sensação contínua de
fome, mas também como aumento da “vontade de comer” entre as re-

152
feições normais, até os “ataques de voracidade”. Os pacientes comem
mais vezes durante o dia, “beliscam” ao longo do dia, ocasionalmente
levantam-se à noite para comer. Aqui também são registrados os au-
mentos de apetite para alimentos específicos (p. ex., para doces).

Indicações para graduação


“leve” — O apetite está aumentado durante as refeições; também
ocasionalmente o paciente tem pequenas ingestas adicio-
nais nos intervalos.

“grave” — O paciente não consegue se controlar, come diversas re-


feições adicionais ou apresenta “ataques de voracidade”
regulares.

Sintomas diferenciais
31. Impulsos obsessivos
32. Compulsões
108. Sede excessiva

108. Aumento da sede


[Durst vermehrt] (P)
Definição

O paciente tem necessidade aumentada de ingerir líquidos.

Explicações e exemplos
O aumento da sede pode ter causas bastante diversas, normalmente
levando ao aumento da ingestão de líquidos.

Um aumento extremo de líquidos ingeridos sem aumento da sede


associado não se registra aqui (p. ex., quando um paciente psicóti-
co ingere grande quantidade de água pela influência de vozes que
o obrigam a fazê-lo).

153
Indicações para graduação
“leve” — O paciente sente aumento da sede, mas consegue resistir à
sua ingestão.

“grave” — O paciente “precisa” beber frequentemente, p. ex., tendo


sempre consigo algo para beber.

Sintomas diferenciais
31. Impulsos obsessivos
32. Compulsões
107. Aumento do apetite

109. Redução da libido


[Sexualität vermindert] (P)
Definição

Redução do desejo sexual.

Explicações e exemplos
A apetência sexual segue grandes variações interindividuais e, portan-
to, não é possível se chegar a uma norma geral válida. Como regra,
aqui se considera a comparação intraindividual em diferentes períodos.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente apresenta redução de sua apetência sexual
habitual, embora não chegue a comprometer significativa-
mente seus hábitos sexuais.

“grave” — O paciente apresenta falta de desejo sexual, que leva à altera-


ção do comportamento sexual (p. ex., evita contato sexual).

Sintomas diferenciais
Nenhum

154
3.3 Alterações gastrointestinais
Introdução
A apresentação dos sintomas seguintes é independente de eles
ocorrerem no contexto de uma doença previamente estabelecida
(somática ou psíquica) ou como consequência de efeito colateral
de medicações.

110. Hipersalivação (sialorreia)


[Hypersalivation] (PE)
Definição

Aumento da salivação.

Explicações e exemplos
Quando o paciente se queixa de aumento da salivação, mesmo quan-
do não externamente observável, deve pelo menos ser designado
como de grau leve.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente queixa-se de aumento da salivação ou de ter
que deglutir mais frequentemente, mas não se sente parti-
cularmente prejudicado.

“grave” — O travesseiro amanhece molhado de saliva. A saliva escor-


re da boca do paciente.

Sintomas diferenciais
Nenhum

155
111. Secura na boca (xerostomia)
[Mundtrockenheit] (P)
Definição

Sensação de secura na boca, redução da produção de saliva.

Explicações e exemplos
O item “secura na boca” independe da causa, incluindo-se aqui
também a secura presumidamente decorrente de efeito colateral
de medicamentos.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente sente a boca seca, mas não se sente prejudica-
do por isso.

“grave” — A fala do paciente encontra-se claramente prejudicada por


significativa secura na boca. Devido a isso, o paciente ne-
cessita frequentemente ingerir líquidos ou chupar balas.

Sintomas diferenciais
Nenhum

112. Náuseas
[Übelkeit] (P)
Definição

Sensação de náusea ou ânsia de vômito.

Explicações e exemplos
Paciente relata que está se sentindo mal. Quando também apresenta
vômitos, deve-se incluir o item 113, “vômitos”.

156
Indicações para graduação
“leve” — O paciente está levemente nauseado, mas isso não chega a
prejudicar sua rotina.

“grave” — O paciente padece continuamente da sensação pronuncia-


da de náuseas ou ânsia de vômito.

Sintomas diferenciais
113. Vômitos
114. Desconforto gástrico

113. Vômitos
[Erbrechen] (PE)
Definição

Vômitos espontâneos e/ou provocados.

Explicações e exemplos
Na maioria das vezes, embora não sempre, os vômitos são precedi-
dos de náuseas. Portanto, deve-se também marcar “112. náuseas”
quando for o caso.

Indicações para graduação


“leve” — Um único episódio de vômito durante o período de avalia-
ção, sem a sensação pronunciada de se sentir mal.

“grave” — Episódios severos de vômitos, frequentes, com significati-


va prostração ou sensação pronunciada de se sentir mal.

Sintomas diferenciais
112. Náuseas

157
114. Desconforto gástrico
[Magenbeschwerden] (P)
Definição

Sensação de dor localizada na região do estômago.

Explicações e exemplos
Estufamento, arrotos, azia, deglutição de ar ou dor de estômago.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente queixa-se de desconforto gástrico, mas isso
não compromete sua rotina.

“grave” — O paciente está bastante comprometido pela dor de estômago.

Sintomas diferenciais
112. Náuseas
113. Vômitos

115. Obstipação
[Obstipattion] (P)
Definição

Defecação difícil ou prisão de ventre.

Explicações e exemplos
As informações sobre sintomas somáticos do AMDP em geral resul-
tam de um diálogo com o paciente e deve-se aqui apenas descrever as
respostas subjetivas dadas por ele.

Indicações para graduação


“leve” — A defecação torna-se difícil, mas regular, e não é neces-
sário o uso de laxantes.

158
“grave” — A defecação é possível somente com a ajuda de meios físi-
cos ou mecânicos (p. ex., clister).

Sintomas diferenciais
28. Hipocondria (não delirante)
44. Delírio hipocondríaco

116. Diarreia
[Diarrhoe] (P)
Definição

Aumento na frequência das evacuações e fezes amolecidas ou


liquefeitas.

Explicações e exemplos
Nenhum

Indicações para graduação


“leve” — O paciente relata o aumento do número de evacuações
ou amolecimento das fezes, sem que isso o incomode em
demasia.
“grave” — Fezes líquidas ou mais que três evacuações por dia.

Sintomas diferenciais
Nenhum

3.4 Alterações cardiorrespiratórias


117. Dispneia
[Atembeschwerden] (PE)
Definição

Dificuldade respiratória.

159
Explicações e exemplos
O paciente queixa-se de sensação de aperto no peito, dificuldade de
receber ar suficiente para respirar ou sensação de sufocamento. A
dispneia pode ser uma vivência subjetiva vivida e relatada pelo pa-
ciente de modo plausível ou observada pelo entrevistador.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente tem, transitoriamente, a percepção de não re-
ceber ar suficiente, mas isso não o incomoda em demasia.

“grave” — A dificuldade respiratória persiste na maior parte do tem-


po ou causa grande angústia, podendo ainda ser observa-
da pelo entrevistador.

Sintomas diferenciais
Nenhum

118. Vertigem
[Schwindel] (PE)
Definição

Todos os tipos de tontura, incluindo as alterações ortostáticas.

Explicações e exemplos
“Estou tonto.” “Tudo está girando.” “Minha vista escurece.” A sensa-
ção de queda também pode ser manifestação da vertigem.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente sente eventualmente uma leve tontura, sem
apresentar grande incômodo com isso.

“grave” — Sensação demorada e substancial de tontura, cujo prejuí-


zo ao paciente é observado pelo entrevistador.

160
Sintomas diferenciais
112. Náuseas

119. Palpitações
[Herzklopfen] (P)
Definição

O paciente queixa-se de sentir o batimento cardíaco de forma mais


forte, acelerada ou arrítmica.

Explicações e exemplos
O paciente reclama de “batedeira” ou “palpitação”; alguns sentem
“o coração batendo na garganta” ou um “descompasso do coração”.

Indicações para graduação


“leve” — As palpitações são raras e/ou não perturbam substancial-
mente o paciente.

“grave” — O paciente reclama de frequentes palpitações ou está mui-


to angustiado e afetado por essa queixa.

Sintomas diferenciais
117. Dispneia
118. Vertigem
120. Dor pré-cordial

120. Dor pré-cordial


[Herzdruck] (P)
Definição

Sensação de “opressão”, concebida como penetrante, podendo ser


vivenciada como pressão dolorosa interna ou externa ao coração.

161
Explicações e exemplos
O paciente “percebe/sente” seu coração de modo desagradável.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente sente apenas raramente a dor pré-cordial, não
se inquietando muito com isso.

“grave” — A dor pré-cordial ocorre por um período de várias horas, ou


muitas vezes ao longo do dia, e/ou atemoriza o paciente.

Sintomas diferenciais
117. Dispneia
118. Vertigem
119. Palpitações

3.5 Outras alterações neurovegetativas


121. Alterações da acomodação visual
[Akkommodationsstrüngen] (P)
Definição

Prejuízo na capacidade de enxergar objetos de modo nítido, visão turva.

Explicações e exemplos
Aqui são descritas as alterações subjetivas duradouras de dificulda-
des visuais (p. ex., a dificuldade em diferenciar letras muito próximas)
até as dificuldades em ler, costurar ou realizar atividades diárias por
dificuldade visual. Frequentemente, as dificuldades de acomodação
visual são um efeito colateral dos psicofármacos, devendo, mesmo
assim, ser descritas aqui.

162
Outras alterações da visão (p. ex.,“visão por um véu”) não são des-
critas aqui.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente percebe a alteração da acomodação visual,
mas não está muito incomodado com isso.

“grave” — O paciente não consegue mais ler ou realizar suas ativida-


des diárias por causa da alteração de acomodação visual
ou arranjou óculos de leitura.

Sintomas diferenciais
Nenhum

122. Sudorese excessiva


[Schwitzen vermehrt] (PE)
Definição

Aumento da tendência a suar ou crises de sudorese profusa.

Explicações e exemplos
Ocorre aumento da sudorese na testa ou nas axilas, mãos úmidas e
até sudorese profusa por todo o corpo. Apenas a sensação subjetiva
de aumento da sudorese deve ser graduada como leve.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente percebe aumento da sudorese, sem se incomo-
dar muito com isso.

“grave” — O paciente apresenta prejuízos no trabalho ou nas rela-


ções sociais devido ao aumento da sudorese; apresenta
gotas de suor escorrendo pela testa ou sua roupa está en-
charcada de suor.

163
Sintomas diferenciais
Nenhum

123. Seborreia
[Seborrhoe] (PE)
Definição

Aumento de produção das glândulas sebáceas.

Explicações e exemplos
O paciente fica “engordurado/ensebado”. Isso ocorre de modo fre-
quente e se concentra em partes pilificadas do corpo.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente percebe aumento da produção das glândulas
sebáceas, mas esse aumento não o incomoda muito e não
é visível ao entrevistador.

“grave” — A seborreia é visível (a face aparenta estar untada, p. ex.),


e/ou o paciente relata precisar se lavar mais vezes por dia
por causa disso.

Sintomas diferenciais
Nenhum

124. Alterações da micção


[Miktionsstörungen] (P)
Definição

Diversas alterações do esvaziamento da bexiga urinária (p. ex., difi-


culdade miccional, polaciúria, enurese noturna).

164
Explicações e exemplos
Não é raro que psicofármacos causem alterações miccionais como
efeito colateral, eventos que também devem ser descritos aqui. Em
pacientes com sintomas ansiosos, encontra-se, eventualmente, pola-
ciúria. Pacientes sedados queixam-se de perda urinária involuntária,
p. ex., à noite.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente apresenta leve dificuldade urinária, demoran-
do a urinar, ou precisa ir diversas vezes ao banheiro. Ra-
ramente ocorre perda urinária.

