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forma de conhecimento parece imenso: uma vez imersa em suas linhas

de raciocínio, dificilmente a pessoa volta a ver o mundo das antigas


formas familiares. Como suas implicações ficam cada vez mais elabo-
TRÊS radas, o conhecimento feminista cada vez mais provoca deslocamen-
tos. Oferece um desafio radical para o sentido de identidade da pessoa,
para a sua visão das relações humanas e concepção de sociedade e da
relação desta com a natureza.
A Crítica Feminista da Ciência Como apontou Harding (1986), essas críticas levaram algumas fe-
e o Desafio da ministas a defender uma adesão mais rigorosa às regras empiristas do
método. As impropriedades das estruturas tradicionais do conhecimento
Epistemologia Social poderiam ser vencidas, argumenta-se, se números crescentes de variá-
veis (inclusive o género) fossem levados em conta; se um leque de hi-
Kenneth J. Gergen póteses sistematicamente em expansão fosse submetido a teste; pre-
conceitos de valor, obliterados e assim por diante. Entretanto, como
está evidente para Harding e outros, essas vias feministas empiristas
de aperfeiçoamento são afinal inadequadas. Aparentemente questio-
nam apenas a maneira como é conduzida a ciência empírica, mas em
AO SE ANALISAR A PRODUÇÃO feminista contemporânea, é espantoso suas críticas abrem a porta a um profundo questionamento dos pró-
verificar em que medida a crítica predomina. Independentemente do prios fundamentos da ciência empírica em si. Vamos explorar isto bre-
campo, a postura dominante é a do ataque. Um dos alvos principais vemente.
desse ataque é o edifício do conhecimento tradicional, considerado in- No último século, a maior parte das instituições engajadas na cria-
discutível — em grande medida visto pelas feministas como saturado ção do que normalmente é aceito como conhecimento esteve ligada a
de perspectivas e valores masculinos e frequentemente como um veícu- alguma forma de filosofia empirista. Do ponto de vista empirista, as
lo que serve a esses interesses, sustentando a dominação masculina. Por proposições a respeito do mundo deveriam ser julgadas basicamente.
exemplo, análises críticas foram dirigidas às tradicionais descrições bio- Com esse fim, foram articuladas regras metodológicas ou de procedi-
lógicas da natureza das mulheres (Hubbard, 1983; Hubbard, neste vo- mento que, supõe-se, produzirão proposições objetivamente fundamen-
lume); à visão das mulheres nas descobertas da pesquisa psicológica tadas se devidamente aplicadas. Embora essas regras dependam do
(Weisstein, 1971); à hipótese de diferenças de género bifurcadas (Kess-
contexto de cada disciplina, fundamentalmente exigem que um inves-
ler e McKenna, 1978); às teorias de desenvolvimento moral (Gilligan,
1982); à imagem das mulheres nos tratados ginecológicos (Scully e Bart, tigador esjK -i ilique uma série de fenómenos observáveis para serem ana-
1973); à penetração de metáforas masculinas no teorizar biofísico (Kel- lisados, empane procedimentos rigorosos de amostragem, desenvolva
ler, 1984); à invisibilidade das mulheres na análise sociológica (Smith, dispositivÇi padronizados de medição, controle as variáveis relevan-
1979); à imagem do patriarcado sustentada pelos escritos antropológi- tes, coloque us hipóteses à prova através de testes dedutivos, forneça
cos (Sanday, neste volume); à baixa representação das mulheres na pes- análises estatísticas e assim por diante. Tradicionalmente, a crítica às
quisa das ciências sociais (Johnson e Freize, 1978); às visões andro- proposiçõi •. no interior das ciências tenta demonstrar a inadequação
cêntricas da sexualidade (Tiefer, neste volume) e à agressão (Macau- na aplicaç » - < ureia de uma ou mais dessas regras de procedimenlo.
lay, 1985); à exclusão da voz feminista da teoria política (Evans, 1986); Em c haste grilante, poucas críticas feministas procederam em
ao monopólio masculino da representação histórica (Janssen-Jurreit, bases com n. u .unis, empiricistas. Ao optar por esquemas alternativos
1982) e ao preconceito masculino na pesquisa dos papéis sexuais e do de postul iluvulas, o criticismo feminista serviu indiretamente para
ajustamento conjugal (Long Laes, 1971). questiona M p i ó p i i a perspectiva empiricista tradicional. Pois, como
Os frutos dessas várias iniciativas mais do que amplamente justi- foidemorn x i < > , mesmo quando as regras metodológicas empiricistas
ficam seu intenso fundamento na crítica. O potencial emancipador dessa são cons c aplicadas, as formas resultantes de conhecimento

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lógica já mostrou diversos casos em que mulheres expostas às opiniões
de um grupo majoritário mudaram de opinião, em proporção maior
profusamente problemáticas. Nesse sentido, as feministas ques-
que os homens, no sentido da opinião da maioria. Os pesquisadores
f am ^s preniissas que estruturam a própria lógica da investigação
nessa situação encontram-se diante de uma diversidade de interpreta-
P Ncist^ (Unger, 1983). Consideramos duas dessas formas de crítica,
ções possíveis dessas ações, pois a conduta das mulheres pode ser des-
cm Primeiro lugar, as críticas feministas revelaram numerosas ins-
crita como conformismo, indecisão, integração, cooperação etc. Porém,
Clas er^ que as hipóteses que orientavam os cientistas condiciona-
os próprios dados não indicam ao investigador qual dessas caracteri-
. . ° jtoo de resultados (ou realidades) que a pesquisa poderia pro- zações é a "correta" ou "objetiva". Deveria optar por definir essas
r< **» porque essas hipóteses orientadoras representam perspecti-
ações de "conformismo" (o que a maioria fez) ou alguma das descri-
"Vascxjiinas predominantes, as realidades científicas tipicamente su-
ções alternativas seria mais apropriada? Os dados não são decisivos
. etft *t voz feminina. Se, por exemplo, um investigador presume que
em relação à questão. Na verdade, a crítica feminista mina a própria
?m cjois géneros diferentes, cada um deles caracterizado por de-
tese de neutralidade em relação a valores, tradicionalmente utilizada
U^os traços físicos, quaisquer diferenças encontradas entre os
para validar o procedimento científico.
