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REDAÇÃO – CARTA ARGUMENTATIVA

1-

Na luta contra a Aids defrontam-se os rigorosos, que exigem respeito aos princípios
preventivos básicos e corretos, contra os complacentes. Aqueles exaltam o valor do
relacionamento sexual responsável, o combate efetivo à toxicomania e a adequada seleção
de doadores de sangue. Os outros preconizam coisas mais agradáveis, como por exemplo o
emprego desbragado e a doação gratuita de camisinha, a distribuição de seringas com
agulhas a drogados e a perigosa, além de problemática, lavagem delas com água sanitária.
Agora, os permissivos, que não estão obtendo qualquer vitória, pois a doença afigura-se
cada vez mais difundida, ganharam novo aliado: o Conselho Federal de Entorpecentes
(CONFEN), que concordou com o fornecimento de seringas e agulhas, sem ônus, aos
viciados. Portanto, esse órgão público associou ilegalidade à complacência.
(VICENTE AMATO NETO, médico infectologista, Painel do Leitor, Folha de S.
Paulo, 18/09/94)

A carta acima fez referência a uma proposta polêmica do CONFEN (Conselho Federal de
Entorpecentes): o fornecimento gratuito de seringas e agulhas a viciados em drogas
injetáveis.
a) Caso você concorde com a proposta da CONFEN, escreva uma carta ao Dr. Vicente
Amato Neto, procurando convencê-lo de que ela pode de fato contribuir para evitar a
disseminação do vírus da Aids.
b) Caso você descorde dessa proposta, escreva uma carta ao presidente da CONFEN,
procurando convencê-lo de que ela não deve ser posta em prática.
Ao desenvolver sua redação, além de expor suas opiniões, você deverá necessariamente
levar em consideração a coletânea a seguir.

1. Graças a uma legislação liberal, a maior cidade Suíça (Zurique) criou uma área
especial - Letten, uma estação de trens desativada - onde é possível comprar e usar heroína
em plena luz do dia. (...) Desde 1992, quando os junkies* se mudaram da Platzpitz, uma
praça no centro da cidade, para Letten, o consumo não pára de crescer - um fato atestado
pelas 15.000 seringas descartáveis distribuídas diariamente na velha estação. A única
vantagem é que a distribuição reduziu o ritmo de disseminação da Aids.
[*junkies: termo inglês que significa drogados.]
(O pico à luz do dia, VEJA, 07/09/94)

2. Em nosso país, exige-se o diploma para que alguém aplique injeção endovenosa,
porque pessoas não treinadas criam perigosas situações para si ou para outros, ao realizar
inoculações. Fornecer agulhas e seringas a pessoas não habilitadas para seu uso é como dar
um carro a menores de idade, ou uma arma a quem não sabe utilizá-la. Isso é pelo menos
indesejável para a sociedade, além de ser ilegal. No caso, a ilegalidade se tornaria
incontrolável, pois o distribuidor dos medicamentos e agulhas seria o próprio Estado.
A proposta de um programa como esse não leva em conta a realidade, causando desperdício
de recursos já precários. Tais propostas são feitas por pessoas que nunca viram, de fato,
como funciona uma "roda", provavelmente dirigentes sem formação médica e sem
assessoria adequada (sociológica etc). Não é difícil adivinhar que se trata de um plano que
só beneficia vendedores de agulhas e seringas e burocratas de escritório, não tendo qualquer
conseqüência para a epidemia da Aids.
[*roda: prática, comum entre drogados, que consiste no uso de uma mesma seringa por
várias pessoas.]
(adaptação de VICENTE AMATO NETO & JACYR PASTERNAK, 'A doação de
seringas e agulhas a drogados', O ESTADO DE S. PAULO, 05/09/94)

3. A distribuição de seringas para usuários de drogas pode diminuir pela metade a taxa
de propagação do vírus da Aids neste grupo de risco. A conclusão é de uma pesquisa
realizada na Universidade John Hopkins, de Nova York, que envolveu 22mil pessoas em
vários bairros nova-iorquinos.(...)
Antes do programa, uma seringa era emprestada, alugada ou vendida em média 16
vezes nos bairros onde foi feito o controle. O programa reduziu este número em quatro
vezes.
Existem 200 mil usuário de drogas injetáveis em Nova York, metade deles infectado
com o vírus da Aids.
(Programa corta em 50% taxa de infecção de HIV, Folha de S. Paulo, 02/11/94)

4. [No futuro, pagaremos] caro pela ignorância e irresponsabilidade do passado.


Acharemos inacreditável não havermos percebido em tempo, por exemplo, que o vírus da
Aids, presente na seringa usada pelo adolescente da periferia para viajar ao paraíso por
alguns instantes, infecta as mocinhas da favela, os travestis na cadeia, as garotas da boate, o
meninão esperto, a menina ingênua, o senhor enrustido, a mãe de família e se espalha para
a multidão de gente pobre, sem instrução de higiene. Haverá milhões de pessoas com Aids,
dependendo de tratamentos caros e assistência permanente. (...)
(DRAUZIO VARELLA, 'A era dos genes', Veja 25 anos - Reflexões para o futuro,
1993)

2-

A Perda da Compostura
Marta Suplicy

O país perdeu a noção do que seja dignidade e compostura. Temos o presidente da


República gritando para o povo que tem "aquilo roxo", erguendo o dedo em sinal obsceno
para a multidão, destratando e humilhando publicamente a primeira dama. Rosane Collor,
por sua vez, é acusada de desviar enormes somas de dinheiro para firmas fantasmas de sua
família, ao mesmo tempo em que, ato insólito, seu esposo e presidente diz que ela de nada
sabia. Enquanto esse exemplo circense ocorre com o mais alto mandatário da nação, o resto
dela segue seus passos. Exemplo, aliás, que já havia sido inaugurado na campanha
presidencial, quando grosseiramente acusou seu adversário no campo pessoal. A evidência
da falta de ética e compostura, da confusão entre o público e o privado, já começava para
quem quisesse ver, ou não estivesse obcecado com o medo de transformação proposta pelo
adversário.( ... )
Temos agora a ex-ministra da Economia expondo a sua privacidade de forma
grotesca. Conta detalhes do seu relacionamento amoroso, como foi enganada, que teria
engravidado, se possível, para assegurar o casamento, publica bilhetinhos do amante com
intimidades (...). Não sei se a ex-ministra perdeu a noção do ridículo, se é a fúria vingativa
de mulher abandonada que a está cegando, ou se esta perda da realidade já a acompanha há
mais tempo e nos ajudou a chegar ao caos econômico que vivemos. (... )
Fazendo parte do quadro que assola o país, temos também a Xuxa. Esta situação me
compadece em vez de enojar, pois vê-se uma jovem talentosa em depressão profunda, sem
ninguém para lhe indicar um bom analista. E a Xuxa se expõe e expõe as crianças quando,
aos prantos, diz para os baixinhos, no show do Olímpia, que não deve permitir que seus
pais se separem como os dela.
Meu Deus! Ficamos todos loucos? Esquecemos onde acaba o privado e começa o
público?
A ferida feita por Collor de Mello em Luís Inácio Lula da Silva criou um cancro na
nação, que se reproduz em todos os níveis. Até o Neto, ídolo do Corinthians, dá uma
cusparada no juiz, quando expulso de campo. Ele, pelo menos, pediu desculpas. E o resto?
E nós?
Como recuperar a dignidade e a compostura da nação e de seus enfermos cidadãos?
Não há mais o que esperar.
(Tendências/Debates, "Folha de S. Paulo", 19/10/91)

O texto anterior discute episódios recentes da história do Brasil em que se misturam


assuntos públicos e privados.
a) Caso sua posição seja semelhante à da autora, escreva uma carta ao Sr. Fernando Collor
de Mello tentando convencê-lo de que o exercício de funções públicas exige a capacidade
de separar os fatos que são relevantes dos que não são relevantes para a vida nacional
b) Caso você discorde da posição da autora, escreva-lhe uma carta procurando convencê-la
de que sua análise é equivocada.
Qualquer que seja sua opção, você deve levar em conta os fatos mencionados e analisados
no texto.

3-

REDAÇÃO

ORIENTAÇÃO GERAL
Há três temas sugeridos para redação: você deve escolher um deles e desenvolvê-lo no tipo
de texto indicado, segundo as instruções que se encontram na orientação dada para cada
tema. Indique no alto da página de resposta o tema escolhido.

Coletânea de textos: os textos foram tirados de fontes diversas e apresentam fatos, dados,
opiniões e argumentos relacionados com o tema. Eles não representam a opinião da banca
examinadora: são textos como aqueles a que você está exposto na sua vida diária de leitor
de jornais, revistas ou livros, e que você deve saber ler e comentar. Consulte a coletânea e
utilize-a segundo as instruções específicas dadas para o tema. Não a copie.

TEMA A

Dados recentemente divulgados nos principais órgãos de imprensa do país revelam o


descaso com que a sociedade brasileira vem tratando a questão do menor.

Selecione, da coletânea a seguir, as informações e argumentos que, do seu ponto de vista,


sejam relevantes para a elaboração de uma dissertação sobre o tema: "Criança! não verás
nenhum país como este!"
Redija, em seguida, sua dissertação. Em seu texto você deverá expor e comentar, de forma
coerente, alguns dos aspectos envolvidos no tema proposto. Você poderá utilizar, também,
outras informações que julgar pertinentes.

1. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com


absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.
(CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, Art. 227)

O direito à proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:


I - idade mínima de 14 anos para admissão ao trabalho, observado o exposto no art. 7Ž,
XXXIII;
(...)
III - garantia de acesso do trabalhador adolescente à escola.
(Idem, Art. 227, Parágrafo 3 )

2. O fato é que o Brasil ostenta níveis de pobreza e concentração de renda que o projetam
para baixo de países indigentes da África ou América Latina. Aí desponta a mortalidade
infantil: morrem por ano, no Brasil, cerca de 300 mil crianças de zero a um ano, por falta de
condições de vida razoáveis, segundo dados oficiais. Isto significa aproximadamente a
tragédia de duas bombas de Hiroxima.
(Gilberto Dimenstein, FOLHA DE SÃO PAULO, 13.10.90)

3. Há dez anos, o Brasil tinha uma população de 22,6 milhões de jovens entre 10 e 17 anos,
conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. Desse contingente, apenas
3 milhões trabalhavam nas regiões urbanas. Hoje, com cerca de 25 milhões de adolescentes
no país, 4,5 milhões trabalham nas cidades. Ou seja: a mão-de-obra urbana jovem cresceu
cerca de 50% na última década, enquanto a população adolescente total aumentou apenas l
décimo. Nos países europeus e nos Estados Unidos, adolescentes só trabalham a partir de
uma determinada idade. Até 15 anos, nos EUA, não se é apresentado a um relógio de ponto
- estuda-se. Na França, até os 16 também não se vai para o emprego de manhã como (...)
2,9 milhões de brasileiros que estão no batente com idades entre 10 e 14 anos. Muitos deles
não conseguem estudar ou tropeçam de reprovação em reprovação até desistir da escola.
(Revista VEJA, ano 23, nŽ 43, 31.10.90)
4. A prostituição infantil cresce no Brasil e já atinge 500 mil meninas envolvidas cada vez
mais com drogas. (...) Esse número expressa, com base em estimativa sobre a população
brasileira em 1989 (147,4 milhões), a existência de uma menor prostituta entre cada 300
habitantes. (...) Haveria 800 mil meninas de rua, também suscetíveis, pela necessidade de
sobrevivência, de entrar na prostituição.
("Folha de São Paulo", 25.10.90, comentando dados do Centro Brasileiro para a
Infância e Adolescência, ligado ao Ministério da Ação Social)

5. Oficialmente, o governo lança campanhas em defesa da criança, de caráter paliativo,


chegando a reunir um inexplicável ministério mirim. Enquanto isso, crianças e adolescentes
são torturados e assassinados, quando simplesmente não morrem de fome ou por doenças.
(J. M. P. C. da Rocha, em carta publicada no Painel do Leitor, FOLHA DE SÃO
PAULO, 04.11.90)

6. Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste! Criança! não verás nenhum país como
este!
(Olavo Bilac, "A Pátria". Poesias Infantis)

TEMA B

De que é feito um texto? Fragmentos originais, montagens singulares, referências,


acidentes, reminiscências, empréstimos voluntários. De que é feita uma pessoa? Migalhas
de identificação, imagens incorporadas, traços de caráter assimilados, tudo (se é que se
pode dizer assim) formando uma ficção que se chama o eu.
(Michel Schneider, LADRÕES DE PALAVRAS. Campinas, Editora da Unicamp,
1990.)

