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NFPSS

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SUMÁRIO
DIREITO CONSTITUCIONAL .............................................................................................................................. 4
DIREITO ADMINISTRATIVO ............................................................................................................................. 50
DIREITO PENAL.................................................................................................................................................. 94
DIREITO PROCESSUAL PENAL ..................................................................................................................... 135
DIREITO TRIBUTÁRIO .................................................................................................................................... 187

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NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER – PARTE 1
DIREITO CONSTITUCIONAL, DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO
PENAL, PROCESSO PENAL E DIREITO TRIBUTÁRIO
DIREITO CONSTITUCIONAL1

1. Indivíduo, Sociedade e Estado. Poder Constituinte.

- PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO: É o que cria uma nova Constituição.


• Histórico: O que estrutura, pela primeira vez, o Estado.
• Revolucionário: Todos os posteriores ao histórico, rompendo por completo com a antiga ordem e
instaurando uma nova.
Predomina a concepção positivista, segundo a qual o poder constituinte originário é um poder
político. Isso ocorre pelo fato de que ele não é criado pela Constituição ou por outra norma, não
sendo, pois, um poder de direito. Pelo contrário, ele antecede a própria Constituição, retirando a sua
força da sociedade, e não de uma norma jurídica.
Vale mencionar, ainda, que, para a concepção positivista, o Poder Constituinte Originário pode legislar
sobre quaisquer temas, sem nenhuma vinculação. Contudo, tal teoria é refutada por vários
pensadores. Segundo Jorge Miranda, existem três categorias de limites: transcendentes (advindos de
imperativos de direito natural e de valores éticos, como os direitos fundamentais conexos com a
dignidade da pessoa humana); imanentes (impostos ao Poder Constituinte formal e relacionados à
configuração do Estado à luz do Constituinte material); heterônomos (provenientes da conjugação
com outros ordenamentos jurídicos).
- PODER CONSTITUINTE DECORRENTE:
Responsável por elaborar as Constituições dos Estados-Membros. É um poder secundário (criado pela
Constituição Federal) e limitado juridicamente.

PRINCÍPIOS
PRINCÍPIOS ESTABELECIDOS/
SENSÍVEIS/APONTADOS/ PRINCÍPIOS EXTENSÍVEIS
ORGANIZATÓRIOS
ENUMERADOS
Aqueles que limitam, vedam, ou
Consubstanciam regras de
proíbem a ação indiscriminada
organização da União, cuja
Aqueles indubitavelmente do Poder Constituinte
aplicação se estende aos
apontados na Constituição, Decorrente. São determinados
Estados, por força de regra
expressos em seu texto. diretamente aos Estados, ainda
expressa ou do princípio da
que não de forma expressa.
simetria.
Podem gerar limitações

1
Por André Ângelo.
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expressas, implícitas ou
decorrentes.
Encontram-se enumerados no
art. 34, VII, da CF, podendo sua
infringência acarretar a
intervenção federal no Estado.
São eles: a) forma republicana,
sistema representativo e regime
democrático; b) direitos da
pessoa humana; c) autonomia Ex.: normas relativas à
Ex.: os Estados não podem
municipal; d) prestação de organização do Tribunal de
dispor sobre as matérias que
contas da administração pública, Contas da União; regras básicas
constituem competência
direta e indireta; e) aplicação do atinentes ao processo legislativo
privativa da União.
mínimo exigido da receita federal.
resultante de impostos
estaduais, compreendida a
proveniente de transferências,
na manutenção e
desenvolvimento do ensino e
nas ações e serviços públicos de
saúde.

- PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR:


Trata-se de via ordinária de alteração constitucional. Possui as seguintes limitações:
Limitações Temporais: impedem a alteração da CF num determinado período de tempo. A CF atual
não tem limitações temporais.
Limitações Circunstanciais: impede a alteração da CF em situações excepcionais, nos quais a livre
manifestação do poder constituinte esteja ameaçada. Art. 60, §1. Estado de Defesa (art. 137), Estado de
Sítio (art. 139), Intervenção Federal.
Limitações Formais: impõe a observância de determinadas formalidades durante o processo de
elaboração das emendas.
 Formais Subjetivas: iniciativa da PEC (art. 60, I a III).
 Formais objetivas: processo de discussão e aprovação (quórum de 3/5, dois turnos de votação,
não existe sanção ou veto do Presidente, promulgação e publicação pelas mesas da CD e do SF).
Outra limitação formal objetiva diz respeito à promulgação. No caso de emendas, não existe
sanção ou veto pelo Presidente da República. Também não é ele quem promulga ou manda
publicar. Quem promulga a EC são as mesas da Câmara dos Deputados E do Senado Federal.
Além dessas, há outra limitação formal objetiva: a matéria constante de proposta de emenda
rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão

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legislativa (#OLHAOGANCHO: Sessão legislativa: de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto
a 22 de dezembro).
Limitações Materiais e Substanciais: impedem a alteração de determinadas matérias da CF. São as
denominadas “cláusulas pétreas”. Existem cláusulas pétreas expressas e implícitas (como a
impossibilidade de se alterar o titular do poder constituinte originário e o titular do poder constituinte
derivado reformador, bem como a proibição de se violar as limitações expressas, eis que o Brasil não
adotou a teoria da dupla revisão).
- PODER CONSTITUINTE DERIVADO REVISOR:
Trata-se de via extraordinária de alteração constitucional, prevista no art. 3º do ADCT. Segundo
entendimento do STF, NÃO é possível a realização de nova revisão constitucional. O art. 3º do ADCT
teve sua APLICABILIDADE ESGOTADA e EFICÁCIA EXAURIDA.
Art. 3º. A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da
Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão
unicameral.
- PODER CONSTITUINTE DIFUSO:
É considerado um poder de fato, o qual fundamenta a mutação constitucional. A mudança produzida
na CF pelo poder constituinte difuso dá-se de maneira informal, decorrendo de fatores sociais,
políticos e/ou econômicos. Altera-se o sentido interpretativo, mas não o texto da Lei Maior. Ademais, a
doutrina aponta que o poder constituinte difuso também se exterioriza por meio dos costumes
constitucionais. #ATENÇÃO: O STF alterou seu posicionamento e, atualmente, entende que houve
mutação constitucional do art. 52, X, da CF/88, razão pela qual o papel do Senado no controle de
constitucionalidade é simplesmente o de, mediante publicação, divulgar a decisão do STF
(#PARASABERMAIS: http://www.dizerodireito.com.br/2017/12/stf-muda-sua-jurisprudencia-e-
adota.html).
- PODER CONSTITUINTE SUPRANACIONAL: Tem o escopo de estabelecer uma constituição
supranacional legítima. Decorre da tendência de globalização do direito constitucional e busca sua
fonte de validade na cidadania universal.
- Direitos Políticos
Sufrágio: traduz o direito de votar e de ser votado, encontrando-se entrelaçado ao exercício da
soberania popular. Se divide em
(a) Ativo: direito de votar, de eleger seus representantes.
(b) Passivo: direito de ser votado, eleito, escolhido no processo eleitoral.
Plebiscito e referendo são mecanismos de democracia participativa. A diferença é que, no Plebiscito, o
povo se manifesta antes (Prévia), ao passo que no Referendo a manifestação é após à deliberação dos
seus representantes.
Iniciativa Popular: outro método de democracia participativa.

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Art. 61. § 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de
projeto de lei subscrito por, no mínimo, UM POR CENTO (1) do eleitorado nacional, distribuído pelo
menos por CINCO (5) Estados, com não menos de TRÊS DÉCIMOS POR CENTO (0,3) dos eleitores de
cada um deles.

2. Interpretação e Aplicabilidade da Norma Constitucional.

EFICÁCIA DAS NORMAS

- Eficácia Plena: São de aplicação direta e imediata, independem de uma lei para produzirem seus
efeitos. Desde a sua promulgação estão aptas a produzir todos os seus efeitos, independentemente de
qualquer norma integrativa infraconstitucional.

- Eficácia Contida: Assim como as plenas são de eficácia direta e imediata. No entanto, podem ter sua
abrangência reduzida por uma norma infraconstitucional, por uma norma da própria CF, ou por
preceitos ético-jurídicos, como a moral e o bom costume (#SELIGANOTERMO: “normas de
contenção”).

- Eficácia Limitada: São de aplicação mediata ou indireta, pois há necessidade de uma lei para mediar
sua aplicação. Se não houver a lei, não produz efeitos. Mesmo com a sua promulgação, não está apta
para produzir todos os seus efeitos, necessitando de regulamentação infraconstitucional para ter
eficácia. Há duas espécies de normas limitadas: 1 - Limitada de princípio institutivo ou organizativo. 2 -
Limitada programática: Se reveste em forma de promessas ou programas que visam atingir fins sociais.
Característica principal da Constituição Dirigente.

#SELIGA: a lei não pode restringir excessivamente os efeitos da norma constitucional a ponto de ferir
seu “núcleo essencial”.

- Hermenêutica Constitucional

MÉTODOS DE
INTERPRETAÇÃO

1. Hermenêutico 2. Tópico- 4. Científico- 5. Normativo-


3. Hermenêutico-
clássico problemático espiritual estruturante
concretizador

Critérios Parte-se de um
A análise da CF Não há
clássicos: problema Parte-se da CF
deve levar em identidade
gramatical, concreto para para o
conta também entre texto e
histórico, a norma problema.
a realidade norma, que
sistemático, Concretizar o compreende
teleológico sentido da social
também um
norma (Konrad pedaço da
Hesse). realidade
social.

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- Princípios da Interpretação Constitucional
#REVISASÔ
UNIDADE DA O texto constitucional deve ser interpretado como um todo, de modo a
CONSTITUIÇÃO evitar contradições entre suas normas.
Na solução dos problemas jurídico-constitucionais, deve-se dar
EFEITO INTEGRADOR primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social e o
reforço da unidade política.
Deve-se atribuir à norma constitucional o sentido que confira a ela
MÁXIMA EFETIVIDADE
maior eficácia, mais efetividade social.
Na interpretação constitucional, o órgão interpretador não pode chegar
JUSTEZA a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-
funcional estabelecido pelo constituinte.
Decorre da unidade da constituição. Os bens jurídicos tutelados pelo
HARMONIZAÇÃO texto constitucional devem coexistir harmoniosamente, sem predomínio,
em abstrato, de uns sobre outros.
FORÇA NORMATIVA DA Deve-se dar prevalência aos pontos de vista que contribuem para a
CONSTITUIÇÃO máxima eficácia e aplicabilidade do texto constitucional.
INTERPRETAÇÃO
Se a norma admite mais de um significado, deve-se dar preferência à
CONFORME A
interpretação compatível com o conteúdo da constituição.
CONSTITUIÇÃO

3. Controle de Constitucionalidade.

O controle de constitucionalidade trata-se de procedimento de verificação da compatibilidade, formal


e material, de determinado ato normativo em relação à Constituição Federal.
Como PARÂMETRO para aferição da constitucionalidade utiliza-se todo o Bloco de
Constitucionalidade que, no ireito pátrio, corresponde à CF + PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
IMPLÍCITOS + TRATADOS INTERNACIONAIS APROVADOS NOS MOLDES DO §3°, ART. 5°, da CF/88.

#OLHAOGANCHO O preâmbulo apenas tem função interpretativa, não servindo como parâmetro
para o controle de constitucionalidade. O ADCT, por seu turno, possui status de norma constitucional
e força normativa, podendo ser parâmetro do controle de constitucionalidade.

ESPÉCIES DE INCONSTITUCIONALIDADE
POR AÇÃO Ocorre quando um ato estatal viola preceitos constitucionais.
Ocorre quando um poder do Estado deixa de fazer algo que a constituição
determina. Não basta a inexistência de lei sobre determinada matéria para
que se verifique uma inconstitucionalidade por omissão. Devem estar
POR OMISSÃO
presentes dois requisitos:
- Dever constitucional de legislar.
- Mora legislativa (elemento temporal): decurso de um tempo para que

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a norma seja produzida. Existem hipóteses em que o próprio texto
constitucional fixa o prazo para a edição da norma. Do contrário, caberá ao
Poder Judiciário definir qual o prazo razoável, conforme a complexidade de
cada caso concreto.
Divide-se em:
- Procedimental (ou propriamente dita): não são observadas as normas
constitucionais sobre processo legislativo. Pode ser subjetiva (vício de
iniciativa) ou objetiva (demais regras do processo legislativo). Exemplo:
ausência de retorno à Casa iniciadora após alterações substanciais operadas
pela Casa revisora.
- Orgânica: vício de competência. Exemplo: lei estadual que dispõe sobre
matéria de competência federal.
FORMAL (OU - Por violação aos pressupostos objetivos do ato: violação de pressupostos
NOMODINÂMICA) definidos na constituição como elementos determinantes de competência
para órgãos legislativos no exercício da função legiferante. É o caso, por
exemplo, das medidas provisórias, que têm por pressupostos objetivos a
relevância e a urgência.
#OLHAOGANCHO: Vem sendo mencionada também a inconstitucionalidade
por vício de decoro parlamentar. É o caso, por exemplo, de vendas de votos
para a aprovação de leis ou emendas constitucionais. A doutrina aponta que
isso geraria a inconstitucionalidade do ato. O STF, no entanto, apreciou a
matéria em obter dictum, rejeitando o argumento.
MATERIAL (OU Incompatibilidade substantiva, ou seja, de conteúdo, entre normas
NOMOESTÁTICA) constitucionais e infraconstitucionais.
ORIGINÁRIA Congênita à norma, que já nasce inconstitucional.
A norma nasce constitucional, mas se torna inconstitucional em momento
posterior.
#NÃOCONFUNDA: não se trata da hipótese de não recepção de normas
anteriores à constituição atual, que é tratada pelo STF como revogação, e
não inconstitucionalidade.
#NÃOCONFUNDATAMBÉM: no caso de uma norma compatível com o texto
originário da constituição, mas incompatível com determinada Emenda
constitucional, também se trata de revogação, e não de inconstitucionalidade
SUPERVENIENTE superveniente.
Qual é, então, o caso típico de inconstitucionalidade superveniente? Trata-se
da chamada inconstitucionalidade progressiva (#OLHAOTERMO). Exemplo: o
artigo 68, CPP prevê a legitimidade do MP para a propositura de ação civil
ex delicto quando a vítima é hipossuficiente. O STF considerou a norma ainda
constitucional, tornando-se inconstitucional à medida que a Defensoria
Pública seja estruturada na localidade.
É possível falar em constitucionalidade superveniente? É possível que uma
norma nasça inconstitucional e em momento futuro torne-se constitucional?
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Majoritariamente, entende-se que NÃO. O vício de inconstitucionalidade é
absoluto e insanável.
TOTAL A inconstitucionalidade atinge todo o ato normativo.
A inconstitucionalidade recai sobre parte do ato, podendo ser até mesmo
fração de artigo, parágrafo, inciso ou alínea.
PARCIAL #OLHAOGANCHO #NÃOCONFUNDA: o veto do Poder Executivo, ao final
do processo legislativo, deve recair sobre o texto integral de artigo,
parágrafo, inciso ou alínea (art. 66, §2o, CF).
Desconformidade entre leis ou outros atos normativos primários e a
DIRETA
Constituição.
O vício não decorre da violação direta da Constituição, mas sim de outro ato
normativo no qual encontra fundamento. Exemplo: decreto que extrapola os
limites da lei por ele regulamentada, ainda que isso tenha causado também,
de certa forma, a violação de determinada norma constitucional. A
jurisprudência do STF tem tratado essas hipóteses como mera ilegalidade, e
INDIRETA (OU
NÃO INCONSTITUCIONALIDADE.
REFLEXA)
#NÃOCONFUNDA: não se trata aqui da inconstitucionalidade derivada (ou
consequente), em que a declaração de inconstitucionalidade da norma
regulamentada (primária) acaba por ensejar automaticamente o
reconhecimento da invalidade das normas regulamentadoras (secundárias)
que em função dela foram expedidas.
A aplicação de uma lei pode ser inconstitucional em determinado caso
CIRCUNSTANCIAL concreto, embora seja ela formalmente constitucional. A lei, em tese,
permanece constitucional.
CHAPADA,
Expressões utilizadas pelo Supremo Tribunal Federal para referir-se a
ENLOUQUECIDA OU
hipóteses de flagrante e evidente inconstitucionalidade.
DESVAIRADA

Nesse contexto, o controle poderá ser exercido de forma DIFUSA ou CONCENTRADA. Vejamos:

CONTROLE DIFUSO
É aquele que pode ser exercido por qualquer juiz ou Tribunal, em caráter
CONCEITO
incidental!!!
Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos
membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
#ATENÇÃO #EXCEÇÕES:
CLÁUSULA DE
(a) Se o Tribunal já tiver decidido o tema.
RESERVA DO
(b) Se o STF já tiver reconhecido a inconstitucionalidade.
PLENÁRIO
(c) Decisão pela constitucionalidade da norma.
(d) Decisão de não recepção de norma.
(e) Interpretação conforme a constituição.

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(f) Atos normativos de efeitos concretos.
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional
por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal;
#ATENÇÃO: Se uma lei ou ato normativo é declarado inconstitucional pelo STF,
incidentalmente, essa decisão, assim como acontece no controle abstrato,
também produz eficácia erga omnes e efeitos vinculantes.
SUSPENSÃO DA Assim, se o Plenário do STF decidir a constitucionalidade ou inconstitucionalidade
NORMA PELO de uma lei ou ato normativo, ainda que em controle difuso, essa decisão terá os
SENADO mesmos efeitos do controle concentrado, ou seja, eficácia erga omnes e
vinculante.
Houve MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL do art. 52, X, da CF/88. A nova
interpretação deve ser a seguinte: quando o STF declara uma lei inconstitucional,
mesmo em sede de controle difuso, a decisão já tem efeito vinculante e erga
omnes e o STF apenas comunica ao Senado com o objetivo de que a referida
Casa Legislativa dê publicidade daquilo que foi decidido (Info 886, STF).

CONTROLE CONCENTRADO
(a) Processo objetivo: não há partes;
(b) Causa de pedir aberta: o STF pode reconhecer a inconstitucionalidade em face de
artigo diverso do apontado pelo autor da ação. Apesar da causa de pedir ser aberta,
Noções gerais
o pedido deve ser fechado.
(c) Competência: STF ou TJ (controle estadual)
(d) Legitimados: art. 1032, CF.
ADI
Cabe contra Lei ou ato normativo geral e abstrato
(i) Atos regulamentares; (ii) Normas constitucionais originárias; (iii) normas anteriores
Não cabe
à CF/88 (nesse caso, a análise será da RECEPÇÃO da norma); (iv) leis revogadas; (v)
contra
súmulas; (vi) projeto de lei ainda não promulgado.
Limite espacial Lei ou ato normativo FEDERAL ou ESTADUAL.
Cautelar Erga omnes, EX NUNC, vinculante
Efeitos da Vinculante, EX TUNC, ERGA OMNES, repristinatório tácito.

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Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade:
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
V o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.
• NÃO POSSUEM CAPACIDADE POSTULATÓRIA (PRECISAM DE ADVOGADO): VIII e IX
• PRECISAM COMPROVAR PERTINÊNCIA TEMÁTICA: IV, V e IX.
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decisão
ADC
Objeto Lei ou ato normativo FEDERAL
Requisito
Controvérsia judicial relevante
adicional
Cautelar Suspensão dos processos nos quais se discute o tema pelo prazo de 180 dias.
ADPF
Legitimados Mesmo da ADI.
Objeto Qualquer ato do poder público que viole preceito fundamental.
Caráter
Só cabe se não for possível ADI nem ADC.
subsidiário
Objeto Qualquer ato do poder público.
Aspecto
Pode ser até mesmo anterior à CF/88.
temporal
Aspecto
Pode ser federal, estadual ou MUNICIPAL.
espacial
ADO
Objeto O objetivo é conferir efetividade às normas constitucionais de eficácia LIMITADA.
Legitimidade Autoridade ou órgão responsável pela medida para tornar efetiva a norma
passiva constitucional.
(a) Poder competente: será dada ciência ao poder competente.
(b) Órgão administrativo: deverá editar a norma em 30 dias, sob pena de
Efeitos da
responsabilidade. A lei permite que o STF fixe outro prazo, se entender mais
decisão
conveniente.

#OLHAOGANCHO

MODULAÇÃO DE EFEITOS

Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de
segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria
de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha
eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.

CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ESTADUAL


Art. 125. § 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de
inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou
LEGITIMIDADE
municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da
legitimação para agir a um único órgão.
OBJETO Leis ou atos normativos estaduais ou municipais.
COMPETÊNCIA TJ
PARÂMETRO Constituição Estadual
EFEITOS DA DECISÃO EX TUNC, vinculante, ERGA OMNES.
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Se a norma da CE for se reprodução obrigatória da CF, caberá RE ao
RE STF. Nesse caso, esse RE produzirá os mesmos efeitos de uma ADI
(vinculante, ERGA OMNES...)

#ATENÇÃO - Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis


municipais utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se trate de normas
de reprodução obrigatória pelos estados (Info 852, STF).

#SUMULAS #JURISPRUDÊNCIA
Súmula 642, STF: Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da
sua competência legislativa municipal.

Súmula 614, STF: Somente o Procurador-Geral da Justiça tem legitimidade para propor ação direta
interventiva por inconstitucionalidade de Lei Municipal.

INFORMATIVO 935 STF Determinada lei foi impugnada por meio de ação direta de
inconstitucionalidade. Foi editada medida provisória revogando essa lei. Enquanto esta medida
provisória não for aprovada, será possível julgar esta ADI. Assim, se chegar o dia de julgamento da
ADI, e a MP ainda não tiver sido votada, o STF poderá apreciar livremente a ação, não tendo havido
perda do interesse de agir (perda do objeto). Isso, porque a edição de medida provisória não tem
eficácia normativa imediata de revogação da legislação anterior com ela incompatível, mas apenas de
suspensão, paralisação, das leis antecedentes até o término do prazo do processo legislativo de sua
conversão. Embora seja espécie normativa com força de lei, a medida provisória precisa ser
confirmada. A medida provisória é lei sob condição resolutiva. Se for aprovada, a lei de conversão
resultará na revogação da norma. Dessa maneira, enquanto não aprovada a MP, não se pode falar em
perda de interesse (perda do objeto). STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI
5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 27/3/2019 (Info 935).
INFORMATIVO 929 STF Não se conta em dobro o prazo recursal para a Fazenda Pública em processo
objetivo, mesmo que seja para interposição de recurso extraordinário em processo de fiscalização
normativa abstrata. Não há, nos processos de fiscalização normativa abstrata, a prerrogativa
processual dos prazos em dobro. Não se aplica ao processo objetivo de controle abstrato de
constitucionalidade a norma que concede prazo em dobro à Fazenda Pública. Assim, por exemplo, a
Fazenda Pública não possui prazo recursal em dobro no processo de controle concentrado de
constitucionalidade, mesmo que seja para a interposição de recurso extraordinário. STF. Plenário. ADI
5814 MC-AgR-AgR/RR, Rel. Min. Roberto Barroso; ARE 830727 AgR/SC, Rel. para acórdão Min. Cármen
Lúcia, julgados em 06/02/2019 (Info 929)
INFORMATIVO 927 STF Coexistência de ADI no TJ e ADI no STF, sendo a ADI estadual julgada
primeiro Coexistindo duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma ajuizada perante o tribunal de
justiça local e outra perante o STF, o julgamento da primeira – estadual – somente prejudica o da
segunda – do STF – se preenchidas duas condições cumulativas: 1) se a decisão do Tribunal de Justiça
for pela procedência da ação e 2) se a inconstitucionalidade for por incompatibilidade com preceito da
Constituição do Estado sem correspondência na Constituição Federal. Caso o parâmetro do controle
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de constitucionalidade tenha correspondência na Constituição Federal, subsiste a jurisdição do STF
para o controle abstrato de constitucionalidade. Viola a igualdade a exigência de que o cargo público
seja ocupado por indivíduo com curso de administração pública mantido por instituição pública
credenciada no respectivo Estado É inconstitucional lei estadual que, ao criar o cargo de administrador
público, exige que ele seja ocupado por profissional graduado em Curso de Administração Pública
mantido por Instituição Pública de Ensino Superior, credenciada no respectivo Estado. Essa previsão da
lei estadual ofende o princípio constitucional da igualdade no acesso a cargos públicos. Além disso,
essa regra também viola o art. 19, III, da Constituição Federal, que proíbe a criação de distinções
ilegítimas entre brasileiros. STF. Plenário. ADI 3659/AM, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
13/12/2018 (Info 927).
INFORMATIVO 926 STF Sociedade de economia mista realizou concurso público para advogado da
empresa. Mesmo havendo aprovados no certame, que ainda estava dentro do prazo de vigência, a
empresa decidiu contratar um escritório de advocacia para realizar os serviços jurídicos. Diante disso,
uma das Turmas do TRT reconheceu que houve preterição dos aprovados e determinou a nomeação.
Ao assim decidir, a Turma do TRT disse que não se aplicava, ao caso, o art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95.
Essa decisão da Turma do TRT (órgão fracionário do Tribunal) não viola a SV 10. Isso porque o
enfoque do acórdão do TRT não era a terceirização dos serviços, mas sim a preterição arbitrária
praticada pela Administração Pública. STF. 1ª Turma. Rcl 29307 AgR/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 4/12/2018 (Info 926).
INFORMATIVO 920 STF É irrecorrível a decisão denegatória de ingresso no feito como amicus curiae.
Assim, tanto a decisão do Relator que ADMITE como a que INADMITE o ingresso do amicus curiae é
irrecorrível. STF. Plenário. RE 602584 AgR/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux,
julgado em 17/10/2018(repercussão geral) (Info 920).
INFORMATIVO 919 STF É nula a decisão de órgão fracionário que se recusa a aplicar o art. 94, II, da Lei
nº 9.472/97, sem observar a cláusula de reserva de plenário (art. 97, da CF/88), observado o art. 949
do CPC/2015. STF. Plenário. ARE 791932/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 10 e 11/10/2018
(repercussão geral) (Info 919)
INFORMATIVO 918 STF Caso o STF, ao julgar uma ADI, ADC ou ADPF, declare a lei ou ato normativo
inconstitucional, ele poderá, de ofício, fazer a modulação dos efeitos dessa decisão. Ex: no julgamento
de uma ADI, o STF decidiu que determinado artigo de lei é inconstitucional. Um dos legitimados do
art. 103 da CF/88 opôs embargos de declaração pedindo a modulação dos efeitos. Ocorre que o STF
considerou que esses embargos eram intempestivos. O STF, mesmo não conhecendo dos embargos,
poderá decretar a modulação dos efeitos da decisão. STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918)
INFORMATIVO 917 STF A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) possui
legitimidade para propor ADI contra ato normativo que previa que a competência para autorizar o
pedido de trabalho de crianças e adolescentes em espetáculos artísticos seria da Justiça do Trabalho. A
ABERT enquadra-se no conceito de entidade de classe de âmbito nacional (art. 103, IX, da CF/88) e
possui pertinência temática para questionar ato normativo que versa sobre esse tema, considerando a

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participação de crianças e adolescentes nos programas de suas associadas. STF. Plenário. ADI 5326/DF,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/9/2018 (Info 917).
INFORMATIVO 917 STF Cabe ADI contra recomendação conjunta de Tribunal de Justiça e de Tribunal
Regional do Trabalho recomendando aos juízes que considerem como sendo da Justiça do Trabalho a
competência para autorizar o trabalho de crianças e adolescentes em eventos de natureza artística.
Esta recomendação deve ser considerada como ato de caráter primário, autônomo e cogente,
inovando no ordenamento jurídico, razão pela qual pode ser impugnada por meio de ADI. STF.
Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/9/2018 (Info 917).
INFORMATIVO 907 STF A alteração do parâmetro constitucional, quando o processo ainda está em
curso, não prejudica o conhecimento da ADI. Isso para evitar situações em que uma lei que nasceu
claramente inconstitucional volte a produzir, em tese, seus efeitos. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min.
Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
INFORMATIVO 905 STF A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é meio processual inadequado
para o controle de decreto regulamentar de lei estadual. Seria possível a propositura de ADI se fosse
um decreto autônomo. Mas sendo um decreto que apenas regulamenta a lei, não é hipótese de
cabimento de ADI. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018
(Info 905).
INFORMATIVO 905 STF O advogado que assina a petição inicial da ação direta de
inconstitucionalidade precisa de procuração com poderes específicos. A procuração deve mencionar a
lei ou ato normativo que será impugnado na ação. Repetindo: não basta que a procuração autorize o
ajuizamento de ADI, devendo indicar, de forma específica, o ato contra o qual se insurge. Caso esse
requisito não seja cumprido, a ADI não será conhecida. Vale ressaltar, contudo, que essa exigência
constitui vício sanável e que é possível a sua regularização antes que seja reconhecida a carência da
ação. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).
INFORMATIVO 900 STF É cabível ADI contra Resolução do TSE que tenha, em seu conteúdo material,
“norma de decisão” de caráter abstrato, geral e autônomo, apta a ser apreciada pelo STF em sede de
controle abstrato de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI 5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
3/5/2018 (Info 900).
INFORMATIVO 899 STF A Resolução do CNMP consiste em ato normativo de caráter geral e abstrato,
editado pelo Conselho no exercício de sua competência constitucional, razão pela qual constitui ato
normativo primário, sujeito a controle de constitucionalidade, por ação direta, no Supremo Tribunal
Federal. STF. Plenário. ADI 4263/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info 899).
STF EM 2018 O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em
sede de controle concentrado de constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo
respectivo Governador. A legitimidade para recorrer, nestes casos, é do próprio Governador (previsto
como legitimado pelo art. 103 da CF/88). Os Estados-membros não se incluem no rol dos legitimados
a agir como sujeitos processuais em sede de controle concentrado de constitucionalidade. STF.
Plenário. ADI 4420 ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 05/04/2018.

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INFORMATIVO 896 STF O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 prevê o seguinte: “(...) a concessionária
poderá contratar com terceiros o desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou
complementares ao serviço concedido, bem como a implementação de projetos associados.” Se o
órgão fracionário de um Tribunal (ex: uma das Turmas do TRT) julga ilegal a terceirização contratada
por uma concessionária do serviço público, afastando a aplicação do art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95,
esta decisão viola a súmula vinculante 10? SIM. O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 permite a
terceirização da atividade-fim das empresas concessionárias do serviço público. Logo, se um órgão
fracionário do TRT afasta a aplicação deste dispositivo, haverá afronta à súmula vinculante 10 por
violação à cláusula da reserva de plenário. STF. 1ª Turma. Rcl 27068/MG, rel. orig. Min. Rosa Weber,
red. p/ o ac. Min. Luís Roberto, julgado em 5/3/2018 (Info 896).
INFORMATIVO 890 STF O que acontece se a lei impugnada por meio de ADI é alterada antes do
julgamento da ação? Neste caso, o autor da ADI deverá aditar a petição inicial demonstrando que a
nova redação do dispositivo impugnado apresenta o mesmo vício de inconstitucionalidade que existia
na redação original. A revogação, ou substancial alteração, do complexo normativo impõe ao autor o
ônus de apresentar eventual pedido de aditamento, caso considere subsistir a inconstitucionalidade na
norma que promoveu a alteração ou revogação. Se o autor não fizer isso, o STF não irá conhecer da
ADI, julgando prejudicado o pedido em razão da perda superveniente do objeto. STF. Plenário. ADI
1931/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2018 (Info 890).
INFORMATIVO 886 STF Se uma lei ou ato normativo é declarado inconstitucional pelo STF,
incidentalmente, essa decisão, assim como acontece no controle abstrato, também produz eficácia
erga omnes e efeitos vinculantes. Assim, se o Plenário do STF decidir a constitucionalidade ou
inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, ainda que em controle incidental, essa decisão terá
os mesmos efeitos do controle concentrado, ou seja, eficácia erga omnes e vinculante. Houve mutação
constitucional do art. 52, X, da CF/88. A nova interpretação deve ser a seguinte: quando o STF declara
uma lei inconstitucional, mesmo em sede de controle difuso, a decisão já tem efeito vinculante e erga
omnes e o STF apenas comunica ao Senado com o objetivo de que a referida Casa Legislativa dê
publicidade daquilo que foi decidido. STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. Rosa Weber,
julgados em 29/11/2017 (Info 886). Obs: vale fazer o alerta de que esse tema ainda não está pacificado
e ainda irá produzirá intensos debates, inclusive quanto à nomenclatura das teorias que foram
adotadas pelo STF.
INFORMATIVO 887 STF O STF não admite a “teoria da transcendência dos motivos determinantes”.
Segundo a teoria restritiva, adotada pelo STF, somente o dispositivo da decisão produz efeito
vinculante. Os motivos invocados na decisão (fundamentação) não são vinculantes. A reclamação no
STF é uma ação na qual se alega que determinada decisão ou ato: • usurpou competência do STF; ou
• desrespeitou decisão proferida pelo STF. Não cabe reclamação sob o argumento de que a decisão
impugnada violou os motivos (fundamentos) expostos no acórdão do STF, ainda que este tenha
caráter vinculante. Isso porque apenas o dispositivo do acórdão é que é vinculante. Assim, diz-se que
a jurisprudência do STF é firme quanto ao não cabimento de reclamação fundada na transcendência
dos motivos determinantes do acórdão com efeito vinculante. STF. Plenário. Rcl 8168/SC, rel. orig. Min.
Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 19/11/2015 (Info 808). STF. 2ª Turma. Rcl
22012/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, red. p/ ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 12/9/2017 (Info 887).
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INFORMATIVO 872 STF Em regra, não é cabível ADI sob o argumento de que uma lei ou ato
normativo violou um tratado internacional. Em regra, os tratados internacionais não podem ser
utilizados como parâmetro em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Exceção: será
cabível ADI contra lei ou ato normativo que violou tratado ou convenção internacional que trate sobre
direitos humanos e que tenha sido aprovado segundo a regra do § 3º do art. 5º, da CF/88. Isso
porque neste caso esse tratado será incorporado ao ordenamento brasileiro como se fosse uma
emenda constitucional. STF. Plenário. ADI 2030/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/8/2017 (Info
872).
INFORMATIVO 868 STF Constitucionalidade do sistema de cotas raciais em concursos públicos A Lei nº
12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de 20% das vagas em concursos públicos realizados no
âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas
públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. O STF declarou que essa Lei é
constitucional e fixou a seguinte tese de julgamento: "É constitucional a reserva de 20% das vagas
oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito
da administração pública direta e indireta.” Além da autodeclaração, é possível que a Administração
Pública adote critérios de heteroidentificação para analisar se o candidato se enquadra nos parâmetros
da cota A Lei nº 12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de 20% das vagas em concursos
públicos da administração pública federal, direta e indireta. Segundo o art. 2º da Lei, poderão
concorrer às vagas reservadas a candidatos negros aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos
no ato da inscrição no concurso público, conforme o quesito cor ou raça utilizado pelo IBGE. Trata-se
do chamado critério da autodeclaração. O STF afirmou que este critério é constitucional. Entretanto, é
possível também que a Administração Pública adote um controle heterônomo, sobretudo quando
existirem fundadas razões para acreditar que houve abuso na autodeclaração. Assim, é legítima a
utilização de critérios subsidiários de heteroidentificação dos candidatos que se declararam pretos ou
pardos. A finalidade é combater condutas fraudulentas e garantir que os objetivos da política de cotas
sejam efetivamente alcançados. Vale ressaltar que tais critérios deverão respeitar a dignidade da
pessoa humana e assegurar o contraditório e a ampla defesa. Exemplos desse controle heterônomo:
exigência de autodeclaração presencial perante a comissão do concurso; exigência de apresentação
de fotos pelos candidatos; formação de comissões com composição plural para entrevista dos
candidatos em momento posterior à autodeclaração. Essa conclusão do STF foi resumida na seguinte
tese de julgamento: "É legítima a utilização, além da autodeclaração, de critérios subsidiários de
heteroidentificação, desde que respeitada a dignidade da pessoa humana e garantidos o contraditório
e a ampla defesa". STF. Plenário. ADC 41/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/6/2017 (Info
868). Vale ressaltar as Forças Armadas integram a Administração Pública Federal, de modo que a
vagas oferecidas nos concursos por elas promovidos sujeitam-se à política de cotas prevista na Lei
12.990/2014. STF. Plenário. ADC 41 ED, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 12/04/2018
INFORMATIVO 874 DO STF (2017): Imagine a seguinte situação: é proposta uma ADI contra
determinada lei. Cinco Ministros votam pela inconstitucionalidade da lei. Quatro Ministros votam pela
constitucionalidade. Dois Ministros declaram-se impedidos de votar.
Qual deverá ser a proclamação do resultado? Pode-se dizer que esta lei foi declarada inconstitucional
por maioria de votos? NÃO. Não foi atingido o número mínimo de votos para a declaração de

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inconstitucionalidade da lei (6 votos). Assim, como não foi alcançado o quórum exigido pelo art. 97 da
CF/88, entende-se que o STF não pronunciou juízo de constitucionalidade ou inconstitucionalidade da
lei. Isso significa que o STF não declarou a lei nem constitucional nem inconstitucional. Além disso, esse
julgamento não tem eficácia vinculante, ou seja, os juízes e Tribunais continuam livres para decidir que
a lei é constitucional ou inconstitucional, sem estarem vinculados ao STF.
INFORMATIVO 869 DO STF (2017): O Estado do Rio de Janeiro vive uma grave crise econômica,
estando em débito com o pagamento de fornecedores e atraso até mesmo no pagamento da
remuneração dos servidores públicos. Os órgãos e entidades também estão sem dinheiro para custear
os serviços públicos. Diante disso, diversas ações (individuais e coletivas) foram propostas, tanto na
Justiça comum estadual como também na Justiça do Trabalho, pedindo a realização desses
pagamentos. Os órgãos judiciais estavam acolhendo os pedidos e determinando a apreensão de
valores nas contas do Estado para a concretização dos pagamentos. Neste cenário, o Governador do
Estado ajuizou ADPF no STF com o objetivo de suspender os efeitos de todas as decisões judiciais do
TJRJ e do TRT da 1ª Região que tenham determinado o arresto, o sequestro, o bloqueio, a penhora ou
a liberação de valores das contas administradas pelo Estado do Rio de Janeiro. O STF afirmou que a
ADPF é instrumento processual adequado para esse pedido e deferiu a medida liminar. O conjunto de
decisões questionadas são atos típicos do Poder Público passíveis de impugnação por meio de APDF.
INFORMATIVO 863 DO STF (2017): Nos processos que tramitam no STF, o amicus curiae pode fazer
sustentação oral. Em regra, o amicus curiae dispõe de 15 minutos para a sustentação oral no STF. Se
houver mais de um amicus curiae, o prazo para sustentação oral no STF será o mesmo? NÃO.
Havendo mais de um amicus curiae, o STF adota a seguinte sistemática: o prazo é duplicado e dividido
entre eles. Assim, em vez de 15, os amici curiae (plural de amicus curiae) terão 30 minutos, que
deverão ser divididos entre eles. Dessa forma, se são três amici curiae para fazer sustentação oral, o
prazo deverá ser considerado em dobro, ou seja, 30 minutos, devendo ser dividido pelo número de
sustentações orais. Logo, cada um deles terá 10 minutos para manifestação na tribuna.
INFORMATIVO 857 DO STF (2017): É possível a modulação dos efeitos da decisão proferida em
recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Para que seja realizada esta modulação,
exige-se o voto de 2/3 (dois terços) dos membros do STF (maioria qualificada). É possível a modulação
dos efeitos da decisão proferida em sede de controle incidental de constitucionalidade.
INFORMATIVO 856 DO STF (2017): O STF, ao julgar as ações de controle abstrato de
constitucionalidade, não está vinculado aos fundamentos jurídicos invocados pelo autor. Assim, pode-
se dizer que na ADI, ADC e ADPF, a causa de pedir (causa petendi) é aberta. Isso significa que todo e
qualquer dispositivo da Constituição Federal ou do restante do bloco de constitucionalidade poderá
ser utilizado pelo STF como fundamento jurídico para declarar uma lei ou ato normativo
inconstitucional.
INFORMATIVO 851 DO STF (2016): Se é proposta ADI contra uma medida provisória e, antes de a ação
ser julgada, a MP é convertida em lei com o mesmo texto que foi atacado, esta ADI não perde o
objeto e poderá ser conhecida e julgada. Como o texto da MP foi mantido, não cabe falar em
prejudicialidade do pedido. Isso porque não há a convalidação ("correção") de eventuais vícios
existentes na norma, razão pela qual permanece a possibilidade de o STF realizar o juízo de

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constitucionalidade. Neste caso, ocorre a continuidade normativa entre o ato legislativo provisório
(MP) e a lei que resulta de sua conversão.
INFORMATIVO 851 DO STF (2016): Cabe ADI contra Resolução de Tribunal de Justiça.
Súmula Vinculante 10: VIOLA A CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (CF/88, ART. 97) A DECISÃO DE
ÓRGÃO FRACIONÁRIO DE TRIBUNAL QUE, EMBORA NÃO DECLARE EXPRESSAMENTE A
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO DO PODER PÚBLICO, AFASTA SUA
INCIDÊNCIA, NO TODO OU EM PARTE.
INFORMATIVO 848 DO STF (2016): Não viola a Súmula Vinculante 10, nem a regra do art. 97 da CF/88,
a decisão do órgão fracionário do Tribunal que deixa de aplicar a norma infraconstitucional por
entender não haver subsunção aos fatos ou, ainda, que a incidência normativa seja resolvida mediante
a sua mesma interpretação, sem potencial ofensa direta à Constituição. Além disso, a reclamação
constitucional fundada em afronta à SV 10 não pode ser usada como sucedâneo (substituto) de
recurso ou de ação própria que analise a constitucionalidade de normas que foram objeto de
interpretação idônea e legítima pelas autoridades jurídicas competentes.
INFORMATIVO 844 DO STF (2016): Não viola o art. 97 da CF/88 nem a SV 10 a decisão de órgão
fracionário do Tribunal que declara inconstitucional decreto legislativo que se refira a uma situação
individual e concreta. Isso porque o que se sujeita ao princípio da reserva de plenário é a lei ou o ato
normativo.
INFORMATIVO 838 DO STF (2016): Foi proposta ADI contra a Lei nº 3.041/2005, do Estado do Mato
Grosso do Sul, que tratava sobre assunto de competência da União. Ocorre que esta Lei havia
revogado outras leis estaduais de mesmo conteúdo. Desse modo, se a Lei nº 3.041/2005 fosse,
isoladamente, declarada inconstitucional, as demais leis revogadas "voltariam" a vigorar mesmo
padecendo de idêntico vício. A fim de evitar essa "eficácia repristinatória indesejada", o PGR, que
ajuizou a ação, impugnou não apenas a Lei nº 3.041/2005, mas também aquelas outras normas por
ela revogadas. O STF concordou com o PGR e, ao declarar inconstitucional a Lei nº 3.041/2005,
afirmou que não deveria haver o efeito repristinatório em relação às leis anteriores de mesmo
conteúdo.
INFORMATIVO 826 DO STF (2016): As associações que representam fração de categoria profissional
não são legitimadas para instaurar controle concentrado de constitucionalidade de norma que
extrapole o universo de seus representados.
INFORMATIVO 817 DO STF (2016): É possível a impugnação, em sede de controle abstrato de
constitucionalidade, de leis orçamentárias.
INFORMATIVO 810 DO STF (2015): Não cabe arguição de descumprimento de preceito fundamental
(ADPF) contra decisão judicial transitada em julgado.
INFORMATIVO 787 DO STF (2015): O fato de o STF ter declarado a validade formal de uma norma não
interfere nem impede que ele reconheça posteriormente que ela é materialmente inconstitucional.
INFORMATIVO 786 DO STF (2015): É possível, em uma mesma ação, cumular pedido típico de ADI
com pedido típico de ADC? SIM. O STF entendeu que é possível a cumulação de pedidos típicos de

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ADI e ADC em uma única demanda de controle concentrado. A cumulação de ações, neste caso, além
de ser possível, é recomendável para a promoção dos fins a que destinado o processo objetivo de
fiscalização abstrata de constitucionalidade, destinado à defesa, em tese, da harmonia do sistema
constitucional. A cumulação objetiva permite o enfrentamento judicial coerente, célere e eficiente de
questões minimamente relacionadas entre si. Rejeitar a possibilidade de cumulação de ações, além de
carecer de fundamento expresso na Lei 9.868/1999, traria como consequência apenas o fato de que o
autor iria propor novamente a demanda, com pedido e fundamentação idênticos, ação que seria
distribuída por prevenção.
INFORMATIVO 786 DO STF (2015): Só cabe ADC se houver uma divergência na jurisprudência sobre a
constitucionalidade daquela lei, ou seja, é necessário que existam juízes ou Tribunais decidindo que
aquela lei é inconstitucional. Se não existirem decisões contrárias à lei, não há razão para se propor a
ADC. É possível que uma lei, dias após ser editada, já seja objeto de ADC? É possível preencher o
requisito da “controvérsia judicial relevante” com poucos dias de vigência do ato normativo? SIM.
Mesmo a lei ou ato normativo possuindo pouco tempo de vigência, já é possível preencher o requisito
da controvérsia judicial relevante se houver decisões julgando essa lei ou ato normativo
inconstitucional. O STF decidiu que o requisito relativo à existência de controvérsia judicial relevante é
qualitativo e não quantitativo. Em outras palavras, para verificar se existe a controvérsia não se
examina apenas o número de decisões judiciais. Não é necessário que haja muitas decisões em
sentido contrário à lei.
INFORMATIVO 780 DO STF (2015): Depois da proclamação do resultado final, o julgamento deve ser
considerado concluído e encerrado e, por isso, mostra-se inviável a sua reabertura para discutir
novamente a modulação dos efeitos da decisão proferida. A análise da ação direta de
inconstitucionalidade é realizada de maneira bifásica: a) primeiro, o Plenário decide se a lei é
constitucional ou não; e b) em seguida, se a lei foi declarada inconstitucional, discute-se a possibilidade
de modulação dos efeitos. Uma vez encerrado o julgamento e proclamado o resultado, inclusive com
a votação sobre a modulação (que não foi alcançada), não há como reabrir o caso, ficando preclusa a
possibilidade de reabertura para deliberação sobre a modulação dos efeitos.
INFORMATIVO 771 DO STF (2014): A ADPF e a ADI são fungíveis entre si. Assim, o STF reconhece ser
possível a conversão da ADPF em ADI quando imprópria a primeira, e vice-versa. No entanto, essa
fungibilidade não será possível quando a parte autora incorrer em erro grosseiro. É o caso, por
exemplo, de uma APF proposta contra uma Lei editada em 2013, ou seja, quando manifestamente
seria cabível a ADI por se tratar de norma posterior à CF/88.
INFORMATIVO 761 DO STF (2014): Se já houve pronunciamento anterior, emanado do Plenário do STF
ou do órgão competente do TJ local declarando determinada lei ou ato normativo inconstitucional,
será possível que o Tribunal julgue que esse ato é inconstitucional de forma monocrática (um só
Ministro) ou por um colegiado que não é o Plenário (uma câmara, p. ex.), sem que isso implique
violação à cláusula da reserva de plenário.

4. Princípios Fundamentais e Direitos e Garantias Fundamentais.

#DEOLHONATABELINHA:

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TEORIA GERAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
São direitos ou posições jurídicas que investem os seres humanos, individual ou
coletivamente considerados, em um conjunto de prerrogativas, faculdades e
Conceito
instituições imprescindíveis para assegurar uma existência digna, livre, igual e
fraterna entre todas as pessoas.
➢ 1ª Dimensão Direitos civis e políticos.
➢ 2ª Dimensão Direitos sociais, econômicos e culturais.
Dimensões
➢ 3ª Dimensão Direitos de solidariedade e fraternidade.
➢ 4ª Dimensão Globalização (não é pacífico).
➢ Passivo: o sujeito está subordinado aos poderes estatais.
Teoria dos 4 Status ➢ Ativo: sujeito pode participar da formação da vontade do Estado.
(JELLINEK) ➢ Negativo: ao sujeito é assegurada uma esfera indevassável ao Estado.
➢ Positivo: sujeito tem direito de pedir certas prestações ao Estado.
Cabe ao aplicador apenas explicitar os limites que já estão
TEORIA contidos na própria estrutura do direito. Assim, interpretando-
INTERNA se corretamente os direitos, não haverá efetiva colisão entre
eles.
TEORIA É possível efetiva colisão entre direitos fundamentais, tornando-
EXTERNA se necessária a restrição de um deles.
Restrições Embora se admita a restrição de direitos fundamentais, há um
conteúdo mínimo que não pode ser atacado. Assim, há limite
LIMITE DOS
para a limitação de direitos, que não podem ser
LIMITES
descaracterizados. Requisitos para restringir um direito
(LIMITES
fundamental: a) respeitar o núcleo essencial; b) previsão em
IMANENTES)
texto infraconstitucional; c) restrição de caráter geral e abstrato;
d) proporcional.
(a) Relatividade; (b) Universalidade; (c) Aplicabilidade imediata; (d) Atipicidade;
Características
(e) Indisponibilidade; (f) Imprescritibilidade.
o Vertical incidem na relação entre sujeito e Estado;
o Horizontal incidem na relação entre sujeitos privados;
Eficácia
o Diagonal incidem na relação entre privados em posição de desigualdade.
Ex.: consumidor e fornecedor.
PRINCIPAIS DIREITOS FUNDAMENTAIS EM ESPÉCIE (art. 5º, CF/88)
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta
Igualdade
Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
Legalidade
virtude de lei;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de
Liberdade de
comunicação, independentemente de censura ou licença;
expressão
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da
fonte, quando necessário ao exercício profissional;
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V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da
Direito de resposta
indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o
livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos
locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas
Liberdade religiosa
entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de
convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação
legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
Privacidade assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de
sua violação;
Liberdade XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
profissional qualificações profissionais que a lei estabelecer;
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter
paramilitar;
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas
independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu
funcionamento;
Liberdade de
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas
associação
atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o
trânsito em julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm
legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;
Direito adquirido,
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
ato jurídico perfeito
julgada;
e coisa julgada
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito;
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
Direitos
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade
fundamentais
competente;
processuais
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em
geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos
a ela inerentes;

DE OLHO NA JURIS MAIS RECENTE:


INFORMATIVO 935 DO STF É constitucional a lei de proteção animal que, a fim de resguardar a
liberdade religiosa, permite o sacrifício ritual de animais em cultos de religiões de matriz africana. STF.

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Plenário. RE 494601/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em
28/3/2019 (Info 935).
INFORMATIVO 931 DO STF A legitimidade dos sindicatos para representação de determinada
categoria depende do devido registro no Ministério do Trabalho em obediência ao princípio
constitucional da unicidade sindical (art. 8º, II, da CF/88). STF. 1ª Turma. RE 740434 AgR/MA, Rel. Min.
Luiz Fux, julgado em 19/2/2019 (Info 931).
INFORMATIVO 642 DO STJ O direito à retratação e ao esclarecimento da verdade possui previsão na
Constituição da República e na Lei Civil, não tendo sido afastado pelo Supremo Tribunal Federal no
julgamento da ADPF 130/DF. O princípio da reparação integral (arts. 927 e 944 do CC)possibilita o
pagamento da indenização em pecúnia e in natura, a fimde se dar efetividade ao instituto da
responsabilidade civil. Dessa forma, é possível que o magistrado condene o autor da ofensa a divulgar
a sentença condenatória nos mesmos veículos de comunicação em que foi cometida a ofensa à honra,
desde que fundamentada em dispositivos legais diversos da Lei de Imprensa. STJ. 3ª Turma. REsp
1771866-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/02/2019 (Info 642).
INFORMATIVO 929 DO STF Não há vedação para a fixação de piso salarial em múltiplos do salário
mínimo, desde que inexistam reajustes automáticos. Isso não configura afronta ao art. 7º, IV, da CF/88
nem à SV 4. STF. 1ª Turma. RE 1077813 AgR/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 05/02/2019 (Info
929). STF. 2ª Turma. ARE 1110094 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/06/2018. No
mesmo sentido é a OJ 71, da SBDI-2 do TST: “A estipulação do salário profissional em múltiplos do
salário mínimo não afronta o art. 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, só incorrendo em
vulneração do referido preceito constitucional a fixação de correção automática do salário pelo
reajuste do salário mínimo.”
INFORMATIVO 640 DO STJ A Lei nº 8.899/94 previu que as pessoas com deficiência possuem direito à
gratuidade no transporte coletivo interestadual. Esta Lei foi regulamentada pela Portaria Interministerial
nº 003/2001, que, no entanto, afirmou que apenas as empresas de transporte rodoviário, ferroviário e
aquaviário teriam o dever de oferecer essa gratuidade. Houve, assim, uma omissão quanto ao
transporte aéreo. O MP propôs ação civil pública na qual pretendia garantir a gratuidade também no
transporte aéreo. Ao julgar um recurso neste processo, o STJ afirmou que não poderia conceder o
pedido. Isso porque: O STJ não possui competência constitucional para ampliar os modais de
transporte interestadual submetidos ao regime da gratuidade prevista na Lei nº 8.899/94 e nos atos
normativos secundários que a regulamentam. STJ. 4ª Turma. REsp 1155590-DF, Rel. Min. Marco Buzzi,
julgado em 27/11/2018 (Info 640)
INFORMATIVO 922 DO STF São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos que determinem
ou promovam: • o ingresso de agentes públicos em universidades públicas e privadas; • o
recolhimento de documentos (ex: panfletos); • a interrupção de aulas, debates ou manifestações de
docentes e discentes universitários; • a realização de atividade disciplinar docente e discente e a coleta
irregular de depoimentos desses cidadãos pela prática de manifestação livre de ideias e divulgação do
pensamento nos ambientes universitários ou em equipamentos sob a administração de universidades
públicas e privadas. STF. Plenário. ADPF 548 MC-Ref/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
31/10/2018 (Info 922).

23
INFORMATIVO 921 DO STF Não viola a Constituição Federal a cobrança de contribuição obrigatória
dos alunos matriculados nos Colégios Militares do Exército Brasileiro. Os Colégios Militares apresentam
peculiaridades que fazem com que eles sejam instituições diferentes dos estabelecimentos oficiais de
ensino, por razões éticas, fiscais, legais e institucionais. Podem, assim, ser qualificados como instituições
educacionais sui generis. A quota mensal escolar exigida nos Colégios Militares não representa ofensa
à regra constitucional de gratuidade do ensino público, uma vez que não há violação ao núcleo de
intangibilidade do direito fundamental à educação. Por fim, deve-se esclarecer que esse valor cobrado
dos alunos para o custeio das atividades do Sistema Colégio Militar do Brasil não possui natureza
tributária (não é tributo). Logo, é válida a sua instituição por meio de atos infralegais. Portanto, são
válidos os arts. 82 e 83, da Portaria 42/2008 do Comandante do Exército, que disciplinam essa
cobrança. STF. Plenário. ADI 5082/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/10/2018 (Info 921).
INFORMATIVO 921 DO STF Ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do art. 14 da
CF/88 chega-se à conclusão de que a intenção do poder constituinte foi a de proibir que pessoas do
mesmo núcleo familiar ocupem três mandatos consecutivos para o mesmo cargo no Poder Executivo.
Em outras palavras, a CF/88 quis proibir que o mesmo núcleo familiar ocupasse três mandatos
consecutivos de Prefeito, de Governador ou de Presidente. A vedação ao exercício de três mandatos
consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-se também na hipótese em que tenha
havido a convocação do segundo colocado nas eleições para o exercício de mandato-tampão. Ex: de
2010 a 2012, o Prefeito da cidade era Auricélio. Era o primeiro mandato de Auricélio. Seis meses antes
das eleições, Auricélio renunciou ao cargo. Em 2012, Hélio (cunhado de Auricélio) vence a eleição para
Prefeito da mesma cidade.De 2013 a 2016, Hélio cumpre o mandato de Prefeito.Em 2016, Hélio não
poderá se candidatar à reeleição ao cargo de Prefeito porque seria o terceiro mandato consecutivo
deste núcleo familiar. STF. 2ª Turma. RE 1128439/RN, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 23/10/2018
(Info 921).
INFORMATIVO 920 DO STF É constitucional lei estadual que: • assegure, nos estabelecimentos de
ensino superior estadual e municipal, a livre organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios
Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes. • estabeleça que é de competência exclusiva dos
estudantes a definição das formas, dos critérios, dos estatutos e demais questões referentes à
organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes. •
determine que os estabelecimentos de ensino deverão garantir espaços, em suas dependências, para
a divulgação e instalações para os Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais
Estudantis. Vale ressaltar, no entanto, que esta lei não se aplica para as instituições federais e
particulares de ensino superior considerando que elas integram o “sistema federal”, de competência da
União. Deve-se acrescentar, por fim, que é inconstitucional que essa lei estadual preveja multa para as
entidades particulares de ensino em caso de descumprimento das medidas acima listadas. STF.
Plenário. ADI 3757/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/10/2018 (Info 920).
INFORMATIVO 915 DO STF Não é possível, atualmente, o ensino domiciliar (homeschooling) como
meio lícito de cumprimento, pela família, do dever de prover educação. Não há, na CF/88, uma
vedação absoluta ao ensino domiciliar. A CF/88, apesar de não o prever expressamente, não proíbe o
ensino domiciliar. No entanto, o ensino domiciliar não pode ser atualmente exercido porque não há
legislação que regulamente os preceitos e as regras aplicáveis a essa modalidade de ensino. Assim, o
24
ensino domiciliar somente pode ser implementado no Brasil após uma regulamentação por meio de
lei na qual sejam previstos mecanismos de avaliação e fiscalização, devendo essa lei respeitar os
mandamentos constitucionais que tratam sobre educação. STF. Plenário. RE 888815/RS, rel. orig. Min.
Roberto Barroso, red. p/ o acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 12/9/2018 (repercussão
geral) (Info 915).
INFORMATIVO 909 DO STF São constitucionais a exigência de idade mínima de quatro e seis anos
para ingresso, respectivamente, na educação infantil e no ensino fundamental, bem como a fixação da
data limite de 31 de março para que referidas idades estejam completas. STF. Plenário. ADPF 292/DF,
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/8/2018 (Info 909). É constitucional a exigência de 6 (seis) anos de
idade para o ingresso no ensino fundamental, cabendo ao Ministério da Educação a definição do
momento em que o aluno deverá preencher o critério etário. STF. Plenário. ADC 17/DF, Rel. Min. Edson
Fachin, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, jugado em 1º/8/2018 (Info 909). As Resoluções nº 01/2010 e
nº 06/2010, ambas emanadas da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação
(CNE/CEB), ao estabelecerem corte etário para ingresso de crianças na primeira série do ensino
fundamental (6 anos completos até 31 de março do correspondente ano letivo), não incorreram em
contexto de ilegalidade (não violaram a lei). Ao contrário, tais Resoluções encotram respaldo na
interpretação conjunta dos arts. 29 e 32 da Lei nº 9.394/96 (LDB). O Poder Judiciário não pode
substituir-se às autoridades públicas de educação para fixar ou suprimir requisitos para o ingresso de
crianças no ensino fundamental, quando os atos normativos de regência não revelem traços de
ilegalidade, abusividade ou ilegitimidade. STJ. 1ª Turma. REsp 1412704/PE, Rel. Min. Sérgio Kukina,
julgado em 16/12/2014.
INFORMATIVO 908 DO STF São compatíveis com a Constituição Federal os dispositivos da Lei nº
13.467/2017 (Reforma Trabalhista) que extinguiram a obrigatoriedade da contribuição sindical e
condicionaram o seu pagamento à prévia e expressa autorização dos filiados. No âmbito formal, o STF
entendeu que a Lei nº 13.467/2017 não contempla normas gerais de direito tributário (art. 146, III, “a”,
da CF/88). Assim, não era necessária a edição de lei complementar para tratar sobre matéria relativa a
contribuições. Também não se aplica ao caso a exigência de lei específica prevista no art. 150, § 6º, da
CF/88, pois a norma impugnada não disciplinou nenhum dos benefícios fiscais nele mencionados,
quais sejam, subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia
ou remissão. Sob o ângulo material, o STF afirmou que a Constituição assegura a livre associação
profissional ou sindical, de modo que ninguém é obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato
(art. 8º, V, da CF/88). O princípio constitucional da liberdade sindical garante tanto ao trabalhador
quanto ao empregador a liberdade de se associar a uma organização sindical, passando a contribuir
voluntariamente com essa representação. Não há nenhum comando na Constituição Federal
determinando que a contribuição sindical é compulsória. Não se pode admitir que o texto
constitucional, de um lado, consagre a liberdade de associação, sindicalização e expressão (art. 5º, IV e
XVII, e art. 8º) e, de outro, imponha uma contribuição compulsória a todos os integrantes das
categorias econômicas e profissionais. STF. Plenário. ADI 5794/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac.
Min. Luiz Fux, julgado em 29/6/2018 (Info 908).
INFORMATIVO 893 DO STF Uma decisão judicial determinou a retirada de matéria de “blog”
jornalístico, bem como a proibição de novas publicações, por haver considerado a notícia ofensiva à
25
honra de delegado da polícia federal. Essa decisão afronta o que o STF decidiu na ADPF 130/DF, que
julgou não recepcionada a Lei de Imprensa. A ADPF 130/DF pode ser utilizada como parâmetro para
ajuizamento de reclamação que verse sobre conflito entre a liberdade de expressão e de informação e
a tutela das garantias individuais relativas aos direitos de personalidade. A determinação de retirada de
matéria jornalística afronta a liberdade de expressão e de informação, além de constituir censura
prévia. Essas liberdades ostentam preferência em relação ao direito à intimidade, ainda que a matéria
tenha sido redigida em tom crítico. O Supremo assumiu, mediante reclamação, papel relevante em
favor da liberdade de expressão, para derrotar uma cultura censória e autoritária que começava a se
projetar no Judiciário. STF. 1ª Turma. Rcl 28747/PR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ ac. Min. Luiz
Fux, julgado em 5/6/2018 (Info 905). Sobre o mesmo tema: STF. 1ª Turma. Rcl 22328/RJ, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 6/3/2018 (Info 893).
INFORMATIVO 902 DO STF É inconstitucional o § 1º do art. 4º da Lei nº 9.612/98. Esse dispositivo
proíbe, no âmbito da programação das emissoras de radiodifusão comunitária, a prática de
proselitismo, ou seja, a transmissão de conteúdo tendente a converter pessoas a uma doutrina,
sistema, religião, seita ou ideologia. O STF entendeu que essa proibição afronta os arts. 5º, IV, VI e IX, e
220, da Constituição Federal. A liberdade de pensamento inclui o discurso persuasivo, o uso de
argumentos críticos, o consenso e o debate público informado e pressupõe a livre troca de ideias e
não apenas a divulgação de informações. STF. Plenário. ADI 2566/DF, rel. orig. Min. Alexandre de
Moraes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 16/5/2018 (Info 902).
INFORMATIVO 899 DO STF Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, telefônico e
fiscal devem ser mantidos sob reserva. Assim, a página do Senado Federal na internet não pode
divulgar os dados obtidos por meio da quebra de sigilo determinada por comissão parlamentar de
inquérito (CPI). STF. Plenário. MS 25940, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/4/2018 (Info 899).