(St**08 assmalados será subsequentemente utilizada para reforçar a hi-
P se d^j género divergente. A pesquisa é essencialmente planejada de
• N ^eos restutad°s S6 podem corroborar a postura adotada aprío-
' a "\edida em que as hipóteses orientadoras moldam as categorias
Ccfftf\ecimento subsequente, os tipos de questões que direcionam a
A PROBLEMÁTICA DA PERSPECTIVA
twv!*118^1 e os ^P°s ^e resP°stas <lue podem ser obtidos, as regras do PRIVILEGIADA
" mento empírico não fornecem um corretivo. Em outras pala-
na vez que um investigador adotou uma dada ontologia, esse
p
s >. de orientação determina o que é considerado como relevante;
Como vemos, à medida que se ampliam as bases da crítica feminista,
tos não podem corrigir ou falsificar a ontologia porque todos
elas evoluem de maneira mais geral para uma condenação da orienta-
^ que foram coletados dentro dessa perspectiva só podem ser com-
ção empiricista do conhecimento. A promessa empiricista de conheci-
"•"-\idos em seus termos. Assim, os cientistas sociais em geral não
mento objetivo e cumulativo, através de métodos sistematizados de
>tÃaim sobre a influência nos assuntos humanos do espírito santo
investigação, revela-se falha. Para muitas feministas, essa acusação vai
^ ^espírito do mal, não por causa da inexistência de padrões sociais
direto ao alvo, indicando que a concepção empiricista do conhecimen-
ta c<k>nduzir a interpretação nesses termos, mas porque eles estão fo-
to é em si mesma uma projeção da ideologia ou dos valores masculi-
^s > premissas ontológicas da ciência contemporânea1. Conseqúen-
nos. Ao separar o sujeito do objeto, a razão da emoção, o conhecimento
^er%e, atacar o processo científico em função de sua pré-estrutura
Mo contexto sócio-histórico, a orientação empiricista mostra-se incom-
^. f^%ceituosa da compreensão não é meramente questionar o uso tra-
t>^~ . , **„*„. científico, mas a adequação básica do próprio patível com o bem-estar humano (cf. Bleier, 1984; Keller, 1984).
Entretanto, ao expor a fragilidade das bases empiricistas, o criti-
..
cto.
^Consideremos um segundo exemplo. Muitas críticas feministas
t ísmo feminista também se coloca numa posição vulnerável. Críticas do
11 pó das que descrevemos desmascaram satisfatoriamente tanto as pre-
eitti|yf içaram situações em que as teorias científicas surgem para justi-
icnsões androcêntricas do conhecimento quanto os fundamentos desse
** ou uma ideologia androcêntrica ou uma estrutura de poder que
iiióprio conhecimento. Demonstram o caráter não-objetivo do "fato"
e^e*ficia a si mesma. No entanto, apesar das tentativas do empiricis-
'.labelecido, assim como das bases para o estabelecimento desse fato.
*'» ' desde seu início, de separar nitidamente fatos e valores, parece
ontudo os efeitos desse ataque em duas frentes são ao mesmo tempo
* '%ipossível alcançar a neutralidade em relação aos últimos. Na me
uipregnados de ironia, pois, à medida que essa linha de argumentação
, a i em que qualquer conjunto de fenómenos observáveis está sujeito
w Impõe, corrói simultaneamente as bases da própria legitimação. A
% iritlterpretações múltiplas, as regras do método empírico não estabcle
iiinior parte dos ataques ao conhecimento tradicional chama a atenção
etltt i uma barreira contra o livre jogo de valores na escolha de uma in
erP'oretação em detrimento de outra. Por exemplo, a pesquisa psico 51


perspectiva masculina. Como Jane Flax (1983) indicou, quando a ta-
para seus preconceitos, erros e conclusões desvirtuantes. Tal crítica im- refa de cuidar de crianças é predominantemente feminina, o menino
plica a possibilidade de um conjunto alternativo de proposições retra- realiza sua identidade alienando-se do mundo social. Ele precisa do-
tando o mundo corretamente — inclusive quanto às variações de género. minar e/ou reprimir outros para se desenvolver e sustentar a própria
Porém, se a critica consegue impugnar o próprio conceito de ciência identidade. Quando o núcleo do ser define-se exclusivamente contra
objetiva, torna-se impossível falar de quaisquer proposições "mistifi- as mulheres, o homem desenvolve e emprega categorias de entendimento
cadoras". Em que bases poderiam as feministas estabelecer leituras cor- que recapitulam o dilema infantil. Mais uma vez o dualismo sujeito/ob-
retas ou sem preconceito da natureza? jeto, mente/corpo, razão/emoção é apresentado como problemático
É a partir desse contexto de perplexidade que as epistemologias e considerado como projeção das peculiaridades da experiência de de-
do ponto de vista feminista (segundo Harding, 1986) se desenvolve- senvolvimento masculina. Para Dorothy Smith (1979), o trabalho das
ram. Conforme propõem alguns estudiosos feministas, o conceito de mulheres na cultura desobriga os homens da necessidade de cuidar de
conhecimento exato e objetivo não precisa ser descartado. Ao contrá- seus corpos e dos seus locais de moradia; ficam assim liberados para
rio, há muitos motivos para se acreditar que a orientação masculina se engajar no mundo dos conceitos abstratos e das funções adminis-
em relação ao conhecimento é sistematicamente distorcida, de uma for- trativas. Eles têm pouca experiência direta em muitas das atividades
nia que o ponto de vista feminino não é. A orientação feminina quan- do mundo do dia-a-dia e suas abstrações são inadequadas para com-
to à ciência tem mais possibilidade que a masculina de produzir preender esse mundo que as mulheres conhecem através da experiên-
conhecimento válido. Assim, não só as críticas às estruturas masculi- cia direta.
nas de conhecimento são salvas, guardadas, como se preserva a possi- Embora essas várias teses sejam instigantes em diversos aspectos,
bilidade de alguma forma de ciência e, em particular, de uma ciência Harding (1986) manifestou considerável reserva em suas apreciações.
