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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Processo N° 0063922-73.2016.4.01.3400 - 6ª VARA - BRASÍLIA Nº de registro e-CVD 00655.2018.00063400.1.00104/00128

SENTENÇA 2018-A (TIPO A) PROCESSO Nº 63922-73.2016.4.01.3400 REQUERENTES: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL – MPF E DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO – DPU REQUERIDO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS

1. RELATÓRIO

Trata-se de ação civil pública, com pedido liminar, ajuizada pelo MINISTÉRIO

PÚBLICO FEDERAL e pela DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO – DPU contra o

INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS, objetivando, em síntese:

a) condenar o Réu em obrigação de não fazer, para que se abstenha de

cancelar benefícios previdenciários sem o prévio esgotamento das instâncias

administrativas. Subsidiariamente, pretende que o Réu abstenha-se de cancelar

benefícios previdenciários sem prévia intimação do beneficiário, a ser feita mediante aviso

de recebimento ou qualquer outro meio hábil, e sem franquear-lhe o exercício do

contraditório, “com a possibilidade de requerimento de produção de prova (s), bem como

de apresentação de documentos comprobatórios de suas razões”. Nesse caso, “a decisão

administrativa deverá considerar tais elementos e apontar argumentos que demonstrem a

inaptidão da defesa para fundamentar a manutenção do benefício (§ 1º do art. 38 da Lei

n. 9.784/99), devendo, ainda, a ré produzir ordem interna expressa nesse sentido e juntar

cópia do ato normativo neste processo no prazo de 48 horas”;

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b) condenar o Réu em obrigação de fazer, consistente em juntar aos autos de

cada processo individual previdenciário em curso cópia integral do processo administrativo de revisão do benefício do autor correspondente, devendo, ainda, produzir ordem interna expressa nesse sentido e juntar cópia do ato normativo neste processo no prazo de 48 (quarenta e oito) horas;

c) condenar o Réu em obrigação de fazer, consistente em elaborar tabela das

20 (vinte) doenças que frequentemente dão causa ao auxílio-doença (acidentário ou não acidentário), constando estimativa temporal mínima para a recuperação do beneficiário. Na pendência de confecção dessa tabela, deverá abster-se de fixar prazo para a duração do benefício. Deverá, ainda, juntar cópia do ato normativo correspondente neste processo no prazo de 15 (quinze) dias;

d) condenar o Réu em obrigação de não fazer, para que se abstenha de proibir

que os segurados sujeitos às perícias médicas sejam acompanhados por terceiro durante o exame pericial, dando a devida publicidade a esse direito. Para tanto, deverá “produzir ordem interna expressa nesse sentido, determinando, na mesma ordem, que seja afixado, de foram visível e acessível, um cartaz com essa informação nos locais em que realizados os exames, devendo, ainda, juntar cópia do ato normativo neste processo no prazo de 48 (quarenta e oito) horas”.

Segundo consta da inicial, ficou constatado o cometimento de diversas irregularidades (resumidas adiante) na revisão administrativa de benefícios de aposentadoria por invalidez e auxílio-doença, em razão da Medida Provisória nº 739/2016 (que alterou dispositivos da Lei nº 8.213/91), regulamentada pela Portaria Conjunta INSS/PGF nº 07/2016 e pela Resolução INSS nº 546/2016.

Há violação ao devido processo legal e aos princípios do contraditório e da

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ampla defesa porque, diferentemente do previsto nos referidos atos normativos, o Réu somente pode cancelar os benefícios previdenciários quando forem esgotadas todas as instâncias administrativas ou ao menos quando o beneficiário tiver sido intimado previamente e tiver tido a oportunidade de exercer efetivamente o contraditório e a ampla defesa, apresentando documentos, requerendo provas e interpondo recursos.

Os atos normativos profligados permitem o cancelamento dos benefícios previdenciários decorrentes de incapacidade, mesmo quando concedidos por decisão interlocutória ou sentença judicial, sem prévia postulação em juízo por parte do INSS.