Como você pode ver, essa citação propõe uma analogia entre a construção de um texto e a
"construção" de uma pessoa. Dando seguimento à analogia, faça de conta que você é um
escritor de ficção e, utilizando-se de um dos fragmentos oferecidos a seguir, elabore uma
narrativa em terceira pessoa. Você deverá atribuir a ela um título.

I. X. e Y. são duas amigas que se esforçam para dividir o que têm de melhor; na infância,
repartem um ursinho de pelúcia. X. torna-se uma escritora de um único livro que, embora
aclamado pela crítica, não se torna um best-seller. Y. torna-se escritora por acaso e seu livro
vira best-seller num piscar de olhos. Aí é que a relação das duas começa a esquentar. Ainda
mais que o bonitão J., que elas também tentam dividir...

II. Um astronauta, de volta à Terra depois de uma desastrosa missão entre os anéis de
Saturno, começa a derreter. Enlouquecido, foge da quarentena da NASA e ataca pessoas
nos campos, criancinhas brincando, um fotógrafo pornô e sua modelo recalcitrante, um
casal de velhinhos...

TEMA C
Como você deve saber, o novo Congresso, eleito no dia 3 de outubro, deverá rever a
Constituição promulgada em 1988. Um aspecto que certamente merecerá a atenção dos
congressistas é o da obrigatoriedade do voto, uma vez que foi extraordinariamente alto o
índice de votos em branco e nulos nas últimas eleições.
Tomando como base as informações e opiniões contidas na coletânea a seguir, escreva uma
carta a um congressista argumentando contra ou a favor da manutenção da obrigatoriedade
do voto e solicitando que ele, na condição de representante do povo, defenda essa posição
em plenário.

1. O alistamento eleitoral e o voto são:


I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
(CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, Art 14,
Parágafo l )

2. O voto em branco é uma manifestação mais que perfeita do eleitor que foi votar apenas
para cumprir a obrigação e evitar as penalidades que a lei impõe. Já nos casos dos nulos,
seria preciso distinguir quem realmente não sabe votar e quem quis, por expressões e
rabiscos, se rebelar contra esse processo eleitoral. (...) Mas continuo defendendo o voto
obrigatório até como fator de educação cívica. O número de eleitores seria muito pequeno
se o voto fosse facultativo.
(Aristides Junqueira, procurador-geral da República, em entrevista publicada no
jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, 21.10.90)

3. O deputado reeleito Roberto Cardoso Alves (PTB-SP) criticou o também reeleito


Maurílio Ferreira Lima (PMDB-PE) pela proposta da emenda constitucional que torna o
voto facultativo:
- Só irão votar os eleitores de esquerda, porque os nossos, só pagando.
(O ESTADO DE SÃO PAULO, Coluna 3, 18.10.90)

4. O resultado das eleições demonstrou que a não obrigatoriedade do voto deve se


transformar na próxima conquista da liberdade democrática, inclusive como fato revelador
da importância da própria função política. Assim, seria melhor dizer que todo o poder
emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos pelo voto consciente, livre
e facultativo, sem qualquer coação.
(J. I. Souza, em carta publicada no Painel do Leitor, FOLHA DE SÃO PAULO,
23.10.90)

5. O número mais novo da cantora Madonna, 32 anos, é um anúncio de TV em que ela


aparece enrolada na bandeira dos Estados Unidos. Não se trata de algum escândalo
envolvendo símbolos nacionais. Madonna é a nova arma do governo americano para
reduzir a abstenção nas eleições do país, onde o voto não é obrigatório e a metade dos
eleitores ignora as urnas. "Votar é tão importante quanto ter relações sexuais. Sem ambas as
coisas, não existe futuro", diz ela.
(VEJA, ano 23, nŽ 43, 31.10.90)

ATENÇÃO: Ao assinar sua carta, use apenas as iniciais do seu nome.

4-

Durante o ano de 1995, intensificou-se no Rio de Janeiro a onda de violência e seqüestros.


Uma das respostas a essa onda de violência foi a Manifestação Reage Rio, realizada no dia
28 de novembro como um grande ato público a favor da paz. Na semana seguinte, em
artigo publicado na página 2 da Folha de S. Paulo, o jornalista Josias de Souza escreveu a
esse propósito:

"O Rio que paga a carreirinha de coca é o mesmo Rio que foge do seqüestro, eis a
verdade. Diz-se que a violência vem do morro. Bobagem, tolice. Como a passeata do Reage
Rio, a violência também é obra do carioca bem-posto. (...) Dois dos objetivos palpáveis do
Reage Rio são o reaparelhamento da polícia e a urbanização das favelas. Erraram o alvo.
Estão mirando na direção errada. (...) Pouco adianta dar novos 38 à polícia se não for
interrompido o fluxo de dinheiro que garante os AR-15 do tráfico."
("O Rio cheira e berra", 5/12/95)

Essa análise é polêmica e você deverá levá-la em consideração ao optar por uma das duas
tarefas a seguir:

- concordando com a opinião do jornalista, escreva-lhe uma carta, apresentando argumentos


que o apóiem.
- se você acha que o ato público cumpriu seus objetivos, escreva uma carta aos
organizadores, elogiando a iniciativa, defendendo sua validade e rebatendo os argumentos
do jornalista.

Todos os textos transcritos a seguir foram publicados na imprensa alguns dias depois da
Manifestação Reage Rio, e são relevantes para que você possa formar uma opinião. Ao
escrever sua carta, considere os argumentos expostos nessa coletânea e outros que você
achar pertinentes.

1. Cerca de 70 mil pessoas participaram da manifestação Reage Rio, um apelo para que
acabem a violência e os seqüestros no Rio de Janeiro. Os organizadores, entre eles o
Movimento Viva Rio, esperavam 1 milhão de pessoas. Mas a chuva atrapalhou. A
caminhada, na Avenida Rio Branco, reuniu representantes de toda a sociedade civil. "Foi
um sucesso", disse o sociólogo Hebert de Souza, o "Betinho". O governador Marcello
Alencar e o prefeito César Maia não participaram. Nos últimos nove meses, a polícia
registrou 6.664 assassinatos no Rio.
(Clipping do Estadão, Destaques de Novembro/95)

2. "Foi um extraordinário marco a marcha no Rio, onde, pela primeira vez, a politização da
violência ganhou ares populares. Mesquinho e subdesenvolvido restringir o debate ao
número de participantes. Mais importante, muito mais, foi o debate que suscitou e a
sensação de que o combate ao crime não é apenas um problema oficial."
(Gilberto Dimenstein, "Chute no Saco", Folha de S. Paulo, 10/12/95)

3. "Houve uma grande ausência na passeata de terça feira passada no Rio de Janeiro. Faltou
uma palavra mágica, aquela que daria sentido a toda aquela movimentação. (...) A palavra
que faltou é: DROGAS. A passeata era contra a violência. Ora, qual a causa magna da
violência no Rio, a causa das causas? Resposta: drogas. (...) A originalidade do Rio está em
ter realizado uma passeata contra a escalada do crime, a incrível escalada que, sob o
impulso e o império da droga, ocorre em várias partes, sem dar nome ao problema. E não se
deu o nome porque, se se desse, não haveria passeata. (...) O que aconteceria se se
anunciasse uma passeata contra as drogas? Muitos não iriam. No mínimo para não parecer
careta, ou seja, ridículo. Mas também porque muita gente não é contra - é a favor das
drogas. (...) Sendo assim, como fazer uma passeata contra a droga? Melhor é fazê-la contra
a 'violência' e pela 'paz'. Quem pode ser contra a paz?"
(Roberto Pompeu de Toledo, "Faltou dizer por que não se tem paz", Veja,
6/12/95)

4. "O lado bom do Rio é a natureza fantástica, o povo que é alegre e descontraído, aceita e
vive a vida como ela é. O lado ruim é a miséria que se alastra por toda a cidade, exigindo
uma solução, com nossos irmãos trepados em barracos pobres, olhando a cidade dos ricos
como uma miragem a seus pés. E a solução não está nas brigas políticas de superfície, mas
na revolução; a revolução que não pode ser feita agora. (...)
Fui à passeata Reage Rio porque me convidaram. Queriam que fosse num carro, mas
preferi andar no meio das pessoas. A caminhada não foi propriamente um protesto mas uma
advertência sobre o que está acontecendo, sem solução. Enfim, o problema da miséria é
grave e uma pessoa com um pouco de sensibilidade não pode se sentir feliz diante disto."
(Silvio Cioffi, "Só revolução resolve a miséria, diz Niemeyer", Folha de S.
Paulo, 21/12/1995)

5. "Quem não acredita na força do pensamento positivo ganhou na quinta-feira, 30, um bom
motivo para mudar de idéia. Menos de 48 horas depois da Caminhada pela Paz, que parou a
cidade e mobilizou milhares de pessoas contra a violência - 60 mil, segundo a polícia, e
150, segundo os organizadores -, foi resgatado o estudante Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira
Filho, seqüestrado trinta e seis dias antes. (...) A mãe de Eduardo Eugênio elogiou a atuação
da polícia mas dedicou especial gratidão aos participantes da caminhada."
(Eliane Lobato, "Guerrinha pela paz", lsto É, 6/12/95)
5-

REDAÇÃO

Nos últimos tempos, vêm ocorrendo intensas discussões a propósito dos meios de
combater a violência praticada por menores, nas grades cidades. Um exemplo é a
divergência de opiniões entre Nilton Cerqueira (Secretário Estadual de Segurança Pública
do Rio de Janeiro) e Benedito Domingos Mariano (Ouvidor da Polícia do Estado de São
Paulo), veiculada pela Revista ISTO É, de 4/9/96.

Leia a seguir trechos dessa polêmica:

"O Estatuto do Adolescente, como está hoje, é uma lei de proteção aos infratores. Quem
rouba os tênis das crianças que vão ao colégio? Quem assalta as crianças nos ônibus? São
os menores infratores. A lei acaba deixando desprotegida a maioria, que são as vítimas. Os
infratores ficam em liberdade por causa da impossibilidade de uma atuação serena e
enérgica dos policiais. Com isso, aqueles elementos de alta periculosidade têm campo
aberto para suas ações criminais. E acabam acontecendo tragédias como a da Candelária ou
a das mães de Acari, que até hoje não acharam seus filhos. Temos que cortar essas
possibilidades retirando esses menores das ruas. (...) Ao contrário do que ocorre hoje, os
menores infratores deveriam estar presos, sujeitos ao Código Penal."
(General Nilton Cerqueira)

"No Brasil é muito comum que as questões sociais não resolvidas se transformem em
questão de polícia. É o caso dos milhares de meninos e meninas de rua, marginalizados pela
sociedade e pelo Estado. Usados muitas vezes pelos 'pais' de rua, por maus policiais e pelos
narcotraficantes, alguns meninos e meninas de rua são utilizados para atos delituosos leves
ou graves. E, quando isso acontece, a teste de penalizar o adolescente aos 14 ou 16 anos
vem à tona (...) Onde estão as políticas públicas em nível nacional, estadual e municipal
que proporcionem a prevenção à marginalidade e à delinqüência? (...) Não à penalização
aos 14 ou 16 anos. Combatam-se as causas estruturais que alimentam a violência (...).
(Benedito Domingos Mariano)

Se você acha
* que NÃO SE DEVE PUNIR penalmente os menores de 18 anos, escreva uma carta ao
General Nilton Cerqueira, rebatendo os argumentos por ele apresentados, contrapondo-lhe
outros que justifiquem a posição que você defende;
ou
 que SE DEVE PUNIR penalmente os menores de 18 anos, escreva uma carta a
Benedito Domingos Mariano, rebatendo os argumentos por ele apresentados,
contrapondo-lhe outros que justifiquem a posição que você defende.

6-

O empresário Antônio Ermírio de Moraes escreveu o artigo a seguir (FOLHA DE SÃO


PAULO, 3/8/97) em que se manifesta sobre a sujeira na cidade de São Paulo. Leia o artigo
com atenção e reflita também sobre o que está sugerindo nas entrelinhas a propósito de
pobreza, cidadania, limpeza, ação governamental, etc.

Até quando, São Paulo?

Os leitores têm todo o direito de se queixar quando volto a um mesmo assunto.