exclusivamente feminista. Sua preocupação particular não é tentar demonstrar a superioridade
Diversas linhas de raciocínio vêm sendo utilizadas para privilegiar da perspectiva feminina em relação à masculina. Em vez disso, racio-
a perspectiva feminina. Hilary Rose (1983), por exemplo, sugeriu que cinou que existem outros grupos cujos direitos às vantagens epistemo-
o modo de investigação das mulheres permaneceu uma espécie de "tra- lógicas, pelos mesmos critérios empregados por essas teóricas podem
balho artesanal". Como tal, contrasta vantajosamente com a orienta- exceder os das feministas que parecem se beneficiar das referidas aná-
ção dos homens para o "trabalho industrializado". No trabalho lises — ou seja, as mulheres ocidentais instruídas, de recursos econó-
artesanal, as atividades manuais, mentais e emocionais da pessoa es- micos substanciais. Afinal de contas, as mulheres ocidentais partici-
tão unificadas, ao invés de fragmentadas. Ao contrário, o trabalho in- param sistematicamente das práticas de colonização que subjugaram
dustrializado da ciência contemporânea dominada pelos homens é de grandes setores do mundo africano — de homens e mulheres. Será que
um tipo em que os três componentes estão fragmentados ou foram com- •H experiências desses povos — e em especial as da mulher negra afri-
pletamente suprimidos. Em sua orientação mais unificada, argumen- < .ma — não proporcionam um ponto de partida para "caminhos mais
tou Rose, as cientistas mulheres abandonarão os enganosos dualismos dadeiros no rumo de crenças e de relações sociais não desvirtuadas
cartesianos de mente versus corpo, razão versus emoção, e substitui- por lealdades de raça ou género?" (p. 191). Que direito ou privilégio
rão a preocupação masculina com o reducionismo e a linearidade por podem proclamar as feministas ocidentais brancas? Além desse pro-
visões que ressaltem o holismo e as interdependências complexas. De I 'lema, há ainda o de definir uma perspectiva comum sobre o conheci-
modo mais ou menos semelhante, Nancy Hartsock (1984) propôs que MK-nio e as relações aplicáveis a todo o espectro das mulheres. O âmbito
é a divisão de trabalho por género que dá às mulheres uma vantagem. Inninista é fracionado — socialistas, humanistas seculares, radicais,
As relações das mulheres com o mundo são mais sensuais, concretas •iças, negras, existencialistas, marxistas e assim por diante. Deve al-
e diretas que as dos homens; elas mantêm um relacionamento menos Ktim desses grupos receber privilégios epistemológicos especiais? Com
conflituoso com a natureza, sem se abstrair nem se alienar, como os i-m quê?
homens, mas entrando em harmonia com ela. As questões de Harding são de fato significativas e profundas e
Apesar de menos inclinadas a atribuir poderes especiais à expe- ».i" lia soluções imediatas à vista. No entanto, por razões pragmáti-
riência feminina, outras feministas também identificam distorções nu
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cãs, dispõe-se, no final, a endossar os "projetos científicos substitu- mensurabilidade de teorias concorrentes (Feyerabend, 1976); a sepa-
tos": "eles são fundamentais para a transferência do poder de mudar ração de fato e valor (Maclntyre, 1973); a possibilidade de fatos teori-
as relações sociais dos que 'têm' para os que 'não têm'" (p. 195). Uma camente não saturados ou brutos (Hanson, 1958); a lógica da dedução
"única história verdadeira" não pode ser contada a partir da perspec- (Barret, 1979); a possibilidade de falsificação da teoria (Quine, 1953);
tiva feminista, mas muitas histórias parciais são necessárias para se al- 0 caráter não-partidário do conhecimento científico (Habermas, 1971);
cançar a transformação social. Estou inclinado a concordar com a possibilidade de acumulação histórica no conhecimento do compor-
Harding quanto às razões pragmáticas. No entanto, há aspectos per- tamento (Gergen,1973) e a aplicabilidade das leis e modelos mecanicis-
turbadores mais profundos nas epistemologias do ponto de vista femi- tas da ação humana (White, 1978), citando apenas alguns. Uma coisa
nista — mesmo quando liberalizadas por um choque de é falar da experiência das mulheres como sendo mais ligada do que a
pós-modernismo. Em particular, esses projetos científicos sucedâneos dos homens à miscelânea das relações cotidianas, às emoções, à natu-
parecem conservar traços problemáticos das próprias ciências que pro- reza, à criação e assim por diante. É outra, porém, bem diferente mol-
curam substituir. dar desse barro congénito um ídolo do conhecimento que não estivesse
Para começar, não há grande desafio aos pressupostos empiricis- submetido a muitas dessas mesmas críticas. Com que se pareceriam as
tas tradicionais de que o conhecimento é a expressão de uma mente reivindicações do conhecimento feminista se não fossem submetidas
individual, implicando a representação acurada do mundo, de que as às alterações do contexto no seu significado; como se desenvolveriam
pessoas variam conforme o grau em que dominam essa expressão e de tais proposições se a perspectiva precede a percepção; como seriam tes-
que devem ser garantidos privilégios especiais àqueles que a exercem. tadas tais proposições se a lógica dedutiva é apenas artefato cultural,
Todas essas hipóteses fazem parte da matriz iluminista, dentro da qual c assim por diante?
se moldou o conceito de ciência moderna. Elas também serviram de E o que talvez seja o mais importante, em que bases devem ser
justificativa para as elaboradas hierarquias de poder e privilégio que justificadas as patentes do conhecimento feminista? Por exemplo, co-
tão efetivamente suprimiram a voz feminina até aqui. As tentativas fe- mo podemos saber que o conhecimento sólido tem de estar estreita-
ministas de ciência sucessora não ameaçam recapitular em boa medida mente ligado com a paixão, que o reducionismo é falso ou que o
a mesma forma de justificativa e com isso favorece o estabelecimento pensamento linear distorce a realidade? Essas proposições são simples-
de hierarquias alternativas? E o que irá impedir essas hierarquias al- mente evidentes por si mesmas? Sua justificação também depende da
ternativas de se engajarem nas mesmas táticas excludentes que dimi- •.'usibilidade especial das mulheres ou de algum outro fundamento?
nuirão a voz de todos aqueles que não tiverem acesso ao novo conceito 1 e dependem da experiência feminina, como escapariam as mulheres
favorecido de conhecimento? Em que sentido essas hipóteses não se • i.i erítica que levantaram contra os homens, seus contrários, de que
prestam exatamente àquele tipo de estratégias alienadoras e defensivas -n. i s orientações estão ao próprio serviço? A escala de desafios a um
que foram consideradas tipicamente masculinas? Keller (1985) não es- imulamentalismo feminista parece ser formidável.
lava certo ci uando traçou um paralelo entre o conceito de conhecimen-
i.o.lei MK-ial c dominação? Garantir o primeiro é fazer um convite
H n li i «• i1! terceira.