Embora seja inquestionável o direito da autarquia federal de cancelar o benefício em caso de alteração das circunstâncias fáticas que autorizaram o deferimento do pedido judicialmente, é dever do INSS comunicar ao juízo sobre a inovação dos fatos e do consequente cancelamento do benefício, oportunizando-se o juízo em que tramita o processo fiscalizar a legitimidade do descumprimento da decisão ou sentença e resguardando eventuais efeitos patrimoniais já operados em favor do beneficiário.

Tal conclusão decorre dos princípios da cooperação e da boa-fé objetiva, além do disposto no art. 493 do NCPC.

Outra questão a ser considerada refere-se ao bônus previsto pela aludida medida provisória aos médicos peritos, denominado “bônus especial de desempenho institucional por perícia médica em benefícios por incapacidade”.

Cuida-se de verba indevida porque ignora os sérios prejuízos causados pela greve abusiva feita pelos médicos peritos previdenciários entre os anos de 2015 e 2016, a qual obstou a realização de 1.327.143 (um milhão, trezentos e vinte e sete mil e cento e quarenta e três) exames periciais.

Na realidade, a atual demanda extremamente excessiva decorre dos efeitos da

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greve, a qual, por ter sido abusiva, não poderia justificar o recebimento de verba extra.

Por isso, defendem os Autores que as perícias médicas previstas na medida provisória em tela somente devem ser realizadas em jornada extraordinária e, por conseguinte, o bônus especial de desempenho institucional somente deve ser pago nessas condições.

O INSS, ao realizar as perícias médicas, tem impedido que o segurado sujeito à perícia seja acompanhado por terceiro durante a consulta, quando assim solicitado, o que constitui ato indevido por violar direitos assegurados por diversos diplomas normativos, tais como o Estatuto da Pessoa com Deficiência, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA e o Estatuto do Idoso.

Por fim, tendo em vista a necessidade de parâmetros uniformes e transparentes que orientem o administrador e os magistrados na aplicação da regra do §8º do art. 60 da Lei nº 8.213/1990 (segundo o qual “sempre que possível, o ato de concessão ou de reativação de auxílio-doença, judicial ou administrativo, deverá fixar o prazo estimado para a duração do benefício”), o Réu deve apresentar tabela indicativa das doenças que frequentemente dão causa ao auxílio-doença (acidentário e não acidentário), na qual deverá constar estimativa temporal mínima para eventual recuperação do segurado.

Inicial instruída com os documentos de fls. 13/117.

Custas não recolhidas, em face de isenção legal.

A análise do pedido liminar foi diferida para permitir a manifestação do Réu no prazo de 72 (setenta e duas) horas, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.437/92 (fls. 132).

Em sua manifestação (fls. 134/146), o Réu juntou documentos e requereu o indeferimento da medida vindicada, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos:

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a) há respeito ao devido processo administrativo – princípios do contraditório e

da ampla defesa, visto que se garante ao beneficiário o direito de instruir o procedimento de revisão com apresentação de documentos comprobatórios das razões que apontam a continuidade do seu estado incapacitante, a teor do art. 2º, §1º, da Portaria Conjunta nº INSS/PGF nº 07/2016, constando essa faculdade expressamente na carta de intimação do segurado. Ainda, assegura-se à parte o direito à interposição de recurso contra o resultado desfavorável, quando poderá apresentar novos documentos;

b) não há necessidade de juntada do processo administrativo de revisão em

cada uma das demandas judiciais em curso. Ao se examinar a manutenção de beneficio por incapacidade já concedido, analisa-se tão somente a continuidade ou não da condição incapacitante, o que é feito por meio de perícia médica. O princípio da cooperação aplica-se a ambas as partes, nada impedindo que o próprio beneficiário comunique no processo a cessação do benefício;

c) as revisões realizadas no acervo dos benefícios concedidos antes da Medida

Provisória nº 739/2016 não interferem na rotina das perícias feitas por ocasião do requerimento de concessão originária de benefícios por incapacidade, pois as agendas são distintas. É dizer, “nenhuma perícia ou atendimento ao segurado da Previdência Social deixou ou deixará de ser realizado em virtude do PRBI, bem ao contrário, já que o programa foi instituído como um acréscimo”;

d) apenas o perito tem condições de estabelecer a data provável para recuperação da capacidade, em cada caso, até porque a data estimada para duração do benefício não é definitiva, podendo o segurado requerer sua prorrogação – a qual se dará automaticamente até a realização do exame revisional. Data provável para cessação da incapacidade, acrescenta, não se confunde com a antiga sistemática da “alta programada”;