5. Organização do Estado. Organização dos Poderes.

COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS
Atribuída a uma entidade federada com exclusão de todas as demais, SEM
EXCLUSIVAS
possibilidade de delegação.
Da União (artigo 22 e parágrafo único). Pode ser delegada aos Estados para
PRIVATIVAS
legislarem sobre determinada matéria, por meio de Lei Complementar.
Atribuída a mais de um ente federado com atuação em níveis distintos.
Os municípios estão excluídos, cabe somente a União, Estados e Distrito Federal,
que poderão legislar concorrentemente sobre os assuntos constantes no artigo
24, mas, NÃO há superposição.
CONCORRENTES §§ 1º a 4º → À União competem às normas gerais; os Estados têm competência
(artigo 24) suplementar; se a União não emitir as normas gerais, os Estados poderão
exercer a competência plena sobre o assunto; se após o exercício da
competência plena dos Estados, surgir, supervenientemente, regulamentação
sobre normas gerais da União, a norma dos Estados terá a eficácia suspensa
(não revoga nem torna inválida no que contradiz a União, pois não há hierarquia

26
entre elas. Não há repristinação).
Conferida a determinado ente para complementar as normas gerais dispostas
por outro ou para suprir a ausência dessas normas gerais. Artigo 24, § 2º trata
SUPLEMENTARES
da competência LEGISLATIVA SUPLEMENTAR DOS ESTADOS e o art. 30, II fala
da competência LEGISLATIVA SUPLEMENTAR DOS MUNICÍPIOS

#SELIGANASSÚMULAS

Súmula Vinculante 2: É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre
sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.
Súmula Vinculante 38: É competente o Município para fixar o horário de funcionamento de
estabelecimento comercial.
Súmula Vinculante 39: Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das
polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.
Súmula Vinculante 46: A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas
normas de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União.
Súmula 19: A fixação do horário bancário, para atendimento ao público, é da competência da União.
#APOSTACICLOS Súmula 637 do STF: não cabe recurso extraordinário contra acórdão de tribunal de
justiça que defere pedido de intervenção estadual em município.

#DEOLHONAJURIS
INFORMATIVO 902 DO STF Para que sejam alterados os limites territoriais de um Município é
necessária a realização de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios
envolvidos, nos termos do art. 18, § 4º da CF/88. STF. Plenário. ADI 2921/RJ, rel. orig. Min. Ayres Britto,
red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 9/8/2017 (Info 872).
INFORMATIVO 550 DO STJ Deve ser deferido pedido de intervenção federal quando verificado o
descumprimento pelo Estado, sem justificativa plausível e por prazo desarrazoado, de ordem judicial
que tenha requisitado força policial para promover reintegração de posse em imóvel rural ocupado
pelo MST, mesmo que, no caso, tenha se consolidado a invasão por um grande número de famílias e
exista, sem previsão de conclusão, procedimento administrativo de aquisição da referida propriedade
pelo INCRA para fins de reforma agrária.
INFORMATIVO 758 DO STF Para que seja decretada a intervenção federal em um Estado-membro
que tenha deixado de pagar precatórios é necessário que fique comprovado que esse
descumprimento é voluntário e intencional. Se ficar demonstrado que o ente não pagou por
dificuldades financeiras não há intervenção. STF. Plenário. É necessária a edição de LC federal para que
possam ser criados novos municípios. (Info 758).
PODER LEGISLATIVO

SENADO FEDERAL CÂMARA DOS DEPUTADOS


Composição Representantes dos ESTADOS e DF Representantes do POVO

27
Sistema de Princípio proporcional à população de
Princípio majoritário
eleição cada Estado e do DF
3 Senadores por Estado e DF, cada LC 78/93 fixou em 513 Deputados Federais.
Número de
qual com 2 suplentes. Há um total (Nenhum Estado terá menos que 8, nem
parlamentares
de 81 senadores. mais de 70 Deputados).
Mandato 8 anos = 2 legislaturas 4 anos = 1 legislatura
Renovação A cada 4 anos, por 1/3 e 2/3. A cada 4 anos.
Idade mínima 35 anos 21 anos

Legislar
Função TÍPICA
Fiscalizar (auxílio TC)
PODER LEGISLATIVO
Judicante
Função ATÍPICA
Administrativa

ESTATUTO DOS PARLAMENTARES


#TOPTOP
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões,
palavras e votos. IMUNIDADE MATERIAL.
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento
perante o STF.
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional NÃO poderão ser presos,
SALVO em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de 24 horas à
Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o
STF dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto
da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação.
§ 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de 45 dias do
seu recebimento pela Mesa Diretora.
§ 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato.
§ 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou
prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles
receberam informações.
§ 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, embora militares e ainda que em
tempo de guerra, dependerá de prévia licença da Casa respectiva.
§ 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser
28
suspensas mediante o voto de 2/3 dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos praticados fora
do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida.

CPI PODE CPI NÃO PODE


Notificar testemunhas, investigados e convidados Impor sanção
Determinar a condução coercitiva de testemunha Cassar mandato
Realizar perícia, exames e vistorias Não tem poder geral de cautela
Prender em flagrante Determinar interceptação telefônica
Afastar sigilo bancário, fiscal e de REGISTRO
Determinar busca e apreensão domiciliar.
telefônico

Art. 58, § 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das
autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas
pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante
requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo,
sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a
responsabilidade civil ou criminal dos infratores.

#SELIGANASÚMULA

Súmula 245-STF: A imunidade parlamentar não se estende ao corréu sem essa prerrogativa.

Súmula 397-STF: O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de
crime cometido nas suas dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em flagrante
do acusado e a realização do inquérito.

Súmula 653-STF: No Tribunal de Contas estadual, composto por sete conselheiros, quatro devem ser
escolhidos pela Assembleia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual, cabendo a este
indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público, e um terceiro à sua livre
escolha.

Súmula vinculante 3-STF: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão
inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

Súmula 6-STF: A revogação ou anulação, pelo Poder Executivo, de aposentadoria, ou qual- quer outro
ato aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes de aprovada por aquele tribunal,
ressalvada a competência revisora do judiciário.

#DEOLHONAJURIS

29
INFORMATIVO 904 DO STF Se o STF condenar criminalmente um Deputado Federal ou Senador,
haverá a perda automática do mandato ou isso ainda dependerá de uma deliberação (decisão) da
Câmara ou do Senado, respectivamente? A condenação criminal transitada em julgado é suficiente,
por si só, para acarretar a perda automática do mandato eletivo de Deputado Federal ou de Senador?
1ª Turma do STF: DEPENDE. • Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de 120 dias em
regime fechado: a perda do cargo será uma consequência lógica da condenação. Neste caso, caberá à
Mesa da Câmara ou do Senado apenas declarar que houve a perda (sem poder discordar da decisão
do STF), nos termos do art. 55, III e § 3º da CF/88. • Se o Deputado ou Senador for condenado a uma
pena em regime aberto ou semiaberto: a condenação criminal não gera a perda automática do cargo.
O Plenário da Câmara ou do Senado irá deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, da CF/88, se o
condenado deverá ou não perder o mandato. STF. 1ª Turma. AP 694/MT, Rel. Min. Rosa Weber,
julgado em 2/5/2017 (Info 863). STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/5/2018
(Info 903).

2ª Turma do STF: NÃO. A perda não é automática. A Casa é que irá deliberar. O STF apenas comunica,
por meio de ofício, à Mesa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal informando sobre a
condenação do parlamentar. A Mesa da Câmara ou do Senado irá, então, deliberar (decidir) como
entender de direito (como quiser) se o parlamentar irá perder ou não o mandato eletivo, conforme
prevê o art. 55, VI, § 2º, da CF/88. Assim, mesmo com a condenação criminal, quem decide se haverá
a perda do mandato é a Câmara dos Deputados ou o Senado Federal. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel.
Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904) (obs: o Relator Edson Fachin ficou vencido neste
ponto).

INFORMATIVO 899 DO STF O parlamentar, na condição de cidadão, pode exercer plenamente seu
direito fundamental de acesso a informações de interesse pessoal ou coletivo, nos termos do art. 5º,
inciso XXXIII, da Constituição Federal e das normas de regência desse direito. O parlamentar, na
qualidade de cidadão, não pode ter cerceado o exercício do seu direito de acesso, via requerimento
administrativo ou judicial, a documentos e informações sobre a gestão pública, desde que não
estejam, excepcionalmente, sob regime de sigilo ou sujeitos à aprovação de CPI. O fato de as casas
legislativas, em determinadas situações, agirem de forma colegiada, por intermédio de seus órgãos,
não afasta, tampouco restringe, os direitos inerentes ao parlamentar como indivíduo. STF. Plenário. RE
865401/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/4/2018 (repercussão geral) (Info 899).

INFORMATIVO 617 DO STJ É possível que o Juiz de primeiro grau, fundamentadamente, imponha a
parlamentares municipais as medidas cautelares de afastamento de suas funções legislativas sem
necessidade de remessa à Casa respectiva para deliberação. STJ. 5ª Turma. RHC 88804-RN, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 07/11/2017 (Info 617).

30
INFORMATIVO 881 DO STF O Poder Judiciário possui competência para impor aos parlamentares, por
autoridade própria, as medidas cautelares previstas no art. 319 do CPP, seja em substituição de prisão
em flagrante delito por crime inafiançável, por constituírem medidas individuais e específicas menos
gravosas; seja autonomamente, em circunstâncias de excepcional gravidade. Obs: no caso de
Deputados Federais e Senadores, a competência para impor tais medidas cautelares é do STF (art. 102,
I, “b”, da CF/88). Importante, contudo, fazer uma ressalva: se a medida cautelar imposta pelo STF
impossibilitar, direta ou indiretamente, que o Deputado Federal ou Senador exerça o seu mandato,
então, neste caso, o Supremo deverá encaminhar a sua decisão, no prazo de 24 horas, à Câmara dos
Deputados ou ao Senado Federal para que a respectiva Casa delibere se a medida cautelar imposta
pela Corte deverá ou não ser mantida. Assim, o STF pode impor a Deputado Federal ou Senador
qualquer das medidas cautelares previstas no art. 319 do CPP. No entanto, se a medida imposta
impedir, direta ou indiretamente, que esse Deputado ou Senador exerça seu mandato, então, neste
caso, a Câmara ou o Senado poderá rejeitar (“derrubar”) a medida cautelar que havia sido
determinada pelo Judiciário. Aplica-se, por analogia, a regra do §2º do art. 53 da CF/88 também para
as medidas cautelares diversas da prisão. STF. Plenário. ADI 5526/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red.
p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/10/2017 (Info 881).

2. PODER EXECUTIVO

• Linha sucessória presidencial:

Sucessão em sentido estrito = DEFINITIVA


(Há vacância do cargo: morte, renúncia, condenação Substituição = TEMPORÁRIA
por crime de responsabilidade);
VICE → PRESIDENTE CÂMARA → PRESIDENTE
Apenas o VICE pode!
SENADO → PRESIDENTE STF.

STF (2016 – 850) Réu em processo criminal NÃO pode assumir, como substituto, o cargo de Presidente
da República, embora possa continuar na chefia do Poder por eles titularizados.
• #Mandato-Tampão:

VACÂNCIA DOS CARGOS DE PR E VICE VACÂNCIA DOS CARGOS DE PR E VICE


2 PRIMEIROS ANOS DO MANDATO 2 ÚLTIMOS ANOS DO MANDATO
DIRETA INDIRETA
ELEIÇÃO
(feita pelo povo) (votam apenas os Deputados e Senadores)
PRAZO 90 dias a contar da última vacância 30 dias a contar da última vacância

- Vale ressaltar que o STF tem entendimento sedimentado de que o art. 81, §1º, da CF (regramento da
sucessão presidencial no caso de dupla vacância) NÃO é uma norma de reprodução obrigatória pelos
Estados e Municípios em suas respectivas Constituições/Leis Orgânicas.

31
- Para a Corte, compete aos entes federados, como decorrência do princípio federativo, o exercício da
autonomia política administrativa para estabelecerem as regras da sucessão na hipótese da dupla
vacância na chefia do Poder Executivo.

- Sabe-se que é da competência privativa da União a legislação sobre direito eleitoral, todavia, o STF
diz que o procedimento de sucessão NÃO é materialmente eleitoral.

Crimes de responsabilidade Crimes comuns

Infrações de natureza política-


administrativa que pode levar ao Infrações de natureza penal, crimes
impeachment. ou contravenções
Legislação é privativa da UNIÃO – lei 1079/50.
Acusação pode ser formalizada por Será processado e julgado pelo STF.
QUALQUER CIDADÃO em pleno gozo de seus Denúncia é oferecida pelo PGR.
direitos políticos.
Procedimento é BIFÁSICO: A acusação também deve ser admitida por 2/3
1. Câmara dos deputados faz o juízo de da Câmara, e a instauração do processo é ato
admissibilidade; discricionário do STF.
2. Será processados e julgado pelo Senado
Federal. PR só poderá ser preso depois
que sobrevier sentença PENAL
A acusação deve ser admitida por 2/3 da condenatória.
Câmara em votação aberta. O Senado, então,
decide se recebe ou não a denúncia.

PR ficará afastado por até 180 dias.

Senado é presidido pelo Ministro Presidente do STF;


Sentença condenatória se materializa por meio de uma RESOLUÇÃO:
Esta, se aprovada por 2/3, acarreta perda do cargo e inabilitação para o
exercício de qualquer função pública por 8 anos.
A renúncia ao cargo, depois de já iniciado o processo, não impede o seu
regular prosseguimento.

Praticam crimes de responsabilidade:


Presidente
Vice-Presidente
Ministros de Estado, nos crimes conexos com os praticados pelo PR
Ministros do STF
PGR
AGU
Governadores
Prefeitos
Membros do CNJ
Membros do CNMP

3. PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO
Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:
COMPOSIÇÃO
I - o Supremo Tribunal Federal;

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I-A o Conselho Nacional de Justiça;
II - o Superior Tribunal de Justiça;
III-A – O Tribunal Superior do Trabalho
III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais;
IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho;
V - os Tribunais e Juízes Eleitorais;
VI - os Tribunais e Juízes Militares;
VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.
§ 1º O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e os Tribunais
Superiores têm sede na Capital Federal.
§ 2º O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores têm jurisdição em todo
o território nacional.
Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias:
I - vitaliciedade, que, no 1° grau, só será adquirida após 2 ANOS de exercício,
dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a que o
juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial transitada em
julgado;
II - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do art. 93, VIII;
III - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, § 4º,
150, II, 153, III, e 153, § 2º, I.
GARANTIAS Parágrafo único. Aos juízes é VEDADO:
I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de
magistério;
II - receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo;
III - dedicar-se à atividade político-partidária.
IV - receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas
físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei;
V - exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos
TRÊS ANOS DO AFASTAMENTO do cargo por aposentadoria ou exoneração.
Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 membros com
MANDATO DE 2 ANOS, admitida 1 recondução, sendo:
I - o Presidente do Supremo Tribunal Federal;
II - um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, indicado pelo respectivo tribunal;
III - um Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, indicado pelo respectivo tribunal;
IV - um desembargador de Tribunal de Justiça, indicado pelo Supremo Tribunal
CNJ Federal;
V - um juiz estadual, indicado pelo Supremo Tribunal Federal;
VI - um juiz de Tribunal Regional Federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça;
VII - um juiz federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça;
VIII - um juiz de Tribunal Regional do Trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do
Trabalho;
IX - um juiz do trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho;
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X - um membro do Ministério Público da União, indicado pelo Procurador-Geral da
República;
XI - um membro do MPE, escolhido pelo PGR dentre os nomes indicados pelo
órgão competente de cada instituição estadual;
XII - dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados
do Brasil;
XIII - dois cidadãos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela
Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal.
Art. 103-A. O STF poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de 2/3
dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar
súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá EFEITO
VINCULANTE em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração
pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como
proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.
§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas
determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou
SÚMULA entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e
VINCULANTE relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica.
§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou
cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a
ação direta de inconstitucionalidade.
§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou
que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que,
julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial
reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da
súmula, conforme o caso

#SELIGANASSÚMULAS

Súmula 628-STF: Integrante de lista de candidatos a determinada vaga da composição de tribunal é


parte legítima para impugnar a validade da nomeação de concorrente.

Súmula 627-STF: No mandado de segurança contra a nomeação de magistrado da competência do


Presidente da República, este é considerado autoridade coatora, ainda que o fundamento da
impetração seja nulidade ocorrida em fase anterior do procedimento.

Súmula 649-STF: É inconstitucional a criação, por Constituição Estadual, de órgão de controle


administrativo do Poder Judiciário do qual participem representantes de outros Poderes ou entidades.

INFORMATIVO 933 DO STF O STF entende que não é seu papel fazer a revisão do mérito das
decisões do CNJ. Assim, os atos e procedimentos do CNJ estão sujeitos apenas ao controle de
legalidade por parte do STF. O mandado de segurança não se presta ao reexame de fatos e provas
analisados pelo CNJ no processo disciplinar. A LOMAN não estabelece regras de prescrição da

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pretensão punitiva por faltas disciplinares praticadas por magistrados. Diante disso, deve ser feita a
aplicação subsidiária da Lei nº 8.112/90. STF. 2ª Turma. MS 35540/DF e MS 35521/DF, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgados em 12/3/2019 (Info 933).
INFORMATIVO 930 DO STF É válido ato do CNJ que, ao dar plena aplicabilidade ao art. 31 do ADCT,
decide pela invalidade dos atos administrativos de nomeação de todos os titulares de cartórios
privatizados que tenham ingressado no cargo após 5 de outubro de 1988, data de promulgação da CF
em vigor. As pessoas que assumiram as serventias judiciais depois da CF/1988, em caráter privado, não
têm direito líquido e certo de nelas permanecerem, qualquer que seja a forma de provimento. Há
flagrante inconstitucionalidade a partir do momento em que assumem cargo em serventia que deveria
ser estatizada. Isso porque é inconstitucional o provimento de pessoas para exercerem a função de
titular de serventias judiciais, com caráter privado (serventias judicias privatizadas / não estatizadas),
após a CF/88. O art. 31 do ADCT é autoaplicável, de modo que é obrigatória a estatização das
serventias judiciais à medida que elas fiquem vagas. O prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99
não se aplica quando o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. STF. 1ª Turma.
MS 29323/DF, MS 29970/DF, MS 30267/DF e MS 30268/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac.
Min. Alexandre de Moraes, julgados em 12/2/2019 (Info 930).
INFORMATIVO 923 DO STF Caso concreto: foi instaurado procedimento de controle administrativo
(PCA) no CNJ para apurar a regularidade de 300 serventias judiciais. O impetrante alega a nulidade do
PCA pelo fato de haver um grande número de interessados no mesmo processo, defendendo a ideia
de que deveria ser um procedimento para cada parte. O STF não concordou com o mandado de
segurança impetrado e manteve a decisão do CNJ. O fato de o PCA instaurado no CNJ contar com
um número elevado de partes interessadas não significa, necessariamente, violação ao devido
processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. O prejuízo à defesa deve ser analisado
concretamente, à luz das especificidades do caso. No caso concreto, tendo em vista que todos os
interessados foram intimados para se manifestarem no processo e o que CNJ enfrentou de maneira
detida as teses jurídicas por eles apresentadas, não há que se falar em anulação do ato impugnado.
Como regra geral, o controle dos atos do CNJ pelo STF somente se justifica nas hipóteses de: a)
inobservância do devido processo legal; b) exorbitância das competências do Conselho; e c)
injuridicidade ou manifesta irrazoabilidade do ato impugnado. No caso concreto, não se identifica
nenhuma dessas três situações. Logo, não há motivo para a anulação da decisão do CNJ. STF. 1ª
Turma. MS 28495/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em
13/11/2018 (Info 923).
INFORMATIVO 915 DO STF O CNJ não pode fazer controle de constitucionalidade de lei ou ato
normativo de forma a substituir a competência do STF. Contudo, o CNJ pode determinar a correção
de ato do Tribunal local que, embora respaldado por legislação estadual, se distancie do
entendimento do STF. Assim, o CNJ pode afirmar que determinada lei ou ato normativo é
inconstitucional se esse entendimento já estiver pacificado no STF. Isso porque, neste caso, o CNJ
estará apenas aplicando uma jurisprudência, um entendimento já pacífico. As leis estaduais que
preveem abono de férias aos magistrados em percentual superior a 1/3 são inconstitucionais. Isso
porque essa majoração do percentual de férias não encontra respaldo na LOMAN, que prevê, de
forma taxativa, as vantagens conferidas aos magistrados, sendo essa a Lei que deve tratar do regime
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jurídico da magistratura, por força do art. 93 da CF/88. Não viola a autonomia dos tribunais locais
deliberação do CNJ que determina aos tribunais de justiça que enviem projeto de lei tendente à
adequação da legislação local ao regramento uniforme de âmbito nacional, pois não há no caso
reserva de iniciativa da matéria aos tribunais locais; ao contrário, os direitos da magistratura, dentre os
quais o direito ao abono de férias, são matéria de regramento nacional uniforme. Logo, o CNJ agiu
corretamente ao determinar aos Tribunais de Justiça que pagam adicional de férias superior a 1/3 que
eles enviem projetos de lei para as Assembleias Legislativas reduzindo esse percentual. STF. 2ª Turma.
MS 31667 AgR/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/9/2018 (Info 915).
INFORMATIVO 901 DO STF O TRF condenou juiz federal à pena de aposentadoria compulsória.
Ocorre que, em virtude de alguns Desembargadores terem se averbado suspeitos, este juiz foi
condenado com um quórum de maioria simples. O CNJ reconheceu a irregularidade da proclamação
do resultado e anulou o julgamento de mérito realizado pelo TRF. Isso porque o art. 93, VIII e X, da
CF/88 exige quórum de maioria absoluta do tribunal. Ocorre que o CNJ, após anular o julgamento de
mérito realizado pelo TRF, decidiu avocar o processo administrativo para que o magistrado fosse
julgado diretamente pelo Conselho. O juiz impetrou MS contra essa avocação, mas o STF afirmou que
o CNJ agiu corretamente. A Constituição, expressamente, confere ao CNJ competência para avocar
processos de natureza disciplinar em curso contra membros do Poder Judiciário. Assim, não há óbice
para que o CNJ anule o julgamento do Tribunal e inicie lá um outro procedimento. Uma das causas
legítimas de avocação de procedimentos administrativos pelo CNJ é justamente a falta do quórum
para proferir decisão administrativa por maioria absoluta em razão de suspeição, impedimento ou falta
de magistrados. O CNJ poderia ter devolvido o processo ao TRF2, mas optou por exercer sua
competência concorrente, dentro da discricionariedade conferida pela Constituição, para julgar o
processo e evitar novas questões de suspeição e impedimento. STF. 1ª Turma. MS 35100/DF, rel. orig.
Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 8/5/2018 (Info 901).
INFORMATIVO 886 DO STF A competência originária do CNJ para a apuração disciplinar, ao contrário
da revisional, não se sujeita ao parâmetro temporal previsto no art. 103-B, § 4º, V da CF/88. STF. 2ª
Turma. MS 34685 AgR/RR, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 28/11/2017 (Info 886).
INFORMATIVO 851 DO STF CNJ pode determinar que Tribunal de Justiça exonere servidores
nomeados sem concurso público para cargos em comissão que não se amoldam às atribuições de

direção, chefia e assessoramento, contrariando o art. 37, V, da CF/88. Esta decisão do CNJ não
configura controle de constitucionalidade, sendo exercício de controle da validade dos atos

administrativos do Poder Judiciário. STF. Plenário. Pet 4656/PB, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
19/12/2016 (Info 851).

6. Defesa do Estado e das Instituições Democráticas.

→ Intervenção federal

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#DEOLHONOCONCEITO: a intervenção pode ser definida como uma medida excepcional, de
natureza política, consistente na possibilidade de afastamento temporário da autonomia de um ente
federativo quando verificadas as hipóteses taxativamente previstas na Constituição Federal.
Essa excepcionalidade se dá em razão do princípio da autonomia: margem de ação pela qual os entes
federativos têm a garantia de que não sofrerão a interferência de outros. Então, excepcionalmente,
essa autonomia pode ser afastada.

Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
I - manter a integridade nacional;
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação;
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força
maior;
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos
estabelecidos em lei;
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: #SELIGA
#PRINCÍPIOSCONSTITUCIONAISSENSÍVEIS
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente
de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de
saúde.

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Independe da
Espontânea provocação de
outros órgãos

Para garantir o livre Solicitação do


exercício dos Poderes respectivo poder
INTERVENÇÃO Legislativo e Executivo coacto
FEDERAL
Para garantir o livre
exercício do Poder * Representação do
Judiciário STF

Provocada
Para prover a execução
de lei federal ou a Requisição do PGR
observância dos perante o STF
princípios sensíveis

Para promover a
execução de ordem ou Requisição do STF,
decisão judicial STJ ou TSE

INTERVENÇÃO:
ESTADOS > MUNICÍPIOS FORMA
UNIÃO > MUNICÍPIOS (dos Territórios)
Nestes casos o ESTADO, após a expedição do
1. Deixar de ser paga, sem motivo de força maior, decreto do governador, simplesmente intervém,
por 2 anos consecutivos, a dívida fundada; sem pedir autorização para ninguém.
O decreto do governador especificará a
amplitude, o prazo e as condições de execução
da intervenção e, se for o caso, nomeará desde
logo o interventor. O controle é feito a posteriori
2. Não forem prestadas contas devidas, na forma (em 24h da expedição do decreto do governador
da lei; e é realizado pela Assembleia ou Câmara
Legislativa que, se estiver de recesso, será
convocado extraordinariamente no mesmo prazo
de 24 h).
Neste caso NÃO HÁ controle legislativo da
3. Não tiver sido aplicado o mínimo exigido da
intervenção. O decreto do governador limitar-se-
receita municipal na manutenção e
á a suspender a execução do ato impugnado, se
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços
essa medida bastar ao restabelecimento da
públicos de saúde.
normalidade.

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O TJ deve dar provimento à representação
(embora a CF não diga expressamente a quem
caberia realizar a representação, entende-se que
4. Para assegurar a observância de princípios a atribuição cabe ao PGJ).
indicados na Constituição Estadual. Neste caso NÃO HÁ controle legislativo da
(PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS SENSÍVEIS) intervenção.
(AÇÃO INTERVENTIVA ESTADUAL). O decreto do governador limitar-se-á a
suspender a execução do ato impugnado, se essa
medida bastar ao restabelecimento da
normalidade.

#NÃOSABOTEASSÚMULAS
Súmula 637 STF: Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal de Justiça que defere
pedido de intervenção estadual em Município.
INFORMATIVO 860 DO STF: O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é
vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de
segurança pública. É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos
órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização
dos interesses da categoria. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac.
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).
INFORMATIVO 871 DO STF: A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a
abusividade de greve de servidores públicos celetistas da Administração pública direta, autarquias e
fundações públicas. STF. Plenário. RE 846854/SP, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Alexandre
de Moraes, julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral) (Info 871).
7. Sistema Tributário Nacional.
- Imunidade tributária é uma regra negativa de competência, atuando no plano da delimitação
constitucional do poder de tributar (cláusula pétrea, pois caracteriza-se como garantia individual,
segundo o STF), retirando deste poder determinadas hipóteses de incidência.
Súmula 730 STF: A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos
somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos
beneficiários.
Súmula 591 STF: A imunidade ou a isenção tributária do comprador não se estende ao produtor,
contribuinte do imposto sobre produtos industrializados.
#REVISASÔ
São vedações à tributação que decorrem do próprio texto constitucional. O ente
IMUNIDADES sequer tem competência para, por meio de lei, instituir e cobrar o tributo. Não-
incidência constitucionalmente qualificada (expressão doutrinária).
É um tema que está atrelado à lei. É uma não-incidência qualificada por lei. Na
ISENÇÕES
isenção, o ente político tem competência para tributar, para instituir e cobrar o
39
tributo, mas, por política tributária ou legislativa, opta por não tributar.
É uma alternativa à cobrança de tributo que vai decorrer de uma operação
matemática. Em impostos como o II, IE, IPI, IOF e CIDE combustível, é muito comum a
ALÍQUOTA
alíquota zero. É uma forma de não cobrar que não se confunde nem com isenção e
ZERO
nem com imunidade. Como a alíquota é zero, independentemente da base de
cálculo, não há o que ser cobrado.
NÃO Possui sentido amplo. Significa que o tributo não incidirá em determinado caso, o que
INCIDÊNCIA poderá se dar por diversos motivos, por exemplo, as imunidades.

IMUNIDADE ISENÇÃO
Dispensa constitucional do dever de pagar o Dispensa legal do dever de pagar o tributo. Há
tributo. necessidade de uma lei específica.
Trata-se de dispensa revogável.
#ATENÇÃO: Nos termos do art. 178 do CTN, há
uma isenção que não poderá ser revogada:
isenção onerosa por prazo certo e com algumas
Trata-se de dispensa irrevogável, sendo
condições. Logo, essa isenção é irrevogável em
enquadrada como cláusula pétrea.
nome da segurança jurídica.
Nesse sentido: Súmula 544 do STF: “Isenções
tributárias concedidas, sob condição onerosa, não
podem ser livremente suprimidas”.
Nos termos do art. 111 do CTN, somente se pode
utilizar a interpretação literal (nos exatos termos
Todos os métodos de interpretação poderão ser
da lei).
utilizados para a aplicação da imunidade. Ex.:
#ATENÇÃO: Não confundir interpretação literal
intepretação literal, sistemática, gramatical,
com a restritiva. Logo, como deficiente visual,
ampliativo, restritivo, teleológico, etc.
pode-se considerar aquele que tem um ou os
dois olhos afetados.
,

PRINCÍPIOS DO DIREITO TRIBUTÁRIO


Cada um deve contribuir na proporção das suas rendas e haveres,
CAPACIDADE independentemente de sua eventual disponibilidade financeira. Tem
CONTRIBUTIVA como subprincípios a progressividade, a proporcionalidade e a
seletividade.
O tributo deve ser instituído por “lei”, o que deve ser entendido como
LO, LC e MP, a depender do caso.
- Exigem lei complementar: empréstimos compulsórios, imposto sobre
LEGALIDADE grandes fortunas, impostos residuais e contribuições residuais para a
seguridade social. Nesses casos, também não se admite a instituição por
MP.
- Exceções à legalidade, em que as alíquotas são alteráveis por ato do

40
Poder Executivo: II, IE, IPI, IOF, ICMS combustíveis e CIDE combustíveis
(apenas na redução e restabelecimento).(#ATENÇÃO exceção é quanto a
alteração da alíquota e não quanto a criação do tributo que continua
devendo ser através de lei)
É vedado o tratamento desigual de contribuintes em situação
equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação
profissional ou função por eles exercida, independentemente da
ISONOMIA denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos.
#ATENÇÃO: não há ofensa ao princípio da isonomia se a lei, por motivos
extrafiscais, imprime tratamento desigual a microempresas e empresas
de pequeno porte (ADI 1643).
É vedado cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes
do início da VIGÊNCIA da lei que os houver instituído ou aumentado.
#ATENÇÃO: A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:
I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída
a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;
II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:
IRRETROATIVIDADE
a) quando deixe de defini-lo como infração;
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação
ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha
implicado em falta de pagamento de tributo;
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei
vigente ao tempo da sua prática.
É vedada a cobrança de tributos no mesmo exercício financeiro em que
haja sido PUBLICADA a lei que os instituiu ou aumentou.
ANTERIORIDADE DE - Exceções: empréstimo compulsório para despesas extraordinárias, II, IE,
EXERCÍCIO IPI, IOF, impostos extraordinários de guerra, ICMS combustíveis (apenas
para redução e RESTABELECIMENTO), Cide combustíveis (apenas para
redução e RESTABELECIMENTO) e contribuições de seguridade social.
É vedado cobrar tributos antes de decorridos noventa dias da data em
que haja sido PUBLICADA a lei que os instituiu ou aumentou.
ANTERIORIDADE
- Exceções: empréstimo compulsório para despesas extraordinárias, II, IE,
NONAGESIMAL
IR, IOF, impostos extraordinários de guerra, base de cálculo do IPVA e
base de cálculo do IPTU.
É vedada a utilização de tributo com efeito de confisco, que consiste na
apreensão de bens de alguém, por ato administrativo ou judicial, sem
VEDAÇÃO AO CONFISCO
indenização. Não há parâmetros objetivos, cabendo ao Poder Judiciário
a análise em cada caso concreto.
É vedado o estabelecimento de limitações ao tráfego de pessoas ou
NÃO LIMITAÇÃO AO
bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a
TRÁFEGO DE PESSOAS E
cobrança de pedágio pela utilização das vias conservadas pelo Poder
BENS
Público.
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#ATENÇÃO: o STF encampou a tese de que o pedágio não é espécie de
tributo, mas sim preço público.
A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos
TRANSPARÊNCIA
acerca dos impostos que incidem sobre mercadorias e serviços.
É vedado À UNIÃO instituir tributo que não seja uniforme em todo o
território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação à
UNIFORMIDADE Estado, ao DF ou a Município, em detrimento de outro.
GEOGRÁFICA #NÃOCONFUNDA: admite-se a concessão de incentivos fiscais
destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico
entre as diferentes regiões do País.
É vedado estabelecer diferença tributária entre bens e serviços em razão
NÃO DISCRIMINAÇÃO EM
da sua procedência ou destino.
RAZÃO DA PROCEDÊNCIA
- Não se aplica às relações internacionais para o Brasil, caso em que este
OU DESTINO
exerce sua soberania, escolhendo seus parceiros comerciais.
A lei tributária deve definir de maneira taxativa e completa as situações
TIPICIDADE TRIBUTÁRIA tributárias necessárias e suficientes para o nascimento da obrigação
tributária.

#SAINDODOFORNO
INFORMATIVO 933 DO STF Não é possível que o CEBAS seja negado em razão do descumprimento
de requisitos que não estejam previstos em lei complementar. O certificado de entidade beneficente
de assistência social é submetido à renovação periódica a partir da demonstração dos requisitos
previstos em legislação complementar vigente em cada época. O art. 2º, IV, do Decreto nº 752/1993
(atualmente revogado), que fazia exigências para a concessão ou renovação do Certificado de
Entidade de Fins Filantrópicos, é inconstitucional porque os requisitos para o gozo de imunidade hão
de estar previstos em lei complementar (STF. Plenário. ADI 2028/DF, ADI 2036/DF, ADI 2228/DF, rel.
orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgados em 23/2 e 2/3/2017). Assim, o ato
que negou a renovação de CEBAS com base no art. 2º, IV, do Decreto nº 752/1993 violou direito
líquido e certo da entidade. STF. 1ª Turma. RMS 24065/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/3/2019
(Info 933).
INFORMATIVO 932 DO STF O STF, ao julgar embargos de declaração opostos contra acórdão
prolatado no dia 29/09/2016, alterou a redação da tese fixada para excluir a menção que era feita ao
seguro-saúde. Assim, a tesedo RE 651703/PR passa a ser a seguinte: As operadoras de planos de
saúde realizam prestação de serviço sujeita ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN,
previsto no art. 156, III, da CF/88. STF. Plenário. RE 651703/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
29/09/2016 (repercussão geral) (Info 841). STF. Plenário. RE 651703 ED-primeiros a terceiros/PR, Rel.
Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019 (Info 932).
INFORMATIVO 643 DO STJ Tratando-se de Mandado de Segurança impetrado com vistas a declarar o
direito à compensação tributária, em virtude do reconhecimento da ilegalidade ou
inconstitucionalidade da exigência da exação, independentemente da apuração dos respectivos
valores, é suficiente, para esse efeito, a comprovação de que o impetrante ocupa a posição de credor
42
tributário, visto que os comprovantes de recolhimento indevido serão exigidos posteriormente, na
esfera administrativa, quando o procedimento de compensação for submetido à verificação pelo Fisco.
De outro lado, tratando-se de Mandado de Segurança com vistas a obter juízo específico sobre as
parcelas a serem compensadas, com efetiva investigação da liquidez e certeza dos créditos, ou, ainda,
na hipótese em que os efeitos da sentença supõem a efetiva homologação da compensação a ser
realizada, o crédito do contribuinte depende de quantificação, de modo que a inexistência de
comprovação cabal dos valores indevidamente recolhidos representa a ausência de prova pré-
constituída indispensável à propositura da ação. STJ. 1ª Seção. REsp 1715256-SP, Rel. Min. Napoleão
Nunes Maia Filho, julgado em 13/02/2019 (recurso repetitivo) (Info 643).
INFORMATIVO 927 DO STF Não ofende o art. 173, § 1º, II, da Constituição Federal a escolha legislativa
de reputar não equivalente a situação das empresas privadas com relação às sociedades de economia
mista, às empresas públicas e suas respectivas subsidiárias exploradoras de atividade econômica, para
fins de submissão ao regime tributário das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e
para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP), à luz dos princípios da
igualdade tributária e da seletividade no financiamento da Seguridade Social. STF. Plenário. RE
577494/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 13/12/2018 (repercussão geral) (Info 927).
Súmula 622-STJ: A notificação do auto de infração faz cessar a contagem da decadência para a
constituição do crédito tributário; exaurida a instância administrativa com o decurso do prazo para a
impugnação ou com a notificação de seu julgamento definitivo e esgotado o prazo concedido pela
Administração para o pagamento voluntário, inicia-se o prazo prescricional para a cobrança judicial.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.
Súmula 625-STJ: O pedido administrativo de compensação ou de restituição não interrompe o prazo
prescricional para a ação de repetição de indébito tributário de que trata o art. 168 do CTN nem o da
execução de título judicial contra a Fazenda Pública. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe
17/12/2018.
Súmula 626-STJ: A incidência do IPTU sobre imóvel situado em área considerada pela lei local como
urbanizável ou de expansão urbana não está condicionada à existência dos melhoramentos elencados
no art. 32, § 1º, do CTN. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.
Súmula 627-STJ: O contribuinte faz jus à concessão ou à manutenção da isenção do imposto de
renda, não se lhe exigindo a demonstração da contemporaneidade dos sintomas da doença nem da
recidiva da enfermidade. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

8. Ordem Econômica e Financeira. Ordem Social

Devido a importância, irei reproduzir os dispositivos da Constituição que vocês devem


#COLARNARETINA e, em seguida, veremos alguns julgados.

CAPÍTULO III
DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO
Seção I
DA EDUCAÇÃO
43
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada
com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e
privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira,
com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos
de lei federal.
(...)
Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão
financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e
extensão.
§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica.
Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: #FICALIGADO
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada
inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade
própria; #COLANARETINA
II - progressiva universalização do ensino médio gratuito;
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede
regular de ensino;
IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade;
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a
capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;
VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas
suplementares de material didáticoescolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.

44
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. #ATENÇÃO
§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa
responsabilidade da autoridade competente.
§ 3º Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada
e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola.
Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições:
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional;
II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público.
Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar
formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.
§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas
públicas de ensino fundamental.
§ 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades
indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.
Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração
seus sistemas de ensino.
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de
ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma
a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino
mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios;
§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil.
§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio.
§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório.
§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular.
Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a
proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.
(...)
§ 4º Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. 208, VII, serão
financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários.
(...)
Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas
comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que:
I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação;
45
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional,
ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades.
§ 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino
fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando
houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando,
ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade.
§ 2º As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo e fomento à inovação realizadas por
universidades e/ou por instituições de educação profissional e tecnológica poderão receber apoio
financeiro do Poder Público. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) #ATENÇÃO
Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo de
articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos,
metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em
seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das
diferentes esferas federativas que conduzam a:
I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - melhoria da qualidade do ensino;
IV - formação para o trabalho;
V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.
VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do
produto interno bruto.
Seção II
DA CULTURA
Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da
cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de
outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.
3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento
cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à:
I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro;
II produção, promoção e difusão de bens culturais;
III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões;
IV democratização do acesso aos bens de cultura;
V valorização da diversidade étnica e regional.

46
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados
individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos
diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações
artístico-culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico,
ecológico e científico.
§ 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio
cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de
outras formas de acautelamento e preservação.
§ 2º Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação governamental e as
providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem.
§ 3º A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e valores culturais.
§ 4º Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.
§ 5º Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos
antigos quilombos.
§ 6º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento à cultura até
cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, para o financiamento de programas e
projetos culturais, vedada a aplicação desses recursos no pagamento de:
I - despesas com pessoal e encargos sociais;
II - serviço da dívida;
III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos ou ações apoiados.
Art. 216-A. O Sistema Nacional de Cultura, organizado em regime de colaboração, de forma
descentralizada e participativa, institui um processo de gestão e promoção conjunta de políticas
públicas de cultura, democráticas e permanentes, pactuadas entre os entes da Federação e a
sociedade, tendo por objetivo promover o desenvolvimento humano, social e econômico com pleno
exercício dos direitos culturais.
§ 1º O Sistema Nacional de Cultura fundamenta-se na política nacional de cultura e nas suas diretrizes,
estabelecidas no Plano Nacional de Cultura, e rege-se pelos seguintes princípios:
I - diversidade das expressões culturais;
II - universalização do acesso aos bens e serviços culturais;
III - fomento à produção, difusão e circulação de conhecimento e bens culturais;
47
IV - cooperação entre os entes federados, os agentes públicos e privados atuantes na área cultural
V - integração e interação na execução das políticas, programas, projetos e ações desenvolvidas;
VI - complementaridade nos papéis dos agentes culturais;
VII - transversalidade das políticas culturais;
VIII - autonomia dos entes federados e das instituições da sociedade civil;
IX - transparência e compartilhamento das informações;
X - democratização dos processos decisórios com participação e controle social;
XI - descentralização articulada e pactuada da gestão, dos recursos e das ações;
XII - ampliação progressiva dos recursos contidos nos orçamentos públicos para a cultura.
(...)
§ 4º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão seus respectivos sistemas de cultura em
leis próprias.
Seção III
DO DESPORTO
Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada
um, observados:
I - a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e
funcionamento;
II - a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em
casos específicos, para a do desporto de alto rendimento;
III - o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não- profissional;
IV - a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional.
§ 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após
esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei.
§ 2º A justiça desportiva terá o prazo máximo de sessenta dias, contados da instauração do processo,
para proferir decisão final.
§ 3º O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social.

SÚMULA VINCULANTE 12. A cobrança de taxa de matrícula nas Universidades Públicas viola o disposto
no artigo 206, inciso IV, da Constituição Federal.

INFORMATIVO 897 DO STF É constitucional lei estadual que concede o desconto de 50% no valor dos
ingressos em casas de diversões, praças desportivas e similares aos jovens de até 21 anos de idade.
STF. Plenário. ADI 2163/RJ, rel. orig. Min. Eros Grau, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado
em 12/4/2018 (Info 897).
48
INFORMATIVO 641 DO STJ A reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículo para idosos com renda
igual ou inferior a 2 (dois) salários-mínimos,prevista no art. 40, I, do Estatuto do Idoso, não se limita ao
valor das passagens, abrangendo eventuais custos relacionados diretamente com o transporte, em
que se incluem as tarifas de pedágio e de utilização dos terminais. STJ. 1ª Turma. REsp 1543465-RS, Rel.
Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 13/12/2018 (Info 641).
INFORMATIVO 862 DO STF (2017): A garantia constitucional da gratuidade de ensino não obsta a
cobrança por universidades públicas de mensalidade em cursos de especialização.

INFORMATIVO 592 DO STJ (2016): O Poder Judiciário pode condenar universidade pública a adequar
seus prédios às normas de acessibilidade a fim de permitir a sua utilização por pessoas com
deficiência. No campo dos direitos individuais e sociais de absoluta prioridade, o juiz não deve se
impressionar nem se sensibilizar com alegações de conveniência e oportunidade trazidas pelo
administrador relapso. Se um direito é qualificado pelo legislador como absoluta prioridade, deixa de
integrar o universo de incidência da reserva do possível, já que a sua possibilidade é obrigatoriamente,
fixada pela Constituição ou pela lei.

INFORMATIVO 829 DO STF (2016): São constitucionais o art. 28, § 1º e o art. 30 da Lei nº 13.146/2015,
que determinam que as escolas privadas ofereçam atendimento educacional adequado e inclusivo às
pessoas com deficiência sem que possam cobrar valores adicionais de qualquer natureza em suas
mensalidades, anuidades e matrículas para cumprimento dessa obrigação.

INFORMATIVO 827 DO STF (2016): O Poder Judiciário pode obrigar o Município a fornecer vaga em
creche a criança de até 5 anos de idade. A educação infantil, em creche e pré-escola, representa
prerrogativa constitucional indisponível garantida às crianças até 5 anos de idade, sendo um dever do
Estado (art. 208, IV, da CF/88). Os Municípios, que têm o dever de atuar prioritariamente no ensino
fundamental e na educação infantil (art. 211, § 2º, da CF/88), não podem se recusar a cumprir este
mandato constitucional, juridicamente vinculante, que lhes foi conferido pela Constituição Federal.

INFORMATIVO 810 DO STF (2015): É inconstitucional a possibilidade de um paciente do Sistema Único


de Saúde (SUS) pagar para ter acomodações superiores ou ser atendido por médico de sua
preferência, a chamada "diferença de classes". Existe uma portaria do Ministério da Saúde (Portaria
113/1997) que proíbe a diferença de classe. Este ato estava sendo questionado e o STF, em recurso
extraordinário submetido à repercussão geral, declarou que ele é constitucional, firmando a seguinte
tese, que vale de forma ampla para todos os casos envolvendo diferença de classe: "É constitucional a
regra que veda, no âmbito do Sistema Único de Saúde — SUS, a internação em acomodações
superiores, bem como o atendimento diferenciado por médico do próprio SUS, ou por médico
conveniado, mediante o pagamento da diferença dos valores correspondentes."

49
DIREITO ADMINISTRATIVO3

1. Princípios do Direito Administrativo. Conceito, objeto e fontes do Direito Administrativo.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Art. 37 (CF). A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998).

1. LEGALIDADE: a atuação da Administração Pública deve ser autorizada por lei.


#ATENÇÃO: Hoje em dia, a doutrina mais moderna entende que o princípio da legalidade foi
substituído pelo PRINCÍPIO DA JURIDICIDADE, segundo o qual a Administração se vincula não apenas
à lei, mas também a todo o ordenamento jurídico, especialmente à Constituição Federal.

2. IMPESSOALIDADE: pode ser analisado sob duas perspectivas:


• Isonomia: a Administração deve tratar todos os administrados da mesma forma.
• Proibição de promoção pessoal: o administrador não pode se valer das realizações públicas para
se promover.

#GABARITASÔ:
Proíbe nome, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal, inclusive do partido.
Permite que se reconheça a validade de atos praticados por agente de fato. (Segurança Jurídica e
Teoria dos atos de Governo)

3. MORALIDADE: o administrador deve se pautar de acordo com padrões éticos (moral administrativa)

SÚMULA VINCULANTE 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral
ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma
pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em
comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta
em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido
o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.
#OLHAOGANCHO #NAOCONFUNDA!
INFORMATIVO 914 DO STF: A nomeação da esposa do prefeito como Secretária Municipal não
configura, por si só, nepotismo e ato de improbidade administrativa. Em regra, não se aplica a SV 13
para cargos públicos de natureza política, como por exemplo, Secretário Municipal. (STF. 2ª Turma)

3
Por André Ângelo.
50
INFORMATIVO 815 DO STF: Não há nepotismo na nomeação de servidor para ocupar o cargo de
assessor de controle externo do Tribunal de Contas mesmo que seu tio (parente em linha colateral de
3º grau) já exerça o cargo de assessor-chefe de gabinete de determinado Conselheiro, especialmente
pelo fato de que o cargo do referido tio não tem qualquer poder legal de nomeação do sobrinho. A
incompatibilidade da prática enunciada na SV 13 com o art. 37 da CF/88 não decorre diretamente da
existência de relação de parentesco entre pessoa designada e agente político ou servidor público, mas
de presunção de que a escolha para ocupar cargo de direção, chefia ou assessoramento tenha sido
direcionado à pessoa com relação de parentesco com quem tenha potencial de interferir no processo
de seleção.
INFORMATIVO 786 DO STF: Norma que impede o nepotismo no serviço público não alcança
servidores de provimento efetivo, ou seja, não alcança aqueles admitidos mediante prévia aprovação
em concurso público.
INFORMATIVO 706 DO STF: É inconstitucional lei estadual que excepciona a vedação da prática de
nepotismo, permitindo que sejam nomeados para cargo em comissão ou funções gratificadas de até
dois parentes das autoridades estaduais, além do cônjuge do governador.

3. PUBLICIDADE: os atos da Administração devem ser públicos, o que permite maior controle pelo
povo. Restrições à publicidade: segurança da sociedade e do Estado; proteção à intimidade ou ao
interesse social.

INFORMATIVO 782 – STF: É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela
Administração Pública, dos nomes de seus servidores e do valor dos correspondentes vencimentos e
vantagens pecuniárias. STF. Plenário. ARE 652777/SP. Rel. Min. Teori Zavascki. DJ: 23/04/2015
(Repercussão Geral).
OBS: STF permite a divulgação do nome, do cargo e da remuneração dos servidores públicos, MAS
NÃO do CPF, da identidade e do endereço, como medida de segurança.

4. EFICIÊNCIA: introduzido pela EC 19/00, esse princípio impõe a busca por melhores resultados, com
o menor custo possível.
#ATENÇÃO: É muito comum a afirmação de que o princípio da eficiência promoveu a substituição da
Administração BUROCRÁTICA pela Administração GERENCIAL (ou de RESULTADOS).

PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS
RAZOABILIDADE/PROPORCIONALIDADE: é a mesma ideia que aprendemos em direito constitucional,
no sentido de que a atuação administrativa deve respeitar os subprincípios da (i) adequação; (ii)
necessidade e (iii) proporcionalidade em sentido estrito.
INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO: à medida que o administrador exerce função pública
(múnus público – atividade em nome do interesse do povo), ele não pode abrir mão desse interesse
(direito), justamente porque tal direito não o pertence.

51
SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PRIVADO: quando em confronto, o interesse público
se sobrepõe ao interesse particular. É esse o princípio que justifica, por exemplo, a intervenção do
Estado na propriedade privada.

ATENÇÃO: como dissemos acima, segundo Celso Antônio Bandeira de Melo, as pedras de toque, isto
é, os pilares do direito administrativo residem no princípio da supremacia do interesse público +
princípio da indisponibilidade do interesse público. Todos os outros princípios seriam mera decorrência
destes dois.
#CUIDADO: alguns autores contestam a existência desse princípio. Argumentam que: (a) Há
indeterminação no conceito de interesse público; (b) violação ao princípio da proporcionalidade, pois,
em caso de conflito entre os direitos, já se escolhe, de antemão, qual sempre irá prevalecer.
AUTOTUTELA: a Administração possui o poder-dever de anular seus atos ilegais e revogar os
inconvenientes.
SÚMULA 346-STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.
SÚMULA 473-STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os
tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial.
#ATENÇÃO: fala-se em heterotutela se o controle não é feito pela Administração Pública, como em
casos de anulação de ato administrativo pelo poder judiciário.
#NÃOCONFUNDA: TUTELA é o poder de fiscalização dos atos das entidades da administração indireta
pelos órgãos centrais da administração direta.
SÚMULA 6, STF: A revogação ou anulação, pelo Poder Executivo, de aposentadoria, ou qualquer outro
ato aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal,
ressalvada a competência revisora do Judiciário.
MOTIVAÇÃO: obriga a Administração a explicitar o fundamento normativo de suas decisões,
permitindo o controle.
#OLHAOTERMO: chama-se de MOTIVAÇÃO ALIUNDE o caso em que a motivação consiste em
declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações ou decisões, que
passam a ser parte integrante do ato.
TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES: o ato discricionário, uma vez motivado, tem sua validade
vinculada à veracidade dos fatos descritos como motivadores da sua prática.
SEGURANÇA JURÍDICA: Segurança jurídica (aspecto objetivo, estabilidade das relações) X Proteção à
confiança (aspecto subjetivo, crença de que os atos da Administração são legais). Veda a aplicação
retroativa de nova interpretação. Limita a autotutela e a legalidade. Ex.: decadência e prescrição.

2. Administração Pública: conceito, finalidade, órgãos e agentes. Administração Pública direta e


indireta. Poderes Administrativos. Desconcentração e descentralização administrativa. Personalidade

52
de Direito Público. Pessoa administrativa. Setor público não-estatal. Organizações sociais.
Organizações da sociedade civil de interesse público.

DESCENTRALIZAÇÃO DESCONCENTRAÇÃO
Distribuição interna de atividade dentro de uma
Transferência da atividade administrativa para
mesma PJ, resultando na criação de centros de
outra pessoa, física ou jurídica, integrante ou não
competências, denominados órgãos públicos,
do aparelho estatal.
dentro de uma mesma estrutura hierárquica.
Nova pessoa jurídica Mesma pessoa jurídica
Não há hierarquia, apenas controle e fiscalização Há hierarquia
Relação de vinculação Relação de subordinação

#RESUMINDO:

Descentralização

Por colaboração ou
Por serviços ou outorga
delegação

Por meio de Negócio


Transfere a titularidade Transfere Execução Transfere só execução
Jurídico ou lei

Ex.: contrato de
À particulares (NJ) e a
Por meio de lei Só a entidades da AP concessão de serviços
própria AP (lei).
públicos

Territorial

- Como é criado um ente da administração indireta:

53
Lei ordinária específica (art.
37, XIX, CF).

Cria (basta a lei e a pessoa Autoriza a criação (além da lei autorizadora, é


jurídica já está pronta para o preciso o registro dos atos constitutivos no órgão
mundo jurídico). competente, conforme a natureza da pessoa)

Autarquias Fundações
Empresas públicas Sociedades de
Economia mista

Lei complementar irá definir


Segundo maioria, devem ser incluídas suas possíveis finalidades;
nessa hipótese as fundações públicas de
direito público (autarquias fundacionais).

Segundo maioria, essa é uma


fundação pública de direito
privado, denominada
fundação governamental

→ Paralelismo das formas: se lei cria, lei extingue. Se lei autoriza a criação, autoriza a extinção da
entidade.
→AUTARQUIAS
São pessoas jurídicas de direito público que desenvolvem atividades típicas, próprias do Estado.
Possuem regime muito semelhante ao dos entes da Administração Direta (exemplos: INSS, INCRA,
conselhos de classe, IBAMA).

#ATENÇÃO: os Conselhos Profissionais (ou de Classe) também são considerados autarquias. A


distinção aqui vai ficar com a OAB!

→ EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA


EMPRESA PÚBLICA SOCIEDADE DE ECONOMISTA MISTA
Capital exclusivamente público (porém, pode ser Capital misto. Contudo, a maioria votante deve
de mais de um ente). estar nas mãos do poder público.
Constituída apenas na forma de sociedade
Constituída por qualquer modalidade empresarial.
anônima.
Se for sociedade de economia mista federal a
Se for empresa pública federal a competência competência é da justiça estadual.
para julgamento é da justiça federal (art. 109, CF). Obs.: Se a União tiver interesse na causa, a
competência é atraída para a justiça federal.