“grave” — Retenção urinária, perda urinária involuntária ou urgên-


cia miccional contínua.

Sintomas diferenciais
Nenhum

125. Alterações menstruais


[Menstruationsstörungen] (P)
Definição

Alterações do ciclo menstrual ou desconfortos excepcionais ligados


à menstruação.

Explicações e exemplos
As alterações temporais do ciclo menstrual, assim como outras quei-
xas corporais ligadas à menstruação, como cólicas abdominais, p. ex.
(dismenorreia), são descritas aqui.

165
Indicações para graduação
“leve” — As alterações temporais são de poucos dias em relação ao
ciclo menstrual normal, e/ou as queixas dismenorreicas
não incomodam muito a paciente.

“grave” — Amenorreia. A dismenorreia compromete gravemente o


bem-estar da paciente.

Sintomas diferenciais
Nenhum

3.6 Outras alterações


126. Cefaleia
[Kopfdruck] (P)
Definição

Aqui se reúnem diversas queixas diferentes. Sensações de pressão


na cabeça, “cabeça pesada”, dores de cabeça etc.

Explicações e exemplos
• “Eu sinto uma fisgada na cabeça.”
• “Sinto uma pressão incômoda sobre a testa.”
• “Tenho uma sensação de peso na cabeça.”
• “Sinto uma dor de cabeça alucinante à direita.”
Indicações para graduação
“leve” — Não ocorre prejuízo das atividades diárias pelo incômo-
do, sendo que o paciente consegue realizar suas atividades
pessoais e laborais.

“grave” — O paciente não consegue realizar seu trabalho, e/ou suas


outras obrigações, e/ou suas atividades de interesses pes-

166
soais por causa da gravidade de sua queixa, ou as realiza
de forma extremamente penosa.

Sintomas diferenciais
51. Alucinações corporais
54. Despersonalização

127. Dorsalgia
[Rückenbeschwerden] (P)
Definição

Aqui são descritas diversas queixas: dores, contraturas e sensações


de peso nas costas, podendo ser localizadas ou difusas, constantes
ou intermitentes.

Explicações e exemplos
• “Minhas costas estão tensas, contraídas.”
• “Ao redor dos ombros — principalmente quando fico muito tem-
po sentado — sinto fortes dores.”
• “Sinto um aperto contínuo na coluna.”
Indicações para graduação
“leve” — Pelas diferentes afecções dorsais (principalmente contra-
turas e sensação de peso), não há prejuízo nas lidas co-
tidianas, sendo que o paciente consegue seguir com suas
atividades profissionais e interesses.

“grave” — Devido à afecção dorsal (em geral dores), há prejuízo nas
atividades cotidianas, com incapacitação para o trabalho,
demais obrigações e lazer do paciente, ou ela exige um
esforço enorme para essas atividades.

Sintomas diferenciais
51. Alucinações corporais

167
128. Sensação de peso nas pernas
[Schweregefühl in den Beinen] (P)
Definição
O paciente sente suas pernas mais pesadas ou fracas que habitualmente.

Explicações e exemplos
• “Minhas pernas estão pesadas e ‘bambas’.”
• “Andar é difícil para mim, como se minhas pernas fossem de
chumbo.”
• “Meus joelhos estão ‘moles’, quase não consigo ficar em pé.”
Indicações para graduação
“leve” — Não ocorre prejuízo das atividades diárias pelo incômo-
do, sendo que o paciente consegue realizar suas atividades
pessoais e laborais.

“grave” — O paciente não consegue realizar seu trabalho, e/ou suas


outras obrigações, e/ou suas atividades de interesses pes-
soais por causa da gravidade de sua queixa, ou as realiza
de forma extremamente penosa.

Sintomas diferenciais
51. Alucinações corporais
54. Despersonalização

129. Sensação de calor


[Hitzegefühl] (P)
Definição

Aqui se incluem diferentes formas de sensação de calor: ondas de


calor, fenômenos de ruborização (flush), sensação de calor que
sobe pelo corpo etc.
O paciente possui sensação subjetiva de estar mais quente, ainda
que a temperatura externa esteja alta ou que ele esteja com febre.

168
Explicações e exemplos
• “Às vezes sinto verdadeiras ondas de calor.”
• “Quando estou entre outras pessoas, sinto calor.”
• “Ultimamente sinto um calor interno, como se estivesse com febre.”
Indicações para graduação
“leve” — Não ocorre prejuízo das atividades diárias pelo incômo-
do, sendo que o paciente consegue realizar suas atividades
pessoais e laborais.

“grave” — O paciente não consegue realizar seu trabalho, e/ou suas


outras obrigações, e/ou suas atividades de interesses pes-
soais por causa da gravidade de sua queixa, ou as realiza
de forma extremamente penosa.

Sintomas diferenciais
51. Alucinações corporais

130. Sensação de frio/calafrios


[Frösteln] (P)
Definição

O paciente sente frio, ainda que não esteja fazendo frio nem ele
tenha febre.

Explicações e exemplos
• “Mesmo no verão sinto um frio contínuo.”
• “De vez em quando sinto um calafrio, como se estivesse com febre.”
Indicações para graduação
“leve” – Não ocorre prejuízo das atividades diárias pelo incômo-
do, sendo que o paciente consegue realizar suas atividades
pessoais e laborais.

“grave” — O paciente não consegue realizar seu trabalho, e/ou suas ou-
tras obrigações, e/ou suas atividades de interesses pessoais

169
por causa da gravidade de sua queixa, ou as realiza de forma
extremamente penosa.

Sintomas diferenciais
Nenhum

131. Sintomas conversivos


[Konversionssymptome] (PE)
Definição

Sintomas neurológicos sem afecção corporal observados ao exame


físico ou então relatados como indubitáveis pelo paciente no período
de observação. Em geral ocorre após acontecimentos traumáticos,
conflitos insolúveis ou insuportáveis e relações tumultuadas. Essas
alterações também são chamadas de transtornos dissociativos.

Explicações e exemplos
Mudez psicogênica, cegueira ou surdez psicogênicas, amnésia disso-
ciativa, paralisias psicogênicas, alterações psicogênicas da marcha
(abasia/astasia). Pseudocrises não epilépticas e alterações da cons-
ciência. Alterações psicogênicas da sensibilidade.

Aqui não são incluídos os sintomas vegetativos psicogênicos.

Queixas puramente subjetivas (como vertigem) também não são in-


cluídas aqui se não levarem, ao mesmo tempo, a uma sintomatologia
“neurológica” perceptível (p. ex., ataxia postural devido à vertigem
psicogênica).

Indicações para graduação


“leve” — Não ocorre prejuízo das atividades diárias pelos sintomas,
sendo que o paciente consegue realizar suas atividades
pessoais e laborais.

170
“grave” — O paciente não consegue realizar seu trabalho, e/ou suas
outras obrigações, e/ou suas atividades de interesses pes-
soais por causa da gravidade de sua queixa, ou as realiza
de forma extremamente penosa.

Sintomas diferenciais
Nenhum

3.7 Alterações neurológicas


Introdução
A seleção das alterações neurológicas seguintes baseia-se, principal-
mente, na constatação de alterações no sistema motor extrapiramidal
(como efeitos colaterais) durante um tratamento. A marcação dessas
alterações deverá ser realizada de modo independente de eventuais
hipóteses patogênicas de sintomas neurológicos. Por exemplo, um
tremor essencial será identificado como um tremor, da mesma forma
que aquele produzido por efeito colateral do uso de medicamentos
neurolépticos (parkinsonismo).

132. Rigidez muscular/hipertonia


[Rigor] (E)
Definição

A rigidez/hipertonia muscular é uma afecção do sistema motor extra-


piramidal que cursa com aumento do tônus muscular, sendo percep-
tível pelo examinador do começo ao fim de um movimento passivo.

Explicações e exemplos
A rigidez/hipertonia muscular é detectada pela movimentação passiva
de grupamentos musculares relaxados, p. ex., no pescoço (ante e re-

171
troversão, assim como movimento de rotação da cabeça) ou no punho
(pronação e supinação, flexão ou extensão). O aumento do tônus mus-
cular lembra a resistência que uma vela de cera oferece ao ser dobrada.
O fenômeno de “roda denteada” ocorre quando bloqueios rítmicos são
observados durante a aplicação de um movimento passivo contínuo.

Indicações para graduação


“leve” — A rigidez é percebida ao exame, mas um movimento pas-
sivo e contínuo ainda é possível.

“grave” — A movimentação passiva do grupamento muscular sofre


grande resistência.

Sintomas diferenciais
Nenhum

133. Flacidez muscular/hipotonia


[Muskeltonus erniedrigt] (PE)
Definição

A diminuição do tônus muscular é identificada pela redução da re-


sistência à extensão passiva da musculatura relaxada.

Explicações e exemplos
Tipicamente há hiperextensão das articulações.

Indicações para graduação


“leve” — Os movimentos passivos (sem resistência) são facilitados,
mas a extensão articular não supera as amplitudes nor-
mais de movimento.

“grave” — A musculatura não apresenta resistência à hiperextensão


articular devido à hipotonia.

172
Sintomas diferenciais
Nenhum

134. Tremor
[Tremor] (PE)
Definição

Contrações sequenciais e rítmicas de grupamentos musculares de


ação antagônica.

Explicações e exemplos
Para ilustrar suas formas, pode-se diferenciar os tremores de repouso
(como na doença de Parkinson) dos tremores de ação (como o tre-
mor essencial). A comprovação do tremor é obtida pela observação
do paciente relaxado (cabeça e extremidades), assim como em movi-
mentos específicos (extensão voluntária dos membros superiores). A
gradação do tremor se faz pela extensão máxima da amplitude apre-
sentada. Tremores de intensão (do movimento) estão designados
como “138. ataxia”.

Indicações para graduação


“leve” — Tremor de pequena amplitude, não causando grande pre-
juízo ao paciente.

“grave” — O tremor é de grande amplitude, fortes contrações, ou


causa grande prejuízo ao paciente (ao escrever, segurar
uma xícara ou servir uma bebida, p. ex.).

Sintomas diferenciais
135. Discinesia
138. Ataxia

173
135. Distonias (agudas) e discinesias (tardias)
[Dyskinesien] (PE)
Definição

Lapsos e acentuações do funcionamento motor por alterações do


sistema motor extrapiramidal.

Explicações e exemplos
Podem ocorrer como efeitos colaterais de antipsicóticos, como dis-
tonias agudas (espasmos bucolinguomastigatórios, p. ex.) ou como
resultado do uso de longo prazo desses medicamentos, como na dis-
cinesia tardia (aumento dos movimentos involuntários da língua e da
musculatura facial).

Em alguns casos há outras origens para esses fenômenos (como na


coréia de Huntington, p. ex.). Tais discinesias também são registra-
das aqui.

Indicações para graduação


“leve” — As alterações (distonias e discinesias) são pouco observadas.

“grave” — As alterações motoras são perceptíveis mesmo a leigos.

Sintomas diferenciais
134. Tremor
138. Ataxia

136. Hipocinesias
[Hypokinesien] (PE)
Definição

Redução e lentificação de movimentos voluntários e passivos, de-


monstrando comprometimento do sistema motor extrapiramidal.

174
Explicações e exemplos
O início dos movimentos pode apresentar latência, bradicinesia ou “con-
gelamento” dos movimentos. Os passos podem ser curtos, e a escrita,
pequena; há hipomimia facial e empobrecimento gestual. Tais alterações
podem ser uni ou bilaterais. A fala pode ficar mais rouca ou silenciosa.
Alguns pacientes relatam grande dificuldade em se virar na cama.