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e) já existe ato normativo interno (Memorando-Circular Conjunto nº 10/INSS/PFE, de 23.03.2011) recomendando expressamente aos responsáveis pelas agências de atendimento que resguardem aos segurados o direito de solicitar a presença de um acompanhante durante o ato da perícia, salvo quando o perito entender, fundamentadamente, que a presença do acompanhante possa interferir no ato pericial.

Por derradeiro, afirma haver perigo de dano inverso, na medida em que, estima-se, são pagos R$ 6,3 bilhões de reais indevidamente por ano, em matéria de benefícios por incapacidade.

Juntou os documentos de fls. 147/197.

Os Autores foram intimados para manifestarem interesse de agir no prosseguimento do feito, no prazo de 05 (cinco) dias, sob pena de extinção do processo sem julgamento do mérito (fls. 199).

Em resposta (fls. 201/202-v), pleitearam a extinção do processo apenas quando ao item 03 da inicial – atinente ao plano de revisão de benefícios por incapacidade instituído pela aludida medida provisória -, com o prosseguimento do feito em relação às demais pretensões.

A decisão de fls. 207/218 julgou extinto o processo, sem resolução do mérito, por ausência de interesse de agir, nos termos do art. 485, VI, do CPC, quanto aos pedidos relacionados às perícias médicas previstas no Plano de Revisão de Benefícios por Incapacidade instituído pela Medida Provisória nº 739/2016, às jornadas extraordinárias e ao pagamento do bônus daí decorrente; quanto aos demais pedidos, deferiu em parte o pedido de tutela de urgência para determinar ao Réu que se abstivesse de cancelar os benefícios previdenciários sem que antes fosse exaurida a via administrativa; e determinou a intimação dos Requerentes para aditarem a inicial, nos termos do art. 303, §

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1º, I, do CPC.

Os Requerentes opuseram embargos de declaração contra a decisão de fls. 207/218 ao argumento de que vício de omissão quanto à segunda parte do requerimento formulado no item 05 dos pedidos constantes da inicial (fls. 222/223-v).

Contrarrazões às fls. 240/243.

Contra a mesma decisão, o Requerido opôs embargos declaratórios (fls.

227/239).

Inicial aditada às fls. 245/258-v, em que os Requerentes pediram “seja conferida abrangência nacional, sem limitação a circunscrição ou subseção judiciária”.

A decisão de fls. 263/264-v negou provimento aos embargos de declaração interpostos pelas partes e recebeu a petição de fls. 245/258-v como aditamento à inicial.

Os Requerentes e o Requerido interpuseram agravo de instrumento, respectivamente, às fls. 273/286 (nº 0029399-16.2017.4.01.0000) e 288/328 (nº 0037992- 34.2017.4.01.0000). O recurso interposto pelo INSS teve o pedido de efeito suspensivo deferido para, suspendendo a decisão agravada, afastar a exigência do exaurimento da via administrativa para o cancelamento do benefício (fls. 374/376).