Acontece que o retorno ao tema decorre da persistência do problema. Refiro-me à
imundice que campeia na cidade de São Paulo.
Muita gente confunde pobreza com sujeira. Nada mais errado. As pessoas humildes
são exatamente as que mais valorizam o asseio, a higiene e a limpeza.
Você já notou como é generalizado o banho dos trabalhadores da construção civil
depois de uma jornada de trabalho?
Você já reparou como são bem areadas as panelas das donas-de-casa dos domicílios
das periferias?
Você já observou a brancura das camisas e blusas dos uniformes dos seus filhos?
O que se vê na capital de São Paulo é fruto de puro abandono e total falta de
autoridade.
São pessoas imundas que emporcalham a cidade como prova da sua selvageria e
refluxo da instabilidade dos governantes.
Uns defecam nos jardins. Outros cozinham debaixo dos viadutos. Há ainda os que
penduram a roupa encardida nos galhos das árvores. Tudo a céu aberto e no maior acinte
aos cidadãos que aqui vivem.
Na ausência de um plano diretor para cuidar da habitação, avoluma-se o número de
pessoas que, usando tábuas, papelão e até embalagens de geladeiras, vão se mudando
definitivamente para debaixo das pontes, onde passam a residir "tranqüilamente" no meio
de escandalosa sujeira.
O mais espantoso é ver as autoridades municipais e estaduais consentirem com a
multiplicação desses chiqueiros que, na verdade, são uma verdadeira provocação aos que
pagam altos impostos e que têm o direito de exigir um mínimo de higiene na cidade em que
habitam e trabalham.
Já passou bastante da hora de as autoridades agirem. Eles estão atrasadas há vários
anos - mas têm de agir.
Não é justo que a população como um todo seja submetida a um ambiente tão
vergonhoso e deprimente como é o de São Paulo.
Não sou saudosista a ponto de querer voltar ao tempo do prefeito Faria Lima,
quando o símbolo da capital era uma bela rosa.
Mas também não acho correto submeter um povo trabalhador a uma cidade imunda
e abandonada.
Afinal, esse povo está seguindo as regras democráticas, comparece às eleições e
escolhe ordeiramente os seus vereadores, prefeitos e governantes.
É hora de eles realizarem mais trabalho e menos política, limpando esta cidade que
já foi orgulho do nosso país. Mãos à obra!

A partir da leitura e da sua reflexão sobre os implícitos, e imaginando que você discorda do
articulista, escreva-lhe uma carta, na forma de um texto argumentativo, na qual você
exponha as razões de sua discordância.
ATENÇÃO: AO ASSINAR A CARTA, USE INICIAIS APENAS, DE FORMA A NÃO SE
IDENTIFICAR.

7-

REDAÇÃO
Instruções:
Você deverá planejar e redigir uma carta argumentativa.

Para realizá-la, você deverá cumprir duas etapas, ambas obrigatórias:

1 etapa: preencha o esquema de "Planejamento do Texto" para preparar a execução de sua


carta.
2 etapa: escreva a carta argumentativa na folha para "Redação" respeitando o planejamento
feito na etapa anterior.

Proposta de Redação:

O Projeto de Lei da Senadora Benedita da Silva (PT/RJ) qualifica como crime o assédio
sexual. Três diferentes pontos de vista sobre o assunto são apresentados na "Seção de
Depoimentos". Escolha seu interlocutor, ou seja, a pessoa a quem sua carta vai estar
dirigida, entre os autores desses depoimentos.
Sua tarefa é redigir um texto que convença seu interlocutor de que ele está equivocado
quanto às idéias expressas no depoimento dele.

Seção de Depoimentos:

Gabriela Castro - Socióloga

Há muitas formas de violência, desde as mais brandas (...) até as que deixam a sociedade
estarrecida. O Projeto de Lei que transforma em crime o assédio sexual é um avanço
considerável para coibir o primeiro tipo de violência. Sabemos que o assédio pode se
transformar num problema mais grave (...) e que se manifesta mais claramente nas relações
de trabalho. Mas não só. [O Projeto ataca] necessidades muito menos evidentes que as que
se manifestam quando há uma relação hierárquica entre assediado e assediador. A
legislação deve refletir a realidade cultural da sociedade na qual será aplicada, sem,
contudo, aceitar a injustiça em nome dela. (...) Refiro-me às humilhações a que um número
imenso de mulheres tem que se submeter, diariamente, nos transportes coletivos (...) ou
simplesmente andando na rua. Refiro-me ao constrangimento de ver um desconhecido fazer
gestos obscenos, sem que se possa fazer nada. (...) O Projeto da Senadora Benedita da
Silva, tal como está, configura-se não como uma ação jurídica, mas como uma ação
pedagógica, que obrigará a sociedade brasileira a redimensionar seus conceitos de liberdade
e de respeito.
(EXTRAÍDO DO FÓRUM DE DISCUSSÕES SOBRE VIOLÊNCIA:
http://www.uol.com.br/forum - 19.10.97)

Marta Suplicy - Sexóloga e Deputada Federal

Reconhecemos a existência de abusos sexuais dentro de casa e fora dela, do molestamento


ao incesto, com abuso de autoridade e de confiança (...). Sabemos dos agravos no mercado
de trabalho e nas relações de docência, cujo uso da autoridade cerceia a liberdade sexual e
deixa mulheres - e testemunhas desses crimes - à mercê do poder de quem os pratica ou da
conivência da sociedade com eles. Falo aqui do assédio sexual, uma tipificação atual,
justificada pela manutenção da cultura machista, aliada à presença das mulheres no mundo
do trabalho. (...) O assédio sexual ainda é tratado no Brasil de maneira leviana e
inconseqüente. Geralmente os assediadores têm maior poder econômico do que
os assediados, por isso as vítimas nunca conseguem ser ressarcidas na justiça. (...) Tenho
lutado pela mudança do Código Penal, refletindo a luta de muitas mulheres brasileiras.
Apresentei um projeto de lei que tipifica o assédio sexual e sugere a definição de políticas
de prevenção, dentro dos locais de trabalho. (...) O assédio sexual só acontece quando há
relações de poder entre as partes, nas quais a vítima é subordinada a quem a assedia. Caso
contrário, acabaremos enquadrando a paquera, a cantada, que já são outras coisas. O outro
projeto [o da Senadora Benedita da Silva] é muito abrangente nesse sentido.
(EXTRAÍDO DA HOMEPAGE DA DEPUTADA:
http://www.solar.com.br/~msuplicy)

Alexandre Moreira Souza - Engenheiro

Aos 34 anos, penso que não é possível tratar uma legislação fora do contexto social em que
será aplicada. A cultura brasileira tem na imagem do "amante latino", daquele que vê na
conquista a prova da sua masculinidade, um traço característico. Como dissociar
"sensualidade" e tudo o que gira em torno dela de um padrão de comportamento que já está
incorporado às relações entre homens e mulheres brasileiros? Aqui a conotação de
desrespeito se perde diante da tolerância com que as mulheres sempre reagiram a cantadas e
paqueras, o que, na verdade, já faz parte do comportamento que se espera dos homens.
Com essa base cultural, fica muito difícil distinguir "paquera", "cantada" e "assédio". Para
situações mais violentas, os crimes de estupro e de atentado violento ao pudor já estão
previstos em lei. Por isso, considerar o que se chama de "assédio sexual" como crime é
uma violência contra a própria cultura do país.
(Extraído do jornal O NORTE - "Opinião", Caderno 1, p. 2. João Pessoa, 05.10.97)

Coletânea de Textos:

A Coletânea de Textos que apresentamos a seguir vai ajudá-lo a fundamentar sua carta.
No cumprimento dessa tarefa, você deverá usar pelo menos 2 dos textos que a compõem.
TEXTO 1- O Projeto de Lei
Art. 1° - Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo das ações civis cabíveis, as
penalidades aplicáveis ao crime de assédio sexual.
Art. 2° - Constitui assédio sexual, para os efeitos desta lei, constranger alguém, com sinais,
palavras ou gestos, objetivando ou sugerindo a prática de ato libidinoso ou conjunção
carnal, se a conduta não constitui crime mais grave. Pena: Detenção, de seis meses a dois
aos, e multa.
Art. 3° - São circunstâncias que agravam a pena prevalecer-se o agente:
I - da menoridade da vítima;
II - da condição de profissional de saúde;
III - do cargo ou posto que ocupe na hierarquia funcional;
IV - de parentesco ou afinidade com a vítima;
V - de superioridade social ou econômica de que dependa a vítima.
Parágrafo único - A pena imposta não impede a aplicação de sanções administrativas, a
suspensão ou a cassação de licença ou do registro profissional, ou a perda do pátrio poder,
conforme o caso, ou de outras penas restritivas de direitos.
Art. 4° - Na aplicação da multa, a autoridade judiciária considerará a capacidade econômica
do réu, podendo elevá-la até o triplo para que não se mostre inócua.
Art. 5° - O crime de que trata esta lei é de ação pública.
Art. 6° - A denunciação caluniosa sujeita seu autor às mesmas penas previstas para a prática
do crime.
Art. 7° - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 8° - Revogam-se as disposições em contrário.

Sala das Sessões, 1° de outubro de 1997.


Senadora BENEDITA DA SILVA.

TEXTO 2 - Vai dar cadeia

Numa imitação do que fizeram os americanos há vários anos, a Comissão de Constituição e


Justiça do Senado aprovou, na semana passada, projeto de lei instituindo no Brasil o crime
de assédio sexual. O Projeto não precisou passar pelo plenário e agora será apreciado pela
Câmara dos Deputados, antes de ir à sanção do Presidente Fernando Henrique. Posto em
funcionamento na forma de Lei, provavelmente instituirá um estado de paranóia na parte da
população masculina que se inclina por abordagens mais diretas no terreno afetivo ou
sexual. Nada há de errado com a idéia de punir o assédio sexual, num país em que muitos
chefes chantageiam as subalternas, exigindo sexo em troca de vantagens profissionais com
a mesma naturalidade de quem pede para datilografar uma carta. O problema do Projeto é
ser excessivamente rigoroso na pena e estranhamente vago na definição do crime. Quem for
acusado de assédio sexual, segundo esse projeto, poderá ficar na cadeia até dois anos e terá
de pagar multa.
(Revista VEJA, 17/09/97)
TEXTO 3 - Agressor abusa de superioridade

O assédio sexual, para os especialistas ouvidos pela Folha, deriva sempre de uma relação de
poder, ou seja, acontece quando alguém abusa de sua superioridade. "Não pode ser
genérico", afirma Alberto Toron, advogado criminalista. As opiniões dividem-se quanto à
necessidade, ou não, de tipificar criminalmente o assédio sexual. Uns, embora considerem o
projeto exagerado, acham a tutela pena necessária. Outros dizem que ela já existe (...) "Já
temos o crime de constrangimento ilegal, de ameaça, de atentado violento ao pudor e a
contravenção de importunação ofensiva ao pudor", diz o juiz Luiz Flávio Gomes. Há ainda
os que, discordando da criminalização do assédio, afirmam que é preciso criar mecanismos
de proteção à vítima, para que ela possa denunciar sem ser ameaçada.
(Adaptado da FOLHA DE SÃO PAULO, 20/09/97.)

TEXTO 4 - Uma questão de ética

Quando, numa sociedade, os costumes parecem caminhar para uma maior liberação,
quando se reduzem os controles externos sobre o comportamento, o que acontece é que
aumentam os controles internos. Ora, o que isso tem a ver com assédio sexual? É que,
enquanto o papel da mulher era subordinado ao do homem e as relações entre homens e
mulheres mais estereotipadas, havia fortes impedimentos sociais à aproximação dos dois
sexos. Já quando a aproximação se facilita, tem de aumentar o autocontrole de cada pessoa.
(...) Foram liberalizadas as relações entre os sexos, que agora dependem mais da vontade
(do desejo) dos interessados que das regras e imposições sociais. Por isso, (...) a severa
censura, moral e penal, da imposição da vontade de um sobre o outro. (...) Essa é a
dificuldade da vida moral, hoje. (...) Mas não vale a pena? A contenção interna, o
autocontrole, a responsabilidade aumentados não são um preço justo a pagar pela redução
das barreiras sociais, que antes havia, a nossas escolhas pessoais? A liberdade tem, sempre,
seu preço.
(RENATO J. RIBEIRO, professor titular de Ética da USP. In: O ESTADO DE SÃO
PAULO, 29/09/97.)

TEXTO 5 - Assédio só é crime quando o homem é feio!


(Propaganda das Lojas Renner, Moda Masculina, publicada na "Folha Ilustrada".
Folha de S. Paulo, 24/04/97.)