Indicações para graduação


“leve” — O bem-estar do paciente é pouco afetado pela hipocinesia.

“grave” — Devido à hipocinesia, o paciente apresenta grande prejuí-


zo cotidiano. Mesmo para um leigo, a redução dos movi-
mentos é observável.

Sintomas diferenciais
80. Pobreza de impulsos

137. Acatisia
[Akathisie] (PE)
Definição

Incapacidade de permanecer imóvel, sentado ou em pé.

Explicações e exemplos
A acatisia caracteriza-se por necessidade de movimento vivida de
modo desagradável, principalmente nas pernas e/ou braços, em que o
paciente encontra alívio momentâneo à medida que se movimenta. Po-
dem ocorrer movimentos de “sapatear” quando o paciente está em pé.

Indicações para graduação


“leve” — Observa-se, eventualmente, a inquietação motora do pa-
ciente. Quando solicitado a manter a mesma posição,

175
sentado ou em pé, menciona o impulso incômodo para
se mexer, mas consegue permanecer imóvel sem que a in-
quietação seja perceptível.

“grave” — Observa-se movimentação contínua das pernas e/ou bra-


ços, sentado ou em pé. Podem ocorrer movimentos de
“sapatear”.

Sintomas diferenciais
69. Inquietação interior

138. Ataxia
[Ataxie] (PE)
Definição

Distúrbios que afetam a ação coordenada dos grupos musculares em


movimento voluntário ou dificuldade em manter posturas corporais.

Explicações e exemplos
Diferenciam-se as ataxias de tronco (balanço involuntário do
tronco na posição sentada) e as alterações do equilíbrio estático
(tendência a cair quando em pé) das ataxias de membros. Estas
caracterizam-se pela insegurança na movimentação dos membros,
com movimentos em “ziguezague” nas ações voluntárias (testes de
índex-nariz e tornozelo-joelho, p. ex.). O tremor de intensão tam-
bém é registrado aqui. De uma ataxia de tronco, assim como de
uma ataxia apendicular (de membros inferiores), pode surgir uma
ataxia de marcha.

Indicações para graduação


“leve” — A ataxia é observada em movimentos voluntários (ao
servir bebida em um copo, p. ex.), no andar, em posição

176
estática (sentada ou em pé), mas o indivíduo mantém o
controle motor.

“grave” — O paciente só consegue permanecer sentado, em pé ou ca-


minhar com apoio. Necessita de auxílio para se alimentar.

Sintomas diferenciais
134. Tremor

139. Nistagmo
[Nystagmus] (E)
Definição

Movimentos rítmicos involuntários dos olhos. Verificam-se duas fa-


ses nos movimentos do nistagmo. No nistagmo de “arranque”, o
movimento é rápido em uma direção e lento na volta. Já no nistag-
mo “pendular”, as duas fases têm a mesma velocidade.

Explicações e exemplos
O nistagmo pode ocorrer em posição de descanso (parada; nistag-
mo espontâneo) ou ao voltar o olhar em uma determinada direção
(nistagmo de olhar direcionado), e poderá ser motivado por algum
movimento da cabeça ou postura ou movimento corporal (nistag-
mo posicional).

O nistagmo de distorção fisiológico e o nistagmo optocinético não se


incluem aqui.

Indicações para graduação


“leve” — Pode ser registrado, quando não se trata de um nistagmo
patológico, além do nistagmo horizontal de direcionamen-
to da visão.

177
“grave” — Pode ser assinalado quando ocorre o nistagmo espontâneo.

Sintomas diferenciais
Nenhum

140. Parestesias
[Parästhesien] (P)
Definição

Aqui são registradas as alterações sensoriais cutâneas, não apenas


as parestesias propriamente ditas (sensações cutâneas subjetivas
não desagradáveis), mas também as disestesias (sensações cutâneas
desagradáveis).

Explicações e exemplos
Os pacientes relatam tais alterações sensoriais cutâneas como “formi-
gamento”, “irritabilidade superficial” e “sensação de eletrizar”.

Aqui não são incluídas as alterações quantitativas de sensibilida-


de (aumento ou diminuição da sensibilidade dolorosa, tátil ou de
temperatura).

Indicações para graduação


“leve” — As parestesias são relatadas pelo paciente, mas não há pre-
juízo ao seu bem-estar.

“grave” — O bem-estar do paciente é profundamente afetado pela pa-


restesia, e/ou é necessário um tratamento farmacológico
para seu tratamento.

Sintomas diferenciais
51. Alucinações corporais

178
Diferenças entre lados
[Seitendifferenzen]
“Sim” — Pode se registrar quando houver clara diferença na sintoma-
tologia entre os lados direito e esquerdo do corpo do pacien-
te nos itens 132 a 140.

Convulsões cerebrais
[Cerebrale Krampfänfalle]
“Sim” — Registra-se quando ocorrer crise focal ou generalizada duran-
te a entrevista. Ataques psicogênicos (crises não epilépticas)
podem ser registrados no item 131, “sintomas conversivos”.

Itens de reserva
[Reserve–Merkmale]
Nas linhas com a marcação R1-R7 colocam-se itens de reserva, utili-
zados para registro de dados adicionais. Investigadores que desejam
registrar sintomas específicos que não estão contidos nos quarenta
sintomas somáticos podem incluí-los individualmente aqui. Por exem-
plo, podem-se incluir aqui também os sintomas adicionais (SA1-SA3).

3.8 Sintomas somáticos adicionais


(SA1-SA3)
Introdução
Os sintomas do exame somático foram discutidos no passado de for-
ma menos crítica do que os achados psíquicos. Os quarenta sinto-
mas anteriores cobrem uma ampla gama de sintomas relevantes na
clínica, tanto para com o registro de efeitos colaterais quanto para
com o uso de critérios diagnósticos nos sistemas CID e DSM (p. ex.:

179
sintomas de um episódio depressivo, depressão maior). Além disso,
incluem-se alguns sintomas que podem servir no caso de síndromes
como parte somática do quadro da doença. Os sintomas adicionais
daqui em diante (registrados como SA1-SA3) são descritos da mesma
forma que os sintomas anteriores. O uso dos sintomas adicionais é
recomendado segundo a necessidade. É evidente, porém, que esses
sintomas aqui descritos não cobrem a integralidade dos sintomas. O
grupo de revisão do AMDP recomenda o uso dos quarenta sintomas
anteriores em todos os contextos clínicos. Os sintomas novos defini-
dos aqui devem ser aplicados conforme a necessidade do examina-
dor. Esses devem ser descritos no formulário do Sistema AMDP nos
pontos R (reserva).

SA1. Parassonias (PE)


Definição

Vivência anormal ou atos anormais com relação ao sono, estados


específicos do sono ou dos períodos entre o sono e a vigília.

Explicações e exemplos
Trata-se de alterações da vivência ou do comportamento relaciona-
das ao sono. Diferenciam-se:
• sonambulismo;
• pavor noturno; terror noturno (acordar subitamente do sono pro-
fundo com um grito de terror e com sinais corpóreos e mentais
de medo intenso);
• pesadelos;
• alterações do comportamento no sono REM (acordar várias
vezes do sono REM com “continuação” das reações sonhadas,
p. ex.: gritos, reflexos de defesa etc.; “comportamento induzido
pelo sono”);

180
• síndrome das pernas inquietas (impulso desagradável de movi-
mentar-se, pronunciado nas fases de descanso ou de adormecer).
Indicações para graduação
“leve” — O paciente percebe uma mudança do seu sono normal,
mas que não o incomoda muito.

“grave” — O paciente percebe uma mudança pronunciada do seu


sono, devido à qual ele sofre profundamente.

Sintomas diferenciais
101. Insônia inicial
102. Despertar noturno
103. Redução da duração do sono
104. Despertar precoce

SA2. Aumento da libido (E)


Definição

Aumento da libido e/ou das atividades sexuais em comparação com


o nível habitual do paciente.

Explicações e exemplos
Apetência e atividade sexual são sujeitas a grandes diferenças inter-
pessoais. Por isso não pode ser estabelecida uma norma geral. Apli-
ca-se então a comparação intraindividual.

O paciente percebe sua libido de forma bastante alterada. O paciente


ou terceiros relatam um comportamento sexual inusitado.

Indicações para graduação


“leve” — O paciente percebe um aumento da sua apetência sexual
normal, mas que não levou a uma mudança de seu com-
portamento sexual.

181
“grave” — O paciente vivencia um aumento da libido que leva a mu-
danças objetivas de comportamento (p. ex.: mais contatos
sexuais).

Sintomas diferenciais
82. Aumento do impulso
93. Aumento da sociabilidade

SA3. Alterações da função sexual (PE)


Definição

Alterações de diversas funções sexuais.

Explicações e exemplos
Trata-se aqui de alterações sexuais que limitam ou impossibilitam as
atividades sexuais desejadas pelo paciente.
• Alterações da ereção
• Alterações do orgasmo (anorgasmia, frequência diminuída, dimi-
nuição da intensidade)
• Ejaculação precoce
• Dispareunia/vaginismo (dor durante o coito)
Indicações para graduação
“leve” — O paciente percebe uma alteração das reações sexuais ha-
bituais, que o incomoda pouco.

“grave” — O paciente vivencia uma mudança significativa das suas


reações sexuais, o que o faz sofrer profundamente.

Sintomas diferenciais
109. Redução da libido

182
Literatura
Desde a introdução do Sistema AMP/AMDP foram publicados vários
trabalhos em que o Sistema foi usado ou foi objeto de estudo. Uma
enumeração de todos os trabalhos, tanto empíricos, quanto teóricos,
não é possível aqui. Também não é possível enumerar todas as línguas
que ganharam uma tradução do Sistema AMDP (entre outras, inglês,
francês, italiano4; cf. Bobon et al., 1983). Na lista a seguir consta apenas
uma seleção desses trabalhos. As obras de revisão contêm referências
para a maioria dos trabalhos AMP/AMDP. São listadas as publicações
mais importantes, que serviram de base para a criação do Sistema, e as
edições anteriores, que também contêm um sem-número de referências.

Além disso, o Sistema AMDP (especialmente os achados psíquicos)


serve para a descrição de base da psicopatologia em muitos livros
didáticos em língua alemã, mas, por questão de espaço, não constam
todos aqui.

Psicopatologia geral
Bleuler, E. (1983). Lehrbuch der Psychiatrie (15., von M. Bleuler über-
arbeitete Aufl.). Berlin: Springer. http://doi.org/10.1007/978-3-
642-61775-1 (visitado em 9 jun. 2016).

Hamilton, M. (1984). Klinische Psychopathologie. Stuttgart: Enke.

Jaspers, K. (1973). Allgemeine Psychopathologie (9. Aufl.). Berlin:


Springer.

Payk, T. R. (2007). Psychopathologie. Vom Symptom zur Diagnose (2.


Aufl.). Berlin: Springer.

4 E agora português. [N.d.E.]

183
Scharfetter, Ch. (2002). Allgemeine Psychopathologie (5. Aufl.). Stutt-
gart: Thieme.

Schneider, K. (1992). Klinische Psychopathologie (14. Aufl.). Stutt-


gart: Thieme.

Edições do Sistema AMP/AMDP


AMDP (1979). Das AMDP-System. Manual zur Dokumentation psych-
iatrischer Befunde (3. Aufl.). Berlin: Springer.

AMDP (1981). Das AMDP-System. Manual zur Dokumentation psych-


iatrischer Befunde (4., korrigierte Aufl.). Berlin: Springer.