Em sua contestação (fls. 330/372), o Requerido arguiu, preliminarmente, a perda superveniente do interesse de agir, dado que a causa de pedir e o pedido estão vinculados à Medida Provisória nº 739/2016, a qual caducou; bem como a inadequação da via eleita, visto que a ação civil pública não pode ser utilizada como sucedâneo da ação direta de inconstitucionalidade. No mérito, requereu a improcedência dos pedidos, aduzindo, em suma: a) a desnecessidade de esgotamento das instâncias administrativas para a suspensão dos benefícios previdenciários, pois o devido processo legal já é observado em tais casos; b) desnecessidade de juntada do processo administrativo de

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revisão em cada uma das demandas judiciais em curso; c) normas internas já permitem a

assistência de terceiros durante o exame pericial, o que, inclusive, conduz à ausência de

interesse de agir em relação a esse pedido; d) inexistência de amparo jurídico no tocante

ao pedido de estimativa temporal mínima para recuperação do beneficiário.

Réplica às fls. 379/380 e 382/382-v.

Não houve produção de novas provas.

É o relatório.

Decido.

2. FUNDAMENTAÇÃO

2.1. Da preliminar de perda superveniente do interesse processual

Como posto acima, a decisão de fls. 207/218 julgou extinto o processo, sem

resolução do mérito, por ausência de interesse de agir, com fulcro no art. 485, VI, do CPC,

quanto aos pedidos relacionados às perícias médicas previstas no Plano de Revisão de

Benefícios por Incapacidade instituído pela Medida Provisória nº 739/2016, às jornadas

extraordinárias e ao pagamento do bônus daí decorrente

Por pertinente, confira-se a fundamentação expressa na decisão:

“Primeiramente, reconheço de ofício, por se tratar de matéria de ordem pública, a ausência de interesse de agir no tocante aos pedidos relacionados diretamente à Medida Provisória nº 739/2016, visto que esta perdeu a validade, por não ter sido apreciada pelo Congresso Nacional no prazo previsto na Constituição. Especificamente, falta interesse processual quanto aos pedidos direcionados às perícias médicas previstas no Plano de Revisão de Benefícios por Incapacidade instituído pela Medida Provisória nº 739/2016, às jornadas extraordinárias e ao pagamento do bônus daí decorrente. Os demais pedidos, embora estejam relacionados ao ato normativo

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referido, dele não derivam diretamente, a permitir sua análise no presente caso.”

Em sua contestação, o Requerido renova a alegação de perda do objeto, agora

sob o argumento de que os demais pedidos não extintos estão vinculados à Medida

Provisória nº 739/2016, a qual caducou.

Não lhe assiste razão. É que tais pedidos – adiante apreciados –, embora se

relacionem de alguma forma com a referida medida provisória, desta não derivam

diretamente, possuindo autonomia, a permitir que sejam aqui enfrentados.

De fato, antes mesmo da Medida Provisória nº 739/2016 já havia interesse da

parte autora em questionar os seguintes temas: prévio esgotamento das instâncias

administrativas para fins de cancelamento do benefício previdenciário; juntada aos autos

de cada processo individual previdenciário em curso cópia integral do processo

administrativo de revisão do benefício do autor correspondente; elaboração de tabela de

doenças que frequentemente dão causa ao auxílio-doença (acidentário ou não

acidentário), constando estimativa temporal mínima para a recuperação do beneficiário; e

acompanhamento de terceiro durante o exame pericial.

Como essas questões perfeitamente poderiam ter sido questionadas em juízo

antes mesmo da edição da Medida Provisória nº 739/2016, é forçoso concluir que a perda

de vigência desta não conduz à extinção aos pedidos adiante apreciados.

Por isso, rejeito a presente preliminar.

2.2 Da preliminar de inadequação da via eleita

Consolidou-se o entendimento de que a ação civil pública não pode ser

utilizada como sucedâneo da ação direta de inconstitucionalidade, sob pena de usurpação

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da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal pela Constituição. É que a decisão proferida em tal ação coletiva possui eficácia “erga omnes”.

Por conseguinte, compreende-se que a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo – em ações coletivas – só pode integrar a causa de pedir, mas não o próprio pedido.

Essa orientação foi observado no presente caso, cujos pedidos não se direcionam à declaração de inconstitucionalidade de ato normativo, senão que à imposição de determinações positivas e negativas ao Requerido.

Em rápida conclusão, a pretensão não se direciona ao controle de validade abstrato da norma, por isso que a preliminar não procede.