\ i. .c problema de avaliação, os projetos feministas de uma
p.neeem vulneráveis a muitos dos mesmos tipos de RUMO A UMA EPISTEMOLOGIA SOCIAL
nu o empirismo fundamentalista à sua atual
N.is últimas décadas, por exemplo, nos con-
umontos contra o indutivismo (Hanson, i .1 .iltura, se está inclinado a buscar alguma alternativa às posições
i f. .|i|ici, 1968); o operacionismo (Koch, r naiitem a um grupo de pessoas um dom especializado e raro de
• I - I . - I M (Uuinc, 1960); a separação das -. (|ne torna suas percepções do mundo únicas, superiores. Parece
" »,mu-, 1951); a suposta interdc- ii" m (|nc a exigência de uma tal alternativa já está contida em boa
Ki (Toiilmin, 1961); a co- s escritos feministas. Na opinião de Harding (1986), esse mo-

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reflete na hermenêutica e nos estudos interpretativos; em certas linhas
vimento pode ser designado pós-moderno. Com o fim de apreciar seu de concordância dentro da história e da sociologia da ciência; em for-
surgimento, voltemos por um momento à linha de raciocínio que daí tes correntes no interior da análise construtivista da sociedade, na et-
se desdobra. Como vimos, a crítica feminista do conhecimento tradi- nometodologia, na historiografia, no estudo da retórica e na atual
cional dentro da ciência muito fez no sentido de expor os problemas reavaliação da validade nos relatos etnográficos. Através dessas ati-
da visão empirista do conhecimento em geral. No entanto, como vi- vidades se detecta aberturas no sentido do aparecimento de uma epis-
mos também, essas críticas do conhecimento empírico baseiam-se elas temologia social abrangente ou de um ponto de vista epistemológico
próprias nos argumentos da ciência. Com o conceito de conhecimento a partir do qual os argumentos da ciência são vistos como constituin-
objetivo impugnado, as próprias bases das reivindicações feministas tes quintessenciais do intercâmbio social. Isto não quer dizer, absolu-
ficam prejudicadas. A essa altura, abrem-se duas alternativas: em pri- tamente, que existe um acordo amplamente articulado no que diz
meiro lugar, poder-se-ia responder desenvolvendo-se uma visão alter- respeito aos contornos de uma epistemologia social. Encontra-se dis-
nativa do conhecimento que tornasse a crítica imune às próprias cussão em cada esquina. No entanto, revela que é útil tentar uma arti-
implicações ou, em segundo lugar, poder-se-ia renunciar ao próprio culação preliminar de um ponto de vista epistemológico social, em torno
conceito de conhecimento objetivo. Como vimos, boa parte da episte- do qual um acordo significativo possa ser alcançado através do domí-
mologia do ponto de vista feminino seguiu na primeira direção e essa nio pós-moderno, tanto feminista como de outras ordens. Desse mo-
direção agora se revela problemática. Resta à consideração séria a se- do, tanto a elaboração quanto a crítica podem ser facilitadas.
gunda alternativa: o abandono do conceito de conhecimento objetivo. < onsideremos, então, quatro suposições que muitos definiriam como
De fato, a possibilidade dessa segunda visão pode ser localizada iliicas para o desenvolvimento de uma epistemologia social.
em vários escritos feministas. Por exemplo, o trabalho recente de Flax 1) As reivindicações da ciência poderiam apropriadamente ser con-
(1986) propõe que não existe "ponto de vista feminino que seja mais ilcradas como formas de discurso. Em vez de se adotar a hipótese
verdadeiro que os anteriores (masculinos)" (p. 37). Ela fez a ligação adicional de que as reivindicações científicas são relatórios a respeito
da crítica feminista com o pensamento pós-moderno mais geral, no qual i-siados da experiência (tipicamente privilegiados), pode ser de utili-
prevalece a incerteza no que diz respeito às bases apropriadas das pro- idr mudar nossa preocupação para o nível do discurso. Como argu-
posições científicas. A possibilidade de abandonar a presunção do co- it niou uma série de pensadores feministas, as distinções cartesianas
nhecimento objetivo também está evidente em Smith (1979), que .idu ionais entre mente e corpo, sujeito e objeto, são problemáticas.
argumenta que, porque os homens possuem categorias diferentes de ^ ><•.-.; i r dos pontos de partida diferentes, chegaram a conclusões seme-
experiência, não são capazes de descrever com exatidão ou explicar com ii.1 nies os filósofos descendentes da extinta linha filosófica wittgens-
exatidão o mundo das mulheres. Ampliando essa visão, as mulheres i < imana (Austin, 1962; Ryle, 1949; Rorty, 1979) e os analistas literários
não podem apropriadamente dar conta do mundo dos homens, os adul- • mstrutivistas preocupados com o preconceito logocêntrico na in-
tos não podem retratar com propriedade o mundo das crianças, os cien- 1 1 indação literária (Derrida, 1977). À medida que se desdobram es-
tistas sociais em atividade não podem penetrar na vida da sociedade M ias linhas de pensamento, vemos que a concepção tradicional
e, em última instância, não existem padrões generalizáveis de acuidade nliccimento enquanto forma de representação mental deixa de ser
para comparar perspectivas diversas. (Ver também as discussões de
Stanley e Wise, 1983; Spender, 1985.)
Se se abandona a objetividade, como é que daremos conta do le-
que de reivindicações existentes da ciência? Como fica evidente a p; u
Í aióiia. Se não presumirmos que existem mentes que servem de
tios de um mundo independente, então as questões tradicionais
ir.i etnologia caem por terra. Não precisamos questionar como os
•. dos sentidos se convertem em categorias de percepção, como o
tir de muitas das críticas da ciência androcêntrica, uma alternativa está Io mental pôde ser construído a partir de estímulos que entram,
surgindo. Em particular, torna-se cada vez mais compulsório ligar ou iam haver objetos identificáveis da experiência sem categorias
argumentos da ciência ao processo social. À medida que as pensado pu-ccdentes e outras questões perenemente insolúveis de im-
rãs feministas se movimentam nessa direção, encontram também vai- i i filosófica e psicológica. Além disso, não precisamos desen-
to apoio em outros enclaves pós-modernos. Essa mudança é evidenli • i lneiarquias baseadas na variação de acuidade experimental;
não apenas em boa parte da crítica literária pós-moderna. Também «e
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nome de se fazer avançar a compreensão, definamos validade em ter-
mos da comparação entre discurso teórico e um mundo independente
nenhuma classe de pessoas, inclusive os cientistas, armados de sofisti-
desse discurso. Não se extrairia validade, neste sentido, recorrendo-se
cada tecnologia e procedimentos estatísticos, pode reivindicar o direi- à evidência objetiva? Se o que existe não coloca imposições inerentes
to a percepções superiores do mundo. Finalmente, abandonado o quanto a como será descrito, a resposta, aparentemente, seria negati-
dualismo, não mais precisamos ver o discurso a respeito do mundo co- va. Pois os próprios fatos têm de ser "descritos" para que possam va-
mo uma expressão da experiência particular. Podemos apropriadamente ler como fatos e se o que existe não impõe as descrições, então, se a
voltar nossa atenção para longe do conhecimento enquanto represen- descrição corrobora a proposição teórica depende, basicamente, da es-
tação mental, para as reivindicações da ciência. Essas últimas podem olha que a pessoa faz do discurso fatual. Cada tentativa de oferecer
ser vistas como passos no processo do discurso. m fato ou dado objetivo para apoiar uma determinada teoria é, com
2) O que existe por si mesmo não dita as propriedades do discurso
feito, um movimento do discurso. É uma tentativa de prover apoio
através das quais dar-se-á a inteligibilidade. Como vemos, os proble- um relato sem garantia objetiva com relatos outros de igual caráter.