AMDP (1995). Das AMDP-System. Manual zur Dokumentation psych-


iatrischer Befunde (5., neubearbeitete Aufl.). Göttingen: Hogrefe.
AMDP (1997). Das AMDP-System. Manual zur Dokumentation psy-
chiatrischer Befunde (6., unveränderte Aufl.). Göttingen: Hogrefe.
AMDP (2000). Das AMDP-System. Manual zur Dokumentation psy-
chiatrischer Befunde (7., unveränderte Aufl.). Göttingen: Hogrefe.
AMDP (2007). Das AMDP-System. Manual zur Dokumentation psy-
chiatrischer Befunde (8., überarbeitete Aufl.). Göttingen: Hogrefe.
Scharfetter, Ch. (1971). Das AMP-System. Manual zur Dokumen-
tation psychiatrischer Befunde. Berlin: Springer. http://doi.
org/10.1007/978-3-662-06450-4 (visitado em 9 jun. 2016).
Scharfetter, Ch. (1972). Das AMP-System. Manual zur Dokumentati-
on psychiatrischer Befunde (2., korrigierte und erweiterte Aufl.).
Berlin: Springer. http://doi.org/10.1007/978-3-662-06449-8 (vi-
sitado em 9 jun. 2016).

Artigos de revisão sobre o Sistema AMP/AMDP


Baumann, U. & Stieglitz, R.-D. (1989). Evaluation des AMDP-Sys-
tems anhand der neueren Literatur (1983–1987) – Übersichts-

184
arbeit. Fortschritte der Neurologie und Psychiatrie, 57, 357–373.
http://doi.org/10.1055/s-2007-1001132 (visitado em 9 jun. 2016).

Baumann, U. & Stieglitz, R.-D. (1983). Testmanual zum AMDP-Sys-


tem. Berlin: Springer. http://doi.org/10.1007/978-3-642-69181-2

Bobon, D., Baumann, U., Angst, J., Helmchen, H. & Hippus, H. (Eds.).
(1983). AMDP-System in pharmacopsychiatry. Basileia: Karger.

Haug, H.-J. & Stieglitz, R.-D. (Hrsg.). (1997). Das AMDP-System in


der klinischen Anwendung und Forschung. Göttingen: Hogrefe.

Rösler, M., Thiel, A., Domke, A. & Stieglitz, R.-D. (2012). 50


Jahre AMDP-System – Eine Bestandsaufnehme. Zeitschrift für
Psychiatrie, Psychologie und Psychotherapie, 60, 269–280.
http://doi.org/10.1024/1661-4747/a000127 (visitado em 9
jun. 2016).

Aprofundamento do Sistema AMDP


Freyberger, H. J. & Möller, H.-J. (2003). Die AMDP-Module. Göttin-
gen: Hogrefe.

Entrevista
Fähndrich, E. & Stieglitz, R.-D. (2016). Leitfaden zur Erfassung des
psychopathologischen Befundes. Halbstrukturiertes Interview an-
hand des AMDP-Systems (4., überarbeitete und erweiterte Aufl.).
Göttingen: Hogrefe.

Síndromes AMDP
Gebhardt, R., Pietzcker, A., Strauss, A., Stoeckel, M., Langer, C. &
Freudenthal, K. (1983). Skalenbildung im AMDP-System. Archiv
für Psychiatrie und Nervenkrankheiten, 233, 234–245. http://doi.
org/10.1007/BF00343598 (visitado em 9 jun. 2016).

185
Processamento de dados
Hengesch, G., Heinrich, W. & Rösler, M. (1989). Ein Programm zur
Dokumentation und Auswertung des AMDP-Systems. Software
Kurier, 2, 52–53.

Stassen, H. H., Bente, D., Feder, J., Freudenthal, K. & Strauss, A.


(1983). AMDP information processing systems. In D. Bobon, U.
Baumann, J. Angst, H. Helmchen & H. Hippius (Eds.), AMDP-Sys-
tem in pharmacopsychiatry (pp. 55–67). Basileia: Karger.

186
Apêndices
Apêndice A: Formulário de achados

Sistema AMDP Anamnese

Paciente:______________ Entrevistador:______________ Data da entrevista:

1. Sexo 7. Local da terapia


masculino feminino Ambulatório
2. Data de nascimento Enfermaria

O
dd.mm.aaaa Hospital-dia
3. Situação de moradia Outro
Não declarada 8. Motivo da consulta
Residência assistida Tratamento
Moradia autônoma Avaliação
Casa dos pais/parentes Aconselhamento
Asilo/clínica Outras investigações

LOutros
4. Convivência
Não declarada
Mora só
9. Evolução da doença
Não declarada
Primeiro episódio
Recorrente ou crônica
DE
Com parceiro 10. Transtornos psiquiátricos na família
Com pai e/ou mãe Sim
Com filho(s) Não
Outros (p. ex. com amigos) 11. Intensidade dos sintomas (CGI)
5. Escolaridade Não declarada
Não declarada Nenhuma (assintomático)
Ensino básico Limítrofe para sintomatologia psíquica
Ensino médio incompleto Leve
Ensino médio completo Moderada
Curso técnico Acentuada
Ensino superior incompleto Grave
MO

Ensino superior completo Extremamente grave


6. Ocupação 12. Diagnósticos
Não declarada Não declarados
Estudante/em treinamento Sem diagnóstico
Empregado/funcionário público Designação
Especialista
Autônomo/profissional liberal
Aposentado/pensionista
Desempregado
Cuidados do lar
Outra

© Hogrefe Verlag GmbH & Co. KG, Göttingen. Reprodução proibida.

189
Sistema AMDP Achado psíquico

Informações pessoais

Paciente:_____________ Entrevistador:_______________________ Data da entrevista:


Idade:___________________________ Data de nascimento: Sexo: M F
Período de observação: (em dias)_______________________ Diagnósticos:_____________________

Achados Achados

Fontes de dados

Fontes de dados
O
Não avaliado

Não avaliado
Moderado

Moderado
Sintoma Sintoma
Ausente

Ausente
Grave

Grave
Leve

Leve
Alterações da consciência 23. Tangencialidade E
1. Rebaixamento da consciência E 24. Bloqueio do pensamento PE

L
2. Turbamento da consciência E 25. Incoerência E
3. Estreitamento da consciência P/E 26. Neologismos E
4. Expansão da consciência P Temores/medos e obsessões
Alterações da orientação 27. Desconfiança PE
DE
5. Temporal P 28. Hipocondria P
6. Espacial P 29. Fobias P
7. Situacional P 30. Pensamentos obsessivos P
8. Sobre a própria pessoa P 31. Impulsos compulsivos P

Alterações da atenção e de 32. Compulsões P


memória Delírios
9. Alterações da compreensão PE 33. Pressentimento delirante
10. Alterações da concentração PE 34. Percepção delirante P
11. Alterações da memória de fi-
PE 35. Ideação delirante P
xação
MO

12. Alterações da memória de evo-


PE 36. Pensamentos delirantes P
cação
13. Confabulações E 37. Delírio sistematizado P
14. Paramnésias P 38. Dinâmica delirante PE
Alterações formais do pensamento 39. Delírio de referência P
40. Delírio persecutório ou de
15. Inibição P P
ser prejudicado
16. Lentificação E 41. Delírio de ciúme P
17. Circunstancialidade E 42. Delírio de culpa P
43. Delírio de empobrecimento
18. Pensamento restrito PE P
(ruína)
19. Perseveração E 44. Delírio hipocondríaco P

20. Ruminações P 45. Delírio de grandeza P


21. Pressão do pensamento P 46. Outros conteúdos delirantes P
22. Fuga de ideias E P
© Hogrefe Verlag GmbH & Co. KG, Göttingen. Reprodução proibida.
190
Achados Achados

Fontes de dados

Fontes de dados
Não avaliado

Não avaliado
Moderado

Moderado
Sintoma Sintoma

Ausente

Ausente
Grave

Grave
Leve

Leve
Alterações da sensopercepção Alterações do impulso e da
47. Ilusões P psicomotricidade
48. Alucinações auditivas (vozes) P 80. Pobreza de impulso PE
49. Outras alucinações auditivas P 81. Inibição do impulso P
82. Aumento da energia ou do
50. Alucinações visuais P PE
impulso

O
51. Alucinações somestésicas P 83. Inquietação motora PE
52. Alucinações olfativas e gustativas P 84. Paracineses E
85. Maneirismos e posturas
Alterações da consciência do Eu E
bizarras
53. Desrealização P 86. Teatralidade E
54. Despersonalização P 87. Mutismo E
55. Difusão do pensamento P 88. Logorreia E

L
56. Retirada/roubo do pensamento P Particularidades circadianas
57. Inserção de pensamento P 89. Piora matinal PE
58. Outras vivências de influência
P 90. Piora vespertina PE
externa
Alterações da afetividade 91. Melhora vespertina PE
DE
59. Perplexidade E Outras alterações
60. Sensação de falta de sentimento P 92. Retraimento social PE
61. Empobrecimento afetivo E 93. Aumento da sociabilidade PE
62. Alterações da vitalidade P 94. Agressividade PE
63. Depressão PE 95. Tendência suicida PE
64. Desesperança P 96. Autoflagelação PE
97. Ausência de percepção de
65. Ansiedade/angústia PE P
estar doente
98. Falta de crítica (insight ou
66. Euforia PE P
compreensão) da doença
67. Disforia PE 99. Recusa do tratamento PE
100. Necessidade de cuidados
MO

68. Irritabilidade PE PE
especiais
69. Inquietação interior P Sintomas R1 a R14
70. Propensão à lamúria E R1
71. Sentimento de inadequação P R2
72. Autoestima exagerada P R3
73. Sentimentos de culpa P R4
74. Sentimentos de ruína P R5
75. Ambivalência P R6
76. Paratimia (discordância afetiva) P R7
77. Labilidade afetiva PE R8
78. Incontinência afetiva PE R9
79. Rigidez afetiva E R10
R11
R12
R13
R14
Grau de certeza dos achados
© Hogrefe Verlag GmbH & Co. KG, Göttingen. Reprodução proibida.

