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C A P Í T U L O I I

FISCALIDADE
E DIREITO FISCAL
TRIBUTAÇÃO ESPECIAL DOS GRUPOS
DE SOCIEDADES

Maria Manuela Alves Malheiro


Revisora Oficial de Contas

1. INTRODUÇÃO

Perante a globalização da economia, as sociedades comerciais vêem-se compelidas a


expandir-se em termos geográficos e a crescer de forma a poderem dar resposta ao mercado.
Como refere Antunes (2002), a opção pelo crescimento interno foi, sem dúvida,
o primeiro caminho percorrido pela generalidade das empresas tendo em muitos casos
recorrido à fusão de sociedades para acelerar o processo de expansão. Numa segunda
fase, as sociedades passam a optar pela aquisição de participações noutras empresas,
não as incorporando por processos de fusão mas accionando mecanismos que lhes
garantam o controlo das mesmas.
A crescente concentração das actividades desenvolvidas pelas empresas condu-
ziu à formação de estruturas empresariais complexas, pelo que a realidade individual
de cada empresa não deve ser analisada, quer sob o ponto de vista contabilístico, quer
sob o ponto de vista fiscal e, até mesmo a nível legal, sem o devido enquadramento
no grupo a que pertence.
Para ultrapassar esta questão é utilizado o processo de consolidação contabilística,
que consiste na junção de duas ou mais entidades juridicamente independentes numa
entidade económica, daí resultando que uma empresa passa a deter o controlo sobre os
activos e sobre as operações das restantes.
O Regime de Consolidação Fiscal, introduzido em Portugal pelo Decreto-Lei
nº 414/87, de 31 de Dezembro, com as alterações operadas pela Lei 30-G/2000, de 29
de Dezembro (Lei da Reforma Fiscal), veio reconhecer os grupos societários como
uma realidade jurídico-tributária autónoma.
Dada a relevância que a tributação do rendimento tem na economia das empre-
sas, vamos debruçar-nos sobre o regime especial de tributação dos grupos de socieda-
des, consagrado nos artigos 63.º e seguintes do Código do Imposto sobre o Rendimento
das Pessoas Colectivas (CIRC).
68 Temas de Contabilidade, Fiscalidade, Auditoria e Direito das Sociedades

Neste contexto julgamos pertinente identificar e analisar as normas vigentes em


Portugal no direito fiscal, relacionadas com o fenómeno dos grupos societários.

2. TRIBUTAÇÃO ESPECIAL DOS GRUPOS SOCIETÁRIOS

A opção pela “consolidação fiscal” tem como fundamento principal, em sede de


imposto sobre o rendimento, o princípio da neutralidade do imposto na tributação dos
rendimentos da actividade empresarial (Nunes: 2001).
Este princípio existe quando, independentemente da estrutura funcional utilizada
para o exercício de actividades económicas, exista possibilidade de o sistema fiscal
tributar o rendimento da mesma forma.
Face à realidade dos grupos de sociedades, a legislação portuguesa prevê um
regime em que tais grupos sejam objecto de uma tributação única, em sede de imposto
sobre o rendimento, desde que enquadráveis nas condições previstas no art.º 63º do
Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas.
O actual Regime Especial de Tributação dos Grupos de Sociedades (RETGS),
anteriormente designado por Regime de Tributação dos Grupos de Empresas pelo
Lucro Consolidado (RTLC), traduz-se na determinação do lucro tributável do grupo
com base na soma algébrica dos lucros e prejuízos fiscais apurados na declaração
periódica de cada uma das sociedades que o integram, corrigido da parte dos lucros
distribuídos entre as empresas.
Conforme refere Nunes (2001) outro dos fundamentos que justifica a opção por
este regime é o princípio da capacidade contributiva como concretização do princípio
da igualdade.
Estando as sociedades organizadas em forma de grupo, compreende-se que o
mesmo seja tributado em função da sua capacidade, pelo que o princípio da capaci-
dade contributiva do grupo deverá prevalecer sobre o princípio da capacidade
contributiva individual, enquanto concretização do princípio da igualdade.