TEXTO 6 - Para educadores dos EUA, beijo de garoto em menina não foi assédio

O Departamento de Educação dos Estados Unidos decidiu que o beijo dado por Johnathan
Prevette, de 6 anos, aluno de uma escola primária, em uma colega foi apenas um simples
beijo, e não assédio sexual. (...) Em setembro de 96, o menino não pôde assistir à aula por
um dia nem participar de uma festa por ter beijado uma menina. O caso provocou polêmica
no país. Em uma circular enviada a todas as escolas norte-americanas, o Departamento de
Educação pede a todos os professores para considerar a idade e a maturidade dos estudantes
e usar de "juízo e bom senso" no momento de decidir sobre incidentes semelhantes. (...)
"Para se considerar que houve assédio sexual, o comportamento deve ser suficientemente
grave, insistente e insinuante", esclareceu a circular.
( O ESTADO DE SÃO PAULO, 15/03/97)

TEXTO 7 - Sindicato orienta secretárias sobre assédio sexual

O Sindicato das Secretárias de S. Paulo está empenhado numa nova campanha de


orientação a respeito do assédio sexual em locais de trabalho. (...) Segundo Maria Elisabete,
vice-presidente do Sindicato, são tão grandes as dificuldades enfrentadas por mulheres que
denunciam situações de constrangimento sexual nas empresas, que o melhor é evitar que
ocorram. (...) O Sindicato tem informações de casos de mulheres que, depois de
denunciarem assédio sexual, tiveram problemas para permanecer no emprego. Algumas
enfrentaram dificuldades até em outras empresas. (...) Uma das preocupações do sindicato é
preparar campanhas adequadas ao comportamento dos brasileiros. "Não podemos copiar os
Estados Unidos, pois temos uma cultura muito mais sensualizada, com reflexos nas
relações pessoais".
(O ESTADO DE SÃO PAULO,15/03/97)

8-

REDAÇÃO

Faça de conta que você tem um amigo em Portugal que confia muito em você e que estava
pensando em passar uma temporada no Brasil e talvez até em migrar. Suponha também que,
recentemente, ele lhe tenha escrito uma carta dizendo que está pensando em abandonar tal
projeto, em conseqüência das notícias sobre o Brasil que tem lido ultimamente. Para
justificar-se, ele inclui na carta a seguinte amostra de manchetes, que o impressionaram,
publicadas com destaque em menos de um mês, em um único jornal:

- FALTAM ÁGUA, LUZ E TELEFONE NAS ESCOLAS, DIZ PESQUISA DO


MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
(FOLHA DE S. PAULO, 16 novembro de 1998)
- METADE DOS ELEITORES NÃO TÊM 1Ž GRAU
(FOLHA DE S. PAULO, 20 de outubro de 1998.)
- BRASIL É CAMPEÃO DE CASOS DE DENGUE, LEPRA E LEPTOSPIROSE NAS
AMÉRICAS
(FOLHA DE S. PAULO, 21 de setembro de 1998)
- MISERÁVEIS SÃO 25 MILHÕES
(FOLHA DE S. PAULO, 26 de setembro de 1998)
- 83% SÃO ANALFABETOS FUNCIONAIS
(FOLHA DE S. PAULO, 26 de setembro de 1998)
- PARTOS DE MENINAS AUMENTARAM 81% NO RIO
(FOLHA DE S. PAULO, 29 de setembro de 1998)
- SP DESPEJA NA RUA UM TERÇO DE SEU LIXO
(FOLHA DE S. PAULO, 4 de outubro de 1998)

Escreva-lhe uma carta na qual, colocando em discussão as manchetes anteriores, você tenta
convencê-lo de que, apesar de haver de fato problemas, A IMAGEM QUE SE FAZ DE
NOSSO PAÍS, A PARTIR DO NOTICIÁRIO, É PARCIAL, e que, portanto, CONTINUA
VALENDO A PENA VIR PARA O BRASIL.

ATENÇÃO: AO ASSINAR A CARTA, USE INICIAIS APENAS, DE FORMA A NÃO SE


IDENTIFICAR.

9-

REDAÇÃO

Em várias instâncias têm surgido iniciativas que podem resultar em uma nova política em
relação à água, até hoje considerada um bem renovável à disposição dos usuários. A seguir
estão trechos de notícias relativamente recentes com informações sobre algumas dessas
iniciativas.

1. PAÍS PODE TER AGÊNCIA DE ÁGUA


O secretário nacional de recursos hídricos, Raimundo José Garrido, participa na próxima
quarta-feira, em Porto Alegre, de um debate sobre a criação da Agência Nacional da Água
(ANA). O encontro, que reunirá ainda o jornalista Washington Novaes, o consultor do
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Affonso Leme Machado, e o
Secretário do Meio Ambiente do Estado, Cláudio Langoni, faz parte da 6 Semana
Interamericana da Água. O evento vai se estender de hoje até o dia 9, em 200 municípios
gaúchos, com atividades ligadas à educação ambiental, painéis, exposições, mutirões de
limpeza de rios e riachos, entre outras. Mais de 50 entidades públicas e privadas, incluindo
o governo do Rio Grande do Sul, a prefeitura de Porto Alegre, a Associação Brasileira de
Engenharia Sanitária e Ambiental, participam da iniciativa.
(Campinas, CORREIO POPULAR, 02/10/99)

2. PAÍSES CONCORDAM QUE, PARA EVITAR ESCASSEZ, A ÁGUA NÃO PODE


SER GRATUITA
Paris - Uma conferência das Nações Unidas sobre gestão das escassas reservas de
água doce do mundo concluiu ontem que a água deveria ser paga como commodity*, ao
invés de ser tratada como um bem essencial a ser fornecido gratuitamente. A reunião de três
dias, da qual participaram ministros do meio-ambiente e autoridades de 84 países, concluiu
que os custos deverão permanecer baixos e que o acesso à água doce deveria ser assegurado
aos pobres.
O apelo feito ao final da reunião, no sentido de maior participação das forças do
mercado, motivou uma nota de cautela do primeiro ministro socialista [francês], Lionel
Jospin, que se dirigiu à assembléia em seu último dia. Jospin enfatizou a necessidade de
prudência quando se trata de uma substância que não é "um produto como outro qualquer".
"Vocês renunciaram à velha crença, que se manteve por muito tempo, de que a água
somente poderia ser gratuita porque cai do céu", disse ele. Mas ele frisou que a mudança
para uma forma de lidar com a água mais orientada para o mercado "deve ser prudente".
(www.igc.apc.org/globalpolicy/socecon/envromnt/water.htm)
* commodity: mercadoria, produtos agrícolas ou de extração mineral

3. Enquanto os ambientalistas preocupam-se em mobilizar a opinião pública e sensibilizar


governos, os legisladores querem enquadrar os abusados nas normas da lei. Aprovada há
dois anos, mas ainda carente de regulamentação, a Lei do Uso das Águas (9.433) disciplina
a exploração dos recursos hídricos do país. Ela prevê cobrança de taxas adicionais aos
grandes usuários (como hidrelétricas), aos poluidores e às indústrias que exploram a água
economicamente ou na produção de algum produto. Outra lei, mais rigorosa e punitiva, é a
9.605, em vigor há mais de um ano: quem poluir os rios, mananciais e devastar as florestas
poderá sofrer detenção de até cinco anos e multas de até R$50 milhões.
(João Marcos Rainho, "Planeta água", in: EDUCAÇÃO, ano 26, n.221, setembro de
1999, pp.57-8)

4. A força política dos que promovem a concentração populacional nas áreas de mananciais
é grande. (...) A demonstração dessa força política está nas muitas mudanças da lei de
Proteção dos Mananciais de 1975. A maior dessas alterações que abrandaram a lei ocorreu
em 1987, com a desculpa de que era necessária para atender "à realidade criada pela
ocupação desordenada". Mas cabe a pergunta: quem permitiu essa ocupação? As prefeituras
locais, sem dúvida, mas também a Secretaria de Meio Ambiente, por falta de vigilância.
("Mananciais contaminados", in: O ESTADO DE S. PAULO, 17/10/99, p. A3)

Redija uma carta a um deputado ou senador contrário à criação da Agência Nacional da


Água (ANA). A carta deverá ARGUMENTAR A FAVOR da criação do novo órgão que,
como a ANP, a ANATEL e a ANEEL, terá a finalidade de definir e supervisionar as
políticas de um setor vital para a sociedade. Nessa carta, você deverá sugerir ao
congressista PONTOS DE UM PROGRAMA, a ser executado para Agência Nacional da
Água, programa que deverá incluir novas formas de controle.

ANP: Agência Nacional do Petróleo; ANATEL: Agência Nacional das Telecomunicações;


ANEEL: Agência Nacional de Energia Elétrica.

ATENÇÃO: AO ASSINAR A CARTA, USE INICIAIS APENAS, DE FORMA A NÃO SE


IDENTIFICAR.

10-

As duas cartas acima são de leitores expressando suas opiniões sobre o episódio de
agressão ao governador de São Paulo em manifestação de professores em greve. O veículo
de publicação de cartas - o jornal - impõe um limite de espaço para os textos.
Em função desse limite de espaço, os dois textos apresentam como traço comum:
a) combate a pontos de vista de outros leitores
b) construção de comprovações por meio de silogismos
c) expressão de opinião sem fundamentos desenvolvidos
d) escolha de assunto segundo o interesse do editor do jornal

11-

Em geral, esse tipo de carta no jornal busca convencer os leitores de um dado ponto de
vista.
Por causa dessa intenção, é possível verificar que ambas as cartas transcritas se
caracterizam por:
a) finalizar com perguntas retóricas para expressar sua argumentação
b) iniciar com considerações gerais para contestar opiniões muito difundidas
c) utilizar orações de estruturação negativa para defender a posição e outros
d) empregar estruturas de repetição para reforçar idéias centrais da argumentação

12-

O fragmento que expõe a tese de cada uma das cartas, respectivamente, pode ser
identificado em:
a) "Já conhecemos nossos governantes" / "Quando o ministro vai achar que foram
transpostos os limites do tolerável?"
b) "Só não conhecíamos ainda nossos manifestantes" / "a última manifestação transpusera
os limites do tolerável"
c) "Nada justifica a agressão física" / "Mas os demais cidadãos brasileiros não merecem?"
d) "É esse o papel de um educador?" / "Primeiro foi uma paulada no governador de São
Paulo"

13-

Pela leitura da carta de Arthur Costa da Silva, é possível afirmar que as perguntas nela
presente têm o seguinte significado:
a) questionar as atitudes dos políticos brasileiros
b) apontar falhas no discurso de autoridades brasileiras
c) propor uma reflexão acerca da atitude dos agressores
d) mostrar solidariedade ao comportamento dos manifestantes

14-

TEMA
Suponha que você seja ou o juiz que decidiu pela volta do menino Elián a Cuba, ou um
parente de Elián que lutou por sua permanência nos Estados Unidos, ou o pai de Elián, que
lutou por sua volta a casa. Colocando-se no lugar de uma dessas pessoas, e considerando os
pontos de vista expressos no texto abaixo, escreva uma carta a Elián, mas para ser lida por
ele quinze anos depois desses acontecimentos, TENTANDO CONVENCÊ-LO DE QUE A
POSIÇÃO QUE VOCÊ ASSUMIU FOI A MELHOR POSSÍVEL.