191
Sistema AMDP Achados somáticos

Informações pessoais
Paciente:_____________ Entrevistador:_______________________ Data da entrevista:
Idade:___________________________ Data de nascimento: Sexo: M F
Período de observação: (em dias)_______________________ Diagnósticos:_____________________

Achados Achados

Fontes de dados

Fontes de dados

O
Não avaliado

Não avaliado
Moderado

Moderado
Sintoma Ausente Sintoma

Ausente
Grave

Grave
Leve

Leve
Alterações do sono e da vigília 125. Alterações menstruais P
101. Insônia inicial P Outras alterações

L
102. Insônia intermediária P 126. Cefaleia P
103. Redução da duração do sono P 127. Dorsalgia P
104. Despertar precoce P 128. Sensação de peso nas pernas P
105. Sonolência diurna PE 129. Sensação de calor P
Alterações da apetência 130. Sensação de frio/calafrios P
DE
106. Redução do apetite P 131. Sintomas conversivos PE
107. Aumento do apetite P Alterações neurológicas
108. Aumento da sede P 132. Rigidez muscular/hipertonia E
109. Redução da libido P 133. Flacidez muscular/hipotonia PE
Alterações gastrointestinais 134. Tremor PE
135. Distonias (agudas) e
110. Hipersalivação (sialorreia) PE PE
discinesias (tardias)
111. Secura bucal (xerostomia) P 136. Hipocinesias PE
112. Náuseas P 137. Acatisia PE

113. Vômitos PE 138. Ataxia PE


MO

114. Desconforto gástrico P 139. Nistagmo E


115. Obstipação P 140. Parestesias P
116. Diarreia P Sintomas R1 a R7
R1
Alterações cardiorrespiratórias
R2
117. Dispneia PE R3
118. Vertigem PE R4
119. Palpitações P R5
120. Dor pré-cordial R6
Outras alterações neurovegetativas R7
121. Alterações da acomodação visual P Diferença entre os lados Não Sim
122. Sudorese excessiva PE Convulsões cerebrais (epilépticas) Não Sim
123. Seborreia PE Outros resultados (escalas, exames)
124. Alterações da micção P
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192
Apêndice B: Terminologia das características do Sistema AMDP
em português, alemão, inglês e francês
Português Alemão Inglês Francês
Alterações da consciência Bewusstseinsstörungen Disorders of consciousness Troubles de la conscience
1. Rebaixamento da consciência 1. Bewusstseinsverminderung 1. Lowered vigilance 1. Baisse de vigilance
2. Turbamento da consciência 2. Bewusstseinstrübung 2. Clouded consciousness 2. Dissolution de la conscience
3. Estreitamento da consciência 3. Bewusstseinseinengung 3. Narrowed consciousness 3. Rétrécissement de la conscience
4. Expansão da consciência 4. Bewusstseinsverschiebung 4. Expanded consciousness 4. Expansion de la conscience
Alterações da orientação Orientierungsstörungen Disturbances of orientation Troubles de l’ordination
5. Temporal 5. zeitliche Orientierungsstörung 5. Time 5. T. O. dans le temps
6. Espacial 6. örtliche Orientierungsstörung 6. Place 6. T. O. dans l’espace
7. Situacional 7. situative Orientierungsstörung 7. Situation 7. T. O. quant à la situation
8. Sobre a própria pessoa 8. Orientierungsstör. über die eige- 8. Self 8. T. O. quant à sa personne
ne Person
Alterações da atenção e memória Aufmerksamkeits- und Disturbances of attention and Troubles de l’attention et de la
Gedächtnisstörungen memory mémoire
9. Alterações da compreensão 9. Auffassungsstörungen 9. Apperception 9. Troubles de l’apperception
10. Alterações da concentração 10. Konzentrationsstörungen 10. Concentration 10. Troubles de la concentration
11. Alterações da memória de fixação 11. Merkfähigkeitsstörungen 11. Memorization 11. Troubles de la mémorisation
12. Alterações da memória de evocação 12. Gedächtnisstörungen 12. Retention 12. Troubles de l’évocation
13. Confabulações 13. Konfabulationen 13. Confabulation 13. Confabulation
14. Paramnésias 14. Paramnesien 14. Paramnesias 14. Paramnésies

193
Português Alemão Inglês Francês

194
Alterações formais do pensamento Formale Denkstörungen Formal disorders of thought Troubles de la conscience
15. Inibição 15. gehemmt 15. Inhibited thinking 15. Pensée inhibée
16. Lentificação 16. verlangsamt 16. Retarded thinking 16. Pensée ralentie
17. Circunstancialidade 17. umständlich 17. Circumstantial thinking 17. Pensée circonstanciée
18. Pensamento restrito 18. eingeengt 18. Restricted thinking 18. Perséveration appauvrie
19. Perseveração 19. Perseverierend 19. Perseveration 19. Perséveration verbale
20. Ruminações 20. Grübeln 20. Rumination 20. Ruminations
21. Pressão do pensamento 21. Gedankendrängen 21. Pressured thinking 21. Pensée automatique
22. Fuga de ideias 22. ideenflüchtig 22. Flight of ideas 22. Fuite des idées
23. Tangencialidade 23. Vorbeireden 23. Tangential thinking 23. Réponses à côté
24. Bloqueio do pensamento 24. gesperrt/Gedankenabreißen 24. Blocking 24. Pensée barrée
25. Incoerência 25. inkohärent/zerfahren 25. Incoherence 25. Pensée incoherente
26. Neologismos 26. Neologismen 26. Neologisms 26. Néologismes
Temores/medos e obsessões Befürchtungen und Zwänge Phobias and compulsions Craintes et obsessions
27. Desconfiança 27. Misstrauen 27. Suspiciousness 27. Méfiance
28. Hipocondria 28. Hypochondrie 28. Hypochondriasis 28. Hypocondrie
29. Fobias 29. Phobien 29. Phobias 29. Phobies
30. Pensamentos obsessivos 30. Zwangsdenken 30. Obsessive thoughts 30. Obsessions
31. Impulsos compulsivos 31. Zwangsimpulse 31. Compulsive impulses 31. Obsessions-impulsions
32. Compulsões 32. Zwangshandlungen 32. Compulsive actions 32. Compulsions
Delírios Wahn Delusions Délire
33. Pressentimento delirante 33. Wahnstimmung 33. Delusional mood 33. Pressentiment délirant
34. Percepção delirante 34. Wahnwahrnehmung 34. Delusional perception 34. Perception délirante
Português Alemão Inglês Francês
35. Ideação delirante 35. Wahneinfall 35. Sudden delusional ideas 35. Intuition délirante
36. Pensamentos delirantes 36. Wahngedanken 36. Delusional ideas 36. Idées délirantes
37. Delírio sistematizado 37. Systematisierter Wahn 37. Systematized delusions 37. Systématisation du délire
38. Dinâmica delirante 38. Wahndynamik 38. Delusional dynamics 38. Dynamisme du délire
39. Delírio de referência 39. Beziehungswahn 39. Delusions of reference 39. Idées délirantes de référence
40. Delírio persecutório ou de 40. Beeinträchtigungs- und 40. Delusions of persecution 40. I. d. de préjudice/persécution
ser prejudicado Verfolgungswahn
41. Delírio de ciúme 41. Eifersuchtswahn 41. Delusions of jealousy 41. I. d. de jalousie
42. Delírio de culpa 42. Schuldwahn 42. Delusions of guilt 42. I. d. de culpabilité
43. Delírio de empobrecimemto (ruína) 43. Verarmungswahn 43. Delusions of impoverishment 43. I. d. de ruine
44. Delírio hipocondríaco 44. Hypochondrischer Wahn 44. Hypochondriac delusions 44. I. d. hypocondriaques
45. Delírio de grandeza 45. Größenwahn 45. Delusions of grandeur 45. I. d. de grandeur
46. Outros conteúdos delirantes 46. andere wahninhalte 46. Other delusions 46. I. d. fantastiques
Alterações da sensopercepção Sinnestäuschungen Disorders of perception Troubles des perceptions
47. Ilusões 47. Illusionen 47. Illusions 47. Illusions
48. Alucinações auditivas (vozes) 48. Stimmenhören 48. Verbal hallucinations 48. Hallucination acoustico-verbales
49. Outras alucinações auditivas 49. andere akustische Halluzinationen 49. Other auditory hallucinations 49. Autres hallucinations auditives
50. Alucinações visuais 50. optische Halluzinationen 50. Visual hallucinations 50. Hallucinations visuelles
51. Alucinações somestésicas 51. Körperhalluzinationen 51. Bodily hallucinations 51. Hallucinations cénesthésiques
52. Alucinações olfativas e gustativas 52. Geruchs- und 52. Olfactory or gustatory 52. Hallucinations olfactives et
Geschmackshalluzinatione hallucinations gustatives
Alterações da consciência do Eu Ich-Störungen Disorders of ego Troubles du moi
53. Desrealização 53. Derealisation 53. Derealization 53. Déréalisation
54. Despersonalização 54. Depersonalisation 54. Depersonalization 54. Dépersonalisation

195
Português Alemão Inglês Francês

196
55. Difusão do pensamento 55. Gedankenausbreitung 55. Thought broadcasting 55. Penseé divulgée
56. Retirada/roubo do pensamento 56. Gedankenentzug 56. Thought withdrawal 56. Prise de la pensée
57. Inserção de pensamento 57. Gedankeneingebung 57. Thought insertion 57. Pensée imposées
58. Outras vivências de influência externa 58. andere Fremdbeeinflussungserleb- 58. Other feelings of alien influence 58. Autres sentiments d’influence
nisse
Alterações da afetividade Störungen der Affektivität Disturbances of affect Troubles affectifs
59. Perplexidade 59. ratlos 59. Perplexity 59. Perplexité
60. Sensação de falta de sentimento 60. Gefühl der Gefühllosigkeit 60. Feeling of loss of feeling 60. Anesthésie affect. (éprouvée)
61. Empobrecimento afetivo 61. affektarm 61. Blunted affect 61. Anesthésie affect. (observée)
62. Alterações da vitalidade 62. Störung der Vitalgefühle 62. Felt loss of vitality 62. Troubles de l’éprouvé vital
63. Depressão 63. deprimiert 63. Depressed mood 63. Tristesse
64. Desesperança 64. hoffnungslos 64. Hopelessness 64. Perte d’espoir
65. Ansiedade/angústia 65. ängstlich 65. Anxiety 65. Anxiété psychique (éprovée)
66. Euforia 66. euphorisch 66. Euphoria 66. Euphorie
67. Disforia 67. dysphorisch 67. Dysphoria 67. Dysphorie
68. Irritabilidade 68. gereizt 68. Irritability 68. Irritabilité
69. Inquietação interior 69. innerlich unruhig 69. Inner restlessness 69. Agitation intérieure
70. Propensão à lamúria 70. klagsam/jammrig 70. Complaintiveness 70. Propension à se plaindre
71. Sentimento de inadequação 71. Insuffizienzgefühle 71. Feelings of inadequacy 71. Sentiment d’insuffisance
72. Autoestima exagerada 72. gesteigerte Selbstwertgefühle 72. Exaggerated self esteem 72. Surestimation de soi
73. Sentimentos de culpa 73. Schuldgefühle 73. Feelings of guilt 73. Sentiment de culpabilité
74. Sentimentos de ruína 74. Verarmungsgefühle 74. Feelings of impoverishment 74. Sentiment de ruine
75. Ambivalência 75. ambivalent 75. Ambivalence 75. Ambivalence affective
76. Paratimia (discordância afetiva) 76. Parathymie 76. Parathymia 76. Discordance affective
Português Alemão Inglês Francês
77. Labilidade afetiva 77. affektlabil 77. Affective lability 77. Labilité affective
78. Incontinência afetiva 78. affektinkontinent 78. Affective incontinence 78. Hyperémotivité
79. Rigidez afetiva 79. affektstarr 79. Affective rigidity 79. Monotonie affective
Alterações do impulso e da Antriebs- und psychomotorische Disorders of drive and Troubles de l’energie vitale et de
psicomotricidade Störungen psychomotility la psychomotricité
80. Pobreza de impulso 80. antriebsarm 80. Lack of drive 80. Diminution de l’énergie
81. Inibição do impulso 81. antriebsgehemmt 81. Inhibition of drive 81. Inhibition de l’énergie
82. Aumento da energia ou do impulso 82. antriebsgesteigert 82. Increased drive 82. Augmentation de l’énergie
83. Inquietação motora 83. motorisch unruhig 83. Motor restlessness 83. Agitation motrice
84. Paracineses 84. Parakinesen 84. Parakinesia 84. Parakinésies
85. Maneirismos e posturas bizarras 85. manieriert/bizarr 85. Mannerisms 85. Maniérisme/bizarreries
86. Teatralidade 86. theatralisch 86. Histrionics 86. Théâtralisme
87. Mutismo 87. mutistisch 87. Mutism 87. Laconisme
88. Logorreia 88. logorrhoisch 88. Logorrhea 88. Logorhée
Particularidades circadianas Circadiane Besonderheiten Circadian disturbances Variations nycthémérales
89. Piora matinal 89. morgens schlechter 89. Worse in the morning 89. Aggravation matinale
90. Piora vespertina 90. abends schlechter 90. Worse in the evening 90. Aggravation vespérale
91. Melhora vespertina 91. abends besser 91. Better in the evening 91. Amélioration vespérale
Outras alterações Andere Störungen Other disturbances Autres troubles
psychopathologiques
92. Retraimento social 92. sozialer Rückzug 92. Social withdrawal 92. Sociabilité diminuée
93. Aumento da sociabilidade 93. soziale Untriebigkeit 93. Excessive social contact 93. Sociablilté excessive
94. Agressividade 94. Aggressivität 94. Aggressiveness 94. Agressivité
95. Tendência suicida 95. Suizidalität 95. Suicidal tendencies 95. Tendances suicidaires