54
LEI DAS ESTATAIS (Lei 13.303/2016)
Empresa pública: entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado,
com criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é
integralmente detido pela União, Estados, Distrito Federal ou Municípios.
Conceito Sociedade de economia mista: entidade dotada de personalidade jurídica de
direito privado, com criação autorizada por lei, sob a forma de sociedade
anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União,
Estados, Distrito Federal ou Municípios ou a entidade da administração indireta.
- A Lei tem caráter NACIONAL;
- Toda e qualquer Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista que explore
atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação
de serviços, ainda que a atividade econômica esteja sujeita ao regime de
monopólio da União ou seja de prestação de serviços públicos;
- Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista que participe de consórcio
(§5º);
Abrangência
- Sociedade, inclusive Sociedade de Propósito Específico, que seja controlada
(art. 1º.)
por Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista (§6º);
- Poder Executivo pode criar regras de governança para suas estatais no prazo
de 180 dias a partir da publicação da lei (§3º);
- Regras de licitações e contratos aplicam-se inclusive à empresa pública
dependente que explore atividade econômica, ainda que a atividade econômica
esteja sujeita ao regime de monopólio da União ou seja de prestação de
serviços públicos (§2º).
- Lei das S/A e normas CVM sobre demonstrações financeiras se aplicam a
todas Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista de capital fechado
(art. 7º).
Regime Societário - Empresa Pública não poderá lançar debêntures ou outros títulos conversíveis
em ações ou emitir partes beneficiárias (art. 11).
- Sociedade de Economia Mista poderá solucionar divergências envolvendo
acionistas por meio de arbitragem (art. 12).
- Cidadãos de reputação ilibada e notório conhecimento
- Tempo mínimo de experiência profissional
Administradores
- Formação acadêmica compatível
- Não ser inelegível
- de representante do órgão regulador ao qual a estatal está sujeita, de Ministro
de Estado, de Secretário de Estado, de Secretário Municipal, de titular de cargo,
sem vínculo permanente com o serviço público, de natureza especial ou de DAS
na Administração, ainda que licenciados do cargo;
Vedado a indicação
- de dirigente estatutário de partido político e de titular de mandato no Poder
Legislativo de qualquer ente da federação, ainda que licenciados;
- de pessoa que atuou, nos últimos 36 meses, como participante de estrutura
decisória de partido político ou em trabalho vinculado a organização,
55
estruturação e realização de campanha eleitoral;
- de pessoa que exerça cargo em organização sindical;
- de pessoa que tenha firmado contrato ou parceria, como fornecedor ou
comprador, demandante ou ofertante, de bens ou serviços de qualquer
natureza, com a pessoa político-administrativa controladora da estatal ou com a
própria empresa ou sociedade em período inferior a 3 anos antes da data de
nomeação;
- de pessoa que tenha ou possa ter qualquer forma de conflito de interesse
com a pessoa político-administrativa controladora da estatal ou com a própria
empresa ou sociedade.
- Conselho de Administração
- Diretoria
Órgãos estatutários
- Comitê de Auditoria
- Conselho Fiscal
- Competência fiscalizatória inclusive sobre estatais domiciliadas no exterior e
empresas transnacionais
Órgãos de controle - Acesso irrestrito a documentos e informações, inclusive sigilosos
interno e externo - As ações e deliberações do órgão de controle não podem implicar
interferência na gestão das estatais nem ingerência no exercício de suas
competências ou na definição de políticas públicas.
- Banco de dados de licitações e contratos com acesso em tempo real aos
órgãos de controle.
- Informações mensais sobre execução dos contratos e orçamento disponíveis
Divulgação de ao público, sendo admitidos até 2 meses de retardo.
informações - Demonstrações contábeis auditadas devem estar disponíveis na internet,
inclusive em formato eletrônico auditável.
- Atas de reuniões, inclusive gravações e filmagens, devem ser disponibilizadas
aos órgãos de controle sempre que solicitadas.
- Qualquer cidadão pode impugnar edital de licitação, no prazo de até 5 dias
úteis antes da data fixada para a ocorrência do certame, devendo a entidade
julgar e responder à impugnação em até 3 dias úteis.
Controle das - Qualquer licitante, contratado ou pessoa física ou jurídica poderá representar
despesas ao tribunal de contas ou aos órgãos de controle interno contra irregularidades
contratuais relativas a licitações e contratos.
- Tribunal de Contas e órgãos de controle interno podem solicitar para exame,
a qualquer tempo, documentos de natureza contábil, financeira, orçamentária,
patrimonial e operacional, assim como determinar medidas corretivas.
A Lei das Estatais passou a disciplinar a realização de licitações e contratos no
âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista,
Licitações e
independentemente da natureza da atividade desempenhada (prestadora de
contratos
serviço ou exploradora de atividade econômica).
Consequentemente, a Lei 8.666/93 deixou de ser aplicada a essas entidades,
56
salvo nos casos expressamente descritos na própria Lei 13303 (normas penais e
parte dos critérios de desempate).
Por outro lado, o pregão, conforme disciplinado na Lei 10.520/2002, será
adotado preferencialmente, nas empresas públicas e sociedades de economia
mista, para aquisição de bens e serviços comuns.
REGRA: máximo cinco anos
EXCEÇÕES:
Duração dos
- projetos contemplados no plano de negócios e investimentos;
contratos
- prática rotineira de mercado e a imposição desse prazo inviabilize ou onere
excessivamente o negócio.
- Normas de direito penal da Lei 8.666/93 (art. 41);
Sanções
- Cadastro de empresas inidôneas (art. 37);

#DEOLHONAJURIS:
INFO 934 DO STF: A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), empresa pública federal, pode
ser contratada sem licitação, com fundamento no art. 24, VIII, da Lei nº 8.666/93, para a prestação de
serviços de logística: Art. 24 (...) VIII - para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno,
de bens produzidos ou serviços prestados por órgão ou entidade que integre a Administração Pública
e que tenha sido criado para esse fim específico em data anterior à vigência desta Lei, desde que o
preço contratado seja compatível com o praticado no mercado; A ECT preenche todos os requisitos
legais necessários à possibilidade de sua contratação direta, haja vista integrar a Administração e ter
sido criada em data anterior à da Lei nº 8.666/93 para prestação de serviços postais, dentre os quais se
incluem os serviços de logística integrada. STF. 2ª Turma. MS 34939/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 19/3/2019 (Info 934).
INFO 920 DO STF: É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras
de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info 858). É inconstitucional determinação judicial que
decreta a constrição de bens de sociedade de economia mista prestadora de serviços públicos em
regime não concorrencial, para fins de pagamento de débitos trabalhistas. Sociedade de economia
mista prestadora de serviço público não concorrencial está sujeita ao regime de precatórios (art. 100
da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer constrição judicial de seus bens, rendas e serviços, em
respeito ao princípio da legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF/88) e da separação funcional dos
poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III). STF. Plenário. ADPF 275/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 17/10/2018 (Info 920).
INFO 919 DO STF: A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem o dever jurídico de motivar,
em ato formal, a demissão de seus empregados. STF. Plenário. RE 589998 ED/PI, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 10/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).
#SELIGA: CONSÓRCIOS PÚBLICOS
União de alguns entes políticos (União, Estados e Municípios) para a
CONCEITO
consecução de interesses comuns.
57
1. Subscrição do PROTOCOLO DE INTENÇÕES.
2. Autorização LEGISLATIVA.
PROCEDIMENTO PARA 3. Assinatura do CONTRATO DE CONSÓRCIO.
INSTITUIÇÃO 4. PERSONIFICAÇÃO do consórcio (deve haver cláusula específica).
5. Contrato de RATEIO.
6. Contrato de PROGRAMA.
Conceito de Consórcio Público: ajuste celebrado entre entes federados para
gestão associada de serviços públicos, bem como à transferência total ou
parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos
serviços transferidos.
(a) Natureza jurídica: autarquia plurifederativa.
(b) Criação: A associação pública é instituída no momento da vigência das
leis de ratificação dos protocolos de intenção.
CONSÓRCIO PÚBLICO
(c) Objeto: Pode ser o desempenho de uma atividade administrativa que é
DE DIREITO PÚBLICO
de competência comum dos Entes consorciados ou que venha a ser
delegada por um deles ao consórcio.
(d) Patrimônio: Os bens serão bens públicos.
(e) Atos e contratos: Proferem atos administrativos e celebram contratos
administrativos. Além disso, possuem COMPETÊNCIA EXECUTÓRIA na
desapropriação.
(f) Responsabilidade civil: Responsabilidade objetiva (art. 37, §6º).
(a) A lei é silente, mas há doutrina (Rafael Oliveira e Maria Sylvia) que
entende que também integrarão a administração indireta dos entes
consorciados.
(b) Natureza jurídica: Rafael Oliveira diz que é empresa pública prestadora
de serviço público ou fundação pública de direito privado.
(c) Criação: Após a autorização legal, com o registro do ato constitutivo.
(d) Objeto: Não podem exercer atividade tipicamente administrativa, pois
CONSÓRCIO PÚBLICO
não possuem poder de polícia.
DE DIREITO PRIVADO
(e) Pessoal: São celetistas, conforme previsto na Lei. Se houver cessão, o
cedido permanece vinculado ao regime originário.
(f) Patrimônio: Os bens são privados.
(g) Atos e contratos: Editam atos privados e celebram “contratos privados da
Administração”.
(h) Responsabilidade: Como prestam serviço público, também se submetem
ao art. 37, §6º.

→ ORGANIZAÇÕES SOCIAIS (OS – Lei 9.637/98) E ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE


INTERESSE PÚBLICO (OSCIP - Lei 9.790/99)

58
OS OSCIP
Pessoa jurídica de direito Pessoa jurídica de direito
privado, sem finalidade lucrativa, privado, sem finalidade lucrativa,
NATUREZA JURÍDICA
não integrante da administração não integrante da
pública. administração pública.
É mais ampla do que a das
Ensino, pesquisa científica, organizações sociais, porque
desenvolvimento tecnológico, abrange, além de todo o campo
ÁREA DE ATUAÇÃO
proteção e preservação do meio de atuação destas últimas,
ambiente, cultura e saúde. diversas outras áreas previstas
no art. 3.º da Lei 9.790/1999.
VÍNCULO JURÍDICO Contrato de gestão Termo de parceria
NATUREZA DO ATO DE
Ato discricionário Ato vinculado
QUALIFICAÇÃO
A qualificação depende de
aprovação do Ministro ou titular
de órgão supervisor ou
Concedida pelo Ministério da
regulador da área de atividade
ATO DE QUALIFICAÇÃO Justiça.
correspondente ao seu objeto
social e do Ministro do
Planejamento, Orçamento e
Gestão.
IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA Não admite ser qualificada ao Não admite ser qualificada ao
QUALIFICAÇÃO – OS E OSCIP mesmo tempo como OSCIP mesmo tempo como OS.
Exigência legal:
– Conselho de administração
Exigência legal:
com participação obrigatória de
– Conselho Fiscal.
representantes do Poder Público
Obs.: não se exige Conselho de
e membros da comunidade, de
ESTRUTURA INTERNA administração ou participação
notória capacidade profissional
de representantes do Poder
e idoneidade moral;
Público em qualquer órgão da
– Diretoria.
entidade.
Obs.: não se exige Conselho
Fiscal.
Não há previsão expressa na
legislação de dispensa de
Dispensável para a contratação
licitação para contratação de
de prestação de serviços no
LICITAÇÃO OSCIP. Inclusive, o Decreto
âmbito do contrato de gestão
3.100/1999 prevê que a escolha
(Lei 8.666/1993, art. 24, XXIV).
da OSCIP para firmar termo de
parceria deverá ser feita por

59
meio de concursos de projetos.
Perde-se a qualificação de
Perde-se a qualificação de OS a OSCIP, a pedido ou mediante
pedido ou se descumprido o decisão proferida em processo
contrato de gestão, mediante administrativo ou judicial, de
DESQUALIFICAÇÃO
processo administrativo, em que iniciativa popular ou do
seja assegurado o direito ao Ministério Público, em que
contraditório e à ampla defesa. sejam assegurados o
contraditório e a ampla defesa.

Organizações da Sociedade Civil (OSC): São entidades pela Lei 13.019/14, denominada de Marco
Regulatório das Organizações Governamentais. Essa lei também sofreu alterações com a edição da Lei
13.204/15. Por isso, recomendamos a leitura desses diplomas.
#ATENÇÃO: Saiba diferenciar o termo de colaboração e termo de fomento, que são os instrumentos
legais que formalizam as parcerias com o Poder Público. Só produzem efeitos jurídicos após a
publicação de seus extratos no meio oficial de publicidade da Administração.
SEMELHANÇAS: (1) retratam cooperação mútua entre os parceiros, (2) alvitram a consecução de
finalidades de interesse público e (3) são firmados sem prejuízo dos contratos de gestão e dos termos
de parceria.
DIFERENÇA: reside apenas na iniciativa da proposta de parceria: enquanto o termo de colaboração
formaliza a parceria proposta pela Administração Pública, o termo de fomento decorre de proposta da
organização da sociedade civil.

→ AGÊNCIAS REGULADORAS
- São autarquias em regime especial (possuem regime jurídico distinto daquele dispensado às demais
autarquias).
- No Brasil, as Agências Reguladoras surgem num contexto de transformar o Estado de patrimonialista
para gerencial.
→ AGÊNCIAS EXECUTIVAS
É uma autarquia ou fundação que recebeu esta qualificação por ter celebrado um contrato de gestão
com a Administração Pública e por possuir um plano de reestruturação (art. 51 da Lei nº 9.649/98).
→ FUNDAÇÕES
- A fundação é um conjunto de patrimônios destacado do fundador para alguma finalidade, ou seja, é
um patrimônio personalizado.
- Para a maioria e para o STF, a fundação pública de direito público nada mais é que uma categoria de
autarquia chamada de autarquia fundacional, e dessa maneira terá também que ser criada por lei. Se,
no entanto, a fundação pública for de direito privado, também chamada de governamental, terá o
mesmo regime das EP e SEC, de forma a ser autorizada por lei.

60
- As fundações públicas com personalidade pública e privada têm imunidade tributária. Ambas se
sujeitam a lei 8.666.
- A responsabilidade das duas é objetiva e o ente instituidor responde subsidiariamente. Isso porque
toda fundação pública, independentemente da sua personalidade jurídica presta serviço público, em
razão da sua finalidade social.

3. Atos administrativos: conceitos, requisitos, atributos, motivação, espécies, revogação e anulação.


Classificação dos atos administrativos. Atos administrativos simples, complexos e compostos. Atos
administrativos unilaterais, bilaterais e multilaterais. Atos administrativos gerais e individuais. Vícios ou
defeitos dos atos administrativos. A teoria das nulidades no Direito Administrativo. Atos administrativos
nulos, anuláveis e inexistentes. Revogação, anulação, cassação e convalidação do ato administrativo.
Vinculação e discricionariedade. Atos administrativos vinculados e discricionários. O mérito do ato
administrativo. Teoria dos motivos determinantes.

ATO ADMINISTRATIVO
É a manifestação unilateral de vontade da Administração Pública ou de
seus delegatários, no exercício da função delegada, que, sob o regime de
CONCEITO
direito público, pretende produzir efeitos jurídicos com o objetivo de
implementar o interesse público.
FORMA, FINALIDADE, COMPETÊNCIA, OBJETO e MOTIVO (os dois últimos
são discricionários). TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES: o ato
ELEMENTOS
discricionário, uma vez motivado, tem sua validade vinculada à veracidade
dos fatos descritos como motivadores da sua prática.
Presunção de legalidade, veracidade e legitimidade.
Imperatividade
ATRIBUTOS
Tipicidade
Autoexecutoriedade
O ato é vinculado quando TODOS os elementos já estão previamente
VINCULAÇÃO E definidos em lei. Por outro lado, é discricionário quando o administrador
DISCRICIONARIEDADE puder, em juízo de conveniência e oportunidade, escolher os elementos
OBJETO e MOTIVO (formam o MÉRITO administrativo).
(a) Simples: formado pela vontade de um único órgão;
(b) Composto: há duas vontades, no mesmo órgão, uma que define o
conteúdo e outra que atesta a validade. Ex. atos dependentes de visto,
PRINCIPAIS ESPÉCIES homologação.
(c) Complexo: há duas vontades igualmente importantes, em órgãos
diferentes, que produzem um único ato. Ex. nomeação de dirigente de
agência reguladora, concessão de aposentadoria.
Delegação: é a transferência, total ou parcial, do exercício de determinadas
DELEGAÇÃO E atribuições para outro agente público. De acordo com a lei 9.784/99, NÃO
AVOCAÇÃO SE ADMITE DELEGAÇÃO: (a) edição atos normativos; (b) recursos
administrativos e (c) competência exclusiva. Admite-se fora da estrutura
61
hierárquica.
Avocação: é o chamamento, pela autoridade superior, das atribuições
inicialmente outorgadas pela lei ao agente subordinado. Tem sempre
PRAZO DETERMINADO. Não se admite fora da estrutura hierárquica.
Efeitos típicos: são aqueles desejados pelo ato administrativo praticado.
Efeitos atípicos: a doutrina divide em:
i.Reflexos - atinge terceiros sem a vontade do Estado (ex.: o ato de
desapropriação alcança reflexamente o contrato de locação do imóvel).
EFEITOS ii.Prodrômico - a prática de um ato gera, como efeito, a necessidade de que
seja praticado outro ato. Ex.: quando a Administração defere a
aposentadoria de um servidor, esse ato produz, como efeito, a
necessidade de que o Tribunal de Contas produza outro ato avaliando a
adequação, ou não, da concessão daquela aposentadoria.
a) Normal = o ato produziu todos os efeitos desejados;
b) Subjetiva = o beneficiário desaparece;
c) Objetiva = o objeto desaparece;
d) Vontade do particular;
e) Vontade da Administração:
➢ Caducidade: lei superveniente torna o ato ilegal.
EXTINÇÃO
➢ Cassação: o particular descumpre as condições do ato.
➢ Contraposição: incompatibilidade material com ato administrativo
posterior. Ex: nomeação e exoneração.
➢ Anulação: o ato era ilegal.
➢ Revogação: em juízo de conveniência e oportunidade, a Administração
decide retirar do mundo jurídico um determinado ato DISCRICIONÁRIO.
(a) Convalidação voluntária: a Administração quer salvar o ato que tem
vício de FORMA ou COMPETÊNCIA (são os vícios passíveis de
convalidação). Parte da doutrina diz que, na hipótese de OBJETO
PLÚRIMO, também é possível a convalidação voluntária.
CONVALIDAÇÃO (b) Convalidação involuntária: ocorre a decadência de anular os atos
viciados. Veja a redação do art. 54 da lei nº 9.784/99:
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de
que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos,
contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.
(a) Anulação: o ato ilegal, vinculado ou discricionário, deve ser anulado
ANULAÇÃO E pela Administração Pública ou pelo Poder Judiciário.
REVOGAÇÃO (c) Revogação: atos DISCRICIONÁRIOS podem ser extintos pela
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, em juízo de conveniência e oportunidade.

LICENÇA PERMISSÃO AUTORIZAÇÃO


Reconhece direito do Permite exercício de Permite exercício de determinada
particular para exercício de determinada atividade pelo atividade pelo particular ou uso de
62
determinada atividade particular ou uso de bem público bem público
Ato vinculado Ato precário e discricionário Ato precário e discricionário
Natureza declaratória Natureza constitutiva Natureza constitutiva
Interesse público e privado
Prepondera interesse do particular
satisfeitos com igual intensidade.

4. Contratos administrativos: conceito, espécies, formalização. Inexecução, revisão e rescisão. Execução


do contrato administrativo. Alteração unilateral. Teoria do fato do príncipe. Teoria da imprevisão.
Equilíbrio econômico-financeiro.
CONTRATOS CONVÊNIOS
Interesses antagônicos. Mesmos objetivos
Destinação dos recursos não interessa ao Poder
Deve haver prestação de contas.
Público.
Precisa de licitação. Não precisa de licitação.

1. CARACTERÍSTICAS: As regras referentes aos contratos estão dispostas nos art. 54 a 80 da Lei
8.666/93. Os contratos referentes aos serviços públicos possuem regramento próprio, consoante Lei
8.987/95.
• Administração atua nessa qualidade, com supremacia sobre o particular.
• São regulados pelo direito público e, supletivamente, pelo direito privado.
• Existência de cláusulas exorbitantes.
• Natureza de contrato de adesão (cláusulas fixadas unilateralmente pela Administração).
• Onerosidade e comutatividade.
• Formalismo:
 Instrumento formal de contrato é obrigatório  valores de concorrência e tomada de preços
(inclusive em casos de dispensa e inexigibilidade), exceto compras com entrega imediata.
 Há a possibilidade de contratos verbais para pequenas compras.
• Natureza pessoal (intuitu personae): admite subcontratação parcial apenas se houver previsão no
edital e no contrato e se estiver dentro do limite autorizado pela Administração.
• Mutabilidade (ex.: alteração unilateral, teoria da imprevisão).
• Contratos privados: seguro, financiamento, locação, prestação de serviço público em que a
Administração é usuária (regem-se, predominantemente, pelo direito privado e, no que couber,
pelo direito público, inclusive cláusulas exorbitantes).

2. CLÁUSULAS EXORBITANTES: Prerrogativas da Administração Pública.


CLÁUSULAS EXORBITANTES
ALTERAÇÃO • Por modificação do projeto ou das especificações;

63
UNILATERAL • Por acréscimo ou diminuição de seu objeto, em até 25% (ou até 50% de
acréscimo em caso de reforma de edifícios ou equipamentos).
• #ATENÇÃO: Cabível somente para cláusulas de execução ➔ não pode alterar
o equilíbrio econômico-financeiro. (cláusulas de regulação NÃO)
• Inadimplência do contratado, com ou sem culpa.
RESCISÃO
• Interesse público.
UNILATERAL
• Caso fortuito e força maior.
• Advertência.
• Multa.
• Suspensão temporária de participação em licitação e de contratar, por até dois
APLICAÇÃO DE
anos.
SANÇÕES
• Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração
enquanto perdurarem os motivos da punição ou até a reabilitação, no mínimo
após dois anos.
• Poderá ser exigida garantia do contratado: até 5% do valor do contrato (até
10% em contrato de grande vulto com alta complexidade).
• Deve haver previsão expressa no instrumento convocatório.
EXIGÊNCIA DE
• Modalidades de garantia (opção do contratado): caução em dinheiro ou títulos
GARANTIAS
da dívida pública; seguro garantia; fiança bancária.
• Não se confunde com garantia da proposta (até 1% do valor estimado do
objeto).
• Realizada por representante designado, permitida a contratação de terceiros
FISCALIZAÇÃO para auxílio.
PELA • Poderá determinar o que for necessário à regularização dos problemas
ADMINISTRAÇÃO observados ou, se as decisões ultrapassarem sua competência, solicitá-las a
seus superiores.
• Garante a continuidade dos serviços essenciais.
OCUPAÇÃO
• Hipóteses: (i) como medida cautelar; e (ii) após a rescisão do contrato.
TEMPORÁRIA
• Incide sobre bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao contrato.
• Somente após 90 dias de atraso é que o contratado pode demandar a
RESTRIÇÃO A
rescisão do contrato administrativo ou, ainda, paralisar a execução dos
OPOSIÇÃO DA
serviços, após notificação prévia.
EXCEÇÃO DO
• Em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou
CONTRATO NÃO
guerra, o particular não poderá opor a exceção do contrato não cumprido
CUMPRIDO
mesmo diante de atraso de pagamento superior a 90 dias.

3. DURAÇÃO DOS CONTRATOS:


O prazo dos contratos não pode ser indeterminado (SEM EXCEÇÃO).
• Regra: prazo restrito aos créditos orçamentários (no mesmo exercício).
• Exceções:

64
- Projetos incluídos no PPA: máximo de 4 anos.
- Serviços de execução continuada: até 60 meses e excepcionalmente por mais 12 meses.
- Aluguel de equipamentos e programas de informática: até 48 meses.
- Segurança nacional e inovação tecnológica (licitação dispensável): até 120 meses
-

4. EXECUÇÃO DOS CONTRATOS:


Responsabilidade pelos encargos:
• Fiscais, comerciais e trabalhistas: da empresa contratada.
• Previdenciários: solidária com a Administração

#OLHAOGANCHO STF (862): O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do


contratado não transfere automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu
pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, §1º, da Lei nº 8.666/93.

5. EXTINÇÃO DO CONTRATO:
• Naturalmente, por cumprimento do objeto ou término do prazo.
• Impossibilidade material ou jurídica.
• Anulação (ex tunc): dever de indenizar o contratado, exceto se este tiver contribuído para a
ilegalidade.
• Rescisão (ex nunc): unilateral, amigável ou judicial.
6. TEORIA DA IMPREVISÃO. #IMPORTANTE:
Eventos excepcionais e imprevisíveis, ou de consequências imprevisíveis, que provocam desequilíbrio
da equação econômico-financeira do contrato, sendo totalmente estranhos à vontade das partes.
Fato do príncipe: ato geral de Governo, não relacionado diretamente com o contrato, que proíbe ou
encarece a execução. Ex.: aumento de um tributo relacionado ao serviço prestado pelo contratado,
que acaba por interferir no valor do contrato.
➢ Fato da Administração: ato da Administração diretamente ligado ao contrato, que dificulta ou
impede sua execução.
➢ Força maior: evento humano, como uma greve ou rebelião.
➢ Caso fortuito: evento da natureza, como uma inundação.
➢ Interferências imprevistas: fatos imprevisíveis, preexistentes ao contrato, mas só descobertos
posteriormente ao início da execução; oneram, mas não impedem a execução.

#FIQUEATENTO: Não há limites quantitativos para a alteração contratual por acordo das partes nem
para promover o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Os limites são previstos para as
hipóteses de alteração unilateral pela Administração Pública.
65
5. Licitação: conceito, princípios, modalidades, dispensa e inexigibilidade, sanções penais. Recursos
administrativos.

É o processo administrativo utilizado pela Administração Pública e pelas demais


CONCEITO pessoas indicadas pela lei com o objetivo de selecionar a melhor proposta, por
meio de critérios objetivos e impessoais, para a celebração de contratos.
COMPETÊNCIA A União possui competência legislativa PRIVATIVA para editar normas gerais
LEGISLATIVA sobre licitações e contratos.
1. PRINCÍPIO DA COMPETITIVIDADE;
2. PRINCÍPIO DA ISONOMIA;
PRINCÍPIOS 3. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO;
4. PRINCÍPIO DO PROCEDIMENTO FORMAL;
5. PRINCÍPIO DO JULGAMENTO OBJETIVO.
(i) obras;
(ii) serviços, inclusive de publicidade;
(iii) compras;
OBJETO
(iv) alienações;
(v) concessões e permissões;
(vi) locações da Administração Pública;
1. Administração Pública Direta.
DESTINATÁRIOS 2. Administração Pública Indireta.
3. Entidades controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público.
ANULAÇÃO: é um dever que decorre da ilegalidade no procedimento. Pode ser
decretada pelo Executivo (controle interno) ou Judiciário/Legislativo (controle
ANULAÇÃO
externo).
E
REVOGAÇÃO: é uma faculdade de desfazimento do procedimento por razões
REVOGAÇÃO
de interesse público, em razão de fatos supervenientes devidamente
comprovados. Somente pode ser feita pelo Poder Executivo.
- Garantir a observância do princípio constitucional da isonomia.
FINALIDADE - Seleção da proposta mais vantajosa para a administração.
- Promoção do desenvolvimento nacional sustentável.

#ATUALIZAOVADE #AJUDAMARCINHO4
O Presidente da República editou em 2018 um decreto atualizando os valores do art. 23 da Lei nº
8.666/93.
Trata-se do Decreto nº 9.412/2018. Veja o que diz o art. 1º do Decreto:
Art. 1º Os valores estabelecidos nos incisos I e II do caput do art. 23 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de
1993, ficam atualizados nos seguintes termos:
I - para obras e serviços de engenharia:

4
Leia os comentários na íntegra: https://www.dizerodireito.com.br/2018/06/breves-comentarios-ao-decreto-94122018.html
66
a) na modalidade convite - até R$ 330.000,00 (trezentos e trinta mil reais);
b) na modalidade tomada de preços - até R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais); e
c) na modalidade concorrência - acima de R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais); e
II - para compras e serviços não incluídos no inciso I:
a) na modalidade convite - até R$ 176.000,00 (cento e setenta e seis mil reais);
b) na modalidade tomada de preços - até R$ 1.430.000,00 (um milhão, quatrocentos e trinta mil reais);
e
c) na modalidade concorrência - acima de R$ 1.430.000,00 (um milhão, quatrocentos e trinta mil reais).

ATUALIZAÇÃO DO DECRETO 9.412/2018


Compras e serviços que não
Modalidade Obras e serviços de engenharia
sejam de engenharia
Antes: até 150 mil Antes: até 80 mil
CONVITE
Agora: até 330 mil Agora: até 176 mil
Antes: até 1 milhão e 500 mil Antes: até 650 mil
TOMADA DE PREÇOS
Agora: até 3 milhões e 300 mil Agora: até 1 milhão e 430 mil
Antes: acima de 1 milhão e 500
Antes: acima de 650 mil
mil
CONCORRÊNCIA Agora: acima de 1 milhão e 430
Agora: acima de 3 milhões e 300
mil
mil

→ PREGÃO (Lei 10.520/2002)


- Modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços comuns, independentemente do valor
estimado do futuro contrato (não pode ser usado o pregão para locações imobiliárias e alienações em
geral, delegação de serviços públicos e obras, e outros.
Art. 1º. Parágrafo único. Consideram-se bens e serviços comuns, para os fins e efeitos deste artigo,
aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por
meio de especificações usuais no mercado.
- Espécies de pregão: presencial e eletrônico.
- Tipo de licitação: critério menos preço.
Art. 4º. X - para julgamento e classificação das propostas, será adotado o critério de menor preço,
observados os prazos máximos para fornecimento, as especificações técnicas e parâmetros mínimos de
desempenho e qualidade definidos no edital;
- Inversão das fases de habilitação e julgamento.
- Declaração de habilitação:
Art. 4º. VII - aberta a sessão, os interessados ou seus representantes, apresentarão declaração dando
ciência de que cumprem plenamente os requisitos de habilitação e entregarão os envelopes contendo a
67
indicação do objeto e do preço oferecidos, procedendo-se à sua imediata abertura e à verificação da
conformidade das propostas com os requisitos estabelecidos no instrumento convocatório;
- Inversão das fases de homologação e adjudicação:
Art. 4º, XXI - decididos os recursos, a autoridade competente fará a adjudicação do objeto da licitação
ao licitante vencedor;
XXII - homologada a licitação pela autoridade competente, o adjudicatário será convocado para assinar
o contrato no prazo definido em edital;
RECURSOS NA LEI 8.666/93
- Habilitação ou inabilitação do
licitante (suspensivo)
- Julgamento das propostas
(suspensivo)
- Anulação ou revogação da
licitação
- indeferimento do pedido de
inscrição em registro cadastral,
RECURSO PROPRIAMENTE DITO 5 dias úteis sua alteração ou cancelamento
- Rescisão do contrato por ato
unilateral e escrito da
Administração, nos casos
enumerados nos incisos I a XII e
XVII do artigo 78
- Aplicação das penas de
advertência, suspensão
temporária ou multa
Da decisão de declaração de
PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO 10 dias úteis
inidoneidade
Da decisão que não caiba
REPRESENTAÇÃO 5 dias úteis
recurso hierárquico
RECURSO NA LEI 10.520/02 PREGÃO
- Após a declaração do
vencedor
Imediatamente + 3 dias para
RECURSO - Manifestação imediata e
razões
motivada
- 3 dias para juntada de razões

6. Serviços Públicos: conceito, classificação, delegação concessão, permissão e autorização. Parcerias


público-privadas. Concessão de serviço público. Natureza jurídica e conceito. Extinção da concessão
de serviço público. Reversão dos bens. Permissão e autorização.

68
Administração direta -
DESCONCENTRAÇÃO
Diretamente
Administração indireta -
DESCENTRALIZAÇÃO

Prestação de
Concessão comum
serviços públicos
Concessões Administrativa
Concessão especial -
PPP
Indiretamente - Patrocinada
DELEGAÇÃO Permissões

Autorização

CONCESSÃO PERMISSÃO AUTORIZAÇÃO


Delegação (transferência apenas Delegação (transferência apenas
Delegação
da execução) da execução)
Apenas PJ ou consórcio de
PF ou PJ PF ou PJ
empresas
Ato unilateral, discricionário,
Formalizada por contrato Formalizada por contrato
precário (sem necessidade de
administrativo administrativo
indenização).
Mediante licitação na
Qualquer modalidade licitatória Não precisa licitar
modalidade CONCORRÊNCIA

Art. 35. Extingue-se a concessão por:


I - advento do termo contratual;
II - encampação;
EXTINÇÃO DA CONCESSÃO III - caducidade;
IV - rescisão;
V - anulação; e
VI - falência ou extinção da empresa concessionária e falecimento
ou incapacidade do titular, no caso de empresa individual.
#NÃOCONFUNDA:
ENCAMPAÇÃO CADUCIDADE
Fundamento Interesse público Inadimplemento da concessionária
Formalização Lei autorizativa e decreto Processo administrativo e decreto
Indenização Indenização prévia do concessionário Indenização eventual e posterior

Concessão comum (Lei Concessão especial – PPP (Lei


8.987/95) 11.079/04)
Contraprestação do parceiro
Facultativa Obrigatória
público
69
Risco ordinário do negócio Risco do concessionário Repartição objetiva dos riscos
R$ 10.000.000,00 #ATENÇÃO
Valor mínimo Inexistente
#NOVIDADELEGISLATIVA
Determinado, contudo, não há Mínimo: 5 anos
Prazo
prazo mínimo ou máximo Máximo: 35 anos
Serviços públicos e/ou
Objeto Serviços públicos
administrativos
PPP patrocinada = Tarifa +
orçamento
Tarifas (possíveis receitas
Remuneração PPP administrativa = orçamento
alternativas)
ou outras modalidades de
contraprestação estatal
Licitação Concorrência Concorrência
PPPs que envolvem serviços
públicos = OBJETIVA
Objetiva
PPPs de serviços administrativos
Responsabilidade civil Estado responde
= SUBJETIVA
subsidiariamente
Estado responde
SOLIDARIAMENTE

7. Servidores Públicos. Regime jurídico. Organização do serviço público. Direitos, deveres e proibições
do servidor público. Responsabilidade Administrativa, civil e criminal do servidor público. Agentes
públicos. Servidor e funcionário público. Natureza jurídica da relação de emprego público. Agentes
políticos. Funcionário efetivo e vitalício. Garantias. Estágio probatório. Cargo em comissão. Agente de
fato. Aposentadoria do servidor público. Defensor Público. Provimento e vacância dos cargos públicos.

→ CARGO PÚBLICO:
• Efetivo ou em comissão.
• Criado por lei.
• Atribuição, nomenclatura e responsabilidades próprias.
• Vínculo estatutário.
→ EMPREGO PÚBLICO:
• Criado por lei.
• Atribuições, nomenclatura e responsabilidades próprias.
• Contratação decorrente de prévia aprovação em concurso público.
• Vínculo trabalhista.
→ FUNÇÃO PÚBLICA:
• Não precisa ser criada por lei.

70
• Corresponde às atribuições dos cargos e empregos públicos, mas podem existir isoladamente.
#ATENÇÃO #REVISAQUEPASSA:
- Não é necessário realizar concurso para:
• Cargos em comissão
• Funções temporárias
• Cargos vitalícios de Ministros ou de Conselheiros dos Tribunais de Contas
• Magistrados dos Tribunais Superiores
• Quinto constitucional

CARGOS PÚBLICOS
DEMISSÃO/EXONERAÇ
ACESSO GARANTIA
ÃO
(i) Sentença judicial
transitada em julgado;
Estabilidade (ii) PAD; (iii) insuficiência
EFETIVOS Concurso público Estágio probatório – 3 de desempenho e (iv)
anos excesso de gasto
orçamentário com
despesa de pessoal.
Vitaliciedade:
Vitaliciedade diferida –
2 anos:
Concurso público, magistrados e
Apenas sentença
exceto Ministros de promotores
VITALÍCIOS judicial transitada em
Tribunais Superiores, TC Vitaliciedade
julgado.
e quinto constitucional. automática: quinto
constitucional, ministros
tribunais superiores e
membros TC
COMISSIONADOS Livre Inexistência Livre

71
AGENTES PÚBLICOS

Servidores administrativos do Agentes ou Particulares em colaboração com o


Agentes políticos (legislativo,
Estado Estado (mesários, jurados, concessionários,
excecutivo, judiciário, MP, TCU...)
permissionários, notários não oficializados...)

SERVIDORES PÚBLICOS (Relação de EMPREGADOS PÚBLICOS (Relação de SERVIDORES TEMPORÁRIOS SERVIDORES


trabalho permanente com trabalho permanente com entidades (contratados para atender a MILITARES
entidades de direito público) de direito privado da Adm. Pública necessidade temporária de excepcional
indireta) interesse público)

Regime estatutário
Regime celetista Nem celetista e nem
estatutáro
REGIME ÚNICO = O STF declarou inconstituiconal,
com efeitos ex nunc, a existência de regimes
jurídicos diversos.

PROVIMENTO
Formalizado por meio da nomeação, a qual gera direito à posse para os aprovados em
ORIGINÁRIO
concurso público (Súmula 16, STF).
Progressão funcional em que o servidor é deslocado de cargo de
Promoção
classe inferior para outro cargo de classe superior dentro da mesma
carreira.
Provimento derivado do servidor em cargo de atribuições e
Readaptação responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em
sua capacidade física ou mental verificada por perícia médica.
Retorno do servidor aposentado ao cargo quando ocorrer uma das
seguintes hipóteses:
Declaração por junta médica oficial da insubsistência dos motivos
Reversão determinantes para aposentadoria por invalidez;
Declaração de ilegalidade do ato de concessão da aposentadoria;
DERIVADO
Reversão “no interesse da administração” desde que preenchidos os
requisitos legais.(controvérsia sobre essa última hipótese).
Retorno do servidor colocado em disponibilidade para cargo com
Aproveitamento atribuições, responsabilidades e vencimentos compatíveis com o
anteriormente ocupado.
Retorno do servidor ao cargo de origem após a declaração
Reintegração (administrativa ou judicial) de ilegalidade da sua demissão, com
ressarcimento da remuneração e vantagens não percebidos.
É o retorno do servidor estável ao cargo de origem, tendo em vista a
Recondução sua inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo ou a
reintegração do servidor ao cargo.

72
#NÃOSABOTEASSÚMULAS:
Súmula vinculante 43-STF: É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor
investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não
integra a carreira na qual anteriormente investido.
Súmula 683-STF: O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art.
7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser
preenchido.
Súmula vinculante 44-STF: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a
cargo público.
Súmula 552-STJ: O portador de surdez unilateral não se qualifica como pessoa com deficiência para o
fim de disputar as vagas reservadas em concursos públicos.
Súmula 377-STJ: O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às
vagas reservadas aos deficientes.
Súmula vinculante 3-STF: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão
inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
Súmula vinculante 33-STF: Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do Regime Geral de
Previdência Social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, parágrafo 4º, inciso III, da
Constituição Federal, até edição de lei complementar específica.
Súmula 378-STJ: Reconhecido o desvio de função, o servidor faz jus às diferenças salariais decorrentes.
Súmula 36-STF: Servidor vitalício está sujeito à aposentadoria compulsória, em razão da idade.
Súmula vinculante 37-STF: Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar
vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia.
Súmula vinculante 55 STF: O direito ao auxílio-alimentação não se estende aos servidores inativos.
Súmula vinculante 42-STF: É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores
estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária.
Súmula 682-STF: Não ofende a Constituição a correção monetária no pagamento com atraso dos
vencimentos de servidores públicos.
#APOSTACICLOS: Não deve ser determinada a devolução de valores recebidos de boa-fé por servidor
público, percebidos a título precário no período em que liminar produziu efeitos. É desnecessária a
devolução dos valores recebidos por liminar revogada, em razão de mudança de jurisprudência.
Também é descabida a restituição de valores recebidos indevidamente, circunstâncias em que o
servidor público atuou de boa-fé. STF. 1ª Turma. MS 32185/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
13/11/2018 (Info 923).

73
#SAINDODOFORNO É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja
grávida à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso
público. STF. Plenário. RE 1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral).
#APOSTACICLOS É inconstitucional lei que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no
concurso público ingressar imediatamente no último padrão da classe mais elevada da carreira. Essa
disposição afronta os princípios da igualdade e da impessoalidade, os quais regem o concurso público.
Por essa razão, o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 18 da Lei nº 8.691/93. STF.
Plenário. ADI 1240/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 28/2/2019 (Info 932).
A expressão "Procuradores", contida na parte final do inciso XI do art. 37 da Constituição da República,
compreende os procuradores municipais, uma vez que estes se inserem nas funções essenciais à
Justiça, estando, portanto, submetidos ao teto de 90,25% (noventa inteiros e vinte e cinco centésimos
por cento) do subsídio mensal, em espécie, dos ministros do STF. STF. Plenário. RE 663696/MG, Rel.
Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019 (Info 932).
No âmbito da administração pública federal, é vedada a contratação temporária do mesmo servidor
antes de decorridos 24 meses do encerramento do contrato anterior. Tal regra está prevista no art. 9º,
III, da Lei nº 8.745/93.O STF, ao analisar um caso concreto envolvendo a contratação temporária de
professores, decidiu que essa regra é constitucional e fixou a seguinte tese: “É compatível com a
Constituição Federal a previsão legal que exija o transcurso de 24 (vinte e quatro) meses, contados do
término do contrato, antes de nova admissão de professor temporário anteriormente contratado.”
(Info 869 STF).
#APOSTACICLOS: A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a abusividade de
greve de servidores públicos celetistas da Administração pública direta, autarquias e fundações
públicas. STF. Plenário. RE 846854/SP, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral) (Info 871).
#APOSTACICLOS: o exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos
policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. É
obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das
carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da
categoria. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).
#APOSTACICLOS: A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação
decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores públicos, em virtude da suspensão do
vínculo funcional que dela decorre. É permitida a compensação em caso de acordo. O desconto será,
contudo, incabível se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder
Público. STF. Plenário. RE 693456/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/10/2016 (repercussão geral)
(Info 845).

8. Bens Públicos: conceito, classificação, aquisição, uso, alienação, imprescritibilidade,


impenhorabilidade. Utilização dos bens públicos: autorização, permissão e concessão de uso;

74
concessão de direito real de uso; concessão de uso especial para fins de moradia; aforamento de
bens; cessão de uso.

BENS PÚBLICOS
Uso comum Bens destinados ao uso da coletividade
Não podem ser alienados.
do povo em geral (rios, praças...)
Bens especialmente afetados aos serviços
De uso
administrativos e aos serviços públicos Não podem ser alienados.
CRITÉRIO DA especial
(aeroportos, escolas e hospitais públicos...)
AFETAÇÃO
Podem ser alienados na
PÚBLICA Bens públicos desafetados, ou seja, que
forma da lei (= bens
NÃO são utilizados pela coletividade ou
Dominicais públicos
para prestação de serviços administrativos
disponíveis/domínio
e públicos.
privado do Estado)
➢ Alienabilidade relativa
REGIME ➢ Impenhorabilidade
JURÍDICO ➢ Imprescritibilidade
➢ Não onerabilidade
Afetação é o fato administrativo pelo qual se atribui ao bem público uma destinação
AFETAÇÃO E
pública especial de interesse direto ou indireto da Administração. A afetação pode
DESAFETAÇÃ
decorrer de: (i) lei; (ii) ato administrativo; (iii) fato administrativo. Desafetação é o
O
inverso.

AUTORIZAÇÃO PERMISSÃO CONCESSÃO


É ato administrativo,
É ato administrativo,
discricionário, precário, É contrato administrativo
discricionário, precário,
editado pelo Poder através do qual a
USO editado pelo Poder Público
Público para consentir Administração Pública
PRIVATIVO para consentir que
que determinada pessoa confere a pessoa
DE BEM determinada pessoa utilize
utilize privativamente um determinada o uso
PÚBLICO privativamente um bem
bem público. Há privativo de determinado
público. Há preponderância
preponderância do bem público. Por ser
do interesse PÚBLICO e,
interesse particular e, por contrato, PRECISA DE
por se tratar de ATO, NÃO
se tratar de ATO, NÃO LICITAÇÃO.
precisa de licitação.
precisa de licitação.

9. Controle da Administração Pública. Espécies. Controle administrativo, legislativo e jurisdicional.


Controle exercido pelo Tribunal de Contas. A teoria da reserva do possível.

75
- Sistema de Freios e Contrapesos ou “Checks and Balances”: Sua origem está associada à necessidade
de garantir que os poderes estatais (Executivo, Judiciário e Legislativo) não atuarão livremente,
proporcionando, assim, controle e fiscalização recíprocos.
- Existem três tipos de controle: administrativo; judicial; legislativo.
a) CONTROLE ADMINISTRATIVO:
- Exercido pela própria Administração Pública no âmbito de seu próprio poder. Trata-se de controle
interno. Há o controle de legalidade e o controle de mérito (conveniência e oportunidade) realizado
sobre os atos administrativos (“autotutela”).

SÚMULA 473 STF. A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os
tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.

- Além disso, também é possível o controle finalístico, denominado “tutela administrativa”, realizado
pela Administração Pública perante as entidades administrativas. Em âmbito federal, é denominado
“supervisão ministerial”.
- Ademais, há a fiscalização hierárquica, exercida entre órgãos e agentes de acordo com sua posição
hierárquica. Exemplo: corregedorias.
b) CONTROLE JUDICIAL:
- Lembre-se: o Brasil adotou o sistema inglês, denominado de “jurisdição única”, o qual faz com que
todos os litígios existentes possam ser decididos pelo Poder Judiciário. O Poder Judiciário só realiza
controle de legalidade, sendo vedado adentrar no controle do mérito administrativo (análise de
conveniência e oportunidade). Contudo, a jurisprudência tem permitido, excepcionalmente, a análise
da proporcionalidade e razoabilidade do ato administrativo discricionário.
- São instrumentos de controle judicial: ação popular; mandado de segurança; ação civil pública etc.
c) CONTROLE LEGISLATIVO:
- O Poder Legislativo possui como função típica, além de legislar, a de fiscalizar. Para o exercício da
fiscalização, conta também com o auxílio do tribunal de contas.
- O controle exercido diretamente pelo Poder Legislativo (por meio de suas Casas ou do Congresso
Nacional) limita-se às hipóteses expressamente previstas na Constituição Federal, sob pena de ofensa
ao princípio da separação dos poderes. Exemplos: competência do CN para autorizar o Presidente da
República a declarar guerra e celebrar a paz; competência do CN para autorizar o Presidente e o Vice
a se ausentarem do país, quando a ausência exceder a 15 dias; competência do CN para julgar
anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República.
- Além disso, há o controle realizado pelo Tribunal de Contas: fiscalização contábil, financeira,
orçamentária e patrimonial do Executivo. As atribuições do Tribunal de Contas estão previstas no art.
71 da CF/88.

76
#ATENÇÃO: O TCU apenas APRECIA as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República,
mediante parecer prévio, o qual deverá ser elaborado em 60 dias, a contar do seu recebimento.
Todavia, quanto aos “administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da
administração direta e indireta” e “daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade
de que resulte prejuízo ao erário público”, as contas serão julgadas pelo TCU.

10. Responsabilidade civil e patrimonial do Estado: evolução histórica e fundamentos jurídicos.


Responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito público e das privadas prestadoras de serviço
público. Direito de regresso.

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO


CF. Art. 37. § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa
FUNDAMENTO
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o
responsável nos casos de dolo ou culpa.
(i) TEORIA DA IRRESPONSABILIDADE: Estado não responde civilmente, pois é
representante de DEUS, que não erra.
(ii) TEORIAS CIVILISTAS: são três:
a. Atos de império X atos de gestão: o Estado não responde por atos de império,
mas responde por atos de gestão, caso em que sua responsabilidade será
SUBJETIVA.
b. Culpa do servidor: o Estado responde SUBJETIVAMENTE, desde que
comprovada a culpa do agente público.
c. Culpa do serviço (FAUT DU SERVICE ou culpa anônima): não precisa provar a
culpa do agente, mas apenas que (i) o serviço não foi prestado; (ii) foi prestado
HISTÓRICO com falha; ou (iii) foi prestado com atraso.
(iii) TEORIAS PUBLICISTAS A responsabilidade do Estado passa a ser objetiva. São
duas:
a. Teoria do risco administrativo: embora a responsabilidade seja objetiva, admite-
se a exclusão do nexo causal em alguns casos (é a teoria adotada no Brasil, em
regra). No entanto, o STJ e a doutrina tradicional entendem que, em caso de
omissão, a responsabilidade será SUBJETIVA. O STF, no entanto, em alguns
julgados, já disse que a responsabilidade será sempre objetiva, pois a CF (art. 37,
§6º) não distingue ação de omissão.
b. Teoria do risco integral: não admite a exclusão do nexo causal (ex. dano
ambiental).
Aplicam-se normalmente todas as excludentes do nexo de causalidade (caso
EXCLUDENTES fortuito, força maior e culpa exclusiva da vítima). Na hipótese de culpa concorrente,
deve ser diminuído o valor da indenização.

77
Hoje, prevalece o entendimento de que a vítima pode escolher se vai processar o
Estado, o servidor ou os dois, solidariamente. No entanto, há precedente do STF
aplicando a teoria da DUPLA GARANTIA, que diz que a vítima só pode ajuizar a
QUEM
ação contra o Poder Público, uma vez que o servidor tem, a seu favor, a garantia
RESPONDE
de só ser processado via ação de regresso proposta pelo Estado. ATENÇÃO: se a
vítima decidir processar o servidor, ela deverá provar a sua culpa/dolo, pois a
responsabilidade do agente público é SUBJETIVA.
DIREITO DE O STJ entende que, processado apenas o Poder Público, NÃO É OBRIGATÓRIA a
REGRESSO denunciação da lide em face do servidor.
STJ pacificou o entendimento de que o prazo é de 05 anos (analogia ao D.
PRAZO
20.910/32).

#SAINDODOFORNO #VAICAIR
INFO 932 STF: O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que,
no exercício de suas funções, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o
responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa. O Estado possui
responsabilidade civil direta, primária e objetiva pelos danos que notários e oficiais de registro, no
exercício de serviço público por delegação, causem a terceiros. STF. Plenário. RE 842846/RJ, Rel. Min.
Luiz Fux, julgado em 27/2/2019 (repercussão geral) (Info 932)

11. Limitações do Estado sobre o direito de propriedade. Limitações administrativas. Ocupação


temporária. Requisição administrativa. Tombamento. Servidão administrativa. Parcelamento, edificação
e utilização compulsórios. Desapropriação. Modalidades. Desapropriação indireta. Retrocessão.

LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA
DI PIETRO: medidas de caráter geral, previstas em lei, com fundamento no PODER DE
POLÍCIA do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas e negativas, com
Conceito
o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. Pode ser
exigência de obrigação positiva, negativa ou permissiva.
Objeto Atinge bens móveis, imóveis e serviços.
Por ser unilateral, DEVE DECORRER DE LEI (Ex.: PDU – plano diretor urbano). José dos
Instituição
Santos Carvalho Filho fala também em atos administrativos normativos.
Indenização Será devida se houver comprovação do dano pelo particular.

OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA
Caracteriza-se pela utilização TRANSITÓRIA, gratuita ou remunerada, de IMÓVEL de
propriedade particular, para fins de interesse público. Ex.: uso de escola para eleição; uso
Conceito de imóveis para o Poder Público colocar máquinas e operários. O Pressuposto é a
necessidade de realização de OBRAS ou SERVIÇOS públicos normais (ao contrário da
requisição, em que há situação de perigo).
Recai sobre o bem imóvel, embora haja discussão sobre a possibilidade de atingir bens
Objeto
móveis e serviços.
78
SERVIDÃO ADMINISTRATIVA REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA
Direito real público que permite a utilização É a intervenção autoexecutória na qual o
da propriedade alheia pelo Estado ou por Estado utiliza-se de bens imóveis,
Conceito
seus delegatários com o objetivo de atender móveis e de serviços particulares no caso
o interesse público. de iminente perigo público.
Incidem apenas sobre bens imóveis, os quais
devem ser vizinhos, mas não precisam ser
Incidem sobre bens imóveis, móveis e
Objeto contíguos (prédio dominante e prédio
serviços particulares.
serviente). NÃO há servidão sobre bens
móveis ou direitos.
Podem ser instituídas por meio das seguintes
formas:
✓ Acordo;
A emergência da situação justifica a
Instituição ✓ Sentença judicial;
autoexecutoriedade da medida.
✓ Usucapião.
Obs.: há discussão sobre a possibilidade de
instituição por lei.
Em regra, é perpétua.
Porém, é possível apontar algumas hipóteses
de extinção: Enquanto perdurar o perigo iminente, a
- Desaparecimento do bem gravado; requisição permanecerá válida.
Extinção - Incorporação do bem serviente ao Considera-se, portanto, extinta a
patrimônio público; requisição quando desaparecer a
- Desafetação do bem dominante (ex.: situação de perigo.
desafetação do imóvel que era utilizado
como hospital público).
É assegurada ao proprietário do bem
Será devida se houver comprovação do dano
Indenização requisitado indenização ulterior, se
pelo particular.
houver dano.

TOMBAMENTO
É um procedimento ou ato administrativo pelo qual o Poder Público sujeita a
restrições parciais os bens de qualquer natureza cuja conservação seja de
CONCEITO interesse público, por sua vinculação a fatos memoráveis da história ou por seu
excepcional valor arqueológico ou etnológico, bibliográfico ou artístico. É SEMPRE
UMA RESTRIÇÃO PARCIAL.
Recai sobre bem público. Processa-se mediante simples
Quanto à DE OFÍCIO notificação à entidade a quem pertencer ou sob cuja guarda
constituição ou estiver a coisa tombada.
procedimento Não há resistência por parte do proprietário. Há anuência ou
VOLUNTÁRIO
pedido do proprietário.

79
Há resistência por parte do proprietário, que se opõe à
pretensão de tombar do poder público. A oposição ocorrerá
COMPULSÓRIO no prazo de 15 dias da notificação de interesse de
tombamento do bem. A notificação gera efeitos de um
tombamento provisório.
É gerado pela simples notificação. Quando ainda está em
curso o processo administrativo instaurado pela notificação.
PROVISÓRIO
Quanto à eficácia Produz os mesmos efeitos do definitivo, apenas dispensando a
transcrição no registro de imóveis.
DEFINITIVO Ocorre com o efetivo registro no livro do tombo.
Que atinge todos os bens situados em um bairro ou em uma
Quanto aos GERAL
cidade.
destinatários
INDIVIDUAL Que atinge um bem determinado.

Anuiu ou não impugnou =


TOMBAMENTO VOLUNTÁRIO
(registro no livro de tombo)
Notificação do
Manifestação do
proprietário para
orgão técnico Órgão que iniciou o
anuir em 15 dias Impugnação inicia
procedimento tem 15 IPHAN decide em 60
o procedimento
dias para se dias
COMPULSÓRIO
manifestar

OBRIGAÇÕES DECORRENTES DO TOMBAMENTO


Conservação do patrimônio, que deve ser acompanhada pelo poder público.
Assim, qualquer conserto deve ser comunicado ao poder público, para
obtenção de uma autorização (artigo 17, DL 25/37). Infelizmente, o particular
comunica ao poder público por várias vezes e as providências não são adotadas
pelo ente político. EXEMPLO: padre da Bahia que comunicou que o teto da
igreja estava caindo e mandou consertar sem autorização, porque o teto
poderia despencar sobre alguém. Poderia ser imputada ao pároco, no caso do
exemplo, multa de 50% do valor do dano que viesse a causar.
OBRIGAÇÕES Danificar o patrimônio sem autorização é crime previsto no artigo 165, CP.
POSITIVAS Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade
competente em virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Bem público tombado é inalienável, ressalvada a possibilidade de transferência
entre os entes federados.
Bem particular tombado pode ser alienado. Mas o proprietário deve dar
preferência ao ente político que tombou o bem (DIREITO DE PREFERÊNCIA ou
PREEMPÇÃO); somente depois o bem pode ser alienado (artigo 22, DL 25). Se
80
for feita a alienação sem a autorização, será o negócio considerado NULO (§ 2º.)

Decorre do dever positivo de conservar, é a obrigação de não danificar e não


mutilar ou destruir a coisa (artigo 17, DL 25).
OBRIGAÇÕES
Não retirar a coisa do país, EXCETO por curto espaço de tempo, sem
NEGATIVAS
transferência de domínio ou propriedade (artigo 14). Em caso de roubo ou furto,
o proprietário deve comunicar ao poder público em 05 dias, sob pena de multa.
OBRIGAÇÃO DE O proprietário tem que suportar a fiscalização do poder público (artigo 20, DL
SUPORTAR 25/37).