Não havendo outras questões processuais pendentes, passo a enfrentar o

mérito.

2.3. Do mérito

Analiso as pretensões na ordem em que relatadas.

É procedente o pedido para que o Requerido abstenha-se de cancelar os benefícios previdenciários antes do exaurimento da via administrativa.

Quando o ato administrativo repercute na esfera de direitos individuais do interessado, é essencial assegurar a este o devido processo legal, tendo por base os princípios da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, IV, da Constituição).

Especificamente, é curial que o devido processo legal seja garantido aos beneficiários da previdência social quando do cancelamento de prestações previdenciárias anteriormente concedidas.

Em sua contestação, o Requerido afirma que a alegação de violação ao devido

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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Processo N° 0063922-73.2016.4.01.3400 - 6ª VARA - BRASÍLIA Nº de registro e-CVD 00655.2018.00063400.1.00104/00128

processo legal não procede porque já se garante ao beneficiário o direito de instruir o procedimento de revisão do benefício com a apresentação de documentos comprobatórios das razões que apontam a continuidade do seu estado incapacitante, a teor do art. 2º, §1º, da Portaria Conjunta nº INSS/PGF nº 07/2016, constando essa faculdade expressamente na carta de intimação do segurado. Ainda, assegura-se ao interessado o direito à interposição de recurso contra o resultado desfavorável, quando poderá apresentar novos documentos.

Embora essas medidas sejam salutares, não atendem perfeitamente ao devido processo legal, na medida em que, além de se oportunizar ao interessado o direito de apresentar razões e provas que justifiquem a continuidade do benefício analisado, é essencial que, antes do cancelamento, haja esgotamento da via administrativa.

Consoante já decidido pela jurisprudência pátria em casos semelhantes, não basta a concessão de prazo para a defesa, a oportunidade para juntar documentos ou mesmo para interpor recursos, sendo essencial garantir ao segurado a resposta sobre eventual recurso interposto (precedentes do STJ: 1ª Turma, AgRg no REsp 1373645 RS 2013/0069782-8, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, DJ 21.05.2015; RESP. 1.323.209/MG, Rel. para acórdão, Min. Sérgio Kukina, DJ 15.04.2014; 2ª Turma, AGRG NO ARESP 42.574/RR, Rel. Min. OG Fernandes, DJ 13.11.2013; 5ª Turma, AGRG NO ARESP 92.215/AL, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, DJ 29.05.2013).

Por outras palavras, “a suspensão do benefício somente é possível caso seja considerada insuficiente ou improcedente a defesa apresentada pelo segurado e após o esgotamento do prazo concedido para a interposição de recurso ou após o

julgamento do recurso administrativo porventura interposto” (TRF 1ª Região, 2ª Turma, AMS 0016341-91.2014.4.01.3801/MG, Rel. convocado Juiz Federal Cleberson José Rocha, DJ 20.04.2015; 2ª Turma Suplementar, AC 0057277-77.1998.4.01.0000/PI,

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Processo N° 0063922-73.2016.4.01.3400 - 6ª VARA - BRASÍLIA Nº de registro e-CVD 00655.2018.00063400.1.00104/00128

Rel. Juíza Federal Rogéria Maria Castro Debelli, DJ 07.05.2012).

Portanto, o cancelamento dos benefícios previdenciários somente deve ocorrer após o esgotamento da via administrativa, como medida destinada a conferir efetividade plena aos princípios do contraditório e da ampla defesa, perfeitamente aplicáveis à esfera administrativa.

A

expressividade

dos

valores

pagos

anualmente

a

título

de

benefícios

previdenciário não justifica violar princípios constitucionais.

Como

subsidiário dela decorrente.

essa

pretensão

foi

acolhida,

Os demais pedidos não procedem.

abstenho-me

de

examinar

o

pedido

Não vislumbro razões que justifiquem impor ao Réu a obrigação de juntar aos autos de processo judicial em curso o resultado da revisão dos benefícios concedidos judicialmente.