2.1. Normas legais fiscais

O regime especial de tributação dos grupos, previsto nos actuais artigos 63.º a
65.º do CIRC, com a redacção que lhes foi dada pela Lei nº 30-G/2000, de 29 de
Dezembro, revogou o art.º 59.º do CIRC, na sua anterior redacção, com efeitos a partir
do período de tributação que se iniciou em 2001. Importa referir que neste regime se
aplica ainda o disposto nos art. os 69.º n.º 6, 83.º n.º 6, 90.º n.º 1 al. e), 97.º n. os 5 a 7,
98.º n.º 12, 107.º, 112.º n.º 6 e 121.º n.º 3 todos do CIRC. Por outro lado, será também
Tributação Especial dos Grupos de Sociedades 69

de observar os procedimentos preconizados na Circular n.º 4/2001, de 14.02, Ofício-


-Circulado n.º 20041/2001, de 16.03, Circular n.º 5/2002, de 02.04, Circular n.º 11/
/2004, de 18.05, Circular n.º 19/2002, de 28.06, Circular n.º 8/2004, de 30.03 e Cir-
cular n.º 6/2007, de 13.03, todos da Direcção de Serviços do Imposto Sobre o Rendi-
mento das Pessoas Colectivas.

2.2. Âmbito e condições de aplicação

Para efeitos fiscais existe um grupo de sociedades quando a sociedade-mãe (dita


dominante) detém pelo menos 90% do capital social e mais de 50% dos direitos de
voto das sociedades-filhas (ditas dominadas).
Relativamente ao âmbito de aplicação importa referir que sob o ponto de vista
fiscal só as sociedades por quotas, anónimas e em comandita por acções, assim como
as entidades públicas empresariais, que satisfaçam os requisitos relativos à qualidade
de sociedade dominante exigidos pelo art.º 63.º do CIRC podem optar pela aplicação
deste regime ao respectivo grupo.
Quanto às condições de acesso, para além da anteriormente referida, é neces-
sário que se verifiquem cumulativamente as seguintes condições: todas as sociedades
do grupo tenham sede e direcção efectiva em território português; a sociedade do-
minante tenha, nos termos do Código das Sociedades Comerciais (CSC) o domínio
das sociedades há mais de um ano com referência à data em que se inicia a aplicação
do regime e não seja considerada dominada por nenhuma outra sociedade residente
em território português; a totalidade dos rendimentos das sociedades do grupo esteja
sujeita ao regime geral de tributação em IRC à taxa normal mais elevada; e a socie-
dade dominante não tenha renunciado à aplicação do regime nos três anos anteriores.
A “consolidação fiscal”, ao contrário da consolidação contabilística, é facultati-
va. O lucro tributável em Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC)
é calculado em conjunto com todas as sociedades do grupo, mediante a soma algébrica
dos lucros tributáveis e dos prejuízos fiscais apurados nas declarações periódicas in-
dividuais de cada uma das sociedades pertencentes ao grupo, corrigido da parte dos
lucros distribuídos entre as sociedades do grupo que se encontre incluída nas bases
tributáveis individuais após comunicação, pela sociedade dominante, à Direcção-Geral
dos Impostos – DGCI (art.º 63.º, n.º 7 e art.º 64.º, ambos do CIRC).
70 Temas de Contabilidade, Fiscalidade, Auditoria e Direito das Sociedades

2.2.1. Delimitação do perímetro

As sociedades, mesmo cumprindo os requisitos acima referidos, verão o seu


acesso limitado desde que se encontrem, no início ou durante a aplicação do regime,
nas situações a seguir identificadas (art.º 63.º, n.º 4 do CIRC):
– Estejam inactivas há mais de um ano ou tenham sido dissolvidas;
– Tenha sido contra elas instaurado processo especial de recuperação ou de
falência em que haja sido proferido despacho de prosseguimento da acção;
– Registem prejuízos fiscais nos três exercícios anteriores ao do início da apli-
cação do regime, salvo, no caso das sociedades dominadas, se a participação
já for detida pela sociedade dominante há mais de dois anos;
– Estejam sujeitas a uma taxa de IRC inferior à taxa normal mais elevada e não
renunciem à sua aplicação;
– Adoptem um período de tributação não coincidente com o da sociedade do-
minante;
– O nível de participação exigido de, pelo menos, 90% seja obtido indirecta-
mente através de uma entidade que não reúna os requisitos legalmente exigi-
dos para fazer parte do grupo;
– Não assumam a forma jurídica de sociedade por quotas, sociedade anónima
ou sociedade em comandita por acções, salvo no caso de se tratar de entidades
públicas empresariais, que satisfaçam os requisitos aqui invocados relativa-
mente à qualidade de sociedade dominante.