DESAPROPRIAÇÃO
É a intervenção através da qual Estado se apropria da propriedade alheia, após o
devido processo legal, transferindo-a compulsoriamente e de maneira originária
CONCEITO
para o seu patrimônio, com fundamento no interesse público e, normalmente,
mediante indenização.
➢ Procedimento
➢ Aquisição originária (livre, portanto, de todos os ônus)
CARACTERÍSTICAS ➢ Todo e qualquer bem ou direito que possua valor econômico pode ser
desapropriado
➢ Competência LEGISLATIVA é PRIVATIVA da União
A competência DECLARATÓRIA (1ª fase do procedimento) é apenas dos entes
políticos (atribui-se competência, igualmente, ao DNIT e à ANEEL). Para fins de
reforma agrária, a competência é EXCLUSIVA DA UNIÃO.
COMPETÊNCIA
Por outro lado, a competência EXECUTIVA (para ajuizar a ação de
desapropriação, pagar o preço...) pode ser repassada, por meio de lei ou
contrato, à administração indireta e aos concessionários/permissionários.
(a) Comum/ordinária/regular: justificada por utilidade/necessidade pública ou
por interesse social.
(b) Florística: proteção ambiental.
(c) Sancionatória: divide-se em: (i) Urbana (prevista no estatuto da cidade); (ii)
Rural para fins de reforma agrária (previsão no art. 184/CF, LC 76 e lei nº
8.629/93); (iii) Confiscatória (art. 243, CF):
ESPÉCIES
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde
forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de
trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma
agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao
proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no
que couber, o disposto no art. 5º.
1ª FASE (DECLARATÓRIA) = Publicação de ato de declaração da expropriação
PROCEDIMENTO (decreto ou lei de efeito concreto), declarando o bem de utilidade pública ou de
DA interesse social. Manifesta a vontade de possuir o bem.
81
DESAPROPRIAÇÃO EFEITOS IMEDIATOS DO ATO DECLARATÓRIO: (a) Fixa o estado do bem: só
COMUM serão indenizadas benfeitorias posteriores se necessárias ou úteis, caso
autorizadas essas últimas; (b) Submete o bem ao poder expropriatório estatal: o
Estado ainda não é proprietário, mas pode exercer alguns poderes sobre o bem.
Ex.: entrar para realizar medições... (c)Confere ao Poder Público o poder de
penetrar no bem, desde que não haja excesso e (d)Inicia o prazo de
CADUCIDADE (deve a Administração tentar efetivar administrativamente a
desapropriação ou, ao menos, ajuizar a ação de desapropriação). Veja os prazos:
UTILIDADE ou NECESSIDADE PÚBLICA: prazo de 05 anos (renova +5);
INTERESSE SOCIAL: prazo de 02 anos.
2ª FASE (EXECUTIVA): Adoção dos atos materiais (concretos) pelo Poder Público
ou seus delegatários, devidamente autorizados por lei ou contrato, com o intuito
de consumar a retirada da propriedade do proprietário originário. Pode ser: (a)
ADMINISTRATIVA: depois da declaração, a Administração propõe valor, que é
ACEITO (nesse caso, há verdadeiro contrato de compra e venda) ou (b)
JUDICIAL: o valor NÃO É ACEITO (ou não se conhece o PROPRIETÁRIO DO
BEM). Nesse caso, deve ser ajuizada AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO.
(i) POLO ATIVO: Poder Público (Adm. direta ou indireta) ou delegatários.
Obs.: a) Desapropriação Sancionatória Urbanística: legitimidade ativa EXCLUSIVA
DO MUNICÍPIO; b) Desapropriação para fins de reforma agrária: legitimidade
ativa EXCLUSIVA DA UNIÃO.
(ii) POLO PASSIVO: proprietário do imóvel.
(iii) Requisitos da PETIÇÃO INICIAL: (a) Oferta do preço; (b) Cópia do contrato ou
do diário oficial em que houver sido publicado o decreto expropriatório; (c)
Planta ou descrição do bem a ser desapropriado e suas confrontações.
(iv) CONTESTAÇÃO: Só pode versar sobre: vício no processo (preliminares) ou
preço.
(v) IMISSÃO PROVISÓRIA NA POSSE:
Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de
AÇÃO DE conformidade com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imiti-
DESAPROPRIAÇÃO lo provisoriamente na posse dos bens;
§ 1º A imissão provisória poderá ser feita, independente da citação do réu,
mediante o depósito:
a) do preço oferecido, se este for superior a 20 (vinte) vezes o valor locativo,
caso o imóvel esteja sujeito ao imposto predial;
b) da quantia correspondente a 20 (vinte) vezes o valor locativo, estando o
imóvel sujeito ao imposto predial e sendo menor o preço oferecido.
c) do valor cadastral do imóvel, para fins de lançamento do imposto territorial,
urbano ou rural, caso o referido valor tenha sido atualizado no ano fiscal
imediatamente anterior;
d) não tendo havido a atualização a que se refere o inciso c, o juiz fixará
independente de avaliação, a importância do depósito, tendo em vista a época

82
em que houver sido fixado originalmente o valor cadastral e a valorização ou
desvalorização posterior do imóvel.
§ 2º A alegação de urgência, que não poderá ser renovada, obrigará o
expropriante a requerer a imissão provisória dentro do prazo improrrogável de
120 (cento e vinte) dias.
§ 3º Excedido o prazo fixado no parágrafo anterior não será concedida a imissão
provisória.
o
§ 4 A imissão provisória na posse será registrada no registro de imóveis
competente.
(vi) PROVA PERICIAL: É plenamente cabível na ação de desapropriação. É
importante para a fixação do valor. Apresentação do laudo em até 05 dias antes
da audiência.
(vii) SENTENÇA E TRANSFERÊNCIA DO BEM: (a) Fixa o valor da indenização
(após o pagamento, consuma-se a desapropriação); (b) Autoriza a imissão
definitiva na posse; (c) Constitui título hábil para registro. (d) É o pagamento do
valor, ou sua consignação judicial, que promove a transferência do bem.
É fato administrativo pelo qual o Estado se apropria de bem particular, sem
observância dos requisitos da declaração e da indenização prévia. De acordo
com o artigo 35 do Decreto 3365/41, uma vez incorporado ao patrimônio
DESAPROPRIAÇÃO público, não será possível a sua reivindicação pelo particular. Diante disso, o
INDIRETA particular deve ajuizar uma ação de desapropriação indireta, que, a rigor, é uma
ação de indenização. Hoje, prevalece o entendimento de que o prazo
prescricional para que o particular prejudicado ajuíze a ação de desapropriação
indireta é de 10 anos.
É aquele pelo qual o expropriado requer que a desapropriação e a respectiva
DIREITO DE indenização incidam sobre a totalidade do bem, pois a parte então não abarcada
EXTENSÃO ficou inservível ou esvaziada de interesse patrimonial. São para os casos de
desapropriação parcial.
É a mudança da destinação do bem expropriado – Poder Público diz que faria
uma coisa no decreto, mas depois faz outra. Será ilícita quando houver DESVIO
DE FINALIDADE (o bem não foi usado para atender o interesse público), caso em
TREDESTINAÇÃO que o particular deve ser reintegrado (retrocessão). Será lícita quando, embora
divergente do planejamento inicial, permanece atendendo o INTERESSE
PÚBLICO. Ex.: iria construir escola, mas constrói hospital. Nesse caso, o particular
não poderá reaver o bem.
O direito de o expropriado exigir a devolução do bem desapropriado que não
RETROCESSÃO foi utilizado pelo Poder Público para atender o interesse público. Há controvérsia
sobre qual seria o prazo para o particular ajuizar a ação.

Desapropriação por Desapropriação Indenização PRÉVIA, Todos os entes


utilidade, necessidade ordinária. JUSTA e em dinheiro. federados.

83
pública ou interesse
social
Refere-se ao imóvel
localizado na área Indenização em títulos
urbana que não atende da dívida pública,
Desapropriação
a respectiva função resgatáveis em até 10 Municípios e DF.
urbanística
social. anos – autorização do
Possui caráter Senado.
subsidiário.
Indenização em títulos
União (objetivo único
Imóvel rural que não da dívida agrária,
Desapropriação rural de implementar a
atende a função social. resgatáveis em até 20
reforma agrária).
anos.
As propriedades rurais
e urbanas de qualquer
região do País onde
forem localizadas
culturas ilegais de
plantas psicotrópicas ou
a exploração de
trabalho escravo na
forma da lei serão
expropriadas e
Expropriação
destinadas à reforma NÃO há indenização. União
confiscatória
agrária e a programas
de habitação popular,
sem qualquer
indenização ao
proprietário e sem
prejuízo de outras
sanções previstas em
lei, observado, no que
couber, o disposto no
art. 5º da CF.

12. A ética na Administração Pública. Dever de transparência e de informação. Processo e


procedimento administrativo: princípios, fases e modalidades. Regime disciplinar e processo
administrativo disciplinar. Responsabilidade administrativa. A instância administrativa. Representação e
reclamação administrativas. Pedido de reconsideração e recurso hierárquico próprio e impróprio.
Prescrição administrativa.

Lei 9.784/99 aplica-se - Administração Federal direta e indireta.


84
- Órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, Ministério Público e
Tribunal de Contas, quando exercem função administrativa.
- Estados, DF e Municípios que não possuem leis próprias (jurisprudência
Lei 9.784/99 aplica-se de STJ).
forma subsidiária - Processos administrativos federais regulados por leis específicas (ex.:
PAD).

Pessoal, é imperioso o conhecimento da Lei 9784/99. Para essa revisão final, destacamos o seguinte
artigo da legislação:

Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade,
motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança
jurídica, interesse público e eficiência.
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de:
I - atuação conforme a lei e o Direito;
II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou
competências, salvo autorização em lei;
III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou
autoridades;
IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;
V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na
Constituição;
VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida
superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;
VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão;
VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados;
IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e
respeito aos direitos dos administrados;
X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à
interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio;
XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei;
XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados;
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim
público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.
Súmula 592-STJ: O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa
nulidade se houver demonstração de prejuízo à defesa.

85
Súmula 591-STJ: É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo disciplinar, desde que
devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa.
SÚMULA 599 STJ - O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a Administração
Pública.
DENÚNCIA ANÔNIMA - É possível a instauração de processo administrativo com base em “denúncia
anônima”? SIM. Segundo o STJ, não há ilegalidade na instauração de processo administrativo com
fundamento em denúncia anônima, por conta do poder-dever de autotutela imposto à Administração
e, por via de consequência, ao administrador público. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1307503/RR, Rel.
Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 06/08/2013. #JACAIU.
PAD É INDEPENDENTE EM RELAÇÃO À AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA - As punições
aplicáveis no PAD são independentes em relação às sanções determinadas na ação judicial de
improbidade administrativa, não havendo bis in idem caso o servidor seja punido nas duas esferas. STJ.
1ª Seção. MS 15848/DF, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 24/04/2013.

13. Improbidade Administrativa. Proteção da probidade administrativa. Instrumentos de atuação. As


sanções na Lei 8.429/92. Prescrição.
Sujeitos ativos
Agente público, ainda que transitoriamente ou sem remuneração. Inclui agentes políticos.
Terceiro, que induza ou concorra para a prática de ato de improbidade (deve haver participação de
agente público).
Sujeitos passivos
Administração direta, indireta ou fundacional;
Empresa incorporada ao patrimônio público;
Entidade privada da qual o erário participe com mais de 50% do patrimônio ou da receita anual;
Entidade privada da qual o erário participe com menos de 50% do patrimônio ou da receita anual
(sanção limita-se à contribuição do poder público).
Empresa privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público
(sanção limita-se à contribuição do poder público).
➢ Sanções:

Natureza administrativa, civil e política.


• Administrativa: perda da função pública, proibição de contratar com o Poder Público;
• Civil: indisponibilidade de bens, ressarcimento ao erário, multa civil;
• Política: suspensão dos direitos políticos.

#FIQUELIGADO NÃO PREVÊ SANÇÕES PENAIS (exceto àquele que apresenta denúncia sabidamente
infundada).

86
Independe da ocorrência de dano ao erário (exceto quanto à pena de ressarcimento) ou da aprovação
ou rejeição das contas pelo Tribunal de Contas. #COLANARETINA #APOSTACICLOS
Exige comprovação de dolo (enriquecimento ilícito e violação dos princípios) e dolo ou culpa (prejuízo
ao erário). #NAOCONFUNDAM #OLHAAPEGADINHA
➢ Declaração de bens: obrigatória para a posse ou exercício. Quem deixar de entregar ou falsificar
fica sujeito à pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras sanções
cabíveis.
➢ Procedimento administrativo e processo judicial:
 Qualquer pessoa pode representar à autoridade administrativa competente ou ao MP;
 Tribunal de Contas e MP podem indicar representante para acompanhar a apuração
administrativa;
 Pode ser decretada medida cautelar de sequestro dos bens;
 A autoridade judicial ou administrativa pode determinar o afastamento do agente público do
exercício do cargo, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à instrução
processual.
 A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em
julgado da sentença condenatória.

ATOS DE IMPROBIDADE
VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA
ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DANO AO ERÁRIO
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
(ART. 9º) (ART. 10)
(ART. 11)
Art. 9° Constitui ato de Art. 11. Constitui ato de
Art. 10. Constitui ato de
improbidade administrativa improbidade administrativa que
improbidade administrativa que
importando enriquecimento atenta contra os princípios da
causa lesão ao erário qualquer
ilícito auferir qualquer tipo de administração pública qualquer
ação ou omissão, dolosa ou
vantagem patrimonial indevida ação ou omissão que viole os
culposa, que enseje perda
em razão do exercício de cargo, deveres de honestidade,
patrimonial, desvio, apropriação,
mandato, função, emprego ou imparcialidade, legalidade, e
malbaratamento ou dilapidação
atividade nas entidades lealdade às instituições, e
dos bens ou haveres das
mencionadas no art. 1° desta lei, notadamente.
entidades referidas no art. 1º
e notadamente. ELEMENTOS ESSENCIAIS:
desta lei, e notadamente.
ELEMENTOS ESSENCIAIS: (i) Conduta funcional, comissiva
ELEMENTOS ESSENCIAIS:
(i) Percepção de vantagem ou omissiva, dolosa do agente
(i)Conduta, comissiva ou
patrimonial pelo agente, mesmo público.
omissiva, dolosa ou CULPOSA
que não haja dano ao erário. (ii) Ofensa aos princípios da
(ii) Perda patrimonial
(ii) Essa vantagem deve ser administração pública
(iii) Nexo causal entre o exercício
indevida. (iii) Nexo causal entre o exercício
funcional e a perda patrimonial
(iii) Conduta dolosa do agente. funcional e a violação dos
(iv) Ilegalidade da conduta.
(iv) Nexo causal entre o exercício princípios
87
funcional e a vantagem
indevida.
➢ Prescrição:
 Cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de
confiança.
 Nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego, aplica-se o prazo prescricional previsto em
lei específica para faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público.
 Ações civis de ressarcimento ao erário são imprescritíveis.

CF. Art. 35. § 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente,
servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.
#ATENÇÃO
Sanções pela prática de ato de improbidade administrativa
Enriquecimento ilícito Prejuízo ao erário Lesão a princípios
Ressarcimento ao erário Aplicável Aplicável Aplicável
Perda da função
Aplicável Aplicável Aplicável
pública
Suspensão dos direitos
De 8 a 10 anos De 5 a 8 anos De 3 a 5 anos
Políticos
Perda dos bens
Deve ser aplicada Pode ser aplicada
acrescidos ilicitamente
Até 100x o valor da
Até 3x o valor do
Multa civil Até 2x o valor do dano remuneração recebida
acréscimo patrimonial
pelo agente
Proibição de contratar
Por 10 anos Por 5 anos Por 3 anos
com o Poder Público

PROCEDIMENTO JUDICIAL
Art. 14. Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente para que seja
instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade.

§ 1º A representação, que será escrita ou reduzida a termo e assinada, conterá a qualificação do


representante, as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha
conhecimento.

§ 2º A autoridade administrativa rejeitará a representação, em despacho fundamentado, se esta não


contiver as formalidades estabelecidas no § 1º deste artigo. A rejeição não impede a representação ao
Ministério Público, nos termos do art. 22 desta lei.

Art. 15. A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal ou Conselho
de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a prática de ato de improbidade.

88
Parágrafo único. O Ministério Público ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá, a requerimento,
designar representante para acompanhar o procedimento administrativo.

Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa
jurídica interessada, dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar.

§ 1º É vedada a transação, acordo ou conciliação nas ações de que trata o caput.

§ 2º A Fazenda Pública, quando for o caso, promoverá as ações necessárias à complementação do


ressarcimento do patrimônio público.

§ 3o No caso de a ação principal ter sido proposta pelo Ministério Público, aplica-se, no que couber, o
disposto no § 3o do art. 6o da Lei no 4.717, de 29 de junho de 1965. #COLANARETINA #MP

§ 4º O Ministério Público, se não intervir no processo como parte, atuará obrigatoriamente, como
fiscal da lei, sob pena de nulidade. #MP #SEMPRE

§ 5o A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente


intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto.

§ 6o A ação será instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da
existência do ato de improbidade ou com razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação
de qualquer dessas provas, observada a legislação vigente, inclusive as disposições inscritas nos arts. 16
a 18 do Código de Processo Civil.

§ 7o Estando a inicial em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do requerido,
para oferecer manifestação por escrito, que poderá ser instruída com documentos e justificações,
dentro do prazo de quinze dias.

§ 8o Recebida a manifestação, o juiz, no prazo de trinta dias, em decisão fundamentada, rejeitará a


ação, se convencido da inexistência do ato de improbidade, da improcedência da ação ou da
inadequação da via eleita.

§ 9o Recebida a petição inicial, será o réu citado para apresentar contestação.

§ 10. Da decisão que receber a petição inicial, caberá agravo de instrumento

§ 11. Em qualquer fase do processo, reconhecida a inadequação da ação de improbidade, o juiz


extinguirá o processo sem julgamento do mérito.

§ 12. Aplica-se aos depoimentos ou inquirições realizadas nos processos regidos por esta Lei o
disposto no art. 221, caput e § 1o, do Código de Processo Penal.

§ 13. Para os efeitos deste artigo, também se considera pessoa jurídica interessada o ente tributante
que figurar no polo ativo da obrigação tributária de que tratam o § 4º do art. 3º e o art. 8º-A da Lei
Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. (Incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016)

89
Art. 22. Para apurar qualquer ilícito previsto nesta lei, o Ministério Público, de ofício, a requerimento de
autoridade administrativa ou mediante representação formulada de acordo com o disposto no art. 14,
poderá requisitar a instauração de inquérito policial ou procedimento administrativo.

MEDIDAS CAUTELARES
Art. 7° Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento
ilícito, caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público,
para a indisponibilidade dos bens do indiciado. #VAIMPBA
Parágrafo único. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo recairá sobre bens que
assegurem o integral ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do
enriquecimento ilícito.
Art. 16. Havendo fundados indícios de responsabilidade, a comissão representará ao Ministério Público
ou à procuradoria do órgão para que requeira ao juízo competente a decretação do sequestro dos
bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio
público.

§ 1º O pedido de sequestro será processado de acordo com o disposto nos arts. 822 e 825 do Código
de Processo Civil.

§ 2° Quando for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas
bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados
internacionais.

Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa
jurídica interessada, dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar

Art. 20. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito
em julgado da sentença condenatória.
Parágrafo único. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento
do agente público do exercício do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando
a medida se fizer necessária à instrução processual.

#ÉPRECISOIRALÉM #APOSTACICLOS
#NOVIDADELEGISLATIVA:

Art. 10-A. Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para conceder,
aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art.
8º-A da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. (Incluído pela Lei Complementar nº 157, de
2016)

Das Penas

90
Art.12, IV- na hipótese prevista no art.10-A, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos
de 8 a 8 anos e multa civil de até 3 vezes o valor do benefício financeiro ou tributário concedido.
(Incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016)

#SAINDODOFORNO #APOSTACICLOS
O que acontece se, no momento do trânsito em julgado, o condenado ocupa cargo diferente daquele
que exercia na prática do ato? Se o agente público tiver mudado de cargo, ele poderá perder aquele
que atualmente ocupa? Ex: em 2012, João, na época Vereador, praticou um ato de improbidade
administrativa; o MP ajuizou ação de improbidade contra ele; em 2018, a sentença transitou em
julgado condenando João à perda da função pública; ocorre que João é atualmente Deputado
Estadual; ele perderá o cargo de Deputado? 1ª corrente: NÃO. É a posição da 1ª Turma do STJ. O
condenado só perde a função pública que ele utilizou para a prática do ato de improbidade. As
normas que descrevem infrações administrativas e cominam penalidades constituem matéria de
legalidade estrita, não podendo sofrer interpretação extensiva. Assim, a sanção de perda da função
pública prevista no art. 12 da Lei nº 8.429/92 não pode atingir cargo público diverso daquele que
serviu de instrumento para a prática da conduta ilícita. STJ. 1ª Turma. REsp 1766149/RJ, Rel. Min. Gurgel
de Faria, julgado em 08/11/2018.
2ª corrente: SIM. É a posição da 2ª Turma do STJ e da doutrina majoritária. A sanção de perda da
função pública visa a extirpar da Administração Pública aquele que exibiu inidoneidade (ou
inabilitação) moral e desvio ético para o exercício da função pública, abrangendo qualquer atividade
que o agente esteja exercendo no momento do trânsito em julgado da condenação. STJ. 2ª Turma.
RMS 32378/SP, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 05/05/2015.
#APOSTACICLOS: INFO 910 DO STF São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas
na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa. STF. Plenário. RE 852475/SP,
Rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, Rel. para acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 08/08/2018
(repercussão geral) (Info 910).
INFORMATIVO 607 DO STJ A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência de ação de
improbidade administrativa está sujeita ao reexame necessário, com base na aplicação subsidiária do
CPC e por aplicação analógica da primeira parte do art. 19 da Lei nº 4.717/65. (Info 607, STJ).

INFORMATIVO 577 DO STJ A tortura de preso custodiado em delegacia praticada por policial constitui
ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública.

INFORMATIVO 609 DO STJ É possível a abertura de inquérito civil pelo Ministério Público objetivando
a apuração de ato ímprobo atribuído a magistrado mesmo que já exista concomitante procedimento
disciplinar na Corregedoria do Tribunal acerca dos mesmos fatos, não havendo usurpação das
atribuições da Corregedoria pelo órgão ministerial investigante. A mera solicitação para que o juiz
preste depoimento pessoal nos autos de inquérito civil instaurado pelo Ministério Público para
apuração de suposta conduta ímproba não viola o disposto no art. 33, IV, da LC nº 35/79 (LOMAN)
(Info 609, STJ).
91
Para o STJ, em casos de fracionamento de compras e contratações com o objetivo de se dispensar
ilegalmente o procedimento licitatório, o prejuízo ao erário é considerado presumido (in re ipsa), na
medida em que o Poder Público, por força da conduta ímproba do administrador, deixa de contratar a
melhor proposta, o que gera prejuízos aos cofres públicos. STJ. 2ª Turma. REsp 1280321/MG, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, julgado em 06/03/2012. Assim, a indevida dispensa de licitação, por
impedir que a administração pública contrate a melhor proposta, causa dano in re ipsa, descabendo
exigir do autor da ação civil pública prova a respeito do tema.

#JURISPRUDÊNCIAEMTESES:

- É inadmissível a responsabilidade objetiva na aplicação da Lei 8.429/1992, exigindo- se a presença de


dolo nos casos dos arts. 9º e 11 (que coíbem o enriquecimento ilícito e o atentado aos princípios
administrativos, respectivamente) e ao menos de culpa nos termos do art. 10, que censura os atos de
improbidade por dano ao Erário.

- O Ministério Público tem legitimidade ad causam para a propositura de Ação Civil Pública
objetivando o ressarcimento de danos ao erário, decorrentes de atos de improbidade. #SELIGA

- O Ministério Público estadual possui legitimidade recursal para atuar como parte no Superior
Tribunal de Justiça nas ações de improbidade administrativa, reservando- se ao Ministério Público
Federal a atuação como fiscal da lei. #AQUIÉMP

- A ausência da notificação do réu para a defesa prévia, prevista no art. 17, § 7º, da Lei de Improbidade
Administrativa, só acarreta nulidade processual se houver comprovado prejuízo (pas de nullité sans
grief).

- A presença de indícios de cometimento de atos ímprobos autoriza o recebimento fundamentado da


petição inicial nos termos do art. 17, §§ 7º, 8º e 9º, da Lei n. 8.429/92, devendo prevalecer, no juízo
preliminar, o princípio do in dubio pro societate.

- O termo inicial da prescrição em improbidade administrativa em relação a particulares que se


beneficiam de ato ímprobo é idêntico ao do agente público que praticou a ilicitude.

- A eventual prescrição das sanções decorrentes dos atos de improbidade administrativa não obsta o
prosseguimento da demanda quanto ao pleito de ressarcimento dos danos causados ao erário, que é
imprescritível (art. 37, § 5º da CF).

- É inviável a propositura de ação civil de improbidade administrativa exclusivamente contra o


particular, sem a concomitante presença de agente público no polo passivo da demanda.

- É possível a decretação da indisponibilidade de bens do promovido em ação civil pública por ato de
improbidade administrativa, quando ausente (ou não demonstrada) a prática de atos (ou a sua

92
tentativa) que induzam a conclusão de risco de alienação, oneração ou dilapidação patrimonial de
bens do acionado, dificultando ou impossibilitando o eventual ressarcimento futuro.

- Na ação de improbidade, a decretação de indisponibilidade de bens pode recair sobre aqueles


adquiridos anteriormente ao suposto ato, além de levar em consideração, o valor de possível multa
civil como sanção autônoma.

- No caso de agentes políticos reeleitos, o termo inicial do prazo prescricional nas ações de
improbidade administrativa deve ser contado a partir do término do último mandato.

- Os agentes políticos municipais se submetem aos ditames da Lei de Improbidade Administrativa, sem
prejuízo da responsabilização política e criminal estabelecida no Decreto-Lei 201/1967.

- A ação de improbidade administrativa proposta contra agente político que tenha foro por
prerrogativa de função é processada e julgada pelo juiz de primeiro grau, limitada à imposição de
penalidades patrimoniais e vedada a aplicação das sanções de suspensão dos direitos políticos e de
perda do cargo do réu.

- O afastamento cautelar do agente público de seu cargo, previsto no parágrafo único, do art. 20, da
Lei n. 8.429/92, é medida excepcional que pode perdurar por até 180 dias.

- O especialíssimo procedimento estabelecido na Lei 8.429/92, que prevê um juízo de delibação para
recebimento da petição inicial (art. 17, §§ 8º e 9º), precedido de notificação do demandado (art. 17, §
7º), somente é aplicável para ações de improbidade administrativa típicas. (Tese julgada sob o rito do
artigo 543-C do CPC - TEMA 344).

- O ato de improbidade administrativa previsto no art. 11 da Lei 8.429/92 não requer a demonstração
de dano ao erário ou de enriquecimento ilícito, mas exige a demonstração de dolo, o qual, contudo,
não necessita ser específico, sendo suficiente o dolo genérico.

- Nas ações de improbidade administrativa é admissível a utilização da prova emprestada, colhida na


persecução penal, desde que assegurado o contraditório e a ampla defesa.

- O magistrado não está obrigado a aplicar cumulativamente todas as penas previstas no art. 12 da Lei
8.429/92, podendo, mediante adequada fundamentação, fixá-las e dosá-las segundo a natureza, a
gravidade e as consequências da infração

#ATENÇÃO: O estagiário que atua no serviço público, ainda que transitoriamente, remunerado ou
não, está sujeito a responsabilização por ato de improbidade administrativa (STJ)

93
DIREITO PENAL5

1. Conceito, evolução histórica, fontes, objetivos. As escolas penais. O Direito Penal e o Estado
Democrático de Direito. 2. A ciência do Direito Penal. Dogmática penal, política criminal e criminologia,
política penitenciária e penologia. Sistema penal e controle social. As escolas criminológicas.

ESCOLAS PENAIS DA CRIMINOLOGIA


ESCOLA CLÁSSICA
• Principais expoentes: Beccaria e Carrara6;
• Crime como ente jurídico (não é uma ação, mas sim uma infração);
• O delito é o principal objeto de estudo dessa escola;
• A punibilidade deve ser baseada no livre arbítrio;
• A pena deve ter caráter de retribuição pela culpa moral do delinquente (maldade), de modo a
prevenir o delito;
• A pena deve ser certa, rápida e severa para restaurar a ordem social;
• Método e raciocínio lógico-dedutivo;
• O homem é um ser livre e racional e suas ações têm responsabilidade moral, lastreadas no livre
arbítrio;
• Utilitarismo: ações humanas devem ser julgadas conforme tragam mais ou menos prazer ao
indivíduo e contribuam ou não para maior satisfação do grupo social;
• Baseada na Teoria do Contrato Social, no racionalismo e no jusnaturalismo (normas eternas e
absolutas sobre leis positivas);
• A pena é um mal imposto ao indivíduo que merece um castigo em vista de uma falta considerado
crime, que cometeu de forma voluntária e consciente.
*Críticas: homogeneidade absoluta de todos os homens em relação aos processos pessoais de
motivação da ação; não teve êxito em conter a criminalidade com seu suposto efeito dissuasório da
pena.
ESCOLA POSITIVA
• Houve mudança no estudo da criminologia, decorrente do Iluminismo e baseado numa visão
antropocêntrica, centralizou os estudos na pessoa do criminoso e não mais no crime. Dividida em 3
fases:
1ª fase- Fase Antropológica:
o Principal expoente: Lombroso (“pai da antropologia criminal”);
o Adoção de uma criminologia clínica;
o Ideias fisionomistas para traçar o perfil dos criminosos;
o Multidisciplinar: psiquiatria (análise da degeneração dos laços morais), antropologia (evolução
humana), etc.
o Não havia delito que não tivesse raiz em múltiplas causas, incluindo variáveis ambientais e sociais.
Ex.: clima, educação, trabalho, etc.;

5
Por Thaís Oliveira.
6
Não é o Agostinho Carrara.
94
o Método empírico-indutivo (ou indutivo-experimental) - causalismo explicativo;
o O crime não é uma entidade jurídica, mas sim um fenômeno biológico;
o O criminoso era um anormal;
o Suas pesquisas foram feitas em prisões e manicômios;
o O criminoso é um ser atávico: regride ao primitivismo, um verdadeiro selvagem (ser bestial), que
nasce criminoso;
o Degeneração epilética: degeneração é causada pela epilepsia, que ataca seus centros nervosos;
o Noção de delinquente nato, baseado nas características físicas, como fronte fugidia, crânio
assimétrico, rosto largo e chato, etc.
o Os fatores exógenos da delinquência eram apenas aspectos motivadores dos fatores endógenos.
Apenas desencadeavam a propulsão interna para o delito, já que o criminoso nasce criminoso
(determinismo biológico).
o Relação das tatuagens aos criminosos.
2ª fase- Fase Sociológica:
o Principal expoente: Ferri (“pai da sociologia criminal”);
o Adoção de uma criminologia Sociológica;
o Entendia o mesmo que Lombroso, mas agregava a possibilidade de influências externas sobre o
delinquente;
o A criminalidade derivava de fenômenos antropológicos, físicos e culturais;
o Negou o livre arbítrio como base para a imputabilidade. Para ele, era mera ficção;
o A responsabilidade moral deveria ser substituída pela responsabilidade social;
o A razão de punir é a defesa social (prevenção geral é mais eficaz que a repressão);
3ª fase- Fase Jurídica:
o Principal expoente: Garófalo
o O crime está no homem e se revela como uma degeneração dele;
o Criação do conceito de PERICULOSIDADE (ou temibilidade), que seria o propulsor do delinquente e
a porção de sua maldade que se deve temer;
o Necessidade de uma nova intervenção penal: a medida de segurança;
o Conceito de delito natural: violação dos sentimentos altruísticos de piedade e probidade.
*Críticas: patologização do delito; subvalorização do entorno social (que era considerado apenas
como fator desencadeante da personalidade criminosa); pesquisas apenas voltadas aos
encarcerados, já selecionados pelo sistema penal (erro metodológico); legitima a violência e a
seletividade racista do sistema penal (a polícia prende o criminoso nato).
ESCOLA DE CHICAGO (ou Escola Ecológica, Arquitetura Criminal ou Desorganização Criminal)
• Explicação ecológica do crime;
• Pertence ao grupo das Teorias do Consenso;
• Atribui à sociedade (e não ao indivíduo) as causas do fenômeno criminal;
• Baseada no crescimento desordenado das cidades: expansão do centro para periferia;
• Graves problemas sociais, econômicos, culturais criavam um ambiente favorável à criminalidade,
ainda mais com a ausência de mecanismos de controle social;
• Desigualdade social e miséria: parte da população passa a ter dificuldade de se adaptar aos valores
do corpo social dominante, gerando violência e aumento da criminalidade;
95
• O crime se sistematiza a partir da observação de que a gênese delitiva se relaciona diretamente
com o conglomerado urbano: estrutura desordenada que favorece a decomposição da
solidariedade nas estruturas sociais;
• A carência de saneamento básico, cultura, lazer, saúde, educação, etc. fomenta a prática de crimes;
• Ideia da desorganização social e identificação de áreas de criminalidade: relação direta entre o
espaço urbano, sua conformação e a criminalidade (não apenas em relação à quantidade de
crimes, mas também aos tipos de crimes praticados em cada região da cidade);
• Desorganização social como fator criminógeno;
• Defende a prioridade da ação preventiva e minimização da atuação repressiva;
• Propostas: alteração da situação social e econômica das crianças; programas comunitários para
tratamento e prevenção; planejamento estratégico das áreas urbanas; reurbanização dos bairros
pobres; política criminal preventiva e ações afirmativas.
Obs.: Desta teoria decorreram as Teorias das Janelas Quebradas (Broken Windows), Three strikes and
you´re out e a teoria da lei e ordem (law and order).
TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DE DIFERENCIAL (ou da Aprendizagem Social)
• Faz parte das Teorias do Consenso;
• Em regra, se baseia nos crimes de “colarinho branco”: autores de crimes específicos que se
diferenciam dos criminosos comuns;
• O delito não consiste apenas em uma inadaptação de pessoas pertencentes a classes menos
favorecidas, pois não é praticado apenas por seus integrantes;
• O indivíduo é convertido em delinquente quando os valores predominantes do grupo o qual faz
parte “ensina” a delinquir;
• As considerações favoráveis ao proceder desviante superam as desfavoráveis;
• O comportamento criminoso é aprendido mediante a comunicação com outras pessoas do grupo,
iniciando no seio da família;
• O delito não tem como causa fatores hereditários, físicos, mas sim a influência do meio;
• O grau de aprendizado varia conforme a proximidade das pessoas: quanto mais íntimos, maior será
a influência criminógena;
• A motivação do crime é aprendida com as definições favoráveis ou desfavoráveis da lei pelo grupo
em que vive;
• As pessoas se associam por afinidade de valores, mas o conteúdo desses valores difere conforme a
espécie de associação- por isso é chamada de teoria da associação diferencial.
• As associações diferenciais podem variar com a frequência, duração, prioridade e intensidade.
TEORIA DA ANOMIA
• Faz parte das teorias do consenso;
• Teoria com um viés funcionalista, pois não busca as causas do crime, mas se concentra nas
consequências de um conjunto de fenômenos empíricos;
• O combate a disfunção do sistema não se faz pelo estudo das causas do crime, mas sim pela
análise das consequências externas. É uma teoria conservadora, já que não busca a raiz do
problema.
• O crime é um fenômeno natural, inerente à sociedade, sendo inválidas as ideias de fatores internos
e externos que influenciam o criminoso;
96
• Durkheim: desenvolveu os conceitos de anomia e consciência coletiva;
• Anomia- ausência de normas ou regras.
• Para Durkheim, a anomia é causa principal do crime- quando parcela da sociedade não respeita as
normas sociais;
• Ter uma certa parte da população cometendo crimes é algo benéfico (desde que dentro de limites),
pois a punição reforça os valores tutelados, permitindo a reafirmação da ordem social. Uma
sociedade sem crimes seria inviável.
• O crime só será considerado consequência da anomia quando muito grave, do contrário, o crime é
considerado normal e tem sua função social;
• Baseado nas metas culturais: interesses, valores, propósitos de todos os membros da sociedade. Ex.:
vencer na vida, ter roupas de marca, um bom emprego, etc. A sociedade impõe objetivos e metas
inalcançáveis e por serem inatingíveis para a maioria dos indivíduos, a dissociação entre os objetivos
e os instrumentos para o seu alcance gera a anomia;
• A sociedade é falsamente meritocrática: para alcançar as metas culturais é preciso de ajuda dos
meios institucionais (aparato cultural, familiar, econômico e social);
• O desajuste entre os meios institucionais e as metas culturais propicia o surgimento de condutas de
indiferença perante as normas e tentativa de atingir tais metas por meios diversos, proibidos na
sociedade;
• Posturas diante da anomia, segundo Merton:
o (a) conformista – aceita os meios e os fins, submetendo-se aos meios disponíveis para alcançar os
fins, ainda que o não alcance, naturalizando a desigualdade;
o (b) inovadora – aceita os fins, mas não se adapta aos meios legitimamente disponíveis, de modo
que se utiliza de meios ilegítimos para alcançar as finalidades;
o (c) ritualista – aceita os meios, mas desiste dos fins;
o (d) apática – renuncia aos meios e aos fins.
TEORIA DA SUBCULTURA DELINQUENTE
• Cultura: são os valores dominantes em uma certa sociedade, que são passados de geração para
geração;
• Subculturas: cultura dentro da cultura, mas com valores opostos ou divergentes e que não pretende
substituir a cultura dominante;
• Contracultura: é espécie de subcultura que presente substituir a cultura dominante;
• Esta teoria estuda as causas dos crimes cometidos no âmbito das subculturas, principalmente nos
grupos de jovens;
• Se na cultura o cometimento de crimes significa o fracasso, na subcultura representa o sucesso
(valores opostos);
• Os crimes praticados pelos integrantes da subcultura não visam a um fim útil, mas apenas chocar;
• Subcultura delinquente: comportamento de transgressão determinado por um subsistema de
conhecimento, crenças e atitudes que permitem formas particulares de comportamento
transgressor em situações específicas;
• Estuda apenas determinado tipo de criminalidade e não todas;
• Limitada a um registro meramente descritivo das condições econômicas e sociais das subculturas,
sendo, portanto, uma teoria acrítica;
97
• Defende que a conduta delitiva não seria reflexo negativo da desorganização social e outras
mazelas da sociedade. Todo agrupamento humano é dotado de subculturas, com regras e vida
própria (valores distintos da cultura dominante) e o crime seria reflexo dessas diferentes culturas.
TEORIA DA REAÇÃO SOCIAL (LABELLING APPROACH, ENTIQUETAMENTO OU ROTULAÇÃO SOCIAL)
• Faz parte das Teorias do Conflito;
• Maior ênfase ao estudo do sistema penal e de seu funcionamento desigual: elemento fundamental
para o posterior surgimento da Criminologia Crítica;
• Forma de compreender o status social do delinquente;
• Pressuposto: não se pode entender a criminalidade sem associá-la à atuação das agências oficiais
(análise da ação das forças policiais, penitenciárias, judiciária e outras instituições de controle social);
• Objetiva entender como os rótulos estipulados pela sociedade e aplicados por tais instituições
refletem as circunstâncias sociais e contribuem para criação do estigma de criminoso para certos
grupos sociais, alterando a própria percepção individual daqueles rotulados;
• Critica o antigo paradigma etiológico das outras escolas, que analisavam o criminoso por suas
características individuais. Aqui, o estudo é direcionado ao sistema penal e controle social;
• Mudança de paradigma: sai da busca no indivíduo os fundamentos da criminalidade para buscar na
sociedade, por meio da reação social, em que o status de criminoso se dá pelas instâncias de
controle formal;
• O criminoso é fruto de uma construção social. A criminalidade não existe na natureza, mas é uma
construção social que depende de juízos descritivos que produzem a qualidade de criminoso na
pessoa, que provém não das normas de Direito Penal, mas de meta-regras que condicionam a
atividade das instâncias de controle;
• As meta-regras expressam preconceitos e estereótipos que as instâncias de controle social utilizam
na definição do crime e do delinquente a fim de selecionar e recrutar a população marginalizada;
• Não basta desrespeitar a lei, é necessário que o criminoso seja “selecionado” ou estar dentro das
“etiquetas”, os chamados criminalizados.
• Os criminalizados não conseguem se desprender dessa imagem, gerando um status social negativo;
• As condutas não são criminosas por sua própria natureza. É adquirido o caráter de criminosa por
meio da escolha do Estado, que rotula condutas como crimes com objetivo de perpetuação da
estrutura social de poder, praticadas com maior frequência pelas classes mais baixas, os
“etiquetados”;
• O crime não é um fenômeno social, mas um fenômeno normativo.
CRIMINOLOGIA CRÍTICA
• Principais expoentes: Alessandro Baratta, Juarez Cirino e Nilo Batista;
• Rompe com as teorias do consenso de se fundamenta nas teorias do Conflito;
• Inspiração marxista, com base no etiquetamento do sistema penal (seletividade dos órgãos de
controle formal- pobres, negros, egressos, etc.);
• Nega a legitimidade do sistema penal;
• Processo de criminalização: conflito entre os que detêm o poder e os que são submetidos a este
(que recebem o status de criminosos);
• O sistema penal não é estático (complexo de normas), mas um meio de criminalização, que vai
desde o legislador até a execução penal e de mecanismos informais de reação social;
98
• Ocorre uma dupla seleção: os bens protegidos penalmente são os da classe dominante e
estigmatização dos indivíduos da classe dominada.
• DUAS VERTENTES:
o Neorrealismo de esquerda; a solução para o crime consistiria na transformação revolucionária e na
eliminação da exploração do homem pelo homem. São propostas: a) criminalização dos atos que
proliferam a exploração; b) minimalização da repressão penal sobre as classes exploradas; c) criação
de uma nova criminalidade e diminuição da velha criminalidade de massa. Juarez Cirino dos Santos.
o Abolicionismo; o Direito Penal não é compatível com a justiça social e a diminuição das
desigualdades. Thomas Mathiesen e Louk Hulsman

3. Princípios do Direito Penal.

PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL OU ESTRITA LEGALIDADE: Art. 1º, CP: “Não há crime sem lei anterior
que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal”.
#CUIDADO: É possível a edição de Medida Provisória que verse sobre direito penal não incriminador?!
Apesar de a CF vedar expressamente a edição de MP sobre Direito Penal (art. 62, §1º), o STF já admitiu
MP na seara penal, desde que para favorecer o réu (RE 254.818, rel. Min. Sepúlveda Pertence,
julgamento em 8-11-2000, Plenário, DJ de 19-12-2002).
#ATENÇÃO: Reserva legal ≠ princípio da legalidade.
Princípio da legalidade = reserva legal (não há crime sem lei) + princípio da anterioridade (exige lei
anterior).

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE: A lei penal deve ser anterior ao fato cuja punição se pretende.
PRINCÍPIO DA EXTERIORIZAÇÃO OU MATERIALIZAÇÃO DO FATO: O Direito Penal não pune o fato se
este não chega, ao menos, a ser tentado. Há exceções, como no crime de associação criminosa (art.
288 CP), mas, em regra, o agente deve materializar sua intenção em uma conduta para que possa ser
punido.
PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE OU LESIVIDADE: O princípio da ofensividade ou lesividade (nullum
crimen sine iniuria) exige que do fato praticado ocorra lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico
tutelado.
PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA: A lei só deve prever as penas e as condutas estritamente
necessárias.
PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE: O Direito Penal é a última fase, a última etapa, o último grau de
proteção do bem jurídico. Manifesta-se em abstrato (destina-se ao legislador). Exige relevante lesão ou
perigo de lesão ao bem jurídico. O princípio da insignificância é desdobramento da fragmentariedade.
PRINCÍPIO DA EXCLUSIVA PROTEÇÃO DO BEM JURÍDICO: A única função legítima do Direito Penal é
a proteção do bem jurídico, o qual consiste nos valores ou interesses relevantes para a manutenção e
para o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade.

99
#SELIGA: O que é a espiritualização, desmaterialização ou liquefação dos bens jurídicos? É a proteção
de bens jurídicos difusos, por meio da criação dos crimes de perigo e antecipação da tutela penal (ex.:
crimes ambientais).

PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PENAL PELO FATO: O Direito Penal do fato se ocupa do fato
praticado pelo agente, pouco importando suas condições sociais e pessoais. No Direito penal do
autor, de forma diversa, a análise do fato é feita tomando por base as condições pessoais do autor,
sendo este, por vezes, alvo de rotulações e preconceitos.
PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL: Decorre da necessidade de individualização da
acusação e da pena.
PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA: O Direito Penal pune a conduta perpetrada com dolo
ou culpa, sendo vedada a responsabilização objetiva do agente.
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA OU CRIMINALIDADE DE BAGATELA PRÓPRIA: A tipicidade penal é
formal e material. A formal é o juízo de adequação entre o fato e a norma. A material, por sua vez,
consiste na lesão ou no perigo de efetiva lesão ao bem jurídico, não bastando, para ser configurada, a
adequação do fato à norma, devendo gerar risco de efetiva lesão ao bem jurídico tutelado.
PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA OU NÃO CULPABILIDADE: Está expresso no Art. 5º, LVII,
da CF (“ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória),
bem como no art. 8.2 da Convenção Americana de Direitos Humanos (“Toda pessoa acusada de um
delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua
culpa”).
#DEOLHONAJURIS
A execução provisória de acórdão penal condenatório proferido em grau de apelação, ainda que
sujeito a recurso especial ou extraordinário, NÃO ofende o princípio constitucional da presunção de
inocência (art. 5º, LVII, da CF/88) e não viola o texto do art. 283 do CPP. STF. Plenário. ADC 43 e 44
MC/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgados em 05/10/2016 (Info
842)

4 Teoria da lei penal. Aplicação da lei penal no tempo, no espaço e quanto a pessoas. Conflito
aparente de normas penais. Contagem de prazo.

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE: A regra geral é a do “tempus regit actum”, segundo a qual se aplica a
lei penal que estava em vigor no momento em que o fato foi praticado. Excepcionalmente, no entanto,
será permitida a retroatividade da lei penal para alcançar os fatos passados, desde que benéfica ao
réu. É possível que a lei penal se movimente no tempo: extra-atividade da lei penal (gênero).

EXTRA-ATIVIDADE DA LEI PENAL (gênero)


ULTRA-ATIVIDADE RETROATIVIDADE
A lei penal revogada continua sendo aplicada A lei penal revogadora é aplicada aos fatos
para os fatos praticados na sua vigência, pois a lei pretéritos à sua vigência, pois é mais benéfica
revogadora é prejudicial ao réu. quando comparada com a lei revogada.
100
Exemplo: Lei “A” comina pena de 1 a 4 anos → Exemplo: Lei “A” com pena de 3 a 8 anos →
revogada pela Lei “B” que anuncia uma pena de 3 revogada pela Lei “B” que passa a prever a pena
a 8 anos. de 1 a 4 anos.
A lei “A” é ultra-ativa para os fatos praticados na A Lei “B” é retroativa para alcançar os fatos
sua vigência. Evita-se, assim, a retroatividade pretéritos. Trata-se de retroatividade benéfica.
maléfica da lei “B”.

TEMPO DO CRIME:
TEORIAS – LEI PENAL NO TEMPO
TEORIA DA ATIVIDADE TEORIA DO RESULTADO TEORIA MISTA / UBIQUIDADE
O crime considera-se praticado
no momento da conduta (ação
ou omissão). É adotada no
Brasil. O crime considera-se praticado O crime considera-se praticado
Art. 4º, CP. Considera-se no momento do resultado no momento da conduta ou do
praticado o crime no momento (evento). resultado.
da ação ou omissão, ainda que
outro seja o momento do
resultado.

#OLHAOGANCHO
PRINCÍPIO DA COINCIDÊNCIA / CONGRUÊNCIA / SIMULTANEIDADE: Considerando o teor do art. 4º
do CP, todos os elementos do crime (fato típico, ilicitude e culpabilidade) devem estar presentes no
momento da conduta. Exemplo:
- Conduta: “A”, menor de 18 anos, atira em “B”.
- Resultado: “B” morre depois de “A” completar 18 anos.
Nos termos do art. 4º do CP, considera-se o crime praticado no momento da conduta (TEORIA
DA ATIVIDADE), ou seja, é no momento da conduta que deve ser analisado se o fato é típico, ilícito e
o agente culpável. Então, no caso acima, “A” responde pelo ECA, e não pelo Código Penal. Como
vimos, o tempo do crime, EM REGRA, marca a lei que vai reger o caso concreto (“tempus regit actum”).

SUCESSÃO DE LEIS NO TEMPO: A regra geral é a irretroatividade da lei penal, excetuada somente
quando lei posterior for mais benéfica (retroatividade).

TEMPO DA CONDUTA LEI POSTERIOR (IR) RETROATIVIDADE


IRREtroatividade (tendo em vista
o princípio da legalidade,
Fato atípico Fato típico especificamente no aspecto da
anterioridade, nos termos do art.
1º, CP)

101
→ Sucessão da lei incriminadora
(“novatio legis” incriminadora).

IRREtroatividade (tendo em vista


o princípio da legalidade,
especificamente no aspecto da
Fato típico Aumento de pena, p. ex. anterioridade, nos termos do art.
1º, CP)
→ Novatio legis in pejus” / “Lex
Gravior”
REtroatividade (art. 2º, caput,
Fato típico Supressão da figura criminosa CP)
→ Abolitio criminis
REtroatividade (art. 2º, parágrafo
único, CP)
Fato típico Diminuição de pena, p. ex.
→ “Novatio legis in mellius” /
“Lex mitior”
Migra o conteúdo criminoso PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE
Fato típico
para outro tipo penal NORMATIVO-TÍPICA

#ATENÇÃO Não confundir:

“ABOLITIO CRIMINIS” CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA


Supressão da figura criminosa (formal e material). Supressão formal do tipo.
A conduta não será mais punida (o fato deixa de O fato permanece punível. A conduta criminosa
ser punível). apenas migra para outro tipo penal.
A intenção do legislador é não mais considerar o A intenção do legislador é manter o caráter
fato criminoso. criminoso do fato, mas com outra roupagem.

LEI TEMPORÁRIA OU EXCEPCIONAL:

LEI TEMPORÁRIA LEI EXCEPCIONAL


Lei penal excepcional é aquela que vigora
Lei penal temporária é aquela que tem um prazo
somente numa situação de anormalidade.
de validade, isto é, tem uma vigência
Exemplo: Lei Y foi aprovada com vigência a partir
predeterminada no tempo.
de 01.12.2017 e perdurará até o fim do período de
Exemplo: art. 36 da Lei 12.663/12 (copa de 2014).
estiagem.
São “leis intermitentes” dotadas de ultra-atividade.
Art. 3º, CP. A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.

102
EFICÁCIA DA LEI PENAL NO ESPAÇO: O CP adota o princípio, como regra, o princípio da
territorialidade mitigada (art. 5º CP), já que é possível, por conta de regras internacionais, que um
crime cometido no Brasil, não sofra as consequências da lei brasileira.
Art. 5º, CP. Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito
internacional, ao crime cometido no território nacional.

TERRITORIALIDADE EXTRATERRIALIDADE INTRATERRITORIALIDADE


Local do crime: Brasil Local do crime: estrangeiro Local do crime: Brasil
Lei aplicável: estrangeira
Lei aplicável: brasileira Lei aplicável: brasileira
Ex.: imunidade diplomática.
EXTRATERRITORIALIDADE: Em casos excepcionais, a nossa lei poderá extrapolar os limites do território,
alcançando crimes cometidos exclusivamente no estrangeiro.
#SELIGANATABELA:

a) Crime contra a vida ou a liberdade do Presidente da República


(princípio da defesa);
Art. 7º, I, CP: Extraterritorialidade b) Crime contra o patrimônio público brasileiro (princípio da
INCONDICIONADA (§1º) defesa);
c) Crime contra a administração pública (princípio da defesa);
d) Genocídio (princípio da justiça universal).
a) Crime que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a
reprimir (princípio da justiça universal);
b) Crimes praticados por brasileiro (princípio da nacionalidade
Art. 7º, II, CF: Extraterritorialidade ativa);
CONDICIONADA (§2º) c) Crimes praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras,
mercantes ou de propriedade privada, quando em território
estrangeiro e aí não sejam julgados (princípio da
representação).
Art. 7º, §3º, CP:
Crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil
Extraterritorialidade
(princípio da nacionalidade passiva).
HIPERCONDICIONADA

LUGAR DO CRIME:

TEORIAS – LEI PENAL NO ESPAÇO


TEORIA DA ATIVIDADE TEORIA DO RESULTADO TEORIA MISTA / UBIQUIDADE
Considera-se o crime praticado
O crime considera-se praticado
O crime considera-se praticado no lugar da conduta ou do
no lugar da conduta.
no lugar do resultado (evento). resultado.
Adotada pelo Código Penal.

103
Art. 6º, CP. Considera-se
praticado o crime no lugar em
que ocorreu a ação ou omissão,
no todo ou em parte, bem como
onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado.

#FICAADICA Para memorizar as teorias aplicadas quanto à lei penal no tempo e no espaço:
LUTA (Lugar = Ubiquidade; Tempo: Atividade).

CRIME À DISTÂNCIA / DE
CRIME EM TRÂNSITO CRIME PLURILOCAL
ESPAÇO MÁXIMO
O crime percorre território de
O crime percorre território de 2 O crime percorre 2 ou mais
mais de 2 países soberanos.
países soberanos. territórios do mesmo país.
Exemplo: Brasil, Argentina e
Exemplo: Brasil e Argentina. Exemplo: SP, BH e RJ.
Uruguai.
Conflito internacional de Conflito internacional de
Conflito interno de competência
jurisdição (a lei de qual país será jurisdição (a lei de qual país será
(qual juízo aplicará a lei?)
aplicada?) aplicada?)
Resolve-se pelo art. 6º: Resolve-se pelo art. 6º: Art. 70, do CPP – regra: TEORIA
TEORIA DA UBIQUIDADE. TEORIA DA UBIQUIDADE. DO RESULTADO.

CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS: Trata-se de hipótese em que há apenas um fato para o
qual aparentemente se aplica mais de uma norma, porém só uma é cabível. Logo, não se confunde
com concurso de crimes, no qual há mais de um crime, podendo ter um ou mais fatos. Critérios para
solucionar o conflito aparente de leis penais:

1) ESPECIALIDADE:
Pelo critério da especialidade, aplica-se uma norma penal em detrimento de outra, pois aquela possui
um elemento especializante, diferenciando-a das demais.
Exemplo: furto e roubo. O roubo também se configura pela subtração de coisa alheia móvel, porém
possui um elemento especializante, qual seja, o emprego de violência, grave ameaça ou redução da
vítima à impossibilidade de resistência.
Na especialidade, o elemento especializante faz com que se aplique a lei específica, contudo, o crime
previsto na lei mais específica pode ser mais ou menos grave do que o genérico. Ou seja, o crime
especial pode ser tanto mais grave quanto menos grave em relação ao crime genérico.
Exemplo: homicídio (matar alguém) e infanticídio (matar o próprio filho durante ou logo após o parto,
sob a influência do estado puerperal). O crime de infanticídio é mais específico, porém tem a pena
mais branda do que a do homicídio.
2) SUBSIDIARIEDADE:
Tem-se a figura do “soldado de reserva” (Nelson Hungria). Trata-se do crime subsidiário, que é aquele
que se aplica quando não há um crime mais grave.
Exemplo: art. 146, CP (constrangimento ilegal). Contudo, se o agente constrange alguém a realizar ato
104
sexual, não se trata de constrangimento ilegal, mas sim de estupro. Só há constrangimento ilegal
quando a conduta não caracterizar crime mais grave. Trata-se de tipo penal subsidiário.
OBS: Não se confunde com o exemplo do furto e do roubo. Pois, nesse caso, para configurar o crime
de roubo, o agente deve fazer “algo a mais”, no caso, empregar violência, grave ameaça etc.
3) CONSUNÇÃO:
É a absorção de um crime pelo outro.
• Crime complexo:
Hipótese em que o crime resulta da junção de mais de um crime.
Exemplos: roubo (furto + constrangimento ilegal); latrocínio (roubo + homicídio); extorsão mediante
sequestro (extorsão + sequestro/cárcere privado).
• Crime progressivo:
Ocorre quando já há intenção de praticar determinado crime, mas, para chegar a esse resultado, é
necessário praticar outros crimes.
Exemplo: homicídio mediante pauladas (lesões corporais). A lesão corporal é absorvida pelo homicídio.
Tampouco se trata de lesão corporal seguida pela morte, pois o dolo inicial já era de matar.
• Progressão criminosa:
Na progressão criminosa, existem algumas situações, vejamos:
- Progressão criminosa em sentido estrito:
Ocorre quando há mudança de dolo na conduta. Na prática, o resultado é o mesmo do crime
progressivo.
Exemplo: o agente quer, inicialmente, apenas lesionar a vítima. Porém, no decorrer da conduta, o dolo
passar a ser de matar. O agente responde por homicídio, que absorve a lesão corporal.
- Antefactum impunível:
Ocorre quando o agente pratica um crime como meio necessário para a prática de outro.
Exemplo: falsificação de documento para praticar estelionato. Nesse caso, a falsificação é meio
necessário para o estelionato.
Súmula 17, STJ: Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este
absorvido.
- Post factum impunível:
Exemplo: indivíduo furta uma caneta e, depois, a destrói. Nesse caso, o sujeito responde apenas por
furto, e não por furto e dano.
4) ALTERNATIVIDADE:
Ocorre quando, no tipo penal, é previsto mais de uma conduta, mas a realização de mais de uma
delas, no mesmo contexto fático e com o mesmo bem jurídico, configura apenas um crime.
Exemplo: art. 33, da Lei de Drogas.

5 Tipo penal e tipicidade. Ação e omissão. Nexo de causalidade. Resultado do crime. Elementos
constitutivos do tipo penal. Exclusão da tipicidade. 6 Ilicitude. Causas legais e supralegais de exclusão
da ilicitude. 7 Culpabilidade. Imputabilidade. Potencial consciência de ilicitude. Exigibilidade de conduta
diversa. Causas legais e supralegais de exclusão da culpabilidade. 8 Consumação e tentativa. Tentativa
impossível. Desistência voluntária e arrependimento eficaz. 9. Erro de tipo e erro de proibição.
Discriminantes putativas.