mas dos epistemólogos ficam consideravelmente alterados pela linha
Quando se invoca fatos para apoiar uma determinada proposição, in-
de argumentação acima. Em vez de perguntar como determinada for-
ariavelmente estes não são eventos (ou coisas) em si mesmos, mas in-
ma da experiência vem a ser privilegiada, voltamos a atenção para o
crpretações descritivas de eventos. Pelo fato dos próprios eventos não
problema do discurso. Em que bases determinadas formas de discurso
olocarem demandas essenciais em relação às interpretações, eles não
são justificadas ou tornam-se superiores? Colocando a questão desta >i ovêem apoio objetivo, porém retórico, para a proposição teórica re-
maneira, fica claro, em primeiro lugar, que a mimese é inadequada en- cvante. Vamos ver um exemplo e depois considerar uma possível
quanto base do privilégio. Isto é, seja qual for a natureza do caso em
pauta, ela não coloca constrangimentos intrínsecos ao discurso utiliza- ilijccão.
Considere mais uma vez a pesquisa que tenta explorar a diferença
do para dar conta dela. (Até mesmo o reconhecimento de que existe
l< r.cnero através do conformismo social. Que fatos poderiam ser ar-
um "isto" do qual se deve dar conta é impróprio, deste ponto de vista,
t >lados para apoiar a validade da proposição de que as mulheres de-
posto que tal colocação mais uma vez sugere um mundo independente
luinstram um grau maior de conformismo que os homens? De cara,
do observador e uma função para a linguagem, prover imagens desse
nos damos conta de que a proposição em si não é informativa quanto
mundo. Entretanto, dados os limites da tradição ocidental das letras,
.1 mie características particulares contariam no sentido da confirma-
é difícil encontrar expressões mais apropriadas para a posição episte-
i >u não confirmação. Em nossa tentativa de localizar homens e mu-
mológica que está sendo desenvolvida aqui.) O que acho que seja este
iiincs, deveríamos levar em consideração seres não-humanos, fetos
conjunto diante de mim pode ser descrito como uma simples figura
diante de um fundo, como um espectro de cores, um mosaico de for- iiiniianos, bebés, aleijados, esquizofrênicos e coisas do tipo? Como su-
.1 investigação etnometodológica, o que se conta como masculino
mas geométricas isoladas, um conjunto de reflexos de luz, cachos sor-
• i < niinino também difere na medida em que a pessoa se movimenta
tidos de partículas atómicas, uma mesa e uma estante ou produções
• i. n i n espectro de sociedade para outro. As definições das crianças das
de uma mente vacilante. Eu poderia continuar criando palavras para
ruças sexuais diferem das dos adultos, e os adultos entre si diver-
cada "átomo discriminável pela percepção" das minhas experiências
i ilependendo de se são originários de uma cultura ocidental, se são
ou poderia descrever tudo como um vazio sem sentido. O que existe,
seja o que for, não impõe coerções à linguagem para se tornar inteligível. • i.nlos na profissão médica ou se são transexuais (Kessler e McKen-
Para armar essa linha de raciocínio que surge, podemos aventu- im, l«>78). Devemos aceitar as definições de quem? E o que constitui
iiode conformismo? Toda ação social coordenada não é "confor-
rar dizer que a validade das proposições teóricas nas ciências não é afe- . de certo modo; não é todo comportamento independente in-
tada, de modo algum, pela evidência fatual. Como se dá isso? Em
i< > nu um outro contexto do discurso? Em relação a isto, a definição
primeiro lugar, descobrimos que o conceito de "validade" é em si mês
!• MU. in iremos consagrar? Como vemos, não se pode prover qual-
mo problemático. Se, com este termo, a pessoa está invocando uma
i>osta objetiva à questão inicial de como podemos sair por aí
metafísica tradicional da independência sujeito-objeto, da experiência
privilegiada e de proposições teóricas enquanto expressões dessa expi •l. MI 11 u .nulo fatos relevantes à proposição teórica.
riência, então a presunção da validade deixa de ter interesse. Mas, cn 59

58
nome de se fazer avançar a compreensão, definamos validade em ter-
nenhuma classe de pessoas, inclusive os cientistas, armados de sofisti- mos da comparação entre discurso teórico e um mundo independente
cada tecnologia e procedimentos estatísticos, pode reivindicar o direi- desse discurso. Não se extrairia validade, neste sentido, recorrendo-se
to a percepções superiores do mundo. Finalmente, abandonado o à evidência objetiva? Se o que existe não coloca imposições inerentes
dualismo, não mais precisamos ver o discurso a respeito do mundo co- quanto a como será descrito, a resposta, aparentemente, seria negati-
mo uma expressão da experiência particular. Podemos apropriadamente va. Pois os próprios fatos têm de ser "descritos" para que possam va-
voltar nossa atenção para longe do conhecimento enquanto represen- ler como fatos e se o que existe não impõe as descrições, então, se a
tação mental, para as reivindicações da ciência. Essas últimas podem descrição corrobora a proposição teórica depende, basicamente, da es-
ser vistas como passos no processo do discurso. colha que a pessoa faz do discurso fatual. Cada tentativa de oferecer
2) O que existe por si mesmo não dita as propriedades do discurso um fato ou dado objetivo para apoiar uma determinada teoria é, com
através das quais dar-se-á a inteligibilidade. Como vemos, os proble- efeito, um movimento do discurso. É uma tentativa de prover apoio
mas dos epistemólogos ficam consideravelmente alterados pela linha a um relato sem garantia objetiva com relatos outros de igual caráter.