Conforme se evidencia no exemplo a seguir, apenas as sociedades B, D e E são


passíveis de integrar o grupo para “consolidação fiscal”.

Sociedades Sede Sociedades Sede %


A Polónia B Portugal 100%
B Portugal C Portugal/ZFM 80%
D “ C “ 20%
B “ D Portugal 95%
B “ E “ 85%
D “ E “ 10%
B “ F Japão 50%
D “ F “ 50%
Tributação Especial dos Grupos de Sociedades 71

100%

80% 95% 85% 50%

20% 10% 50%


C D E F

Neste exemplo, a empresa B é considerada dominante, embora detida a 100%


pela A. Como esta última tem sede na Polónia, fica logo excluída deste regime, por
força da alínea a) do n.º 3 do art.º 63.º do CIRC.
A empresa C, através da participação directa e indirecta, é detida a 99% por B,
80% de forma directa e 19% de forma indirecta (n.º 6 do art.º 63.º). Contudo, dado a
sua sede estar localizada na Zona Franca da Madeira (ZFM), a taxa de tributação não
cumpre os requisitos da parte final da alínea a) do n.º 3 do art.º 63.º.
As empresas D, de forma directa e E, de forma directa e indirecta, cumprem
todos os requisitos pelo que podem ser incluídas neste regime.
Por último, quanto à empresa F, apesar de ser participada em 92,5% (50% de
forma directa e 42,5% de forma indirecta, verifica-se que não cumpre o requisito da
sede, previsto na alínea a) do n.º 3 do art.º 63.º, pelo facto de estar sedeada no Japão.

2.2.2. Requerimento inicial

Para que seja exequível a realização da “consolidação fiscal”, esta deve ser
comunicada à Direcção-Geral dos Impostos, até ao fim do terceiro mês do período de
tributação em que se pretende iniciar a aplicação do regime. A opção deve ser efec-
tuada pela sociedade dominante através do envio, por transmissão electrónica de da-
dos, da competente declaração prevista no art.º 110.º do CIRC.
72 Temas de Contabilidade, Fiscalidade, Auditoria e Direito das Sociedades

Em 2007, tendo em consideração que as declarações de início de actividade


ainda não preenchem os requisitos necessários para aquela comunicação, deve ser
enviada a declaração de modelo oficial divulgada pelas Circulares da DSIRC n. os 4/
/2001, de 14 de Fevereiro e 19/2002, de 28 de Junho (n.º 7, art.º 63.º, CIRC e Circular
n.º 6/2007).

2.2.3. Requerimento por alteração de perímetro

Sempre que se verifique a alteração da composição do grupo, pelo facto de terem


ocorrido alienações ou aquisições de participações, deve ser enviada pela sociedade
dominante nova comunicação à Direcção-Geral dos Impostos, por transmissão electró-
nica de dados, no prazo de três meses da verificação dos factos supra referidos, nos
termos das alíneas d) e e) do n.º 8 do artigo 63.º do CIRC.
Em virtude das declarações de alterações, cujo prazo de entrega ocorra durante
o ano de 2007, ainda não contemplarem os campos para aquelas comunicações, man-
têm-se igualmente em vigor as Circulares da DSIRC n. os 4/2001, de 14 de Fevereiro
e 19/2002, de 28 de Junho, assim como os modelos contemplados.
O modelo (Anexo 2 – Declaração de alterações) a utilizar para o efeito encontra-
-se definido na Circular n.º 19/2002, de 28 de Junho da Direcção de Serviços de IRC
onde se esclarece o seguinte:
a) A declaração poderá ser reproduzida por fotocópia ou processada informa-
ticamente, desde que seja esquematizada de acordo com o modelo anexo, de
preferência em formato A4.
b) Devem ser mencionadas na declaração de alterações as entradas de sociedades
que no início do período de tributação reúnem os requisitos legalmente exi-
gidos para entrarem para o grupo;
c) Devem ainda ser mencionadas nesta declaração as saídas de sociedades ocor-
ridas no período de tributação anterior.