197
Português Alemão Inglês Francês

198
96. Autoflagelação 96. Selbstbeschädigung 96. Self-mutilation 96. Automutilations
97. Ausência de percepção de estar 97. Mangel an Krankheitsgefühl 97. Lack of feeling of illness 97. Absence du sent. d’être malade
doente
98. Falta de crítica (insight ou com- 98. Mangel an Krankheitseinsicht 98. Lack of insight 98. Non-conscience de la maladie
preensão) da doença
99. Recusa do tratamento 99. Ablehnung der Behandlung 99. Uncooperativeness 99. Refus du traitement
100. Necessidade de cuidados espe- 100. Pflegebedürftigkeit 100. Lack of self-care 100. Besoin de soins
ciais
Itens de reserva Reserve-Merkmale Supplementary Items Items de reserve
R1 a R14 ad libitum R1–R14 zur freien Verfügung R1–R14 ad libitum R1–R14 ad libitum
Grau de certeza dos achados Befundunsicherheit Unreliability Intertude diagnostique
Itens psicopatológicos adicionais Zusatzmerkmale Psychischer Additional psychopathological Items supplémentaires
Befund items psychopathologiques
SA1 Ataques de angústia (pânico) ZP1 Angstanfälle ZP1 Panic attack ZP1 Crise d’angoisse
SA2 Pensamento acelerado ZP2 Beschleunigtes Denken ZP2 Acceleration of thinking ZP2 Pensée accélérée
SA3 Ideias de associação ZP3 Beziehungsideen ZP3 Ideas of reference ZP3 Idées de référence
SA4 Desorganização ZP4 Desorganisiert ZP4 disorganised ZP4 Désorganisé
SA5 Redução da distância ZP5 Distanzlos ZP5 lack of boundaries ZP5 Manque de distance
SA6 Audição do pensamento ZP6 Gedankenlautwerden ZP6 thought hearing ZP6 Echo de la pensée
SA7 Aumento dos impulsos ZP7 Impulsiv ZP7 Impulsive ZP7 Impulsif
SA8 Alterações da imagem corporal ZP8 Körperbildstörungen ZP8 disturbance of body image ZP8 Trouble de l’image de son corps
(dismorfias)
SA9 Pudor/vergonha ZP9 Schamgefühle ZP9 Feelings of shame ZP9 Pudeur
SA10 Ideias supervalorizadas ZP10 Überwertige Ideen ZP10 Overvalued ideas ZP10 Idées surestimées
SA11 Dificuldade de lembrar/encontrar ZP11 Wortfindungsstörungen ZP11 anomic aphasia ZP11 Difficulté à trouver des mots
palavras
Português Alemão Inglês Francês
Alterações do sono e da vigília Schlaf- und Vigilanzstörungen Disturbances of sleep and Troubles de sommeil
vigilance
101. Insônia inicial 101. Einschlafstörungen 101. Difficulty falling asleep 101. Difficultés d’endormissement
102. Insônia intermediária 102. Durchschlafstörungen 102. Interrupted sleep 102. Réveils nocturnes
103. Redução da duração do sono 103. Verkürzung der Schlafdauer 103. Shortened sleep 103. Diminution de la durée du
sommeil
104. Despertar precoce 104. Früherwachen 104. Early wakening 104. Réveil matinal
105. Sonolência diurna 105. Müdigkeit 105. Drowsiness 105. Somnolence diurne
Alterações da apetência Appetenzstörungen Appetite disturbances Troubles de l’appétence
106. Redução do apetite 106. Appetit vermindert 106. Decreased appetite 106. Appétit diminué
107. Aumento do apetite 107. Appetit vermehrt 107. Excessive appetite 107. Appétit augmenté
108. Aumento da sede 108. Durst vermehrt 108. Excessive thirst 108. Soif augmenté
109. Redução da libido 109. Sexualität vermindert 109. Decreased libido 109. Impuissance/Frigidité
Alterações gastrointestinais Gastrointestinale Störungen Gastrointestinal disturbances Troubles gastro-intestinaux
110. Hipersalivação (sialorreia) 110. Hypersalivation 110. Hypersalivation 110. Hypersalivation
111. Secura bucal (xerostomia) 111. Mundtrockenheit 111. Dry mouth 111. Sécheresse de bouche
112. Náuseas 112. Übelkeit 112. Nausea 112. Nausées
113. Vômitos 113. Erbrechen 113. Vomiting 113. Vomissements
114. Desconforto gástrico 114. Magenbeschwerden 114. Gastric discomfort 114. Plaintes gastriques
115. Obstipação 115. Obstipation 115. Constipation 115. Constipation
116. Diarreia 116. Diarrhoe 116. Diarrhea 116. Diarrhée
Alterações cardiorrespiratórias Kardio-respiratorische Störungen Cardiac-respiratory disturbances Troubles cardio-respiratoires
117. Dispneia 117. Atembeschwerden 117. Breathing difficulties 117. Difficulté respirer
118. Vertigem 118. Schwindel 118. Dizziness 118. Vertiges

199
Português Alemão Inglês Francês

200
119. Palpitações 119. Herzklopfen 119. Palpitations 119. Palpitations
120. Dor pré-cordial 120. Herzdruck 120. Cardiac pain 120. Précordialgies
Outras alterações neurovegetativas Andere vegetative Störungen Other autonomic disturbances Autres troubles végétatifs
121. Alterações da acomodação visual 121. Akkomodationsstörungen 121. Blurred vision 121. Troubles d’accomodation
122. Sudorese excessiva 122. Schwitzen vermehrt 122. Increased perspiration 122. Sudations profuses
123. Seborreia 123. Seborrhoe 123. Seborrhea 123. Séborrhée
124. Alterações da micção 124. Miktionsstörungen 124. Micturition difficulties 124. Miction difficile
125. Alterações menstruais 125. Menstruationsstörungen 125. Menstrual difficulties 125. Troubles menstruels
Outras alterações Weitere Störungen Other somatic disturbances Autres troubles somatiques
126. Cefaleia 126. Kopfdruck 126. Headache 126. Plaintes céphaliques
127. Dorsalgia 127. Rückenbeschwerden 127. Backache 127. Lombalgies/dorsalgies
128. Sensação de peso nas pernas 128. Schweregefühl in den Beinen 128. Heaviness in the legs 128. Lourdeur de jambes
129. Sensação de calor 129. Hitzegefühl 129. Hot flashes 129. Sensation de chaleur
130. Sensação de frio/calafrios 130. Frösteln 130. Chills 130. Frilosité
131. Sintomas conversivos 131. Konversionssymptome 131. Conversion symptoms 131. Symptômes de conversion
Alterações neurológicas Neurologische Störungen Neurological disturbances Troubles neurologiques
132. Rigidez muscular/hipertonia 132. Rigor 132. Hypertonia 132. Hypertonie
133. Flacidez muscular/hipotonia 133. Muskeltonus erniedrigt 133. Hypotonia 133. Hypotonie
134. Tremor 134. Tremor 134. Tremor 134. Tremor
135. Distonias (agudas) e discinesias 135. Dyskinesien 135. Acute dyskinesia 135. Crises dyskinétiques aigües
(tardias)
136. Hipocinesias 136. Hypokinesien 136. Hypokinesia 136. Hypokinèsie/hypomimie
137. Acatisia 137. Akathisie 137. Akathisia 137. Akathisie
138. Ataxia 138. Ataxie 138. Ataxia 138. Ataxie
Português Alemão Inglês Francês
139. Nistagmo 139. Nystagmus 139. Nystagmus 139. Nystagmus
140. Parestesias 140. Parästhesien 140. Paresthesia 140. Paresthésies
Itens de reserva Reserve-Merkmale Supplementary items Items de reserve
R1 a R15 ad libitum R1–R15 zur freien Verfügung R1–R15 ad libitum R1–R15 ad libitum
... Diferença entre os lados ... Seitendifferenz … Laterality … Assymmétrie neurologique
... Convulsões cerebrais (epilépticas) ... Cerebrale Krampfanfälle … Convulsions … Crises épileptiques

Sinais vitais Messungen Vital signs Signes d’examen


Altura (cm) Größe (cm) Height (cm) Taille (cm)
Peso (kg) Gewicht (kg) Weight (kg) Poids (kg)
Temperatura (ºC) Temperatur (ºC) Temperature (ºC) Température (ºC)
Pulso (/min) Puls (/min) Pulse rate (/min) Pouls (/min)
Pressão arterial supina, sistólica Blutdruck liegend, max. B. P., supine, systolic (mmHg) P. A. couche (mmHg)
(mmHg) (mmHg)
Pressão arterial supina, diastólica Blutdruck liegend, min. B. P., supine, diastolic (mmHg) P. A. debout (mmHg)
(mmHg) (mmHg)
Sintomas somáticos adicionais Zusatzmerkmale Somatischer Additional somatic items Items supplémentaires somatiques
Befund
SA1 Parassonias ZS1 Parasomnien ZS1 Parasomnia ZS1 Parasomnies
SA2 Aumento da libido ZS2 Sexualität vermehrt ZS2 Increased libido ZS2 Désir sexuel exacerbé
SA3 Alterações da função sexual ZS3 Sexuelle Funktionsstörungen ZS3 Sexual disturbances ZS3 Troubles sexuels functionels

201
Apêndice C: Síndromes AMDP

Os achados psíquicos e somáticos levantados podem ser reunidos


nas chamadas escalas sindrômicas (Baumann & Stieglitz, 1983). Ge-
bhardt et al (1983) propuseram nove escalas primárias e três escalas
superordenadas.