Quando a imaginação do mundo se depara com uma tragédia humana tão dolorosa
quanto a de Elián, o menino refugiado de 6 anos que sobreviveu a um naufrágio apenas
para afundar no atoleiro político da Miami cubano-americana, ela instintivamente procura
penetrar nos corações e mentes de cada um dos personagens do drama. Qualquer pai ou
mãe é capaz de imaginar o que o pai de Elián, Juan Miguel González, vem sofrendo, na
cidade natal de Elián, Cárdenas - a dor de perder seu filho primogênito; logo depois, a
alegria de saber de sua sobrevivência milagrosa, com Elián boiando até perto da Florida
numa câmara de borracha.
A seguir, o abalo de ouvir da boca de um bando de parentes com os quais não tem
relação alguma e de pessoas que lhe são totalmente estranhas a notícia de que estavam
decididos a colocar-se entre ele e seu filho. Talvez também sejamos capazes de
compreender um pouco do que se passa na cabeça de Elián, virada do avesso. Trata-se,
afinal de contas, de um garoto que viu sua mãe mergulhar no oceano escuro e morrer.
Durante um tempo muito longo depois disso, seu pai não esteve a seu lado.
Assim, se Elián agora se agarra às mãos daqueles que têm estado a seu lado em
Miami, se os segura forte, como se segurou à câmara de borracha, para salvar sua vida,
quem pode culpá-lo por isso? Se ergueu uma espécie de felicidade provisória à sua volta,
em seu novo quintal na Flórida, devemos compreender que é um mecanismo de
sobrevivência psicológica, e não um substituto permanente de seu amor ao pai. [...]
Elián González virou uma bola de futebol política, e - acredite na palavra de alguém
que sabe o que é isso - a primeira conseqüência de virar uma bola de futebol é que você
deixa de ser visto como ser humano que vive e sente. Uma bola é um objeto inanimado,
feita para ser chutada de um lado a outro. Assim, você se transforma naquilo que Elián se
tornou, na boca da maioria das pessoas que discutem o que fazer dele: útil, mas, em
essência, uma coisa, apenas.
Você se transforma em prova da mania de litígio de que sofrem os Estados Unidos,
ou do orgulho e poder político de uma comunidade imigrante poderosa em nível local. Você
vira palco de uma batalha entre a vontade da turba e o estado de direito, entre o
anticomunismo fanático e o antiimperalismo terceiro-mundista.
Você é descrito e redescrito, transformado em "slogan" e falsificado até quase deixar
de existir, para os combatentes que se enfrentam aos gritos. Transforma-se numa espécie de
mito, um recipiente vazio no qual o mundo pode derramar seus preconceitos, seu ódio, seu
veneno.
Tudo o que foi dito até agora é mais ou menos compreensível. O difícil é imaginar o
que se passa na cabeça dos parentes de Elián em Miami. A família consangüínea desse
pobre menino optou por colocar suas considerações ideológicas de linha dura à frente da
necessidade óbvia e urgente que Elián tem de seu pai. Para a maioria de nós, que estamos
de fora, a escolha parece ser desnaturada, repreensível.[...]
Quando os parentes de Miami dão a entender que Elián sofrerá "lavagem cerebral"
se voltar para casa, isso apenas nos faz pensar que eles são ainda mais bitolados do que os
ideólogos que condenam.
(Salame Rushdie, "Elián González se transformou numa bola de futebol política",
"Folha de S. Paulo", 07/04/2000, p. A 3, com pequenas adaptações.)

ATENÇÃO: AO ASSINAR A CARTA, USE INICIAIS APENAS, DE FORMA A NÃO SE


IDENTIFICAR.

15-

São comuns na imprensa manifestações de profissionais liberais transmitindo ao grande


público informações sobre questões técnicas de interesse social. O texto a seguir, de autoria
de um advogado, elabora uma distinção relevante para definir as responsabilidades de uma
certa categoria profissional, em caso de insucesso:

[...] Os processos judiciais contra médicos são complexos em razão da dificuldade de


aferição da culpa pelo dano sofrido. A responsabilidade civil dos médicos em ações de
indenização é, em geral, de meios e não de resultado. A obrigação de meios ocorre quando
um profissional assume prestar um serviço ao qual dedicará toda a sua atenção, cuidado e
conhecimento através das regras consagradas pela prática médica, sem se comprometer
com a obtenção de um certo resultado. A obrigação de resultado é aquela em que o
profissional se compromete a realizar um certo fim, a alcançar um determinado resultado.
As exceções consagradas pela jurisprudência são a cirurgia estética embelezadora e a
anestesia, atos médicos tidos como obrigações de resultado. Desde que o ordenamento
jurídico brasileiro, a doutrina e a jurisprudência consagraram a necessidade da prova de
culpa para aquele que pretenda uma indenização por ato ilícito de outrem, a prova desta
mesma culpa, no caso dos médicos, tendo obrigação geral de meios, reside na comprovação
de que o profissional agiu com falta de cuidado ou deixou de aplicar a prática dos recursos
usuais da ciência médica aplicáveis ao caso concreto. (Rafael Maines, "Responsabilidade".
DIÁRIO CATARINENSE, 25/8/2001.)

a) Diga, sucintamente, qual é a distinção apresentada no texto, e como ela afeta a categoria
profissional em questão.

b) Imagine que você mandou consertar um equipamento qualquer, mas o conserto não foi
bem sucedido. Formule uma breve reclamação, partindo do princípio de que a firma
responsável pelo conserto tinha obrigação de meios, não de resultado.

c) Nos dicionários, as palavras aparecem, em geral, associadas a vários sentidos. Para


consagrar, o dicionário Houaiss anota, entre outros, os seguintes: "1. Investir(-se) de caráter
ou funções sagradas, dedicando(-se), por meio de um rito, a uma ou mais de uma
divindade; sagrar. 2. Entre os católicos e em certas seitas protestantes, operar a
transubstanciação pelo rito da eucaristia. 3. Oferecer(-se) a Deus, a um santo, etc. por meio
de voto ou promessa. [...] 6. Aclamar, eleger, promover, elevar. 7. Reconhecer como
legítimo; acolher, sancionar. 8. Jurar pela hóstia consagrada". Supondo que você tenha
dúvidas sobre o sentido de "consagradas" ("exceções consagradas") e "consagraram" ("a
doutrina e a jurisprudência consagraram"), em qual das definições se apoiaria para
aproximar-se da acepção que essas palavras têm no texto?

16-

REDAÇÃO

ATENÇÃO: SE VOCÊ NÃO SEGUIR AS INSTRUÇÕES RELATIVAS A ESTE TEMA,


SUA REDAÇÃO SERÁ ANULADA.

Considerando especialmente as informações contidas na matéria jornalística transcrita a


seguir, escreva uma carta a um interlocutor de sua escolha (por exemplo, a um sindicalista,
a um político, a um empresário) sugerindo que ele se empenhe na aprovação de um projeto
de lei que acabe com as horas extras.

Nesta carta, você deverá, necessariamente, especificar os principais pontos do projeto de lei
que gostaria de ver aprovado.
Lembre-se de que você deverá identificar claramente seu destinatário e organizar seus
argumentos, a fim de convencê-lo a acatar sua sugestão.

- Não esqueça que você pode valer-se de informações da coletânea geral e dos enunciados
das questões desta prova para escrever sua carta.
- Ao assinar a carta, use iniciais apenas, de forma a não se identificar.

PRODUÇÃO: Horas extras impedem a criação imediata de 4,9 milhões de empregos no


país, calcula economista

CRESCE PRÁTICA DE HORA EXTRA NA ECONOMIA DE SP

Segundo pesquisa Seade-Dieese, 40,3% dos assalariados já ultrapassam a jornada de 44


horas semanais

SÃO PAULO. A recuperação da economia vem se sustentando em boa parte com o uso de
horas extras no trabalho. Segundo pesquisa da Fundação Seade e do Dieese, 40,3% dos
assalariados da Região Metropolitana de São Paulo trabalharam, em março, além da
jornada de 44 horas semanais fixada na Constituição, contra 35,6% no mesmo mês de 2000.
No comércio, foram nada menos do que 52,3%; e na indústria 40,9% prolongaram o
expediente. No setor de serviços, o percentual foi de 36,2%.
O economista Mário Pochmann, secretário extraordinário do Trabalho de São Paulo,
calcula que se a jornada fosse cumprida seriam criados imediatamente 4,9 milhões de
postos de trabalho no país, mais do que o suficiente para acabar com o contingente de 1,02
milhão de desempregados das seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE.
Pochmann utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios
(Pnad), do IBGE, realizada em 1999. Esta indicou que cerca de 27 milhões de brasileiros,
de um total de 70 milhões de ocupados à época, trabalhavam mais que a jornada legal.
- No Brasil, a exceção virou regra e comprometeu a criação de novos postos de
trabalho - diz o Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício.
Essa cultura sobrevive tanto em tempos de economia aquecida quanto de recessão.
Para as empresas, o recurso das horas extras evita o risco de contratações em momentos de
incerteza, além de reduzir custos trabalhistas.
- Os custos de contratação e demissão são muito altos no Brasil - justifica o
empresário Roberto Faldini, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp).
A legislação prevê que um trabalhador faça até duas horas adicionais por dia útil,
além de oito no sábado e oito no domingo, num total de até 26 horas extras semanais. Mas a
maioria dos trabalhadores encara esse expediente como forma de complementar renda e
aceita propostas de aumento de jornada.
- Isso derruba qualquer tentativa dos sindicatos de desestimular a prática das horas
extras - afirma o diretor-técnico do Dieese, Sérgio Mendonça.
Paulo Roberto Garcia Silva Júnior, de 20 anos, metalúrgico de São Paulo, é um
exemplo dessa tendência. Há oito meses, foi contratado para trabalhar das 6h às 15h30m,
por R$ 370,00 mensais. Hoje, no entanto, consegue quase o dobro fazendo horas extras
diárias e folgando só um domingo por mês.
- Procuro fazer o máximo de horas extras para ganhar mais - diz o operário.
O excesso não é uma prática exclusiva dos empregadores. No fim do ano passado, o
presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, descobriu que os cerca de
700 funcionários do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo faziam mais de cinco mil
horas extras por mês. Paulinho proibiu essa prática no Sindicato e a qualidade do
atendimento, segundo ele, não diminuiu. Agora, o sindicalista quer propor ao ministro do
Trabalho, Francisco Dornelles, que adote medidas restringindo o uso de horas extras pelas
empresas.
Além de comprometer a geração de empregos, as horas extras também prejudicam a
produtividade, aumentando os riscos de acidentes de trabalho. De acordo com o
levantamento mais recente do Ministério da Previdência e Assistência Social, o número de
mortes em acidentes de trabalho em 1999 foi de 3.923, representando um aumento de 3,6%
em relação a 1998.
(Marcelo Rehder, "O Globo", Caderno Economia, 8/5/200 1, p.25.)

Evolução do trabalho extra

PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES QUE FIZERAM HORA EXTRA NO TOTAL


DE ASSALARIADOS DA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO.------ split --->
FIESP: contratar tem custo alto

16-

Certa noite, no Edifício Babalu, quase ninguém pôde dormir, pois um dos moradores -
Estressógeno Malagueta -, baterista recém-contratado por uma banda de rock, decidiu
ensaiar a partir das 23 horas.
Na manhã seguinte, o administrador - Quelonídeo Lexotânico - chega de viagem e é
comunicado da ocorrência. Resolve, então, escrever uma carta ao roqueiro (expondo
queixas de dois moradores e explicitando providências a serem tomadas caso o ensaio se
repita).

Faça de conta que VOCÊ É QUELONÍDEO LEXOTÂNICO e redija a carta, obedecendo


às normas da língua culta.

17-

Certa noite, no Edifício Babalu, quase ninguém pôde dormir, pois um dos moradores -
Estressógeno Malagueta -, baterista recém-contratado por uma banda de rock, decidiu
ensaiar a partir das 23 horas.

Na manhã seguinte, o administrador - Quelonídeo Lexotânico - chega de viagem e é


comunicado da ocorrência. Resolve, então, escrever uma carta ao roqueiro (expondo
queixas de dois moradores e explicitando providências a serem tomadas caso o ensaio se
repita).

Faça de conta que VOCÊ É QUELONÍDEO LEXOTÂNICO e redija a carta, obedecendo


às normas da língua culta.

18-

TEMA C
Periodicamente, ao longo da história, pensadores têm afirmado que a humanidade chegou a
um ponto definitivo (o "fim da história"). O artigo abaixo, parcialmente adaptado, que
Denis Lerrer Rosenfield publicou no jornal "Folha de S. Paulo" em 28/06/2002, de certo
modo retoma essa afirmação.

A POÇÃO MÁGICA

O mundo mudou depois de 11 de setembro. A administração Bush, inicialmente voltada


para um fechamento dos EUA sobre si mesmos, cujo símbolo era o projeto de escudo
interbalístico, que protegeria essa nação de mísseis intercontinentais, afirma-se agora
claramente como imperial. Sua doutrina militar sofreu uma alteração substancial.
Doravante, a prioridade são ataques preventivos, que eliminem os focos terroristas no
mundo, ameaçando e atacando os Estados que lhes dêem cobertura e, sobretudo, que
tenham armas químicas e biológicas. (...)
Talvez o mundo, no futuro, mostre que o problema da democracia passa pela influência que
países, empresas, sindicatos e meios de comunicação venham a exercer sobre a opinião
pública americana - que pode, ela sim, mudar os rumos do império. Não esqueçamos que a
Guerra do Vietnã terminou devido à influência decisiva da opinião pública americana sobre
o centro de decisões políticas. Os países deverão se organizar para atuar sobre a opinião
pública americana.
Se essa descrição dos fatos é verdadeira, nenhuma política futura poderá ser baseada em um
confronto direto com os EUA ou em um questionamento dos princípios que regem essa
nação. A autonomia, do ponto de vista econômico, social, militar e político, pertence ao
passado. Poderemos ter nostalgia dela, mas seu adeus é definitivo. O que não significa,
evidentemente, que tenhamos de acatar tudo o que de lá vier; é imperativo reconhecer,
porém, que a realidade mudou e que embates radicais estão fadados ao fracasso.
Na época do Império Romano, o general César ou os imperadores subseqüentes não
estavam preocupados com o que se passava na Gália. Seus exércitos vitoriosos exerciam
uma superioridade inconteste. Era mais sensato negociar com eles do que enfrentá-los. Se
uma Gália moderna achar que pode deixar de honrar contratos, burlar a democracia, fazer
os outros de bobos, mudando seu discurso a cada dia ou cada mês, sua política se tornará
imediatamente inexeqüível.
Contudo, se, mesmo assim, esse povo decidir eleger um Asterix, convém lembrar que foi
perdida para sempre a fórmula da poção mágica e suas últimas gotas se evaporaram no
tempo.