Se tal procedimento não for adoptado a permissão existente cessa no exercício


em que se verifica a alteração na composição do grupo.
As empresas que entram ou saem no perímetro de “consolidação fiscal”, só são
consideradas no exercício anterior àquele em que deveria ser comunicada.
Tributação Especial dos Grupos de Sociedades 73

2.2.4. Fim de tributação

A aplicação do regime especial de tributação dos grupos de sociedades cessa


quando (n.º 8, art.º 63.º do CIRC):
– Deixe de se verificar algum dos requisitos de adesão;
– Ocorram as situações de exclusão referidas na delimitação do perímetro e a
respectiva sociedade não seja excluída do grupo ao qual o regime está a ser
ou pretende ser aplicado;
– O lucro tributável de qualquer das sociedades do grupo seja determinado com
recurso a métodos indirectos;
– Ocorram alterações na composição do grupo com a entrada de novas socieda-
des, sem que seja feita a sua inclusão no âmbito do regime;
– Ocorra a saída de sociedades do grupo por alienação da participação ou por
outras alterações na composição do grupo motivadas, nomeadamente, por
fusões ou cisões, sempre que a sociedade dominante não opte pela continui-
dade do regime em relação às demais sociedades do grupo.

Nos termos do n.º 9 do art.º 63.º, os efeitos acima referidos reportam-se ao final
do exercício anterior.

2.2.5. Casos especiais

Nos casos em que a participação tiver sido adquirida no âmbito de processo de


fusão, cisão ou entrada de activos, não é relevante o período durante o qual a parti-
cipação tiver permanecido na titularidade das sociedades fundidas, cindidas ou da
sociedade contribuidora.

2.3. Matéria colectável efectiva


2.3.1. Determinação do lucro consolidado

O lucro tributável do grupo é calculado pela sociedade dominante, através da


soma algébrica dos lucros tributáveis e dos prejuízos fiscais apurados nas declarações
periódicas individuais de cada uma das sociedades incluídas no perímetro de consoli-
dação, corrigido da parte dos lucros distribuídos entre as sociedades do grupo que se
encontre incluído nas bases tributárias individuais.
74 Temas de Contabilidade, Fiscalidade, Auditoria e Direito das Sociedades

De acordo com o n.º 6 do art.º 112.º CIRC, cada uma das sociedades do grupo,
dominante e dominadas, deve enviar a sua declaração periódica de rendimentos,
como se aquele regime não fosse aplicável, devendo ainda, a sociedade dominante
apresentar a declaração periódica de rendimentos relativa ao lucro tributável do
grupo.

2.3.2. Determinação da matéria colectável consolidada

A matéria colectável consolidada, calculada na declaração modelo 22 de IRC, no


quadro 09, no campo 311, obtém-se pela dedução ao lucro tributável inscrito no campo
382, dos montantes constantes nos campos 309 e 310, que, correspondem aos prejuízos
fiscais e aos benefícios fiscais, respectivamente.