Primeiramente, é oportuno destacar que a aposentadoria por invalidez e o auxílio-doença, benefícios oriundos da incapacidade, não são vitalícios por natureza, de modo que, superadas as condições que ensejam a sua concessão, devem ser revistos, do mesmo que podem ser restabelecidos quando sobrevierem motivos que os justifiquem.

Não por outra razão, dispõe o art. 71 da Lei nº 8.212/1991 que o INSS “deverá rever os benefícios, inclusive os concedidos por acidente do trabalho, ainda que concedidos judicialmente, para avaliar a persistência, atenuação ou agravamento da incapacidade para o trabalho alegada como causa para a sua concessão”.

Como bem assinalado pelo Réu, a Turma Nacional de Uniformização – TNU, em julgamento representativo de controvérsia, fixou o entendimento de que a concessão

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Processo N° 0063922-73.2016.4.01.3400 - 6ª VARA - BRASÍLIA Nº de registro e-CVD 00655.2018.00063400.1.00104/00128

judicial de benefício previdenciário não impede a revisão administrativa pela autarquia federal, na forma prevista em norma regulamentada, mesmo durante o curso da demanda (PEDILEF nº 5000525-23.2012.4.01.7114).

Estabelecidas essas premissas, constato a desnecessidade de o INSS juntar aos autos de processos judiciais em curso eventuais procedimentos de revisão dos benefícios concedidos, até porque, diga-se de passagem, em caso de cancelamento, o beneficiário certamente noticiará o fato ao juízo, caso dele divirja, hipótese em que o julgador examinará se a revisão do ato foi ou não pertinente.

Os Autores pretendem que o Réu elabore tabela das vinte doenças que frequentemente dão causa ao auxílio-doença, constando estimativa temporal mínima para a recuperação do beneficiário.

Isso porque, segundo consta da inicial, há necessidade de parâmetros uniformes e transparentes que orientem o administrador e o magistrado na aplicação da regra do art. 60, §8º, da Lei nº 8.213/1991.

Todavia, inexistem razões que justifiquem o acolhimento desse pedido.

Primeiramente, porque o § 8º foi incluído pela Medida Provisória nº 739/2016 e esta, como acima mencionado, teve a vigência encerrada, de sorte que o fundamento central desse pedido perdeu força.

Além disso, reputo pertinente a alegação do Réu de que apenas o perito tem condições de estabelecer a data provável para recuperação da capacidade, em cada caso, já que devem ser consideradas as características de cada beneficiário, sendo perfeitamente possível, portanto, que para uma mesma enfermidade haja prazos distintos de recuperação.

Portanto, a apresentação da tabela pretendida pelos Autores, com indicação

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das doenças mais frequentes, não traria maiores vantagens ao exame dos pedidos de concessão de auxílio-doença.

Por fim, o pedido para que o Réu abstenha-se de proibir que os segurados sujeitos às perícias médicas sejam acompanhados por terceiro durante o exame pericial não será acolhido porque inexiste prova de que, do ponto de vista institucional, essa vedação exista.

Pelo contrário, o Memorando-Circular Conjunto nº 10/INSS/PFE, de 23.03.2011, recomenda expressamente aos responsáveis pelas agências de atendimento que resguardem aos segurados o direito de solicitar a presença de um acompanhante durante o ato da perícia, inclusive medido assistente, salvo quando o perito entender, fundamentadamente, que a presença do acompanhante possa interferir no ato pericial (fls. 165).

Decorre daí que as situações mencionadas na inicial foram pontuais, devendo ser tratadas no plano individual, já que, no âmbito institucional, repita-se, há orientação em sentido contrário, permitindo o acompanhamento de terceiros.

Por conseguinte, reputo desnecessária a afixação de cartaz nos locais de

exames.

2.4. Do pedido de abrangência nacional

O art. 16 da Lei nº 7.347/1985, com a redação dada pela Lei nº 9.494/1997,

dispõe que “a sentença civil

territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova”.

fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência

De acordo com o trecho em destaque, a eficácia subjetiva da coisa julgada fica

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restringida aos limites territoriais do juízo que prolatou a sentença.