Escreva uma carta, dirigida ao EDITOR do jornal, PARA SER PUBLICADA. Após
identificar a tese central do texto de Rosenfield,
a) caso concorde com o ponto de vista do autor, apresente outros argumentos e fatos que o
reforcem;
b) caso discorde do ponto de vista do autor, apresente argumentos e fatos que o
contradigam.

Para realizar essa tarefa, além do texto acima, considere também os que se seguem:

- Ao assinar a carta, use iniciais apenas, de forma a não se identificar.

1. Ao ver um cordeiro à beira do riacho, o lobo quis devorá -lo. Mas precisava de uma boa
razão. Apesar de estar na parte superior do rio, acusou-o de sujar a água. O cordeiro se
defendeu:
- Como eu iria sujar a água, se ela está vindo daí de cima, onde tu estás?
- Sim, mas no ano passado insultaste meu pai, replicou o lobo.
- No ano passado, eu nem era nascido...
Mas o lobo não se calou:
- Podes defender-te quanto quiseres, que não deixarei de te devorar. (Adaptado de Esopo,
"Fábulas". Porto Alegre, LP&M.).

2. Então saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate,
da altura de seis côvados e um palmo. (...) Todos os israelitas, vendo aquele homem, fugiam
diante dele (...). Davi disse a Saul: "... teu servo irá, e pelejará contra ele". (...) Davi meteu a
mão no alforje, e tomou dali uma pedra e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa, e
ele caiu com o rosto em terra. E assim prevaleceu Davi contra Golias, com uma funda e
uma pedra. (Adaptado de "I Samuel", 17, 4-50.)
3. Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob
circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas
e transmitidas pelo passado. (Karl Marx, "O 18 Brumário de Luís Bonaparte"... Rio de
Janeiro, Paz e Terra, 1977).

19-

REDAÇÃO
Leia os textos abaixo, que servem de subsídio para o desenvolvimento de sua redação.

Texto 1 (editado)
Projeto de Lei
Art. 1Ž Fica proibido o uso de nomes próprios, prenomes ou sobrenomes, nacionais ou
estrangeiros, comuns à pessoa humana em animais domésticos, silvestres ou exóticos.
[...]
Art. 4Ž O descumprimento do disposto nesta Lei sujeita o infrator ao pagamento de multa
ou prestação de serviços comunitários, a ser estipulado pelo Poder Judiciário.

Justificação
Uma das atividades mais significantes no processo de geração de uma criança é a
escolha do nome. Pais, familiares, amigos e até especialistas buscam um nome que
caracterize o indivíduo ou, pelo menos, pressuponha o futuro próspero do nascituro [..]. Se
não com este propósito, certamente para homenagear algué que se tem em honra.
O nome é símbolo da personalidade humana. É uma necessidade estritamente
humana e de nenhuma importância ou utilidade psíquica e sequer social para o animal, por
mais considerado que este seja.
Precisamos fomentar os elementos facilitadores das relações interpessoais em vez de
ignorar os elementos que servem apenas para escárnio e provocação entre os seres
humanos. Assim creio que esta proposição evitará os constrangimentos e os prejuízos
psicológicos ocorridos nos desgastantes encontros entre homem e animal que compartilham
o mesmo nome, em especial às crianças em fase de construção de sua identidade e
personalidade.

Texto 2
Deputado vira bicho com bicho com nome de gente Um projeto de lei está na
Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. É da mais alta relevância
para a República. Quer proibir os donos de animais de batizarem os seus bichos de
estimação com nome de gente. Assina o projeto o deputado Pastor Reinaldo. Resumo da
ópera: o Pastor Reinaldo quer desempregar o genial Louro José de Ana Maria Braga. Quer
que Lula troque o nome de sua cachorra, uma alegre e linda fox terrier chamada Michelle.
E com certeza vão ter de mexer na obra de Machado de Assis e mudar o nome de cachorro
do filósofo Quincas Borba. Pastor não propõe mudanças nos nomes das raças. Pastor
Alemão, por exemplo, vai continuar chamado Pastor Alemão.
("Isto É", 1830, 3-11-2004, p. 20.)

PROPOSTA:
Redija um texto dirigido à revista ou ao deputado citados, no qual você externe seu ponto
de vista sobre a matéria tratada no projeto de lei.

INSTRUÇÕES:
1. Faça uso da modalidade escrita culta da língua portuguesa.
2. Ao desenvolver suas idéias, procure utilizar seus conhecimentos e suas experiências de
modo crítico.
3. Exponha argumentos adequados para sustentar seu ponto de vista.

20-

Instruções

A prova de Redação apresenta três propostas de construção textual. Desse modo, para
produzir o seu texto, você deve escolher um gênero, entre os três indicados a seguir:

A - diário
B - editorial
C - carta de leitor

O tema é único para os três gêneros. Fuga ao tema, desconsideração ou mera cópia da
coletânea anulam a Redação.
Com a finalidade de auxiliar o projeto do seu texto, o tema vem acompanhado de uma
coletânea. Ela tem o objetivo de propiciar uma compreensão prévia e abrangente a respeito
da temática proposta. Por isso, a leitura da coletânea é obrigatória. Ao utilizá-la, você não
deve copiar trechos ou frases sem que essa transcrição esteja a serviço do seu projeto de
texto.
Independentemente do gênero escolhido, o seu texto não deve ser assinado.

TEMA

A Verdade:
Inerente aos acontecimentos e às coisas do mundo?
Construída a partir dos acontecimentos e das coisas num dado momento e lugar?

COLETÂNIA

ciência [Do lat. scientia]. S. f. [...] conjunto de conhecimentos socialmente adquiridos ou


produzidos, historicamente acumulados, dotados de universalidade e objetividade que
permitem sua transmissão, e estruturados com métodos, teorias e linguagens próprias, que
visam compreender e, possivelmente, orientar a natureza e atividades humanas.
verdade [Do lat. veritate]. S. f. Conformidade com o real; exatidão, realidade; franqueza,
sinceridade; coisa verdadeira ou certa; [...] princípio certo; [...] representação fiel de alguma
coisa da natureza.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. "Novo Aurélio século XXI". O
Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999; p. 462 e 2060.
Câncer
Quando as estatinas chegaram ao mercado, pensava-se que elas poderiam aumentar
os riscos de câncer. Agora, os médicos começam a acreditar que os efeitos do remédio
podem vir a ajudar no tratamento de pacientes com câncer, especialmente os tumores
malignos de fígado, de intestino e de próstata.
Começaram a ser feitos os primeiros levantamentos sobre a relação entre as
estatinas e a prevenção do câncer da mama. O processo pelo qual o remédio combateria
esses tumores ainda não foi desvendado.
"VEJA". São Paulo: Abril, n. 1858, 16 jun. 2004, p. 86.

Ninguém tem dúvida de que discordâncias e erros de interpretação podem ocorrer.


Infelizmente, fazem parte do aspecto subjetivo humano, do exercício da medicina. Resta
aos especialistas a tarefa contínua de melhorar ao máximo o controle de qualidade de
equipamentos, métodos, técnicos e médicos, num esforço constante para evitar informações
desencontradas que possam prejudicar o paciente.
Por sorte, a maioria das discrepâncias está em detalhes periféricos que raramente
têm impacto significativo no manejo clínico. As restrições impostas pelos diferentes
sistemas de saúde, assim como pelo mercado, podem reduzir a capacidade dos centros de
diagnóstico em manter qualidade de níveis elevados, adequados. Quanto de discrepância
entre especialistas pode ser considerado aceitável? Isso ainda não está claro hoje em dia. E
não se sabe se ficará claro num futuro próximo.
"CARTA CAPITAL". São Paulo, n. 303, set. 2004, p. 56. Especial Saúde.

Quando comparamos as físicas de Aristóteles, Galileu-Newton e Einstein, não


estamos diante de uma mesma física, que teria evoluído ou progredido, mas diante de três
físicas diferentes, baseadas em princípios, conceitos, demonstrações, experimentações e
tecnologias completamente diferentes. Em cada uma delas, a idéia de Natureza é diferente;
em cada uma delas os métodos empregados são diferentes; em cada uma delas o que se
deseja conhecer é diferente.
CHAUI, Marilena. "Convite à filosofia". São Paulo: Ática,1999, p. 257.

Se seus anzóis têm, até o momento, pescado só peixes pequenos, ele (o cientista)
deve mudá-los para ver se consegue pescar peixes grandes. Se está convencido de que as
coisas são de um jeito, deveria buscar evidências de que são de outro. Cada cientista
consciente deveria lutar contra sua própria teoria. E é isso que o torna uma pessoa capaz de
perceber o novo.
ALVES, Rubem. "Filosofia da Ciência - introdução ao jogo e a suas regras". São
Paulo: Loyola, 2000, p. 189.

Em nossas sociedades, a "economia política" da verdade tem cinco características


historicamente importantes: a "verdade" é centrada na forma do discurso científico e nas
instituições que o produzem; está submetida a uma constante incitação econômica e política
(necessidade de verdade tanto para a produção econômica quanto para o poder político); é
objeto, de várias formas, de uma imensa difusão e de um imenso consumo (circula nos
aparelhos de educação ou de informação, cuja extensão no corpo social é relativamente
grande, não obstante algumas limitações rigorosas); é produzida e transmitida sob o
controle, não exclusivo, mas dominante, de alguns grandes aparelhos políticos ou
econômicos (universidade, exército, escritura, meios de comunicação); enfim, é objeto de
debate político e de confronto social (as lutas "ideológicas"). [...] Há um combate "pela
verdade' ou, ao menos, "em torno da verdade" - entendendo-se, mais uma vez, que por
verdade não quero dizer "o conjunto das coisas verdadeiras a descobrir ou a fazer aceitar",
mas o "conjunto das regras segundo as quais se distingue o verdadeiro do falso e se atribui
ao verdadeiro efeitos específicos de poder"; entendendo-se também que não se trata de um
combate "em favor" da verdade, mas em torno do estatuto da verdade e do papel
econômico-político que ela desempenha.
FOUCAULT, M. "Microfísica do poder". 18. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2003, p. 13.

Mídia, às vezes, fabrica notícias, afirma Gushiken


O ministro Luiz Gushiken (Comunicação e Gestão Estratégica) disse que a mídia às
vezes comete "deslizes" e "fabrica" notícias. As declarações foram dadas ao comentar a
proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo para fiscalizar os profissionais.
Gushiken diz que a liberdade de imprensa é "um valor definitivo na democracia",
mas que "nada é absoluto".
"FOLHA DE S. PAULO". São Paulo, 11 ago. 2004.

A nossa moral e a deles


Ser democrático, diz Giannotti, é conviver com esse "risco de o político tentar
vencer eleições usando os recursos à mão, até manipulando indecisões e falhas do
regulamento". Não existe política sem tolerância para certas faltas. Se não existe inferno, se
o proletariado não vai nos salvar da barbárie da história e, enfim, se Marx está morto, se
Deus está morto e nós mesmos não nos sentimos muito bem, há um espaço "cinzento" para
alguma espécie de vale-tudo.
FREIRE, Vinícius Torres. A nossa moral e a deles. "Folha de S. Paulo", São Paulo,
15 set. 2003, p. A2.

A mentira na política
Não se pode minimizar o papel vigilante da mídia. Se ela se contenta em denunciar
aos quatro ventos o escândalo da mentira, apenas arma instrumento político para a
oposição, sem fazer o balanço dos aspectos negativos e positivos da mentira. [...] É verdade
que não pode discutir esses temas numa pequena nota de jornal, mas a bola está com ele
[Vinícius] - particularmente, atitude que deve tomar. No título "A nossa moral e a deles",
Vinícius levanta, a meu ver, uma questão importante: existe no PT e na esquerda em geral
um traço de evangelização, pois só eles proclamam a verdade da história e da revolução,
por conseguinte o que dizem é a verdade, e os adversários, a mentira.
GIANNOTTI, José Arthur. A mentira na política. "Folha de S. Paulo", São Paulo, 17
set. 2003, p. A3.