2.3.3. Regime de dedução dos prejuízos fiscais

A utilização de prejuízos fiscais individuais e consolidados obedece aos requi-


sitos estipulados nos art. os 47.º e 65.º do CIRC.
Tal como nas empresas individuais, os prejuízos são reportáveis, nos termos e
prazos previstos no art.º 47.º do CIRC, a lucros tributáveis futuros, observando-se
ainda o disposto no art.º 65º do CIRC.
Ainda quanto ao reporte de prejuízos, é indispensável atender ao facto de a
matéria colectável ser determinada dentro do regime de consolidação ou após o termo
do regime de consolidação.
Dentro do regime de consolidação, o mesmo artigo distingue o reporte de pre-
juízos individuais (gerados antes deste regime), do reporte dos prejuízos consolidados
(gerados no regime).
Assim, de acordo com a alínea a) do n.º 1, do art.º 65.º, os prejuízos fiscais das
sociedades do grupo referentes a exercícios anteriores ao do início de aplicação do
regime só podem ser deduzidos ao lucro tributável do grupo até à concorrência do
lucro tributável da sociedade a que respeitam.
Por outro lado, de acordo com a alínea b), do n.º 1, do mesmo artigo, os prejuí-
zos fiscais do grupo apurados em cada exercício de aplicação do regime só podem ser
deduzidos aos lucros tributáveis do grupo.
De igual modo, após o termo do regime de consolidação, há também que iden-
tificar os prejuízos individuais (gerados antes do regime) dos prejuízos consolidados
(gerados no regime).
Neste sentido, a alínea c) do n.º 1, do referido artigo, dispõe que, terminada a
aplicação do regime, podem as sociedades do grupo deduzir os prejuízos anteriores,
Tributação Especial dos Grupos de Sociedades 75

nos termos e condições do n.º 1 do art.º 47.º, desde que não tenham sido deduzidos
ao lucro tributável do grupo.
Por sua vez, a alínea d) do n.º 1, do mesmo artigo prevê que, quando se verificar
a continuidade de aplicação do regime, após a saída de uma ou mais sociedades do
grupo, extingue-se o direito à dedução da quota-parte dos prejuízos fiscais respeitantes
àquelas sociedades.
No caso particular de fusões que envolvam sociedades abrangidas pela tributação
pelo lucro consolidado ou uma sociedade incorpore uma ou mais sociedades não perten-
centes ao grupo, podem ser reportados, para além de prejuízos fiscais consolidados, os
prejuízos das sociedades fundidas verificados em exercícios anteriores ao do início do
regime, até ao limite do lucro tributável da nova sociedade ou da sociedade incorporante,
desde que obtida autorização do Ministro das Finanças, prevista no art.º 69.º do CIRC.

2.3.4. A derrama no lucro consolidado

A derrama é um imposto municipal, lançado por cada município sobre os ren-


dimentos gerados na sua área geográfica. Até ao exercício de 2006 inclusive, era um
imposto acessório do IRC, sendo por isso o mesmo liquidado sobre a colecta do IRC.
A partir do exercício de 2007, após a publicação da nova Lei das Finanças
Locais, a derrama a liquidar por cada município corresponderá a uma percentagem do
lucro tributável das empresas nele sedeadas ou das filiais, sucursais, escritórios ou
estabelecimentos nele localizados.
O cálculo da derrama deve ser efectuado tendo como base o lucro tributável
consolidado, passando o limite máximo a fixar-se em 1,5% do lucro tributável sujeito
e não isento de IRC, proporcionalmente correspondente ao rendimento gerado em cada
município.
A taxa a aplicar deverá ser a taxa média, ponderada, da distribuição geográfica
da massa salarial face à massa salarial total.

3. IMPACTO DA “CONSOLIDAÇÃO FISCAL”

3.1. Vantagens, desvantagens e limitações

Da opção pela aplicação do regime especial de determinação da matéria colectável


em relação a todas as sociedades do grupo podem advir vantagens, quando permitirem
o aproveitamento integral dos prejuízos das empresas do grupo (que podem ser dedu-
zidos aos lucros tributáveis agregados das restantes empresas, possibilitado pela comu-
76 Temas de Contabilidade, Fiscalidade, Auditoria e Direito das Sociedades

nicação dos prejuízos fiscais entre as sociedades pertencentes ao grupo) e bem assim,
pela dispensa de retenção na fonte nos rendimentos gerados dentro do grupo (alínea
e) do n.º 1 do art.º 90.º do CIRC) e do menor risco de correcção por parte da Admi-
nistração Fiscal dos débitos entre sociedades do grupo.
Outro dos fundamentos invocados para justificar a adopção deste regime está
directamente relacionado com a eliminação da dupla tributação económica dos divi-
dendos. Contudo, desde a entrada em vigor da actual redacção do art.º 46.º do CIRC,
este fundamento deixou de ser determinante, embora esta solução, ao permitir a com-
pensação de prejuízos entre as sociedades integradas no grupo, evite a dupla tributação
observada sob esta perspectiva.
Para além destes fundamentos, importa referir que a adopção de um regime de
tributação conjunta pode ser útil como instrumento indirecto de combate à fraude fiscal.
Quanto às desvantagens assumem particular relevância:
– a responsabilidade solidária das sociedades agrupadas pelo pagamento do
imposto agregado;
– o facto de o reporte da quota parte do prejuízo não poder ser utilizado quer
na matéria colectável do grupo quer na individual sempre que ocorra a saída
de uma empresa do perímetro de tributação;
– a exigência de formalidades e obrigações legais complementares.