C.1 Escalas primárias do Sistema AMDP segundo Gebhardt


et al. (1983)
Escala 1:
Síndrome paranoide-alucinatória (PARAL)
33. Pressentimento delirante
34. Percepção delirante
35. Ideação delirante
36. Pensamentos delirantes
37. Delírio sistematizado
38. Dinâmica delirante
39. Delírio de referência
40. Delírio persecutório ou de ser prejudicado
48. Alucinações auditivas (vozes)
51. Alucinações somestésicas
54. Despersonalização
56. Retirada/roubo do pensamento
58. Outras vivências de influência externa

203
Escala 2:
Síndrome depressiva (DEPRES)
20. Ruminações
60. Sensação de falta de sentimento
62. Alterações da vitalidade
63. Depressão
64. Desesperança
71. Sentimento de inadequação
73. Sentimentos de culpa
81. Inibição do impulso
89. Piora matinal
102. Insônia intermediária
103. Redução da duração do sono
104. Despertar precoce
106. Redução do apetite

Escala 3:
Síndrome psico-orgânica (PSICORG)
2. Turbamento da consciência
5. Desorientação temporal
6. Desorientação espacial
7. Desorientação situacional
8. Desorientação sobre a própria pessoa
9. Alterações da compreensão
11. Alterações da memória de fixação
12. Alterações da memória de evocação
13. Confabulações
100. Necessidade de cuidados especiais

204
Escala 4:
Síndrome maníaca (MANI)
22. Fuga de ideias
66. Euforia
72. Autoestima exagerada
82. Aumento da energia ou do impulso
83. Inquietação motora
88. Logorreia
93. Aumento da sociabilidade

Escala 5:
Síndrome de hostilidade (HOST)
27. Desconfiança
67. Disforia
68. Irritabilidade
94. Agressividade
97. Ausência de percepção de estar doente
98. Falta de crítica (insight ou compreensão) da doença
99. Recusa do tratamento

Escala 6:
Síndrome vegetativa (VEGET)
28. Hipocondria
112. Náuseas
117. Dispneia
118. Vertigem
119. Palpitações
120. Dor pré-cordial
122. Sudorese excessiva
126. Cefaleia
129. Sensação de calor

205
Escala 7:
Síndrome de apatia (APA)
15. Inibição
16. Lentificação
17. Circunstancialidade
18. Pensamento restrito
61. Empobrecimento afetivo
79. Rigidez afetiva
80. Pobreza de impulso
92. Retraimento social

Escala 8:
Síndrome obsessivo-compulsiva (OBSCOM)
30. Pensamentos obsessivos
31. Impulsos compulsivos
32. Compulsões

Escala 9:
Síndrome neurológica (NEUROL)*
132. Rigidez muscular/hipertonia
133. Flacidez muscular/hipotonia
134. Tremor
135. Distonias (agudas) e discinesias (tardias)
136. Hipocinesias
137. Acatisia
139. Nistagmo — Convulsões cerebrais (epilépticas)

*Nota: Escala não empírica, a priori.

206
C.2 Escalas de superordenada do Sistema AMDP segundo
Gebhardt et al. (1983)
Escala de superordenada:
Síndrome paranoide-alucinatória (PARAL-MO)
33. Pressentimento delirante
34. Percepção delirante
35. Ideação delirante
36. Pensamentos delirantes
37. Delírio sistematizado
38. Dinâmica delirante
39. Delírio de referência
40. Delírio persecutório ou de ser prejudicado
48. Alucinações auditivas (vozes)
51. Alucinações somestésicas
54. Despersonalização
56. Retirada/roubo do pensamento
58. Outras vivências de influência externa
97. Ausência de percepção de estar doente
98. Falta de crítica (insight ou compreensão) da doença

Escala de superordenada:
Síndrome depressiva (DEPRES-MO)
15. Inibição
16. Lentificação
18. Pensamento restrito
20. Ruminações
60. Sensação de falta de sentimento
62. Alterações da vitalidade
63. Depressão
64. Desesperança
71. Sentimento de inadequação
73. Sentimentos de culpa
80. Pobreza de impulso
81. Inibição do impulso
89. Piora matinal
92. Retraimento social
102. Insônia intermediária
106. Redução do apetite

207
Escala de superordenada:
Síndrome psico-orgânica (PSICORG-MO)
2. Turbamento da consciência
5. Desorientação temporal
6. Desorientação espacial
7. Desorientação situacional
8. Desorientação sobre a própria pessoa
9. Alterações da compreensão
11. Alterações da memória de fixação
12. Alterações da memória de evocação
13. Confabulações
100. Necessidade de cuidados especiais

Para essas escalas existem valores normativos, coletados a partir de


uma amostra de pacientes internados com diferentes diagnósticos psi-
quiátricos (N = 2313).

208
PSICORG-MO
Valor original

Valor original
DEPRES-MO
PARAL-MO
PSICORG

OBSCOM
DEPRES

VEGET
PARAL

HOST
MANI

APA
0 43 31 42 42 40 42 35 41 27 42 0
1 50 38 51 51 48 51 43 47 35 51 1
2 54 43 56 56 52 56 48 51 40 56 2
3 56 46 60 59 56 60 52 54 43 60 3
4 59 48 62 62 58 63 54 56 46 62 4
5 60 50 65 64 60 65 56 57 48 65 5
6 62 52 67 66 62 67 58 59 49 67 6
7 63 53 68 68 63 69 60 60 51 68 7
8 64 55 70 69 65 71 61 61 52 70 8
9 65 56 71 71 66 72 62 62 53 71 9
10 66 57 72 72 67 73 63 63 55 72 10
11 67 58 73 73 68 74 64 64 56 73 11
12 68 59 74 74 69 75 65 65 56 74 12
13 69 59 75 75 69 76 66 65 57 75 13
14 69 60 76 76 70 77 67 66 58 76 14
15 70 61 77 76 71 78 68 66 59 77 15
16 70 61 78 77 72 79 69 67 60 78 16
17 71 62 79 78 72 80 69 68 60 79 17
18 72 63 79 79 73 81 70 68 61 79 18
19 72 63 80 79 73 81 70 69 61 80 19
20 73 64 81 80 74 82 71 69 62 81 20
21 73 64 81 74 72 69 62 81 21
22 73 65 82 72 70 63 82 22
23 74 65 82 73 70 63 82 23
24 74 66 83 71 63 83 24
25 75 66 83 71 64 83 25

209
PSICORG-MO
Valor original

Valor original
DEPRES-MO
PARAL-MO
PSICORG

OBSCOM
DEPRES

VEGET
PARAL

HOST
MANI

APA
26 75 66 71 65 26
27 75 67 72 65 27
28 75 67 72 66 28
29 76 67 72 66 29
30 76 68 73 66 30
31 76 68 73 67 31
32 76 68 73 67 32
33 77 69 73 67 33
34 77 69 74 68 34
35 69 74 68 35
36 74 68 36
37 74 69 37
38 74 69 38
39 75 69 39
40 70 40
41 70 41
42 70 42
43 70 43
44 71 44
M 2,89 7,44 1,77 1,82 2,72 1,62 3,88 0,16 3,99 8,37 1,73 M
s 5,18 6,64 3,22 3,12 3,71 2,58 3,86 0,75 6,04 8,07 3,15 s

Tabela de conversão dos valores originais/valores-T na escala de sín-


dromes AMDP por Gebhardt et al. (1983): Esta tabela se presta ape-
nas para a conversão dos valores originais em pacientes individuais. A
conversão de valores médios de grupos de pacientes não é válida de-
vido à transformação logarítmica anterior. Os valores-T médios de um
grupo devem ser calculados a partir dos valores-T de cada paciente!

210
A gravidade das síndromes pode ser calculada por meio de seus va-
lores normais.

Exemplo: Síndrome de hostilidade (HOST)


27. Desconfiança Moderado (= 2)
67. Disforia Moderado (= 2)
68. Irritabilidade Moderado (= 2)
94. Agressividade Leve (= 1)
97. Ausência de percepção de estar doente Ausente (= 0)
98. Falta de crítica (insight ou compreensão) da doença Grave (= 3)
99. Recusa do tratamento Grave (= 3)
Valor original 13

Este valor original corresponde na tabela de conversão a 69, o que


significa um valor acima da média esperada (a faixa média esperada
fica entre 40 e 60). Em comparação com a amostra controle de pa-
cientes psiquiátricos com diversos diagnósticos, este paciente ficou
acima da média no que se refere à hostilidade.

211
Índice remissivo
Os números entre parênteses indicam o número da característica do
achado sintomático. Os números de páginas indicados em negrito indi-
cam a localização das definições das características sintomatológicas.

Acatisia (137), 116, 175


Achado psíquico, 16, 17
Achados adicionais da exploração psíquica (SA1-SA11), 132
Achados somáticos, 11, 15, 135
Acomodação visual, alterações (121), 162, 163
Afetiva, capacidade de modulação, 111
Afetiva, incontinência (78), 110, 111, 133, 142
Afetiva, labilidade (77), 109, 110, 111, 142
Afetiva, pobreza, 95
Afetiva, rigidez (79), 96, 97, 98, 111
Afetivas, oscilações, 109
Afetividade, alterações, 93, 95
Afetivo, achatamento, 111
Afetivo, empobrecimento (61), 96, 98, 107, 109, 111
Afetivo, falta de controle, 110
Afeto inadequado, 108
Agorafobia, 135
Agravamento, 118
Agressividade (94), 125, 126, 142
AIDS, fobia de, 59, 60, 76, 77
Alerta, diminuição do nível de, 35, 150
Alerta, nível de, 35, 150
Alteração da capacidade de compreensão, 35
Alterações cardiorrespiratórias, 159
Alterações das atividades simples, 138

213
Alterações gastrointestinais, 155
Alterações motoras, 103, 115, 116, 117, 174, 175
Alterações neurológicas, 171
Alterações sensoperceptivas, 80
Alucinações auditivas (vozes) (48), 81, 82, 83, 92, 129, 141
Alucinações auditivas não verbais, 82
Alucinações auditivas, outras (49), 82
Alucinações olfatórias e gustativas (52), 81, 85
Alucinações somestésicas (51), 81, 84
Alucinações táteis, 84
Alucinações visuais (50), 81, 83
Ambitendência, 107
Ambivalência (75), 107
Amnésia, 45, 170
Anamnese, 5, 11, 15, 16, 22, 30, 48
Anorgasmia, 182
Ansiedade/angústia (65), 60, 99, 100, 120, 136, 144
Apetência, alterações da, 151, 154, 181
Apetite, aumento do (107), 152, 153, 154
Apetite, diminuição do (106), 152
Árvore de decisão, 23, 24
Associações, 53, 65
Ataques de angústia (SA1), 135, 136
Ataques de voracidade, 153
Ataxia (138), 170, 173, 174, 176
Ataxia de tronco, 176
Atenção e memória, alterações, 41, 43
Atividades de vida diária, 60, 61, 62, 63, 136, 143, 144
Autoagressão, 127
Autoagressividade, 125
Autoestima exagerada (72), 78, 101, 105
Autoflagelação (96), 127, 198
Avaliação aplicada pelo entrevistador, 22

214
Bloqueio, 21, 55, 91, 119, 146, 172

Capacidade diminuída do paciente de refletir, 132


Capacidade, 104
Caráter delirante, desorientação, 38, 64, 68, 76
Cardiofobia/fobia cardíaca, 59, 60
Catalepsia, 116
Cefaleia (126), 97, 166
Cenestesias, 84
Certeza na decisão, 25
Circadianas, características, 120, 133
Circadianas, flutuações, 110, 121, 122, 123
Circunstancialidade (17), 49, 50, 54, 57, 120
Coma, 35
Comportamento de evitação, 60
Compreensão, 129
Compreensão, alterações da (9), 35, 36, 41, 42, 43, 44, 50, 55, 139
Compulsões (32), 61, 62, 63, 117, 153, 154
Concentração, alterações da (10), 27, 36, 38, 39, 41, 43, 44, 55, 56,
104, 139, 151
Confabulações (13), 46, 47
Confiabilidade interentrevistadores, 12, 18, 33
Consciência, alterações da, 28, 34, 35, 86, 133, 170
Consciência, estreitamento da (3), 36, 37
Consciência, expansão da (4), 37, 38, 87
Consciência, rebaixamento da (1), 35, 37, 151
Consciência, turbamento da (2), 35, 36
Conteúdos delirantes, outros (46), 78, 103
Crenças delirantes, 80
Crises convulsivas (epilépticas), 170, 179
Culpa, delírio de (42), 71, 74, 75, 93
Culpa, sentimentos de (73), 93, 105, 106, 144