105
TEORIA DO DELITO:
CONCEITO TRIPARTITE DE CRIME: Crime é fato típico + ilícito + culpável.
O fato típico é formado pela conduta típica + nexo de causalidade + resultado.
Conduta:
• Teoria Clássica ou Causalista: conduta é comportamento humano voluntário que modifica o
mundo exterior. O dolo (normativo) e culpa não fazem parte da conduta, pois estão inseridos na
culpabilidade (teoria psicológica). Assim, essa teoria só pode ser aplicada ao conceito tripartite de
crime.
• Teoria finalista (Wezel) = conduta é comportamento humano consciente e voluntário dirigido a
um fim. O dolo e culpa estão na conduta (dolo natural – teoria normativa da culpabilidade). É a
teoria adotada pelo Código Penal.
Resultado:
• Resultado Naturalístico ou Material. É a modificação no mundo exterior provocada pela conduta. A
partir do resultado naturalístico podemos classificar os crimes como:
Crime Material - resultado naturalístico é indispensável (ex. homicídio);
o Crime Formal - resultado naturalístico existe, mas dispensável (ex. extorsão);
o Crime de Mera Conduta – a norma penal não prevê um resultado naturalístico (ex. porte de arma).
• Resultado Normativo ou Jurídico. É a lesão ou o perigo de lesão ao bem jurídico. Todos os crimes
possuem. A partir dessa ideia podemos classificar os crimes como:
o Crime de Perigo Abstrato – resultado normativo é presumido pela norma (ex. tráfico de drogas);
o Crimes de Perigo Concreto - deve ser demostrado risco de lesão a pessoa certa (ex. perigo de
contágio de moléstia venérea);
o Crimes de dano - exigem efetiva lesão ao bem jurídico (ex. homicídio).
Relação de causalidade ou nexo causal: É o vínculo entre a conduta e o resultado.
• Teoria da Equivalência dos Antecedentes - É a regra no Código Penal (art.13). É causa todo fato
que concorre para o resultado. Para evitar o regresso ao infinito deve-se utilizar o processo
hipotético de eliminação.
• Teoria da Causalidade Adequada - Prevista no art. 13, §1º, do Código Penal, como exceção. Causa
é todo fato necessário e adequado ao resultado.
• Teoria da Imputação Objetiva - Busca limitar a responsabilidade penal pelo fato. Exige, além do
vínculo entre a conduta e o resultado (causalidade/nexo físico), o nexo causal normativo. A
causalidade normativa é formada pelos seguintes elementos:
o Criação ou aumento de um risco proibido (juízo de prognose)
o Realização do risco no resultado (concretização de um resultado)

106
o Resultado no alcance do tipo (previsto em um tipo).
• Concausas - É a convergência de uma causa externa à vontade do autor, que modifica o
resultado. A concausas absolutamente independentes (preexistentes, concomitantes e
supervenientes) rompem o nexo de causalidade. As concausas relativamente independentes não
rompem o nexo causal, regra, respondendo ao agente pelo resultado. Há uma exceção, a
concausa superveniente que por si só produziu o resultado rompe a relação de causalidade
(aplicação da causalidade adequada).
Tipicidade:
• Tipicidade Formal. É subsunção entre conduta e tipo, ou seja, a adequação típica.
• Tipicidade Material. É a lesão ou o perigo de lesão ao bem jurídico
• Teoria indiciária. A tipicidade acarreta a presunção relativa de ilicitude. Assim, as excludentes de
ilicitude devem ser demostradas pela defesa.
• Teoria dos elementos negativos do tipo. Não foi adotada pelo Código Penal. Prevê o tipo total de
injusto, formado pela tipicidade e pela ilicitude. A análise das excludentes de ilicitude deve ser feita
pela acusação.
• Teoria da tipicidade conglobante (Zaffaroni). Não foi adotada pelo Código Penal. Deve haver a
violação de todo o ordenamento jurídico (antinormatividade) e não apenas da lei penal. Assim,
por exemplo, estrito cumprimento do dever legal seria excludente de tipicidade. Criação da
tipicidade objetiva, formada pela tipicidade formal e conglobante.
Ilicitude:
• É a contrariedade entre a conduta e o ordenamento.
• Excludentes da ilicitude ou descriminantes:
• Legítima defesa: agressão injusta, atual ou iminente a direito próprio ou alheio, de forma
moderada. Não exige fuga.
• Estado de necessidade: perigo atual não causado pelo agente para salvar direito próprio ou
alheio. Há doutrina afirmando que o perigo pode ser iminente (cuidado com a redação da
questão). Adoção da teoria unitária. Pode ser recíproco. Há casos previstos na parte especial do
Código Penal (ex. aborto terapêutico).
• Estrito cumprimento do dever legal. A princípio seria aplicável apenas aos agentes públicos, porém
a doutrina majoritária estende ao partícula.
• Exercício regular do direito. Os ofendículos, instrumentos preordenados de defesa do patrimônio
(ex. cerca elétrica), enquanto não acionados são formas de exercício regular do direito.
• Consentimento do ofendido. É causa supralegal de exclusão da ilicitude.
Culpabilidade:
• É elemento do crime para a teoria tripartida e pressuposto de aplicação da pena para a teoria
bipartida.
107
• Teoria Psicológica - A culpabilidade é formada pela imputabilidade e dolo normativo (dolo com
consciência da ilicitude) ou culpa. Relaciona-se com a teoria causalista da conduta.
• Teoria Normativa (extremada) - Culpabilidade é imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e
exigibilidade de conduta diversa. Relaciona-se com teoria finalista da conduta. Aplica-se a teoria
unitária do erro, ou seja, descriminantes putativas são sempre erro de proibição.
• Teoria Limitada - Prevalece segundo a doutrina majoritária. Culpabilidade é imputabilidade,
potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. Relaciona-se com teoria
finalista da conduta. Aqui as descriminantes putativas por erro de fato são consideradas erro de
tipo permissivo e as por erro de direito (limites) são erro tratadas como erro de proibição indireto.
Coculpabilidade (Zaffaroni) - É o reconhecimento da responsabilidade do Estado pela não inserção
social do agente, que gera menor grau de autodeterminação. É atenuante inominada.
Coculpabilidade às avessas - Reprovação mais severa de condutas praticadas por pessoas com
elevado poder econômico, que se valem dessa condição para praticar crimes. É observada na pena-
base.
Excludentes da culpabilidade ou dirimentes - Coação moral irresistível e obediência hierárquica
excluem a exigibilidade de conduta diversa. O erro de proibição exclui a potencial consciência da
ilicitude.
Admitem-se causas supralegais de exclusão da culpabilidade, como a desobediência civil e
conflito de deveres (ex. empresário que deixa de recolher de tributos para pagar funcionários).
Imputabilidade Penal: é um dos elementos da culpabilidade e significa atribuir responsabilidade penal.
Pode ser afastada em três situações, a saber: a) menoridade; b) doença mental; c) embriaguez
completa proveniente de caso fortuito ou força maior.
#DEOLHONATABELA:
SEMI-IMPUTÁVEL
INIMPUTÁVEL IMPUTÁVEL
(FRONTEIRIÇO)
Sentença absolutória imprópria Sentença condenatória Sentença condenatória
Pena diminuída de 1/3 a 2/3
(parcial culpabilidade).
Medida de segurança Pena
OU medida de segurança (art.
98, CP)

#ATENÇÃO No Brasil, quanto à embriaguez, adota-se a TEORIA DA ACTIO LIBERA IN CAUSA (ação
livre na causa), segundo a qual a liberdade de vontade deve ser analisada no momento da ingestão da
substância, e não no momento da conduta.

Crime doloso: Dolo é elemento subjetivo do tipo, formado pela consciência e vontade.
• Teoria da vontade: Dolo é a vontade da conduta e do resultado. É o dolo direito = Adotada pelo
Código Penal.

108
• Teoria do consentimento ou assentimento: Dolo ocorre quando ao agente tem vontade da
conduta, mas apenas assume o risco do resultado. É o dolo eventual. Também é adotada pelo
Código Penal.
• Teoria da representação: Dolo é a previsão do resultado. Confunde culpa consciente.
• Dolo natural: É consciência e vontade do resultado. Adotado pela teoria finalista.
• Dolo normativo: É consciência e vontade do resultado acrescido da consciência da ilicitude.
Adotado pela teoria causalista.
• Dolo direto: configura-se quando o agente prevê um resultado, dirigindo sua conduta na busca
de realizar esse evento.
• Dolo indireto subdivide-se em: dolo alternativo e dolo eventual.
• Dolo alternativo: O agente prevê pluralidade de resultados, dirigindo a sua conduta para realizar
qualquer deles. Tem a mesma intensidade de vontade de realizar os resultados previstos
• Dolo eventual: O agente prevê pluralidade de resultados, dirigindo a sua conduta para realizar um
deles, assumindo o risco de realizar o outro. A intensidade da vontade em relação aos resulta dos
previstos é diferente.
• Dolo de primeiro grau: É o dolo direto. Formado pela vontade consciente dirigida a realização de
determinado resultado.
• Dolo de segundo grau: também é dolo direito, atinge as consequências necessárias da conduta.
• Dolo específico: o agente atua com vontade de realizar a conduta descrita no tipo penal com um
fim específico,
Crime culposo: Culpa é a violação do dever de cuidado. Formada por uma conduta voluntária, um
resultado involuntário, a violação do dever de cuidado e o nexo causal.
• Culpa inconsciente: Não há previsão de um resultado previsível (há previsibilidade).
• Culpa consciente: Prevê o resultado, mas acredita poder evitar.
• Culpa própria: É a conduta voluntária que gera um resultado involuntário pela violação do dever
de cuidado.
• Culpa imprópria: É o erro inescusável quanto à existência de uma excludente de ilicitude
(descriminantes putativas). É dolo tratado pelo legislador como culpa, por isso admite tentativa.
• Modalidades de culpa: imprudência, negligência e imperícia.
• Admite coautoria, mas não admite participação.
Tentativa: Também chamada de crime imperfeito e crime incompleto.
• Elementos: início da execução, não consumação por circunstâncias alheias a vontade do agente e
dolo de consumação.
• É causa de diminuição de pena (1/3 a 2/3). Deve-se observar o iter criminis percorrido para a
fixação do quantum de diminuição.

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• Teoria subjetiva. Não distingue a pena da tentativa da pena do delito consumado, pois leva em
consideração a intenção do agente. Aplicada nos crimes de atentado ou empreendimento (exs.
crime de evasão mediante violência e terrorismo). Não confundir com crime obstáculo, que pune
atos preparatórios.
• Teoria objetiva. Observa a lesão ao bem jurídico, punindo de formas diversas o crime tentado e o
crime consumado. É a regra no Código Penal.
• Tentativa branca ou incruenta: Não atinge o bem jurídico.
• Tentativa vermelha ou cruenta: Atinge o bem jurídico.
• Tentativa perfeita, acabada ou crime falho: Esgota os meios executórios.
• Não admitem tentativa: crime culposo (salvo culpa imprópria), contravenção penal, crime habitual,
unissubsistente, preterdoloso e omissivo (salvo omissão imprópria).
Crime impossível:
• Também chamado de tentativa inadequada, inidônea ou quase-crime.
• Exclui a tipicidade.
• Teoria objetiva temperada. Adotada pelo Código Penal. O crime é impossível diante da absoluta
impropriedade do meio.
Desistência voluntária e arrependimento eficaz (resipiscência):
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA ARREPENDIMENTO EFICAZ
Art. 15, 1ª parte, CP Art. 15, 2ª parte, CP
São espécies de tentativa qualificada / abandonada.
Há o início da execução.
Exige voluntariedade Exige voluntariedade + eficácia
O agente abandona o dolo antes de esgotar os O agente abandona o dolo após esgotar os atos
atos executórios. executórios, impedindo a consumação.
O crime não se consuma por circunstâncias inerentes à vontade do agente.
Extingue-se a punibilidade da tentativa, punindo-se o agente pelos atos já praticados.

Arrependimento posterior:

REQUISITOS DO ARREPENDIMENTO POSTERIOR


a) crime cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa;
b) reparação do dano ou restituição da coisa: a reparação do dano/restituição da coisa deve ser
INTEGRAL. Sendo parcial, admite-se o benefício, desde que a vítima concorde, ou seja, se satisfaça
com a reparação não integral.
c) até o recebimento da denúncia ou queixa;
d) ato voluntário do agente: basta a voluntariedade, que não se confunde com espontaneidade.

110
#DEOLHONATABELA:
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA ARREPENDIMENTO EFICAZ ARREPENDIMENTO POSTERIOR
O abandono ocorre depois de
O abandono do intento ocorre esgotados os atos executórios, o arrependimento ocorre APÓS
durante a execução. mas o agente consegue evitar a consumação.
consumação.

#SELIGANOSINÔNIMO:

Tanto a desistência voluntária como o arrependimento eficaz são chamados de “ponte de ouro”. Já o
arrependimento posterior também é conhecido como “ponte de prata”.
Erro de Tipo:
• Erro de tipo essencial é o erro sobre elementar do tipo.
• Erro de tipo vencível ou inescusável exclui o dolo, sendo o agente punido na modalidade culposa,
caso exista previsão.
• Erro de tipo invencível ou escusável exclui dolo e culpa.
• Erro de tipo acidental. Espécies:
- erro sobre a pessoa (vítima virtual não sofre perigo);
- erro sobre o objeto;
- erro sobre o nexo causal (aberratio causae, dolo geral ou erro sucessivo);
- erro sobre a execução ou aberratio ictus (atinge pessoa diversa, mas a vítima virtual corre perigo);
- resultado diverso do pretendido.
Erro de Proibição:
• É erro sobre a ilicitude do fato.
• Erro de proibição inescusável diminui a pena.
• Erro de proibição escusável ou inevitável exclui a culpabilidade, em razão da ausência de potencial
consciência da ilicitude.
• Erro de proibição mandamental é erro quanto ao dever legal de agir.
Descriminantes Putativas:
• São erros quanto à existência de excludentes de ilicitude.
• Teoria limitada da culpabilidade (prevalece). O erro sobre a existência dos pressupostos fáticos é
erro de tipo permissivo. Se o erro for sobre os aos limites das excludentes de ilicitude será erro de
proibição indireto
• Teoria normativa pura da culpabilidade. O erro quanto à existência de excludentes de ilicitude será
sempre erro de proibição.
111
10. Concurso de pessoas. Autoria e participação. Desvio subjetivo de conduta. Crimes multitudinários.
CONCURSO DE PESSOAS:
Requisitos:
• Pluralidade de agentes;
• Relevância das condutas;
• Liame subjetivo (consciência de que estão reunidos – é diferente de acordo prévio);
• Identidade de infração.
#SELIGANATABELA:
CONCURSO DE AGENTES AUTORIA COLATERAL OU INCERTA
Pluralidade de agentes e de conduta Pluralidade de agentes e de conduta
Relevância causal das condutas Relevância causal das condutas
Liame subjetivo entre os agentes NÃO há liame subjetivo entre os agentes

TEORIA MONISTA: crime único para os agentes. É a regra no CP.


Art. 29, caput, CP. Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas,
na medida de sua culpabilidade.
PARTÍCIPE: Prevalece a aplicação da Teoria da acessoriedade limitada, segundo a qual o fato precisa
ser típico e ilícito.
TEORIA OBJETIVO-FORMAL: autor é aquele que realiza o núcleo do tipo. Prevalece.
TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO: autor é quem executa uma tarefa essencial para a ocorrência do
delito. Se deixar de praticar sua conduta, o delito não acontece da forma planejada. É quem controla
finalisticamente o fato, ou seja, quem decide a sua forma de execução, seu início, cessação e demais
condições. Partícipe é quem executa tarefa não essencial (secundária, acessória). Será aquele que,
embora colabore dolosamente para o alcance do resultado, não exerce domínio sobre a ação.
Podemos afirmar que tem o controle final do fato:
a) Aquele que por sua vontade executa o núcleo do tipo (autor propriamente dito).
b) Aquele que planeja o crime para ser executado por outras pessoas (autor intelectual).
c) Aquele que se vale de um não culpável ou de pessoa que age sem dolo ou culpa para executar o
tipo (autor mediato).

#DEOLHONAJURIS:
A teoria do domínio do fato não permite que a mera posição de um agente na escala hierárquica sirva
para demonstrar ou reforçar o dolo da conduta. Do mesmo modo, também não permite a
condenação de um agente com base em conjecturas. Assim, não é porque houve irregularidade em
uma licitação estadual que o Governador tenha que ser condenado criminalmente por isso. STF. 2ª
Turma. AP 975/AL, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/10/2017 (Info 880).

112
11. Sanções penais. Penas privativas de liberdade, restritivas de direito e multa. Regimes penitenciários.
Aplicação da pena e regimes penitenciários. Limites das penas. Execução da pena. Lei nº 10.216/2001.

De acordo com o Código Penal e com a Lei nº 7.210/84, existem três regimes de cumprimento
de pena que seguem às seguintes regras:

FECHADO SEMIABERTO ABERTO


A pena é cumprida na Casa de
Albergado ou estabelecimento
adequado (art. 33, § 1º, "c", CP).
A Casa do Albergado deverá
A pena é cumprida em colônia estar localizada em centro
A pena é cumprida na agrícola, industrial ou urbano, separado dos demais
Penitenciária. estabelecimento similar (art. 33, estabelecimentos prisionais, e
§ 1º, "b", CP). caracteriza-se pela ausência de
obstáculos físicos contra a fuga.
Isso porque o regime aberto
baseia-se na autodisciplina e
senso de responsabilidade.
Durante o dia, o condenado
trabalha, frequenta cursos ou
realiza outras atividades
O condenado fica sujeito a
autorizadas, fora do
trabalho, dentro da própria O condenado fica sujeito a
estabelecimento e sem
Penitenciária, no período diurno, trabalho, dentro da colônia,
vigilância.
e a isolamento durante o durante o período diurno.
Durante o período noturno e
repouso noturno.
nos dias de folga, permanece
recolhido na Casa do
Albergado.

#DEOLHONASÚMULA:
Súmula vinculante 56: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do
condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros
fixados no RE 641.320/RS.
#DEOLHONAJURIS:
a) A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime
prisional mais gravoso;
b) Os juízes da execução penal podem avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes semiaberto
e aberto, para qualificação como adequados a tais regimes. São aceitáveis estabelecimentos que não
se qualifiquem como “colônia agrícola, industrial” (regime semiaberto) ou “casa de albergado ou
estabelecimento adequado” (regime aberto) (art. 33, §1º, “b” e “c”, do CP). No entanto, não deverá
113
haver alojamento conjunto de presos dos regimes semiaberto e aberto com presos do regime
fechado.
c) Havendo déficit de vagas, deverá determinar-se:
(i) a saída antecipada de sentenciado no regime com falta de vagas;
(ii) a liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em
prisão domiciliar por falta de vagas;
(iii) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao regime
aberto.
d) Até que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser deferida a prisão
domiciliar ao sentenciado.
STF. Plenário. RE 641320/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/5/2016 (repercussão geral) (Info
825).
#SAINDODOFORNO #APOSTACICLOS
A SV 56 destina-se com exclusividade aos casos de cumprimento de pena, ou seja, aplica-se tão
somente ao preso definitivo ou àquele em execução provisória da condenação. Não se pode estender
a citada súmula vinculante ao preso provisório (prisão preventiva), eis que se trata de situação distinta.
Por deter caráter cautelar, a prisão preventiva não se submete à distinção de diferentes regimes.
Assim, sequer é possível falar em regime mais ou menos gravoso ou estabelecer um sistema de
progressão ou regressão da prisão. STJ. 5ª Turma. RHC 99006-PA, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
07/02/2019 (Info 642)

Fixação do regime inicial:

FECHADO: se a pena é superior a 8 anos.


SEMIABERTO: se a pena foi maior que 4 e menos ou igual a 8 anos.
Se o condenado for reincidente, o regime inicial,
para esse quantum de pena, é o fechado.
ABERTO: se a pena foi de até 4 anos.
RECLUSÃO Se o condenado for reincidente, o regime inicial,
O regime inicial para esse quantum de pena, será o semiaberto ou o fechado.
pode ser: O que irá definir isso vão ser as circunstâncias judiciais:
• se desfavoráveis, vai para o fechado;
• se favoráveis, vai para o semiaberto.
Súmula 269, STJ: É admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos
reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as
circunstâncias judiciais.
DETENÇÃO FECHADO: não há previsão.
O regime inicial SEMIABERTO: se a pena foi maior que 4 anos.
pode ser: ABERTO: se a pena foi de até 4 anos.

114
Se o condenado for reincidente, o regime inicial é o semiaberto.

#SELIGANASÚMULA:
Súmula 440, STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional
mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do
delito.
Súmula 718, STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação
idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada.
Súmula 719, STF: A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir
exige motivação idônea.

12. Concurso de crimes. Erro de execução e resultado diverso do pretendido.

CONCURSO DE CRIMES: Dá-se o concurso de crimes quando o agente com uma ou várias condutas,
realiza pluralidade de crimes.
Espécies de concurso de crimes:
CONCURSO MATERIAL (ART. 69, CP):
a) Pluralidade de condutas;
Requisitos:
b) Pluralidade de crimes.
a) Homogêneo: pluralidade de crimes da mesma espécie. Exemplo: vários furtos
praticados sem elo de continuidade.
Espécies:
b) Heterogêneo: crimes de espécies distintas. Exemplo: agente pratica estupro +
roubo.
Regras de Sistema do cúmulo material. O juiz primeiro individualiza as penas de cada um dos
fixação da pena: crimes (critério trifásico – art. 68 CP), somando todas ao final.
1º) No caso de duas penas, sendo uma de reclusão e outra de detenção, executa-se
primeiro a reclusão; após, a de detenção.
2º) Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de
liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será incabível a
Observações: substituição de que trata o art. 44 deste Código. Ou seja, se à pena do crime “X"
não puder ser aplicado o benefício do “sursis”, a pena do crime “Y” não poderá ser
substituída por restritiva de direitos.
3º) Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá
simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais.

CONCURSO FORMAL (ART. 70, CP):


a) Unidade de conduta;
Requisitos:
b) Pluralidade de crimes.
a) Concurso formal homogêneo: os crimes decorrentes da conduta única são da
Espécies: mesma espécie.
b) Concurso formal heterogêneo: os crimes são de espécies distintas.

115
c) Concurso formal próprio / perfeito / normal: o agente, apesar de provocar dois
ou mais resultados, não tem intenção independente em relação a cada crime (não
há desígnios autônomos).
d) Concurso formal impróprio / imperfeito / anormal: o agente age com desígnios
autônomos em relação a cada crime.
a) No concurso formal próprio: o juiz aplica a pena mais grave dentre as cominadas
para os vários crimes cometidos pelo agente (ou a mesma pena, se os crimes forem
idênticos). Em seguida, majora essa pena de um “quantum” anunciado em lei
Regras de
(SISTEMA DA EXASPERAÇÃO).
fixação da pena:
b) no concurso formal impróprio: o agente atua com desígnios autônomos. Aplica-
se o SISTEMA DO CÚMULO MATERIAL: O juiz individualiza e soma as penas dos
vários crimes praticados pelo agente.
1º) Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste
Código (concurso material).
2º) Segundo o STJ, praticado o crime de roubo mediante uma só ação contra
Observações:
vítimas distintas, no mesmo contexto fático, resta configurado o concurso formal
próprio, e não a hipótese de crime único, visto que violados patrimônios distintos.
(5ª Turma. HC 455.975/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 02/08/2018).

CRIME CONTINUADO (ART. 71, CP):


CRIME CONTINUADO GENÉRICO / COMUM (art. CRIME CONTINUADO ESPECÍFICO
71, “caput”, CP) (art. 71, p. único CP)
Requisitos:
a) Pluralidade de condutas;
b) Pluralidade de crimes da mesma espécie: crimes
previstos no mesmo tipo, protegendo igual bem
jurídico. Requisitos:
c) Elo de continuidade: a) Pluralidade de condutas;
• Mesmas condições de TEMPO: em regra, a b) Pluralidade de crimes da mesma espécie;
jurisprudência entende que não pode decorrer c) Elo de continuidade;
prazo superior a 30 dias. d) Crimes dolosos;
• Mesmas condições de LUGAR: os crimes e) Contra vítimas diferentes;
parcelares devem ser praticados na mesma f) Cometidos com violência ou grave ameaça.
comarca ou em comarcas vizinhas.
• Mesma maneira de EXECUÇÃO: mesmo “modus
operandi”.
• Outras CIRCUNSTÂNCIAS SEMELHANTES.
Regras de fixação da pena:
Regras de fixação da pena:
Aplica-se o SISTEMA DA EXASPERAÇÃO
Aplica-se o SISTEMA DA EXASPERAÇÃO (aumento
(aumento de 1/6 a 3x).
de 1/6 a 2/3). Quanto mais crimes, mais o aumento
#CUIDADO: O legislador determina a
se aproxima de 2/3, e vice-versa.
observância do cúmulo material benéfico, ou
116
seja, o sistema da exasperação não pode ser
mais rigoroso que o cúmulo material.
Observações:
1º) Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em
conjunto. Isso porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies
diversas (STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018).
2º) De acordo com a Teoria Mista, adotada pelo Código Penal, mostra-se imprescindível, para a
aplicação da regra do crime continuado, o preenchimento de requisitos não apenas de ordem objetiva
— mesmas condições de tempo, lugar e forma de execução — como também de ordem subjetiva —
unidade de desígnios ou vínculo subjetivo entre os eventos (STJ. 6ª Turma. HC 245156/ES, Rel. Min.
Nefi Cordeiro, julgado em 15/10/2015).
3º) Súmula 723 STF: Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a
soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a um
ano.
4º) Súmula 711-STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a
sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.
#OLHAOGANCHO:
ABERRATIO ICTUS (art. 73, CP) ABERRATIO CRIMINIS (art. 74, CP)
São espécies de erro na execução.
O agente, apesar do erro, atinge o mesmo bem O agente, em razão do erro, atinge bem jurídico
jurídico (vida, por ex.), mas de pessoa diversa. diverso.
O resultado pretendido (ceifar a vida) coincide O resultado produzido (morte, por ex.) é diverso
com o resultado produzido (ceifar a vida). do pretendido (dano ao patrimônio, por ex.).
Relação PESSOA x PESSOA. Relação COISA x PESSOA.

13. Suspensão condicional da pena. 14. Livramento condicional. 15. Ação penal. 16. Extinção da
punibilidade.

SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA (SURSIS):


SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA
Natureza da pena: a pena deve ser privativa de liberdade.
Quantidade da pena aplicada: a pena aplicada concretamente na sentença não pode
REQUISITOS
ser superior a 2 (dois) anos.
OBJETIVOS
Que não tenha sido a pena privativa de liberdade substituída pela restritiva de direitos
(art. 77, III, CP).
Réu não reincidente em crime doloso, salvo se a condenação anterior foi
REQUISITOS exclusivamente de pena de multa (art. 77, I e §1º, CP).
SUBJETIVOS Que a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem
como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício (art. 77, II, CP).
Espécies de Sursis:

117
• Sursis simples (art. 78, §1º, CP): aplicável quando o condenado não houver reparado o dano,
injustificadamente e/ou as circunstâncias do art. 59, CP não lhe forem inteiramente favoráveis. No
primeiro ano do período de prova o condenado deverá prestar serviços à comunidade ou
submeter-se à limitação de fim de semana, cabendo a escolha ao magistrado;
• Sursis especial (art. 78, §2º, CP): aplicável quando o condenado tiver reparado o dano, salvo
impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente
favoráveis. Nessa modalidade, o condenado, em regra, não presta serviços à comunidade, nem se
submete à limitação de fim de semana, pois o juiz pode substituir tal exigência por outras
condições cumulativas (previstas nas alíneas do art. 78, §2º, CP).
Período de Prova: #COLANARETINA!
PERÍODO DE PROVA NO SURSIS DA PENA
1 A 3 ANOS Contravenções Penais (art. 11, DL 3.688/41)
Sursis comum (art. 77, “caput”, CP).
2 A 4 ANOS
Lei dos crimes ambientais (art. 16, Lei nº 9.605/98).
4 A 6 ANOS Sursis etário ou humanitário (art. 77, §2º, CP).

LIVRAMENTO CONDICIONAL:
O condenado deve ter:
1) sido sentenciado a uma pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 anos;
2) reparado o dano causado com o crime, salvo se for impossível fazê-lo;
3) cumprido parte da pena, quantidade que irá variar conforme ele seja reincidente ou não:
▪ condenado não reincidente em crime doloso e com bons antecedentes: basta cumprir mais
de 1/3 (um terço) da pena. É chamado de livramento condicional SIMPLES;
Requisitos
▪ condenado reincidente em crime doloso: deve cumprir mais de 1/2 (metade) da pena
OBJETIVOS
para ter direito ao benefício. É o livramento condicional QUALIFICADO;
▪ condenado por crime hediondo ou equiparado e tráfico de pessoas, se não for
reincidente específico em crimes dessa natureza: deve cumprir mais de 2/3 (dois terços)
da pena. É o livramento condicional ESPECÍFICO;
▪ condenado por crime hediondo ou equiparado e tráfico de pessoas, se for reincidente
específico em crimes dessa natureza: não terá direito a livramento condicional.
O condenado deve ter:
1) bom comportamento carcerário, a ser comprovado pelo diretor da unidade prisional;
2) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído;
Requisitos
3) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto;
SUBJETIVOS
4) para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de
condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinquir.

#SÚMULANOVA #VAICAIR:
Súmula 617: “A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes do término do
período de prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral cumprimento da pena.”
118
#NÃOCONFUNDA:
Em regra, é
O período de
O condenado não concedido na
prova, em regra, é Direito subjetivo
“SURSIS” chega a cumprir a sentença e o
fixado entre 2 a 4 do réu.
pena. recurso cabível é
anos.
apelação.
Concedido pelo
O período de
Pressupõe o juiz da execução,
LIVRAMENTO prova perdura o Direito subjetivo
cumprimento de cabendo de sua
CONDICIONAL restante da pena do executado.
parcela da pena. decisão agravo
imposta.
em execução.

Revogação do Sursis X Revogação do Livramento Condicional:

SURSIS LIVRAMENTO CONDICIONAL


1) Superveniência de condenação
irrecorrível pela prática de crime doloso;
1) Condenação irrecorrível à pena
REVOGAÇÃO 2) Não reparação do dano sem motivo
privativa de liberdade por crime
OBRIGATÓRIA: justificado;
praticado antes ou durante o benefício.
3) Descumprimento de qualquer das
condições impostas no sursis simples.
1) Superveniência de condenação
irrecorrível pela prática de contravenção
1) Condenação irrecorrível, por crime ou
penal ou crime culposo, exceto se
contravenção penal, à pena não
REVOGAÇÃO imposta apenas pena de multa;
privativa de liberdade;
FACULTATIVA: 2) Descumprimento das condições
2) descumprimento das condições
legais do sursis especial;
impostas.
3) Descumprimento de qualquer
condição judicial.

17. A parte especial do Código Penal. Crimes contra a pessoa, o patrimônio, a propriedade imaterial, a
organização do trabalho, o sentimento religioso e o respeito aos mortos, a dignidade sexual, a família,
a incolumidade pública, a paz pública, a fé pública e a administração pública.

HOMICÍDIO (ART. 121, CP):MICÍDIO (ART. 121, CP)


✓ Em regra, não é crime hediondo, salvo quando praticado em atividade de
HOMICÍDIO
grupo de extermínio, ainda que por só um agente (art. 1º, I, 1ª parte, Lei nº
SIMPLES
8.072/90).
✓ O homicídio é privilegiado quando o agente comete o crime impelido por
HOMICÍDIO motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção,
PRIVILEGIADO logo em seguida a injusta provocação da vítima. Nesse caso, o juiz pode reduzir
a pena de um sexto a um terço. As hipóteses legais do privilégio apresentam

119
caráter subjetivo.
#NÃOESQUECER: são de natureza objetiva, portanto admitem o homicídio
privilegiado-qualificado, as hipóteses do art. 121, §2º, III e IV, (referentes aos meios
e modos de execução), com exceção da traição.
As demais qualificadoras, nos demais incisos, são de natureza subjetiva.
#MEMORIZAR as objetivas, por exclusão (já que são em menor quantidade).
#ATENÇÃO: O homicídio privilegiado não é crime hediondo por ausência de
previsão legal. Lembrem que o rol dos crimes hediondos é um rol taxativo.
#CONCURSO DE AGENTES: em caso de concurso de agentes as causas
privilegiadas não se comunicam, uma vez que são circunstâncias subjetivas do
crime (e não elementares). Art. 30, CP.
✓ MOTIVO TORPE = motivo vil, repugnante. Ex.: matar um parente para ficar
com sua herança.
✓ MOTIVO FÚTIL = insignificante, desproporcional à natureza do crime
praticado. Ex.: Concurseiro mata dono da salinha de estudo porque fechou o
estabelecimento mais cedo do que o previsto. #NãoFaçaIssoJamais
#VaiReprovarNoPsicotécnico #EAindaVaiPraCadeia (Rsrsrs).
Obs.: a ausência de motivo não se equipara a motivo fútil.
✓ MEIO INSIDIOSO: agente usa de fraude para cometer crime sem que a
vítima perceba. Ex.: agente retira óleo do carro da vítima para lhe causar acidente
fatal.
✓ MEIO CRUEL: é aquele que proporciona à vítima um intenso (e
desnecessário) sofrimento físico ou mental quando a morte poderia ser
ocasionada de forma menos dolorosa.
✓ TORTURA: o agente usa da tortura como meio para conseguir a morte da
HOMICÍDIO
vítima, ou seja, trata-se de morte dolosa. Vai responder por crime de homicídio
QUALIFICADO
qualificado.
OBS: TORTURA COM RESULTADO MORTE (art. 1º, §3º, Lei nº 9.455/97): crime
essencialmente preterdoloso. O agente tem o dolo de torturar a vítima e, por
excesso, finda por causar-lhe a morte, culposamente7.
✓ TRAIÇÃO: é o ataque desleal, repentino e inesperado. Ex.: atirar na vítima
pelas costas.
✓ EMBOSCADA: pressupõe o ocultamento do agente, que ataca a vítima com
surpresa. Ex.: o agente, escondido no jardim de entrada da casa da vítima, a
ataca quando esta chegava do serviço.
✓ DISSIMULAÇÃO: fingimento, disfarçando o agente a sua intenção criminosa.
Ex.: o agente convida a vítima para jantar, levando-a para lugar ermo onde
ocorre o ataque fatal.
✓ OUTRO RECURSO QUE DIFICULTE OU TORNE IMPOSSÍVEL A DEFESA DO
OFENDIDO: trata-se de caso clássico de interpretação analógica.

7
Competência do juiz singular.
120
✓ Trata-se de figura qualificada no homicídio doloso, de competência do
Tribunal do Júri e considerada crime hediondo (art. 121, §2º, VI, CP c/c art. 1º, I, Lei
FEMINICÍDIO
nº 8.072/90). #JURISAINDODOFORNO Recentemente, o STJ decidiu que a
qualificadora do feminicídio é de natureza objetiva.
✓ A Lei nº 13.142/2015 alterou o Código Penal com escopo de criar uma nova
qualificadora ao crime de homicídio.
✓ Considera-se homicídio funcional quando o agente passivo for autoridade
ou agente descrito nos artigos 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do
HOMICÍDIO
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da
FUNCIONAL
função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição.
#SELIGA: houve também alteração na Lei nº 8.072/ 1990, tornando o homicídio
funcional espécie de crime hediondo.
✓ É possível a aplicação do perdão judicial nos casos de homicídio culposo.
Trata-se de causa de extinção da punibilidade (art. 107, IX, CP).
HOMICÍDIO #DEOLHONASÚMULA:
CULPOSO Súmula 18, STJ: A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção
da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.
✓ HOMICÍDIO CULPOSO NO TRÂNSITO: deveremos aplicar o art. 302, CTB.

FURTO (ART. 155, CP):


• REPOUSO NOTURNO: a causa de aumento de pena do repouso noturno pode ser aplicada tanto
para o furto simples como para o furto qualificado.
#AJUDAMARCINHO: É legítima a incidência da causa de aumento de pena por crime cometido
durante o repouso noturno (art. 155, §1º) no caso de furto praticado na forma qualificada (art. 155, §4º).
Não existe nenhuma incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1º e as qualificadoras do §4º.
São circunstâncias diversas, que incidem em momentos diferentes da aplicação da pena. Assim, é
possível que o agente seja condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceira fase da dosimetria, o
juiz aumente a pena em 1/3 se a subtração ocorreu durante o repouso noturno. A posição topográfica
do §1º (vem antes do §4º) não é fator que impede a sua aplicação para as situações de furto
qualificado (§ 4º) - (Info 851-STF).
#DEOLHONASSÚMULAS:
Súmula 511-STJ (furto privilegiado-qualificado ou furto híbrido): É possível o reconhecimento do
privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem
presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva.
Súmula 567-STJ (idoneidade relativa do meio – não se aplica o crime impossível): Sistema de vigilância
realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento
comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto.
#SELIGANATABELA:

121
REQUISITOS DO FURTO PRIVILEGIADO
Primariedade do agente Pequeno valor da coisa furtada
Segundo a jurisprudência, para os fins do § 2º do
O agente (criminoso) deve ser primário.
art. 155, coisa de pequeno valor é aquela cujo
Primário é o indivíduo que não é reincidente, nos
preço, no momento do crime, não seja superior a
termos do art. 63 do CP.
1 salário-mínimo.

• FURTO PRIVILEGIADO x PEQUENO VALOR: o STJ consolidou entendimento no tocante ao


conceito de pequeno valor, a saber, quando não suplantar 1 (um) salário mínimo. Vale lembrar
quer o juiz não fica radicalmente adstrito a esse patamar, caso consiga justificar no caso concreto
outro valor. De acordo com o STJ, não se trata de um teto máximo e intransponível.
• FURTO PRIVILEGIADO x PEQUENO VALOR x DE CRIME CONTINUADO: Nos casos de
continuidade delitiva, o valor a ser considerado para fins de concessão do privilégio (artigo 155, §
2º do CP) ou do reconhecimento da insignificância é a soma dos bens subtraídos.

#NÃOCONFUNDIR: Para efeito da aplicação do princípio da bagatela, é imprescindível a distinção


entre valor insignificante e pequeno valor, uma vez que o primeiro exclui o crime e o segundo pode
caracterizar o furto privilegiado.

PEQUENO VALOR VALOR INSIGNIFICANTE


- Mínima ofensividade da conduta;
- Ausência de periculosidade;
- Reduzido grau de reprovabilidade do
Quando não suplantar 1 (um) salário mínimo.
comportamento;
Analisar caso concreto.
- Inexpressividade da lesão jurídica.
Requisito subjetivo: importância do bem para a
vítima.
FURTO PRIVILEGIADO CAUSA DE EXCLUSÃO DA TIPICIDADE MATERIAL

• CONSUMAÇÃO DO FURTO: Consuma-se o crime de furto com a inversão da posse do bem,


ainda que por breve tempo, seguida de perseguição imediata do agente ou recuperação da coisa
roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada (STF e STJ). TEORIA DA
AMOTIO ou APPREHENSIO.
• FURTO QUALIFICADO: as qualificadoras do art. 155, §4º, CP dizem respeito ao modo de execução
do agente.

Com destruição ou
- Destruição: comportamento que faz desaparecer. Ex.: explosivos em caixas
rompimento de
eletrônicos.
obstáculo à subtração
- Rompimento: é o ato de deteriorar. Ex.: abrir um cofre com barra de ferro.
da coisa
Com abuso de - Abuso de confiança: tem que ter relação de confiança (ex.: empregado que
confiança, ou mediante já trabalha há anos com a vítima). Não basta a mera alegação de que o

122
fraude, escalada ou agente trabalhava na empresa. É preciso se provar que a vítima depositou
destreza. confiança no agente.
- Mediante fraude: furto qualificado pela fraude (#NÃOCONFUNDIR com o
estelionato!).
- Mediante destreza: presença de uma habilidade excepcional, desde que
não seja descoberto no ato da conduta delitiva. Assim, o magistrado apenas
poderá acatar o furto qualificado pela destreza quando o agente tenha
excepcional habilidade em retirar o bem da vítima sem que ela se aperceba
(punguista) – STJ (INFO 554).
- O conceito de chave falsa abrange todo o instrumento, com ou sem forma
Com emprego de de chave, utilizado como dispositivo para abrir fechadura, incluindo mixas
chave falsa. (STJ, HC n. 101.495/MG, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe
25/8/2008).
Mediante concurso de
- Partícipes são computados, inclusive o inimputável.
duas ou mais pessoas.

#DEOLHONASÚMULA:
SÚMULA 442, STJ: É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a majorante do
roubo.
#SAINDODOFORNO
STJ EM 2019: Nos casos de furto de energia elétrica, diferentemente do que acontece na sonegação
fiscal, o pagamento do valor subtraído antes do recebimento da denúncia não permite a extinção da
punibilidade. Nessas hipóteses, a manutenção da ação penal tem relação com a necessidade de coibir
ilícitos contra um recurso essencial à população. Além disso, em razão da natureza patrimonial do
delito, é inviável a equiparação com os crimes tributários, nos quais é possível o trancamento da ação
penal pela quitação do débito. STJ. 3ª Seção. RHC 101299/RS, Red. para acórdão Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 13/03/2019. O furto de energia elétrica não pode receber o mesmo tratamento
dado aos crimes tributários, considerando serem diversos os bens jurídicos tutelados e, ainda, tendo
em vista que a natureza jurídica da remuneração pela prestação de serviço público, no caso de
fornecimento de energia elétrica, é de tarifa ou preço público, não possui caráter tributário, em relação
ao qual a legislação é expressa e taxativa. Nos crimes patrimoniais existe previsão legal específica de
causa de diminuição da pena, qual seja, o instituto do arrependimento posterior, previsto no art. 16 do
CP. STJ. 5ª Turma. HC 412208-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 20/03/2018 (Info 622)
#NOVIDADESSLEGISLATIVAS:
Art. 155, CP.
§ 4º-A. A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se houver emprego de explosivo ou
de artefato análogo que cause perigo comum. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
§ 7º. A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se a subtração for de substâncias
explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou
emprego. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
123
ROUBO (ART. 157, CP):
ROUBO PRÓPRIO ROUBO IMPRÓPRIO
ART. 157, “caput”, CP. ART. 157, §1º, CP.
A grave ameaça ou a violência é empregada A grave ameaça ou a violência é empregada após
antes ou durante a subtração a fim de que o a subtração a fim de assegurar impunidade do
agente possa alcançar a subtração do bem. crime ou a detenção da coisa.

#DEOLHONASÚMULA:
Súmula 582-STJ: Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem, mediante emprego de
violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida a perseguição imediata ao agente
e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada.
#NOVIDADESSLEGISLATIVAS #AJUDAMARCINHO:
- A Lei nº 13.654/2018 acrescentou uma nova hipótese de roubo majorado no inciso VI.
Art. 157, CP.
§ 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade: (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018)
(...)
VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente,
possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
- A mesma lei acrescentou um novo parágrafo ao art. 157 prevendo duas novas hipóteses de roubo
circunstanciado, com pena maior.
Art. 157 (...)
§ 2º-A. A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; (Incluído pela Lei nº 13.654, de
2018)
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato
análogo que cause perigo comum. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
- Além disso, foi alterada a redação do § 3º do art. 157 do Código Penal. Duas mudanças foram
verificadas:
1) melhorou a redação dividindo os dois tipos penais em incisos diferentes.
2) aumentou a pena do roubo com resultado lesão corporal grave. Antes era de 7 a 15 anos. Agora é
de 7 a 18 anos. Neste ponto, a Lei nº 13.654/2018 é mais gravosa e, portanto, irretroativa.
Art. 157 (...)
§ 3º Se da violência resulta: (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018)
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa; (Incluído pela Lei
nº 13.654, de 2018)

124
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.654, de
2018)
#ESQUEMATIZANDO:
ROUBO MEDIANTE EMPREGO DE ARMA
Antes da Lei 13.654/2018 Depois da Lei 13.654/2018 (atualmente)
Apenas o emprego de arma de fogo é causa de
Tanto a arma de fogo como a arma branca eram aumento de pena.
causas de aumento de pena. O emprego de arma branca não é causa de
aumento de pena.
O emprego de arma (seja de fogo, seja branca)
O emprego de arma de fogo é punido com um
era punido com um aumento de 1/3 a 1/2 da
aumento de 2/3 da pena.
pena.

ROUBO MEDIANTE EMPREGO DE ARMA


Antes da Lei 13.654/2018 Atualmente
Arma de Era causa de aumento de pena Continua sendo causa de aumento de pena.
FOGO A pena aumentava de 1/3 a 1/2. Mas agora a pena aumenta 2/3.
Deixou de ser causa de aumento de pena.
Arma Era causa de aumento de pena.
A Lei 13.654/2018 é mais benéfica e irá
BRANCA A pena aumentava de 1/3 a 1/2.
retroagir neste ponto.

#DEOLHONAJURIS:
O emprego de arma branca deixou de ser majorante do crime de roubo, com a modificação operada
pela Lei nº 13.654/2018, que revogou o inciso I do § 2º do art. 157 do Código Penal. Diante disso,
constata-se que houve abolitio criminis devendo a Lei nº 13.654/2018 ser aplicada retroativamente para
excluir a referida causa de aumento da pena imposto aos réus condenados por roubo majorado pelo
emprego de arma branca. Trata-se da aplicação da novatio legis in mellius prevista no art. 5º, XL, da
Constituição Federal. STJ. 5ª Turma. REsp 1519860/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/05/2018.
Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto.
Isso porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas. STJ. 5ª
Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018. STF. 1ª Turma. HC 114667/SP,
rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 24/4/2018 (Info 899).

#DEOLHONASÚMULA:
Súmula 610-STF: O crime de latrocínio se consuma com a morte da vítima, independentemente de
subtração dos seus bens.
SUBTRAÇÃO MORTE LATROCÍNIO
Consumada Consumada Consumado
Tentada Tentada Tentado
Consumada Tentada Tentado

125
Tentada Consumada Consumado (Súmula 610-STF)
EXTORSÃO (ART. 158, CP):
EXTORSÃO ROUBO
O agente faz com que a vítima entregue a coisa. O agente subtrai a coisa pretendida. Subtrair.
Constranger #OLHEOVERBO. #OLHEOVERBO.
A colaboração da vítima é indispensável. A colaboração da vítima é dispensável.
A vantagem buscada pelo agente é
contemporânea ao constrangimento ou posterior A vantagem buscada é para agora.
a ele.
Vantagem econômica indevida: bem móvel ou Vantagem econômica indevida: somente bem
imóvel. móvel.

DANO (ART. 163, CP) e RECEPTAÇÃO (ART. 180, CP): A Lei nº 13.531/2017 promove alteração nas
qualificadoras dos crimes de dano (art. 163 do CP) e receptação (art. 180) envolvendo bens públicos.
Corrigiu essas duas falhas e incluiu o “Distrito Federal”, as “autarquias”, as “fundações” e as “empresas
públicas” no rol do inciso III do parágrafo único do art. 163 do CP. Compare:

Antes da Lei nº 13.531/2017 ATUALMENTE


Art. 163 (...)
Art. 163 (...) Parágrafo único. Se o crime é cometido:
Parágrafo único. Se o crime é cometido: III - contra o patrimônio da União, de Estado, do
III - contra o patrimônio da União, Estado, Distrito Federal, de Município ou de autarquia,
Município, empresa concessionária de serviços fundação pública, empresa pública, sociedade de
públicos ou sociedade de economia mista; economia mista ou empresa concessionária de
serviços públicos;

Antes da Lei nº 13.531/2017 ATUALMENTE


Art. 180 (...)
Art. 180 (...)
§ 6º Tratando-se de bens do patrimônio da União,
§ 6º Tratando-se de bens e instalações do
de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de
patrimônio da União, Estado, Município, empresa
autarquia, fundação pública, empresa pública,
concessionária de serviços públicos ou sociedade
sociedade de economia mista ou empresa
de economia mista, a pena prevista no caput
concessionária de serviços públicos, aplica-se em
deste artigo aplica-se em dobro.
dobro a pena prevista no caput deste artigo.

CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL:


ALTERAÇÕES PROMOVIDAS PELA LEI Nº 13.718/2018:
NOVO CRIME: IMPORTUNAÇÃO SEXUAL
Importunação sexual
Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a
própria lascívia ou a de terceiro:

126
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave.
#ATENÇÃO: A Lei nº 13.718/2018, além de inserir o crime do art. 215-A ao CP, também revogou o art.
61 do DL 3.688/41 (contravenção penal que era chamada de importunação ofensiva ao pudor)
NOVO CRIME: DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL, DE
CENA DE SEXO OU DE PORNOGRAFIA
Art. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou
divulgar, por qualquer meio - inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática
ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de
estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima,
cena de sexo, nudez ou pornografia: (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018).
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o fato não constitui crime mais grave. (Incluído pela Lei nº
13.718, de 2018).
Aumento de pena (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018).
§ 1º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se o crime é praticado por agente que
mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou
humilhação. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018).
Exclusão de ilicitude (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018).
§ 2º Não há crime quando o agente pratica as condutas descritas no caput deste artigo em publicação
de natureza jornalística, científica, cultural ou acadêmica com a adoção de recurso que impossibilite a
identificação da vítima, ressalvada sua prévia autorização, caso seja maior de 18 (dezoito) anos. (Incluído
pela Lei nº 13.718, de 2018).
ALTERAÇÃO NO CRIME DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL
Art. 217-A. (...)
§ 5º As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se independentemente do
consentimento da vítima ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime.
(Inserido pela Lei nº 13.718/2018)
NOVA CAUSA DE AUMENTO DE PENA PARA OS ESTUPROS COLETIVO E CORRETIVO (ART. 226 DO
CP)
Art. 226. A pena é aumentada: (...)
IV - de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado: (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018).
Estupro coletivo (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018).
a) mediante concurso de 2 (dois) ou mais agentes; (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018).
Estupro corretivo (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018).
b) para controlar o comportamento social ou sexual da vítima. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018).
NOVAS CAUSAS DE AUMENTO DE PENA PARA OS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL (ART.
234-A DO CP)
Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título (crimes contra a dignidade sexual) a pena é aumentada:
(...)
III - de metade a 2/3 (dois terços), se do crime resulta gravidez;
IV - de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o agente transmite à vítima doença sexualmente
transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador, ou se a vítima é idosa ou pessoa com
deficiência.
127
AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL
Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante ação penal pública
incondicionada. (Redação dada pela Lei nº 13.718/2018).
#ESQUEMATIZANDO:
AÇÃO PENAL NOS CRIMES SEXUAIS
Regra: ação penal privada.
Exceções:
a) se a vítima ou seus pais não tivessem dinheiro para o processo: ação pública
condicionada à representação.
Redação originária b) se o crime era cometido com abuso do poder familiar, ou da qualidade de
do CP padrasto, tutor ou curador: ação pública incondicionada.
c) se da violência resultasse lesão grave ou morte da vítima: ação pública
incondicionada.
d) se o crime de estupro fosse praticado mediante o emprego de violência real:
ação pública incondicionada.
Regra: ação penal pública condicionada à representação.
Exceções:
a) Vítima menor de 18 anos: incondicionada.
Redação da
b) Vítima vulnerável: incondicionada.
Lei 12.015/09
c) Se foi praticado mediante violência real: incondicionada (Súm. 608-STF).
d) Se resultou lesão corporal grave ou morte: polêmica, mas prevalecia que
deveria ser aplicado o mesmo raciocínio da Súmula 608-STF.
Redação da Ação pública incondicionada (sempre).
Lei 13.718/18 Todos os crimes contra a dignidade sexual são de ação pública incondicionada.
(quadro atual) Não há exceções!

18 Aspectos penais das Leis 4.737/1965, 4.898/1965, 5.478/1968, 7.716/1989, 7.853/1989, 8.069/1990,
8.072/1990, 8.078/1990, 8.137/1990, 9.455/1997, 9.503/1997, 9.605/1998, 9.609/1998, 10.671/2003,
10.741/2003, 10.826/2003, 11.101/2005, 11.340/2006, 11.343/2006 e 12.850/2013; e dos Decretos-Lei nº
3.688/1941 e 201/1967.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (LEI Nº 11.340/06):


Requisitos: a) Ação ou omissão; b) que cause violência física, sexual, psicológica, patrimonial ou moral;
c) praticada contra a mulher; d) por motivação de gênero; e) numa situação de vulnerabilidade; f) no
âmbito da unidade doméstica, familiar ou em qualquer relação íntima de afeto (art. 5º):
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de
pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se
consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;

128
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a
ofendida, independentemente de coabitação.
#CUIDADO: As relações pessoais (caracterizadoras de violência doméstica e familiar contra a mulher)
independem de orientação sexual (art. 5º, parágrafo único).
#SELIGANASÚMULA:
Súmula 600-STJ: Para a configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei nº
11.340/2006 (Lei Maria da Penha) não se exige a coabitação entre autor e vítima.
FORMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: o art. 7º traz as formas de violência doméstica e familiar
contra a mulher:
VIOLÊNCIA FÍSICA Homicídio (art. 121, CP), lesão corporal (art. 129, CP);
VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA Ameaça (art. 147, CP), constrangimento ilegal (art. 146, CP);
VIOLÊNCIA SEXUAL Estupro (art. 213, CP);
VIOLÊNCIA PATRIMONIAL Furto (art. 155, CP);
VIOLÊNCIA MORAL Calúnia, difamação, injúria.

NATUREZA JURÍDICA DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA: são medidas cautelares.


SITUAÇÕES EM QUE É POSSÍVEL A APLICAÇÃO DA LEI: segundo o STJ é possível a aplicação da Lei
Maria da Penha nas seguintes situações:
• Filho contra mãe (porque a LMP se aplica também às relações de parentesco);
• Filha contra mãe (agressor também pode ser mulher);
• Pai contra filha;
• Irmão contra irmã (ainda que não morem sob o mesmo teto);
• Genro contra sogra;
• Nora contra a sogra (desde que estejam presentes os requisitos de relação íntima de afeto,
motivação de gênero e situação de vulnerabilidade);
• Padrasto contra enteada (relação íntima de afeto).
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: Súmula 589-STJ: É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes
ou contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas.
LAUDOS OU PRONTUÁRIOS MÉDICOS: Serão admitidos como meios de prova os laudos ou
prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde (art. 12, §3º).
APLICAÇÃO PROCESSUAL SUBSIDIÁRIA: ao processo, ao julgamento e à execução das causas cíveis e
criminais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher aplicar-se-ão as
normas dos Códigos de Processo Penal e Processo Civil e da legislação específica relativa à criança, ao
adolescente e ao idoso que não conflitarem com o estabelecido nesta Lei (art. 13).
ATOS PROCESSUAIS: os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno, conforme
dispuserem as normas de organização judiciária (art. 14, parágrafo único).
129
COMPETÊNCIA: É competente, por opção da ofendida, para os processos cíveis regidos por esta Lei, o
Juizado:
I - do seu domicílio ou de sua residência;
II - do lugar do fato em que se baseou a demanda;
III - do domicílio do agressor.
POSSIBILIDADE DE RETRATAÇÃO: aplica-se nos casos de ações penais públicas condicionadas à
representação da ofendida, a exemplo do crime de ameaça. Só será admitida a renúncia à
representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do
recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público (art. 16).
CESTA BÁSICA E SUBSTITUIÇÃO DA PENA: É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e
familiar contra a mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a
substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa (art. 17).
QUEM PODE REQUERER MEDIDA PROTETIVA? MP e Ofendida (Art. 19).
POSSIBILIDADE DE O JUIZ CONCEDER NOVAS MEDIDAS PROTETIVAS OU REVER AS
EVENTUALMENTE CONCEDIDAS: poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da
ofendida, conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, se entender
necessário à proteção da ofendida, de seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o Ministério Público
(art. 19, §3º).
NOTIFICAÇÃO DA OFENDIDA: a ofendida deverá ser notificada dos atos processuais relativos ao
agressor, especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão, sem prejuízo da intimação do
advogado constituído ou do defensor público (art. 21). #LEMBRAR: A ofendida não poderá entregar
intimação ou notificação ao agressor (art. 21, parágrafo único).
MEDIDAS PROTETIVAS QUE OBRIGAM O AGRESSOR (art. 22): a) suspensão da posse ou restrição do
porte de armas; b) afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; c) proibição
de determinadas condutas; d) restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores; e)
prestação de alimentos provisionais ou provisórios.
MEDIDAS PROTETIVAS À OFENDIDA (art. 24): a) restituição de bens indevidamente subtraídos pelo
agressor à ofendida; b) proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda
e locação de propriedade em comum, salvo expressa autorização judicial; c) suspensão das
procurações conferidas pela ofendida ao agressor; d) prestação de caução provisória, mediante
depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar
contra a ofendida.
PARTICIPAÇÃO DO MP (como parte ou fiscal da lei): O Ministério Público intervirá, quando não for
parte, nas causas cíveis e criminais decorrentes da violência doméstica e familiar contra a mulher (art.
25).
NÃO APLICAÇÃO DA LEI Nº 9.099/95: aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra
a mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei no 9.099, de 26 de setembro de
1995 (art. 41).
130
#DEOLHONASSÚMULAS:
Súmula 536, STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese
de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha;
Súmula 542, STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica
contra a mulher é pública incondicionada.
#DEOLHONANOVIDADE:
A conduta de descumprir medida protetiva de urgência
prevista na Lei Maria da Penha configura crime?
Antes da Lei nº 13.641/2018: NÃO Depois da Lei nº 13.641/2018 (atualmente): SIM
Foi inserido novo tipo penal na Lei Maria da
Penha prevendo como crime essa conduta:
Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere
Antes da alteração, o STJ entendia que o medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei:
descumprimento de medida protetiva de urgência Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos.
prevista na Lei Maria da Penha (art. 22 da Lei § 1o A configuração do crime independe da
11.340/2006) não configurava infração penal. competência civil ou criminal do juiz que deferiu as
O agente não respondia nem mesmo por crime medidas.
o
de desobediência (art. 330 do CP). § 2 Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a
autoridade judicial poderá conceder fiança
o
§ 3 O disposto neste artigo não exclui a aplicação
de outras sanções cabíveis.

#SELIGA: A Lei nº 13.641/2018 é uma lei posterior mais gravosa. Isso porque, antes da sua edição,
entendia-se que a conduta de descumprir medida protetiva de urgência não era considerada crime.
Assim, se o agente descumpriu a medida protetiva até o dia 03/04/2018, ele não cometeu delito. No
entanto, se esse descumprimento ocorreu no dia 04/04/2018 ou em data posterior, o sujeito incide no
crime tipificado no art. 24-A da Lei Maria da Penha.
STJ EM 2018: Apesar de haver decisões em sentido contrário, prevalece o entendimento de que a
hipossuficiência e a vulnerabilidade, necessárias à caracterização da violência doméstica e familiar
contra a mulher, são presumidas pela Lei nº 11.340/2006. A mulher possui na Lei Maria da Penha uma
proteção decorrente de direito convencional de proteção ao gênero (tratados internacionais), que o
Brasil incorporou em seu ordenamento, proteção essa que não depende da demonstração de
concreta fragilidade, física, emocional ou financeira. Ex: agressão feita por um homem contra a sua
namorada, uma Procuradora da AGU, que possuía autonomia financeira e ganhava mais que ele. STJ.
5ª Turma. AgRg no AREsp 620.058/DF, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 14/03/2017. STJ. 6ª Turma.
AgRg nos EDcl no REsp 1720536/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 04/09/2018. STJ. 5ª Turma.
AgRg no RHC 92.825, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca; Julg. 21/08/2018.
INFO 640 STJ A decisão proferida em processo penal que fixa alimentos provisórios ou provisionais em
favor da companheira e da filha, em razão da prática de violência doméstica, constitui título hábil para

131
imediata cobrança e, em caso de inadimplemento, passível de decretação de prisão civil. STJ. 3ª
Turma. RHC 100446-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 27/11/2018 (Info 640).
#APOSTACICLOS INFO 632 STJ A prática de contravenção penal, no âmbito de violência doméstica,
não é motivo idôneo para justificar a prisão preventiva do réu. O inciso III do art. 313 do CPP prevê
que será admitida a decretação da prisão preventiva “se o CRIME envolver violência doméstica e
familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir
a execução das medidas protetivas de urgência”. Assim, a redação do inciso III do art. 313 do CPP fala
em CRIME (não abarcando contravenção penal). Logo, não há previsão legal que autorize a prisão
preventiva contra o autor de uma contravenção penal. Decretar a prisão preventiva nesta hipótese
representa ofensa ao princípio da legalidade estrita. STJ. 6ª Turma. HC 437535-SP, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/06/2018 (Info 632).
LEI DE DROGAS (LEI Nº 11.343/2006):
#DEOLHONAJURIS:
O art. 28 da LD não prevê a possibilidade de o condenado receber pena privativa de liberdade. Assim,
não existe possibilidade de que o indivíduo que responda processo por este delito sofra restrição em
sua liberdade de locomoção. Diante disso, não é possível que a pessoa que responda processo
criminal envolvendo o art 28 da LD impetre habeas corpus para discutir a imputação. Não havendo
ameaça à liberdade de locomoção, não cabe habeas corpus. Em suma, o habeas corpus não é o meio
adequado para discutir crime que não enseja pena privativa de liberdade. STF. 1ª Turma.HC
127834/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
05/12/2017 (Info 887).
O grau de pureza da droga é irrelevante para fins de dosimetria da pena. De acordo com a Lei nº
11.343/2006, preponderam apenas a natureza e a quantidade da droga apreendida para o cálculo da
dosimetria da pena. STF. 2ª Turma. HC 132909/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 15/3/2016 (Info
818).
#APOSTACICLOS: O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006
(Lei de Drogas), não deve ser considerado crime equiparado a hediondo.
STF. Plenário. HC 118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/6/2016 (Info 831).
O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não é crime
equiparado a hediondo e, por conseguinte, deve ser cancelado o Enunciado 512 da Súmula do
Superior Tribunal de Justiça.
STJ. 3ª Seção. Pet 11796-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 23/11/2016 (recurso
repetitivo) (Info 595). O que dizia a Súmula 512-STJ: "A aplicação da causa de diminuição de pena
prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas."
O atual entendimento do Supremo Tribunal Federal acerca da matéria é no sentido de que a simples
atuação como "mula", por si só, não induz que o paciente integre organização criminosa, de forma
estável e permanente, não constituindo, portanto, fundamento idôneo para afastar a aplicação do

132
redutor em sua totalidade, tratando-se de meras ilações, presunções ou conjecturas, até porque pode
se tratar de recrutamento único e eventual.
STF, AgRg no AREsp 606.431/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em
01/06/2017, DJe 09/06/2017.