de argumentação acima. Em vez de perguntar como determinada for- Quando se invoca fatos para apoiar uma determinada proposição, in-
ma da experiência vem a ser privilegiada, voltamos a atenção para o variavelmente estes não são eventos (ou coisas) em si mesmos, mas in-
problema do discurso. Em que bases determinadas formas de discurso terpretações descritivas de eventos. Pelo fato dos próprios eventos não
são justificadas ou tornam-se superiores? Colocando a questão desta colocarem demandas essenciais em relação às interpretações, eles não
maneira, fica claro, em primeiro lugar, que a mimese é inadequada en- provêem apoio objetivo, porém retórico, para a proposição teórica re-
quanto base do privilégio. Isto é, seja qual for a natureza do caso em levante. Vamos ver um exemplo e depois considerar uma possível
pauta, ela não coloca constrangimentos intrínsecos ao discurso utiliza- bjeção.
do para dar conta dela. (Até mesmo o reconhecimento de que existe Considere mais uma vez a pesquisa que tenta explorar a diferença
um "isto" do qual se deve dar conta é impróprio, deste ponto de vista, 0 género através do conformismo social. Que fatos poderiam ser ar-
posto que tal colocação mais uma vez sugere um mundo independente plados para apoiar a validade da proposição de que as mulheres de-
do observador e uma função para a linguagem, prover imagens desse [íonstram um grau maior de conformismo que os homens? De cara,
mundo. Entretanto, dados os limites da tradição ocidental das letras, lOs damos conta de que a proposição em si não é informativa quanto
é difícil encontrar expressões mais apropriadas para a posição episte- 1 que características particulares contariam no sentido da confirma-
mológica que está sendo desenvolvida aqui.) O que acho que seja este lo ou não confirmação. Em nossa tentativa de localizar homens e mu-
conjunto diante de mim pode ser descrito como uma simples figura •hcres, deveríamos levar em consideração seres não-humanos, fetos
diante de um fundo, como um espectro de cores, um mosaico de for- pumanos, bebés, aleijados, esquizofrênicos e coisas do tipo? Como su-
mas geométricas isoladas, um conjunto de reflexos de luz, cachos sor- <• a investigação etnometodológica, o que se conta como masculino
tidos de partículas atómicas, uma mesa e uma estante ou produções " minino também difere na medida em que a pessoa se movimenta
de uma mente vacilante. Eu poderia continuar criando palavras para
cada "átomo discriminável pela percepção" das minhas experiências
ou poderia descrever tudo como um vazio sem sentido. O que existe,
seja o que for, não impõe coerções à linguagem para se tornar inteligível.
I h um espectro de sociedade para outro. As definições das crianças das
l i i ' i onças sexuais diferem das dos adultos, e os adultos entre si diver-
ii dependendo de se são originários de uma cultura ocidental, se são
11 • i nados na profissão médica ou se são transexuais (Kessler e McKen-
Para armar essa linha de raciocínio que surge, podemos aventu- i i . i'J78). Devemos aceitar as definições de quem? E o que constitui
rar dizer que a validade das proposições teóricas nas ciências não é afc- Mm .iio de conformismo? Toda ação social coordenada não é "confor-
tada, de modo algum, pela evidência fatual. Como se dá isso? lim i", de certo modo; não é todo comportamento independente in-
primeiro lugar, descobrimos que o conceito de "validade" é em si mes- Jo cm um outro contexto do discurso? Em relação a isto, a definição
mo problemático. Se, com este termo, a pessoa está invocando umu |ucm iremos consagrar? Como vemos, não se pode prover qual-
metafísica tradicional da independência sujeito-objeto, da experiência _' resposta objetiva à questão inicial de como podemos sair por aí
privilegiada e de proposições teóricas enquanto expressões dessa exj» pilicando fatos relevantes à proposição teórica.
riência, então a presunção da validade deixa de ter interesse. Mas, cm
59
58
que quer que seja que esteja em questão, simplesmente está; supor que
Mas e se pusermos esse problema entre parênteses e perguntarmos é independente de nós mesmos, que é composto de entidades separa-
das, que dura no tempo e assim por diante, tudo isso são movimentos
como os fatos gerados pela investigação sistemática podem apropria-
discursivos. Tais afirmações se movem dentro de uma esfera de con-
damente apoiar uma tese? Muitos psicólogos criam em laboratórios am-
troles, distinções e variações lingúístiscas que não são elas próprias de-
bientes controlados nos quais "machos" e "fêmeas" são expostos às
terminadas pelo que está em pauta. Para ter certeza, tanto na ciência
opiniões de outros participantes da pesquisa. Em alguns momentos es-
como na vida de todo dia, frequentemente nos confrontamos com um
sas opiniões parecem equivocadas; outros concordam, por exemplo,
sentido de validade. Informações sobre a farmácia mais próxima po-
com que a mais curta entre diversas linhas é a mais comprida ou com
dem se revelar certas ou erradas; aparentemente, pode-se validar esti-
que o número de elementos de um conjunto é muito maior ou menor
mativas do próprio peso através da observação etc. No entanto, como
do que é de fato. Faz-se, então, comparações de tal modo que os ma-
veremos no próximo segmento, esse senso de validade é visto mais apro-
chos, contrariamente às fêmeas, mudam de opinião e passam a con-
priadamente como conquista social. Tais "provas" são simplesmente
cordar com a opinião do grupo equivocado. Os resultados desse
trabalho não deveriam afetar a validade da proposição geral? Consi- irrelevantes para o que está em questão.