215
Déjà-vu, 47, 86
Delirante, dinâmica (38), 66, 70, 71
Delirante, ideação (35), 67, 68, 69
Delirante mnésica, ideação 68
Delirante, percepção (34), 64, 66, 67, 68, 69, 70, 80, 81, 86, 89, 138, 145
Delirante, pressentimento (33), 38, 64, 65, 66, 71, 87, 88, 95, 103, 138
Delirantes, pensamentos (36), 64, 67, 68, 69, 71, 88, 138
Delírio de ciúme (41), 73
Delírio de controle, 78, 86
Delírio de grandeza (45), 77, 105
Delírio de referência (39), 71, 72, 138
Delírio dos sósias ou impostores (heautoscopia), 83
Delírio passional, 72, 78
Delírio hipocondríaco (44), 59, 65, 76, 136, 143, 159
Delírio persecutório ou de ser prejudicado (40), 72, 73, 138
Delírio persecutório, 65, 72
Delírio querelante, 73
Delírio sistematizado (37), 69
Delírio, 47, 58, 63, 64, 65, 69, 70, 71, 75, 76, 77, 78, 79, 83, 93, 106,
120, 137, 144
Depressão (63), 28, 88, 97, 104, 133, 180
Depressão matinal, 121
Desconfiança (27), 58, 65, 72, 73, 74, 90, 101, 103, 138
Desconforto gástrico (114), 157, 158
Desesperança (64), 98, 107
Desgosto pela vida, 126
Desorganização (SA4), 138
Despersonalização (54), 41, 79, 88, 89, 135, 143, 167, 168
Despertar precoce (104), 149, 150, 181
Desrealização (53), 38, 66, 81, 87, 95, 135
Diarreia (116), 159
Diferença entre os lados, 179

216
Discinesias e distonias (135), 116, 117, 173, 174
Discinesias tardias, 174
Disestesias, 178
Disforia (67), 67, 101, 102, 126
Dispareunia, 182
Dispneia (117), 135, 159, 160, 161, 162
Distância, redução da (SA5), 139, 140
Distonias agudas, 174
Distração, 36
Documentação global, 23
Doença, conceito de, 128, 129
Doença, falta de crítica (insight ou compreensão) da (98), 129, 130
Dor de cabeça, 166
Dor pré-cordial (120), 161, 162
Dorsalgias (127), 167

Ecmnésias, 47
Ecolalia, 116
Ecopraxia, 116
Ejaculação precoce, 182
Empobrecimento (ruína), delírio de (43), 75, 76, 107
Empobrecimento (ruína), sentimentos de (74), 76, 93, 106, 107
Energia ou impulso, aumento da (82), 103, 114, 116, 120, 125
Enurese, 164
Equilíbrio estático, alterações do, 176
Ereção, alterações da, 182
Escalas primárias, 203
Escalas sindrômicas, 203
Escalas de superordenadas, 203, 207, 208
Esquizofasia, 56, 57
Estereotipias verbais, 116
Estereotipias, 116

217
Estranhamento, vivência de, 87
Estresse/tensão, redução do, 127
Estrutura básica, 14
“Eu”, alterações do, 65, 69, 78, 86, 88
Euforia (66), 65, 100, 105
Excitação, 92, 141
Expectativa tensa, 65

Fenômenos delirantes bizarros, 86


Flacidez muscular/hipotonia (133), 172
Flashbacks, 47, 79
Flexibilidade cérea, 116
Flush, 168
Fluxo do tempo, 87
Fobia de ter câncer, 59, 60
Fobias (29), 60, 100, 132, 133, 135, 136, 144
Fonema, 81
Fontes de dados, 20
Função sexual, alterações (SA3), 182
Fundamentos de avaliação (Preenchimento P/E), 17, 29, 131

Graduação/quantificação da gravidade (definição), 26, 27, 28, 33


Grau de precisão, 131

Hipermnésias, 47
Hipersalivação (sialorreia) (110), 155
Hipersonia, 151
Hipocinesias (136), 113, 114, 174, 175
Hipocondria (28), 59, 60, 77, 99, 128, 129, 133, 136, 143, 159

Ideias de associação (SA3), 137


Ideias supervalorizadas (SA10), 64, 144, 145
Ideias supervalorizadas, 64

218
Ideias, fuga de (22), 21, 50, 53, 54, 57, 120, 137
Ilusões (47), 67, 79, 80, 82, 83, 84, 85, 86, 89
Imagem corporal, alterações (dismorfias) (SA8), 142
Impulsividade (SA7), 141, 142
Impulso, inibição do (81), 97, 108, 113, 114, 119, 124, 139
Impulso, pobreza de (80), 21, 97, 112, 113, 114, 119, 124, 139, 175
Impulsos compulsivos (31), 61, 62, 153
Impulsos suicidas, 62
Incapacidade de tomar decisões, 94, 107
Incoerência (25), 50, 54, 55, 56
Ingesta de líquidos, aumento da, 108, 154
Inibição (15), 21, 48, 49, 107, 114, 146
Inquietação interior (69), 102, 116, 176
Inquietação motora (83), 103, 115, 117, 175
Insônia inicial (101), 147, 149, 181
Insônia intermediária (102), 148, 149, 150
Instabilidade emocional, 109
Intencionalidade, 34, 113
Intrusões, 47, 79
Irritabilidade (68), 101, 102, 103, 126, 142, 150, 151, 178
Itens de reserva, 131, 179

Jamais-vu, 47

Laconismo, 119
Lamúria, propensão à (70), 103, 133
Latência de adormecimento, 147
Latência, aumento do tempo de resposta, 49
Lembrar/encontrar palavras, dificuldade de (SA11), 145
Lentificação (16), 27, 35, 48, 49, 119, 146
Libido, aumento da (SA2), 181, 182
Libido, redução da (109), 154, 182

219
Limites entre o “Eu” e o ambiente, 86
Linguagem, desagregação da, 57
Logorreia (88), 50, 54, 119, 120, 125, 137

Maneirismos e posturas bizarras (85), 57, 117, 118, 119


Melhora vespertina (91), 110, 121, 122
Memória de evocação, 43, 44, 45, 46, 139
Memória de evocação, alterações da (12), 43, 44, 45, 46, 139
Memória de fixação, alterações da (11), 42, 43, 44, 45, 139
Memória, falsificações da, 46, 47
Memória, lacunas de, 45
Memória, síndrome de falsificação da, 47
Menstruais, alterações (125), 165, 166
Micção, alterações da (124), 164, 165
Modulação do afeto reduzida, 111
Morte, desejo de, 126
Mutismo (87), 24, 49, 113, 114, 119, 124

Náuseas (112), 156, 157, 158, 161


Necessidade de cuidados especiais (100), 130, 131, 152
Necessidade de movimento, 175
Negativismo, 116, 119
Neologismos (26), 21, 57, 118
Nervosismo, 102
Nistagmo (139), 177, 178
Norma, 27, 105, 106, 140, 144, 147, 154

Observação de comportamento, 19
Observação pelo entrevistador, 20
Obstipação (115), 158
Ordenação temporal, distúrbios da, 39, 45, 47
Orgasmo, alterações do, 182
Orientação espacial, alteração da (6), 39, 40

220
Orientação para o futuro, 98
Orientação situacional, alteração da (7), 40
Orientação sobre a própria pessoa, alterações da (8), 41, 45, 89
Orientação temporal, alterações da (5), 38, 39
Orientação, alteração da, 38

Palpitações (119), 135, 161, 162


Pânico, ataques de, 88, 99, 134, 135
Pânico, transtorno, 135
Paracineses (84), 51, 57, 63, 109, 116, 117, 118
Paralogia, 56
Paramnésias (14), 46, 79
Parapragmatismo, 56,
Parassonias (SA1), 180
Paratimia (76), 108, 109
Parestesias (140), 135, 178
Parkinsonismo, 171, 173
Pavor noturno, 180
Pensamento acelerado (SA2), 136
Pensamento concreto, 42
Pensamento restrito (18), 37, 43, 50, 52, 55
Pensamento, alterações formais do, 47
Pensamento, audição do (SA6), 140, 141
Pensamento, bloqueio do (24), 21, 55, 91, 146
Pensamento, difusão do (55), 89, 90, 92, 93
Pensamento, inserção do (57), 53, 61, 79, 82, 91, 92, 93
Pensamento, leitura do, 89
Pensamento, pressão do (21), 52, 53, 137
Pensamento, retirada/roubo do (56), 78, 90, 91
Pensamentos mágicos, 137
Pensamentos obsessivos (30), 51, 53, 61, 62, 92
Percepção de estar doente, ausência de (97), 128, 129, 130

221
Período de avaliação, 16, 22, 101, 157
Pernas inquietas (restlesslegs), 181
Perplexidade (59), 65, 66, 94, 95, 108
Perseveração (19), 51, 116, 117
Personificação, 88
Pesadelos, 180
Peso nas pernas, sensação de (128), 168
Piora matinal (89), 110, 121, 123
Piora vespertina (90), 110, 122
Planejamento das atividades prejudicado, 138
Polaciúria, 164, 165
Problema de transição, 26
Processamento de dados, 29, 186
Programa relacionados à avaliação, 29
Pseudoalucinações, 79
Psicomotricidade, impulsos e alterações, 112
Pudor/vergonha (SA9), 143, 144

Reconhecimento de pessoas, 38, 47, 67


Recusa do tratamento (99), 128, 129, 130
Relevância dos comportamentos, 27
Rigidez muscular/hipertonia (132), 171
Ruminação (20), 37, 48, 51, 52, 53, 61

Salivação, aumento da, 155


Seborreia (123), 164
Secura bucal (xerostomia) (111), 156
Sede, aumento da (108), 153, 154
Seminários de treinamento AMDP, 18, 19
Seminários de treinamento, 17
Sensação de calor (129), 168
Sensação de frio/calafrios (130), 135, 169

222
Sensibilidade, alterações da, 170, 178
Sensopercepção, alterações da, 79, 80
Sentimento de inadequação (71), 42, 75, 93, 97, 104, 107, 108, 109
Sentimento, sensação de falta de (60), 95, 97
Síndromes AMDP, 15, 185, 203
Sintomas conversivos (131), 170, 179
Sintomas negativos, 15, 128
Sintomas somáticos adicionais (SA1-SA3), 179
Sistema modular, 15
Sociabilidade, aumento da (93), 115, 124, 125, 140, 182
Social, retraimento (92), 113, 124
Sonambulismo, 180
Sono e vigília, alterações do, 147, 150, 151, 180, 181
Sono REM, alterações do, 180
Sono, redução da duração do (103), 148, 149, 150, 181
Sonolência diurna (105), 150
Sonolência, 35, 147, 148, 150, 151
Sopor, 35
Sorriso envergonhado, 108
Sorriso estereotipado, 109
Sudorese excessiva (122), 135, 163
Sugestibilidade, 132
Suicida, tendência (95), 125, 126, 127
Suicidas, pensamentos, 61, 126, 127
Sun-downing, 120

Tangencialidade (23), 43, 54, 55


Teatralidade (86), 104, 118
Temores/medos e obsessões, 58
Terror noturno, 180
Timidez, 143
Tique, transtorno de, 117

223
Tontura, 160
Transitivismo, 88
Transtornos dissociativos, 170
Tremor (134), 99, 135, 171, 173, 174, 177
Tremor de intensão, 173, 176

Vaginismo, 182
Valores normais, 211
Valores originais, 210, 211
Valores-T (convertidos pela tabela T), 210
Vazio, sensação de, 95
Verbigeração, 116
Vergonha, 143, 144
Vertigem (118), 135, 160, 161, 162, 170
Viabilidade da investigação, 24
Viabilidade do exame, 24
Vigília, 35
Visão, alterações da, 163
Vitalidade, alterações da (62), 21, 97, 100, 112, 151
Vivências de influência externa, outras (58), 36, 37, 79, 84, 92, 93
Vômitos (113), 156, 157, 158

224