#JURISSAINDODOFORNO:
Recentemente, a Sexta Turma do STJ inaugurou nova tendência ao negar provimento a recurso
especial (REsp 1.672.654/SP, j. 21/08/2018) interposto pelo Ministério Público de São Paulo contra
decisão do Tribunal de Justiça que deu provimento ao recurso da defesa para afastar a reincidência
decorrente da condenação anterior por posse de drogas para uso próprio. EMENTA:
RECURSO ESPECIAL. DIREITO PENAL. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. CONDENAÇÃO ANTERIOR
PELO DELITO DO ARTIGO 28 DA LEI DE DROGAS. CARACTERIZAÇÃO DA REINCIDÊNCIA.
DESPROPORCIONALIDADE. 1. À luz do posicionamento firmado pelo Supremo Tribunal Federal na
questão de ordem no RE nº 430.105/RJ, julgado em 13/02/2007, de que o porte de droga para
consumo próprio, previsto no artigo 28 da Lei nº 11.343/2006, foi apenas despenalizado pela nova Lei
de Drogas, mas não descriminalizado, esta Corte Superior vem decidindo que a condenação anterior
pelo crime de porte de droga para uso próprio configura reincidência, o que impõe a aplicação da
agravante genérica do artigo 61, inciso I, do Código Penal e o afastamento da aplicação da causa
especial de diminuição de pena do parágrafo 4º do artigo 33 da Lei nº 11.343/06. 2. Todavia, se a
contravenção penal, punível com pena de prisão simples, não configura reincidência, resta
inequivocamente desproporcional a consideração, para fins de reincidência, da posse de droga para
consumo próprio, que conquanto seja crime, é punida apenas com "advertência sobre os efeitos das
drogas", "prestação de serviços à comunidade" e "medida educativa de comparecimento a programa
ou curso educativo", mormente se se considerar que em casos tais não há qualquer possibilidade de
conversão em pena privativa de liberdade pelo descumprimento, como no caso das penas
substitutivas. 3. Há de se considerar, ainda, que a própria constitucionalidade do artigo 28 da Lei de
Drogas, que está cercado de acirrados debates acerca da legitimidade da tutela do direito penal em
contraposição às garantias constitucionais da intimidade e da vida privada, está em discussão perante
o Supremo Tribunal Federal, que admitiu Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 635.659
para decidir sobre a tipicidade do porte de droga para consumo pessoal. 4. E, em face dos
questionamentos acerca da proporcionalidade do direito penal para o controle do consumo de
drogas em prejuízo de outras medidas de natureza extrapenal relacionadas às políticas de redução de
danos, eventualmente até mais severas para a contenção do consumo do que aquelas previstas
atualmente, o prévio apenamento por porte de droga para consumo próprio, nos termos do artigo 28
da Lei de Drogas, não deve constituir causa geradora de reincidência. 5. Recurso improvido.
STJ EM 2018: A ausência de apreensão da droga não torna a conduta atípica se existirem outros
elementos de prova aptos a comprovarem o crime de tráfico. STJ. 6ª Turma. HC 131455-MT, Rel. Min.
Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 2/8/2012. A materialidade do crime de tráfico de
entorpecentes pode ser atestada por outros meios idôneos existentes nos autos quando não houve
apreensão da droga e não foi possível realizar o exame pericial, especialmente se encontrado

133
entorpecentes com outros corréus ou integrantes da organização criminosa. STJ. 5ª Turma. AgRg no
AREsp 1116262/GO, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 06/11/2018
INFO 915 DO STF Não configura crime a importação de pequena quantidade de sementes de
maconha. STF. 2ª Turma. HC 144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018 (Info 915).

#SELIGANASÚMULA #APOSTACICLOS
Súmula 607, STJ: A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006)
configura-se com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a
transposição de fronteiras.
Súmula 587, STJ: Para a incidência da majorante prevista no artigo 40, V, da Lei 11.343/06, é
desnecessária a efetiva transposição de fronteiras entre estados da federação, sendo suficiente a
demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico interestadual.

134
DIREITO PROCESSUAL PENAL8

1 A norma processual penal no tempo e no espaço. Interpretação da norma processual penal. 2 Fontes
do Direito Processual Penal. Aplicação da lei processual penal. Princípios disciplinadores do Direito
Processual Penal. As garantias constitucionais e o Processo Penal.
APLICAÇÃO DA LEI PENAL:
Regra do Tempus Regit Actum: A lei processual penal será aplicada tão logo entre em vigor, sem
prejuízo dos atos já praticados. Desse modo, não importa o momento da prática do delito, mas sim o
momento da prática do ato processual. Dessa regra, decorrem dois efeitos: (i) os atos processuais
praticados sob a vigência da lei anterior são considerados válidos; (ii) as normas processuais têm
aplicação imediata
Art. 2º. A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob
a vigência da lei anterior.
Princípio da Territorialidade: Já em relação em relação à lei penal no espaço: enquanto à lei penal
aplica-se o princípio da territorialidade e da extraterritorialidade, o CPP adota, como regra, o princípio
da territorialidade ou da lex fori, uma vez que a atividade jurisdicional é um dos aspectos da soberania
nacional, logo, não pode ser exercida além das fronteiras do respectivo Estado – Art. 1º, CPP.
INTERPRETAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL: A lei processual penal admitirá interpretação extensiva
e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito (art. 3º, CPP).
PRINCÍPIOS:
Princípio da Não Culpabilidade (ou princípio da presunção de inocência): está previsto no art. 5º, LVII,
CF/88, e significa que ninguém poderá ser culpado sem sentença com trânsito em julgado.
#DEOLHONAJURIS:
A execução provisória de acórdão penal condenatório proferido em grau de apelação, ainda que
sujeito a recurso especial ou extraordinário, NÃO ofende o princípio constitucional da presunção de
inocência (art. 5º, LVII, da CF/88) e não viola o texto do art. 283 do CPP.
STF. Plenário. ADC 43 e 44 MC/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin,
julgados em 05/10/2016 (Info 842).
Não é possível a execução provisória da pena se foram opostos embargos de declaração contra o
acórdão condenatório proferido pelo Tribunal de 2ª instância e este recurso ainda não foi julgado.
STJ. 6ª Turma. HC 366.907-PR, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 6/12/2016 (Info 595).

Princípio do Contraditório: está previsto no art. 5º, LV, CF/88, e significa que aos litigantes em processo
administrativo e judicial serão garantidos o contraditório e a ampla defesa. O contraditório dignifica o
direito à informação e à participação.

8
Por Thaís Oliveira.
135
#DEOLHONASÚMULA:
SÚMULA 707, STF: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao
recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo.

Princípio da Ampla Defesa: está previsto no art. 5º, LV, CF/88, e significa que aos litigantes em
processo administrativo e judicial serão garantidos o contraditório e a ampla defesa. A ampla defesa
significa a autodefesa e a defesa técnica.
• A defesa técnica é aquela exercida por profissional habilitado e que tenha capacidade postulatória
(ex. advogado, defensor público, defensor dativo), cuja ausência acarreta a nulidade absoluta do
processo.
#ATENÇÃO: O réu tem direito de escolher seu defensor.
• A autodefesa é o direito de audiência (o réu tem direito a um contato direto com o juiz para expor
suas considerações sobre o fato, ex. no interrogatório), o direito de presença (o réu tem o direito
de acompanhar os atos processuais que são proferidos no bojo do processo contra si) e o direito
de postular (ex. HC, revisão criminal).

#DEOLHONASSÚMULAS:
SÚMULA 523, STF: No processo penal, a falta de defesa técnica acarretará a nulidade absoluta, mas sua
deficiência só o anulará se houver prejuízo ao réu;
SÚMULA 522, STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda
que em situação de alegada autodefesa.

Princípio da Publicidade: trata-se da transparência da atividade jurisdicional. Ferrajoli diz que o


princípio da publicidade funciona como garantia de segundo grau ou garantia da garantia.
Princípio da Inadmissibilidade de Provas Obtidas por Meio Ilícito: o art. 157, “caput”, CPP proíbe a
utilização de provas obtidas por meios ilícitos, salvo quando oriunda de fonte independente ou
quando não guardarem nexo de causalidade entre si (art. 157, §1º, CPP).
Princípio do Juiz Natural: ninguém será processado e julgado senão pela autoridade competente de
acordo com normas preestabelecidas. Veda-se o Tribunal de exceção e o juízo post factum.
Princípio do Nemo Tenetur Se Detegere: significa que ninguém é obrigado a produzir provas contra si
mesmo. Ex. no interrogatório o acusado poderá ficar em silêncio. Até mesmo as testemunhas, ainda
que prestem compromisso, podem invocar esse princípio quando entender que a informação poderá
lhe incriminar.
Princípio da Proporcionalidade: não está previsto expressamente na CF e pode ser visto por 3
perspectivas:
• Adequação: a medida restritiva deverá ser adequada para o fim proposto.
• Necessidade: dentre as várias medidas restritivas, a escolhida deverá ser a menos gravosa.
• Proporcionalidade em Sentido Estrito: gravame imposto x bem jurídico a que se quer proteger.
136
3 Polícia e Inquérito Policial.
INQUÉRITO POLICIAL:
Conceito: Inquérito policial é um procedimento administrativo inquisitório, preliminar e informativo,
presidido por autoridade policial, com a finalidade de apurar autoria, materialidade, circunstâncias e
fontes de prova para formar a opinião delitiva do titular da ação penal e fornecer indícios/justa causa
para cautelares.

#DEOLHONAJURIS
A suspeição de autoridade policial não é motivo de nulidade do processo, pois o inquérito é mera
peça informativa, de que se serve o Ministério Público para o início da ação penal. Assim, é inviável a
anulação do processo penal por alegada irregularidade no inquérito, pois, segundo jurisprudência
firmada no STF, as nulidades processuais estão relacionadas apenas a defeitos de ordem jurídica pelos
quais são afetados os atos praticados ao longo da ação penal condenatória.
STF. 2ª Turma. RHC 131450/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/5/2016 (Info 824).

Características do IP: Peça sigilosa, dispensável, escrita e assinada pela autoridade policial,
procedimento inquisitorial (porque não há contraditório e nem ampla defesa), oficial (feito por um
delegado de polícia), oficioso (o delegado deverá abrir IP de ofício nos casos de crimes submetidos à
ação penal pública incondicionada) e indisponível (o delegado, uma vez instaurado o IP, não poderá
arquivá-lo).
#DEOLHONASÚMULA:
SÚMULA VINCULANTE 14 - É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

#AJUDAMARCINHO:
A súmula vinculante continua válida. Contudo, depois da alteração promovida pela Lei nº 13.245/2016,
é importante que você saiba que o direito dos advogados foi ampliado e que eles possuem direito de
ter amplo acesso a qualquer procedimento investigatório realizado por qualquer instituição (e não
mais apenas aquele realizado "por órgão com competência de polícia judiciária", como prevê o texto
da SV 14). Se for negado o direito do advogado de ter acesso a procedimento investigatório realizado
por órgão com competência de polícia judiciária: o profissional poderá propor reclamação
diretamente no STF invocando violação à SV 14. Se for negado o direito do advogado de ter acesso a
procedimento investigatório realizado por outros órgãos: o profissional não poderá propor
reclamação porque esta situação não está prevista na SV 14. Deverá impetrar mandado de segurança
ou ação ordinária alegando afronta ao art. 7º, XIV, do Estatuto da OAB.
#SAINDODOFORNO
INFO 933 DO STF Não é necessária a intimação prévia da defesa técnica do investigado para a
tomada de depoimentos orais na fase de inquérito policial. Não haverá nulidade dos atos processuais
caso essa intimação não ocorra. O inquérito policial é um procedimento informativo, de natureza
137
inquisitorial, destinado precipuamente à formação da opinio delicti do órgão acusatório. Logo, no
inquérito há uma regular mitigação das garantias do contraditório e da ampla defesa. Esse
entendimento justifica-se porque os elementos de informação colhidos no inquérito não se prestam,
por si sós, a fundamentar uma condenação criminal. A Lei nº 13.245/2016 implicou um reforço das
prerrogativas da defesa técnica, sem, contudo, conferir ao advogado o direito subjetivo de intimação
prévia e tempestiva do calendário de inquirições a ser definido pela autoridade policial. STF. 2ª Turma.
Pet 7612/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 12/03/2019 (Info 933).

Indiciamento: O indiciamento, ato privativo da autoridade policial, é o direcionamento da investigação


para determinada pessoa, diante de indícios de autoria e materialidade.

#ATENÇÃO: É possível o indiciamento por requisição do Ministério Público e do Juiz? Quanto à


requisição por membro do parquet prevalece o entendimento pela possibilidade. No que tange ao
juiz, deve ser observado que o art. 5º, II, do CPP prevê, mas tal previsão, anterior ao atual sistema
constitucional, não se adequa ao sistema acusatório trazido pela CF/88. Nesse mesmo sentido é a
inteligência do art. 2º, § 6º, da Lei 12.830/2013, que afirma que o indiciamento é ato inserto na esfera
de atribuições da polícia judiciária.
#DEOLHONAJURIS:
O magistrado não pode requisitar o indiciamento em investigação criminal. Isso porque o indiciamento
constitui atribuição exclusiva da autoridade policial. (STJ, 2015 – 552)

Arquivamento do Inquérito Policial: #APOSTACICLOS

É POSSÍVEL
MOTIVO DO ARQUIVAMENTO
DESARQUIVAR?
SIM
1) Insuficiência de provas
(Súmula 524-STF)
2) Ausência de pressuposto processual ou de condição da ação penal SIM
3) Falta de justa causa para a ação penal (não há indícios de autoria ou
SIM
prova da materialidade)
4) Atipicidade (fato narrado não é crime) NÃO
STJ: NÃO (REsp 791471/RJ)
5) Existência manifesta de causa excludente de ilicitude
STF: SIM (HC 125101/SP)
NÃO
6) Existência manifesta de causa excludente de culpabilidade*
(Posição da doutrina)
NÃO
(STJ HC 307.562/RS)
7) Existência manifesta de causa extintiva da punibilidade (STF Pet 3943)
Exceção: certidão de óbito
falsa

138
Prazo para a conclusão de IP: #COLANARETINA!
Investigado preso Investigado solto
CPP (art. 10, caput) 10 DIAS 30 DIAS
IP Federal 15 + 15 30 DIAS
IP Militar 20 DIAS 40 + 20
Lei de Drogas 30 + 30 90 + 90
Crimes contra a economia
10 10
popular
Prisão temporária decretada em
IP relativo a crimes hediondos 30 + 30 Não se aplica
ou equiparados

#NÃOCONFUNDA #DEOLHONANOMENCLATURA:
• O que se entende por ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO? É quando o MP não denuncia determinados
agentes ou determinados crimes. Se o juiz não invocar o art. 28, haveria o arquivamento implícito.
A jurisprudência não aceita, dizendo que o art. 28 exige motivação do pedido de arquivamento.
• O que se entende por ARQUIVAMENTO INDIRETO? Imagine a seguinte situação: o MP não quer
oferecer denúncia, pois diz que o juiz é incompetente. O juiz não quer enviar os autos a outro juiz,
pois ele se diz competente. Não se trata de conflito de competência, pois não há dois órgãos
jurisdicionais. Não se trata de conflito de atribuições, pois não há dois MP. O que fazer nesse
caso? Deve o juiz receber a manifestação do MP como se tratasse de pedido de arquivamento
indireto, aplicando, por analogia, o art. 28.
Art. 28, CPP: Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o
arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar
improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-
geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou
insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.

#DEOLHONASSÚMULAS:
SÚMULA 524, STF: Arquivado o Inquérito Policial, por despacho do Juiz, a requerimento do Promotor de
Justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.
Súmula 234, STJ: A Participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal não
acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.

4. Ação Penal. Ação Civil.


Condições da Ação Penal: são também chamadas de condições de procedibilidade. Percebam que na
ação penal, além das condições genéricas, em alguns casos vamos precisar das condições específicas
da ação.

139
POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO: o pedido deverá ser juridicamente possível.
Para o STJ, pedido juridicamente impossível é aquele que encontra expressa
vedação legal. Ex.: pedido de condenação criminal de agente menor de 18 anos
(inimputável) na data do fato típico.
LEGITIMIDADE AD CAUSAM: é a pertinência subjetiva da ação. Ex. MP tem
legitimidade na AP pública e na ação penal pública condicionada à representação. O
ofendido ou seu representante legal tem legitimidade na ação penal privada.
INTERESSE EM AGIR: #DICADACOACH trinômio U.N.A
1. Necessidade: não há pena sem processo. É inerente ao processo penal. Exceção:
Juizados Especiais.
2.Adequação da via eleita: Em se tratando de ação penal condenatória, a
adequação, em verdade, é irrelevante no processo penal, porque, por óbvio, sempre
CONDIÇÕES será a mesma espécie de ação (ação penal condenatória), ou seja, não há diferentes
GENÉRICAS espécies de ação penal, como acontece no processo civil. O acusado se defende dos
fatos e não da classificação jurídica a eles atribuída no processo penal. Portanto,
conclui-se que a adequação só interessa quanto ao estudo de ações penais não
condenatórias. Ex.: HC, que somente poderá ser impetrado quando houver privação
da liberdade do agente.
3.Utilidade: o processo vai servir aos interesses do autor? A doutrina dá o exemplo
da prescrição em perspectiva ou virtual (que não é aceita pela jurisprudência –
entendimento sumulado).
SÚMULA 438, STJ: É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da
pretensão punitiva com fundamento em pena hipotética, independentemente da
existência ou sorte do processo penal.
JUSTA CAUSA: é um mínimo de lastro probatório necessário para o ajuizamento da
ação penal, demonstrando a viabilidade da pretensão punitiva.
Representação do ofendido.
CONDIÇÕES Requisição do Ministro da Justiça.
ESPECÍFICAS Laudo preliminar no caso de envolver drogas.
Entrada do agente no território nacional no caso de extraterritorialidade da lei penal.

Condições de Procedibilidade X Condições de Prosseguibilidade:


CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA O INÍCIO DA
(#CONDIÇÕES DA AÇÃO): AÇÃO PENAL
CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA O
CONDIÇÕES DE PROSSEGUIBILIDADE:
SEGUIMENTO DO PROCESSO

Princípios da Ação Penal:


PRINCÍPIOS PRINCÍPIOS
AÇÃO PENAL PÚBLICA AÇÃO PENAL PRIVADA
Princípio do NE PROCEDAT IUDEX EX OFFICIO Também se aplica nas ações de iniciativa privada.

140
(princípio da iniciativa das partes): com a adoção
do sistema acusatório pela CF, ao juiz não é dado
iniciar um processo de ofício. Ou seja, existe no
Brasil o processo judicialiforme. Obs. A execução
pode se iniciar de ofício.
Princípio do NE BIS IN IDEM: ninguém pode ser
Também se aplica.
processado duas vezes pela mesma imputação.
Princípio da intranscendência: a ação só pode ser
proposta em face do provável autor do crime, e Também se aplica.
ninguém mais.
Princípio da obrigatoriedade (legalidade
processual): presentes as condições da ação, o Princípio da oportunidade ou da conveniência: o
MP é obrigado a denunciar (art. 24, CPP). Há ofendido não é obrigado a oferecer queixa. Ele
exceções: (a) Transação penal; (b) Acordo de pode ficar inerte durante 06 meses ou renunciar o
leniência; (c) TAC; (d) Parcelamento do débito direito de queixa.
tributário; (e) Colaboração premiada.
Princípio da indisponibilidade: oferecida a
Princípio da disponibilidade: o querelante pode
denúncia, o MP não pode desistir do processo
desistir do processo em curso. Ex. Perdão do
(art. 42) ou do recurso interposto. No entanto,
ofendido, perempção e conciliação nos crimes
pode pedir a absolvição.
contra a honra de competência do juiz singular
Art. 42. O Ministério Público não poderá desistir da
(art. 522).
ação penal.
Princípio da indivisibilidade: o ofendido só pode
agir contra todos os envolvidos (art. 48). Se deixar
Princípio da divisibilidade (doutrina majoritária): um de fora, há renúncia tácita, que se estenderá
O Ministério Público não é obrigado a denunciar aos demais. O MP pode intimar o ofendido para
todos os envolvidos nos fatos tidos por delituosos, se manifestar a respeito, pois talvez ele apenas
dado que não vigora, na ação penal pública tenha se esquecido de um dos envolvidos.
incondicionada, o princípio da indivisibilidade. Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores do
crime obrigará ao processo de todos, e o Ministério
Público velará pela sua indivisibilidade.
Princípio da oficialidade: a persecução penal, nas
Só se aplica na fase pré-processual, já que o
investigações e durante o processo, é feita por
processo é conduzido pelo ofendido.
órgãos estatais.
Princípio da autoridade: o órgão referido acima é Só se aplica na fase pré-processual, já que o
uma autoridade pública. processo é conduzido pelo ofendido.
Princípio da oficiosidade: nos crimes de ação NÃO SE APLICA, pois até mesmo o início das
incondicionada, as autoridades devem agir de investigações depende de requerimento do
ofício, mesmo sem requerimento do ofendido. ofendido.

#DEOLHONAJURIS:

141
Na ação penal pública NÃO vigora o princípio da indivisibilidade. Assim, o MP não está obrigado a
denunciar todos os envolvidos no fato tido por delituoso, não se podendo falar em arquivamento
implícito em relação a quem não foi denunciado. Isso porque o Parquet é livre para formar sua
convicção, incluindo na denúncia as pessoas que ele entenda terem praticado o crime, mediante a
constatação de indícios de autoria e materialidade.
STJ. 6ª Turma. RHC 34233-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 6/5/2014 (Info 540).
Não oferecida a queixa-crime contra todos os supostos autores ou partícipes da prática delituosa, há
afronta ao princípio da indivisibilidade da ação penal, a implicar renúncia tácita ao direito de querela,
cuja eficácia extintiva da punibilidade estende-se a todos quantos alegadamente hajam intervindo no
cometimento da infração penal.
STF. 1ª Turma. Inq 3526/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 2/2/2016 (Info 813).
O princípio da indivisibilidade significa que a ação penal deve ser proposta contra todos os autores e
partícipes do delito. Segundo a posição da jurisprudência, o princípio da indivisibilidade só se aplica
para a ação pena privada (art. 48 do CPP). O que acontece se a ação penal privada não for proposta
contra todos
O que ocorre se um dos autores ou partícipes, podendo ser processado pelo querelante, ficar de fora?
Qual é a consequência do desrespeito ao princípio da indivisibilidade?
• Se a omissão foi VOLUNTÁRIA (DELIBERADA): se o querelante deixou, deliberadamente, de oferecer
queixa contra um dos autores ou partícipes, o juiz deverá rejeitar a queixa e declarar a extinção da
punibilidade para todos (arts. 104 e 107, V, do CP). Todos ficarão livres do processo.
• Se a omissão foi INVOLUNTÁRIA: o MP deverá requerer a intimação do querelante para que ele
faça o aditamento da queixa-crime e inclua os demais coautores ou partícipes que ficaram de fora.
Assim, conclui-se que a não inclusão de eventuais suspeitos na queixa-crime não configura, por si só,
renúncia tácita ao direito de queixa. Para o reconhecimento da renúncia tácita ao direito de queixa,
exige-se a demonstração de que a não inclusão de determinados autores ou partícipes na queixa-
crime se deu de forma deliberada pelo querelante. STJ. 5ª Turma. RHC 55142-MG, Rel. Min. Felix
Fischer, julgado em 12/5/2015 (Info 562).
É possível condenar o querelante em honorários advocatícios sucumbenciais na hipótese de rejeição
de queixa-crime por ausência de justa causa. STJ. 3ª Seção. EREsp 1218726-RJ, Rel. Min. Felix Fischer,
julgado em 22/6/2016 (Info 586).

Renúncia X Perdão:

RENÚNCIA PERDÃO DO OFENDIDO


Causa extintiva da punibilidade nas hipóteses de Causa extintiva da punibilidade nas hipóteses de
ação penal exclusivamente privada ou ação penal exclusivamente privada ou
personalíssima. Pode ser expressa ou tácita, personalíssima. Também pode ser expresso ou
admitindo todos os meios de prova (art. 57). tácito.
Decorre do princípio da oportunidade ou
Decorre do princípio da disponibilidade.
conveniência.
142
Ato bilateral: depende de aceitação do réu (art.
51). A aceitação pode ser expressa ou tácita (art.
Ato unilateral: não depende de aceitação.
58). O procedimento da aceitação está previsto
entre os artigos 52 a 55.
É concedido durante o curso do processo. Pode
ocorrer até o trânsito em julgado (art. 106, §2º,
É ato extraprocessual (pode ocorrer até o
CP). No entanto, pela redação do CPP, percebe-
oferecimento da queixa-crime)
se que também pode ser extraprocessual (artigos
56 e 59).
Por força do princípio da indivisibilidade, a Por força do princípio da indivisibilidade, o perdão
renúncia concedida a um dos coautores ou concedido a um dos coautores ou partícipes do
partícipes do delito estende-se aos demais delito estende-se aos demais, desde que haja
(extensabilidade da renúncia – art. 49). aceitação.

#DEOLHONASSÚMULAS:
SÚMULA 714, STF: É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa e do Ministério Público,
condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor
público em razão do exercício de suas funções; sem representação, não há procedibilidade da ação
penal.
SÚMULA 542, STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica
contra a mulher é pública incondicionada.

5 Jurisdição Órgãos de Jurisdição Penal. Competência. Métodos de determinação e modificação da


competência. Conflito de jurisdição. Conflito de Competência. Competência da Justiça Federal e da
Justiça Militar Estadual.

Competência absoluta X Competência relativa:


COMPETÊNCIA ABSOLUTA COMPETÊNCIA RELATIVA
Regra de competência criada com base no Regra de competência criada com base no
interesse público. interesse preponderante das partes.
Não pode ser modificada. É improrrogável (art.
62, CPC).
Art. 62. A competência determinada em razão da Pode ser modificada ou prorrogada.
matéria, da pessoa ou da função é inderrogável
por convenção das partes.
É causa de nulidade absoluta: (a) pode ser
arguida a qualquer momento, mesmo após o
É causa de nulidade relativa: (a) deve ser arguida
trânsito em julgado; (b) o prejuízo é presumido.
no momento oportuno, sob pena de preclusão;
#ATENÇÃO: Sentença absolutória proferida por
(b) o prejuízo deve ser comprovado.
juiz absolutamente incompetente não poderá ser
desfeita, pois não existe revisão PRO SOCIETATE.
143
Pode ser reconhecida de ofício pelo juiz, porém
somente até o início da instrução, em virtude do
Pode ser reconhecida de ofício pelo juiz,
princípio da identidade física do juiz (art. 399, §2º).
enquanto não esgotada a jurisdição pela prolação
Não se aplica no processo penal a súmula 33 do
da sentença.
STJ (A incompetência relativa não pode ser
declarada de ofício).
Pode ser arguida por meio de exceção de Pode ser arguida por meio de exceção de
incompetência. Porém, como o magistrado pode incompetência. Porém, como o magistrado pode
conhecê-la de ofício, nada impede que a parte conhecê-la de ofício, nada impede que a parte
aborde a incompetência absoluta de outra forma. aborde a incompetência relativa de outra forma.
Como não pode ser modificada ou alterada, a
Conexão e continência podem alterar a
conexão e continência não alteram a competência
competência relativa.
absoluta.
Ex. Competência territorial, competência por
distribuição ou por prevenção.
Ex. Competência em razão da matéria, da função
Súmula 706, STF: É relativa a nulidade decorrente
e funcional.
da inobservância da competência penal por
prevenção.

Regra na Distribuição da Competência: O art. 69, CPP, traz as regras de fixação da competência: a) o
lugar da infração; b) o domicílio ou residência do réu; c) a natureza da infração; d) a distribuição; e) a
conexão ou continência; f) a prevenção; g) a prerrogativa de função.

Crime consumado: lugar em que se consumar a infração;


Crime tentado: lugar em que for praticado o último ato de execução.
Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se
REGRA
consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for
praticado o último ato de execução.
→ TEORIA DO RESULTADO
Art. 70.
§ 1º Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar
fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido
praticado, no Brasil, o último ato de execução.
§ 2º Quando o último ato de execução for praticado fora do território
ENVOLVENDO MAIS DE
nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora
UM PAÍS
parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado.
§3º Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou
quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada
nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela
prevenção.
INFRAÇÃO Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em
CONTINUADA ou CRIME território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela

144
PERMANENTE prevenção.
Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-
se-á pelo domicílio ou residência do réu.
NÃO SENDO
§ 1º Se o réu tiver mais de uma residência, a competência firmar-se-á pela
CONHECIDO O LUGAR
prevenção.
DA INFRAÇÃO
§ 2º Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro,
será competente o juiz que primeiro tomar conhecimento do fato.
Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o
AÇÃO PENAL PRIVADA FORO DE DOMICÍLIO OU DA RESIDÊNCIA DO RÉU, ainda quando
conhecido o lugar da infração.
Art. 88. No processo por crimes praticados fora do território brasileiro, será
CRIMES PRATICADOS
competente o juízo da Capital do Estado onde houver por último residido o
FORA DO TERRITÓRIO
acusado. Se este nunca tiver residido no Brasil, será competente o juízo da
BRASILEIRO
Capital da República.
Justiça Estadual.
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...) IV - os crimes
políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou
CONTRAVENÇÃO PENAL
interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas,
EXCLUÍDAS AS CONTRAVENÇÕES e ressalvada a competência da Justiça
Militar e da Justiça Eleitoral;

#OLHAOGANCHO:

TIPO DE CRIME COMPETÊNCIA


CRIMES PLURILOCAIS COMUNS Teoria do resultado
CRIMES PLURILOCAIS DOLOSOS CONTRA A
Teoria da atividade
VIDA
JUIZADOS ESPECIAIS Teoria da atividade
ATOS INFRACIONAIS Teoria da atividade
CRIMES FALIMENTARES Local onde foi decretada a falência

#SELIGA: No JECRIM aplica-se a teoria da atividade (a competência será do lugar da ação ou


omissão). Por sua vez, na ação penal privada, a competência será do lugar da infração ou do domicílio
do réu (foros concorrentes).
Também há a exceção nos casos de crimes contra vida, em que a competência será determinada pela
teoria da ATIVIDADE. Assim, no caso de crimes contra a vida (dolosos ou culposos), se os atos de
execução ocorreram em um lugar e a consumação se deu em outro, a competência para julgar o fato
será do local onde foi praticada a conduta (local da execução).

CONEXÃO (Art. 76):


Conexão intersubjetiva (inciso I): envolve a prática de vários crimes por várias pessoas.

145
(i) Por simultaneidade (conexão subjetivo-objetiva ou intersubjetiva ocasional – inciso I, 1ª parte): duas
ou mais infrações são praticadas ao mesmo tempo por diversas pessoas ocasionalmente reunidas. Exs.
Diversos torcedores que nem se conhecem depredam um estádio; diversas pessoas saqueiam um
supermercado.
(ii) Por concurso (concursal – inciso I, 2ª parte): duas ou mais pessoas, em concurso, praticam dois ou
mais crimes, ainda que em tempo ou locais diversos.
(iii) Por reciprocidade (inciso I – parte final): duas ou mais infrações são praticadas por várias pessoas,
umas contra as outras. Ex. Duas gangues combinam brigar. Nesse caso, teremos várias lesões
corporais. E quanto ao crime de rixa? Não é um bom exemplo, pois, nesse caso, teremos apenas um
único crime de rixa.
Conexão objetiva, lógica, material ou teleológica (inciso II): ocorre em duas situações:
(i) Um crime é praticado para facilitar a execução do outro (conexão objetiva teleológica); Ex. Mata o
segurança para facilitar o sequestro da vítima;
(ii) Um crime é praticado para garantir a vantagem ou a impunidade do outro (consequencial); Ex.
Estupra a vítima e depois mata a única testemunha do crime.
Conexão instrumental, probatória ou processual (inciso III): quando a prova de um crime influencia na
existência do outro. Exemplos: Prova da infração antecedente auxilia na prova do crime de lavagem;
prova do furto auxilia na prova do crime der receptação.

#SELIGANASÚMULA
Súmula 122-STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de
competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art.78, II, alínea “a”, do Código de Processo
Penal.

CONTINÊNCIA (Art. 77):


Continência subjetiva (inciso I): duas ou mais pessoas praticam um crime, como na coautoria.
Continência objetiva (inciso II): ocorrerá nos casos de concurso formal de crimes (70, CP), aberratio
ictus (73, CP) e aberratio delicti (74, CP).
REGRAS NA DETERMINAÇÃO DA COMPETÊNCIA POR CONEXÃO OU CONTINÊNCIA (art. 78, CPP):
1ª) prevalece o juiz que atua no local da consumação do crime mais grave (o que vale é a pena em
abstrato);
2ª) se os crimes têm a mesma gravidade, prevalece o juiz que atua no local da consumação do maior
número de infrações;
3ª) por sua vez, se os delitos têm a mesma gravidade e a mesma quantidade por comarca, prevalece o
juiz prevento.
SEPARAÇÃO FACULTATIVA DOS PROCESSOS (art. 80, CPP): quando as infrações tiverem sido
praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de

146
acusados e para não lhes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar
conveniente a separação.
SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DOS PROCESSOS: se houver concurso entre a jurisdição comum e a
militar; se houver concurso entre a jurisdição comum e o juízo de menores (ECA) – art. 79 CPP; se
sobrevier doença mental em relação a um corréu (art. 79, §1º, CPP); se houver corréu foragido; se não
houver número mínimo de jurados no tribunal do júri (estouro de urna) – art. 79 §2º, CPP.
Hipóteses de foro por prerrogativa de função previstas na CF/88:
AUTORIDADE FORO COMPETENTE
Presidente e Vice-Presidente da República
Deputados Federais e Senadores
Ministros do STF
Procurador-Geral da República
Ministros de Estado
STF
Advogado-Geral da União
Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica
Ministros do STJ, STM, TST, TSE
Ministros do TCU
Chefes de missão diplomática de caráter permanente
Governadores
Desembargadores (TJ, TRF, TRT)
Membros dos TRE STJ
Conselheiros dos Tribunais de Contas
Membros do MPU que oficiem perante tribunais
Juízes Federais, Juízes Militares e Juízes do Trabalho
TRF ou TRE
Membros do MPU que atuam na 1ª instância
Juízes de Direito
TJ
Promotores e Procuradores de Justiça
Prefeitos TJ, TRF ou TRE

#DEOLHONASSÚMULAS:
Súmula 38-STJ: Compete a Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o processo
por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou
de suas entidades.
Súmula 73-STJ: A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de
estelionato, da competência da Justiça Estadual.
Súmula 104-STJ: Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação e uso de
documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino.

147
Súmula 107-STJ: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de estelionato praticado
mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias, quando não ocorrente
lesão à autarquia federal.
Súmula 140-STJ: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que o indígena figure
como autor ou vítima.
Súmula 546-STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é firmada
em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado documento público, não importando a
qualificação do órgão expedidor.
Súmula 522-STF: Salvo ocorrência de tráfico com o exterior, quando, então, a competência será da
Justiça Federal, compete a justiça dos estados o processo e o julgamento dos crimes relativos a
entorpecentes.
Súmula 498-STF: Compete a justiça dos estados, em ambas as instâncias, o processo e o julgamento
dos crimes contra a economia popular.
#DEOLHONAJURIS:
#SAINDODOFORNO #APOSTACICLOS Quem julga, no Brasil, crime cometido por brasileiro no
exterior e cuja extradição tenha sido negada? • STF: Justiça Estadual • STJ: Justiça Federal O fato de o
delito ter sido cometido por brasileiro no exterior, por si só, não atrai a competência da Justiça Federal.
Assim, em regra, compete à Justiça Estadual julgar o crime praticado por brasileiro no exterior e que lá
não foi julgado em razão de o agente ter fugido para o Brasil, tendo o nosso país negado a extradição
para o Estado estrangeiro. Somente será de competência da Justiça Federal caso se enquadre em
alguma das hipóteses do art. 109 da CF/88. STF. 1ª Turma. RE 1175638 AgR/PR, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 2/4/2019 (Info 936). Compete à Justiça Federal o processamento e o julgamento da ação
penal que versa sobre crime praticado no exterior que tenha sido transferida para a jurisdição
brasileira, por negativa de extradição. STJ. 3ª Seção. CC 154656-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado
em 25/04/2018 (Info 625). STJ. 6ª Turma. RHC 88.432/AP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
19/02/2019.
INFO 933 DO STF Compete à Justiça Eleitoral julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem
conexos. Cabe à Justiça Eleitoral analisar, caso a caso, a existência de conexão de delitos comuns aos
delitos eleitorais e, em não havendo, remeter os casos à Justiça competente. STF. Plenário. Inq 4435
AgR-quarto/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 13 e 14/3/2019 (Info 933).
O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do
cargo e relacionados às funções desempenhadas.
STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018.
Nos termos do art. 70 do CPP, a competência é, em regra, determinada pelo lugar em que se
consuma a infração penal ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de
execução.
O delito de estelionato consuma-se no local em que ocorre o efetivo prejuízo à vítima, ou seja, na
localidade da agência onde a vítima possuía a conta bancária.

148
Assim, a competência para o processo e julgamento do estelionato deve ser O LOCAL EM QUE A
VÍTIMA MANTÉM A CONTA BANCÁRIA.
Ex: João, famoso estelionatário que mora em Belo Horizonte (MG), ligou para a casa de Maria, uma
senhora que reside em Campo Grande (MS). Na conversa, João afirmou que trabalhava no Governo e
que Maria tinha direito de receber de volta R$ 10 mil de impostos pagos a mais. Para isso, no entanto,
ela precisaria apenas depositar previamente R$ 1 mil a título de honorários advocatícios em uma conta
bancária cujo número ele forneceu. Maria, toda contente, depositou o valor na conta bancária,
pertencente a João, que no dia seguinte, foi até a sua agência, em Belo Horizonte (MG) e sacou a
quantia. João praticou o crime de estelionato (art. 171 do CP). A competência para processar e julgar o
crime será da vara criminal de Campo Grande (lugar onde ocorreu o dano efetivo).
STJ. 3ª Seção. CC 147811/CE, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 14/09/2016.
STJ. 3ª Seção. AgRg no CC 146524/SC, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 22/03/2017.
Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes consistentes em disponibilizar ou adquirir
material pornográfico envolvendo criança ou adolescente (arts. 241, 241-A e 241-B do ECA), quando
praticados por meio da rede mundial de computadores (internet). STF. Plenário. RE 628624/MG, Rel.
Orig. Min. Marco Aurélio, Red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28 e 29/10/2015
(repercussão geral) (Info 805).
O STJ, interpretando a decisão do STF, afirmou que, quando se fala em “praticados por meio da rede
mundial de computadores (internet)”, o que o STF quer dizer é que a postagem de conteúdo pedófilo-
pornográfico deve ter sido feita em um ambiente virtual propício ao livre acesso. Por outro lado, se a
troca de material pedófilo ocorreu entre destinatários certos no Brasil, não há relação de
internacionalidade e, portanto, a competência é da Justiça Estadual.
Assim, o STJ afirmou que a definição da competência para julgar o delito do art. 241-A do ECA passa
pela seguinte análise:
• Se ficar constatada a internacionalidade da conduta: Justiça FEDERAL. Ex: publicação do material feita
em sites que possam ser acessados por qualquer sujeito, em qualquer parte do planeta, desde que
esteja conectado à internet.
• Nos casos em que o crime é praticado por meio de troca de informações privadas, como nas
conversas via Whatsapp ou por meio de chat na rede social Facebook: Justiça ESTADUAL.
Isso porque tanto no aplicativo WhatsApp quanto nos diálogos (chat) estabelecido na rede social
Facebook, a comunicação se dá entre destinatários escolhidos pelo emissor da mensagem. Trata-se de
troca de informação privada que não está acessível a qualquer pessoa.
Desse modo, como em tais situações o conteúdo pornográfico não foi disponibilizado em um
ambiente de livre acesso, não se faz presente a competência da Justiça Federal.
STJ. 3ª Seção. CC 150564-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 26/4/2017 (Info 603).
Compete à Justiça estadual o julgamento de crime ambiental decorrente de construção de moradias
de programa habitacional popular, nas hipóteses em que a Caixa Econômica Federal atue, tão
somente, na qualidade de agente financiador da obra. O fato de a CEF atuar como financiadora da
149
obra não tem o condão de atrair, por si só, a competência da Justiça Federal. Isto porque para sua
responsabilização não basta que a entidade figure como financeira. É necessário que ela tenha atuado
na elaboração do projeto ou na fiscalização da segurança e da higidez da obra. STJ. 3ª Seção.CC
139197-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 25/10/2017 (Info 615).
Se o crime do art. 241-A do ECA for praticado por meio do computador da residência do agente
localizada em São Paulo (SP), mesmo assim ele poderá ser julgado pelo juízo de Curitiba (PR) se ficar
demonstrado que a conduta do agente ocorreu com investigações que tiveram início em Curitiba,
onde um grupo de pedófilos ligados ao agente foi preso e, a partir daí, foram obtidas todas as provas.
Neste caso, a competência do juízo de Curitiba ocorrerá por conexão, não havendo ofensa ao
princípio do juiz natural. STF. 1ª Turma. HC 135883/PR, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2017 (Info 868).

6 Sujeitos do processo. Capacidade processual. Legitimidade. O Ministério Público e seu assistente.


Acusado e defensor. O interrogatório do acusado e a ampla defesa. Princípios que regem o
contraditório.
INTERROGATÓRIO JUDICIAL:
Conceito: É o ato processual por meio do qual o juiz ouve o acusado sobre a sua pessoa e sobre a
imputação que lhe é feita.
Natureza jurídica: atualmente prevalece o entendimento que o interrogatório é meio de defesa.
Argumentos:
- Indivíduo está protegido pelo direito ao silêncio (nemo tenetur se detegere): Se o interrogatório fosse
meio de prova, o acusado estaria obrigado a responder as indagações, e se mentisse responderia por
crime.
- Realização do interrogatório ao final da audiência (CPP, art. 400). A partir de 2008, o interrogatório
passou a ser realizado ao final da audiência. Logo, o acusado responderá após ter tomado
conhecimento de toda a prova incriminatória produzida.
A ampla defesa subdivide-se em:
1. Defesa técnica: exercida pelo advogado.
2. Autodefesa: exercida pelo acusado. Dentro da autodefesa temos:
a) Direito de presença: direito de acompanhar os atos.
b) Direito de audiência: direito de ser ouvido pelo juiz, de modo a tentar formar seu convencimento
quanto a sua tese. Aqui, está localizado o interrogatório judicial.
c) Capacidade postulatória autônoma: ainda que o acusado não seja advogado, o CPP defere a ele a
possibilidade de praticar alguns atos processuais como, por exemplo, a interposição de recursos,
de habeas corpus e de incidentes da execução.
#INOVAÇÃOLEGISLATIVA: Do interrogatório deverá constar a informação sobre a existência de filhos,
respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável
pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa (art. 185, §10, CPP).

150
#DEOLHONAJURIS #APOSTACICLOS:
O CPP, ao tratar sobre a condução coercitiva, prevê o seguinte:
Art. 260. Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer
outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua
presença.
O STF declarou que a expressão “para o interrogatório” prevista no art. 260 do CPP não foi
recepcionada pela Constituição Federal. Assim, não se pode fazer a condução coercitiva do
investigado ou réu com o objetivo de submetê-lo ao interrogatório sobre os fatos. STF. Plenário. ADPF
395/DF e ADPF 444/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 13 e 14/6/2018 (Info 906).
A exigência de realização do interrogatório ao final da instrução criminal, conforme o art. 400 do CPP,
é aplicável no âmbito de processo penal militar. A realização do interrogatório ao final da instrução
criminal, prevista no art. 400 do CPP, na redação dada pela Lei nº 11.719/2008, também se aplica às
ações penais em trâmite na Justiça Militar, em detrimento do art. 302 do Decreto-Lei nº 1.002/69.
Logo, na hipótese de crimes militares, o interrogatório também deve ser realizado depois da oitiva das
testemunhas, ao final da instrução. STF. Plenário, julgado em 3/3/2016 (Info 816).

7 Do Processo e procedimento. Dos procedimentos comuns e especiais. 13 Crimes da competência do


júri e do juiz singular. Pronúncia. Impronúncia. Absolvição sumária. Desclassificação. Desqualificação.
Quesitos Do Julgamento pelo júri.
PROCEDIMENTO:
• Especial: previsto em leis especiais ou no próprio CPP para crimes específicos. Ex. Rito do júri,
crimes de funcionários públicos (arts. 513 a 518), lei de drogas, etc.
• Comum: é o rito padrão do CPP. Deve ser aplicado aos demais. Se divide em:
a) Ordinário;
b) Sumário;
c) Sumaríssimo.

DEFESA PRELIMINAR
RESPOSTA À ACUSAÇÃO
(resposta preliminar)
(a) Lei de drogas; (b) Procedimento
Previsão legal originário dos Tribunais; (c) JECRIM; (d) Art. 396-A, CPP, e art. 406.
Crimes funcionais afiançáveis (art. 514)
10 ou 15 dias, a depender da previsão 10 dias, a contar da citação, e não da
Prazo
legal. juntada do mandado (710/TF).
Após a citação do réu, que acontece
Entre o oferecimento e o recebimento da
Momento depois do recebimento da peça
peça acusatória.
acusatória.
Capacidade É indispensável que a peça seja É indispensável que a peça seja

151
postulatória apresentada por profissional da apresentada por profissional da
advocacia. Logo, se o acusado não estiver advocacia. Logo, se o acusado não estiver
regularmente inscrito na OAB, não pode regularmente inscrito na OAB, não pode
apresentar. apresentar.
Como a peça é apresentada antes do O objetivo é convencer o juiz acerca da
recebimento da peça de acusação, o seu presença de uma das causas de
objetivo precípuo é convencer o juiz absolvição sumária. Subsidiariamente,
Objetivo
acerca da presença de uma das causas de serve para arguir preliminares, juntar
rejeição da peça, evitando-se, assim, documentos, justificações, especificar
processo temerário. provas e juntar o rol de testemunhas.
Prevalece o entendimento de que é causa
apenas de nulidade relativa. Sobre o
tema, STJ elaborou a súmula 330. Ainda
que o STF, hoje, afaste a incidência da
súmula, ele entende que a superveniência
da sentença condenatória afasta a
possibilidade de reconhecimento de
A peça é obrigatória, sob pena de
Consequência nulidade pela inobservância da defesa
nulidade absoluta. Assim, caso não seja
da preliminar. Afinal, se a finalidade da
apresentada, o juiz nomeará defensor
inobservância defesa preliminar é permitir que o
para tanto.
denunciado apresente razões capazes de
induzir à conclusa da inviabilidade da
ação penal, a ulterior condenação –
fundada no exame da prova produzida
com todas as garantias do contraditório –,
faz presumido o atendimento daquele
requisito inicial.
Interpretação literal do art. 394, §4º, pode
levar a crer que sim. Embora haja
Existindo
doutrina em contrário, no sentido de que
defesa
o oferecimento de duas peças iguais
preliminar, há
frustra a razoável duração do processo.
necessidade
Do contrário, o rito especial será mais
de, após a -
moroso. Todavia, se o rito especial
citação, ser
contiver previr que será adotado o
apresentada
procedimento ordinário após a citação do
resposta à
réu, então será possível a resposta à
acusação?
acusação (é o que diz o rito dos crimes
funcionais afiançáveis).

#DEOLHONAJURIS:

152
O defensor do acusado apresenta a resposta à acusação e nela afirma que deseja arrolar testemunhas,
mas que ainda não conseguiu ter contato com o réu. Em virtude disso, pede para indicar o rol de
testemunhas posteriormente. Neste caso, o juiz pode aceitar o pedido da defesa? SIM. O magistrado
pode, de forma motivada, deferir o pedido apresentado em resposta à acusação pela defesa no
sentido de lhe ser permitida a indicação do rol de testemunhas em momento posterior, tendo em vista
que ainda não teria tido a oportunidade de contatar o réu. Vale ressaltar um aspecto muito
interessante: nesta hipótese, segundo entendeu o STJ, não há que se falar em preclusão porque não
houve inércia da parte.
O magistrado é obrigado a aceitar o pedido da defesa para apresentar o rol de testemunhas a
posteriori? NÃO. Ficará ao prudente arbítrio do magistrado deferir ou não o pedido formulado,
devendo a sua decisão ser motivada. Importante destacar, no entanto, que, se o juiz decidir, em nome
da busca da verdade real, deferir o pedido da defesa, tal decisão não viola os princípios da paridade
de armas e do contraditório.
Quando a defesa apresentar posteriormente o rol de testemunhas, elas serão classificadas e ouvidas
como "testemunhas do juízo" (art. 209 do CPP)? NÃO. Não se trata, em neste caso, de testemunha do
juízo (art. 209 do CPP). Tais testemunhas serão ouvidas como testemunhas de defesa. A única
diferença é que o juiz aceitou que o rol fosse apresentado depois do prazo da resposta à acusação.
(Info 565, STJ)
A decisão que acolher ou não as teses defensivas declinadas na resposta à acusação (“defesa
preliminar”) estabelecida no art. 396-A do CPP deve ser fundamentada? SIM. O juiz deverá
fundamentar, ainda que sucintamente, a decisão que acolher ou não as teses defensivas declinadas na
defesa preliminar estabelecida no art. 396-A do CPP, sob pena de configurar a negativa de prestação
jurisdicional.
Se o juiz decidir negar a absolvição sumária e determinar o prosseguimento do processo, ele precisará
refutar as teses trazidas pela defesa na resposta escrita? SIM. O magistrado, ao proferir decisão que
determina o prosseguimento do processo, deverá ao menos aludir àquilo que fora trazido na defesa
preliminar, não se eximindo também da incumbência de enfrentar questões processuais relevantes e
urgentes. (Info 556, STJ)
Embora o juiz já tenha recebido a denúncia, é possível que ele, depois de ler a resposta à acusação,
volte atrás e rejeite a denúncia por uma das hipóteses do art. 395. Se analisarmos bem, a resposta à
acusação, por exemplo, prevê que o réu pode arguir preliminares, mas o art. 397 (que trata da
absolvição sumária) não prevê nenhum caso de absolvição pelo reconhecimento de preliminar. Logo,
é evidente que o juiz não pode ficar restrito ao art. 397, ficando fadado a levar a termo um processo
sabidamente natimorto. Além disso, é possível analogia ao CPC, que autoriza a extinção sem mérito a
todo tempo, quando presente matéria de ordem pública (ex. falta de condição da ação ou
pressuposto processual). (Info 523, STJ)

PROCEDIMENTO RELATIVO AOS PROCESSOS DA COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI (ART. 406 A


497, CPP):
1ª FASE - IUDICIUM ACCUSATIONIS:

153
TRÂMITE: oferecimento da denúncia pelo MP ou queixa-crime pelo querelante ➔ recebimento da
denúncia pelo Juiz ➔citação do acusado para responder em 10 dias ➔ não apresentada resposta no
prazo legal: o juiz nomeará defensor público para oferecê-la em 10 dias ➔ Réplica: juiz ouvirá MP ou
o querelante sobre preliminares e documentos (5 dias) ➔ inquirição de testemunhas e realização de
diligências, no prazo máximo de 10 dias ➔ audiência de instrução v conclusão do procedimento em
até 90 dias.
AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO: declarações do ofendido ➔ inquirição de testemunhas (arroladas pela
acusação e defesa) ➔ esclarecimentos dos peritos ➔acareações ➔ reconhecimento de pessoas e
coisas ➔ interrogatório do acusado ➔ alegações finais orais ➔ encerrados os debates o juiz proferirá
a decisão ou o fará em 10 dias.
DEBATES ORAIS: As alegações serão orais, concedendo-se a palavra, respectivamente, à acusação e à
defesa, pelo prazo de 20 (vinte) minutos, prorrogáveis por mais 10 (dez). Havendo mais de 1 (um)
acusado, o tempo previsto para a acusação e a defesa de cada um deles será individual. Ao assistente
do Ministério Público, após a manifestação deste, serão concedidos 10 (dez) minutos, prorrogando-se
por igual período o tempo de manifestação da defesa.
EXCEÇÕES EVENTUALMENTE AJUIZADAS: As exceções serão processadas em apartado, nos termos
dos arts. 95 a 112 deste Código (art. 407, CPP).
PRAZO PARA CONCLUSÃO DA 1ª FASE: O procedimento será concluído no prazo máximo de 90
(noventa) dias (art. 412, CPP).
TESTEMUNHAS: máximo de 8 testemunhas (art. 406, §2º, CPP).

PRONÚNCIA IMPRONÚNCIA ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA DESCLASSIFICAÇÃO


O réu será absolvido
desde logo, quando
O réu será Ocorre quando o juiz
estiver provado (a):
impronunciado quando se convencer de que o
- A inexistência do fato;
o juiz não se convencer: fato narrado não é um
O réu será pronunciado - Que o réu não é autor
- Da materialidade do crime doloso contra a
quando o juiz se ou partícipe do fato;
fato; vida, mas sim um outro
convencer de que - Que o fato não
- Da existência de delito, devendo, então,
existem prova da constitui crime;
indícios suficientes de remeter o processo
materialidade do fato e - Que existe uma causa
autoria ou de para o juízo
indícios suficientes de de isenção de pena ou
participação. competente.
autoria ou de de exclusão do crime.
Ex: a única testemunha Ex.: juiz entende que
participação. Ex.: todas as
que havia reconhecido não houve homicídio
testemunhas ouvidas
o réu no IP não foi doloso, mas sim
afirmaram que o réu
ouvida em juízo. latrocínio.
não foi o autor dos
disparos
RECURSO CABÍVEL: RECURSO CABÍVEL: RECURSO CABÍVEL: RECURSO CABÍVEL:
RESE APELAÇÃO APELAÇÃO RESE

154
FUNDAMENTAÇÃO DA PRONÚNCIA: A fundamentação da pronúncia limitar-se-á à indicação da
materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação, devendo o
juiz declarar o dispositivo legal em que julgar incurso o acusado e especificar as circunstâncias
qualificadoras e as causas de aumento de pena (art. 413, §1º, CPP), sob pena de excesso de linguagem
(ELOQUÊNCIA ACUSATÓRIA).
NOVA DENÚNCIA OU QUEIXA: Enquanto não ocorrer a extinção da punibilidade, poderá ser formulada
nova denúncia ou queixa, se houver prova nova (art. 414, parágrafo único, CPP).
DESAFORAMENTO: É possível nas seguintes hipóteses:
• Em caso de interesse da ordem pública (art. 427, CPP);
• Quando houver dúvida sobre a imparcialidade do juiz (art. 427, CPP);
• Nos casos de possível comprometimento à segurança do acusado (art. 427, CPP);
• Em caso de excesso de serviço, se o julgamento não puder ser realizado em até 6 meses (art. 428,
CPP).

SÚMULA 712, STF: É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência do júri
sem audiência da defesa.

2ª FASE - IUDICIUM CAUSAE:


SENTENÇA: em caso de condenação, o juiz deverá levar em consideração as circunstâncias agravantes
e atenuantes alegadas nos debates (art. 492, I, “b”, CPP).
DESCLASSIFICAÇÃO E PRORROGAÇÃO DA COMPETÊNCIA: Se houver desclassificação da infração
para outra de competência do juiz singular, ao presidente do Tribunal do Júri caberá proferir sentença
em seguida, aplicando-se, quando o delito resultante da nova tipificação for considerado pela lei como
infração penal de menor potencial ofensivo, o disposto nos arts. 69 e seguintes da Lei no 9.099, de 26
de setembro de 1995 (art. 492, §1º, CPP).
DESCLASSIFICAÇÃO E CRIME CONEXO: Em caso de desclassificação, o crime conexo que não seja
doloso contra a vida será julgado pelo juiz presidente do Tribunal do Júri, aplicando-se, no que
couber, as regras da prorrogação da competência previstas no art. 492, CPP.
TESTEMUNHAS: máximo de 5 testemunhas (art. 422, CPP).

#DEOLHONASSÚMULAS:
SÚMULA VINCULANTE 45: A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por
prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual;
SÚMULA 603, STF: A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do
tribunal do júri;
SÚMULA 206, STF: É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que funcionou em
julgamento anterior do mesmo processo;

155
SÚMULA 713, STF: O efeito devolutivo da apelação contra decisões do júri é adstrito aos fundamentos da
sua interposição.
#DEOLHONAJURIS:
#SAINDODOFORNO INFO 935 STF Na fase de pronúncia deve-se adotar a teoria racionalista da
prova, na qual não deve haver critérios de valoração das provas rigidamente definidos na lei, no
entanto, por outro lado, o juízo sobre os fatos deve ser pautado por critérios de lógica e racionalidade,
podendo ser controlado em âmbito recursal ordinário. Para a pronúncia, não se exige uma certeza
além da dúvida razoável, necessária para a condenação. Contudo, a submissão de um acusado ao
julgamento pelo Tribunal do Júri pressupõe a existência de um lastro probatório consistente no
sentido da tese acusatória. Ou seja, requer-se um standard probatório um pouco inferior, mas ainda
assim dependente de uma preponderância de provas incriminatórias. STF. 2ª Turma. ARE 1067392/CE,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/3/2019 (Info 935).
O direito de a defesa recusar imotivadamente até 3 jurados é garantido em relação a cada um dos
réus, ainda que as recusas tenham sido realizadas por um só defensor (art. 469, do CPP). Isso porque
o direito a 3 recusas imotivadas é da parte (STJ, Info 570).
Não é qualquer referência ou leitura da decisão de pronúncia que acarretará a nulidade do
julgamento com base no art. 478, I, CPP. Somente haverá nulidade se a leitura ou as referências forem
feitas como argumento de autoridade para beneficiar ou prejudicar o acusado. Assim, por exemplo,
não haverá nulidade se o MP simplesmente ler, no Plenário, trecho da decisão do Tribunal que
manteve a sentença de pronúncia contra o réu, sem fazer a utilização do artifício do “argumento de
autoridade” (STF, Info 779).
O assistente de acusação tem direito à réplica, ainda que o MP tenha anuído à tese de legítima defesa
do réu e declinado do direito de replicar (STJ, Info 546).
A tese absolutória de legítima defesa, quando constituir a tese principal defensiva, deve ser quesitada
ao Conselho de Sentença antes da tese subsidiária de desclassificação em razão da ausência de
animus necandi. Isso porque, em razão do princípio da plenitude de defesa, a tese da absolvição é
mais vantajosa do que a mera desclassificação para outro crime menos grave (STJ, Info 573).