No início do verão [europeu], uma notícia policial sacudia a França. Num trem de
subúrbio, uma jovem que viajava com seu bebê fora assaltada e brutalizada por um bando
de adolescentes magrebinos e negros. Constatando, ao roubarem seus documentos, que
nascera nos "bairros ricos", eles haviam concluído que era judia.
Conseqüentemente, o roubo se transformara em agressão anti-semita: eles marcaram
seu rosto à faca, pintaram nela suásticas e fizeram cortes selvagens em seus cabelos.
Nenhum dos passageiros do trem interveio para defender a jovem e seu bebê, nem sequer
para puxar simplesmente o sinal de alarme.
Em 48 horas viam-se multiplicar as declarações de responsáveis políticos e os
comentários dos jornais. Mais ainda que a agressão, era a passividade dos passageiros que
levantava a indignação [...].
Dois dias mais tarde ficou-se sabendo que todo o caso fora pura e simplesmente
forjado. A jovem quisera por essa encenação chamar para si a atenção de um companheiro
pouco sensível a seus problemas.
As falsas notícias são tão velhas quanto o mundo assim como sua utilização no
quadro de conflitos entre comunidades. Esta, porém, parece mostrar claramente o novo
regime da mentira. Com efeito, conhecem-se duas formas tradicionais da mentira de massa.
Há a forma do "rumor popular" - por exemplo, o que na Idade Média acusava os judeus de
raptos de crianças destinadas a mortes rituais. E há a forma da mentira deliberadamente
inventada por um poder, estatal ou outro, para atiçar em seu proveito o ódio contra uma
comunidade que serve de bode expiatório.
A mentira da jovem Marie-Léonie não se enquadra em nenhuma das duas. A
máquina da informação, nos dias de hoje, é mais rápida que todo o rumor popular. E nossos
governos consensuais não têm nenhum interesse em alimentar a guerra das comunidades.
Portanto, não se pode aqui pôr em causa nem a tradicional "credulidade" das massas
populares nem a imaginação perversa dos homens do poder.
RANCIERE, Jacques. As novas razões da mentira. "Folha de S. Paulo", São Paulo,
22 ago. 2004, p. 3. Caderno Mais!

PROPOSTAS DE REDAÇÃO

A - DIÁRIO
O diário é um tipo de relato pessoal que narra fatos de nosso cotidiano, relata
impressões sobre o mundo que nos cerca, nossas idéias, opiniões, emoções e até nossos
segredos. No ambiente acadêmico-científico, o diário deixa transparecer os caminhos da
pesquisa, as dúvidas, os problemas do pesquisador, as relações sociais que se estabelecem
entre os participantes da pesquisa, enfim, é uma forma de se fazer um balanço das próprias
ações.
Imagine que você seja um cientista que descobriu a vacina contra o vírus HIV. O
ministério da Saúde resolve aplicar a vacina antes de ela ser amplamente testada, e uma
campanha de vacinação em massa é realizada pelo governo. Depois de realizada a
vacinação, você descobre, por meio de novos testes, que a vacina não é eficiente, mas a
divulgação da notícia é proibida. Você é obrigado a se calar. Diante desse conflito, você
resolve escrever uma página de seu diário, relatando os acontecimentos e refletindo sobre o
seu papel no desenvolvimento das pesquisas científicas e sobre a verdade na ciência.

B - EDITORIAL
O editorial, por veicular a opinião do jornal sobre assuntos da atualidade, quase
sempre polêmicos, caracteriza-se como um texto de natureza argumentativa.
Você é o editor-chefe de um jornal de grande circulação nacional, que publicou uma
notícia sobre o desvio de verba para a conta particular de um senador. A partir da denúncia
do jornal, o senador foi julgado e teve seu mandato cassado. Alguns meses passaram-se, e
uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) comprovou que houve um equívoco do
jornal na demonstração dos valores, absolvendo, assim, o senador.
Por meio de um editorial, você deve discutir o acontecimento e suas conseqüências,
mostrar ao leitor as razões da publicação da notícia, justificando a atitude do seu jornal,
questionar e tecer reflexões acerca da questão da verdade na política e no jornalismo.

C - CARTA DE LEITOR
A carta de leitor é um gênero da mídia impressa; um espaço destinado aos leitores
que queiram emitir pareceres pessoais favoráveis ou desfavoráveis às matérias publicadas.
Faça de conta que você seja a jovem francesa Marie-Léonie, que, ao ler, no jornal
"Le Monde", a notícia de que a agressão que sofrera havia sido uma farsa, decide escrever
ao jornal a fim de esclarecer os acontecimentos ocorridos no trem. Você deve se defender
das acusações divulgadas pelo jornal e recorrer a argumentos que fortaleçam sua defesa e
que questionem o princípio da verdade nas práticas desenvolvidas pelos veículos de
informação de massa.

21-

CARTA ARGUMENTATIVA

Idealizada pelo subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Perly Cipriano,
a cartilha "Politicamente correto & direitos humanos" foi produzida pelo jornalista Antônio
Carlos Queiroz. Este, diante de inúmeras críticas e da repercussão negativa da cartilha,
concedeu à imprensa entrevistas sobre o assunto. O teor de uma delas está expresso no
texto a seguir:

Não me surpreende que a Cartilha tenha recebido tantas críticas assim. O Brasil é o país da
desigualdade. Aqui, as pessoas não têm direito de terem pensamento ideológico diferente,
há uma intolerância à esquerda e à direita. A idéia da Cartilha era fazer um sentido
provocador, chamar atenção sobre a imagem e a dignidade das pessoas diferenciadas. A
idéia foi provocar mesmo. E quem mordeu a isca em primeiro lugar? João Ubaldo Ribeiro,
um cara que gosta de alardear, que é conservador, detesta o Governo Lula, xinga os
ministros de asnos e foi contra a demarcação das terras indígenas. Ele abominou a Cartilha,
mas publica a cartilha semanal dele, não quer que outras pessoas tenham idéias opostas às
dele. Que efeito eu espero da Cartilha? Bem, se as pessoas tiverem consciência, vão ter um
pouco mais de cuidado no tratamento das pessoas diferentes. A idéia é levantar o debate - a
linguagem é um instrumento de poder. Sendo um instrumento de poder a linguagem pode
ser uma arma de humilhação ou discriminação. Quem trabalha com as palavras tem de ter
cuidado para cumprir a Constituição, onde está dito que um pilar da República é a
dignidade humana. O resto é tempestade em copo d'água, uma tempestade, aliás, prevista,
porque nós já sabíamos que estávamos mexendo num vespeiro.
QUEIROZ, A. C. Entrevista. "O Estado de S. Paulo". São Paulo, 5 maio 2005.
[Adaptado].

Em seu ponto de vista, a opinião pública e a imprensa fizeram mesmo uma tempestade em
copo d'água em torno da cartilha do politicamente correto ou a referida publicação é mesmo
necessária? Responda a essa pergunta redigindo uma CARTA ARGUMENTATIVA ao
jornalista Antônio Carlos Queiroz. Não se esqueça de se posicionar e reforçar suas idéias
com argumentos consistentes sobre o tema proposto.

22-

Texto 1

A partir de agosto, o governo começará a financiar as primeiras pesquisas com


células-tronco embrionárias no País. Essas estruturas, diferentemente das extraídas do
cordão umbilical e da medula óssea, são mais versáteis e por isso se mostram ótimas
candidatas a se transformar em qualquer tipo de tecido. Em muitos países, como os EUA,
os estudos com essas células não são permitidos. No Brasil, a autorização ocorreu em
março, com a aprovação da Lei de Biossegurança.
(...)
RODRIGUES, Greice. "Finalmente, aos embriões". Istoé, 29/06/2005. p.64.

Texto 2

LEI NŽ 11.105, DE 24 DE MARÇO DE 2005.

Art. 5Ž É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco


embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não
utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições:
I - sejam embriões inviáveis; ou
II - sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação desta
Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem 3 (três)
anos, contados a partir da data de congelamento.
"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11105.htm - 72k
- 29 nov. 2005"

Texto 3
(...) A hematologista Sílvia Magalhães, chefe do serviço de Hematologia do Hospital
Universitário, explicou que, durante seis meses, uma equipe médica acompanhará
diariamente o processo de multiplicação dessas células no paciente. Quando o nível ideal de
células for atingido, o sangue do voluntário será coletado e as células-tronco serão
trabalhadas no laboratório de crio-preservação (em um sistema de congelamento rápido
para evitar a morte das células) até chegar em condições de serem administradas em
pacientes.
(...) Se for comprovada a eficácia da terapia com células-tronco, além dos benefícios
para a saúde, haverá inserção do Estado no cenário tecno-científico nacional. "Só o fato de
o Ceará utilizar uma terapêutica moderna, que hoje está em discussão em vários aspectos, e
fazer uma tecnologia de ponta, é fundamental para o desenvolvimento tecnológico do
Estado", afirma Sílvia Magalhães.
VALE, Naara e DINIZ, Joanice. "Células-tronco: a esperança chega ao Ceará."
Universidade Pública, agosto/setembro 2005. p.28-29.

E você, o que pensa sobre essas pesquisas?

Escreva uma carta, dirigida à doutora Sílvia Magalhães, na qual você expressa seu ponto de
vista acerca das pesquisas com células-tronco.

23-

A partir da leitura dos trechos de poemas transcritos a seguir, o que você escreveria ao
presidente da Organização das Nações Unidas (ONU)?

POEMA A:
"[...]
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada."
(MORAES, Vinícius de. A Rosa de Hiroxima. In: "Nova Antologia Poética". São
Paulo: Companhia das Letras, 2004).

POEMA B:
"Nós merecemos a morte,
porque somos humanos,
e a guerra é feita pelas nossas mãos,
pela nossa cabeça embrulhada em séculos de
[sombra,
por nosso sangue estranho e instável, pelas
[ordens
que trazemos por dentro, e ficam sem
[explicação."
(MEIRELLES, Cecília. Lamento do Oficial por seu Cavalo Morto. In: "Obra
Poética". 1 ed. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958 ).

POEMA C:
"Este é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
[...]
O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e
[outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme."
(DRUMMOND DE ANDRADE, C. Nosso Tempo. In: "A Rosa do Povo". Rio de
Janeiro: Record, 2004).

24-

A prova de Redação apresenta três propostas de construção textual. Para produzir o seu
texto, você deve escolher um dos gêneros indicados a seguir:

A - artigo de divulgação científica


B - crônica
C - carta aberta

Tema

Memória: constitutiva do homem e formadora da identidade social

Coletânea

Uma memória coletiva se desenvolve a partir de laços de convivência familiares,


escolares, profissionais. [...] Que interesse terão tais elementos para a geração atual? [...]
Por muito que deva à memória coletiva é o indivíduo que recorda. Ele é o memorizador e
das camadas do passado a que tem acesso pode reter objetos que são, para ele, e só para ele,
significativos dentro de um tesouro comum. [...] Se a memória da infância e dos primeiros
contatos com o mundo se aproxima, pela sua força e espontaneidade, da pura evocação, a
lembrança dos fatos públicos acusa, muitas vezes, um pronunciado sabor de convenção. [...]
Na memória política, os juízos de valor intervêm com mais insistência. O sujeito não se
contenta em narrar como testemunha histórica "neutra". Ele quer também julgar, marcando
bem o lado em que estava naquela altura da História, e reafirmando sua posição ou
matizando-a.
A memória dos acontecimentos políticos suscita uma palavra presa à situação
concreta do sujeito. O primeiro passo para abordá-la, parece, portanto, ser aquele que leve
em conta a localização de classes e a profissão de quem está lembrando para compreender
melhor a formação do seu ponto de vista. [...] Há um modo de viver os fatos da História,
um modo de sofrê-los na carne que os torna indeléveis e os mistura com o cotidiano, a tal
ponto que já não seria fácil distinguir a memória histórica da memória familiar e pessoal.
Bosi, E. "Memória e sociedade: lembranças de velhos". São Paulo: Edusp, 1987, p.
332-333, 371-385.