O processo de “consolidação fiscal”, com as alterações decorrentes da Lei n.º 30


G/2000 de 29 de Dezembro, passou a ser de aplicação simples, uma vez que, nas suas
linhas essenciais, se traduz na determinação do lucro tributável do grupo com base na
soma algébrica dos lucros e prejuízos fiscais apurados nas declarações periódicas de
rendimentos de cada uma das sociedades do grupo, corrigido da parte dos lucros
distribuídos entre as empresas.

3.2. Distribuição da poupança fiscal

A cada uma das sociedades do grupo de consolidação poderá caber parte da


colecta consolidada e consequentemente da poupança fiscal gerada.
A imputação da poupança fiscal pode ser efectuada de acordo com as seguintes
hipóteses:
– A poupança fiscal pertence à dominante, dado que este facto só é possível por
haver lucro consolidado, e por sua vez, o lucro consolidado só existe porque
a dominante constitui um grupo;
Tributação Especial dos Grupos de Sociedades 77

– A poupança fiscal pertence às sociedades que tiveram prejuízo pois só é


possível se houver prejuízos utilizáveis no exercício. Este argumento só tem
sustentabilidade se as sociedades com prejuízo tiverem a possibilidade de os
recuperar nos 6 anos seguintes. As empresas que cederam prejuízos no exer-
cício ficam com o reporte de prejuízos individuais diminuído; e
– A poupança fiscal pertence às sociedades que geraram lucro, visto que só
acontece se existirem sociedades com matéria colectável.

A opção para a distribuição da poupança fiscal está sujeita a factores que influen-
ciam a decisão por uma ou outra das hipóteses supra referidas. Ela deve ser decidida
com base nas relações entre as empresas, tendo em conta a existência de expectativas
das sociedades que, actualmente com prejuízo, dentro de 6 anos sejam capazes de
gerar matéria colectável e assim utilizem o reporte dos prejuízos, não prejudicando
desta forma os interesses minoritários e o valor da sociedade numa hipotética transac-
ção, devido ao crédito fiscal aumentar o valor patrimonial da sociedade.

4. PAGAMENTO DE IMPOSTO

4.1. Responsabilidade pelo pagamento

Incumbe à sociedade dominante do grupo de empresas que fazem parte do pe-


rímetro de consolidação a responsabilidade pelo pagamento do imposto, cabendo às
restantes empresas a responsabilidade solidária por este pagamento, sem prejuízo do
direito de regresso pela parte do imposto que a cada uma delas respeita (art.º 107.º
CIRC).

4.2. Pagamentos por conta

Na primeira vez em que o regime é aplicado ocorre uma excepção à regra geral
sendo, neste caso, os pagamentos por conta calculados por cada uma das sociedades
envolvidas, nos termos do n.º 1 do art.º 97.º do CIRC e pagos por cada uma delas,
constituindo o seu somatório o imposto pago por conta da colecta consolidada. (n.º 5
do art.º 97.º do CIRC).
Nas consolidações recorrentes o pagamento é efectuado pela dominante, tendo
por base os elementos declarados na Modelo 22 consolidada do exercício imediata-
mente anterior.
78 Temas de Contabilidade, Fiscalidade, Auditoria e Direito das Sociedades

No exercício em que cesse a aplicação da tributação pelo regime especial, obser-


va-se o seguinte (n.º 7 do art.º 97.º do CIRC):
– Os pagamentos por conta a efectuar após a cessação são realizados por cada
uma das sociedades do grupo e calculados nos termos do n.º 1 do art.º 97.º do
CIRC.
– Quanto aos pagamentos por conta já efectuados pela sociedade dominante
nessa data, os mesmos serão tidos em consideração para efeitos do cálculo da
diferença que tiver a pagar ou a ser-lhe reembolsada nos termos do art.º 96.º.