8 Das medidas assecuratórias. 9 Da insanidade mental do acusado

MEDIDAS ASSECURATÓRIAS (CAUTELARES DE NATUREZA PATRIMONIAL):


Conceito: medidas assecuratórias são medidas cautelares de natureza patrimonial que visam a
resguardar o patrimônio lícito ou ilícito do acusado para que possa suportar os efeitos da condenação.
A sentença condenatória transitada em julgado possui dois efeitos básicos em relação ao patrimônio:
a) Tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo delito; e
b) Confisco (se os bens forem produtos direito ou indireto do delito).
Art. 91 - São efeitos da condenação:
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime;

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II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé:
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou
detenção constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a
prática do fato criminoso.
§ 1º Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime
quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior.
§ 2º Na hipótese do § 1o, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão abranger
bens ou valores equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretação de perda.

#SELIGA: As medidas assecuratórias também estão submetidas à cláusula de reserva de jurisdição.


Trata-se de um núcleo de direitos e garantias que só pode sofrer restrição mediante autorização
judicial.

Pressupostos das medidas cautelares:


a) “Fumus comissi delicti” ou “fumus boni iuris”: Não é possível decretar uma medida cautelar
patrimonial se inexistir um mínimo de indícios de que houve uma prática delituosa.
CPP, art. 126: “Para a decretação do sequestro, bastará a existência de indícios veementes da
proveniência ilícita dos bens” [fumus comissi delicti].
b) “Periculum libertatis”: Segundo a doutrina, apesar da redação do CPP, art. 126, também é necessário
demonstrar o “periculum libertatis”. O perigo está presente quando houver um risco de dilapidação do
patrimônio do indivíduo.
SEQUESTRO:
Conceito: Sequestro é uma medida cautelar de natureza patrimonial fundada precipuamente no
interesse público consubstanciado no confisco (CP, art. 91, II, “b”). Secundariamente, há o interesse do
ofendido na reparação do dano causado pelo delito.
Em regra, o sequestro recairá sobre bens móveis ou imóveis, que sejam o produto direto ou indireto
da infração penal. Portanto, usualmente, incidirá sobre o patrimônio ilícito do indivíduo. É o que se
chama de referibilidade. Todavia, o sequestro também poderá recair sobre o patrimônio lícito quando
os bens não forem encontrados ou estiverem no exterior (art. 91, §2º, CP).

#SELIGA! É possível decretar o sequestro sobre bens de família? Sim, o sequestro pode recair sobre os
bens de família, nos termos do art. 3º, VI da Lei 8009/90.
Lei n. 8.009/90, art. 3º: A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal,
previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:
VI - por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória a
ressarcimento, indenização ou perdimento de bens.

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Momento adequado: o sequestro poderá ser determinado tanto na fase investigatória quanto na fase
judicial até o trânsito em julgado da sentença condenatória.
Levantamento do sequestro: em regra, a ideia é a de que o sequestro perdure até o final do processo.
Porém, poderá haver situações de perda da eficácia da medida, que vem a ser o levantamento do
sequestro.
CPP, art. 131: O sequestro será levantado:
I - se a ação penal não for intentada no prazo de sessenta dias, contado da data em que ficar concluída
a diligência;
II - se o terceiro, a quem tiverem sido transferidos os bens, prestar caução que assegure a aplicação do
disposto no art. 74, II, b, segunda parte, do Código Penal;
III - se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu, por sentença transitada em julgado.
HIPOTECA LEGAL: Está prevista no CC. O CPP apenas regulamenta como se dará o seu registro.
Art. 1.489, CC: A lei confere hipoteca: (...)
III - ao ofendido, ou aos seus herdeiros, sobre os imóveis do delinquente, para satisfação do dano
causado pelo delito e pagamento das despesas judiciais.
CPP, art. 134: “A hipoteca legal sobre os imóveis do indiciado poderá ser requerida pelo ofendido em
qualquer fase do processo, desde que haja certeza da infração e indícios suficientes da autoria”.

SEQUESTRO HIPOTECA LEGAL


Patrimônio Em regra, recai sobre o patrimônio Recai sobre o patrimônio lícito.
Bens ilícito.
Pode recair sobre móveis ou imóveis. Recai apenas sobre imóveis.
Momento fase investigatória ou judicial. Só na fase judicial.
A requerimento ou de ofício (fase
Legitimidade A requerimento.
judicial).

ARRESTO PRÉVIO (OU PREVENTIVO):


Conceito: o arresto prévio é a medida preparatória do registro da hipoteca legal, de natureza pré-
cautelar, cuja finalidade é tornar os bens imóveis do indivíduo inalienáveis durante o lapso temporal
necessário para que se possa efetivar a especialização e o registro da hipoteca legal. Ele seguirá o
mesmo trâmite dado ao registro da hipoteca legal.
CPP, art. 136: “O arresto do imóvel poderá ser decretado de início, revogando-se, porém, se no prazo de
15 (quinze) dias não for promovido o processo de inscrição da hipoteca legal”. (Redação dada pela Lei n.
11.435/2006).
ARRESTO SUBSIDIÁRIO DE BENS MÓVEIS:
Conceito: trata-se de medida semelhante à hipoteca legal, mas é empregado na hipótese em que o
indivíduo não possui bens imóveis para suportar a hipoteca legal ou possuir em valor insuficiente.
Nestes casos serão arrestados bens móveis.

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CPP, art. 137: Se o responsável não possuir bens imóveis ou os possuir de valor insuficiente, poderão ser
arrestados bens móveis suscetíveis de penhora, nos termos em que é facultada a hipoteca legal dos
imóveis.
§1º Se esses bens forem coisas fungíveis e facilmente deterioráveis, proceder-se-á na forma do §5º do
art. 120.
§2º Das rendas dos bens móveis poderão ser fornecidos recursos arbitrados pelo juiz, para a
manutenção do indiciado e de sua família.

#SELIGA: O arresto subsidiário de bens móveis não se confunde com o arresto prévio. Este é uma
medida de natureza pré-cautelar; aquele é subsidiário, pois é empregado desde que não seja possível
o registro da hipoteca legal (medida cautelar por excelência). Inicialmente, buscará bens imóveis, não
possuindo bens imóveis para suportar a hipoteca legal ou possuir em valor insuficiente, buscará bens
móveis pelo arresto subsidiário.

#ESQUEMATIZANDO:
REGISTRO DA HIPOTECA LEGAL ARRESTO SUBSIDIÁRIO (ART. 137, CPP)
Bens imóveis. Bens móveis.
É medida cautelar primária. É medida subsidiária.
Não pode recair sobre bens de família, pois o art.
137 do CPP prevê a possibilidade do arresto
Pode recair sobre bens de família.
subsidiário de bens móveis “suscetíveis de
penhora”.

ALIENAÇÃO ANTECIPADA: A alienação antecipada era prevista somente na Lei de Drogas e na Lei de
Lavagem de Capitais. Atualmente, também é disciplinada no CPP (art. 144-A), após as alterações
promovidas pela Lei n. 12.694/2012.
Conceito: É a venda antecipada de bens constritos em razão de medidas cautelares patrimoniais ou
que tenham sido apreendidos, desde que haja risco de perda do valor econômico.
CPP, art. 144-A: O juiz determinará a alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre
que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade
para sua manutenção.
§ 1º. O leilão far-se-á preferencialmente por meio eletrônico.
§ 2º. Os bens deverão ser vendidos pelo valor fixado na avaliação judicial ou por valor maior. Não
alcançado o valor estipulado pela administração judicial, será realizado novo leilão, em até 10 (dez) dias
contados da realização do primeiro, podendo os bens ser alienados por valor não inferior a 80% (oitenta
por cento) do estipulado na avaliação judicial.
§ 3º. O produto da alienação ficará depositado em conta vinculada ao juízo até a decisão final do
processo, procedendo- se à sua conversão em renda para a União, Estado ou Distrito Federal, no caso
de condenação, ou, no caso de absolvição, à sua devolução ao acusado. [O dinheiro proveniente da

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alienação dos bens seguirá a mesma regra do sequestro: primeiramente, serão reparados os danos
causados pelo delito e secundariamente o confisco pelo Estado].
§ 4º. Quando a indisponibilidade recair sobre dinheiro, inclusive moeda estrangeira, títulos, valores
mobiliários ou cheques emitidos como ordem de pagamento, o juízo determinará a conversão do
numerário apreendido em moeda nacional corrente e o depósito das correspondentes quantias em
conta judicial.
§ 5º. No caso da alienação de veículos, embarcações ou aeronaves, o juiz ordenará à autoridade de
trânsito ou ao equivalente órgão de registro e controle a expedição de certificado de registro e
licenciamento em favor do arrematante, ficando este livre do pagamento de multas, encargos e tributos
anteriores, sem prejuízo de execução fiscal em relação ao antigo proprietário. [Pode-se utilizar os
veículos apreendidos? A lei de drogas autoriza o uso. O CPP não autoriza].
§ 6º. O valor dos títulos da dívida pública, das ações das sociedades e dos títulos de crédito negociáveis
em bolsa será o da cotação oficial do dia, provada por certidão ou publicação no órgão oficial.
INSANIDADE MENTAL DO ACUSADO:
#DEOLHONAJURIS: O incidente de insanidade mental é prova pericial constituída em favor da defesa.
Logo, não é possível determiná-lo compulsoriamente na hipótese em que a defesa se oponha à sua
realização. STF. 2ª Turma. HC 133.078/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 6/9/2016 (Info 838).

10 Das provas.

FONTE DE PROVA: designa as pessoas ou coisas das quais se consegue a prova.


MEIOS DE PROVA: são os meios através dos quais as fontes de prova são introduzidas no processo.
MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVA (MEIOS DE INVESTIGAÇÃO): são procedimentos (em regra,
extraprocessuais) regulados por lei, com o objetivo de conseguir provas materiais, e que podem ser
realizados por outros que não o juiz (ex. policiais).
CPP, Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório
judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na
investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
ELEMENTOS MIGRATÓRIOS:
Provas irrepetíveis: são aquelas que, uma vez produzidas, não podem ser novamente coletadas em
virtude do desaparecimento, destruição ou perecimento da fonte probatória. Não dependem de
autorização judicial e o contraditório diferido. Podem ser produzidas na fase investigatória ou em
juízo. Ex. corpo de delito.
Provas cautelares: risco de desaparecimento do objeto da prova pelo decurso do tempo. Dependem
de autorização judicial, mas o contraditório é diferido. Podem ser produzidas na fase investigatória ou
em juízo. Ex. interceptação telefônica.

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Provas antecipadas: urgentes e relevantes. São aquelas produzidas com a observância do contraditório
real, perante a autoridade judicial, em momento processual distinto daquele legalmente previsto, ou
até mesmo antes do início do processo Ex. oitiva de testemunha que está morrendo.
#DEOLHONAJURIS:
Segundo a redação atual do art. 212 do CPP, quem primeiro começa fazendo perguntas à testemunha
é a parte que teve a iniciativa de arrolá-la. Em seguida, a outra parte terá direito de perguntar e, por
fim, o magistrado. Assim, a inquirição de testemunhas pelas partes deve preceder à realizada pelo
juízo. Em um caso concreto, durante a audiência de instrução, a magistrada primeiro inquiriu as
testemunhas e, somente então, permitiu que as partes formulassem perguntas. O STF entendeu que
houve violação ao art. 212 do CPP e, em razão disso, determinou que fosse realizada uma nova
inquirição das testemunhas, observada a ordem prevista no CPP. STF. 1ª Turma. HC 111815/SP, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 14/11/2017 (Info 885).
Não há ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem prévia autorização
judicial, na hipótese em que seu proprietário - a vítima - foi morto, tendo o referido telefone sido
entregue à autoridade policial por sua esposa. STJ. 6ª Turma.RHC 86076-MT, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 19/10/2017 (Info 617). CUIDADO PARA NÃO
CONFUNDIR: Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da
extração de dados e de conversas registradas no Whatsapp presentes no celular do suposto autor de
fato delituoso, ainda que o aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante. STJ.
5ª Turma. RHC 67379-RN, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593). STJ. 6ª Turma.
RHC 51531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/4/2016 (Info 583).
#APOSTACICLOS: Sem consentimento do réu ou prévia autorização judicial, é ilícita a prova, colhida
de forma coercitiva pela polícia, de conversa travada pelo investigado com terceira pessoa em telefone
celular, por meio do recurso "viva-voz", que conduziu ao flagrante do crime de tráfico ilícito de
entorpecentes.
STJ. 5ª Turma. REsp 1630097-RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 18/4/2017 (Info 603).
Deve ser rejeitada, por ausência de justa causa, a denúncia que, ao arrepio da legalidade, baseia-se
em supostas declarações, colhidas em âmbito estritamente privado, sem acompanhamento de
qualquer autoridade pública (autoridade policial, membro do Ministério Público) habilitada a conferir-
lhes fé pública e mínima confiabilidade. STF. 1ª Turma. AP 912/PB, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
7/3/2017 (Info 856).
A antecipação da prova testemunhal prevista no art. 366 do CPP pode ser justificada como medida
necessária pela gravidade do crime praticado e possibilidade concreta de perecimento, haja vista que
as testemunhas poderiam se esquecer de detalhes importantes dos fatos em decorrência do decurso
do tempo. Além disso, a antecipação da oitiva das testemunhas não traz nenhum prejuízo às garantias
inerentes à defesa. Isso porque quando o processo retomar seu curso, caso haja algum ponto novo a
ser esclarecido em favor do réu, basta que seja feita nova inquirição.
STF. 2ª Turma. HC 135386/DF, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 13/12/2016 (Info 851).

161
O depoimento dos policiais prestado em juízo constitui meio de prova idôneo, podendo embasar a
condenação do réu. Assim, por exemplo, as declarações dos policiais militares responsáveis pela
efetivação da prisão em flagrante constituem meio válido de prova para condenação, sobretudo
quando colhidas no âmbito do devido processo legal e sob o crivo do contraditório. A defesa pode
demonstrar, no caso concreto, que as testemunhas não gozam de imparcialidade, sendo, contudo,
ônus seu essa prova.
STJ. 5ª Turma. HC 395.325/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 18/05/2017.

TEORIAS SOBRE PROVAS ILÍCITAS:


• Teoria da proporcionalidade: utilização de prova ilícita em favor da defesa, em razão da
prevalência da liberdade sobre a legalidade.
• Teoria da prova ilícita por derivação ou dos frutos da árvore envenenada: provas ilícitas por
derivação são os meios probatórios que, não obstante produzidos, validamente, em momento
posterior, encontram-se afetados pelo vício da ilicitude originária, que a eles se transmite,
contaminando-os, por efeito de repercussão causal. É adotada pelo CPP. Vamos ver as teorias que
excepcionam essa ilicitude:
• Teoria da descoberta inevitável, fonte independente ou desdobramento inevitável;
• Teoria da limitação da mancha purgada, tinta diluída ou conexão atenuada: baixo nexo causal
entre a prova ilícita e a derivada;
• Teoria da serendipidade, encontro fortuito ou crime achado: trata-se de descoberta acidental,
desde que ausente de desvio de finalidade.
QUEBRA DA CADEIA DE CUSTÓDIA: A cadeia de custódia é todo o procedimento usado com escopo
de manter e documentar a história cronológica da descoberta das provas e dos elementos
informativos, sem qualquer violação ou adulterações. O problema na “quebra da cadeia da custódia
da prova” é que a não preservação integral das provas afeta a credibilidade dos meios e, fatalmente,
acarretará nulidade de todo o processo. Ante o exposto, eventual quebra da cadeia de custódia da
prova importa, portanto, na ilicitude da prova, devendo o magistrado, em face disso, determinar o
consequente desentranhamento dos autos, devendo, ainda, pronunciar-se sobre a extensão da
ilicitude quanto a eventuais provas ilícitas derivadas.

#DEOLHANAJURIS: A ausência de lacre em todos os documentos e bens - que ocorreu em razão da


grande quantidade de material apreendido - NÃO torna automaticamente ilegítima a prova obtida.
STJ. 5ª Turma. RHC 59414-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 27/6/2017 (Info 608).

QUEBRA DE SIGILO FISCAL, BANCÁRIO E DADOS:


SIGILO BANCÁRIO
Os órgãos poderão requerer informações bancárias diretamente das instituições financeiras?
POLÍCIA NÃO. É necessária autorização judicial.
MP NÃO. É necessária autorização judicial (STJ HC 160.646/SP, Dje 19/09/2011).

162
Exceção: É lícita a requisição pelo Ministério Público de informações bancárias de
contas de titularidade de órgãos e entidades públicas, com o fim de proteger o
patrimônio público, não se podendo falar em quebra ilegal de sigilo bancário (STJ. 5ª
Turma. HC 308.493-CE, j. em 20/10/2015).
NÃO. É necessária autorização judicial (STF MS 22934/DF, DJe de 9/5/2012).
Exceção: O envio de informações ao TCU relativas a operações de crédito originárias
TCU
de recursos públicos não é coberto pelo sigilo bancário (STF. MS 33340/DF, j. em
26/5/2015).
SIM, com base no art. 6º da LC 105/2001. O repasse das informações dos bancos
Receita Federal
para o Fisco não pode ser definido como sendo "quebra de sigilo bancário".
Fisco estadual,
SIM, desde que regulamentem, no âmbito de suas esferas de competência, o art. 6º
distrital,
da LC 105/2001, de forma análoga ao Decreto Federal 3.724/2001.
municipal
SIM (seja ela federal ou estadual/distrital) (art. 4º, § 1º da LC 105/2001).
CPI
Prevalece que CPI municipal não pode.

INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA: #APOSTACICLOS

INTERCEPTAÇÃO telefônica ESCUTA telefônica GRAVAÇÃO telefônica


Ocorre quando o diálogo
Ocorre quando um terceiro
Ocorre quando um terceiro telefônico travado entre duas
capta o diálogo telefônico
capta o diálogo telefônico pessoas é gravado por um dos
travado entre duas pessoas,
travado entre duas pessoas, sem próprios interlocutores, sem o
sendo que um dos
que nenhum dos interlocutores consentimento ou a ciência do
interlocutores sabe que está
saiba. outro. É também chamada de
sendo realizada a escuta.
“gravação clandestina”.
É válida mesmo SEM
autorização judicial. A única
Para que seja válida, é Para que seja realizada, é
exceção é quando a conversa é
indispensável a autorização indispensável autorização
amparada por sigilo (ex.
judicial. judicial (posição majoritária).
advogados e clientes, padres e
fiéis).
#DEOLHONAJURIS:
É constitucional a Resolução 36/2009 do CNMP, que dispõe sobre o pedido e a utilização de
interceptações telefônicas, no âmbito do Ministério Público, nos termos da Lei nº 9.296/96. A norma
foi editada no exercício das atribuições previstas diretamente no art. 130-A, § 2º, I e II, da CF/88. A
Resolução apenas regulamentou questões administrativas e disciplinares relacionadas ao
procedimento de interceptação telefônica, sem adentrar em matéria de direito penal, processual ou
relativa a nulidades. Não foram criados novos “requisitos formais de validade” das interceptações.
Tanto isso é verdade que a inobservância dos preceitos contidos na resolução não constitui causa de
nulidade, mas sim motivo para a instauração de procedimento administrativo disciplinar contra o

163
agente público infrator, pois consistem em regras ligadas aos deveres funcionais de sigilo na atuação
ministerial. A independência funcional do MP foi preservada. A resolução não impõe uma linha de
atuação ministerial, apenas promove a padronização formal mínima dos ritos adotados nos
procedimentos relacionados a interceptações telefônicas, em consonância com as regras previstas na
Lei nº 9.296/96. STF. Plenário. ADI 4263/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info
899).
“Denúncia anônima” e quebra de sigilo. Segundo a jurisprudência do STJ e do STF, não há ilegalidade
em iniciar investigações preliminares com base em "denúncia anônima" a fim de se verificar a
plausibilidade das alegações contidas no documento apócrifo. A Polícia, com base em diligências
preliminares para atestar a veracidade dessas “denúncias” e também lastreada em informações
recebidas pelo Ministério da Justiça e pela CGU, requereu ao juízo a decretação da interceptação
telefônica do investigado. O STF entendeu que a decisão do magistrado foi correta considerando que
a decretação da interceptação telefônica não foi feita com base unicamente na "denúncia anônima" e
sim após a realização de diligências investigativas e também com base nas informações recebidas dos
órgãos públicos de fiscalização. Renovação das interceptações. A Lei nº 9.296/96 prevê que a
interceptação telefônica "não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual tempo uma
vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova." (art. 5º). A interceptação telefônica não pode
exceder 15 dias. Contudo, pode ser renovada por igual período, não havendo restrição legal ao
número de vezes para tal renovação, se comprovada a sua necessidade. STF. 2ª Turma. RHC
132115/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 6/2/2018 (Info 890).
O réu estava sendo investigado pela prática do crime de tráfico de drogas. Presentes os requisitos
constitucionais e legais, o juiz autorizou a interceptação telefônica para apurar o tráfico. Por meio dos
diálogos, descobriu-se que o acusado foi o autor de um homicídio. A prova obtida a respeito da
prática do homicídio é LÍCITA, mesmo a interceptação telefônica tendo sido decretada para investigar
outro delito que não tinha relação com o crime contra a vida. Na presente situação, tem-se aquilo que
o Min. Alexandre de Moraes chamou de “crime achado”, ou seja, uma infração penal desconhecida e
não investigada até o momento em que, apurando-se outro fato, descobriu-se esse novo delito. Para
o Min. Alexandre de Moraes, a prova é considerada lícita, mesmo que o “crime achado” não tenha
relação (não seja conexo) com o delito que estava sendo investigado, desde que tenham sido
respeitados os requisitos constitucionais e legais e desde que não tenha havido desvio de finalidade ou
fraude. STF. 1ª Turma.HC 129678/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 13/6/2017 (Info 869).
A partir do momento em que surgem indícios de participação de detentor de prerrogativa de foro nos
fatos apurados, cumpre à autoridade judicial declinar da competência, e não persistir na prática de
atos objetivando aprofundar a investigação. No caso concreto, um famoso “bicheiro” foi interceptado
pela polícia. Ele conversava constantemente com um Senador, a quem prestava favores. Depois de
meses de conversas gravadas entre o “bicheiro” e o Senador, o Juiz responsável remeteu os diálogos
para o STF. As interceptações foram declaradas nulas por violação ao princípio do juiz natural. STF. 2ª
Turma. RHC 135683/GO, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/10/2016.
Determinado juiz decreta a interceptação telefônica dos investigados e, posteriormente, chega-se à
conclusão de que o juízo competente para a medida era o Tribunal. Esta prova colhida é ilícita? Não
164
necessariamente. A prova obtida poderá ser ratificada se ficar demonstrado que a interceptação foi
decretada pelo juízo aparentemente competente. Não é ilícita a interceptação telefônica autorizada
por magistrado aparentemente competente ao tempo da decisão e que, posteriormente, venha a ser
declarado incompetente. Trata-se da aplicação da chamada “teoria do juízo aparente”. STF. 2ª Turma.
HC 110496/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/4/2013 (Info 701).
Não é necessária a transcrição integral das conversas interceptadas, desde que possibilitado ao
investigado o pleno acesso a todas as conversas captadas, assim como disponibilizada a totalidade do
material que, direta e indiretamente, àquele se refira, sem prejuízo do poder do magistrado em
determinar a transcrição da integralidade ou de partes do áudio. STF. Plenário. Inq 3693/PA, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 10/4/2014 (Info 742).
A obtenção do conteúdo de conversas e mensagens armazenadas em aparelho de telefone celular ou
smartphones não se subordina aos ditames da Lei nº 9.296/96. O acesso ao conteúdo armazenado
em telefone celular ou smartphone, quando determinada judicialmente a busca e apreensão destes
aparelhos, não ofende o art. 5º, XII, da CF/88, considerando que o sigilo a que se refere esse
dispositivo constitucional é em relação à interceptação telefônica ou telemática propriamente dita, ou
seja, é da comunicação de dados, e não dos dados em si mesmos. Assim, se o juiz determinou a busca
e apreensão de telefone celular ou smartphone do investigado, é lícito que as autoridades tenham
acesso aos dados armazenados no aparelho apreendido, especialmente quando a referida decisão
tenha expressamente autorizado o acesso a esse conteúdo. STJ. 5ª Turma. RHC 75800-PR, Rel. Min.
Felix Fischer, julgado em 15/9/2016 (Info 590).
Na ocorrência de autuação de crime em flagrante, ainda que seja dispensável ordem judicial para a
apreensão de telefone celular, as mensagens armazenadas no aparelho estão protegidas pelo sigilo
telefônico, que compreende igualmente a transmissão, recepção ou emissão de símbolos, caracteres,
sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza, por meio de telefonia fixa ou
móvel ou, ainda, por meio de sistemas de informática e telemática. STJ. 5ª Turma. RHC 67379-RN, Rel.
Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593).

11 Instrução criminal. Prisão e suas modalidades. Das medidas cautelares. Liberdade provisória. Fiança.
Citações e intimações. Questões e processos incidentes.

MEDIDAS CAUTELARES DE NATUREZA PESSOAL: Antes de 2011, existia no CPP o que era chamado de
“bipolaridade cautelar”, uma vez que só existiam duas medidas cautelares pessoais: prisão cautelar e
liberdade provisória. Com isso, o juiz só tinha duas opções: ou prendia o sujeito ou o deixava solto.
Contudo, a partir da lei 12.403/11, o art. 319 do CPP passou a contar com um rol de 09 medidas
cautelares pessoais diversas da prisão. Hoje, portanto, o juiz tem uma gama maior de opções entre
prender o sujeito passivo ou deixá-lo em liberdade. Além disso, essas cautelares diversas da prisão
podem ser impostas às infrações que não admitem, por exemplo, prisão preventiva.
PRESSUPOSTOS PARA A APLICAÇÃO DAS CAUTELARES: As medidas cautelares pessoais só podem
ser decretadas se presentes o FUMUS COMISSI DELICTI + PERICULUM IN LIBERTATIS.
HIPÓTESES DE FLAGRANTE:

165
• FLAGRANTE PRÓPRIO: está cometendo a infração penal ou acaba de cometê-la;
• FLAGRANTE IRREAL, IMPRÓPRIO OU QUASE-FLAGRANTE: é perseguido, logo após, pela
autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da
infração;
• FLAGRANTE PRESUMIDO OU FICTO: é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos
ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração.
• FLAGRANTE PREPARADO, PROVOCADO, FORJADO, DELITO PUTATIVO OU DELITO DE ENSAIO.
#SELIGANOSSINÔNIMOS:
Súmula 145, STF. Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua
consumação.
• FLAGRANTE FRACIONADO: é o flagrante do crime continuado. #ATENÇÃO crime habitual não
admite flagrante.
Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao
juiz competente, ao Ministério Público e à família do preso ou à pessoa por ele indicada.
§ 1º. Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, será encaminhado ao juiz
competente o auto de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado,
cópia integral para a Defensoria Pública.
§ 2º. No mesmo prazo, será entregue ao preso, mediante recibo, a nota de culpa, assinada pela
autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e os das testemunhas.

#DEOLHONAJURIS: O juiz, mesmo sem provocação da autoridade policial ou da acusação, ao receber


o auto de prisão em flagrante, deverá, quando presentes os requisitos previstos no art. 312 do CPP,
converter a prisão em flagrante em preventiva, em cumprimento ao disposto no art. 310, II, do mesmo
Código. Assim, não configura nulidade a decretação, de ofício, da preventiva quando fruto da
conversão da prisão em flagrante, haja vista o expresso permissivo do inciso II do art. 310 do CPP.
STJ. 5ª Turma. RHC 80.740/MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/06/2017. STJ. 6ª Turma. RHC
71.360/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 28/6/2016.

PRISÃO PREVENTIVA: É espécie de prisão cautelar decretada pela autoridade judiciária competente,
mediante representação da autoridade policial ou requerimento do MP, do querelante ou do
assistente, em qualquer fase das investigações ou do processo criminal (nesta hipótese, pode ser
decretada de ofício pelo juiz), sempre que estiverem preenchidos os requisitos legais (art. 313) e
ocorrerem os motivos autorizadores listados no art. 312, desde que não sejam cabíveis as medidas
cautelares diversas da prisão (art. 319).
São os requisitos para a decretação da prisão preventiva:
(a) FUMUS COMISSI DELICTI (prova da materialidade e indícios de autoria);
(b) PERICULUM IN LIBERTATIS (presença de uma das hipóteses do art. 312);
(c) Impossibilidade de aplicação de medida cautelar diversa da prisão.
166
#DEOLHONAJURIS:
Pode o Magistrado decretar a prisão preventiva, mesmo que a representação da autoridade policial ou
do Ministério Público seja pela decretação de prisão temporária, visto que, provocado, cabe ao juiz
ofertar o melhor direito aplicável à espécie. Vale ressaltar que neste caso não se está decretando a
prisão de ofício considerando que o julgador só atuou após ter sido previamente provocado, não se
tratando de postura que coloque em xeque a sua imparcialidade.
STJ. 5ª Turma. HC 319.471/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 16/06/2016. STJ. 6ª
Turma. HC 362.962/RN, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 01/09/2016.
João, 19 anos, está respondendo a processo criminal por roubo. Quando era adolescente, cumpriu
medida socioeducativa por homicídio. O juiz, ao decretar a prisão preventiva do réu, poderá
mencionar a prática desse ato infracional como um dos fundamentos para a custódia cautelar? SIM. A
prática de atos infracionais anteriores serve para justificar a decretação ou manutenção da
prisão preventiva como garantia da ordem pública, considerando que indicam que a personalidade do
agente é voltada à criminalidade, havendo fundado receio de reiteração. Não é qualquer ato
infracional, em qualquer circunstância, que pode ser utilizado para caracterizar a periculosidade e
justificar a prisão antes da sentença. É necessário que o magistrado examine três condições: a) a
gravidade específica do ato infracional cometido, independentemente de equivaler a crime
considerado em abstrato como grave; b) o tempo decorrido entre o ato infracional e o crime em
razão do qual é decretada a preventiva; e c) a comprovação efetiva da ocorrência do ato infracional.
STJ. 3ª Seção. RHC 63855-MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz,
julgado em 11/5/2016 (Info 585).

PRISÃO TEMPORÁRIA: Cuida-se de espécie de prisão cautelar decretada pela autoridade judiciária
competente durante a fase preliminar de investigações, com prazo preestabelecido de duração,
quando a privação da liberdade de locomoção do indivíduo for indispensável para a obtenção de
elementos de informação quanto à autoria e materialidade das infrações penais mencionadas na lei nº
9.760/89.
Lei 7960/89, art. 2º. A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da representação da
autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de 5 (cinco) dias,
prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade.
#MASATENÇÃO: nos crimes hediondos, esse prazo é de 30 dias, prorrogável por igual período.
#NÃOCONFUNDA:
REVOGAÇÃO DA PRISÃO
RELAXAMENTO DA PRISÃO LIBERDADE PROVISÓRIA
CAUTELAR
Incide nas hipóteses de prisão Incide nas hipóteses de prisão Incide nas hipóteses de prisão
ilegal. legal. legal.
Cabível em face de toda e Cabível em face da prisão Por força da lei de 2011, passou
qualquer espécie de prisão, temporária e da prisão a ser cabível em face de
desde que ilegal. preventiva. qualquer prisão.

167
É medida de contracautela e
também de medida cautelar
Não se trata de medida cautelar, Não se trata de medida cautelar,
autônoma, que pode ser
mas sim de medida de urgência mas sim de medida de urgência
aplicada com a imposição de
baseada no poder de polícia da baseada no poder de polícia da
uma ou mais das medidas
autoridade judiciária. autoridade judiciária.
cautelares diversas da prisão
(art. 321).
Acarreta a restituição de
liberdade plena. No entanto, na Acarreta a restituição de
hipótese do relaxamento, liberdade plena. Todavia,
presentes FUMUS + presentes FUMUS + Acarreta a restituição da
PERICULUM, é possível a PERICULUM, é possível a liberdade com vinculação.
imposição de medidas imposição de medidas
cautelares, inclusive as prisões cautelares diversas da prisão.
preventiva e temporária.
Há dispositivos legais de
duvidosa constitucionalidade
que vedam a liberdade
Cabível em relação a todos os Cabível em relação a todos os provisória, com ou sem fiança,
crimes. crimes. em relação a alguns delitos, o
que, todavia, não impede a
aplicação das medidas
cautelares diversas da prisão.
Só pode ser decretada pela A competência recai sobre
Pode ser concedida tanto pela
autoridade judicial (há quem quem decretou a medida. Logo,
autoridade policial (art. 322),
defenda que o Delegado se impetrado diretamente HC,
como pelo juiz.
também pode). há supressão de instância.

PRISÃO DOMICILIAR: É uma forma de prisão que substitui a prisão preventiva.

PRISÃO DOMICILIAR DO CPP PRISÃO DOMICILIAR DA LEP


Arts. 317 e 318 do CPP. Art. 117 da LEP.
O CPP, ao tratar da prisão domiciliar, está se A LEP, ao tratar da prisão domiciliar, está se
referindo à possibilidade de o réu, em vez de ficar referindo à possibilidade de a pessoa já
em prisão preventiva, permanecer recolhido em condenada cumprir a sua pena privativa de
sua residência. liberdade na própria residência.
Trata-se de uma medida cautelar que substitui
Trata-se, portanto, da execução penal
a prisão preventiva pelo recolhimento da pessoa em
(cumprimento da pena) na própria residência.
sua residência.
Hipóteses (importante): Hipóteses (importante):
O juiz poderá substituir a prisão preventiva O preso que estiver cumprindo pena no regime
pela domiciliar quando o agente for: aberto poderá ficar em prisão domiciliar quando se

168
I — Maior de 80 anos; tratar de condenado(a):
II — Extremamente debilitado por motivo de I — Maior de 70 anos;
doença grave; II — Acometido de doença grave;
III — Imprescindível aos cuidados especiais de III — Com filho menor ou deficiente físico ou
pessoa menor de 6 anos de idade ou com mental;
deficiência; IV — Gestante.
IV — Gestante;
V — Mulher com filho de até 12 (doze) anos de
idade incompletos;
VI — Homem, caso seja o único responsável
pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de
idade incompletos.
Obs.: os magistrados, membros do MP, da
Defensoria e da advocacia têm direito
à prisão cautelar em sala de Estado-Maior. Caso
não exista, devem ficar em prisão domiciliar.
O juiz pode determinar que a pessoa fique O juiz pode determinar que a pessoa fique
usando uma monitoração eletrônica. usando uma monitoração eletrônica.

#NOVIDADELEGISLATIVA Lei 13.769/2018:


Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças
ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que:
I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;
II - não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente.
Art. 318-B. A substituição de que tratam os arts. 318 e 318-A poderá ser efetuada sem prejuízo
da aplicação concomitante das medidas alternativas previstas no art. 319 deste Código.
#SAINDODOFORNO #APOSTACICLOS O art. 318-A do CPP, introduzido pela Lei nº 13.769/2018,
estabelece um poder-dever para o juiz substituir a prisão preventiva por domiciliar de gestante, mãe
de criança menor de 12 anos e mulher responsável por pessoa com deficiência, sempre que
apresentada prova idônea do requisito estabelecido na norma (art. 318, parágrafo único), ressalvadas
as exceções legais. A normatização de apenas duas das exceções não afasta a efetividade do que foi
decidido pelo STF no HC 143.641/SP, nos pontos não alcançados pela nova lei. O fato de o legislador
não ter inserido outras exceções na lei, não significa que o magistrado esteja proibido de negar o
benefício quando se deparar com casos excepcionais. Assim, deve prevalecer a interpretação
teleológica da lei, assim como a proteção aos valores mais vulneráveis. Com efeito, naquilo que a lei
não regulou, o precedente do STF deve continuar sendo aplicado, pois uma interpretação restritiva da
norma pode representar, em determinados casos, efetivo risco direto e indireto à criança ou ao
deficiente, cuja proteção deve ser integral e prioritária. STJ. 5ª Turma. HC 470549/TO, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 12/02/2019.

#DEOLHONAJURIS:
169
O STF reconheceu a existência de inúmeras mulheres grávidas e mães de crianças que estavam
cumprindo prisão preventiva em situação degradante, privadas de cuidados médicos pré-natais e pós-
parto. Além disso, não havia berçários e creches para seus filhos.
Também se reconheceu a existência, no Poder Judiciário, de uma “cultura do encarceramento”, que
significa a imposição exagerada e irrazoável de prisões provisórias a mulheres pobres e vulneráveis,
em decorrência de excessos na interpretação e aplicação da lei penal e processual penal, mesmo
diante da existência de outras soluções, de caráter humanitário, abrigadas no ordenamento jurídico
vigente.
A Corte admitiu que o Estado brasileiro não tem condições de garantir cuidados mínimos relativos à
maternidade, até mesmo às mulheres que não estão em situação prisional.
Diversos documentos internacionais preveem que devem ser adotadas alternativas penais ao
encarceramento, principalmente para as hipóteses em que ainda não haja decisão condenatória
transitada em julgado. É o caso, por exemplo, das Regras de Bangkok.
Os cuidados com a mulher presa não se direcionam apenas a ela, mas igualmente aos seus filhos, os
quais sofrem injustamente as consequências da prisão, em flagrante contrariedade ao art. 227 da
Constituição, cujo teor determina que se dê prioridade absoluta à concretização dos direitos das
crianças e adolescentes.
Diante da existência desse quadro, deve-se dar estrito cumprimento do Estatuto da Primeira Infância
(Lei 13.257/2016), em especial da nova redação por ele conferida ao art. 318, IV e V, do CPP, que
prevê:
Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:
IV - gestante;
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos;
Os critérios para a substituição de que tratam esses incisos devem ser os seguintes:
REGRA: Em regra, deve ser concedida prisão domiciliar para todas as mulheres presas que sejam
- gestantes
- puérperas (que deram à luz há pouco tempo)
- mães de crianças (isto é, mães de menores até 12 anos incompletos) ou
- mães de pessoas com deficiência.
EXCEÇÕES:
Não deve ser autorizada a prisão domiciliar se:
1) a mulher tiver praticado crime mediante violência ou grave ameaça;
2) a mulher tiver praticado crime contra seus descendentes (filhos e/ou netos);
3) em outras situações excepcionalíssimas, as quais deverão ser devidamente fundamentadas pelos
juízes que denegarem o benefício.
170
OBS 1: o raciocínio acima explicado vale também para adolescentes que tenham praticado atos
infracionais.
OBS 2: a regra e as exceções acima explicadas também valem para a reincidente. O simples fato de
que a mulher ser reincidente não faz com que ela perca o direito à prisão domiciliar.
STF. 2ª Turma.HC 143641/SP. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891).

FIANÇA:
• Delegado pode decretar fiança se a pena máxima for até 4 anos.
• Não admitem fiança: racismo, ação de grupos armados, terrorismo, tortura, tráfico e hediondos.
• A fiança pode ser dispensada, reduzida ou aumentada, de acordo com a situação econômica do
preso.

#DEOLHONAJURIS: O indivíduo foi preso em flagrante. O magistrado concedeu liberdade provisória


com a fixação de 2 salários-mínimos de fiança. Como não foi paga a fiança, o indivíduo permaneceu
preso. A Defensoria Pública impetrou habeas corpus e o STF deferiu a liberdade provisória em favor
do paciente com dispensa do pagamento de fiança. Os Ministros afirmaram que era injusto e
desproporcional condicionar a expedição do alvará de soltura ao recolhimento da fiança. Segundo
entendeu o STF, o réu não tinha condições financeiras de arcar com o valor da fiança, o que se
poderia presumir pelo fato de ser assistido pela Defensoria Pública, o que pressuporia sua
hipossuficiência. Assim, não estando previstos os pressupostos do art. 312 do CPP e não tendo o preso
condições de pagar a fiança, conclui-se que nada justifica a manutenção da prisão cautelar. STF. 1ª
Turma. HC 129474/PR, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 22/9/2015 (Info 800).

12 Sentença criminal; formalidades essenciais; declaração da sentença; nova definição jurídica do fato;
publicidade; efeitos. A validade da sentença condenatória criminal enquanto coisa julgada
inconstitucional.

EMENDATIO LIBELLI: É o instituto que permite ao juiz corrigir os equívocos de enquadramento de


artigo existentes na inicial acusatória. Os fatos narrados estão perfeitos e foram confirmados na
instrução.
Art. 383. O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa, poderá atribuir-lhe
definição jurídica diversa, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave.
Momento de aplicação: Segundo o CPP é na sentença ou na decisão de pronúncia (procedimento do
júri). Ressalte-se que a doutrina e a jurisprudência têm admitido em determinados casos a correção do
enquadramento típico logo no ato de recebimento da exordial acusatória.

#DEOLHONAJURIS:
O órgão jurisdicional (juiz ou Tribunal) não tem competência para substituir-se ao Ministério Público,
titular da ação penal pública, e retificar (consertar) a classificação jurídica proposta na denúncia. Por
esse motivo, o entendimento dominante é o de que, em regra, o momento adequado para a

171
emendatio libelli é na prolação da sentença e não no recebimento da denúncia. Isso se justifica, ainda,
pela posição topográfica do art. 383 no CPP (que está no título que trata sobre sentença) e pelo fato
de que o acusado se defende dos fatos imputados, e não da classificação que lhes atribuem. De forma
excepcional, jurisprudência e doutrina afirmam que é possível antecipar o momento da emendatio
libelli nas hipóteses em que a inadequada subsunção típica (tipificação):
• macular a competência absoluta;
• o adequado procedimento; ou
• restringir benefícios penais por excesso de acusação.
STJ. 6ª Turma. HC 241206-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 11/11/2014 (Info 553). STJ. 5ª Turma.
HC 258581/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 18/02/2016.
O réu foi condenado a 4 anos de reclusão pela prática do crime previsto no art. 4º, caput, da Lei nº
7.492/86.
O Tribunal, em recurso exclusivo da defesa, reclassificou a conduta para os art. 16 e 22, parágrafo
único, da Lei nº 7.492/86, mantendo, contudo, a pena em 4 anos de reclusão.
Não há qualquer nulidade no acórdão do Tribunal.
Houve, no presente caso, emendatio libelli.
É possível a realização de emendatio libelli em segunda instância no julgamento de recurso exclusivo
da defesa, desde que não gere reformatio in pejus, nos termos do art. 617 do CPP.
Como a pena foi mantida pelo Tribunal, não houve prejuízo ao réu.
STF. 2ª Turma.HC 134.872/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 27/3/2018 (Info 895).

MUTATIO LIBELLI:
Art. 384. Encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova definição jurídica do fato, em
consequência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida
na acusação, o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias, se em
virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública, reduzindo-se a termo o
aditamento, quando feito oralmente.
§ 1º. Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento, aplica-se o art. 28 deste Código.
§ 2º. Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento, o juiz, a
requerimento de qualquer das partes, designará dia e hora para continuação da audiência, com
inquirição de testemunhas, novo interrogatório do acusado, realização de debates e julgamento.
§ 3º. Aplicam-se as disposições dos §§ 1o e 2o do art. 383 ao caput deste artigo.
§ 4º. Havendo aditamento, cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas, no prazo de 5 (cinco)
dias, ficando o juiz, na sentença, adstrito aos termos do aditamento.
§ 5º. Não recebido o aditamento, o processo prosseguirá.

172
#NÃOSABOTEASSÚMULAS:
Súmula 453-STF: Não se aplicam à segunda instância o art. 384 e parágrafo único do Código de
Processo Penal, que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso, em virtude de
circunstância elementar não contida, explícita ou implicitamente, na denúncia ou queixa.
#SELIGA #DEOLHONAJURIS
O juiz poderá reconhecer as agravantes de ofício, não havendo, neste caso, violação ao princípio da
correlação. Assim, não ofende o princípio da congruência a condenação por agravantes não descritas
na denúncia. Isso é autorizado pelo art. 385, do CPP, que foi recepcionado pela CF/88. STJ. 5ª Turma.
AgRg no REsp 1612551/RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 02/02/2017. STJ. 6ª
Turma. HC 381590/SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 06/06/2017.
O juiz, ao proferir sentença penal condenatória, no momento de fixar o valor mínimo para a reparação
dos danos causados pela infração (art. 387, IV, do CPP), pode, sentindo-se apto diante de um caso
concreto, quantificar, ao menos o mínimo, o valor do dano moral sofrido pela vítima, desde que
fundamente essa opção. Isso porque o art. 387, IV, não limita a indenização apenas aos danos
materiais e a legislação penal deve sempre priorizar o ressarcimento da vítima em relação a todos os
prejuízos sofridos. STJ. 6ª Turma. REsp 1585684-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado
em 9/8/2016 (Info 588).
O princípio da congruência preconiza que o acusado defende-se dos fatos descritos na denúncia e
não da capitulação jurídica nela estabelecida. Assim, para que esse princípio seja respeitado é
necessário apenas que haja a correlação entre o fato descrito na peça acusatória e o fato pelo qual o
réu foi condenado, sendo irrelevante a menção expressa na denúncia de eventuais causas de aumento
ou diminuição de pena. Ex: o MP ajuizou ação penal contra o réu por sonegação fiscal (art. 1º, I, da Lei
nº 8.137/90). Na denúncia, o MP não pediu expressamente que fosse reconhecida a majorante do art.
12, I. Pediu-se apenas a condenação do acusado pelo crime do art. 1º, I. No entanto, apesar disso, na
exordial o membro do MP narrou que o réu sonegou tributos em montante superior a R$ 4 milhões. O
juiz, na sentença, ao condenar o réu, poderá reconhecer a incidência da causa de aumento de pena
prevista no art. 12, I, porque o fato que ela representa (vultosa quantia sonegada que gera dano à
coletividade) foi narrado, apesar de não haver menção expressa ao dispositivo legal. STF. 2ª Turma. HC
129284/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 17/10/2017 (Info 882). STF. 2ª Turma. HC
123733/AL, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 16/9/2014 (Info 759).

14. Recursos. Fontes normativas dos recursos. Classificação dos recursos. Procedimento recursal.
Efeitos dos recursos. Juízo de admissibilidade. Extinção anormal das vias recursais. Dos recursos em
espécie. Nulidades.

RECURSOS:
PRINCIPAIS PRAZOS
CARTA TESTEMUNHÁVEL 48 horas
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 2 dias
RESE 5 dias + 2 dias para razões

173
5 dias + 8 dias para razões
APELAÇÃO (Exceção: arrazoar em 3 dias - assistente e
contravenção penal)
CORREIÇÃO PARCIAL 5 dias
EMBARGOS INFRINGENTES ou DE NULIDADE 10 dias
RE/REsp 15 dias
RESE contra lista de jurados 20 dias

PRINCÍPIOS RECURSAIS:
Princípio do duplo grau de jurisdição: consiste na possibilidade de um reexame integral (matéria de
fato e de direito) da decisão do juízo a quo, a ser confiado a órgão jurisdicional diverso do que a
proferiu e, em regra, de hierarquia superior na ordem jurídica.
Princípio da taxatividade: O recurso deve estar previsto em lei. Logo, o rol de recursos e suas hipóteses
de cabimento são taxativas. Essa lei deve ser federal, pois, de acordo com o art. 22, I, compete
privativamente à União legislar sobre direito processual.
Princípio da unirrecorribilidade (unicidade ou singularidade) das decisões: Pelo menos em regra, a
cada decisão recorrível corresponde um único recurso.
Princípio da voluntariedade: A existência de um recurso está condicionada à manifestação da vontade
da parte, que demonstra seu interesse de recorrer com a interposição do recurso.

#OLHAOGANCHO:
E quanto ao reexame necessário (recurso de ofício)?
Art. 574. Os recursos serão voluntários, excetuando-se os seguintes casos, em que deverão ser
interpostos, de ofício, pelo juiz:
I - da sentença que conceder habeas corpus; Parte minoritária da doutrina diz que esse inciso I não se
aplica mais, pois, hoje, o MP pode recorrer dessa decisão, o que não era possível à época da edição
do CPP (STJ discorda).
II - da que absolver desde logo o réu com fundamento na existência de circunstância que exclua o crime
ou isente o réu de pena, nos termos do art. 411. Doutrina diz que esse dispositivo foi revogado pela
reforma de 2008, pois o novo art. 415 não traz essa possibilidade.

Princípio da non reformatio in pejus (efeito PRODRÔMICO da sentença):


Exemplo: Súmula 525, STF: A medida de segurança não será aplicada em segunda instância, quando só
o réu tenha recorrido.
Princípio da reformatio in mellius: quanto ao recurso da acusação, a despeito de divergências
doutrinárias, prevalece o entendimento de que se aplica o sistema do benefício comum, isto é, do
recurso interposto pelo MP, querelante ou assistente da acusação, pode resultar benefício ao acusado.

174
Princípio da dialeticidade: Por conta desse princípio, a petição de um recurso deve conter os
fundamentos de fato e de direito que embasam o inconformismo do recorrente. O recurso, portanto,
deve ser dialético, discursivo, pois incumbe ao recorrente declinar os fundamentos de seu pedido. Há
dois fundamentos: (a) Permitir que a parte contrária possa elaborar suas contrarrazões; (b) Fixar os
limites de atuação do Tribunal na apreciação do recurso.
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO (RESE):
Forma:
Art. 587. Quando o recurso houver de subir por instrumento, a parte indicará, no respectivo termo, ou
em requerimento avulso, as peças dos autos de que pretenda traslado.
Parágrafo único. O traslado será extraído, conferido e concertado no prazo de cinco dias, e dele
constarão sempre a decisão recorrida, a certidão de sua intimação, se por outra forma não for possível
verificar-se a oportunidade do recurso, e o termo de interposição.
Art. 590. Quando for impossível ao escrivão extrair o traslado no prazo da lei, poderá o juiz prorrogá-lo
até o dobro.
Art. 583. Subirão nos próprios autos os recursos:
I - quando interpostos de oficio;
II - nos casos do art. 581, I, III, IV, VI, VIII e X;
III - quando o recurso não prejudicar o andamento do processo.
Parágrafo único. O recurso da pronúncia subirá em traslado, quando, havendo dois ou mais réus,
qualquer deles se conformar com a decisão ou todos não tiverem sido ainda intimados da pronúncia.
Processamento:
Art. 589. Com a resposta do recorrido ou sem ela, será o recurso concluso ao juiz, que, dentro de dois
dias, reformará ou sustentará o seu despacho, mandando instruir o recurso com os traslados que Ihe
parecerem necessários.
Parágrafo único. Se o juiz reformar o despacho recorrido, a parte contrária, por simples petição, poderá
recorrer da nova decisão, se couber recurso, não sendo mais lícito ao juiz modificá-la. Neste caso,
independentemente de novos arrazoados, subirá o recurso nos próprios autos ou em traslado.

#DEOLHONAJURIS: As hipóteses de cabimento de recurso em sentido estrito trazidas pelo art. 581 do
CPP são: * exaustivas (taxativas);
* admitem interpretação extensiva
* não admitem interpretação analógica.
A decisão do juiz que revoga a medida cautelar diversa da prisão de comparecimento periódico em
juízo (art. 319, I, do CPP) pode ser impugnada por meio de RESE? SIM, com base na intepretação
extensiva do art. 581, V. O inciso V expressamente permite RESE contra a decisão do juiz que revogar
prisão preventiva. Esta decisão é similar ao ato de revogar medida cautelar diversa da prisão. Logo,

175
permite-se a interpretação extensiva neste caso. Em suma: é cabível recurso em sentido estrito contra
decisão que revoga medida cautelar diversa da prisão. STJ. 6ª Turma. REsp 1628262/RS, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/12/2016 (Info 596).

APELAÇÃO: É o recurso ordinário por excelência, pois permite ao órgão ad quem a ampla
possibilidade de reanalisar todas as questões, fáticas e jurídicas, já apreciadas no curso do feito.
Lembrando que, por força do art. 593, §4º, não cabe RESE se já cabível apelação.
Art. 593. § 4º. Quando cabível a apelação, não poderá ser usado o recurso em sentido estrito, ainda que
somente de parte da decisão se recorra.
Hipóteses de cabimento:
Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias:
I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular;
II - das decisões definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz singular nos casos não
previstos no Capítulo anterior;
III - das decisões do Tribunal do Júri, quando:
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia;
b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados;
c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança;
d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos.
(...) § 3º Se a apelação se fundar no nº III, d, deste artigo, e o tribunal ad quem se convencer de que a
decisão dos jurados é manifestamente contrária à prova dos autos, dar-lhe-á provimento para sujeitar o
réu a novo julgamento; não se admite, porém, pelo mesmo motivo, segunda apelação.
Forma:
Art. 603. A apelação subirá nos autos originais e, a não ser no Distrito Federal e nas comarcas que
forem sede de Tribunal de Apelação, ficará em cartório traslado dos termos essenciais do processo
referidos no art. 564, III.
#SELIGA: ASSITENTE DE ACUSAÇÃO
Quanto ao prazo para o assistente de acusação recorrer, depende:
- Já estava previamente habilitado nos autos: prazo de 05 dias;
- Não estava previamente habilitado nos autos: 15 dias.
#OLHAAJURIS: Os prazos do assistente começam quando do esgotamento do prazo do MP (448/STF).
HABEAS CORPUS:
#DEOLHONASSÚMULAS:

176
SÚMULA 606-STF: Não cabe habeas corpus originário para o Tribunal Pleno de decisão de Turma, ou do
Plenário, proferida em habeas corpus ou no respectivo recurso.
SÚMULA 693-STF: Não cabe "habeas corpus" contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo
a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.
SÚMULA 695-STF: Não cabe "habeas corpus" quando já extinta a pena privativa de liberdade.
#SELIGANAJURIS:
É cabível habeas corpus contra decisão judicial transitada em julgado? 1ª) SIM. Foi o que decidiu a 2ª
Turma no RHC 146327/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/2/2018 (Info 892). 2ª) NÃO. É a
posição majoritária no STF e no STJ. Vale ressaltar que se houver alguma ilegalidade flagrante, o
Tribunal poderá conceder a ordem de ofício. STF. 2ª Turma. RHC 146327/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 27/2/2018 (Info 892)
O STF admitiu a possibilidade de habeas corpus coletivo. Diante da inexistência de regramento legal, o
STF entendeu que se deve aplicar, por analogia, o art. 12 da Lei nº 13.300/2016, que trata sobre os
legitimados para propor mandado de injunção coletivo.
Assim, possuem legitimidade para impetrar habeas corpus coletivo: 1) o Ministério Público; 2) o partido
político com representação no Congresso Nacional; 3) a organização sindical, entidade de classe ou
associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano; 4) a Defensoria
Pública.
STF. 2ª Turma. HC 143641/SP. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891).
O habeas corpus pode ser empregado para impugnar medidas cautelares de natureza criminal
diversas da prisão. STF. 2ª Turma.HC 147426/AP e HC 147303/AP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados
em 18/12/2017 (Info 888).
O habeas corpus não é o meio adequado para se buscar o reconhecimento do direito a visitas íntimas.
Isso porque não está envolvido no caso o direito de ir e vir. STF. 1ª Turma. HC 138286, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 5/12/2017 (Info 887).
Não é possível que a pessoa que responda processo criminal envolvendo o art. 28 da LD impetre
habeas corpus para discutir a imputação. Não havendo ameaça à liberdade de locomoção, não cabe
habeas corpus. Em suma, o habeas corpus não é o meio adequado para discutir crime que não enseja
pena privativa de liberdade. STF. 1ª Turma.HC 127834/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac.
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 05/12/2017 (Info 887).
Não cabe habeas corpus para reexame dos pressupostos de admissibilidade de recurso interposto no
STJ. Ex: o STJ deu provimento ao recurso interposto pelo MP e, com isso, piorou a situação do réu; a
defesa impetra HC no STF contra o acórdão alegando que o STJ, no recurso especial, reexaminou
provas, o que é vedado pela Súmula 7 da Corte (A pretensão de simples reexame de prova não enseja
recurso especial.).STF. 2ª Turma. HC 138944/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/3/2017 (Info 858).
Em regra, não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ que não
conhece ou denega habeas corpus que havia sido interposto naquele Tribunal. É necessário que

177
primeiro o impetrante exaure (esgote), no tribunal a quo (no caso, o STJ), as vias recursais ainda
cabíveis (no caso, o agravo regimental).
Exceção: essa regra pode ser afastada em casos excepcionais, quando a decisão atacada se mostrar
teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF,
situações nas quais o STF poderia conceder de ofício o habeas corpus.
STF. 2ª Turma. HC 143476/RJ, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 6/6/2017 (Info 868).
NULIDADES:
#DEOLHONASSÚMULAS:
SÚMULA 523, STF: No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua
deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.
SÚMULA 361, STF: No processo penal, é nulo o exame realizado por um só perito, considerando-se
impedido o que tiver funcionado, anteriormente, na diligência de apreensão.
#CUIDADO: essa súmula só é válida nos casos de perícia realizada por peritos não oficiais. Isso porque
o CPP pede que, nesses casos, haja 2 peritos não oficiais (art. 159, §1º, CPP).
SÚMULA 706, STF: É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por
prevenção;.
SÚMULA 707, STF: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao
recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo.
SÚMULA 708, STF: É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da renúncia do
único defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro.

15 Aspectos processuais das Leis 4.898/65, 7.210/84, 7.960/89, 8.038/90, 8.069/90, 8.072/90, 8.930/94,
9.099/95, 9.296/96, 9.455/97, 9.503/97, 9.605/98, 9.807/99, 10.259/01, 10.671/03, 10.741/03, 10.826/03,
11.101/05, 11.340/06, 11.343/06, 11.464/07, 12.594/12, 12.760/12, 12.850/13, 12.961/14 e 12.962/14.

JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS:

#SELIGANASÚMULA:
Súmula vinculante 35, STF: A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995
não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior,
possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de
denúncia ou requisição de inquérito policial.
Súmula 696, STF: Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo,
mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la, o juiz, dissentindo, remeterá a questão ao
Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de Processo Penal.
#DEOLHONAJURIS:

178
A suspensão condicional do processo não é direito subjetivo do acusado, mas sim um poder-dever do
Ministério Público, titular da ação penal, a quem cabe, com exclusividade, analisar a possibilidade de
aplicação do referido instituto, desde que o faça de forma fundamentada. STJ. 6ª Turma. AgRg no RHC
74464/PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 02/02/2017. A suspensão condicional do
processo é solução de consenso e não direito subjetivo do acusado. STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC
91265/RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 27/02/2018.
O réu foi denunciado pela prática de dois crimes em concurso formal. A sentença condenou o agente
pelos dois delitos. Em embargos de declaração foi reconhecida a prescrição da pretensão punitiva,
pela pena em concreto, em relação a um dos crimes. A pena mínima do delito que restou é igual a 1
ano. Mesmo assim, não se poderá conceder suspensão condicional do processo em relação a este
crime remanescente. A súmula 337 do STJ afirma: "É cabível a suspensão condicional do processo na
desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva." No caso, no entanto, a
denúncia foi julgada totalmente procedente e somente após isso foi reconhecida a prescrição em
razão da pena concreta. Assim, não houve procedência PARCIAL da pretensão punitiva, mas sim
integral, não sendo caso de incidência da Súmula 337 do STJ. STJ. 6ª Turma. REsp 1500029-SP, Rel.
Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 27/9/2016 (Info 591).
O Ministério Público, ao não ofertar a suspensão condicional do processo, deve fundamentar
adequadamente a sua recusa. Se a recusa do MP foi concretamente motivada não haverá ilegalidade
sob o aspecto formal. STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 91265/RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
27/02/2018.