3) Pelo fato do discurso ser inerentemente social, podemos olhar
dere o procedimento de laboratório: e se fosse descrito em termos de
l>ara o processo social em busca de uma compreensão de como se jus-
padrões móveis de figura ç base, movimentos de corpos, feixes de par-
tificam as reivindicações do conhecimento. Até aqui se propôs que as
tículas atómicas, padrões coloridos — todas descrições razoáveis do
icivindicações de ciência nem são espelhos de estados mentais nem con-
mesmo conjunto de eventos. No entanto, caso seja escolhida uma des-
dições ontológicas. Em vez disso, se propôs que as reivindicações da
sas inteligibilidades, nada se disse que esteja relacionado com o con-
* inicia são formas de discurso. Se essas posições sã^/ defensáveis, en-
formismo social. Dar conta plena de cada movimento através do tempo
i .10, em nossa busca da justificação das argumentações científicas, nos
e do espaço de cada sujeito do laboratório ou de cada estado momen-
vnnos confrontando características de formação e sustentação de dis-
tâneo dos neurônios não significa dizer nada de interesse em relação
< i n só. À medida que o fazemos, inicialmente parece que o discurso
à proposição teórica. Com efeito, os eventos reais só servem enquanto
i i . u i 6 propriedade de indivíduos únicos — átomos sociais isolados —
evidência se se optar por uma determinada prática discursiva. Não há
i n. i s uma propriedade do intercâmbio social. As minhas palavras não
nada nos eventos em si mesmos que prescreva qual a prática pela qual
m sentido algum enquanto você não lhes atribuir um status de sig-
se deve optar. Assim, o que conta como fato, neste caso, é determina-
do não pelo que está ali, mas pela linha particular de discurso inter- n i i ícação; os seus balbucios são transformados em linguagem confor-
< u me coordeno em relação a eles. De fato, a geração de significado
pretativo com a qual a pessoa está comprometida. • i. 1111 ic.uagem é, nos termos de John Shotter (1980), uma açõo conjuntai
Diante dessa linha de raciocínio, poder-se-ia perguntar se não é
< 1 1 |im a coordenação mútua de ações entre duas ou mais pessoas. Tal
uma forma de realismo linguístico deturpado que nega totalmente um
insão aparentemente seria também favorecida por boa parte dos
mundo fatual ou objetivo. Mesmo se se concordar com que quando
se está tentando descrever os fatos relevantes para uma proposição 1 1 nos feministas (cf. Scheman, 1983; Unger; 1983; Chodorow, 1978;
, 1983). Ela rejeita o preconceito logocêntrico da linguagem e cha-
a pessoa está de fato engajada numa prática discursiva e se se concor-
dar com que possivelmente essas práticas não são determinadas pelo i .1 .Monção, ao contrário, para o caráter interdependente das ações
que está em causa, como podemos negar a certeza tangível de que al- iiíis; a geração de conhecimento é, portanto, fruto da conexão
guma coisa está em causa e de que essa alguma coisa tem alguma rcl;i i .10 invés de da separação. É através da harmonia na associação
cão com a legitimidade das práticas discursivas? Como resposta, n3o n.i que a realidade, enquanto interpretação linguística, passa a
existe nada no interior de uma epistemologia social que necessariamcuu u partir do nada.
este contexto, somos de novo convidados a reconsiderar o pro-
atribua ou negue status ontológico. Ou seja, não se quer afirmar m-m
que alguma coisa está em questão e nem que não está. Em vez disso, tli instificação do conhecimento em termos de processo social.
a descrição deixa em suspenso as questões da ontologia; afirmar que ii' i i só torna um empreendimento inerentemente social, onde a
alguma coisa está em questão é já se engajar numa prática discursivi ição das reivindicações de conhecimento depende de processos
que não pode ela própria ser garantida pelo que está em questão. ( 61

60
da descrição, nem é teoria que habilite a prever. Em vez disso, as teo-
comunitários, mais do que da verossimilhança. É nessa arena que am- rias entram em campo como um meio de coordenar as comunidades
bos, historiadores e sociólogos da ciência, já deram contribuições im- dos cientistas que trabalham juntos em vários problemas da prática.
portantes. A obra clássica de Kuhn (1970) efetivamente substituiu a Com efeito, as teorias científicas possuem utilidade prática na ativida-
justificativa empirista pelo processo social como base das revoluções de comunitária da ciência. Conforme nos coordenamos simultaneamen-
científicas. Embora mais tarde tenha enfraquecido sua tese (Kuhn, te à natureza e aos outros, o discurso passa a ter utilidade crescente.
1977), recaindo nos argumentos a favor de "valores epistêmicos" (a Como Wittgenstein (1963), podemos ver a linguagem entrelaçada em
justificativa empirista disfarçada), a força do argumento inicial foi am- vários "jogos de linguagem". Palavras e frases ganham sentido de acor-
plificada por Feyerabend (1976, 1982). Desde então, muitos historia- do com sua utilidade durante o jogo. Nesse sentido, termos como pró-
dores da ciência (cf. Mendelsohn, 1977) levaram a ideia adiante, tons, polimer, plenum, polidez e persuasão são essenciais não como
detalhando a influência do processo social na perpetuação da formu- descrições do que existe, porém como implementos que permitem aos
lação e na alteração dos relatos científicos. Ao mesmo tempo, uma sé- trabalhadores da ciência realizar suas tarefas de natureza mais orgâni-
rie de sociólogos da ciência começou a explorar os processos sociais ca de previsão e controle. Os termos teóricos podem ser vistos todos
subjacentes à geração do que passa por conhecimento científico no pre- i orno constituintes críticos de um complexo conjunto de interdepen-
sente. Nas mãos de analistas tais como Barnes (1974), Latour e Wool- dências sociais. Embora não sejam aproximações da verdade, ainda
gar (1979), Knorr-Cetina e Mulkay (1983) e outros, os princípios da assim são vitais para a realização do empreendimento científico.
lógica e da observação desempenham um papel pequeno na produção 4) Porque as reivindicações da ciência são constitutivas da vida
do conhecimento; os processos comunitários são essenciais. '•ocial, deveriam ser adequadamente abertas à avaliação de todo o es-
Sem dúvida, essas diversas reconceituações da ciência deixam em iwtro de comunidades discursivas. Essa ênfase na utilidade pragmáti-
aberto o problema dos progressos na tecnologia — ou a capacidade • .1 da linguagem no interior da atividade comunitárta que chamamos
dos seres humanos de gerar novos implementos para solucionar pro- • !<• ciência tem outras implicações no seu significado. As característi-
blemas urgentes. Minam a visão tradicional segundo a qual esses pro- i . pragmáticas do discurso dificilmente reduzem-se à esfera científi-
gressos são resultado de indução, dedução e testes de hipóteses i . ao contrário, o uso científico sem dúvida nenhuma deriva da
rigorosos. Entretanto, não oferecem uma explicação adequada dos in- MI ihilade mais geral da linguagem no desenvolvimento dos negócios diá-
crementos nas técnicas práticas que se acumularam ao longo dos sécu- M" Pelo menos no mundo ocidental moderno seria difícil participar
los. Como se vai dar conta da capacidade que adquirimos de curar •i i maior parte dos padrões organizados de relacionamentos sem uma
doenças, gerar calor e luz, voar através do ar e assim por diante? Não iinr"aj F ,cm verbal. Não é que a língua seja essencial à expressão de nos-
é este o cenário viável para um tratamento exaustivo deste problema, ••stados mentais; como vimos a partir da análise precedente, essa
mas podemos começar a distinguir na explicação anterior elementos u > da linguagem compromete a pessoa com um dualismo desneces-
críticos para uma explicação apropriada. Pode-se aventurar que, com " i obscurecedor. Em vez disso, podemos ver a linguagem verbal
as preocupações feministas com o prático e o concreto, de um lado,
e com a conexão orgânica dos seres humanos com seu ambiente, de
outro, são obtidos ganhos pragmáticos à medida que crescentemente
nos coordenamos em relação à natureza. A geração de tecnologias avan-
Ê n > elemento constituinte vital de muitos padrões complexos de inter-
• K iimmentos. (Ver também Packer, no prelo; Shweder e Miller,
i'ara desenvolver uma amizade, uma transação comercial, um
• m, 11 ice ou um exercício em sala de aula há uma exigência típica de
çadas e de capacidade de previsão são os resultados do que Hilary Ro- participantes coordenem os movimentos dos membros, dos
se (I ( )H3) poderia chamar de "trabalho artesanal"; dependem de uma is expressões faciais e assim por diante, junto com os sons emi-
i direta na natureza de trabalhar junto ou coordenar as ações • I ' - suas bocas. Fazer linguagem nesses ambientes é entrar em pa-
icnte do sujeito. Assim, na medida que as ciências de labo
l>em sucedidas, no sentido de gerar "avanços", o fazem • ooulenados de relação.