Evidentemente, a modificação legislativa despertou contundentes – e a meu

ver acertadas – críticas da doutrina. Primeiro, porque o dispositivo confunde os conceitos

de “coisa julgada” e de “eficácia da sentença”. Segundo, porque gera prejuízo à economia

processual, dada a possibilidade de decisões conflitantes sobre um mesmo tema.

Terceiro, porque viola o princípio da igualdade – a depender de onde o brasileiro esteja

domiciliado, poderá ou não ser atingido pela sentença. Quarto, porque os direitos

coletivos em sentido amplo são indivisíveis. Por fim, porque o art. 93, II, do Código de

Defesa do Consumidor – CDC (aplicável à Lei nº 7.347/1985) contém regra diversa,

prevendo que, em caso de danos nacional ou regional, a competência para a ação será

do foro da Capital do Estado ou do Distrito Federal, o que indica que essa decisão valeria,

no mínimo, para todo o Estado/DF.

Adotando esse entendimento, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça

firmou a compreensão de que a eficácia das decisões proferidas em ações civis públicas

coletivas não deve ficar limitada ao território da competência do órgão jurisdicional

prolator da decisão. Eis a ementa do julgado:

EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PROCESSUAL CIVIL. ART. 16 DA LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA. AÇÃO COLETIVA. LIMITAÇÃO APRIORÍSTICA DA EFICÁCIA DA DECISÃO À COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO ÓRGÃO JUDICANTE. DESCONFORMIDADE COM O ENTENDIMENTO FIRMADO PELA CORTE ESPECIAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP N.º 1.243.887/PR, REL. MIN. LUÍS FELIPE SALOMÃO). DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL DEMONSTRADO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA ACOLHIDOS. 1. No julgamento do recurso especial repetitivo (representativo de controvérsia) n.º 1.243.887/PR, Rel. Min. Luís Felipe Salomão, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, ao analisar a regra prevista no art. 16 da Lei n.º 7.347/85, primeira parte, consignou ser indevido limitar,

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aprioristicamente, a eficácia de decisões proferidas em ações civis públicas coletivas ao território da competência do órgão judicante. 2. Embargos de divergência acolhidos para restabelecer o acórdão de fls. 2.418-2.425 (volume 11), no ponto em que afastou a limitação territorial prevista no art. 16 da Lei n.º 7.347/85. (STJ, Corte Especial, EREsp 1134957/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, DJ 30.11.2016).

Diante disso, o dispositivo desta sentença – na parte em que acolheu a

pretensão autoral – valerá para todo o território nacional, tendo em vista a natureza

indivisível do direito ora tutelado.

3. DISPOSITIVO

Ante o exposto, rejeito as preliminares arguidas pelo Requerido e, no mérito,

julgo parcialmente procedentes os pedidos, na forma do art. 487, I, do CPC, para

condenar o Requerido em obrigação de não fazer, consistente em abster-se de cancelar

os benefícios previdenciários sem que antes seja exaurida a via administrativa, nos

termos da fundamentação supra.

Atribuo abrangência nacional a esta sentença, nos termos do item 2.4 da

fundamentação.

Incabível condenação em custas e honorários advocatícios (art. 18 da Lei nº

7.347/1985).

Sentença sujeita à remessa necessária, no tocante aos pedidos julgados

improcedentes, por força do art. 19 da Lei nº 4.717/1965, aplicável à ação civil pública,

conforme pacífica orientação jurisprudencial. 1

Encaminhe-se cópia desta sentença ao relator dos agravos de instrumento

(números

0029399-16.2017.4.01.0000 e 0037992-34.2017.4.01.0000).

1 STJ, 1ª Turma, REsp 1220667/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJ 20.10.2014.

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Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Brasília, 27 de setembro de 2018.

(assinatura digital)

IVANI SILVA DA LUZ Juíza Federal Titular da 6ª Vara/DF

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