EXECUÇÃO PENAL:
PROGRESSÃO DE REGIME: No Brasil, adota-se o sistema progressivo (ou inglês), ainda que de maneira
não pura. Assim, de acordo com o CP e com a LEP, as penas privativas de liberdade deverão ser
executadas (cumpridas) em forma progressiva, com a transferência do apenado de regime mais
gravoso para menos gravoso tão logo ele preencha os requisitos legais.
Requisitos para a progressão do regime FECHADO para o SEMIABERTO:

Crimes comuns: cumprimento de 1/6 da pena aplicada.


Crimes hediondos ou equiparados (se cometidos após a Lei 11.464/07):
Requisito OBJETIVO
• Cumprimento de 2/5 da pena se for primário;
• Cumprimento de 3/5 da pena se for reincidente.

Requisito SUBJETIVO Bom comportamento carcerário durante a execução (mérito).

Requisito FORMAL Oitiva prévia do MP e do defensor do apenado (§ 1º do art. 112 da LEP).

Requisitos para a progressão do regime SEMIABERTO para o ABERTO:

179
Crimes comuns: cumprimento de 1/6 da pena RESTANTE.
Crimes hediondos ou equiparados (se cometidos após a Lei 11.464/07):
Requisito OBJETIVO
Cumprimento de 2/5 da pena se for primário.
Cumprimento de 3/5 da pena se for reincidente.
Requisito SUBJETIVO Bom comportamento carcerário durante a execução (mérito).
Requisito FORMAL Oitiva prévia do MP e do defensor do apenado (§ 1º do art. 112 da LEP).

Além dos requisitos acima expostos, o reeducando deve:


-Aceitar o programa do regime aberto (art. 115 da LEP) e as condições
especiais impostas pelo Juiz (art. 116 da LEP);
Requisitos
-Estar trabalhando ou comprovar a possibilidade de trabalhar imediatamente
ESPECÍFICOS do
quando for para o regime aberto (inciso I do art. 114);
regime aberto
-Apresentar, pelos seus antecedentes ou pelo resultado dos exames a que foi
submetido, fundados indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina e senso
de responsabilidade, ao novo regime (inciso II do art. 114).

#NOVIDADELEGISLATIVA
PROGRESSÃO ESPECIAL PARA MULHERES INCLUIDA NA LEP PELA LEI 13.769/2018:
Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para
regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um sexto
da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do
estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão.
§ 3º No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com
deficiência, os requisitos para progressão de regime são, cumulativamente:
I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;
II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente;
III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior;
IV - ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do
estabelecimento;
V - não ter integrado organização criminosa.
§ 4º O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do benefício previsto
no § 3º deste artigo.
Requisito OBJETIVO adicional no caso de condenados por crime contra a Administração Pública: No
caso de crime contra a Administração Pública, para que haja a progressão será necessária ainda:
- a reparação do dano causado; ou
- a devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais.

180
#SELIGANASÚMULA
Súmula 700-STF: É de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do juiz da
execução penal.
Súmula vinculante 56-STF: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do
condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nesta hipótese, os parâmetros
fixados no Recurso Extraordinário (RE) 641320.
Súmula 493-STJ: É inadmissível a fixação de pena substitutiva (art. 44 do CP) como condição especial ao
regime aberto.
Súmula 491-STJ: É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional.
Súmula 716-STF: Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata
de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.
#DEOLHONAJURIS:
O art. 75 do Código Penal prevê que o tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não
pode ser superior a 30 anos. Isso significa que, se o réu for condenado a uma pena de 100 anos de
reclusão, o limite máximo de cumprimento da pena será 30 anos. Vale ressaltar, no entanto, que, no
cálculo dos benefícios da execução penal, deverá ser considerada a pena total aplicada. Assim, ao se
calcular o requisito objetivo da progressão de regime, o juiz deverá considerar o total da pena imposta
(e não o limite do art. 75 do CP). Ex: 1/6 de 100 anos (pena total) e não 1/6 de 30 anos. Existe um
enunciado que espelha essa conclusão: Súmula 715-STF: A pena unificada para atender ao limite de
trinta anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a
concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução.
STF. 1ª Turma.HC 112182, Rel. Min. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Min. Roberto Barroso, julgado
em 03/04/2018 (Info 896).
Se o condenado estava preso preventivamente, a data da prisão preventiva deve ser considerada
como termo inicial para fins de obtenção de progressão de regime e demais benefícios da execução
penal, desde que não ocorra condenação posterior por outro crime apta a configurar falta grave. STF.
1ª Turma. RHC 142463/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/9/2017 (Info 877).
A data-base para subsequente progressão de regime é aquela em que o reeducando preencheu os
requisitos do art. 112 da LEP e não aquela em que o Juízo das Execuções deferiu o benefício. A decisão
do Juízo das Execuções que defere a progressão de regime é declaratória (e não constitutiva). STF. 2ª
Turma. HC 115254, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2015. STJ. 6ª Turma. HC 369774/RS, Rel.
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 22/11/2016 (Info 595).
Como regra, o inadimplemento deliberado da pena de multa cumulativamente aplicada ao
sentenciado impede a progressão no regime prisional. Em outras palavras, a pessoa só poderá
progredir se pagar a pena de multa. Exceção: mesmo sem ter pago, pode ser permitida a progressão
de regime se ficar comprovada a absoluta impossibilidade econômica do apenado em quitar a multa,
ainda que parceladamente. Se o juiz autorizar que o condenado pague a pena de multa
parceladamente, o apenado poderá progredir de regime, assumindo o compromisso de quitar todas

181
as prestações da multa. Caso deixe de pagar injustificadamente o parcelamento, haverá a regressão de
regime. O inadimplemento injustificado das parcelas da pena de multa autoriza a regressão no regime
prisional. STF. Plenário. EP 16 ProgReg-AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 1º/7/2016 (Info
832).

REMIÇÃO DA PENA:

Remição pelo TRABALHO Remição pelo ESTUDO


A cada 3 dias de trabalho,
diminui 1 dia de pena. A cada 12 horas de estudo,
Somente poderão ser considerados, para fins de diminui 1 dia de pena.
remição, os dias em que o condenado cumprir a As 12 horas de estudo deverão ser divididas em, no
jornada normal de trabalho, que não pode ser mínimo, 3 dias.
inferior a 6h nem superior a 8h (art. 33).
Somente é aplicada se o condenado cumpre pena
em regime fechado ou semiaberto. Pode ser aplicada ao condenado que cumpra
OBS: Não se aplica se o condenado estiver pena em regime fechado, semiaberto, aberto ou,
cumprindo pena no regime aberto ou se estiver ainda, que esteja em livramento condicional.
em livramento condicional.

#DEOLHONAJURIS:
Não se admite a remição ficta da pena. Embora o Estado tenha o dever de prover trabalho aos
internos que desejem laborar, reconhecer a remição ficta da pena, nesse caso, faria com que todas as
pessoas do sistema prisional obtivessem o benefício, fato que causaria substancial mudança na política
pública do sistema carcerário, além de invadir a esfera do Poder Executivo. O instituto da remição
exige, necessariamente, a prática de atividade laboral ou educacional. Trata-se de reconhecimento
pelo Estado do direito à diminuição da pena em virtude de trabalho efetuado pelo detento. Não
sendo realizado trabalho, estudo ou leitura, não há que se falar em direito à remição. STF. 1ª Turma.
HC 124520/RO, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/5/2018 (Info
904). STJ. 5ª Turma. HC 421425/MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 27/02/2018. STJ. 6ª Turma. HC
425155/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 06/03/2018.
Ficando comprovado que o reeducando efetivamente exerceu o trabalho artesanal, ele tem direito à
remição. A alegação do Ministério Público no sentido de que é impossível controlar as horas
trabalhadas com artesanato não é um argumento válido. Cabe ao Estado ao Estado administrar o
cumprimento do trabalho no âmbito carcerário, não sendo razoável imputar ao sentenciado qualquer
tipo de desídia na fiscalização ou controle desse meio. Caso concreto: o apenado trabalhou na
confecção de tapetes por 98 dias, tendo direito à remição de 32 dias de pena. STJ. 5ª Turma. AgRg no
REsp 1720785/RO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 03/05/2018.
É possível a remição do tempo de trabalho realizado antes do início da execução da pena, desde que
em data posterior à prática do delito. STJ. 6ª Turma. HC 420.257-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado
em 19/04/2018 (Info 625).

182
É possível a remição de pena com base no trabalho exercido durante o período em que o apenado
esteve preso em sua residência (prisão domiciliar). A fim de evitar uma interpretação restritiva da
norma, impõe-se o reconhecimento dos dias trabalhados, ainda que em prisão domiciliar. Em se
tratando de remição da pena é possível fazer uma interpretação extensiva em prol do preso e da
sociedade. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1689353/SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
06/02/2018.
O fato de o estabelecimento penal onde se encontra o detento assegurar acesso a atividades laborais
e à educação formal, não impede que ele obtenha também a remição pela leitura, que é atividade
complementar, mas não subsidiária, podendo ocorrer concomitantemente, havendo compatibilidade
de horários. STJ. 5ª Turma. HC 353689-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 14/6/2016 (Info 587).

AUTORIZAÇÕES DE SAÍDA:

Autorização de Permissão de saída Saída Temporária


saída (arts. 120 e 121, LEP) (arts. 122/125 da LEP)
Condenados que cumprem pena em
regime semiaberto, desde que:
a) apresentem comportamento
adequado
Condenados que cumprem pena em b) cumprimento mínimo de um sexto da
Beneficiários regime fechado ou semiaberto e os pena, se o condenado for primário, e um
presos provisórios quarto, se reincidente (deverá ser
computado o tempo de duração no
regime fechado - Súmula 40 do STJ)
c) compatibilidade do benefício com os
objetivos da pena
I - Visita à família;
I - Falecimento ou doença grave do II - Frequência a curso supletivo
cônjuge, companheira, ascendente, profissionalizante, bem como de
descendente ou irmão; instrução do segundo grau ou superior,
Hipóteses
II - Necessidade de tratamento médico na comarca do Juízo da Execução;
(abrangendo o odontológico de III - Participação em atividades que
urgência). concorram para o retorno ao convívio
social.
Não há escolta. A ausência de vigilância
direta não impede a utilização de
equipamento de monitoração eletrônica
Existência de escolta policial – pelo condenado, quando assim
Características
VIGILÂNCIA DIRETA determinar o juiz da execução (parágrafo
único do art. 122) - VIGILÂNCIA
INDIRETA.
0 juiz imporá ao beneficiário, entre

183
outras, as seguintes condições:
I - Fornecimento do endereço onde
reside a família a ser visitada ou onde
poderá ser encontrado durante o gozo
do benefício
II - Recolhimento à residência visitada, no
período noturno
III - Proibição de frequentar bares, casas
noturnas e estabelecimentos congêneres
Quando se tratar de frequência a curso
profissionalizante, de instrução de ensino
médio ou superior, o tempo de saída
será o necessário para o cumprimento
Inexistência de prazo predeterminado (a
das atividades discentes.
Prazo duração será a necessária à finalidade da
Nos demais casos, a autorização de saída
saída) - art. 121.
será concedida por prazo não superior a
7 dias, podendo ser renovado por mais 4
vezes durante o ano, com prazo mínimo
de 45 dias entre uma e outra.
A autoridade que concede é a Quem concede o presente benefício é o
Autoridade administrativa (diretor do Juiz, depois de ouvido o Ministério
competente estabelecimento), podendo o juiz suprir a Público e a Administração Penitenciária
ordem, quando negada ilegalmente. (atestar bom comportamento).
O benefício pode ser revogado (art. 125,
Revogação A lei não prevê hipóteses de revogação
LEP)

Súmula 520-STJ: O benefício de saída temporária no âmbito da execução penal é ato jurisdicional
insuscetível de delegação à autoridade administrativa do estabelecimento prisional.
#DEOLHONAJURIS:
É recomendável que cada autorização de saída temporária do preso seja precedida de decisão judicial
motivada. Entretanto, se a apreciação individual do pedido estiver, por deficiência exclusiva do aparato
estatal, a interferir no direito subjetivo do apenado e no escopo ressocializador da pena, deve ser
reconhecida, excepcionalmente, a possibilidade de fixação de calendário anual de saídas temporárias
por ato judicial único, observadas as hipóteses de revogação automática do art. 125 da LEP. STJ. 3ª
Seção. REsp 1544036-RJ, Rel. Min. Roge.
As autorizações de saída temporária para visita à família e para participação em atividades que
concorram para o retorno ao convívio social, se limitadas a cinco vezes durante o ano, deverão
observar o prazo mínimo de 45 dias de intervalo entre uma e outra. Na hipótese de maior número de
saídas temporárias de curta duração, já intercaladas durante os doze meses do ano e muitas vezes
sem pernoite, não se exige o intervalo previsto no art. 124, § 3º, da LEP. STJ. 3ª Seção. REsp 1544036-
RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/9/2016 (recurso repetitivo) (Info 590).
184
FALTA GRAVE:
EXECUÇÃO PENAL
Consequências decorrentes da prática de FALTA GRAVE:
ATRAPALHA NÃO INTERFERE

PROGRESSÃO: interrompe o prazo para a


progressão de regime. LIVRAMENTO CONDICIONAL: não interrompe o
REGRESSÃO: acarreta a regressão de regime. prazo para obtenção de livramento condicional
SAÍDAS: revogação das saídas temporárias. (Súmula 441-STJ).
REMIÇÃO: revoga até 1/3 do tempo remido. INDULTO E COMUTAÇÃO DE PENA: não interfere
RDD: pode sujeitar o condenado ao RDD. no tempo necessário à concessão de indulto e
DIREITOS: suspensão ou restrição de direitos. comutação da pena, salvo se o requisito for
ISOLAMENTO: na própria cela ou em local expressamente previsto no decreto presidencial.
adequado.

#SELIGANASÚMULA:
Súmula 535-STJ: A prática de falta grave NÃO interrompe o prazo para fim de comutação de pena ou
indulto.
Súmula 534-STJ: A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a progressão de regime
de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento dessa infração.
Súmula 441-STJ: A falta grave NÃO interrompe o prazo para obtenção do livramento condicional.
Súmula 533-STJ: Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução penal, é
imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional,
assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado.
Súmula 526-STJ: O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato definido como
crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de sentença penal condenatória
no processo penal instaurado para apuração do fato.

#DEOLHONAJURIS:
A não observância do perímetro estabelecido para monitoramento de tornozeleira eletrônica
configura mero descumprimento de condição obrigatória que autoriza a aplicação de sanção
disciplinar, mas não configura, mesmo em tese, a prática de falta grave. Não confundir:
- Apenado que rompe a tornozeleira eletrônica ou mantém a bateria sem carga suficiente: falta grave.
- Apenado que descumpre o perímetro estabelecido para tornozeleira eletrônica: não configura a
prática de falta grave. STJ. 6ª Turma. REsp 1519802-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado
em 10/11/2016 (Info 595).

185
A alteração da data-base para concessão de novos benefícios executórios, em razão da unificação das
penas, não encontra respaldo legal. Assim, não se pode desconsiderar o período de cumprimento de
pena desde a última prisão ou desde a última infração disciplinar, seja por delito ocorrido antes do
início da execução da pena, seja por crime praticado depois e já apontado como falta disciplinar grave.
Se isso for desconsiderado, haverá excesso de execução. STJ. 3ª Seção. REsp 1557461-SC, Rel. Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 22/02/2018 (recurso repetitivo) (Info 621).
Em caso de desaforamento, o deslocamento da competência ocorre apenas para o julgamento no
Tribunal do Júri. Uma vez tendo este sido encerrado, esgota-se a competência da comarca
destinatária, devendo a execução provisória ser conduzida pelo juízo originário da causa. STJ. 6ª
Turma.HC 374713-RS, Rel. Min. Antônio Saldanha Palheiro, julgado em 6/6/2017 (Info 605).

186
DIREITO TRIBUTÁRIO9

1. Fontes do Direito Tributário. Fontes Formais e Fontes Materiais. Fontes Principais e secundárias.
Legislação Tributária. Tratados. A Medida Provisória e o Direito Tributário. A Norma Tributária.
Hipótese de Incidência Tributária e fato gerador. Aspectos da norma tributária. Incidência Tributária.
Eficácia no tempo e no espaço. Interpretação. Integração. Obrigação Tributária. Fato Gerador. Sujeito
Ativo. Sujeito Passivo.

#DEOLHONOVADE
Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções
internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre
tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.
Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:
I - a instituição de tributos, ou a sua extinção;
II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;
III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §
3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo;
IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26,
39, 57 e 65;
V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para
outras infrações nela definidas;
VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de
penalidades.
§ 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo
mais oneroso.
§ 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização
do valor monetário da respectiva base de cálculo.
Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária
interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.
Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se aos das leis em função das quais sejam
expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei.
Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos
decretos:
I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;

9
Por André Ângelo.
187
II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia
normativa;
III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas;
IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.
Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a
cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.
Art. 101. A vigência, no espaço e no tempo, da legislação tributária rege-se pelas disposições legais
aplicáveis às normas jurídicas em geral, ressalvado o previsto neste Capítulo.
Art. 102. A legislação tributária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios vigora, no País, fora dos
respectivos territórios, nos limites em que lhe reconheçam extraterritorialidade os convênios de que
participem, ou do que disponham esta ou outras leis de normas gerais expedidas pela União.
Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor:
I - os atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação;
II - as decisões a que se refere o inciso II do artigo 100, quanto a seus efeitos normativos, 30 (trinta) dias
após a data da sua publicação;
III - os convênios a que se refere o inciso IV do artigo 100, na data neles prevista.
Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação
os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda:
I - que instituem ou majoram tais impostos;
II - que definem novas hipóteses de incidência;
III - que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao
contribuinte, e observado o disposto no artigo 178.
Art. 105. A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes,
assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do
artigo 116.
Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:
I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à
infração dos dispositivos interpretados;
II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:
a) quando deixe de defini-lo como infração;
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não
tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo.

188
Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação
tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada:
I - a analogia;
II - os princípios gerais de direito tributário;
III - os princípios gerais de direito público;
IV - a equidade.
§ 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei.
§ 2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido.
Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do
alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários.
Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e
formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas
Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou
limitar competências tributárias.
Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:
I - suspensão ou exclusão do crédito tributário;
II - outorga de isenção;
III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.
Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais
favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto:
I - à capitulação legal do fato;
II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;
III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade;
IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.

#REVISAQUEPASSA
A classificação depende apenas do conteúdo pecuniário. Assim, tanto o crédito
quanto os juros e multas são considerados obrigação tributária principal.
OBRIGAÇÃO Obs.: Multa tributária. A multa é sanção por ato ilícito e, por isso, não é tributo.
PRINCIPAL Contudo, a obrigação de pagar a multa tributária foi tratada pelo CTN como
obrigação tributária principal. Em outras palavras, multa tributária não é tributo, mas
a obrigação de pagá-la tem natureza tributária.
Segundo o § 2.º do art. 113 do CTN, a obrigação acessória tem por objeto as
OBRIGAÇÃO
prestações, positivas ou negativas, previstas no interesse da arrecadação ou da
ACESSÓRIA
fiscalização dos tributos.

189
Importante! As obrigações acessórias existem também para as entidades imunes, no
interesse da fiscalização e arrecadação de tributos, até mesmo para que a
Administração Tributária tenha como fiscalizá-las e verificar se as condições para a
fruição da imunidade permanecem presentes.
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: A entidade que goza de imunidade tributária tem o
dever de cumprir as obrigações acessórias, dentre elas a de manter os livros fiscais.
STF. 1ª Turma. RE 250844/SP, rel. Min. Marco Aurélio, 29/5/2012.
→ FATO GERADOR
- Para a obrigação principal: situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.
- Para a obrigação acessória: qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática
ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.
- Momento de ocorrência:
- Situação de fato: desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias à
produção dos efeitos que normalmente lhe são próprios.
- Situação de direito: desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos do
direito aplicável.
- Embora a hipótese de incidência tributária não possa se referir a ações ilícitas, os frutos de uma
atividade ilícita podem ser objeto de tributação. Isso porque a definição legal do fato gerador é
interpretada com abstração da validade jurídica do ato efetivamente praticado, bem como da natureza
do seu objeto ou dos seus efeitos.
→ SUJEITOS
- Da obrigação principal: pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.
- Da obrigação acessória: pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto.
- Contribuinte (sujeição passiva direta): tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o
fato gerador.
- Responsável (sujeição passiva indireta): sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação
decorre de disposição legal expressa.
- DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO
Art. 127 CTN. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da
legislação aplicável, considera-se como tal:
I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o
centro habitual de sua atividade;
II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em
relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento;
III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade
tributante.
190
§ 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo,
considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens
ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação.
§ 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a
arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior.

#APOSTACICLOS: As taxas municipais de fiscalização e funcionamento não podem ter como base de
cálculo o número de empregados ou ramo de atividade exercida pelo contribuinte. STF. 2ª Turma. ARE
990914/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2017 (Info 870). A taxa de fiscalização e
funcionamento pode ter como base de cálculo a área de fiscalização, na medida em que traduz o
custo da atividade estatal de fiscalização. STF. 1ª Turma. RE 856185 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 04/08/2015.

2. Tributo. Conceito. Elementos essenciais. Tributos em espécie. Impostos. Taxas. Contribuição de


Melhoria. Contribuições.

- A competência para legislar em matéria tributária é concorrente.


- Competência tributária é o poder que os entes políticos possuem de instituir os tributos que lhe
foram reservados e discriminados pela Constituição da República. Diferencia-se da capacidade
tributária, que se exercita na seara administrativa, significando o poder de exigir e cobrar os tributos.
- Características da competência: indelegabilidade, irrenunciabilidade, imprescritibilidade,
facultatividade, privatividade.
- O bis in idem consiste na cobrança pelo mesmo ente federativo de mais de um tributo sobre o
mesmo fato.
- A bitributação, por sua vez, ocorre na hipótese de mais de um ente federativo instituir tributo sobre
o mesmo fato jurídico tributário.

COMPETÊNCIA Taxa, contribuição de melhoria e contribuição previdenciária (dos respectivos


COMUM servidores)
COMPETÊNCIA Ao DF são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e
CUMULATIVA Municípios, cumulativamente
COMPETÊNCIA Competência da União para instituir impostos ou contribuições novos,
RESIDUAL diferentes dos previstos na Constituição
Competência da União para, na iminência ou no caso de guerra externa,
COMPETÊNCIA instituir impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua
EXTRAORDINÁRIA competência tributária, os quais serão suprimidos gradativamente, cessadas
as causas de sua criação.
UNIÃO II, IE, IR, IPI, IOF, IGF e ITR
COMPETÊNCIA
ESTADOS ITD, ICMS e IPVA
PRIVATIVA
MUNICÍPIOS IPTU, ITBI e ISS

191
- Imunidade tributária é uma regra negativa de competência, atuando no plano da delimitação
constitucional do poder de tributar (cláusula pétrea, pois caracteriza-se como garantia individual,
segundo o STF), retirando deste poder determinadas hipóteses de incidência.
Súmula 730 STF: A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos
somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos
beneficiários.
Súmula 591 STF: A imunidade ou a isenção tributária do comprador não se estende ao produtor,
contribuinte do imposto sobre produtos industrializados.
#REVISASÔ

São vedações à tributação que decorrem do próprio texto constitucional. O ente


IMUNIDADES sequer tem competência para, por meio de lei, instituir e cobrar o tributo. Não-
incidência constitucionalmente qualificada (expressão doutrinária).
É um tema que está atrelado à lei. É uma não-incidência qualificada por lei. Na
ISENÇÕES isenção, o ente político tem competência para tributar, para instituir e cobrar o
tributo, mas, por política tributária ou legislativa, opta por não tributar.
É uma alternativa à cobrança de tributo que vai decorrer de uma operação
matemática. Em impostos como o II, IE, IPI, IOF e CIDE combustível, é muito comum a
ALÍQUOTA
alíquota zero. É uma forma de não cobrar que não se confunde nem com isenção e
ZERO
nem com imunidade. Como a alíquota é zero, independentemente da base de
cálculo, não há o que ser cobrado.
NÃO Possui sentido amplo. Significa que o tributo não incidirá em determinado caso, o que
INCIDÊNCIA poderá se dar por diversos motivos, por exemplo, as imunidades.

IMUNIDADE ISENÇÃO
Dispensa constitucional do dever de pagar o Dispensa legal do dever de pagar o tributo. Há
tributo. necessidade de uma lei específica.
Trata-se de dispensa revogável.
#ATENÇÃO: Nos termos do art. 178 do CTN, há
uma isenção que não poderá ser revogada:
isenção onerosa por prazo certo e com algumas
Trata-se de dispensa irrevogável, sendo
condições. Logo, essa isenção é irrevogável em
enquadrada como cláusula pétrea.
nome da segurança jurídica.
Nesse sentido: Súmula 544 do STF: “Isenções
tributárias concedidas, sob condição onerosa, não
podem ser livremente suprimidas”.
Nos termos do art. 111 do CTN, somente se pode
Todos os métodos de interpretação poderão ser
utilizar a interpretação literal (nos exatos termos
utilizados para a aplicação da imunidade. Ex.:
da lei).
intepretação literal, sistemática, gramatical,
#ATENÇÃO: Não confundir interpretação literal
ampliativo, restritivo, teleológico, etc.
com a restritiva. Logo, como deficiente visual,
192
pode-se considerar aquele que tem um ou os
dois olhos afetados.

PRINCÍPIOS DO DIREITO TRIBUTÁRIO


Cada um deve contribuir na proporção das suas rendas e haveres,
CAPACIDADE independentemente de sua eventual disponibilidade financeira. Tem
CONTRIBUTIVA como subprincípios a progressividade, a proporcionalidade e a
seletividade.
O tributo deve ser instituído por “lei”, o que deve ser entendido como
LO, LC e MP, a depender do caso.
- Exigem lei complementar: empréstimos compulsórios, imposto sobre
grandes fortunas, impostos residuais e contribuições residuais para a
seguridade social. Nesses casos, também não se admite a instituição por
LEGALIDADE MP.
- Exceções à legalidade, em que as alíquotas são alteráveis por ato do
Poder Executivo: II, IE, IPI, IOF, ICMS combustíveis e CIDE combustíveis
(apenas na redução e restabelecimento). (#ATENÇÃO exceção é quanto
a alteração da alíquota e não quanto a criação do tributo que continua
devendo ser através de lei)
É vedado o tratamento desigual de contribuintes em situação
equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação
profissional ou função por eles exercida, independentemente da
ISONOMIA denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos.
#ATENÇÃO: não há ofensa ao princípio da isonomia se a lei, por
motivos extrafiscais, imprime tratamento desigual a microempresas e
empresas de pequeno porte (ADI 1643).
É vedado cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes
do início da VIGÊNCIA da lei que os houver instituído ou aumentado.
#ATENÇÃO: A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:
I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,
excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos
interpretados;
IRRETROATIVIDADE II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:
a) quando deixe de defini-lo como infração;
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de
ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha
implicado em falta de pagamento de tributo;
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei
vigente ao tempo da sua prática.
É vedada a cobrança de tributos no mesmo exercício financeiro em que
ANTERIORIDADE DE
haja sido PUBLICADA a lei que os instituiu ou aumentou.
EXERCÍCIO
- Exceções: empréstimo compulsório para despesas extraordinárias, II,
193
IE, IPI, IOF, impostos extraordinários de guerra, ICMS combustíveis
(apenas para redução e RESTABELECIMENTO), Cide combustíveis
(apenas para redução e RESTABELECIMENTO) e contribuições de
seguridade social.
É vedado cobrar tributos antes de decorridos noventa dias da data em
que haja sido PUBLICADA a lei que os instituiu ou aumentou.
ANTERIORIDADE
- Exceções: empréstimo compulsório para despesas extraordinárias, II,
NONAGESIMAL
IE, IR, IOF, impostos extraordinários de guerra, base de cálculo do IPVA
e base de cálculo do IPTU.
É vedada a utilização de tributo com efeito de confisco, que consiste na
apreensão de bens de alguém, por ato administrativo ou judicial, sem
VEDAÇÃO AO CONFISCO
indenização. Não há parâmetros objetivos, cabendo ao Poder Judiciário
a análise em cada caso concreto.
É vedado o estabelecimento de limitações ao tráfego de pessoas ou
bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada
NÃO LIMITAÇÃO AO
a cobrança de pedágio pela utilização das vias conservadas pelo Poder
TRÁFEGO DE PESSOAS E
Público.
BENS
#ATENÇÃO: o STF encampou a tese de que o pedágio não é espécie
de tributo, mas sim preço público.
A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos
TRANSPARÊNCIA
acerca dos impostos que incidem sobre mercadorias e serviços.
É vedado À UNIÃO instituir tributo que não seja uniforme em todo o
território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação
UNIFORMIDADE à Estado, ao DF ou a Município, em detrimento de outro.
GEOGRÁFICA #NÃOCONFUNDA: admite-se a concessão de incentivos fiscais
destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento
socioeconômico entre as diferentes regiões do País.
É vedado estabelecer diferença tributária entre bens e serviços em razão
NÃO DISCRIMINAÇÃO EM
da sua procedência ou destino.
RAZÃO DA PROCEDÊNCIA
- Não se aplica às relações internacionais para o Brasil, caso em que
OU DESTINO
este exerce sua soberania, escolhendo seus parceiros comerciais.
A lei tributária deve definir de maneira taxativa e completa as situações
TIPICIDADE TRIBUTÁRIA tributárias necessárias e suficientes para o nascimento da obrigação
tributária.

#DEOLHONAJURIS Não viola a legalidade tributária a lei que, prescrevendo o teto, possibilita o ato
normativo infralegal fixar o valor de taxa em proporção razoável com os custos da atuação estatal,
valor esse que não pode ser atualizado por ato do próprio conselho de fiscalização em percentual
superior aos índices de correção monetária legalmente previstos. STF. Plenário. RE 838284/SC, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 19/10/2016 (repercussão geral) (Info 842 e 844).

194
#APOSTACICLOS: A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal, não
abarca o maquinário utilizado no processo de produção de livros, jornais e periódicos. A imunidade
tributária visa à garantia e efetivação da livre manifestação do pensamento, da cultura e da produção
cultural, científica e artística. Assim, é extensível a qualquer material assimilável a papel utilizado no
processo de impressão e à própria tinta especial para jornal, mas não é aplicável aos equipamentos do
parque gráfico, que não são assimiláveis ao papel de impressão, por não guardarem relação direta
com a finalidade constitucional do art. 150, VI, “d”, da CF/88. STF. 1ª Turma. ARE 1100204/SP, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 29/5/2018 (Info 904).
#APOSTACICLOS: Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei
complementar. STF. Plenário. ADI 2028/DF, ADI 2036/DF, ADI 2228/DF, rel. orig. Min. Joaquim
Barbosa, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgados em 23/2 e 2/3/2017 (Info 855). STF. Plenário. RE
566622/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 23/2/2017 (Info 855).
#APOSTACICLOS: Em adequação ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, é devida a
restituição da diferença do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS pago a mais
no regime de substituição tributária para frente se a base de cálculo efetiva da operação for inferior à
presumida. STJ. 1ª Turma. REsp 687.113-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, por unanimidade,
julgado em 05/04/2018 (Info 623).

3. Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar e o Sistema Constitucional Tributário. Legalidade


Tributária. Capacidade Contributiva. Igualdade Tributária. Uniformidade Tributária. Irretroatividade da
Lei Tributária. Anterioridade da Lei Tributária. Vedação do efeito confiscatório. Vedação à limitação de
tráfego de pessoas ou bens. Imunidades. Personalização do imposto. Proibição de taxas com base de
cálculo própria de imposto. Intributabilidade das rendas da dívida pública dos entes da Federação.
Vedação à isenção heterônoma.

- É possível a criação ou majoração de tributos por MP, salvo aqueles que exigem LC. Os Estados
também podem.
- Art. 145, §2º As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos.
- Súmula vinculante 29: É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais
elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral
identidade entre uma base e outra.
- Art. 146. Cabe à lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária,
entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II - regular as limitações constitucionais ao
poder de tributar; III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente
sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados
nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação,
lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato
cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas; d) definição de tratamento diferenciado e
favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte.

195
- A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios: I - para atender a
despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência; II -
no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observada a
anterioridade anual. Obs: não há previsão constitucional para a instituição de empréstimos
compulsórios no caso de conjuntura que exija a absorção temporária de poder aquisitivo, como há no
CTN.
- Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio
econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua
atuação nas respectivas áreas. As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de
que trata o caput deste artigo: I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; II -
incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços;
- A imunidade recíproca é extensiva às autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo poder
público.
- Ler o art. 150 da CF.
IMUNIDADE ISENÇÃO
• Prevista na CF;
• Prevista nas leis de casa ente da Federação;
• É vedado ao poder de legislar sobre o tributo
• É a dispensa legal do pagamento do tributo;
em determinados casos e em relação a
• É causa de exclusão do crédito tributário
determinadas pessoas;
• Exercício da COMPETÊNCIA
• É ausência de COMPETÊNCIA.

#SAINDODOFORNO
INFO 932 DO STF O STF, ao julgar embargos de declaração opostos contra acórdão prolatado no dia
29/09/2016, alterou a redação da tese fixada para excluir a menção que era feita ao seguro-saúde.
Assim, a tese do RE 651703/PR passa a ser a seguinte: As operadoras de planos de saúde realizam
prestação de serviço sujeita ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN, previsto no art.
156, III, da CF/88. STF. Plenário. RE 651703/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 29/09/2016 (repercussão
geral) (Info 841). STF. Plenário. RE 651703 ED-primeiros a terceiros/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
28/2/2019 (Info 932).
INFO 643 DO STJ Tratando-se de Mandado de Segurança impetrado com vistas a declarar o direito à
compensação tributária, em virtude do reconhecimento da ilegalidade ou inconstitucionalidade da
exigência da exação, independentemente da apuração dos respectivos valores, é suficiente, para esse
efeito, a comprovação de que o impetrante ocupa a posição de credor tributário, visto que os
comprovantes de recolhimento indevido serão exigidos posteriormente, na esfera administrativa,
quando o procedimento de compensação for submetido à verificação pelo Fisco. De outro lado,
tratando-se de Mandado de Segurança com vistas a obter juízo específico sobre as parcelas a serem
compensadas, com efetiva investigação da liquidez e certeza dos créditos, ou, ainda, na hipótese em
que os efeitos da sentença supõem a efetiva homologação da compensação a ser realizada, o crédito
do contribuinte depende de quantificação, de modo que a inexistência de comprovação cabal dos
valores indevidamente recolhidos representa a ausência de prova pré-constituída indispensável à
196
propositura da ação. STJ. 1ª Seção. REsp 1715256-SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
13/02/2019 (recurso repetitivo) (Info 643).
INFO 641 DO STJ Não é possível exigir da empresa contribuinte do ICMS, a satisfação da condição
estabelecida no art. 166 do CTN para repetir o tributo que lhe foi indevidamente cobrado pelo Estado
de origem, em razão de transferência de mercadorias para filial sediada em outra Unidade da
Federação. STJ. 1ª Turma. AREsp 581679-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 04/12/2018 (Info
641).
INFO 640 DO STJ O adquirente de boa-fé não pode ser responsabilizado pelo tributo que deixou de
ser oportunamente recolhido pela empresa vendedora que realizou a operação mediante indevida
emissão de nota fiscal. STJ. 1ª Turma. AREsp 1198146-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
04/12/2018 (Info 640).
INFO 643 DO STJ A Fazenda Pública possui interesse e pode efetivar o protesto da CDA, documento
de dívida, na forma do art. 1º, parágrafo único, da Lei n. 9.492/1997, com a redação dada pela Lei nº
12.767/2012. STJ. 1ª Seção. REsp 1686659-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 28/11/2018
(recurso repetitivo) (Info 643).
INFO 638 DO STJ Na hipótese em que ocorrer roubo/furto da mercadoria após a sua saída do
estabelecimento do fabricante não se configura o evento ensejador de incidência do IPI. Não deve
incidir IPI sobre a venda de produtos, na hipótese de roubo ou furto da mercadoria, antes da sua
entrega ao comprador. Isso porque, neste caso, como não foi concluída a operação mercantil, não
ficou configurado o fato gerador. STJ. 1ª Seção. EREsp 734.403-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia
Filho, julgado em 14/11/2018 (Info 638).
INFO 638 DO STJ O termo inicial do prazo prescricional da cobrança judicial do Imposto Predial e
Territorial Urbano - IPTU - inicia-se no dia seguinte à data estipulada para o vencimento da exação.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.658.517-PA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/11/2018 (recurso
repetitivo) (Info 638)
INFO 638 DO STJ O parcelamento de ofício da dívida tributária não configura causa interruptiva da
contagem da prescrição, uma vez que o contribuinte não anuiu. STJ. 1ª Seção. REsp 1.658.517-PA, Rel.
Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/11/2018 (recurso repetitivo) (Info 638).
INFO 921 DO STF O ICMS é um imposto de competência estadual. Apesar disso, a CF/88 determina
que o Estado deverá repassar 25% da receita do ICMS aos Municípios. Esse repasse será realizado
após cálculos que são feitos para definir o valor da cota-parte que caberá a cada Município, segundo
critérios definidos pelo art. 158, parágrafo único da CF/88 e pela lei estadual. A Constituição do Estado
do Amapá previu que seria competência do TCE homologar os cálculos das cotas do ICMS devidas
aos Municípios. Este dispositivo é inconstitucional. Sujeitar o ato de repasse de recursos públicos à
homologação do TCE representa ofensa ao princípio da separação e da independência dos Poderes.
STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).
#SUMULASNOVAS #APOSTACICLOS
Súmula 622-STJ: A notificação do auto de infração faz cessar a contagem da decadência para a
constituição do crédito tributário; exaurida a instância administrativa com o decurso do prazo para a
197
impugnação ou com a notificação de seu julgamento definitivo e esgotado o prazo concedido pela
Administração para o pagamento voluntário, inicia-se o prazo prescricional para a cobrança judicial.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.
Súmula 625-STJ: O pedido administrativo de compensação ou de restituição não interrompe o prazo
prescricional para a ação de repetição de indébito tributário de que trata o art. 168 do CTN nem o da
execução de título judicial contra a Fazenda Pública. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe
17/12/2018.
Súmula 626-STJ: A incidência do IPTU sobre imóvel situado em área considerada pela lei local como
urbanizável ou de expansão urbana não está condicionada à existência dos melhoramentos elencados
no art. 32, § 1º, do CTN. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.
Súmula 627-STJ: O contribuinte faz jus à concessão ou à manutenção da isenção do imposto de
renda, não se lhe exigindo a demonstração da contemporaneidade dos sintomas da doença nem da
recidiva da enfermidade. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.
- Art. 150, § 7º - Substituição progressiva ou "para frente": é a antecipação do recolhimento do tributo
cujo fato gerador ocorrerá (se ocorrer) em um momento posterior, com lastro em base de cálculo
presumida. Assim, antecipa-se o pagamento do tributo, sem que se disponha de uma base imponível
apta a dimensionar o fato gerador, uma vez que não ocorreu. Exemplo: veículos novos ao deixarem a
fábrica em direção às concessionárias (o ICMS já é recolhido antes do fato gerador que,
possivelmente, ocorrerá com a venda do bem).
- Substituição regressiva ou "para trás" (não tem previsão legal): é a postergação ou adiamento do
recolhimento do tributo com relação ao momento pretérito em que ocorre o fato gerador. Exemplo: o
leite cru (o produtor rural X laticínio - este recolhe para aquele).
- Súmula 569-STJ: Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no
desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da
concessão do benefício relativo ao regime de drawback. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 27/04/2016, DJe
02/05/2016.
- IPI: seletivo (com base na essencialidade), não cumulativo e não incidirá sobre produtos
industrializados destinados ao exterior; não se sujeita à legalidade e à anterioridade, mas deve
respeitar a nonagesimal; base de cálculo cláusula CIF (custo, seguro e frete)
- STJ INF 535: Não é ilegal a nova incidência de IPI no momento da saída de produto de procedência
estrangeira do estabelecimento do importador, após a incidência anterior do tributo no desembaraço
aduaneiro. Assim, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando ocorre
a sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda.
- Súmula 591 STF: A imunidade ou a isenção tributária do comprador não se estende ao produtor,
contribuinte do imposto sobre produtos industrializados.
- IR: generalidade, universalidade e progressividade; sujeita-se à legalidade e anterioridade
(nonagesimal não); alíquotas variáveis conforme a renda tributável (base de cálculo); verbas
indenizatórias não se sujeitam ao IR.

198
- Súmula 584 STF: Ao Imposto de Renda calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei
vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração.
- Súmula 463 STJ: Incide imposto de renda sobre os valores percebidos a título de indenização por
horas extraordinárias trabalhadas, ainda que decorrentes de acordo coletivo.
- Súmula 386 STJ: São isentas de imposto de renda as indenizações de férias proporcionais e o
respectivo adicional.
- Súmula 262 STJ: Incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas
pelas cooperativas.
- Súmula 215 STJ: A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária
não está sujeita à incidência do imposto de renda.
- ITR: progressivo (valor e utilização da propriedade); é imposto da União, mas poderá ser fiscalizado e
cobrado pelos Municípios que assim optarem, desde que não implique redução do imposto ou
qualquer outra forma de renúncia fiscal; não incide sobre a pequena gleba rural, explorada por
proprietário que não possua outro imóvel; base de cálculo do tributo é o valor fundiário (valor da terra
nua), desconsiderando as eventuais obras ou melhorias (construções, plantações, pastagens, culturas
diversas, entre outras) e excluídas as áreas de reserva ambiental (previamente averbadas) ou não
utilizáveis.
- A União poderá instituir: I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior,
desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos
discriminados nesta Constituição; II - na iminência ou no caso de guerra externa, impostos
extraordinários, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos,
gradativamente, cessadas as causas de sua criação.
- Impostos residuais e contribuições sociais residuais: lei complementar.
- Imposto extraordinário: lei ordinária.
- ITCMD: I - relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, compete ao Estado da situação do
bem, ou ao Distrito Federal; II - relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado
onde se processar o inventário ou arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal; III -
terá competência para sua instituição regulada por lei complementar: a) se o doador tiver domicilio ou
residência no exterior; b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu
inventário processado no exterior; IV - Terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal.
- Súmula 331 STF: É legítima a incidência do imposto de transmissão "causa mortis" no inventário por
morte presumida.
- ICMS: resolução do Senado Federal, de iniciativa do Presidente da República ou de um terço dos
Senadores, aprovada pela maioria absoluta de seus membros, estabelecerá as alíquotas aplicáveis às
operações e prestações, interestaduais e de exportação; V - é facultado ao Senado Federal: a)
estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas, mediante resolução de iniciativa de um terço e
aprovada pela maioria absoluta de seus membros; b) fixar alíquotas máximas nas mesmas operações
para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados, mediante resolução de iniciativa da
199
maioria absoluta e aprovada por dois terços de seus membros; VI - salvo deliberação em contrário dos
Estados e do Distrito Federal, nos termos do disposto no inciso XII, "g", as alíquotas internas, nas
operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, não poderão ser
inferiores às previstas para as operações interestaduais; VII - em relação às operações e prestações
que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado, adotar-se-á: a) a alíquota
interestadual, quando o destinatário for contribuinte do imposto; b) a alíquota interna, quando o
destinatário não for contribuinte dele; X - não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias
para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e
o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores; b) sobre
operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e
gasosos dele derivados, e energia elétrica; c) sobre o ouro, nas hipóteses definidas no art. 153, § 5º; d)
nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e
imagens de recepção livre e gratuita; XI - não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do
imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a
produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos;
XII - cabe à lei complementar: e) excluir da incidência do imposto, nas exportações para o exterior,
serviços e outros produtos além dos mencionados no inciso X, "a" (trata-se de prerrogativa do Poder
Legislativo da União, ou seja, exceção à proibição de isenção heterônoma); g) regular a forma como,
mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão
concedidos e revogados.
- É inconstitucional lei estadual que concede benefícios fiscais relacionados com o ICMS sem a prévia
celebração de convênio intergovernamental (art. 155, § 2º, XII, “g”, da CF/88 e LC 24/1975). No caso
concreto, o STF julgou inconstitucionais dispositivos da lei estadual que previam parcelamento do
pagamento de ICMS em quatro anos sem juros e correção monetária e também os artigos que
conferiam créditos fictícios de ICMS de forma a reduzir artificialmente o valor do tributo. Além disso, a
Corte entendeu inconstitucional dispositivo que autorizava o Governador do Estado a conceder
benefício fiscal por ato infralegal, tendo havido violação à regra da reserva legal (art. 150, § 6º, da
CF/88). Por outro lado, o STF considerou constitucional dispositivo de lei estadual que estabeleceu a
suspensão do pagamento do ICMS incidente sobre a importação de matéria-prima ou de material
intermediário, e transferiu o recolhimento do tributo do momento do desembaraço aduaneiro para o
momento de saída dos produtos industrializados do estabelecimento. O Supremo entendeu que tais
dispositivos são constitucionais porque a jurisprudência permite o legislador estadual, mesmo sem
convênio, preveja o diferimento (retardamento) do recolhimento do valor devido a título de ICMS se
isso não implicar redução ou dispensa do valor devido. Diferir o recolhimento do valor não significa
benefício fiscal e, portanto, não precisa da prévia celebração de convênio. Modulação dos efeitos. O
STF decidiu modular os efeitos da decisão para que ela tenha eficácia somente a partir da data da
sessão de julgamento. Ponderou que se trata de benefícios tributários inconstitucionais, mas que se
deveria convalidar os atos jurídicos já praticados, tendo em vista a segurança jurídica e a pouca
previsibilidade, no plano fático, quanto às consequências de eventual decretação de nulidade desses
atos, existentes no mundo jurídico há anos. Deve-se chamar atenção para esse fato porque, em regra,
a jurisprudência do Supremo não tem admitido a modulação dos efeitos nessas hipóteses. STF.
Plenário. ADI 4481/PR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 11/3/2015 (Info 777).
200
- Súmula 660 STF: não incide ICMS na importação de bens por pessoa física ou jurídica que não seja
contribuinte do imposto.
- Súmula 661 STF: na entrada de mercadoria importada do exterior, é legítima a cobrança do ICMS por
ocasião do desembaraço aduaneiro.
- Súmula 334 STJ: O ICMS não incide no serviço dos provedores de acesso à Internet.
- O ICMS integra a sua própria base de cálculo, sendo isso chamado de ICMS "por dentro" ou "cálculo
por dentro". O ICMS por dentro está previsto no art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, sendo considerado
constitucional pelo STF. Essa mesma regra aplica-se para o ICMS substituição tributária, considerando
que se trata do mesmo tributo. Assim, ainda que se adote a substituição tributária como forma de
arrecadação de ICMS, é legal aplicar-se a sistemática do "cálculo por dentro". STJ. 2ª Turma. REsp
1.454.184-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 5/5/2016 (Info 585).
- IPVA terá alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal.
- SV 31: é inconstitucional ISS sobre locação de bens móveis.
- Súmula 589 STF: É inconstitucional a fixação de adicional progressivo do imposto predial e territorial
urbano em função do número de imóveis do contribuinte.
- ITBI não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa
jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrentes de fusão,
incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante
do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou
arrendamento mercantil.
- Em se tratando de entidade religiosa, há presunção relativa de que o imóvel da entidade está
vinculado às suas finalidades essenciais, o que impede a cobrança de impostos sobre aquele imóvel de
acordo com o art. 150, VI, “c”, da CF. Nesse contexto, a descaracterização dessa presunção para que
incida ITBI sobre imóvel de entidade religiosa é ônus da Fazenda Pública municipal, nos termos do art.
333, II, do CPC. STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 444.193-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. em
4/2/2014 (Info 534).
- Súmula 111 STF: É legítima a incidência do imposto de transmissão "Inter vivos" sobre a restituição, ao
antigo proprietário, de imóvel que deixou de servir a finalidade da sua desapropriação.
- Súmula 656 STF: é inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o imposto de
transmissão Inter vivos de bens imóveis (ITBI) com base no valor venal do imóvel.
- ISS: cabe à lei complementar fixar alíquotas máxima e mínima, excluir da sua incidência exportações
de serviços para o exterior e regular a forma e as condições como isenções, incentivos e benefícios
fiscais serão concedidos e revogados.
- À exceção do ICMS, II e IE, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia
elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do país.
- Art. 157, II, CF: Pertencem aos ESTADOS e ao DISTRITO FEDERAL 20% do produto da arrecadação do
imposto que a União instituir no exercício da competência residual.

201
- Pertencem aos Municípios: I – 50% do produto da arrecadação do imposto da União sobre a
propriedade territorial rural, relativamente aos imóveis neles situados, cabendo 100% na hipótese da
opção pela fiscalização e cobrança; II – 50% do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a
propriedade de veículos automotores licenciados em seus territórios; III – 25% por cento do produto
da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação.
- É vedada a retenção ou qualquer restrição à entrega e ao emprego dos recursos atribuídos, nesta
seção, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, neles compreendidos adicionais e acréscimos
relativos a impostos. Essa vedação não impede a União e os Estados de condicionarem a entrega de
recursos: I - ao pagamento de seus créditos, inclusive de suas autarquias; II - ao cumprimento das
aplicações de recursos nas ações e serviços públicos de saúde.
- A definição de obrigações acessórias e a alteração da data de vencimento da obrigação principal por
meio de decreto executivo não configuram violação ao princípio da reserva de lei em matéria
tributária.

4. Responsabilidade Tributária. Sucessores. Terceiros. Por Infrações.

- Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio
útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes
a tais bens, ou a contribuições de melhoria, sub-rogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes,
salvo quando conste do título a prova de sua quitação. No caso de arrematação em hasta pública, a
sub-rogação ocorre sobre o respectivo preço.
- Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I - o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos
bens adquiridos ou remidos; II - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos
devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao
montante do quinhão do legado ou da meação; III - o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até
a data da abertura da sucessão.
- Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título,
fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva
exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos
tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I - integralmente,
se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II - subsidiariamente com o
alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de 06 MESES a contar da data da
alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. O
disposto no caput deste artigo NÃO se aplica na hipótese de alienação judicial: I - em processo de
falência; II - de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de recuperação judicial.
- Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo
contribuinte, respondem solidariamente (na verdade é subsidiariamente) com este nos atos em que
intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I - os pais, pelos tributos devidos por seus
filhos menores; II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III
- os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV - o inventariante, pelos
202
tributos devidos pelo espólio; V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou
pelo concordatário; VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos
sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII - os sócios, no caso de
liquidação de sociedade de pessoas.
- Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias
resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos:
I - as pessoas referidas no item anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores,
gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
- Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente (pela multa):
I - Quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas
no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de
ordem expressa emitida por quem de direito;
II - Quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar;
III - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico:
a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem;
b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou
empregadores;
c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas.
- Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o
caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada
pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único.
Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento
administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.
- Súmula 360 STJ: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a
lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.
- Súmula 509-STJ: É lícito ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de
nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda.
- Súmula 554-STJ: na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não
apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a
fatos geradores ocorridos até a data da sucessão.
- Súmula 555-STJ: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o
Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos
em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da
autoridade administrativa.
- Súmula vinculante 48: Na entrada de mercadoria importada do exterior, é legítima a cobrança do
ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro.

203
5. Crédito Tributário. Constituição. Suspensão. Extinção. Exclusão. Garantias e privilégios do crédito
tributário.
#REVISASÔ
MODALIDADES EXTINTIVAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Diretas (independem de lei) Indiretas (dependem de lei) Processuais
- Conversão do depósito em
- Pagamento; - Compensação; renda;
- Homologação do pagamento - Transação; - Consignação em pagamento;
Antecipado; - Remissão; - Decisão Administrativa
- Decadência; - Dação em pagamento em irreformável;
- Prescrição. bens imóveis. - Decisão judicial passada em
julgado.

→ DECADÊNCIA
- Instituto que fulmina o direito potestativo do fisco de constituir o crédito tributário (lançar). Éo prazo
para o fisco lançar, apurar ou determinar o crédito tributário.
- O prazo decadencial (como o prescricional) é sempre de 5 (cinco) anos. O que irá mudar, a
depender da hipótese, é o termo inicial da contagem.
#VEMDETABELINHA
DECADÊNCIA NOS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO E POR DECLARAÇÃO
PRAZO: 5 ANOS
Conta-se do 1º dia do
REGRA - Art. 173, I, CTN
exercício seguinte
Ocorre quando o fisco
notifica o contribuinte
Conta-se da notificação
ANTECIPAÇÃO DA da necessidade de
Art. 173, §único, CTN ou ciência do sujeito
CONTAGEM prática de qualquer ato
passivo
indispensável ao
lançamento.
Conta-se da data em
ANULAÇÃO DO Ocorre quando há que se tornar definitiva
LANÇAMENTO anulação de a decisão que houver
Art. 173, II, CTN
ANTERIOR POR VÍCIO lançamento anterior por anulado, por vício
FORMAL vício formal. formal, o lançamento
anteriormente efetuado

DECADÊNCIA NO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO


PRAZO: 5 ANOS
REGRA Contribuinte declara e paga, Art. 150, §4º, CTN Conta-se da data do fato

204
ainda que parcialmente gerador
EXCEÇÃO Contribuinte não declara (e Conta-se do 1º dia do
Art. 173, I, CTN
1 não antecipa qualquer valor) exercício seguinte
EXCEÇÃO Conta-se do 1º dia do
Dolo, fraude ou simulação Art. 173, I, CTN
2 exercício seguinte
Ocorre a constituição do crédito tributário, de forma que
EXCEÇÃO Contribuinte declara e não
não é mais possível se falar em decadência, mas tão
3 paga
somente em prescrição.

→ PRESCRIÇÃO
- É o prazo para o Fisco realizar a cobrança judicial do crédito tributário. Ocorre quando a Fazenda
Pública, tendo o crédito devidamente apurado e não pago, não realiza a cobrança judicial no prazo
fixado em lei, não propõe a ação de execução fiscal no prazo legal.
- É instituto de direito material, atrelado à própria relação jurídica. Ao contrário do que ocorre no
Direito Civil, no Direito Tributário o prazo de prescrição não fulmina apenas a pretensão jurídica, mas o
próprio direito.
→ SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:
I - moratória;
II - o depósito do seu montante integral;
III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;
IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança.
V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;
VI – o parcelamento.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios
dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes.
- O parcelamento é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário pela qual o Estado
permite ao devedor o pagamento de débitos tributários em parcelas, geralmente com benefícios (ex.:
redução de multa de mora, redução do valor devido a título de encargo legal e etc.). Consiste na
tentativa de recuperação de dívidas inadimplidas mediante a concessão de maiores facilidades para o
seu pagamento.
- O parcelamento de débitos tributários não é concedido pelo Poder Judiciário, mas sim pela
administração tributária, de acordo com os ditames legais.
- A inclusão de determinada dívida tributária num programa de parcelamento é competência exclusiva
da autoridade administrativa. Cuida-se de matéria sujeita à esfera administrativa, não podendo o
Poder Judiciário imiscuir-se nesse assunto, sob pena de invadir a competência conferida ao Poder
Executivo, violando portanto o princípio da separação de poderes.
205
#APOSTACICLOS: A revogação de liminar que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário ocasiona
a retomada do lapso prescricional para o Fisco, desde que inexistente qualquer outra medida
constante do art. 151 do CTN ou recurso especial / extraordinário dotado de efeito suspensivo. STJ. 1ª
Seção. EAREsp 407940-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10/5/2017 (Info 605).

6. Ilícitos tributários. Crimes. Elisão e Evasão. Processo Administrativo Tributário e Processo Judicial
Tributário.

→ EXECUÇÃO FISCAL
- A regra geral de competência é o domicílio do executado, no de sua residência ou onde for
encontrado.
- A jurisprudência tem entendido que a LEF é lei especial e prevalece sobre as regras gerais previstas
no Código de Processo Civil.
- O devedor é citado para, em cinco dias (lembre que na execução comum esse prazo é de 3 dias),
pagar ou oferecer bens à penhora. Caso pague, o juiz dará vista à Fazenda e, com a concordância
desta, a execução será extinta.
- É possível que o executado ofereça precatórios em garantia à execução. Contudo, o precatório é
considerado crédito e, portanto, está enquadrado na última opção dos bens penhoráveis. Frise-se:
precatório não pode ser considerado dinheiro (inc. I). É crédito (inc. VIII). Assim, a Fazenda Pública
pode recusar precatórios dados em garantia quando houver outros bens penhoráveis, na ordem
acima esposada.
- Não ocorrendo o pagamento e nem a garantia da execução, poderá a penhora recair sobre
qualquer bem do executado, com exceção dos que a lei declare absolutamente impenhoráveis.
- Garantido o juízo, é viabilizada a oposição de embargos à execução fiscal (pressuposto de
admissibilidade).
- Os embargos à execução fiscal, segundo entendimento majoritário, não possuem efeito suspensivo,
salvo:
• Plausibilidade da tese jurídica apresentada.
• Receio de dano irreparável ou de difícil reparação.
• Garantia do juízo.
- Coexistindo mais de uma execução fiscal contra um mesmo devedor, é possível vislumbrar o
princípio da unidade da garantia da execução.
- Caso não sejam localizados bens ou o próprio executado, o juiz deverá suspender a execução fiscal,
hipótese que também autoriza a suspensão do curso da prescrição.

206
#REVISAQUEPASSA:
LICITUDE DO COMPORTAMENTO MOMENTO DA OCORRÊNCIA
Em regra, antes do FG (exceção:
ELISÃO Lícita (planejamento tributário)
declaração de IR)
Ilícita (evita o conhecimento da Em regra, após o FG (exceção: notas
EVASÃO
ocorrência do FG pela autoridade) fiscais fraudulentas)
Formalmente lícita, mas com abuso de
ELUSÃO Antes ou após o FG
forma jurídica

#APOSTACICLOS: A alienação de bens que foram objeto de arrolamento fiscal não depende de prévia
notificação ao órgão fazendário. A Lei nº 9.532/97 não exige que a notificação ao órgão fazendário
seja prévia à alienação, mas simplesmente que exista a comunicação. STJ. 1ª Turma. REsp 1217129-SC,
Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 27/10/2016 (Info 594).
#APOSTACICLOS: O protesto das certidões de dívida ativa constitui mecanismo constitucional e
legítimo por não restringir de forma desproporcional quaisquer direitos fundamentais garantidos aos
contribuintes e, assim, não constituir sanção política. STF. Plenário. ADI 5135/DF, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 3 e 9/11/2016 (Info 846).
#APOSTACICLOS: A empresa vendedora de boa-fé que evidencie a regularidade da operação
interestadual realizada com cláusula FOB (Free on Board) não pode ser objetivamente
responsabilizada pelo pagamento do diferencial de alíquota de ICMS em razão de a mercadoria não
ter chegado ao destino declarado na nota fiscal. A despeito da regularidade da documentação, o Fisco
pode tentar comprovar que a empresa vendedora intencionalmente participou de eventual fraude
para burlar a fiscalização, concorrendo para a tredestinação da mercadoria (mediante simulação da
operação, por exemplo). Neste caso, sendo feita essa prova, a empresa vendedora poderá ser
responsabilizada pelo pagamento dos tributos que deixaram de ser oportunamente recolhidos. STJ. 1ª
Seção. EREsp 1657359-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/03/2018 (Info 622).

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