K preâmbulo é essencial para a compreensão das demais impli-
«In u i l v i i l n d c prática.
'idade é, portanto, colocado em segun
* lui, não se presta às funções putativas I i l < > desenvolvimento do trabalho académico — em particular a
l n.is ciências sociais e ciências humanas. Isso porque, embora

63
criado no interior das comunidades académicas, o discurso académico tas fizeram às práticas masculinas de fabricação de conhecimento não
raramente permanece em casa. Ou seja, tal discurso é injetado (às ve- deveriam ser vistos como ações únicas necessárias, nem como ações
zes, sistematicamente) na cultura ambiente. Ao empreender as tarefas de validade temporária — à espera do aparecimento de novas formas
de descrição, explicação, análise lógica e crítica, os académicos estãos, sociais. Em vez disso, como advogou Feyerabend em Science in a Free
na realidade, oferecendo ao mundo formas de prática discursiva. Para Society (Ciência Numa Sociedade Livre), a consideração reflexiva de
todos os que ouvirem (ou tiverem que ouvir), essas formas de prática várias formas de discurso deveria constituir um empreendimento con-
podem ser subsequentemente utilizadas no desenvolvimento de relacio- tínuo em que se deveria investir todos os enclaves subculturais. Nesse
namentos locais. (Ver também os capítulos de Grosholz e de Shotter empreendimento, o diálogo deveria receber um prémio. Frequentemen-
e Logan, neste livro.) te, o foco da crítica se limita a determinados grupos; sua lógica só é
Essa insinuação da linguagem académica na sociedade tem conse- compartilhada pelos participantes de uma comunidade com um discurso
quências nada pequenas posto que, como vimos, as práticas linguísti- especializado — a qual, essa crítica, tipicamente, serve para sustentar.
cas da comunidade são integralmente entrelaçadas aos padrões mais No entanto, quando a crítica permanece isolada do desafio dos outros
gerais de vida cultural. Assim, à medida que se amplia, modifica ou - particularmente seus alvos — reduz-se a interdependência coorde-
expande o potencial linguístico da cultura através da comunidade aca- nada. Aumentam as possibilidades de hierarquia, da dicotomia sujeito-
démica, os padrões sociais da cultura são reduzidos, transformados ou objeto, da opressão que desumaniza. Como aconselhou Keller (1986),
enriquecidos. Desse ponto desvista, os cientistas não funcionam como lemos que "negociar o nosso caminho entre a similaridade e a oposi-
autómatos desapaixonados, mergulhados nos rigores dos espelhos que ção" e permitir "o reconhecimento do parentesco na diferença e o da
seguram para refletir a realidade. Ao contrário, na própria formula- diferença no parente". É mais provavelmente através do amplo e di-
ção dos problemas, na opção por possíveis soluções e na tentativa de fundido diálogo que alcançaremos essas honrosas metas.
avaliar uma solução em detrimento de outra, já estão penetrando na
vida da cultura. Ver o mundo enquanto mecanicista humano, dualista
cartesiano, hobbesiano, freudiano ou marxista tem implicações vitais
para os tipos de relacionamentos em que estamos engajados. Cada con-
texto de discurso favorece determinadas ações e inibe outras; cada um CONCLUSÃO
sustenta ou altera a cultura, para o bem ou para o mal, conforme o
padrão usado (ver também Henrique et ai., 1984; Mitchell, 1983).
Vemos, assim, que abandonar a busca da verdade na ciência ou apítulo procurou examinar as implicações epistemológicas da crí-
em outras explorações académicas não significa minar a importância i n .1 leminista existente ao conhecimento científico. Como foi inicial-
dessas atividades. É, ao contrário, elevar o senso de responsabilidade MI. me demonstrado, essa crítica não é simplesmente uma admoestação
do cientista; tal atividade pode contribuir para com as formas existen- ii» pieconceito masculino embutido nas "verdades" científicas; cons-
tes de vida cultural ou destruí-las. Na medida em que os frutos da aca- umi .10 mesmo tempo um questionamento do próprio conceito de ciên-
demia vêm a ser saboreados por números cada vez maiores de pessoas, • M • mpfrica. O capítulo leva, então, em consideração diversas tentativas
aumenta também o potencial de transformação cultural. A preocupa- ulêtnicos feministas de substituir a concepção androcêntrica do
rão feminista com a distância entre o trabalho conceituai abstrato c iiivimcnto empírico por visões da ciência que ofereçam à perspec-
• i M .'i x i-, social recebe, assim, uma resposta; pois enquanto esse traba- " • i 1 i miuista um privilégio. Nessa tendência encontram-se também fa-
• • i M K In ser significativamente comunicado, ele constitui uma iportantes. Finalmente, o capítulo explora as possibilidades de
i 'isiemologia social que pareça profundamente congenial em re-
• iM 1 ". <-ssa análise incita ao desenvolvimento do diia- is muitas linhas de argumentação feministas existentes. Essa
•ii-.curso académico é ativo na modelage
:
i v < - i i a estar aberto ao escrutínio crít
i cão consideraria as reivindicações do conhecimento como com-
os discursivos que, fundamentalmente, não seriam constrangi-
i' "•• i ipos de ataque que as feminis
'• la observação; seriam dependentes do processo social e

65
constitutivos do padrão social. Enfatiza-se a importância da crítica e (1986). "Gender as a social problem: In and for feminist theory." Ame-
da criatividade conceituai. Outras implicações e possíveis insuficiên- rican Studies/Amerika Studien, Journal of the German Association foi
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(,fí 69
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