A campanha de salvamento de Abu Simbel, alto Egito, foi fundamental para a


consolidação do conceito de patrimônio mundial, difundindo em todo o mundo a idéia de
que a responsabilidade pela preservação dos grandes monumentos - os tesouros do
patrimônio mundial - não toca apenas aos países onde eles se situam, mas sim a todos os
povos da terra, sem exceção.
"PLANETA", n. 395. São Paulo, ago. 2005, p. 45. [Adaptado]

[...] Já faz tempo eu vi você na rua / Cabelo ao vento, gente jovem reunida / Na parede da
memória essa lembrança é o quadro que dói mais / Minha dor é perceber que apesar de
termos feito tudo o que fizemos / Ainda somos os mesmos e vivemos / Como nossos pais
[...]
BELCHIOR. Como nossos pais. Intérprete: REGINA, E. "O mito". São Paulo:
Universal Music, 1995. 1 CD. Faixa 3.

Baú de recordações. A professora aposentada Neuza Guerreiro de Carvalho (foto)


guarda as memórias de seus 75 anos de vida em três baús e em dezenas de livros. Ali estão
registros escritos, fotografias e objetos que contam não só a história de sua existência mas
também a dos familiares que a antecederam e a sucederam e ainda a da cidade em que
sempre viveu, São Paulo. A lembrança mais remota que conserva? "Uma caixinha que era
do meu pai", diz ela, e, do fundo do baú que leva o nome "Memórias e Histórias", saca a
caixinha cuidadosamente embalada para que dure por muitos anos. [...]
Gosto do passado. Década de 50. Numa casa pobre, do bairro de Remédios, SP,
crianças olham a chuva cair lá fora. Irene é uma delas. Do fogão à lenha sobe o cheiro de
alho frito. O aroma perfuma a tarde. O avô de Irene faz miga, comida espanhola conhecida
em Portugal como sopa de pão. A tropa mirim se aquieta. [...] "Era aniversário do meu
marido e eu estava servindo uma receita russa quando me lembrei da miga", conta a dona-
de-casa Irene Cavallini, 61. Correu e incluiu a passagem no livro "No vão da escada", que
publicou independentemente após fazer o curso "Resgatando e escrevendo suas memórias",
do Colégio Santa Maria, SP. [...] "Resgatar a própria história é um modo de se redescobrir e
de registrar quem você é", diz Maria Aldina Galfo, professora do curso.
"FOLHA DE S. PAULO". São Paulo, 8 set. 2005, p. 8. Equilíbrio. [Adaptado].

Imagine se existisse uma pílula da memória. Apenas um simples comprimido seria


suficiente para não esquecermos nunca mais a data de aniversário do avô ou todos os
detalhes daquela viagem de verão. Pois essa milagrosa invenção já está sendo desenvolvida
por cientistas da Universidade da Califórnia, que afirmaram à revista New Scientist que ela
poderia ser usada na recuperação de pessoas em estado de cansaço, no tratamento de
pacientes com Alzheimer e até mesmo para aumentar o desempenho de pessoas saudáveis.
"FOLHA DE S. PAULO". São Paulo, 8 set. 2005, p. 6. Equilíbrio.

E se pudéssemos tomar um remédio que nos ajudasse a esquecer? Uma notícia


divulgada no final de julho na revista científica Nature revelou que um grupo de psiquiatras
nos EUA acredita que drogas do tipo bloqueadores beta, utilizadas largamente para tratar
hipertensão, agem "apagando memórias ruins", se administradas no momento certo. [...]
Conta o psiquiatra Frederico Graeff, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto:
"a droga não faz esquecer um trauma, o que pode fazer é barrar um fluxo emocional
excessivo, a pessoa não revive os sentimentos". "O bloqueador beta inibe a ação da
adrenalina e sua "prima" no cérebro, a noradrenalina. Se você tem uma experiência
emocionalmente estimulante, você vai liberar essas substâncias no corpo e no cérebro, e
elas têm o papel de determinar o quão fortemente as memórias serão lembradas. O
bloqueador beta barra a ação delas e enfraquece as memórias", detalha James Mc- Gaugh.
"GALILEU". São Paulo, set. 2005, n. 170, p. 37-38. [Adaptado].

Preservar a vida é o mais arraigado dos instintos. Na evolução das espécies, a


seleção natural cuidou de eliminar os incapazes de defendê-la com unhas e dentes.
Os seres humanos não constituem exceção, mas, pelo fato de sermos animais
racionais, aceitamos determinados limites para a duração da existência; mantê-la a qualquer
custo não nos parece sensato. A perda irreversível da memória configura uma dessas
situações. Incapazes de lembrar quem somos e de entender o que se passa a nossa volta, de
que vale a condição humana?
VARELLA, D. A memória da velhice. "Folha de S. Paulo". São Paulo, 3 set. 2005,
p. E12.

Atualmente, é triste a constatação de que há pouca gente sensível à manutenção de


nossos monumentos, sensível à arquitetura produzida por nossos antepassados nessa cidade.
[...] Infelizmente, atualmente o descaso com esse patrimônio vem se tornando prática
comum: a regra é pôlo abaixo. O que torna tudo pior é que em seu lugar surgem
invariavelmente construções pioradas em todos os sentidos: estética, funcional ou
economicamente. A situação é mais dramática no Centro da cidade, região em que os
edifícios têm maior valor histórico e mesmo arquitetônico. Pois ali casas, sobrados e
edifícios são postos abaixo para dar lugar a construções provisórias, barracões, puxados ou
mesmo a meros estacionamentos.
UNES, W. "Identidade art déco de Goiânia". São Paulo: Ateliê Editorial; Goiânia:
Editora da UFG, 2001, p. 20-21. [Adaptado].

Se o mundo do futuro se abre para a imaginação, mas não nos pertence mais, o
mundo do passado é aquele no qual, recorrendo a nossas lembranças, podemos buscar
refúgio dentro de nós mesmos, debruçar-nos sobre nós mesmos e nele reconstruir nossa
identidade. [...] O tempo da memória segue um caminho inverso ao do tempo real: quanto
mais vivas as lembranças que vêm à tona de nossas recordações, mais remoto é o tempo em
que os fatos ocorreram.
BOBBIO, N. "O tempo da memória". Rio de Janeiro: Campus, 1997. Contracapa.

(Tudo é sombra de sombras, com certeza [...]


Vão-se as datas e as letras eruditas / na pedra e na alma, sob etéreos ventos, / em lúcidas
venturas e desditas.
E são todas as coisas uns momentos / de perdulária fantasmagoria, / - jogo de fugas e
aparecimentos).
Das grotas de ouro à extrema escadaria, / por asas de memória e de saudade, / com o pó do
chão meu sonho confundia.
MEIRELES, C. "Romanceiro da Inconfidência". Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
1999, p. 40.

Propostas de Redação

A - ARTIGO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA


O artigo de divulgação científica traz, numa linguagem acessível ao grande público,
reflexões a respeito de determinado tema investigado por uma comunidade científica.
Geralmente, as opiniões de estudiosos e os resultados das investigações se complementam
ou se opõem. Esse gênero se constitui a partir de uma seleção de informações e comentários
relevantes para se ter uma visão geral acerca do tema. No texto, predominam seqüências
expositivo-argumentativas. Imagine que você seja um jornalista de uma revista de
divulgação científica e escreva um artigo a respeito das concepções de memória social,
política, biológica etc. No projeto argumentativo, considere as relações entre essas
diferentes perspectivas, o papel que esses tipos de memória exercem na formação do
homem e na constituição da identidade de um povo.

B - CRÔNICA
A crônica pode apresentar tanto características de um texto literário quanto de um texto
jornalístico. Impressões a respeito de fatos ou de situações do cotidiano são recriadas em
um texto que objetiva divertir o leitor e/ou trazer uma análise crítica. Nesse gênero,
predominantemente narrativo-expositivo, o narrador pode ser participante ou não da
história. Imagine que você tenha tomado uma pílula recém-lançada no mercado e isso gerou
conseqüências nas suas relações sociais (na família, no trabalho, na vida afetiva etc), pois
entre os efeitos da pílula, que age na memória, podem estar a lembrança e/ou o
esquecimento de fatos e pessoas interessantes. A partir dessa situação, escreva uma crônica
para ser publicada em um jornal de circulação local, considerando que a perda ou a
recuperação da memória pode influenciar a construção de sua identidade.

C - CARTA ABERTA
O gênero carta aberta manifesta publicamente, via meios de comunicação de massa, a
opinião de um grupo de pessoas a respeito de um problema. A intenção é persuadir o
interlocutor a tomar consciência do problema e se mobilizar para solucioná-lo. O texto
denuncia e analisa os fatos, sugere e reivindica ações resolutivas. A construção da imagem
do interlocutor e estratégias de convencimento determinam a predominância no texto de
aspectos de natureza expositivo-argumentativa. Em nome de uma organização não-
governamental, preocupada com a preservação da identidade individual e coletiva, redija
uma carta aberta ao ministro da Cultura, para ser publicada em um jornal de circulação
nacional, denunciando a perda progressiva da memória nacional, traduzida na deterioração
do patrimônio histórico e cultural do Brasil. Exponha fatos que comprovem esse descaso,
revelado em atitudes da população e dos órgãos governamentais, reivindique e sugira
medidas que possam conter esse grave problema.

25-

Leia a coletânea e trabalhe sua carta a partir do seguinte recorte temático:


A relação da agricultura com o comércio internacional está marcada por barreiras tarifárias,
sanitárias, ambientais, que demandam constantes negociações entre os produtores agrícolas
e o Estado.
Instruções:
1) Escolha um produto agrícola brasileiro de exportação ou seu derivado.
2) Argumente, a partir do ponto de vista de um produtor, contra uma barreira internacional
imposta a esse produto.
3) Dirija sua carta a uma associação representativa do setor, solicitando medidas efetivas.
Observação: Ao assinar a carta, use apenas suas iniciais, de modo a não se identificar.

26-

TEMA: VOCAÇÃO OU REMUNERAÇÃO

Quando se escolhe uma profissão, muitos fatores são considerados, tais como: as
vantagens e desvantagens; a empregabilidade; os conselhos de pais e amigos; a vocação.
Suponha que, preocupado com essas questões, você tenha lido a crônica de Maurício de
Sousa, a seguir transcrita, e o texto o tenha ajudado a definir o seu ponto de vista sobre a
questão do retorno financeiro na escolha de uma profissão.
Escreva uma carta sobre o tema da crônica, que poderia ser publicada na seção
Cartas dos Leitores de uma revista voltada para os exames vestibulares, revelando as razões
para a sua escolha profissional e defendendo sua posição com argumentos bem
fundamentados. O texto da carta não deve ultrapassar 20 linhas.

CRÔNICA DE MAURÍCIO DE SOUSA------ split --->


Essa frase ecoava na minha cabeça como mil sinos batendo num funeral.
Mas como?
E os rabiscos que eu fazia desde criança? Com o acompanhamento entusiasmado de
meus pais e parentes? E as historinhas que havia criado na escola, em gibizinhos de edição
única e "consumidos" avidamente, de mão em mão, pelos colegas? E os cartazes que eu
fazia para o comércio de Mogi, até que já bem remunerados? E os pôsteres que eu realizava
para as alunas da Escola Normal - futuras professorinhas - sobre os mais diversos temas, até
que belos e coloridos... e bem pagos.
E minha colaboração ao Jornal de Esportes da terra, com a criação de personagens
símbolos para todos os clubes esportivos da região? ... e os desenhos coloridos, bonitos (e
decalcados de belas ilustrações dos desenhos de Disney) que eu fazia para impressionar
minhas paquerinhas?
Ah, não!
Não podia ser verdade.
Mas ... quem falava era um profissional tão importante, tão conhecido, famoso
que... não podia estar enganado.
Antes da frase de gelo eu até que estava animado. Tinha juntado vários desenhos
meus, armei uma pastinha e me mandei para a redação do jornal Folha da Manhã, em São
Paulo. Sabia que ali havia um departamento de arte. Tinha esperanças de conseguir nem
que fosse um estagiozinho.
Fui recebido pelo chefe do departamento: ilustrador famoso. Tinha até colaborado
durante muito tempo na revista mais importante da época: O Cruzeiro. Agora dirigia os
destinos artísticos da Folha.
Ele tomou minha pasta das mãos, ar bonacheirão, simpático, folheou desenho,
fechou a pasta, olhou pra mim e soltou a frase-bomba: "- Desista! Desenho não dá futuro!"
E continuou com outros "conselhos": "- Por que não tenta outra coisa na vida? Você é
jovem. Pode escolher qualquer coisa melhor do que passar anos e anos riscando papel! Vá
fazer qualquer outra coisa que dê dinheiro!"
(Publicada no site www.monica.com.br/mauricio/cronicas/cron13.htm)

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