No exercício seguinte àquele em que terminar a aplicação do regime especial de


tributação, os pagamentos por conta a efectuar por cada uma das sociedades do grupo
são calculados da forma indicada no parágrafo anterior, com base no imposto que lhes
teria sido liquidado relativamente ao exercício anterior se não estivessem abrangidas
pelo regime (n.º 6 do art.º 97.º do CIRC).

4.3. Pagamento especial por conta

O pagamento especial por conta (PEC) deve ser efectuado pela sociedade domi-
nante e corresponde ao somatório dos pagamentos especiais por conta apurados indi-
vidualmente, incluindo a sociedade dominante. Esta deverá proceder à sua entrega,
deduzindo ao valor global dos pagamentos especiais por conta o montante dos paga-
mentos por conta respectivos (n.º 12 do art.º 98.º do CIRC).

4.4. Benefícios fiscais e dedução à colecta

As deduções ao lucro tributável obedecem à hierarquia preconizada nos art. os 15.º


e 47.º do CIRC. A matéria colectável obtém-se pela dedução, ao lucro tributável, dos
prejuízos fiscais e dos benefícios fiscais eventualmente existentes.
Após estas deduções é calculada a colecta, a qual pode ser objecto de dedução
até à sua concorrência quanto à dupla tributação internacional, benefícios fiscais e
pagamento especial por conta, a efectuar no quadro 10 da Declaração de Rendimentos
Modelo 22.
Tributação Especial dos Grupos de Sociedades 79

5. CONCLUSÃO

As soluções apresentadas pelos direitos contabilísticos e fiscal para o fenómeno


dos grupos de sociedades são substancialmente diferentes.
O conjunto de empresas que podem integrar o perímetro de consolidação de
contas é bem mais amplo do que o permitido para o RETGS, por nós também desig-
nado por “consolidação fiscal”, já que o nível de participação exigido para efeitos
fiscais é, pelo menos, de 90%.
De igual modo, os métodos e técnicas de consolidação divergem profundamente
desde a entrada em vigor das alterações vertidas na Lei n.º 30-G/2000, de 29 de
Dezembro. Efectivamente, a determinação do lucro tributável do grupo deixou de ser
efectuada pela aplicação do método de consolidação integral, à semelhança do que
ocorre na consolidação contabilística, para passar a ser determinada pela soma algé-
brica dos lucros tributáveis e prejuízos fiscais individuais das sociedades agrupadas.
Também a localização das empresas é determinante para o efeito, uma vez que
sob o ponto de vista fiscal apenas podem ser consideradas as que possuem sede ou
direcção efectiva em território português.
Outra diferença que importa assinalar é a do carácter obrigatório da consolidação
contabilística, por oposição ao carácter facultativo aplicável ao regime especial de
tributação dos grupos de sociedades.
À semelhança do que acontece para as contas individuais, a dicotomia contabi-
lidade/fiscalidade subsiste quando estamos na presença dos grupos de empresas.

BIBLIOGRAFIA

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jurídica da empresa plurissocietária, 2.ª Ed. Coimbra: Almedina.
BELO, Luís (2001). Algumas Reflexões ao Nível do Impacto sobre os Grupos Económicos da
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Tributação dos Grupos de Sociedades. “Fisco”, Lisboa, 14 (107/108) Mar. 2003, p. 3-9.
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Legislação
Decreto-Lei nº 414/87, de 31 de Dezembro.
Decreto-Lei nº 442-B/88, de 30 de Novembro.
Lei n.º 2/2007, de 15 de Janeiro.
Lei n.º 30-G/2000, de 29 de Dezembro.
80 Temas de Contabilidade, Fiscalidade, Auditoria e Direito das Sociedades

Instruções administrativas da Direcção-Geral dos Impostos – Direcção de Serviços do IRC


Circular n.º 4/2001, de 14 de Fevereiro.
Ofício-Circulado n.º 20041/2001, de 16 de Março.
Circular n.º 5/2002, de 2 de Abril.
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