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A "dupla-excepcionalidade" é a definição dada a para indivíduos que possuem alta

performance em determinadas áreas ou pontos específicos, mas que por outro lado,
apresentam comportamentos desordenados ou até mesmo deficiências incompatíveis com as
características de superdotação ou altas habilidades. Infelizmente ainda pouco se trabalhou
neste tema. Sendo assim a maioria dos reconhecimentos destas duplicidades é feita em
análises de processos terapêuticos.

O caso que descreverei a seguir é de um menino de 13 anos e dois meses. Narrarei apenas
uma parte do processo, pois é muito longo. Diagnosticado com altas habilidades, com uma
média de coeficiente de inteligencia pelo menos dois terços acima da média para a idade,
observado em diferentes áreas de habilidades. A pesar de ter um vocabulário bastante
complexo, com uso de superlativos e palavras de sentidos complexos, tem enormes
dificuldades de relacionamento, independência e controle de emoções. Foi diagnosticado
também com TOD (Transtorno Opositor Desafiador) e TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção
e Hiperatividade) por sua Psiquiatra. Em primeiro momento, parece um menino calmo, polido
e atento. Por conta de problemas hormonais, é menor do que os garotos de sua idade, o que
lhe causa certa instabilidade e incoerência nas relações com os pais. Tem comportamento
regredido em casa: até bem pouco tempo, usava mamadeira, não se vestia sozinho, dormia
com a mãe e pedia que ela o limpasse depois de evacuar. O pai é ausente. O menino
apresenta tendencias fortes de narcisismo. Por vezes apresenta comportamento manipulador.

Estamos no quinto mês de processo terapêutico. Ele tem se mostrado bastante aberto ao
tratamento, sobretudo dentro do consultório. Comecei acolhendo a ele e sobretudo a mãe que
parecia bastante perturbada com a situação do filho, pois não conseguia retirar dele estes
hábitos regredidos. Sofria também com alguns abusos e comportamentos regredidos.
Expliquei a mãe o processo que deveríamos começar. Percebi que ele estava objetificando a
mãe. Desse processo dele, o resultado era de transferência para a mãe de toda a sua
frustração, raiva e dificuldade. Ao mesmo tempo que ele a representava como imaculada, a
referia com desprezo em momentos de tensão.

Expliquei a mãe quais as ações que se encontravam deficitárias no processo de crescimento


psíquico do menino, ao mesmo tempo que procurei no passado da mãe, descobrir de onde
vinha a tolerância e reforço destes comportamentos dele. Com ele, trabalhei questões
vinculadas a auto-estima e percepção das mudanças que está passando. Resumidamente,
junto com a mãe, colocamos em prática uma estratégia de “castração tardia”, impondo limites
aos comportamentos regredidos, sobretudo. Deixei claro para ela, que era a única pessoa
poderia resolver essas questões com a proposição de contornos para ele. O resultado é que
tivemos alguns avanços. Ele dorme em seu quarto a dois meses e se veste sozinho. Melhorou
o relacionamento com os colegas na escola. Ainda apresenta episódios de fúria, mas tem se
tornado cada vez mais espaçados. Passou a negociar seus desejos, em detrimento dos da
mãe. Seguimos com a terapia até os dias de hoje.